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SEXTA-FEIRA E FIM DE SEMANA, 29, 30 e 31 DE JULHO, 2011 | ANO 3 | Nº 484 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA
Ronaldo Carvalho, da Drogaria
São Paulo, reage à fusão entre Droga
Raia e Drogasil com planos de abrir
o capital e instalar 50 novas lojas. ➥ P18
Murillo Constantino
Laboratório Cristália investe 11%
do faturamento em inovação, acima
dos 7,5% de 2010, para desenvolver
tratamentos diversos. ➥ P16
R$ 2,00
Novas marcas avançam
sobre velhas montadoras
Fiat, VW, Ford e General Motors perdem 3 pontos percentuais de vendas no primeiro semestre
Cada ponto percentual representa 35 mil
automóveis vendidos. Montadoras menores, em especial francesas e asiáticas, aumentam rapidamente sua presença no
país. A Districar, representante das asiáticas Haima, Chana, SsangYong e JMC,
por exemplo, vai investir R$ 300 milhões em fábrica no Brasil. Local de insta-
lação deve ser anunciado em dois meses.
Foton Aumark, principal montadora de
caminhões da China, já tem veículos em
teste por potenciais clientes. ➥ P4
Fernando Souza/O Dia
Brasil terá
de importar
gasolina
até 2015
Escolhas difíceis
mobilizam as
pequenase médias.
Na Endeavor, as
grandes ensinam.
O presidente da Petrobras,
José Sergio Gabrielli , afirma
que, com o crescimento
acelerado das vendas de
veículos, a estatal não terá
como atender à demanda
interna e vai ser obrigada a
importar gasolina neste e nos
próximos quatro anos. ➥ P12
Distribuição de
rendimentos
valoriza fundos
imobiliários
O valor de mercado dessas
carteiras tende a ser maior
quanto mais repasse de renda
aos cotistas é feito a cada mês.
Lançado em 2010 a R$ 100,
o BC Fund é um exemplo.
Depois de propor elevar os
proventos, as cotas chegaram
a atingir R$ 110. ➥ P30
Sorteio das
Eliminatórias da
Copa do Mundo é
marcado por crise
Vale lucra R$ 10,2
bi no trimestre e
projeta alta nos
preços do minério
Risco inflacionário
com elevação
do dólar está
descartado
Durante o evento, o governador
Sérgio Cabral terá a oportunidade
de reverter a agenda negativa
que tomou rumos políticos com
as declarações do presidente
da CBF, Ricardo Teixeira, e atrasos
nas obras de infraestrutura. ➥ P22
Resultado representa aumento de
54,9% ante os R$ 6,63 bilhões do
lucro líquido registrado no segundo
trimestre de 2010. A forte expansão
chinesa, confia a mineradora,
deve garantir rendimento maior
neste semestre. ➥ P40
Na avaliação de economistas e
membros da equipe econômica,
a alta da moeda americana
em razão do pacote cambial ,
anunciado na quarta-feira,
não aumenta a chance de ocorrer
uma escalada nos preços. ➥ P28
INDICADORES
▲
▲
▼
▼
▲
■
▲
▼
▲
▼
▲
▲
28.7.2011
TAXA DE CÂMBIO
COMPRA VENDA
Dólar Ptax (R$/US$)
1,5643
1,5651
Dólar Comercial (R$/US$)
1,5648
1,5663
Euro (R$/€)
2,2371
2,2384
Euro (US$/€)
1,4301
1,4302
Peso Argentino (R$/$)
0,3777
0,3783
JUROS
META EFETIVA
Selic (ao ano)
12,50%
12,42%
BOLSAS
VAR.% ÍNDICES
Bovespa - São Paulo
0,72 58.708,25
Dow Jones - Nova York
-0,51 12.240,11
Nasdaq - Nova York
0,05 2.766,25
S&P 500 - Nova York
-0,32
1.300,67
FTSE 100 - Londres
0,28
5.873,21
Hang Seng - Hong Kong
0,13 22.570,74
2 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
NESTA EDIÇÃO
OPINIÃO
Murillo Constantino
EDP Brasil lucra R$ 316 milhões
no primeiro semestre deste ano
A subsidiária brasileira da EDP representa 21% dos
resultados globais da empresa. O diretor-presidente
da Energias do Brasil, António Pita de Abreu,
diz que o país é valioso para a companhia e
descarta uma nova venda de ativos. ➥ P20
Hotéis de luxo querem cativar
os viajantes brasileiros
A rede italiana Lungarno Collection firmou parceria
com a Global Hotel Alliance para atrair mais turistas do
país, que, segundo o presidente Christopher Hartley da
GHA, o Brasil e outros emergentes são os que têm mais
potencial de crescimento no segmento de luxo. ➥ P21
Michael Dalder/Reuters
Paulo Rabello de Castro
Solange Beatriz Palheiro Mendes
Chairman da SR Rating e
presidente do conselho
estratégico da Fecomercio
[email protected]
Diretora da Confederação Nacional
das Empresas de Seguros Gerais,
Previdência Privada e Vida, Saúde
Suplementar e Capitalização (CNseg)
Euro: noivo neurótico,
noiva nervosa
Microsseguros e
educação financeira
Não durou nem uma semana o efeito positivo do anúncio do novo megapacote de socorro à Grécia. Paradoxalmente, o momento delicado para a União Europeia
não se refletiu numa fraqueza de sua moeda.
O celebrado Nouriel Roubini prognosticou anteontem a saída de Portugal e Irlanda da União Europeia,
“com uma probabilidade de 30%”. O imaginativo economista não chegou a dizer como calculou tal percentagem e com tal precisão, mas argumentou que o arrastar da crise de endividamento nesses países, por
anos seguidos, deverá induzir as populações afetadas
por sacrifícios exagerados a votar por um abandono
da disciplina imposta pelos credores, desligando-se
da comunidade e recriando suas próprias moedas, naturalmente mais fracas e inflacionárias.
Este cenário de “noivo neurótico, noiva nervosa”
pintado por Roubini e outros, em que o noivo, no caso
os credores bancos e países mais fortes, se desespera
com a incapacidade de pagar da noiva nervosa, não
tem cabimento em confronto com os interesses da própria noiva em permanecer no casamento.
O embate surdo entre os credores dos grandes endividados europeus, no momento, é sobre como se implantar regras distintas para eventuais recortes de dívidas aplicados aos diversos devedores.
Na Europa, o panorama dos endividamentos cruzados entre bancos privados, agências estatais de fomento, governos e seus respectivos bancos centrais é em
tal ordem opaco e confuso que se torna exercício inútil
calcular vantagem pelo corte do vínculo monetário de
cada país com a moeda comum.
Entretanto, a “noiva nervosa” reconhece desde logo uma coisa: ficará bem pior e mais pobre sem seu noivo neurótico! Prognóstico: um brutal nível de empobrecimento da economia portuguesa na hipótese de
seu desligamento da União Europeia.
O Brasil já atingiu um nível de consumo de um país desenvolvido, onde as classes C e D têm contato com produtos e serviços que antes estavam somente no imaginário das famílias. A estabilidade econômica e o crescimento do PIB nos últimos 16 anos possibilitaram um significativo ganho de renda e ascensão social da população brasileira. Essas conquistas podem ganhar sustentabilidade
em médio e longo prazo se alicerçadas em ações estratégicas com foco na educação financeira do consumidor.
Um estudo encomendado pela CNseg e divulgado no
início do ano apontou que, nos últimos dez anos, aproximadamente 20 milhões de pessoas saíram da linha da miséria no Brasil, passando a ingressar nas classes D, C e B.
A expansão da classe C, em especial, é um fenômeno
crescente desde o início dos anos 90, mas ganhou fôlego
a partir de 2003. Hoje, 105,4 milhões de pessoas formam
esse estrato social, equivalente a 55% da população.
Os custos financeiros do abandono
do barco europeu me parecem muito
maiores do que os custos fiscais do
sacrifício de permanecer no bloco
Black music cai no gosto popular
com legado de Amy Winehouse
A cantora Amy Winehouse trouxe os holofotes de
volta para a black music, especialmente após a sua
morte. O estilo serviu de base para vários ritmos
e prova da sua popularidade é o Black na Cena, que
aconteceu em São Paulo no fim de semana. ➥ P26
Credenciadora local de cartão de
olho em bandeiras estrangeiras
Com os eventos esportivos como a Copa de 2014 e
as Olimpíadas em 2016, empresas como a Redecard
e a Cielo querem que os turistas estrangeiros usem os
plásticos em suas “maquininhas”. Na Copa da África,
em 2010, os gastos com cartões subiram 82% . ➥ P31
Por outro lado, não vejo como a recriação do Escudo, a antiga moeda portuguesa, proporcionará a desejável vantagem competitiva aos produtores portugueses, ao adicionarmos os reflexos fortemente negativos
nos mercados financeiros, pela impossibilidade de Portugal acessar taxas de juros em euros.
Os custos financeiros do dia seguinte ao abandono
do barco europeu me parecem muito maiores e mais
duradouros do que os custos fiscais do sacrifício de permanecer na União.
Mas não é só pelo lado da noiva nervosa. O noivo
neurótico também não terá interesse em administrar
os reflexos políticos de uma união fracassada.
Na experiência histórica da região, esse tipo de
desapontamento político evoluiu para guerras
cruentas. A alternativa de assumir o prejuízo financeiro nos balanços bancários e nos orçamentos públicos começa a parecer mais palatável aos políticos do que a perspectiva de uma Europa fragmentada, com barreiras imigratórias e uma nova política
de ódios entre vizinhos.
O episódio do sangrento e covarde atentado desta
semana na Noruega é parte desse ódio. A Europa civilizada não tem como recuar de seu projeto comunitário, principalmente quando visto na perspectiva
maior da futura geopolítica dos blocos mundiais ao
longo deste século. Minhas fichas ainda estão na força
da União Europeia.
A questão relevante continuará sendo como distribuir a conta do almoço. ■
O microsseguro é um produto de
tíquete baixo, voltado especialmente
para o consumidor com renda
de até três salários mínimos
O avanço social e o ganho de renda da população se refletem positivamente no consumo, especialmente com a
fartura de crédito. Assim, essas famílias vão gastando
mais, e, ao mesmo tempo, vão contraindo dívidas. A
questão é que esses consumidores não estão poupando
porque não têm a cultura de planejamento financeiro.
Três pesquisas — da LCA Consultores, FecomércioSP e Serasa Experian — confirmaram que o endividamento do brasileiro atingiu nível recorde em 2011 e a
inadimplência está aumentando. O levantamento da
LCA apontou que a dívida total das famílias há quase
um ano e meio atrás equivalia a 35% da renda anual, ou
4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda, ou 4,8 meses de rendimento.
Dados da Fecomércio—SP apontam na mesma direção: de janeiro a maio deste ano, em média 64% das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas,
contra 61% em igual período do ano passado. Já o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor
constatou que o calote subiu 22% no primeiro semestre
de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado.
Ou seja, apesar dos ganhos de renda da população brasileira, há indicadores claros de que as dívidas estão abocanhando uma parcela cada vez maior dos rendimentos
dos brasileiros. Isso porque esse consumidor ainda não
tem a cultura de planejar as finanças e mitigar os riscos.
É nesse contexto que o microsseguro se apresenta como uma alternativa viável, um produto de poupança
— e também de educação financeira — que pode garantir e proteger os ganhos de renda e a ascensão social. O
microsseguro é um produto de tíquete baixo, voltado
para o consumidor com renda de até três salários mínimos, e atende às necessidades dessa população.
Para viabilizar o microsseguro no Brasil, o mercado segurador precisa, além de trabalhar com preços menores,
flexibilizar os canais de distribuição e comunicação para
falar diretamente com esse público, mostrando a importância de proteger os ganhos de renda e o patrimônio
construído pelo trabalhador. Entre outras ações será estratégico o papel do corretor especializado.
Primeiramente, é preciso entender o que esse consumidor quer e fazer com que ele também entenda o
mercado segurador para o desenvolvimento de uma
modelagem mais adequada para o microsseguro. Assim, é necessário estabelecer um diálogo com esse consumidor, conhecer suas necessidades, mostrar para
ele a importância do seguro e criar nele essa cultura. O
grande desafio, que vai além da educação financeira,
é o da mudança cultural do brasileiro. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 3
Roberto Stuckert Filho/PR
Avanço
HUMALA PROMETE INCLUSÃO SOCIAL DURANTE POSSE
Reprodução
Copa do Mundo terá impactode
1,5%no PIB nos próximos três anos
Emumestudosobre os impactoseconômicos daCopa
doMundo de2014, IllanGoldfajn, economista-chefe do
Itaú-Unibanco, disse que os investimentospúblicose
privadosparao eventovãoalavancar o PIB eabrirão
caminhoparaumaexpansãoainda maiorda
economiabrasileiranolongo prazo.“O impacto direto
dosgastos,tantopúblicos quantodosetor privado,
dá1% doPIB, eo resto vemdo efeitodamultiplicação.
Quandouminvestimentoé feito paraaCopatem o
efeitodesemultiplicar economia”,disse Goldfajn.
Retrocesso
Divulgação
Maioria dos brasileiros consome
mais açúcar que o recomendado
Ollanta Humala tomou posse ontem como presidente do Peru prometendo incluir os pobres do
país nos benefícios trazidos pelo crescimento econômico — em torno de 10%. A cerimônia
contou com vários líderes de estado, entre eles a presidente brasileira, Dilma Rousseff. ➥ P36
Aanálisedeconsumo alimentar doInstitutoBrasileiro
deGeografiaeEstatística(IBGE),divulgada ontem,
apontouque nocasodasadolescentes aingestão
excessivadeaçúcar émais comum.Entre os idosos,
quase80% delesingerem maisgordura saturadado
queo limitetolerável. Opesquisador doIBGE André
Martinslembrouque nas últimasanálisesdesse mesmo
levantamento,os adolescentesrevelaramíndices
preocupantesde sobrepeso.“Até os10 anos, a
populaçãoestáumpouco protegida dosobrepeso, mas,
dos10 oumais,ascriançascomeçam aterliberdade
sobreo quecomem, ea gente observaque jáderam um
bomaumento naprevalência dosobrepeso”, alertou.
TRÊS PERGUNTAS A...
Divulgação
Serafina planeja cinco
novas unidades e
faturar R$ 13 milhões
...MARCELO ALCANTARA
Sócio-fundador da filial do
restaurante Serafina no Brasil
A rede de restaurantes Serafina,
de Nova York, chegou ao Brasil
em agosto do ano passado
por meio do grupo MPRD que,
após faturar R$ 5,5 milhões
em apenas quatro meses,
prepara a ampliação da matriz e
a inauguração de cinco unidades.
Onde serão implantadas
as novas unidades e
quando serão inauguradas?
Em São Paulo teremos um
restaurante no Itaim, com
previsão de abrir as portas até
dezembro deste ano, na Vila
Olímpia no primeiro semestre
de 2012 e Alphaville no segundo
semestre do próximo ano. Em
2013 abriremos uma unidade no
Leblon, mas já estamos de olho
em outra na Barra. Também
abriremos uma unidade em
Brasília até 2013. Os fundadores
estão acompanhando todo o
processo de escolha dos locais.
O Grupo MPRD será responsável
por todos os restaurantes?
Não, estamos procurando por
investidores, que poderão ter
participação de cerca de 25%
do negócio. A matriz americana
fica com 10% e o restante
pertence ao grupo.
Qual o custo de implantação
de cada restaurante e a
previsão de faturamento com
a inclusão das novas unidades?
Na matriz, que é a unidade modelo,
foram investidos R$ 3,5 milhões.
Nas novas unidades serão
gastos cerca de R$ 2,5 milhões.
Esperamos faturamento de R$ 13
milhões em 2011 com a unidade
do Itaim e a inauguração no dia
23 de agosto do jardim da matriz
para eventos. Weruska Goeking
4 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
Editora: Fabiana Parajara [email protected]
Novas montadoras
estão no encalço
das grandes
No primeiro semestrdo ano, Fiat, VW, Ford e GM perderam
3 pontos percentuais de participação, um volume equivalente
às vendas da Citroën. E a tendência é perder ainda mais
Ana Paula Machado
[email protected]
A pulverização do mercado brasileiro de automóveis com a entrada de novas marcas, principalmente asiáticas, já é percebida nas ruas. As quatro grandes montadoras do país, Fiat,
Volkswagen, General Motors e
Ford, que durante anos detiveram juntas mais de 80% das
vendas, perderam, somente no
primeiro semestre deste ano, 3
pontos percentuais na participação total das vendas, segundo dados da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenabrave).
Cada ponto percentual deste
mercado representa cerca de
35 mil carros vendidos.
Para se ter ideia do tamanho
da perda das Big Four — como
são conhecidas essas quatro
montadoras —, só a francesa Citroën levou dez anos para obter
cerca de 3% do mercado nacional. Para conquistar este percentual, a marca conta com
uma rede de 160 revendedores
e fábricas em Porto Real (RJ) e
na Argentina.
O que surpreende é o ritmo
de avanço de novos competidores, que acelerou rapidamente. No primeiro semestre de
2009, Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford detinham
77,1% do total de vendas de automóveis e comerciais leves
no Brasil. No mesmo período
do ano passado elas fecharam
com 74.3% de participação.
Entre janeiro e junho deste
ano, a soma delas em vendas
caiu para 71,3%. Luiz Carlos
Mello, ex-presidente da Anfavea e consultor do Centro de
Estudos Automotivos, acredita que esse movimento não foi
pontual. Para ele, a diluição do
mercado deve se intensificar
nos próximos anos.
“Nenhum país tem tantas
marcas no mercado como o Brasil. As grandes é que perdem”,
diz Mello. “Mas, para isso, os novos concorrentes têm que ter,
além de produtos que atraem o
consumidor brasileiro, uma es-
Montadoras
francesas, coreanas
e chinesas estão
entre as mais
preparadas para
ampliar participação
de mercado.
Asiáticas, mesmo
sem fábricas no país,
contam com boa
rede de distribuição
trutura no país. É isso que vai
dar a elas condições de brigar
com as outras empresas”.
E as montadoras francesas,
coreanas e chinesas, principalmente, parecem preparadas para isso. Elas estão forte no mercado nacional, com uma boa estrutura de concessionárias, capaz de sustentar o aumento de
vendas. As asiáticas ainda não
têm fábricas em território nacional, mas isso é só uma questão de tempo (leia mais nas páginas 6 e 8).
Estruturação
Segundo o consultor automotivo, Ronaldo Rondinelli, a rede
de distribuição e o pós-venda
são questões importantes para o
estabelecimento dos novos concorrentes no mercado brasileiro. “Quem está há mais tempo
no Brasil leva uma certa vantagem em relação à distribuição.
As novas empresas que terão
mais sucesso serão aquelas que
tiverem uma rede bem estruturada”, diz Rondinelli.
A Jac Motors, por exemplo,
em um só dia inaugurou mais
de 50 revendas no país. A coreana Kia Motors ganhou participação no mercado com a estruturação de uma rede de concessionárias e produtos mais atrativos
ao consumidor brasileiro (veja a
evolução no quadro ao lado).
Diversidade
Somando-se as marcas nacionais e estrangeiras, o Brasil conta com 77 empresas que comercializam veículos em todo o território nacional. Atualmente,
são cerca de 800 modelos de automóveis e comerciais leves à
disposição do consumidor.
Para o diretor da ADK Consultoria, Paulo Roberto Garbossa, o mercado deverá se acomodar nos próximos cinco anos.
Quem se sairá melhor, diz ele,
serão aquelas montadoras com
estrutura mais eficiente. “Tudo é uma questão de tempo”,
afirma. “As quatro grandes
vão perder participação para
as pequenas e o mercado vai se
acomodar. Em até cinco anos,
Fiat, Volks, GM e Ford, deverão deter 60% das vendas”, estima Garbossa.
Mas o preço também tende a
ser um importante fator na conquista de clientes. Neste caso,
são as asiáticas que se destacam. A Chery, por exemplo,
tem o modelo QQ, um compacto que custa cerca de R$ 23 mil.
Os carros populares, porém,
não são os únicos a despertar o
interesse dos clientes (leia mais
na reportagem ao lado). A JAC
Motors, por exemplo, vendeu
8,69 mil carros em quatro meses de vendas. A marca estreou
no Brasil em março e, no primeiro mês, comercializou 588 carros. Por enquanto, ela tem um
único modelo à venda, o J3, nas
versões hatch e sedã, que custam a partir de R$ 37 mil. ■
MERCADO EM ALTA
1,63
milhão
foi o volume de automóveis
e comerciais leves vendidos
no primeiro semestre.
EM JUNHO
286,9
mil
foi número de carros e
comerciais leves emplacados,
volume 15,83% maior
ante a mesma base de 2010.
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
➤
●
Districar, que representa as
marcas SsangYong, Haima,
Chana e JMC no país, anuncia
fábrica, com investimento de
R$ 300 milhões. Ideia é montar os
veículos em território nacional.
➤
●
Chery e Lifan já anunciaram
investimentos de R$ 800
milhões para a construção
de unidades no Brasil, o que
deve acirrar a disputa por
participação de mercado.
➤
●
Asiáticas também prometem
disputar o segmento de
caminhões. Foton Aumark, principal
montadora de veículos pesados
da China, já tem unidades em
teste por potenciais clientes.
Adam Dean/Bloomberg
Brasileiro quer
agora carros
mais potentes
Vendas de veículos populares
não tiveram o mesmo
desempenho de outros modelos
Demanda aquecida
traz montadoras
asiáticas ao país
O consumidor brasileiro está
mais seletivo e quer agora carros com motores mais potentes. Para se ter uma ideia, as
vendas de automóveis com motor 1.0 representaram 51,5% do
total em junho de 2010. No mês
passado, esse percentual caiu
para 47,7%. No primeiro semestre, deste ano, esses modelos ficaram com 46,2% do mercado,
ante 50,8% no mesmo período
do ano passado. Os dados são
da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Para um mercado que cresceu 10% em geral, os veículos
considerados de entrada registraram desempenho abaixo da
média. O subsegmento de hatch — entre os populares de entrada — obteve aumento de vendas de 1,45% no período. Estão
nesta fatia carros com motor
1.0, como Volkswagen Gol, Chevrolet Celta, Fiat Mille e Ford
Fiesta, entre outros modelos.
No entanto, estes veículos ainda detêm a maior parcela do
mercado nacional. Só no primeiro semestre, eles somaram 468
mil unidades vendidas.
No subsegmento dos sedãs de
entrada, também com motor
1.0, o desempenho no primeiro
semestre foi pior. Estão entre
eles, modelos como Chevrolet
Prisma, Fiat Siena e Volkswagen Voyage, cujas vendas caíram 16,22% no período — passaram de 144 mil unidades no primeiro semestre de 2010 para
120,72 mil entre janeiro e junho
Os carros com motor
1.0 chegaram a
deter quase 70%
das vendas no
Brasil há dez anos.
Com a melhora do
poder aquisitivo, em
razão do crescimento
econômico, a
tendência é que
os carros de entrada
percam terreno
para veículos
mais potentes
deste ano. Já os compactos de
entrada, aqueles com motor entre 1.4 e 1.6, ampliaram suas
vendas em 24,84% — passando
de 181,36 mil unidades, em
2010, para 226,41 mil no primeiro semestre de 2011.
O diretor da ADK Consultoria, Paulo Roberto Garbossa, disse que isso é uma tendência. Os
consumidores migram para carros mais potentes e mais caros
assim que fazem a troca de seu
veículo. “Carros 1.0 são tipicamente urbanos e as montadoras
entenderam que oferecer modelos com motorização maior e
mesmo espaço entre eixos, é a
melhor forma de conquistar o
consumidor”, diz Garbossa.
“Será cada vez mais comum
ver esses tipos de veículos rodando pelas ruas.” ■
MOTORES
Honda faz recall de 102 mil carros no Brasil
DIVISÃO
Lentamente, as montadoras menores avançam sobre o mercado das quatro gigantes, em %
1º sem/2010
25
23,23 22,74 22,74
22,21
20
1º sem/2011
2,7 milhões
21,34
20,02
de carros foram vendidos no país no primeiro
semestre deste ano. Cada ponto percentual da tabela
representa a venda de cerca de 35 mil veículos
15
10,09 9,46
10
5,24
5
0
6,05
5,86
4,30
3,45
3,13 2,82
2,98 2,83
PEUGEOT
CITROËN
2,24
NC*
FIAT
VOLKSWAGEN GENERAL
MOTORS
FORD
RENAULT
HONDA
TOYOTA
1,72 2,38
HYUNDAI
Fonte: Fenabrave *nada consta 1: empresa teve problemas de abastecimento por causa do terremoto no Japão
**nada consta 2: a participação da montadora foi incluída em Outros
2,19
2,99
NC**
KIA
OUTROS
A Honda anunciou ontem um
recall preventivo de 102 mil
veículos no Brasil para
substituição de componentes do
motor a partir da próxima semana.
O recall, o primeiro da marca em
2011, envolve sedãs New Civic, um
dos mais vendidos pela montadora
no país, fabricados entre 2008
e 2011. Entre 2008 e 2010, a
montadora vendeu cerca de 149
mil Civics no Brasil, segundo dados
da associação de concessionários,
a Fenabrave. A convocação está
sendo feita para substituição
de parafusos da polia da bomba
d'água dos motores. Segundo
a Honda, os componentes podem
se desprender, o que, em casos
extremos, pode fazer o motor
parar com o carro em movimento.
