Pró-Reitoria de Graduação Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda Trabalho de Conclusão de Curso PUBLICIDADE COLABORATIVA: UMA NOVA REVOLUÇÃO CRIATIVA NA PUBLICIDADE Autor: Guilherme Monteiro Peixoto Orientador: Profa. Msc. Raquel Cantarelli Vieira da Cunha Brasília - DF 2013 GUILHERME MONTEIRO PEIXOTO Publicidade Colaborativa: uma nova revolução criativa Artigo científico apresentado como exigência para obtenção do grau de Bacharelado em Comunicação Social Publicidade e Propaganda da Universidade Católica de Brasília. Orientador: Profa Msc Raquel Cantarelli Vieira da Cunha Brasília 2013 RESUMO A Publicidade atravessa um período de transformações em seus métodos, principalmente na criação publicitária. A consolidação da Internet na sociedade trouxe possibilidades que mudam a mentalidade de agências, profissionais do ramo, anunciantes e consumidores. O surgimento de um novo modelo de criação publicitária, utilizando princípios do Crowdsourcing, causa relevante impacto nas configurações dos departamentos das agências e nas necessidades dos anunciantes. Uma nova Revolução Criativa está acontecendo, caracterizada, pela abertura do, antes restrito, processo criativo publicitário para um número imenso de profissionais e consumidores, participantes de comunidades online que trabalham, de maneira eficiente, para resolver as necessidades de comunicação de um cliente. O presente trabalho estuda as consequências que a Publicidade Colaborativa está causando no mundo publicitário e nas configurações dos seus processos, identificando e analisando alguns dos principais atores dessa nova revolução. Para dar embasamento e uma melhor compreensão dessa mudança de paradigma, o trabalho traz um cenário de dois importantes marcos históricos para o desenvolvimento da publicidade, passando pela Revolução Criativa dos anos 60, outro relevante momento de transformações no mundo publicitário. Palavras-chave: Publicidade Colaborativa. Revolução Criativa. Criação Publicitária. Publicidade. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Campanha "Pense pequeno" da DDB para o Fusca ................................. 16 Figura 2 - Os dados da plataforma virtual da Victors&Spoils em 2012 .....................23 Figura 3 - Cena do filme da campanha No Cages para a Harley Davidson ..............24 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 6 1.1 PROBLEMA DA PESQUISA …………………………………………………………..8 1.2 OBJETIVOS ……………………………………………………………………………..8 1.3 JUSTIFICATIVA ………………………………………………………………………...9 1.4 METODOLOGIA ………………………………………………………………………...9 2 UM PANORAMA DOS MARCOS HISTÓRICOS DA PUBLICIDADE ..................... 10 3 A REVOLUÇÃO CRIATIVA DA MADISON AVENUE ............................................. 13 4 O CROWDSOURCING E A CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA ......................................... 18 5 CONCLUSÃO..........................................................................................................24 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 27 1 INTRODUÇÃO Diante do surgimento de novos modelos de comunicação, vemos uma mudança, muito importante, na produção de conteúdo, especificamente na Publicidade. A Publicidade já passou por alguns momentos de mudanças significativas, mas, talvez, nenhuma dessas mudanças tenha afetado tanto o seu modus operandi e a sua polarização de produção criativa, quanto o advento das mídias digitais. Modelos como a Publicidade Colaborativa, denominação dada à utilização do Crowdsourcing na publicidade, mudam o papel do profissional de criação diante do seu trabalho, pois agora existe o espaço para profissionais criativos de todo o mundo participarem de uma mesma campanha, sendo direcionados por um mesmo briefing, e mediados por uma plataforma na Internet, sem a necessidade de pertencerem a uma determinada agência. Esse novo sistema não exclui pessoas fora do ramo publicitário de participarem do processo criativo através dessas plataformas. Sendo assim, o próprio consumidor pode criar peças para as marcas. Estamos diante do acontecimento de mais uma revolução criativa na Publicidade. As constantes transformações que envolvem a área de criação publicitária, como o upgrade de softwares gráficos acontecendo periodicamente e o surgimento de novos desafios de comunicações fazem com que o profissional criativo tenha que se manter atualizado, rapidamente, para lidar melhor com o seu trabalho. Porém, ao contrário da dinamicidade a que o criativo é submetido atualmente, as transformações que o processo criativo na Publicidade sofreu ao longo do tempo aconteceram de forma menos rápida. Uma dessas mudanças mais significantes ocorreu no início dos anos 60, em um dos principais polos da Publicidade mundial, a Madison Avenue, em Nova York, a partir da quebra de alguns paradigmas como uma mudança cultural e étnica no perfil dos chamados Mad Men até a transformação da linguagem utilizada nos anúncios para atingir melhor o públicoalvo. 