Helena Wong: Interlocuções entre Henry Matisse, Georges Rouault e Alberto Massuda. Clediane Lourenço1 Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC/CEART Resumo Este artigo apresenta a interlocução da obra da artista plástica Helena Wong, nascida na China (Pequim) e radicada em Curitiba, em relação aos artistas: Henri Matisse, Georges Rouault, e Alberto Massuda. De modo mais específico, serão apresentadas reflexões comparativas levando em consideração a singularidade da obra, como também os pensamentos norteadores da criação destes artistas. Palavras-chave Helena Wong; Henry Matisse; Alberto Massuda; Georges Rouault; Interlocuções. Abstract This article presents the dialogue the work of the visual artist Helena Wong, born in China (Beijing) and rooted in Curitiba, in relation to artists: Henry Matisse, Georges Rouaut and Alberto Massuda. In a more specific way, comparative reflections will be presented taking into consideration the uniqueness of the work as well as the thoughts that guided the creation of these artists. Key words Helena Wong; Henry Matisse; Alberto Massuda; Georges Rouault; Dialogues. A obra de Helena Wong passou por várias fases de desenvolvimento do seu trabalho: de um academicismo ocidental, passou para o abstracionismo informal, para depois voltar novamente à figuração, mas desta vez com um toque de expressionismo e surrealismo fantástico, com jogos de cores fortes de um aspecto que poderíamos dizer fauvista. E sendo de origem chinesa, todas as fases carregam em si certo orientalismo também. Helena estava inserida numa geração de “Descendentes dos impressionistas, expressionistas e do pop-art, somos ao mesmo tempo a geração da Segunda Guerra Mundial, portanto possuímos uma consciência mais aguda das nossas capacidades e limitações. Somos talvez mais angustiados” define a própria artista (apud BENITEZ, 1972, p. 19). 1 Possui graduação em Arte-Educação pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (2006) e especialização em História da Arte pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUC. Atualmente é mestranda no Programa de Pós Graduação em Artes Visuais da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, da linha de Teoria e História da Arte, sob orientação da professora Dra. Sandra Makowiecky. 67 Com isso, notamos que Helena Wong teve contato com esses movimentos artísticos, que nas décadas de 1960 e 1970 quase dominavam o Brasil. Nas suas obras de 1970, momento em que já havia passado pela sua fase abstrata, é possível fazer algumas relações com obras de outros artistas, tanto nacionais quanto internacionais. Assim, neste artigo, a ideia da comparação é exposta, como forma de compreensão das imagens, do modo como sugere Jorge Coli: “Por esse meio, é possível estabelecer filiações, contatos, reconstituir a cultura visual de um pintor do passado”; para Coli, a relação das imagens se encontra em um terceiro lugar, além do lugar de uma imagem ou de outra imagem, onde o “semelhante se funde no semelhante, onde a analogia se metamorfoseia em fusão”. (COLI, 2010, p. 6) Ao analisarmos, por exemplo, logo que Helena retoma a figuração, ela traz um caráter mais forte e mais dramático para suas obras, onde as cores puras aparecem e que, em muitas vezes, à própria concepção da pintura, a matéria corpórea, o volume da tinta torna-se percebível ao espectador. Essa questão das cores puras são conceitos do movimento fauvista na França, que teve como líder o artista Henri Matisse. Os fauves, que significa em português “as feras”, foi um grupo que começou como revolta ao procedimento excessivamente metódico dos neoimpressionistas. O ideal desse grupo era pintar sem a preocupação de temas grandiosos, desejavam pintar diretamente com a cor, que seria utilizada de acordo com a vontade de expressão do artista, sem necessariamente seguir a realidade como a vemos (ARGAN, 1992). Os artistas fauvistas assumiram a atração pelas massas de cores, em suas diversidades de tons e intensidades. Argan (1992, p. 232) descreve que os fauves queriam destacar a “estrutura autônoma, autossuficiente do quadro como realidade em si” e continua dizendo que a pretensão dos fauves era “estabelecer entre o interior