A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO NA LEITURA E NA ESCRITA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS PÓSGRADUANDOS: UMA PESQUISA EM ANDAMENTO KRETZMANN*, Caroline – PUC-PR [email protected] BEHRENS**, Marilda Aparecida – PUC-PR [email protected] Resumo Este relato está destinado a todas as pessoas envolvidas com a educação, em especial àquelas que atuam ou estão em processo de formação continuada e que trabalham com o ensino de língua materna. Pretende-se desencadear uma reflexão na e para a formação continuada dos professores de Ensino Superior, bem como contribuir para a formação da significação da leitura e da escrita autônoma desses professores universitários. Para tanto, apresenta-se uma pesquisa em andamento, cujo intuito é evidenciar o papel que a formação de professores exerce no desenvolvimento do grau de letramento e conseqüente produção autônoma de conhecimentos dos professores universitários que ingressam nos cursos de pós-graduação stricto sensu. Optou-se por uma pesquisa participante, que envolveu como sujeitos professores universitários que cursaram e ou estão cursando um programa de pós-graduação em Educação de uma universidade particular de grande porte. Parte-se do convencimento de que essa reflexão pode oferecer subsídios para que os professores dos diferentes níveis de ensino repensem suas relações com as práticas de leitura e produção científica e, nesse sentido, compreendam que a aquisição de um grau de letramento mais elevado acarreta no aprimoramento do fazer pedagógico, permite lançar um olhar mais crítico e reflexivo sobre a realidade e leva a uma produção de conhecimentos mais autônoma, com propriedade e competência. A atual Sociedade da Informação está organizada essencialmente pela escrita, realidade que aponta para a necessidade de o professor, independente de sua área de atuação e formação específica, desenvolver o grau de letramento. Isso demanda constante atualização e prática das atividades de ler e escrever. A formação continuada constitui-se, assim, uma exigência da atividade profissional na sociedade letrada. E o domínio da cultura escrita, condição fundamental para o pós-graduando obter a titulação. Palavras-chave: Produção de Conhecimentos; Formação Continuada; Letramento. Introdução Os atos de ler e escrever têm sido preocupações centrais para muitos dos estudiosos da linguagem e da educação, que ao estudá-los em seus contextos de uso, variam os enfoques de * Graduada em Letras Português – Inglês (PUCPR), especialista em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira (PUCPR), cursando Mestrado em Educação (PUCPR). Professora de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental. ** Professora e coordenadora do Mestrado em Educação da PUCPR. Doutora em Educação pela PUCSP. 3724 análise e investigação. Nas últimas décadas poucas questões se terão feito tão presentes no debate nacional, na área das ciências humanas, quanto à questão da leitura e da escrita. Existe, portanto, uma gama muito grande de trabalhos publicados sobre leitura e escrita na formação inicial de professores, entre eles destacam-se os realizados por Kramer, 1993; Kramer e Souza, 1996; Lajolo e Zilberman,1996; Betencourt, 2000; Freitas e Costa, 2002; Guedes-Pinto, 2002 e Lacerda, 2003. No entanto, ainda é pequeno o número de pesquisas que abordam a questão da leitura e da escrita na formação continuada de professores. Entre as poucas obras publicadas destaca-se A Formação do Professor e a questão da leitura, escrita por Rösing, 1996; Trama e Texto: leitura crítica, escrita criativa, organizada por Bianchetti, 1997; Escrever é preciso: o princípio da pesquisa, obra de Marques, 2001; e A bússola do escrever: desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações, organizada por Bianchetti e Machado, 2002 Neste contexto, investigar o papel da leitura e da escrita na formação continuada dos professores de Ensino Superior se constitui na problematização desta pesquisa. O desafio localiza-se no enfrentamento e no desejo de contribuir para a formação da significação da leitura e da escrita autônoma de professores universitários, de oportunizar o repensar de suas relações com as práticas de ler e escrever, trazendo contribuições para as ciências da educação e para as ciências da linguagem. O tema desta pesquisa surgiu de um estudo anterior, A leitura do professor novamente em discussão, elaborado como trabalho de