www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br SEXTA-FEIRA E FIM DE SEMANA, 29, 30 e 31 DE JULHO, 2011 | ANO 3 | Nº 484 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA Ronaldo Carvalho, da Drogaria São Paulo, reage à fusão entre Droga Raia e Drogasil com planos de abrir o capital e instalar 50 novas lojas. ➥ P18 Murillo Constantino Laboratório Cristália investe 11% do faturamento em inovação, acima dos 7,5% de 2010, para desenvolver tratamentos diversos. ➥ P16 R$ 2,00 Novas marcas avançam sobre velhas montadoras Fiat, VW, Ford e General Motors perdem 3 pontos percentuais de vendas no primeiro semestre Cada ponto percentual representa 35 mil automóveis vendidos. Montadoras menores, em especial francesas e asiáticas, aumentam rapidamente sua presença no país. A Districar, representante das asiáticas Haima, Chana, SsangYong e JMC, por exemplo, vai investir R$ 300 milhões em fábrica no Brasil. Local de insta- lação deve ser anunciado em dois meses. Foton Aumark, principal montadora de caminhões da China, já tem veículos em teste por potenciais clientes. ➥ P4 Fernando Souza/O Dia Brasil terá de importar gasolina até 2015 Escolhas difíceis mobilizam as pequenase médias. Na Endeavor, as grandes ensinam. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli , afirma que, com o crescimento acelerado das vendas de veículos, a estatal não terá como atender à demanda interna e vai ser obrigada a importar gasolina neste e nos próximos quatro anos. ➥ P12 Distribuição de rendimentos valoriza fundos imobiliários O valor de mercado dessas carteiras tende a ser maior quanto mais repasse de renda aos cotistas é feito a cada mês. Lançado em 2010 a R$ 100, o BC Fund é um exemplo. Depois de propor elevar os proventos, as cotas chegaram a atingir R$ 110. ➥ P30 Sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo é marcado por crise Vale lucra R$ 10,2 bi no trimestre e projeta alta nos preços do minério Risco inflacionário com elevação do dólar está descartado Durante o evento, o governador Sérgio Cabral terá a oportunidade de reverter a agenda negativa que tomou rumos políticos com as declarações do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e atrasos nas obras de infraestrutura. ➥ P22 Resultado representa aumento de 54,9% ante os R$ 6,63 bilhões do lucro líquido registrado no segundo trimestre de 2010. A forte expansão chinesa, confia a mineradora, deve garantir rendimento maior neste semestre. ➥ P40 Na avaliação de economistas e membros da equipe econômica, a alta da moeda americana em razão do pacote cambial , anunciado na quarta-feira, não aumenta a chance de ocorrer uma escalada nos preços. ➥ P28 INDICADORES ▲ ▲ ▼ ▼ ▲ ■ ▲ ▼ ▲ ▼ ▲ ▲ 28.7.2011 TAXA DE CÂMBIO COMPRA VENDA Dólar Ptax (R$/US$) 1,5643 1,5651 Dólar Comercial (R$/US$) 1,5648 1,5663 Euro (R$/€) 2,2371 2,2384 Euro (US$/€) 1,4301 1,4302 Peso Argentino (R$/$) 0,3777 0,3783 JUROS META EFETIVA Selic (ao ano) 12,50% 12,42% BOLSAS VAR.% ÍNDICES Bovespa - São Paulo 0,72 58.708,25 Dow Jones - Nova York -0,51 12.240,11 Nasdaq - Nova York 0,05 2.766,25 S&P 500 - Nova York -0,32 1.300,67 FTSE 100 - Londres 0,28 5.873,21 Hang Seng - Hong Kong 0,13 22.570,74 2 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 NESTA EDIÇÃO OPINIÃO Murillo Constantino EDP Brasil lucra R$ 316 milhões no primeiro semestre deste ano A subsidiária brasileira da EDP representa 21% dos resultados globais da empresa. O diretor-presidente da Energias do Brasil, António Pita de Abreu, diz que o país é valioso para a companhia e descarta uma nova venda de ativos. ➥ P20 Hotéis de luxo querem cativar os viajantes brasileiros A rede italiana Lungarno Collection firmou parceria com a Global Hotel Alliance para atrair mais turistas do país, que, segundo o presidente Christopher Hartley da GHA, o Brasil e outros emergentes são os que têm mais potencial de crescimento no segmento de luxo. ➥ P21 Michael Dalder/Reuters Paulo Rabello de Castro Solange Beatriz Palheiro Mendes Chairman da SR Rating e presidente do conselho estratégico da Fecomercio [email protected] Diretora da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) Euro: noivo neurótico, noiva nervosa Microsseguros e educação financeira Não durou nem uma semana o efeito positivo do anúncio do novo megapacote de socorro à Grécia. Paradoxalmente, o momento delicado para a União Europeia não se refletiu numa fraqueza de sua moeda. O celebrado Nouriel Roubini prognosticou anteontem a saída de Portugal e Irlanda da União Europeia, “com uma probabilidade de 30%”. O imaginativo economista não chegou a dizer como calculou tal percentagem e com tal precisão, mas argumentou que o arrastar da crise de endividamento nesses países, por anos seguidos, deverá induzir as populações afetadas por sacrifícios exagerados a votar por um abandono da disciplina imposta pelos credores, desligando-se da comunidade e recriando suas próprias moedas, naturalmente mais fracas e inflacionárias. Este cenário de “noivo neurótico, noiva nervosa” pintado por Roubini e outros, em que o noivo, no caso os credores bancos e países mais fortes, se desespera com a incapacidade de pagar da noiva nervosa, não tem cabimento em confronto com os interesses da própria noiva em permanecer no casamento. O embate surdo entre os credores dos grandes endividados europeus, no momento, é sobre como se implantar regras distintas para eventuais recortes de dívidas aplicados aos diversos devedores. Na Europa, o panorama dos endividamentos cruzados entre bancos privados, agências estatais de fomento, governos e seus respectivos bancos centrais é em tal ordem opaco e confuso que se torna exercício inútil calcular vantagem pelo corte do vínculo monetário de cada país com a moeda comum. Entretanto, a “noiva nervosa” reconhece desde logo uma coisa: ficará bem pior e mais pobre sem seu noivo neurótico! Prognóstico: um brutal nível de empobrecimento da economia portuguesa na hipótese de seu desligamento da União Europeia. O Brasil já atingiu um nível de consumo de um país desenvolvido, onde as classes C e D têm contato com produtos e serviços que antes estavam somente no imaginário das famílias. A estabilidade econômica e o crescimento do PIB nos últimos 16 anos possibilitaram um significativo ganho de renda e ascensão social da população brasileira. Essas conquistas podem ganhar sustentabilidade em médio e longo prazo se alicerçadas em ações estratégicas com foco na educação financeira do consumidor. Um estudo encomendado pela CNseg e divulgado no início do ano apontou que, nos últimos dez anos, aproximadamente 20 milhões de pessoas saíram da linha da miséria no Brasil, passando a ingressar nas classes D, C e B. A expansão da classe C, em especial, é um fenômeno crescente desde o início dos anos 90, mas ganhou fôlego a partir de 2003. Hoje, 105,4 milhões de pessoas formam esse estrato social, equivalente a 55% da população. Os custos financeiros do abandono do barco europeu me parecem muito maiores do que os custos fiscais do sacrifício de permanecer no bloco Black music cai no gosto popular com legado de Amy Winehouse A cantora Amy Winehouse trouxe os holofotes de volta para a black music, especialmente após a sua morte. O estilo serviu de base para vários ritmos e prova da sua popularidade é o Black na Cena, que aconteceu em São Paulo no fim de semana. ➥ P26 Credenciadora local de cartão de olho em bandeiras estrangeiras Com os eventos esportivos como a Copa de 2014 e as Olimpíadas em 2016, empresas como a Redecard e a Cielo querem que os turistas estrangeiros usem os plásticos em suas “maquininhas”. Na Copa da África, em 2010, os gastos com cartões subiram 82% . ➥ P31 Por outro lado, não vejo como a recriação do Escudo, a antiga moeda portuguesa, proporcionará a desejável vantagem competitiva aos produtores portugueses, ao adicionarmos os reflexos fortemente negativos nos mercados financeiros, pela impossibilidade de Portugal acessar taxas de juros em euros. Os custos financeiros do dia seguinte ao abandono do barco europeu me parecem muito maiores e mais duradouros do que os custos fiscais do sacrifício de permanecer na União. Mas não é só pelo lado da noiva nervosa. O noivo neurótico também não terá interesse em administrar os reflexos políticos de uma união fracassada. Na experiência histórica da região, esse tipo de desapontamento político evoluiu para guerras cruentas. A alternativa de assumir o prejuízo financeiro nos balanços bancários e nos orçamentos públicos começa a parecer mais palatável aos políticos do que a perspectiva de uma Europa fragmentada, com barreiras imigratórias e uma nova política de ódios entre vizinhos. O episódio do sangrento e covarde atentado desta semana na Noruega é parte desse ódio. A Europa civilizada não tem como recuar de seu projeto comunitário, principalmente quando visto na perspectiva maior da futura geopolítica dos blocos mundiais ao longo deste século. Minhas fichas ainda estão na força da União Europeia. A questão relevante continuará sendo como distribuir a conta do almoço. ■ O microsseguro é um produto de tíquete baixo, voltado especialmente para o consumidor com renda de até três salários mínimos O avanço social e o ganho de renda da população se refletem positivamente no consumo, especialmente com a fartura de crédito. Assim, essas famílias vão gastando mais, e, ao mesmo tempo, vão contraindo dívidas. A questão é que esses consumidores não estão poupando porque não têm a cultura de planejamento financeiro. Três pesquisas — da LCA Consultores, FecomércioSP e Serasa Experian — confirmaram que o endividamento do brasileiro atingiu nível recorde em 2011 e a inadimplência está aumentando. O levantamento da LCA apontou que a dívida total das famílias há quase um ano e meio atrás equivalia a 35% da renda anual, ou 4,2 meses de rendimento. Em abril deste ano, subiu para 40% da renda, ou 4,8 meses de rendimento. Dados da Fecomércio—SP apontam na mesma direção: de janeiro a maio deste ano, em média 64% das famílias que vivem nas 27 capitais do País tinham dívidas, contra 61% em igual período do ano passado. Já o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor constatou que o calote subiu 22% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado. Ou seja, apesar dos ganhos de renda da população brasileira, há indicadores claros de que as dívidas estão abocanhando uma parcela cada vez maior dos rendimentos dos brasileiros. Isso porque esse consumidor ainda não tem a cultura de planejar as finanças e mitigar os riscos. É nesse contexto que o microsseguro se apresenta como uma alternativa viável, um produto de poupança — e também de educação financeira — que pode garantir e proteger os ganhos de renda e a ascensão social. O microsseguro é um produto de tíquete baixo, voltado para o consumidor com renda de até três salários mínimos, e atende às necessidades dessa população. Para viabilizar o microsseguro no Brasil, o mercado segurador precisa, além de trabalhar com preços menores, flexibilizar os canais de distribuição e comunicação para falar diretamente com esse público, mostrando a importância de proteger os ganhos de renda e o patrimônio construído pelo trabalhador. Entre outras ações será estratégico o papel do corretor especializado. Primeiramente, é preciso entender o que esse consumidor quer e fazer com que ele também entenda o mercado segurador para o desenvolvimento de uma modelagem mais adequada para o microsseguro. Assim, é necessário estabelecer um diálogo com esse consumidor, conhecer suas necessidades, mostrar para ele a importância do seguro e criar nele essa cultura. O grande desafio, que vai além da educação financeira, é o da mudança cultural do brasileiro. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 3 Roberto Stuckert Filho/PR Avanço HUMALA PROMETE INCLUSÃO SOCIAL DURANTE POSSE Reprodução Copa do Mundo terá impactode 1,5%no PIB nos próximos três anos Emumestudosobre os impactoseconômicos daCopa doMundo de2014, IllanGoldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco, disse que os investimentospúblicose privadosparao eventovãoalavancar o PIB eabrirão caminhoparaumaexpansãoainda maiorda economiabrasileiranolongo prazo.“O impacto direto dosgastos,tantopúblicos quantodosetor privado, dá1% doPIB, eo resto vemdo efeitodamultiplicação. Quandouminvestimentoé feito paraaCopatem o efeitodesemultiplicar economia”,disse Goldfajn. Retrocesso Divulgação Maioria dos brasileiros consome mais açúcar que o recomendado Ollanta Humala tomou posse ontem como presidente do Peru prometendo incluir os pobres do país nos benefícios trazidos pelo crescimento econômico — em torno de 10%. A cerimônia contou com vários líderes de estado, entre eles a presidente brasileira, Dilma Rousseff. ➥ P36 Aanálisedeconsumo alimentar doInstitutoBrasileiro deGeografiaeEstatística(IBGE),divulgada ontem, apontouque nocasodasadolescentes aingestão excessivadeaçúcar émais comum.Entre os idosos, quase80% delesingerem maisgordura saturadado queo limitetolerável. Opesquisador doIBGE André Martinslembrouque nas últimasanálisesdesse mesmo levantamento,os adolescentesrevelaramíndices preocupantesde sobrepeso.“Até os10 anos, a populaçãoestáumpouco protegida dosobrepeso, mas, dos10 oumais,ascriançascomeçam aterliberdade sobreo quecomem, ea gente observaque jáderam um bomaumento naprevalência dosobrepeso”, alertou. TRÊS PERGUNTAS A... Divulgação Serafina planeja cinco novas unidades e faturar R$ 13 milhões ...MARCELO ALCANTARA Sócio-fundador da filial do restaurante Serafina no Brasil A rede de restaurantes Serafina, de Nova York, chegou ao Brasil em agosto do ano passado por meio do grupo MPRD que, após faturar R$ 5,5 milhões em apenas quatro meses, prepara a ampliação da matriz e a inauguração de cinco unidades. Onde serão implantadas as novas unidades e quando serão inauguradas? Em São Paulo teremos um restaurante no Itaim, com previsão de abrir as portas até dezembro deste ano, na Vila Olímpia no primeiro semestre de 2012 e Alphaville no segundo semestre do próximo ano. Em 2013 abriremos uma unidade no Leblon, mas já estamos de olho em outra na Barra. Também abriremos uma unidade em Brasília até 2013. Os fundadores estão acompanhando todo o processo de escolha dos locais. O Grupo MPRD será responsável por todos os restaurantes? Não, estamos procurando por investidores, que poderão ter participação de cerca de 25% do negócio. A matriz americana fica com 10% e o restante pertence ao grupo. Qual o custo de implantação de cada restaurante e a previsão de faturamento com a inclusão das novas unidades? Na matriz, que é a unidade modelo, foram investidos R$ 3,5 milhões. Nas novas unidades serão gastos cerca de R$ 2,5 milhões. Esperamos faturamento de R$ 13 milhões em 2011 com a unidade do Itaim e a inauguração no dia 23 de agosto do jardim da matriz para eventos. Weruska Goeking 4 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA Editora: Fabiana Parajara [email protected] Novas montadoras estão no encalço das grandes No primeiro semestrdo ano, Fiat, VW, Ford e GM perderam 3 pontos percentuais de participação, um volume equivalente às vendas da Citroën. E a tendência é perder ainda mais Ana Paula Machado [email protected] A pulverização do mercado brasileiro de automóveis com a entrada de novas marcas, principalmente asiáticas, já é percebida nas ruas. As quatro grandes montadoras do país, Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford, que durante anos detiveram juntas mais de 80% das vendas, perderam, somente no primeiro semestre deste ano, 3 pontos percentuais na participação total das vendas, segundo dados da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenabrave). Cada ponto percentual deste mercado representa cerca de 35 mil carros vendidos. Para se ter ideia do tamanho da perda das Big Four — como são conhecidas essas quatro montadoras —, só a francesa Citroën levou dez anos para obter cerca de 3% do mercado nacional. Para conquistar este percentual, a marca conta com uma rede de 160 revendedores e fábricas em Porto Real (RJ) e na Argentina. O que surpreende é o ritmo de avanço de novos competidores, que acelerou rapidamente. No primeiro semestre de 2009, Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford detinham 77,1% do total de vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil. No mesmo período do ano passado elas fecharam com 74.3% de participação. Entre janeiro e junho deste ano, a soma delas em vendas caiu para 71,3%. Luiz Carlos Mello, ex-presidente da Anfavea e consultor do Centro de Estudos Automotivos, acredita que esse movimento não foi pontual. Para ele, a diluição do mercado deve se intensificar nos próximos anos. “Nenhum país tem tantas marcas no mercado como o Brasil. As grandes é que perdem”, diz Mello. “Mas, para isso, os novos concorrentes têm que ter, além de produtos que atraem o consumidor brasileiro, uma es- Montadoras francesas, coreanas e chinesas estão entre as mais preparadas para ampliar participação de mercado. Asiáticas, mesmo sem fábricas no país, contam com boa rede de distribuição trutura no país. É isso que vai dar a elas condições de brigar com as outras empresas”. E as montadoras francesas, coreanas e chinesas, principalmente, parecem preparadas para isso. Elas estão forte no mercado nacional, com uma boa estrutura de concessionárias, capaz de sustentar o aumento de vendas. As asiáticas ainda não têm fábricas em território nacional, mas isso é só uma questão de tempo (leia mais nas páginas 6 e 8). Estruturação Segundo o consultor automotivo, Ronaldo Rondinelli, a rede de distribuição e o pós-venda são questões importantes para o estabelecimento dos novos concorrentes no mercado brasileiro. “Quem está há mais tempo no Brasil leva uma certa vantagem em relação à distribuição. As novas empresas que terão mais sucesso serão aquelas que tiverem uma rede bem estruturada”, diz Rondinelli. A Jac Motors, por exemplo, em um só dia inaugurou mais de 50 revendas no país. A coreana Kia Motors ganhou participação no mercado com a estruturação de uma rede de concessionárias e produtos mais atrativos ao consumidor brasileiro (veja a evolução no quadro ao lado). Diversidade Somando-se as marcas nacionais e estrangeiras, o Brasil conta com 77 empresas que comercializam veículos em todo o território nacional. Atualmente, são cerca de 800 modelos de automóveis e comerciais leves à disposição do consumidor. Para o diretor da ADK Consultoria, Paulo Roberto Garbossa, o mercado deverá se acomodar nos próximos cinco anos. Quem se sairá melhor, diz ele, serão aquelas montadoras com estrutura mais eficiente. “Tudo é uma questão de tempo”, afirma. “As quatro grandes vão perder participação para as pequenas e o mercado vai se acomodar. Em até cinco anos, Fiat, Volks, GM e Ford, deverão deter 60% das vendas”, estima Garbossa. Mas o preço também tende a ser um importante fator na conquista de clientes. Neste caso, são as asiáticas que se destacam. A Chery, por exemplo, tem o modelo QQ, um compacto que custa cerca de R$ 23 mil. Os carros populares, porém, não são os únicos a despertar o interesse dos clientes (leia mais na reportagem ao lado). A JAC Motors, por exemplo, vendeu 8,69 mil carros em quatro meses de vendas. A marca estreou no Brasil em março e, no primeiro mês, comercializou 588 carros. Por enquanto, ela tem um único modelo à venda, o J3, nas versões hatch e sedã, que custam a partir de R$ 37 mil. ■ MERCADO EM ALTA 1,63 milhão foi o volume de automóveis e comerciais leves vendidos no primeiro semestre. EM JUNHO 286,9 mil foi número de carros e comerciais leves emplacados, volume 15,83% maior ante a mesma base de 2010. Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS ➤ ● Districar, que representa as marcas SsangYong, Haima, Chana e JMC no país, anuncia fábrica, com investimento de R$ 300 milhões. Ideia é montar os veículos em território nacional. ➤ ● Chery e Lifan já anunciaram investimentos de R$ 800 milhões para a construção de unidades no Brasil, o que deve acirrar a disputa por participação de mercado. ➤ ● Asiáticas também prometem disputar o segmento de caminhões. Foton Aumark, principal montadora de veículos pesados da China, já tem unidades em teste por potenciais clientes. Adam Dean/Bloomberg Brasileiro quer agora carros mais potentes Vendas de veículos populares não tiveram o mesmo desempenho de outros modelos Demanda aquecida traz montadoras asiáticas ao país O consumidor brasileiro está mais seletivo e quer agora carros com motores mais potentes. Para se ter uma ideia, as vendas de automóveis com motor 1.0 representaram 51,5% do total em junho de 2010. No mês passado, esse percentual caiu para 47,7%. No primeiro semestre, deste ano, esses modelos ficaram com 46,2% do mercado, ante 50,8% no mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Para um mercado que cresceu 10% em geral, os veículos considerados de entrada registraram desempenho abaixo da média. O subsegmento de hatch — entre os populares de entrada — obteve aumento de vendas de 1,45% no período. Estão nesta fatia carros com motor 1.0, como Volkswagen Gol, Chevrolet Celta, Fiat Mille e Ford Fiesta, entre outros modelos. No entanto, estes veículos ainda detêm a maior parcela do mercado nacional. Só no primeiro semestre, eles somaram 468 mil unidades vendidas. No subsegmento dos sedãs de entrada, também com motor 1.0, o desempenho no primeiro semestre foi pior. Estão entre eles, modelos como Chevrolet Prisma, Fiat Siena e Volkswagen Voyage, cujas vendas caíram 16,22% no período — passaram de 144 mil unidades no primeiro semestre de 2010 para 120,72 mil entre janeiro e junho Os carros com motor 1.0 chegaram a deter quase 70% das vendas no Brasil há dez anos. Com a melhora do poder aquisitivo, em razão do crescimento econômico, a tendência é que os carros de entrada percam terreno para veículos mais potentes deste ano. Já os compactos de entrada, aqueles com motor entre 1.4 e 1.6, ampliaram suas vendas em 24,84% — passando de 181,36 mil unidades, em 2010, para 226,41 mil no primeiro semestre de 2011. O diretor da ADK Consultoria, Paulo Roberto Garbossa, disse que isso é uma tendência. Os consumidores migram para carros mais potentes e mais caros assim que fazem a troca de seu veículo. “Carros 1.0 são tipicamente urbanos e as montadoras entenderam que oferecer modelos com motorização maior e mesmo espaço entre eixos, é a melhor forma de conquistar o consumidor”, diz Garbossa. “Será cada vez mais comum ver esses tipos de veículos rodando pelas ruas.” ■ MOTORES Honda faz recall de 102 mil carros no Brasil DIVISÃO Lentamente, as montadoras menores avançam sobre o mercado das quatro gigantes, em % 1º sem/2010 25 23,23 22,74 22,74 22,21 20 1º sem/2011 2,7 milhões 21,34 20,02 de carros foram vendidos no país no primeiro semestre deste ano. Cada ponto percentual da tabela representa a venda de cerca de 35 mil veículos 15 10,09 9,46 10 5,24 5 0 6,05 5,86 4,30 3,45 3,13 2,82 2,98 2,83 PEUGEOT CITROËN 2,24 NC* FIAT VOLKSWAGEN GENERAL MOTORS FORD RENAULT HONDA TOYOTA 1,72 2,38 HYUNDAI Fonte: Fenabrave *nada consta 1: empresa teve problemas de abastecimento por causa do terremoto no Japão **nada consta 2: a participação da montadora foi incluída em Outros 2,19 2,99 NC** KIA OUTROS A Honda anunciou ontem um recall preventivo de 102 mil veículos no Brasil para substituição de componentes do motor a partir da próxima semana. O recall, o primeiro da marca em 2011, envolve sedãs New Civic, um dos mais vendidos pela montadora no país, fabricados entre 2008 e 2011. Entre 2008 e 2010, a montadora vendeu cerca de 149 mil Civics no Brasil, segundo dados da associação de concessionários, a Fenabrave. A convocação está sendo feita para substituição de parafusos da polia da bomba d'água dos motores. Segundo a Honda, os componentes podem se desprender, o que, em casos extremos, pode fazer o motor parar com o carro em movimento. O problema pode dificultar o controle do veículo, "com risco de colisão". A montadora japonesa anunciou em maio corte de 50% da produção de sua fábrica em Sumaré, no interior de São Paulo, por causa da escassez de peças de fornecedores atingidos pelo terremoto e tsunami que arrasaram o Nordeste do Japão em março. Apesar de sinais de recuperação mais rápida que a esperada do setor automotivo japonês, a Honda no Brasil segue produzindo em ritmo reduzido, informou a assessoria de imprensa da companhia no país. Reuters 6 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA Districar programa investimento de R$ 300 mi em unidade no país Murillo Constantino Importadora de veículos asiáticos quer produzir modelos das quatro marcas que representa no Brasil CHANA 2,4 mil veículos da marca foram comercializados pela distribuidora entre janeiro e