IMPRESSO ESPECIAL CONTRATO Nº 0701/02 ECT/DR/RN ABEn - Assoc. Bras. de Enf. 2 Ajustando Contas / Pavilhão 3 Ag e n d a de Trabalho ABEn Ações Político-Administrativas 4 Informes 5 e 6 Relatório da 66ªSBEN 7 e 8 9 Conjuntura Atual 9º SENADEn - Carta de Natal 10 a 12 13 Oficina ABEn / INEP Regulação Profissional 14 a 19 20 Memória ABEn ISSN 1518-0948 ACF B. GONÇALVES Georges La Tour (detalhe) Desafios atuais da organização na enfermagem Durante o ano de 2005, a CENRE traçou uma proposta metodológica para trabalhar junto aos associados da ABEn a construção coletiva do processo Repensar a ABEn. Atendendo a um imperativo ético-político, técnico-administrativo, histórico-social e jurídico do tempo atual que impõe um processo de no modelo predador de desenvolvimento identificado como neoliberal que perpassa as instituições do campo do Estado, Mercado e da Sociedade Civil. A ABEn tem compromisso com movimentos contra hegemônicos que projetem e articulem outra possibilidade histórica de desenvolvimento para a humanidade, no contexto de um projeto civilizatório alicerçado em valores humanos de respeito à vida, de justiça, solidariedade e respeito a diferença, em torno de ideais e práticas de inclusão e emancipação social em busca de uma sociedade que promova igualdade com eqüidade nas suas relações civis, políticas e sociais. Para contribuir com esse processo no seu campo de atuação, aABEn está fazendo um esforço para identificar os desafios contemporâneos da organização em enfermagem no contexto das transformações das instituições/Estado e organizações sociais - partindo da reflexão sobre o papel que cabe a organização civil na relação com o Estado - na formulação e implementação de políticas públicas e na reconstrução do país. Para tanto, devemos analisar as organizações sociais e as mudanças em curso, procurando discernir entre mudanças do campo conservador e mudanças de rumos na história contemporânea que são de longo prazo, mas precisam ser trabalhadas com urgência com políticas inclusivas pelo desenvolvimento da educação, da cidadania e das lutas emancipatórias na sociedade brasileira de forma a superar progressivamente os desequilíbrios regionais. Assim sendo, tentando fazer a nossa parte resta indagar quais os caminhos que devemos construir para superar as dificuldades presentes em conjunto com outros coletivos da sociedade, a partir das seguintes questões: • Onde estamos e aonde queremos chegar? • Estamos vivendo um estado de esgotamento no atual modelo de organização da enfermagem? É preciso fazer rupturas? O que deve permanecer? E que mudanças precisam Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem Apenas sei de diversas harmonias possíveis sem juízo final Alguma coisa está fora da ordem Fora da nova ordem mundial... Caetano Veloso ser acordadas, articuladas e implantadas nesta organização e com quem? Qual a agenda estratégica para trabalhar a fragmentação do atual modelo de organização da enfermagem? • Qual o papel da ABEn, do movimento sindical e estudantil neste momento presente? E qual a relação com o Estado e com o controle social? Como ampliar a expressão política específica e do conjunto das entidades de enfermagem? • Qual o papel do Sistema COFEN/COREn enquanto órgão de fiscalização do exercício profissional e o que precisa mudar na autarquia? • Quais mudanças devem ser propostas e acordadas no âmbito da ABEn quanto ao modelo de organização, natureza, campo de representação, na gestão, agenda de atuação internacional? • Qual o plano para enfrentar a estagnação do quadro de associados, as dificuldades de natureza administrativa e a baixa capacidade de gestão e de auto-sustentação financeira e o crescente individualismo e competitividade que agrava a falta de participação nas entidades de natureza civil? • Como ampliar a visibilidade e a expressão política específica e do conjunto das entidades de enfermagem? • As entidades de enfermagem não têm destino, mas sim passado, presente e futuro. Neste sentido, o que propor hoje? O Congresso Brasileiro de Enfermagem (57º CBEn) instala a programação comemorativa dos 80 anos da ABEn. Esse evento configura-se, portanto, num espaço propício para avançar processos de reconstituição histórica e repactuação da agenda política com a intenção de viabilizar o presente e o futuro da ABEn, na perspectiva do cumprimento da missão da instituição, ou seja, promover o fortalecimento organizativo da enfermagem, visando uma ação proativa da Associação na articulação de cenários que favoreçam o desenvolvimento da enfermagem brasileira. Francisca Valda da Silva Presidenta da ABEn Nacional A j u s t a n d o c o n t a s Balanço patrimonial da ABEn 1°/01/2005 a 30/06/2005 Balanço não consolidado R$ 3.884.422,58 Ativo circulante R$ 251.011,34 Caixa Geral R$ Fundo fixo R$ 920,63 Banco / Movimento R$ 10.657,37 Banco / Poupança R$ 2.923,34 Banco Aplicação R$ 184.832,73 Depósitos Bloqueados R$ 225,00 Bloqueio Judicial R$ 7.419,59 Adiantamentos Concedidos R$ 25.573,98 Créditos diversos R$ 14.256,05 4.202,65 Computadores e Periféricos R$ 28.157,83 Dep. Comp. Periféricos R$ (333,55) Máquinas e Equipamentos R$ 48.642,06 Dep. Maq. Equipamentos R$ (2.667,59) Móveis e Utensílios R$ 44.640,29 Dep. Mov. Utensílios R$ (5.071,98) Edificações R$ 3.704.088,45 Dep. Edificações R$ (184.044,27) Ativo permanente R$ 3.633.411,24 PASSIVO R$ 3.884.422,58 Passivo circulante R$ 16.655,68 Cheque a Compensar R$ Encargos Sociais a Recolher R$ 189,42 Recursos de Conv. Aplicar R$ 15.209,21 1.257,05 Patrimônio Social R$ 103.216,40 Superavit Acumulado R$ 3.758.609,12 Superavit do Período R$ X P Presidenta: Francisca Valda da Silva Vice-presidenta: Ivete Santos Barreto Secretária Geral: Tereza Garcia Braga Primeira Secretária: Ana Lígia Cumming e Silva Primeira Tesoureira: Fidélia Vasconcelos de Lima Segunda Tesoureira: Jussara Gue Martini Diretor de Assuntos Profissionais: Francisco Rosemiro Guimarães Ximenes Neto Diretor de Publicações e Comunicação Social: Isabel i l ABEn - jul.ago.set. 2005 ã o Ana Paula Silva Natividade, Gisele Costa de Carvalho, Joelma Rodrigues Souza Gonçalves, Pacita Geovana Gama de Souza Aperibense, Renata Lucas Mercês Silva,Thaís Silva Corrêa Barbosa e Verônica Barbosa Mattos Bolsistas de IC/CNPq - Nuphebras Ieda de Alencar Barreira, Maria da Luz Barbosa Gomes e Suely de Souza Baptista Professoras orientadoras D I E Cristina Kowal Olm Cunha Diretora Científico e Cultural: Maria Emília de Oliveira Diretora de Educação: Carmen Elizabeth Kalinowski Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem: Alba Lúcia Botura Leite de Barros Membros do Conselho Fiscal: Marta de Fátima Lima, José Rocha e Nilton Vieira do Amaral ABEn - Jornal da Associação Brasileira de Enfermagem Brasília/DF Ano 47 N. 3 Conselho editorial: Diretoria Nacional da ABEn N T E SGAN Quadra 603 Avenida L2 Norte Conjunto B Asa Norte CEP 70.830-030 Brasília DF - Fone (61) 225.4473 - Fax 226.0653 E-mail [email protected] Site www.abennacional.org.br Coordenação editorial e gráfica: UNA (84) 9988-2812 - [email protected]/ [email protected] Jornalista responsável: Marize Castro Diagramação e arte-final: Alessandro Amaral A ABEn agradece a Alzirene Nunes de Carvalho e a Janete Lima de Castro pela assessoria na realização desta edição. 2 h Ao se estudar movimentos políticos organizados pelas entidades de classe, como foi o Ato Público de 21 de fevereiro de 2005, pela moralização do Sistema COFEn/ COREns, reconhecemos o quanto é árduo o caminho percorrido. O fato é que, a partir desta experiência concreta, tivemos a oportunidade de melhor perceber que os porta-vozes oficiais de nossa profissão trabalham com muito empenho pela melhor inserção da profissão de enfermagem na sociedade brasileira. Pela experiência vivenciada, constatamos que existe um enorme investimento financeiro e emocional e um grande esforço físico e psicológico para a realização de movimentos em prol de nossa categoria. Os antecedentes contextualizam esses eventos e nos permitem compreender sua história, assim como foi a Plenária e o Ato Público, realizados no dia 02 e 21 de fevereiro de 2005, respectivamente no Pavilhão de Aulas da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ e na Praça em frente à Igreja Candelária./RJ. O debate ocorrido na 321ª sessão do Seminário Permanente do Seminário Permanente do Núcleo de Pesquisa de História da Enfermagem Brasileira (Nuphebras), realizada no dia 28 de fevereiro de 2005, após apresentação do trabalho sobre o Ato Público, reuniu entre outros, representantes da ABEn Nacional, da ABEn-RJ e do SindEnfRJ, o que nos permitiu conhecer os seus pontos de vista acerca dos movimentos organizados e suas repercussões; participação estudantil e reivindicações da classe. Refletindo sobre o apoio e a participação dos estudantes, percebemos que as funções dos representantes da classe não são suficientemente compreendidas e valorizadas, principalmente, devido à falta de engajamento dos membros das diversas categorias da enfermagem nos movimentos políticos organizados por nossas entidades de classe. Agora sabemos que este tipo de envolvimento deve ser estimulado ainda durante a formação profissional, pois acreditamos que a reflexão-ação "precoce" dos estudantes de enfermagem é indispensável para o desenvolvimento das entidades de classe e, portanto, da profissão. Porém, não podemos esquecer que este processo é também de responsabilidade de todos, sejam eles estudantes, profissionais, entidades estudantis ou da classe da enfermagem. Concluímos que o envolvimento e participação de estudantes e profissionais em acontecimentos históricos, de todo significativos para a profissão, fortalecem a categoria e portanto, favorecem o crescimento profissional, a conquista de novos campos e a ampliação do espaço do enfermeiro na sociedade brasileira. 5.941,38 E v O olhar estudantil sobre o movimento pela moralização do Sistema COFEn/COREns R$ 3.867.766,90 Superavit Exercício Anterior Diretoria da ABEn a Divulgação ATIVO E P Esta edição foi financiada pelo Programa de Cooperação ABEn / DEGES-SGTES-MS. A g e n d a d e JULHO Reunião do Fórum de Escolas de Enfermagem na EEUFMG, no dia 1º, tendo como pauta a discussão sobre a integralidade na formulação e ação de políticas de saúde e educação; a implantação do SINAES/ INEPMEC e a agenda da diretoria de Educação da ABEn, com a participação de Roseni Pinheiro(UERJ), Francisco Lana (UFMG), membros da diretoria da ABEn MG e de Francisca Valda (ABEn Nacional). VI Congresso Brasileiro da Rede Unida realizado do dia 1º ao dia 5, em Belo Horizonte (MG), com a participação de FranciscaValda na Oficina da Rede de Observatórios de Recursos Humanos em Saúde, na reunião da CIRH/CNS e como coordenadora de mesaredonda sobre a regulação das profissões de saúde. Adiretoria de Educação daABEn Nacional participou da Reunião da Comissão de Educação Permanente, no dia 7, na sede do MS, em Brasília. Discutiram-se as principais atribuições da comissão – de acompanhamento e avaliação das políticas de educação permanente. O grupo considerou também que devido ao momento de transição do MS, ficaria no aguardo para novas iniciativas. Reunião da comissão organizadora do 9º SENADEn, no dia 7, em Natal (RN). Na pauta, a programação da solenidade de abertura e a organização da oficinaABEn/MEC-INEP. Reunião do FENTAS, no dia 12,preparatória das propostas do segmento dos trabalhadores para a reunião do CNS. Reunião da diretoria executiva com o contador da ABEn Nacional, no dia 12 de julho. Participaram Francisca Valda da Silva e Fidélia Vasconcelos de Lima. Reunião do CNS nos dias 13 e 14,com a participação de Francisca Valda da Silva na condição de conselheira suplente. 57ª Reunião Anual da SBPC em Fortaleza (CE), no dia 21. Participação de Francisca Valda como conferencista sobre o tema O enfermeiro, a Enfermagem e o Trabalho em Saúde. Reunião com as EEs do CE na sede da ABEn CE, no dia 21.Na pauta, a agenda política da diretoria de Educação da ABEn. Agenda diária de acompanhamento dos últimos preparativos do 9º SENADEn e, principalmente, da Oficina ABEn/MEC-INEP, do dia 26 ao dia 31. AGOSTO Oficina de Trabalho ABEn/MEC-INEP nos dias 1º e 2 em Natal (RN). Essa programação pré-SENADEn sobre Avaliação do Ensino Superior contou com a participação dos seguintes membros da diretoria: FranciscaValda da Silva, Carmem Kalinowisk, Isabel Cristina K. O. Cunha, Jussara Gue Martini e do Conselheiro Fiscal Rocha. 