A COMISSÃO DE ÉTICA DO REITOR PRO TEMPORE OU “A OPERAÇÃO TORNADO NA ASSEMBLÉIA SINDICAL DOS PROFESSORES DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA” Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto Departamento de Projeto, Expressão e Representação em Arquitetura e Urbanismo Prezadas Professoras, Prezados Professores: Vocês sabiam que o ex-reitor Roberto Aguiar, o pro tempore, cumpriu um mandato em que tinha como missão fazer a silenciosa defesa do ex-reitor Timothy Mulholland, e empreender o ataque aos inimigos de Mulholland, em nome do grupo de apoiadores do ex-reitor Cristovam Buarque – que, por sua vez, faz a defesa de seu exdirigente da Editora da UnB, aquela dos 350.000 livros atirados a um depósito? Vocês sabiam que o ex-reitor Roberto Aguiar chegou ao ponto de enviar à Polícia Federal a filmagem feita pela UnB-TV da Assembléia Sindical do dia 10 de abril de 2009, com a finalidade de incriminar a opinião expressa por pelo menos UM professor sindicalista, que discursou no dia histórico, em que o sr. Mulholland retirou-se em licença, de seu cargo de Reitor da UnB? Vocês sabiam que o ex-reitor Roberto Aguiar tratou a Assembléia Sindical dos professores da Universidade como se fosse seu curral administrativo, e decidiu incriminar a opinião de pelo menos UM professor que lá discursou, tratando esse discurso como matéria sob o DIRETO DOMÍNIO da administração central da UnB, e encaminhando a punição “administrativa” desse sindicalista? Vocês sabiam que o atual reitor Geraldo de Souza Júnior, o maior beneficiado com a saída de Timothy Mulholland, pretenso apoiador da ocupação da Reitoria pelos estudantes, apóia integralmente esses atos de truculência e desrespeito à Assembléia Sindical dos professores, e é responsável pela continuidade e execução da penalidade administrativa a pelo menos UM professor que discursou no dia 10 de abril de 2008? Uma coisa eu sei: o atual reitor Geraldo de Souza Júnior pretende ser lembrado por ser o propagador de uma NOVA MATRIZ EPISTEMOLÓGICA para a Universidade de Brasília. Seja lá o que isso quer dizer, me parece ser algo falso, que soa mais como “Tudo o que aconteceu na gestão passada deve ser epistemologicamente tratado como um engano, um profundo e lamentável equívoco”. A COMISSÃO DE ÉTICA COMO INSTRUMENTO ADMINISTRATIVO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA E ASSÉDIO MORAL Entre as grandes realizações de seu precário mandato, o Reitor pro tempore Roberto Armando Ramos de Aguiar implantou a primeira Comissão de Ética da Universidade de Brasília, nos moldes do Decreto 1.171, de 22 de junho de 1994. Essa Comissão chegou, na verdade, com um enorme atraso, pois esse Decreto Presidencial ordenava aos órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta a sua criação em 60 dias, a contar da data de sua publicação. Quase 15 anos de atraso, portanto - mas criada por um Reitor temporário, de forma absolutamente discutível, totalmente lesiva ao próprio pacto político de paritarismo que foi criado a partir de então. Na verdade, essa súbita Comissão de Ética é peça central da blitzkrieg articulada pelo grupo político interventor, destinada a conter danos políticos (ou “éticos”, como foi a decisão tomada) do episódio do escândalo timotista. Foi a mais completa traição ao paritarismo prometido, além de instrumentalizar a perseguição política com o uso dos poderes e da máquina administrativa. Trata-se de uma conduta, por si mesma, inidônea e anti-ética. Em especial, Roberto Aguiar cometeu uma série de erros em seu desejo de impor uma linha divisora no campo da ÉTICA, entre seu mandato de interventor nãoeleito e a desastrosa gestão de Timothy Mulholland, praticamente expulso pelos estudantes que ocuparam a Reitoria em protesto contra os desmandos e corrupção vigentes. Os erros do pro tempore têm uma clara origem política, que se inicia com a série de declarações do próprio mentor de Roberto Aguiar, o ex-reitor e cacique universitário, o sr. Cristovam Buarque, senador da república. Cristovam, desde a tribuna do Congresso Nacional, tem clamado pela defesa de Mulholland – e, por dedução, pelo ataque aos seus inimigos. Nada mais lógico, mais esperado, nada mais revelador: Em primeiro lugar, não houve a menor discussão acerca da oportunidade, da natureza, do