Nº 61 - out/nov/dez de 2012 - ANO XV
X
Amigos
Associação de Deficientes Visuais e Amigo
A ADEVA
d
um excelent eseja
e final de ano
a todos seus
amigos!
Boas Festas
!
ADEVA,
34 anos de vida
Em foco pág. 6
Paralimpíadas 2012:
Brasil dá show em Londres
Esporte pág. 8
Blog Outros olhares
estreia no CONVIVA
Literatura pág. 11
Carta aberta ao prefeito
eleito de São Paulo
Vivo e moro em São Paulo. Sou um munícipe. Segundo o dicionário Michaelis
da Língua Portuguesa, munícipe é a pessoa que goza dos direitos do município.
Moro e exerço minhas atividades em São Paulo. Sou um cidadão. Cidadão é: 1.
habitante de uma cidade; 2. indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de
um Estado (ainda segundo o Michaelis).
Mas sou mesmo? Bem, tenho deveres: pago impostos, taxas, contribuições
e tarifas exigidas pelo governo municipal. Cumpro a lei e zelo pelo patrimônio
público, do qual usufruo. Faço exatamente o que deve fazer todo cidadão. Mas
também tenho direitos. Alguns desses garantidos pela Constituição. Por exemplo,
o direito de ir e vir. Mas como exercer esse direito básico se a cidade não tem
acessibilidade urbanística? Nossas calçadas não são planas; pelo contrário, são
repletas de degraus, buracos, desníveis e obstáculos aéreos que dificultam o livre
trânsito de quem delas precisa.
As calçadas deveriam ter três faixas: a de serviços, próxima à guia, onde
deveriam ficar postes, orelhões, lixeiras, etc.; a central, para o fluxo dos pedestres;
e uma rente aos imóveis, de uso dos moradores. No entanto, visando quase que
exclusivamente o fluxo de veículos, as calçadas foram ficando cada vez mais
estreitas. Rebaixamentos próximos às faixas de travessia são poucos e os que têm
piso podotátil quase inexistem. Não é difícil encontrar prédios e equipamentos
públicos sem rampas, elevadores e até sem banheiros para deficientes. Ou centros
de atendimento público sem intérprete da língua brasileira de sinais. Nem hospitais
e escolas escapam da falta de acessibilidade. Assim, a cidade que deveria ser para
todos não atende às necessidades básicas de sua população mais necessitada.
Idosos, crianças, deficientes, obesos e qualquer outro perfil que esteja fora do
padrão de normalidade idealizado e estabelecido por tecnocratas e, infelizmente,
validado pela maioria dos legisladores e pelo prefeito, sentem usurpados os seus
direitos de cidadãos. Então, neste período de transição, cabe perguntar ao ilustríssimo
prefeito eleito de São Paulo: “O senhor vai atender as nossas reivindicações?”
DIEGO SILVESTRE
Sidney Tobias de Souza, diretor da ADEVA.
Jornalista responsável: Rafael Brandimarti (Mtb 62.567).
Colaboradores: Ivan de Oliveira Freitas, Laercio Sant’Anna,
Lothar Bazanella, Lucia Maria, Lúcia Nascimento, Markiano
Charan Filho, Sandra Maciel e Sidney Tobias de Souza.
Editoração: Fernanda Lorenzo. Revisão: Célia Aparecida
Ferreira. Fotolitos e impressão: cortesia Garilli Artes Gráficas
Ltda. - tel.: 11 2696-3288 - e-mail: [email protected].
Correspondência: ADEVA/CONVIVA - rua São Samuel,
174, Vila Mariana, CEP 04120-030 - São Paulo (SP) telefones: 11 5084-6693 / 5084-6695 - fax: 11 5084-6298
- e-mail: [email protected] - site: www.adeva.org.br.
Tiragem: 1.000 exemplares. DISTRIBUIÇÃO GRATUITA.
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| Conviva | 61 |
Opinião | Editorial ...........................p. 2
Mercado de Trabalho | Profissão:........................p. 3
Adeva | Talentos...........................p. 4
Em foco...........................p. 5
Parceiros.........................p. 7
Esporte | Um direito de todos ........p. 8
Meio Ambiente | Ecoconvivência ...............p. 9
Tecnologia | Convivaware ...................p. 10
Na rede............................p. 11
Literatura | Outros olhares ................p. 11
Mais! | Espaço poético ...............p. 12
Para seu lazer .................p. 12
Ele fez história nas ondas do rádio
Marcus Aurélio, um mestre da comunicação
“O rádio é o mais inclusivo dos
meios de comunicação”, afirma o
professor, jornalista e locutor de rádio
Marcus Aurélio de Carvalho, 51.
