A Diocese de Leiria-Fátima Luciano Coelho Cristino Introdução E m Julho de 1543, vagava o bispado de Coimbra, pelo falecimento de D. Jorge de Almeida, ao fim de 60 longos anos de episcopado e, a 11 de Novembro, o mesmo sucedia no arcebispado de Braga, por falecimento do infante D. Duarte, filho de D. João III, eleito no ano anterior. D. João III, aproveitando esta oportunidade, deu instruções ao seu embaixador na corte de Roma, Baltazar de Faria, para que os dois bispados fossem divididos, antes de serem novamente providos. No caso de Coimbra, dava-se a circunstância de o priorado de Santa Cruz deter na vila de Leiria e seu termo rendas eclesiásticas, julgadas suficientes para a erecção de um bispado. De facto, “a vila de Leiria é uma das notáveis vilas e de grande povoação do reino de Portugal, em que há igrejas grandes e mosteiros de religiosos, e principalmente há uma igreja principal de prior e muitos beneficiados, à qual são anexas todas as igrejas da dita vila e termo”1 . Pela bula “Pro excellenti”, de 22 de Maio de 1545, o Papa Paulo III criava a Diocese de Leiria, separando-a de Coimbra e do priorado-mor do mosteiro de Santa Cruz da mesma cidade 2 ; erigia a igreja de Santa Maria da Pena em catedral; e integrava a nova Diocese na província eclesiástica de Lisboa 3 . Noutra bula da mesma data, o Papa recomendava ao rei o novo bispo, D. Frei Brás de Barros 4 , e unia à mesa capitular de Leiria as rendas da igreja de Santa Maria e suas anexas, sujeitas até então ao priorado-mor de Santa Cruz de Coimbra 5 . A 13 de Junho do mesmo ano, D. João III, na sequência dos actos pontifícios que ele próprio solicitara, dois anos antes, elevava a vila de Leiria à categoria de cidade 6 . A Diocese de Leiria foi criada com dez paróquias ou quase-paróquias, directamente dependentes dos Crúzios de Coimbra: na vila, vindas do século XII, Santa Maria da Pena, a matriz, S. Pedro, S. Tiago, S. Estêvão, S. Martinho; no termo, Paredes (criada em data que se ignora7, transferida provisoriamente para o lugar de Pataias, em 1536, e definitivamente, 0AULO)));$3#?TIF= #APELAMORDAIGREJADA0ENA)MAGEM TIF 37 MAPA?DIOCESE?DISTRITOCDRSEM OURÏMEPORTODEMØSMAPA? DIOCESE?DISTRITOTIF Pombal M. Grande Leiria Batalha Ourém P. Mós Alcobaça Alcanena para o mesmo lugar, em 15428), Reguengo (desmembrada de S. Martinho, em 1512) 9 , Batalha (de S. Estêvão, em 1512) 10 , Monte Real (de S. Tiago, em 1512) 11 e Maceira (de S. Estêvão, em 1517) 12 ; e mais cinco que dependiam da jurisdição diocesana do bispo de Coimbra, embora fossem assistidas pastoralmente pelos mesmos Crúzios: Colmeias, Vermoil, S. Simão de Litém, Espite e Souto da Carpalhosa (todas já existentes, pelo menos, em 1211). 1. Os primeiros passos da Diocese (1545-1586) Servindo-nos da seriação dos bispos diocesanos, daremos uns tópicos sobre a organização da Diocese, a acção dos seus agentes e a evolução das suas estruturas administrativas e pastorais. 1.1 D. Frei Brás de Barros (1545-1556-†1561) Nascido cerca de 1485, em Braga, D. Frei Brás de Barros ou de Braga, primeiro bispo da Diocese de Leiria, frequentou o paço real e prestou serviço militar em África. Professou na ordem de S. Jerónimo, a 30 de Setembro de 1516. Frequentou as Universidades de Paris e de Lovaina, doutorando-se em Teologia nesta última. Regressou ao país, talvez no ano de 1525, e foi nomeado, dois anos depois, por D. João III, reformador da Ordem dos Cónegos regrantes de Santa Cruz de Coimbra13 . $3#?TIF Logo no princípio da Diocese (1545?), deu à igreja de Nossa Senhora da Pena “a Cidade e alguns lugares dos montes, por freguesia, e tinha naquele tempo 300 fogos”14 . As outras paróquias urbanas ficaram sem território na cidade, exceptuando a de S. Tiago, que con- 38 &ACHADADAIGREJADE30EDRO ;0ORTADATIF0ORTADA#ONST"RAS DE"ARRO tinuou a ter todo o espaço do Arrabalde de Aquém, na margem esquerda do rio 15 . Durante o seu governo, o lugar da Caranguejeira e vizinhos, que constituíam uma capelania, pelo menos desde 152916 , talvez tenha sido desligada totalmente de Espite, logo depois da criação da Diocese de Leiria17. Em 1546, fez um acordo com a Cidade, que lhe cedeu os paços que serviam de Câmara, junto da igreja de S. Pedro, dando em troca, um pedaço de rocio, junto do convento de S. Francisco, e o assento da igreja de S. Martinho, quando fosse demolida, para servir de praça, a actual Praça Rodrigues Lobo 18 . No ano de 1549, foi criada a paróquia de Santa Catarina da Serra, desmembrada de S. Martinho 19 . Logo no ano seguinte, em 1550, foi erigida a ermida de Nossa Senhora da Gaiola, no lugar das Cortes, como em freguesia para os moradores do mesmo lugar e vizinhos, separando-os de S. Martinho, “enquanto se não fizesse a Sé, para onde os havia de mudar” 20. Os lugares que ainda restavam da paróquia de S. Martinho, que, entretanto, foi extinta, nomeadamente os que, mais tarde, vieram a fazer parte do Arrabal, foram integrados na freguesia de S. Pedro 21 . D. Frei Brás de Barros, com o apoio do rei D. João III, empreendeu os primeiros estudos para a edificação da nova Sé 22 . Em 1554, mandou edificar a ermida de S. Gabriel 23 , onde, mais tarde, surgiu o santuário de Nossa Senhora da Encarnação. Fez várias visitas pastorais e conferiu ordens sacras aos seus diocesanos e também nos conventos de S. Francisco de Leiria, S. Domingos da Batalha e no Convento de Tomar24 . Durante o seu governo, foram redigidos quatro estatutos da Sé, aceites pelo Bispo e Cabido, respectivamente a 11 de Agosto de 1548, 11 de Janeiro de 1549, 18 de Março de 1549 25 e 31 de Março de 1552 26 . D. Frei Brás de Barros, com o conselho e acordo do Cabido da Sé, adoptou, a princípio, as Constituições Diocesanas, promulgadas, em 1500, para a Guarda, pelo seu bispo, D. Pedro Vaz Gavião, que fora prior comendatário do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra 27. “Por serem tão conformes aos sanctos canones, com conselho e acordo do dito cabido as veneramos, tomamos, recebemos e aceptamos” 28 . Em 1548 ou 1549, resolveu promover uma revisão dessas Constituições: “em algas (por variedade do tempo e mudança da prelazia) diminuimos e em outras emademos e outras 39 de todo tiramos” 29 . Não foi pacífica a sua entrada em vigor, porque, “no anno de 1550, estanto já impressas as ditas constituiçoens, o Cabido reparou em alguns capitolos, que não querião aceitar, por não estarem na forma que se tinha aceitado” 30. Esse contratempo e outros relacionados com a repartição de rendas episcopais foram a causa da resignação do bispo, pedida ou aconselhada em 1553, e da sua retirada para Sintra, onde aguardou a bula de aceitação, que só foi publicada a 20 de Julho de 1556. D. Frei Brás de Barros veio a falecer, no dia 31 de Março de 1561, no convento da Pena, em Sintra, onde ficou sepultado. D. Sancho de Noronha, clérigo secular e tetraneto de D. João I e de D. Nuno Álvares Pereira, parece ter sido eleito bispo de Leiria, logo a seguir à aceitação da resignação de D. Frei Brás de Barros, mas não chegou a ser confirmado, por ter falecido, nesse mesmo ano 31 . 1.2 D.. Frei rei Gaspar aspar do Casal asal (1557-1579) ;IMAGEMTIF=GASPARDOCASALPSD FOTOS3Ï???PARTTIF F D Gàquela cidade, a 11 de Julho. Da sua partici- pação na terceira fase do Concílio de Trento, só abriu a 18 de Janeiro de 1562, dão larga conta as actas conciliares35 e os muitos Depois do d falecimento o d e de d Noro- e historiadores, escritores, biógrafos e teólogos de D. Sancho que, nas mais variadas circunstâncias, fazem nha, foi nomeado, nomead , para suceder suced o r a D. Frei e Brás, o elogio das suas intervenções36 . Interveio nas preladoss Leirienses: um dos d s mais ilustres o prelad o D. do valor sacrificial e propiciatório da do Casal, membro da Ordem Frei Gaspar d o Ord m dos d s e questões o Eremitas de d Santo eAgostinho, nascido nascid em o Ceia de Cristo e da Missa, da Comunhão sobre as duas espécies, do sacramento da Ordem, da Santarém, talvez nos princípios do d século XVI. o autoridade dos bispos em relação ao Papa, da Tend estud s superiores o Tendo feito os oestudos na Univerdoutrina do Matrimónio. Da sua competência sidad d Lisboa, e etomou os graus de d bacharele sidade de e ampla ciência filosófica e teológica falam de e de d licenciado licenciad e na Universidade Universidad o d Coimbra, e e também os seus próprios livros, a maior parte de 1541 a 1542, d e e é de d admitireque também dos quais saiu à luz da publicidade, precise tenha doutorado d utorad oe exercido exercid o o magistério o na mesma Universidade. Universidad . Foi pregador pregad e r régio, o samente no último ano do Concílio. Saiu de Trento, na companhia do arcebispo de Braga, confessor d d próprio orei do príncipeoD. João e do em 8 de Dezembro de 1563, chegando a Leiria D. João III, e membro da Mesa da Consciência nos princípios do ano de 1564. Participou no e Ord ns. Foi eleito e bispo d Ordens. do Funchal,o por bula Sínodo provincial de Lisboa, em Dezembro de de Júlio III, de d e de d 3 de d Julho e de 1551, embora e 32 1566, nunca tenha enha ido d à sua tua diocese iocese oi s reunido pelo arcebispo de Lisboa, para . d à pôr em prática as decisões de Trento e no de 1574. A 11 de Junho de 1557, morria D. João III, a quem D. Gaspar tinha assistido, pouco antes. Entretanto, por seu determinado impulso, iam Foi apresentado para a Diocese de Leiria, pela prosseguindo as obras da Catedral, que abriu rainha viúva, regente do Reino, na menoridade ao culto em 1573, e para a qual se transferiu o do neto D. Sebastião, e confirmado por Paulo Cabido em 1574. No seu tempo, construíramIV, por breve de 20 de Dezembro do mesmo se ou repararam-se muitas igrejas e ermidas, ano 33 . na Cidade e na Diocese, e ele próprio empreendeu a construção do convento da sua ordem, Logo no princípio do seu governo, deu início dedicado a Santo Agostinho (1577), apesar da às obras da Sé 34 . Depois de 3 de Abril de 1561, veemente impugnação do Cabido, que entenpartiu para o Concílio de Trento, chegando 40 C que &ACHADADAIGREJADE3TO!GOSTINHO AOLADOASÏ dia “que não convinha, enquanto a Sé não estava perfeita, empreender outras obras” 37. Além disso, proveu benefícios, administrou ordens sacras frequentes vezes, publicou as provisões (1564 e 1569) com que o rei D. Sebastião mandava que se executassem as determinações conciliares. Quanto ao governo da Diocese, por parte de D. Gaspar do Casal, falta-nos uma confirmação documental mais abundante daquilo que diz o Couseiro. Mesmo assim, sabemos que fez algumas modificações na divisão paroquial, nomeadamente alargando, em 1560, a área da Caranguejeira 38 . Depois de vir do Concílio de Trento, “mudou muitos fregueses de umas freguesias para outras, que ficavam com mais comodidade para poderem ir à paróquia e lhes administrarem os sacramentos em seu tempo”39 . Não explica o autor dessa obra a data dessas mudanças, nem os lugares mudados, mas porventura terá sido, o mais tardar em 1574, aquando da conclusão das obras da Sé, que “ficou com a Cidade somente por paróquia e os moradores dela por fregueses” 40, portanto sem os lugares, fora da Cidade, que D. Frei Brás de Barros tinha mantido na paróquia da Sé, nos princípios da Diocese. Por isso, não se concretizou, no mesmo ano de 1574, a intenção que tivera o mesmo D. Frei Brás de Barros, em 1550, de integrar as Cortes na paróquia da Sé. A igreja das Cortes retomou a sua condição de simples ermida e foi integrada na paróquia de S. Pedro41 . Creio que podemos também situar na mesma época a transferência dos lugares de Riba de Aves, Lagoa, Ruivaqueira e Casal 42 (futura paróquia da Ortigosa), da paróquia de S. Tiago de Leiria para a do Souto. Tendo sido apresentado na Diocese de Coimbra e confirmado a 27 de Novembro de 1579, D. Frei Gaspar do Casal governou essa Diocese até à sua morte, a 9 de Agosto de 1584. Sepultados na igreja da Graça, os seus restos mortais vieram a ser trasladados para a igreja de Santo Agostinho de Leiria a 15 de Maio de 159643 . 