formato, da conduta e da composição dessa Comissão de Ética. Sua criação foi um “ato palaciano”, exercício de poder exatamente igual aos atos perpetrados por Mulholland, sem a discussão com o Conselho Universitário - e com a própria comunidade de funcionários e professores. A partir daí já se anunciava seu péssimo caráter político. Em segundo lugar, somente professores foram nomeados para compor os cargos efetivamente deliberativos da Comissão de Ética, sem a consulta aos representantes dos próprios professores, sem a consulta aos representantes dos funcionários. Em terceiro lugar, dentre todos os professores da UnB, somente professores Amigos-do-Roberto-Aguiar foram nomeados, um grupo que se confunde com apoiadores do ex-governo petista no Palácio do Buriti. Trata-se de uma “clique” de privilegiados, de total confiança do escrupuloso dirigente pro tempore, mas com um viés político escandaloso, inaceitável num momento em que a Universidade de Brasília deveria tentar livrar-se do crime organizado, das gangues internas. Esses Amigos-doRoberto-Aguiar estão a ditar o que é Ético e o que não é Ético na Universidade de Brasília, neste momento, a seu modo, ao arrepio da lei. A COMISSÃO DE ÉTICA DOS AMIGOS DO(S) REITORE(S) Ao que tudo indica, a criação dessa Comissão de Ética passou despercebida por quase todos (menos os denunciados, com certeza). O Decreto Presidencial 1.171 ordena que a citada Comissão de Ética seja composta por 3 servidores “ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente”. Naturalmente, devem ser pessoas IDÔNEAS e REPRESENTATIVAS, no caso da Universidade de Brasília, de Professores e Funcionários. Essa Comissão de Ética deve ser denunciada à comunidade universitária, pois NÃO É REPRESENTATIVA dos segmentos ou mesmo de uma conduta ÉTICA, considerando-se os critérios políticos de sua escolha. Para não falar do desrespeito que esse Comissão de Ética tem demonstrado à organização sindical dos professores e aos princípios da administração pública, de moralidade, impessoalidade, publicidade e legalidade. É notável que dois “juristas”, como Roberto Aguiar e José Geraldo de Souza Júnior subscrevam uma tal conduta, como efetivamente subscrevem; em nome da “política dos Reitores Amigos e dos Amigos dos Reitores”, esses dois entraram como policiais na Assembléia Sindical, usaram a própria Polícia Federal para marcar a força desse revide, dessa forma de defesa de seus amigos. José Geraldo está a coonestar tudo isso. Nem o odiado ex-reitor José Carlos de Almeida Azevedo fez tal violência contra a Assembléia Sindical dos professores da UnB, em plena Ditadura Militar. Azevedo nunca mentiu, prometendo o paritarismo ou novas matrizes epistemológicas. Gostaria de saber o que o jurista e Reitor José Geraldo tem a dizer sobre sua Comissão de Ética, pois já foi interpelado por mim sobre a falta de decoro do seu Presidente, prof. Marcel Bursztyn – que é notório e forte aliado, com relações de amizade e negócios, de meus próprios denunciantes -, a meu ver, IMPEDIDO MORALMENTE de permanecer à frente dessa Comissão de Ética da UnB nesse caso. O nosso jurista Reitor lavou as mãos, miseravelmente, como um Pilatos, quando acionado por minhas denúncias e apelos. Tornou-se evidente a coonestação, neste momento. Gostaria de saber o que o jurista e Reitor José Geraldo tem a dizer sobre os princípios que norteam essa Comissão de Ética. Desde agosto de 2008 tenho sido processado administrativamente por minha participação na Assembléia Sindical de professores de 10 de abril. Desde agosto de 2008 exponho a esses senhores, com didática paciência, o tremendo erro perpetrado por essa Comissão de Ética, por invadirem barbaramente o terreno POLÍTICO do debate SINDICAL. A reveladora natureza dessa Comissão de Ética pode ser resumida nas palavras de seu Relator, prof. Oyanarte Portilho: “Se esta zelosa Comissão pode investigar até mesmo a sua vida privada, professor, o que dizer de uma mera Assembléia Sindical”. A “OPERAÇÃO TORNADO” NA ASSEMBLÉIA SINDICAL DA UnB Devemos compreender a natureza da indicação do grande jurista e grande mantenedor da Ordem Pública, Roberto Armando Aguiar, para o cargo de Reitor pro tempore da UnB, em meio ao escândalo da renúncia de Timothy Mulholland. A sua ação intempestiva foi bem registrada pela imprensa