Vítima de glaucoma e catarata
congênitos, ele, assim como muitos
deficientes visuais, cresceu “viciado”
em rádio. Formado em jornalismo pela
UFRJ e há 31 anos na profissão, Marcus
já foi repórter, narrador, comentarista,
gerente de rede, entre outras funções
ligadas ao rádio.
Nascido em Inhaúma (bairro do
Rio que hoje faz parte do Complexo do
Alemão), ele diz que, quando criança,
seu hobby era fuçar nos aparelhos
na oficina do seu pai, além de anotar
frequências de rádio do mundo inteiro.
“Achar uma rádio nova era como
marcar um gol”, recorda. Aficionado
por esportes, Marcus diz que sabia de
cor os nomes dos narradores, comentaristas e repórteres de campo de todas
as emissoras de São Paulo. “Gente
como Osmar Santos, Flávio Araújo,
Fiori Gigliotti, entre outros.”
Carreira no rádio
Marcus iniciou no rádio em agosto
de 1981, como estagiário na Rádio
Roquete Pinto. O trabalho de redator
exigia que ele ficasse com uma lupa e
a cabeça baixa, encostada no jornal,
do lado esquerdo do teclado e as mãos
digitando na máquina de escrever. A
dura missão provocou um descrédito das
chefes, que diziam que ele não poderia
atuar no microfone. Ledo engano.
Dois meses depois, ele estava
ouvindo o futebol na Roquete Pinto,
e nada de o plantonista esportivo entrar
no ar. “Eu que era tímido, mas raçudo
para assuntos profissionais, liguei para
a rádio e fiquei sabendo, pelo operador
de áudio, que ele estava doente. Lembro
que virei para a minha mãe e disse:
“Estou indo trabalhar”. Juntei umas
moedinhas, peguei um rádio para ouvir
o resultado dos jogos e me apresentei
no microfone da emissora como Marcus
de Carvalho”, conta. A performance foi
tão boa, que ele ficou fixo na função a
partir de então.
Marcus passaria ainda por mais
duas emissoras antes de chegar à Rádio
Tupi, seu primeiro emprego com carteira
assinada. “No dia 5 de fevereiro de 1984,
estreei na Tupi”, recorda.
Os quatro anos iniciais na Tupi
foram bem complicados, mas Marcus
conta que nos anos seguintes acabou
ganhando o respeito e a credibilidade
da maioria dos colegas. Apelidado de
“repórter visão”, era chamado assim por
vários de seus entrevistados, como o
craque Romário.
Em 1996, transferiu-se para o
Sistema Globo de Rádio. Passou
os primeiros seis anos na CBN
apresentando o vespertino “CBN Total”,
programa com entrevistas, debates e
prestação de serviços. Posteriormente,
em 2002, mudou-se para a Rádio Globo,
onde passou a apresentar o “Quintal
da Globo”. Na Globo, Marcus chegou
à gerência nacional da rádio, de onde
saiu em maio deste ano.
Sindicatos dos Metroviários e dos
Metalúrgicos do Rio de Janeiro e da
UFRJ, deu aulas em várias universidades
e, atualmente, é professor da Faap no
curso de rádio e TV. Marcus também
é militante político e participa de
vários movimentos sociais, visando a
melhoria da qualidade de vida dos menos
favorecidos e a inclusão de deficientes.
Em 1990, foi trabalhar com o
sociólogo Herbert de Souza, o Betinho
(1935-1997), no Instituto Brasileiro de
Análises Sociais e Econômicas (Ibase),
no Rio de Janeiro. Lá nasceu o Centro
Radiofônico de Informação e Assessoria
(Cria) e a União e Inclusão em Redes
e Rádio (UNIRR), esta em São Paulo,
onde ele ministra o curso inclusivo
Comunicador Integral.
Lei de Cotas
Marcus finaliza a entrevista com
uma crítica à postura de muitas
empresas no que tange à Lei de Cotas.
Para ele, a maioria das empresas que
contratam deficientes o faz para se livrar
da fiscalização, o que gera uma falsa
perspectiva de crescimento profissional
para o deficiente. “Nós temos que trocar
essa prática da cota pela cota, por uma
política permanente da cota dos bem
cotados”, conclui.
Militância política
Fora do rádio, Marcus trabalhou
como assessor de imprensa dos
ARQUIVO PESSOAL
Por Lúcia Nascimento
[email protected]
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Dedicação e vontade de vencer
A história e as batalhas do professor Maurício
Quem assiste às aulas ministradas por Maurício Donizete
Moreira nem imagina que o professor de computação era
totalmente leigo no assunto no início da sua vida profissional. Há apenas um ano como voluntário na ADEVA, ele,
que também trabalha como revelador de raio-x no Hospital
Valdomiro de Paula, em Itaquera, acompanha turmas de
digitação, dá cursos de Virtual Vision, Jaws, Windows,
Word, Excel e internet, entre outras matérias relacionadas
ao tema. “Na ADEVA, faço de tudo um pouco, mas o meu
principal foco é a informática”, explica.
