José Franclim Almeida Guimarães TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Mestrado em Ciências do Desporto Especialização em avaliação e prescrição na atividade física (Ao abrigo da Reocmendação do CRUP) UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO VILA REAL, 2013 José Franclim Almeida Guimarães TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Orientador: Prof. Dr. Nuno Domingos Garrido UTAD Vila Real – 2013 II À minha esposa À minha família Aos meus amigos III Agradecimentos Aos Professores Doutores António José Martins Rocha da Silva e Nuno Domingos Garrido pelo aconselhamento e encorajamento para mais esta importante etapa da minha vida pessoal e profissional. Ao treinador, José Garrido, pela oportunidade, pela confiança que depositou no meu conhecimento e personalidade aliados à vontade de querer aprender e saber sempre mais, e por todos os conhecimentos que partilhou comigo contribuindo para a construção de um caminho profissional melhor. A todos os jogadores, atletas e homens que participaram comigo nesta experiência fantástica, ajudando-me a crescer pessoal e profissionalmente, porque sem a intervenção, dedicação e empenho de todos eles esta realidade não seria possível. Aos meus pais, pelo amor incondicional, carinho presente e educação que me proporcionaram, e pelos valores e ideais que me transmitiram, contribuído decisivamente para que me sinta um homem íntegro, honesto e respeitador das liberdades individuais. Ao meu Pai, pela amizade, pela modéstia, pela simplicidade e pela humildade que sempre me incutiu. Pela alegria e energia incrível de viver que fez despoletar em mim e por todos os ensinamentos de vida proporcionados (que a própria escola da vida lhe ensinou) ajudando-me decisivamente na construção de uma personalidade equilibrada. Ao meu Pai, um abraço. À minha irmã, cunhado e sobrinhos, pelo seu amor, pelo seu carinho, pela sua entrega, alegria, companheirismo e amizade que partilham. À minha esposa, pelo seu amor, pelo seu carinho, pela sua coragem e amizade e pelo incentivo transmitido no traçar deste meu percurso. A todos os meus amigos, pela amizade. IV A todos aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para o meu desenvolvimento e crescimento como pessoa e profissional. A todos aqueles que pensam que… tentar é mais do que conseguir… Se não tentarem nunca saberão. Ao tentarem, poderão alcançar aquilo que querem conseguir… A todos, com muito carinho devo um agradecimento muito especial. V Índice geral Introdução .......................................................................................................... 2 Sabah Football Association - O Clube ................................................................ 7 Geografia ........................................................................................................ 8 Clima .............................................................................................................. 8 Expectativas ................................................................................................... 9 Enquadramento da prática profissional ........................................................ 10 O início da aventura ...................................................................................... 14 Planificação e periodização do treino ............................................................... 16 Modelo convencional .................................................................................... 16 Periodização tática ....................................................................................... 18 Planificação e periodização tática – a experiência ........................................... 21 O contacto com a equipa .............................................................................. 26 O balneário ................................................................................................... 28 O modelo de jogo – 3x5x2 ............................................................................ 28 A competição ................................................................................................ 32 1º jogo do campeonato ................................................................................. 35 Aquecimento para o 1º jogo .......................................................................... 36 Plano semanal de treinos – 2 jogos na semana ........................................... 37 2º Jogo do campeonato ................................................................................ 38 Aquecimento para o 2º jogo .......................................................................... 39 3º Jogo do campeonato ................................................................................ 41 4º Jogo do campeonato ................................................................................ 42 Plano semanal de treinos – 1 jogo na semana ............................................. 43 Gestão da equipa e do campeonato ............................................................. 45 Episódios que influenciaram a gestão da equipa ............................................. 46 Malaysia Super League 2005 ....................................................................... 51 Classificações ............................................................................................... 51 Melhores Marcadores ................................................................................... 52 Considerações finais ........................................................................................ 54 Referências Bibliográficas ................................................................................ 58 ANEXO 1 .......................................................................................................... 62 VI ANEXO 2 .......................................................................................................... 64 ANEXO 3 .......................................................................................................... 66 Jogos e resultados da Malaysia Super League 2005 ................................... 67 ANEXO 4 .......................................................................................................... 70 Classificação da Malaysia Super League 2005 ............................................ 71 ANEXO 5 .......................................................................................................... 73 Melhores marcadores da Malaysia Super League 2005 ............................... 74 ANEXO 6 .......................................................................................................... 75 QUESTIONÁRIO A JOSÉ GARRIDO ........................................................... 76 ANEXO 7 .......................................................................................................... 79 VII Índice de figuras Figura 1: Emblema do clube Sabah FA ............................................................. 7 Figura 2: Camisolas oficiais do Sabah FA. ........................................................ 7 Figura 3: Estádio de Likas ................................................................................. 8 Figura 4: Modelo de treino – 1 jogo semanal (Aroso, 2006) ............................ 30 Figura 5: Modelo de treino – 2 jogos semanais (Aroso, 2006) ........................ 40 Figura 6: José Garrido e Franclim Guimarães (à direita) ................................ 80 Figura 7: José Garrido (2º a contar da direita) no banco ................................. 80 Figura 8: Equipa do Sabah FA após um treino................................................ 81 Figura 9: Entrevista a Franclim Guimarães (à esquerda) para o jornal ........... 81 VIII Índice de quadros Quadro 1: Teste de Cooper (Manual de Personal Trainer – CEFAD, s/d) ...... 28 IX Resumo O presente relatório tem como objetivo relatar de forma reflexiva o envolvimento profissional, experienciado nos últimos anos, caracterizando os conhecimentos, metodologias, decisões e convicções relativas à intervenção no treino, assim como, os traços orientadores e percurso enquanto pessoa, treinador-adjunto e preparador físico. Representando o Mestrado o alcançar de um importante patamar de formação académica e intermédia como professor, representa também mais uma etapa no longo e inacabado processo de ensino e aprendizagem na profissão de docente ou treinador, objetivos para os quais este processo nos prepara, com base nos conteúdos assimilados e consolidados. Esta abordagem representa um olhar sobre a construção pessoal e profissional, onde se reflete e relata as vivências do percurso efetuado. Numa primeira parte, realizamos a descrição dos objetivos preconizados, bem como, das expectativas em relação à experiência profissional onde são referenciados os contextos institucional e funcional. Numa segunda fase, efetuamos o enquadramento da prática profissional como treinador-adjunto e preparador físico numa equipa de futebol profissional da Malásia. Por último, refletimos acerca da prática profissional, fundamentando de forma mais sólida as tomadas de decisão ao longo de todo este trajeto. Permite-nos igualmente, refletir sobre as diversas situações e opções adotadas em diversos contextos, que de uma forma natural podem influenciar tomadas de decisão presentes e futuras. As decisões e convicções adotadas tiveram um importante papel pedagógico mas também contribuíram nos momentos de organização, gestão e decisão das tarefas que foram sendo desenvolvidas ao longo deste período. PALAVRAS-CHAVE: planificação, tática, treino, futebol, treinador. X Abstract This report aims to report involvement in a reflective professional, experienced in recent years, featuring the expertise, methodologies, beliefs and decisions regarding intervention in training, as well as guiding and route traces as a person, assistant coach and trainer physical. Representing the Master achieve a significant level of academic formation and intermediate as a teacher, also represents another step in the long and unfinished process of teaching and learning in the teaching profession or coach, objetives for which this process prepares us, based on assimilated and consolidated contents. This approach represents a glimpse into the personal and professional construction, which reflects and recounts the experiences of the journey made. In the first part, we describe the goals advocated, as well as expectations regarding professional experience are referenced in contexts where institutional and functional. In a second step, we make the framework for professional practice as assistant coach and trainer in a professional football team in Malaysia. Finally, we reflect on professional practice and justify a more solid decision making throughout this journey. Lets us also reflect on the various situations and options adopted in various contexts, in a natural way that can influence decision making present and future. The decisions and convictions had taken an important pedagogical role but also helped in times of organization, management and decision tasks that have been develop over this period. KEYWORDS: planification, tactics, training, football, coach. XI INTRODUÇÃO TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Introdução O homem é movido pela curiosidade, pela constante busca do saber e à procura de novos desafios, para que estes possam ser superados, e objetivos para que estes sejam alcançados. Ao mesmo tempo o Homem é ambicioso, insaciável na procura da perfeição, estabelece novas metas e novos desafios e objetivos, fazendo com que os desafios e objetivos, anteriormente alcançados, façam parte do passado e uma não verdade, porque a lógica da vida humana baseia-se na vontade de se comprovar a não lógica das coisas. No futebol, como no desporto em geral, são traçados objetivos tendo em vista a sua superação. Estes objetivos tendem a ser definidos como de caráter evolutivo, com base em princípios e convicções porque o ser humano está em constante e permanente aprendizagem passando por várias experiências. Essas experiências, tanto no desporto, como na vida humana, também se direcionam em função de objetivos e convicções, acreditando que é refletindo acerca daquilo que essas experiências representam, refletindo acerca das dificuldades encontradas e estratégias de superação, refletindo acerca das metodologias e resultados alcançados e refletindo como se lida com os insucessos e sucessos, que o processo de intervenção de um treinador tem importantes inferências na formação humana e na formação desportiva dos atletas. Dessa forma poderá um treinador acreditar em melhores desempenhos desportivos dos seus atletas. O papel dos treinadores é vital na construção, definição e orientação das equipas. O treinador é ao mesmo tempo um líder e um professor, que regula e disciplina comportamentos, que ensina e aperfeiçoa competências, que define e implementa tarefas, que vê e ouve os atletas, que dirige e corrige as tarefas, que orienta e avalia as ações técnicas e táticas, que sente e gere emoções, que transmite ideias e conhecimento. O treinador é um gestor de pessoas e 2 perfis, incutindo métodos, princípios e valores, de índole desportiva, ou outra, em que acredita, levando a que as suas crenças e metodologias sejam interpretadas e assimiladas, conduzindo a uma só vontade grupal, concentrando sinergias, traçando etapas e metas motivando os atletas para o alcançar de um objetivo comum – o sucesso da equipa, em primeiro lugar, e, em segundo lugar, o sucesso individual. Devemos olhar para o processo de treino como a organização de várias ações, técnicas, táticas, psicológicas, físicas e motoras com o objetivo de promover conhecimento e evolução, individual e coletiva. É no treino e através do treino que o treinador consegue transmitir os seus conhecimentos e as suas valências profissionais. No futebol moderno o treinador deve ser capaz de dominar os processos de treino, e, ao mesmo tempo, ser capaz de analisar e conceber a interação dos processos de treino, com os princípios e modelo de jogo adotado, e os atletas. Segundo Castelo, J. (2003, p. 9) o futebol deve ser entendido como um fenómeno social, porque tem uma organização e regras próprias. E também um fenómeno cultural, porque assenta em valores culturais, morais e de estética, como comprovam a sua popularidade a nível mundial. O futebol é um jogo desportivo coletivo, em que os atletas estão agrupados em duas equipas, ditas adversárias, numa rivalidade desportiva que envolve luta pela posse da bola, dentro das leis do jogo, com o objetivo de a introduzir na baliza adversária, o maior número de vezes, tentando evitar que esta entre na sua baliza, tendo em vista o alcançar da vitória, como refere Castelo, J. (2003, p. 10). Treinar uma equipa, ou ajudar a treinar uma equipa, no papel de treinadoradjunto e preparador físico implica também o assumir de determinadas convicções, e consequentemente, tomar decisões que importantes, ou mesmo determinantes, no caminho a percorrer. 