La banque Caixa Geral de Depósitos fête cette année ses 140 ans d’existence. 140 années de relation, de projets menés à bien, d’accompagnement au quotidien. 140 années de fidélité à nos valeurs de confiance, rigueur, solidité et transparence. A l’occasion de cette nouvelle année, recevez au nom de nos collaborateurs, nos voeux de bonheur, de santé et de réussite. Nos équipes sauront, cette année encore, vous apporter la plus grande satisfaction. Meilleurs Voeux. 8V^mV<ZgVaYZ9Zeh^idh#H#6#HjXXjghVaZ;gVcXZ"7VcfjZZihdX^iYZXdjgiV\ZZcVhhjgVcXZh(-!gjZYZEgdkZcXZÄ,*%%.E6G>HIae]dcZ%&*+%'*+%';Vm%&*+%'*+%&>bbVig^XjaZVjegh YZaÉDG>6HPlll#dg^Vh#[gRc°>HE'%,&-+%)&H^gZc(%+.',(.(G8HEVg^h6E:+)&.O>YZci#>cigVXdbbjcVjiV^gZ;G--(%+.',(.(H^\ZHdX^Va/6k#?ddMM>!+(Ä&%%%"(%%A^hWdV!Edgij\Va8Ve^iVaHdX^Va ¤*#.%%#%%%#%%%Plll#X\Y#eiR8G8AZiC>E8c#°*%%.+%%)+I]^c`hidX`9dXjbZcicdcXdcigVXijZa# l JANEIRO 2016 EDITORIAL WWW.PORTUGALMAG.FR 3 Pedro António DIRECTOR A revista bilingue da comunidade portuguesa em França Frankelim Amaral DIRECTOR DE REDACÇÃO Director Pedro ANTÓNIO Director de redacção Frankelim AMARAL Propriedade e Edição FP Productions Sede 97 avenue Emile Zola, 75015 Paris Contactos Tel. Comercial: 06 63 78 17 13 - Tel. Informação: 06 08 91 15 50 Email: [email protected] Web: www.portugalmag.fr - www.facebook.com/portugalmagazine Journalistes accrédités auprès de l'UNESCO Composição gráfica Folheto Edições & Design Praça Madre Teresa de Calcutá, Lote 115, loja 1 2410-363 Leiria – Portugal Tel./Fax: 00351 244 815 198 | [email protected] Colaboradores Susana Patarra, Guida Amaral, Vitor Santos, Adélio Amaro (Portugal), Mário Pina, Lucia Lopes, Angélique David-Quinton, Manuel Moreira, Susana Alexandre, Serge Farinho, Mario Cantarinha, Manuel do Nascimento, Maria Fernanda Pinto, Alfredo Lima, Sabrina Simões, Luís Gonçalves, José Luís Peixoto, Isabel Alves, Isabel Meyrelles Fotógrafos Teresina Amaral, Patrick Gonçalves Portugal Magazine é uma publicação mensal gratuita Agence de Presse Lusa Publicidade ISSN 2105-7761 Tiragem 15.000 exemplares Todos os direitos reservados Os textos assinados são da responsabilidade dos autores e não reflectem, necessariamente, a opinião da revista Iniciou um novo ano ! Toda a equipa da Portugal Magazine deseja-lhe a si, aos seus familiares e a todos os que lhe são mais queridos, um Feliz Ano 2016 repleto de Saúde, Amor, Felicidade e Sucesso. Que 2016 venha a realizar todos os seus desejos e que continue a ser um fiel leitor da Portugal Magazine, quanto a nós, continuaremos em sua companhia e tudo faremos para propôr-vos um conteúdo interessante e variado sobre a comunidade portuguesa de França e matar assim um pouco da saudade que aperta o coração de todo o emigrante que vive longe do seu país natal. A chegada de um novo ano configura sempre uma oportunidade para assumirmos novos compromissos, individuais e colectivos, e gerar novas expectativas de vida. Nosso destaque para começar este novo ano vai para a gala organizada pela CCIFP, Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, que comemorou no mês passado os seus 10 anos de existência com um jantar e concerto privado. Esta instituição que reune cerca de 500 membros empresários, promove o nome de Portugal em França, favorece o desenvolvimento de intercâmbios comerciais entre os dois paises, organiza salões, debates, seminários, assina acordos para que tudo o que Portugal tem de melhor a oferecer, se faça conhecer em França. Nesta edição, também vai encontrar os votos de diversas personalidades, as datas que mais marcaram o ano 2015 entre outros artigos. Para todos aqueles que por diversas razões preferem esquecer o ano 2015, esperemos que em 2016 tudo corra pelo melhor apesar de não haver como passar uma borracha em tudo o que se viveu. Na vida não há rascunho. É um rio que corre apenas pra frente. O que está feito, está feito. E para os nossos leitores que passaram um ano 2015 com belos momentos, esperemos que 2016 seja ainda melhor ! Novamente reiteramos os votos de um excelente Ano Novo a todos os nossos leitores, colaboradores e anunciantes. Recherche de Commerciaux H/F autonomes, organisés et dotés d’un bon sens du relationnel, ayant pour mission de développer un portefeuille clients composé de professionnels de la communauté portugaise à Paris et Ile-de-France. Ainsi, vos principales responsabilités seront de définir la stratégie commerciale de prospection, cibler les entreprises à prospecter, effectuer principalement de la prospection terrain. Le permis B ainsi qu’un véhicule sont nécessaires. Rémunération attractive. Si vous êtes intéressé, envoyez votre CV à [email protected] JANEIRO 2016 4 ÍNDICE WWW.PORTUGALMAG.FR 16 05 Conselho da Diáspora, portugueses influentes de todo o mundo discutem soluções com Governo François Chasans, o francês que se apaixonou pela Bairrada 06 18 Paulo Marques, eleito conselheiro territorial da Metrópole de Paris Prémio Pessoa para Rui Chafes, um artista íntegro e inteiro 08 Mensagem de Ano Novo de Hermano Sanches Ruivo 20 Datas que marcaram 2015 24 09 Mensagem do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro A Câmara de Comércio e Indústria FrancoPortuguesa (CCIFP) comemorou o 10° aniversário com um jantar de gala 34 10 Língua portuguesa «um idioma de futuro» Santarém, cidade cheia de história 12 36 Lojas «gourmet» portuguesas à conquista de Paris 14 Dois filmes portugueses na competição do festival internacional em França Direitos do Consumidor 39 Euro2016: Portugal integrado no Grupo F com Islândia, Hungria e Áustria JANEIRO 2016 ENCONTRO WWW.PORTUGALMAG.FR 5 Conselho da Diáspora, portugueses influentes de todo o mundo discutem soluções com Governo OS CONSELHEIROS DA DIÁSPORA REUNIRAM-SE, NO PALÁCIO DA CIDADELA, EM CASCAIS, para debater dois temas no decorrer daquele que foi o terceiro encontro anual: o primeiro centrou-se na empregabilidade das novas gerações e no facto de as instituições do ensino superior estarem (ou não) a responder adequadamente às necessidades do mercado; o segundo passou pela inovação na indústria do audiovisual. O objetivo deste órgão passa por aproximar estas personalidades dos conselheiros de Portugal no mundo, portugueses com lugares de destaque no estrangeiro, seja em empresas, na cultura ou na ciência, no sentido de criar uma rede e lançar o diálogo entre todos. Durante o evento, no discurso que fez para os cerca de 150 convidados presentes em Cascais, Cavaco Silva, presidente honorário do Conselho, afirmou que Portugal “se mantém à tona de água”, porque integra “este núcleo duro da zona euro”. Acrescentou que “se saltasse fora, afundava-se”. “Portugal tem que concretizar aquelas que devem ser as suas prioridades económicas: exportação e o investimento privado. E para isso há um fator decisivo: a confiança dos investidores externos, das instituições, dos mercados e das agências de rating“, afirmou. Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, novo vice-presidente honorário do Conselho da Diáspora, referiu as quatro prioridades de política externa que podem ser desenvolvidas com a ajuda dos conselheiros. A promoção da língua e cultura portuguesa é a primeira, com o país a precisar de “escalar outra vez a montanha”, que muitas vezes “é a porta de entrada mais fácil para a nossa economia”. A segunda é o empreendedorismo, a iniciativa, o investimento e o comércio, seguido da utilização plena dos recursos portugueses, com destaque para o mar, ciência e tecnologia e a economia do conhecimento. Por último, Augusto Santos Silva identificou como prioritário o contributo de Portugal como nação global. “Julgo que há avenidas que podem ser percorridas no reforço da cooperação entre instituições como o Conselho da Diáspora e o Estado, as universidades, terceiro setor, entre outros. A rede que os conselheiros representam é absolutamente ins- trumental e essencial para esse trabalho de formiguinha, que é preciso ir fazendo para capitalizar o que Portugal tem e a sua influência”, afirmou na abertura do terceiro encontro anual dos conselheiros. Augusto Santos Silva referiu ainda que é preciso ligar as imagens mais tradicionais da emigração portuguesa com as mais novas, que representam a mobilidade portuguesa. “As nossas comunidades já não são apenas a emigração, aqueles que partiram num certo momento das suas vidas. São também aqueles que estão temporariamente fora, em mobilidade profissional, como estudantes ou voluntários”, salientou. O Conselho da Diáspora Portuguesa foi fundado em dezembro de 2012, para estreitar as relações entre Portugal e a rede mundial de portugueses espalhados pelo mundo com posições relevantes em organizações empresariais, na cultura, ciência e participação política. Conta com 84 membros, presentes em 22 países, e a sua missão é promover a imagem de Portugal e trazer ideias que contribuam para o desenvolvimento do país. Quem são os conselheiros da Diáspora? Os 84 conselheiros da diáspora ocupam posições relevantes em organizações empresariais, na cultura, ciência e participação política. O Económico elaborou uma infografia onde constam os “embaixadores informais” que falam e pensam português em 21 países espalhados pelos cinco continentes. 6 JANEIRO 2016 ENTREVISTA WWW.PORTUGALMAG.FR Paulo Marques, eleito conselheiro territorial da Metrópole de Paris PAULO MARQUES, AUTARCA DE AULNAY-SOUS-BOIS, foi eleito conselheiro territorial da Metrópole de Paris a 16 de Dezembro de 2015. Paulo Marques nasceu em França, em Champigny-sur-Marne. Dirigente associativo na associação Cultura Portuguesa de Aulnay-sous-Bois aos 16 anos, iniciou a sua carreira política candidatando-se à Câmara Municipal de Aulnay-sous-Bois em 1989 com apenas 19 anos. Foi eleito pela primeira vez em 1995 e vinte anos apôs o seu primeiro mandato, Paulo Marques integra agora o Território da Metrópole da Grande Paris, nova estrutura de cooperação intercomunal nascida a 1 de Janeiro de 2016. A Metrópole, um território grande como sete vezes Paris e com uma população de 7 milhões de habitantes, viu o dia no primeiro dia do ano de 2016 cuja a eleição de seus membros teve lugar entre os dias 15 e 23 de dezembro. Os territórios da Metropole de Paris vão recuperar progressivamente até 2018 as competências de ambito local : saniamento e tratamento das aguas, lixo, política da cidade, ação social, equipamentos desportivos e culturais, o Plano Local de Urbanismo tal como também o Plano Climático e Ambiantal. Factualmente penso que será necessario algum tempo para harmonizar as diversas situações. Tinha sido por essas razões que os Presidentes de Câmaras Municipais tinham solicitado um prazo suplementar de um ano, até 1 de janeiro de 2017 para preparar a passagem com mais serenidade, o que nos foi recusado pelo governo. Paulo Marques em entrevista fala-nos das suas novas funções no território da Metrópole da Grande Paris. Paulo, o que aconteceu a primeiro de janeiro de 2016? A Metrópole da Grande Paris, chamada MGP, é uma nova instituição de cooperação intercomunal. Ela engloba Paris, os departamentos de Seine-Saint-Denis, Hauts-de-Seine e Val de Marne, ou seja 123 câmaras Municipais juntas em 12 territórios. Para a dirigir são perto de 1.050 conselheiros Territoriais da Metrópole de Paris e 209 conselheiros Metropolinos designados por eleição pelas assembleias municipais. As primeiras reuniões têem lugar dia 11 de janeiro com a tomada de posse e depois regularmente convocados, os conselheiros vão desbroçar seus esforços na articulação pragmatica da nova coletividade. O que vai fazer a Metrópole? A MGP têm um duplo objectivo. Reduzir as desigualdades entre os Territórios, mas também reforçar o Grande Paris como Metrópole de nivel Mundial. As suas orientações e competências vão ser progressivas. Em 2016, a Metrópole recupera as competências do ambiente e do desenvolvimento económico. As competên- PAULO MARQUES cias do urbanismo e do alojamento serão transferidas no ano que vêm, em 2017. No entanto, já este ano, a Metrópole pode implementar uma primeira medida no sentido de favorecer a construção de programas de habitação. Instaurar por exemplo, um apoio financeiro as Câmaras Municipais que desenvolvem a construção para que possam adquirir equipamentos como creches, escolas … devido à chegada de novos moradores. É bom salientar também que a Metrópole de Paris terá dois anos para definir o seu projecto metropolitano. Paulo Marques, qual o papel de cada um dos 12 territórios? Qual será a incidência sobre a nossa comunidade residente na Metrópole da Grande Paris? Em primeiro lugar, a incidência será a mesma que qualquer Franciliano (residente da Região Île de France). Pois a intervenção toca todos os habitantes de Paris, Seine-Saint-Denis, Hauts de Seine e Val de Marne. No que diz respeito à comunidade Portuguesa, posso já identificar sectores que dirão respeito mais diretamente aos portugueses que são por exemplo, para os empresarios da construção civil, da promoção imobiliaria que vão ver aumentar as possibilidades de negócios com uma política Metropolitana de habitação. A cultura pode ser algo de um olhar específico para que não seja abandonada ou deminuida a oferta da cultura Portuguesa e lusófona pelas estruturas câmararias. São exemplos onde a nossa presença pode atuar no seio desta nova coletividade de mais de 7 milhões de habitantes. Como é financiado essa nova coletividade? Ao primeiro de janeiro de 2016, as taxas «foncières e habitation» continuam a serem pagas para as Câmaras Municipais. As taxas das empresas, essas, é que vão financiar a Metrópole de Paris. Progressivamente as taxas fiscais vão ser as mesmas em todo o lado, não haverá mais concorrência entre os territórios. 