Jogo rápido com
Maurício Donizete
Signo: Virgem.
Uma cor: Vermelho.
Hobby: Ouvir música.
Um estilo de música: Músicas românticas, principalmente dos anos 70.
Uma música: “My Way”, na
voz de Elvis Presley.
Um filme: “Sociedade dos
Poetas Mortos” (1989).
Um livro: “Se Houver Amanhã”,
de Sidney Sheldon.
Cantoras preferidas: Karen
Carpinter e Elis Regina.
Cantores: Elvis Presley e Roberto Carlos.
Sobre os deficientes: Têm que ter
igualdade de condições, inclusive na
hora de arcar com as consequências.
Religião: Espírita kardecista.
Deus: Um irmão mais velho; um porto seguro.
Amigos: poucos, mas verdadeiros.
Amor: A única verdade indiscutível na face da Terra.
Esporte preferido: Futebol.
Time do coração: Palmeiras.
Família: Algo necessário na nossa vida.
Um sonho: Ter uma casa para
cuidar de crianças e idosos.
O que fazer para viver melhor? Ter coragem de viver e
sonhar e respeitar o próximo.
Uma frase: Sempre me marcou a frase
que meu avô me dizia: “Vá com Deus”.
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Natural de São Paulo, Maurício, 44, é filho de Rosária
Aparecida Moreira e tem três irmãos. Criado pelos avós, o
português Mário Augusto Moreira e a espanhola Carmen
(já falecidos), ele diz ter ótimas lembranças da infância.
Aos 7 anos, contudo, uma cotovelada numa brincadeira
fez com que ele perdesse a visão do olho direito; o que
não o impediu de continuar brincando e estudando. Aos
dez anos, perdeu a visão do olho esquerdo, devido a um
tombo da bicicleta. “Eu costumo dizer que estava praticando
ciclismo. Caí e bati a cabeça na guia, mas não perdi a visão
na hora, levou cerca de um mês. Fiz várias cirurgias, mas
não teve jeito”, lembra.
Cego, ele foi estudar no Instituto Padre Chico, no Ipiranga,
onde fez o ginásio e foi inserido no mercado de trabalho.
“Eu saí do Padre Chico em 1986. Nesse mesmo ano, um
colega e eu fomos convidados para trabalhar por meio
período numa oficina de material de limpeza do instituto
como representantes de vendas. Nós saíamos da oficina
para visitar os clientes mais antigos e tínhamos liberdade
para procurar novos também.”
MIGUEL LEÇA / ADEVA
Por Lúcia Nascimento
[email protected]
Rodrigo na
Era Digital
Maurício trabalhou na oficina por cerca de
dois anos e meio e, ao mesmo tempo, cursou
o segundo grau na EE Alexandre de Gusmão,
próxima ao Padre Chico. Posteriormente, se
transferiu para a Monte Magno Comércio de
Vassouras Ltda., onde trabalhou até 1992,
quando, por meio de um concurso para auxiliar
de radiologia promovido pela Prefeitura, ingressou
no Hospital Municipal Tide Setúbal, em São
Miguel.
A partir daquele ano, Maurício passou a
trabalhar em diversos hospitais da cidade de São
Paulo, mas nada de mexer com informática. “Eu
achava que jamais teria capacidade de entender e
decorar um teclado de computador. Era o medo
do novo”, confessa. Por volta de 1998, quando
trabalhava no Hospital Geral Jesus Teixeira da
Costa, em Guaianases, prestou concurso para
escriturário. “A prova foi dividida em duas fases,
sendo a primeira teórica, com conhecimentos
gerais, de múltipla escolha. De 100 pontos
possíveis, eu fiz 96. As duas que errei foram,
justamente, as questões de informática”, recorda.
“A segunda fase foi a mais complicada, porque
envolvia só informática. Eu tinha que digitar um
pequeno texto, que estava em braile, numa
folha sulfite. Como não conhecia o teclado,
fiquei com 0. Então, perdi a vaga.”
Depois do choque, Maurício não perdeu
tempo. Começou a fazer cursos para deficientes
visuais na Prodam e na Fundação Bradesco,
e, por meio de colegas de curso, conheceu a
ADEVA, onde foi fazer vários testes. Aprovado,
passou a participar de todas as oportunidades
e cursos oferecidos pela entidade.