9º SENADEn realizado de 2 a 5, em Natal (RN), com a participação dos seguintes membros da diretoria: FranciscaValda da Silva, Carmem Kalinowisk, Isabel Cristina K. O. Cunha, Jussara Gue Martini, Ivete Santos T r a b a l Barreto, Ana Ligia Cumming e Silva e do Conselheiro Fiscal Rocha. Oficina do processo Repensar a ABEn nos dias 6 e 7, em Natal, como atividade pós 9º SENADEn. Reuniu membros do CONABEn, da CENRE e da diretoria da ABEn Nacional, entre eles: Francisca Valda da Silva, Carmem Kalinowisk, Isabel Cristina K. O. Cunha, Jussara Gue Martini, Ivete Santos Barreto, Ana Ligia Cumming e Silva e o Conselheiro Fiscal Rocha. Agenda administrativa da presidência e da diretoria executiva da ABEn Nacional nos dias 8 e 9, na sede da Associação, em Brasília (DF). Na pauta, despachos diversos com a secretaria, tesouraria, com o CEPEn, com o setor de informática e com as assessorias jurídica e contábil da ABEn. Participaram FranciscaValda da Silva, Tereza Garcia e Fidélia Vasconcelos de Lima. Reunião ordinária do CNS, nos dias 10 e 11, com a participação da representação daABEn no segmento dos trabalhadores, através de Francisca Valda da Silva na condição de conselheira. Reunião da Comissão Organizadora da 3ª CNGTES, no dia 12, com a participação de FranciscaValda da Silva. Reunião da CIRH no dia 15 para avaliação técnica, política e financeira das portarias de RH suspensas pelo ministro da saúde. Reunião promovida pela SGTES-DEGES, no dia 17, para apresentação da proposta do Pró Saúde para incentivo à mudança no ensino de graduação, com a par ticipação da ABEM, ABENO e ABEn. Representando a ABEn, esteve presente sua presidenta Francisca Valda da Silva. Reunião do GT para adequação do estatuto da ABEn ao novo código civil nos dias 19 a 21. na sede da ABEn, com a participação Francisca Valda da Silva, Jussara Gue Martini, Ivete Santos Barreto e Ana Ligia Cumming e Silva. Audiência Pública promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados, em Brasília, sobre o PL de regulamentação da jornada de 30 horas para os profissionais de enfermagem. Participaram FranciscaValda da Silva e Solange Belchior, na mesa como debatedoras. Reunião extraordinária do CNS no dia 25, em Brasília, para discussão e deliberação do orçamento da saúde para 2006. Contou com a participação de Francisca Valda da Silva. Oficina de Trabalho sobre Desprecarização do Trabalho na Saúde no dia 31, no CNS, com a participação de Francisca Valda da Silva. SETEMBRO Congresso Internacional de Bioética, em Foz do Iguaçu, de 31 de agosto a 3 de setembro. Contou com a representação da ABEn através de Francisca Valda da Silva. Reunião PALTEX,no dia 6, na cidade do Rio de Janeiro, na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. A diretora de Educação da ABEn Nacional, Carmen Kalinowsk, participou da reunião de grupo de trabalho sobre o PALTEX (Programa Ampliado de Livros, Textos h o A B E n e Materiais de Instrução). Além de Carmen, estavam presentes Silvina Malvarez (OPS-WDC); Liane van der Haagen da Silva (OPAS-Brasil , responsável pelo Paltex no Brasil); Alcira Castilho (ESP-Costa Rica); André Malhão, Isabel Brasil,Anamaria Corbo, Márcia valeria Morosini (da EPSJV); e Maria Helena Larcher Caliri (Centro de Colaboração - USP-Ribeirão Preto). Seminário promovido pela ABEnRN, no dia 9, no Departamento de Enfermagem da UFRN, sobre A Organização em Enfermagem e o imperativo das mudança. O evento teve como conferencista o professor Gelson e como debatedores Raimunda Medeiros Germano e FranciscaValda da Silva. Seminário do Pró Saúde, promovido pela SGTES, na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 12 e 13. Contou com a participação de FranciscaValda da Silva. Colóquio Latino Americano de História de Enfermagem. Contou com a participação da diretoria da ABEn Nacional através de Francisca Valda da Silva, na sessão solene de abertura, e de Isabel Cristina K. O. Cunha como conferencista. Reunião ordinária do CNS nos dias 14 e 15, com a participação da representação daABEn no segmento dos trabalhadores, através de Francisca Valda da Silva na condição de conselheira. Participação de Carmen Kalinowski na 14ª ENFSUL, em Florianópolis, no dia 20, integrando a mesa-redonda O processo de trabalho na Região Sul. Congresso Internacional de Informática na Saúde, de 20 a 23, em Salvador, com a participação de Isabel Cristina K. O. Cunha apresentando trabalho sobre a BVS- Enfermagem e participando de reunião desse projeto interinstitucional. Reunião da Comissão Organizadora da 3ª CNGTES, no dia 20, com a participação de FranciscaValda da Silva. Reunião 10º SENADEN realizada na sede da ABEn DF, no dia 21, com a presença de Carmen Kalinowski, Erlita Santos, Casandra Leon, Silvana Funghetto, Isabel Slva, Rinaldo Neves, Carmen Kell , Zulmira Costa. Na pauta, apresentação e expectativas, comentários gerais sobre a avaliação do 7º SENADEn (realizado pelo DF) e dos dois últimos. Congresso do IMIP, em Recife (PE), no dia 24, com a participação da ABEn através de Francisca Valda da Silva na mesa-redonda Ética na Enfermagem: conhecendo seus direitos e deveres, ao lado da professora da UFRN Raimunda Medeiros Germano. Participação da diretora de Educação da ABEn Nacional, Carmen Kalinowski, no dia 26, em Curitiba, da reunião preparatória do VII Congresso da Rede Unida, a se realizar em Curitiba, de 15 a 18 de julho de 2006. A ABEn Nacional e a Seção Paraná foram indicadas para comporem a comissão científica. Reunião da Comissão Organizadora do 58º CBEn, nos dias 27 e 28, em Salvador (BA). Contou com a participação de FranciscaValda da Silva. ABEn - jul.ago.set. 2005 3 A ç õ e s P o l í t i c o - a d m i n i s t r a t i v a s Nota de esclarecimento sobre o 4º concurso público para titulação de enfermeiros especialistas em saúde coletiva A diretoria da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) vem a público esclarecer que preocupada em preservar os direitos de seus associados, bem como a transparência, reconhecimento e idoneidade do Concurso Público para Titulação em Enfermeiros Especialistas em Saúde Coletiva, altera o cronograma de atividades do Edital 001, ABEn, 2005, através do Edital 002, ABEn, 2005, publicado na Se- Data 4 ABEn - jul.ago.set. 2005 ção 03 do Diário Oficial da União nº 173 de 8 de setembro de 2005 e no site da ABEn – www. abennacional. or g. br. Esclarece ainda que os associados já inscritos no concurso terão suas inscrições asseguradas. A diretoria da ABEn espera contar com a compreensão de todos os associados e pede desculpas pelos transtornos que possam ter sido causados. CRONOGRAMA DO CONCURSO Atividade Responsável até 08/ 09/ 2005 Publicação do Edital do Concurso no Diário Oficial da União – DOU Diretoria ABEn Nacional de 09/ 09 a 09/ 10/ 2005 Inscrições ABEn Nacional de 10/ 10 a 10/ 11/ 2005 Avaliação de documentos das inscrições Comissão Especial do Concurso 16/11/2005 Divulgação dos Inscritos Aptos a realizarem a prova escrita ABEn Nacional 09/12/2005 Prova Escrita ABEn Seções (DCC – DAP – DCEPEn) de 15/ 12/ 2005 a 15/ 01/2006 Correção da Prova Escrita e Prova de Titulos Banca Examinadora 20/01/2006 Divulgação dos Aprovados ABEn Nacional (DCC – DAP – DCEPEn) 20/02/2006 Outorga do Título de Enfermeiro Especialista em Saúde Coletiva aos aprovados no Concurso Diretoria Nacional da ABEn Amapá, Rondônia e Amazonas; reestruração das Seções Por delegação da presidenta da ABEn Nacional, estivemos em três Estados da Federação, na Região Norte – Amapá, Rondônia e Amazonas – com o objetivo de realizar AGS, como pauta: discutir a situação das Seções e proposta para reestruturação ou fechamento da referida Seção. As assembléias foram realizadas, com média de 30 sócios efetivos, além de estudantes e profissionais não sócios. No dia 14 de setembro de 2005, a assembléia foi na cidade de Macapá (AP), no dia 22 setembro de 2005 realizou-se na cidade de Manaus (AM), e no dia 24 de setembro de 2005 em Porto Velho (RO). O clima nas AGS foi de expectativa e muitos profissionais se pronunciaram. Com bastante ênfase defenderam a reestruturação da Seção, chamando a atenção para o principal ponto em situação com a que se apresenta, que é o compromisso de cada um em trabalhar e reerguer a Seção. Foram marcadas reuniões e assembléias para o aprofundamento da discussão e a realização do relatório o qual constará de três pontos: situação atual, o compromisso assumido e definição de metas, inclusive nomes para compor a diretoria, a ser proposta à discussão na AND em novembro. Foram eleitos para compor as comissões: Macapá (AP) – enfermeira Olinda Consuelo Lima Araújo, Selma Cristina Gomes Maciel e Rozilda Alves da Silva Islã Chamilco; Manaus (AM) – Mirian da Silva Rocha, Alex Mariano Rosa da Silva e Rosângela Mendes Caldeira; PortoVelho (RO) – Kátia Fernanda Alves Moureira, Virginia Tereza Neta Freitas e Maria Socorro Bandeira de Jesus. Todos se mostraram bastante animados em concluir o trabalho de acordo com a decisão da Assembléia Nacional de Delegados. Ana Lígia Cumming e Silva Primeira Secretária daABEn Nacional I n f o r m e s Reprodução Saraiva Felipe, ministro da Saúde Saraiva Felipe assume o Ministério da Saúde O ministro da Saúde Saraiva Felipe em sua primeira reunião com o Conselho Nacional de Saúde, no dia 15 de julho de 2005, declarou que o SUS precisa ser politizado e não partidarizado. Ao ser indagado pelo Jornal do CNS pelas prioridades e ações que estabeleceu para sua gestão, Saraiva Felipe respondeu: "Assumi a pasta da Saúde com o compromisso de lutar pela melhoria da gestão e pela garantia do financiamento do SUS. Também vou dar uma especial atenção a alguns projetos que me foram recomendados pelo presidente Lula, como: o Brasil Sorridente - de atendimento odontológico especializado e básico; o Farmácia Popular – de venda de medicamentos a preços de custo; o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – que envia ambulâncias e UTIs móveis para atender pedidos de socorro feitos pelo telefone 192; e o Brasil Saudável - de estímulo à prática de exercícios e alimentação saudável. Eu gostaria de lembrar, inclusive, que esta é uma gestão de continuidade. Nossa meta é expandir e aprimorar os programas, por exemplo, queremos acelerar o processo de venda dos medicamentos fracionados e reforçar a política de planejamento familiar. Vamos buscar também formular ações específicas para a saúde da terceira idade. Essa é uma população que tem crescido no País, graças ao aumento da expectativa de vida, e o SUS precisa estar preparado para atender às necessidades específicas desse público". CNS manifesta-se em relação ao licenciamento compulsório dos antiretrovirais O Conselho Nacional de Saúde realizou debate e aprovou Resolução favorável ao licenciamento compulsório de alguns medicamentos antiretrovirais. A discussão foi pautada na reunião ordinária do mês de agosto. O objetivo do debate, além dos esclarecimentos sobre a temática, foi tirar um posicionamento do Conselho em relação ao licenciamento compulsório, tema que vem sendo debatido pelo CNS em outros momentos e fóruns do controle social. Todas as exposições apresentadas tiveram a intenção de subsidiar o CNS na discussão do tema e facilitar a análise e manifestação do Conselho em relação ao licenciamento compulsório dos antiretrovirais. Na opinião dos conselheiros nacionais, a exposição permitiu uma avaliação mais profunda do tema e facilitou o posicionamento do CNS sobre a matéria. "Entendo que as transnacionais não vão deixar de explorar esse mercado que temos no nosso País. É por isso que sou favorável ao licenciamento compulsório e a toda e qualquer medida que signifique a ampliação do acesso universal do usuário aos medicamentos", defendeu o conselheiro Francisco Batista Júnior, representante do segmento dos trabalhadores. 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador: Trabalhar, sim! Adoecer, não! À luz do tema Trabalhar, sim! Adoecer, não!, a 3ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador (CNST) será realizada de 24 a 27 de novembro de 2005, em Brasília (DF), com o objetivo de propor diretrizes para efetivar a ação articulada dos órgãos setoriais do Estado na execução da política definida e para a ampliação e efetivação do controle social. Os eixos temáticos da Conferência são: Como garantir a integralidade e a transversalidade da ação do Estado em saúde dos trabalhadores? Como incorporar a saúde dos trabalhadores nas políticas de desenvolvimento sustentável do País? Como efetivar e ampliar o controle social em saúde dos trabalhadores. O documento-base da 3.ª CNST, elaborado a partir desses eixos e das deliberações das Conferências Nacionais de Saúde e de Saúde do Trabalhador, subsidiará os debates nos municípios, estados e na etapa nacional. Os municípios que não realizarem as suas conferências municipais poderão, em caráter extraordinário, e por iniciativa de articulação entre os próprios municípios com até 200.000 habitantes, realizarem Conferências Regionais de Saúde, desde que oficializada junto à Comissão Organizadora da 3.ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador. De acordo com o Regimento da 3.a CNST, a etapa estadual tem por objetivo, obrigatoriamente, analisar o documento-base e os relatórios das conferências municipais e elaborar propostas para os estados e União, produzindo um relatório que deverá ser encaminhado à Comissão Organizadora Nacional. A etapa nacional da conferência contará com 1.524 participantes, entre delegados e convidados. As vagas de delegados foram distribuídas de forma paritária (de acordo com a Resolução nº 333/ 2003) entre usuários, trabalhadores, gestores e prestadores de serviço. Orçamento de 2006, CNS aprova Recomendação O Conselho Nacional de Saúde aprovou uma Recomendação para o Orçamento de 2006. A Recomendação foi aprovada com itens considerados relevantes pelo CNS, tais como: que o cálculo dos valores a serem aplicados em 2006 com ações e serviços públicos de saúde, o que prevê a Emenda Constitucional n.º 29 e na Resolução n.º 322 do CNS, deve ser considerado como "piso", e não como "teto"; que o cálculo dos valores mínimos a serem aplicados em ações e serviços públicos de saúde para fins de cumprimento da EC 29 não deve considerar os valores programados para "Farmácia Popular", nos termos dos dispositivos da Resolução n.