ANO 2 - Nº 15 • Edição Mensal - Julho/2014 • O Jornal de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia Beto Lazai • Distribuição gratuita. Venda Proibida. CADERNO DE RECEITAS A nova sessão do Canal SRL Pág. 9 Promoção da Saúde Inverno e infecções respiratórias; o que fazer? “O homem que nunca foi para uma coisa só” Pág. 14 Especial Pág. 12 As conquistas da população e as opções dos gestores municipais Pág. 2 2 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Reportagem ESPECIAL Mariza Vandresen Haja combustível e manutenção Investir no presente ou no futuro? Visão de curto ou de longo prazo? Essa é uma discussão importante quando se pensa a gestão dos 5.570 municípios brasileiros. Um sistema de eleições e uma tradição política baseada na troca de favores (os serviços públicos pelos votos) leva os políticos a optar geralmente por um olhar no imediato. Afinal, eles estão de olho é no próximo pleito e no que prometeram a seus “amigos”. Constata-se, ao mesmo tempo, uma postura republicana dos governos federal e estadual – pelo menos no caso de Santa Catarina. Isso significa que todos os municípios, independente de que partido e de que pessoas os administram, recebem recursos financeiros e materiais. Dizendo de outra forma, o que vem para o município não é uma conquista de seus prefeitos, mas das suas populações. Muito tem se falado sobre os “veículos” que Santa Rosa de Lima vem recebendo. Entender a origem deles e a destinação que devem ter é, por isso, importante para os santarosalimenses. Esta é a tarefa à qual a reportagem do Canal SRL se dedicou nesta edição. Não é um trabalho pronto e deve servir como um estímulo à reflexão. Recursos Federais Santa Rosa de Lima faz parte dos 5.061 municípios brasileiros com até 50 mil habitantes que foram contemplados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2 Investimentos). A partir de antigas reivindicações dos gestores municipais e das organizações em torno da agricultura familiar para a melhoria de estradas rurais, o governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) repassa a cada uma destas prefeituras um kit com um caminhão basculante, uma retroescavadeira e uma motoniveladora. O ministro Miguel Rosseto esteve em Santa Catarina para fazer a entrega de motoniveladoras para os 76 municípios restantes no Estado. Santa Rosa de Lima estava entre eles. Em seu discurso, lembrou: “A presidenta Dilma diz sempre para todos nós: “Lembrem-se, ministros e ministras, o Brasil não começa em Brasília. O Brasil começa nos municípios do Brasil”. Para o campo... O Governo Federal investiu cerca de R$ 5 bilhões na aquisição de mais de 18 mil máquinas, todas produzidas na indústria nacional. São beneficiadas 91% das prefeituras do país. Em Santa Catarina, são 269 municípios contemplados, totalizando 807 equipamentos. Eles devem ser obrigatoriamente destinados à recuperação de estadas rurais. Os equipamentos são todos doados aos municípios. “Nós estamos transferindo patrimônio público federal para o patrimônio público dos municípios. São máquinas novas com a melhor qualidade e com a melhor tecnologia embarcada. E são todas máquinas produzidas no Brasil. Portanto, ajuda o campo e Motoniveladoras entregues a todos os municípios com menos de 50 mil habitantes. ajuda a cidade. Valoriza o trabalho agrícola e valoriza o trabalho industrial do nosso país”, afirmou o Ministro Rosetto. ... e para a agricultura familiar O objetivo do programa é melhorar as estradas para escoamento da produção, beneficiando quem produz e assegurando alimentos mais baratos e mais saudáveis na mesa do consumidor. Ao mesmo tempo melhorar as condições para o transporte escolar. Ele pretende, ainda, evitar a erosão da terra e a degradação do meio ambiente, incrementar o turismo rural além de contribuir com a redução dos gastos das prefeituras. Na entrega dos equipamentos Miguel Rosetto destacou o papel estratégico que eles precisam ter: “Estamos falando de uma estratégia de desenvolvimento rural e nós temos absoluto acordo que o país que estamos cons- truindo não deve e não quer enxergar diferença de qualidade de vida, de oportunidades entre qualquer cidadã ou cidadão brasileiro que mora em qualquer parte do nosso país. Não deve haver diferença de qualidade de vida para quem mora numa cidade do interior ou numa capital. Com esse país que todos nós estamos construindo, nós estamos mudando o Brasil, e mudando para melhor. O Brasil hoje é um país muito diferente”. Ele deixou bem claro que essa visão estratégica de desenvolvimento rural da Presidente Dilma está ligada a uma visão clara de um federalismo sadio e a visão de que, para continuar mudando o nosso país, precisamos cada vez mais democracia. E dirigindo-se às organizações de agricultores familiares presentes, o Ministro do Desenvolvimento Agrário ponderou: “E este é um ato da democracia. Porque fomos capazes de escutar o que vocês falaram nas marchas, nos movimentos sociais, sindicais”. Manutenção e formação O programa também prevê por um período de manutenção e assistência técnica aos equipamentos e a formação para os operadores, aos quais o ministro fez questão de destacar: “Nós sabemos da importância dos nossos companheiros que vão operar estas máquinas, sabemos que quanto melhor a qualidade dessa operação mais longa será a vida destes equipamentos. Assim como sabemos que máquinas novas significam aumentar a capacidade de uso e diminuir os custos de manutenção. Os recursos economizados pelos prefeitos podem obviamente ser utilizadas em outras agendas importantes”. Depoimentos Ao longo da cerimônia, a reportagem do Canal SRL ouviu, com exclusividade, algumas das lideranças presentes e publica partes das entrevistas. Miguel Rosseto – Ministro do Desenvolvimento Agrário Um abraço especial aos leitores deste jornal. Principalmente, aos de Santa Rosa de Lima. Este é um programa de grande importância para a presidente Dilma, para o governo federal. Da mesma forma como apoiamos a produção agropecuária do nosso país, nós escutamos, ao longo dos anos, os produtores, agricultores, prefeitos e lideranças. Eles pediram para apoiarmos as estradas, a infraestrutura, para assegurar o escoamento da produção destes municípios que tem grande parte de sua renda na produção da agropecuária. Nós estamos apoiando os municípios para que eles possam melhorar a capacidade de trabalho na manutenção das suas estradas vicinais, integrando melhor as suas comunidades rurais, suas áreas rurais. São nestas estradas que passa o ônibus escolar, que passa a ambulância, que passa a comunidade. Portanto, estamos felizes em cooperar com o desenvolvimento dos municípios. Hoje, concluímos a entrega aqui em Santa Catarina, um estado exemplar na produção agropecuária, na agricultura familiar, no cooperativismo e na agroecologia. Ministro Miguel Rosseto em entrevista ao Canal SRL. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Ideli Salvatti – Ministra da Secretária de Direitos Humanos Este é um programa extremamente importante para a economia de Santa Catarina, que tem na agricultura familiar um dos seus principais pilares de desenvolvimento. É um exemplo concreto do padrão Dilma de governar: não tem diferença partidária! O critério é um só: ter até 50 mil habitantes. É um padrão republicano de governar. É uma forma de governar que busca incluir, dar oportunidade a todos. O espírito republicano é não discriminar ninguém, nenhum brasileiro, nenhuma brasileira, nenhum prefeito, nenhuma prefeita, nenhum governador, nenhuma governadora. Décio Lima – Deputado Federal Nós estamos cumprindo um ciclo, com relação a atender aos municípios brasileiros com estes equipamentos essenciais para que os prefeitos possam desenvolver políticas públicas de melhorias. Sobretudo, a melhoria das estradas municipais que estão aos seus cuidados. Ao concluir o PAC 2, a presidenta Dilma deve lançar em breve a terceira edição do programa, o PAC 3 num conceito mais amplo. É um momento extraordinariamente republicano do nosso país. E quem ganha com isso é o povo brasileiro. Não houve problema de qualquer ordem. Principalmente aqueles que eram muito comuns no Brasil: a discriminação política que havia com relação aos prefeitos. Ao longo da história do país, prefeito que era do partido do presidente da república tinha direito. Os que não eram, não tinham direito. A presidenta Dilma quebrou este processo. O importante é que nós estamos ajudando a melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro. Sem discriminar ninguém. Jurandir Gugel, delegado do MDA para o estado de Santa Catarina (DFDA-SC) É um momento histórico para agricultura brasileira, especialmente para Santa Rosa de Lima. Porque nós, tanto da DFDA -SC como do MDA, temos um olhar muito carinhoso a este município que é uma referência nacional do ponto de vista de produção agroecológica. Sabemos do esforço daqueles agricultores, das suas lideranças, no sentido de impulsionar a produção orgânica. Sabemos que o pessoal passou por dificuldade, porque emplacar algo novo é sempre desafiador. Com esta estrutura à disposição da agricultura familiar de Santa Rosa de Lima, nós avaliamos que vão ser criadas condições para viabilizar uma infraestrutura mais adequada para escoar a produção. Especialmente nesse município com uma história de inovação na produção agroecológica. É impressionante o que pessoal local conseguiu 3 construir, inventando ou reinventando a agricultura. Eu penso que essas máquinas e equipamentos vão colaborar com este esforço local, com esta referência nacional de produção de qualidade que Santa Rosa de Lima representa para o nosso país. Dirceu Dresch – Deputado Estadual É bom falar pra sociedade que as máquinas são para a agricultura familiar. Senão, os prefeitos não vão usar para isso. Essa é uma questão que tem que ficar bem clara. Inclusive tem regras. Os prefeitos assinam um termo de cessão de uso destas máquinas. Se tiver denúncia de mau uso, por exemplo, o município pode perder a máquina. A prioridade é para agricultura familiar. Não é proibido fazer serviços urbanos. Mas as máquinas devem ficar à disposição para a agricultura familiar. O foco é a agricultura familiar. Por isso a escolha de municípios com menos de 50 mil habitantes. Recursos repassados pelo governo estadual Assim como todos os outros municípios de Santa Catarina, Santa Rosa de Lima foi contemplada com recursos provenientes do Fundo Estadual de Apoio aos Municípios (Fundam). Quando lançou o programa, em 2012, o governador Raimundo Colombo afirmou: “Grandes obras estão contempladas no Pacto Por Santa Catarina. Para fazer pequenas obras, os municípios perderam a capacidade de investimento. Por isso, todos os 295 municípios do estado serão atendidos. Essa é a primeira vez na história que se faz um programa de investimentos com volume tão significativo. É um grande reforço no caixa das prefeituras”. Francisco Vieira, Diretor de gestão de fundos da Secretaria de Estado da Fazenda, explicou à reportagem do Canal SRL que estes recursos são provenientes de financiamentos junto ao BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que emprestou o dinheiro ao governo do estado. “Depois de um prazo de carência, serão feitos os pagamentos pelo estado ao BNDS. Aos municípios é a fundo perdido”. Vieira pondera, ainda, que “descentralizando para os municípios a questão fica mais fácil, até na questão de economia e a população está lá, fiscalizando diretamente”. Santa Rosa de Lima recebeu em torno de R$ 2 Milhões e praticamente a totalidade foi destinada à aquisição de veículos, máquinas e equipamentos. Outras possibilidades e oportunidades Segundo as regras do Fundam, cada prefeitura tem direito a apresentar dois projetos para investimentos, mediante a elaboração de planos de trabalhos. Os recursos podem ser para seis áreas distintas: Infraestrutura (obras de pavimentação e revitalização de ruas, construção de pontes, viadutos, passarelas, drenagem de águas pluviais; rede de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, passeios com acessibilidade, sistema de ciclovias, medidas de moderação de tráfego, sinalização viária, elementos de acessibilidade); Construção e ampliação de prédios (escolas, creches, núcleos de Educação Infantil, postos de saúde, hospitais, residenciais geriátricos, casas de repouso e abrigos); Construção de Centros Integrados de desporto e Lazer (ginásios de esporte, quadras poliesportivas, piscinas, pistas de atletismo, praças de convivência, equipamentos complementares); Saneamento Básico (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta, transporte e tratamento de resíduos, infraestrutura para coleta de resíduos de serviços de saúde, coleta seletiva, triagem e reciclagem e manejo de águas pluviais); Aquisição de equipamentos e veículos novos para Saúde e Educação e Máquinas e equipamentos rodoviários (novos e fabricados em território nacional). São escolhas Ainda não existem dados conclusivos dos percentuais de investimentos em cada uma dessas seis áreas de aplicação de recursos. Na página do Fundam na interner, é possível constatar, contudo, que a maioria dos projetos são aplicados em pavimentação e aquisição de veículos, máquinas e equipamentos. Parte das máquinas, equipamentos e veículos adquidos para o município. São raros os casos em que os municípios optaram, por exemplo, pelo item construção e ampliação de escolas, creches, núcleos de educação infantil, postos de saúde, hospitais, residenciais geriátricos, casas de repouso e abrigos. Confrontado a este fato, Francisco Vieira avalia: “A explicação que eu vejo é que os recursos foram disponibilizados aos municípios para que eles identificassem as suas principais necessidades. Recursos para educação e para saúde já existem com vinculação constitucional. Então acredito que para estas áreas os recursos já estejam garantidos. E a infraestrutura em geral, como pavimentação de ruas, vai trazer o desenvolvimento dos municípios. Então eu acredito que os prefeitos priorizaram esta situação como forma de bem atender à população. As máquinas e equipamentos seriam para auxiliar as estradas do meio rural, para melhorar o escoamento da produção. Então, já tem recurso garantido para saúde e educação e para a área de infraestrutura, não. Essa é uma avaliação global. A gente precisaria ver em cada município, para ver os motivos de cada um”. O números do Fundam Relatório apresentado em junho último mostram que dos 295 municípios catarinenses: • 112 (38%) estão com projetos em análise pelo BRDE ou em fase de elaboração do convênio; segue Diretor: Sebastião Vanderlinde Diretora: Mariza Vandresen Estrada Geral Águas Mornas, s/n. CEP 88763-000 Santa Rosa de Lima - SC. Tel. (48) 9944-6161 / 9621-5497 E-mail: [email protected] Fundado em 10 de maio de 2013, dia do 51º aniversário de Santa Rosa de Lima Jornalista Responsável: Mariza Vandresen Diretor-executivo (Circulação, Comercial, Financeiro, Publicidade e Planejamento): Sebastião Vanderlinde Publisher (voluntário): Wilson (Feijão) Schmidt. O Canal SRL é uma publicação mensal da Editora O ronco do bugio. Só têm autorização para falar em nome do Canal SRL os responsáveis pela Editora que constam deste expediente. Diagramação e Arte: Qi NetCom - Anselmo Dandolini Distribuição: Editora O ronco do bugio Tiragem desta edição: 1000 exemplares Circulação: Santa Rosa de Lima (entrega gratuita em domicílio). Dirigida, também, a prefeituras, câmaras e veículos de comunicação do Território das Encostas da Serra Geral e a órgãos do Executivo e Legislativo estadual e federal. 4 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL segue Reportagem ESPECIAL Mariza Vandresen • 98 (33%) assinaram convênios relativos a todo o valor disponibilizado pelo programa; • 82 (28%) assinaram convênio relativo a parte do valor disponibilizado pelo programa; • 3 (1%) ainda não apresentaram propostas (Governador Celso Ramos, São Bonifácio e São Domingos). Todos os municípios Roberto Marcelino, secretário da 36ª SDR de Braço do Norte falou a redação do Canal SRL sobre a importância deste Programa não só para a região, mas para todo o estado. “O Fundam contempla todos os municípios do estado. Isso é algo inédito. Algo jamais visto. Antigamente, era contemplado quem era amigo do fulano, ou quem era amigo do governador. [...] Nunca houve, num volume só, numa etapa só, todos os municípios receberem tantos recursos. A nossa região nunca recebeu tanto, como recebeu agora. E de forma igualitária, sem distinção de partido. O que eu acho que é política correta. Não ver partido e sim a população. Outra coisa que eu destaco é que dos nossos sete municípios nenhum recebeu menos de R$ 1 milhão. Santa Rosa de Lima é um exemplo. Até agora, já recebeu quase quatro receitas líquidas depositadas nos cofres municipais. Então é um recurso sem contrapartida, beneficiando todos os munícipes sem distinção de bandeira partidária e num volume muito grande”. A oportunidade foi dada Perguntado sobre porque os prefeitos investiram praticamente todos os recursos em pavimentações e máquinas, Roberto Marcelino respondeu: “Porque na aquisição de equipamento, a liberação de recursos é rápida. Pode ver que Santa Rosa de Lima largou na frente. Acho que foi o primeiro município que recebeu os recursos. Na questão de aquisição de equipamentos não tem uma análise mais burocrática como tem em obras de infraestrutura, em projetos de pavimentação de ruas. O equipamento não tem uma fiscalização tão grande. Eu acho que por isso os municípios se concentraram nisso. E também porque estes municípios rurais precisam muito de estradas boas”. Considerando pertinente a pergunta, Marcelino concluiu: “Nós, enquanto governo, demos a oportunidade, para os sete municípios da nossa abrangência, de optar. Aí, foi cada administração que fez a sua análise. Eu não posso aprovar ou reprovar o que a prefeita ou o prefeito escolheu. O governo deu a oportunidade de investimento em diversas áreas”. Recursos do Fundam e valores e áreas de investimento nos municípios que pertencem a 36ª Secretaria de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte. Até o fechamento desta edição, todos os municípios já haviam sido contemplados. As exceções seriam São Martinho e Armazém, que ainda não tinham assinados os convênios. O restante já está executando as obras ou a aquisição de equipamentos. MUNICÍPIOS AREA DE INVESTIMENTO VALOR Braço do Norte Pavimentação e drenagem da Avenida Getúlio Vargas R$ 4.448.088,55* Pavimentação da Rua AZM 66. Acesso à Comunidade de Sta. Terezinha R$ 1.150.000,00 Armazém Grão Pará Rio Fortuna São Ludgero São Martinho Pavimentação de ruas no centro do município com concreto. Aquisição de caminhões e equipamento rodoviários Construção de Ponte Pavimentação asfáltica, drenagem pluvial, sinalização viária e acessibilidade de ruas municipais VEÍCULOS/EQUIP/MÁQ Pá carregadeira Retro escavadeira Britador Caminhão Toco Caminhão Toco Caminhão Toco Caminhão de Carga Veículo 17 lugares Veículo 20 lugares Escavadeira hidráulica FONTE: Portal da Transparência VALOR R$ 302.940,00 R$ 179.960,00 R$ 227.700,00 R$ 155.555,00 R$ 155.555,00 R$ 155.555,00 R$ 115.000,00 R$ 133.500,00 Não cotado R$ 440.000,00 Todas as informações sobre o Fundam, como os valores disponibilizados e a situação de cada município, podem ser acessados na página do fundo, vinculada à Diretoria de Gestão de Fundos da Secretaria de Estado da Fazenda em http://www.sef.sc.gov.br/servicos-orientacoes/ dgef/fundam. R$ 1.021.694,48 R$ R$ 278.350,52 R$ 1.459.550,05* Aquisição de caminhão R$ 220.551,84 Pavimentação asfáltica R$ 2.062.896,63* Aquisição de veículo para transporte de pacientes Construção de Ponte R$ 129.780,00 R$ 1.456.804,52 Aquisição de veículos e equipamentos R$ 1.840.206,19 Santa Rosa de rodoviários Lima Aquisição de máquina R$ 452.921,11* Escavadeira Hidráulica Fonte: FUNDAM (* Projetos com valores acrescidos de contrapartida municipal.) Maria gasolina A administração municipal de Santa Rosa de Lima optou por apresentar todos os planos de trabalho para a aquisição de máquinas, equipamentos e veículos, a maioria deles para a Secretaria de Obras. Além dos R$ 1.840.206,19 a fundo perdido, o município de Santa Rosa de Lima também apresentou ao Fundam uma segunda proposta para a aquisição de uma máquina no valor de R$ 452.921,11. Neste caso, com uma contrapartida do município no valor de R$ 22.781,93. R$ 1.000.000,00 E tem mais Além dos investimentos destes dois programas citados, o município ainda recebeu mais veículos (no legislativo municipal, fala-se em vinte e oito). A maioria de programas diretos ou indiretos do governo federal. É importante que a população tenha acesso a essas informações. Especialmente sobre a origem, a destinação e o uso exato que devem ter esses veículos. Aguarda-se que o próprio executivo municipal faça essa divulgação completa e transparente. E que a Câmara de Vereadores, a quem cabe fiscalizar o executivo, também o faça. A reportagem do Canal SRL iniciou um trabalho de levantamento nos sites de transparência de diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais, mas por problemas de indisponibilidade ou inconsistência dessas fontes, considera que eles ainda não estão prontos para publicação. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 5 6 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL ECONOMIA Projetos sustentáveis; pensando o passado, projetando o futuro No último dia 21, na Pousada Doce Encanto, aconteceu mais um evento importante para a proposta de desenvolvimento sustentável de Santa Rosa de Lima. Estiveram reunidos agricultores e agricultoras familiares, técnicos, professores e estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de São Paulo (USP). Além de analisar o pioneirismo do projeto Pastoreio Racional Voisin (PRV) aqui no município, foram discutidas ações para os próximos anos. Dois projetos ganharam destaque. O primeiro, de estudo das condições para o pagamento por serviços ambientai. O segundo, de contabilidade para analisar a viabilidade econômica do PRV nas Encostas da Serra Geral. Ao final, um tempo foi destinado para uma avaliação dos agricultores participantes do projeto. Vanguarda na produção “A gente começou o projeto aqui em 1998, porque um professor, que diziam que era meio sonhador, chegou lá na minha sala [na UFSC] e falou: – Será que é possível produzir leite a base de pasto nas Encostas da Serra Geral? Todos os colegas do meu departamento falaram: – Tás é louco, cara, aquilo lá é só morro! O sonhador aí era o Wilson [Schmidt]. No ano seguinte, a gente veio pra cá. E foi assim que esse projeto entrou para a história da Agreco, para a história de Santa Rosa de Lima e para a história da Universidade de Santa Catarina... [olha pra plateia] Onde é que está o filho do Dauri, o Zé Luiz? Quando o Zé Luiz nasceu, um ano antes, a gente começou o trabalho aqui. Vocês vão ver o tamanho do Zé Luiz...” O relato ao lado foi feito pelo professor Abdon Schmidt, da Universidade Federal de Santa Catarina, que completou: “Nesse tempo, se concretizaram muitas ideias que pareciam pra lá de exóticas, diferentes, impossíveis. A gente começou a trabalhar com a produção a base de pasto, seguida da produção agroecológica. Em 2001, tivemos aqui em Santa Rosa de Lima o primeiro laticínio certificado orgânico no Brasil. Eram 15 produtores orgânicos. Era muito de vanguarda. Aconteceu, até, muito antes de a sociedade poder entender o significado dessa ideia”. Sinais O professor da UFSC prosseguiu com seu relato. “Devagarzinho, o que parecia um sonho se transformou em realidade. Nunca me esqueço da primeira vez que a gente conversou com o Seu Lauro [Bloemer]. Ele falava: ‘Olha, acho que isso aí... Não sei. Não sei. Não confio muito’. Hoje, temos aqui na nossa frente um exemplo: o mesmo Seu Lauro, agora com 72 anos. Há dois anos, ele chegou pra mim e disse: ‘Olha, silvo pastoril, esse pastoreio, quero começar lá em casa’. Aquilo pra mim foi um presente. Lavou a minha alma. Um produtor considerando pela Epagri como ‘top’ na região, chega pra mim e fala: ‘eu gostaria de trabalhar com silvo pastoril’. Isso significa que o que a gente tem feito até agora tem funcionado. Por causa de agricultores como o Seu Lauro, o Danilo, o João, a família Herdt, isso aqui virou uma Sombreamento de pastagens em propriedade rural de SRL. Reunião discute principais temas sobre o sistema silvo pastoril. referência para o resto do estado. Aliás, não é só no estado. Tem propriedade aí sendo visitada por gente que vem de longe. Tem gente de Minas Gerais que vem aqui ver como vocês produzem”. A ideia do silvo pastoril Em 2008, a gente achou que podia dar um passo à frente, produzir leite em sistema silvo pastoril [combinação de floresta e pastagem]. Cheguei um dia na casa do seu Lauro e ele disse pra mim: “Eu não consegui dormir essa noite. Eu estava pensando como é que esses bugios se alimentam. Não temos mais as florestas”. Na ocasião, estava comigo um pesquisador dos Estados Unidos, o Joe. E ele repete isso até hoje. O Joe sempre conta isso. “Chegamos lá e o agricultor falou: ‘olha, se a gente derruba toda essas florestas, como é que esses animais vão se manter? O que vai acontecer? Será que eles são importantes? Será que não são?’ ’ O Joe ouvindo o Seu Lauro me disse como aquela fala era importante!” Andando Então, em 2009, nos reunimos com o pessoal da USP para implantar e avaliar um sistema que a gente chama de silvo pastoril. Ele está começando aqui. Eu acredito que Santa Rosa de Lima é o melhor lugar pra gente fazer isso. O nosso projeto é contínuo. A gente aprendeu isso com o professor Wilson Schmidt. Ele sem- pre fala que não interessa quem financie, o importante é o projeto andar”. Fazer contas A estrutura da pesquisa da estudante de pós-graduação da USP, Andreia Castelo Branco, inclui duas linhas. A primeira, o estudo da viabilidade econômica da produção de leite com criação de gado a base de pasto e dentro de um sistema agroecológico. A segunda, a realização de um diagnóstico para construir uma proposta de pagamento por serviços ambientais àquele produtor de leite que siga esta proposta. “Como pensamos em indicar esse sistema, temos que ver se ele é viável economicamente, se os custos dele são realmente inferiores ao sistema tradicional. A pesquisa pretende, assim, fazer um comparativo entre o sistema tradicional e o sistema Voisin”, explica Andreia. Primeiras conclusões Trinta e um produtores toparam participar do projeto que teve início em agosto de 2013 e termina neste mês de julho. Algumas conclusões já são possíveis: “Os produtores que adotam o sistema Voisin têm uma produção de leite por hectare muito maior do que aqueles que não o adotam. Com isso, comprovamos alguns pressupostos e benefícios do sistema”. O problema é que parece não haver uma relação direta entre adotar o Voisin e passar a um sistema agroecológico. Pode per- Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL manecer o uso de fertilizantes de síntese química e herbicidas, por exemplo. “Se os produtores julgam que sem esses insumos fica inviável, a pergunta é que incentivos econômicos podem ser dados para que de fato seja um sistema agroecológico”, finaliza Andreia Castelo Branco Mais felizes Alfredo Fantini, professor da UFSC, na área de Floresta, Ecologia e Manejo Florestal é quem coordena a implantação do sistema silvo pastoril. Este sistema tem dois objetivos principais. O primeiro é fornecer sombra para os animais. “Isso é particularmente importante porque, normalmente, o plantel é formado por gado europeu. Que sofre muito com as altas temperaturas do nosso verão. Abrigado na sombra, o gado tem maior conforto térmico. Toda a fisiologia dele melhora, desde o hábito de pastejo, de ruminação. Só melhora a produção. A gente diz que as vacas ficam mais felizes”. O segundo objetivo é que a produção de leite seja integrada na paisagem. Para isso, são plantados pequenos núcleos de florestas com diversas espécies produtivas de árvores típicas da Mata Atlântica. Fantini afirma: “Nós pensamos em biodiversidade e produção. Estamos testando, mas a bracatinga e a palmeira Juçara, juntas, dão uma combinação muito boa”. Ligação O professor da UFSC destaca o caráter inovador da proposta: “Não é simplesmente produzir sombra com árvores. A inovação é agrupar árvores em núcleos dispersos na pastagem. Além da produção [lenha, açaí] esses núcleos servem para ligar os diferen- tes fragmentos de florestas que a gente tem na região”. sador, é a questão de transferência de tecnologia e conhecimento”. Organização e notoriedade Alfredo Fantini explica porque o projeto foi realizado em Santa Rosa de Lima. “Escolhemos aqui para testar essa novidade, evidentemente, pela organização dos agricultores. E também por conta do município ser reconhecido como uma área de produção de alimentos orgânicos. Isso tudo soma. Tem um apelo para começar um projeto dessa natureza”. Pagamento por serviços ambientais Paulo Antônio de Almeida Sinisgalli é professor da USP em Economia Ecológica e Gestão de Recursos e acompanha os estudos no município. Na ocasião do encontro ele realizou uma palestra sobre pagamento por serviços ambientais, as etapas, regras e parâmetros de devem ser adotados para desencadear o projeto. “Primeiro você precisa ter uma boa fonte de financiamento para ter pagamento, depois ter um compromisso dos produtores ou de quem for que forneça estes serviços adequadamente e por fim o processo de monitoramento. Paulo fala da Política Nacional de Pagamentos Ambientais, uma lei federal que deve ser promulgada, mas que ainda é discutida em Brasília. “No momento que tiver essa lei, vai facilitar bastante a tramitação e a organização destas iniciativas pelos estados e municípios do Brasil”. Colhendo os frutos Darci Pitton, é o técnico que acompanha, em campo, a implantação do sistema silvo pastoril. Nas propriedades que completam dois anos de sistema Darci afirma que que já é possível medir algum resultado, “a sombra já está sendo atendida dentro do piquete, as vacas já tem onde se refugiar, o retorno econômico já está acontecendo na forma de desbaste, usa-se a madeira para diversos fins. Outro ponto fundamental do projeto é destacado pelo pesqui- Vacas com maior conforto térmico melhoram a produção. Depoimentos Itamar Heidemann: “O trabalho que vem sendo feito é muito importante, porque vai mostrar a realidade de cada propriedade. Nós falamos de propriedades pequenas que têm que melhorar, ter novas tecnologias para sobreviver, porque têm muita inclinação em pouco espaço. Lá na minha, foi implantado o sistema Voisin. Eu mesmo implantei, porque eu vi que é muito bom, que é excelente. Se eu fosse produzir leite na minha propriedade e eu não tivesse o sistema Voisin, eu só poderia ter a metade das vacas que eu tenho no plantel. [O projeto] é importante para a gente conversar com um, com outro, saber a realidade de cada um... E melhorar o que é possível melhorar. Agora, nós temos que preservar. Há um tempo, o governo mandou derrubar tudo e produzir. Hoje eles cobram de nós. Antes, se tinha um banhado em cima do morro, eles diziam: ‘vamos abrir para produzir’. Aí vieram as retroescavadeiras... Depois, a vertente embaixo do morro começou a secar. Hoje, as máquinas tinham que voltar e fechar estes banhados. Aí, voltava a ter mais água. Este sistema Voisin que nós implantamos conserva muito as propriedades. Não dá erosão; a pastagem sempre está boa... Tu botas o gado... Hoje, ele rapa e amanhã, já está crescendo. Então isso é super importante e muito viável”. Rosângela Bonetti: “As pessoas pioneiras colhem os espinhos, mas também os frutos bons. O trabalho é complicado, mas quem começa vai sair na frente. E vai colher os primeiros frutos. É um pouco difícil, mas é interessante participar. É muito bom ter este diferencial. Ver a propriedade de uma forma diferente. Conhecer a sua própria realidade de trabalho”. José Luiz Herdt: “Eu quero agradecer à Andréia [Castelo Branco] e o Darci [Pitton do Instituto Civ.Net], pelo trabalho que eles estão fazendo conosco. O projeto está mostrando como é bom a gente trabalhar com as vacas de leite para nos manter a todos. E nos incentiva a aumentar a produção. Quando a gente falava em aumentar a produção, era descer o machado no mato. Este estudo está mostrando que tudo o que a gente tem que fazer é se concentrar no que a gente já tem. E aumentar a produção dentro do que a gente alcança. Não ir lá e derrubar um monte de mato e botar grama. Vai ter grama lá? Vai! Mas não vai ter a mesma qualidade que conseguimos quando a gente se concentra num pequeno pedaço e tem uma grande produção”. 7 COMUNIDADE RIO DOS ÍNDIOS Kelin Dutra | Ivonete Walter Dutra | Milena Dutra Festa na comunidade e da comunidade Rio dos Índios se prepara para, mais uma vez, honrar nosso padroeiro: Santo Inácio de Loyola. O evento já é considerado o mais grandioso dos realizados por aqui. E como sabemos que O Canal SRL é o mais lido em todos os cantos do município, aproveitamos para reforçar o convite para todos os santarosalimenses. Venham prestigiar a nossa querida comunidade. Venham celebrar conosco a fé e a alegria da comunidade. Programação Sábado – 26/07/2014 15:30 - Início e final do Torneio de Bocha com equipes convidadas. Domingo – 27/07/2014 09:00 - Largada da Moto trilha 10:00 - Missa em homenagem a Santo Inácio 10:00 - Início do Torneio de futebol 19:00 - Baile com a banda Solto das Patas A história do nosso padroeiro Íñigo (Inácio) López nasceu em 1491. Ele veio ao mundo na localidade de Loyola, atual município de Azpeitia, na parte espanhola do País Basco. De família rica, o caçula de treze irmãos decidiu dedicar-se à espiritualidade aos 26 anos. Abandonou, então, a carreira militar e voltou a estudar, para melhor abraçar a vocação descoberta de evangelizador. De 1522 a 1523, escreveu os “Exercícios Espirituais”, baseados em sua experiência de encontro com Deus, através de reflexões que levam em conta sua própria humanidade. Os “Exercícios Espirituais” foram reconhecidos, mais tarde, como um método de evangelização para os católicos. Jesuíta fundador Em 1534, com mais seis companheiros (entre eles, Francisco Xavier) funda a Companhia de Jesus. Quando a Ordem recebe a aprovação do Papa Paulo III, em 1540, Inácio é escolhido o Superior-geral dela. Depois disso, os Jesuítas se espalharam pelo mundo. No Brasil, atuaram desde o período colonial. A contribuição dos Jesuítas ao ensino brasileiro é considerada decisiva. A história de seus colégios em diversos pontos do território nacional prossegue até a atualidade, dentro da Rede Jesuíta de Educação. Canonização Santo Inácio morreu aos 65 anos, em Roma, em 31 de julho de 1556. Foi canonizado em 12 de Março de 1622, pelo Papa Gregório XV. Festeja-se seu dia em 31 de Julho. Em 1922, o papa Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola “celestial Patrono de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios Espirituais”. 8 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL SRL: Eu conheço e Valorizo! Marcelo Venturi - Engenheiro Agrônomo Descobri em 1998 essas encostas escarpadas da Serra onde antigamente moravam os “bugres”. Eu ainda era um “piá de bosta”. Junto com toda minha turma de calouros de Agronomia da UFSC, fui levado a Santa Rosa de Lima pelo professor Wilson Feijão Schmidt. Virei estudante de agronomia porque queria aprender a ser sustentável. Literalmente, para mim, saber viver do próprio sustento. Imaginem um guri com esse ideal sendo levado para Santa Rosa. E poder conhecer a Agreco e a, então ainda nova, forma de produção orgânica e sustentável. Recordo que visitamos algumas propriedades. Lembro especialmente daquelas das famílias do Lúcio e do Valnério. Na primeira, experimentamos morangos. Na segunda, “altos rangos”. E que tinha uma menina bonita atendendo. Do nome dela, eu não lembro. Para a hospedagem, a turma foi dividida em diversas pousadas. Eu fiquei em uma no Rio Bravo Alto. Depois de tudo, na volta, um colega de turma fez um comentário que me chocou. Ele falou da beleza de um gramado de uma propriedade em Anitápolis. Achei muito estranho aquele gosto pela monocultura. Já me atraía a biodiversidade... O regresso Voltei para Santa Rosa, três anos depois, em 2001. Para um curso de formação de permacultores. Foi assim que conheci os moradores que vieram a ser meus primeiros amigos no município. E foi no pé da serra. Lá na casa do Remi. Esse cara era um agricultor de verdade. Daqueles que vive só da terra e de ajudar os outros. Ele fez curso e se tornou um permacultor diplomado. Virou referência para todos nós. É lindo ver sua família vivendo da terra! Naquela ocasião, conheci também o Márcio Gauchinho. E o banheiro seco dele. A colonização Em 2002, eu cheguei para “colonizar” Santa Rosa de Lima. Tinha passado em um concurso da Epagri como extensionista social e tive a chance de esco- lher o município como meu local de trabalho. Minha escolha assustou meus concorrentes. Diziam que para chegar lá tinha que andar 60 km em estrada de barro. Naquele tempo, era verdade. O lugar era longe. Mas para mim era um sonho poder trabalhar em um município que era referência em orgânicos. Tive o prazer de conhecer e ficar amigo de tanta gente querida. De ter uma segunda mãe (adotiva). Que me alugou uma casa e que cuidou de mim muitas vezes. Dona Valda (e Seu Roberto), que saudades! E também do Barbuleta da Mariza, onde morei semi-acampado. Também fui a “zilhões” de bailes. Afinal, era o único agito que ocorria. Ficava desesperado com a falta de opção para os jovens, que, nos fins de tarde, ficavam bebendo na praça. Depois de terem assistido “Malhação”. Eu preferia ir tomar banho de água termal no meio do mato... Isso foi nos tempos antes da construção do Balneário. Ela ficou maior... Enquanto eu estive em Santa Rosa de Lima, ela “nunca cresceu”. Nos dois anos que passei lá, todos falavam: “tem 2007 habitantes”. Mas ela ficou maior. De verdade! Naquela mesma época, ela passou a ser referência nacional em produção orgânica. Que sucesso! A Agreco veio ao mundo para mostrar que talvez os bugres tivessem muito a ensinar com sua forma natural de cultivar. Sem querer, os descendentes de alemães e italianos acabaram buscando neles inspiração. E, hoje, tem orgânicos. E tem Agreco. Santa Rosa de Lima, por isso, está longe de declinar. Pode, ainda, estar