Em 2006, conseguiu seu primeiro emprego:
na CPM, hoje CPM Braxis Capgemini, especializada em tecnologia da informação.
Em 2009, atuou por quatro meses como
monitor no Centro de Treinamento Mário Covas,
de onde saiu para trabalhar no Hospital São
Luiz Gonzaga, no Jaçanã. Em agosto do ano
passado, voltou para a ADEVA e é, hoje, um
dos melhores professores da entidade.
Casado há 20 anos com Eliete, ele tem dois
filhos: Mateus e Marta, e garante que é uma
pessoa superfeliz na vida pessoal e com o seu
trabalho na ADEVA.
“O que me cativa na ADEVA é o foco da
entidade em integrar o deficiente na sociedade
por meio do trabalho. O trabalho, na minha
opinião, dignifica e torna as pessoas mais felizes.”
Depois de dar o ar da graça
na 22ª Bienal Internacional do
Livro de São Paulo, “Rodrigo
na Era Digital” ganha versão
em braile impressa na ADEVA
com patrocínio da Secretaria
dos Direitos da Pessoa com
Deficiência. Terceiro livro da
série infantojuvenil criada por
Markiano Charan Filho, diretor-presidente da ADEVA, “Rodrigo
na Era Digital” conta como o
computador se tornou um grande aliado do garoto cego
na escola, em casa e na convivência com os amigos.
Dez anos de uma
parceria frutífera
Para celebrar os dez anos do posto
do Acessa São Paulo e a parceria com
o governo do Estado, está prevista para
dezembro uma cerimônia na ADEVA
com o governador Geraldo Alckmin.
Mais informações no site da ADEVA:
www.adeva.org.br.
CURTAS
GT Acessibilidade lança
pesquisa sobre uso de
tecnologias assistivas
O Grupo de Trabalho de Acessibilidade na Web do W3C
Brasil, com o apoio do Ministério do Planejamento, lançou
no dia 19 de outubro a primeira Pesquisa sobre uso de
Tecnologias Assistivas.
Nesse levantamento inicial, será investigado o uso de
ampliadores e leitores de tela por pessoas com deficiência.
O objetivo é investigar sua utilização e obter um panorama
do seu uso no acesso à internet no Brasil.
Um formulário ficará disponível para preenchimento até
o dia 21 de janeiro de 2013 no link http://acessibilidade.
w3c.br/pesquisa. Compartilhe esse formulário com pessoas
que você conhece que utilizam ampliadores e leitores de
tela para acessar a web.
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ADEVA faz 34 anos
com samba e
muita Sintonia
FOTOS: MIGUE
L LEÇA / ADEVA
No dia 17 de outubro, a ADEVA comemorou mais um
ano de vida, o 34º! Como de costume, a festa de aniversário
aconteceu no tradicional Bar Brahma, no centro de São Paulo,
com direito a show e muito samba com Thobias da Vai-Vai,
o mais novo parceiro da ADEVA (matéria na página ao lado).
Na ocasião, também foi celebrada a formatura dos alunos
do Via Rápida, que contou com o patrocínio da parceira
Maria Helena Daniel e sua Sintonia (Parceiros 60). Mais um
momento mágico para a história da ADEVA e de todos os
seus associados. Confira fotos da noite:
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Um nobre do samba paulista
na festa da ADEVA
Thobias da Vai-Vai, o mais novo parceiro da ADEVA
A ADEVA completou 34 anos de vida e serviços prestados aos deficientes visuais
com um presente muito especial. No tradicional jantar no Bar Brahma, o show da noite
ficou a cargo de Edimar Tobias da Silva, 54, o Thobias da Vai-Vai. “Eu fico muito honrado
em poder estar numa data tão marcante para a entidade”, declara.
Considerado por muitos especialistas como um dos melhores intérpretes de samba-enredo do Brasil, Thobias da Vai-Vai é, sem dúvida, uma lenda na história do carnaval
de São Paulo. Há 32 anos no mundo do samba e corintiano desde a infância, ele iniciou
a carreira na década de 80, defendendo o então bloco carnavalesco Gaviões da Fiel.
Em 1984, Thobias passou a ser o intérprete oficial
da Vai-Vai. “Estive na avenida pela Vai-Vai durante 15
anos. Dos 14 títulos que a escola possui, eu conquistei
oito como intérprete dos sambas-enredo e mais um,
como presidente, além de receber seis prêmios como
o melhor puxador de samba de São Paulo”, recorda.
Thobias tem oito CDs gravados e, atualmente,
está divulgando o seu mais novo trabalho musical, o
DVD “Templo da Gafieira”, que gravou com a Banda
Mantiqueira e a participação do maestro João Carlos
Martins. “Com esse tema, eu abrirei, em breve, a
nova casa de shows daqui de São Paulo, Terra da
Garoa, que está sendo construída na Avenida São
João”, anuncia.
