DOCUMENTAÇÃO DE EXPERIÊNCIAS
RESUMOS ORGANIZACIONAIS & HISTÓRIAS DE SUCESSO
MAPUTO, AGOSTO DE 2006
Apoio:
ÍNDICE
ABREVIATURAS ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 3
SUMÁRIO EXECUTIVO --------------------------------------------------------------------------------------------- 4
I. INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 6
II. OBJECTIVOS----------------------------------------------------------------------------------------------------- 8
III. METODOLOGIA ------------------------------------------------------------------------------------------------- 9
IV. PERFÍS ORGANIZACIONAIS E IMPLEMENTAÇÃO DOS PROJECTOS ----------------------------------- 11
IV.1. ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DE MOÇAMBIQUE - APOSEMO ---------------------------- 12
IV.2. ASSOCIAÇÃO DOS TÉCNICOS AGRO-PECUÁRIOS - ATAP --------------------------------------- 26
IV.3. ASSOCIAÇÃO KINDLIMUKA ---------------------------------------------------------------------------- 36
IV.4. SOCIEDADE PARA MULHER E SIDA - SWAA ------------------------------------------------------ 49
IV.5. CONSELHO DAS RELIGIÕES DE MOÇAMBIQUE - COREM---------------------------------------- 68
IV.6 . INICIATIVA DE ESPERANÇA PARA AS CRIANÇAS AFRICANAS - HACI --------------------------- 70
IV.7. SAVE THE CHILDREN ---------------------------------------------------------------------------------- 73
IV.8. CARE INTERNATIONAL -------------------------------------------------------------------------------- 77
REFERÊNCIAS ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 81
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ABREVIATURAS
APOSEMO
Associação dos Aposentados de Moçambique
ATAP
Associação dos Técnicos Agro-pecuários
COREM
Concelho das Religiões De Moçambique
COVs
Crianças Órfãs e Vulneráveis
GATV
Gabinete de Aconselhamento e Testagem Voluntária
HACI
Hope For African Children Initiative
HIV/SIDA
Vírus De Imunodeficiência Humana/ Síndroma De Imundo Deficiência Adquirida
HDD
Hospital de Dia
ONG
Organização Não Governamental
PVHS
Pessoas Vivendo com HIV/SIDA
TARV
Tratamento anti-retroviral
SWAA
Society For Woman And Aids In Africa
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SUMÁRIO EXECUTIVO
Como parte do seu mandato de capacitação de organizações locais e disseminação de boas práticas, a
HACI decidiu fazer um levantamento de Estudos de caso, Histórias de vida e Sumários organizacionais
dos seus parceiros, nomeadamente a Associação de Aposentados de Moçambique (APOSEMO),
Associação dos Técnicos Agro Pecuários de Moçambique (ATAP), Associação Kindlimuka, Sociedade
para a Mulher e SIDA em África (SWAA) e Conselho Religioso de Moçambique (COREM).
O principal objectivo do estudo é de contribuir para a superação da limitada partilha de experiências e
abordagens entre as organizações locais parceiras da HACI. Tal se deve ao facto de ser ter constatado
que a troca de informação entre as organizações não é feita de modo sistemático e produtivo. Neste
sentido, o objectivo geral deste estudo é de documentar, desenvolver e disseminar “boa práticas” e “lições
aprendidas” através da narração da situação das COVs e seus encarregados, baseada em fontes
documentais e discussões/entrevistas ao vivo. Simultaneamente o estudo visa dar maior visibilidade às
organizações participantes através da apresentação do seu trabalho e capacitação do seu pessoal na
documentação das suas actividades.
Para a realização deste trabalho foram usadas abordagens participativas, combinadas com variadas
técnicas. Em primeiro lugar foi realizado um seminário de formação em recolha de histórias para o pessoal
das organizações parceiras. Em seguida realizou – se o trabalho de campo, em separado, com cada
organização. Este trabalho foi composto pela revisão documental, preenchimento do formulário de perfil da
organização, discussão em grupos focais e entrevistas exploratórias.
Com base nos resultados do estudo constatou – se que as organizações locais financiadas pela HACI tem
mostrado resultados satisfatórios. Tal constatação surge, em primeiro lugar, da avaliação dos testemunhos
registados e, em segundo lugar, da observação directa no terreno do impacto das actividades
desenvolvidas pelas ONGs locais. A título ilustrativo existe o exemplo das machambas comunitárias de
Chigudogudoine em Chibuto, em que todos os membros da comunidade cultivam a terra e parte dos
rendimentos servem para o consumo comunitário e para a venda. Os lucros são aplicados para outras
actividades, como a compra de cabritos para a criação e reprodução.
Da Kindlimuka temos o testemunho da Sra. Helena na comunidade de Chali na Catembe, que passou por
uma situação, segundo ela, ”dramática", e graças às redes de solidariedade entre amigos e familiares e
sobretudo à sua determinação, actualmente tem sustentado os seus filhos através da pesca e da
agricultura e dos lucros aí gerados.
Outro testemunho vem de uma beneficiária da APOSEMO, a Sra. Matilde que reunindo os requisitos para
beneficiária da APOSEMO recebeu 4 sacos de carvão em 2004, começou a revender carvão, foi
poupando os lucros com os quais passou a confeccionar almoços para fora, neste momento ela tem uma
média de 20 clientes fixos, entre trabalhadores de obras, que todos os dias requisitam os seus pratos.
Por último, visualizou-se o caso da Sra. Olga mãe de dois filhos, beneficiária da SWAA, que depois da
morte do marido vítima de HIV/SIDA fez o teste por recomendação das activistas. Uma vez diagnosticado
o vírus, ela teve que passar por medicação e recuperação já que ela estava fisicamente debilitada e
moralmente agastada, mas com ajuda e persistência das activistas, a Sra. Olga seguiu com os
tratamentos e hoje, para além de apresentar–se com uma aparência saudável, ela tornou–se activista da
SWAA.
Como conclusão pode dizer–se que as histórias aqui documentadas são fruto do trabalho que as
organizações têm feito com as comunidades e são também exemplos de como pessoas e famílias
passando por situações difíceis, conseguiram, através da ajudas das organizações locais, ter iniciativa e
desencadear actividades de geração de rendimento de modo a melhorara a qualidade de vida das
crianças.
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I. INTRODUÇÃO
A HACI (Hope for African Children Initiative) é uma iniciativa pan Africana que congrega a Aliança Save the
Children, a CARE Internacional, o Conselho Mundial para a Paz e Religião (WCRP), PLAN Internacional e
a Sociedade da Mulher e SIDA em África (SWAA). Trata-se de uma iniciativa que visa satisfazer as
necessidades das crianças Africanas afectadas pelo HIV/SIDA e simultaneamente mobilizar, reforçar as
capacidades e partilhar práticas bem sucedidas entre parceiros da mesma área, a todos os níveis.
Em Moçambique a rede iniciou as suas actividades em Outubro de 2002 com o objectivo de reduzir o
impacto do HIV/SIDA na vida das crianças órfãs e vulneráveis através de uma parceria eficaz com grupos
comunitários, ONGs locais e internacionais, organizações religiosas e organizações baseadas na
comunidade e instituições do governo. Essa sinergia deve contribuir para que as intervenções na área de
prevenção do HIV/SIDA, cuidados, apoio e mitigação do impacto, sigam os desígnios e as expectativas da
comunidade, e que sejam coerentes com as grandes linhas estratégicas de implementação da resposta
nacional.
Como parte do seu mandato, e através desta pesquisa, a HACI procura documentar estudos de caso e
boas práticas das organizações suas parceiras – nomeadamente Associação de Aposentados de
Moçambique (APOSEMO), Associação Kindlimuka, Associação de Técnicos Agro Pecuários de
Moçambique (ATAP), Sociedade para a Mulher e SIDA em África (SWAA) e Conselho Religioso de
Moçambique (COREM) - como uma forma de advogar pela causa das crianças órfãs e vulneráveis, ao
mesmo tempo que se dá maior visibilidade às actividades das organizações locais comprometidas com o
problema. Deste modo estarão criadas as condições para a partilha de informações, expectativas e
experiências entre as organizações parceiras da HACI, num processo que também contribui para a
capacitação interna das mesmas.
O levantamento foi realizado entre os meses de Maio e Junho do corrente ano. O presente documento é o
resultado do trabalho de pesquisa realizado e é composto por 5 secções incluindo esta introdução. A
segunda secção apresenta os objectivos da pesquisa que foram, basicamente, a recolha e documentação
de resumos organizacionais e histórias de sucesso no seio das organizações parceiras da HACI. A
terceira secção consiste no aprofundamento dos passos metodológicos seguidos ao longo do exercício,
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combinando a revisão documental, o envolvimento e capacitação do pessoal das organizações e ainda
técnicas de entrevistas e grupos de discussão como forma de dar voz aos beneficiários em relação ao
impacto dos programas implementados.
Os resultados desta pesquisa são apresentados na secção IV. Depois do perfil de cada organização são
apresentadas descrições sobre os projectos implementados nas áreas de intervenção visitadas ao longo
da pesquisa. São igualmente apresentadas as características dos locais e dos beneficiários, as formas de
selecção dos beneficiários relativas a cada organização, bem como resultados decorrentes das
discussões em grupos focais. Por último é apresentado um estudo de caso compilado na organização
respectiva. Para além do estudo de caso são apresentadas, ao longo do texto, pequenas histórias que
ilustram o impacto do esforço que é desenvolvido tanto pelas organizações como pelas comunidades na
melhoria da situação da criança órfã e vulnerável.
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II. OBJECTIVOS
Os objectivos deste levantamento derivam da necessidade de responder à limitada partilha de
experiências e abordagens práticas entre as organizações locais parceiras da HACI. É percepção
generalizada que tal troca de informação não tem se realizado de forma sistemática e produtiva. O
objectivo geral desta investigação é, portanto, documentar, desenvolver metodologias de identificação e
de documentação de resumos organizacionais e histórias de sucesso.
Como objectivos específicos este levantamento pretende:
Habilitar o pessoal das organizações na recolha e documentação de resumos organizacionais,
histórias de sucesso;
Recolher e documentar informação sobre as organizações como forma de elevar seus perfis;
Identificar e documentar histórias de sucesso nas áreas de intervenção das organizações;
Disseminar entre as organizações “boas práticas” e “lições aprendidas”;
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III. METODOLOGIA
A metodologia usada procurou combinar uma participação alargada de todos os intervenientes com a
aplicação de técnicas diversificadas de treinamento e recolha de informação. Em termos globais podem se
destacar dois momentos durante a execução da pesquisa. Um primeiro momento de trabalho documental
e treinamento, e um segundo momento de trabalho no terreno para a recolha propriamente dita dos
estudos de caso e histórias de vida.
A revisão da documentação existente constituiu o primeiro passo para a familiarização com as
organizações, suas estruturas, cobertura geográfica, pessoal afecto, áreas de intervenção e, acima de
tudo, as características do programa que implementa em conjunto com a HACI. Foram consultados os
arquivos de cada organização para a identificação de relatórios, folhetos, planos estratégicos e
operacionais, actas de reuniões e todo tipo de material que pudesse conter informação considerada
relevante. De modo complementar foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com pessoal chave de
cada parceiro. No seu conjunto estas duas técnicas forneceram elementos para o desenho dos resumos
organizacionais.
O Seminário de Formação contou com a participação de dois membros de cada ONG e teve a duração de
dois dias. Dois eram os objectivos principais. Por um lado, constituiu mais uma oportunidade para os
parceiros se familiarizarem com os princípios, metas,
objectivos e estratégias da HACI. Foi um exercício útil pois
ajudou os parceiros a aprofundarem o seu conhecimento
sobre a organização com quem trabalham. Por outro lado o
seminário pretendia dotar os participantes provenientes das
ONGs de a) sensibilidade para reconhecer um estudo de
caso e/ou história de sucesso) técnicas de recolha de dados
com vista à documentação do mesmo
O trabalho de recolha de dados no terreno contou com uma combinação de diferentes técnicas, sendo de
destacar as discussões em grupos focais e as entrevistas de aprofundamento. Com efeito, ainda que
tenham havido adaptações seguindo as circunstâncias no terreno, foram realizadas discussões em grupo
em cada uma das áreas de implementação de projectos visitada, como forma de se identificar casos que
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necessitariam de um aprofundamento posterior. Para a realização de uma discussão era organizado um
grupo constituído por 6 a 10 beneficiários do projecto. A discussão era aberta mas seguia a sequência de
temas contidas num guião previamente desenhado. O objectivo do exercício era produzir consensos no
grupo relativamente às suas condições de vida, a situação das crianças órfãs e vulneráveis e as
mudanças resultantes da intervenção das organizações implementadoras.
Pormenores de discussões em grupo
As entrevistas de aprofundamento resultaram da identificação de casos que teve lugar previamente nas
discussões em grupo. Nessa ocasião os beneficiários eram consultados para narrarem a sua situação em
particular e o impacto que o projecto eventualmente tenha tido na sua própria vida. Também com o
consentimento dos entrevistados foram tiradas fotografias para a visualização de alguns aspectos da
pesquisa.
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IV. PERFIS ORGANIZACIONAIS E IMPLEMENTAÇÃO DOS PROJECTOS
Nesta secção é apresentado o perfil contendo os dados de identificação e caracterização da organização.
Depois se descreve com maior detalhe os aspectos organizativos e operacionais da instituição, como
sejam a estrutura de gestão, o perfil das áreas de implementação e dos beneficiários, e o desenvolvimento
do projecto conjunto com a HACI. As histórias de sucesso vão sendo apresentadas, em caixas, ao longo
do texto e no final está o estudo de caso escolhido para a organização.
Apesar de o exercício pretender fazer uma abordagem geral sobre as áreas em que os parceiros da HACI
estão desenvolvendo suas actividades, a visita de terreno efectuada a algumas dessas áreas permitiu um
conhecimento mais aprofundado das estratégias e das actividades a serem implementadas. Portanto,
apesar de serem destacadas algumas áreas geográficas de actuação, existe a compreensão de que as
mesmas são o reflexo da estratégia mais global das organizações parceiras.
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IV.1. ASSOCIAÇÃO DOS APOSENTADOS DE MOÇAMBIQUE - APOSEMO
1. Nome da organização: Associação dos Aposentados de Moçambique
2. Localização e endereço: Rua Francisco Matange, R/C Número 191, Tel.: 21311638, 21311638
3. Pessoas de contacto: Hadera Tesfai (824883560), João Nhaca (847541774 )
4. Ano de Fundação: 1993
5. Principais Grupos alvo: Aposentados ou Idosos vulneráveis e COVs
6. Principais áreas de intervenção: COVs; HIV/SIDA e Apoio a Idosos
7. Actividades principais: Apoio ao Idoso e COVs; actividades de geração de rendimentos e educação.
8. Área geográfica de impacto:
Província
Maputo-Província
Distrito/Comunidade/Bairros
Infulene, Matola Santos
Gaza
Chókwè
Inhambane
Maxixe
Zambézia
Nicoadala
A APOSEMO é uma associação que congrega e representa os aposentados civis, independentemente da
entidade empregadora a que estiveram afectos, promove também solidariedade entre todos os
aposentados. A associação foi formada em 1993 na cidade de Maputo, por um grupo de aposentados, e a
sua sede está localizada na cidade de Maputo.
A estrutura orgânica da APOSEMO é composta por: conferências, secretariados e conselhos fiscais, estes
podem ser nacionais, provinciais ou locais. A Conferência Nacional é o órgão que representa todos os
membros, é dirigida por um presidente, um vice presidente e um secretário e reúne se de 5 em 5 anos, e
extraordinariamente, sempre que necessário. O Secretariado Nacional constitui o órgão executivo com
poderes a nível nacional, é constituído por um Secretário Nacional, dois Secretários Nacionais Adjuntos e
reúne-se de 30 em 30 dias. Por fim o Conselho Fiscal constituído por um Presidente, um Vice Presidente e
um relator, reúne se uma vez por mês.
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Quanto aos recursos humanos, a APOSEMO conta com membros e voluntários que não tem salário,
incluindo os cargos de direcção nos órgãos não executivos. Contudo, existem alguns incentivos
(subsídios) tanto para os voluntários quanto para os activistas. A Associação funciona em instalações
arrendadas ao Estado pois ainda não possui instalações próprias, e as despesas da mesma são cobertas
pelos parceiros e doadores, uma vez que os fundos provenientes do pagamento de cotas e jóias dos
membros não cobrem o total das despesas.
A associação foi formada com objectivo de defender os interesses sociais e económicos dos aposentados,
criando condições para a ocupação e utilização das capacidades profissionais dos mesmos. Deste modo a
associação acredita estar a contribuir para a melhoria das condições materiais e morais da vida dos
aposentados, em particular dos mais desprotegidos. Estes objectivos podem-se resumir na melhor
advocacia para os aposentados e idosos, incidindo nos idosos mais vulneráveis (os que não possuem
uma pensão ou quaisquer outros subsídios).
A APOSEMO desenvolve actividades de apoio aos idosos, como ajuda nos processos de reforma, no
treinamento para uso das suas capacidades e para o desenvolvimento de outras actividades que lhes
sejam benéficas. Portanto, o seu principal grupo alvo são os idosos em situação vulnerável, não excluindo
os idosos e aposentados no geral.
A APOSEMO tem recebido fundos externos provenientes dos parceiros e de doadores. A gestão destes
fundos é feita mediante as actividades prioritárias e as necessidades dos beneficiários. Devido a este
factor, a associação trabalha com dificuldades de ordem logística e financeira, pois os fundos não são
atribuídos à associação no geral, mas a projectos específicos que implementa.
Em termos de cobertura geográfica a APOSEMO implementa as suas actividades nas províncias de
Maputo, Gaza, Inhambane e Zambézia. Os principais parceiros da associação são o Conselho Nacional
de Combate ao SIDA (CNCS), a HelpAge e a HACI.
Projecto financiado pela HACI
Nome do projecto
Duração
“Aliviando o impacto do HIV /SIDA em idosos (avós) e COVs” 2 anos, Setembro 2004 a Setembro 2006
13
A APOSEMO e a HACI são parceiras desde 2004, através de um projecto denominado, “Aliviando o
impacto do HIV/SIDA em idosos e COVs” que teve início em Setembro. Este projecto surge num
contexto em que muitos idosos vêm se na contingência de cuidar de seus filhos padecendo do SIDA e dos
seus netos órfãos de pai e ou mãe. O projecto visa apoiar as famílias de idosos e COVs no acesso a bens
de primeira necessidade, à educação, à alternativas de geração de rendimentos, reduzindo o estigma,
capacitando
estas crianças
Roda Francisco e a sua vontade de vencer
por forma a se
adaptarem
a
realidade
de
uma vida sem a
presença
dos
pais.
