DECLARAÇÃO DO PRESIDENTE AURÉLIO MARTINS À
COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL DO MLSTP/PSD
Riboque, 05 de Abril de 2012
Meus Ilustres Camaradas,
Quero, ao iniciar esta breve declaração, saudar todos os membros da Comissão
Política Nacional e demais dirigentes, militantes, simpatizantes e amigos do nosso
glorioso Partido.
Saúdo e agradeço, em particular, à todos aqueles que se manifestaram solidários com
o meu estado de saúde muito recentemente.
Estive ausente do País, por algumas semanas, para tratar de questões de interesse
especial do MLSTP/PSD, face aos nossos compromissos com os militantes e os
desafios que marcarão a nossa agenda política no decurso do corrente ano.
Como é normal e estatutário, a Direcção e os órgãos nacionais do Partido, funcionam
na ausência do Presidente. Durante esta ausência, mantive contactos diários e
regulares com a maioria dos membros da actual Direcção e vários dirigentes
intermédios.
Foi com surpresa que assisti, pela televisão, a aquela infeliz encenação que ocorreu
aqui, na semana passada, para a entrega de um abaixo-assinado ao Vice-Presidente,
camarada Jorge Bom Jesus, tentando passar a opinião pública nacional e
internacional a falsa impressão de que esta Direcção não está aberta a realização de
um congresso extraordinário. Tal encenação e os métodos escolhidos para a recolha
de assinaturas, com mentiras e difamações junto a militância, não dignifica a estatura
política dos seus promotores nem mesmo contribui para a unidade e coesão interna,
um desejo que infelizmente tem sido uma figura de retórica para muitos daqueles que
se apelidam como sendo generais do Partido.
Camaradas,
A actual Direcção, eleita orgulhosamente e com toda a transparência e
democraticidade, no último congresso de 15 de Janeiro de 2011, sempre pautou a sua
acção pelo diálogo, excessiva tolerância, mesmo quando muitos dos camaradas
violaram os Estatutos, a disciplina partidária e até mesmo a boa convivência
democrática, na qual o respeito pelas decisões da maioria deve ser observado por
todos.
Não é verdade a ideia, segundo a qual, a crise que se vive no MLSTP/PSD é da
responsabilidade da actual Direcção. Antes pelo contrário. Ela tem raízes mais
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profundas e até históricas. E o livro de memórias do camarada Carlos Graça, a quem
saúdo efusivamente pela sua coragem e honestidade, é uma prova evidente para
todos.
O MLSTP/PSD perdeu as eleições legislativas de 2006, com o camarada Guilherme
Pósser da Costa, e não concorreu nas autárquicas do mesmo ano. Em 2010, com o
camarada Rafael Branco, também perdemos as eleições, mesmo estando na
governação. Todos nós conhecemos as causas dessas derrotas. E todos nós,
estamos de acordo, que uma delas tem a ver com a problemática da UNIDADE interna
e da falta de RENOVAÇÃO.
Camaradas,
Mesmo depois da deliberação tomada, por voto secreto, no Conselho Nacional de
Outubro do ano transacto, esta Direcção sempre equacionou na sua estratégia, como
uma das variantes possíveis, a convocação de um congresso extraordinário.
Mas não é um congresso, única e exclusivamente, para legitimar uma Direcção. O
MLSTP/PSD, pelas suas responsabilidades com o presente e o futuro da Nação, e no
ano em que vai celebrar os 40 anos da sua fundação, precisa de olhar para o seu
interior, apropriar-se dos verdadeiros desafios que dizem respeito ao bem de TODOS
e fixar uma nova visão programática de modo a atender as aspirações da nossa
população e credibilizar-se, cada vez mais, no plano interno e externo.
Após várias consultas junto aos dirigentes e militantes, e na esteira da auscultação
que a Direcção efectuou, nos últimos dias, a três “grupos de reflexão” coordenados,
respectivamente, pelos camaradas Alcino Batista de Sousa, José Maria Barros e Elsa
Teixeira Pinto, gostaria de vos anunciar aqui que conseguimos forjar um amplo
entendimento sobre a necessidade do congresso extraordinário realizar-se, dentro de
um prazo razoável e tendo em conta os procedimentos estatutários e de ordem
logística, ou seja, ainda neste semestre.
Também, concluímos, que no espírito de UNIDADE e COESÃO INTERNA tão
indispensáveis, seria de todo importantíssimo que pudéssemos trabalhar juntos
visando a obtenção de um consenso em torno de uma candidatura congregadora e
inclusiva para que, no final do Congresso, estejamos de facto “JUNTOS NA
DIVERSIDADE, PARA FAZER AVANÇAR SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE”.
Consciente das minhas responsabilidades e porque coloco o MLSTP/PSD e o PAÍS
acima de outras ambições, quero vos anunciar que não pretendo recandidatar no
próximo Congresso. Disponibilizo-me, apenas e unicamente, a dialogar com todos e
de espírito aberto, sem ressentimentos, para que possamos encontrar uma liderança
inclusiva, politicamente activa e que possa construir uma SÓLIDA E VERDADEIRA
ALTERNÂNCIA DEMOCRÁTICA perante o olhar atento e avaliativo do nosso Povo.
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Precisamos dialogar e buscar entendimentos, colocando sempre, acima de tudo, os
superiores interesses do MLSTP/PSD, no respeito pelos Estatutos e os órgãos
nacionais legítimos, sem recorrer a intrigas, panfletos e outros métodos antidemocráticos.
Precisamos de um CÓDIGO DE ÉTICA E DE CONDUTA, para os dirigentes e
militantes, para desencorajar práticas daqueles que simplesmente agem na base dos
seus interesses pessoais.
Camaradas,
Quero submeter a discussão e aprovação desta Comissão Política Nacional a
proposta de convocação de um Conselho Nacional para o próximo dia, 14 de Abril.
Antes deste Conselho Nacional, a Comissão Política Nacional deverá reunir-se para
aprovar a respectiva Agenda, nomeadamente a data, os termos de referência do
Congresso, as comissões de trabalho, bem como os seus integrantes.
A Direcção e o Secretariado Nacional vão trabalhar desde já, auscultando novamente
os “grupos de reflexão”, para que propostas concretas sejam apresentadas e
aprovadas, numa Comissão Política Nacional que projectamos para quarta-feira, dia
12 de Abril corrente, sempre na perspectiva de uma candidatura única.
Quero, ao terminar esta curta declaração, transcrever uma passagem de um discurso
do Camarada Presidente, Dr.Manuel Pinto da Costa, líder-fundador deste Partido,
proferido aqui nesta sala em 13 de Setembro de 2003.
Passo a citar: É TEMPO DE ABANDONARMOS QUERELAS ESTÉREIS E
REFLECTIRMOS EM CONJUNTO SOBRE O CONTRIBUTO QUE CADA UM DE NÓS
PODE E DEVE DAR A INSTAURAÇÃO DE UMA SOCIEDADE DESENVOLVIDA,
MAIS FRATERNA E MAIS SOLIDÁRIA.
SE NADA FIZERMOS, A DEMOCRACIA E A POBREZA FARÃO SURGIR UMA
DITADURA … E MAIS POBREZA”. Fim de citação.
MUITO OBRIGADO PELA VOSSA ATENÇÃO!
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