OS MAIORES CACHOEIRENSES 46 / CACHOEIRA DO SUL 2005 João Neves da Fontoura é o mais celebrado cidadão de Cachoeira do Sul Os gigantes da cidade ministro das Relações Exteriores do Governo Getúlio Vargas, cachoeirense João Neves da Fontoura, é o cidadão mais celebrado na história de Cachoeira do Sul. Escritor, advogado e político, João Neves foi uma das personalidades mais influentes nos destinos do Rio Grande do Sul e do país na primeira metade do século 20. Trata-se do maior cachoeirense da história, define o médico e cronista Carlos Eduardo Florence. João Neves foi prefeito de Cachoeira do Sul e o grande líder republicano de sua época. Participou da Aliança Liberal e da Revolução de 1930 que colocou Getúlio Vargas no poder. Ministro das Relações Exteriores e embaixador do Brasil em Portugal e França, ocupou também uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, por ser escritor e editorialista de O Globo. Foi vice-governador do Rio Grande do Sul, mas antes disso tornou Cachoeira um exemplo de urbanismo nos anos 20 e 30, calçando ruas e implantando serviços de água e esgoto. O reconhecimento de sua cidade veio através da denominação patronímica da avenida que dá acesso à cidade. O Estado prestou sua homenagem, eternizando João Neves como nome de uma das maiores escolas de Cachoeira. O JOÃO Neves da Fontoura (d) com o primeiro-ministro britânico, durante recepção em Londres, em 1946 LIBERATO SALZANO VIEIRA DA CUNHA 2 Prefeito municipal, chegou a deputado estadual e secretário de Educação do Estado. Era diretor do Jornal do Povo quando faleceu prematuramente. Teve intensa participação nas atividades católicas do município, como a Ação Católica. Na Prefeitura, abriu a Avenida Brasil até a Quinta da Boa Vista e conseguiu a obra da Ponte do Fandango para Cachoeira. Inauguração do Cine Ópera Astral. No ano seguinte, entra em funcionamento a Empresa Nossa Senhora das Graças para serviço de transporte coletivo urbano. Em 1955, começa a funcionar a Estação Rodoviária, na Rua Otto Mernak, ao lado da Ferroviária, onde hoje é a Praça Honorato. Em 1976, a Rodoviária transfere-se para o Bairro Gonçalves. A vez do ensino superior Fundação da Associação Cachoeirense Pró-ensino Superior, transformada posteriormente em Fundação Educacional do Vale do Jacuí. As primeiras aulas do ensino superior serão ministradas em 1965. LINHA DO TEMPO Cinema e transporte LINHA DO TEMPO LINHA DO TEMPO 1953 1958 1959 O castelo das águas Nos 100 anos de Cachoeira cidade, inaugurase o Château dEau. Emancipam-se Agudo, Restinga Seca e Faxinal do Soturno, levando junto as localidades de São João do Polêsine, Vale Vêneto e Dona Francisca. CACHOEIRA DO SUL 2005 / 47 ERNESTO MÜLLER Fundador e presidente durante 22 anos da Sociedade Rio Branco nos piores anos de beligerância contra os descendentes de alemães em Cachoeira, 1914 a 1918, por ocasião da Primeira Guerra Mundial. Foi também provedor do HCB, de 1926 a 1933, além de grande benemérito da instituição. Comerciante, foi cônsul da Áustria em Cachoeira, sempre presente nos projetos comunitários. Era tcheco e ajudou a fundar o Colégio Barão do Rio Branco. Foi conselheiro (vereador), mas nunca quis assumir a Intendência (Prefeitura). Nas piores crises do HCB, chegava a investir recursos próprios para impedir o fechamento. EDWINO SCHNEIDER Grande industrial do arroz, chegou a provedor do HCB de 1937 a 1942, quando foi construído o atual prédio do hospital (parte antiga). Foi o grande construtor da Casa da Criança (Armando Fagundes), que abrigava as crianças abandonadas da cidade. Foi presidente e benemérito do Clube Comercial e um dos criadores da Escola do Senai. Trabalhou também pelo Asilo da Velhice. Nas maiores iniciativas sempre era encontrado como um dos esteios, resume o historiador João Carlos Mór. PAULO SALZANO VIEIRA DA CUNHA n Jornalista e ativista comunitário, fez parte de dezenas de diretorias de várias entidades sociais e beneméritas da cidade. Mas foi no papel de Chefe Paulo, por 52 anos diretor e editor do Jornal do Povo, que entrou para a história, guindando o JP de uma folha municipal a um dos maiores diários do interior do sul do Brasil. SILVIO SCOPEL n Médico, professor de medicina na Faculdade de Pádua, na Itália, e grande pesquisador. Foi um dos maiores batalhadores pela existência do HCB. TAUFIK GERMANO n Patriarca da família Germano, de onde vieram os filhos Octávio (vice-governador do Estado, deputado federal e deputado estadual), Pedro (deputado federal e prefeito) e Geraldo (deputado estadual) e os netos Pipa (prefeito) e José Otávio Germano (deputado estadual). VIRGÍLIO DE ABREU n Fundou o Jornal do Povo em 1929, ao lado de Mário Godoy Ilha. Foi um dos grandes incentivadores de todas as campanhas comunitárias enquanto esteve vivo. Ligação com o mundo Ministro João Leitão de Abreu e o presidente Emílio Garrastazu Médici inauguram a BR 153, trecho entre Cachoeira e a BR 290. O trecho entre Cabrais e Cachoeira seria entregue somente em 1983. Era inaugurado também o Ginásio de Esportes Dom Pedro I, por ocasião da abertura da III Fenarroz pelo presidente. LINHA DO TEMPO LINHA DO TEMPO 1972 1973 Pela estrada de ferro Ministro Mário Andreazza inaugura a nova Estação Ferroviária. Junto entra em funcionamento mais duas rotas, Pertille/Botucaraí e Ramirez Galvão/Pertille. A antiga estação, no centro da cidade, é demolida para dar lugar à Praça Honorato Santos, que seria inaugurada ainda em 1980. 48 / CACHOEIRA DO SUL 2005 ATÍLIO HUMBERTO GUIDUGLI n Tipógrafo, esportista, jornalista e criador de uma revista na cidade. AURÉLIO PORTO n Historiador, jornalista e escritor, elaborou a obra definitiva sobre Cachoeira do Sul. Foi diretor do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e diretor dos anais do Ministério das Relações Exteriores. Tem obras importantes sobre os alemães. BALTHAZAR DE BEM n Prefeito municipal, foi industrialista, proprietário do estabelecimento Paredão. Chegou a deputado estadual. CÂNDIDA FORTES BRANDÃO n Professora de grande renome na rede pública, que encarou a profissão como um sacerdócio. ELUÍZA DE BEM VIDAL n Professora e artista plástica, é exemplo de superação do ser humano, na opinião do advogado Nilo Savi. ERNESTO BARROS n Idealizador do HCB, foi presidente de sua comissão de obras, trabalhando como provedor de 1918 a 1923. Teve intensa participação comunitária. HONORATO DE SOUZA SANTOS n Médico de enorme carisma na cidade, atendia todas as camadas da população. Foi prefeito municipal e responsável pelo início da urbanização do município na virada dos anos 70. HONÓRIO LEMES n Nasceu em Cachoeira. Foi embora com nove anos. Sua atuação, portanto, não foi na cidade. É considerado um gênio em estratégia militar por seus biógrafos, participante das revoluções de 1923 e 1924. REINALDO ROESCH Barão do arroz, foi prefeito municipal e homem-símbolo dos engenhos que transformaram a cidade na virada do século em um pólo industrial. Chegou a deputado estadual, sendo constituinte de 1947. Atuou em diversas entidades de classe, sempre colaborando com causas comunitárias. OCTÁVIO GERMANO É o Isidoro Neves da Fontoura da segunda metade do século, diz Ione Carlos, uma das maiores pesquisadoras da história do município. Chefe político da mais influente família de Cachoeira nas últimas décadas, foi deputado estadual, deputado federal, presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul e vice-governador do Estado. Foi também secretário de Obras do Estado, secretário de Justiça do Estado, presidente da Caixa Econômica Estadual e colaborador com HCB, Sociedade Rio Branco e Asilo Nossa Senhora Medianeira. TC BURMEISTER Empresário e liderança comunitária. Fundou o Aeroclube, trabalhou no HCB como tesoureiro (39 a 41) e provedor (65 a 81) do HCB, fundando também o Rotary Club Cachoeira do Sul. Foi governador do Rotary e atuou na Defesa Civil por vários anos, até mesmo apagando incêndio como bombeiro. Presidiu a comissão de obras do Clube Comercial e soma uma expressiva participação em inúmeras atividades comunitárias. Insubstituível, diz João Carlos Mór. ISIDORO NEVES DA FONTOURA n Ele foi pai e professor de política e administração municipal de João Neves da Fontoura, explica Fritz Strohschoen. JOÃO MÖLLER n Jornalista, fundador do jornal O Comércio, foi grande ativista comunitário. JOSÉ BONIFÁCIO GOMES n Exemplo de vida do homem do campo, lembra Nilo Savi. JOSÉ NICOLAU BARBOSA n Vereador e criador do Hospital da Liga Operária. JUVÊNCIO SOARES n Comerciante estabelecido na Rua Júlio de Castilhos e grande ativista comunitário. LUCÍLIA MINSSEN n Professora e bibliotecária, foi a primeira diretora mulher da Biblioteca Pública do Estado. É a denominação patronímica das bibliotecas da escola João Neves, em Cachoeira, e da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. JOSÉ OTÁVIO GERMANO n Vereador, deputado estadual por duas vezes e presidente da Assembléia Legislativa. Foi secretário dos Transportes do Estado, diretor da Eletrosul e ministro substituto do Esporte. Atualmente é deputado federal e secretário estadual de Segurança. Recebeu cidadania honorária em mais de 200 municípios. Saúde e emancipação Emancipam-se Paraíso do Sul, levando junto o distrito de Rincão da Porta, e Cerro Branco. No ano seguinte, Cachoeira municipaliza a saúde pública. Ao mesmo tempo, o governador Pedro Simon instala o Governo do Estado em Cachoeira, liberando 2,5 milhões de dólares para a construção do cais do porto. LINHA DO TEMPO LINHA DO TEMPO 1988 1995 Ascensão de José Otávio José Otávio Germano, deputado estadual cachoeirense, assume por dois anos a presidência da Assembléia Legislativa. No ano seguinte, atuaria como secretário dos Transportes do Estado. Por seu intermédio, várias obras chegam a Cachoeira: a nova Central de Operações da Polícia Civil, o asfalto da Estrada de Ferreira e do acesso ao Aeroclube, o asfalto da Estrada de Três Vendas e a duplicação da Avenida Marcelo Gama. Será eleito deputado federal em 2002, tornando-se secretário estadual de Segurança. Emancipam-se os distritos de Cortado e Rincão dos Cabrais no novo município de Novo Cabrais. BORGES DE MEDEIROS Natural de Caçapava do Sul, fez sua vida profissional em Cachoeira como advogado, fazendo da cidade seu domicílio eleitoral e político. Várias vezes governador do Estado, encaminhou muitos benefícios para Cachoeira. Sua referência no município é a Fazenda do Irapuazinho. Foi delegado de polícia em Cachoeira em 1889, passando, seis anos depois, a chefe de polícia do Rio Grande do Sul. Presidiu o Estado de 1898 a 1928, em três mandatos. JOÃO LEITÃO DE ABREU Advogado e jurista renomado, foi chefe da Casa Civil do presidente Emílio Garrastazu Médici e uma das eminências intelectuais do governo de exceção dos anos 70. Foi o grande responsável pela transição democrática em 1984, ao negociar a posse de José Sarney depois do falecimento de Tancredo Neves. OTTO MERNAK Fundador da Mernak, impulsionou a industrialização local, e a sua firma por várias décadas foi o sustentáculo da economia de Cachoeira, como maior geradora de empregos. Contribuiu financeiramente com inúmeras instituições da cidade. Foi presidente da Sociedade Rio Branco e participou e colaborou com inúmeras instituições comunitárias. MONSENHOR ARMANDO Padre de grandes méritos, lembra o advogado Armando Fagundes, com grande expressão na comunidade católica. Por longos anos vigário da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, foi um sacerdote dotado das melhores virtudes e respeitado na comunidade, completa João Carlos Mór. O bispinho, como era mais conhecido, foi ordenado em Cachoeira do Sul em 4 de março de 1932. CACHOEIRA DO SUL 2005 / 49 ORLANDO DA CUNHA CARLOS n Maior jurista cachoeirense com militância na cidade por vários anos, foi fundador da subseção da OAB em Cachoeira e secretário de Agricultura do Estado. Presidiu o BRDE, quando atendeu pedidos de empréstimos de várias indústrias locais, e foi consultor do Banco do Brasil, um dos responsáveis pela legislação da antiga carteira agrícola do BB. MARISA SARI n Herdeira de uma estirpe de educadoras cachoeirenses, é a maior autoridade no estado em administração de rede pública em municípios, tanto que durante muitos anos exerce esta função na Famurs. RAMIRO BARCELLOS n Líder político, deputado estadual e antagonista de Borges de Medeiros. Sob o pseudônimo de Amaro Juvenal, escreveu um clássico da literatura brasileira, Antônio Chimango, uma voraz crítica a Borges. DINAH NÉRI PEREIRA n Professora de música, estudou no Rio de Janeiro com Villa Lobos, de quem recebeu louvor. Professora de canto coral em Cachoeira e em Porto Alegre, foi renomada regente. ALZIRA CARLOS n Educadora e uma grande conselheira de famílias em questões educacionais. AMÁLIA GEISEL n Gênio na matemática, educadora de muitas gerações em Cachoeira do Sul. ANGELINA VIEIRA DA CUNHA n Integrante da primeira turma de alunas mestras da Princesa do Jacuí. Dedicou-se ao magistério por mais de 30 anos, alfabetizando crianças e adultos, sem jamais requerer licençasprêmio ou cumprir totalmente as licenças-gestante. ARNOLDO TISCHLER n Comerciante, fundador da Rede Tischler de Supermercados, um dos maiores empregadores privados da região.