RENOVAÇÃO DAS CONCESSÕES: O QUE ESTÁ EM JOGO? A Aneel está agendando para setembro o leilão de 13 usinas da Cemig. Outras três permanecem sob disputa judicial e as decisões na Justiça apontam que a estatal deve perder as concessões. Se isso acontecer a Cemig GT perderá 58% da sua capacidade de geração. O futuro da Cemig e dos trabalhadores está em risco! A direção do Sindieletro continua preocupada com a estratégia do governo do Estado. Na última quinta-feira, 30, em reunião com a diretoria da estatal e deputados estaduais, o Sindicato voltou a cobrar do presidente da empresa, Mauro Borges, posicionamento sobre o andamento do processo. Borges afirmou que a decisão não depende do governador. “Nós estamos suando a camisa, fazendo todo o esforço para manter as concessões, mas infelizmente ele (Pimentel) não tem a caneta”. O presidente garantiu que, caso não consiga negociar com o governo federal, irá disputar o leilão buscando arrematar as usinas integralmente pela Cemig GT. O cenário pode se tornar ainda mais sombrio caso a estatal perca, na Justiça, o direito de operar as usinas de Jaguara, São Simão e Miranda. Juntas, elas geram 2.452 megawatts, ou cerca de 45% da capacidade instalada da estatal. O Sindieletro reiterou que da forma como o processo vem se desenrolando, o risco de privatização das usinas é grande. Por isso, foi definido a realização de uma audiência pública antes da realização dos leilões para dar publicidade e mobilizar a sociedade. Para o coordenador geral do Sindieletro, Jefferson Leandro Silva, “É o futuro da empresa e de seus trabalhadores que está em jogo, é o patrimônio do povo de Minas em risco”, afirmou. Veja ao lado a agenda desenvolvida pelo Sindieletro, nos últimos meses. 21/11/2014 – Sindieletro realiza seminário sobre a renovação das concessões das usinas, na sede regional do Sindicato em Uberlândia. 27/06/2015 – Reunião do Conselho Deliberativo cria um Grupo de Trabalho que conduzirá o debate sobre as concessões. A mobilização em torno das usinas deve incluir uma Frente Ampla de Defesa da Cemig, com a participação de trabalhadores, políticos e dos movimentos social e sindical, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Dieese. 06/07/2015 – É lançado o abaixo-assinado de apoio à renovação das concessões das usinas, juntamente com a campanha do Sindieletro, “Não mexam no que é nosso! Nossas usinas, patrimônio do povo de Minas!”. 13/07/2015 – Sindieletro se reuniu com os deputados Adelmo Leão e Rogério Correia, ambos da bancada do PT na ALMG, para articular estratégias em defesa das usinas. 16/07/2015 – Paralisação de 24 horas cobra do governador Fernando Pimentel, entre outros pontos, a renovação das concessões. O Sindieletro solicitou reunião com os diretores da Cemig, Raul Lycurgo (DJR) e Franklin Moreira Gonçalves (DGT). 17/07/2015 – Reunião com o deputado federal, Leonardo Monteiro (PT), relator da MP 677, que pode garantir a prorrogação dos contratos. 27/07/2015 – Comitiva do Sindieletro foi a Brasília e se reuniu com a assessoria técnica da bancada do PT, na Câmara dos Deputados e discutiu estratégias para a renovação das concessões. Outro encontro, dessa vez no Ministério de Minas e Energia deve ser agendado até o fim de agosto. 03/08/2015 – Sindieletro enviou ofício aos deputados estaduais, Rogério Correia e Marília Campos para agendar audiência pública na ALMG. ACOMPANHE AS NEGOCIAÇÕES: Na reunião realizada no dia 30 de julho, com a presença do Sindieletro, da direção da Cemig e de Deputados Estaduais com o Fórum Permanente de Debates sobre a Cemig (veja relato completo no nosso site) foi acertado: Apresentação da proposta de primarização até o final de agosto. • A Cemig GT buscará manter integralmente a concessão de todas as usinas. • As sedes das empresas Aliança e Taesa serão transferidas para Belo Horizonte. A