6 Com alterações importantes em alguns métodos, já sedimentados, do ramo, como a formação da dupla de criação nos departamentos das agências para criar e pensar as campanhas em conjunto, e não mais com diretores de arte e redatores trabalhando separadamente, muitas vezes em andares diferentes, a Revolução Criativa da Madison Avenue ganhou força no grande mercado publicitário de Nova York. A opção por privilegiar o uso aplicado da criatividade nos anúncios publicitários, em detrimento do pragmatismo que imperava nos departamentos de criação da época, foi a principal bandeira levantada por Bill Bernbach, o principal líder da Revolução, e seus seguidores. A Revolução Criativa que está acontecendo agora, tem protagonistas diferentes da Revolução ambientada na Madison Avenue. Assim como a organização social e a tecnologia da época, no alto da década de 60, não permitiam os avanços que a Comunicação alcançou com meios como a Internet, o papel do público no processo comunicacional, sendo apenas receptor de informação, está deixando de existir. A evolução desse papel está sendo vista através de ferramentas como o Jornalismo Participativo 1 e a Publicidade Colaborativa, que invertem os polos de informação, admitindo a ativa participação do público no antes fechado processo de produção de conteúdo. Estamos em um período muito importante de transição nos processos da Publicidade. As configurações das agências, que já sofreram várias transformações, e o papel do publicitário estão começando a tomar novas direções. O Crowdsourcing já motiva agências a transformarem seus departamentos de criação em plataformas abertas a qualquer pessoa, permitindo que elas produzam as peças dos seus clientes ao invés de atribuir essa tarefa a apenas poucos profissionais criativos, como é o modelo tradicional. Exemplos desse tipo de mudança são vistos com uma crescente frequência no ramo. Agências como a Victors&Spoils, que se denomina talhada pelos princípios da Publicidade Colaborativa, atende clientes de grande porte como CocaCola e Harley-Davidson sem possuir um departamento de criação tradicional. Todo o processo de concepção das campanhas é pensado e produzido com a ajuda de 1 Jornalismo Participativo é um termo dado à produção de conteúdo jornalístico em geral sendo gerado pelo público. O Jornalismo Colaborativo apropria-se de princípios do Crowdsourcing, como a utilização do conhecimento e da inteligência coletiva para produzir notícias e afins. 7 profissionais de criação de todo o mundo, e até mesmo de consumidores, conectados através de uma plataforma desenvolvida para absorver e aproveitar o grande volume de ideias geradas, em prol do cliente. O grande volume de ideias de campanhas expostas pelos criativos do mundo todo, participantes da plataforma da agência, para o cliente escolher e o baixo custo desse tipo de publicidade são vantagens que ele não teria se estivesse trabalhando com uma agência de publicidade convencional e o seu departamento de criação tradicional. Esse novo tipo de modelo de criação e de formato de agências chama a atenção do mercado e cria discussões sobre o futuro da Publicidade. Para melhor ilustrar as mudanças de paradigmas criativos que a publicidade vem se submetendo nos últimos tempos, faz-se relevante dar um panorama histórico, passando pelos dois marcos mais importantes para o desenvolvimento da publicidade como a conhecemos: A prensa de Gutenberg e a Revolução Industrial. 1.1 Problema da pesquisa De que forma a Publicidade Colaborativa, na condição de novo modelo de criação publicitária gerado para utilizar e aproveitar a participação de profissionais, dos consumidores e de amadores, afeta a Publicidade? 1.2 Objetivos Objetivo geral Analisar como os novos modelos de criação publicitária, admitindo a participação do público, seja ele formado por profissionais do ramo ou de consumidores, estão mudando o cenário da Publicidade. Objetivos específicos 8 Identificar os atores desta nova revolução criativa e observar os seus métodos para entender melhor o que está acontecendo com a Publicidade. 1.3 Justificativa O estudo da Revolução Criativa que, definitivamente, estamos vivendo na Publicidade se faz relevante, pois com ele, poderemos entender melhor as consequências que os meios digitais e o poder da chamada classe amadora, a partir desses meios, produziram para o ramo publicitário e para a relação de todos nós com as marcas. A viabilidade do trabalho é confirmada com o crescente material de estudo produzido a respeito do tema, e pela vontade de dar uma contribuição científica e acadêmica, diferente das já existentes, para um fenômeno tão importante e poderoso acontecendo na Publicidade. 