Manual do Professor
VAMOS APRENDER SOBRE O CARVÃO
Índice
A Força do Carvão
07
Carvão Mineral
Origem
Quantidade de Jazidas
Localização
Consumo/Transporte
09
09
10
10
Usos do Carvão
Eletricidade
Calor
Aço
13
13
13
Por que Carvão?
Existe Bastante Carvão
Nós Sabemos Onde Ele Está
Nós Podemos Proteger o Meio Ambiente
15
15
16
Processos de Extração do Carvão
Retirando o Carvão da Terra
Mineração Subterrânea
Mineração de Superfície
Colocando a Terra de Volta (Recuperação)
Pessoas Que Mineram
Segurança
Consumo
O Ar
O “Efeito Estufa”
17
17
18
19
20
21
22
22
23
Do Passado para o Presente
Way Back When (Caminho de Volta)
Como o Carvão tem sido usado?
Os Ciclos do Carvão na Região Carbonífera
de Santa Catarina
Anexo 1 - Termos Técnicos
25
27
29
31
Anexo 2 - Cartilha do Aluno -Resposta dos Exercícios
Bibliografias Consultadas
A Força do Carvão
32
33
Tire um minuto para pensar sobre o que você fez esta manhã. Você acordou, talvez desligou o rádio relógio,
esticou a mão para o interruptor de luz e foi ao banheiro para lavar o rosto, escovar os dentes ou tomar um
banho quente. Você usou o secador de cabelos? Você fez ovos mexidos ou uma torrada nessa manhã? Você
usou o vídeo game, o vídeo cassete ou o computador? Se você fez alguma destas coisas estava usando a
eletricidade, um fornecimento de energia em tempo integral que a maioria das pessoas tem como garantido.
Há outra coisa que você provavelmente nunca pensou a respeito: CARVÃO MINERAL.
Qual é a ligação que o carvão tem com a eletricidade? O carvão não é parte do passado? Muita gente pensa
assim. Mas há uma ligação entre o carvão e a eletricidade. Mais da metade da eletricidade usada nos Estados
Unidos, por exemplo, vem do carvão que é queimado em usinas elétricas. No Brasil, o uso do carvão para
geração de energia elétrica é menor que 2% do total.
A queima do carvão aquece a água para criar o vapor que impulsiona uma grande turbina que produz
eletricidade. A eletricidade é transmitida para as nossas casas, hospitais, escolas, para o comércio em geral e
fábricas.
Carvão Mineral
Origem
O carvão mineral é um combustível fóssil que teve origem a partir da deposição de restos de plantas
sob a lâmina d´água, que impediu sua oxidação. Com o passar do tempo, estes depósitos foram sendo
soterrados por matéria mineral (areias, argilas,etc). Este soterramento gradativo provocou um aumento da
temperatura e da pressão sobre a matéria orgânica, expulsando o oxigênio e o hidrogênio (processo de
carbonificação), concentrando o carbono, que é a base do combustível fóssil chamado carvão mineral. Existem
quatro estágios na formação do carvão: a turfa, linhito, hulha e antracito.
O carvão brasileiro, de um modo geral, é de qualidade inferior aos carvões do hemisfério norte porque
a flora que lhe deu origem não era tão exuberante e o regime de deposição trouxe, simultâneamente, matéria
vegetal e mineral, o que deu origem ao alto teor de cinza, reduzindo seu poder calorífico. No Brasil , o carvão
mineral teve sua formação no período Permiano, há cerca de 210 milhões de anos. No hemisfério norte, de um
modo geral, os carvões são originários do período Carbonífero (há cerca de 250 milhões de anos).
Quantidade de jazidas
As reservas conhecidas de carvão mineral no Brasil - situação de 31 de dezembro de 1996 - estão
localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, num total de 32 bilhões de toneladas,
assim distribuídas: Rio Grande do Sul - 28 bilhões de toneladas, Santa Catarina - 3,3 bilhões de toneladas e
Paraná -103 milhões de toneladas. Estes dados são do Informativo Anual da Indústria Carbonífera de 1999,
Ano-Base 1998, publicado pelo MME - Ministério das Minas e Energia, através do DNPM - Departamento
Nacional de Pesquisas Minerais.
