Diretor: P. Nuno Rosário Fernandes Ano 81 • Edição nº 4094 Preço: 0,40 € Domingo, 20 de outubro de 2013 Semanário Opinião Dom e oportunidade por Guilherme d’Oliveira Martins Nossa Senhora de Fátima no centro do mundo Em Roma, o Papa Francisco recebeu a Imagem original da Capelinha das Aparições, diante da qual consagrou o mundo. Em Lisboa, a Vigararia de Cascais está a receber por estes dias a Imagem peregrina. ver págs.02-03 e 11 Pastoral Familiar quer conhecer realidade diocesana O Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa quer conhecer as reais necessidades das famílias na diocese. Num comunicado enviado às paróquias do Patriarcado, o responsável do setor, padre Rui Pedro Trigo Carvalho, reconhece que “num tempo e numa cultura que fragiliza tanto a família, a Igreja tem de assumir a tarefa da pastoral familiar como uma prioridade”. Nesse sentido, está a ser realizado em toda a diocese um inquérito às paróquias com vista à continuidade de uma aproximação deste setor diocesano da realidade pastoral das paróquias, movimentos e vigararias. “Acreditamos que é no acolhimento mútuo, no contacto pessoa a pessoa, família a família, que acontece a pastoral da família”, refere a carta enviada aos párocos. Acompanhe no Vaticano a canonização de JPII e João XXIII O diretor do Jornal VOZ DA VERDADE, padre Nuno Rosário Fernandes, vai acompanhar espiritualmente a peregrinação a Roma, entre os dias 26 e 29 de abril de 2014, para a canonização dos Papas João Paulo II e João XXIII, que decorre a 27 de abril. Organizada pelo semanário do Patriarcado de Lisboa, em parceria com a Agência de Viagens GeoStar, a peregrinação tem um custo de 880 euros por pessoa, em quarto duplo. Os lugares para a viagem são limitados, podendo os interessados fazer a sua inscrição até ao próximo dia 23 de outubro. Pode solicitar o programa detalhado da peregrinação a Roma com o Jornal VOZ DA VERDADE junto da Agência de Viagens GeoStar. Informações e inscrições: 211572260/266/267/268 ou [email protected] Especial Dar voz a África Nos 10 anos da canonização de São Daniel Comboni, conheça o sonho do fundador da Família Comboniana: “Trazer África para o coração da Igreja”. ver pág.08 Reportagem ver pág.15 www.vozdaverdade.org www.vozdaverdade.org o2/ Reportagem Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visita Vigararia de Cascais Visitas que tocam A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visita, por estes dias, a Vigararia de Cascais. São muitos os que se querem aproximar de Cristo através de Maria. Paróquias e instituições civis recebem a Mãe de Deus. texto e fotos por Diogo Paiva Brandão Nossa Senhora visitou a prisão! Ao segundo dia da visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Vigararia de Cascais, o Estabelecimento Prisional de Tires (EPT) acolheu a Mãe de Deus, na tarde da passada segunda-feira, dia 14 de outubro. Um momento que o capelão considera ter sido marcante para as reclusas.“Para muitas destas senhoras, Nossa Senhora é a Mãe! Para os homens nem tanto, mas as reclusas têm uma devoção muito grande a Nossa Senhora! Esta visita toca-lhes profundamente”, afirma ao Jornal VOZ DA VERDADE o padre Agostinho Brígido, justificando o lado mariano das reclusas: “Todos os sábados de manhã, rezamos o Terço com estas mulheres”. No final da visita de Nossa Senhora ao estabelecimento prisional, que contou com a presença de D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, este sacerdote Espiritano sublinhava a presença da Igreja nestes locais. “Procuramos incutir nos reclusos o desejo de mudança! Uma vida nova, o começar de novo, na certeza sempre que Deus é o Deus da misericórdia e do perdão. Sentirem a alegria de se perceberem amadas por Deus. ‘Deus ama-me, Deus gosta de mim!’. Se temos esta certeza, vamos para a frente, confiando n’Ele!”, refere. Pastoral prisional O Estabelecimento Prisional de Tires foi criado em 1953, com a designação de Cadeia Central de Mulheres, e entregue à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, por acordo celebrado com o Ministério da Justiça, que apenas assegurava a vigilância periférica. E assim foi até 22 de setembro de 1980, data em que a administração se tornou exclusivamente leiga. Situado em Tires, concelho de Cascais, numa quinta de 34 hectares, o EPT tem uma estrutura descentralizada, sendo composto por três pavilhões de regime fechado, um destes com população masculina desde 2002; dois pavilhões para alojamento de reclusas em regime aberto; um espaço terapêutico autónomo vocacionado para o tratamento de reclusas toxicodependentes e outras com necessidades de acompanhamento individualizado; o espaço ‘Casa das Mães’, destinado a reclusas em período de gestação e com filhos até aos três anos; e uma creche, dirigida aos filhos das reclusas. Segundo dados do Mi- nistério da Justiça, a 10 de fevereiro de 2012 a população existente era de 511 reclusos (164 homens e 347 mulheres) e 23 crianças filhas de reclusas. O padre Agostinho Brígido, que completa 80 anos no próximo mês, é capelão do Estabelecimento Prisional de Tires há três anos. “No fim de velho, é que me mandaram para a cadeia!”, brinca este sacerdote, que durante vários anos foi capelão militar em Angola. Questionado sobre a pastoral que é possível realizar neste estabelecimento prisional, o capelão destaca que o importante é ser presença. “Eu venho ao EPT quase diariamente – por vezes até de manhã e de tarde – e estou aqui para ouvir. Oiço, oiço, choro, oiço, e depois lá digo umas palavras. Por vezes, estou mais de uma hora com o mesmo recluso ou reclusa, só a escutar. A gratificação que tenho, depois de escutar dois, três reclusos, é ouvir a palavra ‘Obrigado! Obrigado por ter vindo…’”, salienta o padre Agostinho, sublinhando a forma como lhes apresenta Deus. “Procuro sempre dar-lhes a sensação que Deus não lhes aponta sobre o que fizeram. Eu também nunca lhes pergunto o que fizeram – Reportagem /03 Tudo sobre a Visita de Nossa Senhora de Fátima à Vigararia de Cascais Veja em www.paroquiadoestoril.com Missa de encerramento da Visita da Imagem Peregrina Este Domingo, dia 20, às 12h, presidida pelo Patriarca de Lisboa, nos Jardins do Casino do Estoril se me dizem, muito bem, se não, também não questiono –, mas procuro que eles tomem consciência que realmente Deus é o Deus da misericórdia, o Deus do perdão, é um Deus que não lhes aponta o dedo para recriminar, mas um Deus que nos diz como à pecadora: ‘Vai e não voltes a pecar’. É também o que lhes peço…”. Nossa Senhora é a boa mãe A visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima ao Estabelecimento Prisional de Tires coincidiu com a renovação da capela. Uma obra que contou com a colaboração dos reclusos. “A capela foi inaugurada hoje, na Eucaristia com o senhor D. Joaquim! O pessoal é que pintou a capela, colocou o telhado novo. Ficou um templo muito, muito bonito!”, garante o padre Agostinho. Na homilia da celebração com Nossa Senhora no EPT, o Bispo Auxiliar do Patriarcado garantiu que os reclusos não estão esquecidos pela Igreja. “Queria dizer-vos que a Igreja vos acompanha com a oração e procura estar presente nos estabelecimentos prisionais através dos capelães, dos seus colaboradores e voluntários e também através dos bispos. Vós não estais esquecidos. Estais no coração de Deus, no coração de Jesus, no coração de Nossa Senhora, no nosso coração”. Nesta celebração, que contou com a presença da direção, de funcionários e voluntários do EPT, além de muitas reclusas e reclusos, D. Joaquim Mendes sublinhou que Nossa Senhora é a boa Mãe. “Do Céu, Ela acompanha-nos com a sua solicitude materna. Acompanha o caminho dos seus filhos que entre perigos e angústias caminham na vida. Ela conhece bem o nosso coração, a nossa história de vida. Ela é a mãe de misericórdia, que nos acompanha e nos ama. Deixemos que Ela nos olhe com aquele olhar de ternura e de amor, que reflete o olhar de Deus e de seu Filho Jesus Cristo. Abramos-lhe o nosso coração. Partilhemos com Ela os nossos sentimentos: mágoas e tristezas, alegrias e esperanças. Um filho ou uma filha não têm dificuldade de abrir o seu coração à mãe, porque uma boa mãe sempre acolhe, escuta, conforta, aconselha, anima. Nossa Senhora é a boa mãe, a mãe de misericórdia, que acolhe, escuta, conforta, aconselha, anima e nos convida a confiar em Deus e no seu Filho Jesus”. bração aos sábados à tarde, no pavilhão das mães. Vêm duas senhoras para tomar conta dos bebés e das crianças, para que as reclusas que queiram possam ir à Missa vespertina. No Domingo, a partir de agora, com a capela restaurada, passamos a ter a Eucaristia, às 9h30, para aquelas que estão no chamado regime aberto, e às 10h30 celebro no pavilhão 1, para as reclusas que estão em prisão preventiva”, aponta o padre Agostinho. Além do capelão, a capelania do EPT conta “com mais de cinquenta voluntários, apesar de não estarem todos registados”. “Em cada Domingo, para as duas celebrações, vem um grupo animar a Eucaristia: no primeiro, o grupo é de Alvide; no segundo Domingo, é do Murtal; no terceiro, é um grupo de Tires; no quarto Domingo é um grupo de jovens do Estoril; e quando há cinco Domingos vem um grupo chamado Renascer, formado essencialmente por cabo-verdianos. Portanto, todos os domingos tenho um grupo que vem dinamizar a celebração!”, frisa o capelão. Aos sábados de manhã, após o Terço, o padre Agostinho e uma voluntária da capelania explicam os textos de Domingo. “Estamos presentes de manhã, se alguma reclusa quiser vou atendê-la em confissão”. “A Igreja não os abandona!”, assegura o capelão do Estabelecimento Prisional de Tires. Cascais convidada a abrir o coração A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima chegou à Vigararia de Cascais ao final da tarde do dia 13 de outubro. Segundo dados das autoridades, mais de três mil pessoas acolheram a Virgem Peregrina na igreja da Boa Nova, no Estoril. Uma receção que contou com a presença de D. Joaquim Mendes. “Nossa Senhora conduz-nos a Cristo seu Filho, convida- -nos a escutá-lo, como Ela o escutou, a acolhê-lo como Ela o acolheu, a acreditar na sua palavra, como ela acreditou”, garantiu o Bispo Auxiliar de Lisboa. Ao longo desta