8 JANEIRO 2016 VOTOS WWW.PORTUGALMAG.FR Mensagem de Ano Novo de Hermano Sanches Ruivo CHEGADA MAIS UMA QUADRA NATALÍCIA E DE ANO NOVO, Nestas primeiras horas de 2016, estamos provavelmente num último balanço do ano que findou, pensando nos momentos fortes, alegres ou tristes, relembrando também o que realmente mudou nas nossas vidas e nas vidas dos que mais nos importam. Assim, arrumando uma boa parte da memória de 2015, ano que ficará como muito especial para quem vive em França e para mim vereador na Cidade de Paris, participamos da reflexão sobre o que podemos esperar de este Novo Ano. Assim estamos todos, entre esperança e confiança, entre preocupação e alguma ansiedade. Por isso, queria partilhar, nesta mensagem mais pessoal, o sentimento comum de pertecermos a uma mesma família, a conviver num mesmo espaço, procurando partilhar direitos mas também deveres, trabalhando para que estes anos que passam, que nos levam de criança para adulto, que nos trazem filhos e amigos, que nos dão a possibilidade de realizar sonhos, se- HERMANO SANCHES RUIVO jam bem vividos. Que os valores que nos movem, no dia a dia, possam ser os que tornam possível alguma felicidade. E porque somos Portugueses em França ou Portugueses de França, nessa lógica mistura de gerações, podemos também continuar a desenvolver este laço com uma cultura, uma língua, uma certa forma de viver e de imaginar o Mundo. Para 2016, seria o meu principal desejo: que esta nossa dupla cultura venha a crescer, a tornar-se mais visível e mais evidente para todos, isso, evidentemente, em conjunto com saúde, amor e muita amizade! A todos os leitores do Portugal Mag, os meus sinceros votos de um Grande Ano de 2016 e não apenas com a vitória da nossa Selecção no Euro 2016 em França, Hermano Sanches Ruivo Adjoint à la Maire de Paris Conseiller délégué à l’Europe [email protected] Novo Cônsul em Paris promete mais eficiência dos serviços “Enquanto Cônsul-Geral em Paris procurarei reforçar e melhorar a eficiência dos serviços consulares e dar uma acrescida e elevada atenção aos problemas da comunidade portuguesa”, disse em mensagem de apresentação á comunidade portuguesa o novo Cônsul-Geral de Portugal em Paris. António Albuquerque Moniz promete prestar “atenção, em coordenação com os serviços da Embaixada de Portugal em Paris e da coordenação do ensino do Português em França, à qualidade do ensino da nossa língua”, defendendo que esta é “parte essencial do nosso património, da nossa vivência comum, da nossa identi- ANTÓNIO ALBUQUERQUE MONIZ dade como Povo que não se confina aos limites geográficos de Portugal”. O cônsul espera ainda participar nas atividades sociais, culturais e económicas que promovam o desenvolvimento, o progresso e a visibilidade dos portugueses nesta região e que contribuam para o prestígio de Portugal e para a divulgação da língua e cultura portuguesas. Por fim, na sua mensagem, António Albuquerque Moniz declara que a diáspora portuguesa na área de jurisdição deste Consulado Geral conta já com “uma grande maturidade e uma tradição sólida que nos deverá permitir, em conjunto, aprofundar a sua participação na vida deste país”, sem deixar de defender a cultura e a história particulares da nação portuguesa, referência incontornável da identidade. JANEIRO 2016 VOTOS WWW.PORTUGALMAG.FR 9 Mensagem do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro CHEGADA MAIS UMA QUADRA NATALÍCIA E DE ANO NOVO, gostaria de dirigir às Comunidades Portuguesas em todo o mundo algumas palavras, no momento em que inicio as minhas funções e cumprindo uma prezada tradição. Na época de Natal, as nossas atenções voltam-se para a nossa família, para os nossos amigos e entes queridos, os que temos por perto e os que, muitas vezes por força das circunstâncias e contra a nossa vontade, não podemos reunir à nossa volta. É um tempo de comunhão, de partilha de afetos e de celebração, mas também de reflexão sobre o nosso papel enquanto indivíduos e enquanto comunidade, sobre o presente e o futuro, um tempo que queremos de paz e de esperança, mais ainda quando encaramos uma realidade feita de tantos desafios e incertezas. A todas as portuguesas e portugueses emigrantes, jovens e idosos, quero expressar a minha profunda admiração pela sua coragem, pela sua determinação em construir um futuro melhor e pela sua solidariedade nos momentos adversos. Estas são as virtudes da alma portuguesa que importa preservar e nutrir, não apenas em época de festas, mas todos os dias e todos os anos. Aos mais carenciados, aos mais idosos e aos mais sós, aos que passarão o Natal longe do seu país e das suas famílias, uma palavra especial de carinho e de solidariedade. A esses concidadãos, queremos dedicar uma especial atenção no âmbito da nossa ação, garantindo um apoio sustentado aos que se dedicam a prestar-lhes a ajuda de que necessitam, e reforçando a sua proteção social. A todas as Comunidades Portuguesas, queremos assegurar uma maior ligação à sua Administração e ao seu país. A todas e todos, procuraremos facilitar o exercício da sua cidadania e a sua participação cívica, nos seus países de acolhimento e de residência, tal como em Portugal. E porque sabemos que a "saudade da terra" melhor se alivia no reencontro com o sentimento de pertença e de identidade, tudo faremos, nos próximos anos, por manter vivas a nossa cultura, a nossa língua e a nossa memória. Penso igualmente nos milhares de jovens que, ao longo dos últimos anos, partiram contrariados, em busca de uma vida melhor, com o sentimento de que é JOSÉ LUÍS CARNEIRO nosso dever promover a sua integração nos seus países de acolhimento, salvaguardando os seus direitos, e esforçarmo-nos por lhes proporcionar uma ligação à sua pátria. Uma das formas de apoiar a nossa diáspora continuará a ser a dinamização do movimento associativo dos emigrantes, enquanto instrumento de coesão e partilha de valores entre as novas e as velhas gerações. Iremos ainda ao encontro dos jovens emigrantes portugueses e luso-descendentes empresários, potenciando o seu contributo para o desenvolvimento do nosso país, da nossa economia e do nosso bemestar, com eles dialogando nomeadamente através das estruturas locais e associativas e fomentando o seu investimento em Portugal. Nesta ocasião, não poderia deixar de saudar todas e todos quantos, na nossa rede diplomática e consular, nos serviços internos e externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, contribuem, com o seu trabalho e dedicação, para a melhoria do atendimento e do apoio às comunidades portuguesas, ajudando a fazer um Portugal mais próximo dos seus cidadãos, onde quer que se encontrem. Uma palavra, ainda, de reconhecimento pelas mulheres e homens de cultura, académicos e professores que, todos os dias, promovem e defendem a nossa língua e a nossa cultura no mundo. Também eles são parte do legado da nossa memória e da nossa identidade. Finalmente, quero prestar homenagem à memória dos nossos compatriotas, vítimas inocentes dos atentados de Paris do dia 13 de novembro último. A estes portugueses que, tragicamente, perderam a vida por se terem plenamente integrado na sociedade francesa e dela fazerem parte ativa, as suas famílias e amigos, o meu mais sentido pesar. Com o seu contributo para a projeção da nossa cultura, da nossa língua e da nossa economia, e com o seu trabalho de cada dia, os emigrantes portugueses são os melhores embaixadores de Portugal, porque prestigiam o nosso país e a nossa imagem no mundo, uma imagem de um Portugal cada vez mais moderno e inovador. A todas e todos, desejo um próspero Ano Novo. 10 JANEIRO 2016 LÍNGUA PORTUGUESA WWW.PORTUGALMAG.FR Língua portuguesa «um idioma de futuro» ESCRITORES, ESPECIALISTAS E INVESTIGADORES reuniram-se durante três dias num congresso internacional no Convento de São Francisco, em Coimbra, para debater a língua portuguesa como um idioma de futuro. Com oradores vindos do Brasil, de Angola, de França, de Moçambique, de Timor ou de Cabo Verde, o Congresso Internacional “Língua Portuguesa: uma Língua de Futuro” abordou a língua de diversas perspetivas: do ensino à literatura, e do português como língua de conhecimento, designadamente científico, ao futuro do idioma na era digital. A sessão de abertura contou com uma intervenção de Vítor Aguiar e Silva, um dos fundadores do Instituto Camões e coordenador da Comissão Nacional de Língua Portuguesa, que propôs um cânone literário a ser partilhado pelos sistemas de ensino dos vários países de língua portuguesa que “possa contribuir poderosamente para que a língua, nesta sua dimensão transnacional e transcultural, tenha alguma estabilidade”. “A minha proposta é que seja cada país que tem como língua oficial o português a propor os autores e obras que integrarão esse cânone literário escolar”, disse o investigador, sugerindo que esses autores “devem ser sobretudo dos séculos XX e XXI” e as obras devem privilegiar “textos de natureza narrativa e descritiva, de mais fácil compreensão por parte dos destinatários ideais, que são os alunos dos vários graus de ensino”. Na sessão de encerramento, os escritores Germano Almeida, de Cabo Verde, Luís Cardoso, de Timor-Leste, João MANUEL MACHADO Melo, de Angola, e Lídia Jorge, de Portugal, debateram o português “como língua literária”. “O português como língua do futuro passará pela diáspora portuguesa”, realçou Lídia Jorge no seu discurso, onde abordou os vários tipos de literatura existentes em Portugal, garantindo que “hoje não podemos pensar apenas no espaço português, a língua portuguesa vem de todos os lados e têm um potencial extraordinário”. A escritora citou um poema de Boss AC intitulado “O portuga”, para dar o exemplo do “português criativo em busca de uma nova pureza”. “Não podemos prever o que vai acon- JANEIRO 2016 LÍNGUA PORTUGUESA LÍDIA JORGE tecer, mas sabemos que a vivacidade das nossas literaturas depende das nossas culturas”, concluiu. Germano de Almeida, o jurista caboverdiano que também é escritor, fez questão de realçar que existe uma “ostensiva distância da língua portuguesa, sobretudo por parte da geração pós-independentista cabo-verdiana”. “O dia a dia da vida em Cabo Verde decorre em crioulo ao contrário do que as pessoas dizem, Cabo Verde não é um país bilingue”. No entanto, refere, “a literatura cabo-verdiana é feita, exclusivamente, em língua portuguesa”. O escritor realçou ainda que “Cabo Verde precisa do português para entrar WWW.PORTUGALMAG.FR JOÃO MELO LUÍS CARDOSO na rota do desenvolvimento. E ter duas línguas oficiais – português e crioulo – será um ganho para Cabo Verde”. Por sua vez, Luís Cardoso, escritor timorense, contou como “trocou” uma redação em língua portuguesa pelo primeiro pão que comeu na sua vida, na escola primária, e falou sobre o seu novo livro dedicado ao amigo Zeca Afonso. De Angola chegou João Melo, que fez questão de realçar que “mais do que uma língua oficial em Angola, o português é uma das línguas do país”, destacando ainda que o português em angola tem a influência das várias línguas que lá se falam e, por isso, “podemos falar de um português angolano”. 11 GERMANO ALMEIDA No final, João Gabriel, reitor da Universidade de Coimbra, falou sobre um futuro plurilíngue. “A Universidade de Coimbra vai seguir com a internacionalização do português, assumindo em pleno que a língua portuguesa é de todos os que a usam”. E concluiu afirmando que “não há melhor encontro do que a língua que nos une”. O Congresso Internacional “Língua Portuguesa: uma Língua de Futuro” foi a forma escolhida pela Universidade de Coimbra (UC) para encerrar as comemorações dos seus 725 anos, reforçando a estratégia de ter o idioma como elemento central da sua internacionalização e da sua afirmação como universidade global. Mensagem de Cristina Branco “NÃO POSSO ADIAR O AMOR PARA OUTRO SÉCULO NÃO POSSO…” António Ramos Rosa Um ano que se finda e outro que começa entre promessas e balanços, votos de felicidade, paz, amor e fraternidade e sobretudo a saúde. Os anos passam e as promessas que se evaporam: havemos de tomar um café um dia destes, quando voltar a Portugal temos que nos ver, este ano não podemos deixar passar… Mas deixamos, e os meses passam e os anos passam. Que tempos tristes estes, em que estamos ligados em permanência à informação virtual de amigos do outro lado do mundo e tão longe dos que nos estão próximos e adiamos, adiamos: a vida, a amizade, a escuta, a palavra, o café. “Não podes mudar o mundo!” Dizem-me frequentemente. Mas também não espero mudar o mundo mas mudar a minha consciência, a forma de agir, de estar e sobretudo de estar perante os outros. Se os outros mere- CRISTINA BRANCO cem ou não: a amizade, os pequenos gestos para com eles, só o tempo o dira. Perdemos amizades, ganhamos amizades. Evitamos os mesmos erros ou cometemos os mesmos: por distracção, descuido… é assim a vida. É assim a vida com o seu cortejo de dias felizes e outros piores. Mas a vida independentemente dos acontecimentos inesperados, mais ou menos felizes também é aquilo que fazemos dela. Que este ano não seja um ano de promessas, mas de acções. Promessas? Levaas o vento! Que possa tomar um café mais frequentemente com uma amiga, que não volte a adiar a amizade. Que os votos de início de ano não sejam apenas uma obrigação, palavras vãs. Cultivar a amizade, o sorriso, a generosidade, a bondade, não muda o mundo mas mudará certamente o que nos rodeia. 