QUALIDADE DE VIDA DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM: UM
DEBATE NECESSÁRIO
Gabriel Chaves Neto1
Daiane Medeiros da Silva2
Débora César de Souza Rodrigues3
Eloíse Maria de Lima Gouveia4
Lidiane Lima de Andrade5
Eixo Temático: Empreendedorimo
RESUMO
Introdução: Apesar de ser um tema bastante discutido desde os primórdios da existência do
homem, e às vezes se utilizar de outros nomes, o termo qualidade de vida ainda reúne certa
ambiguidade de conceito, pois se trata de uma expressão bastante complexa e subjetiva. De
essa forma empreender na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem como também
dos demais profissionais, consiste numa estratégia de melhorar a qualidade individual e
coletiva desses profissionais. Objetivo: Considerando os aspectos acima mencionados, este
estudo tem o objetivo de analisar os diversos conceitos de qualidade de vida presentes nos
debates atuais através da produção científica nacional e internacional durante os últimos dez
anos. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, valendo-se dos descritores em
saúde: qualidade de vida, profissionais de enfermagem e dinâmica de trabalho, os quais foram
posteriormente inseridos na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Obtiveram-se
26 artigos, publicados entre os anos de 1999 e 2009, dos quais apenas dois atenderam ao
objetivo proposto pelo estudo. Resultados: Os artigos selecionados mostraram que apesar da
variabilidade individual dos conceitos de qualidade de vida encontrados em ambos os
estudos, conseguiu-se abranger alguns aspectos considerados importantes para a
manutenção e melhoria da qualidade de vida dos profissionais de enfermagem, como,
por exemplo, a importância do reconhecimento do trabalho dos mesmos, o cuidado
com o cuidador, evitando o desgaste físico e psicológico, uma melhor remuneração e
boas condições de trabalho.
Palavras-chave: qualidade de vida; profissionais de enfermagem; dinâmica de trabalho.
INTRODUÇÃO
Com as diversas mudanças ocorridas no processo de trabalho, principalmente
após a revolução industrial, o homem passou a ser visto como “máquina”, cabendo-lhe,
1
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba. E-mail:
[email protected]
2
Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Mestranda do Programa de PósGraduação da Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]
3
Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Discente da Licenciatutra Plena em
Enfermagem pela UFPB. E-mail: [email protected]
4
Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Mestranda do Programa de PósGraduação da Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]
5
Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Mestranda do Programa de PósGraduação da Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]
muitas vezes, apenas a realização do procedimento, não importando o modo como essas
pessoas trabalhavam, sua qualidade de vida, e sim que o objetivo do empregador fosse
cumprido. Bem-estar e qualidade de vida sempre estiveram presentes nas discussões dos
seres humanos, contudo, com o passar do tempo e com as mudanças culturais pelas
quais passam a sociedade, esses termos foram ganhando conotações diferenciadas,
sabendo-se, dessa maneira, que seus significados são relativos, dependendo de cada
contexto e de cada indivíduo(1).
Qualidade de vida abrange muito mais que a existência ou não de enfermidade,
mas também nível de instrução, saneamento básico, saúde, satisfação e condições de
trabalho, bem como, outros aspectos(2). Na ótica da Organização Mundial de Saúde
(OMS)(3), a qualidade de vida se caracteriza como a percepção do indivíduo de acordo
com a posição que o mesmo ocupa na vida, não em relação à posição social, mas
referente ao seu contexto social, considerando a cultura, os valores, suas expectativas,
preocupações, ou seja, levando-se em consideração as necessidades reais do indivíduo.
Tal tema compreende tanto aspectos subjetivos, quanto objetivos do ser humano,
compreendem a forma como cada indivíduo se sente física e psicologicamente e nas
relações com o meio(4). Contudo, apesar do termo qualidade de vida ser um tema
bastante discutido desde os primórdios da existência do homem, e às vezes se utilizar de
outros nomes, visando objetivamente promover o contentamento e conforto dos
profissionais, ainda reúne certa ambiguidade de conceito, pois se trata de uma expressão
bastante complexa e subjetiva(5).
Segundo Miranda (2006), a busca incessante pela produtividade e qualidade tem
se constituído no fator principal para as instituições proporcionarem a qualidade de
vida dentro das organizações e não fora delas como mecanismos compensatórios, haja
vista que ao promover a saúde e o bem-estar de seus funcionários, observando tarefas,
desempenhos, desenvolvendo elementos condizentes com a qualidade de vida no
trabalho, obtém-se aumento da motivação, do gosto pelo trabalho, da satisfação e
desempenho dos trabalhadores no ambiente de trabalho.
