g g y p Pode-se Fazer Tudo o que se Pode Fazer? MAY WE DO EVERYTHING THAT CAN BE DONE? Resumo O artigo resume a história da ética no Ocidente, com o objetivo de mostrar como surgiu a bioética diante dos desafios postos pela biotecnologia. Parte da pergunta geral sobre o que é permitido fazer, para mostrar como várias vertentes do pensamento ocidental tentaram respondê-la e, a partir daí, às distintas respostas que a filosofia contemporânea tem dado a tal questão. Palavras-chave HISTÓRIA DA ÉTICA – BIOÉTICA – PRUDÊNCIA – PRINCÍPIOS UNIVERSAIS. Abstract The article summarizes the history of Western ethics, with the aim of showing how bioethics emerged in the face of biotechnological challenges. The author shows how the several lines of Western thought have tried to answer a general question: What is permitted? Then, the author goes on to show the different answers the contemporary philosophy has given to the same question. Keywords HISTORY OF ETHICS – BIOETHICS – PRUDENCE – UNIVERSAL PRINCIPLES. Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 101 ÁLVARO LUIZ MONTENEGRO VALLS Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), São Leopoldo/RS [email protected] g g y p O s antigos filósofos gregos, inventores da ética como ciência (episteme, conhecimento certo, garantido, relacionado ao universal e fundamentado em razões), aproximavam a práxis ao esforço artístico: viver constituía uma arte, cuidado de si, busca da perfeição do ideal do belo e do bom, e a vida deveria ganhar a forma de uma obra de arte construída ao longo dos anos. O que caracterizava a vida ética eram as virtudes, intelectuais e morais. No teatro trágico, a catársis ou purificação era produzida pela identificação com um herói nobre, mas não perfeito, que na trama se deixava levar ao erro, em parte pelo destino e em parte por engano pessoal, e, no desenlace (catástrofe), vinha a ser castigado por um erro de que não era totalmente culpado. Pela identificação com esse herói, o espectador passava pela experiência do terror (fobia) e da compaixão e se reconhecia no papel de homem, ser limitado, finito, que deve evitar a hybris (as atitudes desmedidas) e colocar as barbas de molho para tentar ser melhor do que fora, tentar ser mais virtuoso, desenvolvendo aquelas forças que estavam nele. Os gregos são os fundadores da ética em dois sentidos. Esboçaram quase todas as doutrinas possíveis – hedonismo epicurista, estoicismo, eudaimonismo aristotélico, racionalismo, ceticismo, cinismo – e redigiram alguns dos principais livros até hoje lidos e respeitados, como os Diálogos, de Platão, e Ética a Nicômaco, de Aristóteles. O gosto pelo estudo sobre os gregos foi muito forte no século XIX e Nietzsche deve muito de sua fama à filologia clássica. Quando a Grécia, cativa, dominou intelectualmente Roma, seu pensamento se espalhou por todo o Império. Com os séculos, as teorias foram se misturando, os argumentos se embaralhando e a tendência ao ecletismo baixou o nível da teoria e da prática. Num canto obscuro do Império, surge, há cerca de dois mil anos, um novo ensinamento existencial que, graças aos apóstolos e mártires, ao viajante Paulo de Tarso e depois ao imperador Constantino, acabou avançando de seita de pobres a religião oficial. A doutrina básica do carpinteiro de Nazaré era a do amor fraterno e do perdão dos pecados. Doutrina depois deturpada quando a Igreja, de militante na Terra, assume o papel de triunfante. Com a ruína de Roma, foi na figura dos papas e nos mosteiros que um certo poder misturando espiritual, temporal e alguma coisa do melhor pensamento se conservou. A Idade Moderna é a idade das ciências empíricas e matemáticas e traz em seu bojo o movimento da Aufklärung, o Esclarecimento. Conforme Galileo Galilei, o mundo foi escrito em linguagem matemática e era preciso aprender a ler essa linguagem. A razão cartesiana é matematizada, abstrata e universalizadora, e dominou a política cultural européia a partir da corte de Versalhes. Os alemães, melhores na teoria do que na política, refletem sobre o mundo e sobre o agir humano, de modo que pensadores como Kant e Hegel são incontornáveis para qualquer estudioso sério dos problemas da ciência e da moral. Hegel acreditou que a 102 Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 g g y p filosofia deveria transformar-se em saber universal e sistemático, Wissenschaft. Sua tentativa de sistematizar todos os conhecimentos disponíveis na época não deu certo e parece que, já desde Leibniz e Lessing, essa era uma tarefa superior às forças humanas. Os anglo-saxônicos, no Velho e no Novo Mundo, buscavam, então, em seu pragmatismo típico, respeitador da empiria e dos costumes tradicionalmente estabelecidos, investigar as bases mais sólidas de um agir que tornasse o mundo um pouco melhor e buscasse o maior bem possível para o maior