Nº 61 - out/nov/dez de 2012 - ANO XV X Amigos Associação de Deficientes Visuais e Amigo A ADEVA d um excelent eseja e final de ano a todos seus amigos! Boas Festas ! ADEVA, 34 anos de vida Em foco pág. 6 Paralimpíadas 2012: Brasil dá show em Londres Esporte pág. 8 Blog Outros olhares estreia no CONVIVA Literatura pág. 11 Carta aberta ao prefeito eleito de São Paulo Vivo e moro em São Paulo. Sou um munícipe. Segundo o dicionário Michaelis da Língua Portuguesa, munícipe é a pessoa que goza dos direitos do município. Moro e exerço minhas atividades em São Paulo. Sou um cidadão. Cidadão é: 1. habitante de uma cidade; 2. indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado (ainda segundo o Michaelis). Mas sou mesmo? Bem, tenho deveres: pago impostos, taxas, contribuições e tarifas exigidas pelo governo municipal. Cumpro a lei e zelo pelo patrimônio público, do qual usufruo. Faço exatamente o que deve fazer todo cidadão. Mas também tenho direitos. Alguns desses garantidos pela Constituição. Por exemplo, o direito de ir e vir. Mas como exercer esse direito básico se a cidade não tem acessibilidade urbanística? Nossas calçadas não são planas; pelo contrário, são repletas de degraus, buracos, desníveis e obstáculos aéreos que dificultam o livre trânsito de quem delas precisa. As calçadas deveriam ter três faixas: a de serviços, próxima à guia, onde deveriam ficar postes, orelhões, lixeiras, etc.; a central, para o fluxo dos pedestres; e uma rente aos imóveis, de uso dos moradores. No entanto, visando quase que exclusivamente o fluxo de veículos, as calçadas foram ficando cada vez mais estreitas. Rebaixamentos próximos às faixas de travessia são poucos e os que têm piso podotátil quase inexistem. Não é difícil encontrar prédios e equipamentos públicos sem rampas, elevadores e até sem banheiros para deficientes. Ou centros de atendimento público sem intérprete da língua brasileira de sinais. Nem hospitais e escolas escapam da falta de acessibilidade. Assim, a cidade que deveria ser para todos não atende às necessidades básicas de sua população mais necessitada. Idosos, crianças, deficientes, obesos e qualquer outro perfil que esteja fora do padrão de normalidade idealizado e estabelecido por tecnocratas e, infelizmente, validado pela maioria dos legisladores e pelo prefeito, sentem usurpados os seus direitos de cidadãos. Então, neste período de transição, cabe perguntar ao ilustríssimo prefeito eleito de São Paulo: “O senhor vai atender as nossas reivindicações?” DIEGO SILVESTRE Sidney Tobias de Souza, diretor da ADEVA. Jornalista responsável: Rafael Brandimarti (Mtb 62.567). Colaboradores: Ivan de Oliveira Freitas, Laercio Sant’Anna, Lothar Bazanella, Lucia Maria, Lúcia Nascimento, Markiano Charan Filho, Sandra Maciel e Sidney Tobias de Souza. Editoração: Fernanda Lorenzo. Revisão: Célia Aparecida Ferreira. Fotolitos e impressão: cortesia Garilli Artes Gráficas Ltda. - tel.: 11 2696-3288 - e-mail: [email protected]. Correspondência: ADEVA/CONVIVA - rua São Samuel, 174, Vila Mariana, CEP 04120-030 - São Paulo (SP) telefones: 11 5084-6693 / 5084-6695 - fax: 11 5084-6298 - e-mail: [email protected] - site: www.adeva.org.br. Tiragem: 1.000 exemplares. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA. 2 | Conviva | 61 | Opinião | Editorial ...........................p. 2 Mercado de Trabalho | Profissão:........................p. 3 Adeva | Talentos...........................p. 4 Em foco...........................p. 5 Parceiros.........................p. 7 Esporte | Um direito de todos ........p. 8 Meio Ambiente | Ecoconvivência ...............p. 9 Tecnologia | Convivaware ...................p. 10 Na rede............................p. 11 Literatura | Outros olhares ................p. 11 Mais! | Espaço poético ...............p. 12 Para seu lazer .................p. 12 Ele fez história nas ondas do rádio Marcus Aurélio, um mestre da comunicação “O rádio é o mais inclusivo dos meios de comunicação”, afirma o professor, jornalista e locutor de rádio Marcus Aurélio de Carvalho, 51. Vítima de glaucoma e catarata congênitos, ele, assim