Peregrino das Letras Informação, Cultura e Livre Expressão DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA www.jperegrino.com.br Ribeirão Preto - SP Ano IX - Nº 105- R$ - janeiro/2009 Ribeirão Preto - SP - Ano IV - Nº- 41 - Setembro/2003 1,00 “O único modo de ter um amigo é ser um amigo.” - Ralph Waldo Emerson O papel da mulher no novo milênio! A graça da humildade Sou de uma época em que as mulheres eram infantilizadas e tratadas como propriedade. A mulher que se enfeitava despertava suspeitas. Um traje ou o próprio corpo alegre aumentava o risco de ela, ser agredida ou de sofrer víolência sexual. Eram mantidas como jardins sem cultivo, mas felizmente sempre... Nem sempre associamos a humildade com a virtude da graça. Expressões de humildade podem algumas vezes comunicar inferioridade, afirmações de indignidade e desaprovação própria. Tais expressões vêm através de dissimulações, serviço do ego e um atentado para evocar simpatia. Em outras palavras, não são uma maneira graciosa de aceitar elogios... Página 4 Página 3 A Criação de Adão é a mais famosa das nove cenas do Gênese que compõem a parte central do painel que cobre o teto da capela Sistina, de autoria de Michelangelo. Poderosas figuras de profetas e sibilas que previam o nascimento de Cristo situam-se nas laterais do teto, enquanto as cenas centrais são flanqueadas por belos jovens nus, cujo exato significado é incerto. Ao completar tal empreitada praticamente sem auxílio e em apenas quatro anos (1508 – 12), Michelangelo demonstrou uma resistência física quase heróica, bem como um gênio artístico inigualável. Peregrino das Letras 2 Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 Informação, Cultura e Livre Expressão Editorial Tenho uma massagista que se tornou minha amiga ao longo do tempo. Afinal, faz mais de dez anos que nos conhecemos. O interessante é que somos muito diferentes. E é aí que reside a riqueza de nossa relação. Eu, que sempre adorei ler, e pensar a respeito das coisas. Eu, que sempre adorei pessoas que saibam discorrer sobre as coisas baseadas em muita pesquisa e leitura e toda a parafernália acadêmica, encontrei, nessa minha amiga algo maravilhoso. Já explico. Ela não é uma intelectual. Duvido que tenha lido tratados a respeito da psique humana, ou sobre as várias formas de entender o nascimento e a morte ou que perca seu tempo em pensar qual a razão de estarmos por aqui, ou de onde viemos ou para onde vamos. Isto não quer dizer que não seja muito inteligente e que não seja capaz de entregar-se a tais temas. Se quisesse. Não quer! Solta frases muito pertinentes. Às vezes desembesta em um discurso e eu me pego pensando. Não é que essa danada tem razão! Outro dia quando se falava sobre a ecologia e a possível destruição do planeta ela disse: Quer saber, Tô nem aí. Eu vou vivendo a minha vida, eu quero é viver bem. Doutra feita quando alguém reclamava demais ela se irritou e disse: Você reclama demais, assim não dá. A vida é boa de ser vivida. Quanto mais a gente reclama pior. Viver é bom, sô. Pode parecer egoísmo, mas não é. Ela vai vivendo a vida com intensidade, com gosto. Ela cozinha com gosto, faz massagem por gosto, namora o marido com vontade. Não está nem aí, como ela mesma diz. Talvez alguém diga: Nossa, é alienada. Talvez eu também tenha pensado dessa forma há um tempo. É que, para ela, a frase “não estar nem aí” quer dizer: não vou me preocupar com o que não posso resolver, não vou deixar que coisas que não são de minha alçada me impeçam de fazer o que posso fazer. E posso fazer muita coisa. No hoje, no meu presente, agradecida ao presente que Deus me deu, que é o de estar aqui pronta para os embates que me concernem. Pode ser que não se preocupe mesmo com as grandes questões da humanidade, mas certamente ela contribui para uma humanidade melhor na medida em que dá valor à vida. Se todos agíssemos assim e fôssemos primeiro felizes no microcosmo para depois mirar as grandes galáxias, quem sabe produziríamos gente alegre por estar vivo. E não será a alegria o combustível para melhorar homens e mulheres neste Planeta? Haverá ideologia melhor do que essa? Então estou elegendo essa mulher como símbolo de um ano novo. Um 2009 de pleno viver com as coisas do dia-a-dia. Não sei se ela conhece o filósofo chinês Lin Yutang. Ele escreveu um livro chamado a Importância de Viver, que é uma apologia à vida, como o próprio título revela. Há uma frase de que gosto muito e que tem a cara desta minha amiga. Na verdade é uma pergunta “É tão fácil mesmo traçar uma distinção entre o gozo de um sanduíche e o gozo de um panorama que chamamos poesia?” Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz [email protected] Peregrino das Letras Informação Cultura e Livre Expressão José Roberto Ruiz (16) 3621 9225 / 9992 3408 e-mail: [email protected] Cursos – Oficinas Palestras – Workshops Capa Imagem capa - A Criação de Adão de autoria de Michelangelo. Contatos Fevereiro 3 – Oficina Brincando com Fios – Trabalhos Manuais e Contos de Fadas – Ribeirão Preto / SP – Informações: (16) 3021 5490 / 9118 7261. 7 – Biodança: em busca da vida – Aula aberta e gratuita – Ribeirão Preto / SP – Informações: (16) 3877 8217. 28 – Biodança: em busca da vida – Aula aberta e gratuita – Ribeirão Preto / SP – Informações: (16) 3877 8217. Março 7 - Curso de Florais de Bach Ribeirão Preto / SP - Informações: (16) 3621 8407 / 3621 9225 / 3021 5490 / 9992 3408. As idéias emitidas em artigos, matérias ou anúncios publicitários, são responsabilidades de seus autores e, não são expressão oficial do Peregrino das Letras, salvo indicação explícita neste sentido. É expressamente proibida a reprodução parcial ou total desta publicação sem a prévia autorização. Peregrino das Letras Direção José Roberto Ruiz - MTb 36.952 [email protected] Redatora Mariza Helena R. Facci Ruiz [email protected] WebDesign Francisco Guilherme R. Ruiz [email protected] Endereço para correspondência: Av. Guilhermina Cunha Coelho, 350 A6 - Ribeirão Preto SP / Brasil / 14021-520 Telefones (16) 3621 9225 / 9992 3408 Site www.jperegrino.com.br e-mail: [email protected] Fotolito e Impressão Fullgraphics Gráfica e Editora - (16) 3211 5500 Peregrino das Letras Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 Informação, Cultura e Livre Expressão A graça da humildade Triangles Bulletin – nº 165 – September 2008 ou self deve ser colocado de lado. Se ele é verdadeiramente humilde ele permanecerá em silêncio sobre suas realizações, sabendo que o trabalho feito satisfatoriamente falará por si só. A verdadeira humildade vem como uma graciosa virtude da alma abnegada. Nem sempre associamos a humildade com a virtude da graça. Expressões de humildade podem algumas vezes comunicar inferioridade, afirmações de indignidade e desaprovação própria. Tais expressões vêm através de dissimulações, serviço do ego e um atentado para evocar simpatia. Em outras palavras, não são uma maneira graciosa de aceitar elogios ou agradecimentos por um trabalho bem feito. Uma verdadeira expressão de graça deve comunicar uma elegância natural, beleza e porte – como a linha graciosa e o movimento de um dançarino de balé, ou algo que se vê em alguém que caminha com facilidade, em passo balanceado. É uma elegância que vem sem qualquer influência externa, sem nada de falso adicionado. A verdadeira humildade vem de dentro; é uma das virtudes expressas através do coração abnegado; é uma qualidade da alma. Para que esta qualidade de graça tome forma, o ego pessoal Há uma graça similar que vem através da rede dos Triângulos. No serviço dos Triângulos existe uma maneira de desenvolver uma expressão de humildade grupal. Uma das qualidades necessárias para desenvolver humildade é “um senso ajustado de proporção correta”. Através da visualização do triângulo de alguém na vasta rede mundial de triângulos, devese apreciar a contribuição para com o todo. Nesta rede, as pessoas trabalham sem reconhecimento, satisfeitas ao perceberem que o self individual é apenas um canal disposto para as energias divinas; fica-se de lado para o bem maior. Isto é a graça da humildade fluindo através de nós. A verdadeira humildade é aquela constante, força silenciosa que se apresenta quando alguém está disposto a permanecer no lugar reconhecido no todo. Uma particular qualidade de beleza levanta-se quando, digamos, todos os membros do grupo podem trabalhar dessa maneira; quando todos estão desinteressados de EDIÇÕES EM PDF A partir deste mês estamos disponibilizando para os nossos leitores em nosso site: www.jperegrino.com.br, os arquivos em PDF’s das edições do Peregrino das Letras referentes aos anos de 2006, 2007 e 2008. sua pequena contribuição; quando todos podem se perder no serviço para o todo, sem reconhecimento. Então uma nova e abrangente energia começa a irradiar e todos são elevados e a intenção e propósito internos do trabalho grupal são realizados. Isto é humildade grupal, uma qualidade rara de se encontrar nos dias atuais. Não há nada falso – nem reinvidicação exagerada – emergindo do grupo; somente seu propósito intencional é levado em conta. Assim como acontece com a rede de Triângulos, somente as qualidades divinas da alma de luz e amor e boa vontade serão vistos, transformando a consciência humana de egoísta em abnegada. A graça natural da alma humana se expressará no mundo em toda sua grandiosidade e beleza. (Tradução livre de José Roberto Ruiz e Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz) Nota: Triângulos é uma atividade de serviço mundial através da qual pessoas se unem por meio do pensamento em grupos de três para criar uma rede planetária de triângulos de luz e boa vontade. Usando uma oração mundial, a Grande Invocação, eles invocam a luz e o amor como um serviço à humanidade. Informações adicionais podem ser obtidas em: www.triangles.org. 3 Peregrino das Letras 4 Informação, Cultura e Livre Expressão O papel da mulher no novo milênio! *Marina Silva Sou de uma época em que as mulheres eram infantilizadas e tratadas como propriedade. A mulher que se enfeitava despertava suspeitas. Um traje ou o próprio corpo alegre aumentava o risco de ela, ser agredida ou de sofrer víolência sexual. Eram mantidas como jardins sem cultivo, mas felizmente sempre chegava alguma semente trazida pelo vento. Embora o que escrevessem fosse desautorizado, insistiam mesmo assim. Embora o que pintassem não recebesse reconhecimento, nutria a alma do mesmo jeito. As mulheres tinham de implorar pelos instrumentos e pelo espaço necessários. Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução do espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Quero dizer com isso que as questões da alma feminina não podem ser tratadas tentando-se esculpi-la de uma forma mais adequada a uma cultura, nem é possível dobrá-la até que tenha um formato intelectual mais aceitável. Foi isso que provocou a transformação de milhões de mulheres que começaram como forças poderosas e naturais - em párias na sua própria cultura. As características consideradas femininas como intuição, espiritualidade, emoção, ternura, afeto, compaixão, solidariedade, cooperação que também deveriam ser vividas pelos homens, eram desvalorizadas e temidas, tinham a ver com expressar emoções, portanto ligadas à fraqueza humana em oposição à razão, a inteligência que, consideradas masculinas, valorizavam e fortaleciam o homem. Essa desvalorização do feminino foi também incorporada pela própria mulher, que “aceitou” seu papel inferior e submisso e assim reprimiu sua natureza original, dissimulou suas características e adotou como exemplo de felicidade e sucesso o modelo masculino. Perderam todos, homens e mulheres, perdeu a humanidade. Entretanto, nas últimas décadas vem a mulher entrando numa fase rica e extremamente positiva de mudança. O feminino reconquistado é compreendido como fundamental. E quando isso acontece é natural que nos livremos da mesa de trabalho, dos relacionamentos destrutivos, que esvaziemos nossa mente, viremos uma nova página, insistamos numa ruptura e desobedeçamos às regras. Uma vez recuperada nossa autoestima, lutaremos para mantêla, pois com ela nossas vidas criativas florescem, nossos relacionamentos adquirem significado, profundidade, nossos ciclos de sexualidade, criatividade, trabalho e diversão são restabelecidos e assim caminhamos em busca de uma vida plena. Neste novo milênio temos um grande desafio: encontrar nossas próprias referências. O modelo masculino não serve mais, ele é útil para os homens. Temos de buscar nosso próprio jeito de ser e sobreviver como mulher, referências que estão dentro da alma feminina. Nos ambientes em que predominem a competitividade e a agressividade devemos levar a solidariedade e a partilha. Ao ingressarmos no mercado de trabalho, no sistema produtivo, devemos levar conosco nossa capacidade intelectual, criativa, transformadora, terna e amorosa. Não basta que os homens aceitem as transformações femininas e que o mundo reclame pela mudança, é preciso que, acima de tudo, a mulher acredite em si mesma, assuma e deseje tal transformação! Hoje, não são mais os homens os nossos opressores, temos opressores internos, os nossos medos, culpas, ambivalência de sentimentos, baixa autoestima, que são os grandes obstáculos à nossa libertação. A mulher recupera sua liberdade na medida em que coloca a serviço da humanidade seu potencial de reconciliação, sua presença solidária e afetiva, sensível e dinâmica, sua capacidade especial de amar, de perdoar e sempre retomar a vida com coragem e esperança. Um exemplo disso é a participação da mulher na vida pública das grandes democracias, trazendo para esses países um inegável desenvolvimento de sistemas sociais mais justos capazes de incorporar de forma harmônica as diferenças de gênero e a diversidade cultural e étnica presentes na maioria das sociedades modernas. A experiência da participação da mulher na política em todo o mundo tem demonstrado que ela transfere para administração do bem público os valores éticos que orientam a sua atividade cotidiana, tanto profissional como familiar. Como mulher e profissional, sinto também em mim estas