ANÁLISE DE CORRELAÇÃO ENTRE A TEMPERATURA DO AR E OS PRINCIPAIS ELEMENTOS URBANOS NA CIDADE DE BELÉM - PA Antônio Carlos Lôla da COSTA (1); Arthur MATTOS (1) Prof. Dr. Departamento de Meteorologia / UFPA RESUMO Estudou-se a correlação entre as temperaturas médias, máximas e mínimas diárias do ar e a porcentagem de calçamento, edificações e vegetação na área urbana da cidade de Belém - PA, com o objetivo de identificar quais destes elementos apresentam maior influência no comportamento térmico daquela cidade durante a época menos chuvosa da região. Os resultados indicaram que dos elementos urbanos estudados, a vegetação foi a que melhor se correlacionou com a temperatura do ar, tendo os demais elementos apresentado correlações bem modestas. ABSTRACT It was studied the correlation among the temperature of the air, averages, maxims and minimum daily and the percentage of roadways, constructions and vegetation in the urban area of the city of Belém, Pa., with the objective of to identify which present larger influence in the thermal behavior of that city during the less rainy time of the area of these elements. The results indicated that os the studied urban elemnts, the vegetation went to the better it was correlated with the temperature of the air, tends the other elements presented very modest correlations, 1. INTRODUÇÃO A vegetação exerce uma influência positiva tanto sobre o clima como sobre a qualidade do ar. As áreas verdes proporcionam a redução da temperatura nos centros urbanos, pois parte da energia solar que seria disponível para o aquecimento das estruturas urbanas, é utilizada no processo de evaporação da água librada ao ambiente através da transpiração. Estudos realizados por STULPNAGEL et al.(1990) sobre a influência da vegetação no comportamento da temperatura do ar em Berlim, mostraram que a temperatura média anual do ar apresentou consideráveis variações, sendo os maiores valores (12C) encontrados no centro da cidade, enquanto os menores valores (7,5C) ocorreram em áreas vegetadas na periferia da cidade. Tais diferenças foram atribuídas à tipologia de uso e ocupação do solo. HASENACK & BECKE (1991), estudando distribuição da temperatura do ar no ambiente urbano de Porto Alegre, através do método de medidas móveis, encontraram melhor correlação da intensidade da ilha de calor com a distribuição da vegetação e densidade de edificações. Embora tenham encontrado vários núcleos de temperaturas elevadas na cidade, a ilha de calor mais definida foi observada na área central da cidade, em todas as noites, variando em forma e intensidade, mesmo em condições de tempo semelhante. Em áreas com maior concentração de vegetação arbórea no interior da área urbana, foram observadas a formação de ilhas frias, também conhecida como efeito “Oásis”, por apresentarem temperaturas inferiores às das áreas construídas, merecendo destaque a dimensão das áreas verdes e o porte da vegetação. Estudos realizados por ASSIS (1991) sobre o comportamento da ilha de calor urbana em Belo Horizonte, encontraram resultados, considerados como tendências, que também mostram as variações das temperaturas do ar relacionadas com a tipologia de uso e ocupação do solo. VIDAL (1992) estudou as relações entre a morfologia urbana e a distribuição espacial da temperatura do ar em Natal-RN. Os resultados mostraram que os elementos mais significativos na determinação das características da temperatura do ar foram à proximidade com o oceano, a topografia, as características do tecido urbano e a presença de áreas vegetadas. Durante o dia as temperaturas mais elevadas foram registradas nos espaços abertos, sem sombreamento e/ou arborização, onde os efeitos da radiação solar direta era mais intensa. O setor mais verticalizado, devido à sua localização e formação de sombras, apresentou temperaturas mais amenas, assim como, as ruas largas com canteiros centrais arborizados e áreas com intensa vegetação. Durante a noite as maiores temperaturas ocorreram nas áreas onde os ventos eram fracos ou quase inexistentes. MARTINS (1996) constatou em Juiz de Fora - MG, que as áreas mais verticalizadas, devido ao maior acúmulo de energia solar durante o dia, proporcionaram menores resfriamentos noturnos, além de antecipar o resfriamento diurno no centro da cidade devido ao efeito do sombreamento. 