CARTA REGIONAL DE COMPETITIVIDADE PINHAL LITORAL/OESTE 109 1. TERRITÓRIO 1.1.Pinhal litoral Pertencente à região Centro, a sub-região Pinhal Litoral apresenta uma organização espacial marcada pela presença de um conjunto de sistemas urbanos que estruturam o território e nos quais se concentram entre 100 mil e 150 mil (ou mais) habitantes. Os mais importantes eixos de desenvolvimento são: o eixo Marinha Grande-Leiria-Figueira da Foz, que se prolonga até Ovar, apoiado na Linha do Norte e na auto-estrada Lisboa-Porto; o eixo que abarca Leiria e Pombal e que se prolonga até Coimbra, Águeda e Entre Douro e Vouga. O Pinhal Litoral é um território charneira entre o Oeste e o Médio Tejo, a Lezíria do Tejo e o Baixo Mondego, cada um deles com uma polarização urbana de nível 1 ou 2, respectivamente Caldas da Rainha/Torres Vedras, Torres Novas-Tomar-Abrantes, Santarém, e Coimbra-Figueira da Foz. Leiria é o pólo que apresenta maior dinamismo urbano no contexto do Pinhal Litoral - a sua influência estende-se naturalmente a outros municípios da sub-região (Marinha Grande, Pombal, Batalha e Porto de Mós), ao Médio Tejo, principalmente ao município de Ourém, mas também a Tomar e Torrres Novas, e ainda ao Oeste, principalmente a Nazaré, Alcobaça e mesmo Caldas da Rainha, para além de municípios do Pinhal Interior pertencentes ao Distrito de Leiria. FIGURA 1 - PINHAL LITORAL 1.2. Oeste O Oeste é um território com uma identidade geográfica e sócio-económica muito própria, que se integra na região Centro do País, estendendo-se entre as serras de Montejunto, Aires e Candeeiros e o mar e dispondo de uma riqueza de recursos naturais, paisagísticos e patrimoniais muito singulares. A sub-região compreende uma importante faixa litoral, irrigada por múltiplas ribeiras de pequena 110 extensão, um troço intermédio planáltico, onde sobressai o vale tifónico das Caldas da Rainha, e um troço interior, de relevo mais acidentado, além de condições edafo-climáticas muito favoráveis a actividades como a fruticultura, a horticultura e a viticultura. A diversidade geográfica e de recursos da sub-região marca a diferenciação entre os territórios mais a Norte (polarizados pelo município Caldas da Rainha e fortes na produção frutícola e na indústria cerâmica) e os territórios mais a Sul (polarizados por Torres Vedras, centro de produção vitivinícola e ponto de ligação com a Área Metropolitana de Lisboa). FIGURA 2 - OESTE O Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) do Oeste e Vale do Tejo refere a existência de um Eixo Urbano do Oeste, que evidencia intensos processos de urbanização suscitados pela boa acessibilidade a Lisboa e a Leiria: constitui uma centralidade urbana em rápida transformação vertebrada pela A8 e suportada pelos pólos de Caldas da Rainha-Alcobaça, incluindo Nazaré/ Peniche e Torres Vedras, que apresenta alguma dificuldade de afirmação e de unidade funcional, dada a sua posição intermédia entre duas fortes polarizações - a Área Metropolitana de Lisboa e Leiria. Estes núcleos urbanos que estruturam aquele Eixo constituem também pontos de amarração de articulações transversais – Torres Vedras, com o Eixo de Conectividade com a AML; Caldas da Rainha com o Subsistema Urbano Central – e inter-regionais – Alcobaça, com o Sistema Urbano de Leiria. Estes pólos desenvolvem também lógicas de atracção/relacionamento com núcleos próximos: Torres Vedras/Lourinhã; Caldas da Rainha/Óbidos e Alcobaça/Nazaré. A Norte, o relacionamento é forte sobretudo com os centros urbanos de Leiria e Marinha Grande, fruto de uma relação histórica em termos de emprego, comércio e serviços. De referir que a riqueza 111 patrimonial também funciona como factor de agregação entre as regiões, bem como com o Médio Tejo: conjugação entre o património mundial de Alcobaça e Tomar e o património religioso de Fátima – este “arco” concretiza-se através do património de Alcobaça. É possível identificar no Oeste as seguintes unidades territoriais, áreas relativamente homogéneas do ponto de vista dos padrões de ocupação do solo: Oeste Litoral Norte: unidade territorial delimitada desde o termo Norte do município de Alcobaça até ao tômbolo de Peniche (inclui as ilhas das Berlengas). Apresenta características predominantemente florestais (pinhais a Norte e eucaliptais na restante área) e as áreas agrícolas estão de um modo geral associadas às baixas aluvionares e à policultura. O espaço afecto à edificação traduz um povoamento concentrado nos principais núcleos urbanos (Nazaré, São Martinho do Porto, Foz do Arelho e Peniche), embora mantenha fortes relações com Caldas da Rainha e Alcobaça (ambas incluídas noutras unidades territoriais vizinhas). Evidencia-se o incremento de fenómenos de densificação e expansão dos aglomerados para fins residenciais e de lazer. Em termos de acessibilidade, esta unidade é atravessada pela A8 e Linha do Oeste, que estruturam a ocupação do território e a distribuição de actividades. A unidade dispõe de duas importantes infra-estruturas portuárias - Peniche e Nazaré -, com interesse regional e com valências importantes existentes e potenciais na pesca, nos serviços e desportos náuticos. Do ponto de vista dos recursos naturais, importa destacar os marítimos resultantes da relação com o Atlântico (pescado, recursos minerais, energia das ondas, etc) e os terrestres, associados ao potencial eólico, aos aquíferos da Cesareda e Caldas da Rainha e às linhas de água do Oeste. Oeste Interior Centro: unidade territorial compreendida entre a unidade territorial Oeste Litoral Norte, o limite Oeste da Serra de Aire e Candeeiros e o limite norte da Serra de Montejunto. O padrão de uso do solo dominante apresenta uma base agrícola de pomares, vinhas e horto-frutícolas que está associada à edificação linear que se desenvolve ao longo das principais vias de comunicação. Os principais centros urbanos da unidade são Alcobaça, a Norte, Caldas da Rainha e Óbidos, a Oeste, e Bombarral e Cadaval, a Sul. No que concerne às acessibilidades, a unidade é servida na sua parte ocidental pela A8 e linha do Oeste e, na parte oriental, é servida pela EN1 (IC2), sendo ainda atravessada pela A15. Verifica-se uma forte relação física e funcional desta unidade territorial com a região Centro. Esta unidade divide-se em 3 sub-unidades territoriais, cada uma com características específicas: o Oeste Interior Centro-Caldas: esta sub-unidade compreende o pólo urbano das Caldas da Rainha e áreas envolventes. A sua delimitação foi efectuada em função da forte polaridade deste centro urbano e da vasta área envolvente onde se registam elevados níveis de fragmentação. É uma sub-unidade estruturadora do sistema urbano regional possuindo importantes funções no relacionamento entre o litoral e o interior. o Oeste Interior Centro-Benedita: a especificidade desta sub-unidade decorre da elevada dispersão do edificado, fragmentado e disperso, que ocorre ao longo das principais vias de comunicação, em especial a EN1. Regista uma mistura de usos do solo e a presença dominante de unidades industriais e empresariais pouco organizadas tem impactes significativos sobretudo na orla da Serra de Aire e Candeeiros. Oeste Litoral Sul: unidade territorial que compreende o litoral a sul de Peniche e o município de Torres Vedras, englobando ainda parte do município da Lourinhã. A ocupação dominante do solo é agrícola, com policulturas e estufas, onde predominam explorações 112 de pequena dimensão, mas com elevada produtividade da terra e do trabalho. Este padrão é intercalado com pequenas áreas de povoamentos florestais e unidades de pecuária intensiva. O sistema de povoamento é concentrado, constituído por núcleos rurais de pequena dimensão que o estruturam. Regista fenómenos emergentes de novas áreas de expansão urbana potenciadas pelas novas acessibilidades. O sistema urbano no interior da unidade é polarizado por Lourinhã, mas desenvolvem-se fortes relações com outros centros urbanos, designadamente Torres Vedras, Caldas da Rainha, Peniche, Cadaval e Bombarral. Em termos de acessibilidades, a unidade é servida perifericamente pela A8 e linha do Oeste, destacando-se no seu interior a EN8-2 e a EN-247, que asseguram a ligação entre os municípios de Torres Vedras, Lourinhã e Peniche, enquanto o IC11 previsto não for concluído. Ocorre nesta unidade um importante património paleontológico. Oeste Interior Florestal: unidade territorial compreendida entre os municípios de Lourinhã, Bombarral, Cadaval e Torres Vedras. Apresenta um carácter predominantemente florestal (forte potencial de biomassa). As áreas edificadas são incipientes, pelo que nesta unidade a população se concentra em Torres Vedras. Quanto a acessibilidades, constituem os seus principais atravessamentos a A8 e a Linha do Oeste. É de salientar a presença de algumas indústrias de dimensões médias associadas à agricultura, florestas e actividade extractiva, bem como a elevada concentração de pecuária intensiva. Oeste Interior Sul: esta unidade territorial engloba parte dos municípios de Torres Vedras, Alenquer e a totalidade dos municípios de Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos. Apresenta características predominantemente agrícolas, com uma presença dominante de vinhas e parcelas de menores dimensões ocupadas com policultura intercaladas com pequenas áreas de povoamentos florestais. No interior das áreas agrícolas ou nas imediações dos aglomerados populacionais surgem algumas instalações industriais e agro-pecuárias. As áreas edificadas são dispersas, à excepção do centro urbano de Torres Vedras, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço e respectivas áreas fragmentadas adjacentes. O povoamento é induzido por processos de metropolização, nomeadamente a relação entre Torres Vedras e a AML, e apesar deste fenómeno ter menor expressividade em Sobral de Monte Agraço e Arruda dos Vinhos, as novas acessibilidades (como o IC11 e outras) tendem a potenciar a sua proliferação. Oeste Florestal: unidade territorial que integra parte dos municípios de Alenquer, Azambuja, Rio Maior e Santarém. No sistema urbano interno destacam-se Rio Maior, a norte, e Alenquer e Alcoentre, a Sul. No exterior, Alcanena e Azambuja também exercem alguma polarização sobre a unidade. Nesta unidade ocorre uma forte ligação transversal entre o Oeste e o Vale do Tejo, potenciada pelo cruzamento da A15 com a EN1 (actual IC2). Serra de Montejunto: unidade territorial que compreende a totalidade da área classificada da Serra de Montejunto. A ocupação do solo é essencialmente silvestre composta por matos, verificando-se, no entanto, a presença de algumas manchas florestais de carvalhos, castanheiros, azinheiras, pinheiros mansos e bravos, eucaliptos e carrasqueiros. A extracção de calcários em moldes industriais é uma actividade relativamente recente, sendo no entanto de referir as duas pedreiras situadas em Rocha Forte. Nas áreas periféricas há ainda a mencionar a extracção de areias e de argila. Maciço Calcário Estremenho: esta unidade territorial caracteriza-se por uma continuidade entre as Serras de Aire, Candeeiros (que constituem Parque Natural e Área Protegida) e Sicó/Alvaiázere (sítio Rede Natura 2000). Detém uma elevada importância em termos de recursos aquíferos subterrâneos. Está sujeita a elevada exploração de inertes, com uma extensão de indústrias extractivas localizadas sobretudo no interior do Parque natural. 113 O eixo de conectividade com a AML afirma-se como uma extensão da região Pinhal Litoral/Oeste, fruto do reforço das acessibilidades a Sul, com uma forte articulação com Lisboa, suportada por dois eixos rodo-ferroviários: A8/Linha do Oeste e A1/Linha do Norte. De facto, o reforço das acessibilidades contribuiu para uma maior articulação do Pinhal Litoral/ Oeste com Lisboa, afirmando-se este território (em particular o Oeste) como uma extensão da coroa periférica da AML, com uma crescente procura da segunda residência. A rodovia A8, que converge em Lisboa, é determinante no desenho do sistema urbano do Oeste e nas articulações entre as unidades territoriais atrás descritas. Evidenciam-se portanto processos de urbanização e industrialização difusos, sobretudo no litoral, suscitado pela boa acessibilidade facultada pela ligação entre Lisboa e Leiria. Também é significativa a integração do Pinhal Litoral/Oeste nas interdependências urbanas de toda a região Centro. FIGURA 3 - INTERDEPENDÊNCIAS URBANAS NA REGIÃO CENTRO Adaptado de: Plano Estratégico da Alta Estremadura (CEDRU, 2003). 2. DEMOGRAFIA 2.1.PINHAL LITORAL O Pinhal Litoral integra a região do País que apresenta a mais forte clivagem litoral/interior na distribuição da população e das actividades económicas. A sub-região caracteriza-se por concentrar uma das mais importantes aglomerações populacionais e urbanas do litoral, apresentando uma 114 densidade populacional muito superior à do Centro (154 hab/km2, contra 84.4hab/km2) e de Portugal (cujo valor é 115.4 hab/km2), o que se deve, em grande parte, às contribuições de Leiria (228.5 hab/ km2) e da Marinha Grande (206.7hab/km2). Em 2009 residiam no Pinhal Litoral cerca de 269 mil habitantes, metade dos quais concentrados no município de Leiria. Se se considerar o eixo Pombal-Leiria-Marinha Grande esta proporção atinge os 84% da população residente na sub-região. Os municípios Porto de Mós e Batalha são os menos populosos, com valores respectivos de 9% e 6% da população total da sub-região. FIGURA 4 - POPULAÇÃO RESIDENTE - 2009 Fonte: INE. Nas últimas décadas, tem-se verificado um crescimento positivo da população do Pinhal Litoral, devido não só a saldo natural positivo, ainda que ténue (0,13%), mas também ao saldo migratório5 igualmente positivo. Entre 2001 e 2009, o crescimento demográfico do Pinhal Litoral foi de 5%. Em 2009, a taxa de crescimento efectivo6 foi de 0,37%, superior aos valores médios do Centro (-0,09%) e de Portugal (0,10%). 