1.4 Metodologia Panorama dos marcos históricos da publicidade Para dar um cenário de dois importantes eventos históricos para a publicidade, a prensa de Gutenberg e a Revolução Industrial, foram utilizadas pesquisa e revisão bibliográfica com livros, artigos e textos de autores com linha de pesquisa coerente com o tema. Alguns deles como Rosana Pavarino, Henry Sampson, Frank Sampson, Framk Presbey. Revolução Criativa da Madison Avenue Durante essa parte do trabalho também utilizamos a pesquisa e revisão bibliográfica com livros, artigos e textos de autores como David Ogilvy, Bill Bernbach, Mark Tungate, dentre outros. 9 O Crowdsourcing e a criação publicitária Nessa etapa do trabalho, além de, também, usar a pesquisa e a revisão bibliográfica composta de conhecedores do Crowdsourcing como Jeff Howe, utilizamos a listagem e análise dos modelos de criação publicitária que estão mudando a maneira de fazer publicidade. 2. UM PANORAMA DOS MARCOS HISTÓRICOS DA PUBLICIDADE O histórico momento em que a Publicidade começa a sair de sua fase embrionária e inicia o processo para se tornar um fenômeno de comunicação pode ser atribuído, mesmo que em uma primeira fase, à consolidação da indústria dos impressos possibilitada pelo sistema de prensa de Gutenberg no século XV. As possibilidades surgidas com as facilidades de impressão que a prensa trouxe à sociedade da época atingiram, imensamente, a produção e a reprodução do conhecimento. Para se ter uma ideia, alguns anos antes de Gutenberg colocar em prática sua mais importante obra, uma das mais renomadas instituições de ensino da época, a Universidade de Cambridge, possuía uma ínfima quantidade de livros, se comparada com a quantidade de impressos existentes na Europa alguns anos após a prensa. Em 1424, por exemplo, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, possuía apenas 122 livros – e o preço de cada um era equivalente ao de uma fazenda ou vinícola. Gutenberg conseguiu, com seu invento, suprir a crescente necessidade por conhecimento da Europa rumo ao Renascimento. A partir do feito, a informação escrita deixou de ser exclusividade dos nobres e do clero. Até 1489, já havia prensas como a dele na Itália, França, Espanha, Holanda, Inglaterra e Dinamarca. Em 1500, cerca de 15 milhões de livros já haviam sido impressos. (LINARDI, 2008) 10 O sistema de impressão de Gutenberg começaria a mudar a cadeia de produção e acesso ao conhecimento. Não era mais necessário o árduo trabalho dos escribas que, para fazer uma cópia de um livro, tinham que copiar cada página à mão e assim dificultar imensamente o acesso das pessoas ao conteúdo daquela obra, já que o custo dessa cópia se tornava exorbitante, além da baixa taxa de alfabetizados naquele tempo que agravava ainda mais a situação. Os primeiros sinais de Publicidade nos meios impressos que iam amadurecendo e ganhando popularidade na Europa foram aparecendo gradativamente. A atribuição sobre quem foi o autor do primeiro cartaz impresso com conteúdo publicitário é extensa. Mas todas as opções conhecidas e debatidas pelos estudiosos dessa fase histórica da comunicação apontam uma mudança muito importante, o livro, principal ferramenta do conhecimento na época, agora tinha viés, também, de comércio. [...] seja quem for o impressor, os temas do primeiro cartaz comercial – catálogos e folhetos de livros – chamam a atenção por apontarem a mesma mudança em curso desde que os papeleiros começaram a copiar seus próprios manuscritos: o tratamento do livro como produto comercial. (PAVARINO, 2013, p.59) O comércio em torno do livro se desenvolvia à medida em que os livreiros viam que a demanda por esse produto era promissora. Para se diferenciar e atrair mais leitores e, assim, compradores, os autores começaram a publicar suas obras nas línguas nativas e mais populares como o inglês, assim, o latim, língua em que os livros eram tradicionalmente publicados, foi sendo deixado de lado muito por conta da falta de apelo comercial para obras nessa língua. Com o passar do tempo, as mudanças feitas pelos livreiros para agradar seu público foram surtindo menos efeitos. Assim, para manter o interesse comercial sobre o produto, surgia mais uma novidade na indústria livreira: impressos, muitos contidos dentro dos próprios livros, que anunciavam os lançamentos das próximas obras. O livro se tornava ao mesmo tempo meio e mensagem. 