transformações, é uma imposição que vem do nosso íntimo, de nosso potencial original. O trabalho que nos aguarda é árduo. Diante dessa ambiciosa tarefa, necessitamos reunir esforços de todos - mulheres e homens - que desejam construir um novo tempo, onde a mulher ocupe plenamente o seu espaço e assuma, ao lado do homem, o seu papel de agente transformador na sociedade brasileira. Somente assim, poderemos construir um futuro onde nossos filhos possam desenvolver relações mais iguais, onde homens e mulheres sejam parceiros nos sonhos e na realidade. Fonte: Jornal Corpo Mente – Feira de Santana – janeiro/ 2004. * Socióloga, diretora do ILEI Instituto Latinoamericano de Educação Integral e coord. da Revista CGT Mulher [email protected] Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 A certeza da insegurança *Aureo Augusto Uma pessoa pela qual tenho muita admiração é Montaigne. Não conheço muito sobre ele. Li com atenção, degustando cada palavra os seus Ensaios e foi isso que me deu tal admiração. Em diversas oportunidades ele comenta que não tem certeza. Há uma coisa decidida que torna sólidos alguns homens e mulheres. Michel de Montaigne não era assim, o que não quer dizer que não tinha consistência ou que à sua maneira em si não incluísse solidez. Como sabemos, a água é fácil de ser penetrada, mas quando se apresenta sob a forma de gelo é bastante dura. Montaigne gostava de Pirro, filósofo cético grego que considerava impossível conhecer a verdade. Admiro-me frequentemente daqueles que têm certeza, porque em geral sou igual a Montaigne (talvez por isso o admire, porque nisso eu sou igual a ele), no fato de que é raro que eu tenha a certeza de algo. Tenho visto tantas vezes minhas certezas se esvaírem no ralo da realidade... Insegurança? Pode ser. Que bom! Uma vez um estudante fez uma consulta comigo, queria ser médico, mas queixava-se de ser uma pessoa insegura. Fiquei feliz de ver uma pessoa que se reconhecia insegura, pois estava aberto a questionar a própria conduta. Pobre de quem, vivendo em um mundo como o nosso, em uma época como esta, mantém-se como um rochedo resistindo à força das águas do tempo, firme, incólume, incapaz de se desviar, porque incapaz também de se deslocar, de mudar o ângulo de visão, de perceber o mundo ao redor. Brigitte Bardot, há muitos anos disse que “apenas os idiotas não mudam de idéia”. Toda intransigência é idiota. Estas certezas são resultado do conforto psíquico que a certeza nos dá. Não são poucos aqueles que se encastelam em suas certezas, tornando-as muralhas de defesa contra o mundo tão sólido, tão forte, tão sutil, tão fluido que aí está a nossa volta (e dentro). As muralhas com que se protegem frequentemente têm como tijolos altas doses de arrogância. Já aquele jovem, questionando suas condutas permitia-se crescer, se abria à possibilidade de melhorar, não tendo a posse da verdade, estava aberto a recebê-la. Veja você se é possível a um ser humano conhecer a verdade. Podemos aproximar-nos dela ou afastar-nos. Talvez em muitas situações em que pensamos estar longe da verdade, ela está logo ali, debaixo dos nossos pés. Aliás, tenho a sensação que a verdade está todo o tempo sob os nossos pés. Mas não é muito frequente que estejamos atentos à textura, ou à temperatura do piso. Em ciência esta coisa da verdade é algo incrível. Nos disse Karl Popper que só pode ser considerado científico aquilo sobre o que pesa a possibilidade de ser provado como falso. Genial! E, no entanto, nós médicos tantas vezes dizemos: “É assim”, “Não é isso”, “Isso não é científico” (e usamos a palavra científico como sinônimo de verdadeiro). E definimos a vida dos nossos clientes pelas nossas certezas. Ou pelo conforto intelectual (na verdade emocional) que nos traz tais certezas que são expressões do nosso limite de conhecimento naquele momento e não da verdade absoluta. Tratamos medicina como se fosse certeza e receitamos medicamentos como se fossem absolutamente seguros porque foram testados. Esquecemos de dizer ao cliente que aquela substância que aplicamos tem demonstrado que leva a resultados bastante positivos nos casos semelhantes ao que ele apresenta. Achamos que como o resultado em 100 pessoas foi o esperado, em nosso cliente também o será. Quando eu era estudante, estagiando na Maternidade Tsylla Balbino, vi uma mulher muito agitada, sofrendo com um parto difícil, ser tratada com uma medicação tranquilizante. O médico disse à enfermeira: “aplique 10 mg de tal medicação que ela se acalmará”. Foi feito, e a mulher espancou o médico e foi muito difícil segurá-la. Que Deus me proteja destas certezas! Fonte: Jornal Corpo Mente – Feira de Santana – maio/2003. *Médico Caetê-Açu (Vale do Capão) Palmeiras - Ba aureoaug @terra.com.br Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 Peregrino das Letras 5 Informação, Cultura e Livre Expressão O que é a amizade? Tanto se fala sobre o cultivo da amizade, como se fora plantinha regada com água fresca para que não feneça. Coisa a guardar carinhosamente do lado esquerdo do peito, para sempre e com muita atenção. Afinal, em que consiste a amizade? Afinal, o que é ser amigo? Será fazer coisas boas para o outro? Sim. Amá-lo e protegê-lo? Sim. Fiéis escudeiros, defendê-lo de tudo e de todos? Certamente, sim. Ouvi-lo quando precisa de nós? Nem se fale. Os amigos são um bem precioso, um tesouro, uma benção? São. Únicos, caminhantes, empreendedores da jornada nessa Terra aparecem em nossa vida para nos ensinar coisas? Certamente. São muitas vezes nossos espelhos, refletem nossas contrariedades, refletem nossos gozos e êxitos? Como não! São acima de tudo diferentes e por isso mesmo magníficos? Claro. São o Tu, permissão para que entendamos melhor o nosso Eu? É, são. Maravilha é esse negócio de amigo. Pensemos, então, em alguns quesitos necessários para esse mister. Disponibilidade é um deles. O ligar e dizer: preciso. O amigo responder: estou indo. Ouvidos receptivos é outro. Nada melhor do que falar do espinho que nos fere, da ferida que sangra, do dissabor recém sofrido e sentir as palavras acolhidas uma a uma, com atenção, como se empilhadas em útero úmido e profícuo. Contar sobre a alegria que nos acometeu e brindar o outro com nossa risada espontânea e cristalina, também é delicioso. Rir juntos é a melhor parte no convívio de amigos. Fidelidade é necessária. Ou seja, amigo que é constante e nos acompanha em momentos bons e ruins. Não abandona o barco em dias de naufrágio assim como permanece em dias ensolarados. Ocorre-me, porém, que aceitação é algo imprescindível. Capacidade de olhar para as diferenças e aceitá-las é fundamental. É que não há relação que sobreviva sem liberdade e liberdade pressupõe deixar que o outro seja o que é. Explico-me. O amigo é brigão e eu sou da paz, ele é malcriado e eu sou pelas boas palavras, ele é impetuoso e eu sou meio lerdo. Puxa, que oportunidade. Talvez estejam me faltando algumas pitadas da pimenta que ele tem e esteja faltando nele o mel que há em mim. Ou talvez eu não perceba que sou pimenta e ele não perceba que é mel. Ou que ambos tenham receio de aceitar qualidades que lhes são pertinentes. Mas que ainda não vieram à tona. O importante é dizer: que venha o touro como ele é. O amigo não concorda com o que digo? Que bom. Oportunidade boa para conversar sobre as opiniões divergentes e aprender a entendê-lo. Aprender a entender, também, que muitas vezes não queremos enxergar algo em nós e ficamos obliterados quando alguém cutuca exatamente o nosso calcanhar de Aquiles. Quem sabe da união das idéias surja um novo conceito, mais abrangente e benéfico para ambas as partes. O que vale é o aprendizado mútuo. O amigo está meio afastado? Parece que está cansado de nós? Ótimo. Momento propício para entender que às vezes precisamos de solidão, de refúgio onde estar em contato com nós mesmos. É hora de exercitar o desapego e de entender que cada um tem sua vida interna e precisa entrar em contato com ela e nem sempre, pelo amor de Deus, precisamos estar juntos. O amigo não é quem eu pensava que fosse? Provavelmente não é mesmo. Se para me conhecer levo anos, se é que chego lá, como posso querer que o outro seja para mim um livro aberto, cujas palavras eu leia e compreenda perfeitamente? O amigo arrumou outros amigos e parece que tem se dado melhor com eles de que comigo. Não é hora de desesperar, nem de se sentir rejeitado. Isso é muito pertinente a crianças de escola primária que ficam de mal quando trocadas por outras. Para adultos, é momento de observar que há infinitas possibilidades de relacionamento e que aprendemos com aqueles que entram em nossas vidas. Cuidado. Talvez estejamos querendo dominar a outra pessoa, e tolher-lhe a liberdade. Que tal arrumarmos novos amigos, também? Que tal fazer uma reunião para unir os novos conhecidos? Através de pequenas coisas, podemos exercer a verdadeira amizade. Proponho agora que respiremos fundo e que imaginemos um espaço harmonioso, nossos pés livres de sapatos, nossos cabelos balouçando por conta do vento. Vamos imaginar que nos vestem roupas leves e brancas. Pessoas chegam ao local, juntamente conosco. São várias. São amigos do passado, do presente e do futuro. É quase automático que formemos um círculo. Nossas mãos presas umas nas outras. Nossos pés estão firmes no chão, nossos corpos estão leves e soltos. Nossos olhos se encontram e não temos medo. Cada um de nós sabe que ao nos defrontar, olhos