5 Diferença entre o número de entradas e saídas por migração, internacional ou interna, para um determinado país ou região, num dado período de tempo. 6 Contabilização dos indivíduos que nascem e que morrem, que entram e que saem num dado país ou região num determinado período de tempo. Consiste no somatório do crescimento natural e do saldo migratório. 115 FIGURA 5 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO - 2009 Fonte: INE. No que respeita ao envelhecimento demográfico, o Pinhal Litoral apresenta uma relação de 120 idosos para cada 100 jovens, valor muito inferior à média regional (149,7) e também inferior, ainda que próximo, da média nacional (117,6). O maior envelhecimento demográfico regista-se nos municípios de Pombal (152.2), Porto de Mós (130.4) e Batalha (127.2). Leira destaca-se pelo mais reduzido valor deste indicador (104.9). 2.2. Oeste O Oeste evidencia um sistema de ocupação humana do território muito peculiar, com uma densidade populacional com valores relativamente elevados (165,6 hab/km2, em 2009), acima da densidade média nacional (115,4 hab/km2), e com uma característica que diferencia a sub-região de todas as restantes sub-regiões litorais do País: os núcleos com maior relevância demográfica e sócioeconómica não são os litorais mas os núcleos “interiores” como Torres Vedras, Caldas da Rainha e Alcobaça, o que demonstra uma permanência na sub-região da dominância da matriz de ligação à terra e à agricultura. Em 2009 residiam no Oeste cerca de 366 mil habitantes, o equivalente a 3.4% da população total do país. Os municípios mais populosos da sub-região são Torres Vedras (21% da população da sub-região), Alcobaça (16%), Caldas da Rainha (15%) e Alenquer (12%). Por conseguinte, concluise que a população se concentra significativamente em duas manchas principais do território do Oeste: a Sul, entre Torres Vedras e Mafra (já pertencente à AML), onde residem cerca de 31% dos habitantes do Oeste; a Norte, na mancha Caldas da Rainha-Alcobaça, onde residem mais de 25% dos habitantes da sub-região. Completam estas manchas, o núcleo de Alenquer, a Sul, e o núcleo de Rio Maior, a Norte. De referir a existência de uma “faixa intermédia” do território do Oeste, marcada pela presença de núcleos menos densamente povoados e com uma ruralidade ainda significativa – Sobral de Monte Agraço, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Arruda dos Vinhos. 116 FIGURA 6 - POPULAÇÃO RESIDENTE - 2009 Fonte: INE. As taxas de crescimento anual da população residente do Oeste têm superado a média nacional. Em 2008, a taxa de crescimento efectivo da população da sub-região foi de 0,86%, valor muito superior ao registado na região Centro (0,14%) e no País (0,28%). Entre 2001 e 2009, o ritmo médio de crescimento populacional no Oeste foi de 1.0% ao ano, suplantando o ritmo médio de crescimento nacional de 0,6% ao ano. Todavia, as dinâmicas populacionais concelhias são muito diferenciadas, evidenciando as seguintes situações: Municípios com taxas médias de crescimento populacional acentuadas: Alenquer, Sobral de Monte Agraço, Arruda dos vinhos e Caldas da Rainha; Municípios com taxas médias de crescimento populacionais menos acentuadas, como os municípios da Nazaré e Óbidos. 117 FIGURA 7 - TAXA DE CRESCIMENTO EFECTIVO DA POPULAÇÃO - 2009 Fonte: INE. São de destacar os elevados índices de envelhecimento da população residente no Oeste – em termos médios atingia, em 2009, o valor de 125,8 idosos por cada 100 jovens, valor inferior à média de 149.7 da região Centro, mas superior ao valor nacional de 117,6. Os municípios de Cadaval, Bombarral e Óbidos destacam-se com os valores mais elevados de envelhecimento demográfico, suplantando mesmo a média da região Centro (com valores respectivos de 177.1, 163.3 e 150.7). Em contrapartida, os municípios com menor incidência da tendência de envelhecimento demográfico, e com valores mais próximos da média nacional, são Peniche e Alenquer (116 idosos por cada 100 jovens). 3. ACTIVIDADES ECONÓMICAS, POLOS INDUSTRIAIS E CLUSTERS 3.1. Pinhal litoral Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes do Pinhal Litoral era de 4.2 mil milhões de euros. O contributo da sub-região para o total da riqueza gerada em Portugal era de 2,5%. Quando aferida em termos de Valor Acrescentado Bruto (VAB), a relevância nacional da sub-região também ronda os 2,5%. Tem-se assistido a uma forte evolução positiva do VAB da sub-região. As actividades industriais representam 26% do total do VAB da sub-região (o correspondente a 3% do VAB industrial do país). 118 O PIB per capita a preços correntes atingiu, naquele ano, os 15.6 mil euros, valor muito próximo da média nacional (de 15.8 milhares de euros) e superior ao valor médio da região Centro (13.2 milhares de euros). Através da análise do índice de disparidade do PIB per capita da sub-região em relação à média nacional, conclui-se que o Pinhal Litoral apresenta um PIB per capita cerca de 1% abaixo do valor médio nacional. A sub-região representava, em 2010, apenas cerca de 2.6% dos fluxos do comércio internacional em Portugal. Em 2009, a taxa de cobertura das entradas pelas saídas na sub-região foi de 113% (abaixo da média regional de 121% e acima da média nacional de 62%). Numa aferição à intensidade exportadora da sub-região, conclui-se que as exportações representam cerca de 10% do PIB regional. Em 2008, cerca de 98 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica no Pinhal Litoral, o equivalente a apenas 2.6% do emprego total do país. As actividades económicas mais representativas em termos de emprego são: construção civil (15% do emprego total da sub-região), agricultura, produção animal e silvicultura (11%), comércio a retalho (8%), comércio por grosso (7%) e fabricação de vidro e artigos de vidro (6%). As actividades industriais representam cerca de 27% do emprego total da sub-região, contando com mais de cerca de 39 mil indivíduos. Salientam-se as seguintes actividades industriais: fabricação de minerais não metálicos – vidro e cerâmicas (25% do emprego industrial da sub-região); fabricação de máquinas e de equipamentos (14%); fabricação de artigos de borracha e de artigos plásticos (13%); indústrias alimentares e das bebidas (9%). A indústria extractiva é um sector industrial com pequeno contributo para o emprego do Pinhal Litoral, apesar de ser muito expressivo em Porto de Mós e, em menor grau, na Batalha e em Pombal, devido à importância da extracção de pedra calcária, barro vermelho e caulino. Em 2008 cerca de 31 mil empresas tinham sede nos municípios do Pinhal Litoral, em particular nos municípios de Leiria (51% do total de empresas da sub-região), Pombal (20%) e Marinha Grande (15%). Os sectores de actividade económica mais representativos em termos empresariais são, por ordem decrescente de importância, o comércio por grosso e a retalho (32% do total de empresas), a construção civil (20%), as indústrias transformadoras (12%) e as actividades imobiliárias e de serviços de apoio às empresas (10%). No que respeita às actividades industriais, destacam-se as indústrias metalúrgicas de base e de produtos metálicos (21% do total de empresas industriais com sede na sub-região), a fabricação de máquinas e equipamentos (17%), a fabricação de minerais não metálicos – vidro e cerâmicas (14%) e as indústrias alimentares (9%). Em 2008, a taxa de natalidade de empresas da sub-região foi de 11.8%, valor inferior aos valores médios nacional (14.2%) e regional (12.4%). A taxa de mortalidade de empresas, em 2007, da sub-região também apresenta um valor inferior à média nacional (13.3% contra 16.1% e 14.5%, respectivamente). Quanto à estrutura dimensional das empresas, o Pinhal Litoral caracteriza-se pela predominância de empresas de pequena e média dimensão. A análise da distribuição dos Trabalhadores por Conta de Ontem (TCO) por tipo de empresas permite concluir que, em 2008, cerca de 28% dos TCO desenvolviam a sua actividade em empresas com menos de 10 trabalhadores, enquanto que apenas 15% pertenciam a empresas com mais de 250 trabalhadores. Os municípios de Pombal, Porto de Mós e Leiria e destacam-se com as maiores proporções de TCO nas empresas de menor dimensão. 119 FIGURA 8 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES - 2008 Fonte: INE. FIGURA 9 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES - 2008 Fonte: INE. 120 Em termos do volume de negócios, em 2009 as empresas do Pinhal Litoral alcançaram um total de 7.2 mil milhões de euros. Os sectores mais representativos em termos de volume de negócios foram, por ordem decrescente de importância: comércio por grosso, excepto de veículos automóveis e motociclos (20% do volume de negócios total); comércio a retalho, excepto de veículos automóveis e motociclos (13%); promoção imobiliária (desenvolvimento de projectos de edifícios) e construção de edifícios (11%); fabrico de outros produtos minerais não metálicos (7%); comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos (7%). 3.2. Oeste Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes da sub-região Oeste foi de 4.6 mil milhões de euros, sendo o contributo da sub-região para o total da riqueza gerada em Portugal de 2.7%. Tomando em consideração o Valor Acrescentado Bruto (VAB), a relevância nacional do Oeste também ronda os 3%. As actividades industriais representam cerca de 17% do total do VAB da sub-região (o correspondente a 3% do VAB industrial do país). No que respeita ao PIB per capita a preços correntes, em 2009, o Oeste registava um valor de cerca de 12.6 milhares de euros, valor inferior à média nacional, de 15.8 milhares de euros, e da região Centro, de 13.2 milhares de euros). O Oeste apresenta um PIB per capita a preços correntes cerca de 20% abaixo do valor médio nacional, conclusão retirada da análise do índice de disparidade deste indicador. A sub-região representava, em 2010, apenas cerca de 2% dos fluxos do comércio internacional em Portugal. Em 2009, a taxa de cobertura das entradas pelas saídas na sub-região foi de 74% (abaixo da média regional de 121% e acima da média nacional de 62%). Numa aferição à intensidade exportadora da sub-região, conclui-se que as exportações representam cerca de 3% do PIB regional. Em 2009, cerca de 101 mil indivíduos desenvolviam a sua actividade económica no Oeste, o que corresponde a apenas 2.7% do emprego total do país. Entre as actividades económicas mais representativas em termos de emprego destacam-se: a agricultura, a produção animal e silvicultura (19% do emprego total da sub-região), a construção civil (11%), o comércio a retalho (8%), o comércio por grosso (7%) e o alojamento e restauração (5%). As actividades industriais representam cerca de 18% do emprego total do Oeste, contando com cerca de 30 mil indivíduos. No contexto do emprego industrial destacam-se os seguintes sectores: indústrias alimentares e das bebidas (25% do emprego industrial da sub-região); fabricação de minerais não metálicos – vidro e cerâmicas (23%); fabricação de produtos metálicos (11%); fabricação de máquinas e equipamentos (8%). Em 2009, cerca de 37 mil empresas tinham sede no Oeste, com destaque para os municípios de Torres Vedras (24% do total de empresas da sub-região), Alcobaça (16%), Caldas da Rainha (15%) e Alenquer (10%). Entre os sectores de actividade económica mais representativos em termos empresariais salientam-se, por ordem decrescente de importância, o comércio por grosso e a retalho (31% do total de empresas), a construção civil (20%), a agricultura, produção animal e pescas (14%), o alojamento e restauração (9%) e as indústrias transformadoras (8%). No que respeita às actividades industriais, destacam-se as indústrias metalúrgicas de base e de produtos metálicos (23% do total de empresas industriais com sede na sub-região), as indústrias alimentares (16%), a fabricação de minerais não metálicos – vidro e cerâmicas (14%) e a indústria da madeira e da cortiça (10%). A taxa de natalidade de empresas da sub-região (13.0%) posicionou-se, em 2008, abaixo da média nacional (14.2%), mas é ligeiramente superior à média regional (12.4%). A taxa de mortalidade de empresas da sub-região apresentou, em 2007, um valor inferior à média nacional mas ligeiramente superior à média regional (15.7% contra 16.2% e 14.5, respectivamente). 