XXIV ENANGRAD
ADP – Administração Pública
FATORES RELACIONADOS À GESTÃO DE ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO
FEDERAL QUE INFLUENCIAM O DESEMPENHO NO ENEM
Abdelkader Bourahli
Gilberto Clóvis Josemin
Sebastião Eustáquio Pereira
Mahatma Gandhi Ramos de Almeida
Florianópolis, 2013
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Área Temática: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Código: ADP
FATORES RELACIONADOS À GESTÃO DE ESCOLAS PÚBLICAS DO DISTRITO
FEDERAL QUE INFLUENCIAM O DESEMPENHO NO ENEM
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RESUMO
Na mídia, em debates sobre o desenvolvimento da nação e mesmo em salas de aula, a qualidade da
educação oferecida pelas escolas públicas brasileiras é uma pauta de debates que está presente
com grande frequência. Este artigo trás uma visão do cotidiano de duas instituições públicas de
ensino médio do Distrito Federal (DF), escolhido para o estudo porque apresenta expressiva renda
per capita no contexto brasileiro e é caracterizado como centro político de onde emanam importantes
decisões governamentais. As instituições de ensino pesquisadas foram selecionadas levando-se em
conta os seus resultados opostos, alcançados no Exame Nacional do Ensino Médio de 2011. O artigo
também busca apontar aspectos da realidade de cada instituição estudada e mostrar desafios,
obstáculos e facilitadores presentes na gestão destas instituições, localizadas em diferentes regiões
do DF. Os dados foram coletados por meio de questionários aplicados aos alunos e aos professores
destas instituições, de entrevistas com seus gestores, sendo complementados por observações in
loco. Como resultado da pesquisa pode-se destacar a constatação de que, dentre os fatores mais
importantes ligados à gestão, encontram-se: o perfil dos alunos e a visão que a gestão da escola tem
deles; o envolvimento de professores, alunos e pais numa proposta pedagógica que objetiva este tipo
de situação; e no caso de uma das instituições, o nivelamento por rendimento nas turmas.
PALAVRAS-CHAVE: gestão; escola pública; desempenho educacional; exame nacional.
ABSTRACT
In the mass media, in discussions on the development of the nation and even in classrooms, the
quality of education offered by the Brazilian public schools is an agenda that is being debated
constantly. This article brings a vision of daily two public teaching of the Federal District, the country's
political center, whence emanate major government decisions and because of a significant per capita
income and thus show the management of public schools. The institutions investigated in this article
were selected taking into account the results, opposites, achieved in the ENEM 2011, points to the
reality of each institution and shows the challenges, obstacles and facilitators present in the
management of each of the Centre Secondary Education Sector West and Educational Center 03
Brazlândia. Data collection was done through questionnaires administered to students and teachers,
in an interview with the managers and the observations made in the two colleges and at the end it was
found that the most important factors related to management are: the profile of students and the vision
that the school management has about them, the involvement of teachers, students and parents in a
pedagogical objective that this type of situation, and in the case of the Center for school Sector West,
the leveling performance in class.
KEY-WORDS: management; public school; educational performance; national examination.
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1. INTRODUÇÃO
Na pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2010 o Brasil ocupou
a 73ª posição, em meio a 169 países examinados, no Índice de Desenvolvimento Humano. O relatório
desta pesquisa apontou que a qualidade da educação oferecida no país é o principal responsável por
este mau desempenho. Discutir esse assunto tem se tornado cada vez mais frequente. Na sociedade
o tema é constantemente abordado em escolas, mídias eletrônicas, meios de comunicação, em
debates no Congresso Nacional. MENEZES-FILHO (2007, p. 03), ao abordar a importância da
educação destaca que:
Vários estudos mostram que uma maior escolaridade aumenta os salários das
pessoas, diminui a propensão ao crime, melhora a saúde e diminui a probabilidade
de ficar desempregado. Além disto, para o país como um todo, uma população mais
educada traz um crescimento econômico maior, aumenta a produtividade das
empresas, e potencializa os efeitos da globalização.
Sempre que o tema é debatido nos deparamos com comparações que levam em
consideração o sistema de ensino, a estrutura escolar, o salário de professores, os recursos
oferecidos nas instituições, as dificuldades dos alunos e até a questão cultural do brasileiro. Nessas
comparações são citadas as experiências vividas em outros países e o sistema de ensino particular,
frequentemente apontado como de melhor qualidade que o ensino público.
Diante de fartas evidências das dificuldades relativas às escolas públicas constata-se a
permanente relevância de ter este tema como preocupação constante e objeto de estudos e ações
efetivas. Fica, assim, também evidente a relevância de se estudar possíveis fatores que possam
contribuir para um melhor desempenho do ensino público, buscando-se um conhecimento que
potencialmente sirva de subsídio ao estabelecimento de políticas e ações governamentais neste
sentido. No caso da presente pesquisa, buscou-se, através de um estudo de dois casos, examinar a
situação específica do Distrito Federal (DF), por ser o centro político do país, de onde emanam
grandes decisões governamentais, ter-se uma expressiva renda per capita e, assim, servir de
referência “superior” para quase todo o país.
Assim, a pesquisa ancorou-se na seguinte indagação: quais são os fatores relacionados à
gestão das escolas públicas do DF que influenciam o seu desempenho no Exame Nacional do Ensino
Médio (ENEM)? Como resultado, pode-se destacar na pesquisa realizada a constatação de que,
dentre os fatores mais importantes ligados à gestão, encontram-se: o perfil dos alunos e a visão que
a gestão da escola tem deles; o envolvimento de professores, alunos e pais numa proposta
pedagógica que objetiva este tipo de situação; e no caso de uma das instituições, o nivelamento por
rendimento nas turmas.
A seguir, como referencial teórico da pesquisa é feita uma descrição do ENEM, uma
apresentação do que se entende por desempenho no ENEM e uma descrição de fatores relacionados
ao desempenho educacional, segundo a literatura (seção 2). Na seção 3 são descritos os
procedimentos metodológicos da pesquisa (exploratório-descritiva) e na seção 4 é apresentada a
análise realizada sobre as evidências coletadas, na qual articula-se uma avaliação estatística com
uma análise interpretativa numa abordagem quali-quanti. Na seção 5 são apresentadas
considerações finais.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Como suporte teórico para a pesquisa buscou-se inicialmente descrever o que é o ENEM e
apresentar o que se entende por desempenho no ENEM. O referencial (desenvolvido nas próximas
três subseções) é complementado com uma descrição realizada a partir de uma busca na literatura a
respeito de fatores relacionados ao desempenho educacional.
2.1. O ENEM
O ENEM foi criado através da portaria Ministerial n° 438 de 28 de Maio de 1998 e hoje, após
as alterações de 2003 e 2006, por força das Portarias nº 110/2002 e nº 7/2006, como relata Menezes
(2002), tem como objetivos analisar as competências e habilidades fundamentais dos alunos de
ensino médio para a inserção social e o exercício da cidadania, servir como modalidade alternativa ou
complementar aos exames de ingresso aos cursos profissionalizantes, pós-médio e ao ensino
superior e, como consta no art.2° da portaria 110, avaliar a educação básica oferecida até o fim do
ciclo básico de ensino.