conclusão do curso de especialização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira realizado em 2005 na PUCPR. Nesta pesquisa, realizada junto a 23 docentes que lecionam em turmas de Educação Infantil e primeiras séries do Ensino Fundamental de uma escola da rede particular de ensino de Curitiba, ficou evidente o papel que a formação de professores exerce na formação leitora do docente e conseqüente mediação que se realiza entre aluno e texto em sala de aula. Nos depoimentos da maioria das professoras entrevistadas, a universidade aparece como difusora de uma leitura mecânica, fragmentada e meramente avaliativa. As discussões e experiências vivenciadas junto com professores e colegas do Mestrado despertou a continuidade da investigação sobre a leitura e a produção do conhecimento nos cursos de pós-graduação. A leitura, juntamente com a escrita são práticas necessárias para o sucesso dos pós-graduandos em formação stricto-sensu, pois de seu 3725 domínio depende a realização de uma pesquisa autônoma e de qualidade, que ultrapasse a mera repetição de informações já ditas ou escritas por outros pesquisadores. A produção de conhecimentos na formação continuada de professores: leitura significativa e escrita autônoma A realização do Programa de Pós-Graduação em nível de Mestrado é composta pelo cumprimento dos créditos em disciplinas e seminários e pela defesa de uma dissertação. Esta dissertação deve ser escrita com propriedade e resultar de uma reflexão crítica do mestrando sobre o levantamento bibliográfico por ele realizado. A autonomia intelectual e a originalidade constituem-se pontos de chegada deste trabalho (MARQUES, 2001, p.137). Ter um bom domínio das práticas de leitura e escrita é, portanto, condição principal para que os professores universitários em programas de pós-graduação stricto sensu produzam conhecimentos por meio de uma pesquisa competente e relevante para a comunidade. É preciso que fique claro, porém, que esta leitura e escrita significam processos que ultrapassam a mera decodificação, informatização, registro e exposição de conceitos, de fatos ou experiências vivenciadas. Ao contrário, envolvem significação, reflexão, diálogo, intertextualidade, criação e transformação da realidade circundante. Sobre as práticas de leitura e escrita disse Clarisse Lispector: “A palavra é o meu domínio sobre o mundo”. No entanto, é angustiante constatar que leitura e escrita, da forma como foram e são ensinadas nas escolas e universidades, não contemplam a produção científica. Este fato pode ser observado nas dificuldades dos sujeitos em ler com significação e escrever com propriedade, sejam eles pesquisadores, professores ou alunos. Segundo Fabiano (1997, p. 57) A cada ano, os ingressantes nas universidades brasileiras menos sabem o que lêem e mais se confundem no que expressam. É preciso até mesmo dizer que há falta de domínio da língua materna e, em certos casos, incapacidade de diálogo com o texto e as suas implicações contextuais. Tal dificuldade, que se constitui em queixa dos professores de diferentes níveis de ensino, parece tomar proporções ainda mais preocupantes nos cursos de pós-graduação stricto sensu, quando se exige do aluno competências lingüísticas e textuais que, em geral, ele não aprendeu a desenvolver. Bianchetti e Machado (2002, p.20) apontam os obstáculos e as dificuldades relacionadas ao ato de escrever como os responsáveis pelo fracasso dos pósgraduandos na produção de conhecimentos. E Machado (2002, p.20) acrescenta que para a maioria dos mestrandos “a dissertação é a primeira obra de fôlego que produzem” e é, ainda, “condição fundamental para obter a titulação”. Condições que a autora relaciona ao alto 3726 índice de pós-graduandos que cumprem os créditos, mas não conseguem escrever suas teses ou dissertações. A ausência de leitura e de escrita acarreta na incapacidade de compreender a realidade e agir sobre ela. Pois como afirma Carvalho e Dias (1997, p. 78), “o ato de ler e escrever é (...) uma espécie de metáfora do próprio ato de compreender a realidade e imprimir-lhe, através da ação, novas marcas”. Compreender e dizer implica, antes de tudo, ler. Pensar e entender quais são os fatores que facilitam e dificultam esse processo de produção científica, que tem como condição primeira a leitura proficiente e o exercício da autoria ao escrever, são ações que se fazem urgentes rumo a reversão deste quadro. Justificase, assim, a importância