Localização
No Rio Grande do Sul, a localização das reservas iniciam no litoral Norte, até o extremo-sul do Estado: Jazida
de Morungava, Mina de Charqueadas, Minas do Leão, Mina Capané, Minas do Iruí, Mina Seival e Minas de
Candiota. Em Santa Catarina sua localização está no extremo-sul do Estado, abrangendo os municípios de
Criciúma, Nova Veneza, Forquilhinha, Cocal do Sul, Treviso, Siderópolis, Urussanga, Orleans, Lauro Müller,
Içara e Morro da Fumaça. No Paraná, os Distritos Carboníferos de Cambuí e Klabin estão localizados ao Norte
do Estado.
Consumo/Transporte
A principal utilização para o carvão mineral brasileiro é a produção de energia em usinas
termoelétricas. O principal comprador do carvão de Santa Catarina é a Gerasul - Centrais Geradoras do Sul do
Brasil, usado como combustível para geração de energia no Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, instalado
em Capivari de Baixo. O transporte do carvão é ferroviário, através da Rede Ferroviária Tereza Cristina.
Usos do Carvão
ELETRICIDADE
Se sua família usa um forno elétrico ou microondas, isto significa que você usa, em média, uma tonelada de
carvão por ano. Se o seu aquecedor de água é elétrico, são duas toneladas por ano. E outra meia tonelada é
queimada para produzir energia para a sua geladeira. São três toneladas por ano, apenas para estes três
eletrodomésticos. Isto não inclui as lâmpadas, chuveiro, secador, condicionador de ar - ou qualquer outro
aparelho que você usa.
O carvão não é o único combustível usado para produzir eletricidade. Óleo, gás natural, energia nuclear e de
hidroelétricas, e até mesmo do sol e do vento, também produzem eletricidade.
CALOR
Muitas indústrias usam carvão em suas fábricas ou nos processos de fabricação. Nos Estados Unidos, por
exemplo, a maioria das fábricas usam carvão.
AÇO
As indústrias de ferro e o aço usam um tipo especial de carvão no processo de fabricação do aço. É o carvão
"metalúrgico", principal combustível em um alto-forno, onde é fundido o minério de ferro que, junto com
outros metais, é usado no processo de fabricação do aço.
Por Que Carvão?
Você se pergunta por que é que nós ainda usamos o carvão? É uma pergunta que tem muitas respostas.
1.EXISTE BASTANTE CARVÃO
Temos muito carvão. Se nós usarmos todo o carvão que temos no Brasil na mesma proporção que usamos hoje,
há carvão suficiente para mais duzentos anos. E mesmo considerando que a energia hidráulica e a energia
nuclear podem ser utilizadas para gerar eletricidade, está se tornando mais caro e difícil se construir estes tipos
de usina.
E a respeito do sol ou outras fontes renováveis? Em alguns lugares, a força do vento, a energia geotérmica (do
calor do interior do globo terrestre), madeiras, lixo (dejetos) e tecnologias solares podem suprir energia
diretamente para casas e para o comércio. Essas fontes alternativas são espalhadas geograficamente, variam
com o clima e a estação e produzem uma energia cara.
2.NÓS SABEMOS ONDE ELE ESTÁ
Nós já sabemos onde a maior parte do carvão está localizada. Se você tem uma empresa que está procurando
por óleo ou gás natural, você pode gastar milhões de dólares tentando encontrar estes combustíveis, muitas
vezes sem êxito algum. Procurar carvão custa dinheiro, mas é mais fácil e mais barato do que encontrar óleo e
gás natural.
3.NÓS PODEMOS PROTEGER O MEIO AMBIENTE
"No início do século XX, o carvão tinha uma péssima imagem por causa da fuligem, sujeira e poluição que ele
criava. Mas, hoje em dia nosso ar está mais limpo, embora estejamos usando muito mais carvão atualmente do
que nós usávamos há 50 ou 75 anos atrás. Essa melhora existe por causa das novas tecnologias limpas de
combustão do carvão". Fonte: American Coal Foundation - Washington/EUA.
