Mesa-redonda portuguesa (nível 2) - Acta Realizada na terça-feira, 8 de Janeiro de 2008, em Lisboa Participantes: Orlando Carvalho (LPFP); José Luís Costa (AGAP); João Paulo Rocha Martins (APECATE); Rita Pinto (CPAT); António Meyrelles (CPCCRD); Carlos Alberto Paula Cardoso (CDP/ENGSO); Daniel Oliveira (APOGESD); Vanda Fonseca (UGT). Organizadores: Emilie Coconnier (EASE); Marjolein Oorsprong (EURO-MEI); Eric Lankers (WOS); Michel Jansma (FNV-Sport). Ver anexo 1 1- Boas-vindas Em nome dos parceiros do projecto Row the BoaT, Marjolein Oorsprong abriu a sessão, deu as boas-vindas e fez os agradecimentos a todos os participantes. Agradeceu igualmente às pessoas que ajudaram a organizar esta mesa-redonda, especialmente Cristina Almeida da IDP. Trata-se da quinta de seis mesas-redondas organizadas pelo projecto Row the BoaT (projecto RBT). Fez uma breve apresentação dos organizadores. 2- Informações práticas Foram distribuídos alguns documentos: folhas de presença, folhas de dados de contacto e o folheto informativo do projecto. As folhas de dados de contacto são muito importantes para que os organizadores possam contactar os parceiros sociais em Portugal e actualizar a base de dados do RBT. 3- Breve apresentação dos resultados Marjolein Oorsprong recordou que os participantes e organizadores debaterão o diálogo social no desporto durante todo o dia. O diálogo social nacional, por um lado, com a apresentação da situação nos Países Baixos e, especialmente, uma boa parte do tempo Mesa-redonda portuguesa do RBT - 8 de Janeiro de 2008 - Acta 1 para debater o diálogo social no desporto em Portugal, e o diálogo social europeu, por outro, visto que uma das missões do projecto RBT que consiste em pedir à Comissão Europeia que crie um comité do diálogo social europeu para o sector do desporto. Os organizadores farão prova da sua própria experiência de desenvolvimento de um diálogo social formal a nível nacional e apresentarão aos participantes as vantagens de estar filiado a nível europeu. Esperam que esta reunião lhes permita obter uma visão geral clara da situação do diálogo social em Portugal. Aguarda-se dos participantes que incentivem o diálogo social a nível nacional, procedam ao intercâmbio da situação do diálogo social nos diferentes Estados-Membros da UE, consigam obter uma visão geral clara da situação do diálogo social europeu e fiquem convencidos da necessidade de se envolver no diálogo social europeu. Ver anexo 2 4- Apresentação dos oradores e organizadores Os organizadores apresentaram-se e pediram aos participantes que fizessem o mesmo. Emilie Coconnier trabalha para a EASE (EASE é o projecto líder). Eric Lankers trabalha para a WOS, que é a organização dos empregadores das federações desportivas nos Países Baixos. Marjolein Oorsprong representa a EURO-MEI, que faz parte do grupo de gestão do projecto. E Michel Jansma é chefe do departamento de negociação de FNV-Sport, que é membro da EURO-MEI e parceiro do projecto. A EASE representa organizações de empregadores a nível europeu: o seu objectivo é “melhorar os aspectos sociais ligados às questões comerciais a nível europeu em todos os desportos, incluindo os sectores do desporto profissional e comercial e do voluntariado no desporto”. Têm como principais missões compreender e defender os direitos e os interesses materiais e morais dos seus membros, trabalhar juntos para assegurar o desenvolvimento harmonioso do sector do desporto, participar no comité do diálogo social do desporto a nível europeu e negociar, a nível europeu, em nome dos empregadores no mundo do desporto. A EURO-MEI representa organizações de trabalhadores a nível europeu: faz parte da UNIEuropa, a Região Europeia da Rede Internacional de Sindicatos (UNI), que representa 7 milhões de membros sindicalizados nos sectores dos serviços e da comunicação. A EURO-MEI, que representa os trabalhadores dos sectores da comunicação social, do entretenimento e das artes, incluindo os desportos, é a única organização capaz de representar os trabalhadores do desporto a nível europeu. Tem conhecimentos e experiência noutros comités sectoriais do diálogo social. Ver anexo 2 5- Expectativas dos participantes e apresentação, a nível europeu, tanto do diálogo social como do projecto RBT Esta mesa-redonda reúne 8 participantes interessados, tanto empregadores como trabalhadores, que representam diferentes subsectores do desporto. Os participantes acalentam a esperança de progresso do diálogo social. Entre as suas intervenções, foram abordadas questões sobre: • • • O que se passa no desporto a nível europeu? O que se passa fora de Portugal? Conhecer melhor o diálogo social. Os organizadores estão muito satisfeitos com o início do diálogo social no sector da condição física (fitness): os representantes dos empregadores e dos trabalhadores encontraram-se na mesa-redonda e mostraram-se muito interessados na renovação deste contacto no futuro. Mesa-redonda portuguesa do RBT - 8 de Janeiro de 2008 - Acta 2 Para responder a algumas preocupações gerais, Marjolein Oorsprong expôs: - A situação das relações sociais no sector do desporto nos Estados-Membros da UE o Organizações de trabalhadores e de empregadores activas nos subsectores do desporto o Acordos colectivos nacionais em matéria de desporto nos Estados-Membros - O diálogo social a nível europeu o Quadro jurídico o Comités sectoriais do diálogo social o Organizações representantes a nível da UE o Objectivos de um