La banque Caixa Geral de Depósitos fête cette année ses 140 ans d’existence.
140 années de relation, de projets menés à bien, d’accompagnement au
quotidien. 140 années de fidélité à nos valeurs de confiance, rigueur, solidité
et transparence.
A l’occasion de cette nouvelle année, recevez au nom de nos collaborateurs,
nos voeux de bonheur, de santé et de réussite.
Nos équipes sauront, cette année encore, vous apporter
la plus grande satisfaction.
Meilleurs Voeux.
8V^mV<ZgVaYZ9Ze‹h^idh#H#6#™HjXXjghVaZ;gVcXZ"7VcfjZZihdX^‚i‚YZXdjgiV\ZZcVhhjgVcXZh™(-!gjZYZEgdkZcXZÄ,*%%.E6G>H™I‚a‚e]dcZ%&*+%'*+%'™;Vm%&*+%'*+%&™>bbVig^Xja‚ZVjegƒh
YZaÉDG>6HPlll#dg^Vh#[gRc°>HE'%,&-+%)&™H^gZc(%+.',(.(G8HEVg^h™6E:+)&.O™>YZci#>cigVXdbbjcVjiV^gZ;G--(%+.',(.(™H^ƒ\ZHdX^Va/6k#?ddMM>!+(Ä&%%%"(%%A^hWdV!Edgij\Va™8Ve^iVaHdX^Va
¤*#.%%#%%%#%%%Plll#X\Y#eiR™8G8AZiC>E8c#°*%%.+%%)+™I]^c`hidX`™9dXjbZcicdcXdcigVXijZa# l
JANEIRO 2016
EDITORIAL
WWW.PORTUGALMAG.FR
3
Pedro António
DIRECTOR
A revista bilingue da comunidade
portuguesa em França
Frankelim Amaral
DIRECTOR DE REDACÇÃO
Director
Pedro ANTÓNIO
Director de redacção
Frankelim AMARAL
Propriedade e Edição
FP Productions
Sede
97 avenue Emile Zola, 75015 Paris
Contactos
Tel. Comercial: 06 63 78 17 13 - Tel. Informação: 06 08 91 15 50
Email: [email protected]
Web: www.portugalmag.fr - www.facebook.com/portugalmagazine
Journalistes accrédités auprès de l'UNESCO
Composição gráfica
Folheto Edições & Design
Praça Madre Teresa de Calcutá, Lote 115, loja 1
2410-363 Leiria – Portugal
Tel./Fax: 00351 244 815 198 | [email protected]
Colaboradores
Susana Patarra, Guida Amaral, Vitor Santos, Adélio Amaro (Portugal),
Mário Pina, Lucia Lopes, Angélique David-Quinton, Manuel Moreira,
Susana Alexandre, Serge Farinho, Mario Cantarinha, Manuel do
Nascimento, Maria Fernanda Pinto, Alfredo Lima, Sabrina Simões,
Luís Gonçalves, José Luís Peixoto, Isabel Alves, Isabel Meyrelles
Fotógrafos
Teresina Amaral, Patrick Gonçalves
Portugal Magazine
é uma publicação mensal gratuita
Agence de Presse
Lusa
Publicidade
ISSN
2105-7761
Tiragem
15.000 exemplares
Todos os direitos reservados
Os textos assinados são da responsabilidade dos autores
e não reflectem, necessariamente, a opinião da revista
Iniciou um novo ano ! Toda a equipa da Portugal Magazine
deseja-lhe a si, aos seus familiares e a todos os que lhe são
mais queridos, um Feliz Ano 2016 repleto de Saúde, Amor,
Felicidade e Sucesso. Que 2016 venha a realizar todos os seus
desejos e que continue a ser um fiel leitor da Portugal Magazine, quanto a nós, continuaremos em sua companhia e tudo
faremos para propôr-vos um conteúdo interessante e variado
sobre a comunidade portuguesa de França e matar assim um
pouco da saudade que aperta o coração de todo o emigrante
que vive longe do seu país natal. A chegada de um novo ano
configura sempre uma oportunidade para assumirmos novos
compromissos, individuais e colectivos, e gerar novas expectativas de vida.
Nosso destaque para começar este novo ano vai para a
gala organizada pela CCIFP, Câmara de Comércio e Indústria
Franco-Portuguesa, que comemorou no mês passado os seus
10 anos de existência com um jantar e concerto privado. Esta
instituição que reune cerca de 500 membros empresários,
promove o nome de Portugal em França, favorece o desenvolvimento de intercâmbios comerciais entre os dois paises,
organiza salões, debates, seminários, assina acordos para que
tudo o que Portugal tem de melhor a oferecer, se faça conhecer em França.
Nesta edição, também vai encontrar os votos de diversas
personalidades, as datas que mais marcaram o ano 2015 entre outros artigos.
Para todos aqueles que por diversas razões preferem esquecer o ano 2015, esperemos que em 2016 tudo corra pelo
melhor apesar de não haver como passar uma borracha em
tudo o que se viveu. Na vida não há rascunho. É um rio que
corre apenas pra frente. O que está feito, está feito. E para os
nossos leitores que passaram um ano 2015 com belos momentos, esperemos que 2016 seja ainda melhor !
Novamente reiteramos os votos de um excelente Ano Novo
a todos os nossos leitores, colaboradores e anunciantes.
Recherche de Commerciaux H/F autonomes, organisés et dotés d’un bon sens du relationnel,
ayant pour mission de développer un portefeuille clients composé de professionnels de la communauté
portugaise à Paris et Ile-de-France. Ainsi, vos principales responsabilités seront de définir la stratégie
commerciale de prospection, cibler les entreprises à prospecter, effectuer principalement de la prospection
terrain. Le permis B ainsi qu’un véhicule sont nécessaires. Rémunération attractive.
Si vous êtes intéressé, envoyez votre CV à [email protected]
JANEIRO 2016
4
ÍNDICE
WWW.PORTUGALMAG.FR
16
05
Conselho da Diáspora,
portugueses influentes
de todo o mundo
discutem soluções
com Governo
François Chasans,
o francês que se
apaixonou pela
Bairrada
06
18
Paulo Marques, eleito
conselheiro territorial
da Metrópole de Paris
Prémio Pessoa para Rui
Chafes, um artista
íntegro e inteiro
08
Mensagem de Ano
Novo de Hermano
Sanches Ruivo
20
Datas que marcaram
2015
24
09
Mensagem do Secretário de Estado
das Comunidades
Portuguesas, José
Luís Carneiro
A Câmara de Comércio
e Indústria FrancoPortuguesa (CCIFP)
comemorou o 10°
aniversário com um
jantar de gala
34
10
Língua portuguesa
«um idioma
de futuro»
Santarém, cidade
cheia de história
12
36
Lojas «gourmet»
portuguesas à
conquista de Paris
14
Dois filmes portugueses na competição do festival internacional em França
Direitos do
Consumidor
39
Euro2016: Portugal
integrado no Grupo F
com Islândia,
Hungria e Áustria
JANEIRO 2016
ENCONTRO
WWW.PORTUGALMAG.FR
5
Conselho da Diáspora,
portugueses influentes de todo o mundo
discutem soluções com Governo
OS CONSELHEIROS DA DIÁSPORA REUNIRAM-SE, NO PALÁCIO DA CIDADELA, EM
CASCAIS, para debater dois temas no decorrer daquele que foi o terceiro encontro anual: o primeiro
centrou-se na empregabilidade das novas gerações e no facto de as instituições do ensino superior
estarem (ou não) a responder adequadamente às necessidades do mercado; o segundo passou pela
inovação na indústria do audiovisual.
O objetivo deste órgão passa por
aproximar estas personalidades dos conselheiros de Portugal no mundo, portugueses com lugares de destaque no estrangeiro, seja em empresas, na cultura
ou na ciência, no sentido de criar uma rede
e lançar o diálogo entre todos.
Durante o evento, no discurso que fez
para os cerca de 150 convidados presentes em Cascais, Cavaco Silva, presidente
honorário do Conselho, afirmou que Portugal “se mantém à tona de água”, porque
integra “este núcleo duro da zona euro”.
Acrescentou que “se saltasse fora, afundava-se”. “Portugal tem que concretizar
aquelas que devem ser as suas prioridades económicas: exportação e o investimento privado. E para isso há um fator
decisivo: a confiança dos investidores externos, das instituições, dos mercados e
das agências de rating“, afirmou.
Por sua vez, o ministro dos Negócios
Estrangeiros, Augusto Santos Silva, novo
vice-presidente honorário do Conselho da
Diáspora, referiu as quatro prioridades de
política externa que podem ser desenvolvidas com a ajuda dos conselheiros. A promoção da língua e cultura portuguesa é a
primeira, com o país a precisar de “escalar outra vez a montanha”, que muitas vezes “é a porta de entrada mais fácil para a
nossa economia”.
A segunda é o empreendedorismo, a
iniciativa, o investimento e o comércio,
seguido da utilização plena dos recursos
portugueses, com destaque para o mar,
ciência e tecnologia e a economia do conhecimento. Por último, Augusto Santos
Silva identificou como prioritário o contributo de Portugal como nação global.
“Julgo que há avenidas que podem ser
percorridas no reforço da cooperação entre instituições como o Conselho da Diáspora e o Estado, as universidades, terceiro
setor, entre outros. A rede que os conselheiros representam é absolutamente ins-
trumental e essencial para esse trabalho
de formiguinha, que é preciso ir fazendo
para capitalizar o que Portugal tem e a sua
influência”, afirmou na abertura do terceiro
encontro anual dos conselheiros.
Augusto Santos Silva referiu ainda que
é preciso ligar as imagens mais tradicionais da emigração portuguesa com as mais
novas, que representam a mobilidade portuguesa. “As nossas comunidades já não
são apenas a emigração, aqueles que partiram num certo momento das suas vidas.
São também aqueles que estão temporariamente fora, em mobilidade profissional,
como estudantes ou voluntários”, salientou.
O Conselho da Diáspora Portuguesa foi
fundado em dezembro de 2012, para estreitar as relações entre Portugal e a rede
mundial de portugueses espalhados pelo
mundo com posições relevantes em organizações empresariais, na cultura, ciência
e participação política. Conta com 84 membros, presentes em 22 países, e a sua missão é promover a imagem de Portugal e
trazer ideias que contribuam para o desenvolvimento do país.
Quem são os conselheiros da
Diáspora?
Os 84 conselheiros da diáspora ocupam
posições relevantes em organizações empresariais, na cultura, ciência e participação política. O Económico elaborou uma infografia
onde constam os “embaixadores informais”
que falam e pensam português em 21 países espalhados pelos cinco continentes.
6
JANEIRO 2016
ENTREVISTA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Paulo Marques, eleito conselheiro
territorial da Metrópole de Paris
PAULO MARQUES, AUTARCA DE AULNAY-SOUS-BOIS, foi eleito conselheiro territorial
da Metrópole de Paris a 16 de Dezembro de 2015.
Paulo Marques nasceu em França, em
Champigny-sur-Marne. Dirigente associativo na associação Cultura Portuguesa de
Aulnay-sous-Bois aos 16 anos, iniciou a
sua carreira política candidatando-se à
Câmara Municipal de Aulnay-sous-Bois
em 1989 com apenas 19 anos. Foi eleito
pela primeira vez em 1995 e vinte anos
apôs o seu primeiro mandato, Paulo Marques integra agora o Território da Metrópole da Grande Paris, nova estrutura
de cooperação intercomunal nascida a 1
de Janeiro de 2016.
A Metrópole, um território grande
como sete vezes Paris e com uma população de 7 milhões de habitantes, viu o
dia no primeiro dia do ano de 2016 cuja a
eleição de seus membros teve lugar entre os dias 15 e 23 de dezembro.
Os territórios da Metropole de Paris
vão recuperar progressivamente até 2018
as competências de ambito local : saniamento e tratamento das aguas, lixo, política da cidade, ação social, equipamentos desportivos e culturais, o Plano Local
de Urbanismo tal como também o Plano
Climático e Ambiantal. Factualmente penso que será necessario algum tempo para
harmonizar as diversas situações. Tinha
sido por essas razões que os Presidentes
de Câmaras Municipais tinham solicitado
um prazo suplementar de um ano, até 1
de janeiro de 2017 para preparar a passagem com mais serenidade, o que nos
foi recusado pelo governo.
Paulo Marques em entrevista fala-nos
das suas novas funções no território da
Metrópole da Grande Paris.
Paulo, o que aconteceu a primeiro de janeiro de 2016?
A Metrópole da Grande Paris, chamada MGP, é uma nova instituição de cooperação intercomunal. Ela engloba Paris,
os departamentos de Seine-Saint-Denis,
Hauts-de-Seine e Val de Marne, ou seja
123 câmaras Municipais juntas em 12 territórios. Para a dirigir são perto de 1.050
conselheiros Territoriais da Metrópole de
Paris e 209 conselheiros Metropolinos
designados por eleição pelas assembleias municipais. As primeiras reuniões
têem lugar dia 11 de janeiro com a tomada de posse e depois regularmente convocados, os conselheiros vão desbroçar
seus esforços na articulação pragmatica
da nova coletividade.
O que vai fazer a Metrópole?
A MGP têm um duplo objectivo. Reduzir as desigualdades entre os Territórios, mas também reforçar o Grande Paris
como Metrópole de nivel Mundial. As suas
orientações e competências vão ser progressivas. Em 2016, a Metrópole recupera as competências do ambiente e do desenvolvimento económico. As competên-
PAULO MARQUES
cias do urbanismo e do alojamento serão
transferidas no ano que vêm, em 2017.
No entanto, já este ano, a Metrópole pode
implementar uma primeira medida no
sentido de favorecer a construção de programas de habitação. Instaurar por exemplo, um apoio financeiro as Câmaras Municipais que desenvolvem a construção
para que possam adquirir equipamentos
como creches, escolas … devido à chegada de novos moradores.
É bom salientar também que a Metrópole de Paris terá dois anos para definir o
seu projecto metropolitano.
Paulo Marques, qual o papel de
cada um dos 12 territórios?
Qual será a incidência sobre a
nossa comunidade residente na
Metrópole da Grande Paris?
Em primeiro lugar, a incidência será a
mesma que qualquer Franciliano (residente da Região Île de France). Pois a intervenção toca todos os habitantes de Paris,
Seine-Saint-Denis, Hauts de Seine e Val
de Marne. No que diz respeito à comunidade Portuguesa, posso já identificar sectores que dirão respeito mais diretamente aos portugueses que são por exemplo,
para os empresarios da construção civil,
da promoção imobiliaria que vão ver aumentar as possibilidades de negócios com
uma política Metropolitana de habitação.
A cultura pode ser algo de um olhar específico para que não seja abandonada ou
deminuida a oferta da cultura Portuguesa
e lusófona pelas estruturas câmararias.
São exemplos onde a nossa presença
pode atuar no seio desta nova coletividade de mais de 7 milhões de habitantes.
Como é financiado essa nova coletividade?
Ao primeiro de janeiro de 2016, as
taxas «foncières e habitation» continuam
a serem pagas para as Câmaras Municipais. As taxas das empresas, essas, é que
vão financiar a Metrópole de Paris.
Progressivamente as taxas fiscais vão
ser as mesmas em todo o lado, não haverá mais concorrência entre os territórios.
8
JANEIRO 2016
VOTOS
WWW.PORTUGALMAG.FR
Mensagem de Ano Novo
de Hermano Sanches Ruivo
CHEGADA MAIS UMA QUADRA NATALÍCIA E DE ANO NOVO, Nestas primeiras horas de 2016, estamos
provavelmente num último balanço do ano que findou, pensando nos momentos fortes, alegres ou tristes,
relembrando também o que realmente mudou nas nossas vidas e nas vidas dos que mais nos importam.
Assim, arrumando uma boa parte da
memória de 2015, ano que ficará como
muito especial para quem vive em França e para mim vereador na Cidade de
Paris, participamos da reflexão sobre o
que podemos esperar de este Novo Ano.