º 322/ 2003 do CNS. A Recomendação orienta também que a proposta orçamentária deverá contemplar ações voltadas para o fortalecimento do controle social, especialmente no tocante às ações denominadas "Mobilização da Sociedade para a Gestão Participativa no SUS" e "Controle Social no Sistema Único de Saúde". CNS aprovou a realização da 3ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde O Conselho Nacional de Saúde aprovou a realização da 3ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, a se realizar de 15 a 18 de março de 2006, em Brasília (DF). O encontro tem como objetivo discutir e apontar propostas de diretrizes nacionais para a implementação de políticas de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, tendo por referência a ABEn - jul.ago.set. 2005 5 I n f o r m e s NOB/ RH-SUS, como forma de ampliar a Ao fazer uma breve configuração do panorama proibição da comercialização, é de que a arma é participação e a co-responsabilidade dos diversos mundial, Francisco Campos ressaltou os principais uma segurança e uma defesa pessoal numa segmentos do SUS na execução desta política, problemas de recursos humanos e asseverou a sociedade fragilizada pela violência. Proibir ao civil fortalecendo o compromisso social nesse campo. importância deste campo nos processos de comprar uma arma, para os que pensam assim, é o Os Eixos temáticos serão: Gestão do reformas do setor saúde. Salientou ainda que a mesmo que privá-lo da sua única e última Trabalho; Educação na Saúde; Participação do discussão de recursos humanos e a discussão da possibilidade de reagir aos horrores da violência Trabalhador na Gestão e Negociação do Trabalho enfermagem são hoje questões centrais no mundo. dos outros, a violência social. Esse argumento e na Gestão da Educação na Saúde; Ele ilustrou a abordagem com a situação, na emocional, no entanto, não se sustenta nos Financiamento do Trabalho e da Educação na Inglaterra, de recrutamento de enfermeiros. estudos de várias áreas e de vários autores, Saúde pela União, pelos Estados e pelos O secretário de Gestão do Trabalho e da sobretudo os da área de saúde pública. Nos Municípios; Controle social na Gestão do Educação na Saúde declarou o compromisso com Estados Unidos, por exemplo, pesquisas do CDC Trabalho e Educação na Saúde; Produção e a educação permanente e disse que a sua equipe (Centro Nacional de Controle de Doenças) Incorporação de Saberes a partir das calculam que possuir em casa uma Foto: Alessandro Amaral Práticas de Trabalho, de Gestão, de arma de fogo tem potencializado as Formação e de Participação, com pessoas 43 vezes mais a matarem ou a Foco no Cuidado e na Saúde do ferirem alguém, inclusive dentro da Trabalhador do SUS. própria família. Os estudos mostram O encontro será precedido de que sem as armas, as pessoas se vêem etapas municipais e estaduais. A etapa obrigadas a discutir, a argumentar e, municipal terá o objetivo de formular mesmo quando se agridem fisicamente, as diretrizes municipais e indicar geralmente, não provocam a morte". diretrizes estaduais e nacionais para a A ABEn diz sim à proibição da implementação da política de gestão comercialização das armas! Diz sim do trabalho e da educação na saúde. para a centelha de vida que habita em A etapa nacional formulará as nossas almas. diretrizes nacionais para a execução da política de gestão do trabalho e da Concurso para o controle social educação na saúde, ampliando a no SUS participação e a co-responsabilidade Conselho Nacional de Saúde e o dos diversos segmentos do SUS na Ministério da Saúde realizarão 1º execução dessa política, qualificando Secretário Francisco Campos ao lado da presidenta da ABEn Nacional Fracisca Valda Concurso Nacional de Experiências seu debate e fortalecendo o Bem Sucedidas em Controle Social no e da presidenta da ABEn RN Sheila Saint Clair compromisso nacional nesse campo, SUS. O objetivo é premiar e divulgar as seguindo as orientações estabelecidas no seguirá a política de recursos humanos que vem experiências dos Conselhos de Saúde que desde a Regimento da Conferência, disponível na página que vem sendo construída nos últimos 20 anos, Lei 8142/ 90, tem desempenhado seu papel de do CNS na internet: http:// ou seja, a política da Reforma Sanitária. controle, fiscalização e deliberação das políticas de conselho.saude.gov.br. Ao final, ao ser indagado sobre o Ato Médico, saúde nas três esferas de governo. Francisco Campos afirmou: "De forma unilateral O concurso é voltado para experiências de Secretário de Gestão do Trabalho e da não é como se constrói uma sociedade Conselhos de Saúde no âmbito Municipal e Educação na Saúde salientou, durante o 9º democrática". Nesse momento, o sanitarista foi Estadual. A intenção é que os concorrentes SENADEn, que a discussão de recursos aplaudido por toda a platéia. abordem temas relacionados a experiências na humanos e a discussão da enfermagem organização, funcionamento e deliberação do são hoje questões centrais no mundo Referendo do Desarmamento: ABEn diz conselho de saúde; atividades de esclarecimentos Na sua primeira aparição pública como secretário sim à vida à população sobre o SUS e o controle social; de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, o A Associação Brasileira de Enfermagem junta-se a formação e capacitação de conselheiros de saúde. médico e professor Francisco Eduardo Campos diversas iniciativas de mobilização pelo sim, no Estudantes e profissionais de enfermagem participou, em Natal (RN), do 9º Seminário caso do Referendo do Desarmamento. A participantes deste movimento, inscrevam suas Nacional de Diretrizes para a Educação em população brasileira está sendo chamada a se experiências. Enfermagem (2 a 5 de agosto) abordando a agenda manifestar sobre uma lei já aprovada - a Lei As inscrições, com o resumo da apresentação política e linhas de ação do Ministério. 10.826 que diz: "É proibida a comercialização de dos trabalhos serão recebidos até o dia 31 de Ao lado da presidenta da Associação Brasileira arma de fogo e munição em todo o território janeiro de 2006, que deverão ser enviadas ao de Enfermagem, FranciscaValda da Silva, o nacional, salvo para as entidades previstas no art. endereço eletrônico do Conselho Nacional de secretário enfatizou, durante sua comunicação, 6º desta Lei". Por conseguinte, fazemos nossas as Saúde: [email protected] ou pelo correio para o que o compromisso do MS é com a construção palavras da professora Maria Cecília de Souza endereço: Esplanada dos Ministérios, Bloco G, do Sistema Único de Saúde "o SUS é uma coisa Minayo quando ela afirma:" Um dos mais fortes Anexo B. Sala 104B. CEP: 70.058-900 Brasíliasuprapartidária, transcende os partidos, vai além argumentos dos que são a favor das armas nas DF. Conselho Nacional de Saúde. dos partidos", afirmou. mãos da população civil e, portanto, são contra a 6 ABEn - jul.ago.set. 2005 e l a t ó r i o d a 6 6 ª S B E n espaço propício ao crescimento da expressão nacional da enfermagem brasileira Realizada em todo o território nacional, no período de 12 a 20 de maio de 2005, a Semana Brasileira de Enfermagem demonstrou sua importância e relevância, como pôde ser observado nos relatórios encaminhados à Coordenação Nacional, pelas Seções: Goiás, Paraná, Paraíba, São Paulo, Maranhão, Sergipe, Tocantins, Rio de Janeiro, Ceará, Regional São José do Rio Preto e Núcleo São Carlos. Fotos: Acervo ABEn PR R O objetivo da Semana Brasileira de Enfermagem, foi amplamente alcançado neste ano, em que o tema central foi: A Bioética e os modos de Ser da Enfermagem, de acordo com a deliberação do CONABEn – Gestão 2004-2007, realizado em Gramado no mês de novembro de 2004. Esta nova gestão 2004-2007, mantém o compromisso de dar continuidade ao processo político caracterizado pelo empenho social e a saúde da população, mostrando-se preocupada com a equidade, a ética do cuidar e a inserção social da categoria. As várias Seções e Regionais, pela organização dos membros de suas diretorias e membros associados, puderam, num movimento de reflexão, diálogo e comemoração, refletir sobre a Bioética, que se apresenta como uma síntese de conhecimento e ação multidisciplinar para responder aos problemas morais no vasto campo da vida e da área da saúde. Refletiram também sobre como a Enfermagem vem contribuindo para a discussão da ética individual e social no mundo que buscamos. Um mundo, que de acordo com Saupe (1995) é feito de homens em contínuo processo de humanização, que ultrapassam o unilateral e caminham em direção a omnilateralidade.. Num primeiro momento, como nos anos anteriores, a Coordenação Nacional elaborou o “Caderno de Dicas”que foi distribuído para as Seções e Regionais, por meio eletrônico (disquete), com a finalidade de subsidiar as discussões e desenvolvimento da temática como um todo. Realizada como em todos os anos, em todo o território nacional, no período de 12 a 20 de maio de 2005, a Semana Brasileira de Enfermagem, demonstrou sua importância e relevância, como pôde ser observado nos relatórios encaminhados à Coordenação Nacional, pelas Seções: Goiás, Paraná, Paraíba, São Paulo,Maranhão, Sergipe, Tocantins, Rio de Janeiro, Ceará, Regional São José do Rio Preto e Núcleo São Carlos. Analisando-se os relatórios enviados, observa-se que o número de participantes variou bastante, sendo que a média ficou entre 20 e 300 participantes.. Aparticipação mais efetiva, continua sendo dos estudantes, tanto da graduação quanto do nível técnico. As atividades desenvolvidas durante a Semana foram muito variadas, contando com palestras, mesas redondas, oficinas, exposições de trabalhos científicos, cursos, homenagens, programação social e cultural, dentre outras. A Seção Rio de Janeiro desenvolveu uma programação présemana na escola de Enfermagem da FESO com representantes das Seções e da diretoria Nacional. Asessão de abertura oficial da Semana foi realizada na Câmara Municipal do Rio de janeiro sob a presidência do vereador Adelino Simões, que em seu discurso considerou a Enfermagem como o esteio da área da saúde. Durante a cerimônia, a lamparina foi acesa, após o discurso da presidente da ABEn RJ, Iraci do Carmo de França. Foram entregues diplomas de honra de enfermagem aos profissionais da categoria pelo serviço realizado com dedicação. Durante a semana as atividades foram desenvolvidas nas escolas de Enfermagem e nas comunidades. No dia 16/05 a Câmara de vereadores de Niterói prestigiou a Enfermagem Fluminense, destacando a importância na participação política da profissão que vem crescendo e desenvolvendo atividades assistenciais, de pesquisa e organizações de serviços em prol da população. Finalizando a SBEn, a seção RJ realizou o evento “Enfermagem e Vida” no dia 20/05 na praça da Cinelândia com participação das seguintes escolas de Enfermagem: FABA, Luiza de Marilac, UNIGranrio, UVA, Celso Lisboa, Alfredo Pinto, Escola de Saúde da Marinha, FAETEC, UNISUAM, Centro Universitário Plínio Leite, UERJ. Foram desenvolvidas junto à população, atividades de controle de glicemia, verificação de pressão arterial, aconselhamento e prevenção de DST/AIDS, distribuição de códon, entre outros. A Seção Goiás buscou parceria com as instituições de ensino e Unidades de Saúde. Realizou uma feira de saúde com exposição de stands de livros, materiais e equipamentos hospitalares, Realizou no dia 17/ 05 o Fórum de Entidades pela democratização e moralidade no Sistema COFEn/COREn GO, com o debate a Ética na Sociedade civil, entidades de classe e na organização governamental..Realizou também uma passeata a qual constou de duas concentrações, uma em frente ao Ministério Público e outra na Justiça Federal, sendo entregues na ocasião documentos e abaixo assinados solicitando anulação do processo eleitoral do sistema COFEn/ COREn. Deliberou ainda pela divulgação de uma Carta aberta à população e um café da manhã no dia 01/06 para jornalistas e conselhos de Saúde para tratarem da questão COFEn/COREn-GO. A Seção Paraná realizou atividades conjuntas com várias instituições, sendo que as mesmas abriram suas programações institucionais para a comunidade de enfermagem. A duração das atividades foram de 12 dias, sendo que a Presidente e a diretoria da ABEn-Pr, esteve presente em vários eventos como palestrantes ou exercendo a representação nas mesas de abertura e nos eventos propriamente ditos. No dia Nacional de Luta ABEn - jul.ago.set. 2005 7 R e l a t ó r i contra a impunidade, 16/05, a Presidente da Seção mais a expresidente da ABEn Nacional Maria Goretti David Lopes, discursaram na tribuna do Plenário do centro Legislativo, juntamente com parlamentares que apóiam a luta em favor da democracia no sistema COFEn/COREn. A Seção Paraíba desenvolveu suas atividades no âmbito da Universidade Federal da Paraíba, e contou com o apoio do Centro de Ciências da Saúde, da escola Técnica de Saúde, Dep. de Enfermagem Médico-cirurgica e Administração, Dep. De Enfermagem em Saúde Pública e Psiquiatria, Núcleo de estudos em saúde Coletiva e Departamento de Educação Física. Algumas lojas de venda de material hospitalar contribuíram com brindes que foram sorteados entre os participantes da SBEn.. A Seção São Paulo não desenvolveu atividades em sua sede, no entanto os membros da diretoria representaram a ABEn em diversas instituições, como: UNICASTELO, UNITAU, UNIFMU, AACD, Hospital do Servidor Público estadual e santa casa de Misericórdia de São Paulo. A Regional de São José de Rio Preto realizou pré-cursos, conferências, palestras e apresentação de trabalhos. O Núcleo de São Carlos realizou conferências, mesas redondas e palestras sobre o tema Bioética. A Seção Maranhão realizou a SBEn juntamente com a 35ª Jornada Maranhense de Enfermagem no Auditório do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Maranhão, com uma série de palestras e discussões a respeito da temática. A Seção Sergipe realizou uma Feira de Saúde, além de um culto religioso e uma extensa programação que incluiu oficinas, cursos, palestras e atividades culturais. A Seção Tocantins realizou um movimento no dia 12 de maio reforçando a luta da enfermagem contra a impunidade no país, contando com o apoio do Sindicato de Enfermagem do estado. Apoiou também o evento realizado na cidade de Araguaina que desenvolveu uma reflexão sobre os aspectos éticos envolvidos na pesquisa. A Seção Ceará realizou a SBEn junto com o I encontro de enfermeiro do Hospital distrital Gonzaga Mota, I Fórum de Incentivo à formação de Núcleos de assistência, ensino e pesquisa em Enfermagem e I Encontro das equipes de enfermagem da rede hospitalar de referência da secretaria de Saúde do Estado do Ceará. Dentre as atividades, realizou missa em ação de graças, entrega do troféu amigo da ABEn-Ce, entrega do troféu enfermeiro destaque, além de uma série de palestras. A temática desenvolvida pelas Seções, foi bastante diversificada, contribuindo sobremaneira para a discussão do tema central, incluindo além da discussão sobre Bioética, assuntos como:debate sobre reforma universitária, centros energéticos e suas correlações com a saúde, parto humanizado vivenciado no Japão, , tratamento de feridas e lesões, saúde do trabalhador, hotelaria hospitalar, gestão de conhecimento, negociação e custos, humor no serviço de enfermagem, a fé no processo de cura e integralidade e ações de saúde, vivências de cuidadoras familiares no cuidado ao idoso dependente, a biodança e os modos de ser, fazer e sentir Enfermagem, vivência em terapia comunitária, potencializando o trabalho do agente comunitário de saúde; medo do vir a acontecer, trabalho em equipe com ênfase ao reforço em educação em saúde bucal; o grupo como espaço de fortalecimento no processo de formação do enfermeiro para o papel de gestor, planejamento e execução das atividades de enfermagem em hospital público, entre outras. 