1.3 D. António Pinheiro (1579-1582) Pela promoção do bispo D. Gaspar do Casal para a Diocese de Coimbra em 1579, foi nomeado bispo de Leiria D. António Pinheiro, natural de Porto de Mós, “um dos mais notáveis varões do nosso século XVI, proeminente figura do Renascimento em Portugal, cuja actividade política e religiosa se revelou sempre de primacial importância, mesmo quando ao serviço de uma causa, que os factos posteriores vieram mostrar ser fatal para os interesses da Nação. Como figura política, como bispo, como orador, nas múltiplas e variadas fun- 41 ções que exerceu, a sua acção só encontra um coro unânime de louvores e elogios” 44 . Em Paris, foi aluno do Dr. Diogo de Gouveia, no célebre Colégio de Santa Bárbara. No mesmo Colégio, passou depois a mestre de Retórica. Aí por 1540-41, foi chamado a Portugal pelo rei D. João III, que o nomeou professor dos jovens fidalgos da corte e, depois, do príncipe D. João, então com cinco ou seis anos, único herdeiro do trono, depois do falecimento de quase todos os numerosos filhos do rei. Desempenhou várias tarefas, entre 1544 e 1564: pregador régio, cronista-mor do reino, guarda-mor da Torre do Tombo. Em 1564, o Dr. António Pinheiro foi eleito bispo de Miranda, onde há notícias do seu governo, a partir de 1566. Transferido para a Diocese de Leiria, após a mudança de D. Frei Gaspar do Casal para Coimbra em 1579, a sua presença e actividade episcopal quase passa despercebida, em virtude da sua ausência quase contínua, por causa dos negócios da política, tendo governado a Diocese pelo seu provisor geral e visitador. Depois do desastre de Alcácer Quibir, a 4 de Agosto de 1578, da aclamação de D. Henrique, de quem foi colaborador, e da morte deste, participou activamente na solução da entrega do trono português a Filipe II de Espanha, aclamado rei com o nome de D. Filipe I, nas cortes de Tomar, em Abril de 1581. D. António Pinheiro viria a morrer talvez no final de Outubro de 1582, em Lisboa, publicando-se a Sé vacante a 30 desse mês e fazendolhe o Cabido os ofícios de 8 a 10 de Novembro seguinte 45 . Os restos mortais do bispo só foram trazidos para a chamada “sepultura grande” da Sé de Leiria, no pontificado do bispo D. Martim Afonso Mexia (1605-1615), e foram exumados, em 1968, e transferidos para um túmulo aberto na parede do transepto, junto do altar do Sagrado Coração de Jesus. As suas obras, quase todas de oratória, foram editadas durante a sua vida, e vieram a ser reeditadas no século XVIII. Outras obras, referidas por vários autores, ficaram manuscritas. 2. Do Crescimento da área diocesana até ao princípio da decadência (1586-1810) 2.1 - D. Pedro de Castilho (1583-1604-†1614) Depois do falecimento de D. António Pinheiro, foi nomeado bispo de Leiria, D. Pedro de Castilho, que nascera em Coimbra, no ano de 1524, foi bispo de Angra desde 1578 a 1583, data em que saiu para a ilha de S. Miguel e depois para o continente, onde logo foi apresentado à mitra de Leiria, obtendo a confirmação pontifícia, por bula de Gregório XIII, de 3 de Junho de 1583. O facto de ser partidário declarado de Filipe II (Filipe I de Portugal) fez com que ocupasse cargos superiores, nomeadamente o de vicerei de Portugal, inquisidor-geral, capelão-mor, prior de Guimarães, administrador do Crato e de Alcobaça. Estes cargos não lhe deixavam muito lugar para a Diocese, onde, no entanto, residia “no Advento e Quaresma e visitava o Bispado até o Espírito Santo, e nesse dia dizia Missa que é da obrigação do Prelado, e então tornava para Lisboa” 46 . Empreendeu várias obras na Sé e obteve os paços de S. Simão e uma azinhaga que existia entre os mesmos paços e os episcopais. O acontecimento mais significativo que ocorreu, entretanto, foi um grande aumento 42 ;IMAGEMTIF=$0EDRO#ASTILHOPSD )GREJADE.OSSA3ENHORADA%NCARNA¥ÎO FOTOS3Ï???TIF Pombal MAPA?DIOCESE?DISTRITOCDR ,%'%.$! $ISTRITOACTUAL $IOCESEACTUAL "ISPADOVELHO6IGARARIA#RÞZIA 3ÏC8)))86) "ISPADOVELHO®UESIASDA $IOCESEDE#OIMBRAINTEGRADASNA $IOCESEDE,EIRIA M. Grande "ISPADONOVO£REASANEXADAS EME Leiria Batalha Ourém ®UESIADOS&ORMIGAISANEXADA EM P. Mós Alcobaça Alcanena territorial da Diocese. “No ano de 1585, uniu o Sumo Pontífice (Sisto V) a este bispado a vila de Ourém e seu distrito, que teve somente efeito na jurisdição, da qual se tomou posse pelo bispo D. Pedro, em 14 de Junho de 1586” 47. Na mesma data, foram integradas a vila e termo de Porto de Mós, com suas paróquias, e “metade da vila de Aljubarrota, que era a freguesia de S. Vicente, que veio juntamente nesta união, assim renda para o Cabido, como jurisdição para o Prelado” 48 . Todos estes territórios pertenciam ao arcediagado de Santarém e ao arcebispado de Lisboa 49 . Encarnação, no monte onde já existia uma ermida de S. Gabriel (primeira pedra, em 24 de Setembro de 1588) 54 . Outro acontecimento de grande importância para a Diocese foi a realização do 2º Sínodo diocesano, na cidade de Leiria, a 23 de Março de 1598, e a promulgação das respectivas Constituições, justificado no prólogo, assinado pelo próprio Bispo e datado de 23 de Outubro de 160155 . Nessa época, já estavam constituídas as seguintes paróquias, algumas fundadas desde o primeiro povoamento cristão, e outras ao longo dos tempos, até a este ano de 1586: na vila de Ourém, Santa Maria, S. Tiago, S. Pedro e S. João; no seu termo, as da Freixianda (séc. XIII?), Seiça (1517), Olival (séc. XIII?) e Fátima (1568); na vila de Porto de Mós, S. Pedro, S. João e Santa Maria; no termo, as paróquias de Minde (cerca de 1555), Alvados (entre 1555 e 1559), Arrimal (depois de 1526), Mendiga (depois de 1526), Serro Ventoso, Juncal (1554?) e S. Vicente de Aljubarrota (antes de 1429). Era esta a área diocesana de Leiria, no ano de 1586: do chamado Bispado Velho, 14 paróquias; do Bispado Novo, 18 paróquias, ou seja, ao todo 32. Depois desta integração, o bispo D. Pedro de Castilho criou quatro paróquias: Monte Redondo, separada do Souto (1589) 50 ; Cortes, de S. Pedro (1592) 51 , Arrabal, de S. Pedro (1592) 52 e Marinha, de S. Tiago (1600) 53 . Foi durante o seu governo episcopal que foi edificado o Santuário de Nossa Senhora da novos templos em toda a Diocese, motivado pela necessidade de facilitar o cumprimento do preceito da Missa dominical e da recepção dos sacramentos 56 . D. Pedro de Castilho renunciou ao bispado em 1604 e veio a falecer dez anos depois em Lisboa. 2.2 D. Martim Afonso Mexia (1605-1615-†1623) Depois da renúncia de D. Pedro de Castilho, foi nomeado e confirmado, em 1605, D. Martim Afonso Mexia, natural de Campo Maior. Foi colegial do Colégio de Cuenca, na Universidade de Salamanca, talvez bacharelado e licenciado em Évora e doutorado em Salamanca, onde regeu Artes até ao ano de 1596 57. Foi depois beneficiado de S. Salvador de Elvas, chantre da Colegiada de Guimarães, deputado da Mesa de Consciência e Ordens, prelado de Tomar, secretário de Estado em Castela. Durante 4 anos esteve em Roma, defendendo o procedimento do Santo Ofício, contra as acusações que se faziam contra o tribunal. ;0ORTADATIF=0ORTADA#ONST0EDRODE #ASTILHOPSD Depois da publicação das Constituições, há um enorme movimento de construções de 43 Enquanto bispo de Leiria, D. Martim Afonso Mexia recusou o bispado de Elvas, para que foi nomeado, em 1610, quando vagou esta Diocese, recusa que determinou a nomeação, para a mesma, do bispo eleito para Leiria, D. Rui Pires da Veiga 58 . D. Martim Afonso Mexia foi bispo de Leiria até 3 de Setembro de 1615, em que foi transferido para Lamego. Em 1619, foi nomeado bispo de Coimbra, onde veio a falecer a 30 de Agosto de 1623, e sepultado na igreja matriz de Campo Maior59 . Além das obras que empreendeu e demandas que teve com o Cabido e com a Irmandade da Misericórdia, foi no seu tempo que o Papa Paulo V, pela bula “Decet Romanum Pontificem”, de 9 de Outubro de 1614, integrou no bispado de Leiria as paróquias de Nossa Senhora dos Prazeres de Aljubarrota e de Alpedriz, até então pertencentes ao arcebispado de Lisboa60. Os acrescentamentos de 1586 e de 1614 significaram praticamente um retorno à área da primitiva vigararia crúzia e de quase todo o antigo termo leiriense, delimitado no foral de 1142 (com exclusão da parte sul, ainda hoje pertencente ao patriarcado de Lisboa) e ficou fixado definitivamente o território que ainda hoje é o actual da Diocese, apenas acrescentada, em 1957, com a pequena paróquia de Formigais, do concelho de Ourém, que pertencera à antiga prelazia de Tomar e era, desde 1882, do patriarcado de Lisboa, embora já servida por um pároco da Diocese de Leiria. ;FRONTARIATIF=FRONTARIADOPACOPSD Ainda antes de 1615, o mesmo bispo desmembrou da freguesia do Reguengo do Fetal o lugar do Alqueidão da Serra, na parte do termo de Leiria61 . 2.3 D. Frei António de Santa Maria (1616-1623) Depois da transferência de D. Martim Afonso Mexia para Coimbra, foi nomeado bispo de Leiria D. Frei António de Santa Maria, que foi provincial da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, usou no século o nome de D. Jorge de Alencastre e era neto de D. João II, foi confirmado bispo de Leiria. Tomou posse a 30 de Abril de 1616. bispo de Leiria em 1624, só tomou posse a 7 de Dezembro de 1625, mas, logo no ano seguinte, foi promovido ao bispado do Algarve, onde tomou posse em Dezembro de 1627. Parece ter sido eleito arcebispo de Évora, em 1633, mas veio a falecer em Março de 1634, e foi sepultado na Sé de Faro e depois trasladado para a igreja de S. Francisco da mesma cidade. Administrou ordens muitas vezes, fez algumas obras na Sé, demoliu os paços que existiam na antiga cerca, juntamente com a ermida de S. Simão. Faleceu a 9 de Maio de 1623 e foi sepultado na igreja de Santo Agostinho, para onde ele próprio tinha transferido também os restos mortais de D. Frei Gaspar do Casal, seu irmão em religião e seu antecessor na mitra de Leiria62 . Da sua acção em Leiria, apenas se sabe que visitou toda a Diocese e reformou em 1626 o retábulo de Nossa Senhora da Pena que ardera em 11 de Novembro de 162063 . 2.4 D. Francisco de Meneses (1625-1627-†1634) Depois de uma vacância de cerca de dois meses e meio, foi nomeado bispo de Leiria D. Francisco de Meneses, natural de Santarém, doutorado em Cânones, chantre da Sé do Porto, deputado do Santo Ofício e inquisidor na cidade de Coimbra e em Lisboa, reitor e reformador da Universidade de Coimbra. Nomeado 2-5 D. Dinis de Melo e Castro (1627-1636-†1640) Depois da transferência de D. Francisco de Meneses, para o Algarve, foi nomeado bispo de Leiria D. Dinis de Melo e Castro, natural de Colares, que se doutorara em Direito Canónico em Coimbra, foi desembargador da Relação do Porto, da Casa da Suplicação, dos Agravos e do Paço, deputado da Bula da Cruzada. Na sua terra natal, construiu uma residência, fundou a casa da Câmara e a Misericórdia em 1623. Tomou posse da Diocese de Leiria a 11 de Novembro de 1627. Distinguiu-se pela sua caridade, como bem ressalta o Couseiro, promovendo a união de todas as instituições de assistência 44 da Cidade à Misericórdia. Promoveu também algumas obras na Sé, que dotou também de mobiliário, paramentos, vasos litúrgicos, obras de arte, etc. Criou, em 1630, a paróquia de Amor, desmembrando-a da paróquia de S. Tiago de Leiria, “porquanto no inverno, com as cheias não podiam vir à freguesia” 64 ; a de Carvide , com os lugares da Passagem e Vieira, em 163265 e a do Coimbrão, em 1636, desmembrando-a de Monte Redondo 66 . No ano de 1636, foi transferido para a Diocese de Viseu, e tomou posse a 29 de Agosto, e em 1638 para a Guarda, de que tomou posse a 23 de Maio de 1639, não chegou, porém, a entrar na sua Diocese e faleceu a 24 de Novembro de 1640, em Lisboa, onde ficou sepultado no convento de Santa Ana67. 2.6 D. Pedro Barbosa de Eça (1636-1640-†1647) Transferido D. Dinis de Melo e Castro para Viseu, foi apresentado bispo de Leiria D. Pedro Barbosa de Eça ou de Vasconcelos, prior-mor de Avis e cónego de Évora, confirmado a 24 de Maio de 1636. Tomou posse a 10 de Setembro do mesmo ano. Não se conhece muito da sua acção na Diocese. Sobrevindo a revolução que restaurou a independência portuguesa, D. Pedro, afecto ao domínio espanhol e irmão de Miguel de Vasconcelos, secretário de estado da duquesa de Mântua, viu-se obrigado a fugir, disfarçado, para a Espanha, deixando como governador e vigário-geral da Diocese o Dr. António Alves Mourão, falecido em 1643. O Cabido governou a Diocese até à nomeação do Dr. Francisco da Cunha, pelo vice-colector apostólico. Em Maio de 1647, faleceu o bispo D. Pedro, em Madrid, mas a notícia só chegou um ano depois, publicando-se, então, a Sé vacante 68 . 