Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Análise da Pressão Plantar para fins de Diagnóstico Carolina Sofia Dias Tábuas Trabalhos Práticos Mestrado em Engenharia Biomédica Junho - 2011 Análise da Pressão Plantar para fins de Diagnóstico Carolina Sofia Dias Tábuas Licenciada em Engenharia Biomédica Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão (2010) Orientador: Professor Doutor João Manuel R.S.Tavares Prof. Auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica Faculdade e Universidade do Porto Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico III Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Agradecimentos Á minha família e amigos por todo o apoio e carinho; Ao Professor Doutor João Manuel Tavares por toda o acompanhamento, dedicação e compreensão; Ao Mestre Francisco Oliveira por toda a disponibilidade e ajuda prestada; Á Mestre Andreia Sousa por todo apoio e acompanhamento; Ao laboratório CEMAH - Centro de Estudos do Movimento e Actividade Humana por ter cedido o espaço para a realização do trabalho em questão. A todos o meu muito obrigado! IV Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Resumo Actualmente a medição da distribuição da pressão plantar tem-se revelado fundamental para a detecção e diagnóstico de determinadas patologias e deformidades plantares. Tal facto faz com que o seu estudo seja cada vez mais recorrente de forma a encontrar novas directrizes e soluções que auxiliem na área médica. No presente trabalho efectuou-se um estudo preambular da pressão plantar e das suas variáveis. Para tal fizeram parte da amostra três indivíduos dos quais se efectuou a medição da pressão plantar, recorrendo a uma plataforma de pressões. Para a análise dos dados adquiridos recorreu-se á ferramenta Matlab e estudaram-se os seguintes parâmetros: pico de pressão, pressão total, área de contacto e centro de pressão, para cada pé. Foi possível concluir que existiam diferenças relevantes entre o pé esquerdo e direito dos indivíduos. Estes estabeleceram em média uma maior área de contacto entre o pé direito e a plataforma, contudo foi o pé esquerdo que atingiu em média valores de pressão total exercida mais elevados. Palavras-chave: Distribuição da pressão plantar, plataforma de pressões, pico de pressão, área de contacto. V Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Abstract Presently, the measurement of plantar pressure distribution has revealed itself essential to detection and diagnosis of certain pathologies and plantar deformities. This is why its study is increasingly recurrent in order to find new guidelines and solutions able to help the medical area. During the present work, a preliminary study of the plantar pressure and its variables was carried out. Our sample consisted of three individuals whose plantar pressure was measured using a pressure platform. Matlab was the tool chosen to analyse the acquired data and the following parameters were studied: pressure peak, total pressure, contact area and centre of pressure for each foot. It was possible to conclude that there were significant differences between the left and right foot from the analysed individuals. In average, a larger contact area was detected between the right foot and the platform, however, in average, the left foot obtained higher values of total pressure. Keywords: Plantar pressure distribution, pressure platform, peak pressure, contact area. VI Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Índice I. Introdução ........................................................................................................................................ 12 II. Objectivo .......................................................................................................................................... 16 III. Materiais e métodos ........................................................................................................................ 17 3.1 Amostra........................................................................................................................................ 17 3.2 Instrumentos ................................................................................................................................ 17 3.3 Organização do espaço ............................................................................................................... 18 3.4 Questões éticas ........................................................................................................................... 18 3.5 Procedimento experimental ......................................................................................................... 18 3.6 Escolha dos parâmetros a analisar ............................................................................................. 19 IV. Análise de dados e respectivos resultados ..................................................................................... 21 4.1 Conversão dos dados .................................................................................................................. 21 4.2 Escolha do frame a analisar ........................................................................................................ 21 4.3 Cálculo dos parâmetros ............................................................................................................... 