Assim estamos todos, entre esperança e confiança, entre preocupação e alguma ansiedade. Por isso, queria partilhar, nesta mensagem mais pessoal, o
sentimento comum de pertecermos a
uma mesma família, a conviver num mesmo espaço, procurando partilhar direitos mas também deveres, trabalhando
para que estes anos que passam, que
nos levam de criança para adulto, que
nos trazem filhos e amigos, que nos dão
a possibilidade de realizar sonhos, se-
HERMANO SANCHES RUIVO
jam bem vividos. Que os valores que nos
movem, no dia a dia, possam ser os que
tornam possível alguma felicidade.
E porque somos Portugueses em França ou Portugueses de França, nessa lógica mistura de gerações, podemos também continuar a desenvolver este laço
com uma cultura, uma língua, uma certa
forma de viver e de imaginar o Mundo.
Para 2016, seria o meu principal desejo: que esta nossa dupla cultura venha
a crescer, a tornar-se mais visível e mais
evidente para todos, isso, evidentemente, em conjunto com saúde, amor e muita
amizade!
A todos os leitores do Portugal Mag,
os meus sinceros votos de um Grande
Ano de 2016 e não apenas com a vitória
da nossa Selecção no Euro 2016 em
França,
Hermano Sanches Ruivo
Adjoint à la Maire de Paris
Conseiller délégué à l’Europe
[email protected]
Novo Cônsul em Paris promete mais
eficiência dos serviços
“Enquanto Cônsul-Geral em Paris procurarei reforçar e melhorar a eficiência
dos serviços consulares e dar uma acrescida e elevada atenção aos problemas da
comunidade portuguesa”, disse em mensagem de apresentação á comunidade
portuguesa o novo Cônsul-Geral de Portugal em Paris.
António Albuquerque Moniz promete
prestar “atenção, em coordenação com
os serviços da Embaixada de Portugal em
Paris e da coordenação do ensino do Português em França, à qualidade do ensino
da nossa língua”, defendendo que esta é
“parte essencial do nosso património, da
nossa vivência comum, da nossa identi-
ANTÓNIO ALBUQUERQUE MONIZ
dade como Povo que não se confina aos
limites geográficos de Portugal”.
O cônsul espera ainda participar nas
atividades sociais, culturais e económicas que promovam o desenvolvimento, o
progresso e a visibilidade dos portugueses nesta região e que contribuam para o
prestígio de Portugal e para a divulgação
da língua e cultura portuguesas.
Por fim, na sua mensagem, António
Albuquerque Moniz declara que a diáspora portuguesa na área de jurisdição deste
Consulado Geral conta já com “uma grande maturidade e uma tradição sólida que
nos deverá permitir, em conjunto, aprofundar a sua participação na vida deste
país”, sem deixar de defender a cultura e
a história particulares da nação portuguesa, referência incontornável da identidade.
JANEIRO 2016
VOTOS
WWW.PORTUGALMAG.FR
9
Mensagem do Secretário de Estado das
Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro
CHEGADA MAIS UMA QUADRA NATALÍCIA E DE ANO NOVO, gostaria de dirigir às
Comunidades Portuguesas em todo o mundo algumas palavras, no momento em que inicio as minhas
funções e cumprindo uma prezada tradição.
Na época de Natal, as nossas atenções voltam-se para a nossa família, para
os nossos amigos e entes queridos, os
que temos por perto e os que, muitas
vezes por força das circunstâncias e contra a nossa vontade, não podemos reunir à nossa volta. É um tempo de comunhão, de partilha de afetos e de celebração, mas também de reflexão sobre o
nosso papel enquanto indivíduos e enquanto comunidade, sobre o presente e
o futuro, um tempo que queremos de
paz e de esperança, mais ainda quando
encaramos uma realidade feita de tantos
desafios e incertezas.
A todas as portuguesas e portugueses emigrantes, jovens e idosos, quero
expressar a minha profunda admiração
pela sua coragem, pela sua determinação em construir um futuro melhor e pela
sua solidariedade nos momentos adversos. Estas são as virtudes da alma portuguesa que importa preservar e nutrir,
não apenas em época de festas, mas todos os dias e todos os anos.
Aos mais carenciados, aos mais idosos e aos mais sós, aos que passarão o
Natal longe do seu país e das suas famílias,
uma palavra especial de carinho e de solidariedade. A esses concidadãos, queremos dedicar uma especial atenção no
âmbito da nossa ação, garantindo um
apoio sustentado aos que se dedicam a
prestar-lhes a ajuda de que necessitam, e
reforçando a sua proteção social.
A todas as Comunidades Portuguesas, queremos assegurar uma maior ligação à sua Administração e ao seu país.
A todas e todos, procuraremos facilitar
o exercício da sua cidadania e a sua participação cívica, nos seus países de acolhimento e de residência, tal como em
Portugal. E porque sabemos que a "saudade da terra" melhor se alivia no reencontro com o sentimento de pertença e
de identidade, tudo faremos, nos próximos anos, por manter vivas a nossa cultura, a nossa língua e a nossa memória.
Penso igualmente nos milhares de jovens que, ao longo dos últimos anos,
partiram contrariados, em busca de uma
vida melhor, com o sentimento de que é
JOSÉ LUÍS CARNEIRO
nosso dever promover a sua integração
nos seus países de acolhimento, salvaguardando os seus direitos, e esforçarmo-nos por lhes proporcionar uma ligação à sua pátria. Uma das formas de
apoiar a nossa diáspora continuará a ser
a dinamização do movimento associativo dos emigrantes, enquanto instrumento de coesão e partilha de valores entre
as novas e as velhas gerações. Iremos
ainda ao encontro dos jovens emigrantes portugueses e luso-descendentes
empresários, potenciando o seu contributo para o desenvolvimento do nosso
país, da nossa economia e do nosso bemestar, com eles dialogando nomeadamente através das estruturas locais e associativas e fomentando o seu investimento em Portugal.
Nesta ocasião, não poderia deixar de
saudar todas e todos quantos, na nossa
rede diplomática e consular, nos serviços internos e externos do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, contribuem, com
o seu trabalho e dedicação, para a melhoria do atendimento e do apoio às comunidades portuguesas, ajudando a fazer um Portugal mais próximo dos seus
cidadãos, onde quer que se encontrem.
Uma palavra, ainda, de reconhecimento pelas mulheres e homens de cultura, académicos e professores que, todos os dias, promovem e defendem a
nossa língua e a nossa cultura no mundo. Também eles são parte do legado da
nossa memória e da nossa identidade.
Finalmente, quero prestar homenagem à memória dos nossos compatriotas, vítimas inocentes dos atentados de
Paris do dia 13 de novembro último. A
estes portugueses que, tragicamente,
perderam a vida por se terem plenamente
integrado na sociedade francesa e dela
fazerem parte ativa, as suas famílias e
amigos, o meu mais sentido pesar.
Com o seu contributo para a projeção da nossa cultura, da nossa língua e
da nossa economia, e com o seu trabalho de cada dia, os emigrantes portugueses são os melhores embaixadores de
Portugal, porque prestigiam o nosso país
e a nossa imagem no mundo, uma imagem de um Portugal cada vez mais moderno e inovador.
A todas e todos, desejo um próspero
Ano Novo.
10
JANEIRO 2016
LÍNGUA PORTUGUESA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Língua portuguesa
«um idioma de futuro»
ESCRITORES, ESPECIALISTAS E INVESTIGADORES reuniram-se durante três dias num
congresso internacional no Convento de São Francisco, em Coimbra, para debater a língua
portuguesa como um idioma de futuro.
Com oradores vindos do Brasil, de Angola, de França, de Moçambique, de Timor ou de Cabo Verde, o Congresso Internacional “Língua Portuguesa: uma Língua de Futuro” abordou a língua de diversas perspetivas: do ensino à literatura, e do português como língua de conhecimento, designadamente científico, ao
futuro do idioma na era digital.
A sessão de abertura contou com
uma intervenção de Vítor Aguiar e Silva,
um dos fundadores do Instituto Camões
e coordenador da Comissão Nacional de
Língua Portuguesa, que propôs um cânone literário a ser partilhado pelos sistemas de ensino dos vários países de língua portuguesa que “possa contribuir
poderosamente para que a língua, nesta
sua dimensão transnacional e transcultural, tenha alguma estabilidade”.
“A minha proposta é que seja cada país
que tem como língua oficial o português
a propor os autores e obras que integrarão esse cânone literário escolar”, disse
o investigador, sugerindo que esses autores “devem ser sobretudo dos séculos XX
e XXI” e as obras devem privilegiar “textos de natureza narrativa e descritiva, de
mais fácil compreensão por parte dos destinatários ideais, que são os alunos dos
vários graus de ensino”.
Na sessão de encerramento, os escritores Germano Almeida, de Cabo Verde, Luís Cardoso, de Timor-Leste, João
MANUEL MACHADO
Melo, de Angola, e Lídia Jorge, de Portugal, debateram o português “como língua literária”.
“O português como língua do futuro
passará pela diáspora portuguesa”, realçou Lídia Jorge no seu discurso, onde
abordou os vários tipos de literatura existentes em Portugal, garantindo que “hoje
não podemos pensar apenas no espaço
português, a língua portuguesa vem de
todos os lados e têm um potencial extraordinário”.
A escritora citou um poema de Boss
AC intitulado “O portuga”, para dar o
exemplo do “português criativo em busca de uma nova pureza”.
“Não podemos prever o que vai acon-
JANEIRO 2016
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍDIA JORGE
tecer, mas sabemos que a vivacidade das
nossas literaturas depende das nossas
culturas”, concluiu.
Germano de Almeida, o jurista caboverdiano que também é escritor, fez questão de realçar que existe uma “ostensiva
distância da língua portuguesa, sobretudo por parte da geração pós-independentista cabo-verdiana”.
“O dia a dia da vida em Cabo Verde
decorre em crioulo ao contrário do que
as pessoas dizem, Cabo Verde não é um
país bilingue”. No entanto, refere, “a literatura cabo-verdiana é feita, exclusivamente, em língua portuguesa”.
O escritor realçou ainda que “Cabo
Verde precisa do português para entrar
WWW.PORTUGALMAG.FR
JOÃO MELO
LUÍS CARDOSO
na rota do desenvolvimento. E ter duas
línguas oficiais – português e crioulo –
será um ganho para Cabo Verde”.
Por sua vez, Luís Cardoso, escritor timorense, contou como “trocou” uma redação em língua portuguesa pelo primeiro
pão que comeu na sua vida, na escola
primária, e falou sobre o seu novo livro
dedicado ao amigo Zeca Afonso.
De Angola chegou João Melo, que fez
questão de realçar que “mais do que uma
língua oficial em Angola, o português é
uma das línguas do país”, destacando ainda que o português em angola tem a influência das várias línguas que lá se falam e, por isso, “podemos falar de um
português angolano”.
11
GERMANO ALMEIDA
No final, João Gabriel, reitor da Universidade de Coimbra, falou sobre um
futuro plurilíngue. “A Universidade de
Coimbra vai seguir com a internacionalização do português, assumindo em pleno
que a língua portuguesa é de todos os
que a usam”. E concluiu afirmando que
“não há melhor encontro do que a língua
que nos une”.
O Congresso Internacional “Língua
Portuguesa: uma Língua de Futuro” foi a
forma escolhida pela Universidade de
Coimbra (UC) para encerrar as comemorações dos seus 725 anos, reforçando a
estratégia de ter o idioma como elemento central da sua internacionalização e da
sua afirmação como universidade global.
Mensagem de Cristina Branco
“NÃO POSSO ADIAR O AMOR PARA OUTRO SÉCULO NÃO POSSO…”
António Ramos Rosa
Um ano que se finda e outro que
começa entre promessas e balanços,
votos de felicidade, paz, amor e fraternidade e sobretudo a saúde. Os anos
passam e as promessas que se evaporam: havemos de tomar um café um dia
destes, quando voltar a Portugal temos
que nos ver, este ano não podemos
deixar passar… Mas deixamos, e os
meses passam e os anos passam. Que
tempos tristes estes, em que estamos
ligados em permanência à informação
virtual de amigos do outro lado do mundo e tão longe dos que nos estão próximos e adiamos, adiamos: a vida, a amizade, a escuta, a palavra, o café.
“Não podes mudar o mundo!” Dizem-me frequentemente. Mas também
não espero mudar o mundo mas mudar a minha consciência, a forma de
agir, de estar e sobretudo de estar perante os outros. Se os outros mere-
CRISTINA BRANCO
cem ou não: a amizade, os pequenos
gestos para com eles, só o tempo o
dira. Perdemos amizades, ganhamos
amizades. Evitamos os mesmos erros
ou cometemos os mesmos: por distracção, descuido… é assim a vida. É
assim a vida com o seu cortejo de dias
felizes e outros piores. Mas a vida independentemente dos acontecimentos
inesperados, mais ou menos felizes
também é aquilo que fazemos dela. Que
este ano não seja um ano de promessas, mas de acções. Promessas? Levaas o vento! Que possa tomar um café
mais frequentemente com uma amiga,
que não volte a adiar a amizade. Que
os votos de início de ano não sejam
apenas uma obrigação, palavras vãs.
Cultivar a amizade, o sorriso, a generosidade, a bondade, não muda o mundo mas mudará certamente o que nos
rodeia.
12
JANEIRO 2016
ECONOMIA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Lojas «gourmet» portuguesas
à conquista de Paris
VÁRIOS ESPAÇOS EM PARIS APOSTARAM NO CONCEITO de um Portugal "gourmet" em
troca dos tradicionais produtos do chamado "mercado da saudade".
Nos últimos dois anos surgiram na capital francesa nomes como "Lisboa Gourmet", "La Tiborna", "Portologia", "Caravelle
des Saveurs", "Comme à Lisbonne" ou "Tasca", cujas vitrinas vintage expõem produtos
que não se encontram à venda nas grandes
superfícies comerciais.
"Em Paris, Portugal não era muito bem
representado nos seus produtos 'gourmet',
mais de excelência. Ou seja, havia muitos
supermercados, mas não produtos assim
requintados", disse Agnès Meira, proprietária do Lisboa Gourmet, uma loja e bar que
abriu no final de abril de 2014.
A lusodescendente contou que o "Lisboa Gourmet", situado no Boulevard des
Batignolles, perto de Montmartre, foi "a primeira" loja gourmet portuguesa a abrir em
Paris, tendo-se seguido algumas outras, o
que a deixa satisfeita porque "os italianos tinham conseguido, os espanhóis também e
Portugal ainda não tinha começado".
"Eu penso que há um desejo, mas ainda
não existe um verdadeiro roteiro gourmet,
ou seja, poder ir a vários sítios onde se possa encontrar produtos gourmet. Ainda não
há, mas poderá haver, temos esperança que
sim. Paris precisava mesmo de um restaurante gastronómico português, isso sim",
sugeriu Agnès Meira.
Licenciada em Economia e Gestão, a parisiense está a "educar os clientes ao sabor e ao
paladar português" graças às conservas, azeitonas, compotas, mel, chá e vinhos de pequenos produtores e o "Lisboa Gourmet" já figura
no guia turístico Le Routard 2015 como um
local "onde se pode comer como em Lisboa".
Bem perto do Sacré Coeur, em pleno
bairro turístico de Montmartre, outro espaço português tem atraído "90 por cento de
franceses" graças aos "bons produtos portugueses": o café "La Tiborna" que abriu em
novembro de 2014 na Rue Durantin.
"As pessoas estão recetivas e estão curiosas de conhecer produtos de Portugal
porque Portugal está verdadeiramente na
moda. Temos inúmeros franceses que, ao
conhecerem Portugal, estão também curiosos em conhecer os produtos portugueses, não só os produtos tradicionais, mas
também os bons produtos portugueses e é
essa a nossa aposta", explicou à Luís Ribeiro, o proprietário do La Tiborna.