O interesse pela qualidade de vida na área da saúde é relativamente recente, isso
ocorre devido aos novos paradigmas que influenciaram as políticas e as práticas do
setor nas últimas décadas. Na área da enfermagem, as pesquisas em relação à qualidade
de vida são restritas, esse fato é devido à ideologia que perpassa a profissão desde sua
origem, em que a mesma está ligada à noção de caridade e devotamento, sendo seus
primeiros executores pessoas ligadas á igreja, ou leigos praticando a caridade(6).
Entretanto, demostrar que a qualidade de vida afeta a saúde e que esta influencia
fortemente a qualidade de vida não é o único desafio, mesmo com algumas
demonstrações e investigações dentro desta perspectiva, restam ainda muitas questões a
serem resolvidas e respondidas, inclusive no que diz respeito às intervenções que, a
partir do setor saúde, possam, mais eficazmente, influenciar de forma favorável a
qualidade de vida(7).
Diante disso, visto que é impossível dissociar qualidade de vida no trabalho e
qualidade de vida pessoal, uma vez que é do trabalho que o homem consegue seu meio
de sobrevivência, identidade pessoal, status perante a sociedade, passando a tomar parte
fundamental na vida das pessoas, notou-se a necessidade de estudar sobre a qualidade
de vida dos profissionais de enfermagem. Nesse sentido, levando-se em consideração os
aspectos abordados acima, este estudo tem o objetivo de debater sobre o tema qualidade
de vida na perspectiva da saúde, levando-se em consideração os profissionais de
enfermagem, haja vista que estando os mesmos satisfeitos com seu trabalho, alcançarão
uma melhor qualidade de vida tanto profissional quanto individual, melhorando assim a
assistência a ser prestada, trazendo benefícios a sua saúde e as organizações gestoras
dos serviços de saúde.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, cujas informações foram coletadas a
partir de fontes de dados secundários. Segundo Gil 2002, a pesquisa bibliográfica
consiste no exame da literatura científica, para levantamento e análise do que já se
produziu sobre determinado tema. A principal vantagem desse tipo de pesquisa reside
no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais
ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.
Primariamente foi realizada a pesquisa das informações, seguida de leitura, com
seleção do material adequado e posteriormente a elaboração do trabalho escrito, na
expectativa da obtenção de um documento científico minucioso sobre a qualidade de
vida dos profissionais de saúde. Nesse processo de construção da pesquisa, valeu-se da
busca dos artigos científicos através dos Descritores em Ciência da Saúde (DeCS):
qualidade de vida, profissionais de enfermagem e dinâmica de trabalho, os quais foram
posteriormente inseridos na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),
utilizando-se como operador booleano o termo “and”.
Tal busca, resultou na obtenção de 26 artigos, classificados nos períodos de 1999
a 2009, dentre os quais apenas quatro são disponibilizados em textos completos. A
última etapa de construção desse estudo se deu através da leitura dos documentos, sendo
em seguida selecionados dois artigos que discutem e analisam os diversos conceitos
existentes ou não sobre a qualidade de vida dos profissionais de enfermagem,
respondendo ao objetivo proposto da investigação.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
No primeiro artigo selecionado intitulado: Qualidade de vida dos profissionais
de enfermagem da autora Haddad (2000), tem-se a discussão sobre a qualidade de vida
no trabalho como sendo o maior determinante da qualidade de vida de cada indivíduo. E
afirma que “vida sem trabalho não tem significado”. Nesse artigo é relatado que o tema
esta associado à melhoria das condições físicas do servidor, programas de lazer, estilo
de vida, instalações organizacionais adequadas, atendimento a reivindicações dos
trabalhadores e ampliações do conjunto de benefícios. Entretanto, o atendimento a essas
necessidades, envolvem custos adicionais, enquadrando-se como obstáculo para a
implantação de programas de qualidade de vida no trabalho.
A autora debate, diante de uma revisão de literatura, que para se obter uma boa
qualidade de vida, necessita-se que os profissionais tenham no trabalho: compensação
adequada e justa; condições de segurança e saúde no trabalho; oportunidade imediata
para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana; oportunidade para
crescimento contínuo; segurança e integração social na organização; constitucionalismo
na organização do trabalho; trabalho e o espaço total da vida e a relevância social da
vida no trabalho. E considerando esses aspectos a autora discorreu nos resultados de
seu trabalho duas categorias, nas quais se enquadram: o desenvolvimento do processo
de trabalho da enfermagem e o programa interdisciplinar de apoio ao trabalhador de
enfermagem.
