ANO 2 - Nº 15 • Edição Mensal - Julho/2014 • O Jornal de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia
Beto Lazai
•
Distribuição gratuita. Venda Proibida.
CADERNO DE RECEITAS
A nova sessão do Canal SRL
Pág. 9
Promoção da Saúde
Inverno e infecções
respiratórias; o que fazer?
“O homem
que nunca
foi para
uma coisa
só”
Pág. 14
Especial
Pág. 12
As conquistas da população
e as opções dos gestores
municipais
Pág. 2
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Reportagem ESPECIAL
Mariza Vandresen
Haja combustível e manutenção
Investir no presente ou no futuro? Visão de curto ou de longo prazo? Essa é uma discussão importante quando se pensa a
gestão dos 5.570 municípios brasileiros. Um sistema de eleições e uma tradição política baseada na troca de favores (os serviços públicos pelos votos) leva os políticos a optar geralmente por um olhar no imediato. Afinal, eles estão de olho é no próximo
pleito e no que prometeram a seus “amigos”. Constata-se, ao mesmo tempo, uma postura republicana dos governos federal
e estadual – pelo menos no caso de Santa Catarina. Isso significa que todos os municípios, independente de que partido e de
que pessoas os administram, recebem recursos financeiros e materiais. Dizendo de outra forma, o que vem para o município
não é uma conquista de seus prefeitos, mas das suas populações. Muito tem se falado sobre os “veículos” que Santa Rosa de
Lima vem recebendo. Entender a origem deles e a destinação que devem ter é, por isso, importante para os santarosalimenses.
Esta é a tarefa à qual a reportagem do Canal SRL se dedicou nesta edição. Não é um trabalho pronto e deve servir como um
estímulo à reflexão.
Recursos Federais
Santa Rosa de Lima faz parte dos 5.061
municípios brasileiros com até 50 mil habitantes que foram contemplados no
Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC 2 Investimentos). A partir de antigas
reivindicações dos gestores municipais e
das organizações em torno da agricultura
familiar para a melhoria de estradas rurais, o governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
repassa a cada uma destas prefeituras um
kit com um caminhão basculante, uma retroescavadeira e uma motoniveladora. O
ministro Miguel Rosseto esteve em Santa
Catarina para fazer a entrega de motoniveladoras para os 76 municípios restantes no Estado. Santa Rosa de Lima estava
entre eles. Em seu discurso, lembrou: “A
presidenta Dilma diz sempre para todos
nós: “Lembrem-se, ministros e ministras,
o Brasil não começa em Brasília. O Brasil
começa nos municípios do Brasil”.
Para o campo...
O Governo Federal investiu cerca de
R$ 5 bilhões na aquisição de mais de 18
mil máquinas, todas produzidas na indústria nacional. São beneficiadas 91% das
prefeituras do país. Em Santa Catarina,
são 269 municípios contemplados, totalizando 807 equipamentos. Eles devem ser
obrigatoriamente destinados à recuperação de estadas rurais. Os equipamentos
são todos doados aos municípios. “Nós
estamos transferindo patrimônio público
federal para o patrimônio público dos municípios. São máquinas novas com a melhor qualidade e com a melhor tecnologia
embarcada. E são todas máquinas produzidas no Brasil. Portanto, ajuda o campo e
Motoniveladoras entregues a todos os municípios com menos de 50 mil habitantes.
ajuda a cidade. Valoriza o trabalho agrícola
e valoriza o trabalho industrial do nosso
país”, afirmou o Ministro Rosetto.
... e para a agricultura familiar
O objetivo do programa é melhorar as
estradas para escoamento da produção,
beneficiando quem produz e assegurando alimentos mais baratos e mais saudáveis na mesa do consumidor. Ao mesmo tempo melhorar as condições para o
transporte escolar. Ele pretende, ainda,
evitar a erosão da terra e a degradação do
meio ambiente, incrementar o turismo rural além de contribuir com a redução dos
gastos das prefeituras. Na entrega dos
equipamentos Miguel Rosetto destacou
o papel estratégico que eles precisam ter:
“Estamos falando de uma estratégia de
desenvolvimento rural e nós temos absoluto acordo que o país que estamos cons-
truindo não deve e não quer enxergar
diferença de qualidade de vida, de oportunidades entre qualquer cidadã ou cidadão
brasileiro que mora em qualquer parte do
nosso país. Não deve haver diferença de
qualidade de vida para quem mora numa
cidade do interior ou numa capital. Com
esse país que todos nós estamos construindo, nós estamos mudando o Brasil, e
mudando para melhor. O Brasil hoje é um
país muito diferente”.
Ele deixou bem claro que essa visão
estratégica de desenvolvimento rural da
Presidente Dilma está ligada a uma visão
clara de um federalismo sadio e a visão
de que, para continuar mudando o nosso
país, precisamos cada vez mais democracia. E dirigindo-se às organizações de agricultores familiares presentes, o Ministro
do Desenvolvimento Agrário ponderou:
“E este é um ato da democracia. Porque
fomos capazes de escutar o que vocês falaram nas marchas, nos movimentos sociais, sindicais”.
Manutenção e formação
O programa também prevê por um
período de manutenção e assistência técnica aos equipamentos e a formação para
os operadores, aos quais o ministro fez
questão de destacar: “Nós sabemos da
importância dos nossos companheiros
que vão operar estas máquinas, sabemos
que quanto melhor a qualidade dessa
operação mais longa será a vida destes
equipamentos. Assim como sabemos que
máquinas novas significam aumentar a capacidade de uso e diminuir os custos de
manutenção. Os recursos economizados
pelos prefeitos podem obviamente ser utilizadas em outras agendas importantes”.
Depoimentos
Ao longo da cerimônia, a
reportagem do Canal SRL
ouviu, com exclusividade,
algumas das lideranças presentes e publica partes das
entrevistas.
Miguel Rosseto – Ministro do Desenvolvimento Agrário
Um abraço especial aos leitores deste jornal. Principalmente, aos de Santa
Rosa de Lima. Este é um programa de
grande importância para a presidente
Dilma, para o governo federal. Da mesma forma como apoiamos a produção
agropecuária do nosso país, nós escutamos, ao longo dos anos, os produtores,
agricultores, prefeitos e lideranças. Eles
pediram para apoiarmos as estradas, a
infraestrutura, para assegurar o escoamento da produção destes municípios
que tem grande parte de sua renda na
produção da agropecuária. Nós estamos
apoiando os municípios para que eles
possam melhorar a capacidade de trabalho na manutenção das suas estradas
vicinais, integrando melhor as suas comunidades rurais, suas áreas rurais. São
nestas estradas que passa o ônibus escolar, que passa a ambulância, que passa
a comunidade. Portanto, estamos felizes
em cooperar com o desenvolvimento
dos municípios. Hoje, concluímos a entrega aqui em Santa Catarina, um estado
exemplar na produção agropecuária, na
agricultura familiar, no cooperativismo e
na agroecologia.
Ministro Miguel Rosseto em entrevista ao
Canal SRL.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Ideli Salvatti – Ministra da Secretária de Direitos Humanos
Este é um programa extremamente
importante para a economia de Santa Catarina, que tem na agricultura familiar um
dos seus principais pilares de desenvolvimento. É um exemplo concreto do padrão
Dilma de governar: não tem diferença partidária!
O critério é um só: ter até 50 mil habitantes. É um padrão republicano de
governar. É uma forma de governar que
busca incluir, dar oportunidade a todos.
O espírito republicano é não discriminar
ninguém, nenhum brasileiro, nenhuma
brasileira, nenhum prefeito, nenhuma
prefeita, nenhum governador, nenhuma
governadora.
Décio Lima – Deputado Federal
Nós estamos cumprindo um ciclo, com
relação a atender aos municípios brasileiros com estes equipamentos essenciais
para que os prefeitos possam desenvolver políticas públicas de melhorias. Sobretudo, a melhoria das estradas municipais
que estão aos seus cuidados.
Ao concluir o PAC 2, a presidenta Dilma
deve lançar em breve a terceira edição do
programa, o PAC 3 num conceito mais amplo. É um momento extraordinariamente
republicano do nosso país. E quem ganha
com isso é o povo brasileiro. Não houve
problema de qualquer ordem. Principalmente aqueles que eram muito comuns
no Brasil: a discriminação política que havia com relação aos prefeitos.
Ao longo da história do país, prefeito
que era do partido do presidente da república tinha direito. Os que não eram, não
tinham direito.
A presidenta Dilma quebrou este processo. O importante é que nós estamos
ajudando a melhorar a qualidade de vida
do povo brasileiro. Sem discriminar ninguém.
Jurandir Gugel, delegado do MDA
para o estado de Santa Catarina (DFDA-SC)
É um momento histórico para agricultura brasileira, especialmente para Santa
Rosa de Lima. Porque nós, tanto da DFDA
-SC como do MDA, temos um olhar muito
carinhoso a este município que é uma referência nacional do ponto de vista de produção agroecológica. Sabemos do esforço
daqueles agricultores, das suas lideranças, no sentido de impulsionar a produção
orgânica. Sabemos que o pessoal passou
por dificuldade, porque emplacar algo
novo é sempre desafiador. Com esta estrutura à disposição da agricultura familiar
de Santa Rosa de Lima, nós avaliamos que
vão ser criadas condições para viabilizar
uma infraestrutura mais adequada para
escoar a produção. Especialmente nesse
município com uma história de inovação
na produção agroecológica. É impressionante o que pessoal local conseguiu
3
construir, inventando ou reinventando a
agricultura. Eu penso que essas máquinas
e equipamentos vão colaborar com este
esforço local, com esta referência nacional
de produção de qualidade que Santa Rosa
de Lima representa para o nosso país.
Dirceu Dresch – Deputado Estadual
É bom falar pra sociedade que as máquinas são para a agricultura familiar. Senão, os prefeitos não vão usar para isso.
Essa é uma questão que tem que ficar
bem clara. Inclusive tem regras. Os prefeitos assinam um termo de cessão de uso
destas máquinas. Se tiver denúncia de
mau uso, por exemplo, o município pode
perder a máquina. A prioridade é para
agricultura familiar. Não é proibido fazer
serviços urbanos. Mas as máquinas devem ficar à disposição para a agricultura
familiar. O foco é a agricultura familiar. Por
isso a escolha de municípios com menos
de 50 mil habitantes.
Recursos repassados pelo governo estadual
Assim como todos os outros municípios de Santa Catarina, Santa Rosa de
Lima foi contemplada com recursos provenientes do Fundo Estadual de Apoio
aos Municípios (Fundam). Quando lançou
o programa, em 2012, o governador Raimundo Colombo afirmou: “Grandes obras
estão contempladas no Pacto Por Santa
Catarina. Para fazer pequenas obras, os
municípios perderam a capacidade de investimento. Por isso, todos os 295 municípios do estado serão atendidos. Essa é
a primeira vez na história que se faz um
programa de investimentos com volume
tão significativo. É um grande reforço no
caixa das prefeituras”.
Francisco Vieira, Diretor de gestão de
fundos da Secretaria de Estado da Fazenda, explicou à reportagem do Canal SRL
que estes recursos são provenientes de
financiamentos junto ao BNDES (Bando
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que emprestou o dinheiro ao
governo do estado. “Depois de um prazo
de carência, serão feitos os pagamentos
pelo estado ao BNDS. Aos municípios é a
fundo perdido”. Vieira pondera, ainda, que
“descentralizando para os municípios a
questão fica mais fácil, até na questão de
economia e a população está lá, fiscalizando diretamente”.
Santa Rosa de Lima recebeu em torno
de R$ 2 Milhões e praticamente a totalidade foi destinada à aquisição de veículos,
máquinas e equipamentos.
Outras possibilidades e oportunidades
Segundo as regras do Fundam, cada
prefeitura tem direito a apresentar dois
projetos para investimentos, mediante
a elaboração de planos de trabalhos. Os
recursos podem ser para seis áreas distintas: Infraestrutura (obras de pavimentação e revitalização de ruas, construção de
pontes, viadutos, passarelas, drenagem
de águas pluviais; rede de abastecimento
de água e de esgotamento sanitário, passeios com acessibilidade, sistema de ciclovias, medidas de moderação de tráfego,
sinalização viária, elementos de acessibilidade); Construção e ampliação de prédios (escolas, creches, núcleos de Educação Infantil, postos de saúde, hospitais,
residenciais geriátricos, casas de repouso
e abrigos); Construção de Centros Integrados de desporto e Lazer (ginásios de
esporte, quadras poliesportivas, piscinas,
pistas de atletismo, praças de convivência,
equipamentos complementares); Saneamento Básico (abastecimento de água,
esgotamento sanitário, coleta, transporte
e tratamento de resíduos, infraestrutura
para coleta de resíduos de serviços de
saúde, coleta seletiva, triagem e reciclagem e manejo de águas pluviais); Aquisição de equipamentos e veículos novos
para Saúde e Educação e Máquinas e
equipamentos rodoviários (novos e fabricados em território nacional).
São escolhas
Ainda não existem dados conclusivos
dos percentuais de investimentos em
cada uma dessas seis áreas de aplicação
de recursos. Na página do Fundam na interner, é possível constatar, contudo, que
a maioria dos projetos são aplicados em
pavimentação e aquisição de veículos, máquinas e equipamentos.
Parte das máquinas, equipamentos e veículos adquidos para o município.
São raros os casos em que os municípios optaram, por exemplo, pelo item
construção e ampliação de escolas, creches, núcleos de educação infantil, postos
de saúde, hospitais, residenciais geriátricos, casas de repouso e abrigos. Confrontado a este fato, Francisco Vieira avalia: “A
explicação que eu vejo é que os recursos
foram disponibilizados aos municípios
para que eles identificassem as suas principais necessidades. Recursos para educação e para saúde já existem com vinculação constitucional. Então acredito que
para estas áreas os recursos já estejam
garantidos. E a infraestrutura em geral,
como pavimentação de ruas, vai trazer o
desenvolvimento dos municípios. Então
eu acredito que os prefeitos priorizaram
esta situação como forma de bem atender
à população. As máquinas e equipamentos seriam para auxiliar as estradas do
meio rural, para melhorar o escoamento
da produção. Então, já tem recurso garantido para saúde e educação e para a área
de infraestrutura, não. Essa é uma avaliação global. A gente precisaria ver em cada
município, para ver os motivos de cada
um”.
O números do Fundam
Relatório apresentado em junho último mostram que dos 295 municípios catarinenses:
• 112 (38%) estão com projetos em
análise pelo BRDE ou em fase de elaboração do convênio;
segue
Diretor: Sebastião Vanderlinde
Diretora: Mariza Vandresen
Estrada Geral Águas Mornas, s/n.
CEP 88763-000
Santa Rosa de Lima - SC.
Tel. (48) 9944-6161 / 9621-5497
E-mail: [email protected]
Fundado em 10 de maio de 2013,
dia do 51º aniversário de Santa Rosa de Lima
Jornalista Responsável: Mariza Vandresen
Diretor-executivo (Circulação, Comercial, Financeiro, Publicidade e
Planejamento): Sebastião Vanderlinde
Publisher (voluntário): Wilson (Feijão) Schmidt.
O Canal SRL é uma publicação mensal da Editora O ronco do
bugio. Só têm autorização para falar em nome do Canal SRL
os responsáveis pela Editora que constam deste expediente.
Diagramação e Arte: Qi NetCom - Anselmo Dandolini
Distribuição: Editora O ronco do bugio
Tiragem desta edição: 1000 exemplares
Circulação: Santa Rosa de Lima (entrega gratuita em domicílio).
Dirigida, também, a prefeituras, câmaras e veículos de comunicação do Território das Encostas da Serra Geral e a órgãos do
Executivo e Legislativo estadual e federal.
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
segue
Reportagem ESPECIAL
Mariza Vandresen
• 98 (33%) assinaram convênios relativos a todo o valor disponibilizado pelo
programa;
• 82 (28%) assinaram convênio relativo
a parte do valor disponibilizado pelo programa;
• 3 (1%) ainda não apresentaram propostas (Governador Celso Ramos, São Bonifácio e São Domingos).
Todos os municípios
Roberto Marcelino, secretário da 36ª
SDR de Braço do Norte falou a redação
do Canal SRL sobre a importância deste
Programa não só para a região, mas para
todo o estado. “O Fundam contempla todos os municípios do estado. Isso é algo
inédito. Algo jamais visto. Antigamente,
era contemplado quem era amigo do fulano, ou quem era amigo do governador.
[...] Nunca houve, num volume só, numa
etapa só, todos os municípios receberem
tantos recursos. A nossa região nunca recebeu tanto, como recebeu agora. E de
forma igualitária, sem distinção de partido.
O que eu acho que é política correta. Não
ver partido e sim a população. Outra coisa que eu destaco é que dos nossos sete
municípios nenhum recebeu menos de R$
1 milhão. Santa Rosa de Lima é um exemplo. Até agora, já recebeu quase quatro
receitas líquidas depositadas nos cofres
municipais. Então é um recurso sem contrapartida, beneficiando todos os munícipes sem distinção de bandeira partidária
e num volume muito grande”.
A oportunidade foi dada
Perguntado sobre porque os prefeitos investiram praticamente todos os recursos em pavimentações e máquinas,
Roberto Marcelino respondeu: “Porque
na aquisição de equipamento, a liberação
de recursos é rápida. Pode ver que Santa
Rosa de Lima largou na frente. Acho que
foi o primeiro município que recebeu os
recursos. Na questão de aquisição de
equipamentos não tem uma análise mais
burocrática como tem em obras de infraestrutura, em projetos de pavimentação
de ruas. O equipamento não tem uma
fiscalização tão grande. Eu acho que por
isso os municípios se concentraram nisso.
E também porque estes municípios rurais
precisam muito de estradas boas”.
Considerando pertinente a pergunta,
Marcelino concluiu: “Nós, enquanto governo, demos a oportunidade, para os
sete municípios da nossa abrangência, de
optar. Aí, foi cada administração que fez
a sua análise. Eu não posso aprovar ou
reprovar o que a prefeita ou o prefeito escolheu. O governo deu a oportunidade de
investimento em diversas áreas”.
Recursos do Fundam e valores e áreas de investimento nos municípios que
pertencem a 36ª Secretaria de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte.
Até o fechamento desta edição, todos os municípios já haviam sido contemplados.
As exceções seriam São Martinho e Armazém, que ainda não tinham assinados os convênios. O restante já está executando as obras ou a aquisição de equipamentos.
MUNICÍPIOS
AREA DE INVESTIMENTO
VALOR
Braço do
Norte
Pavimentação e drenagem da Avenida Getúlio
Vargas
R$ 4.448.088,55*
Pavimentação da Rua AZM 66. Acesso à
Comunidade de Sta. Terezinha
R$ 1.150.000,00
Armazém
Grão Pará
Rio Fortuna
São Ludgero
São Martinho
Pavimentação de ruas no centro do município
com concreto.
Aquisição de caminhões e equipamento
rodoviários
Construção de Ponte
Pavimentação asfáltica, drenagem pluvial,
sinalização viária e acessibilidade de ruas
municipais
VEÍCULOS/EQUIP/MÁQ
Pá carregadeira
Retro escavadeira
Britador
Caminhão Toco
Caminhão Toco
Caminhão Toco
Caminhão de Carga
Veículo 17 lugares
Veículo 20 lugares
Escavadeira hidráulica
FONTE: Portal da Transparência
VALOR
R$ 302.940,00
R$ 179.960,00
R$ 227.700,00
R$ 155.555,00
R$ 155.555,00
R$ 155.555,00
R$ 115.000,00
R$ 133.500,00
Não cotado
R$ 440.000,00
Todas as informações sobre o Fundam, como os valores disponibilizados e a situação de cada município, podem ser acessados na página
do fundo, vinculada à Diretoria de Gestão de Fundos da Secretaria de
Estado da Fazenda em http://www.sef.sc.gov.br/servicos-orientacoes/
dgef/fundam.
R$ 1.021.694,48
R$ R$ 278.350,52
R$ 1.459.550,05*
Aquisição de caminhão
R$ 220.551,84
Pavimentação asfáltica
R$ 2.062.896,63*
Aquisição de veículo para transporte de
pacientes
Construção de Ponte
R$ 129.780,00
R$ 1.456.804,52
Aquisição de veículos e equipamentos
R$ 1.840.206,19
Santa Rosa de rodoviários
Lima
Aquisição de máquina
R$ 452.921,11*
Escavadeira Hidráulica
Fonte: FUNDAM
(* Projetos com valores acrescidos de contrapartida municipal.)
Maria gasolina
A administração municipal de Santa Rosa de Lima optou por apresentar todos os planos de trabalho para a aquisição de máquinas,
equipamentos e veículos, a maioria deles para a Secretaria de Obras.
