Escola Superior de Tecnologia e Gestão Instituto Politécnico da Guarda RELATÓRIO DE ESTÁGIO TIAGO MIGUEL MORAIS CABRAL RELATÓRIO DE ESTÁGIO PARA INGRESSO NA ORDEM DOS ENGENHEIROS TÉCNICOS EM ENGENHARIA TOPOGRÁFICA Novembro/2012 Gesp.010.01 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica FICHA DE IDENTIFICAÇÃO Estagiário: Tiago Miguel Morais Cabral Número: 1008566 Escola: Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Curso: Engenharia Topográfica Instituição: Câmara Municipal do Sabugal Morada: Praça da República, 6324-007 Sabugal Localidade: Sabugal, Guarda Telefone: 271 751 040 Fax: 271 753 408 E-mail: [email protected] Supervisor – Instituição: Engª Ana Isabel Soares Carreira Cargo/Função: Técnico Superior Inscrito na Ordem Profissional: OET (N.º Membro: 22986) E-mail Profissional: [email protected] Orientador – Escola: Engª Eufémia da Glória Rodrigues Patrício Cargo/Função: Docente do IPG - Escola Superior de Tecnologia e Gestão E-mail Profissional: [email protected] Início do Estágio: 14 de Maio de 2012 Fim do Estágio: 14 de Novembro de 2012 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | I Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica PLANO DE ESTÁGIO Caracterização das actividades a desenvolver durante o estágio: Recolha de dados pelo método DGPS (Differential Global Positioning System) e integração em geodatabase \ shapefile. Georreferenciação de números de polícia, contadores, ramais de água e de esgoto, placas de toponímia, entre outros. Tratamento e processamento de toda a informação utilizando o software ArcMap. Coordenação de pontos da Rede Topográfica Municipal recorrendo ao sistema GNSS (Global Navigation Satellite System) pela metodologia de pós-processamento. Utilização de software, TBC (Trimble Bussines Center), para tratamento de dados. Realização de levantamentos topográficos recorrendo à utilização de Estações Totais e a um Receptor GNSS. Utilização do software AutoCAD Civil 3D para importação e tratamento de dados recolhidos em campo. Desenho e cálculo de curvas de nível. Desenho 3D de arruamentos para auxilio no licenciamento de obras particulares. Representação tridimencional de edifícios recorrendo a levantamentos arquitetónicos e ao registo fotográfico para o dimensionamento e aplicação de texturas. Utilização dos softwares AutoCAD Civil 3D e Google SketchUp. Reconstituição 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho (Secs. XII - XIII). Planeamento, metodologia e reconstituição tridimensional do edificado da aldeia. Utilização dos softwares AutoCAD 3D Modeling e Google SketchUp. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | II Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica RESUMO O presente relatório consiste na descrição de um estágio extracurricular realizado no Gabinete de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) da Câmara Municipal de Sabugal. Ao longo do estágio foram desenvolvidos diversos trabalhos no domínio da Topografia, dos Sistemas de Informação Geográfica, do Urbanismo e da Arqueologia. Alguns exemplos desses trabalhos foram o Cadastro de Infra-Estruturas Hidráulicas de Abastecimento de Água e de Drenagem de Águas Residuais, o Planeamento e Cálculo da Rede Topográfica Municipal, os Levantamentos Topográficos, o Desenho 3D de Edifícios e a Reconstituição 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho (Secs. XII-XIII). Este relatório tem como principal objectivo reunir os trabalhos mencionados anteriormente, na perspectiva de ser utilizado como manual de consulta, onde são apresentados os procedimentos para a realização de cada um deles. Palavras-chave: shapefile, coordenadas, levantamento, 3D, reconstituição. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | III Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica AGRADECIMENTOS Ao Gabinete de Sistemas de Informação Geográfica da Câmara Municipal de Sabugal, em particular à orientadora de estágio na Instituição, Engenheira Topógrafa Ana Carreira, que sempre se mostrou disponível para ajudar e apoiar no que fosse necessário. Ao Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Sabugal, na pessoa do Arqueólogo Marcos Osório, pela sua disponibilidade e colaboração no trabalho de Reconstiuição 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho. À orientadora de estágio, Docente na Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda (IPG), Engenheira Geógrafa Eufémia da Glória Patrício, pela sua disponibilidade e orientação na realização deste relatório. Aos meus pais e irmão pelo apoio incondicional. A todos o meu Bem-Haja. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | IV Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica ÍNDICE GERAL 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 1 1.1 Caracterização sumária da Instituição e do Concelho ............................................... 3 1.2 Organização Interna da Câmara Municipal ............................................................... 4 1.3 Equipamento utilizado ............................................................................................... 5 1.3.1 Magellan MobileMapper CX ............................................................................... 5 1.3.2 Receptor Trimble R6/5800 GNSS ........................................................................ 6 2 CONCEITOS TEÓRICOS ............................................................................................... 8 2.1 Superfície de Referência ........................................................................................... 8 2.1.1 Modelo Real ......................................................................................................... 8 2.1.2 Modelo Geoidal .................................................................................................... 8 2.1.3 Modelo Esférico ................................................................................................. 10 2.1.4 Modelo Elipsoidal ............................................................................................... 11 2.1.5 Modelo Plano ...................................................................................................... 12 2.2 Ondulação Geoidal .................................................................................................. 13 2.3 Data geodésicos ....................................................................................................... 14 2.3.1 Datum geodésico global ...................................................................................... 15 2.3.2 Datum geodésico local ....................................................................................... 15 2.4 Rede Geodésica Nacional (RGN) ........................................................................... 19 2.5 Sistemas Globais de Posicionamento e Navegação por Satélite (GNSS) ................ 22 2.5.1 Global Positioning System (GPS) ....................................................................... 22 2.5.2 Globalnaya navigatsionnaya sputnikovaya sistema (GLONASS) ...................... 31 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | V Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.5.3 Galileo (GALILEO) ........................................................................................... 32 2.6 Rede Nacional de Estações Permanentes GNSS (RENEP) .................................... 33 2.7 Levantamentos Topográficos................................................................................... 34 2.8 Modelos Digitais de Terreno ................................................................................... 36 3 TRABALHOS REALIZADOS NO ÂMBITO DO ESTÁGIO ...................................... 38 3.1 TOPOGRAFIA E SIG ............................................................................................ 38 3.1.1 Redes de Saneamento Básico.............................................................................. 38 3.1.2 Rede Topográfica Municipal .............................................................................. 62 3.1.3 Levantamentos Topográficos ............................................................................ 101 3.2 PLANEAMENTO URBANO ............................................................................... 121 3.2.1 Desenho 3D de Edifícios .................................................................................. 121 3.3 ARQUEOLOGIA ................................................................................................. 126 3.3.1 Reconstituição Urbana em 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho ........... 126 3.3.2 Metodologia ..................................................................................................... 127 3.3.3 Critérios de reconstituição ................................................................................ 130 4 CONCLUSÕES ........................................................................................................... 141 5 BIBLIOGRAFIA ......................................................................................................... 143 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | V I Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica ÍNDICE DE FIGURAS Fig. 1 – Brasão da Cidade do Sabugal. .................................................................................. 3 Fig. 2 – Enquadramento do concelho no país. ....................................................................... 4 Fig. 3 – Concelho do Sabugal. ............................................................................................... 4 Fig. 4 – Magellan MobileMapper CX. .................................................................................. 5 Fig. 5 – Receptor Trimble R6/5800 GNSS. .......................................................................... 6 Fig. 6 – Representação da forma da Terra construída por meio de imagens de radar (ERS-1) pela Agência Espacial Europeia, 1995. ................................................................................. 8 Fig. 7 – Modelo computacional representativo da forma do Geóide (Agência Espacial Francesa, 1969)...................................................................................................................... 9 Fig. 8 – Modelo esférico da Terra. ...................................................................................... 10 Fig. 9 – Modelo elipsoidal da Terra. ................................................................................... 11 Fig. 10 – Representação da pequena influência da curvatura da Terra em uma área de 10 km, e que possibilita a utilização de um modelo plano para a Terra. .................................. 12 Fig. 11 – Comparação entre a superfície física (topográfica), o geóide e o elipsoide. ........ 12 Fig. 12 – Fórmula da Ondulação Geoidal (N). .................................................................... 13 Fig. 13 – Coordenadas geodésicas diferentes para o mesmo ponto, consoante o datum utilizado. .............................................................................................................................. 14 Fig. 14 – Datum geodésico global. ...................................................................................... 15 Fig. 15 – Datum geodésico local. ........................................................................................ 16 Fig. 16 – Comparação entre a finalidade de cada tipo de datum. ........................................ 16 Fig. 17 – Rede Geodésica Nacional (1ª, 2ª e 3ª ordem)....................................................... 20 Fig. 18 – Triângulação de una rede geodésica no terreno e na superfície de referência. .... 20 Fig. 19 – Esquema representativo do cálculo de uma coordenada (C)................................ 21 Fig. 20 – Esquema do Sistema de Posicionamento. ............................................................ 23 Fig. 21 – Comparação entre um bom PDOP (esq.) e um mau PDOP (dir). ........................ 25 Fig. 22 – Exemplo do efeito de multitrajecto. ..................................................................... 26 Fig. 23 – Efeitos atmosféricos. ............................................................................................ 27 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | V II Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 24 – Ficheiro DWG com desenho da Rede de Águas Residuais. ................................ 38 Fig. 25 – Catálogo de características gráficas. .................................................................... 39 Fig. 26 – Ficheiro com a Rede de Águas Residuais. ........................................................... 40 Fig. 27 – Importação do ficheiro DWG com a Rede de Águas Residuais. ......................... 41 Fig. 28 – Exportação de layers do ficheiro DWG para shapefile. ....................................... 42 Fig. 29 – Definição do directório onde vai ser guardado o shapefile. ................................. 42 Fig. 30 – Procedimento para editar o layer “Rede (Esgotos)”............................................. 43 Fig. 31 – Selecção dos elementos do layer “Polyline”. ....................................................... 44 Fig. 32 – Cópia de elementos entre shapefiles. ................................................................... 45 Fig. 33 – Acesso à tabela de atributos. ................................................................................ 46 Fig. 34 – Visualização dos elementos seleccionados e a opção “Field Calculator…”. ...... 47 Fig. 35 – Introdução do registo “C” para a coluna “Tipo”. ................................................. 48 Fig. 36 – Tabela após a alteração realizada à coluna “Tipo”. .............................................. 48 Fig. 37 – Visualização das condutas principais e caixas de visita após as alterações. ........ 49 Fig. 38 – Procedimento para tornar visível a informação do ID do consumidor e da localização da caixa domiciliária de esgoto. ....................................................................... 51 Fig. 39 – Janela “Layer Properties”. ................................................................................... 52 Fig. 40 – Inserção da expressão. .......................................................................................... 53 Fig. 41 – Marcação dos pontos de caixas domiciliárias de esgoto. ..................................... 54 Fig. 42 – Inserção do ID do consumidor na tabela do layer “Cx-domiciliaria”.................. 55 Fig. 43 – Desenho do ramal de esgoto e a barra de ferramentas “Snapping”. .................... 56 Fig. 44 – Ferramentas de edição de dados que respeitam regras topológicas. .................... 57 Fig. 45 – Ferramenta “Split Tool”. ...................................................................................... 58 Fig. 46 – Corte do colector. ................................................................................................. 59 Fig. 47 – Vista final da Rede de Águas Residuais. ............................................................. 59 Fig. 48 – Desenho da conduta de distribuição. .................................................................... 60 Fig. 49 – Vista de uma zona da rede onde foram desenhados os ramais domésticos.......... 61 Fig. 50 – Receptor Trimble R6/5800 GNSS........................................................................ 62 Fig. 51 – Colocação das marcas provisórias em gabinete. .................................................. 63 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | V III Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 52 – Configuração das opções de impressão. ............................................................... 64 Fig. 53 – Escala de impressão e ajustamento do viewport. ................................................. 65 Fig. 54 – Colocação do Norte Cartográfico. ........................................................................ 65 Fig. 55 – Colocação da escala numérica.............................................................................. 66 Fig. 56 – Pré-visualização da folha depois de impressa. ..................................................... 67 Fig. 57 – Impressão da folha. .............................................................................................. 67 Fig. 58 – Criação de um novo trabalho e selecção da template. ......................................... 69 Fig. 59 – Manter o Sistema de Coordenadas do ficheiro de trabalho. ................................. 70 Fig. 60 – Selecção dos pontos a importar. ........................................................................... 71 Fig. 61 – Visualização dos pontos importados e das Estações RENEP mais próximas. ..... 72 Fig. 62 – Selecção dos dias com os ficheiros RINEX disponíveis. ..................................... 73 Fig. 63 – Ficheiros RINEX correspondentes ao dia seleccionado. ..................................... 74 Fig. 64 – Linhas de base geradas. ........................................................................................ 75 Fig. 65 – Resultados de Processamento............................................................................... 76 Fig. 66 – Linhas de base processadas. ................................................................................. 77 Fig. 67 – Relatório dos resultados obtidos para cada ponto. ............................................... 78 Fig. 68 – Exportação das coordenadas dos pontos. ............................................................. 79 Fig. 69 – Inserção dos novos pontos (grelha verde) nas folhas do Excel. ........................... 80 Fig. 70 – Tabela com os últimos pontos inseridos. ............................................................. 81 Fig. 71 – Tabela com a descrição do local onde foi materializada a marca topográfica. .... 81 Fig. 72 – Importação da tabela dos últimos pontos coordenados. ....................................... 82 Fig. 73 – Selecção das “fields” a exportar para o shapefile. ................................................ 83 Fig. 74 – Exportação para shapefile. ................................................................................... 84 Fig. 75 – Procedimento de cópia entre tabelas de shapefiles. ............................................. 85 Fig. 76 – Vista final dos pontos das marcas topográficas. .................................................. 85 Fig. 77 – Selecção dos últimos pontos coordenados a serem incluídos na planta. .............. 86 Fig. 78 – Propriedades de formatação da simbologia do ponto. ......................................... 87 Fig. 79 – Selecção do símbolo e cor para o ponto. .............................................................. 87 Fig. 80 – Definição da escala e centralização do mapa. ...................................................... 88 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | IX Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 81 – Visualização final da ficha da marca topográfica. ............................................... 89 Fig. 82 – Exportar as fichas para PDF. ................................................................................ 90 Fig. 83 – Área limite do concelho. ...................................................................................... 91 Fig. 84 – Conversão do layer para KML no ArcToolbox. ................................................... 92 Fig. 85 – Exportação para KML da área limite do concelho. .............................................. 93 Fig. 86 – Visualização dos dois ficheiros KML no Google Earth. ..................................... 94 Fig. 87 – Configuração gráfica da área limite do concelho. ................................................ 95 Fig. 88 – Configuração gráfica dos pontos. ......................................................................... 96 Fig. 89 – Vista final do concelho com as marcas topográficas. .......................................... 96 Fig. 90 – Criação da etiqueta da marca. .............................................................................. 97 Fig. 91 – Acesso ao código HTML. .................................................................................... 98 Fig. 92 – Inserção do código HTML para cada marca. ....................................................... 99 Fig. 93 – Etiqueta da marca topográfica. ............................................................................. 99 Fig. 94 – PDF da Ficha da marca topográfica. .................................................................. 100 Fig. 95 – Lista de códigos do gabinete de SIG para levantamentos topográficos. ............ 102 Fig. 96 – Selecção do template. ......................................................................................... 103 Fig. 97 – Inserção do nome para a lista de códigos dos símbolos. .................................... 104 Fig. 98 – Inserção dos códigos para a simbologia. ............................................................ 105 Fig. 99 – Inserção do nome para a lista de códigos das linhas. ......................................... 106 Fig. 100 – Inserção dos códigos para as linhas.................................................................. 107 Fig. 101 – Abrir e editar a base de dados. ......................................................................... 108 Fig. 102 – Escolha da base de dados para o desenho. ....................................................... 109 Fig. 103 – Importação do ficheiro de pontos. .................................................................... 110 Fig. 104 – Selecção da “Survey Network”. ........................................................................ 110 Fig. 105 – Opções finais de importação. ........................................................................... 111 Fig. 106 – Desenho automático gerado pelo programa. .................................................... 112 Fig. 107 – Janela com a lista de pontos referentes ao segmento da berma da estrada. ..... 113 Fig. 108 – Vista do ponto seleccionado sobre a polilinha. ................................................ 113 Fig. 109 – Pontos a incluir pela sua descrição nas curvas de nível. .................................. 114 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | X Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 110 – Criação da surface para as curvas de nível. ..................................................... 115 Fig. 111 – Representação da surface utilizando o grupo de pontos “CURVAS”. .............. 116 Fig. 112 – Criação de boundaries...................................................................................... 117 Fig. 113 – Vista final das curvas de nível.......................................................................... 117 Fig. 114 – Adicionar informação das cotas ortométricas às curvas de nível..................... 