como muitos deficientes visuais, cresceu “viciado” em rádio. Formado em jornalismo pela UFRJ e há 31 anos na profissão, Marcus já foi repórter, narrador, comentarista, gerente de rede, entre outras funções ligadas ao rádio. Nascido em Inhaúma (bairro do Rio que hoje faz parte do Complexo do Alemão), ele diz que, quando criança, seu hobby era fuçar nos aparelhos na oficina do seu pai, além de anotar frequências de rádio do mundo inteiro. “Achar uma rádio nova era como marcar um gol”, recorda. Aficionado por esportes, Marcus diz que sabia de cor os nomes dos narradores, comentaristas e repórteres de campo de todas as emissoras de São Paulo. “Gente como Osmar Santos, Flávio Araújo, Fiori Gigliotti, entre outros.” Carreira no rádio Marcus iniciou no rádio em agosto de 1981, como estagiário na Rádio Roquete Pinto. O trabalho de redator exigia que ele ficasse com uma lupa e a cabeça baixa, encostada no jornal, do lado esquerdo do teclado e as mãos digitando na máquina de escrever. A dura missão provocou um descrédito das chefes, que diziam que ele não poderia atuar no microfone. Ledo engano. Dois meses depois, ele estava ouvindo o futebol na Roquete Pinto, e nada de o plantonista esportivo entrar no ar. “Eu que era tímido, mas raçudo para assuntos profissionais, liguei para a rádio e fiquei sabendo, pelo operador de áudio, que ele estava doente. Lembro que virei para a minha mãe e disse: “Estou indo trabalhar”. Juntei umas moedinhas, peguei um rádio para ouvir o resultado dos jogos e me apresentei no microfone da emissora como Marcus de Carvalho”, conta. A performance foi tão boa, que ele ficou fixo na função a partir de então. Marcus passaria ainda por mais duas emissoras antes de chegar à Rádio Tupi, seu primeiro emprego com carteira assinada. “No dia 5 de fevereiro de 1984, estreei na Tupi”, recorda. Os quatro anos iniciais na Tupi foram bem complicados, mas Marcus conta que nos anos seguintes acabou ganhando o respeito e a credibilidade da maioria dos colegas. Apelidado de “repórter visão”, era chamado assim por vários de seus entrevistados, como o craque Romário. Em 1996, transferiu-se para o Sistema Globo de Rádio. Passou os primeiros seis anos na CBN apresentando o vespertino “CBN Total”, programa com entrevistas, debates e prestação de serviços. Posteriormente, em 2002, mudou-se para a Rádio Globo, onde passou a apresentar o “Quintal da Globo”. Na Globo, Marcus chegou à gerência nacional da rádio, de onde saiu em maio deste ano. Sindicatos dos Metroviários e dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro e da UFRJ, deu aulas em várias universidades e, atualmente, é professor da Faap no curso de rádio e TV. Marcus também é militante político e participa de vários movimentos sociais, visando a melhoria da qualidade de vida dos menos favorecidos e a inclusão de deficientes. Em 1990, foi trabalhar com o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997), no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), no Rio de Janeiro. Lá nasceu o Centro Radiofônico de Informação e Assessoria (Cria) e a União e Inclusão em Redes e Rádio (UNIRR), esta em São Paulo, onde ele ministra o curso inclusivo Comunicador Integral. Lei de Cotas Marcus finaliza a entrevista com uma crítica à postura de muitas empresas no que tange à Lei de Cotas. Para ele, a maioria das empresas que contratam deficientes o faz para se livrar da fiscalização, o que gera uma falsa perspectiva de crescimento profissional para o deficiente. “Nós temos que trocar essa prática da cota pela cota, por uma política permanente da cota dos bem cotados”, conclui. Militância política Fora do rádio, Marcus trabalhou como assessor de imprensa dos ARQUIVO PESSOAL Por Lúcia Nascimento [email protected] | Conviva | 61 | 3 Dedicação e vontade de vencer A história e as batalhas do professor Maurício Quem assiste às aulas ministradas por Maurício Donizete Moreira nem imagina que o professor de computação era totalmente leigo no assunto no início da sua vida profissional. Há apenas um ano como voluntário na ADEVA, ele, que também trabalha como revelador de raio-x no