121 Da análise da estrutura dimensional das empresas do Oeste, constata-se que a sub-região se caracteriza pela forte presença de empresas de pequena e média dimensão. Em 2008, cerca de 31% dos Trabalhadores por Conta de Ontem (TCO) desenvolviam a sua actividade em empresas com menos de 10 trabalhadores, enquanto que cerca de 14% pertenciam a empresas com mais de 250 trabalhadores. É nos municípios de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Caldas da Rainha que a proporção de TOC em empresas com mais de 250 trabalhadores é mais representativa. FIGURA 10 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MENOS DE 10 TRABALHADORES - 2008 FIGURA 11 - TAXA DE TCO EM EMPRESAS COM MAIS DE 250 TRABALHADORES - 2008 Fonte: INE. 122 No que respeita ao volume de negócios, em 2009 as empresas do Oeste alcançaram um total de 6.9 mil milhões de euros (o equivalente a cerca de 2.4% do total de volume de negócios de todo o território nacional). Os sectores mais representativos em termos de volume de negócios foram, por ordem decrescente de importância: comércio por grosso (inclui agentes), excepto de veículos automóveis e motociclos (30%); comércio a retalho, excepto de veículos automóveis e motociclos (16%); indústrias alimentares (13%); promoção imobiliária (desenvolvimento de projectos de edifícios) e construção de edifícios (8%); comércio, manutenção e reparação, de veículos automóveis e motociclos (7%). Especialização da base produtiva No seu conjunto, o território Pinhal Litoral/Oeste combina duas características principais na sua base produtiva: uma forte expressão do emprego na indústria (em particular nos sectores minerais não metálicos, borracha e plásticos, produtos metálicos e máquinas, madeira e cortiça e agroindústrias) a par de uma expressão ainda significativa da agricultura, pecuária, silvicultura, e pesca (sobretudo no Oeste). Em termos do sector terciário predominam os serviços básicos ou infraestruturais à população e às actividades económicas, estando numa fase de desenvolvimento (forte) os serviços às empresas. Numa óptica de clusters de actividades, são de destacar os seguintes: Cluster Agroalimentar – concentrado na região Oeste, neste cluster salientam-se as actividades ligadas à agricultura, com destaque para a extensão das culturas permanentes (vinha e pomares) e de regadio (horticultura), no essencial orientadas para o mercado doméstico, em particular para o fornecimento à Grande Lisboa. A horticultura representa cerca de 1/3 de toda a produção hortícola nacional, ocupando lugar de crescente relevância as produções da mancha litoral dos municípios de Torres Vedras, Lourinhã e Peniche.Neste cluster emergem já empresas exportadoras de média dimensão ainda não presentes nas listagens das 500 maiores exportadoras. É de referir um grupo de empresas que processa matérias-primas e produtos agrícolas obtidos a partir da base endógena de recursos, nomeadamente as culturas permanentes que caracterizam esta região e a agricultura de regadio, que está na base da produção de hortícolas e na exportação de fruta: a LUÍS VICENTE (que tem como holding a empresa portuguesa Wayfield), a NARC Frutas, a Cooperativa Agrícola Frutícola do Cadaval, a OBIROCHA, entre outras. De referir ainda a presença em Torres Vedras e Cadaval da UNIROCHA – ACE, um agrupamento complementar de empresas destinado a apoiar as organizações de horticultores e fruticultores de todo o País, que integra o Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), instituição sedeada em Alcobaça que tem como objectivos promover a investigação aplicada e a formação em matérias tecnológicas e organização no sector. Em termos empresariais destacam-se a CAMPOTEC SA e a TRIPORTUGAL, braço comercial de O MELRO, FRUTUS e EUROHORTA;. algumas destas empresas estão envolvidas em importantes projectos de I&D – por exemplo a MELRO integra o projecto europeu EUREKA EUROAGRI + GREENTEC, cujo objectivo é desenvolver inovadoras técnicas de embalagem de produtos alimentares de forma a reduzir o apodrecimento e aumentar o período de vida dos produtos vegetais. A actividade da viticultura no Oeste tem sofrido um processo de evolução favorável, no sentido da qualificação das produções, criação e afirmação da qualidade dos vinhos regionais e abertura de oportunidades em mercados externos. A produção regional de vinhos representa cerca de 20% do total do País, tendo 123 ocorrido nos últimos anos um assinalável esforço de afirmação dos vinhos regionais e dos Vinhos de Qualidade Produzidos em Região Determinada (VQPRD). A sub-região distingue-se nos vinhos tintos encorpados aromáticos e de elevado valor alcoólico e pela produção do Vinho Leve do Oeste, de mais baixo teor alcoólico. De referir que o Oeste é uma das maiores concentrações de pecuária sem terra (avicultura, predominante no município de Alenquer, e suinicultura, predominante nos municípios mais a Norte, com realce para Alcobaça e Rio Maior), tendo a montante os sectores de alimentos para animais (empresas como a PROVIMI PORTUGUESA, a CARGILL PORTUGAL, as rações VALOURO, entre outras) e a jusante a transformação de carnes - num e noutro caso também o mercado principal é o doméstico e, em especial, o metropolitano. Existem empresas especializadas na produção de maquinaria e alfaias agrícolas, reboques agrícolas e reboques cisternas para a pecuária. É o caso da JOPER, empresa criada em 1941 no município de Torres Vedras que em 1997 adquiriu 75% da TOMIX, empresa líder em Portugal no fabrico de pulverizadores agrícolas, também localizada naquele município. Ainda no âmbito das actividades agroialimentar, importa salientar a presença na sub-região de produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP) destacando-se a Pêra Rocha (85% da produção nacional está concentrada na região Oeste, sobretudo nos municípios do Cadaval, Lourinhã e Bombarral; cerca de 70% da produção destina-se ao mercado interno e a restante ao mercado internacional, com destaque para o Reino Unido e o Brasil). A produção de pêra rocha no Oeste confere a Portugal um lugar entre os principais produtores europeus de pêra, a seguir a Itália, Espanha e França, representando a exportação uma importante Fontes de receita para a agricultura organizada (Organizações de Produtores) do Oeste. De referir também a Denominação de Origem Controlada (DOC), única no País, da Aguardente Vínica da Lourinhã. Por outro lado, a sub-região dispõe de produtos de Indicação Geográfica Protegida (IGP) e de Produção/Protecção Integrada como a Maçã de Alcobaça (produzida nos municípios de Alcobaça, Porto de Mós, Nazaré, Caldas da Rainha e Óbidos). Cluster Madeira/papel – o sector florestal também é relevante, representando cerca de 6,5% da economia da região Oeste (o dobro do valor nacional). Destaca-se a exploração de eucalipto que, na parte norte da Serra de Montejunto, beneficia de condições únicas de humidade e insolação. Foi no Oeste que se criou a primeira Zona de Intervenção Florestal (ZIF) do País, uma espécie de “condomínio florestal” que visa uma gestão profissional e inovadora da cultura do eucalipto (trata-se de uma área florestal contínua que pertence a vários proprietários que se organizam para procederem à gestão e defesa comuns do seu património florestal, apoiados por uma entidade gestora única). De referir a presença da APAS Floresta, uma associação que agrega os principais produtores florestais regionais. dependente da actividade anterior, a abundância de zonas florestais de pinheiro facilitou a existência no Pinhal Litoral/Oeste de inúmeras serrações e carpintarias, fornecendo o sector da construção civil doméstico, mas não originando exportadores muito significativos. Cluster Plásticos – este cluster caracteriza-se pela predominância de empresas da indústria dos moldes para plástico e tem na Marinha Grande e, embora em menor escala em Leiria, a sua principal base no País. É constituído por dezenas de PME que no conjunto exportam mais de 80% da sua produção Destacam-se como empresas exportadores a TECMOLDE – Centro Técnico de Moldes para Plásticos, a GECO – Gabinete Técnico e de Controlo de Moldes em fabricação; LN Moldes que fornece sectores como a indútria farmacêutica, aeronáutica e automóvel; a TJ Moldes, entre outras. Refira-se também 124 no grupo de empresas fortemente exportadoras a SOCEM – Fabricação, Engenharia e Desenvolvimento de Moldes, a SETSA – Sociedade de Engenharia e Transformação, a Sociedade Metalúrgica Marinhense, a SPEM – Sociedade Portuguesa de Exportação de Moldes.Nesta região também se localizam inúmeras fábricas de transformação de matérias plásticas, destacando-se como exportadoras empresas como a IBER OLEF, especializada em plásticos para a indústria automóvel ou a SIMPLASTIC – Sociedade Industrial de Matérias Plásticas. Na indústria de moldes para plástico concentra-se a maior utilização de novas tecnologias da concepção e produção do País – CAD 3D; prototipagem rápida, tecnologias laser aplicadas à produção; engenharia inversa, engenharia simultânea etc. O núcleo central deste conjunto é constituído não só pelos principais exportadores atrás referidos como pelas empresas que, sendo igualmente exportadoras, têm vindo a autonomizar em termos empresariais a prestação de serviços de engenharia baseadas no domínio dessas tecnologias; são exemplos os grupos IBEROMOLDES e VAN GEST.Existem fabricantes de equipamento para a indústria transformadora de matérias plásticas (ex. máquinas de injecção), que são simultaneamente fabricantes de moldes, e fornecedores de serviços de engenharia. É ainda de referir a diversidade de transformadores e utilizadores de matérias plásticas para três fins principais: Construção e Habitat – nesta região localizam-se vários fabricantes quer de produtos em plástico para a construção civil (tubagens, por exemplo) quer de material para uso doméstico, destacando-se nestas últimas a MAP Plásticos; Embalagem – presença de múltiplas empresas especializadas no fabrico de material de embalagem dos mais diversos tipos; Automóvel – destacam-se as joint-ventures de um fabricante de moldes com uma empresa multinacional – a IBER-OLEFF e de um fabricante de plásticos com outra multinacional – a MAPKEY Plásticos, que alterou a sua designação para KEY PLASTICS PORTUGAL. Cluster Cerâmica – a importância e localização de jazidas e barreiros e a exploração de pedreiras de vários tipos conduziram ao desenvolvimento de um importante cluster da cerâmica no território Pinhal Litoral/Oeste. As pedreiras da região destacam-se no fornecimento de matéria-prima para a construção civil e calcetamento de ruas e estradas (do município de Porto de Mós é exportada calçada portuguesa para todo o mundo, destacando-se a pedra preta que é exclusiva das freguesias de Alqueidão da Serra, Mendiga e São Bento).A norte de Leiria, onde se localiza a mais importante reserva e exploração de barro branco da Europa, extrai-se a matéria-prima fornecida para a maior parte da indústria de cerâmica e faiança. Nos municípios de Alcobaça e Caldas da Rainha localizam-se as principais fábricas de cerâmica utilitária e decorativa, a que se juntam outras de produção de telhas, tijolos e materiais de construção. Assim, este cluster apresenta três características principais: o A existência da maior concentração de fabrico de cerâmica de barro vermelho para construção (tijolos, telhas, etc.) existente no País, combinando-se com a produção de cimento em vários tipos de componentes pré-fabricados - refira-se que este território, além de ser um centro do Cluster Cerâmica é também um importante produtor de cimento e de artigos em cimento, afirmando-se pois como um dos maiores centros produtores de materiais de construção do País; os calcários e as margas de Maceira, Martigança e Pataias são as principais matérias-primas da indústria cimenteira nacional; o Uma orientação da cerâmica de barro branco para a louça doméstica (sanitária e 125 o não só), em que se destacam empresas como a ROCA - CERÂMICA E COMÉRCIO, a EUROCER – INDÚSTRIA DE SANITÁRIOS.; a SECLA – SOCIEDADE DE EXPORTAÇÃO E CERÂMICA, a SPAL – SOCIEDADE DE PORCELANAS DE ALCOBAÇA, a J Coelho da Silva A existência de fabricantes de equipamento funcional para as cerâmicas, quer da componente chave que são os fornos industriais, como acontece com empresas como a BARRACHA – FORNOS TEC-TERMO; quer de equipamento para as várias fases do fabrico de objectos em cerâmica como acontece com a MAQUICERAM e a EX-COSTA NERY, ambas pertencentes ao grupo espanhol A. PUTIN e a LEIRIMETAL- Equipamentos Metalúrgicos que fornece fabricas cerâmicas “chave na mão”. Cluster Vidro – concentrado na Marinha Grande, este é também um cluster distintivo do Pinhal Litoral/Oeste, em particular nos segmentos da garrafaria (vd RICARDO GALLO – VIDRO DE EMBALAGEM; SANTOS E BAROSA; BARBOSA E ALMEIDA) e da cristalaria (vd. CRISAL – CRISTALARIA AUTOMÁTICA, além do único produtor de cristal do País, a ATLANTIS - CRISTAIS DE ALCOBAÇA). Naquele município localiza-se um conjunto de indústrias vidreiras com relações profundas entre si, com acordos de fornecimento e compra de produtos intermédios, matéria-prima e de produtos finais, bem como de um conjunto de serviços de apoio às actividades empresariais. Coabitam empresas mais antigas e tradicionais e empresa recentes e mais modernas. Surgiram outras empresas de suporte à produção vidreira e ao acondicionamento dos seus produtos (exemplo de empresas de embalagens de papel ou de madeira) e assistiu-se ao desenvolvimento de outras actividades relacionadas, como é o caso da iluminação eléctrica que aproveita as indústrias de vidro e de plástico existentes para o desenvolvimento dos seus produtos.Durante cerca de 100 anos a indústria vidreira na Marinha Grande confinou-se praticamente à Real Fábrica impulsionada pelo Marquês de Pombal e administrada pelos irmãos Stephens. Hoje a Marinha Grande conta com a presença de um conjunto de empresas tecnologicamente avançadas nos vários segmentos da produção de vidro: vidro manual, cristalaria, vidro de iluminação e vidro científico. Nos últimos anos foram surgindo novos serviços, nomeadamente ligados à formação: como é o caso da Escola Profissional e Artística da Marinha Grande (EPAMG), que forma jovens para as áreas de acabamento e decoração de vidro mais artístico e de cariz mais artesanal, ou do Centro de Formação do Sector da Cristalaria (CRISFORM), que pretende dar resposta às carências de formação de recursos humanos neste segmento da indústria vidreira. O Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV) também assume um papel fundamental no cluster do vidro da Marinha Grande (apesar de se localizar em Coimbra), ao funcionar como uma entidade de suporte a algumas necessidades do sector vidreiro. Assinale-se