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O exame é realizado anualmente, tem duração de dois dias, não tem caráter obrigatório e
podem participar alunos que estão concluindo ou que já concluíram o ensino médio. Como afirma
Casagrande (s/d, p.2), a prova é composta por “questões de múltipla escolha” agrupadas em
Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; Linguagens,
Códigos e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, além de “uma redação dissertativa
elaborada a partir de um tema de ordem social, cultural ou política”.
Aos que realizam a avaliação, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP), fornece, no fim do processo, um boletim individual de resultados com notas
para a parte objetiva e para a redação e qualifica os alunos em três faixas: regular, regular a bom e
de bom a excelente (MENEZES, 2002).
A avaliação das escolas, como informa o Portal R7 (2011), ocorre com base no desempenho
dos alunos do terceiro ano do ensino médio de cada instituição, levando em conta a média entre o
total de estudantes, de cada escola, que fizeram o ENEM e os pontos que estes obtiveram no
processo avaliativo.
Em 2011 a prova foi aplicada nos dias 22 e 23 de outubro. E segundo dados do Portal do
MEC, houve 26% de abstenção nos dois dias, o que significa cerca de 1,4 milhões de candidatos. Ao
todo foram recebidas 5,4 milhões de inscrições.
2.2. O DESEMPENHO NO ENEM 2011
Desde sua fundação o ensino público do Distrito Federal tem buscado um constante
aperfeiçoamento na forma em que é oferecido. Barroso (2004) diz que durante a construção de
Brasília era exigência dos funcionários que se fornecesse uma educação de melhor qualidade para
seus filhos, sendo que somente a alfabetização já não era suficiente, existia a necessidade de
oferecer o ensino médio e de boa qualidade.
Entre as tentativas de aperfeiçoamento pode-se citar a Gestão Comunitária, a escolha
democrática de diretores, as escolas de período integral, os diferentes métodos de avaliação, o maior
gasto por aluno e até a melhor remuneração média dos professores, num comparativo com o restante
do país.
No entanto, através dos dados fornecidos pelo Portal do INEP (2011), é possível verificar que,
apesar da quarta colocação nacional, os resultados alcançados pelas escolas públicas do Distrito
Federal em 2011 ainda estão distantes do que se pode considerar, resultados de uma gestão
eficiente e eficaz.
Moreira (2005, p.01) diz que eficiência tem a ver com resultado, nesta pesquisa desempenho
é entendido como a posição no ranking, “é fazer de forma correta, é o meio para se atingir um
resultado, a atividade, ou, aquilo que se faz”. Chiavenato (1994, p.67) inclui neste pensamento a
utilização de recursos: “eficiência é a forma correta de se utilizarem os recursos disponíveis”. E
Falcão Filho (1997, p. 319) inclui menor custo: “é aquela capaz de viabilizar os fins, no menor custo”.
A eficácia, “é a capacidade das pessoas e das instituições de alcançarem os objetivos e as
metas” (SANDER 1995, apud FALCÃO FILHO 1997). É “a coisa certa; o resultado, o objetivo, aquilo
para que se faz, isto é, a sua missão” (MOREIRA 2005, p.1).
Sendo assim, o ranking é um bom parâmetro para se analisar o desempenho que se
evidencia pelas posições alcançadas pelas escolas no ranking. Entre os 20 colégios mais bem
colocados do Distrito Federal, apenas um é mantido pelo poder público, e ainda assim este não é
administrado pelo Governo do Distrito Federal.
O nível de abstenção, considerando escolas públicas e privadas, é o maior do país, 34,12%.
Nas escolas públicas apenas 28 escolas das 79 superaram o índice de participação de 50%, apenas
quatro ultrapassaram 70%. Por fim, a nota média das escolas públicas, 519, supera em apenas oito
pontos a média nacional.
Desta forma, a pesquisa analisou não somente os fatores relacionados à eficiência e eficácia,
mas também os relatados na seção 2.3 (ver a seguir) e ainda, os que emergiram durante a aplicação
dos questionários e das entrevistas.
2.3. FATORES RELACIONADOS AO DESEMPENHO EDUCACINAL
Para entender os motivos que levam as escolas públicas do Distrito Federal a obterem
resultados inferiores aos do ensino privado, aos de outras unidades da federação e ainda,
apresentando diferenças acentuadas entre elas mesmas, estando no mesmo contexto administrativo,
(Governo do Distrito Federal e sua Secretária de Educação), faz-se necessário identificar as variáveis
que influenciam este desempenho, pois o seu conhecimento pode contribuir para a elaboração e
programação de políticas educacionais que contemplem a necessidade e especificidade de cada
situação.
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Biondi (2007) nos dá algumas pistas e apresenta algumas destas possíveis variáveis. Aponta
que aspectos como a ausência e a rotatividade de professores ao longo do ano letivo, devido a
pedidos de transferência para outra unidade e/ou para substituir colegas que estão de licença ou que
são de contratos temporários, a experiência dos profissionais nas escolas, a presença da internet nas
instituições, a presença de laboratórios de informática, a segurança no ambiente escolar, condições
de higiene e a repetência, são fatores que influenciam no rendimento dos alunos neste tipo de
avaliação, e por consequência, na reputação que a escola receberá.
Outras variáveis são apontadas em diversos estudos, e algumas delas são sintomas de uma
má gestão ou de um ambiente que não propicia as melhores condições para que os estudantes
tenham um bom desempenho. Um exemplo é o clima escolar que em cenários livres de violência
colabora para um melhor rendimento dos professores e alunos. No DF este problema está tão
presente que, em 2008, o Governo do Distrito Federal lançou o Plano de Convivência Escolar, que
previa a estruturação de cursos de capacitação de professores e pais, composição de núcleos
regionais para mediação de conflitos, cadastro de alunos com histórico de violência, encaminhamento
terapêutico para as vítimas da violência, intensificação da patrulha escolar e uma cartilha ressaltando
a importância do bom comportamento dos alunos e de como os professores deveriam proceder em
episódios de violência escolar. Só em 2009, onze casos de violência contra professores foram
registrados, o que acaba refletindo na saúde dos professores e gerando atestados e licenças
relacionados a doenças como estresse, síndrome do pânico e depressão (SINPRO/DF, 2009).
O clima escolar ruim colabora com a evasão escolar, que é indício de diversos outros
problemas. Queiroz (2004, p.1) relata a evasão escolar como sintoma de variáveis como:
“desestruturação familiar, políticas de governo, desemprego, desnutrição, a escola” e o próprio aluno.
E Moraes (2006, p. 16) reforça, colocando que:
A falta de educação de qualidade que seja atraente e não excludente e a pobreza
são algumas das causas do vertiginoso aumento da violência que nosso País vem
enfrentando nos últimos anos. O combate à evasão escolar nessa perspectiva surge
como um eficaz instrumento de prevenção e combate à violência e à imensa
desigualdade social que assola o Brasil, beneficiando toda a sociedade.