Na primeira categoria “Desenvolvimento do processo de trabalho da
enfermagem” percebe-se quanto aos resultados, que o trabalho da enfermagem
direcionado para um cuidar holístico do paciente, necessitou ser fragmentado para
melhorar a organização e a produtividade do serviço, especializando os funcionários em
executores de funções específicas. Desta forma, os trabalhadores se transformam em
força de trabalho a ser objetivada e comprada de acordo com a demanda da função. Por
decorrência, o trabalho de cuidar adquire o caráter de mercadoria, que produz efeitos
danosos na saúde e no psiquismo do trabalhador. A dinâmica do trabalho de
enfermagem não leva em consideração os problemas do trabalhador, onde cada
indivíduo enfrenta no seu cotidiano dificuldades de toda ordem, fora e dentro do
trabalho, mas se espera do profissional que ele jamais expresse junto ao paciente seus
dissabores, ao contrário , espera-se serenidade.
Diante disso, percebe-se que o trabalho da enfermagem além de ser
constantemente vigiado por outros profissionais de saúde, como pela administração, é
um trabalho que seguindo uma divisão, segue as linhas de produção ainda aos moldes
tayloristas, onde seu trabalho se torna submetido à produção de um cuidado
mecanizado. Tal afirmação revela que a organização do trabalho é responsável pelas
consequências desfavoráveis à saúde física e psíquica do trabalhador de enfermagem,
prejudicando consideravelmente a sua qualidade de vida assim como a sua qualidade
também no trabalho.
Verifica-se também, através desse estudo, que na maioria das instituições a
preocupação com a ergonomia, ainda é pequena, tornando o trabalho da enfermagem
ainda mais penoso. Muitas vezes, a planta física é inadequada ao tipo de atendimento,
os equipamentos e materiais de uso diário não favorecem a execução da técnica, há falta
de material para realização da tarefa, o número de trabalhadores é reduzido para
quantidade e características dos pacientes, entre outras dificuldades.
Acrescido a esses fatores, encontram-se as dificuldades sócio-econômicas
enfrentadas por estes profissionais, pois como o trabalho de enfermagem recebe baixa
remuneração, torna-se necessário que o funcionário mantenha duas jornadas de trabalho
para poder sustentar sua família e ter uma vida digna. Neste contexto, há uma baixa
qualidade de vida no trabalho da enfermagem, além de aumentar os riscos de iatrogênias
e acidentes no trabalho.
Na segunda categoria utilizada pela autora “O programa interdisciplinar de
apoio ao trabalhador de enfermagem” a mesma relata que para que a equipe de
enfermagem possa prestar uma assistência adequada aos pacientes, com seus
sentimentos de impotência profissional, ansiedade e medo minimizados, necessita
receber apoio e acompanhamento de uma equipe interdisciplinar composta por
profissionais especializados, que possa auxiliar o servidor na identificação do seu
sofrimento e no entendimento da dinâmica do trabalho de enfermagem, além de
desenvolver programas de prevenção e manutenção da qualidade de vida no trabalho.
Nos resultados sob essa categoria a autora obteve que é necessário que haja nas
organizações: recrutamento, seleção e colocação de pessoal; avaliação de desempenho;
treinamento e desenvolvimento de pessoal; desenvolvimento organizacional, solução de
problemas e tomada de decisões; desenvolvimento de programas de qualidade de vida
no trabalho; identificação da cultura organizacional, para que se alcancem de fato os
objetivos do profissional de enfermagem, tais como trabalhar com harmonia,
desenvolvendo suas atividades através da identificação dos problemas, do planejamento
e avaliação constante dos resultados obtidos, sempre em conjunto com a administração
e trabalhadores.
Haddad (2000), completando sua leitura sobre a qualidade de vida dos
profissionais de enfermagem, cita Zanelli (1996) quando ressalta “nascemos e
morremos dentro das organizações de trabalho. As sociedades se organizam em função
do trabalho. O trabalho é um núcleo definidor do sentido da existência humana. Toda a
nossa vida é baseada no trabalho, portanto, devemos torná-lo o mais prazeroso
possível.”.
Nessa perspectiva, através da análise e discussão desse artigo produzido por
Haddad, verifica-se que não há uma definição consensual a respeito de qualidade de
vida no trabalho, mas sim várias correntes ou abordagens. Contudo, percebe-se que o
trabalho é a dimensão que realiza os homens a as mulheres enquanto seres humanos.