O projeto partiu da ideia da tiborna alentejana, "o chamado pão alentejano", para servir diferentes "tibornas" e "dar a conhecer
vários produtos portugueses", como as conservas de sardinhas, bacalhau, atum ou cavala expostas nas prateleiras do café, ao lado
de uma gama variada de vinhos "95% portugueses", a maior parte biológicos, e oriundos de pequenos produtores da região de
Alentejo, Lisboa e Douro.
Em junho, na Rue du Faubourg SaintMartin, no 10º bairro de Paris, abriu portas
uma mercearia fina portuguesa, Caravelle des
Saveurs, com o objetivo de vender "produtos
que não se encontram no mercado da saudade", explicou Paula Simão, a proprietária.
"Portugal não é só produtos do dia-a-
dia. Portugal não é só bacalhau e música de
Linda de Suza. Temos assim um selo na cabeça que o português só está cá para trabalhar e só come bacalhau", lamentou a lusodescendente que fez "uma viagem de mais
de cinco mil quilómetros" à procura dos pequenos produtores de Portugal.
Depois de 26 anos a trabalhar na indústria da moda, nas marcas de luxo Givenchy
e Swarovski, Paula Simão quis ser uma das
pioneiras das lojas gourmet portuguesas em
Paris, tendo decorado o espaço com o que
chamou de "sardinoteca", ou seja, um quadro composto de várias latas de conserva e
prateleiras com cervejas e chocolates artesanais, patês de vinho do Porto, mata-bicho
de alho, doce de pimento e malagueta, queijo de figo e outras iguarias portuguesas.
A mais recente aposta portuguesa em
Paris, no bairro do Marais, perto do Centro
Pompidou, chama-se "Portologia" e é um
espaço de degustação e garrafeira dedicado
a vinhos do Porto e do Douro.
"O mercado francês é o primeiro mercado de vinho do Porto a nível mundial. Não
havia cá nenhuma casa especializada em vinho do Porto", explicou o proprietário Julien
dos Santos que, no ano passado, já tinha
comprado o bar "Vinologia", no Porto, e que
quis aproveitar a procura de vinhos menos
conhecidos em França.
O lusodescendente de 27 anos considera que as lojas gourmet portuguesas em pleno centro de Paris respondem ao interesse
francês por Portugal, constituindo uma alternativa aos supermercados à volta da capital que se "limitavam às grandes marcas
portuguesas" e eram "direcionados para os
emigrantes portugueses e não para clientela
francesa".
14
JANEIRO 2016
CINEMA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Dois filmes portugueses
na competição do festival
internacional em França
AS CURTAS-METRAGENS “A GLÓRIA DE FAZER CINEMA EM PORTUGAL”,
DE MANUEL MOZOS, E “O GUARDADOR”, DE RODRIGO AREIAS, vão integrar a
competição internacional do maior e mais relevante festival de curtas-metragens europeu, o
Clermont-Ferrand Short Film Festival, que terá lugar de 5 a 13 de fevereiro de 2016 em França.
MANUEL MOZOS
Os dois filmes, os únicos portugueses a
concurso, foram selecionados entre as 7.778
obras de todo o mundo inscritas no festival.
“A Glória de Fazer Cinema em Portugal”
estreou em julho no 23.º Curtas Vila do
Conde – Festival Internacional de Cinema e
resultou de uma encomenda da Curtas Metragens ao realizador Manuel Mozos. O filme tem como ponto de partida uma carta
escrita por José Régio, em 1929, a Alberto
Serpa onde o escritor manifestou a vontade
de fundar uma produtora para começar a
fazer cinema. Durante quase noventa anos,
nada se soube sobre o desfecho deste pedido: nunca se encontrou qualquer resposta de Serpa à carta e Régio não terá voltado
a mencionar o assunto. “A Glória de Fazer
Cinema em Portugal” tenta desvendar o desfecho desta história. A curta-metragem, que
entretanto integrou o circuito internacional
dos festivais de cinema tendo sido distinguida pelo Júri do Doclisboa e premiada
com uma menção honrosa no Festival Caminhos do Cinema Português, venceu, este
mês, o Prémio de Melhor Curta-Metragem
no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de
Santa Maria da Feira.
Por sua vez, a curta-metragem “O Guardador”, de Rodrigo Areias, surgiu a partir
de um convite feito pela Universidade da
Beira Interior ao realizador para lecionar um
workshop, integrando os alunos na construção da narrativa do filme. A obra marca
o regresso de Rodrigo Areias à Serra da
Estrela, depois de “Estrada de Palha”, num
processo que, com escassos recursos, envolveu apenas uma atriz local, 30 estudantes e uma câmara de bolso. A curta inspira-se em quatro livros – “Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos” de Alves Redol; “O Guardador de Rebanhos” do heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro;
RODRIGO AREIAS
“O Capital de Karl Marx” e a “Lã e a Neve”
de Ferreira de Castro. “O Guardador” é sobretudo um filme acerca do valor do trabalho, a solidão e a incomunicabilidade,
sobre um homem que tem de trabalhar de
dia de noite, como pastor e no Museu da
Lã, para sobreviver a comer uma sopa no
restaurante do Senhor Ministro.
Segundo uma nota enviada às redações,
“a mediatização do evento e a presença de
cerca de 3300 profissionais do cinema de
todo o mundo fazem deste evento um espaço de extrema importância na divulgação do cinema português”.
16
JANEIRO 2016
WWW.PORTUGALMAG.FR
ECONOMIA
François Chasans, o francês
que se apaixonou pela Bairrada
EM 1998, FRANÇOIS CHASANS PROVOU VINHOS VELHOS DA BAIRRADA E TEVE UMA
EPIFANIA. Eram tintos ao nível dos melhores de França. No ano seguinte, comprou uma terra e fez
uma vinha em Tamengos, perto da Curia. Hoje é um dos sete Baga Friends e sonha em colocar os
vinhos bairradinos no topo do mundo.
A ideia era conhecer algumas das vinhas que alimentam a lenda dos tintos do
Buçaco. Em Tamengos, nos arredores da
Curia, António Rocha, o homem que trata
dos vinhos, mostra-nos pequenas parcelas de vinha sem qualquer glamour mas
“muito boas para a Baga”, uma das duas
castas usadas no lote final. A outra, a Touriga Nacional, vem do Dão. O lugar não
tem nome no atlas do vinho português.
No entanto, é por ali que se situam as vinhas dos famosos tintos Gonçalves Faria
Tonel 3 e 5, e não só. “Vou mostrar-lhe a
vinha do François Chasans”, diz António
Rocha, ao mesmo tempo que mete o carro por uma estrada de terra batida. Poucos metros à frente, surge uma carrinha
de matrícula francesa e, logo a seguir,
François Chasans, o próprio, e o filho,
Charles Chasans, ambos de pulverizador
às costas, aspergindo, sempre em forma
de oito, videiras e o solo com uma das
tisanas usadas na viticultura biodinâmica.
François vive em França, mas, sempre
que pode, vem até à Bairrada para tratar
do seu hectare de vinha. Desta vez, veio a
Portugal também para fazer a escritura de
compra de mais uma parcela de terreno
onde pretende plantar mais uma fiada de
videiras. É uma colina suave exposta a leste
e com grande potencial.
Não há nada que ligue François à Bairrada, a não ser o vinho. Proprietário de
uma garrafeira nos arredores de Paris,
passou a vida a provar e a comprar vinhos. Chegou a trabalhar para a famosa
loja Fauchon, de Paris. Já bebeu o melhor
que se faz em França e no mundo.
Casado com a portuguesa Maria do
Céu, da Lourinhã, François Chasans começou a visitar Portugal há cerca de 40
anos. Nessa altura, “o pior vinho português era o da Bairrada, o melhor era o do
Dão”, recorda. Em 1998, foi a Lisboa, para
visitar a Expo, e pôde provar vinhos velhos da Bairrada, entre os quais alguns
Gonçalves Faria, que o deixaram de boca
aberta. “Foi uma revelação. Estavam ao
nível dos melhores vinhos franceses”, conta. Três meses depois estava na Bairrada
a comprar terra para fazer a sua própria
vinha, a que deu o dome de Quinta da Vacariça, inspirada no mosteiro beneditino
que terá existido na aldeia da Vacariça, no
concelho da Mealhada. É ele que carrega
literalmente a vinha às costas, embora, a
espaços, conte com a ajuda do filho, Charles, enólogo recém-formado que já apresenta no currículo um estágio de dois anos
no mítico Domaine de La Romanée-Conti,
na Borgonha, e onde também se pratica
viticultura biodinâmica. “ Há milhares de
viticultores biodinâmicos no mundo, mas
a maioria é gente maluca”, diz François,
assumindo-se como biodinâmico “não
extremista”. O que o move é o desejo de
ter uma vinha saudável, livre de químicos
e alimentada unicamente com produtos
naturais. “O vinho faz-se na vinha”, lembra.
O seu lema é “cultivar a diferença na
busca da excelência”. Em 2008 produziu
o seu primeiro vinho, feito de forma tradicional num lagar cedido por Mário Sérgio,
na Quinta das Bágeiras. A cada dia que
passa, François diz-se cada vez mais rendido à Baga (é um dos sete Baga Friends,
juntamente com Luís Pato, Mário Sérgio,
JANEIRO 2016
ECONOMIA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Filipa Pato, Dirk Niepoort, Sidónio de Sousa e Bussaco) e à Bairrada, “a região com
mais potencial do mundo”. “Mas falta-lhe
imagem e posicionamento”, diz, mostrando-se crítico do rumo que os vinhos bairradinos estão a tomar.
Recentemente, aproveitou a sua entronização como confrade dos enófilos da
Bairrada para dizer o que pensa. Lembrou,
a começar, que o último concurso dos
melhores vinhos da Bairrada, organizado
pela comissão vitivinícola regional, atribuiu
a mais alta distinção a um vinho tinto de
oito meses. “Um Baga tradicional não tem
hipóteses nenhumas neste concurso. Mas
há pior. Um Merlot foi eleito o melhor vinho do ano. Que imagem querem dar aos
enófilos do mundo?”, questionou no seu
discurso, lembrando que “um Merlot é um
Pomerol e um Pinot Noir é um Nuits-SaintGeorges”, “vinhos de emoção adaptados
aos seus terroirs”, que é o que acontece
com a Baga em relação à Bairrada. “Portugal possui uma das maiores colecções
de castas autóctones do mundo. Temos
de nos servir deste tesouro para afirmar a
nossa identidade”, defendeu.
François deu também o exemplo do novo
Espumante Baga, com o qual a comissão
vitivinícola espera um acréscimo de produção superior a 250 mil garrafas. “Mas como
é que querem construir uma imagem com
um produto que tem nove meses de cave no
mínimo? Um estágio de três anos seria mais
ambicioso. Façam só 20 mil garrafas da mais
alta qualidade para começar”, desafiou, defendendo que a Bairrada, bem como o resto
do país, só se poderá afirmar pela diferença,
nunca pela quantidade. “A Romanée-Conti
17
produz apenas seis mil garrafas”, lembrou,
a propósito.
Do seu Quinta da Vacariça, François
Chasans produz ainda menos (a quantidade de uvas não chega sequer aos cinco mil
quilos). E, do pouco que produz, não tem
vendido muito (em Portugal, o vinho está
disponível em duas ou três garrafeiras e
num ou noutro restaurante). A sua ideia é
vender 80% do vinho no estrangeiro. Um
seu amigo garante que até já tem paletes
feitas para vender mais tarde em certos
mercados. Aos 59 anos, François Chasans
não tem pressa. Os Baga precisam de tempo em garrafa e o seu primeiro vinho, o
Quinta da Vacariça 2008, um tinto imponente, tânico e com uma acidez soberba
(um pouco menos maduro do que o 2009,
mais civilizado nesta fase), ainda tem pelo
menos “20 anos pela frente” (está à venda
a 48 euros na Garrafeira Nacional). François sabe melhor do que ninguém que os
grandes vinhos demoram muito tempo a
fazer. O que custa são os primeiros 150
anos, como diriam os Rothschild.
Gérard Depardieu e Emmanuelle Seigner
vão estar em Portugal para gravar um filme,
sobre o ditador soviético Josef Estaline
OS ATORES GÉRARD DEPARDIEU E EMMANUELLE SEIGNER VÃO ESTAR EM
PORTUGAL entre 4 de janeiro a 6 de fevereiro, para a rodagem de uma longa-metragem sobre
o ditador soviético Josef Estaline.
O Palace Hotel do Buçaco e o Palace
Hotel da Curia, na Mealhada, servirão
de cenário ao filme, que será realizado
GÉRARD DEPARDIEU
por Fanny Ardant.
Depardieu, que mudou a residência
para a Rússia para fugir à carga fiscal
francesa, tem agora a oportunidade de
encarnar aquela que é uma das mais
importantes figuras da história da União
Soviética. A longa-metragem centra-se
nos últimos anos do ditador (1950, quatro anos antes da morte) e explora, sob
uma perspetiva freudiana e intimista, a
entrada de um jovem na vida de Estaline e da sua mulher, gerando no ditador
sentimentos de ciúme.
Intitulada “Et derrière moi une cage
vide” (em português “E atrás de mim
uma gaiola vazia”), a longa-metragem
é uma coprodução luso-francesa, a cargo de Paulo Branco, em nome da Leopardo Filmes e da Alfama Films.
A produção já está instalada no Buçaco, mas os atores devem chegar logo
após o ano novo, para um mês de fil-
magens que seguem até dia 6 de fevereiro. Para já, ainda não há data prevista de estreia.
EMMANUELLE SEIGNER
18
JANEIRO 2016
RECOMPENSA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Prémio Pessoa para Rui Chafes,
um artista íntegro e inteiro
O ESCULTOR, DE 49 ANOS, é apenas o segundo artista plástico a receber o mais importante prémio
de consagração português.
RUI CHAFES
Poucos artistas nascem já feitos, inteiros, completos. Rui Chafes sim. É um caso
raro. Em 1992, assinava as suas primeiras
exposições quando a revista K lhe dedicou um artigo de título lapidar: “Este homem é um génio.” Chafes tinha apenas 26
anos. Tem 49 agora que recebe o Prémio
Pessoa, o mais importante prémio nacional
de consagração, o único que distingue protagonistas de várias áreas das ciências e humanidades.
Em 29 edições, é apenas o segundo artista plástico contemplado. O primeiro do
último quarto de século, desde 1990, quando foi atribuído a Menez já perto do fim da
vida da pintora (1926-1995).
O júri, liderado pelo presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, integrou o economista Álvaro Nascimento, o
sociólogo António Barreto, a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves, o administrador Diogo Lucena, o arquitecto Eduardo
Souto de Moura, o neurocirurgião João
Lobo Antunes, o historiador da arte José
Luís Porfírio, as cientistas Maria Manuel Mota
e Maria de Sousa, o ex-presidente Mário
Soares, o jurista Miguel Veiga, o presidente
executivo da Impresa, Pedro Norton, o engenheiro Rui Magalhães Baião, o musicólogo Rui Vieira Nery e o filósofo Viriato Soromenho-Marques.
Chafes "consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo", disse Francisco Pinto
Balsemão no Palácio de Seteais, em Sintra,
ao anunciar o prémio, no valor de 60 mil
euros atribuídos pelo semanário Expresso
com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, Chafes reagia pouco depois: “É uma
sorte poder fazer um trabalho ao longo de
tantos anos e ele ter algum tipo de significado e suscitar o interesse e o reconhecimento de uma comunidade. Não estou certo
de o merecer nem de ter a importância de
outras pessoas que o receberam, mas é uma
alegria e uma grande responsabilidade.”
A responsabilidade, diz o escultor, radica no facto de quando um prémio transversal como o Pessoa é entregue a um artista, a distinção se perfilar não apenas como
reconhecimento de um percurso individual, mas constituir um alerta maior, “uma
chamada de atenção para a própria existência da arte no mundo”.
Grande parte da actividade artística, diz
Chafes, destina-se hoje a alimentar o mercado. “É legítimo.” Mas há outros timbres
de intencionalidade, gestos que entendem
ter “um papel ético no mundo”. “O meu é
levantar questões, fazer perguntas e pôr
as pessoas à procura de respostas no sentido da essência daquilo a que chamamos
vida e existir.”