Roda Francisco é uma idosa de 57 anos de idade, vive com 8 filhos e um neto, o seu
marido já faleceu, dos 8 filhos 3 estão em idade de frequentar a escola primária. Antes de
ser beneficiária da APOSEMO, Roda fazia trabalhos domésticos em casas particulares,
lavava a roupa e fazia outros trabalhos de quintal, mas nada a longo prazo. Outras vezes
quando chegasse a época vendia frutas das árvores da sua casa na rua (mangas, limão,
laranjas). Os seus filhos mais velhos vão fazendo o que podem para sobreviver, mas
nenhum está empregado. Dois rapazes de 20 e 23 anos fazem trabalhos esporádicos nas
O orçamento do
casas da Cidade da Matola como cortar árvores, abrir covas para lixo, ou lavar carros,
projecto é de
mesmo assim o dia a dia da família era difícil. Roda sentia muito a dor de ver as crianças,
279,
sem o que comer e sem poderem ir à escola, o ambiente familiar também não era bom pois
394
dólares
havia brigas e desentendimentos por falta de comida e dinheiro. Através da APOSEMO, as
Americanos
crianças foram registadas e matriculadas na escola, a APOSEMO forneceu material escolar
para
um
período de dois
anos (Setembro
de
2004
Outubro
2006),
a
de
e uma cesta básica para as crianças. Por outro lado, Roda começou a vender carvão e em
paralelo iniciou a venda capulanas e lenços na rua enquanto em casa uma de suas filhas
vende o carvão. Segundo Roda o segredo do sucesso está no facto de ter conseguido
guardar os lucros e de ter pensado numa outra actividade que dá lucro, agora tem o dia
preenchido entre montar a banca de carvão em casa, sair à rua para vender as capulanas,
acompanhar as crianças a escola e preparar as refeições da família.
este
valor não é disponibilizado de uma só vez mas sim em porções, à medida das solicitações efectuadas.
O principal grupo alvo deste projecto são os idosos com COVs e as áreas de intervenção são a educação,
actividades de geração de rendimentos, apoio psicossocial e advocacia. Na área de educação as
actividades resumem-se ao apoio às famílias no tocante ao material escolar (fardamento, cadernos, livros,
lápis). As actividades de geração de rendimento são constituídas por alfaiatarias (onde se confeccionam
uniformes escolares para as COVs, mas também para pessoas externas), cooperativas, pequenas
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empresas de criação de frangos, venda de carvão, machambas de vegetais e hortícolas, venda de lenha,
de peixe e pão.
É de salientar que as actividades que os beneficiários desenvolvem não foram impostas e sim escolhidas
pelos beneficiários em encontros com os líderes comunitários, as famílias beneficiárias e activistas da
APOSEMO. Os lucros provenientes destas actividades são geridos pelos próprios beneficiários, a
APOSEMO fornece o material inicial para actividade, o apoio técnico e faz a monitoria. Este projecto cobre
alguns bairros da cidade de Maputo (Infulene A e Santos), nas restantes províncias; Gaza, Inhambane e
Zambézia está sendo implementado nos distritos de Chókwè, Maxixe e Nicoadala, respectivamente.
IV.1. 1
A
ÁREAS DE IMPLEMENTAÇÃO
APOSEMO
implementa as suas
actividades
em
Avertina e a sua luta pela auto estima
3
províncias do país
Esta é a história de Aventina, mãe de 2 filhos, avó de 6 netos, dois dos quais são
nomeadamente
órfãos de mãe. Aventina tem 49 anos e foi abandonada pelo pai dos seus filhos.
Maputo,
Gaza,
Antes do apoio da APOSEMO Aventina preparava Tontonton (bebida de fabrico
e
caseiro) e trocava em Changalane com lenha e carvão e vinha vender na cidade de
Inhambane
Zambézia. Na Matola
Santos, província do
Maputo, existem 3
áreas abrangidas, e
Maputo. Porém esta actividade era muito cansativa, pois andava longas distâncias a
pé para poder trocar a bebida que fazia por lenha ou carvão, e quase que não
cuidava das crianças porque passava maior parte do tempo na rua tentando vender a
lenha ou carvão.
As crianças não podiam ir à escola pois não estavam registadas e não tinham
as comunidades que
material, por outro lado a família não tinha dinheiro para se dirigir ao registo civil para
fazem parte destas
regularizar a situação das crianças. O apoio da APOSEMO em termos educacionais,
áreas, encontram se
para as crianças e no fornecimento de carvão à Aventina para gerar renda, foi
sob ponto de vista
importante para levantar a auto estima da família e melhorar a vida das crianças.
geográfico próximas
Conseguiu ter lucros e com estes abriu uma banca no mercado Mandela (local), onde
umas
outras,
vende produtos de primeira necessidade, em paralelo e com ajuda de sua filha
havendo diferenças
continua a vender carvão em casa, por causa destas actividades Aventina consegue
de
das
quarteirão.
As
manter a família e as despesas correntes.
comunidades estão
organizadas
por
15
quarteirão que possui um chefe, para além de um chefe de 10 casas. Estes organizam as famílias para
reuniões e encontros onde se debatem assuntos relativos à vida comunitária.Os grandes problemas
enfrentados pela comunidade são relativos a roubos de bens nas casas e assaltos nas ruas no período
nocturno. Em termos de serviços sociais básicos, falta água canalizada para todos, hospital, escola e
serviços policiais perto do bairro. Também existem problemas de higiene comunitária e saneamento como
é comum nas zonas peri-urbanas, sendo visíveis águas paradas, lixo doméstico amontoado nas ruas e
caminhos. Não foram relatados casos de outras organizações de apoio ou organizações de base
comunitária, ou outras que tratam de questões sociais, excluindo a APOSEMO.
Entre as famílias existem alguns mecanismos de inter ajuda como a contribuição em dinheiro ou bens em
caso de morte de algum membro de alguma família, a prestação de serviços de apoio nas cerimónias
fúnebres ou festas familiares, e ainda visitas a pessoas doentes e acompanhamento ao hospital.
IV.1.2 SELECÇÃO DAS FAMÍLIAS BENEFICIÁRIAS
Com o objectivo de apoiar o idoso e as COVs a APOSEMO, em coordenação com os chefes de
quarteirão, fez a selecção dos beneficiários a partir de um levantamento de base das principais
necessidades das famílias nas comunidades, tendo sempre presente a ideia de apoiar idosos com COVs e
em situação de vulnerabilidade. Seguidamente seleccionou as famílias prioritárias, fazendo uma relação
das mesmas. Posteriormente os beneficiários foram convidados a sugerir a associação como gostariam de
ser apoiados, de forma a que o apoio fosse sustentável para as famílias e melhorasse a vida das COVs.
Neste contexto é que algumas famílias, compostas por pessoas mais idosas, sugeriram que o apoio fosse
em carvão para a revenda, visto que é uma actividade que não implica grandes deslocações e dispêndio
de muita força, para além de que é rentável, na medida em que a maior parte da população da zona usa o
carvão tanto para cozinhar como para engomar. Outras famílias preferiram o apoio através da criação de
frangos ou de abertura de uma casa de corte e costura, por serem actividades em que já tinham alguma
experiência.
IV.1.3 PERFIL DOS BENEFICIÁRIOS
Tendo em conta que a APOSEMO é uma associação que tem como um dos objectivos defender os
interesses sociais e económicos dos idosos mais vulneráveis (os que não possuem uma pensão ou
16
quaisquer outros subsídios), os beneficiários da Matola Santos são mulheres idosas, que não se
encontram em situação de aposentadas. Estas idosas têm sob sua responsabilidade crianças órfãs ou de
mãe ou de pai, assim como de ambos progenitores. Por razões não exploradas nesta pesquisa, as idosas
A persistência de uma viúva
No quarteirão 8 do bairro da Matola Santos, vive Judite Rodrigues, viúva,
55 anos e 7 filhos, 5 a viver com ela. Judite era doméstica, e estava
são na sua grande maioria
viúvas, e um pequeno número
de
abandonadas
pelos
parceiros.
habituada a receber o que o marido trazia para casa. Após a morte do
marido começou a pedir emprestado dinheiro a pessoas próximas para
Para o grupo de discussão, a
sobreviver, duas das crianças já não iam a escola porque não tinham
maioria das famílias da sua
material, e por causa da situação de extrema necessidade vendiam água
comunidade são definidas como
na rua, outras duas, iam ao mercado ajudar a carregar mercadorias para
sendo
terem algumas moedas.
existirem
pobres,
apesar
algumas
de
famílias
Através da indicação do chefe de quarteirão foi abrangida pelo projecto da
consideradas não pobres. As
APOSEMO, recebeu carvão e começou a vender em casa, em paralelo a
famílias pobres são definidas
APOSEMO apoiou as crianças mais pequenas a irem a escola e forneceu
alimentos, aos poucos a vida começou a melhorar para as crianças e para
a família em geral, pois já não passavam necessidades. Com o apoio dos
activistas da APOSEMO, esforçou-se muito para guardar os lucros da
venda do carvão para começar outra actividade.
pelo grupo tendo em conta o
facto de não terem meios
económicos e materiais para ter
acesso a cuidados de saúde,
Judite compra tomate em quantidades maiores e revende para a
acesso a educação, acesso a
vizinhança e para algumas proprietárias de bancas no mercado local.
alimentação
Segundo Judite esta actividade lhe dá muito lucro pois o tomate é um
necessidades são todas vistas
produto muito procurado e muito usado na cozinha. As crianças frequentam
como sendo resultantes da falta
a escola e apresentam bom rendimento.
de meios económicos e ainda
diária,
estas
da falta de emprego para a
maioria das famílias. Por outro lado as pessoas pobres são também definidas em função da existência ou
não de certos parentes como pai, mãe e marido. Mesmo as famílias onde existe um membro empregado
consideram se pobres pois segundo o grupo, a pessoa não ganha um salário suficiente para aguentar com
todas despesas. É consensual que o grupo de famílias consideradas pobres são a maioria.
O dia a dia das beneficiárias entrevistadas resume se em venda de produtos de primeira necessidade na
banca de quintal ou no mercado local, e a ida às machambas. Da agricultura não colhem muito pois
17
precisam de investir mais em sementes e formas sofisticadas de regadio. Contudo, segundo as
entrevistadas, podem ter algumas verduras e culturas resistentes à seca e que não necessitam de muitos
cuidados como cacana, matapa, folhas de feijão, de batata-doce, e mandioca, dependendo da época.
Outras beneficiárias desenvolvem actividades de venda de petróleo e de capulanas.
Com o programa implementado pela APOSEMO estas senhoras receberam ajuda em carvão para
revenderem, outras passaram a ter actividades subsidiadas no aviário ou na costura. E segundo elas, as
suas rotinas diárias sofreram algumas mudanças, pois para além de o programa favorecer a existência de
uma actividade que garanta algum dinheiro para o sustento, ele também permite maior aproximação entre
as senhoras, maior coesão social do grupo e como consequência levanta a auto estima e proporciona uma
outra forma de enfrentar a vida nas mulheres.
Importa referir que, a entrada para o programa de geração de rendimentos da APOSEMO tem em conta
os critérios exigidos para se ser beneficiário, mas também obedece a uma lista de famílias prioritárias que
deve ser de 50 por cada vez, uma vez que a organização também não dispõe de fundos para apoiar a
mais famílias de uma vez. Mesmo assim, porque há mecanismos de inter ajuda entre as famílias
beneficiárias como divisão do apoio cedido para uma família por duas famílias, ou o empréstimo de apoio
como sacos de carvão, e porque o programa criou mais coesão social na comunidade e entre as famílias,
a própria comunidade encontrou localmente um mecanismo de inserir mais famílias nas actividades que
consiste em: uma família beneficiária receber apoio em carvão, por exemplo e dividir o carvão com outra
família que não foi abrangida ainda, desde que esta devolva o carvão quando chegar a sua vez de
receber, como se observa no seguinte extracto:
“também há aquelas mamãs que não fazem nada e que não tem nome nas listas ou aquelas que
têm nome mas ainda não chegou vez de receber carvão, nós ajudamos. Quando alguém recebe 4
sacos empresta 2 a pessoa que não tem, então vende e quando tem bom lucro devolve, mas
quando não apanha bom lucro espera até receber e devolve os 2 sacos à dona” (discussão em
grupo, Matola Santos)
Não obstante todas beneficiárias seleccionadas terem tido um apoio da APOSEMO de forma a garantir a
geração de rendimentos para as suas famílias, as trajectórias, as formas de gestão deste apoio variam de
família para família, uma vez que cada família tem a sua dinâmica de vida quotidiana. A boa gestão dos
18
lucros provenientes das actividades de geração de rendimentos está intimamente ligada às necessidades
básicas da família, à dinâmica da vida diária e aos problemas que nela possam ocorrer como são os casos
de doença e morte de membros e outras despesas imprevistas, tal como mostra a seguinte passagem:
“APOSEMO aqui acordou muita gente que tem muitas crianças e sofriam, porque nós somos
pobres...mesmo eu recebi carvão, vendi, mas não tive lucro porque tenho uma filha doente em
casa cujo marido morreu, e lá no hospital precisavam de dinheiro para tratamentos, agora está em
casa, mas tem medicamentos que deve tomar, esses de SIDA e precisa de comer bem, então
todo dinheiro de carvão está a acabar a tratar a ela...também não posso lhe deixar porque é minha
filha não vou deitar fora...mas há pessoas que estão melhor aqui mesmo” (Discussão em grupos,
Matola Santos).
Para famílias onde existem membros com doenças prolongadas (no caso as beneficiárias falaram de
membros doentes de SIDA, Tuberculose), os lucros acabam servindo para custear as despesas de
transporte para o hospital, de internamento, de tratamento e alimentação para os doentes e também para
algumas despesas de funeral quando morrem. Algumas beneficiárias têm filhos que emigraram para África
do Sul e Suazilândia em busca de trabalho, estes, quando ficam doentes voltam às suas casas e aqui
ficam sob cuidados das mães e irmãos, cabendo aos últimos custear as despesas do tratamento, e no
caso de morte as despesas de funerais, ficando posteriormente com a obrigação de cuidar dos netos
órfãos.
Existe ainda o facto de algumas famílias não perceberem (mesmo depois da explicação dada pelos
técnicos da APOSEMO) que o apoio não é constante, mas sim é um trampolim para que elas busquem
uma forma de subsistência a longo prazo. Esta forma de perceber o apoio, favorece uma gestão de lucros
não muito sustentável.
Mesmo sabendo da importância dos factores acima mencionados, não se pode deixar de lado o facto de
que estas famílias vivem num contexto em que precisam de diariamente garantir alimentação, frequência a
escola e cuidados de saúde para as crianças e não só, dificultando ainda mais uma gestão sustentável
dos lucros que conseguem.
19
IV.1.4 ACTIVIDADES DE GERAÇÃO DE RENDIMENTOS
Nas áreas onde a APOSEMO implementa projectos existem actividades de geração de rendimentos que
consistem em venda de carvão, criação de frangos, e uma unidade de corte e costura, mas também
existem actividades como de registo de crianças nas escolas, treino vocacional para jovens, criação de
capacidades e treinamento para os adultos, visitas domiciliárias, distribuição de uniforme, e distribuição de
sementes. Assim abaixo são descritas as actividades que se realizam nas áreas onde há programas de
geração de rendimentos visitados.
Filomena, ultrapassando os riscos na agricultura
Filomena Muchanga tem 52 anos, é viúva e mãe de 10 filhos dos quais 8 vivem com ela, e 3 netos. Dos 8 filhos
com quem vive, 3 são menores, a vida complicou se quando seu marido, única pessoa empregada na família,
faleceu. Filomena foi vivendo então de uma agricultura de risco dependente da chuva. Entrou no programa da
APOSEMO como beneficiária depois de ter sido seleccionada pelo chefe de quarteirão, beneficiou de sacos de
carvão para geração de renda, a APOSEMO registou e forneceu às 3 crianças em idade escolar apoio
educacional, que incluía material escolar, uniforme e uma cesta básica. Os activistas da APOSEMO, apoiaram
muito moralmente e foram incentivando Filomena a gerir bem os lucros de modo a garantir a renda e a fazer o
acompanhamento escolar das crianças.Com os lucros do carvão, Filomena recuperou uma máquina de costura
que estava avariada e comprou outros sacos de carvão para continuar o negócio, assim ela faz roupa por
encomenda e outros trabalhos de costura como bainhar capulanas, lenços, ou remendar roupa. Filomena sente
se melhor que antes de ter o apoio da APOSEMO, ela e as crianças também vivem melhor agora porque já vão
a escola aprender e não ficam em casa sem nada para fazer.
IV.1.4.1 CORTE E COSTURA
Tal como nas outras duas actividades foram
seleccionados 50 beneficiários para compor
este grupo. A APOSEMO forneceu máquinas
de costura e material para capacitação dos
beneficiários em corte e costura. Por outro lado,
como forma de angariar clientes a APOSEMO
encaminhou COVs com necessidades de
uniforme
escolar
para
este
grupo
de
costureiras, forneceu os tecidos e pagou por
20
cada uniforme ao grupo, este acto fez com que o grupo desenvolvesse uma actividade que pudesse gerar
fundos capazes de remunerar as costureiras.
Assim este grupo dedica se à actividade de confecção de
uniforme (para COVs assistidos pela APOSEMO), e de
roupa para particulares. Nesta actividade foram treinadas
em costura algumas mulheres beneficiárias que estão
autorizadas a desenvolver o seu próprio trabalho de
costura nas máquinas do grupo, isto é, cada beneficiária
pode ter os seus clientes e confeccionar a roupa nas
máquinas da associação sem ter que partilhar os lucros. Actualmente cada uma vai fazendo o que pode
para si mesma e não para o grupo, também tem em vista uma encomenda de grande escala, para
confeccionamento de batas para o pessoal que trabalha no aviário.
No entanto porque este grupo está de momento parado pois as suas actividades como grupo dependem
muito da existência de clientes, não foi seleccionado para visualização de histórias de sucesso, uma vez
que de momento está sem actividade.
IV.1.4.2 CRIAÇÃO DE FRANGOS
Nesta actividade, a APOSEMO também seleccionou 50 pessoas necessitadas e que compõem os
requisitos para serem beneficiários. Este grupo organizou se em uma pequena associação, a que deram o
nome de Esperança, e iniciou as actividades a sensivelmente 2 anos atrás. A este grupo a APOSEMO
forneceu, para além de capacitação na actividade, o material inicial necessário para o início da actividade
e um subsídio às pessoas directamente envolvidas na actividade. Ao longo da implementação a
APOSEMO fornecia assistência técnica e todo material necessário para o bom andamento da actividade
como vacinas para as aves, ração e instrumentos de trabalho.
Como forma de apoiar na venda dos frangos, a APOSEMO encontrou alguns revendedores de frangos e
negociou com algumas instituições o fornecimento destes frangos, a gestão dos lucros também é feita
pelo grupo beneficiário e como resultado das actividades até então desenvolvidas nesta área o grupo
conseguiu ter lucros e fundos para as próximas iniciativas.
21
IV.1.4.3 VENDA DE CARVÃO
A actividade de venda de carvão foi escolhida pelos beneficiários que acharam já não dispor de muita
energia para desenvolver outras iniciativas que requerem trabalho mais intenso e pesado, com várias
saídas de casa e
ausência
dos
afazeres
domésticos.
O
carvão é vendido
em
pequenas
quantidades
em
casa das beneficiárias, e assim estas não precisam de se deslocar para fora de casa, e tem a
possibilidade de fazer outras actividades em simultâneo com a venda de carvão.
Nas áreas onde se implementa o programa de geração de rendimento, que consiste na venda de carvão,
a APOSEMO seleccionou 50 famílias necessitadas e com COVs, e forneceu carvão para a revenda, cada
família teve direito a 4 sacos de carvão, cabia à família dividir o carvão de modo a que utilizasse uma parte
para o uso doméstico (ferro de engomar e fogão), e outra parte para a venda. A APOSEMO não interfere
(não interferiu), na gestão dos lucros, o dinheiro proveniente da venda do carvão é gerido pela família
beneficiária e esta pode decidir se continua com a mesma actividade ou se desenvolve outra actividade
desde que haja geração de rendimentos.
22
IV.1.5 ESTUDO DE CASO
A história que será contada, vem da Matola Santos, um bairro situado nos arredores da cidade da Matola
na província de Maputo. Trata se de Matilde, uma senhora de 53 anos de idade, viúva a 4 anos. A sua
família é composta por 7 membros que são, para além dela, uma irmã, 3 filhos e dois netos dos quais um
é órfão de mãe, vítima de SIDA. Matilde vive numa casa com 3 compartimentos independentes(não
ligados entre si), construídos a base de material de alvenaria e cobertos com chapas de zinco.