"A resposta dada pelos países desenvolvidos à equação que conjuga a legislação ambiental com a constatação
de que, dadas as imensas reservas existentes, o carvão é uma das opções mais viáveis para fazer face a
demanda energética no futuro foi o desenvolvimento de novas tecnologias. Com o apoio do governo NorteAmericano, através do United States Departament of Energy, foi estruturada uma verdadeira corrida
tecnológica em busca de soluções limpas para a exploração energética do carvão. O programa envolveu
investimentos em pesquisas na ordem de US$ 5 bilhões nos últimos dez anos e foi denominado Clean Coal
Technology Program (Programa de Tecnologias Limpas para o Carvão)". Fonte: Relatório "O Impacto do
Carvão Mineral na Economia Brasileira", da Fundação Getúlio Vargas (FGV) - 1996.
Um acordo de troca de tecnologia assinado entre os governos brasileiro e norte-americano, dia 03 de junho de
1997, em Washington/EUA, abriu novas perspectivas para o setor carbonífero catarinense. Antes, em janeiro
de 1996, o Sindicato da Indústria da Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) já havia
contratado a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que realizou um amplo estudo sobre a viabilidade econômica do
carvão catarinense, apresentando dados extremamente positivos para o setor. A partir daí, uma série de ações e
investimentos em novas tecnologias vêm sendo implementadas objetivando tornar o carvão catarinense mais
competitivo, com maior segurança e eliminando as agressões ao meio ambiente.
Processo de Extração do Carvão
RETIRANDO O CARVÃO DA TERRA
A grande despesa na mineração do carvão é sua retirada do solo. Para minerar são necessários muitos
equipamentos, muitas pessoas e um bom planejamento.
MINERAÇÃO SUBTERRÂNEA
Uma maneira de retirar carvão do subsolo é cavar um túnel ou galeria até ele. A mina pode chegar a centenas
de metros abaixo da superfície da terra. É como escavar um poço, exceto que quando você alcança o carvão,
túneis são cavados dentro da jazida de carvão. Os túneis são usados para passagem, circulação de ar e para
transportar o carvão. Para exemplificar, os túneis podem ser comparados com as ruas e o carvão como as
quadras (quarteirões) onde são construídas as casas e os edifícios.
No Brasil, a mineração subterrânea do carvão é realizada somente em Santa Catarina e no Paraná. O método
utilizado consiste na perfuração do carvão por meio de máquinas chamadas perfuratrizes de frente. Neste furos
são colocados explosivos que, detonados, desmontam o carvão na frente de serviço. Após a saída dos gases
resultantes da detonação, máquinas chamadas "MT", em algumas minas, ou "Loeder" e "Shuttle Car" em
outras, carregam o carvão até as correias transportadoras, pelas quais é levado para a superfície.
Nos Estados Unidos, a maior parte da mineração subterrânea é feita através de grandes máquinas. Uma delas é
o "Contínuos Miner" (minerador contínuo), que tem um grande tambor coberto com dentes de metal duro. O
tambor vai girando e os dentes vão quebrando o carvão que está na frente, no local onde a mineração está
sendo realizada. Esta mesma máquina tem braços que carregam o carvão para um pequeno transportador. O
carvão deste transportador é levado para dentro de carros que constantemente vão e voltam. Os mineiros
conduzem esses carros para um longo transportador de correia que leva o carvão até a superfície.
Em intervalos de poucos minutos, o "Continuous Miner" é movido para outra área e os mineiros usam uma
máquina chamada "Roof Bolting Machine", que perfura a rocha e coloca parafusos para segurar o teto. Esta
máquina perfura profundos buracos nas rochas do teto da mina onde são colocadas barras de aço para segurar
as rochas junto ao teto. Isto ajuda a fazer da mina um lugar seguro para se trabalhar.