2.7 D. Diogo de Sousa (Bispo eleito por D. João IV) D. Diogo de Sousa, natural de Vila Viçosa, educado nos paços dos duques de Bragança, fez os estudos em Coimbra, onde foi colegial de S. Pedro. Ordenado sacerdote, foi arcediago de Santa Cristina, deputado do Santo Ofício de Évora e de Lisboa, inquisidor em Coimbra e em Lisboa, deputado do Conselho Geral da Inquisição e teve outros cargos, no tempo de D. João IV, D. Afonso VI e na regência de D. Pedro II. Nomeado bispo de Leiria, pelo novo rei, não obteve confirmação de Roma, vindo mais tarde, já depois da paz com a Espanha (13 de Fevereiro de 1668) e a regularização das relações entre Portugal e a Santa Sé, a ser confirmado arcebispo de Évora, em 1671. Faleceu em 23 de Janeiro de 1678. Mesmo como simples bispo eleito de Leiria, esteve na cidade, onde empreendeu a constru- ção dos paços episcopais, não se conhecendo, porém, outras acções 69 . 2.8 D. Jerónimo de Mascarenhas (bispo eleito por D. Filipe IV) Depois da morte de D. Pedro Barbosa de Eça, Filipe IV apresentou para a Diocese de Leiria D. Jerónimo de Mascarenhas, clérigo secular, doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra, deputado da Mesa da Consciência e Ordens. Com a proclamação da independência, não aceitou a legitimidade de D. João IV e refugiou-se em Espanha. A sua nomeação nunca foi confirmada, ficando mesmo sem efeito, depois da paz com a Espanha, nomeando-o a Rainha, para o bispado de Segóvia, recebendo a confirmação em 9 de Abril de 1668. Morreu em Segóvia a 23 de Outubro de 1671. Entre os manuscritos da sua autoria que ele próprio elencou, faz-se referência a umas Noticias de la ciudad de Leiria (descripción de su Obispado y elogio de sus Obispos), que alguns autores identificaram indevidamente com o Couseiro 70. ano seguinte, o Dr. Pedro Vieira da Silva, que tinha nascido em Leiria, em 1598. Foi doutorado em Direito, e, entre outros cargos, desempenhou o de Secretário de Estado, em longos períodos. Tinha sido casado com D. Leonor de Noronha, de quem teve sete filhos, dos quais se ordenaram quatro. Depois de enviuvar, ordenou-se de presbítero. Sagrado bispo em 1671, tomou posse da Diocese em 22 de Abril do mesmo ano. Da sua acção na Diocese, ressalta a fundação do Seminário, iniciado em 1672 e entregue à direcção dos religiosos do vizinho convento de Santo Agostinho 71 . Em 19 de Outubro de 1673, deu licença aos Agostinhos descalços para fundarem um convento na ermida do Bom Jesus de Porto de Mós, que lhes tinha sido doada pela misericórdia da dita vila. Faleceu a 12 de Setembro de 1678, e ficou sepultado no convento de Santo António dos Capuchos de Leiria, que ele próprio tinha fundado, antes de ser nomeado bispo, donde os seus restos mortais foram trasladados para o cemitério da Sé, em 1864, e para o próprio interior da Sé, em 1907. 2.9 D. Pedro Vieira da Silva (1670-1676) 2.10 D. Frei Domingos de Gusmão (1677-1678†1689) Depois da paz entre Portugal e a Espanha e a regularização das relações de Portugal com a Santa Sé, após longos 28 anos, foi apresentado para o bispado de Leiria, a 28 de Setembro de 1668 e confirmado, pelo Papa, a 11 de Maio do Depois da morte de D. Pedro Vieira da Silva, foi apresentado pelo regente D. Pedro, para a mitra de Leiria, D. Frei Domingos de Gusmão, dominicano, de nacionalidade espanhola. Foi confirmado a 8 de Novembro de 1677 e tomou 45 !NTIGOSEMINÉRIOEX$2- posse da Diocese em 8 de Março de 1678, mas não chegou a entrar nela, por, entretanto, ter sido apresentado no arcebispado de Évora, onde entrou a 24 de Novembro do mesmo ano. Faleceu a 19 de Dezembro de 1689 72 . 2.11 D. Frei José de Lencastre (1681-1694-†1705) Depois de vagar a Diocese de Leiria, em 1678, só foi preenchida com a nomeação de D. Frei José de Lencastre, carmelita, que era bispo de Miranda, confirmado em 1677. A transferência para Leiria foi confirmada por bula de 2 de Junho de 1681. Tomou posse em 2 de Agosto do mesmo ano. Depois de ser nomeado capelão-mor de D. Pedro, em 1692, inquisidor-geral, em 1693, e conselheiro de Estado, em 31 de Maio de 1694, achou por bem resignar do bispado de Leiria. Faleceu a 13 de Setembro de 1705, e ficou sepultado no convento dos Remédios da sua Ordem, em Lisboa73 . Não há grandes notícias da sua acção na Diocese de Leiria, apesar de alguns dos seus biógrafos exaltarem o seu zelo apostólico e caridade. 2.12 D. Álvaro de Abranches e Noronha (1694-1746) Depois da resignação de D. Frei José de Lencastre, foi apresentado para Leiria e confirmado a 19 de Junho de 1694, D. Álvaro de Abranches e Noronha, natural de Lisboa, que foi porcionista do Colégio de S. Paulo, de Coimbra, cónego da Sé de Lisboa e deputado do Santo Ofício. Tomou posse a 30 de Outubro e foi sagrado a 27 de Dezembro do mesmo ano, e entrou na Diocese, logo a seguir. Teve um longo e frutuoso episcopado de 52 anos. Chegou a ser apresentado para o arcebispado de Évora em 1715, mas não quis aceitar a nomeação. Um seu biógrafo refere que chegou a ser proposto a cardeal pelo rei D. João V. Durante o seu longo governo, houve grande alteração na divisão paroquial diocesana. Entre os finais do século XVII e princípios do século XVIII, os lugares de Moita, Mélvoa e vizinhos, que pertenciam à paróquia de Maceira, passaram para a de Pataias 74 . Em 1711, foi criada a paróquia de Mira, desmembrada de Minde 75 . No ano de 1713, a paróquia de S. Pedro de Leiria, com sede na igreja do mesmo nome, intra- 46 muros, estava dividida em duas repartições, localizadas à volta de Leiria: Barosa e Sirol. Por provisão de 7 de Outubro desse ano, o bispo D. Álvaro determinou que o pároco da repartição da Barosa fixasse residência nos Parceiros, para facilitar a administração dos sacramentos aos moradores da Barosa, Moinhos, Casais do Pé de Banco, Mouratos, Parceiros, Pernelhas, Brogal, Alcogulhe de Baixo e do Meio, Codiceira, Azoia, Cabeças e Vale do Horto. Pela mesma provisão, transferiu os lugares do Pinhal Verde, Barreira, Cumeira, Andreus e Casal das Hortas, da mesma repartição, para a freguesia das Cortes; e os do Telheiro, Quinta do Lagar de El-Rei, Casal ou Quinta que foi do Vigário da Batalha e os Casais da Cortiça, para a repartição do Sirol. Ainda pela mesma provisão, foram anexados os lugares de Martinel, Boucinhas e Carrascal, da repartição do Sirol, à paróquia do Arrabal76 . A 28 de Dezembro de 1713, foi dada nova solução à repartição do Sirol: a sede da paróquia de S. Pedro foi transferida definitivamente para os Pousos, ficando-lhe anexados todos lugares atrás referidos, excepto os da Venda da Cortiça, Telheiro e Casal do Lagar de El-Rei, que passaram à freguesia das Cortes 77. A 16 de Fevereiro de 1716, à porta da capela de Nossa Senhora do Rosário dos Parceiros, reuniram-se 109 moradores dos lugares dos Parceiros, Pernelhas, Brogal, Pé de Banco, Moura- ;FRONTARIATIF=&RONTARIADA3EPSD tos e Casais de Porto Moniz, para fazerem uma procuração a João dos Reis, dos Parceiros, e a Domingos da Silva, do Brogal, “para em nome deles constituintes requerer tudo o que fizer a bem da dita freguesia que de novo intentão fazer e herigir neste dito lugar de Parceiros na forma que na dita petição havião feito o dito requerimento”. De facto “eles havião feito uma sua petição por escrito ao Illmº Senhor Dom Alvaro de Abranches Bispo deste Bispado para effeito de lhe conceder licença para herigirem e fazerem freguesia neste dito lugar dos Parceiros na sua capella da invocação de Nossa Senhora do Rosario” 78 . O despacho favorável ainda demorou algum tempo, pois, segundo o pároco dos Parceiros, em 1721, P. Domingos Roiz de Alvelos, a freguesia só foi desanexada definitivamente em 171779 . As paróquias da Barosa e da Azoia terão sido definitivamente separadas cerca do ano de 1714 ou seguintes 80. No mesmo ano de 1714, foi criada a paróquia de Alcaria, desmembrada da paróquia de S. João de Porto de Mós 81 . Em 1728, foi criada a paróquia de Rio de Couros, desmembrada da Freixianda 82 . Em 1738, foi criada a paróquia da Barreira, formada com os lugares que, em 7 de Outubro de 1713 tinham passado da repartição da Barosa para a do Sirol e para as Cortes e por aqueles que, em 28 de Dezembro de 1713 tinham passado da repartição do Sirol também para as Cortes 83 . Em 1740, foi criada a paróquia da Vieira, des- membrada de Carvide 84 . Devido à doença e avançada idade de D. Álvaro, pois nascera a 7 de Julho de 1661, foi encarregado do governo da Diocese, a 13 de Julho de 1742, o seu sobrinho, D. Miguel da Anunciação, bispo de Coimbra, até quando fosse confirmado o seu sucessor. A 18 de Novembro de 1745, foi nomeado para suceder a D. Álvaro, D. Frei João de Nossa Senhora da Porta, confirmado a 29 de Março do ano seguinte, poucos dias antes da morte do velho bispo, a 8 de Abril do mesmo ano. 2.13 D. Frei João de Nossa Senhora da Porta (1746-1760-†1783) D. João Cosme da Cunha e Távora, da família dos Távoras, nasceu em Lisboa, a 27 de Setembro de 1715. Estudou em Coimbra, onde se doutorou em Leis e foi deputado da Inquisição. Ingressou na Congregação dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra, onde professou em 1739, com o nome de Frei João de Nossa Senhora da Porta. Em 1742 passou ao mosteiro de S. Vicente de Fora, de Lisboa, onde, a 29 de Março de 1746, foi confirmado coadjutor e futuro sucessor de D. Álvaro de Abranches e Noronha, com o título de Olím- 47 pia. Tendo falecido D. Álvaro, tomou posse da Diocese, já como bispo residencial, a 23 de Julho de 1746, e entrou nela, a 5 de Outubro seguinte. Autorizou, em 1747, o funcionamento do recolhimento de Santo Estêvão, em 1747. Criou, a 24 de Junho de 1750, a paróquia do Senhor Jesus dos Milagres, com sede no sítio das Quintas da Ribeira de Agodim, desmembrando-a das paróquias de Regueira de Pontes e das Colmeias 85 . Interessou-se pela magnificência do culto, pela boa doutrinação e instrução do povo e do clero. Por ocasião do terramoto de 1755, que causou muitos estragos em Leiria, promoveu uma procissão de penitência, durante nove dias seguidos, em que ele próprio se incorporou, descalço e com uma corda ao pescoço. Numa outra procissão, registou-se um fenómeno que foi considerado milagroso: a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, saída do seu Santuário para a Cidade, apesar de ter chovido torrencialmente, não se molhou 86 . O prelado promoveu a reconstrução da Sé. A sua actuação em Leiria mudou radicalmente, depois do atentado contra a vida do rei D. José, em 3 de Setembro de 1758, de que foram acusados como autores alguns membros da família Távora, com a alegada cumplicidade 4ORREDA3ÏFOTOS3Ï???PARTTIF %SCADØRIO3ENHORADA%NCARNA¥ÎOFOTOS 3Ï???TIF dos Jesuítas. Sentiram-se em perigo os parentes dos que foram cruelmente justiçados a 13 de Janeiro de 1759. O bispo de Leiria, que era um deles, promoveu uma festa de acção de graças pela incolumidade do rei, em que se pregou, em seu nome, com virulentas diatribes contra as referidas vítimas e publicou uma das pastorais mais violentas que os prelados portugueses foram induzidos a publicar sobre o assunto 87. Como prémio, o Bispo de Leiria foi nomeado para suceder na Mitra de Évora ao arcebispo D. Frei Miguel de Távora, que morrera de desgosto a 3 de Setembro de 1759. Embora tivesse sido arcebispo de Évora durante 23 anos, só ali foi uma vez, em Junho de 1766. Subindo sempre mais, foi recebendo benesses sobre benesses: nomeado cardeal, ministro assistente ao despacho, regedor da Casa da Suplicação, Inquisidor-Geral, etc., etc. Faleceu a 29 de Janeiro de 1783, em Lisboa 88 . 2.14 D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa (1761-1779) Depois da transferência de D. Frei João de Nossa Senhora da Porta para Évora, foi apresentado e confirmado em Leiria, em 1761, o dominicano Frei Miguel de Bulhões e Sousa, que fora bispo de Malaca (1745-1747) e do Pará (1747-1759). A sua acção em Leiria é conhecida sobretudo pelas obras empreendidas, ainda hoje bem visíveis: várias na Sé, construção da torre sineira (1772), escadório de Nossa Senhora da 48 Encarnação, os passos da via-sacra que existiram na Cidade, dos quais restam apenas dois. Faleceu, ao que parece, nas Cortes, em 1779, e foi sepultado na chamada sepultura grande, à entrada da capela-mor da Sé de Leiria 89 . 