Casa de Matilde e seus netos
Antes da intervenção da APOSEMO, Matilde vivia sem saber como seria o dia seguinte, pois desde que
seu marido perdera a vida, ela passou a ter toda responsabilidade do sustento da família, desde a
alimentação até a frequência da escola pelos netos. Matilde possui uma pequena machamba em Jonasse
(aproximadamente 15 quilómetros da cidade da Matola), mas por falta de dinheiro pouco ou nada produzia
e quando estivesse bem de saúde (uma vez que ia a pé) era para lá onde se deslocava para buscar
algumas verduras. Nenhum membro da família estava empregado até a altura, a única fonte de renda não
muito segura era de sua irmã que vendia capulanas na rua, mas muitas vezes o dinheiro não chegava
para cobrir despesas de um dia apenas. As crianças iam a escola, “mas sem terem comido, sem material
e sem uniforme”, diz Matilde.
Através do chefe de quarteirão e através da visita feita pela APOSEMO para levantamento de principais
necessidades na comunidade no início do seu trabalho, Matilde ficou a saber do projecto. Foi seleccionada
porque tinha os requisitos usados pela APOSEMO para ser beneficiária, que eram ser idosa, viver com
COVs e em situação de vulnerabilidade (sem rendimentos, nem actividades que pudessem garantir a
geração de rendimentos para a família), assim foi inscrita na lista de beneficiários prioritários, e logo a
seguir recebeu o apoio.
23
Matilde beneficiou-se de 4 sacos de carvão em 2004
com os quais começou a revender em casa. Técnicos
da APOSEMO aconselharam a gerir os lucros e a fazer
divisão do carvão para o consumo caseiro e o carvão
para a revenda, aconselharam ainda que o apoio era
para ajudar e que ela devia garantir uma actividade
que lhe desse algum rendimento. Por isso, Matilde foi
guardando os lucros da venda de carvão, e teve a ideia
de confeccionar comida e fornecer a trabalhadores de
fábricas e empresas da zona, como a Anfrena e
Cimentos de Moçambique.
A comida consiste numa refeição básica composta por
caril e arroz, ou xima, a ementa varia diariamente,
pode ser arroz branco com caril de carne, caril de couve com amendoim, feijoada, caril de vegetais ou
frango, cada refeição custa 15 mil meticais. Segundo Matilde os clientes gostam mais de arroz com
guisado de carne ou com caril de amendoim. Os ingredientes para as comidas Matilde compra no
mercado local que dista a 5 minutos de sua casa.
Os seus principais clientes são os funcionários da Anfrena, serventes, guardas e operários, que trabalham
distante das casas, e muitas vezes não tem o dinheiro suficiente para ir almoçar em restaurantes ou
quiosques, onde os preços das refeições são relativamente caros.
Matilde começou o negócio e aos poucos foi tendo mais clientela, actualmente fornece cerca de 20
almoços por dia a trabalhadores da zona e com o dinheiro que ganha compra ingredientes para a refeição
do dia seguinte, sustenta a família, paga as despesas de escola das crianças, e as despesas correntes da
casa, tem um lucro que lhe ajuda ainda a custear as despesas da construção de um compartimento que
está a fazer para aumentar a sua casa.
Mas nem tudo foi bem neste percurso de Matilde, pois no início foi difícil ter clientes, foi difícil satisfazer os
gostos de todos os clientes, e também foi difícil ter que se deslocar a pé para os locais onde fornece a
24
comida, uma vez que a sua idade já não facilita para andar longas distâncias a pé e carregada. Segundo
Matilde, por vezes a comida sobrava, ela não era desperdício porque era consumida pelos membros da
família, mas estas sobras, faziam ter perdas nos lucros.
Para Matilde esta actividade tem vantagens porque para além de poder vender a comida que faz, ela pode
tirar um parte para o almoço da família, ou seja a actividade garante que não falte almoço para os netos
quando voltam da escola e para a família no geral. Actualmente Matilde já não pode ir sempre à
machamba para não comprometer o confeccionamento da comida, por isso só vai nos dias que pode.
Como conselho para outras pessoas Matilde diz o seguinte: ”o segredo é vender e guardar os lucros...não
usá-lo em coisas que não rendem...ajuda não vem todos os dias”.
Matilde reconhece que muitas das sua companheiras enfrentaram ou enfrentam problemas familiares
difíceis que não lhes permitem gerir os lucros a médio e longo prazo, como o caso das que tem membros
doentes, por outro lado também reconhece que algumas estão a espera de ajuda todos os dias e por isso
não fazem a gestão dos lucros a longo prazo.
A moral/lição desta história é de que nem sempre pode-se contar com ajuda e que a criatividade e
iniciativa próprias podem ajudar uma família a ter uma vida melhor, simples e honesta, tendo sempre
presente uma visão de futuro.
Matilde na sua cozinha
25
IV.2. ASSOCIAÇÃO DOS TÉCNICOS AGRO-PECUÁRIOS - ATAP
1. Nome da organização: Associação dos Técnicos Agro-pecuários
2. Localização e endereço: Avenida Vladimir Lenine, número 2040, E-mail: [email protected]
Telefone 21- 416415
3. Pessoas de contacto: Luís Lifanisso, Jorge Pascoal (827293260)
4. Data de estabelecimento: Março de 1996
5. Principais Grupos alvo: famílias carenciadas e vivendo com COVs.
6. Principais áreas de intervenção: COVs; HIV/SIDA; Segurança Alimentar e Nutrição;
Desenvolvimento Agro-pecuário sustentável, Desenvolvimento Institucional; Meio Ambiente,
Advocacia e Lobby.
7. Actividades principais: Prevenção e combate ao HIV/SIDA, apoio a COVs.
8. Área geográfica de impacto:
Província
Distrito
Gaza
Chibuto, Guijá
Niassa
Lago e Majune
Inhambane
Vilankulo e Inhassoro
Aldeia/Comunidade/Bairros
Chindzavane e Madjimisse
Maputo
A ATAP é uma associação sem fins lucrativos que surgiu oficialmente em Março de 1996, na cidade do
Maputo, e tem a sua sede nesta cidade, mas exerce funções, (dependendo dos financiamentos e das
áreas de cobertura dos projectos) em todo território nacional. No entanto a sua estrutura organizacional é
definida pelos seguintes órgãos: a Assembleia Geral, o Conselho de Administração e o Conselho Fiscal. A
Assembleia Geral constitui o órgão máximo da associação composta por um Presidente, um Vice
Presidente e três Secretários. Esta assembleia reúne se uma vez por ano, e compete-lhe deliberar sobre
todos aspectos da associação. Por sua vez o Conselho de Administração é composto por um
Administrador Geral, um Adjunto e um Vogal, este reúne se uma vez por mês e as suas competências
referem-se à gestão e administração das actividades da associação e representá-la em entidades oficias e
privadas. Por último, o Conselho Fiscal é composto por um Presidente e dois Vogais, este é um órgão a
quem compete a auditoria e controle da associação, e a fiscalização das actividades.
26
Os principias objectivos
da associação são de
contribuir
para
o
desenvolvimento
sustentável, através da
capacitação
dos
técnicos e camponeses
(em extensão rural e a
família), cooperar com o
governo
e
A vida após a “desmobilização”
O Sr. Silvano Sevene de 45 anos de idade a residir em Guijá, é casado e pai de 6
filhos e desmobilizado do exército. Ele sempre viveu da reforma, dos rendimentos
da machamba no quintal da sua casa, onde cultiva o milho, feijão, mandioca e
arroz e da carpintaria quando é solicitado a prestar tal serviço. Com o dinheiro da
reforma ele paga os estudos dos filhos, compra material escolar, alimentação para
casa, mas por outro lado tinha o dinheiro que conseguia da carpintaria ele
comprava óleo e petróleo para a revenda. Foi pela igreja, que no ano de 2004 o
Sr. Sevene conheceu a ATAP, foi seleccionado para participar numa formação de
capacitação em gestão de rendimento, plantio e na sensibilização em HIV/SIDA.
Após a capacitação, ele introduziu na sua machamba o cultivo couve, cenoura e
alface.
outras
organizações
no
desenvolvimento agropecuário
do
país,
implementando
uma
política que garanta o
apoio do Estado ao
técnico nacional, criação
de mais emprego para o
técnico, divulgação e
defesa
das
técnicas
agro-pecuárias
específicas
do
implementação
país,
Sr. Silvano na sua machamba, Guijá.
Em relação as crianças, o Sr. Sevene responde pelas despesas escolares dos
filhos, mas durante os tempos livres as crianças vão a machamba sendo que os
mais novos vão a pastagem do cabrito que eles criam. Para o Sr. Sevene, a ajuda
da ATAP foi positiva visto que desde que ele foi beneficiado pela ATAP, a
machamba familiar tem produzido o suficiente para o sustento da família e por
vezes ele fornece cebola, cenoura, alface, couve as famílias com crianças que
passam dificuldades (fome). Neste momento, pensa em adquirir gado bovino para
lavra a terra na machamba mais extensa no sentido de alargar e expandir a
produção. Para o efeito, comprou uma carroça estando apenas a aguardar a
chegada do gado bovino.
de
actividades na áreas de extensão, agro-pecuária, e actividades de desenvolvimento rural (segurança
alimentar/HIV-SIDA), e ainda a promoção do auto emprego para os técnicos agro-pecuários.
Para além das actividades preconizadas nos seus
objectivos, a associação tem estado a desenvolver
outras actividades de desenvolvimento rural, promoção
da segurança alimentar e já nos últimos 5 anos a
associação
incorporou
nos
seus
objectivos
a
componente de luta contra o HIV/SIDA e apoio técnico
na produção de culturas nutritivas à famílias com PVHS.
27
A principal meta da ATAP é de contribuir para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável no país,
alargando o seu apoio de modo a fortalecer as comunidades na produção de culturas nutritivas e recursos
alimentares para as famílias, incentivando a produção de machambas familiares ou caseiras, e criação de
animais de pequena escala, encontrar fundos para apoio aos técnicos agro-pecuários e não apenas às
famílias. Por outro lado, a ATAP tem como desafio promover cursos de formação e de aperfeiçoamento
dos técnicos de modo a melhor servirem, e a expansão das suas actividades em outras províncias dos
país, pois actualmente todas as actividades que a associação desempenha em outras províncias
dependem das obrigações e objectivos das organizações financiadoras.
A associação não tem fundos próprios (internos) capazes de cobrir as suas despesas, por isso depende
quase que totalmente dos fundos externos que provém de doadores, e parceiros como o grupo de Oxfam,
o Governo através do Ministério da Agricultura e o Instituto Nacional Agrário de Moçambique e a Save the
Children (HACI).
PROJECTO FINANCIADO PELA HACI
Nome Do Projecto
Duração/ tempo de parceria
“Hope Is Vital/ Esperança é Vital”
Desde 2004
A ATAP tem estado a estabelecer uma pareceria com HACI desde 2004. Os principais objectivos deste
projecto são o fortalecimento das comunidades em actividades de apoio às Crianças Órfãs vítimas de HIVSIDA, fornecer material escolar, proporcionar assistência à família na produção de alimentos nutritivos e a
capacitação de facilitadores locais. As áreas de intervenção focalizam aspectos relacionados com nutrição
alimentar (segurança alimentar), no que concerne ao apoio técnico agro pecuário em produção de
culturas e machambas familiares ou caseiras, na criação de animais de pequeno porte. O projecto cobre
os distritos de Chibuto (Chibuto-sede, Alto-changane e Godide) e Guijá (Nalazi e Caniçado).
O projecto é orçado em 299 Mil dólares Americanos para um período de 30 meses ( 2 anos e 6 meses),
valor que é disponibilizado em partes.
IV.2.1 ÁREAS DE IMPLEMENTAÇÃO
A ATAP desenvolve as suas actividades nas províncias de Gaza, Niassa, Inhambane e Maputo, apesar de
as actividades viradas para as COVs estarem concentradas na província de Gaza, mais concretamente
28
nos distritos de Chibuto e Guijá. As comunidades abrangidas pelas actividades apresentam características
similares não apenas por se situarem na mesma província mas também por fazerem parte de distritos
vizinhos.
No geral nota-se a presença de um líder comunitário, e polícias comunitários que têm como função
resolver problemas das famílias e da comunidade. Cabe ao líder comunitário organizar as famílias para
reuniões e encontros onde se debatem assuntos relativos a vida comunitária e para trabalhos de carácter
colectivo (criação de animais, mobilização para actividades nas machambas comunitárias, abertura de
poços).
O sucesso do Pastor
Os problemas que
assolam
as
comunidades são
o difícil acesso à
água,
falta
de
sementes
de
culturas
resistentes à seca
(
ananás,
mandioca),
e
O Sr. Fernando Tchauque pastor da igreja Nazareno, com 61 anos de idade é residente
no Distrito de Guijá, casado e pai de 8 filhos. O Sr. Fernando, a semelhança dos outros
residentes de Guijá, vivia da machamba atribuída pelo Estado aos habitantes do Distrito
de Guijá, onde produzia milho, cebola, feijão e a cenoura para alimentação, mas por não
dominar as técnicas de cultivo e plantio de culturas resistentes à seca, a produtividade
não era satisfatória e nem chegava para resolver a questão da alimentação em casa.
Foi na sua igreja, em Dezembro de 2004 que conheceu a ATAP através do técnico que
se deslocou à igreja com o objectivo de divulgar o programa da ATAP. O técnico da
ATAP capacitou os membros das famílias vivendo com COVs no cultivo e sementeira
nas machambas, introduziu cultivos resistentes à seca e ricos em proteínas e vitaminas
(cebola, tomate, cenoura, couve) para as pessoas doentes, distribuiu sementes de
feijão, tomate, cebola, cenoura às famílias. As crianças foram beneficiadas em material
escolar, como pastas, cadernos e canetas.
a
morte das aves de
criação (galinhas)
que são atacadas
por cobras. Para
resolver
problemas
água,
o
Pastor Fernando a esquerda, e parte de sua família, Guijá.
da
Para além do apoio prestado pela ATAP, a igreja de onde o Sr. Fernando é pastor tem
mobilizado os crentes no sentido de incrementar o apoio dos crentes às famílias com
crianças em situação de carência (alimentação, saúde e educação). Aos domingos
efectua-se colecta de dinheiro na igreja no sentido de ajudar os mais necessitados em
material escolar para as crianças, alimentação e em caso de doenças encaminhá-los ao
hospital. Este mecanismo de inter ajuda e o apoio prestado pela ATAP tem resultados
positivos visto que grande parte das crianças frequentam a escola e o rendimento nas
machambas familiares são satisfatórios. Com o rendimento do cultivo, muitas das
famílias deixaram de recorrer sistematicamente ao mercado para comprar hortícolas
porque já conseguem produzir nas suas machambas.
como
referimos
anteriormente, os
membros
da
comunidade
de
Chindzavane
29
abriram poços junto às machambas comunitárias por forma a captar a água, e graças a ajuda da ATAP foi
possível introduzir cultivos de hortícolas e culturas resistentes à seca. Em relação à morte das aves por
ataques de cobras, este é um problema ainda por resolver. A criação de gado é outra actividade bastante
importante para a subsistência das famílias.
Existem nas comunidades mecanismos de inter ajuda entre as famílias, que não consistem exactamente
em ajuda em bens materiais ou monetários, mas no cultivo de machambas familiares, ou seja alguns
membros da comunidade ajudam outros nas suas machambas e quando se consegue produzir algo, os
membros da comunidade partilham entre eles os rendimentos.
Os problemas das comunidades estão relacionados com o consumo de álcool, mais concretamente de
bebidas tradicionais ou caseiras, o tontontom (bebida caseira, geralmente feita a base de cereais ou
frutas). Estes problemas são resolvidos nas famílias e quando é difícil encontrar uma solução interna, são
encaminhados para, o chefe da comunidade ou mesmo a polícia comunitária.
Em algumas ocasiões foi reportada a ocorrência de imigração: gente que vem de fora para se fixar nas
comunidades, sendo que muitos dos recém chegados vêem de zonas desérticas ou abandonadas, outros
vêm da África do Sul, mas a convivência entre os recém chegados e os habitantes é descrita como sendo
pacífica.
De acordo com as entrevistas, existem muitas crianças órfãs e as causas da morte são do
desconhecimento da comunidade. Algumas pessoas voltam doentes de outros pontos onde residiam e
acabam morrendo sem se saber do diagnóstico, outras residentes na comunidade também muitas vezes
não se conhece a causa da morte porque dificilmente se tem acesso a análises clínicas, assim as crianças
são acolhidas pelos familiares dos progenitores falecidos. Os problemas que afectam estas crianças tem
a ver com a falta de roupa, falta valores monetários para acesso a cuidados de saúde (quando se
encontram doentes), e casamentos prematuros que se verificam mais entre as raparigas.
Para além da ATAP existe nas comunidades uma organização denominada Samaritan’s Purse que presta
auxílio às famílias em bens alimentares como o milho, feijão e óleo.
30
IV.2.2 A SELECÇÃO DAS FAMÍLIAS BENEFICIÁRIAS
Os beneficiários dos projectos da ATAP são famílias carenciadas e na responsabilidade de COVs, a
selecção é feita através da coordenação entre o activista, o técnico da ATAP e o líder da comunidade,
que ajuda na identificação destas famílias visto que o líder comunitário tem maior domínio da situação
das famílias, através dele, o técnico e o activista fazem um levantamento das famílias em situação de
carência e com COVs na sua responsabilidade.
IV.2.3 PERFIL DOS BENEFICIÁRIOS
Os beneficiários da ATAP são famílias vivendo com
COVs. As crianças identificadas nas famílias vivem
com os parentes mais próximos, avós e tias na sua
maioria. Grande parte destes beneficiários vivem do
apoio das organizações a trabalhar com a comunidade, incluindo a ATAP, para além da agricultura de
subsistência (com alto risco). A dependência deve-se, como foi referido, a falta de condições da terra para
produzir e de não haver dinheiro para actividades de geração de rendimento.
As famílias definem–se como sendo pobres porque dependem da criação de gado e de uma agricultura
deficiente (o trabalho agrícola é manual) virada para a subsistência familiar (com poucas possibilidades de
criar excedente), que não garante a sustentabilidade alimentar, havendo períodos de fome. Para além da
criação do gado e da agricultura, as famílias não tem outras fontes de subsistência e não tem actividades
de geração de rendimento por falta de dinheiro para iniciar tais actividades.
Não obstante, o grupo referiu-se ao facto de existirem nas comunidades algumas famílias vistas como
sendo não pobres, pois mesmo com dificuldades na agricultura criadas pela seca, estas famílias tem
outros meios alternativos de subsistência, no caso, desenvolvem outras actividades de geração de renda
fora da comunidade, muitos são proprietários de barracas em Chibuto (vila-sede).
31
As famílias tentam através de mecanismos de inter ajuda (como o fornecimento entre famílias de bens
disponíveis, provenientes ou da criação de gado, aves de pequeno porte ou das pequenas machambas
caseiras e comunitárias) minimizar os problemas de fome. Nem todas famílias podem ter as crianças a
frequentar a escola devido à distância para as escolas, restando às mesmas o desempenho de
actividades de criação de gado.