Hospital Valdomiro de Paula, em Itaquera, acompanha turmas de digitação, dá cursos de Virtual Vision, Jaws, Windows, Word, Excel e internet, entre outras matérias relacionadas ao tema. “Na ADEVA, faço de tudo um pouco, mas o meu principal foco é a informática”, explica. Jogo rápido com Maurício Donizete Signo: Virgem. Uma cor: Vermelho. Hobby: Ouvir música. Um estilo de música: Músicas românticas, principalmente dos anos 70. Uma música: “My Way”, na voz de Elvis Presley. Um filme: “Sociedade dos Poetas Mortos” (1989). Um livro: “Se Houver Amanhã”, de Sidney Sheldon. Cantoras preferidas: Karen Carpinter e Elis Regina. Cantores: Elvis Presley e Roberto Carlos. Sobre os deficientes: Têm que ter igualdade de condições, inclusive na hora de arcar com as consequências. Religião: Espírita kardecista. Deus: Um irmão mais velho; um porto seguro. Amigos: poucos, mas verdadeiros. Amor: A única verdade indiscutível na face da Terra. Esporte preferido: Futebol. Time do coração: Palmeiras. Família: Algo necessário na nossa vida. Um sonho: Ter uma casa para cuidar de crianças e idosos. O que fazer para viver melhor? Ter coragem de viver e sonhar e respeitar o próximo. Uma frase: Sempre me marcou a frase que meu avô me dizia: “Vá com Deus”. 4 | Conviva | 61 | Natural de São Paulo, Maurício, 44, é filho de Rosária Aparecida Moreira e tem três irmãos. Criado pelos avós, o português Mário Augusto Moreira e a espanhola Carmen (já falecidos), ele diz ter ótimas lembranças da infância. Aos 7 anos, contudo, uma cotovelada numa brincadeira fez com que ele perdesse a visão do olho direito; o que não o impediu de continuar brincando e estudando. Aos dez anos, perdeu a visão do olho esquerdo, devido a um tombo da bicicleta. “Eu costumo dizer que estava praticando ciclismo. Caí e bati a cabeça na guia, mas não perdi a visão na hora, levou cerca de um mês. Fiz várias cirurgias, mas não teve jeito”, lembra. Cego, ele foi estudar no Instituto Padre Chico, no Ipiranga, onde fez o ginásio e foi inserido no mercado de trabalho. “Eu saí do Padre Chico em 1986. Nesse mesmo ano, um colega e eu fomos convidados para trabalhar por meio período numa oficina de material de limpeza do instituto como representantes de vendas. Nós saíamos da oficina para visitar os clientes mais antigos e tínhamos liberdade para procurar novos também.” MIGUEL LEÇA / ADEVA Por Lúcia Nascimento [email protected] Rodrigo na Era Digital Maurício trabalhou na oficina por cerca de dois anos e meio e, ao mesmo tempo, cursou o segundo grau na EE Alexandre de Gusmão, próxima ao Padre Chico. Posteriormente, se transferiu para a Monte Magno Comércio de Vassouras Ltda., onde trabalhou até 1992, quando, por meio de um concurso para auxiliar de radiologia promovido pela Prefeitura, ingressou no Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel. A partir daquele ano, Maurício passou a trabalhar em diversos hospitais da cidade de São Paulo, mas nada de mexer com informática. “Eu achava que jamais teria capacidade de entender e decorar um teclado de computador. Era o medo do novo”, confessa. Por volta de 1998, quando trabalhava no Hospital Geral Jesus Teixeira da Costa, em Guaianases, prestou concurso para escriturário. “A prova foi dividida em duas fases, sendo a primeira teórica, com conhecimentos gerais, de múltipla escolha. De 100 pontos possíveis, eu fiz 96. As duas que errei foram, justamente, as questões de informática”, recorda. “A segunda fase foi a mais complicada, porque envolvia só informática. Eu tinha que digitar um pequeno texto, que estava em braile, numa folha sulfite. Como não conhecia o teclado, fiquei com 0. Então, perdi a vaga.” Depois do choque, Maurício não perdeu tempo. Começou a fazer cursos para deficientes visuais na Prodam e na Fundação Bradesco, e, por meio de colegas de curso, conheceu a ADEVA, onde foi fazer vários testes. Aprovado, passou a participar de todas as oportunidades e cursos oferecidos pela entidade. Em 2006, conseguiu seu primeiro emprego: na CPM, hoje CPM Braxis Capgemini, especializada em tecnologia da informação. Em 2009, atuou por quatro meses como