Além dos R$ 1.840.206,19 a fundo perdido, o município de Santa Rosa
de Lima também apresentou ao Fundam uma segunda proposta para
a aquisição de uma máquina no valor de R$ 452.921,11. Neste caso,
com uma contrapartida do município no valor de R$ 22.781,93.
R$ 1.000.000,00
E tem mais
Além dos investimentos destes
dois programas citados, o município
ainda recebeu mais veículos (no legislativo municipal, fala-se em vinte
e oito). A maioria de programas diretos ou indiretos do governo federal. É importante que a população
tenha acesso a essas informações.
Especialmente sobre a origem, a
destinação e o uso exato que devem ter esses veículos.
Aguarda-se que o próprio executivo municipal faça essa divulgação completa e transparente. E que
a Câmara de Vereadores, a quem
cabe fiscalizar o executivo, também
o faça.
A reportagem do Canal SRL iniciou um trabalho de levantamento nos sites de transparência de
diversos órgãos públicos municipais, estaduais e federais, mas por
problemas de indisponibilidade ou
inconsistência dessas fontes, considera que eles ainda não estão prontos para publicação.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
ECONOMIA
Projetos sustentáveis; pensando o passado,
projetando o futuro
No último dia 21, na Pousada Doce Encanto, aconteceu mais um evento importante para a proposta de desenvolvimento
sustentável de Santa Rosa de Lima. Estiveram reunidos agricultores e agricultoras familiares, técnicos, professores e estudantes
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade de São Paulo (USP). Além de analisar o pioneirismo do
projeto Pastoreio Racional Voisin (PRV) aqui no município, foram discutidas ações para os próximos anos. Dois projetos ganharam
destaque. O primeiro, de estudo das condições para o pagamento por serviços ambientai. O segundo, de contabilidade para
analisar a viabilidade econômica do PRV nas Encostas da Serra Geral. Ao final, um tempo foi destinado para uma avaliação dos
agricultores participantes do projeto.
Vanguarda na produção
“A gente começou o projeto aqui em 1998, porque um
professor, que diziam que era
meio sonhador, chegou lá na
minha sala [na UFSC] e falou:
– Será que é possível produzir
leite a base de pasto nas Encostas da Serra Geral? Todos
os colegas do meu departamento falaram: – Tás é louco, cara, aquilo lá é só morro!
O sonhador aí era o Wilson
[Schmidt]. No ano seguinte, a
gente veio pra cá. E foi assim
que esse projeto entrou para a
história da Agreco, para a história de Santa Rosa de Lima e
para a história da Universidade de Santa Catarina... [olha
pra plateia] Onde é que está
o filho do Dauri, o Zé Luiz?
Quando o Zé Luiz nasceu, um
ano antes, a gente começou
o trabalho aqui. Vocês vão ver
o tamanho do Zé Luiz...”
O relato ao lado foi feito pelo professor
Abdon Schmidt, da Universidade Federal
de Santa Catarina, que completou: “Nesse tempo, se concretizaram muitas ideias
que pareciam pra lá de exóticas, diferentes, impossíveis. A gente começou a trabalhar com a produção a base de pasto,
seguida da produção agroecológica. Em
2001, tivemos aqui em Santa Rosa de Lima
o primeiro laticínio certificado orgânico no
Brasil. Eram 15 produtores orgânicos. Era
muito de vanguarda. Aconteceu, até, muito antes de a sociedade poder entender o
significado dessa ideia”.
Sinais
O professor da UFSC prosseguiu com
seu relato. “Devagarzinho, o que parecia
um sonho se transformou em realidade.
Nunca me esqueço da primeira vez que a
gente conversou com o Seu Lauro [Bloemer]. Ele falava: ‘Olha, acho que isso aí...
Não sei. Não sei. Não confio muito’. Hoje,
temos aqui na nossa frente um exemplo:
o mesmo Seu Lauro, agora com 72 anos.
Há dois anos, ele chegou pra mim e disse:
‘Olha, silvo pastoril, esse pastoreio, quero
começar lá em casa’. Aquilo pra mim foi
um presente. Lavou a minha alma. Um
produtor considerando pela Epagri como
‘top’ na região, chega pra mim e fala: ‘eu
gostaria de trabalhar com silvo pastoril’.
Isso significa que o que a gente tem feito
até agora tem funcionado. Por causa de
agricultores como o Seu Lauro, o Danilo,
o João, a família Herdt, isso aqui virou uma
Sombreamento de pastagens em propriedade rural de SRL.
Reunião discute principais temas sobre o sistema silvo pastoril.
referência para o resto do estado. Aliás,
não é só no estado. Tem propriedade aí
sendo visitada por gente que vem de longe. Tem gente de Minas Gerais que vem
aqui ver como vocês produzem”.
A ideia do silvo pastoril
Em 2008, a gente achou que podia dar
um passo à frente, produzir leite em sistema silvo pastoril [combinação de floresta e
pastagem]. Cheguei um dia na casa do seu
Lauro e ele disse pra mim: “Eu não consegui dormir essa noite. Eu estava pensando
como é que esses bugios se alimentam.
Não temos mais as florestas”. Na ocasião,
estava comigo um pesquisador dos Estados Unidos, o Joe. E ele repete isso até
hoje. O Joe sempre conta isso. “Chegamos
lá e o agricultor falou: ‘olha, se a gente
derruba toda essas florestas, como é que
esses animais vão se manter? O que vai
acontecer? Será que eles são importantes? Será que não são?’ ’ O Joe ouvindo o
Seu Lauro me disse como aquela fala era
importante!”
Andando
Então, em 2009, nos reunimos com o
pessoal da USP para implantar e avaliar
um sistema que a gente chama de silvo pastoril. Ele está começando aqui. Eu
acredito que Santa Rosa de Lima é o melhor lugar pra gente fazer isso. O nosso
projeto é contínuo. A gente aprendeu isso
com o professor Wilson Schmidt. Ele sem-
pre fala que não interessa quem financie,
o importante é o projeto andar”.
Fazer contas
A estrutura da pesquisa da estudante
de pós-graduação da USP, Andreia Castelo Branco, inclui duas linhas. A primeira, o
estudo da viabilidade econômica da produção de leite com criação de gado a base
de pasto e dentro de um sistema agroecológico. A segunda, a realização de um
diagnóstico para construir uma proposta
de pagamento por serviços ambientais
àquele produtor de leite que siga esta
proposta. “Como pensamos em indicar
esse sistema, temos que ver se ele é viável
economicamente, se os custos dele são
realmente inferiores ao sistema tradicional. A pesquisa pretende, assim, fazer um
comparativo entre o sistema tradicional e
o sistema Voisin”, explica Andreia.
Primeiras conclusões
Trinta e um produtores toparam participar do projeto que teve início em agosto de 2013 e termina neste mês de julho.
Algumas conclusões já são possíveis: “Os
produtores que adotam o sistema Voisin
têm uma produção de leite por hectare
muito maior do que aqueles que não o
adotam. Com isso, comprovamos alguns
pressupostos e benefícios do sistema”.
O problema é que parece não haver uma
relação direta entre adotar o Voisin e passar a um sistema agroecológico. Pode per-
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
manecer o uso de fertilizantes de
síntese química e herbicidas, por
exemplo. “Se os produtores julgam que sem esses insumos fica
inviável, a pergunta é que incentivos econômicos podem ser dados
para que de fato seja um sistema
agroecológico”, finaliza Andreia
Castelo Branco
Mais felizes
Alfredo Fantini, professor da
UFSC, na área de Floresta, Ecologia e Manejo Florestal é quem coordena a implantação do sistema
silvo pastoril. Este sistema tem
dois objetivos principais. O primeiro é fornecer sombra para os
animais. “Isso é particularmente
importante porque, normalmente,
o plantel é formado por gado europeu. Que sofre muito com as altas temperaturas do nosso verão.
Abrigado na sombra, o gado tem
maior conforto térmico. Toda a fisiologia dele melhora, desde o hábito de pastejo, de ruminação. Só
melhora a produção. A gente diz
que as vacas ficam mais felizes”. O
segundo objetivo é que a produção de leite seja integrada na paisagem. Para isso, são plantados
pequenos núcleos de florestas
com diversas espécies produtivas
de árvores típicas da Mata Atlântica. Fantini afirma: “Nós pensamos
em biodiversidade e produção.
Estamos testando, mas a bracatinga e a palmeira Juçara, juntas, dão
uma combinação muito boa”.
Ligação
O professor da UFSC destaca
o caráter inovador da proposta:
“Não é simplesmente produzir
sombra com árvores. A inovação
é agrupar árvores em núcleos
dispersos na pastagem. Além da
produção [lenha, açaí] esses núcleos servem para ligar os diferen-
tes fragmentos de florestas que a
gente tem na região”.
sador, é a questão de transferência de tecnologia e conhecimento”.
Organização e notoriedade
Alfredo Fantini explica porque
o projeto foi realizado em Santa
Rosa de Lima. “Escolhemos aqui
para testar essa novidade, evidentemente, pela organização
dos agricultores. E também por
conta do município ser reconhecido como uma área de produção
de alimentos orgânicos. Isso tudo
soma. Tem um apelo para começar um projeto dessa natureza”.
Pagamento por serviços
ambientais
Paulo Antônio de Almeida Sinisgalli é professor da USP em
Economia Ecológica e Gestão de
Recursos e acompanha os estudos no município. Na ocasião do
encontro ele realizou uma palestra sobre pagamento por serviços
ambientais, as etapas, regras e parâmetros de devem ser adotados
para desencadear o projeto. “Primeiro você precisa ter uma boa
fonte de financiamento para ter
pagamento, depois ter um compromisso dos produtores ou de
quem for que forneça estes serviços adequadamente e por fim
o processo de monitoramento.
Paulo fala da Política Nacional de
Pagamentos Ambientais, uma lei
federal que deve ser promulgada,
mas que ainda é discutida em Brasília. “No momento que tiver essa
lei, vai facilitar bastante a tramitação e a organização destas iniciativas pelos estados e municípios do
Brasil”.
Colhendo os frutos
Darci Pitton, é o técnico que
acompanha, em campo, a implantação do sistema silvo pastoril.
Nas propriedades que completam
dois anos de sistema Darci afirma
que que já é possível medir algum
resultado, “a sombra já está sendo atendida dentro do piquete,
as vacas já tem onde se refugiar,
o retorno econômico já está acontecendo na forma de desbaste,
usa-se a madeira para diversos
fins. Outro ponto fundamental do
projeto é destacado pelo pesqui-
Vacas com maior conforto térmico melhoram a produção.
Depoimentos
Itamar Heidemann: “O trabalho que vem sendo feito é muito importante, porque vai mostrar
a realidade de cada propriedade.
Nós falamos de propriedades pequenas que têm que melhorar, ter
novas tecnologias para sobreviver,
porque têm muita inclinação em
pouco espaço. Lá na minha, foi
implantado o sistema Voisin. Eu
mesmo implantei, porque eu vi
que é muito bom, que é excelente.
Se eu fosse produzir leite na minha propriedade e eu não tivesse
o sistema Voisin, eu só poderia ter
a metade das vacas que eu tenho
no plantel. [O projeto] é importante para a gente conversar com
um, com outro, saber a realidade
de cada um... E melhorar o que é
possível melhorar.
Agora, nós temos que preservar. Há um tempo, o governo
mandou derrubar tudo e produzir.
Hoje eles cobram de nós. Antes,
se tinha um banhado em cima do
morro, eles diziam: ‘vamos abrir
para produzir’. Aí vieram as retroescavadeiras... Depois, a vertente
embaixo do morro começou a secar. Hoje, as máquinas tinham que
voltar e fechar estes banhados. Aí,
voltava a ter mais água. Este sistema Voisin que nós implantamos
conserva muito as propriedades.
Não dá erosão; a pastagem sempre está boa... Tu botas o gado...
Hoje, ele rapa e amanhã, já está
crescendo. Então isso é super importante e muito viável”.
Rosângela Bonetti: “As pessoas pioneiras colhem os espinhos, mas também os frutos bons.
O trabalho é complicado, mas
quem começa vai sair na frente.
E vai colher os primeiros frutos. É
um pouco difícil, mas é interessante participar. É muito bom ter este
diferencial. Ver a propriedade de
uma forma diferente. Conhecer a
sua própria realidade de trabalho”.
José Luiz Herdt: “Eu quero agradecer à Andréia [Castelo
Branco] e o Darci [Pitton do Instituto Civ.Net], pelo trabalho que
eles estão fazendo conosco. O
projeto está mostrando como é
bom a gente trabalhar com as vacas de leite para nos manter a todos. E nos incentiva a aumentar a
produção.
Quando a gente falava em aumentar a produção, era descer o
machado no mato. Este estudo
está mostrando que tudo o que a
gente tem que fazer é se concentrar no que a gente já tem.
E aumentar a produção dentro do que a gente alcança. Não ir
lá e derrubar um monte de mato
e botar grama. Vai ter grama lá?
Vai! Mas não vai ter a mesma qualidade que conseguimos quando a
gente se concentra num pequeno
pedaço e tem uma grande produção”.
7
COMUNIDADE
RIO DOS ÍNDIOS
Kelin Dutra | Ivonete Walter Dutra | Milena Dutra
Festa na comunidade e da comunidade
Rio dos Índios se prepara para, mais uma vez, honrar nosso padroeiro: Santo Inácio de Loyola. O evento
já é considerado o mais grandioso dos realizados por
aqui. E como sabemos que O Canal SRL é o mais lido
em todos os cantos do município, aproveitamos para
reforçar o convite para todos os santarosalimenses.
Venham prestigiar a nossa querida comunidade. Venham celebrar conosco a fé e a alegria da comunidade.
Programação
Sábado – 26/07/2014
15:30 - Início e final do Torneio de
Bocha com equipes convidadas.
Domingo – 27/07/2014
09:00 - Largada da Moto trilha
10:00 - Missa em homenagem
a Santo Inácio
10:00 - Início do Torneio de futebol
19:00 - Baile com a banda
Solto das Patas
A história do nosso padroeiro
Íñigo (Inácio) López nasceu em 1491. Ele veio ao
mundo na localidade de Loyola, atual município de
Azpeitia, na parte espanhola do País Basco. De família rica, o caçula de treze irmãos decidiu dedicar-se
à espiritualidade aos 26 anos. Abandonou, então, a
carreira militar e voltou a estudar, para melhor abraçar a vocação descoberta de evangelizador. De 1522
a 1523, escreveu os “Exercícios Espirituais”, baseados
em sua experiência de encontro com Deus, através de
reflexões que levam em conta sua própria humanidade. Os “Exercícios Espirituais” foram reconhecidos,
mais tarde, como um método de evangelização para
os católicos.
Jesuíta fundador
Em 1534, com mais seis companheiros (entre eles,
Francisco Xavier) funda a Companhia de Jesus. Quando a Ordem recebe a aprovação do Papa Paulo III, em
1540, Inácio é escolhido o Superior-geral dela. Depois
disso, os Jesuítas se espalharam pelo mundo. No Brasil, atuaram desde o período colonial. A contribuição
dos Jesuítas ao ensino brasileiro é considerada decisiva. A história de seus colégios em diversos pontos do
território nacional prossegue até a atualidade, dentro
da Rede Jesuíta de Educação.
Canonização
Santo Inácio morreu aos 65 anos, em Roma, em 31
de julho de 1556.
Foi canonizado em 12 de Março de 1622, pelo
Papa Gregório XV. Festeja-se seu dia em 31 de Julho.
Em 1922, o papa Pio XI declarou e constituiu Santo
Inácio de Loyola “celestial Patrono de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe
que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios
Espirituais”.
8
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
SRL: Eu conheço e Valorizo!
Marcelo Venturi
- Engenheiro Agrônomo
Descobri em 1998 essas encostas escarpadas da Serra onde antigamente
moravam os “bugres”. Eu ainda era um “piá de bosta”. Junto com toda minha turma de calouros de Agronomia da UFSC, fui levado a Santa Rosa de
Lima pelo professor Wilson Feijão Schmidt. Virei estudante de agronomia
porque queria aprender a ser sustentável. Literalmente, para mim, saber
viver do próprio sustento. Imaginem um guri com esse ideal sendo levado
para Santa Rosa. E poder conhecer a Agreco e a, então ainda nova, forma de
produção orgânica e sustentável. Recordo que visitamos algumas propriedades. Lembro especialmente daquelas das famílias do Lúcio e do Valnério.
Na primeira, experimentamos morangos. Na segunda, “altos rangos”. E que
tinha uma menina bonita atendendo. Do nome dela, eu não lembro. Para a
hospedagem, a turma foi dividida em diversas pousadas. Eu fiquei em uma
no Rio Bravo Alto. Depois de tudo, na volta, um colega de turma fez um
comentário que me chocou. Ele falou da beleza de um gramado de uma
propriedade em Anitápolis. Achei muito estranho aquele gosto pela monocultura. Já me atraía a biodiversidade...
O regresso
Voltei para Santa Rosa, três
anos depois, em 2001. Para um
curso de formação de permacultores. Foi assim que conheci
os moradores que vieram a ser
meus primeiros amigos no município. E foi no pé da serra. Lá
na casa do Remi. Esse cara era
um agricultor de verdade. Daqueles que vive só da terra e de
ajudar os outros. Ele fez curso
e se tornou um permacultor diplomado. Virou referência para
todos nós. É lindo ver sua família
vivendo da terra! Naquela ocasião, conheci também o Márcio
Gauchinho. E o banheiro seco
dele.
A colonização
Em 2002, eu cheguei para
“colonizar” Santa Rosa de Lima.
Tinha passado em um concurso
da Epagri como extensionista
social e tive a chance de esco-
lher o município como meu local de trabalho. Minha escolha
assustou meus concorrentes.
Diziam que para chegar lá tinha
que andar 60 km em estrada
de barro. Naquele tempo, era
verdade. O lugar era longe. Mas
para mim era um sonho poder
trabalhar em um município que
era referência em orgânicos.
Tive o prazer de conhecer e ficar
amigo de tanta gente querida.
De ter uma segunda mãe (adotiva). Que me alugou uma casa
e que cuidou de mim muitas
vezes. Dona Valda (e Seu Roberto), que saudades! E também do
Barbuleta da Mariza, onde morei semi-acampado. Também fui
a “zilhões” de bailes. Afinal, era
o único agito que ocorria. Ficava desesperado com a falta de
opção para os jovens, que, nos
fins de tarde, ficavam bebendo
na praça. Depois de terem assistido “Malhação”. Eu preferia
ir tomar banho de água termal
no meio do mato... Isso foi nos
tempos antes da construção do
Balneário.
Ela ficou maior...
Enquanto eu estive em Santa
Rosa de Lima, ela “nunca cresceu”. Nos dois anos que passei
lá, todos falavam: “tem 2007 habitantes”. Mas ela ficou maior.
De verdade! Naquela mesma
época, ela passou a ser referência nacional em produção
orgânica. Que sucesso! A Agreco veio ao mundo para mostrar
que talvez os bugres tivessem
muito a ensinar com sua forma
natural de cultivar. Sem querer,
os descendentes de alemães e
italianos acabaram buscando
neles inspiração. E, hoje, tem orgânicos. E tem Agreco.
Santa Rosa de Lima, por isso,
está longe de declinar. Pode,
ainda, estar perdendo alguns
jovens para as cidades grandes.
E, espero, que só para estudar
e com a intenção de voltar. Pelo
menos, alternativas são buscadas. Acreditem, aí tem muita
coisa boa.
... e eu cresci
Ali na praça e nos interiores,
eu conheci muita gente bonita.
Estudei “ingrêis”, com o pessoal
da Acolhida. Toquei trombone
na banda. Tentei cantar (bem
mal) na outra banda. Fiz amigos inesquecíveis, como o primeiro e único cara do correio,
o Jorbson. Como os parceiros
de vôlei, das terças a noite no
ginásio. Me meti em polêmicas.
E até fui ameaçado de morte.
Fiz um amigo na PM, o também
“estrangeiro” Geci, que me dava
carona pra Floripa. Eu era um
cabeludo polêmico, nessa terra
de “alemón”. Cresci muito aí com
vocês. E como cresci.
Trajetória
Na minha história de vida,
tive que voltar pra Floripa em
2005. Para acabar os meus
estudos. Já estava quase comprando um terreno nas Águas
Mornas, quando a Epagri me
mandou pra outra região. E,
infelizmente, bem longe. Com
isso, abandonei Santa Rosa
de vez. A vida seguiu. Agora
só apareço vez ou outra para
matar saudades. Ou para levar
novos amigos, para que eles
também admirem e se admirem com essa cidadezinha
única que tem muito a nos ensinar.