junho. Meta era de 6 mil unidades. Segundo a empresa, entraves burocráticos atrapalharam o desempenho. SSANGYONG Michele Loureiro 3,8 mil carros da marca sul-coreana [email protected] O potencial de crescimento do mercado automotivo brasileiro atraiu mais asiáticos para o cenário nacional. A Districar, importadora das marcas Haima, Chana, SsangYong e JMC, vai instalar uma unidade fabril no país e se unir à lista de Chery e Lifan, que recentemente também anunciaram fábricas em território nacional (leia mais na página 8). Com um aporte de R$ 300 milhões, a unidade terá capacidade de produção de 60 mil unidades por ano e deve produzir modelos para todas as marcas comercializadas pela importadora. O modelo da fábrica é conhecido como CKD, ou seja, utiliza conjuntos de peças importadas da China para montar os veículos no Brasil. Segundo Abdul Ibraimo, presidente da Districar, o local ainda não foi definido, mas deve ser anunciado em até dois meses. “Ainda estamos em fase de negociação, mas queremos agilizar o processo para não perder espaço no mercado brasileiro”, diz. Mesmo com resultados de vendas abaixo do esperado no primeiro semestre, Ibraimo tem boas projeções. A marca Chana comercializou 2,8 mil unidades entre janeiro e junho, quando a previsão de vendas era de 6 mil veículos. “Tivemos problemas com homologação de novos produtos. Os entraves burocráticos acabaram retardando nossos planos. Devemos encerrar o ano com 7 mil unidades vendidas, quando a previsão era de 10 mil”, afirma. Além disso, o executivo diz que as medidas de controle de importação adotadas pelo governo brasileiro impactaram o resultado. “Ficamos com muitos carros parados no porto, mas agora a situação já está normalizada”, garante. Mudança de nome Para alavancar as vendas, a Chana mudará de nome a partir de agosto. “Vamos passar a chamar Changan, que é o nome da fábrica. Isso promoverá um novo posicionamento da marca”, diz Ibraimo. Além disso, o portfólio da mar- foram vendidos no mesmo período, O número também ficou aquém das expectativas, mas empresa espera vender 10 mil unidades até o fim do ano. PRODUÇÃO 60 mil unidades por ano é a capacidade estimada para a fábrica que será instalada no Brasil. Abdul Ibraimo, presidente da Districar: local da unidade fabril deve ser anunciado em dois meses “ Tivemos problemas com homologação de novos produtos. Devemos encerrar o ano com 7 mil unidades vendidas, quando a previsão era de 10 mil Abdul Ibraimo ca no Brasil vai ganhar reforços. Em agosto começa a ser comercializada a Mini-Star, um modelo de comercial leve. Em outubro, a Changan amplia seus modelos com a chegada do carro popular Mini-Benni, que sairá por R$ 29 mil e vem para concorrer com o Uno, da Fiat, e com o Celta, da Chevrolet. Além dele, chega também o carro médio Austin, que deve custar entre R$ 34 e R$ 39 mil, e surge para concorrer com modelos como Civic, da Honda. Com os novos produtos, Ibraimo espera vendas de 20 mil veículos da marca em 2012. SsangYong, Haima e JMC A sul-coreana SsangYong também apresentou resultados abaixo do esperado nos primeiros seis meses de 2011 e registrou vendas de 3,8 mil unidades. “Os problemas com homologação de novos modelos também prejudicaram a marca, mas esperamos vender 10 mil veículos até o fim do ano com a entrada do modelo utilitário Korando em agosto”, afirma Ibraimo. As marcas Haima e JMC ainda não comercializam veículos no país, pois aguardam autorizações do governo local. Elas devem integrar o portfólio da Districar a partir de 2012. Para dar conta do aumento do volume, a empresa vai reforçar seu pós-venda e abrir 56 concessionárias até o fim deste ano, alcançando 100 unidades no país. O investimento previsto pela importadora para todo o ano de 2011 é de R$ 70 milhões. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 7 8 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA José Luiz da Conceição Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e executivos da Chery durante o lançamento da pedra fundamental da fábrica da empresa no país, na semana passada Vendas em alta estimulam a instalação de fábricas asiáticas Chery e Lifan já anunciaram investimentos de R$ 800 milhões para a construção de unidades no Brasil Michele Loureiro [email protected] Com expectativa de crescimento de 5% e vendas de 3,7 milhões de veículos em 2011, o mercado automotivo brasileiro tornou-se atrativo para marcas asiáticas, que já representam 73% das vendas das 30 montadoras filiadas à Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva). O cenário de alta nas vendas faz crescer a participação dos veículos importados, elevando também a fatia das marcas chinesas que começam a comprovar que vieram para ficar — elas já fizeram aporte de R$ 800 milhões em fábricas no país. Dois exemplos são a Chery e a Lifan. Ambas anunciaram que passarão a montar seus carros no Brasil. E a tendência é que outras companhias, como Jac Motors, anunciem unidades fabris em breve. Até a primeira quinzena de julho, a Jac emplacou 10.073 veículos, superando a Hafei com 8.879 unidades e a Chery, que vendeu 8.065. No acumulado do ano, só o J3 (modelo mais popular da Jac), emplacou 6.196 unidades, o que lhe rende a 41ª posição entre os mais vendidos no Brasil. O J3 Turin vendeu 3.864 unidades. “Mesmo com o custo alto de se produzir no Brasil e as queixas a respeito da competitividade, o volume de vendas de algumas marcas chinesas começa a justificar a instalação de fábrica no país. Por isso, a tendência é de que as companhias anunciem investimentos para produzir localmentel em breve”, afirmou o consultor do mercado automobilístico, Fábio Redondo. A chinesa Jac Motors estreou em março deste ano e planeja vender 40 mil unidades até dezembro cional. A futura fábrica começa a operar em 2013 com produção de 50 mil a 60 mil carros por ano, atingindo capacidade máxima entre 2014 e 2015, quando fabricará até 170 mil veículos anualmente. A nacionalização da fábrica é de 30%, inicialmente, podendo chegar a 50%, posteriormente. A estimativa é que sejam gerados cerca de 3 mil empregos diretos. A chinesa Lifan também confirmou a construção de uma fábrica da marca no Brasil e o desenvolvimento de um compacto para o mercado nacional. O investimento será de US$ 100 mi- lhões (aproximadamente R$ 160 milhões) e local será definido nos próximos três meses. As obras devem começar ainda este ano, e a produção entre o final deste ano e o começo do ano que vem. A planta terá capacidade para montar 10 mil unidades por ano e as operações serão coordenadas pelo grupo Effa Motors, que representa a marca no Brasil e no Uruguai. Atualmente os veículos são montados em uma planta do grupo em San José, região metropolitana de Montevidéu, Uruguai, que também será ampliada. ■ Investimentos Enquanto algumas marcas seguem importando, a Chery e a Lifan já confirmaram os investimentos locais. A primeira escolheu Jacareí, no interior de São Paulo, para instalar uma unidade de produção com investimento de US$ 400 milhões (cerca de R$ 640 milhões). Esta será a primeira fábrica da montadora fora da China e a estimativa é de chegar até o final do ano com 1% de participação no mercado automotivo na- FINANCIAMENTO Weg vai investir R$ 12 milhões no desenvolvimento de motores elétricos A Weg terá R$ 7,5 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para desenvolver motores elétricos. O valor representa 62,3% do total que a empresa vai aplicar no projeto, orçado em R$ 12 milhões. A conclusão do projeto, que está sendo executado na fábrica de Jaraguá do Sul (SC), está prevista para dezembro de 2013. A tecnologia, além de permitir sistema de refrigeração mais eficiente, chama a atenção “pelo alto potencial de crescimento do mercado de veículos elétricos, com demanda nacional em nichos específicos”, diz o BNDES, em nota. Os sistemas de tração elétrica são uma alternativa ao uso de motores a combustão, sobretudo porque trazem menos impacto ao meio ambiente e são mais eficientes. “Por ser um fabricante brasileiro de geradores e motores elétricos, a WEG pode contribuir ao desenvolvimento de uma indústria nacional de veículos elétricos”, diz o banco. Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 9 10 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 DESTAQUE INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA Guido Krzikowski/Bloomberg Mercado de caminhões leves e semileves está entre os que mais crescem no país Chinesas aceleram os planos para chegar também a caminhões Foton Aumark, principal montadora do segmento no país asiático, já tem veículos em teste por potenciais clientes Ana Paula Machado [email protected] Não é só no segmento de automóveis que as montadoras chinesas querem se firmar no Brasil. As vendas de caminhões leves e semileves, de até 9 toneladas de peso bruto total, também atraem as empresas asiáticas, porque crescem mais do que as de carros e porque têm perspectivas mais positivas no longo prazo. As obras de infraestrutura para Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016 estão entre os motivos para o segmento manter-se em alta nos próximos meses. Pelo menos quatro marcas chinesas já anunciaram vendas de caminhões no Brasil: Pascar, JAC Motors, Sinotruck e Foton Aumark, sendo esta a maior motadora de caminhões da China. A vinda dela para o Brasil é uma empreitada do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, expresidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O lançamento da Foton Aumark em terras brasileiras será feito em outubro deste ano durante o Salão Internacional do Transporte, em São Paulo. E Mendonça de Barros já traçou o plano de negócios para abocanhar uma fatia significativa de um dos mercados que mais crescem dentro do segmento de caminhões, o de veículos entre 3 e 9 toneladas, os chamados leves e semileves. “Vamos trazer primeiro caminhões urbanos, aqueles ideais para entregas dentro das cidades e que não entram dentro de rodízios municipais. Depois, o plano é partir para os veículos mais pesados”, afirma. No primeiro ano de opera- “ Vamos trazer primeiro caminhões urbanos, aqueles ideais para entregas dentro das cidades. Depois, o plano é partir para os veículos mais pesados Luiz Carlos Mendonça de Barros Empresário ção, a Foton Aumark do Brasil espera vender 6 mil unidades. Alguns caminhões já estão em fase de testes com potenciais clientes, como forma de apresentar a marca. “São caminhões que têm os mesmos fornecedores que as montadoras que atuam aqui há mais tempo”, diz Mendonça de Barros. “Então, acredito que não será difícil convencer o cliente brasileiro de que é um caminhão bom.” Concorrência Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), até junho foram comercializados cerca de 81,2 mil caminhões, sendo que 21,5 mil unidades foram de leves e semileves. Este foi o segundo segmento que mais cresceu em vendas no país no período e o que foi responsável pela melhora dos resul- tados das montadoras já instaladas aqui, como a MAN Latin America, atual líder de mercado no Brasil. A empresa alemã, que no início deste mês concluiu a venda de 56% do capital para a Volkswagen, obteve um lucro de ¤ 437 milhões no segundo trimestre deste ano, alta de 58% na comparação com o mesmo período de 2010. O resultado foi puxado principalmente pela participação da América Latina nas vendas de caminhões e ônibus. Na região, o Brasil responde por mais de 80% das vendas Para 2011, a MAN espera uma alta entre 10% e 15% na receita e um retorno sobre as vendas de 8,5%. No acumulado de janeiro a junho, segundo a companhia alemã, o indicador subiu 9,6%. Mas, os chineses prometem dificultar os planos da concorrente alemã. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 11 DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS EM 30 DE JUNHO DE 2011 E 2010 (Valores em R$ mil) BALANÇOS PATRIMONIAIS EM 30 DE JUNHO DE 2011 E 2010 (Valores em R$ mil) ATIVO Banco Consolidado 2011 2010 2011 2010 1.884.012 1.659.912 1.892.535 1.668.819 PASSIVO Banco Banco Consolidado 2011 2010 2011 2010 1.560.009 1.461.465 1.557.081 1.461.026 Consolidado 2011 2010 146.085 118.055 2011 2010 Receitas da intermediação Circulante Depósitos + Captações Disponibilidades + Aplicações financeiras 712.191 651.222 724.373 663.901 Outros créditos Realizável a longo prazo 860.952 676.507 862.303 678.315 310.869 332.183 305.859 326.603 429.508 363.110 438.978 367.498 Disponibilidades + Aplicações financeiras e arrendamentos Permanente TOTAL DO ATIVO 1.332.228 1.303.467 1.325.517 1.300.943 empréstimos e repasses Outras obrigações Exigível a longo prazo 37.983 54.398 45.429 55.648 mercado aberto 165.059 102.163 165.059 100.252 62.722 55.835 66.505 59.831 391.359 216.937 388.728 211.192 (109.638) intermediação financeira (75.914) (107.174) (75.356) 36.447 42.141 39.178 42.829 Outras receitas e despesas operacionais (14.596) (17.635) Receitas de serviços 5.304 5.156 Despesas de pessoal (17.594) (15.957) (2.306) (6.834) administrativas 276.409 136.052 273.797 131.270 (17.062) (18.179) 5.685 6.379 (18.601) (17.039) Resultado não operacional (4.146) (7.519) 4 72 4 72 21.855 24.578 22.120 24.722 (3.314) (5.186) (3.579) (5.330) 18.541 19.392 18.541 19.392 Resultado antes da 373.287 293.138 375.311 296.276 86.282 49.630 86.282 49.630 18.238 15.574 18.238 15.574 Outras obrigações 28.668 31.255 28.649 30.292 52.416 49.030 28.864 29.551 Patrimônio líquido 414.568 393.650 414.568 393.650 2.365.936 2.072.052 2.360.377 2.065.868 TOTAL DO PASSIVO 2.365.936 2.072.052 2.360.377 2.065.868 O CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO financeira Outras despesas gerais e Obrigações por empréstimos e repasses 146.352 118.185 Resultado bruto da Depósitos + Captações Operações de créditos Outros créditos mercado aberto financeira Despesas da intermediação Obrigações por Operações de créditos e arrendamentos Circulante A DIRETORIA tributação s/lucro Imposto de renda/contribuição social s/lucro LUCRO / PREJUÍZO LÍQUIDO DALMO GOES Contador - CRC 1SP 144.600/O-2 Ratings: Global: Ba2 Nacional: A1 Rating A+ Rating Nacional: A- Baixo Risco para Médio Prazo As demonstrações financeiras completas estão sendo publicadas nesta data no Jornal Folha de S.Paulo. 12 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 BRASIL Editora: Elaine Cotta [email protected] Subeditora: Ivone Portes [email protected] Brasil terá que importar gasolina até 2015 Gabrielli, da Petrobras: até 2015, a balança comercial de derivados de petróleo será negativa Só neste ano, a Petrobras já comprou 2,5 milhões de barris do combustível para abastecer o mercado doméstico, em expansão Ricardo Rego Monteiro [email protected] A Petrobrás terá que recorrer ao mercado externo para assegurar o abastecimento de gasolina do país, apesar da decisão do Ministério de Minas e Energia de manter intacta a atual proporção de 25% de mistura de etanol ao combustível comercializado no país. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, anunciou ontem não só que a medida deverá elevar este ano as importações de gasolina a superar os 3 milhões de barris desembarcados em 2010, como também sugeriu que o cenário deverá se repetir pelos próximos quatro anos. Até 2015, confirmou o executivo, a balança comercial de derivados do país deverá permanecer negativa. O executivo evitou dar mais detalhes sobre o volume total da carga prevista para este ano, mas confirmou que a nova leva aumentará a importação, em 2011, para o equivalente a mais de quatro dias de consumo. Na quarta-feira, o Ministério de Minas e Energia desistiu de reduzir a mistura do etanol na gasolina para 18%, cogitada até a última semana para diminuir as pressões inflacionárias. Se reduzisse, no entanto, a Petrobrás teria que aumentar a importação de gasolina. Neste ano, a empresa já comprou duas cargas do produto, que somaram 2,5 milhões de barris até agora a equivalente a três dias de consumo. Gabrielli participou ontem, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), do seminário Qualificar e Competir: Petróleo e Gás, da série Brasil em Perspectiva, promovido pela Evasê através dos jornais BRASIL ECONÔMICO e O Dia. Na ocasião, o executivo também descartou impactos diretos para a empresa de um já possível calote da dívida pelo governo americano. A possibilidade, que tem causado turbu- O Plano de Negócios da Petrobras prevê a elevação da produção de petróleo do país dos atuais 3,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Boe, medida que inclui óleo e gás natural) para um total de 4,9 milhões Boe em 2015 lência no mercado acionário mundial nos últimos dias, é vista como uma verdadeira ‘pá-decal’ no processo de recuperação da economia americana. Apesar dos riscos, o executivo descartou revisar o Plano de Negócios caso se confirme o default no dia 2 de agosto a data limite para solução do impasse entre Democratas e Republicanos, no Congresso americano, em torno do aumento do teto da dívida dos EUA. “Efeito direto sobre a companhia não existirá, mas o governo americano tem o poder de solucionar o problema por meio de um decreto presidencial”, minimizou. “É preciso lembrar, apenas, que, em 2009, quando a economia mundial encontrava-se em plena crise, a Petrobrás promoveu uma das maiores captações de recursos no mercado.” Com relação às importações de derivados de petróleo, Gabrielli, admitiu que terão impacto na balança comercial pelos próximos quatro anos. O executivo justificou o desbalanceamento entre oferta e consumo de combustíveis como resultado da combinação de expansão da frota de veículos com problemas climáticos que afetaram as duas últimas safras de cana-deaçúcar. “A balança comercial de derivados do país fechará com déficit até 2015”, afirmou o presidente da Petrobrás. Apesar do problema, o executivo disse que os esforços da empresa para ampliar tanto a produção de petróleo, quanto a de etanol, deverão contribuir para solucionar o problema. Até 2015, o Plano de Negócios da Petrobrás prevê a elevação da produção de petróleo do país dos atuais 3,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia (BOE, medida que inclui óleo e gás natural) para um total de 4,9 milhões BOE em 2015. Enquanto as projeções não se materializam, o presidente da Petrobrás admitiu o recurso às importações. ■ EMPREGO Cadeia de petróleo e gás natural tem potencial A qualificação da cadeia de fornecedores e o reforço da competitividade das empresas do setor de óleo e gás tem potencial para gerar 1,6 milhão de vagas. A projeção é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Gouvêa Vieira tomou por base um estudo coordenado pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e apresentado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. “O ministro Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 13 Jose Cruz/ABr Dnit terá nova diretoria na próxima semana O secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, informou ontem que a nova diretoria do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit) deve ser anunciada no início da próxima semana. Segundo ele, a possibilidade de demora no processo de escolha preocupa a presidenta Dilma Rousseff porque pode prejudicar o andamento de obras. O principal critério para as indicações será o conhecimento técnico da áreas dos transportes. Fernando Souza “O caixa da Petrobras tem custos” Essa foi a resposta dada pelo presidente da estatal, José Gabrielli, aos fornecedores que contestam decisão de suspender recursos para financiar compras A Petrobras suspendeu os repasses de recursos próprios para fornecedores nacionais de máquinas e equipamentos, mas o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, anunciou que o desenvolvimento do Plano de Negócios 2011—2015 não ocorrerá em prejuízo da meta de 65% de conteúdo local. Além de considerar tal objetivo possível, o executivo contestou as críticas de empresários à decisão, incluída no rol de medidas destinadas a aumentar a rentabilidade da estatal. Gabrielli revelou ontem que a companhia estimulará a formação de joint ventures entre fornecedores nacionais e estrangeiros, para assegurar competitividade internacional às firmas brasileiras. Até este ano, a Petrobras antecipava recursos do próprio caixa para os fornecedores nacionais necessitados de capital de giro para concluir os empreendimentos da companhia. A partir de agora, minimizou Gabrielli, os recursos serão financiados só pelos bancos credenciados no projeto Progredir, criado pela Petrobras com objetivo de auxiliar os fornecedores, especialmente os nacionais e de menor porte. Diferentemente da antecipação direta de recursos pela estatal, o programa prevê a cobrança de juros sobre os recursos financiados pelas instituições financeiras. Em compensação, o presidente da Petrobras afirmou que as empresas poderão usar o contrato com a estatal co- Em compensação, a empresa pretende estimular a formação de joint ventures entre fornecedores nacionais para a assegurar a meta de ter 65% de conteúdo local nas máquinas e equipamentos comprados para a operação mo garantia dos empréstimos. Para a indústria, no entanto, as taxas de juros cobradas dos bancos no Brasil, por si só, já eliminam a competitividade nacional em relação aos concorrentes estrangeiros, que têm acesso a crédito mais barato no exterior. “Dizer que a Petrobras está transferindo sua perda de rentabilidade para os fornecedores, com as medidas previstas pelo Plano de Negócios, é um equívoco”, contestou Gabrielli. “O caixa da Petrobras não é de graça.” Caixa estatal A suspensão dos repasses diretos de recursos da Petrobras para fornecedores faz parte da lista de medidas destinadas a otimizar o caixa da companhia, juntamente com a decisão de vender ativos da estatal espalhados pelo mundo, no valor de US$ 13,6 bilhões. O presidente da empresa confirmou que o rol de ativos vendáveis inclui “participações em mais de 300 empresas”, além de fatias dos blocos exploratórios detidos pela Petrobras não apenas no Brasil, mas também no exterior. ■ Fotobras Fotossensíveis do Brasil Industria e Comércio Ltda. Torna público que requereu na CETESB, a Renovação da Licença de Operação para Fabricação de Chapas, Filmes, Papéis e outros Materiais e Produtos Químicos para Fotografia, sito à Rua Agostino Togneri, 153 - Jurubatuba - CEP 04690-090 -São Paulo (SP). para gerar 1,6 milhão de novos postos de trabalho mostrou afinidade com as propostas e dispôs-se a apresentá-las à presidente Dilma Rousseff”. No estudo, são listadas providências consideradas importantes para assegurar que a indústria nacional tenha condições de disputar as bilionárias encomendas da Petrobras. “São 10 políticas e 63 ações, com foco na isonomia de condições com os concorrentes externos em áreas como acesso a crédito, insumos e matérias-primas”, diz. “O setor de óleo e gás é um trunfo do país. Temos que focar esse trunfo para alavancar a cadeia produtiva e tornar os fornecedores mais competitivos internacionalmente”, disse o Diretor da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Elói Fernandez Y Fernandez. Redação TICTACLIN K relógios de coleção & acessórios www.tictaclink.com 14 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 BRASIL Marcela Beltrão CONFIANÇA INDÚSTRIA Expectativa do consumidor melhora e registra aumento de 1,3% em julho Atividade industrial do estado de São Paulo cai 0,9% no mês de junho A expectativa dos consumidores com a economia melhorou um pouco em julho em relação ao mês anterior, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice ficou em 113,2 pontos, um aumento de 1,3% na comparação com o mês anterior. Na comparação com o mesmo período de 2010, houve uma queda de 3%. Quanto mais distante de 100, mais bem avaliado é o item. O nível de atividade da indústria paulista caiu 0,9% em junho sobre maio. Em relação a junho de 2010, houve crescimento de 3,9%. No acumulado do ano, a indústria evoluiu 3,4%, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Por setores, o de produtos químicos, petroquímicos e farmacêuticos recuou 1,4% no mês. Entretanto, em relação a junho do ano passado houve alta de 12,5%. Parcela da população com renda menor tem dieta mais saudável Quem ganha até R$ 296 come cinco vezes menos batata frita e massas do que os com salário acima de R$ 1.089 Isabela Kassow/Ag. O Dia Carolina Alves Com o aumento da renda, mais brasileiros passaram a comer fora de casa [email protected] Quanto maior a renda das pessoas, menor é o consumo de bens de qualidade inferior, certo? Segundo os fundamentos econômicos de oferta e demanda, sem dúvida! Mas, quando falamos de alimentos, nem sempre os produtos mais presentes no carrinho de compras possuem as melhores características nutricionais. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que há uma relação inversamente proporcional entre renda e qualidade do consumo alimentar. A parcela mais pobre da população brasileira é a que mantém uma dieta mais saudável. De acordo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), além de comer mais arroz e feijão do que as outras classes, as pessoas com renda até R$ 296 comem cinco vezes menos batata frita e massas que os brasileiros com renda superior a R$ 1.089. “Como as pessoas de menor renda não têm disponibilidade para comprar tanto, têm uma alimentação mais básica, que tem melhor qualidade nutricional”, avalia André Martins, pesquisador do IBGE. Para Martinho Paiva Moreira, diretor econômico da Associação Paulista de Supermercados (Apas), outro fator é a frequência da alimentação. “A população de baixa renda come menos vezes por dia, o que exige o consumo de alimentos que garantem mais sustância”, diz. Ele ressalta que é a mudança de rotina do brasileiro o principal entrave à qualidade nutricional. “As pessoas têm pouco tempo para elaborar comida, pois trabalham fora o dia todo. Quando aumenta a renda, a busca imediata é por conforto, o que eleva a compra de alimentos semielaborados e congelados”. São esses os produtos que mais possuem gorduras saturadas e sódio — este último, inclusive, é usado em abundância pela indústria para elevar a conservação dos alimentos. “ A renda aumenta, mas a consciência alimentar não. As pessoas ainda não observam o nível de gordura ou sódio nas embalagens Martinho Paiva Moreira Diretor econômico da Apas Carrinho de compras Saúde em risco De acordo com o levantamento do IBGE, a ingestão diária de frutas, legumes e verduras (fontes de fibras e vitaminas essenciais no dia-a-dia) está abaixo dos níveis recomendados pelo Ministério da Saúde. Mais de 90% da população consome menos de 400 gramas desses alimentos por dia. Já o consumo de gorduras, sal e açúcares está acima do padrão, principalmente entre os adolescentes. A pesquisa revela que mais de 70% dos jovens se enquadram nesse cenário, agravado pelo baixo consumo diário de vitaminas. No geral, a ingestão excessiva de açúcares foi observada por 61% da população, a de gorduras saturadas, por 82%, e 68% dos brasileiros têm consumo insuficiente de fibras. “A população vem se alimentando de forma inadequada. Esse padrão é mais preocupante ainda entre os adolescentes, que apresentaram um perfil que pode trazer consequências no futuro, como o aumento do excesso de peso, obesidade e doenças crônicas”, alerta Patrícia Jaime, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde. Diante desse cenário, o governo deve elevar o número de ações em prol da alimentação saudável. Segundo Patrícia, em setembro, a presidente Dilma Rousseff lançará o Plano de Prevenção e Controle da Obesidade e o Plano de Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como a diabetes, por exemplo. ■ Com agências DINHEIRO NO BOLSO Aumento da renda puxa consumo de enlatados Levantamento da Apas aponta que, com o crescimento da renda familiar nas camadas mais pobres do país, o consumo de bebidas, enlatados, congelados, massas e sobremesas prontas também sobe. Enquanto a compra de itens da cesta básica de produtos cresce a taxas anuais de 5,7%, o consumo de bebidas alcoólicas sobe 7,9% e as não alcoólicas, 9,6%. Hoje, os alimentos congelados e refrigerados representam mais de 11,3% do consumo total de perecíveis no país, de acordo com estimativas da Apas. C.A. Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 15 Antonio Cruz/ABr IMPOSTOS ESPORTE Termina hoje o prazo para empresas quitarem débitos pelo Refis da Crise Brasil vai investir R$ 2 milhões na formação de tenistas para a Olimpíada de 2016 A segunda etapa para consolidação dos débitos tributários de empresas nos parcelamentos do chamado Refis da Crise termina hoje. O programa foi criado para ajudar o setor produtivo durante a crise iniciada em 2008. Quem perder o prazo terá o pedido de parcelamento cancelado e os débitos serão cobrados sem os benefícios do programa, que reduz multas em até 90% e os juros da dívida em até 40%. O governo federal vai investir R$ 2 milhões na formação de tenistas profissionais de alto rendimento e técnicos da modalidade, com objetivo de preparar o país para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito ontem pelo ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, tricampeão do torneio de Roland Garros, disputado na França, e pelo ministro do Esporte, Orlando Silva. Arroz Feijão Batata frita Salada Massa Tradição na mesa do brasileiro é mais presente na baixa renda Fiel companheiro do arroz tem consumo reduzido Vilã da dieta tem consumo elevado com alta da renda Alimento de pouca sustância perde espaço na baixa renda Ingestão de massa é cinco vezes maior O consumo de arroz é maior para as famílias com os menores rendimentos. Pessoas com renda de até R$ 296 ingerem 168,1 gramas diárias de arroz. Já as que ganham mais de R$ 1.089 por mês consomem 129,7 gramas por dia. O inverso ocorre com salada de frutas. Famílias com o maior rendimento comem dez vezes mais esse alimento. Famílias de menor renda consomem mais feijão, fonte de ferro. Para pessoas com renda mensal de até R$ 296, a ingestão do alimento é de 195,5 gramas por dia. Já nas famílias cuja renda per capita ultrapassa R$ 1.089 por mês, o feijão aparece em menor proporção no prato: a média é de 127,5 gramas por dia, de acordo com o IBGE. Conhecida mundialmente como inimiga número um da dieta saudável, a batata frita está mais presente na mesa das famílias conforme aumenta o rendimento mensal. Pessoas que ganham mais de R$ 1.089 consomem, em média, um grama do alimento por dia, cinco vezes mais do que as famílias com renda per capita de R$ 296 por mês (0,2 grama). Fonte de fibras e vitaminas, a salada está mais presente na mesa das famílias com maior rendimento médio mensal. Dados do IBGE apontam que o consumo de salada triplica com o aumento da renda. Pessoas que ganham até R$ 296 ingerem 7,9 gramas de salada por dia, enquanto quem recebe mais de R$ 1.089 consome 21,8 gramas do alimento. Enquanto a salada dá a impressão de que o consumo nutricional ganha qualidade com a renda, as massas destroem qualquer ilusão. A ingestão desse alimento é cinco vezes maior para pessoas que ganham mais de R$ 1.089 por mês do que para as famílias com rendimento per capita de até R$ 296. A proporção é de 10,6 gramas para 2,7 gramas. 16 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 INOVAÇÃO & TECNOLOGIA Cristália investe mais para obter novas moléculas Laboratório planeja investir neste ano o equivalente a 11% do seu faturamento em inovação, bem acima dos 7,5% do ano passado João Paulo Freitas [email protected] Neste ano, o Laboratório Cristália decidiu elevar para 11% do seu faturamento o montante que investirá em inovação. Em 2010, a empresa destinou o equivalente a 7,5% do faturamento de aproximadamente R$ 660 milhões a projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Esse aumento é muito significativo. Muitos dos nossos projetos estão entrando na etapa de testes em humanos, uma fase muito onerosa. Devido a essa maturidade, eles agora demandam mais recurso para seguir em frente”, afirma o diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Cristália, Roberto Debom. Atualmente, a empresa conduz cerca de 40 projetos de P&D. Metades deles, segundo Debom, podem resultar em inovações radicais — isto é, em produtos baseados em novas moléculas e por isso ainda inexistentes — e são voltados ao tratamento de dores, síndrome metabólica, problemas cardíacos, cicatrização e asma. A outra metade deve resultar em inovações incrementais, que no caso de uma empresa farmacêutica, envolve a elaboração de novas formulações para substâncias já existentes. O laboratório conta também com apoio estatal para desenvolver novos produtos. No final de março, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 77,2 milhões para o laboratório, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (Profarma). Ao todo, 11 projetos do Cristália serão beneficiados pelo financiamento. Entre eles, está a proposta de desenvolver uma nova rota biotecnológica para produção do hormônio do crescimento humano recombinante e uma produto para o tratamento de síndrome metabólica baseado em uma nova molécula. Este, aliás, é considerado pela empresa um dos seus projetos de mais destaque. Segundo Debom, o Cristália já solicitou a patente da substância, “ Muitos dos nossos projetos estão entrando na etapa de teste em humanos, uma fase muito onerosa Roberto Debom Diretor de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Laboratório Cristália que está sendo testada no controle de colesterol. “O medicamento que estamos desenvolvendo tem a capacidade de diminuir as placas de ateroma já instaladas no paciente”, diz. “O que existe no mercado são controladores de colesterol, não de placa de ateroma. Esse é o grande diferencial”, afirma. Ateromas são placas formadas pelo acúmulo de gorduras dentro de artérias ou veias. No momento, o laboratório está terminando os testes toxicológicos do produto, em animais. O próximo passo será começar os testes em humanos, o que deve ter início por volta do final deste ano. Riscos De acordo com Debom, o desenvolvimento de novas moléculas é um processo complexo e que envolve riscos. “O processo de inovação passa pela molécula e formulação antes de chegar até ao produto. É um processo de longo prazo e que requer bastante recurso”, diz. “Muitas vezes começamos um desenvolvimento e após três ou quatro o produto não corresponde às expectativas. De certa forma, ganhamos aprendizado. Porém, tempo e recursos financeiros foram perdidos”, acrescenta. Segundo o executivo, um projeto que visa a obtenção de um novo produto pode começar com cerca de mil protótipos sendo que apenas duas ou três moléculas realmente chegam até etapas mais avançadas do processo. Propriedade intelectual DESEMPENHO R$ 660 mi foi quanto o Cristália faturou em 2010, 10% acima do resultado de 2009. A empresa projeta que neste ano sua receita será de cerca de R$ 720 milhões. PESQUISA 28 é o número de patentes concedidas do Cristália. Além destas, o laboratório possui ainda cerca de 160 pedidos de patente em análise. O Cristália conta hoje com 28 patentes concedidas. Além destas, há cerca de 160 pedidos de patente em avaliação. Para Debom, a busca do laboratório pela inovação, postura que levou a empresa a lançar no começo de 2008 o Helleva, voltado ao tratamento de disfunção erétil, visa manter o Cristália competitivo e acima de tudo financeiramente saudável. “As empresas que inovam têm melhor capacidade comercial e conseguem também atrair colaboradores de alto nível. Afinal, inovação é inteligência, intelectualidade e estudo”, afirma. ■ SEGUNDA-FEIRA TERÇA-FEIRA ECONOMIA CRIATIVA EMPREENDEDORISMO MÃO DE OBRA QUALIFICADA Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 17 QUARTA-FEIRA QUINTA-FEIRA EDUCAÇÃO/GESTÃO SUSTENTABILIDADE Fotos: João Prudente FELIPE SCHERER Sócio-fundador da Innoscience e autor do livro Gestão da Inovação na Prática Consumidor, pressão interna e concorrência Fundado em 1972 em Itapira, no interior de São Paulo, o Cristália conta hoje com 2,1 mil funcionários. Desse total, 123 atuam com pesquisa, desenvolvimento e inovação, sendo que metade deste grupo é formada por mestre e doutores. Algum tempo atrás, percebia que era necessário um considerável esforço para doutrinar executivos e empresários sobre por que uma organização deveria buscar alternativas inovadoras e, sobretudo, realizar ações para tratar a inovação como um processo gerenciado. Hoje, percebo que a situação já é bastante diferente. Essa evolução é resultado de uma combinação de fatores que passam por mudanças no ambiente de mercado, políticas públicas de apoio à inovação, um destaque maior dado à matéria por parte das publicações de negócios e também a incorporação dessa disciplina em programas de capacitação e desenvolvimento empresarial. Quando me deparo com uma plateia em palestras, cursos e projetos de consultoria, costumo alinhar os participantes sobre a importância da inovação para as organizações. A combinação de três fatores evidencia essa importância: consumidores, pressões internas e a concorrência. Basta perceber a realidade do meio empresarial para que a mensagem seja bem assimilada. No marketing há um jargão bastante conhecido que diz que o cliente é rei. Sendo ou não verdade, o fato é que esse rei tem forçado as empresas a buscar novas formas de O fato é que esse agradá-lo. O que era direi, o consumidor, ferencial no passado tem forçado as agora não passa de condição obrigatória em empresas a buscar muitos setores. Cito o novas formas de caso dos automóveis coagradá-lo. O que mo exemplo dessa mudança de hábitos: direera diferencial no ção hidráulica, ar conpassado agora não dicionado e trio elétripassa de condição co eram, antes, acessórios reservados somenobrigatória em te aos consumidores de muitos setores alto padrão. Hoje todas as versões populares já disponibilizam esses equipamentos, sendo inaceitável a não existência dos mesmos com itens de série em boa parte dos modelos. Além dessa mudança de hábitos, nós consumidores também somos atraídos pelas novidades. Um exemplo desse comportamento pode ser observado no caso do tablet iPad. Boa parte dos compradores da segunda versão já possuíam a versão anterior, mas foram levados às lojas em busca de novidades. Não é por acaso que as montadoras de automóveis têm lançado as versões incorporando a palavra “novo” ou mesmo new. Elas sabem que gostamos de novidades. O segundo elemento da equação é o que chamo de pressões internas. São poucas as empresas no mundo que não vivem a realidade de buscar aumento de produtividade e/ou redução de custos. Especialmente na indústria, fazer mais com o mesmo ou o mesmo com menos são desafios amplamente difundidos. Não bastassem os clientes mais exigentes e as pressões internas, as empresas ainda vivem um mercado de acirrada concorrência. Estudo feito pela consultoria McKinsey apontou para um fenômeno chamado de convergência estratégica, no qual setores em que ao longo dos anos se diminuía a diferenciação entre as empresas acabavam reduzindo suas margens de forma significativa na mesma proporção. Quando o mercado não percebe mais diferença entre as propostas existentes, ele acaba definindo pelo preço, forçando as margens. Sem falar na tão conhecida globalização que permite a entrada de novos concorrentes em todos os mercados. Dependendo do setor de atuação da empresa, um fator pode ser mais importante que outro, porém o impacto prático é o mesmo: quem não inovar vai ficar para trás. ■ 18 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 EMPRESAS Editora: Rita Karam [email protected] Subeditoras: Estela Silva [email protected] Isabelle Moreira Lima [email protected] Drogaria São Paulo arma reação a Drogasil e Raia Para recuperar liderança que será perdida após fusão de rivais, grupo vai priorizar plano de abrir o capital; meta é aumentar de 20 para 50 a abertura de novas lojas por ano Cintia Esteves [email protected] Ronaldo Carvalho, presidente do conselho da Drogaria São Paulo, é do tipo que gosta de reclamar. Leitor assíduo de diversos jornais e revistas, o empresário é presença constante nas seções de cartas para redação dos principais veículos de imprensa do país, maneira que escolheu para expor sua opinião sobre os mais variados assuntos, de guerra fiscal ao sistema de classificação das medalhas olímpicas. Esta espécie de hobby lhe rendeu a publicação de dois livros: “A arte de reclamar” e “Delito de Opinião”, onde estão reunidas as cartas escritas de 1974 a 2009, inclusive as que não foram publicadas. No entanto, o empresário, que é filho de Thomaz Carvalho, fundador da Drogaria São Paulo, surpreende ao não fazer qualquer queixa sobre a fusão entre Drogasil e Droga Raia, transação que, se concluída, vai tirar a sua companhia da liderança do varejo farmacêutico. “Não só vai tirar como vai nos deixar muito longe do primeiro lugar”, diz Carvalho, fazendo referência ao faturamento de cerca de R$ 4 bilhões da nova líder ante uma receita de R$ 2,3 bilhões da Drogaria São Paulo. Caminho Para continuar no jogo, Carvalho deve resgatar o antigo sonho de abrir o capital, objetivo no qual vem trabalhando desde 1999, quando os balanços da empresa começaram a ser auditados. “Devemos chegar à bolsa de valores no final do ano que vem”, diz. Em 2010, a companhia comprou as 72 unidades do Drogão e atualmente possui 350 pontos de venda, metade da rede formada por Drogasil e Raia. “Será muito difícil para a Drogaria São Paulo ganhar esta musculatura somente por meio da abertura de novas unidades. O jeito é realmente se capitalizar para fazer aquisições”, afirma Mauricio Morgado, professor do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas (FGV). A Drogaria São Paulo tem aberto uma média “ A fusão da Drogasil com a Droga Raia não só vai tirar como vai nos deixar muito longe do primeiro lugar Ronaldo Carvalho de 20 farmácias por ano. “Quando abrirmos o capital, este número vai ter de subir para, pelo menos, 50 inaugurações anuais”, diz Carvalho. A rede de farmácias Pague Menos, com 400 unidades, é outra que em breve deve partir para forte expansão. A empresa já anunciou sua intenção de colocar ações no mercado. Para Nuno Fouto, coordenador de pesquisa do Programa de Administração de Varejo (Provar) da FIA/ USP, a Panvel, com 270 lojas no Sul do país, é uma das redes que deve ser bastante assediada para novos movimentos de fusão e aquisição. “É uma empresa competente que conseguiu construir uma rede forte”, afirma. Concorrentes de peso Não são apenas as empresas focadas exclusivamente em farmácias que estão fortalecendo suas posições. As redes supermercadistas, aos poucos, conquistam posição significativa neste segmento. O grupo Pão de Açúcar iniciou uma reestruturação em suas drogarias. A companhia está aumentando a área de vendas das unidades, além de reforçar o sortimento de produtos, principalmente de beleza e perfumaria. Segundo o grupo, nas cinco unidades onde as mudanças foram realizadas, as vendas aumentaram mais de 50%. Antes, as drogarias do grupo Pão de Açúcar ofereciam, em média, 7 mil itens. Com a expansão, esse número subirá para 9 mil. As transformações serão implementadas nas outras 147 lojas da rede no perído de dois anos. No Walmart também há novidades a caminho. Na semana passada, a companhia informou ao BRASIL ECONÔMICO que está desenvolvendo um projeto de comércio eletrônico para suas farmácias das bandeiras Big e BomPreço. No primeiro semestre deste ano, o faturamento das 26 maiores redes de farmácias do país chegou a R$ 9,57 bilhões, alta de 19,61% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). ■ DROGARIA SÃO PAULO R$ 2,3 bi foi quanto a Drogaria São Paulo faturou em 2010. Para este ano a expectativa é crescer 20%. DROGASIL E RAIA R$ 4 bi será a receita da nova companhia formada a partir da fusão entre Drogasil e Raia. Juntas, as empresas compõem uma rede de 708 farmácias. SEGMENTO R$ 17 bi é quanto venderam as 20 maiores redes de farmácia em 2010, alta de 18% na comparação com o ano anterior, de acordo com a Abrafarma. Para a Entidade representante dos Thais Moreira [email protected] A fusão entre a Drogasil e a Droga Raia , que estão entre as cinco maiores do segmento no ranking da Abrafarma, é vista como um movimento de consolidação do varejo farmacêutico. Segundo o mercado, é possível que ocorram novas fusões no segmento, além do crescimento em número de lojas das redes, como a Drogaria São Paulo e a Pague Menos, as duas primeiras do ranking, que preparam a abertura de capital até 2012. “Essa movimentação é interessante porque os recursos destas empresas com o IPO Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 19 Owen Franken/Bloomberg Casino mantém planos com Pão de Açúcar O presidente-executivo do Casino, Jean-Charles Naouri, disse que o grupo francês planeja exercer a opção de assumir o controle do Grupo Pão de Açúcar em 2012. A importância do Brasil e de mercados emergentes no geral foi realçada no lucro operacional do Casino de ¤ 571 milhões no primeiro semestre, contra previsão de analistas de ¤ 580 milhões. O lucro nas operações internacionais disparou 55% e representou mais da metade do resultado do grupo francês. Murillo Constantino Ronaldo Carvalho, presidente do conselho da Drogaria São Paulo: crescimento em ritmo mais acelerado para fazer frente a novo líder Abrafarma, consolidação é benéfica varejistas acredita que formação de redes maiores fortalece a capacidade de negociação e poder reduzir os preços ao consumidor vão possibilitar um crescimento maior em número de lojas para as redes e este crescimento pode fazer com que elas tomem o espaço das pequenas”, afirma Iago Whately, analista do Banco Fator. O faturamento em vendas do segmento farmacêutico superou R$ 17 bilhões em 2010, 18,03% a mais do que 2009, de acordo com a Abrafarma (Associação Brasileiras de Redes de Farmácias e Drogarias). Para Sérgio Mena Barreto, presidente da entidade, com a fusão as duas empresas assumem um primeiro lugar inequívoco, com R$ 4 bilhões em vendas e o segundo com cerca de R$ 2,3 bilhões. “Não vejo a união da Drogasil com a Droga Raia tão impactante, pois existe aumento de demanda de mercado com a expansão da classe média e eles são excelentes operadores em termos de estratégia e têm boa estrutura de pontos de vendas”, afirma. Para o consumidor, ele acredita que o negócio também é benéfico. “Com a facilidade de negociação em termos de volume da nova rede, os preços devem ser melhores para os clientes”,diz. Pequenas devem rever formato Segundo Nuno Fouto, coordenador de pesquisa do Programa de Administração de Varejo Movimento de consolidação deve fortalecer o papel das cooperativas como estratégia de resistências das redes menores (Provar/Ibevar) da FIA-USP, o caminho para as pequenas redes é formatar o modelo de negócios das cooperativas, criadas há mais de dez anos. “Esta é a forma mais inteligente de conseguir capilaridade, pois conseguem, assim, uma boa distribuição e escala. O estilo tradicional de farmácia tende a desaparecer”, diz. Dados da Abrafarma mostram o crescimento de 20% do segmento ao ano, o que, segundo o presidente, dobrou nos últimos cinco anos e deve dobrar novamente até 2015. Ou seja, existe espaço para o crescimento das grandes e as pequenas, desde que fiquem atentas aos movimentos, “Temos recebido visitas de novos investidores, além dos estrangeiros, que já começam a olhar para este mercado com mais interesse. Nós estamos num grande movimento e esta fusão representa apenas uma parte dele”, finaliza. ■ MARINHA DO BRASIL CENTRO DE INTENDÊNCIA DA MARINHA EM SÃO PEDRO DA ALDEIA AVISO DO PREGÃO ELETRÔNICO (SRP) Nº 003/2011 OBJETO: Aquisição futura de material de consumo para manutenção de bens imóveis/instalações e material químico. EDITAL: Disponível a partir do dia 29/07/11 no sítio www.comprasnet.gov.br. Recebimento das propostas de preços até às 10h do dia 10/08/11; e Sessão pública: aberta às 10h do dia 10/08/11 (horário de Brasília/DF). 20 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 EMPRESAS Ag. Minas VAREJO ENERGIA Supermercados não têm previsão de aumento de vendas até o fim do ano Banco Interamericano de Desenvolvimento abre crédito para usinas hidrelétricas Segundo dados da Associação Brasileira de Supermercados, as vendas medidas em volume cresceram 3,4% entre janeiro e junho na comparação com o primeiro semestre de 2010. O aumento foi quase duas vezes menor que no mesmo período do ano anterior, com alta de 6,5%. Embora o segundo semestre seja mais forte para o varejo, não deve contribuir neste ano para uma aceleração do ritmo de vendas. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou um crédito de R$ 128 milhões que será usado pelo Brasil para renovar duas usinas hidroelétricas e dar a elas 30 anos de vida útil adicional. As centrais que passarão por reformas são Furnas e Luís Carlos Barreto de Carvalho, que iniciaram suas operações em 1963 e 1969, respectivamente, e já cumpriram com sua vida útil projetada inicialmente para 30 anos. EDP Brasil lucra R$ 316 milhões no semestre e geração ganha espaço Divulgação Companhia aponta ativos no país como “valiosos” e descarta nova venda de parte do capital na região Priscila Machado [email protected] Os resultados da EDP Energias do Brasil mostram a importância estratégica do país para os negócios do grupo. No primeiro semestre, o lucro líquido da companhia cresceu 2,5% ante igual período de 2010, somando R$ 316,5 milhões. Se não fosse pelo litígio judicial da Bandeirante — a distribuidora provisionou R$ 77,4 milhões devido a uma disputa jurídica com a White Martins —, o lucro seria de R$ 179,9 milhões no segundo trimestre, uma alta de 32%, o que elevaria o resultado semestral. A receita líquida no primeiro semestre foi de R$ 2,7 bilhões,com crescimento de 12,4%. A subsidiária brasileira representa 21% dos resultados globais da EDP. De acordo com o diretor-presidente da Energias do Brasil, António Pita de Abreu, quando a companhia realizou a venda de 14% do capital da EDP Brasil (reduzindo sua posição na controlada brasileira de 64,8% para 50,8%), no início do mês, houve uma procura quatro vezes maior que a oferta. “Isso significa que o país é valioso para a EDP ”, diz. Mesmo com o sucesso da operação que gerou R$ 800 milhões ao caixa da empresa, o executivo descarta uma nova venda de ativos. “A política da EDP é a de continuar como a controladora da Energias do Brasil”, afirma. Quando o assunto é a venda da participação de 20% do grupo EDP por parte do governo português, Pita, que também é membro do Conselho de Administração do grupo, prefere não manifestar preferência em relação a um possível comprador. Além de Eletrobras e China Po- António Pita de Abreu, presidente da Energias do Brasil: alta de 12% na receita líquida “ A política da EDP é a de continuar como controladora da Energias do Brasil António Pita de Abreu wer, empresas alemãs e árabes estariam interessadas. Para salvaguardar as decisões de um setor nacional importante, o governo português deverá anunciar uma série de pré-condições aos investidores internacionais. Entre as exigências, devem figurar a manutenção da sede em Portugal e de executivos do país na gestão, além da manutenção de negócios estratégicos, onde o Brasil se inclui. Apesar de ter investido mais em distribuição (R$ 145,6 milhões) que em geração (R$ 136,6 milhões) no primeiro semestre, esta última área ganha cada vez mais espaço no mix da companhia no Brasil e já tem uma participação de 47%. Pita não esconde que a estratégia é crescer em geração e continua prospectando negócios na área. A termelétrica de Pecém, em parceria com a MPX Energia, está em fase final de construção e entra em operação em 2012. A hidrelétrica de Santo Antônio do Jari terá capacidade ampliada em 60 megawatts (MW). A companhia também acaba de inaugurar o parque eólico de Tramandaí (RS) com potëncia de 70 MW e inscreveu no leilão A-3 um projeto de termelétrica a gás de 500MW. ■ EXPANSÃO Jari Recém-adquirida pela EDP, a hidrelétrica teve seu projeto de expansão aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo despacho da superintendência de gestão e estudos hidroenergéticos do órgão regulador, publicado ontem no Diário Oficial da União, a usina terá 373,4 MW, ante os 300MW previstos anteriormente, utilizando uma área de 31,7 quilômetros quadrados para seu reservatório. Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 21 Cesar Ogata RESULTADO TECNOLOGIA Lucro da International Paper é maior que o esperado no segundo trimestre Ministro Mercadante prevê Natal dos tablets e promete produto mais barato A International Paper lucrou mais que o esperado no segundo trimestre, à medida que os maiores preços em seu negócio de embalagens e papéis ofuscaram uma queda no volume. As reservas em caixa da companhia saltaram 16% o para US$ 2,4 bilhões. O presidente executivo da IP, John Faraci. disse que está aberto para maiores gastos na América do Norte, mas precisa ver retorno na demanda. A partir de setembro deve chegar os primeiros tablets já fabricados no país, com 20% de componentes nacionais. A previsão é do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, Ele calcula que os tablets poderão custar até 40% menos. “No Natal vai ter muito tablet barato e em todas as opções para o consumidor. Acho que nós vamos ter um belo momento na indústria da computação no país”, disse Mercadante. Henrique Manreza ESTRATÉGIA ✽ ● Global Hotel Alliance quer acordo com Tam Uma parceria com a empresa área Tam também está nos planos da Global Hotel Alliance (GHA). “Ainda este ano planejamos ter uma aproximação formal com a companhia em busca de um acordo de benefício mútuo para os clientes do hotel e da Tam, com serviços especiais e conversão de milhas em hospedagem, por exemplo”, diz Christopher Hartley, presidente da GHA. O grupo tem este tipo de parceria com outras 16 empresas aéreas que fazem parte da Star Alliance, assim como a brasileira. Christopher Hartley, presidente da GHA, acredita que o Brasil tem grande potencial como emissor de turistas Hotéis de luxo caçam clientes no país Rede italiana Lungarno entra no grupo Global Hotel Alliance para aproveitar expansão expressiva dos mercados emergentes Mariana Celle [email protected] Uma nova marca passa a fazer parte do grupo de hotéis de luxo Global Hotel Alliance (GHA) este mês. A rede italiana Lungarno Collection, que ainda não tinha operações no Brasil, firmou parceria com a intenção de atrair mais turistas do país. “O Brasil e outros países emergentes são os que têm maiores potenciais de crescimento no segmento de luxo para a próxima década”, afirma Christopher Hartley, presidente da GHA. A operação com a Lungarno, que possui sete hotéis, todos na Itália, foi iniciada há duas semanas e é a 15ª marca do grupo. “Para redes pequenas é interessante fazer parte de um grupo que possa auxiliar na captação de clientes potenciais em outras partes do mundo”, diz Hartley. Com o acordo, hóspedes brasileiros poderão fazer reservas pelos hotéis Tivoli, que também fazem parte do grupo GHA, e possuem instalações no Brasil. O Discovery Card, um cartão fidelidade que oferece descontos e experiências exclusivas pa- Os gastos de turistas brasileiros no exterior subiram 44% e somaram US$ 10, 18 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo o Banco Central, enquanto os estrangeiros geraram receita de US$ 3,37 bilhões para o país ra os hóspedes, lançado em junho do ano passado, tem sido usado como uma das ferramentas de atração de turistas brasileiros. “Ele pode ser usado em toda a rede da GHA e fez com que o número de reservas para brasileiros aumentasse 75% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2010.” Hoje o grupo tem 300 hotéis distribuídos em 52 países. O cartão possui atualmente 1,7 milhão de membros. “Esperamos ter entre 30 e 40 mil brasileiros portando o cartão até 2012” afirma o presidente da GHA que garante que hoje o país tem cinco vezes mais adeptos que o restante da América Latina. “Esta é outra razão que faz com que pequenas redes estrangeiras, como é o caso da Lungarno, se interesse em fazer parte do grupo, pois com o uso do cartão, o turista tem acesso facilitado aos nossos estabelecimentos e oportunidade de conhecer outros destinos de acordo com sua pontuação.” Os números apontam que a intenção é coerente. Os gastos de turistas brasileiros no exterior subiram 44% e somaram US$ 10,18 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo o Banco Central. Em contrapartida, turistas estrangeiros geraram receita de US$ 3,37 bilhões para o país. Apesar da alta de 14,89% em relação aos seis primeiros meses de 2010, o Brasil tem gastado três vezes mais no exterior que os estrangeiros por aqui. Projetos A GHA tem hoje 30 hotéis na China, oito na Índia, cinco na Rússia e dois no Brasil. “Nosso crescimento aqui continuará a ser sustentado pelo acordo com a Tivoli e não pretendemos buscar novos parceiros”, diz o presidente da GHA. Apesar da parceria de sete anos com a rede portuguesa, outras marcas que já fazem parte do grupo têm direcionado esforços para ter presença no país. A rede alemã Kempinsk, com quase 115 anos de tradição, é uma delas. “São Paulo seria um bom destino de negócio e o Rio de Janeiro,para lazer, atrativo para nossos consumidores alemães”, diz Reto Wittwer, presidente da Kempinsk. ■ MARINHA DO BRASIL CENTRO DE OBTENÇÃO DA MARINHA NO RIO DE JANEIRO (COMRJ) PREGÃO ELETRÔNICO N° 5032/2011 OBJETO: AQUISIÇÃO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS (GUARANÁ) EDITAL: Disponível das 09:00hs às 11:00hs e das 14:00hs às 16:00hs, nos dias úteis, no COMRJ. a) Recebimento das proposições de preços até às 10:30 horas do dia 09/08/2011, exclusivamente por meio eletrônico, conforme formulário disponibilizado no endereço www.comprasnet.gov.br. b) Sessão pública na Internet para recebimento dos lances: aberta às 10:30 horas do dia 09/08/2011, no mesmo endereço www.comprasnet.gov.br. End. Av. Brasil 10.500/Olaria/ Rio de Janeiro, RJ - Tel. (21) 2101-0814 ou Fax (21) 2101-0815 Acesso ao Edital no site-www.comrj.mar.mil.br 22 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 ESPORTES Editora: Rita Karam [email protected] Subeditoras: Estela Silva [email protected] Isabelle Moreira Lima [email protected] Crise política marca sorteio das Eliminatórias Presidente Dilma e o governador Sérgio Cabral devem usar evento para criar agenda positiva após escândalos e problemas de gestão Ricardo Rego Monteiro [email protected] Engolfado por uma maré de más notícias e com a popularidade em baixa desde a revolta dos bombeiros por baixos salários no Rio de Janeiro, em maio, o governador Sérgio Cabral terá amanhã, com o sorteio dos grupos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014, a oportunidade de deflagrar uma estratégia de reversão da agenda negativa que tomou conta do Palácio Guanabara nos últimos meses. Com a presença já confirmada da presidente Dilma Rousseff, o evento seria mais uma efeméride na agenda do Comitê Organizador da Copa, não fosse a expectativa criada pelo mal-estar alimentado desde as últimas declarações à imprensa do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Para fechar o quadro, na coletiva de imprensa realizada quarta-feira no Rio pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, o tema central foram as denúncias de corrupção na entidade máxima do futebol mundial. Rousseff, que fazia suspense sobre sua presença ou não no evento, para evitar a exposição ao lado de Teixeira, também deve utilizar o sorteio para recriar uma agenda positiva em torno da Presidência, após os escândalos recentes de corrupção que derrubaram a alta cúpula do Ministérios dos Transportes. Marcada por atrasos nas obras de infraestrutura do evento, a Copa 2014 até agora tem levantado questionamentos de especialistas não só quanto ao poder quase absolutista de Teixeira, como também pela falta de transparência na condução da parcela pública do empreendimento. Pior dos problemas, admitido por empresários, políticos e até pelo presidente da CBF, as precárias condições de aeroportos das cidades-sede têm contribuído para alimentar o até agora confuso processo de privatização dos terminais de “ O grande problema é a Copa tornar-se mais um item dessa agenda negativa do Cabral; esse evento também pode representar uma verdadeira armadilha, caso a organização não saia a contento Geraldo Tadeu Monteiro Professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Campinas (SP). Mesmo a construção de estádios, que mobiliza recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também não escapa às críticas. Seja pelo atraso e carestia nas obras, seja pelo envolvimento de dinheiro público em um evento prometido como inteiramente privado ainda em 2007, quando o Brasil foi escolhido pela Fifa. Por essas e outras, especialistas como o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), alertam para o risco de o tiro sair pela culatra para todos os atores políticos envolvidos - inclusive Cabral. “O grande problema é a Copa tornar-se mais um item dessa agenda negativa do Cabral; esse evento também pode representar uma verdadeira armadilha, caso a organização não saia a contento”, adverte Monteiro. “Há atrasos nas obras dos aeroportos e dos estádios, que têm alimentado críticas da oposição. Caso isso persista, é possível vermos um movimento do governo federal para assumir maior protagonismo na organização. O problema é que o governo federal também tem o dever de casa atrasado, uma vez que é o responsável pelos aeroportos, por exemplo. Também não está com essa moral toda.” Durante seminário apoiado pelo BRASIL ECONÔMICO, em dezembro do ano passado, o presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Silva Júnior, advertiu que a demora do governo em ampliar os aeroportos do país e a inviabilidade financeira de alguns dos estádios previstos representam problemas que deveriam, no mínimo, reduzir de 12 para oito o número de sedes do evento. O diagnóstico, que já seria preocupante por si só, veio acompanhado, na ocasião, do veredito do então-deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP), responsá- vel na Câmara, na ocasião, pela fiscalização dos investimentos públicos na Copa. Para o então parlamentar, que não conseguiu se reeleger, a presidente Dilma Rousseff deveria procurar a Fifa para propor uma espécie de revisão das exigências para o evento. Para Torres, uma das principais preocupações - se não a maior -, seriam os investimentos previstos pela Infraero na ampliação dos aeroportos. Com relação aos estádios, o deputado lembrou que auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falta de viabilidade econômico-financeira em estádios de pelo menos seis sedes: Cuiabá, Manaus, Natal, Brasília, Fortaleza e Recife. De acordo com o parlamentar, dos R$ 6,3 bilhões previstos em investimentos, na ocasião, nas novas arenas esportivas, metade não terá retorno. Ou por falta de público que assegure receita depois da Copa, ou por falta de recursos privados. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 23 Carlos Moraes/O Dia Maracanã confirmado na final da Copa 2014 A Federação Internacional de Futebol (Fifa) confirmou ontem que o Maracanã será o palco da final da Copa do Mundo de 2014, informou o secretário-geral da organização, Jerome Valcke. “A final já é evidente, embora pensemos que há muitas cidades que poderiam sediar a decisão. Esse estádio (Maracanã) já recebeu a final 61 anos atrás. O que temos que decidir agora é (onde serão) as semifinais e o jogo de abertura”, disse Valcke. Nacho Doce/Reuters Ricardo Teixeira, presidente da CBF: presença incômoda após declarações polêmicas como todo-poderoso da Copa Copa terá impacto de 1,5 ponto percentual no PIB em três anos Estudo do Itaú Unibanco estima que o evento, que será realizado no Brasil em 2014, vai criar pelo menos 250 mil empregos diretos em vários setores A realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil terá um impacto positivo de 1,5 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos próximos três anos, com criação de ao menos 250 mil empregos diretos em diferentes setores da economia, segundo estimativa apresentada nesta quinta-feira num evento oficial da Fifa. Em um estudo sobre os impactos econômicos da realização do primeiro Mundial no país desde a Copa de 1950, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Illan Goldfajn, disse que os investimentos públicos e privados para o evento vão alavancar o PIB e abrirão caminho para uma expansão ainda maior da economia brasileira no longo prazo. “O impacto direto dos gastos, tanto na infraestrutura quanto os gastos do setor privado, dá 1% do PIB, e o resto vem do efeito da multiplicação. Quando um investimento é feito para a Copa tem o efeito de se multiplicar na economia”, disse Goldfajn em entrevista coletiva na Marina da PONTOS MARCANTES DA CRISE ●1 2 ● Estádios privados se tornam públicos Infraestrutura de transportes A construção de estádios, que mobiliza recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), recebe críticas pelo atraso e pelo envolvimento de dinheiro público em um evento prometido como inteiramente privado. As precárias condições de aeroportos das cidades-sede têm contribuído para alimentar o confuso processo de privatização, pelo menos até o momento, dos terminais de Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Campinas (SP). O governo federal tem orçamento previsto de US$ 20,6 bilhões em investimentos nos estádios, aeroportos, infraestrutura de transportes e comunicação, entre outras áreas Glória, onde acontecerá amanhã o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo - primeiro grande evento do Mundial do Brasil. Orçamento gordo O governo federal tem orçamento previsto de US$ 20,6 bilhões em investimentos nos estádios, aeroportos, infraestrutura de transportes e comunicações, entre outras áreas ligadas diretamente ao Mundial. Os investimentos privados se concentram no setor turístico, principalmente construção de novos hoteis. O Banco Central estima crescimento de 4% no PIB neste ano. Para o ano que vem, pesquisa realizada pelo BC junto ao mercado financeiro, aponta crescimento de 4,1%. No ano passado, a economia brasileira expandiu-se 7,5 %. A melhoria da infraestrutura brasileira como um todo será importante para o Brasil ter margem de crescimento e combater a inflação nos anos seguintes à realização do Mundial, avalia Goldfajn. ■ Reuters 24 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Divulgação Andaime turbo A cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, está transformada em um dos maiores canteiros de obras do Brasil. Com o início dos preparativos para a construção de megaprojetos como o complexo de celulose Eldorado, a indústria de fertilizantes da Petrobrás e a Siderúrgia Três Lagoas (Sitrel), da Votorantim e controladores da Grendene, o município tem recebido em média 1,5 mil operários por semana. São trabalhadores oriundos de várias regiões do Brasil. Estima-se que, em breve, haja 16 mil operários espalhados em canteiros de obras na cidade. O número deve ser encorpado, se for confirmada a segunda fábrica da Fibria na cidade. Troca de marcha Os italianos ficaram com os brios arranhados com uma encomenda feita pelos Carabinieri, a polícia nacional, para reforçar a frota de carros da corporação. Apesar do país ser terra de algumas das mais reluzentes marcas automotivas do mundo, a força policial da Itália importou unidades do super esportivo inglês Lotus Evora S. Os carrões, que chegam a alcançar 275 quilômetros por hora, serão usados pela divisão Arma no patrulhamento de Roma e Milão, duas das maiores cidades italianas. Equipado com a tecnologia de reconhecimento de voz mais avançada da praça, o Evora é o modelo mais moderno da montadora inglesa. A direção da Carabinieri assegurou que não é qualquer policial que vai dirigir as máquinas. A corporação diz ter feito uma cuidadosa seleção de agentes autorizados a pilotar os carros. Os agentes selecionados teriam até recebido treinamento especial na pista de provas da Lotus em Hethel, na Inglaterra. Juan Mabromata/AFP Pinote no balcão Mais uma grife do varejo internacional estaciona no Brasil. Até o final do ano, deve ser aberta no Rio de Janeiro a primeira unidade da Ferrari Store no país. A bandeira vende roupas e outros acessórios da grife italiana. A unidade carioca será a flagship da Ferrari Store no Brasil, onde a marca está chegando pelo Grupo Via Itália, importador oficial dos veículos da Ferrari no mercado brasileiro, que conquistou a licença. Extensão telefônica Um decreto prestes a ser assinado pela presidente Dilma Roussef para beneficiar famílias de baixa renda deve também impulsionar as vendas de aparelhos telefônicos. O programa de telefonia fixa para integrantes do Bolsa Família prevê que o plano mensal de 90 minutos custe apenas R$ 9,50 sem os impostos e deve aumentar para 13 milhões o número de pessoas com acesso à telefonia fixa. De olho na oportunidade, a Intelbras planeja ampliar a produção dos modelos mais simples. “Já acabei” Anders Behring Breivik, autor do massacre que matou 76 pessoas na Noruega, ao entregar-se à polícia. “Anders é uma pessoa muito calculista, fria einteligente. E se preparou para isso há muito tempo. Leva uma vida paralela: as pessoas ao seu redor pensam que é uma pessoa normal, mas é completamente maléfico” Janne Kristiansen, diretora do Serviço de Segurança da Polícia (PST) norueguesa. Olhes para mim, Argentina Buenos Aires, na Argentina, ganhou nesta semana um retrato gigante de Evita Peron, o mais famoso ícone político do país. O retrato foi instalado na fachada do prédio no qual funciona o Ministério da Saúde e Desenvolvimento Social, com o rosto mirando a Avenida 9 de julho, eixo viário de referência na metrópole portenha. Pelo estilo da obra e por sua localização, o tributo lembra o mural em homenagem a Ernesto Che Guevara que se sobressai na fachada do Ministério do Interior, em frente à Praça da Revolução, em Havana, capital de Cuba. Com 31 metros de altura e 24 de largura, a obra foi confeccionada em ferro pelo artista argentino Daniel Santoro e pesa 15 toneladas. Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 25 MARCADO Boa safra A Ville du Vin de Alphaville, em São Paulo, acaba de ser eleita a quinta melhor loja de vinhos do mundo pela revista La Cav, principal revista de vinhos do Chile. A escolha foi baseada em uma pesquisa com executivos de vinícolas chilenas que exportam e visitam estabelecimentos em vários países. A loja é a única brasileira eleita entre as dez melhores, superando marcas como a Sotheby's Wine, de Nova York. ● A Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura ,em parceria com o Sebrae-SP, lança, dia 1º de agosto, em São Paulo, a 2ª edição do Selo de Qualidade Ospitalità Italiana. A ação visa valorizar a cultura gastronômica da Itália e garantir o padrão de qualidade Made in Italy. [email protected] Divulgação Sertão country GIRO RÁPIDO Chutes na prancheta O maior campeonato de montaria em touros do Brasil e do mundo, o Brahma Super Bull PBR, chegou à Bahia. Desde ontem, o estado recebe a 1ª grande festa de peão do Nordeste, em Juazeiro. Além das famosas competições, o evento reúne grifes da música sertaneja, como Luan Santana e Victor e Léo. Depois de anunciar de perfumes a cuecas, o craque inglês David Beckham, 36 anos, engrossou a fileira de celebridades que trocou o papel de garoto-propaganda pela função de designer. O astro britânico de futebol vai lançar sua própria linha de roupa íntima, em bate-bola com a gigante sueca de varejo H&M. As cuecas criadas por Beckham serão vendidas nas 1,8 mil lojas da H&M em 40 países, a partir do início do ano que vem. O lançamento da coleção está sendo programado para fevereiro, às vésperas do Valentine´s Day, o dia dos namorados do Hemisfério Norte. O ex-jogador do Real Madrid e do Manchester United, que atualmente atua no Los Angeles Galaxy (EUA), revelou que as peças foram desenhadas em dobradinha com seu sócio, Simon Fuller, manager de famosos como Lewis Hamilton, Annie Lennox e o próprio Beckham. Fuller também é célebre como criador do programa de televisão American Idol. Rede industrial A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também embalou na febre dos sites de compras para baratear custos. Lançado há pouco mais de um mês, o portal de compras corporativas www.clubeindustria.com.br passou de 40 para 70 empresas anunciantes, entre as quais grandes multinacionais, como Serasa Experian e HSBC. Outras 160 empresas estão em negociação para lançar suas ofertas no site. Transformers Com a esperada demanda por hospedagem no Rio durante os próximos eventos esportivos do país, até os motéis da cidade estão investindo em modernização, para atuar em hotelaria. Segundo o Sindicato de Bares, Hotéis e Restaurantes do Rio de Janeiro, dos 180 motéis da metrópole, pelo menos 40 estão mudando a decoração e se reestruturando, para funcionar como hotéis. Divulgação Som na caixa A TDK está trazendo para o mercado brasileiro sua nova linha de áudio. Os produtos chegam ao país no início de agosto. Além de design moderno, os equipamentos contam com alta performance e tecnologia. Mais um passo A Arezzo comemora, amanhã, a abertura de mais uma loja, no Bosque Maia, em Guarulhos (SP). Comunicação O jornalista e apresentador Marcelo Tas é um dos palestrantes do 18º Festival Mundial de Publicidade de Gramado (RS), que acontece de 31 de agosto a 2 de setembro. A palestra, focada em Redes sociais: virtudes e efeitos colaterais da nova comunicação digital, será realizada no dia 02 de setembro. Divulgação Glamour na passarela O Mega Polo Moda, o mais importante centro atacadista de moda e pronta-entrega da América Latina, apresenta, de 1º a 3 de agosto, a 11ª edição do Coleções Primavera/Verão 2011/12. Com uma cenografia inspirada no tema 'Moda, Arte e Movimento', o evento contará com estrelas como Gianne Albertoni, Deborah Secco e Ricardo Tozzi, desfilando em uma passarela de 20 metros de comprimento. Chegada paulistana A loja de acessórios MyGlos inaugura, amanhã, seu primeiro ponto na capital paulista, no Shopping Ibirapuera. Para 2012, a marca espera abrir as portas de mais 10 unidades, sempre em cidades com mais de 400 mil habitantes. Divulgação Cozinha colorida Depois de colocar cor nas frigideiras, a Tramontina está pintando mais dois sisudos itens de cozinha. O grupo multinacional brasileiro vai tirar do forno em agosto pias e cooktops (fogões embutidos) nas cores vermelho e branco. A nova linha de produtos é comemorativa ao centenário da empresa gaúcha e será apresentada na Casa Brasil, evento que ocorre em Bento Gonçalves (RS) entre os dias 2 e 6 de agosto. Com Karen Busic [email protected] Intimidade A Nu.Luxe é uma marca de lingerie da Universo Íntimo e não da DuLoren, como foi publicado ontem. 