O
COOPERATIVISMO
£
DE
INICIATIVA
POPULAR
EM
TUDO.
TODO
ELE É
EDIFICADO
PELA
ACTIVIDADE
DOS
CIDADÃOS
FUNDADO POR ANTÓNIO SÉRGIO
N.° 226
•
SETEMBRO DE 1972
para um dossier sobre
a habitação
(Págs. 3-4-8)
de norte a sul
(Pág.
2)
a reforma agrária
e as cooperativas
(Pág. 5)
problemas de consumo
(Pág.
arquivo
(Pág. 11)
última página:
notícias diversas
Que têm
feiro
cooperativas
no
ano
internacional
do livro?
(Leia
9)
as
páginas
centrais )
CORRESPONDENTES PARA 0 BOLETIM
O Boletim Cooperativista iniciou desde há alguns números um esforço
de renovação, para o qual conta com a colaboração activa de todas as
Cooperativas e de todos os seus leitores.
Neste sentido foi aberto um debate sobre o próprio Boletim, tendo já
sido publicados alguns depoimentos. Outros se aguardam.
Entretanto, e dentro da linha de renovação anunciada, convidamos
hoje as Cooperativas a nomearem um correspondente seu (se possível
ligado à comissão cultural) para o Boletim Cooperativista.
Aos correspondentes competirá o envio de informações sobre as
actividades da sua Cooperativa.
A sua nomeação deverá ser comunicada a esta Redacção, para se
proceder a ulterior contacto directo.
A REDACÇÃO
DE NORTE A SUL
0 3
NO
v
LISBOA
•
A «Devir» com grupos de trabalho
A Cooperativa Devir tem realizado sucessivos colóquios sobre
problemas da vida nacional: —
«O Ensino-situação do professor»,
«Teatro-Cinema», foram alguns
dos temas daquelas realizações.
Entretanto foram criados os
seguintes grupos de trabalho: —
Ensino; Agricultura; Teatro-Cinema-Fotografia- Sindicalismo;
Análise da Imprensa; A Mulher
na Sociedade e no T r a b a l h o ;
Banda Desenhada; Problemas da
Informação; Economia Política.
Segundo informa a circular interna da Devir, «estes grupos de
trabalho têm como
objectivo:
— Promover
e dinamizar
a
vida associativa
estabelecendo
s m
— Melhorar a qualidade e a
quantidade
das
informações
transmitidas
aos sócios
através
da afixação nos painéis da sala
de convívio, de cartazes,
gráficos,
noticiários, críticas, etc.
— Promover uma maior participação dos sócios na vida diária
da cooperativa tanto no aspecto
da orientação
geral, como nos
problemas de gestão
comercial.»
cios, o qual vencerá um juro de
6 % anual, tudo conforme deliberação da própria
assembleia.
Destaque-se o interesse suscitado, logo traduzido na assembleia por subscrições que se aproximaram dos 100 000$00 e que
neste momento ultrapassam já os
150 000$00.
Com esta ampliação das suas
instalações, a «COOPRAVE» dá
(Continua
na pág.
10)
BRAGA
•
Um supermercado cooperativo
Com a presença de cerca de
cem associados a «Novos Pioneiros» realizou nos últimos dias de
Julho, uma Assembleia geral extraordinária para discutir o problema da abertura dum supermercado no final do corrente mês.
Participaram ainda do debate
o dr. Sá Lopes, da cooperativa
«União e Boavontade» de Viana
do Castelo, o eng." Luís Paulino e
o sr. Bento Gonçalves, da Direcção do Armazém Regional do
Norte da UNICOOPE.
b o l e t i m
I V I S T A
Director e Editor:
João Faustino Cordeiro
Propriedade:
Unicoope — União Cooperativa
Abastecedora, SCRL
Redacção e Administração:
Av. Almirante Reis, 127, 4.°-D.
LISBOA-1 — Tel. 56 14 17
Redactores:
Vasco de Carvalho
Faustino Cordeiro
Rui Canário
Natércio Afonso
José A. Salvador
RIBA DE AVE
•
um convivio mais motivado
síduo entre os sócios.
e as-
— Elevar a qualidade dos livros e discos à venda através da
discussão de temas
relacionados
com as edições, da organização
de audições musicais e projecções
de diapositivos e filmes,
através
de exposições, excursões, etc. ou
qualquer outra actividade que estimule a educação
cooperativista
dos associados.
2
boletim cooperativista
Uma nova sede para a «Cooprave»
«A Assembleia Geral da «COOPRAVE», reunida recentemente,
aprovou a proposta da Direcção
para a compra de um terreno e
a construção de uma Sede Própria, onde passarão a funcionar
todos os serviços da Cooperativa,
designadamente o seu Posto de
Vendas, com uma área muitíssimo maior, de modo a permitir
a venda de todos os produtos e
artigos de consumo corrente»,
diz-se numa circular desta cooperativa, que acrescenta:
«A angariação dos fundos necessários vai ser realizada através de um financiamento dos só-
Colaborou neste número:
Graham Aider
Delegação no Norte:
Gabinete Regional do Norte de
Formação Técnica Cooperativa
Rua Dr. Pedro de Sousa, 709
PORTO
PUBLICAÇÃO MENSAL
Composto
& C."
e
impresso
( I r m ã o ) , Tr. do
por
MIRANDELA
Ferragial, 3 Lisboa
NÃO NOS OBRIGAMOS A PUBLICAR OS ARTIGOS NAO SOLITADOS
OS ARTIGOS ASSINADOS SAO DA
RESPONSABILIDADE DOS AUTORES E A SUA INSERÇÃO NAO
S I G N I F I C A A D E S Ã O AO S E U
CONTEÚDO
para um dossier
sobre a
habitação
O regresso ao tema da habitação dispensa-nos justificações. A gravidade
do problema, a possibilidade de se estender às cidades de Lisboa e Porto
o regime de «actualização» quinquenal das rendas de casa aberta pelo
projecto de lei dos srs. deputados Alberto Meireles e Linhares de Andrade
— «representantes e defensores do povo na Câmara Legislativa» — transmitem
actualidade e urgência à discussão do tema.
A publicação de novos elementos
para uma compreensão mais ampla
da crise da habitação, compreende
uma notícia sobre a Associação dos
Inquilinos do Norte de Portugal, uma
pequena bibliografia, e extractos de
algumas intervenções de participantes
no Colóquio da Habitação de 1969.
