Diretor: P. Nuno Rosário Fernandes
Ano 81 • Edição nº 4094
Preço: 0,40 €
Domingo, 20 de outubro de 2013
Semanário
Opinião
Dom e oportunidade
por Guilherme
d’Oliveira Martins
Nossa Senhora de Fátima no centro do mundo
Em Roma, o Papa Francisco recebeu a Imagem original da Capelinha das Aparições,
diante da qual consagrou o mundo. Em Lisboa, a Vigararia de Cascais está a receber
por estes dias a Imagem peregrina. ver págs.02-03 e 11
Pastoral Familiar quer conhecer
realidade diocesana
O Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa quer conhecer as reais necessidades das famílias
na diocese. Num comunicado enviado às paróquias do
Patriarcado, o responsável do setor, padre Rui Pedro
Trigo Carvalho, reconhece que “num tempo e numa
cultura que fragiliza tanto a família, a Igreja tem de
assumir a tarefa da pastoral familiar como uma prioridade”. Nesse sentido, está a ser realizado em toda a
diocese um inquérito às paróquias com vista à continuidade de uma aproximação deste setor diocesano da
realidade pastoral das paróquias, movimentos e vigararias. “Acreditamos que é no acolhimento mútuo, no
contacto pessoa a pessoa, família a família, que acontece a pastoral da família”, refere a carta enviada aos
párocos.
Acompanhe no Vaticano a
canonização de JPII e João XXIII
O diretor do Jornal VOZ DA VERDADE, padre
Nuno Rosário Fernandes, vai acompanhar espiritualmente a peregrinação a Roma, entre os dias 26 e 29 de
abril de 2014, para a canonização dos Papas João Paulo
II e João XXIII, que decorre a 27 de abril.
Organizada pelo semanário do Patriarcado de Lisboa,
em parceria com a Agência de Viagens GeoStar, a peregrinação tem um custo de 880 euros por pessoa, em
quarto duplo. Os lugares para a viagem são limitados,
podendo os interessados fazer a sua inscrição até ao
próximo dia 23 de outubro. Pode solicitar o programa
detalhado da peregrinação a Roma com o Jornal VOZ
DA VERDADE junto da Agência de Viagens GeoStar.
Informações e inscrições: 211572260/266/267/268 ou
[email protected]
Especial
Dar voz a África
Nos 10 anos da canonização
de São Daniel Comboni,
conheça o sonho do
fundador da Família
Comboniana:
“Trazer África para
o coração da Igreja”.
ver pág.08
Reportagem
ver pág.15
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www.vozdaverdade.org
o2/ Reportagem
Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visita Vigararia de Cascais
Visitas que tocam
A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima visita, por estes dias,
a Vigararia de Cascais. São muitos os que se querem aproximar de Cristo
através de Maria. Paróquias e instituições civis recebem a Mãe de Deus.
texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
Nossa Senhora visitou a prisão! Ao segundo dia da visita da Imagem Peregrina
de Nossa Senhora de Fátima à Vigararia
de Cascais, o Estabelecimento Prisional
de Tires (EPT) acolheu a Mãe de Deus,
na tarde da passada segunda-feira, dia 14
de outubro. Um momento que o capelão considera ter sido marcante para as
reclusas.“Para muitas destas senhoras,
Nossa Senhora é a Mãe! Para os homens
nem tanto, mas as reclusas têm uma devoção muito grande a Nossa Senhora!
Esta visita toca-lhes profundamente”,
afirma ao Jornal VOZ DA VERDADE
o padre Agostinho Brígido, justificando
o lado mariano das reclusas: “Todos os
sábados de manhã, rezamos o Terço com
estas mulheres”.
No final da visita de Nossa Senhora ao
estabelecimento prisional, que contou
com a presença de D. Joaquim Mendes,
Bispo Auxiliar de Lisboa, este sacerdote Espiritano sublinhava a presença da
Igreja nestes locais. “Procuramos incutir
nos reclusos o desejo de mudança! Uma
vida nova, o começar de novo, na certeza sempre que Deus é o Deus da misericórdia e do perdão. Sentirem a alegria de
se perceberem amadas por Deus. ‘Deus
ama-me, Deus gosta de mim!’. Se temos
esta certeza, vamos para a frente, confiando n’Ele!”, refere.
Pastoral prisional
O Estabelecimento Prisional de Tires
foi criado em 1953, com a designação de
Cadeia Central de Mulheres, e entregue
à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, por acordo celebrado com o Ministério da Justiça, que
apenas assegurava a vigilância periférica.
E assim foi até 22 de setembro de 1980,
data em que a administração se tornou
exclusivamente leiga. Situado em Tires,
concelho de Cascais, numa quinta de 34
hectares, o EPT tem uma estrutura descentralizada, sendo composto por três
pavilhões de regime fechado, um destes
com população masculina desde 2002;
dois pavilhões para alojamento de reclusas em regime aberto; um espaço terapêutico autónomo vocacionado para o
tratamento de reclusas toxicodependentes e outras com necessidades de acompanhamento individualizado; o espaço
‘Casa das Mães’, destinado a reclusas em
período de gestação e com filhos até aos
três anos; e uma creche, dirigida aos filhos das reclusas. Segundo dados do Mi-
nistério da Justiça, a 10 de fevereiro de
2012 a população existente era de 511
reclusos (164 homens e 347 mulheres) e
23 crianças filhas de reclusas.
O padre Agostinho Brígido, que completa 80 anos no próximo mês, é capelão
do Estabelecimento Prisional de Tires
há três anos. “No fim de velho, é que me
mandaram para a cadeia!”, brinca este sacerdote, que durante vários anos foi capelão militar em Angola. Questionado sobre a pastoral que é possível realizar neste
estabelecimento prisional, o capelão destaca que o importante é ser presença. “Eu
venho ao EPT quase diariamente – por
vezes até de manhã e de tarde – e estou
aqui para ouvir. Oiço, oiço, choro, oiço, e
depois lá digo umas palavras. Por vezes,
estou mais de uma hora com o mesmo
recluso ou reclusa, só a escutar. A gratificação que tenho, depois de escutar dois,
três reclusos, é ouvir a palavra ‘Obrigado! Obrigado por ter vindo…’”, salienta
o padre Agostinho, sublinhando a forma como lhes apresenta Deus. “Procuro
sempre dar-lhes a sensação que Deus não
lhes aponta sobre o que fizeram. Eu também nunca lhes pergunto o que fizeram –
Reportagem /03
Tudo sobre a Visita de Nossa Senhora
de Fátima à Vigararia de Cascais
Veja em www.paroquiadoestoril.com
Missa de encerramento da Visita
da Imagem Peregrina
Este Domingo, dia 20, às 12h, presidida pelo
Patriarca de Lisboa, nos Jardins do Casino do Estoril
se me dizem, muito bem, se não, também
não questiono –, mas procuro que eles tomem consciência que realmente Deus é o
Deus da misericórdia, o Deus do perdão,
é um Deus que não lhes aponta o dedo
para recriminar, mas um Deus que nos
diz como à pecadora: ‘Vai e não voltes a
pecar’. É também o que lhes peço…”.
Nossa Senhora é a boa mãe
A visita da Imagem Peregrina de Nossa
Senhora de Fátima ao Estabelecimento
Prisional de Tires coincidiu com a renovação da capela. Uma obra que contou
com a colaboração dos reclusos. “A capela
foi inaugurada hoje, na Eucaristia com o
senhor D. Joaquim! O pessoal é que pintou a capela, colocou o telhado novo. Ficou um templo muito, muito bonito!”, garante o padre Agostinho. Na homilia da
celebração com Nossa Senhora no EPT,
o Bispo Auxiliar do Patriarcado garantiu
que os reclusos não estão esquecidos pela
Igreja. “Queria dizer-vos que a Igreja vos
acompanha com a oração e procura estar
presente nos estabelecimentos prisionais
através dos capelães, dos seus colaboradores e voluntários e também através dos
bispos. Vós não estais esquecidos. Estais
no coração de Deus, no coração de Jesus,
no coração de Nossa Senhora, no nosso
coração”. Nesta celebração, que contou
com a presença da direção, de funcionários e voluntários do EPT, além de muitas reclusas e reclusos, D. Joaquim Mendes sublinhou que Nossa Senhora é a boa
Mãe. “Do Céu, Ela acompanha-nos com
a sua solicitude materna. Acompanha o
caminho dos seus filhos que entre perigos
e angústias caminham na vida. Ela conhece bem o nosso coração, a nossa história
de vida. Ela é a mãe de misericórdia, que
nos acompanha e nos ama. Deixemos que
Ela nos olhe com aquele olhar de ternura e de amor, que reflete o olhar de Deus
e de seu Filho Jesus Cristo. Abramos-lhe
o nosso coração. Partilhemos com Ela os
nossos sentimentos: mágoas e tristezas,
alegrias e esperanças. Um filho ou uma filha não têm dificuldade de abrir o seu coração à mãe, porque uma boa mãe sempre
acolhe, escuta, conforta, aconselha, anima.
Nossa Senhora é a boa mãe, a mãe de misericórdia, que acolhe, escuta, conforta,
aconselha, anima e nos convida a confiar
em Deus e no seu Filho Jesus”.
bração aos sábados à tarde, no pavilhão
das mães. Vêm duas senhoras para tomar
conta dos bebés e das crianças, para que
as reclusas que queiram possam ir à Missa vespertina. No Domingo, a partir de
agora, com a capela restaurada, passamos
a ter a Eucaristia, às 9h30, para aquelas
que estão no chamado regime aberto, e
às 10h30 celebro no pavilhão 1, para as
reclusas que estão em prisão preventiva”,
aponta o padre Agostinho.
Além do capelão, a capelania do EPT
conta “com mais de cinquenta voluntários, apesar de não estarem todos registados”. “Em cada Domingo, para as duas
celebrações, vem um grupo animar a Eucaristia: no primeiro, o grupo é de Alvide;
no segundo Domingo, é do Murtal; no
terceiro, é um grupo de Tires; no quarto
Domingo é um grupo de jovens do Estoril; e quando há cinco Domingos vem
um grupo chamado Renascer, formado essencialmente por cabo-verdianos.
Portanto, todos os domingos tenho um
grupo que vem dinamizar a celebração!”,
frisa o capelão.
Aos sábados de manhã, após o Terço, o
padre Agostinho e uma voluntária da capelania explicam os textos de Domingo.
“Estamos presentes de manhã, se alguma
reclusa quiser vou atendê-la em confissão”. “A Igreja não os abandona!”, assegura o capelão do Estabelecimento Prisional de Tires.
Cascais convidada a abrir o
coração
A Imagem Peregrina de Nossa Senhora
de Fátima chegou à Vigararia de Cascais
ao final da tarde do dia 13 de outubro.
Segundo dados das autoridades, mais de
três mil pessoas acolheram a Virgem Peregrina na igreja da Boa Nova, no Estoril.
