WILLIAM BARBOSA DOS SANTOS A INOVAÇÃO DO PVC EM JANELAS ESTUDO COMPARATIVO ENTRE PVC E ALUMÍNIO, SEGUNDO AS NORMAS TÉCNICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. SÃO PAULO 2004 WILLIAM BARBOSA DOS SANTOS A INOVAÇÃO DO PVC EM JANELAS ESTUDO COMPARATIVO ENTRE PVC E ALUMÍNIO, SEGUNDO AS NORMAS TÉCNICAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. Orientador: Profa. Dra. Adir Janete Godoy dos Santos SÃO PAULO 2004 i Dedico este trabalho de conclusão de curso aos meus pais que me incentivaram a estar concluindo o curso de engenharia civil. ii AGRADECIMENTOS Agradeço minha orientadora Professora Mestra Adir Janete Godoy dos Santos, por ter a paciência e disponibilidade de tempo para se dedicar ao meu trabalho. Agradeço a Professora Jane Luchtenberg Vieira, Professora Mestra Doutora Gisleine Coelho de Campos e o corpo docente da universidade Anhembi Morumbi pelo o apoio e coordenação do trabalho elaborado. Tenho só a agradecer aos meus pais por terem me incentivado e ao apoio que foi fundamental para que pudesse chegar ao objetivo desejado. Agradeço aos amigos que estiveram ao meu lado e compreenderão a necessidade deste trabalho. iii RESUMO A construção civil sofre constantes mudanças para o aprimoramento e otimização de custos, visando sempre satisfazer as exigências ambientais, com isto procurando produtos que se encaixem nestas características. O PVC vem se destacando dentro da construção civil e com uma grande ênfase em esquadrias para o fechamento e vedação dos vão gerados e necessários na construção. O presente trabalho avaliou a adequação do mercado de janelas de PVC e de alumínio à norma ABNT NBR 10821, visando focar a aplicação das janelas na construção civil e o programa de qualidade, mostrando o papel do engenheiro civil na importância da escolha e responsabilidade das esquadrias nas edificações. Palavras Chave: Esquadrias de PVC, PVC na construção civil. iv ABSTRACT The civil construction always suffers to constants changes for the improvement and reduction from costs, aiming at to satisfy the requirements ambient, with this looking products that if incase in these characteristics. The PVC comes if detaching inside of the civil construction and with a great emphasis in frame for the closing and prohibition of they go generated and necessary in the construction. The present work evaluated the adequacy of the market of windows of PVC and aluminum to norm ABNT NBR 10821, aiming at to indicate the application of the windows in the civil construction and the program of quality, showing the paper of the civil engineer in the importance of the choice and responsibility of the frame in the constructions. Words Key: Frame of PVC, PVC in the civil construction. v LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 5.1: Fluxograma simplificado da obtenção do PVC ....................................... 13 Figura 5.2: Tipos de aberturas das janelas............................................................... 20 Figura 5.3: Janela de correr duas folhas....................................................................21 Figura 5.4: Janela de correr três folhas......................................................................22 Figura 5.5: Janela de correr quatro folhas..................................................................23 Figura 5.6: Porta de correr três folhas seqüenciais....................................................24 Figura 5.7: Porta de correr duas folhas......................................................................25 Figura 5.8: Maximar com peitoril................................................................................26 Figura 5.9: Fluxograma para assegurar o cumprimento de todas as normas técnicas......................................................................................................................27 Figura 5.10: Gráficos dos isopletas da velocidade básica do vento em m/s, no Brasil...........................................................................................................................37 Figura 6.1: Esquadrias de PVC no hotel Íbis de Sorocaba, São Paulo......................74 Figura 6.2: Caixilhos e portas de PVC em residências..............................................75 Figura 6.3: Shopping cultural Finac, em São Paulo Caixilhos de alumínio pintados eletrostaticamente a pó..............................................................................................75 vi LISTA DE TABELAS Tabela 5.1: Principais propriedades do PVC rígido. ................................................. 14 Tabela 5.2: As pressões de ensaio........................................................................... 38 Tabela 5.3:Informações sobre pressões de ensaio....................................................40 Tabela 5.4: Exigência de permeabilidade ao ar.........................................................41 Tabela 5.5: Atividades visuais e a necessidade de desempenho lumínico...............43 Tabela 5.6: Valores de iluminação por grupo de atividades visuais..........................44 Tabela 5.7: Característica da tarefa e do observador................................................45 Tabela 5.8: Comparação entre coeficiente de transmissão térmica..........................47 Tabela 5.9: Propriedades mecânicas das ligas do alumínio......................................53 Tabela 5.10: Comparação das propriedades físicas entre materiais diferentes........54 Tabela 6.1: Planilha comparativa de preço entre PVC e alumínio.............................71 Tabela 6.2: Comparação de preço na obra residencial de Tamboré.........................72 vii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS PVC Policloreto de Vinila NBR Normas Brasileiras ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas UV Radiação Ultravioleta viii LISTA DE SÍMBOLOS C 2H 2 Acetileno, vinila. HCl Ácido clorídrico ix SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1 2 OBJETIVOS .......................................................................................................... 4 2.1 Objetivo Geral....................................................................................................................... 4 2.2 Objetivo Específico .............................................................................................................. 4 3 METODOLOGIA DO LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO ................................. 5 4 JUSTIFICATIVA.................................................................................................... 6 5 CAIXILHOS DE PVC............................................................................................. 8 5.1 Histórico dos caixilhos........................................................................................................ 8 5.2 Produção do PVC ............................................................................................................... 