A mais recente técnica de mineração subterrânea é o processo chamado de "Longwall" onde é usado um
tambor rotativo na máquina de extração, que se movimenta de um lado para outro através do carvão, cortandoo em camada e levando-o para fora em um transportador automático. Este tipo de mineração produz mais
carvão em menos tempo do que qualquer outro método de mineração subterrânea.
MINERAÇÃO DE SUPERFÍCIE
Outro método de minerar carvão é o "Surface Mining", também conhecido como mineração de superfície ou
mineração a céu aberto. Este método é usado quando o carvão está bem próximo da superfície, normalmente a
60 metros, ou menos, não havendo necessidade, então, de se escavar um poço. Primeiro, equipamentos pesados
retiram a camada superficial do solo, que é removida e armazenada em outro local para ser usada mais tarde no
processo de recuperação, que vai deixar a terra do jeito que ela estava antes da mineração começar. O que vai
sobrar deste material - formado de terra, pedras e restos de plantas - é chamado de "Overburden" (cobertura).
Depois, são feitos furos dentro da rocha, acima da camada do carvão, onde são colocados explosivos que
detonam a rocha. Máquinas gigantescas, como as Draglines, entram no processo movendo a terra e afastando
do local as pedras quebradas, até que uma extensa área de carvão fique exposta. Escavadeiras menores, então,
carregam o carvão para os caminhões, que levam o carvão da mina para a usina de beneficiamento, para sua
limpeza e classificação. Estes são os procedimentos usados para extração do carvão no Rio Grande do Sul.
COLOCANDO A TERRA DE VOLTA - RECUPERAÇÃO
O que acontece com a terra depois que o carvão foi removido pela mineração de superfície? O processo de
recuperação começa. A "Overburden" (cobertura) é recolocada nos mesmos buracos de onde o carvão foi
tirado. A seguir, um trator de esteiras com lâminas aplaina a terra e a camada do solo, armazenada
anteriormente, é recolocada e a área é semeada e fertilizada. Em outras palavras, é como se fosse um jardim
gigante. Em pouco tempo, esta área de terra se parece como era antes da mineração começar.
O processo de recuperação é a última fase da moderna mineração de superfície. Exemplos de recuperações
bem sucedidas estão por toda a parte, por exemplo, nos Estados Unidos. Em Ohio há um grande local de
acampamento, onde plantas e animais selvagens são preservados, onde uma vez foi uma mina de carvão. Na
Pensilvânia, um campo de golfe foi construído em uma área antigamente minerada. No Arizona, há criação de
gado pastando sobre a terra restaurada pelas companhias de carvão. Passando por estes lugares, fica difícil
distinguir qual a terra que foi recuperada da terra que nunca foi minerada.
No Rio Grande do Sul, diversas áreas mineradas a céu aberto estão completamente recuperadas, sendo usadas
para reflorestamento, pastagens e até lagos para fornecimento de água à população.
PESSOAS QUE MINERAM
Muitas pessoas, homens e mulheres, são necessárias para minerar carvão. Geólogos exploram e avaliam as
reservas de carvão. Engenheiros de Minas desenham a mina. Operadores de equipamentos altamente
especializados operam máquinas e equipamentos como a “MT”, o “Loeder”, a perfuratriz de frente,
"Contínuous Miners" (minerador contínuo), "Roof Bolt Equipment" (máquina de perfurar o teto), as
"Draglines" (escavadeiras) e os "Shuttle Cars" (carros de transporte), além de carregadeiras de carvão e
caminhões. Inspetores de segurança asseguram que as normas da empresa e do governo estão sendo seguidas.
Na oficina de manutenção, mecânicos e eletricistas trabalham nas máquinas que precisam ser consertadas. Na
superfície da mina, peritos nas áreas de recuperação e da vida selvagem acompanham o processo de
recuperação e o superintendente da mina coordena toda a operação. Esses são apenas alguns dos trabalhos
disponíveis na indústria do carvão.