24 4.4 Análise da variação da pressão plantar por regiões ................................................................... 29 V. Considerações finais e perspectivas futuras ................................................................................... 32 VI. Bibliografia ....................................................................................................................................... 33 VII Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Glossário de Termos Artrite Reumatóide (Pag.9): é uma doença auto-imune sistémica, caracterizada pela inflamação das articulações (artrite). Esta doença além de danificar as articulações possui manifestações sistémicas, tais como: rigidez matinal, fadiga e perda de peso. Muitas das vezes a manifestação desta doença leva a incapacitação funcional dos pacientes (Bértolo et al. 2009). Esclerose Múltipla (Pag.9): é uma doença neurológica crónica, de causa ainda desconhecida. Este tipo de patologia leva a uma destruição das bainhas de mielina que recobrem e isolam as fibras nervosas (estruturas do cérebro pertencentes ao Sistema Nervoso Central ou SNC). As manifestações principais são: o aparecimento de fraqueza muscular, rigidez articular, dores articulares e descoordenação motora. Com o avançar da doença, o paciente vai perdendo cada vez mais as suas capacidades chegando por vezes a um estado vegetativo (Wikipedia 2011). Pé diabético (Pag.9): O pé diabético resulta da complicação crónica de Diabetes Mellitus e acarreta em altos índices de mórbidade e mortalidade. Como manifestações principais destacam-se as alterações de sensibilidade, a presença de hiperemia, o edema, o aparecimento de deformidades plantares e a ulceração (Sandoval et al. 2007). Pé plano (Pag.9): Pé plano, também designado de pé chato, é um tipo de deformidade caracterizado pela queda do arco longitudinal do pé. Os ossos do tarso perdem a conformação em arco e passam a formar uma linha recta. Tal facto faz com que haja uma perda de funções, nomeadamente ao nível amortecimento (Santos 2008). Sarcopenia (Pag.8): é a perda degenerativa de massa e força nos músculos com o envelhecimento (Monteiro et al. 2010). VIII Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Índice de Abreviaturas COP – Centro de pressão; COPx – Coordenada x do centro de pressão; DP – Desvio padrão; Máx – Máximo; Min – Mínimo; PD – Pé direito; PE – Pé esquerdo. IX Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Índice de Figuras Figura 1. 1 – Pressão plantar e mapa de cores. ............................................................................................. 14 Figura 1. 2 – Palmilha e plataforma de pressões. ........................................................................................... 14 Figura 3. 1 - Plataforma de pressões Emed ®. ............................................................................................... 17 Figura 3. 2 - Organização do espaço. ............................................................................................................. 18 Figura 3. 3 - Postura ideal do indivíduo durante o registo da pressão plantar................................................ 19 Figura 4. 1 – New Data Converter. .................................................................................................................. 21 Figura 4. 2 – Frame “artificial”. ........................................................................................................................ 21 Figura 4. 3 – Gráfico correspondente às coordenadas do centro de pressão. ............................................... 22 Figura 4. 4 – Execução do New data converter. ............................................................................................. 23 Figura 4. 5 – Gráficos, referentes ao indivíduo 1, das variações dos parâmetros ao longo das medições. .. 26 Figura 4. 6 – Divisão do pé em retro-pé, médio-pé e ante-pé......................................................................... 29 Figura 4. 7 – Indivíduo 1 - Mapa de cores. ...................................................................................................... 29 Figura 4. 8 - Indivíduo 2 - Mapa de cores........................................................................................................ 30 Figura 4. 9 – Indivíduo 3 – Mapa de cores. ..................................................................................................... 30 X Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Índice de Tabelas Tabela 4. 1 – Número total de frames e a gama de frames escolhida para o pé direito. ............................... 22 Tabela 4. 2 – Número total de frames e a gama de frames escolhida para o pé esquerdo. .......................... 23 Tabela 4. 3 – Parâmetros calculados para o pé direito ................................................................................... 24 Tabela 4. 4 – Parâmetros calculados para o pé esquerdo .............................................................................. 25 Tabela 4. 5 – Individuo 1. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. ............................. 27 Tabela 4. 6 - Individuo 2. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. .............................. 27 Tabela 4. 7 – Individuo3. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. .............................. 28 XI Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico I. Introdução O pé humano é considerado uma das estruturas biomecânicas do corpo humano com maior complexidade e a única que actua em “parceria” com uma superfície externa. Este, graças às suas características, proporciona ao corpo humano uma base estável que confere de forma eficiente não só o suporte e equilíbrio numa fase de apoio, como também uma estabilidade adequada durante o processo da marcha (Abboud 2002; Teh et al. 2006; Putti et al. 2008; Santos 2008; Monteiro et al. 2010; Ramanathan et al. 2010). Contudo, devido à actuação constante de diferentes forças ao nível da superfície plantar, a funcionalidade do pé fica por vezes de tal forma comprometida que desencadeia alterações na distribuição da pressão plantar e consequentemente gera o aparecimento de patologias e deformidades plantares (Abboud 2002; Putti et al. 2008; Monteiro et al. 2010). Com o avançar do tempo e o consequente avanço da tecnologia foram desenvolvidos diversos sistemas capazes de efectuar a medição da pressão plantar. Essa capacidade conferiu-lhes um papel crucial em diversas áreas, mais especificamente na área da Saúde (Keijsers et al. 2009), onde a análise da distribuição da pressão plantar adquire um papel extremamente importante, uma vez que: Possibilita de acordo com os resultados obtidos para as diferentes variáveis analisadas não só a detecção e o estudo de diversas patologias e deformidades plantares, como também a verificação da influência de determinados tratamentos e cirurgias. São vários os estudos que comprovam tal possibilidade, nomeadamente: Abboud et al. (2000) verificaram através de um estudo comparativo, qual a contribuição da disfunção muscular dos membros inferiores na alteração da distribuição da pressão plantar e consequente ulceração do pé em pacientes diabéticos; Monteiro et al.(2010) estudaram a influência da obesidade isolada e desta associada à sarcopenia na distribuição da pressão plantar em mulheres pós-menopausa; Schuh et al. (2011) verificaram quais as alterações sofridas na distribuição da pressão plantar em pacientes submetidos ao tratamento de reconstrução da articulação do tornozelo com artrite. Permite comparar dados entre indivíduos saudáveis ou entre pacientes e grupos de controlo. Assim, diferentes estudos foram realizados com o intuito de realizar tais comparações, por exemplo: Chiappin (2007)comparou o registo da distribuição plantar entre um grupo de adultos e um grupo de idosos; Putti et al. (2010) entre homens e mulheres; Teh et al. (2006) entre indivíduos obesos e não obesos e, Nazario et al. (2010) entre sujeitos com pés sem patologia e pés planos. 12 Introdução Possibilita para valores de pressão plantar atípicos a criação e análise de soluções que melhorem a distribuição da pressão plantar por parte do paciente (Orlin et al. 2000), tais como: Alteração do design de calçado – Em (2003), Praet et al. realizaram um estudo no qual avaliaram o efeito durante a marcha do design do calçado na pressão plantar de pacientes com neuropatia diabética, concluindo que o design do calçado influenciava a distribuição da pressão plantar; Erdemir et al. em (2005) analisaram a influência de diferentes configurações de calçados terapêuticos no alívio da pressão plantar local, verificando alterações significativas de acordo com as respectivas configurações do calçado. Implementação de Ortoteses (Palmilhas)– Vários estudos comprovam a eficácia da implementação de palmilhas na melhoria da distribuição plantar, tal como o estudo realizado por Magalhães et al. (2007) no qual foi verificada a eficácia da implementação de palmilhas em pacientes com artrite reumatóide. Também em (2007) Guldemond et al. avaliaram os efeitos das diferentes configurações de palmilhas na distribuição da pressão plantar em pacientes com neuropatia diabética, concluindo que estas traziam melhorias na distribuição da pressão plantar por parte do paciente. Permite verificar qual a influência da distribuição da pressão plantar no controlo postural em pacientes com uma determinada patologia ou simplesmente em indivíduos que executem uma determinada actividade (Orlin et al. 2000). Através do registo da pressão plantar, mais especificamente através da análise do centro de pressão, Abrantes et al. verificaram a instabilidade existente em pacientes com esclerose múltipla. Por sua vez, Thiesen et al. (2011) efectuou um estudo no qual verificou o equilíbrio existente no ballet clássico através da análise da distribuição da pressão plantar. Apesar do vasto leque de sistemas existentes para a medição da distribuição da pressão plantar todos obedecem a uma estrutura base, constituída por (Orlin et al. 2000): Sistema de medição – engloba um sensor discreto ou uma matriz de múltiplos sensores, responsáveis por medir a força normal aplicada a cada sensor quando o pé se encontra em contacto com a superfície; A magnitude da pressão plantar vai ser determinada a partir da divisão do valor de força obtido por a área do sensor. Computador - para a aquisição, armazenamento e análise dos dados obtidos. O processamento da informação é feito com auxílio a diversos softwares que possibilitam a divisão do pé em regiões anatómicas e permitem definir um esquema gráfico de cores (Figura 1.1) que traduza a pressão plantar exercida. Tanto a divisão do pé como o esquema de cores variam de software para software e de acordo com o objectivo do profissional de saúde. 