semana, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima tem percorrido as nove paróquias da Vigararia de Cascais: Abóboda, Alcabideche, Carcavelos, Cascais, Estoril, Parede, São Domingos de Rana, São Pedro e São João do Estoril e Tires. “Nossa Senhora ensina-nos a ter aquele olhar que procura acolher, acompanhar, cuidar dos outros, a ver-nos uns aos outros como irmãos, sob o seu olhar maternal. Peçamos a Nossa Senhora a graça de ter o seu olhar, aquele olhar que reflete a ternura de Deus. Deixemo-nos tocar pelo olhar materno da Santíssima Virgem, que ele penetre o nosso coração, o abra ao amor e à misericórdia de Deus, à experiência da fé e da salvação”, convidou D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa. “A Igreja não os abandona!” Ao longo do fim-de-semana, o Estabelecimento Prisional de Tires tem três Missas dominicais. “Temos uma celeDomingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org o4/ Lisboa Essejota com novo site No seu quinto ano de existência, o site www.essejota.net, da Companhia de Jesus, apresenta desde esta semana um novo grafismo e novas funcionalidades Faleceu o Bispo Emérito de Aveiro e antigo Auxiliar de Lisboa © Nuno Rosário Fernandes “Um homem que entusiasmava quem estava ao lado dele” “D. António Marcelino foi sempre um homem entusiasmado, cheio de ânimo e de generosidade nas causas a que se dedicava por todos os meios – presença, palavras, escrita – e que entusiasmava quem estava ao lado dele”. É desta forma que o Patriarca de Lisboa recorda D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro e antigo Auxiliar de Lisboa, falecido no dia 9 de outubro. fotos: PR/Agência ECCLESIA e Diocese de Aveiro D. Manuel Clemente marcou presença no funeral de D. António Marcelino, na Sé de Aveiro, tendo salientado, em declarações à Agência Ecclesia, a dimensão pastoral de um bispo diocesano que “gostava de estar com as pessoas, de comunicar e de animar as comunidades”. “Era e é uma figura marcante” porque as marcas continuam “entre o episcopado e a Igreja portuguesa que com o seu entusiasmo e com a sua presença construía Igreja”, explicou. O Patriarca de Lisboa, que conheceu o falecido Bispo Emérito de Aveiro em 1975 “quando este era Auxiliar do Patriarcado”, recordou também D. Marcelino como o defensor das causas “em que acreditava com a sua sensibilidade própria”, como “o laicado, a renovação das comunidades, a formação do clero, a causa social”. Esta dimensão, acentuou, fazia de D. António Marcelino um “homem muito autêntico e envolvido sempre em tudo aquilo que verdadeiramente acreditava e que queria que os outros acreditassem”. Também o Patriarca Emérito de Lisboa, Cardeal Policarpo, recordou D. António Marcelino à Agência Ecclesia, salientando que era “um pouco parecido com este Papa atual” por “não se esconder atrás da organização e das estruturas e ir para a frente do povo de Deus”. D. José Policarpo recordou também os anos em que D. António Marcelino foi Bispo Auxiliar de Lisboa, entre 1975 e 1980. “No Patriarcado até deu um pouco nas vistas porque os padres não estavam habituados a ele aparecer de surpresa numa paróquia para celebrar a Missa de Domingo, por exemplo”, referiu. D. António Baltazar Marcelino, que tinha completado 83 anos de idade no passado dia 21 de setembro, foi recentemente hospitalizado, vindo a falecer no dia 9 de outubro, no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro. Natural de Castelo Branco, foi ordenado padre em 1955, nomeado Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa em 1975, Bispo Coadjutor de Aveiro em 1980 e residencial na mesma diocese a 20 de janeiro de 1988, onde permaneceu até 21 de setembro de 2006, quando foi substituído por D. António Francisco dos Santos. Dia 24 de outubro Seminário do Verbo Divino No CCB O Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai presidir, no próximo dia 24 de outubro, às 18h45, à tradicional Missa das Universidades. A celebração deste ano decorre na igreja do Sagrado Coração de Jesus, ao Marquês de Pombal, em Lisboa. A partir das 18h há confissões e após a Eucaristia os jovens universitários têm um momento de convívio, além da apresentação de movimentos e grupos de pastoral universitária na Diocese de Lisboa. O Seminário do Verbo Divino, em Lisboa, acolhe no próximo Domingo, 27 de outubro, uma Feira Missionária para ajudar as crianças do Liúpo, Moçambique. Organizada por um grupo de leigos associados às Missionárias Servas do Espírito Santo e Missionários do Verbo Divino, a Feira Missionária tem início com a Missa, às 11h, e prolonga-se durante a tarde “com produtos da horta para vender, almoço, música e muita animação”, segundo a organização. O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, recebe no próximo sábado, dia 26 de outubro, entre as 18h30 e as 20h, D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, para um debate sobre ‘Arte e Fé’. Integrada no ciclo de palestras a propósito do Ano da Fé intitulado ‘as encruzilhadas das arte’, a conferência vai ter moderação de Maria Teresa Dias Furtado, professora associada da Faculdade de Letras. Informações: http://encruzilhadasdaarte. wordpress.com ‘A fé do avesso’ É fundamental reconduzir a fé cristã à “vida, palavra e atitudes de Jesus” O Patriarca de Lisboa considera fundamental reconduzir a fé cristã à “vida, palavra e atitudes de Jesus de Nazaré”. Num debate na Universidade Católica Portuguesa com o psicólogo Eduardo Sá e a jornalista Isabel Stilwell, intitulado ‘A fé do avesso’ e que foi transmitido pela rádio Antena 1, D. Manuel Clemente destacou a “matriz cristã” da sociedade portuguesa e defendeu a necessidade de que fé e ciência se possam “encontrar mais à frente” para sair de “grandes encontrões”. “Julgo que nos temos de encontrar mais à frente, no sentido de um saber mais humano”, insistiu, propondo a substituição da “ideia de domínio pela ideia de relação”. Durante a conversa, o Patriarca declarou ainda que “a dúvida é amiga da fé” no sentido em que questiona respostas que “talvez tenham sido apressadas”. As interrogações “humanas”, acrescentou, levam a “reapropriações sucessivas” da figura de Jesus, que “recuperam a relação mais a fundo”. Definindo o inferno como “a falta dos outros”, D. Manuel Clemente declarou que há um “núcleo de convicções básicas de solidariedade” que deve “vir ao de cima” na Europa e na atuação dos organismos internacionais. O Patriarca de Lisboa deixou ainda um elogio a quase um “milénio de sobrevivência” do povo português. “O que me dá confiança em Portugal não é propriamente as nossas grandes vitórias, é a maneira como ultrapassamos as derrotas”, referiu. Sobre o Papa Francisco, D. Manuel Clemente sublinhou que o Santo Padre se tem apresentado ao mundo como alguém “muito consistente, muito autêntico” que tem sabido atrair as pessoas. “As pessoas reconhecem uma autenticidade”, declarou. D. Clemente preside à Missa das Universidades ‘Feira Missionária’, em Lisboa Patriarca conversa sobre ‘Arte e Fé’ Lisboa /05 6ª Prova de Sopas de Alfornelos A paróquia de São Francisco de Assis de Alfornelos organiza, no próximo Domingo, dia 27 de outubro, a partir das 13h30, a 6ª Prova de Sopas de Alfornelos. A iniciativa, que vai ser animada pelo grupo ‘Quintet à Soup’, conta este ano com um número recorde de 26 sopas, todas oferecidas, quer por empresas de restauração, snacks e catering, assim como por particulares 75 anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa Um templo que ajudou na reconstrução da vida diocesana Nos 75 anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, situada na Avenida de Berna, o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sublinhou a mensagem que o templo transmite. “Desta igreja para o Patriarcado inteiro, vai a lembrança esplendente dum percurso essencial. Como disse o seu arquiteto, Pardal Monteiro, seja qual for a planta dum templo cristão, o olhar de quem entra ou nele esteja é necessariamente orientado para o altar em que se assinala o sacrifício de Cristo, ou seja, a sua oferta ao Pai, regresso e progresso de nós todos com ele”, observou D. Manuel Clemente, na celebração que decorreu a 13 de outubro. “Mas, antes de o ser do olhar, este é um percurso sacramental que provém do Batismo. É aí que começa em cada um o trabalho do Espírito, configurando-nos a Cristo para sermos ‘filhos no Filho’ e membros vivos do seu corpo eclesial. Ora, a igreja de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa contém e oferece uma das mais preciosas realizações da nossa arte cristã do século passado: o seu magnífico batistério, que resume em pouco espaço o pleno significado batis- mal da vida”, continuou o Patriarca de Lisboa. “Daí mesmo progrediremos para o altar, já banhados pela luz transfigurada que nos chega dos vitrais de Almada Negreiros, passo a passo e mais e mais. Entretanto, já nos envolveram irmãos no grande espaço da nave de sugestões ainda góticas, isto é, ascendentes”, prosseguiu D. Manuel Clemente, concluindo: “Em tempos de ‘nova evangelização’, é essencial recuperarmos o itinerário cristão que esta igreja nos oferece”. Reconstrução diocesana O Patriarca de Lisboa considerou os 75 anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima um momento de ação de graças: “Em ação de graças pela vida divina que este magnífico templo assinala e em adoração reconhecida por tudo quanto Deus nele ofereceu e oferece”. D. Manuel Clemente referiu ainda que este templo “ilustra clarissimamente o que foi a primeira década do ministério episcopal do Cardeal Cerejeira” em Lisboa: “Ilustra sobretudo a sua grande determinação e até coragem, no sentido de reconstruir a vida diocesana depois das grandes dificuldades das décadas anteriores”. “A construção da igreja de Nossa Senhora de Fátima, precisamente aqui onde a urbanização de Lisboa se alargava, integrou-se neste plano. E a novidade da topografia aliou-se perfeitamente com a novidade da arquitetura e das artes, numa modernidade consciente e assumida”, observou. Portugal tem novo beato Mário Félix foi beatificado em Espanha O religioso português Mário Félix, da Congregação das Escolas Cristãs, foi proclamado beato em Tarragona, Espanha,numa cerimónia conjunta para a beatificação de 522 mártires da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O Papa Francisco enviou uma saudação aos participantes na cerimónia, em Tarragona, em mensagem vídeo, apelando à oração para que todos os batizados sejam “cristãos com obras e não de palavras”, firmes na fé e não “cristãos medíocres”, como “artífices da fraternidade e da solidariedade”. Além do religioso português, o grupo de 522 Canonização João Paulo II e João XXIII PEREGRINAÇÃO A ROMA COM O JORNAL VOZ DA VERDADE, ACOMPANHADA PELO PADRE NUNO ROSÁRIO FERNANDES novos beatos inclui 514 espanhóis, três franceses, dois cubanos, um colombiano e um filipino. O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, participou na celebração e dirigiu uma mensagem à diocese, na qual sublinha que a beatificação do irmão Mário Félix “é mais uma graça que não pode ser desconhecida ou desconsiderada”. Beato Mário Félix Manuel José de Sousa nasceu em Santa Marta de Bouro, a 27 de dezembro de 1860, tendo entrado no Instituto de La Salle aos 28 anos. Foi fuzilado em Griñon, a 30 quilómetros de Madrid, a 28 de julho de 1936, após 48 anos de vida religiosa, na qual assumiu o nome de irmão Mário Félix. 