ESCOLA SUPERIOR DE SAÚDE
INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA
RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL II
CARLA SOFIA DA SILVA SOUSA
CURSO FARMÁCIA - 1º CICLO
Julho/2013
Relatório de Estágio Profissional II – Curso de Farmácia 1º Ciclo ESS-IPG
4º Ano | 2º Semestre
ESCOLA SUPERIOR DE SAÚDE
INSTITUTO POLITÉCNICO DA GUARDA
RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL II
CURSO FARMÁCIA - 1º CICLO
4ºANO/2ºSEMESTRE
ESTÁGIO EM FARMÁCIA COMUNITÁRIA
Orientando: Carla Sofia da Silva Sousa
Orientador: Professor André Ricardo Araújo
Supervisor: Dra. Maria Antónia Caessa Rodrigues
Julho/2013
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Relatório de Estágio Profissional II – Curso de Farmácia 1º Ciclo ESS-IPG
4º Ano | 2º Semestre
Agradecimentos
Em primeiro lugar gostaria de agradecer aos proprietários da Farmácia Viriato
especialmente ao Dr. Tiago Saraiva, por me ter dado a oportunidade de realizar este
estágio nas suas instalações.
Gostaria igualmente de agradecer à supervisora de estágio, Dra. Maria Antónia
Caessa Rodrigues, que com bom grado me recebeu desde o primeiro momento,
transmitindo o seu conhecimento e experiência.
Agradeço também o auxílio dos restantes elementos desta farmácia, à Dra. Sara
Augusto, à Dra. Dina Belo, ao Dr. Luís Henriques, ao Dr. Daniel Lopes, à Dra.
Carolina Coelho, ao Sr. Bruno Sardinha e à Sra. Catarina Pereira., por através da
sua experiência me ajudarem a realizar não só as tarefas na Farmácia mas também a
preparar-me para o mundo trabalho.
Um muito obrigado também à coordenadora do curso de Farmácia da Escola
Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda Professora Fátima Roque e ao
coordenador do Estágio Profissional II Professor Dr. André Araújo.
A todos, um muito obrigada!
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Relatório de Estágio Profissional II – Curso de Farmácia 1º Ciclo ESS-IPG
4º Ano | 2º Semestre
A todos, um muito obrigada!
Pensamento
Só aqueles que têm paciência para fazer coisas simples
com perfeição é que irão adquirir habilidade
para fazer coisas difíceis com facilidade.
(Johann Christoph Von Schiller)
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Relatório de Estágio Profissional II – Curso de Farmácia 1º Ciclo ESS-IPG
4º Ano | 2º Semestre
SIGLAS
ANF - Associação Nacional de Farmácias;
ARS - Administração Regional de Saúde;
DCI - Denominação Comum Internacional;
DGS – Direção Geral de Saúde;
DL - Decreto Lei;
FEFO - First Expired First Out;
FIFO - First In First Out;
hGC- Hormona Gonodotrofina Coriónica Humana;
IMC - Índice de Massa Corporal;
INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.;
IRS- Imposto Sobre o Rendimento das Pessoas Singulares;
IVA - Imposto Sobre o Valor Acrescentado;
MNSRM - Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica;
MSRM - Medicamentos Sujeitos a Receita Médica;
MSRME - Medicamentos Sujeitos a Receita Médica Especial;
OMS - Organização Mundial de Saúde;
PA – Pressão Arterial;
PSA - Antigénio Prostático Especifico;
PVP - Preço de Venda ao Público;
SNS - Serviço Nacional de Saúde;
TF - Técnico de Farmácia.
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4º Ano | 2º Semestre
ÍNDICE DE FIGURAS
Pág.
Figura 1- Espaço físico exterior da Farmácia Viriato devidamente assinalado ….…...…...... 13
Figura 2 - Área de atendimento ao público …………………………………………...…..… 15
Figura 3 - Área de exposição ………………………………………………...……..………. 16
Figura 4 - Gabinete de atendimento ……….…………………………………….......……… 17
Figura 5 - Laboratório ………………………………….…………...………….….…...…… 17
Figura 6 - Área de Receção de Encomendas ……………………………………..………..... 18
Figura 7 - Robot Rowa® …..……………………………………….……………...…….….. 20
Figura 8- Terminal de entrada de medicamentos no robot rowa® ….…...……..…………... 25
Figura 9 - Armazém ……………..……………...............................................……...……… 29
Figura 10 - Balança Eletrónica ………………………………………….......………………. 44
Figura 11 - Medidor de tensão arterial automático ……………………………….……….... 45
Figura 12 - Contentor da ValorMed ……………………………………………..………….. 48
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4º Ano | 2º Semestre
ÍNDICE
Pág.
INTRODUÇÃO …………………………………..……………………........………………… 10
1. PAPEL DO TÉCNICO NA FARMÁCIA COMUNITÁRIA ………..……..……….... 12
2. FARMÁCIA VIRIATO ………...……………..…………………..……………….….... 13
2.1. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E UTENTES DA FARMÁCIA ….………..…....… 13
2.2. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO ………………………...…………….....….….... 13
2.3. RECURSOS HUMANOS ……...………………………………………..………........... 14
2.4. BIBLIOGRAFIA DA FARMÁCIA ……….……..………………………………...…... 14
2.5. ESPAÇO FÍSICO ……….…………………………………….............………..…..…... 14
2.6. SISTEMA INFORMÁTICO E EQUIPAMENTO ……..…………..….…………..…... 18
2.6.1. Sistema Informático – Sinfarma 2000 ………..…………………..…..……...…..… 19
2.6.2. Robot Rowa®……………………………………………………….……………….. 19
2.6.3. Caixa Automática Cashguard® …………………………...…………………..…… 21
3. GESTÃO E APROVISIONAMENTO …………………………....………..………….. 21
3.1. PROCESSAMENTO DE ENCOMENDAS …………….………….……………..…… 22
3.1.1. Fornecedores …………..……………..……………………………………………… 22
3.1.2. Realização de Encomendas ………………………………………...………………. 23
3.2. RECEÇÃO DE ENCOMEDAS ………………...…………….…………..……………. 25
3.2.1. Ficha do Produto …………………………………………................………………. 27
3.3. DEVOLUÇÕES DE PRODUTOS ……………………………………..…….………… 27
3.4. ARMAZENAMENTO ……………………..……………………….…………..……… 28
3.5. CONFERÊNCIA DOS PRAZOS DE VALIDADE ………………...………… ……….30
4. FARMACOTECNIA …………………………………………..……………………….. 31
4.1. PREPARAÇÃO DE FORMULAÇÕES NÃO ESTÉREIS …………….…………...…. 31
5. DISPENSA DE ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS ………………...………... 33
5.1. DISPENSA DE MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA ...………...... 34
5.2. DISPENSA DE MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA ESPECIAL .. 37
5.3. DISPENSA DE MEDICAMENTOS GENÉRICOS ………………..………………….. 38
5.4. DISPENSA DE MEDICAMENTOS DE USO VETERINÁRIO ………….................... 39
5.5. DISPENSA DE MEDICAMENTOS MANIPULADOS …………..………................... 39
5.6. DISPENSA DE PRODUTOS DIETÉTICOS COM CARÁTER TERAPÊUTICO ...… 39
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4º Ano | 2º Semestre
5.7. DISPENSA DE PRODUTOS DESTINADOS AO AUTOCONTROLO DA DIABETES
MELLITUS……………………………...……………...…………………………………..... 39
5.8. DISPENSA DE MEDICAMENTOS NÃO SUJEITOS A RECEITA MÉDICA …...…. 40
5.8.1. Automedicação ...……………………………………………………………….….... 40
5.9. SUBSISTEMAS DE SAÚDE E ENTIDADES COMPARTICIPADORAS ................... 41
5.10. FATURAÇÃO ……..………………………………….……………………………… 42
6. OUTROS CUIDADOS DE SAÚDE PRESTADOS PELA FARMÁCIA …................ 43
6.1. DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS BIOQUIMICOS E
FISIOLÓGICOS ……..………………………………………………….......…………….... 43
6.1.1. Avaliação Antropométrica …...………………………………...……………...….... 44
6.1.2. Determinação da tensão arterial e frequência cardíaca ..…...………….……….... 44
6.1.3. Determinação dos níveis de glicémia capilar ……………….…...……………....... 45
6.1.4. Determinação dos níveis de colesterol e triglicéridos ……………..…………....... 46
6.1.5. Teste de gravidez ………...……………………………………………..............….... 46
6.1.6. Determinação da PSA ………………………………………………...………...…... 47
6.1.7. Determinação do Ácido Úrico ……………………………………….……………... 47
6.2. VALORMED ………………………………...………………………..……………...... 47
7. OUTRAS ATIVIDADES REALIZADAS ……………………………………………... 49
7.1. FORMAÇÃO…………..………………………………………………………….…… 49
7.2. ENTREGAS AO DOMICILIO ………………………...…..…………………...……… 49
8. FARMACOVIGILÂNCIA ………………………………...………………………….... 49
ANÁLISE CRÍTICA / CONCLUSÃO …………………...................…………………….... 51
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……..……………...………………………………... 54
ANEXOS
ANEXO A - Fatura …………………...………….…………………………………………. 57
ANEXO B - Boletim de Análise de uma matéria prima ……………………………..……... 58
ANEXO C - Nota de Devolução ……………………………....…………..………………... 59
ANEXO D - Nota de Crédito ……………………………………….…………..…………... 60
ANEXO E - Documento comprovativo de regularização de devoluções ……………………..... 61
ANEXO F - Ficha modelo de preparação de manipulados …………..………………………..... 62
ANEXO G - Folha de Registo de Movimentos de Matérias-Primas ………………………...….. 63
ANEXO H - Modelo da Receita Médica Informatizada …………………………………..…... 64
ANEXO I - Modelo da Receita Médica Manual ……………….……...…………….….…...… 65
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ANEXO J - Verso da receita médica …………………………………...…………….….…...… 66
ANEXO K - Receita Médica de estupefacientes e psicotrópicos ……………………………..… 67
ANEXO L - Documentos comprovativo de dispensa de psicotrópicos ……..………………..… 68
ANEXO M - Verbete de Identificação do Lote ………………………………...……………..… 69
ANEXO N - Relação Resumo de Lotes ……………...…...…………...…...…………………… 70
ANEXO O - Fatura Mensal de Medicamentos ……………...………………....……………..… 71
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INTRODUÇÃO
O relatório que se segue surge no âmbito da realização do Estágio Profissional II que
se insere no plano curricular, do segundo semestre, do quarto ano do Curso de Farmácia 1º
ciclo, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda. Este teve a duração de
500 horas distribuídas de acordo com o horário do local de estágio, desde o dia 04 de março
de 2013 até ao dia 07 de junho de 2013.
O Estágio Profissional II foi realizado nas instalações da Farmácia Comunitária
Viriato em Viseu, tendo sido supervisionado pela Dra. Maria Antónia Caessa Rodrigues e
orientado pedagogicamente pelo professor André Araújo.
O Estágio consiste numa vertente de formação indispensável pois permite a aquisição
de conhecimentos teóricos e práticos, em conjunto com uma equipa multidisciplinar de saúde
estando em contacto direto com situações reais e com os utentes.
Deste modo um Estágio é definido como o “período de trabalho por tempo
determinado para formação e aprendizagem de uma prática profissional” [1].
O Estágio Profissional II é uma unidade curricular sujeita a frequência e realização
obrigatória, pois neste a aprendizagem decorre em contexto real. Deve ser então encarado
como de Integração à Vida Profissional. Neste o estagiário deve demostrar as competências
adquiridas em diferentes áreas de atuação.
Assim sendo os objetivos gerais a alcançar no Estágio Profissional II são:
- Integração e completa autonomia no desempenho das diferentes funções de Técnico
de Farmácia (TF);
-Desenvolver competências científicas e técnicas que permitam a realização de
atividades subjacentes à profissão de TF, no enquadramento das várias áreas de intervenção;
- Fomentação da socialização e integração profissional por parte do estudante de forma
a dar resposta às exigências da sociedade;
- Aplicar os princípios éticos e deontológicos subjacentes à profissão de TF.
- Identificar, desenvolver e avaliar planos de intervenção adequadamente integrados
numa equipa multidisciplinar;
- Responder aos desafios profissionais com inovação, criatividade e flexibilidade.
Também foram criados objetivos e atividades específicas de cada local de estágio tais
como:
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Relatório de Estágio Profissional II – Curso de Farmácia 1º Ciclo ESS-IPG
4º Ano | 2º Semestre
- Visitar as diferentes áreas da farmácia comunitária conhecendo a sua estrutura,
organização e colaboradores;
- Enviar encomendas diárias e manuais a fornecedores da farmácia comunitária;
- Verificar as faturas dos armazenistas com as notas de encomenda e as notas de
entrada na farmácia;
- Receber e conferir quantitativamente e qualitativamente as encomendas, podendo ter
que proceder à devolução dos produtos aos fornecedores;
- Participar nos vários processos de registo desde a entrada até à dispensa de
medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes;
- Armazenar medicamentos, matérias-primas e outros produtos de saúde;
- Elaborar periodicamente planos de verificação e estudo dos medicamentos, para se
certificar do seu estado de verificação e armazenamento;
- Interpretar fórmulas galénicas e prescrições terapêuticas;
- Preparar manipulados de acordo com as Boas Práticas de Preparação de Manipulados,
construindo as respetivas fichas técnicas de matérias-primas;
- Dispensar medicamentos sabendo utilizar corretamente o sistema informático;
- Dispensar Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) , Medicamentos Não
Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) e Medicamentos Sujeitos a Receita Médica Especial
(MSRME);
- Realização de testes de gravidez, determinação de colesterol, triglicerídeos, glicose,
antigénio prostático (PSA), índice de massa corporal (IMC), medição de tensão arterial, peso;
- Participar na recolha de Medicamentos para devolução pelo VALORMED;
- Realização de montras, com objetivos comerciais e de marketing.