Outra variável a ser observada são as estruturas das escolas. Segundo Souza (2010), a atual
situação física no Distrito Federal é a mesma oferecida na década de 1960, poucas sofreram
reformas e não receberam recursos tecnológicos, sequer têm laboratórios. O último levantamento do
Tribunal de Contas do DF (TCDF) vai além: diz que mais de 85% das unidades de ensino carecem de
reparos moderados ou grandes, devido à insuficiência dos serviços de manutenção prestados pelo
governo local.
Na era da informação, na qual os jovens estão habituados com os diversos meios eletrônicos,
é importante que as escolas e os professores diversifiquem os recursos didáticos acompanhando as
mudanças da sociedade e o desenvolvimento tecnológico. Prata (2002, p. 13), coloca que:
A integração das Tecnologias como TV, vídeos, computadores e internet ao
processo educacional pode promover mudanças bastante significativas na
organização e no cotidiano da escola e na maneira como o ensino e a aprendizagem
se processam.
Para isto faz-se necessário que a infraestrutura da escola, ofereça estas novas tecnologias e
espaços adequados a cada situação como auditórios, quadras de esportes, laboratórios para
pesquisas, quantidade e qualidade de profissionais e uma demanda ideal aluno/professor em cada
ambiente, já que segundo dados do Sindicato dos Professores (SINPRO/DF, 2009) as escolas
públicas de Ceilândia, Taguatinga e Samambaia (cidades satélite do DF) têm em média 40 alunos por
turma.
É importante também observar a influência do gestor escolar sobre os resultados, MenezesFilho (2007, p.01), após avaliar dados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB), constatou
que existe:
Uma heterogeneidade muito grande nas notas dentro de cada estado, com escolas
muito boas e muito ruins dentro da mesma rede, mesmo após levarmos em conta as
características das famílias dos alunos. Isto indica que a gestão da escola tem um
papel muito importante.
Prata (2002, p.17) ressalta que a gestão escolar não é somente compreendida como a
execução de tarefas relativas a orçamento. A gestão escolar, além disso:
Mantém a disciplina, coordena professores e pessoal administrativo e garante o
cumprimento dos dias letivos. Temos que pensar num modelo de administração
integrado às questões pedagógicas, em que todas as ações devam focar a
educação que se quer produzir na escola.
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E completa sugerindo que a gestão deve buscar “condições para a sustentabilidade por meio
de parcerias, convênios e financiamentos” com o objetivo de manter ou garantir a continuidade de
projetos na escola (Prata, 2002, p.18).
Como norte ao administrador escolar, a UFBA (s/d, p.6) coloca que a gestão da escola
necessita:
Formular objetivos, tendo como referência as suas necessidades e em articulação
com o projeto político-educacional do sistema de ensino do qual faz parte. É
necessário elaborar planos de trabalho ou planos de ação onde são definidos seus
objetivos e sistematizados os meios para a sua execução bem como os critérios de
avaliação da qualidade do trabalho que realiza. Sem planejamento, as ações dos
diversos atores da escola irão ocorrer ao sabor das circunstâncias, com base no
improviso ou na reprodução mecânica de planos anteriores e sem avaliar os
resultados do trabalho. A falta de planejamento leva a equipe gestora a se
especializar em apagar incêndios, mas, nem todos os incêndios podem ser
apagados sem que haja sérios prejuízos.
Outro fator a ser avaliado é a formação dos diretores e professores, já que estes estão
ligados diretamente ao desenvolvimento do ensino e à gestão da escola. Cabe avaliar por que a
própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) flexibiliza esta formação. Neste
sentido, como coloca Michels (2006, p.15):
Podemos pensar que o que chamávamos, no Brasil, de formação de professores
aparece hoje muito mais como treinamento profissional. Uma das modalidades de
formação que está tendo forte expressão no país é a formação em serviço (além da
formação a distância).
Em síntese, esta flexibilidade faz com que os profissionais procurem instituições que
prometem formá-los em um tempo menor e com menos gastos, o que pode influenciar no ensino
oferecido por cada instituição.
Ferreira (2001) diz que estas variáveis podem ser classificadas, sendo em diversos casos
complementares uma a outra, separando-as em grupos internos, quando originam dentro dos muros
das escolas, e externos, quando se originam na sociedade, nas políticas e nas famílias.
3. METODOLOGIA
Através de uma investigação bibliográfica e de campo, a pesquisa realizada pode ser
considerada ao mesmo tempo exploratória e descritiva (VERGARA, 2009). Exploratória porque
embora as escolas públicas sejam alvo de diversas pesquisas em diversas áreas, não se verificou a
existência de estudos que abordem diretamente os fatores relacionados à gestão das escolas
públicas do Distrito Federal que influenciam seu desempenho no ENEM. Descritiva porque visa
descrever estes fatores e as percepções do pesquisador em relação às expectativas de diretores
professores e alunos.
Na pesquisa de campo os dados foram coletados nas próprias instituições de ensino, onde se
procurou averiguar os fatos tal como ocorrem possibilitando estudar as relações estabelecidas entre
os diretores e os atos administrativos frente às interferências do meio em que se inserem.
Ao universo da pesquisa estão inseridas vinte escolas de ensino médio do Distrito Federal,
classificadas como as 10 com melhor rendimento e as 10 com piores rendimentos no Exame
Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2011, conforme mostra o Quadro 1, levando em conta, para evitar
distorções, as que atingiram pelo menos 50% no nível de participação e excluindo, por serem parte
de uma política de gestão diferente das demais, colégios militares.
Para atingir o objetivo desta pesquisa, foram selecionadas para o estudo duas escolas
dentre as apresentadas no Quadro 1, sendo uma dentre as 10 primeiras e a outra dentre as dez
últimas. Assim, foram escolhidas a CEMSO como a de desempenho superior, e a CED 03 de
Brazlândia, como a de desempenho inferior.
Para a pesquisa, três sujeitos importantes foram definidos, são eles: o próprio diretor ou vicediretor, os docentes e os estudantes de cada uma destas escolas. Esta definição fundamenta-se na
influência que todos estes personagens exercem na gestão, além de sua participação e vivência do
dia-a-dia escolar.
Os questionários foram aplicados a todos os professores de ambas as escolas e para os
alunos, os questionários foram aplicados aos do terceiro ano, já que estes são responsáveis pelo
desempenho da instituição no ranking apresentado no Quadro 1. No CED 03 havia 03 turmas de
terceiro ano, de ensino regular, e nestas 03 turmas o questionário foi aplicado em sua totalidade. No
caso do CEMSO, com nove turmas de 38 alunos, considerando um universo de 342 alunos, um nível
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Piores rendimentos
Melhores rendimentos
de confiança de 95% e com erro amostral de 5%, chegou-se a uma amostra de 182 alunos a serem
questionados, o que de fato ocorreu.