2.15 D. António Bonifácio Coelho (bispo eleito) Por morte de D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa, foi nomeado no mesmo ano de 1779, D. António Bonifácio Coelho, bispo titular de Lacedemónia (desde 1770), que, porém, faleceu, sem ter recebido a bula de confirmação 90. ;$3#?TIF=ALTARMORDA3ÏANTIGO 0ORMENORDACAPELANSDORESCOM MAUSOLÏUS 2.16 D. Lourenço 2.17 D. Manuel de Lencastre (1780-1790) de Aguiar (1790-1815) D. Lourenço de Lencastre, natural de Lisboa, foi bispo de Elvas (1759-1780), antes de ser nomeado bispo de Leiria, em que foi confirmado por bula de 20 de Setembro de 1780. É considerado um dos mais ilustres bispos de Leiria, “por suas obras de misericórdia, notável governo, imensa piedade, sábia e decidida acção em períodos calamitosos da vida da Diocese, e cuja memória veneranda a cidade do Lis invoca como uma bênção, e estima como a de um dos seus mais prestimosos benfeitores” 92 . Pouco consta da sua acção na Diocese: reforma da disciplina coral da Sé, transferência da pedra de ara da igreja de S. Pedro para a Sé, em 1788. Faleceu a 4 de Março de 1790. A sua sepultura foi encontrada no pavimento da Capela de Nossa Senhora das Dores da Sé, em 1942. Por isso se aproveitou a celebração das bodas de prata da restauração da Diocese, para se trasladarem os seus restos mortais para um urna de mármore, em 4 de Março de 1943. Aquando das obras realizadas na Sé nos fins dos anos 60 do século XX, foram colocados num mausoléu, na parede da capela do Sagrado Coração de Jesus, como aconteceu com os restos mortais de D. Frei Miguel de Bulhões e Sousa e de D. António Pinheiro, que estavam na chamada sepultura grande 91 . A sua vida e obra é muito conhecida pela biografia, escrita por um dos mais ilustres mestres que viveram em Leiria, no século XIX: o erudito professor do liceu, Vitorino da Silva Araújo, que coligiu um conjunto imenso de dados, de 1860 a 1863, e veio a publicar, anonimamente, em 1885, com o título bem significativo de Um bispo segundo Deus ou Memorias para a vida de D. Manuel de Aguiar, 17º Bispo de Leiria. Nascido em Évora, em 1751, formou-se em Teologia em Coimbra e ordenou-se no ano de 1778, talvez em Évora. Foi abade de Santa Cruz do Douro entre 1779 e 1786 e em S. Martinho de Soalhães, de 1786 a 1790. Neste último ano, foi apresentado como bispo de Leiria, e recebeu a confirmação a 21 de Junho de 1790. Sagrado a 49 ;IMAGEMTIF=-ANUELDE!GUIARPSD 15 de Agosto, fez a sua entrada em Leiria, a 31 do mesmo mês e ano. Logo de início, iniciou a restauração do Seminário diocesano e promoveu os estudos, instituindo várias cadeiras; sagrou a Sé a 24 de Julho de 1791; mandou construir um cemitério, fora da Sé, onde quis ser sepultado. Instalou um Seminário de meninas no recolhimento de S. Estêvão, em 1803. A sua obra mais importante foi, sem dúvida, a promoção da construção do Hospital da Misericórdia, que vinha substituir o velho estabelecimento que tinha sido construído na época do seu antecessor, D. Dinis de Melo e Castro, junto da igreja do mesmo nome. Iniciadas as obras no ano de 1798, foram de tal modo rápidas que a 8 de Junho de 1800, era inaugurado. Custou 18 contos de réis. Esteve ao serviço durante quase duzentos anos. Em represália pela tomada de Leiria pelo célebre Corpo Académico, a 30 de Junho de 1808, contra o regime de Junot, os Franceses fizeram uma horrível mortandade, na Portela, no dia 5 de Julho e teriam aprisionado o bispo, se ele não tivesse sido aconselhado a refugiarse na Figueira da Foz. Libertada a Cidade, um mês depois, D. Manuel de Aguiar pôde regressar, continuando o seu ministério. Mais grave foi a devastação da terceira invasão francesa (1810-1811), não só na Cidade, mas em toda a Diocese: a destruição de quase todos os edifícios públicos da cidade de Leiria (paço episcopal, convento de S. Ana, recolhimento de S. Estêvão, Sé e quase todas as outras igrejas, hospital, etc). A mortandade causada pelos assassinatos e pelas epidemias provocou o desaparecimento de quase metade da população diocesana (de 66.599 habitantes, morreram 29.017) e desmantelaram, por completo, as instituições eclesiásticas. A morte precoce do bispado só foi impedida pela firme determinação dos seus diocesanos e principalmente do grande bispo, que, logo que pôde regressar, iniciou a obra de recuperação de todas as ruínas. Não conseguiu completar essa tarefa ingente, pois veio a falecer, depois de curta doença, a 19 de Março de 1815, “cheio de merecimentos que fazem abençoada a sua memória” 93 . !NTIGOSEMINÉRIOEXDRM !NTIGO(OSPITAL 50 FRONTARIADOPACOACTUAL 3. Agonia e morte da Diocese (1808-1882) É de 1808 o primeiro sinal anunciador da precariedade da pequena Diocese de Leiria, no contexto do país. Depois da primeira invasão francesa, houve alguns movimentos, tendentes à aceitação da incorporação de Portugal no grande império napoleónico. Um grupo de pessoas redigiu uma súplica, assinada a 23 de Maio de 1808, e a ser entregue ao imperador, pelo juiz do povo, José de Abreu Campos, em que se apresentavam os princípios fundamentais das liberdades públicas do país e se pedia inclusivamente “que o nosso território europeu seja dividido em oito províncias, assim a respeito da jurisdição eclesiástica, como da civil, de maneira que só fique havendo um arcebispo e sete bispos”94 . É evidente que, neste quadro, a Diocese de Leiria não sobreviria. Depois das revoltas liberais dos anos vinte, essa perspectiva vai-se acentuando, cada vez mais. 3.1 D. João Inácio cargos, entre os quais o de cónego da Colegiada de Ourém, sendo nomeado deão da Sé de Leiria em 1795. Tendo recusado a mitra do Maranhão em 1814, foi nomeado vigário capitular, logo a seguir à morte de D. Manuel de Aguiar. Foi eleito bispo de Leiria em 1818, confirmado em Agosto de 1819, sagrado em Dezembro do mesmo ano e tomou posse a 2 de Janeiro de 1820, com entrada solene a 13 de Fevereiro. Na Diocese, continuou a obra de reconstrução do Paço Episcopal, da Sé e do Seminário. Em 1829, deparou-se com o grave conflito surgido a propósito da transferência da sede provisória da paróquia de S. Tiago do Arrabalde, do lugar dos Pinheiros, para onde tinha sido transferida, em 1811, para a igreja nova, começada a edificar no ano de 1829, no alto dos Marrazes 95 . da Fonseca Manso (1818-1834) A criação de uma paróquia em Aldeia da Cruz, desanexada de Ourém, foi pedida ao Governo, em documento datado de 20 de Dezembro de 1823, mas só veio a ser efectivada em 183196 . Nascido em Montemor-o-Novo, em 1761, doutorou-se em Cânones, em 1783. Ordenado sacerdote em 1785, foi reitor do Seminário de Coimbra, durante três anos, e ocupou outros A doença (epilepsia) e as vicissitudes políticas prejudicaram o governo de D. João Manso até ao fim. A sua simpatia pelo partido miguelista trouxe-lhe muitos dissabores, por ocasião da 51 entrada em Leiria das tropas liberais vitoriosas, em Janeiro de 1834. Dada a doença grave do bispo, o governo decretou Sé “quase vacante” e foi nomeado um governador temporal do bispado, na pessoa do Dr. João de Deus Antunes Pinto, em 4 de Março de 1834, e imposta uma eleição ilegal do mesmo para vigário capitular a 22 de Maio. O prelado veio a morrer a 11 de Junho, e foi sepultado no cemitério da Sé, donde foi trasladado em 1907, para uma das paredes do altar de Nossa Senhora da Conceição da mesma Sé 97. Exonerado o Dr. Antunes Pinto, em 1836, foi substituído pelo Padre José Crisóstomo Pereira Barbosa 98 . 3.2 D. Guilherme Henriques de Carvalho (1843-1845-†1857) Durante nove anos, a Sé de Leiria, como outras no Reino, esteve vaga, por causa das dificuldades motivadas pelas convulsões políticas. Depois de resolvidas, foi nomeado bispo de Leiria D. Guilherme Henriques de Carvalho, nascido em Coimbra em 1793, doutorado em Cânones, em 1815. Ordenado sacerdote em 1819, envolveu-se na política, desempenhou vários cargos entre os quais o de lente da Faculdade de Cânones. Em 1836, foi nomeado governador temporal do Bispado de Coimbra e vigário capitular; foi deputado de 1838 a 1840. Apresentado como bispo de Leiria, em 26 de Fevereiro de 1840, só foi confirmado em Abril de 1843. O seu governo foi breve, pois a 24 de Novembro de 1845 foi confirmado para a Sé de Lisboa, vindo a ser nomeado cardeal em 1846. Em 1854, assistiu à definição dogmática da Imaculada Conceição. Morreu a 15 de Novembro de 1857, vitimado pela febre amarela 99 . Entretanto, a paróquia de Santa Maria de Porto de Mós foi extinta cerca do ano de 1840, unindo-se o seu território às outras duas paróquias da vila. Nessa altura, a paróquia do Alqueidão da Serra foi acrescentada com lugares da paróquia de S. João de Porto de Mós. 3.3 D. Manuel José da Costa (1846-1851) Depois da transferência de D. Guilherme para Lisboa, foi apresentado bispo de Leiria, em Janeiro de 1846, D. Manuel José da Costa, nascido em Carvalhais, no concelho de S. Pedro do Sul, em 1791. Ordenado sacerdote em 1817, doutorou-se em Cânones, no ano seguinte. Confirmado em Abril, tomou posse a 3 de Junho e entrou na Diocese em 22 de Julho. Em 1850, reabriu o Seminário, fechado desde 1834, e aplicou-lhe as rendas das Colegiadas de Ourém e de Porto de Mós, que tinham sido extintas por sentença do Prelado a 28 de Fevereiro do mesmo ano de 1850. Faleceu a 16 de Julho de 1851, em Carvalhais, sua terra natal100 . 3.4 D. Joaquim Pereira Ferraz (1852-1873) Nascido em Barcelos, em 1788, aquele que haveria de ser o último bispo de Leiria, antes da extinção, em 1882, professou na Ordem beneditina, doutorou-se em Teologia na Universidade de Coimbra, em 1818; dez anos depois passou ao clero secular, foi pároco de Santo André de Meixedo e lente de Teologia na Universidade, desde 1834. Foi depois governador e pro-vigário capitular da Diocese da Guarda, em 1836; vigário-geral da mesma Diocese desde 1842 a 1849. Ainda foi apresentado na Diocese do Funchal, nesse ano de 1849, mas nesse mesmo ano foi eleito para Bragança, confirmado em 28 de Setembro. Não foi demorada a sua presença naquela Diocese, porque, por motivos do rigor do clima, não compatível com a sua saúde, pediu a sua transferência para Leiria, o que aconteceu em 20 de Outubro de 1852, confirmado no dia 10 de Março de 1853, e tomou posse a 30 de Abril seguinte. A sua acção em Leiria também não foi muito grande, precisamente por causa da sua doença, que o obrigava a fazer longas ausências da Diocese, e sobretudo pela precariedade da situação da mesma Diocese, com ameaça de extinção, precipitada a partir da vitória liberal nos anos 30. Pelos mesmos motivos, não pôde participar na solene proclamação do dogma da Imaculada 52 PORMENORDOMAUSOLÏUCAPELASRADA CONCEI¥ÎO ;$3#?TIF=GERALDACAPELASRA CONCEI¥ÎO Coimbrão Monte Redondo %XTIN¥ÎODADIOCESEDE,EIRIA Bajouca Carnide TERRITØRIOSDASPARØQUIASACTUAIS INTEGRADASNADIOCESEDE,ISBOA Vieira de Leiria Souto da Carpalhosa Carvide TERRITØRIOSDASPARØQUIASACTUAIS INTEGRADASNADIOCESEDE#OIMBRA Meirinhas Bidoeira Monte Real Ortigosa S. Simão de Litém Colmeias Milagres Regueira de Pontes Amor Vermoil Albergaria dos Doze Memória Boavista Marinha Grande Marrazes Leiria Parceiros Matas Caranguejeira Pousos Rio de Couros Batalha Conceição, em 1854, nem no I Concílio do Vaticano, em 1869-1870. Apesar disso, melhorou o ensino do Seminário, fez melhoramentos no Paço e na Sé, e dirigiu muitas pastorais à Diocese. Retirou-se definitivamente para Barcelos, em 1867, e veio a falecer a 27 de Fevereiro de 1873, e ficou sepultado sob os degraus do altar-mor da matriz daquela cidade 101 . Santa Catarina da Serra Nª Sra. da Piedade Reguengo do Fétal Seiça Atouguia Alburitel Calvaria Alpedriz Caxarias Gondemaria Cortes Maceira Pataias Olival Arrabal Barreira Freixianda Urqueira Cercal Azoia Casal dos Bernardos Espite Santa Eufémia Barosa Ribeira do Fárrio Juncal Porto de Mós Pedreiras Nª Sra. das Misericórdias São Mamede Alqueidão da Serra Fátima Alcaria Serro Ventoso Aljubarrota Alvados Mira d’Aire Minde Arrimal São Bento Serra S. António Mendiga Nesse ano de 1873, sem se poder prever, a Diocese de Leiria estava a menos de dez anos da extinção, situação que tinha começado a desenhar-se nos princípios do século 102 . Os acontecimentos políticos, sociais e económicos que se viveram em Portugal, a partir dos anos vinte desse século, e se agravaram, quando as ideias liberais triunfaram sobre a tentativa de restauração absolutista, deram início à agonia. Aos olhos dos novos governantes, as razões que levaram à criação da Diocese de Leiria e à sua manutenção, durante trezentos anos, perdiam todo o valor. Agora, deparavam-se perspectivas mais aliciantes com a redução dos bispados, incluindo o de Leiria. Os objectivos são claros nos relatórios dos decretos de Mouzinho da Silveira, nomeado ministro da Fazenda e da Justiça, após D. Pedro ter assumido a regência em nome da filha D. Maria II, em 1832. Basta ler o relatório do decreto de abolição dos dízimos, do mesmo ano: “Proponho a Vossa Majestade Imperial uma glória imensa e à Nação Portuguesa a capacidade de sair da miséria e de se fazer populosa e rica; e proponho