O bom trabalho artístico, conclui o escultor, “põe sempre questões sobre o essencial”: “Tem a ver com descarnar, ir ao
caroço.”
Na obra de Chafes, esta perspectiva temse traduzido numa dedicação exclusiva ao
trabalho do ferro – uma das singularidades
primeiras da sua marca autoral.
Não há, nunca houve muitos artistas a
trabalhar sistematicamente e em exclusividade o ferro. Nasceu com a escultura modernista a essência do que, na segunda metade do século XX, seria mais frequentemente procurado no trabalho com este
material: a monumentalidade, uma reflexão
sobre o peso e a densidade, sobre a natureza e o poder de uma presença supostamente perene, sobre o seu impacto tanto
na paisagem como no humano.
Em Fevereiro do ano passado, aquando
da inauguração da grande antológica O Peso
do Paraíso, que juntou no Centro de Arte
Moderna da Gulbenkian cerca de 100 obras
de 25 anos do seu percurso, Isabel Carlos,
que assinou a curadoria, apontava a imensa singularidade deste artista: “Quando vemos um Rui Chafes, sabemos que só pode
ser um Rui Chafes. É um universo próprio,
inconfundível.”
Nessa altura, Chafes dizia: “Espero começar a compreender o que fiz e o que faço
quando tiver 80 anos. Ou mais. Parece que o
Hokusai, o grande mestre japonês, tinha esta
mesma consciência: dizia que tudo o que tinha produzido antes dos 70 anos não era
digno de atenção. Aos 75 teria começado a
aprender algumas coisas, aos 80 teria feito
alguns progressos, aos 90 teria penetrado o
mistério das coisas, aos 100 teria alcançado
uma etapa maravilhosa e aos 110 tudo o que
faria, fosse um ponto ou uma linha, estaria
vivo. É assim que eu penso também.”
20
JANEIRO 2016
DIVERSOS
WWW.PORTUGALMAG.FR
Datas que
marcaram
2015
ESTES SÃO OS PRINCIP
AIS A
CONTECIMENTOS DE 2015 EM POR
TUG
AL
PRINCIPAIS
ACONTECIMENTOS
PORTUG
TUGAL
E NO MUNDO EM DIVERS
AS ÁREA
S COMO A POLÍTICA, RELIGIÃO
ÁREAS
RELIGIÃO,,
DIVERSA
DESPOR
TO
OGIA, ECONOMIA, GUERR
A, CIÊNCIA E AR
TES.
DESPORTO
TO,, TECNOL
TECNOLOGIA,
GUERRA,
ARTES.
Janeiro
Dia 1: Entra em vigor a União Económica Eurasiática composta pela Rússia,
Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão e
Quirguistão.
A Lituânia adota o Euro tornando-se
no 19º membro da Zona Euro.
Dia 7: Uma série de ataques terroristas fazem 19 mortos e 17 feridos no jornal Charlie Hebdo.
Dia 12: Cristiano Ronaldo ganha a sua
terceira bota de ouro, de melhor jogador
de futebol do mundo em 2014.
Dia 25: As eleições na Grécia são vencidas pela Extrema-Esquerda.
Dia 29: Atentados do Estado Islâmico contra forças do Egito fazem 25 mortos e 34 feridos em Sinai.
Dia 31: Estado Islâmico divulga novo
vídeo de decapitação de reféns.
Fevereiro
Dia 1: A sonda Dawn da NASA sobrevoa o mini planeta Ceres.
Dia 4: Um avião da TransAsia Airways
cai minutos após a decolagem em Taiwan
causando mais de 40 mortes.
Dia 15: Ataques terroristas numa si-
nagoga e num café fazem 2 mortos e 10
feridos em Copenhaga, Dinamarca.
Dia 25: São divulgados os vencedores dos Óscares 2015.
Dia 24: Avião da companhia Germanwings cai com 150 pessoas a bordo
nos Alpes franceses sem deixar sobreviventes.
Um atentado terrorista do grupo alShabaab numa universidade do Quénia
mata 147 pessoas.
Dia 11: Barack Obama e Raúl Castro encontram-se no Panamá tendo em
vista o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba.
Dia 27: Morre Leonard Nimoy, o eterno Spock.
Março
Dias 18 a 20: Ataques terroristas
do Estado islâmico num museu da Tunísia e na capital do Iémen provocam centenas de mortes e de feridos.
Dia 20: Regista-se um eclipse solar
parcial visível em Portugal durante duas
horas.
Dia 29: Miguel Albuquerque e o PSD
vencem as Eleições na Madeira.
Abril
Dia 2: Falece o centenário realizador
português Manoel de Oliveira.
Dia 25: Um sismo de 7,8 na escala de
Richter faz milhares de vítimas no Nepal.
Maio
Dia 2: Nasce Carlota de Cambridge,
a segunda criança de Kate Middleton e do
Príncipe William.
JANEIRO 2016
DIVERSOS
Dia 18: Iraque e Síria perdem os
derradeiros pontos da fronteira para o grupo terrorista Estado Islâmico.
Dia 15: Morre a lenda do blues B.B.
King.
Dia 21: O Rally de Portugal regressa
ao norte do país.
Dia 27: O Sevilha vence a Liga Europa, tornando-se o clube com mais Ligas
Europa.
WWW.PORTUGALMAG.FR
21
Dia 26: Atentado terrorista num hotel da Tunísia faz 38 mortos, entre eles
uma portuguesa.
Julho
Dia 4: Chile vence em casa a Argentina na final da Copa América 2015.
Dia 13: A Grécia não sai da zona Euro
e é acordado um terceiro pacote de ajuda
económica ao país.
Dia 5: José Sócrates, antigo primeiro ministro português, deixa a prisão de
Évora para entrar em prisão domiciliária.
O Benfica vence a Liga NOS e a Taça
da Liga.
Dia 23: Descoberta do exoplaneta
Kepler-452b, a 1400 anos luz da Terra.
Dia 29: Lançamento do Windows 10.
Dia 27: Vários dirigentes da FIFA são
presos por corrupção na Suíça.
Dia 29: Joseph Blatter é reeleito presidente da FIFA.
Dia 31: Sporting ganha a Taça de
Portugal nos penalties, frente ao Braga.
Junho
Dia 2: Joseph Blatter demite-se do
cargo de presidente da FIFA.
Dia 4: O treinador Jorge Jesus troca
o Benfica pelo rival Sporting.
Dia 6: O Barcelona vence a Liga dos
Campeões à Juventus por 3-1.
Dia 7: Morre o ator Christopher Lee,
conhecido pelos papéis de Drácula e Saruman no cinema.
Dia 24: É assinada a venda da TAP (de
61% da companhia ao consórcio Gateway)
rendendo ao Estado 10 milhões de euros.
Dia 25: Telma Monteiro vence a medalha de ouro do judo nos Jogos Europeus de Baku.
Agosto
Dia 8: Tufão Soudelor causa mortos em Taiwan.
Dia 10: A Google anuncia a Alphabet, a sua nova empresa-mãe.
A multiplicação dos fogos em Portugal faz de 2015 um dos piores anos de
sempre em termos de incêndios.
Emigrantes portugueses protestam
um pouco por todo o país junto das instalações do Novo Banco pela perda dos
seus investimentos.
Dia 27: Nelson Évora vence medalha de bronze nos Mundiais de Atletismo
de Pequim.
Dia 20: O Syriza, partido liderado por
Alexis Tsipras, vence as eleições na Grécia com 35,5% dos votos.
Dia 28: A NASA anuncia ter encontrado água em Marte.
Outubro
Dia 4: A Coligação Portugal à Frente
dos partidos PSD e CDS-PP vence
as Eleições Legislativas 2015 com 36,83%
dos votos dos portugueses. A abstenção
de 43,07% foi a maior de sempre nas legislativas.
Dia 8: A bielorrussa Svetlana Alexievich vence o Prémio Nobel da Literatura.
A NASA encontra água congelada em
Plutão.
Dia 9: O Quarteto para o Diálogo
Nacional da Tunísia vence o Prémio Nobel da Paz.
Dia 31: Morre o realizador Wes Craven, responsável por imensos sustos com
os seus filmes de terror.
Setembro
Dia 3: 5 crianças sírias que tentavam
alcançar a Europa dão à costa da Turquia,
criando as imagens das crianças mortas
indignação nas redes sociais e aumentando o debate sobre a migração na UE.
22
JANEIRO 2016
DIVERSOS
WWW.PORTUGALMAG.FR
Dia 10: Um atentado terrorista na Turquia causa mais de 100 mortos e 400 feridos.
Dia 12: Angus Deaton é distinguido com o Prémio Nobel da Economia 2015.
Dia 16: José Sócrates, antigo primeiro ministro arguido da Operação Marquês, sai da prisão domiciliária com vigilância policial.
Dia 27: É anunciado o novo governo
português, para governar o país nos quatros anos seguintes.
Dia 30: Tomada de posse do XX Governo Constitucional de Portugal.
Novembro
Dia 6: O XX Governo Constitucional
de Portugal entrega o seu programa na
Assembleia da República.
Dia 10: O programa do Governo é
discutido no Parlamento, com os partidos
da oposição (PS, PEV, PCP e BE) a assinarem uma posição conjunta contra o programa do XX Governo e a causarem a
queda deste.
Dia 13: Vários atentados terroristas
coordenados instalam o terror em Paris,
em locais como a sala de espetáculos
Bataclan e as imediações do Estádio de
Paris, causando centenas de mortos e de
feridos graves. Os atentados foram reivin-
Dia 26: Tomada de posse do novo
Governo de Portugal.
dicados pelo Estado Islâmico. França fecha as suas fronteiras.
Dia 20: Homens armados atacam um
hotel no Mali e fazem cerca de 170 reféns.
Dia 22: Mauricio Macri vence as eleições presidenciais na Argentina.
A adoção por casais do mesmo sexo
em Portugal é aprovada no Parlamento por
larga maioria.
Dia 24: O Presidente da República
Aníbal Cavaco Silva indigita o líder do PS
António Costa como novo Primeiro Ministro de Portugal, após a queda do governo
no início do mês.
Turquia destrói um avião militar russo.
Dezembro
Dia 3: Falece Scott Weiland, vocalista
de bandas como Stone Temple Pilots e
Velvet Revolver.
Dia 22: O Partido Popular de Mariano
Rajoy vence as eleições legislativas em Espanha mas sem maioria absoluta.
Dia 21: Joseph Blatter, presidente da
FIFA desde 1998, e Michel Platini, presidente da UEFA desde 2007, são suspensos por 8 anos de toda a atividade ligada
ao futebol.
Academia do Bacalhau de
Paris festejou Natal no Sena
COMO TEM VINDO A SER HABITUAL, TODOS OS ANOS A ACADEMIA DO BACALHAU
DE PARIS organiza uma jantar de Gala para comemorar o Natal, onde são convidados todos os seus
compadres, comadres e amigos, e este ano foram muitos os que marcaram presença.
O evento decorreu no barco “Le Paris”, lugar requintado e original, jantar que
permitiu aos participantes navegar no
Sena e redescobrir Paris de uma forma
diferente, percorrendo o rio da capital
enquanto comiam e disfrutando de uma
bela vista dos monumentos de Paris
Uma iniciativa que coincidiu com a
campanha “Roupa sem Fronteiras” que
visa a apoiar os mais desfavorecidos e os
novos migrantes que chegam de vários
países em conflito.
Esteve presente o Presidente Honorário das Academias do Bacalhau, Dur-
val Marques, além dos dois deputados da
emigração eleitos pela Europa, Carlos
Gonçalves e Paulo Pisco. Relembramos
que a Academia do Bacalhau de Paris é
presidida por Carlos Ferreira.
O jantar contou com uma atuação do
artista Luís Represas.
A Câmara de Comércio e Indústria
Franco-Portuguesa (CCIFP)
comemorou o 10° aniversário
com um jantar de gala
A CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA FRANCO-PORTUGUESA (CCIFP) organizou
um jantar de gala para comemorar o seu 10° aniversário, todos os anos a CCIFP tem agendado
este evento próximo das festas de fim de ano.
A Portugal Magazine esteve presente, tanto como
membro da CCIFP e em termos de reportagem, podemos ver uma sala cheia, quase 500 pessoas, empresários e amigos marcaram presença para o jantar.
Em declaração à Portugal
Mag, a direção disse que teve
muito mais pedidos, mas
que não pode satisfazer a todos, visto a capacidade da
sala e em relação à segurança, mas quase outras tantas
pessoas vieram para assistir
ao concerto privado de João
Pedro Pais e de Pedro Abrunhosa, dois artistas do mais
alto patamar na música portuguesa.
Este evento teve lugar
numa sala de grande prestigio na capital francesa,
« Maison de la Mutualité ».
A apresentação desta gala
esteve a cargo de duas personagens luso-descendentes
bastantes conhecidas no
meio da comunidade, o realizador do filme “La Cage
Dorée” Ruben Alves, filme
com enorme êxito mundial
que retrata a vida de uma
família Portuguesa em França, um dos melhores filmes
sobre a imigração portuguesa, assim que a atriz Bárbara Cabrita, que participou no
mesmo filme e que tem participado em vários outros,
atriz muito admirada pelo
público.
Durante este jantar fo-
JANEIRO 2016
ANIVERSÁRIO
ram entregues pelos administradores da CCIFP, prémios que servem para recompensar o trabalho de alguns membros e empresários, que de alguma
forma contribuiram para o
bom desenvolvimento das
relações económicas entre
França e Portugal.
Foram recompensadas as
empresas fundadoras que
comemoraram 10 anos de
adesão à CCIFP: Fidelidade,
AICEP Paris, TAP Portugal,
Caixa Geral de Depósitos,
Auto Garage Ampère, Effigest, Banque Espírito Santo
et de la Vénétie, Inapa France, Império Assurances et
Capitalization, Mariano Aux
Caves du Portugal, Logoplaste France, Banque BCP, Banco BPI, Alfa Diffusion, Simoldes Plásticos France,
Magic Fil Telecom, Grupo
Visabeira, Soporcel France e
Cabinet d’avocats Mendes
Antunes. Também foram homenageadas as empresas
que completaram 5 anos de
adesão à CCIFP : Groupe
Serip, Cab. José de Paiva,
Caixiave Indústria de Caixilharia, JDC Invest, Cantin International, Cosmopolit Assurances, Aigle Azur, Novacambios France, Sarl Frateco, Garvetur, Fafrinog,
Strategy Analysis International, RDSA Rive Gauche, Martifer Solar France, e AES Architectures.
Outras recompensas foram atribuídas, como a Joaquim Baptista responsável da
rede de restaurantes Pedra
Alta, um nome que se juntou a uma qualidade e renome em França, troféu CCIFP/Fidelidade Produto do
Ano 2015 entregue pelo administrador da CCIFP, Mapril
Baptista, da empresa Les
Dauphins e Marc Oliveira,
Diretor comercial da Fidelidade. Também estavam nomeadas as marcas Maisons
à l’Algarve, de Algarvegroup
e Maisons modulaires de LXS
Group.
O presidente da Tradi-
WWW.PORTUGALMAG.FR
MEMBROS QUE COMPLETAM 5 ANOS NA CCIFP
MEMBROS QUE COMPLETAM 10 ANOS NA CCIFP
25
Art, Valdemar Francisco, que
também é administrador da
Câmara de Comércio, entregou o troféu de membro do
ano 2015 a José Gomes de
Sá da empresa LSMC Media
& Communication. Este prémio pretende recompensar
as empresas que mais apoiaram a CCIFP durante o ano.
Também estavam nomeadas
as empresas Ceramis Azulejos e a Oriel Conseil.
Outro vencedor da noite
foi Antoine da Costa da empresa Climascience, vencedor do troféu CCIFP/Banco
BCP empresa do ano 2015.
O troféu foi-lhe entregue por
Carlos Vinhas Pereira, presidente da CCIFP e por JeanPhilippe Diehl, presidente do
diretório do Banque BCP.
