BRASÍLIA-DF, SEXTA-FEIRA, 4 DE DEZEMBRO DE 2015 CÂMARA DOS DEPUTADOS Ano 17 | Nº 3529 Cunha cria a comissão do impeachment Presidente da Câmara comunicou ontem ao Plenário a decisão de aceitar o pedido de afastamento de Dilma Rousseff O presidente Eduardo Cunha comunicou oficialmente ao Plenário a decisão de aceitar o início do processo de impeachment da presidente da República por suposto crime de responsabilidade contra a lei orçamentária. A comissão especial que analisará o pedido se reunirá na segunda-feira. | 3 Alex Ferreira CPI do BNDES pede prazo de mais 60 dias para concluir investigações A CPI que investiga irregularidades em empréstimos do BNDES pediu mais prazo para encerrar os trabalhos. Ontem, foi ouvido o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que negou participação em negócios com o banco. | 5 Relatório preliminar do Orçamento de 2016 é aprovado na comissão mista Eduardo Cunha explicou aos deputados as razões que o levaram a aceitar o pedido Gustavo Lima A Comissão Mista de Orçamento aprovou o relatório preliminar do deputado Ricardo Barros à proposta orçamentária de 2016. O texto traz regras para atendimento das emendas parlamentares e a elaboração dos 16 relatórios setoriais. | 8 Apenas 27% dos nunicípios têm peixe em merenda escolar, diz deputado Os números foram citados por Cleber Verde, presidente da Frente Parlamentar da Pesca e Aquicultura, durante o Fórum Parlamentar da América Latina e do Caribe que debateu a importância das atividades para o desenvolvimento. | 7 Disque - Câmara 0800 619 619 a liberdade religiosa no brasil, garantida pela Constituição, foi homenageada em sessão solene da Câmara. Deputados alertaram que todos têm o direito de escolher sua religião e que nenhuma pode ser discrimindada ou atacada no País. | 2 www.camara.leg.br/camaranoticias 2 | JORNAL DA CÂMARA 4 de dezembro de 2015 Câmara entrega Prêmio Brasil Mais Inclusão Foram homenageadas ontem entidades e personalidades que se destacaram na defesa das pessoas com deficiência A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência entregou ontem o Prêmio Brasil Mais Inclusão a entidades e personalidades que se destacaram no trabalho a favor dessas pessoas. O 2º secretário da Câmara, Felipe Bornier (PSD-RJ), lembrou que existem no Brasil 47 milhões de portadores de deficiência, ou 24% da população. “Queremos mostrar com essa premiação que essas pessoas e entidades são exemplos a serem seguidos”, disse. Mara Gabrilli (PSDB-SP) observou que o que a Câmara faz repercute em todo o Brasil e que a principal qualidade de uma pessoa com deficiência é a sua enorme capacidade de superação. Presidente da comissão, Aelton Freitas Antonio Augusto Abertura da solenidade de entrega do prêmio, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados (PR-MG) informou que o colegiado aprovou 27 projetos favorecendo a acessibilidade. Premiados - Receberam o prêmio: Associação das Pessoas com Deficiência de Montes Claros (MG), indicada pela deputada Raquel Muniz (PSC-MG); Associação Jacarezinhense de Atendimento ao Deficiente Auditivo e Visual (PR), indicada por Diego Garcia (PHS-PR); Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do Distrito Federal, indicada por Eduardo Barbosa (PSDB-MG); Instituto de Cegos do Brasil (MG), por Aelton Freitas; e Associação Juliano Varela, por Mandetta (DEM-MS) e Geraldo Resende (PMDB-MS). Também foram premiados David Pena Ramos, que tem má-formação dos membros inferiores e superiores, e é palestrante motivacional; Patrick Dornelles, embaixador da ONU dos Objetivos do Milênio; Maria da Penha Maia, que deu nome à lei que pune a violência contra a mulher; Mayara Ferreira, vereadora em Boa Vista, cadeirante; e Tereza Nelma da Silva, vereadora em Macéio e ativista da causa. SESSÃO SOLENE Deputados destacam liberdade religiosa no Brasil A liberdade religiosa no Brasil, garantida na Constituição, foi homenageada em sessão solene da Câmara na quarta-feira (2). Proposto pelo deputado Moroni Torgan (DEM-CE), o evento lembrou a diversidade religiosa que sempre foi marco da cultura brasileira. A sessão foi requerida para demonstrar o apoio da Câmara à todas as religiões e principalmente às que sofrem discriminação e ataques. Moroni Torgan alertou sobre a necessidade de respeito diante das religiões. “Nós devemos ter Pacelli Pires Moroni Torgan alertou sobre necessidade de respeito às religiões respeito a todas as entidades e até àqueles que não acreditam”, afirmou. Antônio Jácome (PMN-RN) Mesa Diretora da Câmara dos Deputados - 55a Legislatura Presidente: Eduardo Cunha (PMDB-RJ) 1º Vice-Presidente Waldir Maranhão (PP-MA) 2º Vice-Presidente Giacobo (PR-PR) 1º Secretário Beto Mansur (PRB-SP) 2º Secretário Felipe Bornier (PSD-RJ) 3ª Secretária Mara Gabrilli (PSDB-SP) 4º Secretário Alex Canziani (PTB-PR) Suplentes: Mandetta (DEM-MS) Gilberto Nascimento (PSC-SP) Luiza Erundina (PSB-SP) Ricardo Izar (PSD-SP) Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar José Carlos Araújo (PSD-BA) Presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos Lúcio Vale (PR-PA) Corregedor Parlamentar Carlos Manato (SD-ES) Procurador Parlamentar Claudio Cajado (DEM-BA) e Leonardo Quintão (PMDBMG) lembraram que a Câmara vem trabalhando no combate à discriminação re- ligiosa a partir da criação da comissão especial para discutir projeto sobre liberdade de opinião no ensino religioso. “Esta Casa é plural em todos os sentidos e abre suas portas para receber todas as correntes e tendências religiosas”, disse Jácome. “Nós estamos elaborando o estatuto da tolerância religiosa para diminuir as discriminações”, afirmou Quintão. Celso Russomanno (PRBSP) disse que cada um tem o direito de seguir a religião que entender melhor. “Esse é o princípio da democracia”, ressaltou o deputado. AGENDA SEXTA-FEIRA 4 de