8 ABEn - jul.ago.set. 2005 o d a 6 6 ª Considera-se que os momentos vivenciados durante a 66ª Semana Brasileira de Enfermagem constituíram-se em momentos riquíssimos, com um elevado nível de reflexão sobre o tema central, contribuindo na socialização e divulgação da produção científica da Enfermagem. As discussões e reflexões foram de extrema importância no sentido de mobilizar a atenção dos trabalhadores de Enfermagem de nível médio e superior para as questões da Ética e Bioética na Enfermagem. Nas facilidades encontradas evidenciaram-se aspectos importantes, como: empenho da atual gestão em realizar a SBEn, participação de monitores na organização do evento, envolvimento das instituições parceiras, colaboração e disponibilidade dos palestrantes, participação dos profissionais de enfermagem, interesse e presença dos estudantes de enfermagem, boa receptividade das instituições, colaboração dos membros da diretoria, apoio das instituições de ensino de todos os níveis, apoio das Secretarias e captação de novos sócios Porém, como em todo processo, algumas dificuldades surgiram no meio da caminhada, sendo que de forma alguma impediram ou diminuíram o brilho da atividade. Dentre elas, podemos destacar: demora das instituições parceiras em disponibilizar sua programação, falta de apoio financeiro e logístico; baixa participação de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem; pouco envolvimento de algumas chefias de enfermagem, bem como, falta de engajamento da categoria; falta de apoio dos sindicatos e falta de tempo dos membros da diretoria para organizarem o evento. Sugestões de temas para a próxima SBEn: Qualidade da assistência de enfermagem – discutindo a importância da implementação e sistematização da enfermagem como estratégia para seu reconhecimento; O papel do enfermeiro na saúde; qualidade de vida dos profissionais de enfermagem; Relação interpessoal na Enfermagem;Violência, Enfermagem e acesso ao mercado de trabalho e associativismo na Enfermagem. Na avaliação das Seções, pudemos perceber que a temática proposta foi bem aceita e considerada de grande importância para a profissão, cumpriu com sua finalidade científica, cultural, política e principalmente de congraçamento e troca de experiências entre colegas de profissão, contribuiu para uma maior visibilidade da ABEn e filiação de novos sócios. A Seção SP ressalta que a escassez de recursos tem prejudicado o brilhantismo da SBEn. . A Seção Ma sugere que é necessária a união da categoria para uma reflexão do fortalecimento das entidades para melhorar a participação dos enfermeiros. Para finalizar, gostaríamos de destacar que a realização da 66ª Semana Brasileira de Enfermagem neste ano de 2005, primou pela organização, vontade e criatividade dos trabalhadores e estudantes da Enfermagem, que num movimento de construção coletiva engajaram-se para que os resultados das discussões, possibilitassem um pensar e fazer Enfermagem de forma crítica, reflexiva e criativa. Maria Emilia de Oliveira (Coordenadora) Jussara Gue Martini Simone Peruzzo Coordenação Nacional da 66ª SBEn Fotos do dia 12 de maio na Uniandrade, Paraná, evento realizado em parceria com as Instiuições de Saúde e de Ensino Superior e Ensino Médio S B E n C o n j u n t u r a A t u a l Posição da ABEn sobre a crise política nacional Reprodução A Associação Brasileira de Enfer magem (ABEn), organização da Enfermagem Brasileira, há 80 anos vem trabalhando junto ao Estado por políticas publicas comprometidas com as mudanças na saúde; no trabalho; ciência e tecnologia e na educação em enfermagem/ saúde, vem a público manifestar sua preocupação com a reprodução de práticas de construção e exercício do poder por parte de pessoas físicas e jurídicas (políticos, partidos, etc.) que comprometem a credibilidade de instituições conquistadas passo a passo pela sociedade brasileira com muita luta e com a vida de muitos brasileiros. Esta situação não pode permanecer sob pena de termos a normalidade institucional e democrática ameaçada em nosso país. Não podemos nos paralisar diante desse estado de perplexidade que se abateu sobre os brasileiros comprometidos com valores éticos e que buscam uma sociedade justa. Estamos ao lado das forças sociais e políticas que exigem firmeza nas apurações, punição para os envolvidos e devolução do dinheiro desviado, para apoiar ações que tenham impacto no aumento da qualidade de vida e de saúde da população. Nós da ABEn nos associamos à Rede Unida e a todas as iniciativas institucionais e movimentos sociais que defendem rigor na apuração dos atos ilícitos praticados, com a conseqüente punição dos culpados – seja administrativa, política ou criminal – dos agentes políticos ou outras pessoas envolvidas, tendo em vista a retomada da normalidade institucional e democrática. Estamos preocupados com as tentativas de manipulação da opinião pública onde notícias perdem o foco que é o fato e passam a servir simplesmente a objetivos corporativos e partidários que fragmentam a sociedade brasileira e reproduzem a tradição patrimonialista da luta pelo poder que tantos prejuízos tem causado ao povo brasileiro. Continuamos acreditando na reconstrução das praticas e das instituições numa perspectiva de ação conjunta do Estado e da Sociedade Civil. Portanto, nos associamos àqueles: que realizam ações proativas pela tomada de decisões políticas pautadas pelo interesse público, com consciência cívica, amadurecimento político e respeito à população e às instituições; que defendem uma urgente Reforma Política, aumentando o controle do Estado pela sociedade; que lutam pela regulamentação da Emenda Constitucional 29 (Art.198 da CF); que defendem a valorização do trabalhador da saúde, com formação adequada, vínculos estáveis e remuneração justa; que trabalham na implantação de mudanças na formação/ educação permanente e na regulação das profissões da saúde, com participação efetiva dos serviços de saúde e do controle social; que defendem o compromisso com políticas de ciência e tecnologia numa perspectiva da integração de saberes e praticas das ciências biológicas, humanas, sociais e éticas; que na pratica revelam compromisso com a consolidação do SUS e com a construção permanente da mudança do modelo de atenção; e enfim, ao lado de todos aqueles que defendem e constroem cotidianamente a democracia participativa tendo clareza que como primeiro passo a conquista da democracia representativa é patrimônio histórico, político e cultural do povo brasileiro e tendo a convicção de que sem democracia não haverá espaço político para a construção social de um Brasil digno e melhor. Neste momento, interpelamos aos poderes constituídos legalmente no que diz respeito às suas responsabilidades constitucionais no cumprimento de obrigações junto a todas as esferas públicas – legislativa, executiva e judiciária – exigindo das respectivas autoridades o compromisso e a prática inalienáveis com a verdade e a ética, pilares do Estado Democrático de Direito. Brasília, 30 de setembro de 2005 Associação Brasileira de Enfermagem ABEn - jul.ago.set. 2005 9 9 º S E N A D E n – Imagem: Flávio Freitas A Associação Brasileira de Enfermagem através da sua O 9º SENADEn, contou com 568 participantes, sendo 463 enfermeiros, 2 técnicos, 73 estudantes e outros 28 profissionais de saúde e das ciências sociais. A maioria dos participantes, exercem a função de docentes, gestores de ensino e de serviços de saúde. Participaram ainda, convidados dos Ministérios da Saúde e da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa em Educação, Organização Pan-Americana de Saúde, Universidades, Cursos e Escolas de Enfermagem. O objetivo geral do Seminário foi refletir sobre a qualidade da educação da Enfermagem brasileira e recomendar diretrizes educacionais que venham a contribuir com a formação profissional na perspectiva do seu compromisso social. O tema central foi desdobrado em quatro grandes eixos temáticos: Articulação educação-trabalho: caminho para a qualidade?; Avaliação como dimensão que promove a qualidade social; A docência como espaço de consolidação do Projeto Político Pedagógico e A reforma Universitária como expressão da qualidade social da educação. As discussões sobre estes temas foram conduzidas por conferencistas convidados e depois aprofundadas em oficinas e grupos de trabalho, de onde foram demandas as proposições que compõem o teor desta Carta. Compreendemos a qualidade da educação como uma prioridade na agenda da enfermagem brasileira, a qual deve suscitar a reflexão, o debate e a definição de diretrizes, assumidos coletivamente, por todos que fazem a história da educação em saúde/enfermagem. Deste modo, pensar a qualidade da educação como compromisso social na enfermagem requer um movimento psicodinâmico capaz de potencializar os esforços conjugados dos atores inscritos na formação profissional, garantindo a consciência da co-participação, independente do contexto, quer no controle social, quer no processo de geração de novos conhecimentos. Isto legitima a sua capacidade crítica e criativa, mediada pelas habilidades e competências requeridas para o exercício profissional com vistas à consolidação de um projeto de Educação para o século XXI,voltado para a plenitude e qualidade de vida e saúde do ser humano. Assim, as reflexões sobre a “Educação no Século XXI” apontam que os avanços sociais, vêm sofrendo um 10 ABEn - jul.ago.set. 2005 Seção Rio Grande do Norte, realizou no período de 2 a 5 de agosto de 2005, em Natal, o 9º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem, à luz do tema A Qualidade da Educação: Um Compromisso Social da Enfermagem? processo regressivo em decorrência dos ataques desferidos pela reestruturação capitalista do século XX e XXI. Fato que tem provocado uma erosão no tecido social, porque tornou o trabalho humano flexível e vulnerável. Por outro lado, tem produzido desemprego e exclusão social, atingindo, sobretudo, os jovens. E nada é pior do que uma sociedade de trabalhadores sem trabalho. Em face desse cenário os participantes do SENADEn recomendam: • A defesa da educação como um bem público e não como mercadoria. De igual modo, o conteúdo da educação deve ter como objetivo formar sujeitos tendo em vista uma ética da solidariedade, uma cidadania planetária, sociedades mais justas. • Rejeitar todas as injustiças, barbáries, intolerâncias, misérias e fundamentalismos. A escola, por sua vez, deve se preocupar com o mundo do trabalho, não no sentido meramente instrumental da empregabilidade, mas como um mecanismo de enfrentar a exclusão social sem descurar jamais da formação humanística e cidadã. • Assumir a nossa parcela de responsabilidade na construção de uma universidade que se incorpore às lutas por um mundo melhor, uma sociedade mais justa, um país que supere a subalternidade em que se insere no atual processo de globalização. São, portanto, desafios que não dependem apenas da ação governamental, mas de uma ação dos sujeitos políticos no sentido de pressionar os governos e suas instituições para implementarem políticas de cidadania e de emancipação social, ampliando o espaço público em busca de uma universidade humana e fraterna. 