operação e manutenção será feita pelo Centro de Operação da Cemig GT. OUTRAS AGENDAS: A reunião para discutir o diagnóstico da TI foi agendada para o dia 5 de agosto. • Cemig desmarcou a reunião sobre o retroativo dos 3% e ainda não marcou nova data. A novela continua. • Reunião extraordinária do Conselho Deliberativo da Forluz que visa alterar o Plano B será realizada no dia 5 de agosto. (Sindieletro solicitou adiamento). Chave Geral - Número 784 - De 04/08/2015 a 10/08/2015 - Página 1 EM PLENO DEBATE SOBRE A PRIMARIZAÇÃO Moto com vara de manobra e trabalho isolado estão de volta na Cemig Em 2005, o Sindieletro denunciou ao Ministério Público e a Cemig foi obrigada a cancelar o uso de motos equipadas com varas de manobras. Nessas motos, o eletricista contratado atuava em trabalho isolado, em flagrante desrespeito à NR 10 (Norma Regulamentadora nº 10) e à legislação de trânsito. Na época, o plantão do Anel Rodoviário e São Gabriel adotou o serviço de eletricistas motociclistas. Agora, 10 anos depois, e em pleno debate sobre a primarização das atividades-fim, a Cemig volta com a mesma prática já condenada. Os eletricistas motociclistas realizam atividades do plantão, em atendimentos de urgências. Eles são, inclusive, colocados em sobreaviso, podendo ser convocados a qualquer hora do dia ou da noite. Pela NR 10, além do trabalho isolado ser proibido, qualquer manobra no circuito tem que ser feita com equipamento adequado e nunca ocorrer sem uma análise de riscos. Outro absurdo: o eletricista motociclista, se sofrer um acidente, não terá por perto um colega para prestar os primeiros socorros. Em contato com a Assessoria de Imprensa do Detran MG, o Sindieletro foi informado que o Contran estabelece que toda alteração nos veículos deve, obrigatoriamente, passar por vistoria dos Detrans. Se aprovada a modificação, é emitido novo Certificado de Registro do Veículo (CRV). Nenhuma alteração em veículos automotores pode ser feita se houver risco à integridade física e à vida do condutor. No caso das motos usadas a serviço da Cemig, o tamanho da vara de manobra potencializa os riscos, pois há a real possibilidade do equipamento tocar em galhos de árvores. Se o motociclista for parado pelo agente de trânsito, estará sujeito a multa grave e seu veículo poderá ser apreendido. Região de Ouro Preto Na região de Ouro Preto, a Cemig também está praticando o trabalho isolado, com eletricistas em motos. O primeiro atendimento para o consumidor residencial é feito por um motoqueiro terceirizado. Essa irregularidade foi denunciada aos representantes da mesa temática que discute a saúde e segurança, sem, até o momento, ser tomada qualquer providência pela Cemig. Os eletricistas em motos vão à residência do consumidor quando há reclamação de falta de energia. O trabalhador, sozinho, verifica se é possível ele mesmo resolver. Já houve caso em que o eletricitário teve acesso ao ramal energizado, e restabeleceu o sistema, com grande risco de choque elétrico. Números alarmantes Recentemente, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, apresentou números assustadores sobre acidentes com moto. Em 2003, o Brasil registrou 4.292 mortes de motociclistas, número 280% menor do registrado 10 anos depois, de 12.040 casos. Moto flagrada em estacionamento da Cemig comprova a volta da vara de manobra e do trabalho isolado na estatal. QUEREMOS RESPOSTAS O Sindieletro solicitou à Gerência de Relações Sindicais (RH/ RS) respostas para os seus questionamentos. Perguntamos: A RH/ ST realizou estudo técnico aprovando a modificação na moto e o trabalho isolado de eletricistas com vara de manobra? Se foi realizado o estudo, pode ser fornecida uma cópia? Quem é o responsável pelo contrato que permite que eletricistas trabalhem isolados? Em caso de acidentes de trabalho, quem será