10 5.2.1 História do PVC ....................................................................................................10 5.2.2 O PVC....................................................................................................................12 5.2.3 Característica do PVC..........................................................................................14 5.2.4 Resistência ao fogo. .............................................................................................15 5.2.5 Resistência ao calor .............................................................................................16 5.2.6 Durabilidade do PVC ............................................................................................16 5.2.7 Resistência à ação da água ................................................................................17 5.2.8 Reciclagem do PVC .............................................................................................17 5.2.9 Consumo de energia em sua fabricação............................................................18 5.3 Janelas de PVC................................................................................................................... 19 5.3.1 Tipologia das janelas............................................................................................20 5.3.2 Requisitos da Norma Brasileira...........................................................................27 5.3.3 Normas para a qualidade assegurada do vidro.................................................32 5.3.4 Comportamento ao fogo ......................................................................................34 5.3.5 Resistência mecânica ..........................................................................................36 x 5.3.6 Exigências de Habitabilidade ..............................................................................39 5.3.7 Estabilidade de dimensões..................................................................................45 5.3.8 Isolamento Termoacústico...................................................................................46 5.3.9 Durabilidade das janelas de PVC .......................................................................47 5.3.10 Fabricação dos perfis de PVC para esquadrias ................................................49 5.3.11 Fabricação das esquadrias de PVC ...................................................................50 5.3.12 Acabamento superficial........................................................................................52 5.4 Janelas de alumínio ........................................................................................................... 52 5.4.1 Fabricação dos Perfis...........................................................................................52 5.4.2 Propriedades Mecânicas......................................................................................53 5.4.3 Propriedades físicas .............................................................................................54 5.4.4 Fabricação das esquadrias de alumínio.............................................................54 5.4.5 Acabamento superficial........................................................................................56 5.5 Portas de PVC..................................................................................................................... 58 5.5.1 5.6 Portas Sanfonadas de PVC.................................................................................59 A qualidade no setor de esquadrias ................................................................................ 59 5.6.1 Qualidade no setor de fabricação dos caixilhos de aço ...................................64 5.6.2 Qualidade no setor de fabricação dos caixilhos de alumínio ...........................65 6 ESTUDO DE CASO ............................................................................................ 69 6.1 Comparação entre as esquadrias de PVC com as de alumínio.................................... 69 6.1.1 Programas de qualidade das esquadrias...........................................................69 6.1.2 Comparações de valores entre PVC e alumínio ...............................................70 6.1.3 Durabilidade e manutenção.................................................................................73 7 ANÁLISE CRÍTICA ............................................................................................. 76 8 CONCLUSÕES ................................................................................................... 78 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 80 1 1 INTRODUÇÃO O PVC (policloreto de vinila) é adequado para uma grande variedade de aplicações, obtendo-se, a partir dele, produtos duráveis, resistentes à umidade e com alta resistência ao ataque de agentes químicos. Não é condutor de eletricidade, é resistente à ignição e pode ser pigmentado em diversas cores. O PVC ocupa lugar de destaque entre as matérias plásticas presentes no nosso cotidiano. O PVC teve seu início de produção comercial em 1931, apenas um ano após o poliestireno. Possui uma grande versatibilidade de aplicações que vão desde artigos rígidos até produtos flexíveis e elásticos, devido a sua capacidade de ser misturado em grandes proporções com outros componentes, que modificam suas propriedades. A partir de meados dos anos 70, o PVC passou a sofrer grandes pressões de ordem ambiental por envolver, na sua produção, o uso de cloro e derivados organoclorados. Estas pressões não impediram que a demanda de PVC continuasse a crescer em taxas média superior às do PIB mundial no período 1980 – 95. Mas trouxeram, como conseqüência principal, uma elevação dos custos de investimento e produção, pelas implantações das medidas de controle ambiental. Apesar de ser um produto consolidado, o PVC continua a evoluir tecnologicamente tanto em produto, como no desenvolvimento de novos tipos de aplicações, quanto em processo, com a constante redução de custos operacionais. Os seguimentos que mais consomem PVC são a construção civil e o setor de embalagens. 2 A construção civil é de longe, o mais importante, respondendo por cerca de 60% do total consumido em termos mundiais. Os principais produtos neste segmento são tubos; válvulas; conexões; esquadrias de portas e janelas; pisos; capas de revestimento de fios e cabos elétricos e de telecomunicação. A esquadria é um item oneroso de uma obra e, por isso é importante contar com um sistema de vedação eficiente, pois se avaliarmos o custo benefício, este valor é irrisório, mostrando assim a finalidade de uma vedação do ambiente por uma esquadria. As matérias-primas que competem com o PVC são aço, o alumínio e a madeira, em esquadrias de portas e janelas; o ferro fundido, o concreto e o polietileno de alta densidade para os tubos e conexões; e o polietileno de baixa densidade para revestimento de fios e cabos. As tipologias que podem ser produzidas com perfis de PVC, ou qualquer outro material na confecção de esquadrias estão previstas na Norma Brasileira, como janelas. Podendo ser utilizadas em edifícios residenciais e comerciais, casas, industrias, hospitais, hotéis e escolas. Com vistas à otimização físico-funcional e à integração dos diversos subsistemas que compõem uma edificação, os principais requisitos a serem atendidos pelas aberturas, relativamente ao comportamento e uso são o, controle do fluxo de calor, fluxos de ar, penetração da chuva, radiação térmica, transmissão de som, operação fácil por qualquer usuário, segurança e rigidez estrutural, prevenção da entrada de 3 insetos, segurança contra intrusos, manutenção global satisfatória ao longo de toda a vida útil. A esquadria de PVC está cada vez mais comum nas construções e a sua qualidade e viabilidade, a serem ocupados no setor da construção civil, devem ser avaliadas e considerada pelo engenheiro civil, no projeto, manutenção, na execução do empreendimento, considerando as possibilidades econômicas, ambientais e principalmente, características estruturais, desempenho e durabilidade. 4 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Ao decorrer dos anos, a construção civil vem sofrendo mudanças significativas. Essas alterações resultam em diferentes fatores como: a diminuição de custos, alivio de cargas na estrutura, acabamento perfeito, durabilidade, cumprimento das exigências ambientais, praticidade e diminuição na mão de obra. O produto de PVC vem a oferecer características de versatibilidade e o bom desempenho em relação ao isolamento termoacústico, resistência à corrosão, habitabilidade e conforto ambiental, densidade baixa em relação a outros materiais como alumínio, madeira e ferro. Com isto existe a necessidade de avaliar os requisitos de normas técnicas para o PVC em aplicação nas janelas para edificações. 2.2 Objetivo Específico Com o espaço conquistado pelas esquadrias de PVC, na área da indústria da construção civil. Este trabalho terá ênfases no estudo das janelas de PVC em função de avaliar a adequação do produto em relação da norma técnica da ABNT 10821 e os ensaios por ele exigido e no setor de programa de qualidade das esquadrias. 