13 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Figura 1. 1 – Pressão plantar e mapa de cores. (adaptado de (Seitz 2008)). Sistema de representação – normalmente é utilizado um monitor para a visualização dos dados obtidos e o respectivo tratamento. Da pesquisa bibliográfica até então efectuada foi possível concluir que actualmente a plataforma de pressões e a palmilha (Figura 1.2) são dois dos sistemas com maior aplicabilidade. A palmilha definisse como um sistema portátil e flexível que engloba um conjunto de sensores capazes de se ajustarem á morfologia do pé humano e monitorizarem as cargas locais entre o pé e o sapato, nas diferentes actividades do quotidiano (Castro 2007). A plataforma de pressões consiste numa superfície de sensores, capazes de adquirir a distribuição plantar estática e dinâmica (Orlin et al. 2000). Figura 1. 2 – Palmilha e plataforma de pressões. (adaptado de (McCulloch 2009) e (Seitz 2008)) 14 Introdução A plataforma de pressões engloba um conjunto de vantagens que a tornam uma mais-valia relativamente aos outros sistemas, nomeadamente (Orlin et al. 2000): Garantem uma “verdadeira” medição da força vertical, uma vez que os sensores de pressão estão sempre posicionados paralelamente á superfície. Nas palmilhas de pressão o mesmo não se verifica, podendo apenas se considerar como força normal aquela que é adquirida nos momentos em que todo o pé se encontra em contacto com a superfície de apoio; A medição da pressão plantar é menos condicionada por factores externos, estando menos sujeitas a falhas mecânicas. As palmilhas ao estarem colocadas num ambiente fechado (dentro do sapato) estão mais sujeitas a falhas mecânicas, alem disso, factores como o carregamento contínuo, o suor e o calor tornam-se prejudiciais na medição; São vários os parâmetros que se podem medir recorrendo a um sistema de medições de pressão plantar. No entanto, embora a escolha do parâmetro dependa do objectivo do estudo em questão, o pico pressão, a média das pressões, a força e área de contacto são usualmente considerados como parâmetros aqueles cujo estudo possui maior interesse (Orlin et al. 2000). No trabalho prático a seguir supracitado foi efectuado, para uma determinada amostra, um estudo da distribuição da pressão plantar. Esta foi recolhida através de uma plataforma de pressões e foi analisada de acordo com os parâmetros usualmente aceites neste domínio. 15 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico II. Objectivo De acordo com o tema da Tese, “Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico”, definiu-se como objectivo principal a realização de uma actividade prática que fosse ao encontro do tema em questão e permitisse um contacto inicial com sistemas e metodologias a utilizar futuramente. Assim o presente trabalho prático, realizado no âmbito da disciplina de Trabalhos Práticos do Curso de Mestrado em Engenharia Biomédica da Faculdade de Engenharia e Universidade do Porto, teve como objectivo principal analisar a pressão plantar de uma determinada amostra, usando os parâmetros usualmente aceites neste domínio, de forma a caracterizar e comparar, para cada indivíduo, o comportamento do pé direito com o do pé esquerdo. 16 Materiais e Métodos III. Materiais e métodos A concretização da actividade experimental foi realizada no Laboratório CEMAH – Centro de Estudos do Movimento e Actividade Humana, da Escola Superior de Tecnologia e Saúde do Porto. 3.1 Amostra De forma a definir uma amostra que fosse de encontro com o objectivo estabelecido na realização dos trabalhos práticos em questão, definiu-se os seguintes critérios de exclusão: (1) História de lesão recente no membro inferior; (2) Dores e/ou deformidades estáticas no pé; (3) Traumas severos do Membro inferior; (4) Existência de cirurgias ou próteses no membro inferior; (5) Discrepância no comprimento dos membros e (6) Portadores de Diabetes. Os indivíduos que preenchiam um ou mais dos seguintes critérios foram automaticamente excluídos. A amostra utilizada foi assim constituída por 3 indivíduos saudáveis todos do sexo feminino, com 21 anos de idade, altura compreendida entre 1.58 e 1.74 m (média = 1,66 ± 0,08 m) e peso compreendido entre 55 e 58 kg (média = 56,33 ± 1,53 kg). 3.2 Instrumentos Para o registo da pressão plantar foi utilizado como instrumento de medição a plataforma de pressões ® Emed , modelo AT, Figura 3.1, da empresa Novel situada nos USA, com as seguintes características: Dimensões (mm): 610×323×18; Área de sensorial (mm): 389×226; Número de sensores: 1,760; Resolução (nº de sensores/cm ): 2; Frequência (Hz): 25/30; Gama de pressões (kPa): 10-1,270; Precisão (%ZAS): ±7. 2 Figura 3. 1 - Plataforma de pressões Emed ®. 17 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico 3.3 Organização do espaço O espaço para a realização da actividade prática não necessitou de uma organização específica. Apenas colocou-se a plataforma de pressões junto do computador para se efectuar a respectiva conexão entre ambos. Contudo, ao verificar-se que a plataforma de pressões não possibilitava a medição da pressão plantar em apoio bipodálico, visto que o tamanho dos pés ultrapassava os limites sensoriais da placa, foi colocada uma plataforma de madeira junto da plataforma de pressões. Esta ao possuir as mesmas dimensões iria igualar a distribuição da pressão plantar durante a medição “monopodálica”, Figura 3.2. Figura 3. 