CR14-3 (27) Carta n° 8 Rio 5 de Março 95 Caro Amigo Ruy. Recebi tua carta de 26 de ja-| neiro; não posso compre-| hender-te, que necessidade | tens de viver tao(?) triste e pre-| ocupado com os negocios | desta terra, causa-me a [inint.] | impressão, dizes-me | que estaes doente e muito | anemico, procure curar-| se empregue meios para| destrahir-se, não creio | e não vejo dificuldade | em voltares p ’aqui já, | ao contrario, parece-me | tenho mesmo certeza que | muita gente deseja vel-o | aqui, porque motivo, qual | a rasão para te conserva- | res muído no Senado | não posso admittir | isto, a tua posição de-| ve ser ao contrario, | não podes deixar de | tomar uma attitude | que não seja energica | e decidida, não só no | Senado, como na im-| prensa, isto deve for-| sosamente te traser(?) grande | vantagem, todo mundo | se voltará para ti, crê | que isto que te digo é | o que todo mundo es-| pera, tua palavra é al-| mejada, logo que aqui | chegares verás que tudo | que te digo não é uma | utopia, estou te vendo | rodeado, logo que (pro)ferires | o primeiro discurso tudo | e todos se volverão a teo | favor, tenho conversado | com muita gente a res-| peito de tua vinda e | bem assim com o Doutor | Jacobina, Luiz Carlos | e outros amigos, todos, | todos enfim, são de o- | pinião que deves vir | quanto antes; que te | importa os teos Bahi-| anos? que valor tem | elles, o unico talvez | que mais inveja tem | de ti é o M. Victorino, | que importancia tem | elle lá e aqui, nenhuma, | temos a vista a eleição [inint.| ], destes dias de Se-| nador, elle lá foi, nada | fêz, foi eleito o J. Jomahes, | sobre este não creio | o encontrar, não creio | que tenha morrido(?), aqui | não consta para onde | foi, nem que destino teve, | espero saber pelo Quartel(?) | General. Nao te remetto os jor-| naes porque estava con-| vencido que ahi os | tinha facilmente, | porem se te demorares, | eu me encarrego disso. Diz-me que as me-| ninas já estão con-| vencidas que devem | ficar e estão satisfei-| tas, a minha questao | é de ti e da Senhora | acredito que na occa-| sião te faltará a co-| ragem e a ellas tam-| bém, não as deixa-| r-á, quanto mais te de-| morares melhor(?), quanto | a outros motivos não tenhas re-| ceio, tudo quanto se me- | tteu directamente na re-| volta aqui já estão e | muitas outras forão absol-| vidas, como [inint.]. | Dermenval(?) chega por estes | dias, Patrocinio está es-| crevendo sobre a pacifica-| ção do Sul; se não for | a educação dos filhos | o que te impede de vir, | arruma as mallas e | vem, por estes dias, con-| ta-me alguns amigos. | querem te passar telegrama | pedindo que venhas, tive | disso noticia, não afianço(?) | a sua realização, sabes que | creio só no que vejo ou em | que comparticipações, fi | quei e estou bem contraria-| do com a tua resposta, es-| perava uma resposta mais | prompta e positiva, vou | ou fico é o que esperava, | porque assim eu toma- | va já uma resolução e | vinha muito a proposito, pois | apparecerão-me(?) dois alu- | gadores para a minha casa o Mi- | nistro [inint.] e o [inint.], | ficarão de me dar respos-| ta por estes oitos dias, pe-| di aluguel elevado, porque | alugo mobiliada, acha-| rão a casa explendida e | bonita, posso te afiançar | que serve para um di-| plomata, nao há luxo | mais está arranjada | a Europèa, preparei-a para | te receber e a Excelentíssima Senhora porém | vejo que os meus calculos | falharão, fico sempre na | incerteza é destino meu, | que fazer ! não sei pois | o que resolver, estou sem-| pre a espera de vapores | na esperanza de cartas | tuas para ver se me | vem alguma noticia | agradavel sobre a tua | resolução e assim ficarei | ate que tudo isto tenha | fim, não podes imaginar | o que se passa em meu