No 16° workshop do curso de pedagogia da Faculdade Educacional da Lapa –
FAEL, os acadêmicos tiveram a oportunidade de ampliar seus conhecimentos a
respeito de um assunto de extrema relevância social: a cultura africana e suas raízes.
O início do encontro foi marcado pela apresentação da brincadeira Terra e Mar,
proposta pela professora Josilene Hornung, durante a videoaula do curso.
De origem moçambicana, a atividade consiste basicamente na formação de
um risco no chão, que separa o lado Terra do lado Mar. De acordo com o
comando da professora, os alunos devem pular para um dos dois lados. Quem
se posicionar no local errado será eliminado. O vencedor será o último a
permanecer na brincadeira.
“O jogo é um exercício de atenção, que desenvolve a coordenação motora e
que pode ser trabalhada explorando-se a história dos povos do continente
africano. O objetivo é enfatizar a importância de uma cultura tão presente em
nosso dia a dia e ampliar o conhecimento sobre a diversidade de nosso povo”,
explica a docente.
Com a tarefa prática, os alunos puderam refletir sobre o ensino das culturas
africana e afro-brasileiras nas escolas. Para isso, a videoaula do curso de
pedagogia da FAEL abordou a história e relevância do tema.
O dia nacional da consciência negra foi instituído no ano de 2003, pelo projeto de lei 10.639. A partir
deste ano, é comemorado em 20 de novembro, como uma homenagem a Zumbi, líder do Quilombo
de Palmares. Este era o nome do local de refúgio de escravos (maioria afrodescendentes) mais
conhecido pela grande resistência à escravidão, durante o período colonial do Brasil.
Pela importância desta data, tornou-se obrigatório o ensino sobre a história e a cultura
afro-brasileira nas instituições educacionais de nosso país. Desta forma, assuntos sobre a história da
África; lutas dos negros no Brasil; a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade
nacional devem ser tratados em salas de aula.
É preciso valorizar a cultura africana porque ela oferece elementos relacionados a todas as áreas do
conhecimento. Por isso, devemos abordar o tema durante todo o ano, articulando com os conteúdos
ensinados e assim, intensificando a reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na
formação da cultura nacional.
“É possível trabalhar a cultura afro em todas as disciplinas, basta que o professor planeje e conheça
as possibilidades. Por exemplo, na disciplina de Artes é possível explorar a dança, as máscaras, os
desenhos e os adereços. Na Educação física, podemos promover brincadeiras de origem africana,
contar a história dos jogos, os valores e as contribuições para a nossa cultura. Na geografia,
podemos conferir a localização do continente e as contribuições socioeconômicas. No Português, as
lendas, as palavras, as receitas”, esclarece Hornung.
Também durante a videoaula, os alunos puderam ter contato com lendas, contos africanos e
personagens que fizeram parte de nossa história.
Antigamente, as aves viviam felizes nos campos e florestas africanas, até que a inveja se instalou
entre elas, tornando insuportável a convivência.
Nessa ocasião, quase todos os pássaros passaram a invejar a família do Melro, que era muito
bonito. O macho, com sua plumagem negra e seu bico amarelo – alaranjado, despertava em todos a
vontade de ser igual a ele. As fêmeas tinham o dorso preto, o peito pardo-escuro, malhado de
pardo-claro e a garganta com manchas esbranquiçadas. Elas causavam inveja maior ainda.
O Melro, vaidoso, certo de sua beleza, prometeu que se todas as aves o obedecessem, usaria seus
poderes mágicos e os tornariam negros com plumagem brilhantes. Entretanto, os pássaros logo
começaram a desobedecê-lo. Então ele, furioso, jurou vingança, rogou-lhes uma praga e deu-lhes
cores e aspectos diferentes.
Para a Galinha D´Angola, disse que seria magra e sentiria fraqueza constante. Fez com que seu
corpo se tornasse pintado, assim como o de um leopardo. Dessa forma, seria devorada por aqueles
felinos, que não suportariam ver outro animal que tivesse o corpo tão belo, pintado de uma maneira
semelhante ao deles. Ela pagaria assim por sua inveja. E foi isso o que aconteceu.
Desde esse dia, a Galinha D´Angola, embora seja muito esperta e voe para fugir dos caçadores, vive
reclamando que está fraca, fraca. Com suas perninhas magras, foge com seu bando assim que surge
algum perigo e é muito difícil alcançá-la. Suas penas, cinzas, brancas ou azuladas, são sempre
manchadinhas de escuro, tornando as galinhas d´angola belas e cobiçadas.
Referências: PRADO, Zuleika de Almeida. Muitos mitos, lindas lendas. Editora Callis, 2007. Ilustrações de lontr Zilberman. P.9.