Estava nos nossos planos a inserção de uma entrevista com o dr. Carlos Maia, membro do Conselho J u rídico da Associação dos Inquilinos
do Norte de Portugal, sobre a crise
habitacional, desde o Boletim anterior. Afazeres profissionais impediram
aquele advogado de responder ao
nosso inquérito. Aguardamos, entretanto, a sua colaboração para no
próximo número publicarmos as suas
opiniões. H á falta destas, adiantamos para os nossos leitores as
perguntas que apresentámos ao referido causídico.
UMA E N T R E V I S T A ( A I N D A )
SEM RESPOSTAS
1.
Foi presente à Assembleia Nacional u m
projecto d e lei d a autoria d o s S r s . d e p u t a d o s
Alberto d e Meireles e Linhares d e A n d r a d e propondo
a extensão
d o regime d e actualização
quinquenal d a s rendas de c a s a à s cidades de
Lisboa e Porto. Parecem-lhe aceitáveis a s razoes
c o m u m m e n t e aduzidas para a apresentação do
projetco e m c a u s a ?
2.
Qual o nível médio d a s r e n d a s d e c a s a
a c t u a l m e n t e p r a t i c a d a s n o Porto? Será s i g n i f i cativa a percentagem de rendas antigas?
3.
S e g u n d o leva a concluir u m estudo elab o r a d o pefo D r . R o q u e L a i a a s a c t u a l i z a ç õ e s n a
periferia d e L i s b o a n ã o r e p r e s e n t a m senão a u tênticos aumentos d e rendas de c a s a , onde á
notório o espírito e s p e c u l a t i v o d o s senhorios.
Poderá d i z e r - s e o m e s m o para a s actualizações
que s e o b s e r v a m n o s arredores do Porto? Qual
a s u a opinião sobre o modo como s e p r o c e s s a m
tais «actualizações»?
4.
Importaria ainda saber s e a solução do
problema habitacional s e encontra na possibilidade de aumentar de cinco em cinco anos a s
rendas de c a s a . 0 q u e pensa quanto a esta
p r e t e n s a s o l u ç ã o , a o q u e p a r e c e t a m b é m perfilhada pelo G o v e r n o quando no novo
diploma
sobre c a s a s de renda limitada admite a hipótese
de actualizações trienais?
5.
Entretanto, continua a prever-se o despejo. C o m o encara esta instituição — a d o d e s p e j o — face a o t ã o p r o c l a m a d o direito à habitação?
6.
D a d a a s u a q u a l i d a d e de c o n s u l t o r jurídico d a A s s o c i a ç ã o d o s Inquilinos d o Norte de
Portuga! é-lhe possível traçar sintèticamente o
panorama
habitacional
portuense?
Q u e papel
atribui à Cooperativa na solução d o problema
da habitação?
7.
Considera existirem a s condições
legais
indispensáveis à acção d u m cooperativismo h a bitacional consequente?
As perguntas que apresentei mos ao
dr. Carlos Maia ficam assim, desde
jáj no conhecimento de todos. E a
sua publicação representa, fundamentalmente, um convite à reflexão, sobre os problemas levantados, dirigido
ao próprio leitor.
DO QUE SE DISSE SOBRE A HABITAÇÃO EM 1969
«Afirma-se
no entanto,
e esse é o
ponto importante
a reter, que na efectivação dos direitos sociais — em que
a habitação se inclui — cabe ao Estado
a obrigação de criar as condições
necessárias para o seu exercício pleno sem
o que é inconsistente
o
reconhecimento
do próprio
direito.
Quer dizer, não
basta afirmar o direito como
principio,
importa traduzi-lo na realidade. E esta
afirmação
já não é banal,
sobretudo
se dela se tirarem
as ilações
últimas
para a política
social como é nossa
intenção
fazê-lo no caso concreto da
habitação.
Em face das posições
até agora
tomadas no país, em matéria de politica habitacional
e perante
o cortejo
das necessidades
existentes, fica-se com
a impressão
de que aquele direito não
é ainda efectivamente
reconhecido na
prática.
Que esta afirmação
é
verdadeira
prova-o o «déficit» de liabitações
existentes no País, estimado em cerca de
meio milhão de casas, e a dificuldade
de acesso
a casas
construídas
nas
grandes
cidades mas cujos níveis de
renda estão manifestamente
distanciados da capacidade
de solvência dos
indivíduos
que a elas aspiram.'»
Dr.- M." M A N U E L A
SOO unidades por ano, diminuindo
assim
a respectiva
percentagem
no quadro da
construção
total de fogos. Assim, no
Ao falar-se entre nós de sector
pridecénio 1951/60 as cooperativas
edifivado não-lucrativo,
o panorama
rescaram 2700 liabitações,
ou seja
cerca
tringe-se a um único tipo de sociedades
de 1 % do total construído. Hoje, essa
— os cooperativas
de construção
para
percentagem
é, como se disse
menor.
acesso à propriedade
—, única
modaliOs problemas que envolvem a actividade com existência,
ainda que dimidade das cooperativas
têm sido
debatinuta e incompleta,
entre nós.
dos desde ha muito, e já no Plano
Estas
cooperativas
têm tido uma
de Fomento
se fazia
refeactividade
reduzida
e que não tem Intercalar
rência à necessidade
de a
estimular,
crescido em termos absolutos,
mantendisciplinando-a
ao mesmo
tempo. No
do-se a construção
anual à volta de
Colóquio sobre o Problema
Habitacional
promovido
em 1967 pela
Associação
dos Inquilinos Lisbonenses
— a sociedade de consumidores
que tem desen•i
volvido uma acção reivindicativa
e de
esclarecimento
da opinião, marcada por
4
um carácter pioneiro — foi o assunto
igualmente
objecto de debate.
A estagnação
da actividade
cooperativa entre nós deve-se a factores de
ordem intrínseca
e extrínseca,
produzindo até certo ponto relações de causa-efeito
que mantêm
a atrofia
do
movimento.
Efectivamente,
a total ausência de
estímulos,
tanto ao nível da legislação
como da prática, tem cantonado a acção
9QR
I
das cooperativas
fora do alcance das
grandes massas populares, o que é aliás
reforçado
pela falta de uma mentalidade associativa
e de meios de acção
£ de cerca de meio milhão de casas
o «déficit» de habitações no nosso País
(Continua na pág. SJ
Três aspectos
Meio milhão
SILVA
i
boletim cooperativista 3
para um dossier
sobre a
habitação
5
ASSOCIAÇÃO DOS INQUILINOS
DO
NORTE
DE PORTUGAL:
uma cooperativa viva ou morta?
A Associação dos Inquilinos do Norte de Portugal é
uma Sociedade Cooperativa
de Responsabilidade Limitada, fundada em fins de 1948.