a criação da única nascente de matéria contribuinte que pode ser perene e inesgotável e que não é mortal com as conquistas mas é imortal com a natureza das coisas”. Além da abolição dos dízimos, dos morgados, foros, censos e rações, da reorganização das finanças públicas, da justiça e da divisão administrativa, preceituava-se no artigo 8º do decreto já referido: “Um decreto especial fixará, à vista das informações necessárias, a divisão eclesiásti-ca do reino, e o número de prelados, cónegos e párocos e mais pessoas eclesiásticas necessárias ao culto divino”. De nada valeram as lutas, as campanhas, as representações dos Leirienses ao rei, aos governos, ao parlamento, à própria Santa Sé, durante cinquenta anos. Depois de muitas e demoradas negociações, o Papa Leão XIII aceitou finalmente as exigências da nova divisão diocesana do País, com extinção de 5 dioceses portuguesas (Aveiro, Castelo Branco, Elvas, Leiria e Pinhel) e dos dois isentos da prelazia de Tomar e do priorado do Crato, em 30 de Setembro de 1881. O bispo do Porto, D. Américo, a quem tinha sido entregue a execução da bula pontifícia, proferiu a respectiva sentença em 4 de Setembro de 1882, que obteve o beneplácito régio a 14 do mesmo mês. 53 Das 50 paróquias da Diocese de Leiria, foram integradas na Diocese de Coimbra duas paróquias do concelho de Pombal (S. Simão de Litém e Vermoil) e 23 do então concelho de Leiria (Amor, Arrabal, Azoia, Barosa, Barreira, Caranguejeira, Carvide, Coimbrão, Colmeias, Cortes, Leiria, Maceira, Marinha Grande, Marrazes, Milagres, Monte Real, Monte Redondo, Parceiros, Pousos, Regueira de Pontes, Santa Catarina da Serra, Souto da Carpalhosa, Vieira de Leiria), das quais o bispo de Coimbra assumiu a jurisdição, a 30 de Setembro de 1882. As outras 25 paróquias foram integradas no patriarcado de Lisboa: quatro paróquias do concelho de Alcobaça (Aljubarrota (Prazeres), Aljubarrota (S. Vicente), Alpedriz, Pataias); duas do concelho da Batalha (Batalha e Reguengo do Fetal); 11 do concelho de Porto de Mós (Alcaria, Alvados, Alqueidão da Serra, Arrimal, Juncal, Mendiga, Minde, Mira, Porto de Mós (S. João), Porto de Mós (S. Pedro), Serro Ventoso); oito do concelho de Vila Nova de Ourém (Espite, Fátima, Freixianda, Olival, Ourém, Rio de Couros, Seiça e Vila Nova de Ourém). O arcebispo de Mitilene, em nome do Patriarca de Lisboa, assumiu a jurisdição destas, a 2 de Outubro de 1882. Formigais ,ACERDA 4. À espera da ressurreição (1882-1918) Durante pouco mais de 35 anos, os antigos diocesanos de Leiria não ficaram surdos às diversas tentativas que foram surgindo para reconstituir o seu humilde mas respeitado bispado. Pode dizer-se, portanto, que a restauração da Diocese de Leiria se deve ao inconformismo de todo o seu povo, mas fundamentalmente ela foi obra de três grandes figuras. Vitorino da Silva Araújo (1817-1891), professor do liceu de Leiria, investigador da história leiriense e principal biógrafo de D. Manuel de Aguiar, publicou a sua obra103 , não só para lembrar aos seus conterrâneos a figura do venerando bispo que o povo tanto amara, mas sobretudo para suscitar os ânimos desconsolados, apresentando-lhes o homem corajoso e batalhador que também tinha feito ressurgir das cinzas a sua Diocese, quase completamente destruída, nos terríveis anos de 1808 a 1811. Mas as fundadas esperanças que se apercebem nas muitas respostas recebidas dos prelados portugueses, a quem ofereceu o seu livro, não foram, porém, suficientes para evitar que tudo se esfumasse, logo que o autor faleceu, no ano de 1891. O Padre Júlio Pereira Roque, ardoroso jornalista, mais conhecido pelo pseudónimo de Jupero (1876-1928), a propósito da sagração episcopal de um ilustre leiriense, D. José Alves de Matos, arcebispo de Mitilene, abriu, no jornal “O Portomosense”, de 21 de Setembro de 1903, uma campanha entusiasta, com um título, que, já por si, dizia tudo: Um alvitre - O Bispado de Leiria. O grito com que terminava, incendiou os ânimos dos Leirienses e despertou o país inteiro para a injustiça que tinha sido a extinção da Diocese leiriense e para a urgência de a reparar: “Avante, pois, e não descansemos; lutemos com perseverança, lutemos unidos que havemos de ter a vitória”. Os ecos dessa campanha ainda se ouviram nos gabinetes governamentais e até junto do trono do rei. da bula pontifícia de Bento XV, datada de 17 de Janeiro de 1918: “Com tanta veemência foi doloroso à Sé Apostólica, quando as circunstâncias induziram a suprimir no dia trinta de Setembro do ano do Senhor de mil oitocentos e oitenta e um, a Diocese de Leiria, em Portugal, a qual Paulo III erigira em vinte e dois de Maio do ano do Senhor de mil e quinhentos a quarenta e cinco, quanto agora rejubila porque a feição dos tempos lhe permite restabelecer aquela Igreja Catedral”104 . Mas estava-se precisamente na agonia do regime monárquico. As promessas - se é que foram feitas com sinceridade - depressa foram esquecidas. Dois anos depois, já ninguém falava no assunto. O Padre José Ferreira de Lacerda (1881-1971), seguindo as pisadas de Vitorino Araújo, obtendo a preciosa colaboração de Jupero e nunca se vergando perante as dificuldades, encetou uma derradeira batalha em 1913. Por ocasião do falecimento do bispo de Coimbra, D. Manuel de Bastos Pina, e considerando que a Lei da Separação de 1911, se tinha prejudicado gravemente a Igreja em Portugal, também a libertara de certas peias, deu novo sinal de arrancada para atingir o objectivo, sempre desejado pelos Leirienses: “Ressuscitemos o nosso antigo bispado! ”. Os obstáculos e os entraves foram muitos, mas o ardor combativo dos que se associaram de alma e coração, nessa luta - e foram muitíssimos - foi felizmente coroado de êxito, ao fim de cinco anos. A justa compensação por tão persistente empenho ficou exarada logo no início 54 FOTOGRAlADOLACERDAMENSAGEIRO ;$3#?TIF= ;IMAGEMTIF=PASTORINHOSPSD 5. “Revivendo um saudoso passado”, vivendo o presente, Preparando o futuro (desde 1918 à actualidade) 5.1 D. José Alves Correia da Silva (1920-1957) festivamente na velha Sé leiriense, no dia seguinte. Iniciava-se um longo governo, cheio d de iramentee significatiacontecimentos verdad verdadeiramente vos, não só para a própria Diocese como para o mundo und inteiro. nteiro. mo i Restaurada a Diocese e executada a bula respectiva, a 1 de Junho de 1918, por parte do Cardeal D. António Mendes Belo, Patriarca de Lisboa, que foi nomeado administrador apostólico pelo Papa, ficou-se a aguardar, com justificada ânsia, a eleição de um bispo próprio. Ainda haviam de passar mais dois longos anos, até que a notícia esperada chegou: a 15 de Maio de 1920, o Dr. José Alves Correia da Silva, cónego da Sé do Porto, era nomeado primeiro bispo da Diocese restaurada de Leiria e vigésimo terceiro da lista que já vinha do século XVI. D. José nasceu a 15 de Janeiro de 1872, em S. Pedro Fins, concelho da Maia, Diocese do Porto. Depois de cursar estudos preparatórios, em Braga, e Filosofia e Teologia no Seminário dos Carvalhos, matriculou-se na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, onde se doutorou em 1897, três anos depois de ter sido ordenado presbítero, a 5 de Agosto de 1894, pelo mesmo Cardeal D. Américo que tinha executado a sentença de extinção da Diocese de Leiria. Foi professor do Seminário diocesano e do Liceu do Porto e nomeado cónego em 1905. Dedicou-se intensamente ao movimento católico nortenho, especialmente entre os operários e na imprensa católica. Foi sagrado na Sé do Porto, a 25 de Julho de 1920, tomou posse, por procuração, a 4 de Agosto, e entrou e De facto, quando em Roma, nos quand era entregue, o meados final para a resmead s de d 1917, o o processo e tauração da Diocese de no seu d Leiria, dava-se, e antigo território, um acontecimento extraordie nário: as Aparições d de Nossa Senhora em Fáti3 de d aio a 13 3 de de Outubro utubro a eded11917. 917. 1 eM d ma, de 13 Maio ;IMAGEMTIF=*OSE!LVES ORREIA # A 3ILVAPSD D Logo que tomou conta da Diocese, D. José inted dar ressou-se pelos acontecimentos e, antes de d cisão final, e tomou algumas iniciativas uma decisão que levam a pensar nas suas convicções íntimas, a respeito d deles: les: permissão e da celebração da missa (1921), na pequena capela, que tinha sid construída o pelo povo, na Cova da Iria, em sido d uma comissão e 1919, nomeação de canónica para averiguação d doss factos o(1922), fundação d mensário o “Voz da Fátima” (1922), fundação do da Pia União dos Servitas (1924), regulamentação das peregrinações (1925), criação de um posto de verificações médicas (1926), construção dos primeiros edifícios para as confissões e albergue dos doentes, início da construção da grande igreja de Nossa Senhora do Rosário (1928), obra dos retiros espirituais (1930). O reconhecimento da credibilidade das Aparições e a autorização oficial do culto de Nossa Senhora de Fátima, por provisão de D. José, datada de 13 de Outubro de 1930, foi o ponto de arranque para o surgir de um grande 55 e O e 56 57 CAPELINHA$3#?TIF RECINTOEBASILICA$3#?TIF #APA#ONST*OSE!LVES#ORREIADA3ILVA IMAGEMTIF Santuário, já designado por “Altar do Mundo”, por se ter tornado meta, não apenas dos peregrinos portugueses, que já afluíam ali, desde 1917, mas de tantos outros que, dos quatro cantos do mundo, começaram a surgir, atraídos por uma mensagem, que cada vez mais se reconhecia como dirigida ao mundo inteiro. Com o 25º aniversário da primeira Aparição, ocorrido em 13 de Maio de 1942, coincidindo com igual aniversário da ordenação episcopal do Papa Pio XII, a mensagem de Fátima começava a percorrer o mundo. É D. José que autoriza as primeiras saídas da Imagem da Capelinha para fora da Cova da Iria: Lisboa, Alentejo e Algarve, Espanha. É ainda no seu tempo e com o seu patrocínio que se iniciava a primeira fase da viagem de uma outra Imagem - a Virgem Peregrina - pelos caminhos do mundo, entre 1947 e 1955. Devem evidenciar-se alguns outros acontecimentos durante o governo de D. José, ligados às Aparições e à mensagem de Fátima, que tiveram um grande alcance, para a história da Igreja e do Mundo: a primeira consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, por Pio XII, em 1942; a coroação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, em 13 de Maio de 1946, por um legado de Pio XII, precisamente o Cardeal Bento Aloisi Masella, que, de 1913 a 1918, enquanto auditor da Nunciatura de Lisboa, fora o melhor advogado das preten- sões dos Leirienses, junto da Santa Sé, para a restauração da sua Diocese; o encerramento do Ano Santo em 1951, por outro legado pontifício, o Cardeal Tedeschini; a peregrinação do Cardeal Roncalli, futuro papa João XXIII, a 13 de Maio de 1956. Na sua acção pastoral, mais relacionada com a Diocese, D. José apresentou, logo de início, o seu programa na saudação e primeira exortação pastoral que dirigiu à sua Diocese, a 14 de Agosto de 1920, numa provisão da mesma data 105 . foi grandemente modificada, durante o governo pastoral de D. José, com a criação de mais 13 paróquias, precedidas da criação de freguesias civis, embora os limites nem sempre sejam coincidentes. Damos os seus nomes e datas da criação 107: São Mamede da Serra (17.08.1920), Serra de Santo António (19.08.1922), Albergaria dos Doze (15.05.1923), Pedreiras (5.08.1924), Calvaria (4.02.1925), Urqueira (1.08.1940), Gondemaria (25.12.1940), Santa Eufémea (29.01.1946), São Bento (29.01.1946), Boavista (29.01.1946), Alburitel (29.01.1946), Caxarias (25.10.1949), Atouguia (19.03.1953) e Carnide (24.09.1953). Deu particular atenção à divisão vicarial e à criação de paróquias. Na provisão que acompanhou a Saudação e primeira exortação pastoral dirigida aos seus diocesanos”, D. José faz várias determinações para a regularização dos serviços diocesanos: liturgia, emolumentos, nomeação de consultores, recenseamento do clero, casos reservados, clero pobre, Seminário e vigararias106 . A 25 de Março de 1957, foi integrada na Diocese de Leiria a paróquia de Formigais, do concelho de Ourém, que pertencera à prelazia de Tomar e, desde 1882, ao Patriarcado de Lisboa. Já era servida habitualmente pelo pároco de Rio de Couros108 . Ficou incluída na vigararia de Ourém. A Diocese foi estruturada em seis vigararias que sofreram algumas remodelações, ao longo dos anos: Alpedriz que, a partir de 1925, passa a designar-se da Batalha; Colmeias, criada de novo; Leiria; Monte Real; Ourém; Porto de Mós. Uma das realizações de maior importância para a vida da nova Diocese foi a organização das novas Constituições, urgidas pela necessidade de “uniformizar a disciplina, concorrendo para a glória de Deus e salvação das almas”, depois da promulgação do Código de Direito Canónico (1917) e do Concílio Plenário Português (1926). Também a divisão paroquial, que já não sofria alterações, praticamente desde há um século, 58 Só no 25º aniversário da restauração foi possí- vel elaborar um projecto apresentado ao clero diocesano e debatido em reuniões vicariais com o Prelado. O Sínodo diocesano foi convocado para o dia 13 de Julho de 1943, precedido por um retiro espiritual de 5 a 9 do mesmo mês. No dia 12 houve reunião, em que foram tomadas em consideração algumas observações. No dia seguinte, foi a celebração solene do Sínodo propriamente dito, com uma procissão solene, a missa do Espírito Santo, alocução do Prelado, preces preparatórias, nomeação dos diversos cargos da Cúria, nomeadamente do primeiro Cabido da Diocese restaurada, promulgação das novas Constituições para entrarem em vigor a 1 de Janeiro de 1944, Te Deum e reunião do clero. As constituições são moldadas sobre as determinações do Código de Direito Canónico e do Concílio Plenário Português, oportunamente citados109 . D. José Alves Correia da Silva faleceu a 4 de Dezembro de 1957. “O bispo de Nossa Senhora”, ficou sepultado na capela-mor da igreja do Santuário de Fátima, que ele mandou erguer, em 1928, e veio a ser sagrada a 7 de Maio de 1953 e elevada ao título de basílica menor pelo Papa Pio XII, a 12 de Novembro de 1954. 