FACULDADE ANGLO AMERICANO DE FOZ DO IGUAÇU CURSO DE ADMINISTRAÇÃO COM HABILITAÇÃO EM GESTÃO DE NEGÓCIOS ____________________________________________________________________________________________________________________ EDUARDO DOS SANTOS MELOS VALDINEI LOESI DOS SANTOS AVALIAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS ADOTADAS PELA EMPRESA AGRO CORUPÁ NAS SUAS DIFERENTES FASES: UM ESTUDO DE CASO _____________________________________________________________ Foz do Iguaçu - PR Dezembro - 2007 EDUARDO DOS SANTOS MELOS VALDINEI LOESI DOS SANTOS AVALIAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS ADOTADAS PELA EMPRESA AGRO CORUPÁ NAS SUAS DIFERENTES FASES: UM ESTUDO DE CASO Relatório de Estágio apresentado ao Curso de Administração, com habilitação em Gestão de Negócios, para a disciplina Prática Empresarial II, na Faculdade Anglo Americano de Foz do Iguaçu – FAA. Orientador: Prof. Ari Cezar Dias Ramos, MSc. FOZ DO IGUAÇU, PR Dezembro – 2007 EDUARDO DOS SANTOS MELOS VALDINEI LOESI DOS SANTOS AVALIAÇÃO DAS ESTRATEGIAS ADOTADAS PELA EMPRESA AGRO CORUPÁ NAS SUAS DIFERENTES FASES: UM ESTUDO DE CASO Este Relatório de Estágio foi julgado e aprovado, pela banca abaixo listada, como requisito parcial para obtenção do grau de Graduado em Administração. Foz do Iguaçu (PR), 12 de Dezembro de 2007. __________________________ Profa. Dirce Maria Dalberto, MSc. Coordenadora do Curso de Administração BANCA EXAMINADORA: ____________________________________ Orientador: Prof. Ari Cezar Dias Ramos, MSc. ____________________ Prof. Kleber Vanolli, MSc. __________________________________ Profa. Maria de Fátima Dias Soares, MSc. DEDICATÓRIA Dedicamos este trabalho a todos aqueles que contribuíram para o nosso êxito, em especial aos nossos pais. AGRADECIMENTOS - Primeiramente a Deus pela força maior que nos conduziu neste estudo. - Aos nossos pais por todo amor e carinho dedicados desde os primeiros dias, por fazerem da nossa educação uma prioridade e por serem nossos exemplos de vida. - A minha esposa Marise e filhas que sempre me incentivaram e apoiaram neste curso de graduação em Administração. - A Faculdade Anglo Americano e toda a sua equipe de apoio pelas condições que tornaram possível a nossa participação no curso de Administração. - Ao nosso Professor Orientador Ari César Dias Ramos, o nosso reconhecimento em especial pela sua conduta incansável e empenho. - A Professora Maria de Fátima Dias Soares, pelas ricas contribuições na fase de qualificação do projeto. - Aos colegas do curso de Administração, por estarmos juntos durante quatro anos, buscando atingir os mesmos objetivos, a nossa qualificação profissional. - A todo o corpo docente da Faculdade Anglo Americano, em especial ao Professor José Borges Bonfim Filho, que não se encontra mais no quadro funcional da instituição. - Ressalto ainda, os nossos agradecimentos a empresa Agro Corupá, aos seus funcionários, e em especial ao proprietário da empresa, o empresário Rolf Hauck e sua esposa, gerente financeira Bárbara Jark Hauck pela atenção e paciência que recebemos para desenvolver este projeto. EPÍGRAFE “As pequenas empresas são, frequentemente, o início de grandes empreendimentos”. Demóstenes. RESUMO O presente projeto de pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, pois visa identificar as estratégias utilizadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases, bem como descrever os resultados alcançados, decorrentes da aplicação de tais estratégias, adotadas pela mesma. A empresa Agro Corupá atua no comércio de importação e exportação de hortifrutigranjeiros desde 1990, e ao analisar o seu contexto histórico, constatou-se que não houve um planejamento estratégico formalizado por parte do proprietário da mesma. Sendo assim, nestes dezessete anos em que a empresa atua no mercado de hortifrutigranjeiros, a direção utilizou de estratégias informalmente, ou seja, foram adotadas as estratégias sem o conhecimento técnico de como aplicá-las. Na pesquisa foram identificadas três fases que acarretaram em mudanças no direcionamento estratégico da empresa. Nestas fases, foram adotadas várias estratégias para a entrada e sobrevivência da empresa no mercado de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu e região. Neste sentindo, o objetivo proposto por esta pesquisa foi plenamente atingido, pois foi possível identificar quais foram as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases, bem como foram descritos os resultados alcançados pela mesma, decorrentes do uso de tais estratégias. Palavras-chave: Administração Estratégica, Estratégia Empresarial e Planejamento Estratégico. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01: Evolução das Vendas, Fase 1........................................................... 81 Gráfico 02: Clientela da Fase 1............................................................................ 82 Gráfico 03: Evolução das Vendas, Fase 2........................................................... 84 Gráfico 04: Clientela da Fase 2............................................................................ 85 Gráfico 05: Evolução das Vendas, Fase 3........................................................... 86 Gráfico 06: Clientela da Fase 3............................................................................ 88 LISTA DE FIGURAS Figura 01: Cronologia dos Principais Eventos da Administração........................ 23 Figura 02: Teorias Administrativas e seus Principais Enfoques.......................... 24 Figura 03: Conceitos de Estratégia..................................................................... 31 Figura 04: A Matriz de Ansoff.............................................................................. 32 Figura 05: As Dez Escolas de Pensamento Estratégico..................................... 37 Figura 06: O Modelo Básico da Escola de Design.............................................. 38 Figura 07: O Modelo de Porter de Análise Competitiva...................................... 40 Figura 08: A Matriz de Crescimento BCG........................................................... 41 Figura 09: O Pensamento Estratégico “Como Ver”............................................. 42 Figura 10: Etapas do Processo de Administração Estratégica............................ 48 Figura 11: Métodos e Técnicas de Pesquisa Aplicados...................................... 52 Figura 12: População e Amostra Estudada......................................................... 53 Figura 13: Vantagens e Desvantagens do Questionário..................................... 54 Figura 14: Tipos de Entrevistas........................................................................... 55 Figura 15: Vantagens e Desvantagens da Entrevista......................................... 56 Figura 16: Tipos de Observação Aplicada no Estudo......................................... 56 Figura 17: Vantagens e Desvantagens da Observação...................................... 57 Figura 18: Tipos de Documentos Pesquisados................................................... 58 Figura 19: Vantagens e Limitações da Pesquisa Documental............................ 58 Figura 20: Descrição dos Procedimentos do Questionário................................. 59 Figura 21: Descrição dos Procedimentos da Entrevista...................................... 60 Figura 22: Descrição dos Procedimentos da Análise Documental..................... 61 Figura 23: Descrição dos Procedimentos de Análise dos Dados........................ 62 Figura 24: A Empresa Agro Corupá.................................................................... 63 Figura 25: Dados Gerais da Empresa................................................................. 63 Figura 26: Produto Comercializado..................................................................... 65 Figura 27: Serviço de Distribuição....................................................................... 65 Figura 28: Classificação do SEBRAE do Porte das Empresas do Brasil............ 66 Figura 29: Relação do Número de Funcionários da Empresa............................. 66 Figura 30: Lista de Fornecedores da Empresa................................................... 67 Figura 31: Clientes Atuais e Potenciais............................................................... 68 Figura 32: Vista Aérea do CEASA – Localização dos Concorrentes................... 69 Figura 33: Órgãos de Regulação e Fiscalização do Comércio Hortigranjeiro..... 69 Figura 34: O Macro Ambiente da Empresa......................................................... 70 Figura 35: Estratégias Identificadas na Fase 1................................................... 73 Figura 36: Contexto da Fase 1 (1990 a 1996)..................................................... 74 Figura 37: Estratégias Identificadas na Fase 2................................................... 75 Figura 38: Contexto da Fase 2 (1997 a 2000)..................................................... 76 Figura 39: Estratégias Identificadas na Fase 3.................................................... 78 Figura 40: Contexto da Fase 3 (2001 a 2006)..................................................... 79 Figura 41: Demonstração de Patrimônio e Funcionários da Fase 1.................... 82 Figura 42: Demonstração de Patrimônio e Funcionários da Fase 2.................... 84 Figura 43: Demonstração de Patrimônio e Funcionários da Fase 3.................... 87 Figura 44: Sugestão de Negócio.......................................................................... 91 Figura 45: Sugestão da Missão............................................................................ 91 Figura 46: Sugestão da Visão.............................................................................. 92 Figura 47: Sugestão dos Princípios..................................................................... 92 Figura 48: Sugestão do Organograma................................................................. 93 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Fase 1, Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento............ 80 Tabela 02: Fase 2, Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento............ 83 Tabela 03: Fase 3, Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento............ 86 LISTA DE SIGLAS BCG - Boston Consulting Group CEASA - Central de Abastecimento do Paraná EMATER - Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EM - Ensino Médio EF - Ensino Fundamental IPEM - Instituto de Pesos e Medidas do Paraná SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas UEN - Unidade Estratégica de Negócio SUMÁRIO SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................. 15 1.1 PROBLEMA................................................................................................... 17 1.2 HIPÓTESES.................................................................................................. 17 1.3 OBJETIVOS................................................................................................... 18 1.3.1 Objetivo Geral........................................................................................... 18 1.3.2 Objetivos Específicos.............................................................................. 18 1.4 JUSTIFICATIVA............................................................................................. 18 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO...................................................................... 19 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................... 21 2.1 A ADMINISTRAÇÃO..................................................................................... 21 2.1.1 Conceitos de Administração................................................................... 21 2.2 AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO............................................................ 23 2.2.1 Escola de Administração Científica........................................................ 24 2.2.2 Teoria da Burocracia................................................................................ 24 2.2.3 Teoria Clássica......................................................................................... 24 2.2.4 Teoria Estruturalista................................................................................. 25 2.2.5 Teoria Neoclássica................................................................................... 25 2.2.6 Teoria das Relações Humanas................................................................ 25 2.2.7 Teoria Comportamental........................................................................... 26 2.2.8 Teoria do Desenvolvimento Organizacional.......................................... 26 2.2.9 Teoria dos Sistemas................................................................................. 26 2.2.10 Teoria da Contingência.......................................................................... 26 2.3 A ORGANIZAÇÃO......................................................................................... 27 2.3.1 O Papel e o Objetivo das Organizações................................................. 28 2.3.2 O Ambiente Organizacional..................................................................... 28 2.3.3 A Cultura Organizacional......................................................................... 29 2.4 TENDÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO........................................................... 29 2.5 A ESTRATÉGIA............................................................................................. 29 2.5.1 Conceitos de Estratégia........................................................................... 30 2.5.2 As Escolas de Pensamento Estratégico................................................ 35 2.5.3 Administração Estratégica...................................................................... 47 2.5.4 Estratégias para o Futuro........................................................................ 50 3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA....................................................... 51 3.1 POPULAÇAÕ E AMOSTRA.......................................................................... 52 3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS................................................. 52 3.2.1 Questionário.............................................................................................. 53 3.2.2 Entrevista.................................................................................................. 54 3.2.3 Observação............................................................................................... 55 3.2.4 Pesquisa Documental.............................................................................. 56 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS....................... 57 3.3.1 Procedimentos do Questionário............................................................. 58 3.3.2 Procedimentos da Entrevista.................................................................. 59 3.3.3 Procedimentos da Observação............................................................... 60 3.3.4 Procedimentos da Pesquisa Documental.............................................. 60 3.3.5 Procedimentos da Análise de Dados...................................................... 61 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS........................................................ 61 4 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE PESQUISA.................................... 62 4.1 DADOS DA EMPRESA................................................................................. 62 4.2 HISTÓRICO DA EMPRESA.......................................................................... 63 4.3 ÁREA DE ATUAÇÃO..................................................................................... 64 4.4 PRODUTOS E SERVIÇOS........................................................................... 64 4.5 PORTE.......................................................................................................... 65 4.6 FORÇA DE TRABALHO................................................................................ 65 4.7 AMBIENTE TAREFA..................................................................................... 66 4.7.1 Fornecedores............................................................................................ 66 4.7.2 Clientes...................................................................................................... 67 4.7.3 Concorrentes............................................................................................ 67 4.7.4 Órgão Regulamentador............................................................................ 68 4.8 ORGANOGRAMA.......................................................................................... 69 4.9 MACROAMBIENTE....................................................................................... 69 5 ANÁLISE DE DADOS...................................................................................... 70 5.1 OBJETIVO ESPECÍFICO 1........................................................................... 70 5.1.1 Fase 1 (1990 a 1996)................................................................................. 70 5.1.2 Fase 2 (1997 a 2000)................................................................................. 74 5.1.3 Fase 3 (2001 a 2006)................................................................................. 76 5.2 OBJETIVO ESPECÍFICO 2........................................................................... 79 5.2.1 Fase 1 (1990 a 1996)................................................................................. 79 5.2.2 Fase 2 (1997 a 2000)................................................................................. 82 5.2.3 Fase 3 (2001 a 2006)................................................................................. 84 6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.......................................................... 88 6.1 RECOMENDAÇÕES..................................................................................... 89 6.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................... 