comité do diálogo social desportivo o Desafios para os parceiros sociais do sector do desporto o Livro Branco sobre o Desporto Emilie Coconnier expôs: - O projecto RBT o A parceria e os objectivos do projecto o A sua estrutura e os 3 níveis o Os resultados esperados Ver anexo 2 6- Diálogo social no desporto nos Países Baixos Eric Lankers e Michel Jansma apresentaram sucessivamente a sua organização, as características do sector, a estrutura do diálogo social no desporto nos Países Baixos e o seu acordo colectivo (AC) nacional, incluindo os seus principais temas. Michal Jansma também explicou os esforços envidados para “alargar” o sector (a fim de incluir igualmente a condição física e actividades ao ar livre) e o início do fundo de pensão para o voluntariado no desporto e a condição física. Explicou igualmente que a FITVAK (a organização neerlandesa de clubes de condição física) não quer ser uma organização de empregadores. Informa os membros como fazerem a sua publicidade, quais são os exercícios “mais em voga”, mas não deseja negociar acordos colectivos. Os participantes fizeram algumas perguntas sobre a situação do futebol nos Países Baixos: subscreve o acordo colectivo nacional? Michel Jansma respondeu que há um acordo colectivo para os jogadores de futebol profissional (eles têm o seu próprio sindicato: o VVCS), mas o acordo colectivo não se ocupa dos outros trabalhadores dos clubes de futebol profissional. Há igualmente AC separados para treinadores e árbitros. Também há um AC para os trabalhadores das piscinas e outro para (alguns) trabalhadores do subsector de actividades ao ar livre. Um dos participantes perguntou: “Qual é o papel da Associação Europeia de Saúde e Condição Física (EHFA)”? Emilie Coconnier explicou que a EHFA é o organismo de normalização da indústria europeia da saúde e da condição física. É uma organização sem fins lucrativos, que existe para apresentar e promover o papel da formação em condição física como uma actividade capaz de melhorar as condições de saúde e sociais. A EHFA divide-se em 5 grupos de trabalho e comissões principais, nomeadamente a Rede Europeia da Comissão dos Empregadores de Condição Física. A EHFA é membro da comissão da EASE para a condição física. A FITVAK é membro da EHFA, mas, como já foi explicado, as condições empregadores/trabalho não são da sua responsabilidade. Ver anexo 2 Mesa-redonda portuguesa do RBT - 8 de Janeiro de 2008 - Acta 3 7- Perguntas e observações Numa discussão muito animada, vieram ao cima vários assuntos: • Não há uma definição do sector do desporto em Portugal; quais são os limites do subsector das actividades ao ar livre? • Em Portugal, a função é “primordial” e não o facto de trabalhar no sector; assim, um advogado de um clube desportivo tem o AC dos advogados, etc. • 90% dos trabalhadores no sector do desporto não são membros de nenhum sindicato; o que é um emprego no sector do desporto? Muitos trabalhadores trabalham a “recibos verdes”, o que significa, na realidade, que trabalham sem contracto, logo sem protecção. Será que o seu emprego ainda conta como tal? • No futebol profissional há 4 AC nacionais: jogadores; treinadores, administração e jogos de azar. • O andebol e o basquetebol também são profissionais e bem organizados; mas não há AC, como acontece no futebol. • Em Portugal, os desportistas têm uma posição definida na lei; não é esse o caso em França nem nos Países Baixos. • Trabalhar no subsector das actividades ao ar livre exige muitas vezes lidar com 4 ministérios: turismo, desportos, defesa e saúde, cada qual com os seus próprios regulamentos. • As instruções para a condição física não têm protecção, profissão nem contrato. Trabalha-se a recibos verdes. A única profissão no desporto é a de professor de Educação Física. • O sector do desporto está subrepresentado na UGT. Por conseguinte, apenas alguns trabalhadores do sector estão abrangidos pelo AC. • O AC não é obrigatório. Só os membros das federações de empregadores que assinam o AC têm de se conformar com ele. E, na falta de AC, aplica-se a legislação laboral em vigor. • Os dirigentes desportivos não têm identidade distinta. 8- Comité do Diálogo Social Sectorial Europeu Para concluir esta mesa-redonda, após a discussão de uma série de aspectos da situação portuguesa, Marjolein Oorsprong explicou como está estruturado o diálogo social europeu. Deu uma ampla visão geral da situação do diálogo social a nível europeu, como está organizado com sessões plenárias e grupos de trabalho, quais são os meios disponibilizados pela Comissão Europeia e quem são os parceiros sociais a nível europeu no sector MEI (comités de diálogo social existentes para actuações em directo e o audiovisual) e em mais alguns sectores. Com esta apresentação, os organizadores explicaram o que pretendem da criação de um comité do diálogo social europeu para o sector do desporto. Ver anexo 2 9- Informação sobre o projecto RBT de reunião informal do diálogo social e convite para a conferência final e conclusões Marjolein Oorsprong deu a reunião por encerrada, depois de anunciar as etapas finais do projecto, que são a reunião informal do diálogo social e a conferência final do projecto, a realizar em 7 e 8 de Fevereiro de 2008. Todos os presentes estão convidados a participar nessa conferência. Os organizadores agradecem a presença de todos os participantes e desejam-lhes um bom regresso a casa. Mesa-redonda portuguesa do RBT - 8 de Janeiro de 2008 - Acta 4