Universidade do Sul de Santa Catarina Gestão de Transportes Disciplina na modalidade a distância Palhoça UnisulVirtual 2009 gestao_transportes.indb 1 4/12/2008 11:19:34 Créditos Unisul - Universidade do Sul de Santa Catarina UnisulVirtual - Educação Superior a Distância Itamar Pedro Bevilaqua Jairo Afonso Henkes João Kiyoshi Otuki Jorge Alexandre Nogared Cardoso José Carlos de Oliveira Noronha Jucimara Roesler Lauro José Ballock Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otávio Botelho Lento Marcelo Cavalcanti Marciel Evangelista Catâneo Maria da Graça Poyer Maria de Fátima Martins (auxiliar) Mauro Faccioni Filho Michelle Denise D. L. Destri Moacir Fogaça Moacir Heerdt Nazareno Marcineiro Nélio Herzmann Onei Tadeu Dutra Patrícia Alberton Raulino Jacó Brüning Rose Clér Estivalete Beche Rodrigo Nunes Lunardelli Edison Rodrigo Valim Fernando Roberto Dias Zimmermann Higor Ghisi Luciano Pedro Paulo Alves Teixeira Rafael Pessi Criação e Reconhecimento de Cursos Gerência de Produção e Logística Diretor: Ailton Nazareno Soares Diretora adjunta: Cibele Schuelter Diane Dal Mago Vanderlei Brasil Campus UnisulVirtual Campus UnisulVirtual Avenida dos Lagos, 41 - Cidade Universitária Pedra Branca Palhoça – SC - 88137-100 Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 E-mail: [email protected] Site: www.virtual.unisul.br Reitor Unisul Gerson Luiz Joner da Silveira Vice-Reitor e Pró-Reitor Acadêmico Sebastião Salésio Heerdt Chefe de Gabinete da Reitoria Fabian Martins de Castro Pró-Reitor Administrativo Marcus Vinícius Anátoles da Silva Ferreira Campus Sul Diretor: Valter Alves Schmitz Neto Diretora adjunta: Alexandra Orsoni Campus Norte Disciplinas a Distância Enzo de Oliveira Moreira (Coordenador) Franciele Arruda Rampelotti (auxiliar) Gerência Acadêmica Márcia Luz de Oliveira Gerência Administrativa Renato André Luz (Gerente) Marcelo Fraiberg Machado Naiara Jeremias da Rocha Valmir Venício Inácio Gerência de Ensino, Pesquisa e Extensão Moacir Heerdt Clarissa Carneiro Mussi Desenho Educacional Arthur Emmanuel F. Silveira (Gerente) Ana Paula Pereira Francisco Asp Diretor: João Vianney Diretora adjunta: Jucimara Roesler Carolina Hoeller da Silva Boeing (Coordenadora) Gestão Documental Equipe UnisulVirtual Design Instrucional Avaliação Institucional Dênia Falcão de Bittencourt Biblioteca Soraya Arruda Waltrick Capacitação e Assessoria ao Docente Angelita Marçal Flores (Coordenadora) Caroline Batista Cláudia Behr Valente Elaine Surian Patrícia Meneghel Simone Andréa de Castilho Coordenação dos Cursos Adriano Sérgio da Cunha Aloísio José Rodrigues Ana Luisa Mülbert Ana Paula Reusing Pacheco Bernardino José da Silva Charles Cesconetto Daiane Teixeira (auxiliar) Diva Marília Flemming Eduardo Aquino Hübler Fabiana Lange Patrício (auxiliar) Fabiano Ceretta gestao_transportes.indb 2 Ana Cláudia Taú Carmen Maria Cipriani Pandini Cristina Klipp de Oliveira Daniela Erani Monteiro Will Flávia Lumi Matuzawa Karla Leonora Dahse Nunes Lucésia Pereira Márcia Loch Marcelo Mendes de Souza Michele Corrêa Nágila Cristina Hinckel Silvana Souza da Cruz Viviane Bastos Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel Avaliação da Aprendizagem Márcia Loch (Coordenadora) Lis Airê Fogolari Simone Soares Haas Carminatti Design Visual Vilson Martins Filho (Coordenador) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro Xavier Alice Demaria Silva Cristiano Neri Gonçalves Ribeiro Diogo Rafael da Silva Janaina Stuart da Costa Josiane Leal Juliana Dias Ângelo Lamuniê Souza Roberta Melo Platt Rubens Amorim Logística de Encontros Presenciais Graciele Marinês Lindenmayr (Coordenadora) Aracelli Araldi Hackbarth Daiana Cristina Bortolotti Douglas Fabiani da Cruz Edésio Medeiros Martins Filho Fabiana Pereira Fernando Steimbach Letícia Cristina Barbosa Marcelo Faria Marcelo Jair Ramos Rodrigo Lino da Silva Simone Perroni da Silva Zigunovas Formatura e Eventos Jackson Schuelter Wiggers Logística de Materiais Jeferson Cassiano Almeida da Costa (Coordenador) Carlos Eduardo Damiani da Silva Geanluca Uliana Luiz Felipe Buchmann Figueiredo José Carlos Teixeira Monitoria e Suporte Adriana Silveira Anderson da Silveira Andréia Drewes André Luiz Portes Bruno Augusto Estácio Zunino Caroline Mendonça Claudia Noemi Nascimento Cristiano Dalazen Ednéia Araujo Alberto Fernanda Farias Jonatas Collaço de Souza Karla Fernanda Wisniewski Desengrini Maria Eugênia Ferreira Celeghin Maria Isabel Aragon Maria Lina Moratelli Prado Poliana Morgana Simão Priscilla Geovana Pagani Rafael Cunha Lara Tayse de Lourdes Cardoso Relacionamento com o Mercado Walter Félix Cardoso Júnior Secretaria de Ensino a Distância Karine Augusta Zanoni Albuquerque (Secretária de Ensino) Andréa Luci Mandira Andrei Rodrigues Carla Cristina Sbardella Djeime Sammer Bortolotti Franciele da Silva Bruchado Fylippy Margino dos Santos James Marcel Silva Ribeiro Jenniffer Camargo Liana Pamplona Luana Tarsila Hellmann Marcelo José Soares Micheli Maria Lino de Medeiros Rafael Back Rosângela Mara Siegel Silvana Henrique Silva Vanilda Liordina Heerdt Vilmar Isaurino Vidal Secretária Executiva Viviane Schalata Martins Tenille Nunes Catarina (Recepção) Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Júnior (Coordenador) André Luis Leal Cardoso Júnior Jefferson Amorin Oliveira José Olímpio Schmidt Marcelo Neri da Silva Phelipe Luiz Winter da Silva Rodrigo Battistotti Pimpão 4/12/2008 11:19:37 Apresentação Este livro didático corresponde à disciplina Gestão de Transportes. O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autônoma e aborda conteúdos especialmente selecionados e relacionados à sua área de formação. Ao adotar uma linguagem didática e dialógica, objetivamos facilitar seu estudo a distância, proporcionando condições favoráveis às múltiplas interações e a um aprendizado contextualizado e eficaz. Lembre que sua caminhada nesta disciplina será acompanhada e monitorada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. A indicação ‘a distância’ caracteriza tão-somente a modalidade de ensino por que você optou para a sua formação. E, nesta relação de aprendizagem, professores e instituição estarão continuamente em conexão com você. Então, sempre que sentir necessidade, entre em contato. Você tem à disposição diversas ferramentas e canais de acesso, tais como: telefone, e-mail e o Espaço Unisul Virtual de Aprendizagem, este que é o canal mais recomendado, pois tudo o que for enviado e recebido fica registrado para seu maior controle e comodidade. Nossa equipe técnica e pedagógica terá o maior prazer em lhe atender: sua aprendizagem é o nosso principal objetivo. Bom estudo e sucesso! Equipe UnisulVirtual gestao_transportes.indb 3 4/12/2008 11:19:40 gestao_transportes.indb 4 4/12/2008 11:19:40 Terezinha Damian Antônio Gestão de Transportes Livro didático Design instrucional Marcelo Mendes de Souza Palhoça UnisulVirtual 2009 gestao_transportes.indb 5 4/12/2008 11:19:40 Copyright © UnisulVirtual 2009. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Edição – Livro Didático Professor Conteudista Terezinha Damian Antônio Design Instrucional Marcelo Mendes de Souza Projeto Gráfico e Capa Equipe UnisulVirtual Diagramação Edison Valim Revisão Ortográfica Amaline Mussi 658.781 A64 Antônio, Terezinha Damian Gestão de transportes : livro didático / Terezinha Damian Antonio ; design instrucional Marcelo Mendes de Souza. – Palhoça : UnisulVirtual, 2009. 184 p. : il. ; 28 cm Inclui bibliografia. 1. Transporte de materiais – Administração. 2. Logística empresarial I. Souza, Marcelo Mendes de. II. Título. Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universitária da Unisul gestao_transportes.indb 6 4/12/2008 11:19:40 Sumário Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Palavras da professora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09 Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 UNIDADE UNIDADE UNIDADE UNIDADE 1 2 3 4 – – – – O ambiente empresarial e os transportes . . . . . . . . . . . . . . . 15 O sistema de transportes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Administração estratégica de transportes . . . . . . . . . . . . . . 95 Desempenho e custos de transportes . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 173 Sobre a professora conteudista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 177 Respostas e comentários das atividades de auto-avaliação . . . . . . . . . . . . 181 gestao_transportes.indb 7 4/12/2008 11:19:40 gestao_transportes.indb 8 4/12/2008 11:19:40 Palavras da professora Caro(a) estudante, Seja bem-vindo(a) à disciplina Gestão de Transportes! O transporte é uma das principais funções da cadeia de abastecimento, pois representa a maior parcela dos custos logísticos na maioria das empresas e tem papel fundamental no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente. Os cinco modais básicos de transporte são: o ferroviário, o rodoviário, o aquaviário ou hidroviário, o dutoviário e o aéreo. Cada um deles tem suas próprias características de custo e serviço, que definem qual método é mais adequado para os tipos de produto movimentados. A importância relativa de cada modal pode ser medida em termos da quilometragem do sistema, volume, receita e natureza da composição do tráfego. Dessa forma, determinado modal de transporte é mais simples e mais apropriado para um tipo de produto; e menos, para outro. No Brasil, ainda existem muitas barreiras que impedem o uso mais racional de todas as alternativas modais, multimodais e intermodais. Utiliza-se pouco a ferrovia, e o transporte rodoviário é responsável por quase 63% das cargas movimentadas. Entretanto há expectativas em relação ao transporte no Brasil para os próximos anos. Você vai saber sobre tudo isso e muito mais nesta disciplina. Bom estudo! Professora Terezinha Damian Antônio. gestao_transportes.indb 9 4/12/2008 11:19:40 gestao_transportes.indb 10 4/12/2008 11:19:41 Plano de estudo O plano de estudos visa a orientá-lo(a) no desenvolvimento da disciplina. Possui elementos que o(a) ajudarão a conhecer o contexto da disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto a construção de competências se dá sobre a articulação de metodologias e por meio das diversas formas de ação/mediação. São elementos desse processo: o livro didático; o Espaço UnisulVirtual de Aprendizagem (EVA); as atividades de avaliação (a distância, presenciais e de autoavaliação); o Sistema Tutorial Ementa O ambiente empresarial no mercado de transportes. Indicadores de desempenho da área de transportes. Nível de serviços. Utilização do EDI (Eletronic Data Interchange) na gestão de transportes. Negociação de fretes. O papel dos transportes numa cadeia de abastecimento. Modais e multimodais. Custos de transporte. Análise de custo x benefício integrado com as demais funções logísticas. Transporte próprio e através de terceiros. Contratos de transporte. Terminais de transporte. A influência das modalidades de entrega na qualidade e nos custos operacionais. Parcerias com empresas deliver (tipo Fedex, DHL, UPS). Programação de transportes. Roteirização. Unitização. gestao_transportes.indb 11 4/12/2008 11:19:41 Universidade do Sul de Santa Catarina Carga Horária A carga horária total da disciplina é de 60 horas-aula. Objetivo A disciplina tem como principal finalidade possibilitar ao aluno uma visão ampla dos conceitos e ferramentas de gestão de transportes, com enfoque no gerenciamento da cadeia de abastecimento, a partir da apresentação das diversas atividades que a compõem Conteúdo programático/objetivos Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que você deverá deter para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à sua formação. Neste sentido, veja a seguir as unidades que compõem o livro didático desta Disciplina, bem como os seus respectivos objetivos. Unidades de estudo: 4 Unidade 1 - O ambiente empresarial e os transportes Esta unidade possibilitará ao aluno compreender os aspectos fundamentais que destacam a importância dos transportes no ambiente empresarial. 12 gestao_transportes.indb 12 4/12/2008 11:19:41 Gestão de Transportes Unidade 2 – O sistema de transportes Esta unidade possibilitará ao aluno conhecer as modalidades de transporte que possibilitam os fluxos físicos dos produtos ou serviços ao longo dos canais de distribuição, bem como os aspectos relacionados à unitização de cargas e aos terminais de transportes. Unidade 3 – Administração estratégica de transportes Esta unidade possibilitará ao aluno conhecer os principais fatores que caracterizam a administração estratégica de transportes. Unidade 4 – Desempenho e custos de transportes Esta unidade possibilitará ao aluno conhecer os principais aspectos considerados na análise de desempenho e custos na gestão de transportes 13 gestao_transportes.indb 13 4/12/2008 11:19:41 Universidade do Sul de Santa Catarina Agenda de atividades/ Cronograma Verifique com atenção o EVA, organize-se para acessar periodicamente a sala da disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorização do tempo para a leitura, da realização de análises e sínteses do conteúdo e da interação com os seus colegas e professor. Não perca os prazos das atividades. Registre no espaço a seguir as datas, com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA. Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da disciplina. Atividades Avaliação a Distância Avaliação Presencial Avaliação Final Demais atividades (registro pessoal) 14 gestao_transportes.indb 14 4/12/2008 11:19:41 UNIDADE 1 O ambiente empresarial e os transportes 1 Objetivos de aprendizagem Compreender os aspectos fundamentais que destacam a importância dos transportes no ambiente empresarial. Conhecer as principais mudanças que afetam o ambiente empresarial. Saber conceituar nível de serviços logísticos. Entender o papel dos transportes na logística e no meio ambiente. Conhecer as principais tecnologias utilizadas na gestão de transportes Seções de estudo Seção 1 O ambiente empresarial no mercado de transportes Seção 2 Nível de serviços logísticos Seção 3 Papel dos transportes na logística e no meio ambiente Seção 4 O uso do EDI e outras tecnologias em transportes gestao_transportes.indb 15 4/12/2008 11:19:41 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade, você vai aprender que o ambiente empresarial passa por transformações que estão ocorrendo no contexto dos fornecedores, clientes e mercados. Assim, os empresários procuram inovar e introduzem mudanças que melhorem o nível de serviço logístico, de modo a agregar valor aos produtos e serviços oferecidos aos clientes e consumidores. O nível de serviço logístico corresponde à qualidade com que o fluxo de bens e serviços é gerenciado, ou ao desempenho oferecido pelas empresas. Nesse sentido, o transporte tem papel fundamental no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente, como também nas ações de adequação ambiental. Com o avanço da tecnologia, ferramentas importantes foram desenvolvidas para dar suporte a algumas tarefas no processo de transporte. Seção 1 – O ambiente empresarial no mercado de transportes Antigamente, o processo industrial se restringia a produzir e empurrar o produto para o mercado. Atualmente, muitos fatores vêm modificando o ambiente empresarial, pois clientes e consumidores convivem com uma maior oferta de produtos e serviços e uma maior disponibilidade de informações. O ambiente empresarial é bem diferente daquele de há dez ou quinze anos, e existem muitas incertezas em relação ao futuro. Neste sentido, uma gestão empresarial desatrelada da realidade presente ou dirigida sem um olhar para o amanhã pode comprometer a sobrevivência da empresa. 16 gestao_transportes.indb 16 4/12/2008 11:19:41 Gestão de Transportes O ambiente empresarial, segundo Tachizawa (2001), tende a apresentar maior concorrência entre as empresas, além de outras características, como as que seguem: alteração no poder de compra da população; alterações no ritmo e na natureza das mudanças sociais; alterações tecnológicas crescentes; demanda crescente do consumidor por produtos e serviços de qualidade; escassez de determinadas habilidades; escassez de insumos produtivos e recursos críticos; exigência do consumidor em relação a produtos e serviços, a qual muda rapidamente. O estudo das grandes tendências na gestão empresarial pode oferecer respostas a essas questões, que devem ser vistas como oportunidades. A empresa que trabalha em sintonia com as mudanças pode responder pela diferença entre ser levada por elas, ou interagir com elas, buscando influenciar o próprio processo de renovação do ambiente. Neste sentido, o ambiente externo em que a empresa está inserida tende a apresentar mudanças nos processos produtivos, nas relações com os clientes, na gestão de pessoas, na estrutura e crescimento da empresa, nos mercados e nas técnicas de mercado, segundo Tachizawa (2001). Os processos produtivos incluem sistemas flexíveis de manufatura com alto grau de automação e integrados por computador, os quais são capazes de: produzir com eficiência e qualidade grande variedade de produtos; adaptar naturalmente o ritmo de produção às variações de demanda; Unidade 1 gestao_transportes.indb 17 17 4/12/2008 11:19:41 Universidade do Sul de Santa Catarina atender qualidade e produtividade globais; dar respostas a problemas com clientes e fornecedores e, ao mesmo tempo, solucioná-los. Os clientes influenciam a cadeia produtiva da empresa, ao exigir novos produtos e serviços, novas tecnologias e novos processos sistêmicos, o que determina a qualificação de mão-de-obra. Esse novo contexto, por sua vez, exige uma gestão de pessoas que considere as experiências acumuladas pelos trabalhadores; valorize mais o conhecimento; crie um clima organizacional propício, através de treinamento, educação continuada, programas de incentivo e motivação para retenção de talentos. Consequentemente, a estrutura e crescimento da empresa enfatizam a redução da hierarquia pelas novas tecnologias de informação, com a adoção de configuração organizacional dinâmica, ágil e flexível, e a eliminação de níveis intermediários de gerência, descentralização e monitoramento das fronteiras organizacionais. Os mercados evoluem para a internacionalização e para o comércio inter e intrablocos econômicos, apresentando contínua fragmentação e transformação ante a criação de novos mercados com base em novos produtos e serviços. Neste sentido, as técnicas de mercado voltam-se para a criação e exploração de novos segmentos, com ênfase na assistência técnica, no produto e no cliente, com qualidade e confiabilidade, substituindo os conceitos voltados para o consumo de massa. Além disso, menores margens de lucros possibilitam atender as crescentes exigências de qualidade dos clientes e consumidores de produtos e serviços. Assim sendo, essas tendências precisam ser consideradas e, para competir, a empresa deve conhecer o ambiente externo em que atua. Para tanto, deve coletar informações sobre os fatores políticos, sociais, econômicos, tecnológicos e naturais do mercado, e, também, os fatores setoriais e os fatores do ambiente interno. Depois, deve analisar essas informações e formular as estratégias competitivas. 18 gestao_transportes.indb 18 4/12/2008 11:19:41 Gestão de Transportes Entretanto, além dessas tendências, Ballou (2006) e Bertaglia (2003) apontam que a globalização da economia, as inovações tecnológicas, as políticas e decisões governamentais, as questões ambientais e a demanda de clientes e consumidores são forças que afetam o ambiente empresarial. A globalização da economia tem-se mostrado a partir de aquisições, fusões e associação de empresas e licenciamento de produtos e serviços que permitem a competição em escala mundial com fortes concorrentes. Os produtos são projetados para o mercado mundial e produzidos em locais onde a matériaprima e a mão-de-obra apresentam baixos custos. Os avanços tecnológicos têm acirrado a competição entre as empresas do mesmo setor. As empresas procuram inovar e introduzem mudanças que agregam valor em benefício dos clientes e consumidores, ofertando produto ou serviço diferenciado pelos quais clientes e consumidores estejam dispostos a pagar. É importante também lembrar que as decisões governamentais influenciam a abertura de mercado, as privatizações e a redução de impostos, fatores que devem ser considerados pelos governos, porque as empresas precisam estar preparadas para enfrentar a concorrência global. Além disso, questões ambientais também influenciam o ambiente empresarial, pois as empresas passaram a trabalhar o desenvolvimento sustentado, pesquisando produtos e serviços que representem menor impacto no meio ambiente e, assim, criando atividades que, a princípio, não eram previstas no ambiente empresarial. Também não podemos esquecer que a demanda de clientes e consumidores decorre das expectativas em relação à possibilidade de escolha, à qualidade de serviço, à velocidade no atendimento e ao custo, o que exige que as empresas busquem ofertar produtos diferenciados. Unidade 1 gestao_transportes.indb 19 19 4/12/2008 11:19:41 Universidade do Sul de Santa Catarina Bertaglia (2003) e Ballou (2006) apresentam vários exemplos que demonstram estarem as empresas modificando processos e melhorando sistemas, para possibilitar, cada vez mais, uma resposta rápida e personalizada aos clientes e consumidores. Confira os exemplos a seguir. Varejistas de fast-food, caixas automáticos, entregas noturnas e correio eletrônico levam clientes e consumidores a esperar que produtos e serviços estejam disponíveis em períodos de tempo cada vez mais curtos. Certos produtos, como dietéticos, apresentam menor teor de açúcar e colesterol; margarinas, sorvetes, refrigerantes e iogurtes têm disputado a preferência dos clientes e consumidores mais preocupados em manter a forma física e a saúde. Embalagens apresentam maior flexibilidade, como os bicos econômicos nos frascos de detergentes ou as características especiais nas caixas de leite; também há fórmulas especiais para xampus e cremes para cuidar dos cabelos; cremes dentais oferecem variações para combater as placas bacterianas e possibilitar um hálito mais puro; todos esses são produtos e serviços que vêm atraindo a atenção de clientes e fornecedores. A Federal Express modificou a forma de entregar correspondências, seja em velocidade ou em confiabilidade, oferecendo um serviço de rastreamento das encomendas. Empresas de cartões de crédito estão se aliando a outras empresas para atrair clientes e consumidores, quer por intermédio de associações com empresas aéreas ou descontos em hotel. Agências de viagem possibilitam reservas pela internet, obrigando os intermediários a apresentarem valor agregado, sob pena de ficarem fora do processo. Hospitais que querem estender os serviços de emergência médica para toda a comunidade se preocupam com a localização de centros médicos, uma atividade da cadeia de abastecimento. 20 gestao_transportes.indb 20 4/12/2008 11:19:41 Gestão de Transportes Diante dessas tendências e fatores que afetam o ambiente empresarial, é preciso acompanhar o comportamento dos clientes e consumidores e avaliar a concorrência, para não perder as oportunidades do mercado. Também é importante que as empresas mantenham boas relações com seus fornecedores para atenderem eficientemente a demanda e equilibrarem demanda e abastecimento, como também é preciso que o corpo gerencial tenha flexibilidade e agilidade para responder, prontamente, às mudanças que se apresentam no ambiente empresarial. Seção 2 – Níveis de serviços logísticos Uma empresa pode ser entendida como um sistema formado por diversos subsistemas, como o subsistema de recursos humanos, o subsistema de recursos financeiros, o subsistema de recursos materiais e assim por diante. Cada subsistema agrupa determinadas atividades as quais são específicas daquele subsistema. Assim, o conjunto de atividades próprias do subsistema de recursos materiais de uma empresa é denominado de logística. De acordo com o Conselho de Gerenciamento da Logística (Ballou, 2006), logística é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamente eficaz de matérias primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às exigências do consumidor. As atividades próprias de logística são as seguintes, segundo Ballou (2006): serviços ao cliente; previsão de vendas; comunicação de distribuição; Unidade 1 gestao_transportes.indb 21 21 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina controle de estoque; manuseio de materiais; processamento de pedidos; peças de reposição e serviços de suporte; seleção do local da planta e armazenagem; compras; embalagem; manuseio de mercadorias devolvidas; recuperação e descarte de sucata; tráfego e transporte; armazenamento e estocagem. Essas atividades podem ser agrupadas em atividades-chave e atividades de suporte. As atividades-chave contribuem majoritariamente com o custo logístico total e são essenciais à coordenação eficaz e à conclusão das tarefas logísticas. As atividades-chave são as seguintes, segundo Ballou (2006): padrões de serviço ao cliente, que incluem a determinação das necessidades e os desejos de clientes para serviços logísticos, bem como a reação dos clientes aos serviços e o estabelecimento do nível de serviços a clientes; administração de estoques, que engloba as políticas de estocagem de matérias-primas e produtos acabados, previsão de vendas a curto prazo, combinação de produtos em pontos de estocagem, número, tamanho e local dos pontos de estocagem, estratégias de just-in-time e de empurrar e de puxar; 22 gestao_transportes.indb 22 4/12/2008 11:19:42 Gestão de Transportes fluxo de informações e processamento de pedidos, que inclui procedimentos de interface dos estoques com pedidos de venda, métodos de transmissão de informações de pedido e regras de pedidos; transporte, que inclui a seleção do modal e do serviço de transporte, consolidação de fretes, roteiro do transporte, programação de veículos, seleção de equipamentos, processamento de reclamações e auditoria de tarifas. As atividades de suporte são consideradas contribuintes para a realização da missão logísticas. As atividades de suporte são, segundo Ballou (2006): armazenagem, que inclui determinação do espaço, disposição do estoque, desenho das docas, configuração do armazém e localização do estoque; manuseio de materiais, que engloba a seleção de equipamentos, políticas de reposição de equipamentos, procedimentos de coleta de pedidos e alocação e recuperação de materiais; compras, que envolve seleção de fontes de suprimento, momento e quantidades de compras; embalagem, que inclui manuseio, estocagem e proteção contra perdas e danos; manutenção de informação, que engloba a coleta, o arquivamento e a manipulação de informação, análise de dados e procedimentos de controle. As atividades-chave e as de suporte são separadas, porque certas atividades, geralmente, ocorrerão em toda a cadeia de abastecimento, considerando que outras ocorrerão, dependendo das circunstâncias, dentro de uma empresa em particular. Além disso, nem todas as empresas possuem todas as atividades de suporte, o que não ocorre com as atividades-chave. Unidade 1 gestao_transportes.indb 23 23 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina O desenvolvimento dessas atividades permite estabelecer o nível de produção e o grau de preparação ao qual o sistema logístico deve reagir, visando atender determinado nível de serviço logístico. O nível de serviço logístico é a qualidade com que o fluxo de bens e serviços é gerenciado, ou o desempenho oferecido pelos fornecedores aos seus clientes e consumidores no atendimento dos pedidos, com o objetivo de garantir fidelização. Para algumas empresas, o nível de serviço logístico é o tempo necessário para entregar um pedido ao cliente. Para outras, é a disponibilidade de estoques. Entretanto trata-se de um conceito que não captura todo o escopo do nível de serviço. Alguns autores, segundo Ballou (1993, p. 74), definem o nível de serviço da forma como detalhado a seguir. Tempo decorrido entre o recebimento de um pedido no depósito do fornecedor e o despacho do pedido a partir do depósito. Lote mínimo de compra ou qualquer limitação no sortimento de itens de uma ordem recebida pelo fornecedor. Porcentagem de itens em falta no depósito do fornecedor a qualquer instante. Proporção dos pedidos de clientes preenchidos com exatidão. Porcentagem de clientes atendidos ou volume de ordens entregue dentro de um intervalo de tempo desde a recepção do pedido. Porcentagem de ordens dos clientes que podem ser preenchidas completamente, assim que recebidas no depósito. 24 gestao_transportes.indb 24 4/12/2008 11:19:42 Gestão de Transportes Proporção de bens que chegam ao cliente em condições adequadas para venda. Tempo despendido entre a colocação de um pedido pelo cliente e a entrega dos bens solicitados. Facilidade e flexibilidade com que o cliente pode gerar um pedido. O produto oferecido por qualquer empresa pode ser descrito pelas características de preço, qualidade e serviço. Os níveis e os custos da atividade logística estão refletidos no preço e na qualidade do produto e exercem influência no nível de serviço. O nível de serviço representa grande número de fatores individuais, muitos dos quais estão sob controle do logístico. Esses fatores podem ser classificados em: elementos de pré-transação; elementos de transação; e elementos de pós-transação. Veja que o nível de serviço é a soma de todos estes elementos, de acordo com Ballou (1993). Os elementos de pré-transação estabelecem um ambiente para um bom nível de serviço, definindo quando os produtos e serviços devem ser entregues ou prestados após a colocação de um pedido. Também estabelecem procedimentos para tratar devoluções, definem planos de contingência e estrutura organizacional, oferecem treinamento técnico e apresentam manuais para os clientes e fornecedores. Os elementos de transação estão envolvidos nos resultados obtidos com a entrega dos produtos e serviços aos clientes e consumidores. Incluem níveis de estoques, seleção dos modos de transporte e procedimentos para processamento dos pedidos. Esses elementos influenciam o tempo de entrega, a exatidão do preenchimento de ordens, as condições dos produtos e serviços na recepção dos clientes e consumidores e a disponibilidade de estoque. Unidade 1 gestao_transportes.indb 25 25 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina Os elementos de pós-transação englobam os serviços realizados após a venda dos produtos ou serviços. Têm por finalidade proteger clientes e consumidores de produtos defeituosos, providenciar retorno de embalagens e tratar reclamações, devoluções ou solicitações. O nível de serviço afeta de forma positiva, ou negativamente, os clientes e consumidores. Abrange transporte, disponibilidade de estoque, processamento mais rápido de pedidos e menor perda ou dano, e é tão importante quanto desconto de preço, propaganda ou vendas personalizadas. Dessa forma, quando o nível de serviço entre comprador e fornecedor é muito ruim ou não existe, pouca ou nenhuma venda é gerada. Porém, à medida que o nível de serviço melhora e se aproxima do oferecido pela concorrência, as vendas também aumentam. Entretanto maior nível de serviço logístico custa mais do que níveis menores. Assim sendo, o custo de estabelecer certo nível de serviço deve ser contrabalançado com vendas potenciais para aquele serviço, de modo a possibilitar maior margem de lucros. Os custos logísticos tendem a aumentar à medida que o nível de serviço é empurrado para níveis mais altos. Isto ocorre, porque as oportunidades que apresentam melhores ganhos de serviço com o menor custo são selecionadas primeiro. Por isso, melhorias no serviço são mais caras, quando o nível de serviço já está num patamar mais elevado. O nível de serviço oferecido pode ser medido a partir dos seus elementos individuais, conforme Ballou (1993): disponibilidade de estoques, pois, quanto maior o número de faltas, maior o tempo médio para preencher um conjunto de pedidos, ou seja, se o nível de estoque é baixo, a tendência é haver uma maior frequência de faltas, o que aumenta o tempo do ciclo em função do tempo adicional para ressuprimento; 26 gestao_transportes.indb 26 4/12/2008 11:19:42 Gestão de Transportes tempo de entrega, ou seja, o tempo de transporte a partir do depósito do vendedor até o endereço do cliente, o que implica a escolha e as condições dos modais de transporte; pesquisa periódica aos clientes e consumidores sobre questões, como condições do pedido, procedimentos para colocação da ordem e exatidão no seu atendimento. O nível de serviço oferecido deve ser ajustado ao serviço que os clientes e consumidores desejam receber. Por isso, é importante definir os requisitos desse serviço, que podem ser conhecidos através de pesquisa realizada com os clientes e consumidores, por meio de entrevistas pessoais ou escritas. Entretanto, como os clientes e consumidores são diferentes e as empresas não conhecem todas as necessidades de serviço, as empresas procuram manter um alto nível de serviço, o que resulta em custo de distribuição maior do que o necessário e, consequentemente, em maior preço final. Em alguns casos, é mais viável oferecer nível de serviço diferenciado para grupos de clientes, tais como, varejistas, instituições, indústrias e construção. Conforme expõe Ballou (1993), os varejistas (supermercados e magazines) mantêm estoques de prateleira da maioria de seus itens de venda. Já os clientes institucionais (restaurantes e hospitais) são muito sensíveis ao serviço da entrega, mantendo estoques capazes de garantir entregas rápidas. Os clientes industriais são menos sensíveis a variações no serviço de entrega, pois costumam planejar as necessidades com bastante antecedência. Já as empresas de construção não mantêm estoques, porque os pedidos são feitos sob encomenda, porém o tempo de entrega do fornecedor influencia na execução dos projetos. Assim, as diferenças nas necessidades dos vários tipos de clientes implicam diferentes sistemas de distribuição. Conhecendo-se as diferenças nos níveis de serviços, é possível definir sistemas de distribuição mais adequados, que podem tornar a distribuição mais eficaz, a menores custos. Unidade 1 gestao_transportes.indb 27 27 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina Assim sendo, elevando-se um nível de serviço logístico, os custos logísticos também aumentam, ou seja, a valorização percentual em melhoria de serviço ao cliente terá um custo adicional, conforme exemplo apresentado por Ballou (2006, p. 111) no quadro 1.1. Custos logísticos anuais em $ Nível de serviço logístico Transmissão de pedidos por correio, processamento manual, transporte aquático, níveis baixos de estoques 500 mil 80% Transmissão de pedidos por correio, processamento manual, transporte ferroviário, baixos níveis de estoques 700 mil 85% Pedido processado por telefone, transporte rodoviário, baixos níveis de estoques 900 mil 90% Pedido processado por telefone, transporte ferroviário, altos níveis de estoques 1.200 mil 93% Pedido processado por telefone, transporte rodoviário, altos níveis de estoques 1.500 mil 95% Pedido processado via Web, transporte aéreo, altos níveis de estoques 1.600 mil 96% Projeto de sistema logístico Quadro 1.1 - Custos dos projetos de sistemas logísticos e níveis de serviços logísticos. Fonte: Ballou (2006, p. 111), adaptado pela autora. A manutenção do nível de serviço esperado requer gerenciamento da cadeia de abastecimento, pois é difícil encontrar mensuração com abrangência capaz de garantir uma avaliação efetiva do desempenho da logística dos serviços ao cliente. O nível de serviço logístico pode ser medido em termos de cada atividade logística. Entretanto, embora o nível de serviço logístico seja o resultado líquido da execução de todas as atividades logísticas, o tempo do ciclo do pedido e suas variabilidades são as melhores medidas dessa logística. 