O admistrador da CCIFP,
Carlos Ferreira, da empresa
CFM Constructions e Hélio
Pereira, diretor regional da
CGD/France entregaram o
troféu CCIFP/Caixa Geral de
Depósitos jovem empresa
2015 à “Cerama” do jovem
David Rocha. Lisboa Gourmet e Caticom foram as duas
outras empresas nomeadas.
Edgar Ferreira da empresa “Nossa” foi o vencedor do
troféu CCIFP/Novo Banco
inovação 2015, o premio foilhe entregue pelas mãos de
Luís Silva, diretor do Novo
Banco em França. As empresas Littlebigweb e Bri-Ecoloclean foram as outras duas
nomeadas.
Todos estes prémios foram louvados por todos os
presentes, cada vencedor
teve o seu momento de discurso.
A Câmara de Comércio e
Indústria Franco-Portuguesa, já está a trabalhar para
outros eventos como o “Salão do Imobiliário e Turismo
Português” para dinamizar a
comercialização dentro destas áreas junto do público
francês, o “Fórum dos Empresários e Gestores portugueses e luso-descendentes
de França” um evento organizado pela CCIFP com o in-
26
JANEIRO 2016
ANIVERSÁRIO
WWW.PORTUGALMAG.FR
tuito de por em contacto e
promover empresários portugueses e franco-portugueses de excelência, almoços
e jantares debate que contam com a presença de diversas personalidades, apresentações de produtos e serviços entre outros eventos de
grande envergadura e sucesso. A CCIFP também já está
a programar o próximo jantar de gala que para o ano
será em Portugal, porque
este evento é alternando entre França e Portugal, para
poder juntar o máximo de
pessoas.
Durante a gala, o Presidente Carlos Vinhas Pereira,
no seu discurso, fez um balanço positivo dos 10 anos
da Câmara de Comércio e
mostrou a sua satisfação e
orgulho por já ter atingido
cerca de 500 membros. O
caminho percorrido durante
esta década pela CCIFP foi
“notável” e que lhe permite
“ser hoje reconhecida como
uma instituição de referência nas relações económicas
bilaterais entre Portugal e a
França”. Carlos Vinhas Pereira saudou todos os presentes e agradeceu aos dirigentes, quadros das empresas,
membros, parceiros e clientes a forma como têm ajudado e contribuído nas relações
económicas e diplomáticas
entre Portugal e França. Carlos Vinhas também agradeceu todos os administradores e todos os que colaboraram para que esta gala fosse
um sucesso à imagem da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa.
CARLOS VINHAS PEREIRA - PRESIDENTE DA CCIFP
DIREÇÃO DA CCIFP
CCIFP
A Câmara de Comércio e
Industria Franco-portuguesa
(CCIFP) é uma instituição de
direito francês fundada para
desenvolver e promover os
intercâmbios comerciais entre a França e Portugal, trazendo, aos empresários interessados em exportar num
desses mercados, uma plataforma de serviços úteis e
uma informação adequada
conforme as suas necessidades.
Esta instituição foi criada
no âmbito de enquadrar empresários e particulares, de
forma a que qualquer um deles pudesse alargar o seu raio
de acção, providenciando
um acompanhamento de
forma activa.
Para conseguir esse
apoio, um grande número de
serviços encontra-se à disposição dos membros e não
membros e várias acções
(salões, seminários, etc.) são
organizadas pela CCIFP.
A grande comunidade
luso-descendente existente
em França, composta entre
outros, por empresários,
permite dar uma dinâmica
essencial na actividade da
CCIFP.
A CCIFP conta com as empresas francesas e portuguesas com vontade de exportar
e alargar os negócios dos
seus membros, entre os quais
podemos encontrar as principais empresas portuguesas
que desenvolvem negócios em
França e vice-versa.
A Câmara de Comércio e
Industria Franco-portuguesa
tem acordos de cooperação
com Câmaras Municipais em
Portugal para novas oportunidades de investimento e
descoberta de empresas de
vários municípios portugueses têm para oferecer ao
mercado francês.
Tendo em consideração
as fortes ligações existentes
entre Portugal e França que
favorecem claramente a consecução de novos negócios
e a geração de oportunidades promissoras.
Considerando a localização privilegiada de Portugal
e de França, que permite o
desenvolvimento de estratégias de internacionalização
em relação a toda a União
Europeia, em função da existência de um espaço económico comum.
A CCIFP assinou acordos
de cooperação tendo como
objetivo promover em França o investimento.
A Câmara de Comércio e
Indústria Franco-Portuguesa
tem assinado acordos de
cooperação que visam a promover o investimento produtivo local em Portugal, tendo já assinado com 15 municípios: Caminha, Penafiel,
Vila Pouca de Aguiar, Idanhaa-Nova, Viana do Castelo,
Viseu, Batalha, Faro, Chaves,
Valpaços, Cascais, Fundão,
Região Autónoma da Madeira, Vila de Rei, Ferreira do
Zêzere e Pombal.
Fo t o s :
Jorge Marques/CCIFP
JANEIRO 2016
ANIVERSÁRIO
WWW.PORTUGALMAG.FR
27
TROPHEE CCIFP FIDELIDADE – PRODUIT DE L’ANNEE 2015
- JOAQUIM BAPTISTA
RUBEN ALVES E BÁRBARA CABRITA OS APRESENTADORES
TROPHEE CCIFP BANQUE BCP - ENTREPRISE DE L’ANNEE 2015
- ANTOINE DA COSTA
TROPHEE CCIFP NOVO BANCO – INNOVATION 2015
- EDGAR FERREIRA
TROPHEE CCIFP CAIXA GERAL DE DEPOSITOS
– JEUNE ENTREPRISE 2015 - DAVID ROCHA
TROPHEE CCIFP - MEMBRE DE L’ANNEE 2015
- JOSÉ GOMES DE SÁ
JOÃO PEDRO PAIS
PEDRO ABRUNHOSA
28
JANEIRO 2016
COMUNIDADE
WWW.PORTUGALMAG.FR
Para muitos recém-emigrantes, o Natal foi
passado à distância, longe das famílias
MUITOS DOS PORTUGUESES que emigraram este ano passaram pela primeira vez a quadra
natalícia fora de Portugal, um cenário novo que muitos encararam com naturalidade, mas outros não
esconderam a tristeza.
Este ano “nem cheira a Natal”, disse Fábia Machado, 35 anos, que deixou em
agosto o Bombarral para trabalhar na região
de Paris, com o marido e a filha mais velha,
de 15 anos, com quem passou a quadra,
sem as duas meninas mais novas.
“Só estivemos os três. É estranho, é novo
porque deixei duas filhas mais pequeninas
em Portugal. É a primeira vez que estive longe delas. Foi um bocado complicado”, afirma Fábia. Em 2015, o “Natal foi um bocadinho triste”, admite a recém-emigrante, que
decidiu “arriscar” porque estava desempregada há dois anos em Portugal. No entanto,
o ‘Eldorado’ francês ainda não lhe sorriu.
Ainda não encontrou trabalho e está à procura de uma solução, seja “nas limpezas ou
nos supermercados” porque ainda não fala
bem francês para encontrar trabalho de escritório.
“Neste momento é só o ordenado dele
que entra, portanto, este ano é impensável
irmos a Portugal porque é sempre mais um
gasto. Em Portugal também não temos um
Natal assim em grande, mas sempre estamos com a família”, descreve.
No entanto, para atenuar as saudades,
que já são “muitas”, havendo “dias desesperantes”, a mesa de Natal foi 100% portuguesa: “bacalhau cozido com brócolos – porque aqui não somos muito fãs das couves –
o tradicional vinho tinto, o bolo-rei, as fatias
douradas, os sonhos”.
Em Berlim, Raquel Dionísio, 34 anos
e natural de Lisboa, nunca considerou passar o Natal fora de casa, mas quando começou a ver os preços das passagens optou
por ficar e nos dias 24 e 25 ficou a trabalhar num hotel.
“Como estive a trabalhar, nem consegui fazer “uma chamada de videoconferência” ‘Skype’ com a família. Mas foi uma escolha porque como é feriado, recebemos a
dobrar”, explicou.
Formada em jornalismo, Raquel disse
que “emigrar sempre esteve fora de questão” mas depois de dois anos e meio a trabalhar como empregada de mesa em Lisboa, Berlim tornou-se no caminho a seguir.
“Foi uma oportunidade de voltar a trabalhar na minha área porque em Portugal
não estava mesmo a dar: estava a receber
uma miséria, o trabalho não era mau de
todo mas muitas condições eram más e não
era o que queria fazer”, referiu.
Veio para Berlim para fazer um estágio
em jornalismo e o objetivo era conseguir
trabalho na área. De momento, a portuguesa trabalha numa agência de catering e
numa companhia de entrega de comida ao
domicílio.
“Vim à descoberta e a experiência que
tive cá foi muito boa, mas o estágio terminou ao fim de quatro meses sem possibilidade de lá ficar. Regressar a Portugal seria voltar ao mesmo por isso decidi ficar e
investir na aprendizagem do alemão”, explica.
Tal como Raquel, Vítor Castro, 30
anos, decidiu ficar em Berlim no período
natalício porque as passagens aéreas para
a ilha da Madeira estavam “caríssimas”.
No primeiro Natal fora de casa, o madeirense passou a véspera com a colega de
casa alemã e foi à missa do galo em Berlim: “Não sou religioso, mas gostei de ver
como festejam aqui”.
“Os meus pais ficaram tristes mas eles
compreenderam”, referiu o designer ‘freelancer’ que já planeia visitar a família em
fevereiro, depois do burburinho do Natal,
altura em que pode “ficar mais tempo e
por um quarto do custo”.
Na mesa de Natal, Vítor não teve bacalhau nem iguarias portuguesas mas decidiu
comemorar a época à luz do espírito das
‘start-ups’ berlinenses: “Encomendei uma
refeição a uma ‘start-up’ alemã que te traz
todos os ingredientes certos para executares uma receita dada por eles”.
Em Macau, do outro lado do mundo,
Henrique Siqueira, técnico de saúde, 29
anos, veio com a mulher, Dália, de 30, também passou pela primeira vez o Natal fora
de Portugal.
“Chegámos muito recentemente. Fiz esta
viagem muitas vezes nos últimos tempos à
procura de um emprego para poder mudar
de vida. Agora que conseguimos ficar por
cá, achamos que devemos iniciar uma nova
vida e deixar a vida antiga para trás”, disse
Henrique Siqueira, que minimiza o impacto
da data.
“Não fizemos planos, passamos esta data
só os dois”, disse. A família achou natural
não irem a Portugal: “Estavam convencidíssimos que não voltaríamos tão cedo assim
que puséssemos os pés cá. Nos próximos
anos é possível que pensemos na hipótese
de voltar a Portugal no Natal. Neste primeiro
Natal não foi possível porque não tive férias”.
Também a trabalhar como arquivista em
Macau há menos de seis meses, Catarina
Batista, 25 anos, não pode ir a Portugal
neste período.
No início fiquei bastante triste, mas agora já me habituei”, disse.
Passei com a amiga com quem divide
casa, também portuguesa: “Fizemos um
jantar de consoada muito simples, convidamos mais pessoas que comemoram o
Natal. Por exemplo, uma amiga minha filipina, eles são muito religiosos. Tentei juntar um grupinho de pessoas que comemoram” a data, explica.
“A ideia foi recriar o sentimento mais acolhedor – nada substitui estar lá, com os familiares, a comer aquelas coisas todas boas,
tentamos recriar o sentimento caloroso de
estar com alguém, comemorar a data com
alguém especial”, disse, salientando que a
ementa incluiu, obrigatoriamente, bacalhau.
A família reagiu mal à notícia: “A minha mãe
tinha proposto vir cá, mas é impossível com
a família lá, avós e tudo. A família ficou triste, perguntaram-me: ‘Mas porque é que não
vieste? Precisavas de dinheiro?’ Tive que lhes
explicar que literalmente iria menos de uma
semana. Não era possível. Eles ficaram bastante desiludidos mas tem de ser”.
“Vou tentar ir nos próximos anos – a
palavra-chave é tentar”, disse.
JANEIRO 2016
CRÓNICA
WWW.PORTUGALMAG.FR
29
“Eu tenho um Sonho”
LUIS GONÇALVES
Que se acabem as guerras,
as discórdias... E que neste
ano da misericórdia ditado pelo
Papa Francisco, os governantes façam também suas estas
palavras... misericórdia... paz
e caridade !
Que bom seria viver num
mundo onde os homens se dariam as mãos sem preconceitos... O preconceito religioso
é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela
falta de vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou
crenças religiosas de outrem.
Também é uma forma de intolerância ideológica ou política, que resulta em perseguição religiosa. Ambas têm sido
comuns através da história e
Pub.
PARA 2016 EU SONHO COM A PAZ. ESPERO QUE OS
GOVERNANTES DAS NAÇÕES FAÇAM O QUE FIZERAM
EM 2015 PARA SALVAR O PLANETA COM A COP 21 EM
PARIS...
QUE ESSAS MESMAS NAÇÕES QUE SE REUNIRAM PARA
TOMAREM MEDIDAS PARA SALVAR O NOSSO PLANETA
TERRA DAS AGRESSÕES METEOROLÓGICAS,
SE REÚNAM PARA TOMAREM MEDIDAS PARA
FAZEREM CALAR AS ARMAS.
acontecimentos mais recentes
no médio oriente e infelizmente
bem pertinho de nós… Charlie hebdo, Bataclan, etc ...
A ausência de tolerância religiosa é um mal que pode criar um desequilíbrio... Não climático... Mas mais preocupante! Que seria o de recuar séculos atrás ao tempo dos cruzadas, guerras de religião ou
mais recente a guerra dos
Trinta Anos? Se é verdade que
a religião teve ao longo da história humana um papel importante, ver predominante nas
guerras. No entanto, isso não
prova que a própria religião é
a causa de todas as guerras e
conflitos! Porque a essa interrogação, a resposta é "sim" e
"não". "Sim" no sentido de que,
como uma causa secundária,
a religião, pelo menos na superfície, tem sido " desculpa"
de muitos conflitos. No entanto, a resposta é "não" no sentido de que a religião não é a
causa principal das guerras
mais mortíferas! Para demonstrar isso, podia recordar-vos
e em acordo com todos os registros, o século 20 foi um dos
séculos mais sangrentos da
história da humanidade. Duas
grandes guerras mundiais,
que nada tinham a ver com a
religião, o Holocausto judeu e
as revoluções na Rússia, China, sudeste da Ásia e Cuba,
foram responsáveis por cerca
de 50-70 milhões de mortos.
E a única coisa que esses conflitos e genocídios têm em comum, é o fato de que eram unicamente de natureza ideológica e não religiosa. Não nos deixemos cair em tentações, não
nos deixemos cair na tentação
do ódio e raiva.
Albert Einsten escreveu: O
mundo não está ameaçado pelas
más pessoas, mas sim por aqueles que permitem a maldade.
Eu termino com a frase de
Martin Luther King à mais de
50 anos ....,
- "I have a dream" "Eu tenho um sonho".
Deixai-me sonhar, deixaime imaginar um mundo de tolerância, de paz e misericórdia
para todos os povos da terra.
30
JANEIRO 2016
CRÓNICA
WWW.PORTUGALMAG.FR
Tenho saudades
dos meus padrinhos
TENHO SAUDADES DA MINHA MADRINHA A QUEIXAR-SE DE
ALGUMA COISA ENQUANTO LAVAVA A LOIÇA NUM ALGUIDAR.
NÃO SE QUEIXAVA DA LOIÇA, APESAR DO MUITO QUE LHE
CUSTAVA MANTER-SE DE PÉ, QUEIXAVA-SE DO INVERNO,
MALDITO INVERNO, OU QUEIXAVA-SE DA MORTE, ESTA VIDA
NÃO PRESTA PARA NADA, PORQUE TINHA MORRIDO ALGUM
HOMEM, QUE ERA TÃO NOVO, POUCO MAIS DE OITENTA ANOS.
