0
BACIA HIDROGRÁFICA DO CÓRREGO ANDRÉ,
MIRASSOL D’OESTE-MT: ASPECTOS SÓCIOAMBIENTAIS
ROSÁLIA VALENÇOELA GOMES BARROS
Dissertação apresentada à Universidade do Estado
de Mato Grosso, como parte das exigências do
Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais
para obtenção do título de Mestre.
CÁCERES
MATO GROSSO, BRASIL
2010
1
ROSÁLIA VALENÇOELA GOMES BARROS
BACIA HIDROGRÁFICA DO CÓRREGO ANDRÉ,
MIRASSOL D’OESTE-MT: ASPECTOS SÓCIOAMBIENTAIS
Dissertação apresentada à Universidade do Estado
de Mato Grosso, como parte das exigências do
Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais
para obtenção do título de Mestre.
Orientadora: Profª. Drª. Célia Alves de Souza
CÁCERES
MATO GROSSO, BRASIL
2010
2
ROSÁLIA VALENÇOELA GOMES BARROS
BACIA HIDROGRÁFICA DO CÓRREGO ANDRÉ, MIRASSOL
D’OESTE-MT: ASPECTOS SÓCIO-AMBIENTAIS
Esta Dissertação foi julgada e aprovada como requisito para a obtenção do
título de Mestre em Ciências Ambientais
Cáceres, 19 de Março de 2010.
Banca examinadora
___________________________________________
Profª. Drª. Marcela Bianchessi da Cunha Santino
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar
___________________________________________
Profª. Drª. Carolina Joana da Silva
Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT
___________________________________________
Profª. Drª. Célia Alves de Souza
Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT
Orientadora
CÁCERES
MATO GROSSO, BRASIL
2010
3
Dedicatória
Dedico esta dissertação...
Especialmente ao meu esposo Daniel, por compartilhar cada
momento, e principalmente pelo apoio incondicional durante todo o
desenvolvimento do mestrado.
À minha filha Camilla que apesar da pouca idade soube
compreender a falta de tempo, a ausência e as intermináveis horas de
dedicação a esta pesquisa.
Aos meus pais Armando e Mariana, que dividiram comigo as
preocupações, as alegrias e vitórias durante todo o programa.
À vocês, faltam palavras que expressem exatamente a importância de
cada gesto na conquista deste sonho!
4
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus em quem deposito toda minha confiança e que proporcionou
o alento em cada momento desta caminhada.
À minha família, com a qual pude contar sempre, incentivando-me, apoiandome com muito carinho.
Agradeço à Profª. Drª. Célia Alves de Souza, minha orientadora, pela confiança
depositada, confiança que influenciou no crescimento individual, e no constante
incentivo em buscar respostas.
A todos os professores pela transmissão dos valiosos conhecimentos que
brilhantemente contribuíram no processo de desenvolvimento e conclusão
desta dissertação.
A todos do departamento de pós-graduação, pelo auxílio durante todo o
período da pesquisa.
A todos os amigos da turma pelo carinho, amizade e apoio nos momentos de
dificuldades.
Enfim, minha gratidão, a todos aqueles que de alguma forma participou na
realização deste trabalho.
5
ÍNDICE
Página
Lista de abreviaturas.................................................................................
11
Lista de tabelas ........................................................................................
12
Lista de quadros ......................................................................................
13
Lista de figuras..........................................................................................
14
Resumo.....................................................................................................
16
Abstract.....................................................................................................
17
Introdução geral .......................................................................................
18
Referências...............................................................................................
20
Capítulo 1 - Analise geoambiental da bacia hidrográfica do córrego
André, Mirassol D´Oeste- MT...................................................................
21
Resumo.....................................................................................................
21
Abstract.....................................................................................................
21
1 Introdução..............................................................................................
22
2 Materiais e métodos ..............................................................................
24
2.1 Área de estudo................................................................................
24
2.1.2 Distribuição espacial da sub-bacia..........................................
24
2.2 Procedimentos metodológicos .......................................................
25
2.3 Analise do relevo.............................................................................
25
2.4 Analise da rede de drenagem.........................................................
27
2.5 Levantamento do uso do solo ........................................................
27
2.6 Formação vegetal...........................................................................
27
2.7 Fauna..............................................................................................
28
6
2.8 Vazão..............................................................................................
28
3 Resultados e discussão.........................................................................
29
3.1 Clima...............................................................................................
29
3.2 Geologia..........................................................................................
30
3.2.1 Grupo Alto Paraguai................................................................
30
3.2.1.1 Formação Araras..............................................................
31
3.2.1.2 Formação Moenda............................................................
31
3.2.1.3 Formação Complexo do Xingu.........................................
32
3.3 Geomorfologia.................................................................................
32
3.3.1 Província Serrana ...................................................................
32
3.3.2 Depressão Jauru......................................................................
33
3.4 Análise do Relevo ..........................................................................
33
3.4.1 Declividade média da sub-bacia..............................................
33
3.4.2 Altitude média da sub-bacia.....................................................
33
3.4.3 Amplitude Altimétrica...............................................................
34
3.4.4 Razão do relevo da sub-bacia.................................................
34
3.4.5 Vazão.......................................................................................
34
3.5 Parâmetros Morfométricos .............................................................
34
3.5.1 Fator de forma da sub-bacia....................................................
34
3.5.2 Densidade de drenagem .........................................................
35
3.5.3 Ordem dos canais....................................................................
35
3.5.4 Gradiente dos canais...............................................................
35
3.6 Tipos de Solos................................................................................
36
3.6.1 Neossolos Litólicos distróficos ................................................
36
7
3.6.2 Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico....................................
36
3.7 Composição Florística.....................................................................
37
3.7.1 Estrutura das comunidades vegetais ......................................
38
3.8 Fauna..............................................................................................
39
3.9 Uso do solo.....................................................................................
39
3.9.1 Áreas de vegetação esparsas.................................................
40
3.9.2 Áreas de expansão urbana......................................................
41
3.9.3 Áreas de urbanização .............................................................
41
3.10 Uso do solo e alterações do regime hídrico..................................
42
4 Conclusões ...........................................................................................
43
5 Referências ...........................................................................................
44
Capítulo 2 – Relações entre qualidade da água e uso do solo da sub-
48
bacia do córrego André em Mirassol D’Oeste/MT ..................................
Resumo.....................................................................................................
48
Abstract.....................................................................................................
48
1 Introdução..............................................................................................
49
2 Materiais e métodos ..............................................................................
51
2.1 Área de estudo................................................................................
51
2.2 Levantamento de campo.................................................................
52
2.3 Coleta e análise da água................................................................
52
2.3.1 Índice de qualidade da água (IQA) .....................................
53
2.3.2 Variáveis analisadas no IQA................................................
53
3 Resultados e discussões ......................................................................
55
3.1 Pontos de amostragem da sub-bacia.............................................
55
8
3.2 Uso e ocupação do solo..................................................................
56
3.3 Variáveis avaliadas.........................................................................
57
3.3.1 Demanda bioquímica de oxigênio (DBO) ...............................
58
3.3.2 Oxigênio Dissolvido (OD) ........................................................
59
3.3.3 Temperatura da água..............................................................
60
3.3.4 Turbidez...................................................................................
61
3.3.5 pH............................................................................................
62
3.3.6 Fósforo total.............................................................................
63
3.3.7 Nitrogênio total.........................................................................
64
3.3.8 Sólidos totais............................................................................
65
3.3.9 Coliformes fecais.....................................................................
66
3.4 Resultados do IQA e avaliação da qualidade da água ..................
66
4 Conclusões............................................................................................
67
5 Referencias ...........................................................................................
68
Capítulo 3- Sub-bacia do córrego André: os olhares dos moradores que
71
vivem no entorno do canal........................................................................
Resumo.....................................................................................................
71
Abstract.....................................................................................................
71
1 Introdução..............................................................................................
72
2 Materiais e métodos ..............................................................................
75
2.1 Caracterização da área de estudo .................................................
75
2.2 Procedimentos metodológicos .......................................................
76
2.3 Percepção ambiental dos moradores e a função social do
76
córrego André ......................................................................................
9
2.4 Parâmetros utilizados na escolha dos informantes da pesquisa ...
77
2.5 Roteiro utilizado..............................................................................
77
2.6 Perfil sócio-econômico....................................................................
77
2.7 Questionário utilizado......................................................................
78
2.8 Tratamento de dados......................................................................
78
2.9 História oral.....................................................................................
78
3 Resultados e discussão.........................................................................
78
3.1 Histórico da ocupação.....................................................................
78
3.2 Distribuição espacial da sub-bacia..................................................
79
3.3 Perfil sócio-econômico dos grupos entrevistados ..........................
80
3.3.1 Gênero dos entrevistados .......................................................
80
3.3.2 Idade dos entrevistados ..........................................................
81
3.3.3 Tempo de residência...............................................................
82
3.3.4 Escolaridade............................................................................
82
3.3.5 Profissão dos entrevistados.....................................................
83
3.3.6 Tipo de residência ...................................................................
83
3.3.7 Situação do domicílio...............................................................
84
3.3.8 Número de pessoas nas residências ......................................
84
3.3.9 Renda familiar média...............................................................
85
3.4 Olhares dos diferentes atores sociais sobre o córrego André........
85
3.4.1 Percepção de como o córrego André era................................
86
3.4.2 Usos da água do córrego André .............................................
86
3.4.3 Importância do Córrego aos grupos .......................................
87
3.4.4 Fatores de degradação do córrego..........................................
87
10
3.4.5 Responsáveis pela degradação...............................................
88
3.4.6 Prejuízos da degradação do córrego.......................................
89
3.4.7 Melhoria das condições da qualidade ambiental do Córrego..
89
3.4.8 Responsáveis pelas melhorias do local...................................
90
3.4.9 Atividades para melhorar a qualidade ambiental do Córrego..
90
4 Conclusão ............................................................................................
91
5 Considerações finais.............................................................................
92
6 Recomendações ...................................................................................
93
7 Referencias ...........................................................................................
95
Anexos......................................................................................................
97
11
LISTA DE ABREVIATURAS
ANA
- Agência Nacional das Águas
APP
- Área de Preservação Permanente
COHAB
- Companhia de Habitação
CONAMA
- Conselho Nacional do Meio Ambiente
D.B.O
- Demanda Bioquímica de Oxigênio
EMBRAPA
- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
IBAMA
- Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis
IBGE
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IGAM
- Instituto Mineiro de Gestão das Águas
INDEA/MT
- Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso
IQA
- Índice de Qualidade da Água
MMA
- Ministério do Meio Ambiente
O.D
- Oxigênio Dissolvido
OMS
- Organização Mundial da Saúde
PCBAP
- Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai
PESA
- Parque Estadual da Serra Azul
pH
- Potencial Hidrogeniônico
SEPLAN
Econômico
SISNAMA
- Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento
SUDERHS
- Superintendência de Desenvolvimento e Recursos Hídricos e
- Sistema Nacional do Meio Ambiente
Saneamento Ambiental
UNESCO
cultura
- Organização das Nações Unidas para a educação a ciência e a
12
LISTA DE TABELAS
Página
Capitulo 1
Tabela 1 Principais alterações do regime hídrico relacionadas ao uso do
solo................................................................................................................. 42
Capitulo 2
Tabela 2 Descrição e Importância das Variáveis Utilizadas no IQA..............
Tabela 3 Resultado das Análises de água nos pontos de amostragens do
córrego André no período de seca e de cheia...............................................
Tabela 4 Valores de IQA obtidos nos pontos de amostragem na sub-bacia
do córrego André no período de seca e de cheia..........................................
54
57
67
Capítulo 3
Tabela 5 Percepção de como o córrego André era.......................................
86
Tabela 6 Uso da água do córrego André ......................................................
87
Tabela 7 Importância do córrego aos grupos................................................. 87
Tabela 8 Fatores de degradação do córrego André......................................
88
Tabela 9 Responsáveis pela degradação do córrego.................................... 89
Tabela 10 Prejuízos da degradação do córrego............................................
89
Tabela 11 Melhoria da qualidade ambiental do córrego................................
90
Tabela 12 Responsáveis pelas melhorias do local........................................
90
Tabela 13 Atividades para melhorar a qualidade do córrego......................... 91
13
LISTA DE QUADROS
Página
Capitulo 1
Quadro 1 Síntese da análise morfométrica da sub-bacia do córrego André.
36
Capitulo 2
Quadro 2 Classificação do IQA (Índice de qualidade da água).....................
53
14
LISTA DE FIGURAS
Página
Capitulo 1
Figura 1 Localização da sub-bacia Hidrográfica do córrego André,
município de Mirassol D’Oeste-MT................................................................
Figura 2 Precipitação ocorrida em Mirassol D’Oeste no período de Janeiro
a Julho de 2009..............................................................................................
24
29
Figura 3 Unidades Estruturais da sub-bacia hidrográfica do córrego André .
30
Figura 4 Formação Geológica no divisor de águas da sub-bacia André.......
31
Figura 5 Fragmento florestal na área de recarga da sub-bacia André...........
37
Figura 6 Perfil da cobertura da terra na sub-bacia André..............................
40
Figura 7 Uso do solo na área de expansão urbana da sub-bacia .................
40
Capitulo 2
Figura 8: Aspectos dos pontos amostrados para análise de água do
córrego André , Junho 2008- Fevereiro 2010................................................
55
Figura 9 Variação da Demanda Bioquímica de Oxigênio no córrego,
2008/2010......................................................................................................
59
Figura
10
Variação
2008/2010..................
do
Oxigênio
dissolvido
no
córrego,
60
Figura 11 Variação da Temperatura da Água no período de seca e chuva...
61
Figura 12 Variação da Turbidez no período de seca e chuva........................
62
Figura 13 Correlação entre Turbidez e Oxigênio Dissolvido.........................
63
Figura 14 Variação do Ph no córrego André em Mirassol D’Oeste-MT,
2008/2010......................................................................................................
63
Figura 15 Variação do Fósforo Total no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.................................................................................
64
15
Figura 16: Variação do Nitrogênio Total no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.................................................................................
64
Figura 17 Variação dos Sólidos Totais no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.................................................................................
65
Figura 18- Variação de Coliformes Fecais no córrego André. 2008/2010.....
66
Capítulo 3
Figura 19 Localização da sub-bacia hidrográfica do córrego André..............
75
Figura 20 Segmentos canalizados do córrego André em área urbanaPonto 4...........................................................................................................
80
Figura 21 Gênero dos grupos entrevistados .................................................
81
Figura 22 Idade dos integrantes dos grupos entrevistados...........................
81
Figura 23 Tempo de residência de moradores e sitiantes.............................
82
Figura 24: Escolaridade dos grupos entrevistados .......................................
83
Figura 25 Profissão dos entrevistados ..........................................................
83
Figura 26 Tipo de residência dos integrantes dos grupos.............................
84
Figura 27 Situação do Domicílio dos grupos entrevistados...........................
84
Figura 28 Número de Pessoas nas residências.............................................
85
Figura 29 Renda familiar média dos grupos..................................................
85
16
RESUMO
BARROS, Rosália Valençoela Gomes. Bacia Hidrográfica do córrego André,
Mirassol D’Oeste-MT: Aspectos sócio-ambientais. Cáceres: UNEMAT,
2009. 97 p. (Dissertação – Mestrado em Ciências Ambientais)1.
Esta pesquisa de dissertação foi realizada na sub-bacia hidrográfica do córrego
André em Mirassol D’Oeste, MT, sendo estruturada em 3 capítulos. O capítulo
1- Análise Geoambiental da sub-bacia hidrográfica do córrego André, Mirassol
D’Oeste-MT, aborda características físicas da sub-bacia, como: unidades de
relevo, embasamento geológico, ocorrências pedológicas, vegetação, fauna e
uso da bacia. Foi realizada compilação bibliográfica, trabalho de campo com
diagnóstico dos aspectos físico-bióticos e sociais. Os resultados indicam que a
sub-bacia possui área de 18 km² com forma alongada na direção SE-NO. O
comprimento do canal é de 4 km, a densidade de drenagem é de 0,22 km/km²,
a vazão média é de 0,68 m³/s e hierarquia fluvial de 1ª ordem. Os solos são
Neossolos Litólicos Distróficos e Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico. A
cobertura vegetal é Floresta Estacional Semidecidual Submontana.