Ranking
Nacional
3753
4657
5235
5996
6184
7119
7473
7699
7745
8431
9748
10063
10065
10246
10518
10683
10798
10838
11427
13014
Instituição de Ensino
CEM SETOR OESTE - CEMSO
CEM INTEGRADO A EDUC PROF DO GAMA
CEM TAGUATINGA NORTE
CEM SETOR LESTE
CED 05 DE TAGUATINGA
CEM 01 DO PARANOA
CEM 01 DE SOBRADINHO
CEM 01 DE BRAZLANDIA
CEM ELEFANTE BRANCO
CEF INCRA 08
CED 07 DE TAGUATINGA
CEF AGROURBANO IPE RIACHO FUNDO
CEM 417 DE SANTA MARIA
CEM 02 DE CEILANDIA
CED DO LAGO
CEM 01 DO RIACHO FUNDO
CED 06 DO GAMA
CEM 404 DE SANTA MARIA
CED 03 DE BRAZLANDIA
CED VARZEAS
Adesão
ao exame
71.2
66.2
63.3
79.2
50
57.8
54.5
68.1
62.2
62.5
59.6
81
59.9
50.5
76.1
59.1
61.9
52.5
50.3
51.3
Nota
obtida
591.55
578.36
570.81
563.39
561.6
554.31
552.01
550.62
550.21
545.96
538.28
536.69
536.69
535.7
534.29
533.42
532.84
532.66
529.51
521.5
Quadro 1 – 10 melhores e 10 piores rendimentos no ENEM 2011, nas escolas públicas do DF.
Fonte: Dados extraídos do INEP / ENEM (2011)
A coleta dos dados se deu por meio de entrevistas estruturadas com roteiro pré-definido,
direcionadas aos diretores ou vice-diretores e por meio de dois questionários distintos que continham
questões características presentes no cotidiano dos professores e dos alunos. Para cada grupo foram
feitas questões fechadas, permitindo optar por alternativas, e questões abertas, que permitiram aos
entrevistados explicitar questões não identificadas até então pela pesquisa.
A abordagem da pesquisa pode ser considerada como “quali-quanti”. Quantitativa, porque
foram aplicados questionários com o objetivo de traduzir as opiniões e informações em números,
possibilitando assim gerar dados estatísticos. E também qualitativa, já que os dados colhidos foram
analisados interpretativamente de acordo com a realidade de cada escola, ligados aos métodos
utilizados na gestão escolar, possibilitando assim avaliar a qualidade administrativa e os fatores que
contribuíram para o desempenho em cada instituição.
4. ANÁLISE DE DADOS
4.1. CENTRO DE ENSINO MÉDIO DO SETOR OESTE (CEMSO)
O CEMSO, localizado na Asa Sul em Brasília, bairro de classe média-alta, que nesta
pesquisa é citado como a melhor escola (de desempenho superior), é tido nos meios de comunicação
como referência para toda a rede pública de ensino da DF, devido ao alto índice de aprovação de
seus alunos em vestibulares de universidades federais.
A instituição foi criada em 1986 por iniciativa de um grupo de professores que se sentiam
angustiados com a aprovação nos vestibulares só de estudantes de escolas particulares. Estes
professores elaboraram um projeto que visava uma escola que preparasse os alunos para o
vestibular, proposta esta que foi aceita pelo então secretário de educação do DF (SINPRO, 2011).
Os dados foram coletados em outubro de 2012, através da aplicação de questionários para
alunos e professores. Além dos questionários, as evidências foram ampliadas pelas observações
realizadas in loco por um dos pesquisadores e com uma entrevista realizada com a vice-diretora do
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CEMSO, também em outubro de 2012. Foi possível verificar que o corpo discente possui a idade
adequada para o ensino médio, entre 15 e 18 anos (95%) e é, em sua maioria, composto por
mulheres (55%). Ainda foi possível verificar que estes alunos possuem, em grande parte, de um a
dois irmãos (67%), são solteiros (98%) e sem filhos (99%). Os professores da instituição, em sua
maioria (66%) já estão na instituição há mais de 3 anos, possuem idade acima de 30 anos, com
carreiras que ultrapassam 10 anos. 33% dos professores possuem cursos de pós-graduação e são
em sua maioria, mulheres (56%).
4.1.1. A Gestão do CEMSO
Dalmolin (2012, s/p), afirma que “a atuação do diretor escolar tem sido apontada como um
dos fatores que influenciam diretamente o desempenho acadêmico dos alunos”, para ele este fator só
se encontra atrás da eficácia do professor.
Os dados coletados mostram que a gestão da escola tem como objetivo principal a
preparação dos alunos para as provas dos vestibulares, do PAS/UNB e para o ENEM. A vice- diretora
da escola afirmou que o objetivo da escola primeiramente é a formação do cidadão que possa
ingressar na universidade, para que no futuro este possa ter “uma boa aceitação no mercado de
trabalho”. Este objetivo é reafirmado quando a vice-diretora responde a questão sobre o que
considera como um desafio para a escola nos próximos anos. O desafio é colocar a escola entre as
10 melhores escolas públicas do país no ranking do ENEM.
Para a vice-diretora, no DF o CEMSO já é a primeira escola, e este objetivo só é
concretizado porque existe na instituição um projeto político pedagógico (PPP) com uma proposta
que pretende dar condições físicas e pedagógicas para que o aluno obtenha sucesso em boas
universidades, e principalmente, porque este PPP conta com a colaboração dos professores e
servidores alinhados com este mesmo objetivo. Esta união merece destaque, quando afirma: “não
adianta ter uma linda proposta se não há colaboração, se o grupo não apoia, ele pode até acolher,
mas se ele não executar nada funciona”.
Esta colaboração do grupo apontada pela vice-diretora é amparada por dois dados retirados
do questionário respondido pelos professores, já que 89% dos professores concordam, parcialmente
ou totalmente, que a gestão escolar influencia no processo de ensino/aprendizagem e principalmente
que participam da gestão do CEMSO (também 89%).
Outros fatores, apontados pela vice-diretora, que tem participação da gestão e que contribui
com os objetivos da escola, são a possibilidade dos professores se capacitarem na escola de
formação dos professores, algumas ações de preparação para o ENEM que a escola oferece e o
nivelamento das turmas de acordo com a média que cada um obtém. De acordo com a vice-diretora,
esta última ação propicia a redução da evasão escolar e das reprovações, e proporciona a
possibilidade do professor avançar com o conteúdo ou dar atenção maior aos alunos que não
compreenderam, ou que sentiram dificuldades em determinadas matérias. Ela justifica dizendo que
“surpreendentemente quando chega ao final, tanto no PAS quanto no vestibular e até mesmo em
concurso publico, esses alunos das turmas que têm maior dificuldade ingressam junto com os
outros”. “Na última chamada da UnB, por exemplo”, diz orgulhosa, “tivemos 105 alunos aprovados
com 40% destes para o curso de engenharia”.
