QUALIDADE DE VIDA UM NOVO E PRAZEROSO MODO DE VIVER BEM! Já se foi o tempo em que a expressão qualidade de vida era associada e limitada à prática de exercícios e boa alimentação. Qualidade de vida é hoje uma política de gestão que se bem orientada traz resultados efetivos para empresas públicas e particulares. Investir em qualidade de vida é investir em pessoas e investir em pessoas é elevar talentos, produtividade, harmonia e interação. Para falar sobre o assunto o Uninovidades entrevistou a psicóloga da Unimontes, Danielle Noronha Britto, especialista em Psicologia Médica Hospitalar e Pósgraduada em Saúde Mental. Confira: Qual o conceito de qualidade de vida? Danielle Noronha: Qualidade de Vida é mais do que ter uma boa saúde física ou mental. É estar de bem com você mesmo, com a vida, com as pessoas queridas, enfim, estar em equilíbrio. Isso pressupõe muitas coisas; hábitos saudáveis, cuidados com o corpo, atenção para a qualidade dos seus relacionamentos, balanço entre vida pessoal e profissional, tempo para lazer, saúde espiritual etc. Em outras palavras há um caráter subjetivo, pessoal, no que se refere à qualidade de vida, bem como ela é determinada por diferentes fatores como o ambiente físico, os relacionamentos, a saúde, a maneira de encarar as situações na vida, dentre outros. Dessa forma, uma das maneiras de conceituar qualidade de vida é: "a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações". Qual o primeiro passo para se desenvolver programas de qualidade total em uma empresa? DN: Estudar e compreender a cultura organizacional, por ser elemento essencial na formação de qualquer organização, com a construção de valores, crenças e práticas do seu cotidiano. Desvendar a cultura não é uma tarefa fácil e exige um envolvimento para conhecê-la. A cultura organizacional está presente em todo lugar da organização, ou seja, no pensar, sentir e agir das pessoas que compõem o grupo. Portanto, a transformação da cultura não ocorre por meio de decretos ou palavras e sim por mudanças reais nas crenças e valores, senão de todos, pelo menos da grande maioria das pessoas que legitimam a “personalidade” organizacional. O sucesso da implementação de programas de qualidade de vida depende, por um lado, do comprometimento dos colaboradores em fazer boas escolhas quanto aos hábitos saudáveis e às atitudes de enfrentamento à adversidade; e, por outro lado, da empresa em poder fornecer condições necessárias para que essas escolhas aconteçam. O que um programa de qualidade de vida bem orientado e sustentado pode representar para uma empresa? DN: A cada novo passo do mercado executivo neste século constata-se que nem mesmo a mais avançada das tecnologias vale se não houver um bom profissional para operá-la. E para manter em alta a disposição desse colaborador é necessário valorizá-lo. Não é uma novidade dizer que a prática de atividades de qualidade de vida, em qualquer ambiente, traz inúmeros benefícios para o bemestar das pessoas e uma maior produtividade para as empresas. Muitas empresas que aderiram às atividades de qualidade de vida vivenciaram benefícios que elas trazem à saúde e ao bem-estar dos seus colaboradores. Com certeza elas ganharam maior produtividade através do maior envolvimento das pessoas e estas, por sua vez, obtiveram uma fonte de prazer no trabalho. Trabalhar com gente satisfeita faz bem. Atualmente os gestores estão mais preocupados com a qualidade de vida? DN: Sim, a valorização do capital humano passou a ser prioridade dentro das organizações, visto que se agregarmos valor às pessoas estas se sentirão motivadas, valorizadas e consequentemente contribuirão de uma forma produtiva, para o alcance dos objetivos da organização. Domenico de Masi, em um dos seus textos sobre a criatividade, cita: "A plenitude da atividade humana é alcançada somente quando nela coincidem, se acumulam, se exaltam e se mesclam o trabalho, o estudo e o jogo; isto é, quando nós trabalhamos, aprendemos e nos divertimos, tudo ao mesmo tempo”. Nessa frase o autor faz um convite a olharmos para a qualidade de vida sob múltiplas dimensões e não somente como fatores isolados. É necessário encontramos prazer naquilo que fazemos e para isso temos que agregar valores às nossas ações. O pensamento dominante da gestão organizacional dos anos 90 era de explorar ao máximo a força de trabalho e alcançar os maiores níveis de qualidade e produtividade com o mínimo de despesas possíveis, como folha de pagamento, benefícios e qualidade de vida no trabalho. Esta visão caracterizava-se por uma postura imediatista e sem visão social. Hoje, contudo, esse pensamento vem sofrendo importantes transformações principalmente se considerarmos o que vem a ser o