26 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 CULTURA Brasil se rende à black music Gênero que marcou o século XX passa por grande momento e chora a morte da “embaixadora” Amy Winehouse Fotos divulgação 1 2 Dylan Martinez/Reuters 3 Priscilla Arroyo [email protected] A morte prematura de Amy Winehouse expôs ao mundo a importância da cantora britânica para a renovação da legião de fãs da música negra no mundo. A voz e estilo da artista, que cresceu ouvindo mestres do jazz, soul e funk, remetiam às grandes cantoras negras, como Nina Simone e Billie Holiday. O álbum “Back to Black”, de 2006, a consagrou como sensação da Soul Music. “Muita gente que ouviu o som de Amy Winehouse começou a se interessar por bandas antigas de soul, com a mesma sonoridade. Ela reviveu as raízes da Black Music”, diz Gilberto Yoshinaga, editor do site Central Hip-Hop. A importância da Black Music é essencial para a música do 4 “ Muita gente que ouviu o som de Amy Winehouse começou a se interessar por bandas antigas de soul, com a mesma sonoridade. Ela reviveu as raízes da black music Gilberto Yoshinaga Editor do site Central Hip-Hop 1. Um dos representantes da música negra nacional, Jorge Ben Jor, em apresentação no festival Black na Cena 2. Considerado o pai do funk, George Clinton foi o idealizador da banda Parliament-Funkadelic 3. Seu Jorge agradou o público cantando hits como “Burguesinha” e “Mina do Condomínio”, 4 A cantora Amy Winehouse resgatou as raízes da black music mundial século XX, pois serviu de base para vários estilos. O rock foi influenciado diretamente pelo blues, e o eletrônico nada mais é do que o redimensionamento dos tambores africanos. No Brasil não é diferente. A influência da música afro vem de longe. Pixinguinha já fazia um diálogo com o jazz em seus choros nos anos 1920. Lendas como Tim Maia e Gerson King Combo beberam diretamente na fonte do soul e Jorge Ben Jor, que misturou todos os estilos possíveis, desde o samba até o hip-hop, formaram a cena Black brasileira, que hoje está em alta. Prova disso é o primeiro festival de música negra, o Black na Cena, que aconteceu em São Paulo no último final de semana. Com uma programação variada reunindo artistas brasileiros e internacionais, ritmos co- mo reggae, samba, funk e hiphop agradaram o público de todas as classes sociais. O pai do funk, George Clinton, foi uma das atrações mais esperadas e dividiu o palco com a banda Public Enemy, considerada uma lenda do hip-hop mundial, com suas letras que abordam discussões políticas. Seu Jorge, Sandra de Sá, Olodum e Carlinhos Brown foram alguns dos artistas brasileiros que também se apresentaram. O hip-hop nacional mostrou sua força e foi destaque no último dia de evento. A atração mais esperada foi uma das principais bandas de rap do Brasil, os Racionais. Para o professor da PUC e pesquisador na área de música, Amailton Magno de Azevedo, o rap é um estilo rico, pois dialoga com as memórias rítmicas do Brasil. “ Alguns mú- sicos têm dado passos bastante interessantes para apimentar a musicalidade negra urbana que está sendo feita no Brasil”. Um exemplo é o rapper Criolo, que já faz música há mais de 20 anos e traz influências do candomblé e orixás nas suas rimas. O festival consolidou o movimento que já acontece há muito tempo na cena da música negra brasileira. “O rap, por exemplo, não chega às grandes mídias, a troca de informações e divulgação dos trabalhos é feita de forma informal, na internet. Com a mistura de estilos, diz Yoshinaga. O organizador do evento, Ricardo de Paula, afirma que o festival cumpriu as expectativas e promete a segunda edição para 2012. “Esse evento abriu para o grande público a cena Black nacional, ficamos bem satisfeitos com o resultado”. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 27 Planeta Terra Festival tem 11 confirmações The Strokes, Beady Eye, Peter Björn and John, Toro y Moi, Interpol, Goldfrapp, Broken Social Scene, White Lies, Criolo, Garotas Suecas e The Name são as atrações confirmadas para a quinta edição do Planeta Terra Festival. O evento que acontecerá no dia 5 de novembro, em São Paulo, reserva ainda o anúncio de mais quatro artistas. O público esperado é de 20 mil pessoas e audiência pela internet é de 4,5 milhões nas transmissões ao vivo, em HD e standard definition. AGENDA ●Termina hoje a Mostra de Cinema Uruguaio, com produções locais recentes. O evento tem acontecido no Instituto Cervantes, em São Paulo, e exibe hoje, as 19h30, o documentário "El Círculo" (2008), de José Pedro Charlo e Aldo Garay. Divulgação 15º Festival de Cinema Judaico reúne 40 produções JAZZ Filmes de ficção, documentários e produções especiais para TV são alguns dos elementos do 15º Festival de Cinema Judaico, que acontece de dois a sete de agosto, em São Paulo. A mostra será exibida em seis salas de cinema: Hebraica (duas salas), Cinemark Higienópolis, CineSesc, Centro de Cultura Judaica e Livraria Cultura. Gramática Íntima, vencedor do Festival de Cinema de Miami e dirigido por Nir Bergnam, e Os Nomes do Amor, de Michel Leclerc, estão entre as 40 produções disponíveis. M.C Mostra internacional Warhol TV será aberta hoje em São Paulo A partir de hoje, até o dia sete de agosto, acontece o Bourbon Street Fest 2011, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e, agora, Brasília. Grandes nomes do jazz, como Delfeayo Marsalis, irmão mais velho da família Marsalis que ainda tem os músicos Wynton, Branford e Jason, estarão na nona edição do festival. O músico fará uma apresentação gratuita com seu sexteto no dia sete, ás 16h, no Bourbon Street, na capital paulista. No repertório uma releitura do álbum Such Sweet Thunder, de Duke Ellington. Outra atração que acontecerá na cidade será de Amanda Shaw, John Mooney e Ladies of Soul, no Parque Ibirapuera. Mariana Celle Exposição coletiva Perturbo inaugura galeria de arte Logo A galeria de arte contemporânea Logo inicia suas atividades com a exposição coletiva Perturbo. Os trabalhos dos artistas Alexandre Cruz (Sesper), Fabio Zimbres e Walter Nomura (Tinho) estarão abertos à visitação a partir de amanhã, às 11h até o dia 10 de setembro, em São Paulo. Os três nomes, com trajetórias sólidas no underground brasileiro, são pioneiros e influentes em cenários como o rock independente, o grafite, a arte de rua e as histórias em quadrinhos experimentais, mas que mantiveram em paralelo produções artísticas pensadas para espaços de exposição. As obras dessa coletiva inaugural são influenciadas por técnicas de manipulação digital de imagens e pela cultura sonora do sampler, onde composições são feitas por meio de trechos de outras músicas. O que muda, nesse caso, é que a arte se manifesta de forma física. A curadoria é de Lucas Pexão e Carmo Marchetti. M.C Depois de passar pelo Rio de Janeiro e Belo Horizonte, chega a São Paulo a exposição internacional Warhol TV, que exibe trabalhos do artista de arte pop Andy Warhol (1928-1987) produzidos para a televisão. A mostra acontece até o dia 25 de setembro e tem entrada gratuita no Sesc São Paulo. Serão exibidos filmes e vídeos que integram o acervo do Museu Andy Warhol, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. “A televisão de Warhol é certamente o único assunto ainda inexplorado na obra deste artista demolidor de tabus no mundo da arte”, diz Judith Benhamou-Huet, curadora e idealizadora da mostra que já foi vista por aproximadamente 30 mil pessoas. Antes do Brasil, os trabalhos televisivos de Warhol foram expostos na Europa, em Paris (2009) e Lisboa (2010). A exposição é patrocinada pela empresa de telefonia Oi. M.C. AGÊNCIA DE MODERNIZAÇÃO DA GESTÃO DE PROCESSOS – AMGESP AVISO DE ADIAMENTO DE LICITAÇÃO *Processo: 4105-288/2011 Modalidade: Pregão Eletrônico n.º AMGESP-11.063/2011 Tipo: menor preço por item Objeto: RP para eventual aquisição de condicionadores de ar destinado a Todo Estado. Data de realização: 28 de julho de 2011 às 09:00 h. A licitação acima descrita fica adiada para o próximo dia 11 de agosto em virtude de modificações ao termo de referência. Disponibilidade: endereço eletrônico www.comprasnet.gov.br Todas as referências de tempo obedecerão ao horário de Brasília/DF Informações: Fone: 82 3315-3477, Fax: 82 3315-7246/7241 Maceió, 28 de julho de 2011. KITERIA BLANCHE NASCIMENTO ALVES Diretora Técnica de Logística *Reproduzido por incorreção 28 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 FINANÇAS NOSSO MAIOR PRESTÍGIO É CUIDAR DE VOCÊ. Editora: Maria Luíza Filgueiras [email protected] Subeditora: Priscila Dadona [email protected] Valorização do dólar não é risco inflacionário Equipe econômica e economistas avaliam que as medidas cambiais anunciadas na quarta-feira não serão suficientes para alimentar uma elevação nos preços Ana Paula Ribeiro [email protected] As medidas tomadas pelo governo federal na área cambial não devem atrapalhar o Banco Central na missão de tentar conter a inflação. A avaliação de economistas é que as ações anunciadas até agora terão efeito apenas no curtíssimo prazo para conter a apreciação do real e não há risco da cotação do dólar alimentar o aumento da inflação. Esse risco também não existe na visão da equipe econômica do governo. "As medidas coibem um movimento adicional de apreciação do real, mas não servem para apreciar o dólar significativamente", afirma o ecomista sênior do BES Investimento, Flavio Serrano. O real forte tem dado uma contribuição importante no controle do processo inflacionário. A cotação do dólar em níveis baixos estimula a importação de bens e a maior oferta de produtos no mercado interno limita o espaço de elevações de preços. Na avaliação de Serrano, mesmo que o real se desvalorize frente ao dólar, é limitado o seu efeito para uma alta de preços, uma vez que os principais canais de alimentação da inflação atualmente são a atividade econômica, as expectativas de inflação e a inércia. "O impacto do câmbio é mais modesto hoje do que foi no passado." Esse, por sinal, é o entendimento do Banco Central. O diretor de Política Monetária, Carlos Hamilton de Araújo, já defendeu que a influência do repasse da variação cambial hoje é bem menor do que foi em outros momentos da economia. Mesmo com a contribuição menor, a equipe econômica chegou a avaliar quais seriam os riscos de uma mudança de rumo do câmbio sobre a alta de preços. A discussão foi feita durante a elaboração das medidas cambiais anunciadas na quartafeira passada, segundo uma fonte do governo. A sócia-diretora da Kodja Investimentos, Claudia Kodja, reforça ainda que enquanto a taxa de juros estiver no atual patamar — a Selic está em 12,5% ao ano —,a economia brasileira con- “ As medidas coíbem um movimento adicional de apreciação do real, mas não servem para apreciar o dólar significativamente Flavio Serrano Economista sênior do BES Investimento tinuará convivendo com o real apreciado. "Vamos ter outras medidas. Aquelas anunciadas na quarta-feira não são definitivas. (...) Mas não tem risco para a inflação com essa taxa", diz, lembrando que a taxa de juros é atrativa ao capital estrangeiro. E mesmo que no curto prazo as medidas tenham efeito, a avaliação de Claudia é que o real já está tão valorizado que "há espaço para uma elevação na cotação do dólar sem prejuízo para a economia". Ainda assim, o consenso entre os economistas é que com a taxa de juros elevada não será possível uma valorização da moeda americana por um espaço prolongado de tempo. "Não acredito que as medidas serão suficientes para reverter a tendência do dólar por um tempo significativamente longo a ponto de pressionar a inflação para cima", explica o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostini. As medidas foram anunciadas na quarta-feira e em dois dias o dólar acumula uma alta de 1,84%. Ontem, a moeda americana fechou cotada a R$ 1,5663. No ano, o dólar tem uma desvalorização de 5,98%. Para os economistas, a situação do câmbio só será normalizada _com apreciações do dólar frente ao real_ quando os problemas fiscais nos Estados Unidos e Europa forem resolvidos e essas economias voltarem a elevar as taxas de juros, o que poderá reduzir o fluxo de capital para o Brasil. ■ Colabo- SINAL DE ALERTA Mantega recebeu aval de Dilma assim que moeda bateu R$ 1,53 rou Simone Cavalcanti No início da semana, quando o dólar bateu R$ 1,53 o sinal de alerta na cabeça do ministro, Guido Mantega acendeu. Logo após reunião do Conselhão, falou com a presidente Dilma Rousseff sobre sua preocupação com a evolução da moeda e recebeu dela a autorização para soltar o que foi considerado um bom arsenal sobre a "guerra cambial". As medidas, é certo, estavam sendo gestadas há um bom tempo. No entanto, a alta cúpula queria esperar, pelo menos, que o impasse sobre o aumento do teto da dívida dos EUA se resolvesse. Havia um ponto de tensão para soltar esse pacote. O temor era de haver uma reação muito ruim por parte do mercado. Preocupações sobre a fuga de capital e futuramente precisar deles não estão contempladas: ao menos intramuros do Ministério da Fazenda pensa-se que a sorte do Brasil é que haverá um longo período de dinheiro farto. Simone Cavalcanti, de Brasília JURO FUTURO AJUSTE NO CÂMBIO Comportamento dos contratos de juros negociados na BM&FBovespa Após medidas do governo, cotações mostram convergência, R$/US$ Jan/13 12,90 Jan/15 Futuro* Jan/12 AO ANO 1,590 Comercial Ptax EM R$/US$ 12,84% 1,575 12,75 12,69% 1,5600 12,60 1,567 1,566 1,565 12,45 12,47% 1,530 12,30 1/JUN 1,545 28/JUL Fontes: BM&FBovespa e Brasil Econômico 14/JUL 28/JUL Fontes: BM&FBovespa, BC e Brasil Econômico *Contrato de agosto/2011 Claudia, da Kodja, aposta em novas medidas: “As anunciadas na quarta-feira não são definitivas” Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 29 Divulgação Cessão de crédito será monitorada pelo CMN Os bancos serão obrigados a registrar a compra de carteiras de crédito consignado em folha de pagamentos e de financiamento de automóveis a partir de 22 de agosto, segundo decisão do Conselho Monetário Nacional, anunciada ontem. O objetivo é dar transparência às operações, o que pode levar a uma redução do custo de contratação. Inicialmente só essas operações terão registro obrigatório. O CMN pode estender a obrigação a outras modalidades de crédito. AGENDA ● A inflação na Zona do Euro será divulgada às 6 horas. ● No Brasil, às 8h, a FGV informa a sondagem da indústria. ● Nos EUA tem PIB do segundo trimestre às 9h30, PMI de Chicago, e índice de confiança do consumidor às 10h55. Marcela Beltrão Ciclo de alta nos juros perto do fim Na ata, Copom entende que o cenário para a inflação mostra sinais mais favoráveis O processo de elevação da taxa básica de juros da economia se aproxima do final. Após cinco elevações que fizeram com que a Selic chegasse a 12,5% ao ano na semana passada - uma alta de 1,75 ponto percentual durante o atual ciclo de aperto monetário, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixa claro que a inflação está em uma situação mais favorável. “O Copom entende que o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, mostra sinais mais favoráveis”, diz a ata do encontro que elevou a Selic na semana passada. Esse entendimento do Copom, aliado ao fato do comitê enfatizar que há uma piora no cenário externo que gera influência ambígua sobre o comportamento da inflação doméstica, faz com que alguns economistas acreditem que não haverá mais elevações na taxa de juros. “O comunicado foi claro. O BC está confiante em não subir os juros”", diz o economista chefe da Austin Rating, Alex Agostin. O fim do atual ciclo de aperto monetário também não é descartado pelo Itaú, que entende que a ata considera que "a piora do cenário externo e a maior convicção de que a atividade doméstica está desacelerando, em função das medidas já implementadas, sugere a proximidade ou fim do processo de ajuste nos juros", segundo relatório assinado por Ilan Goldfajn e Caio Megale. Para Flavio Serrano, economista sênior do BES Investimento, há também sinais claros na ata divulgada ontem de que a elevçação das taxas de juros está perto do fim, embora não esteja certo de que a taxa irá se es- Para Copom, o agravamento no cenário externo tem influência ambígua sobre o comportamento da inflação doméstica tabilizar em 12,5% ao ano. No entanto, reforça que o BC já entende que a inflação chegará ao centro da meta, que é 4,5% do IPCA, até meados de 2013. De acordo com a ata, em 2012 as projeções no cenário do BC e do mercado aponta para uma inflação acima do centro da meta, mas Serrano lembra que as medidas de política monetária levam um tempo para fazer efeito. A projeção do BES é que o IPCA chegará ao final do ano que vem acumulando uma alta de quase 5%. ■ A.P.R. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLEMENTINO FRAGA FILHO SERVIÇO DE LICITAÇÕES E CONTRATOS Rua Prof. Rodolpho Paulo Rocco, nº 255 - UFRJ - Ilha do Fundão - Rio de Janeiro/RJ Tel.: 2562-629707 - Fax: 2562-2207 - E-mail: [email protected] AVISO DE LICITAÇÃO PREGÃO ELETRÔNICO-SRP DATA Nº 42/2011 12/08/11 HORA 10:00h DESCRIÇÃO DO SERVIÇO Aquisição de Aminofilina e outros PROC. Nº 23079.005790/ 2011-29 VALOR ESTIMADO R$ 529.072,00 O Edital completo poderá ser obtido no sítio do COMPRASNET ou junto à SLC, trazendo um CD ou um Pen-drive. Os esclarecimentos que se fizerem necessários poderão ser obtidos através dos telefones (21) 2562-6297 / 2562-2207 ou no que couber no Serviço de Farmácia. Obs.: O Edital referente ao Pregão nº 42/2011 estará disponível a partir de 29/07/2011. Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2011. Nelson Germano Peruchetti Pregoeiro 30 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 FINANÇAS Chris Ratcliffe/Bloomberg BANCOS BANCOS 2 Analistas projetam alta no lucro do HSBC e banco mantém corte de vagas Após lucro menor, Credit Suisse também pretende cortar 2 mil postos de trabalho O HSBC Holdings, maior banco da Europa, deve reportar lucro líquido de US$ 8 bilhões no primeiro semestre do ano, de acordo com estimativa de analistas consultados pela Bloomberg. A projeção significa expansão de 18% sobre os US$ 6,76 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O banco deve cortar 10 mil empregos como parte do plano de redução de custos anuais de US$ 3,5 bilhões. O banco suíço Credit Suisse anunciou ontem que vai suprimir 4% de seus efetivos mundiais, ou seja, 2 mil postos de trabalho. A decisão ocorre após o banco ter registrado uma forte queda nos resultados do segundo trimestre. O lucro líquido do Credit Suisse no período de abril a junho totalizou 768 milhões de francos suíços (US$ 957 milhões), o que representa um recuo de 52% em relação ao mesmo período em 2010. Proposta de distribuição valoriza fundo imobiliário Cota do BC Fund subiu após gestora propor rendimento de 8%, em vez de previstos 6% Mariana Segala Divulgação [email protected] É recorrente ouvir dos especialistas no mercado de fundos imobiliários — carteiras que compram imóveis para ganhar com aluguel — que os investidores precificam mal as cotas negociadas na BM&FBovespa. Os brasileiros, dizem, dão atenção demais aos dividendos distribuídos mensalmente. O valor de mercado dos fundos, portanto, tende a ser maior quanto mais repasse de renda aos cotistas é feito a cada mês. O movimento recente das cotas do Brazilian Capital Real Estate Fund I, lançado ao mercado no fim de 2010, reflete claramente a tendência. Bastou a gestora Brazilian Mortgages sugerir elevar a distribuição de rendimentos para o valor das cotas subir. A proposta vai para assembleia hoje. As cotas do BC Fund, como é conhecido, vieram a mercado em dezembro valendo R$ 100. De lá para cá, não chegaram a cair abaixo disso, mas até fim de junho não tinham passados dos R$ 102. Na segunda quinzena de julho, depois de publicado o edital de convocação da assembleia, as cotas atingiram até R$ 110, fechando ontem a R$ 105,40. “Essa alta já aconteceu na expectativa dos rendimentos”, avalia o especialista em fu’ndos imobiliários da XP Investimentos, Bruno Carvalho. Distorção Apesar da alta recente, o valor de mercado está longe de refletir o portfólio do fundo. Ao contrário das carteiras mais tradicionais, que têm um ou poucos imóveis, o BC Fund possui 13 e se propõe a fazer “gestão ativa” com a consultoria da Brazilian Rossano Nonino Diretor da Brazilian Capital “Valor de mercado dos imóveis é de R$ 2 bilhões. Descontadas dívidas de R$ 380 milhões, o valor líquido chega a R$ 1,62 bilhão. Mas na bolsa o fundo vale 25% menos que isso” Capital. “Tratamos o BC Fund como uma empresa aberta de investimento imobiliário”, explica o diretor da Brazilian Capital, Rossano Nonino. Justamente por isso o fundo vem distribuindo rendimento relativamente baixo aos cotistas — para fazer “sobrar” parte da receita mensal, permitindo novos investimentos. Pelo prospecto da carteira, a renda dos investidores neste ano seria de 6% sobre o valor das cotas. É menos do que paga a poupança. Em 2012, subiria para 7% e em 2013, para 8%. Só a partir de 2015 o fundo começaria a pagar aos cotistas a receita integral, prevista em no mínimo 15%. Mas o desempenho do fundo andou melhor que o estimado. “Na época da oferta, os aluguéis mensais eram de R$ 11,5 milhões. Após reajustamos os contratos de 60% do portfólio, a receita chegou a R$ 14,2 milhões”, diz Nonino. Como parte da gestão ativa, o fundo fez dinheiro também vendendo parte do Centro Empresarial de São Paulo (Cenesp) por R$ 60 milhões e comprando, por valor semelhante, o Edifício Buriti, que rende mais em aluguéis pagos pela General Motors. Por isso, a Brazilian Capital propôs aos cotistas elevar a remuneração do fundo para 8% já a partir de agosto, antecipando o patamar previsto só para 2013 — o que merece análise dos investidores, segundo Carvalho, da XP. “Liberando mais resulta- do mensalmente, deve diminuir a parcela de recursos para reinvestimento”, diz. Espera-se que essa mudança, aliada ao trabalho de divulgação maciça do fundo, façam subir o valor das cotas. Os imóveis da carteira somam valor de mercado de cerca de R$ 2 bilhões, segundo a consultoria Colliers International. Descontadas dívidas de R$ 380 milhões, resta um valor líquido dos imóveis de R$ 1,62 bilhão. Mas na bolsa, o fundo vale 25% menos que isso, R$ 1,2 bilhão. “Há um preconceito dos investidores com os fundos, de falta de liquidez, mas temos carteiras que merecem um olhar criterioso”, avalia o especialista Sérgio Belleza. ■ Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 31 Hannelore Foerster/Bloomberg LEILÃO BOLSAS Tesouro vende lote total de LTN, mas não tem demanda por LFT com vencimento em 2016 Deutsche Boerse aumenta lucro no trimestre com programa de redução de custos O Tesouro Nacional vendeu ontem todas as 4,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional e as 500 mil Letras Financeiras do Tesouro oferecidas em leilão. O maior peso foi de 1,5 milhão de LTN para janeiro de 2015 com taxa média de 12,97%, 3 milhões de LTN para janeiro de 2014 com taxa média de 12,91% e 500 mil LFT para 2018, a 100% do valor de face. Porém foram rejeitadas as ofertas para LFT de 2016. A Deutsche Boerse, que está perto de finalizar a tomada de controle da Nyse Euronext para criar a maior operadora de bolsas do mundo, registrou lucro 11% maior no segundo trimestre, para US$ 255,8 milhões, basicamente com corte de custos. Os gastos totais da companhia caíram 19%. Os acionistas da bolsa alemã já aprovaram o negócio com a Nyse, e aguardam definição dos reguladores europeus. Murillo Constantino Eldorado Business Tower, em São Paulo, é um dos 13 imóveis da carteira do BC Fund Credenciadora de cartão local mira bandeiras estrangeiras Divulgação Com os eventos esportivos, empresas como Redecard e Cielo querem que turistas usem plásticos em suas “maquininhas” EMPRESA ABERTA Em busca do cotista Tratar o BC Fund como uma empresa aberta exigiu algumas iniciativas da gestora. O fundo possui um site próprio, já foi alvo de quatro reuniões públicas (Apimec) com investidores e tem balanços e relatórios divulgados mensalmente. Além disso, a Brazilian Mortgages está divulgando o fundo junto a