número de seres humanos. Eles fundaram teorias utilitaristas ou conseqüencialistas, preocupadas, em primeiro lugar, com os resultados práticos da ação humana, pois sabiam que, como diria Max Weber, o agir tem de ser responsável até o fim, uma vez que, na vida em sociedade, das boas intenções muitas vezes surge o mal. Weber cunhou o termo Zweckrationalität, traduzido corretamente como racionalidade dos meios em razão de um fim, às vezes estabelecido por outros e não refletido pelos agentes. O século XX assombrou o mundo pelos efeitos do divórcio entre o agir moral e o agir técnico. Práxis e téchne, que, em Aristóteles, formavam uma trilogia com a theoría, isolam-se, perdem o contato. O homem antigo, ao atacar ou defender-se com seu machado, enfrentando cara a cara o adversário, ainda se deixava influenciar pelas emoções, pelas tradições e tinha tempo de refletir sobre a justiça ou não de suas ações. Nas trincheiras e nos ataques aéreos ou submarinos da Primeira Grande Guerra, e depois de Hiroshima e Nagasaki, o homem percebeu ter perdido o controle ético de suas ações. Um alemão que executava, em obediência jurada ao Führer e à constituição vigente, as operações que buscavam racionalizar ao máximo a solução definitiva para os judeus, ou, mais recentemente, os pilotos dos bombardeiros que lançavam Napalm no Vietnã são também vítimas do divórcio entre o que o homem é capaz de fazer e aquilo que deveria fazer: divórcio entre os dois sentidos, em nosso idioma, do verbo poder, pois em verdade não se pode fazer tudo o que se pode, não é lícito realizar toda e qualquer ação Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 só porque somos capazes tecnicamente de leválas a cabo. A bioética surgiu como área de conhecimento e prática científicos, de base filosófica, mas essencialmente interdisciplinar, e se concentrou sobre dois pólos principais: meio ambiente e saúde. Hoje em dia, com o Projeto Genoma, falase até de um ramo da bioética que se poderia apelidar gen-ética. É um ramo da bioética entendido como ciência da responsabilidade, de acordo com a visão de Potter e Jonas, surgido da consciência do problema do divórcio entre o que tecnicamente já somos capazes de fazer e aquilo que talvez deveríamos fazer ou deixar de fazer. Portanto, da consciência de que o homem já tem nas mãos poder suficiente para o suicídio coletivo, liquidando o planeta. * Convém afastar um preconceito. Muitos se preocupam por que o homem, nas últimas décadas, estaria querendo brincar de Deus. Uma visão imparcial nos mostrará que ele faz isso desde sempre. Se o Deus bíblico ordenou a Adão e Eva “Crescei e multiplicai-vos e dominai a Terra”, os homens captaram a parte final do mandamento e os séculos testemunham como eles vão arrancando a um destino impessoal os poderes concedidos pelo Pai. Hoje em dia, apenas chegamos a uma nova fronteira, a dos genes, ou dos cromossomos – mas estruturalmente o problema ético não difere de quando a humanidade inventou a luz elétrica (e disseram que Deus fizera a noite para dormirmos) ou ainda o motor (e afirmaram que Deus criou os bovinos e os muares para a tração dos veículos) ou criou métodos de controle da concepção (e disseram que o amor era obrigado a manter-se sempre aberto para o que desse e viesse). É claro que há na natureza mecanismos de autocontrole para evitar e anular os excessos e, por muitos milênios, milhões de mortes de crianças e mães equilibraram os milhões de nascimentos, atualmente defendidos por medidas de saúde pública. Poderíamos dizer, inversamente, que os milhões de espermatozóides apresentados a cada ejaculação são a defesa da vida contra os poderes 103 g g y p insidiosos da morte, assim como o padre representado por Gianfrancesco Guarnieri, no filme O Quatrilho, reflete que, quando uma mocinha da colônia sente sua idade avançar e decide mostrar ao namorado as vacas do fundo do quintal, não está sendo arrastada pela concupiscência da carne, mas pela ânsia da vida de não se deixar derrotar pela morte. Todos entendem que intervenções apressadas sobre processos milenários da natureza acarretam, a curto prazo, desequilíbrios que, com o acúmulo de poderes nas mãos dos cientistas e dos fabricantes, podem ser fatais para muita gente. Por isso, uma das virtudes aristotélicas volta ao primeiro plano, a prudência, ligada à experiência acumulada e à reflexão que compara meios e fins, e, como toda virtude, consistiria num justo meiotermo em relação ao homem. Como a coragem não era pólo oposto à covardia, mas meio-termo entre o defeito da covardia e o excesso da temeridade, assim também a prudência não pode ser apenas um freio de mão sempre puxado. Em ambientes de pesquisa, seria importante lembrar que a prudência do pesquisador não deve ser sinônimo de covardia, nem de omissão. O medo de pesquisar novos processos pode ser