Uma receção que contou com a presença
de D. Joaquim Mendes. “Nossa Senhora
conduz-nos a Cristo seu Filho, convida-
-nos a escutá-lo, como Ela o escutou, a
acolhê-lo como Ela o acolheu, a acreditar
na sua palavra, como ela acreditou”, garantiu o Bispo Auxiliar de Lisboa.
Ao longo desta semana, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima tem
percorrido as nove paróquias da Vigararia de Cascais: Abóboda, Alcabideche,
Carcavelos, Cascais, Estoril, Parede, São
Domingos de Rana, São Pedro e São
João do Estoril e Tires. “Nossa Senhora
ensina-nos a ter aquele olhar que procura
acolher, acompanhar, cuidar dos outros, a
ver-nos uns aos outros como irmãos, sob
o seu olhar maternal. Peçamos a Nossa
Senhora a graça de ter o seu olhar, aquele olhar que reflete a ternura de Deus.
Deixemo-nos tocar pelo olhar materno
da Santíssima Virgem, que ele penetre o
nosso coração, o abra ao amor e à misericórdia de Deus, à experiência da fé e da
salvação”, convidou D. Joaquim Mendes,
Bispo Auxiliar de Lisboa.
“A Igreja não os abandona!”
Ao longo do fim-de-semana, o Estabelecimento Prisional de Tires tem três
Missas dominicais. “Temos uma celeDomingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
o4/ Lisboa
Essejota com novo site
No seu quinto ano de existência, o site www.essejota.net, da Companhia de Jesus,
apresenta desde esta semana um novo grafismo e novas funcionalidades
Faleceu o Bispo Emérito de Aveiro e antigo Auxiliar de Lisboa
© Nuno Rosário Fernandes
“Um homem que entusiasmava quem
estava ao lado dele”
“D. António Marcelino foi sempre um homem entusiasmado, cheio de ânimo e de
generosidade nas causas a que se dedicava por todos os meios – presença,
palavras, escrita – e que entusiasmava quem estava ao lado dele”. É desta forma
que o Patriarca de Lisboa recorda D. António Marcelino, Bispo Emérito
de Aveiro e antigo Auxiliar de Lisboa, falecido no dia 9 de outubro.
fotos: PR/Agência ECCLESIA e Diocese de Aveiro
D. Manuel Clemente marcou presença no funeral de D. António Marcelino,
na Sé de Aveiro, tendo salientado, em
declarações à Agência Ecclesia, a dimensão pastoral de um bispo diocesano que
“gostava de estar com as pessoas, de comunicar e de animar as comunidades”.
“Era e é uma figura marcante” porque as
marcas continuam “entre o episcopado e
a Igreja portuguesa que com o seu entusiasmo e com a sua presença construía
Igreja”, explicou.
O Patriarca de Lisboa, que conheceu o falecido Bispo Emérito de Aveiro em 1975
“quando este era Auxiliar do Patriarcado”,
recordou também D. Marcelino como o
defensor das causas “em que acreditava
com a sua sensibilidade própria”, como
“o laicado, a renovação das comunidades,
a formação do clero, a causa social”. Esta
dimensão, acentuou, fazia de D. António
Marcelino um “homem muito autêntico
e envolvido sempre em tudo aquilo que
verdadeiramente acreditava e que queria
que os outros acreditassem”.
Também o Patriarca Emérito de Lisboa,
Cardeal Policarpo, recordou D. António
Marcelino à Agência Ecclesia, salientando que era “um pouco parecido com este
Papa atual” por “não se esconder atrás da
organização e das estruturas e ir para a
frente do povo de Deus”. D. José Policarpo recordou também os anos em que D.
António Marcelino foi Bispo Auxiliar de
Lisboa, entre 1975 e 1980. “No Patriarcado até deu um pouco nas vistas porque
os padres não estavam habituados a ele
aparecer de surpresa numa paróquia para
celebrar a Missa de Domingo, por exemplo”, referiu.
D. António Baltazar Marcelino, que tinha completado 83 anos de idade no
passado dia 21 de setembro, foi recentemente hospitalizado, vindo a falecer no
dia 9 de outubro, no Hospital Infante
D. Pedro, em Aveiro. Natural de Castelo Branco, foi ordenado padre em 1955,
nomeado Bispo Auxiliar do Patriarcado
de Lisboa em 1975, Bispo Coadjutor de
Aveiro em 1980 e residencial na mesma
diocese a 20 de janeiro de 1988, onde
permaneceu até 21 de setembro de 2006,
quando foi substituído por D. António
Francisco dos Santos.
Dia 24 de outubro
Seminário do Verbo Divino
No CCB
O Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai presidir, no próximo dia 24 de
outubro, às 18h45, à tradicional Missa
das Universidades. A celebração deste
ano decorre na igreja do Sagrado Coração de Jesus, ao Marquês de Pombal,
em Lisboa.
A partir das 18h há confissões e após a
Eucaristia os jovens universitários têm um
momento de convívio, além da apresentação de movimentos e grupos de pastoral
universitária na Diocese de Lisboa.
O Seminário do Verbo Divino, em
Lisboa, acolhe no próximo Domingo, 27
de outubro, uma Feira Missionária para
ajudar as crianças do Liúpo, Moçambique. Organizada por um grupo de leigos
associados às Missionárias Servas do
Espírito Santo e Missionários do Verbo
Divino, a Feira Missionária tem início
com a Missa, às 11h, e prolonga-se
durante a tarde “com produtos da horta
para vender, almoço, música e muita
animação”, segundo a organização.
O Centro Cultural de Belém, em Lisboa,
recebe no próximo sábado, dia 26 de outubro, entre as 18h30 e as 20h, D. Manuel
Clemente, Patriarca de Lisboa, para um
debate sobre ‘Arte e Fé’.
Integrada no ciclo de palestras a propósito
do Ano da Fé intitulado ‘as encruzilhadas
das arte’, a conferência vai ter moderação
de Maria Teresa Dias Furtado, professora
associada da Faculdade de Letras.
Informações: http://encruzilhadasdaarte.
wordpress.com
‘A fé do avesso’
É fundamental reconduzir
a fé cristã à “vida, palavra
e atitudes de Jesus”
O Patriarca de Lisboa considera fundamental reconduzir a fé cristã à “vida,
palavra e atitudes de Jesus de Nazaré”.
Num debate na Universidade Católica
Portuguesa com o psicólogo Eduardo Sá e
a jornalista Isabel Stilwell, intitulado ‘A fé
do avesso’ e que foi transmitido pela rádio
Antena 1, D. Manuel Clemente destacou
a “matriz cristã” da sociedade portuguesa e
defendeu a necessidade de que fé e ciência
se possam “encontrar mais à frente” para
sair de “grandes encontrões”. “Julgo que
nos temos de encontrar mais à frente, no
sentido de um saber mais humano”, insistiu, propondo a substituição da “ideia de
domínio pela ideia de relação”. Durante a
conversa, o Patriarca declarou ainda que “a
dúvida é amiga da fé” no sentido em que
questiona respostas que “talvez tenham
sido apressadas”. As interrogações “humanas”, acrescentou, levam a “reapropriações
sucessivas” da figura de Jesus, que “recuperam a relação mais a fundo”.
Definindo o inferno como “a falta dos outros”, D. Manuel Clemente declarou que
há um “núcleo de convicções básicas de
solidariedade” que deve “vir ao de cima”
na Europa e na atuação dos organismos
internacionais. O Patriarca de Lisboa deixou ainda um elogio a quase um “milénio
de sobrevivência” do povo português. “O
que me dá confiança em Portugal não é
propriamente as nossas grandes vitórias, é
a maneira como ultrapassamos as derrotas”, referiu.
Sobre o Papa Francisco, D. Manuel Clemente sublinhou que o Santo Padre se
tem apresentado ao mundo como alguém
“muito consistente, muito autêntico” que
tem sabido atrair as pessoas. “As pessoas
reconhecem uma autenticidade”, declarou.
D. Clemente preside à
Missa das Universidades
‘Feira Missionária’,
em Lisboa
Patriarca conversa
sobre ‘Arte e Fé’
Lisboa /05
6ª Prova de Sopas de Alfornelos
A paróquia de São Francisco de Assis de Alfornelos organiza, no próximo Domingo, dia 27 de outubro, a partir das 13h30, a
6ª Prova de Sopas de Alfornelos. A iniciativa, que vai ser animada pelo grupo ‘Quintet à Soup’, conta este ano com um número
recorde de 26 sopas, todas oferecidas, quer por empresas de restauração, snacks e catering, assim como por particulares
75 anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa
Um templo que ajudou na reconstrução da vida diocesana
Nos 75 anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, situada na Avenida de Berna, o Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente,
sublinhou a mensagem que o templo transmite.
“Desta igreja para o Patriarcado inteiro, vai a lembrança esplendente dum
percurso essencial. Como disse o seu arquiteto, Pardal Monteiro, seja qual for
a planta dum templo cristão, o olhar de
quem entra ou nele esteja é necessariamente orientado para o altar em que se
assinala o sacrifício de Cristo, ou seja, a
sua oferta ao Pai, regresso e progresso de
nós todos com ele”, observou D. Manuel
Clemente, na celebração que decorreu a
13 de outubro. “Mas, antes de o ser do
olhar, este é um percurso sacramental que
provém do Batismo. É aí que começa em
cada um o trabalho do Espírito, configurando-nos a Cristo para sermos ‘filhos
no Filho’ e membros vivos do seu corpo
eclesial. Ora, a igreja de Nossa Senhora
de Fátima em Lisboa contém e oferece
uma das mais preciosas realizações da
nossa arte cristã do século passado: o
seu magnífico batistério, que resume em
pouco espaço o pleno significado batis-
mal da vida”, continuou o Patriarca de
Lisboa. “Daí mesmo progrediremos para
o altar, já banhados pela luz transfigurada que nos chega dos vitrais de Almada
Negreiros, passo a passo e mais e mais.
Entretanto, já nos envolveram irmãos no
grande espaço da nave de sugestões ainda
góticas, isto é, ascendentes”, prosseguiu
D. Manuel Clemente, concluindo: “Em
tempos de ‘nova evangelização’, é essencial recuperarmos o itinerário cristão que
esta igreja nos oferece”.
Reconstrução diocesana
O Patriarca de Lisboa considerou os 75
anos da igreja de Nossa Senhora de Fátima um momento de ação de graças: “Em
ação de graças pela vida divina que este
magnífico templo assinala e em adoração
reconhecida por tudo quanto Deus nele
ofereceu e oferece”. D. Manuel Clemente referiu ainda que este templo “ilustra
clarissimamente o que foi a primeira década do ministério episcopal do Cardeal
Cerejeira” em Lisboa: “Ilustra sobretudo
a sua grande determinação e até coragem,
no sentido de reconstruir a vida diocesana depois das grandes dificuldades das
décadas anteriores”. “A construção da
igreja de Nossa Senhora de Fátima, precisamente aqui onde a urbanização de
Lisboa se alargava, integrou-se neste plano. E a novidade da topografia aliou-se
perfeitamente com a novidade da arquitetura e das artes, numa modernidade
consciente e assumida”, observou.