Com tantos projetos musicais, ele explica que
não tem mais tempo de se apresentar na avenida
com a Vai-Vai. “É um trabalho que demanda muito
tempo e vários ensaios. Hoje, estou mais para o
salão que para a avenida”, afirma.
No rádio, sua segunda paixão, Thobias
apresentou programas na Imprensa FM, na Brasil
2000 e na Rádio América AM. “A experiência foi
ótima”, garante o cantor que, também participou,
em 2006, dos filmes “O Cheiro do Ralo”, dirigido
por Heitor Dhalia, e “Antônia”, de Tata Amaral.
Preocupado com as questões sociais, Thobias
se candidatou a vereador de São Paulo em 2004
pelo PTB, mas não conseguiu se eleger, o que
fez com que desistisse dos cargos políticos,
mas não da política. Hoje, milita no PC do B.
Sempre atento às necessidades da sua
comunidade, Thobias é membro-fundador da
Pastoral Negra da Paróquia Nossa Sra. Achiropita, da Faculdade Zumbi
dos Palmares (Afrobrás), da qual ele também é presidente de honra, e do movimento
“Vem pro Bixiga”, que tem como objetivo resgatar o bairro mais tradicional da boemia
paulistana, além de ser, a partir de agora, mais um amigo da ADEVA.
Ele confessa que não sabe quem o indicou, mas diz que já conhecia a entidade por
meio de artigos de jornais. “Para mim, é uma honra poder colaborar com a ADEVA,
que cumpre muito bem o seu papel no auxílio às pessoas com deficiência visual.” (LN)
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Uma Paralimpíada para não esquecer
Em Londres, País conquista 21 medalhas de ouro e fica em sétimo lugar
Vinte e uma medalhas de ouro,
14 de prata, 8 de bronze. Esse foi o
desempenho do Brasil nas Paralimpíadas
de Londres, competição encerrada no
dia 9 de setembro. Sétimo colocado
no quadro geral, o País conseguiu em
Londres-2012 sua melhor classificação
na história dos Jogos. Em Pequim-2008,
totalizamos 47 medalhas, mas “apenas”
16 de ouro, ficando em nono no geral.
Para quem pôde acompanhar pela
TV e internet, não faltaram momentos
de glória e superação, suor e lágrimas,
como nas vitórias dos brasileiros Alan
Fonteles sobre o sul-africano Oscar
Pistorius nos 200 m T44 e Tito Sena
na classe T46 da maratona; para não
falar das três medalhas (dois ouros
e uma prata) do italiano Alessandro
Zanardi no ciclismo, cuja foto erguendo
a bike com um braço só após o ouro no
handbike ganhou o mundo. Ex-piloto
de automobilismo, Zanardi perdeu as
duas pernas num trágico acidente na
Indy em 2001.
Nas piscinas, o destaque dos Jogos
ficou para Daniel Dias, o “Michael Phelps
brasileiro”, alusão ao nadador americano,
maior medalhista da história dos Jogos
Olímpicos com 20 medalhas (16 de
ouro). Em sua segunda participação nos
Jogos, Dias foi perfeito e ficou com o
Futebol de 5
é tricampeão
4x bocha
Assim como o judô nas Olimpíadas,
a bocha foi o esporte que mais deu
medalhas para o Brasil nas Paralimpíadas
de Londres: quatro no total. Foram três
medalhas de ouro e uma de bronze.
Maciel Santos e Dirceu Pinto subiram
no lugar mais alto do pódio nas classes
BC2 e BC4, que também teve Eliseu
dos Santos no terceiro lugar, respectivamente. O terceiro ouro veio nas
duplas da classe BC4, com Dirceu e
Eliseu, que já haviam realizado o feito
em Pequim-2008.
Pedido de casamento
Favorito ao ouro, o time de futebol
de 5 do Brasil não desapontou a torcida
– ao contrário da seleção de Mano
Menezes –, e conquistou o lugar mais
alto do pódio após bater a França por 2 a
0 na final. Com o resultado e a medalha
dourada assegurada, o Brasil manteve
sua hegemonia no esporte tornando-se
assim tricampeão paralímpico (Atenas2004, Pequim-2008 e Londres-2012).
Os grandes destaques da campanha
brasileira foram Bill, Jefinho e o goleiro
Dirceu Pinto
Fabio, que brilhou na disputa por
pênaltis na semifinal contra a Argentina.