O problema pode dificultar
o controle do veículo,
"com risco de colisão".
A montadora japonesa anunciou
em maio corte de 50% da
produção de sua fábrica em
Sumaré, no interior de São Paulo,
por causa da escassez de
peças de fornecedores atingidos
pelo terremoto e tsunami
que arrasaram o Nordeste
do Japão em março.
Apesar de sinais de recuperação
mais rápida que a esperada do
setor automotivo japonês, a
Honda no Brasil segue produzindo
em ritmo reduzido, informou
a assessoria de imprensa da
companhia no país. Reuters
6 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
Districar programa investimento
de R$ 300 mi em unidade no país
Murillo Constantino
Importadora de
veículos asiáticos
quer produzir
modelos das
quatro marcas que
representa no Brasil
CHANA
2,4
mil
veículos da marca foram
comercializados pela
distribuidora entre janeiro
e junho. Meta era de 6 mil
unidades. Segundo a empresa,
entraves burocráticos
atrapalharam o desempenho.
SSANGYONG
Michele Loureiro
3,8
mil
carros da marca sul-coreana
[email protected]
O potencial de crescimento do
mercado automotivo brasileiro
atraiu mais asiáticos para o cenário nacional. A Districar, importadora das marcas Haima, Chana, SsangYong e JMC, vai instalar uma unidade fabril no país e
se unir à lista de Chery e Lifan,
que recentemente também
anunciaram fábricas em território nacional (leia mais na página
8). Com um aporte de R$ 300 milhões, a unidade terá capacidade
de produção de 60 mil unidades
por ano e deve produzir modelos para todas as marcas comercializadas pela importadora.
O modelo da fábrica é conhecido como CKD, ou seja, utiliza
conjuntos de peças importadas
da China para montar os veículos no Brasil. Segundo Abdul
Ibraimo, presidente da Districar, o local ainda não foi definido, mas deve ser anunciado em
até dois meses. “Ainda estamos
em fase de negociação, mas
queremos agilizar o processo
para não perder espaço no mercado brasileiro”, diz.
Mesmo com resultados de
vendas abaixo do esperado no
primeiro semestre, Ibraimo
tem boas projeções. A marca
Chana comercializou 2,8 mil
unidades entre janeiro e junho,
quando a previsão de vendas
era de 6 mil veículos. “Tivemos
problemas com homologação
de novos produtos. Os entraves
burocráticos acabaram retardando nossos planos. Devemos
encerrar o ano com 7 mil unidades vendidas, quando a previsão era de 10 mil”, afirma.
Além disso, o executivo diz
que as medidas de controle de
importação adotadas pelo governo brasileiro impactaram o
resultado. “Ficamos com muitos carros parados no porto,
mas agora a situação já está normalizada”, garante.
Mudança de nome
Para alavancar as vendas, a
Chana mudará de nome a partir de agosto. “Vamos passar a
chamar Changan, que é o nome da fábrica. Isso promoverá
um novo posicionamento da
marca”, diz Ibraimo.
Além disso, o portfólio da mar-
foram vendidos no mesmo
período, O número também ficou
aquém das expectativas, mas
empresa espera vender 10 mil
unidades até o fim do ano.
PRODUÇÃO
60
mil
unidades por ano é a capacidade
estimada para a fábrica
que será instalada no Brasil.
Abdul Ibraimo, presidente
da Districar: local da
unidade fabril deve ser
anunciado em dois meses
“
Tivemos problemas
com homologação
de novos produtos.
Devemos encerrar
o ano com 7 mil
unidades vendidas,
quando a previsão
era de 10 mil
Abdul Ibraimo
ca no Brasil vai ganhar reforços.
Em agosto começa a ser comercializada a Mini-Star, um modelo de comercial leve. Em outubro, a Changan amplia seus modelos com a chegada do carro popular Mini-Benni, que sairá por
R$ 29 mil e vem para concorrer
com o Uno, da Fiat, e com o Celta, da Chevrolet. Além dele, chega também o carro médio Austin, que deve custar entre R$ 34
e R$ 39 mil, e surge para concorrer com modelos como Civic, da
Honda. Com os novos produtos,
Ibraimo espera vendas de 20 mil
veículos da marca em 2012.
SsangYong, Haima e JMC
A sul-coreana SsangYong também apresentou resultados abaixo do esperado nos primeiros
seis meses de 2011 e registrou
vendas de 3,8 mil unidades.
“Os problemas com homologação de novos modelos também
prejudicaram a marca, mas esperamos vender 10 mil veículos
até o fim do ano com a entrada
do modelo utilitário Korando
em agosto”, afirma Ibraimo.
As marcas Haima e JMC ainda
não comercializam veículos no
país, pois aguardam autorizações do governo local. Elas devem integrar o portfólio da Districar a partir de 2012.
Para dar conta do aumento do
volume, a empresa vai reforçar
seu pós-venda e abrir 56 concessionárias até o fim deste ano, alcançando 100 unidades no país.
O investimento previsto pela importadora para todo o ano de
2011 é de R$ 70 milhões. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 7
8 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
José Luiz da Conceição
Governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, e executivos da Chery
durante o lançamento da pedra
fundamental da fábrica da empresa
no país, na semana passada
Vendas em alta estimulam a
instalação de fábricas asiáticas
Chery e Lifan já anunciaram investimentos de R$ 800 milhões para a construção de unidades no Brasil
Michele Loureiro
[email protected]
Com expectativa de crescimento de 5% e vendas de 3,7
milhões de veículos em 2011,
o mercado automotivo brasileiro tornou-se atrativo para
marcas asiáticas, que já representam 73% das vendas das 30
montadoras filiadas à Associação Brasileira das Empresas
Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). O cenário
de alta nas vendas faz crescer
a participação dos veículos importados, elevando também a
fatia das marcas chinesas que
começam a comprovar que
vieram para ficar — elas já fizeram aporte de R$ 800 milhões
em fábricas no país. Dois
exemplos são a Chery e a Lifan. Ambas anunciaram que
passarão a montar seus carros
no Brasil. E a tendência é que
outras companhias, como Jac
Motors, anunciem unidades fabris em breve.
Até a primeira quinzena de julho, a Jac emplacou 10.073 veículos, superando a Hafei com
8.879 unidades e a Chery, que
vendeu 8.065. No acumulado
do ano, só o J3 (modelo mais popular da Jac), emplacou 6.196
unidades, o que lhe rende a 41ª
posição entre os mais vendidos
no Brasil. O J3 Turin vendeu
3.864 unidades.
“Mesmo com o custo alto de
se produzir no Brasil e as queixas a respeito da competitividade, o volume de vendas de algumas marcas chinesas começa a
justificar a instalação de fábrica
no país. Por isso, a tendência é
de que as companhias anunciem investimentos para produzir localmentel em breve”, afirmou o consultor do mercado automobilístico, Fábio Redondo.
A chinesa Jac
Motors estreou em
março deste ano
e planeja vender
40 mil unidades
até dezembro
cional. A futura fábrica começa
a operar em 2013 com produção
de 50 mil a 60 mil carros por
ano, atingindo capacidade máxima entre 2014 e 2015, quando fabricará até 170 mil veículos
anualmente. A nacionalização
da fábrica é de 30%, inicialmente, podendo chegar a 50%, posteriormente. A estimativa é que
sejam gerados cerca de 3 mil empregos diretos.
A chinesa Lifan também confirmou a construção de uma fábrica da marca no Brasil e o desenvolvimento de um compacto
para o mercado nacional. O investimento será de US$ 100 mi-
lhões (aproximadamente R$ 160
milhões) e local será definido
nos próximos três meses.
As obras devem começar ainda este ano, e a produção entre
o final deste ano e o começo do
ano que vem. A planta terá capacidade para montar 10 mil
unidades por ano e as operações serão coordenadas pelo
grupo Effa Motors, que representa a marca no Brasil e no
Uruguai. Atualmente os veículos são montados em uma planta do grupo em San José, região metropolitana de Montevidéu, Uruguai, que também será ampliada. ■
Investimentos
Enquanto algumas marcas seguem importando, a Chery e a
Lifan já confirmaram os investimentos locais. A primeira escolheu Jacareí, no interior de São
Paulo, para instalar uma unidade de produção com investimento de US$ 400 milhões (cerca de R$ 640 milhões).
Esta será a primeira fábrica
da montadora fora da China e a
estimativa é de chegar até o final do ano com 1% de participação no mercado automotivo na-
FINANCIAMENTO
Weg vai investir R$ 12 milhões no desenvolvimento de motores elétricos
A Weg terá R$ 7,5 milhões em
financiamento do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) para desenvolver
motores elétricos. O valor
representa 62,3% do total que
a empresa vai aplicar no projeto,
orçado em R$ 12 milhões.
A conclusão do projeto, que está
sendo executado na fábrica de
Jaraguá do Sul (SC), está
prevista para dezembro de 2013.
A tecnologia, além de permitir
sistema de refrigeração mais
eficiente, chama a atenção “pelo
alto potencial de crescimento do
mercado de veículos elétricos,
com demanda nacional em
nichos específicos”, diz o BNDES,
em nota. Os sistemas de tração
elétrica são uma alternativa ao
uso de motores a combustão,
sobretudo porque trazem menos
impacto ao meio ambiente e são
mais eficientes. “Por ser um
fabricante brasileiro de geradores
e motores elétricos, a WEG pode
contribuir ao desenvolvimento
de uma indústria nacional de
veículos elétricos”, diz o banco.
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 9
10 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA
Guido Krzikowski/Bloomberg
Mercado de caminhões leves
e semileves está entre os
que mais crescem no país
Chinesas aceleram os planos
para chegar também a caminhões
Foton Aumark, principal montadora do segmento no país asiático, já tem veículos em teste por potenciais clientes
Ana Paula Machado
[email protected]
Não é só no segmento de automóveis que as montadoras chinesas querem se firmar no Brasil. As vendas de caminhões leves e semileves, de até 9 toneladas de peso bruto total, também atraem as empresas asiáticas, porque crescem mais do
que as de carros e porque têm
perspectivas mais positivas no
longo prazo. As obras de infraestrutura para Copa de 2014
e para a Olimpíada de 2016 estão entre os motivos para o segmento manter-se em alta nos
próximos meses.
Pelo menos quatro marcas
chinesas já anunciaram vendas
de caminhões no Brasil: Pascar,
JAC Motors, Sinotruck e Foton
Aumark, sendo esta a maior motadora de caminhões da China.
A vinda dela para o Brasil é uma
empreitada do economista Luiz
Carlos Mendonça de Barros, expresidente do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O lançamento da Foton Aumark em terras brasileiras será
feito em outubro deste ano durante o Salão Internacional do
Transporte, em São Paulo. E
Mendonça de Barros já traçou o
plano de negócios para abocanhar uma fatia significativa de
um dos mercados que mais
crescem dentro do segmento
de caminhões, o de veículos entre 3 e 9 toneladas, os chamados leves e semileves. “Vamos
trazer primeiro caminhões urbanos, aqueles ideais para entregas dentro das cidades e que
não entram dentro de rodízios
municipais. Depois, o plano é
partir para os veículos mais pesados”, afirma.
No primeiro ano de opera-
“
Vamos trazer
primeiro caminhões
urbanos, aqueles
ideais para entregas
dentro das cidades.
Depois, o plano é
partir para os
veículos mais pesados
Luiz Carlos
Mendonça de Barros
Empresário
ção, a Foton Aumark do Brasil
espera vender 6 mil unidades.
Alguns caminhões já estão em
fase de testes com potenciais
clientes, como forma de apresentar a marca. “São caminhões
que têm os mesmos fornecedores que as montadoras que
atuam aqui há mais tempo”, diz
Mendonça de Barros. “Então,
acredito que não será difícil convencer o cliente brasileiro de
que é um caminhão bom.”
Concorrência
Segundo dados da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea),
até junho foram comercializados cerca de 81,2 mil caminhões, sendo que 21,5 mil unidades foram de leves e semileves.
Este foi o segundo segmento
que mais cresceu em vendas no
país no período e o que foi responsável pela melhora dos resul-
tados das montadoras já instaladas aqui, como a MAN Latin
America, atual líder de mercado no Brasil.
A empresa alemã, que no início deste mês concluiu a venda
de 56% do capital para a Volkswagen, obteve um lucro de ¤ 437
milhões no segundo trimestre
deste ano, alta de 58% na comparação com o mesmo período
de 2010. O resultado foi puxado
principalmente pela participação da América Latina nas vendas de caminhões e ônibus. Na
região, o Brasil responde por
mais de 80% das vendas
Para 2011, a MAN espera uma
alta entre 10% e 15% na receita
e um retorno sobre as vendas
de 8,5%. No acumulado de janeiro a junho, segundo a companhia alemã, o indicador subiu
9,6%. Mas, os chineses prometem dificultar os planos da concorrente alemã. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 11
DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS
EM 30 DE JUNHO DE 2011 E 2010
(Valores em R$ mil)
BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 30 DE JUNHO DE 2011 E 2010
(Valores em R$ mil)
ATIVO
Banco
Consolidado
2011
2010
2011
2010
1.884.012
1.659.912
1.892.535
1.668.819
PASSIVO
Banco
Banco
Consolidado
2011
2010
2011
2010
1.560.009
1.461.465
1.557.081
1.461.026
Consolidado
2011
2010
146.085
118.055
2011
2010
Receitas da intermediação
Circulante
Depósitos + Captações
Disponibilidades +
Aplicações financeiras
712.191
651.222
724.373
663.901
Outros créditos
Realizável a longo prazo
860.952
676.507
862.303
678.315
310.869
332.183
305.859
326.603
429.508
363.110
438.978
367.498
Disponibilidades +
Aplicações financeiras
e arrendamentos
Permanente
TOTAL DO ATIVO
1.332.228
1.303.467
1.325.517
1.300.943
empréstimos e repasses
Outras obrigações
Exigível a longo prazo
37.983
54.398
45.429
55.648
mercado aberto
165.059
102.163
165.059
100.252
62.722
55.835
66.505
59.831
391.359
216.937
388.728
211.192
(109.638)
intermediação financeira
(75.914) (107.174) (75.356)
36.447
42.141
39.178
42.829
Outras receitas e despesas
operacionais
(14.596)
(17.635)
Receitas de serviços
5.304
5.156
Despesas de pessoal
(17.594)
(15.957)
(2.306)
(6.834)
administrativas
276.409
136.052
273.797
131.270
(17.062) (18.179)
5.685
6.379
(18.601) (17.039)
Resultado não operacional
(4.146)
(7.519)
4
72
4
72
21.855
24.578
22.120
24.722
(3.314)
(5.186)
(3.579)
(5.330)
18.541
19.392
18.541
19.392
Resultado antes da
373.287
293.138
375.311
296.276
86.282
49.630
86.282
49.630
18.238
15.574
18.238
15.574
Outras obrigações
28.668
31.255
28.649
30.292
52.416
49.030
28.864
29.551
Patrimônio líquido
414.568
393.650
414.568
393.650
2.365.936
2.072.052
2.360.377
2.065.868
TOTAL DO PASSIVO
2.365.936
2.072.052
2.360.377
2.065.868
O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
financeira
Outras despesas gerais e
Obrigações por
empréstimos e repasses
146.352 118.185
Resultado bruto da
Depósitos + Captações
Operações de créditos
Outros créditos
mercado aberto
financeira
Despesas da intermediação
Obrigações por
Operações de créditos
e arrendamentos
Circulante
A DIRETORIA
tributação s/lucro
Imposto de renda/contribuição
social s/lucro
LUCRO / PREJUÍZO LÍQUIDO
DALMO GOES
Contador - CRC 1SP 144.600/O-2
Ratings: Global: Ba2
Nacional: A1
Rating
A+
Rating
Nacional: A-
Baixo Risco para
Médio Prazo
As demonstrações financeiras completas estão sendo publicadas nesta data no Jornal Folha de S.Paulo.
12 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
BRASIL
Editora: Elaine Cotta [email protected]
Subeditora: Ivone Portes [email protected]
Brasil terá
que importar
gasolina até 2015
Gabrielli, da Petrobras: até 2015,
a balança comercial de derivados
de petróleo será negativa
Só neste ano, a Petrobras já comprou 2,5 milhões de barris do
combustível para abastecer o mercado doméstico, em expansão
Ricardo Rego Monteiro
[email protected]
A Petrobrás terá que recorrer
ao mercado externo para assegurar o abastecimento de gasolina
do país, apesar da decisão do Ministério de Minas e Energia de
manter intacta a atual proporção de 25% de mistura de etanol ao combustível comercializado no país. O presidente
da estatal, José Sergio Gabrielli,
anunciou ontem não só que a
medida deverá elevar este ano
as importações de gasolina a superar os 3 milhões de barris desembarcados em 2010, como
também sugeriu que o cenário
deverá se repetir pelos próximos quatro anos. Até 2015, confirmou o executivo, a balança
comercial de derivados do país
deverá permanecer negativa.
O executivo evitou dar mais
detalhes sobre o volume total
da carga prevista para este ano,
mas confirmou que a nova leva
aumentará a importação, em
2011, para o equivalente a mais
de quatro dias de consumo. Na
quarta-feira, o Ministério de Minas e Energia desistiu de reduzir a mistura do etanol na gasolina para 18%, cogitada até a última semana para diminuir as
pressões inflacionárias. Se reduzisse, no entanto, a Petrobrás teria que aumentar a importação
de gasolina. Neste ano, a empresa já comprou duas cargas do
produto, que somaram 2,5 milhões de barris até agora a equivalente a três dias de consumo.
Gabrielli participou ontem,
na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), do seminário Qualificar e Competir: Petróleo e Gás,
da série Brasil em Perspectiva,
promovido pela Evasê através
dos jornais BRASIL ECONÔMICO e O
Dia. Na ocasião, o executivo
também descartou impactos diretos para a empresa de um já
possível calote da dívida pelo
governo americano. A possibilidade, que tem causado turbu-
O Plano de Negócios
da Petrobras prevê
a elevação da
produção de petróleo
do país dos atuais
3,8 milhões de barris
de óleo equivalente
por dia (Boe, medida
que inclui óleo e gás
natural) para um
total de 4,9 milhões
Boe em 2015
lência no mercado acionário
mundial nos últimos dias, é vista como uma verdadeira ‘pá-decal’ no processo de recuperação
da economia americana.
Apesar dos riscos, o executivo descartou revisar o Plano de
Negócios caso se confirme o default no dia 2 de agosto a data limite para solução do impasse
entre Democratas e Republicanos, no Congresso americano,
em torno do aumento do teto
da dívida dos EUA. “Efeito direto sobre a companhia não existirá, mas o governo americano
tem o poder de solucionar o problema por meio de um decreto
presidencial”, minimizou. “É
preciso lembrar, apenas, que,
em 2009, quando a economia
mundial encontrava-se em plena crise, a Petrobrás promoveu
uma das maiores captações de
recursos no mercado.”
Com relação às importações
de derivados de petróleo, Gabrielli, admitiu que terão impacto na balança comercial pelos
próximos quatro anos. O executivo justificou o desbalanceamento entre oferta e consumo
de combustíveis como resultado da combinação de expansão
da frota de veículos com problemas climáticos que afetaram as
duas últimas safras de cana-deaçúcar. “A balança comercial
de derivados do país fechará
com déficit até 2015”, afirmou
o presidente da Petrobrás.
Apesar do problema, o executivo disse que os esforços da empresa para ampliar tanto a produção de petróleo, quanto a de etanol, deverão contribuir para solucionar o problema. Até 2015, o
Plano de Negócios da Petrobrás
prevê a elevação da produção de
petróleo do país dos atuais 3,8
milhões de barris de óleo equivalente por dia (BOE, medida que
inclui óleo e gás natural) para
um total de 4,9 milhões BOE em
2015. Enquanto as projeções não
se materializam, o presidente da
Petrobrás admitiu o recurso às
importações. ■
EMPREGO
Cadeia de petróleo e gás natural tem potencial
A qualificação da cadeia de
fornecedores e o reforço da
competitividade das empresas do
setor de óleo e gás tem potencial
para gerar 1,6 milhão de vagas.
A projeção é do presidente da
Federação das Indústrias do
Estado do Rio de Janeiro (Firjan),
Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira.
Gouvêa Vieira tomou por base
um estudo coordenado pela
Organização Nacional da Indústria
do Petróleo (Onip) e apresentado
ao ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior,
Fernando Pimentel. “O ministro
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 13
Jose Cruz/ABr
Dnit terá nova diretoria na próxima semana
O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto
Carvalho, informou ontem que a nova diretoria do Departamento
Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) deve ser anunciada no
início da próxima semana. Segundo ele, a possibilidade de demora
no processo de escolha preocupa a presidenta Dilma Rousseff porque
pode prejudicar o andamento de obras. O principal critério para
as indicações será o conhecimento técnico da áreas dos transportes.
Fernando Souza
“O caixa da
Petrobras
tem custos”
Essa foi a resposta dada pelo
presidente da estatal, José
Gabrielli, aos fornecedores que
contestam decisão de suspender
recursos para financiar compras
A Petrobras suspendeu os repasses de recursos próprios para
fornecedores nacionais de máquinas e equipamentos, mas o
presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, anunciou que o
desenvolvimento do Plano de
Negócios 2011—2015 não ocorrerá em prejuízo da meta de
65% de conteúdo local. Além
de considerar tal objetivo possível, o executivo contestou as
críticas de empresários à decisão, incluída no rol de medidas
destinadas a aumentar a rentabilidade da estatal. Gabrielli revelou ontem que a companhia
estimulará a formação de joint
ventures entre fornecedores nacionais e estrangeiros, para assegurar competitividade internacional às firmas brasileiras.
Até este ano, a Petrobras antecipava recursos do próprio
caixa para os fornecedores nacionais necessitados de capital
de giro para concluir os empreendimentos da companhia.
A partir de agora, minimizou
Gabrielli, os recursos serão financiados só pelos bancos credenciados no projeto Progredir, criado pela Petrobras com
objetivo de auxiliar os fornecedores, especialmente os nacionais e de menor porte.
Diferentemente da antecipação direta de recursos pela estatal, o programa prevê a cobrança de juros sobre os recursos financiados pelas instituições financeiras. Em compensação, o
presidente da Petrobras afirmou que as empresas poderão
usar o contrato com a estatal co-
Em compensação,
a empresa pretende
estimular a formação
de joint ventures
entre fornecedores
nacionais para a
assegurar a meta de
ter 65% de conteúdo
local nas máquinas
e equipamentos
comprados para
a operação
mo garantia dos empréstimos.
Para a indústria, no entanto,
as taxas de juros cobradas dos
bancos no Brasil, por si só, já eliminam a competitividade nacional em relação aos concorrentes estrangeiros, que têm acesso
a crédito mais barato no exterior. “Dizer que a Petrobras está
transferindo sua perda de rentabilidade para os fornecedores,
com as medidas previstas pelo
Plano de Negócios, é um equívoco”, contestou Gabrielli. “O caixa da Petrobras não é de graça.”
Caixa estatal
A suspensão dos repasses diretos de recursos da Petrobras para fornecedores faz parte da lista de medidas destinadas a otimizar o caixa da companhia,
juntamente com a decisão de
vender ativos da estatal espalhados pelo mundo, no valor de
US$ 13,6 bilhões. O presidente
da empresa confirmou que o rol
de ativos vendáveis inclui “participações em mais de 300 empresas”, além de fatias dos blocos exploratórios detidos pela
Petrobras não apenas no Brasil,
mas também no exterior. ■
Fotobras Fotossensíveis do Brasil Industria e Comércio Ltda.
Torna público que requereu na CETESB, a Renovação da Licença de Operação para Fabricação
de Chapas, Filmes, Papéis e outros Materiais e Produtos Químicos para Fotografia, sito à Rua
Agostino Togneri, 153 - Jurubatuba - CEP 04690-090 -São Paulo (SP).
para gerar 1,6 milhão de novos postos de trabalho
mostrou afinidade com as
propostas e dispôs-se a
apresentá-las à presidente Dilma
Rousseff”. No estudo, são
listadas providências consideradas
importantes para assegurar que a
indústria nacional tenha condições
de disputar as bilionárias
encomendas da Petrobras.
“São 10 políticas e 63 ações, com
foco na isonomia de condições
com os concorrentes externos
em áreas como acesso a crédito,
insumos e matérias-primas”, diz.
“O setor de óleo e gás é um trunfo
do país. Temos que focar esse
trunfo para alavancar a cadeia
produtiva e tornar os
fornecedores mais competitivos
internacionalmente”, disse
o Diretor da Organização
Nacional da Indústria do
Petróleo (Onip), Elói Fernandez
Y Fernandez. Redação
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14 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
BRASIL
Marcela Beltrão
CONFIANÇA
INDÚSTRIA
Expectativa do consumidor melhora
e registra aumento de 1,3% em julho
Atividade industrial do estado de
São Paulo cai 0,9% no mês de junho
A expectativa dos consumidores com a economia melhorou um
pouco em julho em relação ao mês anterior, segundo levantamento
da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice ficou em
113,2 pontos, um aumento de 1,3% na comparação com o mês anterior.