a existência de unidades de fabrico de moldes para vidro como a INTERMOLDE – Moldes Vidreiros Internacionais e de PME’s nas áreas dos equipamentos e tecnologias para o vidro como a NEOVIDRO – Indústria e Tecnologia do Vidro e a VIDROMECÂNICA – Metalomecânica Vidreira.e referir também a criação de gabinetes de desenho de apoio à concepção dos produtos em vidro, área onde algumas empresas do sector apostam cada vez mais. Foi lançada uma marca unificadora para a cristalaria do pólo da Marinha Grande – a MG Glass, dinamizada pelo agrupamento de empresas VITROCRISTAL (que, todavia, não conseguiu atingir os resultados desejados) Cluster Automóvel – este cluster tem tido pequena expressão no Pinhal Litoral/Oeste, destacando-se uma unidade de fabrico de componentes – a HAPPICH de Portugal. De 126 referir a presença de empresas do sector dos plásticos que se posicionam com importantes fornecedoras das principais unidades de montagem automóvel (exemplo da IBER-OLEFF – Componentes Técnicos em Plásticos, localizada em Pombal, que produz componentes para consolas de modelos da Ford, Nissan, VW, Land Rover e para empresas como a Visteon e a Blaupunkt). De destacar a presença, no município das Caldas da Rainha, da empresa SCHAEFFLER Portugal, pertencente a um dos maiores grupos líderes mundiais na produção de sistemas de embraiagem, volantes, transmissões e rolamentos para a indústria automóvel. De referir também o Grupo SOMEMA, sedeado na Marinha Grande, com uma unidade em Alcobaça (a PLASITECH). Para além das exportações de alguns dos clusters referidos é ainda de salientar a presença de • • • Empresas fabricantes de produtos de aços especiais e de ferramentas, com exportadores como a BOLLIGHAUSS PORTUGAL – Aços Especiais e a THYSSEN Portugal. Existem ainda Indústrias mecânicas, eléctricas e da instrumentação em que a exportação se fica a dever ao investimento directo internacional – produção de rolamentos (ROL – Rolamentos Portugueses e SCHAEFFER Portugal), electrodomésticos (EUGSTER & FRISMAG – Electrodomésticos) ou material médico-cirúrgico; a EIP SA Empresas do sector da Química de que se destacam a RESPOL SA (actuallmente entre as maiores exportadoras da região) ou a TECNIFERTI Empresas do sector do calçado, como a HUGAL SA ou a JOMAPRI De referir também a presença de empresas do sector aeronáutico, como a AEROHÉLICE, localizada em Alenquer e produtora de hélices metálicas e de madeira, reguladores de passo, acumuladores e syncrophaser’s. A própria SCHAEFFER Portugal produz rolamentos de alta precisão para a indústria aeronáutica e aeroespacial. 127 De seguida apresentam-se exemplos de grandes empresas da região pertencentes a sectores de actividade consolidados: CAIXA 1 - GRUPO LENA O Grupo Lena tem as suas origens na década de 50 do século XX quando António Vieira Rodrigues inicia actividade na área das terraplenagens e agricultura. A partir da década de 70 aposta nas Obras Públicas, tendo em 1974 fundado a Construtora do Lena. De cariz familiar, a Construtora do Lena iniciou um processo de crescimento contínuo e sustentado – em 1980 enveredou pela diversificação, tendo apostado na aquisição de novas participadas (primeiro, no sector automóvel) e na internacionalização. Em 1998 dá origem ao Grupo Lena. Está presente em 8 países, com destaque para Brasil, Roménia, Bulgária, Argélia, Angola e Moçambique, sobretudo nos sectores da agro-pecuária, hotelaria, obras públicas, construção civil e áreas complementares (materiais de construção, produção de betão pronto, metalomecânica e mármores). De referir também a sua presença em Marrocos, através da subholding para a área da construção, onde ganhou a maior obra realizada no estrangeiro por uma empresa portuguesa, no valor de 111 milhões de euros: uma auto-estrada de 36 km de ligação de Marrocos à fronteira argelina. Actualmente o Grupo Lena encontra-se organizado nos seguintes Conselhos Estratégicos: Lena Construções; Lena Imobiliária; Lena Indústria; Lena Serviços; Lena Automóveis; Lena Comunicação; Lena Ambiente; Lena Gás Natural; Lena Internacional. O Grupo engloba no seu universo mais de 60 empresas e mais de 5 mil colaboradores O objectivo estratégico do Grupo é duplicar o volume de negócios até 2010, aumentando para 30% a contribuição dos mercados estrangeiros e triplicar os lucros para 50 milhões de euros. A estratégia de crescimento, diversificação e internacionalização do grupo Lena passa também por cotar a empresa em Bolsa até 2010. Através da sua participada Eneólica, o Grupo entrou na energia das ondas em 2007. Em parceria com a finlandesa AWEnergy, detentora da tecnologia patenteada Wave Roller, criou uma joint-venture, a Seaner, para instalar um parque de energia das ondas ao largo da praia da Almagreira, em Peniche. Este projecto-piloto visa instalar e ligar à rede uma potência de 1MW e está a ser desenvolvido em duas fases: a primeira, já iniciada, consta da instalação de uma potência de 250KW; a segunda dos restantes 750 KW a instalar até final de 2008. O Grupo detém uma subholding Lena Investigação, que integra os negócios das áreas da Saúde e da Biotecnologia, mercados onde o Grupo pretende conquistar a liderança do mercado nacional e uma dimensão ibérica, no caso da comercialização de testes genéticos e na criopreservação de células estaminais. A actividade do Grupo neste sector desenvolve-se através da Biocodex, que detém a Genetest, a Bebé Vida, a Bioteca, a Imunostar e o laboratório Plimesa em Madrid. A BioCodex – Incubação de Empresas de Ciências da Vida S.A. foi constituída em 2002 pelos accionistas InovCapital – Sociedade de Capital de risco S.A., pelo Grupo Lena SGPS e António Parada. A empresa foi uma das primeiras a ter o selo NEST – Novas Empresas de Base Tecnológica da Agência de Inovação (AdI) e uma das primeiras a ter um projecto de investigação em consórcio (IDEIA) financiado pela ADI. Criada no âmbito da Biocodex, a Bioteca é uma parceria entre o Grupo Lena, a PME Capital e a Universidade do Porto - foi o primeiro laboratório de criopreservação de células estaminais a surgir em Portugal. Dispõe de uma parceria com o Instituto Superior Técnico para utilização de instalações e para a realização de investigação e desenvolvimento na área das células estaminais. A Genetest é uma spin-off ligada ao Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), que se dedica à investigação de testes de susceptibilidade genética de doenças, tendo sido o primeiro laboratório em Portugal a apresentar um extenso painel de exames genéticos de cardiologia (desenvolveu um método inovador para diagnóstico genético de doenças cardiovasculares e de gastrenterologia através da saliva). A Bebé Vida é um banco privado de sangue do cordão umbilical que pertence ao Instituto Europeu de Biomedicina e que se localiza em Penafiel. A Imunostar realiza testes imunológicos de ginecologia e obstetrícia e está vocacionada para projectos de investigação em malária e leptospirose. Espanha é um dos principais clientes do Grupo Lena na área da Saúde e Biotecnologia – em 2007 o Grupo adquiriu o laboratório Plimesa, em Madrid, com o objectivo de liderar o mercado ibérico de testes genéticos. Neste sector, o Grupo conta já com um universo de 100 colaboradores e uma facturação que se estima ter atingido em 2007 os 6 milhões de euros (mais de metade dos quais obtidos em Espanha). O Grupo está ainda a apostar no sector florestal, no quadro da estratégia para as centrais de biomassa. O grupo concorreu a cinco centrais de biomassa com uma potência instalada total de cerca de 40 MW (megawatts): Braga/Viana, Covilhã, Proença-a-Nova, Alcanena e Odemira. O investimento associado a estes projectos ascende aos cem milhões de euros, o que permitirá alavancar o crescimento do Grupo na área do ambiente. 128 Para além da aposta em activos florestais, para estar presente em toda a fileira, a Lena Ambiente tem protocolos com produtores florestais e promoveu a criação de ZIF (zonas de intervenção florestal) de forma a assegurar a matéria-prima necessária para alimentar as futuras centrais de biomassa. Neste processo, o Grupo aposta ainda numa solução técnica que permita valorizar a energia térmica libertada no processo de produção da biomassa, que não pode ser explorada para produzir energia eléctrica. A solução, proposta para Alcanena, onde o Grupo explora um aterro, prevê que esta energia térmica seja canalizada para fins agro-industriais, como o aquecimento de estufas. Ainda em Alcanena, através da associação à indústria de curtumes, há a possibilidade de utilizar tiras de couro como matéria-prima da biomassa, reduzindo o impacto ambiental deste sector. Fontes: Grupo Lena; Imprensa. CAIXA 2 - GRUPO LUÍS SIMÕES O Grupo Luís Simões foi fundado em 1948, sendo 100% do seu capital propriedade da família Luís Simões. Conta na actualidade com cerca de 1.400 colaboradores, repartidos por 10 empresas: Transportes Luís Simões (TLS), Luís Simões Espanha, Transportes Reunidos (Transportes Ibéricos), Distribuição Luís Simões, Loalsa (Logística Ibérica), Socar, ISM, LS Maroc (Diversificação), Reta - Locação e Gestão de Frotas, e LusiSeg (negócios complementares). Conta ainda com 1.260 veículos com Informática Embarcada e GPS, 180.000 m2 de armazéns, 7 centros de operações logísticas, 15 plataformas regionais, 5 centros de Co-Packing e 11 centros de operação de transporte. A TLS, criada em 1968, tem sido a base de crescimento de todo o Grupo, tendo permitido conduzi-lo à posição de líder destacado no sector dos transportes rodoviários de mercadorias em Portugal e ao posicionamento como o mais importante Operador Logístico e de Transportes em toda a Península Ibérica. A empresa, que detém a liderança ibérica nos fluxos de transporte entre Espanha e Portugal (com 500 rotas que operam diariamente entre os dois países no sistema de camião completo), conta naquele país com uma rede de 10 centros de operações logísticas, numa área total de armazenagem de 120.000 metros quadrados. O transporte e a logística integrada representam actualmente cerca de 90% do volume de negócios e são considerados o core business do Grupo. No entanto, as actividades complementares têm vindo a crescer dando consistência à estratégia de diversificação delineada em finais dos anos 80. O Grupo é líder do mercado português nos sectores do Transporte e da Logística e lidera ainda os fluxos rodoviários entre Portugal e Espanha. Em termos ibéricos o Grupo Luís Simões posiciona-se entre os dez primeiros operadores. As suas principais áreas de negócio são: Transportes - esta actividade representa cerca de 60% do volume de negócios do Grupo Luís Simões; Logística - representa cerca de 30% do volume de negócios do Grupo, continuando a crescer em valores relativos e absolutos; Outros Negócios - as actividades complementares têm vindo a crescer dando consistência à estratégia de diversificação e representam 10% do volume de negócios do Grupo. Nos próximos 10 anos é seu objectivo investir mais de 5 milhões de euros anuais na modernização e optimização das tecnologias de informação de suporte às suas actividades. A este montante tenciona adicionar, em média, 10 a 20 milhões de euros por ano para renovação da sua frota de mais de 1250 veículos e infra-estruturas. O Grupo encara ainda a hipótese de vir a apostar no transporte marítimo de curta distância. Fontes: Grupo Luís Simões; Imprensa. 129 CAIXA 3 - GRUPO VALOURO O Grupo Valouro actua no sector da comercialização de aves desde 1875, tendo começado a modernizar e a expandir o negócio em 1966, com a construção de um centro de abate de aves (o segundo matadouro de aves privado instalado no País). Esta unidade, actualmente conhecida como Edifício Avibom, funciona como o núcleo do Grupo Valouro. Com o objectivo de complementar a fileira avícola, em 1978 foi instalada uma fábrica de rações na Marteleira, município da Lourinhã, à qual se seguiu, 10 anos mais tarde, outra unidade no Ramalhal, no município de Torres Vedras, e uma outra perto de Badajoz. Foi então que surgiu a necessidade de ocupar o segmento da multiplicação na fileira avícola do Grupo, completando a verticalização da produção. A actividade começou com a multiplicação de galinhas reprodutoras, com uma capacidade de produção de 250 mil aves por semana. Actualmente, o Grupo tem capacidade para produzir 1,8 milhões de aves por semana nas três unidades. Em 2006, a união entre o Grupo Valouro e Grupo Santa Cita (de Tomar, que inclui as empresas Aviário de Santa Cita, Rações Nabão e o matadouro de aves Citaves) permitiu formar o maior grupo da Europa no sector avícola. Com o seu núcleo sedeado na região Oeste, o Grupo Valouro abrange toda a fileira avícola desde a produção de rações até à transformação final, sendo de destacar empresas como a Avibom, Interaves, Kilom, Pinto Valouro e Rações Valouro. O Grupo conta com mais de 4 mil trabalhadores, importa cerca de 600 mil toneladas de cereais e, apenas nas instalações do Ramalhal, produz 67 mil toneladas de óleo soja, 277 mil toneladas de bagaço de soja, 343 mil toneladas de rações, o que totaliza uma facturação de mais de 183 milhões de euros por ano. O Grupo detém a Quinta da Freiria, uma sociedade agrícola com 500 hectares de produção de milho, que emprega mais de 200 trabalhadores e que se dedica à produção agrícola, florestal e, sobretudo, animal, nomeadamente no sector da multiplicação avícola (frangos, patos e perus) e da produção de carne de aves. De referir que o Grupo Valouro foi a primeira empresa da região Oeste a apostar na produção de biocombustíveis (biodiesel e biogás produzidos a partir dos resíduos das unidades de exploração e dos excedentes de óleo de soja). Ainda no sector das energias renováveis, o Grupo criou uma parceria com a Finertec, participada do Grupo José de Mello para o sector da energia, que constituiu a Eólica de S. Julião, uma sociedade que traduz a concretização de um acordo celebrado com o Grupo Valouro para o investimento em energia eólica na região do Oeste (Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã). De referir também a participação do Grupo num outro projecto inovador da Finertec, na área da biomassa (em parceria com a EDP): o desenvolvimento de uma central de produção de energia eléctrica a partir da queima de cama de galinhas. Fontes: Grupo Valouro; Imprensa. 