2 - Organização do espaço. 3.4 Questões éticas Todos os indivíduos que participaram no estudo de forma voluntária foram submetidos, antes de concordarem com o Termo de Consentimento Informado, a uma sessão de familiarização que consistiu numa explicação prévia sobre os objectivos, justificativa e procedimento do trabalho prático em questão. 3.5 Procedimento experimental Antes da recolha dos respectivos dados foi efectuada uma medição treino para que os indivíduos se “adaptassem” à plataforma de pressões. 18 Materiais e Métodos Tal como foi mencionado anteriormente, a plataforma de pressões não possibilitava a medição da pressão plantar em apoio bipodálico foram realizadas medições individuais para cada pé. Assim, começou-se por instruir o indivíduo a descalçar-se e a colocar-se em cima da plataforma de madeira. De seguida após calibração instruiu-se o indivíduo a colocar-se confortavelmente em posição ortostática, com um pé em cima da plataforma de pressões e outro na plataforma de madeira, ambos a uma largura confortável (de acordo com a largura dos ombros) e os braços relaxados ao longo do corpo, Figura 3.3. Figura 3. 3 - Postura ideal do indivíduo durante o registo da pressão plantar. De forma a evitar que os sujeitos se concentrassem na força que estavam a exercer nos pés e, alterassem consequentemente essa mesma distribuição foi pedido que permanecessem, durante o registo, o mais imóvel possível e que olhassem para um ponto fixo colocado na parede em frente a uma distância de ± 3 m. Para cada indivíduo foram então registadas 5 medições de ±30s para cada pé, primeiro para o pé direito e seguidamente para o pé esquerdo. 3.6 Escolha dos parâmetros a analisar Para efectuar, de acordo com o objectivo proposto, a análise da pressão plantar foram escolhidos para o estudo os seguintes parâmetros: Pressão plantar total – Correspondente á pressão total exercida pelo pé contra a plataforma de pressões. Este parâmetro é determinado calculando o somatório das pressões registadas pelos sensores; 19 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Pico de pressão – Correspondente ao valor máximo de pressão exercida; Área de contacto – Corresponde á quantidade de superfície de contacto existente entre a superfície plantar do pé e os sensores da plataforma. Esta é determinada multiplicando o número de sensores 2 activos por a área de cada sensor (0,5 cm ); COPx e COPy – Correspondente ás coordenadas do centro de pressão (x,y) na matriz da frame “artificial”. A partir desses valores é possível verificar a oscilação do centro de pressão e concluir se a pessoa é muito ou pouco estável. 20 Materiais e Métodos IV. Análise de dados e respectivos resultados 4.1 Conversão dos dados Após a aquisição de dados foi necessário efectuar, antes do respectivo tratamento, um préprocessamento que consistiu na conversão dos dados do formato próprio do sistema Emed (binário) para o formato ASCII, para que estes pudessem ser abertos com as ferramentas Matlab e Excell. Para tal, recorreu-se a um programa do Francisco Oliveira que, através de um código interno, leu e interpretou os data files provenientes do sistema Emed e guardou-os num formato txt., Figura 4.1. Figura 4. 1 – New Data Converter. 4.2 Escolha do frame a analisar Devido ao elevado número de frames por cada medição (em média 172frames), definiu-se que todo o tratamento de dados seria efectuado a partir de um frame “artificial”, cujos valores representados por cada pixel correspondem à pressão máxima registada por o respectivo sensor durante toda a medição, Figura 4.2. Figura 4. 2 – Frame “artificial”. 21 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Contudo, como a fase inicial do registo é uma fase de “adaptação” (o indivíduo vai se reajustando até adoptar uma posição estável), a procura dos valores máximos passou a ser efectuada apenas num intervalo de frames considerado estável. Assim a escolha do intervalo baseou-se na visualização de um gráfico, Figura 4.3, correspondente às coordenadas do centro de pressão ao longo do tempo (frames), para toda a sequência adquirida. Nesse gráfico, a barra vertical (a preto) indicava a posição da frame, em visualização, em relação à totalidade de frames adquiridos. Escolheu-se como intervalo estável o intervalo de frames cuja variação das coordenadas do centro de pressão fosse menor. Figura 4. 3 – Gráfico correspondente às coordenadas do centro de pressão. Nas Tabela 4.1 e 4.2, referentes ao pé direito e pé esquerdo respectivamente, está representado o número total de frames obtido em cada medição e o intervalo considerado como estável para cada indivíduo. Tabela 4. 1 – Número total de frames e a gama de frames escolhida para o pé direito. Medições - Pé Direito Número total de frames Indivíduo 1 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 194 184 186 191 182 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 156 158 160 157 170 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 158 165 174 170 178 Intervalo estável 30-180 Indivíduo 2 25-105 Indivíduo 3 40-130 22 Materiais e Métodos Tabela 4. 