3 poderão ser Uma equipa de futebol funciona como uma micro-sociedade, com uma cultura linguagem e identidade próprias. Por tal facto, este deve ser entendido como um fenómeno universal complexo. Com o desenvolvimento deste relatório profissional pretendemos elaborar e relatar de forma detalhada a experiência como treinador-adjunto e preparador físico numa equipa de futebol na Malásia, num contexto sócio-cultural também complexo. Assim, propomo-nos apresentar os aspetos de organização da equipa e do jogo inserida no contexto de complexidade global, tentando que todas as dimensões e conteúdos sejam entendidos nessa perspetiva. Com a redação deste relatório profissional queremos partilhar experiências pessoais, em contexto real de trabalho, onde a modalidade de futebol se assume como a mais popular no país, e também poder mostrar a realidade do futebol malaio, relacionando a ação e desenvolvimento do trabalho de treinador–adjunto e preparador físico no contexto organizacional e estrutural do clube de futebol, Sabah Football Association (Sabah FA), da Malaysia Super League (1ª Divisão da Malásia), na época desportiva de 2005. Através das experiências vivenciadas, pretendemos fazer o relato e enquadramento das influências e diferenças sócio-culturais, raciais, e religiosas com a organização, estrutura, adequação de metodologias de trabalho utilizadas na equipa de futebol, Sabah FA, relacionando todo o processo de adaptação e implementação das metodologias de treino e estratégias utilizadas, quer ao nível dos processos técnico-táticos, quer ao nível dos processos de prescrição de atividade física – preparação física – refletindo sobre causas e efeitos dos contrastes de valores, costumes e hábitos intrínsecos às influências de índole cultural, social e religiosa do país no qual exercíamos a atividade profissional. Na elaboração deste relatório contamos também com a colaboração do treinador principal da equipa de futebol Sabah FA, na época desportiva de 4 2005, José António Garrido, através da realização de um questionário (Anexo VI) e também, uma apresentação de natureza interpretativa dos factos, das dificuldades sentidas e da definição de estratégias de superação, fatores de sucesso, insucesso e sua melhoria, e de análise e de reflexão sobre o trabalho desenvolvido diariamente com todos os intervenientes da equipa de futebol, desde treinadores, jogadores, direção do clube, adeptos, fãs e imprensa local. 5 Sabah Football Association - O Clube TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Sabah Football Association - O Clube Figura 1: Emblema do clube Sabah FA Nome: Sabah Football Association (Persatuan Bolasepak Sabah) Alcunha: SabahRhinos (em 2010 mudaram para SabaHawks) Ano de Fundação: 1977 Estádio: Likas Stadium, Kota Kinabalu (Capacidade: 30,000) Presidente: Datuk Seri Anifah Aman Vice-presidente: Ahmad Firdauss Anifah Aman Manager: Mohamed Joehari Mohamed Ayub Secretário: Harry Baker Treinador: José Garrido Treinador-adjunto: Justin Ganay Treinador-adjunto (preparador físico): Franclim Guimarães Massagista: Matlan Basir Figura 2: Camisolas oficiais do Sabah FA. 7 O clube Sabah FA of - em malaio: Persatuan Bolasepak Sabah - é um clube de futebol oficial, filiado na Football Association of Malaysia (Associação de Futebol da Malásia: organismo equiparado às Federações). O Clube compete nas ligas de futebol oficiais da Malásia, representando o Estado de Sabah no Borneo. O Sabah FA é um clube profissional de futebol e um dos 13 clubes de estado da estrutura do Futebol Malaio. Atualmente disputam o campeonato da Malaysia Premier League (2ª Divisão). Os jogos da equipa em casa são disputados no Likas Stadium em Kota Kinabalu, a capital do estado de Sabah, com uma capacidade máxima de 30,000 espetadores. Figura 3: Estádio de Likas Geografia A Malásia é um país do Sudeste Asiático, composto por duas áreas não contíguas, a peninsular, localizada na Península Malaia e a Malásia Oriental, na ilha do Bornéu. Abrange uma superfície total de 329 750 km2. A Malásia é coberta por extensas florestas tropicais húmidas. Clima O clima é tropical húmido, com monções anuais, de sudoeste nos meses de abril a outubro e de nordeste de outubro a fevereiro. 8 Expectativas As expectativas em relação à oportunidade e ao desafio de podermos exercer as funções de treinador-adjunto e preparador físico de uma equipa de futebol profissional da Malaysia Super League, eram bastante elevadas, quer do ponto de vista pessoal, quer numa perspetiva profissional futura, mesmo tendo em linha de conta nunca termos passado por essa experiência profissional, contando apenas com a experiência adquirida como jogador profissional de futebol durante 15 anos e a formação académica. Esta experiência significava também um desafio muito peculiar num clube de futebol de um país de cultura, valores, religião e tradições muito diferentes. Seria expectável, portanto, que esta experiência redundasse numa maior valência de capacidades na área específica de formação académica, com sérias perspetivas de carreira profissional ligada ao futebol. Para além das expectativas elevadas nesta nova etapa profissional, um desafio como este provoca igualmente alguma ansiedade e adrenalina pela aventura e risco que viajam lado a lado com a incerteza daquilo que vamos encontrar. A preparação para uma viagem que nos transporta para o outro lado do globo gera sempre alguma apreensão. O primeiro contacto como será? A cultura, o clima, a língua, os costumes, os hábitos sociais, a religião… tantas diferenças, tantas perguntas! Será que nos vamos adaptar? Como nos irão receber? Em que patamar desportivo se enquadrará o clube? E os jogadores? E a equipa? O que vamos encontrar? Tantas perguntas sem resposta numa longa viagem que separa os milhares de quilómetros entre a cidade do Porto e a cidade de Kota Kinabalu (capital da província malaia de Sabah, na ilha do Borneo). 9 Enquadramento da prática profissional Iniciei a prática desportiva federada, como jogador de futebol, em 1988, no Centro Recreativo Popular da Povoação de Barrosas (2ª Divisão Distrital), na categoria de Juvenis, terminando a carreira desportiva, como profissional de futebol, no ano de 2004, estando a representar, na altura, o Futebol Clube da Lixa que militava na 2ª Divisão B – Zona Norte. Ao serviço do C.R.P.P Barrosas, integrei a Seleção Sub-15 da Associação de Futebol do Porto, tornando-me Campeão Nacional Inter-Associações no ano de 1999. Nos três anos de formação seguintes, representei o Vitória Sport Clube (Guimarães), clube onde me sagrei Campão Nacional de Juniores “A”. Fui convocado para estágios da Seleção Nacional nos escalões de Sub-16 (integrei a lista de 25 jogadores inscritos para o Campeonato da Europa de Sub-16 a disputar na extinta R.D.A.), Sub-17 e Sub-18. Nunca fui internacional. Como sénior, treinava à experiência no Futebol Clube de Felgueiras, que participava no Campeonato Nacional da 2ª Divisão de Honra, acabando por assinar contrato profissional, por cinco anos, na época desportiva de 1992/1993. No Futebol Clube de Felgueiras, na época de 1994/1995, com Jorge Jesus, na liderança da equipa, garantimos a subida à 1ª Divisão Nacional de Futebol. Após um período menos bom a nível profissional, cedido dois anos consecutivos ao Futebol Clube da Lixa, a jogar na 2ª Divisão B – Zona Norte, deixo de lado a minha grande paixão, o futebol, para abraçar outro projeto, este de índole pessoal e académico. No ano de 1998 inicio a minha licenciatura, o meu percurso académico ligado ao desporto e educação física, que culmina no ano de 2002, sem que pelo meio deste meu percurso não aconteça algo de inesperado – estávamos no ano de 2000, quando durante um torneio de futsal (realizado, na altura, na Vila da Lixa) sou convidado, pelo Chefe de Departamento de Futebol do F.C. Felgueiras, Sr. Fernando Sampaio, a integrar a equipa profissional de futebol, 10 inscrita no Campeonato Nacional da 2ª Liga para a época desportiva de 2000/2001. Aceitei mais este desafio, para os próximos três anos, não falasse mais alto o coração. A liderar a equipa estavam Diamantino Miranda (Treinador) e Jorge Castelo (Treinador-adjunto e preparador físico). No decorrer desta época, o clube atravessa uma grave crise financeira sem precedentes, devido a muitos anos de má gestão. Também devido a problemas financeiros, nessa época, desportivamente, descemos de divisão, mas o famoso “caso das chaves” ligado ao Futebol Clube do Marco (Marco de Canaveses), acabou por relegar o clube para 2ª Divisão B – Zona Norte, catapultando dessa forma o F.C. Felgueiras para a 2ª Liga. Na época seguinte, 2001/2002, iniciamos o Campeonato Nacional de Futebol da 2ª Liga apenas com 14 jogadores inscritos, com um atraso de cerca de 10 jornadas e com um considerável atraso também nos vencimentos – os profissionais de futebol estavam com 6 meses de salários em atraso. Não foi por falta de empenho e brio profissional dos jogadores que os resultados desportivos, como se adivinhava, não foram os melhores. A instabilidade financeira, a política de contratação possível, com jogadores de menor qualidade, aliado a uma constante dança de treinadores, desde Jorge Castelo (como Treinador depois da saída de Diamantino Miranda para o Campomaiorense), a António Lima Pereira (ex-jogador promovido a Treinador proposto pela Direção do clube), a Rui Luís (também ex-jogador e Treinador dos Escalões de Formação, promovido a Treinador-interino), a Joaquim Teixeira… fez com que novamente os resultados desportivos não fossem brilhantes, como mais uma vez se adivinhava. No final da época, como é óbvio, desportivamente, o F.C. Felgueiras desceu de divisão, mas a gravíssima crise financeira vivida pelo Campomaiorense Futebol Clube fez com que o clube desaparecesse dos escalões maiores do nosso futebol. Este drama desportivo, que marcou mais um episódio da triste realidade, em termos financeiros, em que vivia o futebol nacional, naqueles tempos, fez com que, e como se de um verdadeiro truque de magia se 11 tratasse, mais uma vez, o F.C. Felgueiras ressuscita-se, e pela segunda vez consecutiva, no segundo escalão do futebol profissional em Portugal. No decorrer dessa época, dava os meus primeiros passos como treinadoradjunto - mais uma espécie de conselheiro, na qualidade de um dos capitães de equipa - e preparador físico, na orientação física da equipa a pedido de Rui Luís que tinha assumido o comando da equipa interinamente. Foi uma experiência interessante, mesmo na conjuntura desfavorável que vivíamos, poder lidar com a gestão de tarefas e sentir alguma admiração e respeito dos meus colegas. Em março de 2002, após vários episódios de intrigas, mentiras e desonestidades, para com o grupo de trabalho em geral, por parte dos responsáveis do clube e equipa técnica, liderada por Joaquim Teixeira, entendi rescindir unilateralmente o meu contrato de trabalho que me ligava ao F.C. Felgueiras. Acabei a minha licenciatura, nesse ano, como trabalhador/estudante. Seguiu-se mais um ano de competição, em 2002/2003, na Associação Desportiva de Lousada, que disputava o Campeonato da 2ª Divisão Zona Norte, o Treinador era José Garrido. Na época seguinte, em 2003/2004, dava continuidade ao meu percurso como jogador de futebol, transferindo-me para o F.C. Lixa – ainda a militar na 2ª Divisão B – Zona Norte, enquanto ao mesmo tempo sou opositor ao concurso nacional de professores, para um “lugar ao sol”, como docente da disciplina de Educação Física – Grupo de recrutamento 260. Faço os primeiros 6 jogos da época como titular nos 90 minutos. Certa manhã, recebo um telefonema de um amigo: - Ouve lá amigo… ficaste colocado em Idães, na Escola E.B. 2,3! Recebo a notícia, que me deixa estarrecido, e paro por uns segundos… a notícia era ótima – pode estar aqui o meu futuro – mas por outro lado penso – é o fim da minha carreira como jogador… não é que ela tenha sido brilhante ou até mesmo considerada de alto nível… mas era a minha, era o fim de um sonho, que já não era de menino e do qual eu tardava em acordar. 12 Início assim a minha carreira como docente de Educação Física deixando o futebol com saudade. No ano letivo de 2004/2005, por motivo de erro no processo de candidatura ao concurso nacional de professores, fico excluído do concurso, logo sou “uma carta fora do baralho” no mercado de trabalho. Por coincidências da própria vida, no início do mês de setembro de 2004, encontro-me com a filha do José Garrido (tinha sido meu treinador na A.D. Lousada), colega de curso no ensino superior, em amena cavaqueira de conversa de amigos, revela-me a aventura profissional do seu pai alémfronteiras. Fiquei a saber que o treinador José Garrido tinha aceitado uma proposta de trabalho na Malásia. Do mesmo modo que, a meio da conversa, digo-lhe que tinha ficado de fora do concurso nacional de professores, estando atualmente desempregado. Em outubro desse ano, toca o telemóvel… era a filha do José Garrido! Deve querer falar sobre algum assunto relacionado com a escola, pensei eu. Enganei-me redondamente, o motivo do telefonema tinha que ver com um convite para ir trabalhar com o seu pai para a Malásia. Em conversa com a filha, sobre a adaptação ao clube, ao país e à sua cultura, José Garrido disse precisar de ajuda na orientação da equipa. O meu nome surgiu na conversa, talvez fruto daquele encontro furtuito. Depois de este enquadramento temporal, nasceu assim a oportunidade de trabalhar na Malásia, no Sabah Football Association. Entrei em contacto telefónico com José Garrido, acertamos pormenores relativamente às condições contratuais, à viagem, e, no dia 1 de janeiro de 2005, viajamos juntos rumo ao continente asiático. 