Na comparação com o mesmo período de 2010, houve uma queda
de 3%. Quanto mais distante de 100, mais bem avaliado é o item.
O nível de atividade da indústria paulista caiu 0,9% em junho sobre
maio. Em relação a junho de 2010, houve crescimento de 3,9%.
No acumulado do ano, a indústria evoluiu 3,4%, segundo a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por setores, o de
produtos químicos, petroquímicos e farmacêuticos recuou 1,4% no mês.
Entretanto, em relação a junho do ano passado houve alta de 12,5%.
Parcela da população com renda
menor tem dieta mais saudável
Quem ganha até R$ 296 come cinco vezes menos batata frita e massas do que os com salário acima de R$ 1.089
Isabela Kassow/Ag. O Dia
Carolina Alves
Com o aumento da renda,
mais brasileiros passaram
a comer fora de casa
[email protected]
Quanto maior a renda das pessoas, menor é o consumo de
bens de qualidade inferior, certo? Segundo os fundamentos
econômicos de oferta e demanda, sem dúvida! Mas, quando falamos de alimentos, nem sempre os produtos mais presentes
no carrinho de compras possuem as melhores características nutricionais. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) revela que há uma relação inversamente proporcional
entre renda e qualidade do consumo alimentar.
A parcela mais pobre da população brasileira é a que mantém uma dieta mais saudável.
De acordo dados da Pesquisa
de Orçamentos Familiares
(POF), além de comer mais arroz e feijão do que as outras
classes, as pessoas com renda
até R$ 296 comem cinco vezes
menos batata frita e massas
que os brasileiros com renda
superior a R$ 1.089.
“Como as pessoas de menor
renda não têm disponibilidade
para comprar tanto, têm uma
alimentação mais básica, que
tem melhor qualidade nutricional”, avalia André Martins, pesquisador do IBGE.
Para Martinho Paiva Moreira,
diretor econômico da Associação Paulista de Supermercados
(Apas), outro fator é a frequência da alimentação. “A população de baixa renda come menos
vezes por dia, o que exige o consumo de alimentos que garantem mais sustância”, diz.
Ele ressalta que é a mudança
de rotina do brasileiro o principal entrave à qualidade nutricional. “As pessoas têm pouco tempo para elaborar comida, pois
trabalham fora o dia todo. Quando aumenta a renda, a busca
imediata é por conforto, o que
eleva a compra de alimentos semielaborados e congelados”.
São esses os produtos que mais
possuem gorduras saturadas e
sódio — este último, inclusive,
é usado em abundância pela indústria para elevar a conservação dos alimentos.
“
A renda aumenta,
mas a consciência
alimentar não. As
pessoas ainda não
observam o nível
de gordura ou sódio
nas embalagens
Martinho Paiva Moreira
Diretor econômico da Apas
Carrinho de compras
Saúde em risco
De acordo com o levantamento
do IBGE, a ingestão diária de frutas, legumes e verduras (fontes
de fibras e vitaminas essenciais
no dia-a-dia) está abaixo dos níveis recomendados pelo Ministério da Saúde. Mais de 90% da
população consome menos de
400 gramas desses alimentos
por dia. Já o consumo de gorduras, sal e açúcares está acima do
padrão, principalmente entre
os adolescentes. A pesquisa revela que mais de 70% dos jovens se enquadram nesse cenário, agravado pelo baixo consumo diário de vitaminas.
No geral, a ingestão excessiva
de açúcares foi observada por
61% da população, a de gorduras saturadas, por 82%, e 68%
dos brasileiros têm consumo insuficiente de fibras.
“A população vem se alimentando de forma inadequada. Esse padrão é mais preocupante
ainda entre os adolescentes,
que apresentaram um perfil
que pode trazer consequências
no futuro, como o aumento do
excesso de peso, obesidade e
doenças crônicas”, alerta Patrícia Jaime, coordenadora-geral
de Alimentação e Nutrição do
Ministério da Saúde.
Diante desse cenário, o governo deve elevar o número de
ações em prol da alimentação
saudável. Segundo Patrícia, em
setembro, a presidente Dilma
Rousseff lançará o Plano de Prevenção e Controle da Obesidade e o Plano de Enfrentamento
de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como a diabetes, por
exemplo. ■ Com agências
DINHEIRO NO BOLSO
Aumento da renda
puxa consumo
de enlatados
Levantamento da Apas aponta
que, com o crescimento da renda
familiar nas camadas mais pobres
do país, o consumo de bebidas,
enlatados, congelados, massas
e sobremesas prontas também
sobe. Enquanto a compra de
itens da cesta básica de produtos
cresce a taxas anuais de 5,7%,
o consumo de bebidas alcoólicas
sobe 7,9% e as não alcoólicas,
9,6%. Hoje, os alimentos
congelados e refrigerados
representam mais de 11,3%
do consumo total de perecíveis
no país, de acordo com
estimativas da Apas. C.A.
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 15
Antonio Cruz/ABr
IMPOSTOS
ESPORTE
Termina hoje o prazo para empresas
quitarem débitos pelo Refis da Crise
Brasil vai investir R$ 2 milhões na formação
de tenistas para a Olimpíada de 2016
A segunda etapa para consolidação dos débitos tributários de
empresas nos parcelamentos do chamado Refis da Crise termina hoje.
O programa foi criado para ajudar o setor produtivo durante a crise
iniciada em 2008. Quem perder o prazo terá o pedido de parcelamento
cancelado e os débitos serão cobrados sem os benefícios do programa,
que reduz multas em até 90% e os juros da dívida em até 40%.
O governo federal vai investir R$ 2 milhões na formação de tenistas
profissionais de alto rendimento e técnicos da modalidade, com
objetivo de preparar o país para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.
O anúncio foi feito ontem pelo ex-tenista Gustavo Kuerten,
o Guga, tricampeão do torneio de Roland Garros, disputado na França,
e pelo ministro do Esporte, Orlando Silva.
Arroz
Feijão
Batata frita
Salada
Massa
Tradição na mesa do brasileiro
é mais presente na baixa renda
Fiel companheiro do arroz
tem consumo reduzido
Vilã da dieta tem consumo
elevado com alta da renda
Alimento de pouca sustância
perde espaço na baixa renda
Ingestão de massa
é cinco vezes maior
O consumo de arroz é maior
para as famílias com os menores
rendimentos. Pessoas com renda
de até R$ 296 ingerem 168,1
gramas diárias de arroz. Já as
que ganham mais de R$ 1.089
por mês consomem 129,7 gramas
por dia. O inverso ocorre com
salada de frutas. Famílias
com o maior rendimento comem
dez vezes mais esse alimento.
Famílias de menor renda
consomem mais feijão, fonte de
ferro. Para pessoas com renda
mensal de até R$ 296, a ingestão
do alimento é de 195,5 gramas
por dia. Já nas famílias cuja
renda per capita ultrapassa
R$ 1.089 por mês, o feijão
aparece em menor proporção no
prato: a média é de 127,5 gramas
por dia, de acordo com o IBGE.
Conhecida mundialmente como
inimiga número um da dieta
saudável, a batata frita está mais
presente na mesa das famílias
conforme aumenta o rendimento
mensal. Pessoas que ganham
mais de R$ 1.089 consomem,
em média, um grama do alimento
por dia, cinco vezes mais do que
as famílias com renda per capita
de R$ 296 por mês (0,2 grama).
Fonte de fibras e vitaminas, a
salada está mais presente na
mesa das famílias com maior
rendimento médio mensal. Dados
do IBGE apontam que o consumo
de salada triplica com o aumento
da renda. Pessoas que ganham
até R$ 296 ingerem 7,9 gramas
de salada por dia, enquanto
quem recebe mais de R$ 1.089
consome 21,8 gramas do alimento.
Enquanto a salada dá a impressão
de que o consumo nutricional
ganha qualidade com a renda, as
massas destroem qualquer ilusão.
A ingestão desse alimento é cinco
vezes maior para pessoas que
ganham mais de R$ 1.089 por
mês do que para as famílias
com rendimento per capita de
até R$ 296. A proporção é
de 10,6 gramas para 2,7 gramas.
16 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
INOVAÇÃO & TECNOLOGIA
Cristália investe
mais para obter
novas moléculas
Laboratório planeja investir neste ano o equivalente a 11% do seu
faturamento em inovação, bem acima dos 7,5% do ano passado
João Paulo Freitas
[email protected]
Neste ano, o Laboratório Cristália decidiu elevar para 11% do
seu faturamento o montante
que investirá em inovação. Em
2010, a empresa destinou o equivalente a 7,5% do faturamento
de aproximadamente R$ 660
milhões a projetos de pesquisa e
desenvolvimento (P&D).
“Esse aumento é muito significativo. Muitos dos nossos projetos estão entrando na etapa
de testes em humanos, uma fase muito onerosa. Devido a essa maturidade, eles agora demandam mais recurso para seguir em frente”, afirma o diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Cristália,
Roberto Debom.
Atualmente, a empresa conduz cerca de 40 projetos de
P&D. Metades deles, segundo
Debom, podem resultar em inovações radicais — isto é, em
produtos baseados em novas
moléculas e por isso ainda inexistentes — e são voltados ao
tratamento de dores, síndrome
metabólica, problemas cardíacos, cicatrização e asma. A outra metade deve resultar em
inovações incrementais, que
no caso de uma empresa farmacêutica, envolve a elaboração
de novas formulações para
substâncias já existentes.
O laboratório conta também
com apoio estatal para desenvolver novos produtos. No final de
março, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 77,2 milhões para
o laboratório, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Complexo Industrial da
Saúde (Profarma).
Ao todo, 11 projetos do Cristália serão beneficiados pelo financiamento. Entre eles, está
a proposta de desenvolver
uma nova rota biotecnológica
para produção do hormônio do
crescimento humano recombinante e uma produto para o tratamento de síndrome metabólica baseado em uma nova molécula. Este, aliás, é considerado
pela empresa um dos seus projetos de mais destaque. Segundo Debom, o Cristália já solicitou a patente da substância,
“
Muitos dos nossos
projetos estão
entrando na etapa
de teste em
humanos, uma fase
muito onerosa
Roberto Debom
Diretor de pesquisa,
desenvolvimento e inovação
do Laboratório Cristália
que está sendo testada no controle de colesterol. “O medicamento que estamos desenvolvendo tem a capacidade de diminuir as placas de ateroma já
instaladas no paciente”, diz.
“O que existe no mercado são
controladores de colesterol,
não de placa de ateroma. Esse
é o grande diferencial”, afirma. Ateromas são placas formadas pelo acúmulo de gorduras
dentro de artérias ou veias.
No momento, o laboratório
está terminando os testes toxicológicos do produto, em animais. O próximo passo será começar os testes em humanos, o
que deve ter início por volta do
final deste ano.
Riscos
De acordo com Debom, o desenvolvimento de novas moléculas
é um processo complexo e que
envolve riscos. “O processo de
inovação passa pela molécula e
formulação antes de chegar até
ao produto. É um processo de
longo prazo e que requer bastante recurso”, diz. “Muitas vezes
começamos um desenvolvimento e após três ou quatro o produto não corresponde às expectativas. De certa forma, ganhamos
aprendizado. Porém, tempo e
recursos financeiros foram perdidos”, acrescenta.
Segundo o executivo, um
projeto que visa a obtenção de
um novo produto pode começar com cerca de mil protótipos sendo que apenas duas ou
três moléculas realmente chegam até etapas mais avançadas
do processo.
Propriedade intelectual
DESEMPENHO
R$
660 mi
foi quanto o Cristália faturou
em 2010, 10% acima do resultado
de 2009. A empresa projeta
que neste ano sua receita será
de cerca de R$ 720 milhões.
PESQUISA
28
é o número de patentes
concedidas do Cristália.
Além destas, o laboratório
possui ainda cerca de 160
pedidos de patente em análise.
O Cristália conta hoje com 28 patentes concedidas. Além destas,
há cerca de 160 pedidos de patente em avaliação. Para Debom, a busca do laboratório pela inovação, postura que levou a
empresa a lançar no começo de
2008 o Helleva, voltado ao tratamento de disfunção erétil, visa
manter o Cristália competitivo
e acima de tudo financeiramente saudável. “As empresas que
inovam têm melhor capacidade
comercial e conseguem também atrair colaboradores de alto nível. Afinal, inovação é inteligência, intelectualidade e estudo”, afirma. ■
SEGUNDA-FEIRA
TERÇA-FEIRA
ECONOMIA CRIATIVA
EMPREENDEDORISMO
MÃO DE OBRA QUALIFICADA
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 17
QUARTA-FEIRA
QUINTA-FEIRA
EDUCAÇÃO/GESTÃO
SUSTENTABILIDADE
Fotos: João Prudente
FELIPE SCHERER
Sócio-fundador da Innoscience
e autor do livro Gestão
da Inovação na Prática
Consumidor, pressão
interna e concorrência
Fundado em 1972 em Itapira, no interior de São Paulo, o Cristália conta hoje
com 2,1 mil funcionários. Desse total, 123 atuam com pesquisa, desenvolvimento
e inovação, sendo que metade deste grupo é formada por mestre e doutores.
Algum tempo atrás, percebia que era necessário um considerável esforço para doutrinar executivos e empresários sobre por que uma organização deveria buscar alternativas inovadoras e, sobretudo, realizar ações para tratar a inovação como um processo gerenciado. Hoje, percebo que a situação já é bastante diferente.
Essa evolução é resultado de uma combinação de fatores que passam por mudanças no ambiente de mercado, políticas públicas de apoio à inovação, um destaque
maior dado à matéria por parte das publicações de negócios e também a incorporação dessa disciplina em programas de capacitação e desenvolvimento empresarial.
Quando me deparo com uma plateia em palestras,
cursos e projetos de consultoria, costumo alinhar os participantes sobre a importância da inovação para as organizações. A combinação de três fatores evidencia essa
importância: consumidores, pressões internas e a concorrência. Basta perceber a realidade do meio empresarial para que a mensagem seja bem assimilada.
No marketing há um jargão bastante conhecido que
diz que o cliente é rei. Sendo ou não verdade, o fato é
que esse rei tem forçado as empresas a buscar novas formas de
O fato é que esse
agradá-lo. O que era direi, o consumidor,
ferencial no passado
tem forçado as
agora não passa de condição obrigatória em
empresas a buscar
muitos setores. Cito o
novas formas de
caso dos automóveis coagradá-lo. O que
mo exemplo dessa mudança de hábitos: direera diferencial no
ção hidráulica, ar conpassado agora não
dicionado e trio elétripassa de condição
co eram, antes, acessórios reservados somenobrigatória em
te aos consumidores de
muitos setores
alto padrão. Hoje todas
as versões populares
já disponibilizam esses
equipamentos, sendo inaceitável a não existência dos
mesmos com itens de série em boa parte dos modelos.
Além dessa mudança de hábitos, nós consumidores também somos atraídos pelas novidades. Um exemplo desse
comportamento pode ser observado no caso do tablet iPad.
Boa parte dos compradores da segunda versão já possuíam
a versão anterior, mas foram levados às lojas em busca de
novidades. Não é por acaso que as montadoras de automóveis têm lançado as versões incorporando a palavra “novo”
ou mesmo new. Elas sabem que gostamos de novidades.
O segundo elemento da equação é o que chamo de
pressões internas. São poucas as empresas no mundo
que não vivem a realidade de buscar aumento de produtividade e/ou redução de custos. Especialmente na
indústria, fazer mais com o mesmo ou o mesmo com
menos são desafios amplamente difundidos.
Não bastassem os clientes mais exigentes e as pressões internas, as empresas ainda vivem um mercado
de acirrada concorrência. Estudo feito pela consultoria
McKinsey apontou para um fenômeno chamado de
convergência estratégica, no qual setores em que ao
longo dos anos se diminuía a diferenciação entre as
empresas acabavam reduzindo suas margens de forma
significativa na mesma proporção. Quando o mercado
não percebe mais diferença entre as propostas existentes, ele acaba definindo pelo preço, forçando as margens. Sem falar na tão conhecida globalização que permite a entrada de novos concorrentes em todos os
mercados.
Dependendo do setor de atuação da empresa, um fator
pode ser mais importante que outro, porém o impacto prático é o mesmo: quem não inovar vai ficar para trás. ■
18 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
EMPRESAS
Editora: Rita Karam [email protected]
Subeditoras: Estela Silva [email protected]
Isabelle Moreira Lima [email protected]
Drogaria São Paulo arma
reação a Drogasil e Raia
Para recuperar liderança que será perdida após fusão de rivais, grupo vai priorizar plano
de abrir o capital; meta é aumentar de 20 para 50 a abertura de novas lojas por ano
Cintia Esteves
[email protected]
Ronaldo Carvalho, presidente
do conselho da Drogaria São
Paulo, é do tipo que gosta de reclamar. Leitor assíduo de diversos jornais e revistas, o empresário é presença constante nas
seções de cartas para redação
dos principais veículos de imprensa do país, maneira que escolheu para expor sua opinião
sobre os mais variados assuntos, de guerra fiscal ao sistema
de classificação das medalhas
olímpicas. Esta espécie de hobby lhe rendeu a publicação de
dois livros: “A arte de reclamar” e “Delito de Opinião”, onde estão reunidas as cartas escritas de 1974 a 2009, inclusive
as que não foram publicadas.
No entanto, o empresário,
que é filho de Thomaz Carvalho, fundador da Drogaria São
Paulo, surpreende ao não fazer
qualquer queixa sobre a fusão
entre Drogasil e Droga Raia,
transação que, se concluída, vai
tirar a sua companhia da liderança do varejo farmacêutico.
“Não só vai tirar como vai nos
deixar muito longe do primeiro
lugar”, diz Carvalho, fazendo referência ao faturamento de cerca de R$ 4 bilhões da nova líder
ante uma receita de R$ 2,3 bilhões da Drogaria São Paulo.
Caminho
Para continuar no jogo, Carvalho deve resgatar o antigo sonho de abrir o capital, objetivo
no qual vem trabalhando desde
1999, quando os balanços da empresa começaram a ser auditados. “Devemos chegar à bolsa
de valores no final do ano que
vem”, diz. Em 2010, a companhia comprou as 72 unidades do
Drogão e atualmente possui 350
pontos de venda, metade da rede formada por Drogasil e Raia.
“Será muito difícil para a
Drogaria São Paulo ganhar esta
musculatura somente por meio
da abertura de novas unidades.
O jeito é realmente se capitalizar para fazer aquisições”, afirma Mauricio Morgado, professor do Centro de Excelência
em Varejo da Fundação Getulio
Vargas (FGV). A Drogaria São
Paulo tem aberto uma média
“
A fusão da Drogasil
com a Droga Raia
não só vai tirar
como vai nos deixar
muito longe do
primeiro lugar
Ronaldo Carvalho
de 20 farmácias por ano.
“Quando abrirmos o capital, este número vai ter de subir para, pelo menos, 50 inaugurações anuais”, diz Carvalho.
A rede de farmácias Pague
Menos, com 400 unidades, é outra que em breve deve partir para forte expansão. A empresa já
anunciou sua intenção de colocar ações no mercado. Para Nuno Fouto, coordenador de pesquisa do Programa de Administração de Varejo (Provar) da FIA/
USP, a Panvel, com 270 lojas no
Sul do país, é uma das redes que
deve ser bastante assediada para novos movimentos de fusão e
aquisição. “É uma empresa competente que conseguiu construir uma rede forte”, afirma.
Concorrentes de peso
Não são apenas as empresas focadas exclusivamente em farmácias que estão fortalecendo
suas posições. As redes supermercadistas, aos poucos, conquistam posição significativa
neste segmento. O grupo Pão
de Açúcar iniciou uma reestruturação em suas drogarias. A
companhia está aumentando a
área de vendas das unidades,
além de reforçar o sortimento
de produtos, principalmente
de beleza e perfumaria.
Segundo o grupo, nas cinco
unidades onde as mudanças foram realizadas, as vendas aumentaram mais de 50%. Antes, as drogarias do grupo Pão
de Açúcar ofereciam, em média, 7 mil itens. Com a expansão, esse número subirá para 9
mil. As transformações serão
implementadas nas outras 147
lojas da rede no perído de dois
anos. No Walmart também há
novidades a caminho. Na semana passada, a companhia
informou ao BRASIL ECONÔMICO
que está desenvolvendo um
projeto de comércio eletrônico para suas farmácias das bandeiras Big e BomPreço.
No primeiro semestre deste
ano, o faturamento das 26 maiores redes de farmácias do país
chegou a R$ 9,57 bilhões, alta
de 19,61% em relação ao mesmo período do ano passado, de
acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e
Drogarias (Abrafarma). ■
DROGARIA SÃO PAULO
R$
2,3 bi
foi quanto a Drogaria
São Paulo faturou em 2010.
Para este ano a expectativa
é crescer 20%.
DROGASIL E RAIA
R$
4 bi
será a receita da nova
companhia formada a partir da
fusão entre Drogasil e Raia.
Juntas, as empresas compõem
uma rede de 708 farmácias.
SEGMENTO
R$
17 bi
é quanto venderam as
20 maiores redes de farmácia
em 2010, alta de 18% na
comparação com o ano anterior,
de acordo com a Abrafarma.
Para a
Entidade representante dos
Thais Moreira
[email protected]
A fusão entre a Drogasil e a Droga Raia , que estão entre as cinco maiores do segmento no ranking da Abrafarma, é vista como um movimento de consolidação do varejo farmacêutico.
Segundo o mercado, é possível
que ocorram novas fusões no
segmento, além do crescimento
em número de lojas das redes,
como a Drogaria São Paulo e a
Pague Menos, as duas primeiras do ranking, que preparam a
abertura de capital até 2012.
“Essa movimentação é interessante porque os recursos
destas empresas com o IPO
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 19
Owen Franken/Bloomberg
Casino mantém planos com Pão de Açúcar
O presidente-executivo do Casino, Jean-Charles Naouri, disse que
o grupo francês planeja exercer a opção de assumir o controle do
Grupo Pão de Açúcar em 2012. A importância do Brasil e de mercados
emergentes no geral foi realçada no lucro operacional do Casino
de ¤ 571 milhões no primeiro semestre, contra previsão de analistas
de ¤ 580 milhões. O lucro nas operações internacionais disparou
55% e representou mais da metade do resultado do grupo francês.
Murillo Constantino
Ronaldo Carvalho, presidente
do conselho da Drogaria São
Paulo: crescimento em ritmo
mais acelerado para fazer
frente a novo líder
Abrafarma, consolidação é benéfica
varejistas acredita que formação de redes maiores fortalece a capacidade de negociação e poder reduzir os preços ao consumidor
vão possibilitar um crescimento maior em número de lojas
para as redes e este crescimento pode fazer com que elas tomem o espaço das pequenas”,
afirma Iago Whately, analista
do Banco Fator.
O faturamento em vendas
do segmento farmacêutico superou R$ 17 bilhões em 2010,
18,03% a mais do que 2009, de
acordo com a Abrafarma (Associação Brasileiras de Redes de
Farmácias e Drogarias). Para
Sérgio Mena Barreto, presidente da entidade, com a fusão as
duas empresas assumem um
primeiro lugar inequívoco,
com R$ 4 bilhões em vendas e
o segundo com cerca de R$ 2,3
bilhões. “Não vejo a união da
Drogasil com a Droga Raia tão
impactante, pois existe aumento de demanda de mercado
com a expansão da classe média e eles são excelentes operadores em termos de estratégia e
têm boa estrutura de pontos de
vendas”, afirma. Para o consumidor, ele acredita que o negócio também é benéfico. “Com a
facilidade de negociação em termos de volume da nova rede,
os preços devem ser melhores
para os clientes”,diz.
Pequenas devem rever formato
Segundo Nuno Fouto, coordenador de pesquisa do Programa de Administração de Varejo
Movimento de
consolidação deve
fortalecer o papel
das cooperativas
como estratégia
de resistências das
redes menores
(Provar/Ibevar) da FIA-USP, o
caminho para as pequenas redes é formatar o modelo de negócios das cooperativas, criadas há mais de dez anos. “Esta
é a forma mais inteligente de
conseguir capilaridade, pois
conseguem, assim, uma boa
distribuição e escala. O estilo
tradicional de farmácia tende a
desaparecer”, diz.
Dados da Abrafarma mostram o crescimento de 20% do
segmento ao ano, o que, segundo o presidente, dobrou nos últimos cinco anos e deve dobrar
novamente até 2015. Ou seja,
existe espaço para o crescimento das grandes e as pequenas,
desde que fiquem atentas aos
movimentos, “Temos recebido
visitas de novos investidores,
além dos estrangeiros, que já começam a olhar para este mercado com mais interesse. Nós estamos num grande movimento e
esta fusão representa apenas
uma parte dele”, finaliza. ■
MARINHA DO BRASIL
CENTRO DE INTENDÊNCIA DA
MARINHA EM SÃO PEDRO DA ALDEIA
AVISO DO PREGÃO ELETRÔNICO
(SRP) Nº 003/2011
OBJETO: Aquisição futura de material de consumo
para manutenção de bens imóveis/instalações e
material químico.
EDITAL: Disponível a partir do dia 29/07/11 no sítio
www.comprasnet.gov.br.