11 [...] logo, os livreiros perceberam que a venda direta não era suficiente para suprir os custos e passaram a fazer uso de folhetos e catálogos para divulgar os lançamentos. Sob este aspecto, Mentels, Schöffer e Caxton foram todos pioneiros. Apenas em 1500, mais de 20 anos depois, outro catálogo, agora com 200 títulos, foi distribuído fora das regiões urbanas diante de uma população quase toda analfabeta (SÁNCHEZGUZMÁN, 1976). Além dos folhetos e catálogos, o livro tornou-se o seu próprio meio de divulgação, transformando-se em embalagem e produto ao mesmo tempo. ( PAVARINO, 2013, p.60) Ao compasso em que a comunicação ia se desenvolvendo através das gazetas e panfletos informativos, algumas dessas gazetas com as primeiras seções de classificados e com anúncios disfarçados de notícias, a publicidade também foi deixando de sua fase proto-histórica. A chegada de um evento histórico para a humanidade alavancou a publicidade ao seu amadurecimento. A Revolução Industrial e tudo o que aconteceu à sua volta influenciaram o mundo publicitário, ali começava a tomar forma a estrutura que vimos durante anos na publicidade. O segundo marco histórico para sua existência veio com a Revolução Industrial. A agilidade das mudanças que os processos da época foram submetidos, principalmente com o crescimento populacional e do Capitalismo, fez com que novos meios de capitalização aflorassem por necessidade de sobrevivência. Foi o que ocorreu com os jornais. Diante do crescimento da demanda e dos custos operacionais e tributários na época, em especial no Reino Unido, os jornais tiveram que recorrer a novas receitas para se manterem, daí nasce a parceria entre o veículo de comunicação e a publicidade. Anúncios publicitários equilibravam a balança comercial dos periódicos da época, permitindo o exercício da imprensa sem complicações financeiras. Com a venda dos espaços publicitários nos jornais foram surgindo protótipos das agências de publicidade. Esses escritórios faziam a intermediação entre os possíveis anunciantes e o veículo de comunicação. O teor dos anúncios era muito informativo e eram produzidos pelos próprios editores dos jornais. Mas com o tempo, as configurações desses escritórios iam mudando, ainda que sem tanta rapidez. 12 Lentamente as agências passaram a oferecer o trabalho de criação como parte do pacote de serviços do anunciante. Administrativamente, tentava encontrar uma estrutura própria. Ao final do século XIX o mercado estava mais desenvolvido e os serviços prestados pelas agências/publicidade passam a ser reconhecidos como uma necessidade. As divisões de papéis e a especialização do trabalho tornam-se essenciais e favorecem o aparecimento de anúncios mais elaborados: redatores e ilustradores passam a ser valorizados. (PAVARINO, 2013, p.89) Simultaneamente, no momento em que algumas importantes estruturas da sociedade iam se firmando, sociais e econômicas, a publicidade ia ganhando forma com o amadurecimento das agências. Algumas já desenvolviam mecanismos de cobranças, outras já começavam a dar mais importância ao departamento de criação, com esse acontecimento era marcado o início da construção da linguagem publicitária. 3 A REVOLUÇÃO CRIATIVA DA MADISON AVENUE No final da década de 1950 e início da década de 1960, a briga dos profissionais de criação sobre a maneira de se fazer publicidade era intensa: Se a história da propaganda tem um tema dominante, é esse cabo de guerra entre as duas escolas: os criativos, que acreditam que a arte inspira o consumidor a comprar: e os pragmáticos, que vendem com base em fatos e chegam armados com montes de pesquisas. (TUNGATE, 2009, p.66) A falta de cooperação entre essas duas vertentes da criação publicitária resultou nessa discussão sobre o que era melhor na hora de criar, sendo um dos principais fatores que gerou o que viria a ser chamado de “Revolução Criativa da Madison Avenue”. Esse episódio da história da publicidade foi protagonizado, primeiramente, por Bill Bernbach, um dos mais importantes publicitários da história, e sua lendária agência: a Doyle Dane Bernbach, posteriormente chamada de DDB: 13 William “Bill” Bernbach foi para a publicidade o que Philip Kotler é para o marketing. Muito de vocês podem não ter ouvido falar do seu nome completo, então eu lhes apresento o senhor Bernbach, o senhor “B” da agência mundialmente conhecida DDB. [...] Bernbach não inventou a publicidade, ele a recriou. Como a maioria dos grandes homens da história, Bill era um homem visionário, dono de argumentos poderosos — presunçosos para alguns — e que não se conformava com a mediocridade. Ele foi responsável pela revolução criativa da década de 60, criador da melhor campanha publicitária do século XX (Fusca) e provavelmente o primeiro a unir redator e diretor de arte como uma dupla criativa — antes em departamentos separados. (RIBEIRO, 2009) A DDB foi uma notória personagem na quebra de paradigma do cenário de agências de publicidade da época na Madison Avenue. Esse período se notabilizou pela existência de agências que primavam por certos estereótipos na criação publicitária e nas características de seus funcionários, refletindo uma influência cultural dos Estados Unidos naquela época, onde brancos, anglo-saxões e protestantes eram o padrão cultural ideal, especialmente na Madison Avenue: As agências de publicidade daquele tempo eram divididas por etnia. Os mad men floresceram em grandes agências protestantes como J. Walter Thompson, N.W. Ayer, a BBDO e a Ted Bates. Essas agências monopolizaram todas as grandes contas publicitárias (de fabricantes de carros, alimentos, cigarros, refrigerantes, cerveja). As outras