e exterior aquela continuidade e circularidade de movimento, chamado por Bergson de „Impulso Vital‟”. Com isso, notamos que esses artistas queriam expressar seus sentimentos através de toda a estrutura do quadro, não somente pelo que ali estava representado, mas do modo como a composição e a organização dos elementos da obra eram ordenados e também como a realidade era vista pelos olhos do artista. O que Matisse procurava em sua obra era a expressão: “Sou incapaz de distinguir entre o sentimento que tenho pela vida e a maneira de expressá-lo (...). Expressão no meu modo de pensar, não consiste na paixão espelhada por um rosto humano ou demonstrada por um gesto violento. Todo arranjo de minha pintura é expressivo” (apud READ, 2000, p. 38). Nas obras de Matisse, assim como também nas obras de Helena Wong, há uma persistência na representação da figura humana, principalmente a figura feminina. Matisse 68 relata “o que mais me interessa não é a natureza morta nem a paisagem, mas a figura humana. É ela que me permite exprimir melhor o sentimento, por assim dizer, religioso que tenho da vida. Não insisto em detalhar todos os traços do rosto, em expressá-los um a um, na sua exatidão anatômica” (apud CHIPP, 1988, p. 131). Helena Wong disse certa vez, que sentia necessidade de transmitir tudo o que acontecia ao seu redor e, portanto, baseava-se no seu cotidiano: “no Rio vou à praia, olho as banhistas, nas ruas as pessoas, embora não faça croquis na hora, retenho suas imagens visuais, foi sempre assim” declarou à Adalice Araújo (1971, p. 9). Segundo Shou Wen, irmã de Helena: “ela tinha uma ligação muito grande com nossa mãe, além disso, somos só filhas mulheres, assim a presença feminina era muito forte para ela” (Informação verbal)2. Podemos perceber que a obra “Nu deitado” (fig. 1), de Helena Wong, possui torções semelhantes à obra “Nu azul” (fig. 2) de Matisse; além de a figura feminina ter destaque em relação ao espaço, as linhas corporais são apenas esboçadas para entrar em harmonia com as cores, estas que são dispostas sem a preocupação com a realidade cromática da cena. A obra de Helena possui tons verdes, azuis, ainda com nuances o que a obra de Matisse não Figura 1 - Nu deitado – 1971 (Helena Wong) Óleo sobre tela 45 x 55 cm Coleção particular. apresenta, mas ambas possuem suas dimensões aumentadas e existe uma tensão da figura com o espaço. O que fica mais evidente em Matisse é a sobreposição das cores puras onde começa a saltar a matéria corpórea das massas coloridas. 2 Depoimento de Shou Wen Alegretti, irmã de Helena Wong, em 09 de junho de 2008 - Curitiba. 69 Helena utiliza muito as cores verde, amarelo e azul, que para ela, segundo Pontual (apud HELENA..., 1968), são cores que possibilitam extravasar a força mental, ritmar a mudança universal e demonstrar sua introspecção. Suas figuras humanas possuem uma referência à existência humana, as imagens nos remetem a um contexto emocional, não há preocupação com temas ambiciosos, uma característica também apoiada pelos artistas fauvistas. Figura 2 – Nu Azul – 1906 (Henri Matisse) Óleo sobre tela 92 x 140 cm Matisse, em 1905, no Grand Palais de Paris, no salão de outono, expôs “Mulher com Chapéu”, uma obra que demonstrava a unanimidade buscada pela força expressiva das cores. O retrato da Senhora Matisse revela formas convencionais, dissolvendo-se em manchas de cores berrantes. “A face é menos afetada por este processo de dissolução, estando, contudo, presa entre as cores explosivas do chapéu e do vestido” (ESSERS, 1993, p. 14). Nesse mesmo sentido, identificamos obras de Helena Wong com a mesma brutalidade de cor, com pinceladas que deixam o gesto ficar impresso e exposto à própria materialidade da tinta. Na opinião da critica Vera Pacheco Jordão: “Jogando com a cor em tons vivos, Helena tira o maior partido dos contrastes que dinamizam a composição, em si mesma” (apud HELENA, 1990, p. 11). Helena Wong faz figuras grandes e fortes, deformadas, mostrando uma realidade crua. Nos desenhos rostos apenas indicados; na pintura um equilíbrio perfeito na composição das cores, com pinceladas fortes e sem hesitação. Essa relação com a obra de Matisse demonstra que o trabalho de Helena