analistas, na esperança de que eles passem a emitir relatórios e recomendações. “Estamos buscando atrair para o fundo o investidor do mercado de ações”, diz o diretor Rossano Nonino. O fundo possui 1.550 cotistas. Durante um evento esportivo de escala mundial, um país vê os gastos com cartão de crédito dos turistas em seu território quase dobrarem, segundo revelou relatório realizado pela Visa em sua base de plásticos. Atentas à oportunidade que surge com esta demanda, credenciadoras brasileiras já estão fechando parcerias com um número maior de bandeiras, principalmente as estrangeiras, para ter o privilégio de ter os cartões dos turistas em suas “maquininhas”, os POS (point of sales). A Redecard, por exemplo, fechou parceria com uma empresa da China. “Nesse trimestre, fizemos a primeira transação com a China Union Pay, bandeira asiática que conta com 2,5 bilhões de cartões emitidos no mundo”, diz o presidente da Redecard, Claudio Yamaguti. De acordo com ele, a empresa espera ter toda a sua rede habilitada para a captura da bandeira até o início de 2012. O motivo da pressa é a realização de eventos esportivos no Brasil nos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, que podem trazer bons resultados ao mercado de cartões, tendo em vista o que ocorreu nos eventos anteriores. Dados do relatório da Visa mostram que na Copa do Mundo da África do Sul em 2010 os gastos dos turistas com cartões subiram 82%, na Olimpíada de Inverno no Canadá, o avanço foi de 93%,enquanto na Olimpíada de Beijing, na China, de 15%. “Os pagamentos eletrônicos permitem que os viajantes efetuem compras em outros países com facilidade”, considera o diretor-geral da Visa, Rubén Osta, justificando a escolha dos turistas pelos plásticos. As máquinas da Redecard já aceitam 25 bandeiras, entre elas a americana Discover e a argentina Cabal. O portfólio da credenciadora é o maior do setor. “Isso faz com que nossa rede tenha uma capilaridade maior”, afirma o presidente. Para se ter uma ideia, a concorrente Cielo conta com uma Yamaguti quer toda a rede habilitada até 2012 para aceitar bandeira chinesa “ O Brasil está vivendo um momento promissor, com aumento de renda e eventos, e o mundo inteiro vê o país de forma diferente Claudio Yamaguti Presidente da Redecard rede de 19 bandeiras e vem se preparando para os eventos mundiais. Desde dezembro do ano passado, a credenciadora aceita os cartões da bandeira japonesa JBC em mais de 1,2 milhão de estabelecimentos. Em relação a novas bandeiras estrangeiras, a Cielo diz que está sempre de olho e acompanhando todas as possibilidades do mercado. Estratégia No Brasil, as credenciadoras querem expandir a utilização das “maquininhas” para outras finalidades além do pagamento da compra com cartão. Entre as opções, está a recarga de celular, participação em programas de benefícios e serviços. “Queremos gerar transferências não financeiras”, afirma o presidente da Redecard, empresa que teve lucro líquido de R$ 322,6 milhões no segundo trimestre, alta de 14,7% frente aos três meses anteriores. A Cielo, por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 423,6 milhões, queda de 0,3% no período. ■ 32 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 INVESTIMENTOS RENDA FIXA Vanessa Correia [email protected] Ação da BM&FBovespa no nível de 2009 O objetivo do governo ao taxar derivativos de câmbio era conter o avanço do real ante a divisa americana. Entretanto, o que se viu até agora foi a derrocada das ações ordinárias da BM&FBovespa. Ontem, estes papéis, listados sob o código BVMF3, recuaram ao menor nível desde 7 de maio de 2009, aos R$ 8,87. Na semana, os papéis acumulam queda de 9,95%, enquanto no ano, o recuo é de 30,52% A cobrança de 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre derivativos de câmbio, levou o Goldman Sachs a reduzir a recomendação para os papéis da BM&FBovespa, de compra para neutra. “Acreditamos que essa nova regulação terá um impacto negativo nas operações, reduzindo lucros em razão de volumes menores, e na percepção sobre a companhia, dado o risco de futuras intervenções adicionais do governo”, ressaltaram os analistas Carlos Macedo, Jason Mollin, Wesley Okada e Mariana Barros, em relatório. De acordo com os especialistas, a medida poderá ter um efeito negativo imediato nas taxas de negociação de câmbio no mercado futuro, que respondem por 14% da receita bruta da BM&FBovespa. “Assumimos um declínio de 11% na média de volume diário e reduzimos a projeção de ganho por ação”, consideram os analistas. Com isso, o preço-alvo estipulado para 12 meses caiu para R$ 11,20. Os analistas do Deutsche Bank dizem que a medida anunciada pelo governo na quarta-feira também poderia surtir efeito adverso nos volumes de outros produtos. “Notamos que o governo introduziu várias medidas para limitar a apreciação do real em relação ao dólar, mas sem muito sucesso. Como tal, outras medidas não podem ser descartadas”, completaram os analistas Mario Pierry e Tito Labarta, em relatório. Já para Luciana Leocadio, analista-chefe da Ativa Corretora, ainda não é possível determinar o impacto da medida para a empresa, dado que o governo sinalizou que poderá elevar a tributação caso ela não surta o efeito desejado. Se a BM&FBovespa está em baixa, o mesmo não pode ser dito da Cetip, As ações reagem positivamente à obrigatoriedade de registro dos contratos de balcão nas câmaras de compensação. Na semana, as ações subiram 0,11%, enquanto no ano, a alta é de 12,7%. ■ Data Rent. 12 meses (%) No ano ITAU PERSONNALITE RF MAX FICFI BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI BB R FIXA LP PLUS ESTILO FIC FI CAIXA FIC EXECUTIVO RF L PRAZO CAIXA FIC IDEAL RF LONGO PRAZO BB RENDA FIXA 5 MIL FIC FI BB RENDA FIXA 200 FIC FI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI BB RENDA FIXA LP 100 FICFI 28/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 28/jul 28/jul 28/jul 28/jul 27/jul 10,57 10,51 10,50 10,14 9,53 9,29 8,12 7,61 7,21 7,01 6,20 6,05 6,04 5,86 5,52 5,44 4,80 4,52 4,34 4,16 Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano BB REF DI LP PREM ESTILO FIC FI SANTANDER FIC FI MASTER REF DI BB REF DI LP 50 MIL FICFI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI BB REF DI PLUS ESTILO FIC FI CAIXA FIC DI LONGO PRAZO BB REF DI 5 MIL FIC FI BB NC REF DI LP PRINC FIC FI BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI ITAU PREMIO REF DI FICFI 27/jul 28/jul 27/jul 28/jul 28/jul 27/jul 28/jul 27/jul 28/jul 28/jul 10,72 10,55 10,40 10,36 10,32 8,92 8,67 8,43 8,06 7,06 6,19 6,12 6,01 6,05 6,02 5,19 5,11 4,93 4,78 4,23 Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano BB ACOES VALE DO R DOCE FI CAIXA FMP FGTS VALE I ITAU ACOES FI BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA MAXI BRADESCO FIC DE FIA IV BB ACOES PETROBRAS FIA SANTANDER FIC FI ONIX ACOES UNIBANCO BLUE FI ACOES ALFA FIC DE FI EM ACOES 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 7,29 6,43 (12,10) (13,97) (14,24) (14,31) (15,13) (16,24) (17,18) (21,82) (7,14) (7,79) (15,04) (16,34) (16,55) (16,57) (13,17) (18,06) (19,12) (22,87) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 1,00 1,00 1,00 1,10 1,50 2,00 3,00 3,50 4,00 4,00 80.000 50.000 50.000 30.000 5.000 5.000 200 50 300 100 DI Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 0,70 1,00 1,00 1,00 1,00 2,00 2,50 2,47 3,00 4,00 100.000 30.000 50.000 80.000 50.000 100 5.000 100 200 1.000 AÇÕES LADOS OPOSTOS Medida do governo, de taxar operações de derivativos de câmbio, afetou ainda mais as ações da BM&FBovespa, em R$/ação CETIP ON Fundo Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 1,90 4,00 4,00 4,00 ND 2,00 2,50 5,00 8,50 200 1.000 200 100 200 - BM&FBOVESPA ON 30 15 MULTIMERCADOS 26,40 Fundo Data Rent. 12 meses (%) No ano ITAU EQUITY HEDGE ADV MULT FI ITAU EQUITY HEDGE MULTIM FI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI ITAU PERS K2 MULTIM FICFI ITAU PERS MULTIE MULT FICFI SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM SANTANDER CAP PROT 3 FI MULT SANT FI CAP PROT VG7 MULT SANT FICFI CAP PROT VG6 BR MULT 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 27/jul 13,37 11,61 10,82 10,74 10,69 10,45 7,84 (0,13) (1,64) (4,69) 6,66 5,49 6,23 6,13 5,84 5,87 4,47 (3,41) (4,72) (7,15) 12 25 10,55 9 20 8,87 6 15 12,58 10 3 27/10/0904.01.10 1/6/10 3/1/11 28/7/11 20/8/08 02.01.09 4/1/10 3/1/11 (EM PONTOS) 59.200 58.900 58.600 Máxima 59.166,51 Mínima 58.290,36 Fechamento 58.708,25 58.000 IBRX-100 SMALL CAP - SMLL MIDLARGE CAP - MLCX 19.800 1.290 874 19.725 1.286 870 19.650 1.282 866 19.575 1.278 862 1.274 19.500 Fonte: BM&FBovespa 11h 12h 13h 14h 10.000 5.000 20.000 50.000 5.000 10.000 5.000 5.000 5.000 *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico IBOVESPA 10h 2,00 2,00 1,50 1,50 1,50 1,25 2,00 2,30 2,50 2,50 28/7/11 Fontes: BM&FBovespa, Economatica e Brasil Econômico 58.300 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 15h 16h 17h 10h 17h 858 10h 17h 10h 17h Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 33 BOLSA JURO Giro financeiro Contrato futuro R$ 5,6 bilhões 12,47% foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário da BM&FBovespa. O principal índice encerrou a sessão com variação positiva de 0,72%, aos 58.708 pontos. foi a taxa de fechamento do contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012, o mais líquido na sessão de ontem. O volume financeiro neste contrato foi de R$ 24,01 bilhões, em 252.520 contratos. HOME BROKER (fechamento em R$) Fibria ON (FIBR3) 27,00 27,0 25,11 24,5024,5 “Estrangeiros continuam entrando na #Bovespa. E agora se encontram pela primeira vez com saldo positivo no ano de R$ 350milhões” 22,0 22,00 21,25 20,30 2º objetivo @chrinvestor, Christian Cayre, investidor e consultor financeiro 1º objetivo 19,5019,5 18,85 Resistência 18,10 17,58 Suporte 17,00 17,0 2/FEV 1/MAR 1/ABR 2/mai 1/JUN 1/JUL 28/JUL Fontes: Daniel Marques, Economatica, BM&FBovespa e Brasil Econômico Plano de resgate dos EUA pode elevar Fibria O fim do embate político entre republicanos e democratas sobre o novo teto da dívida americana pode provocar um movimento cíclico de valorizações, começando pelo Dow Jones e chegando até a bolsa brasileira. Segundo Daniel Marques, analista gráfico da corretora Ágora, os papéis que devem apresentar melhor desempenho na Bovespa são aqueles que, neste ano, registraram quedas muito bruscas. É o caso da Fibria (FIBR3) que até ontem se desvalorizou 30% — quase o dobro do Ibovespa que amarga um recuo de 15,29%, em 2011. Ontem, as ações da companhia tiveram uma leve valorização de 0,67% e fecharam o pregão cotadas a R$ 18,10. Caso os papéis consigam romper a resistência (ponto que, se superado, indica a possibilidade de continuidade de movimento de valorização) precificada em R$ 18,85, elas inverterão a atual tendência de baixa pela de alta. “O ideal é que o rompimento deste patamar não demore muito para ocorrer. Um bom prazo é de três a quatro dias. Se passar de um mês, o movimento muda de configuração”, afirma o especialista. Caso isso ocorra de fato, o primeiro objetivo dos papéis é atingir R$ 20,30 e, em seguida, R$ 21,25. No entanto, se o cenário de alta não se confirmar, Marques indica ao investidor apertar o botão de stop quando as ações atingirem R$ 17,58, que é a mínima registrada na quarta-feira e o suporte (patamar que, se perdido, aponta para uma chance de queda em sequência) das ações. “A #Bovespa é uma “aventura para mochileiros”, diz o jornal Financial Times! Mochila nas costas, vamos embora trilha adentro” @NavarroConradoNavarro, investidor, criador do site Dinheirama “Analistas dizem que a #VALE5 deve apresentar o maior lucro da história...disto não duvido... minha dúvida: quanto deste “deve” já está precificado?” @Picapautrader, investidor “Os investidores estão fazendo o voo para qualidade — dessa vez, não para os títulos do governo americano mas para o #ouro” @NegocioDeBolsa, investidor “Os #EUA ainda não têm a solução para o limite da dívida e o #Brasil que é todo errado? Somos melhores que eles hoje, amanhã, não sabemos” @Fontes, economista e educador financeiro CONVERSÃO PARTICIPAÇÃO NOVO MERCADO Kepler Weber fará conversão de parte de PNA em ON CSN aumenta fatia na Usiminas para 10,84% de ordinárias Mundial convoca novamente acionistas sobre migração O Grupo Kepler Weber (KEPL3), de armazenagem de grãos, informou ontem que será assegurado o direito de recesso aos acionistas titulares de ações preferenciais em 27 de julho referente à conversão das ações preferenciais em ações ordinárias, assunto que será deliberado em assembleias que ainda serão convocadas. A empresa quer converter 2 mil PNA em ON. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) aumentou sua participação no capital social da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), através de aquisições de ações ordinárias e ações preferenciais, passando a deter 10,84% das ON e 10,20% das PN. A companhia CSN informou ainda que continua avaliando alternativas estratégicas com relação a seu investimento na Usiminas. A Mundial fez a segunda convocação aos acionistas para comparecimento em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) agendada para o dia 5 de agosto, às 14h, na sede social da empresa, na capital paulista. O objetivo é votação de migração para o segmento Novo Mercado da BM&FBovespa, com conversão de ações preferenciais em ordinárias na proporção de 0,8 ON para cada PN. TOTVS Indicação é neutra para ação mesmo com bom resultado A Totvs (TOTS3) informou os resultados do segundo trimestre do ano e, para a equipe de análise da Banif CVC, coordenada por Osvaldo Telles, o ponto positivo foi o forte crescimento de 16,7% para R$ 315,2 milhões da receita líquida no período, comparado à mesma época de 2010. O desempenho, ressalta os analistas em relatório, refletiu maior preço médio da licença de software, dos serviços com maior valor agregado e o reajuste dos contratos de manutenção. As vendas para grandes empresas foram as responsáveis pelo forte aumento do preço médio da licença. “O resultado operacional da Totvs foi bom e em linha com nossa expectativa”, afirmam os especialistas, que mantiveram a recomendação neutra para as ações da empresa. Em relação ao lucro líquido, os analistas da Banif destacam a grande diferença entre o reportado de R$ 48,7 milhões e a expectativa da Corretora de R$ 67,4 milhões, “que pode ser explicada pela menor depreciação, despesa financeira e imposto de renda projetado”. Para os analistas o preço-alvo para os papéis é de R$ 37,80, ITAO PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ/ MF 10.714.564/0001-40 NIRE 35.300.366.417 Ata da Assembléia Geral de Constituição de 20 de Outubro de 2008 Data, Hora e Local: aos 20 dias do mês de Outubro de 2008 as 10:00 horas, na Sede da Cia. situada à Rua Fernandes de Abreu, 115 apto 41, Bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, CEP 04543-070. Os abaixo assinados e adiante nomeados e qualificados reuniram-se em Assembléia Geral, conforme como objetivo específico de deliberar a constituição de uma sociedade por ações, a ser denominada Itao Participações S/A Presenças: da totalidade dos acionistas e dos diretores da Cia., conforme consta do livro de presença de acionista. Convocação: dispensada a publicação dos Editais de Convocação de acordo com artigo 124 da Lei 6.404/76 .Mesa: assumiu a presidência o Sr. Noé Wanderli Pinto, brasileiro, casado, empresário, portador da RG n° 5.410.763-5 SSP/SP e CPF sob n° 519.738.638.04, residente e domiciliado nesta capital do estado de São Paulo na rua Fernandes de Abreu, 115 , apto. 41, Bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, CEP 04543-070 e a Sra. Izilda Kalil Pinto, brasileira, casada, empresária portadora da RG n° 7.746.735 SSP/SP e CPF sob n° 625.763.568-34, residente e domiciliada nesta capital do estado de São Paulo na rua Fernandes de Abreu, 115, apto. 41, Bairro Vila Nova Conceição, São Paulo, CEP 04543-070, para exercer a função de secretária. Ordem Do Dia: (1) deliberar sobre a constituição da sociedade anônima denominada Itao Participações S/A; (2 ) deliberar sobre a subscrição de ações e integralização do capital social subscrito; (3) aprovar o estatuto Social da Cia.; (4) eleger os membros da diretoria (5) fixação de verba destinada a remuneração da diretoria; e (6) deliberar sobre outros assuntos de interesse da companhia. Deliberações: após discussão das matérias constantes da ordem do dia, os acionistas fundadores da Cia. Deliberaram, por unanimidade de votos: Constituição de Sociedade Anônima foi aprovada a constituição da sociedade Itao Participações S/A os acionistas fundadores subscreveram 4.594.148 ações, sendo todas ordinárias nominativas, sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 1,00 cada ação, ficando o capital social no importe de R$ 4.594.148,00, a secretária passou a leitura do modelo de Estatuto Social, o qual após discussões dos acionistas fundadores, foi aprovada por unanimidade, sem qualquer ressalva, foram eleitos para compor a diretoria para o mandato de 03 anos o Sr. Noé Wanderli Pinto, já qualificado, para ocupar o cargo de Diretor sem Designação Específica, e a Sra. Izilda Kalil Pinto, já qualificada, para ocupar o cargo de Diretor Sem designação os membros da diretoria não farão jus a remuneração até posterior deliberação da Assembléia Geral de Acionista. Encerramento Da Ordem Do Dia a presidência da mesa ofereceu a palavra a quem dela quisesse fazer uso e, como ninguém se manifestou, e nada mais havendo a tratar, foram os trabalhos suspensos pelo tempo necessário à sessão, após lida e achada conforme foi aprovada e assinada pelos presentes, Nada mais 34 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 PONTO FINAL Carlos Barria/Reuters CARTAS ESFORÇO PARA COMPETIR Muito bem explicado o artigo “Temos uma bolha de crédito?” (página 2 da edição de 21/7/2011), de Júlio Gomes de Almeida. A análise isenta de um assunto controvertido é difícil para muitos especialistas. Neste caso, o articulista não defende ou ataca, apenas analisa os critérios que definem uma bolha de crédito, e conclui com a valoração da importância das medidas macroprudenciais. Não me surpreende que texto de tal qualidade tenha vindo de um professor da Unicamp, instituição de ensino já consagrada, com excelentes quadros. Luca Santos Rio de Janeiro (RJ) Com relação à reportagem “CSN faz mais compras e diz ter 10% das ações da Usiminas” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE em 27/7/2011), as únicas fabricantes de aços planos no Brasil eram Usiminas, Cosipa e CSN sob o guarda-chuva da antiga Siderbrás. Depois, da “privatização”, a primeira comprou a segunda e, agora, a terceira aumenta, gradativamente, sua participação no capital da primeira. O filme do monopólio parece que vai repetir-se. Paulo Campos Belo Horizonte (MG) A discussão no Congresso dos Estados Unidos sobre medidas a serem adotadas em relação à situação financeira da maior potência econômica mundial mostra uma situação curiosa. Discute-se como evitar que não sejam pagas dívidas, em razão da limitação do orçamento. Reduzem-se medidas no campo social, com perdas de vagas no mercado de trabalho e menos serviços de saúde pública. Mas nada se faz em relação a despesas em áreas como as relações internacionais, que permitem ao governo presidido por um recente Nobel da Paz gastar parte significativa do orçamento do país em ações belicistas, como nas ocupações do Iraque e do Afeganistão. Uriel Villas Boas Santos (SP) Com relação à reportagem “Armas do BC perdem força e dólar termina a R$ 1,557” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE em 27/7/2011), o governo está correto em agir em pontos de especulação, barrando os mal-intencionados que, de maneira geral, não fabricam ou empregam sequer um grampo de roupa. Sergio Calikevstz Camboriú (SC) Com relação à reportagem “Governo taxa derivativos para conter queda do dólar” (publicada no BRASIL ECONÔMICO ON-LINE em 27/7/2011), tem que ficar claro aos idealizadores da referida medida provisória que um dos princípios da lei é não tratar de forma igual os desiguais. Nem todos aqueles que contratam derivativos o fazem de maneira especulativa. Há os que contratam para proteger suas posições. Desta forma, não podem ser penalizados. Vale lembrar que toda elevação de custo é repassada ao sistema. Portanto, o comprador final é quem assume isto. Alexandre Barbosa de Souza São Paulo (SP) Com relação ao artigo “Reservas cambiais e reservas de ferro” (página 35 da edição de 27/7/2011), de Charles Laganá Putz, antes de contribuir para a economia do país, a exploração do minério de ferro contribui para o desenvolvimento das localidades onde ocorre. Além disso, todos nós já nos acostumamos ao conforto da vida moderna e não queremos mais viver como na pré-história — e o ferro é de fundamental importância para manter o nosso conforto: casas, carros, eletrodomésticos, etc. Ainda assim, há muitos hipócritas que levantam a bandeira contra a mineração de empresas sérias que o fazem com responsabilidade e que se comprometem a adotar medidas que minimizem os impactos desta atividade. Vívian Rodrigues Itabira (MG) Cartas para a Redação: Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP). E-mail: [email protected] As mensagens devem conter nome completo, endereço, telefone e assinatura. Em razão de espaço ou clareza, BRASIL ECONÔMICO reserva-se o direito de editar as cartas recebidas. Mais cartas em www.brasileconomico.com.br Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretores Executivos Alexandre Freeland, Paulo Fraga e Ricardo Galuppo [email protected] Brasil Econômico é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Fone (11) 3320-2000 - Fax (11) 3320-2158 A japonesa Natsumi Hoshi prepara-se para competir nos 200 metros de nado borboleta, no Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos, em Xangai. Cesar Cielo ficou fora do podium nos 100 metros nado livre, chegando na quarta colocação. Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta Brasília Maeli Prado, Simone Cavalcanti Rio de Janeiro Ricardo Rego Monteiro Editores Executivos Arnaldo Comin, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato Gaspar, (Paginadores), Infografia Alex Silva (Chefe), Anderson Cattai, Monica Sobral Fotografia Antonio Milena (Editor), Marcela Beltrão (Subeditora), Henrique Manreza, Murillo Constantino (Fotógrafos), Angélica Bueno, Wellington Reis (Pesquisa) Webdesigner Rodrigo Alves Tratamento de imagem Henrique Peixoto, Luiz Costa Secretaria/Produção Shizuka Matsuno Informações econômicas e estatísticas Pedro Cássio Produção gráfica Ivanilson Fernandes, Márcia Fernandes, Samuel Coelho Editores Conrado Mazzoni (On-line), Elaine Cotta (Brasil), Fabiana Parajara (Destaque), Maria Luiza Filgueiras (Finanças), Rita Karam (Empresas) Subeditores Estela Silva, Isabelle Lima (Empresas), Ivone Portes (Brasil), Luciano Feltrin (Projetos Especiais), Micheli Rueda (On-line), Priscila Dadona (Finanças) Repórteres Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli, Daniela Paiva, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Eva Rodrigues, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Felipe Peroni, Flávia Furlan, Françoise Terzian, João Paulo Freitas, Karen Busic, Lurdete Ertel, Mariana Celle, Mariana Segala, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Natália Flach, Nivaldo Souza, Pedro Venceslau, Priscila Machado, Rafael Abranches, Rafael Palmeiras, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Moreira, Vanessa Correia, Weruska Goeking Departamento Comercial Paulo Fraga (Diretor Executivo Comercial), Mauricio Toni (Diretor Comercial), Júlio César Ferreira (Diretor de Publicidade), Ana Carolina Corrêa, Wilson Haddad (Gerentes Executivos), Paulo Fonseca (Gerente Comercial), Celeste Viveiros, Dervail Cabral Alves, Mariana Sayeg, Simone Franco (Executivos de Negócios), Jeferson Fullen (Gerente de Mercados), Ana Paula Monção (Assistente Comercial) Projetos Especiais Márcia Abreu (Gerente), Alexandre de Vicencio (Coordenador), Daiana Silva Faganelli (Analista) Publicidade Legal Marco Panza (Diretor de Publicidade Legal e Financeira), Adriana Araújo, Valério Cardoso, Carlos Flores (Executivos de Negócios), Ana Paula Monção (Assistente Comercial) Departamento de Marketing Evanise Santos (Diretora), Rodrigo Louro (Gerente de Marketing), Giselle Leme, Roberta Baraúna (Coordenadores de Marketing), João Felippe Macerou Barbosa (Coordenadores) Operações Cristiane Perin (Diretora) Departamento de Mercado Leitor Nido Meireles (Diretor), Nancy Socegan Geraldi (Assistente Diretoria), Denes Miranda (Coordenador de Planejamento) Central de Assinantes e Venda de Assinaturas Marcia Farsura (Gerente de Assinaturas), Helen Tavares da Silva (Supervisão de Atendimento), Conceição Alves (Supervisão) São Paulo e demais localidades 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 De segunda a sexta-feira - das 6h30 às 18h30. 