monitor no Centro de Treinamento Mário Covas, de onde saiu para trabalhar no Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã. Em agosto do ano passado, voltou para a ADEVA e é, hoje, um dos melhores professores da entidade. Casado há 20 anos com Eliete, ele tem dois filhos: Mateus e Marta, e garante que é uma pessoa superfeliz na vida pessoal e com o seu trabalho na ADEVA. “O que me cativa na ADEVA é o foco da entidade em integrar o deficiente na sociedade por meio do trabalho. O trabalho, na minha opinião, dignifica e torna as pessoas mais felizes.” Depois de dar o ar da graça na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, “Rodrigo na Era Digital” ganha versão em braile impressa na ADEVA com patrocínio da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Terceiro livro da série infantojuvenil criada por Markiano Charan Filho, diretor-presidente da ADEVA, “Rodrigo na Era Digital” conta como o computador se tornou um grande aliado do garoto cego na escola, em casa e na convivência com os amigos. Dez anos de uma parceria frutífera Para celebrar os dez anos do posto do Acessa São Paulo e a parceria com o governo do Estado, está prevista para dezembro uma cerimônia na ADEVA com o governador Geraldo Alckmin. Mais informações no site da ADEVA: www.adeva.org.br. CURTAS GT Acessibilidade lança pesquisa sobre uso de tecnologias assistivas O Grupo de Trabalho de Acessibilidade na Web do W3C Brasil, com o apoio do Ministério do Planejamento, lançou no dia 19 de outubro a primeira Pesquisa sobre uso de Tecnologias Assistivas. Nesse levantamento inicial, será investigado o uso de ampliadores e leitores de tela por pessoas com deficiência. O objetivo é investigar sua utilização e obter um panorama do seu uso no acesso à internet no Brasil. Um formulário ficará disponível para preenchimento até o dia 21 de janeiro de 2013 no link http://acessibilidade. w3c.br/pesquisa. Compartilhe esse formulário com pessoas que você conhece que utilizam ampliadores e leitores de tela para acessar a web. | Conviva | 61 | 5 ADEVA faz 34 anos com samba e muita Sintonia FOTOS: MIGUE L LEÇA / ADEVA No dia 17 de outubro, a ADEVA comemorou mais um ano de vida, o 34º! Como de costume, a festa de aniversário aconteceu no tradicional Bar Brahma, no centro de São Paulo, com direito a show e muito samba com Thobias da Vai-Vai, o mais novo parceiro da ADEVA (matéria na página ao lado). Na ocasião, também foi celebrada a formatura dos alunos do Via Rápida, que contou com o patrocínio da parceira Maria Helena Daniel e sua Sintonia (Parceiros 60). Mais um momento mágico para a história da ADEVA e de todos os seus associados. Confira fotos da noite: 6 | Conviva | 61 | Um nobre do samba paulista na festa da ADEVA Thobias da Vai-Vai, o mais novo parceiro da ADEVA A ADEVA completou 34 anos de vida e serviços prestados aos deficientes visuais com um presente muito especial. No tradicional jantar no Bar Brahma, o show da noite ficou a cargo de Edimar Tobias da Silva, 54, o Thobias da Vai-Vai. “Eu fico muito honrado em poder estar numa data tão marcante para a entidade”, declara. Considerado por muitos especialistas como um dos melhores intérpretes de samba-enredo do Brasil, Thobias da Vai-Vai é, sem dúvida, uma lenda na história do carnaval de São Paulo. Há 32 anos no mundo do samba e corintiano desde a infância, ele iniciou a carreira na década de 80, defendendo o então bloco carnavalesco Gaviões da Fiel. Em 1984, Thobias passou a ser o intérprete oficial da Vai-Vai. “Estive na avenida pela Vai-Vai durante 15 anos. Dos 14 títulos que a escola possui, eu conquistei oito como intérprete dos sambas-enredo e mais um, como presidente, além de receber seis prêmios como o melhor puxador de samba de São Paulo”, recorda. Thobias tem oito CDs gravados e, atualmente, está divulgando o seu mais novo trabalho musical, o DVD “Templo da Gafieira”, que gravou com a Banda Mantiqueira e a participação do maestro João Carlos Martins. “Com esse tema, eu abrirei, em breve, a nova casa de shows daqui de São Paulo, Terra da Garoa, que está sendo construída na Avenida São