Anais do VIII Seminário de Iniciação Científica SóLetras – CLCA – UENP/CJ - ISSN 18089216
AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA MAIS SIGNIFICATIVAS:
POSSIBILIDADES DE TRABALHO COM A GRAMÁTICA REFLEXIVA
Rondinele Aparecido Ribeiro
(G – CLCA - UENP/CJ)
Vera Maria Ramos Pinto
(Orientadora- CLCA- UENP/ CJ)
Introdução
De acordo com postulações de Travaglia (2006), o modelo de trabalho adotado na
escola, de forma geral, ainda privilegia a Gramática Tradicional. Percebe-se, então, que há
uma grande disparidade entre o que preconiza os Parâmetros Curriculares Nacionais de
Língua Portuguesa (PCNs) e as Diretrizes Curriculares Estatuais de Língua Portuguesa
(DCEs).
Nesse sentido, a prática escolhida por boa parte dos docentes não é a adequada, uma
vez que o ensino torna-se mecânico e não lega conhecimentos significativos aos alunos.
Travaglia (2006) tece comentários a respeito da referida afirmação. Para ele “o que fazemos
em nossas aulas de Português afasta a língua da vida a que ela serve e se torna algo artificial e
sem significado para o aluno”.
O autor, ao fazer tal constatação, é a favor de uma profunda mudança no ensino da
disciplina de Língua Portuguesa. Afinal, se não legarmos conhecimentos aos alunos, o ensino
estará fadado ao insucesso.
Nos últimos anos, a concepção de língua adotada alterou profundamente as
orientações didático-pedagógicas dos PCNS e DCES, o que projetou também grandes
inovações do mercado editorial, dando um salto no que se refere à qualidade dos livros
didáticos.
Contudo, isso não significa que o trabalho, em sala de aula, tenho sofrido profundas
alterações. Afinal, questões ligadas ao ensino não são tão simples assim, ainda mais em se
tratando de um país como o Brasil, que possui grandes heterogeneidades. A questão vai além:
envolve desde a capacitação docente, passando também pelo comodismo e pelas jornadas
exaustivas de boa parte do corpo docente brasileiro.
Sendo assim, neste artigo, pretendemos mostrar para os professores algumas
possibilidades de como tornar as aulas de Língua Portuguesa mais significativas.Antes,
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porém, teceremos breves considerações a respeito de tipos de ensino bem como de tipos de
Gramática para, depois, apresentarmos algumas sugestões dessa metodologia para ser
aplicada em sala de aula.
Tipos de ensino de língua
Em seu livro intitulado “Gramática e Interação”, Travaglia (2006) deixa explícito
quais os objetivos das aulas de Língua Portuguesa bem como mostra as concepções de ensino
existentes. Para o autor, o objetivo das aulas de Língua Portuguesa é desenvolver a
competência comunicativa do usuário da língua, isto é, consideradas por esses mesmos
usuários como sequências próprias e típicas da linguagem em questão. O autor prossegue:
“Ora, se tais enunciados são frutos de situações de comunicação, são
naturalmente, textos, isso significa dizer que se deve propiciar o contato e o
trabalho do aluno com textos utilizados em situações de interação
comunicativa o mais variadas possível. Portanto, se a comunicação acontece
sempre por meio de textos, pode-se dizer que, se o objetivo de ensino de
língua materna é desenvolver a competência comunicativa, isto corresponde
então a desenvolver a capacidade de produzir e compreender textos nas mais
diversas situações de comunicação (TRAVAGLIA 2006, p. 19).
Como se observa, o autor é extremamente favorável a uma disciplina que trate
especificamente do texto, tratando-o como uma unidade sociointeracionista em que a
construção do sentido é pautada na relação dialógica existente entre autor receptor do texto,
ou seja, os sujeitos envolvidos no processo de comunicação. Para o autor, aliás, é essa
característica da Linguística que tem dado um papel especial, ao fornecer subsídios ao ensino
da Língua. Bakhtin, por sua vez, postula que a interação verbal constitui a realidade
fundamental da linguagem.
Apontados os objetivos das aulas de Língua Portuguesa, faz-se necessário elencar as
concepções de ensino existentes. Nesse tópico, Travaglia (2006) exemplifica que há três tipos
a saber:
o prescritivo;
o descritivo;
o produtivo.