2 – Número total de frames e a gama de frames escolhida para o pé esquerdo. Medições Pé Esquerdo Número total de frames Individuo 1 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 182 177 181 178 187 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 183 181 177 177 176 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 171 172 175 164 177 Gama de frames escolhida 30-160 Individuo 2 25-105 Individuo 3 40-130 Enquanto que para os indivíduos 2 e 3 foi mantido o mesmo intervalo para o pé direito e para o pé esquerdo, para o indivíduo 1 teve que se efectuar uma alteração na gama referente ao pé esquerdo. Tal facto deve-se á existência, no pé esquerdo, de medições cujo seu número total de frames é menor que valor máximo escolhido para a gama estável do pé direito [30-180] frames. Todo o procedimento de representação dos frames adquiridos, escolha da gama ideal e respectiva criação da frame artificial foi efectuado recorrendo ao programa do Francisco Oliveira, Figura 4.4. Figura 4. 4 – Execução do New data converter. 23 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico 4.3 Cálculo dos parâmetros Após a criação de frames “artificiais” para todas as medições adquiridas, efectuou-se o cálculo dos parâmetros seleccionados inicialmente. Para tal criou-se um código em Matlab que, através de um ciclo for, percorria a matriz da frame “artificial” e calculava: Os valores de pressão total – através do somatório de todos valores de pressão presentes na matriz; A área de contacto – através de uma contagem dos sensores activos (os sensores cujos valores de pressão eram diferentes de zero) e a respectiva multiplicação destes 2 por a área de cada sensor (0,5 cm ); O pico de pressão – através da determinação do valor máximo detectado; COPx e o COPy – através da multiplicação da posição x e y de cada pixel pela pressão no sensor correspondente e depois através da divisão desse valor pela pressão total (soma de todas as pressões). Os valores obtidos para o pé direito e esquerdo encontram-se nas Tabelas 4.3 e 4.4 respectivamente. Tabela 4. 3 – Parâmetros calculados para o pé direito Medições Pé direito Pressão total (kPa) Pico de pressão (kPa) Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 4855 5760 5870 5680 5405 105 105 105 105 95 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 4735 5105 4775 4965 5035 85 105 90 100 90 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 6235 6190 5585 5650 5675 120 125 110 105 100 Nº de sensores activos Área de contacto 2 (cm ) Indivíduo 1 121 60,5 135 67,5 139 69,5 135 67,5 138 69 Indivíduo 2 125 62,5 119 59,5 122 61 121 60,5 128 64 Indivíduo 3 137 68,5 131 65,5 133 66,5 136 68 133 66,5 24 COPx COPY 9,21 9,14 13,65 10,02 8,89 31,1 29,89 27,91 26,8 32,9 11,9 13,5 13,68 10,01 8,63 39,79 37,91 36,96 41,72 33,61 16,39 10,39 13,53 11,84 16,42 34,72 29,12 30,27 32,94 32,29 Materiais e Métodos Tabela 4. 4 – Parâmetros calculados para o pé esquerdo Medições Pé Esquerdo Pressão total (kPa) Pico de pressão (kPa) Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 5625 6475 5675 6080 6275 105 140 105 120 125 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 5070 5005 5330 5535 5380 80 100 105 100 100 Medição 1. Medição 2. Medição 3. Medição 4. Medição 5. 5755 5885 5665 6090 6025 130 140 140 140 140 Nº de sensores activos Indivíduo 1 117 126 124 122 127 Individuo 2 122 115 120 121 122 Individuo 3 124 122 119 126 124 Área de contacto 2 (cm ) COPx COPY 58,5 63 62 61 63,5 23,014 23,755 23,619 21,281 19,431 39,155 32,913 31,419 36,994 34,478 61 57,5 60 60,5 61 24,6381 24,229 22,264 23,586 26,157 29,3018 34,777 31,366 30,487 28,241 62 61 59,5 63 62 17,724 23,826 23,427 23,208 23,359 27,773 34,438 33,517 35,517 29,733 De forma a verificar qual a evolução dos parâmetros ao longo das medições criou-se, através do Matlab, os seguintes gráficos para todos os indivíduos e para ambos os pés. Contudo, de forma a simplificar a visualização dos resultados, apenas serão apresentados os gráficos correspondentes ao indivíduo 1. 25 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Figura 4. 5 – Gráficos, referentes ao indivíduo 1, das variações dos parâmetros ao longo das medições. A partir da observação dos gráficos referentes ao indivíduo 1 foi possível concluir que : (a) o pico de pressão, no pé direito, foi o único parâmetro cujos valores foram mais constantes ao longo das medições; (b) os valores máximos obtidos para os diferentes parâmetros foram registados maioritariamente na medição número 3 do pé direito. No caso do indivíduo 2 a variação dos parâmetros foi toda ela irregular, não apresentando homogeneidade entre os valores nem entre medições. No entanto, pela visualização dos gráficos, foi possível verificar que o COPx foi de todos aquele que sofreu uma menor variação entre medições, quer para o pé esquerdo quer para o direito. Por fim, analisando os gráficos do indivíduo 3, foi possível concluir que: (a) no caso do pé direito os valores máximos obtidos foram maioritariamente registados na primeira medição; (b) o parâmetro pico pressão foi o parâmetro que obteve valores mais constantes ao longo das medições efectuadas para o pé esquerdo; (c) a área de contacto foi, de todos os parâmetros, aquele que sofreu uma menor variação em ambos os pés. 26 Materiais e Métodos De maneira a comprovar e validar essas mesmas observações, para posteriormente retirar as respectivas conclusões referentes às variações existentes entre o pé direito e o pé esquerdo, foi calculado para cada parâmetro: o mínimo, o máximo, a média e o desvio padrão das medições efectuadas. O cálculo desses valores foi efectuado através de um código criado em Matlab e, o respectivo resultado encontra-se representado nas tabelas que se seguem (Tabelas 4.5,4.6 e 4.7). Tabela 4. 