"Como deve ser viver em uma cidade com mina? Você talvez já saiba, se estiver em certas partes do oeste da
Virgínia, Kentucky ou Wyoming. (Todos estes três estados mineram muito carvão nos Estados Unidos). No
passado, apenas os homens mineravam o carvão, mas, hoje, aproximadamente três mil mulheres trabalham
como mineiras. Mineiros geralmente trabalham em turnos de oito horas, algumas vezes à noite. Eles são bem
pagos e vivem como qualquer outra pessoa nos Estados Unidos. Eles dirigem carros, caminhões, compram nos
shoppings, vão ao cinema, fazem caçadas e pescarias. Eles trabalham duro e tem orgulho de minerar carvão".
Fonte: American Coal Foundation - Washington /EUA.
SEGURANÇA
Segurança é muito importante. Nas minas subterrâneas os mineiros usam muitos equipamentos para se
protegerem, como um capacete com luz à bateria para poder enxergar na mina; máscaras para filtrar a poeira,
evitando o contato com o pulmão dos operários, e botas de borracha para impedir que a umidade atinja os pés
dos mineiros. Nas minas de superfície, os mineiros usam botas, capacete e óculos de segurança.
Quando o carvão é minerado, o metano, um gás explosivo, pode ser liberado. O metano se juntou ao carvão
quando ele foi formado há milhões de anos atrás. Para se ter certeza de que a mina é um lugar seguro para se
trabalhar, grandes ventiladores movimentam o ar através da mina. Os mineiros checam o ar, a cada vinte
minutos, para se certificarem que o mesmo está circulando limpo através da mina e de que os gases venenosos
estão sendo expelidos.
Quando você aprende a andar de bicicleta, ou a dirigir um carro, há certas regras de segurança que devem ser
obedecidas. O mesmo serve para os mineiros. Eles trabalham com máquinas poderosas, eletricidade, vagões e
veículos e ferramentas pesadas. Você pode imaginar como é importante que se faça esse trabalho com bastante
cuidado. Antes de trabalhar na mina, os mineiros têm aulas para treinarem como se trabalha com segurança.
CONSUMO
Uma vez que o carvão é minerado, ele tem de ser transportado para o usuário. Trens transportam a maior parte
do carvão. É comum um trem ter, em média, 20 vagões, transportando cerca de mil toneladas de carvão em um
único carregamento. O trem viaja diretamente da mina para o usuário sem paradas. Há também outras maneiras
de se transportar carvão. Se a mina fica próxima do usuário, o carvão pode ser enviado através de caminhões
ou correias transportadoras. No extremo oeste dos Estados Unidos, por exemplo, o carvão é misturado com
água e enviado através de um duto subterrâneo, do Arizona até Nevada.
O AR
O enxofre do carvão causa poluição no ar quando o carvão é queimado. Mas o cumprimento de rigorosas leis e
a utilização de novos equipamentos e métodos de queima do carvão tem colaborado para uma enorme redução
na poluição, enquanto permite que mais carvão seja usado para gerar eletricidade. Alguns tipos de carvão têm
baixo nível de enxofre e podem ser queimados, causando pouca poluição. Outros tipos de carvão têm grandes
quantidades de enxofre, que devem ser removidas.
Existem dois tipos de enxofre. O primeiro tipo pode ser removido processando-se o carvão antes que ele seja
queimado. O segundo tipo de enxofre deve ser removido depois que o carvão é queimado. Os gases da queima
de carvão contém enxofre, que podem ser coletados por meio de um equipamento gigante chamado
"Jetscrubber" ou lavador de gases. Neste equipamento, os gases são combinados com produtos químicos que
removem a maior parte do enxofre e só depois são liberados no ar. Retirar o enxofre do carvão custa muito
dinheiro, mas é necessário para se ter um ar limpo.
Diversos novos métodos para se queimar o carvão estão sendo testados. Um deles é remover o enxofre
enquanto o carvão está queimando. O carvão é moído e combinado com pedra calcária e ar. A pedra calcária
junta-se com o enxofre enquanto o carvão é queimado, removendo o enxofre. neste caso, o "Jetscrubber" não é
necessário.