contas – menores (confecções, calçados, roupas íntimas, pequenas lojas do varejo) – eram absorvidas por minúsculas agências de propaganda “judias”. (FEMINA, 2011, p.12) A DDB, que pregava a multi-etnicidade no seu quadro de funcionários e de ideias, foi se destacando até conseguir se infiltrar nas contas que antes só as agências maiores e monolíticas obtinham: Assim, em meados da década de 1950, uma agência de propaganda ”judia” rompeu a barreira étnica. A campanha da Doyle, Dane, Bernbach para anunciantes como a Volkswagen (“Think Small”, “Lemon” [“Pense pequeno”, “Limão”]) e para o Levy’s Bread (“You 14 don’t have to be Jewish to Love Levy’s” [“Você não precisa ser judeu para adorar o Levy”]) mudou o ramo publicitário. (FEMINA, 2011, p.12) Com esse panorama, Bill Bernbach e seus companheiros viram que a mudança na iniciativa criativa geraria resultados e impacto suficientes para mudar a visão dos clientes e das pessoas dentro da publicidade, o que realmente aconteceu. Um dos acontecimentos mais importantes da época e da história da publicidade e que consagrou a DDB, impulsionando também a “Revolução”, foi a famosa campanha da Volkswagen de lançamento do Fusca no mercado automobilístico americano. Os anúncios que trouxeram os slogans “Think Small” e “Lemon” atingiram resultados inimagináveis para um carro que tinha origem nazista e de aparência duvidável do ponto de vista do gosto americano para os carros até então. O sucesso da campanha só foi tão estrondoso porque a ideia de que a criatividade, como instrumento de persuasão na publicidade, podia também trazer ótimos resultados para seus clientes foi posta em prática nesses anúncios da DDB para o Fusca. O movimento criativo ganhou força, ditando a procura de grandes anunciantes por esse apelo aos anúncios de suas marcas. O conceito pragmático começava a ser visto como ultrapassado. 15 Figura Erro! Indicador não definido. - Campanha "Pense pequeno" da DDB para o Fusca Após a marcante campanha da Volkswagen feita pela DDB, muitas agências com o ideal de liberdade criativa foram aparecendo na Madison Avenue, a “Revolução Criativa” estava mudando o modo de pensar tanto dos publicitários como dos clientes que buscavam novas soluções para os seus produtos, alterando então, de forma muito forte, a recepção dos anúncios publicitários pelas pessoas em geral, os anúncios que tinham o teor pragmático de antes, feitos pelas grandes agências conservadoras não estavam gerando o mesmo impacto e resultado nas pessoas. O público queria ser visto de um jeito diferente pelas marcas e as novas agências aproveitaram muito bem esse desejo. A força da Doyle Dane Bernbach é relatada por Jerry Della Femina, um dos publicitários ainda na ativa que viveram a época da “Revolução”, em seu livro Mad Men – Comunicados do Front Publicitário. A Doyle, Dane, Bernbach fazia uma propaganda marcante, uma propaganda que tinha “personalidade” e respeitava a inteligência do consumidor. Vendia produtos com anúncios bem-humorados, 16 linguagem arrojada e visuais com um design característico, despojado e elegante. Abriu a porta para um tipo totalmente diferente de mad man. (FEMINA, 2011, p.13) Nomes muito importantes na história da publicidade como David Ogilvy, Mary Wells, George Lois, dentre outros, viveram esse período e tiveram participação fundamental na “Revolução Criativa”. Suas agências continuam fortes até hoje e contribuíram para tornar a publicidade em um ramo tão marcante culturalmente e economicamente na sociedade moderna. Talvez, poucos publicitários saibam que algumas estruturas do ramo começaram décadas atrás, um bom exemplo disso foi, ou é, a dupla de criação. Redatores e diretores de arte nem sempre trabalharam em conjunto, aliás, até o final da década de 1940, a maioria desses profissionais trabalhava em andares diferentes nas agências: Nas pesadas agências tradicionais, redatores e diretores de arte ainda trabalhavam em departamentos separados – muitas vezes em andares diferentes, tentando valentemente juntar imagens e palavras com pouca ou nenhuma discussão. (TUNGATE, 2009, p. 69) No Brasil, as transformações nas agências vieram através da Revolução que estava acontecendo na Madison Avenue. Uma parte do intercâmbio de ideais criativos entre os mercados americano e brasileiro aconteceu quando Alex Periscinoto, um jovem profissional do marketing da Mappin, uma grande loja de departamento da época, foi visitar a efervescente Nova York a trabalho para tomar conhecimento das últimas novidades do ramo publicitário na década de 60. Alex ficou encantado com o trabalho da DDB em uma rede de varejo da cidade, tanto que pediu para visitar a agência para conhecer de perto como era pensada a comunicação dos clientes da Doyle Dane Bernbach. Pedi para visitar a agência. Eles fizeram um bilhete e, no dia 17 seguinte, lá estava eu, na DDB. Logo que cheguei, vi umas coisas tão interessantes que foi um choque cultural. Eles