ENTECA 2013
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
1 a 3 de outubro de 2013
DIRETRIZES NORMATIVAS RELATIVAS A PORTAS DE MADEIRA DE
EDIFICAÇÕES
Cesar Ballarotti1
RESUMO
Este estudo tem por objetivo identificar e discutir as principais diretrizes das normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) referentes às portas de madeira utilizadas nas edificações.
Tendo em vista a implementação da ABNT NBR 1557:2013 e seus requisitos de desempenho e
classificação, são discutidos os parâmetros envolvidos. Baseados em estudos desenvolvidos sobre
esquadrias de madeira, são apresentados alguns relatos de desempenho e patologias observadas. Das
principais fábricas de portas e esquadrias apenas uma delas faz referência às normas técnicas (NBR
15930: 2011) e as correlaciona com seus produtos. Observou-se uma mudança significativa e um
aprimoramento nas diretrizes normativas entre a NBR 8452:1986 e a atual NBR 15930:2011 que a
substituiu. Ela também concentra informações relativas à terminologia, simbologia, requisitos de
desempenho e parâmetros de padronização em um único documento.
Palavras-chave: Portas
Manutenibilidade.
1
de
madeira.
Desempenho.
Normas
técnicas.
Prof. MSc., Universidade Estadual de Londrina, Departamento de Estruturas, [email protected]
Durabilidade,
1
INTRODUÇÃO
O texto da nova norma ABNT NBR 15930-2:2011 tomou como base a ISO 6241, além de
normas técnicas européias e americanas e envolveu 20 empresas do setor, um universo que
representa 90% do mercado de portas de madeira no Brasil, além de representantes de
Universidades, Laboratórios, Certificadoras e entidades de classe como Sinduscon, Anamaco, Afeal
e IBS.
Ao todo, foram seis anos de ensaios e pesquisas com o produto. Até então, os produtos
nunca haviam sido submetidos aos dez ensaios relativos às portas, o que, na prática, quer dizer que
o mercado comprava e aceitava produtos sem qualificação. Por enquanto, estão em vigor as partes 1
(Terminologia e Simbologia) e 2 (Requisitos). As partes 3 (Requisitos de Desempenho Adicionais)
e 4 (Instalação e Manutenção) estavam previstas para serem publicadas ainda no segundo semestre
de 2012.
A ABNT NBR 15575:2013 - Edificações Habitacionais – Desempenho - busca atender aos
requisitos dos usuários que, no caso deste estudo, referem-se aos sistemas de vedação vertical no
qual estão incluídas as portas de madeira das edificações. O foco desta norma está nos requisitos
dos usuários para o edifício e seus sistemas em uso, quantificando e qualificando o desempenho que
envolve a durabilidade dos sistemas, a manutenibilidade da edificação e o conforto dos usuários. Os
conceitos de durabilidade e manutenibilidade referem-se à capacidade da edificação ou de seus
sistemas de desempenhar suas funções, ao longo do tempo e sob condições de uso e manutenção
especificadas. “O termo manutenibilidade refere-se ao grau de facilidade de um sistema, elemento
ou componente de ser mantido ou recolocado no estado no qual possa executar suas funções
requeridas, sob condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sobre condições
determinadas, procedimentos e meios prescritos pelas normas ou manuais de usuário” (ABNT NBR
15575-1:2012). As recomendações relativas aos níveis de desempenho mais detalhadas para a Vida
Útil de Projeto (VUP) estão detalhadas no Anexo C dessa norma.
A utilização cada vez maior de materiais sintéticos na fabricação de componentes de
esquadrias de madeira em relação ao uso de madeira maciça pode tornar a edificação pouco
sustentável. A sustentabilidade tem um fator determinante, que é o consumo de energia que cada
produto utiliza para ser gerado, mantido (gasto com manutenção) e descartado no final do processo
de utilização. Esses conceitos estão sendo discutidos e se contextualizam na Análise do Ciclo de
Vida (ACV), que contempla o ciclo de Produzir, Utilizar e Descartar das edificações que na
atualidade em muitos casos entram em processo de patologia mesmo antes de serem entregues aos
seus usuários.
Das principais fábricas de portas, verificou-se que apenas a Fábrica A faz referência à
ABNT NBR 15575:2013 e à ABNT NBR 15930:2011 tanto no seu site como nos seus folders:
”Opções de desempenho norma ABNT NBR 15575:2013 Intermediário e Superior”. Da mesma
forma, na região do norte do Paraná, encontrou-se apenas a Construtora Y fazendo referencia
explícita sobre a norma em questão: “Com esta tecnologia construtiva, antecipam-se os requisitos
da norma NBR 15575, para proporcionar maior conforto aos usuários dos seus Empreendimentos.”