responsável pela fome de muitos, e o de experimentar novas tecnologias é capaz de levar ao esgotamento de outras. Citando livremente Millôr Fernandes, perguntaríamos: quando a população do planeta chega a seis bilhões de humanos, surge a questão sobre o que é pior agora – matar ou desmatar? Desmatamentos podem significar a morte ou a proibição de vida a milhões ou bilhões de descendentes nossos. Eis aí uma nova discussão da bioética: o direito dos que (ainda) não existem. Se os filósofos tenderam a ignorar os que não mais existiam ou ainda nem existem, e a concentrar-se sobre o próximo no sentido físico, natural (a população presente), agora não mais podemos adotar tal perspectiva, pois, dependendo de nossas decisões no hoje de nossa vida e de nosso trabalho, é possível que muitos nem cheguem à existência ou venham a ter péssima qualidade de vida. Os mecanismos de controle, ou de defesa, invenção da própria na- 104 tureza em sua evolução, quem sabe até precondição da evolução, e aperfeiçoada pelo próprio processo natural, devem, nos dias de hoje, ser completados conscientemente pelo próprio ser humano, individualmente e/ou em equipe. Em especial pelo cientista, que, ao precisar incluir em sua reflexão também os fins, próximos e últimos, de sua atividade, e não só os meios e recursos, torna-se um verdadeiro filósofo. Aliás, o problema não é novo, pois já Aristóteles perguntava se era correto deixar aos médicos a manipulação dos venenos, de onde provêm muitos medicamentos. A solução por ele encontrada era a de deixar aos médicos a responsabilidade moral, mesmo por falta de alternativas melhores. Quem, com efeito, sem o conhecimento técnico, pode ditar em sã consciência o procedimento melhor àquele que conhece o como, o quanto, o quando e o em que condições? Na falta de opção viável, há que se apostar na formação moral dos que trabalham na área da saúde ou na pesquisa em favor da vida. Quem sabe caiba aqui contribuir com algumas indicações no terreno da reflexão moral. Incumbido de pensar eticamente pari passu com suas pesquisas tecnológicas, e consciente de haver uma coisa chamada ética profissional, que não regula apenas níveis salariais e coisas semelhantes, o cientista pode pedir ao filósofo alguns lineamentos gerais para esclarecer e acelerar o progresso de suas considerações nesse campo por muito tempo negligenciado. Não é fácil ao bom cientista ter a humildade de dar a palavra ao chamado eticista. Afinal, que podem ter esses generalistas (especialistas em generalidades?) amantes de obviedades acacianas a dizer, se não vivem nos laboratórios e não participam dos congressos científicos? Essa seja talvez uma vingança merecida por séculos de predomínio das chamadas ciências dos sentidos, como a teologia, o direito ou a filosofia, sobre as chamadas exatas e as da natureza. Mas a simples inversão entre oprimido e opressor não serve ao bem comum. Duas saídas imediatas seriam viáveis: a formação de pesquisadores anfíbios, treinados para se movimentar nos dois âmbitos, e a criação de comitês interdisciplinares, em que gente de várias especialidades, até Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 g g y p mesmo movida pela lei da simpatia desenvolvida em grupos específicos, acaba aprendendo a dialogar de modo objetivo, senão fraterno. * Algumas sugestões. No âmbito da ética profissional, o cientista e o técnico ou o profissional da área de pesquisa da vida deve encarar suas atividades como uma vocação, e não apenas ganha-pão. E também considerar-se um funcionário do bem comum, consciente de ter o privilégio de executar tarefas que nitidamente fazem sentido, carregadas de um significado ideal. Precisa, pois, executar as tarefas do dia-a-dia com afinco e interesse, com um certo amor e uma grande paixão por fazer aquilo sempre melhor. Mas a problemática ética não se esgota no nível da relação profissional. Há uma dimensão específica e uma dimensão política. Um profissional dessa área deve procurar ter suas opiniões a respeito da política mais geral do setor. Pois opinião é isso, um saber que talvez esteja certo, mas que pode a qualquer momento ser corrigido por outra melhor. Opiniões são convicções ainda não demonstradas e não devem ser defendidas com fanatismo, mas mesmo com pouca certeza pode se estar na verdade, e aí teremos o que Platão chamava de opinião certa ou opinião melhor. Portanto, o profissional da área deve dispor-se a opinativamente pesar e sopesar os prós e contras dos métodos, procedimentos e tecnologias a serem utilizados. Por exemplo, citado o mais rapidamente possível: quais os prós e contras do uso de produtos transgênicos, e quais, por outro lado, os prós e contras do não uso deles? Enfrento, enfim, a questão mais geral dos princípios éticos ou morais do trabalho de pesquisa e aqui precisarei ficar num nível talvez bastante