13 O início da aventura Chegamos a Kota Kinabalu, capital de Sabah (Borneo, Malaysia), já passavam das 14:00 horas do dia 2 de janeiro de 2005, entre escalas e horas de voo já levávamos mais de 24:00 horas de viagem. Estávamos exaustos mas com vontade de trabalhar. Fomos recebidos pelo secretário do clube e responsável pelos serviços administrativos, Harry Baker. Depois de um banho e uma refeição, para repor energias, reunimos com o vice-presidente, Firdauss Anifah, onde fomos apresentados, desejando-me um bom trabalho e boa sorte. Nessa reunião de boas-vindas, debatemos ainda algumas questões de contratações pendentes, quando faltavam cerca de quatro semanas para o início do campeonato. Iniciamos concretamente o nosso trabalho, junto da equipa, com os jogadores, na preparação da época desportiva, na manhã seguinte. 14 Planificação e periodização do treino TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Planificação e periodização do treino Modelo convencional Matvéiev, L. (1990), considerado o impulsionador da periodização do treino, dividia a época ou macrociclo em três períodos, fundamentando as suas explicações com base na teoria da Síndrome da Adaptação Geral. Matvéiev, L., dividia o macrociclo em três períodos tendo em conta inúmeros fatores influenciadores do calendário competitivo, sendo que desses fatores não fazia depender a participação do treinador nem do atleta. (Abrantes, J. 2006, citado por Alves, F. 2012). Com base nesses pressupostos e influenciado por vários fatores, este modelo privilegiava o calendário competitivo, sendo que o grau de dificuldade dos jogos e a performance desportiva dos atletas deveria surgir no decorrer da época desportiva, de uma forma evolutiva. O modelo convencional defendia a existência de três períodos ao longo da época desportiva - i) período preparatório; ii) período competitivo; iii) período de transição - fundamentados pelas teorias de Selye (Síndrome da Adaptação Geral), que estabeleciam três fases para que se atingisse a forma desportiva – 1ª) desenvolvimento (período preparatório), 2ª) conservação (período competitivo) e 3ª) perda (período de transição). Para Matvéiev, L., a periodização do treino tinha como objetivo dotar os atletas da melhor forma desportiva possível, para que estes se sentissem mental e fisicamente preparados para as competições. Matvéiev, L., atribuiu seis meses para o primeiro período, quatro a cinco meses para o segundo período e um a dois para o terceiro período. i) Período Preparatório: neste período os atletas deviam alcançar e consolidar uma boa forma desportiva. Este período dividia-se em duas etapas, 16 uma de preparação geral e outra de preparação específica, sendo que a primeira seria mais longa. O objetivo principal da etapa de preparação geral, seria o desenvolvimento das capacidades funcionais (resistência, força e velocidade) do organismo desenvolvendo assim as várias qualidades físicas. Esta fase caracterizava-se por um desenvolvimento crescente do volume de treino de baixa/média intensidade com um aumento gradual de volume. O treino deveria ter maior incidência no desenvolvimento da resistência geral e aperfeiçoamento geral da força. Na preparação específica é dada mais importância à organização do treino tendo em vista uma otimização da forma desportiva dos atletas. O objetivo desta etapa seria uma redução do volume total de treino e um acréscimo de intensidade. Nesta fase desenvolviam-se igualmente os aspetos técnicos e táticos. A pré-época era a base de toda a preparação e forma desportiva dos atletas para todo o período competitivo. A forma desportiva dos atletas incidia na componente física do treino. ii) Período Competitivo: Uma vez adquirida a forma desportiva, era imperioso manter todas as condições físicas durante este período. Quando o período competitivo é prolongado, em determinado momento da época há necessidade de um novo aumento do volume geral das cargas, seguido de uma ligeira redução da sua intensidade, e de, numa fase posterior, uma redução do volume e aumento na intensidade do treino. Nesta fase, os atletas devem adaptar-se às exigências competitivas concentrando aí todas as suas forças físicas e mentais, mantendo-se emocionalmente fortes face às exigências dos objetivos e resultados desportivos. A preparação física adquire um papel de manutenção da forma desportiva, conseguida através do desenvolvimento da preparação técnica e organização tática. iii) Período de Transição: Neste período não se esgota o processo de treino e nem o descanso redunda numa suspensão total do mesmo. Esta fase tem 17 como objetivos evitar o cansaço acumulado por meses de competição e por exigências mentais e físicas bastante elevadas, proporcionando descanso aos atletas entre dois macrociclos. Neste período, devem ser criadas, aos atletas, condições de manutenção física, não podendo, nem procurando com isso, manter a forma desportiva adquirida durante a competição, de modo que estes se mantenham suficientemente ativos de maneira a permitir iniciar um novo ciclo de treino – macrociclo - com níveis físicos e mentais mais elevados que os anteriores. Abrantes, J. 2006 (citado por Alves, F. 2010), refere que neste período deve manter-se uma atividade física regular com diminuições de cargas de treino, como já foi referido anteriormente, devendo, também, quebrar-se rotinas do treino específico praticando outros desportos. Deve igualmente aproveitar-se este período para melhorar a flexibilidade e debelar lesões, fazer uma retrospetiva da época que terminou no sentido de elaborar uma análise dos resultados desportivos alcançados e preparar a época desportiva seguinte, mantendo, dentro dos padrões normais, uma alimentação saudável. Com estes pressupostos criaram-se condições contraditórias entre aquilo que seria a concentração no calendário desportivo e aquilo que deveria ser a periodização do treino. Periodização tática A preparação mental para a competição assume um papel preponderante nos resultados e forma desportiva dos atletas. O processo de adaptação psicológica para a competição não é uma tarefa fácil. Torna-se essencial perceber, para tal, a predisposição e entrega dos atletas para uma manifestação máxima das forças físicas e psicológicas, sendo necessário adotar uma atitude competitiva correta perante os resultados desportivos, coletivos e subsequentemente individuais emocionalmente fortes. 18 e mantendo-se para isso, Os aspetos técnico-táticos desenvolvem o envolvimento e aperfeiçoamento das ações motoras e táticas manifestando a aquisição e melhoria dos conhecimentos específicos. A preparação psicológica para aceitar o treino físico, bem como os processos e métodos técnicos e táticos de um modelo de jogo, assume igualmente um papel fulcral no rendimento desportivo dos atletas e da equipa, vista como um todo. Neste processo de periodização torna-se fundamental inter-relacionar os aspetos físicos, técnicos e táticos, centralizando maiores atenções nos aspetos técnicos, para que os atletas possam assimilar uma dinâmica comportamental e motora padronizada global, tendo em vista a sua adaptabilidade em equipa. Como foi referido, numa perspetiva interdisciplinar, e paralelamente a um incremento dos pressupostos técnicos, aumenta-se, também, a preparação tática. Dessa forma a preparação física, cognitiva e psicológica surge no desenho dos métodos e princípios de jogo definidos e no envolvimento das suas dimensões técnicas e táticas, criando-se as condições fundamentais para a forma desportiva dos atletas. Segundo Frade, V., a periodização tática assenta na ideia de distribuição no tempo dos pressupostos e mecanismos táticos que são adquiridos durante as sessões de treino direcionadas para um modelo de jogo específico, sendo que as dimensões técnica, física e mental serão desenvolvidas consequentemente por força das ações táticas implementadas. Os pressupostos da periodização tática privilegiam a equipa, o coletivo, em detrimento do individual. (Frade, V. 2003, citado por Aroso, J. 2006). Mourinho, J. (2001), defende que planificar é organizar um plano de atividades tendo em vista a realização de um conjunto de tarefas, orientadas pelo cumprimento de uma série de objetivos, definindo as tarefas, as estratégias e as metodologias que permitam alcançar os objetivos definidos. Para Mourinho, J. (2001), citado por Barbosa, A. (2008), a periodização no futebol está intimamente ligada a uma estrutura temporal em que, de forma sistemática e progressiva, a equipa interioriza o modelo tático definido e os 19 princípios táticos de jogo, de forma coletiva e individual, assim como assimila os processos e a adaptabilidade dos jogadores e da equipa a nível técnico, físico, cognitivo e psicológico. A dimensão tática na periodização assume a lógica evolutiva do modelo de jogo adotado e respetivos princípios. A componente tática, linguagem comum a todos os treinadores e jogadores, é a coordenadora de todo o processo evolutivo da periodização tática, técnica, física cognitiva e psicológica. A principal preocupação é a evolução constante do modelo de jogo na perspetiva inter-relacional das diferentes dimensões. Compreendendo o conceito do modelo convencional de periodização, focalizado no desenvolvimento das capacidades físicas, e não deixando totalmente de parte os seus ideais de construção da forma desportiva, devemos acoplar esses pressupostos aos pressupostos táticos que regulam e definem o rendimento desportivo e caracterizam o jogo de futebol, em que o objetivo é a evolução da forma desportiva relacionada com o modelo e princípios de jogo adotado e em que existe uma preocupação dialética da sua manutenção. Assim, entende-se que o conceito de periodização tática deva assumir um planeamento da época em função dos microciclos, os níveis da forma desportiva não dependem apenas da preparação realizada no período preparatório, mas sim do trabalho efetuado diariamente. Tenta-se, pois que haja um progressivo aumento qualitativo da forma desportiva dos atletas entendida do ponto de vista coletivo. Deve ter-se sempre em consideração a periodização e a planificação semanal (microciclos) aos níveis tático, técnico, físico, cognitivo e psicológico, sendo importante gerir a dimensão física em todo este processo. Há, pois, necessidade dessa construção, acreditando que através duma adaptação tão próxima da realidade competitiva quanto possível, todas as capacidades dos atletas serão desenvolvidas, numa perspetiva de adaptabilidade global às metodologias de treino, em função do modelo de jogo 20 implementado, através de uma sistematização e habituação ao treino ao nível dos exercícios, sessões, competição (jogos) e microciclos definidos (Aroso, 2006). Planificação e periodização tática – a experiência No futebol moderno preparar uma época desportiva exige um trabalho de planificação sério e realista. A planificação e periodização da época desportiva foram abordadas e definidas antes da partida para a Malásia (macrociclo – Anexo I). No entanto, na conceção e preparação da planificação, tivemos de considerar a composição da equipa e o calendário competitivo que tínhamos pela frente. Tentamos definir a equipa da melhor maneira possível sendo que estivemos também condicionados pela capacidade de resposta da direção do clube. O baixo investimento, e a fase tardia em que foi posto em prática, influenciando o processo de contratação de jogadores, tiveram reflexo na definição e qualidade competitiva da equipa. A Malaysia Super League, iniciava a 29 de janeiro de 2005 e terminava a 9 de julho (Calendário da Malaysia Super League 2005 – Anexo III). A Malaysia Cup tinha o seu início a 6 de agosto de 2005, quatro semanas depois. José Garrido, já tinha dado deixado com Justin Garay, treinador-adjunto malaio, a planificação inicial. Os treinos de pré-época tinham começado a 20 de dezembro de 2004, assentando numa planificação tripartida, devido a duas previstas interrupções competitivas de longa duração, a primeira por um longo período de quase 6 semanas, para treinos da Seleção Nacional da Malásia - i) episódio – o calendário competitivo - a organização, ou desorganização do futebol malaio, à luz do que é praticado no mundo ocidental – e a segunda com uma paragem de 4 semanas que antecedem o início da Malaysia Cup. 21 A planificação ou periodização elaborada para o Sabah FA – macrociclo privilegiava, numa primeira fase, uma maior importância da preparação física, desenvolvimento das capacidade condicionais, relativamente a todas as outras dimensões, não descurando, no entanto, um envolvimento interdisciplinar e global num planeamento entendido como um conjunto de fatores de índole físicos, técnicos, táticos, cognitivos e psicológicos, que se inter-relacionam e complementam. Assim, tendo em conta a especificidade do calendário competitivo, dividiu-se a época desportiva com incidência em seis períodos distintos: 1º – Período Inicial: pré-competitivo; 2º – Período Intermédio: competitivo; 3º – Período de Transição-intermédio-inicial: pós e pré-competitivo 2; 4º - Segundo Período Intermédio: competitivo 2; 5º - Segundo Período transição-intermédio-inicial: pós competitivo 2 e pré competitivo 3. 6º – Terceiro Período Intermédio: competitivo 3; Como é possível constatar, pelo atrás exposto, tivemos uma grande necessidade de adaptação, ao nível da organização e estrutura do futebol malaio, que desde logo condicionou, uma qualquer planificação, entenda-se, mais convencional. Perante este cenário competitivo cedo nos apercebemos que não nos esperava uma tarefa fácil – a de manter uma equipa em forma – com todas estas paragens e recomeços. Iniciamos a preparação com predominância dos aspetos físicos, trabalhando capacidades como a resistência e força, integrando posteriormente a velocidade. Planeamos, segundo os nossos conhecimentos, a preparação da equipa para que esta pudesse responder fisicamente, nas fases mais importantes do campeonato, tentando depois, entre algum descanso e renovar de cargas, manter os níveis competitivos dos atletas em patamares bastante elevados. 