Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais Financiamento FINEP – FNDTC/NEPP/Regiões Metropolitanas Estudos Regionais Pólo Econômico de Bauru Organizadores: Claudio Dedecca, Lilia Montali, Rosana Baeninger Março/2009 FINEP/NEPP/NEPO/IE UNICAMP Pólo Econômico de Bauru Pólo Econômico de Bauru 2 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................................. 5 CAPÍTULO 1 – ECONOMIA E MERCADO DE TRABALHO ............................................................ 7 Claudio Dedecca CAPÍTULO 2 - DINÂMICA DEMOGRÁFICA .............................................................................. 27 Rosana Baeninger e Claudia Gomes de Siqueira Introdução ................................................................................................................... 27 Evolução da População ............................................................................................... 30 Tendência do crescimento da população..................................................................... 39 Movimentos Migratórios Inter e Intra-regional .............................................................. 51 Estrutura Etária – RG de Bauru ................................................................................... 67 Referências Bibliográficas ........................................................................................... 74 ANEXO I - Municípios da Região de Governo de Bauru .............................................. 75 CAPITULO 3 - A QUESTÃO SOCIAL NO PÓLO REGIONAL DE BAURU ....................................... 77 Lilia Montali, Eugenia Troncoso Leone e Stella B. Silva Telles Introdução ................................................................................................................... 77 1. Renda, Pobreza e Desigualdade no Pólo Regional de Bauru .................................. 77 2. Mudanças no domicílio, na inserção domiciliar no mercado de trabalho e as políticas sociais ......................................................................................................................... 84 2.1. Mudanças nos arranjos domiciliares: configurações e tamanho............................ 86 2.2. Mudanças nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e na provisão dos domicílios. .............................................................................................. 98 2.3. Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento................................ 109 2.4 A mulher e a renda dos domicílios: 1991-2000 .................................................... 124 3. Políticas sociais no Pólo Regional de Bauru .......................................................... 135 3.1. Os programas de transferência de renda no Pólo Regional de Bauru - Mapeamento e Acesso.................................................................................................................... 136 3.2. Educação Básica no Pólo Regional de Bauru ..................................................... 151 3.3. Atenção Básica à Saúde e Acesso às Ações e Serviços de Saúde ................... 168 Referências Bibliográficas ......................................................................................... 184 Pólo Econômico de Bauru 3 Pólo Econômico de Bauru 4 Apresentação Nesses últimos 20 anos, a dinâmica socioeconômica paulista não mais se associa a dualidade região metropolitana – interior prevalecente até os anos 70. Novas regiões metropolitanas se consolidaram, outras se encontram em processo de formação e pólos regionais com algum grau de integração econômica vêm sendo constituídos. Essa nova configuração impõe tanto um melhor conhecimento da dinâmica espacial como a construção de instrumentos de política pública adequados da estrutura socioeconômica do Estado de São Paulo. A implantação de bases industriais em diversas regiões do interior do Estado e o revigoramento da atividade agrícola, nestes quase 30 anos, induziram um processo de transformação substantiva da configuração econômica e social do interior do Estado, que tem resultado em progressiva metropolização, bem como na constituição de diversos pólos econômicos com alguma integração e especialização no espaço local. Os desequilíbrios sociais hoje presentes no Estado exigem a construção de um diagnóstico mais integrado de sua diversidade regional, que apóie adequadamente a elaboração de políticas públicas mais consistentes para o desenvolvimento econômico e social paulista. Este projeto tem o propósito de produzir um mapa da dinâmica socioeconômica do Estado com foco nas regiões metropolitanas e em alguns pólos econômicos, que possibilite acesso estruturado e rápido à informação básica para a elaboração e implementação das políticas públicas para o desenvolvimento estadual. Três eixos temáticos são adotados na análise e no sistema informação produzidos: i. economia e trabalho, ii. dinâmica demográfica; e iii. proteção social. Os dois primeiros eixos articulam as dinâmicas econômica, social e demográfica. O último congrega, no âmbito das políticas públicas, o acesso dos segmentos específicos da população, a disponibilidade de equipamentos e de serviços pelos órgãos competentes e o perfil das recentes políticas de transferência de renda. Em suma, este projeto espera contribuir para a compreensão da complexidade econômica e social presente no Estado, bem como para o desenho e a gestão das políticas públicas voltadas para o Estado de São Paulo. Pólo Econômico de Bauru 5 Pólo Econômico de Bauru 6 Capítulo 1 – Economia e Mercado de Trabalho1 Segundo estimativa da Fundação Seade, o pólo de Bauru tem uma população residente de aproximadamente 586 mil pessoas, segundo informações para o ano de 2005. Do total da população do Estado de São Paulo, o pólo de Bauru representa cerca de 2%, sendo que os municípios mais expressivos são Bauru, com mais da metade da população, e Lençóis Paulista (10%), o que indica que esses dois municípios são importantes para se entender a conformação do mercado de trabalho, nesta região. Ao observar a dinâmica demográfica e econômica dentro do Estado de São Paulo, na primeira metade da atual década, percebe-se que o pólo apresentou uma taxa anual de crescimento populacional de 1,5%, entre os pólos regionais deste estudo, ficando pouco acima da média das regiões. Apesar de possuir participações relativamente baixas no total da população e do produto, esse pólo tem se mostrado uma peça importante, tanto em termos demográficos como em termos econômicos, no interior do estado de São Paulo. Tabela 1 Evolução da População Residente Pólo de Bauru, 2000-2005 Taxa anual de População total 2000 2005 crescimento Pólo de Bauru 544.394 586.324 1,5 Agudos 32.484 34.347 1,1 Arealva 7.244 7.505 0,7 Avaí 4.596 4.628 0,1 Balbinos 1.313 1.339 0,4 Bauru 316.064 343.450 1,7 Borebi 1.933 2.258 3,2 Cabrália Paulista 4.656 5.038 1,6 Duartina 12.475 13.135 1,0 Iacanga 8.282 8.694 1,0 Lençóis Paulista 55.042 60.331 1,9 Lucianópolis 2.154 2.126 (0,3) Macatuba 15.752 17.077 1,6 Paulistânia 1.891 1.849 (0,4) Pederneiras 36.614 39.076 1,3 Pirajuí 20.095 20.894 0,8 Piratininga 10.584 11.186 1,1 Presidente Alves 4.317 4.336 0,1 Reginópolis 4.742 4.864 0,5 Ubirajara 4.156 4.191 0,2 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Cabe destacar a relevância da dinâmica econômica e do mercado de trabalho para questões que envolvam dificuldades ocupacionais, como renda e qualidade de vida. Bauru e 1 Ficha Técnica: Coordenação: Claudio Dedecca, Auxiliares de pesquisa: Adriana Jungbluth, Cassiano Trovão, Camila Ribeiro, Fernando Hajime. Pólo Econômico de Bauru 7 região podem ser exercer razoável atratividade para pessoas que buscam melhores condições de trabalho, pois a região tem se inserido de forma intensa na dinâmica de recuperação recente da atividade econômica brasileira. Os municípios com maior participação, em termos populacionais, apresentaram taxas de crescimento anuais da ordem de 1,7%, para Bauru, e 1,9%, para Lençóis Paulista, superiores a média do Estado e da RM de São Paulo, o que indica que o pólo de Bauru revela fortes atrativos demográficos. Deve-se ainda destacar que sua participação na atividade industrial no interior do estado de São Paulo não é muito alta, porém, tanto a região como o setor tem sido favorecidos pela recente recuperação da economia brasileira. As ocupações do setor industrial e de serviços representam, em conjunto, mais de 80% da atividade econômica. Gráfico 1 - Participação do Valor Adicionado e da População do Pólo de Bauru nos Totais do Estado de São Paulo, Estado de São Paulo, 2002/2005 2,5 2,0 2,0 Valor Adicionado 2,0 População 1,5 1,1 1,1 1,0 0,5 0,0 2002 2005 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. O pólo apresentou um crescimento da população acima dá média, em comparação com as outras regiões, mas, sua participação, tanto em termos de número de pessoas quanto em relação ao valor adicionado, permaneceu estável. Apesar disto, não se pode deixar de levar em conta que há uma tendência de que a recuperação recente da economia, principalmente da atividade industrial, é de suma importância para aquecer a dinâmica econômica e do mercado de trabalho regional na primeira metade da atual década. Pólo Econômico de Bauru 8 Esse movimento fica mais aparente quando se analisa a evolução recente do valor adicionado das diversas regiões metropolitanas e pólos, que são objeto deste estudo, permitindo situar absoluta e relativamente o desempenho econômico do Pólo de Bauru, no âmbito do Estado. Gráfico 2 - Taxas Anuais de Crescimento do Valor Adicionado, segundo Regiões Geográficas e Pólos Econômicos, Estado de São Paulo, 2002-2005 Total 3,0 Demais municípios 1,2 Presidente Prudente (0,3) Araçatuba 0,5 São José do Rio Preto 0,2 Bauru 4,2 Ribeirão Preto 3,8 RM de Campinas 5,6 Sorocaba 5,4 São José dos Campos (2,2) RM da Baixada Santista 2,0 RM de São Paulo 3,8 (3,0) (2,0) (1,0) - 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Ao longo da recuperação econômica recente da economia brasileira, o Estado de São Paulo conheceu um crescimento anual de seu produto interno bruto da ordem de 3% ao ano. O pólo de Bauru apresentou um crescimento do valor adicionado de 4,2 %, ao ano, que se mostrou superior à média do estado, perdendo apenas para a Região Metropolitana de Campinas e para o pólo econômico de Sorocaba, indicando um crescimento do produto com potencial capacidade de incorporação da população no mercado de trabalho regional, principalmente no mercado formal. A recuperação da economia brasileira no período recente tem grande importância para entender as dinâmicas econômicas e do mercado de trabalho, em razão da significativa capacidade dela dinamizar tanto a produção como a geração de empregos formais, fato que tem contribuído tanto para a redução do desemprego como para a recomposição da renda. . Pólo Econômico de Bauru 9 O pólo de Bauru tem sido beneficiado pela dinâmica de crescimento econômico recente, apresentando um setor industrial robusto, que cresceu a uma elevada taxa anual de 6,8% na primeira metade dessa década. Gráfico 3 - Taxas Anuais de Crescimento do Valor Adicionado Pólo de Bauru, 2002 - 2005 6,8 7,0 4,7 5,0 4,6 4,2 3,0 1,0 1,0 -1,0 -3,0 -5,0 -5,7 -7,0 Agroindústria Indústria Serviços Setor Privado Total Administração Pública Total Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE; Fundação Seade. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. O crescimento do setor privado se deu a uma elevada taxa de 4,6% ao ano, entre 2002 e 2005, mesmo com a atividade agrícola apresentando perdas significativas, em termos de produto. Nesse período, a atividade industrial, que representa cerca de 24% do produto total do pólo, foi a grande responsável pelo crescimento da atividade econômica. Ele tem criado condições para compatibilizar a geração de oportunidades ocupacionais com crescimento populacional da região. A indústria tem se mostrado peça chave na absorção da oferta de trabalho da região no período recente de crescimento econômico. A participação dos serviços nesse pólo é relevante e apresentou crescimento significativo, porém, não se pode deixar de perceber que a indústria ainda se mostra importante e contribuiu significativamente para o crescimento do produto, permitindo com que esse pólo ficasse em terceiro lugar em termos de desempenho dentre as regiões contempladas por esse estudo. Pólo Econômico de Bauru 10 No que se refere aos fatores estruturais da dinâmica econômica da região, pode-se perceber que o contexto de crescimento e de recuperação econômica recente, fortalecendo o setor industrial e proporcionando um robusto crescimento anual, reitera a conformação da estrutura econômica, cujos pilares mestres ainda são a indústria e o setor de serviços. No entanto, deve-se salientar que o crescimento industrial é de suma importância como fonte geradora de postos de trabalho e que se mostra como o carro-chefe entre os fatores que permitem alterações significativas sobre o mercado de trabalho da região. Gráfico 4 - Composição do Valor Adicionado e da população, segundo municípios Pólo de Bauru, 2005 Ubirajara Reginópolis Presidente Alves Piratininga Pirajuí Pederneiras Paulistânia Macatuba Lucianópolis Lençóis Paulista População Iacanga Valor adicionado Duartina Cabrália Paulista Borebi Bauru Balbinos Avaí Arealva Agudos - 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Fonte: Fundação Seade. Elaboração Própria Esse movimento apresenta diferenças importantes quando se analisa a composição do valor adicionado e da população segundo municípios do pólo de Bauru, que permite avaliar tanto a contribuição de cada um deles para o produto da região, como as possíveis disparidades das dimensões da atividade econômica e da população na região. O gráfico 4 explicita a dinâmica existente entre população e produto. Municípios como Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras encontram-se em posições favoráveis, no que se refere à participação do produto na estrutura da população. A conclusão a que se pode chegar é que esses municípios aparecem em uma situação mais vantajosa, pois seu produto é relativamente superior ao contingente populacional, o que não implica, Pólo Econômico de Bauru 11 necessariamente, que haverá uma melhor distribuição dos recursos. Ademais, deve-se ter em mente que o crescimento do produto, e a ampliação da relação produto-população são importantes, pois implicam no crescimento do número de postos de trabalho, principalmente pela via da indústria que se mostrou muito forte no pólo de Bauru. O fato relevante que se pode destacar é que o município de Bauru, sozinho, representa mais da metade de todo o valor adicionado da região, o que indica que possivelmente esse município continue sendo o motor que impulsiona o crescimento do produto da região. Bauru, sendo o principal centro econômico e maior município do Oeste Paulista, fomenta o crescimento regional e possui um forte setor de serviços, porém, o setor industrial, que ainda se mostra importante na composição do produto do pólo, possui algumas empresas líderes nacionais em atividades como alimentos e bebidas e atividades gráficas, apresentando ligação com o comércio internacional. Quanto aos demais municípios, se percebe que, no que tange à relação populaçãoproduto, ainda encontram-se em situação menos favorável. Como mencionado anteriormente, o produto da região cresceu anualmente, durante a primeira metade desta década, 4,2%, o que faz com que se suponha que o crescimento econômico continua sendo condição indispensável para que esses municípios consigam absorver adequadamente a oferta de trabalho e viabilizar melhores remunerações para seus trabalhadores. Tanto o crescimento da população em idade ativa quanto o da população economicamente ativa, ao longo dos anos 2000, aparecem como indicadores de que a região continuará a demandar um aumento razoável da atividade econômica para permitir tanto uma absorção adequada da oferta de trabalho como para viabilizar uma elevação das remunerações em seu mercado de trabalho. O resultado da compilação dos dados do Censo Demográfico de 2000, no que tange a estrutura do mercado de trabalho, neste pólo, mostra que, juntos, os municípios de Bauru e Lençóis Paulista representam pouco menos de 70% da PIA e da PEA. Vale destacar a elevada participação do município de Bauru, que responde por mais da metade do total. Quando ao desemprego, nota-se que Bauru, com elevada participação do total da população economicamente ativa, apresenta um indicador de desemprego pouco acima da média do pólo. Pólo Econômico de Bauru 12 Tabela 2 Participação dos municípios, segundo indicadores de mercado de trabalho e taxas de desemprego Pólo de Bauru, 2000 Taxa de PIA PEA Desemprego 100,0 100,0 14,9 Pólo de Bauru Agudos 5,8 5,8 19,6 Arealva 1,3 1,3 9,6 Avaí 0,8 0,7 8,9 Balbinos 0,3 0,2 18,4 Bauru 58,5 59,7 15,0 Borebi 0,3 0,3 11,0 Cabrália Paulista 0,8 0,8 9,2 Duartina 2,4 2,3 10,9 Iacanga 1,6 1,6 12,8 Lençóis Paulista 10,1 10,1 16,0 Lucianópolis 0,4 0,4 4,2 Macatuba 2,9 2,7 15,8 Paulistânia 0,3 0,3 3,5 Pederneiras 6,6 6,5 15,0 Pirajuí 3,5 3,1 16,3 Piratininga 2,0 1,9 12,0 Presidente Alves 0,8 0,7 7,4 Reginópolis 0,9 0,8 10,2 Ubirajara 0,7 0,7 8,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Apesar da sua baixa taxa de crescimento populacional, Agudos reponde pela maior taxa de desemprego da região (19,6%), indicando que o município ainda sofre grandes dificuldades em absorver a oferta de mão-de-obra. Ademais, deve-se destacar que Bauru e Lençóis Paulista, com elevadas taxas de crescimento populacionais, ainda não conseguem absorver um contingente significativo de trabalhadores, apresentando taxas de desemprego acima da média do pólo, o que implica afirmar, mais uma vez, que o crescimento econômico se faz necessário para que haja uma melhora nessa situação. A recuperação do nível de atividade pode se traduzir em geração de novos postos de trabalho, mas pode também não atenuar os problemas de renda e mesmo aqueles do mercado de trabalho, observados nos municípios com maior participação da PEA. Esta constatação reitera a importância de se pensar em ações de fomento à atividade econômica e à geração de empregos em uma perspectiva regional, que contemple a espacialidade da distribuição populacional. A questão migratória é importante para se observar o movimento conjunto da economia e do mercado de trabalho, em especial, quando se observam condições econômicas favoráveis e se estas serão capazes de favorecer uma maior absorção da Pólo Econômico de Bauru 13 população pelo mercado de trabalho e se este será capaz de garantir melhores remunerações. Tabela 3 Participação da população por município e por condição de migração Pólo de Bauru, 2000 Natural Até 3 anos Pólo de Bauru 51,8 2,3 Agudos 59,7 1,2 Arealva 59,6 1,3 Avaí 49,5 3,0 Balbinos 36,3 3,3 Bauru 48,0 2,6 Borebi 39,7 3,5 Cabrália Paulista 44,8 1,4 Duartina 54,7 1,8 Iacanga 55,4 2,3 Lençóis Paulista 56,5 2,0 Lucianópolis 53,9 0,7 Macatuba 56,3 1,5 Paulistânia 53,9 9,3 Pederneiras 60,1 2,1 Pirajuí 64,5 1,8 Piratininga 54,4 1,9 Presidente Alves 44,2 2,6 Reginópolis 55,6 3,2 Ubirajara 60,0 0,7 4 a 9 anos 10 anos e mais 4,0 41,9 3,4 35,7 2,4 36,6 6,5 40,9 6,8 53,6 4,3 45,2 4,9 51,9 3,2 50,6 2,9 40,6 2,7 39,6 3,3 38,3 2,7 42,7 6,0 36,2 4,4 32,4 3,3 34,5 3,4 30,3 3,0 40,7 5,3 47,9 2,5 38,7 3,8 35,5 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. O Censo demográfico de 2000 é capaz de mostrar como o pólo de Bauru é composto por uma população predominantemente natural ou que reside em seus municípios a mais de 10 anos, indicando assim que a região não se mostra um espaço relevante para a imigração de mão-de-obra. A continuidade do crescimento econômico poderá se traduzir num incremento da sua população, podendo tornar a região atrativa em termos migração para seu mercado de trabalho. A população que reside na região há menos de 10 anos apresenta dimensão restrita. Os municípios que mais se afastam dessa situação são: Paulistânea e Balbinos, que apresentam cerca de 13% e 10%, respectivamente, de pessoas nessa condição (Tabela 3). A condição do crescimento econômico atual aponta para uma tendência de alteração da configuração do mercado de trabalho, tanto pelo lado da criação de novos postos de trabalho como por possíveis modificações na estrutura das remunerações. Quanto às remunerações, devem-se fazer algumas considerações e apresentar os resultados que podem ser extraídos da compilação dos dados do Censo demográfico de 2000. Uma das principais questões que aparece diz respeito à possibilidade de alteração do quadro observado no início da década atual, promovida pela dinamização da economia, sob a ótica do crescimento recente do produto. Pólo Econômico de Bauru 14 O foco, nesse sentido, é a diferenciação dos municípios, no que concerne aos estratos de renda, por meio de alguns indicadores capazes de identificar características importantes para se entender a estrutura de renda, na década passada. A taxa de formalização representa a proporção dos ocupados que contribuem para a previdência social no total dos ocupados. De maneira geral o que se pode perceber é que cerca de 66% dos trabalhadores da região estavam inseridos no mercado de trabalho formal. Esse dado indica que uma parcela significativa da população ocupada ainda se encontrava inserida de forma precária, isto é, informalmente no mercado de trabalho. Tabela 4 Taxa de Formalização segundo Municípios e Intervalos decílicos de Renda Domiciliar Pólo de Bauru, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Bauru 46,5 59,1 59,6 63,1 64,6 67,7 70,3 72,5 75,1 76,7 66,7 Agudos 59,5 62,0 65,0 71,4 70,5 64,1 70,3 75,4 75,6 72,9 68,2 Arealva 47,0 48,4 38,1 49,4 38,3 57,0 48,7 53,8 53,1 69,7 48,6 Avaí 61,4 55,3 45,1 51,5 60,4 87,6 56,5 43,5 82,6 57,3 57,6 Balbinos 55,9 74,7 57,3 53,0 51,3 45,9 41,0 91,7 33,3 100,0 57,4 Bauru 37,3 55,5 57,9 62,6 63,7 67,8 70,1 73,0 74,3 76,8 67,0 Borebi 48,4 63,8 53,4 39,6 37,3 54,4 74,6 79,6 100,0 52,7 Cabrália Paulista 62,0 71,7 55,6 66,2 74,1 73,7 76,8 75,5 100,0 74,5 68,0 Duartina 50,9 51,3 52,6 57,0 64,8 63,9 61,4 71,6 72,4 78,3 59,6 Iacanga 53,4 48,2 48,9 45,8 54,9 60,0 53,4 63,4 62,9 60,1 54,1 Lençóis Paulista 53,9 67,3 73,5 71,5 67,3 71,8 75,3 75,8 79,8 84,1 73,0 Lucianópolis 50,6 58,9 42,1 59,6 47,6 31,9 56,6 35,4 100,0 50,7 Macatuba 58,9 72,1 64,7 79,2 69,5 71,1 71,7 79,1 71,1 82,4 71,4 Paulistânia 71,2 49,6 61,3 70,8 57,4 59,0 73,5 53,9 75,4 85,2 64,3 Pederneiras 63,7 68,8 64,5 60,8 73,1 68,7 69,4 71,4 80,9 77,5 69,2 Pirajuí 42,9 59,6 63,6 50,5 67,4 84,6 80,8 78,1 80,1 81,8 67,1 Piratininga 44,5 57,8 64,2 66,3 61,6 63,6 65,6 60,0 84,1 63,1 63,4 Presidente Alves 66,1 76,6 64,6 54,4 70,8 44,0 75,6 71,2 54,5 53,5 63,3 Reginópolis 44,3 54,9 57,5 50,3 59,6 60,3 75,0 53,1 66,4 61,3 57,4 Ubirajara 39,7 50,4 36,1 61,2 44,9 51,2 67,4 30,1 58,5 56,5 46,8 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Ubirajara e Arealva são municípios cuja atividade informal de trabalho mostrava-se muito elevada, mais da metade dos ocupados dessas localidades, não possuíam carteira de trabalho assinada, no início da atual década. Já os municípios que apresentaram as maiores taxas de formalização foram os municípios de Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras, cujas taxas foram próximas de 73%, 71% e 69%, respectivamente. O que se pode destacar é que a recuperação da atividade econômica, principalmente do setor industrial, pode ser importante tanto para manter uma alta taxa de formalização quanto para melhorar a situação dos mercados de trabalho, que ainda se mostram fortemente ligados à informalidade. O setor industrial é um dos principais responsáveis pela geração de postos de trabalho formais, seja pela necessidade de formalização das empresas para obtenção de crédito, movimento atual e crescente na economia brasileira, seja pela própria eficácia de fiscalização da atividade industrial, que se mostra mais eficiente que na atividade dos serviços. Pólo Econômico de Bauru 15 Os indicadores referentes ao mercado de trabalho, quando analisados por classes de rendimento, representadas por intervalos decílicos, podem ser de suma importância para se identificar características próprias de cada segmento de renda. A tabela 3 indica uma tendência geral de que quanto maior o estrato de renda menor é a proporção dos ocupados que se encontram no mercado informal de trabalho. Pode-se observar que os estratos inferiores apresentam baixas taxas de formalização o que indica que municípios como Bauru e Ubirajara apresentavam mais de 60% dos ocupados mais pobres como trabalhadores informais. Isso mostra que ocupações de baixa remuneração eram e são partes integrantes do setor informal da economia, quadro esse que pode se alterar, sob o advento recente da recuperação econômica, se esta puder ser sustentada ao longo do tempo. Fazem-se necessárias algumas considerações sobre a configuração do desemprego, no início da década atual, quanto às classes de renda. Como apresentado anteriormente, o pólo de Bauru apresentou elevadas taxas de desemprego, no entanto, a questão relevante que deve ser explicitada, refere-se às diferenças entre os estratos de renda. Nota-se uma tendência inexorável de que quanto menor a remuneração maior é a taxa de desemprego. Isso indica que o mercado de trabalho apresentava-se, em 2000, com problemas estruturais, pois a população com maiores dificuldades, em termos de remuneração, é aquela que mais sofre com a situação de elevado desemprego (tabela 5). Os primeiros e segundos intervalos decílicos, em média, apresentaram taxas de desemprego próximas a 30%, com alguns casos podendo chegar a mais de 40%, situação muito grave, principalmente por que essas pessoas representam os 20% mais pobres da população. Já os 10% mais ricos da estrutura do mercado de trabalho deparam-se com uma taxa muito mais baixa de desemprego, inferiores a 10%, com exceção do município de Macatuba, onde os 10% mais ricos sofrem igualmente com uma elevada taxa de desemprego, acima de 20%. Pólo Econômico de Bauru 16 Tabela 5 Taxa de Desemprego segundo Municípios e Decis de Renda Domiciliar Pólo de Bauru, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Bauru 34,4 23,1 19,2 15,3 14,2 12,9 11,1 9,7 8,2 5,8 14,9 Agudos 47,2 26,8 23,4 18,3 16,3 12,3 6,9 10,0 10,8 2,6 19,6 Arealva 29,1 10,4 6,2 9,8 7,4 9,5 3,5 6,4 4,2 2,4 9,6 Avaí 22,6 11,1 5,8 5,5 5,5 5,2 6,6 4,0 4,9 10,3 8,9 Balbinos 19,7 23,7 34,3 13,7 25,2 23,1 18,4 Bauru 36,7 26,5 20,9 16,2 15,4 14,1 12,1 10,6 8,6 5,9 15,0 Borebi 10,7 14,8 12,2 4,7 10,8 12,2 12,3 8,9 11,0 Cabrália Paulista 18,8 9,2 7,4 6,7 7,6 6,6 8,8 7,0 9,2 Duartina 25,6 14,5 8,4 13,5 5,8 10,9 4,0 2,4 8,4 3,8 10,9 Iacanga 29,1 19,4 18,3 7,8 11,2 12,2 6,7 6,5 5,2 7,0 12,8 Lençóis Paulista 40,0 31,4 23,0 18,1 14,4 12,3 12,3 9,2 6,8 2,6 16,0 Lucianópolis 9,1 5,7 6,1 4,2 Macatuba 27,4 18,0 19,8 11,9 22,0 15,5 5,8 8,0 8,9 23,0 15,8 Paulistânia 11,3 7,0 3,5 10,9 3,5 Pederneiras 31,6 17,3 21,7 13,2 11,2 10,3 10,9 6,5 9,2 7,2 15,0 Pirajuí 31,7 21,1 15,7 23,1 12,3 15,5 10,0 8,9 2,9 1,9 16,3 Piratininga 25,4 12,9 14,4 11,4 11,7 7,8 8,9 12,2 5,2 11,4 12,0 Presidente Alves 22,1 11,6 7,6 1,5 5,1 6,3 15,5 4,6 7,4 Reginópolis 21,8 14,5 17,2 12,0 5,1 2,0 2,9 6,6 7,6 10,2 Ubirajara 13,0 8,8 6,2 10,4 10,1 2,2 15,2 8,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Outro indicador que se deve observar é a taxa de assalariamento, que representa a participação dos trabalhadores empregados sobre o total dos ocupados. Pode-se perceber que, com exceção de Arealva, os outros municípios que compõem o pólo de Bauru possuem mais de 60% dos seus ocupados sob a forma de remuneração assalariada. Tabela 6 Taxa de Assalariamento segundo Municípios e Decis de Renda Domiciliar (1) Pólo de Bauru, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Bauru 54,6 67,1 64,3 68,5 69,7 70,0 70,2 69,9 65,4 55,3 66,1 Agudos 67,4 73,6 66,3 67,5 71,6 63,8 75,8 78,4 65,9 54,1 69,1 Arealva 56,7 65,9 53,8 58,7 59,2 66,1 47,6 50,3 56,2 75,6 59,0 Avaí 81,4 71,6 65,4 68,0 68,6 87,3 70,8 48,7 72,9 75,0 70,8 Balbinos 66,3 100,0 100,0 79,0 65,4 67,0 48,4 100,0 66,7 73,2 76,2 Bauru 42,7 60,6 58,6 65,8 67,8 69,1 68,7 70,7 65,6 55,9 64,0 Borebi 64,1 75,4 92,4 67,1 56,0 66,3 78,8 79,6 72,6 Cabrália Paulista 76,0 87,5 77,6 78,9 88,4 70,6 69,4 60,9 60,5 21,9 76,6 Duartina 72,8 65,3 64,0 70,2 71,5 62,6 60,0 57,6 42,3 48,3 63,6 Iacanga 67,6 73,2 59,8 69,3 74,9 73,4 70,5 55,5 39,2 49,1 65,1 Lençóis Paulista 54,4 75,9 73,9 77,6 68,0 74,6 73,4 73,8 71,9 53,6 71,4 Lucianópolis 71,4 90,5 61,2 100,0 77,7 59,8 93,6 54,7 56,3 75,3 Macatuba 75,7 82,1 73,6 81,7 87,8 78,1 74,1 79,1 65,6 56,6 77,4 Paulistânia 67,7 52,1 73,0 52,8 65,2 69,9 78,8 62,6 62,6 54,3 63,8 Pederneiras 61,4 72,6 71,6 67,9 78,9 70,5 72,9 63,4 70,0 50,8 69,4 Pirajuí 59,3 67,4 68,9 66,2 74,4 86,8 81,0 68,5 61,0 52,9 68,9 Piratininga 61,6 61,6 60,9 69,4 57,7 66,7 65,6 61,7 64,5 45,3 61,5 Presidente Alves 78,6 84,0 75,9 68,6 82,4 76,1 74,2 63,1 53,1 57,1 73,9 Reginópolis 69,3 70,4 70,5 63,7 76,4 65,7 83,4 56,1 38,6 54,6 67,0 Ubirajara 65,3 62,8 65,6 69,3 63,0 52,5 76,9 38,0 53,9 56,5 62,2 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Assalariados, exclusive o emprego doméstico, no total da população ocupada. A lógica geral refere-se há tendência de que as posições de menor remuneração, 1° e 2° intervalos decílicos, apresentem formas diferentes da condição de assalariamento, isto é, não são empregados assalariados, aparecem, em sua grande maioria, como trabalhadores domésticos, autônomos ou não remunerados que trabalham mais de 15 horas Pólo Econômico de Bauru 17 semanais, isto é, os 20% mais pobres da população não se inserem, em grande medida, em ocupações vinculadas ao recebimento de salários. Diferenças entre classes de rendimentos também podem ser observadas, tanto no âmbito do mercado de trabalho, quanto no que se refere à questão das condições de vida da população, mais precisamente, o acesso a bens públicos como no caso do tratamento geral de esgoto. Tabela 7 Porcentagem de Domicílios com Rede Geral de Esgotamento Sanitário Pólo de Bauru, 2000 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Total Pólo de Bauru 83,0 86,8 88,5 92,2 94,1 95,9 97,3 97,5 97,2 96,8 92,7 Agudos 81,1 89,7 91,5 86,1 96,4 96,4 97,0 96,8 92,8 92,0 91,0 Arealva 41,8 60,4 63,2 74,2 61,6 81,0 73,7 84,2 66,6 82,6 66,1 Avaí 57,9 58,8 54,9 60,9 66,0 80,5 75,9 53,3 92,0 69,9 62,2 Balbinos 79,3 63,4 89,0 91,5 91,4 61,8 96,9 100,0 68,1 100,0 80,9 Bauru 90,3 93,6 94,6 96,8 97,2 97,4 98,6 98,9 98,9 97,6 96,6 Borebi 77,6 57,4 87,7 78,8 100,0 86,8 86,2 100,0 100,0 100,0 80,2 Cabrália Paulista 82,1 92,1 84,0 86,4 81,6 83,6 93,6 100,0 100,0 100,0 86,8 Duartina 75,1 84,3 86,7 84,5 88,0 86,5 86,7 89,8 89,9 97,7 84,7 Iacanga 74,7 66,2 79,1 81,8 78,9 93,4 96,5 94,1 92,8 85,8 81,2 Lençóis Paulista 91,3 86,6 89,4 92,0 94,4 98,7 98,3 98,9 92,9 95,0 93,9 Lucianópolis 81,0 67,2 86,3 76,4 72,7 59,8 100,0 100,0 100,0 100,0 77,9 Macatuba 81,2 92,9 90,9 96,9 100,0 96,4 97,6 95,9 92,6 100,0 94,2 Paulistânia 13,5 31,3 32,5 41,4 40,8 79,2 88,4 62,1 87,9 100,0 47,4 Pederneiras 90,7 89,2 85,4 93,9 94,5 91,8 97,3 97,1 98,8 100,0 92,6 Pirajuí 65,3 72,7 75,1 90,8 91,4 97,3 87,8 95,8 97,4 100,0 82,9 Piratininga 56,7 62,1 65,6 85,1 71,3 88,0 93,3 82,3 89,3 87,7 77,5 Presidente Alves 67,8 82,1 77,7 77,8 85,0 76,3 98,0 81,2 82,3 68,7 78,8 Reginópolis 64,5 51,5 77,0 69,0 72,5 90,6 94,2 87,0 92,4 91,4 75,0 Ubirajara 61,7 75,7 58,9 70,1 79,5 70,0 57,6 100,0 76,4 83,7 69,8 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Os dados do Censo de 2000 pressupõe que esta questão é importante para se entender as nítidas e presentes divergências e diferenças entre as diversas classes de renda. O que se pode perceber é que a população mais pobre ainda sofre com a falta de acesso aos bens necessários para que se tenha uma melhor qualidade de vida. No caso do acesso ao esgotamento geral, a parcela dos 10% mais pobres da população ainda se encontra em condições desfavoráveis. Isto se torna mais evidente quando são comparados os 10% mais pobres com os 10% mais ricos. Os mais pobres do pólo de Bauru possuem cerca de 83% de pessoas com acesso ao esgotamento geral, enquanto que para os mais ricos esse valor sobe para, aproximadamente, 97%, indicando assim, a forte disparidade entre classes de renda. Os municípios que aparecem em melhores condições de acesso a esse bem são Bauru, Macatuba e Lençóis Paulista, que em média chegam a atingir mais de 93% de pessoas atendidas. Porém as disparidades de renda não desaparecem em diversos municípios, pois a população mais pobre continua tendo participação insuficiente, no acesso a um sistema geral de coleta de esgoto. Pólo Econômico de Bauru 18 Ademais se deve salientar que muitos municípios como: Paulistânea, Avaí e Arealva apresentaram condições precárias de acesso à rede geral de esgoto, o que implica em afirmar que é necessária uma ação coordenada e planejada do Estado e das prefeituras, para que essa população possa ter acesso a um conjunto de bens, em especial as redes gerais de esgoto, cuja importância para a melhoria da qualidade e das condições de vida é fundamental. Mostra-se de suma importância à análise da configuração da estrutura das classes de renda a identificação da forma como aparecem as diferenças entre os municípios que constituem o pólo de Bauru. No entanto, a recente recuperação da economia brasileira certamente pode proporcionar significativas mudanças em todo o mercado de trabalho, basicamente sob três aspectos: crescimento da PEA, crescimento do número de ocupados e principalmente o incremento do emprego formal. Esses aspectos devem ser ressaltados e analisados, a partir das alterações que ocorreram sobre o mercado de trabalho da região, ao longo da atual década. Em 2000, a taxa de emprego formal no pólo de Bauru correspondia a 46,6%, o que significa que, pouco mais da metade da população da região encontrava-se fora do mercado de trabalho assalariado formal. Tabela 8 Taxa de crescimento do emprego formal, número de estabelecimentos e tamanho médio do estabelecimento Pólo de Bauru, 2000 - 2005 Emprego formal Taxa de Taxa anual Número de Tamanho médio do emprego formal 2000 2005 de estabelecimentos estabelecimento (1) crescimento 2005 2005 Pólo de Bauru 46,6 102.975 127.469 4,4 12.282 10 Agudos 41,7 5.008 5.892 3,3 550 11 Arealva 27,2 793 1.026 5,3 244 4 Avaí 28,7 504 539 1,4 102 5 Balbinos 48,4 238 317 5,9 42 8 Bauru 47,9 63.029 79.653 4,8 6.905 12 Borebi 40,5 311 424 6,4 41 10 Cabrália Paulista 39,6 748 818 1,8 113 7 Duartina 32,2 1.668 1.978 3,5 345 6 Iacanga 34,3 1.205 1.745 7,7 222 8 Lençóis Paulista 55,1 12.093 15.765 5,4 1.274 12 Lucianópolis 28,3 251 452 12,5 73 6 Macatuba 58,8 3.468 2.810 (4,1) 297 9 Paulistânia 20,2 177 214 3,9 38 6 Pederneiras 50,6 7.164 9.578 6,0 925 10 Pirajuí 31,8 2.418 2.526 0,9 486 5 Piratininga 52,6 2.304 1.250 (11,5) 282 4 Presidente Alves 31,4 551 1.248 17,8 91 14 Reginópolis 31,6 597 596 (0,0) 130 5 Ubirajara 26,7 448 638 7,3 122 5 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE e Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Emprego formal informado pela RAIS sobre o total da ocupação encontrada no Censo Demográfico Pólo Econômico de Bauru 19 O indicador de taxa de emprego formal refere-se aos dados obtidos na RAIS sobre o total da população que pode ser encontrada no Censo. Apenas os municípios de Lençóis Paulista, Macatuba Pederneiras e Piratininga apresentavam mais da metade da sua população residente trabalhando formalmente no município. A relação Anual de Informações Sociais (RAIS) permite mostrar a evolução do emprego formal, entre os anos de 2000 e 2005, segundo município. Esse movimento dá a idéia de como o crescimento econômico é capaz de dinamizar a economia e por conseqüência o mercado de trabalho. Em média, no pólo de Bauru o número de empregos formais cresceu 4,4% a.a., entre 2000 e 2005, merecendo destaque as cidades de Lucianópolis e Presidente Alves, que apesar de representar uma pequena parcela dos trabalhadores formais do pólo cresceram, em número de empregos formais, a taxas significativas e superiores a 12% a.a. Apesar dos Municípios de Piratininga e Macatuba apresentarem elevadas taxas de emprego formal, perceberam diminuições significativas no emprego formal, indicando a dificuldade desses municípios em termos de mercado de trabalho. No que se refere à dimensão das empresas que compõem os seus mercados de trabalho, os municípios que possuem empresas cujos tamanhos médios, em número de funcionários, encontram-se acima da média da região foram, em 2005, aqueles que são os mais representativos economicamente e em termos de população, para o pólo, quais sejam: Bauru e Lençóis Paulista. A questão relevante que deve ser levantada diz respeito ao fato de que o emprego formal tem crescido consideravelmente, apesar da maioria dos municípios conviverem com taxas de desemprego respeitáveis e taxas de emprego formal muito aquém do desejável. O incremento do número de empregos formais, ao longo da presente década, revela algumas dinâmicas importantes: uma caracterizada pelo incremento da população economicamente ativa; outra determinada pelo aumento da ocupação em geral; e, por fim, a dinâmica de crescimento do emprego formal. Estas questões parecem não apresentar especificidades espaciais, pelo contrário, nota-se que há a possibilidade de se ter um elevado crescimento do emprego formal pari passu a uma alta taxa de desemprego, observada na maioria dos municípios da região. O Mercado de trabalho do pólo de Bauru possui uma configuração complexa em termos de ocupação e desemprego, que se reflete nas informações obtidas sobre a renda. Há disparidades entre os municípios, mas o que mais chama a atenção é o fato de que todos os municípios com exceção de Bauru, apresentaram rendas médias abaixo da média do pólo como um todo, de acordo com o Censo Demográfico, em 2000. Pólo Econômico de Bauru 20 Gráfico 5 - Rendimento médio, Pólo de Bauru, 2000 707 Pólo de Bauru 352 Ubirajara 498 Reginópolis 404 Presidente Alves 617 Piratininga 473 Pirajuí Pederneiras 521 403 Paulistânia Macatuba 495 296 Lucianópolis Lençóis Paulista 617 448 Iacanga Duartina 427 368 Cabrália Paulista Borebi 345 Bauru 832 Balbinos 440 403 Avaí 509 Arealva 555 Agudos - 200 400 600 800 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. A Renda média do pólo (R$ 707,00) encontra-se muito abaixo da observada na RM de São Paulo, cujo valor estava em torno de R$ 1.028,00, em valores correntes. Vale destacar que na maioria dos municípios da região de Sorocaba, o rendimento era bem menor que a metade da média da RMSP, o que mostra que há dificuldades a serem enfrentadas pelo mercado de trabalho, mesmo com a sua recente recuperação. Os municípios em situações menos favoráveis eram Lucianópolis, Borebi, Cabrália Paulista e Ubirajara, cujos rendimentos não alcançaram 400 reais, em valores correntes de 2000. Já o município de Bauru, fonte do maior número de trabalhadores e de pessoas é aquele que melhor aparece em termos de salário médio, R$ 832,00, apesar de ficar muito abaixo do salário médio da RMSP. Outra questão relevante para se entender a dinâmica da renda no interior do mercado de trabalho da região é a distinção entre salários e rendimentos médios, que apresentam divergências intermunicipais. Os rendimentos dizem respeito ao rendimento médio revelados pelo Censo Demográfico e abarca o total da ocupação residente em cada município, já os salários referem-se aos ganhos do trabalho formal, no ambiente de trabalho. Pólo Econômico de Bauru 21 O que se pode notar é a forte heterogeneidade entre os municípios do pólo de Bauru, pois alguns apresentavam uma relação entre salário médio e rendimento médio, superior a 100%, o que significa que os ganhos do trabalho formal mostraram-se superiores aos ganhos médios do total da ocupação, no início da década. Em suma, os dados ressaltam uma configuração heterogênea da estrutura de renda no interior do pólo, além de identificar o papel diferenciado da dinâmica do mercado formal de trabalho para a composição da renda dos municípios. Tabela 9 Indicadores de Rendimento Médio, Salário Médio, Massa Total de rendimentos e Massa Total de Salários (1) Pólo de Bauru, 2000 - 2005 2000 2000 Crescimento Crescimento Massa Total de anual da Massa Salário Médio / anual do Salário Massa Total Rendimento Salário Massa Total Salários / Massa Médio Real Real de Salários Rendimento de Médio Médio de Salários Total de 2000-2005 2000-2005 Médio Rendimentos Rendimentos Pólo de Bauru 707 499 70,6 4,7 156.340.324 69.017.127 44,1 3,0 Agudos 555 419 75,4 8,8 6.670.545 3.973.794 59,6 -1,1 Arealva 509 605 119,0 -8,6 1.486.280 317.510 21,4 4,6 Avaí 403 391 96,9 1,3 708.877 197.424 27,9 2,6 Balbinos 440 463 105,2 -4,8 216.480 99.358 45,9 2,9 Bauru 832 394 47,4 11,6 109.431.296 45.983.842 42,0 3,4 Borebi 345 538 155,8 -3,2 264.615 163.040 61,6 3,5 Cabrália Paulista 368 429 116,6 -1,7 694.784 279.824 40,3 2,9 Duartina 427 404 94,6 0,0 2.211.433 671.088 30,3 3,6 Iacanga 448 395 88,1 0,0 1.572.480 524.933 33,4 5,5 Lençóis Paulista 617 493 80,0 3,8 13.541.916 7.559.718 55,8 4,4 Lucianópolis 296 543 183,5 -6,4 262.552 107.932 41,1 10,3 Macatuba 495 471 95,1 4,5 2.918.025 2.044.124 70,1 -4,3 Paulistânia 403 410 101,7 -0,9 352.625 76.736 21,8 1,8 Pederneiras 521 348 66,7 9,4 7.369.545 4.430.841 60,1 3,3 Pirajuí 473 440 93,0 0,7 3.600.003 1.143.483 31,8 0,2 Piratininga 617 535 86,8 -5,4 2.704.928 761.460 28,2 -7,8 Presidente Alves 404 405 100,2 0,4 709.828 260.021 36,6 14,7 Reginópolis 498 516 103,5 -2,5 940.722 268.057 28,5 0,2 Ubirajara 352 409 116,3 -2,6 590.656 153.941 26,1 8,2 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE e Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMPFINEP. (1) Os dados sobre rendimentos tem como fonte o Censo Demográfico e aqueles de salários a Relação Anual de Informações Sociais Os municípios, exemplos, mais expressivos dessa dinâmica foram: Lucianópolis e Borebi, cuja relação entre salário médio e rendimento médio foi superior a 150%. Nesse sentido, o setor formal pode contribuir positivamente para o comportamento do rendimento médio, na medida em que o emprego gerado abarque a população residente do próprio município. Por outro lado, nos municípios de Bauru e Lençóis Paulista, aqueles que são os maiores responsáveis pela composição do produto e da população do pólo, o setor formal contribuiu menos para a composição da renda, indicando que de forma geral o mercado de trabalho da região apresenta uma estrutura de remunerações complexa, em que os rendimentos médios mostram-se maiores que os salários médios. Esse fato indica que esses municípios sofrem menos influência do crescimento do emprego formal para a recuperação do mercado de trabalho como um todo. Pólo Econômico de Bauru 22 Considerando-se apenas o segmento formal do mercado de trabalho, pode-se perceber que este apresentou, em média, uma tendência desfavorável à evolução do salário médio real. Os municípios que mais perderam em termos reais de salários foram: Arealva, Lucianópolis e Piratininga. Há uma tendência geral de aproximação dos salários médios, aqueles obtidos a partir do trabalho formal, aos rendimentos médios, aqueles obtidos sob qualquer forma de trabalho, pois se verificou que, ao longo do período, os municípios que apresentaram relações elevadas entre salários e rendimentos sofreram perdas significativas reais de salário médio. Esse movimento traduz os problemas a serem enfrentados quanto à estrutura de remunerações, principalmente do emprego formal, que apesar de ter crescido significativamente durante todo o período, sentiu uma forte pressão de contração dos ganhos de salário real. Em síntese pode-se afirmar que o crescente incremento do número de trabalhadores formais, não necessariamente implica, numa reestruturação do mercado de trabalho, isto é, não se pode afirmar que a recuperação recente da economia promova alterações estruturais significativas nesse mercado. A dinâmica geral e mais importante que deve ser apreendida, no que concerne à estrutura e à configuração da renda no âmago do mercado de trabalho do pólo de Sorocaba, entre 2000 e 2005, é um duplo movimento: por um lado observa-se uma queda no salário real médio e por outro há um considerável incremento na massa real de salários. Esse duplo movimento, que está na base da dinâmica da renda, desse período, revela que o crescimento do emprego formal, e não o aumento dos salários foi o determinante do incremento da massa de salários, na composição da renda da região. Em síntese, pode-se perceber que se houver uma elevação nos níveis de rendimentos e/o de salários e ao se somar ao crescimento nos níveis de emprego formal, poderá haver uma ampliação significativa da massa total de rendimentos/salários. Após a exploração das dimensões gerais do mercado de trabalho, algumas considerações devem ser feitas a respeito da dinâmica do mercado de trabalho regional, sob a ótica da estrutura setorial da atividade econômica. De maneira geral, como já mencionado anteriormente, o pólo de Bauru, no que tange a estrutura setorial de emprego, apresenta um volume significativo de trabalhadores no setor industrial, o que representa 21,1% do mercado formal de trabalho da região. O setor de Serviços (inclusive comércio) também tem um papel importantíssimo, pois é responsável por mais de 60% do total do emprego. Pólo Econômico de Bauru 23 Tabela 10 Estrutura e crescimento anual do número de trabalhadores do mercado de trabalho formal, segundo municípios e setores de atividade Pólo de Bauru, 2005 Estrutura de emprego, 2005 Indústria de Transformação Pólo de Bauru Agudos Arealva Avaí Balbinos Bauru Borebi Cabrália Paulista Duartina Iacanga Lençóis Paulista 21,1 29,5 18,5 4,5 36,6 17,0 11,1 43,6 32,3 32,5 31,5 Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Piratininga Presidente Alves Reginópolis Ubirajara 12,8 36,2 0,5 23,2 14,6 9,7 64,6 3,2 6,6 Pólo de Bauru Agudos Arealva Avaí Balbinos Bauru Borebi Cabrália Paulista Duartina Iacanga Lençóis Paulista Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Piratininga Presidente Alves Reginópolis Ubirajara 3,9 2,0 0,9 (27,6) 2,8 3,6 5,5 0,9 1,1 4,3 - Servicos Ind. Agropecuária, Construção Administração de Util. Comércio Serviços Extração Civil Pública Pública Vegetal 1,0 5,6 22,6 31,5 10,2 8,1 2,9 0,2 23,4 15,5 17,2 11,2 0,6 0,3 12,4 9,8 22,4 36,1 0,4 4,3 2,6 35,4 52,9 0,3 0,3 1,3 1,3 39,4 20,8 1,1 8,2 25,4 38,7 8,4 1,1 11,8 5,4 25,5 46,2 0,4 10,1 2,6 20,9 22,4 0,7 0,7 22,3 14,6 17,7 11,7 0,2 11,2 6,5 16,1 33,5 0,6 2,0 17,9 19,4 8,1 20,5 0,2 0,3 0,4 1,4 0,4 0,5 0,8 - 14,1 (0,5) (34,0) 9,6 (10,1) 2,7 37,7 (13,4) 7,7 - - 0,6 (4,2) 3,7 (7,8) (1,4) 8,4 41,5 (1,6) (3,6) - 0,4 0,8 2,0 0,6 0,9 1,3 - 2,4 11,7 1,4 22,9 20,7 14,5 3,2 14,6 7,1 5,1 19,7 0,5 33,5 25,3 18,2 2,9 7,1 9,6 Crescimento anual, 2000-2005 6,3 7,6 3,3 13,9 (4,5) 24,6 21,6 5,4 (0,8) (23,4) 14,9 (7,8) 6,3 4,3 0,4 35,7 20,3 (7,5) 1,5 7,7 9,5 8,8 3,5 9,4 7,7 (1,7) 20,6 19,7 5,7 (39,8) (36,9) 14,4 (0,4) 5,8 8,6 61,5 7,3 (27,7) 13,8 19,1 12,6 9,2 5,8 6,3 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 22,1 15,8 47,2 8,7 12,2 15,6 16,7 25,3 21,2 56,9 15,6 50,5 9,4 25,2 40,8 12,2 48,5 54,9 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 4,5 10,4 1,5 9,2 7,5 3,9 9,4 5,0 5,9 5,9 5,3 4,8 6,6 11,7 3,4 (2,4) (1,8) 6,3 2,0 8,0 0,8 (0,6) 7,0 9,6 10,0 (2,0) 12,7 (2,0) (4,1) 18,2 3,9 16,5 (22,0) 11,4 9,8 3,5 (6,1) (4,8) (3,6) 7,6 4,3 3,3 5,4 1,4 5,9 4,8 6,4 1,8 3,5 8,0 5,4 12,5 (4,1) 3,9 6,0 0,9 (11,5) 17,8 (0,1) 7,3 Fonte: Relação Anual de Informações Sociais 2000 e 2005. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Deve-se destacar que é de suma importância a observação das diferenças entre os municípios, pois algumas características específicas do mercado formal de trabalho regional revelam a possibilidade de se avaliar a relevância das dimensões da participação de cada setor de atividade, na composição da estrutura municipal do mercado de trabalho, indicando possíveis alvos de políticas públicas de emprego e de valorização do mercado de trabalho. A dimensão não desprezível da participação da indústria de transformação e da construção civil, em alguns municípios do pólo, que, segundo a RAIS, continua tendo seu nível de emprego crescendo durante o período analisado aponta para a questão do Pólo Econômico de Bauru 24 crescimento econômico como forma de incorporação de parte da população ao mercado de trabalho. De modo geral, apesar do setor de serviços ainda apresentar relevância na estrutura do mercado de trabalho, este percebeu uma tendência de crescimento do nível de emprego formal, durante todo o período, inferior ao crescimento industrial. Porém, tal movimento foi compensado pelo setor comercial, que apresentou uma significante taxa de crescimento de 7,6% a.a. Em síntese, deve-se realçar que o pólo de Bauru apresenta uma estrutura de emprego bastante diferenciada em seu interior. Isto é, os municípios guardam diferenças bastante significativas entre si em termos de estrutura de emprego, não se podendo identificar um padrão comum na região. Esta heterogeneidade de estruturas de emprego sustenta basicamente três tipos de dominância sobre a estrutura do mercado formal de trabalho: a do setor de Serviços (incluso administração públicas), a da Indústria de Transformação e a da agropecuária. Bauru, Presidente Alves e Lucianópolis, são respectivamente três exemplos dessa tipologia. Segundo as informações da RAIS, vários municípios apresentaram, na primeira metade da década atual, taxas anuais de crescimento do emprego na Indústria de Transformação muito elevadas, pois quando observa o período como um todo se percebe que isso representa um incremento pesado do estoque de emprego formal encontrado no início do período. Mesmo alguns municípios apresentando taxas de crescimento negativas no setor industrial, é fundamental reconhecer que o pólo de Bauru ainda preserva e reproduz um espaço para o emprego industrial que deve não somente ser analisado, como pressupõe o cuidado que qualquer estratégia de política pública orientada para a atividade econômica ou para o mercado de trabalho deva ter. Pólo Econômico de Bauru 25 Pólo Econômico de Bauru 26 Capítulo 2 - Dinâmica Demográfica2 Introdução3 A Região de Bauru, localizada na porção centro-oeste do estado de São Paulo, composta por 19 municípios (Anexo I), teve sua ocupação diretamente relacionada ao processo de expansão da lavoura cafeeira para o Oeste Paulista. Tornou-se rota obrigatória em direção à fronteira agrícola, graças ao entroncamento ferroviário da Sorocabana e da Noroeste. Essa situação favorecida colaborou para o florescimento do comércio e das atividades de serviços, em função da produção cafeeira. Estas características se mantiveram com o decorrer dos anos. Esse processo de expansão das atividades econômicas teve reflexo no processo de criação de municípios na região. Assim, dos dezenove municípios que compõem a Região de Bauru, quatro foram criados na segunda metade do século XIX e 15 foram criados ao longo do século XX (Figura I). Dentre esses quinze municípios, 11 municípios surgiram na primeira metade do século XX e, dos quatro restantes, dois surgiram, ao longo da década de 1990 – momento em que o processo de desmembramento foi caracterizado pelo surgimento de pequenos municípios. Nos anos 20, a Região fazia parte daquelas que apresentavam uma baixa proporção da População Economicamente Ativa (PEA) urbana no Estado, estando sua população, na quase totalidade, empregada na agricultura, especialmente, em função da cultura do café (SEADE, 1988). As cidades funcionavam como suporte às atividades agrícolas, através do comércio e dos transportes. As indústrias eram praticamente inexistentes, destacando-se apenas o ramo da construção civil. Alguns estudiosos afirmam que o desenvolvimento industrial na região teve, desde a origem, “um caráter subordinado, com base na articulação agriculturaindústria” (Negri et ali, 1988). A crise da economia cafeeira nos anos 30 provocou um declínio na produção do café. Como conseqüência, parcela expressiva da população rural da Região de Bauru deslocou-se para os centros urbanos mais próximos ou para outras regiões do oeste, como 2 Ficha Técnica: Coordenação: Rosana Baeninger, Coordenação Adjunta, Claudia Gomes de Siqueira, Auxiliares de Pesquisa: Juliana Arantes Dominguez, Kátia Isaías, Karina Silveira, Maria Ivonete Zorzetto Teixeira, Camila Matias, Natália Belmontti, Katiane Shishito, Flávia Cescon 3 Este estudo consiste em versão atualizada e ampliada de Perillo (1992). Texto NEPO 23 (1992). Migração em São Paulo 2. Região de Governo de Bauru. Pólo Econômico de Bauru 27 Araçatuba, Marília, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, que mantiveram seu dinamismo, diversificando sua produção e ocupando suas terras com algodão, produtos alimentícios e pecuária, além do café (Perillo, 1992). Figura I Desmembramentos de Municípios Região de Governo de Bauru – 1865-2000 Fonte: Fundação Seade. Informe Demográfico 1 (1980) e Fundação IBGE apud Perillo (1992) – para municípios criados até 1990; Siqueira (2003), para municípios criados a partir de 1991. Pólo Econômico de Bauru 28 Na Região de Bauru, esse processo de diferenciação agrícola foi dificultado pela inexistência de uma infra-estrutura adequada. Apesar das condições adversas, foi preciso encontrar uma alternativa para a produção cafeeira. Passou-se a cultivar a cana-de-açúcar e a ocupar o território com a pecuária. No final dos anos 50, a produção da Região permanecia baseada na agropecuária, sendo o café o principal produto acompanhado pelo milho e pela pecuária extensiva. A partir dos anos 60 ocorreu uma mudança significativa na estrutura produtiva, com incentivo ao cultivo de cana-de-açúcar e à disseminação do gado nelore, em detrimento dos cafezais. A Região de Governo de Bauru, embora não se situe entre as regiões mais dinâmicas do Estado, tanto em relação à indústria quanto à agricultura, vem passando por um processo de dinamização de seus setores produtivos, principalmente o industrial (Perillo, 1992). A PEA da RG de Bauru, de acordo com os dados do censo demográfico de 1980, apresentou-se concentrada no setor terciário (49,4%) e o restante dividida entre o primário (34,9%) e o secundário (25,6%). Esse elevado percentual no terciário se deve, fundamentalmente, à contribuição do município de Bauru que respondeu, no ano de 1980 por 60,7% da PEA regional. Neste município, 68% da PEA encontrava-se envolvida em atividades do terciário, destacando-se como setores mais representativos, pela ordem, a prestação de serviços, o comércio e os transportes. A produção industrial na RG aponta para uma tendência de crescimento que se observa através dos dados de pessoal ocupado nas décadas de 70 e 80 (Perillo, 1992). Em 1970, o pessoal ocupado na agropecuária representava 35,3% do total, o equivalente ao dobro da participação dos ocupados no secundário (17%). A mesma comparação com os dados de 80 revela que os percentuais de pessoal ocupado nesses dois setores produtivos se igualaram. Observa-se como tendência, o aumento da representatividade do setor secundário, que passou a alocar 25,6% do pessoal ocupado, ao passo que o primário reduziu seu percentual para 25%. A participação da RG no conjunto do Valor da Transformação Industrial (VTI) do Estado, em 1980, era de 0,04%, colocando-se no antepenúltimo lugar, sendo sucedida somente pelas Regiões de Governo de Jales e Caraguatatuba (Perillo, 1992). A produção de alimentos assume um peso significativo na RG de Bauru, apresentando em 1980, os mais elevados percentuais em termos de participação no valor da produção e valor da transformação industrial do Estado, 36,9% e 37,7%, respectivamente. Pólo Econômico de Bauru 29 Caberia destacar ainda, na ordem de importância, os ramos de química e mecânica. Neste sentido, a produção da indústria química participava, em 1980, com 17,7% do valor total da produção e com 12,2% do VTI; a mecânica representava 13,1% do valor da produção industrial e 12,0% do VTI. Com relação ao número de estabelecimentos, os ramos que se destacaram em 1980 pela ordem são: produção de alimentos, minerais não-metálicos e mecânica. Quanto ao pessoal ocupado, no mesmo período destacam-se os ramos de: produção de alimentos, mecânica e o ramo editorial e gráfico (Perillo, 1992). Na RG de Bauru predominam as indústrias tradicionais e os pequenos e médios estabelecimentos. A concentração de sua produção no setor de bens de consumo não duráveis contribuiu para explicar o ritmo ainda lento de seu desenvolvimento industrial. Dentre os municípios que compõem a RG, merece destaque o de Lençóis Paulista que, em 1980, apresentou uma participação bastante significativa da PEA no setor secundário (40,1%). Quanto aos principais produtos da região destacam-se nos anos de 1980 e 1985, em termos de valor da produção, a cana-de-açúcar, o café e o milho. No ano de 1987, por sua vez, verifica-se uma substituição no terceiro lugar, que passou a ser ocupado pelo abacaxi. A RG produz 66,3% do abacaxi do Estado, sendo que 35% desse total se origina do município de Bauru. No que se refere à pecuária, a RG de Bauru ocupava, em 1980, o oitavo lugar, respondendo por 3% do valor da produção estatal. Em 82, caiu para o décimo lugar, 2,4%, e retornou à posição anterior em 84, quando voltou a apresentar um percentual da ordem de 3%. Evolução da População O estudo da Região de Governo (RG) de Bauru reveste-se de grande importância, uma vez que as décadas de 70 e 80 apontaram mudanças significativas na sua dinâmica populacional e econômica. Analisando-se o comportamento da população total verifica-se que, em termos absolutos, esta praticamente não apresentou alterações substanciais entre 1940/2007, evidenciando, porém, um acréscimo populacional de 30% na década 70/80; 27%, entre 1980 e 1991 e, aproximadamente, 17,5% entre 1991 e 2000 (Tabela 1). Pólo Econômico de Bauru 30 Tabela 1: Evolução da População Total Região de Governo de Bauru e Estado de São Paulo 1940/2007 Ano RG de Bauru Estado de São Paulo Dist. Relativa RG/Est (%) 1940 267.718 7.180.316 3,73 1950 238.263 9.134.423 2,61 1960 263.606 12.829.806 2,05 1970 280.460 17.771.948 1,58 1980 364.523 25.040.712 1,46 1991 462.667 31.436.273 1,47 2000 543.462 36.974.378 1,47 2007 601.332 41.029.414 1,47 Taxas Crescimento (%a.a.) RG de Bauru Estado de São Paulo -1,16 2,44 1,02 3,46 0,62 3,31 2,66 3,49 2,19 2,12 1,80 1,82 1,46 1,50 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1940 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 Embora a participação da Região no total do Estado tenha diminuído de 3,73%, em 1940, para 1,47%, em 1991, isto não indica um arrefecimento do crescimento regional, mas sim um crescimento bastante inferior ao Estado no mesmo período. As taxas de crescimento populacional permitem cotejar, para cada década do período em estudo (1940-2007), as inter-relações entre as várias fases do processo de desenvolvimento econômico regional e a dinâmica populacional. Verifica-se então, que o período 1940/50 foi marcado por uma taxa de crescimento negativa da população (-1,16% a.a.). Esse decréscimo da população de Bauru em termos absolutos poderia ser atribuído, em grande parte, ao fato de que, nessa mesma época, ocorreu a abertura de novas fronteiras agrícolas, apontando, assim, novas perspectivas econômicas. Este fenômeno, aliado à crise do café, que afetou profundamente a economia da região depois de 1930, veio resultar em um processo de esvaziamento da população. Como se pode observar através dos dados da tabela 2, trata-se de um esvaziamento intenso da população rural que, na década 1940/50, apresentou uma taxa negativa de crescimento populacional (-2,88% a.a.). A população tendeu a se deslocar para o oeste ou para os principais centros urbanos da RG de Bauru, resultando em um taxa de crescimento da população urbana, para o mesmo período, de 2,44% a.a. Já na próxima década (1950/60), observa-se uma recuperação da taxa de crescimento total da região que passou a ser de 1,02% a.a., acompanhada por um aumento Pólo Econômico de Bauru 31 na taxa de crescimento rural (-1,64% a.a.) e um aumento expressivo da taxa de crescimento urbano, que praticamente duplicou-se em relação à década anterior, passando a 4,22% a.a. É bastante provável que todo esse processo esteja ligado à expansão da oferta agrícola das áreas pioneiras do sudoeste paulista e do norte do Paraná. A RG de Bauru, por se constituir em um entroncamento rodo-ferroviário e contando com uma estrutura de comercialização já implantada, funcionou como entreposto de entrada e saída de produtos de áreas pioneiras, que não possuíam uma infra-estrutura adequada para o suporte de sua produção. Ocorreu assim, um desenvolvimento de algumas atividades urbanas na Região de Bauru, à medida que esta encarregou-se do transporte e comercialização do café dessas áreas. Tabela 2: Taxas de crescimento da População Total, Urbana e Rural Região de Governo de Bauru 1940/2007 Taxas de Crescimento (%a.a.) Período Urbano Rural Total 1940/50 2,44 -2,88 -1,16 1950/60 4,22 -1,64 1,02 1960/70 3,60 -4,15 0,62 1970/80 4,20 -2,43 2,66 1980/91 3,08 -3,27 2,19 1991/2000 2,26 -3,74 1,80 2000/2007 1,64 -2,02 1,46 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1940 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 No período 1960/70 verifica-se, no entanto, um arrefecimento no ritmo de crescimento da população regional que passou a apresentar uma taxa de crescimento de 0,62% a.a. Evidencia-se uma redução elevada na taxa de crescimento rural (-4,15% a.a.) e uma pequena diminuição na taxa de crescimento urbano (3,60% a.a.). Quanto à pequena redução observada nas taxas de crescimento urbano, poder-se-ia pensar que atuou fortemente neste sentido a cessação dos estímulos das áreas emergentes. Com o desenvolvimento de diversos municípios na região norte paranaense criou-se todo um sistema de serviços urbanos, o que tornava dispensável a utilização dos já existentes na RG de Bauru. Pólo Econômico de Bauru 32 No tocante ao expressivo decréscimo na taxa de crescimento rural, é bastante plausível acreditar que este seria produto da erradicação acentuada do café e sua substituição por outras culturas, como a cana-de-açúcar; do crescimento das áreas de pastagens, bem como devido à mecanização da agricultura. Estes fatores estariam liberando grande parte da mão-de-obra ocupada nas atividades agrícolas. Convém frisar que um dos efeitos imediatos da expansão da cana-de-açúcar e da pecuária foi a intensificação do êxodo rural acompanhado do aumento do número de trabalhadores sazonais ou volantes, que os centros urbanos não foram capazes de absorver. Isto justifica, em parte, o já comentado declínio do crescimento da população urbana neste período (CAMARGO, 1983; MULLER, 1985). A análise dos dados demográficos na década 1970/80, por sua vez, revela novas transformações no comportamento demográfico da RG de Bauru. Percebe-se que a região passou por uma fase de profundas alterações, elevando sua taxa de crescimento total para 2,66% a.a. entre 1970/1980. Verifica-se, também, que para este mesmo período, o meio rural continuou expulsando população, mas num ritmo bem menos intenso (-2,43% a.a.). A população urbana, por outro lado, elevou sua taxa de crescimento para 4,20% a.a., aproximando-se dos níveis verificados na década de 1950. Para o período de 1980/1991, constata-se que a taxa de crescimento total da região cai novamente, passando para 2,19% a.a. A população rural, mais uma vez, apresenta uma redução significativa, de -3,27% a.a. Nas áreas urbanas, por outro lado, o crescimento se mantém positivo, embora a uma taxa menor do que a verificada na década anterior (de 4,20% a.a. para 3,08% a.a.). A atividade agropecuária da RG de Bauru na década de 1980 continuou tendo uma forte expressão com as pastagens que ocupavam a maior parte da área útil, convivendo com o cerrado e áreas de reflorestamento. O café teve presença importante, principalmente, em Pirajuí (segundo produtor do Estado) e Bauru, onde também se desenvolveu bastante a fruticultura, em especial a produção do abacaxi (40% da produção estadual) e da melancia (SEMEGHINI, 1988). Um dos fatores que poderia auxiliar na compreensão da elevação das taxas de crescimento da Região, nas décadas de 1970 e 1980, foi a ocorrência de um fortalecimento industrial mais recente e mais crescente quando comparado às outras regiões do Oeste Paulista, não só devido ao crescimento das indústrias ligadas à cultura da cana-de-açúcar, mas também pela instalação de outros tipos de indústrias, geralmente de pequeno porte. Dessa forma, entre os ramos de maior expressão industrial em 1980, merecem destaque o Pólo Econômico de Bauru 33 de bebidas, alimentos e madeira e como produtos, destacam-se o álcool e os óleos vegetais (FUNDAÇAO SEADE, 1988). Ressalta-se, também, que não se pode atribuir o crescimento populacional da Região, na década 1970/80 e 1980/91, unicamente à expansão da cultura canavieira. Alguns municípios de pequena população sentiram fortemente a influência dessa expansão e, provavelmente, nestes casos, essa representou o principal fator do crescimento populacional nas últimas décadas (Perillo, 1992). No período seguinte, que compreende os anos de 1991 a 2000, a população total da região passa a ter uma taxa de crescimento ainda menor, de 1,80% a.a.. A população rural cresce a uma taxa negativa de -3,74% a.a., enquanto a população urbana apresenta crescimento de 2,26% a.a.. Entre os anos 2000 e 2007, a população total da região continua a manifestar uma tendência decrescente em suas taxas de crescimento: de 1,80% a.a., verificado nos anos anteriores, para 1,46%. A população urbana também manteve a tendência decrescente verificada desde os anos 1980, apresentando uma taxa de 1,64% a.a., bastante inferior às médias anteriores. Por sua vez, a população rural seguiu no caminho oposto: apesar de ainda manter uma taxa de crescimento negativa (-2,02% a.a.), constata-se que houve um aumento significativo em relação à taxa do período 1991/2000. Parte deste crescimento pode ter sido incentivada pelas atividades comerciais e industriais desenvolvidas na região. De acordo com dados disponibilizados pela Fundação SEADE, a área de comércio varejista e atacadista teve um desempenho econômico significativo na Região de Bauru nos últimos anos. Em 1991, a Região Administrativa de Bauru possuía 4.495 estabelecimentos de comércio que empregavam 22.739 trabalhadores. Em 1995, esses números sobem para 5.964 e 26.387, o que corresponde, respectivamente, a um aumento de 7,33% a.a. no número de estabelecimentos comerciais e de 3,79% a.a. no pessoal ocupado. Pólo Econômico de Bauru 34 Tabela 3: Número de Estabelecimentos do Comércio Varejista e Atacadista e Pessoal Ocupado Região Administrativa de Bauru 1991-2005 1991 Áreas 1995 2005 Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. RA Bauru 4.495 22.739 5,1 5.964 26.387 4,4 9.388 45.247 4,8 RG Bauru 2.559 14.332 5,6 3.474 16.611 4,8 5.266 28.680 5,4 RG Jaú 1.256 5.576 4,4 1.643 6.371 3,9 2.815 11.617 4,1 RG Lins 680 2.831 4,2 847 3.405 4,0 1.307 4.950 3,8 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. No período de 1995/2005, o percentual das taxas de crescimento é ainda mais elevado, indicando a importância adquirida pelas atividades comerciais na região. O número de estabelecimentos direcionados ao comércio aumentou em 4,64% a.a., o que corresponde a um acréscimo absoluto de mais de 3.000 unidades. Por outro lado, o pessoal ocupado por estes mesmos estabelecimentos cresceu em 5,54% a.a., ou seja, um aumento absoluto de mais de 18.000 contratados. Dentre as regiões de governo que compõem a Região Administrativa de Bauru, foi a RG de Bauru a responsável pela maior parte do crescimento do número de estabelecimentos comerciais no período compreendido entre 1991/1995. Nestes quatro anos, o número de estabelecimentos da RG cresceu 7,94% a.a.. Entretanto, no período seguinte, entre 1995-2005, apesar do número absoluto de estabelecimentos continuar maior em Bauru, é na RG de Jaú que se verificam as maiores taxas de crescimento. De fato, nesta RG os estabelecimentos comerciais cresceram 5,53% a.a., aumentando o total de pessoal ocupado nesta área em 6,19% a.a. (Tabela 4). Pólo Econômico de Bauru 35 Tabela 4: Taxa de crescimento (% a.a.) de Estabelecimentos e Pessoal ocupado - Comércio Varejista e Atacadista Região Administrativa de Bauru 1991-2005 1991-1995 1995-2005 Áreas Número estabelec. Pessoal Ocupado Número estabelec. Pessoal Ocupado RA Bauru 7,33 3,79 4,64 5,54 RG Bauru 7,94 3,76 4,25 5,61 RG Jaú 6,95 3,39 5,53 6,19 RG Lins 5,64 4,72 4,43 3,81 Fonte:Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Com relação ao setor industrial da região de Bauru, os dados das tabelas 5 e 6 ilustram que as atividades industriais exerceram um papel importante no desenvolvimento econômico local. No ano de 1991, a Região Administrativa de Bauru possuía 1.737 estabelecimentos industriais, responsáveis pela ocupação de mais de 39.000 pessoas. Em 1995, o número de estabelecimentos industriais aumenta para 2.029, o que representa um acréscimo de 3,96% a.a., e o total do pessoal ocupado neste setor sobe para mais de 51.000 trabalhadores, o que equivale a um aumento de 6,48% a.a. em relação a 1991. Tabela 5: Número de Estabelecimentos da Indústria de Transformação e Pessoal Ocupado Região Administrativa de Bauru 1991-2005 1991 Áreas 1995 2005 Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ Número Pessoal Pessoal/ estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. estabelec. Ocupado Estabelec. RA Bauru 1.737 39.921 23,0 2.029 51.326 25,3 2.581 67.591 26,2 RG Bauru 858 22.931 26,7 975 26.242 26,9 1.125 28.387 25,2 RG Jaú 703 13.181 18,7 879 19.951 22,7 1.265 25.604 20,2 RG Lins 176 3.809 21,6 175 5.133 29,3 191 13.600 71,2 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Já no período entre 1995/2005, o número total de estabelecimentos do ramo industrial aumenta em 2,44% a.a., o que equivale, em números absolutos, à instalação de mais de 500 unidades. No que se refere ao pessoal ocupado neste setor, constata-se que o crescimento foi de 2,79% a.a., correspondendo a um acréscimo absoluto de mais de 16.000 contratados. Pólo Econômico de Bauru 36 No período compreendido entre 1991-1995, a maior parte das instalações do setor industrial concentrava-se na RG de Bauru. Entretanto, neste mesmo período, a RG que obteve maiores taxas de crescimento referentes ao número total de estabelecimentos industriais e de pessoal ocupado foi a RG de Jaú. Entre 1995-2005, o número de estabelecimentos continua a crescer com mais intensidade na região de Jaú (que, inclusive, passa, em 2005, a concentrar um número de indústrias superior a Bauru). Entretanto, é na RG de Lins que a taxa de crescimento do pessoal ocupado apresenta-se mais acentuada: 10,23% a.a. Tabela 6: Taxa de crescimento (% a.a.) de Estabelecimentos e Pessoal ocupado - Indústria de Transformação Região Administrativa de Bauru 1991-2005 1991-1995 Áreas 1995-2005 Número estabelec. Pessoal Ocupado Número estabelec. Pessoal Ocupado RA Bauru 3,96 6,48 2,44 2,79 RG Bauru 3,25 3,43 1,44 0,79 RG Jaú 5,74 10,92 3,71 2,53 RG Lins -0,14 7,74 0,88 10,23 Fonte: Fundação SEADE. Informações Municipais, 1991, 1995 e 2005, disponível em www.seade.gov.br, acessado: 03/08/2008. Por sua vez, os dados da tabela 7, mostram a importância da produção alcooleira na região: entre 1995 e 2000 a produção de álcool do tipo anidro aumentou em 4,2% a.a., considerando-se a Região Administrativa de Bauru, como um todo. Pólo Econômico de Bauru 37 Tabela 7: Produção de Álcool por tipo (em 1000 litros) e Tx crescimento (% a.a.) Região Administrativa de Bauru e Regiões de Governo 1995-2000 Produção de álcool (em 1000 litros) Áreas 1995 2000 Tx crescimento (% a.a.) 1995-2000 RA Bauru Anidro 429.190 526.457 4,2 Hidratado 597.631 275.091 -14,4 1.026.821 801.548 -4,8 Anidro 177.603 201.816 2,6 Hidratado 178.495 136.002 -5,3 Total 356.098 337.818 -1,0 Anidro 216.035 232.480 1,5 Hidratado 302.441 118.105 -17,1 Total 518.476 350.585 -7,5 35.552 92.162 21,0 Hidratado 116.695 20.984 -29,0 Total 152.247 113.146 -5,8 Total RG Bauru RG Jaú RG Lins Anidro Fonte: Fundação SEADE. Anuário Estatístico do Estado de São Paulo, 1995 e 2000, disponível em: www.seade.gov.br (acessado: 03/08/2008) Todavia, a produção de álcool hidratado reduziu de maneira bastante significativa neste mesmo período: de quase 600.000.000 de litros produzidos em 1995, cai para pouco mais de 275.000.000, o que corresponde a uma redução percentual de 14,4% a.a. Deste modo, em termos totais, a taxa de crescimento da produção regional de álcool também é negativa, ficando em torno de -4,8% a.a. Pólo Econômico de Bauru 38 Tendência do crescimento da população Os dados da tabela 8 ilustram a participação da população das diferentes subregiões que compõem a região administrativa de Bauru, no período de 1960 a 2007, e a partir dos dados das tabelas 9 e 10 é possível averiguar o crescimento da população urbana de todos os municípios que compõem a região de governo de Bauru. Através dos dados apresentados na tabela 8, é possível perceber que a maior taxa de crescimento da Região Administrativa de Bauru foi registrada no período entre 1970/1980. A taxa de 2,06% a.a. que marcou esta década foi sensivelmente superior àquela verificada nos anos 60, de -0,43% a.a. A partir dos anos 80, apesar de se manterem positivas, as taxas de crescimento passaram a manifestar uma tendência de decrescimento que se manteve até 2007. Entre 1980/1991, a Região Administrativa de Bauru cresceu 1,98% a.a., enquanto que entre 2000-2007, a taxa já tinha diminuído para 1,42% a.a.. Entretanto, essa queda nos valores percentuais da taxa de crescimento não corresponde a um decrescimento do total populacional, em termos absolutos: a população continua a crescer, só que num ritmo cada vez menor. Assim, a população da Região Administrativa de Bauru cresce de 563.708, em 1960, para 1.054.759, em 2007. É interessante notar que, enquanto as RGs de Bauru e Jaú apresentaram diminuição nas suas taxas de crescimento, ao longo das últimas décadas, a RG de Lins vem passando pelo fenômeno oposto. Na década de 1960, esta RG possuía uma taxa de -2,60% a.a., valor este que aumenta progressivamente até atingir o patamar de 1,14% a.a., em 2007. Além disso, também é válido ressaltar que, dentre as regiões de governo, Bauru é aquela que concentra a maior parcela da população total. Em 1960, 46,76% da população da Região Administrativa residia na RG de Bauru. Em 1980 este valor sobe para 55,04%, e em 2007 já atinge o patamar de 57,01%. A participação da RG de Jaú na distribuição relativa da população total da região também apresenta uma tendência crescente ao longo das décadas. Pólo Econômico de Bauru 39 Tabela 8: Evolução da População, segundo as Regiões de Governo Região Administrativa de Bauru 1960-2007 População Total Regiões de Governo 1960 1970 1980 1991 Distribuição Relativa no Total da RA (%) 1960 1970 1980 Participação Relativa no Total Populacional do Interior (%) Taxas Anuais de crescimento populacional (% a.a.) 2000 2007 1991 2000 2007 1960 1970 1980 1991 2000 2007 60/70 70/80 80/91 91/2000 2000/2007 RG Bauru 263.606 280.460 364.489 462.667 543.462 601.332 46,76 51,94 55,04 56,32 56,88 57,01 3,22 2,91 2,94 2,88 2,84 2,80 0,62 2,66 2,19 1,80 1,46 RG Jaú 141.918 138.003 171.837 219.889 258.165 286.820 25,18 25,56 25,95 26,77 27,02 27,19 1,73 1,43 1,39 1,37 1,35 1,34 -0,28 2,22 2,27 1,80 1,52 RG Lins 158.184 121.545 125.929 138.988 153.859 166.607 28,06 22,51 19,02 16,92 16,10 15,80 1,93 1,26 1,02 0,87 0,80 0,78 -2,60 0,35 0,90 1,14 1,14 RA Bauru 563.708 540.008 662.255 821.544 955.486 1.054.759 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 6,89 5,60 5,34 5,11 5,00 4,92 -0,43 2,06 1,98 1,69 1,42 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1960 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 Pólo Econômico de Bauru 40 Em 1960, somente 25,18% da população residia nessa RG, enquanto que em 2007 este número sobre para 27,19%. A RG de Lins, por outro lado, percorre o caminho inverso, manifestando uma tendência decrescente em termos de participação na distribuição populacional relativa. Na década de 1960, 28,06% da população concentrava-se nesta região de governo. Já em 2007, este número cai para somente 15,80%. Também é possível perceber que a participação relativa da Região Administrativa de Bauru no total populacional do interior do Estado de São Paulo reduz de maneira significativa ao longo das décadas. Em 1960, a RA de Bauru concentrava 6,89% da população interiorana, enquanto que em 2007 este percentual cai para 4,92%. (Tabela 8) Já no que se refere a uma análise mais detalhada dos municípios que compõem a região, as tabelas 9 e 10 demonstram que o crescimento da população da RG de Bauru mostrou-se bastante diferenciado. Na década de 1970, os municípios que apresentaram maiores taxas de crescimento foram Lençóis Paulista (4,56% a.a.), Pederneiras (3,56% a.a.), Bauru (3,53% a.a.) e Macatuba (3,46% a.a.). A taxa de crescimento de Agudos também foi significativa, sendo superior à média regional para o período (2,82% a.a.). Somente cinco municípios apresentaram taxas de crescimento negativas: Iacanga, Pirajuí, Piratininga, presidente Alves e Ubirajara. Entre 1980 e 1991 o cenário se altera um pouco e há um arrefecimento das taxas de crescimento, em níveis gerais. O município-sede de Bauru é aquele que mais cresce, apresentando uma taxa de 3,04% a.a., seguido por Lençóis Paulista (2,52% a.a.) e Agudos (2,34%). Os Municípios de Macatuba e Pederneiras, que figuravam entre os que apresentavam índices elevados de crescimento nos anos 70, apesar de sofrerem redução em suas taxas de crescimento, também se destacaram na região, juntamente com Iacanga, que de uma taxa negativa de -0,83% a.a. na década 70/80 passou para uma taxa de crescimento populacional de 1,22% a.a. no período 80/91. Cabrália Paulista também aumentou sua taxa de crescimento, em menor expressão, de 0,56% a.a. para 1,02% a.a. Alguns municípios, como Lucianópolis, Avaí e Presidente Alves apresentaram taxas de crescimento negativas (Tabelas 9 e 10) Cabe ressaltar que, apesar da queda quase geral das taxas de crescimento no período 80/91, com relação ao período anterior, verificou-se um aumento da participação relativa da Região de Governo de Bauru no total da população estadual: 1,46% em 1980 e 1,47% em 1991 (vide dados da tabela 1). No período compreendido entre 1991 e 2000, verifica-se que as taxas de crescimento se alteram bastante em relação às décadas anteriores. Nenhum dos municípios Pólo Econômico de Bauru 41 apresenta taxa superior a 3% a.a.: aqueles que mais crescem são Bauru (2,19% a.a.) e Cabrália Paulista (2,09% a.a.). Apesar de se manter como o município da região que mais cresce, Bauru diminui consideravelmente seu ritmo de crescimento em relação à década anterior. Também se verifica esta redução para vários outros municípios, como é o caso de Agudos, Iacanga, Lençóis Paulista, Macatuba, Pederneiras, Reginópolis e Ubirajara. Um dos casos mais flagrantes é o de Agudos, que em 1980 cresceu a uma taxa de 2,34% a.a. e na década de 1990 passa a crescer somente 0,31% a.a. (Tabela 10) Já em outros municípios, as taxas de crescimento aumentam, como se verifica em Arealva, Balbinos, Cabrália Paulista, Duartina, Pirajuí e Piratininga. Dentre estes, é importante ressaltar os casos de Duartina, Pirajuí e Piratininga, que passam de taxas de crescimento negativas para taxas positivas, em um espaço relativamente curto de tempo. Piratininga, por exemplo, possuía uma taxa de crescimento de -0,38% a.a. na década de 1980, e entre 1991 e 2000 este valor sobe para 1,04% a.a. (Tabela 10). Entre os anos 2000 e 2007, as taxas de crescimento continuam a manifestar tendências bastante diversificadas entre os municípios. Do mesmo modo que se verificou em períodos anteriores, há municípios cuja taxa de crescimento aumenta em relação à década de 1990, e outros em que ela reduz. Dentre aqueles que podem ser classificados no primeiro bloco estão: Agudos, Avaí, Duartina, Piratininga, Presidente Alves, Reginópolis e Ubirajara, entre outros. Vale destacar o caso de Agudos, que passa de uma taxa de somente 0,31% a.a., nos anos 90, para 1,11% a.a., entre 2000 e 2007 (Tabela 10). Pólo Econômico de Bauru 42 Tabela 9: Evolução da População Urbana, Rural e Total segundo Municípios Região de Governo de Bauru 1970/2007 População Total Municípios 1970 1980 1991 2000 2007 1970 População Urbana População Rural Grau de Urbanização 1980 1991 2000 2007 1970 1980 1991 2000 2007 33.517 5.740 5.869 3.861 3.448 3.568 1.129 838 348.023 11.006 1.988 * 4.606 1.719 11.917 4.805 7.798 3.342 60.034 8.330 1.693 1.569 16.960 5.977 1.200 * 37.705 6.621 17.874 8.543 9.913 5.229 3.492 3.580 4.083 2.461 3.215 3.458 4.770 3.528 3.397 736 5.903 * 1.675 4.756 2.208 5.748 1.691 4.500 * 6.142 6.266 4.221 3.038 2.164 2.347 3.663 2.685 2.199 456 5.429 * 1.022 3.023 1.542 3.131 1.203 3.374 * 5.104 3.320 2.897 1.462 1.566 1.579 1.791 1.998 1.400 251 5.612 454 663 1.691 1.207 2.687 505 758 780 2.519 3.826 1.726 1.002 958 1.159 1.553 1.733 1.214 217 4.864 394 575 1.466 1.047 2.330 438 657 676 2.184 3.318 1.497 869 831 1.005 69,0 40,8 32,1 24,9 91,7 * 47,4 55,7 53,4 62,9 29,1 22,7 * 64,0 58,0 48,9 30,0 45,0 29,2 80,5 48,0 36,6 37,3 96,8 * 51,5 61,0 66,5 83,6 35,8 58,6 * 76,5 67,7 58,0 37,5 53,2 44,5 88,4 60,9 52,7 62,6 97,9 * 73,5 74,6 79,5 93,2 48,6 74,9 * 84,0 82,4 69,9 67,6 67,2 62,3 94,5 72,4 69,5 80,9 98,2 76,4 85,7 86,4 85,4 95,1 76,6 95,2 56,1 93,1 80,9 83,7 76,8 79,8 72,1 95,6 77,2 74,0 83,9 98,6 83,5 88,9 89,0 88,2 96,3 79,4 96,3 64,0 94,5 84,3 86,9 80,1 83,1 76,2 RG BAURU 280.460 364.489 462.667 543.462 601.332 199.813 301.399 419.012 512.475 574.464 80.647 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 63.090 43.655 30.987 26.868 71,2 82,7 90,6 94,3 95,5 Agudos Arealva Avaí Balbinos Bauru Borebi Cabrália Pta. Duartina Iacanga Lençóis Pta. Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Piratininga Pres. Alves Reginópolis Ubirajara 18.543 6.519 5.252 1.116 131.936 * 3.267 10.840 7.171 22.423 2.213 7.733 * 18.399 20.344 10.232 5.117 4.472 4.883 24.482 6.790 5.358 1.173 186.664 * 3.453 12.189 6.596 35.007 2.632 10.861 * 26.105 19.422 10.054 4.858 4.619 4.226 31.560 6.866 4.651 1.219 259.504 * 3.860 11.896 7.540 46.020 2.341 13.417 * 31.833 18.842 9.638 4.511 4.777 4.192 32.459 7.240 4.597 1.312 315.493 1.927 4.648 12.470 8.275 54.936 2.156 15.729 1.778 36.567 20.083 10.575 4.319 4.742 4.156 35.070 7.602 4.662 1.346 352.887 2.382 5.181 13.383 8.845 62.364 2.131 17.617 1.876 39.889 21.192 11.410 4.361 4.914 4.220 12.803 2.658 1.684 278 120.930 * 1.548 6.035 3.829 14.093 644 1.756 * 11.778 11.801 5.003 1.537 2.011 1.425 1980 1991 2000 19.712 3.262 1.961 437 180.761 * 1.778 7.433 4.388 29.259 941 6.361 * 19.963 13.156 5.833 1.820 2.455 1879 27.897 4.181 2.452 763 254.075 * 2.838 8.873 5.998 42.889 1.138 10.043 * 26.729 15.522 6.741 3.049 3.211 2.613 30.668 5.242 3.197 1.061 309.881 1.473 3.985 10.779 7.068 52.249 1.651 14.971 998 34.048 16.257 8.849 3.317 3.784 2.997 2007 Pólo Econômico de Bauru 1970 43 Já os municípios que tiveram redução em sua taxa de crescimento são: Balbinos, Bauru, Cabrália Paulista, Iacanga, Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras. Bauru é um dos poucos municípios que mantém uma tendência constante de decrescimento entre 1970 e 2007. Para o último período analisado, de 2000-2007, a taxa de crescimento deste município é de 1,61% a.a. Também é interessante citar o caso de Cabrália Paulista, cuja taxa de crescimento diminui significativamente neste período: de 2,09% a.a. cai para 1,56% a.a. Por sua vez, no que se refere ao perfil de crescimento populacional da região de governo de Bauru, como um todo, é possível constatar, entre os anos de 1970-2007, a existência de uma tendência também decrescente nos valores das taxas. Na década de 1970 a região apresentou uma taxa de crescimento populacional de 2,66% a.a.; durante os anos 80, este valor caiu para 2,19% a.a. e durante a década de 1990, para 1,80% a.a.. Entre 2000-2007, finalmente, o valor desta taxa fica em torno de 1,46% a.a.. Através da tabela 9 ainda é possível analisar dados referentes ao grau de urbanização dos municípios e da RG. Nota-se que o município-sede de Bauru é o mais urbanizado da região. De fato, ainda na década de 1950, Bauru já apresentava taxa de urbanização de 80,2%, inferior apenas às da Capital, de Santos e de alguns municípios da Grande São Paulo (SEMEGHINI, 1988). Na década de 1970, o grau de urbanização de Bauru já se eleva para mais de 90% e, em 2007, atinge o patamar de 98,6%. Os municípios de Agudos, Lençóis Paulista, Macatuba e Pederneiras, também apresentaram grau de urbanização superior a 90%, em 2007. Dentre estes, vale destacar o caso de Macatuba, cuja área urbanizada passa de 22,7%, em 1970, para 96,3%, em 2007. Vários outros municípios da região também passaram por um processo acelerado de urbanização, como demonstram os dados da tabela. Este fenômeno pode ter sido impulsionado pela diversificação das funções econômicas da região, a partir da década de 1970. Em 2007, por exemplo, o menor grau de urbanização da RG foi verificado no município de Avaí, que apresentou 74% de sua área urbanizada. A própria RG, considerada em conjunto, urbanizou-se significativamente ao longo do período analisado na tabela: de 71,2%, em 1970, para 95,5%, em 2007. Pólo Econômico de Bauru 44 Tabela 10: Taxa de Crescimento Populacional (% a.a.) e Distribuição Relativa da População (%) Região de Governo de Bauru 1970/2007 Taxa de Crescimento (% a a) Municípios 1970/80 Total Urbana 1980/91 Rural Total Urbana 1991/2000 Rural Total Urbana Distribuição Relativa na População Total 2000/2007 Rural Total Urbana Rural 1970 1980 1991 2000 2007 Agudos 2,82 4,41 -1,83 2,34 3,21 -2,37 0,31 1,06 -7,64 1,11 1,28 -2,02 6,61 6,72 6,82 5,97 5,83 Arealva 0,41 2,07 -0,90 0,10 2,28 -2,45 0,59 2,54 -3,23 0,70 1,63 -2,01 2,32 1,86 1,48 1,33 1,26 Avaí 0,20 1,53 -0,49 -1,28 2,05 -3,88 -0,13 2,99 -4,89 0,20 1,09 -2,02 1,87 1,47 1,01 0,85 0,78 Balbinos 0,50 4,63 -1,29 0,35 5,20 -4,26 0,82 3,73 -6,42 0,37 0,89 -2,06 0,40 0,32 0,26 0,24 0,22 Bauru 3,53 4,10 -6,04 3,04 3,14 -0,76 2,19 2,23 0,37 1,61 1,67 -2,02 47,04 51,21 56,09 58,05 58,68 Borebi * * * * * * * * * 3,07 4,38 -2,00 * * * 0,35 0,40 0,56 1,39 -0,26 1,02 4,34 -4,39 2,09 3,84 -4,69 1,56 2,09 -2,01 1,16 0,95 0,83 0,86 0,86 Duartina 1,18 2,11 -0,10 -0,22 1,62 -4,04 0,52 2,19 -6,25 1,01 1,44 -2,02 3,87 3,34 2,57 2,29 2,23 Iacanga -0,83 1,37 -4,06 1,22 2,88 -3,21 1,04 1,84 -2,68 0,96 1,41 -2,01 2,56 1,81 1,63 1,52 1,47 Cabrália Pta. Lençóis Paulista 4,56 7,58 -3,64 2,52 3,54 -5,37 1,99 2,22 -1,68 1,83 2,00 -2,02 8,00 9,60 9,95 10,11 10,37 Lucianópolis 1,75 3,87 0,75 -1,06 1,74 -3,05 -0,91 4,22 -9,19 -0,17 0,36 -2,01 0,79 0,72 0,51 0,40 0,35 Macatuba 3,46 13,74 -2,80 1,94 4,24 -2,58 1,78 4,54 -15,29 1,63 1,80 -2,02 2,76 2,98 2,90 2,89 2,93 Paulistânia * * * * * * * * * 0,77 2,67 -2,02 * * * 0,33 0,31 Pederneiras 3,56 5,42 -0,75 1,82 2,69 -1,67 1,55 2,73 -7,55 1,25 1,47 -2,02 6,56 7,16 6,88 6,73 6,63 Pirajuí -0,46 1,09 -3,05 -0,28 1,51 -5,61 0,71 0,52 1,59 0,77 1,36 -2,01 7,25 5,33 4,07 3,70 3,52 Piratininga -0,18 1,55 -2,12 -0,38 1,32 -3,36 1,04 3,07 -5,59 1,09 1,64 -2,01 3,65 2,76 2,08 1,95 1,90 Presidente Alves -0,52 1,70 -1,63 -0,67 4,80 -6,43 -0,48 0,94 -4,11 0,14 0,74 -2,01 1,82 1,33 0,97 0,79 0,73 Reginópolis 0,32 2,01 -1,28 0,31 2,47 -2,90 -0,08 1,84 -5,31 0,51 1,09 -2,01 1,59 1,27 1,03 0,87 0,82 Ubirajara -1,43 2,80 -3,80 -0,07 3,04 -3,54 -0,10 1,54 -3,38 0,22 1,01 -2,02 1,74 1,16 0,91 0,76 0,70 2,66 4,20 -2,43 2,19 3,04 -3,29 1,80 2,26 -3,74 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 1,46 1,64 -2,02 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 RG BAURU Pólo Econômico de Bauru 45 Por fim, também é válido considerar, a partir dos dados fornecidos na tabela 8, o peso de cada município na distribuição relativa da população total. O município de Bauru é, claramente, aquele que mais concentra população, apresentando uma participação crescente ao longo das décadas: em 1970, cerca de 47% da população regional se encontrava neste município. Em 2007, este percentual sobe para 58,68%. O segundo município de maior porte populacional é Lençóis Paulista: em 2007, o município concentrava 10,37% da população regional, o que corresponde a pouco mais de 62.000 pessoas. Os municípios de Pederneiras e Agudos também possuem uma participação significativa: o primeiro deles concentrava, em 2007, 6,63% da população regional, enquanto o segundo era responsável por 5,83% do total populacional. Os demais municípios, por sua vez, são