1º Eixo Temático: Educação articulaçãotrabalho: caminho para a qualidade social? Foi ressaltada a necessidade de compreender o trabalho como princípio educativo, contextualizado com o momento histórico, o educador como força de trabalho, vivenciando o trabalho como princípio educativo de modo a permitir uma direção pedagógica que compatibilize a formação para o trabalho na perspectiva da práxis criativa, contribuindo para o desenvolvimento do homem em sua multidimensionalidade. A escola deve ter um projeto de formação com identidade dinâmica envolvendo professores, funcionários, alunos e comunidade, reiterando o compromisso ético político com a preparação para o exercício da enfermagem, aproximando o aluno do mundo do trabalho com criatividade, reflexividade, objetividade e autonomia, sem perder de vista a subjetividade, resgatando no sujeito trabalhador o seu potencialcriativo, reafirmando sua existência social e cidadania plena. C a a r t a Neste sentido, torna-se imprescindível considerar o conceito ampliado de saúde e os princípios do SUS. A integralidade torna-se fundamental para formação, articulação educação/ trabalho e como caminho para qualidade social. Dar relevo às experiências que aproximam o estudante da realidade do trabalho também constitui estratégia fundamental que rompe com a lógica de que o ensino é apenas responsabilidade das instituições de ensino, sendo o VER SUS – Vivência de Estágio na realidade do SUS, rica e válida, destacando o Aprender SUS, política de Educação Permanente que visa mudanças nos cursos de graduação. d formativos tendo por base as realidades e possibilidades dos PPPs. e Fotos: Alessandro Amaral C N a 2º Eixo Temático: Avaliação como dimensão que promove a qualidade social Foi abordada como parte da reflexão cotidiana e processo 3 institucional. O Proposições: modelo de avaliação • Promover a efetivação da articulação educação/ hoje vigente, aquele trabalho a partir da inserção do enfermeiro no que é hegemônico processo de trabalho, articulando os vários saberes, no país, é instrumenas várias disciplinas com vistas à integralização. tal e regulatório, • Contribuir para a implementação, nos hospitais da sendo questionadas política pública: Humaniza SUS, envolvendo gestores, as possibilidades de profissionais, docentes, alunos e usuários. superá-lo. A possibi• Fortalecer as vivências para a formação profissional, lidade de pensar em pensando a educação permanente em saúde como projetos/processos um caminho de superação de uma prática tecnicista; de avaliação com capodendo utilizar os espaços de encontro – rodas/ racterísticas emancifóruns para promover uma relação dialógica com os patórias e participacenários e seus atores – ensino/serviço/comunidade. tivas, bem como a • Utilizar os fóruns das escolas para tomar decisões possibilidade de olhar os diversos modelos de avaliação, coletivas nas questões de interesse da profissão e dos relacionando-os com a qualidade social. Observa-se que cenários de práticas. são poucos os que contemplam esta dimensão, assim, a • Os projetos Políticos Pedagógicos deverão ser fruto avaliação deve promover a participação direta, efetiva, de uma construção coletiva, superando relações de que se enquadra nos processos democráticos que poderes entre discentes e docentes e norteados pelos promovem cidadania ativa, autocrítica e auto-exigente princípios do SUS, valorizando as experiências dos sujeitos envolvidos. De tal forma, a avaliação anteriores dos docentes. contempla a defesa do bem público, aqui entendido como • Fortalecer os Pólos de Educação Permanente as pessoas envolvidas no coletivo. Assim, as práticas de enquanto espaços de articulação educação/trabalho avaliação hegemônicas devem ser repensadas na busca através das negociações coletivas envolvendo ges- da qualidade social. tores/profissionais/ O desafio está na possidocentes/ alunos na bilidade de se tratar quaconstrução das Políticas lidade sem referenciá-la, já ompreendemos a qualidade da de Saúde. que a necessidade da qua• Discutir sobre a lidade é consensual. A educação como uma prioridade na formação de licenciaavaliação deve subsidiar a dos em enfermagem reflexão docente, ilumiagenda da enfermagem brasileira, a questionando sobre: nando o processo de toqual deve suscitar a reflexão, o Como está a licenciamada de decisão, induzindo tura a nível nacional? e reafirmando valores, debate e a definição de diretrizes, O que os licenciados constituindo instrumento assumidos coletivamente, por todos estão fazendo? político pedagógico que • Elucidar as concepções orienta processos de que fazem a história da educação de estágios superviformação. A avaliação sionados e ensinotambém é apontada como em saúde/enfermagem teórico-prático. produtora de sentidos já • Rever paradigmas que subjetiva os que são tecnicista/biologicista e apontar para mudanças que educados. reforcem o compromisso social da saúde/enfermaA formação dos enfermeiros tem se aproximado de gem com a transformação da realidade. uma pedagogia crítica, na possibilidade de produzir • Buscar construir a interdisciplinaridade nos processos sujeitos sociais autônomos que tem como fundamento t a l 2 1 4 ético a possibilidade de incorporar valores como liberdade e autonomia. Proposições: • Avaliação enquanto processo capaz de produzir sentidos, que analisa a concepção da qualidade praticada em relação com a pactuada. • O processo avaliativo deve sinalizar o rumo do PPP e permitir sua retomada, se necessário. • Em relação à atitude do avaliador, foi apontada a necessidade de ressignificar a avaliação, bem como as crenças, valores, princípios, e concepções que a envolvem. • Todo processo educativo precisa ser dialógico, solidário, democrático,inclusivo e participativo. • O processo avaliativo precisa promover a justiça, compreendendo que nem sempre o mesmo tratamento a todos os alunos significa ser justo. • Como funções da avaliação, temos a possibilidade de assegurar o domínio da aprendizagem, demonstrar os efeitos da metodologia e instrumentos empregados no processo, fornecer dados para avaliar a eficácia do currículo escolar frente às exigências sociais e culturais, dentre outras. • Faz-se necessário a motivação como um desafio para o docente, que deve criar espaços concretos de aprendizagem e investir na sua qualificação. • A importância da organização de fóruns de debates com profissionais do serviço que participam dos processos de ensino aprendizagem. Assim, seria possível construir cenários de aprendizagem que tenham coerência com os PPPs. ABEn - jul.ago.set. 2005 11 9 º 5 S E N A D E 6 n – C a r t a 7 d e N a t a l 8 Fotos: Alessandro Amaral • A importância da avaliação externa e a produção científica são fundamentais para a qualidade dos cursos. 3º Eixo Temático: A docência como espaço de consolidação do processo político pedagógico Foi apresentado de forma inovadora e lúdica através da representação de um programa de rádio “o cochicho na concha” em um cenário reproduzindo uma praia. A metodologia utilizada permitiu a abordagem de um tema complexo de maneira leve, inusitada e, sobretudo participativa. O tema foi discutido contextualizado no momento histórico e social de construções e desconstruções, com levantamento de perguntas, relatos de experiências e reflexões. As questões levantadas nas discussões, na sua maioria, já tinham sido tratadas em outros momentos deste seminário e se reportaram: ao ato educativo enquanto ato ético; aos modos de ser da docência. A relação docência x decência x boniteza na perspectiva ética deve ser consideradas, assim como o papel do serviço na formação profissional. A dissociação entre ensino/serviço e as contradições entre o discurso e a prática docente, as mudanças sociais como processos e a necessidade da paciência histórica, política e pedagógica. Proposições • Como norteadores da construção dos PPPs, deverão ser considerados os pressupostos das Diretrizes Curriculares, dos cursos de saúde e da política do SUS. • A escolha pedagógica da Instituição de ensino como referencial básico e norteador da formação teórico/ prática. • Importância da escuta e da relação dialógica no processo ensinar e cuidar bem como a aprendizagem crítica e significativa, os nós críticos da docência em enfermagem. • A importância da criação de espaços múltiplos de práticas pedagógicas que possibilitem as aprendizagens significativas. • A competência no papel do professor/educador e sua coerência com sua opção pedagógica. • Implantação de estratégias para formação do aluno crítico, cidadão pensante e sujeito transformador. • A necessidade dos projetos político pedagógicos incluírem os critérios de avaliação, bem como os conceitos utilizados nesta prática. Assim, deve ser avaliado o processo saúde-doença, a possibilidade de a escola acompanhar o que acontece na prática, além 12 ABEn - jul.ago.set. 2005 de apontar o desenvolvimento das habilidades dos alunos. • Repensar os conteúdos dos cursos de graduação, estruturas curriculares e as propostas pedagógicas. 4º Eixo Temático: A Reforma Universitária co mo ex pressão da qualidade so cial da educação O tema foi abordado de forma expositiva com debate coletivo. A exposição se inicia com uma reflexão sobre século que se inicia. As complexas questões a serem enfrentadas na sociedade do conhecimento, sob pressão da globalização, impõem mudanças e novos desafios. Não basta assegurar o direito à educação como um acesso para todos a ser garantido pelo estado, novas exigências se colocam para a educação superior cumprir seu papel estratégico no processo de integração do sujeito do conhecimento com o contexto sócio-econômico e político do mundo globalizado. Faz-se necessário elevar o padrão da Educação básica pública como pressuposto básico para o acesso a Universidade. A Universidade brasileira é uma instituição jo-vem em termos latino-americanos e mundiais, o sis-tema universitário está fragmentado. O Brasil está vivenciando sua 3ª Reforma Universitária que se encontra ainda ao nível de proposta (3ª versão). A exacerbação da desigualdade diante do conhecimento colocou os países desenvolvidos em posição privilegiada face ao hemisfério sul. Enfrentar essa nova forma de dominação é o mais importante desafio para países como o Brasil, que não queiram aceitar a divisão entre nações produtoras e consumidores de conhecimento e tecnologia. Assim, defende-se uma reforma, onde as Universidades: • Possam ser definidas a partir de critérios, com uma regulamentação e normatização que articule a responsabilidade pedagógica com a responsabilidade social. • Devam ser pensadas em conexão com grandes impasses e dilemas que deverão ser superados pelo Brasil nas próximas décadas. • Sejam a expressão de uma sociedade democrática, multiétnica e pluricultural, inspiradas nos ideais de liberdade, de respeito pelas diferenças e de solidariedade. • Se constitua em espaço de formação de consciência crítica em que a coletividade encontre espaço para repensar suas formas de vida e suas organizações sociais, econômicas e políticas. • Garanta de forma permanente a qualidade acadêmica dos docentes. Os participantes do 9º SENADEn reafirmaram o compromisso da ABEn com a construção de políticas interministeriais de interesse público, envolvendo o MS, MEC, Sociedade Civil (FNEPAS) Entidades de Ensino, CIRH/CS/Conferências de Saúde, estudantes, entre outros, nos seguintes eixos de ação: • Manutenção das atuais estratégias de mudança no ensino de graduação e educação profissional. • Implantação da residência integrada em saúde. • Regulação da qualidade do ensino e da abertura de novos cursos de graduação. • Apoiar/participar no implantação/desenvolvimento dos Pólos de EPS. • Organização dos processos de trabalho: remuneração, vínculos e incentivos. Moções e manifestos aprovados Moção de apoio à intensificação das investigações sobre o desaparecimento do enfermeiro professor Luiz Cláudio da Rocha Fraga Nós participantes do 9º SENADEn, assinamos moção de apoio à intensificação das investigações sobre o desaparecimento do enfermeiro professor Luiz Cláudio da Rocha Fraga, com 282 (duzentos e oitenta e duas) assinaturas{....} Enviar para o Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro - Dr. Marcelo Itagiba. Moção contra a obrigatoriedade de registro dos docentes de enfermagem no Sistema COFEN/CORENs Nós participantes do 9º SENADEn, assinamos moção contrária à ingerência do Sistema COFEN/ COREN, em relação à cobrança da inscrição dos docentes de enfermagem nos respectivos conselhos, com 112 (cento e doze assinatura {...} Enviar para o Conselho Nacional de Educação. Legendas das fotos Mesa de abertura do 9º SENADEn (1); Discurso de abertura de Francisca Valda da Silva, presidenta da ABEn Nacional (2); Discurso de abertura de Sheila Saint-Clair, presidenta da ABen RN (3); panorâmica do público na noite de abertura do 9º SENADEn (4); momento de descontração do Cochicho na Concha: representante da Secretaria de Saúde do RN, Henriqueta Luce Kr use, Milta Torrez e Auxiliadora Córdova (5); Rosalba Timóteo, Edilene Rodrigues e Idanésia da Silva, enfermeiras do Rio Grande do Norte, platéia e organização do SENADEn misturam-se (6); Eucléa Gomes Vale e Auxiliadora Córdova ladeadas por professoras da enfremagem (7); Francisca Valda e Eucléa Gomes na platéia do 9º SENADEn (8). Coordenação do 9º SENADEn O f i c í n a A B E n / I N E P Parceria entre Associação Brasileira de Enfermagem, Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira A ABEn em parceira com Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira e Comissão Assessora de Avaliação da Área de Enfermagem do INEP, realizou nas dependências do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, nos dias 01 e 02 de agosto de 2005, a oficina sobre construção de indicadores de qualidade para a avaliação dos Cursos de Graduação em Enfermagem. Contou com a presença de 118 participantes entre docentes, avaliadores de cursos, membros da comissão assessora, alunos, membros da diretoria da ABEn e do INEP, que no decorrer dos dois dias debateram, discutiram e apresentaram propostas para enriquecer a discussão sobre a avaliação dos Cursos de Graduação em Enfermagem. Para a efetiva realização da oficina, contamos com o companheirismo dos alunos, docentes e funcionários do Departamento de Enfermagem da UFRN, além da funcionária da ABEn - Seção Rio Grande do Norte, que em todos os momentos apoiaram, colaboraram e atenderam as necessidades de todos. Nestes dias o grupo teve como norte os seguintes objetivos: • Discutir princípios/ diretrizes que subsidiem a elaboração de indicadores de qualidade para avaliação dos Cursos de Graduação em Enfermagem – Bacharelado – no contexto do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). • Discutir uma agenda cooperativa para o acompanhamento da melhoria da qualidade do Ensino de Enfermagem no Brasil, envolvendo o governo e a sociedade civil. Foram dois dias de intensos trabalhos e debates que proporcionaram reflexões sobre a impor tância do compromisso social com a transformação e melhoria constante das condições de ensino em enfermagem, superando as fronteiras da setorialidade, rumo a integralidade, universalidade e eqüidade das práticas em saúde nos diversos cenários da formação profissional. (9ºSENADEn). Ressalta-se que o debate sobre a qualidade da educação em enfermagem reforça a posição construída coletivamente pela enfermagem brasileira sobre a importância e inserção nos Projetos Político Pedagógico da articulação educação-trabalho; da docência como espaço de consolidação do Projeto e da avaliação como uma das dimensões que promovem a qualidade social. Na home page da ABEn encontram-se os documentos já produzidos e disponibilizados para divulgação: apresentações dos conferencistas e relatório da comissão assessora. Fotos: Alessandro Amaral Quadro 1 - Demonstrativo das instituições presentes na oficina Instituições Procedência por região ABEn MEC-INEP Executiva Nacional de Estudantes de Enfermagem - ENEEn Instituições de Saúde Escolas vinculadas ABEn Escolas não vinculadas ABEn Total Total Sul Sudeste C. Oeste Nordeste Norte Nacional 01 01 01 01 01 01 06 01 07 17 08 25 00 02 02 01 05 04 10 02 00 02 Membros da diretoria da ABEn MEC-INEP-Diretoria MEC-INEP- Comissão Assessora MEC-INEP-Avaliadores ENEEn Profissionais de Instit. de Saúde Docentes de Escolas vinculadas Docentes de Escolas não vinculadas Total Procedência por região Sul Sudeste C.Oeste Nordeste Norte Nacional 01 05 02 05 00 07 05 07 03 06 00 02 01 08 02 07 24 00 11 04 01 08 04 05 00 12 43 06 25 05 27 Legendas das fotos Fala de abertura da presidenta da ABEn Nacional (1); Destaque da mesa de abertura da Oficina. Da esquerda para a direita: Carmen Kalinowski (diretora de Educação da ABEn Nacional); Dilvo Ristoff (diretor de Estatística e Avaliação da Educação Superior do INEP-MEC; Ivonildo Rêgo (reitor da UFRN); Francisca Valda (presidenta da ABEn Nacional) e Sheila Saint-Clair (presidenta da ABEn RN) (2); público da abertura da Oficina (3); fala de Carmen Kalinowski (4). 