era fruto de estudo, investigações e descobertas, sendo com isso possível fazer relações de suas obras com 70 os movimentos e artistas de períodos distintos, pelo caráter múltiplo de formas e fases que a artista passou. Mas não se pode negar a grande influência que Matisse teve e, podemos dizer, vem tendo, na maioria dos artistas a partir da metade do século XX; se não é pela forma é pela cor. Com o artista Georges Rouaut, ao qual Helena, em algumas entrevistas, disse admirar, a interlocução se dá pela forma como também pelo conteúdo. Ele foi colega de Matisse na academia de Gustave Moreau, depois de estudante seguiu um caminho solitário, mas não escapou das influências externas. Rouault foi considerado o pintor francês mais expressionista; também foi um artista para quem a cor tem seu próprio poder evocativo. Usava a pintura para a comunicação de uma mensagem que, no caso dele, era uma mensagem de tema religioso, porém uma religião tida em cada indivíduo. Em Georges Rouault, além da grande significância dada à cor, suas figuras transmitem o lado humano muito forte. Seus personagens parecem evocar uma dramaticidade no sentimento do medo, da dor, da desolação, ou como ele próprio diz: “Se eu fiz, na visão de meus críticos, figuras tão lamentáveis, é que eu traduzia sem dúvida a angústia que eu sinto ao ver um ser humano que deve julgar outros homens” (1924, apud GEORGES, 2006, p. 33). Os temas de Georges Rouault têm a finalidade de mostrar uma condição humana trágica, e a sua religiosidade na verdade é uma emoção autêntica, sem caráter de devoção. Para Argan “a inspiração religiosa de Rouault não possui um caráter de revival, e apresenta fortes impulsos sociais, mesmo que em última análise, reacionários.” (grifo do autor, ARGAN, 2006, p. 471) Sua técnica baseava-se nos “modelos de esmalte e vitrais medievais”, cores fortes e vibrantes que brilham atrás de traços negros fortes e delineados como nos modelos de vitrais góticos; suas obras possuem também certo erotismo, que segundo Fernando Bini (1997, p.1) “começa na representação de imagens profanas, por vezes retiradas do contexto religioso, são sugeridas pela idealização artística da beleza do corpo humano”. Rouault trabalha de uma maneira delicada com a tinta, que mais pastosa e mais viva em cores, é trabalhada com sobreposição de camadas. Seus palhaços e prostitutas trazem referências do pintor ao espírito de resignação e ao sofrimento interior. Nesse modo analisamos a obra de Helena Wong, de forma mais profunda, e encontramos semelhanças em relação da capacidade de absorver o mundo circundante, refletindo sobre ele, além de representá-lo conforme sua motivação emotiva interior. Helena Wong representava, desde suas obras abstratas, o seu olhar sobre o mundo e o modo como esse mundo a tocava interiormente. As cores fortes trazem todo o dinamismo e a 71 emoção para a tela, tanto nos quadros de Rouault quanto nas obras de Helena Wong. Nery Baptista (1978, p. 9), diz que a cor para Helena Wong transmite o “infinito significado emocional” e a “ultra-sensibilidade num nível de perplexidade humana. (...) Devido a essas manifestações cromáticas é que as obras de Helena Wong têm um valor incomum, sejam elas abstratas ou figurativas”. Na obra “O palhaço” (fig. 3), de Rouault, percebemos um sofrimento profundo, uma angústia que contrasta com a referência ao palhaço, como em um drama literário. E como cita Argan (2006, p. 345), Rouault “filia-se a vertente da literatura engajada e católica.” De cunho parcialmente expressionista e fauvista, a obra de Helena Wong (fig. 4), como a de Rouault, mostra a desesperança, o sentimento mais profundo do ser humano. As expressões, em ambas as obras, são realçadas com as massas de tintas espessas, que fazem com que as obras não tenham perspectiva, criando assim, uma ambientação misteriosa, que tem como foco principal o ser humano. Figura 3 – O palhaço – 1907 (Georges Rouault) Óleo sobre tela, 40.6 x 32.4 cm e Duas figuras - s/d – (Helena Wong) Óleo sobre tela. Herbert Read faz uma breve descrição de Matisse e Rouault, porém podemos incluir Helena Wong nesta descrição, como artistas que: referem-se a seres humanos, que em si são extremamente