(As datas e dados históricos
não são precisos. Servem de ligação às minhas impressões e
às minhas histórias)
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
9
CADERNO DE RECEITAS
“Eu pensei assim, que fossem receitas antigas, feitas por
nossas avós e repassadas através de gerações, mantendo a
cultura dos nossos antepassados... Um caderno de receitas
cairia muito bem...” Este foi o pedido de Rosinete Wenz
Oening no Canal do Sr. Leitor da edição passada. Como
adoramos a sugestão, publicamos, a partir deste mês, uma
sessão dedicada ao resgate de receitas da culinária local.
Junto, apresentaremos um pouco da história de vida das
entrevistadas, outra sugestão da Senhora Leitora Rosinete.
Duas receitas e conversa
farta
Conhecida por receber suas
visitas sempre com a mesa farta,
Dona Verônica Willemann Baumann, 82 anos, foi convidada para
estrear esta sessão. Sua “chimia
de ovo” faz sucesso entre os que
são recebidos por ela e pelo Seu
Helmuth Baumann (82). Cozinheira que é, não se ateve apenas a
“chimia”. Fez também “fristik”, a comida que se levava pra roça ou se
consumia, com café, à noite. Tratase de um prato com feijão amassado coberto com ovos mexidos e
frigidos.
Dona Verônica é bastante conversadeira. No início da entrevista, ela alertou: “Se for pra eu ficar
contando histórias, nós vamos ficar aqui a noite inteira”.
Bacião de comida
Nascida na comunidade de Rio
do Meio, ela é a quarta filha, num
total de 12 irmãos, oito mulheres
e seis homens. Sua tarefa era ajudar a mãe nos afazeres de casa e
a cuidar dos irmãos mais novos.
“Ao meio dia, levava um bacião de
comida pra roça. Alguns dias, nós
largávamos o caldeirão na roça e
fazíamos o feijão lá mesmo... Botava carne defumada, ossada de
porco. E era só feijão com carne. Mas era à vontade. Em casa,
a gente aprontava um pirão de
feijão. Fazia um furo no meio, enchia de carne, tampava por cima e
amarrava numa trouxa”.
Deu o troco
Tinha um camarada que para-
#
va lá em casa do pai. E ele e meu
irmão iam sair... Não sei se era
um baile. Minha irmã que passava
roupa não estava. Aí, eu [que] fui
passar. Era aquelas calças de quina [friso] e eu não sabia [passar].
Passei assim de plancha. E depois
daquilo ele sempre dizia pro meu
irmão: ‘Tino nós temos que dar a
roupa pra Verônica passar’. Um
dia a mãe saiu e eu tinha que fazer
o pirão. Eu me lembrei e pensei
hoje tu vais me pagar. Daí fiz o pirão, fiz o furo, botei a carne dentro
fechei por cima.
Antigamente dava aquelas bolas de sal bem duro, enfiei uma
bola assim do lado. De noite, ele
perguntou: ‘Quem aprontou o feijão hoje?’ A mãe respondeu: ‘Foi a
Verônica’. Aí ele disse: ‘Aham, tinha
uma bola de sal... Eu estava lá no
morro trabalhando e tinha que ir
na grota tomar água, porque eu
não aguentava de sede’. Eu falei:
Isso é porque tu me enticavas,
que eu não sabia passar roupa. Tu
ficaste gozando da minha cara e
eu agora me aproveitei.
Não deu bode
Quando o pai e a mãe saiam,
eles diziam: vocês não podem ir
no pasto porque tem um bode
muito bravo. Nós respondíamos:
‘Não, não... Podem ir, que nós não
vamos lá no pasto’. Quando eles
saiam, a gente abria as duas porteiras, a do rancho e a do terreiro.
Aí a gente sapateava e o bode vinha a toda para pegar nós... Bravo! Bravo! Tinha a sala, a porta e
um quarto, onde tinha uma cama
meio velha. O bode vinha e só
Dra. Marilin, Irene, Dona Verônica e Seu Helmuth apreciando as delícias de antigamente
dava tempo pra gente trepar na
cama, num cantinho. [A gente] se
prensava assim, se tremia tudo. E
o bode, béééé. E lá ia o bode de
volta para o pasto. E nós sapateávamos de novo. E começava tudo
de novo. (Risos)
A que foi tirada
A gente já se conhecia um
pouco. Mas numa domingueira na
casa do Fernando Schmoeller, a
gente dizia umas para outras: ‘Vamos ver quem o Helmuth vai tirar
[para dançar] primeiro’. ‘Garanto
que ele vai me tirar’, elas diziam.
Porque eram mais conhecidas
dele. Aí eu falei: Não, não, ele vai é
me tirar. Aí, quando foi de repente
ele me tirou para dançar... Daí pra
frente, nós namoramos uns quatro anos e nos casamos. Eu tinha
22 anos.
O casamento
Quando nos casamos, só tinha umas cinco pessoas na igreja.
O padre e as testemunhas. E era
tudo antes do dia. Tinha que ir de
caminhão num dia e dormir lá em
Rio Fortuna. Não tinha como pagar um caminhão para ir e voltar
no mesmo dia. A gente não estava
tão folgado.
O Helmuth ainda fez dente,
depois que nós casamos, para pagar o caminhão para trazer nós.
Do falecido Zé Clemente.
A festa foi no paiol da casa do
sogro, lá no Rio Bravo. Veio um
gaiteiro de Pinheiral e ele tocou
o baile. Todo mundo comeu de
meio dia. De tarde, tinha o café. E
sobrou muita coisa. Então, o gai-
teiro dormiu lá e no outro dia tocou a domingueira. Foi dançado e
comido tudo de novo.
Foi difícil
Quando nós casamos, fomos
morar no Rio Bravo. Não tinha
casa, não tinha nada. Nenhuma
cama, nenhuma mesa, nenhum
banquinho. Nós fomos morar na
casinha da escola. O Helmuth já
trabalhava de dentista e colocou
camarada para tirar madeira do
mato. Daí, fizemos um paiol bem
grande e um puxado para um chiqueiro nos fundos.
À luz da lua
Para o trabalho dele ficava
muito melhor vir morar aqui pra
fora. Aí, moramos ali onde morava
o falecido Tonho [Willemann]. Arrancamos nosso paiol e o chiqueiro e fizemos a casa.
Depois, nós compramos umas
terras do falecido Zé Clemente.
Mas não tinha chão para a casa.
Só um chãozinho para fazer um
paiol. Fizemos e fomos morar ali,
onde hoje é o sítio do Nivaldo Schmidt.
De noite, quando as crianças
iam dormir, nós cavávamos o chão
com a lua clara. Quando não tinha
lua, a gente colocava um pavio,
assim, na rua. E cavava... Nós dois
sozinhos.
Quando veio o material, a gente teve que carregar tudo a muque, uns cinquenta metros da estrada até o paiol. Daí ele contratou
os camaradas para fazer a casa.
Ali, tiramos toda a madeira que
precisava para ela.
Nunca faltou união
O Helmuth trabalhava durante o dia de dentista. Por todos os
cantos... Sempre que podia, me
ajudava em casa. E ainda fazia
um pouco de roça. Mas a roça
era mais com os camaradas. Eu
tinha que fazer a comida, o pão...
Às vezes, fazia a trocha de comida
para uns três lugares. Era gente
na roça, gente no mato, as crianças para escola. Nunca faltou leite.
Nunca faltou carne. Sempre tinha,
assim, para se manter. Sempre
passamos bem. Era muito trabalho, mas era muito bom pra nós.
Nós éramos muito unidos. O que
um planejava, o outro concordava.
Nunca teve brigueiro.
Com a energia
Depois, com a chegada da luz
elétrica na praça, resolvemos mudar mais uma vez. Com a luz, facilitaria muito o serviço de dentista,
pois era tudo com motor a pé, a
polia... Os dentes, o fole para soldar o ouro... Era muito difícil! Ele
tinha muito serviço. Quase todo
dia, trabalhava até as três da madrugada. Muita gente dizia que a
gente tinha vida fácil. Ele falava:
‘Vocês não sabem a minha vida’.
Daí, viemos morar aqui na praça.
Isso já faz uns quarenta anos.
Balanço
Eu posso dizer que tive e tenho uma vida muito boa. Até hoje!
Muito feliz! Os filhos vêm sempre
aqui. São muito bons pra nós. Somos muito unidos.
Experimente as receitas da Dona Verônica
Chimia de ovo
Ingredientes:
2 ovos
1 ½ xícara de açúcar
Modo de fazer: Bata as claras em neve,
misture as gemas e o açúcar e mexa
bem até formar um creme. Sirva em seguida.
Versão cozida: Esta chimia também
pode ser preparada na frigideira, depois
do processo anterior, colocar no fogo
com um pouquinho de azeite ou banha
e fritar, sempre mexendo, até que fique
bem douradinha.
Fristik
Pirão de feijão com
ovos
Modo de fazer: Amassar o
feijão com farinha de mandioca. Não deixar que fique
muito seco. À parte, fazer
ovos mexidos em uma frigideira. Coloque o feijão
amassado em um refratário
e cubra-o com os ovos. Sirva
quente.
10
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
SUSTENTABILIDADE
Agricultores
pesquisadores se
reúnem
Técnicos, estudantes e agricultores participam do projeto.
No dia 12 de junho, aconteceu, no Centro de Formação em Agroecologia, a primeira reunião envolvendo
os agricultores familiares das Encostas da Serra Geral que fazem parte do projeto Núcleo de Estudos em
Agroecologia da Educação do Campo da UFSC.
Na língua deles
O encontro reuniu os vinte agricultores que farão,
em suas propriedades, Unidades de Experimentação e
Socialização. Nestas UES, eles vão realizar pesquisas em
temas como alternativas em técnicas produtivas vegetais;
alimentação animal; sementes crioulas; recuperação de
áreas degradadas; e compostagem. Esses temas foram
apontados pela Agreco, CooperAgreco e Acolhida na Co-
lônia como os grandes gargalos para a expansão da produção orgânica nas Encostas da Serra Geral. Participaram
também do encontro dez estudantes bolsistas do projeto
(Educação do Campo, Agronomia, Veterinária e Letras),
professores da Licenciatura em Educação do Campo, técnicos da Agreco, da Epagri e outros parceiros locais.
A ação contou ainda com a participação do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná, Dr. Moacir Darolt,
que proferiu palestra sobre os desafios da produção orgânica e sua relação com os temas trabalhados no projeto.
Na avaliação final, os agricultores destacaram que no
evento “se falou a língua deles”, que a reunião foi muito
esclarecedora e motivadora. O ponto mais sublinhado foi
a importância da aproximação da Universidade Federal
de Santa Catarina com os problemas e potências da agricultura familiar orgânica.
Depoimentos
Valdenir de Sousa
(Agricultor - Rio Fortuna)
Eu acho interessante porque, como
foi comentado, é a teoria e a prática se
juntando. É uma troca de experiências. E
isso é que mais nos interessa. Estamos
sempre na busca de novos conhecimentos, de novas técnicas, sempre para tentar
produzir, com jeito melhor e com menor
custo, um produto mais saudável. A princípio, pelo que eu entendi, os estagiários
e a Universidade farão visitas para realizar
este acompanhamento e esta troca de
experiência. Para mim, eu penso que vai
ser uma diminuição de custo e uma propriedade modelo, para novos agricultores
usarem de exemplo. Se Deus quiser, vai
funcionar. Vai dar certo! E o que dá certo
deve ser passado pra frente.
Jorge da Silva
(Agricultor/permacultor
Anitápolis)
É através destes projetos e destas
reuniões que a gente consegue buscar
conhecimentos. O caminho é a troca de
experiência e o acompanhamento técnico. Como eu disse, é mais uma lenha na
fogueira, para aquelas pessoas que têm
algum projeto e se sentem meio sozinhas.
Aí, conhecem pessoas diferentes, conhecem ideias novas e se animam na atividade.
Eu até coloquei ali no meu grupo...
Mas é tão difícil pegar agricultor para fazer
experimentos, seja com sementes, seja
com outras coisas. Eu acho que, quando
interessa, as pessoas vão atrás e chegam
onde querem. Ainda mais com esse apoio.
Eu tenho só a quarta série, não tinha conhecimento nenhum. Tudo o que eu consegui, foi da minha prática, dos cursos de
capacitação em agroecologia, biodiversidade, permacultura e por aí afora. Através
da Agreco, a gente procura sempre saber
mais.
Luis Henrique Vanderlinde
(Estudante de agronomia e bolsista
no projeto)
Para começar o projeto, reunimos as
pessoas, os bolsistas das unidades de experimentação e socialização. E, agora, a
gente vai começar debatendo quais são
os focos em cada tema, quais as necessidades, o que as pessoas esperam do
projeto. E, a partir daqui, a gente junta as
informações e começa a trabalhar para
definir os experimentos.
Não será uma pesquisa que vai mudar
o mundo. A gente vai começar de pouquinho em pouquinho... E as propriedades
irão repassando experiências. Vai ser uma
troca de experiência entre quem já experimentou e quem quer mudar seus sistemas de produção.
Moacir Roberto Darolt (Pesquisador
do Instituto Agronômico do Paraná
e da equipe do projeto)
Eu acredito que a proposta destas unidades de experimentação e socialização é
um ponto muito importante. Porque ele
vai ao ponto principal: os agricultores estão experimentando. São agricultores que
começam a pesquisar. São agricultores
pesquisadores. Assim começa a ter uma
pesquisa em agroecologia. E agroecologia
é prática também. Não temos aqui uma
estação experimental de pesquisa. Mas
temos os agricultores que são experimentadores por natureza.
O que vai acontecer, agora, é que pesquisadores, técnicos, professores, estagiá-
rios, vão começar a se unir com o conhecimento dos agricultores. E isso vai trazer
um resultado. E o mais importante é que
se vai socializar, passar para outros agricultores. Eles vão aprender, por exemplo,
como multiplicar e melhorar as próprias
sementes. Um pesquisador pode vir aqui
e apoiar e os próprios agricultores poderão produzir e resgatar as sementes.
A gente já vê isso nas feiras em Curitiba. Muita gente está comendo tipos de
feijão que nunca comeu antes. Como é o
caso do feijão mouro. A agroecologia ajuda a manter a diversidade. E este projeto
ajuda.
O importante é que os agricultores estejam sempre pesquisando. Não adianta
fazer uma pesquisa lá no Paraná e vir aqui
falar para o agricultor daqui fazer. Porque
aqui é um local com características que só
tem aqui. Então, este projeto vai permitir
fazer a pesquisa no local. A metodologia
é parecida. A gente pode mostrar como
fazer a pesquisa, mas as características
do local são mais importantes. Por isso é
que é importante o agricultor ser um pesquisador. Aí temos o que chamamos de
inovações.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Um pedido às autoridades
Gostaria de usar este espaço para informar às autoridades competentes para que tomem providências com relação
à ponte sobre o rio Braço do
Norte, na comunidade Quedas
d`água. Quem passa por ela
percebe a necessidade da realização de reparos para garantir a segurança dos usuários.
Algumas pranchas transversais
do tabuleiro já foram substituídas, mas ainda é necessário
que seja feita a manutenção
na estrutura do guarda corpo,
a reconstrução da proteção
nas cabeceiras da ponte e também do “trilho” onde os veículos trafegam. Vale destacar a
importância dessa ponte. Não
só para moradores locais, que
a utilizam diariamente para se
deslocar e escoar suas produções agrícolas, como também
para o turismo. Não só ela
serve de acesso às pousadas,
como é frequente que turistas
passem (e parem) para tirar fotografias. Por questões pessoais, prefiro não me identificar.
Escrevo por ser uma reivindicação de muitos moradores e
usuários desta ponte.
NOTA DA REDAÇÃO: Prezado leitor ou prezada leitora, você tem direito ao anonimato e nós, o
dever de resguardá-lo. Publicamos sua carta pois estivemos no local e comprovamos os fatos por
você relatados. As informações são todas verídicas. Inclusive no que se trata do guarda corpo. Ele
existe, mas coloca em sério perigo de queda o desavisado que nele se apoiar.
Sugestões aos editores
Em primeiro lugar, quero
desejar os parabéns para este
jornal que nasceu há pouco
mais de um ano, mas que sabemos que veio para ficar.
Assim como a colega leitora
Rosinete Wenz Oening, do Rio
Bravo Alto, eu também leio o
jornal inteiro. Ligo a televisão
só para assistir aos telejornais
e aos programas religiosos na
Rede Vida, o canal da família,
quando aproveito para rezar
o terço Bizantino com Padre
Marcelo Rossi e a recitar o terço de Nossa Senhora do Ro-
sário, como sempre fazia com
minha saudosa esposa Olinda.
Mas o verdadeiro motivo em escrever para o Canal
do SRLeitor é fazer algumas
sugestões aos seus editores.
Assim como todas as comunidades do interior tem as suas
colunas, deveria ter alguém
que registrasse as notícias aqui
do centro. Seria uma ótima novidade. Sobre a política administrativa, vocês já escrevem e
devem continuar. No entanto,
como diz o ditado, “de politicagem e desentendimento o
povo está cheio”. Outra coisa:
se fosse possível, favor aumentar um pouco o tamanho das
letras no jornal. Tenho muita dificuldade para ler, assim
como outros, principalmente
idosos, também devem ter.
Também quero aproveitar o espaço para agradecer e
bendizer o elogio que minhas
ex-alunas, em nome da comunidade de Rio Santo Antônio,
me fizeram ao completar meus
86 anos de vida. Pelo que fui, o
que fiz e pelo que ainda sou e
ainda posso fazer e ser, o meu
muito obrigado.
Professor Adolfo Wiemes
Anote aí !
26 e 27 de julho de 2014
Festa do Padroeiro Santo Inácio em Rio dos Índios.
12 de julho de 2014
~
Feijoada Deu a LOUCA no 3ªº com Murilo & Gustavo e
Dj Gustavo Soares no Salão Comunitário SRL.
OBITUÁRIO
11
COMUNIDADE
RIO SANTO ANTÔNIO
Mariléia Torquato | Carol Rodrigues
Dona Nita
Neste mês, prestamos uma homenagem especial à moradora mais idosa do Rio Santo Antônio, senhora Anita Ferreira
Rodrigues. No dia 13 de julho, Dona Nita, como é conhecida
carinhosamente, completará 72 anos. Ela conserva uma memória impressionante e relembra passagens de sua vida com
mínimos detalhes. E são muitas as histórias...
Nossa coluna se junta a toda a família de Dona Nita para
felicitar essa mulher batalhadora que foi e ainda é, pelo seu
aniversário. Parabéns, bastante saúde, alegria em abundância
e muitos anos de vida!
Da infância ao casamento
De uma família muito religiosa, Dona Nita lembra que quando criança enfrentou muitos problemas de saúde. Recorda
especialmente da mãe, fazendo seguidas promessas para que
ela tivesse melhoras. “Na minha casa, as orações eram diárias.
Desde cedo, eu e meus doze irmãos aprendemos a rezar e a
participar da igreja”.
Anita estudou só até a quarta série. “Não estudei mais, porque na época não havia mais estudos”. Mas não se esquece de
tudo que aprendeu e nem de seu professor que, segundo ela,
era muito severo. “Ele exigia que os próprios alunos levassem
as varas com as quais brincavam, para que, com elas, pudesse
bater neles. Era muito bravo!”.
Naquela época, a família dela, assim como as demais, passou por muitas dificuldades. “Todos os filhos ajudavam aos pais
nas atividades de casa e da roça. Lembro especialmente das
colheitas do café. E de quando tínhamos que socar arroz. Ou o
milho, para tratar as galinhas”.
Dona Nita casou-se aos 20 anos com Fernando Rodrigues.
Com ele, teve nove filhos. O casal sempre incentivou os filhos
a participarem da escola, da igreja e da vida em comunidade.
Hoje, ela mostra orgulho ao dizer: “todos receberam educação
e princípios como honestidade e respeito”.
Mudar, mudar, mudar...
Ela e o esposo moraram em muitos lugares, sempre em busca de uma vida melhor. Entre tantas mudanças, Dona Nita relembra as mais marcantes. Como quando vieram morar em Rio
dos Índios. Ela se emociona ao lembrar-se da morte de um filho,
de apenas dois meses, vítima de uma doença que ela, até hoje,
desconhece. Naquela casa não tinha água e precisavam buscar
em tambores e ela lavava roupas “em uma poça de água”. Mas
ela recorda também bons momentos, os bolos de farinha de
milho feitos em cima da chapa e os bolos de boleira. Mas ela faz
questão de frisar: “Foi um tempo de muitas dificuldades”.
Depois, mudaram para Tubarão. O marido trabalhava como
caminhoneiro e ela, em um armazém. Com a enchente de 1974,
a cidade ficou devastada e a família fez nova mudança. Desta vez, para Curitiba. Alguns anos mais tarde, vieram morar na
comunidade de Rio Ladeia, em Anitápolis. Lá ficaram por oito
anos. Em seguida, vieram para a nossa comunidade. Aqui, trabalharam com extração de madeira, plantio de fumo e um comércio de secos e molhados, o último da comunidade.