28 gestao_transportes.indb 28 4/12/2008 11:19:42 Gestão de Transportes Entre as mensurações mais comuns do desempenho, destacam-se as seguintes atividades, de acordo com Ballou (2006, p. 112): processamento de pedidos: tempo mínimo, máximo e médio de processamento dos pedidos e percentual de pedidos processados nos prazos determinados; acurácia na documentação dos pedidos: percentagem de documentos dos pedidos contendo erros; transporte: percentagem de entregas no prazo, percentagem de pedidos entregue na data estabelecida pelo cliente e danos e reclamações de prejuízos como percentagem do frete; disponibilidade de produto e estoque: percentagem de artigos em falta no estoque, percentagem de pedidos atendidos completamente, índice de atendimento e de atendimento médio ponderado dos pedidos, percentual médio de itens de pedidos em atraso e índice de atendimento dos itens; produtos danificados: número de devoluções em relação ao total dos pedidos, valor das devoluções em relação às vendas e valor das devoluções em relação às vendas totais; tempo de processamento da produção/armazenagem: tempo mínimo, máximo e médio de processamento dos pedidos. Muitas outras mensurações podem ser usadas, devendo ser apropriadas ao projeto do sistema logístico operado pela empresa. Unidade 1 gestao_transportes.indb 29 29 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 3 – Papel dos transportes na logística e no meio ambiente Produtos e serviços se encontram disponíveis e dispersos nas várias regiões do globo, assim como os clientes e consumidores. As atividades da cadeia de abastecimento fornecem a ponte entre o local de produção e os clientes e consumidores. Entre essas atividades, estão a movimentação de materiais, o armazenamento, o processamento de pedidos, o gerenciamento de informações e o transporte. O transporte é uma das principais funções da cadeia de abastecimento, pois representa a maior parcela dos custos logísticos na maioria das empresas. Está presente no comércio, na indústria e na prestação de serviços: O just-in-time é uma abordagem disciplinada para melhorar a produtividade e a qualidade total, através da eliminação das perdas, do envolvimento das pessoas, da busca de flexibilidade, da organização e da simplicidade. Possibilita a produção no custo efetivo e a entrega apenas das peças necessárias com qualidade, na quantidade certa, no tempo e lugar certos, utilizando o mínimo de instalações, equipamentos, materiais e recursos humanos. Just-in-time quer dizer produzir somente o que tenha demanda. Estoque zero quer dizer zero de perda com produto guardado. O just-in-time permite que a empresa possa chegar ao estoque zero. no comércio, o transporte é indispensável na recepção e distribuição de materiais; na indústria, o transporte é utilizado no suprimento de matérias-primas e na distribuição de produtos; na prestação de serviços, o transporte é responsável pelo deslocamento de pessoas. O transporte é essencial na cadeia de abastecimento porque nenhuma empresa consegue movimentar matérias-primas ou produtos acabados sem transporte. O transporte tem papel fundamental em várias estratégias na rede logística, principalmente no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente, porque permite disponibilizar o produto certo, na quantidade certa, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível, criando condições de competitividade para a empresa. O transporte representa ainda um grande desafio de eficiência e uma oportunidade de redução de custos e melhoria de qualidade, atendendo as necessidades de racionalização, estoque zero, just-in-time das empresas, como também, as exigências de alto padrão de qualidade dos clientes e consumidores. 30 gestao_transportes.indb 30 4/12/2008 11:19:42 Gestão de Transportes Dessa forma, as principais funções do transporte na cadeia de abastecimento estão ligadas às dimensões de distância e tempo, que são os dois fatores que influenciam as atividades de transportes, de acordo com Bertaglia (2003). A distância corresponde ao trajeto percorrido entre os pontos de produção e de consumo. Já o tempo se refere ao período necessário para se percorrer a distância e disponibilizar o produto para consumo. O parâmetro tempo, totalmente dependente da distância, é importante para a logística, porque determina a formação dos estoques para o nível de serviços e os custos derivados. Existem cinco modalidades básicas de transporte: ferroviário; rodoviário; hidroviário; dutoviário; e aéreo. Entretanto a importância relativa dos vários modais ou modos de transporte varia com o tempo e depende dos produtos transportados e das vantagens de cada modalidade. Além disso, segundo Ballou (1993) e Caixeta-Filho (2001), o sistema de transportes, quando adequado às necessidades do mercado, contribui para a disponibilização de transporte mais barato. E, por sua vez, o transporte mais barato traz os seguintes benefícios para os clientes, consumidores e empresas: acesso a produtos que, de outra forma, não estariam disponíveis, ou estariam disponíveis apenas a um preço mais alto; Unidade 1 gestao_transportes.indb 31 31 4/12/2008 11:19:42 Universidade do Sul de Santa Catarina aumento da competitividade do mercado, pois os custos de produtos postos em mercados mais distantes podem ser competitivos em relação àqueles dos produtos vendidos nos mesmos mercados; economia de escala na produção, uma vez que possibilita liberdade para a escolha da localização industrial mais adequada para usufruir vantagens geográficas; eliminação de monopólios na produção e na comercialização de mercadorias, provocados pelo isolamento geográfico; especialização regional da produção e divisão geográfica do trabalho; estabilidade de preços, promovida pela melhoria dos transportes; expansão de mercados, pois um sistema de transporte eficiente permite produção em larga escala para grandes mercados; importância relativa das cidades, através do desenvolvimento de novas modalidades de transporte, pois o padrão e o tamanho de uma cidade são moldados pela natureza das disponibilidades de transporte; incentivo à competição, uma vez que torna disponíveis no mercado produtos que normalmente não existiriam; integração entre sociedades que produzem bens diferentes entre si; maior racionalidade produtiva ao apresentar maior mercado potencial, o que implica produzir numa escala compatível com produção; mobilidade das pessoas e disseminação de informações e ideias; 32 gestao_transportes.indb 32 4/12/2008 11:19:43 Gestão de Transportes movimentação de cargas e de pessoas, podendo incluir o sistema para distribuição de intangíveis, tais como comunicações telefônicas, energia elétrica e serviços médicos; oferta mais adequada e estável de produtos, além de maior competição e acesso a fontes alternativas; redução nos custos e nos preços dos produtos e serviços, pois o transporte é um dos componentes de custo que, juntamente com os demais, compõe o custo agregado dos produtos e serviços. Outra questão que precisa ser destacada é a influência das atividades da cadeia de abastecimento no meio ambiente. Por isso, as empresas precisam realizar suas operações logísticas de maneira menos agressiva ao meio ambiente. Essa situação tem criado um diferencial competitivo para as empresas que visam o desenvolvimento sustentado: trata-se de ações que possibilitam o gerenciamento ambiental. Sobre a questão do transporte em relação ao meio ambiente, leia o texto a seguir, de João Fortini Albano, “Transporte e consumo ambiental”. Nesse texto, o autor apresenta alguns problemas e propõe algumas medidas para enfrentar os desafios ambientais relacionados ao transporte. TRANSPORTE E CONSUMO AMBIENTAL Genericamente, entende-se que os transportes constituem uma atividade-meio que viabiliza o desenvolvimento. Sob o ponto de vista clássico e tradicional, desenvolvimento tem como meta básica o aumento da renda per capita que caracteriza o chamado padrão de vida de uma comunidade. Após a crise do petróleo, ocorreu uma metamorfose no enfoque do conceito de desenvolvimento associado apenas ao crescimento econômico. Os conceitos básicos de Desenvolvimento Sustentável estão a indicar necessidades de maior eqüidade social, políticas de planejamento de médio e longo prazos e uma correta conservação do meio ambiente. Unidade 1 gestao_transportes.indb 33 33 4/12/2008 11:19:43 Universidade do Sul de Santa Catarina Se, por um lado, os transportes promovem maior integração entre indivíduos e nações com vistas ao bemestar coletivo, ao mesmo tempo provocam o consumo dos estoques de recursos naturais e das reservas de energia. Por esses motivos, os grandes benefícios oferecidos pelos transportes constituem um conflito com a necessidade de uso adequado do ambiente. Os maiores e principais impactos ocasionados ao meio ambiente são os que afetam diretamente as pessoas, particularmente nas áreas urbanizadas: a poluição e os acidentes. Os dados existentes indicam que, ao contrário de uma tendência decrescente na área industrial, o setor de transportes tem sido um grande poluidor ao longo das duas últimas décadas. Os transportes contribuem com a produção de cerca de 30% dos gases que levam ao efeito estufa, e o número de mortes e acidentes nas vias públicas é alarmante. Estima-se a ocorrência de 50.000 mortes e de mais de 325.000 feridos por ano no Brasil. Os problemas de poluição do ar provocados por fontes de transporte não são ocasionados somente pelo famigerado dióxido de carbono (CO2) decorrente da combustão dos compostos orgânicos, mas também por gases como o monóxido de carbono e os óxidos de nitrogênio (CO e NOx) decorrentes da combustão incompleta. Os compostos voláteis orgânicos (VOCs) e as partículas em suspensão decorrentes da queima do óleo diesel e outros combustíveis também provocam severos danos ao meio ambiente. Outros impactos negativos e indesejáveis são os efeitos ocasionados pelo ruído, vibrações, segregação e deterioração da paisagem urbana e rural, efeitos sobre o clima, acidificação do solo e da água, mau cheiro, decréscimo da visibilidade, danos às florestas e os desagradáveis congestionamentos. Além das mortes e dos danos físicos e morais decorrentes dos acidentes, outros impactos provocados pelo setor de transportes à saúde são muito preocupantes, tais como: irritações nas vias respiratórias, olhos, ouvidos e outros órgãos, intoxicação aguda de abrangência sistêmica, ação cancerígena e mutante. Os impactos dos transportes também atuam adversamente nos mecanismos de defesa do corpo, provocando infecções persistentes. A relação de conflito entre transportes e meio ambiente é sensivelmente mais aguda nos centros urbanos, e em alguns casos, como na Cidade do México, em Los Angeles e em São Paulo, podem se configurar situações de insuportável prejuízo à saúde pública. 34 gestao_transportes.indb 34 4/12/2008 11:19:43 Gestão de Transportes Como administrar os conflitos? Uso do solo com menor geração de viagens, adoção de combustíveis alternativos, gerenciamento do padrão de viagens com facilidades para utilização de coletivos, melhorias tecnológicas na fabricação dos veículos, investimentos em infra-estrutura viária, aperfeiçoamento e maior qualificação do pessoal técnico envolvido, etc. são algumas ações que deverão ser desenvolvidas simultaneamente. O desafio é grande e é de todos. ALBANO, João Fortini. Transporte e consumo ambiental. Disponível em <http://www.detran.rs.gov.br/ mobilidade/2002-03/pdf/Mobilidade--pg14.pdf>. Acesso em: 21 set 2008. De acordo com Fontana e Aguiar (2001, p. 214): O gerenciamento ambiental é aquele aspecto de estrutura administrativa global da organização que endereça o impacto imediato e a longo prazo de seus produtos, serviços e processos no meio ambiente. Fornece ordem e consistência nas metodologias organizacionais através da alocação de recursos, definição de responsabilidades e avaliação contínua de práticas, procedimentos e processos. É essencial para a habilidade da organização em prever e satisfazer as expectativas de desempenho ambiental crescente e assegurar conformidade contínua com as exigências nacionais e internacionais. As normas ISO 14000 fornecem uma estrutura de gerenciamento dos impactos ambientais através de um conjunto de normas técnicas relacionadas aos métodos e análises que permitem certificar certo produto quando produzido, distribuído e descartado. Unidade 1 gestao_transportes.indb 35 35 4/12/2008 11:19:43 Universidade do Sul de Santa Catarina ISO 14000 Os impactos ambientais gerados pelo atual desenvolvimento industrial e econômico constituem um grande problema para autoridades e organizações ambientais. A partir da década de 90, a ISO começou a desenvolver normas relacionadas à questão ambiental, com intuito de padronizar os processos das empresas que utilizam recursos naturais e que causam dano ambiental decorrente de suas atividades. Diversos profissionais constituíram um comitê técnico e criaram normas (série 14000) em várias áreas envolvidas com o meio ambiente. Os certificados de gestão ambiental da série ISO 14000 atestam a responsabilidade ambiental no desenvolvimento das atividades de uma empresa. Para a obtenção e manutenção do certificado ISO 14000, a empresa tem que se submeter a auditorias periódicas, realizadas por uma empresa certificadora, credenciada e reconhecida pelos organismos nacionais e internacionais. Nas auditorias, são verificados o cumprimento de requisitos como cumprimento da legislação ambiental, diagnóstico atualizado dos aspectos e impactos ambientais de cada atividade, procedimentos padrões e planos de ação para eliminar ou diminuir os impactos sobre os aspectos ambientais e a disponibilidade de pessoal devidamente treinado e qualificado. Entretanto, apesar de as empresas estarem procurando se adequar a essas normas, a degradação ao meio ambiente continua em ritmo crescente. Apenas um número pequeno de empresas busca a sustentabilidade e as melhorias conseguidas são pequenas diante da demanda crescente por produtos e serviços, originada pelo desenvolvimento econômico. 36 gestao_transportes.indb 36 4/12/2008 11:19:43 Gestão de Transportes De acordo com Fontana e Aguiar (2001, p. 215), as normas ISO 14000 são as seguintes: NBR ISO 14000: Sistemas de Gestão Ambiental, especificação e diretrizes para uso; NBR ISO 14004, Sistemas de Gestão Ambiental, diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio; NBR ISO 14010: Diretrizes para Auditoria Ambiental, princípios gerais; NBR ISO 14011: Diretrizes para Auditoria Ambiental, procedimentos de auditoria – auditorias de sistemas; NBR ISO 14012: Diretrizes para Auditoria Ambiental, critérios de qualificação para auditores ambientais. Dessa forma, enquanto a norma ISO 9000 busca a qualidade total, em que o processo do produto é acompanhado passo a passo até a entrega deste ao cliente, as normas ISO 14000 fornecem os seguintes benefícios às empresas, conforme Fontana e Aguiar (2001): estrutura para gerenciar os eventuais impactos ambientais causados pela atuação empresarial, relacionados aos resíduos de embalagem no meio ambiente; e medidas de recomendação referentes à redução da quantidade de materiais utilizados, à reciclagem das embalagens e à minimização de volumes de resíduos que vão para os aterros. As questões ambientais estão voltadas para o aquecimento global, poluição do ar e sonora, destruição da camada de ozônio e de recursos naturais, congestionamentos e resíduos. Nesse sentido, as organizações logísticas devem apresentar iniciativas logísticas tangíveis e específicas para cada situação. Unidade 1 gestao_transportes.indb 37 37 4/12/2008 11:19:43 Universidade do Sul de Santa Catarina A maioria dos resíduos é constituída por embalagens, como também bens duráveis que atualmente são descartáveis, como por exemplo, as fraldas descartáveis. Campanhas incentivam o uso de produtos menos poluentes, como aqueles que não usam embalagens de papel (por exemplo, os tubos de pasta de dentes), o que, além de preservar o meio ambiente, implica redução de custo do produto. Dentre as estratégias mais utilizadas na cadeia de abastecimento para responder às questões ambientais, estão a reciclagem de materiais, a redução de consumo e o reuso de materiais, que permitem reduzir, reciclar, reutilizar. Algumas ações nesse sentido podem ser tomadas para minimizar os impactos ambientais em diversos setores da cadeia de abastecimento. Segundo Fontana e Aguiar (2001), estas são algumas delas: ações voltadas para a consolidação de cargas, análise do melhor modo de transporte a ser usado, utilização de contêineres reutilizáveis padronizados e layout dos depósitos são ações responsáveis ambientalmente em relação às atividades de recebimento, estocagem e movimentação de matérias primas; ações voltadas ao tipo de embalagem a ser utilizado são ações responsáveis ambientalmente em relação às atividades de transformação da matéria-prima em produto acabado; ações voltadas para a localização estratégica do depósito e consolidação dos depósitos em um centro de distribuição correspondem às ações responsáveis ambientalmente, em relação às atividades de distribuição física. Os resíduos sólidos estão se transformando em um grande problema para as aglomerações urbanas, uma vez que os investimentos são altos. A logística pode ter grande importância no processo de destinação de resíduos, em combinação com recursos como reciclagem, podendo minimizar o uso dos aterros e incineradores de resíduos. 38 gestao_transportes.indb 38 4/12/2008 11:19:43 Gestão de Transportes A definição de um sistema de coleta e entrega de resíduos tende a reduzir o custo de transporte e a poluição ambiental. O tipo de coleta pode ser classificado de diversas maneiras. A coleta pode ser feita nas residências ou o material pode ser trazido pelos consumidores até um ponto predefinido, o que pode reduzir os custos do sistema. A seleção dos materiais está diretamente ligada à maneira como eles foram separados. Quanto mais separados os materiais, mais simples se torna a seleção. Porém o custo de transportes aumenta na mesma proporção. Quanto maior o número de frações a serem coletadas, mais complexo torna-se o sistema. Existe uma certificação especial, no caso de embalagem de resíduos perigosos, disposição e transporte, sendo recomendadas algumas alternativas que minimizam o armazenamento desses resíduos. Segundo Fontana e Aguiar (2001), essas são algumas das alternativas: utilização de contêineres e paletes reciclados ou retornáveis; definição do melhor método de manuseio e guarda de resíduos recicláveis; e uso de métodos de controle de níveis de inventário. As indústrias geram quantidades significativas de resíduos que podem ser reciclados, tais como, caixas de papelão, paletes e diversos produtos para embalar e transportar materiais. Os materiais separados dos resíduos domiciliares também podem ser utilizados como material virgem para refabricação e reprocessamento, como base para produção de compostos e outros produtos obtidos por conversão química ou biológica. A reciclagem evita sua deposição final em aterros e pode representar uma receita para as empresas, uma vez que é possível utilizá-la para diversos fins. A utilização de produtos reciclados apresenta vantagens em termos de economia. Unidade 1 gestao_transportes.indb 39 39 4/12/2008 11:19:43 Universidade do Sul de Santa Catarina Como exemplo de vantagens econômicas, podemos pensar na produção do vidro. O vidro produzido inteiramente de sucata economiza perto de 15 a 20% da energia necessária para a produção do mesmo material com matéria-prima virgem. A reciclagem e reutilização de produtos e materiais já ocorrem desde a época em que os refrigerantes eram envasados em garrafas retornáveis. A redução de resíduos traz a ideia de eliminação dos produtos do tipo one-way, ou descartáveis. Os produtos do tipo one-way têm embalagens não-retornáveis, como os refrigerantes em vidro, latas ou PET, que são utilizados apenas uma vez. Os produtos com embalagens PET oferecem custo inferior, menor peso da embalagem, maior resistência do material em caso de quedas e atritos e facilidade de descarte. Até o início da década de 90, a indústria de refrigerantes utilizava em ampla escala as embalagens de vidro, que eram retornáveis, ou seja, eram entregues nos postos de vendas para a “recompra” dos refrigerantes. A discussão sobre a logística reversa é importante na questão da adequação ambiental, porque existem questões referentes à opção mais atrativa de reuso, como também incertezas quanto ao intervalo, a quantidade e a qualidade do fluxo de retorno dos produtos. Nesse sentido, cabe avaliar os aspectos que envolvem a questão da reutilização, segundo Fontana e Aguiar (2001, p. 226): motivação do reuso, se é ecológica ou econômica; tipo de itens a serem retornados, se são embalagens, bens de consumo ou peças de substituição; forma de reuso, se será um reuso direto, uma reparação, uma reciclagem ou, ainda, uma remanufaturação, entre outros; atores envolvidos. A questão do retorno dos produtos está ligada à forma de integração entre os canais reversos e os canais diretos. Nesse sentido, algumas metodologias são recomendadas por Fontana e Aguiar (2001, p. 226) para solução de certos problemas quanto à logística reversa: modelagem separada para o fluxo reverso: o fato de o canal reverso possuir uma estrutura baseada em muitas fontes para poucos pontos de demanda e a incerteza da quantidade dos materiais obtidos são determinantes na escolha de uma rede adequada de distribuição; para resíduos sólidos domésticos, um modelo de alocação-locação multiobjetivo pode ser utilizado para planejar o sistema de gerenciamento de resíduos; 40 gestao_transportes.indb 40 4/12/2008 11:19:43 Gestão de Transportes para dimensionar um processo de reciclagem de areia dos resíduos de construção civil, Barros et al. (1996) mostraram que dois tipos de instalações intermediárias são necessárias num modelo de locação de depósitos capacitados para vários níveis. Os transportes também contribuem negativamente com os danos ambientais dentro da cadeia de abastecimento. O transporte rodoviário é o maior causador da poluição do ar, pela emissão de gases poluentes e ruídos, deterioração da paisagem, efeitos sobre o clima e congestionamentos. Também é responsável pelos danos à saúde, como, irritações, intoxicações e infecções persistentes, segundo Albano (2002). Entretanto o uso eficiente dos meios de transporte pode amenizar os problemas ambientais. Veja alguns exemplos de uso eficiente dos meios de transporte a seguir. A utilização de sistemas de rastreamento nos caminhões, ligados a uma central, pode trazer benefícios, pois, a partir da informação referente ao tráfego nas vias onde os veículos se encontram, pode haver uma autorização de alteração de rota e a indicação do melhor caminho. A estipulação de peso máximo para veículos de carga também contribui na redução dos congestionamentos, uma vez que o veículo pesado reduz a velocidade e aumenta a emissão de poluentes e o desgaste da rodovia. A roteirização dos veículos na coleta seletiva, o uso de combustíveis menos poluentes e a utilização do frete de duas vias são outras ações que podem minimizar os impactos dos transportes no meio ambiente. Unidade 1 gestao_transportes.indb 41 41 4/12/2008 11:19:43 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 4 – Uso do EDI e outras tecnologias em transportes As empresas devem acompanhar os avanços tecnológicos, pois, entregar corretamente uma encomenda ou um produto ao cliente certo, no lugar e na hora programados, é a linha divisória entre as empresas com sucesso e as com fracasso no mercado. A tecnologia da informação vem sendo utilizada para atender necessidades específicas, como também para criar novas oportunidades para o planejamento, o controle e a operação das atividades de transportes. A necessidade de sobrevivência frente à concorrência faz com que as empresas se preocupem em investir em técnicas, equipamentos e métodos de trabalho e desenvolvê-las, vindo a corroborar com a modernização dos transportes no Brasil. Existem no Brasil empresas que operam em todos os níveis de transmissão por satélite e oferecem uma vasta gama de produtos e serviços: pesquisam, projetam, testam, monitoram, desenvolvem e implantam sistemas de telecomunicação via satélite. Muitas empresas estão oferecendo no mercado produtos que têm como objetivo resolver problemas de armazenagem e roteiros, operacionalização dos sistemas e aumento da produtividade. Para escolher um software de otimização, é preciso certificar-se de que ele atenderá as necessidades da empresa, como também verificar detalhes como investimentos em equipamentos, manutenção e atualização do produto. Transportadores de encomendas como DHL, Fedex e UPS são pioneiras no desenvolvimento deste sistema de informação, sendo que seu principal objetivo é a satisfação do cliente. Códigos de barras, radiotransmissores de móveis, portais de transportes, sistema de posicionamento global e computadores de bordo são elementos importantes do sistema de informação que permitem a localização de qualquer carga a qualquer hora. A informação é rastreada pelo sistema de gerenciamento de transportes e disponibilizada aos clientes e fornecedores via internet ou outros meios eletrônicos. 42 gestao_transportes.indb 42 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes Os portais de transporte são sites que fazem a intermediação entre transportadores e embarcadores, possibilitando a realização de novos negócios virtuais ligados à compra e venda de fretes. O portal permite articular a necessidade de transporte de um embarcador, caracterizado pela origem, destino e tipo de carregamento, com a oferta disponível. Os sistemas de posicionamento global são compostos por 24 satélites, colocados no espaço pelos Estados Unidos. Eles giram ao redor da Terra a uma grande altitude. Utilizando esses satélites como ponto de referência, um receptor de posicionamento global pode determinar a posição do veículo na superfície terrestre por meio das coordenadas de latitude e longitude. Para se ter um sistema de rastreamento, além do receptor, é preciso ter um sistema de comunicação e um modem – satélite, alta frequência (VHF) ou telefonia celular. O sistema instalado no veículo capta a informação do sistema de posicionamento global e envia um sinal para uma estação base, via sistema de comunicação usado. Os dados enviados são interpretados e fornecem as informações, tais como posicionamento fornecido pela latitude e longitude, velocidade, direção, hora da leitura e outros dados predefinidos. Assim, é possível criar uma saída de informação para uma tela de computador, mostrando a posição do veículo sobre um mapa digital da área onde o objeto está. Sistemas de gerenciamento de transportes Os sistemas de gerenciamento de transportes permitem à empresa muitos benefícios, dentre os quais, segundo Ballou (2006): seleção de modais; consolidação de fretes; rastreabilidade de carregamentos e de frota; roteirização e programação de veículos; Unidade 1 gestao_transportes.indb 43 43 4/12/2008 11:19:44 Universidade do Sul de Santa Catarina sistema de otimização de rotas e de pulverização de entregas e portais de transportes. A seleção de modais consiste em comparar o tamanho do embarque com o custo do serviço de transporte e o desempenho necessário, através do armazenamento de dados sobre os diversos modais, tarifas, datas de embarque previstas, disponibilidade de modais e frequência dos serviços, e, posteriormente, sugerir o melhor transporte para o carregamento. A consolidação de fretes consiste em sugerir os padrões para a consolidação de pequenos embarques, de forma a reduzir os custos de transporte, através do rastreamento do tamanho do embarque, do destino e da data de entrega prometida. A rastreabilidade de carregamentos consiste no acompanhamento dos pedidos. Dessa forma, agências marítimas e transportadores rodoviários, ferroviários e operadores logísticos utilizam a internet para disponibilizar o status dos carregamentos para seus clientes. A rastreabilidade de frota consiste em localizar a posição geográfica dos veículos, através de satélites, permitindo planejar as operações logísticas, definir os pontos de paradas e o tempo necessário para a realização dos percursos, tempo de carga e descarga, problemas com engate das carretas e supervisão remota da velocidade do veículo. Além disso, melhora o serviço ao cliente, a segurança da carga e dos condutores, as operações e a eficiência e satisfação do condutor. O sistema de rastreamento de frotas por satélite permite ao frotista receber imagens de um determinado veículo, na sua base de operação, num mapa digitalizado diretamente na tela do computador. A margem de erro é aproximadamente de 15 metros do local onde o veículo se encontra. Sua monitoração é feita através de satélite. Um receptor montado no veículo seleciona equipamentos e calcula também a latitude, longitude, altitude e velocidade do veículo. Pode ser utilizado em qualquer tipo de veículo na terra, na água e no ar. 44 gestao_transportes.indb 44 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes Na aplicação em caminhões, o sistema emite relatórios para localização de veículos, monitoração de partes mecânicas, assistência na estrada, controle de pessoal, previsão do tempo, situação do tráfego, rastreamento, gerenciamento de frotas, controle de cargas, itinerários, programação de horários, mudança de rotas, alerta de roubo e sequestro e manifestos de carga. A roteirização e a programação de veículos consistem em designar as cargas aos veículos e apresentar a melhor sequência de paradas. O sistema identifica janelas de tempo das paradas, recolhimento de mercadorias devolvidas nas paradas, planejamento de frete de retorno, restrições quanto à duração do tempo de viagem dos motoristas e respectivas paradas para descanso, além da utilização da frota ao longo de múltiplos períodos de tempo. O sistema armazena dados sobre os locais das paradas, como número e capacidade dos veículos, tempos de carga e descarga nas paradas, janelas de tempo das paradas e outras ocorrências ao longo do percurso. O sistema de otimização de rotas consiste na consolidação de cargas e otimização de retornos, possibilitando redução de custos, otimização da utilização da capacidade do veículo e melhoria no desempenho das entregas e do nível de serviço. O trabalho feito por computador pode permitir simulações diferentes em tempo reduzido e com resultados diversos. As empresas que atuam na coleta e distribuição de sorvetes, jornais, bebidas, coleta de lixo e cigarros são exemplos de negócios em que a otimização de rotas permite redução significativa de custos, uma vez que as entregas são múltiplas e em quantidades pequenas. Unidade 1 gestao_transportes.indb 45 45 4/12/2008 11:19:44 Universidade do Sul de Santa Catarina O transit time é o período compreendido entre a data de entrega do material ao transportador até a chegada do material para o requisitante (destino). Normalmente se estabelece um tempopadrão permitido, considerado em qualquer pedido determinado para as movimentações de materiais de uma operação até a próxima operação. Leia ao final desta unidade, no Saiba Mais, a experiência de uma empresa com a utilização do EDI, no texto “Da previsão de demandas às novas tecnologias”. Veja mais detalhes no Saiba Mais desta unidade. O sistema de pulverização das entregas consiste na comercialização direta de produtos de alto valor agregado do fabricante para os consumidores, através da internet, eliminando os intermediários da cadeia de abastecimento, tais como distribuidores e varejistas. A distribuição desses produtos é feita por transportadoras que possuem elevado grau de penetração em diversos mercados. O transporte é marcado por grande flexibilidade de entrega e por um curto transit time, ou seja, um curto período de tempo para completar certo percurso, trecho ou viagem. Eletronic Data Interchange (EDI) O Eletronic Data Interchange (EDI) é um sistema indicado para as transportadoras compatibilizarem suas rotinas de embarque e desembarque com as necessidades dos clientes, prazos e custos menores. Tem por objetivo principal a desburocratização da empresa. Efetivamente, o EDI é sistema no qual uma empresa pode trocar qualquer tipo de documentos, de forma eletrônica, com suas filiais, agências, fornecedores e clientes. Desse modo, todas as rotinas operacionais passam a ser transmitidas entre microcomputadores. Essa transmissão de dados ocorre por meio da utilização de um computador acoplado a um modem e a uma linha de telefone, com um software específico para comunicação e tradução dos documentos eletrônicos. O computador do cliente é ligado diretamente ao computador da transportadora, independentemente dos hardwares e softwares em utilização. As ordens ou pedidos e outros documentos padronizados são enviados sem o uso de papel. Os dados são compactados, criptografados e acessados somente por uma senha especial. 