2
NORMAS DA ABNT RELACIONADAS A PORTAS DE MADEIRA
As principais normas da ABNT relacionadas às portas de madeira são as seguintes: A
ABNT NBR 8037:1983 PORTA DE MADEIRA DE EDIFICAÇÃO – Terminologia, que define
os termos empregados em portas de formato retangular e seus componentes. Esta norma foi
substituída pela ABNT NBR 15930-1:2011. A ABNT NBR 8542:1986 DESEMPENHO DE
PORTA DE MADEIRA DE EDIFICAÇÃO – Procedimento, que fixa as condições exigíveis para
portas de madeira destinadas ao uso interno e externo em edificações residenciais e comerciais,
quando da verificação do seu desempenho. Entretanto, esta norma não abrange as condições
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
2
relativas às exigências de segurança ao fogo e de conforto térmico e acústico. Esta norma já foi
substituída pela ABNT NBR 15930-2:2011. A ABNT NBR 15930:2011 PORTAS DE MADEIRA
PARA EDIFICAÇÕES, em sua parte 1 define os termos adotados para portas destinadas a
edificações, bem como a padronização e a simbologia a serem empregadas quando da especificação
de portas de edificações, e na parte 2 especifica os requisitos para o estabelecimento e avaliação do
perfil de desempenho e a respectiva classificação de portas de madeira para edificações de acordo
com a ocupação e local de uso.
2.1
Parâmetros de desempenho
A definição do produto ideal para cada ambiente da edificação depende também de fatores
como as características e a origem da madeira, o local de instalação, a intensidade de uso e o
desempenho acústico desejado, entre outros aspectos técnicos. A ABNT NBR 15.930:2011
classifica as portas de acordo com tipo de uso e desempenho, deixando mais claro para os
projetistas os critérios técnicos a serem adotados na especificação do produto em relação às
anteriores.
Os estudos para o desenvolvimento do texto desta norma começaram em 2005, com a
revisão de normas da ABNT já existentes. Como as normas eram desmembradas umas das outras,
acabavam não sendo devidamente seguidas por fabricantes, construtoras e escritórios de projeto. “A
intenção era trazer para o Brasil uma norma em sintonia com a ABNT NBR 15575:2013 - Edifícios
Habitacionais de Até Cinco Pavimentos - Desempenho, mas atendendo a aspectos globais,
principalmente porque os principais fabricantes do Brasil são grandes exportadores”, explica o
coordenador da comissão de estudos de portas de madeira da ABNT, Roberto Pimentel Lopes
(CARVALHO, 2013). Com a padronização, os fabricantes passam a desenvolver as mesmas portas,
sem diferenciação, tanto para o consumo interno quanto para exportação.
Dentre os vários parâmetros de desempenho apresentados pela ABNT NBR 15930-2: 2011 e
a experiência prática do autor, elencou-se nas sessões seguintes sete dos principais parâmetros.
2.1.1 Constituição física das portas
Na ABNT NBR 15930-1:2008, o quadro 4.11 apresenta a nomenclatura das portas de
acordo com sua massa: leve, média, pesada e super pesada. Ela define os vários tipos de enchimento
de portas, de acordo com as indicações e necessidade de projeto e a tecnologia utilizada pelo
fabricante. Entretanto, a ABNT NBR 15930-2:2011 não faz referência direta ao tipo de enchimento
das portas, sendo que o desempenho mecânico e acústico das portas deva ser assegurado de acordo
com as necessidade de projeto.
2.1.2 Geometria de portas, marcos e alizares
Na ABNT NBR 15930-2:2011 item 3.1.3.3, definem-se as variações dimensionais nominais
(VN), desvios de forma e de planicidade das portas em três níveis (VN1, 2 e 3) relativos a:
a) Altura, largura, espessura e esquadro das portas, com valores de 0,5 a 3,0 mm – tab. 6;
b) Abaulamento, encanoamento, torção ( 1,0 a 4,0 mm), irregularidades de superfície (0,2 a
0,6 mm), curvatura borda vertical (1,0 a 2,0 mm) e abaulamento diagonal (2,0 a 4,0 mm)
– tab. 7.