complexos, sendo cada qual uma sensibilidade exposta a um número infinito de sensações, e o movimento não avança como um exército em marcha com um ou dois comandantes, mas como estabelecimento gradual de uma série de baluartes, cada um deles ocupado por um gênio solitário. (READ, 2000, p. 50) Sobre o surrealismo fantástico, encontramos outro artista com que também é possível fazer algumas relações com a obra de Helena; desta vez um artista paranaense: Alberto Massuda. Pintor nascido no Cairo, Egito, chegou a Curitiba em 1958 e tornou-se brasileiro naturalizado. Sempre voltado à criação, seus trabalhos são envoltos num clima ambíguo de 72 tranquilidade que por vezes parece agressivo, pelo fato do uso de “pinceladas inquietas” e a “caligrafia nervosa” (MASSUDA, 2004, p. 8). Com figuras sem precisão dos detalhes, mergulhadas em espaços sublimes e atemporais. Helena Wong, por sua vez, como escreve Pontual (apud SBRAVATI & BAPTISTA, 1990, p. 22): “seu trabalho oscila entre certa ambientação surrealista com personagens referindo em aberto o drama, a dilaceração e a sensualidade em torno de deformações da figura e a violência cromática”. As obras desses dois artistas assemelham-se pelo fato de os personagens sugerirem emoções e sentimentos humanos, são pinturas carregadas de um expressionismo onírico, com certo romantismo e sensualidade. São figuras esguias, de um lirismo delirante. Segundo o artista plástico João Osório Brzezinski (apud MASSUDA, 2004, p. 70), sobre a obra de Massuda “É o atavismo oriental a falar mais alto, fluindo em todos os seus trabalhos. Neles a cor cria uma ambiência onírica, às vezes mágica, a envolver figuras que parecem não ter peso”. Relato este que poderia ser dirigido tranquilamente à obra de Helena Wong. Nas obras dos dois artistas (fig. 4 e 5), podemos observar o caráter atemporal e o universo de sonho a que remetem. Em ambas as obras, as massas de cores quase fazem sumir os personagens, que ficam em uma penumbra, esta que por sua vez é vibrante e nos remete a um mundo em dissolução. Ao mesmo tempo, as formas esguias que nascem dessa “penumbra” trazem à pintura um sensualismo tímido, que por vezes é provocante. 73 Figura 4 – Sem Título, s/d (Helena Wong) Óleo sobre tela Figura 5 – Casal em Vermelho - 1980 (Alberto Massuda) Óleo sobre tela, 50x70cm Helena Wong, nessa sua fase de maior tendência surrealista, aliava as imagens visuais que a música provocava e a “literatura com vivências e situações de extrema criatividade. De um equacionamento disso tudo aliadas a sonhos, onirismos” (ARAÚJO, 1971, p. 9). As obras de Alberto Massuda e Helena Wong trabalham com a questão do subconsciente, dos sonhos, da expressão. São dois artistas autênticos, pois criam para si mesmos, criam por uma necessidade interior, e é nisso que possuem semelhanças, não é simplesmente a obra que se assemelha, pois como Adalice Araújo (MASSUDA, 2004, p. 75) disse certa vez: “Dois artistas não podem pintar um quadro idêntico já que a arte é porta-voz da individualidade”. O que os relaciona é o pensamento pessoal de que a “arte tem seu eco no homem”, ela é feita pelo homem e se dirige ao homem. Também não podemos deixar de lado a questão que foi Alberto Massuda que trouxe a cor de Matisse para o Paraná. Ou seja, outro ponto relevante entre as obras de Alberto Massuda e de Helena Wong é a relação com cor. Os dois artistas possuem uma paixão pela cor e pelo empastamento da tinta, características de Matisse, que com a violenta expressividade dão à obra vida independente. Alberto Massuda e Helena Wong traduzem, através desses elementos, o gesto pessoal e um contexto surreal. Trabalhos de intensa sensibilidade e espontaneidade, com características expressionistas, desenvolvidos por um sentimentalismo próprio de cada artista, 74 que no decorrer da pintura ganharam caminhos semelhantes, tanto no ponto da sensualidade da figura humana quanto nos onirismos da ambientação da obra. A partir das análises que se fazem presentes neste trabalho, podemos distinguir características específicas de Helena Wong, tanto de supostas influências de outros artistas, quanto individuais. Além de tornar as imagens nucleares, como diz Coli (2010, p. 5) o “processo