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Diário Oficial Poder Legislativo
opinião
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
expediente
Verdadeiro herói
Presidente: Vaz de Lima
1º Secretário: Donisete Braga
2º Secretário: Edmir Chedid
Olimpio Gomes*
Foto de arquivo / Ag. Assembléia
Perdi um amigo. A sociedade, um escudo.
A família, um exemplo de pai, filho, esposo, irmão...
Sou policial militar e após quase 31 anos de profissão já
deveria ter me acostumado a enterrar os “amigos
de profissão”. Mas não, ainda continuo me
emocionando muito quando ouço o clarim soar
o toque fúnebre e mais um herói baixar sepultura
no Mausoléu dos Heróis da Polícia Militar, no
cemitério do Araçá, na capital paulista. E não foi
diferente às 17h do último sábado, 8/11, quando
foi sepultado o corpo do soldado Lamas, do 43º
BPM/M, morto a tiros de fuzil, na guerra travada
entre assaltantes de banco e policiais nas ruas da
zona norte, que resultou também na morte de um
jovem cidadão, que estava em sua moto, parado
num farol, e deixou dez policiais militares e um
bandido morto.
Lamas veio ao mundo com uma missão: proteger
vidas e trazer vidas ao mundo. Tanto que era o nosso recordista de
partos realizados em viaturas, 14 no total. Sujeito agradável, bom
de conversa, sempre com um sorriso amigo no rosto.
Cativava pela sua naturalidade. Tratava a todos muito bem e
com cortesia habitual. Eu o encontrava mais com um jaleco de
farmácia onde trabalhava na hora de folga do que uniformizado,
pois a farmácia fica no caminho de casa e dia sim dia e dia não eu o
via, buzinava ou dava uma rápida parada para ouvir dele um “tudo
bem chefe? Por aqui sem novidades!” E eu seguia meu caminho
como se o Lamas fizesse parte daquele cenário. Hoje, passei por
lá, buzinei na porta da farmácia, mas o Lamas não apareceu. Meu
olhar encontrou o do senhor João, proprietário da
farmácia, não pronunciamos uma palavra, mas uma
lágrima surgiu em seus olhos e outra nos meus.
Lamas não estará mais lá fisicamente, mas estará
para sempre na memória e no coração daqueles que
com ele conviveram.
Ele estava de serviço na Base Comunitária do
Tremembé e foi para a morte, ao ouvir no rádio que
haviam PMs baleados na ocorrência, não haveria
jeito de ser diferente a história. Se o tempo voltasse
1000 vezes, nas mil vezes o Lamas procederia da
mesma forma: jamais se omitiria ou avaliaria o
seu risco pessoal deixando seus companheiros
sem apoio.
“Os covardes nunca tentam, os fracassados
nunca terminam, os vencedores nunca desistem.”
Você é vencedor Lamas!
Você é meu herói!
*Olimpio Gomes é deputado estadual pelo Partido Verde e major
da Polícia Militar do Estado de São Paulo
A greve da Polícia Civil, a mais mal
paga do país
Carlos Giannazi*
Foto de arquivo / Ag. Assembléia
A mobilização dos servidores integrantes da carreira da Polícia
Civil em defesa de salários dignos, condições adequadas de
trabalho e investimentos em Segurança Pública revelou, para todos
nós, a falência das desastradas políticas salariais adotadas para os
servidores públicos do Estado de São Paulo, que no geral não têm
reajuste há mais de 14 anos.
A falta de respeito à data-base salarial, garantida por lei
estadual, e a falta de diálogo com os servidores e suas entidades
representativas têm sido a marca do governo e as principais causas
da greve da Polícia Civil, a mais mal paga do Brasil,
que já dura mais de 50 dias.
Como o governo não tem a menor intenção de
atender as justas reivindicações dos servidores e
valorizar a carreira, tornando-a mais atraente,
ele vem desqualificando o movimento legítimo
e constitucional dos policiais, ora dizendo que
é dirigido por partidos da oposição com caráter
eleitoral, ora argumentando que as entidades
que representam os servidores são muitas e não
chegam a um acordo entre elas. Ressaltamos
também que há um caráter repressivo do governo
estadual ao afastar e transferir vários delegados
(de seus postos) que aderiram à greve, jogar
a Tropa de Choque da Polícia Militar contra a
manifestação pacífica que ocorreu nas imediações do Palácio dos
Bandeirantes no dia 13 de outubro e, depois, tentar enganar a
opinião pública dizendo que existe uma briga entre as duas polícias
para tirar o foco das reivindicações dos servidores; até o caso da
morte da menina Eloá, de Santo André, foi instrumentalizado pelo
governo a fim de desviar a atenção da crise, que já se arrasta a
níveis críticos por falta de gestão do Estado.
Numa outra manobra palaciana, uma liminar na Justiça paulista
foi ganha pelo governador José Serra e proibiu a veiculação
de um informativo de 34 segundos no horário nobre da Rede
Globo, redigido pelos servidores da Polícia Civil, para dar a versão
deles sobre a verdade dos fatos em relação à paralisação. Esse
procedimento se caracterizou num verdadeiro atentado à liberdade
de expressão, de opinião e de manifestação. De que o Executivo
tinha medo? Da voz dos servidores?
A última tentativa para esvaziar o movimento soou patética
quando o governo, sem dialogar mais uma vez com as entidades
dos servidores e com todos os deputados da
Assembléia Legislativa, apresentou uma proposta
de antecipação de reajuste de 6,5% para novembro
deste ano e outros 6,5% para novembro de 2009.
Mesmo com um excesso de arrecadação em
2008 de quase R$ 8 bilhões e com apenas 38%
de investimento na folha de pagamento dos
servidores, distante ainda do limite prudente da
Lei de Responsabilidade Fiscal que autoriza o
investimento de 49%, o governador José Serra segue
intransigente e só pensando em fazer caixa para as
grandes obras de visibilidade política eleitoral a fim
de tentar ser presidente em 2010.
Os mais de 40 milhões de habitantes do nosso
Estado, que tanto necessitam de uma polícia
profissional, competente e bem remunerada, exigem investimento
em segurança, que só existirá se houver a valorização dos seus
verdadeiros protagonistas: os servidores da Segurança Pública.
*Carlos Giannazi é deputado estadual e líder do PSOL na
Assembléia Legislativa
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