Com sede no Porto, e quase
25 anos de existência
esta
Associação congrega hoje
cerca de nove mil sócios,
propondo-se defender os seus
legítimos interesses.
«O seu objecto
fundamental» — segundo dispõe o artigo 4.° dos Estatutos — «é
proporcionar
aos
associados
a assistência
técnica
jurídica e material
em todos os
assuntos
e problemas
relacionados com o inquilinato,
designadamente:
a) pugnar junto dos Poderes Públicos pela defesa individual e colectiva de todos
os associados e pela
promulgação, aplicabilidade
e interpretação das leis
reguladoras
do inquilinato, da propriedade, da salubridade
e higiene
das
habitações;
b) prestar aos seus associados toda a assistência
moral e material
de que careçam nos litígios com os seus
senhorios,
em
conformidade
com as disposições
destes
Estatutos
e das leis referentes aos direitos
do inquilinato, designadamente
em
acções de despejo,
depósito
de rendas, avaliações de propriedade
particular,
industrial ou comercial;
c) conciliar, na medida do
possível, os interesses dos inquilinos com os dos senhorios, recorrendo
à
arbitragem sempre que tal diligência se afigure
conveniente;
d) procurar
solucionar
com o maior interesse
para
os sócios e prestígio
para a
Associação, todas as questões
suscitadas
entre senhorios e
inquilinos, esforçando-se por
conseguir
acordo
entre as
4
boletim cooperativista
partes desavindas, no sentido
de se evitarem
litígios
judiciais;
e) fomentar,
pelos
meios
ao seu alcance, a propaganda de todos os assuntos que
se relacionem
com
disposições sobre inquilinato,
construções prediais e ainda sobre quaisquer outros fins de
utilidade para os sócios, quer
morais ou educativos,
quer
de higiene e salubridade das
habitações;
f ) organizar
exposições,
conferências
ou palestras sobre a situação jurídica e social da propriedade
de imobiliária sistemas
de edificação, tipos de habitação em
vista de uma melhor e mais
cómoda utilização para os inquilinos;
g) investigar
das necessidades dos inquilinos e defender os seus direitos e interesses;
h) fornecer aos associados
habitações
salubres
em regime de propriedade
amortizável e de arrendamento,
adquiridas pela Associação
por
compra,
construção
directa
ou
empreitada;
i) concorrer, de uma maneira geral, para tudo quanto possa- beneficiar os inquilinos e elevar a sua dignidade individual
e
colectiva,
para o que será
publicado
um boletim de informação e
propaganda
associativa
logo
que as circunstâncias
o permitam;
j) criar bibliotecas,
gabinetes de leitura
e auxílios
materiais
de harmonia
com
os regulamentos
e as possibilidades financeiras
da Associação.
Para lá da mera prestação de serviços de assistência jurídica, a Associação
vem publicando com a periocidade possível um Bole-
tim para circulação interna,
e de distribuição gratuita.
Um Boletim que está longe,
no entanto, de preencher o
m í n i m o de necessidade de
esclarecimento dos seus associados. Esclarecimento sobre o significado do problema habitacional aqui e agora, esclarecimento sobre o
papel que cabe a uma Assocoação de Inquilinos hoje em
Portugal.
Por isso, e não só, os nove
mil associados não representam senão uma escasa minoria dos inquilinos nortenhos que à Associação cabe-
Qual
o papel
duma
ria congregar na defesa dos
seus interesses.
A crescente agudização
do p r o b l e m a habitacional
apresenta-se como um autêntico desafio à capacidade
realizadora desta Cooperativa Nortenha. Estará ela apta
a responder-lhe com eficácia? Tudo depende, essencialmente,
da capacidade
para mobilizar as suas massas associativas, e para conquistar novos sócios. Dessa
mobilização e dessa conquista depende, afinal, vida ou
a morte da própria cooperativa.
Cooperativa
na solução
habitacional ?
a
do
problema
A REFORMA
E AS
AGRARIA
COOPERATIVAS
por GRAHAM ALDER
Desenvolver uma economia antiquada
é uma operação extremamente complexa, em que se pode comparar cada
elemento às peças de um «puzzle».
As peças deste «puzzle» compõem-se
dos sectores da economia e da sociedade que devem ser desenvolvidos, e
comprendem factores tão diversos como
a indústria, a agricultura, a saúde e a
educação, a assistência e o comércio, a
população, os comportamentos e os
valores.
O problema consiste em colocar estas
peças da maneira mais adequada.
Como a agricultura tem uma importância primordial nos países onde constitui os meios de subsistência da maioria da população, é útil promover a
sua expansão como fundamento económico do desenvolvimento.
O
AGRICULTOR
As consequências sociais do desenvolvimento agrícola, todavia, são tão
importantes como as consequências
económicas. E inútil fornecer ao agricultor as sementes, os meios de irrigação ou os créditos, se ele não estiver
disposto a utilizá-los, admitindo-se,
mesmo, por incapacidade.
Certas sociedades inpedem, verdadeiramente, o desenvolvimento e o sistema
político tende muitas vezes, a tomar a
defesa dos privilégios e dos poderes que
m a n t ê m um tipo de agricultura não
rendável, à custa dos lavradores.
Quase sempre os sistemas que põem
os agricultores na dependência dos senhorios, através de arrendamentos, está
na origem do problema. Reconhece-se,
desde há algum tempo, que a reforma
agrária constitui o elemento essencial
da expansão agrícola em numerosos
países. As N a ç õ e s Unidas reconheceram-no também, quando, em 1945, decidiram apoiar os movimentos de reforma
agrária. Além disso, rjconhece-se igualmente que as cooperativas desempenham um papel importante na reforma
agrária.
Como se apresenta a situação no
regime «tradicional» de arrendamento?
O proprietário recebe do seu rendeiro
uma parte da colheita, ou exige dele
o pagamento do aluguer da terra.
Tanto uma como outra destas fórmulas
não permitem ao rendeiro e à família
mais do que uma magra subsistência.
O proprietário ou o negociante, fornece o material e os capitais para as
sementeiras, em condições exorbitantes,
de maneira que o rendeiro está continuamente endividado.
Fica, assim, encerrado num círculo
vicioso. Continua a trabalhar nestas
condições para pagar as suas dívidas e,
deste modo, contrai outras. Se, pelo
contrário, abandona a terra, fica ainda
em pior situação, porque a condição de
jornaleiro ocasional é ainda menos desejável.
Tudo isto tem graves repercussões no
rendimento e na produção agrícola e
náo é sòmente um problema social.
Com o fim de satisfazer o proprietário e providenciar às necessidades da
família, o rendeiro tem tendência para
esgotar a terra, fazendo quanto pode
para não usar adubos, porque são caros,
e diminui, assim, regularmente, a produtividade do solo.