estavam fazendo a campanha institucional da Volkswagen. Tinha uns anúncios inteligentíssimos. Aí eu olhei, só havia duas pessoas na sala, e perguntei como eles trabalhavam. Eles responderam que trabalhavam em duplas, um era diretor de arte, e o outro era redator. Enquanto criavam, conversavam sobre o job, e faziam literalmente juntos a campanha. (AUGUSTO, 2013, p.39) Na volta ao Brasil, Alex colocou em prática o que viu na agência americana. Chamado para trabalhar na Almap, em uma concorrência vencida por eles da conta coincidentemente da Volkswagen, Alex teve liberdade para contratar a primeira dupla de criação brasileira, o modelo de criação inovador chegava às nossas terras. Com carta branca, Alex contratou a primeira dupla de criação brasileira: Hans Damman, redator, e Armando Mihanovich, diretor de arte, que estrearam na nova função exatamente com uma campanha para a Volkswagen. O resto é história. (AUGUSTO, 2013, p.40) A propósito, hoje, várias agências têm modelos de gestão completamente diferentes. Em várias agências, o processo criativo pôde se expandir aos outros departamentos que antes eram invisíveis perante os diretores de criação do passado. Duplas, trios e comunidades de profissionais criativos contribuem para o melhor resultado de uma peça, sendo essa, uma notória contribuição dos revolucionários criativos da Madison Avenue para o mundo publicitário. Ali, pode ter começado a mentalidade que modelos de criação como a Publicidade Colaborativa necessitam para serem efetivas. 4 O CROWDSOURCING E A CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA Para a publicidade contemporânea e seus pensantes, a criatividade é uma das melhores maneiras para persuadir e atingir as pessoas, e consequentemente, os resultados vislumbrados pelo cliente: 18 Toda propaganda deve ser de resultado, seja ela criativa ou não. O que me parece é que a criatividade é um recurso que temos justamente para aumentar a eficiência do que queremos comunicar, no momento em que a nossa mensagem consegue se destacar das outras. Criatividade pela criatividade não nos interessa. Nos interessa a criatividade aplicada a um objetivo, a um resultado concreto, seja vender mais, seja aumentar a presença de uma marca na cabeça das pessoas. A gente não faz arte. A gente faz arte aplicada. (RIBEIRO; SCHUSTER, 2006, p.9) Vimos que durante um período, a publicidade era feita de forma diferente, de modo que a criatividade, em sua forma mais livre, ou seja, utilizando artifícios como o humor nos anúncios e arte, mesmo que aplicada aos resultados tangíveis, era deixada em um plano inferior de importância em detrimento de um pragmatismo criativo baseado em pesquisas sobre o comportamento do consumidor. Sendo assim, a liberdade criativa dos profissionais responsáveis era de certa forma, podada por essa tendência dos donos de agência e clientes da época. É importante salientar que o pragmatismo continua tendo sua importância com os dados necessários para entender o consumidor, porém o uso da criatividade mudou o jeito de persuadir um público-alvo, notando-se por uma notória eficiência nesse campo. O tempo passou e um mundo novo chegou com a Internet. Os antigos consumidores passivos, apenas espectadores da realidade passada pelo rádio ou pela TV deu lugar a um público intensamente participativo e sedento por interatividade e rapidez nas informações. As comunidades online foram se desenvolvendo a ponto de mudar o polo de produção de conteúdo na comunicação. Notícias sendo publicadas por leitores em jornais com boa aceitação do público, publicidade com qualidade sendo feita por consumidores foram algumas das quebras de paradigmas trazidas pelas facilidades da Internet. A era dos "prosumidores" se estabelecia, democratizando os meios de produção. Em seu livro 'A terceira onda', Alvin Toffler previu que os consumidores exerceriam maior controle sobre a criação dos produtos que utilizam, tornando-se 'prosumidores'. Em 1980, ano em que Toffler publicou o livro, a ideia mais parecia um enredo de romances de ficção científica de qualidade duvidosa. Mas sob a 19 perspectiva de 2005, o conceito pareceu de uma presciência impressionante. (HOWE, 2009, p.4) Um fator importante para o entendimento desse novo consumidor que produz e compartilha conteúdos para grandes atores do capitalismo (empresas) e da comunicação, é a emergência da chamada, e anteriormente subvalorizada, classe amadora. O amadorismo sempre existiu na sociedade, seja feito nas variadas formas de hobbies por pessoas infelizes em suas profissões que queriam fazer o que gostavam, mesmo que seja para passar o tempo, ou por curiosos insaciáveis. A Internet pode dar vida e utilidade a uma vontade que muitos fotógrafos, cientistas, designers, dentre outros grupos de amadores possuíam: fazer o que gostam e serem recompensados por isso, financeiramente ou de outras formas também empolgantes para quem produzia. Comunidades