93 REFERÊNCIAS................................................................................................... 94 APÊNDICES........................................................................................................ 97 APENDICE A: ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA........................................ 98 APENDICE B: QUESTIONARIO APLICADO ANEXOS.............................................................................................................. 101 ANEXO A: A CIDADE DE CORUPÁ................................................................... 102 ANEXO B: LOGO MARCA DA EMPRESA AGRO CORUPÁ.............................. 103 16 1 INTRODUÇÃO Para desenvolver este projeto de pesquisa, foi escolhida a empresa Agro Corupá, que atua no ramo de hortifrutigranjeiros, comercializando a venda e a distribuição de bananas, no mercado de Foz do Iguaçu e região, e a mesma, desenvolve suas atividades, desde 1990, sendo uma empresa permissionária do CEASA (Central de Abastecimento do Paraná). Nestes 17 anos de existência, a empresa Agro Corupá atravessou vários períodos, e também crises que afetaram o funcionamento do mercado de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu, por ser uma região de tríplice fronteira, (Brasil, Argentina e Paraguai), onde ocorrem várias problemáticas no sistema de comércio de importação e exportação de produtos hortifrutigranjeiros. Em outro aspecto que norteia a sobrevivência das empresas é em relação ao alto índice divulgado pelo SEBRAE de empresas que iniciam suas atividades e, em menos de 2 anos fecham as portas por falta de conhecimento e planejamento dos seus proprietários ou dirigentes. Baseados nestes dados, é preciso entender se as estratégias adotadas por essas empresas, foram escolhas certas ou erradas. Diante desta realidade, o presente projeto de pesquisa é caracterizado, sendo um estudo de caso, que foi realizado na empresa Agro Corupá, e têm como objetivo, identificar, quais foram às estratégias adotadas pela organização, nas suas diferentes fases, e também descrever os resultados alcançados pela empresa, decorrentes do uso, de tais estratégias. Toda empresa precisa estudar ou conhecer o ambiente ao qual está inserida, para que possa adotar as estratégias necessárias e se manter competindo e crescendo no mercado onde estão atuando. Alguns dirigentes de empresas adotam as estratégias empresariais indiretamente, mesmo não sendo conhecedores de Administração e de estratégias, eles acabam tomando decisões que são estratégicas, para que suas empresas possam entrar e se manter viva no mercado em que atuam. A estratégia empresarial é a determinação da futura postura da empresa, e quanto aos seus produtos-mercados, sua lucratividade, seu tamanho, seu grau de inovação e suas relações com seus executivos, seus empregados e o ambiente 17 externo. Essa postura estratégica deve ser equacionada pelo planejamento estratégico da empresa. Neste contexto, a empresa Agro Corupá adotou e aplicou várias estratégias empresariais ao longo de sua existência, conforme levantado na pesquisa. No estudo, foram identificadas três fases, onde a empresa Agro Corupá teve que mudar o seu direcionamento estratégico, para poder penetrar e destacar-se no mercado em que atua. 18 1.1 TEMA E PROBLEMA No cenário empresarial atual, segundo dados do SEBRAE (2007), constatase que a um grande número de pequenos empreendedores que, após criar seu próprio negócio, sentem a necessidade de desempenhar um papel gerencial com vistas a manter a continuidade de seu empreendimento no mercado. Pergunta-se, será que as estratégias adotadas por estes empreendedores no início das suas atividades, foram elaboradas e aplicadas de maneira certa? Segundo Almeida apud Queji (2002), na pequena empresa, a Administração é geralmente feita pelos seus proprietários ou por seus parentes, que muitas vezes não têm conhecimento aprofundado de técnicas administrativas e também o empreendedor acaba por dedicar seu tempo à solução de problemas rotineiros, perdendo, assim, a visão do negócio, a dimensão do planejamento e abandonando a busca por novas oportunidades. Para Maluche apud Queji (2002), ressalta que o estudo dos ciclos de vida das organizações permite que se situe a empresa de acordo com seu estágio de crescimento, para adequar o planejamento estratégico em cada fase. Nas pequenas empresas, principalmente nas que estão no início de suas atividades, acredita-se que a elaboração e aplicação de um planejamento estratégico não são feitas de forma formalizada. Portanto, é necessário a uma atenção especial por parte dos gestores das pequenas empresas para que se priorize um planejamento estratégico de maneira formalizada. Diante do exposto, elaborou-se a seguinte questão-problema: Quais foram às contribuições das estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá para o sucesso da mesma nas suas diferentes fases? 1.2 HIPÓTESES As estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá em suas diferentes fases, contribuíram para o crescimento da mesma? 19 1.3 OBJETIVOS Os objetivos deste estudo estão divididos em objetivo geral e objetivo específico descritos logo abaixo. 1.3.1 Objetivo Geral No objetivo geral deste estudo vão ser identificados os principais momentos da empresa Agro Corupá divididos em diferentes fases em que acarretaram mudanças nas estratégias da organização ao longo da sua existência. 1.3.2 Objetivos Específicos a) Identificar as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases; b) Descrever e avaliar os resultados alcançados pela empresa Agro Corupá, decorrentes do uso das estratégias adotadas em cada fase; c) Propor Sugestões. 1.4 JUSTIFICATIVA Devido ao grande número de projetos de pesquisa em Administração voltados para ao estudo do planejamento estratégico e da importância deste conceito, é que este estudo de caso foi realizado, visando aprimorar as técnicas de planejamento estratégico para a entrada e sobrevivência das empresas no mercado em que atuam. E ainda, destacar três aspectos principais que são: • Diminuir a estatística divulgada pelo SEBRAE, em relação ao alto índice de empresas que em menos de dois anos de funcionamento, encerram as suas 20 atividades por falta de conhecimento e de planejamento dos seus proprietários; • Contribuir para os novos empreendedores e atuais gestores das pequenas e médias empresas, na forma de planejarem as suas ações empresariais, antes de qualquer tomada de decisão; • E, através desta pesquisa, os acadêmicos e os professores das instituições de ensino superior, aprimorem o estudo do planejamento estratégico para se tornarem gestores preparados no mercado de trabalho. Neste sentido, a contribuição desta pesquisa consiste na conscientização dos empresários, sobre a importância de se adotar a um planejamento estratégico durante a entrada da empresa no mercado e as diversas fases das organizações. 1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO No primeiro capítulo, destacam-se a introdução, o problema da pesquisa, as hipóteses, objetivo geral, objetivos específicos, a justificativa e a relevância do tema. No segundo capítulo, apresenta-se a fundamentação teórica, amparando-se na revisão da literatura de autores da área de Administração. No terceiro capítulo, apresentam-se os métodos e técnicas de pesquisa, demonstrando o delineamento da pesquisa, a população e amostra, o instrumento de coleta de dados, os procedimentos de coleta e análise dos dados. No quarto capítulo, apresenta-se a caracterização do ambiente da pesquisa, demonstrando principalmente os dados da empresa, seu histórico, área de atuação, seu porte, produtos e serviços, clientes, fornecedores e concorrentes. No quinto capítulo, apresenta-se a análise e descrição dos dados, descrevendo os resultados da empresa ao longo de sua existência. No sexto capítulo, apresentam-se as conclusões, recomendações e considerações finais, além de citar as sugestões de melhoria nos pontos que foram considerados críticos durante a pesquisa. 21 Ao final destes capítulos, apresenta-se a bibliografia citada, a entrevista e o questionário, todos estes instrumentos de coleta de dados se encontram no apêndice e logo depois, os anexos. 22 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este capítulo traz a fundamentação teórica do presente estudo com base em referências bibliográficas. 2.1 A ADMINISTRAÇÃO Neste estudo, serão observados os conceitos de Administração adotados por diversos autores, visando à formação de um panorama geral sobre este conceito que sofreu aprofundamento e ampliação em seu significado. Sendo assim para poder entender melhor as mudanças que ocorrem em torno do conceito é preciso entender o que dizem os autores e o contexto histórico da Administração. 2.1.1 Conceitos de Administração Segundo Chiavenato (2000), a tarefa da Administração é interpretar os objetivos propostos pela empresa e transformá-los em ação empresarial por meio do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da empresa, a fim de atingir tais objetivos, de maneira eficiente e eficaz. Para Maximiano (2004, p. 33) “Administração é uma palavra antiga, associada às outras que se relacionam com o processo de tomar decisões sobre recursos e objetivos”. De acordo com Moraes (2001), o conceito de Administração geral está mudando. Não existe mais o executivo capaz de utilizar princípios de Administração gerais e universais de maneira eficiente em qualquer empresa ou setor. Cada organização é única, com características próprias que a diferenciam das demais. Na figura 01, descreve-se a cronologia dos principais eventos da Administração na antiguidade até o começo do século XX, mostrando que povos antigos já se preocupavam em se organizar e dirigir as suas tarefas com mais eficiência. 23 Figura 01: Cronologia dos Principais Eventos da Administração EVOLUÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO ANOS AUTORES EVENTOS 4000 a.C Egípcios Necessidades de planejar, organizar e controlar. 2600 a.C Egípcios Descentralização na organização. 2000 a.C Egípcios Necessidade de ordens escritas. Uso de consultoria. 1800 a.C Babilônia Uso de controle escrito e testemunhal, estabelecimento do salário mínimo. 1491 a.C Hebreus Conceito de organização, princípio escalar. 600 a.C Nabucodonosor Controle de produção e incentivos salariais. 500 a.C Mencius (China) Necessidades de sistemas e padrões. 400 a.C Sócrates Enunciado da universidade da Administração. Arranjo físico e manuseio de materiais. Princípio da especialização. 175 a.C Cato (Roma) Delegação de funções. 284 a.C Dioclédio (Roma) Delegação de autoridade. 1436 Arsenal de Veneza Contabilidade de custos, balanços contábeis, controle de inventários. 1525 Machiavelli (Itália) Início do consenso na organização, liderança, táticas e políticas. 1767 J. Stuart (Inglaterra) Teoria da fonte de autoridade, especialização. 1776 Adam Smith (Inglaterra) Principio de especialização dos operários; conceito de controle. 1799 Eli Whitney (EUA) Método científico; contabilidade de custos e controle da qualidade. 1800 Mathew Boulton (Inglaterra) Padronização das operações; métodos de trabalho; gratificações natalinas; auditoria. 1810 Robert Owen (Inglaterra) Práticas de pessoal; treinamento dos operários; planos de casas para os operários. 1832 Charles Babbage (Inglaterra) Abordagem científica; divisão do trabalho; estudo de tempos e movimentos; contabilidade de custos. 1856 Daniel McCallum (EUA) Organograma; administração em ferrovias. 1886 Henry Metcalfe (EUA) Arte e ciência da Administração. Fonte: Chiavenato (2003, p.27) 2.2 AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO Na figura 02, descrevem-se as principais teorias administrativas, que enfatiza seis variáveis dentro da Administração, na visão de Chiavenato (2003). 24 Figura 02: Teorias Administrativas e seus Principais Enfoques ENFASE Nas Tarefas Na Estrutura ANOS TEORIAS ADMINISTRATIVAS Racionalização do Trabalho no nível operacional. 1903 Administração Cientifica 1909 Teoria da Burocracia Organização Formal e Burocrática Racionalidade Organizacional; 1916 Teoria Clássica Organização Formal. 1947 Teoria Estruturalista Múltipla abordagem; - Organização formal e informal - Analise da Intra-Organizacional e - Análise Interorganizacional; 1954 Teoria Neoclássica 1932 Teoria das Relações Humanas 1957 Teoria Comportamental 1962 Teoria do D.O 1947 Teoria Estruturalista 1951 Teoria dos Sistemas Administração da Tecnologia (Imperativo Tecnológico) 1972 Teoria da Contingência 1972 1990 Teoria da Contingência Novas Abordagens da Administração Análise ambiental (imperativo ambiental) Abordagem de Sistema Aberto Administração da Tecnologia Caos e Complexidade, Aprendizagem Organizacional e Capital Intelectual Nas Pessoas No Ambiente Na Tecnologia Na Competividade PRINCIPAIS ENFOQUES Princípios Gerais da Administração Funções do Administrador Organização Informal Motivação, Liderança, Comunicações e dinâmica de grupo. Estilos de Administração Teoria das Decisões Integração dos Objetivos Organizacionais Individuais. Mudança Organizacional Planejada Abordagem de Sistema Aberto Análise intra-organizacional e Análise Ambiental Abordagem de Sistema Aberto; Fonte: Chiavenato (2003, p. 12) 2.2.1 Escola de Administração Científica Segundo Chiavenato (2003), a Escola de Administração Científica foi iniciada no século passado pelo engenheiro americano Frederick Winslow Taylor, conside. A abordagem básica desta escola se baseia na ênfase colocada nas tarefas, isto é, focaliza a racionalização do trabalho operário, a padronização e o estabelecimento de princípios básicos de organização racional do trabalho. 25 2.2.2 Teoria da Burocracia Segundo Chiavenato (2003), a Teoria da Burocracia desenvolveu-se na Administração por volta da década de 1940, em função dos seguintes aspectos: fragilidade e a parcialidade da Teoria Clássica e da Teoria das Relações Humanas, a necessidade de um modelo de organização racional; o crescente tamanho e complexidade das empresas e o ressurgimento da Sociologia da Burocracia. Entende-se, desta forma, que a burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. 2.2.3 Teoria Clássica Segundo Chiavenato (2003), a Teoria Clássica surgiu em 1916 na França, iniciada por Henry Fayol, se espalhando rapidamente por toda a Europa. Esta teoria se caracterizava pela ênfase na estrutura que a organização deveria possuir para ser eficiente. 2.2.4 Teoria Estruturalista Segundo Chiavenato (2003), ao final da década de 1950, a Teoria das Relações Humanas, experiência tipicamente democrática e americana, entrou em declínio. A oposição entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um impasse na Administração que a Teoria da Burocracia não teve condições de ultrapassar. 2.2.5 Teoria Neoclássica Segundo Chiavenato (2003), a Teoria Neoclássica surgiu em 1954 e caracterizou-se por uma forte ênfase nos aspectos práticos da Administração, pelo 26 pragmatismo1 e pela busca de resultados concretos e palpáveis. A abordagem neoclássica nada mais é do que a redenção da Teoria Clássica devidamente atualizada e redimensionada aos problemas administrativos atuais e ao tamanho das organizações de hoje. 2.2.6 Teoria das Relações Humanas Segundo Chiavenato (2003), a abordagem humanística ocorreu com o aparecimento da Teoria das Relações Humanas, nos Estados Unidos, a partir da década de 1930. Ela surgiu graças ao desenvolvimento das ciências sociais, notadamente a Psicologia e, em particular, a Psicologia do Trabalho. Esta teoria enfatiza as pessoas, os grupos e a organização informal em contraposição aos pressupostos formais da Teoria Clássica. 2.2.7 Teoria Comportamental Segundo Chiavenato (2003), a Teoria Comportamental surgiu no final da década de 1940, com uma redefinição total de conceitos administrativos: ao criticar as teorias anteriores, o behaviorismo2 na Administração não somente as abordagens anteriores como amplia seu conteúdo e diversifica sua natureza. 2.2.8 Teoria Desenvolvimento Organizacional Segundo Chiavenato (2003), o Desenvolvimento Organizacional surgiu como movimento a partir de 1962, e caracteriza-se por ser um conjunto de idéias a respeito do homem, da organização e do ambiente, no sentido de facilitar o crescimento e o desenvolvimento das organizações. 1 Pragmatismo é a corrente filosófica inaugurada por John Dewey e que enfatiza os aspectos práticos e utilizáveis e que na Administração se traduziu pela prática da Administração e pela ação administrativa. 2 Behaviorismo é o nome dado a Psicologia Comportamental. Em Administração, significa abordagem que enfatiza o sucesso organizacional por meio das variáveis humanas dentro da organização. 27 2.2.9 Teoria dos Sistemas Segundo Chiavenato (2003), a Teoria Geral dos Sistemas surgiu com os trabalhos do biólogo alemão Ludwig Von Bertalanffy. A TGS não busca selecionar problemas ou tentar soluções práticas, mas produzir teorias e formulações conceituais para aplicações na realidade empírica. Neste sentido, a Teoria Geral dos Sistemas, busca os princípios unificadores capazes de interligar os universos particulares das ciências, de modo que os progressos alcançados em uma ciência possam beneficiar as demais. 2.2.10 Teoria da Contingência Segundo Chiavenato (2003), a Teoria da Contingência surgiu a partir de várias pesquisas feitas para verificar os modelos de estruturas organizacionais mais eficazes em determinados tipos de empresas. Essas pesquisas pretendiam confirmar se as organizações mais eficazes seguiam os pressupostos da Teoria Clássica: divisão do trabalho, amplitude de controle, hierarquia de autoridade. Por fim, em relação aos passos das Teorias apresentadas, a Administração procurou demonstrar o efeito cumulativo e gradativamente abrangente das diversas teorias com suas diferentes contribuições e diferentes enfoques. Todas as teorias administrativas apresentadas são válidas, embora cada qual valorize apenas uma ou algumas das cinco ênfases. 