01 30 15 49 03 2 Quadro 1 - Demonstrativo das instituições presentes na oficina Instituições 1 Total 20 05 07 12 08 02 46 18 118 3 4 Carmen Elizabeth Kalinowski Diretora de Educação – ABEn Nacional ABEn - jul.ago.set. 2005 13 e g u l a ç ã o P r o f i s s i o n a l Reprodução R ABEn integrou mesa de audiência pública no dia 23/ 8, a convite do deputado Benedito Dias, presidente da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, ao lado da FNE, MS, Associação das Misericórdias, Federação Brasileira de Hospitais e do deputado federal Darcísio Perondi representando o poder legislativo. Na pauta o debate sobre o PL que regula a Jornada de 30 horas para a enfermagem no Brasil, com o objetivo de subsidiar os membros da CSSF na discussão e votação do parecer do relator do projeto, deputado Padre Linhares. A história é construída por atores sociais do campo do Estado, do mercado e da sociedade civil. A ABEn e a FNE sendo parte da sociedade civil (Entidades, Movimentos Sociais e do Controle Social no SUS)participam da mesa na representação do segmento dos trabalhadores de enfermagem. As políticas públicas que têm sido reféns da área econômica, trazendo grandes prejuízos para o desenvolvimento do pais que deve passar também pelo investimento na área social na perspectiva de conquistas de melhoria no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e dos indicadores sociais. Acreditando neste pressuposto, defendemos que as necessidades sociais devem pautar a agenda política, considerando o compromisso com a inserção do Estado Brasileiro no contexto da construção de um projeto civilizatório. 14 ABEn - jul.ago.set. 2005 O trabalho e sua regulamentação é campo da regulação social de políticas de interesse público, base para o desenvolvimento econômico e principalmente para a cidadania em nosso País, quando cumpre seu papel como espaço de inclusão social e de pertencimento à sociedade brasileira. Portanto, é muito importante que os atores sociais representantes de coletivos de instituições privadas, filantrópicas, movimentos sociais e do Estado considerem e respeitem este imperativo éticopolítico que demanda por um processo de regulação social horizontal com diálogo, respeito mútuo e negociação entre os atores interessados. A enfermagem no contexto atual A Enfermagem na produção de serviços de saúde no Brasil desenvolve seu processo de trabalho através da atuação profissional de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que chegam a um milhão de trabalhadores - representando mais de 50% do total dos trabalhadores da área da saúde - sendo uma força de trabalho majoritariamente feminina pois destes trabalhadores 86,93% são mulheres. Este conjunto de trabalhadores atua em todos os níveis: atenção básica; secundária e terciária - na baixa, média e alta complexidade; na Vigilância Sanitária; na gestão e no controle social. Além disso, os enfermeiros também atuam no ensino, na produção de conhecimentos, saberes e práticas, na pesquisa, consultoria, auditoria, entre outros. Segundo a OMS, há um quadro de escassez de enfermeiros no mundo. O problema entrou na agenda de países desenvolvidos e tem produzido políticas que incentivam o fenômeno atual da migração. Para abastecer a demanda, a OMC incentiva a ampliação da oferta de vagas para formação de enfermeiros através do ensino privado que assegure um adequado processo de regulação pelo Estado, em países pobres ou de economias emergentes, agravando o problema da baixa qualidade no ensino. A oferta de mão-de-obra de enfermeiros para os R e g u l a ç paises de economias fortes ocorre sem ressarcimento do investimento feito com o processo de formação. A OMS recomenda um enfermeiro para cada cinco mil habitantes, nenhum estado brasileiro consegue atingir esta meta. Este problema ganha relevância social considerando que somente os profissionais de enfermagem prestam assistência integral e ininterrupta nas vinte e quatro horas e trezentos e sessenta e cinco dias do ano em hospitais e também cumprem horário integral nas unidades da rede básica. Neste trabalho estão submetidos à exposição de riscos à saúde por estresse e pela própria característica insalubre e perigosa de alguns locais de trabalho. Na área hospitalar, na sua grande maioria, estes profissionais são submetidos a uma jornada exaustiva de 12 horas diárias, trabalham muitas vezes em condições inadequadas; passam longas horas em pé; submetem-se ao trabalho noturno, aos domingos e feriados; ao desgaste visual devido à luminosidade intensa, algumas vezes, e outras à penumbra (como ocorre nos períodos de racionamento de energia elétrica); ao grande esforço físico; ao contato direto com pacientes portadores de doenças transmissíveis; convivem com a doença e a morte iminente e/ ou presente; com medicamentos imuno-depressores e quimioterápicos; com doentes em tratamentos radioativos; com sangue e seus derivados, muitas vezes contaminados; e com utilização intensa de saponáceos cáusticos, desinfetantes e detergentes sobre a pele. Histórico dessa reivindicação: conquistas e desafios No Brasil a luta pela regulamentação de uma jornada de 30 horas para os profissionais de enfermagem tem mais de meio século. O primeiro registro no levantamento histórico dessa reivindicação foi feito por ocasião da primeira proposta de projeto de lei do exercício profissional, segundo arquivos da ABEn. As décadas de 80 e 90 foram intensas na mobilização da categoria e no encaminhamento de lutas pela dignidade do trabalho e do trabalhador de enfermagem. Entre elas, as lutas em torno dos PLs 129/ 1993 e 407/ 1991 - aprovado no Senado Federal e na Câmara dos Deputados e vetado pelo Presidente da República em 21/ 12/ 1996. No Brasil a maioria dos trabalhadores da Enfermagem no Serviço Público Brasileiro administração direta, autarquias e fundações das esferas estaduais e municipais - já trabalham em regime de 30 horas semanais, entretanto, falta legalizar a situação através da legislação. Esta foi uma conquista da luta quotidiana dos trabalhadores de Enfermagem, razão pela qual o aparato legal vem tarde se aprovado o referido projeto. No plano federal o Presidente da República sancionou em setembro de 2003 O Decreto Lei nº4836 autorizando a jornada de 30 horas de trabalho para os servidores federais em período noturno, além ã o P r o f i de expressar bastante interesse pela redução de jornada de trabalho, nos demais níveis e formas de contratação. Vale salientar que 30 horas de trabalho para todos os trabalhadores da saúde é diretriz aprovada na 12 ª Conferência Nacional de Saúde e que em outros países, onde tanto os trabalhadores da enfermagem como os usuários são respeitados e reconhecidos, a redução da jornada vem ganhando força através de acordos coletivos ou sendo estabelecida na forma da lei, como é o caso da França. No Brasil tramita no Senado Federal o “Projeto de Emenda Constitucional PEC - 393/ 01 dos deputados Inácio Arruda e Paulo Paim”. Redução da jornada de trabalho: pontos para uma reflexão Com a reativação da economia, os sindicalistas estão retornando a luta pela redução da jornada de trabalho. Alguns acordos tratam da redução progressiva da jornada. Estudando esta situação Marcio Pochman economista da Unicamp afirma que três milhões de empregos poderiam ser criados se vinte e sete milhões de empregados que fazem hora extra tivessem a jornada reduzida e afirma que o caminho para a redução da jornada é pela produtividade alcançada pelas empresas. Esclarece que a jornada de quarenta e quatro horas conquistada em 1988 na constituição, gerou ganhos de produtividade, que não foram repassados para os salários, nem para o tempo de trabalho. Segundo este especialista a aprovação da redução da jornada levará ao aumento do número de postos de trabalho e, por conseguinte a contratação de mão de obra na área; reduziria a vulnerabilidade social a que estão expostos os excluídos do mercado de trabalho formal; incluiria uma mão de obra que hoje está contingenciada pelos limites numéricos; possibilitaria um re-cálculo da mão de obra necessária aos serviços de saúde. No caso da enfermagem não se trata de redução de carga horária uma vez que a mesma sequer tem jornada regulamentada; e sim, a conquista de um direito que o Estado brasileiro deve a enfermagem, considerando a natureza do seu trabalho e as atribuições de gestão no atual modelo de organização do trabalho em saúde; dessa forma melhoraria a condição de trabalho daqueles que padecem frente a morte, as dores e toda a sorte de infortúnio dos usuários dos serviços de saúde, já que atuam, durante 365 dias do ano, 24 horas do dia e, em todos os sábados, domingos e feriados; aliviaria cargas de trabalho estressantes aos trabalhadores; possibilitaria aos trabalhadores de Enfermagem buscarem novos espaços à atualização, aperfeiçoamento, ampliando a qualidade da assistência; e por fim repõe, com justeza, a dignidade aos trabalhadores da Enfermagem Os vetos e a contestação dos trabalhadores • Elevação do Custo Operacional - A redução de jornada com manutenção do salário e limitação de s s i o n a l horas extras eleva custos inicialmente. No entanto é preciso considerar a dinâmica do processo de trabalho e seus produtos, assim como da economia, através dos seguintes ganhos: haverá maior satisfação do trabalhador e do usuário, maior produtividade, mais emprego e, com isso, mais renda, maior consumo e maior arrecadação de impostos. Tudo isso pressionará as empresas públicas e privadas a aumentarem investimentos, o que amplia a produtividade. Assim os custos maiores diminuem com o tempo, tendem a cair como por ex o direito a licença gestante que no momento de sua aprovação pelo congresso nacional, teve fortes opositores com o argumento do aumento de custos previdenciários e para as empresas privadas, autarquias e fundações públicas em todas as esferas do governo. É importante destacar que economia saudável é aquela onde o dinheiro está em circulação produzindo - bens e serviços - que geram riquezas pelo trabalho e não por políticas de especulação. • A redução da carga horária não reduz riscos Esta é uma questão científica. O trabalho em ambientes insalubres, de forte carga de tensão e stress, submetido a contágio e contatos com substâncias químicas, radioativas nocivas à saúde por um tempo maior em jornadas extensas, potencializa o desgaste físico e emocional é fator de risco para acidentes no trabalho, adoecimento(s) de ordem diversa(s). O problema pela importância epidemiológica e pelo custo previdenciário crescente vem sendo estudado e já existem evidências científicas. • As vantagens devem ser conquistadas pela negociação - Estas experiências são salutares e fundamentais para o aprofundamento da democracia, para o aperfeiçoamento das instituições e para o crescimento intelectual humano e social - de trabalhadores e patrões, propiciando a conquista de uma prática cidadã e protagonista entre ambas as partes. Por mais importantes que sejam estas experiências elas não podem ser transplantadas de uma realidade para outra de forma automática. No caso Brasileiro ainda não existem condições objetivas no campo educacional, político, social e cultural para uma igualdade de condições para o dialogo e as negociações em uma mesa de tomada de decisões que mobilizam interesses contraditórios. Precisamos, portanto, conviver com os dois sistemas a regulação pelo Estado com a participação das corporações e sociedade civil e o desenvolvimento de políticas de negociação para o desenvolvimento de uma prática cidadã no campo das relações do trabalho. Associação Brasileira de Enfermagem ABEn - jul.ago.set. 2005 15 R e g u l a ç ã o P r o f i s s i o n a l Política de Centros de Parto Normal no Brasil: a participação da ABEn no debate A gestação, o parto e o nascimento são momentos únicos na vida de uma mulher e sua família. Tempos de espera, de profundas transformações no corpo, nas emoções e nas expectativas em relação à chegada do bebê. m todas as sociedades, a gestação/parto é cercado de muitos cuidados e mesmo sendo eventos biológicos universais, a forma como eles acontecem sofrem modificações importantes de acordo com cada cultura. No mundo contemporâneo tem passado de um evento familiar, que acontecia no domicílio, com todo suporte emocional de parentes e amigos, para ser um evento médico, que ocorre em hospitais, com uso de muita tecnologia. Para o movimento de mulheres este modo de atenção ao parto é um modelo médico-centrado e embasado numa concepção do feminino como condição essencialmente "defeituosa" e que, com base nesse juízo, trata o parto como patológico e arriscado utilizando tecnologia agressiva, invasiva e potencialmente perigosa. E por outro lado, suprimindo e ignorando as dimensões sexuais, sociais e espirituais do parto e do nascimento. No caso brasileiro, a assistência ao parto no contexto da atenção à saúde reprodutiva, que inclui índices de esterilização e partos cirúrgicos dos mais elevados do mundo. O alto índice de hospitalização do parto, conforme Berquó e cols., não tem assegurado à qualidade da atenção, uma vez que o despreparo dos profissionais para a atenção ao parto normal, somado ao sucateamento da rede pública, geram riscos ate mesmo para mulheres saudáveis e tem impacto na situação de morbimortalidade materna e fetal. Submeter-se a uma cirurgia tornou-se recurso comum no país, tanto para ter como para evitar filhos: promovendo a institucionalização de um processo de medicalização no corpo feminino e de mediação cirúrgica na vida reprodutiva. Nos anos 90 o modelo vigente de assistência ao parto no Brasil recebe críticas que destacam “as circunstâncias de violência e constrangimento em que se dá a assistência, especialmente as condições pouco humanas a que são submetidas mulheres e crianças no momento do nascimento”. No parto vaginal, “a violência da imposição de rotinas, da posição de parto e das interferências obstétricas desnecessárias perturbam e inibem o desencadeamento natural dos mecanismos fisiológicos do parto, que passa a ser sinônimo de patologia e de intervenção médica, transformando-se em uma experiência de terror, impotência, alienação e dor. Desta forma, não surpreende que as mulheres introjetem a cesária como melhor forma de dar à luz, sem medo, sem risco e sem dor”. 