Portugal tem novo beato
Mário Félix foi beatificado em Espanha
O religioso português Mário Félix, da Congregação das Escolas Cristãs, foi proclamado beato em Tarragona, Espanha,numa cerimónia
conjunta para a beatificação de 522 mártires da Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
O Papa Francisco enviou uma saudação aos participantes na cerimónia,
em Tarragona, em mensagem vídeo,
apelando à oração para que todos os
batizados sejam “cristãos com obras
e não de palavras”, firmes na fé e não
“cristãos medíocres”, como “artífices da
fraternidade e da solidariedade”. Além
do religioso português, o grupo de 522
Canonização
João Paulo II e João XXIII
PEREGRINAÇÃO A ROMA
COM O JORNAL VOZ DA
VERDADE, ACOMPANHADA
PELO PADRE NUNO
ROSÁRIO FERNANDES
novos beatos inclui 514 espanhóis, três
franceses, dois cubanos, um colombiano e um filipino.
O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga,
participou na celebração e dirigiu uma
mensagem à diocese, na qual sublinha
que a beatificação do irmão Mário Félix “é mais uma graça que não pode ser
desconhecida ou desconsiderada”.
Beato Mário Félix
Manuel José de Sousa nasceu em Santa Marta de Bouro, a 27 de dezembro de
1860, tendo entrado no Instituto de La
Salle aos 28 anos. Foi fuzilado em Griñon,
a 30 quilómetros de Madrid, a 28 de julho
de 1936, após 48 anos de vida religiosa,
na qual assumiu o nome de irmão Mário
Félix.
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Domingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
o6/ Lisboa
Formação Nacional e Assembleia Geral de Outono do CPM Portugal
Dia 9 de novembro, o CPM Portugal (Federação Portuguesa dos Centros de Preparação
para o Matrimónio), realiza, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, a Formação
Nacional para os casais pertencentes às equipas deste movimento, com o tema ‘Fazer a Paz –
o conflito como ocasião de crescimento’, seguida da Assembleia Geral de Outono
Sucede a D. Januário Torgal Ferreira
D. Manuel Linda é o novo Bispo das
Forças Armadas e de Segurança
O Papa Francisco nomeou D. Manuel Linda, até agora Bispo Auxiliar de Braga, como novo ordinário
castrense em Portugal, sucedendo a D. Januário Torgal Ferreira que resignou por limite de idade.
IDFC
‘Paciência com Deus’,
em debate
O Instituto Diocesano da Formação Cristã, do Patriarcado de Lisboa, organiza, no
próximo dia 7 de novembro, quinta-feira,
às 21h30, a apresentação/debate do livro
de Tomás Halík ‘Paciência com Deus –
Oportunidade para um encontro’.
A sessão vai decorrer no auditório da
igreja de São João de Deus, em Lisboa,
e conta com a participação de Conceição
Moita, Henrique Raposo e o padre Alexandre Palma, prefeito do Seminário dos
Olivais e colaborador do Jornal VOZ DA
VERDADE.
O anúncio foi feito no passado dia 10 de
outubro, pela Nunciatura Apostólica. “A
minha missão, evidentemente, não é de
natureza sindical, é o anúncio da verdade
em Jesus Cristo, que passa pela dimensão
afetiva e sociocaritativa, isto é, a presença de quem pode dar ajuda a quem dela
precisa, uma ajuda que não é meramente
de ordem económica”, referiu D. Manuel
Linda, de 57 anos, à Agência Ecclesia. O novo Bispo das Forças Armadas
e de Segurança disse ainda que pretende
assumir este setor com “atenção” à realidade e “discrição” na sua atuação, face às
dificuldades que o país enfrenta.
O novo ordinário castrense foi capelão
militar há três décadas e admite que a
realidade hoje é “muito diferente”, apesar de essa experiência lhe permitir
agora conhecer “minimamente o estilo de vida no ambiente militar”. “É um
mundo que não me é completamente
desconhecido, embora as coisas tenham
mudado muito”, salientou.
D. Manuel Linda era Bispo Auxiliar de
Braga desde junho de 2009, tendo sido
ordenado em setembro do mesmo ano,
na Catedral de Vila Real, e vai passar a
residir em Lisboa. O prelado destaca que
vai ter a missão “exclusiva” de liderar o
Ordinariato Castrense, que acompanha
os católicos nas Forças Armadas, militares e também aqueles que, por vínculo
da lei civil, se encontram ao serviço das
Forças Armadas, Guarda Nacional Republicana e Polícia de Segurança Pública.
Até à tomada de posse do novo bispo, em
data ainda a definir, o Ordinariato será
guiado pelo padre Manuel Amorim, vigário-geral castrense, na qualidade de
administrador diocesano.
Peregrinação Aniversária das Aparições em Fátima
Chegar aos jovens através de Maria
O cardeal Tarcisio Bertone, que presidiu à Peregrinação Aniversária das Aparições em Fátima, exortou os cristãos a confiar em Deus,
mesmo que a vida esteja difícil. Na celebração do 13 de outubro, no Santuário de Fátima, confiou a Maria o testemunho de fé da Igreja.
“No ‘hoje’ da nossa vida, ameaçada por
fragilidades e riscos vários, atravessada
pela experiência básica de não podermos
dominar o futuro, receosos de que a injustiça e a morte tenham a última palavra
sobre a existência humana, só é possível
esperar verdadeiramente na vitória sobre o mal e a morte, enfrentar a vida com
coragem e determinação, se o rosto de
Deus se deixar mostrar e nós o soubermos ver nesses sinais deixados por outros
crentes, sinais que testemunham como
vale a pena confiar no Deus de ontem,
de hoje e de sempre”, observou o então
Secretário de Estado do Vaticano, num
dos seus últimos atos públicos, uma vez
que dois dias depois desta celebração o
cardeal Bertone deixou o cargo.
Perante cerca de 200 mil fiéis, o cardeal
italiano confiou a Maria o testemunho de
fé da Igreja, para que esta consiga chegar ao coração das pessoas, sobretudo
dos jovens. “Confio-Vos o que parece ser
hoje a coisa mais importante no serviço
da Igreja: o seu forte testemunho de fé
diante da hodierna geração de homens e
mulheres, tentada pela crescente secularização e indiferença religiosa que grassam
por aí. Que este testemunho fale sempre
a linguagem clara do Evangelho e assim
encontre acesso aos corações, sobretudo
da geração jovem!”, concluiu o cardeal
Bertone.
Serviço aos mais pobres
Na véspera, na noite do dia 12, o agora
antigo Secretário de Estado do Vaticano reafirmou a importância da mãe de
Cristo. “Olhai para Maria, invocai-a e
imitai-a. Nós conhecemos o amor de
Deus e – como Maria – acreditamos
nele para sermos semeadores de esperança e construtores de paz”, afirmou.
O cardeal Bertone apelou ainda aos peregrinos para serem solidários e seguir
o exemplo de Maria. “Este santuário
chama-nos à solidariedade com todos.
Como pedras vivas que reciprocamente
se apoiam e harmonizam na construção
sobre a pedra angular que é Cristo. De
nada serviria frequentarmos a Igreja se
não nos levasse a viver em comunhão.
A missão é o serviço aos mais pobres e
marginalizados”, garantiu.
Missão /07
www.fecongd.org
Pe. Carlos Alberto Nunes, Missionário Comboniano
Todas as obras de Deus nascem
e crescem aos pés da Cruz
O nosso convidado de hoje é o Pe. Carlos Alberto Nunes, Missionário Comboniano,
com uma história de vida marcada pela missão, que alarga o nosso horizonte
de vida até às terras distantes da Zâmbia.
texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação
Das Beiras para o Mundo
O Pe. Carlos Alberto Nunes é natural
do Sabubal, na Diocese da Guarda. Desde cedo aprendeu o sentido e o valor de
uma vida em comunidade, uma vez que
é o quarto de cinco filhos. Entrou para o
Seminário dos Combonianos em Viseu e
daí passou para o Noviciado em Santarém
e mais tarde prosseguiu os seus estudos
de Teologia no Missionary Institute of
London. Foi na capital britânica que foi
ordenado diácono pelo Cardeal Hume e
regressou depois a Portugal onde foi ordenado sacerdote no castelo de Sabugal
por D. António dos Santos, no dia 15 de
Julho de 1984. Hoje, o Pe. Carlos Alberto Nunes recorda-nos o momento marcante da sua ordenação: “Lembro-me de
estar prostrado conforme o ritual e sentir
o calor do sol como senti mais tarde em
África.” Depois da ordenação, o Pe. Carlos Alberto recebeu a missão de coordenar
a promoção vocacional da comunidade
comboniana em Portugal.
O Evangelho no
dia-a-dia na Zâmbia
O Pe. Carlos Alberto classifica a vida
missionária como uma “nobre aventura”.
Depois do trabalho de acompanhamento
vocacional no norte de Portugal, o nosso
convidado de hoje partiu para a Zâmbia
onde assumiu a missão de Diretor das
Obras Missionárias Pontifícias da Arquidiocese de Lusaka: “Foi um trabalho maravilhoso. Especialmente o trabalho com
a Infância Missionária e seus animadores.
Ali, apesar das dificuldades que enfrentámos, senti que partilhámos o Evangelho
da Alegria e da Esperança.” Hoje, recorda-nos com especial carinho e saudade o
momento da sua despedida onde teve um
encontro com mais de 3000 crianças! É
com igual emoção que recorda um mo-
mento muito recente vivido já em Portugal. Na passada semana, durante a Peregrinação Internacional Aniversária de
Outubro em Fátima, o Pe. Carlos Alberto
teve oportunidade de receber e acompanhar uma peregrinação de 28 pessoas que
vieram da Zâmbia até este santuário mariano. Foi uma oportunidade de “retribuir
o espírito hospitaleiro com que também
fui recebido”. Em Fátima, puderam “celebrar a missão que é ir e vir, partilha de fé
e de dons de amizade, comunhão e fraternidade”.
“Todas as obras de Deus
nascem e crescem aos pés
da Cruz”
Esta frase de D. Daniel Comboni é para
o Pe. Carlos Alberto uma síntese do seu
tempo de missão. É junto à Cruz que este
missionário encontra a fonte da sua ação e
dos seus projetos. “Nem sempre é fácil ‘parar’, com tanto para fazer... perco-me no
caminho”. Mas é precisamente “parando
junto à Cruz” que este missionário recorda
o sentido da sua missão, da sua vocação.
Três rostos vivos
do Evangelho
O Pe. Carlos Alberto recorda-nos, do
seu percurso de vida, três pessoas que
o marcaram na sua caminhada humana e cristã. Durante o tempo que esteve
em Londres conheceu o casal Richard
e Mónica Menten. Quando regressou
a Londres, já como padre, acompanhou
os momentos finais da doença terminal
de Richard. Mais tarde, já quando esta-
va na Zâmbia, recebeu um telefonema
de Mónica: “Estou a pensar vender uma
casa para vos ajudar a cuidar dos órfãos
de que me tens falado. Eu não tive filhos
porque assim foi a vontade de Deus.