5 3 METODOLOGIA DO LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO No levantamento bibliográfico este trabalho é baseado em livros técnicos, manuais, revistas voltadas ao assunto de esquadrias de PVC e esquadrias na construção civil com base em normas técnicas. Com material fornecido por empresas do ramo de esquadrias, e auxilio de profissionais da área, executando estudo comparativo com de outros materiais e verificando, por informações técnicas o PVC comparado ao alumínio entre custo e exigências das normas técnica, em produtos disponíveis no mercado. Estudo comparativo sobre diferenças entre a esquadria de PVC com a de alumínio sendo utilizado um orçamento comparativo entre empresas especializadas no ramo. 6 4 JUSTIFICATIVA Os projetos de caixilharia devem ser elaborados em função de diferentes condições, desde a altura do edifício e sua localização geográfica até as particularidades dos sistemas adotados, o que faz com que cada obra seja única. Todas, porém, precisam obedecer aos parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas, que definem nível de estanqueidade, resistência ao vento e outras características relacionadas ao desempenho, segurança e habitabilidade. Com isto avaliando a importância do PVC para a atividade da construção civil, focalizando as esquadrias de PVC, comparando com outros tipos de materiais como alumínio, madeira e ferro nas aplicações de aberturas e vão, que se tem uma importância de projeto, execução e habitabilidade da obra. Levando em conta o custo e aceitação com relação a esquadrias já existentes no mercado, mostrando suas diferenças na aplicação e manutenção em longo prazo. Uns dos aspectos importantes é que a vida útil de uma janela de PVC é o dobro de uma janela de alumínio e o triplo de uma janela de madeira. Além disso, o PVC é totalmente reciclável. Visando o lado ambiental, pois o PVC é reciclável, podendo ser transformado inúmeras vezes, tendo como isto um fator muito importante para o meio ambiente. Devido a suas características, tanto pela sua versatibilidade quanto aos segmentos 7 de mercado nos quais é participante, notadamente aquele, ligado à construção civil, o que torna relevante, cientificamente e socialmente qualquer projeto de pesquisa cujo tema seja este material. Em comparação com outros materiais se consome menos energia na sua fabricação e não agride a natureza em questões de desmatamentos sendo assim, preservando o lado ambiental. 8 5 CAIXILHOS DE PVC É através das janelas e portas que se observa o mundo ao nosso redor, não sendo simplesmente como um valor simbólico, cultural e estético, e sim parte importante de um projeto que viabiliza o empreendimento nos aspectos construtivos, que permite ventilar e iluminar um aposento, trazendo conforto e segurança, valorizando o empreendimento e o projeto executado pelo o engenheiro civil. 5.1 Histórico dos caixilhos A madeira é o material tradicional para janelas e portas. Foi o primeiro material utilizado para a fabricação de caixilhos nas edificações. A madeira desempenhou uma grande importância nas construções antigas e até pouco tempo continuava sendo trabalhada artesanalmente. Com o desenvolvimento tecnológico, custo, exigência ambientais, a madeira sofreu concorrência dos outros materiais. As janelas e portas metálicas são de notável antigüidade e surgiram há vários séculos. Depois caíram em desuso durante um longo período até aparecer de novo na Segunda metade do século XIX. 9 Inicialmente eram produzidas artesanalmente, sob medida. As esquadrias eram rebuscadas no estilo e no desenho, muito diferente dos padrões de hoje. Somente a partir de 1960, os perfis tubulares e os perfis abertos obtidos a partir de chapas de aço, passaram a ser utilizado na fabricação de esquadrias no Brasil. Somente em 1980, as esquadrias começaram a ser industrializada e de formatos padronizadas, com produção em série. O aço substituiu as antigas esquadrias de ferro, oferecendo várias vantagens e concorrendo em igualdade de condições de resistência e de desenvolvimento tecnológico com outros materiais. O crescimento do uso do alumínio surgiu no mundo no final do século XIX e hoje é o metal mais utilizado para diversas aplicações. No Brasil, só eram produzidas esquadrias de aço e de madeira devido á abundância de matéria-prima no país. O alumínio só foi introduzido apenas em 1950 como um componente das esquadrias de aço. Com o desenvolvimento da tecnologia, as esquadrias de alumínio foram se aprimorando e ganhando espaço no mercado. As esquadrias de PVC surgiram nos anos de 1950 e 1960 na Alemanha Ocidental. No início o PVC foi pouco utilizado no mercado, mas só em 1970 houve uma fase de rápido desenvolvimento, atingindo 45% do mercado em 1980. A partir daí, o PVC propagou-se pela Europa e Estados Unidos, sempre conseguindo parcelas significativas dos mercados locais. 10 No Brasil, as primeiras tentativas de produção e comercialização de perfis de PVC, datam meados de 1970, porém, os produtos desde então evoluíram consideravelmente suas características como resistência mecânica, plasticidade, termo resistência, durabilidade, reciclagem diferente das atuais. Os caixilhos de PVC nas edificações são normatizados pela ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 10821/EB 1968: Caixilho para Edificação – janela - Especificação. Rio de Janeiro, 1988, NBR 10820/TB 354: Caixilho para Edificação – janela Termologia. Rio de Janeiro, 1988, NBR 6485/MB 1225: Caixilho para Edificação – janela, fachada cortina e porta externa – verificação da penetração de ar – método de ensaio. Rio de Janeiro, 1988, NBR 10829/MB 3071: Caixilho para Edificação – janela – medição da atenuação acústica – método de ensaio Termologia. Rio de Janeiro, 1988). 5.2 Produção do PVC 5.2.1 História do PVC A história do PVC iniciou-se em 1835, quando Regnault descobriu o cloreto de vinila, monômero do qual o PVC é produzido. A primeira menção ao PVC foi feita em 1872 por Baumann, quando ele descreveu a formação de um pó branco resultante da ação da luz solar sobre uma ampola de cloreto de vinila (em estado gasoso) - a reação de polimerização do cloreto de vinila. Entretanto, excetuando- 11 se estas duas referências, não houve, até o final do século XIX, interesse pelo cloreto de vinila ou pelo PVC. (Trikem, 1999). No início do século XX, devido à grande oferta de carbureto de cálcio na Alemanha (ocasionada pela superestimada utilização do acetileno para iluminação), começou-se a pesquisar novas utilizações para o acetileno. Em 1912, Klatte patenteou a obtenção do cloreto de vinila a partir da reação entre acetileno (C2H2) e ácido clorídrico (HCl) na presença de catalisador de cloreto de mercúrio. (Trikem, 1999). A produção industrial foi iniciada na Alemanha em 1931 e no fim da década de 30 nos Estados Unidos, pela Union Carbide e pela BF Goodrich.A eclosão da segunda Guerra Mundial implicou em um grande incremento na utilização do PVC para fins militares, como por exemplo, em roupas impermeáveis, em materiais que deveriam ser a prova d'água, para isolação térmica, etc. Somente após o término da Guerra é que houve uma grande disseminação do uso do PVC plastificado como substituto da borracha e, a partir daí, a produção cresceu sobremaneira. (Trikem, 1999). Atualmente, o consumo percapita de PVC pode ser considerado uma medida de estágio sócio-econômico de uma sociedade. Nos países economicamente desenvolvidos, o consumo percapita ultrapassa 15 kg/ano por habitante, enquanto nos países em desenvolvimento é inferior a 5 kg/ano. (Trikem, 1999). 