E este pensamento está tão presente que 72% dos alunos afirmaram no questionário,
estarem preparados para o ENEM, além de, em diversos questionários, na questão que indagava as
contribuições que a escola deixou para a vida de cada um, os alunos mencionaram a qualidade de
ensino e o objetivo de cursar uma universidade. Alguns exemplos: “A escola contribuiu com a
possibilidade de entrar em uma universidade federal e ter uma vida melhor”; “Contribuição plena para
a vida no sentido de socialização e amadurecimento. Também para exames de seleção no sentido de
segurança na aprovação”; e “Aprendi muito e conto com esse conhecimento para entrar na UnB”.
Estar listada no ranking desta pesquisa como a melhor escola pública do Distrito Federal, se
justifica por estas ações da Gestão, que são voltadas exclusivamente para a aprovação dos alunos
nestes tipos de avaliação. Mas cabe também analisar fatores ligados a formação dos gestores - 10%
dos alunos afirmaram que a escola necessita de melhorias na gestão. A vice-diretora é formada em
licenciatura da língua portuguesa e literatura brasileira e com mestrado em linguística aplicada à
leitura e interpretação de texto, coloca que não tem nenhuma experiência em gestão, e que, como
dito anteriormente, entende esta função como um trabalho em grupo, diz que suas ações na escola
ainda são as de uma coordenadora, cargo que ocupava anteriormente, controlando a presença dos
professores e providenciando atividades nas turmas dos faltosos. E cabe também avaliar fatores
ligados a estrutura, ao clima da escola e aos obstáculos, desafios e facilitadores. Estes fatores são
relatados a seguir.
9
4.1.2. A Estrutura Física do CEMSO
Apesar de existir na escola algumas placas do Governo do Distrito Federal informando sobre
obras no local, a primeira impressão que se tem da estrutura física do CEMSO é a descrita por
SOUZA (2010) no inicio deste artigo, o qual relata que a atual situação física das escolas do DF é a
mesma oferecida na década de 1960 e que poucas sofreram reformas ou receberam recursos
tecnológicos. E em parte, é isso o que se verifica também no CEMSO.
Foi possível constatar que falta à escola uma boa reforma com o objetivo a deixá-la com um
aspecto mais atrativo. Os dados da pesquisa mostram parte disso. Nos questionários respondidos,
51% dos alunos se queixaram da estrutura física, cobraram recursos (35%), sejam financeiros,
materiais ou instrumentos que auxiliem no processo de ensino com equipamentos tecnológicos que
tornem as aulas mais dinâmicas. E ainda cobraram (5%) uma boa manutenção do prédio, citando
inclusive a necessidade de um combate a ratos.
Para 53% destes alunos o pátio não é considerado bom, (63%) afirmaram que o espaço para
o grêmio é inadequado, a sala de exibição de vídeo, para 70%, foi considerada ruim ou razoável, 30%
desconhecem a sala de informática e 23% a consideraram de péssima qualidade. Os laboratórios
para as disciplinas foram considerados ruins ou razoáveis para 60% e 12% ainda afirmaram
desconhecer a existência destes.
Como pontos positivos, os alunos indicaram que a quadra de esportes (66%), apesar de
necessitar de reformas e de uma cobertura, a biblioteca (80%) e as salas de aula (89%) são
razoáveis ou boas. 78% dos professores relataram que existem em média, matriculados, de 35 a 38
alunos nas turmas que lecionam.
No entanto 77% dos alunos consideram que a estrutura física não interfere diretamente no
aprendizado e 67% dos professores concordam parcialmente (ver Gráfico 1) de que esta estrutura
pode ser considerada adequada, fazendo apenas a ressalva de que falta uma quadra coberta (75%),
um auditório (50%) e acesso a internet para os alunos (25%).
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Gráfico 1 - Resposta dos professores sobre a afirmação de que a estrutura da escola é adequada.
Fonte: Elaboração própria
Os professores utilizam os recursos didáticos oferecidos pela instituição, mas explicam que
ela não disponibiliza recursos online, a sala de informática e a utilização de computadores aos
alunos. A vice-diretora da escola confirma parcialmente estas informações, não considerando o
espaço físico da escola ideal para um ensino de qualidade, pois carece, além de verbas, da quadra
de esportes coberta e do auditório, de um refeitório e de profissionais para a utilização dos
laboratórios, que estavam fechados porque a Secretaria de Educação havia retirado da escola os
profissionais responsáveis por sua utilização.
4.1.3. O Clima Escolar
Ao perguntar aos alunos se eles se sentiam seguros na escola, a resposta de 84% dos
entrevistados foi de que sim, de que a escola oferece condições de segurança para desenvolverem
as atividades pedagógicas com tranquilidade. A vice-diretora, indagada neste sentido, disse que o
clima presente na escola, levando em considerando a relação entre aluno/professor/diretor/servidor, e
estes com a comunidade, é propício a um bom desenvolvimento das atividades da escola.
O número é bom e é sim um reflexo dos bons resultados da escola, mas se levarmos em
conta o bairro onde está inserida, próxima ao Centro Administrativo da capital do país, e
considerando que esta comunidade é formada por moradores com boas condições financeiras, os
16% que responderam que não se sentem seguros merecem atenção. Prova disso é que 28% dos
10
alunos desta escola afirmaram já ter presenciado ou ter sido vitima de violência na escola, 27% citam
o bullyng, e outros ainda citam ameaças, homofobia, racismo e até assalto e roubo. Vinte e um por
cento destes alunos afirmam que já presenciaram alguém portando algum tipo de arma na escola e
20% dizem ter presenciado o uso ou venda de drogas dentro da escola. 76% citam agressões físicas
e brigas que ocorrem em sua maior parte fora do ambiente escolar, mas envolvendo alunos.
Já 33% dos professores classificam como ruim ou péssima a segurança que a escola oferece
para o docente. Esta classificação se justifica com o apontamento, por esta mesma porcentagem, de
que já foram vítimas de violência escolar, sendo elas de forma verbal, acompanhadas de ameaças e
em alguns casos chegando a serem físicas e de que discordam de que o clima afetivo emocional na
escola seja o ideal. A vice-diretora reporta que este problema, de violência entre professores e alunos
na instituição, é mínimo, mas 44% dos professores afirmam que já tiveram que deixar suas atividades
devido a licenças relacionadas a doenças como estresse, síndrome do pânico ou depressão. 33%
ainda afirmam que o clima afetivo emocional do professor para com os alunos não pode ser
considerado ideal, confirmando os dados do SINPRO/DF informados no início deste artigo.
Personagem
Obstáculos
Alunos
4.1.4. Obstáculos, Desafios e Facilitadores
Nesta pesquisa também foram identificados outros fatores que influenciam o seu bom
desempenho ou que estão ligados ao clima na escola. Nos Quadros 2, 3 e 4 são referidos fatores em
três categorias, sempre levando em consideração a opinião dos alunos, dos professores e da vicediretora. Na primeira das três categorias são abordados os obstáculos presentes na instituição hoje
(ver Quadro 2).