espirito, que lutas, só eu | a sinto e não tenho meios | de esplical-a a ninguem. | Annicota manda | dizer a Dona Cota que seja | a primeira a tomar | uma resolução, que ve-| nha, eis o que ella diz | ahi vai por sua letra. Amiga Cota Não vejo perigo em voltar, todos os | que se envolverão na revolução aqui | estão de volta tome uma resolu-| ção firme ou então se resolver ficar | ahi por mais tempo mande-nos di-| zer com certeza, porque(?) faremos um | sacrificio e iremos fazer companhia | se já não fizemos isto foi pela in-| certeza de não mais encontral-os, porque(?) | a todo o momento corre o boato que | o Conselheiro Ruy e familia estão a chegar. | Como passão todos os seus filhos, beije-os | e abrace-os(?) por mim e Cecilia que tam-| bém lhe envia abraços e ao Conselheiro(?) a quem | peço para abraçal-o, e aceite boa amiga | muitos beijos e saudozos abraços Da amiga sincera Annicota. não quera procurar | tormentos, não suppor- | tão as saudades | quando vierem, tra- | gão as meninas, | basta o Ruysinho e [inint.] | se vier não(?) será a cau-| sa de muitas saudades, | não augmento(?) o teu | sofrimento, se tivessem | ahi uma pessôa de con-| fiança que os vigiasse | de perto, bem, mais não | tendo, entendo que de mo-| do algum devem ficar, | se fizerem isto estou cer-| to que Você e a Senhora em | pouco tempo se arre-| penderá, Vocês podem vi-| ver ausentes das me-| ninas? deixen-se(?) de | disto, não creio, isto | Ruy é impossível, | tu e a Senhora logo que a | aqui chegarem sem | ellas, ficão doentes. as meninas devem e | devem vir. De hoje em diante | te escreverei todas as | semanas. Como vai [inint.] | e a Excelentíssima Maria Lisiza(?) | Victoria; sei que é mo-| rena e bonita, não como | a mae desta Excelentíssima Senhora | afirmão-me que está muito| mais ainda, previa isto, | como não virá orgulhosa, | apresente-lhe nossa eterna | gratidão, diga-lhe que temos | por ella as maiores sau-| dades. Um abraço nosso em teos | filhos muitas e muitas saudades | de todos nos. Do amigo de Cá. Carlos. que seja teo inimigo,| se não fez caso de | tua carta, se não a | publicou, foi de mêdo, | meu caro; mêdo não | é brinquedo o que se | fez o que se praticou, | nunca nossa geração | prensenciou mem i-| maginou que se podesse | dár, mais tarde verifi-| carás que de muitas cou-| sas que te tenho escripto | muitas são puras ver-| dades, Filgueiras(?) é teo | amigo, o que elle quer | é não perder o logar | de Deputado, já lhe | disse isto, e em relação | a ti muitas cousas duras | tenho lhe-dito(?), mande | a Bahia e as Bahianas | a aquella parte, pro-| cure tratar-se é isto | o que me inquieta e o | que me causou profun| da tristeza e certa apre-| henção, te conheço bem,| quando tens qualquer | cousa que te encomo-| da o espîrito, sei que | isto te fâz adoecer, se | te sente doente vem res-| pirar o nosso ár, aqui | ao menos estarás rodeado | dos teos parentes e amigos, | sobre estes posso te garan-| tir ainda os tens e de-| cididos, as tempestades | que a muito tempo se desen-| cadearão – sobre esta terra | tenho fé em Deus onde(?) | passarem, tudo voltará | a seus eixos, espero ainda | ver-te grande, feliz es-| timado e muito contente | no seio de tua família, | o(?) futuro ati pertence, os | dias felizes virão, tenha confiança no teo destino Tenho te escripto muitas cartas, tenho tirado dos jor-| naes tudo que diz respeito | a ti e que te pode enteressar, | tenho remettido, não posso | acreditar que se tenha ex-| traviado é bem possivel que | a esta hora tenhas recebido, | ahi vai o Apostolo(?) em(?) | folheto e o Livro(?) do [inint.] | Não me esqueci do Lucas,| não me tem sido possivel | encontral-o, na prisão não | está, me parece que foi para | algum Batalhão, em-| prego todos os meios para