O seu próprio regime alimentar,
sujeito a numerosas carências, diminui-lhe as energias para trabalhar, e, consequentemente, será atingido por uma
das doenças de astenia tão vulgares
num terço do mundo. No entanto, muitas pessoas chamam, aquele mal,
apatia.
Naturalmente, como não aproveita
do fruto do seu trabalho, o rendeiro
não quer empregar capital na terra,
fertilizando-a ou empregando meios
mais eficazes. E l e sabe que, aumentando a sua colheita, o proprietário da
terra exigirá uma maior parte daquela.
Foi o que se observou na Índia. Quando
se descobriram novas sementes com
melhores resultados de produção, os
proprietários logo exigiram todo o excedente de trigo produzido.
A
SOLUÇÃO
COOPERATIVA
A transferência da terra para as
mãos do rendeiro não seria mais do
que o primeiro passo para tornar a
reforma agi ária num factor dinâmico
de desenvolvimento. Suprimindo o proprietário, â necessário criar instituições
que levem, à prática, algumas das funções qus aquele exercia, mas agora, em
proveito do lavrador e da comunidade.
O agricultor «liberto», deve dispor,
além do mais, de crédito, de conselhos,
de uma organização de vendas e de
facilidades de agrupamento de compras.
Uma das formas de organização mais
apropriada, que convém adoptar, em
tais circunstâncias, é a cooperação que
tem funcionado, com sucesso, em numerosos quadros económicos diferentes,
por todo o mundo.
M n
V P
•
«•?•-,!
Maquinaria
moderna nas
modernas
cooperativas
U m cultivador, sócio de uma cooperativa, sente que recebe o que lhe é
devido em paga do seu trabalho e compreende, também, que recebe rendimentos suplementares, graças à sua
colaboração com outras pessoas, para
a compra de sementes, venda da colheita e obter crédito.
Tem também direito à palavra no seio
da organização democrática da cooperativa e isto é fundamental para ele.
VINHOS
LOURINHÃ
PUREZA
E QUALIDADE
GARANTIDA
PELA
ADEGA COOPERATIVA
DA LOURINHÃ
PEÇA-OS NA SUA COOPERATIVA
boletim cooperativista
5
ano internacional do livro
Que fazem
M l p e l a promo
R R V Y I
«livros para todos», eis o «slogan» do Ano Internacional do Livro, proclamado pela UNESCO
para 1972.
Um «slogan» que é também definidor dum certo modo de encarar o fenómeno livreiro, e que
não coincidirá, evidentemente, com uma visão lucrativista desse mesmo fenómeno. Como disse René
Maheu, director-geral da UNESCO, o livro «é inseparável da felicidade e da dignidade de viver». A divisa
deste ANO I N T E R N A C I O N A L DO L I V R O sugere assim a conquista desta dignidade.
U m ano não vai modificar o panorama do acesso ao livro no Mundo.
Pode originar a discussão dos problemas com ele relacionados, e isso é já
bastante significativo.
E m Portugal t a m b é m se tem falado
do A N O I N T E R N A C I O N A L DO L I V R O . Timidamente, n ã o v á haver
mesmo livros para todos, mas as questões c o m e ç a m a pôr-se: — quem compra livros? quanto custam os livros?
porquê? que livros se editam? quem
edita?
A gravidade destas questões é a gravidade dum problema mais vasto: — o
do acesso à cultura no nosso Pais. Que
estractos sociais ascendem ã Universidade? Quem compra jornais, revistas,
rádios e televisões? Quem vai ao cinema? A estas questões poderiam
acrescentar-se outras sobre as m a t é rias divulgadas por todos esses meios
de comunicação social. Fiquemo-nos
por aqui. í a m o s a falar do livro.
P a r a (por) isso nos dirigimos a algumas cooperativas inquirindo-as sobre
o que t ê m feito em prol da divulgação
do livro: — U N I C E P E (do Porto),
U N I T A S (de Coimbra), P R O E L I U M
(de Queluz), V I S (da Amadora), D E -
V I R e L I V R E L C O (de Lisboa), e L I V R O P E (de Alhandra). Bem se sabe
que a democratização do livro não depende essencialmente da acção das
cooperativas. E s s a democratização tem
muito a haver com a própria democratização da sociedade. Nem por isso
deixam de caber à s cooperativas (a
todas, e não s ó à s cooperativas livreiras) responsabilidades peculiares na
promoção cultural, onde cabe naturalmente a do livro. Postas as coisas
neste pé, assume particular significado
as respostas da U N I C E P E e da P R O E LIUM.
unicepc
3000 contos de livros para 3000 sócios
1 — A Cooperativa
foi fundada em
fins de 1964, por um pequeno
núcleo
de estudantes.
Daí o seu nome:
UNICEPE, Cooperativa
Livreira
de Estudantes.
2 — A Cooperativa,
apesar de se intitular Cooperativa
Livreira
de Estudantes, está aberta a todas as camadas sociais. Neste momento
tem 3000
sócios.
3 — Verificou-se a partir do ano passado um aumento substancial nas vendas. Em 1971 as vendas
aumentaram
100 % em relação a 1970, tendo-se
atingido 3000 contos de vendas. Este ano
prevê-se um aumento de 30 % sobre as
vendas de 1971. A razão daquele
salto
em 1971 deve-se ao facto de, por uma
reorganização
administrativa,
se ter
conseguido dar ao sócio um retorno de
15%. obviamente,
atraíram-se
mais sócios e mais compradores,
pois o aumento do custo de vida também se reflecte a ninei do livro.
4 — A promoção
do livro tem sido
sempre
a preocupação
central
desta
Cooperativa.
Por isso existem
várias
secções, com sócios a trabalhar
activamente, e que fazem a promoção do livro, quer internamente,
entre os sócios,
6
boletim cooperativista
quer externamente,
ao nível do público
em geral.
Deste modo, existem nesta
cooperativa:
Um Conselho Bibliográfico,
que tem
a seu cargo a escolha e a crítica de
dois «Livros da Quinzena». Para
estes
dois livros, considerados
de interesse,
o retorno é mais substaricial
(25 %)
durante 15 dias.
Uma Secção de Informação
e Propaganda, a qual tem a seu cargo o Boletim da Unicepe, em que se inserem
críticas de livros recentes, e onde também são publicados noticiários,
artigos
sobre cooperativismo,
etc.
Uma Secção de Relações
Externas
que contacta
com outras
Associações
no sentido de lá serem montadas
bibliotecas pela
Unicepe.