26 a 29 de abril de 2014 | Inscrições até dia 23 de outubro de 2013 Preço por Pessoa em Quarto Duplo: 880€ LUGARES LIMITADOS Programa detalhado, Informações e Inscrições através da Agência de Viagens GeoStar GeoStar | Departamento do Turismo Religioso & Cultural Sede: Torre Oriente, Avenida do Colégio Militar, nº 37 F, 5º - 1500-081 Lisboa Contatos: 211572260 / 266 / 267 / 268 Email: [email protected] Domingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org o6/ Lisboa Formação Nacional e Assembleia Geral de Outono do CPM Portugal Dia 9 de novembro, o CPM Portugal (Federação Portuguesa dos Centros de Preparação para o Matrimónio), realiza, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, a Formação Nacional para os casais pertencentes às equipas deste movimento, com o tema ‘Fazer a Paz – o conflito como ocasião de crescimento’, seguida da Assembleia Geral de Outono Sucede a D. Januário Torgal Ferreira D. Manuel Linda é o novo Bispo das Forças Armadas e de Segurança O Papa Francisco nomeou D. Manuel Linda, até agora Bispo Auxiliar de Braga, como novo ordinário castrense em Portugal, sucedendo a D. Januário Torgal Ferreira que resignou por limite de idade. IDFC ‘Paciência com Deus’, em debate O Instituto Diocesano da Formação Cristã, do Patriarcado de Lisboa, organiza, no próximo dia 7 de novembro, quinta-feira, às 21h30, a apresentação/debate do livro de Tomás Halík ‘Paciência com Deus – Oportunidade para um encontro’. A sessão vai decorrer no auditório da igreja de São João de Deus, em Lisboa, e conta com a participação de Conceição Moita, Henrique Raposo e o padre Alexandre Palma, prefeito do Seminário dos Olivais e colaborador do Jornal VOZ DA VERDADE. O anúncio foi feito no passado dia 10 de outubro, pela Nunciatura Apostólica. “A minha missão, evidentemente, não é de natureza sindical, é o anúncio da verdade em Jesus Cristo, que passa pela dimensão afetiva e sociocaritativa, isto é, a presença de quem pode dar ajuda a quem dela precisa, uma ajuda que não é meramente de ordem económica”, referiu D. Manuel Linda, de 57 anos, à Agência Ecclesia. O novo Bispo das Forças Armadas e de Segurança disse ainda que pretende assumir este setor com “atenção” à realidade e “discrição” na sua atuação, face às dificuldades que o país enfrenta. O novo ordinário castrense foi capelão militar há três décadas e admite que a realidade hoje é “muito diferente”, apesar de essa experiência lhe permitir agora conhecer “minimamente o estilo de vida no ambiente militar”. “É um mundo que não me é completamente desconhecido, embora as coisas tenham mudado muito”, salientou. D. Manuel Linda era Bispo Auxiliar de Braga desde junho de 2009, tendo sido ordenado em setembro do mesmo ano, na Catedral de Vila Real, e vai passar a residir em Lisboa. O prelado destaca que vai ter a missão “exclusiva” de liderar o Ordinariato Castrense, que acompanha os católicos nas Forças Armadas, militares e também aqueles que, por vínculo da lei civil, se encontram ao serviço das Forças Armadas, Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública. Até à tomada de posse do novo bispo, em data ainda a definir, o Ordinariato será guiado pelo padre Manuel Amorim, vigário-geral castrense, na qualidade de administrador diocesano. Peregrinação Aniversária das Aparições em Fátima Chegar aos jovens através de Maria O cardeal Tarcisio Bertone, que presidiu à Peregrinação Aniversária das Aparições em Fátima, exortou os cristãos a confiar em Deus, mesmo que a vida esteja difícil. Na celebração do 13 de outubro, no Santuário de Fátima, confiou a Maria o testemunho de fé da Igreja. “No ‘hoje’ da nossa vida, ameaçada por fragilidades e riscos vários, atravessada pela experiência básica de não podermos dominar o futuro, receosos de que a injustiça e a morte tenham a última palavra sobre a existência humana, só é possível esperar verdadeiramente na vitória sobre o mal e a morte, enfrentar a vida com coragem e determinação, se o rosto de Deus se deixar mostrar e nós o soubermos ver nesses sinais deixados por outros crentes, sinais que testemunham como vale a pena confiar no Deus de ontem, de hoje e de sempre”, observou o então Secretário de Estado do Vaticano, num dos seus últimos atos públicos, uma vez que dois dias depois desta celebração o cardeal Bertone deixou o cargo. Perante cerca de 200 mil fiéis, o cardeal italiano confiou a Maria o testemunho de fé da Igreja, para que esta consiga chegar ao coração das pessoas, sobretudo dos jovens. “Confio-Vos o que parece ser hoje a coisa mais importante no serviço da Igreja: o seu forte testemunho de fé diante da hodierna geração de homens e mulheres, tentada pela crescente secularização e indiferença religiosa que grassam por aí. Que este testemunho fale sempre a linguagem clara do Evangelho e assim encontre acesso aos corações, sobretudo da geração jovem!”, concluiu o cardeal Bertone. Serviço aos mais pobres Na véspera, na noite do dia 12, o agora antigo Secretário de Estado do Vaticano reafirmou a importância da mãe de Cristo. “Olhai para Maria, invocai-a e imitai-a. Nós conhecemos o amor de Deus e – como Maria – acreditamos nele para sermos semeadores de esperança e construtores de paz”, afirmou. O cardeal Bertone apelou ainda aos peregrinos para serem solidários e seguir o exemplo de Maria. “Este santuário chama-nos à solidariedade com todos. Como pedras vivas que reciprocamente se apoiam e harmonizam na construção sobre a pedra angular que é Cristo. De nada serviria frequentarmos a Igreja se não nos levasse a viver em comunhão. A missão é o serviço aos mais pobres e marginalizados”, garantiu. Missão /07 www.fecongd.org Pe. Carlos Alberto Nunes, Missionário Comboniano Todas as obras de Deus nascem e crescem aos pés da Cruz O nosso convidado de hoje é o Pe. Carlos Alberto Nunes, Missionário Comboniano, com uma história de vida marcada pela missão, que alarga o nosso horizonte de vida até às terras distantes da Zâmbia. texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação Das Beiras para o Mundo O Pe. Carlos Alberto Nunes é natural do Sabubal, na Diocese da Guarda. Desde cedo aprendeu o sentido e o valor de uma vida em comunidade, uma vez que é o quarto de cinco filhos. Entrou para o Seminário dos Combonianos em Viseu e daí passou para o Noviciado em Santarém e mais tarde prosseguiu os seus estudos de Teologia no Missionary Institute of London. Foi na capital britânica que foi ordenado diácono pelo Cardeal Hume e regressou depois a Portugal onde foi ordenado sacerdote no castelo de Sabugal por D. António dos Santos, no dia 15 de Julho de 1984. Hoje, o Pe. Carlos Alberto Nunes recorda-nos o momento marcante da sua ordenação: “Lembro-me de estar prostrado conforme o ritual e sentir o calor do sol como senti mais tarde em África.” Depois da ordenação, o Pe. Carlos Alberto recebeu a missão de coordenar a promoção vocacional da comunidade comboniana em Portugal. O Evangelho no dia-a-dia na Zâmbia O Pe. Carlos Alberto classifica a vida missionária como uma “nobre aventura”. Depois do trabalho de acompanhamento vocacional no norte de Portugal, o nosso convidado de hoje partiu para a Zâmbia onde assumiu a missão de Diretor das Obras Missionárias Pontifícias da Arquidiocese de Lusaka: “Foi um trabalho maravilhoso. Especialmente o trabalho com a Infância Missionária e seus animadores. Ali, apesar das dificuldades que enfrentámos, senti que partilhámos o Evangelho da Alegria e da Esperança.” Hoje, recorda-nos com especial carinho e saudade o momento da sua despedida onde teve um encontro com mais de 3000 crianças! É com igual emoção que recorda um mo- mento muito recente vivido já em Portugal. Na passada semana, durante a Peregrinação Internacional Aniversária de Outubro em Fátima, o Pe. Carlos Alberto teve oportunidade de receber e acompanhar uma peregrinação de 28 pessoas que vieram da Zâmbia até este santuário mariano. Foi uma oportunidade de “retribuir o espírito hospitaleiro com que também fui recebido”. Em Fátima, puderam “celebrar a missão que é ir e vir, partilha de fé e de dons de amizade, comunhão e fraternidade”. “Todas as obras de Deus nascem e crescem aos pés da Cruz” Esta frase de D. Daniel Comboni é para o Pe. Carlos Alberto uma síntese do seu tempo de missão. É junto à Cruz que este missionário encontra a fonte da sua ação e dos seus projetos. “Nem sempre é fácil ‘parar’, com tanto para fazer... perco-me no caminho”. Mas é precisamente “parando junto à Cruz” que este missionário recorda o sentido da sua missão, da sua vocação. Três rostos vivos do Evangelho O Pe. Carlos Alberto recorda-nos, do seu percurso de vida, três pessoas que o marcaram na sua caminhada humana e cristã. Durante o tempo que esteve em Londres conheceu o casal Richard e Mónica Menten. Quando regressou a Londres, já como padre, acompanhou os momentos finais da doença terminal de Richard. Mais tarde, já quando esta- va na Zâmbia, recebeu um telefonema de Mónica: “Estou a pensar vender uma casa para vos ajudar a cuidar dos órfãos de que me tens falado. Eu não tive filhos porque assim foi a vontade de