perdendo alguns jovens para as cidades grandes. E, espero, que só para estudar e com a intenção de voltar. Pelo menos, alternativas são buscadas. Acreditem, aí tem muita coisa boa. ... e eu cresci Ali na praça e nos interiores, eu conheci muita gente bonita. Estudei “ingrêis”, com o pessoal da Acolhida. Toquei trombone na banda. Tentei cantar (bem mal) na outra banda. Fiz amigos inesquecíveis, como o primeiro e único cara do correio, o Jorbson. Como os parceiros de vôlei, das terças a noite no ginásio. Me meti em polêmicas. E até fui ameaçado de morte. Fiz um amigo na PM, o também “estrangeiro” Geci, que me dava carona pra Floripa. Eu era um cabeludo polêmico, nessa terra de “alemón”. Cresci muito aí com vocês. E como cresci. Trajetória Na minha história de vida, tive que voltar pra Floripa em 2005. Para acabar os meus estudos. Já estava quase comprando um terreno nas Águas Mornas, quando a Epagri me mandou pra outra região. E, infelizmente, bem longe. Com isso, abandonei Santa Rosa de vez. A vida seguiu. Agora só apareço vez ou outra para matar saudades. Ou para levar novos amigos, para que eles também admirem e se admirem com essa cidadezinha única que tem muito a nos ensinar. (As datas e dados históricos não são precisos. Servem de ligação às minhas impressões e às minhas histórias) Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 9 CADERNO DE RECEITAS “Eu pensei assim, que fossem receitas antigas, feitas por nossas avós e repassadas através de gerações, mantendo a cultura dos nossos antepassados... Um caderno de receitas cairia muito bem...” Este foi o pedido de Rosinete Wenz Oening no Canal do Sr. Leitor da edição passada. Como adoramos a sugestão, publicamos, a partir deste mês, uma sessão dedicada ao resgate de receitas da culinária local. Junto, apresentaremos um pouco da história de vida das entrevistadas, outra sugestão da Senhora Leitora Rosinete. Duas receitas e conversa farta Conhecida por receber suas visitas sempre com a mesa farta, Dona Verônica Willemann Baumann, 82 anos, foi convidada para estrear esta sessão. Sua “chimia de ovo” faz sucesso entre os que são recebidos por ela e pelo Seu Helmuth Baumann (82). Cozinheira que é, não se ateve apenas a “chimia”. Fez também “fristik”, a comida que se levava pra roça ou se consumia, com café, à noite. Tratase de um prato com feijão amassado coberto com ovos mexidos e frigidos. Dona Verônica é bastante conversadeira. No início da entrevista, ela alertou: “Se for pra eu ficar contando histórias, nós vamos ficar aqui a noite inteira”. Bacião de comida Nascida na comunidade de Rio do Meio, ela é a quarta filha, num total de 12 irmãos, oito mulheres e seis homens. Sua tarefa era ajudar a mãe nos afazeres de casa e a cuidar dos irmãos mais novos. “Ao meio dia, levava um bacião de comida pra roça. Alguns dias, nós largávamos o caldeirão na roça e fazíamos o feijão lá mesmo... Botava carne defumada, ossada de porco. E era só feijão com carne. Mas era à vontade. Em casa, a gente aprontava um pirão de feijão. Fazia um furo no meio, enchia de carne, tampava por cima e amarrava numa trouxa”. Deu o troco Tinha um camarada que para- # va lá em casa do pai. E ele e meu irmão iam sair... Não sei se era um baile. Minha irmã que passava roupa não estava. Aí, eu [que] fui passar. Era aquelas calças de quina [friso] e eu não sabia [passar]. Passei assim de plancha. E depois daquilo ele sempre dizia pro meu irmão: ‘Tino nós temos que dar a roupa pra Verônica passar’. Um dia a mãe saiu e eu tinha que fazer o pirão. Eu me lembrei e pensei hoje tu vais me pagar. Daí fiz o pirão, fiz o furo, botei a carne dentro fechei por cima. Antigamente dava aquelas bolas de sal bem duro, enfiei uma bola assim do lado. De noite, ele perguntou: ‘Quem aprontou o feijão hoje?’ A mãe respondeu: ‘Foi a Verônica’. Aí ele disse: ‘Aham, tinha uma bola de sal... Eu estava lá no morro trabalhando e tinha que ir na grota tomar água, porque eu não aguentava de sede’. Eu falei: Isso é porque tu me enticavas, que eu não sabia passar roupa. Tu ficaste gozando da minha cara e eu agora me aproveitei. Não deu bode Quando o pai e a mãe saiam, eles diziam: vocês não podem ir no pasto porque tem um bode muito bravo. Nós respondíamos: ‘Não, não... Podem ir, que nós não vamos lá no pasto’. Quando eles saiam, a gente abria as duas porteiras, a do rancho e a do terreiro. Aí a gente sapateava e o bode vinha a toda para pegar nós... Bravo! Bravo! Tinha a sala, a porta e um quarto, onde tinha uma cama meio velha. O bode vinha e só Dra. Marilin, Irene, Dona Verônica e Seu Helmuth apreciando as delícias de antigamente dava tempo pra gente trepar na cama, num cantinho. [A gente] se prensava assim, se tremia tudo. E o bode, béééé. E lá ia o bode de volta para o pasto. E nós sapateávamos de novo. E começava tudo de novo. (Risos) A que foi tirada A gente já se conhecia um pouco. Mas numa domingueira na casa do Fernando Schmoeller, a gente dizia umas para outras: ‘Vamos ver quem o Helmuth vai tirar [para dançar] primeiro’. ‘Garanto que ele vai me tirar’, elas diziam. Porque eram mais conhecidas dele. Aí eu falei: Não, não, ele vai é me tirar. Aí, quando foi de repente ele me tirou para dançar... Daí pra frente, nós namoramos uns quatro anos e nos casamos. Eu tinha 22 anos. O casamento Quando nos casamos, só tinha umas cinco pessoas na igreja. O padre e as testemunhas. E era tudo antes do dia. Tinha que ir de caminhão num dia e dormir lá em Rio Fortuna. Não tinha como pagar um caminhão para ir e voltar no mesmo dia. A gente não estava tão folgado. O Helmuth ainda fez dente, depois que nós casamos, para pagar o caminhão para trazer nós. Do falecido Zé Clemente. A festa foi no paiol da casa do sogro, lá no Rio Bravo. Veio um gaiteiro de Pinheiral e ele tocou o baile. Todo mundo comeu de meio dia. De tarde, tinha o café. E sobrou muita coisa. Então, o gai- teiro dormiu lá e no outro dia tocou a domingueira. Foi dançado e comido tudo de novo. Foi difícil Quando nós casamos, fomos morar no Rio Bravo. Não tinha casa, não tinha nada. Nenhuma cama, nenhuma mesa, nenhum banquinho. Nós fomos morar na casinha da escola. O Helmuth já trabalhava de dentista e colocou camarada para tirar madeira do mato. Daí, fizemos um paiol bem grande e um puxado para um chiqueiro nos fundos. À luz da lua Para o trabalho dele ficava muito melhor vir morar aqui pra fora. Aí, moramos ali onde morava o falecido Tonho [Willemann]. Arrancamos nosso paiol e o chiqueiro e fizemos a casa. Depois, nós compramos umas terras do falecido Zé Clemente. Mas não tinha chão para a casa. Só um chãozinho para fazer um paiol. Fizemos e fomos morar ali, onde hoje é o sítio do Nivaldo Schmidt. De noite, quando as crianças iam dormir, nós cavávamos o chão com a lua clara. Quando não tinha lua, a gente colocava um pavio, assim, na rua. E cavava... Nós dois sozinhos. Quando veio o material, a gente teve que carregar tudo a muque, uns cinquenta metros da estrada até o paiol. Daí ele contratou os camaradas para fazer a casa. Ali, tiramos toda a madeira que precisava para ela. Nunca faltou união O Helmuth trabalhava durante o dia de dentista. Por todos os cantos... Sempre que podia, me ajudava em casa. E ainda fazia um pouco de roça. Mas a roça era mais com os camaradas. Eu tinha que fazer a comida, o pão... Às vezes, fazia a trocha de comida para uns três lugares. Era gente na roça, gente no mato, as crianças para escola. Nunca faltou leite. Nunca faltou carne. Sempre tinha, assim, para se manter. Sempre passamos bem. Era muito trabalho, mas era muito bom pra nós. Nós éramos muito unidos. O que um planejava, o outro concordava. Nunca teve brigueiro. Com a energia Depois, com a chegada da luz elétrica na praça, resolvemos mudar mais uma vez. Com a luz, facilitaria muito o serviço de dentista, pois era tudo com motor a pé, a polia... Os dentes, o fole para soldar o ouro... Era muito difícil! Ele tinha muito serviço. Quase todo dia, trabalhava até as três da madrugada. Muita gente dizia que a gente tinha vida fácil. Ele falava: ‘Vocês não sabem a minha vida’. Daí, viemos morar aqui na praça. Isso já faz uns quarenta anos. Balanço Eu posso dizer que tive e tenho uma vida muito boa. Até hoje! Muito feliz! Os filhos vêm sempre aqui. São muito bons pra nós. Somos muito unidos. Experimente as receitas da Dona Verônica Chimia de ovo Ingredientes: 2 ovos 1 ½ xícara de açúcar Modo de fazer: Bata as claras em neve, misture as gemas e o açúcar e mexa bem até formar um creme. Sirva em seguida. Versão cozida: Esta chimia também pode ser preparada na frigideira, depois do processo anterior, colocar no fogo com um pouquinho de azeite ou banha e fritar, sempre mexendo, até que fique bem douradinha. Fristik Pirão de feijão com ovos Modo de fazer: Amassar o feijão com farinha de mandioca. Não deixar que fique muito seco. À parte, fazer ovos mexidos em uma frigideira. Coloque o feijão amassado em um refratário e cubra-o com os ovos. Sirva quente. 10 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL SUSTENTABILIDADE Agricultores pesquisadores se reúnem Técnicos, estudantes e agricultores participam do projeto. No dia 12 de junho, aconteceu, no Centro de Formação em Agroecologia, a primeira reunião envolvendo os agricultores familiares das Encostas da Serra Geral que fazem parte do projeto Núcleo de Estudos em Agroecologia da Educação do Campo da UFSC. Na língua deles O encontro reuniu os vinte agricultores que farão, em suas propriedades, Unidades de Experimentação e Socialização. Nestas UES, eles vão realizar pesquisas em temas como alternativas em técnicas produtivas vegetais; alimentação animal; sementes crioulas; recuperação de áreas degradadas; e compostagem. Esses temas foram apontados pela Agreco, CooperAgreco e Acolhida na Co- lônia como os grandes gargalos para a expansão da produção orgânica nas Encostas da Serra Geral. Participaram também do encontro dez estudantes bolsistas do projeto (Educação do Campo, Agronomia, Veterinária e Letras), professores da Licenciatura em Educação do Campo, técnicos da Agreco, da Epagri e outros parceiros locais. A ação contou ainda com a participação do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Dr. Moacir Darolt, que proferiu palestra sobre os desafios da produção orgânica e sua relação com os temas trabalhados no projeto. Na avaliação final, os agricultores destacaram que no evento “se falou a língua deles”, que a reunião foi muito esclarecedora e motivadora. O ponto mais sublinhado foi a importância da aproximação da Universidade Federal de Santa Catarina com os problemas e potências da agricultura familiar orgânica. Depoimentos Valdenir de Sousa (Agricultor - Rio Fortuna) Eu acho interessante porque, como foi comentado, é a teoria e a prática se juntando. É uma troca de experiências. E isso é que mais nos interessa. Estamos sempre na busca de novos conhecimentos, de novas técnicas, sempre para tentar produzir, com jeito melhor e com menor custo, um produto mais saudável. A princípio, pelo que eu entendi, os estagiários e a Universidade farão visitas para realizar este acompanhamento e esta troca de experiência. Para mim, eu penso que vai ser uma diminuição de custo e uma propriedade modelo, para novos agricultores usarem de exemplo. Se Deus quiser, vai funcionar. Vai dar certo! E o que dá certo deve ser passado pra frente. Jorge da Silva (Agricultor/permacultor Anitápolis) É através destes projetos e destas reuniões que a gente consegue buscar conhecimentos. O caminho é a troca de experiência e o acompanhamento técnico. Como eu disse, é mais uma lenha na fogueira, para aquelas pessoas que têm algum projeto e se sentem meio sozinhas. Aí, conhecem pessoas diferentes, conhecem ideias novas e se animam na atividade. Eu até coloquei ali no meu grupo... Mas é tão difícil pegar agricultor para fazer experimentos, seja com sementes, seja com outras coisas. Eu acho que, quando interessa, as pessoas vão atrás e chegam onde querem. Ainda mais com esse apoio. Eu tenho só a quarta série, não tinha conhecimento nenhum. Tudo o que eu consegui, foi da minha prática, dos cursos de capacitação em agroecologia, biodiversidade, permacultura e por aí afora. Através da Agreco, a gente procura sempre saber mais. Luis Henrique Vanderlinde (Estudante de agronomia e bolsista no projeto) Para começar o projeto, reunimos as pessoas, os bolsistas das unidades de experimentação e socialização. E, agora, a gente vai começar debatendo quais são os focos em cada tema, quais as necessidades, o que as pessoas esperam do projeto. E, a partir daqui, a gente junta as informações e começa a trabalhar para definir os experimentos. Não será uma pesquisa que vai mudar o mundo. A gente vai começar de pouquinho em pouquinho... E as propriedades irão repassando experiências. Vai ser uma troca de experiência entre quem já experimentou e quem quer mudar seus sistemas de produção. Moacir Roberto Darolt (Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná e da equipe do projeto) Eu acredito que a proposta destas unidades de experimentação e socialização é um ponto muito importante. Porque ele vai ao ponto principal: os agricultores estão experimentando. São agricultores que começam a pesquisar. São agricultores pesquisadores. Assim começa a ter uma pesquisa em agroecologia. E agroecologia é prática também. Não temos aqui uma estação experimental de pesquisa. Mas temos os agricultores que são experimentadores por natureza. O que vai acontecer, agora, é que pesquisadores, técnicos, professores, estagiá- rios, vão começar a se unir com o conhecimento dos agricultores. E isso vai trazer um resultado. E o mais importante é que se vai socializar, passar para outros agricultores. Eles vão aprender, por exemplo, como multiplicar e melhorar as próprias sementes. Um pesquisador pode vir aqui e apoiar e os próprios agricultores poderão produzir e resgatar as sementes. A gente já vê isso nas feiras em Curitiba. Muita gente está comendo tipos de feijão que nunca comeu antes. Como é o caso do feijão mouro. A agroecologia ajuda a manter a diversidade. E este projeto ajuda. O importante é que os agricultores estejam sempre pesquisando. Não adianta fazer uma pesquisa lá no Paraná e vir aqui falar para o agricultor daqui fazer. Porque aqui é um local com características que só tem aqui. Então, este projeto vai permitir fazer a pesquisa no local. A metodologia é parecida. A gente pode mostrar como fazer a pesquisa, mas as características do local são mais importantes. Por isso é que é importante o agricultor ser um pesquisador. Aí temos o que chamamos de inovações. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Um pedido às autoridades Gostaria de usar este espaço para informar às autoridades competentes para que tomem providências com relação à ponte sobre o rio Braço do Norte, na comunidade Quedas d`água. Quem passa por ela percebe a necessidade da realização de reparos para garantir a segurança dos usuários. Algumas pranchas transversais do tabuleiro já foram substituídas, mas ainda é necessário que seja feita a manutenção na estrutura do guarda corpo, a reconstrução da proteção nas cabeceiras da ponte e também do “trilho” onde os veículos trafegam. Vale destacar a importância dessa ponte. Não só para moradores locais, que a utilizam diariamente para se deslocar e escoar suas produções agrícolas, como também para o turismo. Não só ela serve de acesso às pousadas, como é frequente que turistas passem (e parem) para tirar fotografias. Por questões pessoais, prefiro não me identificar. Escrevo por ser uma reivindicação de muitos moradores e usuários desta ponte. NOTA DA REDAÇÃO: Prezado leitor ou prezada leitora, você tem direito ao anonimato e nós, o dever de resguardá-lo. Publicamos sua carta pois estivemos no local e comprovamos os fatos por você relatados. As informações são todas verídicas. Inclusive no que se trata do guarda corpo. Ele existe, mas coloca em sério perigo de queda o desavisado que nele se apoiar. Sugestões aos editores Em primeiro lugar, quero desejar os parabéns para este jornal que nasceu há pouco mais de um ano, mas que sabemos que veio para ficar. Assim como a colega leitora Rosinete Wenz Oening, do Rio Bravo Alto, eu também leio o jornal inteiro. Ligo a televisão só para assistir aos telejornais e aos programas religiosos na Rede Vida, o canal da família, quando aproveito para rezar o terço Bizantino com Padre Marcelo Rossi e a recitar o terço de Nossa Senhora do Ro- sário, como sempre fazia com minha saudosa esposa Olinda. Mas o verdadeiro motivo em escrever para o Canal do SRLeitor é fazer algumas sugestões aos seus editores. Assim como todas as comunidades do interior tem as suas colunas, deveria ter alguém que registrasse as notícias aqui do centro. Seria uma ótima novidade. Sobre a política administrativa, vocês já escrevem e devem continuar. No entanto, como diz o ditado, “de politicagem e desentendimento o povo está cheio”. Outra coisa: se fosse possível, favor aumentar um pouco o tamanho das letras no jornal. Tenho muita dificuldade para ler, assim como outros, principalmente idosos, também devem ter. Também quero aproveitar o espaço para agradecer e bendizer o elogio que minhas ex-alunas, em nome da comunidade de Rio Santo Antônio, me fizeram ao completar meus 86 anos de vida. Pelo que fui, o que fiz e pelo que ainda sou e ainda posso fazer e ser, o meu muito obrigado. Professor Adolfo Wiemes Anote aí ! 26 e 27 de julho de 2014 Festa do Padroeiro Santo Inácio em Rio dos Índios. 12 de julho de 2014 ~ Feijoada Deu a LOUCA no 3ªº com Murilo & Gustavo e Dj Gustavo Soares no Salão Comunitário SRL. OBITUÁRIO 11 COMUNIDADE RIO SANTO ANTÔNIO Mariléia Torquato | Carol Rodrigues Dona Nita Neste mês, prestamos uma homenagem especial à moradora mais idosa do Rio Santo Antônio, senhora Anita Ferreira Rodrigues. No dia 13 de julho, Dona Nita, como é conhecida carinhosamente, completará 72 anos. Ela conserva uma memória impressionante e relembra passagens de sua vida com mínimos detalhes. E são muitas as histórias... Nossa coluna se junta a toda a família de Dona Nita para felicitar essa mulher batalhadora que foi e ainda é, pelo seu aniversário. Parabéns, bastante saúde, alegria em abundância e muitos anos de vida! Da infância ao casamento De uma família muito religiosa, Dona Nita lembra que quando criança enfrentou muitos problemas de saúde. Recorda especialmente da mãe, fazendo seguidas promessas para que ela tivesse melhoras. “Na minha casa, as orações eram diárias. Desde cedo, eu e meus doze irmãos aprendemos a rezar e a participar da igreja”. Anita estudou só até a quarta série. “Não estudei mais, porque na época não havia mais estudos”. Mas não se esquece de tudo que aprendeu e nem de seu professor que, segundo ela, era muito severo. “Ele exigia que os próprios alunos levassem as varas com as quais brincavam, para que, com elas, pudesse bater neles. Era muito bravo!”