4. RECURSOS HUMANOS - EDUCAÇÃO BÁSICA E SECUNDÁRIA 4.1. Pinhal litoral A qualificação dos recursos humanos, medida pelos níveis de escolarização da população residente, evidencia ainda sinais de debilidade no Pinhal Litoral: a percentagem de população que não atingiu nenhum grau de ensino é ainda elevada (cerca de 16%); 35% da população concluiu apenas o 1º Ciclo do ensino básico; 15% concluíram o ensino secundário e apenas 9% frequentaram e concluíram o ensino superior. A proporção de população activa que não detém mais do que o 2º Ciclo do ensino básico representa ainda cerca de metade da população activa, enquanto apenas cerca de 12% se enquadram nos níveis de instrução do ensino superior. A taxa de retenção e desistência no ensino básico foi no ano lectivo 2008/2009 de 5.1%, valor claramente abaixo da média nacional de 7.8% e da média da região Centro (6.5%). Os municípios de Porto de Mós e Batalha destacam-se com os valores mais elevados deste indicador (na ordem dos 6%). Naquele ano lectivo, um total de 2.2 alunos estavam inscritos em cursos profissionais de Nível 37 (o equivalente a cerca de 9% do total de alunos inscritos no ensino secundário, valor similar ao nacional). Existem as seguintes Escolas Profissionais na sub-região: Escola Profissional e Artística da Marinha Grande; Escola Profissional de Artes e Ofícios Tradicionais da Batalha; Escola Tecnológica Artística e 7 Ensino profissional - ensino secundário com um referencial temporal de três anos lectivos, vocacionado para a qualificação inicial dos jovens, privilegiando a sua inserção no mundo do trabalho e permitindo o prosseguimento de estudos. Confere diploma de conclusão do ensino secundário e certificado de qualificação profissional de nível 3. 130 Profissional de Pombal; além do já referido Centro de Formação do Sector da Cristalaria (CRISFORM), em Leiria. No que respeita ao ensino tecnológico, no ano lectivo 2007/2008, cerca de 800 alunos frequentavam cursos tecnológicos. Destacaram-se os cursos tecnológicos na área da informática, da administração, da acção social e do desporto. FIGURA 12 - ALUNOS INSCRITOS EM CURSOS TECNOLÓGICOS POR ÁREA CIENTÍFICA (% TOTAL INSCRITOS NESTE TIPO DE CURSOS) ANO LECTIVO 2008/2009 A c ç ão So c ia 15% Despo rt o 10% Co nst . Civil e Edif ic aç õ es 0% Elec t ro t ec nia e Elec t ró nic a Inf o rmát ic a 5% 26% Ordenament o do Territ ó rio e A mbient 0% A dminist raç ão 25% M arket ing 5% M ult imédia 7% Design de Equipament o 7% Fonte: Ministério da Educação. O Instituto Politécnico de Leiria está a apostar na criação de Cursos de Especialização Tecnológica (CET)8, sendo de destacar que alguns destes cursos se inserem em sectores de actividade muito importantes no perfil de especialização produtiva do Pinhal Litoral (como são exemplo os cursos na área do design industrial, dos moldes e da tecnologia automóvel). QUADRO 1 - CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLÓGICA – ANO LECTIVO 2009/2010 Instituição Promotora Instituto Politécnico de Leiria Curso Aplicações Informáticas de Gestão Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado Automação e Energia Condução e Acompanhamento de Obra Conservação e Reabilitação de Edificações Construção e Administração de Websites Desenvolvimento de Produtos Multimédia Energias Renováveis Gestão Ambiental Ilustração Gráfica Instalação e Manutenção de Redes e Sistemas Informáticos Logística em Emergência Modelos e Protótipos para Design Organização e Gestão Industrial Práticas Administrativas e Relações Públicas Projecto de Moldes Qualidade Alimentar Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário Técnicas de Restauração Técnico de Design de Mobiliário Técnico de Intervenção Social em Toxicodependência Tecnologia Automóvel: Gestão de Oficina Automóvel Topografia e Cadastro Fonte: Direcção Geral do Ensino Superior. 8 Cursos de Especialização Tecnológica - cursos pós-secundários não superiores, que conferem uma qualificação profissional de nível 4, que visam suprir as necessidades verificadas, no tecido empresarial, ao nível de quadros intermédios, capazes de responder aos desafios colocados pelo mercado de trabalho. 131 4.2. Oeste O perfil habilitacional dos recursos humanos da sub-região Oeste é marcado pelo peso elevado da população com habilitações ao nível do 1º ciclo do ensino básico (38% da população residente); cerca de 15% detém o ensino secundário e apenas 8% o ensino superior. A proporção de população residente sem nenhum nível de ensino ronda ainda os 17%. Mais de metade da população activa do Oeste tem níveis de qualificação abaixo do 3º Ciclo do ensino básico; apenas cerca de 11% detém o ensino superior. A taxa de retenção e desistência no ensino básico foi no ano lectivo 2008/2009 de 8.4%, valor superior à média nacional de 7.8% e à média da região Centro (de 6.5%). Existe no Oeste um conjunto importante de entidades no domínio da oferta de formação profissional, como o Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica (CENCAL), a Escola Técnica Empresarial do Oeste (ETEO), ambos nas Caldas da Rainha, e o Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica (CENFIM), em Torres Vedras e Peniche. No que respeita ao ensino tecnológico, no ano lectivo 2008/2009 cerca de 6 centenas de alunos frequentavam cursos tecnológicos. Destacaram-se os cursos tecnológicos na área da informática, da administração, da acção social e da electrotecnia e electrónica. FIGURA 13 - ALUNOS INSCRITOS EM CURSOS TECNOLÓGICOS POR ÁREA CIENTÍFICA (% TOTAL INSCRITOS NESTE TIPO DE CURSOS) ANO LECTIVO 2008/2009 A c ç ão Soc ia 14% A dminist raç ão 27% Desport o 5% Const . Civil e Edif ic aç ões 0% Elec t rot ec nia e Elec t rónic a 7% Inf ormát ic a 35% Ordenament o do Territ ório e A mbient 0% M arket ing 4% M ult imédia 4% Design de Equipament o 4% Fonte: Ministério da Educação. De referir que no Oeste a aposta nos Cursos de Especialização Tecnológica (CET) é ainda diminuta. Apenas existe um CET registado, promovido pela Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche no domínio das técnicas de gestão hoteleiras. 5. RECURSOS HUMANOS - ENSINO SUPERIOR E INVESTIGAÇÃO 5.1. Diplomados do ensino superior No Pinhal Litoral, no contexto das instituições de ensino superior, assume relevância o Instituto Politécnico de Leiria, constituído pelos seguintes estabelecimentos: Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha; Escola Superior de Educação de Leiria; Escola Superior de Saúde 132 de Leiria; Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria; Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche. No que respeita ao ensino superior privado, existem na sub-região o Instituto Superior de Línguas e Administração de Leiria e o Instituto Superior D. Dinis (na Marinha Grande). No Oeste, verifica-se uma concentração de núcleos de ensino superior no município Caldas da Rainha, com a presença da Escola Superior de Artes de Design das Caldas da Rainha (ESAD), da Escola Superior de Biotecnologia - Universidade Católica Portuguesa e um pólo da Universidade Autónoma de Lisboa. Assumem-se ainda como referências na oferta formativa do Oeste o Instituto Politécnico do Oeste (ISPO), em Torres Vedras, e a Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche. De acordo com dados fornecidos pela Direcção Geral de Ensino Superior, no ano lectivo 2008/2009 diplomaram-se nas instituições de ensino superior do Pinhal Litoral/Oeste 2.3 mil indivíduos (que na sua totalidade concluíram estudos ao nível do 1º Ciclo do ensino superior). A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria destaca-se com o maior número de diplomados do território em análise (47% do total de diplomados), sobretudo no domínio das ciências da engenharia. A Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha também assume relevância (16% do total de diplomados), destacando-se as áreas científicas de design e artes plásticas. No Pinhal Litoral/Oeste destacam-se os diplomados na área das Ciências de Engenharia (27% do total de diplomados), da Economia e Gestão (18%), Humanidades e Direito (15%) e Artes (13%). FIGURA 14 - DIPLOMADOS POR ÁREA CIENTÍFICA (% TOTAL) – ANO LECTIVO 2008/2009 Ciênc ias Exac t as e Comput aç ão 0% Turismo e Lazer 6% Ec onomia e Gest ão 18% Educ aç ão 4% A rt es 13% Saúde - Cuidados P essoais 8% Serviç os Soc iais 7% Ciênc ias da Vida 2% Humanidades e Direit o 15% Ciênc ias Engenharia 27% Fonte: Direcção-Geral do Ensino Superior. 5.2. Investigação Como se verá de seguida, as actividades de investigação realizadas no Pinhal Litoral/Oeste concentram-se sobretudo no sector empresarial, verificando-se um padrão diferente do usualmente observado no país (em que as instituições de ensino superior lideram nas actividades de I&D). Em 2008 eram cerca de 1100 os indivíduos que desenvolviam actividades de I&D neste território, integrados na esmagadora maioria no sector empresarial. As despesas em I&D atingiam, naquele ano, os 56 mil milhares de euros. 133 6. A INOVAÇÃO EMPRESARIAL NA REGIÃO 6.1. A inovação nas principais empresas da região Algumas empresas pertencentes a actividades já consolidadas no Pinhal Litoral/Oeste destacamse pela presença de inovação nos produtos e processos envolvidos nas suas áreas de negócio. As caixas seguintes apresentam alguns exemplos deste tipo de empresas inovadoras: CAIXA 4 - DEROVO – DERIVADOS DE OVO, SA A criação do Grupo Derovo tem a sua origem em 1994, num projecto idealizado e promovido por um grupo de 70 avicultores que perspectivou uma indústria competente e inovadora na produção de ovoprodutos. Em 1996, a fábrica de Pombal iniciava a sua produção de ovo líquido, ovo inteiro, gema e clara, passando desde cedo a contar com a confiança da indústria alimentar. No ano seguinte, iniciou-se a exportação para Espanha. A par deste crescimento, e considerando a I&D como um dos principais eixos estratégicos, o Grupo Derovo rapidamente fez evoluir a sua oferta de produtos para novas formas de comercialização do ovo, como foi o caso do ovo em spray, o ovo cozido e o Fullprotein. Em 2002, o Grupo Derovo recebeu o prémio de Melhor Empresa de Ovoprodutos do Mundo, galardão que alavancou as expectativas da empresa e do mercado e a impulsionou para investimentos determinantes. Em 2008, o Grupo viu novamente a sua prestação industrial e empresarial ser reconhecida, ao receber o prémio PME Inovação Cotec-BPI. No presente, o Grupo Derovo factura 60 milhões de euros, detém várias fábricas em Portugal (Pombal, Felgueiras, Proença-a-Nova) e em Espanha (Mieres e Madrid) e emprega directamente cerca de 160 pessoas. Fontes: site da empresa; imprensa; Cotec. CAIXA 5 - IBEROMOLDES O Grupo Iberomoldes foi fundado em 1975, a partir de algumas empresas com longa tradição no sector dos moldes (como a Abrantes S.A., que surgiu em 1945 como pioneira em termos nacionais na produção de moldes). Desde o início especializado na engenharia e comercialização de moldes, o Grupo aproveitou a experiência adquirida nestas actividades para a diversificação das áreas da engenharia do produto e na produção de produtos inovadores. Actualmente, é um dos maiores produtores mundiais da indústria dos moldes, apresentando uma vasta gama de moldes por injecção (plásticos e resinas térmicas) e de moldes de alta precisão (até 30 toneladas). O Grupo funciona como holding de um vasto conjunto de empresas (16 no total) que se dedicam à projecção e produção de moldes de precisão para a indústria de plásticos e fundição injectada de ligas metálicas leves. Integra cerca de 600 colaboradores nas empresas que operam na região Centro do País e ainda em unidades fabris existentes na Tunísia e no México, para além de gabinetes técnicos em países como a Suécia, o Reino Unido e a Alemanha. Desde 1986 que conta com um centro de formação próprio, o ITM – Instituto de Tecnologia de Moldes, ACE – Agrupamento Complementar de Empresas. A sua função é a de promover a formação e reciclagem dos quadros e técnicos da Iberomoldes, adaptando-os às novas tecnologias envolvidas na produção de moldes. Para além da formação profissional, este instituto alargou ainda as suas actividades à normalização e divulgação de novas tecnologias e processos, tanto no seio do próprio Grupo, como ainda no exterior, em empresas ligadas aos moldes. O Grupo tem vindo a orientar a sua actividade para o mercado externo, tendo adoptado há cerca de 3 décadas uma estratégia de deslocalização da produção em duas linhas: (1) o estabelecimento de gabinetes técnicos (pequenas empresas) no exterior que possibilitariam a associação a outras empresas estrangeiras da área dos moldes (Suécia, Reino Unido e Alemanha); (2) alargamento da produção no exterior, criando unidades autónomas em países como a Tunísia, o México e o Brasil. Uma aposta do Grupo é a expansão da sua área de componentes para a indústria automóvel, em detrimento da área dos moldes. O primeiro investimento no sector automóvel foi a criação da empresa de engenharia SET para o desenho de novos produtos, acompanhada