Deus. Agora quero ajudar essas crianças que já não têm pais.” Ainda hoje esse dinheiro continua a ser fundamental para ajudar muitos órfãos que vivem em pobreza extrema. Outro rosto marcante na vida do Pe. Carlos Alberto, foi o do pequeno David, uma criança de 9 anos, sempre alegre e bem-disposta que passava todos os dias pelo portão do seminário em Balaka, no Malawi. “Estranhamente não o vi durante uma semana. No domingo seguinte, quando regressava da missa numa aldeia, alguém da família me disse que o David tinha morrido. Não queria acreditar. Disseram-me que tinha tido uma insuficiência urinária. A mãe dele disse-me: ‘O David bem disse: ide chamar o Pe. Carlos que eu já fico bom’. Senti um arrepio no coração...” Um outro rosto que continua a marcar o percurso de vida do Pe. Carlos Alberto é o de Amai Rosália, uma “velhina que nunca falta à missa e todos os dias reza pelos missionários e missionárias que partiram para outras terras.” No dia em que o Pe. Carlos se despediu da comunidade, ela aproximou-se do altar e disse-lhe: “Tu agora vais para junto dos teus irmãos em Portugal. Diz-lhes que rezem por nós e nós também rezamos por eles”. O regresso a Portugal Em Agosto de 2012, o Pe. Carlos Alberto chegou ao Patriarcado de Lisboa e, desde então, tem procurado acompanhar vocacionalmente os jovens que desejam conhecer melhor a comunidade comboniana. Domingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org o8/ Especial Padre Daniel Comboni é santo desde há dez anos “Trazer África para o coração da Igreja” Em 5 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II canonizou Daniel Comboni, padre missionário, fundador da Família Comboniana. Uma família missionária que está presente em Lisboa e que na sua missão tem procurado valorizar o povo africano pelas suas próprias capacidades. texto por Nuno Rosário Fernandes, com Diogo Paiva Brandão; fotos por Diogo Paiva Brandão e Missionários Combonianos O padre Daniel Comboni “foi um homem de visão. Alguém que teve uma visão muito grande”, destaca ao Jornal VOZ DA VERDADE o provincial dos Missionários Combonianos em Portugal, padre Alberto Silva, referindo-se ao fundador do Instituto que serve e das Irmãs Missionárias Combonianas. Nascido em Limone Sul Garda, Itália, em 15 de março de 1831, Daniel Comboni sente, desde criança, o desejo de ser missionário. Aos 18 anos, enquanto aluno do colégio do padre Nicolau Mazza, que acolhia as crianças pobres para que pudessem continuar os seus estudos, ouviu o testemunho de um sacerdote missionário em África que falava de regiões onde os povos morriam de fome, doenças e por causa do comércio de escravos. Sentindo-se interpelado, Daniel Comboni decide consagrar a sua vida à evangelização do continente africano. Em setembro de 1857, com 26 anos de idade, já padre, parte para a África com mais cinco companheiros. De 1862 a 1864, Comboni vive dois anos decisivos. Percorre a Itália e vários países da Europa com a finalidade de envolver os cristãos europeus na tarefa de evangelização da África. Estabelece contactos, recolhe fundos, procura colaboradores, acolhe ideias para elaborar um plano. Esse plano (‘Plano para a Evangelização da África Central’) que, segundo o padre Alberto Silva, “foi escrito em 48 horas”, procurava fazer com que os missionários fossem para a África não para se instalar nela mas para criar as condições que levassem os próprios africanos a ser promotores da evangelização da África. “A ideia dele era evangelizar a África com a África. Salvar a África com a África”, acentua, sublinhando ainda que o padre Daniel Comboni “foi um missionário de terreno”. “Não alguém que funda um instituto para a África sem nunca lá ter ido. Ele viveu a partir dali e lia a própria realidade a partir de África, onde viveu e morreu”, salienta. Em 1867, para cumprir este plano que propunha, o padre Daniel Comboni funda o Instituto para as Missões Africanas, e em 1872 as Pias Mães da Nigricia, hoje designados por Missionários Combonianos do Coração de Jesus e Irmãs Missionárias Combonianas, respetivamente. Uma obra que não morrerá No ano de 1877, o padre Daniel Comboni foi nomeado Bispo da África Central e, segundo os seus biógrafos, no momento da tomada de posse terá afirmado: «No meio de vós, nunca deixarei de ser vosso. O dia e a noite, o sol e a chuva encontrar-me-ão sempre pronto para as vossas necessidades: o rico e o pobre, o são e o enfermo, o jovem e o velho, o patrão e o servo terão sempre acesso ao meu coração. Faço causa comum convosco e o mais feliz dos meus dias será aquele em que puder dar a vida por vós». Daniel Comboni veio a falecer a 10 de outubro de 1881, em Cartum, vítima do cansaço e das febres da época, deixando uma mensagem aos seus sucessores: “Coragem no presente, mas sobretudo no futuro. Eu morro, mas a minha obra não morrerá!”. Segundo declarações do provincial deste instituto missionário em Portugal ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre Daniel Comboni “era uma figura muito rica humanamente e espiritualmente” e “sempre foi um homem muito aberto”. Na sua missão procurava entusiasmar outros para a necessidade de olhar para aquele continente. “Vinha com frequência à Europa para animar. Vinha da África dar testemunho, falar da missão, animar a Igreja. Porque naquele tempo a África estava completamente escondida e ele queria pôr a pérola negra na coroa da Igreja”, frisa o padre Alberto Silva, provincial desde há seis anos, referindo que o padre Daniel Comboni “atraiu a atenção de pessoas na Europa e na própria Igreja”. “Ele vivia para a África. Era um homem de uma visão e de uma paixão muito forte”, acentua. Inspiração carismática Na base do carisma fundacional deixado pelo padre Daniel Comboni está a espi- ritualidade do Sagrado Coração de Jesus que, segundo o responsável da Província Portuguesa dos Combonianos, “é típica deste tempo”. “Nós temos essa espiritualidade muito forte”, observa. E conta: “O padre Daniel Comboni andava à procura de formas para conseguir fazer penetrar o Evangelho nestes países. Mas a nossa presença naquele tempo era muito difícil. Teve, então, a inspiração na altura em que se preparava para o Tríduo de Santa Margarida Maria Alacoque. Encontrou o Coração de Jesus como aquela fonte donde dimana a força e a vida para a regeneração da África. Foi inspiração carismática”, sublinha. Segundo o provincial dos Combonianos, para o padre Daniel Comboni, canonizado pelo Papa João Paulo II em 5 de outubro de 2003, “o aspeto do laicado era muito importante”, e a primeira ideia de fundação não previa um instituto religioso. “Inicialmente não era sua intenção fundar um instituto. A visão dele era alertar para a consciência de toda a Igreja de que era preciso anunciar o Evangelho e trazer África para o coração da Igreja”. Para isso, refere, “tentou várias formas e o sentido de colaboração que está nos Combonianos está também nas origens”. Deste modo, o padre Daniel Comboni fundou os missionários combonianos e as irmãs missionárias, mas “os leigos também estavam presentes”. “Tinha pensado numa família missionária que vivia em cenáculos, comunidades, de onde irradiaram raios para o centro de África. Construiu obras de educação em África para serem eles os protagonistas do próprio desenvolvimento”, explica o padre Alberto Silva. Amor sem medida “O padre Daniel Comboni atraiu a atenção de pessoas na Europa e na própria Igreja”, diz o provincial dos Combonianos em Portugal, padre Alberto Silva Diante do testemunho deste santo que foi, também, o primeiro Bispo da África Central, os combonianos sentem-se, hoje, interpelados. “Ele inquieta-nos com Especial /09 www.youtube.com/jornalw Missionários Combonianos na internet Veja os vídeos da VOZ DA VERDADE no canal do YouTube da Voz da Verdade, em www.youtube.com/jornalw essa paixão e atenção à realidade e a entrega total que teve, como alguém que se dá completamente, dá a sua vida aos africanos em excessivo amor sem medida”. Dez anos passados da canonização, depois de reconhecido o milagre operado por sua intercessão em favor de uma mãe muçulmana do Sudão, Lubna Abdel Aziz, a figura de São Daniel Comboni “obriga a olhar para as origens, para as raízes e cuidar delas”, recorda o padre Alberto Silva. Por outro lado, considera que há a partilha de “uma grande riqueza”. “Já não é algo nosso, mas a missão é para a Igreja universal. Quem vive deste manancial acaba por enriquecer o próprio carisma e todo o laicado, toda a Igreja pode viver a missão comboniana. Deixou de ser nosso mas enriquece a própria família”, reconhece. Sobre o milagre que levou à canonização, o padre Alberto justifica: “O milagre que levou à canonização foi a cura de uma muçulmana, e isso é típico de um missionário. A sua ação vai para além das fronteiras da Igreja. Deus está onde o povo está”. Missão em Portugal Na família comboniana há, em todo o mundo, cerca de 4000 membros, entre padres, irmãos e irmãs. O que, para o provincial em Portugal, “é pouco”. Em Portugal estão presentes nas dioceses de www.combonianos.pt Compartir a dimensão missionária A aposta nos mais jovens é um desafio que também foi possível pela chegada de novos membros. “Em Lisboa, com a vinda de dois novos membros portugueses, quis dar-se um novo ímpeto à pastoral juvenil e vocacional”, salienta o padre Alberto, referindo o JIM (Jovens In Missio) como dinâmica, de cariz também paroquial, onde têm apostado. “Tem como visão não tirar os jovens da paróquia mas fazer com que os grupos possam ter esse fermento e cariz missionário. Tem um programa de pastoral que se vai fazendo dentro da própria vida paroquial e assim comparte-se a dimensão missionária”, refere. Os missionários combonianos vão, ainda, procurando fazer a animação missionária, “investindo na formação de leigos” com cursos de formação e espiritualidade missionária, e têm ainda grupos de oração missionaria. Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Santarém e Lisboa, onde têm comunidades paroquiais entregues em Camarate e Apelação. Esta nova experiência de paróquia, que se repete também em Calvão, na Diocese de Aveiro, “tem a ver com o caminho que a própria Província tem vindo a fazer”, explica o padre provincial ao Jornal VOZ DA VERDADE. “As seis comunidades em todo o país procuravam fazer animação missionária e formar; preparar missionários para a África. Eram casas que funcionavam para fecundar e dar força ao trabalho missionário. Hoje continua essa urgência, mas enquanto aqui estamos é necessário responder às necessidades locais”, salienta o sacerdote religioso. Por outro lado, aponta: “Neste momento estamos com poucas vocações, os seminários estão desertos e também aí o laicado adquire um valor importante”. Por detrás destas comunidades paroquiais, onde agora os combonianos também marcam presença, está uma perspetiva de “presença multiministerial”. “A comunidade [canónica] é de três, um dos quais é irmão”, destaca. Quanto ao lado feminino, a existência das irmãs combonianas vem manifestar “que a mulher situada e contextualizada pode ajudar” na Igreja. Em Fetais, que é um lugar da paróquia de Camarate, as religiosas missionárias “têm uma presença muito interessante”, comenta, apresentando o exemplo do projeto ’Despertar’ que é de “atenção às crianças de rua, onde são apoiadas cerca de 30 crianças”. “São respostas simples que vamos dando com rosto humano e simplicidade”, garante. Também neste projeto estão presentes os voluntários que colaboram com a família comboniana. “Do outro lado da rua também há ocasião para ser missionário”, adverte o padre Alberto Silva sublinhando que “não é preciso ir para fora para ser missionário”. “Ser missionário é um modo de estar! Já não é simplesmente uma geografia”, frisa. Media para a Missão Em Portugal, os Missionários Combonianos tem três meios de comunicação com os quais procuram divulgar as suas atividades e dar voz a África. A revista missionaria ‘Além Mar’, a revista juvenil ‘Audácia’ e a folha ‘Família Comboniana’ fazem parte de uma das “grandes vertentes da ação missionária” dos combonianos. “O campo dos media foi sempre utilizado desde o tempo do fundador”, refere o padre provincial referindo os objetivos das publicações. “Formação e informação. Informação do que se passa noutras igrejas e proximidade de culturas, procurando ser e fazer opinião. Que África tenha voz! Dar voz a eles mesmos, fazê-los protagonistas”, esclarece. Domingo, 20 de outubro de 2013 www.fundacao-ais.pt 10/ Igreja no Mundo “A história da Ajuda à Igreja que Sofre comprova que hoje, como ontem, a fé pode mover montanhas” Islândia: uma Igreja que cresce e precisa de ajuda “O amor é contagioso” De muito rico a país falido. A Islândia viveu, nos últimos anos, um pesadelo que parecia impensável para uma das nações mais prósperas do mundo. Mas, quando a crise se abateu, depressa todos perceberam que havia muita coisa a mudar. E não era apenas a nível do Governo ou da economia… “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe”, diz o povo. A história recente da Islândia dá plena actualidade a este provérbio. O país passou por uma provação de alguma forma semelhante à portuguesa. Em 2008, contrariando tudo o que seria expectável, a Islândia foi atingida por uma profunda crise financeira. A falência do gigantesco banco americano Lehman Brothers, em Setembro de 2008, foi o começo do desmoronar de uma das economias aparentemente mais sólidas do mundo. Como os negócios da banca ocorrem essencialmente nos mercados internacionais, a queda em desgraça do Lehman Brothers arrastou para o desastre os três maiores bancos islandeses e o país, no final desse ano, entrou em falência. tro em Reiquiavique, todos procuraram fazer-lhes ver que era insensato. Por certo haveria lugares no mundo onde seria mais necessário o seu abnegado trabalho em favor dos mais pobres. E repetiram a expressão vezes sem conta: não havia pobres no país. Mas elas insistiram e alugaram uma pequena casa começando por oferecer refeições aos mais necessitados. Hoje, mais de setenta pessoas dirigem-se todos os dias à modesta casa arrendada pelas Irmãs da Caridade para comer. E não havia pobres no país! Igreja universal A Islândia mudou. De país cheio de si, cheio de certezas, passou a ser uma nação mais solidária, mais rigorosa também com aqueles que os governam, levando até ao banco dos réus o primeiro-ministro de então, sob a acusação de incompetência. Mas houve mais mudanças. Até ao nível da Igreja. De um total de cerca de 320 mil habitantes, apenas 10 mil são católicos, 3% da população geral. E são de muitas nacionalidades, por causa das Terra estranha Para o Bispo Pierre Bürcher, esta crise só podia ser um pesadelo. A Islândia a entrar em falência e, um ano antes, em Outubro de 2007, o Papa Bento XVI a promovê-lo de Bispo Auxiliar de Lausanne, na Suíça, a responsável pela Diocese de Reiquiavique. Ainda D. Pierre Bürcher estranhava aquela terra de vulcões e gelo, com um Inverno praticamente todo coberto de noite e um Verão em que os dias quase não conhecem ocaso, e já tinha em mãos o drama maior da aflição dos Islandeses. A crise veio mudar muita coisa. Onde antes havia abundância, onde a palavra “desemprego” era quase inexistente, de súbito tudo se alterou. As certezas deram lugar às mais perplexas interrogações: como era possível? Antes da crise, na Islândia ninguém temia o futuro. De tal maneira que, há alguns anos, quando as Missionárias da Caridade, ordem fundada por Madre Teresa de Calcutá, decidiram abrir um pequeno cen- Desde que a crise bateu à porta da Islândia a comunidade católica quase que triplicou e o Bispo de Reiquiavique, D. Pierre Bürcher, não tem mãos a medir Não havia pobres na Islândia, mas agora, mais de setenta pessoas dirigem-se todos os dias à modesta casa das Irmãs da Caridade para comer comunidades migrantes que se estabeleceram no país, oriundas da Polónia, Filipinas, até de Portugal. “É uma Igreja Católica no seu verdadeiro sentido. É uma Igreja universal”, diz o Bispo Bürcher. São poucos, mas a comunidade católica quase que triplicou desde que a crise bateu à porta da Islândia e o Bispo de Reiquiavique não tem mãos a medir. Com ele trabalham mais 17 padres. Pode parecer um número mais do que suficiente, mas é apenas mera ilusão. Dadas as longas distâncias a percorrer, por vezes o Bispo é obrigado a viajar de avioneta para administrar, por exemplo, o Sacramento da Reconciliação, pois muitas das estradas estão intransitáveis de Inverno. Os Católicos são poucos e estão muitas vezes isolados enquanto comunidade. Por não ser possível fazê-lo presencialmente, a maior parte das crianças só conseguem ter aulas de catequese através da Internet. Mas o futuro mostra-se radioso. “Depois da tempestade vem a bonança” costuma também dizer o povo. A crise económica que se abateu sobre a Islândia veio demostrar que tudo se pode desmoronar de um dia para o outro e que mais importante do que as riquezas acumuladas nos bancos são os sentimentos de afecto, solidariedade e compaixão, que nunca se desvalorizarão, nem entrarão em falência, e que são gratuitos. “O amor é contagioso”, costuma dizer o Bispo Pierre Bürcher. E tem toda a razão! www.fundacao-ais.pt | 217 544 000 com Aura Miguel Jornalista da Rádio Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão A uma janela de Roma /11 “Maria leva-nos sempre a Jesus” O Papa consagrou o mundo a Nossa Senhora, durante a Jornada Mariana em Roma com a presença da Imagem original da Capelinha das Aparições. Vaticano tem novo Secretário de Estado e o Papa falou de nova evangelização. 1. 1. O Papa Francisco consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria, na presença da Imagem de Nossa Senhora de Fátima (ver caixa). Foi no final da Missa do passado Domingo, dia 13 de outubro, perante de cerca de 300 mil pessoas que não couberam na Praça de São Pedro, em Roma. Um momento que o Patriarca de Lisboa considera ser especial para Portugal. “Ficamos muito contentes como católicos e como portugueses, porque isto passa por nós, por aquilo que é o Catolicismo português e o que oferece à Igreja Universal concretamente através de Fátima, que antes de mais Nossa Senhora nos quis oferecer”, referiu D. Manuel Clemente, em declarações à Renascença, salientando que no Ano da Fé a mensagem de Fátima ganha nova relevância. “É motivo de contentamento e regozijo e tudo isto se insere e ganha relevo no Ano da Fé, que tem esta componente mariana fortíssima, e depois com tudo aquilo que a própria mensagem de Fátima nos transmite de conversão ao Evangelho, e uma vida mais conforme aos mesmos ditames evangélicos. É essa a mensagem de Fátima e se ela é sempre importante, no tempo que vivemos, quer em Portugal quer no mundo, é muito particularmente importante”, considera o Patriarca de Lisboa. 2. Na celebração de Domingo, o Papa considerou que Nossa Senhora é, para a Igreja, um exemplo, pela sua disposição sempre pronta a acolher as surpresas de Deus e a manter-se fiel. “Maria disse o seu ‘sim’ a Deus, um ‘sim’ que transtornou a sua vida humilde de Nazaré, mas não foi o único; antes, foi apenas o primeiro de muitos ‘sins’ pronunciados no seu coração tanto nos momentos felizes, como nos dolorosos… 2. muitos ‘sins’ que culminaram no ‘sim’ ao pé da Cruz. Estão aqui hoje muitas mães; pensai até onde chegou a fidelidade de Maria a Deus: ver o seu único Filho na Cruz”. A presença em Roma da Imagem venerada na Capelinha das Aparições, em Fátima, foi o ponto alto da Jornada Mariana do Ano da Fé, organizada pelo Conselho Pontifício para a promoção da Nova Evangelização. No sábado, dia 12, Francisco conduziu uma catequese mariana, em plena Praça de São Pedro repleta de fiéis que acenavam com lenços brancos e entoavam o cântico do 13 de maio. “Reunimo-nos aqui, neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Mãe de Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a sua presença no meio de nós. Maria leva-nos sempre a Jesus”. O Papa esperou Nossa Senhora de Fátima na Praça de São Pedro, recebeu-a com um beijo e ofereceu um Terço antes de rezar junto à Imagem. Antes, a Imagem de Nossa Senhora de Fátima passou pela residência do Papa Emérito Bento XVI, em procissão que se prolongou até à Casa de Santa Marta onde vive o Papa Francisco. 