de pequeno porte e apresentam uma participação bem mais reduzida em relação ao total. Considerando-se, por sua vez, os desmembramentos municipais da década de 1990, podemos avaliar em que medida o processo emancipatório recente impactou o crescimento populacional dos municípios da Região de Governo de Bauru. Esse impacto pode ser captado, num primeiro aspecto, através das taxas de crescimento populacional dos municípios envolvidos nos desmembramentos recentes, conforme ilustram os dados do quadro 1: Quadro 1: População Total, Taxas de Crescimento e Distribuição Relativa Municípios desmembrados Região de Governo de Bauru 1991-2000 Com Desmembramento Sem Desmembramento 54.936 10,11 1,99 2,38 1.927 0,35 - - 31.560 32.459 5,97 0,31 0,91 462.667 1.778 543.462 0,33 100,00 1,80 1,80 População Total (1991) População Total (2000) Lençóis Paulista 46.020 Borebi (*) Agudos Paulistânia (**) RG BAURU Taxa de Crescimento (% a.a.) 1991-2000 Distribuição Relativa (2000) Municípios - Fonte: Fundação SEADE. Censo demográfico de 1991 e 2000 (IBGE). Nota: (*) Município criado pela Lei 6645, de 9-1-1990; (**) Município criado pela Lei 9330, de 27-12-1995 apud Siqueira (2003). A partir desses dados, observa-se que a Região de Bauru, em comparação com a de Araçatuba e de Ribeirão Preto, apresentou uma única situação: dois municípios entre 20 mil Pólo Econômico de Bauru 46 e 50 mil habitantes deram origem a dois micro-municípios (menos de 5 mil habitantes), respectivamente. Considerando as taxas de crescimento populacional dos municípios originários, nas duas situações (com e sem o desmembramento municipal), tem-se que a diferença, em pontos percentuais, é praticamente a mesma nos dois municípios. Assim, no caso de Lençóis Paulista essa diferença é de 0,39 pontos – ou seja, com o desmembramento do município de Borebi, a população do município originário cresceu, entre 1991 e 2000, a 1,99%a.a., sendo que sem a ocorrência do desmembramento, a taxa de crescimento do município seria de 2,38%a.a. No caso de Agudos, a diferença é de 0,6 pontos – o que significa que, com o desmembramento do município de Paulistânia, o município originário cresceu a uma taxa anual de 0,31%, entre 1991 e 2000, ao passo que, sem o desmembramento, a população do município cresceria a 0,91%a.a. Com isso, observa-se que o impacto do desmembramento municipal recente na taxa de crescimento populacional, em termos da diferença percentual entre as duas situações, na Região de Bauru, aproxima-se das demais regiões estudadas, nos casos onde municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes deram origem a micro-municípios. Os componentes do crescimento populacional, por sua vez, podem fornecer uma outra dimensão desse impacto. Nesse sentido, a partir dos dados da tabela 11 (na seguinte seção), destaca-se que o crescimento vegetativo, entre 1991 e 2000, de Agudos (899 pessoas) foi inferior à população do município desmembrado – Borebi (1.927 habitantes) –, e o de Lençóis Paulista (8.916 pessoas) foi superior à população do município desmembrado – Paulistânia (1.778 habitantes). Por sua vez, considerando os respectivos saldos migratórios, observa-se que somente Agudos registrou uma “perda” populacional (3.358 pessoas), que foi superior à população do município desmembrado, enquanto Lençóis Paulista registrou um “ganho” populacional de 1.792 pessoas – o que nos permite afirmar que, no caso de Agudos, o desmembramento municipal teve um impacto mais significativo na dinâmica demográfica do município. Complementando essa discussão, a partir dos dados do quadro 2, podemos avaliar as mudanças ocorridas na hierarquia de municípios da região de Bauru, no período de 1991 a 2007: Pólo Econômico de Bauru 47 Quadro 2: Número de municípios existentes, por classes de tamanho da população Região de Governo de Bauru - Estado de São Paulo 1991-2007 1991 2000 Classes de municípios n % n % n Até 5.000 habitantes 5.000 a 10.000 habitantes 10.000 a 20.000 habitantes 20.000 a 50.000 habitantes 50.000 a 100.000 habitantes 100.000 a 500.000 habitantes 7 3 3 3 0 1 41,2 17,6 17,6 17,6 0,0 5,9 9 2 3 3 1 1 47,4 10,5 15,8 15,8 5,3 5,3 8 3 3 3 1 1 42,1 15,8 15,8 15,8 5,3 5,3 Total 17 100,0 19 100,0 19 100,0 2007 % Fonte: Fundação SEADE. De acordo com esses dados, destaca-se que, em 1991, antes do processo de criação de municípios da década de 1990, caracterizado pela criação preponderante de pequenos municípios, em todo país (Gomes & Mac Dowell, 2000; 1997), a Região de Governo de Bauru possuía uma estrutura de distribuição de municípios que apresentava uma forma piramidal, na qual seus 17 municípios se distribuíam da seguinte forma: 10 municípios possuíam menos de 10 mil habitantes, dos quais sete possuíam população inferior a 5 mil habitantes. No outro extremo, a Região de Bauru apresentava 3 municípios com população entre 20 mil e 50 mil habitantes e apenas um município com população acima de 100 mil habitantes. Com isso, observa-se que a distribuição dos municípios da região de Bauru, em 1991, aproximava-se, na forma, da estrutura apresentada pelos municípios da região de Araçatuba, caracterizada pela predominância de pequenos municípios, polarizados por um grande município. Em 2000, as principais alterações na estrutura de distribuição dos municípios vivenciadas pela região de Bauru foram expressas, por um lado, pelo crescimento na participação da classe de municípios de até 5 mil habitantes e pelo surgimento de um município com população entre 50 mil e 100 mil habitantes. Essas alterações na hierarquia dos municípios da região ocorreram em função de dois fatores: os desmembramentos municipais da década de 1990 e o próprio crescimento populacional dos municípios. Já em 2007, a principal alteração na distribuição dos municípios pelas classes populacionais foi expressa pela redução no número de micro-municípios (com até 5 mil Pólo Econômico de Bauru 48 habitantes) e, consequentemente, pelo aumento na classe de municípios com população entre 5 mil e 10 mil habitantes (no caso, trata-se do município de Cabrália Paulista). Com relação ao primeiro fator de alteração da hierarquia dos municípios, tem-se o processo emancipatório recente. A partir dos dados do quadro 3, observa-se que, entre 1991 e 2000, o país registrou a ocorrência de 1.405 desmembramentos municipais – número que representou ¼ do total dos municípios existentes no Brasil, em 2000 (Siqueira, 2003). Quadro 3: Número de municípios criados, durante a década de 1990 RG Bauru, Estado de São Paulo, Região Sudeste e Brasil (*) 1991-2000 RG Bauru São Paulo Classes de municípios n % n % Sudeste n % Brasil n % Até 5.000 habitantes 5.000 a 10.000 habitantes 10.000 a 20.000 habitantes 20.000 a 50.000 habitantes 50.000 a 100.000 habitantes 100.000 a 500.000 habitantes 2 0 0 0 0 0 100,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 50 12 6 4 0 1 68,5 16,4 8,2 5,5 0,0 1,4 116 87 29 14 2 3 46,2 34,7 11,6 5,6 0,8 1,2 735 360 234 61 11 4 52,3 25,6 16,7 4,3 0,8 0,3 Total 2 100,0 73 100,0 251 100,0 1.405 100,0 Fonte: Fundação IBGE, para Brasil e Sudeste apud GOMES & MACDOWELL, 2000. Fundação SEADE, para São Paulo e RG Bauru apud SIQUEIRA, 2003. (*) Para Brasil e Sudeste, os dados são de 1997 – o que torna necessária atualização dos dados, incluindo os desmembramentos a partir de 1997. No caso do estado de São Paulo e da Região de Bauru, a fonte utilizada inclui todos os desmembramentos ocorridos no período, atualizados até o ano de 2000. Desses 1.405 novos municípios brasileiros criados, 78% (1.095 municípios) tratavam-se de pequenos municípios, ou seja, possuíam população inferior a 10.000 habitantes, sendo que, 735 municípios possuíam menos de 5.000 habitantes. Destaca-se, ainda, que a mesma tendência observada em nível nacional foi registrada nas escalas sub-nacionais. Assim, observa-se que a região Sudeste seguiu a tendência nacional, registrando, no mesmo período, a ocorrência de 251 desmembramentos municipais, onde 81% (203 municípios) possuíam menos de 10.000 habitantes. Por sua vez, no estado de São Paulo, durante 1991 e 2000, foram criados 73 municípios, que correspondem a 11% do total dos municípios paulistas existentes, nos permitindo afirmar que o processo emancipatório recente foi mais significativo em nível nacional do que no contexto paulista. Desses municípios, 62 (85%) possuíam população inferior a 10.000 habitantes; em contraste, foi criado somente um município no estado, no mesmo período, com população superior a 100.000 habitantes. Pólo Econômico de Bauru 49 Especificamente com relação ao estado de São Paulo, em Siqueira (2003) foi destacado que o processo emancipatório recente apresentou um significado peculiar: na década de 1990, ocorreu uma alteração na lógica de criação de municípios no estado. Nesse sentido, destaca-se que, até então, o ritmo do processo de criação de municípios, esteve diretamente relacionado pelo maior ou menor dinamismo econômico e populacional vivenciado pelas diferentes regiões paulistas. A partir de 1990, por sua vez, tendo já consolidado o processo de ocupação territorial do estado (Gonçalves, 1998), a lógica no desmembramento municipal passou a ser determinada, principalmente, pela dimensão político-institucional, a partir da qual a criação de um novo município não se constituiu na resultante direta de um significativo crescimento econômico e demográfico, mas teria representado um mecanismo para se beneficiar do espírito municipalista e descentralizante, presente na Constituição de 1988 (Siqueira, 2003). Assim, através da criação de novos municípios, grupos políticos locais buscavam ter acesso aos cargos públicos surgidos com o desmembramento e à parcela de transferências intergovernamentais proveniente, principalmente, do Fundo de Participação dos Municípios – FPM (Gomes e Mac Dowell, 2000 e 1997; Serra e Afonso, 1999). Por sua vez, se essas benesses foram o estímulo ao processo, o seu facilitador foi representado pelas regras e condições pouco rigorosas para a efetivação do processo de surgimentos de novos municípios, elaboradas pelas diferentes Assembléias Estaduais, favorecendo enormemente a proliferação de micro-municípios por todo o país (Tomio, 2002). A Região de Bauru, assim como as Regiões de Araçatuba e de Ribeirão Preto, é uma expressão desse fenômeno dentro do estado de São Paulo, pois, de acordo com os dados do quadro 3, observa-se que os dois municípios criados tinham população inferior 5 mil habitantes. Esses desmembramentos municipais contribuíram para que o número de micro-municípios passasse de 7 para 9, de 1991 para 2000, significando um aumento na participação desses municípios, na rede urbana regional, de 41 para 47% (quadro 2). O segundo fator de alteração na estrutura da hierarquia dos municípios, no período 1991 a 2000, foi expresso pelo crescimento populacional, principalmente, de Lençóis Paulista, cujo crescimento a uma taxa de 1,99 % a.a. – superior à taxa regional (1,80% a.a.) – fez com que o município passasse da classe de 20.000 a 50.000 para a classe de 50.000 a 100.000 (vide tabelas 9 e 10). Já, no período de 2000 a 2007, a alteração na distribuição dos municípios da região deveu-se ao crescimento populacional do município de Cabrália Paulista, cujo crescimento a uma taxa de 2,09 % a.a. – superior à taxa regional (1,80% a.a.) – fez com que o município Pólo Econômico de Bauru 50 passasse da classe de 10.000 a 20.000 para a classe de 20.000 a 50.000 (vide tabelas 9 e 10). Com essas mudanças ocorridas na estrutura de hierarquia dos municípios, no período 1991-2007, observa-se que, ao final do período, a Região de Bauru não apresentou uma estrutura de distribuição de municípios muito diferente da estrutura existente em 1991, mantendo-se uma distribuição caracterizada pela predominância de pequenos municípios, polarizados por um grande município. Esse perfil de hierarquia de municípios assemelha-se ao perfil apresentado pela Região de Araçatuba, onde se identificou a possibilidade da coexistência de dois extremos de organização do poder público local: por um lado, a prefeitura do município de maior porte populacional, com, potencialmente, maior margem de atuação, em função de maior recurso disponível e de uma organização institucional mais consolidada e com maior experiência prévia e, por outro, um maior número de prefeituras de pequeno porte, com menor margem de atuação devido a uma menor quantidade de recursos disponíveis, organização institucional reduzida e com pouca experiência prévia. Assim como na Região de Araçatuba, na Região de Bauru, esse perfil de hierarquia de municípios pode levar a um descompasso no governo local, em âmbito regional, representando uma dificuldade adicional na implementação de políticas públicas, particularmente as de transferências de renda, cuja performance é bastante influenciada pelas condições locais, tanto institucionais quanto de recursos humanos. Por sua vez, diferenças muitos grandes de organização institucional entre os municípios, podem contribuir para diferenças significativas na oferta dos serviços entre os diversos municípios, numa mesma região, assim como nos resultados objetivados pelo desenho de determinadas políticas, marcando significativamente a região quanto à implementação de políticas públicas, em âmbito local. Movimentos Migratórios Inter e Intra-regional Analisado o crescimento total da população da RG de Bauru pretende-se agora verificar qual o peso de cada um dos componentes, o saldo vegetativo e o saldo migratório, nesse crescimento. Para tal, apresenta-se a evolução da população segundo seus componentes nos períodos 1970-1980, 1980-1991, 1991-2000 e 2000-2007. Percebe-se, através dos dados expostos na tabela 11, que o crescimento populacional da Região de Governo de Bauru, tem sido, desde a década de 1970, majoritariamente incentivado pelo crescimento vegetativo da população local. As migrações, apesar de também possuírem um grau de importância marcante, não chegam a constituir o Pólo Econômico de Bauru 51 fator principal de crescimento da região. Na década de 70, por exemplo, a RG de Bauru apresentou um aumento populacional de aproximadamente 84 mil pessoas, sendo que 66,3% deste acréscimo foi resultado do crescimento vegetativo. Nas décadas posteriores, esta predominância tende a se manter: nos anos 80 o crescimento vegetativo responde por 76,7% do incremento populacional total; nos anos 90, por 66,5% e, entre os anos 2000-2007, por 56,1% do total. Percebe-se, entretanto, que a partir da década 1990 há uma diminuição relativa na participação do componente vegetativo, indicando a maior importância adquirida pelas migrações no crescimento populacional da região, nas últimas décadas. É importante acompanhar a participação proporcional relativa dos componentes migratório e vegetativo no crescimento absoluto total, pois isso auxilia na definição das especificidades e características mais marcantes da região, bem como dos municípios que a compõem e que, muitas vezes, podem manifestar tendências distintas entre si. Deste modo, os dados da tabela 11 permitem analisar de maneira mais específica o impacto destes dois componentes na dinâmica demográfica de cada um dos municípios da RG de Bauru. Pólo Econômico de Bauru 52 Tabela 11: Crescimento Absoluto Populacional, Crescimento Vegetativo e Saldo Migratório Região de Governo de Bauru 1970/2007 Crescimento Absoluto Crescimento Vegetativo Saldo Migratório Municípios 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 1970/80 1980/91 91/2000 2000/2007 Agudos 5.929 7.078 899 2.611 4.161 5.443 4.257 2.216 1.768 1.635 -3.358 Arealva 271 76 374 362 1.157 916 430 215 -886 -840 -56 147 Avaí 106 -707 -54 65 504 606 406 250 -398 -1.313 -460 -185 57 54.728 46 72.840 93 55.989 34 37.394 66 25.968 63 36.997 96 28.800 45 18.782 -9 28.760 -17 35.843 -3 27.189 -11 18.612 Balbinos Bauru Borebi 395 * * * 455 * * * 150 * * * 305 186 407 788 533 305 645 531 288 -119 -238 257 245 1.349 -575 -293 944 574 735 913 570 2.394 1.263 2.395 1.170 1.100 599 513 379 -1.045 -1.838 -2.688 -226 -526 136 400 191 Lençóis Pta. 12.584 11.013 8.916 7.428 6.725 9.989 7.124 4.128 5.859 1.024 1.792 3.300 Lucianópolis 419 -291 -185 -25 599 442 180 150 -180 -733 -365 -175 Macatuba Paulistânia 3.128 * 2.556 * 2.312 * 1.888 98 1.658 * 3.666 * 2.354 * 1.194 72 1.470 * -1.110 * -42 * 694 26 Pederneiras Cabrália Pta. Duartina Iacanga 7.706 5.728 4.734 3.322 3.627 5.432 4.327 2.350 4.079 296 407 972 Pirajuí -922 -580 1.241 1.109 3.199 3.362 1597 677 -4.121 -3.942 -356 432 Piratininga Pres. Alves -178 -259 -416 -347 937 -192 835 42 1.773 751 1.739 713 925 294 520 132 -1.951 -1.010 -2.155 -1.060 12 -486 315 -90 147 158 -35 172 853 844 322 172 -706 -686 -357 0 -657 -34 -36 64 726 903 405 204 -1.383 -937 -441 -140 RG BAURU 84.019 98.178 80.795 57.870 55.729 75.325 53.747 32.437 Fonte: Fundação IBGE. Censos Demográficos de 1970 a 2000; Fundação SEADE. Projeção populacional de 2007 (*) Dados não disponíveis - municípios criados na década de 1990 28.290 22.853 27.048 25.433 Reginópolis Ubirajara Pólo Econômico de Bauru 53 Para o período compreendido entre 1970/1980, percebe-se que as cidades com maiores taxas de crescimento (vide dados da tabela 10) foram Lençóis Paulista, Pederneiras, o município-sede de Bauru, Macatuba e Agudos. Pode-se dizer que o incremento de mais de 84 mil pessoas na região, neste período, se deveu, em grande parte, ao crescimento populacional destes municípios. Dentre estas cidades, somente Bauru e Pederneiras tiveram seu crescimento populacional mais influenciado pela imigração do que pelo componente vegetativo. Neste mesmo período, referente à década de 1970, dos 17 municípios então existentes, apenas cinco se caracterizaram como áreas de expulsão populacional, apresentando crescimento absoluto negativo: Pirajuí, Piratininga, Presidente Alves, Iacanga e Ubirajara. Ainda que estes municípios tenham apresentado perdas populacionais através da emigração, é válido ressaltar que os saldos migratórios negativos foram bem menos expressivos que os verificados na década anterior (Tabela 11) O Município de Pirajuí, que se apresentou como a área de maior evasão populacional da região na década 1960/70 (com um saldo migratório negativo superior a 10.000 pessoas) registrou na década 1970/80 um saldo migratório negativo menos expressivo, da ordem de 4.000 pessoas. Outros municípios como Arealva, Avaí, Duartina, Iacanga, Piratininga, Presidente Alves e Reginópolis, cujos saldos migratórios oscilavam na faixa compreendida entre -10.000 e -2.000 pessoas em 1960/704, reduziram estes valores, passando na década seguinte a contar, juntamente com Cabrália Paulista, Lucianópolis e Ubirajara, com saldos migratórios negativos, porém, inferiores a 2.000 pessoas. A única exceção é o município de Ubirajara, que continuou a expulsar população num ritmo maior, passando sua taxa de crescimento populacional de -1,26% a.a. na década de 1960/70 para -1,43% a.a., na década de 1970/80. Também merece destaque o grupo de municípios formado por Agudos, Macatuba e Pederneiras que contava, na década de 1960/70, com saldos migratórios negativos e apontou, na década de 1970/80, uma reversão nessa tendência, apresentando saldos migratórios positivos entre 1.000 e 5.000 pessoas. Outros municípios, como Bauru e Lençóis Paulista, que já se caracterizavam desde a década de 1960/70 como as duas principais áreas de atração populacional na RG de Bauru, mostraram um incremento em seus saldos migratórios na década 1970/80. O município de Bauru, em especial, passou a contar com um volume migratório de quase 30.000 pessoas. 4 Dados sobre o período 1960-1970 constantes em Perillo (1992). Pólo Econômico de Bauru 54 De modo geral, pode-se dizer que, embora o peso do componente vegetativo tenha se mostrado mais pronunciado do que o migratório na dinâmica demográfica da RG de Bauru na década 1970/80, (66,3% e 33,7%, respectivamente), a migração também se caracterizou como uma variável de peso relevante. Este fato é ainda melhor apreendido quando se observa a participação dos componentes do crescimento populacional em cada um dos municípios da RG (Tabela 11). O crescimento da Região, na verdade, é o resultado da combinação das três componentes: migração, fecundidade e mortalidade, sendo que estas duas últimas variáveis movimentaram-se em níveis relativamente estreitos e seguindo a tendência estadual de declínio. Já a migração, por se constituir na variável demográfica mais sensível às alterações no panorama econômico de determinada área, apresentou, no caso da RG de Bauru, um efeito bastante significativo no acréscimo populacional registrado na região. No período compreendido entre 1980/1991, o crescimento absoluto da região foi de mais de 98.000 pessoas, sendo que o componente vegetativo foi responsável por mais de 75% deste incremento populacional total. O saldo migratório representou um acréscimo de somente 22.853 pessoas, valor inferior ao verificado na década anterior. Dentre as cidades que apresentam saldo migratório negativo, estão: Avaí, Duartina, Macatuba, Pirajuí, Piratininga e Presidente Alves, entre outros que perdem população em menor quantidade. O município com menor saldo migratório, neste período, é Pirajuí, que perde -3.943 pessoas. Duartina também apresenta perdas populacionais expressivas, de 2.688 pessoas (Tabela 11). Por outro lado, a cidade de Bauru permaneceu como principal centro de atração populacional, recebendo mais de 35.000 imigrantes, entre 1980 e 1991. O crescimento absoluto deste município é de 72.840 habitantes, o que corresponde a aproximadamente 74% do incremento populacional total da RG. Lençóis Paulista é o segundo município a mais crescer, em termos absolutos: a população da cidade aumenta em mais de 11.000 pessoas, tanto por meio do crescimento vegetativo quanto por meio das imigrações. Já no período seguinte, entre 1991 e 2000, a participação do componente vegetativo no crescimento populacional da região diminui um pouco em relação à década de 1980. Os movimentos migratórios, por outro lado, ganham mais força, e aumentam sua participação relativa. Os municípios de Bauru e Lençóis Paulista são aqueles que mais recebem população imigrante, embora com volumes bem diferentes. É interessante destacar o caso do município de Agudos, que passa de um saldo migratório positivo e bastante significativo na década de 80 para um saldo negativo de -3.358 pessoas (Tabela 11). Pólo Econômico de Bauru 55 Em algumas cidades, por outro lado, o crescimento populacional continua majoritariamente ligado ao componente vegetativo. Este é o caso, por exemplo, de municípios como Pederneiras, Macatuba e Pirajuí. Por fim, entre os anos 2000 e 2007, é possível notar algumas modificações marcantes. Em primeiro lugar, constata-se que a migração passa a responder por uma parcela bem maior do crescimento populacional da RG de Bauru. Dos 57.870 novos habitantes da região, aproximadamente 44% são imigrantes. No município-sede de Bauru, por exemplo, os componentes vegetativo e migratório foram responsáveis por parcelas bem próximas de acréscimo populacional: enquanto o primeiro respondeu por 50,2% do crescimento, o segundo contribuiu com 49,8%. Somente cinco municípios apresentaram saldos migratórios negativos, e todos eles inferiores a 200 pessoas (Tabela 11). Também é interessante constatar que a participação do município de Bauru no crescimento populacional total da região de governo diminui um pouco, em comparação com períodos anteriores. Entre 2000 e 2007, o município respondeu por 64,6% do crescimento absoluto da região. Mais uma vez, Lençóis Paulista foi o segundo município com maior crescimento populacional absoluto, seguido por Pederneiras. Com relação ao movimento migratório para a região de governo de Bauru, discutiremos, inicialmente, a migração inter-estadual. No período de 1970 a 1980, merecem destaque os fluxos procedentes da Região Sul, que perfizeram 68% do total de mais de 17.000 imigrantes que chegaram na RG. O Estado do Paraná, em particular, respondeu sozinho por aproximadamente 67% dos imigrantes interestaduais que se dirigiram a Bauru nesta década. Os demais estados corresponderam, em conjunto, a 33,4% destes fluxos (Perillo, 1992). Cabe lembrar, porém, que embora a migração paranaense tenha se mostrado bastante significativa para a Região neste período, quando analisada em um contexto mais amplo, percebe-se que, dentre o total de emigrantes do Paraná (aproximadamente 666 mil pessoas), apenas 1,7% tiveram como destino a RG de Bauru. As regiões Centro-Oeste e Sudeste (exceto São Paulo) também apresentaram níveis importantes de migração para a RG de Bauru: a primeira das regiões respondeu por 12,3% dos fluxos direcionados à RG, enquanto a segunda foi responsável por pouco mais de 10% dos fluxos. As regiões Nordeste e Norte, por sua vez, tiveram participação mais reduzida (de 8,9% e 0,8%, respectivamente). Em relação à migração inter-estadual no período 1995/2000, a tabela 12 demonstra que o volume total de imigrantes recebidos pela região diminuiu bastante: de 17.769 pessoas, na década de 1970, para 9.527, entre 1995/2000. Nota-se que os fluxos Pólo Econômico de Bauru 56 migratórios provenientes da região Sul do país diminuíram bastante, perfazendo somente 34,3% do total de imigrantes direcionados à RG de Bauru. O Estado do Paraná também tem sua participação reduzida para 29,4%. Por outro lado, a participação relativa das demais regiões brasileiras no fornecimento de imigrantes para a região analisada aumentou significativamente. O maior aumento pode ser constatado em relação aos Estados nordestinos que, em conjunto, passam a responder por 26,1% dos fluxos migratórios para Bauru (Tabela 12) A região Centro-Oeste, por sua vez, responde por 18,6% do total de imigrantes, sendo que Mato Grosso do Sul, em particular, é responsável por 10,4% destes fluxos. Apesar de haver uma diminuição no volume absoluto dos fluxos da região Sudeste, sua participação relativa também aumenta, passando a responder por 15,2% do total de fluxos para a RG de Bauru (Tabela 12). Tabela 12: Movimentos Migratórios Interestaduais Região de Governo de Bauru 1995/2000 Grandes Regiões e Estados Valor Absoluto do Fluxo Distribuição Relativa Região Sudeste (exceto SP) 1.451 15,2 Região Sul 3.271 34,3 Paraná 2.798 29,4 Região Centro Oeste 1.771 18,6 988 10,4 Mato Grosso do Sul Região Nordeste 2.490 26,1 Bahia 663 7,0 Região Norte 314 3,3 Brasil s/ espec. e s/ decl. 230 Total Interestadual 9.527 2,4 100,0 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000 Já no que se refere aos movimentos migratórios intra-estaduais, no período compreendido entre 1970 e 1980, a RG de Bauru recebeu cerca de 47.000 imigrantes (Perillo, 1992). Dentre esses deslocamentos, constata-se que os mais significativos foram aqueles originários da Região Metropolitana de São Paulo, de Marília e, em menor proporção, de Jaú, Botucatu e Ourinhos. Em conjunto, estas RGs foram responsáveis por 58% do volume de imigração registrado em Bauru neste período. Em particular, a RMSP foi Pólo Econômico de Bauru 57 responsável por 22,95% dos fluxos migratórios destinados a Bauru, enquanto a RG de Marília respondeu por 14,43% do total destes fluxos. Também é importante notar que quase 30% dos imigrantes da região de Bauru eram originários de outras RGs do Estado, consideradas em conjunto (Perillo, 1992). Para o período de 1995 a 2000 (tabela 13), pode-se constatar que o volume total de imigrantes na região reduz um pouco em relação à década de 70. Os fluxos intra-estaduais representam um acréscimo populacional de 31.461 pessoas. Isto equivale a uma redução, em termos absolutos, de mais de 15.000 imigrantes. Por outro lado, a participação relativa da RMSP no total dos fluxos migratórios direcionados à RG de Bauru aumenta, passando a responder por 37,35% do total. A RG de Marília, apesar de reduzir a sua participação no total de imigrantes, continua a manter um fluxo significativo para a região, sendo responsável por 9,4% dos fluxos. Ainda ressalta-se a participação de Campinas, que responde por 5,31% dos fluxos, e de Jaú, que contribui com 4,41% do total de imigrantes intra-estaduais. Por fim, destaca-se a participação conjunta de outras RGs do Estado que, juntas, perfazem 26,62% do total. Tabela 13: Movimentos Migratórios Intra-Estaduais Região de Governo de Bauru 1995/2000 Origem dos Imigrantes Valor Absoluto dos Fluxos Região Metropolitana de São Paulo Distribuição Relativa (%) 11.750 37,35 Marília 2.957 9,40 Campinas 1.671 5,31 Jaú 1.387 4,41 Botucatu 1.253 3,98 Lins 1.180 3,75 Araçatuba 1.116 3,55 Ourinhos 972 3,09 Santos 799 2,54 8.376 26,62 31.461 100,00 Outras RGs Total Intra-Estadual Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Na tabela 14, que registra dados referentes aos movimentos emigratórios intraestaduais, para o período de 1995 a 2000, pode-se perceber que mais de 20.000 pessoas saíram da região, com destino a outras cidades do Estado. O maior volume emigratório que partiu da RG de Bauru teve como destino a Região Metropolitana de São Paulo: mais de 3.500 pessoas. Entretanto, considerando-se, no mesmo período, o fluxo de imigrantes que Pólo Econômico de Bauru 58 entraram na região provenientes da RMSP (11.750 pessoas), observa-se que a RG de Bauru obteve um saldo positivo nessas trocas migratórias, de mais de 8.000 migrantes. É importante ressaltar que o número total de emigrantes originários da RG de Bauru diminuiu bastante, se comparado com a década de 70. Neste período, 42.538 pessoas deixaram a região, tendo como destino outros municípios paulistas (Perillo, 1992). Já entre 1995 e 2000, este valor reduz de maneira significativa: mesmo somados os emigrantes que se dirigiram para outros Estados, o valor total ainda é inferior (38.645 pessoas). Da mesma forma, na década de 70, mais de 11.000 pessoas deixavam a RG de Bauru com destino à RMSP, enquanto que no período de 1995/2000 este valor reduz sensivelmente. A RG de Campinas, que recebia mais de 10% dos emigrantes provenientes da RG de Bauru, nos anos 70, também tem sua participação bastante reduzida, passando a receber 7,77% do total. Da mesma forma, os fluxos migratórios em direção a outras regiões do Estado de São Paulo, também diminuíram, em valores absolutos. Na década de 1970, este era o destino de mais de 10.000 emigrantes (Perillo, 1992), enquanto que entre 1995/2000, este valor cai para pouco mais de 7.000 pessoas. Entretanto, a participação deste grupo de RGs, em termos percentuais, aumenta em relação ao total, neste período, devido a alterações no peso das distribuições relativas. Na década de 1970, as outras RGs eram destino de 24,37% dos emigrantes de Bauru, enquanto que em 1995/2000 este percentual sobe para 35,74%. Pólo Econômico de Bauru 59 Tabela 14: Movimentos Emigratórios Intra-Estadual Região de Governo de Bauru 1995/2000 Valor Absoluto dos Fluxos Destino dos Emigrantes Distribuição Relativa (%) RM São Paulo 3.509 17,44 Jau 1.710 8,50 Marília 1.630 8,10 Campinas 1.563 7,77 Botucatu 1.212 6,02 Araraquara 973 4,84 Lins 918 4,56 Sorocaba 796 3,96 Ourinhos 618 3,07 7.192 35,74 Total Estado de São Paulo 20.121 100,00 Total Intra-Estadual 20.121 52,07 Outros Estados 18.524 47,93 Total Brasil 38.645 100,00 Outras RGs Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Já a tabela 15 complementa ainda mais as informações referentes ao perfil migratório da região, ao fazer um balanço das trocas líquidas populacionais da RG de Bauru, para o período compreendido entre 1995 e 2000. A RG de Bauru recebeu 31.361 migrantes e perdeu 20.121, o que resulta em um saldo positivo de 11.340 pessoas que se estabeleceram na região, no período sinalizado. As trocas populacionais com a RMSP e com Marília foram aquelas que resultaram nos maiores ganhos da RG de Bauru: no primeiro caso, o ganho populacional foi de 8.241 pessoas e, no segundo, de 1.327 pessoas. Esta tendência se manteve em relação às outras principais regiões de governo com as quais a RG de Bauru realizou trocas populacionais. A RG de Bauru perdeu população somente para a região de Jaú, registrando um saldo negativo de -323 pessoas. Pólo Econômico de Bauru 60 Tabela 15: Trocas Líquidas Populacionais Intra-Estaduais Região de Governo de Bauru 1995/2000 Regiões RM São Paulo Imigrantes para a RG Emigrantes da RG Troca Líquida 11.750 3.509 8.241 Marília 2.957 1.630 1.327 Campinas 1.671 1.563 108 Jaú 1.387 1.710 -323 Botucatu 1.253 1.212 41 Lins 1.180 918 262 Araçatuba 1.116 507 609 Ourinhos 972 618 354 Santos 799 507 292 8.376 7.947 429 31.461 20.121 11.340 Outras RGs Total Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Tabulações Especiais Nepo/UNICAMP Com relação aos fluxos intra-regionais verifica-se que aproximadamente 24 mil pessoas mudaram de município, pelo menos uma vez, dentro da RG de Bauru na década de 1970/80 (Perillo, 1992). Grande parte destes fluxos (35%) teve como destino o Município de Bauru. De fato, o município-sede recebeu um volume superior a 8.000 imigrantes, sendo estes procedentes, em sua maioria, dos municípios de Piratininga (16%), Duartina (14,1%) e Pirajuí (12,2%). Além disso, Bauru também registrou trocas significativas com os municípios de Lençóis Paulista e Pederneiras. Estes municípios, apesar de se caracterizarem como áreas de atração populacional neste período, também registraram perdas populacionais expressivas, o que lhes conferiu um saldo migratório pequeno, porém, positivo. Vale destacar que o município de Agudos também se mostrou como uma área receptora de parcela expressiva de migrantes: foram 2.124 imigrantes recebidos, procedentes, em grande parte do município de Bauru. Porém, o volume de pessoas que saíram deste município e fizeram deslocamentos intra-regionais ultrapassou o volume de Pólo Econômico de Bauru 61 imigrantes, de modo que, no balanço das trocas migratórias, o município de Agudos acabou registrando um saldo migratório negativo na década 1970/80. Através da tabela 16, pode-se obter dados mais precisos a respeito dos volumes de imigração e emigração intra-regionais, especificando-se de quais e para quais municípios a população migrou, em sua maioria. Entre os anos de 1995 e 2000, 11.765 pessoas mudaram de residência entre os municípios da região. O município de Bauru foi aquele que mais recebeu imigrantes (4.791), seguido por Agudos (924 pessoas), Lençóis Paulista (868 pessoas) e Pederneiras (746 pessoas). No que se refere à expulsão populacional, constatase que Bauru também foi a cidade que mais gerou emigrantes (2.589), seguida de Agudos (1.606 pessoas) e Duartina (1.041 pessoas). Em relação ao saldo migratório final, é possível notar que a maioria dos municípios da RG de Bauru apresentou saldos negativos. Aqueles que apresentaram maiores perdas populacionais, em termos absolutos, foram Agudos, Duartina, Arealva e Macatuba. Dentre os municípios que apresentaram saldos positivos, por outro lado, destacam-se Bauru, Cabrália Paulista e Pirajuí. Tabela 16: Volumes de Imigração e Emigração Intra-Regional Região de Governo de Bauru 1995/2000 Municípios da RG Agudos Arealva Avaí Balbinos Bauru Borebi Cabrália Pta. Duartina Iacanga Lençóis Pta. Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Piratininga Pres. Alves Reginópolis Ubirajara RG BAURU Imigrantes Emigrantes 924 183 329 85 4.791 210 375 532 311 868 159 378 97 746 658 598 148 249 124 11.765 1.606 449 501 121 2.589 173 272 1.041 458 852 299 599 55 926 573 577 178 334 162 11.765 Saldo Migratório IntraRegional -682 -266 -172 -36 2.202 37 103 -509 -147 16 -140 -221 42 -180 85 21 -30 -85 -38 0 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Tabulações Especiais NEPO/UNICAMP Através da tabela 17 é possível analisar, de maneira mais específica, os principais fluxos intra-regionais, no período de 1995 a 2000. O município de Bauru recebeu uma Pólo Econômico de Bauru 62 parcela significativa de população proveniente de Agudos (mais de 1.000 pessoas), enquanto perdeu população, principalmente, para as cidades de Piratininga, Pirajuí e Pederneiras. Agudos, por sua vez, recebeu população de Bauru, Pederneiras e Lençóis Paulista. Entretanto, o município perdeu mais população (1.606 pessoas, no total) do que recebeu. Lençóis Paulista, o terceiro maior pólo de atração de imigrantes, recebeu população de Agudos, Macatuba e Bauru, mas também forneceu emigrantes para estes dois últimos municípios. De modo geral, pode-se dizer que, apesar de ser o maior pólo atrativo da região, o município de Bauru também é um daqueles cuja população mais se desloca, em nível intraregional. Diversos municípios da região, dentre os quais estão Agudos, Avaí, Cabrália Paulista e Iacanga, recebem população proveniente de Bauru, em maior ou menor grau. Tabela 17: Fluxos Migratórios Intra-Regionais Numericamente mais Importantes RG de Bauru 1995/2000 Imigrantes Emigrantes Destino Municípios Agudos Arealva Avaí Balbinos % Municípios Bauru 275 29,76 Bauru Pederneras 239 25,87 Lençóis Paulista Lençóis Paulista 116 12,55 Cabrália Pta. Outros 294 31,82 Outros Total Bauru 924 113 100,00 61,75 Total Bauru Pederneiras 17 9,29 Reginópolis 15 Outros Total Bauru n % 1.088 67,75 239 14,88 52 3,24 227 14,13 1.606 315 100,00 70,16 Pederneiras 63 14,03 8,20 Iacanga 56 12,47 38 20,77 Outros 15 3,34 183 206 100,00 62,61 Total Bauru 449 338 100,00 67,47 Presidente Alves 33 10,03 Duartina 57 11,38 Agudos 27 8,21 Pirajuí 33 6,59 Outros 63 19,15 Outros 73 14,57 329 Emigrantes n 42 100,00 Total 501 100,00 % 49,41 Bauru 48 % 39,67 Total Destino n Imigrantes Municípios Pirajuí Municípios Pólo Econômico de Bauru n 63 Avaí 25 29,41 Pirajuí 41 33,88 Iacanga 8 9,41 Arealva 13 10,74 Outros 10 11,76 Outros 19 15,70 85 1.088 100,00 22,71 Total Piratininga 121 464 100,00 17,92 Duartina 573 11,96 Pirajuí 351 13,56 Pederneiras 406 8,47 Pederneiras 312 12,05 Outros 2.724 56,86 Outros 1462 56,47 Total Lençóis Paulista 4.791 131 100,00 62,38 Total Agudos 2.589 84 100,00 48,55 Agudos 35 16,67 Iacanga 33 19,08 Piratininga 15 7,14 Lençóis Paulista 28 16,18 Outros 29 13,81 Outros 28 16,18 Total Bauru 210 191 100,00 50,93 Total Bauru 173 126 100,00 46,32 Duartina 53 14,13 Duartina 102 37,50 Agudos 52 13,87 Paulistânia 21 7,72 Outros 79 21,07 Outros 23 8,46 Total Bauru 375 174 100,00 32,71 Total Bauru 272 573 100,00 55,04 Avaí 57 10,71 Lucianópolis 107 10,28 Ubirajara 56 10,53 Piratininga 71 6,82 Outros 245 46,05 Outros 290 27,86 Total Bauru 532 115 100,00 36,98 Total Bauru 1.041 367 100,00 80,13 Reginópolis 63 20,26 Reginópolis 55 12,01 Arealva 56 18,01 Arealva 14 3,06 Outros 77 24,76 Outros 22 4,80 311 100,00 Total 458 100,00 Emigrantes n 239 % 27,53 Bauru 253 % 29,69 Total Agudos Bauru Borebi Cabrália Paulista Duartina Iacanga Total Destino Lençóis Paulista Imigrantes Municípios Agudos Municípios Pólo Econômico de Bauru n 64 Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Macatuba 205 23,62 Macatuba 248 29,11 Bauru 181 20,85 Borebi 131 15,38 Outros 243 28,00 Outros 220 25,82 Total Duartina 868 107 100,00 67,30 Total Bauru 852 167 100,00 55,85 Piratininga 22 13,84 Duartina 51 17,06 Ubirajara 20 12,58 Agudos 40 13,38 Outros 10 6,29 Outros 41 13,71 159 248 100,00 65,61 Total Pederneiras 299 263 100,00 43,91 Pederneiras 99 26,19 Lençóis Paulista 205 34,22 Bauru 31 8,20 Agudos 81 13,52 Outros 0 0,00 Outros 50 8,35 599 37 100,00 67,27 Total Lençóis Paulista Total Agudos 378 38 100,00 39,18 Total Cabrália Paulista Cabrália Paulista 21 21,65 Duartina 10 18,18 Piratininga 20 20,62 Ubirajara 8 14,55 Outros 18 18,56 Outros 0 0,00 Total Bauru 97 312 100,00 41,82 Total Bauru 55 406 100,00 43,84 Macatuba 263 35,25 Agudos 239 25,81 Arealva 63 8,45 Macatuba 99 10,69 Outros 108 14,48 Outros 182 19,65 Total Bauru 746 351 100,00 53,34 Total Bauru 926 354 100,00 61,78 Reginópolis 102 15,50 Presidente Alves 64 11,17 67 10,18 Lençóis Paulista 43 7,50 Outros 138 20,97 Outros 112 19,55 Total 658 100,00 Total 573 100,00 Emigrantes n 464 % 77,59 Bauru 360 % 62,39 71 11,87 Reginópolis 43 7,45 Duartina Destino Piratininga Imigrantes Municípios Bauru Duartina Municípios Pólo Econômico de Bauru n 65 Presidente Alves Reginópolis Ubirajara Agudos 22 3,68 Agudos 32 5,55 Outros 41 6,86 Outros 142 24,61 Total Pirajuí 598 64 100,00 43,24 Total Bauru 577 122 100,00 68,54 Bauru 35 23,65 Avaí 33 18,54 Pederneiras 24 16,22 Pirajuí 19 10,67 Outros 25 16,89 Outros 4 2,25 Total Bauru 148 95 100,00 38,15 Total Bauru 178 130 100,00 38,92 Iacanga 55 22,09 Pirajuí 102 30,54 Piratininga 43 17,27 Iacanga 63 18,86 Outros 56 22,49 Outros 39 11,68 249 46 100,00 37,10 Total Bauru 334 70 100,00 43,21 Lucianópolis 26 20,97 Duartina 56 34,57 Agudos 23 18,55 Lucianópolis 20 12,35 Outros 29 23,39 Outros 16 9,88 124 100,00 Total 162 100,00 Total Duartina Total Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000 (tabulações especiais). Pólo Econômico de Bauru 66 Estrutura Etária – RG de Bauru Estrutura Etária - RG Bauru - 2000 Homens Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Em relação à estrutura etária e por sexo da população residente na Região de Governo de Bauru, é possível identificar algumas tendências mais marcantes, em conformidade com padrões já identificados para o Estado de São Paulo. Em primeiro lugar, convém notar o estreitamento da base, que indica uma redução da taxa de fecundidade, em comparação com períodos anteriores. A pirâmide indica que a RG de Bauru está passando por um momento de transição, em que a distribuição relativa das faixas etárias se altera, fazendo com que a população em idades mais avançadas passe a exercer um peso mais significativo em relação ao total populacional. Apesar destas alterações, entretanto, vale destacar que as faixas etárias entre 15 e 29 anos ainda concentram um percentual marcante da população total. Já no que se refere à proporcionalidade entre homens e mulheres, nota-se que há um equilíbrio razoável entre os sexos. Entretanto, a partir dos 50 anos de idade, a predominância numérica das mulheres torna-se mais pronunciada. Procedendo a uma análise comparativa mais detalhada do conjunto de pirâmides etárias correspondentes aos municípios da RG de Bauru, percebe-se que alguns municípios apresentam tendências bem diversas entre si. A pirâmide etária referente ao município-sede de Bauru é aquela que possui uma estrutura mais semelhante à pirâmide da Região de Governo, como um todo. Pode-se dizer que esta semelhança se deve, principalmente, ao grande peso populacional exercido por Bauru dentro da região. Assim a pirâmide Pólo Econômico de Bauru 67 correspondente à população total da RG é fundamentalmente moldada pelas tendências demográficas verificadas no município-sede. Os municípios de Agudos (gráfico I), Lençóis Paulista (gráfico X) e Pederneiras (gráfico XIV), são aqueles que apresentam estrutura etária mais próxima a de Bauru, com o estreitamento da base, embora em menor proporção, e o aumento do peso relativo dos grupos de idade mais avançada. Avaí (gráfico III), Duartina (gráfico VIII) e Iacanga (gráfico IX), por sua vez, possuem estruturas também semelhantes entre si. Entretanto, Duartina apresenta uma população bastante significativa de mulheres entre 10 e 19 anos de idade. Já em relação a Iacanga é válido ressaltar que a população de homens entre 15 e 24 anos também é quantitativamente relevante, em comparação com as demais faixas etárias. É válido apontar que, nos municípios de Avaí, Duartina e Iacanga verificam-se alguns caracteres que podem ser associados ao fenômeno migratório. Na verdade, vários outros municípios da RG de Bauru possuem estruturas etárias bem singulares, que podem estar refletindo, através da pirâmide, processos demográficos importantes, como a migração. As pirâmides de Paulistânia (gráfico XIII) e Pirajuí (gráfico XV), por exemplo, possuem um volume bem superior de homens em sua população, especialmente na faixa etária entre 20 e 24 anos de idade. Esta predominância de homens, mais acentuada em grupos etários específicos, pode ser reflexo da imigração masculina para estas cidades. Outro exemplo bastante notável, que se destaca no conjunto de pirâmides apresentadas, é o do município de Balbinos (gráfico IV). Neste município, é possível perceber o estreitamento da base, referente às crianças de 0 a 4 anos, acompanhada por uma elevação bastante significativa da população entre 5 e 19 anos, de ambos os sexos. Há uma diminuição populacional acentuada na faixa de 25 a 29 anos, seguida por um novo acréscimo, especialmente da população de homens, entre 30 e 49 anos. Pode-se sugerir, mais uma vez, um impacto marcante das migrações da definição desta dinâmica. Além disso, o tamanho reduzido da população residente em Balbinos também pode interferir, em muito, na configuração apresentada pela pirâmide etária. Quanto menor a população de uma cidade, maior será o impacto de cada óbito, nascimento ou migração, o que acaba se manifestando através de caracteres bem destoantes nas pirâmides etárias. Esta consideração deve ser levada em conta, igualmente, na interpretação das demais pirâmides etárias da região, já que grande parte dos municípios possui população inferior a 10.000 habitantes. Pólo Econômico de Bauru 68 Gráfico I Estrutura Etária por sexo Agudo- 2000 Gráfico II Estrutura Etária por sexo Arealva- 2000 Estrutura Etária - Arealva - 2000 Estrutura Etária - Agudos - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico III Estrutura Etária por sexo Avaí- 2000 Gráfico IV Estrutura Etária por sexo Balbinos - 2000 Estrutura Etária - Balbinos - 2000 Estrutura Etária - Avaí - 2000 Homens Homens Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 Mulheres 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Bauru 69 Gráfico V Faixa Etária por sexo Bauru- 2000 Gráfico VI Faixa Etária por sexo Borebi- 2000 Estrutura Etária - Borebi - 2000 Estrutura Etária - Bauru - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico VII Faixa Etária por sexo Cabrália Paulista- 2000 Gráfico VIII Faixa Etária por sexo Duartina - 2000 Estrutura Etária - Duartina - 2000 Estrutura Etária - Cabrália Paulista - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Bauru 70 Gráfico IX Faixa Etária por sexo Iacanga- 2000 Gráfico X Faixa Etária por sexo Lençóis Paulista- 2000 Estrutura Etária - Lençóis Paulista - 2000 Estrutura Etária - Iacanga - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XI Faixa Etária por sexo Lucianópolis- 2000 Gráfico XII Faixa Etária por sexo Macatuba- 2000 Estrutura Etária Lucianópolis - 2000 Estrutura Etária Macatuba - 2000 Homens Mulheres Homens Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 0 a 4 anos 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Bauru 71 Gráfico XIII Faixa Etária por sexo Paulistânia- 2000 Gráfico XIV Faixa Etária por sexo Perdeneiras- 2000 Estrutura Etária Pederneiras - 2000 Estrutura Etária Paulistânia - 2000 Homens Homens Mulheres Mulheres 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 0 a 4 anos 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 8,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XV Faixa Etária por sexo Pirajuí- 2000 Gráfico XVI Faixa Etária por sexo Piratininga- 2000 Estrutura Etária Pirajuí - 2000 Homens Estrutura Etária Piratininga - 2000 Mulheres Homens 80 anos e mais 75 a 79 anos 80 anos e mais 70 a 74 anos 75 a 79 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos Mulheres 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 8,00 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Bauru 72 Gráfico XVII Faixa Etária por sexo Presidente Alves- 2000 Gráfico XVIII Faixa Etária por sexo Reginópolis- 2000 Estrutura Etária Presidente Alves - 2000 Homens Estrutura Etária Reginópolis - 2000 Mulheres Homens 80 anos e mais 80 anos e mais 75 a 79 anos 75 a 79 anos 70 a 74 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos Mulheres 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Gráfico XIX Faixa Etária por sexo Ubirajara- 2000 Estrutura Etária Ubirajara - 2000 Homens Mulheres 80 anos e mais 75 a 79 anos 70 a 74 anos 65 a 69 anos 60 a 64 anos 55 a 59 anos 50 a 54 anos 45 a 49 anos 40 a 44 anos 35 a 39 anos 30 a 34 anos 25 a 29 anos 20 a 24 anos 15 a 19 anos 10 a 14 anos 5 a 9 anos 0 a 4 anos 6,00 4,00 2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 Fonte: Fundação IBGE. Censo Demográfico de 2000. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2009. Pólo Econômico de Bauru 73 Referências Bibliográficas GOMES, G. M.; MAC DOWELL, M. C. Descentralização política, federalismo fiscal e criação de municípios: o que é mau para o econômico nem sempre é bom para o social. Texto para Discussão n.706, Brasília, IPEA, fev.2000. _____. Os elos frágeis da descentralização: observações sobre as finanças dos Municípios Brasileiros, 1995. In: Encontro Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia, 25., 1997, Recife. Anais... Rio de Janeiro: ANPEC, 1997. GONÇALVES, M. F. As engrenagens da locomotiva. Campinas, 1998. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. PERILLO, S. R. Região de Governo de Bauru. Texto NEPO 23, Campinas, Nepo/Unicamp, 1992. (Migração em São Paulo 2). SERRA, J.; AFONSO, J. R. R. O federalismo fiscal à brasileira: algumas reflexões. 1999. (Texto apresentado no Forum of Federations Internacional Conference of Federalism, Canadá, apoio do BNDES). SIQUEIRA, C. G. Emancipação Municipal Pós Constituição de 1988: um estudo sobre o processo de criação dos novos Municípios Paulistas. Campinas, 2003, 236f. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. TOMIO, F. R. L. Instituições, processo decisório e relações executivolegislativo nos Estados: estudo comparativo sobre o processo de criação após a Constituição de 1988. Campinas, 2002. Tese (Doutorado em Ciência Política) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas. Pólo Econômico de Bauru 74 ANEXO I - Municípios da Região de Governo de Bauru 1- Agudos 11 - Lucianópolis 2- Arealva 12 - Macatuba 3- Avaí 13 - Paulistânia 4- Balbinos 14 - Pederneiras 5- Bauru 15 - Pirajuí 6- Borebi 16 - Piratininga 7- Cabrália Pta. 17 - Pres. Alves 8- Duartina 18 - Reginópolis 9- Iacanga 19 - Ubirajara 10 - Lençóis Paulista Pólo Econômico de Bauru 75 Pólo Econômico de Bauru 76 Capitulo 3 - A Questão Social no Pólo Regional de Bauru5 Introdução A análise da questão social nas espacialidades estudadas no Estado de São Paulo concentra-se em três vertentes. A primeira tem por objeto a pobreza e a desigualdade, indicando as tendências observadas entre os anos 1991 e 2000, com base nos dados censitários, que são os únicos disponíveis para a análise dessas regiões; bem como evidenciando para esses períodos as desigualdades entre as regiões analisadas. A segunda toma por objeto as mudanças na família e as mudanças na provisão familiar nesse período, relacionando-as a mudanças demográficas e a mudanças no papel da mulher na sociedade, dando destaque ao aumento da participação desta no mercado de trabalho e na responsabilidade pela manutenção do domicílio. Nesta vertente ressalta-se a importância do conhecimento das mudanças na família e no domicílio como elementos importantes para o planejamento e implementação de políticas de proteção social. O destaque é dado à política de transferência de renda, que tem a família como principal unidade de referência. A terceira vertente trata das políticas sociais, privilegiando quatro aspectos, quais sejam, identificar nas distintas espacialidades o perfil da recente política de transferência de renda, os programas de apoio ao migrante pobre, o acesso e a qualidade dos serviços básicos de educação e de saúde. 1. Renda, Pobreza e Desigualdade no Pólo Regional de Bauru Renda e população O pólo de Bauru, com uma população de 586.324 pessoas que concentra 1,5% da população do estado, respondia, em 2005, por 1,04% do PIB estadual. Em termos de renda, no ano 2000, o pólo de Bauru detinha uma renda domiciliar per capita de R$ 408,3, inferior à média estadual em 7,6%. Sua renda era uma das menores, superando somente às dos pólos de Presidente Prudente, Araçatuba e Sorocaba. Gráfico 1. 5 Ficha Técnica: Coordenação: Lilia Montali, Coordenação Adjunta: Eugenia Troncoso Leone e Stella Barberá da Silva Telles, Assistentes de Pesquisa: Fabiana de Andrade, Luciana Ramirez Cruz, Marcelo Tavares de Lima e Alessandra Scalioni Brito, Auxiliares de pesquisa: Bruno Martins de Oliveira e Edina Paula Souza. Pólo Econômico de Bauru 77 Gráfico 1: Renda Domiciliar per capita. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. RENDA DOMICILIAR PER CAPITA - 2000 76,5 84,3 85,3 Pres. Araçatuba Sorocaba Prudente 92,4 94,0 95,6 96,5 98,7 100,0 108,4 114,7 Bauru S. José Rio Preto S. José Campos Ribeirão Preto RM Baix. Santista Est. São Paulo RM Campinas RM São Paulo Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Em 2000, o pólo de Bauru participava com 1,4% da renda domiciliar total do estado, uma das menores participações juntamente com os pólos de Presidente Prudente e Araçatuba. Na década de 90 a taxa anual de crescimento da renda domiciliar total de Bauru foi de 4,9% ao ano e a da população de 1,7% ao ano6. Verifica-se que a taxa anual de crescimento da renda domiciliar total na década de 90 foi superior à estadual (3,9% ao ano) enquanto a da população (1,8% ao ano) ligeiramente inferior. Ao analisar o que ocorreu com a renda domiciliar no interior do pólo de Bauru, com base nos seus municípios ordenados de maior a menor em função de sua renda domiciliar per capita em 2000 e atribuindo o valor 100 tanto à renda domiciliar per capita como à população do pólo da Bauru, o primeiro que se destaca são os relativamente elevados tamanhos da população dos municípios de Bauru (58,2%) e Lençóis Paulistas (10,2%) concentrando 68,4% da população do pólo. Observa-se, também, que o município de Bauru possuía uma renda domiciliar per capita superior à média do pólo em 22,6%, enquanto o município de Lençóis Paulistas possuía uma renda domiciliar 14,2% inferior. 6 Como salientado, é difícil a partir dos dados do censo avaliar o verdadeiro desempenho da economia paulista na década de 90, pois o ano de 1991 foi de atividade econômica muito baixa e a do ano 2000 razoável, o que leva a superestimar o verdadeiro desempenho desta economia na década de 90 Pólo Econômico de Bauru 78 A renda per capita de Piratininga (13,9% inferior à do pólo) correspondia a segunda maior renda do pólo, porém com uma população muito reduzida. O município de Lucianópolis apresentou a menor renda per capita (59,7% inferior à média do pólo) Tabela 1. Tabela 1: Renda domiciliar per capita, população e taxas de crescimento anual Pólo de Bauru e Municípios 19910-2000 Pólo de Bauru e municípios Renda domiciliar per capita 2000 taxa variação anual 1991-2000 (*) População 2000 Pólo de Bauru 100,0 100,0 Bauru 122,6 58,2 Piratininga 86,1 1,9 Lençois Paulista 85,8 10,2 Arealva 67,0 1,3 Pirajuí 66,6 3,4 Iacanga 65,7 1,5 Agudos 65,5 6,0 Reginópolis 65,0 0,9 Pederneiras 64,7 6,8 Duartina 62,6 2,3 Paulistânia 59,6 0,3 Macatuba 58,9 2,9 Presidente Alves 57,0 0,8 Balbinos 56,1 0,2 Avaí 52,5 0,8 Borebi 46,1 0,4 Ubirajara 44,4 0,8 Cabrália Paulista 44,0 0,9 Lucianópolis 40,3 0,4 (*) OBS: os números negativos referem-se à variação no período Renda domiciliar total População 1,7 2,2 0,9 2,0 0,6 0,1 0,9 0,2 -1,0 1,4 0,5 1,8 -5,6 0,8 -2,5 -0,9 2,2 -8,5 4,9 5,7 1,6 4,1 5,8 4,2 1,0 3,4 4,5 0,9 2,2 1,4 5,0 5,9 6,0 4,1 2,1 4,0 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Como mencionado, entre 1991 e 2000, a renda domiciliar total do pólo de Bauru cresceu 4,9% ao ano enquanto a população cresceu a um ritmo de 1,7% ao ano. Merece registro, o fato de somente os municípios de Bauru, Lençóis Paulista e Cabrália Paulista terem apresentado taxa de crescimento populacional superior à média do pólo. Todos os outros municípios cresceram abaixo da média ou tiveram taxas negativas de crescimento no período indicando perdas de população. Os casos mais gritantes são Presidente Alves (-5,6% no período) e Lucianópolis (-8,5%). Quanto à renda domiciliar alguns municípios mostraram taxas de crescimento superiores à média do pólo (4,9% ao ano). Os destaques foram para Bauru, Arealva, Pólo Econômico de Bauru 79 Presidente Alves, Balbinos e Avaí. Mas entre estes municípios somente Bauru registrou taxa de crescimento razoável de população. Os demais municípios mencionados que apresentaram crescimento relativamente expressivo de renda domiciliar per capita tiveram pouco ou nenhum crescimento de população. O município de Avaí, por exemplo, teve um crescimento da renda de 6,0% ao ano mas teve crescimento negativo de sua população (2,5% no período). Pobreza, desigualdade e concentração de renda A proporção de pobres diminuiu na década de 90 no pólo de Bauru de 15,0% para 11,9%. O gráfico 2 a seguir mostra a situação de pobreza deste pólo no ano de 2000 em comparação às três regiões metropolitanas paulistas e aos pólos regionais. Em 2000, a proporção de pobres no pólo de Bauru era semelhante à dos pólos de Ribeirão Preto e Araçatuba.7. Gráfico 2: Proporção de pobres. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. % POBRES - 2000 9,8 10,1 10,8 RM Campinas S. José Rio Preto Ribeirão Preto 11,9 Bauru 12,9 13,2 13,2 13,4 13,6 13,7 Araçatuba S. José Campos Sorocaba RM São Paulo Est. São Paulo RM Baix. Santista 19,7 Pres. Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. 7 Utilizou-se uma linha de pobreza de ½ salário mínimo de 2000 (R$ 75,50). Pólo Econômico de Bauru 80 No que diz respeito à desigualdade, o índice de Gini do pólo de Bauru era elevado (0,560) em 2000, bem como a relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres (4,94). Em termos de desigualdade, ao contrário ao verificado com a pobreza, houve uma piora na década de 90 (Gráfico 3). Gráfico 3: Relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. Relação rendas médias 10 % mais ricos e 40% mais pobres - 2000 3,69 4,09 S. José Rio Preto RM Baixada Santista 4,19 4,28 RM Sorocaba Campinas 4,46 4,55 4,94 5,41 S. José Campos Ribeirão Preto Bauru RM São Paulo 5,57 5,80 6,58 Est. São Araçatuba Pres. Paulo Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Quanto à concentração de renda, os 20% mais ricos do pólo de Bauru concentravam 61,9% da renda em 2000. Este valor é também elevado porém inferior à média do estado. Entre 1991 e 2000 a renda apropriada pelos 20% mais ricos aumentou de 58,7% para 61,9% (Gráfico 4). Pólo Econômico de Bauru 81 Gráfico 4: Renda apropriada pelos 20% mais ricos. Estado de São Paulo, Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais, 2000. RENDA APROPRIADA PELOS 20% MAIS RICOS - 2000 58,3 59,2 59,5 RM Baix. Sorocaba RM Santista Campinas 59,5 S. José Campos 60,5 61,9 62,4 62,9 Ribeirão Preto Bauru S. José Rio Preto RM São Paulo 63,0 65,6 66,0 Est. São Araçatuba Pres. Paulo Prudente Fonte: Censo Demográfico, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. Do ponto de vista dos municípios do pólo de Bauru, as situações de pobreza (% de pobres), desigualdade (relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e 40% mais pobres) e concentração (20% mais ricos) são ilustradas na Tabela 2. Como os municípios estão ordenados conforme sua renda domiciliar per capita de 2000, de maior a menor, o que se observa, em primeiro lugar é que existe, uma correlação inversa entre renda per capita e proporção de pobres. Ou seja, a proporção de pobres é em geral maior para aqueles municípios com renda per capita menor. Ademais, nota-se que as proporções de pobres ultrapassam os 10% na maioria dos municípios e somente os municípios de Bauru, Lençóis Paulistas, e Piratininga tinham proporções de pobres abaixo da média do pólo que era de 11,7%. Contudo, alguns municípios ainda que não possuam renda per capita tão baixa apresentam significativa proporção de pobres. São os casos de Arealva, Pirajui, Agudos, Reginópolis, Pederneiras e Duartina. As piores situações de pobreza em 2000 são encontradas em Ubirajara (25,2% de pobres) e Cabrália Paulista (22,0%) e Lucianópolis (21,4%). Pólo Econômico de Bauru 82 Tabela 2: Pobreza, Concentração e Desigualdade da renda Domiciliar Pólo de Bauru e Municípios 1991 - 2000 Pólo de Bauru e Municípios Pólo de Bauru Bauru Piratininga Lençois Paulista Arealva Pirajuí Iacanga Agudos Reginópolis Pederneiras Duartina Paulistânia Macatuba Presidente Alves Balbinos Avaí Borebi Ubirajara Cabrália Paulista Lucianópolis % pobres 1991 14,7 9,3 23,9 10,2 27,1 33,8 22,3 21,6 25,9 15,7 28,2 11,1 41,1 36,3 47,0 43,8 41,6 50,2 2000 11,7 9,6 11,5 8,7 16,7 16,0 10,9 20,0 14,7 14,8 18,7 12,9 16,2 13,7 14,6 19,8 16,0 25,2 22,0 21,4 Proporção da renda apropriada pelos 20% mais ricos 1991 58,7 63,1 64,7 55,6 31,7 44,0 54,0 39,5 38,0 54,5 51,4 45,9 32,0 34,7 21,6 25,6 47,1 21,9 2000 61,9 68,4 57,4 52,1 44,4 45,9 44,0 45,8 43,8 44,4 43,0 41,7 36,8 38,4 30,8 32,4 16,1 27,9 22,1 18,1 Relação entre as rendas médias dos 10% mais ricos e 40% mais pobres 1991 4,3 6,3 5,2 4,5 0,8 1,1 2,4 1,1 0,7 3,8 2,1 2,7 0,7 0,4 0,4 0,4 1,5 0,1 2000 5,0 8,0 3,5 4,0 1,6 1,4 1,5 1,8 1,2 1,6 1,2 1,4 1,1 1,0 0,8 0,7 0,4 0,3 0,4 0,3 Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Deve-se mencionar que somente o município de Bauru e Macatuba tiveram ampliação de sua proporção de pobres na década, mas em 1991 estavam entre os municípios com menores proporções de pobres. Todos os outros municípios tiveram decréscimo da proporção de pobres. Em geral, os municípios que mais reduziram sua pobreza são aqueles municípios que apresentavam proporções de pobres mais elevadas em 1991. São os casos de Balbinos, Avaí, Ubirajara, Cabrália Paulista e Lucianópolis. A concentração de renda expressa pela renda apropriada pelos 20% mais ricos revela que no pólo de Bauru os 20% mais ricos concentravam 61,9% da renda no ano 2000, tendo sofrido um acréscimo de três pontos percentuais na década. Em 2000, a concentração de renda era superior à média do pólo somente no município de Bauru. Deve-se chamar à atenção para a correlação direta entre renda e concentração. Ou seja, aqueles municípios que possuem renda per capita mais elevada têm também maior Pólo Econômico de Bauru 83 concentração de renda. Entre 1991 e 2000 a concentração da renda aumentou em vários dos municípios. O destaque fica com Bauru que passou de 63,1% em 1991 para 68,4% em 2000 a proporção da renda apropriada pelos 20% mais ricos. A concentração de renda dos 20% mais ricos diminuiu nos municípios de Piratininga, Lençóis Paulistas, Iacanga, Pederneiras, Duartina, Macatuba, Balbinos, Cabrália Paulista e Lucianópolis. A desigualdade medida pela razão entre as rendas médias dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres revela o elevado valor no pólo de Bauru em 2000: os 10% mais ricos tinham uma renda média equivalente a 4,9 vezes a renda média dos 40% mais pobres do pólo. Essa razão foi ainda superada pelo município de Bauru. Entre 1991 e 2000, a desigualdade, medida por este indicador, aumentou na maioria dos municípios. O destaque fica novamente com o município de Bauru que variou de 6,3 para 8,0 na década. Considerações Finais Na década de 90 houve ligeiro aumento da renda domiciliar per capita no pólo de Bauru abrangendo seus 19 municípios. A concentração e a desigualdade que já eram consideráveis aumentaram e a proporção de pobres só não aumentou em aqueles municípios onde essa proporção já era muito elevada em 1991. O município de Bauru merece destaque por apresentar a maior renda per capita, acima da média do pólo, e considerável crescimento de sua população. Este município apresentou, também, a menor proporção de pobres, mas a desigualdade e a concentração de renda eram elevadas e aumentaram na década. 2. Mudanças no domicílio, na inserção domiciliar no mercado de trabalho e as políticas sociais Introdução Neste projeto, o trabalho e o domicílio são considerados como elementos centrais para a análise das mudanças sociodemográficas nas diferentes regiões metropolitanas e pólos regionais e de suas implicações para as demandas das políticas públicas. Nesse sentido, este item tem por objetivos recuperar as mudanças nos domicílios e nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e para a provisão familiar. A análise destas mudanças, bem como a identificação dos arranjos domiciliares mais Pólo Econômico de Bauru 84 suscetíveis ao empobrecimento visa também oferecer indicações para a orientação das políticas sociais voltadas para a superação da pobreza e para a redução da desigualdade. Por outro lado, os indicadores de pobreza e de não pobreza e de desigualdade social apresentam maior precisão por serem elaborados a partir de informações que têm o domicílio como unidade de análise e as especificidades de sua estruturação. Assim, a composição dos arranjos domiciliares e o ciclo vital das famílias são adotados como referências para se pesquisar os grupos de domicílios mais suscetíveis ao empobrecimento nos contextos regionais diferenciados. Outro aspecto relevante na análise é a ampliação do numero de domicílios com renda da mulher e o aumento da participação da renda da mulher na renda do domicilio8. A relevância desta abordagem está ancorada na centralidade na família assumida para a concepção e implementação dos benefícios, serviços, programas e projetos como um dos princípios da Política Nacional de Assistência Social desde 1993, mantida em 2004 na atualização da Política Nacional de Assistência Social e nas diretrizes da atual gestão federal 9. A centralidade na família é reafirmada ao ter sido eleita como unidade do principal programa de transferência de renda federal, o Programa Bolsa-Familia, que visa atingir a totalidade das famílias pobres. O Programa Bolsa-Família de forma distinta dos programas anteriores e sob a referida concepção, inclui o conjunto dos membros da família como público alvo. A recente implantação do SUAS, por sua vez, implementa tais diretrizes e dá ênfase à atenção familiar. Como se sabe, o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) em implantação no País é assentado em alguns princípios, dentre eles: a universalidade; a matricialidade sociofamiliar, que se fundamenta no direito à proteção das famílias; e a territorialização. Frente às novas características das políticas de proteção social cada vez mais o conhecimento sobre as famílias e as mudanças que a família vem sofrendo, passam a ser de interesse crescente para os agentes institucionais envolvidos na implementação das novas políticas sociais. Por outro lado, desperta o interesse dos estudiosos da família, que procuram entender tanto suas transformações e as novas configurações; bem como as possibilidades de que as novas políticas sociais provoquem novas mudanças na estruturação das famílias, na relação interna de poder, dentre outras. É importante acrescentar nesta introdução uma informação metodológica. Este projeto optou por utilizar como fonte básica de informação para a análise das três regiões 8 Neste estudo as unidades domiciliares são assumidas como equivalentes a unidades familiares, tendo por referência análise metodológica de Bilac (2001) explicitada no item 2.1., a seguir. 9 Política Nacional de Assistência Social. Resolução nº 145 de 15 de outubro de 2004 (DOU 28/10/2004). Pólo Econômico de Bauru 85 metropolitanas paulistas e dos pólos regionais os microdados do Censos Demográficos 1991 e 2000 - IBGE. Isto porque o Censo Demográfico é a única fonte de informação domiciliar que possibilita investigar estas questões para as novas áreas metropolitanas e as espacialidades regionais adotadas pelo projeto (pólos regionais), através do recurso de agregar o conjunto de municípios que compõem tais regiões. As PNADs – IBGE, que poderiam trazer dados mais recentes, não permitem desagregação da informação para as regiões estudadas. Apresentam informações desagregadas apenas para as Unidades da Federação (UF) e para as regiões metropolitanas que incluem as capitais das UF, não incluindo, portanto as regiões metropolitanas de Campinas e da Baixada Santista e as demais regiões pesquisadas. Nas análises dos censos são utilizados os dados da Amostra, representativos da população das áreas estudadas. No tópico 1. são apresentadas as principais mudanças nos arranjos domiciliares identificados no Pólo Regional de Bauru entre 1991 e 2000, bem como os perfis dos arranjos domiciliares e tamanho de família nos dois momentos censitários. No tópico 2. são tratados os arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho, bem como se investigam mudanças na responsabilidade pela manutenção do domicílio no Pólo Regional de Bauru. No tópico 3 são indicados os arranjos familiares mais suscetíveis ao empobrecimento, oferecendo indicações para os arranjos domiciliares que demandam maior atenção das políticas sociais e, também indicações de acesso programas de transferência de renda. No tópico 4 é analisada a participação da renda da mulher no domicilio no Pólo Regional de Bauru. 2.1. Mudanças nos arranjos domiciliares: configurações e tamanho Não desconhecendo as dificuldades de se identificar famílias através dos censos demográficos, optou-se neste estudo por assumir as unidades domiciliares como equivalentes a unidades familiares, tendo por referência análise metodológica de Bilac (2001) que fundamenta essa escolha, por apontar três aspectos. O primeiro é que o Censo Brasileiro identifica famílias no domicílio assim considerando “um conjunto de pessoas ligadas por laços de parentesco, dependência ou normas de convencia, que moram num mesmo domicílio” (IBGE, 1990, apud Bilac, 2001, pp.4). O segundo aspecto é que aponta no Censo critérios de identificação de domicilio particular independente, que o Pólo Econômico de Bauru 86 aproxima do conceito de “unidade doméstica” 10 , que pressupõe o partilhamento de orçamento comum, definido minimamente pelo partilhamento das despesas com alimentação. O terceiro aspecto é que Bilac no estudo referido, ao analisar a presença de famílias conviventes em um mesmo domicílio identifica relações de parentesco entre as pessoas de referência das famílias conviventes na maior parte dos casos, sugerindo a existência de família ampliada, bem como aponta a pequena ocorrência de famílias conviventes, da ordem de 7 % dos domicílios (Bilac, 2001). As mudanças nas formas de organização familiar nas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo em 2000, aqui analisadas através dos dados censitários, expressam tendências de mudanças iniciadas em décadas anteriores para as famílias brasileiras, acentuadas nos anos 90. As mais importantes são: - redução do tipo de organização familiar predominante constituído pelas famílias conjugais e casais com filhos; - crescimento da proporção de famílias monoparentais, tanto chefiadas por mulheres como por homens; - crescimento dos domicílios unipessoais. Outra tendência observada é a redução do tamanho da família que se relaciona tanto às novas formas de estruturação da família como à redução do número de filhos. Estas tendências são também as principais observadas no Pólo Regional de Bauru, no período 1991-2000. Os arranjos domiciliares no Pólo Regional de Bauru no ano 2000 Os arranjos domiciliares do Pólo Regional de Bauru apresentam um perfil com as seguintes características, segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2000: os arranjos familiares nucleados por casais compreendem 73,1% do total dos arranjos e os arranjos de chefes masculinos e femininos sem cônjuges totalizam 21,9%, com ênfase para os arranjos chefiados por mulheres, que perfazem 19% dos arranjos domiciliares (Tabela 3). Comparando-se esses percentuais entre as três regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais, observa-se que o perfil apresentado pelo Pólo Regional de Bauru é bastante próximo ao apresentado pelos demais pólos do Estado de São Paulo sob 10 “Ao empregar os critérios de Separação e de Independência para a determinação do número de domicílios particulares permanentes existentes em uma determinada habitação, deverá ser verificado, inicialmente, se a pessoa ou grupo de pessoas vive e se alimenta separadamente das demais e, em seguida, se a pessoa ou grupo de pessoas têm acesso direto ao seu local de habitação sem passar por habitação de outras pessoas. Se em um dos casos ou em ambos a conclusão for negativa, a habitação será considerada um domicílio particular.” (IBGE, 1990, pp.22, apud Bilac, 2001). Pólo Econômico de Bauru 87 análise, diferenciando-se das regiões metropolitanas e especialmente da Região Metropolitana da Baixada Santista e da Região Metropolitana de São Paulo. Dessa maneira, a configuração familiar predominantemente no Pólo Regional de Bauru é do tipo conjugal com ou sem a presença de filhos residentes, compreendendo 73,1% dos domicílios do pólo. Dentre os arranjos nucleados por casais, predominam os casais com filhos e parentes, os quais apresentam um percentual de 59,2% dos domicílios, percentual pouco superior ao apresentado pelo Estado de São Paulo (58,2%). Considerando os casais com a presença de filhos, aqueles de 35 até 49 anos são a maioria, configurando um total de 23% dos arranjos domiciliares, seguidos pelos casais de até 34 anos, 22,5%. Os casais de mais de 50 anos e mais com filhos e ou parentes apresentam os menores percentuais nesse grupo, 10,4%. Estes valores se assemelham às médias apresentadas pelo Estado de São Paulo, que são, respectivamente, 22,9%, 22,3% e 9,7%, no entanto no Pólo de Bauru são comparativamente mais elevados os percentuais dos domicílios com casais entre 35 e 49 anos e nos domicílios dos casais de 50 anos e mais. Por outro lado, a proporção de casais sem a presença de filhos no Pólo Regional de Bauru, 13,9% dos arranjos domiciliares, é pouco mais elevada que a apresentada pelo Estado (13,4%), Tabela 3. Com relação aos arranjos com chefia feminina sem cônjuge (19,6%), o Pólo Regional de Bauru apresenta proporção menor quando comparada ao Estado de São Paulo (20,5%) e às RMSP e RMBS, porém mais próxima às proporções observadas nos pólos regionais (Tabela 3). Da mesma forma, esses arranjos domiciliares com a presença de filhos e/ou parentes (14,5%), apresentam proporções inferiores às médias apresentadas pelo Estado de São Paulo (15,6%), bem como em relação às RMSP e RMBS, ambas da ordem de 17%, assemelhando-se aos pólos regionais estudados. Por outro lado, a proporção de arranjos domiciliares chefiados por homem sem a presença de cônjuge, de 7,3%, está próxima da apresentada pelos pólos regionais analisados e abaixo da média do Estado (7,9%) e das regiões metropolitanas paulistas. Estas especificidades da estruturação dos arranjos domiciliares no Pólo de Bauru podem ser associadas às características da sua estrutura etária. Pois, no ano de 2000 o Pólo Regional de Bauru apresentava, comparativamente à média do Estado de São Paulo, uma população mais envelhecida, com 10,3% de sua população com 60 anos e mais; população em idade ativa – entre 15 e 59 anos - representando 64% do total, próxima à média do Estado de São Paulo, mas com proporções um pouco menores; e, também Pólo Econômico de Bauru 88 proporção um pouco menor entre as idades de 0 e 14 anos (24,4%)11. Informações sobre a estrutura etária da população do Pólo Regional de Bauru podem ser encontradas no Capítulo 3, Item 2.1. do Documento 1 – Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo, deste Projeto, bem como no Capitulo 2 do mesmo Documento 1, na análise das pirâmides etárias. Tabela 3 Distribuição dos domicílios segundo arranjo domiciliar Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 1991-2000 Sem Total filhos Casais Com filhos e parentes Total até 34 de 35 a anos 49 anos Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge com filhos com filhos Total e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal 50 anos Total parentes parentes e mais Estado São Paulo 77,0 12,8 64,2 28,2 23,3 9,6 16,0 12,4 3,7 7,0 4,1 2,9 100,0 RM São Paulo 74,7 12,5 62,2 26,9 23,2 8,8 17,8 13,8 4,0 7,5 4,6 2,9 100,0 100,0 RM Baixada Santista 73,0 14,4 58,6 24,7 21,6 8,8 19,0 14,3 4,8 8,0 4,0 4,0 RM Campinas 80,1 12,8 67,3 30,1 24,5 9,9 13,8 10,7 3,1 6,1 3,7 2,4 100,0 Pólo Araçatuba 79,8 13,5 66,3 29,5 23,6 10,5 14,4 11,3 3,1 5,9 3,2 2,6 100,0 1991 Pólo Bauru 78,9 12,8 66,0 29,5 23,0 10,5 15,1 11,3 3,8 6,1 3,5 2,6 100,0 Pólo Presidente Prudente 79,4 12,5 66,9 30,3 23,2 10,7 14,6 11,2 3,4 6,0 3,1 2,9 100,0 Pólo Ribeirão Preto 79,3 12,4 66,8 29,9 23,6 10,5 14,8 11,4 3,4 6,0 3,3 2,6 100,0 Pólo São José dos Campos 78,6 10,4 68,3 31,4 25,4 8,5 13,9 11,5 2,4 7,4 4,1 3,3 100,0 Pólo São José do Rio Preto 79,6 15,0 64,6 28,7 23,0 10,4 14,5 10,7 3,7 6,0 3,4 2,6 100,0 Pólo Sorocaba 80,6 12,2 68,5 32,0 23,5 9,9 13,5 10,6 2,9 5,9 3,2 2,7 100,0 Estado São Paulo 71,6 13,4 58,2 22,3 22,9 9,7 20,6 15,6 4,9 7,9 3,7 4,1 100,0 RM São Paulo 69,6 12,6 56,9 21,8 22,4 9,3 22,4 17,2 5,2 8,0 4,0 4,1 100,0 RM Baixada Santista 67,0 14,2 52,8 19,5 20,7 8,9 23,8 17,7 6,1 9,2 3,9 5,3 100,0 RM Campinas 74,2 14,1 60,1 22,8 24,6 9,8 18,3 13,9 4,4 7,5 3,7 3,9 100,0 Pólo Araçatuba 73,7 15,5 58,2 21,5 23,3 10,4 19,2 14,2 4,9 7,1 3,1 4,0 100,0 2000 Pólo Bauru 73,1 13,9 59,2 22,5 23,1 10,4 19,6 14,5 5,2 7,3 3,2 4,1 100,0 Pólo Presidente Prudente 73,0 14,3 58,7 23,3 22,3 9,7 19,6 14,5 5,2 7,4 2,9 4,5 100,0 Pólo Ribeirão Preto 72,6 13,4 59,2 22,2 23,7 10,4 19,5 14,6 4,9 7,9 3,7 4,2 100,0 Pólo São José dos Campos 73,3 11,5 61,9 23,1 25,7 9,7 18,5 14,9 3,6 8,2 3,7 4,5 100,0 Pólo São José do Rio Preto 73,3 16,4 56,9 21,1 22,8 10,0 19,3 13,7 5,7 7,4 3,1 4,3 100,0 Pólo Sorocaba 75,5 13,1 62,4 25,1 24,1 9,8 17,5 13,6 3,9 7,0 3,4 3,6 100,0 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Observando-se os percentuais dos municípios do Pólo de Bauru no ano de 2000 para os arranjos chefiados por casais, é possível perceber que estes variam entre 68% e 83%, sendo que a média do Pólo é de 73,1% (Tabela 4). Nos arranjos chefiados por mulheres sem cônjuges os percentuais apresentados pelos municípios ficam entre 10% e 21%, sendo que a média do pólo é de 19,6%. Por fim, nos arranjos chefiados por homens sem cônjuges os percentuais variam entre 4,8% e 11%, sendo que a média é de 7,3% no ano de 2000. O município de Bauru, sede do Pólo regional e o maior município – 347.600 pessoas segundo a Contagem de 2007, IBGE -, apresenta proporção de domicílios 11 Em 2000, a estrutura etária do Estado de São Paulo era a seguinte: 26,2% de pessoas com até 14 anos de idade; 64,3% entre as idades de 15-59 e proporção de pessoas com 60 anos e mais da ordem de 9,4%. Pólo Econômico de Bauru 89 nucleados por casais da ordem de 71,2% (abaixo da média regional); 21,6% chefiados por mulheres sem cônjuge (acima da média regional), e 7,2% com chefia masculina sem cônjuge (na média regional), no ano 2000. Para evidenciar a heterogeneidade entre os municípios do Pólo em relação ao perfil dos arranjos domiciliares, apresentamos outros dois municípios com características distintas. O município de Lençóis Paulista, o segundo maior em tamanho (59.460 mil habitantes - Contagem de 2007, IBGE), apresenta um dos maiores percentuais de arranjos chefiados por casais (78,1%) e o segundo maior percentual de casais com filhos e/ou parentes (66,6%). A média regional para esses dois tipos de arranjos é de 73,1%, referindo-se ao total daqueles nucleados por casais e de 59,2% para arranjos domiciliares de casais com filhos e/ou parentes Apresenta ainda percentual de arranjos domiciliares de chefes femininas sem a presença de cônjuge de 15,7%, abaixo da média do pólo, que é de 19,6%, no ano 2000. Por outro lado, Pirajuí, município considerado pequeno - pois tem 21 mil habitantes, segundo a Contagem Populacional de 2007, IBGE -, apresenta o menor percentual de arranjos chefiados por casais do pólo de Bauru, totalizando 68,9%; dentre estes o arranjo domiciliar de casais com filhos, apresenta percentuais de 52,2%, abaixo da média regional. Apresenta ainda como peculiaridades proporção de casais sem filhos de 16,7%, acima da média do Pólo, que é cerca de 14%, e percentuais elevados de arranjos de chefes femininos e masculinos sem cônjuges, ambos acima da média regional. Com relação aos arranjos de chefes femininos sem cônjuges, estes perfazem 21,5%, enquanto os arranjos de chefes masculinos sem cônjuges perfazem 9,6% dos domicílios do município (Tabela 4). Pólo Econômico de Bauru 90 Tabela 4 Distribuição dos Domicílios segundo arranjos domiciliares Pólo Regional de Bauru 1991 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e/ou parentes Casal com filhos Com filhos Total Total sem e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal Até 34 de 35 a 50 anos Total Total filhos parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Bauru 78,9 12,8 66,0 29,5 23,0 10,5 15,1 11,3 3,8 6,1 3,5 2,6 100,0 81,8 10,1 71,7 35,1 24,4 9,2 12,8 9,7 3,1 5,5 2,3 3,2 100,0 Agudos Arealva 84,3 18,5 65,8 26,6 22,9 13,9 8,8 5,7 3,1 7,0 3,9 3,0 100,0 Avaí 77,8 16,0 61,8 31,7 15,0 11,1 11,8 9,6 2,2 10,4 5,7 4,8 100,0 82,6 10,2 72,5 28,5 19,7 22,0 2,6 2,6 . 14,8 5,0 9,8 100,0 Balbinos 77,0 13,2 63,7 28,2 22,6 9,9 17,1 12,9 4,3 5,9 3,4 2,5 100,0 Bauru Borebi Cabrália Paulista 83,2 13,9 69,3 34,3 20,5 10,9 10,0 9,6 0,5 6,7 1,7 5,1 100,0 79,4 13,4 66,0 25,9 22,8 14,8 14,8 10,4 4,4 5,8 3,6 2,3 100,0 Duartina 79,5 18,0 61,5 23,7 22,3 12,3 15,2 12,3 3,0 5,3 1,3 4,1 100,0 Iacanga Lençois Paulista 83,7 11,9 71,8 34,0 24,4 10,5 11,4 9,0 2,4 4,9 3,6 1,4 100,0 83,5 14,1 69,4 26,6 32,5 7,6 12,5 7,3 5,2 4,0 1,9 2,1 100,0 Lucianópolis 86,2 7,3 78,9 39,6 24,6 12,4 8,2 5,8 2,5 5,5 4,1 1,4 100,0 Macatuba Paulistânia Pederneiras 83,0 13,4 69,6 29,7 25,4 11,6 10,9 8,3 2,6 6,1 4,6 1,5 100,0 75,6 12,3 63,3 26,7 22,3 10,8 16,3 10,3 6,0 8,1 4,3 3,9 100,0 Pirajuí 77,6 12,3 65,3 28,2 21,1 12,4 15,9 11,5 4,4 6,5 2,0 4,5 100,0 Piratininga Presidente Alves 77,9 14,6 63,3 30,1 19,7 10,2 10,7 6,6 4,2 11,4 6,0 5,4 100,0 Reginópolis 77,8 8,9 69,0 29,8 24,8 12,5 10,4 8,7 1,7 11,7 5,4 6,4 100,0 Ubirajara 79,6 8,2 71,4 34,6 22,4 13,1 13,3 7,8 5,5 7,1 5,3 1,7 100,0 Fonte: Censo Demográfico 1991. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Tabela 4 Distribuição dos domicílios segundo arranjos domiciliares Pólo Regionaç de Bauru 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e/ou parentes com filhos Casal Com filhos Total Total sem Unipessoal Total Unipessoal e/ou e/ou Até 34 de 35 a 50 anos Total Total filhos parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Bauru 73,1 13,9 59,2 22,5 23,1 10,4 19,6 14,5 5,2 7,3 3,2 4,1 100,0 74,4 11,9 62,5 26,6 23,4 9,7 18,4 14,7 3,7 7,2 4,0 3,3 100,0 Agudos 80,3 19,8 60,5 20,5 25,6 11,7 11,8 7,1 4,7 8,0 2,7 5,3 100,0 Arealva 73,8 18,3 55,5 24,4 21,8 8,0 15,2 12,6 2,7 11,0 3,3 7,7 100,0 Avaí Balbinos 74,5 11,9 62,6 24,1 27,4 8,0 15,8 10,6 5,2 9,8 . 9,8 100,0 Bauru 71,2 14,0 57,2 21,1 22,8 10,4 21,6 15,8 5,7 7,2 3,0 4,2 100,0 Borebi 74,0 13,0 61,0 28,0 18,9 9,3 16,7 14,9 1,8 9,3 7,1 2,2 100,0 77,6 18,3 59,2 26,6 22,3 7,6 17,6 14,4 3,2 4,8 1,3 3,6 100,0 Cabrália Paulista 72,1 16,0 56,1 19,9 21,8 11,4 20,1 14,4 5,7 7,8 3,2 4,6 100,0 Duartina 72,4 14,5 58,0 21,5 21,4 13,4 18,1 11,9 6,2 9,5 4,6 4,9 100,0 Iacanga Lençois Paulista 78,1 11,5 66,6 26,6 25,0 11,0 15,7 11,4 4,3 6,2 2,8 3,4 100,0 Lucianópolis 75,9 17,5 58,4 22,3 22,6 8,6 17,1 10,4 6,7 7,0 4,0 3,0 100,0 Macatuba 78,7 11,3 67,5 26,3 23,5 12,5 13,9 11,5 2,4 7,4 5,4 2,1 100,0 83,8 19,7 64,1 29,7 19,1 11,0 10,8 10,8 . 