No atletismo, um fato inusitado:
o corredor brasileiro Yohansson
Nascimento (foto na capa) pediu a
namorada em casamento assim que
cruzou a linha de chegada nos 200 m da
classe T46 e roubou a cena no Estádio
Olímpico. “Thalita, quer casar comigo?”,
dizia em um pedaço de papel. Além do
sim da namorada, Nascimento saiu de
Londres com duas medalhas (ouro nos
200 m e prata nos 400 m T46) e dois
recordes mundiais. (com reportagem do UOL)
Futebol de 5
MARCELO CAMARGO / ABR
Daniel Dias
ouro nas seis provas da natação que
disputou: 200 m livre S5; 50 m livre
S5; 100 m peito categoria SB4; 50 m
costas S5; 50 m borboleta S5; e 100
m livre S5.
“Tem sido muito difícil, mas estou
muito emocionado. Ver todo o trabalho
realizado sendo recompensado é
fantástico. Ao longo da minha vida
passei por muitas dificuldades, mas
agora isso está superado, faz parte do
passado”, declarou o brasileiro à agência
de notícias Efe após conquistar seu sexto
ouro nas piscinas. Dono de 14 medalhas
paralímpicas, Dias superou lendas como
Clodoaldo Silva e Ádria Santos.
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Lixo, como tratá-lo?
Apenas 1,6% dos resíduos orgânicos coletados é encaminhado para compostagem
Quase todo mundo reserva um dia para a arrumação
do lar. Limpamos gavetas, armários, separamos tudo o que
não terá mais lugar em casa. Daí, então, é só classificar os
itens separados como reaproveitáveis, recicláveis, passíveis
de doação ou comercialização. O que sobra descartamos
sem dó. Pois é, da porta para fora de nossas casas, esses
resíduos constituem um problemão para o ambiente e uma
equação difícil de ser resolvida pelos governos na área de
gestão sustentável. Se os nossos rejeitos são um problema,
o que dizer dos resíduos industriais, agrícolas e hospitalares?
Não dá para empurrar para debaixo de algum tapete.
A fim de regulamentar a coleta e o tratamento de resíduos
urbanos – perigosos e industriais –, e de determinar o destino
final correto do lixo, o governo federal criou, em agosto de
2010, a Lei 12.305, que institui a Política Nacional de Resíduos
Sólidos (PNRS). Vejamos alguns resultados até agora:
Segundo informe do Ministério do Meio Ambiente, no
ano 2000 apenas 35% dos resíduos eram destinados aos
aterros. Esse número agora está próximo dos 60%. O número
de programas de coleta seletiva (451 em 2000), agora beira
os 1.000, ou seja, mais do que dobrou. Assim parece que
tudo está nos trilhos, mas o Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada) divulgou em abril um diagnóstico dos
resíduos sólidos no Brasil.
Segundo o Ipea, 51,4% dos resíduos brasileiros são constituídos por matéria orgânica, passível de compostagem ou
biodegradação para geração de energia, mas apenas 1,6%
dos resíduos orgânicos coletados é encaminhado para
compostagem; materiais recicláveis (metais, plásticos, papéis,
vidros) constituem 31,9% dos resíduos no Brasil.
Apenas 17,7% dos plásticos reciclados são coletados
por programas oficiais de coleta seletiva. Para os metais,
esse número cai para 0,7%. Esse baixo índice de coleta não
surpreende, pois apenas 18% dos municípios brasileiros
possuem programas oficiais de coleta seletiva. O restante
é feito de maneira informal, por meio de catadores, que
são aproximadamente 600 mil no Brasil. Cerca de 1.100
organizações coletivas de catadores estão em funcionamento
no País.
Dos resíduos coletados, somente 10% são enviados a
usinas de triagem/reciclagem, compostagem, incineradores e
outras formas de destinação. Os 90% restantes são destinados
ao solo (aterros sanitários, aterros controlados ou lixões).
Existem ainda no Brasil 2.906 lixões, distribuídos em 2.810
municípios. Esses deverão ser erradicados até 2014, conforme
a PNRS.
Como dá para notar, o lixo continuará sendo, no Brasil,
um problema de difícil solução por um bom tempo. Façamos
a nossa parte, separando o que pode ir para a coleta seletiva
e, de preferência, reduzindo ao máximo a nossa geração de
resíduos.
SHUTTERSTOCK
Por Sidney Tobias de Souza
[email protected]
90%
dos resíduos
coletados são
destinados a
aterros sanitários
“Estive lá e gostei” volta
Depois de abordar temas como água, energia limpa, biocombustível,
diminuição de poluentes, Código Florestal, Rio+20, lixo reciclável,
etc., encerro esta seção sobre ecoconvivência com a esperança
do dever cumprido: contribuir para a reflexão a respeito da
importância de nossas ações para a saúde do planeta.