etéreo, embora espere que algumas coisas tenham lá o seu proveito. O que a ciência da ética nos pode auxiliar no dia-a-dia? Uns dois pontos já foram mencionados: levar em conta finalidades últimas, e não apenas refletir de maneira imediata sobre os meios e objetivos de curtíssimo prazo; voltar a recorrer à reflexão, buscando uma certa prudência, já definida, como regra do agir. Cabe- Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 ria agora acrescentar que um pesquisador que tem em suas mãos, de alguma maneira, a saúde da população, pode aprender bastante das tradições éticas da área médica com os princípios da beneficência e não-maleficência, da justiça e outros semelhantes. Ou seja, o próprio juramento de Hipócrates poderia ser estudado e meditado por gente dessa área. Mas dos moralistas é possível aprender mais alguma coisa. Um tópico fundamental da filosofia moral kantiana, mais uma vez em grande relevo na atual ética do discurso, defendida por pensadores como Jürgen Habermas e Karl-Otto Apel, é o chamado princípio da universalização ou, se quiserem, da universalizabilidade. Antes de me decidir por uma ação, devo refletir sobre se essa máxima que pretendo seguir é digna de ser universalizada. Eu poderia, em sã consciência, desejar que todos os homens, numa situação semelhante à minha, fizessem o mesmo que estou pretendendo fazer? Isso vale em todas as esferas, vale para o que quer torturar, o que quer sonegar, o que quer escapar de um aperto por meio de uma mentira, para o que se pergunta se pode prometer algo que sabe que não pretende cumprir, e assim por diante. Numa palavra que todos entendemos: o princípio da universalização é antípoda da chamada Lei de Gérson, em que busco sempre tirar vantagem de qualquer situação e a qualquer preço, a ser pago obviamente pelos outros. Tal princípio, Kant sempre aplicava junto com outro aspecto, que dizia pertencer ao mesmo preceito: o do respeito pela dignidade do ser humano. Saramago, em palestra na UFRGS, formulou a questão nos seguintes termos: “Se não podemos pretender que todos os homens se amem uns aos outros, poderíamos ao menos lutar para que nos respeitássemos mutuamente”. Kant diz que sempre é preciso tratar a humanidade, em nós mesmos ou nos outros, também como um fim em si, e jamais apenas como um meio. Mantido o princípio da universalização, pois na ética se faz o que é geral, é possível levar em conta outras reflexões, como a ação do duplo efeito (em que se busca um bem maior, precisando aceitar uma conseqüência menos positiva que 105 g g y p acompanha o resultado), ou o princípio do mal menor (quando somos obrigados a agir escolhendo entre dois resultados negativos), ou o do custo e benefício (nascido na economia e transplantado para os setores administrativos) e o da separação das decisões macro e micro (a direção geral se responsabiliza pelos investimentos básicos e as instâncias inferiores administram, da melhor maneira possível, os recursos disponíveis). Formulação superior à do mal menor é, obviamente, a do bem maior, ligada à chamada regra de ouro, de fazer aos outros o que queremos que façam em nosso proveito, base do contrato social, seja esse princípio articulado de maneira positiva seja de forma negativa. A via dos princípios tem sido seguida tradicionalmente e não sei até que ponto é proveitosa. Mas princípios éticos são instrumentos para reflexões grupais e particulares. Acredito nos grupos de reflexão, em que se se exerce e se aprende a exercer a reflexão ética. A comunidade dos pesquisadores é um sujeito digno, no campo da epistemologia. Também no plano da moral, tal comunidade é um sujeito sério, mas aí talvez fosse preciso atentar para o fato de que, idealmente, deveria incluir, de alguma forma, todos os sujeitos concernidos. Porque, quando pesquiso sobre coisas que atingem a vida e a saúde de muitos ao meu redor, não posso considerar-me a instância última das decisões (no máximo uma instância próxima). Os desastres de Chernobil, Bopal e tantos outros sugerem humildade à comunidade dos pesquisadores e técnicos. Mas também os praticantes da filosofia têm de ser humildes. Dados do autor Doutor em filosofia pela Universidade de Heidelberg, desenvolve pesquisas sobre Adorno e Kierkegaard. Atua nas áreas da estética, ética e bioética. Tradutor e professor na Unisinos, é pesquisador do CNPq, membro de comitês de ética em pesquisa e autor de O que é Ética (Brasiliense). Recebimento artigo: 11/set./03 Consultoria: 12/set./03 a 22/set./03 Aprovado: 23/set./03 106 Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 g g y p Comunicações & Debates Guerra, terrorismo e as relações internacionais Communications & Debates War, terrorism and the international relations Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003 107 g g 108 y p Impulso, Piracicaba, 14(35): 101-106, 2003