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Importante salientar que, para o autor, o ensino prescritivo, também chamado de
proscritivo, trabalha a variedade culta da língua. Esse tipo de ensino associa-se à concepção
de linguagem como expressão do pensamento. Desse modo, esse tipo de ensino, que tem na
Gramática Normativa seu foco, objetiva o trabalho com a variedade culta da língua.
Por sua vez, o tipo descritivo é aquele que objetiva mostrar como a linguagem é e
como determinada língua em particular funciona. Esse tipo de ensino privilegia o trabalho
como todas as variedades de língua. Para Travaglia (2006), o tipo descritivo pretende:
a)levar o conhecimento da instituição social que a língua representa: sua estrutura e
funcionamento, sua forma e função;
b)ensinar o aluno a pensar, a raciocionar, a desenvolver o raciocínio científico, a capacidade
de análise sistemática dos fatos e fenômenos que encontra na natureza e na sociedade.
Por fim, o autor afirma que o ensino produtivo é aquele que tem por finalidade ensinar
novas habilidades linguísticas. O autor assevera, ainda, que esse tipo de ensino:
“Quer ajudar o aluno a estender o uso de sua língua materna de maneira mais
eficiente, dessa forma, não quer alterar padrões que aluno já adquiriu, mas
aumentar os recursos que possui e fazer isso de modo tal que tenha a seu
dispor, para uso adequado, a maior escala possível de potencialidades de sua
língua, em todas as diversas situações em que tem necessidade delas.”
(TRAVAGLIA, 2006, p. 39-40).
Fica evidente, então, pelas postulações feitas que a melhor forma de ensino é a última,
uma vez que visa ao desenvolvimento de competência comunicativa, objetivo maior das aulas
de Língua Portuguesa.
Concepções de Gramática e Tipos de Gramática
Naturalmente, uma indagação que surge é: O que se entende por Gramática?
Evidentemente, quando se faz essa pergunta, a resposta que nos vem à mente é a de que a
Gramática é um manual de regras em que há postulações a respeito do uso correto da língua.
De fato, a Gramática Normativa é um tipo de Gramática, mas ainda há Gramática Descritiva e
a Gramática Internalizada.
Apresentados os tipos de Gramática, faz-se necessário conceituá-los.
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Por Gramática Normativa, entende-se aquela que estuda apenas os fatos da língua
padrão, da norma culta de uma língua, norma essa que se tornou oficial (Travaglia, 2006).
Esse tipo de Gramática, como se observa, é prescritiva, uma vez que considera apenas uma
variedade da língua como válida.
Comumente, é a definição mais difundida e encarada como ferramenta de trabalho
pelos professores. Valho-me de uma constatação de Travaglia (2006): “Quase sempre, quando
os professores falam em ensino de Gramática, estão pensando apenas nesse tipo de
Gramática.” Como se sabe, esse tipo de Gramática trabalha apenas com a modalidade padrão
da língua e exclui em sua abordagem as variedades linguísticas.
Outro tipo de Gramática existente é a Gramática Descritiva. Esse tipo de Gramática:
“Descreve e registra para uma determinada variedade da língua em um dado
momento de sua existência (portanto uma abordagem sincrônica) as
unidades e categorias linguísticas existentes, os tipos de construção possíveis
e a função desses elementos e o modo e as condições de uso dos mesmos”.
(TRAVAGLIA, 2006, p. 32)
Existe ainda um tipo de Gramática denominado de Gramática Internalizada ou
Competência Linguística internalizada do falante. De acordo com as concepções de Perine
(1976): “Conjunto de regras, que é dominado pelos falantes e que lhe permite o uso normal da
língua.”
A Gramática Reflexiva: Considerações
A Gramática Reflexiva é uma Gramática em explicitação da estrutura e do mecanismo
de funcionamento da língua. De acordo com Magda Soares (1979): “são atividades de
observação e reflexão sobre a língua, que buscam detectar, levantar suas unidades, regras e
princípios, ou seja, a constituição e funcionamento da língua” .