46 gestao_transportes.indb 46 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes Essa forma de comunicação e de transação pode ligar a empresa a seus clientes, transportadora, fornecedores, banco ou seguradora, permitindo fechar grandes contratos. Assim sendo, pode-se dizer que o EDI apresenta as seguintes vantagens, segundo Martins (2000): automatização do processo de compra; facilidade da colocação de pedidos, principalmente nos casos de contratos de fornecimento com entregas mediante liberação do cliente; informação e relação de parceria entre cliente e fornecedor; rapidez, segurança e precisão do fluxo de informações; redução significativa de custos. Além do EDI, tradicional também é utilizado o EDI via internet, como uma opção de menor custo e possibilidade de acesso a mais empresas. Internet e telemática A internet, através da utilização do e-mail, também tem sido um veículo de transação comercial ou e-commerce. A empresa basta se ligar a um provedor para ter toda a www (World Wide Web) ao seu alcance, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, com acesso a todo o mundo. A cada dia a internet ganha mais e mais adeptos, pois apresenta vantagens em relação ao EDI, tais como, de acordo com Martins (2000): atinge praticamente a todos na cadeia de abastecimento, podendo ser operada em tempo real; exige investimento inicial em tecnologia bem mais baixo; Unidade 1 gestao_transportes.indb 47 Leia ao final desta unidade, no Saiba Mais, um exemplo de serviço seguro via internet. Trata-se do Ambiente Virtual de Negócios, da Nexxera: “uma solução avançada na gestão corporativa substituindo notas fiscais, faturas e boletos por documentos eletrônicos na relação com clientes e fornecedores, integrando a empresa com toda sua cadeia de valor.” Vale observar os demais detalhes no Saiba Mais desta unidade. 47 4/12/2008 11:19:44 Universidade do Sul de Santa Catarina permite tanto a transação máquina-máquina como também homem-máquina; possibilita maior flexibilidade nos tipos de transações. A telemática combina telecomunicação com computação. Apesar de se tratar de um processo em desenvolvimento, pode oferecer serviços, tais como, de acordo com Bertaglia (2003): assistência em rodovias; computador de bordo; controle automático do tráfego; diagnóstico do veículo; pagamento automático em pedágio; sistemas de chamadas de emergência; sistemas de navegação com mapas digitalizados; travamento das portas do veículo. Concluindo, cabe ressaltar que a utilização de um software exige que se realizem testes nos programas disponíveis no mercado, pois, muitas vezes, a inadequação de um sistema só é constatada após a sua aquisição e implementação, o que pode gerar grandes prejuízos para a empresa. Agora que você já estudou os aspectos fundamentais que mostram a importância dos transportes no meio empresarial e no meio ambiente, você poderá conhecer, na próxima unidade, como o sistema de transportes está estruturado. 48 gestao_transportes.indb 48 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes Síntese Na unidade 1, você aprendeu que, atualmente, muitos fatores vêm modificando o ambiente empresarial, pois clientes e consumidores convivem com uma maior oferta de produtos e serviços e uma maior disponibilidade de informações. Você viu que, devido a essas constantes mudanças, captar e compreender as grandes tendências que estão se delineando para os próximos anos é vital para melhorar o nível de serviço, importante elemento da satisfação dos clientes e consumidores. Para atender às exigências do mundo empresarial, você compreendeu a importância da Logística. A logística é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e eficaz de informações desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às exigências dos clientes e consumidores. É importante você ter em mente que a cadeia de abastecimento corresponde ao conjunto de processos requeridos para obter materiais, agregar-lhes valor de acordo com a concepção dos clientes e consumidores e disponibilizar os produtos para o lugar e para a data que desejarem. Além disso, nessa unidade você aprendeu que o nível de serviço logístico é a qualidade com que se gerencia o fluxo de bens e serviços . Você agora sabe do importante papel do transporte no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente, como também nas ações de adequação ambiental. Você também viu como a tecnologia da informação vem sendo utilizada na criação de novas oportunidades para o planejamento, o controle e a operação das atividades de transporte. Unidade 1 gestao_transportes.indb 49 49 4/12/2008 11:19:44 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, realize as atividades propostas. O gabarito está disponível no fim do livro didático. Mas esforce-se para resolver as atividades sem a ajuda do gabarito, pois, assim, você estará estimulando sua aprendizagem. 1. A partir da leitura do texto “Caminhões e ônibus”, a seguir, reflita e escreva sobre a relação do conteúdo da unidade com esse caso específico, destacando o papel dos transportes na logística e no meio ambiente. CAMINHÕES E ÔNIBUS Todos sabem que os gases decorrentes dos meios de transportes contribuem para o aumento do efeito estufa e de um ambiente mais nocivo às futuras gerações. Por isso, uma das soluções para combater esse problema é o uso de combustíveis alternativos. Nesse sentido, os combustíveis sintéticos, respectivamente o de conversão de “Gás para Líquidos” (GTL) e o de “Biomassa para Líquidos” (BTL), são os mais promissores em termos ambientais, devido principalmente à ausência de enxofre e à composição química menos variável. Teremos motores a diesel ainda por muitas décadas por conta de sua durabilidade, pois são mais eficientes do que os motores, e por apresentarem excelente relação custo-benefício. O uso de combustíveis sintéticos mais homogêneos e renováveis, em motores mais eficientes, trará como conseqüência, um ambiente mais limpo desde o âmbito local ao global. Os biocombustíveis de segunda. geração são melhores por permitirem o melhor aproveitamento da biomassa. Hoje, os biocombustíveis da primeira geração, como o etanol que é obtido do caldo da cana de açúcar e o biodiesel que é produzido do óleo de diversas oleaginosas, também participam do mercado alimentício. Já os de segunda geração permitirão que toda e qualquer matéria agrícola, inclusive seus resíduos, seja convertida em etanol, via rotas bioquímicas, ou biodiesel, via rotas termoquímicas. Para o Brasil, qualquer uma das alternativas é excelente, porque somos produtores de commodities agrícolas, temos excelente clima e insolação. As culturas já desenvolvidas geram resíduos como a palha da cana, o sabugo de milho, a casca de arroz, por exemplo, que poderão ser aproveitados para produzir biocombustíveis, e áreas degradadas disponíveis à implantação de complexos agroindustriais dedicados à agroenergia. Assim, a principal vantagem dos biocombustíveis da segunda geração é minimizar a discussão sobre a competição por terra para produzir alimentos ou combustíveis. 50 gestao_transportes.indb 50 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes O exercício da atividade de transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração só pode ser exercido mediante prévio cadastro do transportador no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC), que é administrado pela ANTT. No RNTRC, somente são registrados veículos de carga com capacidade útil superior a 1,5 toneladas. De acordo com os registros efetuados no RNTRC até abril de 2008, esses serviços são realizados por 1,76 milhões de veículos, o que, teoricamente, não inclui os veículos das empresas tipo Transportadoras de Carga Própria que usam veículos de sua propriedade para movimentar as cargas que comercializam ou produzem, ou seja, não prestam serviços de transporte a terceiros. Cerca de 80% da frota registrada, ou seja, cerca de 1,40 milhões de veículos têm tração própria, sendo 46% desses, caminhões simples pertencentes a motoristas autônomos. A principal questão que se coloca é que a frota dominante, pertencente aos autônomos, tem uma idade média de 22,4 anos, ou seja, são veículos de meados da década de 80, que não atendem as primeiras exigências de controle do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE), as quais foram estabelecidas para veículos fabricados a partir de 1993. Ademais, em função da acirrada concorrência, a manutenção dessa frota é muitas vezes comprometida, piorando a situação de emissões. É preciso lembrar que os limites de emissão dos veículos vêm se tornando mais restritivos gradativamente, a fim de permitir tanto à indústria automobilística quanto à de derivados de petróleo, o tempo necessário para enquadrar suas produções aos novos limites de emissões que vêm sendo estabelecidos pelas etapas do PROCONVE. De forma complementar, os Programas de Inspeção e Manutenção visam manter as emissões aprovadas no licenciamento do veículo, dentro dos padrões ambientais estabelecidos. Portanto a realidade em termos dos veículos não é das melhores apesar dos esforços que vêm sendo realizados pelo Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural que visa à conservação de energia mediante a redução de desperdício de diesel, com a implantação do Projeto Siga-Bem, que é um projeto de âmbito nacional que oferece apoio técnico gratuito aos caminhoneiros do setor de transporte rodoviário de cargas, para regular veículo em postos de abastecimento nas estradas. Quanto aos combustíveis, o diesel nacional apresenta alguns comprometimentos em termos de composição, apesar dos esforços realizados para reduzir o teor de enxofre no diesel vendido nas regiões metropolitanas. A mistura gradual do biodiesel no diesel deverá favorecer a redução das emissões de poluentes no Brasil, exceção feita aos óxidos de nitrogênio. Unidade 1 gestao_transportes.indb 51 51 4/12/2008 11:19:44 Universidade do Sul de Santa Catarina No médio prazo, de 10 a 15 anos, a situação poderá melhorar em função da entrada dos combustíveis sintéticos e também os biocombustíveis. Em termos dos veículos, se mantidos os crescentes aumentos no preço do petróleo, é possível que haja maior incentivo para favorecer a troca dos caminhões por veículos mais eficientes. No entanto ainda estaremos distantes dos avanços que vêm sendo incorporados nos veículos no exterior, em função de exigências ambientais mais restritivas. VALLE, Márcia. Caminhões e ônibus. Disponível em:<http://www.webmotors.com.br/wmpublicador/ Caminhoes_Conteudo.vxlpub?hnid=40016>. Acesso em: 01 set. 2008. 52 gestao_transportes.indb 52 4/12/2008 11:19:44 Gestão de Transportes Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá consultar o material a seguir. Livros BRUNTON, M. J. Introdução ao Planejamento dos transportes. Rio de Janeiro: Interciência, 1979. CIRILLO JUNIOR, Edson et al. Atualidades na cadeia de abastecimento. São Paulo: Instituto IMAM, 2003. DORNIER, Philippe; ERNST, Ricardo; et al. Logística e operações globais. São Paulo: Atlas, 2002. Artigos AMBIENTE ELETRÔNICO DE NEGÓCIOS – NEXXERA TECNOLOGIA E SERVIÇOS SA A Nexxera procura oferecer soluções de gestão corporativa e financeira para as cadeias produtivas, através do Ambiente Eletrônico de Negócios. O Ambiente Eletrônico de Negócios é uma solução avançada na gestão corporativa substituindo notas fiscais, faturas e boletos por documentos eletrônicos na relação com clientes e fornecedores, integrando a empresa com toda sua cadeia de valor. Nesse sentido, oferece vantagens para diversos processos: contas a pagar; contas a receber; tesouraria; compras; vendas; logística; controladoria; outros processos. As soluções Nexxera trabalham de forma integrada aos principais ERP’s do mercado, além de operar sobre qualquer meio de comunicação. A Plataforma Skyline é a solução ideal para conectar qualquer empresa com sua força de vendas, bancos, clientes, fornecedores, administradoras de cartões e outros, sem preocupação com o formato de arquivos ou rotinas manuais. Uma solução que simplifica a comunicação com diversas empresas através de um canal para envio e recebimento de diversos arquivos. Sem a necessidade de alterar os sistemas internos da Unidade 1 gestao_transportes.indb 53 53 4/12/2008 11:19:45 Universidade do Sul de Santa Catarina sua empresa, a Skyline realiza a tradução de formatos, adequando o layout dos arquivos aos padrões utilizados por cada parceiro de negócios. Oferece controle absoluto de todos os processos de EDI com acesso remoto, em tempo real, das principais informações e estatísticas. Itens como confiabilidade, confidencialidade, transparência e disponibilidade são requisitos da Plataforma Skyline, homologada por seus clientes. Os sistemas avançados de criptografia, protocolação e certificação digital garantem o sigilo total das informações trafegadas na rede. Baseada em normas internacionais e buscando prover maior segurança e continuidade dos processos, a Nexxera estruturou seus serviços em dois datacenters. Os sistemas trabalham espelhados e estão localizados em Florianópolis e no Rio de Janeiro. A seguir, apresentam-se algumas características dos principais processos que a Nexxera disponibiliza para as empresas: Contas a pagar: O Pagamento Eletrônico é uma agenda completa de todos os compromissos com fornecedores e folhas de pagamento com informações consolidadas para o Contas a Pagar, em um único ambiente, dispensando as planilhas do excel. O usuário pode realizar pagamentos a partir do banco que desejar e ainda eliminar a digitação manual de boletos. Sistema de cobrança: Por meio da Cobrança Eletrônica, pode-se operar com vários bancos sem se preocupar com a formatação dos arquivos. Um único acesso permite a disponibilização de todas as informações gerenciais relativas às cobranças enviadas. A comunicação feita através da Rede Nexxera garante total segurança, pois evita fraudes por autenticar usuários e arquivos enviados. Além disso, o sistema dá um aviso de recebimento para o cedente no momento em que o sacado acessa o link ou recebe o e-mail. Esta solução também facilita as operações para antecipação de recebíveis junto aos bancos parceiros do usuário. Varredura eletrônica: Elimina o preenchimento manual de boletos a pagar e livra o usuário de incomodações com possíveis fraudes e erros comuns de digitação. É a solução ideal para empresas com grandes volumes de pagamento, que necessitam automatizar o lançamento e liquidação de títulos no setor de Contas a Pagar. Segurança contra títulos fraudados: Os sistemas avançados de criptografia e protocolação digital garantem a autenticidade dos documentos, evitando prejuízos financeiros. O usuário pode eliminar por completo a digitação manual de títulos de cobrança, sejam estes com ou sem registro. Oferece também maior flexibilidade para efetuar pagamentos em diferentes bancos, pois os arquivos são gerados de acordo com o layout escolhido. NexxCash Bank: Permite acessar todos os extratos das contas correntes, 54 gestao_transportes.indb 54 4/12/2008 11:19:45 Gestão de Transportes atualizados, em um único ambiente e organizados automaticamente, eliminando processos manuais e possibilidades de erros. Arrecadação: Essa ferramenta facilita a tomada de decisão tanto no setor operacional como no financeiro da empresa, consolidando dados com precisão na forma de relatórios organizados e bem estruturados. É possível visualizar em um único ambiente os valores totais da arrecadação, com posições financeiras atuais e futuras. Também é possível fazer o controle das tarifas negociadas e cobradas pelos agentes arrecadadores, visualizando o valor que será repassado já deduzido. Pagamentos: O PagFlex transforma compromissos a receber em diferentes documentos para pagamento, conciliando facilmente todas as informações. É a solução ideal para empresas que operam no regime de Nota Fiscal Eletrônica, pois transforma as notas fiscais eletrônicas/duplicatas/compromissos em documentos financeiros como: boletos, DOC, TED entre outros, automatizando os processos de cobrança e pagamento, eliminando a necessidade de gerar boletos impressos a partir da emissão da nota fiscal. Essa solução dispensa qualquer interação com bancos para pedidos de baixa, prorrogação e alterações de títulos. Também concilia o retorno das agências bancárias automaticamente, vinculando os pagamentos aos seus documentos de origem. O PagFlex elimina a necessidade de gerar boletos, reduz a incidência de tarifas bancárias e evita contatos diários com clientes e bancos, além de trabalhar a origem dos depósitos sem identificação. NEXXERA. Ambiente eletrônico de negócios. Disponível em <http://www.nexxera.com.br>. Acesso em 13 Out 2008. DA PREVISÃO DE DEMANDA ÀS NOVAS TECNOLOGIAS Para que as gôndolas sejam abastecidas como deseja o consumidor, é preciso que a gestão de estoque e a de pedidos estejam em linha com a demanda e com a operação da loja. As empresas supermercadistas, especialmente as grandes e médias, com uma logística extremamente complexa, por ser pulverizada, com ampla quantidade de fornecedores e produtos de características distintas, investiram muito em tecnologias e processos para ganhar eficiência e agilidade nos últimos 15 anos. Código de barras, sistema de leitura óptica, novas formas de planejar e gerir o negócio, por meio de centro de distribuição compartilhado, por exemplo, tudo isso mudou a cara dos supermercados no Brasil. Benefícios como esses chegaram às pequenas lojas, que, por sua operação menor, ganharam naturalmente melhor desempenho nas vendas do setor. Tecnologias como o Radio Frequency Identification - Etiqueta inteligente (RFID) irão impactar a área de logística das grandes indústrias e das redes Unidade 1 gestao_transportes.indb 55 55 4/12/2008 11:19:45 Universidade do Sul de Santa Catarina supermercadistas que, em conjunto, ainda têm enormes desafios no planejamento e gestão dessa área. E esse movimento dos grandes, com seus erros e acertos, causa impacto em todo o mercado. A finalidade da logística para os supermercados é ter o produto certo, na hora certa, da maneira certa, na quantidade certa, no local certo ao menor custo possível. Do contrário, além de perder dinheiro no processo de abastecimento, o supermercado desagrada o cliente. Em casos extremos, mas não raros, o consumidor deixa de comprar naquela loja. A maioria dos supermercados ainda está no princípio do desenvolvimento em logística e, o primeiro passo para que se estabeleça uma gestão eficaz é saber qual o comportamento de compra do consumidor, essa informação será o pilar mais importante na estrutura logística da empresa, bem como na operação de loja. É por isso que os pequenos negócios, mesmo sem grandes tecnologias, se dão tão bem nessa área. Mas, como obter esse perfil do cliente? Para que se consigam esses dados, é necessário um acompanhamento periódico das vendas e que se faça uma análise detalhada. O segundo passo é, com base nessas informações, implementar uma gestão por categorias na loja, cuja função é alicerçar o terceiro passo, a gestão de estoques, que, por sua vez, baliza a gestão de pedidos. No fim, o norte de todas as fases do processo é o comportamento da demanda, ou seja, o poder de venda do seu negócio. A maior parte das empresas supermercadistas do País ainda não utilizam corretamente os dados que possuem sobre a demanda ou não levantam esses dados. Para desenvolver o básico, não é necessário o uso de grandes tecnologias, de equipamentos com alto padrão informativo. É indicado dispor de sistemas eficientes às necessidades da empresa, pois não há dúvidas de que tecnologia confere agilidade aos processos, mas de modo algum é a solução dos problemas. Antes de dispor das tecnologias, é preciso entender e implementar os conceitos básicos de gestão e essa é a solução na maior parte dos casos. Para os especialistas, a maior dificuldade logística hoje no Brasil está na integração do varejista e do fornecedor, aspecto ligado à gestão de pedidos. A dificuldade se dá em razão da resistência ou do desconhecimento das necessidades e das vantagens em compartilhar dados entre o varejo e os fornecedores para que possam juntos programar-se com mais eficiência para atender o consumidor. Ou seja, a troca de informação, especialmente previsão de demanda, entre os elos da cadeia é fundamental para sanar as perdas decorrentes do processo logístico e desenvolver ações como pedidos programados. Agora se essa previsão ocorre com bases erradas, todo o processo logístico fica em risco. O resultado da troca de informações erradas, sem compromisso com a precisão, é o ‘efeito chicote’, um problema grave e 56 gestao_transportes.indb 56 4/12/2008 11:19:45 Gestão de Transportes comum na logística, que consiste na disparidade entre o que se pede e o que realmente é necessário para atender a demanda; ou seja, os elos da cadeia no varejo se pautam em dados fictícios, planejando erroneamente a demanda do consumo, e a indústria, por sua vez, equivoca-se na quantidade produzida. O “efeito chicote” é comum em promoções, quando as vendas de determinado produto aumentam de forma atípica. Nesses casos os fornecedores geralmente erram para menos, pois não têm informação prévia da natureza da promoção, da estimativa da demanda, e muito menos os históricos de vendas das lojas em promoções semelhantes. Mas em outras circunstâncias, como no caso de uma estimativa de demanda mais otimista do que deveria, o erro se dá para mais. O resultado, em ambos os casos, são custos adicionais diluídos pela cadeia, em prejuízo de todos os elos, especialmente do consumidor, que é quem paga a conta da má logística. Para que essa integração de informações entre o varejo e a indústria ocorra, é vital a padronização de dados. Ou seja, indústrias e supermercados precisam falar a mesma língua, por exemplo, na descrição de cada produto ou item. “O padrão de identificação dos produtos seria mais eficiente, antes de mais nada, se todas as notas fiscais da indústria trouxessem o registro do código de barras. Assim, mesmo com descrições diferentes entre os elos da cadeia, seria possível identificar com precisão as características daquele item”, sugere o coordenador do comitê de gerenciamento por categorias da Associação ECR Brasil, que também estuda esse assunto. O ECR deverá fazer em breve um trabalho junto aos elos da cadeia para padronizar a descrição dos mais variados produtos. “Dessa maneira, a impressão dos números do código de barras na nota continuará a ser necessária, mas servindo para esclarecer possíveis mal-entendidos”. Uma boa alternativa para a padronização seria a adesão do modelo de identificação da indústria, responsável pela criação do item. A REDE ANGELONI A rede Angeloni, nona colocada no Ranking Abras com uma receita de $ 992,8 milhões em 2005, sediada em Santa Catarina e com 19 lojas espalhadas pelo Estado de origem e pelo Paraná, é um bom exemplo do trabalho do setor supermercadista para melhorar a operação logística e atender bem ao consumidor. A empresa começou a utilizar o histórico de demandas das lojas e o gerenciamento por categorias para dimensionar seus estoques e realizar pedidos programados com alguns fornecedores. Ou seja, o Angeloni optou por abrir seus dados a alguns fornecedores compartilhando informações decisivas, como a previsão de demanda. Unidade 1 gestao_transportes.indb 57 57 4/12/2008 11:19:45 Universidade do Sul de Santa Catarina Para tanto, a empresa se capacitou com novas tecnologias e processos que lhe conferem agilidade e precisão na hora de passar essas informações. Por meio do software Explain, que apura o histórico de vendas das lojas e da rede, consegue estabelecer automaticamente a previsão de demanda para os mais variados meses e períodos do ano, o que sem dúvida facilita a relação com os fornecedores. O controle bem-feito dessas informações propicia uma eficiente gestão do estoque, feito no Angeloni por meio do Sistema de Gerenciamento de Armazéns (WMS – Wherehouse Manage-mente System), que permite saber em que ponto do centro de distribuição ou depósito está determinado produto de dada categoria. Assim foram criadas condições excelentes para uma relação transparente com os fornecedores, no caso do Angeloni, feito por troca eletrônica de dados, ou EDI – Electronic Data Interchange. “Para se integrar com o fornecedor, não é necessário ter EDI. Esse tipo de troca pode ser feito via e-mail, por exemplo. O necessário mesmo para a troca de informações é a boa vontade. Sentar-se à mesa com o parceiro comercial e procurar as melhores soluções para todos, especialmente o consumidor”, defende o diretor da rede, apontando que a boa logística depende mais da ação das pessoas do que das máquinas. Uma prova disso vem do maior grupo do setor. A CBD investe há um ano no programa de qualidade denominado Certificação Top Log. O programa reconhece o trabalho de qualificação dos fornecedores e busca o diálogo entre as partes para que se encontrem soluções comuns, como SuperHiper já divulgou em janeiro passado. De acordo com a CBD entre os fornecedores que fazem parte do programa, hoje em torno de 100 empresas, o ganho de eficiência logística foi de 81% para 87%. Mas o objetivo do grupo é que essa eficiência chegue aos 95%. Tão importante quanto a integração colaborativa entre supermercados e fornecedores é a integração interna, dos diversos departamentos do supermercado com a área logística. Aliás, essa integração precede a realizada entre os elos da cadeia. “As maiores dificuldades sempre estão focadas no ser humano”, informa o diretor de expansão e do comitê de perdas da rede mato-grossense Modelo IGA. “Dentro dos supermercados, é muito difícil a compreensão de que existe um setor de logística ligado à operação da loja. Cada funcionário, com a cobrança diária de resultados específicos, acaba ficando alheio às rotinas externas a ele”. Para superar essa dificuldade, o Modelo, empresa que fatura $ 271 milhões e ocupa a 24a colocação no Ranking Abras, tem realizado reuniões de esclarecimento dos processos e de como eles se integram. Tem também organizado treinamentos para capacitação de seu pessoal com o objetivo de que desenvolvam uma concepção sistêmica da operação supermercadista. 58 gestao_transportes.indb 58 4/12/2008 11:19:45 Gestão de Transportes Há uma mudança de mentalidade que já é sentida inclusive entre os que trabalham há mais tempo no Modelo. “As pessoas-chaves, com uma cultura mais antiga, começam a enxergar além das paredes de seus setores e das áreas de atuação, trabalhando de forma sistêmica (em grupo) e colaborativa com a logística”. Para o responsável pela logística da rede mato-grossense, esse conhecimento do todo é fundamental para que se alcance excelência em logística. “Os funcionários precisam entender o funcionamento da cadeia de abastecimento; precisam se comprometer com o resultado da empresa mais do que com o resultado de seu setor; devem ter responsabilidade na comunicação, o que significa se preocuparem e se esforçarem para compreender, bem como ser simples, claros e objetivos quando comunicarem algo”. Se os homens são o cérebro e o coração da logística da sua empresa, os sistemas de informática que ajudam a desenvolver os processos de organização e comunicação das informações são o corpo. Por isso, nas grandes e médias empresas, quanto mais moderna for a ferramenta utilizada na operação logística e de levantamento de dados, mais eficiente e produtivo se tornará o processo. Angeloni, Modelo IGA e Grupo Pão de Açúcar dispõem dessas ferramentas cuja principal função é entender melhor o comportamento de compra do consumidor, com todas as suas sazonalidades. Um segundo investimento importante centra-se na gestão automatizada dos estoques e das cargas, que ajuda a operação logística do supermercado a aproveitar melhor o espaço nos caminhões e assim economizar no transporte. Uma área muito problemática na logística, devido à falta de infra-estrutura do País, calcada no transporte rodoviário, mas com uma malha de estradas sofrível. Do Modelo IGA, é possível melhorar a gestão da frota, por meio de softwares específicos. A empresa optou pela solução Gemco Anywhere, que, segundo ele, aumentou a produtividade da sua frota em duas vezes, ou seja, depois que a ferramenta passou a ser utilizada um mesmo caminhão do Modelo IGA, consegue transportar o dobro da quantidade de produtos que conseguia anteriormente. O Grupo Pão de Açúcar, notável por investimentos em tecnologia, também conta com um software de gerenciamento de rotas. Com ele, os caminhos a serem tomados para que se realize uma entrega são previamente estabelecidos de modo a ganhar eficiência e rapidez. Também na área de transporte, o rastreamento via satélite hoje tem um valor significativo. Aliado as outras iniciativas, como parceria com transportadoras especializadas em determinadas rotas, em determinadas categorias de produto e, em alguns casos, transportadoras exclusivas por bandeira, o grupo conseguiu reduzir em 95% o roubo de carga da CBD. Unidade 1 gestao_transportes.indb 59 59 4/12/2008 11:19:45 Universidade do Sul de Santa Catarina Contudo, essas são tecnologias em vigência e acessíveis. A tecnologia que promete revolucionar o mercado varejista permitirá integração entre os elos da cadeia, sem contar a agilidade na conferência dos produtos vindos dos fornecedores, e no encaminhamento dos mesmos para as lojas. HILÁRIO, Wagner. Os próximos passos da logística. Revista SuperHiper. Julho, 2006. Disponível em: <http://www.abras.com.br/site_antigo/web/site_antigo/super/julho_2006_capa.asp>. Acesso em: 14 out. 2008. 60 gestao_transportes.indb 60 4/12/2008 11:19:45 UNIDADE 2 O sistema de transportes 2 Objetivos de aprendizagem Conhecer as modalidades de transporte que possibilitam os fluxos físicos dos produtos ou serviços ao longo dos canais de distribuição. Compreender a importância da multimodalidade e da intermodalidade na gestão de transportes. Identificar aspectos relacionados à unitização de cargas. Conhecer os terminais de transportes e sua importância na gestão dos transportes. Seções de estudo Seção 1 Modais de transporte Seção 2 Transporte multimodal e intermodal Seção 3 Unitização de cargas Seção 4 Terminais de transporte gestao_transportes.indb 61 4/12/2008 11:19:45 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade, você vai aprender que o transporte pode favorecer ou prejudicar os objetivos de uma empresa. Por isso, é importante conhecer o sistema de transportes. Você também vai ver que os transportes podem ser realizados de forma unimodal, quando envolvem apenas um único modo de transporte, ou multimodal, quando abrangem dois ou mais modos individuais de transporte num único despacho. Os transportes individuais englobam os modais hidroviário, aéreo, ferroviário, rodoviário ou dutoviário, sendo que os multimodais resultam de combinações, como ferrorrodoviário, ferro-hidroviário, ferroaeroviário, ferrodutoviário, rodoaéreo, rodo-hidroviário, rododutoviário, hidrodutoviário, hidroaéreo, aerodutoviário. Além disso, você vai compreender o conceito e a importância da unitização de cargas na redução de custos e manuseio dos materiais, bem como o papel dos terminais de transportes. Seção 1 – Modais de transporte O transporte tanto pode favorecer como liquidar as pretensões de uma empresa em se consolidar em um determinado mercado. O transporte requer controle específico dentro do planejamento traçado, por envolver aspectos financeiros, comerciais e operacionais. Deve-se levar em conta, principalmente, o volume e a frequência dos fretes e também os modais de transporte disponíveis, segundo Dias e Rodrigues (2004). 