16 ABEn - jul.ago.set. 2005 Partindo do pressuposto que a gestação e o parto são A implantação de Centros de Parto Normal é eventos naturais a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerada pela OMS como "uma estratégia de ampliação, estima que 70 a 80% das gestantes podem ser consideradas qualificação e humanização da assistência perinatal, mas, de baixo risco gestacional. Sendo desnecessário encaminhar sobretudo, como uma iniciativa fundamental na mudança para hospitais, locais projetados para atender doentes e do paradigma assistencial vigente, centrado no hospital e não situações fisiológicas e naturais da vida, porque são na assistência e tecnologia médica, substituindo por um afastadas de seus familiares, mantidas em jejum, modelo que valorize os aspectos sociais do parto e permanecem em repouso no leito e são submetidas a diversos nascimento, sem perda da segurança médica da assis-tência". exames e procedimentos, muitos deles desnecessários para Os CPNs nos moldes propostos pela OMS já se uma gestação de baixo risco. E então, um momento que encontram em funciona-mento em países como Inglaterra, deveria ser de alegria e até mesmo de prazer, passa a ser Holanda, EUA, Canadá, Suécia, Noruega, Austrália, Áustria vivido por muitas mulheres e no Brasil algumas expecomo um momento de riências de implantação nos solidão e sofrimento. Estados da Bahia, Ceará, Para a OMS, a melhor Minas Gerais e São Paulo s casas de parto são, na forma de acompanhar uma que estão produzindo um realidade atual, uma alternativa gestante de baixo risco, é importante debate que passa deixar o trabalho de parto por argumentos de natureza segura para as mulheres que evoluir da forma mais fisiocientífica, ideológica, pológica possível, devendo lítica, corporativa e jurídica. desejam viver o parto de uma outra haver uma razão válida para No Brasil, os CPNs têm forma, como protagonistas deste interferir com o processo como base a Portaria Minisnatural. Grande ênfase deve terial citada em Protocolos processo, cercada por familiares e ser dada ao suporte emode assistência específicos e cional, ao estímulo para que nas recomendações das amigos, tendo uma atenção a gestante tenha uma seguintes publicações individualizada que reconheça e participação ativa em todo oficiais: Guia Prático o processo e ao acompaMaternidade Segura OMS valorize suas necessidades físicas e nhamento por profissional 1999; Par to, Abor to e habilitado que seja capaz de Puerpério - Assistência Huemocionais, que respeite seus detectar intercorrências manizada à Mulher preceitos culturais precocemente, intervindo Ministério da Saúde - 2001; apenas quando necessário. Assistência ao Pré-Natal de O Ministério da Saúde, considerando as recomendações Baixo risco - Ministério da Saúde - 2001; Portaria MS/ GM da OMS, estabelece através da Portaria nº 985, de 05 de nº 2815 (29/ 05/ 98), nº 163 (22/ 09/ 98), nº 146 (15/ agosto de 1999, a criação do Centro de Parto Normal - 12/ 99); nº 663 (22/ 03/ 94); e na Lei nº 7498/ 86 que CPN, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, para o regula o exercício profissional da enfermagem. atendimento à mulher no período gravídico/ puerperal, Este debate e questionamentos sobre direito de estabelecendo no artigo 6º a equipe mínima necessária para exercício de profissionais médicos e de enfermagem no o funcionamento do mesmo. Esta equipe mínima deve ser campo da atenção ao parto de baixa complexidade, constituída por um enfermeiro com especialidade em qualidade da atenção e segurança dos usuários chegou à obstetrícia, um auxiliar de enfermagem, um auxiliar de esfera do judiciário, sendo objeto de ações inquéritos Civis serviços gerais e um motorista de ambulância. Públicos. Para exemplificar citamos o Inquérito Civil Público nº 1676/2003, do Ministério Público do Estado R e g u l a ç do Rio de Janeiro, com realização de Audiência Pública para uma melhor compreensão da problemática. No mesmo Estado ocorreu, também, Processo de Segurança contra a Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro, sendo a decisão da juíza Eunice Bitencourt Haddad, da 5ªVara da Fazenda Pública, favorável ao funcionamento das Casas de Parto naquele Estado. A implantação da política de realização do parto em casa em países desenvolvidos, vem demonstrando que as casas de parto são uma opção segura, conforme evidências científicas reveladas em inúmeros estudos e pesquisas, como por exemplo: • Segundo um estudo do Britsh Journal (1996) dos mais de cinco mil nascimentos que ocorreram em casa, 87% não tiveram complicações e transcorreram com total normalidade. • As pesquisas realizadas com o objetivo de comparar a margem de segurança entre os partos hospitalares e os partos nas casas de parto, concluem que as taxas de mortalidade e morbidade são iguais ou ligeiramente inferiores quando o parto é realizado na casa. • O trabalho estatístico de Marjorie Tew demonstra claramente que a hospitalização do parto em si não oferece maior segurança às mães e bebês. A autora demonstrou que entre 1958 e 1970 na Europa, sem incluir os casos de alto risco, a mortalidade perinatal em hospitais era 17:2 por 1000 nascimentos e 6:0 para 1000 partos em casa. • Em 1987, o Centro Nacional de Epidemiologia em Perinatologia de Oxford, fez uma revisão compreensiva da evidência científica comparando a segurança do parto no hospital e em casa e chegou à conclusão que não existem evidências que comprovem que a passagem do parto para o hospital tenha contribuído para a diminuição da mortalidade na Inglaterra, nem que este tipo de parto seja mais seguro para as mulheres. • A Revista Médica Britânica publicou quatro estudos avaliando o parto em casa, em vários países da Europa, sendo que os mesmos demonstram que para mulheres de baixo risco, o parto em casa é tão seguro como no hospital, e em muitos casos, mais seguro. • Estudos realizados na Holanda, um país com sistema oficial para realizar partos em casa têm demonstrado que a taxa de intervenção obstétrica, nos partos realizados em casas de parto, são significativamente menores que nos hospitais. • Um outra investigação com dados de vários países, analisando 24092 partos realizados no hospital e em casas de parto, conclui que nos partos em casa houve índices de Apgar mais altos e menos lacerações severas. Observaram-se também menos intervenções médicas, como indução do parto e episiotomia, entre outros. As casas de parto são, na realidade atual, uma alternativa segura para as mulheres que desejam viver o parto de uma outra forma, como protagonistas deste processo, cercada por familiares e amigos, tendo uma atenção individualizada que reconheça e valorize suas necessidades físicas e emocionais, que respeite seus preceitos culturais e que permita o acompanhamento com pouco uso de intervenções. É uma ã o P r o f i política que pretende resgatar a percepção do parto e nascimento como evento fisiológico, natural e propiciar às mulheres e seus familiares a vivência do parto e nascimento de uma forma segura e prazerosa. A estética do parto natural nesta proposta não deve ser vista de forma romântica, idealizada, dogmatizada, como um retorno ao passado e nem vista como uma panacéia. É uma alternativa de política pública realizada com trabalho profissional, base cientifica e precisa ter claro que para se legitimar precisa escapar da armadilha de cair em um modismo; primar pela atenção/cuidados de qualidade e ponderar os riscos da homogeneização, tanto na naturalização quanto na medicalização/cirurgificação do processo de parturição em nossa sociedade; e por fim, compreender a diversidade e a liberdade de escolha das mulheres como um processo saudável, ou seja, não precisamos, necessariamente, parir sempre e todas do mesmo modo. Posição da ABEn A Associação Brasileira de Enfermagem defende como pressuposto que a sociedade civil (entidades de profissionais e de usuários, conselhos de secretários de saúde e movimentos sociais), instituições de prestação de serviços e do campo da formação de profissionais de saúde, controle social no SUS, participem junto ao Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) da construção das Políticas Públicas de Estado que busquem os caminhos da Universalização e Integralidade da Atenção à Saúde, em todos os níveis. Fazendo a sua parte a ABEn tem assumido compromisso público ao lado de outros atores e do controle social no SUS no processo de formulação e implantação/ implementação de políticas que visam o interesse público e buscam alcançar melhores índices na conjugação social da equação: melhoria da qualidade da atenção, diminuição de custos e humanização do cuidado. Buscando coerência na ação a Enfermagem Brasileira tem historicamente contribuído para o fortalecimento de políticas de prestação de serviços de saúde comprometidas s s i o n a l com o desenvolvimento do cuidado e a atenção às pessoas e com base nestes princípios e paradigma. Para a ABEn, a Política das Casas de Parto é uma estratégia de inclusão social que é engendrada socialmente para ampliar a oferta de serviços de saúde às mulheres em situação de gestação de baixo risco e suas famílias. Assegurando o acesso aos serviços de maior complexidade quando existam intercorrências. Precisamos superar a visão corporativa que busca restabelecer monopólios e reservas de mercado e trabalharmos todos na construção de políticas de interesse público. Neste sentido, entendemos que precisamos construir um amplo pacto social com os protagonistas interessados e envolvidos na atenção integral e humana, assegurando às mulheres serviços de qualidade em todos os níveis de atenção, visando ampliar a oferta de serviços com qualidade e resolubilidade e, assim, contribuirmos para reduzir as taxas de morbimortalidade materna e infantil. Diante dos impasses e, principalmente, da relevância social do tema sugerimos que os conselhos de Reprodução saúde articulados ao Ministério Público e as comissões de saúde das Câmaras de Vereadores realizem audiências públicas sobre a construção desta política publica envolvendo prestadores de serviços, gestores, controle social, usuários, entidades de profissionais e órgãos de formação, como possibilidade de pactuar e consolidar um posicionamento coletivo sobre a questão e identificar os pontos de convergências que promova a participação de todos nesta construção. Com base nestas considerações, a Associação Brasileira de Enfermagem colocase favorável ao funcionamento dos Centros de Parto Normal, recomendando que as mulheres dêem a luz no local onde se sintam mais seguras e amparadas. Para uma mulher, sem fatores de risco, as Casas de Parto mostram-se como uma opção recomendável, pois tem seu enfoque de atenção voltado para as necessidades individuais da mulher, respeitando sua cultura e seus anseios. É importante salientar que as casas de parto demandam que o Poder Público assegure o respaldo do sistema médico, com transporte disponível e acesso pleno à atenção médica em caso de complicação e/ ou emergência. Finalizando, enfatizamos que a ABEn está a disposição para integrar as discussões, contribuindo com o que for de seu domínio para que a atenção à saúde de mulheres gestantes se coloque em patamares cada vez mais próximos daquilo que cada um de nós gostaria de encontrar no momento do parto. Associação Brasileira de Enfermagem ABEn - jul.ago.set. 2005 17 R e g u l a ç ã o P r o f i s s i o n a l Documento encaminhado para consulta junto à SESU/MEC sobre a autonomia das Instituições de Ensino Superior e Nível Médio sobre as atividades de estágio s Instituições de Ensino Superior (IES) e de Nível Médio que oferecem Cursos de Enfermagem no país têm sofrido constantes processos impeditivos no âmbito de sua responsabilidade educacional na formação de profissionais de enfermagem comprometidos com a melhoria da qualidade da assistência à saúde da população brasileira. Processos que afetam principalmente o ciclo de aprendizagem profissional de enfermagem quando o estudante debruça-se para compreender o trabalho não só da sua categoria profissional, mas a sua integração com as demais profissões que compõem o cenário da saúde e os cenários que