No próximo CONVIVA, volto a falar de bem-estar e lazer, com
dicas de passeios para o fim de semana. Até breve!
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SHUTTERSTOCK
Você sabe o que é DLNA?
Saiba mais sobre a tecnologia que pode integrar vários aparelhos sem fio
Por Laercio Sant’Anna
[email protected]
Graças ao advento dos pacotes
combo das operadoras de telefonia
(TV por assinatura, telefone e internet
de banda larga), duas novas palavras
passaram a fazer parte do vocabulário
de um número cada vez maior de
brasileiros: “roteador” e “wireless”.
Roteador é um pequeno aparelho
que, ligado na chegada do sinal de
internet, distribui o acesso a outros
computadores que estejam num certo
raio de frequência. Wireless, por sua
vez, é a tecnologia que permite que
a conexão entre o roteador e os
dispositivos que acessarão a internet
seja feita sem o uso de cabos.
Ultimamente, é cada vez mais
comum encontrarmos nos lares
brasileiros, além do bom e velho
desktop, uma série de aparelhos com
acesso à internet, como notebooks,
netbooks, smartphones, smart TVs,
etc. Graças aos roteadores sem fio,
esses dispositivos podem se conectar
à internet simultaneamente. Dessa
rede doméstica para a necessidade de
esses aparelhos “conversarem” entre
si foi um pulo.
Em maio de 2003, engenheiros
de um grupo formado pelas principais
10
| Conviva | 61 |
empresas de informática (Cisco
Systems, Ericsson, HP, Intel, LG,
Microsoft, Motorola, Nokia, Panasonic,
Pioneer, Samsung, Sony, entre outras)
criaram o Digital Living Network
Alliance, ou DLNA, uma tecnologia
inovadora que, por não ter sido tão
bem difundida, acabou escondida do
grande público.
O DLNA é um protocolo de
comunicação
residencial
para
dispositivos dotados de receptores
wireless que tenham aderido a essa
certificação. Em outras palavras, é uma
espécie de transmissor universal de
mídia entre dispositivos eletrônicos
sem a necessidade do uso de cabos
(ou fios).
Para saber se o seu equipamento
está preparado para fazer parte de
uma rede com características de
superconectividade, basta verificar se
eles possuem DLNA. Essa informação
pode ser obtida nas especificações
dos produtos.
Modo de usar
Para acionar o DLNA, basta ligar
o computador e disponibilizar para
a rede interna do lugar em que você
está (a rede da sua casa, por exemplo)
músicas, filmes e fotos que você tenha
baixado; acione outro dispositivo com
conexão à internet que possua DLNA,
como um smartphone ou smart TV, e
vá até “mídias”; o aparelho em questão
irá encontrar a origem dos arquivos.
Uma vez feita a conectividade, você
pode tocar as músicas de um MP3
player no computador, visualizar fotos
ou filmes do celular ou computador
em uma TV ou videogame e por aí
vai. E o que é melhor: tudo sem fio.
Infelizmente, não existe um
caminho padrão para acionar essa
funcionalidade, porque ela depende dos
aparelhos que estão sendo conectados,
e cada fabricante coloca o nome que
mais lhe convém. Sugiro, porém, que
você procure por “compartilhamento
de mídias” no manual do usuário do
seu computador ou celular. Mas
lembre-se: é necessário que o aparelho
em questão possua a tecnologia DLNA.
Como vocês podem ver, no mundo
da tecnologia, o céu é o limite! Façam
suas experiências e enviem seus
comentários para o e-mail laercio@
adeva.org.br. Quem sabe na próxima
edição do CONVIVA não fazemos
um Convivaware só com as melhores
dicas de uso do DLNA?
Memórias
Acessibilidade 2.0
Meu tio ficava quase o dia todo na varanda, sentado
em uma velha espreguiçadeira de madeira. Lembro-me da
barba por fazer, das camisas claras e calças cinzas, dos
chinelos. Ele era surdocego. Às vezes, braço dobrado,
tinha a cabeça apoiada em uma das mãos, semiaberta,
os dedos cobrindo parte da testa e um dos olhos.
Ao seu lado, a Laly, uma cachorrinha que avisava
quando alguém entrava pelo portãozinho, porque se
agitava e meu tio sentia a guia se movimentar, amarrada
que estava ao braço da cadeira. Lembro-me do seu
silêncio e da sua solidão. Lembro-me, principalmente,
de jamais ter visto, em todos aqueles anos, um único
sorriso em seu rosto.