22 Acreditávamos que era possível desenvolver um bom trabalho, prontos para aprender com as adversidades. O início da época, comtemplava grandes volumes de treino de intensidade mais moderada, um requisito como que imprescindível para o período inicial, acreditamos que é a estrutura base na preparação física dos jogadores para a época desportiva. O volume, nas primeiras duas semanas de treino, vai aumentando gradualmente, até valores máximos, descendo depois para níveis mais intermédios, num período posterior, enquanto a intensidade das cargas se iniciam com valores mais baixos, aumentando gradualmente do final da segunda para a terceira semana. Os treinos de campo realizavam-se no estádio de Likas, ou outros campos que havia para o efeito, dadas as precárias condições de treino (já anteriormente apontadas). As tarefas de treino eram realizadas quase sempre com bola, integrando-se progressivamente aspetos técnicos e táticos, das situações de jogo, na construção e definição de um modelo de jogo. Na periodização e preparação da época, valorizamos o microciclo, assumindose como fator preponderante na definição e qualidade do processo de treino. Tendo em conta a inconstância competitiva, devido à organização do futebol malaio, necessitámos de elaborar uma planificação com elevados índices competitivos, tentando elevar e manter os padrões físicos e técnico-táticos da equipa num patamar de exigência que correspondesse ao nível de competição em que estávamos inseridos. Havia, pois, necessidade de estabilizar os processos de treino com a perspetiva de solidificar os pressupostos físicos, técnico-táticos e mentais, preparados para o alto rendimento, preparados para o desafio que move os profissionais de futebol – o jogo. Desde o início da época tentamos adequar os pressupostos e fundamentos do treino ao contexto organizacional e estrutural do clube, Sabah FA, tentando enquadrar, igualmente, nesses processos as diversas influências e diferenças 23 sócio-culturais, raciais, e religiosas na adequação das metodologias de trabalho utilizadas, relacionando todo o processo de adaptação e implementação das metodologias de treino e estratégias utilizadas, refletindo causas e efeitos dos contrastes de valores, costumes e hábitos intrínsecos às influências de índole cultural, social e religiosa do país. Em várias sessões e episódios de treino, devido a questões de índole cultural religiosa, víamo-nos confrontados com a necessidade de parar o treino, estivesse o treino em que fase estivesse, uma vez que os atletas de religião muçulmana, muitas vezes, aquando dos horários definidos para as orações, cumprindo os horários definidos para as cinco orações1 diárias, paravam de treinar para rezarem ou realizarem alongamentos. Como já foi referido, iniciámos o trabalho de pré-época com treinos de grande volume e intensidade moderada, aumentando as cargas de forma progressiva na fase inicial – pré-competitiva – até um nível máximo que tentamos manter durante a época. Procuramos aproximar os exercícios de treino aos níveis de intensidade dos jogos para podermos preparar a equipa à correspondência específica das exigências competitivas máximas. As sessões de treino foram sendo ajustadas às especificidades competitivas – centradas no jogo – e períodos de recuperação associados. Partimos para este desafio com objetivos pessoais e profissionais, movidos por aquilo em que acreditamos e por aquilo que desenvolvemos. Tentamos, por isso, com base nas crenças e desenvolvimento do nosso trabalho montar um modelo de jogo, consubstanciado na construção da forma desportiva dos atletas, partindo do coletivo para o individual, numa dinâmica técnico-tática da equipa. 1 A oração da Alvorada (Salat'ul-Fajr), entre o despontar do dia e antes do nascer do sol; A oração do Meio-dia (Salat'ul-Zuhr), que vai desde que o sol começa a declinar do seu Zénite até chegar aproximadamente à metade do caminho para o ocaso; A oração do Meio da tarde (Salat'ul-Assr), entre o meio da tarde e antes do pôr do sol; A oração do pôr do sol (Salat'ul-Magrib) que se realiza ao pôr do sol; A oração da Noite (Salat'ul-Ishá), depois do pôr do sol, quando anoitece, até um pouco antes da alvorada. Disponível em http://www.comunidadeislamica.pt 24 Os níveis de forma desportiva dos atletas e consequentemente da equipa, não estão dependentes unicamente da preparação da fase inicial da época mas sim na interdependência destes resultados com o trabalho realizado durante os microciclos. A base fundamental de uma equipa de futebol é o entendimento específico, ao nível do treino, do modelo de jogo a seguir. Assumido esse pressuposto, estruturamos todo o nosso trabalho para a montagem e evolução tática da equipa. Uma vez assimilados os processos técnico-táticos, físicos e mentais associados à construção do modelo de jogo adotado, tendo por base também os seus princípios definidos, os atletas, e a equipa como um todo, terão como principal objetivo o melhoramento e evolução do seu modelo de jogo. Acreditamos, pois, que a planificação deve assentar num trabalho bem organizado visando a orientação de todas as sessões de treino do início ao fim, com a finalidade de alcançarmos os objetivos pretendidos. A operacionalização e construção do modelo de jogo, bem como os princípios a ele subjacentes, são definidos através da adequação e inter-relação das dimensões físicas, técnico-táticas e psicológicas à realidade e ao momento da equipa e da época. O desenho tático assume o principal papel na definição da estratégia a seguir incutindo o espírito de conquista de algo, criando fortes hábitos de envolvimento coletivo, traçando uma linha orientadora, desde a primeira semana de trabalho. Os primeiros treinos foram destinados a adaptações fisiológicas. Após esse primeiro impacto, tentamos impor uma lógica de intensidade constante nos microciclos, de forma a gerarmos e obtermos estabilidade na forma desportiva, com a finalidade de rentabilizarmos os resultados. 25 A estabilização dos pressupostos e fundamentos do treino leva a uma estabilização da forma desportiva coletiva contribuído para o sucesso coletivo e individual – objetivo comum da equipa. O contacto com a equipa O primeiro contacto com os jogadores deu-se no estádio de Likas. O estádio apresentava um misto de modernidade com pormenores estruturais mais antiquados que apresentavam algumas dificuldades para o desenvolvimento do nosso trabalho. O estádio estava equipado com pista de tartin e placard eletrónico, mas por outro lado, nomeadamente aquele que nos dizia mais respeito e diretamente ligado ao nosso trabalho, não estava equipado com sistema de rega, o que aliado já ao facto de a relva ser de má qualidade, mais ao aspeto de um gramado (nome brasileiro para relvado, que em Portugal definimos como relvado com uma gramagem mais grossa), também fazia com que esta se encontrasse queimada e seca, tornando o piso muito duro, muito lento e bastante irregular, prejudicando o nível de execução técnica e muito propício a provocar lesões nos jogadores. No complexo desportivo de Likas existiam mais dois campos de treinos para a prática de futebol mas as condições eram as mesmas. Não tinham sistema de rega e estavam ainda mais irregulares. ii) episódio - As fracas condições de treino. Devido ao calor e humidade que se fazem sentir nos países de clima tropical, marcamos os treinos bem cedo pela manhã ou então para o final da tarde. O treino estava marcado para as 9h00 da manhã. Fomos juntos de manhã bem cedo para o estádio de Likas. Justin e os jogadores foram chegando também para o treino. Às 8h50 ainda não tinham chegado todos os jogadores. O relógio apontava para as 9h00 quando José Garrido deu indicações a Justin para que chamasse todos os jogadores para o treino. Já estávamos todos 26 dentro de campo, para a palestra antes do treino, quando Mazdlan chega à entrada do estádio, ainda com as botas na mão. iii) episódio - falta de profissionalismo. Apresentado o novo elemento da equipa técnica, a toda a equipa, deu-se início ao treino. Iniciamos com 10 minutos de corrida contínua, 5 minutos de alongamentos, 20 minutos de passe (10’+10’ em estações diferentes), 5 minutos de alongamentos livres, 20 minutos de posse de bola (10’ de posse normal e 10’ de posse com organização tática), 5 minutos de alongamentos livres, 40 minutos de situação de jogo (20’+20’) e terminamos com 10 minutos de alongamentos e reforço abdominal e dorsal. Dedicamos o primeiro microciclo a um conjunto de treinos com maior incidência no volume, a intensidade foi aumentando progressivamente. Realizamos também algum treino técnico-físico mas com cargas ainda baixas e moderadas. Preparamos o segundo microciclo com sessões de treino bi-diárias. No final da segunda semana de treino aferimos a capacidade aeróbia dos jogadores através da realização do Teste de Cooper (Manual de Personal Trainer – CEFAD, s/d). Realizaram corrida durante 12 minutos, tão rápido quanto possível, desenvolvendo uma cadência de ritmo rápida, contudo sem realizarem sprints. Para a obtenção de resultados aplicamos a fórmula de Cooper: VO2máx.= (0,2 ml/Kg/min) x (metros corridos/minuto) + 3,5 ml/kg/min Os jogadores apresentaram valores que oscilaram entre o médio e o excelente (conforme valores da tabela). A maioria dos atletas situava-se no parâmetro Bom. Três atletas destacaram-se no parâmetro Excelente. Quatro atletas apresentaram piores resultados não evoluindo além dos valores Médios e dois atletas, que já se apresentaram no clube depois de iniciada a época – iv) episódio - processo tardio de contratação, devido à falta de investimento, redundou na contratação de jogadores de segundo plano do futebol malaio destacaram-se pela negativa não evoluindo do parâmetro regular. 27 Quadro 1: Teste de Cooper (Manual de Personal Trainer – CEFAD, s/d) Idade <29 30 – 39 40 - 49 50 - 59 60 - 69 Baixa <25 <23 <20 <18 <16 HOMENS Regular Média 25 - 33 34 - 42 23 - 30 31 - 38 20 - 26 27 - 35 18 - 24 25 - 33 116 - 22 23 - 30 Tabela – Boa 43- 52 39 - 48 36 - 44 34 - 42 31 - 40 Excelente > 52 >48 >44 >42 >40 O balneário No Sabah FA não existia a cultura do balneário – v) episódio – falta de cultura de balneário. No clube não estava enraizado o espírito de família, de cumplicidade e amizade que se vive num balneário de uma equipa de futebol convencional, tal como a realidade que conhecemos e vivenciamos no futebol ocidental. Nem todos os jogadores equipavam no balneário (já vinham equipados de casa) e da mesma forma também não tomavam o banho com os colegas no balneário. Existia entre alguns jogadores algum pudor, devido também às diferentes religiões e ideologias. Alguns jogadores não se despiam nem tomavam banho à frente dos colegas. Os balneários tinham chuveiros individuais. O modelo de jogo – 3x5x2 Como base de trabalho da periodização tática o modelo de jogo assume uma importância fulcral e determinante. O Treinador, José António Garrido, adotou um modelo de Jogo que assentava na organização tática 3x5x2. Acreditando nessa organização, como treinadores, procuramos definir e implementar as ideias concebidas para o modelo de jogo da equipa, tendo em consideração os princípios e ideais que pensávamos dar maiores garantias aos 28 objetivos definidos na estrutura do clube, tendo em conta igualmente as características dos jogadores. Colocamos em prática os objetivos e pressupostos táticos do modelo de jogo realizando sessões de treino em que a bola fazia sempre parte integrante. O jogo e os métodos de treino centrados na organização tática da equipa, englobam todos os domínios do treino. A ação tática é definida e construída como fator dominante do treino, onde todas as outras dimensões se inserem e são também desenvolvidas. Desta forma desenvolvemos através do treino técnico-tático as componentes de ordem física e psicológicas dentro de uma organização contextualizada nos princípios de jogo definidos. Tentamos assim adotar nas sessões de treino tarefas e exercícios que construam com eficácia o modelo de jogo definido. Ainda com muito trabalho pela frente, constatamos com os resultados alcançados, primeiro, que a maioria dos atletas estava em boa condição física, e, em segundo, que o trabalho de preparação realizado, a organização e planificação estruturada para a equipa estava a dar os seu frutos. Partimos para a terceira semana de trabalho com a convicção que estávamos a desenvolver um bom trabalho. Os processos de treino, os princípios de jogo, o modelo e desenho tático que traçamos estavam a ser assimilados lentamente. Sentimos alguma dificuldade em impor o modelo tático, não por culpa do sistema em si, mas pela falta de disciplina tática e cultura tática da maioria dos jogadores que compunham o plantel do clube. – vi) episódio – pouca cultura tática dos jogadores. Porém, não desistimos e com persistência e trabalho árduo com base na definição de treino assente no microciclo, através das sessões de treino diárias, fomos melhorando os processos de treino, apresentando e introduzindo novos conteúdos estruturais que apontavam baterias à competição. A gestão do microciclo permite-nos avaliar em cada sessão o estado e evolução dos conteúdos desenvolvidos, permitindo igualmente que possamos 29 adaptar os processos de treino às necessidades ou situações pontuais num determinado momento para benefício da equipa no decorrer da época. Figura ? – Microciclo de treino – 1 jogo por semana (Aroso, 2006) Figura 4: Modelo de treino – 1 jogo semanal (Aroso, 2006) Aproximando o treino à competição realizamos, a partir do segundo microciclo, jogos semanais, seguindo uma lógica de modelo de treino organizacional idêntica à apresentada por Aroso (2006). Desde a etapa inicial que tentamos também impor alguma disciplina, para além da já habitual disciplina tática exigida. A motivação individual nem sempre era a mais desejável. Tentamos incutir a todos os atletas, com base na nossa experiência, e com os 4 exemplos estrangeiros (todos jogadores brasileiros – Júlio César Rodriguez, avançado centro, Andrézinho, médio ofensivo, Mázinho, central e Edu, médio esquerdo), que compunham o plantel até um máximo 5 estrangeiros que o clube poderia inscrever na Associação de Futebol da Malásia (F.A.M.) de acordo com o regulamento, o máximo de rigor, tentando fazer passar a mensagem de que sem disciplina, atitude competitiva e sobretudo vontade de vencer e ultrapassar os nossos próprios limites, saindo da nossa zona de conforto, não conseguiríamos alcançar os objetivos a que nos propusemos e o sucesso que pretenderíamos obter. Certo é que os atrasos sucediam-se, as faltas aos treinos, sem avisos prévios, e sem justificações também eram frequentes, deixando-nos muitas das vezes 30 sem saber com quantos atletas contaríamos para os treinos já planeados – vii) episódio – falta de profissionalismo e motivação individual. Muitas vezes foi colocada em causa a especificidade do treino. Nos capítulos disciplinares e de profissionalismo, o treinador, José Garrido, tentou definir algumas estratégias de superação, para que houvesse um maior comprometimento dos atletas que trouxesse mais rigor ao grupo de trabalho. José Garrido, refere que “Foi extremamente difícil porque o grupo de trabalho não estava habituado a trabalhar de forma séria e a respeitar as indicações do seu líder. Com o tempo e muita paciência foi possível mudar um pouco a mentalidade (…)”.2 Tentamos combater tudo isso com o estabelecimento de condutas disciplinares a seguir e definimos igualmente regras mais apertadas. Estabelecemos multas, em dinheiro, para incumprimentos, atrasos e faltas ao treino, que acumulavam para um fundo a reverter para os jantares da equipa, a dita “caixinha”, usual nos clubes de futebol em Portugal, assim como estabelecíamos, essas multas, em brincadeiras, por vezes, durante os treinos, na tentativa de elevar os índices competitivos e motivacionais dos atletas, em jogos reduzidos ou mini jogos, numa espécie de torneios internos. A tentativa de impor algumas condutas disciplinares e regras dentro da equipa, com a criação das estratégias atrás referidas, esbateu-se na falta de gestão interna e profissionalismo da direção do clube, não aplicavam as multas previstas e eram de certa forma coniventes com os jogadores – viii) episódio – falta de profissionalismo, organização e gestão interna do clube. Consideramos, por isso, relativamente ao treino, que uma otimização das capacidades dos atletas, quer do ponto de vista psicológico, importante na sua perceção e abordagem ao treino, quer do ponto de vista físico e técnico-tático, ajudaria os atletas na obtenção dos melhores resultados competitivos possíveis. 