Recebimento das propostas de preços até às 10h do
dia 10/08/11; e
Sessão pública: aberta às 10h do dia 10/08/11 (horário
de Brasília/DF).
20 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
EMPRESAS
Ag. Minas
VAREJO
ENERGIA
Supermercados não têm previsão de
aumento de vendas até o fim do ano
Banco Interamericano de Desenvolvimento
abre crédito para usinas hidrelétricas
Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados, as
vendas medidas em volume cresceram 3,4% entre janeiro e junho na
comparação com o primeiro semestre de 2010. O aumento foi quase
duas vezes menor que no mesmo período do ano anterior, com alta de
6,5%. Embora o segundo semestre seja mais forte para o varejo, não
deve contribuir neste ano para uma aceleração do ritmo de vendas.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou um crédito
de R$ 128 milhões que será usado pelo Brasil para renovar duas usinas
hidroelétricas e dar a elas 30 anos de vida útil adicional. As centrais que
passarão por reformas são Furnas e Luís Carlos Barreto de Carvalho,
que iniciaram suas operações em 1963 e 1969, respectivamente, e
já cumpriram com sua vida útil projetada inicialmente para 30 anos.
EDP Brasil lucra R$ 316 milhões no
semestre e geração ganha espaço
Divulgação
Companhia aponta
ativos no país
como “valiosos”
e descarta nova
venda de parte do
capital na região
Priscila Machado
[email protected]
Os resultados da EDP Energias
do Brasil mostram a importância estratégica do país para os
negócios do grupo. No primeiro semestre, o lucro líquido da
companhia cresceu 2,5% ante
igual período de 2010, somando R$ 316,5 milhões. Se não
fosse pelo litígio judicial da
Bandeirante — a distribuidora
provisionou R$ 77,4 milhões
devido a uma disputa jurídica
com a White Martins —, o lucro seria de R$ 179,9 milhões
no segundo trimestre, uma alta de 32%, o que elevaria o resultado semestral. A receita líquida no primeiro semestre
foi de R$ 2,7 bilhões,com crescimento de 12,4%.
A subsidiária brasileira representa 21% dos resultados
globais da EDP. De acordo
com o diretor-presidente da
Energias do Brasil, António Pita de Abreu, quando a companhia realizou a venda de 14%
do capital da EDP Brasil (reduzindo sua posição na controlada brasileira de 64,8% para
50,8%), no início do mês, houve uma procura quatro vezes
maior que a oferta. “Isso significa que o país é valioso para a
EDP ”, diz. Mesmo com o sucesso da operação que gerou
R$ 800 milhões ao caixa da empresa, o executivo descarta
uma nova venda de ativos. “A
política da EDP é a de continuar como a controladora da
Energias do Brasil”, afirma.
Quando o assunto é a venda
da participação de 20% do grupo EDP por parte do governo
português, Pita, que também é
membro do Conselho de Administração do grupo, prefere não
manifestar preferência em relação a um possível comprador.
Além de Eletrobras e China Po-
António Pita de
Abreu, presidente
da Energias do
Brasil: alta de 12%
na receita líquida
“
A política da EDP
é a de continuar
como controladora
da Energias do Brasil
António Pita de Abreu
wer, empresas alemãs e árabes
estariam interessadas.
Para salvaguardar as decisões
de um setor nacional importante, o governo português deverá
anunciar uma série de pré-condições aos investidores internacionais. Entre as exigências, devem figurar a manutenção da sede em Portugal e de executivos
do país na gestão, além da manutenção de negócios estratégicos, onde o Brasil se inclui.
Apesar de ter investido mais em
distribuição (R$ 145,6 milhões)
que em geração (R$ 136,6 milhões) no primeiro semestre, esta
última área ganha cada vez mais
espaço no mix da companhia no
Brasil e já tem uma participação
de 47%. Pita não esconde que a estratégia é crescer em geração e
continua prospectando negócios
na área. A termelétrica de Pecém,
em parceria com a MPX Energia,
está em fase final de construção e
entra em operação em 2012. A hidrelétrica de Santo Antônio do Jari terá capacidade ampliada em
60 megawatts (MW).
A companhia também acaba
de inaugurar o parque eólico de
Tramandaí (RS) com potëncia
de 70 MW e inscreveu no leilão
A-3 um projeto de termelétrica
a gás de 500MW. ■
EXPANSÃO
Jari
Recém-adquirida pela EDP,
a hidrelétrica teve seu
projeto de expansão aprovado
pela Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel).
Segundo despacho da
superintendência de gestão
e estudos hidroenergéticos
do órgão regulador, publicado
ontem no Diário Oficial da União,
a usina terá 373,4 MW, ante os
300MW previstos anteriormente,
utilizando uma área de
31,7 quilômetros quadrados
para seu reservatório.
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 21
Cesar Ogata
RESULTADO
TECNOLOGIA
Lucro da International Paper é maior
que o esperado no segundo trimestre
Ministro Mercadante prevê Natal dos
tablets e promete produto mais barato
A International Paper lucrou mais que o esperado no segundo
trimestre, à medida que os maiores preços em seu negócio de
embalagens e papéis ofuscaram uma queda no volume. As reservas em
caixa da companhia saltaram 16% o para US$ 2,4 bilhões. O presidente
executivo da IP, John Faraci. disse que está aberto para maiores
gastos na América do Norte, mas precisa ver retorno na demanda.
A partir de setembro deve chegar os primeiros tablets já fabricados
no país, com 20% de componentes nacionais. A previsão é do ministro
da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, Ele calcula que os tablets
poderão custar até 40% menos. “No Natal vai ter muito tablet barato
e em todas as opções para o consumidor. Acho que nós vamos ter um
belo momento na indústria da computação no país”, disse Mercadante.
Henrique Manreza
ESTRATÉGIA
✽
●
Global Hotel Alliance
quer acordo com Tam
Uma parceria com a empresa
área Tam também está nos
planos da Global Hotel Alliance
(GHA). “Ainda este ano
planejamos ter uma aproximação
formal com a companhia em
busca de um acordo de benefício
mútuo para os clientes do hotel
e da Tam, com serviços especiais
e conversão de milhas em
hospedagem, por exemplo”, diz
Christopher Hartley, presidente
da GHA. O grupo tem este tipo de
parceria com outras 16 empresas
aéreas que fazem parte da Star
Alliance, assim como a brasileira.
Christopher Hartley, presidente da GHA,
acredita que o Brasil tem grande
potencial como emissor de turistas
Hotéis de luxo caçam clientes no país
Rede italiana Lungarno entra no grupo Global Hotel Alliance para aproveitar expansão expressiva dos mercados emergentes
Mariana Celle
[email protected]
Uma nova marca passa a fazer
parte do grupo de hotéis de luxo
Global Hotel Alliance (GHA) este mês. A rede italiana Lungarno Collection, que ainda não tinha operações no Brasil, firmou
parceria com a intenção de
atrair mais turistas do país. “O
Brasil e outros países emergentes são os que têm maiores potenciais de crescimento no segmento de luxo para a próxima
década”, afirma Christopher
Hartley, presidente da GHA.
A operação com a Lungarno,
que possui sete hotéis, todos na
Itália, foi iniciada há duas semanas e é a 15ª marca do grupo.
“Para redes pequenas é interessante fazer parte de um grupo
que possa auxiliar na captação
de clientes potenciais em outras
partes do mundo”, diz Hartley.
Com o acordo, hóspedes brasileiros poderão fazer reservas pelos
hotéis Tivoli, que também fazem parte do grupo GHA, e possuem instalações no Brasil.
O Discovery Card, um cartão
fidelidade que oferece descontos e experiências exclusivas pa-
Os gastos de turistas
brasileiros no
exterior subiram 44%
e somaram US$ 10, 18
bilhões no primeiro
semestre deste ano,
segundo o Banco
Central, enquanto os
estrangeiros geraram
receita de US$ 3,37
bilhões para o país
ra os hóspedes, lançado em junho do ano passado, tem sido
usado como uma das ferramentas de atração de turistas brasileiros. “Ele pode ser usado em toda
a rede da GHA e fez com que o
número de reservas para brasileiros aumentasse 75% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de
2010.” Hoje o grupo tem 300 hotéis distribuídos em 52 países.
O cartão possui atualmente
1,7 milhão de membros. “Esperamos ter entre 30 e 40 mil brasileiros portando o cartão até 2012”
afirma o presidente da GHA que
garante que hoje o país tem cinco vezes mais adeptos que o restante da América Latina. “Esta é
outra razão que faz com que pequenas redes estrangeiras, como
é o caso da Lungarno, se interesse em fazer parte do grupo, pois
com o uso do cartão, o turista
tem acesso facilitado aos nossos
estabelecimentos e oportunidade de conhecer outros destinos
de acordo com sua pontuação.”
Os números apontam que a intenção é coerente. Os gastos de
turistas brasileiros no exterior subiram 44% e somaram US$ 10,18
bilhões no primeiro semestre
deste ano, segundo o Banco Central. Em contrapartida, turistas
estrangeiros geraram receita de
US$ 3,37 bilhões para o país. Apesar da alta de 14,89% em relação
aos seis primeiros meses de
2010, o Brasil tem gastado três vezes mais no exterior que os estrangeiros por aqui.
Projetos
A GHA tem hoje 30 hotéis na
China, oito na Índia, cinco na
Rússia e dois no Brasil. “Nosso
crescimento aqui continuará a
ser sustentado pelo acordo
com a Tivoli e não pretendemos buscar novos parceiros”,
diz o presidente da GHA. Apesar da parceria de sete anos
com a rede portuguesa, outras
marcas que já fazem parte do
grupo têm direcionado esforços para ter presença no país.
A rede alemã Kempinsk, com
quase 115 anos de tradição, é
uma delas. “São Paulo seria um
bom destino de negócio e o Rio
de Janeiro,para lazer, atrativo
para nossos consumidores alemães”, diz Reto Wittwer, presidente da Kempinsk. ■
MARINHA DO BRASIL
CENTRO DE OBTENÇÃO DA MARINHA
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End. Av. Brasil 10.500/Olaria/ Rio de Janeiro, RJ - Tel. (21) 2101-0814 ou Fax
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Acesso ao Edital no site-www.comrj.mar.mil.br
22 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
ESPORTES
Editora: Rita Karam [email protected]
Subeditoras: Estela Silva [email protected]
Isabelle Moreira Lima [email protected]
Crise política
marca sorteio das
Eliminatórias
Presidente Dilma e o governador Sérgio Cabral devem usar evento
para criar agenda positiva após escândalos e problemas de gestão
Ricardo Rego Monteiro
[email protected]
Engolfado por uma maré de
más notícias e com a popularidade em baixa desde a revolta dos
bombeiros por baixos salários
no Rio de Janeiro, em maio, o
governador Sérgio Cabral terá
amanhã, com o sorteio dos grupos das Eliminatórias da Copa
do Mundo de 2014, a oportunidade de deflagrar uma estratégia de reversão da agenda negativa que tomou conta do Palácio
Guanabara nos últimos meses.
Com a presença já confirmada
da presidente Dilma Rousseff, o
evento seria mais uma efeméride na agenda do Comitê Organizador da Copa, não fosse a expectativa criada pelo mal-estar
alimentado desde as últimas declarações à imprensa do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Para fechar o quadro, na
coletiva de imprensa realizada
quarta-feira no Rio pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, o
tema central foram as denúncias de corrupção na entidade
máxima do futebol mundial.
Rousseff, que fazia suspense
sobre sua presença ou não no
evento, para evitar a exposição
ao lado de Teixeira, também deve utilizar o sorteio para recriar
uma agenda positiva em torno
da Presidência, após os escândalos recentes de corrupção que
derrubaram a alta cúpula do Ministérios dos Transportes.
Marcada por atrasos nas
obras de infraestrutura do evento, a Copa 2014 até agora tem levantado questionamentos de especialistas não só quanto ao poder quase absolutista de Teixeira, como também pela falta de
transparência na condução da
parcela pública do empreendimento. Pior dos problemas, admitido por empresários, políticos e até pelo presidente da
CBF, as precárias condições de
aeroportos das cidades-sede
têm contribuído para alimentar
o até agora confuso processo de
privatização dos terminais de
“
O grande problema
é a Copa tornar-se
mais um item dessa
agenda negativa
do Cabral; esse
evento também
pode representar
uma verdadeira
armadilha, caso
a organização não
saia a contento
Geraldo Tadeu Monteiro
Professor do Instituto
Universitário de Pesquisas
do Rio de Janeiro
Brasília, Belo Horizonte, Rio de
Janeiro e Campinas (SP).
Mesmo a construção de estádios, que mobiliza recursos do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também não escapa às críticas. Seja pelo atraso e carestia
nas obras, seja pelo envolvimento de dinheiro público em um
evento prometido como inteiramente privado ainda em 2007,
quando o Brasil foi escolhido pela Fifa. Por essas e outras, especialistas como o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), alertam para o risco
de o tiro sair pela culatra para todos os atores políticos envolvidos - inclusive Cabral.
“O grande problema é a Copa
tornar-se mais um item dessa
agenda negativa do Cabral; esse
evento também pode representar uma verdadeira armadilha,
caso a organização não saia a
contento”, adverte Monteiro.
“Há atrasos nas obras dos aeroportos e dos estádios, que têm
alimentado críticas da oposição. Caso isso persista, é possível vermos um movimento do
governo federal para assumir
maior protagonismo na organização. O problema é que o governo federal também tem o dever de casa atrasado, uma vez
que é o responsável pelos aeroportos, por exemplo. Também
não está com essa moral toda.”
Durante seminário apoiado
pelo BRASIL ECONÔMICO, em dezembro do ano passado, o
presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Silva
Júnior, advertiu que a demora
do governo em ampliar os aeroportos do país e a inviabilidade
financeira de alguns dos estádios previstos representam problemas que deveriam, no mínimo, reduzir de 12 para oito o número de sedes do evento. O
diagnóstico, que já seria preocupante por si só, veio acompanhado, na ocasião, do veredito
do então-deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), responsá-
vel na Câmara, na ocasião, pela
fiscalização dos investimentos
públicos na Copa.
Para o então parlamentar,
que não conseguiu se reeleger,
a presidente Dilma Rousseff deveria procurar a Fifa para propor uma espécie de revisão das
exigências para o evento. Para
Torres, uma das principais preocupações - se não a maior -, seriam os investimentos previstos pela Infraero na ampliação
dos aeroportos.
Com relação aos estádios, o
deputado lembrou que auditoria do Tribunal de Contas da
União (TCU) identificou falta de
viabilidade econômico-financeira em estádios de pelo menos
seis sedes: Cuiabá, Manaus, Natal, Brasília, Fortaleza e Recife.
De acordo com o parlamentar,
dos R$ 6,3 bilhões previstos em
investimentos, na ocasião, nas
novas arenas esportivas, metade não terá retorno. Ou por falta de público que assegure receita depois da Copa, ou por falta
de recursos privados. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 23
Carlos Moraes/O Dia
Maracanã confirmado na final da Copa 2014
A Federação Internacional de Futebol (Fifa) confirmou ontem que o
Maracanã será o palco da final da Copa do Mundo de 2014, informou
o secretário-geral da organização, Jerome Valcke. “A final já é
evidente, embora pensemos que há muitas cidades que poderiam
sediar a decisão. Esse estádio (Maracanã) já recebeu a final 61 anos
atrás. O que temos que decidir agora é (onde serão) as semifinais
e o jogo de abertura”, disse Valcke.
Nacho Doce/Reuters
Ricardo Teixeira,
presidente da CBF:
presença incômoda
após declarações
polêmicas como
todo-poderoso
da Copa
Copa terá impacto de
1,5 ponto percentual
no PIB em três anos
Estudo do Itaú Unibanco estima que o evento, que será realizado no Brasil
em 2014, vai criar pelo menos 250 mil empregos diretos em vários setores
A realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil terá um
impacto positivo de 1,5 ponto
percentual no Produto Interno
Bruto (PIB) do Brasil nos próximos três anos, com criação de
ao menos 250 mil empregos diretos em diferentes setores da
economia, segundo estimativa
apresentada nesta quinta-feira num evento oficial da Fifa.
Em um estudo sobre os impactos econômicos da realização do primeiro Mundial no
país desde a Copa de 1950, o
economista-chefe do Itaú Unibanco, Illan Goldfajn, disse
que os investimentos públicos
e privados para o evento vão
alavancar o PIB e abrirão caminho para uma expansão ainda
maior da economia brasileira
no longo prazo.
“O impacto direto dos gastos, tanto na infraestrutura
quanto os gastos do setor privado, dá 1% do PIB, e o resto
vem do efeito da multiplicação. Quando um investimento
é feito para a Copa tem o efeito
de se multiplicar na economia”, disse Goldfajn em entrevista coletiva na Marina da
PONTOS MARCANTES DA CRISE
●1
2
●
Estádios privados se
tornam públicos
Infraestrutura de
transportes
A construção de estádios,
que mobiliza recursos do Banco
Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES),
recebe críticas pelo atraso
e pelo envolvimento de dinheiro
público em um evento prometido
como inteiramente privado.
As precárias condições de
aeroportos das cidades-sede
têm contribuído para alimentar
o confuso processo de
privatização, pelo menos
até o momento, dos terminais
de Brasília, Belo Horizonte,
Rio de Janeiro e Campinas (SP).
O governo federal
tem orçamento
previsto de
US$ 20,6 bilhões
em investimentos
nos estádios,
aeroportos,
infraestrutura de
transportes e
comunicação,
entre outras áreas
Glória, onde acontecerá amanhã o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo - primeiro grande evento do Mundial do Brasil.
Orçamento gordo
O governo federal tem orçamento previsto de US$ 20,6 bilhões em investimentos nos estádios, aeroportos, infraestrutura de transportes e comunicações, entre outras áreas ligadas diretamente ao Mundial.
Os investimentos privados se
concentram no setor turístico, principalmente construção de novos hoteis.
O Banco Central estima crescimento de 4% no PIB neste
ano. Para o ano que vem, pesquisa realizada pelo BC junto
ao mercado financeiro, aponta
crescimento de 4,1%. No ano
passado, a economia brasileira
expandiu-se 7,5 %.
A melhoria da infraestrutura
brasileira como um todo será
importante para o Brasil ter
margem de crescimento e combater a inflação nos anos seguintes à realização do Mundial, avalia Goldfajn. ■ Reuters
24 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Divulgação
Andaime
turbo
A cidade de Três Lagoas,
no Mato Grosso do Sul,
está transformada em
um dos maiores canteiros
de obras do Brasil.
Com o início dos
preparativos para a
construção de
megaprojetos como o
complexo de celulose
Eldorado, a indústria
de fertilizantes da
Petrobrás e a Siderúrgia
Três Lagoas (Sitrel),
da Votorantim e
controladores da
Grendene, o município
tem recebido em
média 1,5 mil operários
por semana. São
trabalhadores oriundos
de várias regiões do
Brasil. Estima-se que,
em breve, haja 16 mil
operários espalhados
em canteiros de obras
na cidade. O número
deve ser encorpado,
se for confirmada
a segunda fábrica da
Fibria na cidade.
Troca de marcha
Os italianos ficaram com os brios
arranhados com uma encomenda feita
pelos Carabinieri, a polícia nacional, para
reforçar a frota de carros da corporação.
Apesar do país ser terra de algumas das mais
reluzentes marcas automotivas do mundo,
a força policial da Itália importou unidades
do super esportivo inglês Lotus Evora S.
Os carrões, que chegam a alcançar 275
quilômetros por hora, serão usados pela
divisão Arma no patrulhamento de Roma e
Milão, duas das maiores cidades italianas.
Equipado com a tecnologia de
reconhecimento de voz mais avançada
da praça, o Evora é o modelo mais
moderno da montadora inglesa.
A direção da Carabinieri assegurou que
não é qualquer policial que vai dirigir
as máquinas. A corporação diz ter feito
uma cuidadosa seleção de agentes
autorizados a pilotar os carros. Os agentes
selecionados teriam até recebido
treinamento especial na pista de provas
da Lotus em Hethel, na Inglaterra.
Juan Mabromata/AFP
Pinote no balcão
Mais uma grife do varejo
internacional estaciona no Brasil.
Até o final do ano, deve ser
aberta no Rio de Janeiro a
primeira unidade da Ferrari Store
no país. A bandeira vende roupas
e outros acessórios da grife
italiana. A unidade carioca será
a flagship da Ferrari Store
no Brasil, onde a marca está
chegando pelo Grupo Via Itália,
importador oficial dos veículos
da Ferrari no mercado brasileiro,
que conquistou a licença.
Extensão telefônica
Um decreto prestes a ser assinado
pela presidente Dilma Roussef
para beneficiar famílias de baixa
renda deve também impulsionar
as vendas de aparelhos telefônicos.
O programa de telefonia fixa para
integrantes do Bolsa Família prevê
que o plano mensal de 90 minutos
custe apenas R$ 9,50 sem os
impostos e deve aumentar para
13 milhões o número de pessoas
com acesso à telefonia fixa. De
olho na oportunidade, a Intelbras
planeja ampliar a produção dos
modelos mais simples.
“Já acabei”
Anders Behring Breivik,
autor do massacre que matou
76 pessoas na Noruega,
ao entregar-se à polícia.
“Anders é uma
pessoa muito
calculista, fria
einteligente.
E se preparou
para isso há muito
tempo. Leva uma
vida paralela:
as pessoas ao seu
redor pensam
que é uma pessoa
normal, mas é
completamente
maléfico”
Janne Kristiansen, diretora
do Serviço de Segurança
da Polícia (PST) norueguesa.
Olhes para mim,
Argentina
Buenos Aires, na
Argentina, ganhou
nesta semana um retrato
gigante de Evita Peron,
o mais famoso ícone
político do país.
O retrato foi instalado
na fachada do prédio
no qual funciona o
Ministério da Saúde e
Desenvolvimento Social,
com o rosto mirando
a Avenida 9 de julho,
eixo viário de referência
na metrópole portenha.
Pelo estilo da obra e
por sua localização, o
tributo lembra o mural
em homenagem a Ernesto
Che Guevara que se
sobressai na fachada
do Ministério do Interior,
em frente à Praça da
Revolução, em Havana,
capital de Cuba.
Com 31 metros de altura
e 24 de largura, a obra
foi confeccionada em ferro
pelo artista argentino
Daniel Santoro e pesa
15 toneladas.
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 25
MARCADO
Boa safra
A Ville du Vin de Alphaville, em São Paulo, acaba de
ser eleita a quinta melhor loja de vinhos do mundo pela
revista La Cav, principal revista de vinhos do Chile.
A escolha foi baseada em uma pesquisa com executivos de vinícolas
chilenas que exportam e visitam estabelecimentos em vários
países. A loja é a única brasileira eleita entre as dez melhores,
superando marcas como a Sotheby's Wine, de Nova York.
● A Câmara Ítalo-Brasileira de
Comércio, Indústria e Agricultura ,em
parceria com o Sebrae-SP, lança, dia
1º de agosto, em São Paulo, a 2ª edição
do Selo de Qualidade Ospitalità Italiana.
A ação visa valorizar a cultura
gastronômica da Itália e garantir o
padrão de qualidade Made in Italy.
[email protected]
Divulgação
Sertão country
GIRO RÁPIDO
Chutes na
prancheta
O maior campeonato de montaria
em touros do Brasil e do mundo,
o Brahma Super Bull PBR, chegou
à Bahia. Desde ontem, o estado
recebe a 1ª grande festa de peão
do Nordeste, em Juazeiro. Além
das famosas competições, o evento
reúne grifes da música sertaneja,
como Luan Santana e Victor e Léo.
Depois de anunciar de perfumes
a cuecas, o craque inglês David
Beckham, 36 anos, engrossou a
fileira de celebridades que trocou
o papel de garoto-propaganda
pela função de designer.
O astro britânico de futebol
vai lançar sua própria linha de
roupa íntima, em bate-bola com
a gigante sueca de varejo H&M.
As cuecas criadas por Beckham
serão vendidas nas 1,8 mil lojas
da H&M em 40 países, a partir
do início do ano que vem.
O lançamento da coleção
está sendo programado para
fevereiro, às vésperas do
Valentine´s Day, o dia dos
namorados do Hemisfério Norte.
O ex-jogador do Real Madrid
e do Manchester United, que
atualmente atua no Los Angeles
Galaxy (EUA), revelou que as
peças foram desenhadas em
dobradinha com seu sócio,
Simon Fuller, manager de
famosos como Lewis Hamilton,
Annie Lennox e o próprio
Beckham. Fuller também
é célebre como criador
do programa de televisão
American Idol.
Rede industrial
A Confederação Nacional da
Indústria (CNI) também embalou
na febre dos sites de compras
para baratear custos. Lançado
há pouco mais de um mês,
o portal de compras corporativas
www.clubeindustria.com.br
passou de 40 para 70 empresas
anunciantes, entre as quais
grandes multinacionais, como
Serasa Experian e HSBC. Outras
160 empresas estão em negociação
para lançar suas ofertas no site.
Transformers
Com a esperada demanda por
hospedagem no Rio durante os
próximos eventos esportivos do
país, até os motéis da cidade estão
investindo em modernização,
para atuar em hotelaria. Segundo
o Sindicato de Bares, Hotéis e
Restaurantes do Rio de Janeiro,
dos 180 motéis da metrópole,
pelo menos 40 estão mudando
a decoração e se reestruturando,
para funcionar como hotéis.