responsabilizado? A Cemig comunicou ao Detran a alteração nos veículos? Por que a empresa insiste em desrespeitar a NR 10? As perguntas foram encaminhas na sexta, dia 31, mas até o fechamento desta edição não havíamos obtido respostas. EXPEDIENTE Contribua com a nossa comunicação: Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais Endereço: Rua Mucuri, 271 - Floresta Belo Horizonte/MG - CEP: 30.150-190 Produzido pelo Departamento de Comunicação do Sindieletro Diretor responsável: Marcelo Correia de Moura Baptista - Edição: Benedito Maia Redação: Benedito Maia, Mariângela Castro, Rosana Zica e Vinícius Avelar - Fotografia: Benedito Maia - Diagramação: Vinícius Avelar - Cartunista: Nilson Azevedo - Central de Informações: Nízio Fernandes - Impressão: Gráfica Millenium - Tiragem: 7.500 Contatos: Sede: (31) 3238.5000 Fax: (31) 3238.5049 - Regionais: Leste: (33) 3271-1200 Mantiqueira: (31) 3721-2460 - Metalúrgica: (31) 3238-5026 - Norte: (38) 3222-3600 Oeste: (37) 32222-7611 - Triângulo: (34) 3212-5001 - Vale do Aço: (31) 3822-3003 Chave Geral - Número 784 - De 04/08/2015 a 10/08/2015 - Página 2 O que você achou desta edição do Chave Geral? Tem alguma dúvida, crítica ou sugestão de pauta? Envie um e-mail para: [email protected] Encontrada rede clandestina com medidores desviados do Jatobá Postes, fios, transformadores, chaves, medidores, etc. Como é possível construir e ligar uma rede elétrica sem o conhecimento da Cemig? Como é possível fazer uma obra clandestina e ainda usando equipamentos da estatal? Quem construiu a rede localizada na área rural de Brumadinho? Novamente foi encontrado um medidor de energia que estava registrado como se ainda estivesse no estoque do Jatobá. Como ele foi retirado? A empreiteira contratada para atuar na região é o consórcio SELT/REMO. Técnicos do quadro próprio da Cemig foram ao local, confirmaram as irregularidades e constataram que a instalação clandestina que atendia três consumidores já estava ligada à rede da Cemig. Porém, não existia projeto da estatal para a obra e constatou-se que a rede foi construída fora dos padrões, com várias falhas, expondo os consumidores a riscos. A Polícia Militar foi chamada para fazer um Boletim de ocorrência, em seguida a rede foi desmontada. Descobriu-se, também, que um dos medidores instalados no local saiu do almoxarifado do Jatobá, onde o controle de equipamentos e materiais é feito pela Empresa de Transportes Apoteose (Emtel), denunciada várias vezes pelo Chave Geral por cometer irregularidades. Procuramos a GE/SP, com várias ligações, mas não houve retorno. Entramos em contato também, com o RH/RS (Gerência de Relações Sindicais), mas, até o fechamento desta edição o setor não se pronunciou sobre os questionamentos do Sindieletro. Mais desvios No início deste ano, o Chave Geral denunciou que uma equipe de eletricistas do quadro próprio encontrou uma ligação clandestina no bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, que foi montada com um medidor da Cemig. Foi constatado que não havia registro de baixa do equipamento no almoxarifado do Jatobá. Posteriormente, foi denunciado o extravio de um lote inteiro de medidores. Mais uma vez, cobramos respostas para as perguntas que fizemos à Cemig, mas, respostas concretas, com informações transparentes e objetivas. Denúncias ainda sem respostas Acima, rede clandestina em Brumadinho, reforça suspeita de desvio de materiais. Abaixo, detalhe de instalação feita clandestinamente. Na edição da semana passada, o Chave Geral (CG 783) cobrou respostas para várias denúncias, muitas das quais relatadas inúmeras vezes, mas até o momento a estatal não respondeu a nenhuma delas. Infelizmente as coisas não mudaram na Cemig, pelo menos no que diz respeito à apuração das denúncias. Foi mantido no cargo de superintendente de Auditoria Interna, Eduardo