Assim este relatório foi elaborado com o objetivo de descrever todas as atividades
realizadas ao longo do estágio. Este documento está organizado em vários capítulos que
seguem o circuito do medicamento, para que este seja mais facilmente analisado. Por fim será
dada a minha opinião na análise critica.
Para a sua realização foram usadas as experiências adquiridas durante o Estágio
Profissional II, e os conhecimentos teóricos e teórico-práticos e práticos que ao longo dos três
últimos anos assimilei.
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1. O PAPEL DO TÉCNICO DE FARMÁCIA EM FARMÁCIA COMUNITÁRIA
Para promover o bem-estar e equilíbrio da comunidade foi necessário desenvolver
profissões que tenham como objetivo melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
Hoje em dia tem-se banalizado o consumo de medicamentos, esquecendo-se por vezes
que estes têm como finalidade proporcionar uma melhoria do bem-estar físico e psicológico
dos utentes. Desta forma, o TF possui um papel crucial no contexto do medicamento,
intervindo em todo o circuito do mesmo.
O estatuto legal da carreira de TF refere que este pode “desenvolver atividades no
circuito do medicamento, análises e ensaios farmacológicos, interpretação da prescrição
terapêutica e de fórmulas farmacêuticas, sua separação, identificação, controlo da conservação,
distribuição e stocks de medicamentos e outros produtos, informação e aconselhamento sobre
o uso de medicamentos” [2].
Assim o TF desenvolve um conjunto diversificado de atividades relacionadas com a
prevenção, diagnóstico, terapia e reabilitação pelo uso de medicamentos. Normalmente
integrados em equipas de saúde multidisciplinares, estes profissionais desenvolvem o seu
trabalho com autonomia técnica, que varia segundo o contexto profissional em que estão
inseridos.
No domínio de trabalho comunitário, compete a estes técnicos colaborar na
identificação e resolução de problemas da comunidade no âmbito da utilização e consumo de
medicamentos, sendo desta forma o seu papel orientado para o utente, reencaminhando-o para
o médico, após compreender as reais necessidades do consumidor.
Nos estabelecimentos e serviços de venda ou fornecimento de medicamentos cabelhes assegurar a dispensa de medicamentos, de acordo com a prescrição terapêutica. Nesse ato,
é da sua competência informar e aconselhar os utentes para uma correta utilização dos
medicamentos, alertando-os, por exemplo, para o modo como devem ser tomados, as suas
contra-indicações e os efeitos secundários que podem provocar.
O TF tem ainda como dever o sigilo, cumprindo sempre as regras de deontologia,
permitindo um equilíbrio entre a ética e a orientação para o negócio, possibilitando assim
assegurar a terapia e satisfação por parte dos utentes/clientes.
Devido à complexidade das suas funções o TF deve realizar um trabalho de um modo
preciso e cauteloso, devendo ter sempre presente que o uso de medicamentos interfere com a
saúde e a vida de quem os utiliza [3].
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2. FARMÁCIA VIRIATO
Uma farmácia comunitária entende-se como o local onde se podem adquirir
especialidades farmacêuticas, medicamentos manipulados ou outros produtos de saúde, no
entanto para além disso, é um local de aconselhamento terapêutico profissional que oferece
uma vasta gama de outros serviços farmacêuticos.
2.1. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E UTENTES DA FARMÁCIA
A Farmácia Viriato situa-se numa zona comercial e habitacional em Viseu, na avenida
da Bélgica encontrando-se no seu exterior devidamente sinalizada (Figura 1).
Esta farmácia por se situar neste local abrange um diversificado público alvo no que
diz respeito às suas necessidades de saúde. Havendo muitos clientes de “passagem”, há uma
constante necessidade de alargar a oferta para uma procura tão diferenciada, tentando assim
esta farmácia satisfazer sempre as necessidades dos utentes/clientes que a procuram. Assim
sendo a Farmácia Viriato não possui um público alvo específico abrangendo vários tipos de
utentes, não havendo classes etárias, sociais, de escolaridade ou económicas prevalentes.
Figura 1. Espaço físico exterior da Farmácia Viriato devidamente assinalado.
F
2.2. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Esta farmácia, tem como horário de funcionamento das 9 horas às 22 horas todos os
dias da semana com a exceção dos domingos e feriados. Para a realização deste horário os
recursos humanos dividem-se em vários turnos.
Em dias estabelecidos pela Administração Regional de Saúde (ARS), a farmácia encontra-se
de serviço, consoante o Decreto-Lei (DL) nº 7/2011 de 10 de Janeiro, ou seja os seus serviços
são prestados durante 24 horas sem qualquer tipo de interrupção. Este procedimento acontece
de dezassete em dezassete dias sendo que depois das 24h horas o atendimento é realizado
através de um postigo existente junto à porta principal até às 9 horas do dia seguinte [4].
2.3.RECURSOS HUMANOS
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Os recursos humanos presentes numa farmácia são diretamente responsáveis pela
qualidade dos serviços prestados pela mesma.
Desta forma a Farmácia Viriato possui um conjunto de profissionais que permite uma
boa coordenação por parte da equipa fomentando assim um bom funcionamento da farmácia.
Esta farmácia têm como direção técnica a Dra. Maria Antónia Caessa Rodrigues,
licenciada em Ciências Farmacêuticas. Para além dela há ainda mais quatro pessoas
licenciadas no mesmo curso, uma dos quais é farmacêutica adjunta.
A farmácia Viriato possui também cinco TF, e um auxiliar técnico. Possui ainda um
auxiliar indiferenciado.
A nível dos recursos humanos a Farmácia Viriato possui a quantidade de pessoal para
as suas necessidades e para o número de tarefas realizadas nesta farmácia.
2.4.BIBLIOGRAFIA DA FARMÁCIA
Segundo a legislação portuguesa as farmácias têm de dispor nas suas instalações
obrigatoriamente como documentação a Farmacopeia Portuguesa. No entanto a Farmácia
Viriato contém um conjunto de outros documentos indicados pela Autoridade Nacional do
Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. (INFARMED), pois muitas vezes é necessário
consultar fontes de informação adequadas sobre os medicamentos como o Formulário
Galénico Nacional, o Prontuário Terapêutico, Índice Nacional Terapêutico, Índice Nacional
Hospitalar, Mapa terapêutico, entre outros livros. Contudo com as novas tecnologias os
funcionários podem consultar outras fontes de informação como é o caso do INFARMED via
on-line [5].
2.5. ESPAÇO FÍSICO
O espaço físico foi cuidadosamente selecionado, encontrando-se esta farmácia numa
zona muito movimentada da cidade de Viseu. Esta encontra-se no rés do chão de um edifício,
sendo que a sua porta principal e porta de serviço abrem diretamente para a rua, o que permite
uma boa acessibilidade tanto aos fornecedores como aos utentes vindos do exterior e em
noites de serviço.
A Farmácia Viriato externamente encontra-se devidamente sinalizada com o símbolo
“cruz verde” com o vocabulário “farmácia” estando iluminados sempre que a farmácia está
em horário de funcionamento ou em serviço. Na porta principal existe uma placa com a
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designação da farmácia, o nome da diretora técnica e ainda uma folha informativa com as
farmácias de serviço.
O espaço físico interior numa farmácia comunitária é sujeito a legislação tanto a nível
de áreas mínimas como a nível das respetivas divisões. Desta forma segundo a legislação a
área útil total mínima é de 95 m2, e todas as farmácias devem dispor, obrigatória e
separadamente, das seguintes divisões: área de atendimento ao público, armazém, laboratório,
instalações sanitárias e gabinete de atendimento. Neste espaço está também, segundo a lei,
bem visível, o nome do diretor(a) técnico(a), o horário de funcionamento, as farmácias de
turno no município e a existência de livro de reclamações [5].
O espaço interior da Farmácia Viriato está organizado de forma a cumprir a legislação
em vigor e a responder às necessidades dos utentes e dos funcionários, possuindo para além
das áreas obrigatórias um escritório, umas segundas instalações sanitárias maioritariamente
usadas pelos funcionários e uma sala comum onde são guardados os bens dos funcionários e
realizadas as refeições por parte dos mesmos.
Esta farmácia possui assim dois pisos nos quais estão assim distribuídas as seguintes
áreas:

Área de atendimento ao Público
A dispensa de medicamentos e outros produtos e cuidados de saúde é uma das
principais atividades levadas a cabo numa farmácia. A Farmácia Viriato possui assim seis
balcões (Figura 2), sendo que cada um deles contém
um terminal informático, um dispositivo de leitura
ótica, uma impressora de faturas/recibos e os
respetivos terminais multibanco.
Na zona de atendimento encontra-se um sistema
que permite que quando exista uma grande afluência
de utentes/clientes um dos funcionários que está em
atendimento prima um botão que, avisa através de um
som transmitido nas restantes divisões da farmácia que
é necessária a sua comparência na zona de
Figura 2. Área de atendimento ao público.
atendimento.
Possui também por detrás dos balcões as saídas do robot, que permitem uma chegada
rápida dos medicamentos armazenados no robot até à zona de atendimento. Existe também na
zona de atendimento várias gavetas contendo medicamentos e outros produtos farmacêuticos
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(por exemplo Ben-u-ron® 500 mg) com o número elevado de vendas diárias, sendo que ao
estarem armazenados neste local permite ter um acesso facilitado aos mesmos.

Área de Exposição
Nesta área (Figura 3) existem armários expositores e gôndolas cuidadosamente
posicionados de forma estratégica por motivos de marketing que envolvem o local de
atendimento com produtos não sujeitos a receituário médico, como os MNSRM mais comuns,
artigos de higiene bucodentária, complexos multivitamínicos, produtos de cosmética e de
higiene corporal, produtos de nutrição e dietética, produtos de alimentação pediátrica e clínica,
produtos de uso veterinário, puericultura, dispositivos ortopédicos e outros dispositivos
médicos, completando assim a área de atendimento.
Esta farmácia possui ainda várias montras que constituem a primeira imagem
transmitida aos utentes/clientes. A montra do
lado direito geralmente é ocupada com produtos
ortopédicos, enquanto as do lado esquerdo
geralmente são ocupadas com produtos de
cosmética e de higiene corporal.
Estão ainda presentes nesta área uma
balança que avalia o peso, altura e IMC e uma
máquina medidora da tensão arterial.
Figura 3. Área de exposição

Gabinete de Atendimento
Este local (Figura 4) encontra-se resguardado da
área de atendimento, estando equipado com utensílios que
permitem a avaliação de parâmetros bioquímicos que
serão descritos posteriormente. É também o local de
administração de injetáveis e vacinas do plano nacional de
vacinação, bem como onde se realizam aconselhamentos
personalizados, ou mesmo, a simples avaliação específica
de alguns casos.
Figura 4. Gabinete de atendimento.
Serve também como provador em casos de aquisição de produtos ortopédicos.
Também no gabinete de atendimento são realizados periodicamente vários serviços, como é o
caso de consultas de podologia, sessões de maquilhagem e sessões de tratamentos faciais.
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
Instalações sanitárias
Uma das instalação sanitária é utilizada maioritariamente pelos utentes, em situações
de emergência e por exemplo na recolha da urina para a realização de testes de gravidez.
Existe uma segunda instalação sanitária destinada maioritariamente aos funcionários
da Farmácia Viriato.

Laboratório
A Farmácia Viriato possui um laboratório (Figura 5) devidamente ventilado e
iluminado, estando equipado com uma pequena bancada de trabalho e uma zona de lavagem
de material. Este está munido a nível de equipamentos/materiais com uma balança analítica,
provetas, conta-gotas, almofarizes, pórfiros, tamises entre outros. Possui igualmente as
matérias primas que permitem a realização da grande maioria de manipulados solicitados.
É o local onde os manipulados são preparados procedendo a todas as etapas desde o
preenchimento da ficha de preparação de
manipulados e da ficha de saída de
matérias primas, elaboração dos cálculos
necessários, elaboração do manipulado,
à realização do rótulo e respetiva
rotulagem. É também no laboratório que
se
encontra
armazenamento
o
frigorífico
de
para medicamentos
termolábeis.

Figura 5. Laboratório.
Área de Descarga de Encomendas
Nesta área são recebidas todas encomendas por parte dos fornecedores, que através de um
pequeno elevador situado também neste local são transportadas do piso 0 para o piso 1 onde se
encontra a área de receção de encomendas.

Área de Receção de Encomendas
Neste local são conferidas todas as encomendas, as respetivas guias de remessa devem
estar em conformidade com os produtos recebidos, onde são verificadas as condições em que os
produtos chegam à farmácia e onde se dá entrada dos produtos no stocks da farmácia.
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Esta área está equipada como um
terminal informático e um leitor ótico e é
também o local onde se situa o Robot Rowa®,
que constitui um dos principais locais de
armazenamento de medicamentos.
Na área de Receção de Encomendas
(Figura 6) estão também arquivados vários
documentos relativos às encomendas, como é o
caso de faturas, notas de crédito, notas de
encomenda, entre outras informações.

Figura 6. Área de Receção de Encomendas.
Área de Armazenamento
É o local onde são armazenados os medicamentos que por terem um stock elevado não
podem ser armazenados no seu normal local de armazenamento. Também é o local onde são
armazenados os produtos de cosmética e de higiene corporal e outros produtos farmacêuticos.

Escritório
Espaço destinado aos assuntos administrativos e onde se realizam as reuniões com
fornecedores e com os delegados de informação médica. Também é local onde se arquiva toda
a documentação referente à gestão e à contabilidade da Farmácia.