A constante troca de professores compromete a aprendizagem porque não permite
uma continuidade do trabalho pedagógico e porque afeta o planejamento dos
estudantes. No CEMSO, 71% dos alunos apontam que isso ocorreu em mais de 5
oportunidades durante o Ensino Médio, o que evidencia que este ainda é um
obstáculo a ser enfrentado.
Professores
• Falta de recursos: apontado por 17% dos professores, a falta desses recursos
didáticos causa uma fragilidade no trabalho do professor e foi apontado também
pelos alunos.
• Estrutura física inadequada: apontado por 17% dos professores.
• Falta de envolvimento dos pais: Também apontado por 17%.
• Evasão escolar: 17%.
• Muitos alunos nas salas de aula: 33%.
• Carga excessiva dos professores: 17%.
• Falta de profissionais: apontado por 17% dos professore, principalmente devido
a falta que faz para o ensino o uso dos laboratórios e da sala de informática.
Vice Diretora
• Liberdade para desenvolver projetos: 7%.
Falta de verbas para investimentos básicos.
Quadro 2 - Obstáculos do CEMSO
Fonte: Elaboração própria
Na segunda categoria é apresentado o que estes personagens consideram como desafios,
situações que no futuro deverão enfrentar (ver Quadro 3). E na terceira categoria são apresentados
os facilitadores, as experiências da organização que podem significar um bom exemplo para outras
unidades de ensino, que significaram um aperfeiçoamento de algum processo ou que foi solução para
algum problema (ver Quadro 4).
E na terceira categoria são apresentados os facilitadores, as experiências da organização
que podem significar um bom exemplo para outras unidades de ensino, que significaram um
aperfeiçoamento de algum processo ou que foi solução para algum problema (ver Quadro 4).
Desafios
Para os alunos, o principal desafio da instituição é conseguir o apoio do governo para
as reformas da estrutura e para os projetos pedagógicos.
Vice Diretora
Professores
Personagem
Alunos
11
•
•
•
•
•
•
•
•
Envolver a comunidade - 22%.
Envolver os pais na educação 22%.
Melhorar o índice de aprovação 11%.
Reduzir a quantidade de alunos por sala 11%.
Envolver os alunos - 22%.
Integrar novas tecnologias / metodologias 33%.
Lidar com a falta de limite dos alunos 11%.
Envolver os alunos 22%.
Colocar a escola entre as 10 melhores escolas do país, ela já é a primeira do DF.
Quadro 3 - Desafios do CEMSO
Fonte: Elaboração própria
Além dos facilitadores listados no Quadro 4, puderam ser percebidos na escola outros
projetos extracurriculares que contribuem para criar um ambiente atrativo para os estudantes. Alguns
alunos falaram sobre um projeto batizado como Música no CEMSO, que acontece desde 2009, outro
que traz uma abordagem de Oficinas de Cinema e por fim, a escola leva seus estudantes a
participarem de Exposições de Ciências fora da ambiente do colégio.
Facilitadores
Para os alunos, o sucesso da instituição no ENEM é resultado da soma de alguns
fatores que obedecem à seguinte ordem:
• O esforço dos alunos, apontando por 89%.
• A dedicação dos professores, apontada por 76%.
• A gestão da escola, apontado por 34% dos alunos.
• O ambiente interno, apontado por 13% dos alunos.
Para eles, a escola deve criar políticas que contemplem estes fatores.
O principal fator indicado pelos professores como um facilitador, que pode servir para
melhorar o rendimento dos alunos em outras instituições, é o nivelamento por
turmas. Além disso, o corpo docente cita a importante contribuição dos pais, o
Projeto Político e Pedagógico da escola, o trabalho do Serviço de Orientação aos
Estudantes, o trabalho em equipe e o uso de tecnologias na correção de provas
(avaliações eletrônicas).
A vice-diretora também cita a contribuição dos pais na Associação de Pais Alunos e
Mestres (APAM), coloca que os pais estão sempre presentes na instituição, o que
facilita o acompanhamento dos alunos e a verificação de problemas que estes
possam estar enfrentando.
E reafirma que o nivelamento por turmas é algo que transformou a rotina da
instituição em sucesso, e que isso deve ser copiado.
Quadro 4 - Facilitadores CEMSO
Fonte: Elaboração própria
Vice - Diretora
Professores
Alunos
Personagem
4.2. CENTRO EDUCACIONAL 03 DE BRAZLÂNDIA (CED 03)
O Centro Educacional 03 de Brazlândia, cidade satélite que se encontra a 59 quilômetros de
Brasília e que possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano do Distrito Federal, está nesta
pesquisa por não ter tido um bom rendimento no ENEM 2011. A instituição, que está inserida num
bairro pobre de Brazlândia, a vila São José, foi criada em 1998, nunca passou por uma reforma e
possui em sua maioria alunos com idades que vão dos 15 aos 18 anos (92%) e dos 19 aos 21 anos
(8%), que são solteiros (97%), sem filhos (97%) e que possuem uma grande quantidade de irmãos,
como ilustra o Gráfico 2.
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Gráfico 2 - Quantidade de irmãos
Fonte: Elaboração própria
O corpo docente é formado, em sua maioria (82%), por profissionais com idades que vão de
20 a 40 anos, mas também há em seu quadro 19% de professores com idade na faixa de 41 a 50
anos. A formação destes profissionais está dividida da seguinte forma: 31% são pós-graduados e
69% são apenas graduados. A maior parte destes professores possui um tempo de carreira menor do
que 5 anos (44%) e 69% deles estão na escola a menos de 2 anos.
Os dados nesta instituição também foram coletados através da aplicação de questionários,
em outubro de 2012, para os professores e para os alunos. Além destes questionários, os dados
foram incrementados com observação na escola e com uma entrevista com o diretor da instituição.
4.2.1. Gestão Escolar do CED 03
O diretor da instituição, eleito com 85% dos votos pela comunidade, inicialmente estava no
cargo por indicação da Secretária de Educação e, antes de assumir a direção da escola não teve
uma experiência como gestor, e ressalta em diversos momentos que tem vocação para sala de aula.
Só se interessou pela função, conforme afirma, pelo interesse que nutre de colocar alguns de seus
projetos em prática e numa amplitude maior do que a que a sala de aula permite.
Para o diretor a gestão escolar se baseia no fato de que os gestores têm que representar
todos os grupos, de que a gestão é a representatividade de todos os segmentos procurando o
equilíbrio do tratamento de todos. É com este pensamento que o diretor procura estabelecer canais
abertos de diálogo com a comunidade e com os professores, o que se comprova quando 88% dos
professores afirmam que se envolvem com a gestão e que concordam que a gestão influencia no
processo de ensino/aprendizagem.
Como objetivos, além de colocar em prática seus projetos, estabeleceu o objetivo de tornar a
escola um ambiente agradável e atrativo para que isso contagie a comunidade e funcione como uma
forma de ajudar a solucionar os problemas que cercam a instituição: “drogas, boca de fumo e
criminalidade”. Cumprindo este objetivo, acredita que alcançará as metas descritas nas propostas de
trabalho, que são: a diminuição da evasão em até 50% e a diminuição da repetência em pelo menos
25%, ambas até o final de 2013.