Agora quero ajudar essas crianças que já
não têm pais.” Ainda hoje esse dinheiro
continua a ser fundamental para ajudar
muitos órfãos que vivem em pobreza
extrema. Outro rosto marcante na vida
do Pe. Carlos Alberto, foi o do pequeno David, uma criança de 9 anos, sempre alegre e bem-disposta que passava
todos os dias pelo portão do seminário
em Balaka, no Malawi. “Estranhamente
não o vi durante uma semana. No domingo seguinte, quando regressava da
missa numa aldeia, alguém da família
me disse que o David tinha morrido.
Não queria acreditar. Disseram-me que
tinha tido uma insuficiência urinária. A
mãe dele disse-me: ‘O David bem disse:
ide chamar o Pe. Carlos que eu já fico
bom’. Senti um arrepio no coração...”
Um outro rosto que continua a marcar
o percurso de vida do Pe. Carlos Alberto é o de Amai Rosália, uma “velhina
que nunca falta à missa e todos os dias
reza pelos missionários e missionárias
que partiram para outras terras.” No dia
em que o Pe. Carlos se despediu da comunidade, ela aproximou-se do altar e
disse-lhe: “Tu agora vais para junto dos
teus irmãos em Portugal. Diz-lhes que
rezem por nós e nós também rezamos
por eles”.
O regresso a Portugal
Em Agosto de 2012, o Pe. Carlos Alberto chegou ao Patriarcado de Lisboa
e, desde então, tem procurado acompanhar vocacionalmente os jovens que desejam conhecer melhor a comunidade
comboniana.
Domingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
o8/ Especial
Padre Daniel Comboni é santo desde há dez anos
“Trazer África para o coração da Igreja”
Em 5 de outubro de 2003, o Papa João Paulo II canonizou Daniel Comboni, padre missionário,
fundador da Família Comboniana. Uma família missionária que está presente em Lisboa e que na
sua missão tem procurado valorizar o povo africano pelas suas próprias capacidades.
texto por Nuno Rosário Fernandes, com Diogo Paiva Brandão; fotos por Diogo Paiva Brandão e Missionários Combonianos
O padre Daniel Comboni “foi um homem de visão. Alguém que teve uma
visão muito grande”, destaca ao Jornal
VOZ DA VERDADE o provincial dos
Missionários Combonianos em Portugal,
padre Alberto Silva, referindo-se ao fundador do Instituto que serve e das Irmãs
Missionárias Combonianas.
Nascido em Limone Sul Garda, Itália,
em 15 de março de 1831, Daniel Comboni sente, desde criança, o desejo de ser
missionário. Aos 18 anos, enquanto aluno do colégio do padre Nicolau Mazza,
que acolhia as crianças pobres para que
pudessem continuar os seus estudos, ouviu o testemunho de um sacerdote missionário em África que falava de regiões
onde os povos morriam de fome, doenças e por causa do comércio de escravos.
Sentindo-se interpelado, Daniel Comboni decide consagrar a sua vida à evangelização do continente africano. Em setembro de 1857, com 26 anos de idade, já
padre, parte para a África com mais cinco
companheiros. De 1862 a 1864, Comboni vive dois anos decisivos. Percorre a Itália e vários países da Europa com a finalidade de envolver os cristãos europeus na
tarefa de evangelização da África. Estabelece contactos, recolhe fundos, procura
colaboradores, acolhe ideias para elaborar um plano. Esse plano (‘Plano para a
Evangelização da África Central’) que,
segundo o padre Alberto Silva, “foi escrito em 48 horas”, procurava fazer com
que os missionários fossem para a África
não para se instalar nela mas para criar as
condições que levassem os próprios africanos a ser promotores da evangelização
da África. “A ideia dele era evangelizar a
África com a África. Salvar a África com
a África”, acentua, sublinhando ainda que
o padre Daniel Comboni “foi um missionário de terreno”. “Não alguém que funda um instituto para a África sem nunca
lá ter ido. Ele viveu a partir dali e lia a
própria realidade a partir de África, onde
viveu e morreu”, salienta.
Em 1867, para cumprir este plano que
propunha, o padre Daniel Comboni funda o Instituto para as Missões Africanas,
e em 1872 as Pias Mães da Nigricia, hoje
designados por Missionários Combonianos do Coração de Jesus e Irmãs Missionárias Combonianas, respetivamente.
Uma obra que não morrerá
No ano de 1877, o padre Daniel Comboni foi nomeado Bispo da África Central e, segundo os seus biógrafos, no momento da tomada de posse terá afirmado:
«No meio de vós, nunca deixarei de ser
vosso. O dia e a noite, o sol e a chuva
encontrar-me-ão sempre pronto para as
vossas necessidades: o rico e o pobre, o
são e o enfermo, o jovem e o velho, o patrão e o servo terão sempre acesso ao meu
coração. Faço causa comum convosco e
o mais feliz dos meus dias será aquele
em que puder dar a vida por vós». Daniel
Comboni veio a falecer a 10 de outubro
de 1881, em Cartum, vítima do cansaço e
das febres da época, deixando uma mensagem aos seus sucessores: “Coragem no
presente, mas sobretudo no futuro. Eu
morro, mas a minha obra não morrerá!”.
Segundo declarações do provincial deste instituto missionário em Portugal ao
Jornal VOZ DA VERDADE, o padre
Daniel Comboni “era uma figura muito rica humanamente e espiritualmente”
e “sempre foi um homem muito aberto”. Na sua missão procurava entusiasmar outros para a necessidade de olhar
para aquele continente. “Vinha com frequência à Europa para animar. Vinha da
África dar testemunho, falar da missão,
animar a Igreja. Porque naquele tempo a
África estava completamente escondida e
ele queria pôr a pérola negra na coroa da
Igreja”, frisa o padre Alberto Silva, provincial desde há seis anos, referindo que
o padre Daniel Comboni “atraiu a atenção de pessoas na Europa e na própria
Igreja”. “Ele vivia para a África. Era um
homem de uma visão e de uma paixão
muito forte”, acentua.
Inspiração carismática
Na base do carisma fundacional deixado
pelo padre Daniel Comboni está a espi-
ritualidade do Sagrado Coração de Jesus
que, segundo o responsável da Província
Portuguesa dos Combonianos, “é típica
deste tempo”. “Nós temos essa espiritualidade muito forte”, observa. E conta: “O
padre Daniel Comboni andava à procura
de formas para conseguir fazer penetrar
o Evangelho nestes países. Mas a nossa
presença naquele tempo era muito difícil. Teve, então, a inspiração na altura em
que se preparava para o Tríduo de Santa
Margarida Maria Alacoque. Encontrou
o Coração de Jesus como aquela fonte
donde dimana a força e a vida para a regeneração da África. Foi inspiração carismática”, sublinha.
Segundo o provincial dos Combonianos, para o padre Daniel Comboni, canonizado pelo Papa João Paulo II em 5
de outubro de 2003, “o aspeto do laicado
era muito importante”, e a primeira ideia
de fundação não previa um instituto religioso. “Inicialmente não era sua intenção fundar um instituto. A visão dele era
alertar para a consciência de toda a Igreja
de que era preciso anunciar o Evangelho
e trazer África para o coração da Igreja”. Para isso, refere, “tentou várias formas
e o sentido de colaboração que está nos
Combonianos está também nas origens”.
Deste modo, o padre Daniel Comboni
fundou os missionários combonianos e as
irmãs missionárias, mas “os leigos também estavam presentes”. “Tinha pensado
numa família missionária que vivia em
cenáculos, comunidades, de onde irradiaram raios para o centro de África. Construiu obras de educação em África para
serem eles os protagonistas do próprio
desenvolvimento”, explica o padre Alberto Silva.
Amor sem medida
“O padre Daniel Comboni atraiu a atenção de pessoas na Europa e na própria
Igreja”, diz o provincial dos Combonianos em Portugal, padre Alberto Silva
Diante do testemunho deste santo que
foi, também, o primeiro Bispo da África Central, os combonianos sentem-se,
hoje, interpelados. “Ele inquieta-nos com
Especial /09
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Missionários Combonianos na internet
Veja os vídeos da VOZ DA VERDADE no
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essa paixão e atenção à realidade e a entrega total que teve, como alguém que se
dá completamente, dá a sua vida aos africanos em excessivo amor sem medida”.
Dez anos passados da canonização, depois de reconhecido o milagre operado por sua intercessão em favor de uma
mãe muçulmana do Sudão, Lubna Abdel
Aziz, a figura de São Daniel Comboni
“obriga a olhar para as origens, para as
raízes e cuidar delas”, recorda o padre Alberto Silva. Por outro lado, considera que
há a partilha de “uma grande riqueza”.
“Já não é algo nosso, mas a missão é para
a Igreja universal. Quem vive deste manancial acaba por enriquecer o próprio
carisma e todo o laicado, toda a Igreja
pode viver a missão comboniana. Deixou de ser nosso mas enriquece a própria
família”, reconhece. Sobre o milagre que
levou à canonização, o padre Alberto justifica: “O milagre que levou à canonização foi a cura de uma muçulmana, e isso
é típico de um missionário. A sua ação
vai para além das fronteiras da Igreja.
Deus está onde o povo está”.
Missão em Portugal
Na família comboniana há, em todo o
mundo, cerca de 4000 membros, entre padres, irmãos e irmãs. O que, para
o provincial em Portugal, “é pouco”. Em
Portugal estão presentes nas dioceses de
www.combonianos.pt
Compartir a dimensão missionária
A aposta nos mais jovens é um desafio que também foi possível pela chegada de novos membros. “Em Lisboa, com a vinda de dois novos membros portugueses, quis dar-se um novo ímpeto
à pastoral juvenil e vocacional”, salienta o padre Alberto, referindo o JIM (Jovens In Missio)
como dinâmica, de cariz também paroquial, onde têm apostado. “Tem como visão não tirar os
jovens da paróquia mas fazer com que os grupos possam ter esse fermento e cariz missionário. Tem um programa de pastoral que se vai fazendo dentro da própria vida paroquial e assim
comparte-se a dimensão missionária”, refere.
Os missionários combonianos vão, ainda, procurando fazer a animação missionária, “investindo
na formação de leigos” com cursos de formação e espiritualidade missionária, e têm ainda grupos de oração missionaria.
Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Santarém
e Lisboa, onde têm comunidades paroquiais entregues em Camarate e Apelação. Esta nova experiência de paróquia,
que se repete também em Calvão, na
Diocese de Aveiro, “tem a ver com o caminho que a própria Província tem vindo a fazer”, explica o padre provincial ao
Jornal VOZ DA VERDADE. “As seis
comunidades em todo o país procuravam
fazer animação missionária e formar; preparar missionários para a África. Eram
casas que funcionavam para fecundar e
dar força ao trabalho missionário. Hoje
continua essa urgência, mas enquanto
aqui estamos é necessário responder às
necessidades locais”, salienta o sacerdote
religioso. Por outro lado, aponta: “Neste
momento estamos com poucas vocações,
os seminários estão desertos e também aí
o laicado adquire um valor importante”.