62 gestao_transportes.indb 62 4/12/2008 11:19:45 Gestão de Transportes Quanto à forma, os transportes são classificados em modal, multimodal e intermodal, segundo Bertaglia (2003). A seguir, você pode ver como o autor classifica cada uma dessas formas. O transporte modal envolve apenas uma modalidade, ou seja, um meio de transporte, que pode ser hidroviário, aéreo ou terrestre. O transporte multimodal consiste na utilização de mais de uma modalidade de transporte, desde a origem até o destino da carga, sendo regido por um único contrato de transporte. O transporte intermodal combina diversos modais de transporte e diferentes contratos efetuados de modo unilateral com as empresas responsáveis pelo transporte. Os modais individuais de transportes podem ser, conforme Bertaglia (2003): hidroviário; aéreo; e terrestre. Por sua vez, o transporte terrestre pode ser, também conforme Bertaglia (2003), ferroviário, dutoviário e rodoviário. O transporte hidroviário utiliza o meio aquático, natural ou artificial, para movimentar cargas e passageiros. Este tipo de transporte apresenta duas modalidades: a marítima, que é a navegação costeira ou além-mar, e a fluvial, que é a navegação doméstica de rios e canais de navegação. Este tipo de transporte exige investimentos em portos. No Brasil, os portos estão em desvantagem em relação a outros países, por causa dos custos portuários. Unidade 2 gestao_transportes.indb 63 63 4/12/2008 11:19:46 Universidade do Sul de Santa Catarina As figuras 2.1 e 2.2 apresentam exemplos de transportes fluviais, e a figura 2.3 mostra um exemplo de transporte marítimo. Figura 2.1 - Transporte fluvial: Embarcação de São Francisco. Fonte: Brasil, 2008c. Figura 2.2 - Transporte fluvial: Embarcações de Jacuí/RS. Fonte: Brasil, 2008c. Figura 2.3 - Transporte marítimo: Navio porta-contêineres. Fonte: Fotolia, 2008c. 64 gestao_transportes.indb 64 4/12/2008 11:19:46 Gestão de Transportes O transporte aéreo é utilizado para produtos que têm alto valor, como equipamentos eletrônicos e máquinas de precisão, em função do alto custo nele envolvido. O custo alto, porém, em alguns casos, é compensado pela alta velocidade e confiabilidade deste modo de transporte, o que pode permitir redução e até eliminação de depósitos ou estoques. Essa modalidade apresenta características importantes em relação à segurança e à agilidade. No caso de mercadorias perecíveis, é possível comercializá-las em pontos mais distantes em função da rapidez deste modo. Este transporte é utilizado principalmente em caso de cargas parceladas e encomendas, embaladas normalmente em pequenos volumes, correio e malotes. A maior vantagem do uso do transporte aéreo é a velocidade da entrega, quando se trata de percorrer grandes distâncias. Por outro lado, o transporte aéreo não é tão vantajoso para distâncias mais curtas, porque ainda se gasta muito tempo nas saídas e chegadas dos aviões nos terminais. Entretanto o transporte aéreo necessita de grandes terminais e não possui flexibilidade suficiente para atingir uma grande diversidade de locais, obrigando à prática do transporte combinado, normalmente associado com o rodoviário. Este tipo de transporte exige investimentos em aeroportos. Além disso, no Brasil, os custos aeroportuários são altos e o nível de serviço deve ser melhorado. A figura 2.4 destaca um exemplo de um transporte aéreo. Figura 2.4 - Transporte aéreo. Fotolia (2008a). Unidade 2 gestao_transportes.indb 65 65 4/12/2008 11:19:46 Universidade do Sul de Santa Catarina O transporte terrestre pode ser realizado por dutos, ferrovias ou rodovias. Dessa forma, compreende os seguintes modais: dutoviário; ferroviário; e rodoviário. O transporte dutoviário é uma das formas mais econômicas de transporte para grandes volumes. Além disso, é uma forma eficiente e segura de transporte. O trabalho exigido para esse tipo de movimentação é bastante grande, porque as tubulações passam por vales, rios, lagos, montanhas e pelo oceano. No Brasil, tem-se buscado eficiência e segurança para responder ao mercado competitivo. O transporte dutoviário pode ser dividido em: oleodutos, que transportam, principalmente, petróleo, óleo, combustível, gasolina, diesel, álcool, querosene e nafta; minerodutos, que fazem o transporte de sal-gema, minério de ferro e concentrado fosfático; gasodutos, cujo produto transportado é o gás natural, sendo que o Gasoduto Brasil-Bolívia, com 3.150 km de extensão, é um dos maiores do mundo. O Gasoduto Brasil-Bolívia começou a ser construído em 1997, iniciando sua operação em 1999. Tem seu início na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra e seu fim na cidade de Canoas/RS, e atravessa, também, os estados de Mato Grasso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, passando por cerca de quatro mil propriedades, em 135 municípios. Em São Paulo, o traçado acompanha o rio Tietê, chegando a Campinas, onde se encontram as indústrias pioneiras na utilização do gás natural boliviano. As figuras 2.5, 2.6 ilustram o transporte dutoviário, destacando a rota do Gasoduto Bolívia-Brasil, bem como um exemplo de tubulações do transporte dutoviário. 66 gestao_transportes.indb 66 4/12/2008 11:19:47 Gestão de Transportes Figura 2.5 - Rota do Gasoduto Bolívia-Brasil. Fonte: LADOUCEUR, Micheline. Os megaprojetos de gasoduto no Brasil e na Bolívia. Disponível em: <http://resistir.info/energia/imagens/gasin.jpg>. Acesso em: 04 nov 2008. Figura 2.6 - Tubulações do transporte dutoviário. Fonte: CARGONEWS. Reportagem especial: A energia do Brasil passa por aqui. Disponível em <http://www. cargonews.com.br/materias94/materias/08.asp>. Acesso em: 14 out. 2008. Unidade 2 gestao_transportes.indb 67 67 4/12/2008 11:19:47 Universidade do Sul de Santa Catarina O transporte ferroviário é utilizado para grandes volumes, com elevada eficiência energética, principalmente em casos de deslocamentos a médias e grandes distâncias, e um valor unitário baixo. O transporte ferroviário não é recomendado, quando há urgência na entrega. Esse tipo de transporte conta com terminais fi xos e não pode ser aplicado onde se requer coleta e entrega porta a porta, devido à falta de flexibilidade. Como vantagem em relação aos demais meios de transporte, apresenta baixo custo, como também maior segurança em relação ao modal rodoviário, com menor índice de acidentes e menor incidência de furtos e roubos. São cargas típicas do modal ferroviário: Clínquer é o componente básico do cimento (principal matéria-prima do cimento). produtos siderúrgicos; grãos; minério de ferro; cimento e cal; adubos e fertilizantes; derivados de petróleo; calcário; carvão mineral; clínquer e contêineres. Este tipo de transporte exige investimentos em ferrovias e, no Brasil, utiliza-se pouco o transporte ferroviário, tanto para cargas quanto para passageiros, e o nível de serviço deve ser melhorado. 68 gestao_transportes.indb 68 4/12/2008 11:19:47 Gestão de Transportes As figuras 2.7, 2.8 e 2.9 ilustram o transporte ferroviário, destacando trilhos, um trem e uma estação ferroviária. Figura 2.7 - Transporte ferroviário – trilhos. Fonte: Fotolia, 2008b. Figura 2.8 - Transporte ferroviário – trem transportando contêiner. Fonte: Fotolia, 2008b. Figura 2.9 - Transporte ferroviário – estação ferroviária. Fonte: Fotolia, 2008b. Unidade 2 gestao_transportes.indb 69 69 4/12/2008 11:19:48 Universidade do Sul de Santa Catarina O transporte rodoviário é o mais independente dos transportes, porque possibilita movimentar uma grande variedade de materiais para qualquer destino, devido à sua flexibilidade. Geralmente, é utilizado para pequenas encomendas e curtas, médias ou longas distâncias, por meio de coletas e entregas porta a porta. O transporte rodoviário de cargas é responsável pela oferta de quatro tipos de serviço, de acordo com Novaes (2004). Esses serviços consistem em: serviço de lotação completa; serviço de carga fracionada local; serviço de carga fracionada de longa distância; e serviço de carga fracionada de longa distância com terminais intermediários de trânsito. Cada uma delas envolve determinado número de operações, as quais podem reduzir ou aumentar o custo e o tempo de viagem porta a porta. O serviço de lotação completa consiste na coleta da carga nas instalações do usuário. A carga é transportada, no mesmo veículo, para o depósito do destinatário, sem passar pelo depósito da transportadora. Esse tipo de serviço ocorre sempre que há carga suficiente para lotar um veículo e evita a utilização do terminal da transportadora para manuseio da carga. O serviço de carga fracionada local consiste na coleta da carga nas instalações do usuário e no deslocamento até o depósito da transportadora, onde é feita a triagem e o reembarque nos veículos de distribuição. Esses veículos fazem as entregas diretamente aos destinatários localizados em vários pontos da mesma cidade, ou em outras localidades próximas. 70 gestao_transportes.indb 70 4/12/2008 11:19:48 Gestão de Transportes O serviço de carga fracionada de longa distância é semelhante ao serviço de carga fracionada local. Entretanto, ocorre mais uma operação de descarga/triagem/carregamento num depósito regional da transportadora. Essa operação intermediária adicional torna-se necessária, para que as mercadorias sejam novamente separadas por rota de entrega e reembarcadas em veículos locais. Nesse caso, o terminal regional recebe mercadorias de diversos pontos. É feita a descarga das mercadorias de várias procedências, e elas são novamente separadas por rota e reembarcadas nos veículos de entrega. O serviço de carga fracionada de longa distância com terminais intermediários de trânsito é semelhante ao serviço de carga fracionada de longa distância. Entretanto existem terminais intermediários para reorganizar as remessas por corredor de transporte. Assim, por exemplo, uma carga de Porto Alegre destinada a Vitória é levada até o terminal de trânsito em São Paulo, onde é recarregada e deslocada até o terminal regional, no Espírito Santo, de onde segue em veículo menor, para ser distribuída localmente. O transporte rodoviário se caracteriza pela facilidade na entrega da mercadoria, fazendo a conexão entre os diferentes modos de transporte e os seus respectivos pontos de embarque e desembarque. Entretanto o custo do frete é uma das desvantagens que apresenta em relação aos outros meios de transporte. Este tipo de transporte exige investimentos em rodovias. No Brasil, o transporte rodoviário é responsável por quase 63% das cargas movimentadas. Unidade 2 gestao_transportes.indb 71 71 4/12/2008 11:19:48 Universidade do Sul de Santa Catarina As figuras de 2.10 a 2.14 apresentam exemplos de caminhões de carga, frigoríficos, madeireiros, porta-veículo e caminhões de silos. Figura 2.10- Caminhão de carga geral. Fonte: Transportes XXI, 2008. Figura 2.11 - Caminhão frigorífico. Fonte: Transportes XXI, 2008. 72 gestao_transportes.indb 72 4/12/2008 11:19:48 Gestão de Transportes Figura 2.12 - Caminhão madeireiro. Fonte: Transportes XXI, 2008. Figura 2.13 - Caminhão porta-veículos. Fonte: Transportes XXI, 2008. Unidade 2 gestao_transportes.indb 73 73 4/12/2008 11:19:49 Universidade do Sul de Santa Catarina Figura 2.14 - Caminhão de silos. Fonte: Transportes XXI, 2008. Seção 2 – Transporte multimodal e intermodal A escolha dos modais de transporte influencia, na medida certa e de forma correta e eficaz, a obtenção do melhor resultado na operação. As empresas podem utilizar os mais diversos meios de transporte para a distribuição de seus produtos e materiais. Dependendo do tipo de problema, as empresas devem recorrer ao transporte que melhor se adapte às circunstâncias. Para escolher uma modalidade de transporte, devemos considerar as características do modal, as necessidades da empresa contratante e as condições do produto a ser transportado. Além disso, também é necessário avaliar custo, tempo médio de entrega, tempo de trânsito e sua variação, perdas e danos, conforme Vieira (2006). 74 gestao_transportes.indb 74 4/12/2008 11:19:50 Gestão de Transportes Entretanto é possível optar por uma combinação de modais, o que permite agregar as vantagens de cada modal, caracterizadas tanto pelo serviço quanto pelo custo, como também pela segurança e pelo valor agregado dos produtos transportados. Nesse sentido, existem dez combinações de serviços integrados entre os modais de transporte, segundo Ballou (1993): ferrorrodoviário; ferro-hidroviário; ferroaeroviário; ferrodutoviário; rodoaéreo; rodo-hidroviário; rododutoviário; hidrodutoviário; hidroaéreo; e aerodutoviário. Exemplificando: a soja produzida em Goiás segue, de caminhão, da lavoura para o porto de São Simão, em Goiás. De lá, segue até Pederneiras, interior de São Paulo, pela hidrovia Tietê-Paraná. Chega, então, ao porto de Santos através da FERROBAN, percorrendo 1.340 km. Nessa operação, um comboio de 2.200 toneladas de soja transportado pela hidrovia representa a ausência de 70 caminhões das estradas. Nesse caso, embora o tempo seja maior do que no modal rodoviário, o custo do frete é bem menor, de acordo com Ballou (1993). Unidade 2 gestao_transportes.indb 75 75 4/12/2008 11:19:51 Universidade do Sul de Santa Catarina No Brasil, ainda existe muitas barreiras que impedem o uso mais racional de todas as alternativas modais, multimodais e intermodais. Utiliza-se pouco a ferrovia, por exemplo, o que implica transportar cargas por mais de 2.000 km por rodovias, tornando o transporte rodoviário responsável por quase 63% das cargas movimentadas. Há expectativas em relação ao transporte no Brasil para o ano de 2015, segundo a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (apud GOMES, 2004), e, nesse sentido, a tendência é que o transporte rodoviário passe para 24,8% e o ferroviário para 65,1% do total movimentado, principalmente em relação ao transporte de commodities, ou seja, produtos de baixo valor agregado, como minério de ferro, grãos e cimento. Tanto o transporte multimodal como o transporte intermodal são operações que se realizam pela utilização de mais de um modal de transporte. Isto quer dizer: transportar uma mercadoria desde o seu ponto de origem até a entrega no destino final, por modalidades diferentes. Entretanto existe uma diferença entre o transporte multimodal e o intermodal. O transporte multimodal consiste na utilização de mais de uma modalidade de transporte, desde a origem até o destino da carga, mas é regido por um único contrato. Esse contrato é executado sob a responsabilidade de apenas um agente, denominado Operador de Transporte Multimodal (OTM). Esse operador precisa possuir os ativos necessários para a execução da movimentação. Além de representar o contrato de prestação de serviços, o CTMC é o documento fiscal do OTM, exigido pela Secretaria de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal. Com a utilização desse documento, o operador ganha racionalidade e competitividade no mercado. O Operador de Transporte Multimodal (OTM) é a pessoa jurídica contratada para a realização do Transporte Multimodal de Cargas desde a origem até o destino, por meios próprios ou por intermédio de terceiros, podendo ser, ou não, um transportador. O transporte multimodal vincula o percurso da carga a um único documento de transporte, denominado Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC). 76 gestao_transportes.indb 76 4/12/2008 11:19:51 Gestão de Transportes Este documento representa o contrato de transporte multimodal que rege toda a operação de transporte, desde o recebimento da carga até a sua entrega no destino final, prevendo os locais de recebimento e entrega da mercadoria, sob responsabilidade total do OTM. As empresas interessadas em realizar operações de transporte multimodal têm que se habilitar junto à Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). A operação pode ser nacional, quando os pontos de embarque e de destino estiverem situados no território nacional; ou internacional, quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. A atividade do OTM está prevista no Decreto 3.411, de 12 de abril de 2000, que regulamenta a Lei 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, segundo Brasil (2008a). O operador assume a responsabilidade pela execução dos contratos de transporte, pelos prejuízos resultantes dos danos ou avarias às cargas sob sua custódia, assim como por aqueles decorrentes de atraso quando houver prazo acordado. O exercício da atividade do OTM depende de prévia habilitação e registro na ANTT. Ela é concedida por um prazo de 10 anos. Caso o OTM deseje atuar em âmbito internacional, deverá também se licenciar na Secretaria da Receita Federal. A habilitação do OTM possibilita o acesso a combinações de modais mais eficientes, a melhor utilização das tecnologias de informação e manuseio de cargas, ganhos de escala em negociações do transporte e melhor utilização da infraestrutura para as atividades de apoio. Atenção, existe uma distinção entre OTM e operador logístico. Cabe, nesse momento, destacá-la. O OTM realiza contrato com o cliente por todo o serviço, emitindo o Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC). Depois disso, contrata os transportadores de cada modal, como também os serviços adicionais, tais como armazenagem e coleta. O OTM se responsabiliza pelo serviço porta a porta perante o cliente, ou seja, é responsável pelo transporte desde a origem até o destino. O operador logístico, porém, não emite o CTMC, apenas promove o contato entre o cliente e o prestador de serviço, ou seja, o foco da atuação do operador logístico não é o transporte da carga, mas o gerenciamento do abastecimento ou da distribuição dos produtos e materiais para o contratante, isto de acordo com Brasil (2008b). Unidade 2 gestao_transportes.indb 77 77 4/12/2008 11:19:51 Universidade do Sul de Santa Catarina Agora que já conhecemos os operadores e a documentação necessária para realização do transporte multimodal, vamos ver que ele compreende os serviços de coleta, unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de cargas, além do transporte em si, ainda segundo Brasil (2008b). O transporte multimodal apresenta as seguintes vantagens, de acordo com o Banco do Brasil (2008b): manipulação e movimentação mais rápida da carga; maior proteção à carga e redução de riscos, danos e avarias; redução dos custos de transporte a partir da unitização e consolidação da carga; qualidade do serviço prestado, pela utilização de operadores responsáveis e de serviços de transporte eficientes. Além do transporte multimodal, o uso de modais diferentes também pode ocorrer através do transporte intermodal. Neste caso, cada trajeto é realizado por um tipo de transporte, e os embarcadores contratam cada trecho com cada transportador separadamente. O transporte intermodal consiste na combinação de distintos modos de transporte, em que diferentes contratos são efetuados de maneira unilateral com as diferentes empresas responsáveis pelo transporte. Cada transportador emite um documento e responde, individualmente, pelo serviço que presta. O transporte intermodal caracteriza-se pela emissão individual de documento de transporte para cada modal, bem como pela divisão de responsabilidade entre os transportadores. Entretanto a responsabilidade pela mercadoria é do embarcador e, em havendo qualquer problema com a carga, ele deve recorrer ao seu seguro ou contra aquele que lhe causou dano. 78 gestao_transportes.indb 78 4/12/2008 11:19:51 Gestão de Transportes Enquanto o transporte multimodal tem previsão legal, o transporte intermodal não possui base jurídica, pois a legislação que o definiu, a Lei 6.288, de 11 de dezembro de 1975, a qual dispõe sobre a utilização, movimentação e transporte intermodal de mercadorias em contêineres, foi revogada. Com o Decreto 3.411, de 12 de abril de 2000, o conceito de Transporte Intermodal não foi substituído pelo de Transporte Multimodal, pois há diferenças conceituais entre os dois termos, de acordo com Brasil (2008b). Concluindo, o transporte intermodal envolve dois ou mais modais, com emissão de documentos independentes, em que cada transportador assume responsabilidade por seu transporte, sendo que a responsabilidade da carga é do embarcador. Já o transporte multimodal envolve dois ou mais modais, com a emissão de apenas um documento por conta de um OTM que assume, frente ao embarcador, total responsabilidade pela operação desde a origem até o destino. Seção 3 – Unitização de cargas Transportar uma carga é o ato de transferi-la, utilizando algum meio de transporte, de um local para outro. Pode ser uma atividade realizada dentro do território de um país, ou entre dois ou mais países. A logística de distribuição de mercadorias envolve uma correta relação da embalagem com o modal a ser utilizado, e os custos logísticos são afetados na realização de operações manuais, nas quais a carga é manuseada volume a volume. Por isso, o grau de exposição a danos físicos, o meio onde será armazenado, a frequência de manuseio, as características de resistência e o tamanho e a configuração dos envoltórios precisam ser considerados na logística de distribuição. Esses aspectos definem os equipamentos necessários para a movimentação, empilhamento e estabilidade das mercadorias no armazenamento, de acordo com Keedi (2006). Unidade 2 gestao_transportes.indb 79 79 4/12/2008 11:19:51 Universidade do Sul de Santa Catarina Durante muitos anos, o modo principal de embarque, transporte e desembarque de carga consistiu na movimentação da carga fracionada. Entretanto, nos últimos anos, tem-se utilizado a unitização -- que é o agrupamento de cargas em grupos de mercadorias, com peso, tamanho e formato distintos --, em cargas de volumes unitários. Dessa forma, a unitização permite a movimentação de produtos e materiais em unidades de transporte, facilitando a movimentação e a armazenagem, como também possibilita racionalizar o espaço útil, proporcionando maior agilidade e segurança em processos de embarque e desembarque. As cargas unitárias devem ter o maior tamanho possível, desde que este tamanho seja compatível com os equipamentos de movimentação. Essas cargas podem ser divididas em carga geral ou em granel. As cargas gerais podem ser embaladas em caixa de papelão, como carnes congeladas, ou não-embaladas, como automóveis; já as cargas em granel são soltas, como grãos. Essas cargas podem ser embarcadas de forma individual ou de forma conjunta. O embarque na forma individual consiste em transportar a carga a granel como está produzida, utilizando qualquer modal de transporte, como é o caso de produtos agrícolas in natura. Geralmente, este tipo de embarque é uma operação mais demorada. O embarque na forma conjunta é denominado unitização de carga e costuma ser mais rápido. Nesta forma, diversas mercadorias são colocadas dentro de uma mesma unidade de transporte, que pode ser qualquer equipamento adequado a esta operação. As principais vantagens da unitização são as seguintes, de acordo com Bertaglia (2003) e Taboada (1999): diminuição das avarias e roubos de mercadorias; incentivo da aplicação do sistema porta a porta; 80 gestao_transportes.indb 80 4/12/2008 11:19:51 Gestão de Transportes melhor aproveitamento dos equipamentos de movimentação; melhoria no tempo de operação de embarque e desembarque; menores custos de manutenção e melhor controle do inventário; minimização do custo hora/homem; padronização internacional dos recipientes de unitização; rapidez na estocagem e racionalização do espaço de armazenagem, com melhor aproveitamento vertical e uniformização da área de estocagem; redução de acidentes pessoais e dos danos aos produtos; redução do número de volumes a manipular, dos custos de embalagens e de embarque e desembarque; redução do tempo de rotulagem. As formas mais comuns de unitização são os pallets e os contêineres. De acordo com Keedi (2006): os pallets são unidades semelhantes a um estrado plano, construídas em madeira, alumínio, aço ou outro material resistente, de modo a permitir a movimentação por meio de empilhadeiras, bem como um perfeito empilhamento nos veículos e nos locais de armazenagem; o contêiner é um recipiente, construído em aço, alumínio ou fibra, criado para o transporte unitizado de mercadorias e suficientemente forte para resistir ao uso repetitivo. A paletização consiste de uma plataforma, geralmente de madeira, podendo ser também de metal, plástico, fibra ou outro material, disposta horizontalmente, na qual a carga pode ser empilhada e estabilizada. Na maioria dos casos, é projetado para ser movimentada mecanicamente, através de guindastes, empilhadeiras ou veículos de garfo. Unidade 2 gestao_transportes.indb 81 81 4/12/2008 11:19:51 Universidade do Sul de Santa Catarina Os pallets variam em função de suas características e formas de manuseio. Nos últimos anos, estão surgindo materiais alternativos à madeira, a fim de atender a pressões ecológicas de certos países e minimizar o impacto ecológico que a sua fabricação determina no meio ambiente, de acordo com Keedi (2006) e Taboada (1999). As figuras de 2.15 a 2.19 mostram tipos de pallets. Figura 2.15 - Pallet 2 entradas, face única. Fonte: Taboada, 1999. Figura 2.16 - Pallet 2 entradas, dupla face reversível. Fonte: Taboada, 1999. Figura 2.17 - Pallet 2 entradas, com reforço inferior. Fonte: Taboada, 1999. Figura 2.18 - Pallet 4 entradas, dupla face não-reversível. Fonte: Taboada, 1999. Figura 2.19 - Pallet 4 entradas, dupla face reversível. Fonte: Taboada, 1999. O contêiner possui identificações com informações pertinentes à carga estocada e ao proprietário, dentre outras. As características de resistência e identificação visam dar ao contêiner vantagens sobre os demais equipamentos para unitização, tais como segurança, inviolabilidade, rapidez e redução de custos nos transportes. 82 gestao_transportes.indb 82 4/12/2008 11:19:52 Gestão de Transportes O contêiner consiste em uma caixa de aço com as dimensões externas padrão: 6,05m (comprimento) x 2,44m (largura) x 2,59m (altura), segundo Taboada (1999). A figura 2.20 mostra um modelo de contêiner. Figura 2.20 - Contêiner tamanho padrão. Fonte: Taboada, 1999. Existem variações deste padrão de contêiner, como o contêiner de 40”, refrigerado, usado para o transporte de alimentos perecíveis. Por exemplo: a figura 2.21, retirada de Taboada (1999). Figura 2.21 - Contêiner de 40”refrigerado. Fonte: Taboada, 1999. Unidade 2 gestao_transportes.indb 83 83 4/12/2008 11:19:52 Universidade do Sul de Santa Catarina O contêiner é a forma de unitização mais utilizada no transporte marítimo, sendo bastante utilizada também no transporte aéreo ou ferroviário, quando as cargas são grandes ou numerosas. O contêiner consiste de uma caixa de aço com as dimensões externas padrão. Podemos considerar qualquer tipo de caixa um elemento de unitização de cargas, desde que cumpram a função de agrupar componentes, tais como, caixas e engradados, confeccionados em qualquer dimensão, sob encomenda do cliente, tanto em madeira ou chapas de compensado, acondicionando qualquer tipo de mercadoria, sacos para grãos e cargas pré-lingadas, que são produtos amarrados por cintas para serem içados. A unitização provou ser uma ferramenta eficiente na diminuição do tempo de carga e descarga de materiais, além de oferecer maior segurança aos produtos e permitir um controle muito mais eficiente dos estoques. Existem diversas formas de unitização, e cada empresa deve buscar aquela que melhor se adapte às suas necessidades. Seção 4 – Terminais de transportes A expressão terminal corresponde, no plano etimológico, a uma estrutura que permite especificamente o término de uma sequência ou o início de outra. Em termos de transportes, o terminal corresponde à origem ou ao destino do tráfego, ou o ponto onde a carga precisa de serviços como consolidação e desconsolidação para a distribuição da carga. Os terminais possibilitam que o transporte seja originado, terminado e/ou intercambiado antes, durante ou depois do deslocamento, incluindo os serviços e os veículos e equipamentos utilizados no transporte, segundo Hay (apud DEMARIA, 2004). 84 gestao_transportes.indb 84 4/12/2008 11:19:52 Gestão de Transportes Os terminais exercem influência na adequação dos transportes. De sua localização, de seu dimensionamento e de seus componentes físicos e organizacionais dependerão a eficiência e a rentabilidade dos sistemas em nível nacional, além da competitividade da nação perante o mercado internacional, segundo Thiriet-Longs (apud DEMARIA, 2004). De acordo com os objetivos, os terminais podem ser classificados em três categorias de instalações. Estas correspondem a determinadas funções operacionais que podem influenciar diretamente os acessos modais. Conforme Thiriet-Longs (apud DEMARIA, 2004), os tipos de terminal são: terminais destinados ao transbordo interface, ou seja, transferência da unidade de carga de uma modalidade para outra; terminais de consolidação e desconsolidação ou estocagem transitória, cujas funções consistem em operações transitórias de estocagem, de armazenagem ou carga sólida a granel; terminais de preparo ou prolongamento dos fluxos intermodais ou otimização de modais, tendo como objetivo o descongestionamento dos tráfegos urbanos e o agrupamento de lotes de cargas locais por transportadoras, usuários ou indústrias locais. Os terminais de transporte são, portanto, instalações relacionadas à rede de transporte, e têm por finalidade permitir o embarque e o desembarque de cargas e passageiros. As características de cada terminal dependem do modal de transporte. Dessa forma, existem terminais rodoviários, terminais de aeroporto, estações ferroviárias e de metrô, portos, centros de distribuição de cargas e terminais intermodais e multimodais. Os terminais rodoviários são estruturas de ônibus urbanos ou interurbanos que permitem o embarque e desembarque de passageiros e cargas. O maior terminal rodoviário do Brasil é o Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo. Unidade 2 gestao_transportes.indb 85 85 4/12/2008 11:19:52 Universidade do Sul de Santa Catarina Os terminais de aeroporto são estruturas aeroportuárias nas quais passageiros e cargas podem embarcar e desembarcar dos aviões. Nesse sentido, o aeroporto é uma área com a infraestrutura e os serviços necessários para o atendimento de aterragens e descolagens dos aviões. Os aeroportos precisam possibilitar fácil acesso às estradas, para o transporte de passageiros e carga do aeroporto para outras cidades. Alguns aeroportos possuem acesso a ferrovias, principalmente para cargas; e a metrôs, para passageiros. Além disso, aeroportos movimentados possuem equipamentos e pessoal para emergência, tais como bombeiros, prontos-socorros e hospitais, em alguns casos, para a eventualidade de um acidente. Os aeroportos podem ocupar grandes espaços, chegando, por vezes, a ocupar mais de 120 km². Podem também absorver 20 mil pessoas para a mão-de-obra, movimentar centenas de aeronaves e manejar centenas de toneladas de carga aérea e milhares de passageiros num único dia de operação. Em aeroportos, as torres de controle organizam o movimento de aeronaves no solo e no espaço aéreo, quando elas se aproximam, e autorizam operações de aterragem e descolagem. Situam-se de modo a permitir ampla visão do aeroporto, bem como ampla visão das aeronaves que se aproximam do aeroporto numa operação de pouso. Numa emergência, ordenam que equipes de emergência do aeroporto estejam prontas para a situação. Geralmente, os aeroportos de pequena dimensão não possuem torre de controle ou controle de tráfego aéreo. Os aeroportos podem oferecer serviços de atendimento a passageiros que usam o avião como meio de transporte, de cargas e de correio aéreo. Entretanto muitos atendem, principalmente, ou passageiros ou carga e correio, em função da localização do aeroporto, tamanho e qualidade da pista de pouso e decolagem, qualidade dos terminais de passageiros e cargas, taxa cobrada pela companhia aeroportuária para pousos e estacionamento de aeronaves no aeroporto. O tamanho de um aeroporto e a variedade de serviços por ele oferecidos dependem primariamente da quantidade de voos atendidos pelo aeroporto e o movimento de tráfego aéreo, 86 gestao_transportes.indb 86 4/12/2008 11:19:52 Gestão de Transportes que inclui o movimento de passageiros, carga e correio aéreo. Os aeroportos que movimentam uma grande quantidade de passageiros, com um alto movimento de aeronaves, tendem a ocupar uma maior superfície. O aeroporto marítimo é uma instalação especialmente adaptada à operação de hidroaviões. Tal como um aeroporto convencional, pode dispor de estação de passageiros, instalações de manutenção de aeronaves e torre de controle. A grande diferença em relação a um aeroporto terrestre é a substituição da pista de aterragem asfaltada por uma zona de pouso na água. Além dos aeroportos para uso civil, existem os aeroportos de uso militar, adaptados para a movimentação de aeronaves militares e providos de instalações adequadas para as armas utilizadas e para os pilotos e funcionários da base aérea. Já as estações ferroviárias e de metrô são estruturas as quais permitem que passageiros e cargas embarquem e desembarquem do trem ou do metrô. As estações ferroviárias mais antigas costumavam ser construídas para passageiros e cargas. Entretanto, atualmente, e, em muitos casos, os terminais de carga são restritos às estações maiores. As estações são localizadas tanto no final de um trilho, quanto adjacentes a este; aqui, geralmente são utilizadas passarelas suspensas as quais possibilitam acesso fácil e seguro aos trens. As plataformas de trens podem estar conectadas por caminhos subterrâneos, pontes ou elevadores. Estruturas direcionadas aos passageiros, como abrigos, bilheterias e bancos, podem ser encontradas nas plataformas ou na parte de circulação pública da estação. Durante uma viagem, as paradas são anunciadas por meio de avisos, de modo a diferenciar uma interrupção na qual passageiros podem embarcar ou desembarcar do trem e uma interrupção devido a qualquer outro motivo, como uma troca de locomotiva. Além de servir de embarque e desembarque de cargas e passageiros, as estações ferroviárias também possuem oficinas de manutenção e estrutura para armazenamento, reabastecimento e reparos de locomotivas. Existem também estações que compartilham o mesmo espaço físico com outros tipos de transporte nas estações de integração. Unidade 2 gestao_transportes.indb 87 87 4/12/2008 11:19:52 Universidade do Sul de Santa Catarina Um porto que está localizado à beira de um oceano ou de um mar é chamado de porto marítimo. Um pequeno porto destinado principalmente à recreação é mais habitualmente chamado de marina. Os portos consistem em áreas, abrigadas das ondas e correntes marítimas, localizadas à beira de um oceano, um mar, um lago ou um rio, destinadas ao atracamento de barcos e navios. Contam com o pessoal e serviços necessários ao embarque, desembarque e armazenamento de carga, como também, instalações para o movimento de pessoas e cargas. Os portos de carga movimentados devem ter acesso à rede ferroviária de modo a possibilitar o escoamento de diversos produtos a outras regiões do país e do mundo. Os portos no Brasil apresentam desvantagens em relação aos portos internacionais e precisam ser modernizados, em virtude da falta de tecnologia avançada, da mão-de-obra desqualificada e dos problemas estruturais que aumentam custos e causam atrasos no embarque e desembarque de cargas e passageiros, segundo Bertaglia (2003). O desenvolvimento de estruturas de terminais de transportes intermodais e multimodais, segundo a Associação Brasileira de Transportadores Intermodais (apud DEMARIA, 2004), requer que sejam determinados os seguintes critérios técnicooperacionais na programação nacional de implantação dos terminais: localização dos terminais; tipos de terminais a serem adotados em função da localização; compatibilização da capacidade operacional entre os terminais; criação de serviços alfandegários e de fiscalização adaptados às necessidades dinâmicas dos terminais. Os terminais intermodais e multimodais são estruturas destinadas ao transporte intermodal ou multimodal, que têm por finalidade a integração dos serviços de mais de um modal de transporte e por característica a livre troca de equipamentos entre os diversos modais. 