Além disso, pretende que os alunos saiam da instituição com a consciência de que podem
assumir uma vaga no mercado de trabalho de forma igual a outros e para que isso ocorra, pretende
melhorar a estrutura física da escola com a criação de um jardim, com a instalação de projetores em
três salas, a montagem de uma sala de teatro com os equipamentos necessários e a compra de
equipamentos musicais, para que assim possa transformar o colégio no que ele denomina de “usina
de conhecimento”, onde a educação formal dá espaço para um novo método que aproveita todos os
talentos presentes na escola.
Os dados desta pesquisa mostram algumas pistas que servem como evidências de que o
objetivo principal da gestão, diferentemente da encontrada no CEMSO, não é a preparação para os
exames de admissão de universidades ou de concursos públicos e sim, a valorização do ser humano
em suas diferentes aptidões e a mudança na autoestima dos alunos. O diretor afirma que um Projeto
Político Pedagógico deve ter impregnado em suas páginas a realidade que aquela comunidade vive,
sendo sensíveis às necessidades dela e sendo assim, a escola deve preparar os alunos para a vida,
e deixar que eles tomem livremente suas posições na sociedade.
13
4.2.2. Estrutura Escolar no CED 03
Apesar de ser construída em 1998, a sensação que se tem quando se faz uma visita à
instituição é de que a escola tem uma boa manutenção e de que está em excelente estado de
conservação. Esta impressão é confirmada na entrevista com o diretor, que afirma que a escola
nunca passou por uma reforma, mas que comparando com outros colégios, acha que tem uma boa
estrutura, faltando apenas um auditório para colocar o aluno em evidência, dando a oportunidade de
produzir conhecimento através de música, teatro e dança.
Os alunos (61%) concordam que a estrutura é boa, queixam-se apenas dos laboratórios
desativados, da Biblioteca, que está sem bibliotecária, de um espaço para o grêmio estudantil, da
construção de um auditório e das condições das quadras de esportes (70% dos alunos consideraramnas ruins ou péssimas). As boas condições gerais são validadas principalmente no que tange o
prédio escolar (83% consideraram-na como razoável ou boa). As salas de aula são consideradas
razoáveis ou boas (90%) assim como a sala de informática (75%).
Os professores também validam esta informação, 75% concordam que a estrutura física é
adequada para um bom aprendizado e para um bom desenvolvimento das atividades pedagógicas.
Os professores ainda afirmam que a escola oferece como auxilio no processo de ensino
aprendizagem recursos como: giz, quadro negro e quadro branco, sala de vídeo, acervo de vídeos,
vídeo cassete / DVD, projetor, alguns computadores para os professores, aparelho de som, internet,
televisor, quadras esportivas e xerox, mas acham que para a estrutura ser considerada ideal, ainda
faltam outros recursos, conforme pode ser visto no Gráfico 3.
Falta acesso dos alunos à internet
9%
Falta manutenção
9%
Falta melhorar a estrutura física
Falta melhorias na Biblioteca
27%
9%
Falta um auditório
18%
Falta uma quadra coberta
36%
Faltam laboratórios para as disciplinas
27%
Faltam profissionais
18%
Faltam recursos
18%
Faltam salas informática
9%
Gráfico 3 - Opinião dos professores do CED 03 sobre o que falta na instituição
Fonte: Elaboração própria
E se a maior queixa é uma quadra coberta, o diretor da escola tem uma explicação dizendo
que o Governo do Distrito Federal pretendia colocar a cobertura, mas a Regional de Ensino disse que
a Caixa Econômica tem um projeto para construir no espaço um ginásio e segundo ele, o projeto está
pronto, e o dinheiro já foi liberado, só não entendendo o porquê da demora na construção.
4.2.3. Clima Escolar no CED 03
Os dados da pesquisa mostram que ainda hoje existem alunos com problema de uso de
drogas na instituição. 23% dos respondentes do questionário afirmaram já terem presenciado o uso
ou a venda de drogas e 36% já presenciaram ou foram vitima de violência, sendo ela através de
agressão física, brigas, bullyng ou roubo. Completando isso, 18% afirmam já ter presenciado o porte
de armas no ambiente de ensino.
Estes dados justificam os 28% de alunos que afirmaram não se sentirem seguros dentro da
escola, e o diretor, apesar de entender que o clima na escola hoje é bom, garante que este é um dos
principais fatores que devem ser levados em consideração na criação e implementação do Projeto
Político Pedagógico da instituição. Para ele, quando o professor chega e percebe a realidade dos
alunos fora dos muros, sente a complexidade do problema e sendo assim, diz, “tudo que o colégio
puder fazer, com relação às verbas, ao PPP, a linha pedagógica, a atuação dos professores e a
postura da direção tem que estar vinculada com este problema”, já que se esta realidade for
14
transformada dentro da instituição, “lá fora também a coisa muda, você não pode dar mão de obra
barata para traficante”.
No entanto, apesar do clima parecer difícil, 75% dos seus professores afirmaram nunca terem
sido vitimas de violência física, que não tiveram problemas com suas atividades por licenças
relacionadas a doenças como estresse, síndrome do pânico ou depressão, que em pesquisas são
apontadas como resultados de um clima escolar ruim, e, em sua grande maioria, consideram a
segurança da instituição de razoável a excelente. Para eles (75%) o clima afetivo emocional do
professor para com os alunos, na instituição, pode ser considerado o ideal.
4.2.4. Obstáculos, desafios e Facilitadores
Assim como no CEMSO, no CED 03 também foram identificados outros fatores que
influenciam no seu desempenho ou que estão ligados ao que foi descrito nos tópicos citados acima.
O Quadro 05 cita resumidamente estes fatores considerados como obstáculos.
Obstáculos
• Assim como no CEMSO, a constante troca de professores é apontada como um
obstáculo a ser enfrentado.
• Outro obstáculo apontado leva em consideração a quadra, que em dias de sol
forte castiga os alunos e que em dias de chuva se torna inviável.
• Falta de envolvimento dos pais.
• Liberdade para desenvolver projetos.
• Desinteresse do governo.
• Falta de interesse dos alunos, apontado por 40% dos professores.
• Metodologia de aprovação inadequada, apontada por 47% dos professores.
• Os governantes que alteram o modelo pedagógico a cada eleição. “A escola
pública não pode ser como um laboratório tem que ter continuidade”.
• O difícil relacionamento com os professores; a dificuldade em implementar
mudanças que necessitem de alterações no cotidiano do docente.
Quadro 4 - Obstáculos enfrentados no CED 03
Fonte: Elaboração própria
Diretor
Professores
Alunos
Personagem
O Quadro 06 lista os desafios da instituição.
Alunos
•
•
Incluir mais tecnologia nas aulas.
Trazer professores para os laboratórios.
Professores
Desafios
•
•
•
•
Atingir o nível básico de aprendizagem.
Combater a evasão escolar.
Envolver os alunos: apontado por 50% dos professores.
Integrar novas tecnologias / metodologias: apontado por 31%.