dezembro de 2015 » Sessão solene Homenagem ao Dia do Fonoaudiólogo. Plenário Ulysses Guimarães, 14h30 Leia a agenda completa no celular SECOM - Secretaria de Comunicação Social Secretário: Cleber Verde (PRB-MA) Diretor-Executivo: Claudio Lessa (61) 3216-1500 [email protected] Jornal da Câmara Editora-chefe Rosalva Nunes Editores Sandra Crespo Ralph Machado Diagramadores Gilberto Miranda Renato Palet Roselene Guedes [email protected] | Redação: (61) 3216-1660 /1611 | Distribuição e edições anteriores: (61) 3216-1626 Ouvidor Parlamentar Nelson Marquezelli (PTB-SP) Coordenadora dos Direitos da Mulher Dâmina Pereira (PMN-MG) Procuradora da Mulher Elcione Barbalho (PMDB-PA) Secretário de Relações Internacionais Átila Lins (PSD-AM) Diretor-Geral: Rômulo de Sousa Mesquita Secretário-Geral da Mesa: Sílvio Avelino Impresso na Câmara dos Deputados (DEAPA) Papel procedente de florestas plantadas Leia esta edição no celular JORNAL DA CÂMARA | 3 4 de dezembro de 2015 Cunha informa decisão sobre pedido de impeachment e cria comissão especial Parecer descarta decisão do TCU que recomendou a reprovação das contas de Dilma de 2014 O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, comunicou ontem ao Plenário a decisão de aceitar um dos pedidos de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff, por suposto crime de responsabilidade contra a lei orçamentária. Ele também determinou a criação da comissão especial que vai analisar a denúncia. A decisão do presidente da Câmara baseou-se em denúncia apresentada pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal. A leitura em Plenário marca o início do processo de impeachment na Câmara. Segundo Cunha, a denúncia foi aceita por cumprir requisitos mínimos de autoria e materialidade. A base material, para ele, decorre do argumento constante da denúncia segundo o qual Dilma ofendeu a lei orçamentária, em 2014 e 2015, ao ter autorizado a abertura de créditos orçamentários, ampliando gastos incompatíveis com a obtenção da meta de resultado primário prevista nas leis de diretrizes orçamentárias. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF, Lei Complementar 101/00) exige que, diante do risco de não obtenção da meta, o governo deve limitar os gastos, o que não teria ocorrido. Segundo ele, o descumprimento da meta de superavit primário é conduta continuada no atual mandato, uma vez que a presidente teria administrado o Orçamento de 2015 como se a situação fosse superavitária, quando o deficit estimado era de R$ 100 bilhões. “O PLN 5/15 [já aprovado, que altera a meta fiscal do governo deste ano] não retira a tipicidade hipotética da conduta da presidente nesse particular”, disse. Cunha citou ainda a edição de pelo menos seis decretos não numerados neste ano, abrindo créditos suplementares sem a autorização do Congresso. “Como os créditos orçamentários eram irregulares à época em que Fotos Alex Ferreira “Dilma mentiu sobre barganha” O governo propôs ao deputado Andre Moura (PSC-SE) trocar a aprovação da CPMF pelo fim do processo de cassação, disse Cunha, que afirmou ter recusado a oferta. os seis decretos não numerados foram por ela assinados, há indícios suficientes de sua participação direta na conduta que importa crime de responsabilidade”, acrescentou. Os decretos liberaram cerca de R$ 2,5 bilhões. Crédito - O presidente da Câmara também considerou que implica crime de responsabilidade o fato de Dilma ter contratado operação de crédito irregular (“pedaladas fiscais”) ao permitir que pagamentos de responsabilidade do governo, referentes a programas nas áreas social, habitacional, rural e econômica, tenham sido assumidos, em 2014 e 2015, por bancos públicos (Banco do Brasil, Caixa e BNDES) e pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A LRF proíbe a realização de operação de crédito entre uma instituição financeira estatal e o seu controlador, na qualidade de beneficiário do empréstimo. Rejeições - O presidente da Câmara, entretanto, decidiu rejeitar partes da denúncia que pretendiam associar Dilma a fatos relacionados à corrupção na Petrobras e a suposto lobby do ex-presidente Lula – citado como alguém dela “indissociável” – em favor de algumas empreiteiras. “Não se pode permitir a abertura de um processo tão grave, como é o impeachment, com base em mera suposição de que a presidente tenha sido conivente com atos de corrupção.” Cunha também não considerou o parecer do Tribunal de Contas da União que recomenda a reprovação das contas de Dilma de 2014. “A Corte de Contas apenas emitiu parecer prévio, mas cabe ao Congresso acolhêlo ou rejeitá-lo”, destacou. Com base na Constituição, Cunha disse ainda que não é possível responsabilizar a presidente por atos anteriores ao mandato vigente. Leitura - Antes de Cunha, o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), leu durante mais de três horas a peça de 65 páginas da denúncia, na qual são apresentados os argumentos para embasar a tese de que a presidente teria cometido crime de reponsabilidade. Deputados acompanham em Plenário a leitura dos documentos Líderes vão indicar nomes até segunda O presidente Eduardo Cunha solicitou aos líderes partidários que indiquem os integrantes da comissão especial até a próxima segunda-feira (7), às 14h. O colegiado terá 65 titulares e igual número de suplentes. A distribuição das vagas entre os partidos já foi definida (veja quadro), conforme as bancadas. No mesmo dia, às 18h, haverá uma sessão extraordinária do Plenário para confirmar as indicações dos integrantes da comissão especial. Em seguida, a própria comissão se reunirá para eleger, em votação secreta, um presidente e um relator, a quem caberá elaborar-- parecer sobre o processo de impedimento da presidente. A presidente Dilma Rousseff terá dez sessões do Plenário, a partir da instalação da comissão especial, para apresentar a sua defesa. 