e a relevância desta pesquisa, que reconhece nos atos de ler e escrever trabalhos árduos, que precisam de prática para serem desenvolvidos. Para além dos muros acadêmicos, a relação leitura-produção textual é uma constante na vida de todo o cidadão e deve ser praticada com competência, especialmente pelos professores universitários, para a garantia de uma participação crítica na atual sociedade do conhecimento e para além dela. Ao adquirir um grau de letramento mais elevado, isto é, ao desenvolver as habilidades e comportamentos de leitura e escrita, o professor universitário aprimora o seu fazer pedagógico, lança um olhar mais crítico e reflexivo sobre a realidade e produz conhecimentos com mais autonomia, propriedade e competência. Os fatores que influenciam a produção de conhecimentos dos professores universitários em programas stricto sensu: uma questão em discussão A sociedade deste início de século está organizada essencialmente pela escrita, é por isso que se diz viver numa sociedade letrada. Este mundo letrado, repleto de produções escritas, requer indivíduos competentes e hábeis nas práticas de ler e escrever. Condição que aponta para a necessidade de o professor, independente de sua área de atuação e formação específica, adquirir um grau de letramento mais elevado. (NICOLA et al, 2006, p. 5) A formação continuada constitui-se, assim, uma exigência da atividade profissional na sociedade letrada. Mais do que uma ação compensatória de fragilidade da formação inicial (NICOLA et al, 2006, p.9), a formação permanente é um espaço/tempo de qualificação para a docência, desenvolvimento pessoal, reflexão de ações e valorização do trabalho coletivo. Assim, optou-se por pesquisar o seguinte problema: Quais os fatores que dificultam e facilitam a produção de conhecimentos na formação de professores universitários em programas stricto sensu? Sendo o objetivo geral da pesquisa, analisar a importância da formação continuada dos professores universitários em programas stricto sensu para a 3727 produção do conhecimento. Para que esta análise seja realizada com profundidade, pretendese identificar os fatores que dificultam e facilitam a produção de conhecimentos na formação de professores universitários em programas stricto sensu; destacar a importância da leitura com significação e da escrita com propriedade no processo de produção do conhecimento dos professores universitários que cursam Pós-Graduação; relacionar a história de leitura e escrita dos pós-graduandos com as dificuldades e facilidades que encontram no processo de produzir conhecimentos; e identificar o papel dos professores dos Programas de Pós-Graduação em Educação em nível de Mestrado, em especial do orientador, na formação da autoria de professores universitários que cursam esse programa de pós-graduação. Leitura e escrita: práticas indissociáveis na produção de conhecimentos Leitura e escrita são questões que envolvem todos os brasileiros, especialmente aqueles que trabalham com a Educação. É inquestionável, hoje, a importância que o domínio de tais habilidades exerce na vida dos cidadãos. Como bem afirma Carvalho (1997), para viver na atual sociedade, faz-se necessário saber ler, além da linguagem verbal, a linguagem visual, auditiva, olfativa, gustativa, bem como os gestos, os sons, os sentidos, as coisas, os traços, as linhas, a natureza, os comportamentos, a moda, a televisão, o cinema, o teatro, enfim, tudo o que é vivo e significativo. Toda forma de conhecimento humano tem sido considerada pela concepção semiológica como linguagem. Assim, cada vez mais a importância das práticas de ler e escrever são reconhecidas em nossa sociedade, pois o meio de os seres humanos entrarem em contato com esses conhecimentos só pode se dar pela leitura e pela escrita, processos de interação e diálogo entre sujeitos. Os atos de ler e escrever estão intimamente interligados. Na apresentação da obra Trama e texto: leitura crítica, escrita criativa, Rösing (1997, p.16) afirma que por meio da leitura, o leitor apropria-se de conhecimentos e aumenta sua cultura, ao mesmo tempo em que desenvolve o seu processo de construção de sentidos e viabiliza um processo mais competente de produção textual. Tal como Rösing, outros estudiosos da educação e da linguagem (Freire, 1983; Geraldi, 1984; Zilberman, 1985; Silva, 1988; Kleiman, 1989; Fabiano, 1997; Menegassi, 1997; Bellini, 1997), bem como professores dos diferentes níveis de ensino refletem sobre as relações existentes entre leitura e escrita, sendo consenso para a maioria que a qualidade e a quantidade de leituras realizadas acarretam numa produção textual, oral ou escrita, mais consistente, espontânea e crítica. 