Quando perguntamos a respeito da situação das crianças, a resposta que obtivemos de umas das
mulheres presentes na discussão em grupo foi:
“...a escola está muito longe, aqui por perto não há escola, daqui onde nos encontramos levam 3 horas e
30 minutos para chegarem à escola e as crianças com 4, 5, 6 anos não podem fazer o percurso por isso
tem que começar tarde, e além dessa há uma que se encontra a 13 km” (Discussão em grupos, mulher,
Chindzavane).
A formação como segredo para a vitória
A Sra. Ângela Massango, de 33 anos de idade, viúva e mãe de três filhos é residente em Guijá. Ela viveu 3 anos
em Chimoio com o seu marido que era pastor da Igreja de Deus, mas após a morte deste em 2003 vida vitima
de doença, a Sra. Ângela vendeu a casa e mudou se para Guijá onde construiu uma casa com ajuda do pai. Já
em Guijá, era o pai quem a ajudava nas despesas de casa e na educação das crianças (na compra de
cadernos, canetas, pasta, fardamento escolar).
Sra. Ângela na sua casa, Guijá.
Em 2004, a Sra. Ângela vai trabalhar para a Comissão Distrital do STAE e do salário auferido no STAE ela fez
os acabamentos da casa, mas assim que terminou o trabalho ela ficou desempregada. No âmbito do projecto
que beneficia as famílias vivendo com COVs, em 2005 ela é contactada pela ATAP através do chefe do bairro
que registou os nomes das crianças na ATAP, depois de registadas as crianças elas foram beneficiadas em
material escolar (cadernos, lápis, canetas e pastas).
A Sra. Ângela foi também beneficiada na capacitação sobre HIV/SIDA (formas de prevenção, sintomas, e dieta
alimentar para os seropositivos) e uma formação na agricultura, a cultivar e semear a cebola, cenoura, alface,
pimenta e tomate, recebeu sementes de couve, cebola, cenoura, abóbora, tomate e repolho. Graças aos
conhecimentos adquiridos na capacitação da ATAP, a Sra. Ângela aplicou na sua machamba familiar os
conhecimentos de cultivo, e neste momento a produção da cenoura, tomate, alface, tomate, milho e cebola,
tem sido boa, parte do rendimento é para o consumo e venda, segundo ela, com os rendimentos da machamba
ela compra comida para alimentação das crianças e compra material escolar (caneta e caderno). Neste
momento ela investiu o dinheiro para a criação de galinhas para a reprodução no quintal da sua casa.
32
IV.2.4 ACTIVIDADES EM PARCERIA COM A ATAP
A intervenção da ATAP privilegia actividades na área da agro-pecuária, para famílias cuidando de COVs.
A ajuda da ATAP às famílias beneficiárias consiste no fornecimento de aves (galinhas) para a criação e
reprodução, sementes de cultivo resistentes à seca, apoio técnico agro-pecuário, apoio em material
escolar (livros, cadernos, lápis e pastas) para as crianças que frequentam a escola, e apoiam ainda em
campanhas de sensibilização às famílias por forma a incentivar que as crianças frequentem a escola. De
forma complementar há o incentivo para a criação de hortas nas escolas, integrado no novo currículo para
a educação básica que abrange um vasto leque de actividades fora da sala de aulas.
A ajuda da ATAP à comunidade trouxe algumas mudanças, mais concretamente na forma como lidar com
as culturas de resistência à seca, na necessidade de em conjunto e de forma articulada dedicarem se a
pecuária como actividade complementar a agricultura. Outro impacto do programa implementado com a
ATAP está relacionado com o facto de as crianças poderem ter material para frequentar a escola,
possibilitando aos pais que dediquem mais tempo à machamba e à criação de aves, aliviando as
dificuldades de acesso à escola .
Segundo relatos de beneficiários a ajuda da ATAP é inquestionável, a julgar pelo número de crianças que
já frequentam a escola, pela produtividade nas machambas familiares, na criação de aves para a
reprodução, mas persistem ainda alguns problemas que estão directamente ligados à seca, o que faz
com que as pessoas percorram longas distâncias para obterem a água.
33
IV.2.4 ESTUDO DE CASO
O Estudo de caso vem da comunidade de Chindzavane que dista a 40 km de Chibuto sede, localizada no
interior da província de Gaza. As actividades económicas desenvolvidas pela comunidade são o cultivo de
machambas familiares e comunitária, a criação de aves para a reprodução, a criação de gado bovino,
além de pequenos negócios como a venda de produtos agrícolas.
Antes da presença da ATAP, a comunidade de Chindzavane passava por dificuldades na agricultura
devido a seca e a falta de água em épocas em que o Verão era rigoroso, resultando numa fraca
produtividade nas machambas familiares e comunitárias. O acesso das crianças à escola e a aquisição de
material escolar tais como fardamento, lápis, caneta, livro, pasta era outro problema que se fazia sentir na
comunidade de Chindzavane.
Machambas comunitárias dos beneficiários da ATAP em Chindzavane.
Como solução, para resolver o problema da água foram abertos poços junto as machambas comunitárias
de forma a abastecê-las de água. Paralelamente à actividade agrícola, por falta de meios para colocar as
crianças e pela distância que separa a comunidade da escola, as crianças dedicavam o seu tempo à
pastagem do gado bovino. Com as cheias do ano 2000, a semelhança das povoações circundantes, a
comunidade de Chindzavane viu-se prejudicada pois destruiu-se toda a actividade agrícola e a pastagem.
Em 2004, com a chegada da ATAP e dos seus técnicos à comunidade, foram promovidas técnicas de
cultivo de produtos resistentes à seca, como é o caso da cebola e da batata-doce. A par do plantio de
culturas resistentes à seca alguns membros da comunidade foram capacitados em técnicas de plantio e
tratamento da terra, e posteriormente os mesmos tinham como missão levar as sementes e ensinar as
34
técnicas de cultivo à comunidade no sentido de garantir a produtividade nas machambas familiares e
comunitárias.
Para além das técnicas de cultivo, a ATAP presta auxílio na nutrição, que consiste na introdução do cultivo
da batata-doce e o aproveitamento da sua folha rica em proteínas para a alimentação, o cultivo da cebola,
e da cenoura. Todos estas culturas ricas em vitaminas e proteínas. A ATAP ajuda também na criação de
aves (galinhas) para a reprodução, e na fiscalização desta actividade no sentido de garantir que as
galinhas não contraíam doenças ou que seja mortas por cobras.
Com a introdução das técnicas de cultivo e com a fiscalização dos técnicos da ATAP, os rendimentos nas
machambas familiares e comunitárias subiram, a produção deixou de ser apenas para o consumo mas
também para a venda. Com o dinheiro ganho através da venda do excedente, a comunidade pretende
comprar cabritos para a criação no sentido de ajudar as famílias da comunidade. Para o efeito foi confiado
um membro da comunidade para guardar o dinheiro e não depositar no banco visto que o dinheiro ainda é
pouco.
Sendo visíveis, as mudanças verificadas na comunidade de Chindzavane (as crianças já frequentam a
escola, são poucos os casos de subnutrição, houve um aumento da produtividade e dos excedente), o
caso desta comunidade serve como exemplo de como uma colectividade organizada, que foi vítima das
calamidades naturais (cheias do ano 2000) uniu–se e tem resolvido os seus problemas através de auxílios
e da capacidade de implementar no terreno os treinamentos adquiridos desses auxílios.
Como recomendação, os membros da comunidade apontam a falta de uma moto bomba como sendo uma
questão urgente de se resolver, visto que a água dos poços por eles abertos se encontra em solo
profundo, o que torna difícil a sua extracção.
35
IV.3. ASSOCIAÇÃO KINDLIMUKA
1. Nome da organização: Associação Kindlimuka
2. Localização e endereço: Rua Engenheiro Vasconcelos de Sá nº 82.
3. Pessoas de contacto: Anifa Amade Ibraimo e Ana Sandra Filipe (824896020)
4. Data de estabelecimento: 1996
5. Principais Grupos alvo: Pessoas vivendo com HIV/SIDA e COVs.
6. Principais áreas de intervenção: COVs; PVHS; HIV/SIDA
7. Actividades principais: Apoio a COVs e PVHS, aconselhamento em HIV/SIDA.
8. Área geográfica de impacto:
Província
Distrito Aldeia/Comunidade/Bairros
Maputo-cidade
Polana Caniço, Guaxene, Incassane, Mavalane, Laulane,
3 de Fevereiro, Zimpeto, Catembe, Romão, Mahotas,
Bagamoio, Hulene, Maxaquene e Chalí.
Maputo –província Boane
Gueguegue, Picoco, São Damásio, Kongolote, Matola e
Machava Socimol.
OUVINDO AS CRIANÇAS
A luta pela Sobrevivência de 3 órfãos de pais
Félix Júlio é um menino de 15 anos, órfão de pai e mãe vítimas de SIDA. Félix frequenta a 8ª
classe na escola Secundária da Polana no curso nocturno. Tanto Félix como os seus 2 irmãos,
uma mais velha de 23 anos e um de 11 anos de idade, são beneficiários do apoio fornecido pela
Kindlimuka. Para além de uma cesta básica, recebem apoio educacional que consiste em material
escolar. Vivem na casa que seus pais deixaram. Félix e os irmãos contam também com o apoio da
sua irmã mais velha, Olinda, que trabalha como empregada doméstica na cidade de Maputo, e com
o dinheiro que ela ganha conseguem cobrir outras despesas da família. Félix é beneficiário de um
curso de carpintaria e estufaria que a Kindlimuka proporcionou. Nas palavras de Feliz: “acho que
este curso vai me ajudar, quando eu acabar vou ser mestre e as pessoas aqui na zona vão
me chamar para fazer biscates, pôr portas, fazer cristaleiras e cadeiras...eu acho boa coisa
este curso porque hei de ir a escola a noite e de dia vou fazer trabalhos e vou conseguir
viver”. Félix gostaria que o seu irmão também aprendesse um ofício, para que também possa
contribuir com as despesas de sobrevivência da família, e ajudar a irmã mais velha, que é a única
que trabalha.
36
A Kindlimuka é uma associação que nasce em 1996 na AMODEFA (Associação Moçambicana para o
Desenvolvimento da Família), através de um projecto de aconselhamento para o HIV/SIDA, é uma
associação que congrega
pessoas que vivem com o
HIV/SIDA e simpatizantes, e
torna se oficial em 1998, a
Kindlimuka tem a sua sede
localizada na cidade de
O complemento da poupança
A Sra. Marta Ngove, de 42 anos de idade é residente no bairro da Polana
Caniço “A”, avó de quatro crianças. A situação das crianças do início era difícil
porque não estavam registadas e consequentemente não estavam
matriculadas na escola. A Sra. Marta não sabia como registá-las porque não
tinha dinheiro para o fazer e nem tinha conhecimento dos procedimentos a
seguir.
A situação das crianças foi reportada a Kindlimuka aquando do levantamento
realizado pela activista na companhia do chefe do quarteirão com a
autorização do círculo do bairro, em Janeiro de 2005.
Maputo.
Em termos organizacionais, a
Kindlimuka está estruturada
da seguinte maneira: tem
uma Assembleia Geral, uma
Direcção e um Conselho
Fiscal. A Assembleia Geral é
o órgão deliberativo e é
constituída
por
todos
associados, este órgão é
composto por um Presidente,
um Vice Presidente e o
Secretário, esta assembleia
reúne se uma vez por ano e
a ela compete deliberar sobre
alterações
ao
estatuto,
admitir novos membros.
A ajuda foi em registo e inscrição das crianças na escola, apoio em material
escolar (caderno, livros, lapiseira, fardamento), em alimento/cesta base (Óleo,
feijão, sabão ,amendoim, leite, açúcar, arroz). Actualmente, com ajuda da
Kindlimuka nos estudos das crianças, parte do dinheiro que ela tinha
guardado para ajudar as crianças está sendo usado para reabilitar a casa e
construir mais um quarto para que as crianças, pelo facto da casa ser
pequena.
Depois de concluir a construção do quarto, como está menos sobrecarregada
nas despesas com as crianças, a Sra. Marta pensa em usar parte da
poupança e abrir um negócio como fonte de rendimento. Sempre que ela
depara com pessoas a passar por dificuldades, ela encaminha à Kindlimuka
no sentido de serem beneficiadas da ajuda e através deste apoio
conseguirem levar avante iniciativas de actividades que possam garantir
rendimento.
A Direcção é um órgão colegial de execução, gestão e administração da associação, é composta pelo
Presidente, Vice Presidente e Secretário Executivo, a Direcção executa as deliberações da Assembleia
Geral, e representa a associação em juízo e fora dele. Por fim, o Conselho Fiscal que é um órgão de
auditoria composto por um Presidente e dois Vogais, examina as contas e a situação financeira da
associação.
37
A associação conta com cerca de 480 membros. Do pessoal de apoio existente, uns tem direito a um
subsídio (cerca de 90),e os restantes trabalham a título voluntário, mas em situação de crise de fundos, o
pessoal de apoio está preparado para trabalhar sem subsídios, apenas motivados pelos objectivos da
associação. A associação conta com algumas infra estruturas próprias como uma machamba de hortícolas
em Boane e um terreno em Albazine que funciona como estaleiro (venda de material de construção).
As principais actividades da Kindlimuka são aconselhamento (este trabalho é feito nos GATV do Hospital
Central de Maputo, no centro de saúde da Polana Caniço e no Gabinete de Aconselhamento que existe
nas instalações da Kindlimuka) e luta contra a estigmatização, cuidados domiciliários aos doentes de
SIDA, advocacia e aconselhamento para adolescentes e jovens nas escolas. Também desenvolve
actividades de geração de rendimentos para os membros: como a costura, a produção de hortícolas e na
produção de blocos de construção. Destas actividades provém os fundos internos da associação que
cobrem as despesas de subsídios do pessoal de apoio e gera rendimentos para as famílias e membros
beneficiários. Porém a maior parte dos fundos da associação é externa e provém de parceiros e doadores,
cobrindo a maior parte das despesas de actividades e de manutenção da própria associação .
O principal objectivo da associação é apoiar de todas as formas os seropositivos e doentes de SIDA bem
como as crianças órfãs de pais vítimas de SIDA, incentivando a solidariedade social e educando a família
e a comunidade para prevenção desta doença. Assim, o grupo alvo da associação são os PVHS doentes
de SIDA, bem como COVs e famílias.
A Kindlimuka desenvolve actividades na cidade e província de Maputo, no entanto tem representações em
quase todas as províncias do país, embora estas tenham designação em língua local. Devido a esta
situação e de forma a que a associação seja representada no país nasceu a organização RENSIDA que
representa as pessoas vivendo com HIV/SIDA. Os principais parceiros da Kindlimuka são a SAT, UNICEF,
HACI, ROTARY CLUB, IVOS, CNCS, PNUD, Cooperação Francesa, Action Aid, Oxfam, Cogv e
Cooperação Suíça.
PROJECTO FINANCIADO PELA HACI
Nome Do Projecto
“Integração e Apoio a Crianças Órfãs e Vulneráveis”
Duração/Início
2004
A parceria entre a Kindlimuka e a HACI iniciou em 2004 através de um financiamento para projectos com
38
COVs, no âmbito da implementação do projecto “integração e apoio a crianças órfãs e vulneráveis”,
que tem como objectivo principal apoiar as COVs e famílias nas comunidades. Foram desenvolvidas
actividades tais como, visitas aos domicílios e apoio psicossocial, distribuição de uniforme escolar, registo
das crianças, acompanhamento hospitalar e escolar, distribuição de cesta básica de alimentação,
distribuição de agasalho, mantas e lençóis, distribuição de material escolar, formação de 41 crianças em
corte e costura, e 99 crianças em carpintaria e estufaria. Formação de pais e mães, activistas baseados
nas comunidades, activistas da associação e líderes comunitários para atendimento e cuidados às COVs
e PVHS.
O grupo alvo são as COVs e famílias. As áreas de intervenção do projecto incluem alguns bairros da
cidade de Maputo (Polana Caniço, Mavalane, Laulane, 3 de Fevereiro, Zimpeto, São Damásio, Catembe,
Kongolote, Romão, Mahotas, Bagamoio, Matola, Hulene, Maxaquene, Machava Socimol), e no distrito de
Boane (Gueguegue e Picoco).
OUVINDO AS CRIANÇAS
Em breve, teremos uma carpintaria
Rafael Chimange é órfão de pai e a mãe é doméstica. Rafael tem 16 anos e frequenta a 7ª classe. Ele, a mãe e
seu irmão de 4 anos residem no Bairro Polana Caniço. A kindlimuka apoia a família através de material escolar e
cesta básica e também através do curso de carpintaria para Rafael. Rafael diz que gosta muito do curso e diz que
esta a aprender muito e gostaria rapidamente de terminar o curso e começar a trabalha. Rafael diz ainda que
“para mim...o curso é muito bom, eu gosto de carpintaria porque permite fazer muitos trabalhos e são
trabalhos que as pessoas procuram...bancos, mesas, portas...eu só não gosto de estufaria...eu ate já
tenho algumas pessoas que me precisam para trabalhar, mas só que não tenho máquinas para trabalhar,
quando eu tiver algum dinheiro vou logo comprar máquina para cortar madeira e para polir, para poder
trabalhar sozinho e ajudar a minha mãe”. Segundo Rafael gostaria de continuar a estudar para aprender outras
coisas, mas já decidiu que quer ser carpinteiro e quer abrir a sua própria carpintaria no quintal de casa.
39
IV.3.1 ÁREAS DE IMPLEMENTAÇÃO
Apesar de possuir ligações com várias redes similares ao nível do país a Kindlimuka encontra-se
actualmente a desenvolver as suas actividades na cidade e na província de Maputo, cobrindo cerca de 20
bairros/comunidades no total. As comunidades que fazem parte destas áreas estão organizadas em
quarteirões. As actividades económicas no seio das comunidades incluem a agricultura e a pesca
artesanal, cujo fruto é comercializado para as barracas. Estas actividades estão mais direccionadas a
subsistência das famílias. Durante o Inverno a actividade pesqueira é interrompida e lança-se a
comercialização de produtos como tomate, cebola no mercado.
Os problemas que são comuns na comunidade estão relacionados com roubos em residências e assaltos
nas ruas, violações a mulheres e crianças, grande parte dos residentes são desempregados e dedicamse a pequenos negócios em barracas como a venda de tomate, pão, cebola para poderem sobreviver.
Invariavelmente existe um chefe do bairro e pais de famílias que tem como função organizar as famílias
para reuniões e encontros onde se debatem assuntos relativos a vida comunitária, resolução de
problemas que possam surgir no seio das famílias, e encaminhar, caso não se consiga resolver, ao chefe
do bairro caso ele não consiga resolver então o caso é encaminhado para o círculo.
40
Uma história do bairro Polana Caniço
Esta história vem do bairro da Polana Caniço quarteirão 4, na pessoa da Sra. Felizarda Alberto Manhiça
de 34 anos de idade, viúva e mãe de 5 filhos.
Sra. Felizarda e 3 dos seus 5 filhos, Polana Caniço “A”
A Sra. Felizarda Alberto Manhiça viveu sempre com o seu marido, do qual teve 5 filhos até a data em que
ele faleceu de doença.
Desempregada e com os filhos sem acesso à escola por falta de dinheiro para os matricular, a Sra.
Felizarda vivia da actividade pesqueira praticada pelo seu marido na praia da Costa de Sol em Maputo.
Em 2004 quando perde o marido, coube a ela o sustento das crianças. Ela passou a dedicar-se a
pequenos negócios de carácter informal (venda de tomate, carvão, limão, cebola) graças a ajuda cedida
por amigos ligados à igreja que emprestaram algum dinheiro para ela comprar o carvão, tomate, limão,
para posterior revenda.
Em Dezembro de 2004, em coordenação com o chefe do bairro e a activista da Kindlimuka, a Sra.