Divulgação
Som na caixa
A TDK está trazendo para
o mercado brasileiro sua
nova linha de áudio.
Os produtos chegam ao país
no início de agosto.
Além de design moderno, os
equipamentos contam com alta
performance e tecnologia.
Mais um passo
A Arezzo comemora, amanhã,
a abertura de mais uma loja, no
Bosque Maia, em Guarulhos (SP).
Comunicação
O jornalista e apresentador
Marcelo Tas é um dos
palestrantes do 18º Festival
Mundial de Publicidade de
Gramado (RS), que acontece de
31 de agosto a 2 de setembro.
A palestra, focada em Redes
sociais: virtudes e efeitos
colaterais da nova comunicação
digital, será realizada no dia 02
de setembro.
Divulgação
Glamour na
passarela
O Mega Polo
Moda, o mais
importante
centro atacadista
de moda e
pronta-entrega
da América
Latina,
apresenta,
de 1º a 3 de
agosto,
a 11ª edição
do Coleções
Primavera/Verão
2011/12.
Com uma
cenografia
inspirada no
tema 'Moda,
Arte e
Movimento',
o evento contará
com estrelas
como Gianne
Albertoni,
Deborah Secco
e Ricardo Tozzi,
desfilando em
uma passarela
de 20 metros
de comprimento.
Chegada paulistana
A loja de acessórios MyGlos
inaugura, amanhã, seu
primeiro ponto na capital
paulista, no Shopping
Ibirapuera. Para 2012,
a marca espera abrir as
portas de mais 10 unidades,
sempre em cidades com
mais de 400 mil habitantes.
Divulgação
Cozinha colorida
Depois de colocar cor nas frigideiras,
a Tramontina está pintando mais
dois sisudos itens de cozinha.
O grupo multinacional brasileiro vai tirar do
forno em agosto pias e cooktops (fogões
embutidos) nas cores vermelho e branco.
A nova linha de produtos é comemorativa
ao centenário da empresa gaúcha e
será apresentada na Casa Brasil, evento
que ocorre em Bento Gonçalves (RS)
entre os dias 2 e 6 de agosto.
Com Karen Busic
[email protected]
Intimidade
A Nu.Luxe é uma marca
de lingerie da Universo
Íntimo e não da DuLoren,
como foi publicado ontem.
26 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
CULTURA
Brasil se rende à black music
Gênero que marcou o século XX passa por grande momento e chora a morte da “embaixadora” Amy Winehouse
Fotos divulgação
1
2
Dylan Martinez/Reuters
3
Priscilla Arroyo
[email protected]
A morte prematura de Amy Winehouse expôs ao mundo a importância da cantora britânica
para a renovação da legião de
fãs da música negra no mundo.
A voz e estilo da artista, que
cresceu ouvindo mestres do jazz, soul e funk, remetiam às
grandes cantoras negras, como
Nina Simone e Billie Holiday. O
álbum “Back to Black”, de
2006, a consagrou como sensação da Soul Music. “Muita gente
que ouviu o som de Amy Winehouse começou a se interessar por bandas antigas de soul,
com a mesma sonoridade. Ela
reviveu as raízes da Black Music”, diz Gilberto Yoshinaga,
editor do site Central Hip-Hop.
A importância da Black Music é essencial para a música do
4
“
Muita gente que
ouviu o som de Amy
Winehouse começou
a se interessar por
bandas antigas de
soul, com a mesma
sonoridade.
Ela reviveu as raízes
da black music
Gilberto Yoshinaga
Editor do site Central Hip-Hop
1. Um dos representantes
da música negra nacional,
Jorge Ben Jor, em apresentação
no festival Black na Cena
2. Considerado o pai do funk,
George Clinton foi o idealizador
da banda Parliament-Funkadelic
3. Seu Jorge agradou
o público cantando hits
como “Burguesinha” e
“Mina do Condomínio”,
4 A cantora Amy Winehouse
resgatou as raízes da
black music mundial
século XX, pois serviu de base
para vários estilos. O rock foi influenciado diretamente pelo
blues, e o eletrônico nada mais
é do que o redimensionamento
dos tambores africanos.
No Brasil não é diferente. A influência da música afro vem de
longe. Pixinguinha já fazia um
diálogo com o jazz em seus choros nos anos 1920. Lendas como
Tim Maia e Gerson King Combo
beberam diretamente na fonte
do soul e Jorge Ben Jor, que misturou todos os estilos possíveis,
desde o samba até o hip-hop,
formaram a cena Black brasileira, que hoje está em alta.
Prova disso é o primeiro festival de música negra, o Black na
Cena, que aconteceu em São
Paulo no último final de semana. Com uma programação variada reunindo artistas brasileiros e internacionais, ritmos co-
mo reggae, samba, funk e hiphop agradaram o público de todas as classes sociais.
O pai do funk, George Clinton, foi uma das atrações mais
esperadas e dividiu o palco com
a banda Public Enemy, considerada uma lenda do hip-hop
mundial, com suas letras que
abordam discussões políticas.
Seu Jorge, Sandra de Sá, Olodum e Carlinhos Brown foram
alguns dos artistas brasileiros
que também se apresentaram.
O hip-hop nacional mostrou
sua força e foi destaque no último dia de evento. A atração
mais esperada foi uma das principais bandas de rap do Brasil,
os Racionais. Para o professor
da PUC e pesquisador na área
de música, Amailton Magno de
Azevedo, o rap é um estilo rico,
pois dialoga com as memórias
rítmicas do Brasil. “ Alguns mú-
sicos têm dado passos bastante
interessantes para apimentar a
musicalidade negra urbana que
está sendo feita no Brasil”. Um
exemplo é o rapper Criolo, que
já faz música há mais de 20 anos
e traz influências do candomblé
e orixás nas suas rimas.
O festival consolidou o movimento que já acontece há muito
tempo na cena da música negra
brasileira. “O rap, por exemplo,
não chega às grandes mídias, a
troca de informações e divulgação dos trabalhos é feita de forma informal, na internet. Com
a mistura de estilos, diz Yoshinaga. O organizador do evento, Ricardo de Paula, afirma que o festival cumpriu as expectativas e
promete a segunda edição para
2012. “Esse evento abriu para o
grande público a cena Black nacional, ficamos bem satisfeitos
com o resultado”. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 27
Planeta Terra Festival tem 11 confirmações
The Strokes, Beady Eye, Peter Björn and John, Toro y Moi, Interpol,
Goldfrapp, Broken Social Scene, White Lies, Criolo, Garotas Suecas
e The Name são as atrações confirmadas para a quinta edição do
Planeta Terra Festival. O evento que acontecerá no dia 5 de novembro,
em São Paulo, reserva ainda o anúncio de mais quatro artistas.
O público esperado é de 20 mil pessoas e audiência pela internet é
de 4,5 milhões nas transmissões ao vivo, em HD e standard definition.
AGENDA
●Termina hoje a Mostra de
Cinema Uruguaio, com produções
locais recentes. O evento tem
acontecido no Instituto
Cervantes, em São Paulo, e exibe
hoje, as 19h30, o documentário
"El Círculo" (2008), de José
Pedro Charlo e Aldo Garay.
Divulgação
15º Festival de Cinema Judaico
reúne 40 produções
JAZZ
Filmes de ficção,
documentários e produções
especiais para TV são alguns
dos elementos do 15º Festival
de Cinema Judaico, que
acontece de dois a sete de
agosto, em São Paulo. A mostra
será exibida em seis salas de
cinema: Hebraica (duas salas),
Cinemark Higienópolis,
CineSesc, Centro de Cultura
Judaica e Livraria Cultura.
Gramática Íntima, vencedor
do Festival de Cinema de Miami
e dirigido por Nir Bergnam,
e Os Nomes do Amor, de
Michel Leclerc, estão entre as
40 produções disponíveis. M.C
Mostra internacional Warhol TV
será aberta hoje em São Paulo
A partir de hoje, até o dia sete de agosto, acontece o Bourbon Street Fest 2011,
nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e, agora, Brasília. Grandes nomes do jazz,
como Delfeayo Marsalis, irmão mais velho da família Marsalis que ainda tem os
músicos Wynton, Branford e Jason, estarão na nona edição do festival. O músico
fará uma apresentação gratuita com seu sexteto no dia sete, ás 16h, no Bourbon Street,
na capital paulista. No repertório uma releitura do álbum Such Sweet Thunder,
de Duke Ellington. Outra atração que acontecerá na cidade será de Amanda Shaw,
John Mooney e Ladies of Soul, no Parque Ibirapuera. Mariana Celle
Exposição coletiva Perturbo
inaugura galeria de arte Logo
A galeria de arte
contemporânea Logo inicia
suas atividades com a
exposição coletiva Perturbo.
Os trabalhos dos artistas
Alexandre Cruz (Sesper), Fabio
Zimbres e Walter Nomura
(Tinho) estarão abertos à
visitação a partir de amanhã,
às 11h até o dia 10 de
setembro, em São Paulo.
Os três nomes, com trajetórias
sólidas no underground
brasileiro, são pioneiros e
influentes em cenários como
o rock independente, o grafite,
a arte de rua e as histórias em
quadrinhos experimentais, mas
que mantiveram em paralelo
produções artísticas pensadas
para espaços de exposição. As
obras dessa coletiva inaugural
são influenciadas por técnicas
de manipulação digital de
imagens e pela cultura sonora
do sampler, onde composições
são feitas por meio de trechos
de outras músicas. O que
muda, nesse caso, é que a arte
se manifesta de forma física.
A curadoria é de Lucas Pexão
e Carmo Marchetti. M.C
Depois de passar pelo Rio de
Janeiro e Belo Horizonte,
chega a São Paulo a exposição
internacional Warhol TV,
que exibe trabalhos do artista
de arte pop Andy Warhol
(1928-1987) produzidos para a
televisão. A mostra acontece
até o dia 25 de setembro e tem
entrada gratuita no Sesc São
Paulo. Serão exibidos filmes e
vídeos que integram o acervo
do Museu Andy Warhol, em
Pittsburgh, nos Estados
Unidos. “A televisão de
Warhol é certamente o único
assunto ainda inexplorado na
obra deste artista demolidor
de tabus no mundo da arte”,
diz Judith Benhamou-Huet,
curadora e idealizadora da
mostra que já foi vista por
aproximadamente 30 mil
pessoas. Antes do Brasil,
os trabalhos televisivos de
Warhol foram expostos
na Europa, em Paris (2009)
e Lisboa (2010). A exposição
é patrocinada pela empresa
de telefonia Oi. M.C.
AGÊNCIA DE MODERNIZAÇÃO DA GESTÃO DE
PROCESSOS – AMGESP
AVISO DE ADIAMENTO DE LICITAÇÃO
*Processo: 4105-288/2011
Modalidade: Pregão Eletrônico n.º AMGESP-11.063/2011
Tipo: menor preço por item
Objeto: RP para eventual aquisição de condicionadores de ar destinado a Todo Estado.
Data de realização: 28 de julho de 2011 às 09:00 h.
A licitação acima descrita fica adiada para o próximo dia 11 de agosto em virtude de modificações ao termo de referência.
Disponibilidade: endereço eletrônico www.comprasnet.gov.br
Todas as referências de tempo obedecerão ao horário de Brasília/DF
Informações: Fone: 82 3315-3477, Fax: 82 3315-7246/7241
Maceió, 28 de julho de 2011.
KITERIA BLANCHE NASCIMENTO ALVES
Diretora Técnica de Logística
*Reproduzido por incorreção
28 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
FINANÇAS
NOSSO MAIOR
PRESTÍGIO
É CUIDAR DE VOCÊ.
Editora: Maria Luíza Filgueiras [email protected]
Subeditora: Priscila Dadona [email protected]
Valorização do dólar
não é risco inflacionário
Equipe econômica e economistas avaliam que as medidas cambiais anunciadas
na quarta-feira não serão suficientes para alimentar uma elevação nos preços
Ana Paula Ribeiro
[email protected]
As medidas tomadas pelo governo federal na área cambial não
devem atrapalhar o Banco Central na missão de tentar conter a
inflação. A avaliação de economistas é que as ações anunciadas até agora terão efeito apenas no curtíssimo prazo para
conter a apreciação do real e
não há risco da cotação do dólar
alimentar o aumento da inflação. Esse risco também não existe na visão da equipe econômica do governo. "As medidas coibem um movimento adicional
de apreciação do real, mas não
servem para apreciar o dólar significativamente", afirma o ecomista sênior do BES Investimento, Flavio Serrano.
O real forte tem dado uma
contribuição importante no controle do processo inflacionário.
A cotação do dólar em níveis baixos estimula a importação de
bens e a maior oferta de produtos no mercado interno limita o
espaço de elevações de preços.
Na avaliação de Serrano, mesmo que o real se desvalorize
frente ao dólar, é limitado o seu
efeito para uma alta de preços,
uma vez que os principais canais de alimentação da inflação
atualmente são a atividade econômica, as expectativas de inflação e a inércia. "O impacto do
câmbio é mais modesto hoje do
que foi no passado."
Esse, por sinal, é o entendimento do Banco Central. O diretor de Política Monetária, Carlos Hamilton de Araújo, já defendeu que a influência do repasse
da variação cambial hoje é bem
menor do que foi em outros momentos da economia.
Mesmo com a contribuição
menor, a equipe econômica chegou a avaliar quais seriam os riscos de uma mudança de rumo
do câmbio sobre a alta de preços. A discussão foi feita durante a elaboração das medidas
cambiais anunciadas na quartafeira passada, segundo uma fonte do governo.
A sócia-diretora da Kodja Investimentos, Claudia Kodja, reforça ainda que enquanto a taxa
de juros estiver no atual patamar — a Selic está em 12,5% ao
ano —,a economia brasileira con-
“
As medidas coíbem
um movimento
adicional de
apreciação do real,
mas não servem para
apreciar o dólar
significativamente
Flavio Serrano
Economista sênior do
BES Investimento
tinuará convivendo com o real
apreciado. "Vamos ter outras medidas. Aquelas anunciadas na
quarta-feira não são definitivas.
(...) Mas não tem risco para a inflação com essa taxa", diz, lembrando que a taxa de juros é atrativa ao capital estrangeiro.
E mesmo que no curto prazo
as medidas tenham efeito, a
avaliação de Claudia é que o
real já está tão valorizado que
"há espaço para uma elevação
na cotação do dólar sem prejuízo para a economia".
Ainda assim, o consenso entre os economistas é que com a
taxa de juros elevada não será
possível uma valorização da
moeda americana por um espaço prolongado de tempo. "Não
acredito que as medidas serão suficientes para reverter a tendência do dólar por um tempo significativamente longo a ponto de
pressionar a inflação para cima",
explica o economista chefe da
Austin Rating, Alex Agostini.
As medidas foram anunciadas
na quarta-feira e em dois dias o
dólar acumula uma alta de
1,84%. Ontem, a moeda americana fechou cotada a R$ 1,5663.
No ano, o dólar tem uma desvalorização de 5,98%.
Para os economistas, a situação do câmbio só será normalizada _com apreciações do dólar frente ao real_ quando os
problemas fiscais nos Estados
Unidos e Europa forem resolvidos e essas economias voltarem a elevar as taxas de juros, o
que poderá reduzir o fluxo de
capital para o Brasil. ■ Colabo-
SINAL DE ALERTA
Mantega recebeu aval de Dilma
assim que moeda bateu R$ 1,53
rou Simone Cavalcanti
No início da semana, quando o
dólar bateu R$ 1,53 o sinal de
alerta na cabeça do ministro,
Guido Mantega acendeu. Logo
após reunião do Conselhão, falou
com a presidente Dilma Rousseff
sobre sua preocupação com
a evolução da moeda e recebeu
dela a autorização para soltar
o que foi considerado um bom
arsenal sobre a "guerra cambial".
As medidas, é certo, estavam
sendo gestadas há um bom
tempo. No entanto, a alta cúpula
queria esperar, pelo menos,
que o impasse sobre o aumento
do teto da dívida dos EUA se
resolvesse. Havia um ponto de
tensão para soltar esse pacote.
O temor era de haver uma reação
muito ruim por parte do mercado.
Preocupações sobre a fuga de
capital e futuramente precisar
deles não estão contempladas: ao
menos intramuros do Ministério
da Fazenda pensa-se que a sorte
do Brasil é que haverá um longo
período de dinheiro farto.
Simone Cavalcanti, de Brasília
JURO FUTURO
AJUSTE NO CÂMBIO
Comportamento dos contratos de
juros negociados na BM&FBovespa
Após medidas do governo, cotações
mostram convergência, R$/US$
Jan/13
12,90
Jan/15
Futuro*
Jan/12
AO ANO
1,590
Comercial
Ptax
EM R$/US$
12,84%
1,575
12,75
12,69%
1,5600
12,60
1,567
1,566
1,565
12,45
12,47%
1,530
12,30
1/JUN
1,545
28/JUL
Fontes: BM&FBovespa e Brasil Econômico
14/JUL
28/JUL
Fontes: BM&FBovespa, BC e Brasil Econômico
*Contrato de agosto/2011
Claudia, da Kodja, aposta
em novas medidas: “As
anunciadas na quarta-feira
não são definitivas”
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 29
Divulgação
Cessão de crédito será monitorada pelo CMN
Os bancos serão obrigados a registrar a compra de carteiras de crédito
consignado em folha de pagamentos e de financiamento de automóveis
a partir de 22 de agosto, segundo decisão do Conselho Monetário
Nacional, anunciada ontem. O objetivo é dar transparência às
operações, o que pode levar a uma redução do custo de contratação.
Inicialmente só essas operações terão registro obrigatório.
O CMN pode estender a obrigação a outras modalidades de crédito.
AGENDA
● A inflação na Zona do Euro
será divulgada às 6 horas.
● No Brasil, às 8h, a FGV
informa a sondagem da indústria.
● Nos EUA tem PIB do segundo
trimestre às 9h30, PMI de
Chicago, e índice de confiança
do consumidor às 10h55.
Marcela Beltrão
Ciclo de alta
nos juros
perto do fim
Na ata, Copom entende que
o cenário para a inflação
mostra sinais mais favoráveis
O processo de elevação da taxa
básica de juros da economia se
aproxima do final. Após cinco
elevações que fizeram com que
a Selic chegasse a 12,5% ao ano
na semana passada - uma alta
de 1,75 ponto percentual durante o atual ciclo de aperto monetário, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixa claro que a inflação está em uma situação mais favorável. “O Copom entende que o
cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião,
mostra sinais mais favoráveis”,
diz a ata do encontro que elevou a Selic na semana passada.
Esse entendimento do Copom, aliado ao fato do comitê enfatizar que há uma piora no cenário externo que gera influência
ambígua sobre o comportamento da inflação doméstica, faz
com que alguns economistas
acreditem que não haverá mais
elevações na taxa de juros. “O comunicado foi claro. O BC está
confiante em não subir os juros”", diz o economista chefe da
Austin Rating, Alex Agostin.
O fim do atual ciclo de aperto monetário também não é
descartado pelo Itaú, que entende que a ata considera que
"a piora do cenário externo e a
maior convicção de que a atividade doméstica está desacelerando, em função das medidas
já implementadas, sugere a proximidade ou fim do processo
de ajuste nos juros", segundo
relatório assinado por Ilan Goldfajn e Caio Megale.
Para Flavio Serrano, economista sênior do BES Investimento, há também sinais claros na
ata divulgada ontem de que a
elevçação das taxas de juros está perto do fim, embora não esteja certo de que a taxa irá se es-
Para Copom,
o agravamento no
cenário externo
tem influência
ambígua sobre o
comportamento da
inflação doméstica
tabilizar em 12,5% ao ano. No
entanto, reforça que o BC já entende que a inflação chegará ao
centro da meta, que é 4,5% do
IPCA, até meados de 2013.
De acordo com a ata, em 2012
as projeções no cenário do BC e
do mercado aponta para uma inflação acima do centro da meta,
mas Serrano lembra que as medidas de política monetária levam um tempo para fazer efeito. A projeção do BES é que o IPCA chegará ao final do ano que
vem acumulando uma alta de
quase 5%. ■ A.P.R.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLEMENTINO FRAGA FILHO
SERVIÇO DE LICITAÇÕES E CONTRATOS
Rua Prof. Rodolpho Paulo Rocco, nº 255 - UFRJ - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro/RJ
Tel.: 2562-629707 - Fax: 2562-2207 - E-mail: [email protected]
AVISO DE LICITAÇÃO
PREGÃO ELETRÔNICO-SRP DATA
Nº 42/2011
12/08/11
HORA
10:00h
DESCRIÇÃO DO SERVIÇO
Aquisição de Aminofilina e outros
PROC. Nº
23079.005790/
2011-29
VALOR ESTIMADO
R$ 529.072,00
O Edital completo poderá ser obtido no sítio do COMPRASNET ou junto à SLC, trazendo um CD ou um Pen-drive. Os
esclarecimentos que se fizerem necessários poderão ser obtidos através dos telefones (21) 2562-6297 / 2562-2207 ou no
que couber no Serviço de Farmácia.
Obs.: O Edital referente ao Pregão nº 42/2011 estará disponível a partir de 29/07/2011.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2011.
Nelson Germano Peruchetti
Pregoeiro
30 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
FINANÇAS
Chris Ratcliffe/Bloomberg
BANCOS
BANCOS 2
Analistas projetam alta no lucro do
HSBC e banco mantém corte de vagas
Após lucro menor, Credit Suisse também
pretende cortar 2 mil postos de trabalho
O HSBC Holdings, maior banco da Europa, deve reportar lucro líquido
de US$ 8 bilhões no primeiro semestre do ano, de acordo com
estimativa de analistas consultados pela Bloomberg. A projeção
significa expansão de 18% sobre os US$ 6,76 bilhões registrados no
mesmo período do ano passado. O banco deve cortar 10 mil empregos
como parte do plano de redução de custos anuais de US$ 3,5 bilhões.
O banco suíço Credit Suisse anunciou ontem que vai suprimir 4%
de seus efetivos mundiais, ou seja, 2 mil postos de trabalho. A decisão
ocorre após o banco ter registrado uma forte queda nos resultados do
segundo trimestre. O lucro líquido do Credit Suisse no período de abril a
junho totalizou 768 milhões de francos suíços (US$ 957 milhões), o que
representa um recuo de 52% em relação ao mesmo período em 2010.
Proposta de
distribuição
valoriza fundo
imobiliário
Cota do BC Fund subiu após gestora propor
rendimento de 8%, em vez de previstos 6%
Mariana Segala
Divulgação
[email protected]
É recorrente ouvir dos especialistas no mercado de fundos
imobiliários — carteiras que
compram imóveis para ganhar
com aluguel — que os investidores precificam mal as cotas negociadas na BM&FBovespa. Os
brasileiros, dizem, dão atenção
demais aos dividendos distribuídos mensalmente. O valor de
mercado dos fundos, portanto,
tende a ser maior quanto mais
repasse de renda aos cotistas é
feito a cada mês. O movimento
recente das cotas do Brazilian
Capital Real Estate Fund I, lançado ao mercado no fim de 2010,
reflete claramente a tendência.
Bastou a gestora Brazilian Mortgages sugerir elevar a distribuição de rendimentos para o valor
das cotas subir. A proposta vai
para assembleia hoje.
As cotas do BC Fund, como é
conhecido, vieram a mercado
em dezembro valendo R$ 100.
De lá para cá, não chegaram a
cair abaixo disso, mas até fim de
junho não tinham passados dos
R$ 102. Na segunda quinzena de
julho, depois de publicado o edital
de convocação da assembleia,
as cotas atingiram até R$ 110, fechando ontem a R$ 105,40. “Essa alta já aconteceu na expectativa dos rendimentos”, avalia o
especialista em fu’ndos imobiliários da XP Investimentos,
Bruno Carvalho.
Distorção
Apesar da alta recente, o valor
de mercado está longe de refletir o portfólio do fundo. Ao contrário das carteiras mais tradicionais, que têm um ou poucos
imóveis, o BC Fund possui 13 e
se propõe a fazer “gestão ativa”
com a consultoria da Brazilian
Rossano Nonino
Diretor da
Brazilian Capital
“Valor de mercado dos imóveis
é de R$ 2 bilhões. Descontadas
dívidas de R$ 380 milhões,
o valor líquido chega a R$ 1,62
bilhão. Mas na bolsa o fundo
vale 25% menos que isso”
Capital. “Tratamos o BC Fund
como uma empresa aberta de investimento imobiliário”, explica o diretor da Brazilian Capital,
Rossano Nonino.
Justamente por isso o fundo
vem distribuindo rendimento
relativamente baixo aos cotistas — para fazer “sobrar” parte
da receita mensal, permitindo
novos investimentos. Pelo prospecto da carteira, a renda dos investidores neste ano seria de
6% sobre o valor das cotas. É
menos do que paga a poupança.
Em 2012, subiria para 7% e em
2013, para 8%. Só a partir de
2015 o fundo começaria a pagar
aos cotistas a receita integral,
prevista em no mínimo 15%.
Mas o desempenho do fundo
andou melhor que o estimado.