3728 Embora não seja a única condição para se escrever bem, a leitura facilita o domínio dos complexos mecanismos da escrita. Para que aprenda a utilizar e perceber as várias estratégias, estruturas organizacionais e características dos diferentes gêneros textuais, bem como os recursos e o vocabulário empregado pelo autor, é importante que o enunciador seja um leitor proficiente de vários gêneros: bons livros, revistas, jornais, artigos científicos, entre outros. Essas informações serão posteriormente muito úteis para a sua própria produção textual. Como afirma Rösing (1997, p.70) a precisão vocabular, a estruturação sintática, a existência de coesão e de coerência e a intertextualidade de um texto revelam a qualidade e a quantidade de leituras praticadas por seu autor. Nessa mesma direção, Bellini (1997, p.123) acredita que a leitura, o interesse, a reflexão, o debate, são processos que antecedem o da escrita. “Não há escrita possível sem a leitura solitária, sem o trabalho artesanal de cada aluno”. Esta afirmação está impregnada de uma reflexão extremamente importante para o entendimento do que de fato é ler e escrever. Durante muito tempo, contaminado pelo paradigma tradicional de educação, que privilegia a reprodução de saberes, o ensino da leitura e da escrita, tanto nas escolas como nas universidades, aconteceu de forma mecânica e descontextualizada. Sem condições de produção estabelecidas, os estudantes eram submetidos a atividades de escrita simuladas e artificiais. Os alunos foram habituados a escrever única e exclusivamente para o professor ler, ou melhor, corrigir e atribuir uma nota. Além deste, os demais trabalhos envolvendo a linguagem escrita restringiam-se a cópias e mais cópias de pesquisas, do quadro de giz, de respostas a questionários, resumos, caligrafias e ditados. Neste sentido, Marques (2001, p.13) afirma que a alfabetização ritualizada, da qual muitos fizeram e fazem até hoje parte, levou os educandos a escrever bonito e certo, mas sem propriedade. A escrita resultante não passava da transcrição de idéias já ditas ou pensadas. De maneira geral, não foi privilegiada a produção autônoma do aluno, o desenvolvimento de sua criatividade, reflexão e pensamento crítico diante da realidade. Neste sentido, é relevante a contribuição de Franco Junior, Vasconcellos e Menegassi (1997, p.100) ao denunciarem que a produção escrita foi e ainda está sendo solicitada nas escolas, e acrescento, nas universidades, salvo raras exceções, como um “mero exercício para cumprir programa.” Nesta mesma direção, Bianchetti (2002, p. 173) afirma que na formação da leitura e da escrita no Ensino Superior, a maioria dos alunos são graduados sem terem sido desafiados a ultrapassar a cultura da “pescópia” e da leitura de capítulos ou parte deles xerocados. 3729 Assim, verifica-se que nas práticas de produção textual, o professor continua propondo um tema ao aluno, sem oferecer-lhe reais condições de produção, a espera que ele preencha o número de linhas estabelecidas e faça uso da norma padrão corretamente. Via de regra, o professor ainda é o único leitor do texto produzido, lendo-o para corrigir e estabelecer um juízo de valor. Com esta prática, como afirmam Franco Junior, Vasconcellos e Menegassi (1997, p. 101), a questão pragmática da comunicação está sendo deixada de lado. “Esquece-se que se escreve para expressar-se, para influenciar, para seduzir, para contestar [...]”. Ou seja, esquece-se que a escrita é um processo de interação social. “E, como tal, é marcada por quem escreve, para quem se escreve, pelo recorte dado ao tema, pela ideologia subjacente ao produto da escrita”. A leitura e a escrita escolarizadas, distantes das práticas sociais quotidianas dos estudantes, são insuficientes para responder às exigências de habilidades e competências que faz o contexto social para além da graduação e dos muros escolares. Fato que pode ser comprovado com a fala de Machado (2002, p. 60), que aponta os quinze anos de estudo de língua portuguesa na escola e na universidade como insuficientes para que os pós-graduandos usufruam “do fantástico poder das tecnologias da escrita”. Isso acontece, segundo a autora, porque nas aulas escolares e na