88 gestao_transportes.indb 88 4/12/2008 11:19:53 Gestão de Transportes Os centros de distribuição (CD) consistem em unidades construídas por empresas que pretendem armazenar produtos e despachá-los para outras unidades, filiais ou clientes, conforme a figura 2.22. Figura 2.22 - Centro de distribuição. Fonte: Elaborado pela autora, 2008. A estrutura do CD varia conforme o tipo de produtos, sendo que, geralmente, possui capacidade para suportar as seguintes situações, segundo Farah Junior (2002, p. 45): aumento das operações de recepção e distribuição; operações 24 horas por dia, visando rapidez no recebimento e expedição; aumento das atividades de controle de qualidade/ validade, principalmente de produtos com pequeno prazo de validade e de elevado grau de perecibilidade; aumento do imobilizado com estoques mínimos necessários; manutenção de área e de espaço para armazenar famílias de produtos semelhantes mas não iguais (alimentos, bebidas, ferragens, etc.); manutenção de fortes investimentos em automação, treinamento de pessoal, sistemas de informações e de controle. Unidade 2 gestao_transportes.indb 89 89 4/12/2008 11:19:53 Universidade do Sul de Santa Catarina Concluindo, de acordo com Farah Junior, 2002, os CD apresentam as seguintes vantagens: possibilitam uma ligação mais efetiva entre comprador e vendedor; melhoram a qualidade dos serviços, tais como, entrega no prazo; respeitam o cumprimento do tempo de entrega; garantem a qualidade do produto entregue e o suporte no serviço de pós-venda; permitem a redução de custos entre as empresas parceiras na distribuição do produto e possibilitam atendimento adequado aos pequenos pontos de vendas, como quiosques, cafeterias e restaurantes, com alta taxa de entrada e saída de produtos e curto prazo de validade ou período de comercialização. Agora que você já conhece como está estruturado o sistema de transportes, na próxima unidade, você vai estudar os aspectos que fundamentam a administração estratégica dos transportes. 90 gestao_transportes.indb 90 4/12/2008 11:19:53 Gestão de Transportes Síntese Nesta unidade, você fez estudos sobre o sistema de transportes. Viu que os transportes são classificados em modal, multimodal e intermodal. Você viu que o transporte modal envolve apenas uma modalidade, ou seja, um meio de transporte. Já o transporte multimodal é a utilização de mais de uma modalidade de transporte, desde a origem até o destino da carga, regida por um único contrato de transporte. Você ainda aprendeu que o transporte intermodal combina diversos modais de transporte e diferentes contratos efetuados de modo unilateral com as empresas responsáveis pelo transporte. Você percebeu também que os modais de transporte podem ser classificados conforme a modalidade, podendo ser hidroviário, aéreo, rodoviário, ferroviário e dutoviário. Portanto você agora sabe que os terminais de transporte são instalações relacionadas à rede de transporte, que têm por finalidade permitir o embarque e desembarque de cargas e passageiros. As características de cada terminal dependem do modal de transporte. Dessa forma, existem terminais rodoviários, terminais de aeroporto, estações ferroviárias e de metrô, portos, centros de distribuição de cargas e terminais intermodais e multimodais. Você ainda viu o conceito de unitização de cargas, que consiste em agrupar peças ou conjuntos pequenos e/ou individuais em uma unidade maior, o que facilita a movimentação e a armazenagem. Aprendeu também, ao fim da unidade, que os terminais de transporte são instalações relacionadas à rede de transporte, que têm por finalidade permitir o embarque e desembarque de cargas e passageiros. Você também viu que existem terminais rodoviários, terminais de aeroporto, estações ferroviárias e de metrô, portos, centros de distribuição de cargas e terminais intermodais e multimodais. Unidade 2 gestao_transportes.indb 91 91 4/12/2008 11:19:53 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, realize as atividades propostas. O gabarito está disponível no fim do livro didático. Mas esforce-se para resolver as atividades sem a ajuda do gabarito, pois, assim, você estará estimulando sua aprendizagem. 1) No Brasil, o modal de transporte mais utilizado é o modal rodoviário. Recomende e justifique soluções para balancear o uso dos diferentes modais de transporte no Brasil. 92 gestao_transportes.indb 92 4/12/2008 11:19:53 Gestão de Transportes 2) Aponte as vantagens e as desvantagens da unitização de cargas, considerando as formas de pallets e contêineres. Justifique sua resposta com exemplos. Unidade 2 gestao_transportes.indb 93 93 4/12/2008 11:19:53 Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá consultar o material a seguir: CAIXETA FILHO, J.C; MARTINS, Ricardo Silveira. Sistema de gerenciamento de transportes: modelagem matemática. São Paulo: Atlas, 2001. LUDOVICO, Nelson. Logística internacional: enfocando o comércio exterior. São Paulo: Editora STS, 2004. 94 gestao_transportes.indb 94 4/12/2008 11:19:53 UNIDADE 3 Administração estratégica de transportes 3 Objetivos de aprendizagem Conhecer os principais fatores que caracterizam a administração estratégica de transportes. Distinguir transporte próprio e transporte de terceiros. Compreender os problemas de roteirização e de programação de transportes.. Conhecer métodos corretos e incorretos de roteirização.. Compreender os principais fatores relacionados à negociação de fretes, contratos e parcerias de transportes. Seções de estudo Seção 1 Transporte próprio e transporte de terceiros Seção 2 Roteirização e programação de transportes Seção 3 Métodos corretos e incorretos de roteirização Seção 4 Negociação de fretes, contratos e parcerias gestao_transportes.indb 95 4/12/2008 11:19:53 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade, você vai aprender que a administração estratégica dos transportes envolve tanto o transporte próprio, quanto a contratação de transportes de terceiros. No transporte próprio, as questões que devem ser gerenciadas estão relacionadas principalmente ao despacho, à roteirização e à programação de veículos, enquanto que no transporte de terceiros destacam-se a negociação de fretes, os contratos de transportes e as parcerias com empresas deliver. Você vai ver que a opção entre o transporte próprio ou o transporte de terceiros depende de um conjunto de fatores que devem ser avaliados antes da tomada de decisão pela empresa. Entretanto, em muitas situações, é preciso administrar uma mistura de transporte próprio e de terceiros. Seção 1 – Transporte próprio e transporte de terceiros As empresas podem movimentar pessoas, produtos e materiais através do transporte próprio ou através do transporte terceirizado. Mas nem todos os modais se prestam ao controle de terceiros. Por isso, algumas empresas são obrigadas a depender do transporte próprio, em função de critérios especiais que não podem ser satisfeitos por transportadores. De acordo com Ballou (1993), esses critérios englobam: entrega rápida com alta confiabilidade; equipamento especial indisponível; manuseio de carga especial; serviço que precisa ser disponibilizado conforme necessidade. 96 gestao_transportes.indb 96 4/12/2008 11:19:53 Gestão da Transportes Transporte próprio Muitas empresas possuem frota de veículos própria. Neste caso, é preciso considerar vários fatores, além dos custos totais. Essas empresas precisam seguir importantes práticas de negócios para se manterem competitivas no mercado. Um dos principais motivos que levam uma empresa a possuir ou alugar uma frota de veículos, segundo Courá (2002), é a possibilidade de obtenção de menores custos e de melhor desempenho na entrega, diferente do que seria possível através de uso de transportes de terceiros. O transporte próprio tem por objetivo principal programar o uso eficiente do equipamento e garantir o nível de serviços desejado. As empresas que prestam serviços de transporte precisam conhecer e controlar seus ativos, de modo a reduzir custos e viabilizar contratos com empresas que demandam tal serviço. As empresas não-logísticas, que preferem manter veículos internos para efetuar suas movimentações, necessitam reduzir seus custos logísticos, uma vez que eles influenciam diretamente o preço final dos produtos. Geralmente, as empresas que preferem o transporte próprio esperam ganhar melhor desempenho operacional, maior disponibilidade e maior capacidade de transporte e ter menores custos. Entretanto parte da flexibilidade financeira pode ser prejudicada, pois a empresa necessita investir numa capacidade de transporte ou comprometer-se em contratos de longo prazo, de acordo com Ballou (1993). Ter uma grande frota não significa que a operação esteja sendo realizada da maneira mais eficiente: pode ser que a empresa esteja incorrendo em custos excessivos e desnecessários ou apresentando baixa qualidade de serviço. Conforme Bertaglia (2003), a gestão de frotas é um componente importante no processo de administração dos transportes, uma vez que a movimentação de carga tem importante peso na formação dos custos logísticos e na qualidade do serviço, já que Unidade 3 gestao_transportes.indb 97 97 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina é atividade final da cadeia de abastecimento. Em seu ponto de vista, a eficiência e o desempenho da frota podem ser avaliados a partir dos seguintes fatores: definição de programação e roteiro, que inclui tempo de entrega, quantidade a ser entregue, número de clientes, diferentes produtos e embalagens, diferentes pesos, restrições de entrega, restrições físicas no roteiro para determinados veículos, necessidade de equipamentos especiais e diferentes formas de recebimento; utilização de leitores de código de barras, que permite a eliminação de erros de entrega e agiliza o processo de descarga e de tecnologias, como telefones celulares, rádios e comunicações via satélite, os quais facilitam as operações por meio da troca de informações; implantação de políticas de incentivo à eficiência e à produtividade e melhor uso dos ativos. Transporte de terceiros O transporte de terceiros é aquele prestado por transportadoras regulares, que deve ser avaliado com base no balanço entre o custo e o desempenho. As empresas que oferecem transporte podem oferecer serviços de rotas regulares ou compartilhadas, como também viagens exclusivas. Entretanto a variação e a diversificação na demanda têm sofrido grandes modificações, obrigando as empresas a fornecerem uma variedade maior de produtos. Os clientes e consumidores estão exigindo maior frequência de entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de produtos. Para satisfazer essa demanda, as empresas precisam ser mais velozes e apresentar um alto grau de qualidade nos seus produtos, evitando, assim, devoluções. Além de qualidade e velocidade de serviços, os clientes e consumidores também querem preços competitivos. 98 gestao_transportes.indb 98 4/12/2008 11:19:54 Gestão da Transportes Por conta da alta exigência de clientes e consumidores, as empresas que terceirizam o transporte esperam que as transportadoras sejam vistas como uma extensão de si próprias. A relação transportadora e empresa-contratante passa a ter um vínculo mais sólido, deixando de ser apenas um processo de cotação de fretes, para representar uma aliança na qual as partes estabelecem responsabilidades para alcançar um relacionamento duradouro de prestação de serviços. A administração da função de transporte contratado de terceiros é diferente da movimentação realizada por frota própria. Para serviços contratados, a negociação de fretes, a documentação, a auditoria e a consolidação de fretes são questões importantes. Para transporte próprio, o despacho, o balanceamento de carga e a roteirização são outros assuntos que devem ser gerenciados. Muitas vezes, é preciso administrar uma mistura de transporte próprio e de terceiros. Para decidir sobre a melhor estratégia de transportes, a empresa deve levar em consideração os seguintes aspectos, segundo Bertaglia (2003): administrar os gastos operacionais de mão-de-obra e os custos dos materiais utilizados na manutenção da frota; avaliar a eficiência e o desempenho da frota, procurando determinar a frota ideal dentro do contexto da empresa; avaliar a qualidade da mão-de-obra empregada, buscando profissionais comprometidos com a qualidade de serviço; controlar os gastos de manutenção e as movimentações de cargas, comparando peso e valor; identificar potencial redução de custos e eventuais oportunidades de melhoria na prestação de serviços, como também os custos invisíveis; Unidade 3 gestao_transportes.indb 99 99 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina manter em estoque apenas as peças de reposição, cujo consumo seja muito grande, sendo que aquelas que apresentam alto valor não devem ser estocadas; monitorar rigorosamente o consumo de combustível e medir a produtividade da frota e de cada veículo; planejar as atividades essenciais ao gerenciamento da frota, tais como serviços de transporte e de manutenção preventiva, trocas de óleo dos veículos, renovação de seguros e de contratos com fornecedores de peças e de prestação de serviços e documentação dos veículos. Concluindo, a observância destes aspectos contribui para um melhor desempenho de transportes na empresa. Seção 2 – Roteirização e programação de transportes O transporte constitui a maioria dos custos logísticos totais de uma empresa. Por isso, maximizar a utilização dos veículos e do pessoal do setor é uma das preocupações dos gestores de transportes. Nesse sentido, reduzir os custos do transporte, melhorar os serviços ao cliente, encontrar as melhores rotas para os veículos, minimizar tempo e distância são decisões estratégicas. Quando uma empresa possui frota própria, geralmente encontra o problema de despachar um veículo a partir de uma base central para uma séria de paradas intermediárias, devendo o veículo retornar, então, à base central. Por isso, a definição do melhor roteiro para os veículos constitui um problema para as empresas. Para Bodin (apud CUNHA, 2008), os problemas de roteirização podem ser do tipo roteirização pura ou roteirização e programação de veículos. A roteirização pura consiste na definição de roteiros de coletas ou entregas, envolvendo, especificamente, aspectos espaciais e geográficos. A roteirização e programação de veículos envolve também aspectos temporais, ou seja, horário para atendimento limitado. 100 gestao_transportes.indb 100 4/12/2008 11:19:54 Gestão da Transportes Roteirização pura O termo roteirização ou roteamento de veículos consiste no processo para a definição de um ou mais roteiros de paradas a serem cumpridos por veículos de uma frota, com o objetivo de visitar determinados pontos dispersos geograficamente, em locais pré-estabelecidos, que necessitam de atendimento, de acordo com Cunha (2008). Numa visão mais restrita, podemos definir a roteirização como o processo de definição de roteiros, sequências ou itinerários, ou seja, trata-se de determinar o melhor caminho matematicamente exato. No sentido mais amplo, a roteirização pode ser entendida como uma otimização da programação operacional de um ou mais veículos. O objetivo da otimização compreende a minimização da distância percorrida, do tempo despendido ou do custo de operação, considerando restrições, como horários de atendimento, impostas pelos clientes, ou restrições de circulação e estacionamento de veículos e também disponibilidade de frota por tipo e capacidade dos veículos, duração máxima da jornada de trabalho de motoristas e questões de segurança ou conforto. O problema de roteirização de veículos consiste em definir roteiros que diminuam o custo total de atendimento, cada um dos quais iniciando e terminando na base dos veículos, garantindo que cada ponto seja visitado uma vez e que a demanda em qualquer rota não exceda a capacidade do veículo que a atende. O uso mais comum da roteirização, entretanto, refere-se ao caso dos serviços de transporte de cargas, que envolvem atividades de coleta e entrega, tais como, de acordo com Cunha (2008): entrega domiciliar de mercadorias; distribuição de produtos ao varejo; entrega diária de jornais; transporte de valores; Unidade 3 gestao_transportes.indb 101 101 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina coleta e entrega de correspondências; serviços de coleta e entrega de encomendas em meio urbano, feitos por empresas de transporte e despacho de carga parcelada, a longa distância; coleta de lixo domiciliar, hospitalar e industrial. Os vários problemas diferem entre si em aspectos relacionados ao tipo de operação, ao tipo de carga, ao tipo de frota utilizada, à localização dos clientes, ao tipo de restrições, ao tipo de função objetivo e às variáveis de decisão e recursos característicos do problema. O problema básico de roteirização é encontrar a solução para os veículos localizados em um depósito central, que devem ser programados para visitar clientes geograficamente dispersos, de modo a atender suas demandas conhecidas, sendo que as restrições mais usuais estão relacionadas às capacidades dos veículos. Além disso, há grande número e variedade de restrições adicionais e grandes extensões, que são frequentemente encontradas em situações reais, de acordo com Cunha (20008). Os problemas de roteirização de veículos são muitas vezes definidos como problemas de múltiplos caixeiros viajantes com restrições adicionais de capacidade, além de outras limitações que dependem de cada aplicação. Os problemas de roteirização de veículos pertencem à categoria conhecida como NP-difícil (do inglês “NP-hard”), ou seja, não é possível resolver, pois o esforço para a sua resolução cresce exponencialmente com o tamanho do problema, de acordo com Cunha (2008). Entretanto existem motivos que levam as empresas a buscarem modelos de roteirização para os problemas reais do dia-a-dia, como cita Cunha (2008). Dentre eles, podemos destacar: as exigências dos clientes com relação a prazos, datas e horários de entregas; 102 gestao_transportes.indb 102 4/12/2008 11:19:54 Gestão da Transportes os problemas de trânsito, acesso, circulação e estacionamento de veículos e caminhões nos centro urbanos; o custo de capital, que implica redução de estoques e aumento da periodicidade de entregas. A roteirização de veículos envolve um conjunto muito grande de diferentes tipos de problemas. Ronen (apud CUNHA, 2008) apresenta os seguintes problemas de roteirização e programação de veículos, classificados a partir de ambientes operacionais e objetivos: problemas relativos ao transporte de passageiros, que incluem a programação de linhas de ônibus; sistemas de táxi; sistemas de transporte de pessoas, em geral idosos e deficientes, e transporte de escolares por ônibus; problemas de prestação de serviços que englobam roteirização e programação de equipes de reparos ou de serviços públicos, tais como coleta de lixo, entrega postal, varrição de ruas e leitura de parquímetros; problemas relativos ao transporte de carga, que compreende coleta e distribuição. Além destes problemas, Cunha (2008) cita os problemas integrados de localização e roteirização; os problemas integrados de estoque e roteirização, nos quais a programação dos atendimentos deve considerar os aspectos espaciais, os custos dos roteiros e o nível de estoque; e os problemas de faturamento e roteirização, nos quais é preciso determinar quem vai ser atendido a cada dia de um período de tempo pré-definido. Assim sendo, o principal problema é encontrar a rota ideal ao longo de uma rede de rodovias, ferrovias, hidrovias ou rotas aéreas em que o ponto de origem é diferente do ponto de destino. Unidade 3 gestao_transportes.indb 103 103 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina Programação de veículos Os problemas de roteirização e programação de transportes ocorrem em situações em que estão presentes restrições de janelas de tempo ou horário de atendimento e de precedência entre tarefas, ou seja, a coleta deve preceder a entrega, e ambas devem estar alocadas ao mesmo veículo. A programação de transportes inclui a determinação do número de veículos envolvidos, suas capacidades, os pontos de parada para coleta ou entrega em cada roteiro de um dado veículo e a sequência das paradas para coleta ou entrega. Os diferentes problemas de programação de transportes podem ser classificados em três grupos, de acordo com Ballou (1993): transporte de passageiros; prestação de serviços e coleta; e entrega de cargas. No transporte de passageiros, podemos destacar o transporte escolar e de pessoas com necessidades especiais; os serviços de fretamento de ônibus para transporte de funcionários de empresas; e, os sistemas de táxi. No caso de prestação de serviços, podemos incluir visitas de técnicos de assistência técnica; manutenções prediais ou industriais; e, visitas de vendedores ou representantes. Além disso, segundo Ballou (1993), o despacho de caminhões para apanhar ou entregar mercadorias poderia ser considerado um problema semelhante ao da roteirização de veículos. A principal diferença em relação à roteirização é que os volumes de carga e as paradas são conhecidos antes de se determinar a programação. A demanda por transporte pode acontecer enquanto os veículos percorrem suas rotas, como ocorre, por exemplo, com táxis, veículos dos correios e viaturas policiais. O ideal é direcionar os veículos à medida que a demanda ocorre, de forma a utilizá-los eficientemente. Uma maneira de fazê-lo é dirigir os veículos à parada mais próxima, adequada às suas 104 gestao_transportes.indb 104 4/12/2008 11:19:54 Gestão da Transportes capacidades. Em alguns casos, pode ser mais interessante a minimização da quantidade de caminhões necessários para uma dada programação do que a definição de roteiros. Isto exige uma sequência de roteiros, de maneira a minimizar o tempo ocioso no programa e, portanto, a quantidade necessária de caminhões. As grandes quantidades de serviços a serem programados normalmente geram problemas de difícil solução. Os métodos de solução de todos os softwares e aplicativos comerciais encontrados no mercado para roteirização de veículos não asseguram a obtenção da solução ótima do ponto de vista matemático, ou seja, a solução para um determinado tipo de problema e dados pode não ser adequada para outro problema similar, o que exige soluções customizadas para cada problema, conforme Hall e Partyka (apud CUNHA, 2008). Ballou (2006) apresenta oito princípios que devem ser utilizados como diretrizes para o desenvolvimento de boas rotas e boa programação de veículos, dentre os quais podemos destacar: organizar roteiros de caminhões com volumes destinados a paradas próximas umas das outras, o que minimiza o tráfego entre elas e o tempo total em trânsito; combinar paradas em dias diferentes, visando formar agrupamentos concentrados, sendo que a programação dos segmentos diários deve evitar a superposição dos agrupamentos de paradas, o que minimiza o tempo de viagem e a distância percorrida, além de diminuir o número de caminhões necessários; iniciar os roteiros a partir da parada mais distante do depósito, selecionando paradas ao longo desse percurso que completam a capacidade do caminhão, selecionando a seguir outra parada mais distante e disponibilizando outro caminhão e paradas da mesma forma, até que todas as cargas tenham veículos e rotas; utilizar os maiores veículos disponíveis na elaboração das rotas, o que permite abastecer todas as paradas de um roteiro, minimizando a distância e o tempo total percorrido; Unidade 3 gestao_transportes.indb 105 105 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina fazer coletas ao longo do andamento das entregas, para minimizar o número de superposições de roteiros, o que, entretanto, depende do tipo de veículo e de mercadoria; evitar as pequenas janelas de tempo de paradas, o que pode forçar uma sequência de paradas fora do padrão ideal. Esses princípios permitem condições de encontrar soluções satisfatórias para problemas de roteirização e programação de veículos. Seção 3 – Métodos corretos e incorretos de roteirização O tempo que se gasta com os produtos em trânsito influencia o número de embarques que podem ser feitos com um veículo em determinado período, como também os custos totais do transporte. Assim, o problema da roteirização e da programação de veículos consiste em estabelecer trajetos capazes de diminuir tempo e distância, visando melhorar o serviço ao cliente. Dessa forma, o grande desafio do serviço de roteirização é possibilitar um elevado nível de serviço ou produto aos clientes, mantendo os custos operacionais e de capital o mais baixo possível, respeitando algumas restrições, dentre as quais, é possível destacar, segundo Gomes (2004, p. 103): completar a rota com os recursos disponíveis, assumindo o que foi estabelecido com o cliente; obedecer aos limites estipulados em relação à jornada de trabalho dos motoristas e ajudantes; obedecer às restrições de velocidade máxima e tamanho de veículo em vias públicas, horário de carga/descarga. 106 gestao_transportes.indb 106 4/12/2008 11:19:54 Gestão da Transportes Embora sejam muitas as variações dos problemas de roteirização, é possível reduzi-los a alguns modelos básicos, segundo Ballou (2006). São eles: encontrar uma rota ao longo de uma rede em que o ponto de origem seja diferente do ponto de destino; encontrar uma rota ao longo de uma rede em que se apresentam múltiplos pontos de origem e de destino; encontrar uma rota ao longo de uma rede em que os pontos de origem e destino são os mesmos. Em cada caso, são definidos bons e maus roteiros. Os bons roteiros são aqueles que reduzem tempo e distância, aproveitando melhor os veículos. Neste mesmo sentido, podemos ver, nas figuras 3.1, 3.2 e 3.3, alguns exemplos de bons e maus roteiros, de acordo com Ballou (2006, p. 197 e 200). Figura 3.1 - Exemplos de maus e bons roteiros. Fonte: BALLOU (2006, p. 197). Como se pode observar, a figura 3.1 (a) ilustra um método incorreto de roteirização, porque apresenta um cruzamento, o que aumenta a distância e o tempo de percurso, prejudicando a prestação do serviço ao cliente. Já a figura 3.1 (b) apresenta um exemplo de roteiro sem cruzamento, que, consequentemente, oferece melhores resultados tanto para a empresa, em termos de custos, quanto para o cliente, em oferta de serviço. Unidade 3 gestao_transportes.indb 107 107 4/12/2008 11:19:54 Universidade do Sul de Santa Catarina Figura 3.2 - Exemplos de maus e bons roteiros. Fonte: BALLOU (2006, p. 200). A figura 3.2 mostra dois tipos de roteiros que saem de um mesmo ponto. A figura 3.2 (b) mostra o agrupamento mais adequado, porque apresenta um roteiro com distância maior e outro com distância menor, o que permite economia de distância e tempo no final dos dois percursos. Figura 3.3 - Exemplos de maus e bons roteiros. Fonte: BALLOU (2006, p.200). A figura 3.3 (a) mostra um exemplo inadequado de roteiros, porque as duas rotas se superpõem, o que não acontece no roteiro da figura 3.3 (b). 108 gestao_transportes.indb 108 4/12/2008 11:19:55 Gestão da Transportes Existem diversos métodos que podem resolver alguns problemas de roteirização e programação de veículos, segundo Gomes (2004) e Ballou (2006). Vamos a eles. Pontos de origem e de destino múltiplos: Quando há vários fornecedores e diversos clientes, é mais difícil encontrar a melhor rota entre eles. A existência de uma restrição da quantidade dos pontos de suprimentos em relação à demanda total para cada localização é resolvida com a aplicação de um algoritmo de programação linear conhecido como método de transporte. Pontos de origem e de destino coincidentes: Quando o ponto de origem é também ponto de destino, podemos dizer que estamos diante de uma questão denominada problema do caixeiro-viajante, que deve ser resolvida através de métodos de otimização de veículos. Geralmente, essa classe de problema de roteirização ocorre com frota de transporte próprio, como por exemplo, caminhões de entrega de um armazém para varejo, ônibus escolares, caminhões de coleta de lixo. É comum utilizar procedimentos cognitivos e heurísticos de solução. Pontos relacionados espacialmente: Para os problemas de caixeiro-viajante de tamanho realístico, podem ser encontradas soluções, utilizando o reconhecimento de padrões da mente humana, como também é possível utilizar o computador para encontrar sequências de paradas em uma rota. Entretanto, quando o relacionamento espacial entre as paradas não representa seu verdadeiro tempo ou distância de viagem, o uso de modelo de computador é uma solução mais acertada. Pontos não-relacionados espacialmente: Quando os pontos de parada não estão bem relacionados, as distâncias ou os tempos devem ser especificados entre os pares de paradas. Nesse caso, os procedimentos matemáticos são mais recomendáveis. Roteirização e programação de veículos: Constituem uma extensão do problema de roteirização do veículo, tendo certas restrições mais realistas, tais como: cada parada pode ter o volume a ser coletado tanto como entregue, e vários veículos podem ser utilizados, independentemente de suas limitações. Unidade 3 gestao_transportes.indb 109 109 4/12/2008 11:19:56 Universidade do Sul de Santa Catarina Na prática, os problemas de roteirização ocorrem na distribuição de produtos e de serviços, dentre os quais é possível destacar, segundo Novaes (2001, p. 284): entrega em domicílio de produtos comprados nas lojas de varejo ou pela internet; distribuição de produtos, dos centros de distribuição para lojas de varejo; distribuição de bebidas em bares e restaurantes; distribuição de dinheiro para caixas eletrônicos de bancos; distribuição de combustíveis para postos de gasolina; distribuição de artigos de toalete para hotéis, restaurantes e hospitais; coleta de lixo urbano; entrega domiciliar de correspondência, etc. Os problemas de roteirização podem apresentar, ou não, restrições. Dessa forma, os métodos de resolução de problemas de roteirização e programação de veículos estão agrupados em duas categorias, segundo Novaes (2001): aqueles utilizados para resolver problemas de roteirização sem restrições, como os métodos de construção do roteiro e os métodos de melhoria de roteiro; aqueles usados para resolver os problemas de roteirização com restrições, como o método de varredura e o método de Clarke e Wright. 110 gestao_transportes.indb 110 4/12/2008 11:19:56 Gestão da Transportes Vamos ver mais detalhadamente esses dois métodos de resolução de problemas de roteirização e programação? Métodos de resolução de problemas de roteirização sem restrições A questão da restrição de tempo e de capacidade se resolve quando a separação dos clientes pelos diversos roteiros já foi previamente realizada. Dessa forma, não há razão para se preocupar com as restrições, tudo se passando como se o sistema não fosse restrito por tempo ou por capacidade. Nesses casos, o problema que precisa ser solucionado é o de encontrar a sequência de paradas que torne mínimo o percurso dentro do bolsão. Num caso simples, em que há poucos clientes a serem visitados no roteiro, o problema pode ser resolvido por inspeção. Quando o número de clientes aumenta, ou quando a distribuição dos pontos de parada requer desenhos mais complexos, a solução do problema exige métodos mais sofisticados e operacionalizados em computador. O problema de roteirização sem restrições é denominado problema do caixeiro-viajante (PCV), uma vez que o primeiro autor a analisar a questão exemplificou a metodologia através de aplicação de um caso em que um caixeiro-viajante tem de visitar certo número de cidades localizadas numa região, devendo achar a sequência que minimize o percurso total. Unidade 3 gestao_transportes.indb 111 111 4/12/2008 11:19:56 Universidade do Sul de Santa Catarina A figura 3.4 mostra um roteiro simples, com 12 clientes num bolsão de distribuição (Novaes, 2001, p. 285). Figura 3.4 - Roteiro simples num bolsão de distribuição. Fonte: Novaes (2001, p. 285). A figura 3.4 mostra um exemplo de um roteiro simples, no qual é possível passar por todos os pontos numa sequência que minimiza o percurso total. Os métodos heurísticos para resolver os problemas de roteirização sem restrições, ou PCV, estão divididos em duas classes, segundo Gomes (2004): métodos de construção de roteiro; e métodos de melhoria de roteiro. Os métodos de construção de roteiro consistem na escolha de um ou dois pontos e depois a formatação da sequência pelo acréscimo dos outros pontos. Dois métodos são mais utilizados para a construção de roteiro: o método do vizinho mais próximo e o método de inserção do ponto mais distante. O método do vizinho mais próximo é o modelo mais simples e consiste em escolher um ponto e, a partir dele, o mais próximo. Definido o segundo ponto, escolhe-se o mais próximo desse segundo, desde que ainda não faça parte do roteiro, definindo um terceiro ponto. Repete-se esse procedimento, até que todos os pontos estejam no roteiro. 