Perdas e vida que continua
Dona Nita recorda com muita tristeza a morte do marido,
vítima de trombose. Ao mesmo tempo, ela lembra com carinho
e emoção o excelente marido e pai que foi Fernando. Com ternura na face, ela descreve o companheiro como uma pessoa
muito brincalhona e que adorava crianças.
Após enviuvar, seguiu criando seus filhos. Passou a morar
sozinha quando “as crianças” saíram de casa para formar suas
próprias famílias. Com o tempo e problemas de saúde foi morar
com um dos filhos, aqui na comunidade. Hoje, vive uma vida
tranquila entre pessoas que a admiram muito. Feliz aniversário,
Dona Nita!
12
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
PATRIMÔNIO SANTAROSALIMENSE
Servidor Público número 1
Quem passar na Germano Hermesmeyer, na altura da padaria da Paulinha e
do Gilberto, e olhar para o outro lado da rua, tem forte probabilidade de vê-lo.
A maioria, aliás, já deve tê-lo visto. Sentado em um banquinho de madeira, em
frente a uma casa simples, fica um senhor ainda vigoroso, vestido com roupas também simples. Normalmente, conversando com a esposa ou com algum
amigo que passa. O que muita gente não conhece, especialmente os jovens e
crianças, é a contribuição que esse homem deu para Santa Rosa de Lima.
Depoimento
Muito tempo de trabalho...
Norberto Lazai – ou Beto Lazai – é natural de Anitápolis. Nascido 1941, começou a trabalhar na prefeitura municipal
de Santa Rosa de Lima quando tinha 22
anos. Em 1963, portanto. Ele diz que “era
um guri”, quando passou a ser o primeiro
servidor municipal. Mas já estava casado.
Desde os vinte anos.
Beto Lazai se aposentou trinta anos
depois, em 1993. Na verdade, ele poderia
ter feito o pedido pelo menos seis anos
antes. Mas não estava preocupado com
isso. Feitas as contas no Instituto de Previdência (INPS), acumulou o equivalente a 41 anos e oito meses de serviço na
prefeitura. A “sobra” é porque ele nunca
tirou licenças, nem férias. Também nunca recebeu horas extras, mesmo virando noites e trabalhando aos domingos.
Tudo isso sem nunca ter apresentado um
“atestado”. Encaminhou seus documentos ao INPS e quando foi à agência, um
atendente, espantado, disse a ele: “Olha,
amanhã o senhor já não precisa mais trabalhar. Pode dizer para o prefeito que o
senhor já está aposentado”.
... com muitos resultados
Hoje, ele conta: “Vocês não sabem o
que foi trabalhar esse tempo todo, quase
sozinho, com quatro, cinco camaradas,
puxando doente, puxando morto...” E faz
uma espécie de balanço: “Eu só trabalhei
na minha vida. Não fiz outra coisa. Não
passeei... Não fiz mais nada...”
Beto Lazai afirma que o que tem de
obra aqui em Santa Rosa de Lima, passou tudo na mão dele. Em relação às estradas, conta que tinha um caderno em
que anotou 568 quilômetros de estradas
abertas e patroladas. Ainda com trator,
preparou o terreno da praça e do campo
de futebol... E ainda implantou energia
elétrica. Até delegado ele foi. Por quatro
anos. Afirma que não prendeu ninguém,
“porque o pessoal daqui era educado e
se eu dissesse uma coisa pra eles não tinha problema”...
É patrimônio!
É essa vida de contribuição ao município que esta sessão Patrimônio quer
recuperar e valorizar. Sempre considerando três coisas. Primeira, que ele vê o
que possui como resultado de seu esforço. Ou, como ele fez questão de repetir,
ao longo da entrevista: “Tudo o que eu
tenho saiu debaixo desses cabelos”. A segunda, a queixa da esposa de que “falta
reconhecimento a todo esse trabalho”.
Terceira, que ele se diverte ao relatar: “Às
vezes estou dormindo e sonho que tenho que trabalhar no dia seguinte, cedo.
Aí, eu fico brabo. Quando acordo e me
dou conta que era um sonho, fico tão aliviado. [risos]
Primeiros tempos
Em 1962, eu trabalhava no estado,
aqui na região de Tubarão. E fui pegado
emprestado. Quando o prefeito comprou
a patrolinha, o engenheiro me emprestou
para a prefeitura por seis meses. Quando
terminou esse período eu deveria retornar para o estado. Aí o Zé Schmidt disse
pro engenheiro: “Não! Tu não podes pagar o que eu pago e, ele, de perto de mim
não sai mais!” Aí continuamos a trabalhar
eu e ele; fomos e fomos... Na estrada, eu
fazia mecânica, consertava pneu, fazia
tudo. Tinha as ferramentas, a bomba e
arrumava tudo na estrada. A gente levava
uma bolsa com a comida. Às sete horas,
tinha que estar no serviço. Trabalhava
até meio dia. Comia a comida da bolsa. A
uma pegava de novo e trabalhava até às
cinco. Era oito horas pegadas. A patrola
ficava lá onde estivéssemos trabalhando
e nós dois íamos até ela, com um caminhãozinho velho. Éramos só nós dois. E
fazíamos as estradas tudo a olho. À noite,
eu consertava os pneus ou forjava ou arrumava ferramenta ou instrumentos de
trabalho (picaretas) em um fole que tinha
lá em casa.
Gosto pelas estradas
Eu gostava era de trabalhar na estrada. Isso eu gostava... De ver uma estrada
pronta. Olha, às vezes para começar uma
Decreto que designou Beto Lazai como
Delegado de Polícia de SRL.
estrada, nos cavávamos um pouco, pra
roda da patrola entrar, e eu ia alargando. Primeiro, tinha que derrubar o mato,
tudo a base de machado e picareta. Tudo
só eu e o falecido Zé Gregório Schmidt
[que aparece na foto da patrola. O leitor
não deve confundir com o prefeito Zé
Schmidt]. Depois é que entraram mais
dois... Quando a balsa acabou, o balseiro, o Henrique Hermesmeyer, foi trabalhar com nós, na prefeitura. E o Gabriel
também. Naquele tempo, era judiado.
Abrimos essa estrada daqui no Santo
Antônio, que dá vinte quilômetros, com
uma picape velha, um caminhãozinho velho e quatro empregados. O Zé Schmidt
arrumou um trator pra quatro meses. Ele
disse: “Ô compadre pode encostar essa
patrola e vamos abrir essa estrada pra
Santo Antônio e melhorar a pro Rio dos
Índios”. Nós fizemos o levantamento com
uma régua de quatro metros. Depois de
pronto, dá gosto de olhar. Mas eu gostava mesmo era de patrolar. De ver aquilo
bem patrolado, com as pedras tudo enterradas. Não é como se faz hoje, só por
cima...
A patrolinha
Essa é a primeira máquina que o Zé
Schmidt comprou. Com essa máquina foram feitas todas essas estradas. Quando
nós patrolamos pela primeira vez essa
estrada da praça ao Rio dos Índios, nós
botamos na frente um caminhão traçado
com um pouco de pedra em cima, amar-
A primeira patrola do município e a dupla Beto Lazai (esquerda) e Zé Gregório Schmidt
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
13
Causos
ramos a patrola e fomos patrolando até o
Osvaldo Westphal. A patrola sozinha não
passava, né? Depois ficamos lá no Rio
dos Índios trabalhando uns quatro dias,
acabando de ajeitar. Funcionava assim...
O prefeito passava as coisas pra mim e
eu ia fazendo. Essa patrolinha aqui que,
bem dizer, fez essas estradas todas que
estão aí até hoje. Essa máquina foi comprada em 1962, 1963. Quando o Zé Schmidt pegou a prefeitura tinha estrada de
Nova Fátima ao Rio dos Índios; também
da Nova Fátima até no Luis Weber. Aqui
pelo Rio Bravo, só tinha estrada até no
Osni Folster. Tinha uma estrada que descia pelo meio dos pastos e outra que ia
para o Rio Sete, mas essas nós mudamos
tudo com essa patrola. Eu e esse rapaz
que está na foto – o falecido Zé Gregório
Schmidt. Sozinhos! Ele fez um bueiro de
pedra que está lá até hoje.
nas como se estivesse carregando ovo
na mão. [risos] O Zé Schmidt era brabo,
uuhh... [risos] A gente se resmungava de
vez em quando. Uma vez quebrou um
trator ali no Rio Bravo. Acho que a gente
estava fazendo o chão da igreja. Eu cheguei e disse pra ele: “Mas não tem jeito,
tem um parafuso que não tem como tirar. Não tem chave pra isso”. Ele embrabou... Pois tive que ir a Braço do Norte
buscar uma chave grandona, para tirar o
torque daquele bicho e continuar a trabalhar... [risos]
O mito da ajuda das comunidades
Muitas comunidades ajudavam no
trabalho para abrir as estradas. Mas em
muitos lugares não ajudavam. Onde puxava um pouco contra o prefeito, ali já
não ajudavam. O melhor lugar que tinha para ajudar era a Nova Fátima. Era
Parceiros; primeiro prefeito e primeiro servidor público no desfile da 14ª Gemüsefest.
Prefeito “engenheiro” e parceiro...
O Zé Schmidt era brabo, mas ele tinha
razão. Fazer o que aquele homem fez...
Pegar uma prefeitura fraca... Que não tinha nada... E com um lápis e uma caneta
na mão, fazer tudo o que aquele homem
fez...
Todas as estradas que estão aí foi o
prefeito Zé Schmidt quem fez. Ele que
era o “engenheiro”. Ele riscava tudo certinho, botávamos os piquetes e ele dizia:
“Beto, agora e contigo”. Com o mesmo
dinheiro que ele recebeu para fazer essa
ponte na praça, ele fez ela e mais duas.
Depois, ele saiu quatro anos. Entrou o
Fernando Hermesmeyer e aquilo ficou
nem pra frente nem pra trás. Quando
chegou a volta dele, começamos a abrir
estradas de novo. Passamos as estradas
tudo para lugares melhores, pelos morros e não pelos banhados. Ele arrumou
uma máquina e tocamos pau.
... mas brabo também
Quando quebrava uma máquina o Zé
Schmidt embrabava. Disso eu tinha um
medo. Trabalhava com aquelas máqui-
só falar com os moradores. No mais era
só eu e esse aqui [Zé Gregório Schmidt]
que trabalhávamos direto. Sozinhos, sozinhos. Quando eu cheguei aqui eu não
sabia falar alemão e ele que ia falar com
os proprietários.
A pracinha
O jardim [pracinha], era um banhado
puro. Surgiu pra fazer o sindicato rural...
Então, de dia eu ia pra estrada e à noite,
com um trator de esteira que o Zé Schmidt arrumou, eu aterrava. Ali eu aterrei
tudo, de noite. Ia cortando o barranco e
jogando pra baixo.
O campo de futebol
O Zé Schmidt conseguiu mais um
mês do trator do estado. O pessoal queria porque queria um campo de futebol.
E teimavam que o trator tinha que fazer
o campo lá no Lindolfo Assing. Eu disse:
“Compadre, esse campo é aqui no ‘vauta Palma’ [ Valter Baumann]. Pode ver
o buracão que tem que dá um campo
ali. E o velho ‘vauta Palma’ sempre tava
enforcado... Compra dois hectares e a
gente faz o campo ali”. Aí, ele pegou e
comprou o terreno. Durante o dia o tratorista do estado pegava das 8 às 11 e
das duas às cinco. E eu pegava, das 11
às duas e depois das cinco eu só passava em casa, tomava um café, e tocava
até às dez, onze horas da noite. Aí, vinha
em casa, dormia um soninho, e ia lá de
novo e trabalhava no trator de novo até
o tratorista chegar às oito. Virava a noite.
Aquilo ali, na frente do Colégio, era um
buracão com uns oito metros de fundura. Foi mexido em dois hectares de
terra. Depois acabamos de nivelar com
a patrola. Assim, num mês, nós fizemos
aquele campo de futebol para a juventude. Isso dava gosto.
Energia elétrica
O Zé Schmidt que trouxe a primeira
rede pra cá. E levantamento de rede, eu
que ia à frente. Rio, buraco, grota, tinha
que botar a baliza para o topógrafo. Dois
roçando, dois na baliza e o engenheiro.
Daqui a Rio Fortuna, não levamos quinze
dias para fazer esse levantamento. Eles
não aceitavam curva. Tinha que ser tudo
reto. Eram previstos vinte quilômetros
e nós fizemos com catorze. Depois dali
pra frente eu que cuidava. Sozinho, eu
trocava uma cruzeta num poste desses.
Depois passou pro Luís Heidemann e
eu era o eletricista. Quando entrou o
Turíbio [como prefeito], eu disse que
não dava conta daquilo tudo. Que eles
tinham que arrumar outro.
Por um fio
Essa rede de um fio, fui eu quem
trouxe para cá. Ninguém sabia. Só eu
que podia pegar material da Erusc [Eletrificação Rural de Santa Catarina]. Só eu
que estava autorizado. Aí, já tinha uma
caçamba e eu buscava em São Joaquim,
em Rio do Sul e Biguaçu. Eu vi uma rede
de um fio lá em cima do morro, em Bom
Jardim da Serra. Aí, cheguei no almoxarifado e perguntei pro responsável o que
significava aquilo. Ele disse: “Aquilo é a
rede de colono, pra agricultura”. Eu pedi
pra ver um transformador de uma bucha só, pedi uma explicação para ele. Aí
um dia o Turíbio teimando comigo disse:
Então vamos ver, vamos lá no Lino Wigers fazer essa rede e ver se funciona.
Porque eram só quatro postes de rede
até a casa do Lino Wiggers.
Aí num dia fomos lá. Fincamos os
quatro postes. Botei o transformador,
tudo certinho. Botei a chave. Aí. Liguei
o transformador e liguei uma luz perto
do transformador e disse: “Agora vocês
saiam tudo de perto... [risos] É o primeiro que estou fazendo. Só pedi uma
explicação de como era pra fazer e estou fazendo”. Voltei lá embaixo na rede
e bati a chave. Ela aceitou. E eu pensei:
é, tá funcionando! Aí o Seu Lino já queria botar luz dentro de casa e eu disse:
“Não, Seu Lino, deixa essa energia uns
dias aqui fora”... [risos] Daí funcionou e
o Turíbio disse que então a colonada ia
ganhar cada um a sua energia.
E dessa rede de um fio na casa dos
colonos foi quase tudo o Turíbio que fez.
O primeiro carro comprado pela
prefeitura não foi o jeep
A prefeitura precisou comprar um
fuque para aí trocar no jeep, Para o
prefeito viajar e para ser a ambulância da Santa Rosa. O fuque nem chegou aqui. O Zé Schmidt queria o jeep
de um homem lá de Braço do Norte.
Mas esse homem só trocava o jeep
num fuque. Aí o Zé Schmidt comprou
um fuque e trocou no jeep. Naquele
tempo, pra buscar um doente, só com
jeep traçado. Se alguém ficava doente
no interior era buscado. Era o Zé Schmidt ou eu que íamos buscar. Botava o
doente no jeep e levava pra Braço do
Norte. Só tinha hospital em Braço do
Norte e Tubarão e nós puxávamos pra
lá... Tudo de jeep. Naquele tempo, era
amargoso!
Aparências
Eu trabalhava e fazia de tudo. Um
dia, um tratorista lá de Tubarão – tratavam ele de Zé Gasolina, lá num morro
perto do Dorvalino Oenning, estava reclamando pro Zé Schmidt que estava
cansado. Eu cheguei. De calça arregaçada e enxada nas costas... Aí o prefeito falou pra ele: “Então dá o trator
um pouco pra esse cara. Acho que ele
consegue trabalhar com esse trator”...
Ele sabia que sim, porque eu já tinha
trabalhado nessas estradas todas com
um trator daquele tipo. O tal tratorista me deu o trator. Eu embarquei no
bicho... Pra olhar primeiro, né? Fui pra
frente, fui pra trás... Tudo certinho igual
aos outros. Passei a mão naquele trator e vim por ali abaixo. Aí o tratorista
falou pro prefeito: “Esse homem aí ainda precisa andar com uma enxada nas
costas e com a calça arregaçada?” E o
Zé Schmidt respondeu: “Esse homem
é pra tudo! Esse homem não é pra
uma coisa só!” E, aí, trabalhamos mais
um mês com aquele trator do estado.
Abastecimento
Nós chegávamos a carregar óleo
diesel... Para botar na patrola e poder
trabalhar. Cinco, seis quilômetros, com
vinte litros de óleo nas costas cada um.
O caminhão não chegava porque [o
barro] estava molhado. Nós levávamos
óleo da igrejinha do Rio dos Índios até
lá pra baixo um pouquinho da descida da serrinha. Pra ir trabalhar. Olha...
[risos]
Dezoito meses sem salário
No tempo do falecido Seu Fernando, nós ficamos um ano e meio sem
receber. O que tinha na venda, nós comíamos. O que tinha na vendinha para
comprar a gente podia ‘pendurar’ ali. O
que não tinha ali, também não tinha dinheiro para comprar. A sorte que tinha
bastante peixe no rio... [risos]
Os lados...
Hoje tá mais calmo... Naquele tempo era mais brabo. Ui! Ui! Ui! Meu Deus!
14
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Promoção da SAÚDE
COMUNIDADE
NOVA FÁTIMA
Alexandre Oenning Bittencourt
Sempre que pudermos, usaremos este espaço para contemplar o que nossa comunidade tem do bom e do melhor. Nesta edição,
queremos mostrar um pouquinho do espírito
empreendedor de um jovem casal da nossa
comunidade, Aldo e Juliana Schueroff, que
administram uma empresa do setor madeireiro.
Murilo Leandro Marcos
O inverno e as doenças respiratórias
Mais um inverno chegou. Com ele, reaparecem as conhecidas e incômodas doenças respiratórias. Tosse, espirro, coriza, febre, falta de ar
são sintomas bastante comuns e de causas variadas. Vamos conversar
e conhecer um pouco melhor cada uma dessas infecções?
atinge outra através da fala, de um
espirro ou tosse. Ou pode ser indireta, por meio das mãos após contato
com secreções respiratórias. Por isso,
evite ambientes fechados com muitas
pessoas, proteja a boca com lenço ao
espirrar e tossir, e mantenha as mãos
limpas (lavá-las frequentemente com
água e sabão) para evitar eventual
transmissão por contato.
Uma ideia que deu certo
A madeireira Nova Fátima iniciou sua atividade no
ano de 2007. A ideia de Aldo, apoiada pela esposa
Juliana, era abrir um negócio próprio, uma serraria. E,
assim, começaram a atividade. Na época, tinham seis
funcionários que se encarregavam do “desdobramento” de madeira para a fabricação de pallets. Os pallets
são uma espécie de plataforma de madeira, adotados
para facilitar o transporte e o empilhamento cargas.
Logo, com o aumento da produção e das vendas, resolveram contratar mais funcionários.
Agregando mais valor; gerando mais postos
de trabalho por aqui
Em 2012, Aldo resolveu, ele mesmo, fabricar os
pallets. Primeiro, para agregar mais valor à madeira e
obter, assim, maior rendimento financeiro. Segundo,
porque poderia gerar mais empregos. Hoje, a empresa
já produz cerca de 10 mil pallets mensais. Isso dá uma
média diária de 420 produzidos. Para isso, são mobilizados 16 funcionários.
Os empreendedores pensam, contudo, em aumentar ainda mais a produção e, assim, gerar mais empregos. Eles pensam que podem contribuir para realizar o
sonho de algumas famílias de ter empregos aqui, próximos de casa.
Tudo certinho
Aldo afirma que todos os colaboradores têm carteiras registradas e recebem todos os equipamentos
de proteção exigidos pela segurança do trabalho. Todos os meses, no dia do pagamento, é realizada uma
confraternização. Da mesma forma, há comemoração
quando alguém completa aniversário.
Empresa familiar
Aldo transporta a produção diária. Lauro, o pai, trabalha na serraria junto com a nora Juliana, que se encarrega da parte administrativa da empresa.
O casal diz estar satisfeito por ter renda própria e,
também, por gerar oportunidades para outras famílias.
Como se trata?
Resfriado comum
Apresenta-se com coriza (secreção nasal), nariz entupido e espirros.
A pessoa também pode ter febre,
dor ou irritação de garganta, tosse,
dor de cabeça, sensação de ouvido
entupido, dor de ouvido, rouquidão,
perda de apetite, irritação nos olhos
ou outros sintomas. Os sintomas duram em média de sete a dez dias. A
tosse pode durar mais, de dez a catorze dias após o resfriado. E, se isolada, não necessita de tratamento com
medicamentos.