academia foram poucas as oportunidades que os alunos tiveram de se expressarem, serem lidos e ouvidos. A educação deste novo milênio deve estar preparada para novas formas de ensino e de aprendizagem. Na prática pedagógica proposta em todos os níveis de ensino ainda é preocupante a tendência à reprodução e à ausência de criatividade nas produções científicas, inclusive nos trabalhos propostos pelos professores em programas de pós-graduação.Ao abordar o processo de escrita de pós-graduandos, Castro (2002, p. 131) afirma que “de um aluno que praticamente nada escreveu até então – quem sabe uma carta para a mamãe, um telegrama ou um suado trabalhinho de estágio – pede-se que produza uma obra que tenha inclusive o potencial de publicação em forma de livro.” Desta forma, as produções tendem a ser colchas de retalhos de vários autores lidos pelos pós-graduandos, que são incapazes de julgar, aderindo ou rejeitando as idéias de outrem (SILVEIRA, 1997). Acredita-se que isso aconteça porque os educandos não foram formados para pensar, questionar e refletir, mas para reproduzir verdades absolutas, prontas, acabadas e inquestionáveis. Culturalmente estamos acostumados a falar muito, ler pouco e escrever menos ainda. Por isso, conforme Machado (2002, p. 50), a prática mais utilizada em nossas universidades e 3730 escolas é a linguagem oral. Segundo a autora, tradicionalmente o ensino universitário está assentado na oralidade, na aula expositiva ou nos seminários, resultado da grande cisão existente entre a graduação (que não passa da extensão de um grande colégio, em muitos aspectos) e a pós-graduação. Enquanto a primeira é regida pela oralidade da eficácia da retórica, na segunda há o predomínio da escrita, embora se reconheça que as dissertações e teses têm também defesa oral. Segundo Saviani (1991) o objetivo da pós-graduação stricto sensu é a formação de pesquisadores, que tem como condição primeira a competência de ler e escrever. Nesse sentido, afirmou Marques (2001): “escrever é preciso”, pois é o princípio da pesquisa. Fique claro, no entanto, que o registro da descrição de dados observados por si só não garante a qualidade de uma pesquisa. A teorização é um processo indispensável. E o grau de teorização possível em um dado estudo, segundo Alves-Mazzotti (2002, P. 31) está na dependência do conhecimento que o pesquisador tem acumulado sobre o problema focalizado. E tal conhecimento só é construído via leitura. É por isso que junto com Silveira (1997, p.160), considera-se urgente “despertar nossos professores e alunos para a formação lingüística de sujeitos epistêmicos, pois só assim as dificuldades atuais diminuirão”. Cabe, portanto, a escola e universidade desenvolver um ensino que promova nos educandos a capacidade de ler, escrever e pesquisar, tarefa esta que demanda “tempo e provocações adequadas”. (MACHADO, 2002, p. 55) Tempo para que os alunos escrevam muito, mas com reais condições de produção. Provocações adequadas que envolvam o trabalho com a leitura e com a escrita de diferentes gêneros textuais. Diante deste contexto, Bianchetti (2002, p.20) afirma que fica evidente “o quanto orientar significa qualificar para a autoria”. E reconhece a orientação como tarefa crucial na geração de novos conhecimentos. Lembra que são os orientadores os responsáveis por boa parte da formação de pesquisadores. Nesta mesma direção, Machado (2002, p. 57) declara que “o trabalho de orientação é um espaço nunca antes concedido ao aluno (e acrescenta-se, nem mesmo no momento de correção de um texto escolar), um espaço no qual ele pode desenvolver as capacidades adquiridas mas raramente praticadas antes e, por essa razão tão simples, fadadas ao desperdício”. A capacitação permanente dos docentes aparece, neste contexto, como fator decisivo para a realização de uma nova prática pedagógica nas instituições de ensino dos diferentes níveis. Ela ganha destaque nas propostas de melhoria do ensino apontadas por renomados educadores (DEMO, 1994; MASSETO, 1994; BEHRENS, 1996). 