pela aposta na concepção de componentes destinados a várias marcas de automóveis, entre as quais a Volkswagen, através da criação da empresa TPE, com capitais exclusivamente da Iberomoldes. O reforço neste sector de mercado está a ser efectuado em parceria com a empresa CWJ (da Figueira da Foz) e em colaboração com uma unidade industrial dos EUA. Desta parceria resultou o desenvolvido de um sistema de controlo de direcção assistida para viaturas. De referir ainda que o Grupo está a estudar a hipótese de investimento numa fábrica do sector automóvel na Rússia, que poderá ser uma unidade produtiva, ou uma unidade de montagem de peças com produção nacional. Além da indústria automóvel, o Grupo pretende apostar na aeronáutica e energia solar. O processo de diversificação da 134 Iberomoldes para o sector aeronáutico tem sofrido alguns avanços e recuos: o Grupo dispõe de relacionamento forte com a empresa inglesa Westland na produção de helicópteros e, em finais de 2000, o IPE e as OGMA (então empresas 100% públicas) convidaram a Iberomoldes e a empresa M. Pousada a fundarem uma empresa de direito privado que procedesse à montagem de um avião para a empresa suíça Pilatus, por subcontrato das OGMA – a Listral (localizada na Bobadela). A Listral passou a ter o capital dividido em 26% pelo IPE, 25% pelas OGMA, 24,5% pela Iberomoldes e 24,5% pela M. Pousada. Todavia, em 2005, com a venda das OGMA à Embraer, esta empresa brasileira decidiu unilateralmente retirar parte das encomendas da Pilatus à Listral, pelo que o Grupo Iberomoldes viu-se obrigado a vender a sua participação nesta empresa. No domínio da energia solar, o Grupo concebeu um forno solar feito em plástico muito resistente ao calor. Denominado «Sun Cook», tratou-se de um projecto desenvolvido pelo SET (laboratório tecnológico detido pelo Grupo) e pelo Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação (INETI), com financiamento parcial da Agência de Inovação. Uma outra ideia de diversificação é o caravanismo e a náutica. O Projecto RTC - 24 Horas de Trabalho Colaborativo em Desenvolvimento de Produto (Round-the-Clock), teve como objectivo principal a criação de uma metodologia de trabalho colaborativo e contínuo, entre empresas e instituições localizadas em diferentes locais do Globo. A ideia deste projecto é tirar partido das diferenças dos fusos horários, de forma a permitir um ciclo ininterrupto de concepção e desenvolvimento de um produto, através do recurso às tecnologias de informação e comunicação. Este projecto teve na sua base um consórcio internacional formado por empresas e instituições do sistema científico e tecnológico de Portugal (Centimfe e Iberomoldes), México (IberoTec), Alemanha (OlhoTechnik) e China (GMI e DSC), que ao longo de três anos trabalharam em parceria dando origem à ferramenta Global Co-Work Platform. Esta ferramenta de trabalho, que integra uma plataforma de comunicação e metodologias de trabalho à distância, contribui para a redução do tempo do desenvolvimento dos produtos, dos respectivos custos e prazos de entrega. De referir que o Grupo Iberomoldes integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Engineering and Tooling, reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009. Fontes: Iberomoldes; Imprensa. CAIXA 6 - GRUPO VANGEST Criado em 1986, o Grupo Vangest agrega 16 empresas cujas actividades se concentram nas seguintes áreas de negócio: Tecnologias de informação: o Grupo integra quatro empresas que fornecem e implementam soluções high-end. A Distrim Sistemas, a CadFlow, a Nextvision e a DDM, que distribuem e implementam, em Portugal e Espanha, soluções integradas ao nível de aplicações CAD/CAM/CAE & PDM/PLM líderes de mercado. A Nextvision é ainda responsável pela representação, comercialização e suporte de soluções de Hardware, bem como pela construção e manutenção de redes. Design e engenharia de produto: a empresa Grandesign (nas áreas design de produto, design automóvel e design gráfico), a CADForm e a Distrim2 (na área da engenharia e modelação 3D) permitem ao Grupo assegurar a complementaridade entre o desenvolvimento conceptual e a engenharia de produto. Moldes e prototipagem: nesta actividade são importantes as empresas Moliporex Ibérica, Moliporex São Paulo, 3DTech e Distrim2. Gestão e desenvolvimento de projectos: o Grupo tem apostado na gestão de projectos “chave na mão” através das empresas Harchi, Conceito XXI e ConceptCad. Sedeado na Marinha Grande, o Grupo dispõe de filiais em Lisboa, Porto, Oliveira de Azeméis, Barcelona e Bilbau e de unidades de produção no País Basco e em Joinville (Estado de Santa Catarina, Brasil). Mais de 85% do volume de negócios do Grupo destina-se à exportação, sendo que 75% estão concentrados na indústria automóvel. Uma das apostas do Grupo é a biomedicina – através da Distrim2, produziu um protótipo físico do crânio de uma criança a partir de uma TAC (Tomografia Axial Computorizada), de grande valor acrescentado no apoio à cirurgia. Por outro lado, o Grupo pretende também investir no sector da aeronáutica, em particular na criação (no âmbito também da Distrim2) de uma unidade de fabricação de componentes estruturais, não visíveis, dos aviões, em ligas metálicas muito leves e de grande resistência, como o alumínio e o titânio. De referir que o Grupo Vangest integra o Pólo de Competitividade e Tecnologia Engineering and Tooling, reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009. Fontes: Grupo Vangest; Imprensa. 135 CAIXA 8 - ESTALEIROS NAVAIS DE PENICHE Os Estaleiros Navais de Peniche (ENP) foram constituídos em 1994, após terem ganho a concessão das instalações existentes no Porto de Peniche e em resultado da fusão de diversas empresas locais, que nasceram pela necessidade de apoiar a manutenção da frota de pesca local. Após os elevados investimentos realizados em 1998 e 1999 entraram na actividade de construção que já representa 80% do seu volume de vendas; ocupam uma área de cerca de 50 mil m2 e as suas instalações e equipamentos permitem-lhe trabalhar embarcações até 700 ton de deslocamento, podendo reparar navios a flutuar com mais de 120 m. Mais recentemente, instalaram uma oficina especializada na utilização de materiais compósitos; construíram ferry boats para o grupo SONAE, cinco catamarans para a Nigéria com propulsão a jacto de água, navios de pesca de cerco para Angola, rebocadores com estruturas em materiais compósitos, embarcações de recreio etc. Estiveram envolvidos na fabricação e montagem de um dos equipamentos experimentais de produção de electricidade pela energia das ondas (PELAMIS) e apresentaram recentemente um projecto de navio com propulsão eléctrica, a células de combustível e solar foto voltaico para utilizações turísticas. Fontes: Imprensa. No Pinhal Litoral/Oeste têm surgido empresas que se destacam pela inovação em novas áreas de actividade. São de referir os seguintes exemplos: CAIXA 9 - SRE – SOLUÇÕES RACIONAIS DE ENERGIA A SRE – Soluções Racionais de Energia, instalada no Polígono Industrial do Alto do Ameal, em Torres Vedras é uma empresa especializada no desenvolvimento e fabrico de fuell cells para aplicações portáteis e móveis, sendo a única empresa a operar na Península Ibérica e uma das dez empresas europeias presentes neste segmento. Fundada em 2002, é considerada a percursora da economia do hidrogénio em Portugal ao lançar a “Lucis”, a primeira pilha de combustível nacional. A SRE identificou os seus mercados alvo no segmento de pequena potência no fornecimento de fuel cells para equipamentos de monitorização à distância de vários tipos de informação e no segmento de média potência nos equipamentos de vigilância florestal e em equipamentos de tracção de pequeno porte como os trolleys utilizados nos campos de golf (de que o primeiro exemplar já foi testado em 2004 durante um campeonato de golf). Ao mesmo tempo tem em curso projectos para explorar outros possíveis mercados como fuel cells para equipamentos educativos e de demonstração, para equipamento rádios militares e para bicicletas. A SRE inaugurou um laboratório de I&D nas suas instalações - um Laboratório de Hidrogénio, uma peça fundamental para a experimentação com hidrogénio e hidretos metálicos e químicos, que poderão permitir o desenvolvimento de inovações tecnológicas como podem vir a ser o reactor de borohidreto de sódio, uma das formas possíveis de armazenar e transportar o hidrogénio necessário ao funcionamento das fuel cells. Refira-se que a SER está a trabalhar no desenvolvimento de uma tecnologia de fuel cells a hidrogénio mais eficaz do que as conhecidas na actualidade. A SRE, em conjunto com a Escola Profissional Gustav Eiffel e outras instituições, está a organizar o primeiro curso profissional com certificação em “Hidrogénio e Fuel Cells”, como meio de formar recursos humanos nesta área. Fontes: SRE; Imprensa. CAIXA 10 - NUMBER FIVE SOFTWARE Localizada na Ericeira e com cerca de uma dezena de trabalhadores, a empresa portuguesa Number Five é uma das líderes mundiais de software para cartões, com 75% de quota de mercado das aplicações baseadas na tecnologia de smart card, label e identity cards. Uma das principais áreas de aposta da empresa é o desenvolvimento de software para controlo de acesso de pessoas e casas inteligentes. Criada em 1996, três anos depois dispunha já de escritórios nos EUA (em Simi Valley, Califórnia), representação que estendeu posteriormente a Itália e Singapura. Fontes: Number Five. 136 CAIXA 11 - ALIDATA – SOLUÇÕES INFORMÁTICAS Localizada em Leiria, a Alidata - Soluções Informáticas é uma empresa nacional especializada no desenvolvimento de software (ERP) para as áreas de: Gestão Comercial Integrada; Gestão de Oficinas/Concessionários; Gestão de Obras; Gestão de Produção; Manutenção Industrial. Com mais de duas décadas de existência, esta empresa assume-se principalmente como fornecedora de soluções globais às empresas, da gestão à produção, em particular no sector industrial (com destaque para a indústria automóvel). Em 1991 e 2001 ganhou o prémio “PME Excelência”. Destaca-se por ter desenvolvido e lançado no mercado o CPA, uma ferramenta de controlo de produção, percursora de uma solução de gestão completa que deu origem a um novo software da Alidata – o SIA (Sistema de Informação Avançado) que tem a capacidade de fazer gestão comercial e financeira (GIA), contabilidade geral, orçamental, analítica (CGA), soluções de e-commerce (ECA), controle de produção, de oficinas e de manutenção, entre outras características. Para além das soluções integradas de software, a Alidata dispõe de um serviço de helpdesk com consultores preparados para responder às necessidades dos clientes e equipas de técnicos que definem procedimentos de implementação para cada aplicação de acordo com as necessidades de cada cliente. Está já presente em Moçambique, Cabo Verde, Angola e Espanha. Conta com uma equipa de 50 colaboradores, já instalou as suas aplicações em 5 mil empresas e em 2007 atingiu uma facturação superior a 2 milhões de euros. Fontes: Alidata. CAIXA 12 - JANELA DIGITAL A Janela Digital é uma empresa do Grupo PT localizada nas Caldas da Rainha, que cria soluções tecnológicas para o sector imobiliário (criou o maior portal imobiliário nacional - o casa.sapo.pt). Fundada em 1999, conta já com 150 colaboradores, mais de 1500 clientes activos e em 2007 atingiu uma facturação de cerca de 4 milhões de euros. É líder ibérica no fornecimento de soluções tecnológicas para o imobiliário, tendo criado, além do CasaSapo, o Imoguia, marca de referência na gestão e marketing electrónico para o imobiliário. Em 2004 penetrou no mercado espanhol e está já presente em Angola, Reino Unido, México e Peru. A curto prazo planeia penetrar em Cabo Verde, no Brasil e na Rússia. A empresa inaugurou no Centro de Incubação OPEN, na Marinha Grande, um laboratório de I&D no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), destinado a apoiar as actividades de investigação nestes domínios e a própria política de internacionalização da empresa. Em 2006 foi premiada com o galardão PME Inovadora COTEC. Fontes: Janela Digital. CAIXA 13 - OMNITA A Omnita - Sistemas Autónomos para Monitorização é uma empresa que foi incubada no Centro OPEN da Marinha Grande e que mais tarde se instalou no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC). Venceu o concurso de criação de empresas de base tecnológica OPEN 2007. Dedica-se à produção de robôs com uma autonomia de decisão básica, ou seja, que conseguem, sem intervenção humana, desempenhar determinadas tarefas sozinhas. A empresa tem vindo a desenvolver soluções que permitem a estes robôs, graças a sensores de precisão, fornecer dados rigorosos, à distância e em tempo real. Com um investimento inicial de 100 mil euros, esta empresa contou com o apoio da Invicta Angels, Associação de Business Angels, sediada no Porto, em conjunto com a InovCapital, sociedade pública de capital de risco. Pretende apostar no fornecimento de serviços de monitorização ao nível aéreo, subaquático e terrestre. A empresa desenvolveu já um veículo aéreo não tripulado, capaz de voar autonomamente e filmar ou fotografar uma determinada área. Os principais mercados-alvo desta tecnologia são as empresas de construção civil e obras públicas, de estudos e projectos de engenharia, de arquitectura e ambiente, mas também sociedades e cooperativas agrícolas, entidades portuárias, câmaras municipais, empresas de publicidade, aquacultura, audiovisual e de fornecimento e tratamento de águas. O recurso à monitorização com os robôs da Omnita permite uma redução de custos da ordem dos 50% a 60% quando comparados com o recurso a aeronaves tripuladas. Os serviços subaquáticos também estão nos objectivos da empresa, com a aposta em robôs de inspecções de infraestruturas subaquáticas, desde barragens e pilares de pontes, além da gestão de stocks em aquacultura. Também a nanorobótica aplicada à medicina poderá vir a ser uma das apostas da Omnita. Fontes: Omnita; Imprensa. 