“Na época da oferta, os aluguéis
mensais eram de R$ 11,5 milhões. Após reajustamos os contratos de 60% do portfólio, a receita chegou a R$ 14,2 milhões”, diz Nonino. Como parte
da gestão ativa, o fundo fez dinheiro também vendendo parte
do Centro Empresarial de São
Paulo (Cenesp) por R$ 60 milhões e comprando, por valor semelhante, o Edifício Buriti, que
rende mais em aluguéis pagos
pela General Motors.
Por isso, a Brazilian Capital
propôs aos cotistas elevar a remuneração do fundo para 8% já
a partir de agosto, antecipando
o patamar previsto só para 2013
— o que merece análise dos investidores, segundo Carvalho,
da XP. “Liberando mais resulta-
do mensalmente, deve diminuir a parcela de recursos para
reinvestimento”, diz.
Espera-se que essa mudança, aliada ao trabalho de divulgação maciça do fundo, façam
subir o valor das cotas. Os imóveis da carteira somam valor
de mercado de cerca de R$ 2 bilhões, segundo a consultoria
Colliers International. Descontadas dívidas de R$ 380 milhões, resta um valor líquido
dos imóveis de R$ 1,62 bilhão.
Mas na bolsa, o fundo vale 25%
menos que isso, R$ 1,2 bilhão.
“Há um preconceito dos investidores com os fundos, de falta
de liquidez, mas temos carteiras que merecem um olhar criterioso”, avalia o especialista
Sérgio Belleza. ■
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 31
Hannelore Foerster/Bloomberg
LEILÃO
BOLSAS
Tesouro vende lote total de LTN, mas não tem
demanda por LFT com vencimento em 2016
Deutsche Boerse aumenta lucro no trimestre
com programa de redução de custos
O Tesouro Nacional vendeu ontem todas as 4,8 milhões de Letras
do Tesouro Nacional e as 500 mil Letras Financeiras do Tesouro
oferecidas em leilão. O maior peso foi de 1,5 milhão de LTN para janeiro
de 2015 com taxa média de 12,97%, 3 milhões de LTN para janeiro
de 2014 com taxa média de 12,91% e 500 mil LFT para 2018, a 100%
do valor de face. Porém foram rejeitadas as ofertas para LFT de 2016.
A Deutsche Boerse, que está perto de finalizar a tomada de controle
da Nyse Euronext para criar a maior operadora de bolsas do mundo,
registrou lucro 11% maior no segundo trimestre, para US$ 255,8
milhões, basicamente com corte de custos. Os gastos totais da
companhia caíram 19%. Os acionistas da bolsa alemã já aprovaram
o negócio com a Nyse, e aguardam definição dos reguladores europeus.
Murillo Constantino
Eldorado Business
Tower, em São Paulo,
é um dos 13 imóveis
da carteira do BC Fund
Credenciadora de cartão local
mira bandeiras estrangeiras
Divulgação
Com os eventos esportivos,
empresas como Redecard e Cielo
querem que turistas usem
plásticos em suas “maquininhas”
EMPRESA ABERTA
Em busca do cotista
Tratar o BC Fund como uma
empresa aberta exigiu algumas
iniciativas da gestora. O fundo
possui um site próprio, já foi alvo
de quatro reuniões públicas
(Apimec) com investidores e tem
balanços e relatórios divulgados
mensalmente. Além disso, a
Brazilian Mortgages está
divulgando o fundo junto a
analistas, na esperança de que
eles passem a emitir relatórios
e recomendações. “Estamos
buscando atrair para o fundo o
investidor do mercado de ações”,
diz o diretor Rossano Nonino.
O fundo possui 1.550 cotistas.
Durante um evento esportivo
de escala mundial, um país vê
os gastos com cartão de crédito dos turistas em seu território quase dobrarem, segundo
revelou relatório realizado pela Visa em sua base de plásticos. Atentas à oportunidade
que surge com esta demanda,
credenciadoras brasileiras já estão fechando parcerias com
um número maior de bandeiras, principalmente as estrangeiras, para ter o privilégio de
ter os cartões dos turistas em
suas “maquininhas”, os POS
(point of sales).
A Redecard, por exemplo, fechou parceria com uma empresa da China. “Nesse trimestre, fizemos a primeira transação
com a China Union Pay, bandeira asiática que conta com 2,5 bilhões de cartões emitidos no
mundo”, diz o presidente da Redecard, Claudio Yamaguti. De
acordo com ele, a empresa espera ter toda a sua rede habilitada
para a captura da bandeira até o
início de 2012.
O motivo da pressa é a realização de eventos esportivos no
Brasil nos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, que podem trazer bons resultados ao mercado
de cartões, tendo em vista o que
ocorreu nos eventos anteriores.
Dados do relatório da Visa
mostram que na Copa do Mundo da África do Sul em 2010 os
gastos dos turistas com cartões
subiram 82%, na Olimpíada de
Inverno no Canadá, o avanço
foi de 93%,enquanto na Olimpíada de Beijing, na China, de
15%. “Os pagamentos eletrônicos permitem que os viajantes
efetuem compras em outros países com facilidade”, considera
o diretor-geral da Visa, Rubén
Osta, justificando a escolha dos
turistas pelos plásticos.
As máquinas da Redecard já
aceitam 25 bandeiras, entre elas
a americana Discover e a argentina Cabal. O portfólio da credenciadora é o maior do setor.
“Isso faz com que nossa rede tenha uma capilaridade maior”,
afirma o presidente.
Para se ter uma ideia, a concorrente Cielo conta com uma
Yamaguti quer
toda a rede
habilitada até
2012 para aceitar
bandeira chinesa
“
O Brasil está vivendo
um momento
promissor, com
aumento de renda
e eventos, e o mundo
inteiro vê o país
de forma diferente
Claudio Yamaguti
Presidente da Redecard
rede de 19 bandeiras e vem se
preparando para os eventos
mundiais. Desde dezembro do
ano passado, a credenciadora
aceita os cartões da bandeira
japonesa JBC em mais de 1,2
milhão de estabelecimentos.
Em relação a novas bandeiras
estrangeiras, a Cielo diz que está sempre de olho e acompanhando todas as possibilidades do mercado.
Estratégia
No Brasil, as credenciadoras
querem expandir a utilização
das “maquininhas” para outras finalidades além do pagamento da compra com cartão.
Entre as opções, está a recarga de celular, participação em
programas de benefícios e serviços. “Queremos gerar transferências não financeiras”,
afirma o presidente da Redecard, empresa que teve lucro
líquido de R$ 322,6 milhões
no segundo trimestre, alta de
14,7% frente aos três meses
anteriores. A Cielo, por sua
vez, registrou lucro líquido de
R$ 423,6 milhões, queda de
0,3% no período. ■
32 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
INVESTIMENTOS
RENDA FIXA
Vanessa Correia
[email protected]
Ação da BM&FBovespa no nível de 2009
O objetivo do governo ao taxar derivativos
de câmbio era conter o avanço do real ante
a divisa americana. Entretanto, o que se
viu até agora foi a derrocada das ações ordinárias da BM&FBovespa. Ontem, estes papéis, listados sob o código BVMF3, recuaram ao menor nível desde 7 de maio de
2009, aos R$ 8,87. Na semana, os papéis
acumulam queda de 9,95%, enquanto no
ano, o recuo é de 30,52%
A cobrança de 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre derivativos de
câmbio, levou o Goldman Sachs a reduzir a
recomendação para os papéis da BM&FBovespa, de compra para neutra. “Acreditamos que essa nova regulação terá um impacto negativo nas operações, reduzindo
lucros em razão de volumes menores, e na
percepção sobre a companhia, dado o risco
de futuras intervenções adicionais do governo”, ressaltaram os analistas Carlos Macedo, Jason Mollin, Wesley Okada e Mariana Barros, em relatório.
De acordo com os especialistas, a medida poderá ter um efeito negativo imediato
nas taxas de negociação de câmbio no mercado futuro, que respondem por 14% da receita bruta da BM&FBovespa. “Assumimos
um declínio de 11% na média de volume
diário e reduzimos a projeção de ganho
por ação”, consideram os analistas. Com
isso, o preço-alvo estipulado para 12 meses caiu para R$ 11,20.
Os analistas do Deutsche Bank dizem
que a medida anunciada pelo governo na
quarta-feira também poderia surtir efeito
adverso nos volumes de outros produtos.
“Notamos que o governo introduziu várias
medidas para limitar a apreciação do real
em relação ao dólar, mas sem muito sucesso. Como tal, outras medidas não podem
ser descartadas”, completaram os analistas
Mario Pierry e Tito Labarta, em relatório.
Já para Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora, ainda não é possível
determinar o impacto da medida para a
empresa, dado que o governo sinalizou
que poderá elevar a tributação caso ela
não surta o efeito desejado.
Se a BM&FBovespa está em baixa, o mesmo não pode ser dito da Cetip, As ações
reagem positivamente à obrigatoriedade
de registro dos contratos de balcão nas câmaras de compensação. Na semana, as
ações subiram 0,11%, enquanto no ano, a
alta é de 12,7%. ■
Data
Rent.
12 meses
(%)
No ano
ITAU PERSONNALITE RF MAX FICFI
BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI
BB R FIXA LP PLUS ESTILO FIC FI
CAIXA FIC EXECUTIVO RF L PRAZO
CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO
BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI
BB RENDA FIXA 200 FIC FI
BB RENDA FIXA 50 FIC FI
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI
BB RENDA FIXA LP 100 FICFI
28/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
28/jul
28/jul
28/jul
28/jul
27/jul
10,57
10,51
10,50
10,14
9,53
9,29
8,12
7,61
7,21
7,01
6,20
6,05
6,04
5,86
5,52
5,44
4,80
4,52
4,34
4,16
Fundo
Data
Rent.
12 meses
(%)
No ano
BB REF DI LP PREM ESTILO FIC FI
SANTANDER FIC FI MASTER REF DI
BB REF DI LP 50 MIL FICFI
ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI
BB REF DI PLUS ESTILO FIC FI
CAIXA FIC DI LONGO PRAZO
BB REF DI 5 MIL FIC FI
BB NC REF DI LP PRINC FIC FI
BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI
ITAU PREMIO REF DI FICFI
27/jul
28/jul
27/jul
28/jul
28/jul
27/jul
28/jul
27/jul
28/jul
28/jul
10,72
10,55
10,40
10,36
10,32
8,92
8,67
8,43
8,06
7,06
6,19
6,12
6,01
6,05
6,02
5,19
5,11
4,93
4,78
4,23
Fundo
Data
Rent.
12 meses
(%)
No ano
BB ACOES VALE DO R DOCE FI
CAIXA FMP FGTS VALE I
ITAU ACOES FI
BRADESCO FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA MAXI
BRADESCO FIC DE FIA IV
BB ACOES PETROBRAS FIA
SANTANDER FIC FI ONIX ACOES
UNIBANCO BLUE FI ACOES
ALFA FIC DE FI EM ACOES
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
7,29
6,43
(12,10)
(13,97)
(14,24)
(14,31)
(15,13)
(16,24)
(17,18)
(21,82)
(7,14)
(7,79)
(15,04)
(16,34)
(16,55)
(16,57)
(13,17)
(18,06)
(19,12)
(22,87)
Taxa Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
1,00
1,00
1,00
1,10
1,50
2,00
3,00
3,50
4,00
4,00
80.000
50.000
50.000
30.000
5.000
5.000
200
50
300
100
DI
Taxa Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
0,70
1,00
1,00
1,00
1,00
2,00
2,50
2,47
3,00
4,00
100.000
30.000
50.000
80.000
50.000
100
5.000
100
200
1.000
AÇÕES
LADOS OPOSTOS
Medida do governo, de taxar operações de derivativos de câmbio, afetou
ainda mais as ações da BM&FBovespa, em R$/ação
CETIP ON
Fundo
Taxa Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,00
1,90
4,00
4,00
4,00
ND
2,00
2,50
5,00
8,50
200
1.000
200
100
200
-
BM&FBOVESPA ON
30
15
MULTIMERCADOS
26,40
Fundo
Data
Rent.
12 meses
(%)
No ano
ITAU EQUITY HEDGE ADV MULT FI
ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI
CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC
BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI
ITAU PERS K2 MULTIM FICFI
ITAU PERS MULTIE MULT FICFI
SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM
SANTANDER CAP PROT 3 FI MULT
SANT FI CAP PROT VG7 MULT
SANT FICFI CAP PROT VG6 BR MULT
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
27/jul
13,37
11,61
10,82
10,74
10,69
10,45
7,84
(0,13)
(1,64)
(4,69)
6,66
5,49
6,23
6,13
5,84
5,87
4,47
(3,41)
(4,72)
(7,15)
12
25
10,55
9
20
8,87
6
15
12,58
10
3
27/10/0904.01.10
1/6/10
3/1/11
28/7/11
20/8/08 02.01.09
4/1/10
3/1/11
(EM PONTOS)
59.200
58.900
58.600
Máxima
59.166,51
Mínima
58.290,36
Fechamento 58.708,25
58.000
IBRX-100
SMALL CAP - SMLL
MIDLARGE CAP - MLCX
19.800
1.290
874
19.725
1.286
870
19.650
1.282
866
19.575
1.278
862
1.274
19.500
Fonte: BM&FBovespa
11h
12h
13h
14h
10.000
5.000
20.000
50.000
5.000
10.000
5.000
5.000
5.000
*Taxa de performance. Ranking por número de cotistas.
Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico
IBOVESPA
10h
2,00
2,00
1,50
1,50
1,50
1,25
2,00
2,30
2,50
2,50
28/7/11
Fontes: BM&FBovespa, Economatica e Brasil Econômico
58.300
Taxa Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
15h
16h
17h
10h
17h
858
10h
17h
10h
17h
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 33
BOLSA
JURO
Giro financeiro
Contrato futuro
R$ 5,6 bilhões 12,47%
foi o volume financeiro registrado ontem no segmento
acionário da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a
sessão com variação positiva de 0,72%, aos 58.708 pontos.
foi a taxa de fechamento do contrato futuro de DI com vencimento em
janeiro de 2012, o mais líquido na sessão de ontem. O volume financeiro
neste contrato foi de R$ 24,01 bilhões, em 252.520 contratos.
HOME BROKER
(fechamento em R$)
Fibria ON (FIBR3)
27,00 27,0
25,11
24,5024,5
“Estrangeiros continuam entrando
na #Bovespa. E agora se encontram
pela primeira vez com saldo positivo
no ano de R$ 350milhões”
22,0
22,00
21,25
20,30
2º objetivo
@chrinvestor, Christian Cayre, investidor e consultor financeiro
1º objetivo
19,5019,5
18,85
Resistência
18,10
17,58
Suporte
17,00 17,0
2/FEV
1/MAR
1/ABR
2/mai
1/JUN
1/JUL
28/JUL
Fontes: Daniel Marques, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico
Plano de resgate dos EUA pode elevar Fibria
O fim do embate político entre republicanos e democratas sobre o
novo teto da dívida americana pode provocar um movimento cíclico
de valorizações, começando pelo Dow Jones e chegando até a bolsa
brasileira. Segundo Daniel Marques, analista gráfico da corretora
Ágora, os papéis que devem apresentar melhor desempenho na
Bovespa são aqueles que, neste ano, registraram quedas muito
bruscas. É o caso da Fibria (FIBR3) que até ontem se desvalorizou
30% — quase o dobro do Ibovespa que amarga um recuo de
15,29%, em 2011. Ontem, as ações da companhia tiveram uma leve
valorização de 0,67% e fecharam o pregão cotadas a R$ 18,10.
Caso os papéis consigam romper a resistência (ponto que,
se superado, indica a possibilidade de continuidade de movimento
de valorização) precificada em R$ 18,85, elas inverterão a atual
tendência de baixa pela de alta. “O ideal é que o rompimento
deste patamar não demore muito para ocorrer. Um bom prazo
é de três a quatro dias. Se passar de um mês, o movimento muda
de configuração”, afirma o especialista. Caso isso ocorra de fato,
o primeiro objetivo dos papéis é atingir R$ 20,30 e, em seguida,
R$ 21,25. No entanto, se o cenário de alta não se confirmar,
Marques indica ao investidor apertar o botão de stop quando
as ações atingirem R$ 17,58, que é a mínima registrada na
quarta-feira e o suporte (patamar que, se perdido, aponta
para uma chance de queda em sequência) das ações.
“A #Bovespa é uma “aventura
para mochileiros”, diz o jornal
Financial Times! Mochila nas costas,
vamos embora trilha adentro”
@NavarroConradoNavarro, investidor, criador do site Dinheirama
“Analistas dizem que a #VALE5
deve apresentar o maior lucro
da história...disto não duvido...
minha dúvida: quanto deste “deve”
já está precificado?”
@Picapautrader, investidor
“Os investidores estão fazendo
o voo para qualidade — dessa vez,
não para os títulos do governo
americano mas para o #ouro”
@NegocioDeBolsa, investidor
“Os #EUA ainda não têm a solução para o
limite da dívida e o #Brasil que é todo
errado? Somos melhores que eles hoje,
amanhã, não sabemos”
@Fontes, economista e educador financeiro
CONVERSÃO
PARTICIPAÇÃO
NOVO MERCADO
Kepler Weber fará
conversão de parte
de PNA em ON
CSN aumenta fatia
na Usiminas para
10,84% de ordinárias
Mundial convoca
novamente acionistas
sobre migração
O Grupo Kepler Weber (KEPL3),
de armazenagem de grãos,
informou ontem que será
assegurado o direito de
recesso aos acionistas titulares
de ações preferenciais em
27 de julho referente à conversão
das ações preferenciais em
ações ordinárias, assunto que
será deliberado em assembleias
que ainda serão convocadas.
A empresa quer converter
2 mil PNA em ON.
A Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN) aumentou sua
participação no capital social da
Usinas Siderúrgicas de Minas
Gerais (Usiminas), através de
aquisições de ações ordinárias
e ações preferenciais, passando
a deter 10,84% das ON e
10,20% das PN. A companhia
CSN informou ainda que
continua avaliando alternativas
estratégicas com relação a
seu investimento na Usiminas.
A Mundial fez a segunda
convocação aos acionistas para
comparecimento em Assembleia
Geral Extraordinária (AGE)
agendada para o dia 5 de agosto,
às 14h, na sede social da empresa,
na capital paulista. O objetivo
é votação de migração para
o segmento Novo Mercado da
BM&FBovespa, com conversão
de ações preferenciais em
ordinárias na proporção de
0,8 ON para cada PN.
TOTVS
Indicação é neutra para ação
mesmo com bom resultado
A Totvs (TOTS3) informou os
resultados do segundo trimestre
do ano e, para a equipe de análise
da Banif CVC, coordenada por
Osvaldo Telles, o ponto positivo
foi o forte crescimento de 16,7%
para R$ 315,2 milhões da receita
líquida no período, comparado
à mesma época de 2010.
O desempenho, ressalta os
analistas em relatório, refletiu
maior preço médio da licença de
software, dos serviços com maior
valor agregado e o reajuste dos
contratos de manutenção. As
vendas para grandes empresas
foram as responsáveis pelo forte
aumento do preço médio da
licença. “O resultado operacional
da Totvs foi bom e em linha com
nossa expectativa”, afirmam os
especialistas, que mantiveram a
recomendação neutra para as
ações da empresa. Em relação
ao lucro líquido, os analistas
da Banif destacam a grande
diferença entre o reportado
de R$ 48,7 milhões e a
expectativa da Corretora de
R$ 67,4 milhões, “que pode
ser explicada pela menor
depreciação, despesa financeira
e imposto de renda projetado”.
Para os analistas o preço-alvo
para os papéis é de R$ 37,80,
ITAO PARTICIPAÇÕES S/A
CNPJ/ MF 10.714.564/0001-40 NIRE 35.300.366.417
Ata da Assembléia Geral de Constituição de 20 de Outubro de 2008
Data, Hora e Local: aos 20 dias do mês de Outubro de 2008 as 10:00 horas, na Sede da Cia. situada à Rua
Fernandes de Abreu, 115 apto 41, Bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, CEP 04543-070. Os abaixo assinados
e adiante nomeados e qualificados reuniram-se em Assembléia Geral, conforme como objetivo específico de
deliberar a constituição de uma sociedade por ações, a ser denominada Itao Participações S/A Presenças: da
totalidade dos acionistas e dos diretores da Cia., conforme consta do livro de presença de acionista. Convocação:
dispensada a publicação dos Editais de Convocação de acordo com artigo 124 da Lei 6.404/76 .Mesa: assumiu
a presidência o Sr. Noé Wanderli Pinto, brasileiro, casado, empresário, portador da RG n° 5.410.763-5 SSP/SP
e CPF sob n° 519.738.638.04, residente e domiciliado nesta capital do estado de São Paulo na rua Fernandes
de Abreu, 115 , apto. 41, Bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, CEP 04543-070 e a Sra. Izilda Kalil Pinto,
brasileira, casada, empresária portadora da RG n° 7.746.735 SSP/SP e CPF sob n° 625.763.568-34, residente
e domiciliada nesta capital do estado de São Paulo na rua Fernandes de Abreu, 115, apto. 41, Bairro Vila Nova
Conceição, São Paulo, CEP 04543-070, para exercer a função de secretária. Ordem Do Dia: (1) deliberar sobre
a constituição da sociedade anônima denominada Itao Participações S/A; (2 ) deliberar sobre a subscrição de
ações e integralização do capital social subscrito; (3) aprovar o estatuto Social da Cia.; (4) eleger os membros
da diretoria (5) fixação de verba destinada a remuneração da diretoria; e (6) deliberar sobre outros assuntos de
interesse da companhia. Deliberações: após discussão das matérias constantes da ordem do dia, os acionistas
fundadores da Cia. Deliberaram, por unanimidade de votos: Constituição de Sociedade Anônima foi aprovada a
constituição da sociedade Itao Participações S/A os acionistas fundadores subscreveram 4.594.148 ações,
sendo todas ordinárias nominativas, sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 1,00 cada ação, ficando o
capital social no importe de R$ 4.594.148,00, a secretária passou a leitura do modelo de Estatuto Social, o qual
após discussões dos acionistas fundadores, foi aprovada por unanimidade, sem qualquer ressalva, foram eleitos
para compor a diretoria para o mandato de 03 anos o Sr. Noé Wanderli Pinto, já qualificado, para ocupar o cargo
de Diretor sem Designação Específica, e a Sra. Izilda Kalil Pinto, já qualificada, para ocupar o cargo de Diretor
Sem designação os membros da diretoria não farão jus a remuneração até posterior deliberação da Assembléia
Geral de Acionista. Encerramento Da Ordem Do Dia a presidência da mesa ofereceu a palavra a quem dela quisesse fazer uso e, como ninguém se manifestou, e nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos pelo
tempo necessário à sessão, após lida e achada conforme foi aprovada e assinada pelos presentes, Nada mais
34 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
PONTO FINAL
Carlos Barria/Reuters
CARTAS
ESFORÇO PARA COMPETIR
Muito bem explicado o artigo “Temos uma bolha de crédito?”
(página 2 da edição de 21/7/2011), de Júlio Gomes de Almeida.
A análise isenta de um assunto controvertido é difícil para
muitos especialistas. Neste caso, o articulista não defende ou
ataca, apenas analisa os critérios que definem uma bolha de
crédito, e conclui com a valoração da importância das medidas
macroprudenciais. Não me surpreende que texto de tal
qualidade tenha vindo de um professor da Unicamp, instituição
de ensino já consagrada, com excelentes quadros.
Luca Santos
Rio de Janeiro (RJ)
Com relação à reportagem “CSN faz mais compras e diz ter
10% das ações da Usiminas” (publicada no BRASIL ECONÔMICO
ON-LINE em 27/7/2011), as únicas fabricantes de aços planos
no Brasil eram Usiminas, Cosipa e CSN sob o guarda-chuva
da antiga Siderbrás. Depois, da “privatização”, a primeira
comprou a segunda e, agora, a terceira aumenta,
gradativamente, sua participação no capital da primeira.
O filme do monopólio parece que vai repetir-se.
Paulo Campos
Belo Horizonte (MG)
A discussão no Congresso dos Estados Unidos sobre medidas
a serem adotadas em relação à situação financeira da maior
potência econômica mundial mostra uma situação curiosa.
Discute-se como evitar que não sejam pagas dívidas, em razão
da limitação do orçamento. Reduzem-se medidas no campo
social, com perdas de vagas no mercado de trabalho e menos
serviços de saúde pública. Mas nada se faz em relação a
despesas em áreas como as relações internacionais, que
permitem ao governo presidido por um recente Nobel da Paz
gastar parte significativa do orçamento do país em ações
belicistas, como nas ocupações do Iraque e do Afeganistão.
Uriel Villas Boas
Santos (SP)
Com relação à reportagem “Armas do BC perdem força e dólar
termina a R$ 1,557” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE
em 27/7/2011), o governo está correto em agir em pontos de
especulação, barrando os mal-intencionados que, de maneira
geral, não fabricam ou empregam sequer um grampo de roupa.
Sergio Calikevstz
Camboriú (SC)
Com relação à reportagem “Governo taxa derivativos para
conter queda do dólar” (publicada no BRASIL ECONÔMICO
ON-LINE em 27/7/2011), tem que ficar claro aos idealizadores
da referida medida provisória que um dos princípios da lei
é não tratar de forma igual os desiguais. Nem todos aqueles
que contratam derivativos o fazem de maneira especulativa.