O VN1 considera valores maiores, em um padrão menos rigoroso, e o VN3 valores menores,
o que indica um padrão de qualidade mais rigoroso. Portanto, a norma sugere três categorias de
portas de acordo com as variações dimensionais que os lotes apresentarem, o que parece bastante
razoável. Também na ABNT NBR 15930-1: 2008, no item 6.2.2, apresentam-se os limites de
variações dimensionais, desvios de forma e da planicidade.
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
3
No caso do marco de madeira (batentes), a tabela 8 apresenta quatro padrões dimensionais
de espessuras, variando de 20 a 50 mm de acordo com a categoria e o tipo de marco. Da mesma
forma, as tabelas 9 e 10 apresentam as variações limites das dimensões da seção transversal dos
marcos, que variam de 0,5 a 1,5 mm e do encurvamento e arqueamento dos montantes (1,0 a 3,0
mm) e travessas (0,5 a 1,5 mm). Afinal, madeira tem fibras e trabalha no processo de desdobro das
toras, o que libera as tensões internas e pode provocar o encurvamento e o fendilhamento das peças
(Garcia, 1992).
No caso dos alizares (guarnições) esta norma sugere quatro padrões dimensionais com as
seções variando de 8 x 40 mm até 15 x 70 mm. De acordo com Ballarotti (2011), os alizares que se
compõem com os rodapés requerem uma espessura mínima de 13 mm para poderem cobrir as
frestas dos pisos junto às paredes.
2.1.3 Resistência mecânica – ensaios de corpo mole e corpo duro
De acordo com o item 7.6.1.1 da ABNT NBR 15575-4:2013, o fechamento brusco da porta
deve ser realizado segundo a ABNT NBR 15930-2:2011. O impacto de corpo mole deve ser
aplicado no centro geométrico da folha de porta, devidamente instalada no SVVIE (Sistema de
Vedação Vertical Interna e Externa). Podem ser seguidas as diretrizes gerais da ABNT NBR 159302:2011, considerando impacto somente no sentido de fechamento da porta, no caso de SVVI
(Sistema de Vedação Vertical Interna), e tanto no sentido de fechamento como de abertura da porta,
no caso de SVVE (Sistema de Vedação Vertical Externa). Na montagem da porta para o ensaio, as
fechaduras devem ser instaladas de acordo com o que prescreve a ABNT NBR 14913:2011.
2.1.4 Durabilidade
A Vida Útil de Projeto (VUP) de esquadrias de madeira, conforme aplicação dos conceitos
do anexo C da ABNT NBR 15575:2013 é de 8 a 12 anos para as portas internas, de 13 a 20 anos
para portas externas e de 4 a 6 anos para alizares. Nenhuma referência foi feita aos marcos
(batentes) que compõem o kit das portas. A VU pode ser normalmente prolongada através de ações
de manutenção, conforme indicado nesta norma. Quem define a VUP, deve também estabelecer as
ações de manutenção que devem ser realizadas para garantir o atendimento à VUP. É necessário
salientar a importância da realização integral das ações de manutenção pelo usuário, sem as quais
corre-se o risco de a VUP não ser atingida.
2.1.5 Resistência ao fogo
No item 8.5.1.2 da ABNT NBR 15575:2013, que versa sobre “dificultar a propagação do
incêndio”, tem-se as medidas de isolamento de risco por proteção, incluindo no sistema construtivo
o uso de portas ou selos corta-fogo, a fim de que o edifício seja considerado uma unidade
independente.
2.1.6 Isolamento acústico
De acordo com o anexo E da ABNT NBR 15575:2013, o método consiste em medir o nível
de pressão sonora durante um ciclo de operação do aparelho hidro-sanitário. A avaliação deve ser
realizada no dormitório da unidade habitacional ao lado, acima ou abaixo do local onde o
equipamento está instalado (ruído percebido) quando há o acionamento do aparelho (ruído emitido).
A medição deve ser feita com todas as portas dos banheiros, dormitórios e de entrada, assim como
todas as janelas das duas unidades habitacionais fechadas.
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
4
2.1.7 Aspecto visual - aparência
Os critérios estéticos têm um peso grande no processo de especificação de portas de madeira
para edificações residenciais e comerciais, fato que durante muitos anos orientou a escolha do
produto. Tão importante quanto o desempenho é o acabamento das portas.
Utilizando-se madeira reflorestada ou madeira nativa de manejo florestal, desenvolvem-se
esquadrias com durabilidade garantida por tratar-se de madeira maciça no marcos e alizares (Figura
1).
Figura 1 - Portas com lâminas de curupixa (Micropholis venulosa), batentes e guarnições de Eucalyptus
grandis.