Esse tipo de Gramática refere-se muito mais a processos, uma vez que irá trabalhar
sempre levando em consideração o que o aluno já domina e o que ele precisa dominar.
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Possibilidades de trabalho
Classes de Palavras
Aplicação 01:
Assalto
O ladrão decidiu assaltar o hospício. Chegando lá, ele gritou para o louco:
- Pare!
O louco respondeu:
- Ímpare!
E o ladrão:
- Mas eu estou te roubando!
E o louco:
- Ah, então não brinco mais.
Disponível em: http://criancas.uol.com.br/piadas/piadas_loucos.jhtm. Acesso em 14/03/11.
01)Organize as palavras da anedota acima utilizando o seguinte critério: substantivos e verbos.
a)substantivos:
b)verbos:
02)Apresente um critério que você empregou para reconhecer os substantivos na questão anterior.
03)Registre todas os trechos em que ocorrer um artigo e substantivo. Explique que critério você empregou para
identificar o artigo.
04)Reescreva o trecho “O ladrão decidiu assaltar o hospício”, acrescentando uma qualidade aos substantivos
que aí aparecem. Após ter reescrito o trecho, indique que classe gramatical você empregou. Explique por que
você empregou essa classe gramatical.
Aplicação 02:
Anedota
Um motoqueiro estava a caminho do trabalho quando um passarinho bateu
em sua moto, desmaiou e caiu no chão.
O homem pensou: "Coitadinho! Se eu deixar ele aí, vão passar por cima
dele!". E levou o passarinho para sua casa. Chegando lá, colocou-o numa gaiola
com água e comida, mas nada do bicho acordar. Saiu então para trabalhar e, algumas
horas depois, o pobrezinho acordou.
Olhou para um lado, olhou para o outro e pensou: "Xiii! Matei o cara da
moto e fui preso!"
01)Na anedota, encontramos a palavra “passarinho”.
a)A que classe gramatical ela pertence?
b) Que outras palavras da mesma classe gramatical são usadas na anedota para se referir ao passarinho?
c)Observe a palavra destacada na frase “E levou o passarinho para sua casa”. Reescreva-a, acrescentando um
adjetivo que indique o estado em que se encontrava o passarinho.
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d)Transcreva do texto um fragmento em que se empregou a Linguagem Coloquial, isto é, a linguagem própria
das situações cotidianas de comunicação.
e)Observe o trecho a seguir: “(...)colocou-o numa gaiola com água e comida(...)”. Indique a quem o termo em
destaque se refere no texto. Qual a classe gramatical dessa palavra?
f)Indique um critério que você empregou para reconhecer a que classe gramatical a palavra em destaque no
exercício anterior pertence.
g)No trecho: “(...)o pobrezinho acordou(...)”, a palavra em destaque pertence à classe dos substantivos, mas, às
vezes, pode pertencer à classe dos adjetivos. Escreva uma frase em que a referida expressão pertença à classe dos
adjetivos.
h)No exercício anterior, indique um critério que se pode empregar para classificar a palavra como substantivo.
02)A classe dos advérbios liga-se a um verbo, acrescentando-lhe circunstâncias.
Observe o trecho a seguir:
“Olhou para um lado, olhou para o outro e pensou: "Xiii! Matei o cara da moto e fui
preso!"
a)Transcreva os verbos presentes nesse trecho.
b)Reescreva-o , modificando os verbos. Para isso, utilize a classe dos advérbios.
Tempo Verbal e Modo Verbal
Aplicação 01:
Texto para as questões que seguem:
O leão (envelhecido) e a raposa
Um leão envelhecido, não podendo mais procurar alimento por sua própria
conta, julgou que devia arranjar um jeito de fazer isso. E, então, foi a uma caverna,
deitou-se e se fingiu de doente. Dessa forma, quando recebia a visita de outros
animais, ele os pegava e comia. Depois que muitas feras já tinham morrido, uma
raposa, ciente da armadilha, parou a certa distância da caverna e perguntou ao leão
como ele estava. Como ele respondesse: “Mal!” e lhe perguntasse por que ela não
entrava, disse a raposa: “Ora, eu entraria se não visse marcas de muitos entrando,
mas de ninguém saindo!”