O "EFEITO ESTUFA"
O carbono contido no carvão é que o faz queimar. Alguns cientistas acreditam que o lançamento do dióxido de
carbono na atmosfera - principalmente vindos do carvão e de outros combustíveis fósseis - irá ajudar a reter
muito calor e tornar o clima da terra perigosamente aquecido por muito tempo. Outros cientistas não acreditam
nesta possibilidade ou dizem que o aquecimento do clima é causado por vários fatores complexos que nós não
entendemos totalmente. Ainda assim, outras pesquisas indicam que a terra pode muito mais se beneficiar do
que ser prejudicada pelo aumento de dióxido de carbono, fazendo as plantas crescerem mais. Ainda é preciso
mais tempo para os pesquisadores reunirem informações para esclarecerem estas dúvidas.
Do Passado para o Presente
WAY BACK WHEN (Caminho de volta)
Todo o carvão que usamos diariamente foi formado há milhões de anos. Se você prestar atenção em um
pedaço de carvão, irá perceber camadas. Se você cortasse um grande pedaço e o colocasse em um microscópio,
você poderia ver faixas amarelas, vermelhas, laranjas e pretas. O que você vê, ampliado milhares de vezes, são
minúsculos pedaços de carvão e enxofre. Isso é o que sobrou de plantas e árvores que morreram há milhões de
anos para formar carvão.
O carvão, algumas vezes, é chamado de "luz do sol enterrada". Isso se deve às plantas que originalmente
ganharam sua vida por causa do sol.
De volta à idade carbonífera ou período de formação do carvão, haviam plantas gigantes e, quando elas
morreram, a água e a lama se espalharam sobre elas. O espaço foi deixado para novas plantas. Ao longo dos
anos, camadas e camadas destas plantas foram enterradas debaixo de florestas e mares pré-históricos.
O peso destas águas e lama comprimiram as plantas, deixando uma rica camada de carbono.
Como o Carvão tem sido usado?
Os índios norte-americanos usavam carvão muito antes dos primeiros colonizadores chegarem ao novo mundo.
Índios Hopi (nome da tribo), que viviam onde hoje é o Arizona, usavam carvão para “queimar” as peças de
cerâmica que eles faziam de barro.
Colonizadores europeus descobriram carvão no extremo norte da América do Norte, durante a primeira metade
dos anos 1600. No final dos anos 1700, pequenas minas na Pensilvânia, Ohio, Kentucky e oeste da Virgínia
forneciam carvão para ferreiros e fabricantes de ferro.
A Revolução Industrial representou o maior impulso na expansão do uso do carvão. Este período começou na
última parte dos anos 1700, quando as pessoas começaram a desistir da agricultura para trabalhar nas fábricas.
Um inglês chamado James Watt inventou um motor a vapor, que tornou possível para as máquinas fazerem os
trabalhos que homens e animais faziam antes. Watt usou carvão para fazer o vapor impulsionar o seu motor.
A Revolução Industrial estendeu-se nos Estados Unidos durante a primeira metade dos anos 1800. Até então, o
carvão havia sido usado não somente para a produção, mas também para o transporte. Navios a vapor e
ferrovias a vapor se transformaram nos principais meios de transporte, usando grandes quantidades de carvão
em suas caldeiras.
Na segunda metade dos anos 1800 o uso do carvão continuou a crescer. O carvão foi usado durante a guerra
civil para a fabricação de produtos e armas de fogo. A indústria do coque (carvão é utilizado para fazer coque,
o ingrediente básico para a fabricação do aço) começou durante este período. Em 1875, o coque substituiu o
carvão vegetal como produto principal para as fornalhas. Nesta época, também o óleo e o gás usados para
iluminação eram produzidos a partir do de carvão. Mas, foi após 1880 que geradores de vapor iniciaram a
produção de eletricidade com base na queima do carvão.
Durante os anos de 1900, e principalmente durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a demanda por
carvão aumentou. No entanto, durante a Depressão de 1930, quando a economia não ia bem, a demanda caiu.
Após a Segunda Guerra Mundial, o uso do carvão caiu enquanto um grande suprimento de óleo e gás foi
descoberto e utilizado nos Estados Unidos. Casas que usavam carvão para aquecimento passaram a usar óleo e
gás natural. Locomotivas também mudaram para diesel.