Por detrás destas comunidades paroquiais, onde agora os combonianos também marcam presença, está uma perspetiva de “presença multiministerial”. “A
comunidade [canónica] é de três, um dos
quais é irmão”, destaca. Quanto ao lado
feminino, a existência das irmãs combonianas vem manifestar “que a mulher situada e contextualizada pode ajudar” na
Igreja. Em Fetais, que é um lugar da paróquia de Camarate, as religiosas missionárias “têm uma presença muito interessante”, comenta, apresentando o exemplo
do projeto ’Despertar’ que é de “atenção
às crianças de rua, onde são apoiadas cerca de 30 crianças”. “São respostas simples
que vamos dando com rosto humano e
simplicidade”, garante.
Também neste projeto estão presentes os
voluntários que colaboram com a família comboniana. “Do outro lado da rua
também há ocasião para ser missionário”,
adverte o padre Alberto Silva sublinhando que “não é preciso ir para fora para
ser missionário”. “Ser missionário é um
modo de estar! Já não é simplesmente
uma geografia”, frisa.
Media para a Missão
Em Portugal, os Missionários Combonianos tem três meios de comunicação com os quais procuram divulgar as suas atividades e dar voz
a África. A revista missionaria ‘Além
Mar’, a revista juvenil ‘Audácia’ e a
folha ‘Família Comboniana’ fazem
parte de uma das “grandes vertentes da ação missionária” dos combonianos. “O campo dos media foi
sempre utilizado desde o tempo
do fundador”, refere o padre provincial referindo os objetivos das
publicações. “Formação e informação. Informação do que se passa
noutras igrejas e proximidade de
culturas, procurando ser e fazer
opinião. Que África tenha voz! Dar
voz a eles mesmos, fazê-los protagonistas”, esclarece.
Domingo, 20 de outubro de 2013
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10/ Igreja no Mundo
“A história da Ajuda à Igreja que Sofre
comprova que hoje, como ontem, a fé pode
mover montanhas”
Islândia: uma Igreja que cresce e precisa de ajuda
“O amor é contagioso”
De muito rico a país falido. A Islândia viveu, nos últimos anos,
um pesadelo que parecia impensável para uma das nações mais
prósperas do mundo. Mas, quando a crise se abateu, depressa
todos perceberam que havia muita coisa a mudar. E não era
apenas a nível do Governo ou da economia…
“Não há bem que sempre dure, nem mal
que nunca acabe”, diz o povo. A história
recente da Islândia dá plena actualidade
a este provérbio. O país passou por uma
provação de alguma forma semelhante à
portuguesa.
Em 2008, contrariando tudo o que seria expectável, a Islândia foi atingida por
uma profunda crise financeira. A falência do gigantesco banco americano Lehman Brothers, em Setembro de 2008,
foi o começo do desmoronar de uma das
economias aparentemente mais sólidas
do mundo.
Como os negócios da banca ocorrem essencialmente nos mercados internacionais, a queda em desgraça do Lehman
Brothers arrastou para o desastre os três
maiores bancos islandeses e o país, no final
desse ano, entrou em falência.
tro em Reiquiavique, todos procuraram
fazer-lhes ver que era insensato. Por certo
haveria lugares no mundo onde seria mais
necessário o seu abnegado trabalho em
favor dos mais pobres. E repetiram a expressão vezes sem conta: não havia pobres
no país. Mas elas insistiram e alugaram
uma pequena casa começando por oferecer refeições aos mais necessitados. Hoje,
mais de setenta pessoas dirigem-se todos
os dias à modesta casa arrendada pelas Irmãs da Caridade para comer. E não havia
pobres no país!
Igreja universal
A Islândia mudou. De país cheio de si,
cheio de certezas, passou a ser uma nação mais solidária, mais rigorosa também com aqueles que os governam,
levando até ao banco dos réus o primeiro-ministro de então, sob a acusação de
incompetência.
Mas houve mais mudanças. Até ao nível da Igreja. De um total de cerca de
320 mil habitantes, apenas 10 mil são
católicos, 3% da população geral. E são
de muitas nacionalidades, por causa das
Terra estranha
Para o Bispo Pierre Bürcher, esta crise só
podia ser um pesadelo. A Islândia a entrar
em falência e, um ano antes, em Outubro
de 2007, o Papa Bento XVI a promovê-lo
de Bispo Auxiliar de Lausanne, na Suíça, a
responsável pela Diocese de Reiquiavique.
Ainda D. Pierre Bürcher estranhava aquela terra de vulcões e gelo, com um Inverno
praticamente todo coberto de noite e um
Verão em que os dias quase não conhecem
ocaso, e já tinha em mãos o drama maior
da aflição dos Islandeses.
A crise veio mudar muita coisa. Onde antes havia abundância, onde a palavra “desemprego” era quase inexistente, de súbito
tudo se alterou. As certezas deram lugar
às mais perplexas interrogações: como era
possível?
Antes da crise, na Islândia ninguém temia
o futuro. De tal maneira que, há alguns
anos, quando as Missionárias da Caridade, ordem fundada por Madre Teresa de
Calcutá, decidiram abrir um pequeno cen-
Desde que a crise bateu à porta da Islândia a comunidade católica quase que
triplicou e o Bispo de Reiquiavique, D. Pierre Bürcher, não tem mãos a medir
Não havia pobres na Islândia, mas agora, mais de setenta pessoas dirigem-se
todos os dias à modesta casa das Irmãs da Caridade para comer
comunidades migrantes que se estabeleceram no país, oriundas da Polónia, Filipinas, até de Portugal. “É uma Igreja Católica no seu verdadeiro sentido. É uma
Igreja universal”, diz o Bispo Bürcher.
São poucos, mas a comunidade católica
quase que triplicou desde que a crise bateu à porta da Islândia e o Bispo de Reiquiavique não tem mãos a medir. Com
ele trabalham mais 17 padres. Pode parecer um número mais do que suficiente, mas é apenas mera ilusão. Dadas as
longas distâncias a percorrer, por vezes o
Bispo é obrigado a viajar de avioneta para
administrar, por exemplo, o Sacramento
da Reconciliação, pois muitas das estradas estão intransitáveis de Inverno. Os
Católicos são poucos e estão muitas vezes isolados enquanto comunidade. Por
não ser possível fazê-lo presencialmente,
a maior parte das crianças só conseguem
ter aulas de catequese através da Internet.
Mas o futuro mostra-se radioso.
“Depois da tempestade vem a bonança”
costuma também dizer o povo. A crise
económica que se abateu sobre a Islândia veio demostrar que tudo se pode desmoronar de um dia para o outro e que
mais importante do que as riquezas acumuladas nos bancos são os sentimentos
de afecto, solidariedade e compaixão, que
nunca se desvalorizarão, nem entrarão
em falência, e que são gratuitos. “O amor
é contagioso”, costuma dizer o Bispo
Pierre Bürcher. E tem toda a razão!
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com Aura Miguel
Jornalista da Rádio Renascença,
à conversa com Diogo Paiva Brandão
A uma janela de Roma /11
“Maria leva-nos sempre a Jesus”
O Papa consagrou o mundo a Nossa Senhora, durante a Jornada Mariana em Roma com a presença
da Imagem original da Capelinha das Aparições. Vaticano tem novo Secretário de Estado e o Papa
falou de nova evangelização.
1.
1.
O Papa Francisco consagrou o mundo
ao Imaculado Coração de Maria, na presença da Imagem de Nossa Senhora de Fátima
(ver caixa). Foi no final da Missa do passado Domingo, dia 13 de outubro, perante de
cerca de 300 mil pessoas que não couberam
na Praça de São Pedro, em Roma. Um momento que o Patriarca de Lisboa considera
ser especial para Portugal. “Ficamos muito
contentes como católicos e como portugueses, porque isto passa por nós, por aquilo que
é o Catolicismo português e o que oferece
à Igreja Universal concretamente através de
Fátima, que antes de mais Nossa Senhora
nos quis oferecer”, referiu D. Manuel Clemente, em declarações à Renascença, salientando que no Ano da Fé a mensagem
de Fátima ganha nova relevância. “É motivo
de contentamento e regozijo e tudo isto se
insere e ganha relevo no Ano da Fé, que tem
esta componente mariana fortíssima, e depois com tudo aquilo que a própria mensagem de Fátima nos transmite de conversão
ao Evangelho, e uma vida mais conforme
aos mesmos ditames evangélicos. É essa a
mensagem de Fátima e se ela é sempre importante, no tempo que vivemos, quer em
Portugal quer no mundo, é muito particularmente importante”, considera o Patriarca
de Lisboa.
2.
Na celebração de Domingo, o Papa
considerou que Nossa Senhora é, para a
Igreja, um exemplo, pela sua disposição
sempre pronta a acolher as surpresas de
Deus e a manter-se fiel. “Maria disse o seu
‘sim’ a Deus, um ‘sim’ que transtornou a sua
vida humilde de Nazaré, mas não foi o único; antes, foi apenas o primeiro de muitos
‘sins’ pronunciados no seu coração tanto nos
momentos felizes, como nos dolorosos…
2.
muitos ‘sins’ que culminaram no ‘sim’ ao pé
da Cruz. Estão aqui hoje muitas mães; pensai até onde chegou a fidelidade de Maria a
Deus: ver o seu único Filho na Cruz”.
A presença em Roma da Imagem venerada
na Capelinha das Aparições, em Fátima, foi
o ponto alto da Jornada Mariana do Ano
da Fé, organizada pelo Conselho Pontifício
para a promoção da Nova Evangelização.
No sábado, dia 12, Francisco conduziu uma
catequese mariana, em plena Praça de São
Pedro repleta de fiéis que acenavam com
lenços brancos e entoavam o cântico do 13
de maio. “Reunimo-nos aqui, neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Mãe de
Cristo e da Igreja, nossa Mãe. A sua imagem, vinda de Fátima, ajuda-nos a sentir a
sua presença no meio de nós. Maria leva-nos sempre a Jesus”.
O Papa esperou Nossa Senhora de Fátima
na Praça de São Pedro, recebeu-a com um
beijo e ofereceu um Terço antes de rezar
junto à Imagem. Antes, a Imagem de Nossa
Senhora de Fátima passou pela residência
do Papa Emérito Bento XVI, em procissão
que se prolongou até à Casa de Santa Marta
onde vive o Papa Francisco.
3.
O cardeal Tarcisio Bertone abandonou esta terça-feira o cargo de Secretário de
Estado do Vaticano, sendo substituído pelo
diplomata monsenhor Pietro Parolin, de 58
anos. Razões de saúde impediram Parolin
de estar presente no Vaticano, para assumir
o cargo. Foi o próprio Papa explicou que o
novo Secretário de Estado teve de se submeter a uma pequena intervenção cirúrgica
e por isso estará ausente durante as próximas
semanas.