5.2 D. João Pereira Venâncio (1958-1972-†1985) Alguns dias depois da elevação da igreja do santuário de Fátima ao título de basílica, o Papa Pio XII nomeava o cónego João Pereira Venâncio, de Monte Redondo, Diocese de Leiria, onde nascera a 7 de Fevereiro de 1904, bispo titular de Eurea no Epiro e auxiliar de D. José Alves Correia da Silva. Foi sagrado na basílica de Fátima, a 8 de Dezembro desse ano de 1954. No dia da morte de D. José, a 4 de Dezembro de 1957, foi eleito vigário capitular e, a 13 de Setembro do ano seguinte, foi nomeado bispo residencial. D. João Venâncio teve dois grandes objectivos na sua acção pastoral: a renovação da vida diocesana e a maior projecção da mensagem de Fátima 110 . O início do seu governo episcopal teve a particularidade de coincidir com o anúncio (1959) e a realização do 2º Concílio ecuménico do Vaticano (1962-1965), em que também participou, e teve ocasião de ouvir da própria boca de Paulo VI, no encerramento da 3ª sessão, o anúncio da concessão da rosa de ouro ao Santuário de Fátima (21 de Novembro de 1964) e do Cardeal Cerejeira, na véspera do encerramento da 4ª e última sessão, 7 de Dezembro de 1965, o convite aos padres conci- 59 DJOAO$3#?TIF FOTODOPAULOVIEMFATIMALEIRIA $"TIF liares para estarem presentes nas comemorações do 50º aniversário das Aparições (1967), não imaginando que o ponto mais alto dessas comemorações seria precisamente a primeira visita de um Papa a Fátima, na pessoa de Paulo VI, no próprio dia 13 de Maio de 1967. Nesse mesmo ano de 1967, a 12 de Fevereiro, recebia como bispo auxiliar D. Domingos de Pinho Brandão, que havia sido eleito bispo titular de Filaca, em Dezembro de 1966 e ordenado bispo, a 29 de Janeiro de 1967. Durante mais de cinco anos, D. Domingos percorreu a Diocese inteira, no seu ministério pastoral, que também lhe deu oportunidade para satisfazer a sua curiosidade científica, nos domínios da Arqueologia e da Arte sacra, em que era perito reconhecido, e deixou estudos de grande valor, que ainda hoje são referências seguras, e esteve na origem da criação de um museu diocesano. Foi ainda D. João Venâncio que, precisamente no início da época conciliar, veio a concretizar uma velha aspiração que já vinha do início da Diocese restaurada, e que por diversas vezes tinha sido tentada: a construção de um novo Seminário diocesano, iniciado em 1962, a funcionar desde 1965 e inaugurado solenemente em 1968. Quatro anos depois, tanto D. João Venâncio como D. Domingos Brandão encerram o seu ministério episcopal em Leiria. Aceite em 1 de Julho de 1972, o seu pedido de resignação, D. João Venâncio fixou residência no Seminário que havia fundado, até ao dia em que faleceu, a 2 de Agosto de 1985. No mesmo dia 1 de Julho de 1972, D. Domingos foi nomeado bispo auxiliar do Porto, sua Diocese de origem, e administrador apostólico da Diocese de Leiria, até à entrada do novo bispo D. Alberto Cosme do Amaral, em Setembro de 1972. O antigo bispo auxiliar de Leiria veio a falecer a 22 de Agosto de 1988. Durante o governo episcopal de D. João Venâncio, foram criadas três paróquias: Ortigosa (13.09.1964), Casal dos Bernardos (13.12.1966) e Bajouca (02.02.1972) 111 . 5.3 D. Alberto Cosme do Amaral (1972-1993-...) No dia 1 de Julho de 1972, o Papa Paulo VI nomeava bispo de Leiria, D. Alberto Cosme do Amaral, que nasceu em Touro, concelho de Vila Nova de Paiva, Diocese de Lamego. Tendo sido ordenado presbítero a 13 de Julho de 1939, foi nomeado bispo titular de Tagária e auxiliar do Administrador Apostólico da Diocese do Porto, D. Florentino de Andrade e Silva, a 8 de Julho de 1964. Foi ordenado bispo no dia 23 de Agosto de 1964, na Sé do Porto. Nessa qualidade, participou no II Concílio Vaticano (1964-1965). A 21 de Agosto de 1969, foi nomeado bispo auxiliar de D. Frei Francisco Rendeiro, bispo de Coimbra. Depois da morte deste, foi nomeado vigário capitular da Diocese, a 19 de Maio de 1971, e a 1 de Julho do ano seguinte, bispo de Leiria, tomando posse a 10 de Setembro de 1972112 . Do que foi a sua actuação pastoral na Diocese de Leiria (desde 1984, chamada Leiria-Fátima), durante 20 anos, ficou um valioso testemunho no primeiro número do órgão oficial da Diocese, do qual transcrevemos o seguinte: “Se quisermos caracterizar globalmente a sua acção, poderemos fazê-lo com dois termos: palavra e silêncio. O primeiro exprime a sua grande preocupação de ensinar a doutrina cristã a todos os membros da Igreja e de a propor aos outros homens. O segundo traduz a dimensão contemplativa, orante, mística, da sua vida: entregue e voltado totalmente para Deus, para Ele procurou orientar e conduzir os homens”113 . Na sequência das orientações pastorais pro- 60 $3#?TIF DALBERTOJP)) $TIF &ACHADADOSEMINÉRIO venientes do Concílio e pós-concílio, também a Diocese de Leiria procurou acertar o passo. Com as limitações próprias de uma Igreja de pequenas dimensões e com uma relativa falta de quadros, tanto ao nível sacerdotal como laical, fez-se algum esforço nesse sentido. Desse esforço é retrato o estudo elaborado pela vigararia episcopal para a coordenação pastoral sobre as estruturas, serviços e movimentos diocesanos, dividido em três partes: “a primeira diz respeito às estruturas de governo, administração e consulta, bem como as duas instituições particularmente importantes na Diocese (o Seminário e o Santuário de Fátima); a segunda trata dos serviços pastorais que podem ser considerados executivos da Pastoral diocesana nos seus diversos sectores vitais; a terceira apresenta os movimentos de espiritualidade e de apostolado existente na Diocese”114 . D. Alberto teve a alegria de receber no Santuário de Fátima a peregrinação particular do Cardeal Albino Luciani, futuro João Paulo I, a 10 de Julho de 1977, e duas peregrinações do Papa João Paulo II, a 13 de Maio de 1982 e de 1991, respectivamente primeiro e décimo aniversário do atentado da Praça de S. Pedro contra a vida do Papa. Acompanhou a Roma a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, diante da qual o Papa João Paulo II fez mais uma consagração do Mundo ao Imaculado Coração de Maria, no dia 25 de Março de 1984, menos de dois meses antes de o mesmo Papa ter concedido à antiga Diocese o título de Leiria-Fátima (bula de 13 de Maio de 1984). No princípio do ano de 1976, depois de reflexão no Conselho Presbiteral e nas reuniões vicariais, foi profundamente alterada a divisão vicarial: Batalha, Caxarias, Colmeias, Fátima, Leiria, Marinha Grande, Milagres, Monte Real, Ourém e Porto de Mós. No governo de D. Alberto Cosme do Amaral, houve dois vigários episcopais: O Pe. Horácio Coelho Cristino foi nomeado vigário episcopal para a coordenação da Pastoral diocesana, a 23 de Outubro de 1978115 . Este sacerdote, a 20 de Agosto de 1987, foi nomeado bispo titular de Drusiliana e auxiliar do Cardeal Patriarca de Lisboa, ordenado a 15 de Novembro do 61 mesmo ano, na Capelinha das Aparições de Fátima, e faleceu inesperadamente a 8 de Maio de 1995. O Pe. Augusto Ascenso Pascoal, foi nomeado vigário episcopal para a cultura, a 13 de Outubro de 1989 116 . Durante o governo episcopal de D. Alberto foram criadas as seguintes cinco paróquias: Meirinhas (24.04.1986) 117, Cercal (03.01.1993), Matas (03.01.1993), Bidoeira (03.01.1993) e Memória (03.01.1993) 118 . O Santo Padre João Paulo II aceitou, a 3 de Fevereiro de 1993, o pedido de renúncia de D. Alberto, feito em devido tempo, segundo as normas canónicas. D. Alberto Cosme do Amaral fixou residência no Santuário de Fátima, onde recebera, por duas vezes, o Santo Padre João Paulo II, como peregrino. $TIF 5.4 D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva (1993-...) Segundo as determinações do Código de Direito Canónico, ao ser aceite a renúncia de D. Alberto Cosme do Amaral, assumiu as funções de bispo residencial D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, a 2 de Fevereiro de 1993. Nasceu em Santa Maria de Avioso, concelho da Maia, Diocese do Porto, em 1930. Foi ordenado sacerdote na Sé do Porto, em 1 de Agosto de 1954. Licenciou-se em Direito Canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi professor no Seminário diocesano do Porto, director do jornal “Voz Portucalense”, fundador e director da revista de actualidade cultural “Síntese”, que ainda hoje se publica, assistente nacional da Acção Católica e secretário da Conferência Episcopal Portuguesa. $3#?TIF Em 1979, foi nomeado bispo titular de Lemellefa e auxiliar do arcebispo de Braga, e foi ordenado na cripta do Imaculado Coração de Maria, do Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, a 16 de Junho de 1979. Em 1981, foi transferido para bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, onde foi responsável da região pastoral do Oeste. A 7 de Maio de 1987, foi nomeado coadjutor da Diocese de Leiria-Fátima, e entrou na Sé de Leiria, a 2 de Agosto do mesmo ano. Do programa da sua acção pastoral, como bispo residencial, ficaram apontados os tópicos principais no primeiro número e seguintes do boletim oficial da Diocese “Leiria-Fátima”, restaurado, por decreto seu de 29 de Abril de 1993: promulgação do “Estatuto Económico 62 do Clero”, do “Regulamento da Administração de Bens da Igreja na Diocese de Leiria”, restauração pastoral dos centros urbanos de Leiria e Marinha Grande, dinamização dos serviços diocesanos, educação cristã da juventude, dinamização da comunicação social da Diocese, da Pastoral de Fátima, diálogo e cooperação com as instituições sociais e culturais119 . No dia 22 de Maio de 1995, celebrou-se solenemente o 450º aniversário da criação da Diocese e da elevação da vila de Leiria a cidade, tendo como ponto principal a concelebração eucarística na igreja de Nossa Senhora da Pena, no castelo de Leiria, primeira Catedral leiriense, presidida por D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, bispo da Diocese de Leiria-Fátima, e participada por D. António Ribeiro, Cardeal Patriarca de Lisboa e metropolita da Provincia Eclesiástica de Lisboa, de que é sufragânea a Diocese de Leiria-Fátima, D. Eduardo Rovida, Núncio Apostólico em Portugal, D. Alberto Cosme do Amaral, bispo emérito de LeiriaFátima, D. António Francisco Marques, bispo de Santarém, e D. António dos Reis Rodrigues, bispo auxiliar e vigário-geral do Patriarcado, ambos naturais da Diocese de Leiria, D. António José Rafael, Bispo de Bragança e Miranda, Diocese, criada no mesmo dia da de Leiria, Mons. Manuel Leal Pedrosa, vigário-geral da Diocese de Coimbra, na ausência do Bispo D. João Alves. Concelebraram também algumas dezenas de sacerdotes da Diocese de Leiria-Fátima, do clero diocesano e regular, e estiveram presentes algumas centenas de fiéis, vindos de toda a Diocese, que se deslocaram em cortejo solene, com cânticos e bandeiras, desde a igreja de Sâo Pedro, segunda Catedral, até ao castelo. LIVRODOSINODOIMAGEMTIF FOTOSPASTORINHOS$3#?TIF Outros actos assinalaram esta