12 5.2.2 O PVC As letras PVC são as iniciais de Poly Vinyl Chloride ou, em português, Policloreto de Vinila. O PVC é um polímero. Os polímeros são substâncias formadas por macro moléculas, nas quais uma ou várias unidades básicas, chamadas monômeros, se repetem inúmeras vezes. No caso do PVC, o monômero é o cloreto de vinila (CH2CHCl). Para designar um polímero comercial puro, utiliza-se o termo resina. (Trikem, 1999). Dois recursos naturais - sal e petróleo (ou gás natural) - são à base da fabricação do PVC. Por refinação do petróleo obtém-se o etileno; e por eletrólise, que é a reação química resultante da passagem de uma corrente elétrica por água salgada - salmoura -, obtêm-se o cloro e a soda cáustica. (Trikem, 1999). A resina de PVC se apresenta sob a forma de um pó branco, inodoro. Nessa situação a resina apresenta interesse econômico, devendo necessariamente ser acrescida de outras substâncias que conferirão propriedades ao produto acabado e que permitirão a fabricação destes produtos. O material resultante da união resina com o do aditivo é, denominado composto de PVC. (Trikem, 1999). A formulação do composto é determinada em função das características específicas do produto final, do equipamento utilizado no processamento e da forma que o composto será utilizado (em grão ou pó). Os ingredientes básicos para o composto são: resina de PVC, estabilizante térmico, lubrificante (internos e externos) e 13 pigmentos. Eventualmente, em casos onde são necessárias propriedades específicas no produto acabado ou no processamento, a formulação inclui modificadores de impacto, absorvedores de radiação UV, auxiliares de processamento, plastificantes e cargas. Sendo assim, tem-se um composto específico para tubos, outro para perfis de janela, um terceiro para mantas de impermeabilização, um quarto para mangueiras de pressão e, assim, para cada produto de PVC. (Trikem, 1999). É importante notar que a incorporação e a quantidade destes aditivos implicarão em propriedades específicas para os compostos. Desta forma, um composto de PVC utilizado para a fabricação de calçados é muito diferente do composto utilizado na fabricação de um perfil para janela ou tubo de instalação predial de água fria. Na figura 5.1 demonstra o processo de como surge o PVC para a industrialização. Figura 5.1: Fluxograma simplificado da obtenção do PVC (Trikem, 1999) 14 O composto de PVC é um termoplástico, ou seja, é um plástico capaz de ser repetidamente amolecido por calor e endurecido por resfriamento dentro de uma faixa de temperatura. Os termoplásticos são capazes de serem repetidamente transformados, pelos processos de calandragem, extrusão, injeção e sopro, dentre outros processos de transformação. (Trikem, 1999). 5.2.3 Característica do PVC Dependendo do tipo de formulação, o PVC pode ser rígido ou flexível, transparente ou opaco. O PVC rígido é aquele que apresenta maior interesse na construção civil na produção de caixilhos, por suas propriedades estruturais apresentada na tabela 5.1. Tabela 5.1: Principais propriedades do PVC rígido. Propriedades Valor 1,45 g/cm3 Densidade Temperatura de amolecimento Vicat > 70ºC Módulo de elasticidade 2250 a 330MPa Coeficiente linear de dilatação térmica (-30 a 50)ºC 60 a 80x10-6/ºC Condutividade térmica 0,15 W/mK Resiliência na tração ≥700 kJ/m2 Resistência à tração 42 Mpa Alongamento na ruptura ≥150% (Trikem, 1999) 15 5.2.4 Resistência ao fogo. A característica do PVC rígido ao fogo é auto-extingüível, ou seja, se houver a inflamação de um produto de PVC, o fogo se extinguira sem que haja a necessidade de combate por meio de extintores. (Trikem, 1999). A inflamação é difícil, pois tem baixa combustibilidade (combustível é qualquer elemento que alimente o fogo). O PVC, além de não ser um bom alimentador do fogo, possui a característica de somente queimar quando colocado em contato direto com a chama. Não há queima do PVC por efeito do calor ou de faíscas. Com o PVC não ocorre propagação superficial da chama, a não ser em presença de uma chama externa, este comportamento, associado ao fato do PVC ser autoextinguível, implica que o fogo pode ser combatido diretamente nos materiais combustível propagadores do fogo ao PVC, já que eliminada a chama, o fogo no PVC se apagará; O gás que resulta da combustão, o qual contém ácido clorídrico (HCl), possui um odor característico que serve de alerta aos ocupantes do ambiente. Este gás é altamente tóxico, prejudicial à saúde. 16 5.2.5 Resistência ao calor A degradação térmica do PVC puro se inicia em temperaturas entre 100ºC e 120ºC. Como na maioria dos processos de transformação (extrusão, injeção, etc.), atingemse temperaturas superiores a 120ºC, o composto de PVC é acrescido de estabilizantes térmicos. (Trikem, 1999). O processo degradativo devido à ação do calor é evidenciado, no seu início, pelo aparecimento de cor, tornando o plástico amarelado no produto branco. Em face do exposto, os produtos de PVC devem ser utilizados em aplicações cuja faixa de temperatura esteja entre -10ºC e 70ºC. 5.2.6 Durabilidade do PVC Em linhas gerais, a vida útil dos materiais de PVC utilizados na construção civil é da mesma ordem da vida útil das edificações, com manutenções preventivas, recomendadas pelo fabricante conforme suas características. Evidentemente, para a obtenção de uma durabilidade adequada, a formulação do PVC deve ser considerada levando-se em conta a degradação a que o produto final estará exposto. Por exemplo, aplicações externas como janelas, “sidings” e venezianas, sofre a ação do intemperismo - sol, chuva, agentes poluidores do ar, atmosferas ácidas ou marinhas, entre outros. Nesses casos, o composto deve conter aditivos que melhorem seu desempenho em relação a esses agentes agressivos, como por 17 exemplo, os absorvedores de radiação ultravioleta. Considera-se como degradação qualquer alteração sofrida pelo polímero durante a sua vida útil, tanto na aparência como nas propriedades químicas ou mecânicas. Os processos degradativos são classificados em função do agente agressivo. (Trikem, 1999). 5.2.7 Resistência à ação da água A água e o vapor de água, bem como a atmosfera marítima não é agente agressiva ao PVC. É importante notar que a resistência do PVC à água implica, em muitos casos, em uma maior durabilidade dos sistemas em PVC em comparação com produtos fabricados com outros materiais. O PVC se justifica como material resistente à corrosão em instalações litorâneas ou condições de chuvas intensas. 5.2.8 Reciclagem do PVC Os produtos de PVC pós-consumo são recicláveis e atualmente no Brasil existem muitas empresas que se dedicam a sua reciclagem. Como exemplo de produtos elaborados com PVC reciclado temos solados de calçados e laminados flexíveis para revestimento de pastas. 18 O PVC não é um produto biodegradável, o que é fundamental para a sua utilização como material de construção. No entanto, mesmo nas utilizações onde o PVC é descartável, ele é inerte no solo e os aditivos utilizados na composição do composto são insolúveis, não poluindo, portanto, os lençóis freáticos ou o solo. O átomo de cloro serve como um marcador no PVC, que permite a separação automatizada dos resíduos de produtos industrializados com o PVC entre outros tipos de plásticos misturados em meio de lixo urbano, facilitando assim a separação para a sua reciclagem. È classificado como um material com longo ciclo de vida, sendo um produto que antes de ser descartado ao meio ambiente, é passado por vários processos de transformações. 5.2.9 Consumo de energia em sua fabricação Conforme sua estrutura molecular, o PVC é obtido a partir de 57% de insumos provenientes do sal marinho, e somente 43% de insumos provenientes de fontes não renováveis como o petróleo e o gás natural. O consumo energético na produção e transformação do PVC é um dos mais baixos, se comparado com o de outros materiais utilizados na construção civil, na confecção dos caixilhos, tais como ferro alumínio, madeira e aço. O consumo bruto para a fabricação do PVC representa, em média, menos de 0,25% da quantidade de petróleo bruto extraído no mundo. 