Fonte: Projeto de Extensão UEL PROEX 1496.
3
REGISTROS DE PATOLOGIA E DESEMPENHO DE PORTAS DE MADEIRA
As portas de madeira ainda figuram entre os produtos com maior número de registro de
patologias verificadas na pós-ocupação de imóveis. Com a publicação da Norma ABNT NBR
15930-2:2013 – Portas de madeira para edificações, no entanto, o setor poderá começar a reverter
essa realidade. Em vigor desde dezembro de 2011, a nova norma substitui os nove textos que até
então balizavam o produto, trazendo como uma das principais novidades novos critérios de
classificação por classe de desempenho das portas, de acordo com algumas características tais
como: ocupação e uso (residencial, comercial, hotelaria, hospital, etc.).
Batentes e guarnições ficam freqüentemente expostos a pequenos impactos na passagem de
objetos e durante a limpeza de pisos e às eventuais umidades em suas bases, notadamente nas áreas
molhadas da edificação. De acordo com a ABNT NBR 15930-2:2011, as esquadrias devem resistir
à umidade e aos impactos gerados pelo uso da edificação, dentro de determinados padrões (Figura
2).
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
5
Figura 2 – Pés de batentes laminados sendo atacados pela umidade e abrasão.
Fonte: Projeto de Extensão UEL PROEX 1496.
3.1
Enquadramento dos parâmetros de desempenho
Conforme pode-se observar, a nova norma ABNT NBR 15930-2:2011 é bastante detalhada e
abrangente nas especificações normativas dos componentes do kit de portas, considerando os
principais aspectos envolvidos na definição do produto, sua qualificação, classificação e
manutenção, para que se assegure um desempenho de acordo com os requisitos da ABNT NBR
15575:2013.
Segue um exemplo de aplicação da Fábrica A enquadrando seu produto na nova norma ABNT
NBR 15930-2:2011:
1- Qualquer porta de uso interior que venha sofrer ação direta ou indireta das intempéries (sol e
chuva) deverá ser classificada como porta Exterior com perfil de desempenho PXM – Porta
Externa, de acordo com a norma ABNT NBR 15930-2:2011;
2- Para requisito adicional de desempenho acústico, a porta de madeira deverá ser classificada
como PEM IA - Porta Isolante Acústica, de acordo com o nível de conforto desejado, com
classes de desempenho da porta de 1 a 6 ( 20 dB até acima de 40 dB RW) a ser definido em
projeto especifico;
3- Para requisito adicional de resistência ao fogo, a porta de madeira deverá ser classificada
como PEM CF30 – Porta Corta-fogo 30 minutos, conforme norma ABNT NBR 15281:2005
– Porta corta-fogo para entrada de unidades autônomas e de compartilhamentos específicos
de edificações.
4
DESEMPENHO E VIDA UTIL
Durabilidade e manutenibilidade: a durabilidade do edifício e de seus sistemas é um requisito
econômico do usuário, pois está diretamente associado ao custo global do bem imóvel. A
durabilidade de um produto se extingue quando ele deixa de atender às funções que lhe forem
atribuídas, quer seja pela degradação que o conduz a um estado insatisfatório de desempenho, quer
seja por obsolescência funcional. O período de tempo compreendido entre o início de operação ou
uso de um produto e o momento em que o seu desempenho deixa de atender aos requisitos do
usuário preestabelecidos é denominado vida útil.
No Anexo C da ABNT NBR 15575:2013, fez-se uma análise mais abrangente dos conceitos
relacionados com a durabilidade e a vida útil, face à importância que representam para o
desempenho do edifício e seus sistemas. Projetistas, construtores e incorporadores são responsáveis
pelos valores teóricos de Vida Útil de Projeto que podem ser confirmados por meio de atendimento
às normas Brasileiras ou Internacionais (por exemplo, ISO e IEC) ou Regionais (por exemplo,
MERCOSUL) e não havendo estas, podem ser consideradas normas estrangeiras na data do projeto.
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
6
Não obstante, não podem prever, estimar ou se responsabilizar pelo valor atingido de Vida Útil
(VU) uma vez que este depende de fatores fora de seu controle, tais como o correto uso e operação
do edifício e de suas partes, a constância e efetividade das operações de limpeza e manutenção,
alterações climáticas e níveis de poluição no local, mudanças no entorno ao longo do tempo
(trânsito de veículos, rebaixamento do nível do lençol freático, obras de infra-estrutura, expansão
urbana, etc.). A ABNT NBR 15575:2013 não se aplica a obras em andamento ou a edificações
concluídas até a data de entrada em vigor desta Norma. Também não se aplica a obras de reformas
nem de “retrofit” nem edificações provisórias.