Felizarda foi identificada como sendo uma das várias famílias no bairro vivendo com COVs. Depois de ser
identificada pela Kindlimuka, as 5 crianças foram registadas e matriculadas na escola, as crianças foram
beneficiadas em material escolar (livros, canetas, cadernos e fardamento escolar) e em alimentação,
arroz, feijão, amendoim, óleo, leite e sabão.
Neste momento, para além da ajuda da Kindlimuka em cesta base e no apoio em material e uniforme
escolar, a Sra. Felizarda Alberto Manhiça confessa ter mais tempo para dedicar ao seu negócio (venda de
carvão, limão, cebola e tomate) como complemento da ajuda prestada pela Kindlimuka. Não tem tido falta
de compradores por isso a receita do negócio lhe permite comprar comida para alimentar as crianças e ter
algum dinheiro para levá-los ao hospital no caso de doença.
Segundo ela, é necessário muita força de vontade e determinação para ultrapassar as dificuldades.
41
Em relação à problemática do SIDA, beneficiários contactados dizem ter conhecimento da sua existência,
e que conhecem pessoas padecendo de HIV-SIDA. Em relação às crianças cujos os pais foram vítimas
desta doença, os beneficiários dizem que a comunidade cria mecanismos no sentido de as ajudar. Ao fim
de semana são organizadas actividades recreativas com as crianças e apoio psicossocial. Contudo foram
igualmente reportados casos de violência contra a criança.
Existem organizações como a Kulima que ajuda em
matricular as crianças e auxílio em medicamentos, o
INAS que presta ajuda em refeições e dinheiro para
pequenos negócios de carácter familiar. O Hospital de
Dia do Hospital Central de Maputo tem prestado auxílio
em medicamentos e aconselhamentos em HIV/SIDA.
IV.3.2 A SELECÇÃO DAS FAMÍLIAS BENEFICIÁRIAS
A selecção dos beneficiários em todos as áreas da Kindlimuka é feita através de um trabalho de
identificação das famílias que é coordenado pelo chefe do bairro em colaboração com a Acção Social,
visto que ele conhece a realidade sócio económica das famílias, e dos activistas. Este levantamento é feito
casa a casa, onde são identificados todos os membros das famílias e as condições nas quais as famílias
vivem.
IV.3.3 PERFIL DOS BENEFICIÁRIOS
A Kindlimuka é uma associação que tem como um dos objectivos prestar auxílio às pessoas afectadas
pelo HIV/SIDA, onde se incluem famílias com COVs. A organização tem prestado auxílio tanto a famílias
cuidando de crianças vulneráveis, como directamente a algumas dessas crianças. As famílias residentes
no bairro são definidas como sendo pobres, porque apesar de existirem algumas famílias consideradas
não pobres, grande parte delas não tem meios económicos e materiais para ter acesso a cuidados de
saúde, acesso à educação, alimentação, estas necessidades são todas vistas como sendo resultante da
falta de emprego. As pessoas sobrevivem vendendo produtos como tomate e pão nos mercados ou na
porta da sua residência.
42
Dadas as dificuldades que enfrentam tem sido difícil a essas famílias arranjarem mecanismos alternativos
ou complementares às ajudas da Kindlimuka, sobretudo pelo facto de não haver condições (dinheiro,
emprego) por forma a gerar rendimento. Apesar delas terem um biscate, existem momentos que a procura
de produtos como o pão, o tomate e a cebola é baixa o que faz das famílias mais dependentes das ajudas
em comida e das ajudas das organizações que nelas trabalham.
A agricultura e a pesca artesanal são as principais actividades que servem para colmatar as dificuldades,
mas no presente a actividade agrícola não garante sustento por falta de chuvas regulares, o que faz da
terra pouco produtiva. A pesca artesanal é praticada pelas
mulheres, com pequenas redes, elas fazem-se ao mar a
procura de peixe para a venda e consumo. A actividade
pesqueira somente é possível no Verão porque durante o
Inverno é difícil fazer-se ao mar.
O desemprego é uma característica comum das pessoas
que vivem nas comunidades, não há quem tenha um
negócio próprio, negócio de geração de rendimento, porque
a maior parte das pessoas não tem meio nem forma de criar negócio que possa gerar rendimentos.
Apesar de grande parte das crianças frequentarem a escola e a comunidade criar actividades recreativas
para as crianças durante os períodos em que não têm aulas, as famílias vivendo com COVs tem tido
muitas dificuldades no dia a dia derivadas do elevado número de membros nas famílias e das dificuldades
de garantir o sustento para todos.
Em relação a problemática da SIDA, os beneficiários dizem ter conhecimento da sua existência através
dos diagnósticos médicos que são informados aos parentes próximos. Segundo constatamos durante a
discussão em grupo, o hospital passou a optar em informar ao parente próximo a respeito do estado de
saúde de um familiar pelo facto de muitos dos doentes, após terem o conhecimento da sua
seropositividade não voltam ao hospital para serem medicados e muitas vezes não informam aos
familiares sobre o seu estado de saúde.
43
Apesar de muitas famílias estarem a ser beneficiadas pela Kindlimuka, existem muitas outras a viverem
Peixe ajuda na educação das crianças
A Sra. Florinda Zimba, de 44 anos de idade, mãe de 6 filhas é casada, desempregada, vive no bairro de
Maxaquene “A” na cidade de Maputo. A família da Sra. Zimba vivia dos rendimentos da marido, que
trabalhava na empresa Prolar mas que por motivos de saúde foi despedido. Coube à Sra. Zimba a
responsabilidade de sustentar a casa com ajuda dos dois seus filhos que lavavam carros no ponto final, na
cidade de Maputo, para ajudar nas despesas de casa. Os restantes apenas ficavam em casa porque não
estudavam por não estarem registados.
Em Dezembro de 2004, o activista da Kindlimuka identificou e registou a família da Sra. Zimba com o auxílio
do chefe do quarteirão. A Kindlimuka apoiou as crianças na inscrição escolar, em material escolar (estojo,
cadernos) e cesta base (arroz, sabão, leite, açúcar, óleo, feijão e amendoim). Para além da ajuda da
Kindlimuka, a Sra. Zimba dedica-se a confecção de peixe para venda em locais próximos a bares no período
da noite. Por dia ela consegue ter um lucro de 390 Mil meticais, parte do valor a senhora utiliza para comprar
mais peixe e o restante do dinheiro para as despesas da casa.
Sra. Florinda Zimba preparando o peixe em sua casa, Maxaquene.
A situação actual do negócio tem sido satisfatória, segundo as suas palavras, pelo facto de ter sempre
pessoas a comprar lhe o peixe, e com lucros ela consegue fazer poupanças com objectivo de aplicar em
outras necessidade, como é o caso de hospital em caso de doença, pagar a escola dos filhos, comprar comida
para casa. Nos dias de chuva ela quase não consegue vender o seu peixe, porque quando chove as ruas do
bairro de Maxaquene ficam cheias de água tornando-as intransitáveis e as vezes difícil de sair de casa.
em condições de pobreza absoluta. Essas pessoas moram em habitações de construção com material de
caniço, vulneráveis a chuvas e vendavais e erosão. Muitas dessas pessoas são desempregadas e não
tem nenhuma actividade de geração de rendimento.
IV.3.4 ACTIVIDADES IMPLEMENTADAS
No espírito das suas actividades e considerando o carácter semi-urbano da sua área de actuação,
Kindlimuka tem fornecido apoio a famílias beneficiárias, que cuidam de crianças vulneráveis, e tem
prestado assistência directa a crianças. Ao nível familiar existe a distribuição da chamada “cesta básica”
44
que inclui óleo, arroz, feijão, farinha, açúcar, amendoim, sabão, leite, etc. Este suplemento alimentar
permite melhorar a dieta das pessoas doentes e ajuda bastante aqueles que estejam a cumprir com uma
medicação. Para além disso são realizados encaminhamentos, para o hospital, de membros das famílias
que se encontrem doentes.
No caso das crianças existe
um apoio que se destina a
OUVINDO AS CRIANÇAS
matricular e manter na
escola
as
vulneráveis.
Um futuro contabilista
crianças
As
crianças
Diogo, é um menino de 11 anos que frequenta a 4ª classe, é o terceiro de 3
recebem material escolar e
irmão. Ficou órfão de pais aos 8 anos e passou a viver com avó paterna no
fardamento quer estejam
bairro de Mavalane, mas após a morte desta no ano passado, Diogo passou a
integradas
famílias
viver numa família substituta no bairro da Polana Caniço. Diogo recebe apoio
beneficiárias ou sejam elas
educacional (material escolar e uniforme), foi registrado pela Kindlimuka,
em
próprias
directas.
beneficiárias
Com
vista
a
planificação do seu futuro
algumas
crianças
recebe ainda uma cesta básica que é dada à família. Segundo Diogo,
actualmente vive bem porque a sua nova avó e irmã o tratam bem. Segundo
Diogo, “já não fico sem comer e tenho cadernos e canetas para a escola”.
Diogo vai a escola nas manhas, nas tardes faz os deveres de casa e ajuda em
pequenos afazeres domésticos como ir ao mercado comprar pão, e ir buscar
(adolescentes) frequentam
seu irmão mais novo à creche. Para Diogo a vida esta melhor desde que foi
cursos
vocação
enquadrado na nova família, “...aqui vivo bem, a minha avó e minha irmã
profissional com apoio da
me tratam bem...brinco com meu irmão pequeno, faço TPC da escola e...
Kindlimuka. De entre os
não ando a pedir comida e dinheiro na rua como lá em Mavalane...tenho
vários cursos ministrados
fardamento da escola que a mana Olga trouxe e deram lá no círculo,
incluem-se corte e costura,
cadernos também”. Quando questionado sobre o que gostaria de ser no
carpintaria
futuro Diogo respondeu:
de
e
estofaria.
Contudo, uma das ajudas
mais importantes para as
crianças
tem
sido
a
atribuição de certidões de
“eu...não quero ser professor...quero ser
contabilista como meu tio...gosto de ir a escola lá tenho amigos e
brincamos... gostamos de fazer desenhos e pintar...” No entanto, Diogo
lamenta o facto de estar distante de seus irmãos, mas diz que sempre que
pode vai visitá-los
nascimento que as possibilitam adquirir toda a restante documentação que os possibilita ter acesso aos
serviços sociais básicos.
45
IV.3.4 ESTUDO DE CASO
A história que será contada, vem Bairro de Chali em Catembe nos arredores da cidade de Maputo. A
história a ser referenciada é da senhora Helena Novela, de 46 anos de idade, mãe separada com 9 filhos
e desempregada.
Das 9 crianças, grande parte delas são de pais diferentes. Neste momento ele vive com quatro, porque
duas estão casadas e outras vivem com os respectivos pais. A mais velha tem 14 anos e frequenta a
quarta classe, a outra tem 8 anos e frequenta a terceira classe, a terceira criança tem 7 anos e frequenta a
segunda classe. Por último tem um com 3 anos de idade.
Depois de se separar do sexto marido, Sra. Helena passou por momentos difíceis, teve que alugar uma
casa para viver com os filhos. Como não tinha emprego, dificilmente ela conseguiu pagar o aluguer da
casa. Ela foi expulsa da casa, no bairro de Bagamoio, nas periferias da cidade de Maputo por falta de
pagamento e teve que ir a rua debaixo de chuva, ela e os filhos. Decorria do ano de 1986-87.
Nos anos que se seguiram, ela foi vivendo contanto com ajuda de algumas pessoas conhecidas que lhe
foram dando abrigo. No ano de 2003, apercebendo se do problema, a irmã leva lhe para viver na
Catembe. Uma vez chegada a Catembe, a irmã deu-lhe 5 chapas de zinco para construir uma casa.
Construiu a casa e lá passou a viver com os quatro filhos, porque um esta com o pai em Bagamoio.
Sra. Helena contando a sua história.
Depois de fixada, a Sra. Helena, a semelhança de outras mulheres da comunidade, passou a dedicar —
se a pesca para a venda e consumo.
46
Decorria o ano de 2005, através de um levantamento no bairro das famílias carenciadas vivendo com
COVs, feito pelo activista da Kindlimuka, o chefe do bairro e com a ajuda da sua irmã Lea Novela, a Sra.
Helena conhece a Kindlimuka.
Depois de entrar em contacto com Kindlimuka, uma das primeiras medidas foi o registo das crianças. Em
seguida foram matriculadas na escola e disponibilizaram fardamentos escolares para as crianças. A par da
ajuda em registo e material escolar, a Kindlimuka fornece ajuda em alimento (óleo, arroz, feijão, farinha,
etc.), minimizando o problema da alimentação. Como complemento da ajuda da que a Kindlimuka presta,
quando lhe perguntamos o que ela faz, Sra. Helena respondeu:
“Eu vou a praia pedir a pessoa que tem rede, entramos juntos, eu ajudo depois dividimos o peixe.
O peixe é para consumo e venda (...)”. (discussão em grupo, Mulher, Chali).
Nos dias em que não há peixe no mar, ela apenas compra o tomate e revendia pelas ruas da Catembe
com ajuda da filha mais velha. Segundo foi apurado da Sra. Helena, não tem sido frequente ela sair do
mar sem o peixe, mas, caso se verificasse, ela comprava o tomate através de um empréstimo feito a
uma amiga no valor de 70 Mil Meticais. Dos 70 Mil Meticais, 50 Mil eram para a compra do tomate e os 20
Mil para o transporte e os lucros serviam para o sustento, mas quando não havia compradores ela
regressava a casa com o tomate que era consumido. Uma vez que o preço do tomate subiu, a Sra.
Helena largou a venda do tomate.
A semelhança das outras famílias, a Sra. Helena tem na agricultura uma fonte de rendimento, que quando
a chuvas chuva cai com regularidade ela consegue produzir para a venda e consumo. Quando a chuva
torna –se escassa e com ela a produtividade baixa, a Sra. Helena pede empréstimo nas barracas dos
produtos para garantir a alimentação em casa, saldando as dividas no período em que os lucros voltam a
fazer – se sentir.
Neste momento sente que as dificuldades têm tendência a reduzir porque tem os filhos na escola e toda a
assistência escolar. Isso da - lhe a espaço de desenvolver negócios próprios e tempo para o fazer no
sentido de ir complementar a ajuda da Kindlimuka e não ficar totalmente dependente dela.
Com moral da história, pode se dizer que a Sra. Helena serve de exemplo de como a determinação pode
47
mudar o rumo na vida das pessoa, como a inter ajuda de familiares e amigo são importantes na resolução
de alguns problemas. Com o apoio da Kindlimuka na inscrição das crianças na escolar, o auxílio em
material escolar como o lápis, o caderno, livros, em alimentos como óleo, arroz, feijão, pode ter mais
tempo para dedicar –se a actividade de que lhe pudessem dar rendimento e não viver apenas das ajudas
da Kindlimuka.
É de salientar que tendo em conta o seu trajecto ate ir viver na Catembe, a Sra. Helena seria o exemplo
de como através de uma rede de solidariedade familiar e social ela tem se dedicado em actividades que
lhe permitam tornar menos dependente apenas das ajudas provenientes dos outros (familiares, amigos, da
Kindlimuka), e menos vulnerável a situação de pobreza.
No canto superior esquerdo, a irmã da Helena, Lea Novela
48
IV.4. SOCIEDADE PARA MULHER E SIDA - SWAA
1. Nome da organização: Sociedade para Mulher e SIDA em África
2. Localização e endereço: Maputo, Avenida Eduardo Mondlane, n° 2044, 2 ° andar.
3. Pessoas de contacto: Emília Adriano, Maria Laura, Filomena Manhique (823984742)
4. Data de estabelecimento: 2001
5. Principais Grupos alvo: Mulheres e crianças infectadas ou afectadas pelo HIV/SIDA
6. Principais áreas de intervenção: Mulher, HIV/SIDA e COVs
7. Actividades principais: aconselhamento, visitas domiciliárias e apoio a PVHS e COVs
8. Área geográfica de impacto:
Província
Distrito
Maputo-cidade
Distrito urbano nº 5,
Maputo-Província
Aldeia/Comunidade/Bairros
Xipamanine e Chamanculo C
Distrito de Marracuene
9. Observações (outros factores relevantes para a análise do parceiro e que não tenham sido cobertos
por nenhuma das secções acima). SWAA faz parte dos membros fundadores da HACI juntamente
com a CARE, Aliança Save the Children, WRCP e Visão Mundial.
49
A SWAA – Moçambique é uma associação sem fins lucrativos que nasceu em 2001, por
iniciativa de 5 pessoas que trabalhavam na área do HIV/SIDA. A organização adoptou de
início os princípios da SWAA internacional, no entanto só em 2002 esta associação tornou se
oficial.
Ivone, a vitória após a testagem
Mãe de dois filhos e separada, Ivone de 23 anos de idade foi abandonada pelo seu marido logo que
começou a ficar doente, por isso voltou a viver com sua mãe. Ivone continuou doente e isolada em
casa, não sabia ainda de que padecia pois não tinha ido ao hospital para análises e tratamento, a
cada dia o seu estado piorava e já não conseguia tratar de si sozinha.
As activistas da SWAA chegaram até ela através da indicação de algumas pessoas vizinhas. Logo
nas primeiras visitas as activistas da SWAA aconselharam na a ir ao hospital, depois de muitas idas
sem melhorar, as activistas aconselharam-na ao teste de HIV/SIDA, que resultou em positivo. Ivone
iniciou de imediato o tratamento com ATV, porque os medicamentos eram bastantes fortes a SWAA
começou a apoiar Ivone através de uma cesta básica. Por outro lado a SWAA forneceu material de
construção para melhorar a casa (caniço e chapas de zinco), e apoio educacional a um de seus
filhos em idade escolar.
Passados mais de 6 meses de tratamento Ivone sente se muito melhor e já voltou a fazer as
actividades domésticas normais, agora Ivone abriu uma banca em casa onde vende cocos e laranjas,
em paralelo ela compra carne de vaca em quantidades e revende em casa, Ivone diz ter alguns
lucros que ajudam na subsistência de seus filhos, porém gostaria de poder ter um trabalho melhor
pois sente se capaz. Ela continua a seguir o tratamento e os conselhos médicos a risca por isso não
tem tido recaídas. Para Ivone o apoio moral e material, a crença na recuperação da sua saúde, foi
muito importante.
A SWAA Moçambique está sedeada na cidade de Maputo, com uma extensão no distrito de
Marracuene – Maputo, sendo que ela conta com cerca de 80 membros na sua maioria
mulheres. Está organizada de acordo com os seguintes órgãos: a Assembleia Geral, o
Conselho de Direcção e o Conselho Fiscal. A Assembleia Geral congrega todos os associados
e é o órgão máximo da associação que funciona com base em sessões ordinárias que se
realizam duas vezes por ano.
50
Uma das competências da Assembleia Geral é de eleger o Presidente, o Vice Presidente, a
Secretária, os Vogais e os restantes órgãos sociais. No entanto, as eleições dos órgãos da
associação realizam se de 4 em 4 anos por meio de voto individual.
O conselho de direcção, tem como competências dirigir, administrar e representar a
associação em juízo ou fora de juízo, este conselho reúne se uma vez em cada mês e é
composto por uma Presidente, Vice Presidente, Tesoureiro e Vogais. Uma das competências
principais deste conselho é de garantir o bom cumprimento dos objectivos da associação,
administrando e gerindo as actividades.
Em relação aos recursos humanos, a associação conta com 9 funcionários (excluindo os
voluntários), que são: a coordenadora dos programas, uma enfermeira conselheira, duas
conselheiras, um contabilista e um tesoureiro, dois guardas e um oficial de limpeza, todos
estes têm um subsídio da associação. Para além destes a associação conta com activistas e
alguns voluntários que de acordo com as necessidades têm actividades na associação.