5 – Individuo 1. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. Indivíduo 1 Min. Máx. Média DP Pressão Total (kPa) Pico de Pressão (kPa) Área de contacto 2 (cm ) COPx COPy PD PE PD PE PD PE PD PE PD PE 4855 5870 5514 406,500 5625 6475 6026 370,985 95 105 103 4,47 105 140 119 14,748 60,5 69,5 66,8 3,633 58,5 63,5 61,6 1,981 8,89 13,65 10,425 2,204 19,431 23,755 22,22 1,844 26,8 32,9 29,72 2,442 31,419 39,155 34,992 3,110 Através da visualização da Tabela 4.5 referente ao individuo1, é possível verificar que: A variação dos parâmetros foi mais acentuada no pé direito; Os valores máximos foram registados, maioritariamente, no pé esquerdo; A pressão total exercida teve como valor mínimo 4855 kPa e máximo 6475 kPa; O pico de pressão variou entre o valor mínimo de 95 kPa e máximo de 140 kPa; A área contacto atingiu um valor máximo de 69,5 cm e mínimo de 58,5 cm ; O centro de pressão sofreu uma maior variação em x no pé direito e em y no pé 2 2 esquerdo, localizando-se para o pé direito em média na posição (10,425 ± 2,204 , 29,72 ± 2,442) da matriz e para o pé esquerdo na posição (22,22 ± 1,844 , 34,992 ± 3,110). Tabela 4. 6 - Individuo 2. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. Indivíduo 2 Pressão Total (kPa) Min. Máx. Média DP PD PE Pico de Pressão (kPa) PD PE 4735 5105 4923 161,771 5005 5535 5264 221,342 85 105 94 8,22 80 105 97 9,747 Área de contacto 2 (cm ) PD PE COPx PD PE PD PE 59,5 64 62,5 2,121 8,63 13,68 11,544 2,199 22,264 26,157 24,175 1,427 33,61 41,72 37,998 3,058 28,241 34,778 30,835 2,501 27 57,5 61 60 1,458 COPy Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Através da visualização da Tabela 4.6 referente ao individuo 2, é possível verificar que: A variação dos parâmetros foi mais acentuada no pé esquerdo; A pressão total exercida teve como valor mínimo 4735 kPa e máximo 5535 kPa; O pico de pressão variou entre o valor mínimo de 80 kPa e máximo de 105 kPa, salientando-se que o valor máximo foi atingido, durante as medições, por ambos os pés; A área contacto atingiu um valor máximo de 64 cm e mínimo de 59,5 cm ; O centro de pressão sofreu uma maior variação em x e em y no pé direito, localizando- 2 2 se para o direito em média na posição (11,544 ± 2,199 , 37,998 ± 3,058) da matriz e para o pé esquerdo na posição (37,998 ± 3,058 , 30,835 ± 2,501). Tabela 4. 7 – Individuo3. Mínimo, máximo, média e desvio padrão dos valores obtidos. Indivíduo 3 Min. Máx. Média DP Pressão Total (kPa) Pico de Pressão (kPa) Área de contacto 2 (cm ) COPx COPy PD PE PD PE PD PE PD PE PD PE 5585 6235 5867 317,502 5665 6090 5884 178,129 100 125 112 10,368 130 140 138 4,472 65,5 68 66,75 1,768 59,5 63 61,5 1,323 10,39 16,42 13,714 2,696 17,724 23,825 22,309 2,573 29,12 34,72 31,868 2,212 27,773 35,517 32,196 3,295 Através da visualização da Tabela 4.7 referente ao individuo 3, é possível verificar que: A variação dos parâmetros foi mais acentuada no pé direito; A pressão total exercida teve como valor mínimo 5585 kPa e máximo 6235 kPa; O pico de pressão variou entre o valor mínimo de 100 kPa e máximo de 140 kPa; A área contacto atingiu um valor máximo de 68 cm e mínimo de 59,5 cm ; O centro de pressão sofreu uma maior variação em x e em y no pé esquerdo e 2 2 localizou-se para o direito em média na posição (13,714 ± 2,696 , 31,868 ± 2,212) da matriz e para o pé esquerdo na posição (22,309 ± 2,573 , 32,196 ± 3,295). 28 Bibliográficas 4.4 Análise da variação da pressão plantar por regiões O pé, tal como foi mencionado na introdução, pode ser dividido em várias regiões anatómicas. Essa divisão é efectuada recorrendo a softwares específicos que, de acordo com o objectivo do utilizador, efectuam a divisão do pé em regiões. No presente trabalho, devido ao facto do software da Emed® estar requisitado por os alunos da ESTSP, foi impossível efectuar a divisão do pé em regiões anatómicas. Assim, de forma a retirar conclusões dos mapas de cor criados para cara indivíduo através do Matlab (Figura 4.7,4.8 e 4.9), o pé apenas foi dividido em três regiões: retro-pé, médio-pé e ante-pé, Figura 4.6. Figura 4. 6 – Divisão do pé em retro-pé, médio-pé e ante-pé. Todos os mapas de cor, abaixo representados, foram criados a partir da medição que possuía o maior valor de pico de pressão. Assim para os indivíduos 1 e 3, foram escolhidas para ambos os pés, as medições número 2 e para o indivíduo 2 foi escolhida a medição 3 para o pé esquerdo e a 2 para o pé direito. Figura 4. 7 – Indivíduo 1 - Mapa de cores. 29 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico Através do mapa de cores do indivíduo 1, Figura 4.7, é possível verificar que: (a) este executou, em ambos os pés, uma maior pressão ao nível do retro-pé e no ante-pé na zona central; (b) o pé direito, ao contrário do pé esquerdo, estabeleceu contacto com a superfície de apoio ao nível do médio-pé; (c) apoia os três dedos do pé esquerdo e somente um do pé direito. Figura 4. 