4 | JORNAL DA CÂMARA 4 de dezembro de 2015 PCdoB entra com ações contra impeachment Partido questiona no Supremo a falta de rito na Câmara; PT apresenta mandado de segurança, mas recua O PCdoB entrou com duas ações questionando, junto ao Supremo Tribunal Federal, a aceitação, por parte do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na prática, o partido pretende que o processo de impeachment seja suspenso. A primeira ação é um mandado de segurança (MS 33920), assinado pelo vice-líder do PCdoB, deputado Rubens Pereira Júnior (MA). Ele alega que a Lei de Impeachment (Lei 1079), de 1950, é omissa quanto à possibilidade de defesa prévia do acusado. Nesse caso, deve ser usado o Código Penal, que determina que servidores públicos precisam ser ouvidos antes de a denúncia ser aceita. Segundo o deputado, o agente tem o direito de apresentar a defesa prévia antes de qualquer avaliação de mérito, e esse rito não teria sido respeitado. “O presidente Eduardo Lucio Bernardo Jr. “Pedimos ao STF que garanta a chance de a presidente fazer a defesa prévia.” Deputado Rubens Pereira Júnior Para Rubens Pereira Júnior, rito de defesa prévia não é respeitado Cunha fez duas análises: uma dos aspectos formais, se a documentação estava certa, e outra análise de justa causa. A análise de justa causa é de mérito. O que nós pedimos ao Supremo então: garanta a chance de a presidente fazer a defesa prévia. Consequentemente, anule a decisão do presidente, abra o prazo de defesa prévia e logo depois ele – o presidente da Casa – pode fazer a avaliação se há justa causa ou não”, disse Pereira Júnior. Rito - A segunda ação do PCdoB é uma arguição por descumprimento de preceito fundamental (ADPF 378). O texto alega que o processo de impeachment deve ser suspenso porque a Lei do Impeachment é antiga e não se ajusta à Constituição de 1988. Segundo o partido, deve ser criada uma nova lei, e não suprir as lacunas existentes com alterações nos regimentos da Câmara e do Senado. A ação questiona também qual o rito do processo que realmente deve ser adotado, já que existem divergências entre a Lei e o Regimento Interno da Câmara, que vem sendo adotado. O mandado de segurança será analisado no STF pelo ministro Celso de Mello. O relator da ADPF será o ministro Edson Fachin. Ainda não há data para a divulgação da decisão sobre os dois questionamentos. Desistência - O PT havia entrado também com um mandado de segurança (MS 33921) contra a aceitação do pedido de impeachment por Eduardo Cunha, mas desistiu logo em seguida. O partido alegava que o presidente da Câmara aceitou o pedido de impeachment porque “tem interesses pessoais diretos envolvidos na deflagração e no resultado do procedimento, o que o torna completamente inabilitado para sua condução com a isenção necessária”. A ação era assinada pelos deputados petistas Paulo Teixeira (SP), Paulo Pimenta (RS) e Wadih Damous (RJ). Segundo Teixeira, a bancada vai se reunir para reforçar os argumentos antes de refazer novo pedido. decoro Conselho de Ética arquiva representação contra Fraga A representação contra o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara foi arquivada ontem por 14 votos a favor do parecer do deputado Washington Reis (PMDB-RJ) e 3 contra. De acordo com Reis, há ausência de justa causa para o acolhimento da representação proposta pelo PCdoB em virtude de suposta ofensa de Fraga contra a líder do partido, Jandira Feghali (RJ), por ter dito que “em política, mulher que bate como homem deve apanhar como homem”. A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) criticou a postura de Fraga e o relatório de Reis. “Uma Casa como a nossa, que zela pela democracia, não pode permitir que um parlamentar se refira e incite o ódio contra a mulher. Isso é um mau exemplo. Se aqui um deputado se diri- Luis Macedo Reunião do Conselho de Ética discutiu ontem duas representações contra deputados ge a uma deputada dessa forma, imagina fora do País?” Imunidade - O deputado Marcos Rogério (PDT-RO) afirmou que Alberto Fraga não pode ser punido civil e penalmente por suas declarações. Segundo ele, Fraga possui imunidade penal e civil e a fala se enquadra no exercício da atividade parlamentar. “Nenhum parlamentar pode ser punido por falar. Há uma vedação constitu- cional absoluta à punição”, afirmou Rogério. De acordo com o deputado, não houve incitação à violência por parte de Fraga. Adiamento - Ainda ontem, um pedido de vista adiou a votação da representação contra o líder do Psol, Chico Alencar (RJ). Ele foi acusado de financiar parte de sua campanha para deputado federal com contribuições de funcionários do seu gabinete. A representação por quebra de decoro, apresentada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), também indica que Alencar teria usado notas fiscais frias para ser ressarcido pela Câmara. Durante a reunião, o deputado Chico Alencar disse que sua campanha foi uma das cinco mais baratas do Rio de Janeiro. Segundo ele, apenas pessoas físicas doaram. “A doação é legítima, é legal e foi feita dentro dos li- Relatório preliminar contra Chico Alencar teve um pedido de vista e será apreciado depois mites. Aqui na Câmara, 125 outros deputados receberam contribuições de assessores.” Com relação à outra acusação, Alencar lembrou que o Ministério Público abriu inquérito e depois arquivou. “No processo está escrito: boa-fé do deputado, comprovação do serviço prestado, integral pleno ressarcimento ao erário e inexistência de improbidade administrativa”, disse. O deputado Sandro Alex (PPS-PR), relator deste processo, recomendou o arquivamento da representação. O parlamentar votou pela inépcia da representação e ausência de justa causa na representação. Ainda não foi marcada nova data para a votação. JORNAL DA CÂMARA | 5 4 de dezembro