online dos mais diversos tipos foram criadas e cresceram com indivíduos com essas necessidades. O crowdsourcing acaba se caracterizando por ser um grande facilitador desses anseios, uma válvula de escape com recompensas para um enorme grupo de amadores. [...] um grande número de pessoas desempenha sua atividade mais significativa e compensadora fora do local de trabalho. O crowdsourcing surgiu organicamente para capitalizar os valores econômicos criados pela classe amadora, e à medida que mais e mais pessoas têm uma educação superior, inadvertidamente treinamos não-profissionais para concorrer de igual para igual com os profissionais. Será por isso, por causa desse ambiente, que o "profissional" nunca esteve tão desacreditado e o amador bem aceito? Pessoas que alguma vez pensaram 'eu poderia fazer o trabalho daquele cara' estão agora provando sua convicção. (HOWE, 2009, p.32) A classe amadora ganhava força. Empresas se interessavam cada vez mais pelas comunidades online cheias de pessoas com bom conhecimento e enorme vontade de fazer o que gostam. Trabalhos que antes eram feitos por um pequeno grupo de especialistas e duravam demasiado tempo, às vezes sem terem solução, eram experimentados nas comunidades de amadores na Internet. 20 Comunidades com pessoas interessadas por variadas áreas ganhavam mais credibilidade. A InnoCentive, por exemplo, comunidade online baseada na colaboração para resolver problemas ligados à Ciência, oferece a sua talentosa base de cientistas "amadores" a grandes empresas. Entre os clientes da InnoCentive estão empresas que figuram na lista da Fortune 500, como a Procter & Gamble (P&G), DuPont e BASF. Quando equipes internas não conseguem resolver um problema, repassam-no para os 140 mil cientistas de mais de 170 países que visitam regularmente o site da InnoCentive em busca de trabalho. A maioria das recompensas pagas a quem encontrar uma solução gira em torno de $10 mil a $100 mil, nas como rapidamente destaca Spargetta, membro da comunidade, o dinheiro não é o motivo. (HOWE, 2009, p.35) Existem, hoje, um crescente número de comunidades com modelos marcados pelo crowdsourcing atuando na publicidade, em especial na criação de campanhas publicitárias. O "prosumidor" ganha poder de produção na publicidade na medida em que as empresas percebem que a participação dos seus clientes na criação dos seus anúncios pode aproximá-los ainda mais dos seus produtos. Ao abrir espaço para a publicidade colaborativa, as instituições esperam receber contribuições de consumidores que, de modo voluntário, pensam sobre a imagem da instituição, como vender determinado produto ou como promover eventos. (WITZI, 2009, p.11) Apesar do novo papel do consumidor na publicidade, admitindo trabalhos antes exclusivamente feitos por profissionais do ramo, a contribuição mais forte e polêmica do crowdsourcing para a publicidade é o aparecimento de agências dispostas a utilizar comunidades online com pessoas criativas, publicitários ou não, podendo até trabalharem para outras agências de modelo tradicional, para substituir o seu departamento de criação. Acreditando-se assim, que um grande número de 21 pessoas criativas empenhadas em usar sua criatividade para resolver um problema de comunicação de um cliente é mais eficiente do que deixar esse mesmo problema na mão de publicitários, trabalhando em agências de modelo tradicional. O caso mais significativo dentro do cenário de agências substituindo o departamento de criação por plataformas online alimentadas por criativos é a Victors&Spoils. A agência já atendeu ou atende contas como Harley Davidson, Coca-Cola e outros grandes anunciantes que foram atraídos pelo novo sistema de criação publicitária. O modelo usado pela Victors&Spoils é configurado, de forma resumida, da seguinte forma: um cliente solicita um serviço de comunicação à agência, digamos que seja um nome para um novo produto que entrará no mercado em breve. A equipe do atendimento leva o briefing aos responsáveis pela mediação da plataforma de criativos que o lança para as milhares de pessoas dispostas a criar para aquela demanda de comunicação através da Internet. As ideias são enviadas para a equipe mediadora, que filtra os resultados e acompanha mais de perto o desenvolvimento conceitual do produto de comunicação proposto. Os melhores resultados são levados ao cliente e ele dá o seu veredito. O autor da ideia escolhida é pago pelo seu trabalho e tem os direitos autorais respeitados nas peças a serem veiculadas, já os demais participantes ganham outros tipos de recompensas como reconhecimento dentro da plataforma através de alguns mecanismos de reputação. 