A par destas secções, a Cooperativa
tenta efectuar outras realizações,
tais
como colóquios, conferências
e mesas-redondas com autores de obras
marcantes.
5 — Até agora, nada foi feito por
parte desta cooperativa
acerca do Ano
Internacional
do Livro. Isto n(ão denota, de modo algum, incúria da nossa
parte, ou desinteresse
da
comemoração.
O facto é que, até este momento,
temos
vindo a ser assoberbados
com
problemas
mais
delicados
e
importantes,
como por exemplo
o decreto
520-71
que como sabe, afecta a vida de todas
as cooperativas
portuguesas.
Infelizmente, este problema não tem sido alvo
da atenção que requer, mormente da
Unicoope, a qual se tem furtado a uma
actuação em conjunto e a nível nacional.
6 — Antes do mais, a
alfabetização
efectiva das massas, sem dúvida. Em
seguida, a venda de livros baratos. Depois, uma maior possibilidade
de difusão da literatura,
Está claro que uma cooperativa
livreira, pelo seu carácter
colectivo
e
dado o retomo
que fornece ao sócio,
está mais apta do que qualquer
outro
estabelecimento
a tornar o livro acessível às grandes
massas.
7 — Mantém-se como perspectiva
futura. Neste momento, porém, a Cooperativa está empenhada
no
lançamento
de um novo ramo da sua actividade:
uma discoteca. E óbvio que o arranque
de uma realização
deste género
consome tempo e esforço e por isso estamos neste momento, parados quanto a
publicações.
ano internacional do livro
Cooperativas
c ã o do livro?
inquérito de José A. Salvador
AS
Feira
do Livro
PERGUNTAS
na cidade de Gorki
parcial)
(U.R.S.S.)
(aspecto
1 — Quando foi fundada a Cooperativa ?
2 — Qual o seu tipo de sócios ? Está aberta a
não-estudantes? Quantos tem?
3.:— Tem aumentado a venda de livros de ano
para ano?
4 — Que pensa a cooperativa fazer no sentido
da promoção do livro?
5 — Já desenvolveram ou vão desenvolver algumas actividades especiais referentes ao ANO INT E R N A C I O N A L DO L I V R O ?
6 — Que medidas considera a cooperativa indispensáveis para tornar o livro acessível às grandes
massas? Neste sentido qual o papel duma cooperativa?
7 — A U N I C E P E iniciou a publicação de pequenos textos, com um caderno sobre jornalismo da
autoria de Nuno Teixeira Neves. Esta actividade
foi definitivamente abandonada?
8 — A entrada em vigor da Lei de Imprensa
afectou de algum modo o movimento comercial do
livro ?
Nota: — Ã Unicepe só enviamos o inquérito até
à 7." pergunta. Às outras cooperativas não pusemos a 7. pergunta.
a
a p r o e l i u m pergunta:
que tem feito a UNICOOPE pelo livro?
1) Em Março de 1971.
2) Tem actualmente
200 sócios, na
maioria empregados
bancários,
de escritórios,
caixeiros, e funcionários públicos. A idade média dos associados
anda à volta dos 26 anos. Ê evidente
que está aberta a não-estudantes,
embora existam 10 % dos associados
que
o são. Não se esqueça que uma das
actividades
desta cooperativa
é o ensino para adultos, tendo-se
leccionado
em 71-72 o 2." ciclo, secção de Ciências, e para este ano (72-73)
prevê-se
o 2." ciclo completo, Ciências e Letras.
3) Embora a secção de Livraria só
ultimamente
se tenha
desenvolvido,
desde o início a Proelium tem tido uma
pequena livraria para venda aos associados. Tem-se verificado,
no entanto,
um acréscimo nas vendas todos os meses. Actualmente
temos em existência
na livraria cerca de 1500 livros, 80 %
escolhidos em função do seu
interesse.
4) Prosseguir
junto dos seus
associados com campanhas
de fomento do
livro, criando grupos de trabalho
para
esse fim, e mantendo os já
existentes.
Além disso continua com os debates
de esclarecimento
sobre os mais
diversos temas, dentro do espírito
estatutário e cooperativista,
com o fim de aumentar o nível cultural dos sócios
criar-lhes hábitos de leitura,
discussão
e partocipação
tanto a nível
interno
como geral (leia-se
social).
5) Até agora, a actividade
externa
mais significativa
para comemorar
esta
data foi termos organizado
uma feira
do livro, ou melhor, montámos um pavilhão (cedido pela Seara Nova
para
o efeito), numa feira tradicional,
onde
os mesmos
eram vendidos
com 20 %
de desconto. Paralelamente
e em colaboração com os Bombeiros
Voluntários
de Queluz, o Campolide deu um espectáculo à noite, na feira, ao ar livre, da
peça «As aventuras
de D. Quixote de
La Mancha e do Gordo Sancho
Pança»,
de Iudor, à qual assistiram
várias centenas de pessoas.
Pensamos
ainda, até final do ano,
levar a cabo mais algumas
iniciativas
relacionadas
com o Ano
Internacional
do Livro, como sejam a exposição do
50." aniversário
de Seara Nova,
Alves
Redol,
etc.
e
Os condicionalismos
impostos às cooperativas
não nos deixam muitas
mais
possibilidades.
6) As medidas indispensáveis
são todas dispensáveis.
Quanto ao segundo
aspecto desta pergunta, cremos que já
demos
em parte
uma resposta nos
números
anteriores.
Perguntámos:
— qual tem sido o papel
de uma
Federação
de Cooperativas
como a
Unicoope neste caso
concreto?
7) Numa cooperativa
como o Proelium não notamos nenhuma
influência
de especial. Cremos que a longo prazo,
para as editoras,
a lei de Imprensa
terá a sua influência, o que
evidentemente se virá a reflectir
sobre
quem
vende e quem
compra.
boletim cooperativista 7
DO Q U E S E D I S S E
S O B R E A HABITAÇÃO
EM 1 9 6 9
BIBLIOGRAFIA SOBRE A HABITAÇÃO
— «As casas dos trabalhadores nos centros urbanos», por Virgínia de Moura
e Lobão Vital; «Teses e documentos», II Congresso Republicano de Aveiro,
Seara Nova, 1969.
(Continuação
educativos
para superar esta
carência.
Assim, num contexto indiferente,
senão
hostil, ao associativismo
popular,
as
cooperativas
de habitação,
ao contrário das de consumo, por exemplo, não
se radicaram nos meios onde
poderiam
expandir-se
com mais dinamismo
e
mais autenticidade
que são
justamente
as zonas de crescimento
urbano
acelerado à volta dos grandes
centros,
e
onde aquelas outras conseguiram
implantar-se
coin- algum
sucesso.