Criado pelo programador Jonas Marques, o Total Acesso traz
resenhas, dicas de tecnologia, tutoriais e muito mais para,
como ele mesmo diz, tornar o seu dia a dia no mundo digital
um pouco mais acessível.
http://totalacesso.mundocegal.com.br/
A lembrança de meu tio me veio à cabeça durante
um grande congresso em São Paulo sobre deficiências,
há pouco tempo, quando vi alguns pouquíssimos surdos
e surdocegos na plateia. E vieram os depoimentos e
as palestras: políticas públicas que, por mais bem
elaboradas que sejam, muitas vezes não chegam a
quem precisa; pessoas que não existem para o governo
federal simplesmente porque muitos municípios não as
notificam; um país que produz muitas deficiências, seja
por erros ou negligência médica (isso quando existe
assistência médica), seja por acidentes de trânsito ou
violência urbana.
Informação que vale dinheiro
Maior site especializado em investimentos pessoais e educa-
Fim do congresso e eu meio desanimada com tudo
isso, quando alguém me chama para ser apresentada
a uma jovem participante surdocega, acompanhada
por seu guia-intérprete.
ção financeira do País, o portal InfoMoney traz dicas sobre
onde investir, carreira, negócios, finanças e como estão os
mercados no Brasil e no mundo.
http://www.infomoney.com.br/
Olho a moça, morena, cabelos enrolados e compridos,
fisionomia serena. Ela toca meu queixo enquanto falo,
para sentir a vibração das palavras, e, então, abre um
enorme sorriso que fica em seu rosto o tempo todo e na
minha memória para sempre. Gargalha, segura minha
mão, fala algumas palavras e eu observo, surpresa e
muito, muito emocionada.
Longa vida ao planeta
Saio dali sorrindo também, feliz da vida.
O Rota da Reciclagem informa onde estão localizadas cooperativas de catadores, empresas que trabalham com compra
recebem embalagens longa vida mais próximos de você.
http://www.rotadareciclagem.com.br/
ADEVA nas redes sociais:
twitter.com/adeva1978
facebook.com/Adeva
SHUTTERSTOCK
de materiais recicláveis e os pontos de entrega voluntária que
Lucia Maria é jornalista,
audiodescritora e autora do
blog Outros olhares (http://
outrosolhares.blog.terra.com.br).
| Conviva | 61 |
11
SHUTTERSTOCK
Um dedo de trova
Enigma
Eu creio em Deus, com profundo
sentido de lucidez,
mas, no Deus que fez o mundo
não no Deus que o mundo fez!
Pela janela do sobrado em frente,
no luscofusco de uma vela acesa,
congratulando-se animadamente.
Alfredo de Castro - MG
A certa altura, o pai, desigualmente,
reparte e distribui a sobremesa.
a um, serve um doce, cuja grandeza
contrasta com a gula do inocente.
Neste mundo que se exprime
através de mãos armadas,
chega a parecer que é crime
a gente andar de mãos dadas!
Eu, que de fora vejo, penso: injusto.
!
!
!
Izo Goldman - SP
Minha sogra não reclama
do bom trato que lhe dou.
Até de “filho” me chama
- Só não diz que filho eu sou.
E Deus, por que tanto me priva? Custo
!
"
A não ser... Bem, quem sabe eu sou doente...
Lothar Bazanella
Elton Carvalho - RJ
Por Lothar Antenor Bazanella
30ª Bienal de São Paulo
Quem quiser visitar a exposição, que neste ano tem
como tema “A Iminência das Poéticas”, poderá contar com monitores intérpretes em Libras e que fazem
audiodescrição. Ao chegar, o visitante deverá solicitar um educador para acompanhá-lo. Pavilhão do
Ibirapuera. Terças, quintas, sábados, domingos e
feriados: das 9h às 19h; quartas e sextas: das 9h às
22h. Até 9/12. Grátis.
Imagem do artista “Cadu” e sua instalação na 30ª Bienal de São Paulo
Cinema em casa: Chico Xavier
Sucesso de público e crítica, o filme narra a vida do médium brasileiro Francisco de Paula Cândido Xavier, da
infância em Pedro Leopoldo (MG) à descoberta e posterior divulgação do espiritismo no Brasil. Drama com
Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Tony Ramos e Christiane
Torloni. 125 min. DVD com audiodescrição.
Audiobook: Vale
Tudo - O Som e a
Fúria de Tim Maia
Apoiado numa minuciosa pesquisa e
em anos de convivência, o jornalista e
produtor musical Nelson Motta revela a
turbulenta trajetória de um dos personagens mais ricos, divertidos e originais da
música brasileira. 13h/MP3; R$ 32,90.
ADEVA - Associação de Deficientes Visuais e Amigos
e-mail: [email protected] - site: www.adeva.org.br
Correspondência: rua São Samuel, 174, Vila Mariana, CEP 04120-030 - São Paulo (SP)
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