Durante os sete anos de governo no Vaticano, o cardeal Bertone (quase com 79 anos e
3.
que trabalhou com Ratzinger na Congregação para a Doutrina da Fé) foi alvo de duras
críticas, quer pelo facto de não ter experiência nem formação diplomática, quer pelo seu
nome surgir nos documentos roubados, no
chamado dossier Vatileaks. Pelo contrário,
monsenhor Pietro Parolin, até agora Núncio Apostólico na Venezuela, tem uma vasta
experiência diplomática, não só na América
Latina, mas também na Ásia.
O Papa deixou elogios à “lealdade” do Secretário de Estado cessante e à sua “coragem”
face às adversidades.
4.
O Papa Francisco defendeu, esta
segunda-feira, que o centro da nova evangelização deve ser o encontro com Cristo e
4.
com a sua misericórdia. Numa intervenção
perante a assembleia plenária do Conselho
Pontifício para a Nova Evangelização, em
Roma, Francisco mostrou-se ciente dos desafios colocados à Igreja nestes tempos marcados pela aparente irrelevância da fé, mas
disse ser necessário centrar a mensagem da
Igreja no essencial, que é o encontro com
Cristo e com a sua misericórdia. “A indiferença para com Deus e irrelevância da fé são
marcas do nosso tempo”, recordou. Assim, a
nova evangelização deve despertar a vida da
fé no coração e na inteligência do homem
contemporâneo. Francisco reconhece que a
tarefa é complicada, porque o mais importante não são os discursos, mas sim o testemunho de vida.
Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Nossa Senhora
Oração do Santo Padre*
Bem-aventurada Virgem Maria de Fátima,
com renovada gratidão pela tua presença materna,
unimos a nossa voz à de todas as gerações
que te chamam bem-aventurada.
Em ti celebramos as grandes obras de Deus,
que nunca se cansa de se inclinar com misericórdia
sobre a humanidade, aflita pelo mal e ferida
pelo pecado,
para a curar e salvar.
Acolhe com benevolência de Mãe
o ato de entrega que hoje fazemos com confiança,
diante desta tua imagem, para nós tão querida.
Estamos certos que cada um de nós é precioso
aos teus olhos
e que nada do que habita nos nossos corações
te é estranho.
Deixamo-nos alcançar pelo teu olhar tão doce
e recebemos a consoladora carícia do teu sorriso.
Cuida da nossa vida entre os teus braços;
abençoa-nos e reforça todo o desejo de bem;
reaviva e alimenta a fé;
sustém-nos e ilumina a esperança;
suscita e anima a caridade;
guia-nos a todos no caminho da santidade.
Ensina-nos o teu próprio amor de predileção
pelos pequenos e pobres,
pelos excluídos e pelos que sofrem,
pelos pecadores e os de coração perdido:
reúne-os a todos sob a tua proteção,
e a todos entrega ao teu dileto Filho,
o Senhor Nosso Jesus.
Amén
* tradução do original italiano do Jornal
VOZ DA VERDADE
Domingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
12/ Juventude
O Serviço da Juventude na internet
Visita-nos em www.juventude.patriarcado-lisboa.pt
Formação de animadores
Quais os desafios para o futuro?
No fim de mais um ciclo de formação de animadores, o Serviço da Juventude procurou saber qual o legado desta
caminhada e quais os principais desafios para os jovens formados.
É curioso ver como Deus se manifesta
sempre de variadas maneiras. E comigo
não foi diferente. No início quando me
convidaram a fazer este caminho de 3
anos, confesso que me senti incomodada e talvez até renitente em aceitar mas
à medida que o nosso encontro com
Deus acontece, ao longo da caminhada, ficamos mais enamorados por Ele, o
que traz com isso uma responsabilidade
enorme de testemunhar o amor que Ele
oferece a cada um de nós. E esta é, sem
qualquer dúvida, um grande desafio que
é colocado a uma jovem de 22 anos.
Mas o desafio não acabou aqui. Este
“sim” que eu dei, trouxe com ele uma série de coisas maravilhosas. O sentimento de pertença a Diocese de Lisboa, a
amizade com pessoas que eu até então
desconhecia completamente, o encontro
com cada um daqueles que comigo quiseram partilhar esta experiência da Igreja de Cristo.
Este ano, com o término da formação de
animadores, os desafios que se colocam
são outros. Toda esta experiência de três
anos com um grupo, tem de ser levado a
cada Paróquia. Não podemos continuar
como Pedro, Tiago e João ao subir ao
Monte Tabor, que queriam permanecer
ali porque se sentiam confortáveis. Pelo
contrário, o desafio que nos é colocado é
de descermos do Monte, para que possamos, cá em baixo, contar as maravilhas
de Deus àqueles que ainda não O conhecem.
Este testemunho só será possível se aderirmos realmente a Cristo, se o colocarmos sempre em primeiro lugar em todas as escolhas das nossas vidas. E é este
o verdadeiro compromisso com Jesus.
Deus chama-nos todos os dias a amar o
outro. Como posso eu não amar o outro
quando eu sei que Deus me ama tanto
ao ponto de entregar o Seu Filho Unigénito para me salvar? Não posso. Portanto, só me resta olhar para o outro com
o mesmo carinho com que Deus olha
para mim. Esta responsabilidade advém
do compromisso e da adesão a Cristo.
Quanto mais O conheço, mais eu quero
anunciar a Boa-Nova.
Outro desafio que nos é colocado, e que
não poderia deixar de referir, é o Serviço. Este desafio é deveras complicado.
Costumo dizer que é o desafio da disponibilidade, não só a de tempo mas, antes
de tudo o resto, a disponibilidade do coração. E este é um desafio altruísta, sairmos da nossa zona de conforto para nos
colocarmos ao serviço daquele que precisa de nós. E é tão bonito ver a transformação daquele que serve o outro, tal
como aconteceu com os discípulos no
Lava-pés.
Para terminar, gostaria de referir um último desafio que penso ser importante.
O desafio de deixarmo-nos ser cuidados
por Deus, através da oração. Deus não
nos dá soluções mágicas, mas acreditem
que “tudo o que pedirdes em oração,
crendo, o recebereis”.
Um grande bem-haja a todos os meus
amigos da Formação de Animadores
2010/2013, incluindo os nossos queridos formadores. Que a Luz de Cristo
vos ilumine sempre!
Daniela Rodrigues
Paróquia da Amadora
O que é a formação de animadores?
É uma oportunidade de aprofundar a ligação a Cristo, à Igreja e à Diocese, na sua
diversidade de experiências, de pessoas, grupos e de movimentos. Todos os anos o Serviço da Juventude disponibiliza uma formação para aqueles que
são ou virão a ser animadores de grupos de jovens. Trata-se de uma caminhada em
grupo composta por três encontros anuais num ciclo de três anos.
Juventude /13
Vê ou revê na íntegra o XVIII Festival da Canção Cristã
Acessível no canal do Patriarcado de Lisboa no YouTube,
em www.youtube.com/patriarcadolx
Redes Sociais na JMJ Rio2013
Um desafio para todos nós
A fé é uma chama que se faz tanto mais
viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer,
amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (Rm 10,9). Se
tivermos esta intenção missionária no
nosso trabalho pastoral seremos anunciadores do evangelho, num espaço que não
tem fronteiras porque o evangelho é para
todos. Isto significa abrirmo-nos também a uma nova realidade bem presente
nos dias de hoje, em particular entre o
público mais jovem.
A Jornada Mundial da Juventude no Rio
de Janeiro foi um bom exemplo do que a
Igreja pode fazer ao aproveitar as oportunidades oferecidas pelas redes sociais
sem se comprometer com os seus efeitos mais negativos. Estar presente nesta
«dimensão existencial da comunicação»
é responder ao apelo de Jesus Cristo no
Evangelho: “Ide e fazei discípulos entre
todas as nações!” (Mt 28, 19).
Para a equipa de comunicação da JMJ,
da qual fiz parte, inicialmente o grande
desafio passou por ter uma identidade visual cuidada, promovendo uma forma de
comunicação credível e ao mesmo tempo próxima do público. Houve depois
a necessidade de divulgar informação
generalista relacionada com a JMJ, promover campanhas, divulgar conteúdos
de reflexão partindo de textos bíblicos ou
frases do Papa e cuidar do diálogo entre
o peregrino e a organização, respondendo
às dúvidas.
Os conteúdos destinaram-se a um público global e tornaram as redes num
espaço de encontro e formação para os
peregrinos e também para todos aqueles
que, impossibilitados de viajar, puderam
fazer um caminho espiritual muito pró-
ximo. Contámos com uma colaboração
de mais de 120 voluntários em todo o
mundo que, através de uma plataforma
online, asseguraram a tradução e publicação da informação nos 21 idiomas e nas
mais diversas redes sociais, tais como o
Facebook, Twitter, Youtube, Flickr, Tumblr, Ask.fm, Formspring e Google+.
Durante a semana de realização da JMJ
Rio2013 o trabalho nas redes sociais era
feito em tempo real, dando destaque às
frases do Papa e a todos os acontecimentos diários que tinham lugar.
Para o sucesso da comunicação da Jornada Mundial da Juventude foi importante
o alcance da informação, não só para os
3,7 milhões de peregrinos que estiveram
em Copacabana mas também para as
dezenas de milhões de pessoas que receberam, através destas novas plataformas,
a mensagem de Jesus Cristo.
Estes exemplos vêm confirmar a importância de nós, Cristãos, estarmos também
presentes nas redes sociais, como evangelizadores. É essencial levarmos a Boa-Nova
de Jesus Cristo a quem frequenta estes
novos espaços porque aí também encontramos desorientação, uma necessidade
muito grande de afeto e até uma procura “tímida” de Jesus Cristo. Que respostas
oferecemos nós a essa procura?
É certo que nunca alcançaremos uma
rede social livre de aspetos nocivos mas,
como cristãos, temos este apelo urgente para dar respostas às inquietações das
pessoas que se tornam presentes nesses
ambientes. E o tempo é «hoje», porque
enquanto permanecemos afastados retiramos hipóteses a muitos de conhecerem
Jesus Cristo.
Filipe Teixeira
CALENDÁRIO 2013-2014
O Serviço da Juventude apresenta o seu calendário
de atividades para o ano pastoral 2013-2014 sob
o lema: “O que importa é a fé que se realiza pela
caridade.” (Gal 5,6).
2013
20-22 Setembro
II Jornadas Nacionais da Pastoral
Juvenil
28 Setembro
XVIII Festival Diocesano da Canção
5 Outubro
EGA – Encontro Geral de Animadores
26 Outubro
Conselho Diocesano da Pastoral
Juvenil
9 Novembro
XV Fórum Ecuménico Jovem
(Lamego)
7 Dezembro
Rezar [n]o Advento
2014
25 Janeiro
Vigília Ecuménica Jovem
15 Março
Rezar [n]a Quaresma
13 Abril
XXIX Dia Mundial da Juventude
3-4 Maio
Fátima Jovem
18 Maio
XI Jornada Diocesana da Juventude
07 Junho
Vigília de Pentecostes
14 Junho
Conselho Diocesano da Pastoral
Juvenil
27 Setembro
XIX Festival Diocesano da Canção
E ainda...