3. O cardeal Tarcisio Bertone abandonou esta terça-feira o cargo de Secretário de Estado do Vaticano, sendo substituído pelo diplomata monsenhor Pietro Parolin, de 58 anos. Razões de saúde impediram Parolin de estar presente no Vaticano, para assumir o cargo. Foi o próprio Papa explicou que o novo Secretário de Estado teve de se submeter a uma pequena intervenção cirúrgica e por isso estará ausente durante as próximas semanas. Durante os sete anos de governo no Vaticano, o cardeal Bertone (quase com 79 anos e 3. que trabalhou com Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé) foi alvo de duras críticas, quer pelo facto de não ter experiência nem formação diplomática, quer pelo seu nome surgir nos documentos roubados, no chamado dossier Vatileaks. Pelo contrário, monsenhor Pietro Parolin, até agora Núncio Apostólico na Venezuela, tem uma vasta experiência diplomática, não só na América Latina, mas também na Ásia. O Papa deixou elogios à “lealdade” do Secretário de Estado cessante e à sua “coragem” face às adversidades. 4. O Papa Francisco defendeu, esta segunda-feira, que o centro da nova evangelização deve ser o encontro com Cristo e 4. com a sua misericórdia. Numa intervenção perante a assembleia plenária do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, em Roma, Francisco mostrou-se ciente dos desafios colocados à Igreja nestes tempos marcados pela aparente irrelevância da fé, mas disse ser necessário centrar a mensagem da Igreja no essencial, que é o encontro com Cristo e com a sua misericórdia. “A indiferença para com Deus e irrelevância da fé são marcas do nosso tempo”, recordou. Assim, a nova evangelização deve despertar a vida da fé no coração e na inteligência do homem contemporâneo. Francisco reconhece que a tarefa é complicada, porque o mais importante não são os discursos, mas sim o testemunho de vida. Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Nossa Senhora Oração do Santo Padre* Bem-aventurada Virgem Maria de Fátima, com renovada gratidão pela tua presença materna, unimos a nossa voz à de todas as gerações que te chamam bem-aventurada. Em ti celebramos as grandes obras de Deus, que nunca se cansa de se inclinar com misericórdia sobre a humanidade, aflita pelo mal e ferida pelo pecado, para a curar e salvar. Acolhe com benevolência de Mãe o ato de entrega que hoje fazemos com confiança, diante desta tua imagem, para nós tão querida. Estamos certos que cada um de nós é precioso aos teus olhos e que nada do que habita nos nossos corações te é estranho. Deixamo-nos alcançar pelo teu olhar tão doce e recebemos a consoladora carícia do teu sorriso. Cuida da nossa vida entre os teus braços; abençoa-nos e reforça todo o desejo de bem; reaviva e alimenta a fé; sustém-nos e ilumina a esperança; suscita e anima a caridade; guia-nos a todos no caminho da santidade. Ensina-nos o teu próprio amor de predileção pelos pequenos e pobres, pelos excluídos e pelos que sofrem, pelos pecadores e os de coração perdido: reúne-os a todos sob a tua proteção, e a todos entrega ao teu dileto Filho, o Senhor Nosso Jesus. Amén * tradução do original italiano do Jornal VOZ DA VERDADE Domingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org 12/ Juventude O Serviço da Juventude na internet Visita-nos em www.juventude.patriarcado-lisboa.pt Formação de animadores Quais os desafios para o futuro? No fim de mais um ciclo de formação de animadores, o Serviço da Juventude procurou saber qual o legado desta caminhada e quais os principais desafios para os jovens formados. É curioso ver como Deus se manifesta sempre de variadas maneiras. E comigo não foi diferente. No início quando me convidaram a fazer este caminho de 3 anos, confesso que me senti incomodada e talvez até renitente em aceitar mas à medida que o nosso encontro com Deus acontece, ao longo da caminhada, ficamos mais enamorados por Ele, o que traz com isso uma responsabilidade enorme de testemunhar o amor que Ele oferece a cada um de nós. E esta é, sem qualquer dúvida, um grande desafio que é colocado a uma jovem de 22 anos. Mas o desafio não acabou aqui. Este “sim” que eu dei, trouxe com ele uma série de coisas maravilhosas. O sentimento de pertença a Diocese de Lisboa, a amizade com pessoas que eu até então desconhecia completamente, o encontro com cada um daqueles que comigo quiseram partilhar esta experiência da Igreja de Cristo. Este ano, com o término da formação de animadores, os desafios que se colocam são outros. Toda esta experiência de três anos com um grupo, tem de ser levado a cada Paróquia. Não podemos continuar como Pedro, Tiago e João ao subir ao Monte Tabor, que queriam permanecer ali porque se sentiam confortáveis. Pelo contrário, o desafio que nos é colocado é de descermos do Monte, para que possamos, cá em baixo, contar as maravilhas de Deus àqueles que ainda não O conhecem. Este testemunho só será possível se aderirmos realmente a Cristo, se o colocarmos sempre em primeiro lugar em todas as escolhas das nossas vidas. E é este o verdadeiro compromisso com Jesus. Deus chama-nos todos os dias a amar o outro. Como posso eu não amar o outro quando eu sei que Deus me ama tanto ao ponto de entregar o Seu Filho Unigénito para me salvar? Não posso. Portanto, só me resta olhar para o outro com o mesmo carinho com que Deus olha para mim. Esta responsabilidade advém do compromisso e da adesão a Cristo. Quanto mais O conheço, mais eu quero anunciar a Boa-Nova. Outro desafio que nos é colocado, e que não poderia deixar de referir, é o Serviço. Este desafio é deveras complicado. Costumo dizer que é o desafio da disponibilidade, não só a de tempo mas, antes de tudo o resto, a disponibilidade do coração. E este é um desafio altruísta, sairmos da nossa zona de conforto para nos colocarmos ao serviço daquele que precisa de nós. E é tão bonito ver a transformação daquele que serve o outro, tal como aconteceu com os discípulos no Lava-pés. Para terminar, gostaria de referir um último desafio que penso ser importante. O desafio de deixarmo-nos ser cuidados por Deus, através da oração. Deus não nos dá soluções mágicas, mas acreditem que “tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis”. Um grande bem-haja a todos os meus amigos da Formação de Animadores 2010/2013, incluindo os nossos queridos formadores. Que a Luz de Cristo vos ilumine sempre! Daniela Rodrigues Paróquia da Amadora O que é a formação de animadores? É uma oportunidade de aprofundar a ligação a Cristo, à Igreja e à Diocese, na sua diversidade de experiências, de pessoas, grupos e de movimentos. Todos os anos o Serviço da Juventude disponibiliza uma formação para aqueles que são ou virão a ser animadores de grupos de jovens. Trata-se de uma caminhada em grupo composta por três encontros anuais num ciclo de três anos. Juventude /13 Vê ou revê na íntegra o XVIII Festival da Canção Cristã Acessível no canal do Patriarcado de Lisboa no YouTube, em www.youtube.com/patriarcadolx Redes Sociais na JMJ Rio2013 Um desafio para todos nós A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (Rm 10,9). Se tivermos esta intenção missionária no nosso trabalho pastoral seremos anunciadores do evangelho, num espaço que não tem fronteiras porque o evangelho é para todos. Isto significa abrirmo-nos também a uma nova realidade bem presente nos dias de hoje, em particular entre o público mais jovem. A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro foi um bom exemplo do que a Igreja pode fazer ao aproveitar as oportunidades oferecidas pelas redes sociais sem se comprometer com os seus efeitos mais negativos. Estar presente nesta «dimensão existencial da comunicação» é responder ao apelo de Jesus Cristo no Evangelho: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28, 19). Para a equipa de comunicação da JMJ, da qual fiz parte, inicialmente o grande desafio passou por ter uma identidade visual cuidada, promovendo uma forma de comunicação credível e ao mesmo tempo próxima do público. Houve depois a necessidade de divulgar informação generalista relacionada com a JMJ, promover campanhas, divulgar conteúdos de reflexão partindo de textos bíblicos ou frases do Papa e cuidar do diálogo entre o peregrino e a organização, respondendo às dúvidas. Os conteúdos destinaram-se a um público global e tornaram as redes num espaço de encontro e formação para os peregrinos e também para todos aqueles que, impossibilitados de viajar, puderam fazer um caminho espiritual muito pró- ximo. Contámos com uma colaboração de mais de 120 voluntários em todo o mundo que, através de uma plataforma online, asseguraram a tradução e publicação da informação nos 21 idiomas e nas mais diversas redes sociais, tais como o Facebook, Twitter, Youtube, Flickr, Tumblr, Ask.fm, Formspring e Google+. Durante a semana de realização da JMJ Rio2013 o trabalho nas redes sociais era feito em tempo real, dando destaque às frases do Papa e a todos os acontecimentos diários que tinham lugar. Para o sucesso da comunicação da Jornada Mundial da Juventude foi importante o alcance da informação, não só para os 3,7 milhões de peregrinos que estiveram em Copacabana mas também para as dezenas de milhões de pessoas que receberam, através destas novas plataformas, a mensagem de Jesus Cristo. Estes exemplos vêm confirmar a importância de nós, Cristãos, estarmos também presentes nas redes sociais, como evangelizadores. É essencial levarmos a Boa-Nova de Jesus Cristo a quem frequenta estes novos espaços porque aí também encontramos desorientação, uma necessidade muito grande de afeto e até uma procura “tímida” de Jesus Cristo. Que respostas oferecemos nós a essa procura? É certo que nunca alcançaremos uma rede social livre de aspetos nocivos mas, como cristãos, temos este apelo urgente para dar respostas às inquietações das pessoas que se tornam presentes nesses ambientes. E o tempo é «hoje», porque enquanto permanecemos afastados retiramos hipóteses a muitos de conhecerem Jesus Cristo. Filipe Teixeira CALENDÁRIO 2013-2014 O Serviço da Juventude apresenta o seu calendário de atividades para o ano pastoral 2013-2014 sob o lema: “O que importa é a fé que se realiza pela caridade.” (Gal 5,6). 