João”, anuncia. Com tantos projetos musicais, ele explica que não tem mais tempo de se apresentar na avenida com a Vai-Vai. “É um trabalho que demanda muito tempo e vários ensaios. Hoje, estou mais para o salão que para a avenida”, afirma. No rádio, sua segunda paixão, Thobias apresentou programas na Imprensa FM, na Brasil 2000 e na Rádio América AM. “A experiência foi ótima”, garante o cantor que, também participou, em 2006, dos filmes “O Cheiro do Ralo”, dirigido por Heitor Dhalia, e “Antônia”, de Tata Amaral. Preocupado com as questões sociais, Thobias se candidatou a vereador de São Paulo em 2004 pelo PTB, mas não conseguiu se eleger, o que fez com que desistisse dos cargos políticos, mas não da política. Hoje, milita no PC do B. Sempre atento às necessidades da sua comunidade, Thobias é membro-fundador da Pastoral Negra da Paróquia Nossa Sra. Achiropita, da Faculdade Zumbi dos Palmares (Afrobrás), da qual ele também é presidente de honra, e do movimento “Vem pro Bixiga”, que tem como objetivo resgatar o bairro mais tradicional da boemia paulistana, além de ser, a partir de agora, mais um amigo da ADEVA. Ele confessa que não sabe quem o indicou, mas diz que já conhecia a entidade por meio de artigos de jornais. “Para mim, é uma honra poder colaborar com a ADEVA, que cumpre muito bem o seu papel no auxílio às pessoas com deficiência visual.” (LN) | Conviva | 61 | 7 Uma Paralimpíada para não esquecer Em Londres, País conquista 21 medalhas de ouro e fica em sétimo lugar Vinte e uma medalhas de ouro, 14 de prata, 8 de bronze. Esse foi o desempenho do Brasil nas Paralimpíadas de Londres, competição encerrada no dia 9 de setembro. Sétimo colocado no quadro geral, o País conseguiu em Londres-2012 sua melhor classificação na história dos Jogos. Em Pequim-2008, totalizamos 47 medalhas, mas “apenas” 16 de ouro, ficando em nono no geral. Para quem pôde acompanhar pela TV e internet, não faltaram momentos de glória e superação, suor e lágrimas, como nas vitórias dos brasileiros Alan Fonteles sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200 m T44 e Tito Sena na classe T46 da maratona; para não falar das três medalhas (dois ouros e uma prata) do italiano Alessandro Zanardi no ciclismo, cuja foto erguendo a bike com um braço só após o ouro no handbike ganhou o mundo. Ex-piloto de automobilismo, Zanardi perdeu as duas pernas num trágico acidente na Indy em 2001. Nas piscinas, o destaque dos Jogos ficou para Daniel Dias, o “Michael Phelps brasileiro”, alusão ao nadador americano, maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos com 20 medalhas (16 de ouro). Em sua segunda participação nos Jogos, Dias foi perfeito e ficou com o Futebol de 5 é tricampeão 4x bocha Assim como o judô nas Olimpíadas, a bocha foi o esporte que mais deu medalhas para o Brasil nas Paralimpíadas de Londres: quatro no total. Foram três medalhas de ouro e uma de bronze. Maciel Santos e Dirceu Pinto subiram no lugar mais alto do pódio nas classes BC2 e BC4, que também teve Eliseu dos Santos no terceiro lugar, respectivamente. O terceiro ouro veio nas duplas da classe BC4, com Dirceu e Eliseu, que já haviam realizado o feito em Pequim-2008. Pedido de casamento Favorito ao ouro, o time de futebol de 5 do Brasil não desapontou a torcida – ao contrário da seleção de Mano Menezes –, e conquistou o lugar mais alto do pódio após bater a França por 2 a 0 na final. Com o resultado e a medalha dourada assegurada, o Brasil manteve sua hegemonia no esporte tornando-se assim tricampeão paralímpico (Atenas2004, Pequim-2008 e Londres-2012). Os grandes destaques da campanha brasileira foram Bill, Jefinho e o goleiro Dirceu Pinto Fabio, que brilhou na disputa por pênaltis na semifinal contra a Argentina. No atletismo, um fato inusitado: o corredor brasileiro Yohansson Nascimento (foto na capa) pediu a namorada em casamento assim que cruzou a linha de chegada nos 200 m da classe T46 e roubou a cena no Estádio Olímpico. “Thalita, quer casar comigo?”, dizia em um pedaço de papel. Além do sim da namorada, Nascimento saiu de Londres com duas medalhas (ouro nos 200 m e prata nos 