22 Figura 2 – Os dados da plataforma virtual da Victors&Spoils em 2012 A grande vantagem vista pelas empresas está no fato de que um grande grupo de pessoas criativas, organizado e mediado por profissionais da Victors&Spoils, fazendo a análise das informações contidas em um briefing, pensando, discutindo e encontrando o melhor conceito para a campanha é uma maneira amplificada e, talvez, mais barata e eficiente se comparada com o que acontece com o modelo de criação tradicional. Dois ou três criativos, de qualidade comprovada pelo mercado, e por isso com preço mais elevado, trabalhando o melhor jeito de atingir determinado objetivo de comunicação de uma empresa pode parecer ultrapassado, quando olhamos para a eficiência dos resultados obtidos pela plataforma da Victors&Spoils. 23 Figura 3 – Cena do filme da campanha No Cages para a Harley Davidson A lógica para os anunciantes, que colocam suas contas acreditando no potencial dos criativos participantes da plataforma da Victors&Spoils, pode residir na máxima popular: muitas cabeças, quando bem guiadas, pensam melhor do que uma para resolver os seus problemas de comunicação. 5 CONCLUSÃO Traçando uma análise do contexto histórico dos períodos em que a publicidade deu seus maiores saltos para se desenvolver, vemos a força da comunidade também sofrendo mudanças, evoluindo. Simultaneamente ao período em que Gutenberg colocava sua obra-prima em prática, a sociedade do século XV demandava vontades por mais conhecimento, muito restrito antes das facilidades da prensa. Gutenberg atendeu a um crescente desejo da comunidade, fazendo com que sua invenção tenha ganhado força para se desenvolver e evoluir. 24 A importante participação da comunidade na economia, com o fortalecimento das redes sociais que existiam e, consequentemente, na publicidade, é notada durante a Revolução Industrial. Sua mutação implicou em novos valores para o capital social da época. A Revolução Industrial, indiscutivelmente, mudou a natureza da comunidade. Como a empresa tornou-se a estrutura que definia a atividade econômica, as comunidades foram elevadas – e reduzidas – a um papel fora da economia mensurável, tornando-se pólo de de bazares beneficentes, clubes de bridges, associações de pais e mestres, divisões dos clubes Rotary e, claro, ligas de boliche. Mesmo nessas novas formas, a comunidade continuou contribuindo para a economia, mas de maneiras difíceis de identificar, que dirá quantificar. Assim como as empresas organizam o capital físico e humano, a comunidade formou a base para o capital social. (HOWE, 2009, pag. 103) Durante os anos em que aconteceu a Revolução Criativa da Madison Avenue, a comunidade era tomada por paradigmas sociais. Como já foi citado no trabalho, estereótipos culturais chegavam a influenciar o perfil de quem trabalhava nas maiores agências de publicidade da época. Para mudar essa realidade geral, uma forte movimentação de “Contra-cultura” se manifestou e deixou marcas em muitos ramos da sociedade. A mulher ganhava mais liberdade, a arte expressava as mudanças sociais e isso influenciou deu fôlego para os ideais criativos de Bill Bernbach, George Lois e companhia. A Revolução Criativa dos anos 60 partiu da resposta da comunidade aos costumes antiquados que atrapalhavam a evolução da sociedade, numa visão mais ampla. A força da comunidade é inquestionável e muitas vezes deu amostras desse poder. Porém, com o advento da Internet ela se readaptou e evoluiu para um patamar em que distâncias não são mais tão relevantes e pessoas de todo o mundo se aproximam por afinidades, mesmo que virtualmente. O reflexo de todas essas transformações é traduzido no Crowdsourcing e por consequência, nos novos modos de criação publicitária. É incerto afirmar que a Publicidade Colaborativa será uma forma ferozmente hegemônica nos processos criativos publicitários. Contudo, seu surgimento significa 25 mais do que apenas um novo jeito de atingir os objetivos de comunicação dos anunciantes com seu público-alvo. Ela representa uma relevante mudança cultural, uma quebra de paradigmas dentro da sociedade, e especificamente, no coração do ramo publicitário. O processo criativo está mais aberto e seus tradicionais atores: redatores e diretores de arte profissionais, agora precisam se adaptar à entrada dos novos protagonistas como consumidores, freelancers ou apenas pessoas sem aparente ligação com a publicidade, mas que possuem virtudes e vontade de exercer o papel de criativos. 26 REFERÊNCIAS AUGUSTO, Regina. No centro do poder. 1. ed. São Paulo: Virgiliae, 2013. 279p. FEMINA, Jerry Della. Mad Men - Comunicados do Front Publicitário. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Record, 2011. 287p. HOWE, J. O poder das multidões. 1. ed. São Paulo: Campus, 2009. 277p. LINARDI, Fred. Guia do Estudante. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/prensa-gutenberg435887.shtml> Acesso em: 14 mai. 2013 PAVARINO, Rosana Nantes. Panorama histórico-conceitual da Publicidade. 2013. 164f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Universidade de Brasília, Brasília, 2013. RIBEIRO, J.; SCHUSTER, M. A. Jovens criativos. 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