2013 20-22 Setembro II Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil 28 Setembro XVIII Festival Diocesano da Canção 5 Outubro EGA – Encontro Geral de Animadores 26 Outubro Conselho Diocesano da Pastoral Juvenil 9 Novembro XV Fórum Ecuménico Jovem (Lamego) 7 Dezembro Rezar [n]o Advento 2014 25 Janeiro Vigília Ecuménica Jovem 15 Março Rezar [n]a Quaresma 13 Abril XXIX Dia Mundial da Juventude 3-4 Maio Fátima Jovem 18 Maio XI Jornada Diocesana da Juventude 07 Junho Vigília de Pentecostes 14 Junho Conselho Diocesano da Pastoral Juvenil 27 Setembro XIX Festival Diocesano da Canção E ainda... FORMAÇÃO DE ANIMADORES Novo ciclo da FA (2013-2016). Para mais informações consulta o nosso site. ITINERÁRIO JUVENIL Guia para três anos de encontros de grupos de jovens (pós-Crisma). Poderás adquiri-lo e obter mais informações através do nosso email juventude@ patriarcado-lisboa.pt TERÇAS.COM De Outubro 2013 a Junho 2014 1ª Terça de cada mês: Vocacional rapazes (>18); 2ª Terça de cada mês: Vocacional raparigas (>18); 3ª Terça de cada mês: Namorados (>18); 4ª Terça de cada mês: Palavra ou Fé e Cultura; 5ª Terça (Outubro e Abril): Caridade e Serviço Descarrega também o calendário em www.juventude.patriarcado-lisboa.pt Domingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org 14/ Domingo Twitter Voz da Verdade Siga-nos em www.twitter.com/vozverdade SUGESTÃO CULTURAL À PROCURA DA PALAVRA Um caminho sob o olhar de Maria DOMINGO XIX COMUM Ano C “E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite…?” Lc 18, 7 Sem desfalecer Há alguns anos um anúncio publicitário elogiava a duração de determinadas pilhas com um coelhito a tocar bateria, que no meio de outros láparos com o mesmo instrumento, se mantinha activo enquanto todos iam desistindo por falta de energia. “E dura, e dura, e dura…” era o slogan que ficava no ouvido. É curioso como em tantas coisas da vida, e algumas a que chamamos importantes, o comum é gastar-se a energia com o tempo, perder-se o encanto e o entusiasmo inicial. O certo é que é preciso recarregar as “pilhas”, renovar os compromissos, apontar para o essencial e assumir que há causas que não se podem abandonar, sob o risco de perdermos o mais importante. É aí que, como diz o meu amigo padre e desenhador José Luís Cortés, que os amigos são importantes: “As pilhas recarregam-se com uma “pilha” de amigos”! “Orar sem desfalecer” é um tema muito querido a São Lucas que o refere várias vezes. Mas a parábola de Jesus que hoje nos oferece aponta, sobretudo, a fome pelo P. Vítor Gonçalves e sede de justiça que uma viúva (pobre ente os mais pobres) não se cansa de pedir a um juíz (“que não temia a Deus nem respeitava os homens”). E o tema da justiça é repetido quatro vezes no pequeníssimo relato. Não é um manual de oração o que Jesus oferece. Bem diferente de várias publicações “pseudo-religiosas”, que circulam pelos escaparates ou na internet, com orações para todas as circunstâncias, Jesus ensina a clamar pela justiça, a sintonizar com Deus por um projecto mais digno de sociedade. A oração de súplica encontra paralelo no clamor dos pobres, na perseverança em favor de quem é oprimido, e essa é uma causa que nenhum cristão pode abandonar. Daí que toda a oração tenha uma componente de transformação: da realidade, que desejamos mais justa e mais coerente com o próprio desejo de Deus; e de quem reza, que ao abrir-se a Deus reorienta as suas prioridades segundo o critério substancial do amor. Dizia o filósofo Platão: “Não há vento favorável para aquele que não sabe para onde vai”, e assim acontece para muitas realidades da sociedade, e também para quem faz da oração um auto-consolo ou uma alienação das responsabilidades, em vez de um diálogo que abre caminhos. A perseverança é uma virtude que se cultiva. Muito diferente do fanatismo ou da intolerância, defeitos que endurecem e atrofiam o coração e a mente, a perseverança tem a sua força nas motivações. E quando o valor maior é a felicidade dos outros vale a pena lutar por ela. Revestida de sabedoria, apresentando objectivos realizáveis, e reconhecendo os pequenos progressos, ela lembra-nos que “o muito é sempre feito de pequenos poucos” ( J.Luís Cortés). Nestes dias de grande sofrimento económico e social é duro constatar que a perseverança parece ser exclusivamente da austeridade. Em que justiça poderemos encontrar motivações? Que perseverança nos é pedida? Que fé quer o Filho do Homem encontrar quando voltar, se não uma fé como a da viúva, comprometida na justiça e na verdade? O Carmelo de Coimbra publicou a obra ‘Um caminho sob o olhar de Maria’, que apresenta a biografia completa da Irmã Lúcia. O livro mostra como se desenrolou a vida daquela que viu, falou e privou, de muito perto, com a Senhora mais brilhante que o sol, e revela vários aspetos e acontecimentos da sua vida, desconhecidos até ao presente, documentados pelos seus escritos pessoais, tendo como base aquilo que ela própria narrou da sua vida. O Prefácio do livro é da autoria de D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, que se refere à Irmã Lúcia como “a criança abençoada e escolhida para difundir no mundo a mensagem de paz e salvação de Deus”. Publicado pelas Edições Carmelo, ‘Um caminho sob o olhar de Maria’ conta, ainda, com uma fotobiografia que acompanha o desenrolar dos capítulos que narram a vida da Irmã Lúcia. DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM – ANO C (27 de outubro) CÂNTICO DEPARTAMENTO DE LITURGIA DO PATRIARCADO DE LISBOA COMPOSITOR FONTE USO LITÚRGICO Alegre-se o coração M. Simões CEC II 134 Entrada Tende piedade de mim, Senhor A. Oliveira CPD 521 Apresentação dos Dons Quando Vos invoco sempre me atendeis M. Luís SR 308 A. Dons / Pós Comunhão Quem se exalta será humilhado F. Santos CP2 277 A. Dons O Senhor alimenta F. Silva NCT 267 Comunhão Jesus Cristo amou-nos M. Luís CAC 203 Comunhão / Pós Comunhão Cantarei ao Senhor um cântico novo F. Silva NCT 212 Final SIGLAS | CAC – MANUEL LUÍS, Cânticos da Assembleia Cristã, Secretariado Nacional de Liturgia | CEC – Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I-II, Secretariado Nacional de Liturgia | CP – FERREIRA DOS SANTOS, Canto Perene, Secretariado Diocesano de Liturgia Porto | CPD – Canta Povo de Deus, Santuário de Fátima | NCT – Novo Cantemos Todos, Editorial Missões | SR – MANUEL LUÍS, Salmos Responsoriais Opinião /15 Facebook Jornal Voz da Verdade www.facebook.com/vozdaverdade Francisco, os publicanos e os fariseus reformar a doutrina, nem a moral católica, que permanecem incólumes e que devem ser aferidas pelos textos oficiais, como são o Catecismo da Igreja Católica, as encíclicas, os documentos conciliares, as instruções dos dicastérios romanos, etc. Portanto, do ponto de vista doutrinal, nada de novo na Igreja Católica. Outra é a questão pastoral do acolhimento a dispensar aos fiéis e aos não crentes que se encontram em situações especiais. Receber, com delicadeza e afecto, um doente, não é sinónimo de condescendência com o seu mal: pelo contrário, o amor ao enfermo obriga até a combater a sua enfermidade, mas não de tal forma que, debelando-se o mal, venha o paciente a morrer da cura. Para um profissional da saúde, chamado a atender as pessoas que se envolveram numa rixa, a questão da culpa não se põe: todos são, por igual, pacientes e todos merecem a mesma solicitude clínica. O juiz determinará depois, se necessário, a responsabilidade criminal dos intervenientes, mas uma tal inquirição está obviamente para além do acto médico. O Papa Francisco, cuja índole pastoral predomina sobre a doutrinal ou a meramente disciplinar, quis recordar que a Igreja e os seus ministros devem ser, sobretudo e principalmente, não juízes mas pastores, não polícias da fé e dos bons costumes, mas agentes da misericórdia divina, médicos das almas todas, pais e irmãos de todas as pessoas. Se, depois desse acolhimento inicial, que a todos deve ser dispensado, se gerar uma dinâmica de conversão pessoal, fará sentido o oportuno esclarecimento doutrinal, como introdução aos sacramentos da iniciação cristã, ou da cura. O catecúmeno será, então, informado sobre as exigências morais fundamentais que comporta a vida cristã e a que se obriga pelo santo baptismo. Por sua vez, o já cristão em processo de reaproximação à Igreja deverá, para esse efeito, recorrer à confissão sacramental e, nessa sede, o sacerdote não poderá deixar de ajuizar, de forma congruente com a doutrina cristã, os actos de que espontaneamente se acuse o crente, exortando-o à prática da vida cristã, sob pena de não poder ainda receber a desejada absolvição. Mas, antes desse momento sacramental, quer por via do baptismo, quer por via da reconciliação e penitência, há certamente, para muitas pessoas, um longo caminho a percorrer. É para esse penoso percurso que o Papa Francisco quer oferecer o seu bor- dão de bom pastor e a solicitude misericordiosa da Igreja a que preside na caridade. Quando o Cardeal Bergoglio aceitou a sua eleição como sucessor de Pedro, escolheu para si mesmo o nome de Francisco. Fê-lo em nome dos pobres e com a consciência de que esse nome era, para a Igreja e para o mundo, um desafio e uma provocação. Também o poverello de Assis o foi no seu tempo, pelo seu desprezo das riquezas e pela originalidade escandalosa do seu exemplo mendicante e da sua pregação. O Papa Francisco incomoda muita gente, porque não teme ir ao encontro da ovelha extraviada. Não consente no seu extravio, mas também não a enxota. Nem teme, na mais ortodoxa fidelidade à doutrina católica, as críticas dos bons, bem mais papistas do que ele. Também de Jesus os fariseus diziam que não observava o sábado e que convivia com publicanos e pecadoras… Em boa hora o Senhor o fazia, porque há mais alegria no reino dos Céus, por um pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que perseveram no bem. um acidente… É extraordinário lembramo-nos de como João XXIII, pouco antes de morrer, legou ao Concílio e ao mundo a encíclica Pacem in Terris, decisiva para animar o “Esquema XIII” (que viria a ser a constituição Gaudium et Spes), colocando os “sinais dos tempos” na ordem do dia, para abrir os horizontes de mudança, com fidelidade à mensagem de Jesus Cristo. Se não fosse essa persistência, a constituição Gaudium et Spes teria ficado pelo caminho… Infelizmente, a Pacem in Terris continua por cumprir – e deve dizer-se que o Papa Francisco repõe, na força dos nossos dias, a atualidade desse apelo lancinante. Há