. Naquela época, a família dela, assim como as demais, passou por muitas dificuldades. “Todos os filhos ajudavam aos pais nas atividades de casa e da roça. Lembro especialmente das colheitas do café. E de quando tínhamos que socar arroz. Ou o milho, para tratar as galinhas”. Dona Nita casou-se aos 20 anos com Fernando Rodrigues. Com ele, teve nove filhos. O casal sempre incentivou os filhos a participarem da escola, da igreja e da vida em comunidade. Hoje, ela mostra orgulho ao dizer: “todos receberam educação e princípios como honestidade e respeito”. Mudar, mudar, mudar... Ela e o esposo moraram em muitos lugares, sempre em busca de uma vida melhor. Entre tantas mudanças, Dona Nita relembra as mais marcantes. Como quando vieram morar em Rio dos Índios. Ela se emociona ao lembrar-se da morte de um filho, de apenas dois meses, vítima de uma doença que ela, até hoje, desconhece. Naquela casa não tinha água e precisavam buscar em tambores e ela lavava roupas “em uma poça de água”. Mas ela recorda também bons momentos, os bolos de farinha de milho feitos em cima da chapa e os bolos de boleira. Mas ela faz questão de frisar: “Foi um tempo de muitas dificuldades”. Depois, mudaram para Tubarão. O marido trabalhava como caminhoneiro e ela, em um armazém. Com a enchente de 1974, a cidade ficou devastada e a família fez nova mudança. Desta vez, para Curitiba. Alguns anos mais tarde, vieram morar na comunidade de Rio Ladeia, em Anitápolis. Lá ficaram por oito anos. Em seguida, vieram para a nossa comunidade. Aqui, trabalharam com extração de madeira, plantio de fumo e um comércio de secos e molhados, o último da comunidade. Perdas e vida que continua Dona Nita recorda com muita tristeza a morte do marido, vítima de trombose. Ao mesmo tempo, ela lembra com carinho e emoção o excelente marido e pai que foi Fernando. Com ternura na face, ela descreve o companheiro como uma pessoa muito brincalhona e que adorava crianças. Após enviuvar, seguiu criando seus filhos. Passou a morar sozinha quando “as crianças” saíram de casa para formar suas próprias famílias. Com o tempo e problemas de saúde foi morar com um dos filhos, aqui na comunidade. Hoje, vive uma vida tranquila entre pessoas que a admiram muito. Feliz aniversário, Dona Nita! 12 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE Servidor Público número 1 Quem passar na Germano Hermesmeyer, na altura da padaria da Paulinha e do Gilberto, e olhar para o outro lado da rua, tem forte probabilidade de vê-lo. A maioria, aliás, já deve tê-lo visto. Sentado em um banquinho de madeira, em frente a uma casa simples, fica um senhor ainda vigoroso, vestido com roupas também simples. Normalmente, conversando com a esposa ou com algum amigo que passa. O que muita gente não conhece, especialmente os jovens e crianças, é a contribuição que esse homem deu para Santa Rosa de Lima. Depoimento Muito tempo de trabalho... Norberto Lazai – ou Beto Lazai – é natural de Anitápolis. Nascido 1941, começou a trabalhar na prefeitura municipal de Santa Rosa de Lima quando tinha 22 anos. Em 1963, portanto. Ele diz que “era um guri”, quando passou a ser o primeiro servidor municipal. Mas já estava casado. Desde os vinte anos. Beto Lazai se aposentou trinta anos depois, em 1993. Na verdade, ele poderia ter feito o pedido pelo menos seis anos antes. Mas não estava preocupado com isso. Feitas as contas no Instituto de Previdência (INPS), acumulou o equivalente a 41 anos e oito meses de serviço na prefeitura. A “sobra” é porque ele nunca tirou licenças, nem férias. Também nunca recebeu horas extras, mesmo virando noites e trabalhando aos domingos. Tudo isso sem nunca ter apresentado um “atestado”. Encaminhou seus documentos ao INPS e quando foi à agência, um atendente, espantado, disse a ele: “Olha, amanhã o senhor já não precisa mais trabalhar. Pode dizer para o prefeito que o senhor já está aposentado”. ... com muitos resultados Hoje, ele conta: “Vocês não sabem o que foi trabalhar esse tempo todo, quase sozinho, com quatro, cinco camaradas, puxando doente, puxando morto...” E faz uma espécie de balanço: “Eu só trabalhei na minha vida. Não fiz outra coisa. Não passeei... Não fiz mais nada...” Beto Lazai afirma que o que tem de obra aqui em Santa Rosa de Lima, passou tudo na mão dele. Em relação às estradas, conta que tinha um caderno em que anotou 568 quilômetros de estradas abertas e patroladas. Ainda com trator, preparou o terreno da praça e do campo de futebol... E ainda implantou energia elétrica. Até delegado ele foi. Por quatro anos. Afirma que não prendeu ninguém, “porque o pessoal daqui era educado e se eu dissesse uma coisa pra eles não tinha problema”... É patrimônio! É essa vida de contribuição ao município que esta sessão Patrimônio quer recuperar e valorizar. Sempre considerando três coisas. Primeira, que ele vê o que possui como resultado de seu esforço. Ou, como ele fez questão de repetir, ao longo da entrevista: “Tudo o que eu tenho saiu debaixo desses cabelos”. A segunda, a queixa da esposa de que “falta reconhecimento a todo esse trabalho”. Terceira, que ele se diverte ao relatar: “Às vezes estou dormindo e sonho que tenho que trabalhar no dia seguinte, cedo. Aí, eu fico brabo. Quando acordo e me dou conta que era um sonho, fico tão aliviado. [risos] Primeiros tempos Em 1962, eu trabalhava no estado, aqui na região de Tubarão. E fui pegado emprestado. Quando o prefeito comprou a patrolinha, o engenheiro me emprestou para a prefeitura por seis meses. Quando terminou esse período eu deveria retornar para o estado. Aí o Zé Schmidt disse pro engenheiro: “Não! Tu não podes pagar o que eu pago e, ele, de perto de mim não sai mais!” Aí continuamos a trabalhar eu e ele; fomos e fomos... Na estrada, eu fazia mecânica, consertava pneu, fazia tudo. Tinha as ferramentas, a bomba e arrumava tudo na estrada. A gente levava uma bolsa com a comida. Às sete horas, tinha que estar no serviço. Trabalhava até meio dia. Comia a comida da bolsa. A uma pegava de novo e trabalhava até às cinco. Era oito horas pegadas. A patrola ficava lá onde estivéssemos trabalhando e nós dois íamos até ela, com um caminhãozinho velho. Éramos só nós dois. E fazíamos as estradas tudo a olho. À noite, eu consertava os pneus ou forjava ou arrumava ferramenta ou instrumentos de trabalho (picaretas) em um fole que tinha lá em casa. Gosto pelas estradas Eu gostava era de trabalhar na estrada. Isso eu gostava... De ver uma estrada pronta. Olha, às vezes para começar uma Decreto que designou Beto Lazai como Delegado de Polícia de SRL. estrada, nos cavávamos um pouco, pra roda da patrola entrar, e eu ia alargando. Primeiro, tinha que derrubar o mato, tudo a base de machado e picareta. Tudo só eu e o falecido Zé Gregório Schmidt [que aparece na foto da patrola. O leitor não deve confundir com o prefeito Zé Schmidt]. Depois é que entraram mais dois... Quando a balsa acabou, o balseiro, o Henrique Hermesmeyer, foi trabalhar com nós, na prefeitura. E o Gabriel também. Naquele tempo, era judiado. Abrimos essa estrada daqui no Santo Antônio, que dá vinte quilômetros, com uma picape velha, um caminhãozinho velho e quatro empregados. O Zé Schmidt arrumou um trator pra quatro meses. Ele disse: “Ô compadre pode encostar essa patrola e vamos abrir essa estrada pra Santo Antônio e melhorar a pro Rio dos Índios”. Nós fizemos o levantamento com uma régua de quatro metros. Depois de pronto, dá gosto de olhar. Mas eu gostava mesmo era de patrolar. De ver aquilo bem patrolado, com as pedras tudo enterradas. Não é como se faz hoje, só por cima... A patrolinha Essa é a primeira máquina que o Zé Schmidt comprou. Com essa máquina foram feitas todas essas estradas. Quando nós patrolamos pela primeira vez essa estrada da praça ao Rio dos Índios, nós botamos na frente um caminhão traçado com um pouco de pedra em cima, amar- A primeira patrola do município e a dupla Beto Lazai (esquerda) e Zé Gregório Schmidt Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 13 Causos ramos a patrola e fomos patrolando até o Osvaldo Westphal. A patrola sozinha não passava, né? Depois ficamos lá no Rio dos Índios trabalhando uns quatro dias, acabando de ajeitar. Funcionava assim... O prefeito passava as coisas pra mim e eu ia fazendo. Essa patrolinha aqui que, bem dizer, fez essas estradas todas que estão aí até hoje. Essa máquina foi comprada em 1962, 1963. Quando o Zé Schmidt pegou a prefeitura tinha estrada de Nova Fátima ao Rio dos Índios; também da Nova Fátima até no Luis Weber. Aqui pelo Rio Bravo, só tinha estrada até no Osni Folster. Tinha uma estrada que descia pelo meio dos pastos e outra que ia para o Rio Sete, mas essas nós mudamos tudo com essa patrola. Eu e esse rapaz que está na foto – o falecido Zé Gregório Schmidt. Sozinhos! Ele fez um bueiro de pedra que está lá até hoje. nas como se estivesse carregando ovo na mão. [risos] O Zé Schmidt era brabo, uuhh... [risos] A gente se resmungava de vez em quando. Uma vez quebrou um trator ali no Rio Bravo. Acho que a gente estava fazendo o chão da igreja. Eu cheguei e disse pra ele: “Mas não tem jeito, tem um parafuso que não tem como tirar. Não tem chave pra isso”. Ele embrabou... Pois tive que ir a Braço do Norte buscar uma chave grandona, para tirar o torque daquele bicho e continuar a trabalhar... [risos] O mito da ajuda das comunidades Muitas comunidades ajudavam no trabalho para abrir as estradas. Mas em muitos lugares não ajudavam. Onde puxava um pouco contra o prefeito, ali já não ajudavam. O melhor lugar que tinha para ajudar era a Nova Fátima. Era Parceiros; primeiro prefeito e primeiro servidor público no desfile da 14ª Gemüsefest. Prefeito “engenheiro” e parceiro... O Zé Schmidt era brabo, mas ele tinha razão. Fazer o que aquele homem fez... Pegar uma prefeitura fraca... Que não tinha nada... E com um lápis e uma caneta na mão, fazer tudo o que aquele homem fez... Todas as estradas que estão aí foi o prefeito Zé Schmidt quem fez. Ele que era o “engenheiro”. Ele riscava tudo certinho, botávamos os piquetes e ele dizia: “Beto, agora e contigo”. Com o mesmo dinheiro que ele recebeu para fazer essa ponte na praça, ele fez ela e mais duas. Depois, ele saiu quatro anos. Entrou o Fernando Hermesmeyer e aquilo ficou nem pra frente nem pra trás. Quando chegou a volta dele, começamos a abrir estradas de novo. Passamos as estradas tudo para lugares melhores, pelos morros e não pelos banhados. Ele arrumou uma máquina e tocamos pau. ... mas brabo também Quando quebrava uma máquina o Zé Schmidt embrabava. Disso eu tinha um medo. Trabalhava com aquelas máqui- só falar com os moradores. No mais era só eu e esse aqui [Zé Gregório Schmidt] que trabalhávamos direto. Sozinhos, sozinhos. Quando eu cheguei aqui eu não sabia falar alemão e ele que ia falar com os proprietários. A pracinha O jardim [pracinha], era um banhado puro. Surgiu pra fazer o sindicato rural... Então, de dia eu ia pra estrada e à noite, com um trator de esteira que o Zé Schmidt arrumou, eu aterrava. Ali eu aterrei tudo, de noite. Ia cortando o barranco e jogando pra baixo. O campo de futebol O Zé Schmidt conseguiu mais um mês do trator do estado. O pessoal queria porque queria um campo de futebol. E teimavam que o trator tinha que fazer o campo lá no Lindolfo Assing. Eu disse: “Compadre, esse campo é aqui no ‘vauta Palma’ [ Valter Baumann]. Pode ver o buracão que tem que dá um campo ali. E o velho ‘vauta Palma’ sempre tava enforcado... Compra dois hectares e a gente faz o campo ali”. Aí, ele pegou e comprou o terreno. Durante o dia o tratorista do estado pegava das 8 às 11 e das duas às cinco. E eu pegava, das 11 às duas e depois das cinco eu só passava em casa, tomava um café, e tocava até às dez, onze horas da noite. Aí, vinha em casa, dormia um soninho, e ia lá de novo e trabalhava no trator de novo até o tratorista chegar às oito. Virava a noite. Aquilo ali, na frente do Colégio, era um buracão com uns oito metros de fundura. Foi mexido em dois hectares de terra. Depois acabamos de nivelar com a patrola. Assim, num mês, nós fizemos aquele campo de futebol para a juventude. Isso dava gosto. Energia elétrica O Zé Schmidt que trouxe a primeira rede pra cá. E levantamento de rede, eu que ia à frente. Rio, buraco, grota, tinha que botar a baliza para o topógrafo. Dois roçando, dois na baliza e o engenheiro. Daqui a Rio Fortuna, não levamos quinze dias para fazer esse levantamento. Eles não aceitavam curva. Tinha que ser tudo reto. Eram previstos vinte quilômetros e nós fizemos com catorze. Depois dali pra frente eu que cuidava. Sozinho, eu trocava uma cruzeta num poste desses. Depois passou pro Luís Heidemann e eu era o eletricista. Quando entrou o Turíbio [como prefeito], eu disse que não dava conta daquilo tudo. Que eles tinham que arrumar outro. Por um fio Essa rede de um fio, fui eu quem trouxe para cá. Ninguém sabia. Só eu que podia pegar material da Erusc [Eletrificação Rural de Santa Catarina]. Só eu que estava autorizado. Aí, já tinha uma caçamba e eu buscava em São Joaquim, em Rio do Sul e Biguaçu. Eu vi uma rede de um fio lá em cima do morro, em Bom Jardim da Serra. Aí, cheguei no almoxarifado e perguntei pro responsável o que significava aquilo. Ele disse: “Aquilo é a rede de colono, pra agricultura”. Eu pedi pra ver um transformador de uma bucha só, pedi uma explicação para ele. Aí um dia o Turíbio teimando comigo disse: Então vamos ver, vamos lá no Lino Wigers fazer essa rede e ver se funciona. Porque eram só quatro postes de rede até a casa do Lino Wiggers. Aí num dia fomos lá. Fincamos os quatro postes. Botei o transformador, tudo certinho. Botei a chave. Aí. Liguei o transformador e liguei uma luz perto do transformador e disse: “Agora vocês saiam tudo de perto... [risos] É o primeiro que estou fazendo. Só pedi uma explicação de como era pra fazer e estou fazendo”. Voltei lá embaixo na rede e bati a chave. Ela aceitou. E eu pensei: é, tá funcionando! Aí o Seu Lino já queria botar luz dentro de casa e eu disse: “Não, Seu Lino, deixa essa energia uns dias aqui fora”... [risos] Daí funcionou e o Turíbio disse que então a colonada ia ganhar cada um a sua energia. E dessa rede de um fio na casa dos colonos foi quase tudo o Turíbio que fez. O primeiro carro comprado pela prefeitura não foi o jeep A prefeitura precisou comprar um fuque para aí trocar no jeep, Para o prefeito viajar e para ser a ambulância da Santa Rosa. O fuque nem chegou aqui. O Zé Schmidt queria o jeep de um homem lá de Braço do Norte. Mas esse homem só trocava o jeep num fuque. Aí o Zé Schmidt comprou um fuque e trocou no jeep. Naquele tempo, pra buscar um doente, só com jeep traçado. Se alguém ficava doente no interior era buscado. Era o Zé Schmidt ou eu que íamos buscar. Botava o doente no jeep e levava pra Braço do Norte. Só tinha hospital em Braço do Norte e Tubarão e nós puxávamos pra lá... Tudo de jeep. Naquele tempo, era amargoso! Aparências Eu trabalhava e fazia de tudo. Um dia, um tratorista lá de Tubarão – tratavam ele de Zé Gasolina, lá num morro perto do Dorvalino Oenning, estava reclamando pro Zé Schmidt que estava cansado. Eu cheguei. De calça arregaçada e enxada nas costas... Aí o prefeito falou pra ele: “Então dá o trator um pouco pra esse cara. Acho que ele consegue trabalhar com esse trator”... Ele sabia que sim, porque eu já tinha trabalhado nessas estradas todas com um trator daquele tipo. O tal tratorista me deu o trator. Eu embarquei no bicho... Pra olhar primeiro, né? Fui pra frente, fui pra trás... Tudo certinho igual aos outros. Passei a mão naquele trator e vim por ali abaixo. Aí o tratorista falou pro prefeito: “Esse homem aí ainda precisa andar com uma enxada nas costas e com a calça arregaçada?” E o Zé Schmidt respondeu: “Esse homem é pra tudo! Esse homem não é pra uma coisa só!” E, aí, trabalhamos mais um mês com aquele trator do estado. Abastecimento Nós chegávamos a carregar óleo diesel... Para botar na patrola e poder trabalhar. Cinco, seis quilômetros, com vinte litros de óleo nas costas cada um. O caminhão não chegava porque [o barro] estava molhado. Nós levávamos óleo da igrejinha do Rio dos Índios até lá pra baixo um pouquinho da descida da serrinha. Pra ir trabalhar. Olha... [risos] Dezoito meses sem salário No tempo do falecido Seu Fernando, nós ficamos um ano e meio sem receber. O que tinha na venda, nós comíamos. O que tinha na vendinha para comprar a gente podia ‘pendurar’ ali. O que não tinha ali, também não tinha dinheiro para comprar. A sorte que tinha bastante peixe no rio... [risos] Os lados... Hoje tá mais calmo... Naquele tempo era mais brabo. Ui! Ui! Ui! Meu Deus! 14 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Promoção da SAÚDE COMUNIDADE NOVA FÁTIMA Alexandre Oenning Bittencourt Sempre que pudermos, usaremos este espaço para contemplar o que nossa comunidade tem do bom e do melhor. Nesta edição, queremos mostrar um pouquinho do espírito empreendedor de um jovem casal da nossa comunidade, Aldo e Juliana Schueroff, que administram uma empresa do setor madeireiro. Murilo Leandro Marcos O inverno e as doenças respiratórias Mais um inverno chegou. Com ele, reaparecem as conhecidas e incômodas doenças respiratórias. Tosse, espirro, coriza, febre, falta de ar são sintomas bastante comuns e de causas variadas. Vamos conversar e conhecer um pouco melhor cada uma dessas infecções? atinge outra através da fala, de um espirro ou tosse. Ou pode ser indireta, por meio das mãos após contato com secreções respiratórias. Por isso, evite ambientes fechados com muitas pessoas, proteja a boca com lenço ao espirrar e tossir, e mantenha as mãos limpas (lavá-las frequentemente com água e sabão) para evitar eventual transmissão por contato. Uma ideia que deu certo A madeireira Nova Fátima iniciou sua atividade no ano de 2007. A ideia de Aldo, apoiada pela esposa Juliana, era abrir um negócio próprio, uma serraria. E, assim, começaram a atividade. Na época, tinham seis funcionários que se encarregavam do “desdobramento” de madeira para a fabricação de pallets. Os pallets são uma espécie de plataforma de madeira, adotados para facilitar o transporte e o empilhamento cargas. Logo, com o aumento da produção e das vendas, resolveram contratar mais funcionários. Agregando mais valor; gerando mais postos de trabalho por aqui Em 2012, Aldo resolveu, ele mesmo, fabricar os pallets. Primeiro, para agregar mais valor à madeira e obter, assim, maior rendimento financeiro. Segundo, porque poderia gerar mais empregos. Hoje, a empresa já produz cerca de 10 mil pallets mensais. Isso dá uma média diária de 420 produzidos. Para isso, são mobilizados 16 funcionários. Os empreendedores pensam, contudo, em aumentar ainda mais a produção e, assim, gerar mais empregos. Eles pensam que podem contribuir para realizar o sonho de algumas famílias de ter empregos aqui, próximos de casa. Tudo certinho Aldo afirma que todos os colaboradores têm carteiras registradas e recebem todos os equipamentos de proteção exigidos pela segurança do trabalho. Todos os meses, no dia do pagamento, é realizada uma confraternização. Da mesma forma, há comemoração quando alguém completa aniversário. Empresa familiar Aldo transporta a produção diária. Lauro, o pai, trabalha na serraria junto com a nora Juliana, que se encarrega da parte administrativa da empresa. O casal diz estar satisfeito por ter renda própria e, também, por gerar oportunidades para outras famílias. Como se trata? Resfriado comum Apresenta-se