JOSÉ LUIS PEIXOTO
Tenho saudades do toque
de finados da igreja da minha
terra. Ecoavam no adro, espalhavam-se por cima de todos os telhados e chegavam
até ao campo, onde se dissolviam na aragem.
Tenho saudades do meu
padrinho a carregar bolsos
cheios de moedas de cinco
escudos, que trocava por copos de vinho tinto nas tabernas. Até a dizer bom dia ou
quaisquer palavras simples,
era capaz de escolher expressões que acrescentavam humor e que nunca agrediam. As
portas das tabernas eram sempre um buraco de sombra na
cal. O cheiro do vinho estava
entranhado nas paredes. Tenho saudades do barulho que
fazia o vidro grosso dos copos vazios a bater no mármore. Às vezes, quando se chegava a essas vendas, não estava ninguém. Então, era preciso bater com a palma da mão
no balcão e chamar.
Tenho saudades de ver a
minha madrinha a pentear os
cabelos fracos ao espelho do
lavatório. Molhava os dentes
do pente na água da bacia.
Tenho saudades de caminhar
ao lado do meu padrinho nas
manhãs de verão, ao rés da
parede, os dois cobertos pela
sombra. Fazia-me perguntas
engraçadas acerca das hortas
onde eu e os outros rapazes
sabíamos que havia boa fruta
para roubar.
Através da distância do
tempo, sou ainda capaz de
ouvir as suas vozes. Enquanto escrevo estas palavras,
ouço-os a repetirem frases
que me disseram antes, quando estávamos no mesmo lugar, talvez sem entendermos
completamente o enorme valor de estarmos juntos. Ouço
o meu nome dito pelas suas
vozes, pela maneira especial
como cada um deles o dizia.
Essa lembrança aumenta ainda mais as saudades. E, no
entanto, espero que o futuro
nunca me tire essa memória.
Prefiro esquecer episódios,
histórias, dias inteiros de cismas, do que deixar de ser capaz de ouvir a voz dos meus
padrinhos. A minha madrinha
a chamar-me, o meu padrinho a chamar-me.
Hoje, ter saudades desse
tempo é espécie de uma felicidade enorme por tê-lo vivido, por saber como foi. Sinto
falta dos meus padrinhos porque os tive, foram meus e,
através das saudades que sin-
to em dias como hoje, continuam a ser meus padrinhos,
mesmo que os sinos da minha
terra já tenham tocado por
eles há tantos anos.
Mesmo que fosse possível,
nunca quereria deixar de sentir saudades dos meus padrinhos, esses velhos que me encheram a vida inteira com as
suas certezas, com as suas
dúvidas também, com a sabedoria e com os erros que
fui capaz de aprender.
A saudade não é tristeza,
é comoção.
A saudade é o que fica do
amor quando perdemos todo
o seu lado físico, deixámos de
estar, deixámos de tocar, há
uma barreira inultrapassável
de espaço ou de tempo, mas
o amor continua, permanece.
A saudade é esse tipo de
amor.
A saudade é o amor.
3 resoluções fashion para 2016
é o mantra para um novo ano
SABRINA SIMÕES
1 - Doar roupas que não
usamos em 2015
Se o ano passou e não usou determinadas peças de roupas, com
ceteza que não voltará a usar em
2016. Esqueça esta sensação de
que a roupa tem um valor sentimental, seja prática e realista e desocupe o armário. Não esquecendo que
há muitas pessoas precisando daquela blusa que já usamos há um
tempão e não voltaremos a usar
mais. Desapegar é renovar energia,
é dar lugar para o novo entrar.
2 - Apostar nos itens básicos
Camisas brancas, jeans escuros, blazer preto, camisetas de cores lisas, cardigan cinza, são pePub.
ças que sempre podemos usar todos os dias e conjugar com outras
mais poderosas e assim criarmos
um look bem versátil.
3 - Investir nos acessórios
Eles fazem toda a diferença nas
produções dos looks. São os maxi
colares, as bijuterias em geral, os
cintos, as bolsas, os sapatos. Uma
calça jeans e uma camiseta branca com um sapato maravilhoso e
uma bolsa bacana, fica pronta
para muitos eventos.
32
JANEIRO 2016
WWW.PORTUGALMAG.FR
FESTAS LUSÓFONAS
Eventos da Comunidade Lusófona por Mario Cantarinha
Fête
de la Châtaigne
Drancy
Gala Santa Casa
da Misericórdia
Paris
Concert Manuel
Campos
Théâtre Roger
Barat
Dizem do Mário Cantarinha que é um dos fotógrafos mais conceituados e conhecidos da nossa
comunidade. A realidade é que este apaixonado pela foto, tem 20 anos de exposições na Suíça, Estados
Unidos e França, a primeira e mais importante realizou-se em agosto de 1994, no Museu dos Bombeiros
de Folgosinho, sua terra natal. Encontre todos os meses na Portugal Magazine, fotos de eventos da
comunidade lusófona nas quais participou este artista !
34
JANEIRO 2016
REDESCOBRIR PORTUGAL
WWW.PORTUGALMAG.FR
JARDIM DE SANTARÉM
ESTÁTUA SALGUEIRO MAIA EM SANTARÉM
PONTE SOBRE O TEJO
Santarém, cidade cheia de história
ESTA CIDADE MUITO ANTIGA FORA CONTACTADA POR FENÍCIOS, GREGOS E CARTAGINESES. A FUNDAÇÃO
DE SANTARÉM REPORTA À MITOLOGIA GRECO-ROMANA E CRISTÃ.
MANUEL DO
NASCIMENTO
Os primeiros vestígios documentados
da ocupação humana remontam ao século VIII a. C. Dos romanos (138 a. C.) recebeu o nome Scallabis ou castrum Scalaphium, mas com as invasões dos Alanos
e dos Vândalos, passou a ser designada
por Santa Iria, donde posteriormente derivou o atual nome de Santarém. Santarém tem abrigado várias lendas acerca da
sua origem. Uma delas está relacionada
com a mitologia Greco-Romana e conta
que o príncipe Abidis, fruto de uma relação do rei Ulisses de Ítaca com a rainha
Calipso, foi abandonado pelo avô (Gorgoris, Rei dos Cunetas) que o lançou às
águas do rio Tejo, dentro de uma cesta.
Como por milagre a cesta que albergava
o príncipe aportou na praia de Santarém,
onde uma serva o criou. Tempos depois,
Abidis foi reconhecido pela sua mãe, Calipso, tornando-se assim legítimo ao trono. A Santarém deu o nome Esca Abidis
(manjar de Abidis) e daí teria vindo o
nome Escálabis ou Scallabis (Sant’Arein).
Outra das lendas mais reconhecidas pelos Scalabitanos é a da Santa Iria. Esta
lenda conta que Iria, uma donzela, um dia
viria a ser violada, e posteriormente morta
e atirada ao rio Tejo. O seu corpo fez-se
chegar à ribeira de Santarém e mostrou o
seu corpo afastando as águas à sua volta.
Por este pequeno milagre, esta donzela tornou-se Santa, a Santa Iria. A cidade passou para a posse dos mouros em 715.
Entre 1093 e 1111, a cidade esteve sujeita
ao domínio cristão, durante o qual o rei
Afonso VI de Leão e Castela lhe concede
em 1095, uma carta foral. A conquista da
cidade aos mouros foi feita pelo rei português D. Afonso Henriques em 15 de março de 1147. A fortificação da cidade foi
das primeiras preocupações. A defesa
militar foi entregue às ordens religiosomilitares, tendo nos séculos XIII e XIV sido
reforçadas e constituídas novas muralhas.
Nesta cidade tiveram lugar vários acontecimentos históricos de relevo, e que a imortalizaram no tempo. Assim, durante o reinado do rei D. Dinis I, realizou-se em Santarém, em 1319, o ato solene da aceitação
da bula do Papa João XXII, que confirmou
a constituição da Ordem de Cristo e para a
qual transitaram os bens patrimoniais da
extinta Ordem dos Templários. Este monarca faleceu em Santarém, em 1325.
Nesse mesmo ano, com trinta e cinco anos
de idade, foi coroado, nesta vila D. Afonso IV, filho de D. Dinis I. Em 1358, foram
executados nos Paços Reais de Santarém,
os assassinos de D. Inês de Castro, Pêro
Coelho e Álvaro Gonçalves, execução a
que o rei D. Pedro I assistiu. Em 1373 foi
assinado em Santarém o tratado que estabelece a paz entre o rei de Castela, Henrique de Trastâmara e o rei português D.
Fernando I. Após a morte, o corpo deste
monarca foi sepultado no alto Coro do
Convento de São Francisco, ao lado de
sua mãe, a infanta D. Constança. Em
1384, no Convento de São Domingos de
Santarém, D. Leonor Teles renuncia à
coroa de Portugal em nome de sua filha
D. Beatriz e de rei João I, rei de Castela.
Santarém fica sobre a tutela deste último, que funcionará como sede da sua ação
no território português, entre 1384 e a
Batalha de Aljubarrota. Em 1477, D. João
II foi aclamado rei, em Santarém, debaixo dos alpendres do Convento de São
Francisco, quando se perderam as esperanças de encontrar o rei D. Afonso V.
Em 1491 morreu em Santarém o príncipe herdeiro D. Afonso, filho único do rei
D. João II e recém casado com a infanta
D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha, quando corria a cavalo entre Alfange e a Ribeira, caindo e ficando esmagado pelo animal. Em 19 de junho de
1580, D. António Prior do Crato foi aclamado em Santarém, no Mosteiro de São
Bento, rei de Portugal. Em 5 de dezembro de 1640, o conde de Unhão, Fernão
Teles de Meneses, fez aclamar em Santarém, D. João IV, rei de Portugal. As tropas francesas de Napoleão conservaramse neste cidade, de novembro de 1810 a
março de 1811, fazendo de Santarém o
seu quartel-general. Os danos provocados pelas tropas francesas, quer á população, quer ao património foram incalculáveis. Durante as lutas entre liberais e
absolutistas, em 1833, o rei D. Miguel escolheu Santarém para se acolher, juntamente com o seu exército, tendo feito corte
e quartel-general no palácio onde estão
atualmente instalados os Paços do Concelho. Só em 18 de maio de 1834, o duque
de Saldanha e as tropas liberais conseguem
entrar na cidade. Em 1973 iniciam-se as
reuniões clandestinas do Movimento das
Forças Armadas (MFA), e, Salgueiro Maia,
como delegado de Cavalaria, integra a comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de março de 1974 e do levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25
de abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém,
montou cerco aos ministérios do Terreiro
do Paço forçando, já no final da tarde, a
rendição do chefe do Estado, Marcelo Caetano, no quartel do Carmo, que entregou a
pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano (exchefe do Estado) ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.
JANEIRO 2016
POESIA
WWW.PORTUGALMAG.FR
35
TEMPOS de POESIA – XXIX
Escolha de Isabel Meyrelles
Tradução e colaboração de Maria Fernanda Pinto
ADOLFO CASAIS MONTEIRO, poeta, romancista e ensaista, foi um dos directores da «PRESENÇA», de 1930 a 1940.
Como poeta foi um precursor, mas um
incompreendido ridicularizado pelos críticos, como por exemplo João Gaspar
Simões e mais tarde A. J. Saraiva e Óscar Lopes que na sua «História da literatura portuguesa», dizem sobre ele: «Adolfo Casais Monteiro assinalou-se em diversos ensaios e nos primeiros poemas,
depois reunidos em «versos» (1944) por
uma rudeza ou bufoneria sem amabilidades, mesmo rítmicas (...)». Foi preciso
depois, esperar muito tempo para que
fosse reconhecida enfim a sua força poética e a sua modernidade. Obrigado a sair
de Portugal em 1954, perseguido pelo Salazarismo, instalou-se no Brasil, onde
prosseguiu uma brilhante carreira universitária. Faleceu em 1972, sem nunca ter
voltado ao seu país natal.
numerosos livros de posia, de romances,
de contos e sobretudo no seu «Diário»,
que conta 16 volumes publicados entre
1941 e 1993, onde se encontra de tudo
felizmente: crítica social, reflexões de
moralista, enfim, a história diária da sua
vida, semeada de poemas magníficos. A
independência quase agressiva do seu
temperamento coloca-o à margem de todos os grupos literários. Miguel Torga é
considerado com José Régio, um dos
mais importantes poetas dos anos 1920
a 1950.
VITORINO NEMÉSIO, nasceu na Ilha
Terçeira (Açores) e a recordação da sua
Ilha batida pelo mar e pelo vento é a constante de toda a sua obra. Poeta, romancista, historiador, ensaista, crítico, biógrafo, a sua obra é múltipla. Professor
titular da Faculdade de Letras de Lisboa,
fundou em 1937, a «Revista de Portugal»,
cujo credo era: (…) publicação exclusivamente literária e artística. No que diz
respeito aos seus colaboradores, a revista publica poemas e textos de tendências
diferentes tais como o Saudosismo, a poesia tradicional, os Modernistas, os Presencistas e os Néo-realistas. A revista
também deu a conhecer autores brasileiros, como por exemplo José Lins do
Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos,
ou seja os pais-inspiradores do néorealismo português.
Miguel Torga
Livro de Horas
Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.
Adolfo Casais Monteiro
Reina a paz em Varsóvia!
Quero falar e não posso
quero cantar e não sei
quero viver e não deixam!
Só posso o que não importa
só sei o que não preciso
só deixam o que não interessa!
Ah! - raios partam tanta gente!!
MIGUEL TORGA, é um poeta ligado à
terra, aos seus mitos agrários: a semente, a água, o vento, a terra, o pão, elementos que ele canta ao longo dos seus
Me confesso
Possesso
De virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais,
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.
Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
E o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.
…
Miguel Torga,
in ‘O Outro Livro de Job’
Vitorino Nemésio
Pus-me a contar os alciões chegados
Pus-me a contar os alciões chegados
(Minha memória era água, água...).
Fez-me mal aquela alta tristeza
De bicos vagabundos,
Mas não chorei os alciões desterrados.
Sempre gostei de aves e de lágrimas.
Lágrimas, agora, não podia,
Mas podia os alciões
- E dei-lhes meus olhos para ovos
(Que as fêmeas estavam cansadas
E vinham de terra fria).
Firme e condescendente,
Fechei as pálpebras pesadas
De contradição e de poesia.
- E um mundo novo, de alciões novos,
Esse era o meu quando as abria.
Vitorino Nemésio
36
JANEIRO 2016
DIREITOS DO LEITOR
WWW.PORTUGALMAG.FR
Direitos do Consumidor
CHEGAMOS À ÉPOCA EM QUE OS CONSUMIDORES MAIS CORREM PARA AS LOJAS A FIM
DE APROVEITAR OS DESCONTOS POR VEZES MUITO SIMPÁTICOS, DOS PRODUTOS QUE
JÁ ERAM COBIÇADOS AO DOBRO DO PREÇO NOS MESES ANTERIORES: OS SALDOS!
Esta época de consumo
deve ser aproveitada com
bons negócios, para tal sugerimos aos nossos leitores
que se informem acerca de
alguns direitos que dispõem
enquanto consumidores.
A legislação portuguesa
é bastante cuidadosa no que
respeita aos direitos e garantias do consumidor. Para
compreendermos quais os
direitos de que falamos, deveremos saber a quem eles
se aplicam: o consumidor é
aquele que adquire bens ou
serviços para um fim não
profissional, por alguém
que exerça profissionalmente uma atividade económica que vise à obtenção de
benefícios (Artigo 2º n.º2 da
Lei do Consumidor). Ou
seja, todos os mecanismos
legais de proteção de que
falaremos apenas se aplicam ao consumidor, e não
são a contratos comerciais
ou a relações comerciais.
Os direitos e garantias
do consumidor aplicam-se a
bens móveis e imóveis, no-
vos e usados, bem como a
locação de bens de consumo. Não se aplicam aos
bens comprados para exercício profissional, nem os
bens comprados a particulares.