112 gestao_transportes.indb 112 4/12/2008 11:19:56 Gestão da Transportes Geralmente, o resultado obtido com esse método não é suficiente, mas é rápido e permite a elaboração de um roteiro inicial. Sobre a solução encontrada, aplica-se um método de melhoria. A figura 3.5 apresenta um roteiro com 36 clientes, e foi construído a partir de um ponto inicial, tomando-se sempre o vizinho mais próximo parar formar a sequência, o que resulta num percurso de 55,69 km. Figura 3.5 - Aplicação do método do vizinho mais próximo para obtenção de solução inicial para o PCV. Fonte: Novaes (2001, p. 286). Como se pode notar, na figura apresentada aparecem três cruzamentos, e a solução de um PCV não pode apresentar percurso cruzado no roteiro, pois, pelo teorema de geometria, um lado do triângulo é menor que a soma dos outros dois. Outro método de construção de roteiro mais eficiente que o método do vizinho mais próximo é o método de inserção do ponto mais distante. O método de inserção do ponto mais distante consiste em se tomar o ponto mais distante do ponto inicial e continuar a sequência ligando os demais pontos, até completar o roteiro com todos os pontos englobados. Problemas maiores, com muitos clientes, podem ser resolvidos com o auxílio de computador. Unidade 3 gestao_transportes.indb 113 113 4/12/2008 11:19:56 Universidade do Sul de Santa Catarina A figura 3.6 apresenta um exemplo de roteiro construído a partir do método de inserção do ponto mais distante. Figura 3.6 - Método de inserção do ponto mais distante (PCV). Fonte: Novaes (2001, p. 287). A figura 3.6 ilustra um método de construção de roteiro baseado na inserção do ponto mais distante do ponto inicial, que, no caso, é o ponto 4, continuando a sequência com a ligação dos demais pontos, 5, 6, 1, 2, 3, 4, e completando o roteiro que possibilita abranger todos os pontos. A seguir, agora que já conhece os métodos de construção de roteiros, você vai aprender os métodos de melhoria desses roteiros formatados. Os métodos de melhoria de roteiro procuram aperfeiçoar o resultado obtido por um método qualquer, com uma sistemática predefinida. Os métodos mais utilizados são o 2-opt e o 3-opt, desenvolvidos por Lin e Kernighan (apud GOMES, 2004). 114 gestao_transportes.indb 114 4/12/2008 11:19:56 Gestão da Transportes O método 2-opt é o mais simples e é construído a partir das seguintes etapas, de acordo com Gomes (2004): Etapa 1: inicia-se com um roteiro qualquer, a partir de um método de construção; Etapa 2: removem-se dois arcos do roteiro e reconectam-se os pontos que formam esses dois arcos, alterando-se as ligações. Se essa nova ligação produzir um resultado melhor, substitui-se o roteiro inicial por esse novo roteiro. Caso contrário, volta-se ao roteiro inicial e repete-se a operação até encontrar a melhor solução; Etapa 3: conclui-se o processo, quando se esgotarem as possibilidades de encontrar uma solução melhor. A figura 3.7 apresenta um roteiro construído a partir do método de 2-opt, em que dois pares de pontos são rearranjados para solução do PCV. Figura 3.7 - Dois pares de pontos (L-J e K-L) rearranjados no método 2-opt para solução do PCV. Fonte: Novaes (2001, p. 289). Como se pode observar, temos dois roteiros, sendo que o primeiro é o roteiro básico, o que foi construído primeiro, e o segundo já é resultado da aplicação de um método de melhoria de roteiro, chamado método de 2-opt, em que dois pares de pontos são re-arranjados para solução do PCV. Unidade 3 gestao_transportes.indb 115 115 4/12/2008 11:19:56 Universidade do Sul de Santa Catarina O método 3-opt tem o mesmo conceito que o 2-opt, considerando, entretanto, três pares de pontos de cada vez. Por isso, é mais complexo e oferece resultados mais exatos, permitindo, também, sete alterações para cada configuração básica. A figura 3.8 apresenta as possíveis combinações de pontos no método 3-opt. Figura 3.8 - Possíveis recombinações dos pontos no método 3-opt. Fonte: Novaes (2001, p. 289). Como se pode observar, temos várias combinações resultantes da aplicação do método de melhoria de roteiro chamado método de 3-opt, em que três pares de pontos de cada vez são arranjados de forma a encontrar a melhor rota. O PCV apresenta dificuldades crescentes de resolução quando o número de clientes aumenta. Problemas de pequeno porte são facilmente resolvidos, enquanto problemas maiores, com número de paradas maior do que 100, requerem tempos de processamento mais elevados. Assim sendo, o método 3-opt pode melhorar o resultado obtido com outro método. 116 gestao_transportes.indb 116 4/12/2008 11:19:56 Gestão da Transportes A figura 3.9 apresenta o roteiro que foi gerado mediante a aplicação do método 3-opt sobre o resultado obtido com o método do vizinho mais próximo, ou seja, o método foi aplicado no exemplo do roteiro dos 36 clientes da figura 3.5, obtendo-se uma redução de 21,6% do percurso (de L= 55,69 para 43,68 km). Figura 3.9 - Roteiro obtido através do método 3-opt sobre o resultado inicial apresentado na figura 3.5. Fonte: Novaes (2001, p. 290). Como se pode notar, a figura 3.9 apresenta um roteiro que foi obtido através da aplicação do método de melhoria denominado método 3-opt sobre um roteiro inicialmente construído, sendo que o resultado apresentado reduziu o percurso do roteiro inicial em 21,6%. Como você já aprendeu, os problemas de roteirização podem apresentar, ou não, restrições. Até aqui, você conheceu os métodos utilizados para resolver problemas de roteirização sem restrições, como os métodos de construção do roteiro e os métodos de melhoria de roteiro. A seguir, você vai estudar os métodos usados para resolver os problemas de roteirização com restrições, como o método de varredura e o método de Clarke e Wright. Unidade 3 gestao_transportes.indb 117 117 4/12/2008 11:19:58 Universidade do Sul de Santa Catarina Métodos de resolução de problemas de roteirização com restrições No processo de resolução do problema de roteirização com restrições, a solução é mais difícil em função das variáveis que precisam ser incluídas na rota. Essas variáveis consistem em: janelas de tempo; tipos de caminhões diferentes; tempo total máximo para uma rota; velocidades diferentes em rotas diferentes; e intervalos para o motorista. Existem duas abordagens principais para a resolução dos problemas de roteirização com restrições, segundo Ballou (2007): método de varredura e método de Clarke e Wright. O método de varredura para a roteirização de veículos é simples, podendo ser calculado a mão, mesmo na resolução de grandes problemas. Porém é menos preciso que o método de Clarke e Wright. Quando programado em computador, este método resolve problemas com grande rapidez, sem precisar de grandes quantidades de memória. Para uma variedade de problemas, seu índice médio de erro projetado é de cerca de 10%, índice aceitável quando se deseja obter bons resultados a curto prazo, segundo Ballou (2006). Como o método consiste em dois estágios, sendo que, em primeiro lugar, se atribuem as paradas a cada veículo para depois estabelecer a sequência das paradas nas estradas, não é possível, segundo Ballou (2006), tratar de forma apropriada questões de tempo, como a duração total da viagem e a atribuição de janelas 118 gestao_transportes.indb 118 4/12/2008 11:19:58 Gestão da Transportes de tempo. Por outro lado, o método possibilita boas soluções, principalmente quando todos os veículos têm o mesmo tamanho e não existem restrições de tempo nos roteiros, Ainda, segundo Ballou (2006, p.204), o método de varredura compreende os seguintes procedimentos: Localize todas as paradas, inclusive o depósito, num mapa ou grade. Trace uma linha reta a partir do depósito em qualquer direção. Gire essa linha, no sentido horário, ou antihorário, até ela fazer a intersecção com uma parada. Responda à pergunta: Se a parada for incluída no roteiro, a capacidade do veículo poderá ser ultrapassada? Se a resposta for negativa, continue com a rotação da linha até a intersecção da próxima parada. Responda então: O volume cumulativo ultrapassará a capacidade do veículo? Use em primeiro lugar os maiores veículos. Se a resposta for positiva, exclua o último ponto e defina o roteiro. Continuando com a varredura da linha, comece um novo roteiro com o último ponto excluído da rota anterior. Continue com a varredura até atribuir todos os pontos a roteiros. Dentro de cada roteiro, faça paradas sequenciadas a fim de minimizar as distâncias. A sequência pode ser conseguida mediante a aplicação do método da forma de lágrima ou pela utilização de qualquer algoritmo que resolva o problema do caixeiro-viajante. Unidade 3 gestao_transportes.indb 119 119 4/12/2008 11:19:58 Universidade do Sul de Santa Catarina A figura 3.10 apresenta um exemplo de roteirização de veículos definida com base no método de varredura. Figura 3.10 - Roteirização de veículos com base no método da varredura. Fonte: Ballou (2006, p. 204). A figura 3.10 (b) apresenta um exemplo de roteirização baseada no método de varredura, sendo que os três roteiros formados a partir de um ponto central englobam todos os pontos e foram dispostos em forma de lágrimas. O método de Clarke e Wright, baseado na abordagem das economias, é relativamente rápido em termos computacionais, para problemas com um número moderado de paradas, e capaz de gerar soluções que são quase ótimas. Esse método consegue superar muitas restrições práticas, principalmente em função de sua capacidade de elaborar roteiros e sequenciar paradas nesses roteiros, de acordo com Ballou (2006). O objetivo do método é minimizar a distância total percorrida por todos os veículos e, indiretamente, minimizar o número de veículos necessários para servir a todas as paradas. O método permite gerar roteiros com uma distância mínima a ser percorrida, respeitando as restrições e tempo e capacidade. À medida que o roteiro diminui, o número de veículos também diminui, reduzindo, assim, os investimentos e os custos de operação, segundo Gomes (2004). O método de Clarke e Wright vem sendo utilizado em problemas isolados e embutido em softwares, porque possibilita a 120 gestao_transportes.indb 120 4/12/2008 11:19:58 Gestão da Transportes incorporação de diversos tipos de restrições, além de apresentar erro médio de 2% em relação à solução ótima. O método baseia-se no conceito de ganho. Primeiro, considerase a pior situação, ou seja, a lógica do método está em começar com um veículo fictício servindo a cada parada e voltando ao depósito. Durante a formação da sequência do roteiro, procura-se selecionar o par com maior ganho, respeitando as restrições de tempo e capacidade. O método é iniciado pela análise das combinações possíveis (dois a dois), e, depois, os pontos são listados em ordem decrescente de ganho. Assim, é possível observar que os maiores ganhos são dos pontos mais afastados do centro de distribuição e mais próximos entre si. Dessa forma, o roteiro é formado a partir dos pontos mais distantes, indo em direção ao centro de distribuição, segundo Gomes (2004). A figura 3.11 apresenta um exemplo de economia de percurso a partir da consolidação das paradas em uma rota, segundo Ballou (2006, p. 205). Figura 3.11- Redução da distância percorrida mediante a consolidação das paradas em uma rota. Fonte: Ballou (2006, p. 205). A figura 3.11 (b) mostra um exemplo de melhoria de um roteiro inicial, sendo que o resultado apresentado é outro roteiro formado a partir dos pontos mais distantes, indo em direção ao centro de distribuição, que abrange todos os pontos do percurso e possibilita ganhos em distância e tempo. Unidade 3 gestao_transportes.indb 121 121 4/12/2008 11:19:58 Universidade do Sul de Santa Catarina O método de Clarke e Wright fi xa alguns procedimentos, de acordo com Ballou (apud GOMES, 2004, p. 110). Estão detalhados a seguir. a) Combinar todos os pontos, dois a dois, calcular o ganho para cada combinação e ordenar todas as combinações de forma decrescente, segundo os valores dos ganhos. b) Em relação a um par de pontos, realizar as seguintes providências: se os dois pontos escolhidos não foram incluídos em nenhum roteiro já iniciado, criar um com esses dois pontos; se um dos pontos pertence a um roteiro iniciado, verificar se esse ponto é o primeiro ou o último desse roteiro, excluindo-se o centro de distribuição: se a resposta for positiva, acrescentar o par de pontos na extremidade apropriada e fazer a mesma análise para o outro ponto; se os pontos escolhidos já fazem pares, cada um deles, de roteiros iniciados, mas diferentes, verificar se ambos são extremos dos respectivos roteiros: se a resposta for positiva, fazer a fusão dos dois roteiros em um só, juntando-os de forma a unir esses dois pontos; se ambos os pontos pertencerem ao mesmo roteiro, passar para o próximo procedimento. c) Cada vez que se acrescentar um ou mais pontos em um roteiro ou quando se fundirem dois roteiros em um só, verificar se a nova configuração satisfaz às restrições de tempo e de capacidade. Se atender aos limites das restrições, a nova configuração será aceita. Depois, combinar todos os pontos, dois a dois, calcular o ganho para cada combinação e ordenar todas as combinações, de forma decrescente, segundo os valores dos ganhos. d) Concluir o processo, quando todos os pontos forem incluídos no roteiro. 122 gestao_transportes.indb 122 4/12/2008 11:19:59 Gestão da Transportes A figura 3.12 apresenta um exemplo de roteiro de veículos com base no método de Clarke e Wright, segundo Ballou (2006, p. 207). Figura 3.12 - Roteiro de veículos baseado no método de Clarke e Wright. Fonte: Ballou (2006, p. 207). Como se pode notar, a figura 3.12 mostra um exemplo de roteirização baseada no método de Clarke e Wright, que apresenta vários roteiros saindo de um ponto central, formados a partir de combinações que possibilitam melhores ganhos em cada caso. Às vezes, as paradas de um roteiro não são fi xas, porque os clientes não fazem pedidos regulares. Por isso, a empresa deve determinar um roteiro ótimo a priori e manter sempre a mesma sequência de entregas, cortando os clientes que não fizerem pedidos naquele dia ou redefinindo a roteirização, sempre que houver alterações no grupo de clientes a serem visitados. Esse tipo de problema é comum na distribuição de compras e no comércio eletrônico, pois o grupo de clientes varia de um dia para o outro. Unidade 3 gestao_transportes.indb 123 123 4/12/2008 11:19:59 Universidade do Sul de Santa Catarina Seção 4 – Negociação de fretes, contratos e parcerias O serviço de terceiros, especialmente aquele prestado por transportadoras regulares, segundo Ballou (1993), tem como base o balanço entre os custos e seu desempenho. A escolha não é simplesmente uma questão de selecionar alternativas de mínimo custo dentre os transportadores, ou mínimo custo dado certo requisito de desempenho. Como exemplo, uma ferrovia pode oferecer rotas regulares ou viagens exclusivas, e outra ferrovia pode operar serviços regulares, especiais ou expressos. O gerente de transporte deve observar também os efeitos indiretos dessa escolha. Ou seja, o modal mais barato é geralmente aquele mais lento, que necessita do maior lote de movimentação. Ao utilizar esse modo de transporte, a empresa pode acarretar elevados níveis de estoque em ambas as pontas da operação, assim como aumentar o seu estoque em trânsito. Uma das alternativas poderia ser o balanceamento dos custos de estoque com o custo de transporte, de forma a encontrar o mínimo custo total. Assim, quando uma empresa opta pela utilização do transporte de terceiros, suas principais preocupações estão no uso eficiente dos mesmos, em negociar os melhores fretes possíveis e na documentação necessária para iniciar o movimento de mercadorias, que serve para a cobrança dos pagamentos e para estabelecer responsabilidades pelas mercadorias em trânsito, segundo Courá (2002). A decisão pelo transporte de terceiros pressupõe a seleção das empresas transportadoras, a negociação dos fretes e a elaboração do contrato de transporte. Essas ações possibilitam que a opção pela terceirização decorra de uma estratégia definida pela empresa. A opção pelo transportes de terceiros envolve a avaliação das seguintes questões, segundo Abrahão (2005): aproveitamento da especialização geográfica e de competências das transportadoras; 124 gestao_transportes.indb 124 4/12/2008 11:20:00 Gestão da Transportes atratividade ao mercado de transportadoras e escala mínima de operação; controle do risco de dependência por parte da empresa usuária em relação à(s) transportadora(s) selecionada(s); excesso de complexidade na gestão das empresas de transportes; flexibilidade operacional e mecanismos de contingência; maximização do uso dos ativos de transporte. Negociação de fretes A negociação de fretes com os transportadores constitui a principal atividade, quando o assunto é transporte de terceiros. Segundo Ballou (1993), existem quatro situações em que podem ser negociados fretes menores com as transportadoras. São elas: competição; produtos semelhantes; maior volume de carga; e grandes volumes. Quando a competição é acirrada no mercado de transportes e existem diferenças significativas entre os fretes de modais ou serviços de transporte diferentes, é possível usar a ameaça de mudança para outro transportador, visando obter fretes mais favoráveis. O transportador pode considerar mais conveniente trabalhar com menores margens de lucro para manter o cliente. Entretanto esse tipo de negociação é indicado quando o poder de barganha está na mão da empresa que deseja contratar o serviço e que tenha boa alavancagem com o transportador. Unidade 3 gestao_transportes.indb 125 125 4/12/2008 11:20:00 Universidade do Sul de Santa Catarina Quando existe diferença nos fretes entre dois produtos semelhantes, em termos de peso, volume, fragilidade e risco, que se movem na mesma rota, podendo inclusive ser o caso do mesmo transportador, é possível argumentar que o produto pode ter o mesmo frete, como também é possível usar o mesmo argumento, quando não existe o frete específico do produto que se deseja movimentar. A empresa usuária pode argumentar que fretes menores podem resultar em maior volume de carga, pois a empresa fica mais competitiva, uma vez que a redução no frete pode ser conseguida se o lucro total para o transportador for maior do que o conseguido com o frete original. Assim, tanto a empresa que precisa do serviço, quanto o transportador se beneficiam com a redução nas taxas do frete. A empresa usuária que transporta grandes volumes tem bons argumentos para redução de fretes, pois pode oferecer volume substancial de carga em troca de menores preços, o que pode ser justificado com base no maior fluxo transportado entre localizações específicas. O transportador pode conceder a redução, se for possível demonstrar que todos os seus custos têm condição de ser cobertos e que isto não criaria problemas com outros clientes, os quais poderiam desejar o frete reduzido, mas que não têm o mesmo volume de tráfego. Outra questão que merece destaque na negociação de fretes é a consolidação de fretes, que consiste no agrupamento de pequenos fretes em fretes maiores, com o objetivo de conseguir custo menor de transporte por unidade de peso. A consolidação dos embarques pode ser alcançada através das seguintes formas, de acordo com Ballou (2006): consolidação dos estoques, ou seja, cria-se um estoque de artigos para a satisfação de uma demanda, o que permite a inclusão de embarques de volume maior, até mesmo de carga completa no estoque; 126 gestao_transportes.indb 126 4/12/2008 11:20:00 Gestão da Transportes consolidação de veículos, em que as coletas e entregas envolvem quantidades inferiores às de cargas completas; coloca-se mais de uma coleta ou entrega no mesmo veículo para maior eficiência do transporte, o que é alcançado através da roteirização e programação de veículos; consolidação de armazém, o que permite criar condições para a viabilização do transporte de grandes volumes por longas distâncias e o transporte de cargas de pequeno porte para curtas distâncias; consolidação temporal, em que pedidos de clientes são retidos até se tornar viável uma remessa única, em lugar de vários despachos de pequeno porte. Ballou (2006) apresenta um exemplo de redução de custos alcançada através da consolidação temporal de fretes. Exemplo de consolidação temporal: O embarque de pedidos de distribuidores por uma empresa de produtos alimentares de sua fábrica, no estado A, para seu território de vendas no estado vizinho B, cidades X, Y, Z, serve para ilustrar a consolidação temporal. Uma análise de pedidos anteriores procedentes de três cidades do estado B em três dias consecutivos denota os seguintes volumes de pedidos: De Fábrica Dia 1 Dia 2 Dia 3 Para Cidade X 50 unidades 250 unidades 180 unidades Cidade Y 70 120 210 Cidade Z 420 400 610 A empresa costumava despachar os pedidos no dia em que os recebia. Agora, a administração analisa se um período de três dias para consolidação dos pedidos poderia compensar a redução no serviço. Em consequência das taxas praticadas pelos transportadores operando na região, o despacho dos pedidos no mesmo dia da recepção faz a empresa incorrer nos seguintes custos: Dia 1 Tarifa x Unidade = Custo Cidade X 16,41 x 50 = $ 820,50 Cidade Y 15,87 x 70 = $ 1.110,90 Cidade Z 6,33 x 420 = $ 2.665,60 Total $ 4.590,00 Unidade 3 gestao_transportes.indb 127 127 4/12/2008 11:20:00 Universidade do Sul de Santa Catarina Dia 2 Tarifa x Unidade = Custo 9,91 x 250 = $ 2.477,50 14,38 x 120 = $ 1.725,60 6,33 x 400 = $ 2.532,00 $ 6.735,10 Cidade X Cidade Y Cidade Z Total Dia 3 Tarifa x Unidade = Custo Cidade X Cidade Y Cidade Z Total 14,90 x 180 = $ 2.682,00 9,55 x 210 = $ 2.005,50 6,33 x 610 = $ 3.861,30 $ 8.548,80 Totais $ 5.980,00 $ 4.842,00 $ 9.051,90 $ 19.873,90 Com a retenção dos pedidos por três dias até seu embarque, e como os valores cobrados tendem a diminuir com o aumento do frete, os custos do transporte seriam: Tarifa x Volume = Custo Cidade X Cidade Y Cidade Z Total 7,09 x 480 = $ 3.403,20 6,83 x 400 = $ 2.732,00 6,33 x 1.430 = $ 9.051,90 $ 15.187.10 A economia no custo do transporte com a consolidação dos pedidos seria de $ 19.873,90 – 15.187,10 = $ 4.686,80. Agora, ou uma pesquisa deve mostrar o efeito nas receitas de um ciclo de tempo de pedido alongado para os clientes, a fim de que possa ser comparado com esses custos, ou a gerência precisa decidir se $ 4.686,80 representam uma economia capaz de justificar a redução do nível de serviço. Fonte: Ballou (2006, p.212). Adaptado pela autora. Como podemos concluir, as decisões sobre as negociações de fretes são importantes, porque possibilitam redução de custos, sendo que uma análise matemática ajuda na hora da tomada de decisão. 128 gestao_transportes.indb 128 4/12/2008 11:20:00 Gestão da Transportes Contratos de transporte Contrato é um acordo firmado entre duas ou mais partes, para constituir, regular ou extinguir uma relação jurídica de natureza patrimonial. O contrato de transportes é um acordo pelo qual uma das partes se obriga a movimentar passageiros ou mercadorias de um determinado ponto a outro; e a outra, a pagar-lhe o preço em dinheiro. São partes de um contrato de transporte: aquele que recebe os passageiros ou as mercadorias, denominado transportador; os passageiros transportados, denominados passageiros; aquele que entrega as mercadorias para o transporte, que se chama expedidor. O contrato de transporte de passageiros ou de mercadorias é um ato jurídico, que deve ser analisado quanto aos seus aspectos legais, sendo bastante comum a adoção de contrato padronizado previamente e avaliado por uma assessoria jurídica. O transportador se obriga a conduzir os passageiros ou as mercadorias de um lugar para o outro, conforme o combinado, com todo o zelo e segurança. Nesse sentido, responde por todos os danos causados aos passageiros ou às mercadorias. No caso, há inversão do ônus da prova da culpa, ou seja, o transportador se presume culpado, cabendo a ele provar sua inocência. Não é válida a cláusula que isente o transportador de suas responsabilidades. A principal obrigação do expedidor é remunerar o transportador, conforme o combinado. Além disso, no caso de passageiro, caberá a ele se portar com decência e educação, além de contribuir no que puder para que o transportador desempenhe bem seu dever. Quanto ao expedidor, pode ser que ele seja responsável por embalar as mercadorias de forma apropriada, podendo também ser essa uma obrigação do transportador. Se o destinatário for terceiro beneficiário, o pagamento pode ficar determinado como sendo de sua responsabilidade. Nesse caso, deve efetuar o pagamento do transporte e também receber a mercadoria no tempo e local combinados, sob pena de ter que arcar com ônus da armazenagem. Unidade 3 gestao_transportes.indb 129 129 4/12/2008 11:20:00 Universidade do Sul de Santa Catarina O transportador contratado tem a responsabilidade de não cobrar a mais ou a menos por serviços prestados aos seus usuários. A monitoração de cargas normalmente faz parte do serviço oferecido por transportadores regulares aos seus usuários. Um dos principais problemas encontrados nas empresas é fazer a seleção do operador que vai transportar as mercadorias da empresa. O contrato de parceria na área de transportes consiste em um acordo através do qual duas ou mais empresas se reúnem em função de objetivos comuns, mediante um processo de transferência em que uma empresa cede ao seu parceiro funções e atividades que desenvolvia. A parceria envolve riscos que incluem a eficácia da empresa com a qual a outra empresa vai trabalhar em conjunto e traz questionamentos e dilemas, o que torna necessário que os contratos sejam firmados com cláusulas bem definidas. Por outro lado, as parcerias permitem a disponibilização de uma variedade de produtos e serviços e também a flexibilidade necessária na adaptação das novas exigências impostas pelo mercado, clientes e consumidores, tais como, novos produtos, novas tecnologias, novos mercados, novos concorrentes e novas políticas governamentais. Por isso, deve ser feita uma análise antecipada das questões as quais envolvem as empresas que buscam parcerias, com o objetivo de permitir o detalhamento das cláusulas contratuais, principalmente preços, condições comerciais, prazos e limites de responsabilidade. Em contratos de parcerias de longo prazo, os compromissos devem ser renovados periodicamente, o que permite aumentar a confiança mútua entre os parceiros e melhorar a qualidade, a produtividade e a redução de custos. Os contratos de transportes estão cada vez mais se intensificando entre as empresas, que procuram concentrar-se nas suas atividades centrais, deixando para terceiros as funções logísticas. 130 gestao_transportes.indb 130 4/12/2008 11:20:00 Gestão da Transportes Esses agentes podem ser os operadores logísticos ou as empresas prestadoras de serviços logísticos. Enquanto os operadores logísticos oferecem múltiplas atividades, tais como transportes, estoque e armazenagem, os prestadores de serviços logísticos ofertam somente uma atividade logística. Além desses, há os agentes de transportes, que são intermediários entre as empresas usuárias e as transportadoras, tais como, segundo Gomes (2004): os agentes de fretes, empresas com fins lucrativos que consolidam uma carga formada por várias menores e a enviam a uma transportadora comum para realizar o transporte, possibilitando redução de custos e maior rapidez na entrega; as associações e cooperativas de embarcadores e agentes, empresas sem fins lucrativos, que desempenham papel semelhante aos agentes de fretes; os corretores, que coordenam todas as atividades operacionais de repasse de cargas para transportadoras e operadores logísticos. Para decidir sobre o tipo de contrato, a empresa deve considerar determinados fatores, tais como, segundo Gomes (2004, p. 80): compatibilidade entre o sistema de informação disponível na empresa contratada e o da empresa contratante; capacidade da empresa contratada em atender a demanda da empresa contratante; flexibilidade e reputação da empresa a ser contratada; referências de outros clientes; estabilidade financeira da empresa a ser contratada; compatibilidade de culturas das empresas envolvidas; facilidade de comunicação entre as empresas; Unidade 3 gestao_transportes.indb 131 131 4/12/2008 11:20:00 Universidade do Sul de Santa Catarina localização e escopo geográfico; preço dos serviços oferecidos. Assim, quando uma empresa opta pela utilização do transporte de terceiros, além de procurar realizar boas negociações de fretes, deve também se preocupar em formalizar bons contratos, pois acordos mal elaborados podem trazer sérios prejuízos, colocando em riscos as estratégias da empresa. A seguir, você vai estudar as parcerias realizadas pelas empresas deliver. Parcerias com empresas deliver A palavra delivery (inglês) significa entrega. A ideia de entregar diferentes produtos em domicílio foi trazida por empresários que viajavam com frequência aos Estados Unidos, onde o conceito nasceu e de onde se propagou para a Europa e para o Brasil. Na vida moderna, o custo do tempo é fator fundamental no desempenho dos trabalhos, principalmente quando esse trabalho é feito em ruas e avenidas com tráfego intenso. Com base nessa situação, surgem as empresas deliver, ou seja, empresas que prestam serviços de entrega, porta a porta, a partir do transporte multimodal. O serviço de delivery permite que o produto seja entregue rapidamente em qualquer lugar da cidade. A história começou com o delivery de comida, principalmente o de pizzas. O prazo para devolver a mercadoria adquirida no delivery é de sete dias, contados a partir de seu recebimento em casa, conforme o que prevê o Código do Consumidor. Assim sendo, o consumidor poderá trocar o produto porque não gostou da cor, do tamanho e até do modelo, desde que o produto seja devolvido ao comerciante nas mesmas condições em que foi entregue ao consumidor. As empresas deliver prestam os seguintes serviços, de acordo com EmpregaBrasil (2008): apoio em área técnica; coleta e entrega de documentos; 132 gestao_transportes.indb 132 4/12/2008 11:20:01 Gestão da Transportes coleta e entrega de pequenos volumes; coletas de assinaturas em contratos; cotações de preços, apoio ao setor de compras; despachos aéreos; despachos em correios; distribuição de brindes e convites; distribuição de produtos vendidos via telemarketing; entrega de propostas; entregas de cotações de preços; entregas de presentes; entregas e coletas de documentos contábeis; pagamentos em bancos; serviços diversos em despachantes; serviços diversos em órgãos públicos; serviços em cartórios; troca de malotes entre filiais. Faz-se o monitoramento das entregas através da leitura de um código de barras a partir dos pontos de apoio que ficam em cada trecho de troca de transporte. É cadastrado em computador ligado a uma rede. Assim, a passagem da encomenda será registrada em todos os locais do percurso até o destino final. No caso do envio de encomendas para outros Estados ou países, essas empresas possuem convênios com companhias aéreas, marítimas e rodoviárias e, em alguns casos, fluviais, sem contar a abertura de postos avançados de coleta e distribuição de documentos. Unidade 3 gestao_transportes.indb 133 133 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Essas empresas oferecem serviços de entrega porta a porta, através de um portfólio variado de produtos e serviços, com o objetivo de satisfazer as necessidades das empresas, a um custo competitivo, capaz de otimizar a gestão de estoques, suprimentos e produtos acabados. No Brasil, empresas como os correios, no setor público, e DHL, FedEx, TNT e UPS, no setor privado, são especializadas nesse tipo de serviço. De acordo com EmpregaBrasil (2008), as seguintes empresas de transportes trabalham com despacho de cargas e encomendas, sendo que existe a possibilidade de realizar parcerias: EMPRESAS DELIVERS CIDADE AEROSERV SERV AÉREOS DE ENCOMENDAS São Paulo/SP AEROTIME EXPRESS LTDA São Paulo/SP AMERICAN AIRLINES Campinas/SP BRASIL EXPRESS AIR CARGO Guarulhos/SP DHL BRASIL São Paulo/SP DVA EXPRESS LTDA Campinas/SP FEDEX EXPRESS BRASIL São Paulo/SP ITAPEMIRIM TURISMO AGÊNCIA DE VIAGENS E DESPACHOS Osasco/SP PONTUAL EXPRESS SERVIÇOS AÉREOS São Paulo/SP RAPIDEX SERV São Paulo/SP SERVPRESS TRANSP E ENCOMENDAS URGENTES São Paulo/SP TAM TRANSP AÉREOS REGIONAIS SA São Paulo/SP TNT EXPRESS WORLDWIDE São Paulo/SP UPS BRASIL São Paulo/SP Quadro 3.1 - Empresas delivers. Fonte: EmpregaBrasil (2008). 134 gestao_transportes.indb 134 4/12/2008 11:20:01 Gestão da Transportes O quadro 3.1 mostra algumas das maiores empresas que prestam serviços de entrega em todo o território brasileiro. Você pode buscar mais informações sobre os produtos e serviços prestados por essas empresas, acessando os seguintes sites: <http://www.hta.com.br/> <http://www.aa.com/content/br/index.jhtml> <http://www.dhl.com.br/publish/br/pt.high.html> <http://fedex.com/br/> <http://www.tam.com.br/> <http://www.tnt.com/express/pt_br/site/home.html> <http://www.ups.com/latin/br/porindex.html> Agora que você já conhece as principais questões a serem gerenciadas na administração estratégica dos transportes, poderá compreender os fatores que influenciam o desempenho e os custos dos transportes, na unidade 4. Unidade 3 gestao_transportes.indb 135 135 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Síntese Na unidade 3, você aprendeu que uma empresa pode realizar a movimentação de passageiros e mercadorias através do transporte próprio ou por meio do transporte terceirizado. Como nem todos os modais se prestam para o controle próprio, as empresas precisam decidir pela melhor escolha. Você também viu que, quando uma empresa possui frota própria, geralmente, encontra o problema de roteirização e programação de veículos. Por outro lado, quando a empresa contrata transportes de terceiros, depara-se com problemas relacionados à negociação de fretes, contratação e parcerias. Você ainda aprendeu que existem quatro situações em que podem ser negociados fretes menores com as transportadoras. São elas: competição, produtos semelhantes, maior volume de carga e grandes volumes. Você também observou que os serviços de delivery, palavra inglesa que significa entrega, permitem que o produto seja entregue rapidamente em qualquer lugar da cidade. 136 gestao_transportes.indb 136 4/12/2008 11:20:01 Gestão da Transportes Atividades de auto-avaliação Para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, realize as atividades propostas. O gabarito está disponível no fim do livro didático. Mas esforce-se para resolver as atividades sem a ajuda do gabarito, pois, assim, você estará estimulando sua aprendizagem. 