A associação não tem infra-estruturas próprias, e as instalações onde trabalham foram
cedidas a título de arrendamento.
Assim, a SWAA tem como principal objectivo contribuir na luta contra o SIDA com maior
enfoque para a mulher e para as crianças, e tem estado a desenvolver actividades como apoio
a mulheres e crianças infectadas ou afectadas pelo HIV/SIDA (no tocante a alimentação,
educação e actividades de geração de rendimentos), aconselhamento para o teste do
HIV/SIDA, visitas domiciliárias aos doentes. As principais metas da SWAA são de expandir as
suas actividades para outros pontos do país, o que esta dependendo de apoios externos em
diversas áreas como logística e finanças, e recrutamento de pessoal capacitado.
As áreas de acção da SWAA compreendem bairros da cidade de Maputo (distrito urbano
número 2, Xipamanine e Chamanculo), e o distrito de Marracuene e o seu grupo alvo são
mulheres e crianças infectadas ou afectadas pelo HIV/SIDA, porém devido a situação
encontrada nas comunidades onde trabalha, o grupo alvo passou a incluir também homens,
pois muitos deles também têm sido responsáveis por COVs.
51
Quanto ao suporte financeiro, a associação tem fundos provenientes dos pagamentos de
cotas e jóias dos membros ou associados, porém estas não têm muito peso nas despesas
totais. Em termos percentuais as contribuições não cobrem 10% das despesas, por isso a
associação depende dos fundos externos dos parceiros e doadores.
Os parceiros financiam as actividades da SWAA e todos os programas. A associação tem
como parceiros a SWAA internacional, Embaixada da Finlândia, a FDC (Fundação para o
Desenvolvimento da Comunidade) e a Save the Children. Através da HACI as contribuições
não são fixas, com excepção das ajudas recebidas da SWAA internacional organização mãe.
Os mecanismos de gestão dos fundos disponíveis, dependem da coordenação dos projectos e
das necessidades em termos de actividades, sempre sem perder de vista que os verdadeiros
beneficiários são mulheres e crianças, afectadas ou infectadas pelo HIV/SIDA.
PROJECTO FINANCIADO PELA HACI
Nome do projecto
Duração
Redução dos efeitos do HIV/SIDA nas crianças órfãs e Setembro 2005 - Março 2006
pessoas vivendo com o HIV/SIDA
52
OUVINDO AS CRIANÇAS
História de Merinha
Com 16 anos de idade, Merinha Fátima frequenta a 5ª classe, ela e seus 4 irmãos são orfãos de
mãe e residem com a avó materna e os tios no bairro de Xipamanine. Merinha, como é
chamada, e seus 2 irmãos mais novos recebem apoio da SWAA, que consiste em cesta básica,
matricula e material escolar e ainda uniforme escolar. Para não ficar totalmente dependente,
Merinha beneficiou-se de um curso de trancas, ministrado no gabinete da SWAA em Março
deste ano.
No final do curso Merinha e outras participantes do curso receberam Kits de mexas para
iniciar o trabalho. Ccom o curso, Merinha diz ter aprendido “...a fazer tranças, mexas e
outros penteados no cabelo...”, segundo Merinha o curso ajuda a muito, pois para alem de ir a
escola faz trancas as pessoas sempre que é solicitada e cobra para as tranças mais simples
15,00 e para as mais complexas 75,00, e com o dinheiro diz ela “compro coisas que eu
preciso...e as vezes também ajudo a minha avó para aumentar para comprar comida para
nós”. No entanto, a Merinha referiu-se ao facto de actualmente não ter muitos clientes porque
não tem a mexa para fazer o trabalho, pois muitas preferem que ela trabalhe com o material dela
pagando no fim por todo serviço. Merinha ainda não sabe o que gostaria de ser no futuro, mas
diz quer “...continuar a estudar para trabalhar e ajudar meus irmãos mais novos e a minha
avó que nos cria!”
53
A parceria entre a SWAA e a HACI nasceu logo que a SWAA iniciou as suas actividades em
2003, e tem se estendido até este ano, embora os projectos estejam já no seu término. A
SWAA tem estado a preparar outras propostas de actividades para submeter a HACI de modo
a encontrar se algum financiamento.
No entanto os objectivos principais eram, primeiro, de reduzir o impacto do HIV/SIDA na vida
das COVs e prolongar a vida dos pais vivendo com SIDA. O segundo era a elaboração de um
plano estratégico e melhorar a capacidade institucional da SWAA para melhor gestão e
implementação de serviços a ser prestada as COVs.
Para
este
projecto
os
beneficiários
eram
O exemplo do Xipamanine
No ano 2004, Bia adoeceu muito e estava, segundo suas palavras “imóvel e
400
acabada”. A sua família já não sabia o que fazer por isso um a um foram
Crianças órfãos
abandonando, mãe solteira com 5 filhos e avó de um neto, Bia tem 43 anos, e
e
vive no Bairro do Xipamanine.
100 PVHS,
no
entanto,
as
Através dos comentários da vizinhança as activistas da SWAA foram informadas
actividades do
da existência de Bia, a princípio ela não queria receber visitas, mas com
durante
projecto foram
identificadas
494
crianças
órfãs
e
vulneráveis
e
120 PVHS.
insistência da organização foi possível, o passo seguinte foi aconselhá-la a se
dirigir ao hospital, mas como Bia não conseguia andar, as conselheiras
ajudaram na e acompanharam –na. Poucos dias depois ela ficou a saber que
era seropositiva e o seu estado psicológico piorou. Bia resistiu a adesão ao
tratamento por muito tempo, mas depois de muito trabalho das activistas ela
aceitou, o seu estado de saúde começou a melhorar. Actualmente Bia diz sentir
se bem chegando as vezes a não acreditar que ela é seropositiva. Para além
deste incentivo a SWAA apoia as crianças mais novas de Bia em material
As actividades
escolar e cesta básica, a família também recebeu apoio em material de
deste
construção para reabilitar parte da as que entrava água no tempo da chuva.
projecto
consistiram em
realizar
visitas
domiciliárias as
famílias
COVs
com
e
Bia vende maheu e como complemento faz xitique com outras senhoras em
situação idêntica a dela para ajudarem se umas as outras. Com a venda de
maheu Bia tem lucros diários e com o xitique ela tem lucros mensais que lhe
ajudam nas suas despesas.
54
doentes . Durante as visitas eram feitos os aconselhamentos e prestação de cuidados de
saúde aos doentes. Aproveitou-se a ocasião para ensinar as famílias como cuidar de doentes
e aos doentes aconselhava-se também a cumprir com a medicação e o controle médico.
Foram realizados encontros com pessoas vivendo com HIV/SIDA para discussão de assuntos
como: discriminação, importância de cumprir com a medicação, prevenção e uso do
preservativo. Os participantes gostaram da ideia de se encontrarem para discutir seus
problemas que até propuseram encontros semanais por grupos.
Outras actividades já desenvolvidas centram-se no apoio a Mulheres e COVS na educação, no
registo de crianças, alimentação (através de uma cesta básica distribuída as famílias
beneficiárias), e no aconselhamento para o teste de HIV/SIDA.
Por outro lado o projecto treinou 18 mulheres seropositivas em gestão de micro projectos. A
maioria destas mulheres contraiu SIDA mas hoje já em tratamento se sentem melhores e
estão em condições de fazer a sua vida normal. Destas que participaram no curso, 8 já
iniciaram actividades de geração de renda.
Também treinou 20 COVs do sexo feminino, que participaram num curso de tranças, onde o
objectivo era de dotar as crianças de habilidades para obter uma renda capaz de satisfazer
algumas despesas pessoais. O projecto cobriu os bairros de Xipamanine e Chamanculo C, na
cidade de Maputo.
55
OUVINDO AS CRIANÇAS
Quero ser enfermeira
“ Eu tenho 15 anos e estudo na 6ª, tenho um irmão pequeno, meu pai e minha mãe nos fugiram
e ficamos com minha avó, mas ela não anda, tem problemas das pernas”, diz Marta Tomas, uma
menina que recebe apoio da SWAA em material escolar, uniforme e cesta básica. Como forma de
gerar renda, a SWAA forneceu lhe um curso de tranças em Março, para Martinha o curso foi de grande
ajuda pois ela faz tranças a muitas pessoas, vizinhas, amigas e colegas das escola:
,
“sim tranço...aquelas com cabelo é 15 ou 20 contos, agora aquelas que custam muito finas com
mexa é que é 75 contos...este dinheiro é este que compro caril em casa e compro roupa no
mercado...sim porque a cesta básica não vem caril só óleo, arroz, feijão, açúcar sabão..então eu
compro ou peixe ou couve e tomate, para caril com dinheiro das tranças”. Tal como Merinha,
Martinha lamenta já não ter mexa para trancar, e depende do material que a cliente tem e sendo assim
ela ganha menos. Martinha quer ser enfermeira para cuidar de doentes, e ela inspira-se nos cuidados
que ela presta à sua avo. Gosta de brincar com as amigas, mas diz que tem pouco tempo, pois antes
de ir a escola Martinha cozinha, dá banho à sua avó e prepara-lhe o mata-bicho. Martinha gostaria de
ter mais apoio pois segundo ela a vida tem sido difícil.
56
IV.4.1 ÁREAS DE IMPLEMENTAÇÃO
A SWAA A trabalha com famílias que tem doentes de SIDA e COVs, residentes nos bairros de
Xipamanine e Chamanculo, bairros peri-urbanos que situam-se nos arredores da cidade de
Maputo, as famílias, bem como as comunidades estão organizadas em quarteirões, tendo
cada quarteirão um chefe e os bairros tem os secretários, estes organizam as famílias em
actividades que dizem respeito aos quarteirões e aos bairros em geral.
As casas estão localizadas umas próximas das outras podendo haver num quintal 2 ou mais
casas cada uma pertencente a uma família e todas estas partilham espaços como o quintal e
nalguns casos a casa de banho, a maior parte das construções são de madeira e zinco e
poucas são de alvenaria cobertas com chapas de zinco. As casas são separadas por ruas
estreitas.
Os principais problemas enfrentados nestes bairros são relativos a falta de água canalizada
que só existe em poucas casas, a criminalidade que é muito abundante e acontece a qualquer
hora e em qualquer lugar dos bairros, não obstante os bairros terem serviços policiais, porém
segundo o grupo os policias são poucos para as necessidades dos bairros, e muitas vezes
estes policias não tem meios para interceptar os criminosos, ou permanecem indiferentes as
actividades destes.
O grupo não se referiu a problemas de acesso a escola para as crianças pois existem escolas
acessíveis perto das casas, apenas para acesso a cuidados de saúde, pois segundo o grupo,
os hospitais para além de estarem uma distância que necessite de transporte, registam na
maior parte do tempo muita afluência dificultando o atendimento, outros problemas são a falta
de recursos financeiros para acederem aos cuidados de saúde, e que os gratuitos nem
sempre incluem a medicação, e quando incluem, raras vezes há disponibilidade de tal
medicação, sendo necessário ir a uma farmácia particular, o que exige recursos financeiros.
Uma vez que o grupo era composto por PVHS, um outro problema relatado tem a ver com a
discriminação que têm sofrido, nas famílias e na vizinhança, ate ao ponto de alguns doentes
ou PVHS serem alvo de pancadarias, insultos e isolamento, como se pode perceber no
seguinte extracto;
57
“sim há muitos problemas de discriminação aqui, os vizinhos basta te verem magra e
doente te apontam com os dedos e outros não falam connosco, já quando sabem que
tens SIDA e pior porque nem te olham e ate dizem a morta viva ou cadáver
ambulante, na minha vizinhança eu ninguém me cumprimenta” (discussão em grupos,
mulher, Xipamanine)
De acordo com o grupo, não existem muitos mecanismos de apoio entre as famílias ou nas
comunidades, cada família vive contando consigo própria, não há contribuições em bens ou
valores para ajudar doentes ou em cerimonias fúnebres, a única forma de ajuda que existe é
em prestação de serviços (como tirar água, ajudar nos serviços domésticos) em cerimonias
fúnebres. Também não existem segundo o grupo outras organizações para além da SWAA,
que apoiam as famílias mesmo as que não tem PVHS ou COVs.
“ajuda?! (risos), só vejo SWAA, aqui as pessoas ate podem te ver a morrer e não
ajudam nada...só insultam e discriminam só porque tem SIDA” (Discussão em grupo,
homem, Xipamanine).
IV.4.2 A SELECÇÃO DAS FAMÍLIAS BENEFICIÁRIAS
Com vista a localizar famílias com pessoas doentes e com COVs, a SWAA trabalhou em
coordenação com os chefes de quarteirão e secretários do bairro, de forma a sensibilizar os
lideres da comunidade através de encontros onde se falou da situação do HIV/SIDA e situação
das crianças órfãs (SWAA, relatório de actividades, 2006). Posteriormente e as conselheiras e
as activistas foram visitando os doentes e foram fazendo o levantamento das principais
necessidades. Muitas famílias tinham doentes que não sabiam exactamente de que padeciam,
mas com base no aconselhamento a organização conseguiu que muitos doentes se dirigissem
aos hospitais de modo a saberem de que padeciam e a terem acesso ao tratamento. Foi neste
contexto que muitas pessoas descobriram a sua seropositividade e porque a maioria começou
a fazer o tratamento anti-retroviral, ou porque estavam em estado grave e tinham crianças na
sua responsabilidade, a organização começou a fornecer apoio em alimentos básicos,
matriculas e uniforme para as crianças em idade escolar.
58
IV.4.3 PERFIL DOS BENEFICIÁRIOS
Tendo em conta que um dos principais objectivos da SWAA é de contribuir na luta contra o
SIDA com maior enfoque para a mulher e para as crianças, a maior parte dos seus
beneficiários são mulheres, quase todas seropositivas, doentes ou afectadas pelo SIDA,
tendo, maridos ou filhos doentes ou falecidos e crianças órfãs na sua responsabilidade. As
idades dos beneficiários variam, mas a faixa etária mais predominante é a dos 18 aos 48 anos.
Muitas das mulheres são viúvas e algumas foram abandonadas pelos parceiros, por causa da
situação da doença , quase todas são desempregadas, e sobrevivem fazendo pequenos
negócios como vender produtos de primeira necessidade em casa ou nos mercados locais,
revender roupas compradas na África do Sul ou Swazilândia, outras são vendedoras
ambulantes de maheu (bebida caseira feita a base de farinha de milho), água ou frutas da
época.
De beneficiária à activista: a história de Delfina
Delfina Quimisse é uma mulher de 40 anos mãe de duas filhas e viúva, suspeita se que seu marido
tenha morrido de SIDA. As suas filhas pararam de frequentar a escola por falta de meios. Delfina
trabalhava na venda de pães em sua casa, mas parou quando ficou doente e o diagnóstico foi
HIV/SIDA.
Fazendo visitas domiciliárias a doentes indicados pelo chefe de quarteirão, as activistas da SWAA
descobriram Delfina, e aconselharam na a ir ao hospital para ter acesso ao tratamento, começou o
tratamento mas quis desistir por causa da pressão dos medicamentos e das necessidades de se
alimentar devidamente, mas a organização apoiou a em alimentos através de uma cesta básica
mensal, forneceu cobertores e material de construção para recuperar parte de sua casa. Por outro
lado a organização facilitou o regresso à escola de uma de suas filhas a qual apoiou em material
escolar, Delfina também beneficiou se de um curso de angariação de fundos. Através deste curso
ela e outras mulheres seropositivas da zona angariam fundos para o grupo fazer pequenos
negócios. Delfina também é activista da SWAA, por isso faz visitas domiciliárias e apoia
moralmente outras mulheres necessitadas, pois acredita que para que a situação física e
psicológica da pessoa melhore é necessário, segundo Delfina, muito apoio moral e muita força
interna, por outro lado, Delfina afirma que a informação sobre a doença também é importante tanto
para os doentes como para as pessoas que estão a sua volta de modo a evitar o estigma e
discriminação.
59
De acordo com o grupo de discussão a maior parte das famílias de suas comunidades são
pobres, e esta pobreza é definida em função da capacidade que as famílias tem de responder
aos problemas básicos relativos a alimentação e cuidados de saúde, sendo que a maioria das
famílias, não tem o que comer, nem como se deslocar a uma unidade sanitária quando tem
problemas de saúde, pois, não tem recursos financeiros para tal, e tem muitos membros
desempregados, podendo ser possível encontrar numa família de 10 pessoas e só um
membro esta empregado ou mesmo nenhum.
Nestas famílias consideradas pobres, cada dia representa uma luta pela sobrevivência, as
crianças algumas vão a escola com fome, descalças, sem material escolar, outras desistem de
ir a escola e outras saem de casa dizendo que vão a escola, mas porque tem fome não
chegam a escola e ficam nas ruas a pedir esmola, ou a fazer trabalhos como o de guardar e
lavar viaturas para poderem adquirir algo para comer, assim mostra o discurso;
‘’as crianças...outras não vão a escola por falta de material, outras fogem para a rua,
outras andam ai a pedir dinheiro e comida na rua...sofrem muito, outras crianças
ajudam as pessoas que tem muita carga a carregar as compras lá no mercado, outras
limpam carros e guardam.” (discussão em grupo, mulher, Xipamanine).
Com o trabalho da SWAA nestas famílias beneficiárias, muita coisa mudou, segundo o grupo a
SWAA tem estado a apoiar não apenas materialmente, mas principalmente moralmente, e em
muitas famílias havia doentes que estavam em crise total de saúde, que era agravada pela
pobreza e pela discriminação tanto para os que já sabiam da seropositividade, como para os
que mesmo não sabendo do seu estado, apresentavam sintomas comummente conhecidos
como sendo do SIDA (emagrecimento, queda de cabelo, tosse, diarreias, fraquezas e
problemas de pele). Por outro lado porque ter um membro da família doente há muito tempo
implica gastos adicionais, muitos dos doentes eram ignorados ou isolados.
60
O trabalho da SWAA, suas conselheiras e activistas para estas famílias foi desde a luta contra
a discriminação nas famílias, o aconselhamento para que o doente se aproximasse a unidade
sanitária para receber cuidados e para fazer o teste de HIV, ate ao aconselhamento para
seguir o tratamento anti-retroviral quando seropositivo, e uma vez a fazer tratamento, o apoio
também
era
Beatriz, a vendedora de amendoim
em
alimentos
Saber que era seropositiva foi possível através de uma tosse, que afinal era uma
(cesta
básica)par
a o doente
e para a
família
e
tuberculose que foi se arrastando e foi tomando conta da saúde de Beatriz Saveca, de
53 anos de idade e mãe de 7 filhos, dos quais 3 estão doentes com SIDA. Beatriz
perdeu o seu marido quando tinha 46 anos, depois fiou durante muito tempo doente e
já não saía de casa, nem sequer se levantava da cama, conta Beatriz que ;“ já não
contava que a esta altura estaria viva e que podia ver o dia...”Através da indicação do
ainda
chefe de quarteirão, as activistas da SWAA chegaram ate a casa de Beatriz, a princípio
apoio em
as conselheiras foram fazendo alguns cuidados domiciliários, as activistas levaram-lhe
material
ao hospital. Beatriz fez o teste de HIV/SIDA e este foi positivo logo em seguida
escolar
começou a fazer o TARV. O apoio da SWAA continuou e a família começou a receber
para
as
uma cesta básica alimentar, recebeu material de construção para proteger a sua casa
crianças
das chuvas. A saúde de Beatriz começou a melhorar e ela recomeçou a cuidar de seus
na
filhos menores com mais atenção, estas crianças também tiveram apoio educacional
responsabi
lidade
da
pessoa
por parte da SWAA e Beatriz já podia fazer o acompanhamento. Beatriz acreditou na
sua recuperação e trabalhou para isso ouvindo os conselhos das activistas e dos
médicos. Já melhor de saúde, Beatriz começou a vender amendoim, o que lhe garantia
algum dinheiro para sobrevivência da família, mas porque 2 dos seus filhos
doente,
seropositivos foram hospitalizados ela já não pode trabalhar e tem que cuidar deles.
segundo
um dos entrevistados;
“comigo...eu só agradeço a SWAA, porque minha mulher me maltratava por estar
doente, discriminava-me assim como a família dela, as conselheiras falaram com ela,
agora ela me ajuda, também dão comida para as crianças e uniforme.” (Discussão em
grupo, homem, Xipamanine).