Há os que contratam para proteger suas posições. Desta
forma, não podem ser penalizados. Vale lembrar que toda
elevação de custo é repassada ao sistema. Portanto, o
comprador final é quem assume isto.
Alexandre Barbosa de Souza
São Paulo (SP)
Com relação ao artigo “Reservas cambiais e reservas de ferro”
(página 35 da edição de 27/7/2011), de Charles Laganá Putz,
antes de contribuir para a economia do país, a exploração do
minério de ferro contribui para o desenvolvimento das
localidades onde ocorre. Além disso, todos nós já nos
acostumamos ao conforto da vida moderna e não queremos
mais viver como na pré-história — e o ferro é de fundamental
importância para manter o nosso conforto: casas, carros,
eletrodomésticos, etc. Ainda assim, há muitos hipócritas que
levantam a bandeira contra a mineração de empresas sérias
que o fazem com responsabilidade e que se comprometem a
adotar medidas que minimizem os impactos desta atividade.
Vívian Rodrigues
Itabira (MG)
Cartas para a Redação: Avenida das Nações Unidas, 11.633,
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A japonesa Natsumi Hoshi prepara-se para competir nos 200 metros de nado borboleta,
no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Xangai. Cesar Cielo ficou fora do podium
nos 100 metros nado livre, chegando na quarta colocação.
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Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 35
Carlos Maurício Maia Ribeiro
Sócrates Melo
Sócio do Vieira, Rezende, Barbosa e Guerreiro Advogados
e especialista em direito do petróleo e ambiental
Gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half
Biocombustíveis, aquecimento
global e segurança alimentar
Profissionais temporários
e a nova realidade econômica
Embora o aquecimento global se torne cada vez mais evidente, a discussão em
torno de sua origem e de sua real magnitude, velocidade e alcance ainda é travada em fóruns científicos, econômicos e políticos ao redor do mundo.
Algumas certezas, contudo, já se tem: de que o clima está mudando; de que
as temperaturas médias vêm aumentando, e de que a constante e crescente
queima de combustíveis fósseis contribui de forma significativa para a emissão
de gases causadores do efeito estufa. Tal fenômeno natural, se até hoje foi fundamental para manter as temperaturas na Terra ideais para o surgimento e manutenção da vida, irá, no futuro, caso continue no ritmo atual, tornar a vida no
planeta inviável. Quando tal catástrofe ambiental ocorrerá, quanto tempo levará e quão doloroso para os seres vivos será esse processo são questões ainda em
debate e objeto de estudos. É nesse contexto global e para lidar com uma estrutura de produção fortemente baseada na queima de combustíveis fósseis, que
se inserem os biocombustíveis. Por biocombustíveis entende-se o etanol e o
biodiesel, obtido da prensagem das cascas de plantas oleaginosas, com destaque para a palma, ou dendê e a soja.
A queima de biocombustíveis é menos poluente do que a queima dos combustíveis fósseis. Além disso, o petróleo e o carvão mineral são recursos finitos,
ao passo que os biocombustíveis se constituem em fontes renováveis.
A principal razão em torno da adoção em âmbito mundial dos biocombustíveis, como solução limpa, renovável e economicamente viável reside no medo
de que o incremento das culturas de cana-de-açúcar e de dendê, por exemplo,
se dê em detrimento da produção de alimentos. Tal medo, infelizmente, não é
desprovido de fundamento.
Os números mostram que 85% das posições abertas nas empresas são em função do crescimento orgânico. Isso mostra que a América Latina, principalmente o Brasil, passa por um momento econômico muito intenso, em que a busca
por resultados, crescimento e alta qualidade são os principais desafios. Eventos como Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês), fusões e aquisições e início de
operações são projetos cada vez mais comuns no dia a dia corporativo.
Acompanhando esta onda de acontecimentos, a característica dos profissionais considerados de ponta, independente da posição que ocupam, adquiriu
uma mentalidade voltada para execução, com focos fortemente relacionados a
resultados e capacidade de comunicação elevada.
Diferente do que ocorria há alguns anos, trabalhar em um projeto com início, meio e fim pode ajudar, e muito, os profissionais no desenvolvimento de
suas competências, além de entender também as características dos diferentes
segmentos e, consequentemente, deixá-lo preparado para trabalhar em qualquer ambiente ou situação. A escolha por um trabalho temporário é uma excelente estratégia para o profissional se aproximar de um segmento de mercado.
Um diretor de controladoria que tenha experiência no segmento de construção civil, por exemplo, pode ter interesse em projetos temporários para ampliar o rol de atuação em outros setores e adquirir vivência em segmentos como varejo, indústria pesada e energia.
No Brasil, três em cada dez executivos já
não veem problemas em contratar um diretor
financeiro temporário até a identificação
de um sucessor definitivo para o cargo
A principal razão em torno da adoção em
âmbito mundial dos biocombustíveis reside
no medo de que o incremento das culturas
se dê em detrimento da produção de alimentos
O profissional temporário é contratado pelas empresas por possuir um perfil
extremamente qualificado e com profundo conhecimento técnico e acostumado a determinado tipo operação ou projeto. Ou seja, é o profissional preparado
para entrar na empresa e desde o primeiro minuto executar, sem necessidade
de treinamento ou adaptação à cultura da organização.
É importante que os profissionais comecem a olhar os projetos como uma
oportunidade de desenvolvimento, crescimento e uma forma de se tornar
mais competitivos e alinhados com as características que o mercado espera.
Se por um lado é importante que os profissionais percebam a importância de
projetos temporários como uma ferramenta de desenvolvimento de carreira e
aumento de empregabilidade, por outro, no Brasil, já é possível notar a quebra
de paradigma, ao passo que as empresas enxergam cada vez mais profissionais
temporários em níveis de média e de alta gerência como aqueles capazes de
executar e gerenciar uma atividade com começo, meio e fim.
Outro fator relevante e atrativo aos profissionais é o volume crescente de
projetos de empresas que iniciam operação no país ou estão em processo de
reestruturação ou de fusão e aquisição. São desafios que fazem brilhar os olhos
dos profissionais temporários, pois muitas vezes em curto prazo é possível agregar experiências ricas à carreira. Para empresas é o profissional adequado para
evitar sobrecarregar a equipe em um momento de expansão ou mesmo suprir
uma posição estratégica sem precisar mexer no resto do time.
No Brasil, três em cada dez executivos já não veem problemas em contratar
um diretor financeiro temporário até a identificação de um sucessor definitivo
para o cargo. Isso revela outra vez que antigos preconceitos estão cada vez
mais de lado e que há profissionais qualificados no mercado brasileiro e aptos a
encarar projetos como esses. Hoje, cerca de 80% dos profissionais temporários contratados por projetos tidos como bem realizados são efetivados. ■
Se, por um lado, no Brasil ainda há milhões de hectares que podem vir a ser
destinados a essas culturas, sem que haja risco para a produção de alimentos,
por outro lado há países como a Malásia, no qual a cultura da palma de dendê
acabou por erradicar todas as demais, tornando o país totalmente dependente
da importação de alimentos. Na Indonésia, verifica-se o mesmo processo, sendo certo que diversos países africanos correm o risco de serem recolonizados,
desta vez por corporações internacionais, sobretudo chinesas, e se transformarem em grandes produtores de cana-de-açúcar e de palma de dendê em detrimento da produção de alimentos.
Mesmo com relação ao Brasil, argumenta-se que o aumento da produção de
cana-de-açúcar, que tem deslocado outras culturas e a pecuária para áreas
com solos menos férteis, está movendo a fronteira agrícola e caso não haja planejamento, impactará de forma significativa a floresta amazônica.
Dadas as dimensões continentais do país e as centenas de milhões de terras
agriculturáveis, qualquer agressão à floresta amazônica, originada por agricultores e/ou pecuaristas, ao argumento de que há que se expandir a fronteira agrícola, deve ser tida como injustificada e criminosa.
O binômio planejamento e fiscalização se constitui como um desafio que se
impõe aos tomadores de decisão, para que os biocombustíveis venham a desempenhar o importante papel que a eles está reservado na história humana,
de ter uma participação decisiva na substituição dos combustíveis fósseis na
matriz energética mundial, com todos os esperados ganhos ambientais, sem
que para isso se coloque em risco a segurança alimentar da humanidade. ■
“Seus gastos no varejo
são bastante saudáveis”
Divulgação
“É preciso respeitar
os acordos”
Philippe Wojazer/AFP
AS FRASES
Jean Charles Naouri, presidente do grupo francês Casino, ao
Hana Ben-Shabat, sócia da consultoria A.T. Kearney,
confirmar que mantém a decisão de assumir, em 2012, o controle
da CBD Pão de Açúcar, do empresário Abilio Diniz, O presidente
do Casino opôs-se nas últimas semanas a um projeto de fusão de
sua filial brasileira com o gigante francês Carrefour, defendido por
Diniz. Naouri disse que, segundo o pacto estabelecido, pretende
assumir o controle do Pão de Açúcar em meados de 2012.
sobre o comportamento do consumidor sul-americano, ao
prever que a América do Sul será a próxima parada das grandes redes
varejistas internacionais. “Faz sentido investir em marcas nestes mercados,
porque você tem um alto percentual de consumidores que hoje são jovens
e vão crescer com a marca”, disse Hana, cuja consultoria elabora o Índice de
Desenvolvimento de Varejo Global, com os 30 melhores países emergentes.
36 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
ÚLTIMA HORA
Marius Arnesen/Reuters
Noruega encerra busca por corpos em ilha
A polícia norueguesa encerrou ontem a busca por corpos na ilha
onde o atirador antiislâmico Anders Behring Breivik matou 68 pessoas
e informou que estava cada vez mais certa de que ele agiu sozinho.
Breivik, de 32 anos, matou no total 76 pessoas em um ataque a bomba
no centro de Oslo seguido pela chacina na ilha, no acampamento
de verão do braço jovem do Partido Trabalhista, do governo.
A busca por corpos no lago Tyrifjord, nas redondezas, continua.
Cris Bouroncle/AFP
Enfim, no poder: Humala
começa governo com 70% de
aprovação popular
BREVES
Daniel Acker/Bloomberg
BNDES destina R$ 445,7
mi a parques eólicos
A diretoria do Banco aprovou o
financiamento para a construção
de oito parques eólicos no Rio
Grande do Sul. Os recursos irão
para Sociedades de Propósito
Específico (SPEs) controladas pela
Enerfin do Brasil. Juntas, as usinas
terão capacidade de 150 Megawatts
(MW). Os investimentos totais são
de R$ 725,2 milhões. Três parques,
que totalizam 30 MW, já estão
em operação, e os demais têm
prazo para funcionar de julho
de 2012 a setembro de 2013.Todas
as usinas já possuem contratos de
comercialização de energia de 20
anos no Ambiente de Contratação
Regulado (ACR). Redação
Transportes confirma
Miguel Masella como
secretário executivo
Humala quer‘socializar’
crescimento econômico
Em cerimônia de posse, ontem, novo presidente do Peru prometeu aumento do salário
mínimo e criação de programas sociais que incluam os mais pobres no ciclo de expansão
O esquerdista Ollanta Humala
tomou posse ontem como presidente do Peru, prometendo incluir os pobres do país no crescimento econômico e buscando
mostrar aos investidores que governará como um político moderado, depois de romper com
seu passado radical.
Em seu primeiro discurso
no cargo, o ex-militar disse
que manterá intactas as políticas de livre mercado em vigor, mas prometeu também
elevar o salário mínimo e assegurar uma pensão a todos os
peruanos com mais de 65
anos. Segundo ele, os programas sociais serão financiados
em parte por um novo imposto sobre os lucros das mineradoras que pretende implantar. “Queremos que o termo
Humala prometeu
fazer com que
o crescimento
econômico e
a inclusão social
caminhem juntos
para, assim, acabar
com a exclusão
social que ainda
afeta boa parte da
população peruana
‘exclusão social’ desapareça
da nossa linguagem e das nossas vidas para sempre”, disse
Humala. “O crescimento econômico e a inclusão social caminharão juntos.”
Depois de se distanciar do
presidente socialista venezuelano, Hugo Chávez, durante a
campanha eleitoral, Humala nomeou uma equipe econômica
comandada por conservadores.
Sem maioria no Congresso, o
presidente prometeu ser conciliador e buscar o diálogo para
aprovar seus programas sociais.
Constituição
Já na posse, Humala, de 49
anos, causou burburinho ao
prometer cumprir a Constituição de 1979, e não a versão promulgada em 1993 por Alberto
Fujimori, que fechou unilateralmente o Congresso para acumular poderes. Fujimori está preso por corrupção e abusos aos
direitos humanos. A decisão,
no entanto, desagradou parlamentares do partido de Fujimori, que tem a segunda maior
bancada do Congresso peruano. Humala foi eleito em 5 de
junho, derrotando no segundo
turno, a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente.
Governabilidade
Pesquisa realizada duas semanas
após a eleição deu a Humala 70%
de aprovação. Os eleitores pedem a preservação de políticas
moderadas, responsáveis por dar
ao Peru um dos maiores crescimentos econômicos do mundo
nos últimos anos. ■ Reuters
O novo secretário executivo do
Ministério dos Transportes será
Miguel Masella, que atualmente
ocupa o cargo interinamente.
Masella era secretário de Gestão
de Programas de Transportes
e assumiu a função no lugar
de Paulo Sérgio Passos, que
substituiu o ministro Alfredo
Nascimento. O ex-ministro pediu
demissão por causa de denúncias
de corrupção na pasta. ABr
Minerva está de olho nos
ativos dos concorrentes
O montante captado pela Minerva,
em sua emissão de debêntures
conversíveis em ações, será
usado para adquirir ativos dos
concorrentes e pagar dívidas de
curto prazo. Foram arrecadados
R$ 200 milhões, mas a expectativa
era de R$ 300 milhões. Segundo
uma fonte de mercado, a empresa
prevê que o setor de carnes
passará por uma reorganização
nos próximos meses: frigoríficos
que não conseguiram atingir
a sinergia esperada nem obter
o Ebitda previsto podem vender
fábricas e áreas estratégicas. Neste
momento, a Minerva pretende estar
capitalizada. Também estão no
radar centros de distribuição da BR
Foods. A companhia não comentou
o assunto. Natália Flach
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 37
38 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 39
SE SUA EMPRESA
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40 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011
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ÚLTIMA HORA
Vale confia em minério com preço alto
Agência Vale
A mineradora mantém a perspectiva de alta da matéria-prima do aço
até 2013, mesmo ante a crise dos países europeus e a incerteza fiscal dos
EUA. “O mercado global de minério
de ferro permanece aquecido e esperamos que permaneça assim pelo
menos pelos próximos dois anos”,
diz a Vale no balanço do segundo intervalo financeiro de 2011.
A aposta é feita de olho no aquecido consumo de minério pela China.
“O 12º plano quinquenal chinês para 2011-2015 continuará a dar apoio
à expansão da demanda por commodities, incluindo minério de ferro,
carvão e cobre”, informa a Vale.
O país asiático comprou 30,6 milhões das 73,5 milhões de toneladas
de minério e pelotas vendidas pela
Vale no trimestre. A vendas de produtos de minerais ferrosos atingiu
o recorde trimestral de R$ 18,841
bilhões no segundo trimestre. E a
expectativa é de crescimento
maior em função da urbanização
no gigante asiático. “O programa
de habitação social chinês, que envolve a construção de 10 milhões
de unidade em 2011 e outras 10 milhões em 2012, adicionará vigor ao
mercado imobiliário e à demanda
por minério de ferro a partir do segundo semestre.”
Segundo a mineradora, os preços
de minerais e metais registraram
“modestas correções” no trimestre
encerrado em junho, voltando a
“uma recuperação desde meados de
junho”. A empresa afirma que o sistema internacional de preços (Plat-
Costábile Nicoletta
[email protected]
Diretor adjunto
Um especialista
em generosidade
Lucro líquido da
companhia cresceu
54,9% no primeiro
trimestre ante igual
período do ano anterior,
para R$ 10,27 bilhões
ts) oscilou entre US$ 170 e US$ 185 a
tonelada do minério com 62% de
teor de ferro nos últimos meses.
A mineradora reportou lucro líquido de R$ 10,275 bilhões no segundo trimestre, o melhor desempenho para o intervalo. Em relação
ao mesmo trimestre de 2010, houve alta de 54,9%. Entretanto, o
montante foi 9,4% inferior ao trimestre anterior. A diferença reflete a alta de R$ 381 milhões no custo dos produtos vendidos. O recuo
também se deve ao repasse dos ativos em alumínio à canadense
Hydro, concluído em fevereiro. No
primeiro trimestre, a venda de alumina, alumínio primário e bauxita
injetou R$ 664 milhões na receita
operacional, que entre abril-junho
atingiu a marca de R$ 25,614 bilhões. ■ Nivaldo Souza
Marcela Beltrão
Embraer tem lucro
líquido de R$ 153,8 mi
A companhia elevou suas projeções para o lucro operacional em dólares e para as margens em 2011. O lucro de
R$ 153,8 milhões do segundo trimestre foi maior do
que os R$ 101,7 milhões de reais de um ano antes, com
base no padrão contábil internacional IFRS.A evolução
é explicada, principalmente, pelo menor desembolso
com imposto de renda “ causada basicamente pela variação cambial sobre a base de imposto de renda e ativos não-monetários, assim como pelas despesas dedutíveis incorridas no período". O Ebitda-sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação - foi de R$ 250,3 milhões, abaixo dos R$ 297,7 milhões do mesmo período de 2010. ■ Reuters
Santos Brasil dobra
lucro para R$ 40 mi
Embraer
Operadora portuária apresentou resultado líquido de
R$ 40 milhões no segundo trimestre, com alta de 100%
sobre o desempenho do intervalo abril-junho de 2010.
A receita líquida no trimestre passado foi de R$ R$ 275
milhões, enquanto o Ebitda (lucro operacional) registrou R$ 115,8 milhões. O volume de carga nos terminais
da empresa em Santos (SP), Imbituba (SC) e Vila do Conde (PA) cresceu 20% sobre o segundo intervalo trimestral do ano passado, indo a cerca de 238,4 mil contêineres, sendo 80% deles cheios. A Santos Brasil diz que o
aumento se deveu ao crescimento das exportação de
açúcar, intensificado em junho. ■ Redação
O jornalismo pode ser entendido como a habilidade
de mostrar a importância até dos assuntos considerados mais chatos e sem charme e extrair deles o que
têm de relevante para a sociedade, discorrer com simplicidade sobre temas complexos, democratizar a informação, a ponto de transformá-la em conhecimento. Ou, como disse o espanhol Carlos Soria, sócio-diretor da Innovation International Media Consulting:
“Jornalismo é contar coisas extraordinárias de gente
ordinária”. Gente ordinária tanto na acepção de pessoa comum quanto na de indivíduo com princípios
morais reprováveis.
O jornalista Ariverson Feltrin especializou-se na arte de narrar histórias de pessoas comuns. E fez isso de
forma extraordinária. Era com essas fontes bem situadas no cotidiano, ricas em informação e modestas financeiramente que costumava conversar para redigir
as partes principais de suas reportagens. E as tratava
com a mesma deferência empregada nos diálogos
com autoridades públicas e presidentes de empresas.
Numerosos repórteres que atuam no
jornalismo econômico aprenderam
muito do que sabem na profissão
admirando a conduta de Ari
A mesma expressão de apreço era observada por
Ari nas relações pessoais com colegas de trabalho.
Combinava com perfeição bom humor, dedicação e
solidariedade profissional. Embora tenha se notabilizado pela atenção dada a assuntos de transportes e
logística, escrevia com igual empenho, naturalidade
e qualidade sobre temas os mais diversos — de uma
resenha sobre a biografia de João Saldanha, os noventa anos do grupo Votorantim, até a crescente ascensão de balconistas nordestinos a donos de pequenos restaurantes em São Paulo (migração empresarial que pouco aparece nas estatísticas, mas cresce
significativamente, sobretudo próximo dos centros
empresariais da capital). Foi nas conversas com os
balconistas dos ex-balconistas que hoje são donos
de seu próprio negócio que Ariverson Feltrin foi
montando a saga dos novos baianos que passeiam pela garoa da Pauliceia corporativa.
A partir da página 4 desta edição de BRASIL ECONÔMICO, a repórter Ana Paula Machado, uma das muitas discípulas de Ari, mostra o que aprendeu com o chefe.
Em conjunto com a colega Michele Loureiro, conta como o mercado automobilístico brasileiro vem se transformando com o impulso dos carros chineses que vieram na sequência dos vizinhos asiáticos japoneses e
coreanos e dos europeus franceses, que decidiram instalar-se aqui para concorrer com os veteranos americanos, alemães e italianos.
Numerosos repórteres que atuam no jornalismo econômico — rol no qual me incluo — aprenderam muito
do que sabem na profissão admirando a conduta ética
de Ari e sua generosidade com os companheiros, independentemente de sua posição hierárquica. Em nome
de todos os profissionais da redação de BRASIL ECONÔMICO, obrigado, amigo. ■
www.brasileconomico.com.br
ESPECIAL
PEQUENAS
E MÉDIAS
EMPRESAS
Suplemento – sexta-feira
e fim de semana,
29, 30 e 31 de julho, 2011
No comércio, na indústria ou nos serviços, o pequeno empresário
sofre razoável estresse na hora de alavancar sua empresa
EDITORA EXECUTIVA: THAÍS COSTA [email protected]
Ilustração Alex Silva
O dilema de definir o momento
exato para expandir o negócio
A2 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011
AD MINIS TR A ÇÃ O
Mudar a sociedade é o
que pretende a Endeavor,
de empreendedorismo
Marcos Simões, da
Endeavor, fala do
comprometimento
do empreendedor
com o negócio
Somente 10 entre 1.500 candidatas conseguem acesso ao programa
da ONG ao ano. A seleção é exigente e a empresa deve, entre
outras condições, faturar no mínimo R$ 3 milhões por ano
TEXTOS FELIPE GUTIERREZ
Porto Alegre e Recife vão sediar os dois mais
novos escritórios da Endeavor no Brasil. Dedicada a promover o empreendedorismo, a
ONG tem sede em São Paulo desde 2000 e no
Rio desde 2005, e agora passará a atuar no
Nordeste. “A expansão é um passo importante e já trouxe resultados”, disse Lucas Melman, diretor de operações da Endeavor. “No
Paraná conseguimos apoiar uma segunda
empresa em apenas um ano — a Akiyama,
que produz aparelhos de identificação biométrica”, disse. Em Minas Gerais eram só
duas, e agora há uma terceira, a Aorta, de
aplicativos para telefones celulares e tablets.
resente em doze nações de três continentes, a Endeavor tem origem americana e
atua difundindo o empreendedorismo em
países em desenvolvimento. Para isso, seleciona empresas locais para as quais dá
apoio. No Brasil há 50 empreendedores Endeavor, denominação dada aos que recebem essa ajuda.
O auxílio vem na forma de cursos, palestras, um gestor de conta que analisa os dados
do negócio e aproximação com parceiros da
Endeavor, que são empresários de grandes
corporações que se dispõem a ajudar colegas
em estágio incipiente de crescimento profissional. Chamados de voluntários, são mais
de 250 grandes executivos, alguns deles muito conhecidos, como Caros Alberto Sicupira,
da Inbev, e Emílio Odebrecht.
A aproximação entre a Endeavor e os empreendedores pode acontecer de três maneiras. Uma delas é o próprio empresário procurar a ONG. Ou ele pode ser indicado por
algum voluntário. E a terceira é a prospecção de funcionários da Endeavor, que ficam
sabendo da iniciativa pela imprensa e se
aproximam.
Para receber o apoio da organização, os
candidatos passam por uma seleção de quatro etapas. A primeira é uma análise sobre o
perfil, se tem alto potencial de crescimento,
se atua em mercado em expansão, se o modelo de negócios possibilita ganhos de escala, se é inovadora e se deve ter uma receita
anual entre R$ 3 milhões e R$ 50 milhões.
Segundo Marcos Simões, diretor de serviços para os empreendedores, a Endeavor
não ajuda diretamente empresas com faturamento menor do que R$ 3 milhões por considerar que só nesse patamar ela começará a
ser beneficiada pelo tipo de apoio que a
ONG presta, e essa é uma marca que mostra
que o empresário tem um comprometimento com o negócio.
“
Bota para Fazer
é um curso para
universitários, tem
muita aula prática,
está focado em
casos reais de
empreendedores
brasileiros e
oferece informação
do ambiente
de negócios
Juliano Seabra
Diretor de educação
na Endeavor
A segunda fase é uma bateria de perguntas
feitas por voluntários e funcionários da Endeavor. Os empreendedores já recebem algumas dicas sobre administração desde essa fase da seleção. Em seguida enfrentam uma sabatina do conselho. Os que atravessarem as
três etapas iniciais são analisados por um júri de especialistas internacionais. Das 1500
que se candidatam por ano, só dez são aprovadas. Os processos duram de seis meses a
dois anos. Apesar de a Endeavor abrir muitas portas para aqueles que são apoiados, Simões diz que a proposta da organização é
aprender com os empreendedores e levar esse aprendizado a outros. “O objetivo final é
mudar a sociedade brasileira incentivando o
empreendedorismo de alto impacto”.