o levam a reconhecer a realidade social onde a saúde está inserida. A principal finalidade da Educação, segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais “... inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ressalta-se que para alcançar esta finalidade a Educação tem dentro dos seus princípios: a. liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; b. respeito à liberdade e apreço à tolerância; 18 ABEn - jul.ago.set. 2005 c. gestão democrática do ensino público, na forma da Lei e da Legislação dos sistemas de ensino; d. valorização da experiência extraescolar; e. vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. As Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Enfermagem no país afirmam os princípios de autonomia institucional, de flexibilidade, de integração estudotrabalho e da pluralidade no currículo, a fim de que as atividades teóricas e práticas, presentes desde o início do curso permeando a formação integrada e interdisciplinar do enfermeiro, possam ser desenvolvidas pelos docentes e instituições envolvidas, em vistas da efetiva formação profissional. Enfatizam ainda que os Cursos de Enfermagem devem utilizar metodologias e critérios para o acompanhamento e avaliação dos processos de ensino aprendizagem, bem como do próprio curso, em consonância com os sistemas de avaliação e a dinâmica curricular definidos pelas IES a qual pertencem. As IES são subordinadas a legislações de âmbito federal emanadas pelo MEC, ou a de âmbito estadual junto aos Conselhos Estaduais de Educação, órgãos que regulamentam, acompanham, avaliam e fiscalizam a Educação nos espaços respectivos. As Diretrizes Curriculares Nacionais também apontam que as atividades de enfermagem relativas ao estágio supervisionado são formativas e atendem, principalmente, à vinculação entre a formação, o mundo do trabalho e as práticas sociais.Assim, é importante que as instituições envolvidas nesse processo de ensino aprendizagem tenham autonomia para inserir-se nos projetos políticos pedagógicos, não desrespeitando as legislações sejam educacionais, trabalhistas e outras que se façam necessárias. Há que se pese também a autonomia das instituições de saúde, que ao estabelecerem convênios com as instituições de ensino, oferecem campos para a prática que abrangem diferentes áreas do conhecimento. Entende-se que esses convênios devem respeitar os regulamentos / regimentos das instituições envolvidas, e sejam aprovados em suas instâncias superiores. Cabe ainda salientar que a Lei nº 6494/ 77 do MEC, que “dispõe sobre os estágios de estudante de estabelecimentos de ensino”, não menciona a necessidade inscrição provisória do aluno em conselhos de classe a fim de realizarem esses estágios. Nem tampouco atribui a esses conselhos competência para autorizarem e fiscalizarem estágios. Cabe às IES definir o programa de estágio, de acordo com seus projetos políticos pedagógicos. Questiona-se então a intervenção do Conselho de Classe, COFEN/ COREn – Conselho Federal de Enfermagem/ Conselho Regional de Enfermagem – na relação dos diferentes momentos dos processos e g u l a de ensino aprendizagem, suficientemente regulados e dispostos, e que não são de sua competência. Fiscalização profissional é matéria sujeita à reserva absoluta da lei. Observa-se que o COFEN persiste em legislar os atos relacionados à Educação, baseado na elaboração de resoluções que ferem princípios constitucionais, e legislações específicas dos órgãos responsáveis pela Educação e autonomia das instituições de saúde e de ensino. As resoluções emitidas por este Conselho, que tratam especificamente da CRT – Cer tidão de Responsabilidade Técnica – e do Estágio Curricular, desrespeitam a natureza jurídica das mesmas dentro do ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que criam situações não previstas por lei. No caso da CRT, a exigência desta por parte do COFEN não está prevista na Lei nº 7487/ 86, que regulamenta o Exercício da Enfermagem. O art. º 18, vetado pela Presidência da República à época de sua regulamentação, versava que entidades de direito privado que prestem serviço de enfermagem ou exercem atividades de treinamento em recursos humanos de enfermagem serão registradas no Conselho Regional de Enfermagem, sem prejuízo de outros registros legalmente instituídos. Cabe salientar que a própria lei que institui o COFEN/ CORENs (Lei nº 5.905/ 73) não lhe confere quaisquer poder fiscalizatório sobre as Escolas de Enfermagem. Dentre estas situações consideramos relevante exemplificá-las. 1. há por par te do referido Conselho, processos de autuações, e/ ou de impedimento de estudantes de enfermagem permanecerem em campo prático, quando ambas ou umas das instituições envolvidas não atendam as resoluções por ele emitidas, ç ã o P r 2. exigência para que o estudante de enfermagem faça e receba uma inscrição provisória no Conselho para poder realizar o estágio. Entende-se que a inclusão deste processo administrativo nesse órgão de classe (que é de fiscalização do exercício profissional, não do exercício do processo de ensino aprendizagem) não corresponde a sua finalidade prevista por lei. Essa exigência adiciona um novo custo aos estudantes, uma taxa para poder desenvolver atividades e complementares ao seu processo de formação.Salienta-se ainda, que no período de formação o aluna não é considerado profissional e, portanto o órgão de fiscalização profissional não tem autonomia para atuar neste campo. 3. exigência de que o enfermeiro seja o detentor dos documentos regulatórios dos convênios estabelecidos entre as instituições envolvidas no estágio, atribuição pertinente aos gestores das mesmas. Exigência também de que eles detenham documentações sobre as atividades de estágio, do plano de estágio, e também dados dos docentes e discentes envolvidos neste processo, o que se considera inadequação da função ou do processo. Compreende-se então que esses processos impeditivos da realização de estágios, impostos pelo órgão fiscalizador e disciplinador do exercício da enfermagem, são coercitivos junto às instituições de ensino, como também às de serviços de saúde, impossibilitando a permanência dos alunos no campo prático, gerando processos administrativos aos coordenadores de curso e aos enfermeiros responsáveis técnicos pelos serviços, punições ou multas. Com base em pareceres de instâncias superiores do Ministério o f i s s i Público Federal, do Ministério da Educação e do Conselho de Educação Estadual, afirmamos que não compete ao COFEN/ CORENs interferir, fiscalizar ou normatizar a realização de estágios curriculares, ou as demais atividades inerentes ao processo de formação dos profissionais de enfermagem em seus diferentes níveis, como também é descabida a exigência de anotação de Responsabilidade Técnica para os coordenadores, ou diretores de cursos de enfermagem, uma vez que infringe a Constituição Federal, e contraria a LDB e as Diretrizes Curriculares Nacionais. Frente a estes arrazoados, consultamos a posição dos órgãos responsáveis pela Educação Brasileira – MEC, Conselho Federal e Conselhos Estaduais de Educação – sobre a ingerência do COFEN/ COREn em legislar sobre o ensino da enfermagem brasileira. Solicitamos que esses órgãos se manifestem sobre a propriedade dessas resoluções do COFEN, que estão de fato dificultando ou impossibilitando o ensino da enfermagem. o n a l Reprodução R s Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Enfermagem no país afirmam os princípios de autonomia institucional, de flexibilidade, de integração estudo-trabalho e da pluralidade no currículo Carmen Elizabeth Kalinowski Diretora de Educação – ABEn Nacional A B E n - jul.ag o .s e t. 2 00 5 19 e m ó Nunca dês um nome a um rio; Sempre é outro rio a passar. Mário Quintana Tomando, inicialmente, uma perspectiva mais simplista das relações internacionais na história da ABEn vale a pena reportar a algumas informações, ao mesmo tempo pontuais e relevantes. A ABEn é uma organização que desde a sua fundação teve como ponto estratégico o seu ingresso como membro no Conselho Internacional de Enfermeiras (CIE) o que foi concretizado em 1929. Em breve análise da motivação da prioridade que a ABEn dava, a época, à filiação internacional, era buscar ser aceita nesta organização como forma de ampliar sua credibilidade e visibilidade no Brasil. A ausência de estudos e pesquisas sobre este pressuposto que movimentou a ABEn em direção á filiação, por 68 anos ao CIE, não permite avaliar o impacto desse fato na credibilidade e visibilidade da Entidade, como era desejo das suas primeiras diretoras e fundadoras. Contudo, quando da sua expulsão como organização membro do CIE em 1997, motivada por interesses vinculados ao aumento de ingressos financeiro, percebeu-se um sentimento de perplexidade por parte de alguns sócios quanto a esta decisão do CIE. Além dessa filiação ao CIE, a partir de 1957 a ABEn filiou-se à Associação Católica de Enfermeiras e Assistentes Medico-Sociais – CICAMS, por solicitação e proposta da União das Religiosas Enfermeiras do Brasil. Apesar da circunstancialidade de tal filiação somente na década de 80, por decisão da Assembléia Nacional de Delegados a ABEn desfilia-se do CICIAMS. Um outro marco das relações internacionais na história da ABEn se refere às organizações no continente americano. Desde 1947, a ABEn, na época ABED (Associação Brasileira de Enfermeiras Diplomadas), no Congresso do CIE já se posiciona pela criação de uma associação que reúna as organizações de enfermagem dos paises americanos como um ramo do CIE para as Américas, visando a criação de organizações de enfermagem com o padrão CIE. Um espaço que foi utilizado para discussão desta proposta foi o dos diversos Congressos Interamericanos de Enfermeiras organizados pelas enfermeiras que respondiam por projetos da OPAS. Na metade da década de 60, a idéia de se criar uma organização americana que incluísse os Estados Unidos e que fosse um braço do CIE, havia sido descartada. No entanto, permanecia o interesse de se criar uma Federação que reunisse as Associações da América Latina o que acontece em 1970 durante o 9º Congresso Americano de Enfermeiras em Caracas/ Venezuela e que também ficou identificado como o I Congresso da FEPPEn. (Federación Panamericana de Profesionales de Enfermería) A ABEn participou do processo de criação dessa Federação sendo membro fundador da FEPPEn, tendo sido inclusive sede do Comitê Ejecutivo em duas gestões 1996/ 2000 e 2000/2004. 20 ABEn - jul.ago.set. 2005 r i a A A B E n e as relações internacionais Foto: Reprodução do livro Associação Brasileira de Enfermagem, 1926 - 1976 – Documentário M X Congresso Quadrienal do Conselho Internacional de Enfermeiras, Rio de Janeiro, 1953 Mais recentemente, a ABEn liderou e investiu no estabelecimento de relações internacionais buscando não apenas o intercambio, mas acordos de cooperação e parceria. O esforço da ABEn fez nascer uma articulação com organizações de enfermagem de paises de língua portuguesa tanto da África como de Portugal, ocorrendo o I Encontro Internacional de Enfermagem de Paises de Língua Oficial Portuguesa em 1995, realizado pela ABEn em Salvador (BA). Atualmente os encontros dessas organizações sob a liderança da associação portuguesa fragilizou o principio da cooperação entre os paises por privilegiar a representação das organizações de enfermagem dos paises de língua portuguesa que são filiadas ao CIE. Resgatar a estratégia de acordos de cooperação com as organizações de enfermagem para além da formalidade das filiações é uma necessidade para estabelecer a equidade das parcerias, evitando transformar as relações entre as organizações como uma mera repetição das políticas de Estado como vem acontecendo recentemente no Brasil. Haja vista os encaminhamentos ortodoxos, reducionistas que as organizações de enfermagem têm imprimido às discussões sobre o trabalho no Mercosul. Toda esta experiência de buscar e estabelecer relações internacionais deve ser tomada nesse momento "de repensar a ABEn". Não cabe discutir, simplesmente, filiar-se ou não a qualquer que seja associação. Cabe sim, proceder a uma análise política da enfermagem brasileira no contexto da enfermagem mundial. Em um mundo globalizado as relações ultrapassam o sentido de simples filiação, impõem estratégias articuladoras e de negociação de acordos pautados em princípios éticos frente ao mundo fortemente desigual permeado de iniqüidade de gênero, raça/etnia, geração, etc. e incluem neste processo as questões da saúde de um modo geral e da enfermagem em particular. Um exemplo a destacar se refere à tendência de formação de enfermeiros em massa em paises pobres, estimulados pelos paises centrais, tendo como objetivo a migração desses profissionais sem se perceber quaisquer posições de parte das organizações de enfermagem dos paises, inclusive da FEPPEn e do CIE. Hoje, mais do que antes, o mundo virtual instrui e alimenta as relações e a simultaneidade dos fatos agenda os processos de mudanças para ontem. Os riscos do pensar e viver centrados no aqui e agora é perder o sentido da história e, por conseqüência à projeção da vida. Nesse cenário o indicativo para uma organização civil como a ABEn é, na qualidade representante da enfermagem brasileira, posicionar-se e colocar-se como parceira de outras organizações cujos projetos políticos e estratégias de intervenção sejam guiados por acordos baseados em princípios da solidariedade entre os diferentes grupos humanos, de forma a superarmos as iniqüidades em relação ao acesso a bens incluindo o direito a atenção à saúde, onde o cuidado de enfermagem é indissociável. Não é possível pensar em relações internacionais desarticuladas de um projeto amplo de cuidar da sobrevivência do e no planeta. Stella Barros Presidenta da ABEn – Gestão 1989-1992 Maria Auxiliadora Córdova Christófaro Presidenta da ABEn – Gestão 1992-1995