Para enriquecer o workshop com grandes ideias, foi proposta aos alunos a atividade de criação de
um livro com uma lenda ou conto africano. Após a tarefa, os acadêmicos inseriram os livros nas bibliotecas localizadas nos polos de apoio da FAEL, que recebem visitas das crianças que vivem nas
comunidades locais.
Erechim - RS
Gurupi - TO
Valparaíso de Goiás - GO
“A realização da brincadeira Terra-Mar foi bem divertida e a videoaula do curso abordou muito bem
o tema. A turma refletiu o assunto e aproveitamos para relembrar fatos importantes que já
aconteceram com os escravos. Os acadêmicos se organizaram em grupos para a confecção de um
livro sobre os contos e lendas africanas, que, depois de pronto, foi apresentado para todos.”
Lilia Cardoso, assistente acadêmica do polo da Lapa
“O workshop se iniciou com um momento de motivação, convidando todos os alunos para a
brincadeira chamada TERRA e MAR. A atividade foi divertida e os alunos gostaram muito. Fizemos
uma reflexão do assunto, destacando a comemoração do dia da consciência negra e enfatizando que
o estudo da cultura africana é obrigatório e deve estar na grade curricular das instituições escolares.
Após a videoaula e confecção do livro com um conto africano, debatemos a obrigatoriedade da
participação dos workshops quinzenais, que são momentos de construção do conhecimento, em
que se faz necessário formar professores que reflitam sobre suas práticas e ações nessas encontros
de atividades docentes.”
Sonia da Silva, assistente acadêmica do polo de Gurupi/TO
“O tema deste workshop é muito importante, pois assim podemos lembrar e resgatar
conhecimentos sobre a cultura Africana. A brincadeira proposta neste trabalho foi bem interessante
e os alunos se divertiram muito. Essa atividade nos serviu como um ‘resgate’ de como trabalhar em
sala de aula com os alunos, pois é por meio de produtivas brincadeiras que despertamos o interesse
nas crianças. Cabe a nós, educadores, resgatar valores culturais, preservando a cultura africana, que
também faz parte de nossa cultura. Dessa forma, preparamos os alunos para entenderem desde
cedo, que somos todos iguais, independente de nossa cor ou raça.”
Cimara Bortoli, assistente acadêmica do polo de Campos Novos/SC
“Durante o encontro, descobrimos que muitos acadêmicos nunca tinham ouvido falar das
brincadeiras. Aprendemos muito com a videoaula: a importância da influência da África na economia,
na cultura, na culinária brasileira, com destaque para o boneco “Babu”, cujo o nome significa ‘pessoa
prestativa, disposta a ajudar’ e para a lenda da Galinha D´Angola. A confecção dos livros e das lendas
africanas foi surpreendente.”
Cristiane da Silva, assistente acadêmica do polo de Magé/RJ
“Alguns alunos já conheciam a brincadeira Terra e Mar e comentaram que acham a atividade muito
interessante, pois não sabiam que era de origem africana. Depois da videoaula de apresentação,
iniciamos uma reflexão sobre o tema, que contribuiu muito para o conhecimento de todos. Os grupos
refletiram sobre a cultura africana e a influência em nossas vidas.”
Ana Cláudia da Silva, assistente acadêmica do polo de Caruaru/PE
“Nós brasileiros devemos muito a essa gente que veio trazer suas ideias, seus costumes, virando
então lendas de todas as histórias, culturas e experiências que foram vivenciadas. Como meros
aprendizes, deveríamos pesquisar e conhecer mais sobre esse povo (danças, artesanato e modo de
viver), conhecido por grandes lutas e a tão sonhada liberdade, que ainda não foi totalmente
alcançada por parte de alguns preconceitos contidos em nossa sociedade. Devemos nos
conscientizar de que eles merecem o nosso respeito.”
Andréia, Josicleide, Márcia e Danuzia, acadêmicas do polo de Caruaru/PE
“A cultura africana é muito importante e o dia da consciência negra pois nos conscientiza sobre o
quanto as pessoas negras ainda são discriminadas em pleno século XXI. Embora existam algumas
leis que protegem os negros da descriminação, há pessoas medíocres que ainda os maltratam com
palavras e trabalhos, escravizando essas pessoas apenas por uma questão de cor de pele,
menosprezando a sua cultura, tradição e costumes.”
Dulcilene, Geiciane, Josineide, Leonardo e Sandriely, acadêmicos do polo de Caruaru/PE
“Conhecer algumas das lendas e contos desse povo nos faz mergulhar na raiz de nossa própria
história, na nossa maneira de pensar e agir. Os costumes africanos fazem parte da vida de todos os
povos e por isso, merecem o respeito de todos, pois contribuem para o enriquecimento da nossa
cultura.”
Ângela, Alexsandra, Marcicleide e Edna, acadêmicas do polo de Caruaru/PE
Matéria: Jaqueline Damasio Moreira
Arte: Ricardo Metzker
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África- Somos Todos Um