A formação do habitat do homem
Capítulo 1
A FORMAÇÃO DO
HABITAT DO HOMEM
Gênesis 1.1 trata da vinda do mundo material à existência pelo poder da Palavra criadora de Deus. Depois da
criação da matéria, Deus passa a colocá-la toda em ordem,
distribuindo-a, com sua sabedoria, a fim de torná-la bela.
Esse serviço de organização deu-se nos chamados “dias
da Criação”. O capítulo 2 trata dos detalhes preparatórios para a existência e desenvolvimento da vida humana.
Deus, o Jardineiro por excelência, cria um ambiente encantador para sua criatura mais importante. No meio da
terra que já existia, ele faz um primor de jardim.
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O habitat humano
1. A PLANTAÇÃO DO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do
Oriente, e pôs nele o homem que havia formado (Gn 2.8).
Deus tomou todas as providências para a criação
do habitat do homem. Primeiramente, a narrativa das
Escrituras nos diz que a obra do jardim foi divina. Foi Deus
que “plantou um jardim no Éden”. Ao plantar o jardim,
Deus o fez com os atributos de seu poder e sua sabedoria.
Quando Deus, por seu poder, trouxe à existência todas as coisas que não existiam (Gn 2.4), não as trouxe
todas à existência de forma organizada. Depois de criar o
mundo da matéria, Deus começou a organizar seu mundo
material, que era inabitável, porque deserto. Este é o sentido da expressão “sem forma e vazia” (Gn 1.2).
Ao tempo da criação, “não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo
havia brotado” (Gn 2.5a). A razão da ausência de plantas
e ervas é dada pelo próprio narrador do texto: “porque o
Senhor Deus não fizera chover sobre a terra” (Gn 2.5b).
Uma das coisas mais fascinantes que a ciência estuda é a respeito da difusão das sementes. Sabemos que, de
uma forma oudeoutra, a semente é dispersa pela face da terra pelo movimento do vento e a ação benéfica dos pássaros, que a levam de um lado para o outro. As sementes são
espalhadas e germinam belamente, fazendo que as plantas
e ervas cresçam, estimuladas e vitalizadas pela água. Mas
antes da ação providencial de Deus de proporcionar uma
neblina que “subia da terra e regava toda a superfície do
solo” (Gn 2.6), nem as ervas do campo podiam nascer. Sem
essa providência divina, não haveria possibilidade de vida
nem mesmo botânica; antes dessa ação, não havia erva
de tipo algum. O modo natural das coisas acontecerem,
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A formação do habitat do homem
para que surgisse a vida das plantas, dependeu, assim, da
ação providencial de Deus. Então, Deus preparou a neblina1 umidificadora para regar a terra (Gn 2.5-6).
A totalidade da terra estava sendo — não
intermitentemente, mas constantemente — irrigada pelas
águas que brotavam da terra. Ambiente maravilhoso! Livre
de qualquer coisa, exceto do que é bom. E nessa terra
maravilhosa Deus proporcionou tudo para o desfrute do
homem. Tudo era regado...2
Todavia, as ervas naturais que cresciam com a água
procedente dos mananciais subterrâneos não constituíam
o jardim de Deus. O jardim começou a existir após uma
ação especial de Deus. As árvores tiveram que ser plantadas por ele, e sua frutuosidade teria a ver com outra coisa
que estava por acontecer — a existência do homem “para
lavrar o solo” (Gn 2.5). Não se precisa de cultivador para o
crescimento da erva, mas é necessário um lavrador para
cultivar o solo e a manutenção de um jardim.
Portanto, outra razão para não haver plantas frutíferas e belas árvores é porque também “não havia homem
para lavrar o solo” (Gn 2.5c). A única providência até então
nesse particular era que “uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo” (Gn 2.6).
1 A palavra hebraica traduzida por “neblina” deveria ser traduzida por “água
que brota da terra” ou “manancial”. Na criação original não havia vento
nem agitação no ar para mover as nuvens, depositar água na terra ou fazer
chover. Esta é uma providência posterior. Portanto, para trazer alívio à terra
seca, Deus fez vir essa “fonte a jorrar da terra” e posteriormente a chuva.
2 John F. MacArthur Jr., em seu sermão sobre Gênesis 2.8-17. Encontrado
no site <http://www.biblebb.com/files/MAC/90-227.htm>, acessado em
maio de 2010.