2.6.SISTEMA INFORMÁTICO E EQUIPAMENTOS
Hoje em dia é de extrema importância que as farmácias acompanhem o avanço
tecnológico de forma a melhorarem a prestação de serviços e cuidados de saúde aos
utentes/clientes. Assim a Farmácia Viriato está bem equipada de forma a proporcionar as
melhores condições de atendimento. Esta farmácia possui assim um conjunto de
equipamentos como fotocopiadora, fax, telefone, impressoras, sistema de vídeo-vigilância,
detetores de incêndio, terminais multibanco, vários computadores que contém o sistema
informático Sifarma2000, caixa automática Cashguard® e um Robot Rowa® que armazena e
dispensa medicamentos.
2.6.1. Sistema Informático - Sifarma2000
O objetivo de desenvolvimento do Sifarma2000 foi permitir a prestação de um melhor
serviço aos utentes/clientes através de uma intervenção mais segura e adequada por parte dos
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funcionários das farmácias, e seus colaboradores devidamente credenciados, apoiados em
informação permanentemente atualizada.
Desta forma a Associação Nacional de Farmácias (ANF) desenvolveu este software ao
qual a Farmácia Viriato aderiu. Este tem por principal vantagem garantir um suporte de
informação aos profissionais através da criação da ficha do cliente, que permite um
seguimento farmacoterapêutico mais adequado e eficiente, uma vez que possibilita a consulta
da terapêutica habitual, para além de permitir uma boa base de informação disponível para
uma eventual interseção de dados clínicos entre a farmácia e outras instituições de saúde.
O Sifarma2000 permite a elaboração de um significativo número de tarefas, entre as
quais se destacam: facilidade na realização de uma venda, tratamento de várias receitas no
mesmo atendimento, consulta e anulação de vendas, gestão de produtos, lista de movimentos
de stock, extrato de conta corrente do utente, controlo dos prazos de validade, realização e
receção de encomendas. Permite um maior controlo na dispensa de medicamentos
estupefacientes e psicotrópicos dando sempre sinais de aviso de segurança que caracterizam
os atendimentos, bem como o controlo da adesão à terapêutica prescrita, entre outras.
Também no momento da dispensa de qualquer medicamento, possibilita identificar contraindicações, reações adversas, interações com outros medicamentos e posologia mais habitual,
o que possibilita um grande auxílio ao profissional de saúde no ato do aconselhamento.
Este software, possibilita satisfazer todas as
necessidades de gestão de uma farmácia e permite
gerir o medicamento em todas as fases do circuito do
mesmo, desde a sua entrada no stock até ao ato da
sua dispensa, tornando-se assim uma ferramenta
indispensável numa Farmácia Comunitária [6].
2.6.2. Robot Rowa®
O Robot Rowa® (Figura 7) é uma sistema
robotizado e informatizado que tem como principais
funções
o
armazenamento
e
a
dispensa
de
medicamentos.
Neste robot as embalagens dos medicamentos
Figura 7. Robot Rowa®.
são manuseadas por um braço robotizado que se movimenta num corredor entre duas fileiras
de cinquenta prateleiras divididas por vinte baías.
19
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4º Ano | 2º Semestre
O armazenamento de medicamentos no robot pode ser efetuado de duas formas, de
forma semiautomática e/ou de forma automática.
Na forma semiautomática é necessária a intervenção do utilizador que procede à
leitura do código do medicamento por código de barras, através de um leitor ótico, depois
procede à introdução do prazo validade, e por último a embalagem é colocada num tapete
rolante onde são medidas as dimensões da embalagem por ultrassom. Na forma automática
utiliza-se o sistema prolog, uma extensão do robot Rowa® que permite o armazenamento de
medicamentos por reconhecimento do tamanho e forma das embalagens, bastando apenas
introduzir um prazo validade estipulado para todas as embalagens antes do início da entrada
da primeira.
Para a dispensa de medicamentos é utilizado um dispensador automático que retira os
medicamentos da prateleira e envia-os para o piso inferior para os balcões de atendimento.
Assim este sistema possui várias vantagens, tais como:
- Rentabilidade de espaço (o robot dispõe as embalagens de forma a que ocupem o
menor espaço possível);
- Controlo total sobre o stock e seu prazo de validade (o robot instalado na farmácia
rege-se pelo método first expired first out (FEFO), em que as embalagens com prazo de
validade mais curto são as primeiras a ser dispensadas)
- Grande rapidez na dispensa de uma receita e minimização da ocorrência de erro de
dispensa.
- Na maior disponibilidade para o atendimento personalizado, dedicando mais tempo
ao aconselhamento, estabelecendo-se mais proximidade com o utente;
Este sistema possui também as seguintes desvantagens:
- Arrumação das embalagens onde existe espaço disponível nas prateleiras, não
havendo qualquer tipo de ordem para a arrumação dificultando a dispensa em caso de avaria
do sistema;
- Só pode ser dispensado um medicamento de cada vez [7].
2.6.3. Caixa Automática Cashguard®
Um outro equipamento que desempenha uma função de extrema importância na
Farmácia Viriato é a caixa automática Cashguard®. Esta sendo uma ferramenta que aumenta
em muito a segurança no ato do pagamento, tornando o dinheiro inacessível a partir do
momento em que o cliente efetua o pagamento, desta forma há uma minimização considerável
do risco de roubo em situação de assalto e elimina contagens e operações de manipulação de
20
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dinheiro, disponibilizando o troco de forma automática, excluindo assim a possibilidade da
ocorrência de eventuais perdas e enganos inerentes a esta operação quando efetuada por
funcionários [8].
3. GESTÃO E APROVISIONAMENTO
O aprovisionamento é o conjunto de atividades que permitem garantir a qualidade,
eficácia e eficiência dos produtos na quantidade e com a disponibilidade pretendidas.
Desta forma o aprovisionamento é um processo muito importante em farmácia
comunitária, pois nesta área onde a concorrência é tão vasta, é de extrema importância a boa
gestão das necessidades da farmácia.
Essa gestão deve abranger a gestão de recursos humanos, a gestão económicofinanceira, que permite gerir e controlar os custos, pagamentos e faturações, mas sobretudo
tem também que se promover uma correta gestão de compras e de stocks de forma a garantir o
acesso dos utentes/clientes a todos os produtos existentes na quantidade e qualidade
adequadas, satisfazendo as suas necessidades.
Para que ocorra uma boa gestão de stocks esta deve ser feita essencialmente a partir do
histórico de consumos dos produtos e serviços por parte dos utentes/clientes.
No entanto outros fatores são também muito relevantes para a gestão de stocks como é
o caso, da localização e perfil da farmácia (farmácia de “passagem” necessita de uma maior
variedade de produtos), do tipo de utentes, dos hábitos de prescrição dos médicos da zona
geográfica envolvente, da sazonalidade, da publicidade por parte dos media, da área do
armazém e capital disponíveis, bonificações atribuídas por parte dos fornecedores, promoções
dos próprios laboratórios e regularidade de entregas.
Desta forma, mesmo devido à grande variedade de produtos farmacêuticos e
dispositivos médicos disponíveis nesta farmácia cada um deles possui um stock mínimo e
máximo calculados sobretudo pelo consumo do mesmo, pelo espaço que ocupam e pelo seu
preço. O Sifarma2000 permite gerir as entradas e as saídas, verificar a existências de produtos
em armazém e ainda selecionar os produtos a encomendar proporcionando uma melhor gestão
evitando as ruturas de stock. No entanto, apesar deste programa informático auxiliar nestes
processos, é por vezes difícil calcular as quantidades a manter em stock, dada a
imprevisibilidade e sazonalidade da incidência dos vários problemas de saúde (aumento da
venda de anti-histamínicos na primavera) e também devido ao aumento do marketing de um
produto aumentando assim a sua procura.
21
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Assim a quantidade de produtos existentes numa farmácia, especialmente na Farmácia
Viriato onde a afluência é tão grande e diversificada, tem que ser muito elevada e variada
garantido sempre uma boa continuidade no tratamento dos utentes e uma seleção de produtos
mais adequada por parte dos clientes, mesmo que a rotatividade destes produtos seja muito
baixa.
3.1.PROCESSAMENTO DE ENCOMENDAS
Após analisados todos os fatores supra mencionados é necessário que os produtos
cheguem até à farmácia e para isso é fundamental a realização de várias etapas.
3.1.1. Fornecedores
Para a aquisição dos produtos da farmácia os fornecedores são de extrema importância
pois depende deles, em parte, a satisfação dos clientes/utentes.
No
entanto
a
farmácia
pode
adquirir
os
produtos
farmacêuticos
aos
armazéns/cooperativas ou então diretamente aos laboratório.
O processo de seleção dos fornecedores é influenciado por diversos fatores que
dependem das exigências da farmácia em questão. Desta forma os fornecedores são
selecionados dependendo, da pontualidade da entrega das encomendas, do número de entregas
diárias, da abrangência da oferta de produtos, das vantagens de pagamento, descontos ou
bonificações, do estado de conservação em que os produtos chegam à farmácia e facilidade de
devoluções.
Depois de ser analisado o profissionalismo prestado por parte dos fornecedores a
Farmácia Viriato selecionou como fornecedor principal a OCP-Portugal, devido à
proximidade física que permite que os pedidos urgentes efetuados por telefone para a OCPPortugal terem a possibilidade de serem entregues num espaço de aproximadamente meia
hora, bastando para tal que um funcionário da farmácia se desloque ao armazém destes
fornecedores. No entanto a Farmácia Viriato colabora também com outros fornecedores a
como Cofanor, AgroViseu e Cooprofar, o que permite ser uma grande vantagem para a
farmácia pois possibilita que os horários de entrega sejam diferentes e uma maior
probabilidade de obter produtos, por vezes esgotados, evitando assim ruturas de stock.
22
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3.1.2. Realização de Encomendas
Para assegurar as principais funções da farmácia é necessário que os produtos de saúde
nunca faltem, sendo assim essencial a constante aquisição dos mesmos. O processo de
elaboração de encomendas é um processo muito importante e complexo, já que dele depende
diretamente a continuidade dos tratamentos por parte dos utentes e a sua satisfação.
As encomendas podem ser classificadas em encomendas diárias, “manuais”, e
diretamente ao laboratório, “diretas”.
Em relação ás encomendas diárias, sempre que um produto atinge um stock mínimo,
definido previamente, e/ou este não chegou em encomendas anteriores, o programa
informático Sifarma2000 sugere o código do produto para uma lista de encomenda. Após esta
lista ser analisada e/ou alterada pelo responsável do envio dessa encomenda, dependendo de
determinados fatores, como a sazonalidade por exemplo, é aprovada e enviada via on-line ao
fornecedor pretendido num horário específico definido pelo fornecedor para cumprir com os
horários de entrega à farmácia. Este tipo de encomendas tem como finalidade a reposição dos
produtos vendidos ao longo do dia, permitindo manter os stocks, obtendo maior segurança a
nível de prazos de validade, sem risco de esgotar os produtos, possibilitando a satisfação da
maioria das necessidades da farmácia.
No entanto para pequenas encomendas, quando há uma rutura brusca ou quando um
utente/cliente necessita de um produto que não se encontre na farmácia, são realizadas as
chamadas encomendas manuais. A farmácia contata telefonicamente ou via Internet o
fornecedor realizando o pedido do produto desejado na quantidade desejada e o fornecedor
informa a farmácia se tem disponíveis os produtos pedidos, o preço dos mesmos e o tempo
provável para entrega caso esta venha com a próxima encomenda diária, ou em casos mais
urgentes há ainda a possibilidade de ir um funcionário da farmácia se dirigir diretamente ao
armazenista adquirindo rapidamente o produto encomendado.
Após a realização destas encomendas há o preenchimento de um pequeno impresso
onde deve constar dados como, nome do cliente, nome do armazém no qual o produto foi
encomendado, nome do operador, nome e código do produto, quantidade encomendada e se o
produto se encontra pago ou não pelo cliente. Após o preenchimento este documento é
arquivado em local próprio. Assim que o produto é recebido nas instalações da farmácia é
feita a encomenda manual no sistema informático que é enviada apenas para o sistema interno
da farmácia de forma a depois ser possível “dar entrada” do produto no programa
Sifarma2000. Após isto é anexado o impresso ao produto encomendado e por último é
entregue o produto ao operador que realizou a encomenda. Este vai embrulhar o produto
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identificando no exterior o nome do cliente e a data receção do mesmo, se está pago ou não e
colocar num local próprio para o efeito, por ordem alfabética do nome de cliente para quando
o cliente/utente se dirigir à farmácia o produto farmacêutico lhe seja entregue rapidamente.
Este tipo de encomenda visa a melhor satisfação das exigências dos utentes/clientes.
Por vezes os delegados de informação médica dirigem-se à farmácia apresentando
novos produtos, novas promoções ou bonificações na compra dos mesmos e os responsáveis
pelas compras da farmácia após negociação das condições e caso algumas vantagens se
verifiquem (quantidades a encomendar para se atingir bonificações, preços, facilidade de
pagamento, e prazos de validade dos produtos alargados para permitir o seu escoamento)
decidem, ou não, realizar as encomendas diretamente ao laboratório. Este tipo de
encomendas ocorre sobretudo em grandes quantidades para produtos como medicamentos
genéricos, dispositivos médicos, MNSRM, material de penso e artigos de dermocosmética. A
encomenda é feita através do preenchimento de uma nota de encomenda em que o original vai
ser levado para o laboratório e o duplicado permanece na farmácia para conferência da fatura
que acompanha a encomenda no momento da receção. No entanto este tipo de encomendas
geralmente possui um tempo de entrega mais longo, o que pode ser uma desvantagem.
Depois de ser realizada uma encomenda pode acontecer que o medicamento não se
encontre disponível no mercado, ou a sua entrega será demorada e o medicamento é
necessário com urgência. Quando tal acontece, a Farmácia Viriato, para assegurar a
terapêutica ou as necessidades do utente/cliente pede um empréstimo do produto a outra
farmácia que o tenha disponível, devolvendo-o assim que possível.