Assim, os homens sensatos, tendo provas dos perigos, podem prevê-los e
evitá-los.
(SMOLKA, Neide (org.). Fábulas completas. São Paulo: Moderna, 1994.)
01)O texto que você leu é uma fábula, isto é, uma história de animais que agem como seres humanos e que
termina com um ensinamento moral.
a)Quando a raposa resolveu visitar o leão, ela já sabia que ele devorava os visitantes ou não?
b)Qual expressão do texto comprova sua resposta?
c)Que fato levou a raposa a evitar a entrada na caverna do leão?
d)No ensinamento da fábula, o que é ser “sensato”?
02)Retorne à narrativa “O leão (envelhecido) e a raposa”.
a)Qual o tempo verbal predominante? Por que esse tempo é adequado ao texto?
b)Reescreva o trecho a seguir de modo que as ações aconteçam no momento posterior ao da fala.
“E, então, foi a uma caverna, deitou-se e se fingiu de doente”.
c)Que tempo verbal você empregou?
d)Se as ações tivessem acontecido no momento simultâneo ao da fala, que tempo verbal seria adequado?
03)Observe o trecho a seguir:
“(...)parou a certa distância da caverna e perguntou ao leão como ele estava. Como ele respondesse: “Mal!” e
lhe perguntasse (...)”
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a)Em que tempo verbal a forma verbal “perguntou” está conjugada?
b)O que esse tempo verbal indica?
c)A forma verbal “perguntasse” está no Modo Subjuntivo. Explique por quê.
A questão 04 deve ser respondida levando em consideração o trecho a seguir:
“(...)Ora, eu entraria se não visse marcas de muitos entrando, mas de ninguém saindo!”
04)Organize os verbos desse trecho na tabela a seguir, contendo:
1ª coluna: as formas verbais empregadas no trecho;
2ª coluna: o infinitivo desses verbos;
3ª coluna: a conjugação a que pertencem (primeira, segunda ou terceira conjugação);
4ª coluna: a classificação em verbo regular ou irregular
Aplicação 04:
Leia atentamente a propaganda a seguir:
01)Uma propaganda sempre procura convencer as pessoas a fazer algo: comprar ou vender um produto, visitar
um lugar turístico, colaborar com uma iniciativa etc.
a)Qual é a finalidade da propaganda acima?
b)Retire os verbos presentes no trecho: “Livros mudam vidas. Doe livros”.
c)Esses verbos indicam ação ou estado? Justifique sua resposta.
d)Se você quisesse saber os nomes desses verbos, quais formas deveria procurar no dicionário? Lembre-se de
que a forma nominal indicada para isso é o infinitivo.
e)Que modo verbal foi empregado para convencer o leitor?
f)Por que é adequado empregar esse modo verbal?
Colocação Pronominal
A tirinha a seguir servirá de apoio para responder às questões que seguem:
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Disponível em<http://www.animatunes.com.br/tirinhas/?a=2011/05/16>
01)As tirinhas são textos humorísticos, que normalmente obtém efeito de sentido a partir de uma situação
jocosa. Neste momento, você certamente está dando risada.
a)Em que consiste o humor presente na tirinha acima?
b)O humor também é atingido devido ao emprego de um grupo social sempre retratado em anedotas. Que grupo
social é esse?
c)Por que o autor usou esse grupo para retratar a situação?
02)Na primeira fala, o personagem emprega uma forma de Colocação Pronominal.
a)Transcreva o trecho em que ocorre essa construção.
b)Que tipo de colocação pronominal foi empregada?
c)Utilizando seu conhecimento gramatical e lexical, explique por que o personagem a empregou.
d)Essa forma é típica da linguagem coloquial ou formal? Justifique sua resposta.
e)Os brasileiros em uma situação cotidiana certamente não empregariam essa construção. Explique por quê.
03)Nem sempre a Colocação Pronominal é feita seguindo as normas da gramática normativa. Leia atentamente o
fragmento de texto a seguir:
Quem viaja de avião certamente já ouviu nas salas de embarque uma mensagem com a qual se informa que "a
aeronave que realizará o voo X já encontra-se em solo".