19 5.3 Janelas de PVC A janela pode ser discutida sob diversos pontos de vista. Para o usuário a janela traz luz natural, ar fresco e uma vista do exterior. Para o engenheiro civil, a janela corta a fachada, interrompe sistemas de divisórias ou tetos e requer detalhamento especial de suas interfaces com esses sistemas. Para o construtor, a janela é um local onde vários materiais e componentes têm de funcionar conjuntamente. Qualquer que seja o ponto de vista, a janela é, como qualquer outro componente de fachada, um filtro das condições externas para as internas, tendo ainda a possibilidade de ser operável e ter um certo grau de transparência à luz natural. A janela é constituída basicamente pela esquadria, folhas, selantes, acessórios e envidraçamento, formando um conjunto de componentes tendo a necessidade de se compatibilizar entre si, para que se forme um elemento único e atenda as necessidades exigidas de projeto, em virtude do tipo de edificação (comercial, escolar, industrial, hospitalar e habitacional). As esquadrias são atualmente constituídas por um dos seguintes materiais ou combinações deles: madeira, aço, alumínio ou PVC. O bom desempenho em uso e a durabilidade ao longo do tempo são parâmetros básicos para o comportamento das janelas e devem ser garantidos por um controle da qualidade sistemático. Esse controle da qualidade inicia-se ainda na fase de projeto, pela escolha do tipo e do material constituinte da janela em função do 20 entorno e da utilização que ela terá. Também a correta instalação e manutenção favorecem o bom comportamento global da caixilharia, sendo fundamentais para que se atinja o nível de desempenho desejado. 5.3.1 Tipologia das janelas Ao se analisar um ambiente encontra-se diversos tipos de janelas para adequar as exigências necessárias, como estanquiedade de ar e à água, na figura 5.2 demonstra os tipos mais comuns de janelas. Figura 5.2: Tipos de aberturas das janelas (Trikem, 1999) Segue fotos ilustrativas de esquadrias de PVC montadas, junto ao detalhamento dos perfis que formam as suas estrutura.(Figuras 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 5.7, 5.8). 21 Figura 5.3: Janela de correr duas folhas (Tigre, 2004). 22 Figura 5.4: Janela de correr três folhas (Tigre, 2004). 23 Figura 5.5: Janela de correr quatro folhas (Tigre, 2004). 24 Figura 5.6: Porta de correr três folhas seqüenciais (Tigre, 2004). 25 Figura 5.7: Porta de correr duas folhas (Tigre, 2004). 26 Figura 5.8: Maximar com peitoril (Tigre, 2004). 27 5.3.2 Requisitos da Norma Brasileira Para que a janela possa ter um comportamento satisfatório, é necessário que ela atenda certas exigências de qualidade, seguindo as normas técnicas fixadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). É interessante salientar que as normas brasileiras não fazem menção ao nível de sofisticação da obra. O desempenho mínimo é exigido de todas as esquadrias, colocadas em qualquer tipo de empreendimento. O engenheiro civil pode exigir um desempenho melhor do que aquele estabelecido pelas normas, em uma obra sofisticada, mas não podem abrir mão de exigências das normas para as chamadas obras econômicas. O código brasileiro de defesa do consumidor responsabiliza todos os profissionais e empresas que participam do fornecimento de um produto ou serviço, por cumprirem as normas técnicas e leis regularmente vigentes no país. Pelo código de defesa do consumidor, lei 8078, de 11/09/1990, no capítulo V que trata das práticas comerciais, na seção IV sobre práticas, abusivas, no artigo 39 é vedado ao fornecedor de produtos e serviços, no item VIII: colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço, em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela ABNT ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO). 28 O Decreto Lei Nº 11.228 de 1992 e o Decreto Lei Nº 32.329, de 23 de setembro de 1992, Código de Obras e Edificações – vigentes para o Município de São Paulo, dispõem sobre as regras gerais e específicas a serem obedecidas no projeto, licenciamento, execução, manutenção e utilização de obras e edificações, dentro dos limites dos imóveis; revoga a Lei Nº 8.266, de 20 de junho de 1975, com as alterações adotadas por leis posteriores, e dá outras providências. O artigo 27 diz que deverá ser observado o atendimento às recomendações das Normas Técnicas Oficiais da ABNT. A ABNT, é o órgão responsável pela normatização básica necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. É uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como Fórum Nacional de Normalização, através da resolução n. 07 do CONMETRO. Toda norma técnica tem força de lei e deve ser obrigatoriamente seguida. A Comissão Nacional de Estudos – Esquadrias para Construção Civil, do Comitê brasileiro da construção civil (Cobracon-ABNT) foi à entidade que coordenou o trabalho de revisão das normas técnicas no setor de esquadrias, na construção civil. As normas revisadas e implantadas evitaram a concorrência predatória, dos produtos importados, quase sempre mais requintados para atender às rígidas condições climáticas de seus países de origem e evitar a perda do calor interno durante os meses mais frios. Um caixilho com um alto nível de estanquiedade ao ar, é muito caro e não traz vantagens para a maioria das construções brasileiras. Seus usos se justificam em casos especiais, como em ambientes com condicionamento de ar, que exigem total estanquiedade do ar. 29 Conforme o fluxograma na figura 5.9 é montado um esquema para se assegurar o cumprimento e as exigências das Normas Brasileiras, envolvendo desde projeto até o pós-vendas. PROJETO ESPECIFICAÇÃO PARA COMPRA ? COMO ASEGURAR-SE QUE O PROJETISTA SEGUIU AS NORMAS DE PROJETO E USOU AS NORMAS TÉCNICAS PARA VERIFICAR? ? EXECUÇÃO DE SERVIÇOS COMO O FORNECEDOR DE SERVIÇOS DEVE ASSEGURAR O CUMPRIMENTO DAS NORMAS DO SERVIÇO? ? O QUÊ A ÁRAEA DE SUPRIMENTOS DEVE EXIGIR PARA COMPROVAR A CONFORMIDADE? ? FABRICAÇÃO COMO O FABRICANTE DEVE DEMONSTRAR A CONFORMIDADE? OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO COMO ASSEGURAR QUE AS CONDIÇÕES PREVISTAS EM NORMAS SEJAM SEGUIDAS QUANTO À OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO? Figura 5.9: Fluxograma para assegurar o cumprimento de todas as normas técnicas. (Corbioli, 2001). Atualmente as normas técnicas que estão em vigor para a construção de janelas são a NBR 10821, Caixilhos para edificação – Janelas (ABNT, 2000), a NBR 6485, Caixilhos para edificação – Janela, fachada-cortina e porta externa – Verificação da penetração de ar (ABNT, 2000); NBR 6486 (Caixilhos para edificação – Janela, Fachada-cortina e porta externa – Verificação da estanquiedade à água) e a NBR 6487, Caixilhos para edificação – Janelas, fachada-cortina e porta externa – Verificação do comportamento quanto submetido a cargas uniformemente distribuídas (ABNT, 2000). As normas citadas no parágrafo acima entraram em vigência em outubro de 2000 e consumiram dez anos de trabalho de técnicos e pesquisadores. Estas significam um 30 passo na obtenção de produtos que atendam às necessidades básicas de conforto e funcionalidade, dentro da realidade econômica brasileira e, principalmente, conforme as condições climáticas locais. As normas para análise e desempenho de janelas no Brasil devem obrigatoriamente atender ás condições climáticas do país, que são bastante variadas. A principal mudança introduzida após o ano de 2000, é a obrigatoriedade da informação do número da norma a que os produtos atendem, a especificação do uso a que se destinam e a classe de utilização por região do país, as condições de permeabilidade ao ar e à água, as pressões máximas de carga de vento e se o produto é próprio para ambientes com ar-condicionado. (ABNT, 2000). Além da exigência de identificação do produto, padronizado ou feito sob encomenda, às normas trazem outras mudanças que o fabricante e usuário precisam considerar. Elas referem-se à resistência à carga uniformemente distribuída, às operações de manuseio, a estanquiedade à água e à permeabilidade ao ar, considerando as diferentes condições climáticas. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio (Afeal), a lentidão no cumprimento das normas revisadas, a partir do ano 2000, pode ser causada por três fatores principais: a dificuldade de levar a informação aos milhares de pequenos fornecedores e construtores do país; a mentalidade de muitos empresários, que não investem em mudanças, uma vez que a clientela continua fiel; e até mesmo falta de hábito do usuário final de reclamar seus direitos. O fator 31 predominante, no entanto, é a falta de fiscalização, uma vez que a norma técnica tem força de lei, e o seu não-cumprimento deve penalizar o infrator. O problema também pode ser atribuído ao desconhecimento técnico dos fabricantes. O mercado é compartilhado por milhares de pequenas empresas espalhadas pelo país não há estatística oficial sobre a porcentagem que cada setor domina no universo das esquadrias. Aço e madeira, são linhas de produto mais populares e de preços mais acessíveis. No setor de alumínio, que segundo algumas avaliações dominaria cerca de 20% do mercado, é impossível dizer o número de empresas existentes. Segundo estimativas, cerca de 50% das empresas que trabalham com esquadrias de alumínio são pequenos serralheiros, boa parte deles alheios às discussões sobre qualidade e normas técnicas. Entre as mudanças a partir de 2000 está a criação da classe de uso por região do país, que indica o tipo de edificação em que o caixilho pode ser aplicado. Também foram estabelecidos parâmetros para a avaliação do desempenho dos caixilhos quando submetidos a pressões de sucção. Os métodos de ensaios agora incluem as janelas do tipo maxim-ar ou a resistência do travamento da folha para as janelas do tipo guilhotina e sanfonada vertical. Quanto a estanquieade à água, a revisão estabeleceu parâmetros para avaliação do desempenho em função da pressão de vento, uma vez que a entrada de água depende da velocidade dos ventos, diferentes nas várias regiões do país. A 32 permeabilidade ao ar inclui agora parâmetros específicos para avaliação em função do clima e do ambiente, além de estabelecer medidas de desempenho quanto a conforto ambiental. (Corbioli, 2001). 5.3.3 Normas para a qualidade assegurada do vidro No Brasil a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e o INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) são as instituições responsáveis pela melhoria da qualidade de produtos e serviços, fornecendo a base necessária para o desenvolvimento tecnológico do país. Ambos procuram padronizar os procedimentos, criando normas técnicas. O que muitos não sabem é que as aplicações dessas normas são obrigatórias por lei. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, é considerada prática abusiva colocar no mercado de consumo qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO). Em 2003, entrou em vigor uma versão atualizada da NBR 7199 da ABNT. De acordo com a nova norma, para realizar projetos de envidraçamento é preciso que o mesmo seja executado conforme a especificação e o detalhamento do projeto. Quando instalado em caixilho, deverá apresentar os elementos de cálculo e desenho, com 33 detalhes construtivos que permitam a limpeza periódica e a reposição dos vidros com segurança. Também deverão ser especificados o tipo de vidro utilizado, a espessura, o acabamento e os aspectos foto-energético. Com relação ao armazenamento, a NBR 7199 recomenda guardar os vidros em locais secos, sem poeira e produtos químicos. Deverão ser intercalados por materiais que protejam a superfície, em cavaletes adequados, com espessura máxima da pilha. A espessura para o vidro temperado ou duplo é de 300 milímetros. Para o vidro impresso, 150 milímetros, e vidro comum ou laminado 250 milímetros. Dimensionamento, esforços solicitantes, cálculo de espessura, disposição construtivas e gerais devem estar de acordo com a nova norma. Na construção civil, a NBR 14718, guarda-corpos para edificação, determina quais procedimentos devem ser adotados para cada tipo de fixação. A norma diz que o guarda-corpo deve ser maior ou igual a 90 cm se estiver em cima de uma mureta. Maior ou igual a um metro e dez se estiver no nível do chão. O guarda-corpo de vidro deve resistir a uma carga de 100kg por cada metro linear em utilizações privativas e de 167 kg/m para parapeitos de uso coletivo. Neste caso, deve ser utilizado vidro laminado, vidro aramado ou vidro revestido com película de segurança. De acordo com as normas técnicas, a partir do primeiro pavimento, em fachadas, para vidros abaixo da cota de 1,10 metro recomenda-se o uso do vidro laminado, vidro aramado ou vidro revestido com película de segurança. Os mesmos também são indicados para clarabóias ou telhados para iluminação, vidraças não verticais sobre passagem, vitrines, portas ou divisórias e vidros instalados abaixo de um 34 metro e dez. Para execução de caixilhos móveis e vidros próximos a áreas escorregadias, além dos vidros descritos anteriormente, utiliza-se também o vidro comum e o vidro temperado. A Associação dos Distribuidores Industriais e Revendedores de Vidros do Paraná (ADIVIPAR) realizou em outubro um encontro para discutir as novas normativas do vidro. Segundo o presidente da ADIVIPAR, Percival Yamashita, a cada nova reunião há no mínimo duas adesões, pois a aplicação de normas técnicas é fundamental para os profissionais do setor. Em março de 2004 a Associação promoverá um novo encontro para fortalecer o bom relacionamento entre fornecedores, distribuidores e revendedores de vidro. “A ADIVIPAR oferece aos seus associados subsídios para a melhoria dos negócios”, ressalta Percival Yamashita. Por acreditar que qualidade, segurança e a satisfação de seus clientes são normas, a Engevidros, empresa paranaense com grande experiência na área de esquadrias, fachadas e revestimento em vidro, adotou, há vários anos, para toda a sua linha de produção, o conceito de excelência técnica. Este conceito pode ser visto na execução de grandes obras como: Museu Oscar Niemeyer, Lactec, Shopping Estação, entre muitas outras. 5.3.4 Comportamento ao fogo A norma brasileira não faz referência ao comportamento que a janela, qualquer que seja seu material constituinte, deve ter em relação ao fogo. Isso se deve ao fato de 35 que se deve considerar a janela tanto dentro do contexto do edifício quanto isoladamente. (Trikem, 1999). No contexto do edifício a janela pode ser utilizada pelo usuário para deixar o local incendiado; para isso, o projeto deve solucionar essa fuga. Quanto à propagação do fogo, a janela, constituída fundamentalmente por placas de vidro, tem comportamento frágil, pois em poucos minutos o vidro se rompe, possibilitando a passagem do fogo originado em um andar para andares contíguos, ou mesmo para edifícios vizinhos. Assim sendo, é muito importante promover a compartimentação vertical do edifício, a fim de diminuir a propagação do fogo entre andares adjacentes. (Trikem, 1999). No contexto da janela isoladamente, o ponto a ressaltar quanto à segurança contra o fogo refere-se à contribuição de seus materiais constituintes para a propagação da chama e geração de fumaça e gases tóxicos. Por suas características intrínsecas, as esquadrias de PVC se auto-extinguem em incêndios, colaborando para reduzir o espalhamento do fogo. Foi por este detalhe que tanto nos países europeus, quanto nos Estados Unidos, os caixilhos de PVC passaram em todos os testes de segurança previsto pelas normas internacionais de prevenção e combate a incêndios. 36 Por ser termoplástico o PVC sofre deformações acentuadas quando exposto ao fogo ou calor, comprometendo a forma original, além de gerar o gás que é Cl2, tóxico e pode ter o seu limite para ambientes fechados. A matéria-prima PVC rígida caracteriza-se pelo comportamento em relação ao fogo descrito no item “5.2.4”. 5.3.5 Resistência mecânica A janela, do ponto de vista do comportamento mecânico, deve resistir a cargas devidos aos agentes atmosféricos, aqui incluídos vento, temperatura e umidade, às vibrações, aos esforços introduzidos pelos demais componentes do edifício, provenientes da movimentação dos mesmos ao longo do tempo e esforços devidos ao uso. O vento é uma solicitação mecânica de grande importância na análise de qualidade de esquadria. É importantíssimo que uma janela submetida a pressões de vento não apresente problemas de funcionamento ou estanquiedade, nem sofra deformações instantâneas ou residuais excessivas. A norma NBR 10821 (Caixilho para Edificação – Janelas; Especificação) (ABNT, 2000) – fornece, para quatro classes de edifícios, definidas pelas suas alturas e usos, e para diversas regiões do país, as pressões de ensaio necessárias, para a classe de janela requerida. A figura 5.10 apresenta a divisão do país, seguindo a velocidade do vento local, cada região apresenta a velocidade do vento local cada região apresenta a mesma 37 velocidade do vento em m/s. Figura 5.10: Gráficos das isopletas da velocidade básica do vento em m/s, no Brasil. (Corbioli, 2001). 