O bem está coberto por
garantia sempre que ele não
coincida com a descrição
que o vendedor fez dela; não
tenha as qualidades apresentadas; não se adequar às
utilizações desse tipo de
bem (ou aquelas que o consumidor alertou ao vendedor que procurava); quando o bem não tenha as qualidades e desempenhos habituais do mesmo tipo de
bem, ou aqueles que foram
publicitados ou rotulados;
ou mesmo, por fim, quando o bem seja defeituoso.
O prazo de garantia é de
2 anos no caso de bens móveis ou de 5 anos para bens
imóveis. O prazo de 2 anos
pode ser reduzido para 1
ano, se houver acordo entre o vendedor e o consumidor.
Caso haja falta de conformidade do bem, o consumidor dispõe de várias
opções:
Em primeiro lugar deve
haver sempre o direito de
reparação. Caso o consumidor pretender, o vendedor é
obrigado a reparar o bem e
entregá-lo conforme as características propostas na
venda. O consumidor tem
sempre o direito à substituição do bem, sendo que o
bem que lhe for entregue
como substituição irá ter a
sua própria garantia. O consumidor poderá também optar por uma redução adequada do preço. Por fim, no
caso de incumprimento de
alguma das garantias supra
mencionadas, o consumidor
pode optar por resolver o
contrato: ou seja, devolver o
bem e receber de volta aquilo que pagou como preço.
É importante esclarecer
que o consumidor também
tem o direito a uma indemnização pelos prejuízos causados, sejam estes danos
patrimoniais ou não patrimoniais.
Recordamos que os estabelecimentos comerciais
dispõe de um Livro de Reclamações onde o consumidor poderá reclamar contra
qualquer comportamento do
fornecedor que viole os seus
direitos.
Terminamos aconselhando a todos os nossos leitores que se informem dos
seus direitos, pois um bom
consumidor é um consumidor informado.
Seja mais saudável em 2016
AO SOAR DAS 12 BADALADAS, RENOVAM-SE ESPERANÇAS E FAZEM-SE
PROMESSAS. INCLUA NAS SUAS RESOLUÇÕES DE ANO NOVO HÁBITOS E
COMPORTAMENTOS QUE O VÃO FAZER SENTIR-SE MELHOR.
LUCIA
LOPES
"Ano novo, vida nova", já
diz o ditado. Aproveite a mudança de dígito no calendário
para adotar hábitos que melhorem o seu bem-estar e ajudem a prevenir doenças. Faça
por isso e inclua nas decisões
de ano novo a adopção de um
estilo de vida saudável. Nós
queremos ajudar e, por isso,
deixamos-lhe algumas sugestões que irão contribuir para
melhorar a sua qualidade de
vida. Estas são algumas das
regras que deve passar a seguir assim que recuperar dos
excessos habituais de fim de
ano:
1. Durma mais
Entre sete a oito horas por
noite é o ideal. Dormir o número de horas suficiente é sinónimo de relaxamento e equilíbrio. As pessoas que dormem pouco têm mais tendên-
cia para engordar e um sistema imunitário mais debilitado.
Tenha contudo em atenção que
muitas pessoas dormem apenas quatro a cinco horas por
noite alegando falta de tempo
ou ausência de necessidade de
dormir mais. Usualmente, por
trás destas razões, existem
níveis de ansiedade aumentados que não lhes permitem
dormir mais horas.
2. Tome um bom pequeno-almoço todos os
dias
Um pequeno-almoço nutritivo e variado é fundamental
para enfrentarmos o dia a dia.
Aproveite as nossas sugestões
para renovar a sua ementa
matinal:
- Segunda-feira: Três a
quatro colheres de cereais com
leite de soja
- Terça-feira: Uma fatia de
pão escuro com queijo meio
gordo, chá e uma peça de fruta
- Quarta-feira: Um chá ou
café e uma fatia de pão com
passas e nozes e uma peça de
fruta
- Quinta-feira: Uma sopa
de legumes
- Sexta-feira: Um ovo mexido, duas fatias de fiambre e
um chá
- Sábado: Um sumo de laranja natural, uma fatia de pão
escuro e uma fatia de fiambre
- Domingo: Um queijo fresco com tomate cherry
3. Fraccione as refeições
Comer de três em três horas é fundamental para que o
organismo funcione de forma
eficaz. Necessitamos de um
aporte energético constante,
para que todos os nossos órgãos funcionem convenientemente e para termos uma boa
gestão do peso.
4. Confecione pratos
mais saudáveis
Estas são as nossas sugestões:
- Faça ovos mexidos com
azeite.
- Faça estufados de carne
ou peixe só com duas colheres de azeite.
- Utilize especiarias para
temperar.
- Retire toda a gordura visível e a pele da carne.
- Utilize vinagre, sumo de
limão, vinho ou cerveja para
temperar.
- Inclua legumes nos estufados.
- Faça arroz malandrinho,
mas só com duas colheres de
azeite. Assim, consumirá mais
água e menos arroz.
- Cozinhe os croquetes e
outros pastéis no forno ou no
micro-ondas, em vez de fritar.
5. Faça atividade física
diariamente
O controlo do peso e o aumento da massa muscular são
fundamentais para melhorar a
saúde e qualidade de vida. Nalguns dias pode incluir a atividade física na sua rotina diária,
aumentando o número de passos que dá. "Nos outros dias,
pelo menos três), deverá fazer
uma atividade mais intensa".
6. Tome um suplemento vitamínico e mineral
Esta suplementação deverá ter em conta o estilo de vida
de cada pessoa, os alimentos
que ingere e a fase da vida em
que se encontra. "Os suplementos de ómega-3, por
exemplo, são transversais a
todas as idades e sexos".
JANEIRO 2016
DESPORTO
WWW.PORTUGALMAG.FR
39
Euro2016: Portugal
integrado no Grupo F com
Islândia, Hungria e Áustria
A SELEÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL É CLARA FAVORITA a conquistar o Grupo F do
Euro2016, um agrupamento em que vai ter pela frente Áustria, Hungria e Islândia, equipas pouco ou
nada habituadas a fase finais de grandes competições.
Portugal foi mesmo um
dos grandes beneficiados do
sorteio que decorreu no Palácio de Congressos de Paris,
tendo sido colocado num dos
grupos mais desequilibrados
da prova e só uma verdadeira catástrofe deixará a formação de Fernando Santos fora
dos oitavos de final.
A ‘seleção das quinas’ vai
defrontar pela primeira vez
Áustria, Hungria e Islândia
numa fase final de uma grande competição, com a seleção nórdica a viver mesmo a
sua estreia nestas ‘andanças’
e logo ‘apadrinhada’ por Portugal a 14 de junho, em SaintÉtienne.
Comandada pelo sueco
Lars Lagerback, antigo selecionador da Suécia (20002009), a Islândia foi a segunda classificada no Grupo A de
qualificação, tendo relegado
a Turquia para terceiro e eliminado a Holanda.
Gylfi Sigurdsson, médio
do Swansea, é a grande figura desta seleção, tendo
mesmo marcado seis golos
durante a fase de apuramen-
to, enquanto na frente destaca-se Kolbeinn Sigborsson,
avançado do Nantes que deu
nas vistas quando estava no
Ajax.
Depois dos islandeses,
segue-se a Áustria, a 18 de
junho, no Parque dos Príncipes, em Paris, naquele que
poderá ser o encontro mais
complicado para a seleção
lusa.
Pela segunda vez numa
fase final de um Europeu (a
primeira foi em 2008 com o
estatuto de coanfitrião com a
Suíça), os austríacos protagonizaram uma campanha
dominadora no Grupo G, em
que cederam apenas um empate (1-1 na receção à Suécia), sob o comando do suíço
Marcel Koller, de 55 anos.
David Alaba, do Bayern
Munique, e Arnautovic, do
Stoke City, são as ‘estrelas’
da Áustria, assim como
avançado Marc Janko, antigo
jogador do FC Porto e agora
no Basileia, que marcu sete
golos durante a qualificação.
A 22 de junho, em Lyon,
Portugal termina a sua participação no Grupo F frente à
Hungria, um rival que precisou do ‘play-off ’ para garantir a sua primeira presença na
fase final desde 1972.
COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS
Grupo A: França, Roménia, Albânia e Suíça.
Grupo B: Inglaterra, Rússia, País de Gales e Eslováquia.
Grupo C: Alemanha, Ucrânia, Polónia e Irlanda do Norte.
Grupo D: Espanha, República Checa, Turquia e Croácia.
Grupo E: Bélgica, Itália, República da Irlanda e Suécia.
Grupo F: Portugal, Islândia, Áustria e Hungria.
Longe do poderio demonstrado nos anos 50 e 60,
os húngaros confirmaram o
seu regresso a um Campeonato da Europa depois de terem eliminado a Noruega no
‘play-off’, que foram obrigados a disputar, já que foram
terceiros classificados no
Grupo F de apuramento,
atrás da Irlanda do Norte e
da Roménia, respetivamente.
Aos 39 anos, Gabor Kiraly, o guarda-redes das ‘calças
de fato-treino’, vai viver a sua
primeira experiência a este
nível, num equipa que é comandada pelo alemão Bernd
Storck e em que se destaca o
extremo esquerdino Balasz
Dzsudzsak.
Naquele que será o primeiro Europeu com 24 equipas, os dois primeiros de
cada um dos seis grupos garantem um lugar nos oitavos
de final, em que terão a companhia dos melhores quatro
terceiros classificados.
O Euro2016 vai decorrer
de 10 de junho a 10 de julho,
em França.
40
JANEIRO 2016
HISTÓRIA DE PORTUGAL
WWW.PORTUGALMAG.FR
CPLP – Comunidade dos
Países de Língua Portuguesa
GUIDA
AMARAL
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional formada por
países lusófonos, que busca o
«aprofundamento da amizade mútua
e da cooperação entre os seus membros».
Neste dossier vamos apresentar a
«CPLP», sua história e seus países.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial , Moçambique, Portugal , São Tomé e Príncipe e Timor-Leste
Dossier composto por 10 artigos (8/10)
PORTUGAL
Situado na ponta sudoeste da Europa,
Portugal é uma das nações mais antigas deste
continente, oferecendo uma ampla diversidade de tradições e um forte orgulho no
passado marítimo. Apesar da sua pequena
OCEANÁRIO EXPO 98
D. AFONSO HENRIQUES
dimensão, o país é abençoado por uma enorme variedade de paisagens, desde montanhas verdejantes e planícies douradas a belos vales fluviais e quilómetros de praias banhadas pelo sol e pelo Atlântico.
Lisboa é a ecléctica capital de Portugal,
sem dúvida uma cidade vibrante e cosmopolita. Nas proximidades, Cascais acolhe
praias magníficas e Sintra encantá-lo-á com
as suas florestas e castelos dignos de contos de fadas. No Norte, o Porto é famoso
pelo mundialmente conhecido vinho do Porto e pela região panorâmica do Douro. Se
procura uma boa dose de sol e mar, descubra a lindíssima costa com falésias e praias
douradas do Algarve, bem como os excelentes campos de golfe
Portugal também tem “jardins flutuantes” como a Ilha da Madeira – uma encantadora ilha com uma beleza natural incomparável e florestas ancestrais. E se anseia por
alguma paz e tranquilidade, rodeado de paisagens idílicas, as ilhas dos Açores também
são um encanto de beleza natural.
A história de Portugal como nação europeia remonta à Baixa Idade Média, quando o
condado Portucalense se tornou autónomo
do reino de Leão. Contudo a história da presença humana no território correspondente
a Portugal começou muito antes.
A pré-história regista os primeiros hominídeos há cerca de 500 mil anos. O território foi visitado por diversos povos: fenícios
que fundaram feitorias, mais tarde substituídos por cartagineses. Povos celtas estabeleceram-se e misturaram-se com os nativos.
No século III a.C. era habitado por vários povos, quando se deu a invasão romana
da península Ibérica.
A romanização deixou marcas duradou-
ras na língua, na lei e na religião. Com o
declínio do Império Romano, foi ocupado
por povos germânicos e depois por muçulmanos (mouros e alguns árabes), enquanto
que os cristãos se recolhiam a norte, nas
Astúrias.
Em 1139, durante a reconquista cristã,
foi fundado o Reino de Portugal a partir do
condado Portucalense, nascido entre os rios
Minho e Douro. A estabilização das suas
fronteiras em 1297 tornou Portugal o país
europeu com as fronteiras mais antigas.
Como pioneiro da exploração marítima
na Era dos Descobrimentos, o reino de Portugal expandiu os seus territórios entre os
séculos XV e XVI, estabelecendo o primeiro
império global da história, com possessões
em África, na América do Sul, na Ásia e na
Oceania. Em 1580 uma crise de sucessão
resultou na União Ibérica com Espanha.
Sem autonomia para defender as suas
posses ultramarinas face à ofensiva holandesa, o reino perdeu muita da sua riqueza e
status. Em 1640 foi restaurada a independência sob a nova dinastia de Bragança.
O terramoto de 1755 em Lisboa, as invasões espanhola e francesas, resultaram na
instabilidade política e económica. Em 1820
uma revolta fez aprovar a primeira constituição portuguesa, iniciando a monarquia
constitucional que enfrentou a perda da maior
colónia, o Brasil. No fim do século, a perda
de estatuto de Portugal na chamada partilha
de África.
Uma revolução em 1910 depôs a monarquia, mas a primeira república portuguesa não conseguiu liquidar os problemas de
um país imerso em conflito social, corrupção e confrontos com a Igreja. Um golpe de
estado em 1926 deu lugar a uma ditadura.
A partir de 1961 esta travou uma guerra
colonial que se prolongou até 1974, quando
uma revolta militar derrubou o governo. No
ALGARVE
JANEIRO 2016
HISTÓRIA DE PORTUGAL
WWW.PORTUGALMAG.FR
41
ILHA DA MADEIRA
ILHA DOS AÇORES
CIDADE DO PORTO
ano seguinte, Portugal declarou a independência de todas as suas posses em África.
Após um conturbado período revolucionário, entrou no caminho da democracia pluralista. A constituição de 1976 define Portugal como uma república semi presidencialista. A partir de 1986 reforçou a modernização e a inserção no espaço europeu com
a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE).
Durante os séculos XV e XVI, os marinheiros portugueses embarcaram nas suas
naus para explorarem o mundo desconhecido. As expedições bem sucedidas seguiram até África e às Américas, e a viagem de
Vasco da Gama até à Índia abriu um novo
caminho marítimo até aos impérios orientais. A Época dos Descobrimentos foi uma
era de prosperidade na qual o Império Português se expandiu por todo o globo, fixando colónias em Angola, Moçambique, Cabo
Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné (actual
Guiné-Bissau), Brasil, Goa, Macau e TimorLeste. Com o sucesso destas viagens, Portugal emergiu como um dos países mais ricos do mundo e como um dos reinos mais
influentes da Europa, com ampla influência
económica, política e cultural.
Durante os três séculos seguintes, Portugal foi ocupado pelos Espanhóis, invadido
pelos Franceses e encetou guerras com as
frotas britânicas e holandesas. As lutas internas e as disputas pela sucessão do soberano fizeram com que o país perdesse gran-
de parte da sua riqueza e estatuto. Em 1755,
o catastrófico sismo sentido em Lisboa destruiu grande parte da capital e algumas zonas do Algarve. Os tumultos provocados por
séculos de invasões e conflitos civis prosperaram numa época de desalento social, instabilidade política e declínio económico.
O Portugal dos dias de hoje, membro
fundador da NATO e membro da União Europeia, evoluiu e transformou-se num país
com uma democracia estável e com uma
vibrante vida cultural.
Portugal só ocupa 0,86% do território
total dos países da CPLP, e tem apenas 4%
da população destes oito países, mas, em
termos económicos, é o país mais integrado no espaço lusófono, detendo sempre o
maior volume de trocas comerciais com cada
um dos membros.
Os dados obtidos junto de vários organismos oficiais mostram que a balança comercial portuguesa com os restantes sete
países é sempre favorável, com exceção do
Brasil, país com o qual Portugal regista uma
desvantagem de quase 700 milhões em
2012, último ano para o qual há dados comparáveis para todos os países da CPLP, que
valem cerca de 2,5 biliões de dólares (cerca
de 1,8 biliões de euros), quase 90% dos quais
provenientes do Brasil.