137 Como infra-estruturas regionais de apoio às empresas inovadoras, destaca-se o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), localizado na Marinha Grande. Existe na região a Associação Nacional da Indústria de Moldes (CEFAMOL), instituição criada em 1991 com o objectivo de apoiar o desenvolvimento e expansão do sector de moldes, de promover a cooperação, a investigação tecnológica e a formação técnico-profissional. Os objectivos que orientam este Centro Tecnológico englobam o apoio técnico e tecnológico às empresas; a I&DT orientada para a resolução de problemas concretos da indústria; a melhoria da qualidade na produção industrial (gestão, reengenharia de processos, normalização, metrologia e certificação); a formação especializada dos recursos humanos; a recolha, tratamento e divulgação da informação técnica e tecnológica; e a criação de redes, nacionais e internacionais, com empresas e Centros de I&D. Actualmente, o CENTIMFE conta com 221 organizações associadas, entre empresas industriais e instituições públicas como o IAPMEI (Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas), o INETI (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industria), o IPQ (Instituto Português de Qualidade), a Câmara Municipal da Marinha Grande, a Câmara Municipal da Batalha, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, assim como organizações privadas de base sectorial, nomeadamente a CEFAMOL (Associação Nacional da Indústria de Moldes) e a APIP (Associação Nacional da Indústria de Plásticos). De referir também a presença dos seguintes centros de incubação de empresas: OPEN - Associação para Oportunidades Específicas de Negócio: o projecto OPEN surgiu em 1998, no âmbito do Pacto Territorial de Emprego da Marinha Grande. O primeiro concurso de ideias foi lançado em 2003 e as instalações inauguradas em Agosto de 2005, na Zona Industrial de Casal da Lebre, na Marinha Grande. Nesta infra-estrutura desenvolveram-se empresas como a Log PME (consultoria em logística), a Célula 3PP (injecção de plásticos), a Janela Digital (software para mediação imobiliária) e a Omnita (monitorização e recolha de dados aéreos, terrestres e sub-aquáticos, utilizando robôs não tripulados). Centro Incubador de Caldas da Rainha: fundado em 2004 pela Associação Industrial da Região do Oeste (AIRO), pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha e pela a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), com o objectivo de apoiar projectos empresariais de jovens empreendedores; Incubadora D. Dinis, em Leiria, criada por iniciativa do Instituto Politécnico de Leiria, da Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI) e da Câmara Municipal de Leiria, com a colaboração do Instituto Pedro Nunes. Com o objectivo de estimular o empreendedorismo no Oeste e de apoiar a criação de novas iniciativas na região, a Associação Industrial da Região Oeste (AIRO), em colaboração com Câmara Municipal de Caldas da Rainha, lançou a Academia de Empreendedores da Região Oeste, no âmbito da qual promove o Concurso Regional de Promoção e Estímulo ao Empreendedorismo. 7. OS NOVOS PROJECTOS – INFRAESTRUTURAS E ACTIVIDADES 7.1 - Novos projectos e actividades 1) Pólo de Competitividade e Tecnologia Engineering and Tooling - Em Julho de 2009 foi reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva o Pólo de Competitividade e Tecnologia Engineering and Tooling, liderado pela Associação Pool Net – Portuguese Tooling Network. O objectivo central deste Pólo é desenvolver e produzir moldes de forma a optimizar 138 as funcionalidades dos produtos e respectivos processos de fabrico dos clientes, assegurando a qualidade total e a minimização do custo total ao longo de todo o ciclo de vida de produto. Pretende integrar o molde numa cadeia alargada de serviços de engenharia de alto conteúdo tecnológico, ou seja, inovar ao nível do produto final em cuja produção o molde intervém, ampliando a cadeia de valor e criando a marca Engineering & Tooling from Portugal. Por outro lado, pretende garantir um aumento gradual do peso de outros sectores estratégicos além do sector automóvel, como sejam os da energia e ambiente, electrónica, saúde e aeronáutica.De referir que o Pólo integra os mais importantes actores empresariais e institucionais do sector dos moldes, em particular os localizados na Marinha Grande e em Oliveira de Azeméis. As empresas que constituem a parceria da Pool-net são, na sua grande maioria, PME com forte cariz exportador. A grande maioria das empresas concentra as suas actividades no desenvolvimento, produção e comercialização de moldes e ferramentas especiais, com forte integração e conhecimento de todo o processo produtivo, oferecendo produtos e serviços desde a fase de concepção até à produção do produto final. Se se considerar que algumas das empresas que integram o Pólo representam grupos de grande relevância económica do sector Engineering & Tooling (exemplos dos Grupos Simoldes, Iberomoldes, LN Moldes, Tecmolde, Vangest, Socem e Geco), conclui-se que o Pólo representa cerca de 70% das exportações nacionais e de 50% do emprego do sector. 2) Desenvolvimento do Turismo - As valências paisagísticas e ambientais da região Oeste, com a sua linha de praias, a Lagoa de Óbidos, bem como um valioso património histórico, cultural e artístico, têm permitido desenvolver as actividades de turismo, em particular o turismo residencial, associado à localização de residências secundárias de habitantes da Grande Lisboa e, recentemente, à multiplicação de projectos de Resorts Integrados. Este facto é reconhecido no Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT), que inclui o Oeste nos seis Pólos Turísticos a desenvolver até 2015, com o objectivo de diversificar a oferta turística em Portugal. Em conjunto com o Pinhal Litoral, o Oeste apresenta vantagens competitivas nos segmentos de turismo cultural e de circuitos turísticos, em parte derivadas da procura de recreio e lazer pela população residente na Área Metropolitana de Lisboa. A própria proximidade a Fátima é um factor impulsionador da actividade turística destes territórios (neste contexto ancorada no produto touring e no turismo religioso). O PROT Oeste e Vale do Tejo define para o futuro várias Áreas Territoriais de Ordenamento do Turismo e Lazer, identificadas na Carta do Turismo, Lazer e Cultura. Para o Oeste, destacam-se: Litoral: integra as áreas dos municípios do Oeste com frente marítima - Torres Vedras, Lourinhã, Peniche, Óbidos, Caldas da Rainha, Alcobaça e Nazaré, com excepção das áreas integradas no Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros. Margem Direita do Tejo: integra o espaço delimitado pela lezíria do rio Tejo e pelo litoral Oeste, estruturado pelas auto-estradas A1-A15 e IC11 e pelos centros urbanos regionais de Torres Vedras, Santarém e Caldas da Rainha. Parques e Reservas Naturais e Áreas de Paisagem Protegida: no Oeste, estão integradas nesta área territorial o Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros; a Reserva Natural das Berlengas; a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto. São ainda identificadas as Áreas Turísticas Emergentes a Estruturar, que integram áreas onde se verificam condições e aptidões para a constituição de novos espaços de ocupação turística e de residência de lazer de dimensão territorial significativa. No Oeste são identificadas as áreas de Óbidos/Praia Azul/Santa Cruz. Existem ainda Núcleos de Desenvolvimento Turístico, que classificam espaços de turismo residencial cuja implementação permite constituir novos espaços do tipo Resort, fora dos perímetros urbanos definidos nos Planos Directores Municipais (PDM). Uma atenção é ainda dada aos Núcleos de 139 Desenvolvimento Económico, projectos considerados de interesse regional, estruturantes para o desenvolvimento do turismo e lazer da região. Um exemplo é o Parque Temático da Lourinhã (Parque Temático do Jurássico e Rota dos Dinossauros, onde se inclui a Jazida da Pedreira do Galinha). Finalmente, o PROT identifica duas “Portas de Mar” - Peniche e Nazaré -, as quais devem proporcionar condições para o desenvolvimento de actividades turísticas, culturais, desportivas e de recreio e lazer ligadas ao mar. A região Oeste destaca-se pelo número considerável de projectos turísticos associados a elevada qualidade da oferta e a grandes grupos empresariais, em particular nos segmentos Resorts Integrados e Golfe. Como exemplos, refiram-se: Bom Sucesso – Design Resort, Leisure, Golf & SPA, em Óbidos (Projecto de Interesse Nacional, PIN, cujo promotor é a Acordo Óbidos) – este empreendimento será constituído por 601 moradias (em lotes individuais e em banda), um hotel com SPA, um campo de golfe de 18 buracos Championship, um conjunto de equipamentos de lazer e uma zona de reserva ecológica. Praia d’EI Rey Golf & Beach Resort (com um hotel da cadeia Marriott em operação). Em 2007 este resort foi reconhecido pela International Association of Golf Tour Operators (IAGTO) como o melhor “Golf Resort” da Europa tendo sido distinguido com o prémio Portugal’s Leading Resort, atribuído pelo World Travel Awards. Falésia d’EI Rey (PIN, do grupo Béltico/Crissier), projecto que será implantado numa área de 230 hectares, com uma densidade de construção baixa (0,6%) e que será composto por cerca de 500 unidades turístico-residenciais, distribuídas por vilas, moradias em banda e apartamentos. Terá ainda vários restaurantes, uma zona comercial, campo de golfe com 18 buracos e clube de golfe, um hotel de cinco estrelas com uma centena de quartos e spa. Está igualmente prevista a construção de um “hotel de charme”, com cerca de 60 quartos. Royal Óbidos SPA & Golf Resort - do grupo de construção e obras públicas MSF- Moniz da Maia Serra e Fortunato, projecto que integra a construção de apartamentos, moradias e “condominium hotel” de quatro e cinco estrelas, um campo de golfe de 18 buracos, desenhado por Severiano Ballesteros. CampoReal Golf Resort & Spa, no Turcifal (Torres Vedras), do grupo Orizon – é um resort de luxo integrado que inclui um total de 698 residências de luxo, campo de golfe de 18 buracos, ClubHouse, Centro Equestre integrado na rede nacional de centros equestres da Federação Equestre Portuguesa, hotel e outras infra-estruturas e equipamentos. O objectivo é acrescentar um hotel e aparthotel ao já existente e ampliar para 27 buracos o campo de golfe. Golden Eagle (Quinta de Briçal), em Rio Maior, da Camin Global, estando previsto a construção de um hotel e de um segundo campo de golfe; Vimeiro, resort promovido pelo Grupo Ô Hotels & Resorts, com 220 hectares, campo e academia de golfe, Hotel Golf Mar (250 quartos), Hotel das Termas (86 quartos), Spa e Centro de Congressos – está previsto um hotel de charme, um Centro Internacional de Talassoterapia, a renovação do campo de golfe, um novo complexo termal, entre outros equipamentos; Quinta da Abrigada, em Alenquer – projecto promovido por João Cyrillo Machado, numa propriedade de 282 hectares que receberá um campo de golfe de 18 buracos (implantado numa área de 102 hectares), um hotel de cinco estrelas com 200 quartos, dois aldeamentos turísticos de luxo e 242 vilas residenciais; Pérola da Lagoa Golf Resort – projecto da Lena Imobiliária, construído na Lagoa de Óbidos, que contempla um hotel de quatro estrelas, campo de golfe de 9 buracos, club house e 313 villas residenciais/turísticas. 140 Prevê-se ainda a construção dos seguintes projectos: Sizandro Villages, junto à Praia Azul (Torres Vedras – promotor MIP), com golfe e hotel (cuja gestão está a ser negociada com a Intercontinental); resort com golfe Quinta da Charneca (também em Torres Vedras); projecto Rio Grande, para resorts temáticos de 600 ha (ecoresort, agroresort, design resort e urban resort), nas quintas do Bom Sucesso e Ulisses Cortez entre os municípios da Lourinhã e Torres Vedras (projecto apresentado por uma empresa de capitais árabes, detentora de duas centenas de complexos turísticos em todo o mundo); e resort do Paimogo (projecto previsto para a Lourinhã, com mais de 100 hectares, onde será construído um hotel de quatro ou cinco estrelas com duas mil camas, e um campo de golf com 19 buracos); resort de golfe junto à Praia de São Bernardino, em Peniche; projecto da Enatur para uma pousada assinada por Siza Vieira, na fortaleza de Peniche; projecto Rainha Golf & Spa Resort, para a Foz do Arelho, no município Caldas da Rainha (proposto pela empresa inglesa New World Investiments). Em Alcobaça pretende-se desenvolver o “Ecoparque dos Monges”, um parque temático que procura proporcionar aos visitantes a vivência dos monges de Cister na Idade Média, e que tem prevista a inclusão de um hotel de quatro estrelas. De salientar que não deve ser descurada a necessidade de todos estes projectos turísticos estarem enquadrados por uma política de turismo sustentável, não só devido à elevada riqueza natural e paisagística do território do Oeste (e também do Pinhal Litoral), mas também ao facto destes territórios beneficiarem da presença de importantes mananciais de recursos aquíferos subterrâneos (da Bacia Terciária do Tejo). FIGURA 15 - RECURSOS AQUÍFEROS SUBTERRÂNEOS DO PAÍS Fontes: Atlas do Ambiente. 