2.3 A ORGANIZAÇÃO Dentro de uma abordagem mais ampla, as contata-se que as organizações são unidades sociais ou agrupamentos humanos, intencionalmente construídos e reconstruídos, a fim de atingir objetivos específicos. Isto significa que as organizações são construídas com planejamento, com o propósito de atingir determinados objetivos, e também são reconstruídas e reestruturadas, na medida em que os objetivos são atingidos, ou na medida em que se descobrem meios melhores para atingí-los. 28 Para Chiavenato (2005), as organizações são sistemas vivos que nascem, crescem, desenvolvem e podem até morrer. A organização não é um dado fixo e imutável: as organizações precisam ser constantemente organizadas e reorganizadas, para poderem sobreviver e serem bem-sucedidas. Segundo Moraes (2001), em Administração, a palavra organização pode ser usada para significar uma unidade social, representando um agrupamento de pessoas que interagem para alcançar um objetivo comum e específico, ou para designar a função administrativa, que constitui o ato de integrar recursos e órgãos, estabelecendo relações entre eles. 2.3.1 O Papel e o Objetivo das Organizações São as organizações que executam quase todas as atividades na sociedade moderna. As organizações complexas representam um dos elementos mais importantes da sociedade atual. Em geral, pessoas nascem em hospitais, são educadas em escolas e trabalham em uma organização, de onde tiram grande parte de sua satisfação material, social e cultural. Para Drucker (2002), para saber o que é a empresa, precisamos partir da sua finalidade. Essa finalidade precisa ser externa à própria organização. Na verdade, ela deve encontrar-se na sociedade, já que a empresa é o órgão da sociedade. Só uma finalidade será válida para a empresa, criar seu cliente. 2.3.2 O Ambiente Organizacional Segundo Chiavenato (2004), as organizações não existem no vácuo e nem estão sozinhas ou isoladas no mundo, elas vivem e operam em um meio ambiente que lhes serve de nicho. E nesse ambiente estão muitas outras empresas, algumas em cooperação, outras em competição e confronto aberto entre si. É do ambiente que as empresas obtêm seus insumos e recursos, isto é, as suas saídas. Na verdade, as organizações colocam seus produtos ou serviços, isto é, as suas idéias, e retiram insumos do ambiente, que retornam a ele como produtos ou 29 serviços, através da atividade organizacional e funcionam como sistemas, isto é, como conjuntos integrados de atividades que agregam valor e criam riqueza. 2.3.4 A Cultura Organizacional O primeiro passo para se conhecer uma empresa é conhecer a sua cultura. Fazer parte de uma organização é assimilar a sua cultura. A cultura é um importante instrumento para se compreender as sociedades humanas e os grupos sociais. Para Chiavenato (2004, p. 186), “cultura organizacional são conjuntos de hábitos e crenças estabelecidos através de normas, valores, atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização”. 2.4 TENDÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO Segundo Chiavenato (2003), a Teoria Administrativa está atravessando um período de intensa e profunda revisão e crítica. O mundo mudou e a teoria administrativa também está mudando. Mas, para onde? Quais caminhos? Algumas dicas podem ser oferecidas pelo que está acontecendo com a ciência moderna, que também está passando por uma forte revisão em seus conceitos. Pode-se observar que o capital financeiro guarda sua importância relativa, mas ele depende do conhecimento, sobre como aplicá-lo e rentabilizá-lo adequadamente. O conhecimento conduz a novas formas de trabalho e de comunicação e a novas formas de interação humana. E onde está o conhecimento? Na cabeça das pessoas. São as pessoas que aprendem, desenvolvem e aplicam o conhecimento na utilização adequada dos demais recursos organizacionais. 2.5 A ESTRATÉGIA Segundo Chiavenato (2003), a noção de estratégia surgiu na atividade militar, onde os estrategos eram os generais, os comandantes gerais do exército. Sendo assim, a definição de estratégia para os militares, era como sendo a aplicação articulada e coesa de forças em larga escala contra algum inimigo. 30 2.5.1 Conceitos de Estratégia Na figura 03, apresentam-se os conceitos de estratégias na visão de diferentes autores. Figura 03: Conceitos de Estratégia AUTOR ANSOFF PORTER MILES E SNOW MAXIMIANO MINTZBERG ESTRATÉGIAS Penetração no Mercado SIGNIFICADO Exploração de Produtos Tradicionais em Mercados Tradicionais Desenvolvimento de Mercado Produtos Tradicionais em Novos Mercados Desenvolvimento de Produto Produtos Novos em Mercados Tradicionais Diversificação Novos Produtos em Novos Mercados Diferenciação Identidade Forte do Produto Liderança do Custo Baixo Custo e Baixo Preço do Produto Foco Atuação em Nichos de Mercado Defesa Permanência no mesmo Mercado Prospecção Busca de Novas Oportunidades Análise Atuação em Dois Tipos de Mercado Reação Incapacidade de Fazer Ajustes Estabilidade Permanência no mesmo Mercado Crescimento Busca de Novas Oportunidades Redução de Despesas Eliminação de Desperdícios Plano Trama Objetivos Pré-Determinados Ilusão Padrão Estratégias Emergentes Posição Posicionar-se no Mercado Perspectiva Percepção Interna, Visão. Fonte: Adaptado Maximiano (2004, p. 179) Segundo Ansoff (1991), estratégia é um dos vários conjuntos de regras de decisão para orientar o comportamento da organização. Ansoff desenvolveu um esquema pioneiro, conhecido como Matriz de Ansoff, que classifica as estratégias empresariais em quatro categorias: 31 • Penetração de mercado é a estratégia de explorar produtos tradicionais em um mercado tradicional; • Desenvolvimento de mercado é a estratégia de explorar um mercado novo com produtos tradicionais; • Desenvolvimento do produto é a estratégia de explorar mercados tradicionais com produtos novos; • Diversificação é a estratégia de explorar novos mercados como novos produtos. Na figura 04, apresenta-se a Matriz de Ansoff, partindo das posições de mercado ou do produto, podendo identificar as estratégias viáveis para cada organização ou unidade estratégica de negócio (UEN). Figura 04: Matriz de Ansoff Mercado Produto Existente Novo Existente 1. Penetração no Mercado; Novo 2. Desenvolvimento de Mercado; 4. Diversificação. 3. Desenvolvimento do Produto; Fonte: Maximiano (2004, p. 180) Para Porter (1991, p. 102), a estratégia é como uma vantagem competitiva entre competidores e o posicionamento perante cinco fatores, que são eles: • Os novos entrantes ou novas empresas dentro da indústria; 32 • Produtos que podem atuar como substitutos de bens ou serviços que as companhias produzem dentro da indústria; • A capacidade dos fornecedores de controlar assuntos como custos de materiais que as companhias da indústria utilizam para manufaturar seus produtos; • O poder de negociação que os compradores possuem dentro da indústria; • O nível geral de rivalidade ou competição entre as firmas dentro da indústria. Conforme Porter apud Amorin (2006), saber como e onde competir é imprescindível para formular uma estratégia competitiva eficiente, para tanto a organização pode desenvolver vantagens como: diferenciação e liderança do custo que, combinados com o enfoque das operações da organização, formarão estratégias genéricas de organizações, das quais se deseja obter resultados satisfatórios. Para isso, deverá escolher uma estratégia, mesmo que genérica, e investir seus recursos de forma coerente. O autor ainda acrescenta que as estratégias genéricas podem ser classificadas em três categorias: diferenciação, liderança do custo e foco. • A estratégia de diferenciação consiste em procurar projetar uma forte identidade de própria para o serviço ou produto, que o torne nitidamente distinto dos produtos e serviços concorrentes. Isso significa enfatizar uma ou mais vantagens competitivas, como qualidade, serviço, prestigio para o consumidor, estilo do produto ou aspecto das instalações. • Na estratégia que busca a liderança por meio do custo, o objetivo não é diferenciar-se dos concorrentes, mas oferecer um produto ou serviço mais barato. 33 • A estratégia do foco (também chamada de estratégia da concentração ou do nicho) consiste em escolher um nicho ou segmento do mercado e concentrarse nele. Para Miles e Snow apud Maximiano (2005), a classificação das estratégias pode basear-se nos tipos de desafios que a organização deve resolver para adaptar-se ao ambiente. Os autores identificaram quatro estratégias ou padrões de adaptação, que refletem diferentes taxas de mudanças de produtos e mercados que são elas: • O comportamento de defesa é característico das empresas que têm foco muito estreito, são altamente especializadas e relutam em procurar oportunidades novas ou atuar em situações diferentes daquelas a que estão acostumadas. Por causa desse foco estreito, essas empresas raramente modificam sua tecnologia, estruturas ou sistemas operacionais. • A prospecção é a marca das empresas que continuamente procuram novas oportunidades no mercado e fazem tentativas para lidar com ameaças emergentes. Por tanto, essas organizações são criadoras de exemplos, incertezas e desafios para as demais, especialmente para seus competidores. • O comportamento analítico é característico, segundo Miles e Snow, das organizações que atuam em dois mercados: um relativamente estável e o outro em processo de mudança. No mercado estável, essas organizações atuam de maneira rotineira, usando seus processos e estruturas consolidadas. Nos mercados em mudança elas procuram acompanhar e adotar as inovações mais promissoras introduzidas pela concorrência. • O comportamento de reação caracteriza as empresas que atuam em ambientes turbulentos e em constante mudança, mas a alta administração é incapaz de dar respostas eficazes. A menos que forçadas pelas pressões 34 ambientais, essas empresas frequentemente ficam como estão, sem fazer qualquer ajuste em sua estratégia ou estrutura. Segundo Maximiano (2004, p. 179), há estratégias de três tipos: estabilidade, crescimento e redução de despesas. • A estratégia da estabilidade é o chamado comportamento defensivo, é característica das empresas que tem foco muito estreito, são altamente especializadas e relutam em procurar oportunidades novas ou atuar em situações diferentes daquelas a que estão acostumadas. • A estratégia de crescimento, também chamada de comportamento prospectivo, é a marca das empresas que continuamente procuram novas oportunidades no mercado e fazem tentativas para lidar com ameaças emergentes. • A estratégia de redução de despesas torna-se necessária quando a organização está ameaçada e sua eficiência esta comprometida. Conforme Mintzberg (2000, p. 80), há diversos sentidos para o qual a palavra estratégia é empregada. O conceito de estratégia aponta cinco entendimentos que se pode ter do conceito. São eles: • Estratégia como Plano: Aqui a estratégia é entendida como sendo um curso de ação, algo intencional e planejado, através do qual se buscam objetivos pré-determinados. E a interpretação mais comum do termo; • Estratégia como Trama: A estratégia pode ser aplicada com a finalidade de confundir, iludir ou comunicar uma mensagem falsa ou não, aos concorrentes; 35 • Estratégia como Padrão: Quando um determinado curso de ação traz resultados positivos, a tendência natural é incorporá-lo ao comportamento. Se como plano as estratégias são propositais ou deliberadas, como padrão as estratégias são emergentes, surgindo sem intenção; • Estratégia como Posição: Aqui a organização busca no nicho, ou indústria, em que atua um posicionamento que lhe permita sustentar-se e defender sua posição dentro desta indústria. Refere-se a como a empresa é percebida externamente, pelo mercado; • Estratégia como Perspectiva: Refere-se ao modo como a organização se percebe frente ao mercado. Tem relação com a cultura, à ideologia e percepção interna da organização. 2.5.1.1 Tipos de Estratégia Chiavenato e Sapiro (2003, p. 88), definem estratégia em três níveis de elaboração dos planos estratégicos: planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento operacional. • Planejamento Estratégico: É o planejamento concebido para a organização como uma totalidade. Em geral, parte de cima para baixo, envolve a organização como um sistema integrado e é focado no longo prazo. Seu horizonte temporal pode chegar até 5 ou 10 anos, dependendo da natureza e dos objetivos que pretende alcançar. É de responsabilidade da cúpula da organização, podendo congregar a participação envolvente de todos os demais níveis organizacionais. Está voltado para as atividades fins da organização. • Planejamento Tático: É o planejamento concebido para uma unidade organizacional, como departamento ou divisão, subsidiária ou equipe multifuncional. Trabalha com a decomposição dos objetivos definidos no 36 planejamento estratégico. Em geral, deve estar atrelado de alguma forma ao planejamento estratégico da organização e focaliza o médio prazo, como exercício fiscal ou anual da organização. Tem por objetivo otimizar determinada área de resultados e não a organização como um todo. Tem por finalidade a utilização eficiente e eficaz dos recursos disponíveis para a consecução de objetivos previamente estabelecidos para unidade em questão. Está voltado para as atividades meios da organização. • Planejamento Operacional: É o planejamento concebido para uma operação ou atividade específica da organização. Em geral, envolve uma operação e é focado no curto prazo, algo como dias, semanas ou meses. Assim, constituem a formalização por meio de documentos escritos, processos e métodos de trabalho para cada plano operacional. Trabalham com recursos, procedimentos, produtos ou resultados finais, prazos e responsáveis pela sua implementação e execução. 2.5.2 As Escolas de Pensamento Estratégico Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), as escolas de pensamento estratégico, classificam-se da seguinte forma: a Escola do Design, do Planejamento e do Posicionamento, como de natureza prescritiva, caracterizadas, com uma preocupação maior na formulação, e de como as mesmas são formuladas. Por fim, as escolas seguintes consideram aspectos específicos no processo de formulação de estratégias, e têm se preocupado menos com a prescrição do comportamento estratégico ideal, do que com a descrição de como as estratégias são, de fato, formuladas. Na figura 05, apresentam-se as escolas de pensamento estratégico, que procura analisar os trabalhos dos nomes de maior expressão da literatura sobre estratégia empresarial, e expõem as mais nobres contribuições Administração, na visão de Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000). para a 37 Figura 05: As Dez Escolas de Pensamento Estratégico DIMENSÕES DAS ESCOLAS DE PENSAMENTO ESTRATÉGICO Natureza Escolas Mensagem Pretendida Mensagem Recebida Design Adequação Pensar Planejamento Formalizar Programar Posicionamento Analisar Calcular Prescritiva D I M E N S Õ E S C H A V E S Estratégia D I M E N S Õ E S D E Empreendedora Pressentir Centralizar Cognitiva Enquadrar Imaginar Aprendizado Aprender Jogar C O N T E Ú D O Perspectiva Planejada única Ocasional Quântica Planos decompostos em Subestratégias e programas Periódica Posições genéricas planejadas (econômicas e competitivas) Freqüente Perspectiva (visão) pessoal e Única como nicho. Ocasional Revolucionária Oportunista Perspectiva Mental (conceito individual) Infrequente (Construída Mentalmente) Padrões, única Continua Pouco a Pouco Incremental Padrões e posições políticos e Cooperativos como Maquinações Abertas e ocultas. Freqüente Pouco a Pouco Perspectiva Coletiva, Única Infrequente Resistência E Descritiva P R O C E S S O Poder Agarrar Ocultar Cultural Aglutinar Perpetuar Ambiental Lutar Capitular Posições Específicas (chamados Nichos, em “ecologia popular” genéricas Configuração Integrar Transformar Revolucionar Agregar Qualquer um a esquerda S Deliberado Mudança Rara e quântica Aos poucos Ocasional Revolucionária Incremental Fonte: Adaptado Mintzberg, Ahlstrand e Lampel, (2000, p. 259) 2.5.2.1 A Escola de Design (Estratégia como um Processo de Concepção) Na figura 06, apresenta-se o modelo básico da Escola de Design, em sua versão mais simples. Esta escola propõe um modelo de formulação de estratégia 38 que busca atingir uma adequação entre as capacidades internas e as possibilidades externas. Figura 06: O Modelo Básico da Escola de Design Avaliação Externa Avaliação Interna Ameaças e Oportunidades do Ambiente Fraquezas e Ameaças da Organização Fatores-chave de Sucesso Competências Distintivas CRIAÇÃO DA ESTRATÉGIA Valores Gerenciais Responsabilidade Social Avaliação e Escolha da Estratégica IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA Fonte: Adaptado Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000, p. 32) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), várias premissas básicas sustentam a escola de design, algumas plenamente evidentes, outras implícitas. Algumas delas estão citadas a seguir: a) A formação da estratégia deve ser um processo deliberado de pensamento consciente; b) O modelo de formação de estratégia deve ser mantido simples e informal; c) As estratégias devem ser únicas, as melhores resultam de um processo de design individual; d) e) O processo de design esta completo quando as estratégias parecem plenamente formuladas como perspectivas; Essas estratégias devem ser explicitas, assim, precisam ser mantidas simples. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 32 E 33) 39 2.5.2.2 A Escola de Planejamento (Estratégia como um Processo Formal) A Escola de Planejamento originou-se ao mesmo tempo que a Escola de Design. Mas o destino da escola de planejamento seguiu um caminho bem diferente, o planejamento formal. Embora tenha crescido até alcançar um enorme impacto sobre a prática da Administração estratégica. Segundo Mintzberg, Ahsltrand e Lampel (2000), a escola de planejamento aceitou a maior parte das premissas da escola de design, como listado abaixo: a) As estratégias devem resultar de um processo controlado e consciente de planejamento formal, decomposto em etapas distintas, cada uma delineada por checklist e apoiada por técnicas. b) A responsabilidade por todo o processo está, em princípio, com o executivo principal, na prática, a responsabilidade pela execução está com os planejadores. c) As estratégias surgem prontas deste processo, devendo ser explicitadas para que possam ser implementados através da atenção detalhada a objetivos, orçamentos, programas e planos operacionais de vários tipos. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 51 E 52) 2.5.1.3 Escola de Posicionamento (Estratégia como um processo de Concepção) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), muito embora não haja um afastamento radical entre a escola do planejamento e da escola do design, a escola do posicionamento se diferencia ao focalizar o conteúdo da estratégia, e a imposição de limites ao determinar estratégias chaves, como posições no mercado. A seguir são listadas as premissas da escola de posicionamento: a) Estratégias são posições genéricas, especificamente comuns e identificáveis no mercado; b) O mercado (o contexto) é econômico e competitivo; c) O processo de formação de estratégia é, portanto, de seleção dessas posições genéricas com base em cálculos analíticos; d) Os analistas desempenham um papel importante no processo, passando os resultados dos seus cálculos aos gerentes que controlam as opções; 40 e) As estratégias saem do processo totalmente desenvolvido para serem articuladas e implementadas; a estrutura do mercado dirige as estratégias posicionadas deliberadas, as quais dirigem a estrutura organizacional. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 70) Na figura 07, apresenta-se o modelo de Porter de análise competitiva, ilustrando as cinco forças competitivas que determinam a rentabilidade da indústria. Figura 07: Modelo de Porter de Análise Competitiva BARREIRAS DE ENTRADA Economia de Escala Diferenças exclusivas dos produtos Identidade da marca Definir custos Requisitos de capital Acesso à distribuição Vantagens em custo absoluto Curva de aprendizado exclusiva Acesso aos Insumos necessários Projeto exclusivo de produto de baixo custo Política governamental Retaliação esperada DETERMINANTES DE RIVALIDADE Crescimento da Indústria Custos Fixos Excesso de capacidade intermitente Diferenças de produtos Alterações de custos Concentração e equilíbrio Ameaças de novos entrantes Complexidade informacional Diversidade de concorrentes Apostas corporativas Barreiras à saída Novos Entrantes Concorrentes da Indústria Poder de Barganha dos Fornecedores Poder de Barganha dos compradores Compradores Fornecedores DETERMINANTES DO PODER DOS FORNECEDORES Intensidade da Diferenciação de insumos Rivalidade Mudanças de custos de fornecedores e firmas na indústria Presença de insumos substitutos Ameaças de Importância do volume para o fornecedor Substitutos Concentração de fornecedores Custo em relação às compras totais na Indústria Impacto dos insumos no custo ou na diferenciação Ameaça de integração para frente em relação a ameaça de integração para trás pelas empresas na indústria DETERMINANTES DE AMEAÇA DE SUBSTITUIÇÃO Desempenho de preço relativo de substitutos Alterações de custos Propensão dos compradores Para substituir Substitutos DETERMINANTES DE PODER DOS COMPRADORES ALAVANCAGEM DE BARGANHA Concentração de compradores versus concentração de empresas Volume de compradores Cus mudança dos compradores em relação à empresa Informações do comprador Capacidade para integrar para trás Produtos substitutos Superação SENSIBILIDADE AO PREÇO Preço/compras totais Diferenças em produtos Identidade de marca Impacto sobre qualidade/desempenho Lucros dos compradores Incentivos aos responsáveis pelas Decisões Fonte: Adaptado Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2005, p.82) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), os produtos considerados como vacas leiteiras são aqueles que têm alta participação de mercado e com um crescimento lento, geram grandes volumes de caixa, com taxas de retorno, criando 41 a possibilidade de um retorno acima do investimento. São produtos que um dia já foram estrela, e hoje fornecem fundos para aquele crescimento futuro. Na figura 08, apresenta-se a Matriz de Crescimento BCG, ilustrando a participação de crescimento de mercado e participação relativa de mercado. Figura 08: Matriz de Crescimento BCG Fonte: Adaptado Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2005, p.82) 2.5.1.4 Escola Empreendedora (Estratégia como um Processo Visionário) Segundo Mintzberg, Ahsltrand e Lampel (2000), a Escola Empreendedora fez exatamente o contrário das outras. Ela não só focalizou o processo de formação de estratégia, como exclusivamente no líder único, mas também enfatizou o mais inato dos estados e processos: intuição, julgamento, sabedoria, experiência e critério. Isto promove uma visão da estratégia como perspectiva, associada com imagem e senso de direção, isto é, visão. Na figura 09, apresenta-se o pensamento estratégico, onde os autores defendem que uma visão empreendedora não pode ter um único sentido. Figura 09: O Pensamento Estratégico 42 Fonte: Adaptado Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2005, p.82) Pode-se se observar de acordo com a idéia dos autores, que o pensamento estratégico significa ver à frente, porém qualquer boa visão do futuro tem de estar enraizada na compreensão do passado. A seguir são listadas as premissas da visão empreendedora: a) A estratégia existe na mente do líder como perspectiva, especificamente um senso de direção em longo prazo, uma visão do futuro da organização; b) A formação da estratégia é, na melhor das hipóteses, semiconsciente, enraizado na experiência e na intuição do líder, quer ele conceba a estratégia ou a adote de outros e a interiorize em seu próprio comportamento; c) O líder promove a visão de forma decidida, até mesmo obsessiva, mantendo controle pessoal da implementação para ser capaz de reformular aspectos específicos, caso necessário; d) Portanto, a visão estratégica é maleável e, assim a estratégia empreendedora tende a ser deliberada e emergente – deliberada da visão global e emergente na maneira pela quais os detalhes da visão se desdobram; e) A organização é igualmente maleável, estrutura simples, sensível as diretivas do líder, quer se trate de uma nova empresa, uma empresa de propriedade, de uma só pessoa ou uma reformulação em uma organização grande e estabelecida. Muitos procedimentos e relacionamentos de poder são suspensos para conceder ao líder visionário uma liberdade de manobra; f) A estratégia empreendedora tende a assumir a forma de nicho, um ou mais bolsões de posição no mercado protegidos contra as forças de concorrência direta. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 111) 2.5.1.5 A Escola Cognitiva (Estratégia como Processo Mental) 43 Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), há duas alas bastante diferente na escola cognitiva: uma, mais positivista, que trata o processamento e a estruturação do conhecimento como um esforço para produzir algum tipo de filme objetivo do mundo, e a outra, que vê tudo isso como subjetivo: a estratégia é uma espécie de interpretação para o mundo. Fica evidenciado que a Escola Cognitiva têm como trabalho sondar a mente do estrategista, ou seja, chegar ao que este processo significa na esfera da cognição humana utilizando em especial o campo da psicologia cognitiva. A seguir são apresentadas as premissas desta escola: a) A formação de estratégia é um processo cognitivo que tem lugar na mente do estrategista; b) Assim sendo, as estratégias emergem como perspectivas na forma de conceitos, mapas, esquemas e molduras que dão forma à maneira pela quais as pessoas lidam com informações vindas do ambiente. c) Essas informações (de acordo com a ala “objetiva” desta escola) fluem através de todos os tipos de filtros deturpadores, antes de serem decodificadas pelos mapas cognitivos, ou (de acordo com a ala “subjetiva”) são meramente interpretações de um mundo que existe somente em termos de como é percebido. Em outras palavras, o mundo visto pode ser modelado, pode ser emoldurado e pode ser construído. d) Como conceito, as estratégias são difíceis de realizar em primeiro lugar. Quando são realizadas, ficam consideravelmente abaixo do ponto ótimo e, subsequentemente, são difíceis de mudar quando não mais são viáveis. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 131) 2.5.1.6 A Escola de Aprendizado (Estratégia como um Processo Emergente) Segundo Mintzberg, Ahsltrand e Lampel (2000), nesta escola, as estratégias emergem quando as pessoas, atuando individualmente ou na maioria dos casos, coletivamente, aprendem a respeito de uma situação, tanto quanto a capacidade de sua organização. De acordo com a idéia dos autores acima, observa-se que enquanto que as outras escolas têm questionado aspectos específicos das tradições “racionais”, derrubando a maior parte das suas hipóteses e premissas básicas. A seguir são apresentadas as premissas da Escola de Aprendizado: 44 a) A natureza complexa e imprevisível do ambiente da organização, muitas vezes associada à difusão de bases de conhecimento necessárias a estratégia, impede o controle deliberado; a formação da estratégia precisa, acima de tudo, assumir a forma de um processo de aprendizado ao longo do tempo, no qual, no limite, formulação e implementação tornam-se indistinguíveis; b) Embora o líder também deva aprender e, às vezes, pode ser o principal aprendiz, em geral é o sistema coletivo que aprende: na maior parte das organizações há muitos estrategistas em potencial; c) Este aprendizado procede de forma emergente, através do comportamento que estimula o pensamento retrospectivo para que se possa compreender a ação. As iniciativas estratégicas são tomadas por quem quer que tenha capacidade e recursos para poder aprender. Isto significa que as estratégias podem surgir em todos os tipos de lugares estranhos e de maneira incomum. Algumas iniciativas são deixadas para que se desenvolvam ou não por si mesmas, ao passo que as outras são escolhidas pelos defensores gerenciais que as promovem pela organização ou a alta administração, dando-lhes ímpeto. De qualquer maneira, as iniciativas bemsucedidas criam correntes de experiências que podem convergir para padrões que se tornam estratégias emergentes. Uma vez reconhecidas, estas podem ser tornadas formalmente deliberadas; d) Assim, o papel da liderança passa a ser de não preconceber estratégias deliberadas, mas de gerenciar o processo de aprendizado estratégico, pelo quais novas estratégias podem emergir. Portanto, a administração estratégica envolve a elaboração das relações sutis entre pensamento e ação, controle e aprendizado, estabilidade e mudança; e) Dessa forma, as estratégias aparecem primeiro como padrões do passado; mais tarde, talvez, como planos para o futuro e, finalmente, como perspectivas para guiar o comportamento geral. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 156) 2.5.1.7 A Escola do Poder (Estratégia como um Processo de Negociação) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), as relações de poder cercam as organizações, elas também podem inspirá-las. Portanto, deve-se fazer uma distinção entre dois ramos desta escola, aquela que chamamos de poder micro, que lida com o jogo de política, de poder ilegítimo, dentro de uma organização e a de poder macro que diz respeito ao uso do poder pela organização. Pode-se observar que esta escola abre o jogo e caracteriza a formação de estratégia como um processo aberto de influência, enfatizando o uso de poder e política para negociar estratégias favoráveis a determinados interesses, como se descreve nas premissas desta escola a seguir: 45 a) A formação de estratégia é moldada por poder e política, seja como um processo dentro da organização ou como o comportamento da própria organização em seu ambiente externo; b) As estratégias que podem resultar desse processo tendem a ser emergentes e assumem mais a forma de posições e meios de iludir do que de perspectivas; c) c) O poder micro vê a formação de estratégia como a interação, através de persuasão, barganha e, às vezes, confronto direto, na forma de jogos políticos, entre interesses estreitos e coalizões inconstantes, em que nenhum predomina por um período significativo; d) O poder macro vê a organização como promovendo seu próprio bemestar por controle ou cooperação com outras organizações, através do uso de manobras estratégicas bem como de estratégias coletivas em varias espécies de redes e alianças. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 191) 2.5.1.8 Escola Cultural (Estratégia como um Processo Coletivo) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), a formação da estratégia, como um processo enraizado na força social da cultural, espelha a escola do poder. Enquanto uma lida com a influência de políticas internas na promoção de mudanças estratégicas, a outra se preocupa em grande parte com a influência da cultura na manutenção da estabilidade estratégica e, em alguns casos, resistindo ativamente às mudanças estratégicas. A seguir são apresentadas as premissas da Escola Cultural: a) A formação de estratégia é um processo de interação social, baseado nas crenças e nas interpretações comuns aos membros de uma organização; b) Um indivíduo adquire essas crenças através de um processo de aculturação ou socialização, o qual é em grande parte tácito e não verbal, embora seja, às vezes, reforçado por uma doutrinação mais formal; c) Portanto, os membros de uma organização podem descrever apenas parcialmente as crenças que sustentam sua cultura, ao passo que as origens e explicações podem permanecer obscuras; d) Em conseqüência disso, a estratégia assume a forma de uma perspectiva, acima de tudo, enraizada em intenções coletivas (não necessariamente explicadas) e refletida nos padrões pelos quais os recursos ou capacidades da organização são protegidos e usados para sua vantagem competitiva. Portanto, a estratégia é mais bem descrita como deliberada (mesmo que não seja plenamente consciente); 46 e) A cultura e, em especial, a ideologia não encorajam tanto as mudanças estratégicas quanto a perpetuação da estratégia existente; na melhor das hipóteses, elas tendem a promover mudanças de posição dentro da perspectiva estratégica global da organização. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 196 e 197) 2.5.1.9 Escola Ambiental (Estratégia como um Processo Reativo) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), as visões desta escola forçam as pessoas da Administração estratégica a levarem em consideração a gama disponível de poderes decisórios, dados às forças e demandas do contexto externo. Além disso, esta escola tem ajudado a descrever diferentes dimensões dos ambientes que os estrategistas têm diante de si e a sugerir seus possíveis efeitos sobre a formação de estratégia. Pode-se observar que esta escola ajuda a colocar em equilíbrio a visão global da formação da estratégia, posicionando o ambiente como uma das três forças centrais no processo, ao lado da liderança e da organização, como se descreve nas premissas desta escola apresentadas a seguir: a) O ambiente, apresentando-se a organização como um conjunto de forças gerais, é o agente central no processo de geração de estratégia; b) A organização deve responder a essas forças, ou será “eliminada”; c) Assim, a liderança torna-se um elemento passivo para fins de ler o ambiente e garantir uma adaptação adequada pela organização; d) As organizações acabam se agrupando em nichos distintos do tipo ecológico, posições nas quais permanecem até que, os recursos se tornem escassos ou as condições demasiado hostis. Então elas morrem. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 211) 2.5.1.10 A Escola de Configuração (Estratégia como um Processo de Transformação) Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), existem dois lados principais desta escola. Um descreve estados da organização e do contexto que a cerca como configurações e o outro descreve o processo de geração de estratégia como transformação. 47 Neste sentido, esta escola difere de todas as outras em um aspecto fundamental: ela oferece a possibilidade de reconciliação, uma maneira para integrar as mensagens das outras escolas. A seguir são apresentadas as premissas da Escola de Configuração: a) Na maior parte das vezes, uma organização pode ser descrita em termos de algum tipo de configuração estável de suas características: para um período distinguível de tempo, ela adota uma determinada forma de estrutura adequada a um determinado tipo de contexto, o que faz com que ela se engaje em determinados comportamentos que dão origem a um determinado conjunto de estratégias; b) Esses períodos de estabilidade são ocasionalmente interrompidos por algum processo de transformação – um salto quântico para outra configuração; c) Esses estados sucessivos de configuração e períodos de transformação passam a se ordenar ao longo do tempo em seqüências padronizadas, por exemplo, descrevendo ciclos e vida das organizações; d) Portanto, a chave para a administração estratégica é sustentar a estabilidade ou, no mínimo, mudanças estratégicas adaptáveis a maior parte do tempo, mas reconhecer periodicamente a necessidade de transformação e ser capaz de gerenciar esse processo de ruptura sem destruir a organização; e) Assim sendo, o processo de geração de estratégia pode ser de concepção conceitual ou planejamento formal, análise sistemática ou visão estratégica, aprendizado cooperativo ou politicagem competitiva, focalizando cognição individual, socialização coletiva ou a simples respostas as forças do ambiente; mas cada um deve ser encontrado em seu próprio tempo e contexto. Em outras palavras, as próprias escolas de pensamento sobre formação de estratégias representam configurações particulares; f) As estratégias resultantes assumem a forma de planos ou padrões, posições ou perspectivas ou ainda meios de iludir; porém, mais uma vez, cada um há seu tempo e adequado a sua situação. FONTE: MINTZBERG, AHLSTRAND E LAMPEL (2000, P. 224) 2.5.2 A Administração Estratégica Segundo Certo (1993), a Administração Estratégica pode ser definida como um processo contínuo e iterativo, que visa manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado ao seu ambiente, e este, por sua vez, pode ser definido como uma série de etapas. 