Em 1973, entretanto, o Embargo do Óleo, ou Crise do Petróleo, teve um impacto significativo no uso do
carvão. Os Estados Unidos haviam se tornado muito dependentes do fornecimento de óleo estrangeiro. Com o
Embargo do Óleo esses suprimentos foram cortados. O resultado foi um esforço nacional para reduzir a
quantidade de óleo do exterior consumido pelos americanos e depender mais das fontes de energia que
poderiam ser encontradas nos Estados Unidos. A América outra vez se voltou para o carvão. A constatação de
que, dadas as imensas reservas existentes, o carvão era uma das opções mais viáveis para fazer face a demanda
energética, o United States Departament of Energy (Departamento de Energia dos Estados Unidos), com o
apoio do governo Norte-Americano, desenvolveu novas tecnologias em busca de soluções limpas para a
exploração energética do carvão. O programa envolveu investimentos em pesquisas na ordem de US$ 5 bilhões
nos últimos dez anos e foi denominado Clean Coal Technology Program (Programa de Tecnologias Limpas
para o Carvão)".
Em 1974, os EUA mineraram cerca de 600 milhões de toneladas de carvão. Atualmente, mineram
aproximadamente 1 bilhão de toneladas, sendo o carvão a sua maior fonte de energia. Usinas Elétricas
(Termoelétricas) usam o carvão para gerar eletricidade; indústrias utilizam para aquecimento e na fabricação
de produtos; a indústria do aço usa carvão para fazer o coque e outros países usam para suprir as suas
necessidades de energia.
Os Ciclos do Carvão na Região Carbonífera de Santa Catarina
Em Santa Catarina, o início das atividades carboníferas aconteceu no final do Século XIX, realizadas por uma
companhia britânica que construiu uma ferrovia e explorava as minas. Em 1885 foi inaugurado o primeiro
trecho da ferrovia Dona Tereza Cristina, ligando Lauro Müller ao Porto de Imbituba, e chegando, em 1919, a
São José de Cresciúma. Como o carvão catarinense era considerado de baixa qualidade, sua exploração não
despertou muito o interesse por parte dos ingleses. Diante desse quadro, o Governo Federal repassou a
concessão para indústrias cariocas, destacando-se, inicialmente, Henrique Lage e, depois, Álvaro Catão e
Sebastião Netto Campos.
Com a queda da compra do carvão importado, durante a Primeira Guerra Mundial, o produto catarinense
assistiu seu primeiro surto de exploração, época em que foram ampliados os ramais ferroviários no Sul do
Estado e inauguradas novas empresas mineradoras. Em 1917 entra em operação a Companhia Brasileira
Carbonífera Araranguá (CBCA) e, em 1918, a Companhia Carbonífera Urussanga (CCU). Na década seguinte,
em 1921, surgem a Companhia Carbonífera Próspera e a Companhia Carbonífera Ítalo-Brasileira e, em 1922, a
Companhia Nacional Mineração Barro Branco.
O segundo surto veio na década de 30 no Governo Getúlio Vargas, com decreto nº 21.084 determinando o
consumo do carvão nacional e com a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A
obrigatoriedade da utilização do carvão nacional foi estabelecida em 10% em 1931, aumentando esta cota para
20% em 1940. A CSN foi construída em 1946.
Nos anos 40 e 50 várias minas operavam na região e pertenciam a pequenos proprietários locais, grandes
empreendedores cariocas e uma estatal, a Companhia Próspera, subsidiária da CSN. Ao longo dos anos 60
ocorrem profundas mudanças no setor e, no início dos anos 70, estavam em atividades apenas 11 mineradoras,
a maioria pertencente a empresários locais.
O último boom do setor foi com a crise do petróleo em 1973, com as atenções voltadas novamente para o uso
do carvão nacional. No início da década de 90 o setor é desregulamentado por decreto do Governo Federal,
mergulhando toda a região sulcatarinense em profunda crise.