1) Faça um resumo sobre os principais problemas que as empresas encontram com a roteirização e programação de transportes. Unidade 3 gestao_transportes.indb 137 137 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá consultar o material a seguir: BALLOU, Ronald. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2006. VALENTE, A. M; PASSAGLIA, E.; NOVAES, A. G. Gerenciamento de transportes e frotas. São Paulo: Pioneira, 2000. 138 gestao_transportes.indb 138 4/12/2008 11:20:01 UNIDADE 4 Desempenho e custos de transportes 4 Objetivos de aprendizagem Conhecer os principais aspectos considerados na análise de desempenho e de custos de transportes. Compreender os fatores que influenciam os custos de transportes. Entender como as características dos modais de transportes condicionam o custo e o desempenho dos serviços prestados. Saber analisar custo de transportes a partir da avaliação dos benefícios integrados com as demais funções logísticas.. Conhecer os indicadores de desempenho na área de transportes. Seções de estudo Seção 1 Indicadores de desempenho na área de transportes Seção 2 Custos de transportes Seção 3 Análise de custo x benefício integrado Seção 4 Modalidades de entrega e custos operacionais gestao_transportes.indb 139 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Para início de estudo Nesta unidade, você vai aprender os principais conceitos e técnicas relacionados com a análise e a avaliação do desempenho dos serviços de transporte de carga, assim como as características, as formas, os métodos e os indicadores de avaliação de desempenho na área de transportes. Você também vai saber que, para oferecer serviços de transporte, qualquer transportador, independentemente do meio que usa, tem custos, que podem ser fi xos, variáveis, diretos ou indiretos. Através do estudo desta unidade, você poderá compreender que cada modal de transporte apresenta uma estrutura de custos distinta, sendo que é possível aproveitar as vantagens dos vários modais através da combinação de dois ou mais modais. Para escolher a melhor combinação, é preciso avaliar o valor agregado dos produtos e a segurança do transporte. Seção 1 – Indicadores de desempenho na área de transportes Não se administra o que não se mede. Medir o desempenho dos serviços de transporte é considerar quanto são atingidos os principais objetivos do sistema de prestação do serviço no conjunto das operações realizadas. O transporte apresenta algumas características que condicionam o desempenho de seus serviços, dentre as quais podemos destacar as seguintes, de acordo com Lima Junior (2001, p. 118): Demanda derivada de outras atividades econômicas; Mercados regulamentados ou sem diferenciação de produto; 140 gestao_transportes.indb 140 4/12/2008 11:20:01 Gestão de Transportes Produção e consumo simultâneos, com o cliente participando dos processos; Produção em movimento com interações com o meio ambiente; Atividade-meio associada a uma rede de processos e parcerias; Produto intangível; Satisfação do usuário associada ao resultado e à participação no processo; Produtos e processos heterogêneos; Grandes oscilações espaciais e temporais de demanda; Indivisibilidade de oferta; e Diferentes tecnologias para a produção do serviço. Os serviços de transporte de carga constituem um pacote de benefícios explícitos, que é o transporte em si, e implícitos, que é a segurança, baseada nos veículos e terminais. Esses benefícios são afetados pelo cliente, que participa do processo. Por isso, o desempenho dos serviços de transportes deve ser medido. O processo de medição do desempenho deve contemplar as seguintes ações, de acordo com Lima Junior (2001): definir os atributos ou fatores críticos, tais como, tempo, custo, nível de serviço e qualidade; mapear os processos interfuncionais usados na obtenção dos resultados e identificar as relações de causa e efeito; identificar os elementos críticos e as capacidades necessárias para executar os processos de forma satisfatória; estabelecer medidas de monitoramento desses elementos e capacidades, padrões e metas. Unidade 4 gestao_transportes.indb 141 141 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Geralmente, a avaliação de desempenho de uma empresa contempla os seguintes atributos: eficácia, eficiência, qualidade, lucratividade, produtividade e inovação. Já no caso da avaliação do desempenho de transportes, os mais importantes são: custos, capacidade, tempo, qualidade e nível de serviço, segundo Lima Junior (2001). Os custos de transportes representam quase 2/3 do total dos gastos das operações logísticas brasileiras, pois diversos são os itens de custo logístico. A forma de cálculo de cada um desses itens pode ser feita com base em séries históricas, estimada por valores médios de mercado ou valores obtidos em operações controladas. A capacidade representa a medida dos volumes de produção possíveis do sistema de transportes, sendo importante associá-la a determinado nível de serviço desejado. Por exemplo, quanto mais congestionado um terminal, maior seu volume de carga movimentado, o que implica filas e retenção de veículos por muito tempo, podendo aumentar os erros no embarque. O tempo de ciclo corresponde a um conjunto de processos interrelacionados que forma uma atividade cíclica no tempo, sendo que o tempo desses ciclos é importante para definir a capacidade do processo, bem como seu desempenho. Em relação à percepção do cliente, também devemos considerar a visibilidade que ele tem do serviço e a prioridade que dá aos atributos, pois não adianta ter um excelente desempenho em um conjunto de atributos que o cliente não valoriza. Por exemplo: em operações de transferência de carga entre dois armazéns próximos, temos uma viagem de ida e volta curta e muito mais viagens que podem ser realizadas por um mesmo veículo, em dado período de tempo, se compararmos a uma situação em que os armazéns estão distantes entre si. A qualidade deve ser avaliada a partir da percepção do cliente, sendo que a qualidade pode ser definida como adequação ao uso, o que implica conformidade com as especificações e a satisfação do cliente, segundo Juran (apud LIMA JUNIOR, 2001). 142 gestao_transportes.indb 142 4/12/2008 11:20:01 Gestão de Transportes O nível de serviço é uma medida de qualidade e é formado por um conjunto de elementos quantitativos e representativos da qualidade do serviço prestado, passível de graduação em uma escala. Por exemplo: a operação de um pedágio pode ser classificada em níveis de serviço tipo A, quando não houver fila de veículos, a tipo E, com mais de cinco veículos na fila, passando pelos níveis B, C e D intermediários. A atividade de transporte possui diversos indicadores de desempenho, tais como frequências, distâncias percorridas, número de transferências, embora sujeitos a alterações, em face da percepção dos usuários. Existem instrumentos clássicos de avaliação da qualidade em serviços, que podem ser aplicados na avaliação de serviços de transportes. Esses instrumentos podem ser utilizados para, conforme Lima Junior (2001): identificar as expectativas dos clientes; possibilitar especificação e operação dos sistemas; permitir a comunicação com o cliente e a interação com os parceiros; analisar expectativas e percepções dos clientes em relação ao serviço prestado. As avaliações devem ser realizadas com base em fatos, dados e informações quantitativas, de modo a gerar confiabilidade aos resultados. Por isso, é necessário que sejam estabelecidos os indicadores de desempenho. Os indicadores de desempenho consistem em medidas quantitativas de um processo associado a uma meta. Devem refletir tanto a estratégia de avaliação adotada quanto a estrutura de medição definida como representativa do desempenho do sistema em análise. Unidade 4 gestao_transportes.indb 143 143 4/12/2008 11:20:01 Universidade do Sul de Santa Catarina Dentre os diversos tipos de indicadores de desempenho, o mais utilizado é a produtividade, por ser uma medida combinada de entradas e saídas de um processo. Produção é um valor absoluto e produtividade é um valor relativo entre a produção e seus fatores de produção. O desempenho dos veículos pode ser medido a partir de indicadores como velocidade operacional, tempo de carga e descarga, horas de trabalho, consumo, segundo Valente (2001), que apresenta também as seguintes conclusões a respeito desses indicadores: em relação à velocidade operacional, quanto maior o percurso maior é a importância e mais significativos são os benefícios obtidos com o aumento da velocidade operacional; em relação ao tempo de carga e descarga, entende-se que corresponde ao tempo total despendido em espera, pesagem, conferência, emissão de documentos e nas operações de carga e descarga, o que implica concluir que todo aumento no tempo de carga e descarga reduz o uso do veículo; e quanto menor o percurso, mais significativos são os benefícios obtidos com a diminuição do tempo de carga e descarga; em relação a horas de trabalho, definidas como o período em que o veículo está rodando e carregando e descarregando, aumentando as horas de trabalho, proporcionalmente aumenta o percurso rodado no período, o que implica concluir que os ganhos em produtividade são proporcionais às horas de trabalho e aos percursos rodados; em relação ao consumo de combustível, existem alguns critérios que influenciam no consumo, tais como, velocidade, aclive, peso total do veículo, irregularidades da rodovia e marcha utilizada na velocidade adotada. De acordo com Ballou (2006), estudos comparativos comprovam que o tempo médio e a variabilidade do tempo da entrega constituem as características mais importantes de desempenho do transporte. O tempo de entrega é calculado como o tempo 144 gestao_transportes.indb 144 4/12/2008 11:20:02 Gestão de Transportes médio do percurso de um frete entre origem e destino. Assim, os modais de transporte variam conforme a possibilidade, ou impossibilidade, de permitir conexão direta entre os pontos de origem e destino. Exemplificando: as cargas aéreas transitam de aeroporto a aeroporto; e os fretes por hidrovia, de porto a porto. Entretanto, se o objetivo é comparar o desempenho dos meios de transporte, o melhor é mensurar o tempo em trânsito porta a porta, mesmo quando esse transporte envolve mais de um modal. Dessa forma, se o transporte for feito pelo modal ferroviário, a coleta e a entrega locais poderão ser realizadas pelo modal rodoviário, caso não existam ramais ferroviários nos pontos de origem e ou destino das cargas. A figura 4.1 apresenta um comparativo do tempo médio em trânsito/dias para os modais ferroviário, rodoviário e aéreo. Figura 4.1 - Comparativo do tempo médio em trânsito entre os modais ferroviário, rodoviário e aéreo. Fonte: Ballou (2006, p. 152). Unidade 4 gestao_transportes.indb 145 145 4/12/2008 11:20:02 Universidade do Sul de Santa Catarina A figura 4.1 mostra que, para percorrer a mesma distância, ou seja, 27 centenas de milhas, o tempo médio do modal aéreo é menor que o tempo médio do modal ferroviário, porque, enquanto o frete aéreo leva cerca de quatro dias para fazer o percurso, o ferroviário leva em torno de 13 dias. Concluindo, definidos a forma de medição, os atributos e os indicadores de desempenho em transportes, é importante fazer o acompanhamento e a análise dos indicadores, que podem ser feitos através de técnicas estatísticas, tais como modelos gráficos, identificação de tendências, análises de séries temporais e controle estatístico de processos. Seção 2 – Custos de transportes A atividade de transporte representa o elemento mais visível e importante do custo logístico na maior parte das empresas. O frete costuma absorver aproximadamente 60% do gasto logístico e entre 9 e 10% do produto nacional bruto para a economia de uma nação relativamente desenvolvida. Por essas razões, existe uma preocupação contínua com a redução de seus custos. As empresas têm demonstrado mais preocupação pelo cálculo e o controle dos custos operacionais de transporte, uma vez que interferem no sucesso de diversas atividades relacionadas à gestão de transportes, dentre as quais podemos destacar as seguintes, de acordo com Valente (2001): avaliação da real situação da empresa para estudar medidas eficazes de competição; decisão entre alugar ou comprar uma frota; redução de custos e reajuste de preços; seleção do veículo mais adequado; 146 gestao_transportes.indb 146 4/12/2008 11:20:02 Gestão de Transportes tomada de decisões sobre investimentos alternativos, como operar com transporte próprio ou transporte terceirizado. Um sistema de controle de custos operacionais permite à empresa responder a diversas questões que influenciam no processo de gestão de transportes, entre as quais podemos citar, como apresenta Valente (2001): É compensador investir em agregados de reserva, como motor, câmbio e diferencial, com o objetivo de reduzir o tempo de parada dos veículos? Por que certos veículos frequentam mais a oficina que outros? Por que determinado veículo apresenta um custo mais elevado de peças e manutenção que outro? Quais peças de reposição devem ser mantidas em estoque e em que níveis? Qual deve ser o consumo padrão de combustível ou de óleo para os veículos que operam determinada rota? Qual tipo de pneu apresenta melhor desempenho no serviço? Qual veículo apresenta melhor desempenho operacional em determinado serviço? As respostas a essas questões podem levar o gestor de transportes a optar entre transporte próprio ou transporte terceirizado, através da avaliação dos custos em cada situação. Como cada empresa tem uma estrutura administrativa e condições peculiares de operação, as prioridades de controle divergem de uma para outra. Pensando nas condições próprias de cada empresa, o sistema de controle de custos deve ter por base a estimativa das despesas da frota, se a opção for por transporte próprio, ou a estimativa das despesas com transporte terceirizado, se escolher contratar os serviços. Unidade 4 gestao_transportes.indb 147 147 4/12/2008 11:20:02 Universidade do Sul de Santa Catarina Atualmente, a contratação de serviços de transporte deixou de se basear exclusivamente em preços, e passou a incluir a eficiência, a qualidade e o relacionamento de parceria na negociação do contrato. Nesse sentido, a base para um programa conjunto de qualidade e produtividade no transporte, dentro da visão de parcerias, reside numa avaliação da dimensão organizacional, dos procedimentos e das tecnologias existentes entre os atores da cadeia de abastecimento, segundo Fleury (2000). A dimensão organizacional deve ser avaliada a partir das perspectivas interna e externa à empresa que contrata o serviço de transporte. A perspectiva interna está focada no grau de organização dos processos logísticos dentro da empresa, o que define as funções que serão responsáveis pelo contato com transportadores e clientes, programação de entregas e remediação de falhas. Já a perspectiva externa revela o grau de confiabilidade e formalização existentes nos canais de comunicação entre as empresas da cadeia. Os procedimentos estabelecem métodos claros para coordenar a atividade de transporte em circunstâncias normais ou não, como por exemplo, a decisão de um cliente em priorizar o descarregamento de veículos oriundos do fornecedor com recursos específicos. A tecnologia disponível determina a configuração básica de funcionamento e do fluxo de informações no sistema. O funcionamento é caracterizado por diversas variáveis, como o grau de paletização e automação das atividades de carregamento e descarregamento. Já o fluxo de informações pode ser alavancado por meio de sistemas de rastreamento de veículos. Assim sendo, dependendo do tipo de problema, há várias medidas que podem ser tomadas para a redução de desperdícios e de custos, o que constitui um passo para a implementação de um programa de qualidade e produtividade no transporte dentro do contexto de parceria logística. 148 gestao_transportes.indb 148 4/12/2008 11:20:02 Gestão de Transportes Mas você sabe como podemos definir custo? Custo é diferente de gasto e diferente de despesa. Veja com Martins (apud NOVAES, 2001) as explicações para esses três termos. Gasto é o sacrifício financeiro arcado pela empresa para obter um produto ou serviço, ou melhor, está relacionado ao desembolso de certo valor em dinheiro. Assim, por exemplo, se uma transportadora compra 200 pneus para colocar no almoxarifado, o valor desembolsado é um gasto. Agora, o custo se refere à execução de um serviço. Assim, por exemplo, quando são trocados os pneus de um caminhão na oficina da transportadora, requisitados do almoxarifado da empresa, começa a incorrer um custo de uso de pneus, que vai sendo apropriado à medida que os pneus são rodados. E a despesa corresponde ao valor que a empresa separa de suas receitas para cobrir gastos relacionados com as atividades de venda e representação. Assim, por exemplo, quando a transportadora precisa pagar 10% do frete recebido a um representante regional, trata-se de uma despesa. Os custos podem ser calculados de várias formas, o que implica os seguintes tipos de custos: custo histórico; custo orçado; e custo padrão. Unidade 4 gestao_transportes.indb 149 149 4/12/2008 11:20:02 Universidade do Sul de Santa Catarina O custo histórico consiste em extrair da contabilidade os valores reais observados num período de tempo passado. O custo orçado é aquele calculado na ponta do lápis ou por meio de planilhas eletrônicas, partindo-se de valores unitários e índices, para se chegar a uma composição final. O custo padrão é aquele baseado em valores unitários padrões definidos a partir de um conjunto de dados sistematizados e que servem como parâmetro para comparações e decisões futuras. Diversos são os custos que representam a estrutura de custos de transportes, dentre os quais podemos destacar, segundo Lima Junior (2001): custo do frete de diferentes modais; custo da frota própria, que envolve o custo de capital investido; custos operacionais, que incluem os custos de manutenção e os custos de operação, tanto para o caso de transporte próprio, como para o transporte terceirizado. Os custos podem ser classificados em diretos e indiretos, fixos e variáveis. Os custos diretos correspondem diretamente aos serviços oferecidos, enquanto que os custos indiretos só podem ser alocados aos serviços de forma indireta. Os custos diretos são compostos por custos fi xos e custos variáveis. Os custos fi xos são aqueles previamente determinados, não variando com a produção, enquanto que os custos variáveis variam diretamente com a quantidade produzida. São custos fixos, por exemplo, depreciação dos veículos, salários, seguros, remuneração de capital, licenciamento. São custos variáveis, por exemplo, combustível, lubrificantes, pneus, peças de reposição e manutenção, materiais de consumo. 150 gestao_transportes.indb 150 4/12/2008 11:20:02 Gestão de Transportes Os custos indiretos ou custos administrativos são compostos pelos seguintes itens, conforme Valente (2001): honorários da diretoria; encargos sociais; materiais auxiliares; correio, fax e telefone; gratificações, prêmios e comissões; despesas com promoção, propaganda e publicidade; impostos e taxas; despesas com reposição e despesas financeiras; serviços prestados por terceiros; aluguel de armazém e escritórios. A soma dos custos fi xos e variáveis, que direta ou indiretamente interferem no aproveitamento e na rentabilidade operacional de um veículo, forma o custo operacional. Existem quatro elementos básicos em custo de transporte. O conhecimento desses elementos permite que uma empresa obtenha um preço melhor por meio da escolha do modo adequado de transporte. Os elementos básicos que compõem o custo de transporte são: linha de transporte, retirada e entrega, manuseio nos terminais e listagem e coleta, segundo Arnold (2006). Os custos de linha de transporte correspondem aos custos básicos de percurso, ou seja, quando uma mercadoria é embarcada e enviada em um contêiner de transporte que tem uma capacidade de peso e de volume, o transportador terá um custo independentemente de ele estar cheio ou vazio. Esses Unidade 4 gestao_transportes.indb 151 151 4/12/2008 11:20:02 Universidade do Sul de Santa Catarina custos incluem gasolina, salário do motorista e depreciação do equipamento de transporte. Assim sendo, os custos de linha de transporte (CLT) ou custo de percurso variam diretamente com a distância, e não com o peso da carga. Por exemplo: para uma mercadoria, o custo de linha de transporte é de $ 4,83 por quilômetro e a distância é de 62 km, o custo total de linha de transporte é de $ 300,00. Se o cliente envia 20.000 kg ou 5.000 kg, o custo total de linha de transporte será o mesmo, de acordo com Arnold (2006). Entretanto as transportadoras têm limitações ou restrições de capacidade em relação a quanto pode ser transportado em uma viagem. Por isso, devemos considerar as limitações de peso e de volume cúbico do veículo. Dessa forma, o custo de linha de transporte (CTL) por centena de peso (cp) varia com o custo por quilômetro, a distância e o peso da carga transportada, assim como o custo de linha de transporte (CTL) por volume cúbico do veículo. Assim sendo, é possível reduzir os custos de linha de transporte aumentando o peso ou então maximizando o volume transportado. Arnold (2006, p. 389 - 390) apresenta os seguintes exemplos para explicar a variação do custo de linha de transporte, em função da variação da distância e peso (exemplo 1) e da distância e volume transportado (exemplo 2): Exemplo 1: Economia por centena de peso Para determinada mercadoria, o CTL é de $ 1,55 km. Para uma viagem de 804,5 km e uma carga de 272,4 cp, qual é o custo de transporte por cp? Se a carga aumentar para 454 cp, qual é a economia de custo por cp? Resposta: CLT total = $ 1,55 x 804,5 = $ 1.250 Custo por cp = $ 1.250 : 272,4 = $ 4,59 Se a carga aumentar em 454 cp: Custo por cp = $ 1.250 : 454 = $ 2,75 Economia por cp = $ 4,59 - $ 2,75 = $ 1,84 152 gestao_transportes.indb 152 4/12/2008 11:20:02 Gestão de Transportes Exemplo 2: Economia por volume transportado Uma empresa despacha churrasqueiras inteiramente montadas. O CTL médio por embarque é de $ 12,50 por km, e o caminhão transporta 100 churrasqueiras montadas. A empresa decide despachar as churrasqueiras desmontadas e descobre que 500 churrasqueiras podem ser colocadas em um caminhão. Calcule o CTL por churrasqueira montada e desmontada. Se a viagem média é de 300 km, calcule a economia por churrasqueira. Resposta: CLT do item montado = $ 12,50 : 100 = $ 0,125 por churrasqueira inteira CLT do item desmontado = $ 12,50 : 500 = $ 0,025 por churrasqueira por km Economia por km = $ 0,125 – 0,025 = $ 0,10 Economia por viagem = 300 x $ 0,10 = $ 30 por churrasqueira Os custos de retirada e entrega são semelhantes aos custos de linha de transporte, a não ser pelo fato de o custo depender mais do tempo gasto do que da distância viajada. O transportador cobrará a cada retirada de produtos e pelo peso retirado. No caso de um cliente estar efetuando várias remessas, a operação ficará menos custosa, se as cargas forem consolidadas de modo a serem retiradas em uma única viagem. Os custos de manuseio nos terminais dependem do número de vezes que uma remessa deve ser carregada, manuseada e descarregada. Se forem despachadas cargas de caminhão completas, os produtos não precisam ser manuseados no terminal, podendo ir diretamente para o destinatário. Se cargas parciais forem enviadas, elas devem ser levadas ao terminal, descarregadas, separadas e carregadas em um veículo rodoviário. Quando chegam ao destino, as mercadorias precisam ser descarregadas, separadas e carregadas em um veículo de entrega local. Por isso, para reduzir os custos de manuseio nos terminais, é preciso consolidar os carregamentos em menos lotes. Os custos de listagem e coleta decorrem de serviços burocráticos e de emissão de fatura gerados sempre que mercadorias são despachadas. Esses custos podem ser reduzidos, se os carregamentos forem consolidados e se a frequência com que os produtos são retirados for diminuída. Unidade 4 gestao_transportes.indb 153 153 4/12/2008 11:20:03 Universidade do Sul de Santa Catarina Para reduzir os custos de transporte, uma empresa precisa realizar as seguintes ações, conforme Arnold (2006, p. 391): diminuir os custos de linha de transporte, aumentando o peso transportado; diminuir o custo de retirada e entrega, reduzindo o número de retiradas, o que pode ser feito através da consolidação de carregamentos e pelo aumento do peso por retirada; diminuir os custos de manuseio nos terminais, diminuindo o número de carregamentos por meio da consolidação de cargas; diminuir os custos de listagem e coleta, consolidando os carregamentos. Assim sendo, o custo operacional de determinado carregamento tem um custo fi xo e um custo variável a ele associado. Com base nessa estrutura de custo, o transportador cobra uma taxa pelo serviço prestado, sendo que essa taxa também varia de uma situação para outra, dependendo de elementos, tais como valor, densidade, nível de deterioração e embalagem, de acordo com Arnold (2006). Seção 3 – Análise de custo x benefício integrado Há algum tempo, muitas empresas não se preocupavam em analisar os custos de transportes, como também não avaliavam os benefícios integrados com as demais funções logísticas. Nos últimos anos, aumentou o interesse pelo cálculo e pelo controle dos custos, com o fim do controle de fretes, a tendência para a fi xação dos preços, o fim da publicação das tabelas de tarifas, a evolução da informática e o surgimento de computadores de bordo e muitos softwares de cálculo e 154 gestao_transportes.indb 154 4/12/2008 11:20:03 Gestão de Transportes controle, o estreitamento das margens de lucro e a tendência para negociação com base em planilhas abertas. Esse novo cenário está obrigando as empresas a calcularem e analisarem os seus custos operacionais de transporte e aperfeiçoarem seus métodos gerenciais, considerando o conceito de logística integrada. A partir do conceito de logística integrada, as atividades e funções logísticas deixam de ser isoladas e passam a ser percebidas como um componente operacional da estratégia de marketing. A cadeia de abastecimento implica a movimentação de produtos e serviços desde seus pontos de origem até os pontos de consumo. A atividade de transporte gera os fluxos físicos desses produtos ou serviços ao longo dos canais de distribuição, através da utilização das diferentes modalidades de transporte que ligam as unidades físicas de produção ou armazenagem até os pontos de compra ou consumo. Geralmente, a função transporte sofre influências de duas funções logísticas especificamente: o estoque e o serviço ao cliente. Neste sentido, costumam aparecer três questões centrais, de acordo com Fleury (2000), que estão associadas às políticas de transporte e de estoque, à escolha dos modais e à resposta ao cliente. Em relação às políticas de transporte e estoque, o uso de estratégias de redução de estoque, dentro de uma visão integrada da cadeia de abastecimento, exige da função transporte rapidez e consistência necessária para atender aos tamanhos de lote e aos prazos de entrega. Em relação à escolha de modais, dependendo da opção, o transit time poderá variar em dias. Sendo assim, a opção depende do nível de serviço desejado pelo cliente e dos custos associados a cada opção. Unidade 4 gestao_transportes.indb 155 155 4/12/2008 11:20:03 Universidade do Sul de Santa Catarina Por exemplo: um transporte típico de São Paulo para Recife pelo modal rodoviário pode levar cinco dias, enquanto que, pelo ferroviário, pode levar 18 dias. Em relação à resposta ao cliente, geralmente as principais exigências do mercado estão relacionadas com: a pontualidade do serviço; a capacidade de prover um serviço porta a porta; o manuseio de uma grande variedade de produtos; o gerenciamento dos riscos associados a roubos, danos e avarias; e a capacidade de o transportador oferecer mais que um serviço básico de transporte, tornando-se capaz de executar outras funções logísticas. Dessa forma, as respostas para cada uma dessas exigências dependem do desempenho e das características de cada modal de transporte, tanto em relação à dimensão quanto aos custos. A análise do custo de transporte deve considerar os benefícios integrados com os demais custos logísticos. Geralmente, os fretes dos meios mais lentos (navegação e ferrovias) são mais baratos, em termos de custos por modal de transportes, porém ocasionam maiores perdas de vendas. Ballou (2006, p. 151) apresenta um comparativo de preço médio da tonelada/milha conforme o modal de transporte, reproduzido no quadro 4.1. Modal Preço $ tonelada/milha Ferroviário 2,28 Rodoviário 26,19 Hidroviário 0,74 Dutoviário 1,46 Aeroviário 61,20 Quadro 4.1 - Preço médio da tonelada/milha por modal de transporte. Fonte: Ballou (2006, p. 151). 156 gestao_transportes.indb 156 4/12/2008 11:20:03 Gestão de Transportes O gestor de transportes precisa escolher o meio ou o conjunto de modais que minimiza o custo total. Por isso, deve calcular e controlar os custos operacionais, pois as variáveis que influenciam tal custo e as peculiaridades de cada empresa são múltiplas. Dentre essas variáveis, podemos destacar a quilometragem percorrida, o tipo de operação, o tipo manutenção, o tipo de estrada, o local de operação, o tipo de carga, o tipo de tráfego, o porte do veículo, a velocidade e a existência ou não de carga de retorno. O custo operacional varia conforme o tipo de serviço e o usuário. Sendo assim, para um mesmo tipo de serviço não se pode considerar um custo operacional padrão para todas as empresas. Como os custos fixos diminuem, mas as variáveis aumentam com a velocidade, existe sempre uma velocidade mais econômica para o veículo rodar. Seção 4 – Modalidades de entrega e custos operacionais Para garantir a competitividade, as empresas precisam manter um sistema de apropriação de custos adequado, capaz de identificar de forma precisa os custos incorridos na prestação de serviços de transportes e logísticos, avaliando os custos operacionais em cada modalidade de entrega, para assegurar preços mais justos aos clientes e evitar que os concorrentes ofereçam os mesmos serviços a preços mais acessíveis. É importante que o gestor de transporte domine as técnicas de formação e controle dos custos operacionais de cada modalidade de transportes, tanto para oferecer ao cliente um custo real, como para ter condições de discutir tecnicamente as planilhas que lhe forem apresentadas. Unidade 4 gestao_transportes.indb 157 157 4/12/2008 11:20:03 Universidade do Sul de Santa Catarina O uso de mais de um modal de transporte é justificado, porque cada um deles possui vantagens tanto pelo serviço quanto pelo custo. Para escolher combinação, é preciso avaliar o valor agregado de cada produto e a segurança no transporte, de acordo com Gomes (2004). Os cinco modais básicos de transporte, como já vimos, são: o ferroviário; o rodoviário; o hidroviário (ou aquaviário); o dutoviário; e o aéreo. Cada um deles tem suas próprias características de custo e serviço. Esses elementos definem qual método é mais adequado para os tipos de produtos movimentados. A importância relativa de cada modal pode ser medida em termos da quilometragem do sistema, do volume, da receita e da natureza da composição do tráfego. Dessa forma, determinado modal de transporte é mais simples ou mais apropriado para um tipo de produto e menos para outro. Por exemplo: os caminhões são mais adequados para transportar pequenas cargas para diversos locais, enquanto que os trens são mais indicados para movimentar quantidades volumosas, principalmente commodities, segundo Arnold (2006). No Brasil, ainda existem muitas barreiras que impedem o uso mais racional de todas as alternativas modais, multimodais e intermodais. Entretanto existem perspectivas para os próximos cinco anos, principalmente no sentido de aumentar a movimentação de produtos de baixo valor agregado, como minério de ferro, grãos e cimento, pelo transporte ferroviário. 158 gestao_transportes.indb 158 4/12/2008 11:20:03 Gestão de Transportes As decisões em relação à modalidade de transporte devem considerar o desempenho de cada tipo de transporte no que se refere, segundo Bertaglia (2003): ao preço; ao volume de carga; à capacidade; à flexibilidade; ao tempo de demora; aos terminais de carga e descarga; à legislação e às regras governamentais; e ao custo logístico total. Essas variáveis podem ser agrupadas em seis fatores principais, segundo Nazário (apud GOMES, 2004 e REIS, 2001): custos operacionais, velocidade, disponibilidade, confiabilidade, capacidade de movimentação e frequência. Os custos operacionais incluem os fi xos e os variáveis. O custo fi xo se refere à necessidade de investimento inicial por tonelada e, geralmente, quanto maior a capacidade, maior a necessidade de investimento, como o transporte marítimo, ferroviário e dutoviário. O custo variável se refere ao custo de operação por tonelada-quilometragem e, de modo geral, quanto maior a capacidade, menor o custo variável, como é o caso do transporte marítimo. A velocidade, entendida como rapidez do transporte, refere-se ao tempo decorrido de movimentação em certa rota, também conhecido como transit time, fator tanto mais importante quanto maior for o valor da mercadoria por tonelada. Geralmente, os meios mais rápidos são aqueles de maior custo por tonelada, como por exemplo, o transporte aéreo. Unidade 4 gestao_transportes.indb 159 159 4/12/2008 11:20:03 Universidade do Sul de Santa Catarina A disponibilidade é a capacidade que cada modal tem de atender a entregas, sendo as transportadoras rodoviárias as que possuem maior disponibilidade, pois conseguem se dirigir diretamente para os pontos de origem e destino, caracterizando um serviço porta a porta, ou seja, a existência do meio nas várias origens e destinos. Fique ressaltado que, no caso brasileiro, há pouca disponibilidade de meios não-rodoviários. A confiabilidade, ou probabilidade de que a mercadoria chegue ao destino sem avarias, dentro do prazo programado, refere-se à possibilidade de um modal de transporte em lidar com qualquer requisito de transporte, como tamanho e tipo de carga, e, neste caso, os dutos e rodovias têm alta confiabilidade. A capacidade de movimentação refere-se ao volume de carga transportado por viagem, sendo que, geralmente, os meios mais lentos, como o ferroviário e o marítimo, são os que apresentam maior capacidade. A frequência está relacionada com a quantidade de movimentações programadas, ou intervalos entre viagens, sendo que o transporte dutoviário apresenta a melhor frequência, pois o serviço é contínuo, enquanto que outros meios de grande capacidade, como o ferroviário e o hidroviário, apresentam baixa frequência. Cabe ressaltar que capacidade de movimentação, confiabilidade, disponibilidade, frequência e velocidade são características operacionais que tornam diferente o desempenho de um para outro modal, de acordo com Gomes (2004). 