Geologicamente a área está inserida no Grupo Alto Paraguai (Formação
Araras, Formação Moenda) e o Complexo Xingu. A geomorfologia é
caracterizada pela extensão da Província Serrana e Depressão do Jauru. No
capítulo 2- Relações entre a qualidade da água e uso do solo da sub-bacia
hidrográfica do córrego André, Mirassol D’Oeste-MT, são apresentados
aspectos da rede de drenagem, formas de uso e ocupação e relações com a
disponibilidade de água. Foi realizada análise da água e relacionados índice de
qualidade de água (IQA), através de análise de variáveis químicas, físicas e
microbiológicas. O levantamento do uso do solo foi realizado através da
delimitação da área de interesse, consulta a planta cadastral municipal, censo
demográfico e trabalho de campo. As águas do córrego André enquadram-se
nas águas de classe 2, sendo classificadas como regular, com perda
progressiva de qualidade da nascente para a foz. A qualidade da água é
influenciada pela sazonalidade, com as variáveis pH (Potencial Hidrogeniônico)
e OD (Oxigênio Dissolvido). O capítulo 3- Sub-bacia do córrego André, Mirassol
D’Oeste-MT: Os olhares dos moradores que vivem no entorno do canal,
apresenta considerações sobre aspectos sócio-econômicos e os olhares dos
moradores em relação ao córrego. Foi realizada pesquisa qualitativa e
quantitativa por meio de roteiro semi-estruturado e aplicação de questionário
aos moradores do entorno do córrego. As entrevistas revelaram que os
entrevistados preocupam-se com a qualidade ambiental do córrego, 93,19% e
a maioria é capaz de apontar fatores de degradação, associando-os a causas
antrópicas. Tal fato demonstra que o nível de percepção da população favorece
ações de preservação e recuperação do local.
Palavras-chave: Caracterização ambiental, caracterização sócio-econômica,
sub-bacia hidrográfica, córrego André, Mirassol D’Oeste, MT.
1
Orientadora – Célia Alves de Souza, UNEMAT, Cáceres-MT.
17
ABSTRACT
BARROS, Rosalia Valençoela Gomes. Watershed Stream Andre: Socioenvironmental. Cáceres: UNEMAT, 2009. 97 p. (Dissertation - Master in
Environmental Sciences) 2.
This dissertation research was conducted in the sub-basin of the Andre stream
in Mirassol D'Oeste, MT, is structured into 3 chapters. Chapter 1 - Analysis of
Geoenvironmental sub-basin stream Andre Mirassol D'Oeste-MT, discusses the
physical characteristics of the sub-basin, as units of relief, bedrock geology,
soil, vegetation, fauna and use of the basin. Bibliographic compilation was
done, fieldwork with a diagnosis of the physical, biotic and social factors. The
results indicate that the sub-basin has an area of 18 square kilometers with
elongated in the direction SE-NO. The channel length is 4 km; the drainage
density is 0.22 km / km ², and fluvial hierarchy of 1st order. The soils are
Entisols dystrophic and dystrophic Red-Yellow Dystrophic. The vegetation is
lower montane semideciduous forest. Geologically the area is inserted in the
Alto Paraguay Group (Araras Formation, Training Milling) and Xingu Complex.
The geomorphology is characterized by extension of the mountainous province
Depression of Jauru. In Chapter 2 - Relationship between water quality and
land use in the sub-basin Andre stream Mirassol D'Oeste-MT, shows some of
the drainage network, forms of use and occupation and relations with the
availability of water. Analysis was carried out of the water and related water
quality index (AQI), through analysis of chemical variables, physical and
microbiological. The survey of land use was performed by defining the area of
interest refers to the municipal cadastre, census and field work. The waters of
the stream Andre fall in the waters of class 2 were classified as regular, with
progressive loss of quality from the source to the mouth. Water quality is
influenced by seasonal, with the pH (hydrogen potential) and DO (Dissolved
Oxygen). Chapter 3 - Sub-basin of the Andre stream Mirassol D'Oeste-MT: The
eyes of the residents who live around the channel, presents considerations on
socio-economic aspects and the views of residents in relation to the stream. We
performed qualitative and quantitative research through semi-structured and
questionnaire to residents surrounding the stream. The interviews revealed that
respondents are concerned about the environmental quality of the stream,
93.19% and most are able to point degradation factors, linking them to
anthropogenic causes. This shows that the population level of awareness favors
preservation actions and site restoration.
Keywords: Characterization environmental, socio-economic sub-basin, Andre
stream Mirassol D'Oeste, MT.
2
Advisor: Major Profª. Drª. Célia Alves de Souza, UNEMAT, Cáceres-MT.
18
INTRODUÇÃO GERAL
Os cursos hídricos são em sua maioria, o marco inicial do povoamento
de uma região. Assim, à medida que a população é atraída para a nova área,
ocorre à expansão e, conseqüentemente, a alteração da paisagem natural
existente na bacia hidrográfica (FERRARA, 1996).
A bacia hidrográfica não é, necessariamente, um espaço único. A
diversidade natural e cultural pode ser identificada em cada bacia ou mesmo
em sua configuração interna (CORREA, 1989).
A ocupação desses ambientes precisa ser planejada de forma a não
destruir elementos que a natureza fornece (OSEKI,1996).
Coy et al. (1994) salientam que o processo de urbanização desenvolvido
em um aglomerado traz implicações, não apenas ambientais, mas, também,
resulta em profundas disparidades entre os segmentos da sociedade.
As terras localizadas na sub-bacia hidrográfica do córrego André em
Mirassol D’Oeste/MT também foram modificadas pela ação antrópica sob
diversos mecanismos, aliados às técnicas de exploração intensiva dos recursos
naturais.
No final da década de 60, concomitante a colonização do norte de Mato
Grosso, as primeiras famílias paulistas das cidades de Fernandópolis, Jales,
Mirassol, Santa Fé do Sul, São José do Rio Preto e Votuporanga vieram para a
região de Mirassol. Inicialmente, a vegetação natural foi derrubada e a
agricultura implantada. Com o passar dos anos as matas começaram a ser
substituídas por monocultura de pastagem artificial, implantando a pecuária
bovina de cria-recria, corte e leite (FERREIRA, 1993).
Todas as intervenções humanas realizadas em uma bacia hidrográfica
resultam em impactos sócio-ambientais que provocam desequilíbrio no meio
físico e incidem diretamente na vida da população local (FIDALGO, 2003).
O conhecimento das formas de utilização e ocupação do solo tem sido
fator imprescindível ao estudo dos processos que se desenvolvem em uma
região, tornando-se de fundamental importância na medida em que os efeitos
do mau uso causam deteriorização do meio ambiente (LIMA, 1986).
19
Neste contexto, o objetivo deste estudo foi realizar um diagnóstico do
sistema sócio-ambiental da sub-bacia do córrego André, visando produzir
informações capazes de contribuir para o processo de produção, preservação e
recuperação do solo da sub-bacia hidrográfica.
Neste sentido a presente dissertação enfocará importantes aspectos
sobre o diagnóstico sócio-ambiental realizado na sub-bacia do córrego André,
no município de Mirassol D’Oeste, MT, fornecendo dados que proporcionaram
uma base conceitual para o desenvolvimento da proposta, com definições
relativas às terminologias empregadas e dados relacionados aos aspectos
naturais e antrópicos na sub-bacia hidrográfica, que encontra-se na bacia
hidrográfica do rio Jauru.
A pesquisa foi estruturada em três capítulos:
Capítulo 1, Análise Geoambiental da sub-bacia hidrográfica do córrego André,
Mirassol D’Oeste-MT. Este capítulo aborda as características físicas da subbacia e apresenta de modo específico a distribuição espacial geoambiental dos
elementos:
unidades
de
relevo,
embasamento
geológico,
ocorrências
pedológicas, cobertura vegetal, representantes da fauna e uso da bacia,
mostrando seus efeitos antropizados e implicações sobre o solo e a paisagem.
Capítulo 2, Relações entre a qualidade da água e uso do solo da sub-bacia
hidrográfica do córrego André, Mirassol D’Oeste-MT. Neste capítulo são
apresentados aspectos da rede de drenagem e formas de uso e ocupação da
terra da sub-bacia e as relações com a disponibilidade de água em termos de
quantidade e qualidade. Foi realizado monitoramento da qualidade da água e
relacionados índice de qualidade de água (IQA), através de análise de
variáveis químicas, físicas e microbiológicas. Esta atividade proporcionou o
acompanhamento das pressões antrópicas e o estado da água na sub-bacia
no período de Junho de 2008 à Fevereiro de 2010.
Capítulo 3, Sub-bacia do córrego André: Os olhares dos moradores que vivem
no entorno do canal. Este capítulo apresenta algumas considerações sobre a
utilização da sub-bacia, aspectos sócio-econômicos e percepção ambiental
dos moradores em relação ao córrego André.
20
REFERÊNCIAS
CORRÊA, R. L. O Espaço urbano. São Paulo: Editora Ática, 1989.
COY, M., FRIEDRICH, M. R., SCIEER, M., AGUIAR, M. V. A. Questão Urbana
na Bacia do Alto Rio Paraguai, Fase I: Diagnóstico Convênio de Cooperação
Científico. Tecnológica Brasil-Alemanha , 1994, p. 121.
FERRARA, L. D. A. As Cidades Ilegíveis - Percepção Ambiental e
Cidadania. Percepção Ambiental: a experiência brasileira. ed. UFSCar, São
Carlos, SP, 1996.
FERREIRA, J. C. V. Mato Grosso: política contemporânea, 1993. Edição:
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FIDALGO, E. C. C. Mapeamento do uso e da cobertura atual da terra para
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MARTINS, José de Souza. Henri Lefebvre e o retorno da dialética. São Paulo:
Hucitec, 1996. p. 109-120.
21
CAPÍTULO 1
Diagnóstico geoambiental da bacia hidrográfica do córrego André,
Mirassol D’Oeste- MT
Resumo-A presente pesquisa foi realizada na sub-bacia hidrográfica do
córrego André na cidade de Mirassol D’Oeste, Sudoeste do Estado de Mato
Grosso, tendo como objetivo verificar a distribuição espacial geoambiental dos
elementos: unidades de relevo, embasamento geológico, ocorrências
pedológicas, cobertura vegetal e uso da bacia, mostrando sua influência na
disponibilidade de água em termos de quantidade e qualidade. Para
caracterização ambiental (geologia, geomorfologia, solo e vegetação) da subbacia do córrego André, foi realizada compilação bibliográfica, principalmente
do Projeto RADAMBRASIL e trabalho de campo com observação dos aspectos
físico-bióticos. A geologia regional da área de estudo está inserida no Grupo
Alto Paraguai (Formação Araras e Formação Moenda) e o Complexo Xingu. O
relevo do alto curso é caracterizado pela extensão da Província Serrana
(dobramentos antigos do Alto Paraguai), no médio e baixo curso encontra-se a
Depressão do Jauru. Registra-se a ocorrência de dois tipos de solos:
Neossolos Litólicos Distróficos e Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico. A
cobertura vegetal predominante na bacia é Floresta Estacional Semidecidual
Submontana. Foram inventariados todos os indivíduos lenhosos com diâmetro
≥ 5 cm, em 4 parcelas de 25 x 25 m. Foram encontrados 640 indivíduos e as
espécies mais freqüentes foram: o angico (Piptadenia macrocarpa), aroeira
(Astronium urundeuva) e jacarandá (Machaerium acutifolium). A densidade
total foi de 896 ind/ha. A sub-bacia hidrográfica do André possui uma área de
18 km² com forma alongada na direção SE-NO, com comprimento total de 4
km. A densidade de drenagem é de 0,22 km/km², a vazão é de 0,68 m³/s e a
hierarquia fluvial é de 1ª ordem. O uso do solo é representado por vegetação
esparsa na área de recarga; área de expansão urbana, com sítios, pastagens e
cultivos, nas áreas de nascentes e área urbanizada paralela ao canal do
córrego.
Palavras-chave: Análise Geoambiental, Unidades de relevo, sub-bacia do
córrego André, Mirassol D’Oeste, MT.
Diagnostic geoenvironmental basin stream Andre, Mirassol D’Oeste-MT
Abstract - This research was conducted in the sub-basin of the Andrew creek
in the city of Mirassol D'Oeste, Southwest of Mato Grosso, with the aim of
investigating the spatial distribution of geoenvironmental elements: units of
relief, bedrock geology, soil conditions, coverage and vegetation of the basin,
showing its influence on water availability in terms of quantity and quality. For
environmental characterization (geology, geomorphology, soil and vegetation)
of sub-basin of the stream Andre, bibliographic compilation was accomplished
mainly RADAMBRASIL Project and fieldwork involving observation of the
22
physical-biotic. The regional geology of the study area is included in the Alto
Paraguay Group (Araras Formation and Training Milling) and Xingu Complex.
The relief of the upper course is characterized by extension of the mountainous
province (ancient folds of the Upper Paraguay), the middle and lower course is
Depression Jauru. Join the occurrence of two soil types: Entisols dystrophic and
dystrophic Red-Yellow Dystrophic. The predominant vegetation cover in the
basin is lower montane semideciduous forest. We recorded all woody plants ≥ 5
cm diameter, 4 plots of 25 x 25 m. 640 individuals were found and the most
frequent species were: mimosa (Piptadenia macrocarpa), mastic (Astronium
urundeuva) and rosewood (Machaerium acutifolium). The total density was 896
ind / ha. The Andre sub-basin has an area of 18 square kilometers with
elongated in the direction SE-NO, with a total length of 4 km. The drainage
density is 0.22 km / km ², the flow is 0.68 m³ / s Hierarchy River is 1st order.
The land use is represented by sparse vegetation in the recharge area, the
urban expansion area, with sites, pastures and crops in areas of urbanized area
springs and parallel to the stream channel.
Keywords: Analysis Geoenvironmental, relief units, sub-basin of the Andre
stream Mirassol D'Oeste, MT.
1 INTRODUÇÃO
Bacia hidrográfica é definida como uma área de captação natural da
água da precipitação que faz convergir os escoamentos para um único ponto
de saída, seu exutório. É composta basicamente de um conjunto de superfícies
vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos d'água que
confluem até resultar em um leito único (SILVEIRA, 2001).
A realidade da maioria dos rios no país é de perda de qualidade e
quantidade de água, uma vez que a abordagem tradicional de gerenciamento
de recursos hídricos foi sempre setorial e de resposta a crises. A água
destinada à produção é considerada um recurso isolado para cada finalidade e
a falta de coordenação entre os diversos setores, com base numa análise
integrada e de usos múltiplos, acaba por criar conflitos (CALHEIROS, 2007).
É importante analisar o comportamento hidrológico de uma bacia
hidrográfica em função do conjunto de suas características geomorfológicas
(forma, unidades de relevo, área, embasamento geológico, rede de drenagem,
ocorrência pedológica, dentre outros) e do tipo da cobertura vegetal (LIMA,
1989). Desse modo, as características físicas e bióticas de uma bacia possuem
23
importante papel nos processos do ciclo hidrológico, influenciando, dentre
outros, a infiltração, a quantidade de água produzida como deflúvio, a
evapotranspiração e os escoamentos superficial e sub-superficial.
Neste sentido a caracterização geoambiental é de fundamental
importância, visto que trata de um estudo integrado da paisagem considerando
as interações entre os meios físico, biológico e sócio-econômico.
Conforme Souza (2005) a análise geoambiental é uma concepção
integrativa que advém do estudo unificado das condições naturais que nos leva
a uma percepção do meio em que vive o homem e onde se adaptam os demais
seres vivos. Essa análise integrativa vem se destacando nos dias atuais, pois
se observou que até a primeira metade do século passado se dava uma grande
importância ao conhecimento setorizado do ambiente (FERREIRA, 1993).
Os componentes das bacias hidrográficas, solo, água, relevo e
vegetação, coexistem em permanente e dinâmica interação, respondendo às
interferências naturais e àquelas de natureza antrópica, afetando os
ecossistemas como um todo. Nesses compartimentos naturais, os recursos
hídricos constituem indicadores das condições dos ecossistemas, no que se
refere aos efeitos do desequilíbrio das interações dos respectivos componentes
(SOUZA et al., 2002).
Por este caráter integrador, Guerra e Cunha (1996) consideram a bacia
hidrográfica como unidade de gestão dos elementos naturais e sociais, pois,
nessa ótica, é possível acompanhar as mudanças introduzidas pelo homem e
as respectivas respostas da natureza. Ainda de acordo com esses autores, em
nações mais desenvolvidas a bacia hidrográfica também tem sido utilizada
como unidade de planejamento e gerenciamento, compatibilizando os diversos
usos e interesses pela água e garantindo sua qualidade e quantidade.
Acredita-se que a base para o planejamento do uso dos recursos
naturais de uma região, é a caracterização e o conhecimento quantitativo e
qualitativo das estruturas e espécies que a compõem, tal fato é importante para
subsidiar propostas de uso e recuperação da sub-bacia hidrográfica.