400 m T46) e dois recordes mundiais. (com reportagem do UOL) Futebol de 5 MARCELO CAMARGO / ABR Daniel Dias ouro nas seis provas da natação que disputou: 200 m livre S5; 50 m livre S5; 100 m peito categoria SB4; 50 m costas S5; 50 m borboleta S5; e 100 m livre S5. “Tem sido muito difícil, mas estou muito emocionado. Ver todo o trabalho realizado sendo recompensado é fantástico. Ao longo da minha vida passei por muitas dificuldades, mas agora isso está superado, faz parte do passado”, declarou o brasileiro à agência de notícias Efe após conquistar seu sexto ouro nas piscinas. Dono de 14 medalhas paralímpicas, Dias superou lendas como Clodoaldo Silva e Ádria Santos. 8 | Conviva | 61 | Lixo, como tratá-lo? Apenas 1,6% dos resíduos orgânicos coletados é encaminhado para compostagem Quase todo mundo reserva um dia para a arrumação do lar. Limpamos gavetas, armários, separamos tudo o que não terá mais lugar em casa. Daí, então, é só classificar os itens separados como reaproveitáveis, recicláveis, passíveis de doação ou comercialização. O que sobra descartamos sem dó. Pois é, da porta para fora de nossas casas, esses resíduos constituem um problemão para o ambiente e uma equação difícil de ser resolvida pelos governos na área de gestão sustentável. Se os nossos rejeitos são um problema, o que dizer dos resíduos industriais, agrícolas e hospitalares? Não dá para empurrar para debaixo de algum tapete. A fim de regulamentar a coleta e o tratamento de resíduos urbanos – perigosos e industriais –, e de determinar o destino final correto do lixo, o governo federal criou, em agosto de 2010, a Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Vejamos alguns resultados até agora: Segundo informe do Ministério do Meio Ambiente, no ano 2000 apenas 35% dos resíduos eram destinados aos aterros. Esse número agora está próximo dos 60%. O número de programas de coleta seletiva (451 em 2000), agora beira os 1.000, ou seja, mais do que dobrou. Assim parece que tudo está nos trilhos, mas o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou em abril um diagnóstico dos resíduos sólidos no Brasil. Segundo o Ipea, 51,4% dos resíduos brasileiros são constituídos por matéria orgânica, passível de compostagem ou biodegradação para geração de energia, mas apenas 1,6% dos resíduos orgânicos coletados é encaminhado para compostagem; materiais recicláveis (metais, plásticos, papéis, vidros) constituem 31,9% dos resíduos no Brasil. Apenas 17,7% dos plásticos reciclados são coletados por programas oficiais de coleta seletiva. Para os metais, esse número cai para 0,7%. Esse baixo índice de coleta não surpreende, pois apenas 18% dos municípios brasileiros possuem programas oficiais de coleta seletiva. O restante é feito de maneira informal, por meio de catadores, que são aproximadamente 600 mil no Brasil. Cerca de 1.100 organizações coletivas de catadores estão em funcionamento no País. Dos resíduos coletados, somente 10% são enviados a usinas de triagem/reciclagem, compostagem, incineradores e outras formas de destinação. Os 90% restantes são destinados ao solo (aterros sanitários, aterros controlados ou lixões). Existem ainda no Brasil 2.906 lixões, distribuídos em 2.810 municípios. Esses deverão ser erradicados até 2014, conforme a PNRS. Como dá para notar, o lixo continuará sendo, no Brasil, um problema de difícil solução por um bom tempo. Façamos a nossa parte, separando o que pode ir para a coleta seletiva e, de preferência, reduzindo ao máximo a nossa geração de resíduos. SHUTTERSTOCK Por Sidney Tobias de Souza [email protected] 90% dos resíduos coletados são destinados a aterros sanitários “Estive lá e gostei” volta Depois de abordar temas como água, energia limpa, biocombustível, diminuição de poluentes, Código Florestal, Rio+20, lixo reciclável, etc., encerro esta seção sobre ecoconvivência com a esperança do dever cumprido: contribuir para a reflexão a respeito da importância de nossas ações para a saúde do planeta. No próximo CONVIVA, volto a falar de bem-estar e lazer, com dicas de passeios para o fim de semana. Até breve! | Conviva | 61 | 9 