8 - Indivíduo 2 - Mapa de cores. Relativamente ao mapa de cores do indivíduo 2, Figura 4.8, é possível verificar que: (a) este executou, em ambos os pés, uma maior pressão ao nível do retro-pé; (b) houve uma elevada pressão na parte central do ante-pé do pé esquerdo; (c) no pé esquerdo não existiu qualquer tipo de pressão exercida ao nível dos dedos; (d) no caso do pé direito existe um valor de pressão elevado no lado lateral do ante-pé. Figura 4. 9 – Indivíduo 3 – Mapa de cores. 30 Bibliográficas Analisando o mapa de cores do indivíduo 3, Figura 4.9, é possível verificar que: (a) este executou, em ambos os pés, uma maior pressão ao nível do retro-pé e não houve qualquer tipo de pressão exercida ao nível do médio-pé; (b) na região ante-pé do pé esquerdo houve uma maior pressão na zona medial; (c) foi ainda possível verificar que o individuo 3 apenas apoia o dedo halux, em ambos os pés. 31 Análise da pressão plantar para fins de diagnóstico V. Considerações finais e perspectivas futuras Através de toda a análise efectuada foi possível concluir que embora os indivíduos apresentassem diferenças entre si ao nível dos valores obtidos para os diferentes parâmetros, todos eles apresentaram semelhanças em alguns comportamentos, nomeadamente: todos os indivíduos estabeleceram em média uma maior área de contacto entre o pé direito e a plataforma, contudo foi o pé esquerdo que atingiu em média maiores valores de pressão total exercida e foi ao nível do retro-pé que os indivíduos estabeleceram um maior pressão com a superfície. Relativamente ao centro de pressão foi possível concluir que os individuo 1 e 3 possuíram uma menor variação do centro de pressão relativamente ao eixo do x (médio-lateral) no pé esquerdo e uma menor variação relativamente ao eixo do y (antero-posterior) no pé direito. Por fim, através da análise dos mapas de cores obtidos foi ainda possível concluir que: (a) o indivíduo 1 apoiava os três dedos do pé esquerdo e apenas do pé direito e que executava um apoio na zona medial do pé apenas no pé direito; (b) o indivíduo 2 executa uma ligeira pressão na parte central do ante-pé do pé esquerdo; no pé esquerdo não existe qualquer tipo de pressão exercida ao nível dos dedos (c) o indivíduo 3 possuía uma maior pressão na zona médial da região ante-pé do pé esquerdo e, em ambos os pés, o individuo apenas apoiava o dedo halux. Assim, perante toda a análise efectuada, é possível concluir que o trabalho prático apresentado foi ao encontro dos objectivos inicialmente propostos, uma vez que através dos parâmetros foi executada uma análise da distribuição plantar e uma comparação, para cada indivíduo, do comportamento do pé direito face o do pé esquerdo. A realização dos trabalhos práticos foi uma mais-valia uma vez que permitiu consolidar muitos dos conceitos teóricos e metodologias abordadas durante a realização da pesquisa bibliográfica para a Tese em questão. Como perspectivas futuras pretende-se aumentar a amostra em estudo e incluir indivíduos do sexo masculino, de forma a obter um volume de resultados mais diversificado e conclusões mais visíveis. Pretende-se igualmente incluir no estudo a análise da distribuição plantar nas diferentes regiões anatómicas do pé de modo a verificar, através da utilização de índices específicos, as desigualdades existentes entre as regiões e comparar os resultados obtidos com dados padrões. Essa comparação seria extremamente útil na detecção e identificação de deformidades e/ou patologias plantares. Em suma, a realização do trabalho prático permitiu não só um contacto inicial com os sistemas e metodologias a utilizar futuramente, como também adquirir experiência e conhecimento relativo à distribuição da pressão plantar, informações estas, extremamente enriquecedores para a formação académica. 32 Bibliográficas VI. Bibliografia Abboud, R. J. 2002. (i) Relevant foot biomechanics. Current Orthopaedics 16 (3):165-179. Abboud, R. J., D. I. Rowley, and R. W. Newton. 2000. Lower limb muscle dysfunction may contribute to foot ulceration in diabetic patients. Clinical Biomechanics 15 (1):37-45. Bértolo, Manoel Barros, Claiton Viegas Brenol, Cláudia Goldenstein Schainberg, Fernando Neubarth, Francisco Aires Correa de Lima, Ieda Maria Laurindo, Inês Guimarães Silveira, Ivânio Alves Pereira, Marco Antônio Rocha Loures, Mário Newton de Azevedo, Max Victor Carioca de Freitas, Milton da Silveira Pedreira Neto, Ricardo Machado Xavier, Rina Dalva N. Giorgi, Sérgio Cândido Kowalski, and Sônia Maria Alvarenga Anti. 2009. Atualização do Consenso Brasileiro no Diagnóstico e Tratamento da Artrite Reumatoide. TEMAS DE REUMATOLOGIA CLÍNICA 10. Castro, Fabíola Monteiro. 2007. Estudo baropodométrico de pacientes com diabetes mellitus tipo2, Universidade de Fortaleza Fortaleza. Chiappin, Daniela. 2007. A importância da análise do apoio plantar em idosos: um estudo comparativo entre jovens e idosos., Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Erdemir, Ahmet, Jeffrey J. Saucerman, David Lemmon, Bryan Loppnow, Brie Turso, Jan S. Ulbrecht, and Peter Re Cavanagh. 2005. Local plantar pressure relief in therapeutic footwear: design guidelines from finite element models. Journal of biomechanics 38 (9):1798-1806. Guldemond, N. A., P. Leffers, N. C. Schaper, A. P. Sanders, F. Nieman, P. Willems, and G. H. I. M. Walenkamp. 2007. 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