Diante do contexto, este capítulo tem como objetivo apresentar um
estudo integrado das condições e dinâmicas ambientais e sociais da bacia
24
hidrográfica do córrego André, mostrando os efeitos antropizados e suas
implicações sobre o solo e a paisagem da sub-bacia.
2 MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 ÁREA DE ESTUDO
2.1.2 Distribuição espacial da sub-bacia
O córrego André localiza-se no município de Mirassol D’Oeste a
sudoeste do estado Mato Grosso, entre os paralelos 15°40’00’’ a 15°50’00’’ de
latitude sul e 58°00’00’’ a 58º10’00’’ de longitude oeste de Greenwich, à
aproximadamente 260 metros acima do nível do mar. Possui 4 km de extensão,
com 1.433 km canalizados. Possui área de 18 km² com forma alongada (Figura
1). O córrego André é um tributário de 1ª ordem do rio São Francisco, que
deságua no ribeirão Caeté, um dos principais afluentes do rio Jauru que aflui
no rio Paraguai.
Sua drenagem tem o sentido SE-NO, seu canal fluvial atravessa pontos
importantes com sítios e áreas urbanas. Engloba os principais bairros da
cidade, entre eles o Bairro Jardim São Paulo, COHAB Parque da Serra e Bairro
Bandeirantes 2, conferindo ao córrego importância simbólica, considerando as
dimensões geográfica, social e econômica.
Figura 1. Localização da sub-bacia Hidrográfica do córrego André, município de
Mirassol D’Oeste-MT.
25
2.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A caracterização ambiental (geologia, geomorfologia, solo e vegetação)
da sub-bacia do córrego André, foi realizada através de compilação
bibliográfica, principalmente do Projeto RADAMBRASIL, (1982) e trabalho de
campo com observação dos aspectos físico-bióticos e sociais.
Para as análises geomorfológicas e pedológicas foram utilizadas as
cartas topográficas SD.21-Y-D IV na escala 1:100.000.
A área, perímetro da sub-bacia e comprimento do canal foram definidos
a partir da elaboração do mapa da sub-bacia utilizando do Software AutoCad
2008.
2.3 ANÁLISE DO RELEVO
O relevo da sub-bacia foi estudado analiticamente através dos
parâmetros: declividade média; altitude média; amplitude altimétrica; razão de
relevo e fator de forma.
A declividade média da sub-bacia foi calculada pela equação de acordo
com Lima (1989), através da equação:
D% = C/P, onde:
D% = declividade média, %;
C= maior comprimento do canal principal;
P= perímetro da sub-bacia.
A altitude média da sub-bacia (Hm) foi obtida através da média
aritmética entre os valores de maior altitude (AM) observada na cabeceira e a
menor altitude (Am) na foz ou desembocadura em (m).
Hm = (AM + Am) /2, onde:
Hm = altitude média, m;
AM = maior altitude, m;
Am = menor altitude, m.
A amplitude altimétrica (H) é a diferença entre a maior e a menor altitude
da sub-bacia e expressa em metros, conforme a expressão:
26
H = AM – Am, onde:
H = amplitude altimétrica, m;
AM = maior altitude, m;
Am = menor altitude, m.
A razão de relevo (Rr) foi analisada conforme proposição de Schumm,
(1956). Através da relação entre a diferença de altitude dos pontos extremos da
sub-bacia ou amplitude altimétrica (H) e o maior comprimento (C), que
corresponde à direção do vale principal, entre a foz e o ponto extremo sobre a
linha do divisor de águas.
Rr = H/C, onde:
Rr = razão de relevo
H = amplitude altimétrica, m;
C = maior comprimento da sub-bacia, m.
Para a análise do fator de forma da sub-bacia (Ff), foi utilizada a
equação proposta por Horton (1945):
Ff = A / C², onde:
Ff= fator de forma
A= área em km²
C= comprimento do curso d’água em km.
2.4 ANÁLISES DA REDE DE DRENAGEM
A densidade de drenagem foi definida com base na proposta de
CHRISTOFOLETTI, 1980, utilizando a equação:
Dd= Lt /A, sendo:
Dd a densidade de drenagem (km/km2);
Lt= comprimento total de todos os canais (km)
A= área da bacia (km2).
A ordem dos canais foi definida com base na proposta de
CHRISTOFOLETTI, (1980).
O Gradiente dos canais foi definido pela equação:
27
Gc=a max/L (%), onde:
Gc= gradiente de canais
A max=altitude máxima
L= comprimento do canal principal
2.5 LEVANTAMENTO DO USO DO SOLO
O levantamento do uso do solo da sub-bacia do córrego André constou
das seguintes etapas: delimitação da área de interesse; consulta a planta
cadastral municipal da cidade de Mirassol D’Oeste; Censo Demográfico (IBGE,
2009); trabalho de Campo.
2.6 FORMAÇÃO VEGETAL
Para a conceituação da formação vegetal da área de estudo, foram
utilizados dados disponibilizados pelo Projeto RADAMBRASIL, 1982 e trabalho
de campo com inventário dos indivíduos arbóreos com diâmetros à altura do
peito (DAP >5,0 cm) (MULLER, 1974).
Para a análise fitossociológica das espécies vegetais empregou-se o
método de parcelas permanentes. Assim, no fragmento analisado, foram
estabelecidas quatro parcelas de 25m x 25m, contíguas e distantes 20m entre
si, totalizando, uma área inventariada de 2.500 m². Foram utilizados os
parâmetros estruturais da vegetação segundo Muller, (1974): densidade
absoluta, densidade relativa e densidade total. Para os cálculos foram usadas
as fórmulas segundo (SOUZA et al., 2001).
A densidade absoluta (DA) corresponde ao número de indivíduos de
cada espécie por unidade de área.
DA i= ni/A em que:
DAi = densidade absoluta da i-ésima espécie, em número de indivíduos por
hectare
ni = número de indivíduos da i-ésima espécie na amostragem
A = área total amostrada, em hectare
28
A Densidade Relativa (DR) é a relação entre o número de indivíduos de
uma espécie pelo número total de indivíduos amostrados.
DR= (ni/N).100, onde:
DR= densidade relativa
ni= número de indivíduos de espécie i
N= Número total de indivíduos
Densidade total (DT), é o número de indivíduos por hectare (soma das
densidades de todas as espécies amostradas), é expressa pela fórmula:
DT= N.U/A, onde:
DT= densidade total
N = nº total de indivíduos amostrados
U = área ( m²)
A = área amostrada (m²)
2.7 FAUNA
A análise preliminar dos animais presentes no fragmento florestal da
área de recarga das nascentes foi realizada através de entrevistas com
moradores do entorno da área de estudo.
2.8 VAZÃO
A vazão do córrego André foi medida no período de chuvas e no período
de estiagem. As análises foram realizadas segundo Cunha (1998), definido
pela equação: Q = V x A
Q=VxA
Onde: Q = Vazão
V = Velocidade
A = Área
29
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 CLIMA
O clima regional é do tipo tropical quente e sub-úmido, com duas
estações, conforme classificação climática de Koppen. As temperaturas
oscilam entre 24º a 32º na estação chuvosa e 22º a 36º na estação seca.
Registra-se nesta região boa disponibilidade hídrica anual com índice
pluviométrico que chega a tingir 1500 mm/anuais (SEPLAN, 2009).
Em 2008 a precipitação média no município de Mirassol D’Oeste foi de
1022,4 mm ao ano. Comparando estes valores com dados do IBGE 2000,
observa-se um déficit de chuva de 477,6 mm.
No ano de 2009 os menores índices pluviométricos foram registrados no
mês de julho, enquanto os meses de fevereiro e março apresentaram os
maiores índices (Figura 2). (COOPERB, 2009).
Figura 2 Precipitação ocorrida em Mirassol D’Oeste no período de Janeiro a
Julho de 2009.
30
3.2 GEOLOGIA
3.2.1 Grupo Alto Paraguai
A área de estudo está inserida no Grupo Alto Paraguai, com Formação
Araras e Formação Moenda e o Complexo Xingu (MACEDO, 1979) (Figura 3).
Registra-se no divisor de água da bacia a ocorrência de duas formações
geológicas:
Formação
Araras
(calcário)
e
Formação
Moenda
(paraconglomerados e blocos de arenitos). As características das rochas
dessas formações possibilitam a percolação de água, contribuindo para o
armazenamento nos lençóis e aqüíferos.
Figura 3 Unidades Estruturais da sub-bacia hidrográfica do córrego André.
Almeida (1965) definiu o Grupo Alto Paraguai como uma seqüência de
rochas de idade pré-siluriana com mais de 3000 m de espessura e
características litológicas distintas. No Complexo Xingu registram-se a
ocorrência de vários tipos de rochas como a biotita-gnaisse, anfibolitos, xistos,
quartzitos, migmatitos e granitos (SILVA, 1980).
31
3.2.1.1
Formação Araras
Segundo Silva, (1980) as rochas calcárias da Formação Araras que
ocorrem na região são paralelas compostas por margas conglomeráticas,
calcários calcíticos e calcários dolomíticos. Na região da Província Serrana as
rochas da Formação Araras possuem os tipos de rochas dolomitos mais
abundantes e os que respondem pelas mais expressivas feições topográficas
desta formação.
No divisor de água registra ocorrência da Formação Araras, com dois
pacotes: na base o calcário calcítico e com mudança gradual, registra
ocorrência de dolomítico no topo, sendo o calcário dolomítico o pacote mais
espesso (Figura 4).
Figura 4 Formação Geológica no divisor de águas da sub-bacia André.
O calcário em contato com água é facilmente dissolvido formando dutos,
contribuindo para percolação da água e armazenamento nas fendas e faturas
da rocha na área de recarga das nascentes do córrego André. O
armazenamento de água nas áreas de recarga do córrego André, pode estar
em lençol subterrâneo ou aqüífero confinado.
3.2.1.2
Formação Moenda
A Formação Moenda faz parte do grupo de rochas que constituem as
cabeceiras da sub-bacia hidrográfica, situando-se entre a Formação Araras e o
32
Complexo Xingu. No alto curso da sub-bacia na encosta da serra são
encontrados paraconglomerados e blocos de arenitos.
As
rochas
da
Formação
Moenda são
compostas
quase
que
exclusivamente por paraconglomerados petromíticos de cor marrom-arroxeado
a chocolate e cinza esverdeado (ALMEIDA, 1965). As características da rocha
com intercalação de fragmentos contribuem para infiltração da água.
3.2.1.3
Formação Complexo do Xingu
No embasamento rochoso da sub-bacia hidrográfica do córrego André
predomina o Complexo do Xingu. No baixo, médio e parte do alto curso, referese a rochas impermeáveis que contribuem com o armazenamento de água no
lençol freático e afloramento das nascentes.
Outro tipo de rocha encontrada é a biotita-gnaisse, que se apresenta em
lajedos e matacões, geralmente um tanto intemperizados, com cor cinza,
tonalidades escuras e esbranquiçadas, mesocráticos, granulação fina a média
(VIEIRA, 1965).
Alguns fatores contribuem para surgimento de várias nascentes: as
rochas granitas e gnaisses são impermeáveis dificultando a percolação e
infiltração; baixa declividade e embaciamento do terreno.
3.3 GEOMORFOLOGIA
O relevo do alto curso é caracterizado pela extensão da Província
Serrana (dobramentos antigos do Alto Paraguai), no médio e baixo curso
encontra-se a Depressão do Jauru.
3.3.1 Província Serrana
Estudos realizados por Ross (1992) contribuíram para classificar o
relevo da Província Serrana (Superfície Dissecada) como um conjunto de
anticlinais e sinclinais. A superfície dissecada no alto curso da sub-bacia é
representada por serras com aproximadamente 280 m de altitude, formando
um alinhamento de serras grosseiramente paralelas entre si, com plano de
concavidade voltado para o sudoeste (VELOSO, 1991).
33
O relevo da área de estudo é resultado das fases erosivas que atuaram
na estrutura dobrada, de diferentes formações litológicas. Apresenta-se com
variadas formas, ocorrendo estrutura em anticlinais erodidas que em seu
interior afloram os calcários da Formação Araras (ALMEIDA, 1964).
3.3.2 Depressão Jauru
A Depressão do Jauru corresponde a uma superfície de relevo pouco
dissecada, com pequeno caimento topográfico de norte para sul, interflúvios
razoavelmente amplos, com topos planos e drenagem pouco profunda. O nível
altimétrico oscila entre 120 e 300 m. Constitui-se por um pacote sedimentar
suborizontalizado,
composto
principalmente,
por
paraconglomerados
petromíticos, siltitos arenosos e folhelhos (OLIVATTI, 1976).
3.4 ANÁLISE DO RELEVO
3.4.1 Declividade média da sub-bacia
A declividade da sub-bacia tem relação importante os processos
hidrológicos: escoamento superficial, infiltração, umidade do solo e tempo de
concentração da água nos canais de drenagem. A declividade média da subbacia do córrego André é de 0,666 m/m.
3.4.2 Altitude média da sub-bacia
De acordo com Castro e Lopes (2001), a altitude média influencia a
quantidade de radiação que a bacia recebe e, conseqüentemente, influencia a
evapotranspiração, temperatura e precipitação. Quanto maior a altitude da
bacia, menor a quantidade de energia solar que o ambiente recebe e, portanto,
menos energia estará disponível para esses fenômenos. A altitude na subbacia hidrográfica do córrego André variou de 280 m a 200 m, sendo a altitude
média de 240 m.
34
3.4.3 Amplitude altimétrica
Nesta região manifestam extensões variadas com cotas altimétricas que
variam entre 200 e 280 m, e, raramente ultrapassam os 300 m. A amplitude
altimétrica da sub-bacia hidrográfica do córrego André é de 80 m com a menor
altitude de 200 m localizada na foz e a maior altitude com 280 m situada na
porção montante.
3.4.4 Razão de relevo da sub-bacia
A razão de relevo indica a declividade geral ou declive total da superfície
da sub-bacia. Quanto maior for à amplitude altimétrica e menor o comprimento
total da sub-bacia maior será a razão de relevo e conseqüentemente maior é o
declive geral da superfície da sub-bacia hidrográfica (STRAHLER 1957).
A razão de relevo da sub-bacia hidrográfica do córrego André é pequena
com 0,02 m, sugerindo que essa sub-bacia possui relevo suave.
3.4.5 Vazão
A vazão do córrego André está vinculada a precipitação, dependendo da
intensidade e temporalidade da chuva, ocorre o aumento ou diminuição do
fluxo (escoamento superficial). Na primeira avaliação, observou-se uma vazão
de foi de 0,001 m³/s. Na segunda avaliação, observou-se uma vazão de 0,068
m³/s. Comparando estes valores, é possível verificar que houve diminuição da
vazão de 0,067 m³/s de água no córrego entre as medições, sendo que esta
pode ser explicada pela diminuição da precipitação pluviométrica no período.
Sendo assim, a vazão do córrego influencia na qualidade da água, pois esta
tende a piorar com a diminuição da vazão e do efeito de diluição, pois ocorre
concentração dos poluentes.
3.5 PARÂMETROS MORFOMÉTRICOS
3.5.1 Fator de forma da sub-bacia
Conhecer o fator de forma de uma bacia é importante para determinar o
tempo de concentração de água após uma precipitação. Quanto maior o tempo
35
de concentração, menor a vazão máxima de enchente. Quanto mais próximo
de um (1,0) for o fator de forma, mais próximo da forma circular e
conseqüentemente, maiores as chances de inundação terá a sub-bacia
(VILLELA e MATTOS, 1975).
O Fator de forma da sub-bacia hidrográfica do córrego André é de
0,0045. Esses valores indicam que a sub-bacia não possui formato semelhante
ao de uma circunferência, correspondendo, portanto, a uma bacia alongada
(Quadro 1).
3.5.2 Densidade de Drenagem
A densidade de drenagem é um fator importante na indicação do grau de
desenvolvimento do sistema de drenagem de uma bacia, seu estudo indica a
maior ou menor velocidade com que a água deixa a bacia hidrográfica
(STRAHLER, 1957).
De acordo com Villela e Mattos (1975) o índice da densidade de
drenagem pode variar de 0,5 km/km2 em bacias com drenagem pobre a 3,5
km/km2, ou mais, em bacias bem drenadas.