5,5 3,3 2,2 100,0 Paulistânia 78,3 13,7 64,6 27,0 24,0 10,0 14,9 11,1 3,8 6,8 3,0 3,8 100,0 Pederneiras 68,9 16,7 52,2 18,6 22,2 7,6 21,5 16,3 5,3 9,6 3,1 6,5 100,0 Pirajuí Piratininga 72,1 14,3 57,9 19,6 24,9 10,8 19,7 15,1 4,6 8,2 3,5 4,7 100,0 Presidente Alves 73,5 14,7 58,8 23,4 20,9 12,5 17,0 12,5 4,5 9,5 4,0 5,5 100,0 Reginópolis 76,7 17,7 59,0 24,4 22,0 10,0 16,5 10,0 6,5 6,9 3,6 3,3 100,0 77,9 16,3 61,6 27,5 20,4 11,1 13,8 7,6 6,2 8,3 4,4 3,9 100,0 Ubirajara Fonte: Censo Demográfico 2000. IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Tendências de mudanças nos arranjos domiciliares: 1991-2000 O Pólo Regional de Bauru apresenta, entre 1991 e 2000 as tendências de queda nos arranjos domiciliares chefiados por casais e de crescimento nos arranjos chefiados por Pólo Econômico de Bauru 91 homens e mulheres sem cônjuges. Compartilha dessas tendências tanto com o Estado de São Paulo, como com as outras Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais Paulistas (Tabela 3). Assim, no ano de 1991 a o Pólo Regional de Bauru apresentava percentual de 78,9% de arranjos nucleados por casais, que caiu para 73,1% em 2000, apresentando queda acentuada nessa configuração familiar, um pouco acima da experimentada pelo Estado de São Paulo. A variação percentual observada no Pólo de Bauru aproximou-se da variação negativa apresentada pelo Pólos de Araçatuba e de São José do Rio Preto, sendo um pouco menor do que a apresentada pelos Pólos de Presidente Prudente e Ribeirão Preto. Os arranjos domiciliares chefiados por homens e mulheres sem cônjuges, em movimento inverso, passaram de 21% em 1991 para 26,9% no Pólo Regional de Bauru em 2000. Ambas as tendências foram apresentadas, com maiores ou menores proporções, por todo o Estado de São Paulo. No caso do Estado de São Paulo, este apresentava, em 1991, 77% dos arranjos domiciliares chefiados por casais e 23% dos arranjos com chefias femininas e masculinas sem cônjuges; no ano 2000 esses percentuais passaram a ser de 71,6% e de 28,4%, respectivamente. Na tendência de redução dos arranjos domiciliares nucleados pelo casal, o Pólo Regional de Bauru, como no restante do Estado de São Paulo, registrou a maior queda naqueles arranjos chefiados por casais com a presença filhos e/ou parentes, que passaram de 66% em 1991 para 59,2% em 2000. A queda nos arranjos nucleados pelo casal ocorreu, principalmente, nos domicílios dos casais na faixa etária de até 34 anos, com a presença de filhos, que somavam 29,5% em 1991 e passaram a ser 22,5% em 2000 (variação percentual negativa de 24%), expressando diversas mudanças pelas quais passa a família, nestas incluindo tanto a redução da fecundidade, como as mudanças nos padrões de nupcialidade. Observa-se entretanto, no Pólo de Bauru com relação aos arranjos domiciliares nucleados pelo casal, a manutenção no percentual daqueles na faixa etária de 50 anos ou mais, com a presença de filhos, cerca de 10% dos domicílios nos dois momentos sob análise. Deve-se ainda ressaltar, dentre os arranjos nucleados por casais, o crescimento moderado nos arranjos de casais sem filhos, que passam de 12,8% para 13,9% no período analisado; tais percentuais são, entretanto, superiores aos apresentados pelo Estado de São Paulo, que apresentou no mesmo período a manutenção da proporção 12,5% (Tabela 3). Pólo Econômico de Bauru 92 Gráfico 5 Distribuição dos arranjos domiciliares segundo tipologia Pólos Regionais – Estado de São Paulo 1991 – 2000 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 1991 2000 1991 2000 Pólo Araçatuba 1991 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente 1991 2000 1991 2000 Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos 1991 2000 Pólo São José do Rio Preto 1991 2000 Pólo Sorocaba 1991 2000 Estado São Paulo Casal sem filhos Casal até 34 anos com filhos e parentes Casal de 35 a 49 com filhos e parentes Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes Casal com filhos e parentes - Residual Chefe feminina sem conjuge e/ou filhos e parentes Chefe feminina unipessoal Chefe masculino sem conjuge e/ou filhos e/ou parentes Chefe masculino unipessoal Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Por outro lado, e complementarmente, os arranjos chefiados por homens e mulheres sem a presença de cônjuge apresentaram no Pólo Regional de Bauru crescimento significativo e mais acentuado para aqueles com chefia feminina; ou seja, os Pólo Econômico de Bauru 93 domicílios com esta configuração com chefia feminina passam de 15,1% em 1991, para 19,6% em 2000, enquanto estes arranjos com chefes masculinos, representavam 6,1% dos arranjos em 1991 e passaram a ser 7,3% em 2000. Dentre os arranjos domiciliares com chefes femininas, o crescimento foi relevante tanto naqueles com a presença de filhos e/ou parentes, que passaram de 11,3% em 1991 para 14,5% em 2000, com variação percentual de 28%, como nos domicílios unipessoais que passaram de 3,8% em 1991 para 5,2% em 2000, indicando maior intensidade no crescimento, da ordem de 35%. No caso dos arranjos domiciliares com chefias masculinas sem cônjuge, o crescimento no período foi devido principalmente aos domicílios unipessoais, que de 2,6%, em 1991, passaram para 4,1% em 2000 (Gráfico 5), ao passo que os arranjos com a presença de filhos e/ou parentes permanecem cerca de 3,5% (Tabela 3). A análise dos municípios do Pólo de Bauru no período de 1991-2000, ainda que com diferenciações nesse processo, evidenciam as tendências de mudanças nos arranjos domiciliares indicadas acima, ou seja, queda nos arranjos domiciliares chefiados por casais; crescimento de domicílios com chefias femininas sem cônjuges, e menor crescimento de domicílios com chefias masculinas sem cônjuge (Tabela 4). Observa-se em Bauru, município sede do Pólo, acentuada queda nos arranjos chefiados por casais para o período de 1991-2000, bem como acentuado crescimento nos arranjos chefiados por mulher sem a presença de cônjuge e nos arranjos com essa configuração chefiados por homem. Assim, em 1991, os arranjos nucleados por casais representavam 77% dos domicílios e passam a representar 71,2%, em 2000. Em contrapartida, ocorreu crescimento no período para os arranjos chefiados por mulheres sem cônjuges, que passam de 17% para 21,6% dos arranjos domiciliares do município; aqueles com esse arranjo e com a presença de filhos e/ou parentes atingem, em 2000, a cifra de 15,8% dos arranjos domiciliares em Bauru. Merece destaque também o crescimento dos domicílios com chefias femininas unipessoais que, em 2000, chegam a ser 5,7% dos domicílios. Ocorreu ainda o crescimento no período para os arranjos domiciliares de homens sem cônjuges, que passam de 5,9% para 7,2% dos arranjos domiciliares no período, com crescimento dos domicílios unipessoais, que chegam 4,2% dos domicílios do município em 2000. Lucianópolis, um município pequeno (2.300 habitantes), com a menor renda domiciliar per capita do Pólo no ano de 2000, por sua vez apresentou uma das maiores variações de queda dos arranjos domiciliares chefiados por casais, que passaram de 83,5% em 1991, para 75,9 % em 2000, embora tenha apresentado crescimento elevado Pólo Econômico de Bauru 94 nos arranjos chefiados por casais sem filhos, que passaram de 14% dos seus domicílios, para 17,5% dos mesmos. Dentre os casais com filhos, apresentaram queda acentuada tanto os casais jovens (até 34 anos), que passaram de 26,6% para 22,3% entre 1991 e 2000, como os casais entre 35 e 49 anos, que caíram do percentual de 32,5% para 22,6%; os casais mais velhos (50 e mais) apresentaram pequeno crescimento, tendo passado de 7,6% dos domicílios do município, para 8,6%. Esse município apresentou ainda acentuado crescimento dos domicílios com chefe feminina sem a presença de cônjuge (12,5% em 1991, e 17,% em 2000), bem como daqueles com chefia masculina sem cônjuge (4% em 1991, e 7% em 2000), em ambos com importante crescimento dos arranjos com a presença de filhos e/ou parentes (Tabela 4). Mudanças no tamanho médio dos domicílios A literatura especializada aponta a tendência de redução do tamanho médio dos domicílios no país. Essa tendência foi constatada também para o Estado de São Paulo e para as regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais na análise do período entre os censos 1991 e 2000. Como já se mencionou, a redução no tamanho médio dos domicílios expressa mudanças na família, tais como a redução na fecundidade e no número de filhos tidos, a nuclearização da família e o aumento da proporção das famílias monoparentais e dos domicílios unipessoais. Essas mudanças, por afetarem a composição dos núcleos familiares, revestem-se de importância para a análise das alterações na inserção familiar no mercado de trabalho e das alterações na responsabilidade pela provisão do domicilio. O tamanho médio dos domicílios é relevante também para a análise do rendimento domiciliar per capita, cujo valor é utilizado como critério de elegibilidade na seleção de famílias beneficiárias de programas sociais diversos. O Pólo Regional de Bauru também apresenta no período de 1991-2000 tendência de redução do número de pessoas por domicílio. Observa-se que, em 1991, a média de pessoas por domicílio na Bauru era de 3,9, tendo passado em 2000 para 3,5 pessoas. A tendência e os valores são muito próximos daqueles observados para o Estado de São Paulo, bem como são próximos em relação às regiões metropolitanas de São Paulo e de Campinas e aos pólos regionais paulistas (Tabela 5). Pólo Econômico de Bauru 95 Tabela 5 Número médio de componentes dos domicílios segundo tipologia de arranjo domiciliar Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Estado São Paulo RM São Paulo RM Baixada Santista RM Campinas Pólo Araçatuba 1991 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos Pólo São José do Rio Preto Pólo Sorocaba Total Sem Filhos 4,2 4,2 4,1 4,2 4,1 4,2 4,2 4,2 4,4 4,0 4,3 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 2,2 Casais com filhos e/ou parentes Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem conjuge Total Total com filhos Unipessoal Total com filhos Unipessoal (1) e/ou e/ou até 34 de 35 a 50 anos e Total parentes parentes anos 49 anos mais 4,6 4,2 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,4 3,4 1,0 3,9 4,6 4,3 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,4 3,3 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 2,9 3,6 1,0 2,1 3,3 1,0 3,7 4,6 4,2 5,0 4,7 3,0 3,6 1,0 2,5 3,4 1,0 3,9 4,5 4,1 4,9 4,7 3,0 3,6 1,0 2,3 3,4 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 3,0 3,6 1,0 2,4 3,4 1,0 3,9 4,6 4,1 5,1 4,8 3,0 3,6 1,0 2,2 3,3 1,0 3,9 4,6 4,2 5,0 4,6 3,0 3,6 1,0 2,3 3,3 1,0 3,9 4,7 4,3 5,1 5,1 3,4 3,9 1,0 2,2 3,3 1,0 4,1 4,4 4,1 4,7 4,4 2,7 3,3 1,0 2,2 3,2 1,0 3,7 4,7 4,3 5,2 4,8 3,1 3,7 1,0 2,4 3,5 1,0 4,0 Estado São Paulo 3,9 2,2 4,3 4,0 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM São Paulo 4,0 2,2 4,3 4,0 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM Baixada Santista 3,9 2,2 4,4 4,1 4,6 4,4 2,8 3,4 1,0 RM Campinas 3,9 2,1 4,3 4,0 4,5 4,4 2,8 3,3 1,0 Pólo Araçatuba 3,8 2,2 4,2 3,9 4,4 4,2 2,7 3,3 1,0 3,9 2,2 4,3 4,0 4,5 4,3 2,8 3,4 1,0 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente 3,8 2,2 4,2 4,0 4,5 4,3 2,6 3,2 1,0 Pólo Ribeirão Preto 3,9 2,2 4,3 4,1 4,6 4,3 2,8 3,4 1,0 Pólo São José dos Campos 4,1 2,2 4,4 4,1 4,7 4,6 3,0 3,5 1,0 Pólo São José do Rio Preto 3,7 2,2 4,1 3,9 4,3 4,2 2,5 3,1 1,0 Pólo Sorocaba 4,0 2,2 4,4 4,1 4,7 4,5 2,9 3,5 1,0 Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) O Total inclui outros tipos de arranjos domiciliares. 2,0 3,1 1,0 2,0 3,1 1,0 1,9 3,0 1,0 2,0 3,1 1,0 1,9 3,1 1,0 2,0 3,2 1,0 1,8 3,0 1,0 2,0 3,2 1,0 2,0 3,3 1,0 1,8 3,0 1,0 2,0 3,1 1,0 do Estado de São Paulo - Todos os tipos de arranjos domiciliares apresentam redução no número de componentes, no entanto esta foi mais acentuada nos arranjos chefiados por casais, nos quais o número de componentes caiu de 4,2 para 3,9 pessoas por domicílio, entre 1991 e 2000, repetindo a tendência e valores observados para o Estado de São Paulo (Tabela 5). Destacam-se entre estes os arranjos casais com filhos e/ou parentes, que apresentaram redução na média de componentes de 4,6 para 4,3 pessoas. Dentre estes todos experimentaram queda em seu tamanho, permanecendo, entretanto como os arranjos domiciliares mais numerosos em 2000 no Pólo Regional de Bauru. Com os tamanhos maiores estão os domicílios dos casais entre 35 e 49 anos (4,5 pessoas), seguidos pelos casais de 50 anos ou mais (4,3 pessoas) e, por fim, os domicílios chefiados por casais de até 34 anos, com a presença de filhos (4 pessoas). As menores médias de componentes por domicílio no Pólo de Bauru são encontradas entre os arranjos de chefias femininas e masculinas sem cônjuges, respectivamente, 2,8 e 2 pessoas por domicílio no ano 2000. É preciso destacar que, nos arranjos citados nesse parágrafo, esse número é mais elevado quando se trata de arranjos domiciliares de chefes sem cônjuges com a presença de filhos e/ou parentes, tanto para os femininos, como para os masculinos, observando-se, respectivamente, os valores de 3,4 e Pólo Econômico de Bauru 96 3,5 3,6 3,5 3,5 3,4 3,5 3,4 3,6 3,7 3,3 3,7 de 3,2 pessoas por domicílio, no ano de 2000, pois as médias para os totais de cada arranjo de chefia sem cônjuge incluem os domicílios unipessoais. Considerando-se os municípios no Pólo Regional de Bauru ao analisar o ano de 2000, observa-se que entre estes o tamanho dos domicílios varia entre 3,3 e 3,9 pessoas no ano censitário de 2000, sendo a média regional de 3,5 pessoas por domicílio. Os municípios apresentam também variação no tamanho dos domicílios com arranjos chefiados por casais, que ficam entre 3,6 e 4,1 componentes por domicílio, destacando-se no limite superior os municípios de Agudos, Borebi e Macatuba (Tabela 6). Os menores tamanhos médios observados nos municípios são encontrados nos domicílios nucleados pelos chefes femininos sem cônjuge e pelos os chefes masculinos sem cônjuge. No caso dos arranjos chefiados por mulheres sem cônjuges, os tamanhos ficam entre 2,2 e 3,6 pessoas por domicílio, sendo a média do pólo de 2,8 pessoas por domicílio. Por fim, nos domicílios com arranjos de chefes masculinos sem cônjuges, os valores ficam entre 1,5 e 3,6 pessoas por domicílio, sendo a média regional de 2 pessoas por domicílio (Tabela 6). O município sede, Bauru, apresentou em 2000 3,4 componentes por domicílio, pouco abaixo da média observada pelo Pólo Regional e também valores abaixo da média regional para todos os arranjos domiciliares analisados (Tabela 6). Por outro lado, Macatuba apresenta médias de pessoas por domicílio mais elevadas que a média regional (3,9), bem como em todos os arranjos domiciliares. Assim, nos arranjos chefiados por casais a média é de 4,1 pessoas por domicílio, enquanto naqueles com chefia feminina sem cônjuges é de 3,6 e naqueles com chefia masculina sem cônjuges é de 3,0 (Tabela 6). Pólo Econômico de Bauru 97 Tabela 6 Número médio de componentes dos domicílios segundo tipologia de arranjo domiciliar Pólo Bauru 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Com filhos e parentes com filhos com filhos Sem Total Total Unipessoal Total Unipessoal e/ou e/ou até 34 de 35 a 50 anos Total filhos Total parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Bauru 3,9 2,2 4,3 4,0 4,5 4,3 2,8 3,4 1,0 2,0 3,2 1,0 3,5 4,1 2,2 4,4 4,3 4,6 4,3 3,3 3,9 1,0 2,2 3,1 1,0 3,8 Agudos Arealva 3,6 2,1 4,1 3,9 4,2 4,4 2,4 3,3 1,0 1,5 2,6 1,0 3,3 Avaí 3,9 2,2 4,4 4,2 4,7 4,4 3,3 3,8 1,0 1,6 3,0 1,0 3,5 Balbinos 3,7 2,3 4,0 3,8 4,3 3,5 2,7 3,5 1,0 1,0 1,0 3,3 3,8 2,1 4,2 4,0 4,4 4,2 2,7 3,3 1,0 1,9 3,1 1,0 3,4 Bauru 4,1 2,3 4,4 4,5 4,3 4,2 2,9 3,1 1,0 2,8 3,4 1,0 3,7 Borebi 3,9 2,3 4,4 4,0 4,8 4,3 3,3 3,7 1,0 1,6 3,2 1,0 3,7 Cabrália Paulista Duartina 3,8 2,2 4,3 4,0 4,4 4,4 2,5 3,1 1,0 1,7 2,7 1,0 3,4 Iacanga 3,9 2,1 4,3 3,9 4,7 4,2 2,5 3,2 1,0 2,3 3,6 1,0 3,5 Lençois Paulista 4,0 2,1 4,3 4,0 4,6 4,4 3,2 4,0 1,0 2,1 3,4 1,0 3,7 3,7 2,2 4,2 3,9 4,7 3,6 2,3 3,2 1,0 1,9 2,6 1,0 3,4 Lucianópolis 4,1 2,3 4,3 4,2 4,6 4,3 3,6 4,2 1,0 3,0 3,7 1,0 3,9 Macatuba 3,9 2,2 4,4 4,1 4,9 4,7 2,5 2,5 3,6 5,3 1,0 3,7 Paulistânia Pederneiras 4,0 2,2 4,4 4,1 4,6 4,5 2,7 3,2 1,0 2,3 4,0 1,0 3,7 Pirajuí 3,8 2,2 4,2 4,0 4,6 4,0 2,7 3,3 1,0 2,0 4,2 1,0 3,4 Piratininga 4,0 2,3 4,4 4,2 4,7 4,5 3,0 3,6 1,0 1,8 2,9 1,0 3,6 3,9 2,2 4,3 3,9 4,9 4,2 3,0 3,7 1,0 2,0 3,3 1,0 3,6 Presidente Alves 3,8 2,1 4,3 4,1 4,3 4,3 2,7 3,8 1,0 2,2 3,4 1,0 3,5 Reginópolis Ubirajara 3,8 2,3 4,3 4,2 4,3 4,2 2,2 3,2 1,0 1,9 2,8 1,0 3,5 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 2.2. Mudanças nos arranjos domiciliares de inserção no mercado de trabalho e na provisão dos domicílios. Introdução Inicialmente, e de forma semelhante ao que foi observado no documento relativo ao conjunto de regiões analisadas para o Estado de São Paulo12, deve-se mencionar que este estudo considera que os arranjos de inserção dos componentes da família no mercado de trabalho são definidos, articuladamente, pela dinâmica da economia e pela dinâmica das relações familiares e das relações de gênero. Considera também que a composição familiar predominante da etapa do ciclo de vida familiar é outro aspecto que influi nos arranjos de inserção no mercado de trabalho e de provisão familiar articulados pelos diferentes tipos de família. Estudo longitudinal sobre a Região Metropolitana de São Paulo sobre os anos 80 e 90, mostrou que nesse período alteram-se tanto a composição familiar em alguns tipos de família, como os arranjos de inserção familiar (Montali, 2004). A generalização das mudanças nos arranjos de inserção familiar e na responsabilidade pela provisão familiar é também apontada, por outro estudo, para o conjunto das regiões 12 FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Bauru 98 metropolitanas brasileiras nos anos 2000, guardadas algumas especificidades regionais (Montali e Tavares, 2007). No atual projeto, utiliza-se a mesma metodologia dos estudos referidos, buscandose identificar nas análises as mudanças nos arranjos de inserção familiar e na responsabilidade dos componentes da família pela provisão familiar que ocorreram entre os anos de 1991 e de 2000 nas regiões metropolitanas paulistas e nos pólos regionais. Análise anterior sobre os anos 90 referente à Região Metropolitana de São Paulo (Montali, 2004), evidenciou que ocorreu nesse período um rearranjo de inserção no mercado de trabalho entre os diferentes componentes da família, fortemente relacionado ao crescente desemprego e às novas características dos desempregados provocados conjuntamente pelo baixo ritmo de crescimento da economia nacional e pelo processo de reestruturação produtiva que se intensificou naquela década. O estudo referido atribui peso preponderante à mudança do padrão de absorção da força de trabalho ocorrida nos anos 90 para explicar as mudanças verificadas nos arranjos familiares de inserção no mercado ocorridas; ainda que considere como elementos importantes na sua explicação as alterações havidas nas características da composição familiar, dentre estas a redução na proporção de filhos menores de 10 anos e a pequena redução no seu tamanho médio. Assim, a hipótese assumida pelo estudo citado, é que a nova tendência observada na articulação dos arranjos familiares de inserção no mercado foi viabilizada pela mudança no papel da mulher na sociedade, nesta incluindo o aumento de sua inserção no mercado de trabalho, porém expressa fortemente a alteração no padrão de absorção da força de trabalho. A reestruturação produtiva e organizacional nos anos 90 reduziu postos de trabalho principalmente para ocupações predominantemente masculinas e promoveu o crescente desemprego daqueles que eram os principais mantenedores das famílias nos anos 80: chefes masculinos e filhos/filhas maiores de 18 anos (Montali, 2004). Nos anos 90 também aumentam as dificuldades de absorção dos jovens pelo mercado de trabalho e amplia-se a participação da mulher. Tais impactos da reestruturação produtiva sobre o mercado de trabalho apresentam características semelhantes e são registrados em diversos estudos tanto para o Brasil, como para países da America Latina, destacando-se o aumento da absorção da mulher e as maiores restrições para a absorção dos jovens (Leone, 2003; Oliveira e Salas, 2008). Considerando-se os arranjos familiares de inserção no mercado de trabalho nos anos 90, a mudança mais freqüente, verificada em praticamente todos os tipos de família, foi o aumento da participação da mulher-cônjuge e da mulher-chefe entre os ocupados da família em face do desemprego de parte dos componentes do grupo doméstico e da Pólo Econômico de Bauru 99 dificuldade em aumentar o número de pessoas ocupadas das unidades familiares. No caso das famílias na etapa final do ciclo de vida familiar (caracterizadas pelos casais com 50 anos e mais) com a presença de filhos, a mudança manifesta-se no aumento da participação do chefe e da cônjuge entre os ocupados, ao mesmo tempo em que cresce o desemprego dos filhos adultos. Dessa maneira, os rearranjos familiares de inserção observados a partir de 1991 – diferenciando-se dos arranjos encontrados na década de 1980 – indicam o maior partilhamento da responsabilidade da manutenção da família. Estas mudanças foram constadas no estudo longitudinal sobre a Região Metropolitana de São Paulo, já referido (Montali, 2004). A análise para o conjunto das regiões metropolitanas brasileiras também confirma esses padrões de arranjos de inserção nos anos 2004 e 2006 (Montali e Tavares, 2007). A atual análise sobre as regiões metropolitanas e pólos regionais paulistas com base nos dados censitários, evidenciou características semelhantes às encontradas nos estudos referidos no que se refere aos arranjos domiciliares de inserção, bem como nas mudanças observadas na responsabilidade pela provisão dos domicílios no ano 2000, utilizando-se dos dados dos Censos Demográficos 1991 e 2000. No Documento 1 - Relatório Consolidado, deste Projeto, que analisa o conjunto das regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado se São Paulo, foi possível realizar análise detalhada das mudanças na inserção dos componentes dos domicílios no mercado de trabalho nos diferentes arranjos familiares, por tratar de dados mais agregados, o que não se torna possível na análise regional com detalhamento por municípios13. Assim, na presente análise regional dessa problemática são utilizados dois indicadores selecionados: a taxa de geração de renda e a participação na composição da renda domiciliar. A taxa de geração de renda é um indicador das mudanças nos arranjos familiares de inserção no mercado de trabalho e de responsabilidade pela manutenção da família. Essa taxa expressa a proporção de pessoas que aportam renda de alguma fonte para o grupo familiar, considerando-se sua posição na família. Estudo longitudinal sobre a RMSP mostrou que, embora a taxa específica de geração de renda tenha caído nos anos de maior desemprego do início da década de 1990, ela tem sido crescente a partir de 1995 evidenciando a importante participação dos diversos componentes no aporte de renda para o núcleo doméstico (Montali, 2004). A análise para o Estado de São Paulo e as 13 Essa análise pode ser encontrada no Capitulo 3, item 2.2 do Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/IEUNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Bauru 100 regiões metropolitanas e pólos regionais paulistas confirmam essa tendência entre os anos censitários de 1991 e 2000 (Documento 1 - Capitulo 3, item 2.2.). No âmbito deste projeto, as tendências observadas no período 1991 e 2000 nas distintas espacialidades do Estado de São Paulo sob análise, e para o conjunto dos arranjos domiciliares, confirmam tanto o crescimento da taxa de geração de renda domiciliar, bem como a queda nas taxas de geração de renda dos chefes, a elevação das taxas das cônjuges, a manutenção da taxa dos filhos e a queda na proporção de parentes e não parentes que contribuem para compor a renda domiciliar (Tabela 7). Deve-se ressaltar que no Pólo Regional de Bauru, entre 1991 e 2000, a taxa de geração de renda por domicílio passou de 49,6%, para 52,9%, significando que, em 2000, mais que a metade dos componentes aporta renda de alguma natureza para o domicílio. No Pólo Regional Bauru no período de 1991-2000, considerando-se os arranjos domiciliares nucleados por casais, ocorreu redução na taxa de geração de renda dos chefes, com queda de aproximadamente 3 pontos percentuais; essa taxa era de 97,6% em 1991 e cai para 94,1% em 2000, mantendo-se, entretanto, elevada. Por outro lado, elevase a taxa de geração de renda das cônjuges, que, em 1991, era de 37,5% e, passou a ser de 49,5%, em 2000. Merece ressalvar que a taxa apresentada pelas cônjuges no Pólo de Bauru, nesse arranjo domiciliar é uma das mais elevadas entre as observadas nos pólos e nas regiões metropolitanas paulistas no ano 2000 (Tabela 7). Ainda nesse arranjo domiciliar, a taxa de geração de renda dos filhos praticamente se mantém entre 1991 e 2000, com pequena redução, caindo de 24,8%, para 24,3%. Também experimentam queda em sua taxa de geração de renda no período outro componente deste arranjo, os parentes e não parentes, cuja taxa passa de 45,4% para de 43%. Nestes arranjos domiciliares nucleados por casais houve, no período, elevação da taxa domiciliar de geração de renda de 46,5% para 50%. Pólo Econômico de Bauru 101 Tabela 7 Taxa de geração de renda por tipologia e posição na família Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Casais Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes Estado São Paulo 96,1 34,1 22,1 45,9 RM São Paulo 94,8 34,0 20,2 46,2 RM Baixada Santista 96,7 34,1 20,1 43,8 RM Campinas 96,9 36,4 24,6 49,5 Pólo Araçatuba 97,7 35,8 27,6 43,7 1991 Pólo Bauru 97,6 37,5 24,8 45,4 Pólo Presidente Prudente 97,5 32,2 24,2 41,2 Pólo Ribeirão Preto 97,5 34,1 24,4 48,3 Pólo São José dos Campos 95,9 32,1 19,0 43,2 Pólo São José do Rio Preto 98,4 37,3 26,9 48,3 Pólo Sorocaba 96,0 34,0 21,1 44,8 Chefe feminina sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não parentes 44,1 89,5 46,6 46,9 43,0 87,9 43,3 48,4 43,9 92,1 42,1 44,0 46,4 91,6 51,0 48,8 47,6 89,6 52,7 46,3 46,5 93,8 52,1 45,8 44,6 91,6 50,5 43,5 45,6 90,8 53,2 45,8 41,0 91,2 42,5 45,4 49,1 94,5 55,3 52,5 42,9 91,0 46,9 44,0 Chefe masculino sem cônjuge Total Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e e não não parentes parentes 61,1 93,1 48,1 58,9 71,5 94,9 34,1 25,6 48,4 59,4 91,1 45,2 58,9 70,2 93,3 34,0 23,9 49,3 59,7 94,7 39,9 58,1 72,2 95,7 34,1 23,8 46,1 64,3 94,7 50,7 62,5 73,6 96,1 36,4 27,9 51,4 63,7 94,7 58,8 54,0 72,6 96,3 35,8 31,0 45,8 65,1 96,6 56,2 56,4 73,2 97,0 37,5 28,5 47,2 63,3 96,0 46,5 57,0 72,2 96,6 32,2 27,7 43,9 64,3 96,4 54,8 63,7 76,6 96,4 34,1 28,1 49,9 57,6 93,1 39,4 62,3 72,0 95,1 32,1 22,1 46,9 69,1 97,8 51,1 63,5 76,6 97,8 37,3 30,4 51,5 60,5 94,5 48,1 58,6 71,7 95,2 34,0 24,3 46,6 Estado São Paulo 91,8 46,4 22,5 42,0 47,4 90,1 42,2 44,1 59,7 89,6 45,5 59,2 72,1 91,3 46,4 26,4 RM São Paulo 89,8 45,3 21,2 41,6 45,9 88,6 39,7 44,3 57,9 88,4 43,1 59,4 71,0 89,5 45,3 25,2 RM Baixada Santista 91,1 45,6 20,4 38,7 46,3 90,3 39,3 41,7 58,1 86,8 41,3 55,2 69,8 90,5 45,6 24,8 RM Campinas 92,5 47,9 24,7 43,8 49,5 90,5 45,2 45,6 61,6 89,5 49,1 61,3 73,3 91,9 47,9 28,4 Pólo Araçatuba 94,5 51,8 28,1 42,5 53,0 91,6 50,5 44,4 64,5 92,8 50,8 60,8 75,7 93,8 51,8 32,2 2000 Pólo Bauru 94,1 49,5 24,4 43,0 50,0 93,6 44,9 45,1 62,5 92,6 49,5 55,4 73,3 93,9 49,5 28,1 Pólo Presidente Prudente 92,7 47,9 22,3 39,8 48,3 91,3 45,4 44,8 62,7 88,7 48,6 56,7 73,3 92,1 47,9 26,4 Pólo Ribeirão Preto 94,5 47,4 24,4 44,7 49,3 91,9 45,8 46,4 62,7 92,5 50,5 57,7 74,0 93,8 47,4 28,3 Pólo São José dos Campos 92,3 42,6 21,6 40,2 45,3 90,8 40,2 42,0 57,4 89,9 40,0 54,3 69,4 91,8 42,6 24,9 Pólo São José do Rio Preto 94,0 50,1 25,9 46,2 52,2 92,1 49,5 49,6 66,8 92,1 51,1 67,8 78,5 93,5 50,1 30,0 Pólo Sorocaba 92,6 48,1 21,8 41,1 47,3 92,6 44,5 45,0 61,1 91,5 45,7 60,6 72,8 92,5 48,1 25,6 Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 45,2 45,3 41,9 47,0 45,5 45,4 43,3 47,2 42,8 50,0 44,9 Nos arranjos chefiados por mulheres sem cônjuge, no Pólo de Bauru, as chefes apresentam taxa bastante elevada em 1991 (93,8%), devendo-se ressalvar que é uma das mais elevadas observadas entre os pólos regionais e regiões metropolitanas paulistas, superada apenas pelas taxas das mulheres-chefe do Pólo de São José do Rio Preto, da ordem de 94,5% em 1991. No ano 2000, no Pólo de Bauru as chefes femininas dos arranjos sem a presença de cônjuge mantêm a mesma taxa de geração de renda, 93,6%, e nesse ano estas apresentam a taxa mais elevada observada em relação aos demais pólos, regiões metropolitanas paulistas e Estado de São Paulo. No mesmo período, observa-se nesse arranjo domiciliar queda acentuada na taxa de geração de renda dos filhos, que em 1991 era de 52,1% e, em 2000, passa a ser de 44,9%, possivelmente expressando restrições do mercado ao trabalho jovem e também restrições impostas ao trabalho infantil por políticas governamentais. Outro componente domiciliar, os parentes e não parentes, praticamente mantém sua participação na taxa de geração de renda nesse arranjo domiciliar, cuja participação é de 45,8% em 1991 e, para 45,1% em 2000. Conclui-se o período com queda da taxa de geração de renda deste arranjo domiciliar, pois passa de 65,1% em 1991 para 62,5%, em 2000 (Tabela 7). Considerando-se os domicílios dos chefes masculinos sem cônjuges percebe-se a diminuição da taxa de geração de renda dos chefes, bem como filhos e dos parentes, no entanto se mantém a taxa domiciliar de geração de renda no período no Pólo Regional de Bauru; assim, em 1991 e em 2000, cerca de 73% dos componentes em idade ativa aportavam renda para o domicílio (Tabela 7). Pólo Econômico de Bauru 102 Total 47,4 46,5 47,5 49,3 50,3 49,6 47,6 48,8 44,1 52,3 45,7 50,5 49,2 49,7 52,2 55,7 52,9 51,4 52,4 48,2 55,4 50,2 A análise dos municípios do Pólo Regional de Bauru evidencia as mesmas tendências assinaladas acima para os diferentes arranjos domiciliares, com poucas especificidades. Assim, considerando-se os arranjos nucleados por casais, a tendência geral nos municípios da região é de diminuição da taxa de geração de renda dos chefes e de intenso crescimento na taxa de geração de renda das cônjuges; o comportamento da taxa dos filhos apresenta mais oscilações. No período de 1991-2000, no município de Bauru, sede regional, as tendências observadas são as seguintes: a taxa de geração de renda dos chefes cai de 98% em 1991 para 93,5% em 2000 e, em movimento inverso, a taxa de geração das cônjuges experimenta forte crescimento: em 1991 era de 40,2% e, em 2000, mais que a metade das cônjuges nesse arranjo aportavam renda ao domicílio (52,2%); acompanhada de crescimento menos intenso na taxa de geração de renda dos filhos, 23,8% em 1991 e 24,7%, em 2000. Neste município a taxa domiciliar de geração de renda passa de 47,4%%, para 50,9% no período. Nos arranjos domiciliares da chefe feminina sem cônjuge,conforme mencionado acima, a taxa regional de geração de renda é bastante elevada e se mantém no período de 1991-2000. A análise dos municípios mostra que a participação das chefes na geração de renda do domicílio é elevada em todos os municípios, apresentando no entanto crescimento em alguns e pequenas quedas em outros no período analisado (Tabela 8). Em relação aos filhos nesse arranjo domiciliar, percebe-se uma tendência geral no municípios de queda na taxa de geração de renda. Em relação aos parentes, embora a tendência na região seja de queda na taxa de geração de renda, há oscilações para cima. Tomando-se novamente o município de Bauru como exemplo, observa-se que em 1991 94,8% das chefes aportavam renda para o domicílio e em 2000 esse número foi para 93,4% e que embora tenham ocorrido queda na taxa de geração dos filhos, de 52,8% em 1991 para 45%, permanece elevada em 2000; ocorre pequena elevação na taxa dos parentes de 46,1% em 1991, para 47,2 % em 2000; resultando em redução da taxa domiciliar de geração de renda no período, caindo de cerca de 66% dos componentes, para 63,5% deles em 2000 (Tabelas 8 e 8). Considerando-se o arranjo dos chefes masculinos sem cônjuge, no período de 1991-2000, a tendência geral nos municípios da região é de leve queda da taxa de geração de renda dos chefes, mantendo-se muito elevada, ainda que em alguns municípios essa taxa manifeste pequenos aumentos; outra tendência é a de diminuição da participação dos filhos na geração de renda dos domicílios. No município de Bauru em 1991 a taxa de geração de renda dos chefes masculinos sem cônjuge era de 97,2%, Pólo Econômico de Bauru 103 caindo em 2000 para 93,1%; a taxa de geração de renda dos filhos neste arranjo, bastante elevada, apresenta queda leve de 61,6%% em 1991, para 59% em 2000, bem como a dos parentes; resultando em queda da taxa domiciliar de geração de renda nesse arranjo, de 78% em 1991, para 76,4. Esta taxa domiciliar de geração de renda é a mais elevada dentre as observadas nos diferentes arranjos domiciliares neste município. Tabela 8 Taxa de geração de renda por tipologia e posição na família Pólo Regional de Bauru 1991 Casais Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total não parentes Chefe Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não e não e não parentes parentes parentes Pólo Bauru 97,6 37,5 24,8 45,4 46,5 93,8 52,1 45,8 65,1 96,6 56,2 56,4 73,2 97,0 37,5 28,5 47,2 Agudos 97,4 33,5 25,1 49,0 44,2 91,2 43,9 54,9 61,8 96,0 44,8 50,4 68,2 96,5 33,5 27,1 50,1 Arealva 95,6 33,1 23,7 50,2 46,4 98,2 58,3 33,9 69,5 94,6 64,9 59,6 76,9 95,7 33,1 27,2 49,8 Avaí 99,1 23,7 20,5 33,2 40,6 97,8 49,1 33,0 60,2 100,0 49,5 52,2 70,6 99,1 23,7 24,8 37,3 Balbinos 100,0 41,0 33,2 39,6 51,3 100,0 58,3 50,0 66,7 100,0 68,8 86,1 100,0 41,0 33,7 46,9 Bauru 98,0 40,2 23,8 45,2 47,4 94,8 52,8 46,1 65,9 97,2 61,6 61,6 77,7 97,4 40,2 28,2 47,6 Borebi Cabrália Paulista 97,4 32,9 27,4 33,7 45,1 88,0 32,6 54,2 51,3 77,4 53,2 64,3 95,1 32,9 27,9 38,0 Duartina 97,8 36,0 31,9 42,7 49,0 96,6 57,8 57,7 71,3 97,1 49,6 63,0 74,1 97,6 36,0 34,9 48,4 Iacanga 95,7 39,8 24,7 54,3 47,5 92,6 58,2 42,7 66,4 100,0 80,0 72,2 94,2 95,5 39,8 29,9 52,3 Lençois Paulista 97,7 33,2 25,5 48,6 45,1 89,6 55,7 47,4 62,9 97,8 47,6 62,8 71,6 96,8 33,2 28,9 50,8 Lucianópolis 95,0 41,8 22,1 68,8 45,2 92,0 84,2 15,4 71,9 100,0 100,0 57,1 94,8 41,8 24,8 51,4 Macatuba 96,8 31,8 26,3 35,4 43,6 85,7 43,9 54,5 59,6 100,0 62,9 41,1 61,1 96,0 31,8 28,0 37,8 Paulistânia Pederneiras 97,1 32,4 29,6 51,0 47,2 91,1 47,4 18,9 58,0 88,2 46,6 44,6 57,2 95,9 32,4 31,6 44,2 Pirajuí 96,5 33,8 21,0 39,1 43,0 95,6 49,0 39,0 65,4 100,0 62,9 47,9 74,9 96,7 33,8 24,3 40,6 Piratininga 96,5 37,1 23,2 49,9 45,4 87,7 48,6 62,7 64,3 95,0 66,2 45,8 71,5 95,0 37,1 27,1 52,4 Presidente Alves 98,9 33,9 24,8 31,6 43,9 100,0 28,8 82,9 61,4 92,9 59,1 42,9 73,6 98,3 33,9 25,9 37,9 Reginópolis 96,6 40,4 31,9 47,2 50,1 81,9 72,2 47,6 70,1 97,9 47,5 56,3 75,1 95,2 40,4 35,6 49,7 Ubirajara 99,3 38,8 27,8 48,5 47,4 100,0 71,7 60,0 83,2 100,0 41,5 64,3 99,4 38,8 30,6 47,9 Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos 49,6 46,5 49,1 44,5 54,1 50,8 46,3 52,2 50,7 47,8 47,4 45,3 48,6 46,9 48,7 46,7 53,3 50,6 Tabela 8 Taxa de geração de renda por tipologia e posição na família Pólo Regional de Bauru 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não e não não e não parentes parentes parentes parentes Pólo Bauru 94,1 49,5 24,4 43,0 50,0 93,6 44,9 45,1 62,5 92,6 49,5 55,4 73,3 93,9 49,5 28,1 45,4 52,9 Agudos 93,4 43,1 20,9 49,2 46,0 93,7 37,0 37,3 54,1 95,3 33,7 61,9 72,1 93,6 43,1 24,0 46,8 48,4 Arealva 93,2 48,6 24,7 34,9 50,6 93,3 47,0 44,8 66,3 97,1 29,4 69,0 82,2 93,5 48,6 26,8 40,6 53,1 Avaí 96,6 43,8 22,0 40,4 48,4 97,4 29,1 42,0 53,7 100,0 36,7 70,8 79,8 97,1 43,8 23,5 42,5 50,7 96,0 49,2 20,8 18,8 48,7 90,5 46,1 58,7 100,0 100,0 95,5 49,2 24,9 14,3 51,5 Balbinos 93,5 52,2 24,7 42,7 50,9 93,4 45,0 47,2 63,5 93,1 53,1 59,0 76,4 93,4 52,2 28,7 46,3 54,0 Bauru 99,5 44,6 20,0 45,9 48,1 90,7 47,0 57,1 64,0 100,0 50,0 58,6 72,1 98,1 44,6 24,7 51,1 51,8 Borebi Cabrália Paulista 97,3 51,1 19,9 39,6 49,1 89,7 48,4 25,7 57,7 83,6 37,1 66,7 95,3 51,1 25,5 34,9 50,8 Duartina 96,7 55,3 27,4 45,9 54,0 94,7 48,9 49,9 67,1 86,0 60,6 64,0 76,4 95,5 55,3 31,2 49,6 56,8 Iacanga 95,3 50,4 31,1 40,7 53,4 91,8 48,5 59,2 67,7 84,4 56,7 57,7 69,4 93,7 50,4 34,3 48,5 56,3 94,9 46,7 22,9 41,5 48,1 92,3 49,3 38,4 60,2 92,9 55,3 49,3 71,8 94,3 46,7 27,1 41,2 50,5 Lençois Paulista 94,2 48,5 20,6 39,6 48,9 94,5 55,7 58,3 72,6 100,0 50,0 57,1 77,4 94,7 48,5 25,7 46,2 52,8 Lucianópolis Macatuba 95,8 35,5 24,3 38,2 45,5 95,3 43,3 42,1 57,3 90,2 48,7 46,3 61,5 95,3 35,5 27,6 41,4 47,9 Paulistânia 98,6 53,1 26,7 46,8 53,2 100,0 40,0 40,6 64,0 100,0 70,6 14,3 58,3 98,8 53,1 29,5 39,2 54,3 Pederneiras 94,2 42,8 24,8 40,9 47,9 94,9 42,5 39,0 61,6 91,4 38,6 45,0 64,1 94,1 42,8 27,1 41,2 50,1 Pirajuí 94,6 46,0 23,7 51,6 50,2 98,5 36,9 50,5 61,9 87,5 37,7 38,5 62,3 94,7 46,0 26,8 48,5 52,9 97,5 49,6 27,0 46,3 51,7 92,0 57,4 40,6 65,1 95,7 33,0 54,3 72,1 96,3 49,6 32,2 45,0 54,7 Piratininga 96,8 47,5 26,0 42,9 50,5 96,0 53,2 47,0 66,5 95,5 75,5 61,1 82,6 96,4 47,5 31,9 47,0 54,4 Presidente Alves Reginópolis 95,7 46,0 28,0 47,1 51,8 91,0 75,4 51,5 74,4 82,8 56,4 68,5 72,7 94,1 46,0 33,7 52,2 55,6 Ubirajara 96,4 55,8 21,3 50,7 51,7 93,3 42,4 44,4 66,0 100,0 26,2 89,3 73,1 96,3 55,8 23,6 54,0 53,9 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Pólo Econômico de Bauru 104 Outro indicador utilizado para se conhecer as mudanças no padrão de arranjos domiciliares de provisão da família é a participação dos membros da família na composição renda domiciliar. Deve-se ressaltar que embora tenha havido entre 1991-2000 aumento da participação dos componentes do domicílio em atividades para geração de renda, a renda domiciliar é predominantemente composta pela contribuição dos chefes do domicílio, sendo eles chefes masculinos ou femininos. Este fato ocorre tanto no Pólo de Bauru, como no conjunto de regiões sob análise por este Projeto e no Estado de São Paulo. Outra tendência em relação à participação dos chefes na composição da renda familiar é de queda desta quando considerado o total da população segundo posição na família. No entanto, a análise considerando os arranjos domiciliares e a posição na família dos componentes dos domicílios mostra diferenciações nas tendências entre os domicílios nucleados por casal e nos domicílios de chefes sem cônjuges. Assim, nos arranjos nucleados pelo casal, observa-se como tendência a queda da participação dos chefes na composição da renda domiciliar. De forma distinta, nos arranjos sem a presença de cônjuge, cresce a participação dos chefes femininos e masculinos na composição da renda domiciliar (Tabela 9). Outras tendências apresentadas pelos arranjos nucleados pelo casal são o crescimento da participação das cônjuges na composição do rendimento domiciliar e queda na participação dos filhos, nesse período, também verificadas neste pólo regional. Duas outras tendências, generalizadas entre as diversas regiões do Estado de São Paulo sob análise, são a queda na participação dos filhos, e dos parentes e não parentes na composição da renda domiciliar em todos os arranjos domiciliares. Este conjunto de tendências indica mudanças e um maior partilhamento da responsabilidade pela subsistência entre os componentes do domicílio, embora se mantenha elevada a responsabilidade dos chefes das diferentes configurações domiciliares. Pólo Econômico de Bauru 105 Tabela 9 Participação na composição da massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais - Estado de São Paulo 1991-2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes não e não parentes parentes Estado São Paulo 70,0 14,1 13,0 3,0 100,0 56,4 . 30,8 12,8 RM São Paulo 69,8 14,4 12,9 3,0 100,0 57,4 . 29,4 13,2 RM Baixada Santista 72,1 13,9 10,7 3,3 100,0 60,8 . 27,1 12,1 RM Campinas 69,7 13,9 13,2 3,2 100,0 55,8 . 31,6 12,6 Pólo Araçatuba 70,3 14,1 13,0 2,6 100,0 56,3 . 31,2 12,5 1991 Pólo Bauru 69,2 14,9 13,1 2,8 100,0 53,8 . 35,7 10,5 Pólo Presidente Prudente 70,6 14,2 12,9 2,2 100,0 51,1 . 40,5 8,4 Pólo Ribeirão Preto 70,3 13,7 13,0 3,1 100,0 55,4 . 31,7 12,9 Pólo São José dos Campos 72,7 13,4 11,0 2,9 100,0 50,9 . 31,1 18,0 Pólo São José do Rio Preto 70,6 13,9 12,7 2,8 100,0 58,4 . 30,2 11,5 Pólo Sorocaba 70,1 13,2 13,3 3,3 100,0 51,9 . 36,7 11,3 Chefe masculino sem cônjuge Total Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total e não e não parentes parentes 100,0 71,2 . 8,4 20,3 100,0 68,5 11,6 14,7 5,2 100,0 100,0 71,3 . 7,4 21,3 100,0 68,3 11,6 14,5 5,5 100,0 100,0 77,2 . 6,1 16,7 100,0 70,9 11,2 12,6 5,3 100,0 100,0 73,7 . 8,3 18,0 100,0 68,6 11,7 14,8 4,9 100,0 100,0 68,5 . 11,8 19,8 100,0 68,9 12,1 14,7 4,3 100,0 100,0 70,0 . 10,4 19,6 100,0 67,6 12,7 15,4 4,4 100,0 100,0 74,3 . 10,2 15,5 100,0 68,9 12,3 15,5 3,4 100,0 100,0 71,2 . 7,8 21,0 100,0 68,8 11,6 14,6 5,0 100,0 100,0 70,8 . 10,3 19,0 100,0 70,5 11,3 13,0 5,3 100,0 100,0 70,7 . 9,6 19,7 100,0 69,4 11,9 14,3 4,4 100,0 100,0 68,0 . 11,4 20,6 100,0 68,3 11,3 15,5 4,9 100,0 Estado São Paulo RM São Paulo RM Baixada Santista RM Campinas Pólo Araçatuba 2000 Pólo Bauru Pólo Presidente Prudente Pólo Ribeirão Preto Pólo São José dos Campos Pólo São José do Rio Preto Pólo Sorocaba 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 67,0 66,2 67,6 67,3 69,7 68,9 68,0 68,7 69,2 68,3 67,3 19,3 20,0 19,5 18,9 18,0 19,1 20,0 18,1 17,7 19,0 18,9 11,3 11,5 10,1 11,5 10,3 9,9 10,0 10,9 10,7 10,0 11,3 2,4 2,4 2,8 2,4 2,0 2,1 2,1 2,3 2,4 2,7 2,5 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 63,8 63,8 65,6 64,8 65,3 66,3 66,0 65,8 63,2 65,7 61,3 . . . . . . . . . . . 25,5 25,2 23,0 24,9 25,8 22,8 24,2 24,1 25,7 24,7 27,6 10,7 11,0 11,3 10,4 8,9 11,0 9,8 10,1 11,1 9,6 11,1 78,6 78,6 81,0 78,1 79,1 81,5 84,0 78,6 79,2 81,8 76,9 . . . . . . . . . . . 7,3 6,7 6,9 7,4 9,4 7,2 6,6 9,3 7,3 5,9 8,1 14,1 14,7 12,2 14,5 11,5 11,3 9,4 12,1 13,5 12,3 15,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 67,3 66,7 68,2 67,6 69,7 69,3 68,7 68,9 69,2 68,8 67,0 15,2 15,4 14,7 15,3 15,0 15,5 16,1 14,5 14,3 15,5 15,5 13,1 13,3 12,2 13,0 12,0 11,5 11,7 12,6 12,3 11,7 13,2 4,4 4,6 5,0 4,1 3,3 3,8 3,5 4,0 4,2 4,1 4,3 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Censo Demográfico 1991 e 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. No Pólo de Bauru verificam-se todas as tendências apontadas acima, entretanto, percebe-se através dos censos de 1991 e 2000, que nos arranjos nucleados pelo casal, na média regional é pequena a queda da participação dos chefes na composição da renda domiciliar, praticamente mantendo-se nos 69% no período. Ainda que na maioria dos municípios que compõem o Pólo haja queda nessa participação, ela apresenta pequeno crescimento em alguns municípios, enquanto em outros se mantém nas mesmas proporções (Tabela 10). Por sua vez, as cônjuges, nos domicílios compostos por casais, elevaram sua participação na composição da renda familiar no período de 1991-2000, nessa região. Considerando-se os arranjos domiciliares nucleados pelo casal, em 1991, a contribuição da cônjuge era de 14,9% e passou a ser de 19,1% em 2000. Essa tendência é registrada também para o Estado de São Paulo, para as outras duas regiões metropolitanas e para os pólos regionais paulistas (Tabela 9). Outra tendência generalizada em todos os arranjos domiciliares e entre as diversas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo analisados, é a queda na participação dos filhos, e dos parentes na composição da renda domiciliar. No Pólo de Bauru observa-se em todos os arranjos domiciliares a queda dessa participação dos filhos entre os anos de 1991 e 2000. Nos arranjos nucleados pelos casais, a contribuição dos filhos para a composição da renda era de 13%, passando a ser de 10% em 2000. Considerando-se os arranjos domiciliares nucleados pelas chefes femininas sem cônjuge, destaca-se a redução apresentada pelos filhos que participavam com parcela de 30,8% da composição da renda domiciliar em 1991 e passaram a contribuir com 22,8% em 2000. Pólo Econômico de Bauru 106 Nos arranjos domiciliares dos chefes masculinos sem cônjuge a queda da contribuição dos filhos entre 1991 e 2000 é de 10,4% da renda em 1991, para 7% em 2000 (Tabela 10). Outra informação que merece destaque, indicando a crescente responsabilidade da mulher na provisão familiar, é o aumento na participação das chefes femininas sem cônjuge na composição da renda domiciliar. Em 1991, as chefes contribuíam com 53,8% da renda domiciliar e passaram a contribuir com 66,3% em 2000, frente à redução da participação dos filhos apontada acima e também dos outros parentes, resultando no aumento do encargo das chefes femininas na manutenção do domicílio. Os dados apresentados seguem tendência semelhante à observada para o Estado de São Paulo, no qual as chefes femininas sem cônjuge contribuíam com 56% em 1991 e passaram a contribuir com 63,8% em 2000 para a composição da renda domiciliar. A tendência de crescimento do encargo na provisão domiciliar é também apresentada pelos dos chefes masculinos sem cônjuge, cuja contribuição para composição da renda domiciliar desse arranjo era de 71% em 1991 e passou para 81,5% em 2000 no Pólo de Bauru, mais elevado que o observado para o Estado de São Paulo. Para o arranjo domiciliar dos chefes masculinos sem cônjuge além da queda na contribuição já apontada para os filhos nesse arranjo, observa-se a redução da participação dos parentes e não parentes na composição da renda domiciliar de 19,6% em 1991, para 11,3% em 2000, no Pólo de Bauru. Analisando-se os municípios que compõem Pólo Regional de Bauru observam-se as mesmas tendências apontadas acima. No entanto, apesar de que na media regional do Pólo de Bauru ocorra praticamente a manutenção da participação dos chefes na composição da renda domiciliar no caso dos arranjos nucleados pelo casal, como mencionado, há pequena redução da participação destes em cerca de metade dos municípios, bem como pequena elevação em parte deles, durante o período de 1991-2000, mantendo-se como responsável pela maior parte do rendimento domiciliar (Tabela 10).Tomando como referência o município de Bauru, observa-se que a participação dos chefes apresenta pequena redução, passando de 70,8% para 69,4% entre 1991 e 2000, acompanhada de significativo crescimento da participação da cônjuge, de 14,9% para 19% no período e de redução da contribuição dos filhos na provisão domiciliar de 11% para 9%. Também em municípios menores e com características distintas da sede regional, são observadas tendências semelhantes (Tabela 10). Pólo Econômico de Bauru 107 Tabela 10 Participação na massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Pólo Regional de Bauru 1991 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e não não não não parentes parentes parentes parentes Pólo Bauru 69,2 14,9 13,1 2,8 100,0 53,8 . 35,7 10,5 100,0 70,0 . 10,4 19,6 100,0 67,6 12,7 15,4 4,4 Agudos 65,7 14,7 15,6 4,0 100,0 49,6 . 40,6 9,8 100,0 67,0 . 10,3 22,6 100,0 64,1 12,8 17,9 5,1 Arealva 70,9 13,7 12,6 2,8 100,0 43,2 . 52,1 4,8 100,0 67,1 . 13,9 18,9 100,0 69,2 12,3 14,8 3,6 Avaí 68,3 12,6 16,7 2,4 100,0 28,2 . 41,1 30,8 100,0 62,2 . 21,4 16,4 100,0 61,3 9,6 21,0 8,1 Balbinos 61,8 13,0 18,2 7,0 100,0 29,2 . 37,9 33,0 100,0 71,7 . . 28,3 100,0 61,6 12,0 17,6 8,8 Bauru 70,8 15,7 11,1 2,4 100,0 56,0 . 34,6 9,4 100,0 72,7 . 9,3 17,9 100,0 69,1 13,1 13,8 4,0 Borebi Cabrália Paulista 71,7 13,4 12,1 2,8 100,0 56,6 . 34,7 8,8 100,0 79,0 . 0,0 21,0 100,0 71,5 12,5 12,4 3,7 Duartina 56,0 23,7 18,2 2,1 100,0 43,6 . 34,0 22,4 100,0 67,0 . 16,7 16,3 100,0 55,4 20,7 19,5 4,5 Iacanga 56,5 14,9 26,0 2,6 100,0 35,8 . 57,8 6,4 100,0 96,4 . 2,0 1,7 100,0 56,7 12,8 27,7 2,9 Lençois Paulista 72,1 10,1 14,2 3,7 100,0 37,0 . 41,6 21,4 100,0 63,0 . 8,9 28,2 100,0 68,9 8,9 16,2 6,0 Lucianópolis 62,6 19,1 16,3 2,1 100,0 52,4 . 43,9 3,7 100,0 87,5 . 0,0 12,5 100,0 62,1 17,4 18,1 2,3 Macatuba 60,5 11,6 23,7 4,2 100,0 54,7 . 38,2 7,1 100,0 48,3 . 11,9 39,9 100,0 59,8 10,7 23,8 5,7 Paulistânia Pederneiras 64,8 11,8 18,5 5,0 100,0 54,2 . 40,9 4,9 100,0 57,4 . 14,8 27,8 100,0 63,8 10,6 19,6 6,1 Pirajuí 68,3 14,6 14,2 2,9 100,0 62,4 . 28,6 9,0 100,0 65,5 . 19,1 15,4 100,0 67,5 12,0 16,1 4,4 Piratininga 62,0 19,6 16,3 2,1 100,0 53,9 . 28,2 17,9 100,0 51,1 . 25,5 23,3 100,0 61,1 17,7 17,4 3,8 Presidente Alves 65,4 14,7 17,3 2,7 100,0 77,3 . 16,0 6,7 100,0 54,6 . 34,4 11,0 100,0 65,5 12,7 18,3 3,5 Reginópolis 64,8 15,3 16,7 3,3 100,0 35,4 . 49,9 14,7 100,0 81,0 . 2,5 16,5 100,0 64,1 12,5 18,0 5,5 Ubirajara 62,3 14,6 20,4 2,7 100,0 60,2 . 30,1 9,7 100,0 80,2 . 19,8 0,0 100,0 62,9 12,9 21,2 3,1 Fonte: Censo Demográfico 1991, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Tabela 10 Participação na massa da renda domiciliar por tipologia e posição na família Pólo Regional de Bauru 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes e Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total Chefe Cônjuge Filhos Parentes Total não e não e não e não parentes parentes parentes parentes Pólo Bauru 68,9 19,1 9,9 2,1 100,0 66,3 . 22,8 11,0 100,0 81,5 . 7,2 11,3 100,0 69,3 15,5 11,5 3,8 100,0 Agudos 64,2 21,8 10,9 3,2 100,0 60,9 . 26,9 12,3 100,0 64,7 . 5,0 30,3 100,0 63,8 18,1 12,6 5,5 100,0 Arealva 65,0 19,5 13,5 2,0 100,0 66,0 . 24,8 9,2 100,0 88,4 . 3,8 7,9 100,0 66,3 16,7 14,0 3,0 100,0 Avaí 66,0 19,0 11,6 3,4 100,0 65,0 . 19,2 15,8 100,0 89,5 . 4,7 5,8 100,0 68,6 13,5 12,1 5,8 100,0 Balbinos 65,2 21,0 13,1 0,8 100,0 73,4 . 26,6 0,0 100,0 100,0 . . . 100,0 67,5 17,7 14,1 0,7 100,0 Bauru 69,4 19,6 9,2 1,9 100,0 68,2 . 20,8 10,9 100,0 83,0 . 6,6 10,4 100,0 70,0 15,8 10,7 3,6 100,0 Borebi 69,0 16,3 10,3 4,4 100,0 68,7 . 21,7 9,6 100,0 86,0 . 3,8 10,2 100,0 72,0 11,2 10,7 6,1 100,0 Cabrália Paulista 67,4 17,0 10,6 5,0 100,0 48,4 . 46,8 4,8 100,0 87,1 . 12,9 . 100,0 65,5 14,5 15,2 4,8 100,0 Duartina 63,5 21,8 12,2 2,5 100,0 58,4 . 31,0 10,6 100,0 68,4 . 