2 José António Garrido (2012), in Questionário a José Garrido (Anexo 6) no âmbito do Mestrado em Ciências do Desporto - Especialização em avaliação e prescrição na atividade física. 31 Como já abordamos, pensamos que a periodização tática como um processo global, crescente e dinâmico no processo de preparação da equipa nos oferece também as condições ideais na preparação do treino. Acreditamos que o microciclo, na periodização tática, torna-se na estrutura que determina maior qualidade na definição das metodologias de treino. Através desta estrutura, conseguimos aferir com maior rigor e competência o momento competitivo da equipa, quer do ponto de vista coletivo, quer das prestações individuais. O fator condicionante da estrutura microciclica é o jogo. Não dependendo unicamente desse fator é dada bastante relevância ao jogo. Os índices de concentração máxima e exigência competitiva fazem do jogo um pressuposto fundamental na definição do microciclo e das sessões de treino que o compõe. Os pressupostos inerentes ao modelo de jogo definido e a colocação em prática dos seus princípios, fazem da organização tática a base de preparação dos processos de treino. A competição Com as limitações financeiras que foram impostas pela estrutura diretiva do clube construímos uma equipa com 23 jogadores que era composta por 4 jogadores brasileiros e os restantes jogadores malaios, sendo que 14 eram da região de Sabah formados no clube, onde se incluíam 3 jogadores amadores, dos quais um jogador júnior, que nem sempre podiam treinar por causa do trabalho e dos estudos, respetivamente. Sabíamos que precisávamos de equilibrar a equipa no setor do meio campo e no ataque. Faltava-nos, para considerarmos fechado o plantel, de um médio defensivo e de outro avançado centro com experiência. Tínhamos na equipa um médio defensivo, a recuperar de uma artroscopia a um joelho, que ainda não possuía os índices físicos ideais para voltar à competição e um avançado centro, de 21 anos, ainda sem muita experiência. 32 Estávamos, assim, a construir uma equipa com algumas dificuldades uma vez que não podíamos contar com todos os jogadores que precisávamos para todas as posições. Como referimos, as contratações ainda não estavam fechadas e para equilibrar o plantel mantínhamos a porta aberta a jogadores que vinham à experiência. No segundo dia de treino da semana que antecipava o 1º jogo no campeonato por intermédio de um dirigente do clube, apareceu um jogador nigeriano à experiência. Observamos o jogador em 2 dias de treino e infelizmente não tínhamos encontrado o que procurávamos. Falamos com o jogador e empresário desejando-lhes boa sorte para o futuro. Surpreendentemente, o mesmo jogador apareceu-nos num treino da semana seguinte, a mando de outro dirigente do clube. O que parecia anedota mas se traduzia na mais pura realidade, espelhava a falta de organização e seriedade competitiva de um clube que disputava a 1º Divisão de Futebol da Malásia. ix) episódio – novamente – a denotar-se falta de profissionalismo, organização e gestão interna do clube. Com uma fase preparatória da época desgastante e difícil, face a alguns constrangimentos com os quais tivemos de lidar e ultrapassar, principalmente com os muitos jogadores que estiveram à experiência, tentamos construir uma equipa, apesar das muitas diferenças, de mentalidades, profissionais, religiosos e sócio-culturais. Dentro da própria equipa assistíamos a uma grande diversidade de sóciocultural e religiosa, mesmo entre os jogadores malaios e naturais de Sabah, na medida em que estes pertenciam a religiões distintas. Os jogadores do clube refletiam a população da cidade, uma mistura de diferentes raças e etnias. No clube coabitavam jogadores de origem muçulmana (malaia), chinesa, das raças bajaus e kadazan/dusuns, indiana e caucasiana. Os Malaios e os Bajaus praticam o islamismo. Os Kadazan o cristianismo. Os Chineses são Budistas. 33 Entre os Indianos podemos encontrar Hindus e Budistas. Os caucasianos (brasileiros) do clube eram, naturalmente, cristãos. Apesar da diversidade sócio-cultural e religiosa, incutimos e cultivamos os conceitos de máximo de respeito pelo próximo e de máxima equidade no tratamento e relação entre os jogadores e equipa técnica que sempre imperou. Soubemos lidar e conviver com as diferenças. Todos respeitavam as liberdades individuais de cada um. A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros. Foi notório que a construção de uma verdadeira equipa não foi fácil. Fomos tentando, através do treino, criar, com os jogadores, um espírito de grupo e uma união à volta da equipa que através de uma necessidade de afirmação pessoal e maior responsabilidade individual nos desse uma identidade coletiva. Verificamos igualmente que havia uma enorme necessidade de integração dos atletas novos no clube, que eram a minoria, e procuramos, através de treinos que desenvolvessem a interajuda, a cumplicidade e a organização das tarefas de treino com responsabilidades recíprocas, aproximar os jogadores, para que construíssem laços de amizade e união entre todos. E assim, fomos desenvolvendo o modelo de jogo adotado, aquele em que acreditávamos e aquele que nos dava maiores garantias, face ao plantel existente, tentando transmitir à equipa, através dos jogadores mais experientes, as referências de atitude mental competitiva. Incutimos valores associados à construção de uma equipa. Definimos estratégias de superação e de conhecimento do jogo, tentando focalizar atenções na definição dos princípios de jogo e nos processos táticos. No contexto dos pressupostos táticos deixamos espaço para o desenvolvimento dos processos criativos e técnicos dos jogadores, aspetos esses que assumem um espaço importante na definição das situações de jogo isoladas no contexto de jogo global. 34 Estabelecemos rotinas de treino com bastante dinamismo, idêntico á intensidade de jogo, para que as ideias transmitidas manifestassem a integração de todas as dimensões que são abordadas no jogo. Com o início da competição, estruturamos os processos de treino na adequação do jogo. Isto é, pretendemos, sempre, gerir o microciclo de treino, não simplesmente em função do jogo, de forma isolada, ou dos adversários, desfazendo os nossos princípios de jogo e pressupostos táticos, mas sim tentando antecipar as exigências competitivas relacionadas com o jogo e naturalmente com o descanso e recuperação física e mental da equipa. 1º jogo do campeonato Penang FA x Sabah FA (sábado, 29.01.2005) Preparados, em todos os domínios, para o início do campeonato, arrancamos na competição com um jogo no terreno do Penang FA (Malásia Continental), a 29-01-2005 – Sábado – pelas 20h00. O próximo jogo realizava-se em casa 3 dias depois, terça-feira, dia 01-02-2005 e o 3º jogo era logo no Sábado seguinte dia 05-02-2005. Iniciamos o campeonato com 3 jogos no espaço de uma semana. Voltando aos momentos que antecederam a estreia na Malaysia Super League 2005, como já atrás referimos, os jogadores do clube, por razões e influências de índole sócio-cultural, não tinham nos seus hábitos e costumes práticas sociais em equipa. Não foi de estranhar por tal facto que ocorressem alguns episódios de incumprimento com os horários. Definimos o horário para o pequeno-almoço entre as 9h15 e as 9h45. Depois do despertar às 9h00, todos tinham de tomar o pequeno-almoço até às 9h45. O almoço estava marcado para as 12h30. Quando a equipa técnica desceu se dirigiu para a sala onde seria servido o almoço, já alguns atletas tinham almoçado, outros encontravam-se a almoçar nesse preciso momento enquanto 35 outros chegavam aleatoriamente e dirigiam-se para as mesas e balcões de self-service para almoçarem – aí tivemos a certeza de que era preciso muito trabalho para disciplinar os jogadores e impor regras fundamentais de convivência em equipa no clube - x) episódio - os jogadores não cumpriam regras fundamentais. Saímos para o nosso primeiro jogo do campeonato à hora marcada. No momento de estreia em competição havia sempre algum nervosismo. Momentos antes de sairmos para o aquecimento, o Treinador, José Garrido, informa que por decisão da direção do clube, o treinador-adjunto e preparador físico não integrava a lista de nomes que teriam lugar no banco de suplentes. O treinador-adjunto da confiança do treinador principal não constava da ficha de jogo, logo não podia estar presente no banco de suplentes. Dessa forma não podíamos interagir nas decisões táticas durante o jogo – xi) episódio. Apenas durante o intervalo conseguíamos trocar algumas impressões acerca do jogo e da equipa. Lá fomos para o aquecimento com o máximo de concentração e profissionalismo Aquecimento para o 1º jogo De acordo com o que tínhamos definido, iniciamos o período de aquecimento trinta e cinco minutos antes da hora do jogo. Organizamos esse período da seguinte forma: 3´- Condução, passe e trocas de bola: 2 a 2 5´- Exercícios de braços, tronco e pernas 3´ - Alongamentos 3´- Posse de bola 3´- Jogadas de envolvimento com cruzamentos e finalização 3´- Saídas de velocidade de reação e alongamentos 36 Saímos derrotados por 3-0 no jogo de estreia. Os jogadores responderam bem fisicamente às exigências do jogo, no entanto não demonstraram índices de agressividade suficientes para lutarmos pela posse da bola, dando ao adversário o controlo do jogo durante grandes períodos. Em termos coletivos a equipa cometeu imensos erros defensivos e de concentração, que se pagam caro em alta competição, que acabaram por ditar a primeira derrota no campeonato. Demonstramos falta de capacidade tática perante a dinâmica de jogo apresentada pelo adversário. Registamos também em alguns momentos que alguns jogadores denotavam uma profunda falta de cultura tática, fator que também contribui para um maior desequilíbrio e falta de organização e resposta da equipa no jogo. Plano semanal de treinos – 2 jogos na semana Tínhamos como primeira preocupação a recuperação mental e física dos jogadores após um primeiro resultado desfavorável. Como segunda preocupação, pensar em preparar a equipa já para o próximo jogo, que tinha lugar 3 dias depois. Viajamos de avião ainda nessa noite a seguir ao jogo. Chegamos a Sabah já passavam das duas da manhã de domingo. O primeiro treino, a seguir ao jogo realizou-se na segunda-feira de manhã, pelas 09h00, onde fizemos com os jogadores uma análise ao jogo, debatendo entre todos sobre o que aconteceu de bom e menos bom. Apos a análise reflexiva que tinha como objetivos aprendermos com os erros cometidos, avaliarmos a prestação coletiva e a preparação mental e psicológica para o jogo seguinte, realizamos um treino ligeiro para todos os atletas. Preparamos um treino de campo de 60 minutos. Iniciamos com 5 minutos de alongamentos gerais ligeiros, depois treino de recuperação ativa - 10 minutos 37 de corrida contínua, seguidos de mais 5 minutos de alongamentos, agora mais intensos, procurando recuperar as tensões musculares da competição. Abordamos de seguida treino de posicionamento tático com bola – 15 minutos, realizando jogadas de envolvimento, a baixa intensidade, organizando a equipa para o jogo da 2ª jornada. Treinamos de seguida durante 15 minutos, algumas jogadas de bola parada, livres e cantos, quer do ponto de vista ofensivo, quer defensivo. Reservamos 5 minutos para o trabalho da velocidade de reação e terminamos com 5 minutos de alongamentos. 2º Jogo do campeonato Sabah FA x Pahang FA (terça-feira, 01-02-2005) Para a abordagem a este jogo e porque o treinador-adjunto e preparador físico da equipa não tinha acesso ao banco de suplentes, justificando a direção que era importante ter Justin Ganay (treinador adjunto malaio) no banco para comunicar com os jogadores, preparamos uma ficha de observação (Anexo II) de jogo para podermos aferir com maior rigor e precisão os momentos da equipa nas diferentes fases do jogo. Preparamos assim uma ficha de observação para análise da 1ª e 2ª parte, em que cada parte estava subdividida em 3 partes de 15 minutos cada. Para o efeito construímos uma ficha onde registávamos o número de passes realizados, certos e errados, o número de recuperações de bola e em que zona do campo, defesa, meio campo ou ataque, o número de faltas, cometidas e sofridas, o número de cruzamentos conseguidos, do lado esquerdo ou do lado direito, o número de remates efetuados, de pé esquerdo, de pé direito ou de cabeça, o número de cantos alcançados, do lado esquerdo e direito e os golos marcados e sofridos. 