Diretor
Personagem
• Construir com a comunidade e implementar um Projeto Político Pedagógico que
torne a escola uma usina de conhecimento, erradicando a evasão e transformado
a comunidade.
• Conseguir verbas básicas para as transformações deste PPP.
• Mudar a cultura, presente na comunidade, de que os alunos não têm condições
de passar nos processos seletivos, como por exemplo, o vestibular. Segundo o
diretor boa parte dos pais dos estudantes só cursou até a 4ª serie e entendem
que o Ensino Médio é mais do que suficiente.
• Alterar aspectos da legislação que garantem a estabilidades de professores
descompromissados com a educação.
Quadro 5 - Desafios do CED 03
Fonte: Elaboração própria
E por fim, os facilitadores, ou quais exemplos em solução de problemas a escola pode indicar
para outras instituições, são apresentados no Quadro 7.
Personagem
Facilitadores
Professores
15
45% afirmaram que não existe nenhuma experiência de solução de problemas na
escola que pode ser usada como exemplo para outras instituições. O restante citou o
trabalho em equipe, o PPP da escola, a contribuição dos pais, a criação de projetos
culturais e esportivos e a inclusão dos alunos com necessidades especiais.
Diretor
• Projetos que fujam da pedagogia tradicional, por exemplo, investir em músicos, em
peças, oficinas de arte. O diretor cita seu próprio projeto de teatro, que, segundo
diz, deu bons resultados quando o aluno tinha que estudar obras clássicas da
literatura.
• A utilização dos laboratórios reproduzindo fórmulas ensinadas nas salas.
Quadro 6 - Facilitadores apontados no CED 03
Fonte: Elaboração própria
5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A melhora das condições de vida e, como exposto na parte introdutória do estudo, do Índice
de Desenvolvimento Humano dos brasileiros, passa pela transformação da educação oferecida nas
escolas públicas. Esta pesquisa teve como um dos objetos do estudo o Ranking do ENEM, que
proporcionou a escolha de duas instituições de ensino para que se pudessem investigar fatores
ligados a Gestão Escolar. Os resultados aqui são descritas de forma resumida os resultados desta
pesquisa forma descritos de forma resumida neste artigo – uma síntese de entrevistas realizadas com
os gestores e de respostas obtidas em 284 questionários, aplicados a alunos e professores das
escolas públicas CED 03 e CEMSO, do Distrito Federal.
Os resultados que esta pesquisa apresenta mostram que primeiramente o perfil dos alunos é
um importante fator. Considerando o bairro onde a escola está inserida e a quantidade de irmãos que
cada um possui, foi possível concluir que a situação socioeconômica indica traços na cultura dos pais
que impedem uma visão mais ampla do que a educação além do ensino médio pode oferecer. Isso
fica evidente nas palavras do diretor do CED 03 que se preocupa com a contribuição da comunidade
em torno da escola e que se preocupa com o nível de motivação dos alunos tendo em vista o futuro
profissional de cada um. Este é para ele um dos fatores a se combater já que também está ligado à
evasão. No CEMSO isto também se evidencia, já que a cultura presente na escola, de aprovação nos
vestibulares, faz com que pais que tenham uma visão mais ampla sobre a educação e melhores
condições, procurem a escola para seus filhos e durante o período, participem de forma mais ativa da
vida escolar de seus filhos.
O perfil destes alunos também está ligado a outro importante fator identificado: o clima
escolar. O clima escolar quando ruim desmotiva professores e alunos, dificulta o aprendizado e
contribui para a evasão, quando bom, permite tranquilidade para que sejam possíveis a execução das
atividades pedagógicas e consequentemente dos objetivos que cada instituição busca. Nas duas
escolas este fator não se mostra como bom, tanto é que as duas instituições se preocupam com isso.
Porte de arma, a venda e o uso de drogas e assaltos não deveriam ser assuntos presentes dentro
das instituições de ensino, já que isso, de certa forma, gera uma disputa, entre a instituição e o crime,
para conseguir o envolvimento dos alunos. E sendo assim, se a gestão da escola deveria se
preocupar com questões pedagógicas, este fato a faz traçar outras metas.
Não foi identificado na pesquisa se o perfil dos professores influi quando há desinteresse na
função ou quando não existe vocação para esta atividade, mas a experiência de sala de aula,
atrelada ao tempo que se leciona na instituição interfere no rendimento dos alunos. Talvez pela falta
de convívio com o que cada instituição enfrenta ou mesmo pela falta de feeling ao lidar com os
alunos.
Nas duas escolas os gestores afirmaram não possuir nenhuma experiência em gestão. Este
fator causa dificuldades na administração da escola uma vez que questões que exigem um mínimo
de conhecimento e vivência administrativa não estão amparadas pela bagagem que deveria vir em
sua formação. No CED 03, o diretor se esforça em questões que considera burocráticas, como por
exemplo, questões relacionadas a documentação da área financeira, e tem um estilo de gestão que
lembra a gerência de uma turma. No CEMSO, quando perguntada sobre suas funções no cargo, a
vice-diretora colocou que ainda ocupa um cargo de auxiliar administrativa, distante dos objetivos que
englobam a administração da escola como um todo. Possivelmente muito disso se deve ao fato de
não existirem profissionais suficientes na escola para estas tarefas, mas esta falta de experiência,
como citado anteriormente, pode atenuar os resultados que a instituição poderia alcançar.
16
Também emerge como um importante fator o Projeto Político e Pedagógico das instituições
que, como foi descrito, funciona como um guia para as ações dos gestores. A pesquisa mostra,
através de relatos dos atores indagados, que em ambos os casos, os objetivos das instituições
podem estar sendo cumpridos. No CED 03, com uma proposta mais inclusiva dos alunos na
sociedade e no CEMSO, claramente como uma porta de entrada para os alunos nas universidades.
Mostra-se importante este foco dos PPPs.
As estruturas físicas das instituições são parecidas, embora no CEMSO a aparência sugerir
certo abandono. Em ambas, o ponto negativo para professores, alunos e diretores é a falta de um
auditório, a falta de uma quadra coberta e a utilização dos laboratórios. Estes são fatores que
proporcionam obstáculos às instituições. Um exemplo disso, levando em conta a percepção da
gestão das escolas, é a colaboração destes espaços na busca de recursos. No CEMSO, o diretor
informou que esta busca ocorre através da associação de pais e mestres, através de parcerias e
através de festas.
Conclui-se que os fatores mais importantes, identificados nesta pesquisa, ligados à gestão
das escolas públicas estudadas e que contribuem para um bom resultado no ENEM, são: o perfil dos
alunos e a visão que a gestão da escola tem a respeito deles; o envolvimento de professores, alunos
e pais numa proposta pedagógica que objetiva este tipo de situação; e no caso do CEMSO, o
nivelamento por rendimento nas turmas. A estrutura, os recursos oferecidos e o clima escolar são
importantes, mas se esta comparação é feita levando em conta as escolas públicas este fator se
atenua, tendo em vista que este quadro se assemelha.
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17
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