Olhando para os indicadores macroeconómicos, no entanto, a realidade é outra:
em 2012, Portugal era o único país em recessão, se não contarmos com a Guiné-Bissau, então a braços com um golpe de Estado, e era também o único que estava inserido numa região – a União Europeia – com
um crescimento do PIB negativo.
Os dados estatísticos do departamento
para o comércio nas Nações Unidas mostram que é entre Portugal e Angola que as
trocas comerciais estão mais cimentadas,
tendo este país africano recebido quase 4
mil milhões de dólares de produtos portugueses, e exportado pouco mais de metade
desse valor.
Angola, aliás, é o maior parceiro comercial de Portugal na CPLP, sendo a segunda
relação mais volumosa aquela que junta Portugal e o Brasil.
As exportações, de resto, têm sido a
principal aposta de Portugal, e talvez por isso
Portugal é o único (com exceção de Angola,
e quase totalmente por via do petróleo) com
uma balança comercial positiva (0,1%), mas
o reverso da medalha mostra-se na dívida
pública: 124% do PIB, quase o dobro do
segundo país mais endividado – São Tomé e
Príncipe, com 77,6%.
Pub.
LISBOA
42
JANEIRO 2016
AGENDA
WWW.PORTUGALMAG.FR
A G E N D A
Jusqu’au 08/02
Exposition Amália Rodrigues
Exposition de Paulo Toscano
Azenha consacrée à Amália Rodrigues, organisé par la Chaire
Lindley Cintra (Université de Nanterre et Lectorat
de portugais de l’Université de Paris 8).
Maison du Portugal - André de Gouveia
7P, bd Jourdan - 75014 Paris
Le 09/01 à 19h30
Dîner de solidarité
Dîner dansant de solidarité organisé par l’association Agora en collaboration avec la Santa Casa
da Misericórdia de Paris, une institution caritative
qui vient en aide aux plus démunis.
La soirée sera animée par Filipe Martins et son
orchestre, Carlos Pires, José Cunha, Trio Latina
et Sabrina Simões.
Menu : entrée, paella, fromage et dessert. Vin,
eau et café compris, pendant le repas.
Dîner + bal : 30 euros (bal seul, à partir de 23:00
: 10 euros)
Réservations : 06 24 25 79 27 ou 09 50 51 13 43
Salle Jean Vilar
9 bd Héloïse - 95100 Argenteuil
Le 10/01 à 17h00
Luís Filipe Reis à l’Olympia
Luís Filipe Reis appartient à cette
génération de chanteurs de variété
portugaise dont le chef de file est
assurément Tony Carreira et, comme ce dernier, c’est en France que
sa carrière a débuté, il y a 25 ans.
Aujourd’hui, il se produit au Canada, aux EtatsUnis, en Afrique du Sud… dans tous les pays où
la diaspora portugaise est bien représentée.
Olympia
28 Bld des Capucines - 75009 Paris
Le 16/01 à 20h30
Concert António Zambujo
António Zambujo chante l’errance des sentiments. Sans amplification, sa voix s’élève dans un
souffle, il exprime la fragilité mais
sans faiblesse, il chante le fado
mais en finesse. Il nous donne à
découvrir de nouveaux auteurs (Aldina Duarte,
Alberto Janes) ou revisite des classiques d’Amália
(Amor de mel, amor de fel) que l’on a l’impression d’entendre pour la première fois. Anciens
ou nouveaux, chaque vers est pesé et coloré de
façon unique, revue au filtre d’une voix qui sait
réveiller l’esprit des anges qui dorment à la lisière du silence et du bruit.
Salle Jacques Brel
42, avenue Edouard Vaillant - 93500 Pantin
Du 18 au 26/01 à 19h30,
le 24/01 à 17h
By Heart
Spectacle écrit et interprété par
Tiago Rodrigues par la compagnie Mundo Perfeito.
Extraits et citations de William
Shakespeare, Ray Bradbur y,
George Steiner, Oliver Sacks, Joseph Brodsky.
Mélangeant des histoires familiales avec des récits réels ou fictionnels, dans By Heart Tiago
Rodrigues nous rappelle l’importance d’apprendre des mots par cœur. Les textes qui finissent
par faire partie de nous. Les textes qui continuent en nous, même quand tous les livres sont
confisqués, toutes les bibliothèques fermées...
Théâtre de la Bastille
76 rue de la Roquette
75011 Paris
Le 27/01 à 20h30
Concert Katia Guerreiro
Katia Guerreiro est aujourd’hui
une interprète mondialement reconnue, aussi bien qu’une remarquable ambassadrice de la musique portugaise. Bien que faisant
partie de la nouvelle vague du
fado, son style est proche de celui d’Amália,
dont elle a repris plusieurs de ses chansons.
Carre Belle Feuille
60, rue de la Belle Feuille
92100 Boulogne-Billancourt
Le 19/02 à 20h30
Ana Moura à l’Olympia
Originaire de Santarém, Ana Moura a commencé tôt à chanter,
s’intéressant à divers types musicaux. C’est Maria da Fé qui la
découvre et l’invite à faire partie de sa Casa de
Fados, O Senhor Vinho. C’est là que débutera
sa carrière de fadista. Son premier disque sort
en 2003, Guarda-me a vida na mão, est très
bien accueilli par la critique et le public, au Portugal comme à l’étranger.
Même les Stones déclarent l’apprécier et Mick
Jagger l’invite à interpréter No Expectations
lors de son concert à Alvalade XXI, devant 30
000 personnes.
Son dernier album, Desfado, sorti en novembre 2013, apporte une certaine nouveauté au
genre musical portugais, une nouvelle sonorité
et même trois chansons dans la langue de Shakespeare.
L’Olympia
28 bd des Capucines
75009 Paris
jANEIRO 2016
PUBLICIDADE
WWW.PORTUGALMAG.FR
Formulaire d’abonnement
NOM, PRÉNOM :
ADRESSE :
CODE POSTAL :
EMAIL :
Date:
/
Receba este
mês ao assinar por
um ano a Portugal
Magazine, uma
t-shirt Portugal
homem e outra
mulher
VILLE :
/
– Je désiré m’abonner à PORTUGAL MAGAZINE pour :
| | 11 numéros (1 an) - 43 euros
Envoyez ce formulaire dûment remplis ainsi que votre chèque à l’ordre de Portugal MAG
à l’adresse : PORTUGAL MAG, 97 avenue Emile Zola, 75015 Paris
T-shirt Homem
T-shirt Mulher
S
- M - L - XL - XXL
43
JANEIRO 2016
LAZER
WWW.PORTUGALMAG.FR
Sudoku
Sudoku é um jogo de raciocínio e lógica. Apesar de ser
bastante simples, é divertido e viciante. Basta completar
cada linha, coluna e quadrado 3x3 com números de 1 a
9. Não há nenhum tipo de matemática envolvida.
O que diz um semáforo ao outro?
- Não olhes para mim porque vou-me
trocar!
Estava um alentejano em Paris para ver uns
monumentos, quando passa por uns semáforos e, apesar de estar vermelho, passa com a sua motorizada... e quase bateu num francês que, todo furioso,
diz:
- "Il est rouge! Il est rouge" [Está vermelho! Está vermelho!]
E o alentejano, furioso, responde sem qualquer intimidação:
- Tem ferrugem mas ainda anda!
Candidato num comício eleitoral em pleno Alentejo:
- Se eu for eleito, garanto que só se trabalhará um dia por
mês!
- Então e férias, não há?
P: Qual é o cúmulo da magreza?
R: Jogar futebol numa cabine telefónica e gritar: passemme a bola, estou desmarcado.
P: Sabem quando é que um homem abre a porta do carro
à mulher?
R: Quando um dos dois são novos: ou o carro ou a mulher.
Curiosidades sobre as marcas de automovéis
DODGE
• A Dodge tem uma longa história, no início de 1900, os irmãos John Francis Dodge e
Horace Elgin Dodge decidiram construir um automóvel diferente. Começaram com a
produção de peças e, em 1914, desenvolveram a sua indústria automobilística. Nos anos
1920 os irmãos faleceram, e em 1928 a Dodge Brothers passou a integrar a Chrysler
Corporation.
PROVÉRBIOS
Há mar e mar, há ir e voltar.
Há mil modos de morrer e um só de nascer.
Haja fartura, que a fome ninguém a atura.
Homem folgazão, no trabalho sonolento.
Homem necessitado, cada ano apedrejado.
ADIVINHA
Ando sempre como o meu dono, ora aberto
ora fechado. Como sou eu quem o protege,
traz-me muito estimado.
O CHAPÉU DE CHUVA
Pub.
SOLUÇÃO
EDIÇÃO
68
www.aeiou.pt/humor
44
JANEIRO 2016
CULINÁRIA
WWW.PORTUGALMAG.FR
45
AS RECEITAS DA PORTUGAL MAG
Quer dar a conhecer as suas receitas aos leitores da Portugal Mag?
Mande-as para [email protected] juntamente com a sua foto e serão publicadas neste espaço.
Pato com Mel
Ingredientes:
2 peitos de pato
3 cebolas doces picadas
1 colher de sopa de óleo
2 colheres de sopa de mel
1 chávena de café de vinagre balsâmico
Sal a gosto
Ingredientes: 2 pessoas
Tempo de preparação:
50 minutos
Preparação:
Tempere o pato com um pouco de sal.
Numa frigideira, deixe aquecer o óleo.
Depois do óleo quente, coloque o pato
com a pele virada para baixo e deixe
fritar lentamente durante 10 minutos.
Passados os 10 minutos, vire o pato e
deixe fritar mais 10 minutos. Depois de
frito, retire o pato para um prato.
Na gordura que ficou coloque a refogar
a cebola lentamente para não queimar
durante 15 minutos. Entretanto, corte
o pato em fatias fininhas e coloque
numa travessa. Passado os 15 minutos
e com a cebola já refogada, junte o mel.
Mexa e deixe fritar 1 minuto. Por fim,
junte o vinagre balsâmico, mexa tudo e
deixe ferver 30 segundos. Passado os
30 segundos apague o lume. Regue o
pato com o molho. Acompanhe com batata ralada frita ou outro acompanhamento a seu gosto.
Torta de Coco com Creme de Limão
Ingredientes: 6 pessoas
Tempo de preparação:
30 minutos
Ingredientes:
4 ovos
140g de açúcar
100g de coco ralado
Raspa de 1 limão
25g de farinha de trigo sem fermento
50g de manteiga derretida
Um tabuleiro untado com manteiga, forrado com papel vegetal e novamente
untado com manteiga
Para o creme :
- 3 colheres de sopa de açúcar
- 1 colher de sopa bem cheia de farinha
maizena
- 2 gemas de ovo
- 250 ml de leite
- Sumo de 1 limão
- Açúcar para polvilhar
Preparação:
Parta os ovos para uma tigela. Junte o açúcar
e bata até que fique um creme fofo. Adicione
o coco ralado, a raspa de limão, a manteiga e
a farinha. Bata até que tudo fique bem misturado. Espalhe a massa no tabuleiro. Leve
ao forno pré-aquecido nos 190º e deixe cozer entre 10 a 13 minutos. Entretanto, faça
o creme. Num tachinho, misture o açúcar,
a farinha maizena, as gemas, o sumo de
limão e o leite. Leve ao lume e sem parar de
mexer, deixe engrossar. Quando começar a
borbulhar, retire e deixe arrefecer. Depois
da torta cozida, retire-a. Desenforme sobre
um pano polvilhado com açúcar. Com cuidado, enrole a torta. Coloque a torta num
prato e deixe arrefecer. Sirva a torta cortada
às fatias e com o molho por cima
SUGESTÃO: Recorte as receitas e arquive
recomenda
Casa
do Churrasco
Le Longchamp
O Oceano
La Grillade
Restaurant-Bar
Bar-Restaurant
Spécialités
Portugaises
Bar-Restaurant
Spécialités
Portugaises
40 Rue de Longchamp
75016 Paris
73 bld Gabriel Péri
94500 Champigny
sur Marne
92 avenue Louis Blanc
94210 Saint Maur
des Fossés
14 Bld. du Maréchal Foch
93160 Noisy le Grand
Tél.: 01 47 27 53 50
Tél.: 01 48 80 87 60
Tél.: 01 48 83 11 76
Tél.: 01 57 33 06 91
Spécialités
Portugaises
Churrasqueira
Spécialités
Portugaises
46
JANEIRO 2016
Bélier
Un début d'année
contrasté mais où
vous devriez parvenir
à concrétiser certaines de vos aspirations
si vous consentez au moins un
peu à garder les pieds (au moins
un) sur terre !
Taureau
Vénus vous invite à
évoluer sur le plan
sentimental, quitte à
renoncer à un idéal
qui ne tient plus la
route pour privilégier une relation stable et équilibrée. 2ème
décan, c'est sans doute vous qui
serez le plus secoué par les événements et la réalité à intégrer
en janvier.
Gémeaux
Un mois où vos problèmes d'argent ou de
pouvoir peuvent interférer douloureusement avec vos histoires de cœur.
Veillez alors à réserver un peu
de votre temps à l'autre, ne serait-ce que pour vous poser certaines questions essentielles sur
la nature et la validité de vos
liens.
Pub.
HOROSCOPE
WWW.PORTUGALMAG.FR
Cancer
Pour éviter que les
pressions sociales
n'empiètent et ne
court-circuitent votre
vie privée, prenez du recul et réfléchissez en profondeur à ce qui
compte le plus pour vous.
Lion
Un mois où vous aurez
envie d'exprimer vos
sentiments, de séduire, d'aimer mais où certains seront rattrapés par la nécessité d'évoluer, de grandir, de mûrir.
Vous n'apprécierez pas toujours les
défis qui freineront un peu vos
élans en janvier mais seriez pourtant bien inspiré de les relever !
sens inné de la diplomatie pour
clore le mois en paix plutôt qu'à
cran !
Scorpion
Il y aura probablement de la friture sur
la ligne en janvier où
vous aurez sans doute
du mal à exprimer votre insatisfaction sereinement, à exprimer vos
angoisses mais également vos désirs ouvertement. Alors pour éviter les débats houleux et d'éventuelles prises de bec, ne précipitez
aune décision qui ne sera prise en
conscience qu'à partir du 25 !
Vierge
Un mois à aborder le
plus en conscience possible. Entre problématique familiale à aborder
et tensions à désamorcer dans le
couple, vous aurez sans doute fort
à faire en janvier pour préserver
l'équilibre de votre vie privée.
Sagittaire
Un mois où votre pouvoir de séduction atteindra les sommets
mais où le 2ème décan
devra composer avec
des désirs souvent contradictoires.
Pour tirer votre épingle du jeu amoureux, tâchez de bien cerner vos priorités et de garder le contrôle de vos
émotions pas toujours très bonnes
conseillères !
Balance
Vous êtes dans le viseur des astres et devrez miser sur votre
Capricorne
Un mois où vous privilégierez la réflexion,
où vous aurez du mal
(au moins jusqu'au 23) à exprimer librement vos sentiments.
Vous êtes dans le viseur du ciel
qui vous met la pression et vous
demande de faire des choix.
Verseau
Un mois où la réflexion l'emportera
souvent sur la spontanéité pas toujours
bonne conseillère.
Profitez de ce mois qui oscille
entre envie d'ouvrir l'avenir et
cogitation sur le passé pour déterminer une ligne de conduite
qui vous aidera à terme à construire en conscience plutôt qu'à
fuir ou à vous engager sans conscience !
Poissons
Vous êtes tout particulièrement visé par
les éléments qui
vous chahutent un
peu et vous invitent
en fait à déterminer ce qui (et
qui) compte vraiment pour vous
! Évitez cependant de vous laisser emporter par vos émotions
ou envahir par le découragement
qui vous guette en janvier.
Download

Ler en PDF - Portugal Mag