Segundo os entrevistados, o trabalho da SWAA, tem estado a ter um bom impacto, nota-se
que muitos dos doentes que antes estavam em estado grave, que não podiam se deslocar
sozinhos nem sequer se alimentar, encontram-se em melhor estado, e já voltaram a fazer
61
actividades normais e diárias, embora a maioria esteja desempregada, muitos sentem-se
capazes de trabalhar ou fazer algo por si e suas famílias. Por esta razão é que o grupo afirma
que o impacto do projecto da SWAA em suas vidas é bastante positivo, pois mais do que ter
ajudado materialmente, a organização ajudou muito a levantar a auto estima das famílias em
geral e dos doentes em particular, assim como ajudou no melhoramento relacionamento com a
família.
Não obstante o apoio prestado e a sensibilização que é feita, segundo o grupo, algumas
famílias continuam discriminando membros seropositivos ou doentes de SIDA, agredindo-os
ou abandonando –os, também existem casos de doentes que abandonam os tratamentos ou
tem praticas de risco, não cumprem com os requisitos da medicação, como não consumir
beber bebidas alcoólicas ou fumar, e como consequência agravam o seu estado de saúde ou
morrem deixando crianças órfãs sozinhas ou com avos. Nestes casos a organização apoia as
crianças através de uma cesta básica que consiste em alimentos básicos como arroz, óleo,
feijão, açúcar, amendoim e na educação, fazendo matriculas, fornecendo uniforme e material
escolar.
IV.4.4 PRINCIPAIS ACTIVIDADES
IV.4.4.1 APOIO A FAMÍLIAS COM COVS
Com esta actividade a SWAA tem objectivo de reduzir a vulnerabilidade de crianças e também o
encargo de assistir as crianças órfãs na responsabilidade de familiares, principalmente avos com
poucos meios de subsistência. O apoio fornecido pela organização consiste em alimentos, cesta
básica (arroz, óleo, açúcar, farinha, feijão) para as
famílias dependendo do número de crianças órfãs
que tem esta cesta é levantada pela família, no
gabinete da SWAA no Xipamanine todos os
meses, apoio no registo e identificação das
crianças, visto que muitas ficaram órfãs sem antes
serem registadas, apoio educacional que consiste
em matriculas nas escolas, fornecimento de
material escolar como pastas, cadernos, livros ,
lápis, e ainda apoio em roupa e calcado para as
crianças.
62
Existem ainda algumas famílias com problemas de habitação deficiente beneficiaram de material de
construção ( caniço, barrotes, cimento, pregos e estacas) e outras receberam panelas, mantas e
esteiras segundo as necessidades.
IV.4.4.2 ACONSELHAMENTO NA ÁREA DE HIV/SIDA E VISITAS DOMICILIÁRIAS
O aconselhamento é feito no gabinete de aconselhamento que esta localizado no Xipamanine,
este serviço é extensivo a qualquer pessoa que precise, consiste em aconselhar as pessoas
para saberem da sua situação, fazendo o teste de HIV/SIDA e caso aceitem que entendam
que não tendo o vírus não significa que não deva se preocupar, mas que devem comportar se
de forma a não contrai-lo nunca seguindo uma vida positiva e evitando riscos de contracção.
por outros lado o aconselhamento também e feito no sentido de se a pessoa tiver o vírus, não
se desesperar ou pensar que tudo acabou, mas fazendo perceber que se seguir uma vida
regrada tal como recomendada pelos médicos pode viver mais, pois HIV/SIDA não é sinónimo
de morte.
As visitas domiciliárias são feitas especificamente a PVHS, muitas delas doentes, nestas
visitas as conselheiras procuram saber do estado dos doentes e procuram se inteirar do
processo de tratamento, isto é , se vai as consultas regularmente, se toma os comprimidos nas
horas certas, também procuram perceber como tem sido o relacionamento com família.
Aproveitava-se também a ocasião para ensinar as famílias como cuidar do doente.
Porém segundo os entrevistados, este trabalho não e fácil, pois muitas vezes os doentes ficam
em estado psicológico não bom e evitam visitas e conversas com pessoas de fora de casa,
como consequência alguns não se motivam a ir as consultas e tem recaídas no seu estado de
saúde. Por outro lado, porque as pessoas vizinhas sabem que se as conselheiras visitam
PVHS, algumas famílias e doentes, não permitem visitas domiciliárias com o medo da
discriminação, preferindo nalguns casos deslocarem se os doentes para o gabinete de
aconselhamento.
Não obstante o impacto desta actividade e considerado pelos entrevistados como sendo bom,
pois como resultado muitas pessoas ficam a saber da sua situação e seguem o tratamento
quando seropositivos, e são apoiados moral e materialmente pela SWAA, outros mesmo não
63
sendo seropositivos sensibilizam-se e tornam-se activistas, fazendo trabalho voluntário de
aconselhamento a outras pessoas.
IV.4.4.3. TREINAMENTO DE COVS E MULHERES SEROPOSITIVAS
No decorrer desta actividade, o projecto treinou 18 mulheres HIV + em gestão de micro
projectos, e também 20 COVs do sexo feminino num curso de tranças. O objectivo do
treinamento é de dotar as mulheres e crianças de habilidades para obter uma renda de
forma independente e capaz de satisfazer algumas despesas pessoais.
Como resultado algumas crianças e mulheres já estão a praticar e a tirar alguns benefícios dos
cursos .
64
IV.4.5 ESTUDO DE CASO
Esta é a história de Olga, de 26 anos de idade, seropositiva e viúva, seu marido faleceu a 2
anos e suspeita-se que tinha SIDA, pois não tinha feito o teste. Olga era uma das esposas de
seu marido (eram no total duas, e ela era a segunda), tem 2 filhos que recentemente fizeram
o teste e são HIV negativos.
Logo após a morte do marido Olga foi abandonada pela família deste que lhe negava os
direitos de esposa, por isso passou a morar com sua mãe e seus irmãos, um pouco depois
Olga começou a ficar doente, tinha problemas de pele, tuberculose e se deslocava com
dificuldades porque estava fraca, com ajuda dos irmãos foi ao hospital, e o diagnostico era
sempre de Malária, fazia a medicação, ficava boa uma semana, mas os sintomas voltavam, na
semana seguinte, ficou doente quase um ano.
Olga foi piorando e os irmãos começaram a discrimina-la, chegando a bate-la, privando a de
comer e a insultá-la, as crianças tinham dificuldades em tudo pois Olga não tinha meios para
os sustentar. A mãe apoiava com o que podia ter da venda no mercado. Porém a doença
tomou conta de Olga e ela já nem sequer podia levantar-se, e o seu estado psicológico
também não era bom.
Olga, contando a sua história.
Com a indicação de algumas pessoas vizinhas, dizendo; “ ali naquela casa tem uma
doente...vão lá ver”, as conselheiras e activistas da SWAA foram fazer visitas a Olga e sua
família, aconselharam a família a levar Olga ao hospital e convenceram Olga a fazer o teste
65
de HIV/SIDA, uma vez feito o teste e com resultado positivo, Olga foi aconselhada pelas
conselheiras do hospital a seguir o tratamento, caso ela concordasse, devia informar alguém
da família próximo.
A seguir Olga foi submetida a outras análises clínicas e começou a fazer o tratamento da
infecção oportunista que tinha (tuberculose), e tratamento anti-retroviral no Hospital de dia do
Centro de Saúde do Alto Maé, este tratamento consiste em comprimidos chamados
antiretrovirais que ela toma duas vezes por dia, de manha e a noite, mas o tratamento também
inclui consultas mensais com o medico e aconselhamento e acompanhamento por psicológico,
através deste acompanhamento Olga fala do que lhe incomoda em relação a doença, da
reacção que tem tido por causa dos comprimidos, e tem tido acesso a palestras no hospital.
Para aguentar a forte reacção dos medicamentos no organismo, Olga precisava se alimentar
bem, e de estar psicologicamente preparada, por isso e por causa da situação de extrema
necessidade em que se encontrava a Olga e família a SWAA foi dando apoio moral e também
em alimentos, uma cesta básica (contendo arroz, feijão, óleo, açúcar).
“ as conselheiras ajudam porque fazem visitas aos doentes e eu ate não queria fazer
teste, a dona Laura é que me ajudou eu nem andava, ela me acompanhou para o
hospital e depois comecei a fazer tratamento e a SWAA me deu comida porque
aqueles medicamentos roem a barriga...’’
Por outro lado a SWAA apoiou/apoia as crianças de Olga em termos educacionais (matricula
na escola fornece fardamento e material escolar). As activistas mostraram a Olga que a vida
não terminava por causa da doenças e que ela tinha filhos por cuidar, para além de que era
muito jovem, por isso continuaram a visita-la e a apoia-la, sempre aconselhando a não desistir
do tratamento e a cumprir com a medicação
Logo que começou a melhorar Olga participou num curso de activista e num curso de
angariação de fundos fornecido pela SWAA. Actualmente Olga esta segundo ela
“irreconhecível”, esta muito melhor, sente-se bem e capaz de fazer qualquer actividade que
durante muito tempo não podia, faz o tratamento a mais de 6 meses e cumpre com a
medicação e com as recomendações medicas dadas como de não fumar, não perder noites
sem dormir, evitar a reinfecção e evitar infectar outras pessoas.
66
Graças ao curso que a SWAA forneceu ela pode trabalhar como activista comunitária da
SWAA, faz visitas domiciliárias e aconselha outras pessoas que estão como ela estava,
doentes com muitos problemas e desgostos da vida, sem meios para se sustentarem a si seus
filhos ou família. Porque há muito mais pessoas necessitando de apoio Olga já não recebe a
cesta básica da SWAA, mas continua a trabalhar como activistas, e seus filhos tem sido
apoiados em uniforme e material escolar.
Embora só a sua mãe saiba do estado de Olga (os irmãos de Olga só sabem que ela sofria de
tuberculose), a discriminação que sofria em casa principalmente por parte dos irmãos já não
acontece pois Olga esta melhor de saúde e também porque a sua família tem mais
conhecimento sobre a doença e sobre as desvantagens de discriminar alguém.
A lição desta história é de que o apoio moral e familiar é importante para alguém doente e com
muitas necessidades básicas, pois segundo Olga na altura em que estava doente e com a
moral em baixo, tudo era pior e a sua vontade era de desaparecer, mas quando sentiu o apoio
da SWAA e depois da sua família, mesmo continuando doente, sentia se gente, e lutava para
melhorar e poder fazer alguma coisa pelos seus filhos.
Por outro lado, esta história ensina que, culpabilizar a pessoa por ser seropositiva ou por estar
doente e discriminar não ajuda em nada no bem estar físico e psicológico do doente, o mais
importante é fazer perceber ao doente e as pessoas que pode-se prolongar a vida de uma
pessoa doente de SIDA, que pode-se melhorar e mudar mesmo quando parece impossível.
67
IV.5. CONSELHO DAS RELIGIÕES DE MOÇAMBIQUE - COREM
1. Nome da organização: Conselho das Religiões de Moçambique – COREM
2. Localização e endereço: Av. Vladimir Lenine n°1837, Maputo
3. Pessoas de contacto: Leonardo Adamowicz, Alfredo Come (829517780)
4. Data de estabelecimento: 1992 – Fórum das Religiões: 1998 – Conselho Inter-Religioso
de Moçambique – CIRM: 2004 - Conselho das Religiões em Moçambique (COREM).
5. Principais Grupos alvo (máximo dois): Jovens e Comunidades.
6. Principais áreas de intervenção: COVs; Juventude; HIV/SIDA; Valores Morais
7. Actividades principais (máximo três):
8. Área geográfica de impacto:
Província
Maputo
Gaza
Sofala
No âmbito da assinatura dos Acordo Geral de Paz em 1992, foi formado Fórum Inter-Religioso,
com o objectivo de facilitar e mediar a assinatura do acordo geral de paz em Moçambique e
em seguida o CIRM (Conselho Inter-religioso de Moçambique). Em 1998 foi realizada a
primeira reunião do CIRM e iniciadas as actividades inter-religiosos em prol da paz. Em 2000
foram iniciadas reformas estruturais que resultaram com profundas transformações e registo
da nova associação denominada Conselho das Religiões em Moçambique - COREM (em
Fevereiro de 2004). O COREM, iniciou a cooperação com o Conselho Mundial para a Paz e
religião, esta colaborou com a COREM, para a formação de um fórum religioso mais amplo em
Moçambique.
Fazem parte da COREM as seguintes comunidades: o Conselho Cristão de Moçambique,
Comunidade Judaica, a Comunidade Bahai, a Liga dos Escuteiros de Moçambique, o
Conselho Islâmico de Moçambique, a Comunidade Hindu, Aga Khan, comunidade Johrei,
comunidade Budista, Igreja Católica – Romana, Tradicional Africana, Brahma Kumaris e Igreja
Ortodoxa-Grega.
68
Os principais objectivos do COREM são: estabelecer e divulgar a cultura de paz, contribuir
para a redução do HIV/SIDA e da pobreza absoluta no pais, fortalecer as comunidades para
restabelecerem os princípios éticos e valores morais e educação para os jovens. Foram
realizados vários acordos com a ONUSIDA, que têm como a finalidade, a capacitação dos
lideres tradicionais na área do HIV-SIDA (Maputo, Xai-Xai e Beira).
A COREM tem como metas, realizar uma Assembleia Geral (prevista para Novembro
próximo), capacitar os lideres religiosos na luta contra o HIV/SIDA, lutar contra a pobreza
absoluta envolvendo os religiosos nas comunidades urbanas e distritos, restabelecer os
valores e ética na camada juvenil, promover os respeito para os valores universais e locais,
expandir as actividades para as restantes províncias do pais.
Em relação aos recursos humanos, quase todos trabalham como voluntários excluindo a
secretaria executiva e dois guardas.
Os fundos existentes na organização provem do pagamento de cotas e jóias dos membros e a
maior parte provem dos parceiros que são a ONUSIDA (Organização das Nações Unidas para
SIDA) e WCRP (Conselho Mundial para a Paz e Religião ).
PROJECTO FINANCIADO PELA HACI
Nome do projecto
Sem Dados
Duração
Sem Dados
A COREM cooperou com a HACI através de um financiamento em Fevereiro de 2005, o
financiamento era devia ser de 44.200 dólares americanos, que não foram transferidos na
totalidade (falta de 4000 USD), a parte até então transferida foi usada, para actividades de
capacitação institucional mas não se tem clareza das actividades, e não foi possível ter acesso
a alguns relatórios de actividades.
No presente a COREM não tem projectos financiados pela HACI, pois desenha se uma nova
parceria para um futuro próximo.
69
IV.6 . INICIATIVA DE ESPERANÇA PARA AS CRIANÇAS AFRICANAS - HACI
1. Nome da organização: Iniciativa de Esperança para as Crianças Africanas (HACI)
2. Localização e endereço: Av. Tomas Nduda n°1489 Maputo, Tel.: 21493140
3.
Pessoas de contacto: Earnest Maswera, 829674040
4. Data de estabelecimento: 2000 HACI – Nairobi - sede - 2002 HACI –Moçambique
5. Principais Grupos alvo: Crianças afectadas pelo HIV/SIDA e seus responsáveis
6. Principais áreas de intervenção: COVs e HIV/SIDA
7. Actividades principais: Financiamento, capacitação, e fortalecimento de OBC, OBF,
ONG e parceiros que apoiam a COVs.
8. Área geográfica de impacto:
Província
Maputo
Nampula (em instalação)
A Iniciativa de Esperança para a Criança Africana – HACI é um esforço pan-africano criado
para abordar os enormes desafios enfrentados por milhões de crianças Africanas que ficaram
órfãs devido ao SIDA ou vivem com os pais sendo que estes estão doentes ou a morrer devido
a doenças relacionadas com o SIDA. Fundada em 2000, esta parceria única junta sete
organizações que partilham um enfoque internacional – CARE, Network for African People
Living with HIV/AIDS (NAP+) “Rede para as Pessoas Africanas Vivendo com o HIV/SIDA
(NAP+), Planificação, Save the Children, the Society for Women and AIDS in África (SWAA)
“Sociedade para Mulheres e SIDA em África”, World Conference of Religion for Peace (WCRP)
“Conferência Mundial da Religião para a Paz” e a Visão Mundial – trabalhando em conjunto
para aumentar a capacidade das comunidades locais para providenciarem apoio aos órfãos e
outras crianças órfãs em África.
A HACI esta em 9 países de África nomeadamente, Kenya, Uganda, Moçambique, Camarões,
Zâmbia, Senegal, Etiópia, Malawi, e Ghana onde desenvolve actividades diversas de apoio a
COVs e as suas famílias, no entanto a HACI teve expandir as suas actividades para mais
países africanos, prevendo atingir em 2010 13 ou 15 países.
70
Os principais objectivos da HACI nos 9 países onde trabalha são de desenvolver a
sensibilidade e reduzir o estigma à volta do HIV/SIDA; Alargar a vida no seio do
relacionamento pai – filho e preparar as famílias para a transição, e assegurar o futuro das
crianças Com o primeiro objectivo a organização pretende encorajar mais actividades de
forma a que haja mais sensibilização diminuindo o medo e aumentando os esforços de
cuidados, com o segundo, pretende se diminuir a vulnerabilidade da criança em relação a
orfandade e ao mesmo tempo preparar as famílias para o futuro das crianças.
Em Moçambique a HACI tem com objectivo principal Reduzir o impacto do HIV/SIDA sobre as
vidas das crianças órfãs e vulneráveis em Moçambique através de uma parceria eficaz com os
grupos comunitários, ONGs locais e internacionais, organizações religiosas e organizações
comunitárias de base e organismos do governo na implementação de intervenções
comunitárias de prevenção do HIV/SIDA, cuidados, apoio e mitigação do impacto. A HACI tem
ainda como objectivo, mobilizar fundos e mobilizar recursos humanos capacitados para ajudar
a equipe das organizações com quem tem parceria.
As principais actividades desenvolvidas pela HACI são parceria e financiamento de OBC,
OBF, apoio técnico e institucional, desenvolvimento de capacidades institucionais e advocacia,
financia ainda actividades de geração de renda, apoio educacional e em necessidades
básicas, cuidados de saúde, prevenção de transmissão vertical de HIV/SIDA, cuidados
domiciliários aconselhamento e apoio psicossocial, e ainda actividades com volta a redução de
estigma e discriminação a volta do HIV/SIDA, sempre tendo em conta a melhoria das
condições de COVs e seus responsáveis. HACI tem estado a trabalhar no seu plano
estratégico 2006-2010,e para o futuro a organização prevê expandir as suas actividades para
outras províncias do pais, actualmente esforços estão sendo feitos no sentido de fazer
parcerias com outras organizações localizadas nas outras províncias.
