FUNDAMENTOS DE CIÊNCIA DOS MATERIAIS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS O comportamento magnético é determinado primeiramente pela estrutura eletrônica de um material, a qual promove a formação de dipolos magnéticos. As interações entre esses dipolos determina comportamento magnético que é observado. o tipo de O comportamento magnético pode ser modificado pela composição, microestrutura e pelo processamento desses materiais básicos. DIPOLOS MAGNÉTICOS E MOMENTOS MAGNÉTICOS. A magnetização ocorre quando os dipolos permanentes ou induzidos são orientados por uma interação entre o material magnético e o campo magnético. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A magnetização de um material aumenta a influência do campo magnético, permitindo que maior energia seja armazenada, quando comparada com a magnetização de um material não magnético. Essa energia pode ser armazenada permanentemente temporariamente e pode ser utilizada para realizar trabalho. ou Cada elétron, no átomo, possui dois momentos magnéticos. O momento magnético é simplesmente a força do campo magnético associada com o elétron. Esse momento, chamado de Magneton de Bohr, é definido por: q.h Magneton de Bohr = = 9,27 × 10 − 24 A.m 2 4.π .me COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Onde, "q" é a carga do elétron, "h" é a constante de Planck e "me" é a massa do elétron. Os momentos magnéticos são causados pelas movimentações dos orbitais dos elétrons ao redor do núcleo. O spin dos elétrons, são causados pelas movimentações dos orbitais dos elétrons ao redor dos seus próprios eixos. O spin do elétron produz um campo magnético, com uma direção dependente do número quântico mS. Elétrons orbitando ao redor do núcleo cria um campo magnético ao redor do átomo. Os momentos magnéticos de cada par de elétron num determinado nível de energia são opostos. Sempre que um nível de energia estiver completamente cheio, não haverá momento magnético líquido (resultante). COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Espera-se que um átomo, de um elemento com número atômico desconhecido, tenha um momento magnético resultante devido aos seus elétrons desemparelhados. Em muitos desses elementos, o elétron desemparelhado é um elétron de valência. Uma vez que os elétrons de valência interagem entre si, os momentos magnéticos, em média, cancelam-se e nenhum momento magnético é associado ao material. Os metais de transição, têm um nível de energia mais interno que não está completamente preenchido. Os elementos que vão desde o Scandio até o Cobre, cujas estruturas eletrônicas são mostradas na Tabela 1, são exemplos típicos. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Tabela 1: Os spins eletrônicos no nível de energia 3d nos metais de transição, com as setas indicando a direção do spin. METAL 3d 4s Sc ↑ ↑↓ Ti ↑ ↑ V ↑ ↑ ↑ Cr ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ Mn ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑↓ Fe ↑↓ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑↓ Co ↑↓ ↑↓ ↑ ↑ ↑ ↑↓ Ni ↑↓ ↑↓ ↑↓ ↑ ↑ ↑↓ Cu ↑↓ ↑↓ ↑↓ ↑↓ ↑↓ ↑ ↑↓ ↑↓ COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Exceto para o Cromo e o Cobre, os elétrons de valência no nível 4s são emparelhados para os demais elementos. os elétrons não emparelhados no Cromo e no Cobre são cancelados por interações com outros átomos. O Cobre também tem uma camada 3d completamente preenchida e dessa forma não mostra um momento resultante. Os elétrons no nível 3d dos elementos remanescentes não entram nas camadas em pares. de transição Apenas quando metade do nível 3d for preenchido, formam-se pares contendo spins opostos. Dessa forma, cada átomo num metal de transição, tem um momento magnético permanente, que está relacionado ao número de elétrons desemparelhados. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS MAGNETIZAÇÃO, PERMEABILIDADE E O CAMPO MAGNÉTICO. Quando uma corrente elétrica passa por uma bobina com "n" espiras, um campo magnético "H" é produzido, com a intensidade de: H= n.I "n": é o número de espiras, " ": é o comprimento da bobina em metros, e "I" é a corrente em Ampère. onde COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS INDUTÂNCIA PROF. DR. MARCELO MARTINS MATERIAL: B = µ .H = µ0.H + µ0.M µ0.M VÁCUO: B = µ0.H CAMPO MAGNÉTICO COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Uma corrente passando por uma bobina induz um campo magnético "H", com uma densidade de fluxo "B". A densidade é maior quando um núcleo magnético é colocado dentro da bobina. A unidade de "H" é dada em A/m. Uma unidade alternativa para o campo magnético é o Oersted, obtido pela multiplicação de A/m por 4.πx10-3, conforme Tabela 2. Quando um campo magnético é aplicado a uma região onde existe vácuo, linhas de fluxo magnético são induzidas. O número de linhas de fluxo, chamado de densidade e fluxo, ou indutância "B", está relacionado com o campo aplicado por: B = µ0.H COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Tabela 2: Unidades para o comportamento magnético. Unidades cgs SI Unidades Conversão Indutância B Gauss Tesla (Weber/m2) 1T = 104 Gauss Campo H Oersted A/m 1A/m = 4π.10-3 Oesrted Magnetização M Oersted A/m 1A/m = 4π.10-3 Oesrted Permeabilidade µ0 1 Gauss/Oersted 4π.10-7 Weber/A.m (Henry/m) COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS "B" é a indutância, "H" é o campo magnético e "µ0" é uma constante chamada de permeabilidade magnética do vácuo. Se "H" for expresso em unidades de Oesrted, então "B" é em Gauss e "µ0" é 1Gauss/Oersted. Em outro sistema de unidades: se "H" for expresso em A/m, "B" será em Tesla (também chamado de Weber/m2) e µ0 é 4π.10-7 Weber/A.m (também chamado Henry/m). Quando se coloca um material dentro da bobina, a indutância magnética é determinada por: B = µ.H onde "µ" é a permeabilidade magnética do material. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Se os momentos magnéticos fortalecem o campo aplicado, então µ > µ0 e o campo magnético é amplificado. Se os momentos magnéticos se opõem ao campo, então, µ < µ0. Pode-se descrever a influência do material magnético por meio da permeabilidade relativa µr, onde: µ µr = µ0 Uma grande permeabilidade relativa significa que o material amplifica o efeito do campo magnético. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A magnetização "M" representa o aumento na indutância devido ao núcleo do material. Então pode-se re-escrever a equação para a indutância como: B = µ 0 .H + µ 0 .M A susceptibilidade magnética "χ", que é a relação entre a magnetização e o campo aplicado, dá a amplificação produzida pelo material: COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS M χ= H Ambos, "µr" e "χ" referem-se ao grau pelo qual o material intensifica o campo magnético, e estão dessa forma, relacionados por: µr = 1 + χ COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Para importantes materiais magnéticos, o termo "µ0.M" é muito maior que "µ0.H". Assim, para esses materiais: B ≅ µ 0 .M Normalmente, deseja-se produzir uma elevada indutância "B" ou uma elevada magnetização "M". Assim, é aconselhável selecionar materiais que tenham uma alta permeabilidade relativa, ou alta susceptibilidade magnética. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EXEMPLO 1: Calcule a Magnetização máxima, ou saturação, que se espera do elemento Ferro. O parâmetro de rede para o Ferro com estrutura Cúbica de Corpo Centrado (CCC) é de 2,866Å. SOLUÇÃO: Baseado nos spins eletrônicos desemparelhados, espera-se que cada átomo tenha quatro elétrons que atuam como dipolos magnéticos, vide distribuição eletrônica desse elemento. Sabe-se que a estrutura CCC contém 2 átomos por célula unitária. Então, o número de átomos por metro cúbico de Ferro é dado por: Número de átomos 2 átomos/célula 28 8 , 496 10 = = × m3 (2,866 × 10 -10 m) 3 / célula COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A magnetização "M" é então: M = 8,496 × 10 28 (átomos / m 3 ).(4 magnetons/átomo).(9,27 × 10 -24 ) A.m 2 / magneton M = 3,15 × 10 6 A / m, em um metro cúbico. M = (3,15 × 10 6 A / m).(4.π × 10 −3 ) oersted/A/m. M = 39.600 oersted. INTERAÇÕES ENTRE DIPOLOS MAGNÉTIOS E O CAMPO MAGNÉTICO. Quando um campo magnético é aplicado a uma "coleção" de átomos, vários tipos de comportamentos são observados, conforme ilustrado na Figura. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A Figura descreve o efeito do material do núcleo sobre a densidade de fluxo. O momento magnético opõe-se ao campo nos materiais diamagnéticos. Momentos Magnéticos progressivamente mais fortes estão presentes nos materiais paramagnéticos, ferrimagnéticos e ferromagnéticos. COMPORTAMENTO DIAMAGNÉTICO. PERMEABILIDADE RELATIVA ≅ 0,99995 Materiais tais como: cobre, prata, ouro e alumina são diamagnéticos a temperatura ambiente. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS ATUANDO SOBRE O ÁTOMO. ESSES DIPOLOS OPÕEM-SE AO CAMPO MAGNÉTICO, RESULTANDO M < 0. CAMPO MAGNÉTICO INFLUENCIA O MOMENTO MAGNÉTICO CAUSADO PELOS ELÉTRONS. INDUZ DIPOLO NO ÁTOMO INTEIRO. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS PARAMAGNETISMO: PRESENÇA DE ELÉTRONS DESEMPARELHADOS NO ÁTOMO. PROMOÇÃO DE UMA MAGNETIZAÇÃO POSITIVA (M > 0). CAMPO MAGNÉTICO MOMENTO MAGNÉTICO LÍQUIDO ASSOCIADO A CADA ÁTOMO. OS DIPOLOS ALINHAM-SE COM O CAMPO. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Entretanto, uma vez que os dipolos não se interagem, campos magnéticos extremamente altos são necessários para alinhar todos os dipolos. Além disso, o efeito é perdido tão rápido quanto o campo magnético for removido. Esse efeito, chamado paramagnetismo, é encontrado em metais tais como: alumínio, titânio e ligas de cobre. A permeabilidade relativa de materiais paramagnéticos encontram-se entre 1,00 e 1,01. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS FERROMAGNETISMO NÍVEIS DE ENERGIA NÃO PREENCHIDOS NO 3d DO FERRO. GRANDES MAGNETIZAÇÕES, MESMO PARA PEQUENOS CAMPOS µr ≅ 106. CAMPO MAGNÉTICO PRESENÇA DE ELÉTRONS DESEMPARELHADOS OS DIPOLOS PERMANENTES ALINHAM-SE COM O CAMPO. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS ANTIFERROMAGNETISMO EM MATERIAIS COMO Mn, Cr, MnO e NiO. RESULTANDO EM MAGNETIZAÇÃO NULA, (M = 0). CAMPO MAGNÉTICO OS DIPOLOS ALINHAM-SE EM OPOSIÇÃO UNS AOS OUTROS. PRODUÇÃO DE MOMENTOS MAGNÉTICOS NAS VIZINHANÇAS DOS DIPOLOS. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS FERRIMAGNETISMO EM MATERIAIS CERÂMICOS ≠s ÍONS POSSUEM ≠s MOMENTOS MAGNÉTICOS. RESULTANDO EM AMPLIFICAÇÕES DO CAMPO IMPOSTO. CAMPO MAGNÉTICO DIPOLOS DO Fe "A" ALINHAM-SE E DIPOLOS DO Fe "B" NÃO SE ALINHAM COM O CAMPO. MAGNETIZAÇÃO LÍQUIDA DEVIDO ÀS DIFERENÇAS NAS RESISTÊNCIAS DOS DIPOLOS. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EXEMPLO 2: Projeto/Seleção de Materiais para um Solenóide. Quer se produzir uma bobina solenóide, que proporcione uma indutância de no mínimo 2000 gauss, quando uma corrente de 10mA flui através do condutor. Devido às limitações de espaço, a bobina seria composta por 10 espiras com 1cm de comprimento. Selecione um núcleo para a bobina. SOLUÇÃO: Primeiramente, deve-se determinar o campo magnético "H" produzido pela bobina. Assim, H= n.I Então, substituindo-se os valores, tem-se: COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS (10).