3731 A formação continuada tem como alvo a melhoria do ensino e a reflexão e renovação constante do professor enquanto profissional da educação e enquanto pessoa, dotada de valores, crenças e convicções pessoais, que influenciam diretamente sua prática profissional. Formar profissionais capazes de repensar sua prática e seu papel enquanto docentes, diariamente refletindo sobre suas ações é uma capacitação que se mostra bem mais adequada à nova função que o professor precisa desempenhar hoje: formar alunos letrados para além do lápis e do papel, capacitando-os ao uso das novas formas de comunicação geradas pelas tecnologias da informação e da comunicação. Ao pensar seu trabalho docente, o educador tem a oportunidade de discutir e construir sua ação pedagógica. O professor deste milênio deve estar em constante estado de preparação e alerta. Precisa dominar os conhecimentos vindos da Sociedade da Informação, escrever e produzir com propriedade, ler com significação uma variedade de gêneros textuais, ou seja, tomar o texto como objeto de uso e de ensino. São essas as características de um professor inovador, cuja metodologia é a pesquisa e cujo alvo é a produção de conhecimentos e aplicação na comunidade com vistas a transformar a sociedade. Trata-se de um profissional, como afirma Demo (1993, p.30), “hábil para ler e interpretar sua realidade com criatividade sempre renovada, capacidade de atualização incessante, sobre o fulcro do ‘aprender a aprender’”. A educação lingüística é uma necessidade de todos os profissionais da educação, pois sua atividade profissional envolve inúmeras situações de leitura e produção A pesquisa participante: uma abordagem qualitativa Para realizar a pesquisa sobre os fatores que influenciam o processo de produção do conhecimento pelos professores universitários em programas de pós-graduação stricto sensu optou-se por uma abordagem qualitativa centrada na pesquisa participante. O estudo será qualitativo porque visa sobretudo à compreensão dos fatores que dificultam e facilitam a produção do conhecimento dos professores universitários em formação no Mestrado em Educação de uma Universidade de grande porte. O método e os procedimentos que serão aplicados condizem com o que Lüdke e André (1986, p.13), citando Bodgan e Biklen (1982) definem por pesquisa qualitativa: “envolve a obtenção de dados descritivos, obtido no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes”. A escolha da pesquisa participante – um método naturalista de pesquisa educacional – está vinculado a intenção de contribuir para que os professores universitários em formação stricto sensu, uma vez cientes dos fatores que dificultam e facilitam sua produção de 3732 conhecimentos na leitura e na escrita, ampliem seu relacionamento pessoal e profissional com as práticas de ler e escrever, de forma a produzir conhecimentos com mais qualidade e competência, especialmente no momento da escrita da dissertação e da tese. Ao abordar o processo de produção do conhecimento na leitura e na escrita de professores universitários em curso de pós-graduação stricto sensu, esta pesquisa mantém relação direta com as preocupações e experiências do quotidiano do grupo de professores estudado, mais um aspecto que a caracteriza, segundo Brandão (1981) como uma abordagem qualitativa. Tratando desta característica principal da pesquisa qualitativa, Oliveira e Oliveira (1981, p. 19) afirmam que a finalidade de qualquer ação educativa deve ser a de produzir novos conhecimentos que aumentem a consciência e a capacidade de iniciativa transformadora dos grupos com quem se trabalha. “Por isso mesmo, o estudo da realidade vivida pelo grupo e de sua percepção desta mesma realidade constituem o ponto de partida e a matéria-prima do processo educativo”. Como concebem os atos de ler e escrever, a importância que atribuem a estas práticas e as dificuldades e facilidades que encontram no seu exercício ao produzirem conhecimentos no momento da elaboração da dissertação constituem-se nos propósitos principais deste estudo. Como demanda uma pesquisa participante, ocorrerá a inserção da pesquisadora ao grupo a ser estudado, processo que será facilitado porque a pesquisadora, embora não exercendo a docência em nível superior, faz parte do grupo de professores em formação no Mestrado em Educação da PUCPR, e vive as mesmas angústias, facilidades e dificuldades no processo de realização da pesquisa e escrita da dissertação vivenciadas pelo grupo a ser estudado. Desta forma, acredita-se que a pesquisadora será vista como parte do grupo, porque pode compartilhar em grande parte da mesma realidade por eles vivida, o que desperta, segundo Lüdke e André (1986), confiança entre os pares. A pesquisa será composta por quatro fases. Na primeira, foi realizada uma investigação bibliográfica sobre a importância da escrita com propriedade e da leitura com significação no processo de produção de conhecimentos, bem como a importância da formação continuada dos professores universitários em programas stricto sensu. Neste momento, a pesquisa encontra-se na segunda fase, em que foi proposta uma pesquisa de campo aplicada junto aos docentes que concluíram ou que estão em formação de professores universitários no programa de pós-graduação stricto sensu em Educação na PUCPR. Objetivou-se nesta fase traçar um perfil de leitor e escritor, bem como o levantamento das dificuldades e facilidades que encontraram ou encontram em produzir conhecimentos no curso. 