A densidade de drenagem encontrada na sub-bacia hidrográfica do
córrego André foi de 0,222 km/km2 (Quadro 1), mostrando que a sub-bacia
apresenta em sua composição litológica, rochas de granulometria grossa, que
possuem melhor permeabilidade, dificultando o escoamento superficial,
indicando, assim, que a área em estudo possui baixa capacidade de drenagem,
sinalizando que a água deixa a bacia hidrográfica com menor velocidade.
3.5.3 Ordem dos canais
A sub-bacia hidrográfica do córrego André é de primeira ordem,
apontando que o sistema de drenagem da bacia é sem ramificação (Quadro1).
3.5.4 Gradiente dos canais
A finalidade do gradiente dos canais é indicar a declividade dos cursos
d’água (HORTON, 1945).
36
O gradiente do canal, encontrado na sub-bacia hidrográfica do córrego
André foi de 0,70%, indicando que o canal tende a possuir baixa declividade
(Quadro 1).
Quadro 1 Análise morfométrica da sub-bacia do córrego André.
PARÂMETROS
RESULTADOS
INTERPRETAÇÃO
Ordem do canal
1ª ordem
A bacia não possui tributários.
Densidade de drenagem
0,222 km/km
Gradiente de canais
0,70%
Fator de forma
0,0045
2
Baixa capacidade de drenagem
Baixa declividade do canal
Bacia alongada com baixa
propensão à ocorrência de cheias
Declividade média
0,666 m
Topografia com baixa declividade
com baixa suscetibilidade à erosão
Razão de relevo
0,02 m
Possui relevo suave
3.6 TIPOS DE SOLOS
3.6.1 Neossolos Litólicos Distróficos
As áreas de recarga das nascentes estão sob solos Neossolos Litólicos
Distróficos. Os solos desta classe são rasos, apresentam grande variabilidade,
químicas, físicas e morfológicas, tendo a maioria textura cascalhenta. Em
relação à fertilidade, estão intimamente influenciados pelo material originário
(FREITAS,1995).
3.6.2 Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico
As áreas de nascentes estão sob uma área de solos Argissolo
Vermelho-Amarelo Distrófico. Trata-se de um relevo de baixa declividade
(SEPLAN, 2009).
Os argissolos são solos de baixa fertilidade natural, apresentando
valores baixos em soma de bases e saturação de bases. O alumínio trocável e
37
a saturação do alumínio são altos, atingindo níveis nocivos ao desenvolvimento
das plantas (FREITAS,1995).
Nos Argissolos, podem ser desenvolvidas atividades pecuárias e de
reflorestamento, não dispensando a adoção de práticas conservacionistas mais
restritivas, especialmente na área próxima às nascentes (FREITAS,1995).
3.7 COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA
O estudo da composição florística foi conduzido em um fragmento
florestal na área de recarga da bacia do córrego André, localizado nas
coordenadas geográficas 15º40’35” de Latitude Sul e 58º04’30” de Longitude
Oeste (Figura 5).
Figura 5 Fragmento florestal na área de recarga da sub-bacia André em
Mirassol D’Oeste-MT.
A vegetação na área de recarga da sub-bacia apresenta uma fisionomia
predominantemente florestal, cuja classificação fitogeográfica é Floresta
Estacional Semidecidual Submontana (VELOSO, 1991).
A região representa o contato florístico de ecótono de cerrado com
floresta estacional (ABDON, 2006).
A formação Floresta Estacional Semidecidual Submontana se encontra
restrita às áreas descontínuas ou disjuntas, ocorrem em altitudes que variam
de 50 a 500 m, preferindo substrato de natureza calcária (PCBAP, 1997).
O fragmento estudado possui uma área aproximada 35 ha e representa
aproximadamente 19,4% da área de estudo. A área possui locais com dossel
38
descontínuo e forte alteração promovida pelo corte seletivo e por queimadas
ocasionais.
Nas parcelas do fragmento florestal, foram inventariadas todas as
árvores vivas com diâmetro igual ou superior a 5 cm, a comunidade avaliada é
composta de árvores emergentes deciduais de porte fino, pois a maioria dos
indivíduos concentra-se nas classes de diâmetro entre 10 e 14,9 cm. Foram
inventariados 640 indivíduos e as espécies mais freqüentes foram: o angico
(Piptadenia
macrocarpa),
aroeira
(Astronium
urundeuva)
e
jacarandá
(Machaerium acutifolium).
No curso do córrego André a mata ciliar reflete as condições ecológicas
da comunidade local. Aproximadamente 95% das propriedades não possui a
vegetação original, restando poucos exemplares de árvores exóticas, frutíferas
e áreas com pastagens como Brachiaria (Brachiaria brizantha) e colonião
(Panicum maximum), taboa (Typha dominguensis), sinamão (Melia azedarach),
leucenas (Leucaena leucocephala).
3.7.1 Estrutura das comunidades vegetais
A estrutura horizontal do fragmento florestal amostrado apresentou
densidade total de 896 ind/ha. A densidade constatada indica a existência de
um baixo número de indivíduos de cada espécie por hectare, quando
comparado com outros levantamentos em florestas estacionais realizados no
Mato Grosso. Na Chácara Alvorada (36°35’S e 52°16’W) no município de
Canarana foram encontradas 2.496 árvores/ha (SUSTANIS et al., 2009), no
Parque Estadual da Serra Azul (PESA), em Barra do Garças (15°52’S e
51°16’W), a densidade total foi de 1.280 árvores/ha (PEIXOTO et al.,2007).
A baixa densidade de árvores na área de estudo está ligada a fatores
antrópicos diretamente ligados ao uso do solo na sub-bacia (extração
madeireira, atividade mineradora e expansão imobiliária).
Dentre as espécies amostradas, as de maior densidade foram o angico
(Piptadenia macrocarpa) e a aroeira (Astronium urundeuva), representando
respectivamente 30,62% e 21,25% da densidade relativa na área.
39
Segundo Oliveira Filho (2000) é bastante comum em estudos
fitossociológicos que algumas espécies sejam mais amostradas do que as
demais, isto reflete uma maior adaptabilidade dessas espécies a determinados
ambientes.
Oliveira Filho (2000) constatou que fragmentos de comunidades
arbóreas, podem apresentar diferenças florísticas e estruturais marcantes. Este
fato é muito relevante do ponto de vista da conservação, pois vários
fragmentos pequenos espalhados na paisagem podem encerrar comunidades
muito distintas, não devendo ser tratados como amostras semelhantes de uma
totalidade antes homogênea, e, por isto, merecem rigoroso planejamento de
uso.
3.8 FAUNA
De acordo com entrevistas realizadas com moradores do entorno do
fragmento florestal da área de recarga do córrego André, na área existe
diversidade de aves, como baitaca, tucano, papagaio, anu preto e nambu. Os
principais representantes dos mamíferos são: macaco prego, quati, tatugalinha, preá, cutia, paca, entre outros. Possui também representantes de
répteis: lagarto teju e algumas cobras como coral, jararaca, entre outras.
Apesar das diversas perturbações antrópicas, o fragmento florestal
estudado consegue manter uma fisionomia típica de florestas estacionais,
abrigando considerável diversidade faunística. No entanto, a manutenção dos
atuais níveis de perturbações, pode ocasionar ameaças a essas populações.
3.9 USO DO SOLO
Na sub-bacia do córrego André a cobertura da terra reflete, de maneira
geral, o resultado da atuação do homem sobre o meio ambiente natural,
destacando-se uma paisagem combinada de remanescentes florestais,
pastagens, uso agropecuário e áreas urbanizadas (Figuras 6).
40
Figura 6 Perfil da cobertura da terra na sub-bacia André.
Foram identificadas três unidades de uso, a partir das áreas de recarga
até à foz do córrego André: áreas de vegetação esparsa e mineração; área de
expansão urbana (áreas com nascentes, represas, áreas de pastagens, uso
agropecuário); e áreas de urbanização (bairros, escolas, comércio) (Figura 7).
Figura 7 Uso do solo na área de expansão urbana da sub-bacia do córrego
André.
3.9.1 Áreas de Vegetação Esparsa
A Unidade área de vegetação esparsa ocorre principalmente no setor
sudeste da sub-bacia, perfazendo uma área aproximada de 3,5 km² e tem
como característica ser constituída de áreas de preservação. Esta unidade de
41
uso está relacionada diretamente ao relevo acidentado, acesso restrito e
reduzido potencial agrícola do solo.
Ao lado da área de vegetação esparsa localiza-se uma indústria de
mineração. Correspondem às áreas sem cobertura vegetal diretamente
modificada pelas atividades de mineração onde são ou foram desenvolvidas
estruturas a elas ligadas (escritórios, oficinas, máquinas, cavas das minas,
barragens de rejeitos, etc.). Destacam-se nesse cenário a exploração de
rochas calcárias utilizadas na fabricação de pedra brita e pedrisco.
3.9.2 Áreas de Expansão Urbana
A área de expansão urbana representa uma das áreas antropizadas da
sub-bacia, possui sítios onde a vegetação foi modificada, devido às práticas
agropecuárias (pastagens, uso agrícola).
A água do córrego foi represada para ser usada no cultivo de hortas,
criação de suínos, gado leiteiro, e tanques de piscicultura. O escoamento
sanitário na área de expansão urbana apresenta-se precário, predominando as
fossas rudimentares e as privadas.
Nas áreas de uso agrícola predominam o cultivo de culturas cíclicas de
milho (Zea mays ), arroz
(Oryza sativa ) e mandioca (Manihot esculenta
crantz). Ocupa, principalmente, a porção leste da sub-bacia. A produção
agrícola dentro da economia municipal é pouco representativa, voltada para a
subsistência familiar, o que pode ser percebido através da utilização
inexpressiva, de apenas 8,7% das terras rurais do município, para a
implantação de lavouras permanentes e temporárias (EMPAER/MT, 2009).
3.9.3 Áreas de Urbanização
A Unidade áreas de urbanização é representada pelas principais
aglomerações urbanas de bairros e residências, escolas e área comercial
adjacente ao córrego André. Nestes pontos a dinâmica do curso d’água foi
alterada através de obras de canalização e instalação de placas de concreto. O
córrego André possui 35% de sua área total canalizada e cimentada.
42
3.10 Uso do solo e alterações do regime hídrico
O múltiplo uso de um curso d’água causa inúmeras alterações do meio
ambiente. Esses impactos se manifestam diretamente sobre a hidrologia
(TUNDISI,1999) (Tabela 1).
Segundo Margalef (1986), a qualidade da água de um manancial
depende das ações praticadas no solo desta bacia e, em conseqüência, tornase necessária à gestão do uso do solo para a manutenção da qualidade dos
recursos hídricos.
Tabela 1 Principais alterações do regime hídrico relacionadas ao uso do solo.
Atividades
Desmatamento
Alterações no Regime Hídrico
Maior
escoamento
superficial
e
redução
do
abastecimento. Aporte de substâncias poluentes.
Represamento
Alteração do ciclo hidrológico, maiores taxas de
evaporação e infiltração, provocando perdas de
volume d'água.
Canalização
Alteração
da
dinâmica
natural.
Variação
de
temperatura.
Mineração
Perturbação hidráulica na área de recarga podendo
ocasionar a remoção do solo com exposição do
nível freático, deixando-o vulnerável à poluição.
Ocupação da APP
Contaminação por esgoto doméstico e atividades
agropecuárias. Lixiviação e assoreamento.
As atividades antropogênicas mencionadas (tabela 1), associadas às
características geoambientais da bacia do córrego André (Quadro 1),
favorecem os processos de degradação deste curso d’água.
A canalização, o represamento e aterramento de alguns pontos do
córrego, contribuem com estrangulamento da rede de drenagem. No
escoamento, esse processo tem causado impermeabilização do solo urbano,
fazendo com que as cheias locais se agravem, em períodos chuvosos,
provocando entupimento dos condutos e canais por sedimentos, alterando a
eficiência do fluxo.
43
Os processos de impermeabilização do solo, juntamente com o
desmatamento da APP, favorecem a redução da quantidade de água e
alteração de sua qualidade.
4 CONCLUSÕES
As rochas impermeáveis do Complexo Xingu localizadas no alto e médio
curso da bacia do córrego André contribuem com o armazenamento de água
no lençol freático e afloramento das nascentes na área de expansão urbana. O
avanço da urbanização e pavimentação nestas áreas podem no decorrer do
tempo, comprometer a capacidade de carga desse ambiente e influenciar na
redução da quantidade e qualidade de água infiltrada.
A composição litológica das cabeceiras da sub-bacia, como as rochas
areníticas, juntamente com a presença de represas, permite que ocorram
maiores taxas de infiltração, provocando, dessa maneira, perdas de volume
d'água, em quantidades consideráveis. Verificou-se a diminuição da vazão do
córrego no período avaliado.
O desmatamento nas cabeceiras da sub-bacia tem contribuído com a
baixa densidade de vegetação, o que ocasiona sérios danos à sustentabilidade
ambiental deste ecossistema. A conservação desses fragmentos florestais é de
fundamental importância para a preservação deste ecossistema, uma vez que
a floresta contribui com o abastecimento de água e redução do aporte de
substâncias poluentes.
Outro fator que pode ser considerado de risco é a atividade mineradora,
na área de recarga da sub-bacia. A perturbação hidráulica pode ocasionar a
remoção do solo e exposição do nível freático, que combinado com o relevo
cárstico dessa área, pode acelerar processos de contaminação.
A bacia do córrego André apresenta fragilidade ambiental. As atividades
antropogênicas e as características geoambientais da bacia influenciam
decisivamente na qualidade e quantidade de suas águas, favorecendo
processos de degradação. Assim sendo, a ocupação desta sub-bacia deve ser
feita com planejamento adequado, com restrição especialmente às áreas de
recarga e adjacências do córrego. No entanto, é indispensável a participação
44
conjunta do poder público e comunidade, na gestão do local, incorporando
práticas de educação e gestão ambiental, visando à preservação e
recuperação dos ecossistemas locais.
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48
CAPÍTULO 2
Relações entre qualidade da água e uso do solo da sub-bacia do
córrego André em Mirassol D'Oeste - MT
Resumo - A presente pesquisa foi realizada na sub-bacia hidrográfica do
córrego André na cidade de Mirassol D’Oeste, Sudoeste do Estado de Mato
Grosso com o objetivo de investigar possíveis relações entre a qualidade da
água e o uso do solo da sub-bacia. A sub-bacia do córrego André foi dividida
em seu gradiente longitudinal, em cinco pontos eqüidistantes de amostragens,
com monitoramento entre junho/2008 a outubro/2009. Foram analisados
fatores como o uso do solo, aspectos da rede de drenagem e sazonalidade. As
coletas de água foram realizadas desde as nascentes do córrego André, um
tributário de 2ª ordem do córrego São Francisco, até sua saída na cidade de
Mirassol D’Oeste. As variáveis relacionadas em um índice de qualidade de
água (IQA) foram: Temperatura, Turbidez, pH (Potencial Hidrogeniônico),
Fósforo Total, Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Nitrogênio Total,
Oxigênio Dissolvido, Sólidos Totais e Coliformes Fecais. De acordo com as
disposições finais e transitórias da Resolução CONAMA nº 357/2005, os
índices da qualidade da água do córrego André apresentados nas análises
enquadram-se nas águas de classe 2. A análise de IQA classifica as águas do
córrego André como regular na maioria dos pontos amostrais, com perda
progressiva da qualidade das águas da nascente para a foz. Os resultados
indicaram que o IQA utilizado é sensível às variações sazonais e responde ao
aporte de sedimentos e matéria orgânica por escoamento superficial.
Evidenciou-se alterações na qualidade da água relacionadas especialmente
com à densidade e natureza da ocupação. Acredita-se que tal fato pode estar
relacionado com o uso conflituoso dos terrenos, com desenvolvimento da
mineração, crescente ocupação urbana e expansão imobiliária. Na área de
estudo o uso predominante é agropastoril e mineração na porção superior e
influência urbana na parte inferior. O desmatamento, os diversos processos
erosivos, os mananciais assoreados, a canalização e represamento do curso
d’água, são outros problemas ambientais observados que podem estar
afetando a qualidade da água da sub-bacia.