de 2015 BNDES: presidente de CPI pede mais 60 dias Ontem, deputados se reuniram para ouvir Pedro Barusco, que compareceu amparado por habeas corpus do Supremo O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do BNDES, deputado Marcos Rotta (PMDB-AM) protocolou ontem requerimento de prorrogação dos trabalhos da comissão por 60 dias. Rotta atendeu a apelo de deputados da oposição, que reclamaram do prazo extra de apenas 15 dias aprovado, na véspera, pelo Plenário da Câmara. “Vou reafirmar a necessidade que temos de estipular um prazo maior para finalizar, de forma tranquila e serena, os trabalhos dessa comissão, sem qualquer tipo de atropelo”, afirmou Rotta. “Penso não ser justo, nesta balança, que outras CPIs tenham um tratamento diferenciado desta, que talvez seja a mais emblemática exatamente por conta da grande gama de informações. Nós estamos trabalhando em uma CPI eminentemente técnica e precisamos de um tempo a mais”, continuou. Vários deputados da oposição criticaram a prorrogação de 15 dias aprovada no Plenário. O novo prazo foi considerado pequeno, sobretudo quando comparado às prorrogações de 60 dias aprovadas para as CPIs dos Fundos de Pensão e dos Cri- Cleia Viana “Penso não ser justo que outras CPIs tenham um tratamento diferenciado dessa, que talvez seja a mais emblemática por conta da grande gama de informações”. Deputado Marcos Rotta Na CPI, Pedro Barusco (ao microfone) negou participação en negócios do BNDES com a Sete Brasil mes Cibernéticos. Betinho Gomes (PSDB-CE), Miguel Haddad (PSDB-SP) e Arnaldo Jordy (PPS-PA) lembraram que o requerimento de prorrogação por 15 dias é assinado basicamente por líderes governistas, que, segundo eles, não estariam interessados na continuação das investigações. Se o requerimento não for aprovado, Rotta prevê a apresentação dos sub-relatórios para a próxima terça-feira (8) e a votação do relatório final no dia 17. Barusco - Um dos primeiros delatores da Operação Lava-Jato, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco negou ontem à CPI do BNDES participação em negociações financeiras entre o banco e a empresa Sete Brasil. Ele afirmou ter ficado surpreso com a convocação para depor na CPI sobre supostas irregula- ridades no financiamento do banco à Sete Brasil, da qual foi diretor de operações. A empresa foi criada para o fornecimento de naviossonda para a exploração do petróleo da camada pré-sal. Ao sub-relator da CPI, deputado André Fufuca (PENMA), Barusco frisou que é engenheiro e nunca tratou de assuntos financeiros da Sete Brasil. “O BNDES havia aprova- do a concessão de crédito no montante de R$ 10 bilhões para a Sete Brasil. Pelo que se tem notícia, esses recursos não chegaram a ser desembolsados pelo banco estatal. Em que data a Sete Brasil apresentou carta-consulta ao BNDES, solicitando crédito para o seu empreendimento?”, questionou o deputado. Barusco respondeu que essa não era sua área. “Quem cuidava disso era João Carlos Ferraz, que acumulava a presidência e diretoria financeira. A minha área era técnica.” Habeas corpus - Barusco depôs na CPI aparado por um habeas corpus, concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. Ele praticamente repetiu informações já fornecidas em depoimentos anteriores nas CPIs da Petrobras e dos Fundos de Pensão. CRIMES CIBERNÉTICOS Deputados discordam de critérios usados no WhatsApp Deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Crimes Cibernéticos questionaram a atuação do Whatsapp, aplicativo de troca de mensagens pelo celular, no Brasil. A comissão ouviu na terça-feira (1º) o vice-coordenador Jurídico Geral do WhatsApp, Mark Khan. Os deputados indagaram sobre o não cumprimento pela empresa de regras do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14), como o armazenamento de registros. Os integrantes da CPI também criticaram o fato de a empresa não ter sede no Brasil, o que dificulta a notificação pelas autoridades. Mark Khan explicou que o Whatsapp foi desenvolvido para que as mensagens não fossem armazenadas e que, uma vez que são enviadas, não ficam no servidor da empresa. É isso, segundo ele, que faz o serviço ser rápido e eficiente. Khan disse ainda que, mesmo com ordem judicial, é impossível interceptar essas informações, porque a empresa não dispõe da chave do código de criptografia. A única maneira de obter as mensagens é de posse do aparelho celular em que foram trocadas, disse. O executivo reconheceu que há escritório apenas nos Estados Unidos e que a empresa conta só com 110 funcionários. Kahn também informou que há um canal exclusivo para atender autoridades em situações emergenciais e que, se a empresa toma conhecimento de que Alex Ferreira Vice-coordenador jurídico do WhatsApp, Mark Khan, na audiência crimes estão sendo cometidos usando o serviço, esses usuários são banidos. Colaboração - O deputado Silas Freire (PR-PI) cobrou mais colaboração do Whatsapp com as autoridades brasileiras. “Não seria possível separar, após ordens judiciais, algumas conversas específicas de usuários? Nós temos convicção que há compartilhamentos no Whatsapp, há ofensas via grupos, não seria possível, a partir dali, acompanhar?”, questionou o deputado. Mark Khan disse que o Whatsapp está empenhando em entender as necessidades da Justiça brasileira e que já contratou consultoria no País para isso. Já o deputado Paulo Henrique Lustosa (PP-CE) sugeriu que a CPI continue acompanhando a atuação da empresa no Brasil. “A regra é: o Estado não tem que ter acesso aos meus dados pessoais, mas, caso eu cometa um crime, caso eu seja suspeito, isso é a exceção”, justificou Lustosa. Relatório - O Plenário da Câmara aprovou a prorrogação do prazo de funcionamento da CPI dos Crimes Cibernéticos por mais 60 dias. O novo prazo contará a partir do final do prazo inicial, dia 4 de dezembro. 