38 Através da elaboração e registo da ficha de observação podíamos aferir com maior rigor, por exemplo, a percentagem de posse de bola da equipa e verificar em que fase do jogo efetivamente aconteceu. Podíamos igualmente apurar com mais certeza as recuperações de bola, que dependendo da zona do campo em que se faziam, definia a agressividade da equipa no jogo e se iniciávamos o nosso processo defensivo longe ou perto da nossa baliza. Após o sucedido com os horários das refeições, no estágio de preparação para o primeiro jogo, obviamente que colocamos a questão à direção do clube e tentamos colocar algumas regras e condutas que uma equipa profissional de futebol deve seguir. Marcamos estágio para o dia de jogo. Encontro marcado numa unidade hoteleira da cidade de Sabah. Ninguém faltou à convocatória. Almoçamos todos juntos e à mesma hora. Estava programado um passeio de cerca de 30 minutos e regressávamos ao hotel para descanso e convívio dos atletas. Como o jogo era só às 20h00, tínhamos preparado também um lanche pelas 16h45. Saímos para o nosso primeiro jogo em casa. Os jogadores estavam um pouco nervosos e ansiosos. Nós também, não escondemos. O Mister, José Garrido, deu a palestra no balneário e motivou os jogadores para a conquista da vitória no jogo. Aquecimento para o 2º jogo O aquecimento para o jogo foi idêntico ao da primeira jornada: O treinador-adjunto malaio, Justin Ganay, ficava os guarda-redes. 3´- Condução, passe e trocas de bola: 2 a 2 5´- Exercícios de braços, tronco e pernas 3´ - Alongamentos 3´- Posse de bola 3´- Jogadas de envolvimento com cruzamentos e finalização 3´- Saídas de velocidade de reação e alongamentos 39 Desportivamente, a noite não sorriu à nossa equipa. Jogamos bem, criamos mais oportunidades que o adversário mas faltou maior concentração defensiva e eficácia na hora da finalização. Não vencemos. Perdemos o jogo de estreia em casa contra o Pahang FA por 0-2. Ficamos tristes pelo resultado mas ficamos com a impressão que tínhamos ganho uma equipa, pela forma como os jogadores se bateram e lutaram pelo resultado. Na nossa planificação semanal, de acordo com o Modelo de treino para 2 jogos semanais (Aroso, 2006), tínhamos, no nosso microciclo, uma sessão de treino para o dia depois do jogo (4ª feira) com base num trabalho de recuperação ativa, para os jogadores mais utilizados e um trabalho de intensidade média/alta para os jogadores que jogaram pouco minutos, para os jogadores não utilizados e para os não convocados. Figura 5: Modelo de treino – 2 jogos semanais (Aroso, 2006) Antes de darmos início ao trabalho de campo, como já estava instituído, após os jogos, no primeiro treino fazíamos com os jogadores uma análise e reflexão dos aspetos positivos e negativos. A sessão de treino para os jogadores mais utilizados assentava numa corrida contínua de baixa intensidade e alongamentos gerais. Os balneários não estavam preparados para a realização de banhos de imersão mas no final da sessão os jogadores realizavam massagens para ajudar à recuperação. Os 40 restantes jogadores realizavam uma sessão de treino de 75 minutos, através de exercícios de intensidade media/alta (60% do treino), normalmente através de jogos reduzidos. No dia seguinte, 5ª feira, começamos a preparar o próximo jogo que se realizava dois dias depois. Realizamos um treino de campo de 60 minutos destinado a situações de posse de bola e jogadas de organização tática, seguido de finalização integrada em ações táticas realizadas em velocidade. Finalizamos com alongamentos gerais e reforço abdominal e dorsal. Na 6ª feira, tínhamos voo de manhã com destino à 3ª jornada do campeonato. Chegamos ao hotel, acomodamo-nos e almoçamos. Depois do descanso treinamos 60 minutos ao final da tarde, onde realizamos alongamentos gerais, um “meinho”, corrida contínua, situações de bola parada, velocidade de reação e novamente alongamentos. 3º Jogo do campeonato Perlis FA x Sabah FA (sábado, 05-02-2005) Depois de a equipa ter demonstrado uma atitude competitiva muito forte na 2ª jornada, mesmo apesar da derrota consentida em casa, fomos para este jogo com boas expectativas e com o objetivo de conseguirmos um resultado positivo. A equipa da casa entrou muito bem no jogo, exercendo uma pressão alta muito forte. A nossa equipa nunca se encontrou e entramos irreconhecíveis no jogo. A equipa do Perlis FA, com um meio campo muito forte e um avançado centro senegalês, Zacharia Simukonda, de grande qualidade e que acabaria por ser o melhor marcador do campeonato com os mesmos golos do brasileiro, Júlio César Rodriguez, do Sabah FA, acabou por destroçar toda a estrutura tática que tínhamos montado para este jogo. 41 Taticamente e psicologicamente irreconhecíveis, também depois de ficarmos reduzidos a 10 jogadores, acabamos por consentir uma pesada derrota por um concludente 5 x 0. 4º Jogo do campeonato Sabah FA x Publik Bank FA (sábado, 12-02-2005) De volta a Sabah iniciamos a preparação do próximo jogo do campeonato, conscientes que teríamos muito trabalho pela frente principalmente para recuperarmos mentalmente a equipa depois do mau início de campeonato e da expressiva derrota do último jogo. Já com uma nova contratação assegurada de um avançado centro sudanês, Ahmed El Sayed, encaramos o 4º jogo no campeonato com mais otimismo. Vínhamos de três derrotas nas três primeiras jornadas. Precisávamos de vencer este jogo. Num jogo em que os nervos imperaram, nem sempre conseguimos colocar em campo os nossos princípios de jogo que assentavam em transições ofensivas rápidas criando espaços nos corredores de modo a construir jogadas de envolvimento e muitas situações de cruzamentos para a área, usufruindo dos bons dois avançados centro com presença na área adversária. Melhoramos a atitude competitiva em campo. Queríamos vencer este jogo. Trabalhamos muito e lutamos até à exaustão por esse objetivo. No final sentimos que valeu a pena. Vencemos o jogo por 2 x 1, com 2 golos do brasileiro, Júlio César Rodriguez. Felizes pelo primeiro resultado positivo, que mentalmente trouxe mais confiança aos jogadores e ao trabalho que estávamos a desenvolver com a equipa, mas conscientes do difícil caminho que tínhamos pela frente, concentramo-nos no próximo jogo fora em Melaka Telekom. 42 Plano semanal de treinos – 1 jogo na semana Usualmente num microciclo normal, treinávamos na segunda-feira seguinte após o jogo. Regressávamos todos ao trabalho para um treino técnico-físico. No primeiro treino a seguir ao jogo, habitualmente debatíamos entre todos os aspetos positivos e negativos e a prestações individuais e coletivas. Após esse período, realizávamos um treino de campo de 100 minutos, acentuando a resistência específica, com exercícios de dominante técnicofísica, de intensidades baixa, média e alta, executando exercícios de corrida continua (10 minutos), exercícios de passe para aperfeiçoamento da ação de receção e passe (2 x 10 minutos), exercícios de circuito de treino (30 minutos) e exercícios de posse de bola (4 x 7,5 minutos) que determinam diferentes objetivos de caráter técnico, técnico-tático e físicos. Terminávamos com alongamentos gerais, trabalho de flexibilidade (10 minutos). No final do treino de campo os jogadores realizavam massagens. Geralmente à terça-feira, programávamos duas sessões de treino de aproximadamente de 75 minutos cada. A primeira sessão incidia sobre o treino de força e velocidade específica (60% do treino) e a segunda sessão concentrava-se no treino da resistência específica. O primeiro treino realizavase pela manhã com exercícios que implicassem o trabalho de força (exercícios em circuito normalmente com bola) e velocidade específica. Na segunda sessão de treino, da parte da tarde, tarde iniciava-se a preparação do jogo com exercícios de resistência específica, incidindo o treino em ações de caráter técnico-tático, com exercícios para potenciar e aperfeiçoar a articulação dos diferentes setores de jogo da equipa. Tentávamos, dessa forma, corrigir situações negativas do último jogo, e construir as ações técnico-táticas para o próximo desafio. Introduzíamos muitas vezes, na sessão de treino, jogos reduzidos e jogos por setores. Na quarta-feira, o treino estava marcado para a hora do jogo, treinávamos pelas 20h00 no estádio de Likas. 43 Habitualmente programávamos, para este dia, um treino aproximado às exigências da competição. Preparávamos para esta sessão um treino de campo de 90 minutos. 10 minutos de aquecimento e alongamentos gerais, 10 minutos de passe e 70 minutos dedicados a um conjunto, 11 contra 11, como se de um jogo se tratasse, no qual privilegiávamos a preparação do jogo, com níveis de intensidade média, alta, e muito alta. Para o dia de quinta-feira, tínhamos planeado treinos de 75 minutos de campo. Este dia, no nosso microciclo, estava reservado para treinar várias ações táticas para a criação de situações de finalização e exercícios de finalização: i) individuais de reduzida complexidade; ii) com número reduzido de jogadores e espaços de jogo; iii) com número de jogadores e espaço de jogo próximos das condições reais de competição. Estas ações de finalização integravam ações de velocidade específica. Tínhamos planeado igualmente para este treino esquemas táticos e exercícios para as situações de bola parada. Trabalhávamos força média, com reforço abdominal e dorsal, e alongamentos gerais. Posteriormente ao treino de campo os jogadores faziam as tradicionais massagens. Às sextas-feiras, treinávamos pela manhã (quando jogávamos em casa) e fazíamos a abordagem ao próximo jogo. O treino tinha uma duração de 60 minutos de intensidade baixa. Deixávamos os jogadores recrearem-se com um “meinho”. De seguida, recuperação ativa, com corrida contínua de baixa intensidade. Fazíamos um jogo de recreação, relembrávamos algumas situações de bola parada e terminávamos com exercícios de velocidade de reação e alongamentos. No que diz respeito à organização das sessões de treino, cumpríamos uma estrutura que segundo Castelo, J. (2003, p. 735-736) era constituída por quatro partes: 1. Introdução; 2. Preparação; 3. Principal; 4. Final. Nos treinos que realizamos, tínhamos a preocupação de explicarmos os objetivos de todas as sessões de treino bem como a metodologia e exercícios a usar para atingir o sucesso das tarefas. A parte introdutória da sessão de treino torna-se, assim, fundamental para aumentar os índices de concentração e motivação dos jogadores. 44 Integram também a parte introdutória do treino, palavras de reforço positivo, que ajudam a animar o grupo de trabalho e uma atenção especial ao estado de forma dos jogadores. Gestão da equipa e do campeonato Prosseguíamos o nosso trabalho mantendo o modelo e princípios de jogo que pensávamos ser os mais eficazes e ajustados aos jogadores disponíveis no plantel. Nos últimos 3 jogos da 1ª volta do campeonato, pontuamos nos dois jogos seguintes, empatando fora a 3 golos com o Melaka Telekom e batendo, em casa, o Perak FA pela margem mínima, 1 x 0, perdendo no último jogo no reduto do MPPJ Selangor por 2 x 1. Contas feitas, acabamos o primeiro terço do campeonato com apenas 7 pontos. Iniciamos a 2ª volta com uma derrota caseira e um empate fora. Tínhamos conquistado apenas 8 pontos em 9 jogos. Tivemos uma baixa de peso na equipa com a lesão de Andrézinho, o médio ofensivo brasileiro. Um jogador bastante influente na manobra ofensiva da equipa, que pela sua forma agressiva de jogar transmitia à equipa uma dinâmica ofensiva muito forte. Tendo em conta os resultados que obtivemos na 1ª fase do campeonato, tínhamos falhado o nosso primeiro objetivo que passava por vencer todos os jogos em casa e pontuar pelo menos num jogo fora de casa, tentando fazer 10 pontos. Ficamos a 3 pontos do objetivo, perdendo um jogo em casa e empatando um jogo fora, tendo em conta que o empate conseguido fora de casa a 3 golos, sendo um resultado positivo, não deixou de ser um resultado menos bom. Numa equipa com mais maturidade, 3 golos marcados fora seriam suficientes para assegurar a vitória. 45 Episódios que influenciaram a gestão da equipa Para além dos episódios e adversidades que influenciaram a gestão da equipa que já fomos relatando ao longo deste relatório, não podíamos deixar de partilhar outros episódios que achamos importantes assinalar e com influências diretas na organização e no rendimento desportivo da equipa. Ao longo das jornadas já relatadas, passaram por Sabah muitos jogadores à experiência. Observamos muitos jogadores, de fraca qualidade física e técnica, que eram convidados por corpos dirigentes do clube, para treinarem à experiência, sem conhecimento prévio da equipa técnica. Estamos a falar de um clube de futebol profissional da 1ª Divisão! Pela terceira vez, registamos uma enorme falta de profissionalismo, organização e gestão interna do clube xii) episódio. No primeiro jogo da 2ª volta, que perdemos em casa por 0 x 4 com o Penang FA, o Presidente do clube, durante o jogo, telefonou ao Manager, que estava no banco de suplentes, como delegado ao jogo, e pediu que este transmitisse ao Treinador, José Garrido, para substituir o jogador A pelo jogador B, porque a dinâmica coletiva da equipa não estava a resultar. Perdíamos, a meio da primeira parte, por 0 x 2. O Treinador, José Garrido, disse ao Manager que quem mandava no clube era o presidente mas quem mandava na equipa era ele, enquanto fosse o responsável técnico. O Treinador vincou uma posição de força perante esta afronta e tentativa de pressão por parte do Presidente do clube. xiii) episódio – Pressão externa do Presidente do Sabah FA na gestão da equipa. No final do jogo, após o episódio ocorrido durante a partida, o Treinador Principal, José Garrido, colocou o seu lugar à disposição. No dia seguinte ao jogo, recebemos um telefonema do Vice-Presidente, para um encontro com o Presidente e outros notáveis da Direção do clube, no 46 Resort de luxo, Sutera Harbour, em Kota Kinabalu. Pensamos ter chegado ao fim a nossa aventura na Malásia. O nosso último dia no comando técnico do Sabah FA. O Presidente referiu-se ao episódio da noite anterior, dizendo que admirou a coragem e determinação do Treinador José Garrido, e que respeitava muito o homem por detrás daquela posição de defesa da sua integridade pessoal e profissional, expressando igualmente um profundo respeito pela posição inflexível que defendeu perante a sua tentativa de pressão. De seguida, contou uma história que se tinha passado com um ex-treinador do clube, onde relatou que nessa remota época, ele acompanhava o Treinador, como delegado ao jogo, no banco de suplentes. Contou que, nesses jogos, quando a equipa não estava a responder táticamente indicava ao Treinador quem devia substituir. Dizia também, ao Treinador, para a equipa jogar duma forma ou de outra… ao que o Treinador respondia: – Boa, Presidente! As alterações resultaram em pleno, obrigado, Presidente! Como contou, Datuk Seri Anifah Aman, o Presidente do clube, esta situação ter-se-á repetido algumas vezes. Certo dia ele interpelou o Treinador e disse: - Achas que as minhas opções dão bom resultado? Que quando faço alterações na equipa ficamos a jogar melhor? E o Treinador respondeu: - Claro, Presidente! Sempre que realizou alterações na equipa ganhámos! O Presidente sorriu e disse: - Fico contente por isso. Então não preciso de ti para nada. Estás despedido! No entanto, depois de contada a história, o Presidente começou por explicar que o que tinha acontecido na noite anterior era fruto da cultura malaia, porque os Presidentes dos clubes preocupavam-se com os resultados e gestão da equipa e que o Treinador deveria compreender e aceitar os costumes e hábitos da cultura muçulmana do País e do local onde exercíamos a nossa atividade profissional. 