Palavras-chave: Qualidade da água e IQA, uso do solo, rede de drenagem,
sub-bacia do córrego André, Mirassol D’Oeste-MT
Relations between water quality and land use of sub-basin of the stream
in André Mirassol D'Oeste-MT
Abstract - This research was conducted in the sub-basin of the Andrew creek
in the city of Mirassol D'Oeste, Southwest of Mato Grosso in order to investigate
possible links between water quality and land use sub-basin. The sub-basin of
the Andre stream was divided in its longitudinal gradient in five equidistant
sampling points, with monitoring between June/2008 to October/2009. We
49
analyzed factors such as land use, aspects of the drainage network and
seasonality. The water sampling were carried out from the sources André
stream, a tributary of 2nd order San Francisco stream, until his departure in the
city of Mirassol D'Oeste. Variables related to a water quality index (WQI) were:
Temperature, Turbidity, pH (hydrogen potential), Total Phosphorus,
Biochemical Oxygen Demand (BOD), Total Nitrogen, Dissolved Oxygen, Total
Solids and Fecal Coliforms. According to the final and transitional provisions of
CONAMA 357/2005 Resolution, the indexes of water quality Andre stream
presented in the analysis fall into the waters of Class 2. The analysis of WQI
classifies the waters of the stream with Andrew as regulate progressive loss of
water quality from the source to the mouth. The results indicated that AQI used
is sensitive to seasonal changes and responds to the amount of sediment and
organic matter runoff. It became evident changes in water quality especially
related to the density and nature of the occupation. It is believed that this might
be related to the conflicting use of land, with development of mining, urban
expansion and growing real estate expansion. In the study area the
predominant use is agropastoral and mining at the upper and urban influence
on the bottom. Deforestation, the various erosions, the silting of streams, the
diversion and impoundment of water courses are other issues that impact the
environment that may be affecting water quality in the sub-basin.
Keywords: Water quality and WQI, land use, drainage, sub-basin of the
Andrew stream Mirassol D'Oeste-MT
1 INTRODUÇÃO
O levantamento das características sócio-ambientais e dos usos de uma
determinada região é de fundamental importância para o conhecimento de
suas potencialidades e fragilidades ambientais e sociais. Nesse contexto,
enquadram-se os estudos relativos aos recursos naturais, aos atores sociais e
às diversas atividades realizadas (TUNDISI, 2002).
A água é um dos mais importantes recursos naturais de que a
sociedade dispõe, sendo indispensável para a sua sobrevivência. Dentre os
vários
usos
da água doce, destacam-se aqueles
empregados
para
abastecimento humano e industrial, higiene pessoal e doméstica, irrigação,
geração de energia elétrica, navegação, preservação da flora e fauna,
aqüicultura e recreação. Desses usos, o abastecimento humano é considerado
prioritário (FREITAS, 2000).
Por outro lado, a água é um dos principais meios de disseminação de
agentes patogênicos, motivo pelo qual a legislação determina que para cada
50
uso da água exigem-se os limites máximos de impurezas que ela pode conter
e, quando as contiver, exige-se tratamento adequado (BENETTI, 2000).
A qualidade da água depende das condições naturais e da ocupação do
solo na bacia hidrográfica, sendo produto da qualidade da água em um ponto
anterior, modificada por diversos fatores atuantes (BRAGA et al., 2005).
Não há um indicador de qualidade de água único e padronizável para
qualquer sistema hídrico. Uma forma de avaliar objetivamente essas variações
é a combinação de parâmetros de diferentes dimensões, em índices que os
reflitam conjuntamente em uma distribuição amostral no espaço e no tempo
(TOLEDO e NICOLELLA, 2000).
Diversos índices foram desenvolvidos com base em características
físico-químicas da água ou a partir de indicadores biológicos, cabendo ajustes
nos pesos e parâmetros para adequação à realidade regional. Usualmente,
estes IQAs (Índice de Qualidade das águas) são baseados em poucas
variáveis (GERGEL et al., 2002), cuja definição deve refletir as alterações
potenciais ou efetivas, naturais ou antrópicas que a água sofre (TOLEDO e
NICOLELLA, 2000).
A qualidade de determinada água se dá em função do uso e da
ocupação do solo na bacia hidrográfica, ao serem relacionadas à indicadores
de qualidade da água, podem refletir a intensidade das alterações antrópicas,
principalmente no âmbito da bacia hidrográfica (GERGEL et al., 2002).
A retirada da cobertura vegetal ciliar dos rios, a intensa implementação
da agropecuária e o lançamento de efluentes domésticos e industriais são as
principais
interferências
negativas
sobre
os
ecossistemas
aquáticos,
acarretando processos de contaminação, eutrofização e interferência nos
padrões de qualidade dos corpos d’água que abastecem cidades (FARIA &
CAVINATTO, 2000).
Desta forma, de maneira geral, os índices e indicadores ambientais
nasceram como resultado da crescente preocupação social com os aspectos
sociais do desenvolvimento, processo este que requer um número maior de
informações, em grau de complexidade, também cada vez maiores. Por outro
51
lado os indicadores tornaram-se fundamentais nos processos decisórios de
políticas públicas e no acompanhamento de seus efeitos (SPERLING, 1996).
Na avaliação dessa qualidade, devem ser respeitadas características
físicas, químicas e biológicas propostas pela Organização Mundial de SaúdeOMS.
Dentro dessa realidade, diagnosticou-se a qualidade das águas do
córrego André, relacionando-a ao uso do solo no município de Mirassol
D’Oeste, entre o período de Junho de 2008 a Fevereiro de 2010. Como
justificativa, tem-se as alterações ocorridas no âmbito do córrego, bem como o
crescimento populacional e as diferentes formas de ocupação nesta área.
2 MATERIAL E MÉTODOS
2.1 Área de estudo
O estudo foi desenvolvido na sub-bacia hidrográfica do córrego André,
localizada na região micro-região do Jauru, compreendendo parte do município
de Mirassol D’Oeste, Sudoeste do Estado Mato Grosso. O córrego André
pertence à bacia hidrográfica do rio Jauru, que é afluente do rio Paraguai e
possui área de aproximadamente 18 km² na direção SE-NO.
A classificação climática para a região, segundo Köeppen, é do tipo
tropical quente e sub-úmido, com temperatura anual entre 24° e 36°. A
precipitação anual normal é de 1.500 mm (SEPLAN, 2009).
As nascentes do córrego André encontram-se em área movimentada,
extensão da Província Serrana (dobramentos antigos) geologicamente inserida
no Grupo Alto Paraguai (Formação Araras, Formação Moenda) e o Complexo
Xingu.
As classes de solos presentes são: Neossolos Litólicos Distróficos e
Argissolo
Vermelho-Amarelo
Distrófico.
A
vegetação
remanescente
compreende principalmente Florestas Estacionais Submontana, sendo contato
florístico de ecótono de cerrado com floresta estacional semidecidual
submontana (SEPLAN, 2009).
52
2.2 Levantamento de campo
Para melhor analisar aspectos da rede de drenagem e investigar
possíveis relações entre qualidade da água e uso do solo, a sub-bacia do
córrego André foi dividida em cinco pontos, desde as nascentes do córrego
André até sua saída na cidade de Mirassol D’Oeste. Para determinação de
suas coordenadas foi utilizado o aparelho GPS Garmin 38.
Os critérios para escolha dos locais de coleta levaram em consideração
o uso e ocupação do solo e diversidade de paisagens.
As medições de vazão foram realizadas nos pontos de amostragens por
meio do método de flutuadores, conforme citado por Azevedo Neto (2000),
coincidindo com o período de coleta e análises de água.
2.3 Coleta e análise da água
As amostras de água foram coletadas nos primeiros 30 cm da lamina
d’água durante o período de estiagem nos meses de Junho de 2008 e no
período das chuvas, março de 2009 e fevereiro de 2010, em cinco trechos do
córrego: o primeiro (P1) localiza-se em uma represa na área de expansão
urbana (15° 40’31’’ e 58°04’44’’), o segundo (P2) em um tanque de piscicultura
(15° 41’56’’ e 58°05’38’’), o terceiro (P3) em nascentes urbanas (15°40’59’’
e
58°05’28’’), o quarto (P4) canal do córrego cimentado em área urbana
(15°41’04” e 58°05’61”) e o quinto ponto (P5) abaixo de uma ponte no Bairro
Bandeirantes II (15°40’52’’ e 58°06’01’’).
As amostras de água foram coletadas em frasco de polietileno com
capacidade aproximada de 300 ml.
No campo foram analisadas a temperatura da água com termômetro
digital em horário das 9:00 às 11:00 horas.
As
análises
experimentais
foram realizadas
no Laboratório
de
saneamento: Análises químicas e controle de qualidade de águas- Analítica,
localizado em Cuiabá.
Nas análises laboratoriais as amostras foram avaliadas através dos
métodos analíticos baseados no Standard Methods for examinations of Water
and Wastewater (APHA, 1998).
53
Para as variáveis turbidez e oxigênio dissolvido na água foi aplicada
análise de correlação de Pearson (p<0,05).
2.3.1 Índice de Qualidade de Água (IQA)
Os valores finais do IQA são expressos em categorias de qualidade e
podem ser representados por cores, facilitando a interpretação dos resultados.
Os valores do índice (IQA) variam entre 0 e 100 (Quadro 1). Assim
definido, o IQA reflete a interferência por esgotos sanitários e outros materiais
orgânicos, nutrientes e sólidos.
Quadro 1 Classificação do IQA
A partir da coleta e análise da água foi realizada a análise de IQA, o qual
consiste em um índice desenvolvido pela National Sanitation Foundation, USA.
Para cálculo do IQA usa-se a fórmula multiplicativa cuja expressão é:
Sendo: IQA= Índice da qualidade da água
qi = qualidade do parâmetro i obtido através da curva média específica
wi = peso atribuído ao parâmetro, em função de sua importância na qualidade.
2.3.2 Variáveis Analisadas no IQA
As Variáveis usadas para calcular o IQA foram:
Variáveis físicas: Turbidez e Temperatura.
Variáveis químicas: DBO; pH; Oxigênio; Nitrogênio e Fósforo Total.
Variáveis biológicas: Coliformes Fecais (Tabela 2).
54
Tabela 2. Descrição das variáveis utilizadas no IQA
Variáveis
Descrição
Indicação
DBO
É a quantidade de oxigênio
consumida
mg/L
pH
Medida da concentração dos
íons de hidrogênio numa
solução
Expressa propriedades de
transmissão da luz de uma
solução
São
representados
por
nitratos,
nitritos,
amônia,
fosfatos e outros
Indica a quantidade de
matéria
orgânica
biodegradável presente
Pode indicar a presença
de poluição,
Reflete a penetração da
luz ou transparência da
água
Importantes na produção
primáriaão de organismos
aquáticos
UNT
Turbidez
Nitrogênio e
Fósforo
Unidade
Escala de 0 a
14
mg/L
OD
Expressa a quantidade de
oxigênio dissolvido na água
Fundamental
para
a
sobrevivência
de
comunidades aquáticas
mg/L
Sólidos Totais
Possuem
características
físicas
(suspensos/
dissolvidos)
e
químicas
(orgânicos / inorgânicos).
Constituem o
indicador de contaminação
fecal mais comum
Toda a matéria que
permanece como resíduo
na água
mg/L
Parâmetro usado
na
caracterização
e
avaliação da qualidade
das águas
Quando elevada, resulta
na perda de gases pela
água, gerando odores e
desequilíbrios
(UFC/100ml)
Coliformes
Fecais
Temperatura
Pode influir nas atividades
biológicas,
absorção de
oxigênio e precipitação de
compostos
C°
55
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Pontos de amostragem da sub-bacia
Figura 8 Aspectos dos pontos amostrados para as análises de água do
córrego André, Junho de 2008- Fevereiro de 2010.
Os pontos de amostragens P1 (represa) e P2 (tanque de piscicultura) representam
a região de expansão urbana, localizados ao norte da sub-bacia.
56
Os pontos de amostragens P3 (nascente), P4 (canal cimentado) e P5 (ponte no
Bairro Bandeirantes II) (Figura 8), localizam-se na região urbana da cidade de Mirassol
D’Oeste, onde a urbanização se consolidou às margens do córrego.
3.2 Uso e Ocupação do Solo
A sub-bacia do córrego André configura-se em uma região de uso misto
em termos de ocupação, podendo ser dividida geograficamente em três
setores: No primeiro setor localiza-se a área de vegetação esparsa e área de
mineração e no segundo setor localiza-se a área de expansão urbana, com
sítios, conjuntos habitacionais e bairros residenciais.
Nos sítios o córrego André é cortado por represas e tanques de
piscicultura. Nas adjacências do córrego existe produção de hortaliças, criação
de animais (porcos, aves e gado leiteiro), além de ter, eventualmente
agricultura de subsistência com lavoura de milho (Zea mays ) e arroz (Oryza
sativa ). Este trecho corresponde aos pontos de amostragens 1 e 2. O córrego
André nestes pontos ainda corre em seu leito natural. As influências de
natureza antrópica nestes pontos ocorrem com lançamento direto de efluentes
gerados nas residências e chácaras.
No terceiro setor localiza-se a região urbana da cidade, ocupada por
comércios e residências e corresponde aos pontos de amostragens 3,4 e 5.
Estes locais são alvo de obras de drenagem e pavimentação, o córrego corre
em canal aberto cimentado. Nas laterais do canal principal do córrego o
aterramento tem contribuído com o transbordamento do canal no período
chuvoso e alagamento permanente de algumas áreas.
No ponto de amostragem 3, no período chuvoso, algumas nascentes
que abastecem o canal principal, foram aterradas, ocasionando a sua extinção
e/ou migração. Nestes pontos observa-se que as principais fontes de poluição
são de origem industrial, com lançamento de resíduos de óleos e graxas
provenientes das oficinas mecânicas.
O uso e ocupação do solo da sub-bacia do córrego resultaram em
diversas
mudanças
nas
características
ambientais
do
curso
d’água,
57
ocasionando alterações do sistema de drenagem com alteração de sua
dinâmica natural.
3.3 Variáveis Avaliadas
Após identificação dos usos predominantes do solo e das mudanças nas
características ambientais da sub-bacia, foram avaliadas algumas variáveis nos
diversos pontos de amostragem, no período da seca e da chuva (Tabela 3), à
luz de padrões de qualidade de águas superficiais de classificação dos corpos
d’água apresentada pela Resolução CONAMA 357/05.
Tabela 3. Resultado das Análises de água nos pontos de amostragens do
córrego André no período de seca e de chuva.
Período
Seca
Variáveis
pH
Turbidez
CONAMA
357/05* P1
6,0
a 9,0
≤
100,0
0,050
mg/l
≤ 5,0
__
Chuva
P2
P3
P4
P5
P1
P2
P3
P4
P5
7,84
7,86
6,16
7,40
7,39
7,49
7,46
7,47
7,25
7,09
39,5
37,3
4,23
75,5
23,9
83,2
17,7
56,1
60,0
60,5
Fósforo
0,67
0,40
0,80
0,55
0,88
0,27
0,03
0,13
0,23
0,15
Total
DBO
16,0
12,0
3,5
15,0
14,0
3,0
2,5
2,5
2,5
2,5
Nitrogênio
7,8
6,2
0,9
4,4
9,0
1,04
0,47
2,13
1,09
1,18
Total
Oxigênio
> 5,0
3,2
2,9
5,6
4,9
3,7
3,21
1,07
2,15
3,04
3,19
Dissolvido
Sólidos
500
282,0 332,0 252,0 418,0 276,0 311,0 420,0 330,0 610,0 218,0
Totais
Coliformes
__ 7,4 x 102 9,0 x 102 1,8 x 102 6,0 x 102 5,0 x 102 9,0 x 102 1,2 x 103 3,3 x 102 1,0 x 103 2,0 x 102
Fecais
Temperatura __
27º
28º
28º
29º
30º
29,6° 29,3° 29,5° 29,5° 30,0°
Valores para águas doces de classe 2- Resolução CONAMA 357/05.
Após as análises da água nos diferentes pontos de amostragens foram
verificadas as seguintes tendências:
As variáveis Turbidez, pH e Sólidos Totais em todos os pontos
amostrais, enquadram-se nos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA
357/05, para águas de Classe 2. No entanto, foram observados altos valores
de DBO, Temperatura, Coliformes Fecais e Fósforo Total em quase todos os
pontos amostrais e baixos valores de O.D. Tais variáveis não apresentam
58
condições de qualidade de água compatíveis com a Classe 2, excedendo os
limites estabelecidos (Resolução CONAMA n° 357/05).
3.3.1 Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO
Valores elevados de DBO foram identificados na estação seca a partir
do ponto de amostragem 1. Tais valores estão relacionados com a carga de
efluentes domésticos e industriais e com a baixa vazão do córrego na seca,
pois a atividade auto-depurativa é diminuída neste período. Os teores de DBO
nos pontos estudados apresentaram oscilações entre máximos e mínimos na
ordem de 12,0 e 16,0 mg/L na seca, com exceção do ponto 3 (nascente) e 2,5
e 3,0 mg/L na chuva. Os valores de DBO na seca estiveram fora dos padrões
de referência da Resolução CONAMA 357/05, que é de até 5,0 mg/L, para a
classe 2.