O início de uma nova fase de desenvolvimento da atividade carbonífera no Sul do Estado se avizinha com a
implantação de um parque térmico na região. Estudos técnicos vêm sendo realizados com base em tecnologias
avançadas já desenvolvidas nos Estados Unidos. O trabalho tem envolvido as empresas mineradoras da região
que, nos últimos cinco anos, priorizaram políticas de recuperação e proteção ambiental, de segurança e saúde
do trabalhador e investimentos na qualificação tecnológica das minas.
ANEXO I - Termos Técnicos
Antracito - o mais denso dos carvões fósseis, negro, de brilho vítreo e grande poder calorífico
Coal - carvão
Coal Miners - pessoal que trabalha em uma mina de carvão, mineiros.
Coal Power Plant - Usina Térmica a Carvão
Coal Reserves - reservas de carvão
Continuous Miner - equipamento utilizado no subsolo para remover ou cortar a camada de carvão
Dragline - grande máquina utilizada em minas a céu aberto para remover a cobertura e camada de carvão
Environment - meio ambiente
Fossil fuels - combustíveis fósseis
Hulha - carvão fóssil, muito empregado na indústria como carvão-de-pedra
Linhito - Carvão fóssil da era terciária ou secundária, com vestígios de organização vegetal
Loader - carregador
MT - pequena carregadeira usada no subsolo
Miners - mineiros
Run-of-mine - carvão bruto
Shuttle Car - carregadeira utilizada no subsolo para transportar o carvão do Continuous Miner até a
correia transportadora
Turfa - espécie de carvão fóssil, resultado da fermentação de musgos e plantas aquáticas. Constitui a primeira
fase da formação dos carvões minerais
ANEXO II - Cartilha do Aluno - Respostas dos Exercícios
Página 4:
1.Há milhões de anos, pântanos cobriam grande parte do Sul do Brasil. Muitas árvores gigantescas nasciam
aqui.
2.Quando as plantas morreram, elas foram sendo cobertas por terra, areia e muita lama. Depois um material
esponjoso chamado turfa foi se formando, com o apodrecer das plantas.
3.O enorme peso das areias e das lamas sobre as plantas foi criando muita pressão e calor. Com o passar do
tempo a turfa foi se transformando em carvão.
Página 12:
1.Paraná: Figueiras
2. Santa Catarina: Criciúma, Nova Veneza, Forquilhinha, Cocal do Sul, Treviso, Siderópolis, Urussanga,
Orleans, Lauro Müller, Içara e Morro da Fumaça.
3. Rio Grande do Sul: Candiota, Butiá, São Jerônimo, Cachoeira e Charqueadas.
Página 15:
1.Eletricista
2.Mecânico
3.Operador de Máquina
4.Engenheiro de Segurança
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS:
1. Informativo Anual da Indústria Carbonífera - 1999 - Ministério das Minas e Energia
2. Relatório: "O Impacto do Carvão Mineral na Economia Brasileira",da Fundação Getúlio Vargas
(FGV) - 1996
3. Power From Coal - American Coal Foundation - Washington (EUA) - 1998
4. Documentos do SIECESC - Sindicato da Indústria da Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina
EXPEDIENTE:
Cartilha “Vamos Aprender Sobre o Carvão” - Manual do Professor é uma publicação do SIECESC - Sindicato
da Indústria da Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina - Rua Pascoal Meller, 73, Bairro Universitário
- CEP 88.805-350 - Criciúma Santa Catarina Fone 0xx 48 431 7600 - e-mail: [email protected] - Home
Page: www.satc.rct-sc.br
Diretoria:
Presidente: Ruy Hülse - Secretário Executivo: Fernando Luiz Zancan
Supervisão: Engº Fernando Luiz Zancan - Coordenação, produção e adaptação de textos: Jornalista Joice
Quadros
Colaboração: Engº de Minas Cleber Gomes (SIECESC)
Editoração Eletrônica: Continental OP - Impressão: Gráfica Santo Antônio
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Manual do Professor VAMOS APRENDER SOBRE O CARVÃO