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(DF/GO) Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 35 Carlos Maurício Maia Ribeiro Sócrates Melo Sócio do Vieira, Rezende, Barbosa e Guerreiro Advogados e especialista em direito do petróleo e ambiental Gerente sênior da empresa de recrutamento Robert Half Biocombustíveis, aquecimento global e segurança alimentar Profissionais temporários e a nova realidade econômica Embora o aquecimento global se torne cada vez mais evidente, a discussão em torno de sua origem e de sua real magnitude, velocidade e alcance ainda é travada em fóruns científicos, econômicos e políticos ao redor do mundo. Algumas certezas, contudo, já se tem: de que o clima está mudando; de que as temperaturas médias vêm aumentando, e de que a constante e crescente queima de combustíveis fósseis contribui de forma significativa para a emissão de gases causadores do efeito estufa. Tal fenômeno natural, se até hoje foi fundamental para manter as temperaturas na Terra ideais para o surgimento e manutenção da vida, irá, no futuro, caso continue no ritmo atual, tornar a vida no planeta inviável. Quando tal catástrofe ambiental ocorrerá, quanto tempo levará e quão doloroso para os seres vivos será esse processo são questões ainda em debate e objeto de estudos. É nesse contexto global e para lidar com uma estrutura de produção fortemente baseada na queima de combustíveis fósseis, que se inserem os biocombustíveis. Por biocombustíveis entende-se o etanol e o biodiesel, obtido da prensagem das cascas de plantas oleaginosas, com destaque para a palma, ou dendê e a soja. A queima de biocombustíveis é menos poluente do que a queima dos combustíveis fósseis. Além disso, o petróleo e o carvão mineral são recursos finitos, ao passo que os biocombustíveis se constituem em fontes renováveis. A principal razão em torno da adoção em âmbito mundial dos biocombustíveis, como solução limpa, renovável e economicamente viável reside no medo de que o incremento das culturas de cana-de-açúcar e de dendê, por exemplo, se dê em detrimento da produção de alimentos. Tal medo, infelizmente, não é desprovido de fundamento. Os números mostram que 85% das posições abertas nas empresas são em função do crescimento orgânico. Isso mostra que a América Latina, principalmente o Brasil, passa por um momento econômico muito intenso, em que a busca por resultados, crescimento e alta qualidade são os principais desafios. Eventos como Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês), fusões e aquisições e início de operações são projetos cada vez mais comuns no dia a dia corporativo. Acompanhando esta onda de acontecimentos, a característica dos profissionais considerados de ponta, independente da posição que ocupam, adquiriu uma mentalidade voltada para execução, com focos fortemente relacionados a resultados e capacidade de comunicação elevada. Diferente do que ocorria há alguns anos, trabalhar em um projeto com início, meio e fim pode ajudar, e muito, os profissionais no desenvolvimento de suas competências, além de entender também as características dos diferentes segmentos e, consequentemente, deixá-lo preparado para trabalhar em qualquer ambiente ou situação. A escolha por um trabalho temporário é uma excelente estratégia para o profissional se aproximar de um segmento de mercado. Um diretor de controladoria que tenha experiência no segmento de construção civil, por exemplo, pode ter interesse em projetos temporários para ampliar o rol de atuação em outros setores e adquirir vivência em segmentos como varejo, indústria pesada e energia. No Brasil, três em cada dez executivos já não veem problemas em contratar um diretor financeiro temporário até a identificação de um sucessor definitivo para o cargo A principal razão em torno da adoção em âmbito mundial dos biocombustíveis reside no medo de que o incremento das culturas se dê em detrimento da produção de alimentos O profissional temporário é contratado pelas empresas por possuir um perfil extremamente qualificado e com profundo conhecimento técnico e acostumado a determinado tipo operação ou projeto. Ou seja, é o profissional preparado para entrar na empresa e desde o primeiro minuto executar, sem necessidade de treinamento ou adaptação à cultura da organização. É importante que os profissionais comecem a olhar os projetos como uma oportunidade de desenvolvimento, crescimento e uma forma de se tornar mais competitivos e alinhados com as características que o mercado espera. Se por um lado é importante que os profissionais percebam a importância de projetos temporários como uma ferramenta de desenvolvimento de carreira e aumento de empregabilidade, por outro, no Brasil, já é possível notar a quebra de paradigma, ao passo que as empresas enxergam cada vez mais profissionais temporários em níveis de média e de alta gerência como aqueles capazes de executar e gerenciar uma atividade com começo, meio e fim. Outro fator relevante e atrativo aos profissionais é o volume crescente de projetos de empresas que iniciam operação no país ou estão em processo de reestruturação ou de fusão e aquisição. São desafios que fazem brilhar os olhos dos profissionais temporários, pois muitas vezes em curto prazo é possível agregar experiências ricas à carreira. Para empresas é o profissional adequado para evitar sobrecarregar a equipe em um momento de expansão ou mesmo suprir uma posição estratégica sem precisar mexer no resto do time. No Brasil, três em cada dez executivos já não veem problemas em contratar um diretor financeiro temporário até a identificação de um sucessor definitivo para o cargo. Isso revela outra vez que antigos preconceitos estão cada vez mais de lado e que há profissionais qualificados no mercado brasileiro e aptos a encarar projetos como esses. Hoje, cerca de 80% dos profissionais temporários contratados por projetos tidos como bem realizados são efetivados. ■ Se, por um lado, no Brasil ainda há milhões de hectares que podem vir a ser destinados a essas culturas, sem que haja risco para a produção de alimentos, por outro lado há países como a Malásia, no qual a cultura da palma de dendê acabou por erradicar todas as demais, tornando o país totalmente dependente da importação de alimentos. Na Indonésia, verifica-se o mesmo processo, sendo certo que diversos países africanos correm o risco de serem recolonizados, desta vez por corporações internacionais, sobretudo chinesas, e se transformarem em grandes produtores de cana-de-açúcar e de palma de dendê em detrimento da produção de alimentos. Mesmo com relação ao Brasil, argumenta-se que o aumento da produção de cana-de-açúcar, que tem deslocado outras culturas e a pecuária para áreas com solos menos férteis, está movendo a fronteira agrícola e caso não haja planejamento, impactará de forma significativa a floresta amazônica. Dadas as dimensões continentais do país e as centenas de milhões de terras agriculturáveis, qualquer agressão à floresta amazônica, originada por agricultores e/ou pecuaristas, ao argumento de que há que se expandir a fronteira agrícola, deve ser tida como injustificada e criminosa. O binômio planejamento e fiscalização se constitui como um desafio que se impõe aos tomadores de decisão, para que os biocombustíveis venham a desempenhar o importante papel que a eles está reservado na história humana, de ter uma participação decisiva na substituição dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial, com todos os esperados ganhos ambientais, sem que para isso se coloque em risco a segurança alimentar da humanidade. ■ “Seus gastos no varejo são bastante saudáveis” Divulgação “É preciso respeitar os acordos” Philippe Wojazer/AFP AS FRASES Jean Charles Naouri, presidente do grupo francês Casino, ao Hana Ben-Shabat, sócia da consultoria A.T. Kearney, confirmar que mantém a decisão de assumir, em 2012, o controle da CBD Pão de Açúcar, do empresário Abilio Diniz, O presidente do Casino opôs-se nas últimas semanas a um projeto de fusão de sua filial brasileira com o gigante francês Carrefour, defendido por Diniz. Naouri disse que, segundo o pacto estabelecido, pretende assumir o controle do Pão de Açúcar em meados de 2012. sobre o comportamento do consumidor sul-americano, ao prever que a América do Sul será a próxima parada das grandes redes varejistas internacionais. “Faz sentido investir em marcas nestes mercados, porque você tem um alto percentual de consumidores que hoje são jovens e vão crescer com a marca”, disse Hana, cuja consultoria elabora o Índice de Desenvolvimento de Varejo Global, com os 30 melhores países emergentes. 36 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 ÚLTIMA HORA Marius Arnesen/Reuters Noruega encerra busca por corpos em ilha A polícia norueguesa encerrou ontem a busca por corpos na ilha onde o atirador antiislâmico Anders Behring Breivik matou 68 pessoas e informou que estava cada vez mais certa de que ele agiu sozinho. Breivik, de 32 anos, matou no total 76 pessoas em um ataque a bomba no centro de Oslo seguido pela chacina na ilha, no acampamento de verão do braço jovem do Partido Trabalhista, do governo. A busca por corpos no lago Tyrifjord, nas redondezas, continua. Cris Bouroncle/AFP Enfim, no poder: Humala começa governo com 70% de aprovação popular BREVES Daniel Acker/Bloomberg BNDES destina R$ 445,7 mi a parques eólicos A diretoria do Banco aprovou o financiamento para a construção de oito parques eólicos no Rio Grande do Sul. Os recursos irão para Sociedades de Propósito Específico (SPEs) controladas pela Enerfin do Brasil. Juntas, as usinas terão capacidade de 150 Megawatts (MW). Os investimentos totais são de R$ 725,2 milhões. Três parques, que totalizam 30 MW, já estão em operação, e os demais têm prazo para funcionar de julho de 2012 a setembro de 2013.Todas as usinas já possuem contratos de comercialização de energia de 20 anos no Ambiente de Contratação Regulado (ACR). Redação Transportes confirma Miguel Masella como secretário executivo Humala quer‘socializar’ crescimento econômico Em cerimônia de posse, ontem, novo presidente do Peru prometeu aumento do salário mínimo e criação de programas sociais que incluam os mais pobres no ciclo de expansão O esquerdista Ollanta Humala tomou posse ontem como presidente do Peru, prometendo incluir os pobres do país no crescimento econômico e buscando mostrar aos investidores que governará como um político moderado, depois de romper com seu passado radical. Em seu primeiro discurso no cargo, o ex-militar disse que manterá intactas as políticas de livre mercado em vigor, mas prometeu também elevar o salário mínimo e assegurar uma pensão a todos os peruanos com mais de 65 anos. Segundo ele, os programas sociais serão financiados em parte por um novo imposto sobre os lucros das mineradoras que pretende implantar. “Queremos que o termo Humala prometeu fazer com que o crescimento econômico e a inclusão social caminhem juntos para, assim, acabar com a exclusão social que ainda afeta boa parte da população peruana ‘exclusão social’ desapareça da nossa linguagem e das nossas vidas para sempre”, disse Humala. “O crescimento econômico e a inclusão social caminharão juntos.” Depois de se distanciar do presidente socialista venezuelano, Hugo Chávez, durante a campanha eleitoral, Humala nomeou uma equipe econômica comandada por conservadores. Sem maioria no Congresso, o presidente prometeu ser conciliador e buscar o diálogo para aprovar seus programas sociais. Constituição Já na posse, Humala, de 49 anos, causou burburinho ao prometer cumprir a Constituição de 1979, e não a versão promulgada em 1993 por Alberto Fujimori, que fechou unilateralmente o Congresso para acumular poderes. Fujimori está preso por corrupção e abusos aos direitos humanos. A decisão, no entanto, desagradou parlamentares do partido de Fujimori, que tem a segunda maior bancada do Congresso peruano. Humala foi eleito em 5 de junho, derrotando no segundo turno, a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente. Governabilidade Pesquisa realizada duas semanas após a eleição deu a Humala 70% de aprovação. Os eleitores pedem a preservação de políticas moderadas, responsáveis por dar ao Peru um dos maiores crescimentos econômicos do mundo nos últimos anos. ■ Reuters O novo secretário executivo do Ministério dos Transportes será Miguel Masella, que atualmente ocupa o cargo interinamente. Masella era secretário de Gestão de Programas de Transportes e assumiu a função no lugar de Paulo Sérgio Passos, que substituiu o ministro Alfredo Nascimento. O ex-ministro pediu demissão por causa de denúncias de corrupção na pasta. ABr Minerva está de olho nos ativos dos concorrentes O montante captado pela Minerva, em sua emissão de debêntures conversíveis em ações, será usado para adquirir ativos dos concorrentes e pagar dívidas de curto prazo. Foram arrecadados R$ 200 milhões, mas a expectativa era de R$ 300 milhões. Segundo uma fonte de mercado, a empresa prevê que o setor de carnes passará por uma reorganização nos próximos meses: frigoríficos que não conseguiram atingir a sinergia esperada nem obter o Ebitda previsto podem vender fábricas e áreas estratégicas. Neste momento, a Minerva pretende estar capitalizada. Também estão no radar centros de distribuição da BR Foods. A companhia não comentou o assunto. Natália Flach Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 37 38 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico 39 SE SUA EMPRESA GOSTA DE CRESCER, AUMENTE O ALCANCE DE SUA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA. PUBLIQUE SEU BALANÇO NO BRASIL ECONÔMICO. PUBLIQUE SEU BALANÇO NO MAIS NOVO JORNAL DE ECONOMIA DO PAÍS. Contato: Paula Rodrigues e – (11) 3320-2119 / (11) 3320-2158 [email protected] [email protected] www.brasileconomico.com.br 40 Brasil Econômico Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 Brasil Econômico é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A., com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: São Paulo e demais localidades: 0800 021 0118 Rio de Janeiro (Capital) (21) 3878-9100 - [email protected] É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômica S.A. ÚLTIMA HORA Vale confia em minério com preço alto Agência Vale A mineradora mantém a perspectiva de alta da matéria-prima do aço até 2013, mesmo ante a crise dos países europeus e a incerteza fiscal dos EUA. “O mercado global de minério de ferro permanece aquecido e esperamos que permaneça assim pelo menos pelos próximos dois anos”, diz a Vale no balanço do segundo intervalo financeiro de 2011. A aposta é feita de olho no aquecido consumo de minério pela China. “O 12º plano quinquenal chinês para 2011-2015 continuará a dar apoio à expansão da demanda por commodities, incluindo minério de ferro, carvão e cobre”, informa a Vale. O país asiático comprou 30,6 milhões das 73,5 milhões de toneladas de minério e pelotas vendidas pela Vale no trimestre. A vendas de produtos de minerais ferrosos atingiu o recorde trimestral de R$ 18,841 bilhões no segundo trimestre. E a expectativa é de crescimento maior em função da urbanização no gigante asiático. “O programa de habitação social chinês, que envolve a construção de 10 milhões de unidade em 2011 e outras 10 milhões em 2012, adicionará vigor ao mercado imobiliário e à demanda por minério de ferro a partir do segundo semestre.” Segundo a mineradora, os preços de minerais e metais registraram “modestas correções” no trimestre encerrado em junho, voltando a “uma recuperação desde meados de junho”. A empresa afirma que o sistema internacional de preços (Plat- Costábile Nicoletta [email protected] Diretor adjunto Um especialista em generosidade Lucro líquido da companhia cresceu 54,9% no primeiro trimestre ante igual período do ano anterior, para R$ 10,27 bilhões ts) oscilou entre US$ 170 e US$ 185 a tonelada do minério com 62% de teor de ferro nos últimos meses. A mineradora reportou lucro líquido de R$ 10,275 bilhões no segundo trimestre, o melhor desempenho para o intervalo. Em relação ao mesmo trimestre de 2010, houve alta de 54,9%. Entretanto, o montante foi 9,4% inferior ao trimestre anterior. A diferença reflete a alta de R$ 381 milhões no custo dos produtos vendidos. O recuo também se deve ao repasse dos ativos em alumínio à canadense Hydro, concluído em fevereiro. No primeiro trimestre, a venda de alumina, alumínio primário e bauxita injetou R$ 664 milhões na receita operacional, que entre abril-junho atingiu a marca de R$ 25,614 bilhões. ■ Nivaldo Souza Marcela Beltrão Embraer tem lucro líquido de R$ 153,8 mi A companhia elevou suas projeções para o lucro operacional em dólares e para as margens em 2011. O lucro de R$ 153,8 milhões do segundo trimestre foi maior do que os R$ 101,7 milhões de reais de um ano antes, com base no padrão contábil internacional IFRS.A evolução é explicada, principalmente, pelo menor desembolso com imposto de renda “ causada basicamente pela variação cambial sobre a base de imposto de renda e ativos não-monetários, assim como pelas despesas dedutíveis incorridas no período". O Ebitda-sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação - foi de R$ 250,3 milhões, abaixo dos R$ 297,7 milhões do mesmo período de 2010. ■ Reuters Santos Brasil dobra lucro para R$ 40 mi Embraer Operadora portuária apresentou resultado líquido de R$ 40 milhões no segundo trimestre, com alta de 100% sobre o desempenho do intervalo abril-junho de 2010. A receita líquida no trimestre passado foi de R$ R$ 275 milhões, enquanto o Ebitda (lucro operacional) registrou R$ 115,8 milhões. O volume de carga nos terminais da empresa em Santos (SP), Imbituba (SC) e Vila do Conde (PA) cresceu 20% sobre o segundo intervalo trimestral do ano passado, indo a cerca de 238,4 mil contêineres, sendo 80% deles cheios. A Santos Brasil diz que o aumento se deveu ao crescimento das exportação de açúcar, intensificado em junho. ■ Redação O jornalismo pode ser entendido como a habilidade de mostrar a importância até dos assuntos considerados mais chatos e sem charme e extrair deles o que têm de relevante para a sociedade, discorrer com simplicidade sobre temas complexos, democratizar a informação, a ponto de transformá-la em conhecimento. Ou, como disse o espanhol Carlos Soria, sócio-diretor da Innovation International Media Consulting: “Jornalismo é contar coisas extraordinárias de gente ordinária”. Gente ordinária tanto na acepção de pessoa comum quanto na de indivíduo com princípios morais reprováveis. O jornalista Ariverson Feltrin especializou-se na arte de narrar histórias de pessoas comuns. E fez isso de forma extraordinária. Era com essas fontes bem situadas no cotidiano, ricas em informação e modestas financeiramente que costumava conversar para redigir as partes principais de suas reportagens. E as tratava com a mesma deferência empregada nos diálogos com autoridades públicas e presidentes de empresas. Numerosos repórteres que atuam no jornalismo econômico aprenderam muito do que sabem na profissão admirando a conduta de Ari A mesma expressão de apreço era observada por Ari nas relações pessoais com colegas de trabalho. Combinava com perfeição bom humor, dedicação e solidariedade profissional. Embora tenha se notabilizado pela atenção dada a assuntos de transportes e logística, escrevia com igual empenho, naturalidade e qualidade sobre temas os mais diversos — de uma resenha sobre a biografia de João Saldanha, os noventa anos do grupo Votorantim, até a crescente ascensão de balconistas nordestinos a donos de pequenos restaurantes em São Paulo (migração empresarial que pouco aparece nas estatísticas, mas cresce significativamente, sobretudo próximo dos centros empresariais da capital). Foi nas conversas com os balconistas dos ex-balconistas que hoje são donos de seu próprio negócio que Ariverson Feltrin foi montando a saga dos novos baianos que passeiam pela garoa da Pauliceia corporativa. A partir da página 4 desta edição de BRASIL ECONÔMICO, a repórter Ana Paula Machado, uma das muitas discípulas de Ari, mostra o que aprendeu com o chefe. Em conjunto com a colega Michele Loureiro, conta como o mercado automobilístico brasileiro vem se transformando com o impulso dos carros chineses que vieram na sequência dos vizinhos asiáticos japoneses e coreanos e dos europeus franceses, que decidiram instalar-se aqui para concorrer com os veteranos americanos, alemães e italianos. Numerosos repórteres que atuam no jornalismo econômico — rol no qual me incluo — aprenderam muito do que sabem na profissão admirando a conduta ética de Ari e sua generosidade com os companheiros, independentemente de sua posição hierárquica. Em nome de todos os profissionais da redação de BRASIL ECONÔMICO, obrigado, amigo. ■ www.brasileconomico.com.br ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS Suplemento – sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de julho, 2011 No comércio, na indústria ou nos serviços, o pequeno empresário sofre razoável estresse na hora de alavancar sua empresa EDITORA EXECUTIVA: THAÍS COSTA [email protected] Ilustração Alex Silva O dilema de definir o momento exato para expandir o negócio A2 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011 AD MINIS TR A ÇÃ O Mudar a sociedade é o que pretende a Endeavor, de empreendedorismo Marcos Simões, da Endeavor, fala do comprometimento do empreendedor com o negócio Somente 10 entre 1.500 candidatas conseguem acesso ao programa da ONG ao ano. A seleção é exigente e a empresa deve, entre outras condições, faturar no mínimo R$ 3 milhões por ano TEXTOS FELIPE GUTIERREZ Porto Alegre e Recife vão sediar os dois mais novos escritórios da Endeavor no Brasil. Dedicada a promover o empreendedorismo, a ONG tem sede em São Paulo desde 2000 e no Rio desde 2005, e agora passará a atuar no Nordeste. “A expansão é um passo importante e já trouxe resultados”, disse Lucas Melman, diretor de operações da Endeavor. “No Paraná conseguimos apoiar uma segunda empresa em apenas um ano — a Akiyama, que produz aparelhos de identificação biométrica”, disse. Em Minas Gerais eram só duas, e agora há uma terceira, a Aorta, de aplicativos para telefones celulares e tablets. resente em doze nações de três continentes, a Endeavor tem origem americana e atua difundindo o empreendedorismo em países em desenvolvimento. Para isso, seleciona empresas locais para as quais dá apoio. No Brasil há 50 empreendedores Endeavor, denominação dada aos que recebem essa ajuda. O auxílio vem na forma de cursos, palestras, um gestor de conta que analisa os dados do negócio e aproximação com parceiros da Endeavor, que são empresários de grandes corporações que se dispõem a ajudar colegas em estágio incipiente de crescimento profissional. Chamados de voluntários, são mais de 250 grandes executivos, alguns deles muito conhecidos, como Caros Alberto Sicupira, da Inbev, e Emílio Odebrecht. A aproximação entre a Endeavor e os empreendedores pode acontecer de três maneiras. Uma delas é o próprio empresário procurar a ONG. Ou ele pode ser indicado por algum voluntário. E a terceira é a prospecção de funcionários da Endeavor, que ficam sabendo da iniciativa pela imprensa e se aproximam. Para receber o apoio da organização, os candidatos passam por uma seleção de quatro etapas. A primeira é uma análise sobre o perfil, se tem alto potencial de crescimento, se atua em mercado em expansão, se o modelo de negócios possibilita ganhos de escala, se é inovadora e se deve ter uma receita anual entre R$ 3 milhões e R$ 50 milhões. Segundo Marcos Simões, diretor de serviços para os empreendedores, a Endeavor não ajuda diretamente empresas com faturamento menor do que R$ 3 milhões por considerar que só nesse patamar ela começará a ser beneficiada pelo tipo de apoio que a ONG presta, e essa é uma marca que mostra que o empresário tem um comprometimento com o negócio. “ Bota para Fazer é um curso para universitários, tem muita aula prática, está focado em casos reais de empreendedores brasileiros e oferece informação do ambiente de negócios Juliano Seabra Diretor de educação na Endeavor A segunda fase é uma bateria de perguntas feitas por voluntários e funcionários da Endeavor. Os empreendedores já recebem algumas dicas sobre administração desde essa fase da seleção. Em seguida enfrentam uma sabatina do conselho. Os que atravessarem as três etapas iniciais são analisados por um júri de especialistas internacionais. Das 1500 que se candidatam por ano, só dez são aprovadas. Os processos duram de seis meses a dois anos. Apesar de a Endeavor abrir muitas portas para aqueles que são apoiados, Simões diz que a proposta da organização é aprender com os empreendedores e levar esse aprendizado a outros. “O objetivo final é mudar a sociedade brasileira incentivando o empreendedorismo de alto impacto”. É com isso em mente que a organização começou a implementar, no fim do ano passado, um programa voltado às universidades chamado “Bota pra Fazer”. Juliano Seabra, diretor de educação, explica que a ideia é introduzir uma metodologia de ensino abrangente, para quaisquer cursos, não só os de administração. A Endeavor oferece material didático específico e treina os professores. “A aula é prática, focada em casos reais de empreendedores brasileiros, e a gente passa muita informação sobre ambiente de negócios para os professores”, diz Seabra. Este ano a ONG estreou novo portal na internet. A videoteca online da Endeavor tem uma audiência de quase 1 milhão. Impacto cresce depressa A Endeavor usa vários critérios para medir seu desempenho. Um deles é a quantidade de horas que os voluntários doam para ajudar os empreendedores menores. Nos anos 2009 e 2010, foram 5.745 horas , o equivalente a 7,5 vezes o número de “horas doadas” nos anos de 2000 e 2002, que totalizou 764 horas. Hoje são 93 empreendedores Endeavor (muitos dos quais são donos de uma mesma empresa; são 50 companhias apoiadas), que geram uma receita de R$ 4,1 bilhões e empregam 18 mil pessoas. Em 2002 eram 40 empreendedores, uma receita conjunta de R$ 160 milhões e 2,5 mil empregos. O último índice que eles usam é o de pessoas impactadas pela ONG. São desde leitores de artigos na mídia, visitantes do site deles e os que viram palestras ou participaram de workshops. Nas contas da Endeavor, em 2000 e 2002 o número de pessoas impactadas em pelo menos um desses níveis foi 25 milhões. Em 2009 e 2010, dobrou, e chegou a 50 milhões. GENTE GRANDE 50 empreendedores compõem a Endeavor, ONG que presta ajuda a empresas menores com potencial a serem grandes em seu segmento. 