Benetti (2005) afirmou que águas seriamente poluídas apresentam DBO
maior que 10 mg/L e que altos índices podem gerar a diminuição e até a
eliminação do oxigênio presente nas águas gerando alterações substanciais no
ecossistema. Nessas condições, os processos aeróbicos de degradação
orgânica podem ser substituídos pelos anaeróbicos, ocasionando eutrofização
e inclusive extinção das formas de vida aeróbicas.
De maneira geral, pode-se dizer que os níveis de DBO sofreram
alteração condicionada principalmente ao ciclo hidrológico, apresentando
valores baixos no período de cheia e elevados no período de seca (Figura 9).
59
Figura 9 Variação da Demanda Bioquímica de oxigênio no córrego 2008/2010.
3.3.2 Oxigênio Dissolvido – O.D
O Oxigênio dissolvido, analisado na estação seca e na estação chuvosa
nos pontos amostrais, apresentou variação de 1,07 a 4,9 mg/L (Figura 10), não
apresentando concordância com os valores de referência do CONAMAResolução 357/2005, para águas de classe 2 (>5,0 mg/L). No ponto 5 há
evidências de contaminação por esgotos domésticos. Somente no ponto 3, o
valor apresentado esteve em concordância (5,6 mg/L). A elevação dos valores
desta variável no ponto 3, é resultante do fluxo da água das nascentes deste
local.
Os baixos valores de O.D indicaram que a água sofre um aporte
contínuo de material orgânico biodegradável, com a conseqüente depleção dos
níveis de oxigênio dissolvido. Tal fato pode estar relacionado com a deposição
de animais mortos no canal, lançamento de esgoto doméstico e alta DBO.
Em mananciais superficiais onde não há poluição, o O.D deve
apresentar valores não inferiores a 6 mg/L (LOUZADA, 2002).
Os valores encontrados evidenciam que o córrego André se encontra
fora dos padrões de qualidade, atingindo valores mínimos de até 1,07 mg/ L.
60
Figura10 Variação do Oxigênio Dissolvido no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.
3.3.3 Temperatura da Água
A temperatura da água do córrego André, nos pontos amostrais
apresentou variação de acordo com a temperatura do ar, com menores valores
na seca, no mês de Junho com 27,0° C e maiores valores na chuva, em março
(30,0 ° C). Observou-se uma tendência de aumento de montante à jusante
(Figura 11).
De maneira geral a temperatura da água do córrego André apresentou
valores mais altos quando comparados com outros corpos d’água no estado do
Mato Grosso. Souza et al. (2008) ao realizar um monitoramento da água da
micro-bacia do Queima-pé em Tangará da Serra-MT, encontrou variação de
temperatura de 20,0°C a 23,0° C para o período chuvoso. Moreira (2007)
encontrou variação de temperatura entre 21,6 e 26,7° C no rio Correntes,
Piquiri- MT.
A elevação de temperatura da água no córrego André pode estar
associada à retirada da vegetação ciliar. Segundo Guereschi & FonsecaGessner (2000) o grau de sombreamento provocado pela mata ciliar, é um fator
que pode determinar a temperatura de um corpo d’água. Outro fator que pode
ter influenciado na alta temperatura da água é a alteração da dinâmica natural
do córrego (canalização).
61
Figura 11 Variação da Temperatura da água no período da seca e de chuva.
3.3.4 Turbidez
Todos os pontos estudados apresentaram valores de turbidez menores
que o limite máximo aceitável para as águas de classe 2 (100,0 UNT) (Figura
12).
Constata-se que no período chuvoso as águas que circulam no córrego
André apresentam maiores quantidades de sólidos suspensos e que
misturadas às águas oriundas de esgotos resultam em maior turbidez.
O maior valor de turbidez foi identificado no período da chuva com 83,2
UNT no ponto 1 (represa), localizada no alto curso da bacia, onde o uso
predominante é a pecuária. A sedimentação ocasionada pelo pisoteio do gado
ocorre de forma lenta, não alterando demasiadamente a turbidez.
No período da seca, no P4 ocorreu a maior elevação da turbidez 75,5
UNT. Estes resultados estão associados à presença de materiais em
suspensão (óleos, graxas e efluentes domésticos) provenientes das oficinas e
residências no entorno dos pontos 4 e 5.
62
Figura 12 Variação da Turbidez da água do córrego André no período da seca
e de chuva.
A análise de correlação de Pearson aplicada nas variáveis Oxigênio
Dissolvido e Turbidez demonstram que as variáveis não estão correlacionadas,
isto é, existe independência absoluta entre as mesmas (Figura 13).
Figura 13 Correlação entre Turbidez e Oxigênio dissolvido.
3.3.5 pH
A variação de pH, tanto no período de seca quanto no período de
chuvas estiveram com valores mostrando tendência a valores neutros, entre
7,09 e 7,84 (Figura 14). Tais valores apresentaram concordância com os
valores de referência do CONAMA - Resolução 357/2005, artigo 15 (Águas
63
doces - classe II) que é de 6,0 a 9,0. Os valores de pH no córrego André
podem estar relacionados com a atividade fotossintética das algas.
Outro fator que pode ter influenciado a variação do pH é o aporte de
carbonatos oriundos da formação geológica da região (rochas calcárias).
Somente nas amostras coletadas no ponto amostral 3 na seca, ocorreram
soluções levemente ácidas, com valor de 6,16.
Figura 14 Variação do pH no córrego André em Mirassol D’Oeste - MT.
2008/2010.
3.3.6 Fósforo Total
O parâmetro Fósforo Total, teve valores de concentração relativamente
altos, com variação de 0,40 mg/L a 0,88 mg/L (Figura 15). Em todos os pontos,
ultrapassou o valor de referência para a classe 2, que é de até 0,050 mg/L
(Resolução CONAMA 357/05).
Os maiores valores de Fósforo Total ocorreram nos pontos 1, 4 e 5. O
aporte de esgotos domésticos nestes trechos foi a principal fonte de P-total no
corpo d’água. Estes locais podem ser considerados eutrofizados, pois,
apresentaram altos valores de DBO e Fósforo, fato que pode ser comprovado
com o crescimento de algas no curso d’água.
Nos pontos 1e 2 o córrego não possui mata ciliar e paralelas ao córrego
existem áreas com plantio de milho (Zea mays), arroz
(Oryza sativa) e
64
atividade pecuária. A dispersão difusa de fertilizantes e pesticidas usados nas
atividades agropastoris contribuíram com a elevação do Fósforo Total nestes
pontos.
Segundo Freitas (2000) as águas drenadas em áreas agrícolas e
urbanas podem provocar a presença excessiva de Fósforo em águas naturais
entre outras fontes antrópicas.
Figura 15 Variação do Fósforo Total no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.
3.3.7 Nitrogênio Total
As concentrações de Nitrogênio Total ao longo da série analisada nos
pontos de amostragem, apontam que o Nitrogênio teve elevações nos valores
principalmente no período de seca, com valores de concentrações variando de
4,4 a 9,0 mg/l e para o período de chuvas variou de 1,04 a 2,13 mg/l, com
exceção do ponto de amostragem 3 (nascente) que foi de 0,9 na seca e 0,47
mg/l na chuva (Figura 16). Dentre as fontes pontuais de Nitrogênio no córrego
André está o esgoto doméstico e dispersão difusa de fertilizantes nitrogenados
utilizados nas lavouras na área de expansão urbana.
65
Figura 16 Variação do Nitrogênio Total no córrego André em Mirassol
D’Oeste-MT. 2008/2010.
3.3.8 Sólidos Totais
No período da seca os valores de Sólidos Totais sofreram variação nos
pontos amostrais, de 252,0 a 418,0 mg/l (Figura 17). Isso provavelmente
ocorreu devido ao material que é transportado como partículas de areia,
despejos de mineração, indicado pela turbidez, além do esgoto doméstico
proveniente dos conjuntos habitacionais situados próximos ao córrego, entre
outros.
Nas águas potáveis o conteúdo de sólidos totais geralmente varia de 20
a 1000 mg/l e o limite estabelecido pela Resolução CONAMA é de 500mg/l
(FREITAS, 2000).
700
S ólidos Totais
600
500
400
Seca
300
Chuva
200
100
0
P1
P2
P3
P4
P5
Figura 17 Variação dos Sólidos Totais no córrego André em Mirassol
D’Oeste - MT 2008/2010.
66
3.3.9 Coliformes Fecais
A quantidade de Coliformes Fecais sofre variação principalmente em
função de fatores espaciais, com maiores valores na área de expansão urbana,
nos pontos de amostragem 1 e 2 com 7400 NMP/100ml e 9000 NMP/100ml,
respectivamente. O pico de concentração no ponto de amostragem 2
ultrapassou os limites da resolução, que estabelece até 5000 NMP/100ml
(CONAMA, 274/00). O aumento dos coliformes nos dois pontos deve-se à
contribuição de fezes de animais (vacas, cavalos, porcos, galinhas, entre
outros) e fezes humanas das chácaras localizadas ao longo das margens do
córrego, que fazem uso de fossas rudimentares e privadas.
1400
Coliformes Fecais
1200
1000
800
Seca
600
Chuva
400
200
0
P1
P2
P3
P4
P5
Figura 18 Variação de Coliformes Fecais no córrego André. 2008/2010.
3.4 Resultados do IQA e Avaliação da qualidade da água
Para o período da seca nos pontos 1, 2, 4 e 5 a classificação do IQA da
água do córrego André apresentou-se regular. No ponto 3, a qualidade da água
é classificada como boa, como esperado, em vista das nascentes difusas do
local (Tabela 3).
No período de estiagem o IQA variou entre 37,0 e 56,0. O fósforo total e
DBO foram os parâmetros que apresentaram a pior qualidade. A percentagem
de saturação de oxigênio dissolvido no período da seca esteve abaixo do
padrão em todos os pontos.
Para o período das chuvas a classificação do IQA das águas do córrego
André apresentou-se como regular nos pontos 2 e 3 e nos pontos 4 e 5 é
67
classificada como boa. Somente no ponto 1 a água classificou-se como ruim
(Tabela 4).
Tabela 4. Valores de IQA obtidos nos pontos de amostragem na sub-bacia do
córrego André no período de seca e de cheia.
Período
SECA
1
2
3
37,0
41,0
56,0
Categoria Regular
Regular
Ponto
IQA
Boa
CHEIA
4
48,0
Regular
5
1
2
3
4
5
49,81
52,24
58,27
44,0
33,78
44,61
Regular
Ruim
Regular Regular Boa
Boa
De forma geral a qualidade das águas do córrego André, segundo os
valores do IQA, é considerada regular. Quase todos os trechos apresentaram
qualidade média. As águas deste córrego estão sensivelmente prejudicadas
pelas atividades antrópicas, com o descarte de efluentes domésticos,
comercial e agropecuário. Os valores obtidos explicam respectivamente que as
variáveis O.D, DBO, Coliformes Fecais e Fósforo Total foram as principais
responsáveis pela diminuição da qualidade da água do córrego.
Verifica-se que a qualidade da água dos pontos 1,2 e 3 do córrego
André classificam-se como Classe 2. Segundo esta classificação, estas águas
podem ser destinadas ao abastecimento para consumo humano, após
tratamento convencional; à proteção das comunidades aquáticas; à recreação
de contato primário, tais como: natação, esqui aquático e mergulho, à irrigação
de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e
lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e à aqüicultura e a
atividade de pesca (BRASIL, 2005).
4 CONCLUSÕES
Os resultados das análises da água mostraram que o córrego André
apresenta-se com índices elevados de DBO, Fósforo Total, Coliformes Fecais e
Temperatura e baixa concentração de Oxigênio Dissolvido.
Na estação seca principalmente as variáveis Turbidez e Temperatura
interferiram na qualidade da água, o que pode estar relacionado à baixa vazão
do córrego. Verificou-se a diminuição da vazão no período avaliado. Na
68
estação chuvosa as variáveis DBO e Fósforo Total evidenciaram potenciais
fontes de carreamento de sedimentos e formação de erosão na área.
Os valores de IQA calculados mostram que a qualidade das águas do
córrego André pode ser classificada como regular e que de forma geral, o
Fósforo Total, DBO e O.D foram as variáveis que mais influenciaram na
redução da qualidade da água na bacia.
As variáveis avaliadas mostraram alterações ligadas à fatores espaciais
com perda progressiva da qualidade das águas da nascente para a foz.
A bacia apresenta problemática ambiental centrada na ocupação das
áreas adjacentes. A região tornou-se alvo de empreendimentos imobiliários,
consolidando-se um processo crescente de ocupação. Tal fato ocasionou a
retirada da vegetação ciliar, emissão de efluentes, lixo e carga urbana difusa de
poluição, levando ao comprometimento da qualidade da água.
Portanto, devido à forma de uso da terra, a sub-bacia do córrego André
apresenta fragilidade ambiental com risco potencial de contaminação de seus
recursos hídricos.
A partir dos resultados apresentados conclui-se que o enquadramento
do córrego André em águas superficiais de classe 1 é possível, desde que
realizadas algumas intervenções. Sugere-se uma avaliação dos usos da água
em cada trecho e posteriormente uma adequação de parâmetros para o
atendimento às demandas de uso múltiplo identificadas.
É de fundamental importância que esforços conjuntos sejam realizados,
para a preservação da sub-bacia, com a atuação de sistemas integrados,
através de um grupo gestor da sub-bacia e consequentemente a formação de
um comitê de bacias.
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71
CAPÍTULO 3
Sub-bacia do córrego André: os olhares dos moradores que vivem no
entorno do canal
Resumo - O estudo da Percepção Ambiental é de fundamental importância
para a compreensão das inter-relações entre o homem e o ambiente. Nesse
sentido, esta pesquisa foi desenvolvida no município de Mirassol D’Oeste, a
sudoeste do estado Mato Grosso e teve como objetivo identificar aspectos
sócio-econômicos e os olhares ambientais de diferentes grupos sociais de
moradores que vivem no entorno do córrego André. A pesquisa foi norteada
por estudo de caso exploratório, baseada em pesquisa qualitativa e
quantitativa. As técnicas empregadas para a coleta de dados foram a
metodologia da história oral e entrevistas semi-estruturadas, tendo como base
um roteiro de 17 questões. A pesquisa revelou que nos grupos de moradores e
sitiantes existe baixo nível de escolaridade e ausência de qualificação
profissional. No grupo de professores todos possuem nível superior. 57% dos
comerciantes concluíram o ensino médio, e possuem renda familiar média de
R$ 2.000,00. Com relação a percepção ambiental dos entrevistados, observouse que as relações afetivas dos grupos de moradores com o córrego foram
modificadas. No passado havia uma relação de proximidade e no presente,
uma relação negativa e distante do córrego. Verificou-se que a percepção
ambiental preservacionista dos entrevistados em relação ao córrego André não
está relacionada ao nível sócio-econômico, mas com o seu interesse e
necessidade no uso/ocupação da sub-bacia. A investigação mostrou que a
maior parte da população do local percebe os principais problemas ambientais,
é capaz de apontar fatores de degradação, associando-os a causas antrópicas,
ocasionadas principalmente pelos próprios moradores e ainda apontam
possíveis soluções. Tal fato demonstra que o nível de percepção da população
favorece ações de preservação e recuperação do local. Torna-se indispensável
a efetivação de políticas públicas que viabilizem a preservação dos recursos
hídricos da região. Na perspectiva da manutenção da qualidade sócioecológica do local, ações de conscientização, juntamente com a gestão
integrada da sub-bacia, devem ser priorizadas, buscando a redução dos
impactos gerados pelo processo de ocupação na sub-bacia do córrego André.
Palavras-chaves: Percepção ambiental, córrego André, Mirassol D’Oeste MT.
Sub-basin of the stream Andres: the looks of the residents who live in the
envelope of channel
Abstract- The study of Environmental Perception is of fundamental importance
for understanding the interrelationships between humans and the environment.