118 Fig. 115 – Opções da linha altimétrica. ............................................................................. 119 Fig. 116 – Vista Final do Levantamento Topográfico....................................................... 120 Fig. 117 – Simulação de novos projectos e tomada de decisões. ...................................... 121 Fig. 118 – Cartografia do ano de 2009, zona da Avenida das Tílias no Sabugal. ............. 122 Fig. 119 – Levantamento arquitectónico e topográfico dos edifícios da Avenida das Tílias no Sabugal. ........................................................................................................................ 123 Fig. 120 – Aplicação de texturas no Google Sketchup. ..................................................... 124 Fig. 121 – Ficheiro PDF 3D com a representação da avenida. ......................................... 125 Fig. 122 – Modelo tridimensional do povoado do Sabugal Velho. ................................... 126 Fig. 123 – Comando Extrude utilizado na criação e modelação dos sólidos durante o processo de reconstituição 3D das estruturas da planta. .................................................... 128 Fig. 124 – Aplicação de texturas às estruturas reconstituídas. .......................................... 129 Fig. 125 – Comparação entre o troço da muralha escavado e a textura usada na sua reconstituição. .................................................................................................................... 132 Fig. 126 – Um aspecto da primitiva entrada do povoado, com as duas linhas defensivas: a muralha de alvenaria interior e a cerca de terra batida. ..................................................... 133 Fig. 127 – Confronto entre o excerto da fotografia aérea de 1958 e a recente reconstituição das ruínas. .......................................................................................................................... 135 Fig. 128 – Conjunto edificado em torno de um pátio interno delimitado por muros. ....... 136 Fig. 129 – Pormenor da solução adoptada para a cobertura dos edifícios......................... 138 Fig. 130 – Idealização do aspecto que teria a rua principal do aglomerado. ..................... 139 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | X I Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Parâmetros do Datum Lisboa............................................................................. 17 Tabela 2 – Parâmetros do Datum 73. .................................................................................. 17 Tabela 3 – Parâmetros do Sistema PT-TM06 / ETRS89. .................................................... 19 Tabela 4 – Causa de erros e respectivos erros médios. ....................................................... 28 Tabela 5 – Relação entre Posicionamento e Precisão.......................................................... 30 R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | X II Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica LISTA DE ACRÓNIMOS CMS – Câmara Municipal do Sabugal DGPS – Differential Global Positioning System DOP – Dilution of Precision ETRS89 – European Terrestrial Reference System 1989 GDOP – Geometric Dilution of Precision GLONASS – Globalnaya Navigatsionnaya Sputnikovaya Sistema GNSS – Global Navigation Satellite System GPS – Global Positioning System GRS80 – Geodetic Reference System 1980 HDOP – Horizontal Dilution of Precision IGeoE – Instituto Geográfico do Exército IGP - Instituto Geográfico Português ITRS – Internacional Terrestrial Reference System KML – Keyhole Markup Language KMZ – Keyhole Markup Language Zipped LIDAR – Light Detection and Ranging MDT – Modelo Digital de Terreno NTRIP – Networked Transport of RTCM via Internet Protocol PDOP – Position Dilution of Precision RINEX – Receiver Independent Exchange Format RMS - Root Mean Squared RTCM – Radio Technical Commission for Maritime Services RENEP – Rede Nacional de Estações Permanentes RTK – Real-Time Kinematic SIG – Sistemas de Informação Geográfica VDOP – Vertical Dilution of Precision R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | X III Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 1 INTRODUÇÃO O que se pretende com o presente relatório é descrever os procedimentos a efectuar para a realização dos diversos trabalhos a seguir mencionados. Para o desenvolvimento de um Sistema de Informação Geografica é necessário manter uma geodatabase actualizada, tornando-se necessário fazer recolhas de dados em campo para depois serem processados em gabinete. Um dos trabalhos desenvolvidos no gabinete SIG é o levantamento das redes de abastecimento de água e de drenagem de águas residuais, de forma a manter a sua actualização a nível de cadastro e ter o máximo de conhecimento para facilitar a sua gestão. Como muitos dos projectos destas redes existiam apenas em formato de papel, tornou-se necessário passar toda esta informação para o formato vetorial e fazer a sua devida integração na geodatabase de forma a que esta estivesse disponível para consulta. Em campo foram levantados todos os componentes visíveis das redes pelo método DGPS, relativos a cada utilizador, nomeadamente contadores, ramais de água, caixas domiciliárias de esgoto e outras informações complementares como números de policia, placas de toponímia, entre outros, para não ser necessário, ter que ir a campo para completar a informação relativa à toponímia. Como exemplo deste tipo de trabalhos é apresentado o caso da freguesia das Quintas de São Bartelomeu, onde foi possível acompanhar todo o processo de recolha e tratamento de dados em gabinete. Outro projecto desenvolvido pelo gabinete de SIG é a Rede Topográfica Municipal, que tem como objectivo manter um conjunto de pontos coordenados em cada freguesia, de forma a garantir a georeferênciação dos trabalhos de topografia no concelho. Os pontos são coordenados recorrendo ao Sistema GNSS pela metodologia de pós-processamento. Para exemplificar este tipo de trabalhos é apresentado o caso da freguesia de Vila do Touro e de Abitureira. No decorrer deste estágio foram também realizados diversos levantamentos topográficos, nos quais foi aplicada a metodologia de trabalho de campo e de gabinete. Neste âmbito é apresentado o levantamento topográfico efectuado na freguesia de Peroficós que tinha como objectivo o apoio à construção de um recinto de festas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica O desenho 3D de edifícios foi uma ideia sugerida ao gabinete de SIG com o objectivo de se criar um registo cadastral de imóveis no concelho. Actualmente esta prática torna-se cada vez mais comum, uma vez que é uma importante ferramenta na tomada de decisões, relacionada com o planeamento urbano nas cidades. A ideia consistiu em fazer o aproveitamento dos perfis de arruamentos existentes e do registo fotográfico dos edifícios, realizados nas freguesias do concelho, a fim de criar para cada rua um modelo tridimensional representativo, com o rigor estético e volumétrico de cada edificio. Neste âmbito é apresentado o exemplo da Avenida das Tílias na cidade do Sabugal. Este modelo poderia ser integrado numa geodatabase, de forma a estar acessível aos técnicos das obras particulares, onde constassem os dados e o modelo representativo de cada edifício. A representação 3D para além de inventariar o presente e projectar o futuro, é tambem uma importante ferramenta na reconstituição do passado. Foi nesse sentido que foi sugerida a ideia de fazer uma reconstituição 3D da aldeia medieval do Sabugal Velho. Optou-se por esta estação arqueológica devido à grande quantidade de informação que foi recolhida durante as escavações. O principal objectivo desta reconstituição era apresentar ao público em geral uma perspectiva de como poderia ter sido aquela aldeia medieval, tendo em conta todas as descobertas e fundamentos históricos. Após esta introdução serão abordados alguns conceitos teóricos a ter em conta e cada um dos tópicos aqui apresentados. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 1.1 Caracterização sumária da Instituição e do Concelho O Sabugal é uma cidade portuguesa, pertencente ao Distrito da Guarda, Região Centro e sub-região da Beira Interior Norte com cerca de 1 900 habitantes. É sede de um município, subdividido em 40 freguesias, com uma densidade populacional de 15,17 hab./ km², tendo uma área de 826,70 km² e 12 544 habitantes (Censos 2011). O município é limitado a norte pelo município de Almeida, a este pela Espanha, a sul por Penamacor, a sudoeste Fig. 1 – Brasão da Cidade do Sabugal. pelo Fundão, a oeste por Belmonte e a noroeste pela Guarda. O Sabugal foi elevado a cidade em 9 de Dezembro de 2004. As freguesias do concelho do Sabugal são as seguintes: Águas Belas Pena Lobo Aldeia da Ponte Pousafoles do Bispo Aldeia da Ribeira Quadrazais Aldeia de Santo António Quintas de São Bartolomeu Aldeia do Bispo Rapoula do Côa Aldeia Velha Rebolosa Alfaiates Rendo Badamalos Ruivós Baraçal Ruvina Bendada Sabugal Bismula Santo Estêvão Casteleiro Seixo do Côa Cerdeira Sortelha Fóios Souto Forcalhos Vale das Éguas Inguias Vale de Espinho R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Lajeosa Valongo do Côa Lomba Vila Boa Malcata Vila do Touro Moita Vilar Maior Nave Fig. 2 – Enquadramento do concelho no país. Fig. 3 – Concelho do Sabugal. 1.2 Organização Interna da Câmara Municipal O estágio decorreu no edifício destinado à Divisão de Planeamento e Urbanismo, onde está instalado o Gabinete de SIG. A seguir é apresentado o organograma referente às várias divisões e serviços que fazem parte da Câmara Municipal do Sabugal. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 1.3 Equipamento utilizado O Gabinete de SIG tem à sua disposição diversos equipamentos que foram utilizados no decorrer do estágio. A seguir é apresentada uma descrição geral dos que foram utilizados na realização dos trabalhos aqui mencionados. 1.3.1 Magellan MobileMapper CX Fig. 4 – Magellan MobileMapper CX. Receptor portátil GPS que combina o levantamento profissional para SIG com as funcionalidades de um PDA. Com o sistema operativo da Microsoft Windows CE (NET 5.0), permite o desenvolvimento de software e está optimizado para correr programas de cartografia profissional baseados em base de dados SIG. Nesta unidade estão instalados programas como o ArcPad, Microsoft WordPad, Internet Explorer, Windows explorer, Activesync, Microsoft file viwers (excel, word e image viewers), Inbox-e-mail client, wireless LAN driver. Estão também integradas as tecnologias sem fios bluetooth (1.2) e WiFi, que permitem a transferência de dados com outros dispositivos, como PCs e telemóveis. - Receptor de 14 satélites paralelos e antena quadrifilar. - Ecrã táctil retroiluminado com resolução 320 x 240 com 262.144 cores. - Receptor interno SBAS (WAAS/EGNOS/MSAS). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica - Precisão submétrica em tempo real, com SBAS, ou com MM Beacon, e várias RTCM. - Precisão abaixo dos 30 cm, com pós-processamento. - Bateria Li-ion, com autonomia de 8 horas. Alimentação externa possível. - Memória interna SDRAM de 128 MB. Transferência de dados para o PC através da ligação à porta COM ou à porta USB, de bluetooth e de cartões de memória SD (máx 4GB, não HC SD). - Dimensões: 19,5 x 9 x 4,6 cm - Peso: 480gr (com a bateria). 1.3.2 Receptor Trimble R6/5800 GNSS Fig. 5 – Receptor Trimble R6/5800 GNSS. Precisão: Posicionamento por Código Diferêncial GPS: Horizontal: ± 0.25 m + 1 ppm RMS Vertical: ± 0.50 m + 1 ppm RMS WAAS, Precisão por Posicionamento Diferencial: Tipicamente < 5 m 3DRMS R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Levantamento em modo Estático e Rápido Estático: Horizontal: ± 5 mm + 0.5 ppm RMS Vertical: ± 5 mm + 1 ppm RMS Levantamento em modo Cinemático: Horizontal: ± 10 mm + 1 ppm RMS Vertical: ± 20 mm + 1 ppm RMS Rastreamento: 72 canais GPS L1 C/A Code, L2C, L1/L2/L5 Full Cycle Carrier, GLONASS L1 C/A Code, L1 P Code, L2 P Code, L1/L2 Full Cycle Carrier. 4 canais adicionais para SBAS. Apoio WAAS/EGNOS. Comunicação: Duas RS-232 Serial Ports Comunicações bluetooth através do controlador Trimble com suporte bluetooth. Dimensões: 19,0 x 11.2 cm Peso: 1,35 kg (bateria, rádio e antena). Bateria: 2,4 Ah (tempo de duração, variável com o modo de operação e temperatura ambiente, em média 4 horas). Os softwares utilizados foram: AutoCAD Civil 3D 2012 e 2008, ArcGIS 10, ArcPAD 10, Microsoft Office 2007, Trimble Business Center, Survey Controller, Google Earth e Google Sketchup 8. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2 CONCEITOS TEÓRICOS 2.1 Superfície de Referência No estudo da forma e dimensão da Terra, podemos considerar quatro tipos de superfície ou modelo: 2.1.1 Modelo Real O modelo real seria a forma exacta da Terra. No entanto, não existe modelagem matemática, ou seja, não pode ser definida matematicamente, devido às irregularidades da superfície terrestre. Como resolução do problema, para representar a superfície terrestre são utilizados os modelos de Geóide, Elipsoide, esférico e plano. Fig. 6 – Representação da forma da Terra construída por meio de imagens de radar (ERS-1) pela Agência Espacial Europeia, 1995. 2.1.2 Modelo Geoidal Permite que a superfície terrestre seja representada por uma superfície fictícia definida pelo prolongamento do nível médio da água dos mares por dentro dos continentes. Este foi R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica determinado matematicamente através de medidas gravimétricas (força da gravidade) realizadas sobre a superfície terrestre. A superfície Geoidal é irregular e inconstante, como resultado da distribuição desigual da massa da terra e da água, bem como pela acção da força gravitacional, dos movimentos internos e tectónicos da crosta, das forças centrífuga e centrípeta, gerada pelo movimento de rotação da Terra. Além disso, a superfície terrestre sofre frequentes alterações, devido à natureza (condições climáticas, erosão, terramotos, maremotos, etc.) e à acção do homem, o que leva a que seja uma superfície instável e inconstante, portanto, uma superfície que não serve para ser definida como uma forma sistemática, para representação da Terra. Uma superfície que sofre todas essas acções, das diferentes forças, torna-se disforme e de complexo desenvolvimento para servir de um modelo matemático, razão pela qual foram adoptadas superfícies geometricamente perfeitas, como superfícies de referência para servir de modelo à superfície da Terra. Fig. 7 – Modelo computacional representativo da forma do Geóide (Agência Espacial Francesa, 1969). Por outro lado, pode-se dizer que a superfície do Geóide é mais irregular do que a de um modelo geométrico que se escolher para ela, mas, por certo será consideravelmente mais suave do que a própria superfície física (topográfica) terrestre, pois enquanto o geóide varia apenas cerca de ± 100 m além da superfície da figura geométrica de referência (elipsóide) a superfície física varia entre os + 8.850 m (Monte Evereste) e −11.000 m (Fossa das R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Marianas). Assim, quanto mais fielmente se quiser moldar a forma do nosso planeta, através da adopção de superfícies teórica, mais complexa será a sua definição matemática. Deste modo, para facilitar os cálculos utilizam-se como superfícies de referência para representar a Terra, o esferóide, os elipsóides e até mesmo o plano, para modelá-la. 2.1.3 Modelo Esférico O modelo esférico apesar de ser utilizado quando não se requer alta precisão nos levantamentos, é também utilizado como solução analítica para todas as operações sobre a sua superfície, e que em determinadas condições de escala, é uma boa aproximação ao geóide. Este modelo não é utilizado para levantamentos cartográficos e geodésicos precisos, porém, é muito usado para cartografia de navegação e para a construção de mapas didácticos (turísticos e de comunicação). Para esta finalidade este modelo satisfaz plenamente as exigências de precisão na implantação dos pontos e traçados. Fig. 8 – Modelo esférico da Terra. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.1.4 Modelo Elipsoidal É o mais usual de todos os modelos. Neste modelo, a Terra é representada por uma superfície gerada a partir de um elipsóide de revolução, com deformações relativamente maiores que o modelo geoidal. O modelo elipsoidal é uma forma matemática simples e que melhor se aproxima do geóide, por isso é usado pela ciência geodésica e pela cartografia para a construção das cartas nacionais básicas, ou seja, para a representação sistemática nacional (confecção das folhas topográficas básicas de um país). O elipsóide de revolução é um sólido geométrico, gerado pela rotação de uma elipse em torno do seu eixo menor (linha dos pólos). Este é um esferóide levemente achatado nos pólos (α) e que apresenta dois semi-eixos extremos, um equatorial maior (a) e um polar menor (b), conforme representa a figura seguinte. Fig. 9 – Modelo elipsoidal da Terra. É sobre o modelo elipsóidico que se definem as coordenadas geodésicas (geográficas) dos lugares (latitude e longitude). Portanto, o modelo elipsoidal é o modelo com forma e dimensões possíveis mais próximas da Terra, destinado a estabelecer com grande exactidão as posições relativas entre os vários locais da Terra. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.1.5 Modelo Plano O modelo de uma superfície plana para a Terra é uma forma inadequada, mas é admitida pela facilidade de cálculo que apresenta. Este modelo pode ser utilizado para elaboração de representações cartográficas, em escalas muito grandes, representando a superfície do geóide para áreas pouco extensas, ou seja, numa área pequena onde a imensa curvatura da Terra não exerça uma influência que necessite de correcção. Neste caso a representação estará limitada na ordem de 10 a 15 km de raio. Este modelo passa a ser admitido apenas para a planimetria (medida de distância no plano), pois a representação da altitude é afectada pela curvatura terrestre, mesmo em áreas pequenas, e deve ser corrigida. Fig. 10 – Representação da pequena influência da curvatura da Terra em uma área de 10 km, e que possibilita a utilização de um modelo plano para a Terra. Fig. 11 – Comparação entre a superfície física (topográfica), o geóide e o elipsoide. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.2 Ondulação Geoidal Para a definição do tamanho e formato do elipsóide combinaram-se diversos parâmetros provenientes de estudos físicos realizados sobre as forças gravitacionais (que achatavam mais as regiões próximas aos pólos que as próximas ao Equador - Newton), as forças centrípetas e centrífugas, provocadas pelo movimento de rotação da Terra. Estas forças originam parâmetros denominados de ondulações geoidais, que representam o afastamento entre o geóide e o elipsóide. A distância entre a superfície do Geóide e a do elipsóide de referência designa-se por ondulação do geóide (N). A ondulação do geóide pode ser positiva ou negativa, consoante o geóide esteja acima ou abaixo do elipsóide. N=h-H Fig. 12 – Fórmula da Ondulação Geoidal (N). N – ondulação do geóide (distância na vertical entre o elipsóide e o geóide, medida ao longo da normal ao elipsóide); h – altitude elipsoidal (distância na vertical entre o elipsóide e a superfície terrestre, medida ao longo da normal ao elipsóide); H – altitude ortométrica (distância na vertical entre o geóide e a superfície terrestre, medida ao longo da linha de prumo). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.3 Data geodésicos O datum é um conjunto de parâmetros que define a dimensão, forma e posição de um dado elipsóide. Serve para definir posições geodésicas elipsóidais (latitudes, longitudes e altitudes geodésicas) e rectangulares dos pontos do terreno. A escolha de um elipsóide para representar a Terra implica a determinação da dimensão dos seus eixos e a escolha da sua posição relativamente à Terra. É praticamente impossível a determinação de um único elipsóide que sirva para toda a superfície terrestre. A melhor aproximação pode ser feita pelo emprego de um elipsóide terrestre médio ou elipsóide global. Este deve satisfazer três condições: Coincidência do centro do Elipsóide com o centro de Gravidade da Terra; Coincidência do plano equatorial do elipsóide com o plano Equatorial terrestre; Aproximação ao máximo da ondulação Geoidal. Um mesmo ponto tem coordenadas geodésicas diferentes, consoante o datum utilizado, conforme exemplifica a figura a seguir. Fig. 13 – Coordenadas geodésicas diferentes para o mesmo ponto, consoante o datum utilizado. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Podem existir 2 tipos de data: Data globais; Data locais. 2.3.1 Datum geodésico global As dimensões do elipsóide são escolhidas de forma a aproximarem-se o melhor possível da forma de toda a Terra. O centro geométrico do elipsóide coincide, tanto quanto possível, com o centro de massa da Terra. São estabelecidos por grandes países ou blocos de países, e buscam minimizar as diferenças entre o elipsóide de referência e o geóide. Fig. 14 – Datum geodésico global. 2.3.2 Datum geodésico local As dimensões do elipsóide são escolhidas de forma a aproximarem-se o melhor possível da forma da zona da Terra a representar. Escolhe-se um ponto da superfície da Terra para ponto de fixação do elipsóide (latitude, longitude e altitude). Define-se o azimute de uma direcção emergente desse ponto. Apresenta menos deformação para cartas de escala grande e é utilizado para cobertura geodésica de países e regiões (por exemplo, Rede Geodésica de Portugal - RGP). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 15 – Datum geodésico local. Fig. 16 – Comparação entre a finalidade de cada tipo de datum. Exemplos de datum geodésicos portugueses: i) Datum Lisboa Ponto de fixação: Antigo Vértice Geodésico do Castelo de S. Jorge em Lisboa Elipsóide de referência: Hayford ou Internacional (1924): Semi-eixo maior: a = 6 378 388 m; Semi-eixo menor: b = 6 356 912 m; Achatamento: α = 1 / 297. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Gauss-Krüger Projecção cartográfica: Latitude da origem das 39º 40’ 00’’ N coordenadas rectangulares: Longitude da origem das 08º 07’ 54’’,862 W coordenadas rectangulares: Falsa origem das Em M (distância à Meridiana): 0 m coordenadas rectangulares: Em P (distância à Perpendicular): 0 m Coeficiente de redução de 1,0 escala no meridiano central: Tabela 1 – Parâmetros do Datum Lisboa. ii) Datum 73 Ponto de fixação: Vértice Geodésico Melriça Elipsóide de referência: Hayford ou Internacional (1924): Semi-eixo maior: a = 6 378 388 m; Semi-eixo menor: b = 6 356 912 m; Achatamento: α = 1 / 297. Gauss-Krüger Projecção cartográfica: Latitude da origem das 39º 40’ 00’’ N coordenadas rectangulares: Longitude da origem das 08º 07’ 54’’,862 W coordenadas rectangulares: Falsa origem das Em M (distância à Meridiana): + 180,598 m coordenadas rectangulares: Em P (distância à Perpendicular): - 86,990 m Coeficiente de redução de 1,0 escala no meridiano central: Tabela 2 – Parâmetros do Datum 73. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica iii) Sistema de Referência PT-TM06 / ETRS89 Este sistema de referência geodésico/cartográfico foi adoptado pelo Instituto Geográfico Português em 2006 como sistema de referência geodésico nacional. O ETRS89 é um sistema global recomendado pela EUREF (European Reference Frame, subcomissão da IAG - Associação Internacional de Geodesia) estabelecido através de técnicas espaciais de observação. No simpósio da EUREF realizado em Itália em 1990 foi adoptada a seguinte resolução: "A sub-comissão da IAG para o Referencial Geodésico Europeu (EUREF) recomenda que o sistema a ser adoptado pela EUREF seja coincidente com o ITRS na época de 1989.0 e fixado à parte estável da Placa Euro-Asiática, sendo designado por Sistema de Referência Terrestre Europeu 1989 (European Terrestrial Reference System – ETRS89)". O estabelecimento do ETRS89 em Portugal Continental foi efectuado com base em campanhas internacionais (realizadas em 1989, 1995 e 1997), que tiveram como objectivo ligar convenientemente a rede portuguesa à rede europeia. Nos anos subsequentes, toda a Rede Geodésica de 1ª ordem do Continente foi observada com GPS, tendo o seu ajustamento sido realizado fixando as coordenadas dos pontos estacionados nas anteriores campanhas internacionais. A agência EuroGeographics recomenda a utilização das seguintes projecções cartográficas: Transversa de Mercator, para escalas superiores a 1/500 000; cónica conforme de Lambert, com dois paralelos de escala conservada, para escalas inferiores a 1/500 000 O elipsóide de referência é o GRS80 com os seguintes parâmetros: Semi-eixo maior: a = 6 378 137 m; Semi-eixo menor: b =6 356 752.314 m; Achatamento: α = 1 / 298,257 222 101. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Em Portugal foi adoptado o sistema ETRS89 com a projecção Transversa de Mercator com os seguintes parâmetros: Transversa de Mercator Projecção cartográfica: Latitude da origem das 39º 40’ 05’’,73 N coordenadas rectangulares: Longitude da origem das 08º 07’ 59’’,19 W coordenadas rectangulares: Falsa origem das Em M (distância à Meridiana): 0 m coordenadas rectangulares: Em P (distância à Perpendicular): 0 m Coeficiente de redução de 1,0 escala no meridiano central: Tabela 3 – Parâmetros do Sistema PT-TM06 / ETRS89. 2.4 Rede Geodésica Nacional (RGN) Para a criação da Rede Geodésica Nacional foi necessário estabelecer um datum geodésico. Procedeu-se á materialização de um conjunto de pontos espalhados pelo território, para os quais se fez um transporte de coordenadas, ou seja, calculando-as em relação a um ponto inicial. Estes pontos são denominados de vértices geodésicos, existindo no nosso país cerca de 8000. São pontos sinalizados com marcos de cimento, alguns deles utilizam construções já existentes como torres de igreja, por exemplo, localizados em sítios elevados de forma a permitir a visibilidade entre marcos. Os vértices geodésicos fazem parte de redes de várias ordens, conforme a sua dimensão e o tipo de observações que lá foram feitas. Existem três redes, 1ª, 2ª e 3ª ordem, sendo a mais importante delas, a de 1ª ordem, constituída por cerca de 120 vértices, com distâncias médias entre vértices próximos, de cerca de 40 km. Portanto, uma rede geodésica é um conjunto de pontos distribuídos de forma homogénea num determinado território, formando uma malha triangular, cujas posições relativas dos R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica pontos, como coordenadas geográficas e altitudes, são referidas ao elipsóide de referência adoptado para aquele país ou região. Fig. 17 – Rede Geodésica Nacional (1ª, 2ª e 3ª ordem). Desta forma, a partir de um ponto de fixação do elipsóide de referência, ou seja, de um ponto datum, são transportadas as coordenadas (latitude, longitude e a altitude), pelo país, em forma de uma cadeia de triângulos, cujos vértices são materializados com marcos geodésicos. Fig. 18 – Triângulação de uma rede geodésica no terreno e na superfície de referência. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica O cálculo das coordenadas dos vértices da rede de 1ª ordem é feito através do processo de triangulação. Basicamente, o processo consiste em, conhecidas as coordenadas de dois pontos, A e B, e medindo os ângulos α e ß, determinam-se as coordenadas do ponto C, como exemplifica a figura seguinte. Fig. 19 – Esquema representativo do cálculo de uma coordenada (C). Poderia-se transportar coordenadas para os vértices de outros triângulos a partir dos lados AC ou BC, sempre apenas medindo ângulos, desta feita não é possível porque se tratam de triângulos geodésicos, não podendo ser usada a trigonometria plana, isto é, a triangulação deverá ser resolvida sobre a superfície do elipsóide. Além disso, todos os ângulos são medidos e todas as coordenadas determinadas, através do processo de ajuste do método dos mínimos quadrados, de forma a minimizar os erros. Este processo consiste na triangulação geodésica, ou seja, realiza-se na sequência da fixação de um datum local que conduzirá a uma lista de coordenadas nesse datum. Os pontos da rede geodésica são utilizados como pontos de apoio, de coordenadas conhecidas num sistema nacional ou global, noutras operações de posicionamento (levantamentos topográficos, produção de cartografia, etc.). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.5 Sistemas Globais de Posicionamento e Navegação por Satélite (GNSS) Os sistemas de Posicionamento e Navegação por Satélite permitem a qualquer utilizador através de um receptor captar os sinais emitidos pelos vários satélites para determinar com grande precisão em cada instante, a sua posição, bem como a velocidade e o tempo relativamente a um referencial tridimensional geocêntrico. Além do sistema GPS, também existem outros, onde se destaca o sistema russo em operação, chamado de GLONASS, e o sistema europeu, chamado GALILEU. O acrónimo GPS (Global Positioning System), por ser um sistema usado para Posicionamento, mas também para Navegação, estará mais correcto se for designado de Sistema Global de Posicionamento, que quando integrado nos GNSS, será designado de Sistema Global de Posicionamento e Navegação por Satélite. 2.5.1 Global Positioning System (GPS) Esse sistema foi concebido com fundos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para fornecer a posição instantânea e a velocidade de um ponto sobre a superfície terrestre, ou próximo a ela. Inicialmente para fins militares, o GPS é hoje utilizado por diversos segmentos da sociedade civil. É um sistema de rádionavegação que cobre todo o mundo. O Sistema de Posicionamento Global é composto de três segmentos: O segmento espacial é composto por satélites artificiais que emitem sinais electromagnéticos; O segmento de controlo é composto pelas estações terrestres que mantêm os satélites em funcionamento; O segmento dos usuários é composto por receptores que captam os sinais enviados pelos satélites e, com eles, calculam a sua posição. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica i) Princípios básicos de funcionamento do GPS O princípio de funcionamento do GPS consiste na medição do tempo que leva uma onda electromagnética, gerada no emissor (satélite), a percorrer a distância (conhecida) entre o satélite e o receptor na superfície terrestre. Essa medição é feita comparando o código e a fase da onda portadora emitida pelo satélite com uma idêntica gerada simultaneamente pelo receptor. Para o posicionamento através do GPS é necessário sempre a recepção de (n+1) satélites, onde “n” é o número de dimensões desejadas e “1” o satélite representante da correcção do factor tempo devido á diferença do tipo de relógios existentes nos satélites (atómicos de césio e rubídio) e os existentes nos receptores. Quanto mais satélites estiverem visíveis, mais refinada é a solução de posicionamento determinada pelo receptor GPS. Fig. 20 – Esquema do Sistema de Posicionamento. Considerando que pretendemos o posicionamento tridimensional (X,Y,Z), devemos considerar a recepção de no mínimo quatro satélites, que irão medir o tempo de percurso da onda emitida pelo satélite até ao receptor localizado na superfície terrestre. Essa “distância”, correctamente denominada de pseudo-distância, devido a ser calculada através do tempo de percurso e através de uma onda sinusoidal afectada de erros diversos. Essas distâncias são calculadas por meio das seguintes fórmulas: R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Em que, ii) Factores que afectam o sistema de posicionamento Geometria dos satélites Um dos factores que afecta a precisão é a Geometria dos Satélites, ou seja, a distribuição espacial dos satélites em relação uns aos outros sob a perspectiva do receptor GPS. Se um receptor GPS estiver localizado sob quatro satélites e todos estiverem na mesma região do céu, a geometria é ineficaz. Na verdade, o receptor pode até não ser capaz de determinar a sua posição uma vez que todos os sinais provêm da mesma direcção. Por outro lado, se os mesmos quatro satélites estiverem bem distribuídos no espaço, a geometria é eficaz, uma vez que a medição de distâncias é feita de direcções diferentes, aumentando assim a precisão da determinação da posição do receptor. A geometria dos satélites torna-se importante quando se usa o receptor GPS num local próximo de edifícios, em áreas montanhosas ou vales. Quando os sinais de algum dos satélites são bloqueados, é a posição relativa dos demais satélites que determinará a precisão das medições. Um receptor de boa qualidade indica não apenas os satélites disponíveis, mas também onde estes se encontram no espaço (azimute e elevação), R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica permitindo ao operador verificar se o sinal de um determinado satélite poderá estar a ser obstruído por algum obstáculo existente no local. A forma mais directa de analisar a qualidade da geometria é através do valor do factor DOP (diluição da precisão). Existem algumas variações do factor DOP, nomeadamente, HDOP (para o posicionamento horizontal), VDOP (para o posicionamento vertical), PDOP (para o posicionamento 3D) e TDOP (para a determinação do tempo). O valor mais comum para o DOP é o PDOP, que representa uma combinação de todos os factores citados acima e que afectam a precisão. Por norma é aconselhável que o valor para o PDOP seja inferior a 6, no entanto, o melhor valor para o DOP é igual a um e o pior é igual a infinito. Pode ver-se na figura seguinte uma comparação entre um bom e um mau PDOP. Fig. 21 – Comparação entre um bom PDOP (esq.) e um mau PDOP (dir). Além dos factores DOP citados, considera-se importante a análise geométrica dos satélites no espaço. Esta análise pode ser dada pelo GDOP que reflete a qualidade da geometria da constelação no momento da recolha dos dados. Este valor é calculado pelo sistema em função da posição dos satélites disponíveis no momento das observações e, quanto menor ele for, melhor será a precisão. Não é aconselhável a realização de observações GPS quando o valor do GDOP for superior a 6. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Multitrajecto Outra fonte de erro é a interferência resultante da reflexão do sinal em objectos existentes no local de observação, tais como árvores, edifícios, entre outros. Como um sinal reflectido leva mais tempo para alcançar o receptor, este interpreta que o satélite está mais longe do que na realidade está, o que provocará um erro na determinação da posição (Fig. 22). Fig. 22 – Exemplo do efeito de multitrajecto. O termo multitrajecto, ou multicaminho, deriva do facto do sinal transmitido pelo satélite se poder propagar por múltiplos caminhos até ao receptor. Efeitos atmosféricos Os sinais GPS são afectados por interferências provocadas pela atmosfera terrestre, mais precisamente pela ionosfera e troposfera. Quando os sinais atravessam a ionosfera, sendo parte da atmosfera composta por partículas eléctricas, sofrem um atraso provocado pela diminuição da velocidade de propagação dos sinais rádio usados pelo GPS. O que acontece é que como os sinais rádio entram num meio mais denso, como é o caso da ionosfera, estes abrandam ligeiramente e esse abrandamento vai provocar um erro na medição da distância, R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica pois no cálculo admite-se a velocidade constante. Se forem utilizados dois sinais de frequências distintas e se compararem os tempos que ambos demoraram a chegar ao receptor poderá estimar-se um erro e corrigir as observações. Contudo, sinais com frequências diferentes sofrem atrasos diferentes. Quando os sinais rádio atravessam a troposfera, parte mais baixa da atmosfera, sofrem um atraso provocado pela existência de maior concentração de vapor de água (nuvens). Estas partículas também afectam a propagação dos sinais. Embora a grandeza deste erro seja inferior ao provocado pela ionosfera é impossível ser eliminado, o melhor que se consegue é atenuá-lo. Os receptores GPS de dupla frequência, ou seja, aqueles que permitem receber os sinais das portadoras L1 e L2, conseguem determinar o atraso provocado pela ionosfera no momento da observação, pelo que são mais precisos. Esta degradação gradual do sinal pode visualizar-se na seguinte. Fig. 23 – Efeitos atmosféricos. Outros factores Existem outros factores que afectam a precisão do sistema, mas cujo erro não é tão significativo, como aquele que é provocado pelos factores analisados anteriormente. Por exemplo, o facto dos satélites sofrerem pequenas oscilações ao longo das suas trajectórias R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica faz com que as órbitas não sejam perfeitas. Isso implica que as efemérides difundidas pelas estações de controlo terrestre estejam sujeitas a erros. Mas, é possível obter a partir de sites na Internet, com uma semana de atraso, efemérides de precisão corrigidas destes erros. Os satélites estão equipados com relógios atómicos de altíssima precisão. No entanto, os receptores GPS possuem relógios de quartzo, muito mais baratos, mas também muito menos precisos. Através de um sistema bastante engenhoso é possível ao receptor determinar o desfasamento existente num dado momento entre o seu relógio e os dos satélites e assim corrigirem os erros provocados por este factor. Os receptores contribuem também para o erro total associado às medidas, nomeadamente por atrasos de hardware e de processamento que afectam o cálculo do tempo de trânsito dos sinais. Quantificação dos erros Os erros médios causados pelos diferentes factores apresentados nos pontos anteriores estão quantificados na tabela seguinte. Os valores apresentados nesta tabela referem-se a uma constelação e a um PDOP médios. Causa do erro Erro médio (m) Efeito da ionosfera 4 Desacerto do relógio dos satélites 2,1 Medições do receptor 0,5 Efemérides 2,1 Efeitos da troposfera 0,7 Multitrajecto 1,4 Tabela 4 – Causa de erros e respectivos erros médios. A acumulação de todos estes erros provoca erros nas coordenadas obtidas pelos receptores. Com processos adicionais, receptores a trabalhar em simultâneo, tempos de medição mais longos e técnicas especiais de medição (medição da fase da portadora), a precisão posicional é substancialmente melhorada. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica iii) Modos de utilização dos receptores GPS O GPS pode ser utilizado em dois tipos de posicionamento: Posicionamento absoluto – usado essencialmente para navegação. Posicionamento relativo – pode ser em modo Diferencial (DGPS), Pós – Processamento e Tempo Real (RTK). O termo DGPS, refere-se a posicionamento diferencial, normalmente significando que é utilizado só o código da portadora para a medição, em modo relativo. O posicionamneto relativo em tempo real com a fase da portadora é designado por RTK (Real Time Kinematic). Para trabalhos em pós-processamento, existe o posicionamento relativo em modo estático, rápido-estático (Faststatic), cinemático, pseudo-cinemático e pára avança. Método Estático O método que permite obter maior precisão. É utilizado para medição de bases longas, para coordenar redes geodésicas, efectuar o controlo de deformações em grandes estruturas de engenharia civil ou de fenómenos naturais, como por exemplo em placas tectónicas, e vulcões. Neste método os receptores permanecem fixos durante um determinado intervalo de tempo que pode durar horas dependendo do comprimento da base entre o receptor fixo e o móvel. Método rápido–estático (Faststatic) Método usado para estabelecer e adensar redes locais de controlo por exemplo. É um método estático mas de curta duração, entre 5 a 20min. Para bases curtas (5 a10km) é muito preciso e mais rápido que o estático. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 2 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Cinemático Este método é usado na medição de vários pontos sucessivamente. É um método bastante eficaz de medir vários pontos próximos entre si. O receptor não fica em modo estático em qualquer período da sessão. O problema deste método é quando o sinal é obstruído (árvores, pontes, etc) ou há poucos satélites (inferior a 4) porque é necessária uma reinicialização que pode demorar alguns minutos. Pseudo–cinemático Método idêntico ao rápido estático, mas requer um segundo estacionamento em cada ponto, depois de um intervalo de tempo que permita que a constelação de satélites se altere. Este procedimento serve para tornar possível a ligação da fase entre as duas sessões, equivalendo a um posicionamento estático, mas com uma grande lacuna de observações. Pára–avança ou Stop and Go Este método consiste em transportar o receptor a todos os pontos a observar, efectuando breves paragens (alguns segundos), nas posições de maior interesse. O requisito básico é que as ambiguidades sejam resolvidas antes de se iniciar o posicionamento. A tabela a seguir indica a precisão correspondente a cada um dos tipos de medição. Tipo de Tipo de Cálculo Medição Campo Precisão Código Pós-processamento DGPS em Pós-processamento <1m a 10m Código Tempo Real DGPS <1m a 10m Medição Estático, Rápido Fase Pós-processamento Inferior a 1 cm até Estático, Cinemático, Pára–avança Fase Tempo real alguns cm Inferior a 1cm até RTK alguns cm Tabela 5 – Relação entre Posicionamento e Precisão. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.5.2 Globalnaya navigatsionnaya sputnikovaya sistema (GLONASS) Similar ao GPS, o GLONASS proporciona posicionamento 3D e velocidade, bem como informações de tempo, sob quaisquer condições climáticas, em âmbito local, regional e global. Este sistema foi concebido no início dos anos 70 e no momento encontra-se sob a responsabilidade da Russian Federation Space Forces (Federação Russa das Forças Espaciais). Da mesma forma que o GPS ele é composto pelos segmentos: espacial, de controlo e dos usuários. O segmento de controlo é composto por um sistema de controlo central que planeia todas as funções do sistema, um sincronizador central que difunde o sistema de tempo, um sistema de controlo de frequência, 3 estações de comando e de rastreio e 1 unidade de campo para controlo da navegação dos satélites. O segmento espacial é composto por uma constelação de 24 satélites ativos e 1 de reserva. Eles são distribuídos em 3 planos orbitais separados de 120º e com inclinação de 64,8º. Têm órbitas aproximadamente circulares, com altitude da ordem de 19.100 km e período orbital de 11 horas e 15 minutos. Devido seu maior ângulo de inclinação, este sistema propicia uma melhor cobertura, em relação ao GPS, para as altas latitudes. Transmite os sinais também em duas bandas, denominadas L1 e L2. O processo de transmissão utiliza uma frequência para cada satélite que no geral é mais complexo, e, em alguns casos de posicionamento, menos preciso que o do GPS. A precisão instantânea para os componentes de posicionamento horizontal é da ordem de 60 a 75 m. O sistema não tem recebido a manutenção esperada. Declarado operacional em janeiro de 1996, com 24 satélites em operação, o GLONASS conta actualmente com uma quantidade bem menor de satélites em actividade. Existe no mercado aparelhos que recebem e processam simultaneamente, os sinais do GPS e do GLONASS. Isto pode, eventualmente, melhorar a precisão do posicionamento. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.5.3 Galileo (GALILEO) O Galileo é um sistema de posicionamento global proposto para actuar no mercado dos GNSS, em conjunto com os já existentes, GPS e GLONASS. O projecto já passou por muitas dificuldades do ponto de vista político e financeiro, desde que foi oficialmente lançado em 2002, no entanto é considerado estratégico por possibilitar à comunidade europeia o acesso independente aos dados de posicionamento global, além de prometer ao mercado um produto diferenciado. Os dados do GALILEO serão complementares aos dados do GPS e GLONASS, assim espera-se que sejam futuramente captados pelos mesmos receptores. O objectivo é oferecer para o mundo e principalmente para a Europa, melhor precisão e integridade dos dados de posicionamento global. A fase de desenvolvimento é controlada pelo poder público em contrapartida aos benefícios sociais que retornarão com a operação do sistema. A iniciativa privada actuará nas fases de comercialização e gestão eficiente dos processos que ocorrerão no futuro, com a operação do sistema. A Agência Espacial Europeia (ESA) actua como responsável técnico-científica do projecto. Dentro das suas atribuições estão a definição das características do sistema, o desenvolvimento e validação dos equipamentos e recursos tecnológicos, tanto no segmento espacial quanto no segmento terrestre. A actuação da Comunidade Europeia é centrada nas negociações políticas necessárias à implantação do sistema, que envolve a competência e recursos financeiros oriundos de vários países, sobretudo europeus. O Galileo foi concebido para ser utilizado por civis, diferente do que ocorreu com os outros sistemas existentes, que tiveram a sua origem associada ao uso militar. Embora com concepções diferentes, os sistemas de posicionamento globais operantes no mercado possuem tecnologia semelhante no segmento orbital, no segmento terrestre e na gestão do sistema. No caso do Galileo isto também deverá acontecer. Quando o Galileo estiver em operação serão implantados dois centros, na Alemanha e na Itália, para viabilizar o controlo dos satélites e gerir o sistema de navegação. Também serão R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica construídas 20 estações que actuaram no envio de dados aos centros de controlo para avaliação da integridade das informações e sincronia dos satélites. O projecto em implementação prevê que até 2013 sejam lançados 30 satélites (27 operacionais e 3 suplementares), posicionados em 3 órbitas circulares médias a 23.222 km de altitude em relação à Terra e inclinação de 56º em relação ao Equador. Actualmente, foram colocados em órbita 4 satélites, o GIOVE-A em 28/12/2005, o GIOVE-B em 27/04/2008 e mais 2 satélites In-Orbit Validation (IOV) em Outubro de 2012. Em março de 2013 foi calculada a primeira posição de um ponto à superfice da Terra com os satélites do Galileo. Quando o sistema Galileo estiver em operação, os satélites serão equipados com relógios atómicos, os quais conseguirão medir as horas com bastante precisão. Estes dados serão transmitidos sistematicamente pelos satélites e serão captados e descodificados por receptores localizados na superficíe terrestre, que por sua vez possuirão efemérides precisas de todos os satélites que estarão em órbita. O receptor será capaz de ler o sinal de forma semelhante ao que já existe no mercado GNSS. 2.6 Rede Nacional de Estações Permanentes GNSS (RENEP) A RENEP é um serviço público de geo-posicionamento prestado pelo IGP, constituído por estações permanentes GNSS (Constelações GPS + GLONASS), distribuidas de forma homogénea pelo território nacional, por forma a garantir uma sobreposição eficaz e uma distância entre estações inferior a 80 km. Estas difundem observações no Sistema de Referência ETRS89, de forma contínua, para posicionamento em RTK, ou em pósprocessamento com ficheiros RINEX. Fazem a recolha de dados dos satélites que, no âmbito das suas atribuições de manutenção do Referencial Geodésico Nacional, são disponibilizados aos utilizadores de equipamentos GPS para determinarem coordenadas geográficas com precisão melhor que 10 cm. Os dados fornecidos (fiáveis) permitem a qualquer operador dispor da sua utilização em conjunto com os dados por ele recolhidos, conseguindo assim fazer um trabalho de precisão recorrendo a um único receptor. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2.7 Levantamentos Topográficos Por definição, um levantamento topográfico consiste em fazer a representação do terreno planimétricamente (casas, caminhos, estradas, rios, etc.) e altimétricamente (curvas de nível, pontos cotados), a partir de um conjunto de operações de campo (medição de ângulos, distâncias, etc.) que permitem determinar a posição de pontos de apoio conhecidos, pontos que definem pormenores planimétricos e também a posição de pontos notáveis do terreno que permitem representar o seu relevo. A densidade de pontos depende da escala do levantamento, diminuindo consideravelmente quando se trata de pequenas escalas. Antes de prosseguir com um levantamento topográfico, há três fazes a ter em conta, as chamadas fases de execução de um levantamento topográfico. Estas consistem no reconhecimento do local, levantamento da figura de apoio e na ligação ou não à Rede Geodésica Nacional. A seguir é apresentada uma breve descrição de cada uma delas. i) Reconhecimento do local É aconselhável antes da realização de qualquer levantamento topográfico executar um reconhecimento mais ou menos aprofundado do local. Este poderá ser feito sobre um estudo de cartas ou plantas já existentes, fotografias aéreas (através do reconhecimento aéreo da zona) ou simplesmente um reconhecimento a pé. Através do reconhecimento o responsável pelo levantamento fica com uma ideia geral da zona e deverá esquematizar a localização de futuros pontos de apoio. ii) Levantamento da figura de apoio Nenhum levantamento topográfico deverá ser executado sem a construção, observação e cálculo de um esqueleto topográfico que poderá tomar diferentes formas geométricas (triângulos, quadriláteros, poligonais, etc.), desde que permita depois compensar e calcular R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica com rigor o posicionamento de todos os seus vértices. Se o levantamento for executado sem estas figuras de apoio, vão-se acumulando erros que se devem ao grande número de medições efectuadas, os quais se tornam de eliminação impossível. Os vértices da rede de apoio devem ter um espaçamento e uma localização tais que permitam uma cobertura completa do terreno a levantar. iii) Ligação ou não à Rede Geodésica Nacional Os levantamentos para execução de plantas topográficas devem ser ligados à Rede Geodésica Nacional para se inserirem no contexto do território nacional. A ligação à RGN é conseguida através da coordenação dos vértices de apoio ao levantamento, a partir de vértices geodésicos de coordenadas conhecidas (coordenadas estas no referencial geodésico nacional). Sempre que os levantamentos não sejam ligados à triangulação geodésica deve procurar-se que eles fiquem preparados para uma futura e fácil integração noutros levantamentos apoiados na rede geodésica. Depois de estar definida a figura de apoio, todos os pontos notáveis e importantes são referenciados pelas suas coordenadas (polares e rectangulares) a partir dos vértices que compõem a referida figura. Estas coordenadas irão servir para representar num plano horizontal todos os pontos levantados e consequentemente definir os elementos que constituem o pormenor da área em questão. Os métodos destinados ao levantamento podem classificar-se em clássicos e fotogramétricos. A utilização do método clássico só é económica quando se trata de levantamentos de pequenas extensões da superfície terrestre em grandes escalas. Para levantamentos a escalas iguais ou inferiores à escala 1:1000 é utilizado, em regra, o método aerofotogramétrico. iv) Método clássico Este é realizado em duas fases. A primeira consiste na materialização e observação da rede de apoio topográfica, para determinar as coordenadas topográficas dos seus vértices. Numa R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica segunda fase com estação nos vértices da rede de apoio, procede-se ao levantamento do pormenor. Deve procurar-se levantar os seguintes pontos: pontos que definem a planta dos edifícios, os eixos das vias de comunicação, os postes de iluminação, os poços, entre outros; pontos notáveis do relevo (máximos, mínimos e pontos de inflexão), e os pontos notáveis das linhas de água. Esta selecção de pontos depende muito do operador, o que torna o levantamento do pormenor numa operação com um elevado nível de subjectividade. Em cada ponto estação é tomada como origem dos ângulos horizontais uma estação vizinha. v) Método aerofotogramétrico Sempre que a área a cobrir com um levantamento topográfico necessita de mais de dois ou três pares estereoscópicos de fotografias aéreas, em particular em terreno acidentado, o método aerofotogramétrico torna-se mais económico do que o método clássico. Os levantamentos topográficos pelo método aerofotogramétrico baseiam-se na análise, medição e interpretação de fotografias aéreas com recurso a aparelhos de restituição estereoscópica (estereorrestituidores). Fazendo a restituição de cada par estereoscópico obtém-se a carta da área coberta pelo respectivo modelo (par). 2.8 Modelos Digitais de Terreno Entende-se por Modelo Digital de Terreno (MDT), um conjunto de dados digitais, referentes a uma área de estudo, em que é associado a qualquer ponto, para além da sua georeferênciação, um valor numérico correspondente à sua altitude. No domínio dos Modelos Digitais de Terreno, identificam-se três problemas fundamentais: A modelação geográfica com uma distribuição contínua no espaço; A aquisição de um elevado volume de informação; O processamento de um elevado volume de informação. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica A modelação do relevo do terreno realiza-se com base em dois modelos de estruturas de dados: Modelo geográfico vectorial (Rede Irregular de Triângulos – RIT ou TIN); Modelo geográfico raster (matrizes de cotas, GRID). A escolha de uma modelação geográfica do terreno não é trivial, pois é necessário garantir que os objectivos principais do MDT sejam atingidos e que os resultados obtidos da modelação sejam próximos dos fenómenos reais. Métodos para a aquisição de informação sobre o relevo do terreno: Aquisição de pontos com o auxílio de uma estação total; Aquisição de pontos com auxílio de equipamento GPS; Aquisição de curvas de nível por estereorestituição de pares estereoscópicos, correspondentes a imagens aéreas ou de satélite (fotogrametria); Utilização de radares de abertura sintética, baseados em plataformas aéreas ou de satélite (tecnologia LIDAR); Utilização de tecnologia laser para obtenção de modelos tridimensionais, baseados em plataformas aéreas (uso preferencial em áreas urbanas). Esta mesma tecnologia é utilizada em estudos batimétricos. Tecnologia baseadas em sonares para a determinação do relevo do fundo do mar. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 3 TRABALHOS REALIZADOS NO ÂMBITO DO ESTÁGIO 3.1 TOPOGRAFIA E SIG Neste capítulo são abordados trabalhos que foram realizados no âmbito da Topografia e dos Sistemas de Informação Geográfica. No conjunto de vários trabalhos desenvolvidos ao longo do estágio, foram selecionados três onde foi possivel registar com mais pormenor as suas etapas de execução. Estes dizem respeito às Redes de Saneamento Básico (águas e esgotos) das Quintas de S. Bartolomeu, à Rede Topográfica Municipal e a um Levantamento Topográfico realizado na freguesia de Peroficós, respectivamente. 3.1.1 Redes de Saneamento Básico O trabalho realizado nas Quintas de S. Bartolomeu consistiu no levantamento e verificação de elementos das redes de água e esgoto, de forma a manter a sua actualização a nível de cadastro e ter o máximo de conhecimento para facilitar a sua gestão. A Rede de Águas Residuais foi a primeira a ser cadastrada. Foi utilizado o ficheiro DWG que existia da rede, no Sistema de Coordenadas Hayford - Gauss Datum 73 (Fig. 24). Fig. 24 – Ficheiro DWG com desenho da Rede de Águas Residuais. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica No software AutoCAD Civil 3D 2008, o primeiro procedimento foi seleccionar a rede e fazer a formatação gráfica dos elementos de acordo com o catálogo de características gráficas existente no gabinete de SIG. Este catálogo foi elaborado seguindo a mesma lógica das características gráficas adoptadas pelo Instituto Geográfico do Exército para as cartas militares, fazendo a sua adaptação para o concelho e para a cartografia 1/2000. Nele consta informação sobre o tipo de objecto, layer, cor (desenho e impressão), espessura da linha e observações a ter em conta na formatação dos elementos de desenho (Fig. 25). Fig. 25 – Catálogo de características gráficas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 3 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Depois da formatação feita, criou-se um ficheiro DWG à parte, só com a rede de colectores e as caixas de visita (Fig. 26). Fig. 26 – Ficheiro com a Rede de Águas Residuais. Com o trabalho feito no AutoCAD Civil 3D 2008 abriu-se no software ArcMap 10 o ficheiro de referência utilizado no SIG para estes projectos (Aguas.mxd). Neste ficheiro estão presentes os shapefiles com a geometria e tabelas definidas, referentes às várias entidades da rede, onde vão sendo adicionados novos registos. Já no ArcMap 10 foi adicionado o DWG criado no AutoCAD Civil 3D 2008. Conforme a figura representa, clicou-se no botão com o símbolo + (“Add Data”), no painel superior de ferramentas seleccionou-se o ficheiro “QuintasBartolomeu_2007_Condutas.dwg” clicou-se em “Add” (Fig. 27). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 27 – Importação do ficheiro DWG com a Rede de Águas Residuais. Para fazer a cópia da geometria dos layers (DWG) para os shapefiles, foi necessário exportar primeiro cada um deles para shapefile. Neste caso os layers de interesse são os referentes às polilinhas e aos pontos, os quais dizem respeito aos colectores e caixas de visita respectivamente. Para fazer a exportação, clicou-se com o botão direito do rato sobre o layer “QuintasBartolomeu_2007_Condutas.dwg Polyline” “Data” “Export Data…” (Fig. 28). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 28 – Exportação de layers do ficheiro DWG para shapefile. Na janela “Export Data” foi definido o caminho onde foi guardado o shapefile e o seu nome, neste caso “Polyline” (Fig. 29). Fig. 29 – Definição do directório onde vai ser guardado o shapefile. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Depois de guardar o ficheiro, surge uma mensagem a perguntar se pretendemos importar o shapefile exportado, clicou-se em ”Yes”. Como se pode verificar, foi adicionado um novo shapefile com o nome “polylines” (Fig. 30). Foi feito o mesmo procedimento para o layer “QuintasBartolomeu_2007_Condutas.dwg Point”, dando o nome “Points” ao shapefile. Retirou-se o ficheiro DWG, uma vez que não era mais necessário. O passo seguinte foi colocar a informação relativa às polilinhas no shapefile que contem todos os colectores do concelho. Iniciou-se o modo de edição do shapefile “Rede (Esgotos)”, fez-se clique com o botão direito do rato sobre “Rede (Esgotos)” “Edit Features" “Start Editing”, conforme representa a figura seguinte (Fig. 30). Fig. 30 – Procedimento para editar o layer “Rede (Esgotos)”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Seleccionaram-se os elementos do shapefile “Polyline” e fez-se clique com o botão direito do rato sobre o “Polyline” “Selection” “Select All” (Fig. 31). Fig. 31 – Selecção dos elementos do layer “Polyline”. De seguida, clicou-se no símbolo ”Copy” depois no símbolo “Paste”. Surgiu uma janela com o nome “Paste” onde se seleccionou o shapefile para onde se pretende copiar os elementos (shapefile em edição, “Rede (Esgotos)”) clicou-se em “Ok” (Fig. 32). Para os pontos procedeu-se da mesma forma com a excepção de se copiarem os elementos para o shapefile “Acessórios (Esgotos)”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 32 – Cópia de elementos entre shapefiles. Quando temos um shapefile em edição, para podermos editar outro é necessário primeiro guardar as alterações e parar a sua edição. Clicou-se na opção “Editor” localizado junto ao canto superior esquerdo “Save Edits” “Stop Editing” e só então depois se pôde editar o shapefile pretendido. Para cada shapefile existe uma formatação gráfica definida no ficheiro de projecto (Aguas.mxd). Os elementos copiados não assumem essa simbologia devido ao facto dos layers dwg possuírem apenas a localização e a geometria das linhas e pontos. Deste modo, foi necessário preencher a tabela de atributos, registanto a informação que diz respeito ao tipo de elemento, na mesma forma que foi definida no ficheiro do projecto, para que essa simbologia fosse assumida. Nesta fase, foram também registadas outras informações referentes às características dos elementos, nomeadamente diâmetros, tipos de material, entre outras. Procedeu-se à selecção das polilinhas do shapefile “Rede (Esgotos)”. Fez-se uma janela de forma a abranger toda a área de trabalho, seleccionando todas as linhas, através da ferramenta “Edit Tool” (símbolo em forma de triângulo, localizado ao lado da R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica opção “Editor”) clicou-se com o botão direito do rato sobre o shapefile “Rede (Esgotos)” “Open Attribute Table”, para abrir a tabela de atributos (Fig. 33). Fig. 33 – Acesso à tabela de atributos. Para se poder visualizar só os elementos seleccionados, clicou-se no segundo símbolo com formato de folha, localizado junto ao canto inferior esquerdo (Fig. 34). Procedeu-se ao preenchimento da coluna “Tipo” clicou-se com o botão direito do rato sobre “Tipo” “Field Calculator…” (Fig. 34). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 34 – Visualização dos elementos seleccionados e a opção “Field Calculator…”. Surge a janela “Field Calculator” onde é possível criar fórmulas ou expressões que facilitem e acelerem o processo de introdução de dados na tabela. Desta forma, introduziuse a expressão “C” de colector, com as aspas, no campo “Tipo =“, para que esta coluna tome para todas as polilinhas o registo “C” clicou-se em “Ok” (Fig. 35). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 35 – Introdução do registo “C” para a coluna “Tipo”. Como se pode verificar na próxima figura (Fig. 36), a coluna “Tipo” ficou toda ela preenchida com a designação “C”. Fig. 36 – Tabela após a alteração realizada à coluna “Tipo”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Efectou-se o mesmo procedimento para os pontos da rede, que vão tomar na tabela correspondente aos “Acessórios (Esgotos)” a designação de “CV” (Caixas de Visita) para a coluna “Tipo”. Foram eliminados os shapefiles “Polyline” e “Points”, uma vez que já foram copiados os seus elementos e não eram mais necessários. A figura seguinte apresenta a geometria da rede de acordo com as alterações efectuadas às tabelas dos shapefiles (Fig. 37). Fig. 37 – Visualização das condutas principais e caixas de visita após as alterações. Terminados os procedimentos de formatação gráfica das condutas principais e caixas de visita foi impressa a planta da rede de esgotos numa folha A3 para ser feita uma verificação em campo. Ao mesmo tempo que se fazia essa verificação, completava-se a rede com mais informação, utilizando um aparelho GPS, pelo método DGPS (Tempo-real), para fazer o levantamento de contadores, ramais de água, caixas domiciliárias de esgoto, números de R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 4 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica policia e placas de toponímia das ruas. É importante ter esta informação sobre os utilizadores das redes, uma vez que possibilita uma pesquisa e resposta mais rápida quando for necessário tomar decisões. Para cada acessório a coordenar existe um formulário a preencher denominado de quickfile. O quickfile é criado no software ArcPad, que está instalado no GPS. Este é preenchido no momento do levantamento de cada acessório. Por exemplo, tratando-se de um contador de água, é feito o seu levantamento iniciando a leitura junto ao contador enquanto se preenche o formulário de acordo com a informação descritiva do local, nomeadamente, o nº de consumidor, proximidade à caixa domiciliária de esgoto (sobreposto ou afastado), entre outras informações que ajudem a caracterizar cada caso. Para ser mais fácil a identificação no local, do consumidor de cada contador, foi levada para campo uma folha que é utilizada no serviço de águas, onde consta a lista de todos os números, nomes e moradas de consumidores, e números de contadores da freguesia na qual se esta a realizar o trabalho. O consumidor é identificado com base na confrontação entre o número presente em cada contador e o da lista. Depois de identificado é registado o seu número no GPS. Este número é valido para o contador e para a caixa domiciliária de esgoto, uma vez que diz respeito ao mesmo consumidor. Concluído o trabalho em campo transferiu-se o shapefile “PTCAMPO” do GPS para o computador através de um cabo USB. Abriu-se novamente o ficheiro de trabalho (“Aguas.mxd”) no ArcMap e adicionou-se este shapefile. Para copiar a informação registada no “PTCAMPO” para os respectivos shapefiles do ficheiro de trabalho, nomeadamente, “contadores”, “cx-comiciliaria”, “N_Policia” e “Placas_Toponimia”, acedeu-se à sua tabela de atributos (ver Pág. 46), seleccionaram-se os registos a copiar para cada shapefile, e fez-se o mesmo procedimento descrito anteriormente nas páginas 44 e 45, relativo à cópia entre shapefiles. Depois de reunida toda informação nos respectivos shapefiles, o passo seguinte foi desenhar os ramais de esgoto para cada caixa domiciliária de esgoto. Algumas das caixas domiciliárias de esgoto foram associadas ao mesmo ponto dos contadores, com a informação “Sobreposto”, devido ao facto de estarem muito próximos no terreno, e de não R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica haver necessidade de coordenar dois pontos, tornando assim a realização do trabalho de campo mais rápida. Este procedimento foi adoptado tendo consciência de que o mais importante neste tipo de trabalho não é tanto a localização rigorosa das caixas domiciliárias de esgoto mais sim ter a informação de quem tem acesso ao serviço de esgoto, podendo com isso detectar possíveis falhas na cobrança do serviço. Como são necessários os pontos das caixas domiciliárias de esgoto para poder desenhar os ramais de esgoto, esses pontos foram criados no ArcMap. Através da pesquisa dos contadores com o registo “Sobreposto” foram adicionados pontos junto aos contadores com o mesmo número de consumidor. Para ser mais fácil a identificação dos contadores com esse registo, houve necessidade de tornar visível a informação do ID do consumidor e da localização da caixa domiciliária de esgoto. Clicou-se com o botão direito do rato sobre o layer “Contadores” “Properties…” (Fig. 38). Fig. 38 – Procedimento para tornar visível a informação do ID do consumidor e da localização da caixa domiciliária de esgoto. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Como se pode verificar na janela “Layer Properties”, no campo “Label Field” apenas está seleccionada a opção “ID_Consum” que se refere à informação do ID do consumidor. Deste modo, para adicionar uma expressão que inclua também a informação referente à localização da caixa domiciliária de esgoto (“CONT_RE”), clicou-se no botão “Expression” (Fig. 39). Fig. 39 – Janela “Layer Properties”. Na janela “Label Expression”, no campo “Expression”, adicionou-se a seguinte expressão, “[ID_Consum + CONT_RE]”, e clicou-se em “Ok” (Fig. 40). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 40 – Inserção da expressão. De forma a tornar estas alterações visíveis, clicou-se com o botão direito do rato sobre o layer “contadores” “Label Features”. Na figura seguinte pode verificar-se a informação junto ao ponto de contador que traduz a expressão adicionada. Depois de fazer o procedimento de “Start Editing” (ver Pág. 43) para o layer “Cx-Domiciliaria”, procedeu-se então à localização de todos os pontos com registo “Sobreposto”. Seleccionou-se a opção “Point” localizada no canto inferior direito, no campo “Construction Tools”, e clicou-se na proximidade de cada ponto de contador para adicionar um novo ponto de caixa domiciliária de esgoto (Fig. 41). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 41 – Marcação dos pontos de caixas domiciliárias de esgoto. Como o ID do consumidor é o mesmo para a caixa domiciliária de esgoto, acedeu-se à tabela do layer “Cx-Domiciliaria” através do procedimento anteriormente descrito (“Open Attribute Table”), e no campo “ID_CONSUM” introduziu-se o mesmo número de consumidor (Fig. 42). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 42 – Inserção do ID do consumidor na tabela do layer “Cx-domiciliaria”. Depois de criados os pontos de caixas domicilárias de esgoto, procedeu-se ao desenho dos ramais de esgoto. Ligou-se o layer “Rede (Esgotos)” no painel esquerdo do programa e fezse procedimento “Start Editing” (ver Pág. 43). Com o layer já em edição, seleccionou-se a opção “Line” no campo “Construction Tools”, clicou-se primeiro sobre o ponto de caixa domiciliária de esgoto e depois fez-se duplo clique sobre a linha do colector (Fig. 43). Se a opção “Snapping” não estiver activa, não vai ser possível fazer o desenho do ramal de esgoto de modo a serem respeitadas as regras topológicas. Assim sendo, foi necessário verificar antes se o “Snapping” estava activo, procurando a barra de ferramentas com este nome, localizada no painel superior do programa, e seleccionaram-se as opções pretendidas para a procura de pontos auxiliares (Fig. 43). Estes podem ser pontos finais, médios ou constantes de linhas, polilinhas, ou de outros objectos presentes no desenho. Se a barra não estiver visível, é necessário adicioná-la, fazendo clique com o botão direito do rato sobre R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica um espaço vazio no painel, onde surge uma lista das barras de ferramentas disponíveis, procura-se a “Snapping” e selecciona-se. Fig. 43 – Desenho do ramal de esgoto e a barra de ferramentas “Snapping”. Em SIG, a topologia em muitos casos, é fundamental para garantir a integridade dos dados. Ela é utilizada fundamentalmente para assegurar a qualidade dos dados e para permitir a execução de algumas funções de análise espacial. Pode ser utilizada para definir regras de integridade dos dados, tais como: entre parcelas de terreno não podem existir “buracos”; parcelas de terreno não podem ser sobrepostas; as estradas têm que estar ligadas entre si; Para suporte de funções de análise espacial que requerem, por exemplo: R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica identificação de objectos adjacentes; identificação de objectos ligados; Para suporte de ferramentas de edição que respeitem as restrições topológicas do modelo de dados, por exemplo: alterar uma aresta comum e, automaticamente, alterar todos os objectos que partilham essa aresta; O ArcMap disponibiliza ferramentas úteis para edição de dados respeitando regras topológicas tais como o: snapping – garante arestas ligadas, definindo uma distância de tolerância (snapping tolerance); extend – estende uma linha até que esta toque numa feature previamente seleccionada; trim – trunca uma linha que é cortada por uma feature previamente seleccionada; cut polygon – para dividir um polígono em dois; auto-complete polygons – garante que 2 polígonos possuem uma aresta comum (isto é, são adjacentes); A figura seguinte apresenta um esquema das ferramentas descritas anteriormente. Fig. 44 – Ferramentas de edição de dados que respeitam regras topológicas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Para manter a topologia da rede de esgoto, caso se pretenda fazer posteriormente uma simulação da circulação de caudais, foram divididas as linhas do colector (“C”) nas ligações aos ramais de esgoto, uma vez que estas se encontravam continuas. Seleccionou-se o colector com a ferramenta “Edit Tool”, clicou-se no botão “Split Tool” disponível na barra de ferramentas “Editor” do painel superior (Fig. 45), procurou-se o ponto auxiliar de junção do ramal doméstico com a conduta principal e fez-se duplo clique sobre ele. Fig. 45 – Ferramenta “Split Tool”. Como se pode verificar na figura seguinte, o colector foi dividido em dois troços. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 46 – Corte do colector. Depois destes procedimentos o desenho da Rede de Águas Residuais está completo. A figura seguinte apresenta a disposição final dos colectores, caixas de visita, ramais de esgoto e caixas domiciliárias de esgoto. Fig. 47 – Vista final da Rede de Águas Residuais. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 5 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Terminado o desenho da Rede de Águas Residuais, prosseguiu-se para o desenho da Rede de Abastecimento de Água. Esta rede data do ano de 1999, o projecto existia apenas em formato de papel, numa planta não georeferênciada. Como não existiam elementos na planta que possibilitassem uma georeferênciação precisa através da coordenação de pontos comuns entre a planta e o terreno, foi realizado o desenho vectorial da mesma sobre as ortofotos no ArcMap, com base nas medições feitas de forma manual aos troços de condutas na planta. Foram também identificados e adicionados ao desenho, os vários acessórios que fazem parte da rede (válvulas, bocas de incêndio, ventosas, entre outros). Para desenhar os troços, foi editado o layer “Condutas (Águas)”, através do procedimento “Start Editing” (ver Pág. 43), seleccionou-se o tipo de conduta (“conduta de distribuição”) em “Create Features” e a opção “line” em “Construction Tools” (Fig. 48). Procedeu-se da mesma forma para o desenho dos acessórios, apenas com a excepção de se ter seleccionado a opção “point”. Fig. 48 – Desenho da conduta de distribuição. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Depois de fazer o desenho vectorial da rede com base na planta, procedeu-se ao desenho dos ramais domésticos. Fez-se o procedimento “Start Editing” (ver Pág. 43) para o layer “Acessórios” e desenharam-se os ramais domésticos da mesma forma descrita anteriormente para os ramais de esgoto, com a excepção de neste caso ser feita a união entre os contadores / ramais de água e a conduta de distribuição de água. Como não foi possível terminar esta rede antes do fim do estágio, a figura seguinte apresenta o exemplo de uma zona onde foi feito o levantamento de contadores e o desenho de ramais domésticos (Fig. 49). Fig. 49 – Vista de uma zona da rede onde foram desenhados os ramais domésticos. Posteriormente para terminar o trabalho, serão adoptados os mesmos procedimentos realizados nesta zona da rede. Depois de ter o desenho completo da Rede de Abastecimento de Água, para manter a sua topologia caso se pretenda fazer posteriormente uma simulação da circulação de caudais, é necessário fazer o mesmo procedimento descrito anteriormente na Rede de Águas Residuais (Pág. 58 e 59), dividindo neste caso as linhas da “conduta de distribuição” nas ligações aos ramais domésticos. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 3.1.2 Rede Topográfica Municipal O gabinete de SIG iniciou um projecto que tem por objectivo apoiar a georreferenciação de trabalhos de topografia no concelho. Este projecto consiste na materialização de marcas topográficas em todas as freguesias do concelho, e posteriormente, disponibilizar as suas coordenadas no site da Câmara Municipal. Para cada localidade é feito em gabinete, um planeamento e análise do aglomerado urbano, a fim de definir as melhores zonas para colocar essas marcas. Em cada zona existem sempre 2 a 3 pontos visíveis entre eles. Estes pontos são coordenados com um aparelho receptor Trimble R6/5800 GNSS através do método Rápido-Estático / Pós-processamento em Posicionamento Relativo (Fig. 50). Fig. 50 – Receptor Trimble R6/5800 GNSS. A primeira etapa, foi editar o layer “Marcas_Provisorias”, através do procedimento “Start Editing” (ver Pág. 43). Depois foram colocados os pontos sobre a ortofoto em zonas R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica estratégicas da localidade, de forma a fazerem a melhor cobertura da área urbana. Para o caso de Vila do Touro foram planeados os pontos da figura seguinte (Fig. 51). Fig. 51 – Colocação das marcas provisórias em gabinete. Para a realização do trabalho em campo é impressa uma folha no formato A3 com a informação que apresenta a Fig. 51, de forma a obter uma boa percepção do aglomerado urbano e da localização das marcas provisórias. Para configurar a folha de impressão, mudou-se a vista para o modo de “layout”, clicando no segundo botão com o simbolo de folha, localizado no canto inferior esquerdo da janela de visualização. Acedeu-se ao menu “File” “Page and Print Setup…”. Na janela “Page and Print Setup”, seleccionou-se o nome da impressora no campo “Name”, o formato de folha A3 no campo “Size” e a opção “Portrait” no campo “Orientation” e clicou-se em “Ok”. Entre outras opções adicionais, pode ainda ser definida a área de impressão no campo “Map Page Size” (Fig. 52). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 52 – Configuração das opções de impressão. Depois de configurar as opções de impressão, estendeu-se o “viewport” aos limites de impressão da folha e introduziu-se a escala pretendida no campo da barra de ferramentas de acesso rápido, localizada no painel superior do programa, de forma a obter uma boa aproximação e cobertura da localidade (Fig. 53). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 53 – Escala de impressão e ajustamento do viewport. O passo seguinte foi colocar o Norte cartográfico e a escala numérica. Acedeu-se ao menu “Insert” “North Arrow…”. Surge a janela “North Arrow Selector” onde são apresentados vários estilos de simbologia, seleccionou-se um deles e clicou-se em “Ok” (Fig. 54). Fig. 54 – Colocação do Norte Cartográfico. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica O símbolo aparece sobre a folha, sendo necessário posicioná-lo no local mais adequado e redimensioná-lo de forma a ficar visível. Para inserir a escala numérica, acedeu-se ao menu “Insert” “Scale Text…”. Surge a janela “Scale Text Selector” onde são apresentados vários tipos de escalas numéricas, seleccionou-se a escala absoluta e clicou-se em “Ok” (Fig. 55). Fig. 55 – Colocação da escala numérica. A escala aparece sobre a folha, sendo necessário posicioná-la no local mais adequado e redimensioná-la de forma a ficar visível. Depois de preparar a folha para impressão, acedeu-se ao menu “File” “Print Preview” para obter uma pré-visualização de como vai ficar a folha depois de impressa (Fig. 56). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 56 – Pré-visualização da folha depois de impressa. Para fazer a impressão da folha, acedeu-se ao menu “File” “Print”. Surge a janela “Print”, onde se definiu a qualidade de impressão e o número de cópias clicou-se em “Ok” (Fig. 57). Fig. 57 – Impressão da folha. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Em campo, fez-se inicialmente uma análise das marcas que foram planeadas em gabinete. Por vezes pode haver algumas que não possam ser fixadas no local, devido a factores como a visibilidade para as outras marcas e ruas na próximidade, a garantia da durabilidade do ponto ou a acessibilidade à colocação do tripé. Tendo em atenção todos estes factores, a marca deve então ficar de preferência em largos, cruzamentos ou entroncamentos, sobre ou perto de lancis, caixas, guias de estradas em betão ou cubos de granito, afloramentos rochosos, entre outros de fácil procura e afixação. O próximo passo foi ligar o receptor, a caderneta, e abrir na caderneta o programa “Survey controller”. Como este aparelho tem tecnologia bluetooth, este faz a ligação automática do receptor à caderneta. É aconselhável manter sempre a caderneta próxima do receptor, uma vez que o alcance máximo do bluetooth para a maioria dos dispositivos deste género é de 10m. Já no programa Survey controller foi criado um novo trabalho, no menu “Arquivos” com o nome “Vtouro-abitureira”. Seleccionou-se a partir da biblioteca de Sistemas de Coordenadas o “ETRS89/PT-TM06” relativo a Portugal, e o modelo de Geóide “GeodPT08”. No menu “Levantamentos” seleccionou-se a opção “FastStatic” para o método de levantamento em Pós-processamento e a opção “Medir Pontos”. Surge uma janela onde são definidas as características para iniciar o processo de medição. Dentro das mais relevantes, o nome do ponto, código associado, método de levantamento que já tinhamos definido anteriormente e a altura do aparelho, neste caso 2m. Terminadas as configurações na caderneta do receptor, é importante ter atenção ao número de satélites disponíveis no local, ao valor PDOP e ao factor Multitrajecto, analisando a próximidade de objectos no local que possam afectar a recepção do sinal proveniente dos satélites. Depois de ter em consideração todos os factores referidos anteriormente para a escolha do local, procedeu-se à fixação da marca. Com o auxílio de um berbequim é feito um furo onde se coloca uma bucha e por fim a marca em latão com as iniciais CMS. Posteriormente é feita a centragem e nivelação do bastão com a antena sobre a marca, com a ajuda de um tripé para garantir estabilidade, neste caso foi utilizado um tripé de pinça. Na caderneta do aparelho inicia-se o processo de medição, clicando em “Medir”. Normalmente, os tempos R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica de medição devem variar com base no número de satélites (mínimo quatro), no comprimento da linha de base e no PDOP que deve ser menor que 6. No inicio do projecto foi definido um tempo de medição de 16 min. Este considera-se mais adequado tendo em conta o comprimento médio da linha de base (estação RENEP da Guarda) a cada ponto de 20 km. No entanto, no decorrer dos trabalhos constatou-se um inconveniente que resulta do facto de o concelho do Sabugal ter uma área relativamente grande e um elevado número de freguesias, que faz com que o tempo dispendido nas viagens de ida e volta para cada freguesia, seja considerávelmente grande. Este inconveniente levou a que o tempo de medição fosse repensado, para que os trabalhos se realizassem de forma mais rápida e económica. Deste modo, definiu-se um tempo de medição de 8 min, considerando-se este suficiente para garantir uma precisão horizontal m e vertical m. Terminadas as medições em campo, fez-se o tratamento dos dados em gabinete, utilizando o software Trimble Business Center. Em primeiro lugar, foi criado um novo projecto seleccionando a template utilizada para estes trabalhos, que tem todas as configurações necessárias, como o Sistema de Coordenadas (ETRS89), estações base da RENEP, unidade de medida, entre outras. Acedeu-se ao menu “File” “New Project…” Seleccionou-se na janela “New Project” a “Template Trimble” clicou-se em “Ok” (Fig. 58). Fig. 58 – Criação de um novo trabalho e selecção da template. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 6 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica O próximo passo foi fazer a ligação da caderneta do aparelho ao computador através de um cabo USB. No painel à direita com o nome “Device Direct Connection” surgem automaticamente duas designações, “Survey Pro” e “Survey Controller”. No “Survey Controller” clicou-se no + para expandir a lista de trabalhos armazenados na caderneta. Procurou-se o trabalho correspondente (“Vtouro-abitureira”) e arrastou-se para o plano de trabalho (“Plan View”). Ao arrastar o ficheiro surge automaticamente uma janela com o nome “Project Coordinate System” onde questiona se pretendemos fazer a conversão do sistema de coordenadas do ficheiro para o da template ou se pretendemos mantê-lo. Como o ficheiro de trabalho já estava configurado à partida para o projecto, mantiveram-se as configurações, seleccionou-se a opção “Keep the existing project definition” e clicou-se em “Ok” (Fig. 59). Fig. 59 – Manter o Sistema de Coordenadas do ficheiro de trabalho. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Surge a janela (“Receiver Raw Data Check In”), onde foram seleccionados os pontos medidos em campo a serem importados clicou-se em “Ok” (Fig. 60). Fig. 60 – Selecção dos pontos a importar. A figura seguinte apresenta os pontos importados, referentes às localidades de Vila do Touro e Abitureira. Como se pode verificar, a figura apresenta também as estações base da RENEP, neste caso as mais próximas da zona de trabalho são a da Guarda e a de Penamacor (“GUAR” e “PENA”) que apresentam o símbolo de triângulo (Fig. 61). A estação base utilizada foi a da Guarda pela sua maior proximidade. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 61 – Visualização dos pontos importados e das Estações RENEP mais próximas. Depois foram descarregados os ficheiros RINEX do servidor do IGP referentes ao dia, horas (intervalo que abrange o tempo das medições) e estação base de referência utilizada (IGP-Guarda). Acedeu-se ao menu “File” “Internet Download”. Surge um painel do lado direito com o nome “Internet Download” onde surge uma lista com todas as estações de referência do IGP. Fez-se duplo clique sobre a estação “IGP-Guarda”, surge uma janela (“Download Parameters”) com os dias disponíveis para download, neste caso foram 2 dias de medição (09-08-2012 e 10-08-2012). Seleccionou-se o dia 09-08-2012 e clicou-se em “Ok” (Fig. 62). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 62 – Selecção dos dias com os ficheiros RINEX disponíveis. Surge uma lista no painel do lado direito com os ficheiros disponíveis para download referentes ao dia seleccionado. Fez-se a seleccão de todos com auxílio da tecla Ctrl clicou-se em “Import”. Surge novamente a janela “Receiver Raw Data Check In” onde apresenta os intervalos de tempo e duração das medições, confirmou-se a selecção de ambos os intervalos, uma vez que abrangem todo o periodo de medição e clicou-se em “Ok” (Fig. 63). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 63 – Ficheiros RINEX correspondentes ao dia seleccionado. Posteriormente foi feito o mesmo procedimento para o dia 10-08-2012. Como se pode verificar no campo referente ao “File Name”, na janela “Receiver Raw Data Check In” da figura anterior (Fig. 63), os ficheiros RINEX apresentam-se da seguinte maneira: “GUAR223J.12O”. Os primeiros 4 caracteres definem o nome da estação (“GUAR” – GUARDA). Do 5º ao 7º caracter, define-se o dia GPS (dia juliano), neste caso “223”. Os dias GPS são iniciados às 0h GPS do dia 1 de Janeiro. O dia “223” é portanto o dia 10 de Agosto. A letra “J” diz respeito à sessão da observação (duração de 1h). Os dois primeiros caracteres da extensão do ficheiro identificam o ano de observação (neste caso “12” corresponde ao ano 2012). O último caracter que é representado pela letra “O”, identifica o tipo de ficheiro, neste caso, de observação. Após os procedimentos anteriores, as linhas de base foram geradas com base nos ficheiros RINEX descarregados, as quais fazem a ligação entre os pontos medidos em campo e a estação de referência da Guarda (Fig. 64). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 64 – Linhas de base geradas. O próximo passo foi processar as linhas de base para obter as coordenadas corrigidas dos pontos. Fez-se uma janela de selecção de forma a abranger todas as linhas de base clicou-se com o botão direito do rato sobre estas “Process Baselines”. Surge uma janela onde foram apresentados os resultados do processamento de todas as observações entre a estação de referência da Guarda e cada um dos pontos. Nela constam as precisões atingidas, horizontais e verticais, os desvios padrão e os comprimentos das linhas de base clicou-se em “Save” para serem guardados os resultados (Fig. 65). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 65 – Resultados de Processamento. Ao retirar a selecção das linhas de base, fazendo clique com o botão direito do rato “Clear Selection”, verifica-se que estas mudam para a cor azul, o que significa que o processamento foi feito e as coordenadas dos pontos foram corrigidas (Fig. 66). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 66 – Linhas de base processadas. Posteriormente é gerado um relatório com as coordenadas dos pontos, precisões atingidas e gráficos relativos aos erros de medições, para fazer uma análise critica dos resultados obtidos. Acedeu-se ao menu “Reports” “Baseline Processing Report”. Este relatório pode ser exportado para 3 tipos de ficheiro, Excel, PDF ou Word. Neste caso optou-se pelo PDF, clicou-se no símbolo com o formato de disquete presente na barra de ferramentas logo acima das páginas do relatório “PDF” (Fig. 67) Surge a janela “Save As” onde se indicou o local para guardar o ficheiro clicou-se em “Save”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 67 – Relatório dos resultados obtidos para cada ponto. De seguida foi necessário exportar as coordenadas dos pontos para um ficheiro TXT para que depois possam ser importados no software ArcMap. Acedeu-se ao menu “File” “Export”. Surge um novo painel do lado direito onde se pode seleccionar o formato de ficheiro pretendido, neste caso foi escolhido o formato “P,E,N,elev,Code”, com separação por vírgula, correspondendo por ordem à designação do Ponto, Coordenada Este, Coordenada Norte, Elevação e Código do ponto. Definiu-se o local para guardar o ficheiro, clicando sobre o botão com o símbolo de reticências, localizado ao lado do campo “File name” surge a janela “Save As” indicou-se o directório e o tipo de ficheiro pretendido (TXT) clicou-se em “Save” e o caminho foi adicionado ao campo “File name”. Depois exportaram-se os pontos clicando no botão “Export”, localizado no canto inferior direito (Fig. 68). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 68 – Exportação das coordenadas dos pontos. No projecto da Rede Topográfica Municipal, existe um ficheiro do Microsoft Excel (Pontosfinais.xls) para onde vão sendo copiados os novos pontos. Este ficheiro tem ligação com uma base de dados que foi criada no Microsoft Access para armazenar toda informação e gerar as fichas individuais para cada ponto. Como tal, foi necessário copiar as coordenadas do ficheiro TXT para o Excel, nas folhas “PProvisorios” e “PDefinitivos”, renomeando os números dos pontos de forma a obter a continuação dos anteriores (Fig. 69). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 7 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 69 – Inserção dos novos pontos (grelha verde) nas folhas do Excel. Terminado este procedimento, abriu-se o ficheiro da base de dados do Access (RedeTopografica.mdb). Este é composto por Tabelas, Consultas e Relatórios. Nas tabelas são armazenadas informações relativas às características da envolvente, nomes de arruamentos, localidades, entre outros. Nas consultas é possível visualizar numa tabela a pesquisa que é feita à informação da tabela Excel (“Pontos_Coordenados”) e à da tabela de características da envolvente (“Pontos_Caracteriza”). Esta tabela resultante da consulta vai servir de base ao relatório. Nos relatórios são geradas as fichas dos pontos para depois serem exportadas para PDF e estarem disponíveis para consulta no site da Câmara Municipal. Acedendo à tabela “Pontos_Coordenados”, a qual tem ligação com o ficheiro Excel, podem-se visualizar os últimos pontos adicionados (Fig. 70). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 70 – Tabela com os últimos pontos inseridos. Na tabela “Pontos_Caracteriza” é adicionada a informação registada em campo relativa ao ponto de orientação, localidade, rua, descrição do local, estado da marca topográfica, data de colocação, data de verificação e tipo de utilização (Fig. 71). Fig. 71 – Tabela com a descrição do local onde foi materializada a marca topográfica. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Para facilitar a procura das marcas no terreno, cada ficha descritiva tem uma planta de localização. Esta foi criada utilizando o ficheiro de projecto “MarcasDefinitivas.mxd” onde foram adicionados os últimos pontos coordenados ao shapefile “Rede_Topografica”. Clicou-se no botão com o símbolo + localizado no painel superior do programa (“Add Data”) procurou-se o ficheiro Excel (Pontosfinais.xls), fez-se duplo clique sobre ele para aceder às tabelas que constam no seu interior, e seleccionou-se a tabela “PProvisórios”, a qual se refere aos últimos pontos adicionados clicou-se em “Add” (Fig. 72). Fig. 72 – Importação da tabela dos últimos pontos coordenados. Como não é possível fazer a cópia directa dos pontos da tabela Excel para o shapefile “Rede_Topografica”, torna-se necessário fazer primeiro a exportação para shapefile. Para isso, primeiro foi necessário extrair as coordenadas da tabela Excel, criando uma disposição e correspondência do atributo (M, P e Z) para cada valor. Clicou-se com o botão direito do rato sobre “PProvisorios” no painel esquerdo do programa “Display XY Data…” surge a janela “Display XY Data” onde se definiu a correspondência entre campos e atributos a serem exportados (“fields”), neste caso para a “X Field” escolheu-se a opção R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica “M”, para o “Y Field” a opção “P” e para o “Z Field” a opção “Z” clicou-se em “Ok” (Fig. 73). Fig. 73 – Selecção das “fields” a exportar para o shapefile. Como se pode verificar, um novo layer com o mesmo nome da tabela “PProvisorios” foi adicionado ao painel esquerdo do programa. Fez-se clique com o botão direito do rato sobre o layer “PProvisorios” “Data” “Export Data” para exportar para shapefile surge a janela “Saving Data”, onde se indicou o directório e o nome “Marcas_Provisorias” clicou-se em “Save”. Surge outra janela com o nome ”Export Data” onde se verificou se a opção “All featurs” estava seleccionada, para que todos os conteúdos do layer sejam exportados, e a opção “this layer´s source data”, para manter o mesmo sistema de coordenadas clicou-se em “Ok” (Fig. 74). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 3 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 74 – Exportação para shapefile. Surge uma janela a questionar se pretendemos importar o shapefile (“Marcas_Provisorias”) que acabamos de exportar, clicou-se em “Yes”. Como se pode verificar, este foi adicionado ao painel esquerdo do programa. Uma vez criado o shapefile já não é mais necessária a tabela Excel, fez-se clique com o botão direito do rato sobre ela “Remove”. Para copiar as coordenadas dos pontos do shapefile “Marcas_Provisórias” para o “Rede_Topografica”, fez-se o procedimento “Start Editing” (ver Pág. 43) para “Rede_Topografica” acedeu-se à tabela do “Marcas_Provisórias” através do procedimento “Open Attribute Table” seleccionaram-se os últimos pontos a copiar clicou-se no botão “Copy” e a seguir no “Paste”, localizados no painel superior do programa surge uma janela com o nome “Paste” onde se seleccionou o shapefile em edição (“Rede_Topografica”) clicou-se em “Ok” (Fig. 75). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 75 – Procedimento de cópia entre tabelas de shapefiles. Depois de serem copiados os pontos, apagou-se o shapefile “Marcas_Provisórias”, clicando com botão direito do rato sobre este “Remove”. A figura seguinte apresenta a vista final das coordenadas, com a simbologia e número do ponto do shapefile “Rede_Topografica” (Fig. 76). Fig. 76 – Vista final dos pontos das marcas topográficas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Para criar as plantas de localização que vão aparecer nas fichas das marcas abriu-se o ficheiro “Marcas_Plantas.mxd” destinado a esse procedimento, que contém os layers “Rede_Topografica”, “Rede_Viaria_AMCB” e “Centros Urbanos”. Estes layers dizem respeito às marcas topográficas, linhas e nomes de ruas, e ao nome de localidades respectivamente. Para fazer a formatação gráfica dos pontos a incluir na planta de localização, clicou-se com o botão direito do rato sobre o layer “Rede_Topografica” “Properties…” surge a janela “Layer Properties”, acedeu-se ao separador “Symbology” clicou-se no botão “Add Values…” surge a janela “Add Values” onde foram seleccionados os últimos pontos coordenados clicou-se em “Ok” (Fig. 77). Fig. 77 – Selecção dos últimos pontos coordenados a serem incluídos na planta. De seguida, foi escolhido um símbolo para os pontos, fazendo clique com o botão direito do rato sobre cada ponto “Properties for Selected Symbol(s)…” (Fig. 78). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 78 – Propriedades de formatação da simbologia do ponto. Neste caso, escolheu-se a cor vermelha para destacar o ponto referente à ficha, ficando os pontos de orientação a branco (Fig. 79). Fig. 79 – Selecção do símbolo e cor para o ponto. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica O tamanho da planta (imagem) foi definido de forma a poder ser enquadrado nas fichas das marcas. Foi necessário apenas centrar a planta com o auxílio da ferramenta “Pan” disponível no painel superior do programa e introduzir a escala, neste caso “1:5000” (Fig. 80). Fig. 80 – Definição da escala e centralização do mapa. Para exportar a planta acedeu-se ao menu “File” “Export Map…” surge a janela “Export Map” onde se indicou o directório e o tipo de ficheiro a guardar (JPEG) clicouse em “Save”. No directorio do projecto existem as pastas “Plantas” e “Fotos” onde são guardadas as plantas de localização e as fotografias de campo respectivamente. A base de dados do Access está programada para aceder às imagens destas pastas para poderem ser visualizadas nas fichas das marcas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica De regresso ao ficheiro da base de dados (RedeTopografica.mdb), fazendo duplo clique no relatório “Ficha de Pontos” mudou-se a vista para “Pré-visualizar”, clicando no botão “Vista” localizado no canto superior esquerdo. Surge a visualização final da folha, com todas as informações necessárias à localização e utilização da marca topográfica (Fig. 81). Fig. 81 – Visualização final da ficha da marca topográfica. Terminados os procedimentos de construção das fichas das marcas, o próximo passo foi exportá-las para PDF, para que possam ser visualizadas a partir de um ficheiro KMZ no software Google Earth, que estará disponível para download no site da Câmara Municipal. Este ficheiro tem um link para cada ponto no mapa, que abre o PDF correspondente à ficha da marca. Para exportar as fichas para PDF, clicou-se no botão “Imprimir”, localizado no canto superior esquerdo surge a janela “Imprimir”, onde se seleccionou a impressora correspondente ao programa instalado para exportar PDF’s, neste caso o “CutePDF Writer” R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 8 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica no campo “Intervalo de Impressão” seleccionou-se a opção “Páginas” e introduziu-se o intervalo de páginas que diz respeito às últimas fichas de pontos criadas clicou-se em “Ok” (Fig. 82). Fig. 82 – Exportar as fichas para PDF. Surge outra janela com o nome “Save As”, onde se escolheu o local para guardar o PDF. Neste caso foi criada uma pasta (“FichasETRS89”) onde são guardadas todas as fichas, para que estas estejam acessíveis através do link de cada ponto no Google Earth. Neste ficheiro KMZ deve constar a área limite do concelho e as coordenadas das marcas. Em primeiro lugar, abriu-se um ficheiro no ArcMap que tivesse um shapefile com a área limite do concelho (“Sabugal.mxd”) para ser exportado para o formato KML (Fig. 83). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 0 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 83 – Área limite do concelho. O formato KML especifica um conjunto de características (marcas de lugar, imagens, polígonos, modelos 3D, descrições textuais, entre outros) para exibição no Google Earth, Google Maps, ou qualquer outro software geoespacial que assuma codificação KML. Cada lugar para além de ter sempre uma latitude e uma longitude associada, tem também dados que podem tornar a vista mais específica, como a inclinação, altitude, trajecto, entre outros, que juntos vão definir uma "visão da câmara" no programa. Arquivos KML são muitas vezes distribuídos em arquivos KMZ, servindo este para os compactar, de forma a tornar o seu carregamento mais rápido na internet. Para exportar a área limite do concelho para o formato KML, clicou-se no símbolo com uma caixa vermelha (“ArcToolBox”) localizado no painel superior do programa surge uma janela com a lista de opções disponíveis, expandiu-se o item “Conversion Tools” e “To KML” Fez-se duplo clique sobre “Layer to KML (Fig. 84). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 1 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 84 – Conversão do layer para KML no ArcToolbox. Foi apresentada a janela “Layer to KML” onde se seleccionou o layer a exportar (“Concelho_ETRS89_v2011”), o directório onde foi guardado o ficheiro, no campo “Output File”, e a escala na qual foi exportado o layer (“Layer Output Scale”). Esta escala diz respeito a uma referência a partir da qual é possivel visualizar o layer. Preenchidos estes três campos principais, clicou-se em “Ok” (Fig. 85). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 2 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 85 – Exportação para KML da área limite do concelho. Abriu-se o ficheiro “MarcasDefinitivas” e fez-se o mesmo procedimento para as marcas topográficas (layer “Rede_Topografica”). Depois de criados os dois ficheiros KML (“Concelho_ETRS89_v2011” “Rede_Topografica”), abriram-se no Google Earth (Fig. 86). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 3 e Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 86 – Visualização dos dois ficheiros KML no Google Earth. Para uma melhor apresentação gráfica, fez-se uma personalização das cores dos elementos. Expandiu-se o item “Concelho_ETRS89_v2011” e a pasta no seu interior, localizada no painel esquerdo do programa, separador “Locais”, e clicou-se com o botão direito do rato sobre o item “SABUGAL”, que diz respeito à área limte do concelho “Propriedades” surge a janela “Google Earth – Editar Marcador de local”, acedeu-se ao separador “Estilo, Cor” clicou-se no quadrado da cor referente às linhas, e seleccionou-se a cor para a linha (limite). clicou-se em “Ok”. Fez-se o mesmo procedimento para a cor da área, com a exepção de se configurarem as opções da largura da linha (4,0) e da opacidade da cor da área (25%). clicou-se em “Ok” (Fig. 87). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 4 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 87 – Configuração gráfica da área limite do concelho. Depois de ser feita a configuração gráfica da área limite do concelho, foi também escolhido um símbolo para os pontos. Fez-se clique com o botão direito do rato sobre cada ponto ”Propriedades” surge novamente a janela “Google Earth – Editar Marcador de local”, clicou-se no botão localizado no canto superior direito da janela com um símbolo standard escolheu-se o símbolo criado para os pontos clicou-se em “Ok” (Fig. 88). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 5 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 88 – Configuração gráfica dos pontos. A figura seguinte apresenta a vista final do concelho com as marcas topográficas (Fig. 89). Fig. 89 – Vista final do concelho com as marcas topográficas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 6 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Quando se clica sobre cada símbolo verde, surge uma etiqueta com o nome da marca e um link para aceder ao PDF. Para criar essa etiqueta pode-se utilizar o Microsoft Word. Fez-se a formatação gráfica de uma tabela, colocou-se o nome da marca e a designação “FICHA” (Fig. 90). Fig. 90 – Criação da etiqueta da marca. Para inserir o link, fez-se clique com o botão direito do rato sobre “FICHA” “Hiperligação…” No campo “Endereço” introduziu-se o link para aceder ao PDF correspondente. Depois da etiqueta criada, guardou-se o ficheiro no formato HTML. Acedeu-se ao menu “Ficheiro” “Guardar como” surge a janela “Guardar como”, indicou-se o directório e o formato (HTML) clicou-se em “Guardar”. Abriu-se o ficheiro HTML, num dos browsers instalados no computador e clicou-se com o botão direito do rato sobre a área em branco “View Source” (Fig. 91). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 7 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 91 – Acesso ao código HTML. Surge uma janela com a programação HTML da página, seleccionou-se e copiou-se o código. Regressou-se ao Google Earth, no painel do lado esquerdo, separador “Locais” fez-se novamente clique com o botão direito do rato sobre cada ponto “Propriedades” surge a janela “Google Earth – Editar Marcador de local”, adicionou-se o código copiado no campo “Descrição”, clicou-se em “Ok” (Fig. 92). Procedeu-se da mesma forma para cada ponto com a exepção de ter que se alterar no código, o número da marca e o endereço para aceder ao PDF. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 8 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 92 – Inserção do código HTML para cada marca. Como se pode verificar na figura seguinte, clicou-se sobre um dos símbolos verde e surgiu uma etiqueta correspondente à marca topográfica (Fig. 93). Fig. 93 – Etiqueta da marca topográfica. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 9 9 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Se clicarmos sobre o link “Ficha”, o Google Earth abre o PDF correspondente à marca, como apresenta a figura seguinte (Fig. 94). Fig. 94 – PDF da Ficha da marca topográfica. Para finalizar, exportou-se o ficheiro KMZ com os pontos das marcas e a área limite do concelho para ser disponibilizado no site da Câmara Municipal. No painel esquerdo, arrastou-se o item “SABUGAL” referente à área limite do concelho para o interior da pasta “Rede_Topográfica” fez-se clique com o botão direito do rato sobre a pasta “Rede_Topográfica” “Guardar Local como…” Surge uma janela para guardar o ficheiro, indicou-se o directório, o nome e o formato KMZ clicou-se em “Guardar”. Este ficheiro deve ser colocado no directório definido no site, para que esteja disponível para os utilizadores fazerem o download. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 00 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 3.1.3 Levantamentos Topográficos No decorrer do estágio foram realizados diversos levantamentos topográficos com vista ao apoio de obras no município. Aqui é apresentado o exemplo de um levantamento de um terreno realizado na freguesia de Peroficós. Este pertence à Junta de Freguesia e destinavase à construção de um recinto de festas. Devido ao estado do terreno, em declive acentuado, era necessário obter a informação topográfica para se calcular o aterro e muro de suporte, indispensáveis à construção do recinto. Para este trabalho foi utilizado o receptor Trimble R6/5800 GNSS em Posicionamento Relativo pelo método RTK. Em campo foi criado um novo trabalho na caderneta Trimble, definindo o Sistema de coordenadas PT-TM06/ETRS89 e o modelo de geoide para Portugal Continental, GeodPT08. Foi estabelecida a ligação do receptor GNSS à estação de referência GUARDA, pelo sistema de mensagem RTCM sobre protocolo NTRIP, através de um telemóvel ligado ao receptor via bluetooth. Iniciou-se o levantamento topográfico do terreno e da envolvente (rua e casas próximas). Foram medidos vários pontos de cota ao longo do terreno de forma a estabelecer uma boa cobertura que possibilite a criação das curvas de nível em gabinete. O levantamento topográfico foi realizado respeitando uma lista de códigos para os pontos. Estes códigos referem-se à identificação de elementos em campo, simplificando a sua designação e posterior desenho em gabinete. A figura seguinte apresenta alguns dos códigos utilizados para símbolos e linhas (Fig. 95). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 01 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 95 – Lista de códigos do gabinete de SIG para levantamentos topográficos. Quando é feita a importação do ficheiro de pontos medidos em campo, a cada ponto está associado um código. Adicionando esta lista de códigos ao programa é possível fazer com que este faça o desenho automático do levantamento topográfico. Terminado o trabalho em campo, exportou-se o ficheiro de pontos TXT da caderneta Trimble para o computador através de um cabo USB. O software utilizado para o desenho do levantamento topográfico foi o AutoCAD Civil 3D 2012. Criou-se um novo ficheiro a partir de um template criado para os trabalhos de Topografia no Sistema de Coordenadas ETRS89. Como sugere a figura seguinte, clicou-se no botão superior esquerdo, símbolo vermelho do AutoCAD “New” surge a janela “Select Template”, onde se procurou o template “TOPOGRAFIA_ETRS89_SIG(2012)” clicou-se em “Open” (Fig.96). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 02 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 96 – Selecção do template. No Workspace “Civil 3D” acedeu-se à barra de ferramentas “Toolspace” (se não estiver activa, no painel superior (“Ribon”), clica-se no menu “Home” primeiro botão “Toolspace”. Surge uma barra de ferramentas do lado esquerdo do programa). No template seleccionado para a criação do ficheiro de trabalho, já continha as listas de códigos (símbolos e linhas) para os elementos levantados em campo e as configurações necessárias para o desenho automático do levantamento topográfico. No entanto, a seguir vão ser explicados os passos para a criação dessas listas e configurações necessárias. Para adicionar a lista de códigos referente aos símbolos, clicou-se no separador “Settings”, expandiu-se o item “Point” fez-se clique com o botão direito do rato sobre a pasta “Description Key Sets” “New…”. Surge uma janela, onde se definiu o nome e a descrição da lista de códigos a criar, neste caso definiu-se o nome de “Simbologia” e descrição “Levantamentos topográficos” (Fig. 97). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 03 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 97 – Inserção do nome para a lista de códigos dos símbolos. De seguida, fez-se clique com o botão direito do rato sobre a lista criada “Simbologia” “Edit Keys”. Surge uma janela onde foram adicionados os códigos e definidas as suas características, designação, estilo (com a marca ou bloco associado), layer, entre outras (Fig. 98). Para adicionar um novo código, fez-se clique com o botão direito do rato sobre um dos presentes na lista “New…”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 04 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 98 – Inserção dos códigos para a simbologia. Para adicionar a lista de códigos referente às linhas, acedeu-se ao separador “Survey”. Este separador serve como uma base de dados, onde se faz a gestão e armazena informações topográficas específicas para serem utilizadas no worksapce Civil 3D. Clicou-se com o botão direito do rato sobre o item “Figure Prefix Databases” “New…”. Surge uma janela “New Figure Prefix Databases” onde se introduziu o nome para a lista, neste caso “TC” (Fig. 99). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 05 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 99 – Inserção do nome para a lista de códigos das linhas. No item “Figure Prefix Databases”, fez-se clique com o botão direito do rato sobre a lista criada “TC” “Manage Figure Prefix Database…”. Surge a janela “Figure Prefix Database Manager - TC” onde foram adicionados os códigos, clicando no símbolo + localizado no canto superior esquerdo da janela. Para cada um é possível definir várias opções, como o nome do código, o layer associado, entre outras (Fig. 100). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 06 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 100 – Inserção dos códigos para as linhas. Depois de criar as duas listas de códigos (símbolos e linhas), o próximo passo foi definir um directório para a base de dados do separador “survey”, onde vão ser guardados os ficheiros do projecto. Clicou-se com botão direito do rato sobre “Survey databases” “New local survey database…” surge uma janela para introduzir o nome da pasta correspondente à base de dados, neste caso optou-se pelo nome “LEVANTAMENTOS” clicou-se em “Ok”. De seguida foi feita a importação do ficheiro de pontos do levantamento topográfico. Clicou-se com botão direito do rato sobre a pasta “LEVANTAMENTOS” “Open for edit” (Fig. 101). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 07 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 101 – Abrir e editar a base de dados. Fez-se clique com o botão direito do rato sobre o item “Import Events” “Import survey Data…”. Surge uma janela onde se definiram as configurações relativas à importação dos pontos e ao desenho automático do levantamento topográfico. Em primeiro lugar foi escolhida a base de dados criada, “LEVANTAMENTOS”, no separador “Specify Database” clicou-se em “Next” (Fig. 102). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 08 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 102 – Escolha da base de dados para o desenho. No separador “Specify Data Source” foi importado o ficheiro de pontos através do item “Data source type”, seleccionando a opção “Point File” clicou-se no botão com o símbolo +, localizado no lado direito da janela procurou-se o ficheiro TXT clicou-se em “Add”. Como se pode verificar na figura seguinte (Fig. 103), o endereço do ficheiro foi adicionado ao campo “Selected Files”. No campo “Specify point file format (filtering ON)”, foi seleccionado o formato de conteúdo do ficheiro, “PENZD (comma delimited)”, que diz respeito à disposição de Nº do Ponto, Coordenada Este, Coordenada Norte, Cota Ortométrica ou Elipsoidal, descrição ou código do ponto, dados estes separados por vírgula. No campo “Preview” é possível verificar a disposição do ficheiro de pontos importado. Clicou-se em “Next” (Fig. 103). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 09 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 103 – Importação do ficheiro de pontos. No separador “Survey Network”, foi seleccionada a lista de códigos referente às linhas, “TC” clicou-se em “Next” (Fig. 104). Fig. 104 – Selecção da “Survey Network”. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 10 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica No último separador (“Import Options”), seleccionou-se a opção “Process linework during import” para que a união dos pontos do desenho seja gerada automaticamente assim que é feita a sua importação. Definiu-se também a sequência da ligação dos pontos através da selecção no campo “Process linework sequence” da opção “By point number”, para que seja adoptado o critério de seguimento do número do ponto. O campo “Insert figure objects” refere-se ao aparecimento da simbologia da lista de códigos das linhas no desenho automático. Foi também seleccionado o item “Insert survey points” para que a simbologia dos pontos fosse visível no desenho” clicou-se em “Finish”. (Fig. 105). Fig. 105 – Opções finais de importação. A figura seguinte apresenta o desenho automático do levantamento topográfico gerado pelo programa. Por vezes podem ocorrer situações em que seja necessário fazer correções, dependendo também da forma como os pontos foram medidos em campo e da atribuição R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 11 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica dos códigos no momento. A título de exemplo, foi deixada uma polilinha azul por corrigir, para demonstrar como outros segmentos foram corrigidos (Fig. 106). Fig. 106 – Desenho automático gerado pelo programa. Esta polilinha diz respeito à berma da estrada, é necessário corrigir a sua terminação de forma a que não faça a ligação com o outro lado da estrada. Para tal, clicou-se sobre a polilinha azul, fez-se clique com o botão direito do rato sobre “Edit Survey Figure Properties…”. Surge a janela “Figure Properties” onde surge a lista de pontos referentes aquele segmento (Fig. 107). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 12 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 107 – Janela com a lista de pontos referentes ao segmento da berma da estrada. Aqui pode ser editada a polilinha através da ordenação, adição ou eliminação de pontos. Quando seleccionamos um ponto da lista, ele é sinalizado automaticamente sobre a polilinha, o que possibilita a localização do ponto sobre o segmento, como se pode verificar na figura seguinte (Fig. 108). Fig. 108 – Vista do ponto seleccionado sobre a polilinha. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 13 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Para fazer a correcção, substituiu-se o último ponto da polilinha pelo ponto de terminação do muro. Fez-se clique sobre o símbolo de ponteiro no campo “Number” especificou-se no desenho o ponto a introduzir, clicando sobre a terminação do muro clicou-se em “Apply” e em “Ok”. Depois de ter o desenho correcto dos segmentos, procedeu-se a criação das curvas de nível. Estas foram geradas a partir de um grupo de pontos seleccionados, cuja sua cota foi aproveitada para esse efeito. Para criar o grupo de pontos, acedeu-se ao separador “Prospector” da barra de ferramentas “Toolspace”, fez-se clique com o botão direito do rato sobre o item “Point Groups” “New…”. Surge a janela “Point Group Proprerties” onde se introduziu o nome do grupo, “CURVAS”. Para seleccionar os pontos a incluir no grupo acedeu-se ao seprador “Include”, seleccionou-se a opçao “With raw descriptions matching”, e introduziram-se no campo os códigos referentes aos pontos a incluir clicou-se em “Ok”. (Fig. 109). Fig. 109 – Pontos a incluir pela sua descrição nas curvas de nível. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 14 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Depois de criar o grupo de pontos, procedeu-se à criação da surface para as curvas de nível, clicando com o botão direito do rato sobre o item “Surfaces” “Create Surface...”. Surge a janela “Create Surface” onde foram definidas opções como o layer a atribuir para as curvas de nível no campo “Surface layer” (layer 0 por defeito), o nome (“Surface”) e o estilo de representação no campo “Style”, que diz respeito à equidistancia das curvas intermédias e das curvas mestras, neste caso, 0,5m e 2m respectivamente. Definidas estas opções, clicou-se em “Ok” (Fig. 110). Fig. 110 – Criação da surface para as curvas de nível. Para que o grupo “CURVAS” seja utilizado na criação das curvas de nível, espandiram-se no separador “Prospector” da barra de ferramentas “Toolspace”, as opções do item “Surface” e do item “Definition” clicou-se com o botão direito do rato sobre “Point Groups” “Add…”. Surge a janela “Point Groups” com o conjunto de grupos existentes seleccionou-se o “CURVAS” clicou-se em “Apply” e em “Ok”. A figura seguinte apresenta a surface criada com base no grupo de pontos “CURVAS” (Fig. 111). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 15 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 111 – Representação da surface utilizando o grupo de pontos “CURVAS”. Como se pode verificar, algumas curvas de nível sobrepõem determinados elementos do desenho, nomeadamente a estrada, as casas e os muros. Neste caso a zona mais importante para o projecto e que deve ser representada pelas curvas de nível é a zona do terreno, uma vez que essa informação é necessária ao cálculo do aterro e dimensionamento do muro de suporte. Como tal foram criadas várias polilinhas de forma a delimitarem todas as zonas que não devem ser desenhadas pelas curvas de nível. Estas foram criadas utilizando o layer “Defpoints” devido ao facto de este layer estar configurado para que os seus elementos não apareçam na impressão. Acedeu-se novamente ao item “Definition”, clicou-se com o botão direito do rato sobre “Boundaries” “Add”. Surge a janela “Add Boundaries”, onde se introduziu o nome da boundarie (“Hide_Surface”), o tipo de operação a ser feita, neste caso a opção “Hide”, uma vez que se pretende que não sejam desenhadas curvas de nível no interior das zonas definidas como boundaries clicou-se em “Ok” (Fig. 112). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 16 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 112 – Criação de boundaries. A figura seguinte apresenta a vista final da surface, com as zonas ocultas pelas boundaries e o layer “Defpoints” inactivo (Fig. 113). Fig. 113 – Vista final das curvas de nível. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 17 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Para destacar os edifícios e muros de pedra solta, foram adicionadas algumas tramas ao desenho, utilizando o comando “Hatch” (Fig. 114). Foi também feita a etiquetagem das curvas de nível, adicionando a cota ortométrica às curvas mestras e intermédias. Acedeu-se ao separador “Annotate” do painel superior “Ribbon” botão “Add labels” “Surface“ “Contour - Multiple” (Fig. 114). Fig. 114 – Adicionar informação das cotas ortométricas às curvas de nível. Na opção “Contour – Multiple” são escolhidos 2 pontos sobre o desenho para definir a linha que vai gerar a etiquetagem automática das curvas de nível. Como não pretendiamos que esta ficasse visível no desenho, à execpção da informação altimétrica, fez-se clique com o botão direito do rato sobre a mesma “Properties…”. Na barra de ferramentas “Properties”, seleccionou-se a opção “False” no campo “Display Contour Label Line” (Fig. 115). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 18 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 115 – Opções da linha altimétrica. Terminados estes procedimentos, o desenho está pronto a ser entregue. Por norma faz-se a exportação do desenho para uma versão DWG acessível à versão AutoCAD do utilizador final e pelo facto de existir informação nestes desenhos que só é visivel se for aberta no AutoCAD Civil 3D. Sempre que seja necessário fazer alterações substanciais ao projecto, como por exemplo, a alteração de uma surface ou a importação de novos pontos, recorre-se ao ficheiro original, no AutoCAD Civil 3D. A figura seguinte apresenta a vista final do levantamento topográfico (Fig. 116). R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 19 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 116 – Vista Final do Levantamento Topográfico. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 20 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 3.2 PLANEAMENTO URBANO 3.2.1 Desenho 3D de Edifícios A construção de modelos 3D digitais de cidades são dispositivos eficazes para uma ampla gama de aplicações no planeamento urbano, nomeadamente para a construção e para os processos de desenvolvimento de uma cidade. A avaliação do impacto ambiental de um empreendimento é um bom exemplo de como um modelo tridimensional de uma cidade pode ser útil para a gestão urbana. Estes modelos 3D permitem uma avaliação visual e estética no contexto urbano, de novos projectos arquitectónicos, sistemas de transporte e infra-estruturas em geral. Meses ou anos antes de uma obra ser erguida já é possível simular o efeito de tal edificação na região próxima, e assim ajustá-la de forma a obter um melhor aproveitamento (Fig. 117). Fig. 117 – Simulação de novos projectos e tomada de decisões. Os modelos 3D podem também constituir uma fonte para o turismo virtual, possibilitando às pessoas, o conhecimento dos principais pontos de interesse, e o planeamento de futuras visitas à localidade. Além de tudo isso, e talvez o mais importante, é a participação dos cidadãos nos projectos de desenvolvimento urbano. Existem já algumas iniciativas que pretendem modelar cidades inteiras em 3D e fornecer à sociedade ferramentas, que possibilitam o acesso online aos projectos da administração pública. Isso aumenta R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 21 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica significativamente a transparência na gestão e oferece aos cidadãos mais proximidade com a tomada de decisão, tomando consciência de que, o impacto de uma escolha no presente afecta a populaçao no futuro. A Tecnologia da Informação sob a forma de mapas digitais e modelos 3D integrados em bases de dados, está cada vez mais presente na administração pública e nos municípios em particular. Fazendo uma actualização constante dos mesmos, com base nas alterações verificadas, é possível manter um registo histórico completo, possibilitando uma análise da evolução urbana ao longo do tempo. Neste capítulo, apresenta-se como exemplo prático, o desenho 3D dos edifícios da Avenida das Tílias na cidade de Sabugal. Até à data não existia qualquer iniciativa deste género, constituindo uma ideia proposta, que poderia ser desenvolvida e alargada a todas as ruas da cidade e freguesias do concelho. O facto de no gabinete SIG existirem vários perfis de arruamentos, poderia ser de grande ajuda à realização de trabalhos deste género. Como base do projecto foi utilizada a cartografia 1/2000 disponível do ano 2009 (Fig. 118, zona da avenida assinalada pela linha amarela) e um levantamento arquitectónico e topográfico dos edifícios (Fig. 119), ambos no sistema de coordenadas ETRS89. Fig. 118 – Cartografia do ano de 2009, zona da Avenida das Tílias no Sabugal. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 22 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Fig. 119 – Levantamento arquitectónico e topográfico dos edifícios da Avenida das Tílias no Sabugal. O que constituía maior interesse para o projecto, em termos de modelação tridimensional, eram os alçados dos edifícios voltadas para a avenida e o polígono de implantação, quando visto em planta, de forma a manter a coerência entre a cartografia e o levantamento arquitectónico. Assim sendo, foram copiados da cartografia os polígonos dos edifícios e muros, para um novo ficheiro DWG. Foram também copiados os alçados dos edifícios do levantamento arquitectónico, para o mesmo ficheiro, de forma a ficarem alinhadas com a disposição dos polígonos em planta. Depois de ter todos os elementos reunidos no ficheiro DWG, este foi importado para o software Google Sketchup, onde foi feita a modelação 3D dos edifícios, e dos seus pormenores arquitectónicos, nomeadamente no que diz respeito a portas, janelas, varandas, gradeamentos, muros, entre outros. A utilização deste software proporciona uma maior facilidade em publicar os modelos 3D nas aplicações da Google, mais propriamente no Google Earth. O Google Earth tem sido uma das aplicações mais utilizadas pelos Sistemas R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 23 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica de Informação Geográfica para armazenamento de modelos 3D, o que não invalida a futura conversão do ficheiro de modo a poder ser carregado noutra aplicação diferente. No levantamento arquitectónico a maioria da geometria diz respeito a alturas e comprimentos, uma vez que este não foi realizado com o propósito deste trabalho. Deste modo, foi necessário efectuar algumas medições complementares em campo, para ter acesso às profundidades das janelas, portas entre outros elementos. Como as fotografias disponíveis dos edifícios não eram as mais adequadas para o recorte e aplicação de texturas, pelo facto de não apresentarem uma perspectiva paralela ao plano das fachadas dos edifícios e dos seus elementos, foi aproveitada a ida ao local para tirar novas fotografias. Terminado o processo de modelação 3D, foi necessário fazer o recorte e tratamento das imagens para as texturas, recorrendo ao software Adobe Photoshop. A aplicação das texturas foi feita no Google Sketchup, de forma a que cada uma delas respeitasse o comprimento e altura de cada elemento do edifício (Fig. 120). Fig. 120 – Aplicação de texturas no Google Sketchup. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 24 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Com a aplicação das texturas o modelo 3D ficou completo. Proseguiu-se à sua exportação para um ficheiro PDF 3D. Este formato facilita o acesso à informação pelo utilizador final, uma vez que basta ter instalado o software Adobe Reader X, para poder visualizar o modelo 3D (Fig. 121). Fig. 121 – Ficheiro PDF 3D com a representação da avenida. O Adobe Reader X tem várias opções de visualização de modelos 3D, nomeadamente uma barra de ferramentas para girar, rodar ou deslocar a vista sobre o modelo, modos de renderização, activação de iluminação extra, entre outras. O formato PDF 3D para além de possibilitar a integração do modelo 3D, pode também numa forma mais organizada armazenar informação alfanumérica, relativa à rua, localização, edifício, proprietário, área, entre outras. Futuramente, poderia ser feita a recolha desta informação para que cada edifício tivesse um registo descriminatório. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 25 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 3.3 ARQUEOLOGIA 3.3.1 Reconstituição Urbana em 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho As intervenções arqueológicas realizadas no povoado do Sabugal Velho, entre 1998 e 2002, permitiram definir a ocupação do local em dois momentos distintos: durante o I milénio a.C. e posteriormente nos sécs. XII-XIII d.C. Esta derradeira presença humana no topo do relevo deixou evidências melhor conservadas das estruturas. Deste modo, foi sugerida ao Gabinete de Arqueologia, a possibilidade de fazer a reconstituição em 3D das ruínas arqueológicas relativas a esta 2ª fase de ocupação (Fig. 122). Fig. 122 – Modelo tridimensional do povoado do Sabugal Velho. Ao longo dos anos, as ruínas do Sabugal Velho tinham despertado imensa curiosidade nas pessoas, nomeadamente acerca da organização urbana e das actividades quotidianas da R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 26 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica população daquela época. Em publicações anteriores tinham já sido avançados alguns dados descritivos e interpretativos sobre o urbanismo e a arquitectura deste aglomerado medieval. Com esta recente abordagem informática pôde-se reavaliar esses contributos e incluir alguns outros que, através destas ferramentas, foram agora ponderados. A reconstituição tridimensional da aldeia fortificada, tomando como base as descobertas arqueológicas e os fundamentos históricos, traz agora ao público uma nova percepção sobre aquilo que noutros tempos existiu naquele local. Este modelo vem mostrar aquilo que as ruínas arqueológicas por si só não conseguiam, suscitando ainda maior curiosidade aos visitantes. A sua utilização em sites da Internet ou na forma de simuladores de visita virtual, como aqui aconteceu, é mais um meio que o Município do Sabugal dispõe para mostrar a aparência deste antigo núcleo populacional e a forma como as populações aí viverem, sendo um género de aplicação informática com grande potencial para a componente de defesa do património arqueológico do município. Este trabalho demonstrou como a aplicação dos meios informáticos na Arqueologia é um instrumento auxiliar na análise dos dados proporcionados pelas escavações arqueológicas, possibilitando ainda, no caso dos softwares 3D, a sua utilização como ilustração e divulgação à população geral. 3.3.2 Metodologia O desenho tridimensional das ruínas foi desenvolvido em colaboração com o Gabinete de Sistemas de Informação Geográfica e o Gabinete de Arqueologia, permitindo o acesso à informação base que viria a servir de suporte ao desenho, nomeadamente o levantamento topográfico do local, no sistema de coordenadas Hayford-Gauss Militar, e a planta esquemática da reconstituição hipotética do urbanismo, com a localização dos sectores escavados, elaborada a partir do levantamento topográfico e de uma fotografia aérea das ruínas em 1958, pertencente ao Instituto Geográfico e Cadastral (antiga designação do Instituto Geográfico Português, IGP). Devido ao facto de se tratar de uma reconstituição urbanística, optou-se por tomar como ponto de partida a planta esquemática, encontrandose a mesma no formato raster. Tornou-se necessário levar a cabo a georreferenciação e o R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 27 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica desenho vectorial dos elementos, sobrepondo a planta ao levantamento topográfico, utilizando para isso o software ArcMap. Seguidamente procedeu-se à importação dos pontos de cota do levantamento topográfico no software AutoCAD Civil 3D, a fim de gerar o Modelo Digital de Terreno, que viria a servir de base à construção das casas, muros e muralhas. Posteriormente, procedeu-se ao alargamento da área envolvente através dos softwares AutoCAD Civil 3D e Google Earth, obtendo assim uma perspectiva mais alargada do local. A definição do terreno é melhor no levantamento topográfico, pois o nível de pormenor e concentração de pontos de cota que caracterizam o local é maior. Assim, houve necessidade de fazer alguns ajustes, modelando o terreno nas zonas de junção, a fim de lhe conferir continuidade. Depois de ter o MDT final, efectuou-se a importação da planta esquemática, já georreferenciada e no formato vectorial, para o AutoCAD Civil 3D, e procedeu-se à modelação 3D dos elementos da planta no workspace 3D Modeling (Fig. 123). Fig. 123 – Comando Extrude utilizado na criação e modelação dos sólidos durante o processo de reconstituição 3D das estruturas da planta. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 28 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Terminado o processo de modelação 3D, seguiu-se a importação do ficheiro no software Google Sketchup, onde foram colocadas as texturas da estrutura (Fig. 124). Fig. 124 – Aplicação de texturas às estruturas reconstituídas. Esta aplicação informática permite uma melhor gestão dos recursos de memória e processamento, permitindo assim uma renderização mais rápida. Ter o modelo 3D disponível nos dois formatos constitui uma vantagem, pois o mesmo pode ser convertido num ou noutro formato, dependendo do fim que se deseje, aproveitando assim as maisvalias de cada software. Sobre o MDT, pensou-se na aplicação de uma ortofoto o mais antiga possível e no tratamento da sua imagem, de forma a não evidenciar grandes alterações feitas pelo Homem ao longo dos tempos. Depois de aplicado chegou-se à conclusão de que não iria retratar da melhor forma o local, uma vez que não existe informação suficiente que possibilite a recriação da constituição do terreno e pelo facto de a ortofoto ter pouca definição quando próxima dos elementos do desenho. Optou-se então por aplicar uma cor entre um castanho relativo à terra e um verde relativo à vegetação, tendo a vantagem da morfologia do terreno, se destacar melhor numa cor sólida. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 29 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica As imagens utilizadas nas texturas são provenientes de pesquisas realizadas no motor de busca Google. Para o seu tratamento foi utilizado o software Adobe Photoshop, este permitiu gerar um padrão de continuidade para cada uma delas, quando as mesmas são aplicadas ao modelo 3D. Na fase final do trabalho, foi definido um percurso virtual pelos pontos de maior interesse do povoado. Seguidamente procedeu-se à renderização da animação 3D, permitindo a criação de vários fotogramas que depois viriam a ser compilados através do software Adobe After Effects e que permitiu a criação de um vídeo. Esse vídeo viria posteriormente a ser editado no software Edius (Canopus), pois o mesmo permite uma melhor edição final, já com um ajuste mais eficiente no que concerne à temporização dos vários clips, às suas transições, aos efeitos, à colocação das etiquetas informativas com a designação dos locais de interesse, ao ajuste dos “faders” (quer ao nível do áudio, quer ao nível dos clips de vídeo), à equalização do som (ajuste de decibéis) e aos créditos finais do trabalho. Este trabalho constitui um exemplo de como as diversas áreas profissionais se podem complementar a fim de estabelecer progressos na investigação do passado histórico. O contributo deste trabalho vai ao encontro do debate de ideias que poderá vir a ser estabelecido entre os profissionais da Arqueologia. Representa apenas um anteprojecto, que pode ser melhorado com mais tempo e recursos. Tais melhoramentos podem passar por conferir um aspecto mais realista às edificações, ao terreno e à vivência humana local. 3.3.3 Critérios de reconstituição As intervenções arqueológicas no povoado medieval do Sabugal Velho tinham proporcionado diversas informações que permitiam caracterizar, em linhas gerais, a primitiva fisionomia desta aldeia e que serviram também de suporte a este trabalho. Todavia, em qualquer projecto desta natureza, perante a necessidade de enunciação de outros aspectos relativos à tridimensionalidade e tipologia das estruturas, surgem naturalmente questões das quais não existem informações exactas, como por exemplo, a dimensão e a textura das estruturas em matéria perecível aplicadas nas coberturas, no fabrico das portas e no capeamento da muralha de terra batida. Esta constatação obrigou a R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 30 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica repensar os dados, recorrendo frequentemente aos registos arquivados, mas fundamentalmente à observação de paralelos em outras estações arqueológicas e nos aglomerados de arquitectura tradicional das Beiras. Nos casos em que não se obtiveram elementos confiáveis para aplicar no modelo tridimensional, recorreu-se fundamentalmente ao bom senso, como critério. Mesmo assim, algumas das propostas avançadas são perfeitamente discutíveis e exigem uma eventual reavaliação das fontes, a consulta de mais paralelos publicados e até a realização de trabalhos arqueológicos complementares no local. Devem, pois, ser vistas apenas como conjecturas que considerámos, com grande probabilidade, terem sido utilizadas naquela altura. A seguir serão enunciados alguns dos critérios utilizados e a justificação das opções que foram tomadas neste trabalho. i) Nas estruturas defensivas O Sabugal Velho possui dois alinhamentos defensivos: a cintura interna de alvenaria de xisto e granito que contorna completamente o núcleo urbano e que corresponde à reconstrução de uma muralha castreja preexistente; e a estrutura defensiva externa, de terra batida, construída apenas do lado poente (Fig. 122). A espessura da muralha interior foi determinada com base no registo arqueológico e no levantamento topográfico do talude de pedras, tendo uma dimensão média de 4 m, apesar de ser bastante variável, como se constatou nas escavações, mas que não foi possível representar com demasiado rigor no traçado geral. Não foram identificadas, quer na ortofoto ou no terreno, quaisquer torres adossadas exteriormente ao pano de muralhas, em toda a cintura amuralhada. Constata-se que as mais primitivas construções defensivas militares medievais, na região do Alto Côa, eram constituídas por simples cercas defensivas sem torreões. Estes foram sendo acrescentados mais tarde, a partir do séc. XIV, como por exemplo em Sortelha, com o intuito de flanquear as muralhas e controlar eficazmente o assédio inimigo, no âmbito de novas soluções de arquitectura militar instituídas. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 31 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica A textura realista escolhida para a reconstituição desta estrutura defensiva inspirou-se nos troços intactos identificados nas sondagens (Fig. 125), onde se verificou que a muralha fora edificada em alvenaria de granito fino amarelado e xisto acinzentado, de módulo mediano, formando um aparelho disforme e irregular, mantendo a aparência da primitiva muralha castreja, mas aplicando maior quantidade de xisto nos troços reformulados nesta segunda fase de ocupação. Fig. 125 – Comparação entre o troço da muralha escavado e a textura usada na sua reconstituição. Assumiu-se apenas uma entrada no recinto interior, embora pudesse ter outras não detectadas no local e no levantamento topográfico, utilizáveis como portas falsas ou serventias de acesso aos terrenos de cultivo. Soube-se pelas escavações que o actual acesso ao Sabugal Velho não corresponde à primitiva entrada no burgo amuralhado medieval. O paramento defensivo mantém-se sob o caminho de terra batida que acede ao topo, conforme foi possível observar nas escavações. Pela análise da topografia e da fotografia aérea é perfeitamente visível uma abertura mais a sul desse carreiro (Fig. 127). Esta porta não era totalmente coincidente com o eixo de entrada da muralha exterior, gerando um acesso mais indirecto (Fig. 126). Considerando que qualquer anel defensivo teria um portão de madeira R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 32 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica a fechar o acesso, seguimos a tipologia comum nas restantes fortificações medievais da região, com porta de folha dupla, girando em torno de dois eixos laterais, eventualmente com uma abertura menor num dos portados, para facilitar as entradas de indivíduos, sem abrir todo o portão. Por suposição, definiu-se que a altura do portão chegaria até ao topo da cerca defensiva, com 4 m de altura, não prevendo qualquer arco de entrada, dado o tipo de aparelho construtivo empregue. A forma de capeamento da muralha é impossível de determinar. O mais certo, pela sua tipologia e cronologia, é que não tivesse qualquer sistema de ameias, mas um aplanamento que permitisse a circulação no topo, seguindo a tradição castreja da Idade do Ferro mesetenha. A reconstituição da muralha exterior de terra batida, na encosta poente do relevo, poderá ser mais problemática (Fig. 126). O seu traçado semicircular é perfeitamente visível no local, tal como na fotografia aérea de meados do séc. XX (Fig. 127), e a sua dimensão não se afasta muito daquilo que ainda se conserva. Fig. 126 – Um aspecto da primitiva entrada do povoado, com as duas linhas defensivas: a muralha de alvenaria interior e a cerca de terra batida. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 33 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Actualmente mantém cerca de 3 m de altura e 6 m de espessura na base, considerou-se que poderia ter primitivamente maior volume, pois sendo uma construção térrea, é natural que tenha perdido com a erosão parte da sua elevação máxima. Não há informação de que ela seria munida de um provável fosso interno ou se a depressão que aí se observa não é apenas consequência do aproveitamento do solo natural para a sua edificação. A construção desta segunda cerca de terra reflecte o evidente empenho na defesa do povoado, compreensível à luz da instabilidade militar dos séculos XII-XIII na raia entre leoneses e portugueses. No entanto, comparando com outras Vilas amuralhadas do Alto Côa, não é compreensível o motivo desta solução dupla e do recurso a distintas morfologias defensivas. Seria apenas um reforço externo devido à menor qualidade do anel castrejo de alvenaria ou visava somente proteger o espaço intra-muralhas com intuitos agro-pecuários? Se esta estrutura não foi edificada com funções exclusivamente militares, mas pensada também para a protecção de animais selvagens, ela tornava-se verdadeiramente eficiente se fosse complementada com estruturas de madeira a rematar a cumeada do talude de terra, que dado o seu carácter perecível são mais difíceis de detectar nas intervenções arqueológicas. À semelhança de outros casos conhecidos, colocou-se a hipótese do uso de postes de madeira, talvez de carvalho (abundante na região), com uma altura máxima de 2,5 metros (Fig. 126). Estas hipotéticas estruturas verticais seriam certamente completadas com um entrançado de varas e ramos, suficientes para repelir fundamentalmente a entrada de animais selvagens. Apesar de não ter sido representada, esta cintura externa teria também um sistema de fecho da entrada, que não foi possível conceber digitalmente. No entanto, esta proposta para a muralha exterior é questionável e merecia a realização de sondagens arqueológicas específicas neste talude, que permitissem assegurar a existência de marcas em negativo dos primitivos postes. ii) No urbanismo A reconstituição dos arruamentos e dos espaços públicos desta aldeia foi mais pacífica, devido ao bom estado de conservação da primitiva malha urbana do aglomerado, de traçado R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 34 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica ortogonal. Neste trabalho seguiram-se as reflexões anteriormente publicadas da existência de um eixo central, no sentido noroeste/sudeste, ao longo da cumeada do outeiro. Este arruamento principal estendia-se ao longo de 200 m, mantendo 5 m de largura média, para o qual se abriam diversos edifícios e de onde arrancavam pequenas transversais de acesso a outros espaços mais indefinidos do aglomerado (Fig. 127). Junto à entrada é possível que houvesse um primeiro espaço público, delimitado pela disposição e concentração dos edifícios (Fig. 127). A principal artéria urbana não desembocava nessa área, mas as construções que fecham esse arruamento, a poente, convergem mesmo para o tal largo às portas da aldeia. Fig. 127 – Confronto entre o excerto da fotografia aérea de 1958 e a recente reconstituição das ruínas. O edificado tende a concentrar-se no topo e na encosta meridional do relevo, área de maior exposição solar e abrigo de ventos dominantes, embora se reconheçam na ortofoto restos R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 35 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica construtivos na encosta norte, onde o cultivo foi intenso (em séculos recentes) e consequentemente a destruição foi maior (Fig. 127). Não existiam dados suficientes para definir o eventual traçado urbanístico dessa área do aglomerado, sendo até provável que não se expandisse para aí, nem para a extremidade nascente do outeiro amuralhado. Há ainda outro facto inquestionável, que é a não utilização do pano de muralhas como estrutura de encosto do casario. A linha defensiva encontra-se praticamente desimpedida de edificações, talvez por razões de estratégia militar. Fora do arruamento principal deduzem-se outros pequenos blocos construtivos que parecem constituir conjuntos habitacionais e os respectivos anexos. Foram assinalados aí alguns alinhamentos pétreos que, pela sua espessura e configuração, não devem corresponder a edifícios, mas a prováveis muros de pátios e quintais, como ainda hoje se observa em qualquer aldeia beirã. Estes muros de menor importância que aparecem por entre as casas e que definem pequenos pátios internos, aos quais se daria acesso por cancelas de madeira (Fig. 128), foram reconstruídos virtualmente com pouca altura e com menor espessura (50 cm). A textura atribuída ao seu aparelho é diferente da utilizada na muralha e nas casas, sendo menos cuidada, dados os seus meros propósitos de vedação. Fig. 128 – Conjunto edificado em torno de um pátio interno delimitado por muros. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 36 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Na extremidade sudeste do povoado identificou-se um outro muro que fecha um grande espaço interno no povoado (Fig. 127), utilizado talvez como redil de gado comunitário: para rebanhos, vacas, burros ou cavalos. A presença de animais de carga está provada pelo aparecimento de vários cravos e ferraduras de pequeno tamanho, talvez de burro ou de garrano, nas escavações efectuadas na ferraria descoberta na rua central do povoado. iii) Na arquitectura As edificações medievais do Sabugal Velho são maioritariamente de planta rectangular, com uma dimensão média de 9X6 m, sendo geralmente amplas, sem quaisquer indícios de divisão interna, concentrando no mesmo espaço todas as actividades: cozinha, dormitório e até a loja dos animais. Na generalidade, estes imóveis tinham em média 70 cm de espessura de paredes, conforme os dados registados nas escavações. Foram assinaladas algumas construções mais elaboradas que poderiam ter funções de maior relevância no aglomerado, a par de outras de dimensão reduzida. Se as edificações menores corresponderão a anexos, arrecadações e lojas de animais, já os edifícios maiores podem mesmo ter carácter comunitário, embora nenhum destes fosse interpretado, por exemplo, como a igreja, dado que não reuniam características arquitectónicas, orientação canónica ou artefactos litúrgicos associados, que permitissem atribuir-lhes essa função religiosa, ao contrário do que aconteceu no povoado medieval de Caria Talaia. As casas são unicamente de piso térreo, pois não se identificaram evidências de escadas interiores ou exteriores de pedra e porque a espessura das paredes também parece excluir essa possibilidade, tal como já foi proposto anteriormente. Há quem defenda que não eram frequentes os edifícios com dois pisos nesta época, especialmente num povoado de características rústicas, mas que estes começaram apenas a difundir-se nas grandes cidades a partir dos sécs. XVI-XVII. Presentemente, segundo os estudos tipológicos sobre as antigas casas beirãs, este género de edifício térreo apenas perdura em escassas povoações do actual concelho de Almeida, sendo primitivamente muito maior a sua difusão pelas terras do vale do Côa. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 37 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica Quanto às coberturas, tendo em consideração que os registos da intervenção arqueológica revelaram a inexistência de qualquer revestimento cerâmico (telha de canudo) ou de pedra (lajes de xisto), concluiu-se que os edifícios do Sabugal Velho eram cobertos com materiais perecíveis como giestas ou colmo (Fig. 129), como ainda hoje se observa nas regiões da serra da Estrela e de Montemuro. Fig. 129 – Pormenor da solução adoptada para a cobertura dos edifícios. Alguns autores defendem que esta solução era muito frequente na Idade Média, pois criava uma cobertura mais económica, mais leve para imóveis amplos e assegurava também uma temperatura mais confortável no interior das casas, numa região de invernos rigorosos. Evidentemente haveria algumas estruturas de suporte dessas coberturas, não tão complexas como no caso dos telhados, mas recorrendo provavelmente a vigas, tábuas e ramos entrelaçados. Tendo em conta estas propostas, avançou-se com a possibilidade dos imóveis terem vários barrotes a sustentar as coberturas, com cerca de 6 m de dimensão e com secção circular, colocados no sentido menor do vão. Por outro lado, dadas as características dos edifícios, especialmente na rua principal, sucessivamente encostados entre si ao longo R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 38 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica de 100 metros de fachada paralela ao arruamento (Fig. 130), a única solução possível era a utilização de coberturas de uma só água. Não havia outro recurso de escoamento pluvial, dado que as casas eram lateralmente contíguas. Assim, partindo apenas do senso-comum e não de evidências arqueológicas, considerou-se que estas coberturas deveriam pender sempre para as traseiras dos imóveis, tendo em conta que é bastante inconveniente a sua escorrência para os vãos da fachada. Fig. 130 – Idealização do aspecto que teria a rua principal do aglomerado. Fora da artéria principal já não se observa esta linearidade e simetria das construções e existem mais arruamentos que quebram as fiadas edificadas. Aí observam-se alguns edifícios de maior dimensão e de planta quadrangular que já poderiam ter coberturas de duas águas (Fig. 128 e 129), escorrendo-as, naturalmente, para as laterais, sempre que isso fosse possível. Salvo alguma excepção, o critério que se utilizou para a inclinação das águas foi vertê-las para os espaços secundários de menor serventia e nunca para a fachada ou para os arruamentos. Naturalmente, as paredes do lado inclinado da cobertura seriam menos elevadas que as restantes. Ora, tendo em consideração um pé direito em torno dos R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 39 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 2,3 m (como é habitual nas casas tradicionais beirãs) e as portas com 1,8 m de altura, atribuiu-se às fachadas dos edifícios da rua principal uma elevação em cerca de 2,6 m, sendo as paredes posteriores de menor dimensão, apenas com 2,1 m, para dar um desnível aproximado de 8 %. A localização exacta das portas nos edifícios reconstruídos foi coincidente, na maior parte dos casos, com as interrupções detectadas nos alinhamentos dos muros. Quando estas não eram visíveis no levantamento topográfico e na fotointerpretação, seguiu-se o critério de assinalar a entrada nas paredes que davam directamente para os arruamentos ou para os pátios internos. As portas foram desenhadas com 1 m de largura, excepto nos imóveis em que foram identificadas evidências arqueológicas de aberturas de maior dimensão, como por exemplo na ferraria da rua direita (com cerca de 1,5 m) e nos portais dos pátios. Neste modelo arquitectónico tridimensional não figuram as janelas (Figs. 129 e 130). Não obtivemos dados suficientes para determinar a sua existência, dimensão ou regularidade de utilização. Tal como se verifica ainda hoje nas casas tradicionais mais rústicas do Alto Côa, os vãos das janelas têm relativamente pouca importância no imóvel e é possível que apenas houvesse algumas de reduzida dimensão, mas não foram incluídas em nenhuma fachada, por falta de noções exactas sobre a sua representação gráfica. Os restos conservados dos alicerces das casas revelam má qualidade construtiva, tendo sido empregue predominantemente o xisto, de mais fácil confecção e aprovisionamento local, em lascas regulares e medianas, assentes a seco, a par de alguns blocos de quartzito e granito, de maiores dimensões, na base das paredes. Nos cunhais e nos vãos das fachadas deve ter sido utilizada cantaria de granito de boa qualidade, embora não tenham sido detectadas evidências materiais que comprovem a hipótese, talvez porque a pedra tenha sido sistematicamente levada para as povoações limítrofes. Assim, não foi possível fazer a reprodução fiel e integral da fisionomia do aparelho construtivo, com o detalhe que pretendíamos, por estas indefinições e por algumas outras dificuldades de reprodução digital. Mesmo assim, o aspecto final dos imóveis assemelha-se grandemente ao que é patente, ainda hoje, em muitos núcleos históricos da região do Alto Côa, mostrando que determinadas tradições construtivas perduraram até aos nossos dias. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 40 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 4 CONCLUSÕES Neste relatório foram abordados vários trabalhos cada qual num contexto diferente, o que permitiu diferentes reflexões. No que diz respeito às Redes de Saneamento, a elaboração de um cadastro, o mais aproximado possível da realidade, constitui uma importante contribuição para a manutenção e gestão destas redes. A informação georeferenciada e alfanumérica pode ser integrada numa base de dados e posteriormente, gerida e actualizada, a partir de uma aplicação desenvolvida para este efeito. O facto de esta informação estar reunida e acessível em tempo real possibilita uma maior rapidez na resposta a eventuais problemas ou intervenções nas redes. A existencia de uma Rede Topográfica Municipal possibilita um maior rigor e facilidade na análise de processos, por parte dos técnicos da Câmara Municipal. Todos os levantamentos topográficos serão apresentados no mesmo sistema de coordenadas e com maior rigor, resolvendo assim alguns problemas de posicionamento. Outra das grandes vantagens é também a maior facilidade em aceder à Rede Topográfica Municipal, do que à Rede Geodésica Nacional, o que se reflecte em custos operacionais mais baixos. Nos Levantamentos Topográficos tem havido uma grande evolução ao nível rapidez de execução. Esta evolução deve-se a um conjunto de tecnologias e softwares que permitem uma resposta mais rápida às solicitações. Num passado recente, quando se realizava um levantamento topográfico havia uma maior necessidade de efectuar a deslocação ao local do marco geodésico para georreferenciar o trabalho. Para além do tempo dispendido nessa prática em campo, o desenho do levantamento topográfico em gabinete e análise dos dados recolhidos, constituia também um processo moroso. Actualmente, o tempo dispendido para a sua realização é bastante mais reduzido. Para a execução do trabalho de campo, no que diz respeito à georrefênciação e medição em tempo real, pode-se recorrer a várias alternativas bastante mais rápidas, como é o caso da RENEP (IGP), do SERVIR (IgeoE) ou de uma Rede Topográfica Municipal perto da zona de trabalho. Em gabinete existem também vários softwares que possibilitam o desenho automático do levantamento topográfico, permitindo assim uma maior rapidez na entrega do trabalho. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 41 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica A concepção de modelos 3D digitais pode ser uma mais valia para o planeamento urbano de uma cidade, uma vez que permitem uma avaliação visual e estética no contexto urbano, de novos projectos arquitectónicos, sistemas de transporte e infra-estruturas em geral. O facto dos modelos 3D e informações associadas, poderem estar disponíveis aos cidadãos, aumenta significativamente a transparência na gestão das cidades e na implementação de futuros projectos da administração pública. Fazendo uma actualização constante da base de dados, de acordo com as alterações verificadas, é possível manter um registo histórico completo, permitindo uma análise da evolução urbana ao longo do tempo. Estes modelos, podem também constituir uma fonte para o turismo virtual, possibilitando às pessoas, o conhecimento dos principais pontos de interesse, e o planeamento de futuras visitas à localidade. O desenho 3D tem sido muito utilizado na Engenharia Civil para projecção das futuras edificações, contudo, as suas mais valias não têm sido suficientemente aproveitadas quando falamos na valorização do património histórico e cultural. Neste sentido, o 3D aplicado a áreas como a Arqueologia, como foi o caso do trabalho de Reconstituição Urbana em 3D da Aldeia Medieval do Sabugal Velho, pode fomentar o desenvolvimento turístico de uma região, pois proporciona ao turista, duas realidades diferentes do mesmo local. Este formato permite também uma visibilidade mais imediata junto da comunidade científica, bem como do público em geral. Estes projectos constituem um exemplo de como as diversas áreas profissionais se podem complementar a fim de estabelecer progressos. Ao nível da Arqueologia são também uma mais valia no que diz respeito à proteção e valorização do património arqueológico. Este estágio, apesar de curta duração (6 meses), foi bastante preeenchido e enriquecedor. O facto de ter sido realizado no Gabiente de SIG de uma Câmara Municipal proporcionou uma visão e uma experiência diferente, no que diz respeito ao trabalho que é desenvolvido e às ferramentas utilizadas para dar resposta às soliscitações. R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 42 Instituto Politécnico da Guarda Escola Superior de Tecnologia e Gestão da Guarda Engenharia Topográfica 5 BIBLIOGRAFIA Livros e textos consultados: GONÇALVES, José Alberto; MADEIRA, Sérgio; SOUSA, J. João (2008) - Topografia Conceitos e Aplicações. LIDEL GARCIA, José (2011) - AutoCAD 2012 & AutoCAD LT 2012 - Curso Completo. FCA Editora Informática. GRAHAM, Richard; HOLLAND, Louisa (2011) - Mastering AutoCAD Civil 3D 2012. Sybex. GASPAR, João (2010) - Google SketchUp Pro 8 passo a passo. Rede VectorPro. CABRAL, Tiago; OSÓRIO, Marcos (2012) – Reconstituição em 3D das ruínas do povoado medieval do Sabugal Velho (Aldeia Velha, Sabugal). Sabucale. 4. Sabugal, p. 71-82. Endereços electrónicos: http://pessoal.utfpr.edu.br/ligia/material/cartografia/aula7_gps.pdf http://www.igeo.pt/eventos/comunicacoes/Porto/CNCG2011-ReNEP.pdf http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9954/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o% 20final%20Paulo.PDF https://dspace.ist.utl.pt/bitstream/2295/161440/1/GPS_v1_1.pdf http://www.igeo.pt/eventos/comunicacoes/Lisboa/MV-ReNEP-SGL-2011.pdf http://ftp.feb.unesp.br/autodesk/civil3d/Tutorial_LINEWORK-CIVIL_3D_2010.pdf http://blogs.unibh.br/wpmu/geografia/files/2011/04/apostila-arcgis-prof-patracia.pdf http://www.esriportugal.pt/files/6813/1862/3794/IGA_%20EUE%20Madeira%202011.pdf http://www.isa.utl.pt/dm/geomat/geomat_2008_2009/aulaT09_TopologiaSIG.ppt http://www.leb.esalq.usp.br/disciplinas/Topo/leb450/Angulo/Curso_GPS.pdf http://enggeografica.fc.ul.pt/ficheiros/apoio_aulas/elementos%20de%20cartografia_projecc oes_cartograficas.pdf R ela t óri o d e E s t á gi o – Ti a go M i gu el M ora i s Ca b ra l | 1 43