com coriza (secreção nasal), nariz entupido e espirros. A pessoa também pode ter febre, dor ou irritação de garganta, tosse, dor de cabeça, sensação de ouvido entupido, dor de ouvido, rouquidão, perda de apetite, irritação nos olhos ou outros sintomas. Os sintomas duram em média de sete a dez dias. A tosse pode durar mais, de dez a catorze dias após o resfriado. E, se isolada, não necessita de tratamento com medicamentos. Gripe Inicia-se com febre alta, seguida de dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, nariz entupido, espirros e tosse. A febre dura mais ou menos três dias. E a tosse pode evoluir para produção de catarro (amarelo-esverdeado), durando cerca de sete a dez dias. Os sintomas da gripe são mais intensos, enquanto que os sintomas do resfriado são mais leves e tem uma menor duração. As crianças têm em média oito resfriados no ano. Eles são mais comuns quando elas frequentam creches (podendo chegar até 12 episódios no ano). Os resfriados podem ocorrer em qualquer época do ano, mas são mais comuns no inverno e nos meses chuvosos. Dor de garganta (amigdalite/ faringite/laringite) Madeireira Nova Fátima Registro de agradecimentos O grupo de famílias São João Batista agradece ao padre Ademir Eing, que no sábado, 21 de junho, celebrou missa em honra ao seu padroeiro. O agradecimento especial vai também para a família de Jaime e Sônia, por receber todo o grupo com um delicioso almoço. A tarde continuou bem animada, com jogos, conversas e um farto café colonial servido pela dona da casa. Pode ocorrer junto com resfriados e gripes. Ou pode se apresentar somente com dor na garganta, dificuldade de engolir, rouquidão, febre, dor no corpo, ínguas (nódulos doloridos) no pescoço e/ou placas esbranquiçadas nas amígdalas. Tem duração média de sete a dez dias. Viroses Todas essas infecções são geralmente causadas por vírus. A transmissão pode ser direta, quando a secreção contaminada de uma pessoa Antes de conversarmos sobre os tratamentos, é importante lembrar que não existem remédios para tratar gripe e resfriados. Os medicamentos servem para aliviar os sintomas. E atenção: não é indicado usar Tamiflu® ou Relenza® sem orientação médica. Gripes, resfriados e dores de garganta são doenças geralmente autolimitadas. Isto é, resolvem-se sozinhas, sendo suficiente, na maioria dos casos, o tratamento de suporte (com analgésicos, antitérmicos), repouso e hidratação. Os antibióticos (por exemplo, Amoxicilina, Benzetacil®, Azitromicina) não funcionam para tratar a gripe. Eles são prescritos somente nos casos de eventuais complicações, como infecções bacterianas. Beba bastante água e sucos naturais ricos em vitamina C (laranja, goiaba, acerola...). Não há necessidade e não há evidência que funcione tomar vitamina C em comprimidos. Para tratar a dor e febre dê preferência ao paracetamol ou dipirona. Evite anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida), pois, apesar de aliviarem a dor quando mais intensa, podem causar efeitos colaterais. Reserve esses remédios se os sintomas de dor forem muito intensos. Para o nariz entupido e coriza aplique soro fisiológico nas narinas várias vezes ao dia. Também é possível fazer uma solução caseira para o nariz com meia colher de chá de sal em um copo de água morna. Não use descongestionantes contendo fenoxazolina / nafazolina / oximetazolina (Afrin®/Sorine®/Neosoro®), pois podem causar complicações. Evite remédios, xaropes ou similares para gripe que contenham substâncias como pseudoefedrina / efedrina / cafeína (Naldecon®/Apracur®/Benegripe®/Cimegrip®/CoristinaD®/ Descon®), pois podem causar complicações graves principalmente em pessoas com pressão alta. Vovó já dizia... De preferência para tratamentos naturais, com pouco ou nenhum efeito colateral. Uma colher de mel 3 a 4 vezes ao dia (para crianças acima de 1 ano e adultos não-diabéticos). Spray de própolis (de preferência sem álcool na composição). Chás com limão, alho, gengibre, hortelã ou aniz estrelado. Chás ou xaropes contendo guaco e agrião. Gargarejos com água morna. A polêmica vacina contra gripe Ainda há poucas evidências científicas de que a vacinação contra a gripe realmente proteja o indivíduo de complicações da gripe, ou reduza mortes por gripe. Portanto, se você é uma pessoa saudável, sem outras doenças ou problemas de saúde crônicos, não há evidências de que você precise se vacinar. Têm maior risco de complicações as crianças com menos de 2 anos, os adultos com mais de 65 anos, pessoas que vivem em asilos ou instituições de saúde, doentes crônicos (diabéticos mal-controlados, pessoas com problemas pulmonares ou cardíacos, portadores de HIV, por exemplo). Qualquer dúvida consulte seu médico de família. Quando procurar o centro de saúde? Se tiver febre persistente por mais de 3 a 4 dias. Se apresentar dificuldade para respirar, vômitos e diarréia sem melhora, inchaço nas juntas ou muita dor que não aliviam com medicação. Se seu filho parecer doente, irritado, abatido ou dormindo demais. Se ele parar de brincar ou não aceitar comidas ou bebidas. Se os sintomas não estiverem melhorando ou durarem mais de 7 a 10 dias seguidos. Sinais de gravidade e que necessitam avaliação médica urgente Bebês com menos de 3 meses, principalmente recém-nascidos. Criança com mau estado geral, com cansaço e/ou irritabilidade excessiva, ausência de sorriso. Criança com pele muito pálida ou arroxeada. Criança com choro inconsolável, respiração gemente ou ofegante. Adultos com falta de ar, dificuldade de respirar, dor torácica ao respirar, pressão baixa, alterações de consciência, desorientação, vômitos persistentes. A doença pode ser um caminho Por fim, vale lembrar que toda doença é sinal de desequilíbrio. Mais do que “silenciar” o corpo com um remédio, procure entender o que houve, reflita e dê tempo para melhorar. Cada doença é uma oportunidade de autoconhecimento. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 15 ANO 2 - Nº 13 • Edição Mensal - Julho/2014 • Jornal da Criança de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia • Distribuição gratuita. Venda Proibida. QUE FORÇA! DESDE A ABERTURA DA COPA, AS CRIANÇAS FICARAM IMPRESSIONADAS COM O MOMENTO DE CANTAR O HINO NACIONAL BRASILEIRO. NO ESTÁDIO LOTADO, OS TORCEDORES EMOCIONADOS FIZERAM UM FORTE CORO. E CANTARAM AINDA MAIS ALTO QUANDO TERMINOU O ACOMPANHAMENTO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS. COMO A FIFA ESTABELECEU UM TEMPO PARA TOCAR OS HINOS NACIONAIS NA COPA, A MÚSICA PAROU QUANDO FORAM COMPLETADOS 65 SEGUNDOS. MAS O ESTÁDIO INTEIRO CONTINUOU CANTANDO ATÉ O FINAL DA PARTE 1. DEPOIS, MUITOS JOGADORES CHORARAM. PRINCIPALMENTE OS DOIS QUE SÃO OS PREFERIDOS DAS CRIANÇAS: NEYMAR E O CABELUDO DAVI LUIZ. MANIA DEPOIS DAQUELE JOGO, O HINO VIROU UMA ESPÉCIE DE MANIA. E UMA REDE DE TELEVISÃO DIVULGOU UM VIDEO DA INTERNET COM UMA MENINA CANTANDO COM A LETRA ERRADA. MAS FICAVA SABOROSO. ELA DIZIA: “Ó PÁTRIA AMADA GOIABADA, SALVE, SALVE”. AÍ, PRESTAMOS MAIS ATENÇÃO E VIMOS QUE TEM GENTE QUE CANTA TERRA DOURADA, EM VEZ DE TERRA ADORADA. EM TERCEIRO, QUANDO DEVERIA SER EM TEU SEIO. IMPÁVIDO GROSSO, QUANDO O CERTO É IMPÁVIDO COLOSSO. IDEIA ASSIM, PENSAMOS EM MOSTRAR NESSA EDIÇÃO DO CRIANÇA SRL A LETRA CERTA DO HINO NACIONAL. MAS A GENTE SABE QUE NÃO BASTA A LETRA. PORQUE A LETRA DO HINO BRASILEIRO É COMPLICADA. DIFÍCIL DE LEMBRAR. E DIFÍCIL DE ENTENDER! PORQUE ELA FOI FEITA EM 1909. ISSO MESMO, HÁ 105 ANOS. ASSIM, ELA TEM EXPRESSÕES DAQUELA ÉPOCA. E QUE NINGUÉM USA MAIS. O QUE É LÁBARO? GARRIDA? ALÉM DISSO, AS COISAS ESTÃO FORA DA ORDEM A QUE ESTAMOS ACOSTUMADOS. POR ISSO, TIVEMOS A IDEIA DE DECIFRAR O HINO PARA VOCÊ. ESTAVAMOS FAZENDO ISSO, QUANDO NO SÁBADO (28 DE JUNHO), O CADERNO INFANTIL DA FOLHA DE SÃO PAULO, A FOLHINHA, NOS PASSOU A PERNA. PUBLICOU UMA COISA MUITO PARECIDA. MAS NÓS NÃO VAMOS DEIXAR VOCÊ NA MÃO. VAMOS PUBLICAR O NOSSO TAMBÉM. NOSSAS FONTES: ESCOLHEMOS USAR UM MATERIAL QUE ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET, NO SITE WWW.UOL.COM.BR. SE QUISER ACHÁ-LO, O TÍTULO É: UOL “TRADUZ” A LETRA DO HINO NACIONAL PARA VOCÊ. A FOLHINHA ACABOU NOS INFLUENCIANDO TAMBÉM. BOA LEITURA! E ESPERAMOS QUE VOCÊ POSSA PARTICIPAR DO CORO. PARA ISSO É PRECISO QUE A SELEÇÃO CONTINUE GANHANDO. SE ISSO NÃO ACONTECER, VOCÊ PODE CANTAR O HINO NA ESCOLA, EM DESFILES OU EM FESTAS CÍVICAS. 2 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 3 4 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL PINTE A BANDEIRA DO NOSSO PAÍS E ESCREVA O SIGNIFICADO DAS CORES EM NOSSA BANDEIRA: A) VERDE ________________________________________ B) AMARELO _____________________________________ C) AZUL __________________________________________ D) BRANCO ______________________________________ Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 15 MEIO AMBIENTE Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas (CT-PCH) da Bacia do Rio Tubarão presta contas aos santarosalimenses No dia 18 de junho, o Coordenador da CT-PCH, Silvio Tiago Cabral, esteve no município, acompanhado pelo consultor do Comitê, Guilherme Herdt. Vieram apresentar o relatório das ações que a CT-PCH vem desenvolvendo. Uma audiência pública foi realizada na Câmara Municipal de Vereadores, com a presença do presidente daquela Casa Legislativa, Ivo Vandresen, do vereador Luiz Schmidt, membro da CT-PCH, de coordenadores e membros da Acolhida na Colônia, da Agreco e do Centro de Formação, além de estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UFSC. A reportagem do Canal SRL esteve presente e registrou os relatos feitos. Destaque-se que os diretores da Editora O Ronco do Bugio, que publica este jornal, estão entre os criadores do Movimento a favor do Rio Braço do Norte. Silvio Cabral e Guilherme Herdt foram diretos: “Não é aquele ritmo que e gente gostaria. Mas as coisas estão andando!” Conheçam outros depoimentos importantes desses membros do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar. sul na Câmara. Depois de um ano de discussões... Eu fiquei feliz. Foi cansativo, foi lento, mas chegamos a um denominador comum. E pelo menos não recebemos mais reclamações. [...] Também, foi um tempo de bastante chuva. Reunião da Câmara Técnica - PCH na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima. Frutificou! [A criação da Câmara Técnica] partiu daqui de Santa Rosa de Lima (ver Box). Eu vejo que frutificou! Uma coisa muito boa foi a manifestação das pessoas, da sociedade, da cidade com relação às PCH. Com isso, nós aprovamos a criação da câmara e iniciamos os trabalhos. E nós chamamos para discutir, em especial, os empreendedores, os donos das PCH. Vazão O que a gente quer saber é o seguinte: qual a vazão de água daqueles tubos [nas barragens]? Ela confere com a vazão prevista no licenciamento ambiental? Qual a vazão de água que eles podem operar? Na verdade, temos que inspecionar tudo, dentro dos parâmetros legais. [...] Estes projetos estão vindo de paraquedas de Florianópolis. Mas eles têm que passar pela análise do Comitê. Eu não vou dizer que estou me opondo às PCH. Me oponho à maneira como eles [os empreendedores] estão operacionalizando. O tratamento poderia ter sido bem melhor por parte deles. Todas essas questões têm que ser discutidas. Teriam que ser feitas audiências públicas... O difícil foi contar com a Eletrosul nas reuniões da CT-PCH O trabalho maior do Comitê foi fazer com que a Eletrosul comparecesse às reuniões da Câmara Técnica. Mandamos convites para o gerente de obras hidráulicas e para o presidente da Eletrosul. Foram diversas ligações. Registramos ofícios, para conferir o recebimento. Até que um dia, apareceu um cara lá. Era um mecânico da empresa. Relatamos o que estava aconte- cendo e ele disse que não sabia, que ele não poderia falar sobre aquele assunto. A lentidão foi consequência do não comparecimento da Eletrosul. A PCH dela é a única destas situadas na Bacia do Tubarão que faz gestão da água. A Eletrosul tem a maior barragem. Ela tem um belo discurso. Tem muitos técnicos. Aí, numa reunião seguinte, vieram cinco pessoas da Eletrosul. Sincronismo Então, se começou a discutir um novo tratamento com relação à operação destas PCH. O que se propôs foi uma espécie de sincronismo. Uma seguraria, a outra liberaria [água]. O rio não sentiria tanto o efeito [das barragens], se eles fizessem esta operacionalização. Para isso, teria que ter uma boa comunicação entre as PCH. Isso foi em dezembro [de 2013], com a presença da Eletro- Estiagem O mês de fevereiro chegou e, com ele, novo período de estiagem. E aí o pessoal começou a me ligar. Como sou professor do curso de Agronomia da Unisul e tenho muitos alunos nesta região, muita gente me conhece. E o pessoal liga mais pra mim do que para a Fatma. Então nós viemos aqui. Foram dois dias de campo, em duas semanas diferentes. Fotografamos e documentamos tudo. Verificamos a vazão do rio, fomos lá, na comporta, no gerador... Levamos tudo para a reunião da Câmara Técnica. Na procuradoria Aí, o engenheiro da Eletrosul veio à CT-PCH fazer uma defesa. Entregou um relatório e disse para os membros da Câmara: “só paramos as comportas onze vezes”. Mas se eu tenho um rio e eu fecho uma vez, já é suficiente para matar peixes e tudo que tem para baixo. Acaba a oxigenação. Acaba a quantidade de água. E o licenciamento ambiental não prevê uma coisa assim. Eu não gostei da atitude deles falarem assim: “Olha, foram só onze vezes”. Nós lavamos o relatório para o Núcleo de Apoio Técnico do Comitê, formulamos um documento e fizemos uma denúncia junto ao Ministério Público. Entregamos para o Dr. Sandro de Araújo, de Tubarão e para a promotora Cândida Antunes Ferreira, em Braço do Norte. Eletrosul é a única fora de sintonia O que aconteceu foi que a Eletrosul se comprometeu a fazer de uma forma diferente em relação ao que vinha fazendo anteriormente. Mas quando estivemos aqui [em Santa Rosa de Lima] para verificar, nós constatamos que as turbinas estavam funcionando. Então, isso nos motivou a fazer a denúncia. Depois de umas duas semanas eles nos chamaram para conversar: “Queremos saber esta história”, eles disseram. Marcamos uma reunião. Mas eles transferiram, sem apontar nova data. Mas já estão cientes. E devem conversar com a promotoria. Como as outras empresas estão agindo em sintonia, não houve mais grandes problemas. Apenas a Eletrosul não está cumprindo a parte dela. A Eletrosul diz que o monitoramento 24 horas é feito de Florianópolis. Que eles conseguem abrir e fechar a comporta lá da capital. Mas eles apontaram o que julgam uma dificuldade. Para agir em sincronia o operador de uma PCH tem que entrar em contato com o operador de outra e a Eletrosul diz que como a telefonia e a internet não são boas lá onde fica o maquinário, seria difícil realizar esses contatos. Chamar à razão Com esta notificação que o Comitê da Bacia do Rio Tubarão fez ao Ministério Público, há a possibilidade de um fechamento ou de um embargo. Esperamos que, com isso, este pessoal aprenda a respeitar. A gente não queria isso. Mas esperamos que o Ministério Público dê uma chacoalhada neste pessoal. Em especial na Eletrosul. segue 16 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL segue MEIO AMBIENTE são sobre as PCH, o Comitê também solicitou à superintendência da Fatma em Tubarão que fizesse a verificação da vazão do rio Braço do Norte. Ela simplesmente respondeu que não tem equipamento, que apenas um técnico atende os 19 municípios da regional e que, às vezes, faltava até combustível. Isso tudo em uma bacia hidrográfica de 5.960 quilômetros quadrados. Uma, das sete barragens, no Rio Braço do Norte Vida no rio No seminário em Santa Rosa de Lima foi levantada a questão de fazer um corredor para os peixes, um corredor de piracema. Os estudos apontavam que os peixes daqui não são migratórios. Não chegamos ainda a um bom embasamento nesta questão. Tivemos, entretanto, relatos de moradores que viram muitos peixes que, ao tentar subir o rio, batiam no muro de concreto da barragem. Então, os empreendedores ficaram de apresentar uma solução. Para pegar o peixe e fazê-lo subir. Para fazer um pouco desta transposição dos peixes. Nós também temos outro objetivo: o de fazer repovoamento com as espécies nativas. Mas não podemos pedir o repovoamento enquanto o problema maior não for resolvido. Afinal, os problemas de vazão vão continuar matando os peixes. Monitoramento e controle O ideal seria a gente conseguir um equipamento de medição de vazão. Não deveria ser difícil. Poderia ter uma medição periódica e essa seria uma boa ferramenta para monitorar. A Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Estado tem um equipamento desse tipo e nós solicitamos que ela fizesse essas medidas. Se ela fez, nunca enviou nenhum relatório para o Comitê da Bacia do Rio Tubarão. Insistimos, mas não houve retorno. Não adianta medir uma ou duas vezes. É preciso medir em épocas de chuva e em épocas de estiagem. Há uma metodologia. Quando começou esta discus- Ameaças O governo do estado publicou uma resolução que impede a liberação de novas licenças para este tipo de empreendimento, enquanto não forem resolvidos estes problemas. Hoje são sete PCH implantadas no rio Braço do Norte. Somando com as do Rio Capivari, são dezesseis. Nós temos que ficar de olho. E esta discussão tem que ser feita no Comitê da Bacia do Rio Tubarão e em sua Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas. Só assim evitaremos que os projetos cheguem de paraquedas. Estas liberações [de licenças] acabam acontecendo porque eles fazem os projetos isolados. Já foi solicitado um estudo global do rio, mas a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável ainda não sinalizou nenhuma ação. Por isso, é muito importante a participação da população, dos agricultores, do pessoal do turismo, do rafting... É preciso que a gente tenha este apoio, para ter a força necessária. A água deve ter múltiplos usos: esporte, pesca, lazer... Curta a página do Movimento a Favor do Rio Braço do Norte no Facebook O nascimento da Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas O princípio Com a instalação de uma série de PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas) ao longo do Rio Braço do Norte, jovens e lideranças de Santa Rosa de Lima se reuniram com o objetivo de articular ações em favor desse importante curso d’água. Eles buscam mostrar seu descontentamento com os impactos ambientais gerados por estes empreendimentos. Mais do que isso, querem evitar que qualquer nova PCH seja implantada no trecho Anitápolis - Santa Rosa de Lima - Rio Fortuna - Braço do Norte. Movimento e ações A primeira iniciativa foi criar o Movimento a favor do Rio Braço do Norte e uma página no Facebook para, segundo os organizadores, “publicar imagens dos impactos no rio Braço do Norte que, de caudaloso, se viu transformado em um pequeno córrego, dos impactos na mata ciliar, da matança de peixes, dos urubus, das barragens cheias...” Isso ocorreu em março de 2013. A etapa seguinte foi organizar o I Seminário a favor do Rio Braço do Norte. Um evento de abrangência regional, com o objetivo de discutir os impactos das obras de construção das PCH e os problemas pelos quais o rio e as comunidades vinham passando. O seminário foi realizado em Santa Rosa de Lima, no dia 5 de abril de 2013 e estiveram presentes, como debatedores, o Secretário Executivo do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Francisco de Assis Beltrame, o advogado da ONG Montanha Viva, Eduardo Bastos Moreira Lima, e o Padre Aluísio Jocken, da Comissão Pastoral da Terra. Cento e trinta pessoas lotaram o Centro de convivência dos idosos. Eram representantes de diversas entidades civis organizadas, vereadores, secretários municipais da região, imprensa e estudantes. Surge a Câmara O principal encaminhamento foi proposto pelo próprio Secretário Executivo do Comitê da Bacia do Rio Tubarão: “o Comitê poderia criar uma Câmara Técnica para discutir melhor a relação entre o rio e as PCH”. Padre Aluísio consultou os presentes: “quem aqui é a favor que se crie esta nova Câmara Técnica, que se manifeste”. Guilherme Herdt, hoje consultor do Comitê relembra: “todos levantaram as duas mãos. Diante disto, na assembleia geral do Comitê, realizada no dia 24 de abril, foi aprovada por unanimidade a criação da Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas (CT -PCH)”. O Coordenador escolhido foi Silvio Tiago Cabral, professor no curso de Agronomia na Unisul, e representante daquela universidade no Comitê. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 17 Espaço d’Acolhida Ney Feldhaus e Ângela da Silva Feldhaus Pousada Cantinho da Família O cheiro da mata, o frescor da brisa, o som dos pássaros e das quedas d’água, tudo isso nos faz pensar que estamos a um passo do paraíso. Familiar e com uma benção da natureza A Pousada Cantinho da Família reflete a união da família e o gosto pela atividade que desenvolvemos. Por isso, ela é um encanto. Por isso, ela é muito bem cuidada. Contando com atrativos especiais da natureza, conseguimos transmitir, ao turista, calma, paz e serenidade. O começo A ideia de trabalhar com turismo rural surgiu há mais de dez anos. Primeiro, embelezamos e investimos na propriedade com a intenção de proporcionar apenas o lazer para nossa família e para nossos amigos. Com muitos incentivos e com simpatia pela ideia, nossa família passou a planejar e investir no projeto de receber turistas. Foi aí que surgiram inúmeros desafios. O principal deles: conseguir os recursos financeiros necessários para construir ou adaptar as acomodações. Já conhecíamos a Cooperativa de Crédito Solidário – Cresol, pois, como agricultores, participamos ativamente dela, desde a fundação aqui no município. Foi através da cooperativa e com um pouco de recursos próprios que iniciamos a realização deste sonho. Hoje, vemos o empreendimento como uma forma de manter a família unida, trabalhando com o turismo rural. Nós, nossos filhos, Paloma e Patrick, nosso genro, Douglas, e mais Seu Amantino e Dona Catarina (pais do Ney), todos nos mantemos unidos neste projeto. Vista aérea do Cantinho da Família Nosso objetivo é melhorar cada vez mais a pousada, para recebermos sempre mais turistas e compartilharmos nossa alegria de viver. Fazer parte da Acolhida Tem um ditado que diz: “De grão em grão, se move uma montanha”. Se cada um de nós fizer um pouquinho, teremos um mundo melhor. Por sete anos trabalhamos por conta própria. Há três anos julgamos que o melhor era nos associarmos à Acolhida na Colônia. Nossa estrutura A propriedade rural tem uma área de 23 hectares. Além do turismo rural, trabalha-se com a preservação de espécies nativas e o reflorestamento. Para o acolhimento de hóspedes, são sete as acomodações. Destas, cinco são suítes. No conjunto, é possível hospedar até 19 pessoas. Os turistas podem desfrutar de tirolesa, piscina, lago para prática de canoagem com caiaque, pescaria, trilha, carro de boi. Podem, ainda, vivenciar o dia a dia do agricultor. Isso inclui atividades como tirar leite de vacas, ou conhecer a produção de mel por abelhas sem ferrão e saboreá-lo direto da colmeia. Um amplo restaurante, com capacidade para 200 pessoas, permite recebermos para festas de aniversário, de casamentos ou empresariais, além de outros eventos. Existe, ainda, uma área para camping. Nossos serviços Estamos localizados na Comunidade de Nova Fátima, com chegada pela SC 108, em Santa Rosa de Lima. Oferecemos qualidade de atendimento, em total harmonia com a natureza. A alimentação saudável é feita, em grande parte, com produtos cultivados de forma orgânica na propriedade. Nossa maior alegria é receber os turistas e deixá -los satisfeitos com nossos atrativos. Nossa satisfação é ver que nossos visitantes estão felizes e tranquilos, longe da correria das grandes cidades. Reservas: (48) 9997-8749, com Ney ou Ângela, ou na Acolhida na Colônia, (48) 3654-0186 e no site www.acolhida.com.br 18 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Meine Meinung Minha Opinião Wilson Feijão Schmidt COMUNIDADE RIO BRAVO Karla Folster | Júnior Alberton | Ana Paula Vanderlinde Numa manhã chuvosa de junho, fomos até a Pousada Tenfen, um empreendimento turístico que é orgulho para a nossa comunidade. Nosso objetivo era entrevistar Nilson Tenfen, agricultor familiar e um dos pioneiros do turismo rural em Santa Rosa de Lima. Aos 63 anos, ele esbanja saúde e muita disposição para uma prosa. A conversa era sobre “os velhos tempos” e rendeu. Selecionamos, para nosso querido leitor, algumas passagens. Relembrar e comparar Seu Nilson se lembra da nossa comunidade em “um tempo em que a igreja lotava todo domingo”. Tempo dos engenhos, atafonas e olarias. Segundo ele, daquelas estruturas saíam produtos de muito boa qualidade. E lamenta que elas não funcionem mais por aqui. Compara a forma como se tratava da saúde. “Os antigos tinham um modo [de vida] diferente de hoje, né? Não existia posto de saúde perto e com medicamentos, como hoje”. Por isso, lembra os chás caseiros, feitos por sua mãe, que sempre o ajudaram a melhorar. Para ele, o chá caseiro ainda tem sua importância e eficácia. Acredita que não se deve abrir mão de cultivar plantas medicinais no quintal de casa. Uma passagem o marcou: “Hoje, há mais acesso a tratamentos na área da saúde. Antigamente, eu me lembro, eu tive que sair às seis horas da manhã daqui de casa para chegar às oito horas da noite em Braço do Norte. Cheguei lá muito mal. Perto de morrer. E nem sabia se teria médico ou não. Graças a Deus tinha um e fui atendido. Me operaram e, depois, vim embora. Eu saí nove horas da manhã do hospital para chegar no outro dia de manhã em casa. Tinha que pernoitar na viagem.” Paixão pelo futebol Seu Nilson recorda que, “na juventude” dele, havia um time de futebol forte na comunidade. E que aqui vinha muita gente, tanto para jogar, quanto para assistir. “Nós fazíamos amistosos com outras comunidades. Dava partidas pesadas. O juiz tinha que ser pulso firme para aguentar. Do lado do campo, era aquele ‘poveiro’. Quando nascia um gol, isso subia guardachuva, subia sapato. Os torcedores jogavam alto, lá pra cima. A gente não se esquece disso”. Já quando iam jogar em outra comunidade, “Não tinha ônibus. Era caminhão, pau-de-arara. Ia todo mundo em cima.” Nilson Tenfen gosta muito de futebol e torce pela seleção brasileira, que diz ser seu “time do coração”. Recorda o mundial de 1974: “Foi naquela copa que eu comprei a primeira televisão, preto e branco e com ‘chuvisco’. Mas não faltava gente dentro da sala. Não cabia nem mais um, com vontade de ver o jogo. Escasso dava para conhecer os jogadores. Mas funcionava! Lembro-me bem! Era um calor humano quando as pessoas se juntavam para ver o jogo. Hoje, o pessoal tá mais dividido. Cada um na sua casa... Já não precisa ir na casa do outro para ver o jogo, pra ver o mundo lá fora. Você está informado do dia a dia dentro da sua casa. Esse é o mundo moderno de hoje.” Apostar na juventude Com ar de pesar, Seu Nilson lamenta o fato da comunidade estar se esvaziando. Aponta, como maior causa, “a falta de oportunidades para o jovem permanecer no campo, com a família”. “A juventude não está ficando na comunidade. Muitos já se foram para a cidade. E muitos ainda vão, né? Aqueles que ficam têm dificuldades. A comunidade tem grande potencial. Porém, esse potencial não é aproveitado. E os jovens acabam buscando oportunidades na cidade”. Diz que é preciso haver ideias e apoio à juventude: “Os mais velhos precisam pensar nesse lado”. Ele ressalta que “não é só chegar ali e dizer para o jovem: vai trabalhar! É preciso experiência. São coisas de longo prazo que precisam de investimento. Não é imediato. Para a comunidade crescer é preciso mais ideias [...], lançar projetos e trazer alguma coisa de volta para cá.” A copa do Brasil I Você se lembra do “Não vai ter copa”? É o que diziam alguns poucos, não é? A TV Globo e os grandes jornais aproveitavam essas minorias para tentar ampliar o que chamavam de “o pessimismo dos brasileiros”. Hoje, os estádios “que nunca ficariam prontos” recebem os jogos e milhares de torcedores. O ataque de histeria da TV e dos grandes jornais logo se transformou em soluços. É preciso que pensemos em que intenções tinha a grande imprensa. Porque ela vai voltar à carga depois da copa... A copa do Brasil II Uma pesquisa do site brasileiro UOL perguntou aos jornalistas estrangeiros que estão no Brasil para a cobertura da Copa: “O que te surpreendeu positivamente no Brasil?”. A principal resposta (30,3%) foi “o povo brasileiro”. Entre outros adjetivos, os brasileiros foram considerados pessoas “amáveis”, “acolhedoras” e “muito dispostas a ajudar”. A Copa e dois Brasis I Na abertura do torneio da Fifa, a Presidente Dilma foi xingada. Como afirmou Juca Kfouri, “com palavrões típicos de quem tem dinheiro, mas não tem um mínimo de educação, civilidade ou espírito democrático”. Ou, na expressão de Eliane Trindade, “brasileiros que estudaram em escolas padrão Fifa, mas que não aprenderam lá nem em casa que não se deve mandar uma senhora com idade para ser sua mãe e avó para aquele lugar”. E essa senhora exerce o cargo de Presidente do Brasil! Eram brasileiros que têm dinheiro para comprar ingressos que custam mais de mil reais. Pesquisa do Datafolha indica que 90% dos torcedores que comparecem aos estádios em jogos do Brasil pertencem às classes A ou B. A Copa e dois Brasis II Você deve se lembrar que o 1% mais rico da população (cerca de dois milhões de pessoas) abocanha cerca de 17% da renda nacional. Os 10% mais ricos (aproximadamente vinte milhões de pessoas) fica com metade da renda nacional. Enquanto isso, 60% da população (120 milhões de pessoas) detêm apenas 22% da mesma renda nacional. O que talvez incomode os que ocuparam a ala VIP da Arena Corinthians é que, entre 2000 e 2010, esses 120 milhões de brasileiros pobres tiveram seus rendimentos aumentados de 18% para 22%. Essa pequena melhoria, em função das políticas distributivas adotadas pelos Governos Lula e Dilma, parece, estão na origem daqueles atos indefensáveis. A Copa e dois Brasis III Para que os poucos leitores desta coluna reflitam, aproveito uma nota com o título “Dois países”. Ela saiu na coluna do Jânio de Freitas (Folha de São Paulo, 29 de junho de 2014, página A9). Freitas lembra que a imprensa, a TV, as rádios nos bombardearam com mensagens e resultados de supostas pesquisas de opinião que apontavam que “o desânimo do brasileiro é total”, que “o pessimismo nos imobiliza”, que “o desemprego nos alarma”, que “estamos todos reduzidos a desastres humanos”. Em resumo que o país está atolado “na vergonha do seu fracasso”. O jornalista destaca que, ao mesmo tempo, saíram os resultados de uma pesquisa internacional, feita ‘em mais de 130 países: a Gallup World Cup. Pela oitava vez consecutiva, o Brasil aparece em primeiro lugar na satisfação dos seus habitantes com a vida nos próximos cinco anos. Na média, os brasileiros deram a nota 8,8 (de zero a dez) para a sua “felicidade futura”. Jânio de Freitas chama a atenção para o conflito das duas visões. E ironiza sobre as causas desse conflito. Ou, sobre o que explicaria essa versão pessimista tão inchada pelos grandes jornais, pelas TV e pelas grandes redes de rádio do país. Frases para pensar sobre jornais no município e licitações dirigidas “Melhor uma imprensa livre sem governo do que um governo sem imprensa livre”. Thomas Jefferson “Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Millôr Fernandes E esta coluna, parafraseando o norte americano Arthur Miller, adverte: Um bom jornal é aquele onde o povo de um município conversa consigo mesmo. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 19 Família SRL Adolfo Wiemes Santa Maria Goretti O mês de julho marca o martírio e a canonização desta santa da Igreja Católica. Criança pobre e temente a Deus Maria Tereza Goretti, nascida em 16 de outubro de 1890, em Corinaldo, centro da Itália, era de família camponesa, pobre, numerosa e muito temente a Deus. Quando ela tinha seis anos, seus pais ficaram tão pobres que a família foi forçada a deixar sua propriedade e trabalhar para outros agricultores. Em 1900, com a morte do pai, a família foi morar em um lugar perto de Roma. Dividiam o mesmo teto com os Sirenelli: um viúvo e seus dois filhos. Maria Goretti era a terceira dos seis filhos e enquanto sua mãe, seus irmãos e sua irmã mais velha trabalhavam nos campos, ela cozinhava, limpava a casa e cuidava de sua irmã menor. Era uma vida difícil, mas a família estava sempre próxima, compartilhando um profundo amor por Deus e sua fé. Martírio Em 5 de Julho de 1902, Alexandre Sirenelli, um dos moradores da casa, então com vinte anos, encontrou a menina de onze anos costurando, sozinha em casa. Ele entrou e a ameaçou de morte se ela não fizesse o que ele mandava. A intenção do rapaz era estuprá-la. Diz o processo canônico que Maria Goretti encontrou forças para lutar como um leão para defender o tesouro mais querido de sua vida: sua castidade. Ela gritava “Não! É um pecado! Deus não gosta disto!”. Alexandre primeiro tentou controlá-la, mas como ela resistia e insistia que preferia morrer, ele a apunhalou onze vezes. Ferida, Maria tentou alcançar a porta, mas ele a agarrou e deu mais três punhaladas, antes de fugir. A irmã menor acordou com o barulho e começou a chorar. Quando o pai de Alexandre e a mãe de Maria Goretti chegaram, encontraram a menina sangrando muito. Levaram-na para o hospital, no município vizinho. Ela foi operada, sem anestesia, mas os ferimentos estavam além da capacidade dos médicos. Durante a cirurgia, Maria recobrou os sentidos e insistiu que preferia ficar acordada. Perdão em vida... e morte Na manhã seguinte, domingo, 6 de julho, Maria Goretti recebeu a Sagrada Comunhão. Foi comovente a cena que se passou. Sua mãe perguntou-lhe: Maria, minha filha, você perdoa de todo coração ao seu assassino? “Sim perdoo... Lá do céu, rogarei que se arrependa. Ainda mais: quero que ele esteja junto de mim na eterna glória”. COMUNIDADE NOVA ESPERANÇA Jaqueline Tonn Frio e calores O mês de julho traz com ele um ar mais gélido. É o inverno se aproximando de mansinho. Como sempre, o frio vem acompanhado do calor humano, do calor das festas “julinas”. É mês de tomar quentão, de comer pinhão, de dançar quadrilha. Por isso tudo, é um mês de muita diversão. Aqui em Nova Esperança, para espantar o frio, fazemos tudo isso. O mais prazeroso, contudo, é sentar em volta do fogão a lenha. Com essa chuva que tem caído e que as previsões dizem continuar ao longo da estação fria, nada melhor que o bom aconchego do lar. Para que temos a Copa? Em minha opinião, a Copa não é aquilo tudo. Não creio que ela vá nos ajudar a ter um Brasil melhor. Trabalhar e estudar, todos somos obrigados. Então eu me pergunto: por que ao invés de realizar uma Copa, os gestores não pensaram melhor e aplicaram esse dinheiro todo em saúde e educação? Claro que a soma dos recursos gastos com a Copa não iriam resolver. Mas ajudariam a dar um passo à frente. Talvez, assim, nós brasileiros iríamos nos sentir mais orgulhosos de quem esta a nossa frente. Canonização E a verdade é que Maria conseguiu seu intento, porque, no processo canônico para a beatificação, entre as primeiras testemunhas aparece Alexandre Serenelli, preso logo após a violenta investida. Ele próprio declarou ter tido uma visão da mártir, fato que culminou na conversão dele. Em 24 de julho de 1950, na Praça São Pedro, a mãe, os irmãos e o próprio assassino puderam assistir à solene canonização de Santa Maria Goretti, presidida pelo Santo Papa Pio XII. Para pensar O martírio de Santa Maria Goretti nos deixa o claro testemunho de maturidade de uma menina. Tinha clareza do que era o pecado e fez sua radical escolha de se opor ao agressor, por amor a Deus. Ainda em vida perdoou ao seu assassino, pagando o mal a ele cometido com o perdão, o que daria a seu agressor a oportunidade de se converter. Aprendamos dessa santa a clareza na escolha de nos opormos ao pecado e a heróica virtude de perdoar aqueles que nos fazem mal. Quem ganha? Parar por duas horas para assistir um jogo. O que ganhamos com isso? Nada! Nesse tempo pessoas morrem, matam ou se matam. O Brasil não muda, principalmente nas questões que envolvem a criminalidade e a corrupção. Esse é o nosso Brasil. Aqui na Nova Esperança, alguns moradores param para assistir aos jogos. Já outros não se dão a esse luxo. Porque precisam trabalhar. Necessitam continuar na luta da roça. Trabalham, faça sol ou faça chuva. Afinal, não é a “Seleção” quem vai colocar comida nas nossas mesas. A volta Depois que a Copa acabar, o Brasil voltará ao normal. Não vai voltar melhor e nem vai arrumar a bagunça em que está. Aqui, podemos dizer que moramos no paraíso, bem pertinho do céu, próximo a mais bela de todas as serras, a Serra Geral. Assim, não posso reclamar do lugar onde vivo. Mas tenho uma certeza: nosso país precisa melhorar em muitas coisas. Por isso, acho que precisamos da mobilização de muita gente, em cada lugarzinho do Brasil. Na Nova Esperança... Nós moramos num desses lugarzinhos. Ele é de ouro. Nele se planta e se colhe no devido tempo. Isso faz com que todos aqui aprendam a dar valor àquilo que adquiriram ao longo de suas trajetórias de vida. Um dia de cada vez, é assim que caminhamos. Vivendo e aprendendo sempre. Com sorrisos e com um bom dia dali; um bom dia daqui. Mas estamos nos mexendo para melhorar nosso país? 20 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL TRANSPARÊNCIA Licitação “padrão Fifa” No dia 23 de junho, a Prefeitura de Santa Rosa de Lima realizou um pregão presencial (Nº 25/2014). O objetivo era “a contratação de empresa para a publicação de atos legais, oficiais e demais matérias informativas de interesse público do município [...], para o ano de 2014”. Com um detalhe importante: a contratação é prorrogável por três anos. Dirigida? A especificação dos itens não deixa de ser interessante. No primeiro, o edital prevê a contratação de jornal de circulação no mínimo bissemanal cuja abrangência mínima seja todos os Municípios da 36ª Secretaria de Desenvolvimento Regional. O leitor tem ideia de um jornal com esse perfil? Só faltou dizer que, como condição para concorrer, os nomes do dono e do próprio jornal deveriam começar com a letra “F”. No segundo, a contratação prevista