11,6 20,0 100,0 62,9 17,2 15,3 4,7 100,0 Iacanga 62,7 17,4 16,5 3,4 100,0 63,5 . 24,6 12,0 100,0 60,7 . 13,4 25,9 100,0 62,7 14,4 17,4 5,6 100,0 Lençois Paulista 71,7 15,3 10,7 2,4 100,0 57,3 . 31,5 11,3 100,0 83,4 . 9,3 7,4 100,0 70,8 12,8 12,9 3,6 100,0 Lucianópolis 58,5 25,8 13,0 2,7 100,0 63,4 . 24,7 11,9 100,0 75,8 . 15,2 9,0 100,0 60,1 21,1 14,6 4,2 100,0 Macatuba 70,8 11,5 14,8 2,9 100,0 58,7 . 27,7 13,7 100,0 69,4 . 9,2 21,4 100,0 69,4 9,5 15,8 5,3 100,0 Paulistânia 61,5 23,1 12,3 3,1 100,0 51,9 . 29,4 18,8 100,0 63,0 . 35,8 1,2 100,0 61,1 17,7 17,3 3,8 100,0 Pederneiras 66,0 18,9 12,6 2,5 100,0 62,6 . 25,9 11,6 100,0 80,9 . 5,3 13,8 100,0 66,5 15,9 13,4 4,1 100,0 Pirajuí 68,4 19,1 10,2 2,4 100,0 64,7 . 26,2 9,1 100,0 84,5 . 5,2 10,3 100,0 68,5 14,8 12,8 3,9 100,0 Piratininga 66,8 18,6 11,3 3,3 100,0 63,9 . 26,9 9,2 100,0 78,0 . 8,6 13,4 100,0 66,8 14,6 13,9 4,8 100,0 Presidente Alves 70,3 15,5 10,9 3,3 100,0 55,5 . 35,4 9,1 100,0 73,3 . 16,3 10,4 100,0 69,1 12,8 13,7 4,4 100,0 Reginópolis 70,4 16,8 10,8 2,0 100,0 58,8 . 24,4 16,8 100,0 62,0 . 17,9 20,1 100,0 68,7 14,0 12,8 4,6 100,0 Ubirajara 62,6 23,4 10,0 4,1 100,0 74,7 . 23,7 1,5 100,0 82,0 . 8,6 9,5 100,0 65,0 19,4 11,5 4,1 100,0 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Excluídos da análise dos domicílios/família, os pensionistas, empregados domésticos residentes e parentes dos empregados domésticos Considerando os arranjos domiciliares com chefes femininas sem cônjuge, a tendência geral observada nos municípios do Pólo de Bauru, é de aumento da participação das mulheres-chefe na composição da renda domiciliar no período (Tabela 10). Em relação à participação dos filhos nos arranjos domiciliares de chefes femininas sem cônjuge, como já mencionado, a tendência no Pólo foi de queda na participação destes na composição da renda domiciliar. Examinando essa tendência no município de Bauru, constata-se que, em 1991, as chefes eram responsáveis por 56% pela renda domiciliar e, em 2000, passaram a ser responsáveis por 68,2%. Em movimento inverso, reduziu-se a contribuição dos filhos para compor a renda domiciliar: de 34,6% em 1991, para 20,8% em Pólo Econômico de Bauru 108 2000, acompanhados de pequena elevação da participação dos parentes, de 9,4% para 10,9% no período. Deve-se ressaltar que nesse arranjo domiciliar a contribuição dos filhos para a provisão é bastante mais elevada que a observada nos arranjos nucleados pelo casal e nos arranjos nucleados pelo chefe masculino sem cônjuge. Nos arranjos domiciliares dos chefes masculinos sem cônjuge, a tendência observada nos municípios é semelhante à observada para o pólo regional, ou seja, de aumento da contribuição dos chefes na renda domiciliar e de redução da participação filhos e de parentes. O município de Bauru evidencia o aumento do encargo dos chefes na provisão familiar nesse período: a participação dos chefes na renda domiciliar era de 72,7% em 1991 e, em 2000, passa a ser responsável por 83%; nesse mesmo período a participação dos filhos reduziu-se de 9,3% em 1991 para 6,6% em 2000. No entanto, no caso deste município e de alguns outros da região a maior redução foi observada na contribuição de outros parentes, que em Bauru respondiam por 18% da renda domiciliar em 1991, reduzindo-se para 10% em 2000 (Tabela 10). As tendências apresentadas além de indicarem como se dão no âmbito do Pólo de Bauru as mudanças na participação dos componentes em atividades que geram renda, bem como as mudanças na responsabilidade pela provisão do domicílio, evidenciam também as maiores dificuldades que certos arranjos domiciliares enfrentam para garantir sua subsistência. No item seguinte são apontados os arranjos domiciliares que apresentam as maiores fragilidades no Pólo de Bauru e no Estado de São Paulo, com base nos dados dos censos 1991 e 2000. São também apresentadas através de dados mais recentes (2006) o perfil dos arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento e algumas indicações de acesso a programas de transferência de renda pelos mesmos. 2.3. Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento Estudos sobre a Região Metropolitana de São Paulo nos anos 90 e 2000 (Montali, 2004) e sobre o conjunto das regiões metropolitanas brasileiras na década de 2000 (Montali e Tavares, 2008) evidenciaram que a precarização do trabalho e o aumento do desemprego vigentes nesses períodos afetam diferenciadamente os arranjos familiares de inserção no mercado, que são articulados de maneiras distintas nos momentos do ciclo de vida familiar, evidenciando maior fragilização para determinados segmentos sociais nas formas encontradas para garantir a sobrevivência. Diversos indicadores reafirmam essa maior fragilidade apresentada por determinados arranjos domiciliares. Os arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento foram assim identificados por apresentarem rendimentos médios familiares per capita mais baixos que os demais Pólo Econômico de Bauru 109 arranjos domiciliares e abaixo da média regional, por apresentarem as mais elevadas concentrações entre os decis inferiores de renda familiar per capita, bem como por apresentarem as menores taxas de geração de renda (Montali e Tavares, 2008). Esse tópico pretende apresentar os arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento no Pólo Regional de Bauru no ano de 2000 e destacar os municípios da região em que essa fragilidade se mostra mais acentuada. Para tanto, serão utilizados dois indicadores: rendimento domiciliar per capita e taxa de geração de renda, ambos analisados segundo arranjo domiciliar. O Pólo Regional de Bauru apresenta, no ano de 2000, rendimento domiciliar per capita de R$ 408,00, média inferior à apresentada pelo Estado de São Paulo, regiões metropolitanas do Estado de São Paulo e três dos pólos regionais. Apresenta posição intermediária entre os pólos com rendimento per capita mais baixos, ou seja, é o quarto mais baixo rendimento per capita, superando os Pólos Regionais de Presidente Prudente (R$ 338,00), Araçatuba (R$ 372,00) e Sorocaba (R$ 377,00) (Gráfico 6). Por outro lado e considerando-se o outro indicador selecionado para análise, a taxa domiciliar de geração de renda, esta foi de 52,9% em 2000 no Pólo Regional de Bauru, superior à observada no Estado de São Paulo (50,5%) e nas regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista. Entre os pólos regionais, a taxa domiciliar de geração de renda de Bauru é superada apenas nos pólos de Araçatuba e de São José do Rio Preto (Tabela 7). Deve-se acrescentar que no Pólo de Bauru, a análise da taxa de geração de renda por composição familiar no ano de 2000 evidencia que, em todos os arranjos domiciliares, as taxas médias da região estão acima das médias do Estado de São Paulo. Estes dois dados evidenciam que no Pólo Regional de Bauru embora seja mais elevada a proporção de pessoas por domicílio envolvidas em atividades de geração de renda, é mais baixa a remuneração auferida, significando em termos comparativos às outras regiões mencionadas, situações mais desfavoráveis de remuneração e indicando a possibilidade de vínculos mais precários de inserção no mercado de trabalho. Pólo Econômico de Bauru 110 Gráfico 6 Rendimento domiciliar per capita Região Metropolitanas e Pólos Regionais – Estado de São Paulo 2000 Pólo Presidente Prudente 338,0 Pólo Araçatuba 372,6 Pólo Sorocaba 377,2 Pólo Bauru 408,3 Pólo São José do Rio Preto 415,4 Pólo São José dos Campos 422,5 Pólo Ribeirão Preto 426,6 RM Baixada Santista 436,4 RM Campinas 479,0 506,9 RM São Paulo Estado São Paulo 442,1 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. É grande a disparidade de níveis de rendimento domiciliar per capita entre os municípios que compõem o Pólo Regional de Bauru no ano de 2000. Apenas Bauru, o município-sede da região encontra-se acima do valor correspondente à média regional em relação ao rendimento per capita, além de ser três vezes maior que o rendimento per capita do município de Lucianópolis, que apresenta o menor valor no Pólo de Bauru (Gráfico 7). Na sequência após Bauru estão os municípios de Lençóis Paulista e Piratininga, com renda per capita abaixo da média regional e representado pouco mais que dois terços da renda per capita apresentada pelo município-sede (Gráfico 7). Dentre os municípios do Pólo de Bauru, quatro têm rendimento per capita que corresponde a menos do que a metade da média regional, são os seguintes, por ordem crescente de rendimento: Lucianópolis, Cabrália Paulista, Ubirajara, Borebi e Lourdes todos municípios muito pequenos, com população entre 2 mil e 4.400 habitantes, segundo a Contagem Populacional de 2007-IBGE. O Gráfico 7 deixa evidente que os outros 12 municípios apresentam rendimento per capita pouco acima da metade da média regional. Pólo Econômico de Bauru 111 Gráfico 7 Rendimento domiciliar per capita Pólo Regional de Bauru 2000 164,4 Lucianópolis Cabrália Paulista 179,9 Ubirajara 181,5 Borebi 188,2 Avaí 214,4 Balbinos 229,0 Presidente Alves 232,9 Macatuba 240,5 Paulistânia 243,3 Duartina 255,6 Pederneiras 264,1 Reginópolis 265,6 Agudos 267,6 Iacanga 268,5 Pirajuí 271,8 Arealva 273,6 Lençois Paulista 350,3 Piratininga 351,7 Bauru 500,4 Pólo Bauru 408,3 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1.000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Dessa maneira, a disparidade regional na renda per capita dos municípios vai se refletir nos arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento presentes em cada um deles, acentuando sua fragilidade. Considerando-se os dois indicadores selecionados para a análise, constata-se que os arranjos domiciliares mais suscetíveis à pobreza, identificados no Pólo Regional de Bauru, no ano de 2000, são, em ordem crescente aqueles chefiados por casais na faixa etária de até 34 anos com filhos e/ou parentes, seguidos pelos arranjos de chefias femininas sem cônjuges com filhos e/ou parentes. Deve-se observar, que há especificidades no Pólo Regional de Bauru quanto à ordem de fragilidade identificada entre os arranjos domiciliares quando comparado ao estudo de Montali e Tavares (2008), sobre as regiões metropolitanas brasileiras no ano de 2004. Embora semelhante à ordem de fragilidade encontrada no estudo referido (Montali e Tavares, 2008) e também pelo presente projeto nas regiões metropolitanas do Estado de São Paulo, identificou-se especificidades no Pólo Regional de Bauru e algumas situações semelhantes são encontradas também em outros dos Pólos Regionais analisados, como por exemplo Araçatuba e Presidente Prudente. Pólo Econômico de Bauru 112 Gráfico 8 Rendimento domiciliar per capita segundo tipo de arranjo domiciliar Pólo Regional de Bauru 2000 Casal até 34 anos com filhos e parentes 245,4 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 307,5 Chefe masculino sem cônjuge e/ou filhos e/ou parentes 371,7 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 473,1 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 499,2 Chefe feminina unipessoal 776,1 Chefe masculino unipessoal 976,5 Total 408,3 0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 1.600 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Gráfico 9 Taxa Específica de geração de renda por tipos de arranjos domiciliares Pólo Regional de Bauru 2000 Casal até 34 anos com filhos e parentes 37,1 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 49,6 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 58,9 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 62,2 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 65,5 73,5 Casal sem filhos Chefe masculino unipessoal 92,5 Chefe feminina unipessoal 97,1 52,9 Total 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Pólo Econômico de Bauru 113 A especificidade é encontrada na ordem de fragilidade do arranjo domiciliar nucleado por casais na faixa etária dos 35 aos 49 anos com filhos e/ou parentes, pois este se mantém na segunda posição na ordem crescente da taxa domiciliar de geração de renda no Pólo de Bauru - da mesma forma como observado nas regiões metropolitanas paulistas -, no entanto o rendimento domiciliar per capita desse arranjo supera a média regional e outro arranjo domiciliar ocupa o lugar de terceiro rendimento per capita mais baixo e inferior à média regional. Como especificidade do Pólo de Bauru observa-se que o outro arranjo domiciliar que apresenta maior fragilidade é aquele nucleado pelo chefe masculino sem cônjuge, com a presença de filhos e de parentes, que apresenta rendimento per capita mais baixo e inferior à média regional e também taxa domiciliar de geração de renda mais elevada (Gráficos 8 e 9). Isto significa que, no Pólo de Bauru, o arranjo domiciliar do chefe masculino sem cônjuge, com filhos e/ou parentes expressa maiores fragilidades para suprir a subsistência, porque embora apresente maior número de pessoas que aportam rendimento de alguma natureza para o domicílio, os rendimentos auferidos são de valor mais baixo. A especificidade encontrada neste pólo regional, merece ser melhor investigada em estudo específico, mas se supõe que esteja relacionada à estrutura etária mais envelhecida desta região, mencionada na Parte 2.1., deste Capítulo 3. do Estudo Regional de Bauru, às características da atividade econômica, apresentada também neste Estudo no Capítulo 1, e também aos processos migratórios que caracterizam o Pólo analisados no Capítulo 2. Dentre os arranjos domiciliares mais frágeis, os arranjos nucleados por casais na faixa etária de até 34 anos com a presença de filhos e/ou parentes, são os que apresentam maior suscetibilidade à pobreza no ano de 2000 no Pólo Regional de Bauru. Com base nos indicadores adotados, têm o menor rendimento domiciliar per capita, R$ 245,00, e taxa de geração de renda do domicílio de apenas 37%, o que significa que pouco mais de um terço da população em idade ativa aporta renda para o domicílio. Observa-se, entretanto, que nos municípios do Pólo Regional de Bauru este arranjo familiar identificado por sua maior fragilidade no enfrentamento das necessidades para a subsistência, apresenta valores bastante distintos de sua renda domiciliar per capita. Assim, os arranjos domiciliares chefiados por casais com idades até 34 anos com a presença de filhos e/ou parentes, apresentam em todos os municípios os menores valores do rendimento domiciliar per capita, porém, o valor deste varia de forma associada à renda per capita do município. Foram encontrados entre os municípios analisados valores do Pólo Econômico de Bauru 114 rendimento domiciliar per capita para esse tipo de arranjo, que variam entre R$ 89,00 (em Lucianópolis) e R$ 285,00 (em Bauru) e variações nas taxas de geração de renda entre 32,5% (em Lucianópolis) e 40% (em Paulistânia e Piratininga) no ano de 2000. Dessa forma, ainda que seja o arranjo mais fragilizado para garantir a sobrevivência do domicílio, esta tipologia de arranjo domiciliar apresentou suscetibilidade ao empobrecimento mais acentuada, por ordem decrescente nos municípios de Lucianópolis (R$ 89,00) e Ubirajara (R$ 120,00), Em situação oposta, indicando situação relativamente mais favorável, no município de Bauru esse arranjo domiciliar mais suscetível ao empobrecimento apresentou taxas de geração de renda de 37,7% e rendimento domiciliar per capita de R$ 285,00 (Anexo 2). O segundo arranjo domiciliar mais suscetível à pobreza no ano de 2000, no Pólo de Bauru é evidenciado nos arranjos domiciliares chefiados por mulheres sem cônjuges com filhos e/ou parentes. Nesse tipo de arranjo o rendimento domiciliar per capita observado foi de R$ 307,00, abaixo da média regional e a taxa de geração de renda foi de 59%, mais elevada que a média da região (52,9%). Ou seja, nesse arranjo mais pessoas contribuem para a geração de renda, mas o rendimento domiciliar per capita é menor que nos outros arranjos domiciliares em decorrência das características de sexo e de idade de seus componentes, bem como das características de inserção dos mesmos no mercado de trabalho, com parcela importante em atividades não formalizadas (Montali, 2008). No tipo de arranjo domiciliar chefiado por mulheres sem cônjuges com filhos e/ou parentes, os municípios do Pólo de Bauru tiveram rendimento domiciliar per capita variando entre R$ 145,00 (Cabrália Paulista e Presidente Alves) e R$ 357,00 (Bauru), e as taxas de geração de renda variaram entre 51% (Agudos e Avai) e 71% (Reginópolis). Situação mais favorável foi encontrada no município de Bauru, no qual esse arranjo domiciliar apresentou rendimento de R$ 357,00 e taxa de geração de renda de 59,8%. Entre os arranjos com menores fragilidades para suprir a subsistência no Pólo de Bauru podem ser apontados por ordem crescente os casais de 50 anos e mais com filhos e/ou parentes, os casais sem filhos e especialmente os chefes de domicílios unipessoais tanto femininos, como masculinos, que apresentam os rendimentos mais elevados (Anexo 2) e as taxas de geração de renda acima da média regional (Gráfico 9). Arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento em 2006 Um dos objetivos do presente projeto ao identificar os arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento nas regiões metropolitanas e pólos regionais do Estado de São Paulo é Pólo Econômico de Bauru 115 oferecer indicações sobre os arranjos domiciliares que demandam maior atenção das políticas sociais. Nesse sentido, e buscando informações mais recentes para essa temática, recorreu-se aos dados de 2006 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE. Pretende-se aqui mostrar no ano 2006, o perfil dos arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento e o acesso destes aos programas de transferência de renda. Embora a fonte de informação disponível (PNAD-IBGE, 2006) não permita a desagregação para as regiões metropolitanas paulistas e pólos regionais, esse fato não invalida a inclusão destas informações no estudo regional, porque estes dados informam sobre o Estado de São Paulo, a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e o restante do Estado excluindose a RMSP, o qual foi denominado neste estudo como Interior. Deve-se ressaltar que os dados referentes ao ano de 2006, em comparação com os referentes ao ano censitário de 2000 aqui analisados, refletem uma conjuntura econômica distinta, com recuperação do crescimento da economia, expansão do emprego formal, bem como de expansão do acesso a programas de transferência de renda, que passam a ser massivamente implementados a partir de 2004. A nova fonte de dados confirma os mesmos arranjos domiciliares como os mais suscetíveis ao empobrecimento, identificados através dos censos de 1991 e 2000, e na mesma ordem de maior suscetibilidade, quais sejam, aqueles de casais jovens, de até 34 anos, com filhos e /ou parentes, os arranjos das famílias com chefia feminina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, e os arranjos de casais com idades entre 35 e 49 anos com filhos e/ou parentes (Gráficos 8 e 10). Essa fonte de dados também indica para o Interior o surgimento de mais um arranjo domiciliar que demanda atenção das políticas de proteção social, que são os arranjos com chefia masculina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, confirmando a identificação desse arranjo domiciliar por este Projeto, nas análises com base nos dados do Censo 2000 (ver Capitulo 3 Item 2.3 do Estudo Regional de Bauru). Os arranjos domiciliares identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, conforme análise apresentada nos tópicos anteriores deste Item 2.3-, apresentam os níveis mais baixos de rendimentos familiares per capita e também apresentam maiores concentrações nos decís inferiores de renda domiciliar. Estas características são evidenciadas tanto na análise com base nos dados censitários de 2000 (Anexo 3), como na análise do ano de 2006, utilizando os dados da PNAD 2006 – IBGE (Anexo 1). Pólo Econômico de Bauru 116 Os dados da PNAD 2006 mostram que os três tipos de arranjos domiciliares identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento compõem, no ano de 2006, cerca de 56,5% dos domicílios da Região Metropolitana de São Paulo, 55% do Interior e 55,6% do conjunto do Estado de São Paulo e que apresentam concentrações mais elevadas que os demais arranjos domiciliares nos decís inferiores de rendimento domiciliar per capita. Dessa maneira, encontram-se abaixo do valor do 5º decil da distribuição de renda domiciliar per capita metropolitana, que identifica os 50% mais pobres, mais que 70% dos arranjos domiciliares dos casais jovens com filhos. Proporções mais elevadas são encontradas na Região Metropolitana de São Paulo (73%) em comparação como o Interior (71%) (Anexo 1). Nos domicílios com arranjos de chefe feminina sem a presença de cônjuge, com filhos e/ou parentes, pouco menos de 60% apresentam rendimento abaixo do valor do 5º decil; dentre estes se observa percentual um pouco mais elevado no Interior. Entre os domicílios dos casais de 35 a 49 anos com filhos e/ou parentes pouco mais que 50% estão abaixo do valor do 5º decil, com proporções mais elevadas na RMSP (54%) do que no Interior (52%). Em síntese, os domicílios mais suscetíveis ao empobrecimento apresentam maior concentração entre os 50% mais pobres na Região Metropolitana de São Paulo comparativamente aos do Interior e ao total do Estado de São Paulo. Este indicador está bastante coerente com as análises apresentadas no Estudo Regional – Região Metropolitana de São Paulo14, Capitulo 3, Parte 1. Renda, Pobreza e Desigualdade na Região Metropolitana de São Paulo, que evidencia o aprofundamento da desigualdade de rendimentos entre as pessoas de 10 anos e mais na Região Metropolitana de São Paulo, no ano 2000. 14 FINEP. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/IE-UNICAMP-FINEP. Documento 2 – Estudos Regionais – Região Metropolitana de São Paulo, Capitulo 3. Pólo Econômico de Bauru 117 Gráfico 10 Rendimento domiciliar per capita segundo tipo de arranjo domiciliar Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado São Paulo 2006 Casal até 34 anos com filhos e parentes Chefe feminina sem cônjuge e/ou filhos e/ou parentes Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes RMSP Estado São Paulo Interior Chefe masculino sem cônjuge e/ou filhos e/ou parentes Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes Casal sem filhos Chefe feminina unipessoal Chefe masculino unipessoal Total 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500 1600 1700 1800 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Microdados. Os arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento e o acesso aos programas de transferência de renda em 2006 Durante a década de 2000, dentre as políticas de combate à pobreza diversificamse os programas e amplia-se a cobertura daqueles caracterizados pela transferência de renda. Os programas de transferência de renda apresentam abrangência incipiente no ano 2000, portanto não poderiam ser analisados através dos dados censitários correspondentes a esse ano. Na década de 90 inicia-se esse tipo de política de combate à pobreza com a predominância de programas municipais, que passaram a ser implementados a partir de 199515, além de dois programas federais: o Beneficio de Prestação Continuada (BPC) e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), instituídos em 1996. No decorrer da década de 2000 aumenta a cobertura dos programas de transferência de renda com a ampliação da implementação destes dois programas federais e, a partir de 2001, com a implementação dos programas Bolsa-Escola e BolsaAlimentação e na seqüência os programas Auxilio-Gás, em 2002 e o Cartão Alimentação, 15 Detalhamento dos programas municipais de transferência de renda nesse período pode ser encontrado em Fonseca, 2001. Pólo Econômico de Bauru 118 em 2003. A partir de outubro de 2003, ocorre a implementação do Programa BolsaFamília, que unifica estes últimos quatro programas de transferência e gradativamente amplia a cobertura, tornando-a massiva. Assim, a partir de 2003 aumenta o acesso a esse tipo de programa de combate à pobreza pelos domicílios com rendimentos mais baixos16. No entanto ainda é bastante modesto o acesso dos domicílios do Estado de São Paulo e da RMSP a programas de transferência de renda, segundo pesquisa da Fundação SEADE cerca de 9% deles têm acesso a pelo menos um programa dessa natureza17. Considerando-se o total dos domicílios brasileiros, 18,3% correspondem à proporção dos que receberam transferência de renda de programa social do governo (IBGE, 2008: Tabela 1.2.3). Existem no entanto diferenças regionais na distribuição dos domicílios brasileiros com acesso a tais programas governamentais e as maiores proporções são encontradas nas regiões Nordeste (35,9%) e Norte (24,6%), seguidos pelas das regiões Centro-Oeste (18%), Sul (10,4%) e Sudeste (10,3%). Tendo por referência os grupos de arranjos domiciliares mais suscetíveis ao empobrecimento, investiga-se aqui o acesso destes aos programas de transferência de renda. Constata-se que, se por um lado ainda é restrito o aceso do conjunto dos domicílios a programas de transferência de renda, por outro lado existem indicações de que o acesso a programa social de transferência de renda governamental mostra-se bem focalizado, pois mais que 90% dos domicílios beneficiários no Estado de São Paulo encontram-se entre os 50% mais pobres segundo os dados da PNAD 2006 (Tabela 11). A focalização dos programas sociais de transferência de renda se evidencia também através das proporções mais elevadas do acesso a tais programas sociais pelos domicílios acima caracterizados como arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento nas diversas espacialidades sob análise em comparação com os demais arranjos domiciliares (Tabela 11 % coluna). Considerando-se o conjunto dos tipos de arranjos domiciliares fica evidente a focalização nos três tipos apontados como mais suscetíveis ao empobrecimento quais sejam: casal de até 34 anos, com filhos e parentes, chefe feminina sem cônjuge, com filhos e parentes, e casal entre 34 e 49 anos com filhos e parentes, que juntos perfazem mais de 80% dos domicílios com acesso a algum programa de transferência de renda em 16 Mais informações sobre programas de transferência de renda podem ser encontradas na Parte 3 deste capítulo. 17 Resultados da Pesquisa de Condições de Vida – PCV 2006 - Fundação SEADE, mostram que 8,7% das famílias do Estado de São Paulo e 9% das famílias da Região Metropolitana de São Paulo têm acesso a benefícios oriundos dos programas governamentais de transferência de renda. Disponível em http://www.seade.gov.br. Acesso em 28/03/2008. Pólo Econômico de Bauru 119 todas as espacialidades analisadas em 2006. Assim, na RMSP, enquanto os arranjos domiciliares identificados por este estudo como mais fragilizados representam 56,5% do total dos domicílios (Anexo 1), ao se considerar os 50% mais pobres representam 83% dos domicílios atendidos por programas de transferência de renda (Tabela 11 % coluna). No Interior, estes arranjos domiciliares representam 55% do total dos domicílios (Anexo 1) e, considerando –se os 50% mais pobres, são 82% dentre os beneficiários destes programas (Tabelas 11 % coluna). Tabela 11 Distribuição dos domicílios com acesso aos programas de transferência de renda entre os 50% mais pobres - Estimativa (%) (1) Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado de São Paulo 2006 RMSP Interior Estado 50% mais pobres 50% mais pobres 50% mais pobres % linha % coluna % linha % coluna % linha % coluna Casais 96,3 69,1 93,0 73,6 94,2 72,0 Casal sem filhos 91,7 3,3 76,3 4,3 78,0 3,9 Casal com filhos e parentes 96,5 65,9 94,3 69,3 95,3 68,2 Casal até 34 anos com filhos e parentes 96,1 29,1 96,4 31,9 96,6 31,0 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 98,8 25,2 95,2 26,6 96,4 26,1 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 86,4 5,6 80,4 5,5 83,8 5,7 97,1 29,7 95,8 23,6 96,7 25,7 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 97,0 28,5 96,9 23,0 96,9 24,8 Chefe feminina unipessoal 100,0 1,2 66,7 0,6 90,1 0,9 80,0 1,2 95,0 2,8 92,0 2,3 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 80,0 1,2 94,1 2,4 90,9 2,0 Chefe masculino unipessoal 0,0 0,0 100,0 0,5 100,0 0,3 Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total (2) 96,3 100,0 93,7 100,0 94,8 100,0 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) Estimativa obtida através da variável V1273. Domicílios até o 8º decil do rendimento domiciliar per capita. (2) O Total inclui outros tipos de arranjos domiciliares (residual). Outro aspecto que se pretende ressaltar é que o acesso a programas de transferência está relacionado à composição dos domicílios e aos distintos arranjos domiciliares associados a ciclos vitais da família (Tabela 12). Observa-se que o Beneficio de Prestação Continuada, que atende a deficientes e principalmente idosos em situação de risco, apresenta peso maior entre as famílias unipessoais, caracterizadas por idosos, entre os arranjos nucleados pelos casais de 50 anos com filhos e/ou parentes, bem como entre os casais sem filhos residentes, dentre os quais uma parcela importante é composta por idosos. Representa ainda cerca de 15 % dos benefícios a que têm acesso os domicílios com chefia feminina sem a presença de cônjuge no Estado de São Paulo, lembrando que nestes arranjos cerca de metade das chefes têm 50 anos e mais. Nos demais arranjos familiares é bastante menor a participação desse programa (Tabela 12). O programa Bolsa-Família, por sua vez, apresenta peso importante entre os programas de transferência de renda, abrangendo cerca de 67% dos domicílios Pólo Econômico de Bauru 120 metropolitanos com acesso e 73% dos domicílios do Interior com acesso. No Estado de São Paulo, dentre os beneficiários de algum programa de transferência de renda governamental, 70% têm acesso ao programa Bolsa-Família (Tabela 12). É mais elevado o acesso ao Bolsa Família pelos três tipos de arranjos identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, que contam em sua composição familiar com parcela importante de crianças, adolescentes e jovens, ou seja, os tipos de arranjo domiciliar: casal de até 34 anos, chefe feminina sem cônjuge, com filhos e/ou parentes e casal entre 34 e 49 anos com filhos e/ou parentes. Na Região Metropolitana de São Paulo, considerando-se os domicílios com acesso a algum tipo programa de transferência de renda, cerca de 70% dos domicílios desses três arranjos domiciliares referidos como mais fragilizados, são beneficiários do Programa Bolsa Família. Proporção mais elevada que a apresentada pelos demais arranjos domiciliares (Tabela 12). Tabela 12 Distribuição dos domicílios com acesso a programas de transferência de renda por arranjos domiciliares, segundo distribuição por programa Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado de São Paulo 2006 Tipos de arranjos Casais Casal sem filhos RMSP BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA Interior BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA Estado São Paulo BOLSA BPC PETI OUTRO TOTAL FAMÍLIA PROGRAMA 67,0 6,5 0,7 25,7 100,0 74,7 11,7 0,7 12,9 100,0 72,1 10,0 0,7 17,2 100,0 61,5 15,4 0,0 23,1 100,0 37,5 52,5 0,0 10,0 100,0 43,5 43,2 0,0 13,3 100,0 Casal até 34 anos com filhos e parentes 70,3 2,5 1,7 25,4 100,0 84,4 3,4 0,8 11,4 100,0 79,6 3,1 1,1 16,1 100,0 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 69,0 4,0 0,0 27,0 100,0 75,6 8,5 1,0 14,9 100,0 73,4 7,0 0,7 19,0 100,0 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 48,0 28,0 0,0 24,0 100,0 44,0 38,0 0,0 18,0 100,0 45,4 34,6 0,0 20,0 100,0 68,7 7,0 0,9 23,5 100,0 67,8 21,1 1,1 10,0 100,0 68,1 15,5 1,0 15,3 100,0 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 70,3 4,5 0,9 24,3 100,0 70,1 18,4 1,1 10,3 100,0 70,2 12,9 1,1 15,9 100,0 Chefe feminina unipessoal 25,0 75,0 0,0 0,0 100,0 0,0 100,0 0,0 0,0 100,0 10,1 89,9 0,0 0,0 100,0 16,7 33,3 0,0 50,0 100,0 60,0 30,0 0,0 10,0 100,0 49,8 30,8 0,0 19,4 100,0 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 16,7 33,3 0,0 50,0 100,0 70,6 23,5 0,0 5,9 100,0 56,3 26,1 0,0 17,6 100,0 Chefe masculino unipessoal 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 66,7 0,0 33,3 100,0 0,0 66,7 0,0 33,3 100,0 66,8 7,1 0,8 25,4 100,0 72,7 14,4 0,8 12,2 100,0 70,6 11,8 0,8 16,8 100,0 Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge Total (1) Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) o total inclui outros tipos de arranjos domiciliares (residual). Merece destaque o fato de que, na Região Metropolitana de São Paulo, 61% dos domicílios de casais sem filhos e 25% dos domicílios unipessoais femininos são beneficiários do Bolsa Família em 2006. Informações semelhantes foram identificadas por estudo de Montali e Tavares sobre as regiões metropolitanas brasileiras para o mesmo ano e atribui-se o acesso de domicílios sem a presença de crianças ou adolescentes à ampliação do Bolsa Família que privilegiou o limite da renda domiciliar per capita como critério para a seleção das famílias beneficiárias (Montali e Tavares, 2008). Além destes arranjos identificados como mais suscetíveis ao empobrecimento, foi identificado outro tipo de arranjo domiciliar como beneficiário de programas de Pólo Econômico de Bauru 121 transferência de renda, demandando atenção no planejamento dos programas de proteção social, trata-se do arranjo domiciliar do chefe masculino sem cônjuge, com filhos e/ou parentes. Este arranjo é apontado principalmente para o Interior como um dos que apresenta elevada concentração entre os 50% mais pobres, da ordem de 45%; na RMSP apresenta concentração um pouco menor, da ordem de 40% (Anexos 1 e 3). Observou-se também que o acesso desse arranjo a programas de transferência de renda mostra-se diferenciado, quando consideradas a Região Metropolitana e o Interior do Estado de São Paulo. Na Região Metropolitana de São Paulo este arranjo domiciliar é beneficiário do BPC , no caso de 33% dos domicílios, e de Outro Programa, com a importante porcentagem de 50%; esta categoria Outro Programa inclui programas estaduais e municipais. No Interior, 70% destes domicílios são beneficiários do Bolsa Família e 23% do BPC (Tabela 12). Esta nova situação de fragilidade merece um estudo especial, considerando-se as mudanças na estruturação das famílias, bem como na dinâmica do mercado de trabalho e as novas restrições ao emprego nos anos recentes. Considerações Finais Merece ressaltar que a análise do acesso aos programas de transferência de renda governamentais pelos domicílios caracterizados por arranjos mais suscetíveis ao empobrecimento explicita, ao mesmo tempo, a confirmação da condição de maior suscetibilidade ao empobrecimento destes arranjos, bem como a focalização dos programas de transferência de renda nos domicílios mais pobres. Por outro lado esta análise apontou um outro arranjo domiciliar identificado nos anos recentes, que evidencia fragilidade em face à sobrevivência, demandando atenção das políticas de proteção social, que é o arranjo do chefe masculino sem cônjuge, com filhos e/ou parentes. Embora este arranjo domiciliar represente cerca de 4% dos domicílios da RMSP, Interior e Estado de São Paulo em 2006, apresenta uma das concentrações mais elevadas entre os 50% mais pobres (Anexo 1) e evidencia acesso a programas de transferência de renda, demandando conhecimento mais aprofundado de sua configuração e da condição de precariedade. Pólo Econômico de Bauru 122 Anexo 1 Distribuição dos arranjos domiciliares por tipologia segundo decis do rendimento domiciliar per capita (R$) Região Metropolitana de São Paulo, Interior e Estado São Paulo 2006 RMSP Interior Estado São Paulo Distribuição 50% Distribuição 50% Distribuição 50% Tipologia mais Tipologia mais Tipologia mais pobres pobres pobres Casais 65,0 52,2 70,2 51,7 67,7 51,9 Casal sem filhos 13,3 30,3 16,3 36,2 14,8 34,0 Casal até 34 anos com filhos e parentes 16,3 72,7 17,8 70,6 17,1 71,5 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 21,1 54,5 22,3 51,6 21,7 52,7 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 11,3 39,7 10,4 40,2 10,9 39,5 Chefe feminina sem cônjuge 25,5 52,0 21,1 51,2 23,2 51,3 Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 19,1 58,4 14,8 59,4 16,8 58,3 Chefe feminina unipessoal 6,5 33,3 6,3 32,0 6,4 32,7 Chefe masculino sem cônjuge 9,4 29,9 8,8 35,0 9,1 33,4 Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 4,1 40,0 3,3 45,0 3,7 43,0 Chefe masculino unipessoal 5,3 22,3 5,5 29,1 5,4 27,0 Total (1) 100,0 50,1 100,0 50,1 100,0 50,0 Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. (1) O Total inclui outros arranjos domiciliares. Tipos de arranjos Anexo 2 Rendimento domiciliar per capita (em R$) Pólo Regional de Bauru 2000 Casais Chefe feminina sem cônjuge Chefe masculino sem conjuge com filhos e/ou parentes com filhos com filhos Total Total e/ou Unipessoal Total e/ou Unipessoal até 34 de 35 a 50 anos Residual parentes parentes anos 49 anos e mais Pólo Bauru 412,3 635,1 385,8 245,4 473,1 499,2 290,8 351,6 307,5 776,1 546,1 371,7 976,5 408,3 Agudos 279,4 459,7 262,6 174,2 281,0 457,0 255,6 204,8 182,4 551,3 284,2 257,6 385,9 267,6 Arealva 265,8 270,2 265,0 240,9 303,5 249,2 145,9 305,3 261,3 523,2 389,0 196,1 644,5 273,6 Avaí 187,8 285,7 171,5 125,9 196,6 233,5 146,8 261,8 221,7 971,4 511,2 471,5 561,9 214,4 Balbinos 229,8 251,1 227,2 146,3 292,1 258,0 121,6 204,2 216,1 121,3 311,3 311,3 229,0 Bauru 509,5 753,2 479,3 285,3 603,8 606,3 346,4 411,7 357,3 910,7 701,9 461,1 1.231,4 500,4 Borebi 161,7 205,9 156,8 150,8 158,2 148,4 200,2 199,2 194,0 358,9 469,2 487,4 262,6 188,2 Cabrália Paulista 185,6 329,9 162,2 173,2 162,9 132,9 138,0 144,4 143,2 165,2 219,1 172,6 271,8 179,9 Duartina 248,4 346,8 234,1 177,1 276,3 260,8 168,6 280,0 263,6 411,6 311,3 300,6 334,0 255,6 Iacanga 274,4 302,5 270,9 194,9 266,2 402,5 200,7 257,4 237,7 382,8 214,4 179,8 329,4 268,5 Lençois Paulista 351,9 862,5 309,1 258,7 340,6 369,2 238,3 284,0 255,0 590,8 567,0 451,3 884,8 350,3 Lucianópolis 159,7 203,7 153,0 89,3 135,1 407,0 133,3 168,2 163,2 192,8 255,5 200,7 443,2 164,4 Macatuba 244,5 332,5 236,8 180,9 265,8 321,8 165,9 204,7 166,6 981,7 265,2 218,6 720,8 240,5 Paulistânia 213,7 366,8 190,4 135,0 214,7 272,3 203,4 214,2 214,2 790,9 871,4 168,9 243,3 Pederneiras 262,1 362,1 251,5 175,5 293,5 348,5 213,7 237,0 204,8 543,4 372,9 196,9 919,1 264,1 Pirajuí 275,0 393,8 255,0 182,7 298,0 316,9 198,7 278,0 284,6 211,0 212,2 115,5 408,1 271,8 Piratininga 345,7 500,3 326,2 228,4 335,4 432,1 498,8 383,8 343,8 864,1 340,1 280,4 463,9 351,7 Presidente Alves 238,7 430,6 214,1 166,2 213,0 315,8 128,5 161,7 145,2 332,6 337,0 361,0 279,1 232,9 Reginópolis 267,6 420,4 245,3 146,0 368,9 233,3 149,8 265,7 235,8 438,9 229,3 177,4 414,8 265,6 Ubirajara 173,8 279,2 159,1 119,7 190,8 195,7 163,8 243,9 190,0 450,4 206,6 168,8 324,0 181,5 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Sem Total Filhos Total Pólo Econômico de Bauru 123 Anexo 3 Distribuição dos domicílios por arranjos domiciliares segundo decis do rendimento domiciliar per capita (50% mais pobres) Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000 Regiões Metropolitanas RMSP RMBS RMC Tipo de arranjo Casais Pólos Regionais Araçatuba Bauru Presidente Ribeirão São José dos São José do Sorocaba Prudente Preto Campos Rio Preto 51,8 52,2 52,7 49,6 51,2 50,0 51,1 50,3 50,3 Casal sem filhos 33,2 30,3 36,8 38,8 37,3 36,6 36,1 32,2 32,2 Casal até 34 anos com filhos e parentes 69,7 72,3 69,1 65,6 67,5 64,0 67,9 65,2 65,2 Casal de 35 a 49 anos com filhos e parentes 49,7 51,5 49,9 44,9 47,2 46,5 48,1 47,1 47,1 Casal de 50 anos e mais com filhos e parentes 36,5 39,8 42,0 42,0 40,5 41,3 40,0 42,3 42,3 50,6 50,0 51,9 55,5 50,3 52,4 51,8 55,0 55,0 56,1 57,0 57,1 59,2 55,4 54,6 56,0 59,5 59,5 32,4 32,7 29,7 34,8 35,3 37,7 45,0 39,9 36,1 37,7 46,1 43,6 39,4 35,6 35,8 37,1 35,8 37,1 47,3 Chefe feminina sem cônjuge Chefe feminina sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes Chefe feminina unipessoal Chefe masculino sem cônjuge Chefe masculino sem cônjuge - e/ou filhos e/ou parentes 39,9 43,6 46,4 45,7 47,6 48,9 44,6 47,3 Chefe masculino unipessoal 25,7 28,3 29,5 35,3 30,1 40,2 27,8 28,7 28,7 50,0 50,0 51,4 50,0 50,0 50,0 50,0 50,0 50,0 Total Fonte: Censo demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projetos Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 2.4 A mulher e a renda dos domicílios: 1991-2000 Domicílios com rendimento da mulher Conforme mencionado anteriormente o Pólo Regional de Bauru tinha em 2000, 62,1% dos domicílios com renda da mulher, sendo esta proporção a segunda maior entre os pólos regionais e regiões metropolitanas. Contudo, a participação da renda da mulher na renda dos domicílios com mulher com renda era a mais reduzida como pode ser visualizado no gráfico 11 a seguir. Pólo Econômico de Bauru 124 Gráfico 11 Domicílios com renda da mulher e participação da renda da mulher na renda domiciliar. Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000 Domicílios com renda da mulher (%) - 2000 63,9 62,1 62,0 59,8 59,9 60,0 60,2 RM Baix Santista RM São Paulo Sorocaba Presidente Prudente 60,7 60,8 Ribeirão Preto RM Campinas 57,1 Bauru S. J. dos Campos S. J. do Rio Preto Araçatuba Renda da mulher na renda domiciliar (%) - 2000 46,6 45,3 41,0 41,2 41,3 Bauru Araçatuba Ribeirão Preto 41,7 41,9 42,1 S. J. dos Campos S. J. do Rio Preto Sorocaba 42,6 42,7 RM Campinas Presidente Prudente RM São Paulo RM Baix Santista Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE Fonte: Censo Demográfico 2000. IBGE. Microdados. Em 1991, o Pólo de Bauru apresentava 55,0% dos domicílios auferindo rendimentos da mulher e essa porcentagem passou para 62,1% em 2000. Quanto à participação da renda da mulher na renda total dos domicílios com mulher com renda esta era de 39,4% em 1991 e passou para 41,0% em 2000. Assim, a ampliação do número de domicílios com mulher com renda teve um aumento de 7,1 pontos percentuais enquanto a variação da participação da renda da mulher na renda domiciliar foi bem menos intensa (1,6 pontos percentuais). A tabela 13 mostra os municípios do Pólo de Bauru ordenados de menor a maior conforme a participação da renda da mulher na renda domiciliar em 2000. Pólo Econômico de Bauru 125 O percentual de domicílios com renda da mulher varia muito entre os municípios do Pólo Regional de Bauru. Em 1991 essa variação ia de 38,9% em Avaí a 58,1% em Bauru. Em 2000 o menor percentual ficava com Balbinos (51,4%) e o maior com Duartina (66,0%). Em 2000 os municípios Piratininga, Ubirajara, Iacanga, Paulistânia, Bauru e Duartina apresentavam percentuais de domicílios com mulher auferindo rendimentos superiores ao percentual do Pólo regional de Bauru (62,3; 62,5; 62,6; 63,7; 64,6 e 66,0, respectivamente). Entre 1991 e 2000 houve aumento generalizado na ampliação do número de domicílios com mulher auferindo renda e isto foi muito notório nos municípios de Avaí e Cabrália Paulista, onde os percentuais aumentaram 15 e 13 pontos, respectivamente. O município de Duartina também merece destaque, pois além de ter, em 1991, elevado percentual de domicílios com mulher com renda teve um aumento considerável no período (quase 10 pontos percentuais). Quanto à participação da renda da mulher na renda dos domicílios nos municípios do Pólo de Bauru, o que se observa é que em 1991 ela variava de 30,1% em Balbinos a 47,7% em Duartina. Em 2000, o menor peso da renda da mulher na renda domiciliar ficava com Lençóis Paulistas (34,3%) e o maior com Pirajuí (49,3%). Neste mesmo ano, os municípios de Bauru, Cabrália Paulista, Piratininga, Borebi, Ubirajara, Agudos, Duartina, Avaí, Lucianópolis e Pirajuí tinham participação da renda da mulher na renda domiciliar acima da média do Pólo de Bauru (41,0%). Pólo Econômico de Bauru 126 Tabela 13 Proporção de domicílios com mulher ocupada e participação da renda da mulher na renda domiciliar ordenados de menor a maior conforme a participação da renda da mulher na renda domiciliar em 2000. Pólo Regional de Bauru 1991-2000 1991 2000 % Domicílios com mulher com renda (todas as fontes) % Renda da mulher na renda total dos domicílios com mulher que tem renda % Domicílios com mulher com renda (todas as fontes) % Renda da mulher na renda total dos domicílios com mulher que tem renda Lençois Paulista Macatuba 52,1 47,6 33,3 30,1 59,2 53,6 34,3 36,9 Presidente Alves Paulistânia 47,4 - 47,4 - 57,4 63,7 37,6 38,4 Balbinos 44,0 30,1 51,4 39,3 Iacanga Arealva 57,1 44,5 35,2 37,1 62,6 56,2 40,2 40,4 Reginópolis Pederneiras 52,8 49,5 36,4 36,9 55,0 56,4 40,6 40,9 Bauru 58,1 40,3 64,6 41,3 Cabrália Paulista 47,0 41,6 60,0 41,5 Piratininga Borebi 52,8 - 42,6 - 62,3 58,8 42,1 42,2 Ubirajara Agudos 50,5 51,2 39,6 40,2 62,5 58,1 44,4 45,2 Pólo de Bauru Duartina 56,3 47,7 66,0 46,4 Avaí Lucianópolis 38,9 53,4 40,4 44,7 53,9 57,0 47,0 47,6 Pirajuí Pólo de Bauru 49,6 55,0 43,8 39,4 58,4 62,1 49,3 41,0 Fonte: Censos, microdados, IBGE. Entre 1991 e 2000 o peso da renda da mulher na renda dos domicílios aumentou em alguns municípios e diminuiu em outros, sendo que os aumentos de participação da renda da mulher na renda dos domicílios foram bem menores que aqueles verificados para os aumentos nos percentuais dos domicílios com mulher com renda. Isto fica evidente no gráfico 12 a seguir, onde do lado esquerdo se visualiza a considerável ampliação nos percentuais referentes aos domicílios com mulher com renda. Todos os municípios tiveram variação positiva e muitos deles variação acima da verificada para o Pólo de Bauru. Já no que diz respeito à participação da mulher na renda domiciliar o que se observa, no mesmo Pólo Econômico de Bauru 127 gráfico, do lado direito, é que os acréscimos (em pontos percentuais) foram mais modestos e vários municípios tiveram decréscimos no peso da renda da mulher na renda domiciliar. Um aspecto que vale destacar é a falta de correlação entre os aumentos no número de domicílios com mulher com renda e a participação da renda da mulher na renda domiciliar. Para ilustrar, o município de Presidente Alves teve um acréscimo de 10 pontos no percentual de domicílios com mulher com renda e um decréscimo de 9,8 pontos na participação da renda da mulher na renda domiciliar. Fenômeno semelhante também ocorreu em Duartina e Piratininga. Outro exemplo que merece destaque é o dos municípios de Balbinos, Macatuba e Reginópolis, onde o aumento do número de domicílios com mulher com renda foi menor que a elevação do peso da renda da mulher na renda domiciliar. Pólo Econômico de Bauru 128 Gráfico 12 Mudanças no percentual de domicílios com mulher com renda e na participação da renda da mulher na renda familiar (em pontos percentuais) Pólo regional de Bauru e Municípios 1991-2000 Fonte: Censos Demográficos 1991, 2000. IBGE. Microdados. b) Atividade remunerada da mulher O pólo regional de Bauru tinha em 2000 uma taxa de ocupação masculina de 62,8% e feminina de 37,5%18. A taxa masculina era superada pelos pólos de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba e Região Metropolitana de Campinas. Já a taxa de ocupação feminina era superada pelos pólos de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Araçatuba e pelas regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas (gráfico 13). 