Disponível em http://www1.folha.uol.com.br. Acesso em 01/12/09
a)Identifique nesse trecho uma forma de Colocação Pronominal contrária à norma culta.
b)Explique em que consiste essa transgressão.
c)Reescreva o trecho, adequando-o ao padrão culto da língua.
Período Composto por Subordinação
A questão 01 baseia-se na letra de música “Acima do sol”.
(...)Assim ela já vai
Achar o cara que lhe
queira
Como você não quis
fazer
Sim, eu sei que ela só
vai
Achar alguém pra vida
inteira
Como você não quis...
Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu
você
E você cego, nem nota
Quando tudo ainda é
nada
Quando o dia é
madrugada
Você gastou sua
cota...(...)
Skank. “Acima do Sol”. Disponível em <http://letras.terra.com.br/cidade-negra/1111408/>. Acesso em 16/04/11.
01)Em Língua Portuguesa, a palavra “que” pode exercer diferentes papeis, isto é, pode exercer várias funções
sintáticas. Observe dois trechos extraídos do fragmento de letra de música:
I)Achar o cara que lhe queira.
II)Sim, eu sei que ela só vai.
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a)Que papel o “que” exerce nas duas ocorrências?
b)Que tipo de oração eles introduzem?
c)Classifique as duas orações introduzidas pelo “que” nos dois trechos destacados.
02)Retorne ao texto e extraia pelo menos mais duas orações que têm valor de advérbio. Em seguida, indique qual
o valor semântico delas.
03)Observe a oração extraída da letra de música:
“E você cego, nem nota.”
a)A conjunção em destaque é típica de que período?
b)Normalmente, qual a relação lógico-semântica que esse conectivo estabelece?
c)No texto, a conjunção foi empregada com o mesmo valor apontado por você? Justifique sua resposta, valendose de uma explicação gramatical.
Texto para a próxima questão:
Michael Jackson: Peão do pop
Bárbara Soalheiro e Ivan Finotti
Na noite de 16 de maio de 1983, 3 mil celebridades norte-americanas lotaram um teatro em Los Angeles para
assistir a uma apresentação comemorativa dos 25 anos da gravadora Motown.
(Adaptação do texto da Revista Superinteressante, ed. 198, março/2004. Disponível em
<http://www.super.abril.com.br/cultura/michel-jackson-peao-pop- 444376.shtml>. Acesso em 17/08/11
04)A oração em destaque no texto pode ser denominada Oração Subordinada Reduzida de Infinitivo, pois não
aparece o conectivo, que estabelece a relação lógico-semântica. Se a desdobrássemos, ficaria da seguinte forma:
“a fim de que assistissem a uma apresentação comemorativa dos 25 anos da gravadora Motown.”
a)Classifique a oração reescrita.
b)Que outro conectivo estabelece a mesma relação lógico-semântica?
Texto para a próxima questão:
TENHO QUE TER!
“Comprar, aos 13 anos, é muito mais do que gastar dinheiro”, diz Marcos
Calliare, sócio-diretor da Na Mosca, agência de pesquisas focadas no público jovem.
Segundo o especialista, nessa idade, as escolhas de consumo ajudam a construir a
identidade do adolescente. A carioca Julia Vidal, 13 anos, tem dificuldade para
lembrar de tudo o que comprou na viagem que fez em julho a Miami, nos Estados
Unidos. A mãe dela, Danieli, 33 anos, contou pelo menos 20 cores diferentes de
gloss na mala da filha, que fez a festa na seção de maquiagem da grife Victoria’s
Secret. No Rio de Janeiro, onde mora, Julia sempre acompanha a mãe em incursões
por joalherias e não sai das lojas sem um novo penduricalho. Embora ganhe boa
parte das coisas que tem, a jovem também costuma se mimar com agrados
comprados com o próprio dinheiro. “Gasto mais da metade da minha mesada
para me enfeitar”, admite.
LOES, João, Isto É, 21 out/2009, p.88-89.
04)No trecho em destaque, há uma oração Subordinada.
a)Transcreva o conectivo que a introduz.
b)Que relação esse conectivo estabelece?
c)Classifique a oração.
d)Reescreva-a substituindo o conectivo por outro que tenha a mesma relação.