12 JANEIRO 2016 ECONOMIA WWW.PORTUGALMAG.FR Lojas «gourmet» portuguesas à conquista de Paris VÁRIOS ESPAÇOS EM PARIS APOSTARAM NO CONCEITO de um Portugal "gourmet" em troca dos tradicionais produtos do chamado "mercado da saudade". Nos últimos dois anos surgiram na capital francesa nomes como "Lisboa Gourmet", "La Tiborna", "Portologia", "Caravelle des Saveurs", "Comme à Lisbonne" ou "Tasca", cujas vitrinas vintage expõem produtos que não se encontram à venda nas grandes superfícies comerciais. "Em Paris, Portugal não era muito bem representado nos seus produtos 'gourmet', mais de excelência. Ou seja, havia muitos supermercados, mas não produtos assim requintados", disse Agnès Meira, proprietária do Lisboa Gourmet, uma loja e bar que abriu no final de abril de 2014. A lusodescendente contou que o "Lisboa Gourmet", situado no Boulevard des Batignolles, perto de Montmartre, foi "a primeira" loja gourmet portuguesa a abrir em Paris, tendo-se seguido algumas outras, o que a deixa satisfeita porque "os italianos tinham conseguido, os espanhóis também e Portugal ainda não tinha começado". "Eu penso que há um desejo, mas ainda não existe um verdadeiro roteiro gourmet, ou seja, poder ir a vários sítios onde se possa encontrar produtos gourmet. Ainda não há, mas poderá haver, temos esperança que sim. Paris precisava mesmo de um restaurante gastronómico português, isso sim", sugeriu Agnès Meira. Licenciada em Economia e Gestão, a parisiense está a "educar os clientes ao sabor e ao paladar português" graças às conservas, azeitonas, compotas, mel, chá e vinhos de pequenos produtores e o "Lisboa Gourmet" já figura no guia turístico Le Routard 2015 como um local "onde se pode comer como em Lisboa". Bem perto do Sacré Coeur, em pleno bairro turístico de Montmartre, outro espaço português tem atraído "90 por cento de franceses" graças aos "bons produtos portugueses": o café "La Tiborna" que abriu em novembro de 2014 na Rue Durantin. "As pessoas estão recetivas e estão curiosas de conhecer produtos de Portugal porque Portugal está verdadeiramente na moda. Temos inúmeros franceses que, ao conhecerem Portugal, estão também curiosos em conhecer os produtos portugueses, não só os produtos tradicionais, mas também os bons produtos portugueses e é essa a nossa aposta", explicou à Luís Ribeiro, o proprietário do La Tiborna. O projeto partiu da ideia da tiborna alentejana, "o chamado pão alentejano", para servir diferentes "tibornas" e "dar a conhecer vários produtos portugueses", como as conservas de sardinhas, bacalhau, atum ou cavala expostas nas prateleiras do café, ao lado de uma gama variada de vinhos "95% portugueses", a maior parte biológicos, e oriundos de pequenos produtores da região de Alentejo, Lisboa e Douro. Em junho, na Rue du Faubourg SaintMartin, no 10º bairro de Paris, abriu portas uma mercearia fina portuguesa, Caravelle des Saveurs, com o objetivo de vender "produtos que não se encontram no mercado da saudade", explicou Paula Simão, a proprietária. "Portugal não é só produtos do dia-a- dia. Portugal não é só bacalhau e música de Linda de Suza. Temos assim um selo na cabeça que o português só está cá para trabalhar e só come bacalhau", lamentou a lusodescendente que fez "uma viagem de mais de cinco mil quilómetros" à procura dos pequenos produtores de Portugal. Depois de 26 anos a trabalhar na indústria da moda, nas marcas de luxo Givenchy e Swarovski, Paula Simão quis ser uma das pioneiras das lojas gourmet portuguesas em Paris, tendo decorado o espaço com o que chamou de "sardinoteca", ou seja, um quadro composto de várias latas de conserva e prateleiras com cervejas e chocolates artesanais, patês de vinho do Porto, mata-bicho de alho, doce de pimento e malagueta, queijo de figo e outras iguarias portuguesas. A mais recente aposta portuguesa em Paris, no bairro do Marais, perto do Centro Pompidou, chama-se "Portologia" e é um espaço de degustação e garrafeira dedicado a vinhos do Porto e do Douro. "O mercado francês é o primeiro mercado de vinho do Porto a nível mundial. Não havia cá nenhuma casa especializada em vinho do Porto", explicou o proprietário Julien dos Santos que, no ano passado, já tinha comprado o bar "Vinologia", no Porto, e que quis aproveitar a procura de vinhos menos conhecidos em França. O lusodescendente de 27 anos considera que as lojas gourmet portuguesas em pleno centro de Paris respondem ao interesse francês por Portugal, constituindo uma alternativa aos supermercados à volta da capital que se "limitavam às grandes marcas portuguesas" e eram "direcionados para os emigrantes portugueses e não para clientela francesa". 14 JANEIRO 2016 CINEMA WWW.PORTUGALMAG.FR Dois filmes portugueses na competição do festival internacional em França AS CURTAS-METRAGENS “A GLÓRIA DE FAZER CINEMA EM PORTUGAL”, DE MANUEL MOZOS, E “O GUARDADOR”, DE RODRIGO AREIAS, vão integrar a competição internacional do maior e mais relevante festival de curtas-metragens europeu, o Clermont-Ferrand Short Film Festival, que terá lugar de 5 a 13 de fevereiro de 2016 em França. MANUEL MOZOS Os dois filmes, os únicos portugueses a concurso, foram selecionados entre as 7.778 obras de todo o mundo inscritas no festival. “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” estreou em julho no 23.º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema e resultou de uma encomenda da Curtas Metragens ao realizador Manuel Mozos. O filme tem como ponto de partida uma carta escrita por José Régio, em 1929, a Alberto Serpa onde o escritor manifestou a vontade de fundar uma produtora para começar a fazer cinema. Durante quase noventa anos, nada se soube sobre o desfecho deste pedido: nunca se encontrou qualquer resposta de Serpa à carta e Régio não terá voltado a mencionar o assunto. “A Glória de Fazer Cinema em Portugal” tenta desvendar o desfecho desta história. A curta-metragem, que entretanto integrou o circuito internacional dos festivais de cinema tendo sido distinguida pelo Júri do Doclisboa e premiada com uma menção honrosa no Festival Caminhos do Cinema Português, venceu, este mês, o Prémio de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira. Por sua vez, a curta-metragem “O Guardador”, de Rodrigo Areias, surgiu a partir de um convite feito pela Universidade da Beira Interior ao realizador para lecionar um workshop, integrando os alunos na construção da narrativa do filme. A obra marca o regresso de Rodrigo Areias à Serra da Estrela, depois de “Estrada de Palha”, num processo que, com escassos recursos, envolveu apenas uma atriz local, 30 estudantes e uma câmara de bolso. A curta inspira-se em quatro livros – “Constantino Guardador de Vacas e de Sonhos” de Alves Redol; “O Guardador de Rebanhos” do heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro; RODRIGO AREIAS “O Capital de Karl Marx” e a “Lã e a Neve” de Ferreira de Castro. “O Guardador” é sobretudo um filme acerca do valor do trabalho, a solidão e a incomunicabilidade, sobre um homem que tem de trabalhar de dia de noite, como pastor e no Museu da Lã, para sobreviver a comer uma sopa no restaurante do Senhor Ministro. Segundo uma nota enviada às redações, “a mediatização do evento e a presença de cerca de 3300 profissionais do cinema de todo o mundo fazem deste evento um espaço de extrema importância na divulgação do cinema português”. 16 JANEIRO 2016 WWW.PORTUGALMAG.FR ECONOMIA François Chasans, o francês que se apaixonou pela Bairrada EM 1998, FRANÇOIS CHASANS PROVOU VINHOS VELHOS DA BAIRRADA E TEVE UMA EPIFANIA. Eram tintos ao nível dos melhores de França. No ano seguinte, comprou uma terra e fez uma vinha em Tamengos, perto da Curia. Hoje é um dos sete Baga Friends e sonha em colocar os vinhos bairradinos no topo do mundo. A ideia era conhecer algumas das vinhas que alimentam a lenda dos tintos do Buçaco. Em Tamengos, nos arredores da Curia, António Rocha, o homem que trata dos vinhos, mostra-nos pequenas parcelas de vinha sem qualquer glamour mas “muito boas para a Baga”, uma das duas castas usadas no lote final. A outra, a Touriga Nacional, vem do Dão. O lugar não tem nome no atlas do vinho português. No entanto, é por ali que se situam as vinhas dos famosos tintos Gonçalves Faria Tonel 3 e 5, e não só. “Vou mostrar-lhe a vinha do François Chasans”, diz António Rocha, ao mesmo tempo que mete o carro por uma estrada de terra batida. Poucos metros à frente, surge uma carrinha de matrícula francesa e, logo a seguir, François Chasans, o próprio, e o filho, Charles Chasans, ambos de pulverizador às costas, aspergindo, sempre em forma de oito, videiras e o solo com uma das tisanas usadas na viticultura biodinâmica. François vive em França, mas, sempre que pode, vem até à Bairrada para tratar do seu hectare de vinha. Desta vez, veio a Portugal também para fazer a escritura de compra de mais uma parcela de terreno onde pretende plantar mais uma fiada de videiras. É uma colina suave exposta a leste e com grande potencial. Não há nada que ligue François à Bairrada, a não ser o vinho. Proprietário de uma garrafeira nos arredores de Paris, passou a vida a provar e a comprar vinhos. Chegou a trabalhar para a famosa loja Fauchon, de Paris. Já bebeu o melhor que se faz em França e no mundo. Casado com a portuguesa Maria do Céu, da Lourinhã, François Chasans começou a visitar Portugal há cerca de 40 anos. Nessa altura, “o pior vinho português era o da Bairrada, o melhor era o do Dão”, recorda. Em 1998, foi a Lisboa, para visitar a Expo, e pôde provar vinhos velhos da Bairrada, entre os quais alguns Gonçalves Faria, que o deixaram de boca aberta. “Foi uma revelação. Estavam ao nível dos melhores vinhos franceses”, conta. Três meses depois estava na Bairrada a comprar terra para fazer a sua própria vinha, a que deu o dome de Quinta da Vacariça, inspirada no mosteiro beneditino que terá existido na aldeia da Vacariça, no concelho da Mealhada. É ele que carrega literalmente a vinha às costas, embora, a espaços, conte com a ajuda do filho, Charles, enólogo recém-formado que já apresenta no currículo um estágio de dois anos no mítico Domaine de La Romanée-Conti, na Borgonha, e onde também se pratica viticultura biodinâmica. “ Há milhares de viticultores biodinâmicos no mundo, mas a maioria é gente maluca”, diz François, assumindo-se como biodinâmico “não extremista”. O que o move é o desejo de ter uma vinha saudável, livre de químicos e alimentada unicamente com produtos naturais. “O vinho faz-se na vinha”, lembra. O seu lema é “cultivar a diferença na busca da excelência”. Em 2008 produziu o seu primeiro vinho, feito de forma tradicional num lagar cedido por Mário Sérgio, na Quinta das Bágeiras. A cada dia que passa, François diz-se cada vez mais rendido à Baga (é um dos sete Baga Friends, juntamente com Luís Pato, Mário Sérgio, JANEIRO 2016 ECONOMIA WWW.PORTUGALMAG.FR Filipa Pato, Dirk Niepoort, Sidónio de Sousa e Bussaco) e à Bairrada, “a região com mais potencial do mundo”. “Mas falta-lhe imagem e posicionamento”, diz, mostrando-se crítico do rumo que os vinhos bairradinos estão a tomar. Recentemente, aproveitou a sua entronização como confrade dos enófilos da Bairrada para dizer o que pensa. Lembrou, a começar, que o último concurso dos melhores vinhos da Bairrada, organizado pela comissão vitivinícola regional, atribuiu a mais alta distinção a um vinho tinto de oito meses. “Um Baga tradicional não tem hipóteses nenhumas neste concurso. Mas há pior. Um Merlot foi eleito o melhor vinho do ano. Que imagem querem dar aos enófilos do mundo?”, questionou no seu discurso, lembrando que “um Merlot é um Pomerol e um Pinot Noir é um Nuits-SaintGeorges”, “vinhos de emoção adaptados aos seus terroirs”, que é o que acontece com a Baga em relação à Bairrada. “Portugal possui uma das maiores colecções de castas autóctones do mundo. Temos de nos servir deste tesouro para afirmar a nossa identidade”, defendeu. François deu também o exemplo do novo Espumante Baga, com o qual a comissão vitivinícola espera um acréscimo de produção superior a 250 mil garrafas. “Mas como é que querem construir uma imagem com um produto que tem nove meses de cave no mínimo? Um estágio de três anos seria mais ambicioso. Façam só 20 mil garrafas da mais alta qualidade para começar”, desafiou, defendendo que a Bairrada, bem como o resto do país, só se poderá afirmar pela diferença, nunca pela quantidade. “A Romanée-Conti 17 produz apenas seis mil garrafas”, lembrou, a propósito. Do seu Quinta da Vacariça, François Chasans produz ainda menos (a quantidade de uvas não chega sequer aos cinco mil quilos). E, do pouco que produz, não tem vendido muito (em Portugal, o vinho está disponível em duas ou três garrafeiras e num ou noutro restaurante). A sua ideia é vender 80% do vinho no estrangeiro. Um seu amigo garante que até já tem paletes feitas para vender mais tarde em certos mercados. Aos 59 anos, François Chasans não tem pressa. Os Baga precisam de tempo em garrafa e o seu primeiro vinho, o Quinta da Vacariça 2008, um tinto imponente, tânico e com uma acidez soberba (um pouco menos maduro do que o 2009, mais civilizado nesta fase), ainda tem pelo menos “20 anos pela frente” (está à venda a 48 euros na Garrafeira Nacional). François sabe melhor do que ninguém que os grandes vinhos demoram muito tempo a fazer. O que custa são os primeiros 150 anos, como diriam os Rothschild. Gérard Depardieu e Emmanuelle Seigner vão estar em Portugal para gravar um filme, sobre o ditador soviético Josef Estaline OS ATORES GÉRARD DEPARDIEU E EMMANUELLE SEIGNER VÃO ESTAR EM PORTUGAL entre 4 de janeiro a 6 de fevereiro, para a rodagem de uma longa-metragem sobre o ditador soviético Josef Estaline. O Palace Hotel do Buçaco e o Palace Hotel da Curia, na Mealhada, servirão de cenário ao filme, que será realizado GÉRARD DEPARDIEU por Fanny Ardant. Depardieu, que mudou a residência para a Rússia para fugir à carga fiscal francesa, tem agora a oportunidade de encarnar aquela que é uma das mais importantes figuras da história da União Soviética. A longa-metragem centra-se nos últimos anos do ditador (1950, quatro anos antes da morte) e explora, sob uma perspetiva freudiana e intimista, a entrada de um jovem na vida de Estaline e da sua mulher, gerando no ditador sentimentos de ciúme. Intitulada “Et derrière moi une cage vide” (em português “E atrás de mim uma gaiola vazia”), a longa-metragem é uma coprodução luso-francesa, a cargo de Paulo Branco, em nome da Leopardo Filmes e da Alfama Films. A produção já está instalada no Buçaco, mas os atores devem chegar logo após o ano novo, para um mês de fil- magens que seguem até dia 6 de fevereiro. Para já, ainda não há data prevista de estreia. EMMANUELLE SEIGNER 18 JANEIRO 2016 RECOMPENSA WWW.PORTUGALMAG.FR Prémio Pessoa para Rui Chafes, um artista íntegro e inteiro O ESCULTOR, DE 49 ANOS, é apenas o segundo artista plástico a receber o mais importante prémio de consagração português. RUI CHAFES Poucos artistas nascem já feitos, inteiros, completos. Rui Chafes sim. É um caso raro. Em 1992, assinava as suas primeiras exposições quando a revista K lhe dedicou um artigo de título lapidar: “Este homem é um génio.” Chafes tinha apenas 26 anos. Tem 49 agora que recebe o Prémio Pessoa, o mais importante prémio nacional de consagração, o único que distingue protagonistas de várias áreas das ciências e humanidades. Em 29 edições, é apenas o segundo artista plástico contemplado. O primeiro do último quarto de século, desde 1990, quando foi atribuído a Menez já perto do fim da vida da pintora (1926-1995). O júri, liderado pelo presidente do grupo Impresa, Francisco Pinto Balsemão, integrou o economista Álvaro Nascimento, o sociólogo António Barreto, a jornalista e escritora Clara Ferreira Alves, o administrador Diogo Lucena, o arquitecto Eduardo Souto de Moura, o neurocirurgião João Lobo Antunes, o historiador da arte José Luís Porfírio, as cientistas Maria Manuel Mota e Maria de Sousa, o ex-presidente Mário Soares, o jurista Miguel Veiga, o presidente executivo da Impresa, Pedro Norton, o engenheiro Rui Magalhães Baião, o musicólogo Rui Vieira Nery e o filósofo Viriato