18 Taxa de ocupação foi calculada dividindo o número de pessoas ocupadas pela população em idade ativa (PIA) e multiplicado por 100. Pólo Econômico de Bauru 129 Gráfico 13 Taxas de ocupação e desemprego masculinas e femininas Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais 2000. Fonte: Censo Demográfico 1991, 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo – Desigualdade e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP – FINEP. No que se refere à taxa de desemprego, esta era de 12,6% para os homens e 21,4% para as mulheres no Pólo de Bauru no ano 2000. Somente os pólos de Araçatuba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto apresentavam taxas de desemprego masculinas inferiores à do Pólo de Bauru. Já entre as mulheres as taxas de desemprego eram muito elevadas, bastante superiores às masculinas e apresentavam taxas de desemprego superiores à do pólo de Bauru os pólos de São José dos Campos e Sorocaba e as Regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista. Pólo Econômico de Bauru 130 Do ponto de vista dos municípios do Pólo de Bauru observa-se que somente os municípios de Bauru (40,0%), Paulistânia (38,5%) e Duartina (37,7%) tinham, em 2000, taxas de ocupação femininas superiores à média do pólo (37,5%). Todos os outros municípios apresentavam taxas femininas de participação inferiores à do pólo de Bauru. A menor participação feminina na atividade econômica ficava com Macatuba (29,1%). Entre os homens o número de municípios com taxas de ocupação superiores à média do pólo era bem maior destacando-se Paulistânia com taxa de participação de 70,7% e Cabrália Paulista (70,1%). Apenas quatro municípios do pólo de Bauru tinham, em 2000, taxa de ocupação masculina inferior à média do pólo, a saber: Pirajuí, Balbinos, Bauru e Agudos (Tabela 14). No que tange ao desemprego, este era elevado para homens e mulheres, mas o das mulheres superava o dos homens de forma significativa. Entre os homens a menor taxa de desemprego era a de Paulistânia (2,9%) e a maior a de Agudos (16,1%). Entre as mulheres a menor taxa de desemprego era a de Paulistânia (5,1%) e a maior a de Balbinos (36,9%). Destaca-se o fato de Balbinos estar entre os municípios de menor taxa de ocupação masculina e de maior taxa de desemprego feminina. Pólo Econômico de Bauru 131 Tabela 14 Taxas de Ocupação e Desemprego Masculinas e Femininas Pólo de Bauru (1991-2000) 1991 2000 Homens Mulheres Homens Mulheres Pólo de Bauru Taxa Taxa Taxa Taxa Taxa Taxa Taxa Taxa Ocup.* Desemp.** Ocup. Desemp. Ocup. Desemp. Ocup. Desemp. Agudos 72,8 3,0 31,9 Arealva 77,8 0,4 30,5 Avaí 71,4 1,7 22,4 Balbinos 82,0 . 35,8 Bauru 69,8 2,4 37,7 Borebi . . . 74,9 3,4 32,3 Cabrália Paulista Duartina 70,1 2,0 33,8 Iacanga 68,9 0,7 31,8 Lençois Paulista 75,1 3,4 34,5 Lucianópolis 75,1 3,4 33,1 Macatuba 76,7 1,3 32,2 Paulistânia . . . Pederneiras 74,5 2,9 33,0 Pirajuí 67,7 2,3 27,7 Piratininga 71,1 2,6 31,5 Presidente Alves 69,0 3,2 32,1 Reginópolis 75,2 0,7 36,3 Ubirajara 78,1 1,2 31,7 Pólo de Bauru 71,4 2,5 35,4 * Nº de pessoas ocupadas / População em Idade Ativa ** Nº de pessoas desempregadas / População Economicamente Ativa 6,2 1,0 1,3 3,7 4,2 . 5,6 4,3 . 4,9 . 6,4 . 10,9 2,6 5,9 3,3 2,4 2,4 4,7 60,3 64,8 63,0 60,2 62,6 67,1 70,1 64,0 66,0 63,3 69,0 63,8 70,7 63,8 56,3 65,9 66,1 67,9 64,8 62,8 16,1 9,8 7,8 11,6 13,2 7,8 4,5 8,4 9,2 12,3 4,8 11,5 2,9 13,6 15,1 8,4 5,4 6,2 8,2 12,6 33,2 32,6 32,6 29,8 40,0 32,0 32,5 37,7 35,8 36,1 33,1 29,1 38,5 32,9 31,0 35,0 35,7 31,1 35,4 37,5 29,4 14,6 13,1 36,9 20,6 21,5 20,1 17,2 21,3 24,2 9,4 27,4 5,1 20,6 22,7 22,0 13,4 21,4 17,1 21,4 Fonte: Censos, microdados, IBGE. Pólo Econômico de Bauru 132 Como já mencionado, entre 1991 e 2000 as taxas de ocupação masculinas diminuíram e as femininas aumentaram na maioria dos municípios do pólo regional de Bauru. Isto também se verificou nos seus municípios. O gráfico 14 mostra as mudanças (em pontos percentuais) nas taxas de ocupação masculina e feminina. Gráfico 14 Mudanças nas taxas de ocupação masculina e feminina (em pontos percentuais) Pólo regional de Bauru e Municípios 1991-2000. Fonte: Censos Demográficos 1991, 2000. IBGE. Microdados. As taxas de ocupação masculinas se reduziram em todos os municípios variando de -2,9 pontos percentuais em Iacanga a -21,8 em Balbinos. Quanto à variação nas taxas de ocupação feminina, estas foram negativas somente em Macatuba, Reginópolis e Balbinos. Os demais municípios todos tiveram variação positiva no período destacando-se o município de Avaí com acréscimo de 10,1 pontos percentuais no período. Pólo Econômico de Bauru 133 No que se refere às mudanças nas taxas de desemprego estas foram positivas tanto para os homens como para as mulheres, com as das mulheres superando às dos homens. Os aumentos nas taxas de desemprego masculinas variaram de 1,1 pontos percentuais em Cabrália Paulista a 13 pontos em Agudos, enquanto as femininas variaram de 9,7 em Pederneiras a 23,2 em Agudos. Cabe destacar as expressivas variações das taxas de desemprego, tanto femininas quanto masculinas, no município de Agudos (Gráfico 15). Em síntese, pode-se concluir que a ampliação do número de domicílios com mulher com renda ocorreu de forma generalizada e intensa nos municípios do pólo regional de Bauru. Essa ampliação, de forma análoga à verificada para as regiões metropolitanas e pólos regionais do estado de São Paulo, foi mais importante que o aumento da participação da renda da mulher na renda domiciliar. Quanto às taxas de ocupação estas aumentaram para as mulheres e diminuíram para os homens. Já as taxas de desemprego aumentaram tanto para os homens quanto para as mulheres, sendo este aumento mais intenso no caso feminino. Pólo Econômico de Bauru 134 Gráfico 15 Mudanças nas taxas de desemprego masculina e feminina (em pontos percentuais) Pólo de Bauru e Municípios 1991-2000. Fonte: Censos Demográficos 1991, 2000. IBGE. Microdados. 3. Políticas sociais no Pólo Regional de Bauru Introdução Neste item são apresentados para o Pólo Regional de Bauru os aspectos da política de proteção social privilegiados pelo atual Projeto, quais sejam, o mapeamento e o acesso aos programas de transferência de renda, o acesso e a qualidade dos serviços básicos de educação e de saúde. Para a realização do estudo das políticas sociais recorreu-se a um conjunto de informações oriundas tanto de fontes oficiais, como de levantamento de campo. A pesquisa de campo, de caráter qualitativo e complementar, visou mapear os programas de transferência de renda e os programas de apoio ao migrante nas regiões metropolitanas e Pólo Econômico de Bauru 135 pólos regionais do Estado de São Paulo, relatados com maior detalhe no Documento 1 – Relatório Consolidado. Nesse levantamento foram realizadas entrevistas com os agentes institucionais envolvidos. O item 3.1. apresenta o perfil dos programas de transferência de renda implementados na o Pólo Regional de Bauru. O mapeamento dos programas de transferência identifica os programas presentes na região, a parcela atendida da população alvo, bem como os principais problemas na implementação do Programa Bolsa Família e dos programas de transferência de renda de natureza municipal. Os itens 3.2 e 3.3. contemplam, no âmbito das políticas públicas, por um lado o acesso de segmentos específicos da população às políticas básicas de educação e de saúde e, por outro, a disponibilidade de equipamentos e serviços pelos órgãos competentes. 3.1. Os programas de transferência de renda no Pólo Regional de Bauru Mapeamento e Acesso O Pólo Regional de Bauru apresenta em 2007, de acordo com a Contagem Populacional realizada pelo IBGE, um total de 594.070 habitantes, apresentando tamanho da população próximo dos Pólos Regionais de Presidente Prudente e Araçatuba e menores contingentes, quando comparado aos demais Pólos Regionais Paulistas e Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo, analisadas por este Projeto. Para o mesmo ano segundo estimativas do IPEA utilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Pólo de Bauru apresenta 17.220 mil famílias pobres assim classificadas por terem renda per capita de até meio salário mínimo vigente (Tabela 15). Considerando o conjunto dos programas de transferência de renda que tomam a família como unidade beneficiária, tem-se em 2007 a estimativa próxima de 122,3% de famílias classificadas como pobres que recebem algum tipo de benefício. O município de Bauru, sede do Pólo, possui 118,4% das famílias beneficiadas por Programas de Transferência de Renda, sendo o município de Paulistânia o que apresentou a maior porcentagem de cobertura desses programas (246,0%). Os programas de transferência de renda que tomam as famílias como unidade beneficiária são: Bolsa Família, Renda Cidadã e Ação Jovem, sendo primeiro de natureza federal e os outros dois de natureza estadual. Os outros programas têm o indivíduo como beneficiário e para o cumprimento das condicionalidades. Dentre estes, devem ser mencionados os programas federais BPC (Benefício de Prestação Continuada), o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Programa Agente Jovem Deve-se Pólo Econômico de Bauru 136 mencionar ainda que estes programas federais, o primeiro dirigido a idosos e a deficientes e aqueles dirigidos à criança e ao adolescente - PETI e Agente Jovem - embora dirigidos ao indivíduo, têm como referência para a seleção do beneficiário dados familiares de renda. Atenta-se também para o fato de que o PETI em 2007 encontrava-se em transição para o Bolsa Família e atualmente encontra-se integrado a este. O Programa Agente Jovem, por sua vez, transformou-se em ProJovem Adolescente19. A porcentagem de famílias abaixo da estimativa de pobreza atendidas pelo programa federal Bolsa Família é de 101,3% no Pólo Regional de Bauru, porcentagem que, quando comparada com as regiões metropolitanas e os pólos regionais, evidencia a cobertura mais elevada do programa em relação à população alvo (Tabela 15). Através das entrevistas realizadas no trabalho de campo, foi possível observar que ocorre combinação dos diversos programas na composição do benefício recebido pelas famílias, possibilitando maior cobertura e evitando maiores disparidades entre as famílias beneficiárias. Dessa maneira observou-se, através da pesquisa nos municípios do Pólo de 19 O ProJovem Adolescente tem como objetivos: o retorno e a permanência na escola, proteção social básica e assistência às famílias. Além de atender adolescentes de famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo, o programa priviliegia jovens atendidos pelo Bolsa Família e participantes do PETI. Lei nº 11.692, de 10 de Junho de 2008. Pólo Econômico de Bauru 137 Bauru a complementaridade entre o Programa Bolsa Família e outros programas de transferência de renda (Tabela 15). A análise dos dados obtidos junto ao MDS, governo federal, e junto ao Sistema Pró-Social do Estado de São Paulo, organizados nas Tabelas 15 e 16, evidencia que de forma distinta do Programa Bolsa Família não é muito elevada a cobertura dos programas de natureza estadual em relação às famílias classificadas como pobres pelo MDS na média regional Pólo de Bauru, embora seja mais elevada em muitos municípios pequenos deste Pólo Regional. Tomando-se como referência o total de famílias pobres, constata-se que são atendidas pelo Programa Renda Cidadã cerca de 9% delas e, que são atendidas pelo Programa Ação Jovem, cerca de 10% (Tabela 16). Outra constatação é que ambos os programas estaduais estão presentes em todos os municípios do Pólo Regional de Araçatuba. Nos municípios menores os programas estaduais apresentam percentuais diversos de cobertura das famílias pobres, tendo se constatado no Pólo Regional de Bauru que a cobertura dos programas estaduais Renda Cidadã e Ação Jovem atinge percentuais mais elevados principalmente nos pequenos municípios, com população de até 4. 500 habitantes, merecendo destaque entre estes pelas proporções mais elevadas Balbinos, Borebi, Cabrália Paulista e Paulistânia (Tabela 16). No caso de Balbinos, tomado como um dos exemplos dessa complementaridade, a cobertura estimada do programa Bolsa Família é de 76% das famílias classificadas como pobres, enquanto a cobertura dos programas estaduais, no caso do programa Renda Cidadã é de 36%, e de 24% pelo Ação Jovem, totalizando 137% das famílias pobres com acesso a algum desses programas de transferência de renda. Outro exemplo dessa complementaridade pode-se observar no município de Lucianópolis, que apresenta a menor renda per capita do Pólo de Bauru, onde a cobertura estimada do programa Bolsa Família é de 99,8%. Este, é também um dos pequenos municípios, e a cobertura das famílias pobres é complementada pelos programas estaduais Renda Cidadã (16,0%) e Ação Jovem (17,9%), totalizando 134% dessas famílias. Também ocorre complementaridade nos municípios maiores, como é o caso de Bauru, sede do Pólo Regional, onde, em 2007, 8.443 famílias eram beneficiárias do Programa Bolsa família, abrangendo cerca de 103,3% das famílias pobres; 618 famílias receberam transferências de renda do Programa Estadual Renda Cidadã (7,6%) e 516 famílias (6,3%) do Programa Estadual Ação Jovem. Pólo Econômico de Bauru 138 Devem-se acrescentar duas informações: a primeira é que uma família pode receber benefício de mais de um programa de transferência de renda e, outra informação, é que dificilmente será atendida a totalidade das famílias que seriam o público alvo desses programas. Pólo Econômico de Bauru 139 Pólo Econômico de Bauru 140 Nos municípios visitados por ocasião da pesquisa de campo no pólo Regional de Araçatuba: o município-sede Bauru, Lençóis Paulista e Pederneiras, constatou-se a existência dos programas federais Bolsa Família e BPC. O PETI só não foi encontrado no município de Lençóis Paulista, assim como o Programa Agente Jovem não foi observado em Lençóis Paulista, mais uma vez, e no município de Pederneiras. Os programas estaduais, Renda Cidadã e Ação Jovem foram também encontrados em todos os municípios pesquisados, seguindo a tendência observada nas Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais do Estado de São Paulo analisados por este Projeto (Quadro 1). Quadro 1 Programas de transferência de renda vigentes nos municípios pesquisados, ordenados por tamanho Pólo Regional do Estado de São Paulo – 2007 Federais Pólos Tamanho Municípios mais de 100 mil Araçatuba - SEDE Birigui mais de 20 até 50 mil Valparaíso mais de 100 mil mais de 50 até 100 mil mais de 20 até 50 mil mais de 100 mil mais de 20 até 50 mil até 20 mil Bauru - SEDE Lençóis Paulista Pederneiras Presidente Prudente - SEDE Rancharia Euclides da Cunha Ribeirão Preto - SEDE Sertãozinho Barrinha São José do Rio Preto - SEDE Mirassol Bady Bassit São José dos Campos - SEDE Jacareí Santa Branca Sorocaba - SEDE Itu Tapiraí Araçatuba Bauru Presidente Prudente mais de 100 mil Ribeirão Preto São José do Rio Preto São José dos Campos Sorocaba mais de 20 até 50 mil mais de 100 mil mais de 50 até 100 mil até 20 mil mais de 100 mil até 20 mil mais de 100 mil até 20 mil Bolsa Família PETI Agente Jovem Estaduais BPC Renda Cidadã Ação Jovem Municipais Fonte: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais – Pesquisa de campo. NEPP/NEPO/IE-UNICAMP. 2007. Convenio FINEPUNICAMP. A pesquisa de campo foi a única fonte de informação sobre os programas municipais, pois não existem registros oficiais para os mesmos, de maneira distinta do que atualmente ocorre com os programas federais e estaduais. Dessa maneira, a pesquisa de campo evidenciou no Pólo de Bauru a inexistência de programas municipais de transferência de renda. Pólo Econômico de Bauru 141 Programas Municipais de transferência de renda Ainda que a pesquisa de campo no Pólo de Bauru não tenha identificado nos municípios visitados nenhum programa municipal de transferência de renda, apresentamse no quadro abaixo os programas municipais identificados nos municípios visitados. Maiores informações sobre estes programas municipais podem ser encontradas nos Estudos Regionais de cada Pólo Regional, bem como no Documento 1 deste projeto, que consolida as informações para as regiões pesquisadas do Estado de São Paulo20. Quadro 2 Beneficiários dos Programas Municipais de Transferência de Renda – Pólos Regionais Paulistas Pesquisa de Campo, 2007 Beneficiários Programas Municipais de Transferência de Renda Famílias Pessoas RM/Pólo Municípios Araçatuba Valparaíso Jovem cidadão 16 16 Euclides da Cunha Paulista Programa de Capacitação e Qualificação profissional de Desempregados e Frentes emergenciais de trabalho 66 66 Criança cidadã 140 141 Cuidadores de idosos (Valo vovô) 50 50 Presidente Prudente Ribeirão Preto Presidente Prudente Ribeirão Preto Santa Branca São José dos Campos São José dos Campos São José do Rio Preto São José do Rio Preto Sorocaba Sorocaba Bolsa do Horto 90 Auxílio as famílias carentes de recursos materiais 90 Família substituta 131 Renda mínima 564 Apoio alimentar 2.757 Lar hospedeiro 2 Bolsa auxílio de qualificação 1.430 Renda mínima 850 Vida em família 60 Bolsa-Escola 3.100 Benefícios para mães de gêmeos 1.430 5.300 375 Projeto Travessia 20 Fonte: Pesquisa de Campo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de são Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP, 2007 20 FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Bauru 142 Principais dificuldades na implementação dos programas de transferência de renda Os principais problemas apontados pelos três municípios visitados no Pólo Regional de Bauru, Bauru, Lençóis Paulista e Pederneiras concentravam-se em dificuldades relacionadas ao acompanhamento das condicionalidades e ao acompanhamento das famílias e dos beneficiários. As demais questões levantadas não consistem necessariamente em dificuldades, mas em diferenças na execução dos projetos federais e estaduais de transferência de renda, sendo que algumas apresentaram-se como específicas de determinados municípios, por esse motivo serão descritas a seguir. Nesse sentido, e comparando com problemas apontados por gestores de outras regiões estudadas, a complexidade na execução dos programas de transferência de renda parece estar mais vinculada a outros fatores do que ao tamanho das populações atendidas, apesar de algumas dificuldades apontadas no acompanhamento dos beneficiários em Lençóis Paulista relacionadas a esse aspecto. Cabe entretanto destacar também como relacionado a esse aspecto, que em Bauru, município mais populoso da região e sede do Pólo, foi apontada insuficiência de vagas no Programa Federal BolsaFamília, segundo o relatório da pesquisa de campo desse Pólo21. No que se refere aos recursos humanos não foram apontadas dificuldades ou problemas na implementação dos programas de transferência de renda. Nos municípios de Bauru e de Lençóis Paulista as equipes dos programas são grandes e com tarefas bem divididas entre de coordenação e execução, não tendo sido apontada sobrecarga de trabalho para as técnicas envolvidas, nem indicações de problemas em relação a esse aspecto. Mesmo no município de Pederneiras, onde a equipe é menor e há alguma sobreposição da atividade de coordenação direta e de atividades de execução, esse fato não se configura como dificuldade. Ao contrário de outras regiões nas quais houve grande destaque à falta de pessoal, tanto para a coordenação, quanto para a execução direta das ações dos programas, na região de Bauru houve pouco destaque essas dificuldades. Apenas no município de Lençóis Paulista esta dificuldade foi relatada especificamente para o acompanhamento dos jovens beneficiários de um programa estadual, o Ação Jovem. A execução das ações complementares à transferência de renda é marcada por algumas diferenciações entre os municípios, o que acarreta maiores ou menores 21 FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2007. Relatório da Pesquisa de Campo – Pólo Regional de Bauru, Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Pólo Econômico de Bauru 143 facilidades na implementação de determinados programas. Bauru, sede do pólo, apresenta uma ampla e bem estruturada rede de serviços sociais, através dos espaços e das equipes da própria administração municipal e de diversas ONGs conveniadas. As ações complementares nos outros dois municípios são caracterizadas pelo seu estabelecimento em espaços das administrações municipais, com atuação de suas próprias equipes técnicas. Guardadas as especificidades na execução dos programas de transferência de renda nos três municípios, observou-se como característica comum a descentralização. Porém esta característica apresenta especificidades em cada localidade. O município de Bauru integra ações públicas e convênios com entidades beneficentes, utilizando de maneira bastante eficaz os seis CRAS existentes no município. O município de Pederneiras tem esta possibilidade de descentralização das ações através do CRAS existente e do Centro de Capacitação e Geração de Renda. Já Lençóis Paulista não tem CRAS implantado, a descentralização se dá através de setores Diretoria de Assistência e Promoção Social. Considerando ainda as dificuldades apontadas pelo programa de transferência de renda de maior abrangência, o Bolsa Família, observa-se que a maior dificuldade encontrada no Pólo de Bauru encontra-se no acompanhamento das condicionalidades, principalmente na área da saúde, seja para o monitoramento da saúde, como também para localizar as famílias beneficiárias que apresentam problemas no cumprimento das condicionalidades. Ampliando a análise das dificuldades encontradas na implementação do Programa Bolsa Família para o conjunto de municípios pesquisados nas Regiões Metropolitanas e os Pólos Regionais Paulistas, fica patente que as principais deficiências apontadas em relação ao item Recursos e Infra-Estrutura são apresentadas pelos maiores municípios 22 . A principal deficiência apontada por sete dentre estes municípios, incluindo-se as sedes das regiões metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista, refere-se a recursos insuficientes para a realização de visitas para o acompanhamento das famílias beneficiárias, havendo destaque para as deficiências de funcionário para exercer as tarefas necessárias e a necessidade de veiculo para locomoção. Estas funções são executas pela prefeitura municipal e explicita a dificuldade imposta pelo porte do município. 22 A análise que se segue baseia-se no documento de pesquisa referido: FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2009. Documento 1 - Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas. Capitulo 3., Item 3.1. Pólo Econômico de Bauru 144 Desse modo foi possível captar através da pesquisa de campo que a rápida expansão do Programa Bolsa Família entre os anos de 2004 e 2007, apontada na análise para o conjunto das regiões e pólos regionais não foi devidamente acompanhada da ampliação da estrutura básica necessária para seu funcionamento, como foi apresentada no Documento 1. Relatório Consolidado para o Estado de São Paulo parte desta pesquisa. Da mesma forma, a análise dos municípios menores, traz evidências de que as deficiências decorrentes da rápida expansão do Programa Bolsa Família também se fazem sentir nos menores municípios em análise nas Regiões Metropolitanas e Pólos Regionais do Estado de São Paulo. Tomando-se como referência para qualificar os municípios menores aqueles com população de até 50 mil habitantes, constata-se que estes também apresentam deficiência de veículo e de funcionário para desempenhar a atividade de acompanhamento das famílias beneficiárias. Assim, as limitações relacionadas a Recursos e Infra-Estrutura afetam de distintas maneiras os municípios maiores e os menores das três regiões metropolitanas paulistas e dos sete pólos regionais pesquisados. Por outro lado, as deficiências relacionadas com a Equipe, ou seja, com os profissionais envolvidos na operação, afetam menos os municípios grandes da RMSP, porém surgem em municípios grandes e pequenos das demais regiões metropolitanas e dos pólos regionais. Com relação a esse aspecto, são apontadas com maior frequencia a falta de profissionais ou equipe reduzida frente às demandas e ao tamanho do programa. Em segundo lugar e de maneira mais acentuada nos municípios das regiões metropolitanas da Baixada Santista e Campinas e também em alguns dos pólos, foi apontada a falta de capacitação permanente e a baixa capacitação dos profissionais que integram a equipe. Um terceiro aspecto com maiores indicações de dificuldades nessas regiões e pólos é relativo ao Acompanhamento de Condicionalidades. Deve-se ressaltar que essa deficiência é apontada nas regiões metropolitanas paulistas como a segunda maior dificuldade na implementação do programa Bolsa Família, enquanto nos pólos regionais aparece como sendo a primeira maior dificuldade, conforme apresentado no Gráfico 16. Como se sabe, em sua execução o Programa Bolsa Família deve contar com ações articuladas entre as secretarias municipais de assistência, educação e saúde que acompanham e informam sobre o cumprimento das condicionalidades e a secretaria que realiza a gestão do beneficio. Nesse sentido, a principal dificuldade apontada reside na relação entre as esferas de governo, principalmente pelos municípios menores de 100 mil habitantes tanto das regiões metropolitanas paulistas, como nos municípios nessa classe Pólo Econômico de Bauru 145 de tamanho dos pólos regionais, bem como por alguns maiores. A dificuldade apontada refere-se à falta de articulação entre as secretarias envolvidas, ou seja, de educação, de saúde e de assistência social ou outra secretaria que esteja gerindo o programa. Dessa falta de articulação decorre a dificuldade de obtenção das informações sobre o acompanhamento das condicionalidades relacionadas à educação e à saúde mencionadas nas entrevistas. Outro aspecto no controle das condicionalidades, mais freqüente nas regiões metropolitanas do que nos Pólos, embora seja uma queixa também nos municípios destes, refere-se ao acompanhamento das famílias. É ressaltada a dificuldade de localização das famílias e de interação com aquelas que apresentam dificuldades no cumprimento das condicionalidades. No caso das dificuldades com as famílias, estas são provocadas por mudanças de endereço e de cidade, bem como pela não atualização dos cadastros. No caso das regiões metropolitanas essas dificuldades estão associadas à complexidade do urbano e ao volume da população atendida; nos polos regionais essas dificuldades, em alguns casos estão relacionados à mobilidade da população e, possivelmente, à migração sazonal ligada à produção agrícola. Como fica evidente no gráfico abaixo, em ordem de importância segue-se a dificuldade de maior comprometimento das famílias com o cumprimento das condicionalidades e com a frequencia a atividades complementares ao programa, sendo citado o comprometimento insatisfatório com atividades de capacitação para geração de renda. Esta dificuldade é apresentada com maior freqüência nos municípios dos pólos regionais. Outro aspecto ressaltado é o valor do benefício. Uma das dificuldades relativas ao programa Bolsa Família, apontadas pelos entrevistados é o baixo valor em relação à realidade do município, evidenciando a necessidade de ajustes regionais para o valor das transferências de renda no caso para o Estado de São Paulo. A inadequação do valor do benefício à realidade das cidades é apontada com maior freqüência nos municípios das Regiões Metropolitanas Paulistas, mas também é apontada nos municípios maiores dos pólos regionais. Pólo Econômico de Bauru 146 Gráfico 16 Principais dificuldades apontadas pelos Gestores – Programa Bolsa Família Pesquisa de Campo 2007 P r i n c i p a i s d i f i c u l d a d e s a p o P R e g i õ e s M e t r o p o l i t a n a n e t s a q d u a i s s a p e d l e o s C G a m e s p t o o r 2 e 0 s 0 – P r o g r a m a B o l s a F a m í l i a 7 s P ó l o s R e g i o n a i s Fonte: Pesquisa de Campo, 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP No entanto, sobre os programas municipais de transferência de renda, os municípios relataram não enfrentar muitas dificuldades na sua implementação e quando estas existem são consideradas menores do que as enfrentadas na implementação dos programas de responsabilidade de outros níveis de governo, segundo entrevistas realizadas pela pesquisa de campo. Este fato pode estar relacionado á própria natureza municipal dos programas, que por dependerem exclusivamente de recursos e de decisões políticas do âmbito municipal, muitas das dificuldades podem ser mais facilmente solucionadas. Entre as dificuldades apontadas pelos programas municipais, as principais referemse a limitações relativas aos recursos e infra-estrutura, tendo sido mencionadas a falta de local para realizar as atividades; falta de pessoal para realizar o acompanhamento e monitoramento; a falta de recursos para ampliar o programa e para a formação de profissionais capacitados. Outras dificuldades apontadas relacionam-se à insuficiência de vagas, observada pelos gestores, frente à grande demanda pelos programas, à falta de adesão das famílias ao programa, à alta rotatividade de beneficiários em alguns programas e, à falta de recursos de uma forma mais ampla. Pólo Econômico de Bauru 147 Quadro 3 Dificuldades citadas pelos gestores responsáveis pelos programas municipais de Transferência de Renda. Regiões Metropolitanas do Estado de São Paulo – 2007 Regiões Metropolitanas Região Dificuldades Tamanho Município Programa Municipal recursos e com valor do Infra-estr. profissionais benefício outras Adolescente Aprendiz Diadema Bolsa transporte Bolsa aluguel Bolsa Auxílio Desemprego Guarulhos Programa de Oportunidade ao jovem Bolsa Trabalho Osasco RMSP Começar de Novo Operação Trabalho mais de 100 mil rotativo cidadão Turma Cidadã S. Bernardo do Campo PEAT - prog.educativo Adolescente para o trabalho PRODESIP (*) Usina sócio-educativa São Paulo Renda Mínima Família Andreense Sto. André GTIS (Geração de Trabalho e Interesse Social) Praia Grande PAD (Programa de Apoio ao Desempregado) Programa Nossa Família RMBS mais de 100 mil Prog.Valoriz. do Jovem: Juventude e Comunidade Santos Programa de Inclusão Cidadã - FÊNIX Programa de Valorização do Idoso RMCP mais de 100 mil Campinas Programa de Garantia de Renda Mínima Municipal Hortolândia Frente de Trabalho (*) Programa de Desenvolvimento Social e Inclusão Produtiva Fonte: Pesquisa de Campo, 2007. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Quadro 4 Dificuldades citadas pelos gestores responsáveis pelos programas municipais de Transferência de Renda. Pólos Regionais do Estado de São Paulo Dificuldades Polos Regionais Região Tamanho Município Programa Municipal com recursos com em controlar e Infra-estrutura profissionais condicionalidade Araçatuba P. Prudente mais de 20 até 50 mil Valparaíso até 20 mil Euclides da Cunha mais de 20 até 50 mil P. Prudente outras Jovem Cidadão C. e Q.de desemp. e Fr. E. de Trabalho (*) Criança Cidadã (**) Vale vovô Bolsa do Horto Auxílio às Fam. Carentes de Rec. Materiais Ribeirão Preto mais de 100 mil Ribeirão Preto Família Substituta / Família Acolhedora Renda Mínima Apoio Alimentar S.J. Rio Preto S.J. Campos mais de 50 até 100 mil S. J. do Rio Preto até 20 mil Santa Branca mais de 100 mil S. J.dos Campos mais de 100 mil Sorocaba Bolsa - Escola Programa Lar Hospedeiro Renda Mínima Vida em Família Bolsa Auxílio Qualificação Sorocaba Gêmeos Travessia (*) Programa de Capacitação e Qualificação profissional de desempregados e Frentes Emergenciais de Trabalho (**) Estadual + Municipal Fonte: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo: desigualdades e indicadores para as Políticas Sociais – Pesquisa de campo. NEPP/NEPO/IE-UNICAMP. 2007. Convenio FINEPUNICAMP. Pólo Econômico de Bauru 148 Considerações finais Em síntese, as principais dificuldades na implementação do Programa Bolsa Família nas regiões metropolitanas paulistas estão mais relacionadas à grande demanda, bem como à necessidade de ampliação de vagas e à falta de recursos para sua implementação. São apontadas deficiências relativas a: recursos e de infra-estrutura; a equipes reduzidas frente à demanda de atendimento e necessidade de capacitação destas, bem como dificuldades para o acompanhamento das condicionalidades. Com menor freqüência são apontados: problemas na relação entre as esferas de governo; relativos ao valor do benefício, considerado baixo para a realidade da região. Nos pólos regionais, os principais problemas apontados são relativos: a dificuldades para o acompanhamento das condicionalidades, apontado como o principal; a equipes reduzidas frente à demanda de atendimento e necessidade de capacitação dos profissionais; problemas na relação entre as esferas de governo; e comprometimento insatisfatório das famílias beneficiárias. Concluindo, observa-se que os gestores apontaram menores problemas na implementação dos programas municipais em comparação aos federais e estaduais, possivelmente associados ao fato de estes serem menores; de terem sido criados para atender a demandas locais e serem mais adaptados à gestão municipal. Pólo Econômico de Bauru 149 Pólo Econômico de Bauru 150 3.2. Educação Básica no Pólo Regional de Bauru Apresentação O propósito deste capítulo é apresentar de maneira sintética o panorama da educação no Pólo Regional de Bauru com foco na educação básica, a qual compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio. O capítulo estrutura-se em três partes. Na primeira exploram-se indicadores de contexto onde se evidencia a evolução dos municípios com relação ao analfabetismo, à proporção de adultos com educação básica completa e às taxas de escolarização líquidas obtidas através de tabulações dos censos demográficos de 1991 e 2000. Na segunda parte, será apresentado o volume de matrículas e de funções docentes para caracterizar as condições de oferta entre 1999 e 2006 e, indicadores de desempenho e rendimento para o ano de 2002. Para esta parte foram utilizadas as informações disponibilizadas pela Fundação SEADE que tomou como fonte os dados do Censo Escolar elaborado pelo INEP/MEC e tabulações do INEP/MEC. Na terceira parte do capítulo, é realizada uma análise da qualidade do ensino no Pólo Regional de Bauru comparativamente aos indicadores estaduais. Para tanto, lançamos mão dos resultados das avaliações do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo – SARESP - da Secretaria Estadual de Educação no ano de 2007. Os resultados do SARESP permitem avaliar o ensino regular de todas as escolas da rede pública estadual que oferecem a 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio. Nesta etapa, são apresentados os resultados das provas de Língua Portuguesa e Matemática e dos níveis de desempenho em Redação para as 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio. Índice de Analfabetismo da População de 15 anos ou mais anos de idade Em 1991, o índice de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais de idade no Pólo Regional de Bauru foi de 10,7%, valor superior à média estadual que atingiu neste ano 9,7% das pessoas com 15 anos ou mais de idade. Com a queda nas taxas de analfabetismo de cerca de 70%, a região passa a apresentar taxa equivalente a 3,2% de analfabetismo entre a população com 15 anos ou mais, patamar ligeiramente superior à média estadual no ano 2000. Pólo Econômico de Bauru 151 Os municípios de Bauru, Lençóis Paulista, Pederneiras, Agudos, Cabrália Paulista e Piratininga, municípios centrais da região, apresentaram as taxas mais baixas de analfabetismo que variaram entre 7% e 15% da população residente com mais de 15 anos. Os municípios de Lucianópolis e Ubirajara apresentaram as taxas mais altas de analfabetismo em 1991, taxas superiores a 22%. (Mapas 1 e 2). No ano 2000 foi possível constatar o avanço conquistado com a queda na taxa de analfabetismo na região em todos os municípios da região. Os municípios de Balbinos, Arealva e Avaí tiveram suas taxas reduzidas em mais de 90% e, junto com o município sede, apresentaram menos de 2,2% de analfabetos entre os maiores de 15 anos. Mapas 1 e 2 1991 2000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Pólo Econômico de Bauru 152 Proporção da população adulta com mais de 12 anos de estudo Este índice aponta para a proporção da população adulta, definida como aquela na faixa etária entre 25 e 59 anos, que completou o ensino básico e freqüenta ou freqüentou e, concluiu pelo menos um ano do ensino superior. O Pólo Regional de Bauru apresentou, em 1991, proporção de adultos com 12 anos ou mais de estudo de 11,8%, valor ligeiramente inferior à média estadual correspondente a 12,1%. No ano 2000 ficou evidente o avanço conquistado pelo Pólo Regional de Bauru que apresentou resultados muito melhores que a média estadual (27,1% e 14,5% respectivamente). Em 1991 os municípios de Bauru e Piratininga contrastaram dos demais por apresentarem as taxas mais altas, 15,7% e 10,7% respectivamente. Por outro lado, Balbinos, Lucianópolis, Cabrália Paulista e Avaí sequer apresentavam 3% da população adulta com pelo menos 12 anos de estudo. Apesar do censo populacional realizado em 2000 mostrar a grande melhora deste índice para o Pólo Regional de Bauru, com incremento de quase 130%, esta melhora não ocorreu de forma homogênea nos municípios. Os municípios centrais da região, Arealva, Avaí e Bauru concentraram os maiores percentuais, 45%, 45,8% e 37,9% respectivamente. Além destes, Balbinos ao norte da região e Agudos ao sul, também apresentaram altos percentuais de população adulta com alta escolaridade, 43% e 27,5%. Os dados evidenciam que, enquanto na década de 90 havia uma centralidade, no sentido de que as pessoas com maior escolarização estarem residindo no município central, na década seguinte observa-se ainda uma concentração no município sede, porém já ocorre uma expansão para alguns municípios do entorno imediato ao município central. (Mapas 3 e 4). Pólo Econômico de Bauru 153 Mapas 3 e 4 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série23 Em 1991 a Taxa de Escolarização Liquida do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª serie no Pólo Regional de Bauru foi de 87,7%, patamar ligeiramente superior ao índice estadual de 87,5%. Enquanto a Taxa de Escolarização Líquida no ano 2000 para o 23 Esse índice representa o percentual da população que freqüenta o ensino fundamental entre a 1ª e a 4ª serie com idade correspondente a esse nível de ensino, ou seja, entre 7 a 10 anos. Pólo Econômico de Bauru 154 Estado de São Paulo cresceu 2,5% com relação à década anterior, no Pólo Regional de Bauru o crescimento foi maior, 3,1%. Os municípios que mais incrementaram suas taxas foram: Arealva, Avaí, Cabrália Paulista e Duartina, municípios localizados no entorno do município central. Em 1991, as taxas líquidas de escolarização do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série variaram entre 75,2% e 98,4%. Na década seguinte, foi registrada variação nas taxas de 85,6% a 100% entre os municípios do Pólo. Os municípios com as taxas mais elevada no ano 2000 foram: Balbinos, Paulistânia e Avaí, que apresentaram taxas superiores a 96%. Os mapas evidenciaram que no início da década o município de Bauru, sede do Pólo Regional, concentrava taxa de escolarização do Ensino Fundamental de 1ª a 4ª série mais elevada com relação aos municípios de seu entorno. Na década seguinte, com a tendência de universalização do ensino Fundamental esta centralidade não fica mais evidente e, as taxas tendem a ficar mais homogêneas. Pólo Econômico de Bauru 155 Mapas 5 e 6 1991 2000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série. A taxa de escolarização líquida referente à segunda fase do ensino fundamental apresentou incremento de quase 40% entre as décadas de 90 e 2000 no Estado de São Paulo e de quase 46% no Pólo Regional de Bauru. Os municípios de Cabrália, Ubirajara e Avaí foram os municípios que mais incrementaram suas taxas, com aumentos de mais de 92%. Foram estes municípios Pólo Econômico de Bauru 156 que em 1991 apresentavam as mais baixas taxas de escolarização líquida do ensino fundamenta de 5ª a 8ª série e, portanto tinham um caminho mais longo a percorrer. No ano 2000, os municípios com as taxas mais elevadas, isto é, com mais de 86% das crianças de 11 a 14 anos freqüentando a segunda fase do ensino fundamental foram: Duartina, Balbinos, Presidente Alves, Arealva e Paulistânia (Mapas 7 e 8). Mapas 7 e 8 1991 2000 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Pólo Econômico de Bauru 157 Taxas de Escolarização Líquida do Ensino Médio24 Aproximadamente 54% dos jovens de 15 a 17 anos no Estado de São Paulo foram atendidos pelo Ensino Médio no ano 2000. Entre o ano de 1991 e o ano 2000 houve um efetivo crescimento da taxa de escolarização que no ano de 1991 alcançava apenas 25% dos jovens. Entre 1991 e 2000 a taxa de escolarização líquida do Ensino Médio cresceu quase 113% no Estado de São Paulo e, 132% no Pólo Regional de Bauru. As taxas que em 1991 para o Estado de São Paulo e para o Pólo Regional de Bauru foram de 25,2% e 26,8% respectivamente, passaram para 53,6% e 62,3% no ano 2000. Em 1991 o Pólo Regional de Bauru concentrou municípios com taxas líquidas de escolarização do ensino Médio que variaram entre 12% e 30%. No ano 2000, a variação foi de 47% a 82%. Em 1991, Bauru e Piratininga detinham as taxas de escolarização líquida do Ensino Médio mais elevadas da região. O mapa 9 mostra que em 1991 um conjunto de municípios no entorno dos municípios centrais apresentava baixas taxas de escolarização nesse nível de ensino. Entre eles, citamos os municípios: ao norte, Iacanga, Reginópolis e Balbinos, a noroeste, Presidente Alves e Avaí, e, na região a sudoeste, os municípios de Cabrália Paulista e Ubirajara. No ano 2000 os municípios que apresentaram as maiores taxas foram: Balbinos, Borebi e Bauru com respectivamente 81,9%, 75,4% e 69% dos adolescentes de 15 a 17 anos freqüentando o Ensino Médio. (Mapas 9 e 10). 