6 | JORNAL DA CÂMARA 4 de dezembro de 2015 Legalização do jogo pode elevar arrecadação Dirigente da Caixa afirmou que o valor pode chegar a R$ 50 bilhões, três vezes o total obtido atualmente com loterias A legalização de jogos oficialmente proibidos pode quintuplicar a arrecadação do País com loterias e jogos. A estimativa foi feita pelo vice-presidente de fundos de governo e loterias da Caixa Econômica Federal, Fábio Cleto, em audiência da comissão especial do marco regulatório dos jogos. Em 2014, a arrecadação das loterias da Caixa foi de R$ 13,5 bilhões e deve chegar a cerca de R$ 15 bilhões neste ano. Segundo Cleto, a legalização de bingos, cassinos e máquina de jogos, por exemplo, pode elevar esse valor para algo próximo a R$ 50 bilhões. A comissão especial analisa 14 projetos de lei (PL 442/91 e apensados) que legalizam vários jogos, inclusive o do bicho e os eletrônicos via internet. A discussão também acontece em meio à intenção do governo em buscar novas fontes de recursos. Fiscalização - Para o deputado Paulo Azi (DEM-BA), uma eventual legalização Lucio Bernardo Jr. Para Paulo Azi, uma eventual legalização pressupõe fiscalização pressupõe eficiência na fiscalização do poder público. “É fundamental que possamos entender como aproveitar o know-how da Caixa para a instalação, o controle, a fis- Comissão especial analisa 14 projetos que legalizam vários jogos, inclusive o do bicho e os da internet calização e o funcionamento dessas atividades. Entendo que cada tipo de jogo merece um tratamento diferente. Acho muito difícil que possamos construir uma legislação com um único modelo de autorização de funcionamento para a iniciativa privada.” Cleto citou estudos da Fundação Getúlio Vargas que mostram um movimento anual de apostas, mesmo proibidas no Brasil, de até R$ 1,8 bilhão em relação aos bingos e de até R$ 3 bilhões no caso de cassinos. No jogo do bicho, a arrecadação estimada, em 2014, ficou entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,8 bilhões. O dirigente da Caixa recomendou alguns cuidados que devem constar do marco regulatório dos jogos. “O mais importante é ter a certeza de que eventuais grupos inte- ressados em explorar jogo no Brasil, seja em nível nacional ou local, tenham tamanho, porte, condições financeiras e, obviamente, lisura compatíveis. O potencial aqui é muito alto. Isso já acontece, mas de forma ilegal, existe mercado para isso, e a escolha de parceiros para o Estado explorar o jogo de forma mais efetiva tem que passar pela plena confiança nessa parceria.” Lotéricas - Os deputados ainda cobraram da Caixa a revisão na política de relacionamento com os donos de lotéricas, que têm reclamado de baixa remuneração nos serviços prestados e de insegurança diante do aumento do número de assaltos. O dirigente também admitiu que a distribuição da arrecadação é pulverizada e há baixo percentual de pagamento de prêmio ao apostador. Cleto anunciou a intenção da Caixa de aumentar o número de pontos de venda no país, em acordo com as casas lotéricas. Setor de hotelaria e secretários municipais defendem cassinos Debatedores defenderam a legalização dos cassinos no Brasil como forma de gerar empregos e aumentar a arrecadação federal, durante debate na Comissão de Turismo da Câmara. O presidente da Associação Brasileira de Resorts, Luiz Daniel Guijarro, disse que a legalização dos cassinos permitiria um aumento das taxas de ocupação dos resorts e dobraria o faturamento do setor. Segundo ele, mesmo com a crise, o segmento de resorts deverá fechar com R$ 1,8 bilhão de receita neste ano, quase R$ 100 milhões a mais do que no ano passado. As projeções feitas caso os cassinos fossem legalizados apontam que a receita seria de R$ 2,16 bilhões. Potencial - O presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio, informou que o jogo ilegal no Brasil movimenta R$ 18 bilhões. Para ele, com os cassinos o setor de turismo teria 400 mil postos de trabalho e receberia inves- Alex Ferreira O deputado Herculano Passos, que propôs o debate na Câmara, vê vantagens na legalização timentos internacionais. Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureau, Márcio Santiago, o Brasil é o quarto país entre turistas nos cassinos de Las Vegas. “São divisas que o Brasil dei- xa de receber”, disse. O vice-presidente Institucional da Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de Turismo, Tenielson Campos, afirmou que a legalização dos cassinos no Brasil é uma saída para levar o desenvolvimento a municípios onde não existe o turismo. O assessor da Embratur Walter Ferreira recomendou cautela. “É preciso se preocupar com a imagem do Brasil no exterior”, disse, ressaltan- Projeções feitas caso os cassinos fossem legalizados apontam que a receita seria de R$ 2,16 bilhões do que todas as formas que buscam desenvolver o turismo interessam ao governo. Vantagens - O deputado Herculano Passos (PSD-SP), que solicitou a audiência pública, afirmou que a geração de empregos e o aumento da arrecadação de tributos são as principais vantagens da legalização do jogo. Ele informou que, dos países onde há predominância da religião católica, apenas o Brasil não possui cassinos. “Estamos na contramão do que é o desenvolvimento. Brasileiro gosta de jogar, cada um joga o que quer e é esse que paga o imposto”, afirmou. O deputado Edinho Bez (PMDB-SC) defendeu a legalização dos cassinos no País e também das loterias estaduais, para melhorar a arrecadação de estados e municípios. JORNAL DA CÂMARA | 7 4 de dezembro de 2015 ECONOMIA Comissão tira IPI da produção de cachaças artesanais A Comissão de Agricultura aprovou proposta (PL 1269/15) que isenta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a cachaça artesanal produzida por agricultores familiares ou empreendedores familiares rurais. O texto prevê que a cachaça