Thus, this research was conducted in the municipality of Mirassol D'Oeste, in
the southwest state of Mato Grosso and aimed to identify socio-economic
environment and looks for different groups of residents who live around the
72
creek Andrew. The research was guided by exploratory case study based on
qualitative and quantitative research. The techniques used to collect data were
the methodology of oral history and semi-structured interviews, based on a
script of 17 questions. The research revealed that groups of residents and
ranchers there is low level of education and lack of professional qualification. In
the group of teachers all have the top level. 57% of traders finished high school
and have a median household income of $ 2,000.00. Regarding the
environmental perception of the interviewees, it was observed that the affective
relations of groups of residents with the stream have been modified. In the past
there was a close relationship and present a negative and far from the stream. It
was found that perceived environmental preservationist of respondents to Andre
stream is not related to socioeconomic status, but with your interest and need to
use / occupation of the sub-basin. The research showed that most of the local
population perceives the major environmental problems, is able to point
degradation factors, linking them to anthropogenic causes, mainly caused by
the residents themselves and also indicate possible solutions. This shows that
the level of awareness of the population favors preservation actions and site
restoration. It is indispensable to effective public policies that allow the
preservation of water resources in the region. In the interest of maintaining the
quality of local socio-ecological, awareness actions, together with the integrated
sub-basin should be a priority, seeking to reduce the impacts generated by the
occupation process in the sub-basin of the Andre stream.
Key-words: Environmental perception, Andre stream Mirassol D’Oeste-MT.
1 INTRODUÇÃO
O conhecimento das características e realidades de uma determinada
região constitui um instrumento fundamental para o seu desenvolvimento.
Nesse contexto, enquadram-se estudos relativos aos recursos naturais e à
percepção
dos
atores
relevantes
no
cenário
sócio-econômico
(ALBUQUERQUE & ALBUQUERQUE, 2005).
A partir da metade do século XX, muitos pesquisadores começaram a
buscar
nos
estudos
de
percepção
ambiental
uma
nova
alternativa
epistemológica, até então, a maior parte dos trabalhos desenvolvidos na
Geografia e em ciências afins, nos anos sessenta e no início dos setenta, era
direcionada
por
duas
orientações
epistemológicas:
a
qualificação,
a
racionalização e a sistematização dos neo-positivistas; de outro, o materialismo
e o economismo dos neo-marxistas (MACHADO, 1996).
Pesquisas relacionadas à percepção ambiental viriam consolidar-se
efetivamente como uma das linhas mestras dos estudos dos ambiente humano
73
a partir do momento em que, durante a década de setenta, a União Geográfica
Internacional criou o “Grupo de Trabalho sobre a percepção ambiental”, e a
UNESCO incluiu em seu “Programa Homem e Biosfera”, o Projeto 13:
“Percepção de Qualidade Ambiental”, que preconizou o estudo da percepção
ambiental como uma contribuição fundamental para uma gestão mais
harmoniosa dos recursos naturais (ALMEIDA et al., 2000).
A
importância
da
pesquisa
em Percepção
Ambiental
para
o
planejamento do ambiente foi ressaltada em 1973, pela UNESCO, que: "uma
das dificuldades para a proteção dos ambientes naturais está na existência de
diferenças nas percepções dos valores e da importância dos mesmos entre os
indivíduos de culturas diferentes ou de grupos sócio-econômicos que
desempenham funções distintas, no plano social, nesses ambientes".
Para Ferrara (1993) a percepção ambiental é definida como a operação
que expõe a lógica da linguagem que organiza os signos expressivos dos usos
e hábitos de um lugar. É uma explicitação da imagem de um lugar, veiculada
nos signos que uma comunidade constrói em torno de si. Nesta acepção, a
percepção ambiental é revelada mediante uma leitura semiótica da produção
discursiva, artística, arquitetônica, de uma comunidade.
Podemos compreender a percepção ambiental como uma tomada de
consciência do ambiente pelo ser humano, ou seja, o ato de perceber o
ambiente que se está inserido, aprendendo a proteger e a cuidar do mesmo.
Cada indivíduo percebe, reage e responde diferentemente às ações sobre o
ambiente em que vive. As respostas ou manifestações daí decorrentes são
resultados das percepções individuais e coletivas, dos processos cognitivos,
julgamentos e expectativas de cada pessoa (JACOBI, 2005).
O estudo da Percepção Ambiental é de fundamental importância para se
compreender melhor as inter-relações entre o homem e o ambiente, suas
expectativas, anseios, satisfações e insatisfações, julgamentos e condutas
(FERRARA, 1996).
A maioria dos estudos de desenvolvimento urbano com enfoque nos
recursos hídricos apresenta caráter técnico e, raramente apresentam
interações entre aspectos políticos, sociais e econômicos e menos ainda
74
mostram resultados de pesquisas que considerem a percepção ambiental
como fonte de informações (CASTRO, 1998).
Segundo Hoeffel et al. (2004) os usos, as atividades e as dinâmicas em
um local, refletem as diferentes percepções ambientais dos atores sociais.
Esses atores podem ser citados como responsáveis diretos pela tomada de
iniciativas em um espaço. O reconhecimento de distintas abordagens,
estruturadas a partir de diferentes referenciais, torna-se extremamente
relevante na resolução de conflitos, na elaboração de diagnósticos,
planejamentos, políticas e programas que estimulem a participação eqüitativa
de todos os agentes sociais.
Para Vargas (1997) em geral os usos de recursos naturais e a fonte de
destruição dos mesmos, são do conhecimento da sociedade. Entretanto, a
questão é obter dos diferentes atores, um consenso sobre como resolver os
problemas.
A forma de melhor gerenciar os recursos, especialmente os recursos
hídricos, ainda é uma questão em aberto e se observa a formulação de várias
propostas (HOEFFEL et al., 2005).
Nesse sentido, acredita-se que conhecer a percepção ambiental da
comunidade do córrego André, pode tornar-se um caminho para a formulação
de gestão ambiental mais participativa, com envolvimento de todos os
interessados pela área. No entanto, conforme ressaltado por Alonso e Costa
(2002) a expansão da participação popular não é uma garantia do
estabelecimento de decisões consensuais sobre dilemas ambientais.
Assim,
procurou-se
nesta
pesquisa
investigar
aspectos
sócio-
econômicos e os olhares (percepção ambiental) dos diferentes segmentos
sociais existentes na sub-bacia do córrego André, no município de Mirassol
D’Oeste, visando fornecer subsídios para elaboração de plano de gestão
ambiental desta sub-bacia.
75
2
MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Caracterização da área de estudo
A pesquisa foi desenvolvida no município de Mirassol D’Oeste, a
sudoeste do estado Mato Grosso, distante 329 Km da capital, Cuiabá, na
microrregião do Vale do Jauru. A área de estudo localiza-se na sub-bacia
hidrográfica do córrego André, entre os paralelos 15°40’00’’ a 15°50’00’’
Latitude Sul e 58°00’00’’ a 58º10’00’’ de Longitude Oeste de Greenwich. O
córrego André pertence à bacia hidrográfica do rio Jauru, que é afluente do rio
Paraguai e possui área de aproximadamente 18 km² com forma alongada na
direção SE-NO (Figura 1).
Figura 19. Localização da sub-bacia hidrográfica do córrego André.
Fonte: SEPLAN, 2000.
Organização: Rosália Valençoela, 2010.
O clima é do tipo tropical quente e sub-úmido, não apresenta
uniformidade, sendo possível a identificação de duas estações: seca e
chuvosa, conforme classificação climática de Koppen. A precipitação anual
76
normal é de 1.500 mm. As temperaturas oscilam entre 24º a 32º na estação
chuvosa e 22º a 36º na estação seca (SEPLAN, 1999).
As nascentes do córrego André encontram-se em área movimentada,
extensão da Província Serrana (dobramentos antigos) geologicamente inserida
no Grupo Alto Paraguai (Formação Araras e Formação Moenda) e o Complexo
Xingu. Os solos são: Neossolos Litólicos Distróficos e Argissolo VermelhoAmarelo Distrófico. Os remanescentes florestais compreendem principalmente
Florestas Estacionais (SEPLAN, 1999)
2.2
Procedimentos Metodológicos
Para a coleta de dados foi utilizada pesquisa quantitativa e qualitativa,
envolvendo a escuta de pessoas, explorando as suas idéias e preocupações
sobre determinado assunto (GREENHALGH & TAYLOR, 1997).
Através da pesquisa qualitativa é possível a compreensão da forma de
vida local e o registro do comportamento não verbal (SEVERINO, 2002).
Seguindo este raciocínio, utilizou-se a pesquisa qualitativa como
instrumento de coletas de dados, procurando retratar a perspectiva dos
participantes.
Os dados foram coletados através de um roteiro semi-estruturado e
aplicação de questionário aos moradores do entorno do córrego André, no mês
de Abril de 2009. O questionário semi-estruturado foi composto por questões
abertas, neste caso, as questões foram padronizadas, ficando as respostas a
critério dos entrevistados.
2.3
Percepção ambiental dos moradores e a função social do córrego
André
A pesquisa em campo procurou revelar as diferentes percepções dos
entrevistados sobre o córrego André. O roteiro foi elaborado de forma a
estimular os entrevistados a falar e a refletir: como percebem o córrego, os
seus sentimentos em relação ao mesmo, se é preciso melhorar as condições
da qualidade ambiental e sobre quem é o responsável pelo atual quadro que se
encontra.
77
2.4
Parâmetros utilizados na escolha dos informantes da pesquisa
Para atingir o objetivo proposto, identificou-se a necessidade de se
entrevistar moradores do entorno do córrego André pertencentes a diferentes
segmentos sociais. Deste modo as entrevistas foram realizadas priorizando os
diferentes atores sociais, assim agrupados: Professores de Escolas da
comunidade (Grupo 1); Representantes do Comércio (Grupos 2); Moradores
(Grupo 3) e Sitiantes (Grupo 4). Os entrevistados foram escolhidos
aleatoriamente. Foram realizadas 61 entrevistas.
Ao optar pela participação de diferentes segmentos sociais nesta
pesquisa teve-se o propósito de identificar quais eram os problemas concretos,
definir prioridades e escolher soluções viáveis em função das condições sócioeconômicas e do saber popular existentes.
2.5
Roteiro utilizado
O roteiro utilizado direcionou a entrevista para dois momentos: no
primeiro momento foram abordados temas relacionados a aspectos sócioeconômicos e no segundo temas relacionados à Percepção Ambiental dos
entrevistados.
2.6
Perfil Sócio-econômico
Buscou-se neste trabalho, analisar o Perfil sócio-econômico dos
moradores do entorno do córrego André, de forma que a pesquisa abrangesse
uma visão sistêmica dos entrevistados. Para tanto foram consideradas as
variáveis: tempo de moradia no local, idade, gênero, grau de instrução,
profissão, renda familiar, tipo de moradia e situação do domicílio.
Fuks (1998) destaca que a definição de meio ambiente enquanto
problema social não é apenas resultado de uma universalidade conceitual, mas
depende de conflitos e disputas localizadas que apontam para uma
universalidade socialmente construída.
78
2.7
Questionário utilizado
O questionário possuía 17 questões baseadas no roteiro, sendo que 8
questões foram referentes ao perfil sócio-econômico dos entrevistados e 9
referentes às questões ambientais do córrego André.
Os Bairros escolhidos para a realização das entrevistas foram: Jardim
São Paulo, conjunto habitacional COHAB Parque da Serra e Parque
Bandeirantes 2. Ao todo foram realizadas 61 entrevistas.
2.8
Tratamento de Dados
Para melhor trabalhar os dados, as respostas foram agrupadas, tendo
como referencial a similaridade de conteúdo e expressão das narrativas,
segundo o Perfil sócio-econômico e Percepção Ambiental dos grupos sociais.
2.9
História oral
Para a coleta de dados também foi utilizada metodologia da história oral,
com a realização de visitas dirigidas a moradores do município de Mirassol. A
pesquisa consistiu no levantamento de informações através de depoimentos
orais de antigos moradores sobre como se deu a ocupação da área de estudo.
Esta metodologia é baseada no depoimento oral como peça documental
de um determinado período histórico muito próximo. Para MacNeill (1994) na
história oral o passado é relembrado na perspectiva do presente.
3
3.1
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Histórico de Ocupação
A ocupação da área de terras onde hoje se localiza o município de
Mirassol D’oeste, ocorreu a partir de inícios da década de 1960. Criado em 14
de Maio de 1976, o Município de Mirassol D’Oeste, teve como medidas de
colonização os projetos realizados com base na cidade de Cáceres, fato que
culminou na sua emancipação (BERTHOLINI, 1997).
79
Os moradores relatam que o processo de ocupação da sub-bacia
hidrográfica está vinculado ao início da ocupação da cidade de Mirassol
D’Oeste, havendo posteriormente a abertura e expansão dos bairros e
chácaras localizados no entorno do córrego André. A vegetação era
exuberante, sendo composta principalmente por vegetação densa de
Araputanga, com variedade de animais silvestres. No primeiro momento a
economia local baseava-se na extração vegetal, fator que pode ter contribuído
com devastação de várias espécies.
Segundo relatos, na época da abertura das terras havia escassez de
água nos lotes, as famílias optavam morar perto dos córregos. Os moradores
enfatizam que o volume de água do córrego André reduziu nos últimos anos.
3.2
Distribuição espacial da sub-bacia
O córrego André possui suas nascentes no município de Mirassol
D’Oeste, em altitude aproximada de 260 metros, na encosta de uma serra, que
registra-se na sua base a ocorrência de rochas areníticas recoberta por
calcário. Percorre no perímetro urbano sentido Sudeste a Noroeste, cerca 4
quilômetros até desaguar no rio São Francisco.
A bacia hidrográfica do córrego André é ocupada por área de expansão
urbana com menor densidade populacional e por aglomerado urbano,
composto por conjuntos habitacionais e bairros, com maior densidade de
população.
Nas áreas de recarga e armazenamento das nascentes do córrego
André, a vegetação foi parcialmente retirada, sendo realizada atividade de
mineração, no paredão de calcário (calcítico e dolomítico), com extração de
rochas calcárias utilizadas na fabricação de pedra brita e pedrisco, que
abasteceram o mercado dos municípios de Cáceres, Quatro Marcos,
Curvelândia, Porto do Céu, Pontes e Lacerda e Porto Espiridião.
Em todo o percurso do canal fluvial possui ocupação urbana intercalada
por comércios de serviços e vendas, residenciais, escolas e terrenos
desocupados. Esta peculiaridade de ocupação se configura em diversidade
sócio-econômica e por conseqüência, diversidade de percepção ambiental.
80
O leito encontra-se canalizado, nas suas margens e fundo, o material
utilizado para a canalização é concreto e blocos de rochas areníticas, totalizado
1.432,90 m canalizado, ao longo do perfil longitudinal. Detritos e dejetos são
lançados diretamente no canal, observaram-se garrafa, sacolas, restos de
alimentos e esgotos (Figura 20).
Figura 20 Segmentos canalizados do córrego André em área urbana - Ponto 4.
3.3
Perfil Sócio-econômico dos grupos entrevistados: professores,
comerciantes, moradores e sitiantes
Das 61 entrevistas realizadas, foram entrevistadas 39 pessoas do sexo
feminino e 22 do sexo masculino. Nos grupos dos professores e moradores a
maioria foi do sexo feminino (86% e 68%), porém nos grupos de comerciantes
e sitiantes predominou o sexo masculino.
3.3.1 Gênero dos entrevistados
No grupo formado por moradores 68% das entrevistas foram realizadas
com mulheres, considerando que poucos homens permanecem em suas casas
em horário comercial. Os dados mostraram que nos grupos dos professores e
moradores a maioria era mulher, porém nos grupos de comerciantes e sitiantes
predominou os homens (Figura 21).
81
Figura 21 Gênero dos grupos entrevistados.
3.3.2 Idade dos entrevistados
No grupo de professores predominam grupos etários jovens que formam
a chamada população potencialmente ativa. No grupo de sitiantes predominam
pessoas acima de 55 anos, pois, as maiores proporções de jovens, encontra-se
em áreas urbanas, devido a demanda de emprego.
Figura 22 Idade dos integrantes dos grupos entrevistados.
82
3.3.3 Tempo de residência
Os entrevistados residem entre 5 e 45 anos próximo ao córrego. Os
professores trabalham com crianças que vivem no entorno. O grupo de
comerciantes não vive próximo ao córrego. No grupo de moradores a maioria
vive a aproximadamente vinte anos no local. O grupo de sitiantes residem entre
15 e 30 anos (Figura 23).
Figura 23 Tempo de residência de moradores e sitiantes.
3.3.4 Escolaridade
Todos do grupo de professores possuem nível superior. No grupo de
comerciantes 57% concluiu o Ensino Médio. O grupo de moradores, em sua
maioria, não concluiu o Ensino Fundamental. O analfabetismo está entorno de
15% neste grupo (Figura 24). Pôde-se considerar que o grau de instrução
interferiu de forma direta no levantamento de dados, visto que os entrevistados
analfabetos não souberam responder de forma clara e objetiva as questões.
83
Figura 24 Escolaridade dos Grupos Entrevistados
3.3.5 Profissão dos entrevistados
No grupo de moradores predomina a categoria do lar.