2. MATERIAIS E MÉTODOS Foram utilizados psicrômetros convencionais introduzidos no interior de abrigos meteorológicos padronizados e distribuídos em vinte bairros de diferentes características urbanas na cidade de Belém - PA. As leituras foram realizadas a intervalos horários e durante 24 horas consecutivas, durante duas semanas, sendo uma representativa da época chuvosa (fevereiro) e outra da época menos chuvosa (outubro) daquela região. As porcentagem de vegetação, edificações e calçamento urbano foram levantadas em campo levando-se em consideração uma área de aproximadamente 1 Km2 em torno do local de obtenção dos dados meteorológicos. Após a consistência dos dados, análises de correlações do tipo linear, polinomial, exponencial e logarítmica foram aplicadas com o objetivo de determinar quais dos elementos urbanos melhor se correlacionam com a temperatura do ar. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Dentre as análises de correração realizadas entre as temperaturas médias, máximas e mínimas diárias do ar e a porcentagem de calçamento, edificações e arborização, foi verificado que a melhor correlação ocorreu entre os valores de temperaturas médias e mínimas ( Figuras 01 e 02 ) e a arborização, sendo que as temperaturas máximas ( Figura 03 ) não foram bem correlacionadas com nenhum dos elementos urbanos estudados, em ambas as épocas estudadas. Observou-se que durante a época menos chuvosa da Região a correlação encontrada entre a porcentagem de arborização e as temperaturas médias e mínimas apresentaram um coeficiente de determinação ( r2 ) da ordem de 0,62, enquanto que na época mais chuvosa este coeficiente apresentou valores da ordem de 0,84. Em ambas as épocas a correlação entre a porcentagem de vegetação e as temperaturas máximas foi pequena, com um coeficiente de determinação de apenas 0,35. Temperatura média diária do ar (oC) Quando analizadas as correlações entre estas temperaturas e os demais elementos da estrutura urbana, verificou-se que, na grande maioria dos casos, a correlação foi muito fraca, apresentando coeficientes de determinação oscilando entre 0,10 a 0,30. Apesar desta baixa correlação, novamente as temperaturas médias e mínimas foram as que apresentaram as melhores correlações, sendo a do tipo polinomial a que melhor explicou tais variações. 27,5 y = -0,0173x + 26,941 2 R = 0,8057 27 26,5 26 25,5 25 0 20 40 60 80 100 Vegetação (%) Temperatura máxima diária do ar (oC) Figura 01 - Curva de correlação entre a temperatura média diária do ar e a porcentagem de vegetação na área urbana de Belém - PA. 34 y = -0,0341x + 32,201 2 R = 0,3825 33 32 31 30 29 28 0 20 40 60 80 100 Vegetação (%) Figura 02 - Curva de correlação entre a temperatura máxima diária e a porcentagem de vegetação na área urbana de Belém - PA. Temperatura mínima diária do ar (oC) 26 y = -0,0203x + 25,046 2 R = 0,8605 25,5 25 24,5 24 23,5 23 0 20 40 60 80 100 Vegetação (%) Figura 03 - Curva de correlação entre a temperatura mínima diária e a porcentagem de vegetação na área urbana de Belém - PA. 4. CONCLUSÕES Quanto aos elementos da estrutura urbana que são potencialmente capazes de proporcionar variações meteorológicas significativas, a vegetação apresenta um papel fundamental no sentido de amenizar as temperaturas máximas do ar, pelo efeiro combinado do sombreamento e reflexão da radiação solar incidente, diminuindo deste modo o desconforto térmico da Região. Os demais elementos da estrutura urbana, apesar de sua importância evidente, apresentam baixa correlação, contribuindo de modo secundário no comportamento térmico daquela cidade. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSIS, E. S. Avaliação da influência do uso e ocupação do solo sobre a formação da ilha de calor na cidade de Belo Horizonte, MG. In: Encontro Nacional de Conforto no Ambiente Construido, 1., Porto Alegre, 1991. Anais, Porto Alegre, 1991, p. 53-57. HASENACK, H. ; BECKER, V. L. Distribuição noturna da temperatura em Porto Alegre, RS utilizando o método de medidas móveis. In: Encontro Nacional de Conforto no Ambiente Construido, 1. , Porto Alegre, 1991. Anais, Porto Alegre, 1991, p. 139 - 145. MARTINS, L.A. A temperatura do ar em Juiz de Fora - MG: Influência do sítio e da estrutura urbana. Rio Claro - S.P., 1996. UNESP ( dissertação de mestrado). STULPNAGEL, A. V. ; HORBERT, M.; SUKOPP, H. The importance of vegetation climate. Urban ecology, 1990, p. 175-193. for the urban VIDAL, R. D. B. Influência da morfologia urbana nas alterações da temperatura do ar na cidade de Natal (RN). In: Encontro de Professores de Confrto Ambiental - NE. , 1, João Pessoa-Pb, 1992, p.33-37, Anais.