160 gestao_transportes.indb 160 4/12/2008 11:20:03 Gestão de Transportes O quadro 4.2 mostra o desempenho de cada modal, sendo que a menor pontuação indica a melhor classificação. Características operacionais Ferroviário Rodoviário Hidroviário Dutoviário Aéreo Capacidade 2 3 1 5 4 Confiabilidade 3 2 4 1 5 Disponibilidade 2 1 4 5 3 Frequência 4 2 5 1 3 Velocidade 3 2 4 5 1 Resultado 14 10 18 17 16 Quadro 4.2 - Características operacionais relativas por modal. Fonte: Nazário (apud FLEURY apud GOMES, 2004, p. 88). De acordo com o quadro 4.2, o modal rodoviário destaca-se com o melhor desempenho. Na maioria dos casos, o transporte rodoviário apresenta ainda mais vantagens em relação aos outros modais, segundo Reis (2001), como as que seguem: baixa capacidade, porém mais alta do que a do transporte aéreo; baixo custo fi xo, pois as rodovias são construídas pelo governo e os equipamentos de transporte podem ser adquiridos até por pessoas físicas; boa confiabilidade: só é superado pelo dutoviário; boa disponibilidade, pois é o único que cobre praticamente todo o país e o único que faz o transporte porta a porta: o Brasil tem 1,8 milhão de quilômetros de rodovias contra menos de 30 mil quilômetros de ferrovias; boa frequência: só é superado pelo dutoviário; boa rapidez: só é superado pelo aéreo; Unidade 4 gestao_transportes.indb 161 161 4/12/2008 11:20:03 Universidade do Sul de Santa Catarina custo variável médio, inferior ao do aéreo, porém superior aos dos demais, especialmente porque o diesel é relativamente barato no Brasil. Considerando-se a estrutura de custos de cada modal, Gomes (2004) e Ballou (2006) apresentam as análises que vamos ver a seguir em relação aos transportes ferroviário, rodoviário, aquaviário e aeroviário. O transporte ferroviário Por se tratar de transportador tanto de carga quanto de passageiros, a empresa ferroviária tem custos fi xos altos, em decorrência das operações de carga e descarga, faturamento e cobrança, manobra de trens de múltiplos produtos e embarques, equipamentos, manutenção e depreciação das vias férreas, depreciação das instalações dos terminais e despesas administrativas. Por outro lado, apresenta um custo variável baixo, considerando os custos de percurso das ferrovias, que incluem salários, combustível, lubrificantes e manutenção. O transporte rodoviário Como as empresas não são proprietárias das rodovias nas quais operam, os custos fi xos são os mais baixos dentre todos os modais, apresentando características de custos contrastantes com as das ferrovias. O veículo é uma unidade de transporte cujas operações em terminais não exigem equipamentos dispendiosos. Entretanto possui custo variável mais elevado, uma vez que os custos de construção e manutenção das rodovias são cobrados dos usuários através de impostos sobre os combustíveis, pedágios e taxas por peso-milhagem. 162 gestao_transportes.indb 162 4/12/2008 11:20:03 Gestão de Transportes O transporte hidroviário O transporte hidroviário ou aquaviário tem custo fi xo médio em equipamentos de transportes e instalações de terminais, sendo que as hidrovias e os portos são de propriedade e operação públicas. Os custos fi xos predominantes no orçamento do transportador hidroviário decorrem das operações realizadas nos terminais, tais como tarifas portuárias e custos de carga e descarga. Esses custos altos dos terminais são compensados pelos baixos custos variáveis de percurso, uma vez que o transportador não tem despesas pelo uso das vias aquáticas. Assim, com altos custos nos terminais e baixos custos de percurso, quanto maior for a distância percorrida e o tamanho da carga transportada, menores serão os custos O transporte dutoviário O transporte dutoviário é realizado através de dutos. Esses dutos são de propriedade das empresas de transporte dutoviário, assim como os terminais e equipamentos de bombeamento. Também são arrendatárias ou proprietárias do direito de uso do duto. Essa situação implica altos custos fi xos, os maiores dentre todos os modais. Os custos variáveis estão relacionados à energia para movimentar o produto e os custos relativos à operação das estações de bombeamento. Para garantir a competitividade, os dutos precisam trabalhar com altos volumes para ratear os altos custos fi xos. Os custos da tonelada-milha diminuem em dutos maiores e também quando um volume grande demais é forçado pelo duto de um determinado tamanho. Assim, os custos fi xos são mais altos em direitos de acesso, construção, controle de estações e capacidade de bombeamento, e custo variável mais baixo, principalmente o custo de mão-de-obra. Unidade 4 gestao_transportes.indb 163 Leia ao final desta unidade, no Saiba Mais, mais informações e algumas inovações no campo do transporte dutoviário, nos artigos “A Energia do Brasil passa por aqui” e “Os dutos para álcool e minério”. Veja mais detalhes no Saiba Mais desta unidade. 163 4/12/2008 11:20:04 Universidade do Sul de Santa Catarina O transporte aeroviário Muitos dos custos do transporte aeroviário são característicos dos transportes rodoviários e hidroviário, tendo em vista que as empresas de aviação não são proprietárias nem do espaço, nem dos terminais aéreos. Entretanto essas empresas compram serviços nos aeroportos, na forma de combustível, armazenagem, aluguel de espaço e taxas de pouso, manutenção em terra, coleta e entrega. Esses serviços constituem os custos de terminais para o transporte aéreo. As empresas aéreas também têm os custos de depreciação dos equipamentos, uma vez que são proprietárias ou locatárias das aeronaves. Os custos variáveis são afetados mais pela distância que pelo tamanho da carga. Como os aviões têm sua maior ineficiência nas fases de decolagem e pouso, os custos variáveis são reduzidos pela extensão do percurso. A composição dos custos fi xos e variáveis torna o transporte aéreo o mais caro, principalmente para curtas distâncias. O transporte aéreo possui custo fi xo alto em aeronaves, manuseio de sistemas de carga, como também custo variável alto em combustível, mão-de-obra e manutenção. Combinação de modais Existe também a possibilidade de optar pela integração entre os vários modais: aerorrodoviário; ferrorrodoviário, aquaviário-ferrroviário, aquaviário-rodoviário. Também existe a possibilidade de combinar mais de dois modais. Os operadores intermodais utilizam vários modais de transporte para obter as economias de cada um e ofertar um serviço integrado ao menor custo total. O objetivo de cada combinação é integrar características mais vantajosas de cada modal, caracterizadas tanto pelo serviço, quanto pelo custo, como também pela segurança e pelo valor agregado dos produtos transportados, visando conseguir ótimo desempenho. Existem diversas agências que oferecem serviços de transportes multimodais. 164 gestao_transportes.indb 164 4/12/2008 11:20:04 Gestão de Transportes Assim, ao final desta unidade, você pode conhecer os principais fatores que devem ser considerados na análise de desempenho e de custos de transportes. Síntese Nesta unidade, você aprendeu que medir o desempenho dos serviços de transporte é considerar quanto são atingidos os principais objetivos do sistema de prestação do serviço no conjunto das operações realizadas. Você também aprendeu que, para avaliarmos o desempenho de transportes, é preciso analisar os custos, a capacidade, o tempo, a qualidade e o nível de serviço. Você ainda viu que as variáveis que influenciam o processo de custo são muitas, dentre elas podemos destacar quilometragem percorrida, tipo de operação, manutenção do veículo, local de trabalho, mão-de-obra do motorista. Além disso, percebeu que existem quatro elementos básicos em custo de transporte. Conhecer esses custos permite que uma empresa obtenha um preço melhor por meio da escolha do modo adequado de transporte. Esses elementos básicos são linha de transporte, retirada e entrega, manuseio nos terminais e listagem e coleta. Você ainda notou que, geralmente, a função transporte sofre influências de duas funções logísticas especificamente: o estoque e o serviço ao cliente. Neste sentido, como você aprendeu, costumam aparecer três questões centrais, que estão associadas às políticas de transporte e de estoque, à escolha dos modais e à resposta ao cliente. Você aprendeu, enfim, que as decisões em relação à modalidade de transporte devem considerar o desempenho de cada tipo de transporte no que se refere ao preço, volume de carga, capacidade, flexibilidade, tempo de demora, terminais de carga e descarga, legislação e regras governamentais, como também, velocidade, disponibilidade, confiabilidade, capacidade de movimentação e frequência, custo logístico total e custos operacionais. Unidade 4 gestao_transportes.indb 165 165 4/12/2008 11:20:04 Universidade do Sul de Santa Catarina Atividades de auto-avaliação Para praticar os conhecimentos adquiridos nesta unidade, realize as atividades propostas. O gabarito está disponível no fim do livro didático. Mas esforce-se para resolver as atividades sem a ajuda do gabarito, pois, assim, você estará estimulando sua aprendizagem. 1. Explique como um expedidor pode reduzir os custos do manuseio nos terminais. 2. O desempenho de cada modal de transporte por características operacionais também apresenta diferenças de um para outro. Considerando velocidade, disponibilidade e frequência e os modais ferroviário, hidroviáro ou aquaviário, nomeie qual modal apresenta o melhor e o pior desempenho e justifique a sua resposta, apontando as características que mais se destacam nos dois casos. 166 gestao_transportes.indb 166 4/12/2008 11:20:04 Gestão de Transportes Saiba mais Para aprofundar as questões abordadas nesta unidade, você poderá consultar o material a seguir: Livros ARNOLD, J.R.Tony. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 2006. BALLOU, Ronald. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. Porto Alegre: Bookman, 2006. CAIXETA FILHO, J.C; MARTINS, Ricardo Silveira. Gestão logística do transporte de cargas. São Paulo: Atlas, 2001. Artigos REPORTAGEM ESPECIAL: A ENERGIA DO BRASIL PASSA POR AQUI Já com uma grande rede de diversos tipos de dutos, o Brasil agora projeta o primeiro alcoolduto do mundo. A família dos dutos é grande: aqueduto, oleoduto, gasoduto, poliduto, minerioduto e o alcoolduto, que é o filho mais novo. É o modal de transporte mais eficiente para transporte de granéis líquidos e até sólidos. Os dutos proporcionam economia, rapidez, segurança e não poluem a atmosfera com gases tóxicos, como os caminhões. O maior investimento é para a implantação; depois o transporte constante e sem engarrafamento permite grandes economias, somente com o custo da manutenção. No caso do etanol a criação dessa estrutura de transporte vai tornar o preço do álcool brasileiro ainda mais competitivo no mercado exterior. A engenharia de dutos começou com os aquedutos na Antiguidade. Em 1865 foram construídos os primeiros dutos para transporte de petróleo e gás nos Estados Unidos. No Brasil, o primeiro poliduto foi construído no início da década de 1950 na Serra do Mar, para transportar diversos combustíveis de Cubatão para São Paulo. Na década de 1990 foi executado o gasoduto da Bolívia ao Brasil, com 2.593 km no lado Unidade 4 gestao_transportes.indb 167 167 4/12/2008 11:20:04 Universidade do Sul de Santa Catarina brasileiro, que hoje é responsável por 60% do abastecimento de gás no país. O Gasbol tem capacidade de transportar 30 milhões de metros cúbicos por dia e é operado pela empresa Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil, uma sociedade anônima brasileira de capital fechado, que tem a Petrobras como uma das acionistas. Com o aumento da demanda no mercado internacional para etanol, o país prepara a construção de um alcoolduto, para interligar as regiões produtoras do Centro-Oeste e Sudeste ao transporte marítimo. No Brasil, o setor privado também planeja o investimento do maior minerioduto do mundo, de 525 km, ligando a cidade de Mariana, em Minas Gerais, ao Porto do Açu, no Litoral Norte do Rio de Janeiro. A mineradora MMX pretende começar as obras ainda nesse ano e prevê uma economia de 90% em relação ao transporte ferroviário de minério de ferro. Os especialistas em transportes calculam que os dutos são 100 vezes mais seguros do que o transporte rodoviário e 40 vezes mais seguros do que o transporte ferroviário. Mas também há riscos, que podem causar graves prejuízos ambientais e tragédias, como os vazamentos na baía de Guanabara e o acidente que destruiu a Vila Socó em Cubatão. Atualmente o Brasil tem uma rede de dutos com cerca de 20 mil km, bem abaixo dos Estados Unidos, com 440 mil km e do México, com 42 mil km. No Brasil, a maior malha de dutos pertence à Transpetro, a empresa de transporte da Petrobras. A rede atual de dutos da Transpetro é de 10 mil km de extensão (7 mil km de oleodutos e 3 mil km de gasodutos). Um dos maiores em extensão é o poliduto que liga Brasília à cidade de Guararema, em São Paulo, onde faz interligações ao Porto de São Sebastião, Grande São Paulo e Rio de Janeiro. As cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro também estão interligadas por polidutos e gasodutos. Outro importante poliduto faz a ligação entre a refinaria de Curitiba até Florianópolis. No Nordeste, a principal ligação dutoviária existente é o gasoduto entre as cidades de Maceió (AL) e Fortaleza (CE), onde nas proximidades está sendo construído um terminal em Pecém. Na Amazônia, há um gasoduto e um duto entre os postos de extração em Urucu e o terminal de Coari e recentemente a Petrobras executou uma obra de ligação através do leito do Rio Negro até Manaus. Entre os principais projetos da Transpetro está a construção de um gasoduto entre Urucu e Porto Velho, na região amazônica e um poliduto para fazer a ligação entre Cuiabá e Curitiba. A Petrobras tem um projeto para investimentos de R$ 2 bilhões na rede de dutos no Estado de São Paulo. O Plano Diretor de Dutos de São Paulo (PDD-SP) vai abranger 27 municípios paulistas e a previsão é de que as obras gerem 28 mil empregos, diretos e indiretos. É um projeto de modernização e ampliação nas ligações dutoviárias entre terminais e refinarias do Estado. Na área do etanol, o projeto pioneiro do alcoolduto prevê uma ligação de 1.150 km, entre a cidade de Buriti Alegre, no sul de Goiás, passando por Uberaba (MG), Ribeirão Preto (SP), Paulínia (SP) e Guararema (SP), chegando até o Porto de São Sebastião ou Ilha D´Agua, no litoral do Rio de Janeiro. 168 gestao_transportes.indb 168 4/12/2008 11:20:04 Gestão de Transportes Recentemente, a Petrobrás anunciou a antecipação do prazo do projeto em um ano, devido às previsões do aumento do interesse no mercado internacional. A conclusão das obras estava inicialmente prevista para 2010 e o início das operações agora está programado para o final de 2009. O alcoolduto vai custar US$ 1,2 bilhão e terá capacidade de transportar 8 milhões de metros cúbicos por ano. O volume diário transportado será equivalente a cerca de 1.000 caminhões tanque por dia. A verba do projeto desse alcoolduto está prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. O gerente geral de Novos Negócios e Parcerias da Transpetro disse que o projeto de escoamento da produção de etanol leva em conta as exportações e o aumento do consumo interno, com os automóveis com tecnologia flex-fuel. O Brasil tem uma oportunidade histórica, tem as melhores condições para plantação de cana-de-açúcar, o clima e a terra são ideais, o país tem 14% de água doce do mundo e grande extensão territorial, mas precisa solucionar os gargalos logísticos para competir no mercado global. O estudo do projeto do corredor de exportação, de transporte da usina até o porto marítimo, prevê a intermodalidade com a utilização da hidrovia Tietê-Paraná. O NIPE (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) da Unicamp defende o planejamento, em todas as questões, com ações pautadas nas questões agrícolas, científicas e ambientais. Outra autoridade no assunto é José Vicente Caixeta Filho, professor titular do Departamento de Economia da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Ele explica: “os materiais para dutos de álcool devem ter um cuidado maior por causa da corrosão do produto. Também se deve observar os problemas de contaminação do combustível ao longo do caminho, não pode haver impurezas e o mercado asiático requer um certificado de qualidade do produto”. A Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo) foi a primeira entidade a sugerir a construção de um alcoolduto entre as principais regiões produtoras do Interior de São Paulo ao litoral. Há um estudo em conjunto com a Secretaria de Transportes do Governo do Estado de São Paulo para a viabilização da obra. O alcoolduto projetado pela Unica vai interligar as principais usinas de São Paulo até Paulínia e o Porto de São Sebastião. A previsão é transportar 10 bilhões de litros de álcool, metade na primeira fase e outra metade após a expansão. Atualmente está sendo estudada a união dos dois projetos de alcoolduto, da Unica e da Petrobras. CARGONEWS. Reportagem especial: A energia do Brasil passa por aqui. Disponível em: <http://www.cargonews.com.br/materias94/materias/08.asp>. Acesso em: 14 out. 2008. Unidade 4 gestao_transportes.indb 169 169 4/12/2008 11:20:04 Universidade do Sul de Santa Catarina OS DUTOS PARA ÁLCOOL E MINÉRIO A utilização de dutos remonta a séculos antes da era cristã. O primeiro de que se tem notícia é o de Jerwan, construído na Assíria em 691 a.C. para levar água doce até a cidade Nínive. Na Roma antiga, com o aperfeiçoamento da engenharia do transporte de água, os aquedutos se multiplicaram e ficaram mais complexos. No formato atual, com tubos fechados de metal e mecanismos de bombeamento para impulsionar produtos como petróleo e gás, os dutos apareceram em 1865, nos Estados Unidos. Hoje representam um sistema de transporte indispensável à economia mundial. O total da malha ultrapassa 3,5 milhões de quilômetros – ou nove vezes a distância entre a Terra e a Lua. Os dutos são quarenta vezes mais seguros que o transporte de carga ferroviária e 100 vezes mais seguros que o transporte por caminhão. No Brasil a rede de dutos ainda é diminuta: 20 000 quilômetros, abaixo dos 440 000 quilômetros dos americanos e dos 42 000 quilômetros de dutos no México. No entanto, com a capacidade de uso das ferrovias e rodovias brasileiras batendo no limite, o estado e o setor privado planejam construir dois dutos de extrema relevância logística. A Petrobras quer fazer um alcoolduto de 1.150 quilômetros para escoar o etanol destinado à exportação até o Porto de São Sebastião, em São Paulo. Será o primeiro duto da história feito exclusivamente para transportar etanol. O governo e a estatal acertam detalhes finais para tirá-lo do papel ainda em 2008. O outro projeto de duto é da mineradora MMX. A empresa pretende iniciar em 2008 o maior mineroduto do mundo, com 525 quilômetros de extensão, para interligar jazidas de minério de ferro localizadas na região de Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, ao Porto de Açu, no Rio. O alcoolduto planejado pela Petrobras visa a escoar a produção de álcool do interior do país. Ele terá capacidade para transportar, por dia, o equivalente a 1 000 caminhões-tanque. Seu traçado ainda é tema de discussões políticas. Cidades de Goiás querem sediar os terminais de distribuição que acompanharão o trajeto. Com isso, pretendem receber polpudos investimentos oficiais. O alcoolduto partiria inicialmente da cidade de Senador Canedo, mas recebeu uma mudança de última hora: agora ele deve partir de Buriti Alegre. Esse não é o único alcoolduto em gestação. Outro está sendo elaborado pela Unica, entidade que reúne os maiores produtores de etanol do país, em parceria com o governo de São Paulo. O mineroduto planejado pela MMX não terá participação estatal. Estrela da bolsa de valores em 2007, a companhia de Eike Batista arrecadou cerca de 1 bilhão de reais com a abertura de capital. Isso lhe deu recursos para viabilizar sozinha o projeto. Seu objetivo é acelerar e baratear a exportação de minério de ferro para a China. Cada quilômetro da construção custará 1,3 milhão de dólares, cerca de 25% menos do que o que seria gasto para construir uma ferrovia com a mesma destinação. Para transportar cada tonelada de minério, da mina ao porto, a MMX gastará em torno de 1,20 real. Se optasse pelo transporte ferroviário, 170 gestao_transportes.indb 170 4/12/2008 11:20:04 Gestão de Transportes gastaria dez vezes mais. Minerodutos como o planejado pela MMX não transportam minério puro, mas a polpa (lama) extraída diretamente da mina. Essa polpa é colocada no duto e bombeada até uma estação de processamento próxima ao porto. Já há outros dois minerodutos em operação no país. O mais antigo é o da Samarco Mineração, joint-venture da Vale com a australiana BHP Billiton – por enquanto o maior duto de minério de ferro do mundo, com 396 quilômetros. A empresa investiu 750 milhões de reais na construção de um novo ramal, paralelo ao antigo. Apesar das várias vantagens dos dutos em comparação a outros meios de transporte, eles só são viáveis se houver escala. O Império Romano implantou sistemas de água em 200 cidades, na Europa, na Ásia e no norte da África. Dois dos aquedutos feitos pelos romanos – o de Pont du Gard, na França, e o de Segóvia, na Espanha – são utilizados até hoje, 2 000 anos após sua construção. O primeiro aqueduto romano foi erguido cerca de 300 anos antes de Cristo. Denominado Apia, era totalmente subterrâneo e tinha 10 quilômetros. O Aqua Márcia foi o primeiro suspenso, construído entre os anos 144 e 140 a.C. com 81 quilômetros de extensão. Ao todo, a Roma antiga tinha catorze grandes aquedutos, que chegaram a conduzir 200 milhões de litros de água por dia. DUALIBI, Júlia; EDWARD, Jose. Os dutos para álcool e minério. Revista Veja. 21 Dez 2007. Disponível em: <http://arquivoetc.blogspot.com/2007/12/os-dutos-para-lcool-e-minrio.html>. Acesso em: 14 out. 2008. Unidade 4 gestao_transportes.indb 171 171 4/12/2008 11:20:04 gestao_transportes.indb 172 4/12/2008 11:20:04 Para concluir o estudo Ao longo desta disciplina, você aprendeu que, atualmente, muitos fatores vêm modificando o ambiente empresarial, pois clientes e consumidores convivem com uma maior oferta de produtos e serviços e uma maior disponibilidade de informações, o que permite aumentar o grau de exigência na hora da compra. A logística é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às exigências dos clientes e consumidores. Você viu, nesse contexto, que o transporte tem papel importante no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente na cadeia de abastecimento. Os transportes são classificados em modais, multimodais ou intermodais. Os modais envolvem apenas uma modalidade de transporte, que pode ser aérea, hidroviária ou terrestre; os multimodais correspondem à utilização de mais de uma modalidade de transporte, desde a origem até o destino da carga, regida por um único contrato de transporte; os intermodais combinam diversos modais de transportes, regidos, entretanto, por diferentes tipos de contratos. Você também aprendeu que muitas empresas possuem frota de veículos própria, outras preferem contratar o serviço de terceiros. Você ainda viu que a tecnologia da informação vem sendo utilizada na criação de novas oportunidades para o planejamento, o controle e a operação das atividades de transportes, tais como o EDI, a internet e as soluções automatizadas para transportadoras. gestao_transportes.indb 173 4/12/2008 11:20:04 Universidade do Sul de Santa Catarina Também ficou sabendo que a avaliação de desempenho de transportes contempla a análise de custos, a capacidade, o tempo, a qualidade e o nível de serviço e que os custos de transporte são influenciados por diversas variáveis, que precisam ser conhecidas pela empresa. Você também aprendeu que, no conceito de logística integrada, a função transporte sofre influências de duas funções logísticas especificamente: o estoque e o serviço ao cliente. Neste sentido, costumam aparecer três questões centrais, que estão associadas às políticas de transporte e de estoque; à escolha dos modais; à resposta ao cliente. Na seleção dos meios de transporte, você observou que devemos levar em conta alguns fatores, tais como: custos, velocidade, disponibilidade, confiabilidade, capacidade de movimentação e frequência. Viu também que é possível optar por uma combinação de modais. O estudo desta disciplina termina por aqui. Você, entretanto, deve continuar seus estudos, pois, com certeza, poderá contribuir, apresentando ideias e sugestões que possibilitem melhorar a gestão de transportes nas empresas. Sucesso e boa sorte. Terezinha Damian Antônio 174 gestao_transportes.indb 174 4/12/2008 11:20:04 Sobre a professora conteudista Terezinha Damian Antônio é graduada em Serviço Social e Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina, especialista em Gestão Organizacional pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Comércio Exterior pela Universidade Católica de Brasília e mestre em Administração pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Atualmente é professora das disciplinas de Direito Comercial III e IV no curso de Direito no campus de Araranguá; Gestão Estratégica de Marketing III e IV no curso de Marketing no campus de Tubarão; Gestão Estratégica de Negócios Internacionais I no curso de Relações Internacionais, no campus Tubarão; Direito Comercial e Contratos Internacionais, Direito Empresarial, Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento, Gestão da Inovação em Micro e Pequenas Empresas, Gestão de Marketing I, Gestão de Vendas, Gestão de Vendas e Atendimento ao Cliente, Gestão Estratégica de Negócios Internacionais II e Pesquisa de Marketing no Ensino a Distância da Unisul. É coordenadora dos Estágios Supervisionados I e II do curso de Relações Internacionais da Unisul, campus Tubarão. É professora conteudista das disciplinas de Direito Comercial e Contratos Internacionais, Gestão da Cadeia de Abastecimento, Gestão da Inovação em Micro e Pequenas Empresas, Gestão da Qualidade e Produtividade, Gestão de Compras na Área Pública e Privada, Gestão de Vendas, Gestão de Empresas Familiares, Gestão Estratégica II e Pesquisa de Marketing no Ensino a Distância da Unisul. gestao_transportes.indb 175 4/12/2008 11:20:05 Universidade do Sul de Santa Catarina Na Universidade do Sul de Santa Catarina, já lecionou as disciplinas Ciência Política, Direito Comercial, Gestão de Organizações, Gestão de Pessoas, Instituições de Direito Público e Privado e Planejamento e Gestão de Programas e Projetos Sociais, no curso de Administração, na unidade de Braço do Norte, no curso de Turismo, na unidade de Içara, e nos cursos Relações Internacionais e Serviço Social no campus de Tubarão. Iniciou sua carreira profissional na universidade em março de 2002, como professora das disciplinas de Legislação Social, no curso de Administração da Unisul campus Araranguá e Içara e de Instituições de Direito Público e Privado no curso de Relações Internacionais da Unisul campus Tubarão. Também foi coordenadora de Estágio Supervisionado I e II do curso de Ciências Econômicas no campus Tubarão. Trabalhou na Caixa Econômica Federal, exercendo funções operacionais e gerenciais em várias agências, com atuação voltada para a área de captação de recursos financeiros, crédito e cobrança bancária e títulos de crédito. 176 gestao_transportes.indb 176 4/12/2008 11:20:05 Referências ABRAHÃO, Fábio Almeida. Vias transversas do transporte terceirizado. Revista Custo Brasil. Disponível em: <http://www. revistacustobrasil.com.br/pdf/12/Artigo%2005.pdf>. Acesso em: 10 set. 2008. ALBANO, João Fortini. Transporte e consumo ambiental. 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Tem papel fundamental em várias estratégias na rede logística e, principalmente, no desempenho das diversas dimensões de serviços ao cliente, porque permite disponibilizar o produto certo, na quantidade certa, na hora certa, no lugar certo, ao menor custo possível, criando condições de competitividade para a empresa. Entretanto as atividades da rede logística exercem influência no meio ambiente. Por isso, as empresas precisam realizar suas operações logísticas de maneira menos agressiva ao meio ambiente. Os transportes contribuem negativamente com os danos ambientais dentro da cadeia logística. O transporte rodoviário é o maior causador da poluição do ar, pela emissão de gases poluentes e ruídos, deterioração da paisagem, efeitos sobre o clima e congestionamentos, como também pelos danos à saúde. Nesse sentido, para que o transporte continue desempenhando de forma positiva o seu papel na logística, é necessário que as empresas utilizem os meios de transportes de forma eficiente, para amenizar os problemas ambientais. Unidade 2 1) No Brasil, o modal de transporte mais utilizado é o modal rodoviário. Esse modal é o mais independente dos transportes, porque possibilita movimentar uma grande variedade de materiais para qualquer destino, devido à sua flexibilidade, sendo utilizado para pequenas encomendas em curtas, médias ou longas distâncias, por meio de coletas e entregas ponto a ponto. Nesse sentido, caracteriza-se pela facilidade na entrega da mercadoria, fazendo a conexão entre os diferentes modos de transporte e seus respectivos pontos de embarque e desembarque. Para haver um equilíbrio com os demais modais, o Brasil precisa investir em portos, aeroportos e ferrovias. gestao_transportes.indb 181 4/12/2008 11:20:05 Universidade do Sul de Santa Catarina 2) As vantagens da unitização de cargas, considerando as formas de pallets e contêineres são as seguintes: diminuição das avarias e roubos de mercadorias; incentivo da aplicação do sistema porta a porta; melhoria no tempo de operação de embarque e desembarque; padronização internacional dos recipientes de unitização; redução do número de volumes a manipular, dos custos de embalagens e de embarque e desembarque; minimização do custo hora/homem; menores custos de manutenção do inventário e melhor controle sobre ele; rapidez na estocagem e racionalização do espaço de armazenagem, com melhor aproveitamento vertical e uniformização da área de estocagem; redução de acidentes pessoais e dos danos aos produtos; redução do tempo de rotulagem; melhor aproveitamento dos equipamentos de movimentação. Unidade 3 1) O termo roteirização ou roteamento de veículos consiste no processo para a definição de um ou mais roteiros de paradas a serem cumpridos por veículos de uma frota, com o objetivo de visitar determinados pontos dispersos geograficamente, em locais pré-estabelecidos, que necessitam de atendimento. Os vários problemas diferem entre si em aspectos relacionados, principalmente, ao tipo de operação, ao tipo de carga, ao tipo de frota utilizada, à localização dos clientes, ao tipo de restrições e aos objetivos e às variáveis de decisão da empresa. O problema básico de roteirização é encontrar a solução para os veículos localizados em um depósito central que devem ser programados para visitar clientes geograficamente dispersos, de modo a atender a suas demandas conhecidas, sendo que as restrições mais usuais estão relacionadas às capacidades dos veículos, além do grande número e variedade de restrições adicionais e extensões, que são frequentemente encontradas em situações reais. A programação de veículos inclui a determinação do número de veículos envolvidos, suas capacidades, os pontos de parada para coleta ou entrega em cada roteiro de um dado veículo e a sequência das paradas para coleta ou entrega. Para desenvolver boas rotas e boa programação de veículos, existem princípios que norteiam as decisões, assim como métodos específicos. Unidade 4 1) Os custos de manuseio nos terminais dependem do número de vezes que uma remessa deve ser carregada, manuseada e descarregada. Se forem despachadas cargas de caminhão completas, os produtos não precisam ser manuseados no terminal, podendo ir diretamente para o destinatário. Se cargas parciais forem enviadas, elas devem ser levadas ao terminal, descarregadas, separadas e carregadas em um veículo 182 gestao_transportes.indb 182 4/12/2008 11:20:05 Gestão de Transportes rodoviário. Quando chegam ao destino, as mercadorias precisam ser descarregadas, separadas e carregadas em um veículo de entrega local. Por isso, para reduzir os custos de manuseio nos terminais, é preciso reduzir o esforço de manuseio, consolidando os carregamentos em menos lotes. 2) Considerando as características operacionais de velocidade, disponibilidade e frequência, o modal que apresenta melhor desempenho é o ferroviário, uma vez que apresenta melhor velocidade e disponibilidade; e o que apresenta pior desempenho é o dutoviário, porque apresenta pior desempenho em duas características, velocidade e disponibilidade. Características operacionais Ferroviário Hidroviário Dutoviário Disponibilidade 1 2 3 Frequência 2 3 1 Velocidade 1 2 3 Resultado 4 7 7 183 gestao_transportes.indb 183 4/12/2008 11:20:05 gestao_transportes.indb 184 4/12/2008 11:20:05