FORMAÇÃO DE ANIMADORES
Novo ciclo da FA (2013-2016). Para
mais informações consulta o nosso site.
ITINERÁRIO JUVENIL
Guia para três anos de encontros de
grupos de jovens (pós-Crisma). Poderás adquiri-lo e obter mais informações
através do nosso email juventude@
patriarcado-lisboa.pt
TERÇAS.COM
De Outubro 2013 a Junho 2014
1ª Terça de cada mês: Vocacional
rapazes (>18);
2ª Terça de cada mês: Vocacional
raparigas (>18);
3ª Terça de cada mês:
Namorados (>18);
4ª Terça de cada mês: Palavra
ou Fé e Cultura;
5ª Terça (Outubro e Abril):
Caridade e Serviço
Descarrega também o calendário em
www.juventude.patriarcado-lisboa.pt
Domingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
14/ Domingo
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SUGESTÃO CULTURAL
À PROCURA DA PALAVRA
Um caminho sob
o olhar de Maria
DOMINGO XIX COMUM Ano C
“E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos,
que por Ele clamam dia e noite…?”
Lc 18, 7
Sem desfalecer
Há alguns anos um anúncio publicitário elogiava a duração de determinadas
pilhas com um coelhito a tocar bateria,
que no meio de outros láparos com o
mesmo instrumento, se mantinha activo enquanto todos iam desistindo
por falta de energia. “E dura, e dura, e
dura…” era o slogan que ficava no ouvido. É curioso como em tantas coisas
da vida, e algumas a que chamamos importantes, o comum é gastar-se a energia com o tempo, perder-se o encanto
e o entusiasmo inicial. O certo é que é
preciso recarregar as “pilhas”, renovar os
compromissos, apontar para o essencial
e assumir que há causas que não se podem abandonar, sob o risco de perdermos o mais importante. É aí que, como
diz o meu amigo padre e desenhador
José Luís Cortés, que os amigos são
importantes: “As pilhas recarregam-se
com uma “pilha” de amigos”!
“Orar sem desfalecer” é um tema muito
querido a São Lucas que o refere várias
vezes. Mas a parábola de Jesus que hoje
nos oferece aponta, sobretudo, a fome
pelo P. Vítor Gonçalves
e sede de justiça que uma viúva (pobre
ente os mais pobres) não se cansa de
pedir a um juíz (“que não temia a Deus
nem respeitava os homens”). E o tema
da justiça é repetido quatro vezes no pequeníssimo relato. Não é um manual de
oração o que Jesus oferece. Bem diferente de várias publicações “pseudo-religiosas”, que circulam pelos escaparates
ou na internet, com orações para todas
as circunstâncias, Jesus ensina a clamar
pela justiça, a sintonizar com Deus por
um projecto mais digno de sociedade. A
oração de súplica encontra paralelo no
clamor dos pobres, na perseverança em
favor de quem é oprimido, e essa é uma
causa que nenhum cristão pode abandonar. Daí que toda a oração tenha uma
componente de transformação: da realidade, que desejamos mais justa e mais
coerente com o próprio desejo de Deus;
e de quem reza, que ao abrir-se a Deus
reorienta as suas prioridades segundo
o critério substancial do amor. Dizia o
filósofo Platão: “Não há vento favorável
para aquele que não sabe para onde vai”,
e assim acontece para muitas realidades da sociedade, e também para quem
faz da oração um auto-consolo ou uma
alienação das responsabilidades, em vez
de um diálogo que abre caminhos.
A perseverança é uma virtude que se
cultiva. Muito diferente do fanatismo
ou da intolerância, defeitos que endurecem e atrofiam o coração e a mente, a perseverança tem a sua força nas
motivações. E quando o valor maior é
a felicidade dos outros vale a pena lutar
por ela. Revestida de sabedoria, apresentando objectivos realizáveis, e reconhecendo os pequenos progressos, ela
lembra-nos que “o muito é sempre feito de
pequenos poucos” ( J.Luís Cortés).
Nestes dias de grande sofrimento económico e social é duro constatar que a
perseverança parece ser exclusivamente
da austeridade. Em que justiça poderemos encontrar motivações? Que perseverança nos é pedida? Que fé quer
o Filho do Homem encontrar quando
voltar, se não uma fé como a da viúva,
comprometida na justiça e na verdade?
O Carmelo de Coimbra publicou a obra
‘Um caminho sob o olhar de Maria’, que
apresenta a biografia completa da Irmã
Lúcia. O livro mostra como se desenrolou
a vida daquela que viu, falou e privou, de
muito perto, com a Senhora mais brilhante que o sol, e revela vários aspetos e acontecimentos da sua vida, desconhecidos
até ao presente, documentados pelos seus
escritos pessoais, tendo como base aquilo
que ela própria narrou da sua vida. O Prefácio do livro é da autoria de D. Virgílio
Antunes, Bispo de Coimbra, que se refere
à Irmã Lúcia como “a criança abençoada e
escolhida para difundir no mundo a mensagem de paz e salvação de Deus”.
Publicado pelas Edições Carmelo, ‘Um
caminho sob o olhar de Maria’ conta, ainda, com uma fotobiografia que acompanha o desenrolar dos capítulos que narram
a vida da Irmã Lúcia.
DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM – ANO C (27 de outubro)
CÂNTICO
DEPARTAMENTO
DE LITURGIA DO
PATRIARCADO
DE LISBOA
COMPOSITOR
FONTE
USO LITÚRGICO
Alegre-se o coração
M. Simões
CEC II 134
Entrada
Tende piedade de mim, Senhor
A. Oliveira
CPD 521
Apresentação dos Dons
Quando Vos invoco sempre me atendeis
M. Luís
SR 308
A. Dons / Pós Comunhão
Quem se exalta será humilhado
F. Santos
CP2 277
A. Dons
O Senhor alimenta
F. Silva
NCT 267
Comunhão
Jesus Cristo amou-nos
M. Luís
CAC 203
Comunhão / Pós Comunhão
Cantarei ao Senhor um cântico novo
F. Silva
NCT 212
Final
SIGLAS | CAC – MANUEL LUÍS, Cânticos da Assembleia Cristã, Secretariado Nacional de Liturgia | CEC – Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I-II, Secretariado Nacional de Liturgia | CP – FERREIRA DOS SANTOS, Canto Perene, Secretariado Diocesano de Liturgia Porto | CPD – Canta Povo de Deus, Santuário de Fátima | NCT – Novo Cantemos Todos, Editorial Missões | SR – MANUEL LUÍS,
Salmos Responsoriais
Opinião /15
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Francisco, os publicanos
e os fariseus
reformar a doutrina, nem a moral católica,
que permanecem incólumes e que devem
ser aferidas pelos textos oficiais, como são o
Catecismo da Igreja Católica, as encíclicas,
os documentos conciliares, as instruções
dos dicastérios romanos, etc. Portanto, do
ponto de vista doutrinal, nada de novo na
Igreja Católica.
Outra é a questão pastoral do acolhimento
a dispensar aos fiéis e aos não crentes que
se encontram em situações especiais. Receber, com delicadeza e afecto, um doente,
não é sinónimo de condescendência com o
seu mal: pelo contrário, o amor ao enfermo
obriga até a combater a sua enfermidade,
mas não de tal forma que, debelando-se o
mal, venha o paciente a morrer da cura.
Para um profissional da saúde, chamado a
atender as pessoas que se envolveram numa
rixa, a questão da culpa não se põe: todos
são, por igual, pacientes e todos merecem a
mesma solicitude clínica. O juiz determinará depois, se necessário, a responsabilidade criminal dos intervenientes, mas uma
tal inquirição está obviamente para além
do acto médico.
O Papa Francisco, cuja índole pastoral predomina sobre a doutrinal ou a meramente
disciplinar, quis recordar que a Igreja e os
seus ministros devem ser, sobretudo e principalmente, não juízes mas pastores, não polícias da fé e dos bons costumes, mas agentes
da misericórdia divina, médicos das almas
todas, pais e irmãos de todas as pessoas.
Se, depois desse acolhimento inicial, que
a todos deve ser dispensado, se gerar uma
dinâmica de conversão pessoal, fará sentido
o oportuno esclarecimento doutrinal, como
introdução aos sacramentos da iniciação
cristã, ou da cura. O catecúmeno será, então, informado sobre as exigências morais
fundamentais que comporta a vida cristã e
a que se obriga pelo santo baptismo. Por
sua vez, o já cristão em processo de reaproximação à Igreja deverá, para esse efeito, recorrer à confissão sacramental e, nessa sede,
o sacerdote não poderá deixar de ajuizar, de
forma congruente com a doutrina cristã, os
actos de que espontaneamente se acuse o
crente, exortando-o à prática da vida cristã,
sob pena de não poder ainda receber a desejada absolvição.
Mas, antes desse momento sacramental,
quer por via do baptismo, quer por via da
reconciliação e penitência, há certamente,
para muitas pessoas, um longo caminho a
percorrer. É para esse penoso percurso que
o Papa Francisco quer oferecer o seu bor-
dão de bom pastor e a solicitude misericordiosa da Igreja a que preside na caridade.
Quando o Cardeal Bergoglio aceitou a sua
eleição como sucessor de Pedro, escolheu
para si mesmo o nome de Francisco. Fê-lo em nome dos pobres e com a consciência de que esse nome era, para a Igreja e
para o mundo, um desafio e uma provocação. Também o poverello de Assis o foi no
seu tempo, pelo seu desprezo das riquezas
e pela originalidade escandalosa do seu
exemplo mendicante e da sua pregação.
O Papa Francisco incomoda muita gente,
porque não teme ir ao encontro da ovelha
extraviada. Não consente no seu extravio,
mas também não a enxota. Nem teme, na
mais ortodoxa fidelidade à doutrina católica, as críticas dos bons, bem mais papistas
do que ele. Também de Jesus os fariseus
diziam que não observava o sábado e que
convivia com publicanos e pecadoras… Em
boa hora o Senhor o fazia, porque há mais
alegria no reino dos Céus, por um pecador
que se converte, do que por noventa e nove
justos que perseveram no bem.
um acidente… É extraordinário lembramo-nos de como João XXIII, pouco antes de
morrer, legou ao Concílio e ao mundo a encíclica Pacem in Terris, decisiva para animar
o “Esquema XIII” (que viria a ser a constituição Gaudium et Spes), colocando os “sinais
dos tempos” na ordem do dia, para abrir os
horizontes de mudança, com fidelidade à
mensagem de Jesus Cristo. Se não fosse essa
persistência, a constituição Gaudium et Spes
teria ficado pelo caminho… Infelizmente,
a Pacem in Terris continua por cumprir – e
deve dizer-se que o Papa Francisco repõe,
na força dos nossos dias, a atualidade desse
apelo lancinante.
Há que tirar consequências de tudo isto.
O acontecimento é nosso mestre interior.