deverá ser elaborada com o mínimo de 70% de cana-de-açúcar colhida nas terras do agricultor e na quantidade máxima de 20 mil litros anuais. O relator do projeto, Alceu Moreira (PMDB-RS), explicou que a restrição à produção tem como objetivo evitar a concorrência desleal e fomentar cadeias curtas de mercado. Essas cadeias representam a interação da agricultura familiar com a dinâmica local do desenvolvimento. Cultura - O autor da proposta, João Daniel (PT-SE), disse que há no Brasil, em praticamente todos os estados, a cultura de produção de bebidas artesanais, e a cachaça artesanal brasileira é conhecida no mundo inteiro. “É importante até para a saúde da população ter uma cachaça de qualidade, de preferência artesanal. É importante que, como parlamentares, possamos apoiar esse tipo de atividade que existe e que pode gerar renda no meio rural, para a população, para os municípios do interior e para os estados.” Segundo o texto, a comercialização do produto será realizada por meio de emissão de nota de talão de agricultura familiar, sem a obrigatoriedade de ser pessoa jurídica para a emissão de nota fiscal. No rótulo deverão constar denominação, origem e características do produto. Na opinião do deputado Cleber Vede (PRB-MA), integrante da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Brasileira de Bebidas, a proposta permite o desenvolvimento da produção de cachaça artesanal. Tramitação - O projeto tramita em caráter conclusivo e está em análise na Comissão de Finanças e Tributação. Debatedores querem ampliação do uso de pescado na merenda escolar Apenas 27% dos municípios adotam a prática, que foi estimulada por ministérios em 2013 O presidente da Frente Parlamentar Mista da Pesca e Aquicultura da Câmara, deputado Cleber Verde (PRB-MA), destacou que apenas 27% dos municípios brasileiros incluem pescado na merenda escolar. Ele participou do segundo Fórum de Parlamentares da Pesca e Aquicultura da América Latina e Caribe, realizado nesta semana na Câmara. Segundo Cleber Verde, a inclusão do peixe na merenda das escolas foi estimulada por acordo celebrado entre o Ministério da Pesca e o Ministério da Educação em 2013. O acordo incluiu, por exemplo, a capacitação de nutricionistas e merendeiras para uso do peixe. O deputado espera que o Ministério da Agricultura, que recebeu as atribuições do extinto Ministério da Pesca, dê prosseguimento às ações de incentivo à inclusão do pescado na merenda escolar. “O Brasil precisa chegar aos mais de 5 mil e 500 municípios com essa prática, considerando o pescado como um alimento altamente nutritivo e que pode ser extremamente importante para o desenvolvimento intelectual de crianças e adolescentes e gerar um hábito saudável na fase adulta.” Nutrição - A representan- Zeca Ribeiro Participantes do 2º Fórum Parlamentar da Pesca debateram programas desenvolvidos no Brasil te da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Miriam de Oliveira, recomendou a inclusão no peixe na alimentação escolar de todos os países latino-americanos, para garantir a nutrição adequada da população. “O pescado é um alimento basicamente completo, rico em proteínas, em sais minerais, em ômega 3, em ácidos graxos, e isso traz para o estudante uma melhoria para o processo de aprendizagem”, afirmou. De acordo com Miriam, na escola, podem ser transformados os hábitos alimentares da população. Ela “O pescado é um alimento completo, traz para o estudante uma melhoria para o processo de aprendizagem.” Miriam de Oliveira, da FAO citou ainda as dificuldades para a inclusão do peixe na alimentação dos povos latino-americanos, entre elas o alto custo, a falta de hábito, a falta de pessoal capacitado para manejo do peixe, a falta do produto nos mercados locais e a falta de transporte adequado. Recomendação - A representantes das Nações Unidas também recomendou que os países latino-americanos sigam o exemplo do Brasil e garantam o direito à alimentação escolar adequada. Miriam de Oliveira afirmou que o Brasil já implementou um bem-sucedido programa de alimentação escolar desde 2009 e lembrou que esse programa ajudou o País a sair do mapa da fome da ONU. Durante o evento, os parlamentares de diversos países decidiram que o 3º Fórum de Parlamentares da Pesca e Aquicultura da América Latina e Caribe será realizado na República Dominicana, no próximo ano. COMISSÃO ESPECIAL PEC cria Zona Franca do Semiárido Nordestino Uma comissão especial da Câmara aprovou proposta de emenda à Constituição [PEC 19/11] que cria a Zona Franca do Semiárido Nordestino, ou seja, uma área de livre comércio de exportação e importação e com incentivos fiscais. O prazo previsto de vigência é de 30 anos. A sede da zona franca será o município de Cajazeiras, na Paraíba, e incluirá as cidades vizinhas num círculo de 100 quilômetros. Desenvolvimento - O objetivo é desenvolver o semi- árido, explicou o autor da proposta, deputado Wilson Filho (PTB-PB). “A intenção é promover o desenvolvimento em uma região que não tem nenhuma saída para olhar por um futuro melhor”, afirmou. “Estudiosos do Brasil inteiro e até de outros países já constataram que a criação dessa zona franca seria o único caminho concreto, viável, possível, para fazer com que o Nordeste possa crescer de verdade.” Cada estado do Semiári- do terá uma cidade polo de desenvolvimento, que será uma extensão da zona franca. As cidades são: Juazeiro do Norte, no Ceará; Mossoró, no Rio Grande do Norte; Picos, no Piauí; Salgueiro, em Pernambuco; Arapiraca, em Alagoas; Itabaiana, em Sergipe; Irecê, na Bahia; Montes Claros, em Minas Gerais; e Bacabeira, no Maranhão. Articulação - O presidente da comissão especial, Raimundo Gomes de Mattos (PSDB-CE), disse que está articulando a aprovação da proposta no Plenário da Câmara e também no Senado. “Esta matéria, como foi aprovada na comissão, vai agora para o Plenário. Vamos articular com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a votação em dois turnos para dar sequência e ir para o Senado Federal”, afirmou Mattos. Segundo a proposta, os critérios e requisitos a serem exigidos para a criação de empreendimentos dentro das cidades polos serão estabelecidos em lei federal. 