3733 A análise da trajetória do professor enquanto leitor e escritor, e da relação que mantém com estas práticas na produção de conhecimentos no Mestrado vem sendo realizada por meio de questionários abertos. Os pós-graduandos, em exercício da docência em universidades ou faculdades, foram convidados a responder perguntas referentes a sua formação, experiências, relação que mantêm com as práticas de leitura e escrita no Mestrado e dificuldades e facilidades encontradas nos processos de produção científica. Com base nos depoimentos, busca-se na terceira fase da pesquisa analisar o posicionamento leitor e escritor desses professores desde a infância até o momento presente, bem como as manifestações dessas experiências acumuladas na prática de produzir conhecimentos no Mestrado em Educação. Em paralelo aos questionários abertos aplicados aos pós-graduandos, na quarta fase serão realizadas entrevistas semi-estruturadas gravadas e transcritas com cinco professores que lecionam no programas de pós-graduação stricto sensu em Educação na PUC-PR. Segundo Lüdke e André (1986, p.34), a entrevista semi-estruturada “se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações”. Os docentes serão questionados quanto a importância da leitura e da escrita na formação do pesquisador, o papel da orientação no desenvolvimento do exercício da autoria e as dificuldades encontradas pelos pós-graduandos no ensino com pesquisa. Considerações preliminares A partir das reflexões aqui desenvolvidas, pode-se afirmar que é reconhecida a importância que a formação continuada exerce sobre a vida pessoal e profissional do professor. Como profissional do conhecimento, o professor precisa estar em constante processo de inovação, caso contrário será incapaz de formar sujeitos preparados para atuar na Sociedade da Informação e de selecionar as informações mais adequadas a essa formação. O professor tem a função de ser mediador entre a sociedade da informação e os alunos, para que por meio da reflexão tornem-se sábios e capazes de transformar as informações em conhecimentos. (PIMENTA e ANASTASIOU, 2002) Uma formação continuada de qualidade, implica na autonomia de produção de conhecimento por meio da leitura e da escrita qualificada. Para tanto, se torna necessário preparar os profissionais enquanto pessoas e professores críticos e reflexivos. Acrescenta-se, no entanto, que também é aquela que desenvolve o grau de letramento do docente em formação, capacitando-o para ser um leitor e um escritor cada vez mais proficiente. 3734 Quanto mais leituras fizer um professor, mais crítico, reflexivo e criativo ele será. Independentemente da área em que atua, o professor precisa ter seu grau de letramento desenvolvido nos programas de capacitação docente. Nenhum projeto de formação continuada de professores pode contentar-se em não oferecer aos formandos “condições para o letramento” (SOARES, 1998, p.18), ou seja, “condições para o desenvolvimento cada vez mais intenso e extenso das habilidades de escrita e leitura”. (BAGNO, 2002, p.53) Qualquer que seja o conhecimento a ser produzido e adquirido, inclui um projeto que envolve a aprendizagem de ler e escrever com qualidade. REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, Alda J. A “revisão da bibliografia” em teses e dissertações: meus tipos inesquecíveis – o retorno. In: BINCHETTI, Lucídio e MACHADO, Ana Maria Netto (org). A bússola do escrever: desafios e estratégias na orientação de teses e dissertações. Florianópolis: Ed.da UFSC; São Paulo: Cortez, 2002. ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa, formação e prática docente. In ANDRÉ, M.E.D.A (Org.) O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. 2. ed. São Paulo: Papirus, 2002. BAKTHIN, Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997. 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