Soromenho-Marques. Chafes "consegue o feito raro de produzir uma obra simultaneamente sem tempo e do seu tempo", disse Francisco Pinto Balsemão no Palácio de Seteais, em Sintra, ao anunciar o prémio, no valor de 60 mil euros atribuídos pelo semanário Expresso com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos, Chafes reagia pouco depois: “É uma sorte poder fazer um trabalho ao longo de tantos anos e ele ter algum tipo de significado e suscitar o interesse e o reconhecimento de uma comunidade. Não estou certo de o merecer nem de ter a importância de outras pessoas que o receberam, mas é uma alegria e uma grande responsabilidade.” A responsabilidade, diz o escultor, radica no facto de quando um prémio transversal como o Pessoa é entregue a um artista, a distinção se perfilar não apenas como reconhecimento de um percurso individual, mas constituir um alerta maior, “uma chamada de atenção para a própria existência da arte no mundo”. Grande parte da actividade artística, diz Chafes, destina-se hoje a alimentar o mercado. “É legítimo.” Mas há outros timbres de intencionalidade, gestos que entendem ter “um papel ético no mundo”. “O meu é levantar questões, fazer perguntas e pôr as pessoas à procura de respostas no sentido da essência daquilo a que chamamos vida e existir.” O bom trabalho artístico, conclui o escultor, “põe sempre questões sobre o essencial”: “Tem a ver com descarnar, ir ao caroço.” Na obra de Chafes, esta perspectiva temse traduzido numa dedicação exclusiva ao trabalho do ferro – uma das singularidades primeiras da sua marca autoral. Não há, nunca houve muitos artistas a trabalhar sistematicamente e em exclusividade o ferro. Nasceu com a escultura modernista a essência do que, na segunda metade do século XX, seria mais frequentemente procurado no trabalho com este material: a monumentalidade, uma reflexão sobre o peso e a densidade, sobre a natureza e o poder de uma presença supostamente perene, sobre o seu impacto tanto na paisagem como no humano. Em Fevereiro do ano passado, aquando da inauguração da grande antológica O Peso do Paraíso, que juntou no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian cerca de 100 obras de 25 anos do seu percurso, Isabel Carlos, que assinou a curadoria, apontava a imensa singularidade deste artista: “Quando vemos um Rui Chafes, sabemos que só pode ser um Rui Chafes. É um universo próprio, inconfundível.” Nessa altura, Chafes dizia: “Espero começar a compreender o que fiz e o que faço quando tiver 80 anos. Ou mais. Parece que o Hokusai, o grande mestre japonês, tinha esta mesma consciência: dizia que tudo o que tinha produzido antes dos 70 anos não era digno de atenção. Aos 75 teria começado a aprender algumas coisas, aos 80 teria feito alguns progressos, aos 90 teria penetrado o mistério das coisas, aos 100 teria alcançado uma etapa maravilhosa e aos 110 tudo o que faria, fosse um ponto ou uma linha, estaria vivo. É assim que eu penso também.” 20 JANEIRO 2016 DIVERSOS WWW.PORTUGALMAG.FR Datas que marcaram 2015 ESTES SÃO OS PRINCIP AIS A CONTECIMENTOS DE 2015 EM POR TUG AL PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS PORTUG TUGAL E NO MUNDO EM DIVERS AS ÁREA S COMO A POLÍTICA, RELIGIÃO ÁREAS RELIGIÃO,, DIVERSA DESPOR TO OGIA, ECONOMIA, GUERR A, CIÊNCIA E AR TES. DESPORTO TO,, TECNOL TECNOLOGIA, GUERRA, ARTES. Janeiro Dia 1: Entra em vigor a União Económica Eurasiática composta pela Rússia, Arménia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão. A Lituânia adota o Euro tornando-se no 19º membro da Zona Euro. Dia 7: Uma série de ataques terroristas fazem 19 mortos e 17 feridos no jornal Charlie Hebdo. Dia 12: Cristiano Ronaldo ganha a sua terceira bota de ouro, de melhor jogador de futebol do mundo em 2014. Dia 25: As eleições na Grécia são vencidas pela Extrema-Esquerda. Dia 29: Atentados do Estado Islâmico contra forças do Egito fazem 25 mortos e 34 feridos em Sinai. Dia 31: Estado Islâmico divulga novo vídeo de decapitação de reféns. Fevereiro Dia 1: A sonda Dawn da NASA sobrevoa o mini planeta Ceres. Dia 4: Um avião da TransAsia Airways cai minutos após a decolagem em Taiwan causando mais de 40 mortes. Dia 15: Ataques terroristas numa si- nagoga e num café fazem 2 mortos e 10 feridos em Copenhaga, Dinamarca. Dia 25: São divulgados os vencedores dos Óscares 2015. Dia 24: Avião da companhia Germanwings cai com 150 pessoas a bordo nos Alpes franceses sem deixar sobreviventes. Um atentado terrorista do grupo alShabaab numa universidade do Quénia mata 147 pessoas. Dia 11: Barack Obama e Raúl Castro encontram-se no Panamá tendo em vista o fim do embargo dos Estados Unidos a Cuba. Dia 27: Morre Leonard Nimoy, o eterno Spock. Março Dias 18 a 20: Ataques terroristas do Estado islâmico num museu da Tunísia e na capital do Iémen provocam centenas de mortes e de feridos. Dia 20: Regista-se um eclipse solar parcial visível em Portugal durante duas horas. Dia 29: Miguel Albuquerque e o PSD vencem as Eleições na Madeira. Abril Dia 2: Falece o centenário realizador português Manoel de Oliveira. Dia 25: Um sismo de 7,8 na escala de Richter faz milhares de vítimas no Nepal. Maio Dia 2: Nasce Carlota de Cambridge, a segunda criança de Kate Middleton e do Príncipe William. JANEIRO 2016 DIVERSOS Dia 18: Iraque e Síria perdem os derradeiros pontos da fronteira para o grupo terrorista Estado Islâmico. Dia 15: Morre a lenda do blues B.B. King. Dia 21: O Rally de Portugal regressa ao norte do país. Dia 27: O Sevilha vence a Liga Europa, tornando-se o clube com mais Ligas Europa. WWW.PORTUGALMAG.FR 21 Dia 26: Atentado terrorista num hotel da Tunísia faz 38 mortos, entre eles uma portuguesa. Julho Dia 4: Chile vence em casa a Argentina na final da Copa América 2015. Dia 13: A Grécia não sai da zona Euro e é acordado um terceiro pacote de ajuda económica ao país. Dia 5: José Sócrates, antigo primeiro ministro português, deixa a prisão de Évora para entrar em prisão domiciliária. O Benfica vence a Liga NOS e a Taça da Liga. Dia 23: Descoberta do exoplaneta Kepler-452b, a 1400 anos luz da Terra. Dia 29: Lançamento do Windows 10. Dia 27: Vários dirigentes da FIFA são presos por corrupção na Suíça. Dia 29: Joseph Blatter é reeleito presidente da FIFA. Dia 31: Sporting ganha a Taça de Portugal nos penalties, frente ao Braga. Junho Dia 2: Joseph Blatter demite-se do cargo de presidente da FIFA. Dia 4: O treinador Jorge Jesus troca o Benfica pelo rival Sporting. Dia 6: O Barcelona vence a Liga dos Campeões à Juventus por 3-1. Dia 7: Morre o ator Christopher Lee, conhecido pelos papéis de Drácula e Saruman no cinema. Dia 24: É assinada a venda da TAP (de 61% da companhia ao consórcio Gateway) rendendo ao Estado 10 milhões de euros. Dia 25: Telma Monteiro vence a medalha de ouro do judo nos Jogos Europeus de Baku. Agosto Dia 8: Tufão Soudelor causa mortos em Taiwan. Dia 10: A Google anuncia a Alphabet, a sua nova empresa-mãe. A multiplicação dos fogos em Portugal faz de 2015 um dos piores anos de sempre em termos de incêndios. Emigrantes portugueses protestam um pouco por todo o país junto das instalações do Novo Banco pela perda dos seus investimentos. Dia 27: Nelson Évora vence medalha de bronze nos Mundiais de Atletismo de Pequim. Dia 20: O Syriza, partido liderado por Alexis Tsipras, vence as eleições na Grécia com 35,5% dos votos. Dia 28: A NASA anuncia ter encontrado água em Marte. Outubro Dia 4: A Coligação Portugal à Frente dos partidos PSD e CDS-PP vence as Eleições Legislativas 2015 com 36,83% dos votos dos portugueses. A abstenção de 43,07% foi a maior de sempre nas legislativas. Dia 8: A bielorrussa Svetlana Alexievich vence o Prémio Nobel da Literatura. A NASA encontra água congelada em Plutão. Dia 9: O Quarteto para o Diálogo Nacional da Tunísia vence o Prémio Nobel da Paz. Dia 31: Morre o realizador Wes Craven, responsável por imensos sustos com os seus filmes de terror. Setembro Dia 3: 5 crianças sírias que tentavam alcançar a Europa dão à costa da Turquia, criando as imagens das crianças mortas indignação nas redes sociais e aumentando o debate sobre a migração na UE. 22 JANEIRO 2016 DIVERSOS WWW.PORTUGALMAG.FR Dia 10: Um atentado terrorista na Turquia causa mais de 100 mortos e 400 feridos. Dia 12: Angus Deaton é distinguido com o Prémio Nobel da Economia 2015. Dia 16: José Sócrates, antigo primeiro ministro arguido da Operação Marquês, sai da prisão domiciliária com vigilância policial. Dia 27: É anunciado o novo governo português, para governar o país nos quatros anos seguintes. Dia 30: Tomada de posse do XX Governo Constitucional de Portugal. Novembro Dia 6: O XX Governo Constitucional de Portugal entrega o seu programa na Assembleia da República. Dia 10: O programa do Governo é discutido no Parlamento, com os partidos da oposição (PS, PEV, PCP e BE) a assinarem uma posição conjunta contra o programa do XX Governo e a causarem a queda deste. Dia 13: Vários atentados terroristas coordenados instalam o terror em Paris, em locais como a sala de espetáculos Bataclan e as imediações do Estádio de Paris, causando centenas de mortos e de feridos graves. Os atentados foram reivin- Dia 26: Tomada de posse do novo Governo de Portugal. dicados pelo Estado Islâmico. França fecha as suas fronteiras. Dia 20: Homens armados atacam um hotel no Mali e fazem cerca de 170 reféns. Dia 22: Mauricio Macri vence as eleições presidenciais na Argentina. A adoção por casais do mesmo sexo em Portugal é aprovada no Parlamento por larga maioria. Dia 24: O Presidente da República Aníbal Cavaco Silva indigita o líder do PS António Costa como novo Primeiro Ministro de Portugal, após a queda do governo no início do mês. Turquia destrói um avião militar russo. Dezembro Dia 3: Falece Scott Weiland, vocalista de bandas como Stone Temple Pilots e Velvet Revolver. Dia 22: O Partido Popular de Mariano Rajoy vence as eleições legislativas em Espanha mas sem maioria absoluta. Dia 21: Joseph Blatter, presidente da FIFA desde 1998, e Michel Platini, presidente da UEFA desde 2007, são suspensos por 8 anos de toda a atividade ligada ao futebol. Academia do Bacalhau de Paris festejou Natal no Sena COMO TEM VINDO A SER HABITUAL, TODOS OS ANOS A ACADEMIA DO BACALHAU DE PARIS organiza uma jantar de Gala para comemorar o Natal, onde são convidados todos os seus compadres, comadres e amigos, e este ano foram muitos os que marcaram presença. O evento decorreu no barco “Le Paris”, lugar requintado e original, jantar que permitiu aos participantes navegar no Sena e redescobrir Paris de uma forma diferente, percorrendo o rio da capital enquanto comiam e disfrutando de uma bela vista dos monumentos de Paris Uma iniciativa que coincidiu com a campanha “Roupa sem Fronteiras” que visa a apoiar os mais desfavorecidos e os novos migrantes que chegam de vários países em conflito. Esteve presente o Presidente Honorário das Academias do Bacalhau, Dur- val Marques, além dos dois deputados da emigração eleitos pela Europa, Carlos Gonçalves e Paulo Pisco. Relembramos que a Academia do Bacalhau de Paris é presidida por Carlos Ferreira. O jantar contou com uma atuação do artista Luís Represas. A Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP) comemorou o 10° aniversário com um jantar de gala A CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA FRANCO-PORTUGUESA (CCIFP) organizou um jantar de gala para comemorar o seu 10° aniversário, todos os anos a CCIFP tem agendado este evento próximo das festas de fim de ano. A Portugal Magazine esteve presente, tanto como membro da CCIFP e em termos de reportagem, podemos ver uma sala cheia, quase 500 pessoas, empresários e amigos marcaram presença para o jantar. Em declaração à Portugal Mag, a direção disse que teve muito mais pedidos, mas que não pode satisfazer a todos, visto a capacidade da sala e em relação à segurança, mas quase outras tantas pessoas vieram para assistir ao concerto privado de João Pedro Pais e de Pedro Abrunhosa, dois artistas do mais alto patamar na música portuguesa. Este evento teve lugar numa sala de grande prestigio na capital francesa, « Maison de la Mutualité ». A apresentação desta gala esteve a cargo de duas personagens luso-descendentes bastantes conhecidas no meio da comunidade, o realizador do filme “La Cage Dorée” Ruben Alves, filme com enorme êxito mundial que retrata a vida de uma família Portuguesa em França, um dos melhores filmes sobre a imigração portuguesa, assim que a atriz Bárbara Cabrita, que participou no mesmo filme e que tem participado em vários outros, atriz muito admirada pelo público. Durante este jantar fo- JANEIRO 2016 ANIVERSÁRIO ram entregues pelos administradores da CCIFP, prémios que servem para recompensar o trabalho de alguns membros e empresários, que de alguma forma contribuiram para o bom desenvolvimento das relações económicas entre França e Portugal. Foram recompensadas as empresas fundadoras que comemoraram 10 anos de adesão à CCIFP: Fidelidade, AICEP Paris, TAP Portugal, Caixa Geral de Depósitos, Auto Garage Ampère, Effigest, Banque Espírito Santo et de la Vénétie, Inapa France, Império Assurances et Capitalization, Mariano Aux Caves du Portugal, Logoplaste France, Banque BCP, Banco BPI, Alfa Diffusion, Simoldes Plásticos France, Magic Fil Telecom, Grupo Visabeira, Soporcel France e Cabinet d’avocats Mendes Antunes. Também foram homenageadas as empresas que completaram 5 anos de adesão à CCIFP : Groupe Serip, Cab. José de Paiva, Caixiave Indústria de Caixilharia, JDC Invest, Cantin International, Cosmopolit Assurances, Aigle Azur, Novacambios France, Sarl Frateco, Garvetur, Fafrinog, Strategy Analysis International, RDSA Rive Gauche, Martifer Solar France, e AES Architectures. Outras recompensas foram atribuídas, como a Joaquim Baptista responsável da rede de restaurantes Pedra Alta, um nome que se juntou a uma qualidade e renome em França, troféu CCIFP/Fidelidade Produto do Ano 2015 entregue pelo administrador da CCIFP, Mapril Baptista, da empresa Les Dauphins e Marc Oliveira, Diretor comercial da Fidelidade. Também estavam nomeadas as marcas Maisons à l’Algarve, de Algarvegroup e Maisons modulaires de LXS Group. O presidente da Tradi- WWW.PORTUGALMAG.FR MEMBROS QUE COMPLETAM 5 ANOS NA CCIFP MEMBROS QUE COMPLETAM 10 ANOS NA CCIFP 25 Art, Valdemar Francisco, que também é administrador da Câmara de Comércio, entregou o troféu de membro do ano 2015 a José Gomes de Sá da empresa LSMC Media & Communication. Este prémio pretende recompensar as empresas que mais apoiaram a CCIFP durante o ano. Também estavam nomeadas as empresas Ceramis Azulejos e a Oriel Conseil. Outro vencedor da noite foi Antoine da Costa da empresa Climascience, vencedor do troféu CCIFP/Banco BCP empresa do ano 2015. O troféu foi-lhe entregue por Carlos Vinhas Pereira, presidente da CCIFP e por JeanPhilippe Diehl, presidente do diretório do Banque BCP. O admistrador da CCIFP, Carlos Ferreira, da empresa CFM Constructions e Hélio Pereira, diretor regional da CGD/France entregaram o troféu CCIFP/Caixa Geral de Depósitos jovem empresa 2015 à “Cerama” do jovem David Rocha. Lisboa Gourmet e Caticom foram as duas outras empresas nomeadas. Edgar Ferreira da empresa “Nossa” foi o vencedor do troféu CCIFP/Novo Banco inovação 2015, o premio foilhe entregue pelas mãos de Luís Silva, diretor do Novo Banco em França. As empresas Littlebigweb e Bri-Ecoloclean foram as outras duas nomeadas. Todos estes prémios foram louvados por todos os presentes, cada vencedor teve o seu momento de discurso. A Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, já está a trabalhar para outros eventos como o “Salão do Imobiliário e Turismo Português” para dinamizar a comercialização dentro destas áreas junto do público francês, o “Fórum dos Empresários e Gestores portugueses e luso-descendentes de França” um evento organizado pela CCIFP com o in- 26 JANEIRO 2016 ANIVERSÁRIO WWW.PORTUGALMAG.FR tuito de por em contacto e promover empresários portugueses e franco-portugueses de excelência, almoços e jantares debate que contam com a presença de diversas personalidades, apresentações de produtos e serviços entre outros eventos de grande envergadura e sucesso. A CCIFP também já está a programar o próximo jantar de gala que para o ano será em Portugal, porque este evento é alternando entre França e Portugal, para poder juntar o máximo de pessoas. Durante a gala, o Presidente Carlos Vinhas Pereira, no seu discurso, fez um balanço positivo dos 10 anos da Câmara de Comércio e mostrou a sua satisfação e orgulho por já ter atingido cerca de 500 membros. O caminho percorrido durante esta década pela CCIFP foi “notável” e que lhe permite “ser hoje reconhecida como uma instituição de referência nas relações económicas bilaterais entre Portugal e a França”. Carlos Vinhas Pereira saudou todos os presentes e agradeceu aos dirigentes, quadros das empresas, membros, parceiros e clientes a forma como têm ajudado e contribuído nas relações económicas e diplomáticas entre Portugal e França. Carlos Vinhas também agradeceu todos os administradores e todos os que colaboraram para que esta gala fosse um sucesso à imagem da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa. CARLOS VINHAS PEREIRA - PRESIDENTE DA CCIFP DIREÇÃO DA CCIFP CCIFP A Câmara de Comércio e Industria Franco-portuguesa (CCIFP) é uma instituição de direito francês fundada para desenvolver e promover os intercâmbios comerciais entre a França e Portugal, trazendo, aos empresários interessados em exportar num desses mercados, uma plataforma de serviços úteis e uma informação adequada conforme as suas necessidades. Esta instituição foi criada no âmbito de enquadrar empresários e particulares, de forma a que qualquer um deles pudesse alargar o seu raio de acção, providenciando um acompanhamento de forma activa. Para conseguir esse apoio, um grande número de serviços encontra-se à disposição dos membros e não membros e várias acções (salões, seminários, etc.) são organizadas pela CCIFP. A grande comunidade luso-descendente existente em França, composta entre outros, por empresários, permite dar uma dinâmica essencial na actividade da CCIFP. A CCIFP conta com as empresas francesas e portuguesas com vontade de exportar e alargar os negócios dos seus membros, entre os quais podemos encontrar as principais empresas portuguesas que desenvolvem negócios em França e vice-versa. A Câmara de Comércio e Industria Franco-portuguesa tem acordos de cooperação com Câmaras Municipais em Portugal para novas oportunidades de investimento e descoberta de empresas de vários municípios portugueses têm para oferecer ao mercado francês. Tendo em consideração as fortes ligações existentes entre Portugal e França que favorecem claramente a consecução de novos negócios e a geração de oportunidades promissoras. Considerando a localização privilegiada de Portugal e de França, que permite o desenvolvimento de estratégias de internacionalização em relação a toda a União Europeia, em função da existência de um espaço económico comum. A CCIFP assinou acordos de cooperação tendo como objetivo promover em França o investimento. A Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa tem assinado acordos de cooperação que visam a promover o investimento produtivo local em Portugal, tendo já assinado com 15 municípios: Caminha, Penafiel, Vila Pouca de Aguiar, Idanhaa-Nova, Viana do Castelo, Viseu, Batalha, Faro, Chaves, Valpaços, Cascais, Fundão, Região Autónoma da Madeira, Vila de Rei, Ferreira do Zêzere e Pombal. Fo t o s : Jorge Marques/CCIFP JANEIRO 2016 ANIVERSÁRIO WWW.PORTUGALMAG.FR 27 TROPHEE CCIFP FIDELIDADE – PRODUIT DE L’ANNEE 2015 - JOAQUIM BAPTISTA RUBEN ALVES E BÁRBARA CABRITA OS APRESENTADORES TROPHEE CCIFP BANQUE BCP - ENTREPRISE DE L’ANNEE 2015 - ANTOINE DA COSTA TROPHEE CCIFP NOVO BANCO – INNOVATION 2015 - EDGAR FERREIRA TROPHEE CCIFP CAIXA GERAL DE DEPOSITOS – JEUNE ENTREPRISE 2015 - DAVID ROCHA TROPHEE CCIFP - MEMBRE DE L’ANNEE 2015 - JOSÉ GOMES DE SÁ JOÃO PEDRO PAIS PEDRO ABRUNHOSA 28 JANEIRO 2016 COMUNIDADE WWW.PORTUGALMAG.FR Para muitos recém-emigrantes, o Natal foi passado à distância, longe das famílias MUITOS DOS PORTUGUESES que emigraram este ano passaram pela primeira vez a quadra natalícia fora de Portugal, um cenário novo que muitos encararam com naturalidade, mas outros não esconderam a tristeza. Este ano “nem cheira a Natal”, disse Fábia Machado, 35 anos, que deixou em agosto o Bombarral para trabalhar na região de Paris, com o marido e a filha mais velha, de 15 anos, com quem passou a quadra, sem as duas meninas mais novas. “Só estivemos os três. É estranho, é novo porque deixei duas filhas mais pequeninas em Portugal. É a primeira vez que estive longe delas. Foi um bocado complicado”, afirma Fábia. Em 2015, o “Natal foi um bocadinho triste”, admite a recém-emigrante, que decidiu “arriscar” porque estava desempregada há dois anos em Portugal. No entanto, o ‘Eldorado’ francês ainda não lhe sorriu. Ainda não encontrou trabalho e está à procura de uma solução, seja “nas limpezas ou nos supermercados” porque ainda não fala bem francês para encontrar trabalho de escritório. “Neste momento é só o ordenado dele que entra, portanto, este ano é impensável irmos a Portugal porque é sempre mais um gasto. Em Portugal também não temos um Natal assim em grande, mas sempre estamos com a família”, descreve. No entanto, para atenuar as saudades, que já são “muitas”, havendo “dias desesperantes”, a mesa de Natal foi 100% portuguesa: “bacalhau cozido com brócolos – porque aqui não somos muito fãs das couves – o tradicional vinho tinto, o bolo-rei, as fatias douradas, os sonhos”. Em Berlim, Raquel Dionísio, 34 anos e natural de Lisboa, nunca considerou passar o Natal fora de casa, mas quando começou a ver os preços das passagens optou por ficar e nos dias 24 e 25 ficou a trabalhar num hotel. “Como estive a trabalhar, nem consegui fazer “uma chamada de videoconferência” ‘Skype’ com a família. Mas foi uma escolha porque como é feriado, recebemos a dobrar”, explicou. Formada em jornalismo, Raquel disse que “emigrar sempre esteve fora de questão” mas depois de dois anos e meio a trabalhar como empregada de mesa em Lisboa, Berlim tornou-se no caminho a seguir. “Foi uma oportunidade de voltar a trabalhar na minha área porque em Portugal não estava mesmo a dar: estava a receber uma miséria, o trabalho não era mau de todo mas muitas condições eram más e não era o que queria fazer”, referiu. Veio para Berlim para fazer um estágio em jornalismo e o objetivo era conseguir trabalho na área. De momento, a portuguesa trabalha numa agência de catering e numa companhia de entrega de comida ao domicílio. “Vim à descoberta e a experiência que tive cá foi muito boa, mas o estágio terminou ao fim de quatro meses sem possibilidade de lá ficar. Regressar a Portugal seria voltar ao mesmo por isso decidi ficar e investir na aprendizagem do alemão”, explica. Tal como Raquel, Vítor Castro, 30 anos, decidiu ficar em Berlim no período natalício porque as passagens aéreas para a ilha da Madeira estavam “caríssimas”. No primeiro Natal fora de casa, o madeirense passou a véspera com a colega de casa alemã e foi à missa do galo em Berlim: “Não sou religioso, mas gostei de ver como festejam aqui”. “Os meus pais ficaram tristes mas eles compreenderam”, referiu o designer ‘freelancer’ que já planeia visitar a família em fevereiro, depois do burburinho do Natal, altura em que pode “ficar mais tempo e por um quarto do custo”. Na mesa de Natal, Vítor não teve bacalhau nem iguarias portuguesas mas decidiu comemorar a época à luz do espírito das ‘start-ups’ berlinenses: “Encomendei uma refeição a uma ‘start-up’ alemã que te traz todos os ingredientes certos para executares uma receita dada por eles”. Em Macau, do outro lado do mundo, Henrique Siqueira, técnico de saúde, 29 anos, veio com a mulher, Dália, de 30, também passou pela primeira vez o Natal fora de Portugal. “Chegámos muito recentemente. Fiz esta viagem muitas vezes nos últimos tempos à procura de um emprego para poder mudar de vida. Agora que conseguimos ficar por cá, achamos que devemos iniciar uma nova vida e deixar a vida antiga para trás”, disse Henrique Siqueira, que minimiza o impacto da data. “Não fizemos planos, passamos esta data só os dois”, disse. A família achou natural não irem a Portugal: “Estavam convencidíssimos que não voltaríamos tão cedo assim que puséssemos os pés cá. Nos próximos anos é possível que pensemos na hipótese de voltar a Portugal no Natal. Neste primeiro Natal não foi possível porque não tive férias”. Também a trabalhar como arquivista em Macau há menos de seis meses, Catarina Batista, 25 anos, não pode ir a Portugal neste período. No início fiquei bastante triste, mas agora já me habituei”, disse. Passei com a amiga com quem divide casa, também portuguesa: “Fizemos um jantar de consoada muito simples, convidamos mais pessoas que comemoram o Natal. Por exemplo, uma amiga minha filipina, eles são muito religiosos. Tentei juntar um grupinho de pessoas que comemoram” a data, explica. “A ideia foi recriar o sentimento mais acolhedor – nada substitui estar lá, com os familiares, a comer aquelas coisas todas boas, tentamos recriar o sentimento caloroso de estar com alguém, comemorar a data com alguém especial”, disse, salientando que a ementa incluiu, obrigatoriamente, bacalhau. A família reagiu mal à notícia: “A minha mãe tinha proposto vir cá, mas é impossível com a família lá, avós e tudo. A família ficou triste, perguntaram-me: ‘Mas porque é que não vieste? Precisavas de dinheiro?’ Tive que lhes explicar que literalmente iria menos de uma semana. Não era possível. Eles ficaram bastante desiludidos mas tem de ser”. “Vou tentar ir nos próximos anos – a palavra-chave é tentar”, disse. JANEIRO 2016 CRÓNICA WWW.PORTUGALMAG.FR 29 “Eu tenho um Sonho” LUIS GONÇALVES Que se acabem as guerras, as discórdias... E que neste ano da misericórdia ditado pelo Papa Francisco, os governantes façam também suas estas palavras... misericórdia... paz e caridade ! Que bom seria viver num mundo onde os homens se dariam as mãos sem preconceitos... O preconceito religioso é um termo que descreve a atitude mental caracterizada pela falta de vontade em reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas de outrem. Também é uma forma de intolerância ideológica ou política, que resulta em perseguição religiosa. Ambas têm sido comuns através da história e Pub. PARA 2016 EU SONHO COM A PAZ. ESPERO QUE OS GOVERNANTES DAS NAÇÕES FAÇAM O QUE FIZERAM EM 2015 PARA SALVAR O PLANETA COM A COP 21 EM PARIS... QUE ESSAS MESMAS NAÇÕES QUE SE REUNIRAM PARA TOMAREM MEDIDAS PARA SALVAR O NOSSO PLANETA TERRA DAS AGRESSÕES METEOROLÓGICAS, SE REÚNAM PARA TOMAREM MEDIDAS PARA FAZEREM CALAR AS ARMAS. acontecimentos mais recentes no médio oriente e infelizmente bem pertinho de nós… Charlie hebdo, Bataclan, etc ... A ausência de tolerância religiosa é um mal que pode criar um desequilíbrio... Não climático... Mas mais preocupante! Que seria o de recuar séculos atrás ao tempo dos cruzadas, guerras de religião ou mais recente a guerra dos Trinta Anos? Se é verdade que a religião teve ao longo da história humana um papel importante, ver predominante nas guerras. No entanto, isso não prova que a própria religião é a causa de todas as guerras e conflitos! Porque a essa interrogação, a resposta é "sim" e "não". "Sim" no sentido de que, como uma causa secundária, a religião, pelo menos na superfície, tem sido " desculpa" de muitos conflitos. No entanto, a resposta é "não" no sentido de que a religião não é a causa principal das guerras mais mortíferas! Para demonstrar isso, podia recordar-vos e em acordo com todos os registros, o século 20 foi um dos séculos mais sangrentos da história da humanidade. Duas grandes guerras mundiais, que nada tinham a ver com a religião, o Holocausto judeu e as revoluções na Rússia, China, sudeste da Ásia e Cuba, foram responsáveis por cerca de 50-70 milhões de mortos. E a única coisa que esses conflitos e genocídios têm em comum, é o fato de que eram unicamente de natureza ideológica e não religiosa. Não nos deixemos cair em tentações, não nos deixemos cair na tentação do ódio e raiva. Albert Einsten escreveu: O mundo não está ameaçado pelas más pessoas, mas sim por aqueles que permitem a maldade. Eu termino com a frase de Martin Luther King à mais de 50 anos ...., - "I have a dream" "Eu tenho um sonho". Deixai-me sonhar, deixaime imaginar um mundo de tolerância, de paz e misericórdia para todos os povos da terra. 