8 | JORNAL DA CÂMARA 4 de dezembro de 2015 Aprovado relatório preliminar do Orçamento Texto apresenta regras para atendimento de emendas em 2016; pareceres setoriais serão votados na próxima semana A Comissão Mista de Orçamento aprovou ontem o relatório preliminar do deputado Ricardo Barros (PP-PR), relator-geral da proposta orçamentária de 2016, com as regras para o atendimento das emendas parlamentares ao novo Orçamento e a elaboração dos 16 relatórios setoriais e do relatório final, este a cargo do próprio Barros. Com a aprovação, os 16 relatores setoriais poderão elaborar seus pareceres, que serão submetidos à votação na comissão. Estes relatores cuidam dos orçamentos individuais dos ministérios do governo e dos demais poderes. A presidente do colegiado, senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), deu prazo até segunda-feira (7) para que todos os 16 pareceres sejam apresentados para votação. Ela marcou reunião para as 15 horas, a fim de iniciar a deliberação. “Se não houver a entrega dos relatórios setoriais na segunda, não haverá Orçamento”, disse Rose. Cortes - O deputado Ricardo Barros voltou a afir- Lucio Bernardo Jr A presidente da Comissão Mista de Orçamento, Rose de Freitas, e o relator-geral, Ricardo Barros mar que precisará cortar R$ 17,4 bilhões da proposta orçamentária para garantir o cumprimento da meta de superavit primário do governo no próximo ano, que é de R$ 34,4 bilhões, número previsto no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias que ainda será votado pelo Congresso. O valor dos cortes já leva em conta o acréscimo de receita aprovado pela Co- missão de Orçamento na terça-feira (1º), de R$ 39,5 bilhões; a sugestão de corte feita pelo Executivo em setembro, de R$ 26 bilhões, dos quais Barros acatará R$ 21 bilhões; e o deficit primário que veio na proposta enviada pelo governo, de R$ 30,5 bilhões. Feito o encontro dessas contas, ainda seriam necessários cortar R$ 17,4 bilhões para garantir o superavit. Barros também afirmou que mantém a disposição de cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família, o equivalente a 35,5% dos recursos previstos para o programa (R$ 28,2 bilhões). Ele rejeitou, na discussão do relatório preliminar, uma emenda do líder do governo na comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que impedia o corte no programa social. “Os parlamentares que Segundo o texto, serão R$ 5 bilhões para atender emendas coletivas das bancadas estaduais e das comissões em 2016 me apoiam, e que são muitos, sabem que a fraude é muito gritante. Não queremos acabar com o programa. Queremos acabar com os excessos do programa Bolsa Família. E vamos discutir isso aqui”, afirmou o relator-geral. Emendas - De acordo com o relatório preliminar aprovado ontem, os relatores setoriais e Ricardo Barros terão à disposição R$ 5 bilhões para atender as emendas coletivas (das bancadas estaduais e das comissões do Congresso Nacional). Adicionalmente, os relatores setoriais poderão cancelar parte dos recursos destinados a investimentos (dentro dos orçamentos fiscal e da seguridade social) e inversões financeiras. Os valores resultantes dos dois cancelamentos poderão ser usados para as emendas coletivas. desenvolvimento regional Municípios de MG, ES e RJ são incluídos na área da Sudene A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara aprovou ontem projetos que estendem a área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Os textos seguem para análise do Plenário. Entre as propostas está a inclusão dos municípios situados no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. A região foi afetada pelo rompimento da barragem de contenção de rejeitos de mineração da empresa Samarco, ligada à mineradora Vale, no município de Mariana (MG), ocorrido no início de novembro. Há também propostas para a inclusão de 47 municípios mineiros e todos os municípios do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. A principal delas é o Projeto de Lei Lucio Bernardo Jr. Rodrigo Pacheco, designado relator substituto, acatou parecer Complementar (PLP) 76/07, que tem outros seis projetos apensados. Norma - Pela Lei Complementar 125/07, compete à Sudene promover o de- senvolvimento includente e sustentável em sua área de atuação, que abrange todo o Nordeste e municípios do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. Atualmente, a área da Sudene compreende 88 dos 853 municípios mineiros e 26 dos 78 municípios capixabas. O Rio de Janeiro ainda não conta com representantes. O relator, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), explicou que a proposta visa estender a medida para municípios com as mesmas condições sociais dos que já estão na área de atuação da superintendência. Pacheco foi designado relator substituto e acatou integralmente o parecer do deputado Evandro Gussi (PV-SP). Como a CCJ analisou os projetos de acordo com sua adequação à Constituição e à legislação brasileira, todos foram considerados aptos, e a decisão final sobre as mudanças deve ser dada pelo Plenário. Medida possibilita acesso a incentivos fiscais, linhas de crédito especiais e recursos do fundo de desenvolvimento Projeto - O texto original do PLP 76/07, do ex-deputado José Fernando Aparecido de Oliveira, menciona apenas 43 municípios mineiros e mais um capixaba. Apesar de ter sido aprovado em 2007 pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, e em 2013 pela Comissão de Finanças e