É com isso em mente que a organização
começou a implementar, no fim do ano passado, um programa voltado às universidades chamado “Bota pra Fazer”. Juliano Seabra, diretor de educação, explica que a ideia
é introduzir uma metodologia de ensino
abrangente, para quaisquer cursos, não só
os de administração. A Endeavor oferece material didático específico e treina os professores. “A aula é prática, focada em casos reais
de empreendedores brasileiros, e a gente
passa muita informação sobre ambiente de
negócios para os professores”, diz Seabra.
Este ano a ONG estreou novo portal na internet. A videoteca online da Endeavor tem
uma audiência de quase 1 milhão.
Impacto cresce depressa
A Endeavor usa vários
critérios para medir seu
desempenho. Um deles é a
quantidade de horas que os
voluntários doam para ajudar
os empreendedores menores.
Nos anos 2009 e 2010,
foram 5.745 horas , o
equivalente a 7,5 vezes o
número de “horas doadas”
nos anos de 2000 e 2002,
que totalizou 764 horas.
Hoje são 93 empreendedores
Endeavor (muitos dos quais
são donos de uma mesma
empresa; são 50 companhias
apoiadas), que geram uma
receita de R$ 4,1 bilhões e
empregam 18 mil pessoas.
Em 2002 eram 40
empreendedores, uma
receita conjunta de R$ 160
milhões e 2,5 mil empregos.
O último índice que eles
usam é o de pessoas
impactadas pela ONG.
São desde leitores de artigos
na mídia, visitantes do site
deles e os que viram
palestras ou participaram
de workshops. Nas contas
da Endeavor, em 2000
e 2002 o número de pessoas
impactadas em pelo menos
um desses níveis foi 25
milhões. Em 2009 e
2010, dobrou, e chegou
a 50 milhões.
GENTE GRANDE
50
empreendedores compõem
a Endeavor, ONG que presta
ajuda a empresas menores
com potencial a serem
grandes em seu segmento.
10
candidatas, entre as 1,5 mil
que procuram, conseguem
se filiar à Endeavor.
BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30, e 31.7.2011 | A3
Henrique Manreza
Grandes oferecem
ajuda a pequenos
Entre as ferramentas para
crescer, incluem-se logística
e treinamento de mão de obra
Uma das funções que a Endeavor se propõe a desempenhar é construir relações
entre grandes empresários e empreendedores médios sem muita experiência.
A ideia é que os voluntários facilitem o
desatar de nós que impedem o crescimento do negócio. Foi o que aconteceu
com a empresa de tecnologia Pixellabs.
O problema era uma falta de posicionamento. A Pixellabs não conseguia dizer
claramente quais tipos de produtos oferecia. Muitas pessoas a procuravam para pedir serviços que a Pixellabs não fazia, o que era custoso e desgastante. José Eustachio, sócio-diretor da agência
de publicidade Talent, foi procurado pela Endeavor para ajudar a Pixellabs. e
conversou muito com Daniel Li, o presidente da empresa, Ficou definida nova
comunicação com os três serviços oferecidos: desenvolvimento de jogos, vídeos e totens multimídia. Deu certo e a
demanda aumentou.
Outro tipo de cooperação é mostrar
aos novos empreendedores como funciona um determinado setor de uma empresa. A TAM e a Natura, por exemplo,
abriram suas portas para o Grupo Umbria, dono do Spoleto, Domino's Pizza e
Koni Shop, que precisou pensar em manutenção de restaurantes e distribuição
de produtos. Renata Rouchou, diretora
de expansão do grupo, diz que a empresa é média, mas que usa as mesmas ferramentas das grandes: "temos orçamento base zero, gestão por indicadores e
participação nos lucros e receitas".
O Grupo Umbria ajudou uma empresa ainda menor a crescer. Um dos donos foi abordado, ao fazer uma palestra, pela dona de um salão de cabeleireiros do Rio, o Beleza Natural, Leila Velez, que se tornou ela mesma uma empreendedora Endeavor. O processo seletivo durou seis meses. Em 2005 o salão
possuía 350 funcionários e hoje tem
mais de 1.300.
A Pixellabs recebia
demandas para o
que não produzia.
Um contato
com a Talent
ajudou a melhorar
a comunicação
e a demanda
aumentou. Faltava
clareza no contato
com o público
consumidor
A4 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011
O P ORT U NI D A D E S
Em franca expansão,
mercado brasileiro de pet
movimenta US$ 3 bilhões
Os 31 milhões de cães e os 15 milhões de gatos brasileiros consomem
produção de 1,8 milhão de toneladas de alimentos, segundo a Associação
Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Pequenos Animais
TEXTOS AMUNDSEN LIMEIRA
O tino para o comércio acompanha Nelo
Marraccini, hoje conhecido empresário no
ramo de animais de estimação, desde os 11
anos de idade, quando morava com os pais
no Ipiranga, tradicional reduto da zona sul
de São Paulo. Mesmo sem precisar, naquela
época ele disputava as gorjetas distribuídas
pelas donas de casa entre os garotos que carregavam as sacolas com as compras realizadas nas feiras livres do bairro.
“Sempre gostei de trabalhar, de ganhar
meu próprio dinheiro. Desde pequeno, já
não gostava muito de estudar”, relembra
ele, que além dos trocados que recebia nas
feiras livres ainda encontrava tempo de vender pipas nos finais de semana aos turistas
que, acompanhados dos filhos, visitavam o
“
O que sempre fiz
foi trazer o melhor
produto ao
consumidor,
torná-lo acessível
e agradar a quem
é fiel à marca
Nelo Marraccini
Empresário no ramo de
animais de estimação
Museu do Ipiranga, nos finais de semana.
Hoje, aos 51 anos de idade, Marraccini é
dono da Distribuidora Akron Comercial Ltda., empresa criada no início dos anos 1990
para representar a Royal Canin, conhecido
grupo francês nessa área de produtos pet.
Além da Royal Canin, que emprega cerca de
150 funcionários, ele possui uma marca de
areia higiênica para gatos em parceria com
o irmão, Vinicius Marraccini, sócio também
nas operações da Royal em SãoPaulo. Já a esposa, Laura W. Caruso, também é do ramo,
com uma importadora de produtos do mercado pet, a Marco Polo, e as empresas são
parceiras no sistema de distribuição. “Meu
segredo não tem segredo: o que sempre fiz
foi trazer o melhor produto ao consumidor,
torná-lo acessível e agradar a quem é fiel à
nossa marca”, afirma o empresário.
Nelo Marraccini ainda representa algumas das mais conhecidas marcas de produtos pet, em São Paulo, como a Rações Megazoo, pioneira no setor de nutrição super premium para aves. O objetivo inicial era suprir
a carência nutricional dos pássaros existentes no criatório do Vale Verde Parque Ecológico, em Betim, Minas Gerais, de propriedade do empresário Luiz Otávio Possas Gonçalves, dono do grupo Regon. Junto com a linha de alimentos específica para aves, a Megazoo entrou no mercado de peixes, trocando experiências com criatórios em outros
países como a Alemanha, Espanha, Estados
Unidos, Portugal e República Tcheca.
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Divulgação
Novata, Promen
dobra de tamanho
e segue crescendo
Sem contar com publicidade dos clientes,
empresa de disfunção erétil com apenas
três anos terá filial em Belo Horizonte
Nelo Marraccini, dono da
distribuidora Akron Comercial:
tino para os negócios vem
desde as gorjetas na feira
No rol de produtos pet que distribui, Marraccini trabalha com mais de mil itens, entre acessórios, brinquedos e produtos de higiene e beleza destinados a cães, gatos, hamsters e até furões. Da marca São Francisco
Produtos e Acessórios Pet oferece uma linha
exclusiva de coleiras, guias e peitorais, todos adequados para cada espécie, além de
uma linha veterinária exclusiva que inclui
focinheiras e colares protetores. Atualmente, essa marca mantém uma parceria exclusiva com a The Walt Disney Company, tendo
os direitos de fabricar acessórios e cosméticos licenciados.
Outro segmento em que atua é o de petiscos para cães, a V.I.P.dog, sediada em Araucária, região metropolitana de Curitiba, que
fabrica guloseimas sem adição de cacau ou
açúcar, ingredientes que podem fazer mal à
saúde dos animais.
De acordo com a Anfal Pet (Associação
Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Pequenos Animais), há no Brasil 31 milhões de cães, 15 milhões de gatos e um volume de produção de 1,8 milhão de toneladas de alimentos, que movimentam um
mercado estimado em US$ 3 bilhões. Um
estudo realizado em 2005 pelo Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) mostrou
que o número de lojas pet em São Paulo chegava a 5 mil e em torno de 8 mil em todo o
país, onde estão distribuídos aproximadamente 30 mil pontos de venda.
A cada grupo de 100 homens com
mais de 40 anos de idade cerca de 90
têm problemas de disfunção erétil
(impotência) ou relacionado à ejaculação precoce. Com esses dados nas
mãos e a experiência acumulada nessa área, o publicitário e administrador de empresas Waldir Rosenberger decidiu que havia chegado a hora de ter seu próprio negócio.
Assim, em novembro de 2008,
abriu as portas da Promen, clínica
especializada em distúrbios sexuais,
urologia e andrologia, especialidade médica que trata das doenças do
aparelho genital masculino, voltada para o tratamento de jovens,
adultos e idosos, heterossexuais ou
não. De lá para cá já atendeu mais
de 20 mil pacientes na matriz de
São Paulo e nas filiais do Rio de Janeiro e de Curitiba. “Ao contrário
das mulheres, que costumam tratar
abertamente de seus problemas sexuais com as amigas, os homens
não assumem nem para eles mesmos que têm dificuldades de ereção”, comenta Rosenberger, que antes da Promen era um dos principiais executivos do Boston Medical
Group no Brasil, conhecida clínica
americana para tratamento de impotência sexual masculina.
Com menos de três anos desde a
abertura da primeira unidade de negócios paulistana, Waldir Rosenberg se prepara agora para o segundo salto de crescimento da sua empresa, cujo faturamento, em 2010,
mais do que dobrou em relação ao
exercício anterior. Até o final deste
ano, além de inaugurar a Promen
de Belo Horizonte, a expectativa é
elevar o atendimento dos atuais
800 para cerca de mil o número de
pacientes atendidos mensalmente.
“Nossa intenção é continuar crescendo seja com a entrada de novos
sócios, seja com a injeção de capital”, projeta ele, que tem quatro sócios, cada um com 15% de participação na companhia.
O empresário calcula que, atualmente, o investimento necessário
para abrir uma clinica como a unidade da Promen de São Paulo não sairia por menos de R$ 400 mil. Quando começou, lembra, tinha apenas
12 funcionários, quadro que hoje em
dia chega a 63. Fazem parte do corpo clínico seis médicos entre clínico
geral, andrologistas e urologistas, e
mais seis farmacêuticos, além de
uma equipe de call center especialmente treinada para atender o cliente disposto a pagar entre R$ 1,2 mil e
R$ 7 mil por dois meses ou até um
ano de tratamento.
Waldir Rosenberg explica que disfunção erétil é um problema de saúde que pode ser tratado da mesma
forma que a hipertensão, diabetes,
problemas de próstata, entre outros. Como está relacionado à idade
— aumenta em cerca de 40% aos 40
anos e, aproximadamente, em 70%
aos 70 —, “quanto mais cedo o homem procurar ajuda, mais curto e
mais barato é o tratamento e os resultados são sempre melhores”.
Disfunção erétil e ejaculação precoce não são consideradas doenças
pelos planos de saúde. Além disso,
Rosenberg afirma que a população
masculina com mais de 40 anos deverá dobrar no país até 2034, ampliando assim o potencial do mercado. Hoje em dia, para chegar até esse público, a Promen investe em
campanhas publicitárias “discretas” veiculadas em rádio, televisão
e jornais.
O empresário calcula
que, atualmente, o
investimento necessário
para abrir uma clínica
como a unidade da
Promen de São Paulo
não sairia por
menos de R$ 400 mil
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M U DANÇ A D E F O R M A T O
Fotos: divulgação
Mário Ponci Neto,
da Chilli Beans,
diz que quiosque e
loja têm, cada qual,
suas vantagens
Investidor
é o segredo
A migração do quiosque para
loja faz parte da evolução
natural de uma marca, na
opinião de Rosana Macedo,
sócia-diretora da Fundição
Filomena, de bijuterias e
acessórios. Ao lado de sua
sócia, Rita Mascarenhas, ela
partiu de oito quiosques em
2008 para 30 em dezembro
deste ano. Para 2012, os
planos da empresa apontam
para, no mínimo, 40 balcões.
“Os shoppings pressionam o
franqueado por perceber que
o movimento é bom e querer
que a marca se fixe em uma
loja, mas nem sempre é fácil”,
admite ela, que aponta a
captação de investidores
como um dos grandes
desafios. Para ter uma
franquia da Fundição,
o interessado paga
R$ 82 mil por um quiosque.
Mas no caso de loja, o valor
pode alcançar até R$ 400 mil.
Por crescer e aparecer, Chilli
Beans passa do quiosque à loja
Apesar de empurradas ao crescimento, pequenas empresas enfrentam riscos no trajeto entre o
quiosque e a loja de shopping. Financiar a expansão é o principal desafio e pode pôr tudo a perder
TEXTOS LEDA ROSA
Há 11 anos, a Chilli Beans, grife do segmento
de óculos escuros e acessórios, tinha um único ponto de venda, um quiosque no shopping Villa Lobos, em São Paulo. Dois anos depois, já prestigiada entre os jovens, abriu a
primeira loja, no shopping Ibirapuera. Hoje
tem 343 balcões no Brasil e oito no exterior.
Mesmo sendo empurradas ao crescimento pelo ótimo desempenho, as pequenas empresas enfrentam riscos no trajeto entre o
quiosque e a loja. Situações como aumento
dos custos e menor visibilidade podem comprometer a expansão. Mas empresas como a
Fom, de acessórios de conforto, e a Fundação Filomena, de bijuterias, encaram o desafio apostando no planejamento criterioso e
no monitoramento das novas unidades.
“É muito mais fácil ser visto em um
quiosque, o cliente passa e praticamente
tropeça no produto, olha de modo mais
descompromissado, isso facilita muito a
venda”, diz Mario Ponci Neto, diretor de
expansão da Chilli Beans, atualmente a
maior rede especializada em óculos escuros da América do Sul. Para ele, o mercado comporta ambos os pontos. “Loja implica venda mais demorada, com mais peças comercializadas por atendimento.”
“
É muito fácil ser
visto em um
quiosque no
shopping. O cliente
praticamente
tropeça no
produto. O olhar
descompromissado
facilita
muito a venda
Mário Ponci Neto
Diretor de expansão
da Chilli Beans
Atualmente, o tíquete médio da empresa
é R$ 142.
Com apenas 10 pontos de venda próprios,
a rede Chilli Beans avança com base nas franquias. Para o franqueado, um quiosque custa R$ 120 mil. Uma loja não sai por menos
de R$ 320 mil. “Com a diferença de que, se
o quiosque estiver mal posicionado, é bem
mais fácil erguê-lo e levá-lo a outro corredor. Já retirar uma loja de um ponto e instalá-la em outro envolve custos mais elevados e muito mais tempo”, compara Ponci.
Cerca de 65% da Chilli são compostos
por lojas e o restante por quiosques. Até dezembro a marca pretende ter 400 balcões e,
em 2012, a perspectiva é abrir mais 100 pontos, mantendo a proporção.
“A localização é uma questão crucial na
migração do quiosque para a loja”, diz Rosendo de Sousa Jr., consultor do Sebrae-SP.
Segundo o especialista, antes de efetivar a
mudança, o empresário precisa conferir se
o novo endereço vale a pena. “Pontos em final de corredor sem saída ou próximo a sanitários normalmente têm baixo fluxo de
clientes, o que pode acarretar prejuízos. Os
shoppings grandes costumam ter este levantamento pronto, mas se não for o caso, o em-
preendedor deve analisar o número de pessoas que passam pelo local em variados dias
e horários e comparar com o público que
transita em frente ao quiosque.”
Outro aspecto importante a ser considerado antes de abandonar o quiosque é o custo.
“A loja envolve despesas mais significativas
e requer um volume de vendas muito
maior, normalmente algo que envolve um
aumento de 100%. Essa mudança no patamar dos gastos costuma complicar o crescimento de algumas empresas que não se prepararam de forma adequada. Cabe ao empresário fazer uma análise atenta do mercado
para ver se é viável”, diz Rosendo. Por outro lado, ele alerta que o estudo deve incorporar as vantagens do novo ponto, tais como melhor fachada, possível vitrine, a incorporação de novos produtos e uma exposição mais atraente das mercadorias.
Finalmente, é essencial comunicar a mudança aos clientes e trazê-los para o novo
endereço. “Isto pode ser feito via mala direta, ou por meio de avisos que utilizem a estrutura do shopping, com uso de banners,
faixas e filipetas distribuídas nos corredores. Ou ainda, um mix de ambas ações”, sugere o consultor.
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Sem ambientação,
negócio não deslancha
Sidney Rabinovitch
e Betina Lafer: 1º
quiosque no Shopping
Market Place
Evolução do quiosque para a loja exige que o
empresário tenha estofo para arcar com as mudanças
Poucos resistem a passar por um quiosque
da Fom sem tocar em seus pufes e almofadas imensos. Essa percepção nasceu a partir
da experiência do casal proprietário, Sidney
Rabinovitch e Betina Lafer, no quiosque do
shopping Market Place, em São Paulo. Aquele era o único ponto de venda da empresa
em 2006, início das atividades. Em cinco
anos a marca se espalhou por 50 shoppings
do país, instalados em 25 cidades. “Nosso diferencial é tátil, essa experiência do toque é
o motivador da venda”, diz Rabinovitch.
Com expectativa de crescimento de pontos de venda entre 30% e 40% em 2012, o
empreendedor vê como fundamental a expansão do número de lojas. “Vários produtos nossos têm grande volume e necessitam
de ambientação adequada, o que só pode
ser oferecido em lojas”, afirma ele, que tem
20 pontos de venda próprios e aposta na ampliação por meio de franqueados. Se os pla-
nos derem certo, em 2012, as franquias devem ser mais que o dobro do atual patamar.
Loja custa o triplo
Para operar uma franquia da Fom é preciso
desembolsar cerca de R$ 120 mil por um
quiosque. Se o objetivo for uma loja, o gasto
salta para R$ 350 mil. Justamente por conta
da diferença do custo, o empresário enfatiza que a migração de um quiosque para uma
loja tem critérios bem definidos. “Só acho
conveniente essa mudança para franqueados que tenham estofo financeiro para arcar
com a evolução”, frisa. O cuidado se explica
pela necessidade do faturamento da loja
atingir pelo menos o dobro do quiosque.
Em alguns casos, a demanda suporta até
ambas as formas no mesmo shopping. Em
um endereço do Rio, a marca mantém um
quiosque em um andar e loja em outro. "O
quiosque é bom mas também apresenta des-
O diferencial da
Fom é tátil, pois
a experiência da
venda passa pela
atratividade e pelo
toque do cliente
nos produtos
expostos
vantagens. Primeiro, é um dos valores mais
altos do país por metro quadrado e não te
oferece nada, porque o contrato com shopping não dá segurança alguma. Ainda é preciso considerar que no quiosque o cliente
tende a desfocar, ficar menos concentrado
porque tem uma infinidade de coisas acontecendo em volta, é bem mais complicado trabalhar a venda. “Já na loja, frisa o empresário, o cliente desacelera, observa melhor os
produtos e fica mais propenso a comprar.
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N E G ÓC IOS
Bens de família deram origem à
imobiliária que só atua no centro
Divulgação
Cuidar dos bens herdados foi a alavanca que moveu o
empreendedor a começar a vender e a alugar imóveis
Marcelo Lara
aliou o patrimônio
familiar a momento
de raro aquecimento
do mercado
TEXTOS AMUNDSEN LIMEIRA
A flexibilização dos contratos de financiaPor esta razão, sua equipe de 15 corretores
mento de longo prazo para a compra de imó- é treinada não só para conhecer o mercado
veis permitiu que mais de 30 milhões de bra- em si, como até demonstrar conhecimentos
sileiros tivessem acesso ao crédito pela pri- sobre astrologia, por exemplo. "Atualmente,
meira vez, nos últimos cinco anos. Para cada um deles consegue fechar a venda de
atender a essa demanda, “entrou muita gen- um a dois imóveis por mês, pelo menos", diz.
te nova no mercado imobiliário. Proporcionalmente, as pequenas e médias imobiliá- Estilo de vida do cliente
rias aumentaram bastante sua participação Para personalizar ao máximo o atendimento,
no segmento de imóveis usados”, constata Lara conta que seus corretores são preparados também para levantar inforLuiz Fernando Gambi, diretor
mações sobre o dia a dia do
de comercialização do Sindicato da Habitação do Estado de Em dois anos, o cliente que sejam relevantes paSão Paulo (Secovi-SP). Como metro quadrado ra a escolha do melhor negóhá uma enorme carência de do imóvel usado cio, como as vias que mais acessa, os pontos que mais frequenmoradia no país, Gambi acredita que esse novo mercado se no centro saltou ta, as facilidades que busca na
região, entre outras. “O objetimanterá aquecido por “mais al- de R$ 500 a
vo é nortear o cliente para que
guns anos”.
R$
700
para
ele sempre faça a melhor escoA Marcelo Lara Negócios
lha para o seu estilo de vida”.
Imobiliários é um desses pe- R$ 2 mil.
O empresário lembra que coquenos negócios que surgiram A locação
meçou com apenas três correno mercado na esteira desse passou de
tores, quadro que chegou a 30,
boom imobiliário. Criada há
há dois anos. Do exercício pasquatro anos, a empresa surgiu R$ 5 para R$ 20
sado até agora, ele calcula que
da necessidade do seu proprietário de administrar os imóveis da família, a venda de imóveis cresceu uns 30%, aproxia maioria localizada na região central da ci- madamente, mas a situação, segundo ele, já
esteve bem melhor.
dade de São Paulo.
“Este ano, o mercado deu uma enfraqueci“Entendemos que a compra de um imóvel é uma das mais importantes decisões na da devido à elevação excessiva dos preços
vida de uma pessoa”, enfatiza Marcelo La- dos imóveis”, afirma.
Segundo ele, de dois anos para cá, o mera, 28 anos, que junto com o sócio e amigo
Thiago Britto, também com 28 anos de ida- tro quadrado do imóvel usado na região cende, está à frente desse empreendimento tral de São Paulo saltou de R$ 500 a R$ 700
voltado para a venda e locação de imóveis para até R$ 2 mil, enquanto os valores pratiresidenciais principalmente nas áreas da cados para a locação pularam de R$ 5 para
Praça da Sé, Praça da República, Bairro da até R$ 20 o metro quadrado, em igual intervalo de tempo.
Luz e Largo São Bento.
Mídia indoor revigora com Cidade Limpa
Nike, JBS/Friboi,Unilever, Banco do Brasil, Petrobras e outras gigantes utilizam o formato de
divulgação de produtos e serviços entre quatro paredes. Negócio cresce 30% a 40% ao ano
De academias de ginástica, salões de beleza,
livrarias e campos de golfe a lan houses, maternidades, livrarias, clubes e hotéis, a Mídia em Foco — Inteligência Indoor, especializada na comercialização de novas mídias, está presente hoje em pelo menos quatro mil espaços diferentes no país distribuindo produtos, promovendo degustações em
displays, painéis e totens para clientes tão
diversos como a Nike, JBS/Friboi, Unilever,
J&J, Procter & Gamble, Banco do Brasil,
HBO, Petrobras, Ministério das Cidades, entre outros do mesmo porte.
Mas nem sempre foi assim. Quando foi
criada em 2002 pelo engenheiro André
Bronstein, 35 anos, e pelo economista Ro-
ger Grinblat, também de 35 anos de idade, a
empresa não passava de uma sala de 30 metros quadrados, na Vila Olímpia, zona sul de
São Paulo, ocupada por um quadro de funcionários formado apenas pelos dois sócios.
“Atualmente, temos vinte funcionários
em São Paulo, representantes nas principais
capitais brasileiras e chegamos a contratar
até 200 pessoas por campanha de apenas
um dos nossos clientes”, conta Bronstein.
Segundo ele, em 2010, a Mídia em Foco
cresceu 120% e registrou um volume de vendas de R$ 9 milhões. Além disso, o número
de campanhas aumentou cerca de 20%, no
período. Para 2011, a expectativa era crescer
no mínimo 30%, em faturamento, mas devi-
De 20 funcionários
quando foi criada,
a empresa passou
a 200 pessoas
contratadas em
algumas campanhas
específicas.
2010 foi o ano
em que o
negócio duplicou
do ao desempenho do primeiro semestre, essa meta deverá ser revista para cima até o final do exercício, acredita o sócio-diretor.
Cidade Limpa
Na opinião de André Bronstein, o divisor de
águas aconteceu em 2007, com a chamada
Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors e regulamentou a propaganda nos locais públicos de São Paulo.
“Essa lei mudou a cara do mercado da mídia exterior. Muitos clientes não tiveram outra alternativa senão migrar para a mídia indoor”, diz ele, para quem, de lá para cá, a taxa de crescimento médio da sua empresa
tem se mantido entre 30% e 40% ao ano.
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