SHUTTERSTOCK Você sabe o que é DLNA? Saiba mais sobre a tecnologia que pode integrar vários aparelhos sem fio Por Laercio Sant’Anna [email protected] Graças ao advento dos pacotes combo das operadoras de telefonia (TV por assinatura, telefone e internet de banda larga), duas novas palavras passaram a fazer parte do vocabulário de um número cada vez maior de brasileiros: “roteador” e “wireless”. Roteador é um pequeno aparelho que, ligado na chegada do sinal de internet, distribui o acesso a outros computadores que estejam num certo raio de frequência. Wireless, por sua vez, é a tecnologia que permite que a conexão entre o roteador e os dispositivos que acessarão a internet seja feita sem o uso de cabos. Ultimamente, é cada vez mais comum encontrarmos nos lares brasileiros, além do bom e velho desktop, uma série de aparelhos com acesso à internet, como notebooks, netbooks, smartphones, smart TVs, etc. Graças aos roteadores sem fio, esses dispositivos podem se conectar à internet simultaneamente. Dessa rede doméstica para a necessidade de esses aparelhos “conversarem” entre si foi um pulo. Em maio de 2003, engenheiros de um grupo formado pelas principais 10 | Conviva | 61 | empresas de informática (Cisco Systems, Ericsson, HP, Intel, LG, Microsoft, Motorola, Nokia, Panasonic, Pioneer, Samsung, Sony, entre outras) criaram o Digital Living Network Alliance, ou DLNA, uma tecnologia inovadora que, por não ter sido tão bem difundida, acabou escondida do grande público. O DLNA é um protocolo de comunicação residencial para dispositivos dotados de receptores wireless que tenham aderido a essa certificação. Em outras palavras, é uma espécie de transmissor universal de mídia entre dispositivos eletrônicos sem a necessidade do uso de cabos (ou fios). Para saber se o seu equipamento está preparado para fazer parte de uma rede com características de superconectividade, basta verificar se eles possuem DLNA. Essa informação pode ser obtida nas especificações dos produtos. Modo de usar Para acionar o DLNA, basta ligar o computador e disponibilizar para a rede interna do lugar em que você está (a rede da sua casa, por exemplo) músicas, filmes e fotos que você tenha baixado; acione outro dispositivo com conexão à internet que possua DLNA, como um smartphone ou smart TV, e vá até “mídias”; o aparelho em questão irá encontrar a origem dos arquivos. Uma vez feita a conectividade, você pode tocar as músicas de um MP3 player no computador, visualizar fotos ou filmes do celular ou computador em uma TV ou videogame e por aí vai. E o que é melhor: tudo sem fio. Infelizmente, não existe um caminho padrão para acionar essa funcionalidade, porque ela depende dos aparelhos que estão sendo conectados, e cada fabricante coloca o nome que mais lhe convém. Sugiro, porém, que você procure por “compartilhamento de mídias” no manual do usuário do seu computador ou celular. Mas lembre-se: é necessário que o aparelho em questão possua a tecnologia DLNA. Como vocês podem ver, no mundo da tecnologia, o céu é o limite! Façam suas experiências e enviem seus comentários para o e-mail laercio@ adeva.org.br. Quem sabe na próxima edição do CONVIVA não fazemos um Convivaware só com as melhores dicas de uso do DLNA? Memórias Acessibilidade 2.0 Meu tio ficava quase o dia todo na varanda, sentado em uma velha espreguiçadeira de madeira. Lembro-me da barba por fazer, das camisas claras e calças cinzas, dos chinelos. Ele era surdocego. Às vezes, braço dobrado, tinha a cabeça apoiada em uma das mãos, semiaberta, os dedos cobrindo parte da testa e um dos olhos. Ao seu lado, a Laly, uma cachorrinha que avisava quando alguém entrava pelo portãozinho, porque se agitava e meu tio sentia a guia se movimentar, amarrada que estava ao braço da cadeira. Lembro-me do seu silêncio e da sua solidão. Lembro-me, principalmente, de jamais ter visto, em todos aqueles anos, um único sorriso em seu rosto. Criado pelo programador Jonas Marques, o Total Acesso traz resenhas, dicas de tecnologia, tutoriais e muito mais para, como ele mesmo diz, tornar o seu dia a dia no mundo digital um pouco mais