Respostas às perguntas da professora e jornalista Márcia Rosane Junges.
1. Quais são os principais problemas sobre EAD que surgem em cursos
de formação inicial de docentes de Educação Básica?
R. São muitos. Em meu projeto de pesquisa pretendo analisar três tipos: 1)
Problemas sobre a EAD em geral; 2) Problemas sobre a EAD nas IES
Públicas, vinculadas à UAB; 3) Problemas sobre a EAD nas Instituições
Privadas de Ensino. Em relação ao primeiro tipo, destaco: a) qualidade da
formação na EAD; b) autonomia do educando de EAD; c). o trabalho
docente na EAD; em relação ao segundo, destaco: a). a racionalidade
administrativa se sobrepõe à racionalidade pedagógica; b). CONAE versus
UAB; a primeira não aceita a formação inicial em EAD; a segunda prioriza
essa opção; c). A UAB como modelo de EAD; em relação ao terceiro tipo,
destaco: a). a educação enquanto serviço a ser cobrado; e não enquanto
direito; b). a lógica privatista nos cursos de EAD; c). A EAD ultrapassou, em
matrículas, a Educação presencial nos cursos de Pedagogia.
Siglas: EAD = Educação a Distância; UAB = Universidade Aberta do Brasil;
IES = Instituição de Ensino Superior.
2. Quais são os maiores desafios da EAD nesse tipo de educação?
R). Para mim continua sendo a questão da qualidade do ensino; que, aliás,
é também o grande problema da Educação Presencial. Mas na EAD, essa
questão se faz mais premente, porque, majoritariamente o curso é ofertado
a pessoas que, — ou por razão de pertencimento às classes sociais
inferiores, ou por habitar em lugares distantes com difícil acesso à
universidade, ou por trabalhar muito para sobreviver e não dispor de tempo
útil para estudos, ou por não possuir afinidades motoras com os ágeis
aparatos tecnológicos, ou, muitas vezes, por todos esses motivos —, não
tiveram condições de ingressar na academia. Portanto, o curso é ofertado a
pessoas que apresentam dificuldades enormes de aprendizagem; e,
precisam mais ainda do contato, do relacionamento com o professor e com
os colegas, do diálogo; elementos que a EAD, de modo geral, não privilegia.
3. Em que aspectos a Teoria Crítica da Sociedade e o legado de Adorno,
em específico, são parâmetro para a formação de educadores através
da EAD?
R). De um lado os escritos de Adorno e dos teóricos da Escola de Frankfurt
sobre dialética negativa, racionalidade instrumental, ambiguidade da
técnica, vinculação da técnica ao capital desde as origens da burguesia, nos
ajudam a examinar os elementos negativos presentes nas experiências de
EAD; por outro lado, os conceitos de Formação (Bildung), semiformação,
experiência estética e outros, nos auxiliam a questionar e, ao mesmo
tempo, a ressaltar os elementos pedagógicos e formativos presentes nas
experiências de EAD.
4. Como se dá o diálogo entre Adorno e os pensadores da Teoria Crítica
com pensadores contemporâneos como Bauman, Türcke, Kurz,
Santos, Dupas, Sevcenko dentro da sua pesquisa sobre a EAD?
R). Bauman, Türcke, Kurz, Santos, Dupas e Sevcenko são autores
contemporâneos, da era digital, que adoto em meu projeto de pesquisa,
para dialogar com as reflexões de Adorno, elaboradas na era da Revolução
Mecânica, nos anos 1940 a 1970, sobre os benefícios e os malefícios da
tecnologia; Alguns deles, como Türcke, Bauman e Kurz, em seus escritos,
dialogam diretamente com os frankfurtianos.
5. De que forma as novas tecnologias digitais, com sua ambivalência,
que tem atuação na formação de educadores, fazem avançar a
educação brasileira?
A resposta a essa questão é parte de minha pesquisa em
desenvolvimento; minha hipótese é que as tecnologias digitais,
enquanto uma ferramenta contemporânea, enquanto um instrumento de
pesquisa e de informações, são fundamentais para a educação das
pessoas dos dias de hoje; o potencial formativo presente, por exemplo,
na internet é fantástico e fecundo para a experiência formativa; mas
quando os aparelhinhos tecnológicos atuais se tornam um fim em si
mesmo,
quando
são
fetichizados,
absolutizados,
tornam-se
extremamente perigosos e prejudiciais à formação dos indivíduos.
6. Tomando em consideração a racionalidade instrumental de suportes
técnicos como a EAD, é possível sobressair a autonomia do indivíduo,
seja ele professor ou aluno?
R). A questão da autonomia, sobretudo do aluno, um dos jargões mais
utilizados pelos defensores acríticos da EAD, é problemática. Eles
carregam por demais a perspectiva técnica da autonomia e não a
perspectiva crítica. Ser autônomo não é apenas saber dominar bem as
tecnologias, os aparelhos, é ter a capacidade de elaborar juízos
analíticos e críticos sobre a própria tecnologia e suas consequências no
mundo de hoje.
7. Como analisa a não neutralidade da tecnologia e a sua presença
mediadora nas ações educativas?
R). As tecnologias não são neutras; elas conduzem em seu interior a
racionalidade instrumental e ideológica de onde provêm e para que
foram feitas. O computador, com sua intencionalidade, suas
características de precisão, rapidez, sistematização, nos impõe um ritmo
de trabalho e uma maneira de agir à sua imagem e semelhança. É
preciso ter consciência disso e, no processo formativo, desenvolver
outros elementos que confrontem com essas características. Caso
contrário, nos tornamos escravos das máquinas.
8. O que entende pela frieza burguesa
de tecnologias digitais?
a partir de Adorno em tempos
R). É o tema que irei desenvolver em minha palestra. Vou partir da
seguinte citação de Adorno: “Se os homens não fossem (...)
profundamente indiferentes ao que acontece com todos os demais (...)
então Auschwitz não teria sido possível”. O objetivo desta minha
intervenção é observar, a partir dos escritos de Theodor Adorno,
particularmente de sua Dialética negativa, como o pensador analisa o
fenômeno da anti-intersubjetividade dominante nas relações entre os
homens e como sua análise se faz contemporânea da civilização
tecnológica digital.
9. Gostaria de acrescentar algum aspecto não questionado?
R). Não. Ao final da palestra, vou me colocar à disposição para debatê-la
com você e com os participantes. Além de que, estando na UNISINOS,
podemos conversar mais sobre as questões apresentadas nesta entrevista.
Obrigado, Piracicaba, 13 de março de 2012. Bruno Pucci. 
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1. Quais são os principais problemas sobre EAD que