efeméride, nomeadamente uma sessão solene nos Paços do Concelho da cidade de Leiria, o descerramento de uma lápide toponímica numa rua da cidade, dedicada a D. Frei Brás de Barros, primeiro bispo, e um concerto musical na igreja românica de S. Pedro. O boletim “LeiriaFátima” – Órgão Oficial da Diocese” teve um número especial, intitulado Leiria – 450 anos – Diocese – Cidade 120 . Os Arquivos Nacionais / Torre do Tombo e a Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Leiria com a colaboração da Câmara Municipal de Leiria e a Diocese de Leiria-Fátima e o patrocínio do Governo Civil de Leiria, promoveram, de 3 de Abril a 19 de Junho de 1995, em vários locais da Cidade e da Diocese, um ciclo de Conferências, intitulado Leiria do Século XVI ao Século XX121 . Em Dezembro de 1988, o Congresso Diocesano de Leigos propôs a realização de um Sínodo Diocesano. D. Serafim, no início de 1993, convidou um grupo de padres, religiosos e leigos, comunicou-lhes a decisão de realizar o Sínodo e pediu-lhes que reflectissem. Após alguns anos de preparação, o Bispo diocesano convocou o Sínodo, no encerramento da peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima, a 2 de Abril de 1995, publicando para o efeito uma carta pastoral, com data do mesmo dia 122 . Em Maio de 1995, foi enviada uma mensagem-consulta aos diocesanos, cujas numerosíssimas respostas serviram de base para o trabalho sinodal. As cinco sessões do Sínodo foram realizadas em Novembro de 1996, Maio de 1998, Outubro de 1999, Fevereiro e Outubro de 2001. O encerramento foi no dia 10 de Março de 2002, com uma carta pastoral de D. Serafim, de promulgação do IV Sínodo diocesano e a publicação de um livro, dividido em três partes, onde se recolheram os documentos fundamentais: cartas episcopais, exortações sinodais, as mensagens da Assembleia após cada uma das cinco sessões, a oração e os hinos do Sínodo e a lista dos membros da Assembleia Sinodal123 . Outro grande acontecimento, verificado durante o seu governo episcopal de D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, foi a beatificação de Francisco e Jacinta Marto, os pastorinhos de Fátima, a quem apareceu Nossa Senhora, feita pelo Papa João Paulo II, na Cova da Iria, no dia 13 de Maio de 2000, em pleno Jubileu do Ano Santo. A 10 de Dezembro de 1998, D. Serafim criou a paróquia de Ribeira do Fárrio, separando-a da Freixianda 124 , e, a 26 de Dezembro de 2000, deu o estatuto de quase-paróquia, à comunidade da Cruz da Areia, um dos bairros mais populosos da cidade de Leiria 125 . ConclusãO Actualmente, a Diocese de Leiria-Fátima tem uma população de cerca de 270 mil habitantes, repartidos por 10 vigararias e 73 paróquias e o Santuário de Fátima com jurisdição paroquial, numa superfície de 1.700 quilómetros quadrados. A Diocese conta, no seu historial, 25 bispos residenciais. Houve quatro bispos eleitos que não chegaram a governar a Diocese; três administradores apostólicos (D. Miguel da Anunciação, bispo de Coimbra, 1742-1746, D. António Mendes Belo, patriarca de Lisboa, 1918-1920 e D. Domingos de Pinho Brandão, 1972); dois bispos coadjutores, que ascenderam a bispos residenciais (D. Frei João de Nossa Senhora da Porta, 1745-1746, e D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, 1987-1993); dois bispos auxiliares (D. João Pereira Venâncio, 1954-1958 e D. Domingos de Pinho Brandão, 1966-1972). Durante o período da extinção (1882-1918), as duas partes da Diocese de Leiria, repartidas pelas dioceses de Coimbra e de Lisboa, foram governadas respectivamente por dois bispos de Coimbra (D. Manuel de Bastos Pina, 18821913, e D. Manuel Luís Coelho da Silva, 19151918) e três cardeais patriarcas de Lisboa (D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso, 18821883, D. José Sebastião Neto, 1883-1907; e D. António Mendes Belo, 1907-1918). 63 Notas 1 Corpo Diplomático Português, V, p. 237. 2 O termo leiriense, nos inícios do século XVI, constituía uma vigararia, intitulada “de Leiria, Vitória, Paredes e seus termos” (Frei Manuel da ESPERANÇA, História Seráfica da Ordem dos Frades Menores da Província de Portugal, vol. I, Lisboa, 1656, p. 358), regida por um vigáriogeral do prior-mor do convento de Santa Cruz de Coimbra, que tinha a sua sede junto da igreja de Santa Maria da Pena, no castelo. Santa Maria de Leirea” (IAN/TT, Santa Cruz de Coimbra, Alm. 34, Maço 4, nº 7). 8 Couseiro ou Memórias do Bispado de Leiria (Couseiro), I, cap. 90. Couseiro é um texto anónimo, redigido cerca de 1657 e editado em 1868, 1898 e 1980. Divide-se em duas partes (Bispado velho e Bispado novo), com numeração de capítulos, própria de cada parte. Citaremos por parte e capítulo. 9 Couseiro, I, cap. 58. 10 Couseiro, I, cap. 63. 11 Couseiro, I, cap. 77. 3 “Separamos da dita Diocese de Coimbra a povoação de Leiria (...) que presentemente está sujeita no temporal e espiritual ao chamado Priorado-mor de Santa Cruz de Coimbra, da ordem de Santo Agostinho (...); erigimos e constituímos a povoação de Leiria em cidade e a igreja de Santa Maria (...) a erigimos em catedral sob a mesma invocação de Santa Maria, para um bispo que se chamará de Leiria, que governe a mesma igreja erecta e lhe amplie os edifícios e dê forma de catedral (...). Perpetuamente sujeitamos a mencionada cidade, clero e povo ao bispo de Leiria, quanto à jurisdição ordinária e superioridade episcopal, e ao arcebispado de Lisboa, quanto à jurisdição metropolitana” (Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo (IAN/TT), Bulas, maço 24, nº 1: bula Pro excellenti, publ. em Corpo Diplomático Português (CDP), V, p. 415-420; Fortunato de ALMEIDA - História da Igreja em Portugal, vol. IV, nova edição, Porto, Livraria Civilização, 1971, apêndice II – Bula da erecção da Diocese de Leiria, texto latino e tradução portuguesa, p. 192-193). 4 IAN/TT, Bulas, maço 7, nº 40: bula Gratiae divinae premium, ed. em CDP, tomo V, p. 420-421. 5 IAN/TT, Bulas, maço 7, nº 34: bula Decet Romanum Pontificem, ed. em CDP, V, p. 421-422. 6 “Eu pedy ao Samto Padre que quisese crjar e aleuamtar em See catedral a Igreja de Nosa Senhora da vila de leirea e seu termo da Jurdiçaom do priorado do mosteiro de Samta cruz de cojmbra que na dita villa e seu termo tinha jurdisçam episcopal e asy do bispado de cojmbra e fazer da dita villa e seu termo bispado por me asy pareçer ser serviço de Deus e que convinha ao boom governo da clerezia e pouo da dita vila e seu termo e a sua Samtidade aprouve de o asy comceder e de crjar e alevamtar em See cathedral a dita Igreja de Leirea e fazer o dito bispado como por mym lhe foy pedido” (...) Me praz de acreçemtar e allevamtar a dita villa de leirea em denjdade e homra e a faço çidade e lhe comcedo todas as homras, prevyllegios e liberdades que per direito ella como çidade deve ter e tem as outras çydades de meus Reynos e senhorjos” (IAN/TT, Chancelaria de D. João III, liv. 48, fl. 66, publ. em Pedro de AZEVEDO - As cartas de criação de cidade concedidas a povoações portuguesas, “Boletim da Segunda Classe da Academia das Ciências”, vol. 10, Lisboa, 1917, p. 943; Carta per que El Rey Dom Joham terceiro faz Çidade a Villa de Leirea, Per mandado de Luciano Justo Ramos se empremiu nas officinas da Imprensa de Coimbra – Anno do naçimento de noso Senhor Jhesu Christo MDCCCCLXX. 7 Em 1369 ainda era referida como “aldea das Paredes que he termo e freguesia da igreja de em: L. A. Dias dos SANTOS, art. cit. “Leiria-Fátima – Boletim oficial da Diocese”, 3 (8) Mai.-Ago. 1995, p. 335-354). 18 Saul António GOMES - A praça de São Martinho de Leiria do século XII à reforma de 1546, em “Mundo da Arte”, 2ª série, Jan.-Mar. 1990, p. 68-71; 74-77. 19 Couseiro, I, cap. 120. 20 Couseiro, I, cap. 121. 21 Luciano CRISTINO - História religiosa da freguesia do Arrabal, em: Arrabal, terra de Santa Margarida - Quatro séculos de história, Arrabal, 1992, p. 200-201. 12 Couseiro, I, cap. 81. O contrato foi revisto em 1524 (IAN/TT, Santa Cruz de Coimbra, alm. 28, nº 16, m. 2, traslado de 1529); Arquivo Distrital de Leiria (ADL), Notariado, Batalha, 140, fls. 65v-68 (públicas formas de 1699, 1757 e 1791). 13 C. A. Dias dos SANTOS, De reformador dos estudos a bispo de Leiria ou o itinerário de um contemplativo: D. Frei Brás de Barros, em: “Leiria-Fátima” 3 (8) Mai-Ago. 1995, p. 335-354. Cf. também Cartas de Frei Brás de Braga para os priores do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, publicadas por Mário BRANDÃO, Coimbra, Imprensa Académica, 1937 (separata da “Revista da Universidade de Coimbra”, vol. XIII); Virgílio CORREIA - As cartas de Fr. Brás de Braga para Stª Cruz de Coimbra, em “Arte e Arqueologia”, 1 (4), p. 189-210; Afonso ZÚQUETE, Leiria – Subsídios para a história da sua Diocese, Leiria, Gráfica, 1945, p. 125-134. Outra bibliografia em A. Brito CARDOSO - Barros, D. Fr. Brás de, em Dicionário de História da Igreja em Portugal, vol. 2º, 1983, p. 221-223. 22 Ver, entre outros: Alfredo de MATOS - D. Frei Brás de Barros, D. João III e a construção da Sé de Leiria, Leiria, Gráfica de Leiria, 1957 e Virgolino Ferreira JORGE - A arquitectura da Sé de Leiria. Perspectiva semântica, histórica e artística, em: Colóquio sobre a história de Leiria e da sua região, Leiria, 1991, p. 31-54. 23 Couseiro, I, cap. 40; Luciano CRISTINO - O Santuário de Nossa Senhora da Encarnação de Leiria em 1588 - Os milagres e as procissões, em: Colóquio sobre história de Leiria e da sua região (1988), Leiria, Câmara Municipal, 1991, p. 61. 24 Couseiro, I, cap. 118-119; A. ZÚQUETE, ob. cit., p. 125-140. 25 Arquivo do Paço Episcopal de Leiria, Estatutos da See de Leiria, 1549, fl. 2-2v. 26 Por decreto de 20 de Maio de 1871, “o lugar do Arrabalde aquém da ponte fica pertencendo para todos os efeitos eclesiásticos, administrativos, judiciais e de fazenda, à freguesia da Sé de Leiria, marcando-se o rio Lis como linha divisória entre as duas sobreditas freguesias de Marrazes e da Sé” (“Diário do Governo”, nº 121, de 30 de Maio de 1871; Colecção de Legislação Portuguesa - 1871, Lisboa 1872, p. 154; Luciano CRISTINO - “A Voz do Domingo”, nº 1938, de 24 de Maio de 1970). Cfr. Cartas de Frei Brás de Braga para os priores do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, editadas por Mário BRANDÃO, na “Revista da Universidade de Coimbra”, vol. XIII, e em separata, Coimbra, Imprensa Académica, 1937, p. 124 e 129; Biblioteca Nacional, Ms. 153: Noticias varias para a Historia Ecclesiastica da Diocese de Leiria, fl. 7. Existe um traslado dos Estatutos de 1552, numa colectânea de instrumentos relacionados com a Sé, também pertencente ao Arquivo do Paço Episcopal de Leiria, que inclui uma carta de visita de D. Dinis de Melo à Sé e Cabido, datada de 17 de Maio de 1628, pela qual se compendiavam “a maior parte das obrigações dos Menistros della [da Sé], comessando pelo Cabido em commum”. 16 27 14 Couseiro, I, cap. 123. 15 Arquivo da Universidade de Coimbra, Santa Cruz, Livros de Notas, nº 4, fls. 115-117v; Livros de Prazos, nº 6, fls. 54v-56v; Couseiro, I, cap. 100. Cf. Luciano CRISTINO, - História das paróquias de Colmeias e Memória, em Fernando RODRIGUES - Contributos para a história de Colmeias e Memória, 1994, p. 47-48; Saul António GOMES - A freguesia de S. Cristóvão da Caranguejeira entre 1527 e 1721, “O Mensageiro”, Leiria, 81 (4049-4051) de 17, 24 e 31 de Agosto de 1995. 17 Sisto da Cunha era ainda capelão de S. Cristóvão da Caranguejeira, quando, juntamente com os párocos das Colmeias, Vermoíl, S. Simão e Espite, apresentou a sua carta de cura, que recebera do cabido de Coimbra, estando a Sé vaga, a D. Frei Brás de Barros, bispo eleito de Leiria, quando este tomou posse da Diocese, no dia 28 de Julho de 1545 (cf. instrumento do acto de posse, 64 Lisboa, Biblioteca Nacional, Reservados: Inc. nº 510, Ga, reeditadas em: Synodicon Hispanum - II - Portugal, Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1982, p. 222-275. 28 Constituições do Bispado de Leiria: Biblioteca da Universidade de Coimbra, R-11-2 (exemplar completo); Paço Episcopal de Leiria (exemplar truncado), fl.1v (prólogo). 