singular, próprio do artista, se reitera no conjunto coletivo das produções artísticas”. Assim, ao criar-se um paralelo entre a produção de Helena Wong e a produção de Henri Matisse, por exemplo, observaram-se critérios estéticos que a artista buscava para representar o que desejava. Com Matisse, Helena Wong tinha em comum a força da cor, o empastamento da tinta, a apreciação pela representação da figura humana; com Rouault, as impressões do exterior percebidas pelo interior do artista, além da importância das cores fortes; por fim, Alberto Massuda, onde cabe a relação com os onirismos estancados na obra, este que também carrega a cor de Matisse, criando ambientes surrealistas pela dissolução das formas. Mesmo todas as relações seguiram um ciclo comunicativo, primeiro com Alberto Massuda, que trouxe a cor de Matisse para o Paraná; este último, por sua vez, estudou com Rouault; e ambos seguiram por um tempo o mesmo movimento fauvista. A interlocução das obras desses artistas com a obra de Wong se dá também pelo fato de a obra ter “voz própria”, pois, como afirma Jorge Coli (2010, p. 13-14), a “obra desafia, pedindo: decifra-me”; assim, como sugere o autor, nos resta interrogá-la; e desse modo o melhor meio, ainda segundo Coli, são os procedimentos comparativos, “nada permite melhor entender uma obra do que outra obra (...) associa-las por semelhança, oposição ou indiferença entre elas permite encontrar a „terceira margem do rio‟”. Desse modo, tanto foi possível encontrar no trabalho de Helena Wong características próprias da obra, como também perceber que essa artista domina os seus meios de expressão, supera todos os obstáculos técnicos. Para Marc Berkowitz (1969 apud SBRAVATI & BAPTISTA, 1990, p. 19): “Este domínio lhe dá uma espontaneidade que torna a sua mensagem mais forte, mais penetrante, ao lado do despojamento total de algumas tendências atuais, ao lado das pesquisas conjuntas de arte e de tecnologia, a arte fantástica de Helena Wong tem o seu lugar bem definido”. A arte de Helena Wong, como também define o artista e crítico de arte Fernando Velloso (2005, p. 13), “é repleta de reminiscências, de sonhos, de fantasias e inquietações que ela reúne e mescla com sua visão da realidade”. E Velloso continua, agora define a própria artista “Helena Wong é dotada de uma sensibilidade exacerbada que gera momentos de 75 grande entusiasmo e de explosiva vitalidade, que a fragilidade de seu corpo não consegue conter”. Essas relações das obras de Helena Wong com artistas e movimentos artísticos provam que essa artista estava inserida e envolvida no que acontecia de arte na época, e que mais que aderir a um movimento artístico ou a um estilo, ela adaptava-o a sua vontade. Para Helena, fazer arte era pesquisar constantemente, estudar muito, e sempre foi assim, fiel a si mesma. Por isso passou por diversas fases, porque o que movia Helena Wong era a constante busca de objetivos que, quando alcançados, transformavam-se em outros num processo infindável. Referências bibliográficas ARAÚJO, Adalice. A Arte Fantástica de Helena Wong. Diário do Paraná, Curitiba, 30 de mai de 1971. Primeiro caderno, p. 9. ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: Do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. BAPTISTA, Nery. A cor e a emoção na arte de Helena Wong. Gazeta do Povo, Curitiba, 18 de set. de 1978. p. 9. BENITEZ, Aurélio. Helena Wong e sua pintura de magia acolhedora. 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GEORGES Rouault, “Forme, coleur, Harmonie” catálogo exposição retrospectiva, Musée d‟Art Moderne ET Contemporain, Strasbourg: Ed. des Musées de Strasbourg, 2006. 76 SBRAVATI, Myriam. BAPTISTA, Christine M. V. Helena Wong Meio Século de Sensibilidade e Obstinação. Catálogo Museu de Arte do Paraná. Curitiba, out. de 1990. MASSUDA, Alberto. Alberto Massuda e o surrealismo paranaense. Curitiba: Artes & Textos, 2004. READ, Herbert. Uma História da Pintura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2000. VELLOSO, Fernando. Helena Wong: trajetória de uma paixão. Catálogo da exposição do Museu Oscar Niemayer. Curitiba, 2005. Créditos: Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina – FAPESC. 77