Gripe
Inicia-se com febre alta, seguida
de dor muscular, dor de garganta, dor
de cabeça, nariz entupido, espirros e
tosse. A febre dura mais ou menos
três dias. E a tosse pode evoluir para
produção de catarro (amarelo-esverdeado), durando cerca de sete a dez
dias.
Os sintomas da gripe são mais intensos, enquanto que os sintomas do
resfriado são mais leves e tem uma
menor duração. As crianças têm em
média oito resfriados no ano. Eles são
mais comuns quando elas frequentam creches (podendo chegar até 12
episódios no ano). Os resfriados podem ocorrer em qualquer época do
ano, mas são mais comuns no inverno e nos meses chuvosos.
Dor de garganta (amigdalite/
faringite/laringite)
Madeireira Nova Fátima
Registro de agradecimentos
O grupo de famílias São João Batista agradece ao
padre Ademir Eing, que no sábado, 21 de junho, celebrou missa em honra ao seu padroeiro. O agradecimento especial vai também para a família de Jaime
e Sônia, por receber todo o grupo com um delicioso
almoço. A tarde continuou bem animada, com jogos,
conversas e um farto café colonial servido pela dona
da casa.
Pode ocorrer junto com resfriados e gripes. Ou pode se apresentar
somente com dor na garganta, dificuldade de engolir, rouquidão, febre, dor
no corpo, ínguas (nódulos doloridos)
no pescoço e/ou placas esbranquiçadas nas amígdalas. Tem duração média de sete a dez dias.
Viroses
Todas essas infecções são geralmente causadas por vírus. A transmissão pode ser direta, quando a secreção contaminada de uma pessoa
Antes de conversarmos sobre os
tratamentos, é importante lembrar
que não existem remédios para tratar
gripe e resfriados. Os medicamentos
servem para aliviar os sintomas. E
atenção: não é indicado usar Tamiflu® ou Relenza® sem orientação
médica.
Gripes, resfriados e dores de garganta são doenças geralmente autolimitadas. Isto é, resolvem-se sozinhas,
sendo suficiente, na maioria dos casos, o tratamento de suporte (com
analgésicos, antitérmicos), repouso
e hidratação. Os antibióticos (por
exemplo, Amoxicilina, Benzetacil®,
Azitromicina) não funcionam para tratar a gripe. Eles são prescritos somente nos casos de eventuais complicações, como infecções bacterianas.
Beba bastante água e sucos naturais ricos em vitamina C (laranja,
goiaba, acerola...). Não há necessidade e não há evidência que funcione
tomar vitamina C em comprimidos.
Para tratar a dor e febre dê preferência ao paracetamol ou dipirona. Evite
anti-inflamatórios (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida), pois, apesar de
aliviarem a dor quando mais intensa,
podem causar efeitos colaterais. Reserve esses remédios se os sintomas
de dor forem muito intensos.
Para o nariz entupido e coriza
aplique soro fisiológico nas narinas
várias vezes ao dia. Também é possível fazer uma solução caseira para
o nariz com meia colher de chá de
sal em um copo de água morna. Não
use descongestionantes contendo
fenoxazolina / nafazolina / oximetazolina (Afrin®/Sorine®/Neosoro®),
pois podem causar complicações.
Evite remédios, xaropes ou similares
para gripe que contenham substâncias como pseudoefedrina / efedrina
/ cafeína (Naldecon®/Apracur®/Benegripe®/Cimegrip®/CoristinaD®/
Descon®), pois podem causar complicações graves principalmente em
pessoas com pressão alta.
Vovó já dizia...
De preferência para tratamentos
naturais, com pouco ou nenhum efeito colateral. Uma colher de mel 3 a 4
vezes ao dia (para crianças acima de 1
ano e adultos não-diabéticos). Spray
de própolis (de preferência sem álcool na composição). Chás com limão,
alho, gengibre, hortelã ou aniz estrelado. Chás ou xaropes contendo
guaco e agrião. Gargarejos com água
morna.
A polêmica vacina contra gripe
Ainda há poucas evidências científicas de que a vacinação contra a
gripe realmente proteja o indivíduo
de complicações da gripe, ou reduza
mortes por gripe. Portanto, se você
é uma pessoa saudável, sem outras
doenças ou problemas de saúde crônicos, não há evidências de que você
precise se vacinar.
Têm maior risco de complicações
as crianças com menos de 2 anos, os
adultos com mais de 65 anos, pessoas que vivem em asilos ou instituições
de saúde, doentes crônicos (diabéticos mal-controlados, pessoas com
problemas pulmonares ou cardíacos,
portadores de HIV, por exemplo).
Qualquer dúvida consulte seu médico de família.
Quando procurar o centro de
saúde?
Se tiver febre persistente por mais
de 3 a 4 dias. Se apresentar dificuldade para respirar, vômitos e diarréia
sem melhora, inchaço nas juntas ou
muita dor que não aliviam com medicação. Se seu filho parecer doente, irritado, abatido ou dormindo demais.
Se ele parar de brincar ou não aceitar
comidas ou bebidas. Se os sintomas
não estiverem melhorando ou durarem mais de 7 a 10 dias seguidos.
Sinais de gravidade e que necessitam avaliação médica urgente
Bebês com menos de 3 meses,
principalmente recém-nascidos.
Criança com mau estado geral,
com cansaço e/ou irritabilidade excessiva, ausência de sorriso. Criança
com pele muito pálida ou arroxeada. Criança com choro inconsolável,
respiração gemente ou ofegante.
Adultos com falta de ar, dificuldade
de respirar, dor torácica ao respirar,
pressão baixa, alterações de consciência, desorientação, vômitos persistentes.
A doença pode ser um caminho
Por fim, vale lembrar que toda doença é sinal de desequilíbrio. Mais do
que “silenciar” o corpo com um remédio, procure entender o que houve,
reflita e dê tempo para melhorar.
Cada doença é uma oportunidade
de autoconhecimento.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
15
ANO 2 - Nº 13 • Edição Mensal - Julho/2014 • Jornal da Criança de Santa Rosa de Lima - A Capital da Agroecologia • Distribuição gratuita. Venda Proibida.
QUE FORÇA!
DESDE A ABERTURA DA COPA, AS CRIANÇAS FICARAM IMPRESSIONADAS COM
O MOMENTO DE CANTAR O HINO NACIONAL BRASILEIRO.
NO ESTÁDIO LOTADO, OS TORCEDORES EMOCIONADOS FIZERAM UM FORTE
CORO.
E CANTARAM AINDA MAIS ALTO QUANDO TERMINOU O ACOMPANHAMENTO
DE INSTRUMENTOS MUSICAIS.
COMO A FIFA ESTABELECEU UM TEMPO PARA TOCAR OS HINOS NACIONAIS
NA COPA, A MÚSICA PAROU QUANDO FORAM COMPLETADOS 65 SEGUNDOS.
MAS O ESTÁDIO INTEIRO CONTINUOU CANTANDO ATÉ O FINAL DA PARTE 1.
DEPOIS, MUITOS JOGADORES CHORARAM. PRINCIPALMENTE OS DOIS QUE
SÃO OS PREFERIDOS DAS CRIANÇAS: NEYMAR E O CABELUDO DAVI LUIZ.
MANIA
DEPOIS DAQUELE JOGO, O HINO VIROU UMA ESPÉCIE DE MANIA.
E UMA REDE DE TELEVISÃO DIVULGOU UM VIDEO DA INTERNET COM UMA
MENINA CANTANDO COM A LETRA ERRADA. MAS FICAVA SABOROSO. ELA
DIZIA: “Ó PÁTRIA AMADA GOIABADA, SALVE, SALVE”.
AÍ, PRESTAMOS MAIS ATENÇÃO E VIMOS QUE TEM GENTE QUE CANTA
TERRA DOURADA, EM VEZ DE TERRA ADORADA.
EM TERCEIRO, QUANDO DEVERIA SER EM TEU SEIO. IMPÁVIDO GROSSO,
QUANDO O CERTO É IMPÁVIDO COLOSSO.
IDEIA
ASSIM, PENSAMOS EM MOSTRAR NESSA EDIÇÃO DO CRIANÇA SRL A LETRA CERTA
DO HINO NACIONAL.
MAS A GENTE SABE QUE NÃO BASTA A LETRA.
PORQUE A LETRA DO HINO BRASILEIRO É COMPLICADA.
DIFÍCIL DE LEMBRAR. E DIFÍCIL DE ENTENDER!
PORQUE ELA FOI FEITA EM 1909. ISSO MESMO, HÁ 105 ANOS.
ASSIM, ELA TEM EXPRESSÕES DAQUELA ÉPOCA. E QUE NINGUÉM USA MAIS.
O QUE É LÁBARO? GARRIDA?
ALÉM DISSO, AS COISAS ESTÃO FORA DA ORDEM A QUE ESTAMOS
ACOSTUMADOS.
POR ISSO, TIVEMOS A IDEIA DE DECIFRAR O HINO PARA VOCÊ.
ESTAVAMOS FAZENDO ISSO, QUANDO NO SÁBADO (28 DE JUNHO), O CADERNO
INFANTIL DA FOLHA DE SÃO PAULO, A FOLHINHA, NOS PASSOU A PERNA.
PUBLICOU UMA COISA MUITO PARECIDA.
MAS NÓS NÃO VAMOS DEIXAR VOCÊ NA MÃO.
VAMOS PUBLICAR O NOSSO TAMBÉM.
NOSSAS FONTES: ESCOLHEMOS USAR UM MATERIAL QUE ESTÁ DISPONÍVEL NA INTERNET, NO SITE WWW.UOL.COM.BR.
SE QUISER ACHÁ-LO, O TÍTULO É: UOL “TRADUZ” A LETRA DO HINO NACIONAL PARA VOCÊ.
A FOLHINHA ACABOU NOS INFLUENCIANDO TAMBÉM.
BOA LEITURA!
E ESPERAMOS QUE VOCÊ POSSA PARTICIPAR DO CORO. PARA ISSO É PRECISO QUE A SELEÇÃO CONTINUE GANHANDO.
SE ISSO NÃO ACONTECER, VOCÊ PODE CANTAR O HINO NA ESCOLA, EM DESFILES OU EM FESTAS CÍVICAS.
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
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PINTE A BANDEIRA DO NOSSO PAÍS E ESCREVA O
SIGNIFICADO DAS CORES EM NOSSA BANDEIRA:
A) VERDE ________________________________________
B) AMARELO _____________________________________
C) AZUL __________________________________________
D) BRANCO ______________________________________
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MEIO AMBIENTE
Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas
(CT-PCH) da Bacia do Rio Tubarão presta contas aos
santarosalimenses
No dia 18 de junho, o Coordenador da CT-PCH, Silvio Tiago Cabral, esteve no município, acompanhado pelo consultor do
Comitê, Guilherme Herdt. Vieram apresentar o relatório das ações que a CT-PCH vem desenvolvendo. Uma audiência pública
foi realizada na Câmara Municipal de Vereadores, com a presença do presidente daquela Casa Legislativa, Ivo Vandresen, do
vereador Luiz Schmidt, membro da CT-PCH, de coordenadores e membros da Acolhida na Colônia, da Agreco e do Centro de
Formação, além de estudantes da Licenciatura em Educação do Campo da UFSC.
A reportagem do Canal SRL esteve presente e registrou os relatos feitos. Destaque-se que os diretores da Editora O Ronco
do Bugio, que publica este jornal, estão entre os criadores do Movimento a favor do Rio Braço do Norte.
Silvio Cabral e Guilherme Herdt foram diretos: “Não é aquele ritmo que e gente gostaria. Mas as coisas estão andando!” Conheçam outros depoimentos importantes desses membros do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão
e Complexo Lagunar.
sul na Câmara. Depois de um ano
de discussões... Eu fiquei feliz. Foi
cansativo, foi lento, mas chegamos a um denominador comum.
E pelo menos não recebemos
mais reclamações. [...] Também,
foi um tempo de bastante chuva.
Reunião da Câmara Técnica - PCH na Câmara de Vereadores de Santa Rosa de Lima.
Frutificou!
[A criação da Câmara Técnica] partiu daqui de Santa Rosa
de Lima (ver Box). Eu vejo que
frutificou! Uma coisa muito boa
foi a manifestação das pessoas,
da sociedade, da cidade com
relação às PCH. Com isso, nós
aprovamos a criação da câmara
e iniciamos os trabalhos. E nós
chamamos para discutir, em especial, os empreendedores, os
donos das PCH.
Vazão
O que a gente quer saber é
o seguinte: qual a vazão de água
daqueles tubos [nas barragens]?
Ela confere com a vazão prevista no licenciamento ambiental?
Qual a vazão de água que eles podem operar? Na verdade, temos
que inspecionar tudo, dentro dos
parâmetros legais. [...] Estes projetos estão vindo de paraquedas
de Florianópolis. Mas eles têm
que passar pela análise do Comitê. Eu não vou dizer que estou
me opondo às PCH. Me oponho
à maneira como eles [os empreendedores] estão operacionalizando. O tratamento poderia ter
sido bem melhor por parte deles.
Todas essas questões têm que
ser discutidas. Teriam que ser
feitas audiências públicas...
O difícil foi contar com a
Eletrosul nas reuniões da
CT-PCH
O trabalho maior do Comitê foi fazer com que a Eletrosul
comparecesse às reuniões da
Câmara Técnica. Mandamos convites para o gerente de obras
hidráulicas e para o presidente
da Eletrosul. Foram diversas ligações. Registramos ofícios, para
conferir o recebimento. Até que
um dia, apareceu um cara lá.
Era um mecânico da empresa.
Relatamos o que estava aconte-
cendo e ele disse que não sabia,
que ele não poderia falar sobre
aquele assunto. A lentidão foi consequência do não comparecimento
da Eletrosul. A PCH dela é a única
destas situadas na Bacia do Tubarão que faz gestão da água. A
Eletrosul tem a maior barragem.
Ela tem um belo discurso. Tem
muitos técnicos. Aí, numa reunião seguinte, vieram cinco pessoas da Eletrosul.
Sincronismo
Então, se começou a discutir
um novo tratamento com relação
à operação destas PCH. O que se
propôs foi uma espécie de sincronismo. Uma seguraria, a outra
liberaria [água]. O rio não sentiria
tanto o efeito [das barragens], se
eles fizessem esta operacionalização. Para isso, teria que ter
uma boa comunicação entre as
PCH. Isso foi em dezembro [de
2013], com a presença da Eletro-
Estiagem
O mês de fevereiro chegou
e, com ele, novo período de estiagem. E aí o pessoal começou
a me ligar. Como sou professor
do curso de Agronomia da Unisul e tenho muitos alunos nesta
região, muita gente me conhece.
E o pessoal liga mais pra mim
do que para a Fatma. Então nós
viemos aqui. Foram dois dias de
campo, em duas semanas diferentes. Fotografamos e documentamos tudo. Verificamos a
vazão do rio, fomos lá, na comporta, no gerador... Levamos
tudo para a reunião da Câmara
Técnica.
Na procuradoria
Aí, o engenheiro da Eletrosul
veio à CT-PCH fazer uma defesa.
Entregou um relatório e disse
para os membros da Câmara:
“só paramos as comportas onze
vezes”. Mas se eu tenho um rio
e eu fecho uma vez, já é suficiente para matar peixes e tudo que
tem para baixo. Acaba a oxigenação.
Acaba a quantidade de água.
E o licenciamento ambiental não
prevê uma coisa assim. Eu não
gostei da atitude deles falarem
assim: “Olha, foram só onze vezes”.
Nós lavamos o relatório para
o Núcleo de Apoio Técnico do
Comitê, formulamos um documento e fizemos uma denúncia
junto ao Ministério Público. Entregamos para o Dr. Sandro de
Araújo, de Tubarão e para a promotora Cândida Antunes Ferreira, em Braço do Norte.
Eletrosul é a única fora de
sintonia
O que aconteceu foi que a
Eletrosul se comprometeu a fazer de uma forma diferente em
relação ao que vinha fazendo
anteriormente. Mas quando estivemos aqui [em Santa Rosa de
Lima] para verificar, nós constatamos que as turbinas estavam
funcionando. Então, isso nos motivou a fazer a denúncia.
Depois de umas duas semanas eles nos chamaram para
conversar: “Queremos saber esta
história”, eles disseram. Marcamos uma reunião. Mas eles
transferiram, sem apontar nova
data. Mas já estão cientes. E devem conversar com a promotoria.
Como as outras empresas
estão agindo em sintonia, não
houve mais grandes problemas.
Apenas a Eletrosul não está cumprindo a parte dela. A Eletrosul
diz que o monitoramento 24 horas é feito de Florianópolis. Que
eles conseguem abrir e fechar a
comporta lá da capital. Mas eles
apontaram o que julgam uma dificuldade.
Para agir em sincronia o operador de uma PCH tem que entrar em contato com o operador
de outra e a Eletrosul diz que
como a telefonia e a internet não
são boas lá onde fica o maquinário, seria difícil realizar esses
contatos.
Chamar à razão
Com esta notificação que o
Comitê da Bacia do Rio Tubarão
fez ao Ministério Público, há a
possibilidade de um fechamento ou de um embargo. Esperamos que, com isso, este pessoal
aprenda a respeitar. A gente não
queria isso. Mas esperamos que
o Ministério Público dê uma chacoalhada neste pessoal. Em especial na Eletrosul.
segue
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
segue
MEIO AMBIENTE
são sobre as PCH, o Comitê também solicitou à superintendência
da Fatma em Tubarão que fizesse
a verificação da vazão do rio Braço
do Norte. Ela simplesmente respondeu que não tem equipamento, que apenas um técnico atende
os 19 municípios da regional e que,
às vezes, faltava até combustível.
Isso tudo em uma bacia hidrográfica de 5.960 quilômetros quadrados.
Uma, das sete barragens, no Rio Braço do Norte
Vida no rio
No seminário em Santa Rosa
de Lima foi levantada a questão
de fazer um corredor para os peixes, um corredor de piracema. Os
estudos apontavam que os peixes
daqui não são migratórios. Não
chegamos ainda a um bom embasamento nesta questão. Tivemos,
entretanto, relatos de moradores
que viram muitos peixes que, ao
tentar subir o rio, batiam no muro
de concreto da barragem. Então,
os empreendedores ficaram de
apresentar uma solução. Para pegar o peixe e fazê-lo subir. Para fazer um pouco desta transposição
dos peixes. Nós também temos
outro objetivo: o de fazer repovoamento com as espécies nativas.
Mas não podemos pedir o repovoamento enquanto o problema
maior não for resolvido. Afinal, os
problemas de vazão vão continuar
matando os peixes.
Monitoramento e controle
O ideal seria a gente conseguir
um equipamento de medição de
vazão. Não deveria ser difícil. Poderia ter uma medição periódica
e essa seria uma boa ferramenta
para monitorar. A Secretaria de
Desenvolvimento Sustentável do
Estado tem um equipamento desse tipo e nós solicitamos que ela
fizesse essas medidas. Se ela fez,
nunca enviou nenhum relatório
para o Comitê da Bacia do Rio Tubarão. Insistimos, mas não houve
retorno.
Não adianta medir uma ou
duas vezes. É preciso medir em
épocas de chuva e em épocas de
estiagem. Há uma metodologia.
Quando começou esta discus-
Ameaças
O governo do estado publicou
uma resolução que impede a liberação de novas licenças para
este tipo de empreendimento, enquanto não forem resolvidos estes
problemas. Hoje são sete PCH implantadas no rio Braço do Norte.
Somando com as do Rio Capivari,
são dezesseis.
Nós temos que ficar de olho.
E esta discussão tem que ser feita
no Comitê da Bacia do Rio Tubarão
e em sua Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas. Só
assim evitaremos que os projetos
cheguem de paraquedas. Estas
liberações [de licenças] acabam
acontecendo porque eles fazem
os projetos isolados. Já foi solicitado um estudo global do rio, mas
a Secretaria de Desenvolvimento
Sustentável ainda não sinalizou nenhuma ação.
Por isso, é muito importante
a participação da população, dos
agricultores, do pessoal do turismo, do rafting... É preciso que a
gente tenha este apoio, para ter a
força necessária. A água deve ter
múltiplos usos: esporte, pesca, lazer...
Curta a página do Movimento a Favor do Rio Braço do Norte no Facebook
O nascimento da
Câmara Técnica de
Pequenas Centrais
Hidrelétricas
O princípio
Com a instalação de uma série de PCH (Pequenas
Centrais Hidrelétricas) ao longo do Rio Braço do Norte,
jovens e lideranças de Santa Rosa de Lima se reuniram
com o objetivo de articular ações em favor desse importante curso d’água. Eles buscam mostrar seu descontentamento com os impactos ambientais gerados
por estes empreendimentos. Mais do que isso, querem
evitar que qualquer nova PCH seja implantada no trecho Anitápolis - Santa Rosa de Lima - Rio Fortuna - Braço do Norte.