48 Na figura 10, apresentam-se as etapas envolvidas na Administração Estratégica, na visão de Certo (1993). Figura 10: Etapas do Processo de Administração Estratégica ETAPA 1: ETAPA 2: ETAPA 3: ETAPA 4: ETAPA 5: Análise do Ambiente Estabelecendo a Diretriz Organizacional Formulação da Estratégia Implementação da Estratégia Controle Estratégico * Interno * Externo * Missão * Objetivos FEEDBACK Fonte: Certo (1993 p. 14) Segundo Certo (1993 p. 14), na primeira etapa o processo de Administração Estratégica começa o processo de monitorar o ambiente interno e externo para poder identificar os riscos e as oportunidades presentes e futuras. Neste contexto o ambiente organizacional encerra todos os fatores, tanto internos como externos à organização, que podem influenciar o progresso obtido através da realização de objetivos da organização. Para Certo (1993), na segunda etapa do processo de Administração Estratégica é estabelecer diretriz organizacional ou determinar a meta da organização e há dois indicadores principais de direção para os quais uma organização é levada: a missão e os objetivos organizacionais. Fica evidente que a missão organizacional é a finalidade de uma organização ou razão pela qual ela existe e os objetivos são as metas que as organizações têm. De acordo com Certo (1993), na terceira etapa do processo de Administração Estratégica que é a formulação da estratégia, sendo definida como um curso de ação com vistas a garantir que a organização alcance seus objetivos. Formular estratégias é, então, projetar e selecionar estratégias que levem a realização dos objetivos organizacionais. O enfoque central da estratégia organizacional é como lidar satisfatoriamente com a concorrência. 49 Sendo assim após a análise do ambiente a diretriz organizacional é estipulada e a Administração é capaz de traçar cursos alternativos de ação em um esforço informado para assegurar o sucesso da organização. Conforme Certo (1993), a quarta etapa do processo de Administração Estratégica é a implementação da estratégia organizacional. Essa etapa envolve colocar em ação as estratégias desenvolvidas logicamente que emergiram de etapas anteriores ao processo da Administração Estratégica. Pode-se entender então que a implementação efetiva da estratégia, as organizações são incapazes de obter os benefícios da realização de uma análise organizacional, do estabelecimento, de uma diretriz organizacional e da formulação da estratégia organizacional. Para Certo (1993) na quinta e última etapa é realizado o controle estratégico e para realizar com êxito essa tarefa, os administradores devem compreender o processo de controle estratégico e os papéis das auditorias estratégicas (determinação do ambiente organizacional). No entanto, os administradores devem compreender os meandros dos sistemas de informações da Administração e a forma como tais sistemas possam complementar o processo de Administração Estratégica. Neste sentido entende-se que o pensamento estratégico não é uma competência central dos gestores na maioria das empresas. Os executivos desenvolvem suas capacidades de gestão ao lidar com problemas que se repetem e mudar de estratégia não é uma tarefa que se repita corriqueiramente. Uma vez que as empresas encontraram uma estratégia que funciona, os gestores querem usá-la, não trocá-la. Resultado a maioria deles não desenvolve o pensamento estratégico. Segundo Christensen (2006), há cinco passos para que uma estratégia seja bem sucedida, que são elas: • Olhe para fora e identifique ameaças e oportunidades: No nível mais elevado, a estratégia tem a ver com o mercado lá fora e com o modo como os recursos da empresa podem ser rearranjados para criar uma vantagem explorável. A estratégia deve lidar com as ameaças externas. Sempre há ameaças no ar: novos competidores, mudanças demográficas, fornecedores que talvez o deixem na mão, produtos substitutos que podem roubar seu 50 mercado e fatores macroeconômicos que tendem a reduzir a capacidade de consumo de seus clientes. Seu negócio ainda corre o risco de ser ameaçado por um concorrente que produz mercadorias com a mesma qualidade das suas a um preço bem menor ou um produto bem melhor com o mesmo preço. • Olhe para dentro e avalie seus recursos, capacidades e práticas: Recursos e capacidades internos podem direcionar a escolha de sua estratégia. A estratégia para explorar um novo mercado no setor eletrônico talvez não seja possível se sua empresa não tem o capital necessário nem o humano. • Estude estratégia para lidar com ameaças e oportunidades: as equipes de estratégia priorizem as ameaças e as oportunidades que encontrarem (ele as chama de “forças motrizes” da competição) e então discutam as duas questões em termos amplos. • Encontre o ponto de encaixe entre as atividades de apoio e a estratégia: “estratégia é mais do que apenas um projeto para conseguir mais clientes; diz respeito também a associar atividades da empresa em uma cadeia cujos elos se apóiam mutuamente e são eficazes em evitar imitações”. • Promova o alinhamento: “Alinhamento é um estado no quais todos os funcionários de todos os níveis entendem a estratégia e que papel devem exercer para fazer com que ela funcione”. FONTE: REVISTA HSM MANAGEMENT, (2006, UPDATE No. 30) 2.5.3 Estratégia para o Futuro Segundo Hamel e Prahalad (1995), o futuro não precisa apenas ser imaginado, precisa ser construído ou arquitetado. Um arquiteto precisa ser capaz de sonhar com coisas que ainda não foram criadas, uma catedral que hoje é apenas um terreno empoeirado ou uma elegante ponte sobre um abismo que ainda não foi atravessado. O arquiteto é um sonhador e um planejador e a previsão do futuro do 51 setor permite que uma empresa controle a evolução de seu setor e, desse modo, seu próprio destino. O truque é ver o futuro antes que ele chegue. Para Drucker (1997), poucas organizações sobreviverão no futuro, a menos que desenvolvam capacidades de implementar mudanças estratégicas rápidas, sem desgastes ou disfunções. As empresas vão continuar modificando ou se reestruturando completamente, como um meio de empreender essas mudanças de rota. Fica evidenciado que um dos grandes desafios empresariais do momento não é mais administrar a falta, e sim, o excesso de oportunidades, fato inédito na história econômica. Os novos padrões tecnológicos, os novos parceiros entrando no mercado, à terceirização ampla criando novos segmentos de atuação, a integração de mercados, a integração de logística, descobertas de sinergias entre empresas de segmentos diferentes, tudo isso contribui extraordinariamente o ambiente econômico. 3 MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA para enriquecer e complicar 52 A metodologia utilizada neste projeto de pesquisa em Administração foi abordada uma combinação de enfoque quantitativa e qualitativa, sendo proposta uma pesquisa diagnóstica. O método empregado foi um estudo de caso do tipo exploratório qualitativo descritivo. Segundo Roesch (2005), qualquer tipo de projeto pode ser abordado da perspectiva quantitativa e qualitativa, embora se possa generalizar dizendo que a tendência seria utilizar um enfoque mais quantitativo na Avaliação de Resultados, e um enfoque mais qualitativo na Avaliação Formativa, enquanto que na Pesquisa Diagnóstico, na Proposição de Planos e na Pesquisa Aplicada uma combinação de ambos é geralmente utilizada. Na figura 11, descrevem-se os métodos e técnicas de pesquisa aplicadas neste estudo. Figura 11: Métodos e Técnicas de Pesquisa Aplicadas no Estudo Propósitos do Projeto Método (Delineamento) Técnicas de Coleta Técnicas de Análise PESQUISA QUANTITATIVA - Pesquisa Descritiva - Pesquisa Exploratória PESQUISA QUALITATIVA Pesquisa Diagnóstica - Estudo de Caso - Entrevistas - Questionários - Observação - Pesquisa Documental - Análise de Conteúdo Fonte: Roesch (2005, p.127) Segundo Yin apud Roesch (2005), o estudo de caso como uma estratégia de pesquisa pode ser utilizado de modo exploratório, visando levantar questões e hipóteses para futuros estudos, por meio de dados qualitativos e descritivos, buscando associações entre variáveis, normalmente com evidência de caráter quantitativo. Para Gil (2002), as pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis e nas pesquisas exploratórias o objetivo é proporcionar maior familiaridade com o problema. 53 Segundo Gil (2002), a pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explicito ou a construir hipóteses. Conforme Roesch (2005), na pesquisa qualitativa reconhece-se como uma fase que precede o teste de hipóteses. Neste sentido, argumenta-se que a pesquisa qualitativa e seus métodos de coleta e análise de dados são apropriados para uma fase exploratória da pesquisa. 3.1 POPULAÇÃO E AMOSTRA Segundo Lakatos e Marconi (2005, p. 165), “a amostra é uma parcela convenientemente selecionada do universo (população), é um subconjunto do universo”. Na figura 12, descreve-se a população alvo da pesquisa. Figura 12: População e Amostra Definidas NÚMERO 1 2 3 POPULAÇÃO Rolf Hauck Bárbara Hauck Valdecir Aparecido de Souza CARGO Diretor da Empresa Gerente Financeiro Gerente de Vendas AMOSTRA Dados Estratégicos Dados Táticos Dados Táticos Fonte: Elaborado pelos Autores 3.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Para obter informações da empresa e do seu ambiente, foram utilizados os seguintes instrumentos de coleta de dados: o questionário, a entrevista, observação e a pesquisa documental. 3.2.1 Questionário Segundo Lakatos e Markoni (2005), questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral o pesquisador 54 envia o questionário ao informante, pelo correio ou por um portador; depois de preenchido, o pesquisado devolve-o dentro de um prazo razoável. 3.2.1.2 Vantagens e Desvantagens do Questionário Como todo instrumento de coleta de dados, a aplicação do questionário tem suas vantagens e desvantagens, conforme se apresenta na figura 13. Figura 13: Vantagens e Desvantagens do Questionário VANTAGENS DESVANTAGENS 1. Economiza tempo, viagens e obtém grande número de dados; 1. Percentagens pequenas dos questionários voltam; 2. Atinge maior número de pessoas simultaneamente; 2. Grande número de perguntas sem respostas; 3. Abrange uma área geográfica mais ampla; 3. Não pode ser aplicado a pessoas analfabetas; 4. Economiza pessoal, tanto em adestramento quanto em trabalho de campo; 4. A dificuldade de compreensão, por parte dos informantes, leva a uma uniformidade em questões mal compreendidas; 5. Obtém respostas mais rápidas e mais precisas; 5. Impossibilidade de ajudar o informante em questões mal compreendidas; Fonte: Adptado Lakatos e Markoni (2005, p. 202) 2.3.1.3 Pré-Teste Segundo Lakatos e Markoni (2005), o objetivo do pré-teste é para o seu aprimoramento e o aumento de sua validez e deve ser aplicado em populações com características semelhantes, mas nunca naquela que será alvo de estudo. 3.2.2 Entrevista Alguns autores consideram a entrevista como o instrumento por excelência da investigação social e tem como objetivo principal, a obtenção de informações do entrevistador sobre determinado assunto ou problema. 55 Segundo Lakatos e Markoni (2005, p. 197), “a entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conservação de natureza profissional”. 3.2.2.2 Tipos de Entrevista Na figura 14, descrevem-se três tipos de entrevista, que variam de acordo com o propósito do entrevistador. Figura 14: Tipos de Entrevista PADRONIZADA OU ESTRUTURADA DESPADRONIZADA OU NÃO ESTRUTURADA a) Entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido; a) Entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada; b) Perguntas são prédeterminadas. b) As perguntas são abertas. PAINEL a) Repetição das Perguntas, de tempo em tempo, às mesmas pessoas, a fim de estudar a evolução das opiniões. Fonte: Adaptado Lakatos e Markoni (2005, p. 199) 3.2.2.3 Vantagens e Desvantagens da Entrevista Na figura 15, descrevem-se também as vantagens e desvantagens da aplicação da entrevista como método de pesquisa. Figura 15: Vantagens e Limitações da Entrevista VANTAGENS a) Pode ser utilizada com todos os segmentos da população: analfabetos ou alfabetizados; DESVANTAGENS a) Dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes; 56 b) Fornece uma amostragem muito melhor da população geral: o entrevistado não precisa saber ler ou escrever; b) Incompreensão, por parte do informante, do significado das perguntas, da pesquisa, que pode levar a uma falsa interpretação; c) Há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repetir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente; especificar algum significado, como garantia de estar sendo compreendido; c) Possibilidade de o entrevistado ser influenciado, consciente ou inconscientemente, pelo questionador, pelo seu aspecto físico, suas atitudes, idéias e opiniões; d) Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações e gestos; d) Disposição do entrevistado em dar informações necessárias; Fonte: Adaptado Lakatos e Marconi (2005, p. 200) 3.2.3 Observação Para Gil (2002), a observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. 3.2.3.1 Tipos de Observação Na figura 16, descreve-se o tipo de observação aplicada no estudo. Figura 16: Tipo de Observação Aplicada no Estudo OBSERVAÇÃO OBSERVAÇÃO EM EQUIPE • Feita por uma equipe, que observa por vários ângulos diferentes; Fonte: Adaptado Lakatos e Markoni (2005, 194) 3.2.3.2 Vantagens e Desvantagens da Observação Do ponto de vista científico, a observação oferece uma série de vantagens e desvantagens, havendo, por isso, necessidade de se aplicar mais de uma técnica ao mesmo tempo, como se descreve na figura 17. 57 Figura 17: Vantagens e Desvantagens da Observação VANTAGENS DESVANTAGENS a) Possibilita meio direto e satisfatório para estudar uma ampla variedade de fenômenos; a) Observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador; b) Exige menos do observador do que as outras técnicas; b) A ocorrência espontânea não pode ser prevista, o que impede, muitas vezes, o observador de presenciar o fato; c) Permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas; c) Fatores imprevistos podem interferir na tarefa do pesquisador; d) Depende menos da introspecção ou da reflexão; d) A duração dos acontecimentos é variável: pode ser rápida ou demorada e os fatos podem ocorrer simultaneamente; nos dois casos, torna-se difícil a coleta de dados; Fonte: Adpatado Lakatos e Markoni (2005, p.193) 3.2.5 Pesquisa Documental A pesquisa documental é uma das fontes mais utilizadas em trabalhos de pesquisa em Administração, tanto de natureza quantitativa como qualitativa, é constituída por documentos como relatórios anuais da organização, declarações sobre a sua missão, políticas de marketing, recursos humanos e documentos legais. Segundo Lakatos e Markoni (2005, p. 176), “a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restritos a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias”. 3.2.5.2 Tipos de Documentos Segundo Lakatos e Markoni (2005), na pesquisa de documentação indireta, o levantamento de dados é o primeiro passo, e é feito de duas maneiras: pesquisa documental de fontes primárias e fontes secundárias. Na figura 18, descreve-se o tipo de documento utilizado na pesquisa. 58 Figura 18: Tipos de Documentos Pesquisados no Estudo PESQUISA DOCUMENTAL • Escritos • • Primários Secundários • Outros • • Primários Secundários DOCUMENTAÇÃO INDIRETA Fonte: Adaptado Lakatos e Marconi (2005, p. 176) 3.2.5.3 Vantagens e Limitações da Pesquisa Documental Na figura 19, descrevem-se as vantagens e limitações. Figura 19: Vantagens e Limitações a) b) VANTAGENS Os documentos constituem uma fonte rica e estável de dados; a) LIMITAÇÕES Não representatividade e à subjetividade dos documentos. Custo da pesquisa torna-se significativamente baixo, quando comparado com outras pesquisas. Fonte: Adaptado Gil (2002, p. 46) 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS Os dados foram coletados utilizando instrumentos de coleta de dados previamente definidos: questionário, entrevista, observação e pesquisa documental. 3.3.1 Procedimentos do Questionário Na aplicação do questionário, foram feitas três etapas: o pré-questionário, a aplicação do questionário e o pós-questionário. a) No pré-questionário, foram realizadas as seguintes etapas: elaboração do questionário, pré-teste e logo após a liberação pelo Professor Orientador para aplicação na população alvo da empresa. 59 b) Na aplicação do questionário, foram realizadas as seguintes etapas: entrega do questionário a população alvo, explicação dos objetivos pretendidos com a coleta de informações, e marcada a data de devolução. c) No pós-questionário, foram realizadas as seguintes etapas: devolução do questionário na data marcada e análise dos dados coletados. Na figura 20, descrevem-se os procedimentos feitos, através do questionário. Figura 20: Descrição dos Procedimentos do Questionário ETAPA 1: PRÉ-QUESTIONÁRIO DATA HORA PROCESSO LOCAL / COMO 04/09/2007 20:45 HS Elaboração do Questionário 05/09/2007 14:00 HS Pré-Teste, feito em população semelhante CEASA – Empresa Triunfo 06/09/2007 20:45 HS Correções identificadas, após o pré-teste FAA – Aulas de Elaboração do Projeto 10/09/2007 20:00 HS Liberação do Professor Orientador para aplicação do questionário na população alvo. FAA – Aulas de Elaboração do Projeto FAA – Aulas de Elaboração do Projeto ETAPA 2: APLICAÇÃO DO QUESTIONÁRIO 11/09/2007 14:00 HS Entrega do questionário e explicação dos objetivos a população alvo. • A entrega foi feita pessoalmente pelo acadêmico Valdinei Empresa Agro Corupá – Gerência ETAPA 3: PÓS-QUESTIONARIO 17/09/2007 18/09/2007 14:00 HS 20:45 HS Devolução do questionário por parte população alvo. Devolução do questionário foi feita acadêmico Valdinei Análise dos Dados do Questionário da ao Empresa Agro Corupá – Gerência FAA – Aulas de Elaboração do Projeto Fonte: Elaborado pelos Autores 3.3.2 Procedimentos da Entrevista A aplicação da entrevista ocorreu em três etapas que foram: a pré-entrevista, aplicação da entrevista e a pós-entrevista. a) Na pré-entrevista, foram realizadas as seguintes etapas: elaboração do roteiro de entrevista, pré-teste e logo após, foi feita a liberação pelo Professor Orientador para aplicação na população alvo da empresa. 