é de jornal de circulação mensal cuja abrangência mínima seja todos os Municípios da 36ª Secretaria de Desenvolvimento Regional – SDR. O leitor também conhece um jornal com esse perfil? Por que será que houve a separação em dois itens? Ainda mais que a abrangência e as tiragens previstas (quatro mil exemplares) nos dois itens são as mesmas. Será que é uma necessidade logística da publicação de atos legais e oficiais exigiria esse “fatiamento”? Ou haveria outras explicações menos técnicas? Resultado e custos para o público Sem qualquer possibilidade de surpresa, os vencedores da licitação foram o Folha, de Braço do Norte, no item 1, e o Visor, de Rio Fortuna, no item 2. Os valores previstos são significativos para um pequeno município. No primeiro caso, R$ 1.000,00 por mês. No segundo, R$ 2.400,00 mensais. Ou seja, por ano, vai se gastar R$ 43.200,00 com os dois jornais. Motivação O Canal SRL faz essa nota apenas para informar a popu- lação sobre a aplicação de mais estes recursos públicos. Porque se eles serão aplicados com os jornais que venceram a licitação, deixarão de ser aplicados em outras ações públicas. Algumas que poderia representar um melhor ganho para a população. Cabe, assim, aos cidadãos julgar esse uso. O Jornal de Santa Rosa de Lima poderia cumprir essa mesma tarefa de publicação por um quarto do valor mensal contratado. Mas não tem muito interesse nisso porque conhece o tipo de contrapartidas exigidas em casos semelhantes. A independência é mais importante do que alguns caraminguás. Perguntas É reconhecida a necessidade da publicação de atos legais e oficiais. E, frequentemente, há a exigência de que as publicações para fazê-lo tenham abrangência regional. O detalhe importante do edital são as “demais matérias informativas de interesse público do município”. Será que isso não poderá significar matérias de promoção pessoal e política de sicranas e fulanos, de Mamis e de Papis? Ou da promoção política de partido X ou partido Y? O que significa, de fato “interesse público do município”? Uma questão que levanta dúvidas no edital é se com o item 2, a prefeitura não está passando, na prática, a viabilizar algo que ela deseja. Ou seja, a “distribuição gratuita do jornal em todas as residências do Município de Santa Rosa de Lima, compreendido, assim, além do centro da cidade, todas as comunidades do interior de Santa Rosa de Lima, no mínimo de quinhentas e oitenta famílias”. O leitor deve se dar conta do porque a distribuição do jornal vencedor deve passar a ser efetiva e não mais um faz de conta. Provavelmente, porque a administração pública municipal tem um enorme desejo de transparência e quer que cada cidadão conheça os atos legais e oficiais que ela edita. Acompanhamento Cabe, agora, à população e à Câmara de Vereadores fiscalizar a aplicação desses recursos. Verificar a quantidade de atos legais e oficiais publicados e se as “matérias” publicadas são de fato informativas (e não simples propaganda) e correspondem de fato ao interesse público do município. Afinal, caso isso não ocorra estará caracterizada uma malversação do dinheiro público. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 21 Rede AGRECO Volnei Luiz Heidemann | Adilson Maia Lunardi A partir desta edição, Agreco e CooperAgreco apresentarão os empreendimentos familiares a elas associados. São mais de duzentas famílias distribuídas por todo o território das Encostas da Serra Geral. Conheça o pioneirismo destes agricultores que ousaram apostar na produção agroecológica. A Doce Encanto é uma destas iniciativas. Foi a primeira agroindústria de processamento de cana de açúcar implantada pela Agreco. O empreendimento das famílias de Romeu e Valnério Assing fez parte do projeto de agroindústrias em rede, implantado no início do ano 2000. Hoje, quem cuida da produção é Romeu. Valnério dedica-se ao agroturismo na Pousada de agroturismo, que tem o mesmo nome. Depoimento dos irmãos Romeu e Valnério Assing samento. Hoje, trabalhamos só com o melado. Vimos que as nossas terras não dão uma cana muito boa para o açúcar mascavo. É o teor de açúcar. Não conseguimos o padrão que o mercado quer. Um solo dá um açúcar mais claro. Outro, um mais escuro. É bem complicado manter um padrão nesse tipo de relevo e de solos. Em outras regiões há mais facilidade. Agroindústria de processamento de cana de açúcar. O começo Foi em 1999 que começamos a discussão para a implantação da agroindústria. Organizamos toda a “papelada” dos projetos... E, no mesmo ano, começou a construção. A inauguração foi em maio de 2000. Aí, começamos o processamento de cana, para fazer melado e açúcar mascavo. No começo foi um pouco difícil transformar essa cana. Por aqui, só se processava de forma artesanal. Era um processo diferente. Então, fizemos cursos na estação experimental da Epagri, em Urussanga. Depois de muita prática, sempre em contato com o técnico de lá, conseguimos o padrão que queríamos. Depois disso, foi um sucesso. No começo, também tivemos outra dificuldade que foi a comercialização. Não se tinha um mercado trabalhado. Não tinha políticas públicas voltadas para isso. Cadeia produtiva completa Pelo que a gente escuta, pelo que dizem os consumidores, é um produto muito bom. Nós fazemos desde o plantio da cana até a parte final que é o enva- Daria para produzir mais Há alguns anos, equipamos também a agroindústria para destilar cachaça. Mas ainda produzimos muito pouco. Nossa agroindústria está com bastante capacidade ociosa. Daria para produzir mais, se tivesse mais venda e se a gente se dedicasse mais à produção. Hoje, processamos uns três hectares de cana. Mas, ela tem capacidade de processar uns dez. O melado é um produto fácil de produzir. E a cachaça orgânica bem feitinha também tem bastante aceitação no mercado. O problema é que hoje não temos assim grande quantidade de cana para a cachaça. Porque é mais vantagem vender melado. Para processar, bastam duas pessoas trabalhando. Na hora do envase, é preciso mais uma. Trabalhamos dois dias por semana. Um dia, cortamos a cana. No outro, processamos e embalamos. Especial Nossa aposta deve ser na produção de cachaça orgânica, que tem mais valor agregado. Esse é um projeto que estamos desenvolvendo. Inclusive, a agência de marketing que atende à CooperAgreco já está criando o rótulo e a embalagem deste produto. Para inseri-lo no mercado. É um item a mais. Mas ainda faltam algumas adequações. E a produção de mais matéria prima. Por encomenda, já fizemos um pouco. Estamos tentando conseguir uma qualidade superior. Daí, vamos ver... Analisar o consumo e ver se dá de investir. Porque tem um custo fixo meio alto. A vantagem é que é um produto que não tem data de validade. Quanto mais velha melhor... Então, você tem mais segurança. Além da cana de açúcar ser uma cultura bem rústica. Você planta e tem certeza que colhe. Essa parte é boa. Não pensamos em entupir todo mundo de cachaça. Isso vai contra os nossos princípios. Mas para aqueles que gostam de apreciar uma cachacinha bem boa, de ter uma guardadinha, vamos fazer uma que é especial. 22 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL INFRAESTRUTURA COMUNIDADE SANTA BÁRBARA Rodinei Beckhauser Tradição e renovação No último dia 13 de junho, dia do nosso padroeiro, mesmo sendo uma sexta-feira, a comunidade se reuniu mais uma vez para festejar. Logo cedo, pela manhã, demos início ao preparo de uma suculenta feijoada. Para servir no almoço. Em volta do “tacho”, velhas histórias, novas piadas e aquele clima familiar que sempre predomina por aqui. Depois de nos fartarmos com a feijoada, às três horas da tarde, nos reunimos em torno da fé, para homenagear Santo Antônio. A missa celebrada pelo padre José Jocken foi mais alegre. Porque, junto, houve o batizado do mais novo membro da nossa igreja: Luciano Silva Blasius, filho de Antônio Blasius e Maria Silva Blasius. Antônio Blasius e família. Tem que comemorar Por aqui, é difícil uma data especial sem festa. Assim, por ocasião do batizado, os pais e padrinhos do Luciano convidaram todos os membros da comunidade para, no domingo seguinte (dia 15), outra vez agradecer a Deus e confraternizar a chegada do rebento. E a festa foi daquele jeito, com muita gente, boa e farta comida, além das bebidas. Aproveito este espaço para desejar a todos os familiares e amigos de Luciano, que Deus continue os abençoando. Principalmente a esse menino que nos trouxe tanta alegria. A saudade vira lembrança Há um ano, Deus chamou para o conforto de seus braços a matriarca da nossa comunidade, senhora Almerinda Loch Bonetti, a Nona. Foi uma perda irreparável para nós. Mas, além da tristeza, guardamos os exemplos e os ensinamentos que ela nos deixou. A dedicação e a força sempre foram sinônimos da Nona, que, ainda hoje, nos serve de modelo. Afinal, em nossa memória ficam a dedicação à família e o bem que ela sempre fez pela comunidade. Nona, te pedimos humildemente, interceda junto a Deus por todos nós. O mundo da Copa Ao contrário do “não vai ter copa” dos pessimistas e antipatriotas, temos Copa, sim! E, melhor ainda, temos uma Copa linda. A imprensa internacional já a classifica como a Copa das Copas. Tudo transcorre muito bem. Com muitas surpresas, é claro. Mas apenas nos resultados das partidas, nas zebras como a Costa Rica e na despedida na primeira fase de grandes seleções (Espanha, Inglaterra, Itália, Portugal). É uma Copa de muitos gols, de raça e de muitas “raças”. Uma copa de alegria e de sentimento de Brasilidade. Brasil, Hexa! Pra cima deles, seleção! Mesmo que a seleção canarinha não tenha apresentado, ainda, o futebol que queríamos ver – aquele de encher os olhos, ela nos encheu de esperanças. Ao ler esta coluna talvez você, leitor, já saiba o resultado de Brasil e Colômbia. Nós torcemos muito para ser uma nova vitória brasileira. Então, teremos outro “degrau” no dia 8. E esperamos poder torcer no dia 13 de julho, na grande final. Aí, será muito provável que o “caneco” ficará em casa. Município passou a ser responsável pela manutenção do trecho SRL-ANT da SC 108 Os santarosalimenses já notaram que máquinas e caminhões da prefeitura estão trabalhando no patrolamento e no lastramento com areão da estrada não pavimentada entre Santa Rosa de Lima e Anitápolis. Esta ação é o resultado de um convênio assinado pela administração municipal com a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte (SDR-BN). Como contrapartida a esse compromisso assumido até dezembro de 2014, o governo estadual repassará aos cofres municipais um total de R$ 60 mil, destinados à aquisição de óleo diesel, além de ter doado três máquinas usadas ao município. Responsabilidade O secretário da SDR-BN, Roberto Kuerten Marcelino, explicou à reportagem do Canal SRL (entrevista realizada no dia 24 de junho): “É uma rodovia de competência do estado. Por isso, fizemos esta parceria com o município. Para ele nos auxiliar neste trabalho. O município vai adquirir óleo diesel e já tem o maquinário para o trabalho. Assim, ele nos ajuda e fica responsável pela rodovia não pavimentada. A prefeitura agora tem este compromisso conosco. E eu sei que já estão executando. Mas a chuva tem atrapalhado muito”. Sobre os valores destinados ao município pelo convênio, Roberto Marcelino ponderou: “Nós repassamos 60 mil reais para Santa Rosa de Lima. É mais do que para Rio Fortuna, que recebeu 40 mil. Isso porque Santa Rosa se comprometeu a executar [a manutenção] até Anitápolis”. Marcelino esclarece: “Antes, só era feito um termo de cessão de uso. Era emprestado, vamos dizer assim. Agora, o governador e a prefeita já assinaram o decreto. A prefeitura de Santa Rosa de Lima fez esta solicitação para nós e o estado ajudou na doação destas máquinas. São máquinas usadas, que agora pertencem ao município, para ajudar neste tipo de trabalho”. As do DER As máquinas citadas pelo secretário são uma motoniveladora, modelo FIATIALIS, ano de fabricação 1985; uma pá carregadeira, modelo Michigan, ano de fabricação 1981; e um Mercedes Benz LK 1313, ano de fabricação 1982. O maquinário já é conhecido por aqui como “as máquinas do DER”. São aquelas que eram operadas pelo Chico Leeser e o Nivaldo Mendes. De novo, Roberto Kuerten Traçado da SC-108 A reportagem do Canal SRL renovou contatos com o Departamento Estadual de Infraestrutura de Santa Catarina (Deinfra) para verificar como andam os estudos para o asfaltamento da SC 108 entre Santa Rosa de Lima e Anitápolis. As informações dão conta que prosseguem os esforços para dar viabilidade ao projeto. Confirmou-se que a melhor alternativa é passando pela comunidade de Rio do Sul. O traçado, agora, já está na fase de anteprojeto. Isso significa que foi superada a etapa de estudos preliminares, na qual o projeto poderia ter sido considerado inviável e descartado. No momento, equipes de trabalho estão em campo para realizar sondagens para verificar as características do solo e para a complementação dos levantamentos topográficos. No asfalto As rodovias pavimentadas na área de abrangência da SDR-BN continuam sob a responsabilidade dela. “Na rodovia que liga SRL a Braço do Norte, nós iniciamos o contrato de 2014. Nós licitamos R$ 300 mil. É um trabalho que vai se estender durante todo o ano. Nós vamos tapar os buracos, fazer a roçagem, limpeza de canaletas, limpeza de placas, pintura de pontes. Tudo iniciou esta semana [de 23 a 27 de junho]”. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL EMPREENDEDORISMO Aprender para inovar Com a participação de estudantes, empresários e trabalhadores de empresas e organizações locais, acontece em Santa Rosa de Lima, o curso Rotinas Administrativas. Dividida em quatro módulos, a formação inclui temas relacionados aos departamentos administrativo, fiscal, pessoal e contábil de uma empresa. 23 COMUNIDADE MATA VERDE Kátia Vandresen | Ronaldo Michels Capital das PCH? Diversas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) foram construídas nos últimos anos no curso do nosso Rio Braço do Norte. Ao todo são sete. Estas construções foram desencadeadas após a crise energética sofrida pelo país e que até hoje não foi sanada. Isso fez com que o governo federal estimulasse e continue a estimular a instalação de novas estruturas de geração elétrica. O objetivo é aumentar a produção de energia. Neste quadro, a Capital da Agroecologia vai se transformando também na Capital das PCH. Precisamos pensar nas consequências. E agir! No nosso “quintal” A PCH Nova Fátima tem a barragem construída logo abaixo da “praça” e a casa de força está situada na entrada da nossa comunidade, Mata Verde. Ela está em operação há aproximadamente três anos. É certo que ela contribui para minimizar a falta de energia elétrica no país. Assim como sabemos que ela traz muito lucro aos proprietários. E esse foi o principal – se não o único – objetivo de quem a construiu. Estudantes, empredados do comércio e empresários participam da capacitação. Coordenação e objetivos Fernando Kirchner de Souza, idealizador e coordenador do curso é contador formado pela Unip -SP e cursa especialização em Consultoria e Gestão de Negócios pela Univali. Proprietário da Fecontab Contabilidade & Consultoria, tem dez anos de experiência na área contábil administrativa e atualmente preside a Câmara de Diretores Lojistas de Anitápolis e Santa Rosa de Lima. Para ele o principal objetivo do curso é capacitar os alunos para atuarem de forma decisiva dentro das empresas ou organizações, “com foco claro na parte administrativa”. Processo agradável e eficaz Fernando afirma que quem concluir a formação terá condições de trabalhar dentro de qualquer empresa, auxiliando, de forma eficaz, administradores ou empresários a gerirem bem seus negócios. “Tenho visto, também, o despertar do espírito empreendedor em muitos alunos. O empreendedorismo também é foco da formação. Empresas poderão surgir até o final do curso”. Para ele, os alunos têm superado as expectativas em relação à participação em sala de aula. “Eles se mostram interessados pelos assuntos, com vontade de realmente aprender. Isso facilita o processo de ensino-aprendizagem. A aulas se tornam bem mais agradáveis. A troca de experiências entre todos enriquece muito o conteúdo do curso. Tenho aprendido muito com eles também”. Mudanças no perfil do público O propósito inicial do curso era capacitar estudantes do ensino médio que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. “As empresas sentem muito a falta de profissionais capacitados, uma vez que oportunidades de emprego aparecem a todo o momento”. Mas o público se ampliou. Em Santa Rosa de Lima, muitos empresários voltaram à “escola”. “Eu penso que por eles estarem excessivamente focados nas atividades operacionais, acabam não percebendo suas formas de gerenciar. E é certo que, na maioria das vezes, elas podem ser melhoradas, otimizadas. É muito comum empresários me falarem, nos intervalos das aulas, o quanto não prestavam atenção em coisas simples dentro de suas empresas e que acabam fazendo uma grande diferença”. Teoria na prática Nas aulas, que são ministradas todas as quintas feiras, à noite, no Colégio Estadual Aldo Câmara, destacam-se as de planejamento estratégico, atendimento a clientes, elaboração de plano de marketing, operações bancárias, apresentação pessoal e oratória, controle de estoques, dentro outros assuntos. “Em todos estes conteúdos trabalhados o aluno é inserido no mun- do empresarial. Desde o primeiro dia de aula ele pensa em uma empresa fictícia, podendo ser individual ou uma sociedade com outro colega de turma. Nos exercícios, essa empresa será “administrada” durante todo o curso. Entendo que as atividades práticas que levarão os alunos a um entendimento pleno dos assuntos estudados”. Conhecimento bem vindo A formação também está superando as expectativas dos alunos. Ana Carolina Walter Rodrigues, de 15 anos, é estudante da segunda série do Ensino Médio. Ela avalia que, fazendo o curso, mais oportunidades de emprego surgirão. Mas também sonha em ser empresaria. “Se eu tiver uma empresa, vou saber como administrá-la melhor. A cada encontro aprendemos coisas novas sobre administração. Algumas aulas são um pouco difíceis, mas, como são bem explicadas, eu estou entendendo tudo. Estou adorando”. Para o empresário Bruno Wiggers, o curso está sendo ótimo. Ele diz que a turma é muito legal e mostra bastante interesse em aprimorar os conhecimentos em administração. “Eu estou aplicando muitas coisas que aprendo aqui no meu dia a dia. Na forma de gerenciar e planejar os objetivos e metas que pretendo alcançar. Com cursos como este, podemos inovar. Estou aprendendo uma forma melhor de administrar. E estou achando fácil, pois procuro fazer interagir o curso com a minha prática”. Qual o preço? Não somos contra o lucro. O que não podemos aceitar é a falta de controle e a falta de respeito que os empreendedores vem demonstrando com relação às questões ambientais. Desde a construção, o que se pode constatar foi o pouco cuidado com a natureza. Como moradores do entorno, acabamos aceitando. Primeiro, porque no tempo de construção, tudo parecia passageiro. E havia a promessa de que quando a PCH ficasse pronta e entrasse em operação