quando era Secretário de Segurança Pública do Governo Cristovam, e mandou invadir a Vila Estrutural com um grande contingente de policiais militares (segundo a imprensa, cerca de 1.700 soldados), no fatídico Agosto de 1998, há 10 anos passados. Foi a chamada “OPERAÇÃO TORNADO” contra a Vila Estrutural, contra a população civil indefesa. Pelo menos um policial militar foi morto, e quatro moradores chacinados pelas forças policiais comandadas de longe pelo valente Roberto Aguiar. Toda essa truculência foi o modo de o governo Cristovam negociar com uma comunidade civil pacífica e desarmada. Essa violência custou muito a Cristovam, que foi espezinhado até mesmo por Joaquim Roriz, que, com sucesso, o sucedeu naquele mesmo ano de 1998. Cristovam e seu grupo político nunca se desculparam por – ou explicaram claramente, da forma mansa que lhes é característica – essa violenta estratégia de “negociação” com uma população civil tremendamente vulnerável. Foi uma operação tão estúpida que praticamente jogou a população nos braços de oportunistas e corruptos, fortalecendo um jogo político inábil, desastroso, para todo o Distrito Federal. Porque trataram, em 1998, uma população civil com tanta violência? Porque trataram, em 2008, uma Assembléia Sindical com tanta truculência - e invadiram inescrupulosamente a Assembléia dos professores, expondo-a à POLÍCIA FEDERAL (usada para, covardemente, intimidar e expor pelo menos UM desses professores)? O Reitor pro tempore pareceu-me ser o CAPITÃO-DO-MATO do grupo político de Cristovam Buarque: o sujeito dos golpes duros e truculentos, o sujeito metido a violento com os inimigos do Grupo; o sujeito corajoso quando tem o poder de convocar a Polícia, Militar ou Federal, contra pessoas sem a menor chance de revidar à altura. Para mim, esse sujeito é a “cara verdadeira do Cristovam” e de seu grupo político. Esse não é um professor que possa nos representar num Conselho Nacional de Justiça, senhores. A UnB deve reagir contra essa gente hipócrita, que agora a toma de assalto, usando bandeiras de liberdade e justiça de forma indigna, inaceitável, mentirosa. UMA PUNIÇÃO POLÍTICA VINDA DIRETO DO REITOR JOSÉ GERALDO A punição POLÍTICA que me foi aplicada por essa Comissão de Ética dos Amigos de Roberto Aguiar foi ministrada pelo atual reitor José Geraldo de Souza Júnior, que passa a coonestar a violência contra a Assembléia Sindical de 10 de abril de 2008. Sua Comissão de Ética não investigou NADA mais do que as transcrições e decupagens das filmagens da Assembléia. NADA além de minhas diretas referências à corrupção que levou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo a perder o Centro de Planejamento Oscar Niemeyer para o próprio Gabinete da Reitoria, em 1998. Investigar a CORRUPÇÃO? De forma alguma. A Comissão de Ética dos Amigos do Aguiar não investiga corrupção. Investiga, isto sim, se alguém na Assembléia Sindical FALOU em Corrupção. Ser corrupto, pode. Denunciar a corrupção, não pode. Nem Franz Kafka imaginaria maior inconsistência. O Reitor José Geraldo deve uma explicação, não somente a mim, um professor a quem teve a DESFAÇATEZ de pedir artigos “que provoquem a comunidade universitária”, mas a toda essa comunidade universitária. Agora, sim, Magnífico Reitor José Geraldo, o senhor tem em mãos o “seu” ARTIGO PROVOCATIVO. Venha a público, venha a seu sindicato, fale conosco, com professores sindicalizados e combativos, e justifique porque o senhor está a assinar em baixo dessa invasão do âmbito político SINDICAL pelo âmbito “ADMINISTRATIVO”. Explique por que coonesta uma truculenta perseguição política por parte da “banda podre” do grupo político de Cristovam Buarque, que quer salvar a pele de seu amigo Timothy Mulholland, e punir seus inimigos – ou os que têm coragem de atacá-lo publicamente. Até onde essas pessoas se dispõem a usar a UnB em seu jogo político imoral? Se suas palavras de homem correto e democrata forem verdadeiras, deve haver a DISSOLUÇÃO dessa espúria Comissão de Ética dos Amigos do Roberto Aguiar, e a ANULAÇÃO de seus atos de violência contra os princípios mais elementares da defesa da instituição sindical em nossa Universidade. Deve ser iniciada a verdadeira discussão de uma Ética paritária, equilibrada, honesta, sem o viés da truculenta luta pelo poder na UnB.