+ Entrevista:
Especialista em inovação da Fiat
analisa consumo de alumínio
+ Componentes:
ABS obrigatório abre caminho
para nacionalização de
subcomponentes de alumínio
Especialista em inovação da Fiat analisa consumo de
alumínio
Para Paulo Matos, aumento da participação do alumínio depende de demandas mais
rigorosas por redução nas emissões de gases poluentes
+ Transporte:
Tecar substitui aço por alumínio
na fabricação de plataformas
guincho
A Fiat do Brasil superou a matriz italiana em
+ Na linha de montagem:
Novo motor Sigma pesa 15 kg a
menos que Zetec RoCam em
ferro fundido
produção global de automóveis da montadora.
+ Tecnologia:
Alumínio de alta resistência para
trilhos de assento
internacionais – notadamente na Europa e nos
volume de produção de automóveis. O feito
inédito dá à filial uma posição de destaque na
Apesar disso, o fator peso, hoje considerado
crítico nas áreas de projeto das fabricantes
Estados
Unidos
–
ainda
não
é,
no
Brasil,
alarmante.
+ Inovação:
Protótipos Baja fazem uso
intensivo do alumínio
A visão é de Paulo Matos, especialista em
inovação
da
aproximarmos
Fiat
Automóveis.
radicalmente
da
“Quando
fronteira
nos
de
reduções de emissões, em que o peso passará a ter mais valor, o alumínio terá um potencial
muito grande para aumentar sua participação no mercado automobilístico”, diz. Nessa
entrevista, Matos fala sobre as tendências e desafios da ampliação do uso do alumínio no
desenvolvimento de projetos automotivos.
Aluauto - Durante sua apresentação no Simpósio de Novas Tecnologias, realizado
pelo SAE (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), o senhor frisou a necessidade
de a indústria nacional sair de uma mentalidade local e agir conforme uma lógica de
competitividade global. Tendo em vista que o uso do alumínio automotivo é uma
tendência real no mercado internacional, as montadoras brasileiras tendem a ampliar
a aplicação do metal não ferroso?
Paulo Matos – Aumentaremos o volume de alumínio aplicado a peças automotivas quando
tivermos, por aqui, uma demanda muito grande de performance diferenciada e de peso.
Quando nos aproximarmos radicalmente da fronteira de reduções de emissões, em que o peso
passará a ter mais valor, o alumínio terá um potencial muito grande para aumentar sua
participação no mercado automobilístico. Competitividade pode ser traduzida como uma
equação de valor sobre custo. Quando o peso aumentar o seu valor, talvez o custo alumínio
seja mais competitivo. E no Brasil de hoje existe um embate grande à ampliação do uso do
alumínio que é o fator custo.
E se essa demanda radical por redução de peso não está acontecendo no Brasil agora
– ao contrário dos países europeus e norte-americanos – quando o mercado
automobilístico brasileiro irá despertar para essa realidade?
Não me arriscaria a dizer um prazo, mas estamos nos aproximando cada vez mais desse
cenário. Redução de peso significa redução de consumo de combustível e de emissão de
poluentes. Mas existem várias tecnologias que diminuem o peso e competem entre si. E essas
tecnologias competem mesmo, literalmente, ou seja, a empresa avalia qual das soluções de
mercado oferece mais com menor custo.
Na Fiat, quais têm sido as tecnologias avaliadas?
Hoje trabalhamos muito com eletroeletrônica, projeto de motor, soluções de plataforma, de
carroceria, de mecânica. Mas assumo que a redução de peso é um trabalho que temos ainda
muito a caminhar. O presidente da Fiat costuma dizer que hoje produzimos um carro que
pesa mil quilos e carrega quatrocentos quilos, quando muito. Precisamos inverter essa
equação e, sem dúvida, a utilização do alumínio pode ser uma solução importante nessa
inversão. Mas, para isso, a indústria fornecedora também tem uma curva a ser percorrida para
ser mais competitiva.
Hoje a Ford, a Honda e a Peugeot, só para citar algumas montadoras, fabricam bloco
de motor em alumínio. Mas a Fiat, ao contrário, continua apenas com cabeçote de
alumínio. Agora que a Teksid reabriu a fundição de alumínio, vocês planejam
competir em pé de igualdade com as montadoras concorrentes, nesse sistema?
Não saberia te dizer especificamente o motivo da não aplicação do alumínio no bloco de
motor, em comparação a outras tecnologias. Isso teria que ser respondido pelo diretor da área
de powertrain. Mas posso te adiantar que, sim, estudamos a utilização do alumínio e a
fabricação de blocos em alumínio.
O senhor disse que a Fiat estuda construir, no Brasil, um Centro de inovação similar
ao da matriz, na Itália. O que tem sido feito nesse sentido?
Hoje temos um centro de desenvolvimento estruturado aqui no Brasil, mas o próximo passo
para desenvolvermos inovação no Brasil é trazer um centro de desenvolvimento ainda mais
amplo. Obviamente isso é um investimento muito alto porque, para implantar esse centro, é
preciso ter volume de pesquisa. Por isso, uma das coisas que estamos pensando em fazer é,
primeiramente, fomentar vários projetos de pesquisa no Brasil, colocar a universidade para
trabalhar junto com meus fornecedores, montar um projeto, depois outro e outro até ter uma
massa crítica de projetos. Só aí valerá a pena, então, abrir uma casa para abrigar esses
projetos todos. É um caminho longo, mas estamos nos planejando para isso.
Uma
curiosidade:
essa
edição
do
Aluauto
traz
uma
reportagem
sobre
a
obrigatoriedade de implantação de sistemas de freio em veículos novos. Essa
determinação pode inviabilizar a produção do Fiat Uno, em termos de custo?
Ainda não sei se inviabiliza, mas tem um impacto grande. Aplicar esses componentes ao Fiat
Uno Mile é possível, mas obviamente exige modificações e, aí, precisaremos repensar se vale
a pena manter a fabricação do modelo.
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