Porquê esta diferença ?
Simplesmente
porque as cooperativas
de
habitação
nada podem fazer sem apoio
oficial,
concretizado
em três aspectos
básicos:
terrenos baratos, crédito a baixo juro
e a prazo
longo, isenções
fiscais
amplas.
— «Habitação, problema social», por Eduardo Ribeiro; na mesma obra atrás
referenciada.
— «Lisboa, uma cidade em transformação», por Francisco Keil Amaral; Publicações Europa-América, 1969.
— «Não há rendas baixas, há rendas especulativas», por M. Roque Laia;
edição do autor patrocinada pelas Associações dos Inquilinos Lisbonenses e do
Norte de Portugal, 1971.
— «Um urbanismo «consciente», in «O Tempo e o Modo» N.° 86 • Nova
Série —Abril 1971.
— «Colóquio sobre política da habitação». Ministério das Obras Públicas,
1969, «Texto base»/«lntervenções dos participantes nos grupos de discussão»/
/«Relato Final».
— «Ocupação» (do Bairro do Bom Sucesso em Odivelas, por 48 famílias
de barracas), por Ana Barbosa, Francisco Silva Alves, José Azevedo, Margarida
Sousa Lobo, Pedro Villas-Boas; coordenação de José João Louro; Afrontamento,
Porto 1972.
A R Q . NUNO TEOTÓNIO P E R E I R A
O homem
— «Projecto de um código de Inquilinato Urbano», por M. Roque Laia; Lisboa, 1966
Antes de mais nada impõe-se
uma
afirmação
de principio:
importa
ter
sempre
presente
que no centro
do
problema
da habitação
está o homem
— não o homem como ser isolado, mas
integrado na família e na sociedade.
— «Temas e conclusões do Colóquio sobre o problema habitacional».
Associação dos Inquilinos Lisbonenses; 1968.
— «Fenómeno urbano e desenvolvimento social na Região de Lisboa», in
«Informação Social», n.° 19; Ministério da Saúde e Assistência, 1970.
(Continua
na pág.
q u e n t e o u frio
beba
c
o
m
CHOCOLATE
s a b o r o s o e nutritivo
O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O o
O O O O O O O O O O O O O O O C O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O O C O o
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V i ?
KÍÍÍÍÍÍÍSS;:;
m
S I
em produtos de qualidade
8
boletim cooperativista
da pág. 3)
e garantia
seguinte)
Problemas de
consumo DO Q U E S E D I S S E
A PUBLICIDADE DESORIENTA
0 CONSUMIDOR
por V A S C O D E C A R V A L H O
A cooperação de consumo desempenhou, desde sempre, uma importante
função: a defesa dos consumidores.
Na primeira metade deste século, essa defesa assentou numa acção moderadora dos preços e na protecção da saúde dos consumidores. A primeira exercia-se
lutando contra a especulação do comércio retalhista, procurado estabilizar os
preços nas regiões onde as cooperativas existiam, fornecendo os artigos de
consumo com medida certa e dando retornos proporcionais ao consumo. A protecção da saúde dos consumidores tinha por base a escolha conscienciosa da
qualidade.
A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, o comércio dos produtos de
consumo caseiro evoluiu para a monopolização do seu fabrico e distribuição.
A escolha da qualidade deixou de poder exercer-se com a mesma amplitude de
antes, quando a produção assentava, principalmente, no artesanato ou em
diversas pequenas empresas industriais e agrícolas. Com efeito, a existência, hoje,
de múltiplas marcas de um mesmo género de artigos não significa haver possibilidade efectiva de escolha, visto que um mesmo produtor lança no mercado
o mesmo produto, com diferentes embalagens, à s vezes diferindo no aspecto, mas
nunca na qualidade. É o caso, por exemplo, dos detergentes.
Além disso, a maioria dos produtos passou a ser distribuída, prèviamente
empacotada, com determinado peso ou volume, o que não significa, o entanto,
peso ou volume concordantes com o que se afirma nos rótulos.
Deste modo, a cooperação de consumo deixou de poder, pelo menos t ã o
amplamente como outrora, de proteger os consumidores através da escolha
criteriosa da qualidade e do fornecimento com medida justa. Os estabelecimentos
cooperativos, tal como os outros, fornecem os artigos de consumo que a produção
monopolista põe no mercado j á embalados. A acção moderadora das cooperativas
pela prática de preços justos deixou de se exercer, visto que as -tarifas monopolistas não são afectadas por qualquer vislumbre de concorrência.
Isto não quer dizer que a cooperação de consumo não tenha ainda o dever
e a possibilidade de promover acções efectivas contra a alta dos preços e de
protecção da saúde dos consumidores. Hoje, mais do que antes, essas acções
tornam-se mais necessárias, e, felizmente, vão sendo desenvolvidas pelos cooperadores em todas as partes do mundo. Porém, têm de ser agora aplicadas a um
nível diferente; têm de ser públicas, têm de consciencializar o povo consumidor.
Um dos seus aspectos, e dos mais importantes, reside no esclarecimento dos
consumidores em relação ao bombardeamento diário de uma publicidade desonesta
que os desorienta e os leva a consumir artigos que, quer pela sua composição,
quer pelo processo de fabrico, são prejudiciais à saúde. Por outro lado, é indispensável que os consumidores conquistem o direito de ser representados nos organismos de coordenação e de fiscalização do abastecimento público. Nestes
organismos estão hoje representados os produtores e os comerciantes, mas neles
não têm lugar os consumidores, a grande massa do interessados nas actividades
ecoómicas ligadas ao consumo.
No nosso pais, a grande massa de consumidores não está integrada nas
cooperativas, mas encontra-se filiada nos sindicatos de trabalhadores da indústria
e do comércio. Estes organismos representam, portanto, a maioria dos consumidores e é lógico que defendam os seus interesses, não só no aspecto dos salários
e dos direitos inerentes à sua qualidade de trabalhadores, mas também no que
se refere aos preços e à qualidade dos artigos que consomem. A s cooperativas
de consumo e os sindicatos encontram, assim, naturalmente, o dever e o interesse
comuns de lutar pela sua representação nos organismos de que depende o abastecimento público.
Os cooperadores têm, portanto, diante de si uma missão de enorme importância: a de procurar que os sindicatos onde se encontram filiados se encaminhem
para uma colaboração com as sociedades de consumo, no sentido de promoverem
uma politica de defesa dos consumidores. E s t a politica está naturalmente
indicada para ser exercida por meio de uma comparticipação nos organismos
oficiais ligados aos problemas da produção e da distribuição dos artigos de
consumo caseiro, onde n ã o devem estar representados apenas os produtores
e os comerciantes.
O Estado, a quem compete defender os consumidores, deve encarar aquela
comparticipação, como um meio de zelar pela saúde pública e pela contenção
dos preços. No entanto, não basta falar apenas de direitos e deveres. Ê indispensável conquistar uns e praticar os outros. Os cooperadores, como consumidores
mais conscientes, têm de trabalhar, na primeira linha, para que seja outorgado j
o direito de os consumidores se defenderem a si próprios.
[
S O B R E A HABITAÇÃO
EM 1 9 6 9
(Continuação
da pág.
anterior)
Servi-lo como tal e da melhor maneira deverá
ser, assim, a
primeira
preocupação
e a principal
finalidade
de qualquer planeamento
ou programa
de acção a desenvolver
neste
domínio.
A propósito, devo declarar que nunca
pude compreender
muito bem que, sendo a habitação uma necessidade
primária, do homem, a par da
alimentação
e do vestuário,
o Estado não se tenha
sentido obrigado a intervir
na resolução efectiva
do problema
da mesma
forma que em relação a estes
últimos,
isto é, providenciando
por que não
falte habitação condigna e acessível às
famílias em geral, mercê de uma acção
positiva,
directa e indirecta, e de uma
disciplina
de preços
semelhantes
à
adoptada
quanto aos géneros de primeira
necessidade
e tecidos
de uso
corrente.
DR. A. GONÇALVES LOURENÇO
Interesses privados
Reconhece-se,
de facto, que a política que tem sido seguida,
baseada
numa
quase
completa
liberdade
de
actuação da iniciativa privada e numa
pluralidade
de regimes
de construção
de habitações levada a efeito por diversos organismos públicos e semi-públicos,
não permite
satisfazer
as
crescentes
necessidades
habitacionais,
seja no que
se refere ao ritmo de construção
necessário, seja no que diz respeito ao tipo,
dimensão, localização mais
conveniente,
custo e rendas das habitações
a construir.
A indispensável
intervenção
dos Poderes Públicos deverá processar-se por
forma
a que sejam
eles e não os
interesses privados a comandarem
os
desenvolvimentos
urbanos,
exercendo
de modo efectivo o controlo de todos
os factores que influem quer na definição e criação dos ambientes em que se
devem instalar as habitações
— política de planeamento urbanístico — quer
na programação,
financiamento,
e execução das habitações
— política
habitacional.
DR. C A S I M I R O P I R E S
WOP
V I N H O
V E R D E
DA UNIÃO OAS ADEGAS COOPERATIVAS
boletim cooperativista
9
o mundo cooperativo
DE NORTE
A
SUL
HONRA OFICIAL A UM COOPERADOR AUSTRÍACO
0. Sagmeister, Presidente da Sociedade Cooperativa de Viena e
membro do Comité Central da A C I ,foi honrado com a medalha de prata
da Câmara do Comércio pela sua contribuição para a economia austríaca,
Sagmeister é o primeiro dirigente cooperativo austríaco a receber tal
honra concedida após a sua reforma do lugar de director da Sociedade de
Viena. O homenageado foi obreiro da reconstrução da Cooperativa de
Viena desde 1950 e promoveu a criação dos primeiros auto-serviços
e supermercados da Áustria.
SUÍÇA
IMPRENSA COOPERATIVA
Em 1971 a Coop-Suíça publicou semanalmente o seu jornal «Coopération» em três línguas: alemão, francês e italiano. Para isso foram utilizadas cerca de quatro mil toneladas de papel, que representam um rolo
com 107 353 quilómetros de extensão.
Acrescente-se que o jornal é impresso pela própria Coop.
(Continuação
da página
2)
um passo decisivo para o seu desenvolvimento, e no sentido de se
tornar v e r d a d e i r a m e n t e uma
força ao serviço do consumidor
e do cooperativismo.»
A «COOPRAVE» tem 228 sócios, e, em 1971, registou um total de vendas de 1 706 198$80,
sendo de 83 575$85 o montante
do lucro líquido.
HHHB9
F A Z E R UM S E G U R O É TER O A M A N H Ã N A S M Ã O S . F A Z E R UM S E G U R O
O
AMANHÃ
NAS MÃOS.
FAZER
UM
SEGURO
É TER O A M A N H Ã
NAS
É TER
MÃOS
F A Z E R UM S E G U R O É TER O A M A N H Ã N A S M Ã O S . F A Z E R UM S E G U R O É TER O
A M A N H Ã N A S M Ã O S . F A Z E R UM S E G U R O É TER O A M A N H Ã N A S M Ã O S . F A Z E R
UM
SEGURO
É TER O AMANHÃ
N A S MÃOS. FAZER
UM
SEGURO
É TER O
FAZER UM SEGURO
É TER O AMANHÃ NAS MÃOS
MUTUAL
E
FAÇA-O
DA
SUA
ATRAVÉS
COOPERA-
TIVA O U P E L O S
TELEFONES
97 02 0 1 / 2 - L I S B O A
68 31 96/7 - P O R T O
10
boletim cooperativista
UNICOOPE
ressaca. Cada qual sacudindo a responsabilidade
de cima das costas.
Com
certa habilidade?
Desajeitadamente?
O n d e s e t r a n s c r e v e m a r t i g o s a p a r e c i d o s na i m p r e n s a — e m b o r a não e n v o l v e n d o n e c e s s a r i a m e n t e a c o n c o r d â n c i a do « B . C.» c o m o s e u c o n t e ú d o .
Do jornal «República», de 5/8/72,
transcrevemos a «Nota de
Abertura» da sua secção «a semana». Os jactos a que a mesma se refere
são por demais conhecidos para voltarmos a relatá-los. Basta pois, o título
que atribuímos à nota:
0 SURREALISMO INVADIU A CIDADE
V. Ex." imagina
o burgomestre
de
Munique
capaz
de lançar tigres
no
centro da cidade sob o pretexto
de
restituir
o burgo à alegria
selvagem
do «strugle for li/e» ? Concebe V. Ex.",
lisboeta ilustre, que o Lord Mayor de
Londres
mande
soltar
em
PicadiUy
duas dúzias de leões, com o
objectivo
de operar a simbiose entre a civilização
africana
tropical
e o nevoeiro
característico da velha
Albion?
Certamente,
V. Ex."
responderá
afirmativamente.
As barreiras
que
limitavam
a imaginação
deste
milhão
de almas que habitam Lisboa
desapareceram de todo em todo.