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O edifício e seus sistemas devem apresentar durabilidade compatível com a Vida Útil de
Projeto VUP preestabelecida no item 14.2.1 da NBR 15575:2013, que no caso das portas de
madeira e seus componentes devem ser de no mínimo 20 anos. Com isso, as esquadrias de madeira
deverão ser constituídas de materiais que apresentem requisitos de durabilidade compatíveis com
essa vida útil.
Observou-se que houve uma mudança significativa e um aprimoramento nas diretrizes
normativas entre a NBR 8452:1986 e a atual NBR 15930:2011, que a substitui. Esta norma
contempla diferentes tipos de madeira, dentre estas a utilização do Eucalyptus grandis na confecção
de portas, marcos e alizares, que é, por exemplo, utilizado pela Fabrica A (Ballarotti, 2011).
Portanto existe a alternativa de execução de dessas esquadrias com madeira maciça renovável,
garantindo assim os requisitos das novas normas.
ANEXO 1
Exemplo de especificação de portas internas e externas parametrizadas pelas normas vigentes da
ABNT: Especificação da Porta uso Residencial
Porta Interna:
Perfil de desempenho ABNT NBR 15930-2: PIM – Porta Interna
Localização de uso: área interna seca (dormitórios, salas, gabinete, circulação);
Perfil de desempenho ABNT NBR 15930-2: PIM RU – Porta Interna Resistente à Umidade;
Localização de uso: área interna molhável (cozinha, banheiros, lavabo e área de serviço)
Folha da Porta em madeira:
Critério Construtivo: madeira composta com as faces em laminado de madeira natural;
Massa da Folha: 13-14 kg/m2 – classificação média;
Acabamento da Folha: Madeira padrão Ipê Champagne com verniz PU;
Dimensões da Folha: 800x2100x40 mm e 700x2100x40 mm.
Marco e alizares em madeira:
Critério construtivo: marco com alizares em madeira maciça, regulável até a largura final das
paredes, com amortecedor de impactos;
Densidade da madeira: pesada – acima de 750 kg/m3;
Acabamento: Madeira padrão Ipê Champagne com verniz PU;
Dimensões do marco: largura dos montantes de acordo com o projeto executivo;
Dimensões dos alizares: faces fixa e regulável com largura 70 mm.
Porta de Entrada: Perfil de desempenho ABNT NBR 15930-2: PEM-Porta de Entrada
Localização de uso: área interna seca (entrada social e área comum);
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
7
Perfil de desempenho ABNT NBR 15930-2: PEM RU-Porta de Entrada Resistente à Umidade;
Localização de uso: área interna molhável (entrada de serviço e área comum).
Folha da Porta em madeira:
Critério Construtivo: madeira composta com as faces em Melamina BP;
Massa da Folha: 17-18 kg/m2 – classificação média;
Acabamento da Folha: Melamina BP padrão Canela da Berneck;
Dimensões da Folha: 900x2100x40 mm
Marco e alizares em madeira:
Critério construtivo: marco com alizares em madeira maciça, regulável até a largura final da parede,
com amortecedor de impactos;
Densidade da madeira: pesada – acima de 750 kg/m3;
Acabamento: Madeira padrão Ipê Champagne com verniz PU;
Dimensões do marco: largura dos montantes de acordo com o projeto executivo;
Dimensões dos alizares: faces fixa e regulável com largura 70 mm.
Ferragens em Aço Inox:
Critério construtivo: Aço Inox AISI 304 (dobradiças e maçanetas);
Dobradiças: tipo palmela com 100x88x3mm – conforme Tabela 23 da ABNT NBR 15930-2;
Fechadura: para uso interno com trafego médio – conforme Tabela 24 da ABNT NBR 15930-2;
Maçanetas: Puxador e roseta com mola auxiliar de retorno.
ANEXO 2
Normas Aplicáveis
ABNT NBR 15930-1 - Portas de Madeira para Edificações: Terminologia e Simbologia;
ABNT NBR 15930-2 - Portas de Madeira para Edificações: Requisitos;
ABNT NBR 14790 – Manejo Florestal – Cadeia de custodia: Requisitos;
ABNT NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos;
ABNT NBR 9077- Saída de Emergência em Edificações;
ABNT NBR 10152 - Níveis de Ruído Para Conforto;
ABNT NBR 15575-1 – Edificações Habitacionais – Desempenho: Requisitos gerais;
RDC-50 - Regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de
projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde.