30 JANEIRO 2016 CRÓNICA WWW.PORTUGALMAG.FR Tenho saudades dos meus padrinhos TENHO SAUDADES DA MINHA MADRINHA A QUEIXAR-SE DE ALGUMA COISA ENQUANTO LAVAVA A LOIÇA NUM ALGUIDAR. NÃO SE QUEIXAVA DA LOIÇA, APESAR DO MUITO QUE LHE CUSTAVA MANTER-SE DE PÉ, QUEIXAVA-SE DO INVERNO, MALDITO INVERNO, OU QUEIXAVA-SE DA MORTE, ESTA VIDA NÃO PRESTA PARA NADA, PORQUE TINHA MORRIDO ALGUM HOMEM, QUE ERA TÃO NOVO, POUCO MAIS DE OITENTA ANOS. JOSÉ LUIS PEIXOTO Tenho saudades do toque de finados da igreja da minha terra. Ecoavam no adro, espalhavam-se por cima de todos os telhados e chegavam até ao campo, onde se dissolviam na aragem. Tenho saudades do meu padrinho a carregar bolsos cheios de moedas de cinco escudos, que trocava por copos de vinho tinto nas tabernas. Até a dizer bom dia ou quaisquer palavras simples, era capaz de escolher expressões que acrescentavam humor e que nunca agrediam. As portas das tabernas eram sempre um buraco de sombra na cal. O cheiro do vinho estava entranhado nas paredes. Tenho saudades do barulho que fazia o vidro grosso dos copos vazios a bater no mármore. Às vezes, quando se chegava a essas vendas, não estava ninguém. Então, era preciso bater com a palma da mão no balcão e chamar. Tenho saudades de ver a minha madrinha a pentear os cabelos fracos ao espelho do lavatório. Molhava os dentes do pente na água da bacia. Tenho saudades de caminhar ao lado do meu padrinho nas manhãs de verão, ao rés da parede, os dois cobertos pela sombra. Fazia-me perguntas engraçadas acerca das hortas onde eu e os outros rapazes sabíamos que havia boa fruta para roubar. Através da distância do tempo, sou ainda capaz de ouvir as suas vozes. Enquanto escrevo estas palavras, ouço-os a repetirem frases que me disseram antes, quando estávamos no mesmo lugar, talvez sem entendermos completamente o enorme valor de estarmos juntos. Ouço o meu nome dito pelas suas vozes, pela maneira especial como cada um deles o dizia. Essa lembrança aumenta ainda mais as saudades. E, no entanto, espero que o futuro nunca me tire essa memória. Prefiro esquecer episódios, histórias, dias inteiros de cismas, do que deixar de ser capaz de ouvir a voz dos meus padrinhos. A minha madrinha a chamar-me, o meu padrinho a chamar-me. Hoje, ter saudades desse tempo é espécie de uma felicidade enorme por tê-lo vivido, por saber como foi. Sinto falta dos meus padrinhos porque os tive, foram meus e, através das saudades que sin- to em dias como hoje, continuam a ser meus padrinhos, mesmo que os sinos da minha terra já tenham tocado por eles há tantos anos. Mesmo que fosse possível, nunca quereria deixar de sentir saudades dos meus padrinhos, esses velhos que me encheram a vida inteira com as suas certezas, com as suas dúvidas também, com a sabedoria e com os erros que fui capaz de aprender. A saudade não é tristeza, é comoção. A saudade é o que fica do amor quando perdemos todo o seu lado físico, deixámos de estar, deixámos de tocar, há uma barreira inultrapassável de espaço ou de tempo, mas o amor continua, permanece. A saudade é esse tipo de amor. A saudade é o amor. 3 resoluções fashion para 2016 é o mantra para um novo ano SABRINA SIMÕES 1 - Doar roupas que não usamos em 2015 Se o ano passou e não usou determinadas peças de roupas, com ceteza que não voltará a usar em 2016. Esqueça esta sensação de que a roupa tem um valor sentimental, seja prática e realista e desocupe o armário. Não esquecendo que há muitas pessoas precisando daquela blusa que já usamos há um tempão e não voltaremos a usar mais. Desapegar é renovar energia, é dar lugar para o novo entrar. 2 - Apostar nos itens básicos Camisas brancas, jeans escuros, blazer preto, camisetas de cores lisas, cardigan cinza, são pePub. ças que sempre podemos usar todos os dias e conjugar com outras mais poderosas e assim criarmos um look bem versátil. 3 - Investir nos acessórios Eles fazem toda a diferença nas produções dos looks. São os maxi colares, as bijuterias em geral, os cintos, as bolsas, os sapatos. Uma calça jeans e uma camiseta branca com um sapato maravilhoso e uma bolsa bacana, fica pronta para muitos eventos. 32 JANEIRO 2016 WWW.PORTUGALMAG.FR FESTAS LUSÓFONAS Eventos da Comunidade Lusófona por Mario Cantarinha Fête de la Châtaigne Drancy Gala Santa Casa da Misericórdia Paris Concert Manuel Campos Théâtre Roger Barat Dizem do Mário Cantarinha que é um dos fotógrafos mais conceituados e conhecidos da nossa comunidade. A realidade é que este apaixonado pela foto, tem 20 anos de exposições na Suíça, Estados Unidos e França, a primeira e mais importante realizou-se em agosto de 1994, no Museu dos Bombeiros de Folgosinho, sua terra natal. Encontre todos os meses na Portugal Magazine, fotos de eventos da comunidade lusófona nas quais participou este artista ! 34 JANEIRO 2016 REDESCOBRIR PORTUGAL WWW.PORTUGALMAG.FR JARDIM DE SANTARÉM ESTÁTUA SALGUEIRO MAIA EM SANTARÉM PONTE SOBRE O TEJO Santarém, cidade cheia de história ESTA CIDADE MUITO ANTIGA FORA CONTACTADA POR FENÍCIOS, GREGOS E CARTAGINESES. A FUNDAÇÃO DE SANTARÉM REPORTA À MITOLOGIA GRECO-ROMANA E CRISTÃ. MANUEL DO NASCIMENTO Os primeiros vestígios documentados da ocupação humana remontam ao século VIII a. C. Dos romanos (138 a. C.) recebeu o nome Scallabis ou castrum Scalaphium, mas com as invasões dos Alanos e dos Vândalos, passou a ser designada por Santa Iria, donde posteriormente derivou o atual nome de Santarém. Santarém tem abrigado várias lendas acerca da sua origem. Uma delas está relacionada com a mitologia Greco-Romana e conta que o príncipe Abidis, fruto de uma relação do rei Ulisses de Ítaca com a rainha Calipso, foi abandonado pelo avô (Gorgoris, Rei dos Cunetas) que o lançou às águas do rio Tejo, dentro de uma cesta. Como por milagre a cesta que albergava o príncipe aportou na praia de Santarém, onde uma serva o criou. Tempos depois, Abidis foi reconhecido pela sua mãe, Calipso, tornando-se assim legítimo ao trono. A Santarém deu o nome Esca Abidis (manjar de Abidis) e daí teria vindo o nome Escálabis ou Scallabis (Sant’Arein). Outra das lendas mais reconhecidas pelos Scalabitanos é a da Santa Iria. Esta lenda conta que Iria, uma donzela, um dia viria a ser violada, e posteriormente morta e atirada ao rio Tejo. O seu corpo fez-se chegar à ribeira de Santarém e mostrou o seu corpo afastando as águas à sua volta. Por este pequeno milagre, esta donzela tornou-se Santa, a Santa Iria. A cidade passou para a posse dos mouros em 715. Entre 1093 e 1111, a cidade esteve sujeita ao domínio cristão, durante o qual o rei Afonso VI de Leão e Castela lhe concede em 1095, uma carta foral. A conquista da cidade aos mouros foi feita pelo rei português D. Afonso Henriques em 15 de março de 1147. A fortificação da cidade foi das primeiras preocupações. A defesa militar foi entregue às ordens religiosomilitares, tendo nos séculos XIII e XIV sido reforçadas e constituídas novas muralhas. Nesta cidade tiveram lugar vários acontecimentos históricos de relevo, e que a imortalizaram no tempo. Assim, durante o reinado do rei D. Dinis I, realizou-se em Santarém, em 1319, o ato solene da aceitação da bula do Papa João XXII, que confirmou a constituição da Ordem de Cristo e para a qual transitaram os bens patrimoniais da extinta Ordem dos Templários. Este monarca faleceu em Santarém, em 1325. Nesse mesmo ano, com trinta e cinco anos de idade, foi coroado, nesta vila D. Afonso IV, filho de D. Dinis I. Em 1358, foram executados nos Paços Reais de Santarém, os assassinos de D. Inês de Castro, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves, execução a que o rei D. Pedro I assistiu. Em 1373 foi assinado em Santarém o tratado que estabelece a paz entre o rei de Castela, Henrique de Trastâmara e o rei português D. Fernando I. Após a morte, o corpo deste monarca foi sepultado no alto Coro do Convento de São Francisco, ao lado de sua mãe, a infanta D. Constança. Em 1384, no Convento de São Domingos de Santarém, D. Leonor Teles renuncia à coroa de Portugal em nome de sua filha D. Beatriz e de rei João I, rei de Castela. Santarém fica sobre a tutela deste último, que funcionará como sede da sua ação no território português, entre 1384 e a Batalha de Aljubarrota. Em 1477, D. João II foi aclamado rei, em Santarém, debaixo dos alpendres do Convento de São Francisco, quando se perderam as esperanças de encontrar o rei D. Afonso V. Em 1491 morreu em Santarém o príncipe herdeiro D. Afonso, filho único do rei D. João II e recém casado com a infanta D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha, quando corria a cavalo entre Alfange e a Ribeira, caindo e ficando esmagado pelo animal. Em 19 de junho de 1580, D. António Prior do Crato foi aclamado em Santarém, no Mosteiro de São Bento, rei de Portugal. Em 5 de dezembro de 1640, o conde de Unhão, Fernão Teles de Meneses, fez aclamar em Santarém, D. João IV, rei de Portugal. As tropas francesas de Napoleão conservaramse neste cidade, de novembro de 1810 a março de 1811, fazendo de Santarém o seu quartel-general. Os danos provocados pelas tropas francesas, quer á população, quer ao património foram incalculáveis. Durante as lutas entre liberais e absolutistas, em 1833, o rei D. Miguel escolheu Santarém para se acolher, juntamente com o seu exército, tendo feito corte e quartel-general no palácio onde estão atualmente instalados os Paços do Concelho. Só em 18 de maio de 1834, o duque de Saldanha e as tropas liberais conseguem entrar na cidade. Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas (MFA), e, Salgueiro Maia, como delegado de Cavalaria, integra a comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de março de 1974 e do levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição do chefe do Estado, Marcelo Caetano, no quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcelo Caetano (exchefe do Estado) ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil. JANEIRO 2016 POESIA WWW.PORTUGALMAG.FR 35 TEMPOS de POESIA – XXIX Escolha de Isabel Meyrelles Tradução e colaboração de Maria Fernanda Pinto ADOLFO CASAIS MONTEIRO, poeta, romancista e ensaista, foi um dos directores da «PRESENÇA», de 1930 a 1940. Como poeta foi um precursor, mas um incompreendido ridicularizado pelos críticos, como por exemplo João Gaspar Simões e mais tarde A. J. Saraiva e Óscar Lopes que na sua «História da literatura portuguesa», dizem sobre ele: «Adolfo Casais Monteiro assinalou-se em diversos ensaios e nos primeiros poemas, depois reunidos em «versos» (1944) por uma rudeza ou bufoneria sem amabilidades, mesmo rítmicas (...)». Foi preciso depois, esperar muito tempo para que fosse reconhecida enfim a sua força poética e a sua modernidade. Obrigado a sair de Portugal em 1954, perseguido pelo Salazarismo, instalou-se no Brasil, onde prosseguiu uma brilhante carreira universitária. Faleceu em 1972, sem nunca ter voltado ao seu país natal. numerosos livros de posia, de romances, de contos e sobretudo no seu «Diário», que conta 16 volumes publicados entre 1941 e 1993, onde se encontra de tudo felizmente: crítica social, reflexões de moralista, enfim, a história diária da sua vida, semeada de poemas magníficos. A independência quase agressiva do seu temperamento coloca-o à margem de todos os grupos literários. Miguel Torga é considerado com José Régio, um dos mais importantes poetas dos anos 1920 a 1950. VITORINO NEMÉSIO, nasceu na Ilha Terçeira (Açores) e a recordação da sua Ilha batida pelo mar e pelo vento é a constante de toda a sua obra. Poeta, romancista, historiador, ensaista, crítico, biógrafo, a sua obra é múltipla. Professor titular da Faculdade de Letras de Lisboa, fundou em 1937, a «Revista de Portugal», cujo credo era: (…) publicação exclusivamente literária e artística. No que diz respeito aos seus colaboradores, a revista publica poemas e textos de tendências diferentes tais como o Saudosismo, a poesia tradicional, os Modernistas, os Presencistas e os Néo-realistas. A revista também deu a conhecer autores brasileiros, como por exemplo José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, ou seja os pais-inspiradores do néorealismo português. Miguel Torga Livro de Horas Aqui, diante de mim, Eu, pecador, me confesso De ser assim como sou. Me confesso o bom e o mau Que vão ao leme da nau Nesta deriva em que vou. Adolfo Casais Monteiro Reina a paz em Varsóvia! Quero falar e não posso quero cantar e não sei quero viver e não deixam! Só posso o que não importa só sei o que não preciso só deixam o que não interessa! Ah! - raios partam tanta gente!! MIGUEL TORGA, é um poeta ligado à terra, aos seus mitos agrários: a semente, a água, o vento, a terra, o pão, elementos que ele canta ao longo dos seus Me confesso Possesso De virtudes teologais, Que são três, E dos pecados mortais, Que são sete, Quando a terra não repete Que são mais. Me confesso O dono das minhas horas. O das facadas cegas e raivosas, E o das ternuras lúcidas e mansas. E de ser de qualquer modo Andanças Do mesmo todo. … Miguel Torga, in ‘O Outro Livro de Job’ Vitorino Nemésio Pus-me a contar os alciões chegados Pus-me a contar os alciões chegados (Minha memória era água, água...). Fez-me mal aquela alta tristeza De bicos vagabundos, Mas não chorei os alciões desterrados. Sempre gostei de aves e de lágrimas. Lágrimas, agora, não podia, Mas podia os alciões - E dei-lhes meus olhos para ovos (Que as fêmeas estavam cansadas E vinham de terra fria). Firme e condescendente, Fechei as pálpebras pesadas De contradição e de poesia. - E um mundo novo, de alciões novos, Esse era o meu quando as abria. Vitorino Nemésio 36 JANEIRO 2016 DIREITOS DO LEITOR WWW.PORTUGALMAG.FR Direitos do Consumidor CHEGAMOS À ÉPOCA EM QUE OS CONSUMIDORES MAIS CORREM PARA AS LOJAS A FIM DE APROVEITAR OS DESCONTOS POR VEZES MUITO SIMPÁTICOS, DOS PRODUTOS QUE JÁ ERAM COBIÇADOS AO DOBRO DO PREÇO NOS MESES ANTERIORES: OS SALDOS! Esta época de consumo deve ser aproveitada com bons negócios, para tal sugerimos aos nossos leitores que se informem acerca de alguns direitos que dispõem enquanto consumidores. A legislação portuguesa é bastante cuidadosa no que respeita aos direitos e garantias do consumidor. Para compreendermos quais os direitos de que falamos, deveremos saber a quem eles se aplicam: o consumidor é aquele que adquire bens ou serviços para um fim não profissional, por alguém que exerça profissionalmente uma atividade económica que vise à obtenção de benefícios (Artigo 2º n.