O grupo de
sitiantes é formado por motoristas e aposentados (Figura 25).
Figura 25 Profissão dos integrantes dos grupos.
3.3.6 Tipo de residência
Nos grupos de professores e comerciantes 100% possuem casa de
alvenaria, nos grupos de moradores e sitiantes 25% e 38%, respectivamente,
possuem casas de madeira (Figura 26).
84
Figura 26 Tipo de residência dos integrantes dos grupos.
3.3.7 Situação do domicílio
De maneira geral 100% dos entrevistados dos grupos de professores,
comerciantes e sitiantes possuem casa própria. Algumas casas são financiadas
pelo governo Federal (Figura 27). No grupo de moradores 17% moram em
casas alugadas.
Figura 27 Situação do domicílio dos grupos entrevistados.
3.3.8 Número de pessoas nas residências
Nas residências há a predominância do número de 4 pessoas, seguida
pelo número de 2 pessoas (Figura 28). Este número é considerado normal para
os padrões das famílias brasileiras. A maioria dos casais na atualidade possui
apenas dois filhos (IBGE, 2009).
85
Figura 28 Número de pessoas nas residências.
3.3.9 Renda Familiar Média
Os dados relativos à renda familiar média retratam com exatidão as
diferenças sócio-econômicas desta população (Figura 29). No grupo de
moradores 9% sobrevivem com renda inferior a um salário mínimo, em
contrapartida, nos grupos de professores e comerciantes a renda familiar
média é de 2.000,00 (dois mil reais).
Figura 29 Renda familiar média dos grupos.
3.4
Olhares dos diferentes atores sociais sobre o córrego André
A entrevista buscou trazer à memória do entrevistado os valores e
qualidades em escala temporal do córrego. Foram realizadas indagações
sobre: como o córrego era; usos da água; sua importância; os principais fatores
86
de degradação e seus prejuízos; os responsáveis pela degradação e possíveis
melhoria das condições da qualidade ambiental.
3.4.1 Percepção de como o córrego André era
Com as entrevistas evidenciaram-se as diversas maneiras de se
perceber o córrego com base em valores e interesses de cada grupo.
Os entrevistados mencionam que no passado (anos) as características
do córrego eram de ambiente preservado: água limpa, com peixes e mata ciliar,
era usado para banho e afazeres domésticos (Tabela 5). As respostas denotam
que existe nesta população forte lembrança de como o córrego era,
evidenciando a percepção dos entrevistados para com o mesmo.
Tabela 5 Percepção de como o córrego André era.
Descrição
GRUPOS
Professores
Comerciantes
Moradores
Sitiantes
A água era limpa
1
1
8
1
Possuía peixes
1
1
6
-
Não era canalizado
2
2
7
-
Era pior
1
2
5
-
Possuía árvores
1
-
7
-
Usavam para banho
-
-
4
2
Não soube
-
1
7
-
3.4.2 Usos da água do córrego André
Sobre o uso da água do córrego, 100% dos grupos de professores,
comerciantes e moradores responderam que não utilizam a água e que a
mesma é poluída. No grupo de sitiantes 100% responderam que usam a água
para dessedentação, irrigação, piscicultura e limpeza de equipamentos. Neste
trecho (alto curso da bacia) ainda não há lançamento de esgoto no canal. As
respostas revelaram que algumas pessoas possuem aversão ao córrego,
associando-o à poluição (Tabela 6).
87
Tabela 6 Usos da água do córrego André.
Uso da água
GRUPOS
Professores
Comerciantes
Moradores
Sitiantes
SIM
-
-
-
3
NÃO
7
7
44
-
3.4.3 Importância do córrego aos grupos
No grupo de professores 42,85% respondeu que não sabe qual a
importância do córrego e 28,57% deste mesmo grupo, respondeu que o
córrego é importante para levar esgoto. Os representantes do comércio
responderam que o córrego não tem importância (42,85%), assim como
45,45% do grupo de moradores. No grupo de sitiantes 100% responderam que
é importante para dessedentação e irrigação (Tabela 7).
As respostas evidenciam que maior significância foi dada ao córrego de
acordo com o interesse e a necessidade do entrevistado, confirmando a idéia
de Rio & Oliveira (1999).
Tabela 7 Importância do córrego aos grupos.
GRUPOS
Importância do córrego
Professores
Comerciantes
Moradores
Sitiantes
Para proteção ambiental
1
-
-
-
Serve para levar esgoto
2
1
2
-
Dessedentação
-
1
4
2
Irrigar plantações
-
-
1
1
Abastecer outros rios
-
1
1
-
Não soube responder
3
1
13
-
Não tem importância
-
3
20
-
3.4.4 Fatores de degradação do córrego
A maioria dos entrevistados apontou como fonte de degradação, o lixo
jogado no canal, o esgoto doméstico e as enxurrada das chuvas. Com menor
88
percentual foi falado dos efluentes oriundos de oficinas e lava-jatos (Tabela 8).
Somente
nos
grupos
de
professores
e
moradores
mencionou-se
o
desmatamento como fator de degradação. Sobre a canalização, cerca de 14%
dos entrevistados do grupo de professores a relacionam como fator de
degradação.
As respostas sugerem que os entrevistados não conhecem a
importância da conservação da mata ciliar e da manutenção do córrego em seu
leito natural. Para os entrevistados a canalização do córrego contribui com a
estética, melhorando a aparência da área brejosa, que antes servia para
depósito de lixos, restos de construções e animais mortos.
Tabela 8 Fatores de degradação do córrego André.
GRUPOS
Fatores de degradação
Professores
Comerciantes
Moradores
Sitiantes
Lixo
2
3
17
1
Desmatamento
1
-
1
-
Canalização
1
-
-
-
Enxurrada das chuvas
1
1
5
1
Esgoto doméstico
-
1
6
1
Água de lava jato
-
1
1
-
Animais mortos
-
-
8
-
-
-
2
-
Não soube responder
2
1
2
-
Não tem degradação
-
-
2
-
Óleos
de
oficinas
mecânicas
3.4.5 Responsáveis pela degradação do córrego
A maioria dos entrevistados respondeu que os responsáveis pela
degradação são a própria população, seguida de perto pelo governo municipal.
Com as respostas foi possível afirmar que há uma percepção ambiental em
relação à responsabilidade dos problemas ambientais (Tabela 9)
89
Tabela 9 Responsáveis pela degradação do córrego André
Descrição
A população
A Prefeitura
Proprietários das áreas
Não soube responder
Não tem responsável
Professores
5
1
1
-
GRUPOS
Comerciantes Moradores
2
23
4
11
2
1
6
1
Sitiantes
2
1
-
3.4.6 Prejuízos da degradação do córrego
Sobre os prejuízos da degradação do córrego para a comunidade local,
todos os grupos foram enfáticos em definir como principal prejuízo as doenças,
de veiculação hídrica, como doenças de pele e doenças por contaminação
advinda de insetos que se abrigam no lixo e água parada (Tabela 10).
Tabela 10 Prejuízos da degradação do córrego para a comunidade
Descrição
Problemas para a saúde
Atrai insetos e animais
Acumula lixo nas ruas
Inundação
Afogamento de crianças
Mau cheiro
Inutilização da água
Não soube responder
Não tem prejuízos
GRUPOS
Professores
2
1
2
1
1
-
Comerciantes
3
2
2
-
Moradores
Sitiantes
15
3
4
2
1
9
3
5
2
2
1
-
3.4.7 Melhorias das condições da qualidade ambiental do córrego
Dos entrevistados 93% afirmaram que devem ser realizadas melhorias
na qualidade ambiental do córrego. As respostas revelam a preocupação com
as condições atuais do córrego André, principalmente pela possibilidade de
proliferação de doenças e pelo o mau cheiro (Tabela 11).
90
Tabela 11 Melhorias das condições da qualidade ambiental do córrego André.
Descrição
Professores
7
-
SIM
NÃO
GRUPOS
Comerciantes
Moradores
7
41
3
Sitiantes
3
-
3.4.8 Responsáveis pelas melhorias do local
Os entrevistados atribuíram primeiramente a responsabilidade pelas
melhorias à Prefeitura, em segundo lugar a prefeitura e a comunidade,
(principalmente as escolas com educação ambiental), seguida de população e
proprietários (Tabela 12).
Tabela 12 Responsáveis pelas melhorias do local
Descrição
A Prefeitura
A população
A Prefeitura e a comunidade
Proprietários das áreas
Câmara de vereadores
Não sabe
Ninguém
Professores
7
-
GRUPOS
Comerciantes
Moradores
6
28
4
1
6
3
1
1
Sitiantes
2
1
-
3.4.9 Atividades para melhorar a qualidade ambiental do córrego
Sobre como melhorar a qualidade ambiental do córrego André, houve
predominância nas respostas para realização de atividades de limpeza do
córrego e sensibilização da comunidade. Estas respostas evidenciam a
percepção ambiental dos entrevistados com relação à carência de atividades
que busquem a preservação deste corpo d’água (Tabela13).
91
Tabela 13 Atividades para melhorar a qualidade ambiental do córrego André
Descrição
Professores
1
Comerciantes
1
Moradores
10
Sitiantes
-
Conscientizar a comunidade
3
2
8
1
Reflorestar
2
-
-
1
Colocar proteção nas laterais
1
-
-
-
Construir passarelas
-
-
2
-
Canalizar todo o córrego
-
1
4
1
Acabar com o córrego
-
-
2
-
Multar quem joga lixo
-
1
-
-
Construir redes de esgotos
-
-
Fazer área de lazer
-
-
3
-
Tratar a água do córrego
-
1
3
-
Não soube responder
-
1
4
-
Não precisa fazer nada
-
-
1
-
Limpar a área
4
GRUPOS
-
CONCLUSÃO
A pesquisa mostrou que a maioria dos entrevistados vê os corpos
d’água como parte integrante do seu cotidiano e que a sua má conservação
pode afetar a qualidade de vida da comunidade, sendo necessário interferir em
seu estado.
As entrevistas revelam a percepção ambiental dos entrevistados e
demonstram que as relações afetivas dos moradores em relação ao córrego
foram modificadas ao longo no tempo, havendo no passado a relação de
proximidade, contato e admiração e no presente uma relação negativa e
distante. Tal fato se explica devido a situação ambiental atual do córrego
(poluição, descaracterização de suas margens, ausência de mata ciliar,
assoreamento, etc.). Porém na área de expansão urbana (sítios) percebe-se
que os moradores possuem relação harmoniosa com o córrego, isto pode ser
justificado pelo fato desta população ainda utilizar a água para suas atividades.
92
Os entrevistados não formam categoria homogênea possuem diferentes
níveis sócio-econômicos, características e opiniões diversas, fator que sinaliza
a necessidade de inserção de atividades educacionais que contemplem os
diversos públicos, na sub-bacia do André.
Conclui-se que os diferentes grupos sociais possuem percepção
ambiental da degradação ambiental do local, sendo, capazes de identificar as
principais modificações ocorridas e as causas de degradação, apontando
possíveis soluções para os problemas levantados. No entanto, os entrevistados
não têm iniciativas para a melhoria do ambiente local, acreditando que esta
seja função dos órgãos públicos locais.
O nível de percepção da população favorece ações de preservação e
recuperação da sub-bacia. Diante deste contexto, acredita-se que para a
efetiva melhoria da qualidade ambiental da sub-bacia, a população local
precisa ser inserida em programas de planejamento de usos e recuperação da
sub-bacia, tendo acesso à informações básicas sobre saneamento e
preservação de recursos hídricos. Para tanto é fundamental que políticas
públicas locais contemplem o planejamento e a gestão dos recursos hídricos
da região, com envolvimento das diversas instâncias da sociedade.
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A
paisagem
da
sub-bacia
do
córrego
André
encontra-se
descaracterizada devido o uso inadequado do solo (pecuária, suinocultura,
desmatamento, represamento, canalização, mineração, urbanização, entre
outros). Essas mudanças no canal fluvial trouxeram problemas sociais e
ambientais para a população local.
Os resultados das análises da água mostraram que o córrego André
apresenta-se poluído, havendo baixa concentração de Oxigênio Dissolvido e
elevação de Temperatura, Coliformes Fecais, DBO e Fósforo Total.
A sub-bacia apresenta uma problemática ambiental centrada na
ocupação das terras, associada à geologia do local. Contudo, os diferentes
grupos sociais do entorno do córrego possuem percepção ambiental da
93
degradação do local e são capazes de identificar as causas de degradação e
possíveis soluções, fator que favorece sua preservação.
Esta pesquisa foi amparada no Zoneamento Socioeconômico Ecológico
do MT - ZSEE, que direciona o ordenamento do espaço geográfico do estado e
disciplina o uso de seus recursos naturais, indicando diretrizes de fomento,
controle, recuperação e manejo (ZSEE, 2009).
Para a Zona de Ambientes do entorno do Pantanal do Paraguai, na área
de influência do Pólo Regional de Cáceres, o ZSEE define diretrizes
específicas como:
Garantir a conservação e recuperação da qualidade ambiental dos formadores
dos rios Jauru;
Incentivar e orientar o reflorestamento com espécies nativas nas áreas
desmatadas;
Garantir que os usos agropecuários sejam desenvolvidos utilizando técnicas
para controle de processos erosivos, tendo como referência micro bacias
hidrográficas, dentre outros;
A preservação do córrego André e de outros formadores do rio Jauru e
rio Paraguai estão diretamente ligadas ao cumprimento das diretrizes do ZSEE,
somado à efetivação de políticas públicas que contemple a participação de
diversas instâncias da sociedade local nos processos de gestão.
6
RECOMENDAÇÕES
A partir das análises do diagnóstico obtido em pesquisa a campo e
reivindicações das comunidades adjacentes ao córrego André, foi possível
identificar as necessidades essenciais à melhoria da qualidade ambiental e
minimização de riscos ambientais da sub-bacia.
Assim, recomenda-se que, para a implementação de ações que venham
preservar e revitalizar a bacia do córrego André torna-se necessário:
Estabelecer parcerias entre o governo municipal (secretarias municipais
e câmara de vereadores), conselhos municipais, Universidades, escolas,
empresas privadas e comunidade, através da estruturação de um comitê gestor
da sub-bacia.
94
Desenvolver e implantar cursos visando à formação continuada de
multiplicadores em educação ambiental para atuarem junto à comunidade de
forma ampla (agentes de saúde, professores, igrejas, clube de mães,
sindicatos e associações de bairros).
Fortalecer Programas de Educação Ambiental com incentivo financeiro e
logístico para a continuidade de Projetos Escolares na sub-bacia.
Realizar palestras educativas nas comunidades com distribuição de
folhetos educativos sobre a importância da preservação dos recursos hídricos.
Organizar mutirão de limpeza e reflorestamento das margens do
córrego, com envolvimento da comunidade.
Planejar e fiscalizar o uso e a ocupação do entorno da sub-bacia com
restrição a loteamentos e expansão imobiliária.
Realizar avaliação dos usos da água em cada trecho e posteriormente
uma adequação para o atendimento às demandas identificadas.
Viabilizar Lei de Criação de Unidade de Conservação Municipal na área
de recarga da sub-bacia, visando conservar a área verde existente.
Divulgar junto à população local as diretrizes do ZSEE para a região.
As propostas sugeridas nesta pesquisa para a preservação e melhoria
da qualidade ambiental da sub-bacia do córrego André, só poderão ser
efetivadas, se houver envolvimento e participação das várias instâncias da
sociedade de Mirassol D’Oeste.
7
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Qualidade ambiental e desenvolvimento regional nas Bacias dos Rios
Piracicaba e Capivari. Campinas: NEPAM/UNICAMP. 1997.
97
ANEXOS
ANEXO A - Roteiro de entrevista com os atores sociais da sub-bacia do córrego
André.
98
Roteiro de entrevista com os atores sociais da sub-bacia do córrego
André
1. Tempo de moradia em Mirassol D’Oeste
2. Idade
3. Escolaridade
4. Profissão
5. Tipo de moradia
6. Situação do domicílio
7. Quantidade de pessoas na casa
8. Renda familiar média
9. Como o córrego André era a alguns anos
10. Utilização das águas do córrego André
11. Importância do córrego André
12. Principais fatores de degradação da área
13. Responsável pela degradação do córrego André
14. Prejuízos da degradação do córrego para a comunidade local
15. Melhorias das condições da qualidade ambiental do córrego André
16. Responsável pelas melhorias do local
17. Atividades para melhorar a qualidade ambiental deste córrego
Download

bacia hidrográfica do córrego andré, mirassol d`oeste-mt