ANEXO 3
Ação da água, calor e umidade
Há um paralelo ao ensaio de ação da água na normalização francesa, (AFNOR NF P 20522:1983) onde a borda inferior da folha é imersa numa lâmina de água com 10 mm de altura por
oito horas e seca ao ar por 40 horas, não se admitindo qualquer dano.
Na NBR 8544 esses itens são requeridos em caso de portas internas e de entrada, resistentes à
umidade, bem como em portas externas. Quando do ensaio de ação da água, no caso de portas
internas e de entrada, imerge-se o bordo em 20 mm de água, por duas horas, com posterior secagem
ao ar por 48 horas, não se admitindo:
a) descolamentos e delaminações que, isoladamente, ultrapassem 25 mm
b) soma dos descolamentos e delaminações que ultrapassem 10% da largura da folha
c) aumento de espessura da base da folha superior a 3,5 mm
d) fissuras verticais acima de 10 mm de extensão
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
8
Para portas externas, os períodos são de oito horas de imersão em água e secagem por 48 horas.
No caso da ação de calor e umidade, segundo a NBR 8544, verificam-se não somente as
condições de secagem e suscetibilidade à umidade dos componentes florestais da folha, mas
também as condições de colagem, principalmente da capa e de seus materiais constituintes.
A folha é submetida a ciclos de secagem em estufa (50±5)°C e condicionamento em câmara
úmida (25±5)°C e (85±5)%UR, conforme segue:
a) câmara úmida, 24 horas;
b) estufa, 24 horas;
c) câmara úmida, 72 horas;
d) estufa, 48 horas.
Terminado o ciclo, avalia-se a folha segundo os mesmos critérios do ensaio de ação da água.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15575: Edifícios
Habitacionais–Desempenho. Rio de Janeiro. 2013.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15930-2: Portas de
madeira para edificações – parte 2: Requisitos. Rio de Janeiro. 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 14913: Fechadura de
embutir – Requisitos, classificação e métodos de ensaio, Rio de Janeiro. 2011.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15930-1: Portas de
madeira para edificações – terminologia. Rio de Janeiro. 2008.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8542: Desempenho de
Porta de Madeira de Edificação. Rio de Janeiro. 1986.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICA. NBR 8544: Porta de madeira de
edificação, Verificação do comportamento da folha sob ação da água e sob ação do calor –
método de ensaio. São Paulo, 1984.
BALLAROTTI, C. A Utilização do Eucalyptus Grandis em Esquadrias: Uma Alternativa Ecológica
e Tecnológica. ENTECA2011, UEM, Maringá 2011.
_____________. Projeto usa Tecnologia para Melhorar Qualidade da Madeira. Boletim Noticia
UEL.Universidade Estadual de Londrina. Londrina – PR, ano 31, n. 1.248, p. 4 - 5, 01 set.
2010b.
_____________.Projeto da Uel Ensina como Tratar Madeira. Folha Norte de Londrina,LondrinaPR,p. 4, 10 dez. 2010a.
_____________. Melhoria da qualidade da madeira para as micros e pequenas empresas moveleiras
do Paraná.Projeto de Extensão UEL PROEX 1496. Universidade sem Fronteira - PR: 20082009.
_____________.Secagem de Madeira pra uso na construção civil e empresas moveleiras do norte
do Paraná.Projeto de extensão UEL PROEX 1496,Universidade Estadual de Londrina: 20102013.
BUENO, C. Avaliação de desempenho ambiental de edificações habitacionais: análise
comparativa dos sistemas de certificação no contexto brasileiro. Dissertação de mestrado.
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
9
IAU/USP. São Carlos, 2010. <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18141/tde05012011-100311/pt-br.php>.
BUENO, C.; ROSSIGNOLO, J. A. Análise da aplicação da certificação ambiental de
edificações habitacionais LEED for Homes no contexto brasileiro. Risco (São Carlos), v.
13, p. 65-74, 2011.
CARVALHO, C. Portas – Escolha Padronizada, Revista Téchne, Junho 2013.
GARCIA, J.N. Estados de tensão em árvores e de deformação em peças de madeira serrada.
1992. 243f. Tese (Doutorado em Estruturas) Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
São Paulo, 1992.
IX Encontro Tecnológico da Engenharia Civil e Arquitetura
10
Download

revisoes do avaliador-1 - Departamento de Engenharia Civil