60 b) Na aplicação da entrevista, foram realizadas as seguintes etapas: explicação a população alvo dos objetivos pretendidos e realização da série de perguntas pré-determinadas com método de gravação e escrita. c) Na pós-entrevista, foram realizadas as seguintes etapas: agradecimentos a diretoria, degravação da entrevista e análise dos dados. Na figura 21, descrevem-se os procedimentos feitos, através da entrevista. Figura 21: Descrição dos Procedimentos da Entrevista ETAPA 1: PRÉ-QUESTIONÁRIO DATA HORA PROCESSO LOCAL / COMO 04/09/2007 20:45 HS Elaboração do Roteiro de Entrevista 05/09/2007 14:00 HS Pré-Teste, feito em população semelhante CEASA – Empresa Triunfo 06/09/2007 20:45 HS Correções identificadas, após o pré-teste FAA – Aulas de Elaboração do Projeto 10/09/2007 20:00 HS Liberação do Professor Orientador para aplicação do questionário na população alvo. FAA – Aulas de Elaboração do Projeto FAA – Aulas de Elaboração do Projeto ETAPA 2: APLICAÇÃO DA ENTREVISTA 11/09/2007 14:00 HS Realização da entrevista acadêmicos Eduardo e Valdinei feita pelos Empresa Agro Corupá – Diretoria ETAPA 3: PÓS-QUESTIONARIO 17/09/2007 14:00 HS Degravação da Entrevista FAA – Aulas de Elaboração do Projeto 18/09/2007 20:45 HS Análise dos Dados da Entrevista FAA – Aulas de Elaboração do Projeto Fonte: Elaborado pelos Autores 3.2.3 Procedimentos da Observação A observação foi realizada em conjunto, ou seja, com os autores do projeto. Cada um fez anotações dos diversos setores da empresa, observando o ambiente interno com visões diferentes dos autores. Após serem feitas as anotações, as informações foram analisadas e selecionados todos os dados úteis à pesquisa. 61 3.3.4 Procedimentos da Pesquisa Documental A pesquisa documental consistiu em compilar documentos e relatórios da empresa com o objetivo de extrair informações sobre o seu crescimento durante as diferentes fases de desenvolvimento. Para obter esta informação, foi necessário a análise de dados do balanço patrimonial da assessoria contábil da empresa, pesquisar a evolução do crescimento patrimonial, através de notas fiscais de compra de bens da empresa e levantar a evolução de crescimento funcional, através do livro de registro dos funcionários. Na figura 22, descrevem-se os tipos de documentos analisados da empresa Agro Corupá. Figura 22: Descrição dos Procedimentos da Análise Documental DATA TIPO DE DOCUMENTOS DADOS EXTRAÍDOS 04/09/2007 Contrato Social Alterações de Contrato 06/09/2007 Balanço Patrimonial Evolução Patrimonial da Empresa 07/09/2007 Notas Fiscais Compra de Equipamentos 07/09/2007 Livros Diários Quantidade Anual de Caixas de Bananas Vendidas 07/09/2007 Livro de Registro de Funcionários Análise de Crescimento do Quadro Funcional 07/09/2007 Plano de Marketing Estratégias de Marketing Fonte: Elaborado pelos Autores 3.3.5 Procedimentos de Análise dos Dados Os procedimentos efetuados após a coleta de dados para análise serão demonstrados passo a passo, dentre eles existe a seleção dos dados que consiste em definir quais os dados que realmente servem para a análise; a codificação dos dados que é a, categorização destes dados, visando relação entre eles e a elaboração que é a sintetização dos dados por categorias. Na figura 23, está descrita 3 etapas para análise dos dados. 62 Figura 23: Procedimentos para Análise dos Dados PROCESSO DESCRIÇÃO “É o exame minucioso dos dados. De posse do material coletado, o pesquisador deve submetê-lo a uma verificação crítica, a fim de detectar falhas ou erros, evitando informações confusas, distorcidas, incompletas, que podem prejudicar o resultado da pesquisa”. SELEÇÃO DOS DADOS “É a técnica operacional utilizada para categorizar os dados que se relacionam. Mediante a codificação, os dados são transformados em símbolos, podendo ser tabelados e contados”. CODIFICAÇÃO DOS DADOS “É à disposição dos dados em tabelas, possibilitando maior facilidade na verificação das inter-relações entre eles. É uma parte do processo técnico de análise estatística, que permite sintetizar os dados de observação conseguida pelas diferentes categorias e representá-los graficamente. Dessa forma, poderão ser compreendidos e interpretados mais rapidamente”. TABULAÇÃO DOS DADOS Fonte: Adaptado Marconi e Lakatos (2005, p. 168). 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS A técnica de análise de dados, utilizada na pesquisa, foi à análise de conteúdo. Segundo Gil (2002), a análise do conteúdo desenvolve-se em três fases: a primeira é a pré-análise, onde se procede à escolha dos documentos, à formulação de hipóteses e à preparação do material para análise. A segunda é a exploração do material, que envolve a escolha de unidades, a enumeração e a classificação e a terceira etapa, por fim, é constituída pelo tratamento, inferência e interpretação dos dados. 4 CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE PESQUISA 4.1 DADOS DA EMPRESA Na figura 24, apresenta-se a empresa Agro Corupá, que atua no comércio e distribuição de hortifrutigranjeiro desde 1990, sendo permissionária do CEASA (Central de Abastecimento do Paraná). Figura 24: A Empresa Agro Corupá 63 Fonte: Fotografada pelos Autores NOTA: Data 03/10/2007 Na figura 25, estão os dados da empresa, a sua natureza jurídica, bem como o endereço, contatos e proprietário. Figura 25: Dados Gerais da Empresa NOME FANTASIA: AGRO CORUPÁ RAZÃO SOCIAL: HAUCK E CIA LTDA FUNDAÇÃO: 01/09/1990 NATUREZA JURIDICA: Comércio de Importação e Exportação de Hortifrutigranjeiro CNPJ: 85.495.109/0001-08 I.E.: 42.210.847-51 ALVARA: 16.771 ENDEREÇO: Avenida J.K., 1254 – CEASA, BOX 48E49 - Centro CEP: 85.853-000 FONE: 35222008 PROPRIETÁRIO: CONTATO: HORÁRIO DE ATENDIMENTO: Rolf Hauck Rolf Hauck e Bárbara Hauck 04:00 hs às 12:00 hs 4.2 HISTÓRICO DA EMPRESA Conforme relato em entrevista realizada com o diretor da empresa Agro Corupá, Rolf Hauck, antes da abertura da empresa, a família Hauck fornecia as bananas para os irmãos Looks, comerciantes do ramo de hortifrutigranjeiros, que atuavam em Foz do Iguaçu. Mas como a empresa dos irmãos Looks deixou de comprar a produção de bananas da família Hauck, o Senhor Waldemiro Hauck, pai do diretor atual, perdeu o seu principal cliente. Com a necessidade de vender a produção de bananas para um novo comprador, o Senhor Waldemiro Hauck, patriarca da família Hauck, veio da cidade de Corupá, estado de Santa Catarina até a Foz do Iguaçu, Paraná, estudar a possibilidade de abrir um comércio para revender a sua produção de bananas. No 64 mês de dezembro de 1990, o Senhor Waldemiro, conseguiu uma permissão do CEASA para atuar no comércio de hortifrutigranjeiros da região de Foz do Iguaçu. O empresário Rolf Hauck (2007) relata que seu pai tinha a visão que, abrindo a empresa nesta região, poderia exportar as bananas para o Paraguai, já que o país vizinho não produzia bananas na época. No começo a empresa encontrou dificuldades para poder penetrar no mercado interno, pois haviam empresas já fortalecidas na cidade com o comércio de bananas. A produção inicial das bananas, fornecida pela fazenda para revenda era de 70.000 mil pés de bananas, total de 60.000 mil caixas de bananas que eram vendidas apenas para o Paraguai até meados de 1998. O empresário relata que as dificuldades dos primeiros anos foram passando e a empresa foi conquistando seus clientes e seu espaço no mercado, começando assim, a vender suas bananas para o mercado interno da cidade Foz do Iguaçu. O Senhor Waldemiro Hauck, então, passou a Administração da empresa para o filho Rolf Hauck e voltou para a cidade de Corupá, Santa Catarina para o cultivo e produção das bananas. O empresário relata que no começo ele não queria ficar em Foz do Iguaçu, pois não gostava muito da cidade, e também estava cursando o curso de Engenharia Agrícola na cidade de Florianópolis, aonde veio a conhecer sua atual esposa Bárbara Jark. Com o casamento e a família, e o empresário Rolf Hauck desistiu da faculdade de Engenharia Agrícola e se fortaleceu na cidade de Foz do Iguaçu com a sua família e a sua empresa. Com o fortalecimento da empresa era preciso ganhar mais espaço no mercado, por isso começou a investir na qualidade do produto, implantando na empresa o sistema Paquerause, que é um sistema para selecionar e embalar as bananas, oferecendo assim, um produto de boa qualidade, conquistando assim, o 1º. Primeiro lugar no comércio de vendas e distribuição de bananas na cidade de Foz do Iguaçu e região. 4.3 ÁREA DE ATUAÇÃO 65 Conforme discriminado no contrato social, a empresa Agro Corupá, atua no ramo de comércio de importação, exportação de hortifrutigranjeiros, comercializando a venda e a distribuição de bananas no mercado de Foz do Iguaçu e região. 4.4 PRODUTOS E SERVIÇOS Nas figuras 26 e 27, apresentam-se os produtos e serviços que a empresa fornece aos seus clientes. A banana é hortifrutigranjeiro comercializado e distribuindo aos clientes, através do serviço de logística. Figura 26: Produto Comercializado Figura 27: Distribuição do Produto Fonte: Fotografada pelos Autores NOTA: Data 03/10/2007 4.5 PORTE Na figura 28, descreve-se a classificação do SEBRAE do porte das empresas Brasileiras por número de funcionários. A Agro Corupá está classificada como uma empresa de pequeno porte por ter em seu quadro funcional 14 colaboradores. Figura 28: Classificação do SEBRAE do Porte das Empresas Brasileiras PORTE CLASSIFICAÇÃO POR NUMERO DE EMPREGADOS Micro Empresa Com até 19 empregados na indústria e no comércio e serviços até 9 empregados; Pequena Empresa De 20 A 99 empregados na indústria e no comércio e serviços de 10 a 49 empregados; Média Empresa De 100 a 499 empregados na indústria e no comércio e serviços de 50 a 99 empregados; Grandes Empresas De 500 ou mais empregados na indústria e no comércio e serviços de 100 ou mais 66 empregados. Fonte: Sebrae (2007) 4.6 FORÇA DE TRABALHO Na figura 29, descreve-se os dados do número de funcionários, sexo, idade e escolaridade. Figura 29: Relação do Número de Funcionários da Empresa DADOS DOS FUNCIONÁRIOS DA EMPRESA AGRO CORUPÁ IDADE MASCULINO FEMININO ENSINO F. 18 a 25 2 0 -26 a 34 9 1 7-EF 35 a 44 1 0 1-EF 45 a 54 1 0 1-EF 55 a 65 0 0 -13 1 -TOTAL Fonte: Dados Fornecidos pela Empresa Agro Corupá ENSINO M. 2-EM 3-EM ----- ENSINO S. ------- 4.7 AMBIENTE TAREFA O ambiente tarefa da empresa Agro Corupá é composto por fornecedores, clientes, concorrentes e órgãos de fiscalização e regulação. 4.7.1 Fornecedores Na figura 30, descreve-se a lista de fornecedores da empresa Agro Corupá, bem como os serviços prestados pelos. Figura 30: Lista de Fornecedores da Empresa EMPRESA FORNECIMENTO ENDEREÇO TELEFONE Copel Energia Elétrica Rua José Izidoro, 458 - Curitiba 08005100116 Sanepar Água Rua Antônio Raposo, 693 – Centro 45-35232010 Brasil Telecom Comunicação Telefônica Trav.Teixeira Freitas, 75 – Curitiba 08006430014 Encopel Material de Escritório Rua Jorge Sanwais, 740 - Centro 45-3535414 67 Super Muffato Material de Serviço Geral Avenida J.K., 1565 45-35238811 Posto Gasparin Gasolina e Lubrificantes BR-277, KM 720 – Três Lagoas 45-3577-1234 Auto Vidros Cascavel Manutenção da Frota Logística Rua Di Cavalcanti S/N 45-3520-9990 Gazeta do Iguaçu Informação Rua Marechal Floriano Peixoto, 1230 Centro 45-35233313 Produtor – Irma Hauck Banana Nanica Cidade de Corupá – SC --------------------- Produtor – Alfredo Paul Banana Nanica Cidade de Corupá - SC --------------------- Produtor – Braco Fr. Bananas Cidade de Luiz Alves – SC --------------------- Produtor – Osvaldo V. Banana Catura Cidade de Corupá - SC --------------------- Produtor – Lídia Saw. Banana Nanica Cidade de Corupá – SC --------------------- Fonte: Elaborado pelos Autores NOTA: Dados Fornecidos pelo Setor de Compras da Empresa. 4.7.2 Clientes A figura 31 apresenta quem são os clientes da empresa Agro Corupá por ramo de atividade. Figura 31: Clientes Atuais e Potenciais da Empresa CLIENTES POR RAMO DE ATIVIDADE REDES DE SUPERMERCADO MERCADOS DE MÉDIO E PEQUENO PORTE COMERCIANTES PARAGUAIOS RESTAURANTES E SIMILARES OUTRAS LOCALIDADES COMERCIANTES ARGENTINOS 68 Fonte: Elaborado pelos Autores 4.7.3 Concorrentes Entre os concorrentes da empresa Agro Corupá, existem os que atuam da forma legalizada e os concorrentes que trabalham informalmente, ou seja, os que atuam no comércio paralelo, denominado de ceazinha, que se encontra localizado na vila portes. Na figura 32, apresenta-se uma imagem de satélite, com a localização dos principais concorrentes da empresa Agro Corupá, que são as empresas Minatti e Naranjal, que também atuam dentro do CEASA de Foz do Iguaçu. Figura 32: Vista Área do CEASA – Localização dos Concorrentes Fonte: Google Earth – Imagem de Satélite 4.7.4 Órgão Regulamentador Na figura 33, descreve a lista de órgãos que tem o papel de regulamentação e fiscalização das empresas que atuam no ramo de hortifrutigranjeiro. Figura 33: Os Órgãos que Regulam o Comércio Hortifrutigranjeiro ÓRGÃOS CEASA – PARANÁ NATUREZA Economia Mista FUNÇÃO Escoar a safra produzida pelos produtores rurais. 69 Vigilância Sanitária Órgão Municipal Inspeção Sanitária Ministério da Agricultura Órgão Federal Promover o Desenvolvimento Sustentável e a Competitividade no Agro Negócio em Beneficio da Sociedade Brasileira. Receita Federal Órgão da União Arrecadar Tributos Federais Receita Estadual Órgão Estadual Arrecadar Tributos Estaduais Fazenda Municipal Órgão Municipal Arrecadar Tributos Municipais IPEM Órgão Estadual Verificação Metrológica de Calibração e Ensaios EMATER Órgão Estadual Contribuir para o desenvolvimento da agricultura rural e sustentável. EMBRAPA Órgão Federal Viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural. Fonte: Elaborado pelos Autores NOTA: Dados Fornecidos pelo Setor Financeiro da Empresa. 4.8 ORGANOGRAMA A empresa Agro Corupá não possui organograma definido, por isso elaborouse como sugestão um modelo de acordo com as características da organização em estudo, que se encontra no capítulo das recomendações. 4.9 MACROAMBIENTE Na figura 34, apresenta-se o Macro Ambiente da empresa em estudo, que compreende as variáveis, concorrentes, fornecedores, clientes, órgãos reguladores e ainda mostra o processamento de entrada e saída de insumos, ou seja, resultados de produtos e serviços. MICROAMBIENTE Figura 34: O CONCORRENTES Macro Ambiente da Empresa ENTRADAS INSUMOS: Recursos; Materiais; Energia; Informação. FORNECEDORES SAÍDAS OU RESULTADOS: Produtos e Serviços. O CLIENTES AGÊNCIAS REGULADORAS RETROAÇÃO 70 EMPRES A Fonte: Adaptado Chiavenato (2004, p. 80) 5 ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo são apresentadas a análise e descrição dos dados obtidos por meio da coleta dos dados que se utilizaram nos instrumentos como questionário, entrevista, observação e pesquisa documental. A Análise de Dados está estruturada na seqüência dos objetivos específicos. 5.1 OBJETIVO ESPECÍFICO 1 O primeiro objetivo consiste em identificar as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases. Nestes 17 anos de história e fases diferentes nortearam várias mudanças no aspecto estratégico e organizacional da empresa. Analisando o contexto histórico da empresa Agro Corupá, este projeto de pesquisa identificou três fases, as quais acarretaram em mudanças de direcionamento nas decisões estratégicas por parte dos diretores da empresa. 71 5.1.1 Fase 1 (1990 a 1996) A primeira fase compreende entre o ano de abertura 1990 a 1996, mas antes deste momento, exatamente, na década de 1980, a família Hauck era apenas produtora de bananas na cidade de Corupá, estado de Santa Catarina. O Senhor Waldemiro Hauck, pai do empresário Rolf Hauck, vendia a produção de bananas para os irmãos Looks, que atuavam em Foz do Iguaçu. Mas, como a empresa dos irmãos, deixou de comprar com família Hauck, o Senhor Waldemiro Hauck perdeu o seu principal cliente. Com a necessidade de vender a produção de bananas para um novo comprador, o Senhor Waldemiro Hauck, patriarca da família Hauck, veio até a Foz do Iguaçu, Paraná, estudar a possibilidade de abrir um comércio para revender a sua produção de bananas. No mês de dezembro de 1990, o Senhor Waldemiro, conseguiu uma permissão do CEASA (Central de Abastecimento do Paraná de Foz do Iguaçu) para poder atuar na comercialização de bananas produzidas na sua fazenda em Santa Catarina. O empresário Rolf Hauck relatou que seu pai acreditava que, abrindo a empresa nesta região, poderia exportar as bananas para o Paraguai, já que o país vizinho não produzia bananas na época. Com este objetivo, qual foi à escola de estratégia adotada pela empresa Agro Corupá, nesta fase 1? Diante da visão de mercado que o Senhor Waldemiro Hauck teve no começo dos anos 90, a escola de estratégia, ao qual se encaixa essa primeira fase da empresa é a Escola Empreendedora. Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), a escola empreendedora focalizou o processo de intuição, julgamento, sabedoria, experiência e critério. Isso promove uma visão da estratégia como perspectiva, associada à imagem e senso de direção, isto é visão. Quase todos concordam que pensamento estratégico significa ver à frente. A Escola Empreendedora se fortalece na valorização da intuição, do julgamento, da sabedoria, da experiência, e dos critérios, para criação de uma visão estratégica como perspectiva, que não se transfere para um plano. Ficando na mente do líder, dando a ele, uma condição de condutor de uma situação, por possuir um senso de direção, com uma liberdade expressiva dentro da organização 72 e, ao mesmo tempo, possibilita uma flexibilidade quando necessário. Estas características geralmente garantem a liderança da figura do líder empreendedor, por saber se aproveitar de uma proteção de um nicho de mercado. Mas não foi apenas a visão empreendedora que o Senhor Waldemiro Hauck teve para o início do seu negócio, outras estratégias foram utilizadas para a sua entrada e permanência no mercado de hortifrutigranjeiros, para isso, a empresa, utilizou-se de estratégias de penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento do produto e diversificação do seu produto. Para Ansoff (1991), estratégia é um dos vários conjuntos de regras de decisão para orientar o comportamento da organização. Ansoff, desenvolveu um esquema pioneiro, conhecido como Matriz de Ansoff, que classifica as estratégias empresariais em quatro categorias. São elas: • Penetração de mercado é a estratégia de explorar produtos tradicionais em um mercado tradicional; • Desenvolvimento de mercado é a estratégia de explorar um mercado novo com produtos tradicionais; • Desenvolvimento do produto é a estratégia de explorar mercados tradicionais com produtos novos; • Diversificação é a estratégia de explorar novos mercados como novos produtos. Diante destas quatro categorias de estratégias, apresentadas por Ansoff, foram utilizadas pela empresa Agro Corupá, na sua primeira fase, apenas 2. A primeira estratégia utilizada foi a de penetração do mercado, devido à entrada no mercado ao qual a empresa faz parte, e a segunda foi a de desenvolvimento de mercado, explorando um mercado que já oferece o mesmo produto. Na figura 35, descrevem-se as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá na sua fase 1. 