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O habitat humano
Então, por sua sabedoria, Deus começou a preparar
um habitat para o homem. Além de sua sapiência em colocar todas as coisas de um modo extraordinariamente
ordenado, Deus ainda, por sua bondade, cuidou de todos
os detalhes da habitação de sua criatura mais importante.
A primeira grande providência governativa de Deus foi
plantar um jardim, para depois colocar o homem no jardim. Parece-nos que Deus primeiro organizou o habitat do
criar o homem
homem para depois criá-lo, embora não pareça ser esta a
ordem cronológica do texto. Todavia,É é a ordem lógica dele.
Deus colocou primeiro as plantas do campo, que não
precisavam ser cultivadas pelo homem, pois crescem pela
polinização causada pelo vento e por pequenos animais,
assim como pela irrigação de fontes subterrâneas e, posteriormente, também das chuvas, que passaram a cair sobre
a terra. A água dos mananciais e da chuva faz as plantas
do campo crescerem independentemente da ação do cuidado humano. Todavia, as plantas boas para comer vieram depois, quando Deus colocou o homem para cuidar
delas. Deus fez as coisas muito organizadamente para o
deleite do ser humano. O jardim plantado por Deus estava
realmente num lugar — Éden —, que significa “prazer”.
O jardim do Éden é tipo e figura da alegria do povo
de Deus, que será expressa na recriação do mundo edênico, na consumação de todas as coisas. Somente um lugar
plantado por Deus pode ser deleitoso e prazeroso para as
suas criaturas! Nada mais pode gerar tanta satisfação às
criaturas do que estar em um lugar carinhosamente preparado pelo poderoso, sábio e bondoso Criador!
2. A LOCALIZAÇÃO DO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do
Oriente, e pôs nele o homem que havia formado (Gn 2.8).
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A formação do habitat do homem
O texto das Escrituras diz que “plantou o Senhor Deus
um jardim no Éden”. O jardim que Deus plantou para ali
colocar o homem ficava, então, em uma região mais ampla
chamada Éden. Perceba que o texto diz que Deus preparou
um jardim no Éden. O texto não fala em jardim do Éden,
mas de um jardim que estava localizado no Éden.
Cortei o texto porque a mesma informação está no final do parágrafo anterior e de novo no final deste.
O Éden era uma região muito maior do que o jardim
preparado especialmente por Deus. Na verdade, toda a
terra que Deus havia feito era paradisíaca. Todavia, na
banda oriental do Éden, Deus havia pessoalmente plantado um jardim com características ainda mais belas do
que a terra em geral. A Septuaginta, que é a versão grega
do Antigo Testamento, traduz a palavra “jardim” como
paradeison, de onde vem o termo português “paraíso”. O
jardim era a expressão maior da beleza da criação divina.
O jardim no Éden é o paraíso criado por Deus.
Paraíso, portanto, não é sinônimo de Éden, mas de
jardim. Esse jardim estava localizado em uma área de terra contínua, muitíssimo maior que o jardim (área essa que
era o Éden), e que, com grande possibilidade, incluía toda
a porção seca de um único continente existente, antes da
vinda da grande catástrofe do Dilúvio, no tempo de Noé.
A ideia de que o Éden seria uma porção seca de terra
tem algum fundamento na própria narrativa de Gênesis.
Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos
céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez.
À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das
águas, Mares. E viu Deus que isso era bom (Gn 1.9,10).
A grande porção seca chamada Terra era cercada por
um ajuntamento de águas num só lugar, que o texto sagrado chama de Mares. Essa porção seca é que viria a ser o
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O habitat humano
habitat do homem após a Queda e que, posteriormente, foi
dividida em vários continentes.
Há um grupo de cristãos que não encontra dificuldade em crer que havia um único supercontinente no período
da criação, posteriormente dividido em vários continentes,
quando da grande catástrofe do Dilúvio. Esse teórico único
continente é chamado de Pangeia.
O termo “Pangeia” vem do ajuntamento de duas palavras gregas: pan (toda) e gaia (terra). Ou seja, a porção chamada Terra era uma única massa de terra, não submersa
pelas águas.
A teoria de Pangeia é defendida em alguns círculos
cristãos3 e mesmo em círculos científicos, ainda que com
pressuposições não cristãs.4
3 Essa posição é sustentada por cientistas cristãos que têm a tendência
de ver a Terra como mais jovem. Ver o artigo What about continental
drift, no site <http://creation.com/images/pdfs/cabook/chapter11.pdf>.