47 Saímos daquele encontro com o Presidente reiterar a confiança total no nosso trabalho, acreditando que era possível melhorar os resultados e realizarmos um bom resto de campeonato. A manutenção na Malaysia Super League era o nosso objetivo. Depois da 2ª jornada da 2ª volta, a 19-03-2005, onde pontuamos fora de casa pela segunda vez, com um empate a 3 golos, o campeonato da Malaysia Super League ia sofrer uma paragem de 5 semanas. Uma convocatória, da Associação de Futebol da Malásia, para representação da Seleção Nacional, tendo em vista a realização de um estágio sem qualquer jogo oficial, fez parar o campeonato por um longo período. A paragem competitiva era demasiado longa, facto que podia afetar o rendimento individual dos jogadores e a preparação da equipa. Esta nova fase da periodização tática estava contemplada e devidamente planeada, mas ficamos sempre com dúvidas em relação à resposta da equipa. Após uns dias de descanso, tentamos manter os índices competitivos da equipa elevados com a realização de jogos amigáveis. O Sabah FA contribui com dois jogadores, Rosdin (Sub-23) e Ronny, para este estágio da Seleção Nacional. Segundo relato dos dois jogadores, os treinos da Seleção eram muito físicos, com várias sessões de treino dedicadas ao trabalho da força, com alguns treinos específicos de musculação em ginásio. Os jogadores acusaram muito cansaço no regresso ao clube. Neste período sem competição, a pedido do clube de fãs – SabahRhinos, o Presidente do clube organizou uma espécie de conferência de imprensa, com tertúlia/convívio, com a presença de elementos da Direção do Sabah FA, a equipa técnica, os jogadores, os fãs, convidando também o jornal New Sabah Times. Esta espécie de conferência de imprensa, de todo peculiar, tinha como finalidade os adeptos conviverem de perto com os jogadores e quer o clube de fãs, quer os jornalistas, poderem colocar todas as questões que quisessem ver esclarecidas à Direção do clube, aos treinadores e aos jogadores, de um modo aberto, num ambiente salutar, de amizade e sem preconceitos. 48 Nesta conferência de imprensa, de muitas perguntas sobre o momento menos bom da equipa, sobre a conquista de apenas 8 pontos em 9 jogos e sobre a falta de algum acerto tático que influencia a dinâmica da equipa, ao que o Treinador, José Garrido, respondeu que a equipa praticava um bom futebol, com transições ofensivas rápidas e com jogadas de envolvimento muito interessantes, o que demonstrava uma enorme evolução na cultura tática dos jogadores e da equipa. Infelizmente os resultados não tinham espelhado a qualidade do futebol que a equipa estava a praticar. Relativamente à falta de algum acerto tático, reconheceu que na realidade falta um pouco mais de maturidade à equipa, em momentos importantes do jogo, que se tornam por vezes decisivos nos resultados. Revelou também que a equipa estava a precisar de um médio defensivo que trouxesse à equipa mais consistência defensiva, mais agressividade, maior percentagem de posse de bola e melhor organização e definição das jogadas de ataque. Os jornalistas do New Sabah Times e alguns adeptos do clube de fãs, SabahRhinos, questionaram também, José Garrido, sobre os índices físicos da equipa. Eram da opinião de que a equipa não estava bem fisicamente. O Treinador, José Garrido, preparava-se para responder a mais esta questão, quando decidimos interromper a sessão e reclamar a resposta a esta pergunta, retirando e libertando também um pouco da pressão de todas as outras questões já colocadas ao treinador principal. Assumimos que a equipa estava num bom momento físico. Em defesa dos jogadores e da equipa, não revelamos que sabíamos que um dos fatores de alguma baixa prestação da equipa tinha que ver com os baixos índices mentais e de confiança de alguns jogadores. Saímos, sim, em defesa da equipa e assumimos que estaríamos na nossa máxima força competitiva, e com os índices de confiança elevadíssimos, na receção ao Perlis FA, na 3ª jornada da 2ª volta. 49 Como já tivemos oportunidade de referir, procurávamos um jogador com características de médio defensivo e num dos jogos amigáveis que realizamos, no longo período de interrupção do campeonato, com um clube do Brunei, o presidente do clube, que assistia ao jogo treino, acabou por contratar um médio ofensivo brasileiro. Esta posição e tomada de decisão do presidente do clube veio demonstrar a atitude de prepotência e de altivez com que geria o clube. Fomo-nos apercebendo que as nossas diferenças sócio-culturais e de mentalidades refletiam uma clivagem acentuada. Apesar de mais este episódio controverso, que acabava por se tornar numa contrariedade para a nossa equipa, contrariamente à mais-valia que podia ter sido a contratação do jogador certo para o lugar certo, preparamos a equipa para o duro combate da segunda metade do campeonato. Recebemos o Perlis FA, que viria a sagrar-se campeão da Malaysia Super League 2005, e vencemos por 2 x 0, num jogo perfeito, com uma entrega total dos jogadores, que deram uma excelente resposta competitiva, depois da longa paragem do campeonato (5 semanas, como já referimos anteriormente) e deram também uma imagem de grande capacidade, de grande competência e de organização como equipa face às críticas de que tinham sido alvo nos últimos tempos. Nos últimos 5 jogos da 2ª volta alcançamos 8 pontos, resultado de 2 vitórias, 2 empates e 1 derrota. Comprometemos de certa forma as nossas aspirações cedendo 2 empates caseiros. Iniciamos a 3ª volta do campeonato com uma vitória, o que fazia relançar a equipa para o cumprimento dos objetivos, mas uma derrota na casa do Pahang FA por 3 x 2, no jogo seguinte, fez com que a direção do clube colocasse em questão o trabalho do Treinador, José Garrido. No dia seguinte às críticas à capacidade da equipa e ao trabalho da equipa técnica, José Garrido, colocou o seu lugar à disposição. O Presidente mais uma vez não aceitou a demissão do Técnico e marcou presença no primeiro treino da semana para responsabilizar os jogadores e tecer duras críticas à 50 falta de capacidade destes, criticando também a sua falta de ambição, chegando mesmo a insultar os jogadores. Esta pressão do presidente, se tinha alguma intenção de melhorar o rendimento da equipa, contrariamente, fez despoletar um ambiente de enorme tensão e de falta de confiança na equipa. No jogo seguinte, a 18-06-2005, quando faltavam 5 jogos para o final do campeonato, perdemos em casa com o Perlis FA por 0 x 1. Face a este resultado e a toda pressão que se fazia sentir à volta do Treinador, José Garrido deixa o comando técnico do Sabah FA. Malaysia Super League 2005 Classificações A época desportiva de 2005 da Malaysia Super League foi a segunda época organizada pela Associação de Futebol da Malásia neste formato de competição que apenas teve o seu início em 2004. O Perlis FA conquistou o primeiro campeonato da sua história (Classificação da Malaysia Super League 2005 - Anexo IV). Como tinha acontecido na época anterior com o Pahang FA, em 2004, o Perlis FA venceu o título facilmente, deixando a dez pontos de distância, em segundo lugar, o defensor do título. O Penang FA escapou à despromoção apenas na diferença de golos, sofrendo menos 4 golos do que o Public Bank FC. O final da época ficou manchado com o castigo aplicado ao Publik Bank FA. O clube foi afastado de todas as competições organizadas pela Associação de Futebol da Malásia por um período de 5 anos. 51 Melhores Marcadores O prémio para o melhor marcador (Melhores marcadores da Malaysia Super League 2005 – Anexo V) da Liga teve nesta edição dois vencedores, Júlio César Rodriguez, do Sabah FA, e Zacharia Simukonda, do Perlis FA. O jogador brasileiro, do Sabah FA, e o jogador Zambiano, do Perlis FA, marcaram 18 golos cada, dividindo, dessa forma, o prémio de melhor marcador do campeonato. O maior número de golos marcado num jogo foi de seis golos. Durante a época foram seis os jogos que acabaram com 6 golos marcados. A maior goleada do campeonato foi de 5 x 0, imposta pelo Perlis FA ao Sabah FA. 52 Considerações finais TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Considerações finais Na parte final deste relatório apresentamos uma síntese do trabalho que desenvolvemos com base naquilo em que acreditávamos e nas metodologias que valorizamos e colocamos em prática. Com as considerações finais queremos justificar as opções tomadas ao longo deste percurso, enquadrando o processo e os resultados obtidos. No terreno, e desde que enfrentamos este desafio, tentamos ser fieis a tudo aquilo em que acreditávamos. Desenvolvemos a periodização tática com base nos processos e métodos de treino que pensávamos ser os mais eficazes tendo em conta a especificidade dos recursos físicos e humanos. Desenvolvemos os fundamentos táticos, construindo um modelo de jogo 3x5x2 que assumimos como mais capaz e que mais garantias poderia trazer à equipa, tentamos incutir os nossos princípios de jogo e construir, com o clube e com os jogadores, uma identidade, transmitindo, para isso, os nossos valores profissionais. Mas, apesar de todos as metodologias utilizadas na operacionalização de construção de uma equipa, apoiado no treino e no microciclo como base fundamental na preparação das dimensões técnica, tática, física e psicológica, que define a periodização tática na organização do fenómeno desportivo futebolístico, constatamos que existem variáveis externas ao processo de treino, como questões de índole sócio-cultural, como o facto de o clube não estar preparado estruturalmente nem devidamente organizado para assumir um compromisso e estatuto de clube de futebol profissionalizado, intervindo de forma pouco adequada às exigências do futebol atual, que contribuem decisivamente para o insucesso. Verificamos ao longo desta experiência que os objetivos propostos e os resultados obtidos, assentando na nossa forma de trabalhar, nem sempre são atingidos, porque dependem da ação individual refletida na absorção das ideias colocadas em prática no processo coletivo, jogar em equipa, e na natureza 54 daquilo que é o subjetivismo do jogo de futebol, respeitando a sua especificidade. Valorizando as singularidades das manifestações individuais dos jogadores na construção de um certo modelo de jogo, não podemos deixar de referir que os princípios de jogo refletem a imagem e o papel do treinador que nos parece imprescindível. Ao treinador incumbe gerir os jogadores na sua individualidade, gerir mentalidades, fomentar o espírito e a força do coletivo, criar uma atitude comportamental para a sua equipa, definir um caminho e objetivos a seguir, transmitir aquilo em que acredita, partilhar os seus saberes, com o objetivo último de construir uma equipa com identidade. Sabemos que a construção de uma equipa é um processo lento e que demora o seu tempo. Com base nesse conhecimento sabíamos também que a aquisição de processos na contextualização da forma de jogar em que acreditávamos era movida por princípios, que definimos, por regras, que estabelecemos, por normas, que fizemos cumprir. Neste contexto, tentamos evoluir no sentido de criarmos o máximo de empatia e convergência de vontade e objetivos. Esta mais valia pode ser conseguida através da união de todos os intervenientes e das vivências positivas pretendidas para o jogo, objetivadas no modelo de jogo da equipa. O Sabah FA não se organizou suficientemente do ponto de vista estrutural para a profissionalização do futebol, não aceitando, para tal, uma profunda mudança de mentalidades na sua organização. Nem sempre os jogadores (nomeadamente os jogadores malaios) responderam positivamente às exigências competitivas e profissionais que lhes era pedida. Em consequência desses comportamentos não conseguimos impor na totalidade os princípios de jogo que queríamos implementar. Construímos um modelo de jogo. Esse modelo ficou de certa forma comprometido por alguma falta de vontade e capacidade dos jogadores no cumprimento das suas ações individuais e coletivas. Apesar das adversidades 55 conseguimos impor na equipa uma dinâmica de jogo ofensivo, fazendo com que praticasse um futebol de transições rápidas. Como prémio e reflexo dessa dinâmica e também devido à sua enorme qualidade e capacidade de finalização, o jogador brasileiro, do Sabah FA, Júlio César Rodriguez, com 18 golos marcados no campeonato, conquistou o 1º lugar na lista de melhores marcadores da Malaysia Super League 2005. Lutamos contra todas as adversidades, relatadas nos vários episódios que enumeramos ao longo do presente relatório, acreditando no nosso trabalho e na aceitação da nossa metodologia, mas não conseguimos concluir e atingir os objetivos a que nos propusemos e acabamos por não resistir às influências sócio-culturais externas ao treino. Deixamos uma imagem de grande profissionalismo, de grande competência e de grande rigor, que infelizmente nem sempre se refletiu em bons resultados desportivos. Antes do final do campeonato deixamos o comando técnico da equipa. O Sabah FA acabou por ser relegado para a Malaysia Premier League (2ª Divisão). Continuamos a acreditar nos nossos processos conceptuais e metodológicos, continuamos a acreditar em nós e no nosso trabalho. Ainda na Malásia, movemos esforços, através de contactos com empresários, no sentido de abraçarmos um novo desafio, um novo projeto. Após alguns contactos não conseguimos encontrar uma saída profissional imediata. Regressamos a Portugal, trazendo na bagagem uma experiência inesquecível – Ser treinador-adjunto e preparador físico de futebol - Uma aventura na Malásia. 