73 Figura 35: Estratégias Identificadas na Fase 1 FASE ESCOLA 1990 a 1996 Empreendedora ESTRATÉGIAS AUTOR • Penetração de Mercado; • Desenvolvimento de Mercado; Ansoff Na figura 36, descrevem-se o contexto histórico da empresa, abrangendo o cenário político e econômico, a orientação da empresa, os objetivos, a estrutura organizacional, as estratégias e os resultados. Figura 36: Contexto da Fase 1 (1990 a 1996) CONTEXTO CENÁRIO POLITICO E ECONÔMICO 1990 – Início do Governo Collor ANO DE NASCIMENTO DA EMPRESA AGRO CORUPÁ 1991 – Instabilidade Econômica 1992 – Impeachement – Governo Collor 1993 – Governo Itamar 1994 – Nova Moeda URV, Real INÍCIO DA PLANTAÇÁO DE BANANAS NO PARAGUAI 1995 – Governo FHC 1996 - FIM DA FASE 1 ORIENTAÇÃO DA EMPRESA • • ESTRUTURA ORGANIZACIONAL • Criação da Empresa; Foco no Mercado Externo - 1990 – 6 Funcionários - 1996 – 8 Funcionários • OBJETIVOS DA EMPRESA • • Aspecto Pessoal Aspecto Físico - 1 Caminhão 608 - 1 Camionete F-1000 Entrada no Mercado Conquista de Clientela - 1 Caminhão Agrale - 5 Câmaras Frias ESTRUTURA DE MERCADO • • Barreiras de Entrada 2 Concorrentes – (Irmãos Looks e Chico Rabelo) ESTRATÉGIA EMPRESARIAL 74 • • • • • Empreendedorismo Penetração de Mercado Desenvolvimento de Mercado Desenvolvimento Produto Diversificação ANSOFF RESULTADOS • • • Rentabilidade Crescimento Lucratividade 5.1.2 Fase 2 (1997 a 2000) Nesta fase dois da empresa Agro Corupá, que compreende o período entre 1997 a 2000, foi o momento em que a Diretoria da empresa começou a mudar o direcionamento das suas vendas para o mercado interno da cidade de Foz do Iguaçu e região, devido a baixa demanda dos clientes paraguaios, que começaram a comprar a banana produzida em seu país. Com a mudança de direcionamento da empresa para conquistar clientes no mercado interno, quais foram às estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá neste período? Diante deste contexto, a escola de estratégia que mais se encaixa a fase 2 da empresa, é a escola de posicionamento. Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), a escola do posicionamento se diferencia ao focalizar o conteúdo da estratégia e a imposição de limites ao determinar estratégias chaves, como posições no mercado. Na figura 37, descrevem-se as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá na sua fase 2. Figura 37: Estratégias Identificadas da Fase 2 FASE ESCOLA 1997 a 2000 Posicionamento ESTRATÉGIAS • Estratégica como Posição AUTOR Mintzberg 75 Em relação à estratégia como posição, a organização busca no nicho ou indústria em que atua, um posicionamento que lhe permita sustentar-se e defender sua posição dentro desta indústria. Refere-se a como a empresa é percebida externamente pelo mercado. Na figura 38, descrevem-se o contexto histórico da empresa, abrangendo o cenário político e econômico, a orientação da empresa, os objetivos, a estrutura organizacional, as estratégias e os resultados alcançados pela empresa. Figura 38: Contexto da Fase 2 (1997 a 2000) CONTEXTO CENÁRIO POLITICO E ECONÔMICO 1997 – Criação do Super Simples INÍCIO DA PRODUÇÃO DE BANANAS PARAGUAIA 1998 – Reeleição do FHC QUEDA NO VOLUME DE VENDAS 1999 – FOCO PARA O MERCADO INTERNO 2000 - FIM DA FASE 2 ORIENTAÇÃO DA EMPRESA • ESTRUTURA ORGANIZACIONAL • Foco para o Mercado interno Aspecto Pessoal - 1997 – 8 Funcionários - 2000 – 8 Funcionários • OBJETIVOS DA EMPRESA Aspecto Físico - 1 Caminhão 608 - 1 Camionete F-1000 • • - 1 Caminhão Agrale Entrada no Mercado Interno; Conquista de Clientela - 7 Câmaras Frias ESTRUTURA DE MERCADO • • Barreiras de Entrada no Mercado Interno 2 Concorrentes – (Laranjal e Naranjal) ESTRATÉGIA EMPRESARIAL • Posicionamento de Mercado • Plano • Trama • Padrão • Posição MINTZBERG • 76 Perspectiva RESULTADOS • • • Rentabilidade Crescimento Lucratividade 5.1.3 Fase 3 (2001 a 2006) A fase três da empresa Agro Corupá, compreende os anos de 2001 a 2006. Este período marca o fortalecimento da empresa, levando-a ao primeiro lugar em Foz do Iguaçu e região, na comercialização de bananas. Nesta fase, a empresa começou a se preocupar na diferenciação do seu produto, investindo-se na embalagem e rotulagem das caixas de banana, criando assim, uma marca que diferencie o seu produto dos concorrentes. Passando por este processo de transformação, qual foi a escola de estratégia adotada pela empresa Agro Corupá, nesta fase? Diante deste contexto, a escola de estratégia que mais se encaixa a fase 3, é a escola de configuração. Segundo Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000), existem dois lados principais desta escola. Um descreve estados da organização e do contexto que a cerca como configurações. O outro descreve o processo de geração de estratégia como transformação. Esta escola difere-se de todas as outras em um aspecto fundamental, pois oferece a possibilidade de reconciliação, uma maneira para integrar as mensagens das outras escolas. Além da transformação que aconteceu nesta fase, outras estratégias foram utilizadas pela empresa, para poder competir e crescer mais no mercado de hortifrutigranjeiros. De acordo com Porter apud Amorin (2006), saber como e onde competir é imprescindível para formular uma estratégia competitiva eficiente, para tanto a organização pode desenvolver vantagens como: diferenciação e liderança do custo, que combinados com o enfoque das operações da organização, formarão estratégias genéricas de organizações, das quais se deseja obter resultados satisfatórios. 77 Para isso, deverá escolher uma estratégia, mesmo que genérica, e investir seus recursos de forma coerente. As estratégias genéricas podem ser classificadas em três categorias: diferenciação, liderança do custo e foco. Na estratégia de diferenciação, a empresa procurou projetar uma forte identidade própria para o serviço ou produto, que o torne nitidamente distinto dos produtos e serviços concorrentes. Isso significa enfatizar uma ou mais vantagens competitivas, como qualidade, serviço, prestígio para o consumidor, estilo do produto ou aspecto das instalações. Na estratégia que busca a liderança por meio do custo, o objetivo não era diferenciar-se dos concorrentes, mas oferecer um produto ou serviço mais barato. A estratégia do foco (também chamada de estratégia da concentração ou do nicho) consiste em escolher um nicho ou segmento do mercado e concentrar-se nele. Na figura 39, descrevem-se as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá na sua fase três. Figura 39: Estratégias Identificadas da Fase 3 FASE 2001 a 2006 ESCOLA Configuração ESTRATÉGIAS • Diferenciação; • Liderança do Custo; • Foco. AUTOR Porter Neste contexto, a empresa integralizou e transformou o seu produto com o objetivo de revolucionar e agregar valor a sua marca, diferenciando-se dos demais, buscando ainda mais a fidelidade dos clientes atuais e a conquista de novos mercados. Na figura 40, descrevem-se o contexto histórico da empresa, abrangendo o cenário político e econômico, a orientação da empresa, os objetivos, a estrutura organizacional, as estratégias e os resultados alcançados pela empresa. 78 Figura 40: Contexto da Fase 3 (2001 a 2006) CONTEXTO CENÁRIO POLITICO E ECONÔMICO 2001 – INÍCIO DA FASE 3 2002 – Início do Governo Lula FORTALECIMENTO DA EMPRESA 2003 - LIDERANÇA NA COMERCIALIZAÇÃO 2004 – 2005 – DIFERENCIAÇAÕ DA MARCA 2006 – Reeleição do Governo LULA FIM DA FASE 3 ORIENTAÇÃO DA EMPRESA • ESTRUTURA ORGANIZACIONAL • Foco no Mercado Interno e Externo Aspecto Pessoal - 2001 – 8 Funcionários - 2006 – 18Funcionários OBJETIVOS DA EMPRESA • Aspecto Físico - 1 Caminhão Cargo • • • Diferenciação da Marca; Qualidade do Produto; Conquista de Novos Clientes - 1 Camionete F-1000 - 2 Caminhão Agrale - 1 Mercedes 710 Ranger - 8 Câmaras Frias ESTRUTURA DE MERCADO • • Mudanças no Ambiente Externo 2 Concorrentes – (Minatti e Naranjal) ESTRATÉGIA EMPRESARIAL • Configuração • Diferenciação • Liderança • Foco PORTER RESULTADOS • • • Rentabilidade Crescimento Lucratividade 79 5.2 OBJETIVO ESPECÍFICO 2 O segundo objetivo específico consiste em descrever os resultados alcançados pela empresa Agro Corupá, decorrentes do uso das estratégias adotadas em cada fase. 5.2.1 Fase 1 (1990 a 1996) Desde o primeiro ano de abertura até 1996, uma série de dificuldades foram encontradas pela empresa Agro Corupá. As poucas informações sobre o mercado de Foz do Iguaçu e região, a falta de experiência do proprietário e a falta de pessoal qualificado, dificultaram o funcionamento da empresa no seu início. O único fator de atratividade deste ramo era a grande demanda por produtos hortifrutigranjeiros, principalmente pelos clientes paraguaios que compravam uma boa quantidade para revender no seu país. Na 1º. Fase, a empresa vendeu uma quantidade de 780.759 mil caixas de bananas, contabilizando um faturamento bruto de R$ 2.098.763,84 nos 6 primeiros anos, como descreve a tabela 01. Tabela 01: Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento ANO QUANTIDADE FATURAMENTO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 CAIXAS 145 CX 23.729 CX 107.207 CX 127.161 CX 184.140 CX 164.080 CX 174.297 CX ANUAL Cr$ 1.356.778,00 Cr$ 182.068.796,00 Cr$ 1.481.333.938,00 CR$ 41.826.844,00 R$ 514.904,00 R$ 343, 299,00 R$ 339.984,00 TOTAL 780.759 CX R$ 2.098.763,84 CONVERSÃO MOEDA R$ 493,37 R$ 66.206,83 R$ 382.303,25 R$ 451.573,39 OBSERVAÇÃO Abertura da Empresa Moeda - Cruzeiro Moeda – Cruzeiro Moeda – Cruzeiro Real Nova Moeda - Real NOTA: Os 3 primeiros anos, os valores faturados, foram feitas conversões da moeda da época que era o cruzeiro e cruzeiro real, para a moeda atual, que é o real. 5.2.1.1 Evolução das Vendas 80 Esta fase pode-se dizer que foi um dos melhores momentos da empresa Agro Corupá. Apesar de serem os primeiros anos no mercado de hortifrutigranjeiros, a demanda por produtos comercializados no CEASA era muito grande, principalmente pelos compradores paraguaios. Além disso, a cidade de Foz do Iguaçu, vivia um dos seus melhores momentos econômicos. A fronteira estava em alta, com o turismo e com o chamado “apse” do comércio Paraguaio. No gráfico 01, apresenta-se a evolução das vendas da empresa na fase 1, com variações de alta e baixa a cada ano. Gráfico 01: Evolução das Vendas EVOLUÇÃO DAS VENDAS - FASE 1 R$ 600.000,00 R$ 500.000,00 R$ 400.000,00 R$ 300.000,00 R$ 200.000,00 Série1 23.729 CX 107.207 CX 127.161 CX 184.140 CX 164.180 CX 174.297 CX R$ 0,00 145 CX R$ 100.000,00 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 5.2.1.2 Evolução Patrimonial e Funcional No primeiro ano, a empresa começou as suas atividades com um quadro de 3 funcionários, que foi aumentando sucessivamente, chegando a 8 funcionários no final da fase 1. Em relação à frota de veículos, a empresa começou com 1 caminhão 608 e uma camionete F-1000, adquirindo, no final desta fase, mais 1 caminhão do modelo agrale. No aspecto de equipamentos, a empresa iníciou as suas atividades com 1 câmara fria e terminou esta fase com mais 5 câmaras frias. 81 Na figura 41, apresenta-se a evolução patrimonial e funcional nesta fase. Figura 41: Fase 1: Demonstração de Patrimônio e Funcionários ANO NÚMERO FUNCIONÁRIOS 1990 3 1991 4 1992 5 1993 6 1994 7 1995 7 1996 8 FASE 1: EVOLUÇÃO PATRIMONIAL E FUNCIONAL NUMERO NÚMERO VEÍCULOS CAMARAS FRIAS 1 Caminhão 608 1 Camionete F-1000 1 “ 1 “ 2 “ 2 “ 3 1 Caminhão Agrale 1 Caminhão 608 1 Camionete F-1000 1 Caminhão Agrale INVESTIMENTOS Reforma nas Instalações ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 -------------------------------------- 5 -------------------------------------- 5.2.1.3 Clientes Nesta fase, 90% da clientela da empresa Agro Corupá, eram comerciantes paraguaios. Os outros 10%, eram compradores do mercado interno da cidade de Foz Iguaçu e região, como se apresenta no gráfico 02. Gráfico 02: Clientela da Fase 1 Fase 1 (1990 a 1996) 10% PARAGUAIOS MERCADO INTERNO 90% 82 5.2.2 Fase 2 (1997 a 2000) A fase 2 da empresa foi um curto período de 3 anos, mas com algumas mudanças no ambiente externo das pequenas empresas. Esta fase marca também o início da plantação e produção de bananas do Paraguai, acarretando assim a perda de clientes paraguaios que começaram a comprar a banana no seu país. Outra alteração, que foi constatada no ambiente externo da empresa, foi no mês de dezembro de 1996, com a criação do Simples Federal, lei que dispõe sobre o regime tributário das micro e pequenas empresas e institui o sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das micro e pequenas empresas, onde a empresa Agro Corupá aderiu a este regime. Na fase 2, a empresa vendeu uma quantidade de 654.074 mil caixas de bananas, contabilizando um faturamento bruto de R$ 2.203.406,77, nestes 3 anos, conforme descreve a tabela 02. Tabela 02: Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento ANO 1997 1998 1999 2000 QUANTIDADE 192.884 CX 124.780 CX 126.240 CX 210.170 CX FATURAMENTO ANUAL R$ 387.783,25 R$ 366.568,40 R$ 516.260,90 R$ 932.824,22 TOTAL 654.074 CX R$ 2.203.406,77 OBSERVAÇÃO Criação do Simples para as Empresas Inicio da Produção de Bananas Paraguaia 5.2.2.1 Evolução das Vendas No ano de 1997, começou a produção de bananas no Paraguai, acarretando na diminuição dos clientes paraguaios da empresa Agro Corupá, que começaram a comprar no seu país. Como o mercado de clientes começou a ficar desfavorável, começou-se investir na qualidade da banana. Sendo assim, no ano de 2000, a empresa Agro Corupá volta a ter um volume de vendas considerável, conforme mostra o gráfico 03. Gráfico 03: Evolução das Vendas – Fase 2 83 EVOLUCAO DAS VENDAS - FASE 2 R$ 1.000.000,00 R$ 800.000,00 R$ 600.000,00 R$ 400.000,00 Série1 R$ 200.000,00 R$ 0,00 192.884 CX 124.780 CX 126.240 CX 210.170 CX 1997 1998 1999 2000 5.2.2.2 Evolução Patrimonial e Funcional No começo do ano de 1997, a empresa contava com um quadro de 8 funcionários, que foi aumentando sucessivamente, chegando a 10 funcionários até o final do ano de 2000. Em relação à frota de veículos, a empresa contava no começo do ano de 1997, com 1 caminhão 608, 1 camionete F-1000 e 1 caminhão agrale, chegando ao final de 2000, com os mesmos veículos. No aspecto de equipamentos foram adquiridos mais 2, câmaras frias até o final desta fase. Na figura 42, apresenta-se a evolução patrimonial e funcional desta fase. Figura 42: Demonstração de Patrimônio e Funcionários ANO NÚMERO FUNCIONÁRIOS 1997 8 1998 8 1999 9 2000 10 FASE 2: EVOLUÇÃO PATRIMONIAL E FUNCIONAL NUMERO NÚMERO VEÍCULOS CAMARAS FRIAS 1 Caminhão 608 1 Camionete F-1000 5 “ 6 “ 7 1 Caminhão 608 1 Camionete F-1000 7 INVESTIMENTOS ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 84 5.2.2.3 Clientes Nesta fase, o número de clientes paraguaios diminui de 90% para 70%, devido a início da produção de bananas no Paraguai. Mas como a empresa Agro Corupá começou a direcionar o seu foco também para o mercado interno, o número de clientes do mercado interno de Foz do Iguaçu e região, aumentou de 10% para 30% na fase 2, como se apresenta no gráfico 04. Gráfico 04: Clientela da Fase 2 Fase 2: (1997 a 2000) 30% PARAGUAIOS MERCADO INTERNO 70% 5.2.3 Fase 3 (2001 a 2006) Nesta fase, a cidade de Foz do Iguaçu não viveu os seus melhores dias no contexto empresarial e econômico devido às várias crises ocasionadas na região, principalmente pelo fator Paraguai. Mas a empresa Agro Corupá conseguiu se sobressair deste período com bons números nas suas vendas. 85 Durante este período, a empresa vendeu uma quantidade de 1.113.681 mil caixas de bananas, contabilizando um faturamento bruto de R$ 3.980.688,40 nestes 5 anos, conforme descreve a tabela 03. Tabela 03: Quantidade de Caixas Vendidas e Faturamento ANO 2001 2002 2003 2004 2005 2006 QUANTIDADE 254.302 CX 174.535 CX 156.389 CX 161.507 CX 165.685 CX 201.263 CX FATURAMENTO ANUAL R$ 1.010.243,83 R$ 498.369,80 R$ 483.719,92 R$ 530.168,50 R$ 669.653,70 R$ 788.532,69 TOTAL 1.113.681 CX R$ 3.980.688,40 OBSERVAÇÃO 5.2.3.1 Evolução das Vendas Nesta fase, ocorreram algumas variações nas vendas e no faturamento da empresa, devido a fatores sazonais de temperatura e também a oscilação na demanda do produto. Mesmo assim, a empresa evolui nas suas vendas, conforme se apresenta o gráfico 05. Gráfico 05: Evolução das Vendas – Fase 3 EVOLUCAO DAS VENDAS - FASE 3 1.200.000,00 1.000.000,00 800.000,00 600.000,00 400.000,00 CX CX 201.263 CX 165.685 161.507 CX 156.389 CX 174.535 CX Série1 254.302 200.000,00 0,00 2001 2002 2003 2004 2005 2006 86 5.2.3.2 Evolução Patrimonial e Funcional No começo do ano de 2001, a empresa contava com um quadro de 10 funcionários, que foi aumentando sucessivamente, chegando a 16 funcionários, até o final do ano de 2006. Em relação à frota de veículos, a empresa contava no começo do ano de 2001, com 1 caminhão cargo, 1 camionete F-1000, 1 mercedes 710 Ranger e 2 caminhões agrale. No aspecto de equipamentos, foi adquirido mais 1 câmara fria, chegando ao total de 8, no final desta fase. Na figura 43, apresenta-se, a evolução patrimonial e funcional nesta fase. Figura 43: Demonstração de Patrimônio e Funcionários ANO NÚMERO FUNCIONÁRIOS 2001 FASE 1: EVOLUÇÃO PATRIMONIAL E FUNCIONAL NUMERO NÚMERO VEÍCULOS CAMARAS FRIAS 1 Caminhão Cargo 1 Mercedes 710 Ranger 7 2 Caminhão Agrale “ 7 2002 10 11 2003 12 “ 8 2004 13 “ 8 2005 14 “ 8 2006 16 “ 8 INVESTIMENTOS Reforma nas Instalações ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5.2.3.3 Clientes Nesta fase, ocorreu uma inversão da clientela da empresa Agro Corupá. Nas duas primeiras fases, a empresa tinha em sua maioria, a clientela paraguaia, mas, como a empresa direcionou o seu foco também para o mercado interno, o número de clientes internos de Foz do Iguaçu, aumentou de 30% para 70%, e dos clientes paraguaios, diminui de 70% para apenas 30%, como se apresenta no gráfico 06. 