Nesse artigo, o articulista, que é, na verdade, autor do livro onde o artigo no qual
se encontra, trabalha com a tese de que os continentes não são produto
do afastamento contínuo e paulatino uns dos outros, mas, sim, que
apareceram rapidamente, por causa do fenômeno cataclísmico do Dilúvio,
mediante a formação célere das placas tectônicas. Os defensores do modelo
evolucionista creem no modelo chamado uniformitário de afastamento
continental. “Existiu uma única massa de terra conhecida como Pangeia? É
possível. Mas se houve, o modelo uniformitário do afastamento continental
provê uma explicação inadequada para sua separação. Os eventos
catastróficos circundando o dilúvio global supre um modelo muito mais
factível para a separação da Pangeia” (Kyle Butt, Pangea and the Flood,
data?
artigo encontrado no site http://www.apologeticspress.org/articles/2808).
4 “‘Supercontinente’ é um termo usado para uma enorme massa de terra
pela convergência de múltiplos continentes. O supercontinente mais
frequentemente referenciado é conhecido como ‘Pangaea’ (também
‘Pangeia’), que existiu aproximadamente 225 milhões de anos atrás. É crido
que todos os principais continentes àquela altura foram reunidos num
supercontinente Pangeia” (Pangaea-Supercontinent, artigo encontrado no
data?
site <http://geology.com/articles/supercontinent.shtml>).
a nota no texto está no lugar errado. Deveria estar depois da palabra supercontinente.
Nesse caso, deveria ser 3 a a 3 deveria ser 4.
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A formação do habitat do homem
Um articulista despretensioso faz uma pergunta e dá
uma resposta a que muitos deveriam dar ouvidos:
qual
Você se lembra de Pangeia, o continente original descrito pelos
geólogos como tendo existido centenas de milhões de anos
atrás? Moisés o descreve aqui nesses versículos de Gênesis,
milhares de anos antes de as placas tectônicas, muito menos
a Pangeia, se tornarem teorias científicas aceitas.5
Portanto, podemos dizer com convicção que o jardim
(paraíso) estava localizado em um supercontinente, que foi
que
chamado de Éden, e era a porção seca originalmente feita
por Deus.
3. A COLOCAÇÃO DO HOMEM NO JARDIM
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção
do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado
(Gn 2.8; cf. Gn 2.15).
É praticamente certo que Deus tenha feito o homem
fora do jardim. Adão foi feito do pó da terra, mas não do pó
do jardim. Não sabemos quanto tempo ele viveu no lugar
onde foi formado, mas certamente por algum tempo, para
que pudesse contemplar e vir a comparar a superioridade
do jardim em relação às outras partes do Éden. Somente
mais tarde Deus o colocou no seu lugar preferido e o mais
elevado em beleza –– o jardim. Deus o colocou ali para que
o homem tomasse posse daquela área especial que havia
5 Rick Beckman. Genesis 1:9 – 10: Pangaea!, artigo encontrado no site
http://rickbeckman.org/genesis-19%E2%80%9310-pangaea/.
data?
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O habitat humano
feito para o deleite de suas criaturas, em razão de sua bondade para com elas.
repetir o hífen
Deus não somente foi o criador do homem e o plantador do jardim no Éden, mas também o doador das bemaventuranças paradisíacas do jardim. Ele teve o propósito
de fazer sua criatura feliz na terra de encantamento para
seu corpo e seu espírito. Espiritualmente, o homem poderia se deliciar na beleza do jardim, e fisicamente, desfrutar
das suas provisões.
As Escrituras nos revelam que a terra foi designada
por Deus para ser o lar do homem desde sua criação.
A terra é um lugar perfeitamente adaptado para a vida
humana. O jardim era o cerne deste planeta azul, onde o
ser humano deveria desfrutar de toda a beleza. A terra é
o lar definitivo do homem. Nunca houve ameaça da parte
s
de Deus de que, se o homem pecasse, seria retirado deste
lugar e colocado em outro habitat. Quando o homem pecou, Deus o amaldiçoou, tanto quanto o seu habitat, mas
o deixou em seu lugar próprio. Seria uma infelicidade extrema para o homem estar fora do seu habitat.
Muitos cristãos, especialmente os que sofrem neste mundo, querem deixar este mundo e ir para o céu,
que é o lugar para onde vão os remidos quando morrem. No entanto, o céu não é o lugar definitivo do homem, mas a terra. O céu é apenas um lugar provisótodo plano redentor se complete.
rio, até que todas as coisas redentoras se completem.