56 Referências Bibliográficas TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Referências Bibliográficas Abrantes, João (2006). Quem corre por gosto. 1ª Edição, Revista 25 anos. Atletismo: Xistarca, Promoção e Publicações Desportivas, Lda. Aroso, João, (2006). Colóquio – O Treino de Futebol – Periodização do Treino no Futebol, 30 de janeiro de 2006. Alves, Fernando (2010), Modelos de Periodização, http://www.efdeportes.com/efd148/modelos-de-periodizacao.htm, EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 15, Nº 148, Septiembre de 2010. http://www.efdeportes.com Barbosa, António (2008). Diferenças entre periodização convencional, periodização tática e treino integrado. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Nº 122. http://www.efdeportes.com/efd122/periodizacaoconvencional-tactica-e-treino-integrado.htm Castelo, Jorge (2003). Futebol – Guia prático de exercícios de treino, Edição Visão e contextos, Lisboa, março de 2003. CEFAD (s/d). Manual de Personal Trainer – Unidade 3 – Avaliação do desportista, avaliação da capacidade aeróbia (p. 2-3) Matvéiev, L. (1990). O processo de treino desportivo (2ª ed.). Lisboa: Livros Horizonte. Mourinho, J. (2001). Das teorias generalistas… à ESPECIFICIDADE do treino em Futebol. Documento apresentado na palestra realizada na ESEL, no âmbito da disciplina POAEF. Estádio de Likas, Kota Kinabalu, Sabah – Malaysia. http://en.wikipedia.org/wiki/Likas_Stadium Emblema e equipamentos do Sabah FA http://en.wikipedia.org/wiki/Sabah_FA#cite_note-0 58 Geografia e Clima Malásia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-02-28]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$malasia>. http://en.wikipedia.org/wiki/Sabah Orações Islâmicas http://www.comunidadeislamica.pt/04b2.php?nivel_1=4&nivel_2=42&nivel_3=4 22 Calendário, resultados, tabela classificativa e tabela melhores marcadores http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Super_League_Malaysia_seasons http://www.malaysiansuperleague.com/ http://www.futbol24.com/national/Malaysia/Super‐League/2005/results/ 59 Anexos TREINADOR-ADJUNTO E PREPARADOR FÍSICO DE FUTEBOL: Uma aventura na Malásia Anexo 1 - Macrociclo Anexo 2 - Ficha de Observação de Jogo Anexo 3 - Calendário da Malaysia Super League 2005 Anexo 4 - Classificação da Malaysia Super League 2005 Anexo 5 - Tabela de melhores marcadores da Malaysia Super League 2005 Anexo 6 - Questionário a José António Garrido Anexo 7 - Fotografias ANEXO 1 MACROCICLO - CALENDÁRIO COMPETITIVO - ÉPOCA 2005 D EZ JA N 1 S T Q Q S S D 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 1 2 3 4 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 27 28 29 30 31 F EV 5 6 24 31 25 26 27 28 29 30 6 7 8 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 M AR 9 10 10 21 28 22 23 24 25 26 27 1 2 3 4 5 6 ABR 11 12 13 14 14 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 15 16 4 5 6 7 1 8 2 9 3 10 11 12 13 14 15 16 17 M AI J UN 17 18 18 19 # 21 # 18 19 20 21 22 23 24 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 25 26 27 28 29 30 2 3 4 5 6 7 1 8 # 23 30 24 31 25 26 27 28 29 # 1 2 3 4 5 J UL # # # # 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 # # 4 5 6 7 1 8 2 9 3 10 A GO SET # # 31 # # # # 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 29 5 23 30 6 24 31 7 25 1 8 26 2 9 27 3 10 28 4 11 1 2 3 4 5 6 7 # # # O UT # # # 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 # 41 # 3 4 5 6 7 1 8 2 9 10 11 12 13 14 15 16 # # 17 18 19 20 21 22 23 24 31 25 26 27 28 29 30 # I T M A C R O C IC LO - ÉP O C A 2 0 0 5 F ÉR IA S P R É - ÉP O C A M A LA Y S IA S UP E R LE A G UE 2 0 0 5 D E S C R IÇÃ O D O S P E R Í O D O S Férias P erío do Inicial (preparató rio ): pré-co mpetitivo P erío do Intermédio : co mpetitivo P erío do de Transição -intermédio -inicial: pó s e pré-co mpetitivo 2 Segundo P erío do Intermédio : co mpetitivo 2 Segundo P erío do transição -intermédio -inicial: pó s co mpetitivo 2 e pré co mpetitivo 3 Terceiro P erío do Intermédio : co mpetitivo 3 M A LA Y S IA C UP 2 0 0 5 ( T ) V O LUM E E ( I) IN T E N S ID A D E D O S T R E IN O S M uito alto A lto / M o derado B aixo Recuperação F ÉR IA S JOGOS P reparação M alaysia Super League 2005 A migáveis M alaysia Cup 2005 ANEXO 2 JORNADA ‐ DATA ‐ SABAH FOOTBALL ASSOCIATION Passes Certos Recuperações de bola Errados Defesa Meio Campo Ataque Faltas Cometidas Sofridas JOGO ‐ Remates Pé Esquerdo Pé Direito Cruzamentos Cabeça Esquerdo Drireito Cantos Esquerdo Drreito 1ª PARTE 15 30 45 2ª PARTE 15 30 45 Golos: Malaysia Super League 2005 ANEXO 3 Jogos e resultados da Malaysia Super League 2005 Figura 6. Logótipo da Malaysia Super League 2005 Calendário da Malaysia Super League 2005 Competição disputada a três voltas de acordo com sorteio. 1ª Volta 29.01.2005 20:00 Pahang FA 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Public Bank FA 3-2 3-0 2-2 1-2 MPPJ Selangor Sabah FA Perak FA Melaka Telekom 01.02.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 0-1 2-3 1-0 0-2 Penang FA Perlis FA Public Bank FA Pahang FA 05.02.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Public Bank FA 3-0 3-2 5-0 1-0 Perak FA Pahang FA Sabah FA MPPJ Selangor 12.02.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 0-0 0-1 0-1 2-1 Melaka Telekom Perlis FA Penang FA Public Bank FA 19.02.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perak FA 20:00 Public Bank FA 3-3 1-2 2-1 0-1 Sabah FA Perlis FA MPPJ Selangor Pahang FA 26.02.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Sabah FA 2-1 3-0 0-1 1-0 Penang FA Melaka Telekom Public Bank FA Perak FA 05.03.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Perak FA 20:00 Public Bank FA 0-0 2-1 0-0 1-1 Perlis FA Sabah FA Pahang FA Penang FA 1-2 1-2 1-2 0-4 Public Bank FA Pahang FA Perlis FA Penang FA 2ª Volta 12.03.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 19.03.2005 20:00 Pahang FA 3-3 20:00 Penang FA 0-1 20:00 Perlis FA 2-0 20:00 Public Bank FA 2-1 Sabah FA Melaka Telekom MPPJ Selangor Perak FA 26.04.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 2-4 4-1 0-0 2-0 Public Bank FA Penang FA Melaka Telekom Perlis FA 30.04.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Public Bank FA 0-1 2-1 5-1 1-3 MPPJ Selangor Perak FA Pahang FA Sabah FA 03.05.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Sabah FA 3-1 1-2 2-0 1-1 Perak FA Public Bank FA Penang FA Melaka Telekom 07.05.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perak FA 08.05.2005 20:00 Public Bank FA 1-1 Pahang FA 2-3 MPPJ Selangor 2-0 Sabah FA 0-2 Perlis FA 14.05.2005 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Sabah FA 15.05.2005 20:00 Pahang FA 3-1 Public Bank FA 1-2 Melaka Telekom 1-1 MPPJ Selangor 4-1 Perak FA 3ª Volta 21.05.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 0-0 1-1 3-1 2-1 Public Bank FA Pahang FA Perlis FA Penang FA 11.06.2005 20:00 Pahang FA 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Public Bank FA 3-2 0-1 4-0 0-4 Sabah FA Melaka Telekom MPPJ Selangor Perak FA 18.06.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perak FA 20:00 Sabah FA 2-1 2-1 3-1 0-1 Public Bank FA Penang FA Melaka Telekom Perlis FA 25.06.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Public Bank FA 3-1 0-3 2-1 1-0 MPPJ Selangor Perak FA Pahang FA Sabah FA 02.07.2005 20:00 MPPJ Selangor 20:00 Pahang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Sabah FA 1-5 0-0 1-0 4-1 Perak FA Public Bank FA Penang FA Melaka Telekom 05.07.2005 20:00 Melaka Telekom 20:00 Penang FA 20:00 Perak FA 20:00 Public Bank FA 3-2 1-3 3-0 3-3 Pahang FA MPPJ Selangor Sabah FA Perlis FA 09.07.2005 20:00 Pahang FA 20:00 Penang FA 20:00 Perlis FA 20:00 Sabah FA 1-0 1-0 4-0 0-1 Perak FA Public Bank FA Melaka Telekom MPPJ Selangor ANEXO 4 Classificação da Malaysia Super League 2005 (Última atualização, June 5, 2007) Tabela classificativa: Pos Teams/Clubs PERLIS FA 1 2 PAHANG FA Pld W D L F A Pts 21 14 3 4 43 19 45 21 10 5 6 37 29 35 3 PERAK FA 21 9 3 9 33 25 30 4 MELAKA TELEKOM FC 21 7 7 7 23 28 28 5 MPPJ FC 21 8 3 10 29 38 27 21 8 1 12 27 31 25 6 PENANG FA 7 PUBLIC BANK FC 21 7 4 10 22 30 25 8 SABAH FA 21 6 4 11 25 39 22 Legenda: Pos = Position; Pld = Matches played; W = Matches won; D = Matches drawn; L = Matches lost; F = Goals for; A = Goals against; GD = Goal difference; Pts = Points. CAMPEÃO PERLIS FA (1º Título) Descida à Malaysia Premier League (2ª Divisão de Futebol) Nota: Após terminar a época de 2005, O clube Public Bank FC foi punido com descida de divisão para a Malaysia Premier League, devido a problemas financeiros, e posteriormente foi banido, por um período de cinco anos, de todas as competições organizadas pela Associação de Futebol da Malásia. ANEXO 5 Melhores marcadores da Malaysia Super League 2005 Tabela dos melhores marcadores: Position 10 Players Teams/Clubs Goals 1 Julio Cesar Rodriguez Zacharia Simukonda SABAH FA PERLIS FA 18 3 Bernard Tchoutang PAHANG FA 12 4 Newton Ben Katanha Indra Putra Mahayuddin Jose Ramirez Barreto Keita Mandjou MPPJ FC PAHANG FA PENANG FA PERAK FA 11 8 Frank Seator PERAK FA 10 9 Vyatcheslav Melnikov PENANG FA 9 MPPJ FC PAHANG FA 6 Fabricio Franceschi Mohd Fadzli Saari ANEXO 6 QUESTIONÁRIO A JOSÉ GARRIDO Perguntas (1. a 16.) e Respostas (JG: José Garrido) 1. Na época desportiva de 2005 treinou o clube Sabah FA da Malaysia Super League? JG: “Sim, treinei o Sabah F.A.” 2. Já tinha passado pela experiência de treinar um clube fora de Portugal? Como surgiu o convite? JG: “Nunca tinha tido essa oportunidade e, quando um agente me ligou apresentando uma proposta de trabalho para a Malásia, não hesitei passando dois anos em que acumulei muita experiência.” 3. A distância, cerca de 11.200 km, e as grandes diferenças sócio- culturais, linguísticas e religiosas não o preocupavam? JG: “No início preocupei-me um pouco com essas diferenças. Depois houve um envolvimento grande com a comunidade Malaia e a adaptação não custou muito.” 4. Com que expectativas partiu para esse novo desafio na sua carreira como treinador de futebol? JG: “Quando parti foi com o intuito de ganhar experiência fora de Portugal. Desenvolver o conhecimento que tinha de falar Inglês, conhecer outras vivências futebolísticas e culturais. Depois da experiência direi que fiquei mais rico em todos os aspetos.” 5. O que encontrou? JG: “Encontrei um futebol totalmente diferente do que estava habituado, com vícios extremamente difíceis de mudar mas, com o tempo foi possível fazer algumas mudanças.” 6. Considera-se um treinador rigoroso, exigente consigo mesmo e com os atletas que treina? JG: “Eu considero-me um treinador extremamente exigente comigo mesmo e com o grupo de trabalho que lidero. Só com trabalho, solidariedade e empenho se conseguem resultados.” 7. Foi difícil impor a sua disciplina, o seu profissionalismo, o seu rigor, a sua mentalidade competitiva e passar essa mensagem ao grupo de trabalho? JG: “Foi extremamente difícil porque o grupo de trabalho não estava habituado a trabalhar de forma séria e a respeitar as indicações do seu líder. Com o tempo e muita paciência foi possível mudar um pouco a mentalidade mas, ao fim de dois anos, também da minha parte houve um acumular de cansaço que me fez voltar a Portugal.” 8. Quais as principais dificuldades que sentiu? JG: “O respeito pelas regras que um profissional de futebol deve ter e que de maneira nenhuma acontecia.” 9. Que modelo de jogo implementou ou tentou implementar? JG: “O sistema de jogo que implementamos foi 3x5x2 e tivemos que trabalhar muito a agressividade, a circulação, posse e a recuperação de bola.” 10. Os atletas assimilaram a sua metodologia de trabalho do ponto de vista tático? JG: “Foi difícil mas nesse aspeto foi mais fácil que outros.” 11. Como abordou a preparação física da equipa? O clima tropical húmido condicionou de alguma forma os seus métodos de trabalho? JG: “Só condicionou porque na altura das monções tinha-mos muitos problemas para ter um campo em boas condições para trabalhar.” 12. Como jogadores de futebol e atletas, como classificaria os seus jogadores do Sabah FA nessa época? JG: “Não os classificaria de bons profissionais porque não tinham vida nem atitudes condizentes com esse estatuto.” 13. Como era composta a sua equipa técnica (treinadores adjuntos)? JG: “Tinha um treinador-adjunto e preparador físico e um adjunto local.” 14. De que forma os elementos da sua equipa técnica ajudaram no desenvolvimento do seu trabalho? Quais as vantagens? JG: “As vantagens foram notórias na preparação, cooperação e colaboração nos treinos e jogos.” 15. Como classificaria o trabalho da sua equipa técnica, nomeadamente do seu treinador adjunto e preparador físico? JG: “Em relação ao meu preparador físico classificaria de muito bom e penso que saiu desta experiência com muitos mais conhecimentos dos que tinha. Também a nível humano com certeza que adquiriu também experiências nunca antes vividas.” 16. Que balanço faz desta sua passagem pelo Sabah FA e pela Malásia? JG: “Penso que foi uma grande experiência, que ajudou muito nos outros desafios que tenho enfrentado. Tornaria a fazer o mesmo.” Obrigado pela sua colaboração. ANEXO 7 Figura 6: José Garrido e Franclim Guimarães (à direita) após um treino no estádio de Likas (Kota Kinabalu, Sabah - Malaysia). Figura 7: José Garrido (2º a contar da direita) no banco do Sabah FA em jogo da Malaysia Super League 2005. Figura 8: Equipa do Sabah FA após um treino. Figura 9: Entrevista a Franclim Guimarães (à esquerda) para o jornal New Sabah Times (Kota Kinabalu, Sabah – Malaysia).