10 candidatas, entre as 1,5 mil que procuram, conseguem se filiar à Endeavor. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30, e 31.7.2011 | A3 Henrique Manreza Grandes oferecem ajuda a pequenos Entre as ferramentas para crescer, incluem-se logística e treinamento de mão de obra Uma das funções que a Endeavor se propõe a desempenhar é construir relações entre grandes empresários e empreendedores médios sem muita experiência. A ideia é que os voluntários facilitem o desatar de nós que impedem o crescimento do negócio. Foi o que aconteceu com a empresa de tecnologia Pixellabs. O problema era uma falta de posicionamento. A Pixellabs não conseguia dizer claramente quais tipos de produtos oferecia. Muitas pessoas a procuravam para pedir serviços que a Pixellabs não fazia, o que era custoso e desgastante. José Eustachio, sócio-diretor da agência de publicidade Talent, foi procurado pela Endeavor para ajudar a Pixellabs. e conversou muito com Daniel Li, o presidente da empresa, Ficou definida nova comunicação com os três serviços oferecidos: desenvolvimento de jogos, vídeos e totens multimídia. Deu certo e a demanda aumentou. Outro tipo de cooperação é mostrar aos novos empreendedores como funciona um determinado setor de uma empresa. A TAM e a Natura, por exemplo, abriram suas portas para o Grupo Umbria, dono do Spoleto, Domino's Pizza e Koni Shop, que precisou pensar em manutenção de restaurantes e distribuição de produtos. Renata Rouchou, diretora de expansão do grupo, diz que a empresa é média, mas que usa as mesmas ferramentas das grandes: "temos orçamento base zero, gestão por indicadores e participação nos lucros e receitas". O Grupo Umbria ajudou uma empresa ainda menor a crescer. Um dos donos foi abordado, ao fazer uma palestra, pela dona de um salão de cabeleireiros do Rio, o Beleza Natural, Leila Velez, que se tornou ela mesma uma empreendedora Endeavor. O processo seletivo durou seis meses. Em 2005 o salão possuía 350 funcionários e hoje tem mais de 1.300. A Pixellabs recebia demandas para o que não produzia. Um contato com a Talent ajudou a melhorar a comunicação e a demanda aumentou. Faltava clareza no contato com o público consumidor A4 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011 O P ORT U NI D A D E S Em franca expansão, mercado brasileiro de pet movimenta US$ 3 bilhões Os 31 milhões de cães e os 15 milhões de gatos brasileiros consomem produção de 1,8 milhão de toneladas de alimentos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Pequenos Animais TEXTOS AMUNDSEN LIMEIRA O tino para o comércio acompanha Nelo Marraccini, hoje conhecido empresário no ramo de animais de estimação, desde os 11 anos de idade, quando morava com os pais no Ipiranga, tradicional reduto da zona sul de São Paulo. Mesmo sem precisar, naquela época ele disputava as gorjetas distribuídas pelas donas de casa entre os garotos que carregavam as sacolas com as compras realizadas nas feiras livres do bairro. “Sempre gostei de trabalhar, de ganhar meu próprio dinheiro. Desde pequeno, já não gostava muito de estudar”, relembra ele, que além dos trocados que recebia nas feiras livres ainda encontrava tempo de vender pipas nos finais de semana aos turistas que, acompanhados dos filhos, visitavam o “ O que sempre fiz foi trazer o melhor produto ao consumidor, torná-lo acessível e agradar a quem é fiel à marca Nelo Marraccini Empresário no ramo de animais de estimação Museu do Ipiranga, nos finais de semana. Hoje, aos 51 anos de idade, Marraccini é dono da Distribuidora Akron Comercial Ltda., empresa criada no início dos anos 1990 para representar a Royal Canin, conhecido grupo francês nessa área de produtos pet. Além da Royal Canin, que emprega cerca de 150 funcionários, ele possui uma marca de areia higiênica para gatos em parceria com o irmão, Vinicius Marraccini, sócio também nas operações da Royal em SãoPaulo. Já a esposa, Laura W. Caruso, também é do ramo, com uma importadora de produtos do mercado pet, a Marco Polo, e as empresas são parceiras no sistema de distribuição. “Meu segredo não tem segredo: o que sempre fiz foi trazer o melhor produto ao consumidor, torná-lo acessível e agradar a quem é fiel à nossa marca”, afirma o empresário. Nelo Marraccini ainda representa algumas das mais conhecidas marcas de produtos pet, em São Paulo, como a Rações Megazoo, pioneira no setor de nutrição super premium para aves. O objetivo inicial era suprir a carência nutricional dos pássaros existentes no criatório do Vale Verde Parque Ecológico, em Betim, Minas Gerais, de propriedade do empresário Luiz Otávio Possas Gonçalves, dono do grupo Regon. Junto com a linha de alimentos específica para aves, a Megazoo entrou no mercado de peixes, trocando experiências com criatórios em outros países como a Alemanha, Espanha, Estados Unidos, Portugal e República Tcheca. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30, e 31.7.2011 | A5 Divulgação Novata, Promen dobra de tamanho e segue crescendo Sem contar com publicidade dos clientes, empresa de disfunção erétil com apenas três anos terá filial em Belo Horizonte Nelo Marraccini, dono da distribuidora Akron Comercial: tino para os negócios vem desde as gorjetas na feira No rol de produtos pet que distribui, Marraccini trabalha com mais de mil itens, entre acessórios, brinquedos e produtos de higiene e beleza destinados a cães, gatos, hamsters e até furões. Da marca São Francisco Produtos e Acessórios Pet oferece uma linha exclusiva de coleiras, guias e peitorais, todos adequados para cada espécie, além de uma linha veterinária exclusiva que inclui focinheiras e colares protetores. Atualmente, essa marca mantém uma parceria exclusiva com a The Walt Disney Company, tendo os direitos de fabricar acessórios e cosméticos licenciados. Outro segmento em que atua é o de petiscos para cães, a V.I.P.dog, sediada em Araucária, região metropolitana de Curitiba, que fabrica guloseimas sem adição de cacau ou açúcar, ingredientes que podem fazer mal à saúde dos animais. De acordo com a Anfal Pet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Pequenos Animais), há no Brasil 31 milhões de cães, 15 milhões de gatos e um volume de produção de 1,8 milhão de toneladas de alimentos, que movimentam um mercado estimado em US$ 3 bilhões. Um estudo realizado em 2005 pelo Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) mostrou que o número de lojas pet em São Paulo chegava a 5 mil e em torno de 8 mil em todo o país, onde estão distribuídos aproximadamente 30 mil pontos de venda. A cada grupo de 100 homens com mais de 40 anos de idade cerca de 90 têm problemas de disfunção erétil (impotência) ou relacionado à ejaculação precoce. Com esses dados nas mãos e a experiência acumulada nessa área, o publicitário e administrador de empresas Waldir Rosenberger decidiu que havia chegado a hora de ter seu próprio negócio. Assim, em novembro de 2008, abriu as portas da Promen, clínica especializada em distúrbios sexuais, urologia e andrologia, especialidade médica que trata das doenças do aparelho genital masculino, voltada para o tratamento de jovens, adultos e idosos, heterossexuais ou não. De lá para cá já atendeu mais de 20 mil pacientes na matriz de São Paulo e nas filiais do Rio de Janeiro e de Curitiba. “Ao contrário das mulheres, que costumam tratar abertamente de seus problemas sexuais com as amigas, os homens não assumem nem para eles mesmos que têm dificuldades de ereção”, comenta Rosenberger, que antes da Promen era um dos principiais executivos do Boston Medical Group no Brasil, conhecida clínica americana para tratamento de impotência sexual masculina. Com menos de três anos desde a abertura da primeira unidade de negócios paulistana, Waldir Rosenberg se prepara agora para o segundo salto de crescimento da sua empresa, cujo faturamento, em 2010, mais do que dobrou em relação ao exercício anterior. Até o final deste ano, além de inaugurar a Promen de Belo Horizonte, a expectativa é elevar o atendimento dos atuais 800 para cerca de mil o número de pacientes atendidos mensalmente. “Nossa intenção é continuar crescendo seja com a entrada de novos sócios, seja com a injeção de capital”, projeta ele, que tem quatro sócios, cada um com 15% de participação na companhia. O empresário calcula que, atualmente, o investimento necessário para abrir uma clinica como a unidade da Promen de São Paulo não sairia por menos de R$ 400 mil. Quando começou, lembra, tinha apenas 12 funcionários, quadro que hoje em dia chega a 63. Fazem parte do corpo clínico seis médicos entre clínico geral, andrologistas e urologistas, e mais seis farmacêuticos, além de uma equipe de call center especialmente treinada para atender o cliente disposto a pagar entre R$ 1,2 mil e R$ 7 mil por dois meses ou até um ano de tratamento. Waldir Rosenberg explica que disfunção erétil é um problema de saúde que pode ser tratado da mesma forma que a hipertensão, diabetes, problemas de próstata, entre outros. Como está relacionado à idade — aumenta em cerca de 40% aos 40 anos e, aproximadamente, em 70% aos 70 —, “quanto mais cedo o homem procurar ajuda, mais curto e mais barato é o tratamento e os resultados são sempre melhores”. Disfunção erétil e ejaculação precoce não são consideradas doenças pelos planos de saúde. Além disso, Rosenberg afirma que a população masculina com mais de 40 anos deverá dobrar no país até 2034, ampliando assim o potencial do mercado. Hoje em dia, para chegar até esse público, a Promen investe em campanhas publicitárias “discretas” veiculadas em rádio, televisão e jornais. O empresário calcula que, atualmente, o investimento necessário para abrir uma clínica como a unidade da Promen de São Paulo não sairia por menos de R$ 400 mil A6 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011 M U DANÇ A D E F O R M A T O Fotos: divulgação Mário Ponci Neto, da Chilli Beans, diz que quiosque e loja têm, cada qual, suas vantagens Investidor é o segredo A migração do quiosque para loja faz parte da evolução natural de uma marca, na opinião de Rosana Macedo, sócia-diretora da Fundição Filomena, de bijuterias e acessórios. Ao lado de sua sócia, Rita Mascarenhas, ela partiu de oito quiosques em 2008 para 30 em dezembro deste ano. Para 2012, os planos da empresa apontam para, no mínimo, 40 balcões. “Os shoppings pressionam o franqueado por perceber que o movimento é bom e querer que a marca se fixe em uma loja, mas nem sempre é fácil”, admite ela, que aponta a captação de investidores como um dos grandes desafios. Para ter uma franquia da Fundição, o interessado paga R$ 82 mil por um quiosque. Mas no caso de loja, o valor pode alcançar até R$ 400 mil. Por crescer e aparecer, Chilli Beans passa do quiosque à loja Apesar de empurradas ao crescimento, pequenas empresas enfrentam riscos no trajeto entre o quiosque e a loja de shopping. Financiar a expansão é o principal desafio e pode pôr tudo a perder TEXTOS LEDA ROSA Há 11 anos, a Chilli Beans, grife do segmento de óculos escuros e acessórios, tinha um único ponto de venda, um quiosque no shopping Villa Lobos, em São Paulo. Dois anos depois, já prestigiada entre os jovens, abriu a primeira loja, no shopping Ibirapuera. Hoje tem 343 balcões no Brasil e oito no exterior. Mesmo sendo empurradas ao crescimento pelo ótimo desempenho, as pequenas empresas enfrentam riscos no trajeto entre o quiosque e a loja. Situações como aumento dos custos e menor visibilidade podem comprometer a expansão. Mas empresas como a Fom, de acessórios de conforto, e a Fundação Filomena, de bijuterias, encaram o desafio apostando no planejamento criterioso e no monitoramento das novas unidades. “É muito mais fácil ser visto em um quiosque, o cliente passa e praticamente tropeça no produto, olha de modo mais descompromissado, isso facilita muito a venda”, diz Mario Ponci Neto, diretor de expansão da Chilli Beans, atualmente a maior rede especializada em óculos escuros da América do Sul. Para ele, o mercado comporta ambos os pontos. “Loja implica venda mais demorada, com mais peças comercializadas por atendimento.” “ É muito fácil ser visto em um quiosque no shopping. O cliente praticamente tropeça no produto. O olhar descompromissado facilita muito a venda Mário Ponci Neto Diretor de expansão da Chilli Beans Atualmente, o tíquete médio da empresa é R$ 142. Com apenas 10 pontos de venda próprios, a rede Chilli Beans avança com base nas franquias. Para o franqueado, um quiosque custa R$ 120 mil. Uma loja não sai por menos de R$ 320 mil. “Com a diferença de que, se o quiosque estiver mal posicionado, é bem mais fácil erguê-lo e levá-lo a outro corredor. Já retirar uma loja de um ponto e instalá-la em outro envolve custos mais elevados e muito mais tempo”, compara Ponci. Cerca de 65% da Chilli são compostos por lojas e o restante por quiosques. Até dezembro a marca pretende ter 400 balcões e, em 2012, a perspectiva é abrir mais 100 pontos, mantendo a proporção. “A localização é uma questão crucial na migração do quiosque para a loja”, diz Rosendo de Sousa Jr., consultor do Sebrae-SP. Segundo o especialista, antes de efetivar a mudança, o empresário precisa conferir se o novo endereço vale a pena. “Pontos em final de corredor sem saída ou próximo a sanitários normalmente têm baixo fluxo de clientes, o que pode acarretar prejuízos. Os shoppings grandes costumam ter este levantamento pronto, mas se não for o caso, o em- preendedor deve analisar o número de pessoas que passam pelo local em variados dias e horários e comparar com o público que transita em frente ao quiosque.” Outro aspecto importante a ser considerado antes de abandonar o quiosque é o custo. “A loja envolve despesas mais significativas e requer um volume de vendas muito maior, normalmente algo que envolve um aumento de 100%. Essa mudança no patamar dos gastos costuma complicar o crescimento de algumas empresas que não se prepararam de forma adequada. Cabe ao empresário fazer uma análise atenta do mercado para ver se é viável”, diz Rosendo. Por outro lado, ele alerta que o estudo deve incorporar as vantagens do novo ponto, tais como melhor fachada, possível vitrine, a incorporação de novos produtos e uma exposição mais atraente das mercadorias. Finalmente, é essencial comunicar a mudança aos clientes e trazê-los para o novo endereço. “Isto pode ser feito via mala direta, ou por meio de avisos que utilizem a estrutura do shopping, com uso de banners, faixas e filipetas distribuídas nos corredores. Ou ainda, um mix de ambas ações”, sugere o consultor. BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30, e 31.7.2011 | A7 Sem ambientação, negócio não deslancha Sidney Rabinovitch e Betina Lafer: 1º quiosque no Shopping Market Place Evolução do quiosque para a loja exige que o empresário tenha estofo para arcar com as mudanças Poucos resistem a passar por um quiosque da Fom sem tocar em seus pufes e almofadas imensos. Essa percepção nasceu a partir da experiência do casal proprietário, Sidney Rabinovitch e Betina Lafer, no quiosque do shopping Market Place, em São Paulo. Aquele era o único ponto de venda da empresa em 2006, início das atividades. Em cinco anos a marca se espalhou por 50 shoppings do país, instalados em 25 cidades. “Nosso diferencial é tátil, essa experiência do toque é o motivador da venda”, diz Rabinovitch. Com expectativa de crescimento de pontos de venda entre 30% e 40% em 2012, o empreendedor vê como fundamental a expansão do número de lojas. “Vários produtos nossos têm grande volume e necessitam de ambientação adequada, o que só pode ser oferecido em lojas”, afirma ele, que tem 20 pontos de venda próprios e aposta na ampliação por meio de franqueados. Se os pla- nos derem certo, em 2012, as franquias devem ser mais que o dobro do atual patamar. Loja custa o triplo Para operar uma franquia da Fom é preciso desembolsar cerca de R$ 120 mil por um quiosque. Se o objetivo for uma loja, o gasto salta para R$ 350 mil. Justamente por conta da diferença do custo, o empresário enfatiza que a migração de um quiosque para uma loja tem critérios bem definidos. “Só acho conveniente essa mudança para franqueados que tenham estofo financeiro para arcar com a evolução”, frisa. O cuidado se explica pela necessidade do faturamento da loja atingir pelo menos o dobro do quiosque. Em alguns casos, a demanda suporta até ambas as formas no mesmo shopping. Em um endereço do Rio, a marca mantém um quiosque em um andar e loja em outro. "O quiosque é bom mas também apresenta des- O diferencial da Fom é tátil, pois a experiência da venda passa pela atratividade e pelo toque do cliente nos produtos expostos vantagens. Primeiro, é um dos valores mais altos do país por metro quadrado e não te oferece nada, porque o contrato com shopping não dá segurança alguma. Ainda é preciso considerar que no quiosque o cliente tende a desfocar, ficar menos concentrado porque tem uma infinidade de coisas acontecendo em volta, é bem mais complicado trabalhar a venda. “Já na loja, frisa o empresário, o cliente desacelera, observa melhor os produtos e fica mais propenso a comprar. A8 | BRASIL ECONÔMICO - ESPECIAL PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS | Sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31.7.2011 N E G ÓC IOS Bens de família deram origem à imobiliária que só atua no centro Divulgação Cuidar dos bens herdados foi a alavanca que moveu o empreendedor a começar a vender e a alugar imóveis Marcelo Lara aliou o patrimônio familiar a momento de raro aquecimento do mercado TEXTOS AMUNDSEN LIMEIRA A flexibilização dos contratos de financiaPor esta razão, sua equipe de 15 corretores mento de longo prazo para a compra de imó- é treinada não só para conhecer o mercado veis permitiu que mais de 30 milhões de bra- em si, como até demonstrar conhecimentos sileiros tivessem acesso ao crédito pela pri- sobre astrologia, por exemplo. "Atualmente, meira vez, nos últimos cinco anos. Para cada um deles consegue fechar a venda de atender a essa demanda, “entrou muita gen- um a dois imóveis por mês, pelo menos", diz. te nova no mercado imobiliário. Proporcionalmente, as pequenas e médias imobiliá- Estilo de vida do cliente rias aumentaram bastante sua participação Para personalizar ao máximo o atendimento, no segmento de imóveis usados”, constata Lara conta que seus corretores são preparados também para levantar inforLuiz Fernando Gambi, diretor mações sobre o dia a dia do de comercialização do Sindicato da Habitação do Estado de Em dois anos, o cliente que sejam relevantes paSão Paulo (Secovi-SP). Como metro quadrado ra a escolha do melhor negóhá uma enorme carência de do imóvel usado cio, como as vias que mais acessa, os pontos que mais frequenmoradia no país, Gambi acredita que esse novo mercado se no centro saltou ta, as facilidades que busca na região, entre outras. “O objetimanterá aquecido por “mais al- de R$ 500 a vo é nortear o cliente para que guns anos”. R$ 700 para ele sempre faça a melhor escoA Marcelo Lara Negócios lha para o seu estilo de vida”. Imobiliários é um desses pe- R$ 2 mil. O empresário lembra que coquenos negócios que surgiram A locação meçou com apenas três correno mercado na esteira desse passou de tores, quadro que chegou a 30, boom imobiliário. Criada há há dois anos. Do exercício pasquatro anos, a empresa surgiu R$ 5 para R$ 20 sado até agora, ele calcula que da necessidade do seu proprietário de administrar os imóveis da família, a venda de imóveis cresceu uns 30%, aproxia maioria localizada na região central da ci- madamente, mas a situação, segundo ele, já esteve bem melhor. dade de São Paulo. “Este ano, o mercado deu uma enfraqueci“Entendemos que a compra de um imóvel é uma das mais importantes decisões na da devido à elevação excessiva dos preços vida de uma pessoa”, enfatiza Marcelo La- dos imóveis”, afirma. Segundo ele, de dois anos para cá, o mera, 28 anos, que junto com o sócio e amigo Thiago Britto, também com 28 anos de ida- tro quadrado do imóvel usado na região cende, está à frente desse empreendimento tral de São Paulo saltou de R$ 500 a R$ 700 voltado para a venda e locação de imóveis para até R$ 2 mil, enquanto os valores pratiresidenciais principalmente nas áreas da cados para a locação pularam de R$ 5 para Praça da Sé, Praça da República, Bairro da até R$ 20 o metro quadrado, em igual intervalo de tempo. Luz e Largo São Bento. Mídia indoor revigora com Cidade Limpa Nike, JBS/Friboi,Unilever, Banco do Brasil, Petrobras e outras gigantes utilizam o formato de divulgação de produtos e serviços entre quatro paredes. Negócio cresce 30% a 40% ao ano De academias de ginástica, salões de beleza, livrarias e campos de golfe a lan houses, maternidades, livrarias, clubes e hotéis, a Mídia em Foco — Inteligência Indoor, especializada na comercialização de novas mídias, está presente hoje em pelo menos quatro mil espaços diferentes no país distribuindo produtos, promovendo degustações em displays, painéis e totens para clientes tão diversos como a Nike, JBS/Friboi, Unilever, J&J, Procter & Gamble, Banco do Brasil, HBO, Petrobras, Ministério das Cidades, entre outros do mesmo porte. Mas nem sempre foi assim. Quando foi criada em 2002 pelo engenheiro André Bronstein, 35 anos, e pelo economista Ro- ger Grinblat, também de 35 anos de idade, a empresa não passava de uma sala de 30 metros quadrados, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, ocupada por um quadro de funcionários formado apenas pelos dois sócios. “Atualmente, temos vinte funcionários em São Paulo, representantes nas principais capitais brasileiras e chegamos a contratar até 200 pessoas por campanha de apenas um dos nossos clientes”, conta Bronstein. Segundo ele, em 2010, a Mídia em Foco cresceu 120% e registrou um volume de vendas de R$ 9 milhões. Além disso, o número de campanhas aumentou cerca de 20%, no período. Para 2011, a expectativa era crescer no mínimo 30%, em faturamento, mas devi- De 20 funcionários quando foi criada, a empresa passou a 200 pessoas contratadas em algumas campanhas específicas. 2010 foi o ano em que o negócio duplicou do ao desempenho do primeiro semestre, essa meta deverá ser revista para cima até o final do exercício, acredita o sócio-diretor. Cidade Limpa Na opinião de André Bronstein, o divisor de águas aconteceu em 2007, com a chamada Lei Cidade Limpa, que proibiu outdoors e regulamentou a propaganda nos locais públicos de São Paulo. “Essa lei mudou a cara do mercado da mídia exterior. Muitos clientes não tiveram outra alternativa senão migrar para a mídia indoor”, diz ele, para quem, de lá para cá, a taxa de crescimento médio da sua empresa tem se mantido entre 30% e 40% ao ano.