O surrealismo
invadiu a cidade, pela
mão do vereador Leopoldo Nunes, com
a, aprovação do Eng." Santos e Castro
Ver para crer. Os mais pacatos
cidadãos da capital
depararam
com a
tradição bem viva, em carne e chifres,
a deambular
pela Avenida
da República,
pelo Campo
Grande,
pelas
Avenidas
Novas...
Os cidadãos
esfregaram os olhos, acordaram,
fugiram,
debandaram.
O trânsito citadino
prosseguia,
engarrafava-se,
enquanto
o
absurdo
se instalava
tranquilamente
na cidade. Fora o espírito esotérico do
vereador-taurino
que, a título de devolver Lisboa à riqueza tauromáquica
do
séc. XIX, resolvera
soltar
dezanove
toiros na Calçada do
Carriche.
Os toiros
desceram
pela
cidade.
Ganharam
terreno.
Desorientaram
os
campinos.
Era a festa de
Leopoldo.
Lisboa
estava
feita
em
gigantesca
praça
de toiros.
As três horas
da
madrugada,
porém, acábou-se a alegria.
Aconteceu
o inevitável.
A tragédia
que
é do domínio público. Depois veio a
O Eng." Santos e Castro,
presidente
da Câmara Municipal de Lisboa
publicou um comunicado
onde se
afirma:
«A Presidência
da Câmara de Lisboa
teve sempre a maior dúvida quanto aos
riscos que poderia implicar o número
de toiros...»
As dúvidas
da
Câmara
já acabaram.
A esta hora, o Eng."
Santos e Castro já não duvida — ele
nomeia comissões
de inquérito.
Para
averiguar
«como foram
montadas
e
funcionaram
as medidas de
segurança
e, bem assim, da causa directa
dos
incidentes». O funcionamento
das medidas de segurança?
A causa directa dos
incidentes ? Esquecerá
que a
causa
directa
do incidente
foram,
simplesmente, as marradas dos dezanove
toiros
que S. Ex." consentiu que se
soltassem
no centro
da cidade?
Esquecerá
o
senhor engenheiro que já está mais que
demonstrada
a forma como
funcionaram as medidas de
segurança?
M. M.
DESENHOS DO <C00PÉRATEUR DE FRANCE^
dom
'*#d*fínrs
PES BÉTES J
-Vr^r-rtíS^Ssíl
boletim cooperativista
11
O
editou:
a
« PRINCÍPIOS
FUNDAMENTAIS DO COOPERATIVISMO »
«A Cooperativa Agrícola de Lafões tem-se preocupado desde a sua fundação
com o desenvolvimento cultural dos seus associados e de todos os agricultores que
vivem na sua área social. Considera que o progresso humano não é apenas o desenvolvimento económico. A par do desenvolvimento económico, que está sempre na
base de todo o progresso, é indispensável desenvolver o espírito de justiça e de
ajuda mútua, melhorar o nível de conhecimentos de todos, interessar as pessoas
pelo estudo e resolução dos seus próprios problemas, combater o egoísmo individualista e divulgar o espírito de solidariedade.»
Assim se exprime a direcção daquela Cooperativa na nota justificativa da publicação para os seus associados dos «Princípios Fundamentais do Cooperativismo»,
da autoria de Maurice Colombain.
Entendeu, todavia, a Cooperativa de Produção e Consumo, GRAU, com sede
em Viseu, que aquele trabalho merecia mais ampla divulgação, pelo que assumiu
a tarefa de o publicar em livro.
A obra de Maurice Colombain compreende 14 lições, assim enunciadas:
1." — As origens do movimento cooperativo — seu fundamento económico e
social;
2. ' — A instituição cooperativa — seus caracteres distintivos — suas regras de
funcionamento;
3. " — O movimenta cooperativo no mundo;
4. " — Organização administrativa;
5. " — Organização financeira;
6. " — Alguns problemas de estrutura e gestão;
7. " — O federalismo cooperativo;
8. ° — Relações intercooperativas;
9. ' — O movimento cooperativo e a educação;
10-* — O movimento cooperativo e a educação (continuação);
11." — O movimento coop, e a educação (cont.);
12. " — O movimento cooop. e a educação (fim);
13. " — O Estado e a Cooperação;
14. " — A acção cooperativa e a diversidade das necessidades populares.
O preço líquido do livro é de 25500 podendo os pedidos ser dirigidos directamente a GRAU — Sociedade Cooperativa de Produção e Consumo, Largo Almeida
Moreira, 25 — V I S E U .
CINEMA AMERICANO
Em 1970 funcionavam no nosso País 485 salas de cinema
(mais uma que no ano anterior), segundo se revela no relatório e contas da Corporação dos Espectáculos. Todavia,
só 31 estreavam filmes (20 em Lisboa e 11 no Porto),
enquanto o número de salas a funcionar diàriamente não
ia além das três dezenas. A média de espectadores por
sessão foi de 274, em 1970, para um total de 27 971000.
Vejamos agora a origem dos filmes estreados, em 1971,
nas salas portuguesas:
VIETNAME
COM
CINEMA
De 1965 a 1968 dos estúdios da República do Vietname
do Norte
saíram
259 filmes de actualidades,
18J/ documentários,
16 filmes de ficção, 12 filmes de animaçã , e 83 filmes de ensino
científico.
O «napalm»
não consegue
destruir
também
cinema norte-vietnamiano,
e,
este sobrevive,
prossegue
entre as toneladas de
bombas.
0
12
boletim cooperativista
BOLETIM
Av.
QUE
BE
EM
No consumo de leite o nosso Pais
fica-se pela cauda da Europa,
conforme se pode verificar pelo
quadro que se segue. Assim, temos,
em gramas por dia e por habitante
os seguintes consumos:
HOLANDA
SUIÇA
REINO UNIDO
AUSTRIA
DINAMARCA
SUÉCIA
ALEMANHA F E D E R A L
ITALIA
ESPANHA
GRÉCIA
PORTUGAL
....
500
430
410
400
350
345
300
190
180
130
100
v4>
EM FORCA
E . U. A.
Itália
França
Inglaterra
Espanha
...
104 filmes (142 em 1970)
75
»
( 57 »
» )
46
»
( 33 »
» )
...
43
»
( 46 »
» )
15
»
( 10 »
» )
Portugal contribuiu com dois, e a Checoslováquia com
um, além de terem surgido duas produções franco-russas.
Como se verifica o cinema americano, e tudo o que ele
transporta, domina os «écrans» nacionais.
COOPERATIVISTA
Almirante Beis. 127, 4.»-Dt.» — Lisboa 1
AVENÇA
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Que têm feiro cooperativas no ano internacional do livro