O homem remido vai para o céu porque o seu habitat
aqui não combina mais com a sua natureza santificada. Todavia, quando a redenção se completar, Deus vai
fazer o remido voltar para o seu lar original, que será
a terra completamente renovada, adaptada à santidade
do homem. O lar definitivo dos remidos não é o céu,
mas o jardim, que será restaurado.
O jardim de Deus foi estabelecido para sempre
para que os homens desfrutem dele. “E construiu o seu
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A formação do habitat do homem
santuário durável como os céus e firme como a terra que
fundou para sempre” (Sl 78.69).
Esta terra nunca será destruída [ou aniquilada] porque ela é o habitat perene dos filhos de Deus. No final do
presente estado da história humana, Deus ateará fogo na
terra, não, todavia, para destruí-la, mas para purificála, renová-la, a fim de que o homem possa viver nela da
forma como ele vivia no tempo da sua criação. No decreto
de Deus está claramente inclusa a ideia de a terra ser o
lugar definitivo da habitação dos homens, porque a terra
é o lugar original da habitação deles. Nunca a terra será
um lugar vazio [isto é, um ‘caos’], mas será para sempre o
lar dos seres humanos. Não é sem razão que o profeta diz:
“Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus
que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a
criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o
Senhor, e não há outro” (Is 45.18).
A verdade de Deus é que “os céus são os céus do
Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens”
(Sl 115.16). Sua promessa é que, quando a terra houver
sido restaurada, haverá plena comunhão do homem com
seu Criador, como desde o começo do mundo. Então, “a
terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as
águas cobrem o mar” (Is 11.9). Nesse tempo, o Senhor dos
Exércitos “tragará a morte para sempre, e, assim, enxugará o Senhor Deus as lágrimas de todos os rostos, e tirará
de toda a terra o opróbrio do seu povo, porque o Senhor o
falou” (Is 25.8).
É falsa a noção de que Deus vai abandonar a terra
e destruí-la. Não há fundamento escriturístico para essa
ideia. O Senhor Deus fez o jardim para ali o homem habitar para sempre. Deus castigou o homem por causa do
definitivamente
pecado, mas não o arrancou do seu habitat para sempre. Quando Deus o tirou do seu habitat foi para que ele
desfrutasse de um lugar adaptado à sua nova condição,
até que sua restauração viesse a se completar. Então, ele
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O habitat humano
voltará novamente ao seu habitat original. A terra é o lar
do homem por toda a eternidade. O jardim será recolocado aqui na recriação de todas as coisas, e os remidos
viverão ali para sempre!
4. O TAMANHO DO JARDIM DO ÉDEN
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção
do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado
(Gn 2.8; cf. 2.15).
Ao falarmos do jardim plantado no Éden, não é para
se ter em mente o tamanho de nossos jardins caseiros ou
mesmo os grandes jardins de palácios ou jardins públicos
que uma cidade possua. O jardim situado no Éden era realmente imenso!
Se atentarmos para o que Deus criou, veremos que
foi criada uma grande porção seca, que as Escrituras
chamam de Terra (Gn 1.9). Procuremos descrever tal
imagem em círculos concêntricos. No centro, no círculo
menor, estava o jardim, localizado no Éden; no círculo
em torno deste estava o restante do Éden, e no círculo
mais amplo, em volta deste segundo, o que as Escrituras
chamam de mundo e que se refere aos “confins da terra”
ou “quatro cantos da terra”. Os quatro rios que procedem do rio nascido no coração do jardim regam o Éden
e os confins da terra.
No círculo menor estava localizado o lar do homem.
Lar é o lugar onde os homens repousam e dormem. Para
ali Adão e Eva voltavam depois do trabalho pesado de cultivar o jardim e guardá-lo.
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A formação do habitat do homem
No círculo seguinte em torno estava o lugar onde os
nossos primeiros pais trabalhavam. Ele ia além das fronteiras do seu lar. Ali Adão e Eva observavam os animais
selváticos, já que os domésticos eles os tinham junto de
sua residência.