Movimento e ações
A primeira iniciativa foi criar o Movimento a favor do
Rio Braço do Norte e uma página no Facebook para,
segundo os organizadores, “publicar imagens dos impactos no rio Braço do Norte que, de caudaloso, se viu
transformado em um pequeno córrego, dos impactos
na mata ciliar, da matança de peixes, dos urubus, das
barragens cheias...” Isso ocorreu em março de 2013.
A etapa seguinte foi organizar o I Seminário a favor
do Rio Braço do Norte. Um evento de abrangência regional, com o objetivo de discutir os impactos das obras
de construção das PCH e os problemas pelos quais o
rio e as comunidades vinham passando. O seminário
foi realizado em Santa Rosa de Lima, no dia 5 de abril
de 2013 e estiveram presentes, como debatedores, o
Secretário Executivo do Comitê de Gerenciamento da
Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão e Complexo Lagunar, Francisco de Assis Beltrame, o advogado da ONG
Montanha Viva, Eduardo Bastos Moreira Lima, e o Padre Aluísio Jocken, da Comissão Pastoral da Terra. Cento e trinta pessoas lotaram o Centro de convivência dos
idosos. Eram representantes de diversas entidades civis organizadas, vereadores, secretários municipais da
região, imprensa e estudantes.
Surge a Câmara
O principal encaminhamento foi proposto pelo próprio Secretário Executivo do Comitê da Bacia do Rio
Tubarão: “o Comitê poderia criar uma Câmara Técnica
para discutir melhor a relação entre o rio e as PCH”.
Padre Aluísio consultou os presentes: “quem aqui é
a favor que se crie esta nova Câmara Técnica, que se
manifeste”. Guilherme Herdt, hoje consultor do Comitê relembra: “todos levantaram as duas mãos. Diante
disto, na assembleia geral do Comitê, realizada no dia
24 de abril, foi aprovada por unanimidade a criação da
Câmara Técnica de Pequenas Centrais Hidrelétricas (CT
-PCH)”. O Coordenador escolhido foi Silvio Tiago Cabral,
professor no curso de Agronomia na Unisul, e representante daquela universidade no Comitê.
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Espaço d’Acolhida
Ney Feldhaus e Ângela da Silva Feldhaus
Pousada Cantinho da Família
O cheiro da mata, o frescor da brisa, o som dos
pássaros e das quedas d’água, tudo isso nos faz
pensar que estamos a um passo do paraíso.
Familiar e com uma benção
da natureza
A Pousada Cantinho da Família reflete a união da família e o
gosto pela atividade que desenvolvemos. Por isso, ela é um encanto. Por isso, ela é muito bem
cuidada.
Contando com atrativos especiais da natureza, conseguimos transmitir, ao turista, calma,
paz e serenidade.
O começo
A ideia de trabalhar com turismo rural surgiu há mais de
dez anos. Primeiro, embelezamos e investimos na propriedade com a intenção de proporcionar apenas o lazer para nossa
família e para nossos amigos.
Com muitos incentivos e com
simpatia pela ideia, nossa família
passou a planejar e investir no
projeto de receber turistas. Foi
aí que surgiram inúmeros desafios. O principal deles: conseguir
os recursos financeiros necessários para construir ou adaptar as
acomodações. Já conhecíamos a
Cooperativa de Crédito Solidário
– Cresol, pois, como agricultores,
participamos ativamente dela,
desde a fundação aqui no município. Foi através da cooperativa
e com um pouco de recursos
próprios que iniciamos a realização deste sonho. Hoje, vemos
o empreendimento como uma
forma de manter a família unida, trabalhando com o turismo
rural. Nós, nossos filhos, Paloma
e Patrick, nosso genro, Douglas,
e mais Seu Amantino e Dona Catarina (pais do Ney), todos nos
mantemos unidos neste projeto.
Vista aérea do Cantinho da Família
Nosso objetivo é melhorar cada
vez mais a pousada, para recebermos sempre mais turistas e
compartilharmos nossa alegria
de viver.
Fazer parte da Acolhida
Tem um ditado que diz: “De
grão em grão, se move uma
montanha”. Se cada um de nós
fizer um pouquinho, teremos
um mundo melhor. Por sete
anos trabalhamos por conta
própria. Há três anos julgamos
que o melhor era nos associarmos à Acolhida na Colônia.
Nossa estrutura
A propriedade rural tem uma
área de 23 hectares. Além do
turismo rural, trabalha-se com a
preservação de espécies nativas
e o reflorestamento.
Para o acolhimento de hóspedes, são sete as acomodações. Destas, cinco são suítes.
No conjunto, é possível hospedar até 19 pessoas.
Os turistas podem desfrutar
de tirolesa, piscina, lago para
prática de canoagem com caiaque, pescaria, trilha, carro de
boi. Podem, ainda, vivenciar o
dia a dia do agricultor. Isso inclui
atividades como tirar leite de
vacas, ou conhecer a produção
de mel por abelhas sem ferrão
e saboreá-lo direto da colmeia.
Um amplo restaurante, com
capacidade para 200 pessoas,
permite recebermos para festas
de aniversário, de casamentos
ou empresariais, além de outros
eventos.
Existe, ainda, uma área para
camping.
Nossos serviços
Estamos localizados na Comunidade de Nova Fátima, com
chegada pela SC 108, em Santa Rosa de Lima. Oferecemos
qualidade de atendimento, em
total harmonia com a natureza.
A alimentação saudável é feita,
em grande parte, com produtos
cultivados de forma orgânica na
propriedade. Nossa maior alegria é receber os turistas e deixá
-los satisfeitos com nossos atrativos. Nossa satisfação é ver que
nossos visitantes estão felizes e
tranquilos, longe da correria das
grandes cidades.
Reservas: (48) 9997-8749,
com Ney ou Ângela,
ou na Acolhida na Colônia,
(48) 3654-0186 e no site
www.acolhida.com.br
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Meine Meinung Minha Opinião
Wilson Feijão Schmidt
COMUNIDADE
RIO BRAVO
Karla Folster | Júnior Alberton | Ana Paula Vanderlinde
Numa manhã chuvosa de junho, fomos até a Pousada Tenfen, um empreendimento turístico que é
orgulho para a nossa comunidade. Nosso objetivo
era entrevistar Nilson Tenfen, agricultor familiar e
um dos pioneiros do turismo rural em Santa Rosa
de Lima. Aos 63 anos, ele esbanja saúde e muita disposição para uma prosa. A conversa era sobre “os
velhos tempos” e rendeu. Selecionamos, para nosso
querido leitor, algumas passagens.
Relembrar e comparar
Seu Nilson se lembra da nossa comunidade em “um tempo
em que a igreja lotava todo domingo”. Tempo dos engenhos,
atafonas e olarias. Segundo ele, daquelas estruturas saíam produtos de muito boa qualidade. E lamenta que elas não funcionem mais por aqui.
Compara a forma como se tratava da saúde. “Os antigos
tinham um modo [de vida] diferente de hoje, né? Não existia
posto de saúde perto e com medicamentos, como hoje”. Por
isso, lembra os chás caseiros, feitos por sua mãe, que sempre
o ajudaram a melhorar. Para ele, o chá caseiro ainda tem sua
importância e eficácia. Acredita que não se deve abrir mão de
cultivar plantas medicinais no quintal de casa.
Uma passagem o marcou: “Hoje, há mais acesso a tratamentos na área da saúde. Antigamente, eu me lembro, eu tive
que sair às seis horas da manhã daqui de casa para chegar às
oito horas da noite em Braço do Norte. Cheguei lá muito mal.
Perto de morrer. E nem sabia se teria médico ou não. Graças a
Deus tinha um e fui atendido. Me operaram e, depois, vim embora. Eu saí nove horas da manhã do hospital para chegar no
outro dia de manhã em casa. Tinha que pernoitar na viagem.”
Paixão pelo futebol
Seu Nilson recorda que, “na juventude” dele, havia um time
de futebol forte na comunidade. E que aqui vinha muita gente,
tanto para jogar, quanto para assistir. “Nós fazíamos amistosos com outras comunidades. Dava partidas pesadas. O juiz
tinha que ser pulso firme para aguentar. Do lado do campo,
era aquele ‘poveiro’. Quando nascia um gol, isso subia guardachuva, subia sapato. Os torcedores jogavam alto, lá pra cima. A
gente não se esquece disso”.
Já quando iam jogar em outra comunidade, “Não tinha ônibus. Era caminhão, pau-de-arara. Ia todo mundo em cima.”
Nilson Tenfen gosta muito de futebol e torce pela seleção
brasileira, que diz ser seu “time do coração”. Recorda o mundial
de 1974: “Foi naquela copa que eu comprei a primeira televisão, preto e branco e com ‘chuvisco’. Mas não faltava gente
dentro da sala. Não cabia nem mais um, com vontade de ver o
jogo. Escasso dava para conhecer os jogadores. Mas funcionava! Lembro-me bem! Era um calor humano quando as pessoas
se juntavam para ver o jogo. Hoje, o pessoal tá mais dividido.
Cada um na sua casa... Já não precisa ir na casa do outro para
ver o jogo, pra ver o mundo lá fora. Você está informado do dia
a dia dentro da sua casa. Esse é o mundo moderno de hoje.”
Apostar na juventude
Com ar de pesar, Seu Nilson lamenta o fato da comunidade estar se esvaziando. Aponta, como maior causa, “a falta de
oportunidades para o jovem permanecer no campo, com a família”. “A juventude não está ficando na comunidade. Muitos já
se foram para a cidade. E muitos ainda vão, né? Aqueles que
ficam têm dificuldades. A comunidade tem grande potencial.
Porém, esse potencial não é aproveitado. E os jovens acabam
buscando oportunidades na cidade”.
Diz que é preciso haver ideias e apoio à juventude: “Os mais
velhos precisam pensar nesse lado”. Ele ressalta que “não é só
chegar ali e dizer para o jovem: vai trabalhar! É preciso experiência. São coisas de longo prazo que precisam de investimento. Não é imediato. Para a comunidade crescer é preciso mais
ideias [...], lançar projetos e trazer alguma coisa de volta para
cá.”
A copa do Brasil I
Você se lembra do “Não vai
ter copa”? É o que diziam alguns
poucos, não é? A TV Globo e os
grandes jornais aproveitavam
essas minorias para tentar ampliar o que chamavam de “o pessimismo dos brasileiros”. Hoje,
os estádios “que nunca ficariam
prontos” recebem os jogos e milhares de torcedores. O ataque
de histeria da TV e dos grandes
jornais logo se transformou em
soluços. É preciso que pensemos
em que intenções tinha a grande
imprensa. Porque ela vai voltar à
carga depois da copa...
A copa do Brasil II
Uma pesquisa do site brasileiro UOL perguntou aos jornalistas
estrangeiros que estão no Brasil
para a cobertura da Copa: “O que
te surpreendeu positivamente
no Brasil?”. A principal resposta
(30,3%) foi “o povo brasileiro”.
Entre outros adjetivos, os brasileiros foram considerados pessoas “amáveis”, “acolhedoras” e
“muito dispostas a ajudar”.
A Copa e dois Brasis I
Na abertura do torneio da
Fifa, a Presidente Dilma foi xingada. Como afirmou Juca Kfouri,
“com palavrões típicos de quem
tem dinheiro, mas não tem um
mínimo de educação, civilidade
ou espírito democrático”. Ou, na
expressão de Eliane Trindade,
“brasileiros que estudaram em
escolas padrão Fifa, mas que não
aprenderam lá nem em casa que
não se deve mandar uma senhora com idade para ser sua mãe
e avó para aquele lugar”. E essa
senhora exerce o cargo de Presidente do Brasil! Eram brasileiros
que têm dinheiro para comprar
ingressos que custam mais de
mil reais. Pesquisa do Datafolha
indica que 90% dos torcedores
que comparecem aos estádios
em jogos do Brasil pertencem às
classes A ou B.
A Copa e dois Brasis II
Você deve se lembrar que o
1% mais rico da população (cerca de dois milhões de pessoas)
abocanha cerca de 17% da renda nacional. Os 10% mais ricos
(aproximadamente vinte milhões
de pessoas) fica com metade da
renda nacional. Enquanto isso,
60% da população (120 milhões
de pessoas) detêm apenas 22%
da mesma renda nacional.
O que talvez incomode os
que ocuparam a ala VIP da Arena Corinthians é que, entre 2000
e 2010, esses 120 milhões de
brasileiros pobres tiveram seus
rendimentos aumentados de
18% para 22%. Essa pequena
melhoria, em função das políticas distributivas adotadas pelos
Governos Lula e Dilma, parece,
estão na origem daqueles atos
indefensáveis.
A Copa e dois Brasis III
Para que os poucos leitores
desta coluna reflitam, aproveito
uma nota com o título “Dois países”. Ela saiu na coluna do Jânio
de Freitas (Folha de São Paulo, 29
de junho de 2014, página A9).
Freitas lembra que a imprensa, a TV, as rádios nos bombardearam com mensagens e resultados de supostas pesquisas de
opinião que apontavam que “o
desânimo do brasileiro é total”,
que “o pessimismo nos imobiliza”, que “o desemprego nos alarma”, que “estamos todos reduzidos a desastres humanos”. Em
resumo que o país está atolado
“na vergonha do seu fracasso”.
O jornalista destaca que, ao
mesmo tempo, saíram os resultados de uma pesquisa internacional, feita ‘em mais de 130
países: a Gallup World Cup. Pela
oitava vez consecutiva, o Brasil
aparece em primeiro lugar na satisfação dos seus habitantes com
a vida nos próximos cinco anos.
Na média, os brasileiros deram
a nota 8,8 (de zero a dez) para a
sua “felicidade futura”.
Jânio de Freitas chama a atenção para o conflito das duas visões.
E ironiza sobre as causas desse conflito. Ou, sobre o que explicaria essa versão pessimista tão
inchada pelos grandes jornais,
pelas TV e pelas grandes redes
de rádio do país.
Frases para pensar sobre
jornais no município e licitações dirigidas
“Melhor uma imprensa livre
sem governo do que um governo sem imprensa livre”. Thomas
Jefferson
“Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. Millôr Fernandes
E esta coluna, parafraseando
o norte americano Arthur Miller,
adverte: Um bom jornal é aquele onde o povo de um município
conversa consigo mesmo.
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Família SRL
Adolfo Wiemes
Santa Maria Goretti
O mês de julho marca o martírio e a canonização desta santa da Igreja Católica.
Criança pobre e temente a Deus
Maria Tereza Goretti, nascida em 16 de outubro
de 1890, em Corinaldo, centro da Itália, era de família camponesa, pobre, numerosa e muito temente a
Deus. Quando ela tinha seis anos, seus pais ficaram
tão pobres que a família foi forçada a deixar sua propriedade e trabalhar para outros agricultores. Em
1900, com a morte do pai, a família foi morar em um
lugar perto de Roma. Dividiam o mesmo teto com os
Sirenelli: um viúvo e seus dois filhos.
Maria Goretti era a terceira dos seis filhos e enquanto sua mãe, seus irmãos e sua irmã mais velha
trabalhavam nos campos, ela cozinhava, limpava a
casa e cuidava de sua irmã menor. Era uma vida difícil, mas a família estava sempre próxima, compartilhando um profundo amor por Deus e sua fé.
Martírio
Em 5 de Julho de 1902, Alexandre Sirenelli, um
dos moradores da casa, então com vinte anos, encontrou a menina de onze anos costurando, sozinha
em casa. Ele entrou e a ameaçou de morte se ela
não fizesse o que ele mandava.
A intenção do rapaz era estuprá-la. Diz o processo canônico que Maria Goretti encontrou forças
para lutar como um leão para defender o tesouro
mais querido de sua vida: sua castidade. Ela gritava
“Não! É um pecado! Deus não gosta disto!”. Alexandre primeiro tentou controlá-la, mas como ela resistia e insistia que preferia morrer, ele a apunhalou
onze vezes. Ferida, Maria tentou alcançar a porta,
mas ele a agarrou e deu mais três punhaladas, antes
de fugir.
A irmã menor acordou com o barulho e começou a chorar. Quando o pai de Alexandre e a mãe
de Maria Goretti chegaram, encontraram a menina
sangrando muito. Levaram-na para o hospital, no
município vizinho. Ela foi operada, sem anestesia,
mas os ferimentos estavam além da capacidade dos
médicos. Durante a cirurgia, Maria recobrou os sentidos e insistiu que preferia ficar acordada.
Perdão em vida... e morte
Na manhã seguinte, domingo, 6 de julho, Maria
Goretti recebeu a Sagrada Comunhão. Foi comovente a cena que se passou. Sua mãe perguntou-lhe:
Maria, minha filha, você perdoa de todo coração ao
seu assassino? “Sim perdoo... Lá do céu, rogarei que
se arrependa. Ainda mais: quero que ele esteja junto
de mim na eterna glória”.
COMUNIDADE
NOVA ESPERANÇA
Jaqueline Tonn
Frio e calores
O mês de julho traz com ele um ar mais gélido. É o inverno se aproximando de mansinho. Como sempre, o frio
vem acompanhado do calor humano, do calor das festas “julinas”. É mês de tomar quentão, de comer pinhão,
de dançar quadrilha. Por isso tudo, é um mês de muita
diversão. Aqui em Nova Esperança, para espantar o frio,
fazemos tudo isso. O mais prazeroso, contudo, é sentar
em volta do fogão a lenha. Com essa chuva que tem caído
e que as previsões dizem continuar ao longo da estação
fria, nada melhor que o bom aconchego do lar.
Para que temos a Copa?
Em minha opinião, a Copa não é aquilo tudo. Não
creio que ela vá nos ajudar a ter um Brasil melhor. Trabalhar e estudar, todos somos obrigados. Então eu me pergunto: por que ao invés de realizar uma Copa, os gestores
não pensaram melhor e aplicaram esse dinheiro todo em
saúde e educação? Claro que a soma dos recursos gastos
com a Copa não iriam resolver. Mas ajudariam a dar um
passo à frente. Talvez, assim, nós brasileiros iríamos nos
sentir mais orgulhosos de quem esta a nossa frente.
Canonização
E a verdade é que Maria conseguiu seu intento,
porque, no processo canônico para a beatificação,
entre as primeiras testemunhas aparece Alexandre
Serenelli, preso logo após a violenta investida. Ele
próprio declarou ter tido uma visão da mártir, fato
que culminou na conversão dele.
Em 24 de julho de 1950, na Praça São Pedro, a
mãe, os irmãos e o próprio assassino puderam assistir à solene canonização de Santa Maria Goretti,
presidida pelo Santo Papa Pio XII.
Para pensar
O martírio de Santa Maria Goretti nos deixa o
claro testemunho de maturidade de uma menina.
Tinha clareza do que era o pecado e fez sua radical
escolha de se opor ao agressor, por amor a Deus.
Ainda em vida perdoou ao seu assassino, pagando o
mal a ele cometido com o perdão, o que daria a seu
agressor a oportunidade de se converter.
Aprendamos dessa santa a clareza na escolha de
nos opormos ao pecado e a heróica virtude de perdoar aqueles que nos fazem mal.
Quem ganha?
Parar por duas horas para assistir um jogo. O que ganhamos com isso? Nada! Nesse tempo pessoas morrem,
matam ou se matam. O Brasil não muda, principalmente
nas questões que envolvem a criminalidade e a corrupção. Esse é o nosso Brasil.
Aqui na Nova Esperança, alguns moradores param
para assistir aos jogos. Já outros não se dão a esse luxo.
Porque precisam trabalhar. Necessitam continuar na luta
da roça. Trabalham, faça sol ou faça chuva. Afinal, não é
a “Seleção” quem vai colocar comida nas nossas mesas.
A volta
Depois que a Copa acabar, o Brasil voltará ao normal.
Não vai voltar melhor e nem vai arrumar a bagunça em
que está.
Aqui, podemos dizer que moramos no paraíso, bem
pertinho do céu, próximo a mais bela de todas as serras,
a Serra Geral. Assim, não posso reclamar do lugar onde
vivo. Mas tenho uma certeza: nosso país precisa melhorar em muitas coisas. Por isso, acho que precisamos da
mobilização de muita gente, em cada lugarzinho do Brasil.
Na Nova Esperança...
Nós moramos num desses lugarzinhos. Ele é de ouro.
Nele se planta e se colhe no devido tempo. Isso faz com
que todos aqui aprendam a dar valor àquilo que adquiriram ao longo de suas trajetórias de vida. Um dia de cada
vez, é assim que caminhamos. Vivendo e aprendendo
sempre. Com sorrisos e com um bom dia dali; um bom
dia daqui. Mas estamos nos mexendo para melhorar nosso país?