trabalho, já que ele conserva um lugar importante em nossa sociedade. O trabalho é um valor e, consequentemente, tem uma forte influência na motivação das pessoas na sua produtividade e satisfação pessoal. Ao se focalizar o processo de trabalho e sua racionalização em termos de custos, investimentos, rentabilidade, ativos, mercados, desempenho etc, o empresário ou gestor irá considerar Recursos Humanos como investimento inevitável. Como montar um bom programa de Qualidade de Vida que tenha resultado prático e envolva todos os colaboradores? DN: Um programa de qualidade de vida em empresas deve promover ações que revertam em benefícios à saúde dos funcionários e deve criar mecanismos para lidar com as dificuldades que as pessoas têm para aderirem à prática contínua de atividades de qualidade de vida, considerando que qualidade de vida no trabalho é muito mais do que escolher praticar atividades físicas, ter uma alimentação adequada, aproveitar melhor o tempo livre e aprimorar seus relacionamentos; enfim, escolhas que fazem com que as pessoas tenham uma vida saudável. Qualidade de vida é ter plena consciência dos benéficos à saúde que essa escolha trará para as pessoas e um meio para que a empresa possa aproveitar melhor o potencial dos seus colaboradores. Para que um programa de qualidade de vida seja bem sucedido, ele deve favorecer a criação de espaços de apoio à tomada de decisões das pessoas quanto à responsabilidade pessoal pela saúde e pela adoção de estilos de vida que favoreçam o seu bem-estar, abordando temas de desenvolvimento de forma global, isto é, considerando os aspectos biológicos, psicológicos, sociais e espirituais do ser humano. A Diretoria de Recursos Humanos da Unimontes atua com o programa de Qualidade de Vida? Quais os resultados práticos dessa ação? DN: Sim. O atendimento aos servidores e dependentes realizado pelo serviço de psicologia no CASU, busca através de ações específicas projetar o lado positivo da personalidade de cada um, despertar a responsabilidade individual no enfrentamento dos problemas e a procura de solução que os mesmos requerem. Dessa forma oferece oportunidade às pessoas para interiorizarem os seus problemas, provocando uma sincera reflexão, despertando a solidariedade mútua, de autêntica fraternidade e de acolhida. As pessoas poderão, sustentadas psicologicamente, encontrar respostas positivas às suas inclinações naturais de segurança, de reconhecimento, de aceitação e de valorização pessoal. A importância do bem-estar psicológico dos funcionários é uma descoberta recente do meio corporativo; com este benefício dentro da instituição, o colaborador pode procurar o psicólogo para falar dos seus problemas pessoais e de relacionamento. O atendimento psicológico está focado principalmente na saúde integral do servidor e no valor que pode ser agregado à qualidade de vida no trabalho, permitindo que as pessoas trabalhem mais motivadas, com menores índices de estresse. Quais as dicas para se ter mais qualidade de vida? DN: Alguns hábitos bem simples podem ajudar a manter a qualidade de nossas vidas, evitando inclusive problemas de saúde: 1- Fique atento a você mesmo: Por mais agitado que seja o seu dia a dia tente escutar o seu corpo e seus pensamentos; dê atenção aos seus desejos e necessidades e procure descobrir o que é importante para você nesse momento; busque exercitar o autocontrole. 2- Alimente-se bem. 3- Durma no mínimo 8 horas. 4- Pratique uma atividade física: busque uma atividade no qual você se identifique e sinta prazer. 5- Faça meditação: a meditação é uma técnica capaz de trabalhar mente e corpo em conjunto. 6- Nunca perca seus objetivos: nunca desista antes de alcançar os seus objetivos. 7- Olhe de uma forma positiva para a sua vida. 8- Reserve um tempo para o lazer, para a família, para o que lhe ofereça prazer. 9- Reze da forma que preferir, independente de qual for a sua religião e crenças; procure conversar sempre com Deus, pois isso lhe trará tranquilidade e paz de espírito. 10- Ame a si mesmo, busque melhorar a cada dia e se sinta orgulhoso por quem você é. Danielle Noronha Britto • Bacharelado em Licenciatura e Formação de Psicologia • Especialização em Psicologia Médica Hospitalar • Pós-graduada em Saúde Mental • Participação em diversos estágios de aprimoramento e adaptação profissional; além de diversos cursos de extensão acadêmica; • Ampla vivência na área de relações interpessoais e mediação de conflitos ministrando cursos e aplicando dinâmicas, buscando favorecer as relações humanas e fortalecer a autoestima. • Analista Universitário- Psicologia organizacional, responsável pelo atendimento em orientação e Aconselhamento pelo CASU. Email para contato: [email protected]