+ Entrevista: Redução de massa e integração tecnológica é a receita para melhor Redução de massa e integração tecnológica é a receita para melhor eficiência energética eficiência energética + Pesqusia: O custo da eficiência energética Na visão do presidente da AEA, Antonio Megale, a utilização do alumínio está alinhada ao novo regime automotivo + Transportes: Protótipo de carroceria para carga seca Alexandre Akashi + Materiais: Avanços na tecnologia de solda O programa Inovar-Auto trará benefícios à + Lançamentos: industria automotiva brasileira, na visão do Montadoras mostram avanço no presidente da AEA (Associação Brasileira de uso do alumínio Engenharia + Alumínio: Automotiva), Antonio Megale. “As empresas vão colocar na balança o custo Range Rover Vogue: primeiro SUV do desenvolvimento da tecnologia aqui, no 100% de alumínio Brasil, e lá fora, e decidir onde é o melhor local”, diz Megale. “O que o governo criou foi um incentivo para que seja feito aqui, pois se o custo for igual, se fizer aqui terá vantagens”, disse. Megale é pessoa ligada à indústria, e atua como executivo de montadora. Do dia do anúncio do novo regime automotivo (3 de Foto: outubro) até hoje, participou de diversas reuniões para entender o Decreto 7819 de 3 de outubro de 2012. “É uma literatura para diversos finais de semana”, comenta. À frente da AEA desde setembro de 2011, Megale acaba de ser reeleito para o biênio 2013-2014. O executivo acredita que o uso do alumínio tende a aumentar com o novo regime, uma vez que as montadoras devem reduzir peso dos veículos para poder incluir novos equipamentos e, assim, conseguir atingir os níveis de eficiência energética estipulados pelo governo. Aluauto - Qual a importância do alumínio diante ao novo programa Inovar-Auto? Antonio Megale – Com o novo programa, a eficiência energética é uma questão central, mandatória. Todos terão de atingir 12% de eficiência, e foi dada a oportunidade de benéfico para as empresas caso superem a meta. Se atingirem 15,4% de melhoria até 2016 tem benefício de 1 ponto percentual (pp) no IPI, ou 2 pp de incentivo caso atinjam melhoria de 18,8%. Naturalmente isso vai trazer um desenvolvimento tecnológico importante, as empresas vão buscar a melhoria energética dos seus produtos e uma das questões que interfere é o peso, e a utilização do alumínio está alinhado a isso, com a redução do peso. Aluauto - Que benefícios a redução de peso trará às montadoras dentro do Inovar-Auto? Antonio Megale – É importante lembrar que no Inovar-Auto foi criada uma curva que faz a relação entre consumo de energia e peso, e isso significa que todos terão de reduzir peso e melhorar os veículos. Nessa curva, à medida que os veículos têm menor peso, o objetivo de eficiência energética é maior. Isso significa que as empresas terão de fazer suas equações para saber quanto eles conseguem melhorar com essa redução de peso, e qual é o benefício. Vai ser um trabalho grande e vai variar de empresa a empresa. Aluauto - Como assim? Antonio Megale – Reduzir peso acarretará em um objetivo mais severo. Foi estabelecida uma curva que melhor representa a situação de mercado atual. A média dos veículos comercializados é de 2,07 MJ/km de eficiência energética para uma massa média de 1.121 kg [N.E. 2,07 MJ/km representa consumo médio de aproximadamente 14 km/l com gasolina ou 9,7 km/l com álcool]. Um veículo mais leve do que isso tem hoje uma posição de eficiência energética melhor nesta curva, só que isso não é absolutamente linear, quer dizer que a redução de massa e o aumento de eficiência não são proporcionais. Assim, cada empresa vai ter de fazer as suas contas para saber o quanto pode aliviar de peso e qual seria a necessidade de eficiência energética. Aluauto - Nesse caso o que vale é a integração de soluções e tecnologias? Antonio Megale – Exatamente. Nós entendemos que há uma tendência do aumento da utilização do alumínio nos veículos pelo benefício da redução de massa, mas até que ponto isso vai ser feito é uma questão individual de cada empresa. Importante é saber que toda vez que você alivia o peso com a utilização de materiais mais leves, poderá compensar isso adotando novos equipamentos de conforto e também para melhorar consumo, o que poderá dar à montadora uma vantagem competitiva, em produtos do mesmo segmento. “Entendemos que há uma tendência do aumento da utilização do alumínio nos veículos pelo benefício da redução de massa” Aluauto –Esse é um dos objetivos do novo regime, produzir carros com maior conteúdo tecnológico... Antonio Megale – Sim. A montadora pode aliviar peso do veículo para assim acrescentar novos equipamentos e voltar ao mesmo nível de massa de hoje. Com isso ganha uma vantagem competitiva de mercado. Aluauto - Dentro dessa curva existe um peso mínimo ideal? Antonio Megale – Depende da linha de produtos de cada empresa. Quem trabalha com carros menores, a média de massa é menor, enquanto quem trabalha com carros maiores, a média de massa é maior. Não existe ponto ótimo, existe uma tendência de diminuição de massa, assim como entendemos que existe uma tendência de diminuição de motores. Aluauto - Existe algum impedimento técnico para as montadoras adotarem o alumínio? Antonio Megale – Acredito que não. Naturalmente existe a otimização das aplicações. Existem componentes nos quais hoje, mandatoriamente, a utilização do alumínio é superior à utilização de outro material metálico. Um dos exemplos mais tradicionais é a confecção de motores. Bloco e cabeçote de alumínio são tendências, justamente pelo alivio de massa. Então para cada componente vai ser feita a equação. Alguns trazem grandes benefícios, como é o caso do motor. Existem empresas que utilizam alumínio na confecção de carrocerias, que traz algumas vantagens sob o ponto de vista de durabilidade e acabamento. Mas isso é uma questão de equação financeira, saber se está agregando valor ao veículo e se isso é de fato percebido pelo cliente. Aluauto –A GM desenvolveu um novo processo de solda a ponto para alumínio. O senhor tem conhecimento dessa técnica? Antonio Megale – Não em detalhes. Vimos à divulgação e precisamos entender um pouco mais. O alumínio tem uma limitação no processo de solda para uso em carroceria. Se esse problema foi solucionado - e temos certeza de que há muita gente trabalhando nisso -, isso pode aumentar a utilização do alumínio para componentes de carroceria. E entendemos que isso é uma questão de evolução tecnológica, pois se consegue um nível de acabamento superficial melhor com as vantagens que o alumínio traz, principalmente em durabilidade. Aluauto - O novo regime fala em desenvolvimento tecnológico dos fornecedores. Como isso funcionaria para a indústria do alumínio? Antonio Megale – O Inovar-Auto permite que as empresas façam desenvolvimento tecnológico dentro dos seus fornecedores e naturalmente o uso de materiais alternativos faz parte isso. Assim, é possível otimizar um equipamento com o uso de alumínio e, esse desenvolvimento pode ser considerado, desde que encomendado pela montadora. I