FALA E LETRAMENTO: A IMPORTÂNCIA DA LEITURA, INTERPRETAÇÃO E ESCRITA NA VIDA DO EDUCANDO Eufrânio Lucindo Júnior1, Maria das Graças Jorge2 1 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre (FAFIA)/Departamento de Pedagogia, Rua Belo Amorim, 100, Alegre-ES [email protected] 2 Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre (FAFIA)/Departamento de Pedagogia, Rua Belo Amorim, 100, Alegre-ES [email protected] Resumo - A leitura esta estritamente relacionada à escrita, mas sua aprendizagem esta tradicionalmente ligada aos atributos linguísticos, culturais, sociais e a formação do sujeito, sejam como meio de permitir ao individuo a aquisição do conhecimento, seja como meio de viabilizar sua atuação social. Palavras-chave: Leitura, Culturais, Conhecimento. Área do conhecimento: Ciências Humanas (Educação). Introdução Desde que a humanidade tomou consciência do poder intelectual que desenvolve, esta vem criando meios e técnicas que facilitem e aprimorem seus conhecimentos, na busca de conhecer-se e conhecer o mundo se expande à sua volta, buscando na escrita, na codificação e decodificação, registrar sua história, adaptando-se aos vários fatores que, paulatinamente, iam se inserindo a esta história modificando-a de forma quase que irreversível (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). A escrita não foi o primeiro dos mecanismos de fixação cultural utilizados pela humanidade, embora se possa afirmar que é dos mais antigos. Assumiu um caráter distintivo, conferindo aqueles que dominavam a técnica de escrever, um lugar de destaque na sociedade. Enquanto prática, a leitura associa-se a escrita, ocorrendo à fixação do texto na matéria livro, a alfabetização do indivíduo, de preferência na fase infantil ou juvenil da sua vida (ORLANDI et al., 1999). As práticas de leitura e escrita colocam os falantes com maiores chances de constituir cidadania plena. A linguagem facilita os meios, embora não represente garantia para retirar os cidadãos do lugar à margem da sociedade organizada (MOLLICA, 2011). Desenvolvimento O contato com o texto escrito é, em essência, um ato repleto de vida. Está, ou deveria estar no cotidiano de todos, nas práticas diárias de comunicação e nas bases do conhecimento de toda a sociedade. Saber ler e escrever é para o indivíduo, uma garantia de existência política e cultural num país que, por sua vez, se pretenda letrado e, assim, desenvolvido (SCHOLZE e ROSING, 2007). A leitura esta estritamente relacionada à escrita, mas sua aprendizagem esta tradicionalmente ligada aos atributos linguísticos, culturais, sociais e a formação do sujeito, sejam como meio de permitir ao individuo a aquisição do conhecimento, seja como meio de viabilizar sua atuação social (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). A leitura e a escrita deixam de se associar a mera habilidade de reconhecimento e de manipulação das letras do alfabeto. Ler e escrever não são apenas habilidades estabelecidas em torno da decodificação, muito mais do que isso, saber ler e escrever significa apropriar-se das diversas competências relacionadas à cultura orientada pela palavra escrita, para dessa forma, atuar nessa cultura e, por decorrência, na sociedade como um todo (SCHOLZE e ROSING, 2007). Ler é produzir sentido, ensinar a ler é contextualizar textos, é alfabetizar, levar o aluno ao domínio do código escrito. É um direito de cidadania do aluno ter acesso aos meios expressivos construídos historicamente pelos falantes e escritores da língua portuguesa para se tornar capaz de ler e compreender todo e qualquer texto já escrito nessa língua. Ensinar a ler é levar o aluno a reconhecer a necessidade de aprender a ler tudo o que já foi escrito, é também dar acesso aos meios expressivos necessários para que o mesmo leia não apenas os seus contemporâneos, XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e XIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 1 dialogando com eles dentro de um universo comum de questões, problemas e descobertas, mas também os antigos, até os fundadores da língua para que ele possa perceber que a língua portuguesa que lê é produto do trabalho de homens como ele que a tornaram capaz de expressar o que precisaram que ela expressasse (NEVES et al., 2004). A leitura deve acontecer continuamente com as diferentes formas e objetivos no contexto do cotidiano, e para que tenha sentido para o educando, tenta-se descrevê-la de forma sucinta. Para aprender a ler, é preciso interagir com uma variedade de textos escritos e participar de fato dos atos da leitura. É importante que o aluno receba incentivo e ajuda de leitores experientes para ampliar os seus objetivos e interesses (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). Ler é decifrar e buscar informações. Já se sabe que o segredo da alfabetização é a leitura. Alfabetizar é, na sua essência, ensinar alguém a ler, ou seja, a decifrar a escrita. Escrever é em decorrência desse conhecimento e não o inverso. Na prática escolar, parte-se sempre do pressuposto de que o aluno já sabe decifrar a escrita, por isso o termo “leitura” adquire outro sentido. Trata-se, então, da leitura para conhecer um texto escrito. Na alfabetização, a leitura como decifração é o objeto maior a ser atingido (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). A escrita possui múltiplas funções, desde as mais rotineiras até as que permitem acesso as esferas de poder. A intimidade com a escrita de modo diferenciado e sua utilização heterogênea são responsáveis pela construção de identidades sociais distintas, assim como pelo grau de envolvimento e participação na sociedade por parte da população, componentes determinantes para a formação da cidadania (MOLLICA, 2011). A escola é uma das agencias de letramento, paralelamente a outros sistemas assentados na experiência de vida, na necessidade da sobrevivência, na profissão dos indivíduos, na atuação dos cidadãos em suas comunidades particulares ou em âmbito mais geral. Assim, o letramento tem que ser entendido como práticas sociais em que se constroem identidade e poder extrapolando-se os limites da escrita (MOLLICA, 2011). A leitura na escola tem sido fundamentalmente, um objeto de ensino. Para que possa construir também objeto de aprendizagem, é necessário que faça sentido para o aluno, isto é, a atividade de leitura deve responder do seu ponto de vista, a objetivos de realizações imediatas (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). Quando lemos estamos produzindo sentidos (reproduzindo e transformando). Mais do que isso, quando estamos lendo, estamos participando do processo de produção dos sentidos e o fazemos de um lugar e com uma direção histórica determinada (ORLANDI et al., 1999). A leitura, a escrita e oralidade e as posturas do professor em sala são exemplos que modelam e negociam com a produção de significação de cada aluno. Assim, a produção da novidade no aprendizado depende da história que o aluno está participando e tecendo para si com os outros, incluindo seus professores e colegas: das suas experiências, do seu conhecimento prévio e do embate dessas experiências no cotidiano da casa, da família, da rua com as novas vivencias e os novos encontros proporcionados no ambiente escolar. A escola oferece possibilidades de socialização, e as práticas de letramento produzem momentos muito ricos para o desenvolvimento da identificação cultural e pessoal do aluno (Moita Lopes, 2004), inclusive, pela valorização das práticas linguísticas das comunidades (SCHOLZE e ROSING, 2007). Na concepção de Ferreiro (1995): “A leitura e a escrita têm sido tradicionalmente consideradas como objeto de uma instrução sistemática, como algo que deva ser ensinado e “cuja aprendizagem” suporia o exercício de uma série de habilidades específicas”. A escrita não é um produto escolar, mais sim, um objeto cultural, resultado do esforço coletivo da humanidade e sendo um objeto cultural, a escrita cumpre diversas funções culturais. Ou seja, a produção da escrita começa antes da escolarização (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). A escrita tem sua função na leitura, ou seja, escrever é escrever para alguém ler. Por isso, é importante veicular o texto produzido; caso contrário o aluno passará a ser um leitor burocrático, escolar, cuja finalidade é verificar acertos e erros. E isso leva a escrita vazia, sem sentido, burocrática (PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA, 2013). Considerações finais Ler e escrever são tarefas na escola, em cada sala de aula e na biblioteca, esta como o espaço convergente de todas as atividades. É nela que se estimula a circulação e a transferência da informação, que se favorece a convivência dos diferentes segmentos da comunidade escolar, pertencendo, portanto, a todos os usuários e, ao mesmo tempo, não sendo propriedade exclusiva de uns ou de outros. A escola que não olha para sua biblioteca, que não a vê como espaço do XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e XIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 2 professor – com livros para seu aperfeiçoamento continuado - e do aluno, descura da leitura e da escrita que realiza. Ler e escrever, portanto, implica redimensionar nossas práticas e nossos espaços (NEVES et al., 2004). Referências MOLLICA, M. C. Fala, letramento e inclusão social. ed.1. São Paulo: Contexto, p.128, 2011. NEVES, I. C. B.; SOUZA, J. V.; SCHAFFER, N. O.; GUEDES, P. C.; KLUSENER, R. Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. ed.6. Porto Alegre: UFRGS, p.232, 2004. ORLANDI, E. P.; SILVA, E. T. da; MELO, J. M. de; MARCUSCHI, L. A.; SOARES, M. B.; PERINI, M. A.; LAJOLO, M.; KATO, M. A.; ZILBERMAN, R. Leitura: perspectivas interdisciplinares. ed.5. São Paulo: Ática, p.120, 1999. PEDAGOGIA AO PÉ DA LETRA. A leitura e a escrita na escola e os desafios atuais. Disponível em: <http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/le itura-escrita-escola-desafios-atuais/>. Acesso em 22 jun. 2013. SCHOLZE, L.; ROSING, T. M. K. Teorias e práticas de letramento. Brasília: INEP, p.297, 2007. XVII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e XIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 3