º2 da Lei do Consumidor). Ou seja, todos os mecanismos legais de proteção de que falaremos apenas se aplicam ao consumidor, e não são a contratos comerciais ou a relações comerciais. Os direitos e garantias do consumidor aplicam-se a bens móveis e imóveis, no- vos e usados, bem como a locação de bens de consumo. Não se aplicam aos bens comprados para exercício profissional, nem os bens comprados a particulares. O bem está coberto por garantia sempre que ele não coincida com a descrição que o vendedor fez dela; não tenha as qualidades apresentadas; não se adequar às utilizações desse tipo de bem (ou aquelas que o consumidor alertou ao vendedor que procurava); quando o bem não tenha as qualidades e desempenhos habituais do mesmo tipo de bem, ou aqueles que foram publicitados ou rotulados; ou mesmo, por fim, quando o bem seja defeituoso. O prazo de garantia é de 2 anos no caso de bens móveis ou de 5 anos para bens imóveis. O prazo de 2 anos pode ser reduzido para 1 ano, se houver acordo entre o vendedor e o consumidor. Caso haja falta de conformidade do bem, o consumidor dispõe de várias opções: Em primeiro lugar deve haver sempre o direito de reparação. Caso o consumidor pretender, o vendedor é obrigado a reparar o bem e entregá-lo conforme as características propostas na venda. O consumidor tem sempre o direito à substituição do bem, sendo que o bem que lhe for entregue como substituição irá ter a sua própria garantia. O consumidor poderá também optar por uma redução adequada do preço. Por fim, no caso de incumprimento de alguma das garantias supra mencionadas, o consumidor pode optar por resolver o contrato: ou seja, devolver o bem e receber de volta aquilo que pagou como preço. É importante esclarecer que o consumidor também tem o direito a uma indemnização pelos prejuízos causados, sejam estes danos patrimoniais ou não patrimoniais. Recordamos que os estabelecimentos comerciais dispõe de um Livro de Reclamações onde o consumidor poderá reclamar contra qualquer comportamento do fornecedor que viole os seus direitos. Terminamos aconselhando a todos os nossos leitores que se informem dos seus direitos, pois um bom consumidor é um consumidor informado. Seja mais saudável em 2016 AO SOAR DAS 12 BADALADAS, RENOVAM-SE ESPERANÇAS E FAZEM-SE PROMESSAS. INCLUA NAS SUAS RESOLUÇÕES DE ANO NOVO HÁBITOS E COMPORTAMENTOS QUE O VÃO FAZER SENTIR-SE MELHOR. LUCIA LOPES "Ano novo, vida nova", já diz o ditado. Aproveite a mudança de dígito no calendário para adotar hábitos que melhorem o seu bem-estar e ajudem a prevenir doenças. Faça por isso e inclua nas decisões de ano novo a adopção de um estilo de vida saudável. Nós queremos ajudar e, por isso, deixamos-lhe algumas sugestões que irão contribuir para melhorar a sua qualidade de vida. Estas são algumas das regras que deve passar a seguir assim que recuperar dos excessos habituais de fim de ano: 1. Durma mais Entre sete a oito horas por noite é o ideal. Dormir o número de horas suficiente é sinónimo de relaxamento e equilíbrio. As pessoas que dormem pouco têm mais tendên- cia para engordar e um sistema imunitário mais debilitado. Tenha contudo em atenção que muitas pessoas dormem apenas quatro a cinco horas por noite alegando falta de tempo ou ausência de necessidade de dormir mais. Usualmente, por trás destas razões, existem níveis de ansiedade aumentados que não lhes permitem dormir mais horas. 2. Tome um bom pequeno-almoço todos os dias Um pequeno-almoço nutritivo e variado é fundamental para enfrentarmos o dia a dia. Aproveite as nossas sugestões para renovar a sua ementa matinal: - Segunda-feira: Três a quatro colheres de cereais com leite de soja - Terça-feira: Uma fatia de pão escuro com queijo meio gordo, chá e uma peça de fruta - Quarta-feira: Um chá ou café e uma fatia de pão com passas e nozes e uma peça de fruta - Quinta-feira: Uma sopa de legumes - Sexta-feira: Um ovo mexido, duas fatias de fiambre e um chá - Sábado: Um sumo de laranja natural, uma fatia de pão escuro e uma fatia de fiambre - Domingo: Um queijo fresco com tomate cherry 3. Fraccione as refeições Comer de três em três horas é fundamental para que o organismo funcione de forma eficaz. Necessitamos de um aporte energético constante, para que todos os nossos órgãos funcionem convenientemente e para termos uma boa gestão do peso. 4. Confecione pratos mais saudáveis Estas são as nossas sugestões: - Faça ovos mexidos com azeite. - Faça estufados de carne ou peixe só com duas colheres de azeite. - Utilize especiarias para temperar. - Retire toda a gordura visível e a pele da carne. - Utilize vinagre, sumo de limão, vinho ou cerveja para temperar. - Inclua legumes nos estufados. - Faça arroz malandrinho, mas só com duas colheres de azeite. Assim, consumirá mais água e menos arroz. - Cozinhe os croquetes e outros pastéis no forno ou no micro-ondas, em vez de fritar. 5. Faça atividade física diariamente O controlo do peso e o aumento da massa muscular são fundamentais para melhorar a saúde e qualidade de vida. Nalguns dias pode incluir a atividade física na sua rotina diária, aumentando o número de passos que dá. "Nos outros dias, pelo menos três), deverá fazer uma atividade mais intensa". 6. Tome um suplemento vitamínico e mineral Esta suplementação deverá ter em conta o estilo de vida de cada pessoa, os alimentos que ingere e a fase da vida em que se encontra. "Os suplementos de ómega-3, por exemplo, são transversais a todas as idades e sexos". JANEIRO 2016 DESPORTO WWW.PORTUGALMAG.FR 39 Euro2016: Portugal integrado no Grupo F com Islândia, Hungria e Áustria A SELEÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL É CLARA FAVORITA a conquistar o Grupo F do Euro2016, um agrupamento em que vai ter pela frente Áustria, Hungria e Islândia, equipas pouco ou nada habituadas a fase finais de grandes competições. Portugal foi mesmo um dos grandes beneficiados do sorteio que decorreu no Palácio de Congressos de Paris, tendo sido colocado num dos grupos mais desequilibrados da prova e só uma verdadeira catástrofe deixará a formação de Fernando Santos fora dos oitavos de final. A ‘seleção das quinas’ vai defrontar pela primeira vez Áustria, Hungria e Islândia numa fase final de uma grande competição, com a seleção nórdica a viver mesmo a sua estreia nestas ‘andanças’ e logo ‘apadrinhada’ por Portugal a 14 de junho, em SaintÉtienne. Comandada pelo sueco Lars Lagerback, antigo selecionador da Suécia (20002009), a Islândia foi a segunda classificada no Grupo A de qualificação, tendo relegado a Turquia para terceiro e eliminado a Holanda. Gylfi Sigurdsson, médio do Swansea, é a grande figura desta seleção, tendo mesmo marcado seis golos durante a fase de apuramen- to, enquanto na frente destaca-se Kolbeinn Sigborsson, avançado do Nantes que deu nas vistas quando estava no Ajax. Depois dos islandeses, segue-se a Áustria, a 18 de junho, no Parque dos Príncipes, em Paris, naquele que poderá ser o encontro mais complicado para a seleção lusa. Pela segunda vez numa fase final de um Europeu (a primeira foi em 2008 com o estatuto de coanfitrião com a Suíça), os austríacos protagonizaram uma campanha dominadora no Grupo G, em que cederam apenas um empate (1-1 na receção à Suécia), sob o comando do suíço Marcel Koller, de 55 anos. David Alaba, do Bayern Munique, e Arnautovic, do Stoke City, são as ‘estrelas’ da Áustria, assim como avançado Marc Janko, antigo jogador do FC Porto e agora no Basileia, que marcu sete golos durante a qualificação. A 22 de junho, em Lyon, Portugal termina a sua participação no Grupo F frente à Hungria, um rival que precisou do ‘play-off ’ para garantir a sua primeira presença na fase final desde 1972. COMPOSIÇÃO DOS GRUPOS Grupo A: França, Roménia, Albânia e Suíça. Grupo B: Inglaterra, Rússia, País de Gales e Eslováquia. Grupo C: Alemanha, Ucrânia, Polónia e Irlanda do Norte. Grupo D: Espanha, República Checa, Turquia e Croácia. Grupo E: Bélgica, Itália, República da Irlanda e Suécia. Grupo F: Portugal, Islândia, Áustria e Hungria. Longe do poderio demonstrado nos anos 50 e 60, os húngaros confirmaram o seu regresso a um Campeonato da Europa depois de terem eliminado a Noruega no ‘play-off’, que foram obrigados a disputar, já que foram terceiros classificados no Grupo F de apuramento, atrás da Irlanda do Norte e da Roménia, respetivamente. Aos 39 anos, Gabor Kiraly, o guarda-redes das ‘calças de fato-treino’, vai viver a sua primeira experiência a este nível, num equipa que é comandada pelo alemão Bernd Storck e em que se destaca o extremo esquerdino Balasz Dzsudzsak. Naquele que será o primeiro Europeu com 24 equipas, os dois primeiros de cada um dos seis grupos garantem um lugar nos oitavos de final, em que terão a companhia dos melhores quatro terceiros classificados. O Euro2016 vai decorrer de 10 de junho a 10 de julho, em França. 40 JANEIRO 2016 HISTÓRIA DE PORTUGAL WWW.PORTUGALMAG.FR CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa GUIDA AMARAL A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma organização internacional formada por países lusófonos, que busca o «aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros». Neste dossier vamos apresentar a «CPLP», sua história e seus países. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial , Moçambique, Portugal , São Tomé e Príncipe e Timor-Leste Dossier composto por 10 artigos (8/10) PORTUGAL Situado na ponta sudoeste da Europa, Portugal é uma das nações mais antigas deste continente, oferecendo uma ampla diversidade de tradições e um forte orgulho no passado marítimo. Apesar da sua pequena OCEANÁRIO EXPO 98 D. AFONSO HENRIQUES dimensão, o país é abençoado por uma enorme variedade de paisagens, desde montanhas verdejantes e planícies douradas a belos vales fluviais e quilómetros de praias banhadas pelo sol e pelo Atlântico. Lisboa é a ecléctica capital de Portugal, sem dúvida uma cidade vibrante e cosmopolita. Nas proximidades, Cascais acolhe praias magníficas e Sintra encantá-lo-á com as suas florestas e castelos dignos de contos de fadas. No Norte, o Porto é famoso pelo mundialmente conhecido vinho do Porto e pela região panorâmica do Douro. Se procura uma boa dose de sol e mar, descubra a lindíssima costa com falésias e praias douradas do Algarve, bem como os excelentes campos de golfe Portugal também tem “jardins flutuantes” como a Ilha da Madeira – uma encantadora ilha com uma beleza natural incomparável e florestas ancestrais. E se anseia por alguma paz e tranquilidade, rodeado de paisagens idílicas, as ilhas dos Açores também são um encanto de beleza natural. A história de Portugal como nação europeia remonta à Baixa Idade Média, quando o condado Portucalense se tornou autónomo do reino de Leão. Contudo a história da presença humana no território correspondente a Portugal começou muito antes. A pré-história regista os primeiros hominídeos há cerca de 500 mil anos. O território foi visitado por diversos povos: fenícios que fundaram feitorias, mais tarde substituídos por cartagineses. Povos celtas estabeleceram-se e misturaram-se com os nativos. No século III a.C. era habitado por vários povos, quando se deu a invasão romana da península Ibérica. A romanização deixou marcas duradou- ras na língua, na lei e na religião. Com o declínio do Império Romano, foi ocupado por povos germânicos e depois por muçulmanos (mouros e alguns árabes), enquanto que os cristãos se recolhiam a norte, nas Astúrias. Em 1139, durante a reconquista cristã, foi fundado o Reino de Portugal a partir do condado Portucalense, nascido entre os rios Minho e Douro. A estabilização das suas fronteiras em 1297 tornou Portugal o país europeu com as fronteiras mais antigas. Como pioneiro da exploração marítima na Era dos Descobrimentos, o reino de Portugal expandiu os seus territórios entre os séculos XV e XVI, estabelecendo o primeiro império global da história, com possessões em África, na América do Sul, na Ásia e na Oceania. Em 1580 uma crise de sucessão resultou na União Ibérica com Espanha. Sem autonomia para defender as suas posses ultramarinas face à ofensiva holandesa, o reino perdeu muita da sua riqueza e status. Em 1640 foi restaurada a independência sob a nova dinastia de Bragança. O terramoto de 1755 em Lisboa, as invasões espanhola e francesas, resultaram na instabilidade política e económica. Em 1820 uma revolta fez aprovar a primeira constituição portuguesa, iniciando a monarquia constitucional que enfrentou a perda da maior colónia, o Brasil. No fim do século, a perda de estatuto de Portugal na chamada partilha de África. Uma revolução em 1910 depôs a monarquia, mas a primeira república portuguesa não conseguiu liquidar os problemas de um país imerso em conflito social, corrupção e confrontos com a Igreja. Um golpe de estado em 1926 deu lugar a uma ditadura. A partir de 1961 esta travou uma guerra colonial que se prolongou até 1974, quando uma revolta militar derrubou o governo. No ALGARVE JANEIRO 2016 HISTÓRIA DE PORTUGAL WWW.PORTUGALMAG.FR 41 ILHA DA MADEIRA ILHA DOS AÇORES CIDADE DO PORTO ano seguinte, Portugal declarou a independência de todas as suas posses em África. Após um conturbado período revolucionário, entrou no caminho da democracia pluralista. A constituição de 1976 define Portugal como uma república semi presidencialista. A partir de 1986 reforçou a modernização e a inserção no espaço europeu com a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE). Durante os séculos XV e XVI, os marinheiros portugueses embarcaram nas suas naus para explorarem o mundo desconhecido. As expedições bem sucedidas seguiram até África e às Américas, e a viagem de Vasco da Gama até à Índia abriu um novo caminho marítimo até aos impérios orientais. A Época dos Descobrimentos foi uma era de prosperidade na qual o Império Português se expandiu por todo o globo, fixando colónias em Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné (actual Guiné-Bissau), Brasil, Goa, Macau e TimorLeste. Com o sucesso destas viagens, Portugal emergiu como um dos países mais ricos do mundo e como um dos reinos mais influentes da Europa, com ampla influência económica, política e cultural. Durante os três séculos seguintes, Portugal foi ocupado pelos Espanhóis, invadido pelos Franceses e encetou guerras com as frotas britânicas e holandesas. As lutas internas e as disputas pela sucessão do soberano fizeram com que o país perdesse gran- de parte da sua riqueza e estatuto. Em 1755, o catastrófico sismo sentido em Lisboa destruiu grande parte da capital e algumas zonas do Algarve. Os tumultos provocados por séculos de invasões e conflitos civis prosperaram numa época de desalento social, instabilidade política e declínio