Tributação, somente esse ano outras três propostas foram apensadas, totalizando sete propostas sobre a área da Sudene. PARTICIPAÇÃO POPULAR Estatuto de Armas de Fogo e fosfoetanolamina são temas mais comentados A revogação do Estatuto do Desarmamento e a discussão sobre a liberação da fosfoetanolamina para o tratamento do câncer foram os dois temas responsáveis pela maior parte das interações nos canais de relacionamento da Câmara dos Deputados. Foram registradas, em novembro, 62.094 manifestações da sociedade nos canais institucionais de relacionamento – Disque-Câmara (0800 619 619), Fale Conosco (faleconosco.camara.leg.br), perfis no facebook e no twitter, e comentários nas notícias do Portal da Câmara. Constituição (PEC) 534/02 motivou o maior número de ligações e mensagens. Aguardando votação pelo Plenário, o texto amplia as competências das guardas municipais, autorizando-as a atuar também na proteção da população. Atualmente, a instituição pode atuar somente na proteção de bens, serviços e instalações municipais. A página da Câmara dos Deputados no facebook teve 34.066 interações, sendo a ferramenta de comunicação mais procurada pelos cidadãos. As outras duas propostas mais comentadas pelos serviços de telefone e e-mail foram os projetos de lei 2295/00, que estabelece a jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem em seis horas diárias, e 3722/12, do Estatuto de Controle de Armas de Fogo. As duas propostas também estão prontas para votação pelo Plenário. A aprovação do Estatuto de Controle de Armas de Fogo (PL 3722/12) em comissão especial, revogando o Estatuto do Desarmamento, e a discussão sobre o uso da fosfoetanolamina sintética no tratamento do câncer foram os assuntos que mais repercutiram nas redes sociais. No facebook, no perfil Câmara dos Deputados, a publicação de um infográfico explicando os principais pontos do Estatuto de Controle de Armas de Fogo foi a campeã de acessos, com 8.884 interações e 164.349 visualizações. Em segundo e terceiro lugar, aparecem duas publicações sobre a fosfoetanolamina, também conhecida como “pílula do câncer”. A apresentação de um projeto que autoriza a distribuição da substância e um debate sobre o tema realizado na Câmara dos Deputados tiveram, no total, 6.574 interações e 94.777 visualizações. No Disque-Câmara e no Fale Conosco, a Proposta de Emenda à Entre as notícias publicadas no Portal da Câmara, na internet, a mais comentada foi a que tratou da aprovação da chamada PEC dos Cartórios (471/05) pelo Plenário da Câmara: foram registrados 144 comentários. A proposta efetiva os responsáveis e substitutos de cartórios que assumiram o cargo sem concurso público após a Constituição de 1988. O texto ainda precisa ser votado em segundo turno antes de seguir para o Senado. A segunda reportagem mais comentada foi a que registrou a aprovação do Estatuto de Controle de Armas de Fogo em comissão especial. A notícia recebeu 114 opiniões de internautas. A Coordenação de Participação Popular (CPP) da Secretaria de Comunicação Social (Secom) é responsável pela gestão e consolidação das demandas encaminhadas à Câmara dos Deputados como manifestações da sociedade. Os resultados são analisados e encaminhados mensalmente aos deputados para a avaliação do interesse popular sobre matérias em discussão na Casa. Acesse camara.leg.br/participe ou disque 0800 619 619. Veja no verso os resultados da participação popular em novembro facebook/ camaradeputados twitter/ camaradeputados www.camara.leg.br Disque-Câmara 0800 619 619 PARTICIPAÇÃO POPULAR NOVEMBRO Cenário da interação dos cidadãos por canais de participação popular da Câmara 1º 2º 3º 7% 0800 E FALE CONOSCO 100% 100% 93% Dispõe sobre as competências da guarda municipal e criação da guarda nacional. (PEC 534/2002) Jornada de trabalho dos profissionais de enfermagem (PL 2295/2000) Revogação do Estatuto do Desarmamento (PL 3722/2012) 0800 619 619 faleconosco.camara.leg.br 16.206 atendimentos Favoráveis Contrárias FACEBOOK facebook.com/camaradeputados 34.066 interações TWITTER twitter.com/camaradeputados 1º 2º A criação do Estatuto de Controle de Armas de Fogo foi aprovada em comissão especial e agora segue para votação no Plenário da Câmara. Acesse o infográfico e veja o que muda com o novo texto. http://goo.gl/frqF7z A fosfoetanolamina sintética está no centro de um debate que envolve pacientes, médicos, Anvisa e a Justiça. Um projeto para autorizar a fabricação e a distribuição da substância aguarda despacho para começar a tramitar. http://goo.gl/jey75H 8.884 164.349 interações visualizações 4.083 59.436 interações visualizações 2.491 35.341 interações visualizações 1º 2º 3º A República brasileira completa hoje 126 anos de uma história em permanente construção. Infográfico mostra o que muda com o novo estatuto sobre armas, que agora vai a Plenário. 205 interações 189 interações 3º A fosfoetanolamina sintética volta a ser tema de debate na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (24). Para alguns, ela é um milagre contra o câncer. Para outros, uma falsa esperança. Participe! A Câmara aprovou a regularização de dinheiro no exterior sem beneficiar políticos. 10.751 interações MATÉRIAS + COMENTADAS noticias.camara.leg.br 1.071 comentários 153 interações 1º Aprovada em 1º turno PEC que efetiva titulares de cartórios sem concurso 144 comentários 2º Estatuto de Controle de Armas de Fogo vai a Plenário 114 comentários 3º Projeto pune motoristas e ciclistas que não respeitarem ciclovias 32 comentários 4º Comissão aprova projeto que pune motoristas e ciclistas que não respeitarem ciclovias 28 comentários 5º Congresso vai analisar vetos presidenciais na terça-feira 25 comentários Relatório da Participação Popular | Coordenação de Participação Popular - CPP | SECOM | Disque Câmara - 0800 619 619 | [email protected]