“Agora, a Igreja é um mistério, no qual o
povo de Deus vem primeiro e só depois a
hierarquia. E é este povo que nos interroga
e nos interpela e é a ele que nos devemos
dedicar”, como diz o Padre Ramón Cazallas,
que acompanhou o Concílio em Roma enquanto estudante. E a luz do mundo (lumen
gentium) é Cristo, sendo a Igreja o reflexo
dessa luz extraordinária. Eis por que razão
os cinquenta anos do Concílio Vaticano II
não podem ser um revivalismo, mas sim um
desafio de novas respostas. Por exemplo,
não explorámos ainda plenamente o papel
dos leigos e a colegialidade na Igreja. Basta
lembrarmo-nos da última ceia e dos Atos
dos Apóstolos. Como afirma o Cónego António Rego “o leigo tem a sua cidadania que
não lhe advém do Papa nem dos bispos, mas
do sacramento que recebe, que é o batismo”.
Daí que a sinodalidade seja fundamental,
como método e como modo de viver, de maneira que a Igreja seja fermento na massa.
Este desafio não pode ser esquecido.
Há pouco o Sumo Pontífice disse algo que
é muito mais importante do que pode parecer à primeira vista: precisamos de pensar teologicamente o papel da mulher na
Igreja – uma vez que estamos ainda muito desatentos ao episódio de Marta e de
Maria, sendo que o testemunho de ambas
é fundamental para o presente e para o
futuro. Leia-se com atenção a extraordinária entrevista dada pelo Papa às revistas
da Companhia de Jesus, publicada entre
nós pela Brotéria. O tema dos ritos e da
diversidade é também de grande premência. Trata-se de conhecer o Evangelho e
de comunica-lo aos diferentes povos, ten-
do em conta a sua cultura. Tanto por fazer
também aí…
Devemos, no fundo, ser mais “testemunhas
do que mestres” – como afirmou Paulo VI.
E aqui está a dificuldade. Temos sempre a
tentação de pormo-nos nas nossas tamanquinhas muito seguros de nós mesmos… E
só temos a perder com isso. “Os sistemas da
economia e da política devem ser reinventados porque os povos são completamente
deixados de lado. Há uma crise profunda
nas democracias atuais e até nos sindicatos”,
insiste o Padre Ramón Cazallas. Os sinais
dos tempos obrigam-nos a compreender o
significado das Bem-aventuranças como
exigências de agora! O Concílio foi um
dom de Deus – urge compreendê-lo assim.
E este diálogo permite-nos cuidar de muitas sementes que ainda estão por germinar
e que temos de lançar à terra…
pelo P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Anda por aí um sururu dos diabos – nunca
melhor dito … – por causa da entrevista do
Papa ao Padre António Spadaro, director
da revista La Civiltà Cattolica.
Alguns publicanos embandeiraram em arco,
à conta da suposta aprovação, pelo Santo
Padre, de certas atitudes que a doutrina
da Igreja condena. Outros, pelo contrário,
quando souberam que o Papa lamentava a
obsessão de alguns por certos temas morais, escandalizaram-se, como se, depois de
anos de generosa dedicação a essas causas
fracturantes, agora lhes fugisse o chão debaixo dos pés. Se os primeiros se sentiram,
depois de décadas de aparente exclusão
eclesial, finalmente acolhidos e abençoados, os últimos, ao invés, experimentaram a
amargura da contradição, como se tivessem
sido traídos pelo seu bem-amado chefe e
principal mentor.
Não se pode minimizar uma declaração
papal, mas também não se deve exagerar a
sua relevância. A conversa do Papa Francisco com o jesuíta que o entrevistou não
é mais do que isso e, como tal, deve ser
entendida. O Santo Padre não pretendeu
Dom e oportunidade
por Guilherme d’Oliveira Martins
Falo-vos de um livro que transcreve uma
entrevista de António Marujo que corresponde a um encontro muito fecundo entre
os Padres Ramón Cazallas e António Rego.
Li-o com muito gosto e proveito espiritual
e intelectual. Em “Quando a Igreja desceu à
terra” (Lucerna, 2013) há uma atitude orientada para o futuro. Há muito por fazer. O
Concílio Vaticano II deve ser entendido de
forma dinâmica: “O sonho e a ousadia de
João XXIII lançaram a Igreja num diálogo
aberto com a modernidade”. E agora não
podemos pensar este impulso como se ele
se mantivesse imutável há cinquenta anos.
É no tempo de hoje que temos de ouvir o
Papa Francisco a fazer-nos compreender
que não podemos responder às pretensões
dos nossos netos com as audácias dos nossos avós, como gostava de dizer Emmanuel
Mounier. “A Igreja quando fica fechada
adoece e quando sai pode ser atropelada;
prefiro uma Igreja atropelada a uma Igreja
doente”… – diz o Papa. A metáfora significa
apenas isto: temos de sair, de ir para junto
das pessoas, mesmo correndo o risco de ter
Domingo, 20 de outubro de 2013
www.vozdaverdade.org
16/ Última Página
Agenda semanal [21 a 27 de outubro]
Terça-feira, dia 22
10h00 – Reunião do clero da Vigararia
de Loures-Odivelas – D. Nuno Brás
15h00 – Início da Visita Pastoral às
paróquias de Camarate e Apelação –
D. Nuno Brás
Quarta-feira, dia 23
15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás
Quinta-feira, dia 24
9h30 – Sessão Solene e abertura das
II Jornadas da Associação ‘O Companheiro’, no auditório Carlos Paredes,
em Benfica – preside Patriarca de
Lisboa
15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e
Apelação – D. Nuno Brás
18h45 – Missa das Universidades,
na igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa – preside Patriarca de
Lisboa
Sexta-feira, dia 25
15h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás
19h00 – Missa no Aniversário da Dedicação da Sé Patriarcal – preside Patriarca de Lisboa, concelebram Bispos
Auxiliares
21h30 – Vista Pastoral a Sacavém:
Encontro Vicarial com o CNE e jovens,
na paróquia da Apelação – preside Patriarca de Lisboa
Sábado, dia 26
9h30 – Sessão de Abertura das Jornadas das Capelanias Hospitalares, nas Irmãs Vicentinas, no Campo
Grande, Lisboa – preside Patriarca de
Lisboa
10h00 – Continuação da Visita Pastoral às paróquias de Camarate e Apelação – D. Nuno Brás
12h00 – Missa na Peregrinação a
Fátima do Movimento dos Cursos
de Cristandade do Patriarcado de
Lisboa, na Capelinha das Aparições
do Santuário de Fátima – D. Joaquim
Mendes
18h30 – Conferência ‘Arte e fé’, no
CCB - Centro Cultural de Belém–
Patriarca de Lisboa
Domingo, dia 27
10h30 – Fim da Visita Pastoral às
paróquias de Camarate e Apelação –
D. Nuno Brás
11h00 – Missa na paróquia da Encarnação de Mafra, por ocasião da
inauguração do restauro – preside
Patriarca de Lisboa
11h30 – Missa no Encerramento das
Comemorações dos 200 anos do nascimento do Beato Frederico Ozanam
e dos 180 anos da criação da primeira
Conferência de São Vicente de Paulo
em Paris, na igreja das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, no
Campo Grande, em Lisboa – D. Joaquim Mendes
15h30 – Missa em Torres Vedras –
preside Patriarca de Lisboa
Voz da Verdade na internet
www.vozdaverdade.org
NA TUA PALAVRA
Clareza
D. Nuno Brás
Afinal, a lei não passou. O Código Penal
do Equador continua a defender a vida
humana desde o seu início, como aliás se
encontra escrito na Constituição do próprio país. Apesar disso, durante a discussão de uma nova redação do Código Penal,
alguns deputados tentaram uma liberalização do aborto.
O Presidente da República equatoriano,
Rafael Correa, anunciou, no passado dia
10 de Outubro, que “se um grupo de pessoas muito desleais conseguir que a despenalização do aborto seja incluída no novo
Código Penal, eu imediatamente apresentarei a renúncia ao meu cargo”. “Jamais
aprovarei a despenalização do aborto” —
afirmou ainda.
Contudo, se é certo que a lei não passou —
quem sabe se pelo facto de o Presidente da
República ter sido assim tão claro — não
deixa de ser digna de nota a posição deste
político, até porque, habitualmente, não é
isso que acontece, em particular nestes casos de defesa da vida.
Na sua grande maioria, os políticos (pelo
menos aqueles de que ouvimos mais falar,
no nosso país e não só) deixam-se ir na
opinião dos grupos de pressão abortistas
e nas campanhas mediáticas que são promovidas, constante e insistentemente, em
favor dos temas que, nesta cultura da morte, vão marcando a agenda. Têm medo da
opinião pública; têm medo de perder votos
nas próximas eleições, e descartam-se com
a privacidade da consciência.
Mais que promessas, que a grande maioria
sabe que nunca poderá cumprir, deve passar antes a importar a clareza dos políticos diante dos eleitores. Sabemos que não
existem seres humanos sem pecado — e,
por isso, é natural que logo alguém descubra uma qualquer falta no passado de um
político que fale de um modo assim claro.
Mas o facto é que, hoje, a clareza diante
dos eleitores deveria ser essencial, antes e
depois da eleições.
Este caso do Equador, é um caso raro. Não
deixa de ser estranho que, pelo menos que
tenha notado, nenhum meio de comunicação português tenha dado notícia!
FICHA TÉCNICA
Registo n.o 100277 (DGCS) - Depósito legal: 137400/99; Propriedade: Nova Terra, Empresa Editorial, Lda; Capital Social: 100.000 euros; NIF: 500881626; Editor: Nova Terra, Empresa Editorial, Lda.; Tiragem: 11.200 exemplares;
Diretor: P. Nuno Rosário Fernandes; Site: www.vozdaverdade.org; Redação: Diogo Paiva Brandão ([email protected]), Nuno Rosário Fernandes ([email protected]); Colaboradores
regulares: Aura Miguel, D. Nuno Brás, Margarida Vaqueiro Lopes, P. Vítor Gonçalves; Opinião: António Bagão Félix, A. Pereira Caldas, Guilherme d’Oliveira Martins, Isilda Pegado, Nuno Cardoso Dias, Padre Alexandre
Palma, Padre Duarte da Cunha, Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, Padre Manuel Barbosa, Pedro Vaz Patto; Colaboração: Departamento de Liturgia, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, FEC - Fundação Fé e Cooperação,
Setor de Animação Vocacional, Setor da Pastoral Familiar, Serviço da Juventude, Comissão Justiça e Paz dos Religiosos, Alberto Júlio; Design Gráfico e Paginação: Moving Wide, Lda., [email protected]; Pré-impressão
e impressão: Empresa do Diário do Minho, Lda. - Rua Cidade do Porto, Complexo Industrial Grundig Lote 5 Fracção A, 4700-087 Braga - [email protected] - Tel: 253303170; Direção, Administração e Redação:
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(o comprovativo de pagamento, com o número de assinante, deverá ser enviado para o fax 218810555 ou através do e-mail [email protected])
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Nossa Senhora de Fátima no centro do mundo