29 Sobre as Constituições de D. Frei Brás de Barros, há vasta bibliografia. Cf. Apontamentos para a história da Diocese de Leiria - Série de artigos da autoria de António Antunes BORGES, Luciano Justo RAMOS e Luciano Coelho CRISTINO, publicados em “A Voz do Domingo”, desde 18.08.1968 a 25.05.1969. Quanto à data da sua redacção, pensamos que devia estar próxima a sua conclusão, a 18 de Março de 1549, e que a sua aprovação pelo Núncio João de Montepulciano foi a 1 de Junho do mesmo ano. Quanto às datas extremas da sua impressão terão sido Junho de 1549 e Maio de 1550. Podemos ainda restringir esse intervalo de tempo aos primeiros quatro meses de 1550, se a obra foi impressa no mosteiro de Santa Cruz. Se, por meio de um cotejo minucioso, se pudesse estabelecer, com certeza, que as Constituições saíram da tipografia lisboeta de Germão Galharde, poderíamos assinalar como datas extremas os dias 25 de Janeiro e 8 de Maio de 1550 (cf. “Voz do Domingo”, nº 1873, de 23.02.1969). 51 30 52 Couseiro, I, cap. 119. 31 Couseiro, I, cap. 125. Cfr. A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 135-140. Couseiro, I, cap. 20 e 121. Esta obra refere que “o bispo D. Pedro de Castilho, quando separou desta freguesia [de S. Pedro] os moradores das Cortes e seu distrito, tirou ao dito cura de S. Pedro vinte alqueires de trigo e dois mil réis em dinheiro” (cap. 20) e “no ano de 1582, o bispo D. Pedro de Castilho levantou em freguesia a dita ermida” (cap. 121). Ora D. Pedro só foi confirmado bispo de Leiria em 3 de Junho de 1583. Há, portanto, lapso na data de 1582. Trata-se certamente de 1592, data de um outro documento que se encontrava na mesma folha 172 do desaparecido 1º livro da Chancelaria do Bispado. Couseiro, I, cap. 136. Luciano CRISTINO - História religiosa da freguesia do Arrabal, em Ob. cit., p. 200-203. 53 32 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 141-145. 33 Corpo Diplomático Português, VIII, 33. 34 Cfr. nota 22. Stephanus EHSES, Concilium Tridentinum, Diariorum, Actorum, Epistularum, Tractatuum Nova Collectio, VIII e IX, Friburgo, Sociedade Goerresiana, 1919, 1924. 36 Cfr. D. Sebastião Soares de RESENDE, O sacrifício da Missa em D. Gaspar do Casal, p. XVII-XLII; D. João Pereira VENÂNCIO, D. Frei Gaspar do Casal, Bispo de Leiria e Teólogo, em “Boletim da Diocese de Leiria”, 9 (1933) p. 344364; A Igreja de Santo Agostinho em Leiria, Leiria, Gráfica, 1945 e O testemunho da palavra, Leiria, 1989, p. 19-45. 37 Couseiro, I, p. 222; A. ZÚQUETE, ob. cit., p. 149. Cf. Luciano CRISTINO – O Santuário de Nossa Senhora da Encarnação de Leiria em 1588 – Os milagres e as procissões, em: Colóquio sobre a história de Leiria e da sua região – Leiria, 20 e 21 de Maio de 1988, Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1991, p. 57-89. 55 ” Auendo neste dito Bispado falta de Cõstituições, por não seruirem já as que fez o senhor Bispo Dom Bras de boa memoria, nosso predecessor, assi por a alteração que depois ouue em muitas cousas, ordenadas pera gouerno da Igreja, reformação do Clero, & dos custumes pello sagrado Concilio Tridentino, Leis sanctissimas dos Summos Pontifices, Concilios Prouinciaes dos Metropolitanos; como por a que resultou da annexação das Igrejas, & Pouo das Villas de Ourem,& Porto de Mós com suas annexas, feita pela Sancta See Apostolica: Pello que foi necessario augmentaremse as Constituições, mudaremse algûas, & declararemse outras, o que tudo encarregamos a pessoas de que muito confiamos por suas letras, prudencia, & experiencia, com cujo concelho, & de outros Letrados doctos, ordenamos as Cõstituições que nos pareceram necessarias pera o seruiço de Deos, bom gouerno de nosso Bispado, & saude das almas de nossos Subditos” (Constituiçoens Synodaes do Bispado de Leiria. Feytas, & ordenadas em Synodo pello Senhor Dom Pedro de Castilho Bispo de Leiria &c. E por seu mandado Impressas, em Coimbra por Manuel D’Araujo Impressor delRey N. S. na Vniversidade de Coimbra. Ano 160l, prólogo). 38 Couseiro, I, cap. 100. 39 Couseiro, I, cap. 126. 40 Couseiro, I, cap. 123. 41 Couseiro, I, cap. 20. 42 Couseiro, I, cap. 25, 26 e 93. 43 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 150-153. 56 44 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 155. 57 45 Alfredo de MATOS – Dom António Pinheiro, Porto de Mós, 1984; Carlos FERNANDES – De António Pinheiro, em “O Portomosense”, Porto de Mós 11 (263) 18.11.1993; 11 (266) 30.11.1993. 46 58 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 178-179. 59 47 Couseiro, II, cap. 1. Couseiro, I, cap. 137; A. ZÚQUETE - Ob. cit., p. 172-177. 48 Couseiro, II, cap. 20. 60 49 Luciano CRISTINO - A colegiada de Ourém das origens ao século XVIII, em: Ourém – Estudos e Documentos, 1982, p. 32-47. 50 I.A.N./T.T., Alcobaça, 67 (Livro 50 das Sentenças), fl. 415-420. Cf. BN Lisboa, G. G. E/3/21: Frei Manuel de Figueiredo, Historia Corografica da Comarca de Alcobaça, fl. 1492, em que cita uma cópia da bula tirada do original existente no Arquivo da Sé de Leiria. Couseiro, I, cap. 134. 61 63 Couseiro, I, cap. 141; A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 182-184. 64 Couseiro, I, cap. 145. 65 Couseiro, I, cap. 146. 66 Couseiro, I, cap. 147. 67 Couseiro, I, cap. 142-144; A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 185-189 68 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 190-191. A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 192-195. Sobre a situação eclesiástica em Portugal no reinado de D. João IV, cf.: A. A. BORGES, Provisão dos Bispados e Concílio nacional no reinado de D. João IV, em “Lusitania Sacra”, 2 (1957) p. 111-159; 3 (1958) p. 97-164. 70 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 196-200. 71 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 200-212. 72 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 213-215. 73 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 216-220. 74 À época da redacção do Couseiro (cerca de 1657), as duas capelas da Mélvoa e da Moita ainda pertenciam à paróquia de Maceira (I, cap. 83); no vol. III da Corografia Portuguesa, do Padre António Carvalho da Costa, impresso no ano de 1712, pelo menos a capela da Moita já está incluída na paróquia de Pataias. Na mesma obra, dá-se como existente no lugar do Porto do Carro, paróquia de Maceira, uma capela de Santa Maria Madalena (orago da capela da Mélvoa), o que parece ser um erro. De qualquer modo, em 1721, as duas capelas e lugares já estavam certamente na paróquia de Pataias. 75 Couseiro, II, nota ao cap. 31, 2ª ed., 1898, p. 297; C. J. P.- A freguesia de Mira de Aire e a sua vida religiosa, em “A Voz do Domingo”, 14.05.1950, p. 4; Mira de Aire – 1933-1958, p. 11-12. 76 Couseiro, passim. Armando de Jesus MARQUES - D. Martim Afonso Mexia: bispo de Leiria, Lamego e Coimbra; secretário de Estado em Castela - Quadro familiar. “Curriculum” salmanticense - 15921596, Campo Maior, Câmara Municipal, 1988. Couseiro, I, cap. 130. Couseiro, I, cap. 140; A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 180-181. 69 Couseiro, I, cap. 135. 54 35 62 Couseiro, I, cap. 138. 65 Arquivo Paroquial dos Pousos, Livro dos Capítulos de Visita da Igreja Paroquial dos Pousos, fl. 62v-63. 77 Ibidem, fl. 63. 78 Arquivo Distrital de Leiria, Notariado, Leiria, Livro 65, fl. 104-106v. 79 Nota ao cap. 23 do Couseiro, 2ª ed., p. 37-39 e ao cap. 85, p. 138-140. 80 Nota ao cap. 23, do Couseiro, p. 39 e ao cap. 85, p. 134-135. 81 Nota ao Couseiro, 2ª parte, cap. 26, p. 286 da edição de 1898. 82 Nota ao cap. 10, 2ª parte do Couseiro, 2ª edição, 1898, p. 267. 83 Nota ao cap. 23 do Couseiro, 2ª ed. 1898, p. 37 e 38. 84 Nota ao cap. 146 do Couseiro, ed. de 1898, p. 249. 85 José Ferreira de LACERDA, Breves apontamentos para a história da fundação da Igreja do Senhor Jesus dos Milagres, Leiria, 1913, p. 43-45. 86 Ramalhete de Devoçam em que sobresahe a da candida e melhor flor de Nazareth Maria Santissima na sua sagrada e milagrosa imagem com o titulo da Encarnaçam..., Lisboa, 1756, p. 78ss; Tito LARCHER, Breve Memoria sobre o templo e culto de Nossa Senhora da Encarnação..., Leiria, 1904, p. 33-41. 87 Frei José de Santa Rita DURÃO – Breve notícia da perseguição movida contra a venerável Companhia de Jesus em Portugal [...], em: Artur VIEGAS – O poeta Santa Rita Durão – Reveleções históricas da sua vida e do seu século, Bruxelles-Paris, L’Édition d’Art Gaudio, 1914, p. 10-37. 88 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 225-243. 89 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 244-248. 90 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 249-250. 91 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 151-259. 92 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 260. 93 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 260-273. 94 S. J. L. SORIANO – História da guerra civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal, Segunda época – Tomo V – parte I, Lisboa, 1893, p. 213. 95 Longa nota ao cap. 25 do Couseiro, 2ª edição, p. 42-58. 96 Nota ao Couseiro, ed. de 1898, 2ª parte, cap. 7, p. 263, indicando a data de 1830; José das Neves Gomes ELISEU, Esboço Histórico do concelho de Vila Nova de Ourém, Lisboa, 1868, nº 161-164, p. 109-113; 2ª edição, p. 125-129; Nossa Senhora da Piedade - A história, a geografia e as suas gentes, em Ourém - Boletim Municipal, nº 12, 1995, p. 7-8. 97 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 274-280. 98 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 280. 99 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 281-285. vida de D. Manuel de Aguiar, 17º Bispo de Leiria, colligidas e coordenadas (1860-1863) e agora dadas à estampa por um filho da extincta Diocese, Coimbra, s. d. [1885]. Bula “Quo vehementius”, tradução portuguesa, em Constituições do Bispado de Leiria, promulgadas por Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Dom José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, Leiria, 1943, p. XXX. 105 D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria – Saudação e primeira exortação pastoral dirigida aos seus diocesanos por [...] com uma provisão, Leiria, 14.08.1920, 14 p. 106 Ob. cit., p. 11-14. Para cada uma das paróquias, cf. jornais “O Mensageiro” (desde 1920) e “A Voz do Domingo” (desde 1933). Um resumo do movimento de criação das novas paróquias, de 1920 a 1964, vem na edição do Couseiro, feita por “O Mensageiro”, 1980, p. 311-317. 108 A.A.S. 39 (1957) 741-742. 109 Constituições da Diocese de Leiria promulgadas por S. Exª Revª o Senhor D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, Leiria, Gráfica, 1943. 110 Cf. Saudação Pastoral, Leiria, 8.12.1958, “A Voz do Domingo” 26 (1341) 14 Dez. 1958, p. 1, 4 e 5. 111 Para as paróquias criadas por D. João Pereira Venâncio, ver os jornais “O Mensageiro” e “A Voz do Domingo”, nas datas próximas da criação canónica e, resumidamente, nos aditamentos à 3ª edição do Couseiro, p. 311-317. 112 D. Alberto Cosme do AMARAL – À Igreja de Deus em Leiria – Primeira saudação – Primeira homilia, Leiria, 1972. 113 O antecessor [de D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva]: D. Alberto Cosme do Amaral, em “Leiria-Fátima”, Leiria, 1 (1) Jan.-Abr. 1993, p. 21-22. 114 Vigararia Episcopal para a Coordenação Pastoral – Diocese de Leiria – Estruturas de governo e consulta; serviços pastorais diocesanos; movimentos de espiritualidade; movimentos de apostolado, Leiria, 1979, p. 1. 115 “A Voz do Domingo” 46 (2375) 29 Out. 1978, p. 1, cols. 3-4. 116 “A Voz do Domingo” 57 (2946) 12 Nov. 1989, p. 12, cols. 1-5. 117 “A Voz do Domingo”, 54 (2762) 27 Abr. 1986, p. 6. 101 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 288-291. 118 Para as quatro paróquias, criadas a 3 de Janeiro de 1993, ver: “Leiria-Fátima” - Órgão Oficial da Diocese, 1 (1) Jan.-Abr. 1993, p.39-45. 119 “ Leiria-Fátima” 1 (1) Jan.-Abr. 1993, p. 20; 1 (3) Set.-Dez. 1993, p. 165-196. 120 103 Um bispo segundo Deus ou Memorias para a D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva – Unidos no caminho da esperança – Carta Pastoral sobre o Sínodo Diocesano de Leiria-Fátima, Leiria, 2 de Abril de 1995. 123 Pela fé, unidos no amor, testemunhamos a esperança – Livro do IV Sínodo Diocesano de Leiria-Fátima – 1995-2002, Leiria, Diocese de Leiria-Fátima, 2002. 124 “Leiria-Fátima – Órgão Oficial da Diocese”, 6 (18) Set.-Dez. 1998, p. 163-164. 125 107 A. ZÚQUETE, Ob. cit., p. 286-287. Luciano CRISTINO - Extinção da Diocese de Leiria, em “Leiria-Fátima - Órgão oficial da Diocese”, Leiria 1 (1-3) Jan.-Dez. 1993, p. 63-79; 145-179; 229-239, onde se encontram também as fontes e bibliografia sobre este vasto tema. As conferências foram publicadas em volume próprio, com o mesmo título, editado em Novembro de 1996. 122 104 100 102 121 Ano III, nº 8, Mai.-Ago. 1995. 66 “Leiria-Fátima – Órgão Oficial da Diocese”, 9 (25) Jan.-Abr. 2001, p. 4.