acessível. http://totalacesso.mundocegal.com.br/ A lembrança de meu tio me veio à cabeça durante um grande congresso em São Paulo sobre deficiências, há pouco tempo, quando vi alguns pouquíssimos surdos e surdocegos na plateia. E vieram os depoimentos e as palestras: políticas públicas que, por mais bem elaboradas que sejam, muitas vezes não chegam a quem precisa; pessoas que não existem para o governo federal simplesmente porque muitos municípios não as notificam; um país que produz muitas deficiências, seja por erros ou negligência médica (isso quando existe assistência médica), seja por acidentes de trânsito ou violência urbana. Informação que vale dinheiro Maior site especializado em investimentos pessoais e educa- Fim do congresso e eu meio desanimada com tudo isso, quando alguém me chama para ser apresentada a uma jovem participante surdocega, acompanhada por seu guia-intérprete. ção financeira do País, o portal InfoMoney traz dicas sobre onde investir, carreira, negócios, finanças e como estão os mercados no Brasil e no mundo. http://www.infomoney.com.br/ Olho a moça, morena, cabelos enrolados e compridos, fisionomia serena. Ela toca meu queixo enquanto falo, para sentir a vibração das palavras, e, então, abre um enorme sorriso que fica em seu rosto o tempo todo e na minha memória para sempre. Gargalha, segura minha mão, fala algumas palavras e eu observo, surpresa e muito, muito emocionada. Longa vida ao planeta Saio dali sorrindo também, feliz da vida. O Rota da Reciclagem informa onde estão localizadas cooperativas de catadores, empresas que trabalham com compra recebem embalagens longa vida mais próximos de você. http://www.rotadareciclagem.com.br/ ADEVA nas redes sociais: twitter.com/adeva1978 facebook.com/Adeva SHUTTERSTOCK de materiais recicláveis e os pontos de entrega voluntária que Lucia Maria é jornalista, audiodescritora e autora do blog Outros olhares (http:// outrosolhares.blog.terra.com.br). | Conviva | 61 | 11 SHUTTERSTOCK Um dedo de trova Enigma Eu creio em Deus, com profundo sentido de lucidez, mas, no Deus que fez o mundo não no Deus que o mundo fez! Pela janela do sobrado em frente, no luscofusco de uma vela acesa, congratulando-se animadamente. Alfredo de Castro - MG A certa altura, o pai, desigualmente, reparte e distribui a sobremesa. a um, serve um doce, cuja grandeza contrasta com a gula do inocente. Neste mundo que se exprime através de mãos armadas, chega a parecer que é crime a gente andar de mãos dadas! Eu, que de fora vejo, penso: injusto. ! ! ! Izo Goldman - SP Minha sogra não reclama do bom trato que lhe dou. Até de “filho” me chama - Só não diz que filho eu sou. E Deus, por que tanto me priva? Custo ! " A não ser... Bem, quem sabe eu sou doente... Lothar Bazanella Elton Carvalho - RJ Por Lothar Antenor Bazanella 30ª Bienal de São Paulo Quem quiser visitar a exposição, que neste ano tem como tema “A Iminência das Poéticas”, poderá contar com monitores intérpretes em Libras e que fazem audiodescrição. Ao chegar, o visitante deverá solicitar um educador para acompanhá-lo. Pavilhão do Ibirapuera. Terças, quintas, sábados, domingos e feriados: das 9h às 19h; quartas e sextas: das 9h às 22h. Até 9/12. Grátis. Imagem do artista “Cadu” e sua instalação na 30ª Bienal de São Paulo Cinema em casa: Chico Xavier Sucesso de público e crítica, o filme narra a vida do médium brasileiro Francisco de Paula Cândido Xavier, da infância em Pedro Leopoldo (MG) à descoberta e posterior divulgação do espiritismo no Brasil. Drama com Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos e Christiane Torloni. 125 min. DVD com audiodescrição. Audiobook: Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia Apoiado numa minuciosa pesquisa e em anos de convivência, o jornalista e produtor musical Nelson Motta revela a turbulenta trajetória de um dos personagens mais ricos, divertidos e originais da música brasileira. 13h/MP3; R$ 32,90. ADEVA - Associação de Deficientes Visuais e Amigos e-mail: [email protected] - site: www.adeva.org.br Correspondência: rua São Samuel, 174, Vila Mariana, CEP 04120-030 - São Paulo (SP)