mergulhados em outros olhos, vamos encontrar a essência que nos pertence desde sempre. Lentamente, começamos a dançar. Nossa liberdade é honrada pelo respeito às individualidades. Mariza Helena Ribeiro Facci Ruiz Terapeuta Corporal e Practitioner em Florais de Bach Tel.: (16) 3621 8407 / 3621 9225 [email protected] CURSO DE FLORAIS DE BACH Início em março Informações: última página Peregrino das Letras 6 Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 Informação, Cultura e Livre Expressão Guia prático da nova Ortografia Introdução A partir desta edição vamos expor aos nossos leitores as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, de 18 de abril de 1995. Queremos ressaltar esta orientação é básica, não excluindo um estudo aprofundado por parte dos nossos leitores, mas, que atenderá rapidamente as dúvidas advindas das mudanças. Mudanças no alfabeto O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. O alfabeto completo passa a ser: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações. Por exemplo: a) na escrita de símbolos de unidades de medida: km (quilômetro), kg (quilograma), W (watt); b) na escrita de palavras e nomes estrangeiros (e seus derivados): show, playboy, playground, windsurf, kung fu, yin, yang, William, kaiser, Kafka, kafkiano. Trema Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui. Como era agüentar argüir bilíngüe cinqüenta delinqüente eloqüente ensangüentado eqüestre freqüente lingüeta lingüiça qüinqüênio sagüi seqüência seqüestro tranqüilo Como fica aguentar arguir bilíngue cinquenta delinquente eloquente ensanguentado equestre frequente lingueta linguiça quinquênio sagui sequência sequestro tranquilo Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas. Exemplos: Müller, mülleriano. Douglas Tufano Professor e autor de livros didáticos de língua portuguesa Editora Melhoramentos Ltda. Continua na próxima edição. Um conto de carinhos Claude M. Steiner Era uma vez, há muito tempo, um casal feliz, Antônio e Maria, com dois filhos chamados João e Lúcia. Para entender a felicidade deles, é preciso retroceder àquele tempo. Cada pessoa, quando nascia, ganhava um saquinho de carinhos. Sempre que uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um Carinho Quente. Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes e aconchegantes, cheias de carinho. As pessoas que não recebiam Carinhos Quentes expunham-se ao perigo de pegar uma doença nas costas que as fazia murchar e morrer. Era fácil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria, bastava pedi-los. Colocando-se a mão na sacolinha surgia um Carinho do tamanho da mão de uma criança. Ao vir à luz o Carinho se expandia e se transformava num grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, na cabeça, no colo da pessoa. Então, misturava-se com a pele e a pessoa se sentia toda bem. As pessoas viviam pedindo Carinhos Quentes umas às outras e nunca havia problemas para conseguilos, pois eram dados. Por isso todos eram felizes e cheios de carinhos, na maior parte do tempo. Um dia uma bruxa má ficou brava porque as pessoas, sendo felizes, não compravam as poções e unguentos que ela vendia. Por ser muito esperta, a bruxa inventou um plano muito malvado. Certa manhã chegou perto de Antônio enquanto Maria brincava com a filha e cochichou em seu ouvido: “Olha, Antônio, veja os carinhos que Maria está dando à Lúcia. Se ela continuar assim vai consumir todos os carinhos e não sobrará nenhum para você”. Antônio ficou admirado e perguntou: “Quer dizer então que não é sempre que existe um Carinho Quente na sacola?” E a bruxa respondeu: “Eles podem acabar e você não os ganhará mais”. Dizendo isso a bruxa foi embora, montada na vassoura, gargalhando muito. Antônio ficou preocupado e começou a reparar cada vez que Maria dava um Carinho Quente para outra pessoa, pois temia perdê-los. Então começou a se queixar a Maria, de quem gostava muito, e Antônio também parou de dar carinhos aos outros, reservando-os somente para ela. As crianças perceberam e passaram também a economizar carinhos, pois entenderam que era errado dá-los. Todos foram ficando cada vez mais mesquinhos. As pessoas do lugar começaram a sentir-se menos quentes e acarinhadas e algumas chegaram a morrer por falta de Carinhos Quentes. Cada vez mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos e poções. Mas a bruxa não queria realmente que as pessoas morressem porque se isso ocorresse, deixariam de comprar poções e ungüentos: inventou um novo plano. Todos ganhavam um saquinho que era muito parecido com o Saquinho de Carinhos, porém era frio e continha Espinhos Frios. Os Espinhos Frios faziam as pessoas se sentirem frias e espetadas, mas evitava que murchassem. Daí