(10 × 10 −3 ) A H= = 10 . −2 (1 × 10 ) m PROF. DR. MARCELO MARTINS Transformando em outro sistema de unidades, tem-se: A −3 oersted = 0,126 oersted. H = 10 .(4.π × 10 ) m Am Se a indutância B deve ser no mínimo 2000 gauss, então a permeabilidade do material do núcleo será: B 2000 µ= = = 15.873 gauss/oersted. H 0,126 COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A permeabilidade relativa do material do núcleo deve ser no mínimo: µ 15.873 µr = = = 15.873 . 1 µ0 De acordo com a Tabela 3, nota-se que o Permalloy 45 possui uma permeabilidade relativa de 25.000 e poderia ser uma boa escolha para o material do núcleo. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS ESTRUTURA DE DOMÍNIOS E O "LOOP" DE HISTERESE. No interior dos cristais de um material ferromagnético, uma subestrutura composta de domínios magnéticos é produzida, mesmo na ausência de um campo externo. Os domínios são regiões no material na qual todos os dipolos estão alinhados. Num material que nunca foi exposto a um campo magnético, os domínios individuais têm uma orientação aleatória. A magnetização residual no material como um todo é zero. Contornos, chamados paredes de Bloch, separam os domínios individuais. As paredes de Bloch são zonas estreitas nas quais a direção do momento magnético muda gradualmente e continuamente de um domínio para o próximo, conforme Figura 5. Os domínios são muito pequenos, cerca de 0,005cm ou menos, enquanto as paredes de Bloch são da ordem de 100nm de espessura. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Figura 5: Os momentos magnéticos em átomos adjacentes mudam continuamente a direção através dos contornos entre os domínios. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS PROF. DR. MARCELO MARTINS MATERIAIS MOVIMENTO DOS DOMÍNIOS NUM CAMPO MAGNÉTICO. Quando um campo magnético é imposto a um material, os domínios nas vizinhanças alinham-se com o campo e crescem às custas dos domínios não alinhados. Para os domínios crescerem as paredes de Bloch devem mover-se; o campo fornece a força requerida para esse movimento. Inicialmente os domínios crescem com dificuldade, e quando estão relativamente grandes, aumentos significativos no campo magnético são requeridos para produzirem pequenas magnetizações. Essa condição está indicada na Figura seguinte por uma modesta inclinação, que é a permeabilidade inicial do material. À medida que o campo aumenta em intensidade, de forma favorável, os domínios orientados crescem mais facilmente, com a permeabilidade aumentando da mesma forma. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Uma permeabilidade máxima pode ser calculada, conforme mostrado na Figura. Eventualmente, os domínios orientados desfavoravelmente desaparecem e a rotação completa o alinhamento dos domínios com o campo. A saturação magnética, produzida quando todos os domínios são orientados apropriadamente, é a maior quantidade de magnetização que o material pode obter. Quando um campo magnético é aplicado a um material magnético, a magnetização inicialmente aumenta vagarosamente, então mais rapidamente à medida que os domínios começam a crescer. Posteriormente, a magnetização diminui, conforme os domínios sofrem rotação para atingir a saturação. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EFEITO DA REMOÇÃO DO CAMPO. Quando o campo for removido, a resistência oferecida pelas paredes dos domínios evita o recrescimento dos domínios em orientações aleatórias. Como resultado, muitos dos domínios permanecem orientados próximos da direção original do campo e uma magnetização residual, conhecida como remanescência (Br), permanece no material. O material age como um magneto (ímã) permanente. A Figura seguinte mostra esse efeito na curva magnetização-campo. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EFEITO DE UM CAMPO ALTERNANTE. Se um campo magnético for aplicado na direção reversa, os domínios crescem com um alinhamento na direção oposta. Um campo coersivo "Hc" (ou coercitividade) é requerido para forçar os domínios a serem aleatoriamente orientados e cancelar o efeito do outro. Aumentando-se a intensidade do campo, os domínios de saturação serão alinhados na direção oposta. À medida que o campo alterna continuamente, a relação entre magnetização e campo forma um "loop" de histerese. A área contida dentro do "loop" de histerese, está relacionada com a energia consumida durante um ciclo da alternância do campo. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS O comportamento de um material num campo magnético está relacionado ao tamanho e a forma do "loop" de histerese, conforme Figura. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS MATERIAIS MAGNÉTICOS PARA APLICAÇÕES ELÉTRICAS. Materiais ferromagnéticos são usados para melhorar o campo magnético produzido, quando uma corrente elétrica é passada através do material. Esse campo magnético deve realizar algum tipo de trabalho. As aplicações incluem núcleos para eletroímãs, motores elétricos, transformadores, geradores e outros equipamentos elétricos. Devido a esses dispositivos utilizarem um campo alternante, o material do núcleo é continuamente solicitado através do "loop" de histerese. Materiais magnéticos para aplicações elétricas, são frequentemente chamados de ímãs "moles" e têm várias características: COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS ELEVADA MAGNETIZAÇÃO DE SATURAÇÃO. ALTA PERMEABILIDADE. PROF. DR. MARCELO MARTINS PERMITE AO MATERIAL REALIZAR ALGUM TIPO DE TRABALHO. MAGNETIZAÇÃO DE SATURAÇÃO COM PEQUENOS CAMPOS. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS CAMPO COERSITIVO PEQUENO. PROF. DR. MARCELO MARTINS REORIENTAÇÃO DOS DOMÍNIOS COM PEQUENOS CAMPOS MAGNÉTICOS. BAIXA REMANESCÊNCIA. ELIMINA TODA MAGNETIZAÇÃO SE O CAMPO EXTERNO FOR REMOVIDO. PEQUENO "LOOP" DE HISTERESE. MINIMIZAÇÃO DAS PERDAS DURANTE A OPERAÇÃO. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS As propriedades de vários ímãs "moles" importantes são listadas na Tabela 3. Tabela 3: Propriedades de ímãs "moles" selecionados, ou materiais elétricos, magnéticos. PERMEAB. RELATIVA MÁXIMA INDUTÂNCIA DE SATURAÇÃO (gauss) CAMPO COERCIVO (oersted) Ferro (99,5%) 5.000 21.400 0,9 Fe - 3%Si (orientado) 50.000 20.100 0,09 Fe - 3%Si (não orientado) 8.000 20.100 0,7 Permalloy 45 (55%Fe–45% Ni) 25.000 16.000 0,25 Supermalloy 5%Mo) 800.000 8.000 0,006 MATERIAL (79%Ni-16%Fe- A6 Ferroxcube (Mn,Zn)Fe2O4 4.000 B2 Ferroxcube (Ni,Zn)Fe2O4 3.000 COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A potência do ímã está relacionada com o tamanho do "loop" de histerese, ou ao máximo produto de "B" por "H". A área do maior retângulo que pode ser desenhado nos segundo ou quarto quadrantes da curva B x H, está relacionada à energia requerida para desmagnetizar o ímã (Figura seguinte). Para o produto ser maior, ambos: a remanescência e o campo coercivo deveriam ser maiores. O maior retângulo desenhado no segundo ou no quarto quadrantes da curva B.H, dá o produto máximo BH. (BH)Máx está relacionado à potência, ou energia requerida para desmagnetizar o ímã permanente . COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EXEMPLO 3: Determine a potência, ou o produto BH, para o material magnético cujas propriedades são mostradas na Figura. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS SOLUÇÃO: Vários retângulos foram desenhados (em verde) no quarto quadrante da curva B-H. O produto B.H de cada um é: BH1 = 12.000 x 280 = 3,36 x 106 gauss.oersted. BH2 = 11.000 x 360 = 3,96 x 106 gauss.oersted. BH3 = 10.000 x 420 = 4,2 x 106 gauss.oersted. BH4 = 9.000 x 460 = 4,14 x 106 gauss.oersted. BH5 = 8.000 x 500 4,0 x 106 gauss.oersted. Dessa forma, a potência é cerca de 4,2 x 106 gauss.oersted. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EXEMPLO 4: Selecione um material magnético apropriado para as seguintes aplicações: motor de alta eficiência elétrica; dispositivo magnético para manter portas de armários fechadas; um ímã usado em amperímetros e voltímetros; e imagem de ressonância magnética. SOLUÇÃO: Motor de alta eficiência elétrica: Para minimizar as perdas por histerese, deve-se utilizar um aço silício com grãos orientados, aproveitando de seu comportamento anisotrópico e de seu pequeno "loop" de histerese. Uma vez que a liga ferro-silício é eletricamente condutiva, pode-se produzir uma estrutura laminada, com finas tiras do aço ao silício, intercaladas entre um material dielétrico não condutivo. Tiras mais finas que 0,5mm seriam recomendadas. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Ímãs para dispositivos de portas de armários: Os trincos magnéticos usados para prender portas devem ser ímãs permanentes; entretanto, o custo baixo é a característica de projeto mais importante do que alta potência. Um aço ferrítico inexpressível, ou uma ferrita BaO.6Fe2O3, seriam recomendados. Ímãs para um amperímetro ou voltímetro: Para essas aplicações, ligas Alnico são efetivas. Sabe-se que essas ligas são as menos sensitivas para mudanças na temperatura, assegurando leituras precisas nas correntes ou voltagens numa considerável faixa de temperaturas. Imagem por ressonância magnética: Uma das aplicações para o MRI, está no diagnóstico médico. Nesse caso, deseja-se um ímã permanente muito potente. Um material magnético do tipo Nd2Fe12B, que tem um produto B.H excepcionalmente alto, poderia ser recomendado para essa aplicação. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS A TEMPERATURA DE CURIE. Quando a temperatura de um material ferromagnético aumenta, a energia térmica adicionada, aumenta a mobilidade dos domínios, tornando-os mais fáceis de serem alinhados, mas também evitando um alinhamento remanescente quando o campo magnético for removido. Consequentemente, a saturação magnética, a remanescência e o campo coersivo são todos reduzidos em altas temperaturas (Figura seguinte). Se a temperatura de Curie é excedida, o comportamento ferromagnético desaparece. A Temperatura de Curie (Tabela 5), a qual depende do material, pode ser alterada por meio de elementos de liga. Os dipolos podem ainda estar alinhados em um campo magnético acima da Temperatura de Curie, mas eles tornam-se aleatoriamente alinhados quando o campo for removido. Acima da Temperatura de Curie, o material mostra-se com comportamento paramagnético. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Efeito da temperatura sobre o "loop" de histerese COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Efeito da temperatura sobre a remanescência. O comportamento ferromagnético desaparece acima da Temperatura de Curie. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Tabela 5: Temperatura de Curie para alguns materiais. MATERIAL TEMPERATURA DE CURIE (ºC) Gadolínio 16 Nd2Fe12B 310 Níquel 358 BaO.6Fe2O3 450 Co5Sm 725 Ferro 770 Alnico 1 780 Cunico 855 Alnico 5 900 Cobalto 1131 COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS EXEMPLO 5: Projeto/Seleção de Materiais para um ímã em altas temperaturas. Selecione um ímã permanente para uma aplicação num veículo aeroespacial que deve re-entrar na atmosfera terrestre. Durante a reentrada, o ímã pode estar exposto a campos magnéticos tão altos quanto 600 oersted e pode rapidamente atingir temperaturas tão altas quanto 500ºC. Assim, deseja-se um material que tenha a maior potência possível, mantendo sua magnetização após re-entrar. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS SOLUÇÃO. É necessário, primeiramente, selecionar materiais potenciais, tendo suficiente campo coercivo Hc e Temperatura de Curie que reentram sem sofrer desmagnetização. Da Tabela 5, pode-se eliminar materiais tais como Gadolínio, Níquel, Nd2Fe12B, e as ferritas cerâmicas, desde que suas respectivas Temperaturas de Curie estejam abaixo de 500ºC. Da Tabela 4, outros materiais, tais como: Cunife e Alnico 1, podem ser eliminados porque seus campos coersivos estão abaixo de 600 oersted. Dos materiais magnéticos permanentes remanescentes na Tabela 4, Alnico 12 tem a menor potência e pode ser eliminado. Assim, a escolha está entre o Alnico 5 e o Co5Sm. O Co5Sm tem quatro vezes mais potência do que o Alnico 5 e, baseado na performance, poderia ser a melhor escolha. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS MATERIAIS MAGNÉTICOS. Serão considerados apenas as ligas metálicas típicas e os materiais cerâmicos usados em aplicações magnéticas. Metais Magnéticos. Ferro puro, níquel e cobalto não são normalmente usados para aplicações elétricas porque eles têm altas condutividades elétricas e "loops" de histerese relativamente grandes, levando-os à excessivas perdas de potências. Eles são, entretanto, ímãs permanentes relativamente pobres; os domínios são facilmente reorientados e tanto a remanência (remanescência) quanto o produto B.H são pequenos comparados com aqueles de ligas mais complexas. Algumas mudanças nas propriedades magnéticas são obtidas pela introdução de defeitos na estrutura. Discordâncias, contornos de grãos, interfaces entre fases e defeitos pontuais ajudam a preservar os contornos dos domínios, mantendo dessa forma, os domínios alinhados quando o campo magnetizante original for removido. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Ligas Ferro-Níquel. Algumas ligas ferro-níquel, tal qual o Permalloy têm altas permeabilidades, tornando-os úteis como ímãs moles. Um exemplo de uma aplicação para esses ímãs é a "cabeça", que armazena ou lê informações num disco de computador, Figura 12. Conforme o disco roda, abaixo da "cabeça", uma corrente produz um campo magnético na "cabeça". Esse campo, magnetiza uma porção do disco A direção do campo magnético produzido na "cabeça", determina a orientação das partículas magnéticas embebidas no disco e, consequentemente, armazena informações. As informações podem ser recuperadas, fazendo-se o disco girar novamente. A região magnetizada no disco induz uma corrente na "cabeça"; a direção da corrente depende da direção do campo magnético no disco. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS Ferro-Silício. A adição de 3% a5% de silício no ferro, produz uma liga que após, processamento adequado, é muito útil em aplicações elétricas tais como motores e geradores. Usa-se a anisotropia do comportamento magnético da liga ferro-silício para obter-se a melhor performance. Como resultado de uma laminação e subsequente recozimento, a textura de uma fita metálica desse material é formada na qual as direções <100> são alinhadas em cada cristal. Devido ao fato da liga ferro-silíco ser facilmente magnetizada nas direções <100>, o campo requerido para dar a saturação magnética é muito pequeno, e pode-se observar um pequeno "loop" de histerese e também uma pequena remanescência, conforme Figura 13. COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS COMPORTAMENTO MAGNÉTICO DOS MATERIAIS PROF. DR. MARCELO MARTINS