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Regência Verbal
Texto para a próxima questão:
Um convite e uma despedida
Na semana passada, escrevi sobre o trouxedor, uma mistura de trouxa e
torcedor. O trouxedor é o sujeito que, como eu, gosta de ir aos estádios, mas é
maltratado por flanelinhas, cambistas, bilheteiros, policiais e até pela falta de
banheiros e comida. O texto teve repercussão inesperada. (...) Muitos disseram que
o mais certo era deixar os estádios, como protesto. Outros escreveram que é
possível ir aos jogos e, ao mesmo tempo, lutar para não ser um trouxedor. Como
prefiro mil vezes a batalha à retirada estratégica, estes últimos acabaram me
convencendo.
TORERO, Marcelo. Um convite e uma despedida. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23
fev. 2010. Esporte. Texto Adaptado.
01)No texto, aparece o verbo preferir:
a)Qual a transitividade desse verbo?
b)No texto, o autor empregou a forma coloquial do verbo. Reescreva a oração de modo que ela esteja em
conformidade com a norma culta.
c)No texto, também aparece o verbo “ir”. Normalmente, empregamos esse verbo de maneira diferente do que
prega a Gramática Normativa. É o que ocorre no texto em questão? Justifique.
02) É comum ouvirmos frases com o verbo “implicar” como o trecho a seguir extraído da Revista Vida
Simples da Editora Abril:
“Ser responsável no trabalho não implica em colocar a família em segundo plano”.
Comente esse uso do verbo “implicar”.
Considerações Finais
Este artigo propôs-se a mostrar possibilidades de trabalho com a Gramática Reflexiva
em sala de aula. Essa proposta, como se constatou, está calcada em legar conhecimentos
significativos para os alunos, fazendo, dessa forma, que eles tenham competência
comunicativa.
Longe de esgotarmos aqui como o professor pode tornar o ensino da língua materna
mais consistente, acreditamos ainda que esse artigo traga grandes contribuições no meio
acadêmico, uma vez que “A Gramática não é algo que se possa abandonar no ensino de
qualquer língua, uma vez que é a condição mesma da criatividade linguística nos processos
comunicativos em geral”. (Franchi, 1987, p. 42).
Afinal, como assevera Travaglia: “a aula de Gramática deve buscar conscientizar-se da
especificidade de cada uma das marcas ou tipos de marcas existentes na língua no momento
atual de sua evolução, por isso o ensino de Gramática não é assistemático, uma vez que o
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professor deve concebê-la como uma visão abrangente da língua para que seu caráter
sistemático dê forma sistematizada ao ensino da língua.
Referências
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática da Língua Portuguesa. 37ª ed. rev. e ampl. 15ª
reimpr. Rio de Janeiro, Lucerna, 2005.
FRANCHI, Carlos (1987). “Criatividade e Gramática”. In Trabalhos em linguística aplicada,
nº 09. Campinas, IEL/UNICAMP, p. 5- 45.
GERALDI, João Wanderley (1985). “Concepções de linguagem e ensino de Português.” In
GERALDI, João Wanderley (org). O texto na sala de aula: leitura e produção. Cascavel,
Assoeste.
NEVES, Maria Helena de Moura (1990). Gramática na escola. São Paulo, Contexto.
PERINE, Mário A. (1976). A Gramática Gerativa – Introdução ao estudo da sintaxe
portuguesa. Belo Horizonte, Vígilia.
SOARES, Magda Becker et al. (1979). Ensinando comunicação em língua portuguesa no 1º
grau – Sugestões metodológicas 5ª a 8ª séries. Rio de Janeiro, Mec/ Departamento de Ensino
Fundamental/FENAME.
TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e Interação: uma proposta para o ensino de
Gramática. 11ª ed. São Paulo: Cortez.
Para citar este artigo:
RIBEIRO, Rondinele Aparecido. Aulas de língua portuguesa mais significativas:
possibilidade de trabalho com a gramática reflexiva. In: VII SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO
CIENTÍFICA SÓLETRAS - Estudos Linguísticos e Literários. 2011. Anais... UENP –
Universidade Estadual do Norte do Paraná – Centro de Letras, Comunicação e Artes.
Jacarezinho, 2011. ISSN – 18089216. p. 283 – 293.
293
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