3.2. RECEÇÃO DE ENCOMENAS
Quando há a receção de uma encomenda esta deve vir juntamente com uma fatura
(Anexo A), original e duplicado, enviada pelo fornecedor. A fatura deve ser verificada, tendo
de corresponder à encomenda enviada e tendo igualmente de possuir as seguintes informações:
identificação do fornecedor, da farmácia, do diretor técnico, do número de fatura, a data e
hora de expedição, a listagem dos produtos pedidos por ordem alfabética, com o código dos
produtos, a sua designação, dosagem, forma farmacêutica, quantidade, laboratório, a
quantidade pedida e a quantidade enviada, as bonificações atribuídas, o preço unitário, a
percentagem de imposto acrescentado ao valor do produto (IVA) referente a cada produto e o
preço de venda ao público (PVP), exceto nos produtos de venda livre. No entanto quando
algum produto farmacêutico encomendado não foi enviado algumas faturas contêm o
respetivo motivo pelo qual não foi enviado, como por exemplo, em falta, esgotado,
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descontinuado, retirado do mercado. A encomenda pode ser também acompanhada por uma
guia de remessa (ausência da indicação do PVP), em situações que por algum motivo o
fornecedor não enviou a fatura, sendo depois, mais tarde, solicitada pela farmácia.
Após a avaliação do estado físico das embalagens, verificando se estas se encontram
em conformidade para poderem ser dispensadas aos utentes/clientes é também realizada a
conferência da fatura e é dada a entrada dos produtos podendo, a receção de encomendas ser
feita manualmente, através da leitura dos códigos de barras ou de modo automático, através
do robot, procedendo-se à receção e ao
armazenamento no robot ao mesmo tempo
(Figura 8). Para isso tem que se selecionar a
encomenda no programa que corresponde à
encomenda recebida, e colocar o número da
fatura. À medida que se procede à leitura
dos
produtos
pelo
leitor
ótico
deve
confirmar-se o prazo de validade do mesmo,
posteriormente é conferido o preço de custo,
a margem de comercialização e o respetivo
Figura 8. Terminal de entrada de medicamentos
no robot rowa®.
PVP.
Caso o produto tenha um prazo de validade inferior ao existente no stock e/ou caso o
PVP não seja semelhante estas informações devem ser atualizadas, ou então em situações que
o produto não contenha ficha no Sifarma2000, esta deve ser criada.
Por fim o funcionário que realiza esta operação confere os dados introduzidos com os
que constam na fatura, verificando se o valor final da fatura corresponde ao valor final da
encomenda introduzida no sistema informático.
Quando se finaliza a entrada da encomenda procede-se à impressão das etiquetas para
os produtos que não têm PVP inscrito. Os produtos são etiquetados segundo algumas regras,
como não colocar a etiqueta na parte frontal da embalagem e evitar omitir informações
importantes da embalagem, como prazo de validade, lote, constituição ou forma de
administração.
Após isto a fatura é assinada pelo operador e o documento original segue para a
contabilidade.
Quando chega uma encomenda direta são conferidos os produtos, o prazo de validade
e a quantidade de cada um deles que se encontram na respetiva fatura. A encomenda é
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rececionada informaticamente, mas deve ser criada uma encomenda “Manual” no qual se
deve colocar o fornecedor em questão e os produtos a rececionar.
Relativamente aos produtos termolábeis a sua receção é a primeira a ser realizada.
Geralmente os fornecedores indicam na encomenda que esta contém produtos que necessitam
de condições de armazenamento a temperaturas entre 2 e 8ºC através de caixas de cor
diferente ou através de sinalizadores que indicam esta informação, de modo que os produtos
assim que chegam às instalações da farmácia são rececionados e armazenados de imediato e
só posteriormente são rececionados os restantes produtos farmacêuticos.
A receção de Estupefacientes e Psicotrópicos é realizada da mesma forma que os
outros medicamentos, contudo a fatura original é acompanhada duma folha de requisição de
registo dos referidos medicamentos em duplicado, que se encontra numerada, assinada e
carimbada pelo fornecedor. Posteriormente o documento original desta requisição é rubricado
e carimbado por um responsável da farmácia (Diretora Técnica) e arquivado durante três anos.
O duplicado é entregue ao fornecedor também devidamente assinado e carimbado como
comprovativo de entrega destes medicamentos na farmácia.
No que diz respeito às matérias-primas, ao chegarem à farmácia vêm acompanhadas
de um boletim de análise (Anexo B). Este documento contém informações como, nome, modo
de apresentação da matéria-prima, data da análise, fornecedor, fabricante, validade, lote e
algumas características do produto e informação da realização dos ensaios de acordo com a
Farmacopeia Portuguesa e após verificar se tudo está em conformidade tal documento é
carimbado e rubricado.
Terminada a leitura ótica de todos os produtos, o computador apresenta a lista destes
por ordem alfabética, permitindo a comparação da encomenda enviada com a rececionada. Os
produtos não recebidos são transferidos sob forma de outra encomenda para um armazém
diferente.
As faturas das encomendas conferidas são rubricadas e arrumadas em separadores
diferentes consoante os fornecedores, para uma posterior comparação com o resumo das
faturas, documento enviado pelos fornecedores. Após o pagamento por parte da farmácia, o
fornecedor envia o recibo que é arquivado juntamente com o resumo das faturas. No final do
processo de receção de encomendas é possível ter acesso a um documento que resume todo o
processo anterior, servindo de comprovativo da receção da encomenda.
Depois do registo de entrada dos produtos, estes são arrumados de acordo com as
especificações e características dos mesmos.
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3.2.1. Ficha do Produto
Caso se adquiram produtos que nunca estiveram presentes na farmácia é necessário
criar a ficha do produto.
Esta deve ser preenchida com as características desse produto, mas caso este esteja
registado pelo INFARMED a ficha do produto já aparece pré-preenchida, tendo apenas de se
estabelecer pequenos parâmetros como os stocks máximo e mínimo na farmácia, o seu prazo
de validade e local habitual de armazenamento.
A ficha do produto permite observar as compras e vendas num determinado período
de tempo, aceder a informações de lotes e stocks, colocar observações no produto, inserir o
código alternativo, conferir informações como posologia, interações e reações adversas
medicamentosas do produto e enviar o código do mesmo para a lista de encomendas.
3.3.DEVOLUÇÕES DE PRODUTOS
A devolução de produtos aos fornecedores ou laboratórios ocorrem quando se verifica
que uma encomenda ou um produto da encomenda não se encontra na quantidade pedida e/ou
com a qualidade pretendida. Assim as devoluções podem ter os seguintes motivos: prazo de
validade muito curto ou expirado, troca do produto por parte do fornecedor ou da farmácia
durante o pedido ou envio, mau estado de conservação do produto, embalagem danificada ou
quando é enviada uma circular para a retirada desse produto do mercado.
Verificando-se um destes casos é realizada a reclamação junto ao fornecedor ou
laboratório do produto ou da encomenda em causa via telefone ou fax.
Posteriormente é criada a nota de devolução (Anexo C) na qual deve constar o
fornecedor, número de fatura do produto que se pretende devolver, a designação do produto, a
quantidade a devolver, preço de custo e o motivo da devolução. Esta nota de devolução é
impressa em triplicado, sendo que uma cópia é arquivada na farmácia e as outras duas são
enviadas em duplicado para o fornecedor devidamente carimbadas.
Caso o fornecedor concorde com o motivo da devolução enviada pela farmácia,
recebe-se uma nota de crédito (Anexo D) ou é realizada a troca de produtos por outros no
mesmo valor, ou pelo mesmo nas devidas condições. Caso o fornecedor não aceite a
devolução este volta a ser enviado para a farmácia sendo que o valor do mesmo é
contabilizado como “quebra”, ou seja é contabilizado como prejuízo para a farmácia, sendo
posteriormente colocado no contentor ValorMed.
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Por fim, independentemente do tipo de devolução é sempre necessário que ocorra a
regularização de devoluções (Anexo E), através do sistema informático, havendo assim um
acerto dos stocks no mesmo.
3.4.ARMAZENAMENTO
Após o processo de receção de medicamentos, dispositivos médicos e outros produtos
farmacêuticos, estes terão de ser armazenados de forma a garantir que os stocks destes
produtos presente nas instalações da Farmácia Viriato permaneçam em boas condições
durante o período de tempo que se encontrarem neste local.
Desta forma o processo de armazenamento constitui uma grande responsabilidade por
parte da farmácia, pois o stock imobilizado, tanto em termos económicos, como de qualidade,
representa uma responsabilidade elevada em termos da garantia de condições de segurança e
estabilidade.
Assim o armazenamento deve ter sempre em conta as características físico-químicas
do produto, a sua estabilidade em função da humidade, a temperatura e luminosidade,
segurança e de espaço. Desta forma, existem condições de armazenamento que devem ser
respeitadas, tais como medicamentos termolábeis devem ser conservados no frigorífico com
temperaturas entre 2 a 8º C, medicamentos que não necessitam de refrigeração não devem ser
conservados a temperaturas superiores de 25ºC, a humidade relativa deverá ser inferior a 60%,
e os medicamentos fotossensíveis devem ser devem ser armazenados na ausência total de luz.
Deste modo, segundo as características dos produtos farmacêuticos assim estes serão
colocados em locais de armazenamento específicos. Devido a este fator a Farmácia Viriato
tem que possuir diferentes locais de armazenamento. O principal local de armazenamento é
Robot Rowa® onde se encontram a maioria dos medicamentos, em que este funciona segundo
o método do FEFO, ou seja os medicamentos com o prazo de validade mais curto são
dispensados primeiramente em relação aos
produtos com validade superior, sendo este
considerado um método mais adequado em
relação ao First In, First Out (FIFO). O sistema
robotizado armazena os produtos farmacêuticos
consoante o prazo de validade, o tamanho da
embalagem e o espaço disponível no mesmo, não
havendo critérios como ordem alfabética. Os
Figura 9. Armazém.
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medicamentos que são adquiridos em grandes quantidades devido ao espaço limitado no robot
são colocados temporariamente num armazém (Figura 9) onde são armazenados segundo a
indicação terapêutica e a forma farmacêutica (xaropes antitússicos, por exemplo, encontramse todos no mesmo local). Neste local encontram-se também dispositivos médicos, MNSRM,
leites infantis, e produtos cosméticos e de higiene corporal que por falta de espaço não se
encontram na área de exposição.
A área de exposição constitui também um local de armazenamento, onde os MSRM
não estão presentes neste local de forma a não estarem ao alcance do utente enquanto que os
MNSRM, e outros produtos de dermocosmética e higiene corporal, puericultura, ortopédicos
e higiene bucodentária encontram-se com uma disposição de forma estratégica de acordo com
as zonas frias e quentes da farmácia.
Os produtos de uso veterinário encontram-se num local apropriado na área de
exposição.
O armazenamentos de medicamentos termolábeis é feito num frigorífico com
temperaturas entre 2 e 8ºC separados por insulinas, vacinas, colírios entre outros.
As matérias-primas são armazenadas no laboratório num compartimento específico de
modo a permitir um mais fácil e rápido acesso quando é necessária a utilização das mesmas.
No que diz respeito aos medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, estes estão
armazenados no Robot Rowa® pois este é um local de armazenamento seguro e acesso
restrito.
No que concerne os medicamentos injetáveis estes encontram-se num local próximo
do gabinete de atendimento, o que permite o fácil acesso aos mesmos, sobretudo quando há a
necessidade da sua administração aos utentes.
Devido à inúmera quantidade de produtos farmacêuticos presentes nesta farmácia,
durante o preenchimento da ficha do produto é colocada a sigla correspondente ao local
habitual de armazenamento do mesmo de forma a facilitar o acesso a este, por exemplo: robot
(ROB), dermocosmética (DRM), frigorífico (FRI), ortopedia (ORT), produtos não robot
(PNR), bloco de gavetas 1 (BG1) entre outros.
É também de referir que a farmácia Viriato possui vários termohigrómetros que
detetam a temperatura de forma a que este se mantenha inferior a 25ºC e uma humidade
relativa inferior a 60 % em todas as áreas da mesma.
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3.5.CONFERÊNCIA DOS PRAZOS DE VALIDADE
O prazo de validade consiste no período durante no qual um determinado produto
farmacêutico mantem as suas características físicas, químicas, microbiológicas, galénicas,
terapêuticas e toxicológicas dentro de limites aceitáveis e bem definidos e onde o teor do
princípio ativo não seja inferior a 95% do valor declarado [9].
Segundo o DL nº 307/2007 de 31 de Agosto as farmácias não podem fornecer produtos
que excedam o prazo de validade [5].
Deste modo o controlo dos prazos de validade é muito importante para que tal não
aconteça. Esse controlo começa por ser feito quando é executada a receção de encomendas, e
quando os produtos são armazenados no robot é pedido que seja introduzido o prazo de
validade da embalagem, este deve ser colocado com o máximo de cuidado de forma a garantir
essa segurança e a minimizar os erros na dispensa.
No entanto no início de cada mês através do Sifarma2000 procede-se à impressão de
uma listagem dos produtos cujo prazo de validade irá expirar num período de dois meses,
Lista de Controlo de Prazos de Validade. Após isto é efetuada a confirmação manual de cada
um dos produtos e dos seus prazos de validade, recolhendo os que estão nessas condições para
serem posteriormente devolvidos ao respetivo fornecedor.
Os prazos de validade que não estão corretas são alteradas de forma a manter o sistema
informático devidamente atualizado.
Com este processo é possível controlar o estado dos produtos farmacêuticos garantindo
sempre a segurança dos utentes/clientes.