20
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
TRANSPARÊNCIA
Licitação “padrão Fifa”
No dia 23 de junho, a Prefeitura de Santa Rosa de Lima realizou um pregão presencial
(Nº 25/2014). O objetivo era “a contratação de empresa para a publicação de atos legais,
oficiais e demais matérias informativas de interesse público do município [...], para o ano de
2014”. Com um detalhe importante: a contratação é prorrogável por três anos.
Dirigida?
A especificação dos itens não
deixa de ser interessante. No
primeiro, o edital prevê a contratação de jornal de circulação no
mínimo bissemanal cuja abrangência mínima seja todos os Municípios da 36ª Secretaria de Desenvolvimento Regional. O leitor
tem ideia de um jornal com esse
perfil? Só faltou dizer que, como
condição para concorrer, os nomes do dono e do próprio jornal
deveriam começar com a letra
“F”. No segundo, a contratação
prevista é de jornal de circulação
mensal cuja abrangência mínima
seja todos os Municípios da 36ª
Secretaria de Desenvolvimento
Regional – SDR. O leitor também
conhece um jornal com esse
perfil? Por que será que houve
a separação em dois itens? Ainda mais que a abrangência e as
tiragens previstas (quatro mil
exemplares) nos dois itens são as
mesmas. Será que é uma necessidade logística da publicação de
atos legais e oficiais exigiria esse
“fatiamento”? Ou haveria outras
explicações menos técnicas?
Resultado e custos para o
público
Sem qualquer possibilidade
de surpresa, os vencedores da
licitação foram o Folha, de Braço
do Norte, no item 1, e o Visor, de
Rio Fortuna, no item 2. Os valores previstos são significativos
para um pequeno município. No
primeiro caso, R$ 1.000,00 por
mês. No segundo, R$ 2.400,00
mensais. Ou seja, por ano, vai se
gastar R$ 43.200,00 com os dois
jornais.
Motivação
O Canal SRL faz essa nota
apenas para informar a popu-
lação sobre a aplicação de mais
estes recursos públicos. Porque
se eles serão aplicados com os
jornais que venceram a licitação,
deixarão de ser aplicados em outras ações públicas. Algumas que
poderia representar um melhor
ganho para a população. Cabe,
assim, aos cidadãos julgar esse
uso.
O Jornal de Santa Rosa de
Lima poderia cumprir essa mesma tarefa de publicação por um
quarto do valor mensal contratado. Mas não tem muito interesse
nisso porque conhece o tipo de
contrapartidas exigidas em casos
semelhantes. A independência é
mais importante do que alguns
caraminguás.
Perguntas
É reconhecida a necessidade
da publicação de atos legais e
oficiais. E, frequentemente, há a
exigência de que as publicações
para fazê-lo tenham abrangência
regional. O detalhe importante
do edital são as “demais matérias
informativas de interesse público do município”. Será que isso
não poderá significar matérias
de promoção pessoal e política
de sicranas e fulanos, de Mamis
e de Papis? Ou da promoção política de partido X ou partido Y?
O que significa, de fato “interesse
público do município”?
Uma questão que levanta dúvidas no edital é se com o item 2,
a prefeitura não está passando,
na prática, a viabilizar algo que
ela deseja. Ou seja, a “distribuição gratuita do jornal em todas
as residências do Município de
Santa Rosa de Lima, compreendido, assim, além do centro da
cidade, todas as comunidades
do interior de Santa Rosa de
Lima, no mínimo de quinhentas
e oitenta famílias”. O leitor deve
se dar conta do porque a distribuição do jornal vencedor deve
passar a ser efetiva e não mais
um faz de conta. Provavelmente,
porque a administração pública
municipal tem um enorme desejo de transparência e quer que
cada cidadão conheça os atos legais e oficiais que ela edita.
Acompanhamento
Cabe, agora, à população e
à Câmara de Vereadores fiscalizar a aplicação desses recursos.
Verificar a quantidade de atos
legais e oficiais publicados e se
as “matérias” publicadas são de
fato informativas (e não simples
propaganda) e correspondem
de fato ao interesse público do
município. Afinal, caso isso não
ocorra estará caracterizada uma
malversação do dinheiro público.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
21
Rede AGRECO
Volnei Luiz Heidemann | Adilson Maia Lunardi
A partir desta edição, Agreco e CooperAgreco apresentarão os empreendimentos
familiares a elas associados. São mais de duzentas famílias distribuídas por todo o território das Encostas da Serra Geral.
Conheça o pioneirismo destes agricultores que ousaram apostar na produção agroecológica.
A Doce Encanto é uma destas iniciativas. Foi a primeira agroindústria de processamento de cana de açúcar implantada pela Agreco. O empreendimento das famílias de
Romeu e Valnério Assing fez parte do projeto de agroindústrias em rede, implantado no
início do ano 2000.
Hoje, quem cuida da produção é Romeu. Valnério dedica-se ao agroturismo na Pousada de agroturismo, que tem o mesmo nome.
Depoimento dos irmãos Romeu e Valnério Assing
samento. Hoje, trabalhamos só
com o melado. Vimos que as
nossas terras não dão uma cana
muito boa para o açúcar mascavo. É o teor de açúcar. Não conseguimos o padrão que o mercado quer. Um solo dá um açúcar
mais claro. Outro, um mais escuro. É bem complicado manter um
padrão nesse tipo de relevo e de
solos. Em outras regiões há mais
facilidade.
Agroindústria de processamento de cana de açúcar.
O começo
Foi em 1999 que começamos
a discussão para a implantação
da agroindústria. Organizamos
toda a “papelada” dos projetos...
E, no mesmo ano, começou a
construção. A inauguração foi em
maio de 2000. Aí, começamos o
processamento de cana, para
fazer melado e açúcar mascavo.
No começo foi um pouco difícil
transformar essa cana. Por aqui,
só se processava de forma artesanal. Era um processo diferente.
Então, fizemos cursos na estação
experimental da Epagri, em Urussanga. Depois de muita prática,
sempre em contato com o técnico de lá, conseguimos o padrão
que queríamos. Depois disso, foi
um sucesso. No começo, também tivemos outra dificuldade
que foi a comercialização. Não se
tinha um mercado trabalhado.
Não tinha políticas públicas voltadas para isso.
Cadeia produtiva completa
Pelo que a gente escuta, pelo
que dizem os consumidores, é
um produto muito bom. Nós fazemos desde o plantio da cana
até a parte final que é o enva-
Daria para produzir mais
Há alguns anos, equipamos
também a agroindústria para
destilar cachaça. Mas ainda produzimos muito pouco. Nossa
agroindústria está com bastante
capacidade ociosa. Daria para
produzir mais, se tivesse mais
venda e se a gente se dedicasse
mais à produção.
Hoje, processamos uns três
hectares de cana. Mas, ela tem
capacidade de processar uns
dez. O melado é um produto
fácil de produzir. E a cachaça orgânica bem feitinha também tem
bastante aceitação no mercado.
O problema é que hoje não temos assim grande quantidade
de cana para a cachaça. Porque
é mais vantagem vender melado. Para processar, bastam duas
pessoas trabalhando. Na hora do
envase, é preciso mais uma. Trabalhamos dois dias por semana.
Um dia, cortamos a cana. No outro, processamos e embalamos.
Especial
Nossa aposta deve ser na
produção de cachaça orgânica,
que tem mais valor agregado.
Esse é um projeto que estamos
desenvolvendo. Inclusive, a agência de marketing que atende à
CooperAgreco já está criando
o rótulo e a embalagem deste
produto. Para inseri-lo no mercado. É um item a mais. Mas ainda
faltam algumas adequações. E a
produção de mais matéria prima.
Por encomenda, já fizemos um
pouco. Estamos tentando conseguir uma qualidade superior. Daí,
vamos ver... Analisar o consumo
e ver se dá de investir. Porque
tem um custo fixo meio alto. A
vantagem é que é um produto
que não tem data de validade.
Quanto mais velha melhor... Então, você tem mais segurança.
Além da cana de açúcar ser uma
cultura bem rústica. Você planta
e tem certeza que colhe. Essa
parte é boa.
Não pensamos em entupir
todo mundo de cachaça. Isso
vai contra os nossos princípios.
Mas para aqueles que gostam
de apreciar uma cachacinha bem
boa, de ter uma guardadinha, vamos fazer uma que é especial.
22
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
INFRAESTRUTURA
COMUNIDADE
SANTA BÁRBARA
Rodinei Beckhauser
Tradição e renovação
No último dia 13 de junho, dia do nosso padroeiro, mesmo sendo uma sexta-feira, a comunidade se reuniu mais
uma vez para festejar. Logo cedo, pela manhã, demos início ao preparo de uma suculenta feijoada. Para servir no almoço. Em volta do “tacho”, velhas histórias, novas piadas e
aquele clima familiar que sempre predomina por aqui.
Depois de nos fartarmos com a feijoada, às três horas
da tarde, nos reunimos em torno da fé, para homenagear
Santo Antônio. A missa celebrada pelo padre José Jocken foi
mais alegre. Porque, junto, houve o batizado do mais novo
membro da nossa igreja: Luciano Silva Blasius, filho de Antônio Blasius e Maria Silva Blasius.
Antônio Blasius e família.
Tem que comemorar
Por aqui, é difícil uma data especial sem festa. Assim, por
ocasião do batizado, os pais e padrinhos do Luciano convidaram todos os membros da comunidade para, no domingo
seguinte (dia 15), outra vez agradecer a Deus e confraternizar a chegada do rebento. E a festa foi daquele jeito, com
muita gente, boa e farta comida, além das bebidas.
Aproveito este espaço para desejar a todos os familiares
e amigos de Luciano, que Deus continue os abençoando.
Principalmente a esse menino que nos trouxe tanta alegria.
A saudade vira lembrança
Há um ano, Deus chamou para o conforto de seus braços a matriarca da nossa comunidade, senhora Almerinda
Loch Bonetti, a Nona. Foi uma perda irreparável para nós.
Mas, além da tristeza, guardamos os exemplos e os ensinamentos que ela nos deixou. A dedicação e a força sempre
foram sinônimos da Nona, que, ainda hoje, nos serve de modelo. Afinal, em nossa memória ficam a dedicação à família e
o bem que ela sempre fez pela comunidade.
Nona, te pedimos humildemente, interceda junto a Deus
por todos nós.
O mundo da Copa
Ao contrário do “não vai ter copa” dos pessimistas e antipatriotas, temos Copa, sim! E, melhor ainda, temos uma
Copa linda. A imprensa internacional já a classifica como a
Copa das Copas. Tudo transcorre muito bem. Com muitas
surpresas, é claro. Mas apenas nos resultados das partidas,
nas zebras como a Costa Rica e na despedida na primeira
fase de grandes seleções (Espanha, Inglaterra, Itália, Portugal). É uma Copa de muitos gols, de raça e de muitas “raças”.
Uma copa de alegria e de sentimento de Brasilidade.
Brasil, Hexa! Pra cima deles, seleção!
Mesmo que a seleção canarinha não tenha apresentado, ainda, o futebol que queríamos ver – aquele de encher
os olhos, ela nos encheu de esperanças. Ao ler esta coluna
talvez você, leitor, já saiba o resultado de Brasil e Colômbia.
Nós torcemos muito para ser uma nova vitória brasileira. Então, teremos outro “degrau” no dia 8. E esperamos poder
torcer no dia 13 de julho, na grande final. Aí, será muito provável que o “caneco” ficará em casa.
Município passou a ser
responsável pela manutenção
do trecho SRL-ANT da SC 108
Os santarosalimenses já notaram que máquinas e caminhões
da prefeitura estão trabalhando no patrolamento e no lastramento com areão da estrada não pavimentada entre Santa Rosa de
Lima e Anitápolis. Esta ação é o resultado de um convênio assinado pela administração municipal com a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte (SDR-BN). Como contrapartida a esse compromisso assumido até dezembro de 2014, o
governo estadual repassará aos cofres municipais um total de R$
60 mil, destinados à aquisição de óleo diesel, além de ter doado
três máquinas usadas ao município.
Responsabilidade
O secretário da SDR-BN, Roberto Kuerten Marcelino, explicou à reportagem do Canal SRL (entrevista realizada no dia 24 de junho): “É uma rodovia
de competência do estado. Por isso, fizemos esta
parceria com o município. Para ele nos auxiliar neste trabalho. O município vai adquirir óleo diesel e já
tem o maquinário para o trabalho. Assim, ele nos
ajuda e fica responsável pela rodovia não pavimentada. A prefeitura agora tem este compromisso
conosco. E eu sei que já estão executando. Mas a
chuva tem atrapalhado muito”.
Sobre os valores destinados ao município pelo
convênio, Roberto Marcelino ponderou: “Nós repassamos 60 mil reais para Santa Rosa de Lima. É
mais do que para Rio Fortuna, que recebeu 40 mil.
Isso porque Santa Rosa se comprometeu a executar [a manutenção] até Anitápolis”.
Marcelino esclarece: “Antes, só era feito um termo
de cessão de uso. Era emprestado, vamos dizer assim. Agora, o governador e a prefeita já assinaram
o decreto. A prefeitura de Santa Rosa de Lima fez
esta solicitação para nós e o estado ajudou na doação destas máquinas. São máquinas usadas, que
agora pertencem ao município, para ajudar neste
tipo de trabalho”.
As do DER
As máquinas citadas pelo secretário são uma
motoniveladora, modelo FIATIALIS, ano de fabricação 1985; uma pá carregadeira, modelo Michigan,
ano de fabricação 1981; e um Mercedes Benz LK
1313, ano de fabricação 1982. O maquinário já é
conhecido por aqui como “as máquinas do DER”.
São aquelas que eram operadas pelo Chico Leeser e o Nivaldo Mendes. De novo, Roberto Kuerten
Traçado da SC-108
A reportagem do Canal SRL renovou contatos
com o Departamento Estadual de Infraestrutura de
Santa Catarina (Deinfra) para verificar como andam os
estudos para o asfaltamento da SC 108 entre Santa
Rosa de Lima e Anitápolis.
As informações dão conta que prosseguem os esforços para dar viabilidade ao projeto. Confirmou-se
que a melhor alternativa é passando pela comunidade de Rio do Sul. O traçado, agora, já está na fase de
anteprojeto. Isso significa que foi superada a etapa de
estudos preliminares, na qual o projeto poderia ter
sido considerado inviável e descartado.
No momento, equipes de trabalho estão em campo para realizar sondagens para verificar as características do solo e para a complementação dos levantamentos topográficos.
No asfalto
As rodovias pavimentadas na área
de abrangência da SDR-BN continuam sob a responsabilidade dela.
“Na rodovia que liga SRL a Braço do
Norte, nós iniciamos o contrato de
2014. Nós licitamos R$ 300 mil. É um
trabalho que vai se estender durante
todo o ano. Nós vamos tapar os buracos, fazer a roçagem, limpeza de
canaletas, limpeza de placas, pintura
de pontes. Tudo iniciou esta semana
[de 23 a 27 de junho]”.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
EMPREENDEDORISMO
Aprender para inovar
Com a participação de estudantes, empresários e trabalhadores de empresas e organizações locais, acontece em Santa Rosa de Lima, o curso Rotinas Administrativas. Dividida em quatro módulos, a formação inclui
temas relacionados aos departamentos administrativo, fiscal, pessoal e
contábil de uma empresa.
23
COMUNIDADE
MATA VERDE
Kátia Vandresen | Ronaldo Michels
Capital das PCH?
Diversas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) foram construídas nos últimos anos no curso do nosso
Rio Braço do Norte. Ao todo são sete. Estas construções foram desencadeadas após a crise energética sofrida pelo país e que até hoje não foi sanada. Isso fez
com que o governo federal estimulasse e continue a
estimular a instalação de novas estruturas de geração
elétrica. O objetivo é aumentar a produção de energia.
Neste quadro, a Capital da Agroecologia vai se transformando também na Capital das PCH. Precisamos
pensar nas consequências. E agir!
No nosso “quintal”
A PCH Nova Fátima tem a barragem construída
logo abaixo da “praça” e a casa de força está situada
na entrada da nossa comunidade, Mata Verde. Ela está
em operação há aproximadamente três anos. É certo
que ela contribui para minimizar a falta de energia elétrica no país. Assim como sabemos que ela traz muito
lucro aos proprietários. E esse foi o principal – se não o
único – objetivo de quem a construiu.
Estudantes, empredados do comércio e empresários participam da capacitação.
Coordenação e objetivos
Fernando Kirchner de Souza,
idealizador e coordenador do curso é contador formado pela Unip
-SP e cursa especialização em Consultoria e Gestão de Negócios pela
Univali. Proprietário da Fecontab
Contabilidade & Consultoria, tem
dez anos de experiência na área
contábil administrativa e atualmente preside a Câmara de Diretores
Lojistas de Anitápolis e Santa Rosa
de Lima. Para ele o principal objetivo do curso é capacitar os alunos
para atuarem de forma decisiva
dentro das empresas ou organizações, “com foco claro na parte administrativa”.
Processo agradável e eficaz
Fernando afirma que quem
concluir a formação terá condições
de trabalhar dentro de qualquer
empresa, auxiliando, de forma eficaz, administradores ou empresários a gerirem bem seus negócios.
“Tenho visto, também, o despertar
do espírito empreendedor em muitos alunos. O empreendedorismo
também é foco da formação. Empresas poderão surgir até o final do
curso”. Para ele, os alunos têm superado as expectativas em relação
à participação em sala de aula. “Eles
se mostram interessados pelos assuntos, com vontade de realmente
aprender. Isso facilita o processo
de ensino-aprendizagem. A aulas
se tornam bem mais agradáveis. A
troca de experiências entre todos
enriquece muito o conteúdo do
curso. Tenho aprendido muito com
eles também”.
Mudanças no perfil do público
O propósito inicial do curso era
capacitar estudantes do ensino
médio que estão prestes a ingressar no mercado de trabalho. “As
empresas sentem muito a falta de
profissionais capacitados, uma vez
que oportunidades de emprego
aparecem a todo o momento”. Mas
o público se ampliou. Em Santa
Rosa de Lima, muitos empresários
voltaram à “escola”. “Eu penso que
por eles estarem excessivamente
focados nas atividades operacionais, acabam não percebendo suas
formas de gerenciar. E é certo que,
na maioria das vezes, elas podem
ser melhoradas, otimizadas. É muito comum empresários me falarem,
nos intervalos das aulas, o quanto
não prestavam atenção em coisas
simples dentro de suas empresas
e que acabam fazendo uma grande
diferença”.
Teoria na prática
Nas aulas, que são ministradas
todas as quintas feiras, à noite,
no Colégio Estadual Aldo Câmara,
destacam-se as de planejamento
estratégico, atendimento a clientes,
elaboração de plano de marketing,
operações bancárias, apresentação pessoal e oratória, controle de
estoques, dentro outros assuntos.
“Em todos estes conteúdos trabalhados o aluno é inserido no mun-
do empresarial. Desde o primeiro
dia de aula ele pensa em uma empresa fictícia, podendo ser individual ou uma sociedade com outro
colega de turma. Nos exercícios,
essa empresa será “administrada”
durante todo o curso. Entendo que
as atividades práticas que levarão
os alunos a um entendimento pleno dos assuntos estudados”.
Conhecimento bem vindo
A formação também está superando as expectativas dos alunos.
Ana Carolina Walter Rodrigues, de
15 anos, é estudante da segunda
série do Ensino Médio. Ela avalia
que, fazendo o curso, mais oportunidades de emprego surgirão. Mas
também sonha em ser empresaria.
“Se eu tiver uma empresa, vou saber como administrá-la melhor. A
cada encontro aprendemos coisas
novas sobre administração. Algumas aulas são um pouco difíceis,
mas, como são bem explicadas, eu
estou entendendo tudo. Estou adorando”. Para o empresário Bruno
Wiggers, o curso está sendo ótimo.
Ele diz que a turma é muito legal
e mostra bastante interesse em
aprimorar os conhecimentos em
administração. “Eu estou aplicando
muitas coisas que aprendo aqui no
meu dia a dia. Na forma de gerenciar e planejar os objetivos e metas
que pretendo alcançar. Com cursos
como este, podemos inovar. Estou
aprendendo uma forma melhor de
administrar. E estou achando fácil,
pois procuro fazer interagir o curso
com a minha prática”.
Qual o preço?
Não somos contra o lucro. O que não podemos
aceitar é a falta de controle e a falta de respeito que
os empreendedores vem demonstrando com relação
às questões ambientais. Desde a construção, o que se
pode constatar foi o pouco cuidado com a natureza.
Como moradores do entorno, acabamos aceitando. Primeiro, porque no tempo de construção, tudo
parecia passageiro. E havia a promessa de que quando a PCH ficasse pronta e entrasse em operação tudo
ficaria “normal”. Queriam dizer, com isso, que a natureza não seria mais afetada. Infelizmente, hoje, não é isto
que estamos presenciando. Quase todos os dias e,
especialmente, na calada das noites. É mínima a quantidade de água que passa pelo leito do Braço do Norte.