Entretanto, para que se alcance tal finalidade, faz-se necessário que a organização
ocupacional, qualquer que seja ela, ofereça aos seus profissionais um ambiente e
recursos adequados para o bom funcionamento de seus serviços, fazendo com que os
mesmos tenham prazer em trabalhar, e consequentemente, obtendo-se um trabalho de
qualidade rendendo tanto para a organização, quanto para o profissional, haja vista que
esse último será privado do surgimento de patologias ocupacionais, ao mesmo tempo
em que se tornará um grande empreendimento para a organização.
O segundo artigo selecionado para análise e discussão intitulado “Qualidade de
vida e saúde: um debate necessário”, de autoria de Minayo; Hartz; Buss (2000)
delineia-se sobre o debate existente nas relações entre saúde e qualidade de vida. O
estudo trata a qualidade de vida como uma representação social criada a partir de
parâmetros subjetivos (bem-estar, felicidade, amor, prazer, realização pessoal), e
também objetivos, cujas referências são a satisfação das necessidades básicas e das
necessidades criadas pelo grau de desenvolvimento econômico e social de determinada
sociedade. Acrescentando-se a essa informação, mostra também os principais
instrumentos construídos nos últimos anos para medir qualidade de vida e as discussões
que provocam.
O desenvolvimento de tal artigo se deu a partir de uma pesquisa detalhada nos
anais de congressos gerais e temáticos da Abrasco, bem como registros de seminários
realizados pela instituição. As autoras mostram que o termo qualidade de vida aparece
sempre apresentando um sentido genérico, ora empregado como títulos de seminários,
ora associada a algumas classificações nos agrupamentos dos trabalhos dos vários
congressos. Contudo, nota-se que em nenhum momento, existe uma conceituação
efetiva envolvendo o termo em questão. Essa realidade exibe que se a ideia geral de
qualidade de vida está presente, precisa ser mais bem explicitada e clarificada.
Além disso, o artigo em questão, afirma que se tornou comum, no âmbito da
saúde, a discussão sobre o conceito de qualidade de vida, sendo por muitos considerado
como a ausência de doença, uma vez que saúde não é doença, consequentemente, saúde
é qualidade de vida. Porém, não a considerando com incorreta, tal afirmativa costuma
resumir o conceito de qualidade de vida apenas ao sentido de ausência de doença,
tornando-se vazia de significado, revelando a dificuldade que muitos profissionais de
saúde encontram para entender o real significado de qualidade de vida, enraizando-se
por vezes, no conceito biomédico de saúde. Então, considerar que o conceito de saúde e
qualidade de vida estão interligados, e que saúde não é mera ausência de doença, podese considerar um avanço, reduzindo o pensamento centrado na doença e não no
indivíduo.
No estudo, as autoras Minayo; Hartz; Buss (2000) citam Hubert (1997), o qual
faz uma crítica aos instrumentos criados para medir a qualidade de vida, mostrando que
os mesmos se utilizam de indicadores notadamente bioestatísticos, psicométricos e
econômicos, fundamentados em uma lógica de custo-benefício. Em que as técnicas
criadas para medi-la não consideram o indivíduo em todo o seu contexto cultural, social,
de história de vida e do percurso dos indivíduos cuja qualidade de vida pretendem
medir.
O estudo é discutido a partir de alguns debates sobre o termo qualidade de vida,
abordando sobre os seguintes eixos, Qualidade de vida: uma noção polissêmica;
Qualidade de vida: medidas e padrões gerais; Qualidade de vida: medidas padrões do
setor saúde. As três discussões consideram esse termo como uma noção eminentemente
humana, que tem sido aproximada ao grau de satisfação encontrado na vida familiar,
amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial, pressupondo a capacidade
de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade
considera seu padrão de conforto e bem-estar. Analisam também que tal termo abrange
inúmeros significados, os quais refletem conhecimentos, experiências e valores de
indivíduos e coletividades que a ele se reportam em várias épocas, espaços e histórias
diferentes, sendo, portanto uma construção social com a marca da relatividade cultural.
Fazem referência ainda ao conceito de qualidade de vida levando-se em
consideração três sentidos, o primeiro é histórico, ou seja, em determinado tempo de seu
desenvolvimento econômico, social e tecnológico, uma sociedade específica tem um
parâmetro de qualidade de vida diferente da mesma sociedade em outra etapa histórica.