4. FARMACOTECNIA
Por vezes surge a necessidade de ajustar a terapêutica para um determinado doente,
por não haver no mercado as dosagens especificas para este, ou é necessária a criação de
formas farmacêuticas adaptadas ao doente.
A farmacotecnia consiste na preparação de medicamentos manipulados, sendo estes
qualquer fórmula magistral ou preparado oficinal, preparado e dispensado sob a
responsabilidade de um farmacêutico. [10]
A preparação destes medicamentos é realizada num laboratório próprio para o efeito.
No entanto para a realização dos mesmos, apesar de serem necessárias boas condições de
higiene, assepsia e segurança, não são necessárias condições de total esterilidade. A estas
preparações dá-se o nome de manipulações não estéreis.
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Esta sala está equipada com o mínimo de material para a realização das preparações,
como gobelés, balões de Erlenmeyer, espátulas, pipetas, provetas, bem como balanças de
precisão, entre outros. Existe material de proteção individual como é o caso de luvas, touca e
máscaras.
4.1.PREPARAÇÃO DE FORMULAÇÕES NÃO ESTÉREIS
As Fórmulas Magistrais são medicamentos preparados numa farmácia segundo as
indicações de uma receita médica e destinado a um doente determinado.
Os Preparados Oficinais são qualquer medicamento preparado segundo as indicações
de uma farmacopeia, ou de um formulário, em Farmácia de Oficina, destinado a um doente
determinado.
Para a preparação de um medicamento manipulado é necessário cumprir com as “Boas
práticas de Medicamentos Manipulados” aprovados segundo as normas e requisitos do
INFARMED e na realização deste tipo de medicamentos só podem ser utilizadas na
preparação de matérias-primas descritas na Farmacopeia Portuguesa ou Europeia.
A preparação de manipulados exige um local que reúna as condições de higiene e
segurança necessárias, possuindo também materiais e equipamentos adequados para a
realização destes produtos [10].
Na Farmácia Viriato, são realizados vários preparados oficinais e fórmulas magistrais
destinadas principalmente à área da pediatria e dermatologia, realizando-se maioritariamente
pomadas e xaropes. Por isso sempre que se realiza um medicamento manipulado para além de
se consultar a farmacopeia verifica-se também se há registo da realização desse medicamento
na farmácia, realizando-se então o medicamento manipulado com base na Ficha de
Preparação de Manipulados em questão, procedendo-se no final ao cálculo do PVP segundo a
legislação em vigor.
A preparação de um medicamento manipulado requer o preenchimento da Ficha de
Preparação do Medicamento Manipulado (Anexo F), com a atribuição de um número de lote
ao medicamento preparado. Esta ficha refere detalhadamente as matérias-primas, o processo
de fabrico, os ensaios de verificação efetuados, o acondicionamento, a rotulagem e ainda
temos uma folha que diz respeito ao cálculo do PVP do medicamento manipulado.
Este cálculo é feito baseado no valor das matérias-primas, dos honorários da
preparação e o valor dos materiais de embalagem.
O PVP dos medicamentos manipulados é então calculado segundo a fórmula seguinte:
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- (Valor dos honorários + Valor das matérias-primas + Valor dos materiais de
embalagem) × 1,3, acrescido o valor do IVA à taxa em vigor. [11]
Para além disto sempre que se utilizam matérias primas para proceder à manipulação é
preenchida uma folha de registo de movimentos de matérias primas (Anexo G).
No fim da manipulação deve proceder-se a todas as verificações necessárias para
garantir a boa qualidade final do medicamento manipulado, verificando sobretudo as
características organoléticas.
Após a finalização de qualquer manipulado, este deve ser acondicionado numa
embalagem adequada que satisfaça as exigências do produto, protegendo-o do ar e da luz.
De seguida é feita a rotulagem do medicamento manipulado que deve conter
informações como fórmula do medicamento manipulado prescrita pelo médico, o nome do
doente, número de lote atribuído, prazo de utilização do medicamento preparado, condições
de conservação e posologia e os cuidados a ter com este, como por exemplo, “Uso externo”,
“Conservar no frio” ou “Agitar antes de usar”.
O prazo de utilização dos medicamentos manipulados são estabelecidos segundo os
seguintes critérios:
- Nas preparações sólidas não aquosas, 25% do tempo que falta para expirar o prazo
da substância ativa caso esta seja obtida através de um produto industrializado, ou seis meses
quando a substância ativa é obtida através da matéria prima individualizada.
- Preparações liquidas aquosas, até 14 dias se armazenados a temperaturas entre os
2º e os 8ºC ;
- Outras preparações, deve corresponder à duração do tratamento sem exceder os
trinta dias [12].
Após a preparação do manipulado, é feita uma fotocópia da receita médica para anexar
à ficha de preparação do manipulado para arquivo nos registos da farmácia, podendo de
seguida ser dispensado.
5. DISPENSA DE ESPECIALIDADES FARMACÊUTICAS
De acordo com o DL n.º 72/91 de 8 de Fevereiro, Especialidade Farmacêutica é “todo o
medicamento preparado antecipadamente e introduzido no mercado com denominação e
acondicionamento próprio”[13]. Desta forma a dispensa é realizada num local especifico da
farmácia, é a atividade de maior relevância a nível de farmácia comunitária como local de
promoção de saúde.
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O ato da dispensa das especialidades deve ser realizado de forma a garantir a maior
segurança possível visando a eficiência da terapêutica do utente, devendo-se disponibilizar o
medicamento correto, na quantidade e qualidade certas, de forma a cumprir a prescrição
médica, para cada doente.
Na farmácia são dispensados diversos produtos que segundo a legislação nacional são
categorizados em vários tipos que serão referidos posteriormente.
Uma das atividades mais importantes a nível da dispensa é o aconselhamento
farmacoterapêutico, que deve conter a posologia, cuidados a ter e possíveis interações
avaliando as necessidades do utente/doente e promovendo o uso racional de medicamentos
certificando-se sempre se o mesmo ficou totalmente esclarecido.
Neste ato é essencial que os profissionais estejam bem instruídos de forma a
distinguirem, com base na sintomatologia, as diferentes situações que se apresentam. No
entanto nesta atividade tão complexa não só os conhecimentos técnico-científicos são
suficientes para a sua realização, toda uma postura ética, por vezes, é importante para saber
avaliar situações que vão para além da terapêutica medicamentosa.
5.1.DISPENSA DE MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA
Segundo o DL nº 176/2006 de 30 de Agosto, os MSRM são todo o conjunto de
medicamentos que só podem ser dispensados aos utentes mediante apresentação da receita
médica, emitida por profissionais devidamente habilitados a prescrever medicamentos.
Para que os medicamentos sejam considerados MSRM têm de preencher um dos
seguintes requisitos:
- Possam constituir um risco para a saúde do doente, direta ou indiretamente, mesmo
quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica;
- Possam constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde, quando sejam utilizados
com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam;
- Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade ou
reações adversas seja indispensável aprofundar;
- Destinem-se a ser administrados por via parentérica [14].
Segundo o DL nº 1501/2002, “ O modelo de receita médica em suporte de papel préimpresso é modelo exclusivo da Casa da Moeda.” (Anexo H) [15]. Assim o receituário
médico encontra-se dividido em:
- Receita médica renovável: apresenta uma validade de 6 meses a partir da data de
emissão. Esta é composta por três vias. Este tipo de receitas destina-se a doenças crónicas ou
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tratamentos prolongados, ou seja os medicamentos que constem na tabela da portaria
nº1417/2004 [16].
- Receita médica não renovável: tem uma validade de 30 dias a partir da data de
emissão.
- Receita médica especial: este tipo de receita destina-se aos estupefacientes e
psicotrópicos.
De forma a melhorar a segurança no circuito do medicamento a prescrição médica,
tem obrigatoriamente que obedecer a inúmeros fatores para ser validada pelos profissionais de
farmácia. Entre eles, segundo a portaria nº198/2011, [17] esta tem de ser preenchida através
do sistema informático caso contrário terá que apresentar uma das seguintes exceções (Anexo
I) :
a. Falência do sistema informático;
b. Inadaptação fundamentada do prescritor;
c. Prescrição ao domicílio;
d. Outras situações até um máximo de 40 receitas médicas por mês.
Após isto é necessário que a receita contenha todos os seguintes parâmetros:
- Número da receita e respetiva representação em código de barras;
- Identificação do médico prescritor, com a indicação do nome e especialidade médica,
número da cédula profissional e respetivo código de barras;
- Local de prescrição e sua representação em código de barras, caso seja possível;
- Nome e número de utente tanto, o numero de utente deverá estar em código de barras
caso seja possível;
- Indicação da entidade financeira responsável e do regime de comparticipação
especial, se aplicável;
- A data da prescrição e prazo de validade da receita médica;
- Assinatura do médico prescritor;
Depois da verificação destes parâmetros segundo a portaria Nº137-A/2012 de 11 de Maio os
medicamentos da receita têm que estar prescritos obedecendo às seguintes regras:
- Prescrição de medicamentos deve incluir obrigatoriamente a denominação comum
internacional (DCI) da substância ativa, forma farmacêutica, dosagem e apresentação, o
número de tomas e devendo ser indicada ainda a posologia.
- O prescritor poderá excecionalmente prescrever por marca comercial ou nome do
titular de autorização de introdução no mercado, no caso em que apenas existam
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medicamentos de marca ou quando o prescritor incluir uma das seguintes justificações
técnicas:
a) Medicamentos com margem ou índice terapêutico estreito;
b) Suspeita, previamente reportada ao INFARMED, de intolerância ou reação adversa
a um medicamento com a mesma substância ativa, mas identificado por outra denominação
comercial;
c) Medicamento destinado a assegurar a continuidade de um tratamento com duração
estimada superior a 28 dias.
No entanto na prescrição de um medicamento comparticipado se o médico prescritor
pretender o medicamento comercial não poderá constar a prescrição de outros medicamentos
na mesma receita, caso contrário a prescrição por marca comercial fica sem efeito.
- A prescrição médica não pode conter mais de quatro embalagens por receita ou mais
de duas embalagens do mesmo medicamento. Excecionalmente poderá conter quatro
medicamentos iguais no caso de cada embalagem seja de toma única.
As farmácias devem ter em stock, no mínimo, três medicamentos de cada grupo
homogéneo (mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem) de entre os cinco
medicamentos com preço mais baixo e os utentes devem ser informados sobre o medicamento
mais barato e têm direito de opção por qualquer medicamento caso não apresente exceção
[18].
Após a verificação de todos estes critérios o profissional de farmácia terá de
interpretá-los de forma a poder esclarecer as dúvidas colocadas pelo utente.
Primeiramente deve-se verificar a quem se destinam os medicamentos, a patologia que
o utente apresenta, de seguida deverá verificar o nome do medicamento (DCI ou marca
comercial), forma farmacêutica, dosagem, via de administração e posologia (quando indicada
pelo médico), deve tentar verificar quais os efeitos adversos, contra-indicações, interações e
as precauções especiais a tomar de cada um dos medicamentos prescritos.
No entanto quando por algum motivo o médico prescritor não indica a dosagem ou o
tamanho da embalagem deve ceder-se a dosagem mais baixa possível, e a embalagem com a
menor quantidade de medicamentos.
Quando surgem dúvidas em relação à prescrição o profissional de farmácia deve tentar
resolver essa situação através da informação científica presente no sistema informático
Sifarma2000, na informação em bibliografia como é o caso do Índice Nacional Terapêutico,
Prontuário Terapêutico e através do contacto com o utente e/ou com o médico prescritor de
forma que tratamento farmacoterapêutico do doente seja assegurado.
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Por fim, no verso da receita (Anexo J) é impresso o documento para faturação onde
constam a designação do medicamento, dosagem e forma farmacêutica, dimensão da
embalagem e número de embalagens com os códigos de barras correspondentes aos artigos
dispensados na venda, o nome da farmácia e direção técnica, a data da dispensa, preço de
venda, valor correspondente à comparticipação e ao montante pago pelo utente, o número da
venda e o código do operador que a efetuou, o lote a que pertence a receita, o número da
receita e o organismo responsável pela comparticipação. Após esta impressão o utente tem
que assinar no verso da receita uma declaração em como lhe foram cedidas as embalagens
constantes na receita e dispensados os conselhos sobre a sua utilização. Depois o profissional
tem que colocar o carimbo da farmácia, rubricar e datar.
Em situações excecionais, quando está em falta algum dos medicamentos prescritos na
receita podem ser realizadas “Vendas suspensas”. Nestes casos, é emitido um talão onde
consta o número da venda suspensa, bem como os medicamentos que o utente levou.
Posteriormente quando o utente se dirige à farmácia para buscar os restantes medicamentos
que estavam em falta, é importada a venda suspensa respetiva e só neste momento se avia a
receita e é emitida a fatura/recibo válida para efeitos do Imposto Sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares (IRS).
Para promover a prescrição por DCI e evitar erros na dispensa e agilizar o processo de
prescrição e conferência de receituário, a legislação que suporta a prescrição alterou de forma
a que num futuro próximo seja eliminada a prescrição em papel passando a ser eletrónica.
O concelho de Viseu será pioneiro na prescrição eletrónica sendo um dos concelhos
selecionado para a fase de teste deste procedimento.
A receita eletrónica irá funcionar com a prescrição on-line, ou seja no momento da
prescrição o software tem de validar e registar a receita no sistema central de prescrição antes
da sua emissão em papel ficando imediatamente visíveis para as farmácias.
No entanto sempre que haja falência técnica por indisponibilidade dos serviços
centrais ou falha de comunicação, é permitida a prescrição off-line. Nesta situação, as receitas
são emitidas com uma numeração local, atribuída pelo software de prescrição. As receitas
emitidas por software em modo off-line não são consideradas receitas eletrónicas.