económico. O Portugal dos dias de hoje, membro fundador da NATO e membro da União Europeia, evoluiu e transformou-se num país com uma democracia estável e com uma vibrante vida cultural. Portugal só ocupa 0,86% do território total dos países da CPLP, e tem apenas 4% da população destes oito países, mas, em termos económicos, é o país mais integrado no espaço lusófono, detendo sempre o maior volume de trocas comerciais com cada um dos membros. Os dados obtidos junto de vários organismos oficiais mostram que a balança comercial portuguesa com os restantes sete países é sempre favorável, com exceção do Brasil, país com o qual Portugal regista uma desvantagem de quase 700 milhões em 2012, último ano para o qual há dados comparáveis para todos os países da CPLP, que valem cerca de 2,5 biliões de dólares (cerca de 1,8 biliões de euros), quase 90% dos quais provenientes do Brasil. Olhando para os indicadores macroeconómicos, no entanto, a realidade é outra: em 2012, Portugal era o único país em recessão, se não contarmos com a Guiné-Bissau, então a braços com um golpe de Estado, e era também o único que estava inserido numa região – a União Europeia – com um crescimento do PIB negativo. Os dados estatísticos do departamento para o comércio nas Nações Unidas mostram que é entre Portugal e Angola que as trocas comerciais estão mais cimentadas, tendo este país africano recebido quase 4 mil milhões de dólares de produtos portugueses, e exportado pouco mais de metade desse valor. Angola, aliás, é o maior parceiro comercial de Portugal na CPLP, sendo a segunda relação mais volumosa aquela que junta Portugal e o Brasil. As exportações, de resto, têm sido a principal aposta de Portugal, e talvez por isso Portugal é o único (com exceção de Angola, e quase totalmente por via do petróleo) com uma balança comercial positiva (0,1%), mas o reverso da medalha mostra-se na dívida pública: 124% do PIB, quase o dobro do segundo país mais endividado – São Tomé e Príncipe, com 77,6%. Pub. LISBOA 42 JANEIRO 2016 AGENDA WWW.PORTUGALMAG.FR A G E N D A Jusqu’au 08/02 Exposition Amália Rodrigues Exposition de Paulo Toscano Azenha consacrée à Amália Rodrigues, organisé par la Chaire Lindley Cintra (Université de Nanterre et Lectorat de portugais de l’Université de Paris 8). Maison du Portugal - André de Gouveia 7P, bd Jourdan - 75014 Paris Le 09/01 à 19h30 Dîner de solidarité Dîner dansant de solidarité organisé par l’association Agora en collaboration avec la Santa Casa da Misericórdia de Paris, une institution caritative qui vient en aide aux plus démunis. La soirée sera animée par Filipe Martins et son orchestre, Carlos Pires, José Cunha, Trio Latina et Sabrina Simões. Menu : entrée, paella, fromage et dessert. Vin, eau et café compris, pendant le repas. Dîner + bal : 30 euros (bal seul, à partir de 23:00 : 10 euros) Réservations : 06 24 25 79 27 ou 09 50 51 13 43 Salle Jean Vilar 9 bd Héloïse - 95100 Argenteuil Le 10/01 à 17h00 Luís Filipe Reis à l’Olympia Luís Filipe Reis appartient à cette génération de chanteurs de variété portugaise dont le chef de file est assurément Tony Carreira et, comme ce dernier, c’est en France que sa carrière a débuté, il y a 25 ans. Aujourd’hui, il se produit au Canada, aux EtatsUnis, en Afrique du Sud… dans tous les pays où la diaspora portugaise est bien représentée. Olympia 28 Bld des Capucines - 75009 Paris Le 16/01 à 20h30 Concert António Zambujo António Zambujo chante l’errance des sentiments. Sans amplification, sa voix s’élève dans un souffle, il exprime la fragilité mais sans faiblesse, il chante le fado mais en finesse. Il nous donne à découvrir de nouveaux auteurs (Aldina Duarte, Alberto Janes) ou revisite des classiques d’Amália (Amor de mel, amor de fel) que l’on a l’impression d’entendre pour la première fois. Anciens ou nouveaux, chaque vers est pesé et coloré de façon unique, revue au filtre d’une voix qui sait réveiller l’esprit des anges qui dorment à la lisière du silence et du bruit. Salle Jacques Brel 42, avenue Edouard Vaillant - 93500 Pantin Du 18 au 26/01 à 19h30, le 24/01 à 17h By Heart Spectacle écrit et interprété par Tiago Rodrigues par la compagnie Mundo Perfeito. Extraits et citations de William Shakespeare, Ray Bradbur y, George Steiner, Oliver Sacks, Joseph Brodsky. Mélangeant des histoires familiales avec des récits réels ou fictionnels, dans By Heart Tiago Rodrigues nous rappelle l’importance d’apprendre des mots par cœur. Les textes qui finissent par faire partie de nous. Les textes qui continuent en nous, même quand tous les livres sont confisqués, toutes les bibliothèques fermées... Théâtre de la Bastille 76 rue de la Roquette 75011 Paris Le 27/01 à 20h30 Concert Katia Guerreiro Katia Guerreiro est aujourd’hui une interprète mondialement reconnue, aussi bien qu’une remarquable ambassadrice de la musique portugaise. Bien que faisant partie de la nouvelle vague du fado, son style est proche de celui d’Amália, dont elle a repris plusieurs de ses chansons. Carre Belle Feuille 60, rue de la Belle Feuille 92100 Boulogne-Billancourt Le 19/02 à 20h30 Ana Moura à l’Olympia Originaire de Santarém, Ana Moura a commencé tôt à chanter, s’intéressant à divers types musicaux. C’est Maria da Fé qui la découvre et l’invite à faire partie de sa Casa de Fados, O Senhor Vinho. C’est là que débutera sa carrière de fadista. Son premier disque sort en 2003, Guarda-me a vida na mão, est très bien accueilli par la critique et le public, au Portugal comme à l’étranger. Même les Stones déclarent l’apprécier et Mick Jagger l’invite à interpréter No Expectations lors de son concert à Alvalade XXI, devant 30 000 personnes. Son dernier album, Desfado, sorti en novembre 2013, apporte une certaine nouveauté au genre musical portugais, une nouvelle sonorité et même trois chansons dans la langue de Shakespeare. L’Olympia 28 bd des Capucines 75009 Paris jANEIRO 2016 PUBLICIDADE WWW.PORTUGALMAG.FR Formulaire d’abonnement NOM, PRÉNOM : ADRESSE : CODE POSTAL : EMAIL : Date: / Receba este mês ao assinar por um ano a Portugal Magazine, uma t-shirt Portugal homem e outra mulher VILLE : / – Je désiré m’abonner à PORTUGAL MAGAZINE pour : | | 11 numéros (1 an) - 43 euros Envoyez ce formulaire dûment remplis ainsi que votre chèque à l’ordre de Portugal MAG à l’adresse : PORTUGAL MAG, 97 avenue Emile Zola, 75015 Paris T-shirt Homem T-shirt Mulher S - M - L - XL - XXL 43 JANEIRO 2016 LAZER WWW.PORTUGALMAG.FR Sudoku Sudoku é um jogo de raciocínio e lógica. Apesar de ser bastante simples, é divertido e viciante. Basta completar cada linha, coluna e quadrado 3x3 com números de 1 a 9. Não há nenhum tipo de matemática envolvida. O que diz um semáforo ao outro? - Não olhes para mim porque vou-me trocar! Estava um alentejano em Paris para ver uns monumentos, quando passa por uns semáforos e, apesar de estar vermelho, passa com a sua motorizada... e quase bateu num francês que, todo furioso, diz: - "Il est rouge! Il est rouge" [Está vermelho! Está vermelho!] E o alentejano, furioso, responde sem qualquer intimidação: - Tem ferrugem mas ainda anda! Candidato num comício eleitoral em pleno Alentejo: - Se eu for eleito, garanto que só se trabalhará um dia por mês! - Então e férias, não há? P: Qual é o cúmulo da magreza? R: Jogar futebol numa cabine telefónica e gritar: passemme a bola, estou desmarcado. P: Sabem quando é que um homem abre a porta do carro à mulher? R: Quando um dos dois são novos: ou o carro ou a mulher. Curiosidades sobre as marcas de automovéis DODGE • A Dodge tem uma longa história, no início de 1900, os irmãos John Francis Dodge e Horace Elgin Dodge decidiram construir um automóvel diferente. Começaram com a produção de peças e, em 1914, desenvolveram a sua indústria automobilística. Nos anos 1920 os irmãos faleceram, e em 1928 a Dodge Brothers passou a integrar a Chrysler Corporation. PROVÉRBIOS Há mar e mar, há ir e voltar. Há mil modos de morrer e um só de nascer. Haja fartura, que a fome ninguém a atura. Homem folgazão, no trabalho sonolento. Homem necessitado, cada ano apedrejado. ADIVINHA Ando sempre como o meu dono, ora aberto ora fechado. Como sou eu quem o protege, traz-me muito estimado. O CHAPÉU DE CHUVA Pub. SOLUÇÃO EDIÇÃO 68 www.aeiou.pt/humor 44 JANEIRO 2016 CULINÁRIA WWW.PORTUGALMAG.FR 45 AS RECEITAS DA PORTUGAL MAG Quer dar a conhecer as suas receitas aos leitores da Portugal Mag? Mande-as para [email protected] juntamente com a sua foto e serão publicadas neste espaço. Pato com Mel Ingredientes: 2 peitos de pato 3 cebolas doces picadas 1 colher de sopa de óleo 2 colheres de sopa de mel 1 chávena de café de vinagre balsâmico Sal a gosto Ingredientes: 2 pessoas Tempo de preparação: 50 minutos Preparação: Tempere o pato com um pouco de sal. Numa frigideira, deixe aquecer o óleo. Depois do óleo quente, coloque o pato com a pele virada para baixo e deixe fritar lentamente durante 10 minutos. Passados os 10 minutos, vire o pato e deixe fritar mais 10 minutos. Depois de frito, retire o pato para um prato. Na gordura que ficou coloque a refogar a cebola lentamente para não queimar durante 15 minutos. Entretanto, corte o pato em fatias fininhas e coloque numa travessa. Passado os 15 minutos e com a cebola já refogada, junte o mel. Mexa e deixe fritar 1 minuto. Por fim, junte o vinagre balsâmico, mexa tudo e deixe ferver 30 segundos. Passado os 30 segundos apague o lume. Regue o pato com o molho. Acompanhe com batata ralada frita ou outro acompanhamento a seu gosto. Torta de Coco com Creme de Limão Ingredientes: 6 pessoas Tempo de preparação: 30 minutos Ingredientes: 4 ovos 140g de açúcar 100g de coco ralado Raspa de 1 limão 25g de farinha de trigo sem fermento 50g de manteiga derretida Um tabuleiro untado com manteiga, forrado com papel vegetal e novamente untado com manteiga Para o creme : - 3 colheres de sopa de açúcar - 1 colher de sopa bem cheia de farinha maizena - 2 gemas de ovo - 250 ml de leite - Sumo de 1 limão - Açúcar para polvilhar Preparação: Parta os ovos para uma tigela. Junte o açúcar e bata até que fique um creme fofo. Adicione o coco ralado, a raspa de limão, a manteiga e a farinha. Bata até que tudo fique bem misturado. Espalhe a massa no tabuleiro. Leve ao forno pré-aquecido nos 190º e deixe cozer entre 10 a 13 minutos. Entretanto, faça o creme. Num tachinho, misture o açúcar, a farinha maizena, as gemas, o sumo de limão e o leite. Leve ao lume e sem parar de mexer, deixe engrossar. Quando começar a borbulhar, retire e deixe arrefecer. Depois da torta cozida, retire-a. Desenforme sobre um pano polvilhado com açúcar. Com cuidado, enrole a torta. Coloque a torta num prato e deixe arrefecer. Sirva a torta cortada às fatias e com o molho por cima SUGESTÃO: Recorte as receitas e arquive recomenda Casa do Churrasco Le Longchamp O Oceano La Grillade Restaurant-Bar Bar-Restaurant Spécialités Portugaises Bar-Restaurant Spécialités Portugaises 40 Rue de Longchamp 75016 Paris 73 bld Gabriel Péri 94500 Champigny sur Marne 92 avenue Louis Blanc 94210 Saint Maur des Fossés 14 Bld. du Maréchal Foch 93160 Noisy le Grand Tél.: 01 47 27 53 50 Tél.: 01 48 80 87 60 Tél.: 01 48 83 11 76 Tél.: 01 57 33 06 91 Spécialités Portugaises Churrasqueira Spécialités Portugaises 46 JANEIRO 2016 Bélier Un début d'année contrasté mais où vous devriez parvenir à concrétiser certaines de vos aspirations si vous consentez au moins un peu à garder les pieds (au moins un) sur terre ! Taureau Vénus vous invite à évoluer sur le plan sentimental, quitte à renoncer à un idéal qui ne tient plus la route pour privilégier une relation stable et équilibrée. 2ème décan, c'est sans doute vous qui serez le plus secoué par les événements et la réalité à intégrer en janvier. Gémeaux Un mois où vos problèmes d'argent ou de pouvoir peuvent interférer douloureusement avec vos histoires de cœur. Veillez alors à réserver un peu de votre temps à l'autre, ne serait-ce que pour vous poser certaines questions essentielles sur la nature et la validité de vos liens. Pub. HOROSCOPE WWW.PORTUGALMAG.FR Cancer Pour éviter que les pressions sociales n'empiètent et ne court-circuitent votre vie privée, prenez du recul et réfléchissez en profondeur à ce qui compte le plus pour vous. Lion Un mois où vous aurez envie d'exprimer vos sentiments, de séduire, d'aimer mais où certains seront rattrapés par la nécessité d'évoluer, de grandir, de mûrir. Vous n'apprécierez pas toujours les défis qui freineront un peu vos élans en janvier mais seriez pourtant bien inspiré de les relever ! sens inné de la diplomatie pour clore le mois en paix plutôt qu'à cran ! Scorpion Il y aura probablement de la friture sur la ligne en janvier où vous aurez sans doute du mal à exprimer votre insatisfaction sereinement, à exprimer vos angoisses mais également vos désirs ouvertement. Alors pour éviter les débats houleux et d'éventuelles prises de bec, ne précipitez aune décision qui ne sera prise en conscience qu'à partir du 25 ! Vierge Un mois à aborder le plus en conscience possible. Entre problématique familiale à aborder et tensions à désamorcer dans le couple, vous aurez sans doute fort à faire en janvier pour préserver l'équilibre de votre vie privée. Sagittaire Un mois où votre pouvoir de séduction atteindra les sommets mais où le 2ème décan devra composer avec des désirs souvent contradictoires. Pour tirer votre épingle du jeu amoureux, tâchez de bien cerner vos priorités et de garder le contrôle de vos émotions pas toujours très bonnes conseillères ! Balance Vous êtes dans le viseur des astres et devrez miser sur votre Capricorne Un mois où vous privilégierez la réflexion, où vous aurez du mal (au moins jusqu'au 23) à exprimer librement vos sentiments. Vous êtes dans le viseur du ciel qui vous met la pression et vous demande de faire des choix. Verseau Un mois où la réflexion l'emportera souvent sur la spontanéité pas toujours bonne conseillère. Profitez de ce mois qui oscille entre envie d'ouvrir l'avenir et cogitation sur le passé pour déterminer une ligne de conduite qui vous aidera à terme à construire en conscience plutôt qu'à fuir ou à vous engager sans conscience ! Poissons Vous êtes tout particulièrement visé par les éléments qui vous chahutent un peu et vous invitent en fait à déterminer ce qui (et qui) compte vraiment pour vous ! Évitez cependant de vous laisser emporter par vos émotions ou envahir par le découragement qui vous guette en janvier.