O segundo é cultural, uma vez que valores e necessidades são construídos e
hierarquizados diferentemente pelos povos, revelando suas tradições. E o terceiro
aspecto se configura nas estratificações ou classes sociais. Revela também que os
estudiosos que analisam as sociedades em que as desigualdades são muito fortes
mostram que os padrões e as concepções de bem-estar são também estratificados, em
que a ideia de qualidade de vida está relacionada ao bem-estar das camadas superiores e
á passagem de um limiar a outro.
Nota-se, dessa forma, que apesar do estudo ter sido construído a partir de temas
gerais e específicos dos eventos promovidos pela Abrasco, pode-se tratar o tema
qualidade de vida sob os mais diferentes olhares, seja da ciência, através das várias
disciplinas, seja do senso-comum, seja do ponto de vista objetivo ou subjetivo, seja em
abordagens individuais ou coletivas.
Ademais, também é possível avaliar que no
âmbito da saúde, quando visto no sentido ampliado, esse termo se ampara na
compreensão das necessidades humanas fundamentais, materiais e espirituais, tendo na
promoção da saúde seu foco mais relevante. Contudo, ao se colocar de forma mais
centralizada, qualidade de vida em saúde focaliza a capacidade de viver sem doenças ou
de superar as dificuldades dos estados ou condições de morbidade.
Desta forma, o estudo conclui que falar em qualidade de vida remete a vários
conceitos, desde satisfação das necessidades mais elementares da vida humana, como
alimentação, acesso à saúde, água potável, habitação, trabalho, educação e lazer, até
elementos materiais que tem noções relativas ao conforto, bem-estar e realização
individual e coletiva. De forma genérica, pode-se afirmar, desta forma, que o
desemprego, a exclusão social e a violência são de certo modo a negação da qualidade
de vida. Trata-se, com isso, de parâmetros passíveis de comparação e mensuração,
mesmo considerando-se a necessidade permanente de relacioná-los culturalmente no
tempo e no espaço de cada indivíduo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O termo qualidade de vida por ser um assunto de grande valia em todas as áreas,
desperta o interesse a ser uma temática de forte tendência à pesquisa, com o intuito de
correlacionar indicadores de qualidade às condições de trabalho dos profissionais.
Com a análise e discussão dos artigos selecionados, foi possível avaliar algumas
abordagens em relação aos conceitos que permeiam a qualidade de vida, entre eles
aqueles que estão relacionados às características individuais de cada indivíduo, dentro
do seu contexto, como aspirações, experiências, sonhos realizados, medos, conceitos,
cultura, raça, crença, entre outros fatores. Como também aqueles relacionados às
características materiais, saúde, bem-estar, educação, trabalho, lazer, que perfazem,
juntos, os conceitos objetivos e subjetivos da qualidade de vida, podendo ser
mensuráveis, haja vista o contexto de cada indivíduo.
Entretanto, apesar da variabilidade individual dos conceitos de qualidade de
vida encontrados em ambos os estudos, conseguiu-se abranger alguns aspectos
considerados importantes para a manutenção e melhoria da qualidade de vida dos
profissionais de enfermagem, como, por exemplo, a importância do reconhecimento do
trabalho dos mesmos, o cuidado com o cuidador, evitando o desgaste físico e
psicológico, uma melhor remuneração e boas condições de trabalho.
Conclui-se, neste contexto, que mesmo ainda em processo de construção, a
enfermagem tem evoluído de forma satisfatória quanto ao processo de melhoria de
qualidade de vida. Porém, essa melhoria depende não só dos profissionais de
enfermagem, mas de toda a equipe participante do dia a dia destes atores da saúde,
além de autoridades, organizações empregadoras e órgãos responsáveis pela defesa dos
direitos pertinentes aos mesmos.
REFERÊNCIAS
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Ribeirão Preto. 2000. 8(4).
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4 Miranda, EP. Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem que atuam
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2006.
5 Schmidt DRC, Dantas RAS. Qualidade de vida no trabalho de profissionais de
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Lat Amer Enfer. Ribeirão Preto. jan./fev. 2006.14(1).
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negatividade e positividade no trabalho das profissionais de enfermagem de um
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7 Buss PM. Promoção da saúde e qualidade de vida. Ciência e Saúde Coletiva.
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8 Gil A. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
9 Haddad MCL. Qualidade de vida dos profissionais de enfermagem. Revista Espaço
para a Saúde. 2000. Londrina; 1 (2). p. 75-88.
10 Minayo MCS, Hartz ZMA, Buss PM. Qualidade de vida e saúde: um debate
necessário. Ciência e Saúde Coletiva. 2000. 5 (1), p.7-18.
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