Para a prescrição destas receitas as regras de prescrição regem-se pelas referidas
anteriormente [19].
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5.2.DISPENSA DE MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA ESPECIAL
Os MSRME são todos os medicamentos autorizados em Portugal que contêm
substâncias e preparações compreendidas nas tabelas I e II anexas ao DL nº 15/93, de 22 de
Janeiro, na sua redação atual só podem ser fornecidos ao público mediante a apresentação do
modelo de receita constante da Portaria n.º 981/98, de 8 de Junho, com as alterações
introduzidas pela Portaria n.º 1193/99, de 29 de Setembro sendo na sua maioria medicamentos
estupefacientes e Psicotrópicos [20, 21, 22].
Os
Estupefacientes
e
Psicotrópicos
são
substâncias
químicas
que
atuam
principalmente no sistema nervoso central, onde alteram a função cerebral e alteram
temporariamente a perceção, o humor, o comportamento e a consciência. São medicamentos
utilizados no combate das doenças de perturbação mental, tais como a ansiedade, a depressão,
a angústia, a insónia, a agitação, etc. [23].
Assim o facto de estes poderem ser extraviados com o intuito de tráfico e também pela
dependência que provocam, o seu uso é muito restrito tendo de ser comprovado clinicamente.
Na sua dispensa também são usados critérios muito rigorosos que se encontram devidamente
legislados, daí serem sujeitos a receituário médico especial.
A dispensa da destes medicamentos constitui uma elevada responsabilidade por parte
do operador. Anteriormente à deliberação a dispensa destas especialidades era efetuada
mediante a apresentação da receita médica especial (em triplicado de cor amarela no caso das
manuais, ou de acordo com o modelo aprovado pelo INFARMED, portaria nº 1193/99 de 6 de
Novembro) no entanto neste momento, o modelo das receitas médicas destes medicamentos é
igual ao dos restantes medicamentos (Anexo K), não podendo os MSRME estar em conjunto
com os medicamentos MSRM e estas têm apenas a validade de trinta dias [22].
Assim no ato da dispensa a receita deve estar corretamente preenchida e sem qualquer
erro ou rasura, com a respetiva identificação do médico e com a correta identificação do
utente, com a correta indicação do medicamento (nome, dosagem, forma farmacêutica,
posologia, número de embalagens e sua dimensão). Deve ainda constar a vinheta do médico e
no caso de algum dado incorreto ou omisso é impossibilitada a dispensa, assim como se
estiver fora do prazo ou rasurada.
Na dispensa deste tipo de medicamentos o sistema informático Sifarma2000, abre
automaticamente uma janela para o preenchimento dos dados necessários para arquivo, nesta
devem contar o nome do médico, nome e morada do utente, nome, morada, e número de
bilhete de identidade e idade do adquirente .
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No fim da venda, é impresso automaticamente o documento de faturação no verso da
receita original e um documento de psicotrópicos (Anexo L) a anexar ao duplicado.
No caso das receitas de psicotrópicos e estupefacientes sendo que informação da
dispensa da receita é enviada para o INFARMED até ao dia 8 do mês seguinte, o original é
enviado para o organismo de comparticipação, sendo uma cópia para arquivo na farmácia
durante o período de cinco anos.
5.3. DISPENSA DE MEDICAMENTOS GENÉRICOS
Constituem medicamentos genéricos todos os medicamentos com a mesma
composição qualitativa e quantitativa em substâncias ativas, sob a mesma forma farmacêutica
e para os quais, sempre que necessário, foi demonstrada bioequivalência com o medicamento
de referência, com base em estudos de biodisponibilidade apropriados [24].
Devido à obrigatoriedade de prescrição por DCI cada vez mais estes medicamentos
são prescritos e dispensados de forma a diminuir os encargos para as entidades de
comparticipação e para o utente.
Para se substituir um medicamento de marca comercial por um genérico apenas pode
ser de marca ou genéricos, que são bioequivalentes entre si.
Salvo algumas exceções supra referidas o utente tem o direito de opção, podendo optar
pelos medicamentos genéricos [19].
5.4.DISPENSA DE MEDICAMENTOS DE USO VETERINÁRIO
De acordo com o DL nº 184/97 de 26 de Junho, considera-se medicamento veterinário
todo o medicamento destinado aos animais [25].
A dispensa deste tipo de medicamentos depende muito da localização geográfica da
farmácia, no entanto produtos para desparasitação interna e externa, antibióticos e produtos de
higiene animal são os mais procurados.
Estes medicamentos podem ser dispensados com ou sem apresentação de receita
médica, no entanto não têm qualquer tipo de comparticipação, mesmo que prescritos pelo
médico veterinário, tendo que ser pagos na sua totalidade. É importante que o profissional de
farmácia possua conhecimentos a nível de farmácia veterinária de forma a aconselhar o
cliente na utilização destes produtos [19].
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5.5. DISPENSA DE MEDICAMENTOS MANIPULADOS
Para a dispensa de medicamentos manipulados, estes são prescritos no modelo de
receituário normal no entanto para serem comparticipáveis têm que ser os únicos prescritos e
conterem a indicação de “medicamento manipulado” ou “f.s.a.” (fac secundum artem). É
importante mencionar que existe uma lista de medicamentos manipulados comparticipáveis a
30%, aprovada pelo Ministério da Saúde, que consta do Despacho n.º 18694/2010, a qual é
preciso ter sempre presente na preparação de medicamentos manipulados [19, 26].
5.6.DISPENSA DE PRODUTOS DIETÉTICOS COM CARÁTER TERAPÊUTICO
Também para a correta dispensa destes produtos estes têm que ser prescritos num
modelo de receita médica isoladamente, ou seja na mesma receita não poderão constar outros
medicamentos ou produtos.
A listagem destes produtos que possuem comparticipação é da responsabilidade da
Direção Geral de Saúde (DGS) e encontra-se disponível on-line.
Essa comparticipação pode ser de 100% desde que sejam prescritos no Instituto de
Genética Médica Dr. Jacinto Magalhães ou nos centros de tratamento dos hospitais
protocolados com o referido Instituto [19].
5.7. DISPENSA DE
PRODUTOS DESTINADOS AO AUTOCONTROLO DA
DIABETES MELLITUS
Os produtos destinados ao autocontrolo da diabetes mellitus devem ser prescritos no
mesmo modelo de receita médica, no entanto têm que ser prescritos isoladamente. A
prescrição destes produtos segue as mesmas regras que os medicamentos, nomeadamente no
que respeita ao número de embalagens por receita, não sendo possível a substituição destes
produtos na farmácia.
A comparticipação destes produtos é de 100% para agulhas e lancetas e de 85 % para
tiras-teste [19].
5.8.DISPENSA DE MEDICAMENTOS NÃO SUJEITOS A RECEITA MÉDICA
Os MNSRM são todos aqueles que não apresentam nenhuma especificação que o
classificam como sujeito a receita médica. A dispensa destes medicamentos tem que estar de
acordo com as indicações terapêuticas que se incluam na lista de situações passíveis de
automedicação, incluídas no Despacho n.º 17690/2007 [27].
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Estes são os indicados para o tratamento ou prevenção de determinadas doenças e,
como não requerem cuidados médicos, podem ser adquiridos sem receita médica. Estes
produtos não deixam de ser considerados medicamentos e por isso mesmo devem ser usados
com precaução. No ato de dispensa, o profissional de saúde deve avaliar não só as
consequências que advêm de uma terapêutica inadequada, mas também, e principalmente, os
riscos relativos ao consumo de medicamentos.
Na dispensa destes medicamentos profissional de farmácia tem de receber todas as
informações necessárias para um correto aconselhamento.
É essencial que o utente receba toda a informação necessária acerca do medicamento
em causa para que faça uma utilização correta e racional. O aconselhamento sujeita-se à
prevenção e ao tratamento de sintomas e afeções clínicas ligeiras, auto-limitadas e que
requerem terapêutica de curta duração, nomeadamente estados febris, gripes, constipações,
entre outras situações passíveis de automedicação.
5.8.1. Automedicação
Segundo o Despacho n.º 17690/2007, de 23 de Julho considera-se a utilização de
MNSRM de forma responsável, sempre que se destine ao alívio e tratamento de queixas de
saúde passageiras e sem gravidade, com a assistência ou aconselhamento opcional de um
profissional de saúde e é considerada uma prática integrante do sistema de saúde [28].
Contudo é sempre necessário um correto aconselhamento e acompanhamento por parte do
profissional de farmácia sendo possível a este avaliar se o produto farmacêutico está a ter a
eficácia pretendida garantido a segurança do utente.
Para isso têm que ser realizadas várias perguntas ao utente/cliente de forma a perceber
a sintomatologia adequando assim a terapêutica.
5.9.SUBSISTEMAS DE SAÚDE E ENTIDADES COMPARTICIPADORAS
Segundo a Declaração Universal dos Diretos Humanos todas as pessoas têm direito à
prestação de cuidados de saúde.
As comparticipação do Estado no preço dos medicamentos é fixada de acordo com os
escalões A, B, C e D, correspondendo a uma comparticipação do Estado de 90%, 69%, 37% e
15% do preço de venda ao público dos medicamentos, respetivamente.
No nosso país a comparticipação por defeito é o Sistema Nacional de Saúde (SNS).
Este é o regime geral, abrange todos os utentes do SNS e os trabalhadores migrantes (presente
o número de beneficiário correspondente a uma seguradora e o respetivo código de barras).
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No entanto dependendo dos rendimentos (reformados com reformas inferiores ao
salário mínimo nacional), doentes crónicos ou utentes que obtenham condições de doentes
profissionais são abrangidos pelo regime especial. Nestes casos, a comparticipação do estado
no preço dos medicamentos integrados no Escalão A é acrescida de 5% e nos escalões B, C e
D é acrescida de 15%.
Para além disso o utente pode optar também por outros sistemas de comparticipação
como é o caso de seguros particulares (por exemplo Multicare), nestes casos é sempre
necessário tirar uma fotocópia da receita, de modo a poder-se faturar aos dois organismos.
A comparticipação do Estado no preço de medicamentos utilizados no tratamento de
determinadas patologias (doença de Alzheimer, doença inflamatória intestinal, paramiloidose,
entre outras) ou por grupos especiais de utentes é definida por despacho do membro do
Governo responsável pela área da saúde. Nestas situações, o médico prescritor tem que ser da
área da doença do utente (exemplo: gastroenterologista para a doença inflamatória intestinal)
e deve referir a portaria que permite a comparticipação especial dos medicamentos em causa.
Desta forma, a percentagem de comparticipação varia em função da entidade e do
medicamento em causa. Quando o utente adquire um medicamento comparticipado paga
apenas a diferença entre o PVP e o valor da comparticipação. O restante valor será
posteriormente reembolsado à farmácia pelos organismos de comparticipação [19, 29].
5.10. FATURAÇÃO
Quando são dispensados medicamentos sujeitos a receituário médico é emitido no
verso da receita o documento de faturação.
Neste documento encontra-se o lote da receita, número da receita, o organismo de
comparticipação, os medicamentos dispensados, com o respetivo PVP e a comparticipação
efetuada, o preço total da venda, a identificação da farmácia, a data da dispensa e o código do
profissional que efetuou a mesma.
Na Farmácia Viriato a conferência do receituário é efetuada diariamente por um
funcionário da farmácia encarregue por essa tarefa.
Ao verificar o receituário, é necessário analisar determinados parâmetros como a
validade da receita, a assinatura e vinheta do médico e vinhetas do centro de saúde/ hospital,
verificar se o regime de comparticipação aplicado foi o correto, se há conformidade entre os
medicamentos prescritos e os que foram dispensados (nome, forma farmacêutica, dosagem,
tamanho e número de embalagens), a assinatura do utente, assinatura do profissional de saúde
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responsável pela dispensa, data da dispensa e carimbo da farmácia. Por sua vez, os erros
detetados devem ser assinalados e colocados para serem justificados ou corrigidos.
A cada receita processada ao longo do mês é atribuído um número sequencial,
correspondente ao número da receita, número do lote e respetivo plano de comparticipação,
numero esse atribuído pelo programa informático. Todos os lotes são constituídos
obrigatoriamente por trinta receitas, exceto o último lote do mês correspondente a cada
organismo que é constituído pelas receitas remanescentes.
Uma vez conferidas, as receitas são organizadas e separadas por lotes, de acordo com
o organismo correspondente.
No fim de cada mês, após a conferencia e separação do receituário, são impressos por
cada lote, vários documentos tais como:
- Verbete de Identificação do Lote (ANEXO M), que consiste num documento que
possui a entidade a que se refere o verbete, o nome e código da farmácia, mês e ano a que
respeita, série, quantidade total de receitas, PVP total do lote, importância total do lote paga
pelo utente e a importância total de comparticipação. Após conferência das trinta receitas da
respetiva entidade, o verbete é anexado ao respetivo lote de receitas e é carimbado com o
carimbo da farmácia.
- Relação Resumo dos Lotes (ANEXO N) que identifica todos os lotes de um
determinado organismo de faturação.
- Fatura Mensal de Medicamentos (ANEXO O), que contém a identificação da
farmácia e o código ANF, número da fatura, mês e ano, organismo de faturação, número de
lotes, valor total de PVP, comparticipação dos utentes, comparticipação do organismo.
As receitas relativas ao SNS são enviadas para o Centro de Conferências de Faturas na
Maia, sendo os lotes dos restantes organismos enviados à ANF. Esta associação funciona
como a entidade intermediária entre os diferentes sistemas de saúde e a farmácia no momento
em que é efetuado o pagamento do valor das comparticipações.
A partir do dia cinco, a empresa de transporte responsável pela entidade do SNS (CTT)
dirige-se à farmácia para recolher a faturação do SNS, as restantes são enviadas pelo correio
para a ANF até dia dez.