No círculo ainda mais amplo estavam as regiões inexploradas por Adão e Eva e que vieram a ser exploradas
posteriormente pelos descendentes deles, já no estado de
queda, de que era parte o Éden, formando a porção seca
chamada Terra. O texto das Escrituras menciona essas
terras como sendo terra de Havilá, Cuxe e assim por diante. Essas foram as terras dos labores de Caim, de Abel e
de Sete e seus descendentes. Os filhos de Adão provavelmente nasceram no que eu chamo de segundo círculo concêntrico, e seus descendentes se mudaram para o terceiro
círculo concêntrico, para ali procurarem desenvolver os
desígnios culturais estabelecidos por Deus. Ali se multiplicaram e começaram a habitar as mais variadas regiões
contidas nos quatro cantos da terra, ou confins da terra,
até o dia de hoje, conforme o mandamento divino de crescer e multiplicar.
Do jardim fluía um rio enorme, que se dividia em
quatro grandes braços, os quais regavam o restante do
Éden e os confins da terra. Quando falamos desses rios,
não podemos também pensar em córregos ou rios pequenos. Eram cursos d’água amplos e longos, não simples
riachos que regassem a terra por alguns quilômetros.
Proporcionavam eles toda a irrigação da terra que Deus
havia criado. Todo suprimento aquoso para a subsistência das plantas, dos animais e dos homens vinha desses
rios. São mencionados no texto a seguir, e sua localização
será analisada posteriormente.
E saía um rio do Éden para regar o jardim e dali se
dividia, repartindo-se em quatro braços. O primeiro
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O habitat humano
chama-se Pisom; é o que rodeia a terra de Havilá, onde
há ouro [...] O segundo rio chama-se Giom; é o que
circunda a terra de Cuxe. O nome do terceiro rio é Tigre;
é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o
Eufrates (Gn 2.10,11,13,14).
5. A REALIDADE DO JARDIM DO ÉDEN
O jardim de Deus não era uma ilha deserta, não era
uma localidade fictícia; não era um Shangrilá nem uma
terra de Nárnia, criações da imaginação de autores humanos. O jardim de Deus não deve ser crido como alguma coisa mítica. Cada parte da descrição do jardim nos
inclina a entender que o jardim realmente existiu e que
não é fruto de uma fantasia utópica da imaginação humana. Ele possuía uma localização geográfica, ainda que
após o evento cataclísmico do Dilúvio não possamos saprecisamente
ber com precisão onde era a sua localização. No entanto,
sabemos, não somente pela fé, mas também por evidências geológicas, que houve realmente um jardim edênico
onde Deus colocou o homem.
Na mente de Moisés, o autor de Gênesis, o jardim de
Deus era uma realidade clara, um lugar único que foi perdido e que um dia será reconquistado, no tempo do completamento da redenção humana.
Deus criou todo o Universo pelo poder de sua palavra, mas tomou cuidados específicos e especiais quando
lidou com o habitat do homem. Ele mesmo plantou um
jardim inigualável para ali colocar a coroa da sua criação. Tomou várias providências como rios, árvores frutíferas, animais, aves e répteis, para uso e desfrute do
homem. Nada faltava naquele jardim. Deus teve prazer
na sua criatura mais importante e, mesmo depois da
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A formação do habitat do homem
Queda e manifestação de sua consequente ira, Deus se
volta de sua ira e promete a reconquista do paraíso, no
estabelecimento de nova terra por meio de Cristo Jesus,
o segundo Adão.
A criação do jardim foi expressão da bondade de
Deus para com a sua criatura, e a reconquista do paraíso será expressão do amor perdoador de Deus para
com sua criatura redimida. O custo da reconquista do
paraíso não pode ser comparado ao custo da criação do
paraíso original, porque a reconquista foi feita a preço
de sangue.
Todo cristão deve crer obrigatoriamente nas verdades descritas anteriormente, porque Jesus Cristo aceitou as narrativas literais dos dois primeiros capítulos de
Gênesis. Para ele, o jardim no Éden não é uma lenda, um
mito ou uma saga. Veja o que diz Jesus Cristo:
Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam,
perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher
por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes
lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e
mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai
e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma
só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma
só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o
homem (Mt 19.3-6).
Jesus citou Gênesis 1.27 e 2.24. Se Jesus Cristo
é digno de confiança (e ele o é!), então temos de aceitar
seu testemunho de um lugar que realmente existiu no
início da história humana: o jardim no Éden. Jesus não
considerava a narrativa de Gênesis uma irrealidade! Ele
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O habitat humano
considerou o paraíso como um lugar vero e que, no tempo
determinado, será restaurado à sua condição primeira!
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