24 Esse índice representa o percentual da população que freqüenta o ensino médio na idade correspondente a esse nível de ensino, ou seja, entre 15 e 17 anos. Pólo Econômico de Bauru 158 Mapas 9 e 10 Fonte: Censo Demográfico 2000, IBGE. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Pólo Econômico de Bauru 159 Matrículas no Pólo Regional de Bauru De acordo com as informações do Censo Escolar (MEC-INEP), o Pólo Regional de Bauru concentrou em 2006 mais de 133 mil matrículas entre os níveis de ensino infantil, fundamental e médio. A educação infantil, formada por creche e pré-escola, representou quase 22% do total de matrículas e a maior concentração das matrículas aconteceu na pré-escola (Tabela 17). No ensino básico, constituído dos níveis Fundamental e Médio, o Pólo Regional de Bauru totalizou 105.061 matrículas, onde o maior peso recaiu no ensino Fundamental que representou mais de 60% do total de matrículas. Tabela 17 Matrículas por nível de ensino, Pólo Regional de Bauru Matrículas em 2006 Creche Pré-Escola E. Fundamental Pólo de Bauru 6.513 22.256 80.423 Agudos 199 1.547 5.325 Arealva 27 236 991 Avaí 43 207 923 Balbinos 18 60 190 Bauru 3.908 12.694 44.510 Borebi 94 90 402 Cabrália Paulista 22 191 786 Duartina 263 446 1.703 Iacanga 96 355 1.218 Lençóis Paulista 695 2.730 8.791 Lucianópolis 24 121 320 Macatuba 435 682 2.365 Paulistânia 34 68 295 Pederneiras 378 1.236 6.550 Pirajuí 134 647 2.556 Piratininga 67 501 1.518 Presidente Alves 54 158 586 Reginópolis 16 139 738 Ubirajara 6 148 656 E. Médio Total 24.638 133.830 1.572 8.643 280 1.534 277 1.450 52 320 13.854 74.966 136 722 261 1.260 493 2.905 322 1.991 2.741 14.957 112 577 667 4.149 89 486 1.953 10.117 803 4.140 481 2.567 184 982 182 1.075 179 989 Fonte: Censo Escolar - INEP - MEC 1999 e 2006. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Entre 1999 e 2006 houve aumento do número médio de alunos por professor nas creches dos municípios pertencentes ao Pólo Regional de Bauru. Na média o incremento foi de quase 5 alunos por professor. Assim, no ano de 1999 a média de alunos por professor nas creches ficou em 21,9 e no ano de 2006 atingiu 26,6. Pólo Econômico de Bauru 160 Os municípios com maiores déficits de professores nas creches foram: Macatuba, Lençóis Paulista, Presidente Alves, Cabrália Paulista, Borebi, Pirajuí e Avaí. Na pré-escola, entre 1999 e 2006, houve declínio do número médio de alunos por professor que passou de 25,1 para 20,6. Com relação ao ensino fundamental os maiores declínios do número médio de alunos por professor ocorreram nos municípios de Duartina, Cabrália Paulista, Iacanga, Pirajuí, Presidente Alves e Reginópolis, causado em todos os municípios tanto pelo aumento do número de professores quanto pela queda no volume de matrículas. No ensino Médio as maiores quedas do índice, mais de 50% de redução, aconteceram nos municípios de Duartina, Lençóis Paulista e Macatuba e, assim como no ensino fundamental, foi resultado da queda no volume de matrículas concomitante ao fato de ter havido incremento no número de professores. (Tabela 18). Vale dizer que a queda no número de alunos por professor, sobretudo no ensino fundamental e médio, se deu em alguns municípios pelo incremento no número de professores, mas em alguns casos concomitante a este fato também ocorreu uma diminuição na pressão por matrículas devido às mudanças demográficas. Tabela 18 Indicadores de Educação - Funções Docentes e número de matriculados Pólo Regional de Bauru, 1999 e 2006 Alunos por professor Creche Pré-Escola Ensino Fundamental 1999 2006 1999 2006 1999 2006 Pólo de Bauru 21,9 26,6 25,1 20,6 25,1 17,7 Agudos 8,3 22,1 25,9 21,8 24,7 19,2 Arealva 19,0 9,0 16,7 14,8 24,6 15,2 Avaí 22,0 43,0 26,0 17,3 27,1 23,1 Balbinos 0,0 18,0 0,0 20,0 19,8 11,9 Bauru 18,6 24,0 25,6 21,4 25,4 17,7 Borebi 27,0 47,0 25,0 22,5 17,4 25,1 Cabrália Paulista 0,0 0,0 15,9 28,5 16,4 Duartina 20,7 32,9 22,6 18,6 31,8 18,1 Iacanga 27,3 13,7 28,7 14,2 26,5 15,2 Lençóis Paulista 66,3 57,9 28,9 23,9 24,4 18,7 Lucianópolis 0,0 24,0 0,0 17,3 18,0 10,3 Macatuba 129,7 435,0 22,1 22,0 25,6 17,4 Paulistânia 17,0 18,0 17,0 21,4 15,5 Pederneiras 18,6 14,0 21,7 15,5 24,1 21,2 Pirajuí 44,7 21,7 17,5 26,2 15,0 Piratininga 25,5 22,3 23,1 20,0 20,7 14,6 Presidente Alves 0,0 54,0 0,0 19,8 23,6 13,3 Reginópolis 25,0 16,0 25,0 34,8 27,0 16,4 Ensino Médio 1999 2006 17,8 11,6 14,1 9,6 13,0 12,7 12,9 17,3 0,0 5,2 18,2 12,2 0,0 17,0 15,6 7,9 23,2 10,5 14,8 9,2 22,8 11,5 11,2 6,6 26,3 11,7 14,6 9,9 16,6 14,9 18,7 10,6 12,1 9,4 12,9 8,0 11,0 7,9 Fonte: Censo Escolar - INEP - MEC 1999 e 2006. Microdados. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Pólo Econômico de Bauru 161 Indicadores de Rendimento25 Taxas de Aprovação Escolar26 No ano de 2002, no Pólo Regional de Bauru, as taxas médias de aprovação no ensino Fundamental de 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª série e no Ensino Médio foram de respectivamente 94,3%, 91,3% e 85,1%. A taxa de aprovação no ensino Fundamental na região, de 1ª a 4ª série, foi ligeiramente inferior à taxa média estadual de 94,5%. No Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série e no Ensino Médio, as taxas de aprovação para o Pólo de Bauru foram superiores às médias estaduais de respectivamente 90,5% e 84,2%. Os municípios que obtiveram os índices mais baixos de aprovação no ensino Fundamental de 1ª a 4ª série foram Borebi, Avaí e Paulistânia com médias abaixo de 90% (Tabela 19). Entre a 5ª e 8ª serie, o melhor e o pior índice de aprovação variou entre 79% e 97% taxas equivalentes respectivamente aos municípios de Borebi e Lucianópolis. No ensino médio a diferença entre os extremos é um pouco mais acentuada (de 77% a 98%) correspondendo respectivamente a Avaí e Balbinos. 25 Dados obtidos da Fundação SEADE / Secretaria de Estado da Educação – SEE/Centro de Informações Educacionais – CIE. 26 Porcentagem de alunos que preencheram em avaliação final, os requisitos mínimos em aproveitamento e freqüência, previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. Pólo Econômico de Bauru 162 Tabela 19 - Taxas de Aprovação Escolar27 Taxa de Aprovação. Pólo Regional de Bauru, 2002 Pólo de Bauru Agudos Arealva Avaí Balbinos Bauru Borebi Cabrália Paulista Duartina Iacanga Lençóis Paulista Lucianópolis Macatuba Paulistânia Pederneiras Pirajuí Piratininga Presidente Alves Reginópolis Ubirajara E. Fundamental 1ª a 4ª série E. Fundamental 5ª a 8ª série Ensino Médio 94,3 91,4 95,5 87,7 94,1 94,6 81,6 91,7 93,8 96,6 93,6 100,0 93,8 89,4 94,6 97,7 97,9 95,7 94,0 95,4 91,3 90,7 94,0 86,9 92,7 90,9 78,8 89,4 90,8 88,6 92,7 96,9 94,5 87,4 90,7 94,3 92,2 92,0 92,0 91,5 85,1 82,7 91,8 77,1 98,4 84,7 93,0 78,2 91,9 86,4 86,7 94,6 89,8 85,0 80,1 90,3 85,0 87,0 89,6 83,0 Fonte: Fundação SEADE - (Base de da dos: MEC/INEP - EDUDATABRASIL). Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Taxas de Evasão Escolar28 Em 2002 as taxas de evasão no Pólo Regional de Bauru na 1ª a 4ª série, na 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e no Ensino Médio foram de respectivamente 0,8%, 3,9% e 8,0%. No Ensino Fundamental de 5ª a 8ª série e no Ensino Médio, os resultados das taxas de evasão escolar para o Pólo Regional de Bauru foram superiores às médias estaduais. 27 Porcentagem de alunos que preencheram em avaliação final, os requisitos mínimos em aproveitamento e freqüência, previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. 28 Porcentagem de alunos que abandonaram a escola antes da avaliação final ou que não preencheram os requisitos mínimos em frequência previstos em legislação, em relação ao total de alunos matriculados no fim do ano letivo. Pólo Econômico de Bauru 163 No nível de ensino que compreende da 1ª à 4ª série do Ensino Fundamental, as taxas de evasão entre os municípios foram baixas, sendo inferiores a 3%. Os municípios com as maiores taxas nesse nível de ensino foram: Avaí com 2,2%, Presidente Alves com 2,8% e Borebi com 2,9%. (Gráfico 17). Na 2ª fase do Ensino Fundamental, as taxas de evasão ficaram bastante heterogêneas e variaram entre 1,1% e 14,3%. As taxas mais elevadas neste nível de ensino corresponderam a Ubirajara, Paulistânia e Borebi (Gráfico 18). Os maiores índices de evasão aconteceram no Ensino Médio onde se verificou uma amplitude de 0,4% a 20,2% nas taxas. As maiores taxas de evasão, aquelas superiores a 10%, foram encontradas nos municípios localizados no entorno do município de Bauru onde se destacam ao norte o município de Iacanga, a noroeste Presidente Alves e Avaí, a sudoeste, os municípios de Ubirajara, Paulistânia e Cabrália Paulista e Agudos ao sul. (Gráfico 19). Gráfico 17 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Bauru, 2002 (%) 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental 4,0 3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Pólo Econômico de Bauru 164 Gráfico 18 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Bauru, 2002 (%) 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Gráfico 19 – Taxa de Evasão Escolar. Pólo de Bauru, 2002 (%) Ensino Médio 21,0 18,0 15,0 12,0 9,0 6,0 3,0 0,0 Fonte: SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Indicadores de qualidade do ensino Para estudar as tendências com relação à qualidade do ensino, lançamos mão dos resultados das avaliações do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de Pólo Econômico de Bauru 165 São Paulo – SARESP – para o ano de 2007. Os resultados do SARESP permitem avaliar o ensino regular de todas as escolas da rede pública estadual que oferecem a 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio. Assim, apresentamos os resultados das provas de Língua Portuguesa e Matemática e dos níveis de desempenho em Redação para as 4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio para o Pólo Regional de Bauru e para o Estado de São Paulo. O Pólo Regional de Bauru se destacou no desempenho na disciplina de Matemática no Ensino Fundamental, tanto no ensino de 1ª a 4ª série como no de 5ª a 8ª série. O Pólo de Bauru obteve a maior pontuação em matemática nestes níveis de ensino, entre todos os Pólos Regionais e Regiões Metropolitanas da pesquisa. Assim, na disciplina de matemática para os alunos de 1ª a 4ª série, o Pólo de Bauru obteve nota média de 203 pontos, patamar superior à pontuação média do Estado que foi equivalente a 183,4. Para os alunos de 5ª a 8ª série a pontuação do Pólo de Bauru alcançou 272,7 pontos, enquanto que a média estadual ficou em 231,5 pontos. No ensino médio, entretanto, o desempenho do Pólo Regional de Bauru ficou muito abaixo da média estadual. O desempenho neste nível de ensino atingiu 199,1 pontos e a média estadual foi de 263,7 pontos. (Tabela 20). Na disciplina de Língua Portuguesa, o desempenho dos alunos do Pólo de Bauru foi melhor que o desempenho médio do Estado. Nos 3 níveis de ensino analisados há uma vantagem de aproximadamente 3 pontos a mais no desempenho médio dos alunos do Pólo de Bauru (Tabela 21). Tabela 20 - Média de Proficiência em Matemática, 2007 Matemática Pólo Regional de Bauru Estado de São Paulo 4ª. Série do E. F. 8ª. Série do E. F. 3ª. Série do E. M. 202,99 272,67 199,14 182,45 231,53 263,68 Tabela 21 - Média de Proficiência em Língua Portuguesa, 2007 Língua Portuguesa Pólo Regional de Bauru Estado de São Paulo 4ª. Série do E. F. 8ª. Série do E. F. 3ª. Série do E. M. 190,21 246,51 266,48 186,84 242,62 263,22 Fonte: SARESP,SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanase Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para asPolíticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP Pólo Econômico de Bauru 166 Já em relação ao nível de desempenho em Redação29, o Pólo Regional de Bauru obteve resultados ligeiramente superiores ao Estado que concentrou maiores proporções de avaliações de redação consideradas abaixo do conceito básico. Os maiores diferenciais são percebidos para a 3ª série do Ensino Médio. Esta constatação deixa claro que quanto mais avançado o nível de ensino, melhor é o desempenho em redação comparativamente às notas médias estaduais (Gráficos 20, 21 e 22). Gráfico 20 Desempenho em Redação na 4a série do Ensino Fundamental, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Bauru Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico Gráfico 21 Desempenho em Redação na 8a série do Ensino Fundamental, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Bauru Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico 29 Para o cálculo da distribuição percentual, foram excluídas do total das avaliações, aquelas categorizadas pelo sistema SARESP como: não válidas: anuladas, em branco e não calculada. Pólo Econômico de Bauru 167 Gráfico 22 Desempenho em Redação na 3a série do Ensino Médio, 2007 100% 80% 60% 40% 20% 0% Pólo de Bauru Avançado Adequado Estado de São Paulo Básico Abaixo do Básico Fonte: SARESP,SEE-SP. Tabulações Especiais. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanase Pólos Econômicos do Estado de São Paulo. Desigualdades e Indicadores para asPolíticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP 3.3. Atenção Básica à Saúde e Acesso às Ações e Serviços de Saúde Pólo Regional de Bauru Introdução O capítulo da saúde procurou abordar questões relacionadas à Atenção Básica à Saúde e ao Acesso às Ações e Serviços de Saúde, dimensões fundamentais para o estabelecimento de políticas públicas, no Pólo Regional de Bauru. Na Atenção Básica à Saúde foram analisados indicadores relacionados às taxas de mortalidade infantil, indicadores relacionados à saúde da criança, à atenção ao pré-natal, à saúde da mulher e do adulto. No bloco referente ao Acesso às Ações e Serviços de Saúde são apresentadas as taxas de cobertura do programa PSF (Programa de Saúde da Família), as consultas médicas básicas por habitante, o número de leitos por habitantes e a proporção de Beneficiários de Plano de Saúde Privado. Pólo Econômico de Bauru 168 O estudo procurou levar em conta as taxas médias dos indicadores para o Estado de São Paulo e os parâmetros ou metas do Ministério da Saúde, quando possível para efeitos de comparação. Mortalidade Infantil No Pólo Regional de Bauru a taxa de mortalidade infantil, vem caindo sistematicamente, assim como acontece no Brasil e no Estado de São Paulo. O Pólo de Bauru apresentou níveis de mortalidade infantil abaixo da média estadual entre 1990 e 2006. No ano 2000 a taxa de mortalidade infantil no Pólo Regional de Bauru foi de 17,2 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos e caiu para 12,3 no ano de 2006. Em 1990 os municípios do Pólo Regional de Bauru com taxas mais elevadas foram Cabrália Paulista, Lucianópolis, Avaí e Agudos com taxas de respectivamente: 79,6, 79,0, 56,2 e 36,8 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos (Gráfico 23). O município que mais avançou na queda da mortalidade infantil foi Cabrália Paulista que passou a apresentar em 2006 taxa de mortalidade infantil equivalente a 14,5. A redução média nas taxas de mortalidade infantil dos municípios do Pólo Regional de Bauru foi de cerca 114% entre 1990 e 2006. No final do período em análise, as taxas ficaram mais homogêneas e se concentraram em um intervalo de 8,1 a 76,9 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos. Gráfico 23 100,0 Taxa de Mortalidade Infantil 90,0 (óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos) 80,0 70,0 1990 2006 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 Fonte: Fundação Seade; Sec. Estadual da Saúde; Sec. Municipais da Saúde. Base Unificada de Nascimentos e Óbitos. Pólo Econômico de Bauru 169 Saúde da Criança A taxa de Internação por Infecção Respiratória Aguda em menores de cinco anos é um indicador frequentemente usado, pois fornece uma medida da qualidade da atenção à saúde preventiva e curativa à criança. O Ministério da Saúde recomenda que a taxa deva ser inferior a 35 internações por mil crianças menores de cinco anos. No ano 2000 tanto o Estado de São Paulo quanto o Pólo Regional de Bauru já apresentavam taxas inferiores a 35 internações por mil crianças menores de cinco anos. A média estadual neste ano atingiu 28 internações e passou para 21 em 2006. No caso do Pólo Regional de Bauru as taxas foram superiores às médias estaduais tanto no ano 2000 quanto em 2007. Em 2000 foram internadas em média quase 35 crianças menores de cinco anos. No ano 2007 a situação melhorou e a região passou a apresentar taxa equivalente a 21,5 internações. Apesar da média da região beirar 35 internações no ano 2000, 8 municípios dos 19 que compõem a região apresentaram taxas superiores a 35 internações por IRA por mil crianças menores de cinco anos. A observação das taxas de internação por Infecção Respiratória Aguda em menores de cinco anos nos municípios do Pólo Regional de Bauru revela que houve uma relativa melhora das taxas no sentido de ter ocorrido declínio. Ainda assim, houve incremento em três municípios: Iacanga, Pirajuí e Piratininga. O mapa 12 evidenciou que as taxas mais baixas se concentraram na região central do pólo constituída pelos municípios de Bauru, Avaí, Arealva e Piratininga em 2007. Pólo Econômico de Bauru 170 Mapas 11 e 12 Taxa de internação por IRA (Infecção Respiratória Aguda) em menores de cinco anos (por mil) 2000 2007 Fonte: SIH/SUS – DATASUS, Censo Demográfico e estimativas populacionais do IBGE Pólo Econômico de Bauru 171 Atenção ao Pré-Natal Para avaliar a cobertura e a qualidade da assistência ao parto no Pólo Regional de Bauru utilizamos o indicador: Proporção de mulheres com filhos nascidos vivos que realizaram sete ou mais consultas de pré-natal. O número mínimo de consultas recomendadas pelo Ministério da Saúde é sete. É necessário dizer, baseado em alguns estudos (SERRUYA, 2004), que este indicador é fortemente influenciado pelo nível de pobreza da região, além de outros fatores. Além disso, em uma análise longitudinal, as taxas podem em grande parte terem sido afetadas, positivamente, pelas ações do Programa Saúde da Família e pela implementação do Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento do Ministério da Saúde lançado em junho de 2000 onde o foco principal tem sido proporcionar a melhora do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério das gestantes e ao recém-nascido. A proporção média de nascidos vivos cujas mães realizaram pelo menos sete consultas por mês no Pólo Regional de Bauru no ano 2000 foi superior à média estadual. No ano 2000, enquanto a proporção média de nascidos vivos cujas mães completaram o pré-natal era de 54,5% no Estado de São Paulo, o Pólo Regional de Bauru realizou 10,4% a mais. Já no ano de 2005, a média estadual ficou em mais de 73%, enquanto que no Pólo Regional de Bauru passou para quase 87% dos nascidos vivos, cujas mães haviam realizado 7 consultas ou mais de pré-natal. Assim, houve um incremento de aproximadamente 35% neste indicador tanto no Estado quanto no Pólo Regional de Bauru entre 2000 e 2005. Em 2005 os municípios de Iacanga e Reginópolis localizados ao norte do Pólo e, Borebi, Agudos Paulistânia e Cabrália Paulista ao sul do Pólo destacaram-se por apresentarem mais de 90% dos nascimentos onde as mães realizaram 7 consultas ou mais de pré-natal. Os municípios localizados na parte leste do pólo, Arealva, Pederneiras e Macatuba apresentaram as taxas cobertura de pré-natal mais baixas da região em 2005 e, não atingiram 72% dos nascimentos com pré-natal concluído. Pólo Econômico de Bauru 172 Tabela 22 Proporção de nascidos vivos de mães com 7 ou mais consultas de pré-natal 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Crescimento (%) 2000-2005 Total ESTADO 54,5 59,0 63,2 67,1 71,4 73,4 34,7 Total do Pólo de Bauru 64,1 69,1 73,0 72,9 83,6 86,9 35,5 Agudos 47,4 82,3 68,6 85,8 93,4 94,1 98,5 Arealva 84,2 74,3 67,4 56,2 57,1 71,8 -14,7 Avaí 64,7 57,6 82,9 90,5 81,8 78,8 21,8 Balbinos 50,0 100,0 68,8 64,3 61,5 75,0 50,0 Bauru 62,7 64,7 72,2 68,8 85,7 89,8 43,2 Borebi 89,7 93,3 68,6 94,7 100,0 92,3 2,9 Cabrália Paulista 54,2 67,9 70,7 78,0 75,4 90,6 67,1 Duartina 52,0 55,7 70,4 85,7 83,7 87,5 68,4 Iacanga 73,3 85,9 85,8 91,1 94,0 94,0 28,2 Lençóis Paulista 90,7 91,1 93,6 94,7 94,1 86,4 -4,7 Lucianópolis 61,1 72,1 79,6 89,2 72,5 89,7 46,8 Macatuba 55,7 72,5 73,5 76,7 64,9 69,8 25,2 Paulistânia 54,6 48,0 73,1 84,4 83,3 95,5 75,0 Pederneiras 57,7 53,3 45,7 47,8 60,5 70,9 22,8 Pirajuí 64,4 75,3 73,0 76,2 74,3 79,7 23,9 Piratininga 42,9 66,4 78,3 72,2 83,7 84,9 98,2 Presidente Alves 63,2 78,9 77,4 76,7 65,9 78,3 23,9 Reginópolis 61,9 74,7 80,6 81,8 77,6 87,3 41,0 Ubirajara 52,5 57,1 67,7 68,1 70,4 77,9 48,3 Fonte: SINASC/SUS - DATASUS. Elaboração: Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indi cadores para as Políticas Sociais, NEPP/NEPO/UNICAMP-FINEP. Controle da Hipertensão A taxa de internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC) na população de 40 anos ou mais, além de apontar o nível de morbidade para esta doença, também avalia a oferta de ações básicas preventivas para o controle da doença hipertensiva. O número de internações entre 2000 e 2007 por Acidente Vascular Cerebral (AVC) na população de 40 anos ou mais no Pólo Regional de Bauru declinou de 42,6 para 30,3, o que significa que as ações de atenção básica nos municípios no controle das doenças hipertensivas possivelmente estão tendo um impacto positivo. As taxas médias para o Pólo Regional de Bauru, no ano 2000 e em 2007, foram bem mais altas que as médias estaduais que alcançaram 28,1 no ano 2000 e 26,2 internações por grupo de 10.000 habitantes com mais de 40 anos em 2007. Entretanto a diferença entre as taxas do Pólo Regional de Bauru e as taxas referentes ao Estado vêem diminuindo ao longo dos anos. Vale lembrar que no ano 2000, depois do Pólo Regional de Presidente Prudente, era o Pólo de Bauru que apresentava a mais alta taxa de internações por AVC na população com mais de 40 anos. Pólo Econômico de Bauru 173 Os mapas mostraram que houve melhora na maioria dos municípios, no sentido de ter havido queda das taxas de internação e, que os municípios com as menores taxas em 2007, até 28%, estão concentrados na região central: Bauru, Avaí, Arealva e Piratininga. Os municípios que apresentaram incrementos nas taxas de internação estão localizados no entorno da região central. Entre eles destacamos na parte sudoeste: Ubirajara, Lucianópolis, Duartina e Cabrália Paulista. A sudeste: Lençóis Paulista. Pederneiras a leste e, Reginópolis ao norte (Mapas 13 e 14). Mapas 13 e 14 - Taxas de Internação por AVC (por 10.000 hab. 40 anos ou mais) Fonte: SIH/SUS – DATASUS, Censo Demográfico e estimativas populacionais do IBGE. Pólo Econômico de Bauru 174 Indicadores Gerais de Atenção à Saúde Consultas Médicas Básicas por Habitante No Brasil a média anual de consultas médicas por habitante nas especialidades básicas pouco variou entre o ano de 2000 e 2007. No ano 2000 este indicador atingiu 1,51 consultas básicas por habitante e em 2007 atinge 1,54. No Estado de São Paulo, o patamar é praticamente o mesmo referente à média brasileira em 2000 e, em 2007 chegou a 1,7 consultas básicas por habitante. O Pólo Regional de Bauru apresentou tendência de queda em relação a este indicador. No ano 2000 foram realizadas em média 1,4 consultas médicas básicas por habitante e no ano de 2007, 1,8 consultas, portanto patamares bastante próximos às médias estaduais em 2000 e, em 2007. O Pólo regional de Bauru aumentou o número de consultas básicas por habitante em quase 25% entre o ano 2000 e 2007. Os municípios que mais realizaram consultas básicas por habitante em 2007, entre 4,1 e 5,0 consultas básicas por habitantes foram: Lucianópolis, Pederneiras, Avaí, Ubirajara e Piratininga. Iacanga foi o município que passou a realizar menos consultas básicas por habitante em 2007, ou seja, no ano 2000 realizou 1,7 consultas e passou a 0,3 no ano de 2007. Mapas 15 e 16 - Consultas Básicas por Habitante (média anual) Pólo Econômico de Bauru 175 Fonte: SIA/SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Cobertura do Programa de Saúde da Família As informações sobre percentuais de cobertura do Programa Saúde da Família em grandes cidades e capitais revelam que em geral há uma dificuldade maior de consolidação deste programa em cidades maiores e mais urbanizadas (ELIAS, 2006). Como já foi dito, a região do país com menor cobertura do Programa Saúde da Família é a Sudeste, com menos de 30% de cobertura da população no ano de 2007. No Estado de São Paulo em 2007, em média a cada 4 famílias, uma foi atendida pelo PSF e, no Pólo de Bauru, menos de uma a cada 5 famílias foi atendida pelo PSF. Os dados mostraram que houve crescimento da proporção de famílias atendidas pelo PSF no Estado de São Paulo e no Pólo Regional de Bauru entre 2000 e 2007. O ritmo de crescimento do PSF no Pólo Regional de Bauru intensificou-se um pouco mais a partir de 2003, no entanto, as proporções de famílias cobertas pelo PSF estiveram sempre abaixo das médias estaduais (Gráfico 24). Pólo Econômico de Bauru 176 Gráfico 24 P r o p o r ç ã o d e P o p u l a ç ã o c F o a b m í e l i r a t a ( p e % l o P r o g r a m a S a 4 4 3 2 3 2 8 , , 6 , 0 , 2 , a 4 , 0 4 , 3 4 , 4 6 2 5 1 6 3 , 6 , 9 , 1 , 2 9 0 , 1 1 1 6 3 1 7 , 6 3 5 0 8 9 1 2 , 1 1 , 4 7 1 6 , 6 1 , d 1 1 3 e 9 2 1 d 3 2 2 ú ) , , 0 , 1 , 1 3 8 5 , 1 0 8 , 0 2 0 B r a 0 s i 0 l 1 2 0 0 2 2 E s t a d 0 o 0 2 3 d e S ã o 0 P a 0 u 2 4 l 0 0 5 o 2 P 0 ó 0 l o 2 6 d e B a u 0 r 0 7 u Os mapas 17 e 18 evidenciam que não somente a cobertura de famílias atendidas vem aumentando como também o número de municípios que em 2000 não tinham implementado o programa e, em 2007 já implantaram. No ano 2000, apenas os municípios de Lençóis Paulista e Macatuba haviam implementado o PSF com coberturas populacionais de respectivamente 12,4% e 18,4%. No ano de 2007, os municípios de Ubirajara, Duartina, Macatuba, Iacanga e Borebi foram os municípios que conseguiram cobrir mais de 82% da população com o PSF. O município sede do pólo, Bauru implementou o programa somente a partir de 2004 e, no ano de 2007 foi o que apresentou a menor proporção de famílias atendidas pelo PSF, com menos de 8% da população. Pólo Econômico de Bauru 177 Mapas 17 e 18 – Cobertura Populacional do PSF - Programa Saúde da Família 2000 2007 Fonte: Fonte: Número de pessoas cadastradas, de 2000 a 2006, por município. Fonte: SIAB/SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Atenção Hospitalar - Leitos Hospitalares por Habitante A análise deste indicador tem como objetivo ilustrar como acontece a concentração de leitos hospitalares por habitantes nos municípios pertencentes ao Pólo Regional de Bauru. Como este indicador é suscetível a uma variedade de fatores relativos às localidades ou regiões distintas, não há parâmetros validados para efeitos de comparação. O que acontece é que a própria demanda juntamente com a capacidade de financiamento Pólo Econômico de Bauru 178 do local acaba definindo as metas a serem alcançadas. Assim, este indicador não é adequado para avaliar o sistema de saúde de uma região, mas auxilia nas ações de planejamento e gestão. Apesar de não termos parâmetros validados, o Ministério da Saúde preconiza que o volume de leitos hospitalares esteja entre 2,3 a 3 leitos por mil habitantes (Portaria do Ministério da Saúde 1101/2002). No Pólo Regional de Bauru a oferta de leitos hospitalares foi de 3,9 leitos por mil habitantes em 2006, onde 3,0 leitos foram disponibilizados através do SUS. A média de leitos hospitalares por mil habitantes no Pólo Regional de Bauru foi bastante superior à média estadual e à nacional. No Estado foram disponibilizados 2,6 leitos e no Brasil 2,7 leitos por mil habitantes em 2006 (Tabela 23). No Pólo Regional de Bauru de cada 4 leitos hospitalares, 3 foram disponibilizados pelo SUS. Esta proporção é superior à proporção média estadual de 65,4% em 2006. Tabela 23 - Leitos Hospitalares por mil habitantes Leitos Hospitalares em 2006 Pólo Regional de Bauru Estado de São Paulo Brasil Leitos* Por Mil Total SUS 3,9 3,0 2,6 1,7 2,7 2,0 Proporção de Leitos do SUS (%) 76,8 65,4 74,1 Fonte: CNES - Recursos Físicos - Hospitalar - Leitos de internação - São Paulo SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. O município de Pirajuí se destacou por ser o município com a maior oferta de leitos hospitalares, 7,3. Entretanto, no caso deste município houve uma grande oferta de leitos privados. Os leitos disponibilizados pelo SUS atingiram pouco mais da metade dos leitos deste município, 54,2%. Além de Pirajuí, os municípios de: Duartina, Presidente Alves e Bauru apresentaram elevada oferta de leitos hospitalares, 6,7; 5,7 e 4,7 respectivamente. No caso destes municípios a disponibilidade de leitos hospitalares pelo SUS variou entre 79% e 94% do total de leitos (Mapa 19). Pólo Econômico de Bauru 179 Mapa 19 – Leitos Hospitalares por mil habitantes em 2006 Fonte: CNES -Recursos Físicos - Hospitalar - Leitos de internação - DATASUS, projeções, IBGE. Beneficiários de Plano de Saúde Privado De acordo com PINTO, 2004; a região Sudeste concentra cerca de 70% da população que possui planos de saúde e, as maiores proporções de cobertura acontecem nas capitais. Ainda segundo este autor: Estudos anteriores (Costa e Pinto, 2002; Siqueira et al., 2002) demonstram que, nas cidades de pequeno e médio porte (menos de 80.000 habitantes), a participação das modalidades de saúde suplementar é menor que a prestação de serviços mediante o SUS, enquanto que nas cidades de mais de 80.000 habitantes, a hegemonia dos planos de saúde já ocorria em 1992 e expandiu-se ainda mais em 1999. O indicador proporção de cobertura da população por planos de saúde privados considera como plano privado, segundo os critérios da ANS/MS, os planos de assistência à saúde que são operados por medicina de grupo, cooperativas, seguradoras, autogestão e filantropia. Pode haver superestimação do indicador na medida em que pode haver beneficiários com mais de um plano de saúde privado. A cobertura da população por planos de saúde privado no país foi de quase 20% da população entre 2000 e 2005. Pólo Econômico de Bauru 180 A região Sudeste apresentou a maior cobertura entre as regiões, e entre 2000 e 2005 a representação ficou praticamente constante por volta de 30% (Tabela 24). Tabela 24 - Proporção (%) da população coberta por planos privados de saúde segundo ano por região. Brasil, 2000 a 2005 Regiões 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Brasil 19,1 18,6 18,5 18,6 19,1 19,9 Norte 5,7 5,5 6,2 6,8 7,3 7,2 Nordeste 7,6 7,2 7,6 8,0 8,2 8,4 Sudeste 32,0 30,9 30,2 29,9 30,3 31,7 Sul 14,0 14,1 14,6 15,5 16,7 17,4 Centro-Oeste 12,7 12,2 12,5 12,5 12,5 12,8 Fonte: Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde - Sistema de Informações de Beneficiários e IBGE Especificamente no Pólo Regional de Bauru as taxas foram bem menos elevadas que as do Estado de São Paulo. No ano 2000, a cobertura média para o Estado e para o Pólo Regional de Bauru foi de respectivamente 41,6% e 23,2%. Em 2007 foi constatado o crescimento da população coberta por planos de saúde privados no Estado de São Paulo e no Pólo Regional de Bauru que passaram a apresentar percentuais de cobertura de respectivamente 48% e 29,4%. Apesar da proporção de população coberta por plano privado de saúde no Pólo Regional de Bauru estar bem abaixo da média estadual, tanto no ano 2000 quanto no ano de 2007, o crescimento deste indicador no pólo de Bauru foi mais intenso que para o Estado. No Estado de São Paulo foi constatado um crescimento na proporção de pessoas com plano de saúde privado de 15,3% e, no Pólo Regional de Bauru houve um crescimento de 26,7%. Com exceção dos municípios de Borebi, Lençóis Paulista e Macatuba, houve crescimento da cobertura populacional por planos de saúde privados em todos os demais municípios do Pólo Regional de Bauru entre 2000 e 2007. Os municípios do Pólo de Bauru onde haviam proporcionalmente mais pessoas com planos de saúde privados em 2007 foram Lençóis Paulista, Bauru e Pederneiras com respectivamente: 53,8%; 32,5% e 24,4%. Pólo Econômico de Bauru 181 Nos demais municípios a proporção da população com planos de saúde privados variou de 1,2% a 17,1% (Mapas 20 e 21). Mapas 20 e 21 - Proporção da população com plano privado de saúde 2000 2007 Fonte: Sistema de Informações de Beneficiários (SIB), Sistema de Cadastro de Operadoras (Cadop) e Sistema de Registro de Produtos (RPS), todos geridos pela ANS - DATASUS. SIA/SUS - DATASUS, Censo Demográfico 2000 e projeções, IBGE. Pólo Econômico de Bauru 182 Pólo Econômico de Bauru 183 Referências Bibliográficas ABRAMOVAY, Miriam; CASTRO, Mary Garcia. Ensino Médio: Múltiplas Vozes. Brasília: UNESCO; MEC. 2003 ANDRADE, Cibele Y., TELLES, Stella M.B.S. Universalização e equidade: análise da evolução do acesso à educação básica no Brasil de 1995 a 2005. In: Anais do ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS POPULACIONAIS, 16º., 2008. Caxambu. Disponível em: <http://www.abep.org.br.>. ARRIAGADA, I. Câmbios y desigualdad en las famílias latinoamericanas. Revista de la Cepal 77, Santiago de Chile, 2002. __________. Estructuras familiares, trabajo y bienestar en América Latina, In: Arraigada, I. e Aranda, V. (comp.) Cambio de las familias en el marco de las transformaciones globales: necesidad de políticas públicas eficaces, Serie Seminarios y Conferencias, CEPAL, nº 42. Santiago de Chile, 2004. BAENINGER, Rosana; BRITO, Fausto. Crescimento das Cidades, das Metrópoles e do Interior do Brasil Contemporâneo. In: Anais. XII ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR , Sessão temática ST2 – Rede Urbana e Estrutura Territorial. Belém, Pará. 2007. BERQUÓ, E.. Arranjos Familiares no Brasil: Uma visão demográfica. In: SCHWARCZ, L. M. (Org.) História da vida privada no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, Vol. 4, 2000. BILAC, E.. Estruturas familiares e padrões de residência. Campinas: NEPO, UNICAMP. 2001. BRASIL; Ministério da Cultura. Mapa do Analfabetismo no Brasil. Brasília : INEP; MEC, 2003. Disponível em: < www.inep.gov.br/ >. CECCHINI, S. e UTHOFF. A. Reducción de la pobreza, tendências demográficas, famílias y mercado de trabajo en America Latina. In: Série: Políticas Sociales, CEPAL, División de Desarrollo Social, Santiago de Chile, julio de 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Base de Dados - Pesquisa de Campo, Módulo 2B. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2008. COSTA N. R. & PINTO L.F.. Avaliação de programa de atenção à saúde: incentivo à oferta de atenção ambulatorial e a experiência da descentralização no Brasil. In: Ciência & Saúde Coletiva 7(4): 907-923. 2002. DRAIBE, Sônia; FONSECA, Ana Maria; MONTALI, Lilia. Programas de Renda Mínima para Famílias Carentes: Levantamento das Experiências e Metodologias de Avaliação. In: IPEA. LOBATO, Ana Lucia (org.). Garantia de Renda Mínima: Ensaios e Propostas. Brasília, IPEA, 1998. ELIAS, Paulo Eduardo et al . Atenção Básica em Saúde: comparação entre PSF e UBS por estrato de exclusão social no município de São Paulo. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Pólo Econômico de Bauru 184 Janeiro, v.11, n.3, set. 2006. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232006000300012&ln g=pt&nrm=iso>. Acesso em: 31 mar. 2009. doi: 10.1590/S1413-81232006000300012. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Relatório da Pesquisa de Campo – Pólo Regional de Bauru. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. 2008. Base de Dados - Pesquisa de Campo, Módulo 2B. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo - Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais, 2007. Convênio FINEP-FNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2007. FINEP/NEPP/NEPO/IE. Documento 1 - Estudo Consolidado para o Estado de São Paulo. Projeto Regiões Metropolitanas e Pólos Econômicos do Estado de São Paulo Desigualdades e Indicadores para as Políticas Sociais. Convênio FINEPFNDCT/NEPP/Regiões Metropolitanas, 2009. FLETCHER, P. As dimensões transversal e longitudinal do Modelo Profluxo. Brasília, Ministério da Educação e da Cultura, 1997, Mimeo. FONSECA, Ana Maria M. Família e Política de Renda Mínima. São Paulo: Cortez Editora, 2001. FONSECA, A. M. M.; COHN, A.. O Bolsa-Família e a Questão Social. SEGUNDO WORKSHOP INTERNACIONAL SOBRE TRANSFERÊNCIA CONDICIONAL DE RENDA. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. São Paulo, Brasil. Abril 2004. GUIMARÃES DE CASTRO, Maria Helena. As desigualdades regionais no sistema educacional brasileiro. In: Ricardo Henriques. (Org.). Desigualdade e Pobreza no Brasil. Rio de Janeiro: IPEA, v., p. 425-458. 1999. GUIMARÃES DE CASTRO, Maria Helena. Política Social en Brasil: continuidades y cambios. In: Instituto de Estudios Internacionales; Embajada de Brasil en Chile. (Org.). Brasil y Chile: una mirada hacia América Latina. 1ed ed. Santiago, Chile: RIL Editores, v. único, p. 253-264. 2006. HOFFMANN, R. e LEONE, E. (2003). Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade de renda domiciliar per capita no Brasil: 1981-2002. Campinas: IE/UNICAMP. (mimeo). HOFFMANN, R.; LEONE, E. Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade da renda domiciliar per capita no Brasil: 1981-2002. Nova Economia, vol. 14, Nº 2, maio-agosto, Belo Horizonte – MG, 2004. IBGE-MDS, 2008. Acesso a transferências de renda de programas sociais – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios- 2006. Rio de Janeiro, IBGE. IDB – DATASUS. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/idb IDESP – http://idesp.edunet.sp.gov.br/ Pólo Econômico de Bauru 185 IPEA. Assistência Social e Segurança Alimentar. IN: Políticas Acompanhamento e Análise, n. 15. Brasília, IPEA, p. 51-72. Março de 2008. IPEA, Boletim do desenvolvimento social 14. Disponível Sociais: em: www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/bpsociais/bps_14/politicasocialdese nvolvimento.pdf IPEA. LOBATO, Ana Lucia (org.). Garantia de Renda Mínima: Ensaios e Propostas. Brasília, IPEA, 1998. KAGEYAMA, A; HOFFMANN, R. Pobreza no Brasil: uma perspectiva multidimensional. Economia e Sociedade, Campinas, v.15, n.1 (26), p. 58-78, jan./jun.2006. KLEIN, R. Produção e utilização de indicadores educacionais: metodologia de cálculo de indicadores de fluxo escolar da educação básica. Brasília, INEP/MEC, 1995. Mimeo. LEONE, E.. Renda familiar e trabalho da mulher na Região Metropolitana de São Paulo nos anos 80 e 90, em ROCHA, M.I.B. (coord.): Trabalho e gênero: mudanças, permanências e desafios. Campinas: ABEP, NEPO / UNICAMP e CEDEPLAR / UFMG, São Paulo: editora 34. 2000. ____________. Mudanças no Trabalho da Mulher na Região Metropolitana de São Paulo nos anos 90. Anais do XII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS POPULACIONAIS. Ouro Preto, MG. Novembro de 2002. ____________. Trabalho da Mulher em Regiões Metropolitanas do Brasil. In: Proni, Marcelo W. e Henrique, Wilnês (orgs.) Trabalho, mercado e sociedade: O Brasil nos anos 90. São Paulo: Editora UNESP; Campinas, SP: Instituto de Economia da UNICAMP. 2003. LEONE, E.; GORI MAIA, A.; BALTAR, P.. Trabajo remunerado de las mujeres e ingesso de las familias brasileñas: 1981 – 2005. In: II CONGRESSO DE ECONOMIA FEMINISTA, Zaragoza. 2007. MEDEIROS, M. e OSÓRIO, R.. Mudanças na composição dos arranjos domiciliares no Brasil – 1978 a 1998. Revista Brasileira de Estudos de População v. 17 (1/2). 2000. Ministério da Saúde Brasil 2007: uma análise da situação de saúde. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise de Situação em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 641 p.:Il. – (Série G. Estatística e Informação em Saúde). MONTALI, L.. Família e trabalho na conjuntura recessiva: crise econômica e mudança na divisão sexual do trabalho. Tese de Doutoramento. Departamento de Sociologia. Universidade de São Paulo. São Paulo. 1995. ____________.; LOPES, G.. Relações Familiares e Trabalho Feminino na Região Metropolitana de São Paulo na Década de 90. In: Caderno CRH n.38, jan-jun de 2003. __________. Rearranjos Familiares de Inserção, Precarização do Trabalho e Empobrecimento. In: Revista Brasileira de Estudos de População, v. 21(2), jul/dez. 2004. Pólo Econômico de Bauru 186 __________. Provedoras e co-provedoras: mulheres-cônjuge e mulheres-chefe de família sob a precarização do trabalho e desemprego. Revista Brasileira de Estudos de População – ABEP, v. 23 (2), pp. 223-245. 2006. __________. Regiões Metropolitanas: mudanças na família e na relação famíliatrabalho, as condições sociais e as políticas de transferência de renda. Relatório de Pesquisa CNPq, abril 2008, Campinas. NEPP/UNICAMP. 2008. MONTALI, L. e TAVARES, M.. Famílias Metropolitanas: precarização do trabalho e empobrecimento. In: SEMINÁRIO POPULAÇÃO, POBREZA E DESIGUALDADE - ABEP, Belo Horizonte - MG. 05-06 de novembro de 2007. __________. Família, Pobreza e acesso a programas de transferência de renda nas regiões metropolitanas brasileiras. In: Revista Brasileira de Estudos de População – ABEP, v. 25 (2), pp. 211-231. 2008. MONTALI, Lilia; BAENINGER, Rosana; TELLES, Stella B.S. Virtudes e vicissitudes dos programas de transferência de renda nas regiões metropolitanas paulistas. In: 6º ENCONTRO ABCP – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIÊNCIA POLÍTICA. Unicamp, 29 de julho a 01 de agosto de 2008. OLIVEIRA, O. e SALAS, M.. Entre la inclusion e la exclusion laboral de los jóvenes: Um análisis comparativo de México y Costa Rica. In: III CONGRESO DE LA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DE POBLACIÓN – ALAP, Córdoba, Argentina, 24 a 26 de setembro de 2008. OPAS. REDE Interagencial de Informações para a Saúde. Indicadores básicos de saúde no Brasil: conceitos e aplicações/ – Rede Interagencial de Informações para a Saúde Ripsa – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde. 299p.:il. 2002. PINTO, Luiz Felipe; SORANZ, Daniel Ricardo. Planos privados de assistência à saúde: cobertura populacional no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n.1, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141381232004000100009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 31 Mar. 2009. doi: 10.1590/S141381232004000100009. SCAVONE, L.. Maternidade: Transformações na família e nas relações de gênero. In: Interface. n. 8, fevereiro de 2001. SCHWARTZMAN, S.. Redução da desigualdade, da pobreza, e os programas de transferência de renda. Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. Versão 3, 13 de fev. 2006. SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant. [online]. V. 4, n. 3, pp. 269-279. ISSN 15193829. 2004. SILVA, Maria O. da Silva e.; YAZBEK, M. C.; GIOVANNI, Geraldo di. A Política Social Brasileira no Século XXI: A prevalência dos programas de transferência de renda. São Paulo: Cortez Editora, 2006. Pólo Econômico de Bauru 187 SIQUEIRA, S.A.V., SENNA, M.C.M., OLIVEVEIRA, P.T.R. & PINTO, L.F.. Descentralização e assistência à saúde no Brasil: um balanço dos anos 90. Revista Saúde em Debate 26(60):25-36. 2002. SUPLICY, Eduardo M. Programa de Garantia de Renda Mínima. Brasília, Senado Federal, 1992. SZWARCWALD CL, BASTOS FI, VIACAVA F, Andrade CLT. Income inequality and homicide rates in Rio de Janeiro, Brazil. Am J Public Health.; 89(6):845–50. 1999. TAKAHASHI, R.F. & OLIVEIRA, M.A.C. A visita domiciliária no contexto da saúde da família In BRASIL. Instituto para o Desenvolvimento da Saúde. Universidade de São Paulo. Ministério da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. TOLEDO; OVALLE. Estatística básica. São Paulo: Atlas, 1985. WAJNMAN, S.; RIOS NETO, E.. Quantas serão as mulheres: cenários para a atividade feminina. In: ROCHA, M. I. B. (coord.). Trabalho e gênero: mudanças, permanências e desafios. Campinas: ABEP, NEPO/UNICAMP e CEDEPLAR/UFMG, Editora 34. 2000. WAISELFISZ, Julio Jacobo. Mapa das mortes por violência. Estudos Avançados, São Paulo, v. 21, n. 61, Dec. 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010340142007000300009&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 18 Mar. 2009. doi: 10.1590/S010340142007000300009. Pólo Econômico de Bauru 188