Após o envio do receituário e respetiva faturação às diferentes entidades poderão
surgir receitas que sejam devolvidas pelo Centro de Conferência de Faturas devido à deteção
de erros na receita, o que consequentemente leva ao não pagamento do respetivo valor de
comparticipação que compete ao organismo em questão. Muitas destas situações são
facilmente corrigidas, sendo apenas necessário entrar em contacto com o médico ou utente
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que rapidamente resolvem algumas situações, como uma ausência de assinatura, de exceção,
entre outras. Nos casos em que é possível regularizar a situação, pode-se incluir tais receitas
na faturação do mês seguinte.
6. OUTROS CUIDADOS DE SAÚDE PRESTADOS PELA FARMÁCIA
Uma farmácia é um local de promoção de saúde pública e prevenção da doença e não
apenas um lugar onde são dispensados medicamentos. Assente neste princípio a Farmácia
Viriato tem ao serviço da comunidade a determinação e avaliação de diversos parâmetros
fisiológicos e bioquímicos, a administração de injetáveis e a recolha de medicamentos fora de
uso ou de prazo (ValorMed).
6.1. DETERMINAÇÃO E AVALIAÇÃO DE PARÂMETROS BIOQUIMICOS E
FISIOLÓGICOS
Os utentes/clientes da Farmácia Viriato tem ao seu dispor vários testes de avaliação de
parâmetros fisiológicos e bioquímicos, com a ajuda de alguns equipamentos, tais como a
determinação do peso e altura, IMC, da pressão arterial, da glicémia capilar, do colesterol, dos
triglicerídeos, do ácido úrico, creatinina e ureia, função hepática, e da hormona que permite
realizar os testes de gravidez.
Após os resultados de qualquer um destes testes é necessário saber avaliá-los, tentar
averiguar o porquê deles estarem alterados, caso se verifique, e aconselhar as melhores
medidas não farmacológicas para a estabilização dos mesmos.
A avaliação destes parâmetros numa farmácia comunitária constitui uma mais-valia no
que diz respeito à promoção da saúde e prevenção da doença, sendo sujeita a legislação
específica que é o caso da Portaria n.º 1429/2007 de 2 de Novembro [30].
6.1.1. Avaliação Antropométrica
Para determinar o peso, altura e IMC, é usada uma balança eletrónica (Figura 10). Esta
emite um talão no qual se encontra o peso, altura e IMC da pessoa em questão. Nesse talão,
esta também indicado o peso ideal de acordo com o sexo e altura do cliente/utente.
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O IMC estabelece uma relação entre o peso
(quilograma) e a altura (metro) e é utilizado para
classificar quantitativamente a obesidade, sendo
calculado da seguinte forma:
- Fórmula do IMC = Peso (quilogramas) /
Altura2 (metro).
Quando os valores apresentam desvios não se
encontram
dentro
dos
parâmetros
considerados
normais pela Organização Mundial de Saúde (OMS),
os utentes são aconselhados de forma a adaptarem
melhores hábitos alimentares, incentivados à pratica de
exercício físico e correção de alguns hábitos menos
saudáveis. Por vezes devido à gravidade da situação é
aconselhada ao utente a visita a um nutricionista [31].
Figura 10. balança eletrónica.
6.1.2. Determinação da tensão arterial e frequência cardíaca
São vários os utentes que procuram saber como se encontra a sua tensão arterial, no
entanto, geralmente estes costumam-se distinguir em dois grandes grupos: aqueles que
regularmente verificam a sua tensão arterial, como o intuito preventivo ou apenas para
verificar se a terapia com antihipertenssores está a ser efetiva, e os restantes utentes apenas
avaliam pontualmente por sentirem mal-estar há alguns dias, ou mesmo no próprio dia.
Na Farmácia Viriato para se medir a tensão arterial é usada um medidor de tensão
arterial automático (Figura 11), onde o utente coloca o seu braço esquerdo. Durante a medição,
o utente não poderá falar de modo a não influenciar os valores obtidos.
Este dispositivo é um método de medição oscilométrico, isto é, utiliza sensores
oscilométricos que medem a vibração da pressão arterial por baixo da braçadeira.
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Por fim
emite um talão com os valores
determinados: os valores da pressão sistólica, da
pressão diastólica e as pulsações por minuto.
Esses valores devem ser interpretados segundo as
recomendações da OMS. Em alguns casos, este
tipo de medição permite detetar precocemente a
Hipertensão Arterial, sendo responsabilidade do
profissional de farmácia informá-lo das medidas
não farmacológicas que pode adotar, como é o
caso de seguir uma dieta saudável (redução do
consumo de sal, gorduras saturadas e um
adequado consumo de frutas e vegetais), reduzir o
consumo de álcool e tabaco (se for o caso) e
Figura 11. Medidor de tensão arterial automático.
recomendar uma medição regular da Pressão Arterial (PA). Se tal não for alcançado com estas
medidas, o utente deve ser encaminhado para uma consulta médica pois poderá ser necessária
a instituição de uma terapêutica farmacológica. Caso o utente seja hipertenso já diagnosticado
deve-se fomentar a adesão à terapêutica, informar o risco cardiovascular associado e
promover hábitos saudáveis.
Os valores da PA considerados normais são: sistólica (120 mmHg) e diastólica (70
mmHg) [32].
6.1.3. Determinação dos níveis de glicémia capilar
Para se determinar a glicémia capilar, é realizada a punção digital, usando um aparelho
e tiras de teste adequadas. Depois de efetuada a medição é importante a análise dos valores
para que estes sejam fidedignos, devendo-se recomendar ao utente sempre que possível um
jejum de pelo menos oito horas.
Segundo a OMS os valores considerados normais para os níveis de glicose no sangue
são, no caso de jejum, iguais ou inferiores a 109 miligramas/decilitro e, ocasionalmente,
iguais ou inferiores a 139 miligramas/decilitro. Nos casos em que os valores da glicemia em
jejum encontram-se entre 110 e 125 miligramas/decilitro e os valores ocasionais entre 140 e
199 miligramas/decilitro, pode dar-se o caso de haver uma anomalia da glicemia em jejum ou
uma situação de tolerância diminuída à glicose.
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Contudo, caso os valores em jejum encontrem-se iguais ou superiores a 126
miligramas/decilitro e os valores ocasionais iguais ou superiores a 200 miligramas/decilitro,
constituem um forte indicador da presença de uma situação de diabetes mellitus.
Quando se identificam indivíduos com fatores de risco deve-se recomendar a adoção
de estilos de vida saudáveis, a medição regular dos níveis de glicémia e toma dos
medicamentos corretamente (se for o caso) [33].
6.1.4. Determinação dos níveis de colesterol e triglicéridos
Tal como na determinação da glicose é realizada a punção digital usando um aparelho
e tiras de teste adequadas. No caso do colesterol esta medição pode ser feita a qualquer
momento, ao contrário dos triglicerídeos onde se aconselha um jejum de doze horas.
Os valores
ideais
para o
colesterol total
devem
ser
inferiores
a 190
miligramas/decilitro, enquanto para os triglicerídeos devem ser inferiores a 150
miligramas/decilitro. Normalmente valores elevados de lípidos no sangue não causam
quaisquer sintomas, daí que seja importante efetuar um controlo destes valores, pois estes são
os principais responsáveis pela ocorrência de doenças cardiovasculares.
Estes dois parâmetros constituem assim fatores de risco para as doenças
cardiovasculares, consequência muitas vezes da má alimentação e do sedentarismo, e deste
modo o profissional de farmácia deverá recomendar a adoção de estilos de vida saudáveis, a
medição regular dos níveis de perfil lipídico e toma dos medicamentos corretamente (se for o
caso) [34].
6.1.5. Teste de gravidez
Para a realização do teste de gravidez é usada a urina da utente que pretende realizar o
teste, pois este teste consiste num imunoensaio qualitativo em que se deteta a hormona
gonadotrofina coriónica humana (hGC) presente na urina. Esta hormona é produzida pela
placenta em desenvolvimento estando assim presente em quantidades elevadas na grávida.
Este teste deve ser realizado preferencialmente com a primeira urina da manhã onde os
níveis de hGC são mais elevados nesta altura do dia, tornando o teste mais fiável.
Após a recolha da amostra esta é colocada num dispositivo que contém anticorpos do
hGC, formando-se uma linha corada na região da amostra, se esta contiver 25UI/L, indicando
que o resultado é positivo.
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6.1.6. Determinação do PSA
O PSA é uma proteína produzida pelas células da glândula prostática. O teste de PSA
quantifica os níveis de PSA no sangue. Geralmente a quantidade de PSA encontrada no
sangue deve-se situar entre a escala normal de 0-4 mg/mL.
Contudo, quando surgem situações em que os valores se situam entre 4 e 10 ng/mL
podem levar à suspeita de problemas prostáticos [35].
6.1.7. Determinação do Ácido Úrico
O ácido úrico é resultante do metabolismo das purinas. Estas são os elementos
estruturais principais dos ácidos nucleicos, sendo na sua maioria provenientes da alimentação.
Em casos de má alimentação com o consumo excessivo de alguns alimentos, como
carne ou álcool pode levar a que o ácido úrico não seja totalmente excretado sendo que o seu
excesso que circula na corrente sanguínea se irá depositar nas articulações e nas zonas
envolventes do tecido conjuntivo, com formação de depósitos sólidos. Estes depósitos levam
à chamada de leucócitos ao local, o que origina episódios agudos de gota que se caracteriza
por uma forma muito dolorosa.
Os valores normais de ácido úrico no sangue podem variar de dia para dia e ao longo
de um mesmo dia, sendo habitualmente mais elevados de manhã do que à tarde.
Os valores normais de ácido úrico para os homens situam-se entre 2 e 7 mg/dl e para
as mulheres entre 2 e 6 mg/dl .
Níveis de ácido úrico superiores aos normais são normalmente assintomáticos [36].
6.2. VALORMED
Os medicamentos depois de utilizados os seus resíduos constituem um perigo bastante
acrescido para a população, embora o Sector do Medicamento represente menos de 0,5% dos
Resíduos Sólidos Urbanos. A especificidade destes produtos aconselha a existência de um
processo de recolha seguro, evitando-se, por razões de saúde pública, que os resíduos de
medicamentos não estejam acessíveis como qualquer outro resíduo urbano.
Desta forma a OMS desenvolveu um guia com um conjunto de práticas alternativas de
descarte de medicamentos de modo a garantir um menor risco de contaminação ambiental.
Segundo a OMS os medicamentos rejeitados devem ser incinerados acima de 850ºC,
com elevados tempos de retenção e exaustor de dispersão de gases onde os potenciais
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produtos tóxicos da combustão ficam retidos na cinza do cimento ou são removidos nos
equipamentos de permuta de calor [37].
Desta forma a Indústria Farmacêutica, responsável pela gestão dos resíduos de
embalagens que coloca no mercado, associou-se a Distribuidores e Farmácias, e criaram a
ValorMed. Esta sociedade foi então licenciada pelos Ministérios do Ambiente e da Economia,
como a sociedade responsável pela gestão dos resíduos de embalagens e medicamentos fora
de uso.
A ValorMed é assim um sistema autónomo de recolha e tratamento dos resíduos de
medicamentos, ou seja, resíduos de embalagens de medicamentos e produtos equiparados
recolhidos em farmácias comunitárias, farmácias hospitalares, resíduos de embalagens de
venda provenientes das devoluções das farmácias e distribuidores, assim como resíduos de
embalagens de medicamentos e produtos de uso veterinário.
Após a recolha, a ValorMed separa de acordo com os materiais – caixas, blisters, bulas,
ampolas, frascos – para reciclagem e os medicamentos fora de uso são incinerados de forma
segura e respeitando o ambiente.
Em 2010 foram recolhidas 838 toneladas de resíduos de
embalagens e medicamentos fora de uso, representando um
acréscimo de 17% relativamente ao ano anterior
Devido a esta grande importância a Farmácia Viriato
incentiva o utente para as boas práticas ambientais, relembrandoo de entregar as embalagens e medicamentos fora de uso ou com
prazo de validade expirado na farmácia, bem como os blisters
vazios das embalagens, sendo que estes são incinerados ou
reciclados, respetivamente.
Figura 12. Contentor da ValorMed.
Sempre que estes medicamentos são entregues na farmácia
são diretamente levados para o contentor (Figura 12). Este quando está cheio é selado e é
preenchida uma folha que está junta ao contentor em duplicado, sendo o original para o
fornecedor que está encarregue de levar o contentor e a cópia para a farmácia. A folha contém
alguns campos essenciais como o peso, a data e o nome da farmácia [38].
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7. OUTRAS ATIVIDADES REALIZADAS
7.1.FORMAÇÃO
Num local de promoção de saúde como é o caso de uma farmácia é de extrema
importância que os profissionais de farmácia sejam capaz de responder sempre às
necessidades do utente/cliente. No entanto, como sabemos a área da saúde é uma área de
constante inovação devido à investigação científica continuamente realizada com o objetivo
de melhorar a qualidade de vida do utente/cliente em todos os aspetos. Desta forma é
essencial que os profissionais de farmácia estejam informados das inovações de maneira a
poderem realizar um correto aconselhamento e acompanhamento ao utente/cliente.
Na Farmácia Viriato aposta-se na formação da equipa e sempre que alguma entidade
propõe uma ação de formação sobre os seus produtos, e quando não é possível que todos os
elementos dos recursos humanos assistem apenas alguns que posteriormente vão passar o
conhecimento para o restantes elementos.
Durante o período de estágio foi-me proporcionada a oportunidade de assistir à
formação das marcas Uriage® e Nestlé®.
7.2. ENTREGAS AO DOMICÍLIO
Na Farmácia Viriato existe a possibilidade de se dispensarem medicamentos ao
domicílio, no entanto este serviço apenas se realiza em casos de impossibilidade de
deslocação até à farmácia ou em casos de dispensa de medicamentos a instituições como lares
de idosos.