para frente, sempre que alguém dizia “Eu quero um Carinho Quente”, aqueles que tinham medo de perder um suprimento respondiam: “Não posso lhe dar um Carinho Quente, mas, se você quiser, posso dar-lhe um Espinho Frio”. A situação ficou muito complicada porque desde a vinda da bruxa havia cada vez menos Carinhos Quentes para se achar e estes se tornaram valiosíssimos. Isto fez com que as pessoas tentassem de tudo para consegui-los. Antes da bruxa chegar as pessoas costumavam se reunir em grupos de três, quatro, cinco, sem se preocuparem com quem estava dando carinho para quem. Depois que a bruxa apareceu, as pessoas começaram a se juntar aos pares, e a reservar todos os seus Carinhos Quentes exclusivamente para o parceiro. Quando se esqueciam e davam um Carinho Quente para outra pessoa, logo se sentiam culpadas. As pessoas que não conseguiam encontrar parceiros generosos precisavam trabalhar muito para obter dinheiro para comprá-los. Outra pessoas se tornavam simpáticas e recebiam muitos Carinhos Quentes sem ter de retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos que precisavam deles para sobreviver. Outras pessoas, ainda, pegavam os Espinhos Frios, que eram ilimitados e de graça, cobriam-nos com cobertura branquinha e estufada, fazendo-os passar por Carinhos Quentes. Eram na verdade Carinhos falsos, de plástico, que causavam novas dificuldades. Por exemplo, duas pessoas se juntavam e trocavam entre si, livremente, os seus Carinhos de Plástico. Sentiam-se bem em alguns momentos, mas, logo depois, sentiam-se mal. Como pensavam que estavam trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas. A situação, portanto, ficou muito grave. Não faz muito tempo uma mulher muito especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha ouvido falar na bruxa e não se preocupava que os Carinhos Quentes acabassem. Ela os dava, mesmo quando não eram pedidos. As pessoas do lugar desaprovavam sua atitude porque a mulher dava às crianças a idéia de que não deviam se preocupar com que os Carinhos Quentes terminassem, e a chamavam de Pessoa Especial. As crianças gostavam muito da Pessoa Especial porque se sentiam bem em sua presença e passaram a dar Carinhos Quentes, sempre que tinham vontade. Os adultos ficaram muito preocupados e decidiram impor uma lei para proteger as crianças do desperdício de seus Carinhos Quentes. A lei dizia que era crime distribuir Carinhos Quentes sem uma licença. Muitas crianças, porém, apesar da lei, continuavam a trocar Carinhos Quentes sempre que tinham vontade ou que alguém os pedia. Como existiam muitas crianças parecia que elas prosseguiam seu caminho. Ainda não sabemos dizer o que acontecerá. As forças da lei e da ordem dos adultos forçarão as crianças a parar com sua imprudência? Os adultos se juntarão à Pessoa Especial e às crianças e entenderão que sempre haverá Carinhos Quentes, tantos quantos forem necessários? Lembrar-se-ão dos dias em que os Carinhos Quentes eram inesgotáveis porque eram distribuídos livremente? Fonte: http://www.claudesteiner.com/ fuzzyesp.htm CURSO DE FLORAIS DE BACH INÍCIO EM MARÇO INFORMAÇÕES: ÚLTIMA PÁGINA Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009 Peregrino das Letras 7 Informação, Cultura e Livre Expressão A prática da Arteterapia – Patrícia Pinna Bernardo Este é um livro sobre recursos da arteterapia e sobre formas práticas de usá-la. Baseando-se em pressupostos Junguianos, nos mitos e contos de fada, entrelaçando seu conhecimento sobre Psicologia Analítica, Ecologia Profunda e Antropologia, a autora propõe trabalhos criativos que apresentam o novo e possibilitem às pessoas traçar um mapa particular e único de si mesmas seja individualmente ou em grupo. Assim são propostas atividades adequadas às estórias individuais e ao momento vivido pelos participantes tais como: confecção de mandalas, confecção de bonecos, confecção de máscaras, pintura em ovos, pintura em telas, colchas de retalho e muitos outros. Editado pela autora TelFax.: (11) 3862 2411 www.patriciapinna.psc.br Planejamento Estratégico de Eventos – Hélio Afonso Braga de Paiva e Marcos Fava Neves Apresenta um roteiro para estudo ou aplicação do processo de planejamento estratégico em eventos. Um livro completo para quem quer aprender como realizar a gestão de eventos de um ponto de vista estratégico e considerando como fonte de sucesso para esta atividade as demais empresas da rede de eventos e turismo. Teorias em uma estrutura que pode ser utilizada como livro-texto ou manual. Livraria Atlas Ribeirão Tel.: (16) 3977 6070 [email protected] Deus, “Deuses” e Divindades – Alexandre Cumino Este é um livro a respeito de Deus, visto como o Uno, o Todo, das formas pelas quais reconhecemos sua