No tocante a recursos humanos, a HACI não tem um grande equipe, mas tem pessoal
necessário para o desenvolvimento das actividades que se propôs a realizar, o seu staff em
Moçambique e composto por um representante, oficial de monitoria e avaliação, oficial de
programas, no entanto, dada a necessidade de expansão das actividades no pais, a
organização prevê aumentar o seu staff.
71
Os fundos da HACI são canalizados através das organizações que formaram a iniciativa e
através (PPC - composta por CARE, Rede Africana de PVHS, Aliança Save de Children,
SWAA Internacional e Conferencia Mundial para Religião e Paz e Visão Mundial) e da USAID,
assim os fundos não são canalizados directamente pela HACI, mas através destas
organizações, os parceiros ou os doadores apoiam a HACI. Portanto a HACI funciona como
uma organização intermediária entre as organizações fundadoras e as organizações de base,
recebendo apoio das primeiras canalizando tal apoio as segundas organizações, como forma
de apoiar as crianças.
Deste modo, a visão da HACI é de dar esperança, para milhões de crianças africanas
afectadas pelo HIV/SIDA, tendo em vista um futuro digno e comunidades mais estáveis. A
missão desta organização e de mobilizar iniciativas globais, para cobrir as necessidades de
crianças afectadas pelo HIV/SIDA, e fortificar capacidades e partilhar praticas efectivas.
72
IV.7. SAVE THE CHILDREN
1. Nome da Organização: Save Aliance (Save the Children Noruega, Save the Children UK
e Save the Children EUA)
2. Localização e endereço: Av. Tomás Nduda, 1489 Tel. 21493140
3.
Pessoas de contacto: Brenda Yamba
4. Data de Estabelecimento: Save the Children Noruega - 1984, Save the Children UK e
Save the Children EUA-1986
5. Principais objectivos: apoiar crianças do mundo sem distinção de raça, origem, crença
ou etnia.
6. Principais Grupos alvo: Crianças, maior destaque para as crianças órfãs e vulneráveis.
7. Principais áreas de intervenção: Crianças, COVs e HIV/SIDA
8. Principais actividades: apoio a crianças de modo a elevar a qualidade de acesso a
serviços socais básicos nas crianças, advocacia para os direitos da criança, resposta a
epidemia do HIV/SIDA e suporte de comunidades e parceiros para terem capacidades de
responder a emergências, capacitação institucional a OBC e OBF locais para poio a
criança.
9. Área geográfica de impacto:
Províncias
Cidade/Distritos/localidades
Gaza
Chókwè, Manjacaze, Bilene, Xai-Xai
Manica
Cidade de Chimoio, Distrito de Bárue, Gondola e Sussundenga,
Sofala
Dondo, Nhamatanda e Distrito de Caia
Zambézia
Distrito de Morrumbala (Mepinha e Chivungure), Distrito de Mopeia
Nampula
Distrito de Nacala Porto (Posto Administrativo Maiaia, Muanona e Mutiva)
10. Visão: trabalhar para um mundo um mundo que respeita, escuta e valorize as crianças e
por um mundo onde todas as crianças tem esperança e oportunidades
11. Missão: lutar pelos direitos da criança, contribuindo para melhorar a sua qualidade de
vida das mesmas.
A Aliança Save the Children é uma das maiores organizações humanitárias do mundo que
presta ajuda as crianças, e é parte integrante da Save the Children Aliance, que possui
membros em 27 países e programas operacionais em mais de 100 países. Em Moçambique
73
existem 3 representações da Save the Children, que são a SC Reino Unido, a SC da Noruega
e a SC dos EUA que formam a Aliança Save the Children.
Save the Children Reino Unido
Esta começou as suas actividades em Moçambique em 1984 e em 1987 iniciou as suas
actividades na Zambézia desenvolvendo projectos sociais de sobrevivência e suportando
programas baseados nas comunidades incluindo cuidados para crianças vulneráveis.
Actualmente o foco da SC-UK e de desenvolver programas para elevar a qualidade de acesso
a serviços sociais básicos nas crianças, advocacia para os direitos da criança, resposta a
epidemia do HIV/SIDA e apoia comunidades e parceiros para terem capacidades de responder
a emergências. A SC-UK tem boas ligações com parceiros governamentais a nível provincial
e distrital e com grupos comunitários na perspectiva de elevar o acesso das crianças a
educação, saúde de modo a promover economias domesticas.
Save the Children dos EUA
Em Moçambique desde 1984 a Save the Children dos EUA foi construída com base numa
plataforma que privilegia a participação comunitária, este membro tem 4 programas sectoriais
que são, saúde, educação, micro finanças e resposta de emergência, a Save the Children dos
EUA trabalha próxima ao governo no programa de saúde em Nampula, capacitando
trabalhadores de saúde governamentais através do treinamento de enfermeiros em saúde
Materno infantil e parteiras tradicionais. Em Gaza, a SC-US, iniciou um programa baseado na
comunidade para mulheres jovens e também programas de saúde e nutrição. Actualmente
duas parcerias com ONGs locais estão a ser implementadas para responder a cuidados
necessários a crianças órfãs e vulneráveis em 14 comunidades.
Save the Children da Noruega
Instalada em Moçambique desde 1986, a Save the Children da Noruega esta trabalhando
maioritariamente em parceria com ONGs nacionais, capacitando as na implementação de
vários projectos em educação e protecção de crianças, também esta vocacionada para
trabalhar na questão do HIV/SIDA, na perspectiva dos direitos da crianças baseada
particularmente no direito a vida, a informação e educação, na liberdade de expressão,
protecção ao abuso, no direito a cuidados de qualidade após perda ou separação da família ou
cuidador e no principio da não discriminação.
74
Apesar de existirem três representações em Moçambique que actuam em diversas áreas,
todas Save the Children têm como principal objectivo apoiar crianças do mundo sem distinção
de raça, origem, crença ou etnia e tem como missão lutar
pelos direitos da criança,
contribuindo para melhorar a sua qualidade de vida das mesmas.
A Save the Children intervém em diversas áreas sempre apoiando as crianças, no entanto,
por causa da elevada taxa de HIV/SIDA em Moçambique, que produz efeitos negativos na
comunidade e com maior incidência nas crianças, em 2001, os três membros da Save the
Children, decidiram intervir nesta área, minimizando o impacto negativo do HIV/SIDA, através
da elaboração de mega programas de assistência as crianças afectadas designados
“Mitigação do impacto do HIV/SIDA nas crianças Órfãs e Vulneráveis em Moçambique”, e
“Scale Up Hope”, em que os beneficiários directos Crianças órfãs e vulneráveis (afectados ou
não pelo HIV/SIDA) e Crianças vulneráveis vivendo em situação de pobreza absoluta, por
outro lado estes programas também tem beneficiários Indirectos que são famílias e tutores das
COVS, Comunidades, OBCs, ONGs, Governo Local, e outras autoridades.
A partir deste programa varias crianças afectadas pelo HIV/SIDA tem sido apoiadas em áreas
como educação, saúde, alimentação, nutrição e agricultura. Mas as áreas de intervenção que
são comuns as 3 agencias membros da Save the Children são as de HIV/SIDA e de protecção
a criança órfã e vulnerável, e os programas estão sendo implementados em diversas
províncias do pais nomeadamente Manica, Sofala, Zambézia, Nampula e Gaza. Estas 5
províncias cobrem uma população estimada em 10,875,000, que corresponde a
aproximadamente 60% da população total do pais incluindo 5,607,926 crianças com idades
inferiores a 18.1
Cada organização Save the Children, representa diferentes formas de luta e apoio as crianças,
trazendo em relevo experiências diferentes e que são partilhadas entre as três representações
da Aliança Save the Children e entre outras organizações nacionais e internacionais, assim
cada organização implementa projectos em diferentes províncias, sendo a seguinte a
distribuição geográfica de cada organização:
1.Instituto nacional de estatística (2002), projecções do censo de 97.
75
•
SC Noruega: Província de Manica: Cidade de Chimoio, Distrito de Bárue, Gondola e
Sussundenga, Província de Sofala: Dondo, Nhamatanda e Distrito de Caia (Posto
Administrativo de Caia, Sena e Murraça).
•
SC UK Província de Zambézia: Distrito de Morrumbala (Mepinha e Chivungure),
Distrito de Mopeia (Posto Administrativo de Mopeia Vila
sede e localidade de
Chimuara).
•
SC US Província de Nampula: Distrito de Nacala Porto (Posto Administrativo Maiaia,
Muanona e Mutiva) e Província de Gaza (Chókwè, Manjacaze, Bilene, Xai-Xai).
Tendo como visão trabalhar para um mundo um mundo que respeita, escuta e valorize as
crianças e por um mundo onde todas as crianças tem esperança e oportunidades, a Save the
Children trabalha em colaboração com outras organizações doadoras como a DANIDA, SIDA,
NORAD , Fundação Elton John, USAID, PEPFAR, DFID, e com instituições parceiras na
implementação de programas como o Ministério da Mulher e Acção Social a nível Nacional,
provincial e distrital, o Conselho Nacional de Combate ao SIDA a nível provincial e distrital,
ONGs nacionais, OBCs, OBFs.
76
IV.8. CARE INTERNATIONAL
1. Nome da organização: Care Internacional - Moçambique ( CARE)
2. Localização e endereço: Av. Mártires de Mueda, n° 596 Maputo, Telefone (21)
492064/5/6, E-mail: [email protected], site: www.care.org.mz , www.care.org .
3. Pessoas de contacto: Jumbe Sebunya , Sra. Kalele.
4. Data de estabelecimento: 1994
5. Principais objectivos: Reforçar a capacidade para a auto-ajuda, Providenciar
oportunidade económica, Fortalecimento de auxílio em tempos de emergência, Contribuir
para o desenvolvimento de longo prazo nas áreas de segurança económica & alimentar,
Gestão local de água & saneamento, HIV/SIDA & Saúde, Governação &Fortalecimento da
Sociedade Civil.
6. Principais Grupos alvo: populações vulneráveis e afectados pelo HIV/SIDA, (mulheres,
crianças e jovens vivendo em condições difíceis).
7. Principais áreas de intervenção: segurança económica e alimentar, Gestão local de
água e saneamento, HIV/SIDA e Saúde, COVs, Governação e Fortalecimento da
Sociedade Civil.
8. Actividades principais: Capacitação e reforço institucional das OBCs, OBFs, ONGs e
associações de Mulheres e camponeses, garantir a segurança de vida das famílias com
COVs e criar estratégias para o combate a pandemia do HIV/SIDA.
9. Área geográfica de impacto:
Província
Distritos
Nampula
Anchilo, Erati, Murrupula, Mogovolas, Nacala-Velha, Mossuril, Memba, Namialo.
Cabo Delgado
Balama, Namuno, Montepuez, Macomia, Quissanga.
Zambézia
Bárue.
Inhambane
Vilankulos, Massinga, Funhalouro, Panda, Inhassoro, Mabote e Govuro.
Maputo
Bairro de Maxaquene “A”, Polana Caniço ‘’A’’ e ‘’B’’.
A CARE é uma organização humanitária que surge em 1945, parte de uma confederação
internacional de 12 membros comprometidos em ajudar as comunidades no mundo em
desenvolvimento com sede em Atlanta, Geórgia, nos EUA. Actualmente, a CARE actua em 60
países providenciando ajuda de emergência e assistência para o desenvolvimento a longo
prazo, e desenvolve actividades de alivio a sofrimento e desenvolvimento ao nível mundial.
Sob a liderança da CARE EUA, a CARE Internacional iniciou as suas operações em
Moçambique em 1986 para ajudar a pessoas afectadas pela guerra civil, trabalhando na
77
coordenação de acções logísticas de emergência como a distribuição massiva de alimentos e
cobertores.
Desde 1994, a CARE Moçambique tem desenhado e implementado projectos de
desenvolvimento de longo prazo nas áreas de segurança económica e alimentar (incluindo
micro finanças), Gestão local de água e saneamento, HIV/SIDA e Saúde, Governação e
Fortalecimento da Sociedade Civil e Emergência.
Em Moçambique a CARE conta com mais de 300 trabalhadores, a maioria nacionais, com
um Director Nacional, que lidera todo o trabalho da CARE no país, uma Directora de
Programas que assegura a qualidade dos trabalhos desenvolvidos pela CARE beneficiando os
mais vulneráveis, e cada projecto, dentro de um sector/programa é liderado por um Gestor de
Projectos, que lidera a equipa de implementação.
A
Care Moçambique tem um plano estratégico no qual se vislumbram 4 direcções
estratégicas que são:
1. Reduzir o risco de infecção pelo HIV e a vulnerabilidade aos impactos da SIDA na CARE,
Parceiros e comunidades seleccionadas;
2. Em ponderar grupos da comunidade e famílias, com destaque para mulheres e jovens no
sentido de aumentarem segurança económica e alimentar;
3. Trabalhar em alianças e capacitar os parceiros para assegurar serviços sustentáveis de
gestão de água e saneamento para comunidades vulneráveis;
4. Trabalhar em parceria para aprender e desenvolver uma sociedade civil mais forte para
melhorar a governação.
Como forma de catalizar o trabalho nas 4 áreas, a CARE fortalece a sua capacidade interna
em aspectos como M&E, capacitação do pessoal, gestão do conhecimento, clima
organizacional e outros aspectos importantes para que os seus objectivos sejam alcançados e
para que mais pessoas sejam apoiadas.
78
Os principais valores da CARE relacionam-se com
o profissionalismo, procurando ser
inovador, produtivo e exemplar dentro e fora da organização; o respeito pela dignidade e
valores de todo o ser humano; a Integridade, agir constantemente com a missão da CARE,
sendo honestos e transparentes no desempenho das actividades; o compromisso com o
Serviço e a Excelência a nível do desempenho.
Os programas de ajuda no desenvolvimento tem como principais beneficiários mulheres,
crianças e jovens vivendo em condições difíceis, incluindo afectados pelo HIV/SIDA,
populações vulneráveis expostos a crises de saúde, água, saneamento e alimentar, por outro
lado estão entre os beneficiários dos programas a Sociedade Civil (OBCs, OBFs, ONGs) e
associações de mulheres e camponeses, bem como Governos nacionais e provinciais, líderes
governamentais e sector privado. E as áreas de intervenção são preferencialmente zonas
rurais das províncias de Nampula e Cabo Delgado no norte do país, Província de Inhambane
(Vilankulos) e Província de Maputo (zonas urbanas/peri-urbanas).
Neste âmbito, a CARE tem estado a intervir nas áreas de Água e Saneamento no Distrito de
Govuro onde 5.800 famílias estão sendo beneficiadas no acesso a água potável através da
construção e reabilitação de pontos de água. Na áreas de Segurança Alimentar apoiando as
organizações de base comunitária (OBCs) em quatro distritos: Vilankulo, Inhassoro, Mabote e
Govuro, para incidir projectos de irrigação de pequena escala ao longo dos rios e pequenas
represas por forma a produzirem colheitas alimentares de curto prazo.
Em relação aos Programas de HIV/SIDA a CARE interveio em estrita colaboração com as
autoridades provinciais e distritais de saúde em Mabote, Funhalouro, Govuro, Inhassoro e
Vilankulo em acções que inclui entre outras:
•
COVs, o qual visa aumentar a capacidade das comunidades locais para a prevenção,
cuidado, serviço de apoio a criança e suas familiar afectadas pelo HIV/SIDA;
•
Comunicação para mudança de comportamento - o qual tem duas componentes chave:
Aumentar a capacidade entre os jovens (rapazes e raparigas), para evitar situações e
comportamento que aumentem a vulnerabilidade de infecção e sistemas de base
comunitários de apoio para envolvimento da juventude na prevenção e serviços de apoio
estabilizado;
79
•
Desenvolvimento Organizacional (OD), com o objectivo de fortalecer comunidades
altamente vulneráveis, OBCs, ONGs, OBFs e capacidade governamental para a redução
do impacto negativo do HIV/SIDA sobre as crianças e jovens, usando abordagens
multisectoriais de cuidados e direitos básicos continuas.
80
REFERÊNCIAS
FONTES DOCUMENTAIS
Estatutos da Associação dos Aposentados de Moçambique ( APOSEMO), Maputo Moçambique, Tipografia Noticias, 1994.
Estatutos da Sociedade para Mulher e SIDA em Africa - Moçambique, SWAA - Moz, 2002.
Estatutos da Associação Kindlimuka, Maputo - Moçambique, 1998.
Estatutos do Concelho das religiões de Moçambique, 2006.
APOSEMO, 2nd Term 6 Months Project Progress Report (April 2005 to October 2005).
Project Hope Is Vital: Quarterly Report For Months Of December 2004 – February 2005
Maputo, Março de 2005.
Project Hope Is Vital: Quarterly Report For Months Of March 2005 – May 2005, Maputo, Junho
de 2005.
Relatórios trimestrais das actividades da Kindlimuka referentes aos anos de 2004, 2005, 2006
Maputo.
SWAA, Relatório de Projecto de Redução Dos Efeitos Do HIV/SIDA em COV”s e PVHS
(Setembro 05 a Março 06).
HACI brochura “”acção baseada na comunidade para crianças e famílias afectadas pelo
SIDA”’, s/d, s/l.
Plano geral de actividades, COREM, Maputo, 2006.
Plano estratégico da HACI 2003-2006, 2002, s/d.
81
FONTES ORAIS
Entrevista com Coordenadora e membro fundadora da Associação para mulher e SIDA em
África, Sra. Emília Adriano, escritórios da SWAA, Maputo, de Maio de 2006.
Entrevista com Secretaria Nacional, Coordenadora de programas de HIV/SIDA, Hadera Tesfai
e activista, João Nhaca, escritórios da APOSEMO, Maputo, de Maio de 2006.
Entrevista com coordenador da COREM, Leonardo Adamowicz, escritórios da Corem, Maputo,
Maio de 2006.
Entrevista com Coordenador de programas, Earnest Maswera, escritórios
da Save the
Children, Maputo, 12 de Junho de 2006.
Entrevista com Administrador e com Coordenador do projecto da ATAP, Sr. Cremildo Novela,
escritórios da ATAP, Maputo, de Maio de 2006.
Entrevista com a Vice-administradora da Kindlimuka e com coordenadora dos projectos,
escritórios da Kindlimuka, Maputo, de Maio de 2006.
Discussão em grupos focais e entrevistas exploratórias com beneficiários de cada associação,
realizados nas áreas em finais de Maio e princípios de Junho.
82
FICHA TÉCNICA
KULA: ESTUDOS & PESQUISAS APLICADAS, LDA.
Av: Lucas Elias Kumato, 301 Maputo – Moçambique
Tel/Fax: (+258) 21485383 Cell: (+258)825727846
[email protected]
Pesquisador Principal:
Pesquisador Sénior:
Assistente de Pesquisa:
Assistente de Pesquisa:
Gestão de Logística:
CRISTIANO MATSINHE
HÉLDER NHAMAZE
NEUSA TORRES
VALERITO PACHINUAPA
EDITE CUMBE
MEMBROS DAS ORGANIZAÇÕES
APOSEMO: HADERA TESFAI
APOSEMO: JOÃO NHACA
ATAP: AUGUSTO JULIÃO
ATAP: JORGE PASCOAL
KINDLIMUKA: ANA FILIPE
KINDLIMUKA: ANIFA REMANE
SWAA: MARIA LAURA
SWAA: FILOMENA MANHIQUE
COREM: LEONARDO ADAMOWICZ
COREM: ALFREDO COME
HACI: EARNEST MASWERA
HACI: CELSO MABUNDA
FOTOGRAFIA:
NEUSA TORRES
VALERITO PACHINUAPA
83
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