38 A tabela 5.2 apresenta as classes de janelas e os tipos de edificações e a pressão exigida, segundo norma técnica ABNT. Tabela 5.2: As pressões de ensaio e pressão de projeto Norma NBR Limite ensaio Pe = de Pressão de Projeto Pp sucção em em Pa Pa, Pe x 0,8 I 300 350 450 II 400 500 600 III 550 650 800 IV 650 800 950 V 850 1000 1250 I 450 550 650 II 600 700 900 III 800 950 1200 IV 1000 1200 1500 1/175 V 1200 1450 1800 do vão Reforçada: Comercial Todas Calcular Calcular Calcular ou edifício residenciais as conforme conforme conforme com mais de 5 Regiões NBR 6123 NBR 6123 NBR 6123 Excepcional: Todas Calcular Calcular Calcular Arquiteturas especiais as conforme conforme conforme (shopping, indústria, regiões NBR 6123 NBR 6123 NBR 6123 Classe Normal: Residencial Unifamiliar ou comercial simples - até dois pavimentos Melhorada: Residencial ou Comercial até 4 pavimentos ou 12 10821 Pressão de Pressão de metros (versão 2000) Região do País Pp x 1,5 em deforma Pa ção pavimentos hospitais etc) 10821 (versão 1989) I 650 Edifício até 10 m de II 900 altura em relação ao III 1200 solo IV 1500 V 1800 1/150 do vão (ABNT, 2000). Na classe reforçada, os valores de pressão, calculados conforme NBR 6123, deverão ser pelo menos iguais aos valores das pressões e ensaio da classe melhorada. 39 Nos casos de arquiteturas especiais da classe Excepcional, os valores de pressão de ensaio, calculados conforme NBR 6123, quando inferiores aos valores da classe Melhorada, deverão ser justificados através de ensaios em túneis de ventilação ou planilhas de cálculo e assumidos por um responsável técnico. A rigidez de um perfil é função do módulo de elasticidade e da fluência do material utilizado. O módulo de elasticidade de um material é medido na tração ou na flexão. O módulo do PVC rígido varia de 2250MPa a 3300Mpa, citado na tabela 5.1 é um valor baixo em relação aos valores dos outros materiais de janelas. Em função disto, os perfis de PVC devem ser mais robustos e, em janelas de grandes dimensões, há a introdução de reforços metálicos, que garantem o bom desempenho da janela do ponto de vista do comportamento mecânico. 5.3.6 Exigências de Habitabilidade Em relação a habitabilidade, os componentes aberturas representam uma parte importante na realização da qualidade de vida e do conforto nas edificações, pois atuam como verdadeiros filtros das condições físicas entre o exterior e o interior do edifício, contribuindo para o bem estar humano. Em sua aplicação prática, as janelas são submetidas a solicitações que podem prejudicar seu funcionamento e causar desconforto aos usuários. Diversos esforços relativos ao uso, chamados de operação de manuseio, mereceram a atenção, simulando-se em ensaios as solicitações que uma janela 40 pode sofre. Pretende-se, assim, evitar danos provocados por pressões distribuídas uniformemente, como as decorrentes de vento, tentativas de fechar janelas emperradas por obstáculos não percebidos nos seus batentes, crianças penduradas em folhas de janelas abertas e outros esforços. O desempenho das janelas de PVC em relação à permeabilidade ao ar, à isolação acústica e a estanqueidade à água é muito favorecido pela própria construção das janelas. Tabela 5.3: Informações sobre pressões de ensaio Classe de utilização Normal: Residencial Unifamiliar ou comercial simples - até dois pavimentos Melhorada: Residencial ou Comercial até 4 pavimentos ou 12 metros Região do Pressão de ensaio de estanquie à água Pressão de projeto de País vento - Pp x 0,15, em Pa I 45 II 60 III 80 IV 100 V 125 I 65 II 90 III 120 IV 150 V 180 Reforçada: Comercial ou edifício residenciais Todas as com mais de 5 Regiões pavimentos Excepcional: Arquiteturas especiais Todas as (shopping, indústria, Regiões hospitais etc). Pressões de ensaio = o maior dos dois valores: 0,15 x Pp (pressão de projeto das cargas de vento) e os valores das pressões da carga da classe Melhorada Pressões de ensaio = o maior dos dois valores: 0,15 x Pp (pressão de projeto das cargas de vento) e os valores das pressões da carga da classe Melhorada (Corbioli, 2001) A estanquiedade à água deve se considerar uma condição climática crítica: a ação 41 simultânea de chuva e vento, quanto à entrada de água é facilitada pelas deformações de perfis decorrentes da pressão exercida pelo vento. Na tabela 5.3 demonstra ensaios sobre pressões divididas por regiões. Na tabela 5.4 mostra a exigências de permeabilidade por região e classe de utilização, a permeabilidade ao ar de uma janela é a medida da facilidade com que se faça as trocas de ar do edifício com o ambiente. Seus parâmetros dependem da localização, do tipo de utilização e da pressão que atua sobre a janela, que lhe causam deformações e aberturas de juntas. Tabela 5.4: Exigência de permeabilidade ao ar Tipo de Localização: Classe de ambiente Estado do País utilização Normal ou Condicionado ou climatizado melhorada Qualquer estado Reforçada ou Excepcional São Paulo, Não Paraná, Sta. condicionado Catarina e Rio ou não Grande do Sul. Normal ou melhorada Reforçada ou Excepcional Exigência de permeabilidade ao ar Resistência térmica mínima 0,15 m2 K/W Vazão máxima de 5m3/h x metro linear de juntas abertas, sob uma pressão de 30 Pa Resistência térmica mínima 0,15 m2 K/W Vazão máxima de 5m3/h x metro linear de juntas abertas, sob uma pressão de 50 Pa. Velocidade do ar < 0,5m/s, a uma distância de 2,0cm da janela quando submetida a uma pressão de 30 Pa. Velocidade do ar < 0,5m/s, a uma distância de 2,0cm da janela quando submetida a uma climatizado Outros Estados Qualquer classe de utilização pressão de 30 Pa. Não há exigência (Corbioli, 2001). Enquanto que em caixilhos metálicos a união dos perfis se dá por soldas ou parafusos, e são pontos extremamente vulneráveis à entrada de ar, água, insetos, poeira, etc., o mesmo 42 acontecendo em caixilhos de madeira, onde os perfis são solidarizados por junções, nas janelas de PVC a estanqueidade é dada pelos cantos soldados em fábrica. A união dos perfis, neste caso, não implica em descontinuidade da peça, uma vez que é obtida através da soldagem térmica das extremidades dos perfis. Devido ao ganho direto de radiação solar, a temperatura do ambiente pode se elevar substancialmente provocando desconforto. O conforto higrométrico em um espaço também é afetado pela presença de superfície causadoras de assimetria de campos de radiação induzida, tais como aberturas com grandes áreas envidraçadas, notadamente no inverno e no verão. Neste caso, as aberturas podem contribuir para o desconforto do ocupante. O conforto visual se refere à condição de exposição visual a que o usuário fica sujeito. Isto implica em dispor-se da quantidade de luz que permitirá a realização de uma atividade visual sem provocar danos ao aparelho visual humano. A tabela 5.5 divide a necessidade do desempenho lumínico através do tipo de atividade. Os aspectos importantes relacionados à qualidade lumínica do ambiente interno e ao bem estar visual dos usuários são: provisão de luz natural e admissão da luz solar, o contato e comunicação visual com o mundo exterior com um alcance visual tão amplo quanto possível e quebra da monotonia nos espaços fechados, com isto na tabela 5.6 mostra valores de iluminação por grupos de atividades. 43 Tabela 5.5: Atividades visuais e a necessidade de desempenho lumínico Ambiente Escritórios Escolas Lojas Indústrias Tipo de Atividade NBR-5413 IES A) salas de trabalho 300 a 750 700 B) salas de desenho 500 a 1000 1500 C) arquivos 300 300 A) sala de aula 300 700 B) artes manuais, desenho (iluminação suplementar) 500 1000 C) refeitório 100 300 D) auditório 200 150 E) quadro negro (iluminação suplementar) 500 1500 A) circulação 300 300 B) área de exposição 500 1000 C) balcões, mostruários. 