3) Desenvolvimento das Energias Renováveis A região Oeste foi pioneira na energia eólica em Portugal, acolhendo já perto de ¼ da capacidade instalada a nível nacional. A região beneficia de condições orográficas muito vantajosas para o aproveitamento eólico (destacando-se uma excelente exposição aos ventos marítimos), o que permite que o rendimento eólico da região seja superior a 3000 horas de vento/ano, que, a nível nacional, só é suplantado na serra de Monchique. 141 O primeiro parque eólico construído na região data de 1999, no município de Mafra, mas actualmente já existem mais de 400 megawatts de capacidade instalada a nível eólico, o equivalente a um investimento que já ascende a 250 milhões de euros. Refiram-se como exemplo os parque eólicos do Reguengo Grande (Lourinhã) e do Pó (Bombarral), da Enernova - Novas Energias S.A, empresa do grupo EDP também detentora do Parque Eólico da Serra d’El Rei (Peniche). Com uma ampla linha de costa, a região reúne também vantajosas condições para o aproveitamento da energia das ondas. No relatório Potencial e Estratégia de Desenvolvimento da Energia das Ondas em Portugal (elaborado pelo Centro de Energia das Ondas do Instituto Superior Técnico e pelo INETI, em 2004) são identificadas 7 zonas prioritárias para potencial instalação de parques de energia das ondas no médio prazo. Deste grupo de primeira prioridade, um é localizado totalmente ao largo de municípios da região Oeste (22km entre Nazaré e Peniche) e outro abrange uma parte significativa da costa desta sub-região (71km entre Peniche e Cascais). Nos Estaleiros Navais de Peniche foi desenvolvida a tecnologia de origem escocesa de aproveitamento de energia a partir da força das ondas de mar, a ser instalada ao largo da Póvoa de Varzim, na plataforma offshore Parque da Aguçadoura – tecnologia Pelamis, desenvolvida pela Enersis e pela Ocean Power Energy (OPD), parceiro tecnológico desta empresa. Por outro lado, a AW Energy (empresa finlandesa especializada na comercialização de tecnologia de ponta para a exploração da energia das ondas junto à costa) e a Eneólica (do Grupo Lena), através da joint-venture Seaner, testaram naqueles Estaleiros Navais e no Centro Europeu de Energia Marítima (Orkney, Escócia) a tecnologia Waveroller, orientada para o aproveitamento da energia das ondas de fundo.De referir que vários actores do Pinhal Litoral/Oeste (Escola Superior de Tecnologias do Mar de Peniche, Estaleiros Navais de Peniche, Navalria, entre outros) integram o Cluster do Mar, reconhecido formalmente como Estratégia de Eficiência Colectiva em Julho de 2009. 4) A Prospecção Petrolífera Foi constituído um consórcio liderado pela brasileira Petrobrás (50%), e participado pela Galp (30%) e Partex (20%), para a pesquisa e exploração de petróleo em 4 blocos da Bacia Lusitaniana, ao largo de Peniche, num total de investimento previsto de cerca de 300 milhões de euros. Num total de 12 mil m2, os blocos, com profundidades entre 200 e 2 mil m, têm a designação de Amêijoa, Camarão, Mexilhão e Ostra. A Universidade de Coimbra, a Universidade de Lisboa e a Universidade Federal de Sergipe, do Brasil, são responsáveis pelos estudos geológicos em terra, no âmbito do Projecto Atlantis. A Mohave Oil & Gas Corporation, empresa norte-americana, detém desde há vários anos concessões nesta Bacia. No final de 2006, apenas esta empresa operava em Portugal, detentora de 2 concessões no onshore da bacia Lusitânica. Em 2007 houve um significativo incremento na prospecção e pesquisa de petróleo em Portugal, com a assinatura de 12 novos contratos de concessão: 3 contratos de concessão com as empresas Hardman Resources Ltd (australiana), Petróleos de Portugal - Petrogal S.A. e Partex Oil and Gas Corporation (holding da Gulbenkian que reúne os interesses petrolíferos da Fundação), no deep-offshore da bacia do Alentejo; 4 contratos de concessão com a empresa brasileira Petrobras International Braspetro B.V., a Petróleos de Portugal - Petrogal S.A. e a Partex Oil and Gas Corporation, no deepoffshore da bacia de Peniche; 5 contratos de concessão com a empresa Mohave Oil & Gas Corporation, para as áreas Cabo Mondego-2, S. Pedro de Muel-2, Aljubarrota-3, Rio Maior-2 e Torres Vedras-3, no onshore e offshore da bacia Lusitânica. A Mohave Oil & Gás, em parceria com a empresa canadiana DualEx Energy Internacional, está 142 também a fazer a prospecção de gás natural em Aljubarrota (Alcobaça). A Mohave efectuou a primeira exploração de gás natural na região em Novembro de 1997, em Fanhais (Nazaré), avançando depois para Aljubarrota. FIGURA 16 - OFFSHORE PORTUGUÊS Fontes: Direcção Geral de Energia e Geologia. 5) Desenvolvimento competitivo dos sectores da horto-fruticultura e floricultura, através do reforço da cooperação empresarial Apesar de não ter uma incidência territorial exclusiva do Pinhal Litoral/Oeste, mas de nível nacional, considera-se importante referir a criação da associação Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legume e Flores, uma agência destinada à promoção destes sectores de actividade, formada por um conjunto alargado de empresas. Esta iniciativa é particularmente significativa para a sub-região Oeste, em virtude da relevância deste território no sector da fruticultura. 143 CAIXA 14 - PORTUGAL FRESH - ASSOCIAÇÃO PARA A PROMOÇÃO DAS FRUTAS, LEGUMES E FLORES Esta associação de empresas foi constituída em Dezembro de 2010, com o apoio do Ministério da Agricultura, e tem por missão a promoção internacional das frutas, legumes e flores de Portugal. O sector tem uma importância cada vez maior na economia nacional e representa já um volume de negócios da ordem dos €2,3 mil milhões anuais; apresenta uma forte tendência exportadora e emprega sobretudo população jovem. A associação está subdividida por várias áreas funcionais e actuará juntos dos mercados nacional e internacional, promovendo inúmeras acções, com base num planeamento estratégico e cooperativo, com destaque para a promoção das exportações nos mercados europeus e de países terceiros, com vista a incentivar, de forma institucional, o consumo de frutas e legumes (em particular junto da população mais jovem), bem como das flores. A acção desta agência inclui participação em certames da especialidade; dar informação actualizada e quantificada (preços, quotas de mercado) aos associados; realizar e divulgar estudos dos mercados alvo de exportação; facilitar o acesso a mercados fora da União Europeia no que respeita a barreiras alfandegárias e legais; criar e tornar acessível uma plataforma de consulta dos preços dos produtos ao longo da cadeia de abastecimento, entre outras. Outro factor em causa é a produção de bens alimentares qualificados, utilizando tecnologias ambientais, com uma acção também funcional ao nível da saúde humana na luta contra muitas doenças actuais. A organização pretende acrescer a posição destes sectores da agricultura portuguesa, como parte integrante da economia do país direccionada para a exportação, ao mesmo tempo que dinamiza a reestruturação das empresas e organizações de produtores, à semelhança do que já existe em muitos países produtores. A primeira acção da Portugal Fresh foi a organização da participação portuguesa na feira Fruit Logistica, a maior plataforma mundial de negócios para o sector horto-frutícola, realizada em Berlim, em Fevereiro de 2011, onde 23 empresas estiveram presentes no stand colectivo de Portugal. Fontes: imprensa. 8. DESAFIOS, RISCOS E OPORTUNIDADES NO MÉDIO PRAZO O território Pinhal Litoral/Oeste evidencia um conjunto de características demográficas e sócioeconómicas que lhe permitem destacar-se no contexto da região Centro: a posição de charneira entre territórios também eles pertencentes à região Centro (como o Baixo Vouga, o Baixo Mondego ou o Médio Tejo) ou integrados na polarização da Área Metropolitana de Lisboa (municípios a Norte da AML ou mesmo a Lezíria do Tejo). Este eixo concentra uma das principais dinâmicas populacionais e económicas do litoral da região Centro, distinguindo-se claramente dos territórios do interior. Do ponto de vista demográfico, realçam-se as positivas taxas de crescimento efectivo e a capacidade de manutenção de saldos migratórios positivos nos últimos anos, além de uma menor incidência do envelhecimento demográfico (no Pinhal Litoral) que caracteriza o grosso dos territórios do Centro. Em termos económicos, realça-se a importância de sectores económicos que tradicionalmente têm marcado o processo de desenvolvimento económico deste território: as actividades primárias como a horticultura, a viticultura, a suinicultura e avicultura, importantes no abastecimento do mercado metropolitano mas com uma crescente tendência de internacionalização devido à presença de fortes grupos empresariais e à capacidade de adaptação à modernização tecnológica e aposta em novos segmentos de mercado (nas quais se destacam produtos de qualidade reconhecida); a presença de sectores industriais como o vidro, as cerâmicas e os moldes e plásticos que se caracterizam pela dualidade entre empresas mais tradicionais, de pequena e média dimensão e com dificuldade de sobrevivência nos actuais padrões de competitividade, e grandes grupos empresariais, líderes nas suas actividades e com fortes apostas na inovação tecnológica, o que lhes permite a penetração nos mercados internacionais e a expansão de novas áreas de negócio. Em parte devido à proximidade de Lisboa, mas também em consequência da riqueza natural, paisagística e patrimonial do Oeste, este território tem sido alvo de importantes projectos turísticos, 144 associados a grandes investidores nacionais e internacionais no segmento dos resorts de luxo e turismo residencial. Esta tem sido a principal tendência de investimentos nos últimos anos, o que permite ao Oeste uma “especialização” no turismo de elevada qualidade, ancorado sobretudo no produto golfe. Dos vários aspectos enunciados, ressalta que são vários os desafios que no futuro se apresentam ao Pinhal Litoral/Oeste. Entre os principais desafios (e oportunidades associadas) destacam-se: (i) a capacidade de manutenção de positivas tendências de evolução demográfica, num contexto de crescente perda de dinamismo das regiões não metropolitanas e de despovoamento dos centros de maior ruralidade; (ii) a possibilidade de sobrevivência de sectores industriais como os das cerâmicas e do vidro, que têm assistido a crises sucessivas e ao encerramento de empresas, algumas emblemáticas a nível nacional – aqui, a capacidade de incorporação de tecnologia e de design e o desenvolvimento de parcerias empresariais e institucionais são elementos fundamentais; (iii) a continuidade na aposta em novas actividades, algumas resultantes da ascensão de actividades já existentes (exemplo dos novos materiais associados aos moldes e plásticos e sua aplicação em sectores como a medicina e a aeronáutica e não apenas aos clientes tradicionais que são a indústria automóvel e de embalagens), outras completamente inovadoras como a exploração das energias renováveis (em particular a energia eólica e das ondas e os biocombustíveis) ou nichos de actividade em que algumas empresas já se destacam (como as tecnologias de informação e comunicação, as ciências da vida, biotecnologia e a robótica); (iv) a sustentabilidade económica e ambiental da aposta em produtos turísticos exigentes em qualidade e nos quais a concorrência de outros destinos é elevada (como o golfe, os resorts integrados e o turismo de saúde). Se as oportunidades para o desenvolvimento futuro do Pinhal Litoral/Oeste existem efectivamente, devendo ser exploradas (refira-se novamente a presença de sectores com potencial de desenvolvimento), os riscos também são evidentes e deverão ser tratados com a maior acuidade por todos os actores regionais. Um dos principais riscos é a continuidade da crise vivida por sectores tradicionalmente importantes na especialização deste território, com a consequente perda de emprego e problemas sociais associados. Outro risco prende-se com a incapacidade de competir com países emergentes (sobretudo da Ásia) em sectores de especialização como os moldes, em que as competitivas estruturas de custo destes países poderão alargar perigosamente a base de competição internacional nos próximos anos. A própria tendência verificada no desenvolvimento de produtos turísticos como o golfe e os resorts integrados implica importantes riscos que não podem ser descurados, se não for desenvolvida uma política de turismo sustentável no Oeste: os projectos turísticos em curso e previstos estão associados a vultosos investimentos e a um forte crescimento da oferta do número de camas (risco da massificação turística) em territórios onde por vezes são insuficientes alguns serviços e infraestruturas de apoio à actividade turística; outra óptica dos riscos associados ao boom turístico é a degradação dos recursos naturais deste território marcado pela elevada susceptibilidade ambiental, por exemplo ao nível dos recursos aquíferos (importância do Maciço Calcário Estremenho e da proximidade da Bacia Terciária do Tejo, unidades geomorfológicas marcadas pelos fortes riscos de contaminação de aquíferos devido à presença de actividades de exploração de inertes e pedreiras). 145 FICHA TÉCNICA Coordenação Científica Professor Doutor José Veiga Simão José Félix Ribeiro Execução: Dr. José Félix Ribeiro e Mestre Joana Chorincas NOTA: As Cartas Regionais de Competitividade que agora se apresentam foram elaboradas durante os anos 2008 e 2009, tendo a informação estatística sido actualizadas em 2011. A informação sobre Empresas e Centros de Investigação deverá ser periodicamente actualizada dada a dinâmica do mundo empresarial e a evolução das actividades de I&D no País. 2