Luiz de Oliveira Ferreira, e na gerência de Compliance, Miriam de Paula Ferreira Rodrigues, ambos envolvidos nas denúncias apresentadas. Para piorar, foi denunciado que os dois são parentes (tio e sobrinha), e um é responsável por analisar o trabalho do outro. O Sindieletro reivindica, mais uma vez, uma auditoria na Cemig. Quem sabe o controlador-geral do Estado, Mário Vinícius Spinelli, conhecido como xerife do Pimentel, venha conferir pessoalmente o que está acontecendo na maior empresa pública de Minas Gerais? Chave Geral - Número 784 - De 04/08/2015 a 10/08/2015 - Página 3 CATEGORIAS EM LUTA Cresce a luta dos trabalhadores contra a crise e em defesa da Petrobras Demissões rondam os metalúrgicos Na semana passada os metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem manifestaram em frente à portaria da Mannesmann Valloure, contra a MP 664 e 665, editadas pelo Governo Federal. Enquanto o Sindicato negociava com a empresa alternativas para manter os Chave Geral - Número 784 - De 04/08/2015 a 10/08/2015 - Página 4 tidos também no setor automobilístico. Para ele, as empresas estão utilizando a desculpa da crise para pressionar o governo a voltar com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) “Não podemos negar que existe crise, mas os patrões estão fazendo terrorismo com as demissões, para desestabilizar o governo e chantagem para a redução do IPI, que só beneficia as empresas, mas que geram prejuízos para toda a economia”, afirmou. Foto: Comunicação Fasubra empregos, a direção da Valloure demitiu mais de 300 trabalhadores. De acordo com o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, Marcos Marçal, a direção mundial da empresa determinou o corte de 15% dos custos e redução de 7% da mão de obra em todo o mundo, o que equivale a 2 mil trabalhadores demitidos em todas as suas usinas. O sindicalista denuncia que os trabalhadores estão sendo demi- Foto: Imprensa/FUP No dia 24 de julho os petroleiros fizeram uma grande paralisação de 24 horas em todo o país, para barrar o Projeto de Lei do Senado (PLS 131/2015), do senador José Serra (PSDB/SP), que propõe mudanças no regime de partilha, e retira da estatal a sua função de única operadora do pré-sal. Apesar de ter sido apresentado há menos de quatro meses, o PLS poderá ser votado a qualquer momento, sem discussão com a sociedade. A Lei 12.351/2010, que garantiu o regime de partilha para exploração do pré-sal levou 15 meses para ser votada no Congresso Nacional. Mudar a lei do pré-sal significa mexer, também, no Fundo Social Soberano, um dos principais instrumentos de financiamento do Plano Nacional de Educação. Além da perda da soberania sobre um recurso extremamente estratégico e disputado em todo o mundo, o país sofrerá impactos diretos na indústria nacional, com perdas de postos de trabalho. Greve nas instituições federais de ensino Agosto será o mês de luta e mobilização nacional dos trabalhadores técnico-administrativos em educação. Para reforçar a greve, o mês intitulado “Agosto Vermelho”, começa com uma Caravana Nacional pela educação no dia cinco de agosto. Já no dia seis, será realizada a Marcha Unificada dos Servidores Públicos Federais. Trabalhadores em greve de todo país estarão em Brasília, para reivindicar do Governo Federal avanços nas negociações e por uma educação pública, gratuita e de qualidade. De braços cruzados há mais de 60 dias, a greve dos técnico-administrativos foi deflagrada no dia 28 de maio. O Governo Federal mantém a proposta de 21,3% de reajuste, fracionado em quatro anos. Os servidores reivindicam reajuste linear de 27,3%, adoção de uma política salarial permanente, com correção das distorções e reposição das perdas inflacionárias, instituição da data-base em 1º de maio, o direito de negociação coletiva e paridade salarial entre ativos e aposentados.