que tirar consequências de tudo isto. O acontecimento é nosso mestre interior. “Agora, a Igreja é um mistério, no qual o povo de Deus vem primeiro e só depois a hierarquia. E é este povo que nos interroga e nos interpela e é a ele que nos devemos dedicar”, como diz o Padre Ramón Cazallas, que acompanhou o Concílio em Roma enquanto estudante. E a luz do mundo (lumen gentium) é Cristo, sendo a Igreja o reflexo dessa luz extraordinária. Eis por que razão os cinquenta anos do Concílio Vaticano II não podem ser um revivalismo, mas sim um desafio de novas respostas. Por exemplo, não explorámos ainda plenamente o papel dos leigos e a colegialidade na Igreja. Basta lembrarmo-nos da última ceia e dos Atos dos Apóstolos. Como afirma o Cónego António Rego “o leigo tem a sua cidadania que não lhe advém do Papa nem dos bispos, mas do sacramento que recebe, que é o batismo”. Daí que a sinodalidade seja fundamental, como método e como modo de viver, de maneira que a Igreja seja fermento na massa. Este desafio não pode ser esquecido. Há pouco o Sumo Pontífice disse algo que é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista: precisamos de pensar teologicamente o papel da mulher na Igreja – uma vez que estamos ainda muito desatentos ao episódio de Marta e de Maria, sendo que o testemunho de ambas é fundamental para o presente e para o futuro. Leia-se com atenção a extraordinária entrevista dada pelo Papa às revistas da Companhia de Jesus, publicada entre nós pela Brotéria. O tema dos ritos e da diversidade é também de grande premência. Trata-se de conhecer o Evangelho e de comunica-lo aos diferentes povos, ten- do em conta a sua cultura. Tanto por fazer também aí… Devemos, no fundo, ser mais “testemunhas do que mestres” – como afirmou Paulo VI. E aqui está a dificuldade. Temos sempre a tentação de pormo-nos nas nossas tamanquinhas muito seguros de nós mesmos… E só temos a perder com isso. “Os sistemas da economia e da política devem ser reinventados porque os povos são completamente deixados de lado. Há uma crise profunda nas democracias atuais e até nos sindicatos”, insiste o Padre Ramón Cazallas. Os sinais dos tempos obrigam-nos a compreender o significado das Bem-aventuranças como exigências de agora! O Concílio foi um dom de Deus – urge compreendê-lo assim. E este diálogo permite-nos cuidar de muitas sementes que ainda estão por germinar e que temos de lançar à terra… pelo P. Gonçalo Portocarrero de Almada Anda por aí um sururu dos diabos – nunca melhor dito … – por causa da entrevista do Papa ao Padre António Spadaro, director da revista La Civiltà Cattolica. Alguns publicanos embandeiraram em arco, à conta da suposta aprovação, pelo Santo Padre, de certas atitudes que a doutrina da Igreja condena. Outros, pelo contrário, quando souberam que o Papa lamentava a obsessão de alguns por certos temas morais, escandalizaram-se, como se, depois de anos de generosa dedicação a essas causas fracturantes, agora lhes fugisse o chão debaixo dos pés. Se os primeiros se sentiram, depois de décadas de aparente exclusão eclesial, finalmente acolhidos e abençoados, os últimos, ao invés, experimentaram a amargura da contradição, como se tivessem sido traídos pelo seu bem-amado chefe e principal mentor. Não se pode minimizar uma declaração papal, mas também não se deve exagerar a sua relevância. A conversa do Papa Francisco com o jesuíta que o entrevistou não é mais do que isso e, como tal, deve ser entendida. O Santo Padre não pretendeu Dom e oportunidade por Guilherme d’Oliveira Martins Falo-vos de um livro que transcreve uma entrevista de António Marujo que corresponde a um encontro muito fecundo entre os Padres Ramón Cazallas e António Rego. Li-o com muito gosto e proveito espiritual e intelectual. Em “Quando a Igreja desceu à terra” (Lucerna, 2013) há uma atitude orientada para o futuro. Há muito por fazer. O Concílio Vaticano II deve ser entendido de forma dinâmica: “O sonho e a ousadia de João XXIII lançaram a Igreja num diálogo aberto com a modernidade”. E agora não podemos pensar este impulso como se ele se mantivesse imutável há cinquenta anos. É no tempo de hoje que temos de ouvir o Papa Francisco a fazer-nos compreender que não podemos responder às pretensões dos nossos netos com as audácias dos nossos avós, como gostava de dizer Emmanuel Mounier. “A Igreja quando fica fechada adoece e quando sai pode ser atropelada; prefiro uma Igreja atropelada a uma Igreja doente”… – diz o Papa. A metáfora significa apenas isto: temos de sair, de ir para junto das pessoas, mesmo correndo o risco de ter Domingo, 20 de outubro de 2013 www.vozdaverdade.org 16/ Última Página Agenda semanal [21 a 27 de outubro] Terça-feira, dia 22 10h00 – Reunião do clero da Vigararia de Loures-Odivelas – D. Nuno Brás 15h00 – Início da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás Quarta-feira, dia 23 15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás Quinta-feira, dia 24 9h30 – Sessão Solene e abertura das II Jornadas da Associação ‘O Companheiro’, no auditório Carlos Paredes, em Benfica – preside Patriarca de Lisboa 15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás 18h45 – Missa das Universidades, na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa – preside Patriarca de Lisboa Sexta-feira, dia 25 15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás 19h00 – Missa no Aniversário da Dedicação da Sé Patriarcal – preside Patriarca de Lisboa, concelebram Bispos Auxiliares 21h30 – Vista Pastoral a Sacavém: Encontro Vicarial com o CNE e jovens, na paróquia da Apelação – preside Patriarca de Lisboa Sábado, dia 26 9h30 – Sessão de Abertura das Jornadas das Capelanias Hospitalares, nas Irmãs Vicentinas, no Campo Grande, Lisboa – preside Patriarca de Lisboa 10h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás 12h00 – Missa na Peregrinação a Fátima do Movimento dos Cursos de Cristandade do Patriarcado de Lisboa, na Capelinha das Aparições do Santuário de Fátima – D. Joaquim Mendes 18h30 – Conferência ‘Arte e fé’, no CCB - Centro Cultural de Belém– Patriarca de Lisboa Domingo, dia 27 10h30 – Fim da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás 11h00 – Missa na paróquia da Encarnação de Mafra, por ocasião da inauguração do restauro – preside Patriarca de Lisboa 11h30 – Missa no Encerramento das Comemorações dos 200 anos do nascimento do Beato Frederico Ozanam e dos 180 anos da criação da primeira Conferência de São Vicente de Paulo em Paris, na igreja das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, no Campo Grande, em Lisboa – D. Joaquim Mendes 15h30 – Missa em Torres Vedras – preside Patriarca de Lisboa Voz da Verdade na internet www.vozdaverdade.org NA TUA PALAVRA Clareza D. Nuno Brás Afinal, a lei não passou. O Código Penal do Equador continua a defender a vida humana desde o seu início, como aliás se encontra escrito na Constituição do próprio país. Apesar disso, durante a discussão de uma nova redação do Código Penal, alguns deputados tentaram uma liberalização do aborto. O Presidente da República equatoriano, Rafael Correa, anunciou, no passado dia 10 de Outubro, que “se um grupo de pessoas muito desleais conseguir que a despenalização do aborto seja incluída no novo Código Penal, eu imediatamente apresentarei a renúncia ao meu cargo”. “Jamais aprovarei a despenalização do aborto” — afirmou ainda. Contudo, se é certo que a lei não passou — quem sabe se pelo facto de o Presidente da República ter sido assim tão claro — não deixa de ser digna de nota a posição deste político, até porque, habitualmente, não é isso que acontece, em particular nestes casos de defesa da vida. Na sua grande maioria, os políticos (pelo menos aqueles de que ouvimos mais falar, no nosso país e não só) deixam-se ir na opinião dos grupos de pressão abortistas e nas campanhas mediáticas que são promovidas, constante e insistentemente, em favor dos temas que, nesta cultura da morte, vão marcando a agenda. Têm medo da opinião pública; têm medo de perder votos nas próximas eleições, e descartam-se com a privacidade da consciência. Mais que promessas, que a grande maioria sabe que nunca poderá cumprir, deve passar antes a importar a clareza dos políticos diante dos eleitores. Sabemos que não existem seres humanos sem pecado — e, por isso, é natural que logo alguém descubra uma qualquer falta no passado de um político que fale de um modo assim claro. Mas o facto é que, hoje, a clareza diante dos eleitores deveria ser essencial, antes e depois da eleições. Este caso do Equador, é um caso raro. Não deixa de ser estranho que, pelo menos que tenha notado, nenhum meio de comunicação português tenha dado notícia! FICHA TÉCNICA Registo n.o 100277 (DGCS) - Depósito legal: 137400/99; Propriedade: Nova Terra, Empresa Editorial, Lda; Capital Social: 100.000 euros; NIF: 500881626; Editor: Nova Terra, Empresa Editorial, Lda.; Tiragem: 11.200 exemplares; Diretor: P. Nuno Rosário Fernandes; Site: www.vozdaverdade.org; Redação: Diogo Paiva Brandão ([email protected]), Nuno Rosário Fernandes ([email protected]); Colaboradores regulares: Aura Miguel, D. Nuno Brás, Margarida Vaqueiro Lopes, P. Vítor Gonçalves; Opinião: António Bagão Félix, A. Pereira Caldas, Guilherme d’Oliveira Martins, Isilda Pegado, Nuno Cardoso Dias, Padre Alexandre Palma, Padre Duarte da Cunha, Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, Padre Manuel Barbosa, Pedro Vaz Patto; Colaboração: Departamento de Liturgia, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, FEC - Fundação Fé e Cooperação, Setor de Animação Vocacional, Setor da Pastoral Familiar, Serviço da Juventude, Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, Alberto Júlio; Design Gráfico e Paginação: Moving Wide, Lda., [email protected]; Pré-impressão e impressão: Empresa do Diário do Minho, Lda. - Rua Cidade do Porto, Complexo Industrial Grundig Lote 5 Fracção A, 4700-087 Braga - [email protected] - Tel: 253303170; Direção, Administração e Redação: Mosteiro de São Vicente de Fora - Campo de Santa Clara 1100-472 Lisboa; Serviços Administrativos: Sara Nunes, de 2a a 6a feira, das 9h às 17h, Tel: 218810500, Fax: 218810555 - [email protected]. 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