87 Gráfico 06: Clientela da Fase 3 Fase 3: (2001 a 2006) 30% PARAGUAIOS MERCADO INTERNO 70% 88 6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Ao analisarmos o contexto histórico da empresa Agro Corupá, constamos que não houve um planejamento estratégico formalizado por parte do proprietário da mesma. Sendo assim, nestes dezessete anos em que a empresa atua no mercado de hortifrutigranjeiros, a direção utilizou de estratégias informalmente. Ou seja, foram adotadas as estratégias sem o conhecimento técnico de como aplicá-las. Na pesquisa, foram identificadas três fases em que acarretaram mudanças no direcionamento estratégico da empresa. Nestas fases foram adotadas várias estratégias para a entrada e a permanência da empresa no mercado de hortifrutigranjeiros de Foz do Iguaçu e região. Na primeira fase que compreendeu entre os anos de 1990 a 1996 foi o momento em que a empresa iniciou suas atividades com o objetivo principal de vender o seu produto para o mercado externo, ou seja, para os paraguaios. Neste período foram utilizadas as estratégias de penetração de mercado e desenvolvimento de mercado. Na estratégia de penetração foi explorado um produto tradicional em um mercado tradicional, ou seja, a empresa penetrou no mercado com o seu produto em um mercado que já oferecia este produto. Na estratégia de desenvolvimento do produto que foi a exploração de um mercado tradicional com um produto novo, ou seja, a empresa explorou um mercado já existente oferecendo ao mesmo mais um produto igual. Na segunda fase que compreendeu entre os anos de 1997 a 2000 foi um período que a empresa após seis anos de atividades, começou a posicionar-se no mercado interno de Foz do Iguaçu e região. Nesta fase foram utilizadas as estratégias de penetração de mercado e desenvolvimento de produto que foram as mesmas estratégias utilizadas na primeira fase da empresa. Na terceira fase que compreendeu entre os anos de 2001 a 2006 a empresa começou a projetar uma forte identidade própria para o seu produto, que a tornava distinto dos produtos e serviços dos concorrentes. Para isso foram utilizadas as estratégias de diferenciação, liderança do custo e foco. 89 Neste sentindo, o objetivo proposto por esta pesquisa foi plenamente atingido, pois foi possível identificar as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases, bem como descrever os resultados alcançados pela mesma, decorrentes do uso de tais estratégias. Considera-se que o problema proposto na pesquisa também foi respondido, visto que, se evidenciou que através das estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá, ocorreu uma grande contribuição para o sucesso da empresa no mercado de hortifrutigranjeiro, devido a boa imagem empresarial que a organização passa a seus clientes. Hoje, quando se fala o nome Corupá, os clientes da região, subentendem que significa comércio de bananas. Em relação à hipótese proposta da pesquisa, foi confirmado o crescimento da empresa Agro Corupá em quatro níveis que são eles: crescimento da organização, bens patrimoniais, funcional e financeiramente. Assim, conforme constatado na pesquisa, os gestores da empresa Agro Corupá, não formalizaram as suas estratégias durante as suas diferentes fases. Portanto, é necessário dar uma atenção especial por parte dos dirigentes da empresa para que se priorize um planejamento estratégico de maneira formalizada para as próximas fases da empresa. 6.1 RECOMENDAÇÕES Entre as recomendações, é de fundamental importância, que a empresa Agro Corupá, formalize o seu planejamento estratégico para as suas próximas fases. Para isso, é preciso estabelecer algumas etapas que envolvem o planejamento estratégico: • Análise o Ambiente Interno da empresa para identificar os principais pontos fortes e fracos do empreendimento; 90 • Análise o Ambiente Externo da empresa para identificar as principais oportunidades e ameaças que afetam a empresa no cumprimento de sua missão; • Estabeleça as Diretrizes da Organização: Negócio, Missão, Visão, Princípios e Organograma; • Formalize as estratégias da empresa; • Implementar as estratégias da empresa, e; • Controle as estratégias da empresa. Deixamos como sugestão, algumas diretrizes organizacionais que estão de acordo com a empresa Agro Corupá. 6.1.1 Negócio Segundo o Sebrae/RS (2004), definir o negócio em cima de um produto ou serviço limita a análise de oportunidades e encobre ameaças que existem no ambiente. Na figura 44, apresenta-se, uma sugestão do negócio da empresa Agro Corupá, onde está inserido o produto e o benefício que traz ao cliente. Figura 44: Negócio da Empresa EMPRESA Definição de Negócio (Produto ou Serviço) Definição Estratégica de Negócio (Benefício para o Cliente) Agro Corupá Bananas Alimento Fonte: Adaptado SEBRAE-RS (2007) 6.3.2 Missão 91 Segundo o Sebrae/RS (2004), a missão da empresa é o papel que ela desempenha em seu negócio. A missão é a determinação de onde a organização que ir, é a razão de existência do empreendimento, e como tal deve ter “a cara da empresa”, deve ser sua carteira de identidade ou seu guia de trabalho. Na figura 45, apresenta-se, uma sugestão de missão, de acordo com as funções da empresa Agro Corupá. Figura 45: Sugestão de Missão Missão “Comercializar a venda e a distribuição das bananas, com qualidade e eficiência, proporcionando assim, segurança alimentar e uma boa saúde para os clientes de Foz do Iguaçu e região”. 6.3.3 Visão Segundo o Sebrae/RS (2004), a visão da empresa deve representar um desafio de longo prazo a ser perseguido por todos, significando uma situação empresarial desejada como padrão. Na figura 46, apresenta-se, uma sugestão de visão, de acordo com objetivos estratégicos da empresa Agro Corupá. Figura 46: Sugestão de Visão Visão “Ser uma empresa de referência e alta qualidade no comércio de importação e exportação de hortifrutigranjeiros, atingindo um excelente nível de credibilidade e clientela no mercado de Foz do Iguaçu e região”. 5.3.4 Princípios 92 Segundo o Sebrae (2004), os princípios são aquilo em que ela acredita e que servirão como orientadores para o processo decisório e para o comportamento da organização no cumprimento de sua missão. Na figura 47, apresenta-se, uma sugestão de princípios organizacionais de acordo com os valores da empresa. Figura 47: Sugestão de Princípios Princípios • • • • • • Ética; Qualidade; Satisfação do Cliente; Respeito e Valorização aos Colaboradores; Imagem Empresarial; Responsabilidade Ambiental e Social. 6.3.5 Estrutura Organizacional Na figura 48, apresenta-se, uma sugestão de organograma de acordo com a estrutura organizacional atual da empresa Agro Corupá. Figura 48: Sugestão de Organograma AGRO CORUPÁ 93 DIRETORIA GERAL ASSESSORIA CONTÁBIL GERENCIA OPERACIONAL GERENCIA ADMINISTRATIVA COMPRAS GERENCIA DE VENDAS DISTRIBUIÇÃO VENDAS COMERCIAL PESSOAL FINANCEIRO CAIXA 6.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este projeto procurou identificar quais foram as estratégias adotadas pela empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases, bem como descrever os resultados alcançados pela empresa, decorrente do uso de tais estratégias. A estratégia empresarial é a determinação da futura postura da empresa, com especial referência a sua postura quanto aos seus produtos-mercados, sua lucratividade, seu tamanho, seu grau de inovação e suas relações com seus executivos, seus empregados e o ambiente externo. Essa postura estratégica deve ser equacionada pelo planejamento estratégico da empresa. A presença do Planejamento Estratégico na Administração se faz necessária, não como forma de diferenciação entre empresas e sim como condição básica para permanência no mercado, que exige respostas rápidas, por conta das transformações constantes em um mercado altamente competitivo e seletivo. Pode-se observar que a possibilidade da aplicabilidade desse instrumento na Administração de pequenas empresas, fundamentado nos posicionamentos dos autores, aumentam as probabilidades das mesmas continuarem no mercado e se tornarem competitivas, superando uma Administração caracterizada pelo imediatismo, em que se estabelecem estratégias de acordo com os acontecimentos diários. 94 REFERÊNCIAS AMORIN, Antonio Carlos. Análise da Estratégia Empresarial da Área de Vendas das CEASA. Monografia de Conclusão de Curso em Administração. Foz do Iguaçu. 2006. ANSOFF, H. Igor. A Nova Estratégia Empresarial. 1.ed. São Paulo: Atlas. 1990. CERTO, Samuel C., PETER, J. Paul. Administração Estratégica: Planejamento e Implantação da Estratégia. 1.ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil: 1993. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: Teoria, Processo e Prática. 3.ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2000. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a Teoria Geral da Administração. 7.ed. Rio de Janeiro: Campus: 2003. CHIAVENATO, Idalberto, SAPIRO, Arão. Planejamento Estratégico: Fundamentos e Aplicações. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: 2003. 95 DRUCKER, Peter F. Introdução à Administração. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning: 2002. DRUCKER, Peter F. A Organização do Futuro. 5. ed. São Paulo: Futura: 1997. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas: 2002. HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo Futuro. 18.ed. Rio de Janeiro: Campus: 1995. HSM, Management. Artigo Harvard. Update No. 30 Março de 2006. LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 6.ed.São Paulo: Atlas: 2005. MAXIMIAMO, Antônio César Amaru. Teoria Geral da Administração: Da Revolução Urbana à Revolução Digital. 5.ed. São Paulo: Atlas, 2005. MAXIMIAMO, Antônio César Amaru. Introdução à Administração. 6.ed. São Paulo: Atlas: 2004. MINTZBERG, Henry, AHLSTRAND, Bruce, LAMPEL, Joseph. Safári de Estratégia: Um Roteiro pela Selva do Planejamento Estratégico. 1.ed. Porto Alegre: Bookman: 2000. MORAES, Anna Maris Pereira de. Iniciação ao Estudo da Administração: 2.ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2001. PORTER, Michael. Estratégia competitiva: Técnicas para Análise de Indústrias e da Concorrência. 8.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1991. 96 QUEJI, Livio Marcel. Modelo de Fluxo de Caixa Prospectado para Pequenas Empresas Comerciais à Luz do seu Clico de Vida. Dissertação de Mestrado. Florianópolis, 2002. Disponível em: <http://teses.eps.ufsc.br/resumo.asp?3565>. Acesso em: 01 out. 2007. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração. 3.ed. São Paulo: Atlas: 2005. SEBRAE/RS. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio Grande do Sul. Planejamento Estratégico para Pequenas Empresas. 4.ed. Porto Alegre: 2004. MEDEIROS, João Bosco. Português Instrumental: Para Cursos de Contabilidade, Economia e Administração. 5.ed.São Paulo: Atlas: 2005. 97 APÊNDICES 98 APÊNDICE A: ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA POPULAÇÃO ALVO: • Diretores da Empresa PRÉ-ABERTURA DA EMPRESA: 1) Em que ano a empresa Agro Corupá começou as suas atividades? E qual é a área de atuação da empresa? HAUCK: Começamos as nossas atividades no ano de 1990, e a empresa atua no comércio de importação e exportação de hortifrutigranjeiros, comercializando a venda e distribuição de bananas. 2) Qual foi o objetivo que o levou a abertura da empresa Agro Corupá? HAUCK: Meu pai cultivava a produção de bananas na cidade de Corupá, Santa Catarina. Esta produção era vendida para os irmãos Looks que atuavam aqui na região de Foz do Iguaçu, mas os irmãos deixaram de comprar a nossa produção de bananas. E por falta de comprador da nossa produção, era preciso encontrar um novo comprador ou abrir uma empresa para que revendêssemos a nossa banana. Escolhemos por abrir uma nova empresa que comprasse a nossa produção da fazenda e revendesse no mercado da região de Foz do Iguaçu. Houve algum planejamento para a abertura da empresa? Se houve como foi planejado? HAUCK: Não houve nenhum planejamento formalizado. Quando os irmãos Looks deixaram de comprar a nossa produção, precisávamos urgentemente tomar uma decisão. Optamos pela a abertura da empresa, sem fazer nenhum planejamento, apenas com a visão de que abrindo uma empresa nesta região de 3) 99 fronteira, poderíamos revender a nossa produção de bananas para o mercado paraguaio, que até então não produzia bananas. PÓS-ABERTURA DA EMPRESA: 4) Quem eram os seus principais concorrentes no início das atividades da empresa? E quando a empresa entrou no mercado, os seus concorrentes tentaram dificultar o início da empresa? Se, tentaram como a empresa se sobre-saiu? HAUCK: Nossos principais concorrentes naquela época eram: Chico Rabelo e os Irmãos Looks. Sim, os meus concorrentes tentaram dificultar a nossa permanência no mercado. Eles começaram a fazer vendas casadas, pois eles trabalhavam com mais de um produto e não só com bananas. Sendo assim, eles ofereciam mais de um produto aos seus clientes com descontos e vantagens. A empresa conseguiu com o tempo a sair dessa pressão, aos poucos fomos conquistando nossos clientes e nosso espaço no mercado. 5) Quais foram às principais dificuldades encontradas no início das atividades da empresa? HAUCK: Uma série de dificuldades foram encontradas no início da empresa. Eu era muito jovem, e não tinha muita experiência como empresário e também não conhecia direito o mercado da região. A falta de experiência e de informações sobre o mercado foram as minhas maiores dificuldades no começo da empresa. No começo das atividades a Agro Corupá estava focada em vender o seu produto ao mercado externo (Paraguai). Em que momento a empresa começou a mudar o seu direcionamento de vendas para o mercado interno de Foz do Iguaçu. HAUCK: A partir do momento que o Paraguai começou a cultivar e produzir bananas no ano de 1997, o nosso faturamento caiu. E com a diminuição da procura da nossa banana pelos compradores paraguaios, era preciso aumentar as nossas vendas novamente e assim começamos a direcionar o nosso foco para o mercado interno. 6) 7) Com a diminuição dos clientes paraguaios, a empresa procurou recuperar o mercado paraguaio perdido? HAUCK: Sim, procuramos recuperar o terreno perdido no mercado paraguaio. Como perdemos parte dos clientes paraguaios, era preciso reconquistar os antigos clientes. Para isso começamos a investir na qualidade do nosso produto e na diferenciação da nossa marca. Começamos a embalar melhor a nossas bananas e rotulá-las, para que quando o cliente visse aquele rótulo diferenciado da nossa empresa, o mesmo iria lembrar que aquela era uma banana de boa qualidade. 100 8) Houve algum planejamento feito pela empresa para poder penetrar no mercado interno? Se houve como foi feito o planejamento? HAUCK: Não houve nenhum planejamento formalizado. Naquela época tínhamos em mente que para poder conquistar clientes no mercado interno, era preciso investir em algum diferencial de mercado que os nossos concorrentes não ofereciam. No ano de 1997 fui até a cidade de São Paulo e lá compramos alguns penduradores de bananas que aqui em Foz do Iguaçu, até então ninguém utilizava. A cada cliente que comprasse com a nossa empresa, oferecíamos penduradores de brinde. Assim, aos poucos fomos conseguindo conquistar nossa clientela. 9) A partir do momento que a empresa começou a diferenciar a sua marca e investir na qualidade do seu produto, houve melhores nos resultados financeiros da empresa? HAUCK: Sim, houve melhoras nos nossos resultados, as vendas começaram a aumentar, e aos poucos recuperávamos antigos compradores. 10) A empresa Agro Corupá atualmente ocupa o 1º. Lugar no mercado de vendas e distribuição de bananas da região de Foz do Iguaçu. Em que momento a empresa assumiu essa colocação, e a empresa planejou assumir o 1º. Lugar? HAUCK: A partir do ano de 2000 começávamos a assumir o 1º. Lugar na comercialização e distribuição de bananas na região. Não houve nenhum planejamento formalizado para poder assumir o posto de 1º. Lugar, mas sim, quando começamos a investir na qualidade do nosso do produto e na diferenciação da nossa banana no ano de 1997. 101 APENDICE B: QUESTIONÁRIO APLICADO POPULAÇÃO ALVO • Gerentes da Empresa 1) Nome Fantasia: _______ Razão Social: _____________ Fundação: ___/___/___ 2) Natureza Jurídica:__________________________________________________ 3) CNPJ: _______________ I.E.: _______________ ALVARA: ________________ 4) Endereço: _______________ Cep.: ______________ Fone: ________________ 5) Proprietário: _________________ Atendimento __________________________ 6) Area de Atuação: ___________________________________________________ 7) Produtos e Serviços:________________________________________________ 8) Porte: ____________________________________________________________ 9) Força de Trabalho: _____________ sexo: mas ( 9.1 Escolaridade: EF ( ) – EM ( ) – ES ( ) fem ( ) ) 10) Ambiente Tarefa: __________________________________________________ 11) Fornecedores: ____________________________________________________ 12) Clientes: ________________________________________________________ 102 13) Concorrentes: ____________________________________________________ 14) Orgãos de Regulação: ______________________________________________ ANEXOS 103 ANEXO A: A CIDADE DE CORUPÁ Nacionalmente conhecida como a Capital Catarinense da Banana, Corupá também se destaca pelos atrativos naturais como a Rota das Cachoeiras e pela produção de plantas ornamentais, de orquídeas e bromélias. De colonização alemã, polonesa e italiana, a cidade se caracteriza pela limpeza e organização. Sua paisagem é um encontro com a simplicidade, cortada por estradas sinuosas e construções com características européias cercadas de jardins e hortas coloridas, em meio a imensos bananais. GALERIA DE FOTOS 104 ANEXO B: LOGO MARCA DA EMPRESA AGRO CORUPÁ 105 HÁ 18 ANOS, DISTRIBUINDO SAÚDE. PARECER DA BANCA EXAMINADORA TEMA: Avaliação das Estratégias Adotadas pela Empresa Agro Corupá nas suas diferentes fases. Um Estudo de Caso. PROFESSOR ORIENTADOR: Ari Cezar Dias Ramos, MSc. DATA DA DEFESA: 12/12/2007- 19:00 hs 106 Esse estágio, depois de analisado e defendido, recebeu as seguintes observações quanto ao seu conteúdo: 1 – Transcrever as citações diretas de recuo 4 cm para citações indiretas; 2 – Citar fontes das citações diretas; 3 - Corrigir espaçamento entre linhas das figuras. Esses itens, acima observados, serviram de base para a(s) nota(s) atribuídas(s) ao(s) componente(s) do grupo, razão pela qual sua reformulação é obrigatória. COMPONENTES DO GRUPO EDUARDO DOS SANTOS MELOS VALDINEI LOESI DOS SANTOS ______________________ Ari Cézar Dias Ramos, MSc. Professor Orientador ________________ Kleber Vanolli, MSc. Professor Membro ____________________________ Maria de Fátima Dias Soares, MSc. Professor Membro REFORMULAÇÃO DOS ITENS OBSERVADOS Integralmente em ___/___/____