essência e suas Divindades, que são partes do Todo. O autor mostra que Deus é um, mas muitos são os nomes pelos quais Ele é conhecido. Situação análoga acontece com as Divindades, manifestadoras das qualidades de Deus. O leitor terá acesso a uma relação desses diversos nomes, e verá que o Ser Supremo assume diferentes formas e nomes nas diversas culturas. Com a leitura desta obra, você verá que Orixás, Santos, Anjos, Devas, Deuses, Divindades têm funções e atributos similares, pois todos derivam do Um – o TodoPoderoso. Grupo Editorial Madras Tel.: (11) 6959 1127 – Fax: (11) 6959 3090 www.madras.com.br AutoCAD 2009 – Adriano de Oliveira O objetivo desta publicação é mostrar de forma clara e didática os conceitos, técnicas e procedimentos para criar objetos e imagens 3D, explorando os recursos que o AutoCAD oferece, o que possibilita o desenvolvimento de trabalhos com qualidade melhor. Por meio de exercícios explicados passo a passo, descreve como modelar objetos com a aplicação de comandos de extrusão para gerar volumes, além de operações booleanas para compor ou decompor objetos. Aprende a definir imagens de fundo, escolher e ajustar tipos de luz, usar iluminação Standard ou fotométrica, trabalhar com materiais e ajustar tamanhos com os recursos de mapeamento. Editora Érica Ltda. Tel.: (11) 2295 3066 – Fax: (11) 6197 4060 www.editoraerica.com.br Reflexão MARX dizia que a religião é o ópio do povo. Hoje, tira-se a religião das escolas. E entra o ópio. As estatísticas apontam essa realidade. E fazem-nos estremecer. Marco Pólo, lá no seu distante tempo (12541323) contava sobre o Oriente por ele desvendado, que soube de indivíduos que consumiam haxixe e sob efeito dessa droga cometiam assassinatos (a palavra assassínio vem de haxixe). No Brasil de hoje, indivíduos consomem um sem-número de alucinógenos e os efeitos estão aí. Os drogados assassinam, torturam, queimam vivos, arrastam crianças presas a veículos, atiram em grupos de estudantes dentro das escolas, ficam alucinados ao volante enchendo os hospitais de mutilados, e não sei quantas coisas mais. Por que o homem de hoje anda tão carente de drogas? Que se passa dentro dos nascidos na era mais progressista da História? Freud dizia que, em qualquer época, é só raspar a pele do homem para ver o troglodita debaixo dela. Que gravidade é essa que atrai o espírito do homem para a insanidade, a viajar para fora da realidade que o cerca que, graças à ciência, nunca lhe foi tão favorável? Gravidade que o arrasta atrás de sensações, desejos e impulsos incontroláveis? Ah, Santo Inácio de Loyola, ah Santo Inácio, Você que criou uma milícia cujos indivíduos hora a hora analisavam seus impulsos, suas emoções, para discipliná-los e pô-los sob o império da sã vontade, quanta falta Você faz hoje! Ernani Valter Ribeiro Empresas e Profissionais Se os seus atuais e/ou futuros clientes têm o perfil de nossos leitores, os convidamos a participarem do nosso Jornal Peregrino das Letras, divulgando seus produtos e serviços em nosso periódico e site www.jperegrino.com.br. (16) 3621 9225 9992 3408 www.jperegrino.com.br www.jperegrino.com.br Pintor – Michelangelo Buonarroti (1475 – 1564) , escultor, A profetiza líbia, 1508 pintor, arquiteto, desenhista e poeta, uma das maiores figuras do Renascimento. Foi aprendiz de Ghirlandaio, em Florença, embora Giotto e Masaccio constituam as maiores influências de sua formação. Em 1496, mudou-se para Roma, onde produziu sua primeira obra-prima, a célebre Pietà (concluída em 1499), que se encontra na catedral de São Pedro. No retorno a Florença, em 1501, consolidou sua reputação com a grande estátua de David (1501 – 4), que se tornou o símbolo do orgulho cívico florentino. Em 1505, de volta a Roma, dedicou-se a duas grandes encomendas do papa Júlio II. A primeira era o próprio túmulo do papa, mas pequena parte dos planos originais chegou a termo e apenas a figura de Moisés (1513 – 6) é de sua autoria. A outra era a decoração do teto da capela Sistina, no Vaticano (1508 – 12). Esta obra verdadeiramente sublime, com figuras de grandiosidade supra-humana, consagrou Michelangelo como o maior artista de sua época. Depois de um período passado em Florença, entre 1516 e 1534, voltou a Roma, onde pintou O Juízo Final na parede do altar da capela Sistina (1536 – 41). Trata-se de uma obra completamente diferente em espíritos dos afrescos do teto, com figuras imponentes e de poder aterrador. Nesta época, o artista trabalhou cada vez mais como arquiteto, destacando-se entre seus maiores feitos a construção da catedral de São Pedro (a partir de 1546) e o projeto de sua grande cúpula. Peregrino das Letras Informação, Cultura e Livre Expressão Ribeirão Preto - SP - janeiro/2009