Saudades de quando ele era descrito como caudaloso.
Pouca água; mas muito lodo
No último dia 4 de junho, um fato indignou moradores das redondezas da barragem. “Especialistas” da
PCH Nova Fátima simplesmente abriram as comportas
da barragem e toneladas de lama e lodo foram despejadas rio abaixo. A revolta não foi apenas dos moradores daqui. Habitantes de Rio Fortuna e Braço do Norte
se assustaram com a quantidade de lama.
Intolerável
Absurdos como este não podem ser tolerados.
Dessa maneira, não haverá espécies de peixes capazes
de sobreviver nessa região “possuída” por PCH.
Fica a questão: onde estão os órgãos responsáveis
pela fiscalização? O que a população espera é que eles
façam cumprir rigorosamente o que rege a lei ambiental.
Chega!
É preciso pensar no futuro. Não podemos deixar
que nosso município tenha ainda mais construções de
PCH. A Capital da Agroecologia não precisa desse tipo
de desenvolvimento, degradante, poluente.
Somos um berçário de formas de desenvolvimento sustentável muito bem encaminhadas. A cada dia,
temos sinais do reconhecimento do nosso município
como uma referência em sustentabilidade. Então, basta! Chega de PCH. Chega de fazer nosso rio entrar pelo
cano!
24
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Maratcha
Edésio Willemann
Elaine Souza Vieira que a passagem do dia 8 de julho,
seu aniversário, se repita por muitos anos. Que todos os
teus dias sejam abençoados e felizes, sempre com muita harmonia, paz e desejos realizados. É o que desejam
teus amigos, teu esposo e teus amados filhos.
Felicidades a Beatriz Cristina Luchtenberg, nossa querida Bia. Ao registrar
que você completa mais ano de vida, no
dia 1º de julho, desejamos que você continue sendo esta simpatia em pessoa,
sempre autêntica e original.
M&M
Espia só quem está por aqui: Jordão Gonçalves, que
dia 23 de julho vai ficar um ano mais velho. Parabéns,
Espiga! Desejamos tudo de bom pra ti. Muita saúde e
alegrias e, principalmente, muitas festinhas, que sabemos o quanto gostas!
Celso e Mere comemoraram em junho
e julho, respectivamente, seus aniversários. Desejamos que a vida de vocês seja
repleta de realizações! Muita força e sabedoria. Muito sucesso! Feliz Aniversário!
Mentira
Edson Baumann
Valdir Antunes, desejamos a você felicidades em mais
um aniversário. “Que teu caminhar seja sempre premiado com a presença de Deus guiando teus passos e
intuindo tuas decisões, para que suas conquistas e vitórias sejam constantes”. A homenagem especial é da
esposa Dulce, das filhas, dos genros e das pencas de
amigos que tens.
Parabéns à jovem Raquel Tonn que, no
dia 5 de julho, conta mais uma primavera. Que a vida te traga muitas alegrias e
felicidades. Que teu coração esteja sempre em festa, porque você é um ser de
luz e especial para nós, amigos e familiares.
Rodrigo e Lili estão de aniversário. Ele,
no dia 6 e ela, no dia 25. Queremos desejar muita felicidade a este lindo casal
de namorados. Um abraço todo especial
dos amigos e familiares. Especialmente,
do Nino.
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
Teodoro José Heidemann comemorou mais um ano de vida, no dia 27 de junho. A homenagem especial é feita por todos os netos.
25
Irene Fucks completou mais um ano no dia 23 de junho. A homenagem especial é de verdade e vem do Mentira. “Madrinha,
és uma pessoa mais que especial. Parabéns! Ah, e obrigado pelo
delicioso jantar”.
Luan, que todas as bênçãos do céu sejam derramadas sobre a tua vida e que sejas muito feliz. São os
votos da mamãe Luana, dos teus irmãos, Du, Dine e
Toni, e da vovó corujíssima Luiza. Felicidades!
Maicon Oening está de parabéns. Ele sopra as velinhas no dia 23 de julho. A mamãe, o papai, os padrinhos e os amigos desejam muitas felicidades, alegrias e conquistas. Parabéns!
Anna Clara esteve lépida e faceira
no dia do seu aniversário, 25 de junho. Ela contava os dias para completar quatro aninhos e esperava
especialmente pelo bolo colorido e
pelos presentes. Felicidades Anna
Clarinha, que sejas sempre esta
menina meiga, amável e carinhosa.
A mamãe manda dizer, pelos titios
aqui, que “te ama mais que o tamanho do universo”.
Anita Ferreira Rodrigues recebe nossa homenagem especial, ela que é a
moradora mais idosa do Rio Santo Antônio, completará no dia 13 de julho, 72
anos. Dona Nita, como é conhecida carinhosamente conserva uma memória impressionante e relembra passagens de sua vida com mínimos detalhes.
Confira um pouco de sua história na Coluna de Rio Santo Antônio. Familiares
e amigos desejam muita saúde, paz e felicidades.
26
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
NOSSO CHÃO
COMUNIDADE
Luiz Schmidt
RIO DO MEIO
Ana Beatriz Kulkamp | Diana Kulkamp | Karine Neckel
Um desbravador
Seu Willi Bernicker veio da Alemanha. Muito jovem. Junto com um
amigo, colonizou o Rio Tiriba, localidade de Anitápolis. Como ele conta,
eles subiram o curso d’água até encontrar um “lugar bom”. E ali começaram a abrir uma clareira e a construir duas casinhas. A orientação, a chegada e a saída ao lugar eram somente pelo rio. Não existiam picadas ou
estradas. Seu Willi diz que ele e seu amigo “conheciam cada lugarzinho”.
Com o passar do tempo eles abriram, “a braço”, uma pequena “picada”.
Por ela, podiam passar a cavalo e até com o carro de boi.
Quem tem casa quer casar
Quando escolheu este lugar ermo para viver, Willi conheceu Erna
Hann. Ela morava na comunidade de Rio do Meio de Anitápolis, próxima
a do Rio Tiriba. Casaram e tiveram cinco filhos: Norma, Oto, Calo, Alfredo
e Eduardo. Moraram muitos anos em Rio Tiriba. Depois, mudaram, com
o filho Oto, para o Rio do Meio vizinho. Na mudança seguinte trocaram
aquele Rio do Meio pelo nosso, de Santa Rosa de Lima.
Hoje, Willi tem 97 anos. E Erna, 89. No dia cinco de maio, eles completaram 68 anos de casamento. Há nove anos, o simpático casal reside
com a filha Norma.
EDITAL DE CONVOCAÇÃO
ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DE RATIFICAÇÃO
O Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Rosa de
Lima, através de seu Presidente infra-assinado, convoca os(as) trabalhadores(as)
da categoria específica da Agricultura Familiar, conforme legislação vigente,
residentes e em atividade no município de Santa Rosa de Lima, SC, a se reunirem
em Assembleia Geral Extraordinária de Ratificação da Fundação do Sindicatodos
Trabalhadores na Agricultura Familiar de Santa Rosa de Lima, à se realizar no
dia seis de agosto de 2014 às 19:00 horas, em primeira e segunda convocação,
conforme o estatuto social da entidade, no Centro de Convivência, sito à Rua
Germano Hermesmeyer, s/n, em Santa Rosa de Lima, SC, a fim de discutir e
deliberar sobre a seguinte ordem do dia:
1. Leitura, discussão e aprovação da Ata da Assembleiaanterior, aprovando
e confirmando a dissociação da categoria específica dos Agricultores
Familiares no município derivando da categoria eclética dos trabalhadores
rurais;
2. Aprovação da Ratificação da Fundação do Sindicatodos Trabalhadores na
Agricultura Familiar de Santa Rosa de Lima, conforme legislação vigente;
3. Aprovar a alteração estatutária em conformidade com a legislação vigente,
bem como a atualização do estatuto social do sindicato na forma da Lei.
A mesa diretora e as formas de discussão e deliberação, serão decididas
pelos próprios interessados presentes na assembleia.
Santa Rosa de Lima, SC, 01 de julho de 2014.
Luiz Schmidt
Coordenador Geral
Dona Erna e Seu Willi
A lida
Sempre trabalharam na agricultura. Plantando feijão, milho, arroz e
aipim. Pro gasto. Cultivavam, também, batata para a criação e engorda
de porcos. Esse, sim, para vender. Eles tinham que levar a produção até
o centro de Anitápolis, onde vendiam a carne e a banha para o “caminhão do porco”. A mercadoria era, então, distribuída para outros lugares, principalmente para Santo Amaro da Imperatriz.
Eles contam que sempre gostaram muito de trabalhar. Dona Erna
relembra dos tempos em que tinha os filhos pequenos. “O pão para o
café eu fazia de noite, pois durante o dia tinha que trabalhar na lavoura
e nos outros afazeres da casa”. Os dois lamentam que já não podem
mais trabalhar. “Tivemos que parar”.
Em atividade
Os dois “velhinhos” se mostram muito ativos. Cuidam da saúde e
praticamente todos os dias, tanto no período da manhã, quanto no período da tarde, fazem caminhadas. Seu Willi é apaixonado por leitura.
Todas as manhãs, ele se dedica ao prazer de ler. Diz que “adora tanto os
livros escritos em alemão, quanto os em português”. Para Dona Erna a
diversão é receber visitas de amigos e familiares que falam a língua alemã. Ela até fala um pouco em português, mas tem bastante dificuldade.
“Tem muitas coisas que ela não entende no português”, diz seu Willi.
Ela fala que sente vergonha de conversar nesta língua: “Eu falo muitas
palavras erradas”.
Votos
A este casal, que é um exemplo para a nossa comunidade, apresentamos nossos desejos sinceros de muita saúde e alegria. Queremos
que eles possam ter muitas leituras e muitas visitas de amigos. É claro,
não apenas daqueles que só falam em português... ou auf deutsch zu
sprechen.
Felicidades Seu Willi e Dona Erna!
Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
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Esporte Total
Ana Maria Vandresen
ADESC, na cidade
das colinas
No mês de junho, as equipes de Santa Rosa de Lima foram
até Orleans para mais uma rodada pela ADESC. No sub 11,
conseguimos um emocionante e belo empate: 2 X 2. No sub 13,
ficamos “no quase” e Santa Rosa acabou derrotada por 5 X 0. No
sub 15, fomos além do esperado. Em um jogado equilibrado,
vendemos caro os 3 X 1 para Orleans.
ADESC, em casa
Famílias
O Campeonato Interfamílias está sendo um sucesso.
Há uma boa rivalidade dentro de quadra, mas tudo dentro
do fair play (jogo limpo). Pelo menos até agora, ninguém
mordeu ninguém...
Parabéns aos atletas, que todos continuem mostrando
um bom futebol.
Jogando em Santa Rosa de Lima, nossas equipes mostraram
um bom desempenho frente a Grão Para. A “molecada” do sub
11 e do sub 13 fez bonito. No, Sub11 vencemos por 3 X 2. No sub
13, por 5 X 3. Já no sub 15, a derrota foi de goleada: 10 X 1 para a
equipe de Grão Pará. A próxima rodada está marcada para dia 19
de julho, em Braço do Norte.
Veterano
No jogo do dia 14 de junho, contra São Cristóvão, a equipe
municipal dos veteranos mostrou que é difícil derrotá-la quando
joga em seus domínios. Venceu, pelo placar de 4 X 3.
Tabela de Classificação
EQUIPE DA CHAVE A
P
J
V
E
D
GC
GP
SG
1°
VANDRESEN/DUTRA
06
02
02
00
00
03
08
+05
2°
HEIDEMANN/SCHREIBER
06
02
02
00
00
07
12
+05
3°
WILLEMANN
03
02
01
00
01
09
09
00
4°
MELO/WITT
03
03
01
00
02
16
15
-01
5°
WARMLING/ELLER
00
03
00
00
03
17
08
-09
EQUIPE DA CHAVE B
P
J
V
E
D
GC
GP
SG
1°
FELDHAUS
09
03
03
00
00
05
13
+08
2°
HERMESMEYERS/FELDHAUS
06
02
02
00
00
01
10
+09
3°
MENDES/CESÁRIO
01
02
00
01
01
08
04
-04
4°
FERREIRA
01
03
00
01
02
12
07
-05
5°
CARVALHO
00
02
00
00
02
09
01
-08
Olesc
Conquista do Veterano de Santa Rosa: Nardi, Ademir, Nazareno,
Lourivaldo e Janio.
No período de 1 a 6 de julho acontece, em Grão Pará, a etapa Microregional da Olimpíada Estudantil
de Santa Catarina. Por um erro na inscrição, os atletas do nosso municipio não poderão competir
por Santa Rosa de Lima. Felizmente, nossos meninos e meninas poderão participar da competição a
convite de municípios vizinhos. Os garotos farão parte da delegação de São Martinho. E as garotas, da
de Rio Fortuna. Obrigado aos vizinhos por nos acolher.
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Santa Rosa de Lima, Julho/2014, Canal SRL
que a cópia fosse entregue, como havia
anunciado o presidente, “sem discussão”.
Mas não foi o que ocorreu. Repetiu-se o
“circo” de colocar em votação para o plenário decidir. Resultado: 5 votos (da situação) contrários e 4 votos (da oposição)
favoráveis. Solicitação rejeitada. E o presidente ainda não quer receber nenhuma
crítica. Pode?
Lampejo de transparência
Na edição de junho este Macau comentou, em duas notas, o que parecia um
avanço rumo à transparência no legislativo municipal. Pelo que havia sido anunciado, as atas e gravações das sessões passariam a estar disponíveis aos vereadores.
Ao que parece, a mesa da Câmara não
aceitou bem tais considerações. Em sessão seguinte, o presidente daquela casa
fez duras críticas a este porquinho, por
ter abordado o assunto. Insisto: a Câmara
de Vereadores é a casa do povo e como
tal deveria ser tratada. Especialmente por
quem tem a responsabilidade de conduzi-la.
Apatia
A Câmara de Vereadores como poder
constituído deve se pautar por bons e
acalorados debates em torno de projetos
e ações para o bem do município. Não é o
que se tem visto nos últimos tempos aqui
em Santa Rosa de Lima. É um marasmo
só! É falta de assunto? É falta de projetos?
São outros problemas?
Na dúvida, como Macau vive fuçando
e se metendo onde não é chamado, apresenta-se uma sugestão para fazer a casa
trabalhar. Lembrem-se da elaboração do
plano diretor. E lembrem-se que é função
do legislativo fiscalizar e acompanhar de
forma permanente as ações do Executivo
municipal e a aplicação, que ele faz, dos
recursos públicos.
(Re) Mergulho nas trevas
Parece que o “surto de transparência”
da mesa diretora da Câmara durou pouco.
Aquilo que foi anunciado com destaque
em uma sessão, já foi negado em seguida. Na sessão de 24 de junho, a vereadora Edna Bonetti solicitou cópia da ata de
sessão anterior. O esperado por todos era
Convidado a acompanhar
Naquela mesma sessão de 24 de junho, outro assunto chamou a atenção.
Um requerimento do Senhor Presidente
da casa foi submetido à votação do plenário. Ele solicitava à vereadora Edna Bonetti
que apresentasse um demonstrativo dos
itens conseguidos por ela junto à Funda-
ção Nova Vida para doação ao grupo da
Terceira Idade. A resposta da vereadora
Edna foi convidar o presidente para que
participasse das próximas entregas aos
beneficiários.
Este Macau já comeu um livrinho com
o regimento daquela casa e estranhou o
procedimento do presidente. Será que é
só para parecer que tem pauta? Isso não
deveria ser tratado como um assunto interno e tratado administrativamente? Ou
é transparência seletiva?
Desgovernado
O Macau ouviu diversas opiniões e
concorda: a mesa diretora da Câmara está
“meio” perdida na condução dos trabalhos. A função da mesa é conduzir e dar
celeridade aos trabalhos daquela casa. Ao
que parece, há a necessidade de um bom
estudo da legislação que rege o funcionamento dos legislativos municipais. Tanto
membros da mesa quanto assessores
vêm “atropelando” o regimento e fazendo
interpretações equivocadas das regras do
jogo. É melhor estudar o regimento e não
interpretá-lo “a força”.
Sugestão ao presidente (e a quem
interessar)
É nos momentos de conflitos e de tomadas de decisões importantes que se
revelam os líderes. Nesses instantes é que
se mostra a capacidade de agir com reserva, prudência e equilíbrio. Para usar uma
velha frase, “cautela e caldo de galinha não
fazem mal a ninguém”. Infelizmente, não é
o que se tem visto na presidência do poder
legislativo santarosalimense. Houve acerto
quando se escreveu neste Canal SRL que
o atual presidente era um homem de sorte, já que sucedia uma gestão desastrosa
na Câmara. Mas o atual dirigente não está
colaborando com a sorte. E ele pode surpreender a todos fazendo o que parecia
impossível: uma gestão ainda pior.
Apelo aos cidadãos
Você, leitor costumeiro deste porco
banha, acha que estou dando muito espaço (e bola) para a Câmara? Mas com uma
paciência porcina eu pergunto: Você tem
acompanhado as sessões? Tem acompanhado o que está fazendo o vereador que
ajudou a eleger? Aprova o que o ele está
fazendo? Por que, “uma hora dessas”, não
vai lá dar uma olhadinha em como estão
as sessões? Que tal acompanhar o trabalho daqueles que têm o dever de nos
representar?
Esgotado o tempo regulamentar...
Já se passaram quase dois meses da
Gemusefest e não se ouviu nada sobre a
prestação de contas da festa. A pergunta
é: quando ela vai ser apresentada? Ou não
vai?
Outro dia, um cidadão lembrou esse
Macau que, em 2012, dois dias após a
Gemüsefest, havia em cima da mesa de
cada vereador um relatório detalhado
da festa. Todos puderam conferir. Isso é
transparência. Perguntar não ofende: a
prestação de contas sai ou não sai?
O que temos a ver com a sustentabilidade?
O cartaz que você está recebendo junto com o jornal é para lembrar o compromisso que temos com a terra onde vivemos. Querendo ou não, todos nós somos
afetados pelo ambiente. Assim como nossos filhos e netos o serão. Prenda o cartaz
numa parede de sua casa, onde possa vê-lo todos os dias.
Nós, que moramos em Santa Rosa de Lima, temos um compromisso maior porque nosso município é conhecido e ostenta o título oficial de “Capital Catarinense
da Agroecologia”.
Podemos nos orgulhar disso pois esse título nos enobrece e também nos ajuda
quando apresentamos as demandas de nosso município. Mas precisamos ser coerentes porque caso contrário o titulo perde seu valor.
Santa Rosa de Lima produz cerca de uma tonelada de lixo por dia. Se for jogado
em qualquer lugar volta para nossa casa através de ratos, moscas, mosquitos, além
de tornar feio o lugar onde vivemos.
A água e a energia não saem da parede, na maior parte vêm dos rios. Não jogar
lixo e dejetos nas águas e poupar energia é portanto uma atitude positiva, que vai
merecer o aplauso de todos que se preocupam com a natureza.
Plástico vem do petróleo que não é renovável mas é poluente. Já somos levados
a usar derivados do petroleo nos carros, nos tratores. Mas evitar o uso do saco
plástico nas compras está ao nosso alcance imediato.
Consumir produtos orgânicos produzidos aqui mesmo na região é bom para
nossa saúde, para a saúde de nossos visitantes e para nossa economia.
Nossas matas, nossos animais, nossas cachoeiras são motivo para atrair visitantes e desenvolver o agroturismo, fonte de renda e progresso. Ajude a preservar
nossos recursos naturais valorizados.
Acostume-se a ouvir música sem aumentar muito o volume do som. Som alto
provoca poluição sonora e não é bom para sua saúde, afeta o músculo cardíaco.
Recicle seu lixo sempre que puder. A reciclagem devolve recursos naturais para
fabricar novos produtos retirando menos da natureza, além de economizar mais
água e energia, e aumentar a vida útil dos aterros sanitários.
Viver em harmonia com a natureza, fazer passeios na mata, tomar banho de
cachoeira, ir à praia, contemplar o pôr-do-sol, a lua cheia, colocar os pés no chão,
cultivar uma horta, um jardim, estudar e ler mais sobre seus temas de interesse
melhora a qualidade de vida e aumenta a longevidade.
Finalmente: se você testemunhar uma agressão ao ambiente fale com as autoridades, com os politicos que receberam seu voto, com este jornal comunitário.
Procure atuar de forma organizada, na escola, na associação a qual você pertence,
assumindo pelo menos uma ação concreta por mês para a melhoria ambiental da
comunidade. Assim fazendo mostraremos à todos que Santa Rosa de Lima faz por
merecer o título de Capital da Agroecologia.
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“O homem que nunca foi para uma coisa só”