Nestes casos um funcionário da farmácia, após contacto telefónico por parte do utente
desloca-se ao local e faz a recolha do receituário para ser aviado para os produtos
farmacêuticos serem levados até ao utente que posteriormente efetuará o pagamento.
8. FARMACOVIGILÂNCIA
Quando há a introdução de um novo produto farmacêutico no mercado implica a
realização prévia de ensaios que fornecem a informação mais relevante sobre o seu perfil
farmacológico. No entanto, certos aspetos da sua atividade farmacológica não são detetados
nesses ensaios. Para além disto, durante os ensaios clínicos, a população alvo nem sempre
coincide com aquela na qual o medicamento vai ser aplicado. Assim, torna-se necessário
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estabelecer um programa de farmacovigilância pós comercialização, que obriga a comunicar
os efeitos adversos causados por medicamentos, ao Centro Nacional de Farmacovigilância.
A farmacovigilância consiste assim, na verificação e registo das Reações Adversas
Medicamentosas que medicamentos ou dispositivos médicos provocam nos doentes.
Este processo deve ser praticado e da responsabilidade de todos os profissionais de
saúde, pelo que integram a estrutura do Sistema Nacional de Farmacovigilância, tendo por
obrigação enviar toda a informação sobre o uso de medicamentos que se revele importante ao
INFARMED, sendo este o agente responsável pelo acompanhamento, coordenação e
aplicação do Sistema Nacional de Farmacovigilância.
Deste modo a Farmácia Viriato tal como todas as unidades de saúde e utentes podem
apresentar uma notificação de farmacovigilância ao INFARMED, onde devem constar
informações como, o medicamento notificado, a dosagem, a forma farmacêutica, o lote, o
laboratório e a justificação da notificação, depois esta será analisada cabendo ao INFARMED
proceder a retirada, ou não do medicamento em questão.
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ANÁLISE CRÍTICA / CONCLUSÃO
Durante este período de tempo que estagiei na Farmácia Viriato tive a oportunidade de
viver várias experiências e aumentar os meus conhecimentos.
Considero que esta farmácia possui todos os requisitos que uma farmácia comunitária
deve ter encontrando-se bem situada o que permite um fácil acesso por parte dos
utentes/clientes.
Esta farmácia possui também muitos equipamentos inovadores e modernos, como é o
caso do robot rowa®, caixa automática Cashguard®, entre outros, o que permite facilitar
algumas tarefas aos funcionário podendo estes dedicar mais tempo ao atendimento
farmacêutico do utente verificando assim as reais necessidades do mesmo podendo proceder a
um melhor aconselhamento.
No que diz respeito ao circuito do medicamento acho que ele é corretamente realizado
por parte recursos humanos. Considero que estes desempenham bem o seu papel como
profissionais de farmácia e possuem um bom relacionamento entre os todos os elementos
levando ao bom ambiente e consequente rentabilidade nas funções estando sempre centrados
primeiramente no bem-estar e na satisfação do utente.
Para além dos serviços que uma farmácia tem de obrigatoriamente de prestar esta tem
inúmeros outros serviços, como é o caso das consultas de podologia, sessões de tratamento
facial, sessões de maquilhagem e entregas ao domicílio o que se torna uma mais-valia para o
utente e para a farmácia.
Enquanto estagiária da Farmácia Viriato foi-me possível observar e participar em
novas experiências e situações que contribuíram para o meu desenvolvimento a nível pessoal
e profissional, e ainda consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso.
Desta forma observei o circuito do medicamento participando ativamente na
realização das tarefas de receção, armazenamento, gestão de stocks, marcação de preços, na
conferência de prazos de validades, e dispensa de medicamentos no atendimento ao público,
utilizando sempre o sistema informático Sifarma2000.
Considero que um estágio em farmácia comunitária ao proporcionar um maior
contacto com utente/cliente permite um desenvolvimento das capacidades de comunicação e
interação que são de extrema importância em profissionais de saúde.
O facto desta farmácia ser uma farmácia de “passagem” também permitiu alargar o
meu conceito de farmácia comunitária pois há uma maior afluência de clientes/utente que
procuram aconselhamentos e produtos variados e deversificados, o que põe à prova o nosso
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sentido crítico para saber avaliar as situações reais não só a nível de aconselhamento
farmacoterapêutico como ético e deontológico.
O facto de ter assistido a algumas formações ao longo do estágio permitiu-me a
aquisição de um maior conhecimento de vários produtos e marcas.
Considero ter sido uma experiência muito positiva pois obtive uma perceção mais
clara do papel do técnico de farmácia numa farmácia de oficina.
Através deste estágio verifiquei a importância de uma farmácia na comunidade,
conseguindo perceber melhor a teoria através da realização da mesma na vertente prática.
Depois de ter concluído o Estágio Profissional II na Farmácia Viriato, verifiquei após
estes três meses que foi uma experiência muito enriquecedora
Posso então concluir que todos os objetivos traçados inicialmente foram alcançados.
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4º Ano | 2º Semestre
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] - Definição de Estágio. Acedido em 23 Maio de 2013, em:
http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa/est%C3%A1gio;
[2] - Decreto-lei nº564/99 de 21 de Dezembro. Acedido em 03 Abril 2013, em:
http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/DL%20564.99%20%20Estabelece%20o%20estatuto%20legal%20da%20carreira%20de%20TDT.PDF;
[3] - A profissão de Técnico de Farmácia. Acedido em 03 Abril 2013, em:
http://www.g-sat.net/profissoes-1478/tecnico-de-farmacia-97300.html;
[4] - Decreto-Lei nº 7/2011 de 10 de Janeiro. Acedido em 12 Abril 2013, em:
http://dre.pt/pdf1sdip/2011/01/00600/0017800180.pdf;
[5] - Decreto-Lei n.º 307/2007 de 31 de Agosto. Acedido em 03 Abril 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_II/TITULO_II_CAPITULO_IV/22A_DL_307_2007.pdf;
[6] – Sinfarma 2000 Guia Rápido. Acedido em 09 Abril 2013, em:
http://pt.scribd.com/doc/140773552/Manual-Sifarma-2000;
[7] – Rowa Sistema de Gestão Automática da Farmácia. Acedido em 10 Abril 2013, em:
http://users.isr.ist.utl.pt/~pjcro/cadeiras/api0607/files_aux/seminario_16.pdf;
[8] – Caixa Automática Cashguard. Acedido em 10 Abril 2013, em:
http://www.cashguard.pt/ ;
[9] – Estabilidade de Medicamentos. Acedido em 16 Abril 2013, em:
http://www.infarmed.pt/pt/noticias_eventos/eventos/2005/impacto_qualidade/ESTABILIDA
DEINFARMED.pdf;
[10] - Decreto-lei nº 95/2004 de 22 de Abril. Acedido em 21 de Maio de 2013, em:
http://www.ofporto.org/upload/documentos/763153-Prescricao-e-preparacao-demanipulados.pdf ;
[11] - Portaria n.º 769/2004, de 1 de Julho. Acedido em 21 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_V/portaria_7692004.pdf;
[12] - Medicamentos Manipulados - INFARMED . Acedido em 31 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/PUBLICACOES/TEMATICOS/SAIBA_
MAIS_SOBRE/SAIBA_MAIS_ARQUIVO/31_Medicamentos_Manipulados.pdf;
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4º Ano | 2º Semestre
[13] - Decreto-Lei n.º 72/91 de 8 de Fevereiro. Acedido em 01 de Maio de 2013,
em:http://www.apogen.pt/conteudos/uploads/Ficheiros/Medicamentos%20Gen%C3%A9ricos/DL
n72918defevereiro.pdf;
[14] - Decreto-Lei nº 176/2006 de 30 de Agosto. Acedido em 15 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_ FARM
ACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_I/035E_DL_176_2006_VF.pdf;
[15] - Decreto-Lei nº 1501/2002. Acedido em 18 de Maio de 2013, em:
http://www.dre.pt/cgi/dr1s.exe?t=dr&cap=11200&doc=20023721%20&v02=&v01=2&v03=1
900-01;
[16] - Portaria nº1417/2004 de 21 Dezembro. Acedido em 21 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_IV/portaria_1471_2004.pdf;
[17] - Portaria nº198/2011. Acedido em 18 de Maio de 2013, em:
http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/952C2EB7-0778-4C7C-AF0B
B102FB9FABB5/0/portaria_198_2011.pdf;
[18] - Portaria Nº137-A/2012 de 11 de Maio. Acedido em 18 de Maio de 2013, em:
http://dre.pt/pdf1sdip/2012/05/09201/0000200007.pdf;
[19] - Normas relativas à dispensa de medicamentos e produtos de saúde. Acedido em 30 de
Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HUMAN
O/PRESCRICAO_DISPENSA_E_UTILIZACAO/20130117_NORMAS_DISPENSA_vFinal.
pdf;
[20] – Decreto-Lei nº 15/93, de 22 de Janeiro; Acedido em 2 de Junho de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_III/068DL_15_93_VF.pdf;
[21] - Portaria n.º 981/98, de 8 de Junho. Acedido em 5 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_III/TITULO_III_CAPITULO_III/071_Port_981_9
8.pdf;
[22] - Portaria n.º 1193/99, de 29 de Setembro. Acedido em 18 de Maio de 2013, em:
http://www.ofporto.org/upload/documentos/321363-receita-especial.pdf;
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4º Ano | 2º Semestre
[23] - Caramona, Margarida, Esteves, Afonso P., Gonçalves, Jorge et al. (2010). Prontuário
Terapêutico (9ª ed.). INFARMED/Ministério da Saúde;
[24] - Decreto-Lei nº 242/2000 de 26 de Setembro. Acedido em 11 de Abril de 2013, em:
http://www.apogen.pt/conteudos/uploads/Ficheiros/Medicamentos%20Gen%C3%A9ricos/DL
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[25] – Decreto-Lei nº 184/97 de 26 de Junh. Acedido em 12 de junho de 2013, em:
http://www.ofporto.org/upload/documentos/595029-egime-juridico-dos-med-veterinarios.pdf;
[26] - Despacho n.º 18694/2010. Acedido em 28 de Maio de 2013, em:
http://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94FD6B54A9F75A58/25217/6102861029.pdf;
[27] - Despacho n.º 17690/2007. Acedido em 30 de Maio de 2013, em:
http://www.sg.min-saude.pt/NR/rdonlyres/B9EBB192-952E-4C97-94FD6B54A9F75A58/25217/6102861029.pdf;
[28] - Portaria n.º 3-B/2007, de 2 de Janeiro. Acedido em 2 de Junho de 2013, em
http://www.acss.min-saude.pt/Portals/0/Circulares/Portaria%203B-07.pdf;
[29] - Decreto-Lei n.º 106-A/2010, de 11 de Agosto. Acedido em 11 de Maio de 2013, em:
http://dre.pt/pdf1s/2010/10/19201/0000200005.pdf;
[30] - Portaria n.º 1429/2007de 2 de Novembro. Acedido em 18 de Maio de 2013, em:
http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/LEGISLACAO/LEGISLACAO_FA
RMACEUTICA_COMPILADA/TITULO_II/TITULO_II_CAPITULO_IV/023A3_Port_1429_2007.pdf;
[31] - Programa nacional de combate à obesidade. Acedido em 8 de Junho de 2013, em:
http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i008253.pdf;
[32] - Hipertensão arterial: uma ameaça silenciosa. Acedido em 8 de Junho de 2013, em:
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/ministerio/comunicacao/
artigos+de+imprensa/ameaca+silenciosa.htm;
[33] – Diabetes - Portal da Saúde. Acedido em 8 de Junho de 2013, em:
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosaude/doenca
s/doencas+cronicas/diabetes.htm;
[34] – Doenças Cardiovasculares- Portal da Saúde. Acedido em 8 de Junho de 2013, em:
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosaude/doenca
s/doencas+do+aparelho+circulatorio/doencascardiovasculares.htm;
[35] - Quais os exames a fazer para detectar precocemente o cancro da próstata? Acedido
em 8 de Junho de 2013, em:
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4º Ano | 2º Semestre
http://www.pop.eu.com/portal/publico-geral/tipos-de-cancro/cancro-da-prostata/deteccao-ediagnostico-prostata.htm;
[36] – Gota - Portal da Saúde. Acedido em 8 de Junho de 2013, em:
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosaude/doenca
s/doencas+metabolicas/gota.htm;
[37] - Lages, Andreína da Silva, 2011. Presença ambiental de resíduos de fármacos: fontes,
concentrações, efeitos potenciais e formas de tratamento. Universidade Fernando Pessoa;
[38] - Valormed, os medicamentos fora de uso também têm remédio - Enquadramento.
Acedido em 23 Dezembro de 1012, em:
ttp://www.valormed.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=26&Itemid=84).
[39] - Escola Superior de Saúde da Guarda (2008) – Guia de elaboração e apresentação dos
trabalhos escritos. Guarda;
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ANEXO A – Fatura
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ANEXO B - Boletim de Análise de uma matéria prima
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ANEXO C - Nota de Devolução
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ANEXO D – Nota de Crédito
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ANEXO E – Documento comprovativo de regularização de devoluções
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ANEXO F – Ficha modelo de preparação de manipulados
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ANEXO G - Folha de Registo de Movimentos de Matérias Primas
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO H- Modelo da Receita Médica Informatizada
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ANEXO I - Modelo da Receita Médica Manual
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO J - Verso da receita médica
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO K - Receita Médica de estupefacientes e psicotrópicos
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO L - Documento comprovativo de Dispensa de Psicotrópicos
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO M - Verbete de Identificação do Lote
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO N - Relação Resumo de Lotes
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4º Ano | 1º Semestre
ANEXO O - Fatura Mensal de Medicamentos
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