tudo ficaria “normal”. Queriam dizer, com isso, que a natureza não seria mais afetada. Infelizmente, hoje, não é isto que estamos presenciando. Quase todos os dias e, especialmente, na calada das noites. É mínima a quantidade de água que passa pelo leito do Braço do Norte. Saudades de quando ele era descrito como caudaloso. Pouca água; mas muito lodo No último dia 4 de junho, um fato indignou moradores das redondezas da barragem. “Especialistas” da PCH Nova Fátima simplesmente abriram as comportas da barragem e toneladas de lama e lodo foram despejadas rio abaixo. A revolta não foi apenas dos moradores daqui. Habitantes de Rio Fortuna e Braço do Norte se assustaram com a quantidade de lama. Intolerável Absurdos como este não podem ser tolerados. Dessa maneira, não haverá espécies de peixes capazes de sobreviver nessa região “possuída” por PCH. Fica a questão: onde estão os órgãos responsáveis pela fiscalização? O que a população espera é que eles façam cumprir rigorosamente o que rege a lei ambiental. Chega! É preciso pensar no futuro. Não podemos deixar que nosso município tenha ainda mais construções de PCH. A Capital da Agroecologia não precisa desse tipo de desenvolvimento, degradante, poluente. Somos um berçário de formas de desenvolvimento sustentável muito bem encaminhadas. A cada dia, temos sinais do reconhecimento do nosso município como uma referência em sustentabilidade. Então, basta! Chega de PCH. Chega de fazer nosso rio entrar pelo cano! 24 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Maratcha Edésio Willemann Elaine Souza Vieira que a passagem do dia 8 de julho, seu aniversário, se repita por muitos anos. Que todos os teus dias sejam abençoados e felizes, sempre com muita harmonia, paz e desejos realizados. É o que desejam teus amigos, teu esposo e teus amados filhos. Felicidades a Beatriz Cristina Luchtenberg, nossa querida Bia. Ao registrar que você completa mais ano de vida, no dia 1º de julho, desejamos que você continue sendo esta simpatia em pessoa, sempre autêntica e original. M&M Espia só quem está por aqui: Jordão Gonçalves, que dia 23 de julho vai ficar um ano mais velho. Parabéns, Espiga! Desejamos tudo de bom pra ti. Muita saúde e alegrias e, principalmente, muitas festinhas, que sabemos o quanto gostas! Celso e Mere comemoraram em junho e julho, respectivamente, seus aniversários. Desejamos que a vida de vocês seja repleta de realizações! Muita força e sabedoria. Muito sucesso! Feliz Aniversário! Mentira Edson Baumann Valdir Antunes, desejamos a você felicidades em mais um aniversário. “Que teu caminhar seja sempre premiado com a presença de Deus guiando teus passos e intuindo tuas decisões, para que suas conquistas e vitórias sejam constantes”. A homenagem especial é da esposa Dulce, das filhas, dos genros e das pencas de amigos que tens. Parabéns à jovem Raquel Tonn que, no dia 5 de julho, conta mais uma primavera. Que a vida te traga muitas alegrias e felicidades. Que teu coração esteja sempre em festa, porque você é um ser de luz e especial para nós, amigos e familiares. Rodrigo e Lili estão de aniversário. Ele, no dia 6 e ela, no dia 25. Queremos desejar muita felicidade a este lindo casal de namorados. Um abraço todo especial dos amigos e familiares. Especialmente, do Nino. Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL Teodoro José Heidemann comemorou mais um ano de vida, no dia 27 de junho. A homenagem especial é feita por todos os netos. 25 Irene Fucks completou mais um ano no dia 23 de junho. A homenagem especial é de verdade e vem do Mentira. “Madrinha, és uma pessoa mais que especial. Parabéns! Ah, e obrigado pelo delicioso jantar”. Luan, que todas as bênçãos do céu sejam derramadas sobre a tua vida e que sejas muito feliz. São os votos da mamãe Luana, dos teus irmãos, Du, Dine e Toni, e da vovó corujíssima Luiza. Felicidades! Maicon Oening está de parabéns. Ele sopra as velinhas no dia 23 de julho. A mamãe, o papai, os padrinhos e os amigos desejam muitas felicidades, alegrias e conquistas. Parabéns! Anna Clara esteve lépida e faceira no dia do seu aniversário, 25 de junho. Ela contava os dias para completar quatro aninhos e esperava especialmente pelo bolo colorido e pelos presentes. Felicidades Anna Clarinha, que sejas sempre esta menina meiga, amável e carinhosa. A mamãe manda dizer, pelos titios aqui, que “te ama mais que o tamanho do universo”. Anita Ferreira Rodrigues recebe nossa homenagem especial, ela que é a moradora mais idosa do Rio Santo Antônio, completará no dia 13 de julho, 72 anos. Dona Nita, como é conhecida carinhosamente conserva uma memória impressionante e relembra passagens de sua vida com mínimos detalhes. Confira um pouco de sua história na Coluna de Rio Santo Antônio. Familiares e amigos desejam muita saúde, paz e felicidades. 26 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL NOSSO CHÃO COMUNIDADE Luiz Schmidt RIO DO MEIO Ana Beatriz Kulkamp | Diana Kulkamp | Karine Neckel Um desbravador Seu Willi Bernicker veio da Alemanha. Muito jovem. Junto com um amigo, colonizou o Rio Tiriba, localidade de Anitápolis. Como ele conta, eles subiram o curso d’água até encontrar um “lugar bom”. E ali começaram a abrir uma clareira e a construir duas casinhas. A orientação, a chegada e a saída ao lugar eram somente pelo rio. Não existiam picadas ou estradas. Seu Willi diz que ele e seu amigo “conheciam cada lugarzinho”. Com o passar do tempo eles abriram, “a braço”, uma pequena “picada”. Por ela, podiam passar a cavalo e até com o carro de boi. Quem tem casa quer casar Quando escolheu este lugar ermo para viver, Willi conheceu Erna Hann. Ela morava na comunidade de Rio do Meio de Anitápolis, próxima a do Rio Tiriba. Casaram e tiveram cinco filhos: Norma, Oto, Calo, Alfredo e Eduardo. Moraram muitos anos em Rio Tiriba. Depois, mudaram, com o filho Oto, para o Rio do Meio vizinho. Na mudança seguinte trocaram aquele Rio do Meio pelo nosso, de Santa Rosa de Lima. Hoje, Willi tem 97 anos. E Erna, 89. No dia cinco de maio, eles completaram 68 anos de casamento. Há nove anos, o simpático casal reside com a filha Norma. EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DE RATIFICAÇÃO O Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Rosa de Lima, através de seu Presidente infra-assinado, convoca os(as) trabalhadores(as) da categoria específica da Agricultura Familiar, conforme legislação vigente, residentes e em atividade no município de Santa Rosa de Lima, SC, a se reunirem em Assembleia Geral Extraordinária de Ratificação da Fundação do Sindicatodos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Rosa de Lima, à se realizar no dia seis de agosto de 2014 às 19:00 horas, em primeira e segunda convocação, conforme o estatuto social da entidade, no Centro de Convivência, sito à Rua Germano Hermesmeyer, s/n, em Santa Rosa de Lima, SC, a fim de discutir e deliberar sobre a seguinte ordem do dia: 1. Leitura, discussão e aprovação da Ata da Assembleiaanterior, aprovando e confirmando a dissociação da categoria específica dos Agricultores Familiares no município derivando da categoria eclética dos trabalhadores rurais; 2. Aprovação da Ratificação da Fundação do Sindicatodos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Rosa de Lima, conforme legislação vigente; 3. Aprovar a alteração estatutária em conformidade com a legislação vigente, bem como a atualização do estatuto social do sindicato na forma da Lei. A mesa diretora e as formas de discussão e deliberação, serão decididas pelos próprios interessados presentes na assembleia. Santa Rosa de Lima, SC, 01 de julho de 2014. Luiz Schmidt Coordenador Geral Dona Erna e Seu Willi A lida Sempre trabalharam na agricultura. Plantando feijão, milho, arroz e aipim. Pro gasto. Cultivavam, também, batata para a criação e engorda de porcos. Esse, sim, para vender. Eles tinham que levar a produção até o centro de Anitápolis, onde vendiam a carne e a banha para o “caminhão do porco”. A mercadoria era, então, distribuída para outros lugares, principalmente para Santo Amaro da Imperatriz. Eles contam que sempre gostaram muito de trabalhar. Dona Erna relembra dos tempos em que tinha os filhos pequenos. “O pão para o café eu fazia de noite, pois durante o dia tinha que trabalhar na lavoura e nos outros afazeres da casa”. Os dois lamentam que já não podem mais trabalhar. “Tivemos que parar”. Em atividade Os dois “velhinhos” se mostram muito ativos. Cuidam da saúde e praticamente todos os dias, tanto no período da manhã, quanto no período da tarde, fazem caminhadas. Seu Willi é apaixonado por leitura. Todas as manhãs, ele se dedica ao prazer de ler. Diz que “adora tanto os livros escritos em alemão, quanto os em português”. Para Dona Erna a diversão é receber visitas de amigos e familiares que falam a língua alemã. Ela até fala um pouco em português, mas tem bastante dificuldade. “Tem muitas coisas que ela não entende no português”, diz seu Willi. Ela fala que sente vergonha de conversar nesta língua: “Eu falo muitas palavras erradas”. Votos A este casal, que é um exemplo para a nossa comunidade, apresentamos nossos desejos sinceros de muita saúde e alegria. Queremos que eles possam ter muitas leituras e muitas visitas de amigos. É claro, não apenas daqueles que só falam em português... ou auf deutsch zu sprechen. Felicidades Seu Willi e Dona Erna! Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL 27 Esporte Total Ana Maria Vandresen ADESC, na cidade das colinas No mês de junho, as equipes de Santa Rosa de Lima foram até Orleans para mais uma rodada pela ADESC. No sub 11, conseguimos um emocionante e belo empate: 2 X 2. No sub 13, ficamos “no quase” e Santa Rosa acabou derrotada por 5 X 0. No sub 15, fomos além do esperado. Em um jogado equilibrado, vendemos caro os 3 X 1 para Orleans. ADESC, em casa Famílias O Campeonato Interfamílias está sendo um sucesso. Há uma boa rivalidade dentro de quadra, mas tudo dentro do fair play (jogo limpo). Pelo menos até agora, ninguém mordeu ninguém... Parabéns aos atletas, que todos continuem mostrando um bom futebol. Jogando em Santa Rosa de Lima, nossas equipes mostraram um bom desempenho frente a Grão Para. A “molecada” do sub 11 e do sub 13 fez bonito. No, Sub11 vencemos por 3 X 2. No sub 13, por 5 X 3. Já no sub 15, a derrota foi de goleada: 10 X 1 para a equipe de Grão Pará. A próxima rodada está marcada para dia 19 de julho, em Braço do Norte. Veterano No jogo do dia 14 de junho, contra São Cristóvão, a equipe municipal dos veteranos mostrou que é difícil derrotá-la quando joga em seus domínios. Venceu, pelo placar de 4 X 3. Tabela de Classificação EQUIPE DA CHAVE A P J V E D GC GP SG 1° VANDRESEN/DUTRA 06 02 02 00 00 03 08 +05 2° HEIDEMANN/SCHREIBER 06 02 02 00 00 07 12 +05 3° WILLEMANN 03 02 01 00 01 09 09 00 4° MELO/WITT 03 03 01 00 02 16 15 -01 5° WARMLING/ELLER 00 03 00 00 03 17 08 -09 EQUIPE DA CHAVE B P J V E D GC GP SG 1° FELDHAUS 09 03 03 00 00 05 13 +08 2° HERMESMEYERS/FELDHAUS 06 02 02 00 00 01 10 +09 3° MENDES/CESÁRIO 01 02 00 01 01 08 04 -04 4° FERREIRA 01 03 00 01 02 12 07 -05 5° CARVALHO 00 02 00 00 02 09 01 -08 Olesc Conquista do Veterano de Santa Rosa: Nardi, Ademir, Nazareno, Lourivaldo e Janio. No período de 1 a 6 de julho acontece, em Grão Pará, a etapa Microregional da Olimpíada Estudantil de Santa Catarina. Por um erro na inscrição, os atletas do nosso municipio não poderão competir por Santa Rosa de Lima. Felizmente, nossos meninos e meninas poderão participar da competição a convite de municípios vizinhos. Os garotos farão parte da delegação de São Martinho. E as garotas, da de Rio Fortuna. Obrigado aos vizinhos por nos acolher. 28 Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL que a cópia fosse entregue, como havia anunciado o presidente, “sem discussão”. Mas não foi o que ocorreu. Repetiu-se o “circo” de colocar em votação para o plenário decidir. Resultado: 5 votos (da situação) contrários e 4 votos (da oposição) favoráveis. Solicitação rejeitada. E o presidente ainda não quer receber nenhuma crítica. Pode? Lampejo de transparência Na edição de junho este Macau comentou, em duas notas, o que parecia um avanço rumo à transparência no legislativo municipal. Pelo que havia sido anunciado, as atas e gravações das sessões passariam a estar disponíveis aos vereadores. Ao que parece, a mesa da Câmara não aceitou bem tais considerações. Em sessão seguinte, o presidente daquela casa fez duras críticas a este porquinho, por ter abordado o assunto. Insisto: a Câmara de Vereadores é a casa do povo e como tal deveria ser tratada. Especialmente por quem tem a responsabilidade de conduzi-la. Apatia A Câmara de Vereadores como poder constituído deve se pautar por bons e acalorados debates em torno de projetos e ações para o bem do município. Não é o que se tem visto nos últimos tempos aqui em Santa Rosa de Lima. É um marasmo só! É falta de assunto? É falta de projetos? São outros problemas? Na dúvida, como Macau vive fuçando e se metendo onde não é chamado, apresenta-se uma sugestão para fazer a casa trabalhar. Lembrem-se da elaboração do plano diretor. E lembrem-se que é função do legislativo fiscalizar e acompanhar de forma permanente as ações do Executivo municipal e a aplicação, que ele faz, dos recursos públicos. (Re) Mergulho nas trevas Parece que o “surto de transparência” da mesa diretora da Câmara durou pouco. Aquilo que foi anunciado com destaque em uma sessão, já foi negado em seguida. Na sessão de 24 de junho, a vereadora Edna Bonetti solicitou cópia da ata de sessão anterior. O esperado por todos era Convidado a acompanhar Naquela mesma sessão de 24 de junho, outro assunto chamou a atenção. Um requerimento do Senhor Presidente da casa foi submetido à votação do plenário. Ele solicitava à vereadora Edna Bonetti que apresentasse um demonstrativo dos itens conseguidos por ela junto à Funda- ção Nova Vida para doação ao grupo da Terceira Idade. A resposta da vereadora Edna foi convidar o presidente para que participasse das próximas entregas aos beneficiários. Este Macau já comeu um livrinho com o regimento daquela casa e estranhou o procedimento do presidente. Será que é só para parecer que tem pauta? Isso não deveria ser tratado como um assunto interno e tratado administrativamente? Ou é transparência seletiva? Desgovernado O Macau ouviu diversas opiniões e concorda: a mesa diretora da Câmara está “meio” perdida na condução dos trabalhos. A função da mesa é conduzir e dar celeridade aos trabalhos daquela casa. Ao que parece, há a necessidade de um bom estudo da legislação que rege o funcionamento dos legislativos municipais. Tanto membros da mesa quanto assessores vêm “atropelando” o regimento e fazendo interpretações equivocadas das regras do jogo. É melhor estudar o regimento e não interpretá-lo “a força”. Sugestão ao presidente (e a quem interessar) É nos momentos de conflitos e de tomadas de decisões importantes que se revelam os líderes. Nesses instantes é que se mostra a capacidade de agir com reserva, prudência e equilíbrio. Para usar uma velha frase, “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Infelizmente, não é o que se tem visto na presidência do poder legislativo santarosalimense. Houve acerto quando se escreveu neste Canal SRL que o atual presidente era um homem de sorte, já que sucedia uma gestão desastrosa na Câmara. Mas o atual dirigente não está colaborando com a sorte. E ele pode surpreender a todos fazendo o que parecia impossível: uma gestão ainda pior. Apelo aos cidadãos Você, leitor costumeiro deste porco banha, acha que estou dando muito espaço (e bola) para a Câmara? Mas com uma paciência porcina eu pergunto: Você tem acompanhado as sessões? Tem acompanhado o que está fazendo o vereador que ajudou a eleger? Aprova o que o ele está fazendo? Por que, “uma hora dessas”, não vai lá dar uma olhadinha em como estão as sessões? Que tal acompanhar o trabalho daqueles que têm o dever de nos representar? Esgotado o tempo regulamentar... Já se passaram quase dois meses da Gemusefest e não se ouviu nada sobre a prestação de contas da festa. A pergunta é: quando ela vai ser apresentada? Ou não vai? Outro dia, um cidadão lembrou esse Macau que, em 2012, dois dias após a Gemüsefest, havia em cima da mesa de cada vereador um relatório detalhado da festa. Todos puderam conferir. Isso é transparência. Perguntar não ofende: a prestação de contas sai ou não sai? O que temos a ver com a sustentabilidade? O cartaz que você está recebendo junto com o jornal é para lembrar o compromisso que temos com a terra onde vivemos. Querendo ou não, todos nós somos afetados pelo ambiente. Assim como nossos filhos e netos o serão. Prenda o cartaz numa parede de sua casa, onde possa vê-lo todos os dias. Nós, que moramos em Santa Rosa de Lima, temos um compromisso maior porque nosso município é conhecido e ostenta o título oficial de “Capital Catarinense da Agroecologia”. Podemos nos orgulhar disso pois esse título nos enobrece e também nos ajuda quando apresentamos as demandas de nosso município. Mas precisamos ser coerentes porque caso contrário o titulo perde seu valor. Santa Rosa de Lima produz cerca de uma tonelada de lixo por dia. Se for jogado em qualquer lugar volta para nossa casa através de ratos, moscas, mosquitos, além de tornar feio o lugar onde vivemos. A água e a energia não saem da parede, na maior parte vêm dos rios. Não jogar lixo e dejetos nas águas e poupar energia é portanto uma atitude positiva, que vai merecer o aplauso de todos que se preocupam com a natureza. Plástico vem do petróleo que não é renovável mas é poluente. Já somos levados a usar derivados do petroleo nos carros, nos tratores. Mas evitar o uso do saco plástico nas compras está ao nosso alcance imediato. Consumir produtos orgânicos produzidos aqui mesmo na região é bom para nossa saúde, para a saúde de nossos visitantes e para nossa economia. Nossas matas, nossos animais, nossas cachoeiras são motivo para atrair visitantes e desenvolver o agroturismo, fonte de renda e progresso. Ajude a preservar nossos recursos naturais valorizados. Acostume-se a ouvir música sem aumentar muito o volume do som. Som alto provoca poluição sonora e não é bom para sua saúde, afeta o músculo cardíaco. Recicle seu lixo sempre que puder. A reciclagem devolve recursos naturais para fabricar novos produtos retirando menos da natureza, além de economizar mais água e energia, e aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Viver em harmonia com a natureza, fazer passeios na mata, tomar banho de cachoeira, ir à praia, contemplar o pôr-do-sol, a lua cheia, colocar os pés no chão, cultivar uma horta, um jardim, estudar e ler mais sobre seus temas de interesse melhora a qualidade de vida e aumenta a longevidade. Finalmente: se você testemunhar uma agressão ao ambiente fale com as autoridades, com os politicos que receberam seu voto, com este jornal comunitário. Procure atuar de forma organizada, na escola, na associação a qual você pertence, assumindo pelo menos uma ação concreta por mês para a melhoria ambiental da comunidade. Assim fazendo mostraremos à todos que Santa Rosa de Lima faz por merecer o título de Capital da Agroecologia.