600 a 1000 2000 D) exposições de realce 1500 a 5000 5000 E) depósito 200 300 A) depósito 200 200 B) fabricação em geral 300 500 C) inspeção comum 300 a 500 500 D) inspeção delicada 500 a 1000 1000 150 500 F) montagem simples 300 a 500 500 G) montagem delicada 1000 5000 200 a 500 300 B) sala de operações 500 1000 C) mesa de operações 6000 25000 200 a 500 500 A) iluminação geral 100 300 B) mesas 500 700 C) estantes 300 300 D) fichário 300 700 E) empacotamento e encaixotamento A) enfermaria Hospitais D) laboratório Bibliotecas (NBR-5413/82, 1982) Cada tarefa requer uma certa quantidade de luz para ser realizada visualmente co conforto. A NBR-5413/82 apresenta uma tabela com valores de iluminação por grupo de atividades visuais (A, B, C) mais comuns. 44 Tendo em vista a existência de fontes de luz natural e artificial, no projeto cabe explorar ambas no sentido de conjugar eficiência energética com conforto visual. Tabela 5.6: Valores de iluminação por grupo de atividades visuais. Faixa Iluminamento (LUX) Tipo de atividade 20 Áreas públicas com arredores 30 escuros 50 A 50 iluminação geral para áreas Orientação simples para 75 usadas interruptamente ou com permanência curta 100 tarefas visuais simples 100 150 Recintos não usados para trabalho contínuo 200 200 Tarefas com requisitos visuais 300 limitados, trabalho bruto de 500 maquinaria, auditórios. B iluminação geral para áreas de trabalho 500 Tarefas com requisitos visuais 750 normais, trabalho médio de 1000 maquinaria, escritórios. 1000 Tarefas com requisitos 1500 especiais, gravação manual, inspeção, indústria de roupas, 2000 etc. 2000 Tarefas visuais exatas e 3000 prolongadas, eletrônica de 5000 tamanho pequeno, relógio, etc. C 5000 Tarefas visuais muito exatas, Iluminação adicional para 7500 montagem de microeletrônica, tarefas visuais difíceis 10000 etc. 10000 15000 Tarefas visuais muito especiais, cirurgia, etc. 20000 (NBR-5413/82, 1982) Cada tarefa requer uma certa quantidade de luz para ser realizada visualmente co conforto. 45 A NBR-5413/82 apresenta uma tabela com valores de iluminação por grupo de atividades visuais (A, B, C) mais comuns. Tendo em vista a existência de fontes de luz natural e artificial, no projeto cabe explorar ambas no sentido de conjugar eficiência energética com conforto visual. O procedimento da seleção do iluminamento adequado é com base na idade dos ocupantes, velocidade e a precisão necessária à realização da atividade, e a refletância do fundo da tarefa, demonstrado na tabela 5.7. Tabela 5.7: Características da tarefa e do observador Peso ( -1 ) Peso ( 0 ) Peso ( 1 ) Idade dos ocupantes Inferior a 40 anos 40 a 55 anos Superior a 55 anos Velocidade e precisão Sem importância Importante Crítica Refletância do fundo da tarefa Superior a 70% 30% a 70% Inferior a 30% (NBR-5413/82, 1982) Em projetos luminotécnicos para iluminação artificial, tem-se observado que todo o ambiente fica sujeito aos mesmos níveis de iluminamento da tarefa, o que implica em uso desnecessário de energia elétrica em situações que requerem apenas iluminação geral. 5.3.7 Estabilidade de dimensões Em quaisquer condições climáticas, e de oscilações de temperatura ou umidade, os perfis de PVC mantêm-se estáveis em suas dimensões, vedando e resistindo adequadamente a 46 cargas extremas de vento e chuva. 5.3.8 Isolamento Termoacústico A NBR 10821 (ABNT, 1998) não estabelece nenhuma exigência em relação à isolação térmica de uma esquadria. Os fatores que devem ser levados em consideração para a determinação da isolação térmica de uma esquadria são os mesmos apresentados no item "5.2.5 resistência ao calor". A poluição sonora deve ser encarada tão seriamente quanto à poluição do ar. Do ponto de vista do ambiente construída, a repercussão do ruído decorre do funcionamento da ambiente interno e da cidade e provoca diferentes efeitos sobre o homem como dificuldade em repousar, perda de privacidade, trauma auditivo e, relativamente à produtividade, prejuízo econômico. Nesse sentido, as aberturas cumprem um papel importante por serem em geral os componentes mais frágeis da envoltória da edificação, do ponto de vista do comportamento à transmissão, para o interior, de sons e ruídos aéreos originados do exterior. Os caixilhos não se utilizam apenas das características de isolamento e amortecimento de ruídos propiciados pelo uso do PVC. Mas, também, à liberdade proporcionada pelo material na configuração de perfis (câmara oca, estruturadas com perfis de aço ou preenchidas com espuma, capaz de aumentar ainda mais o isolamento). 47 Considerando-se todas estas variáveis fixas, o PVC é, dentre os materiais utilizados na fabricação de caixilhos, o melhor isolante térmico, na tabela 5.8 demonstra coeficiente de transmissão térmica por tipo de material. Tabela 5.8: Comparação entre coeficiente de transmissão térmica Coeficiente de Material transmissão térmica (kcal/m2.h oC) PVC 1,1 – 1,6 alumínio 1,5 – 1,9 ferro 4,3 – 4,7 madeira 5,0 – 6,0 (Trikem, 1999) 5.3.9 Durabilidade das janelas de PVC A NBR 10821 prevê a verificação da durabilidade potencial da janela apenas no que se refere ao seu funcionamento; Assim sendo, através dos ensaios de abertura e fechamento (ciclos de utilização), verifica-se o comportamento em uso de componentes como roldanas, gaxetas, articulações, etc. (Trikem, 1999). Do ponto de vista dos materiais constituintes dos perfis, é necessário, portanto, o estabelecimento de parâmetros que assegurem a adequada durabilidade da janela quando submetida aos diferentes agentes agressivos (raios ultravioleta, atmosferas ácidas, agentes biológicos, etc.) que podem ocorrer durante a sua vida útil. (Trikem, 48 1999). A vida útil dos caixilhos está diretamente ligada ao material constituinte, sua adequação ao meio ambiente, a maneira como é utilizado e a manutenção que recebe. Os caixilhos de PVC têm como característica a extrema facilidade de limpeza e manutenção. Para que se consiga um bom desempenho da janela em relação a esses requisitos é necessária somente uma lavagem periódica com água e sabão. No Programa, a durabilidade dos perfis é controlada acompanhando-se a evolução ao longo do envelhecimento de quatro propriedades, quais sejam: a resiliência na tração, a cor, a estabilidade térmica e o aspecto. É importante salientar que o Programa de Garantia da Qualidade de Janelas de PVC engloba esquadrias brancas, bege e cinza claro. Nestes casos, a coloração do perfil é obtida através da incorporação do pigmento ao composto de PVC. (Trikem, 1999). É possível a obtenção de perfis em outras cores ou em padrões que imitem a madeira. Os perfis nestas cores ou padrões pintados ou são recobertos por um filme (colaminação) ou por outro extrudado (coextrusão). Tanto os perfis pintados, quanto os colaminados e coextrudados, necessitam de manutenção bem mais freqüente do que os perfis brancos, beges ou cinzas. Além disso, não há até o momento no Brasil, nenhum estudo que comprove a manutenção das suas propriedades ao longo de toda a sua vida útil. (Trikem, 1999). 49 O PVC rígido apresenta ótima resistência aos agentes biológicos. Quando necessário, aditivos inibidores de formação de colônias de microorganismos podem ser adicionados à formulação do PVC. 5.3.10 Fabricação dos perfis de PVC para esquadrias A determinação das condições apropriadas de mistura para a fabricação de composto dos perfis de janelas, a partir do PVC rígido é tão importantes quanto à escolha dos sistemas de aditivos. Os processos que deram bons resultados são os que trabalham descontinuamente com misturas a quente ou a frio. Dependendo do tipo de equipamento e da energia da mistura específica necessária, a temperatura do material de mistura deve alcançar de 120ºC a 130ºC no processo de mistura a quente. A construção apropriada de equipamentos de mistura pode evitar problemas de exposição da massa ao tempo, que causam perturbações ao processo de extrusão. Já no sistema a frio, a mistura é levada a temperaturas da ordem de 80ºC a 90ºC apenas, já que a utilização de componentes mais abrasivos permite a redução do calor necessário. Após atingir tais temperaturas, o material é resfriado no próprio misturador até aproximadamente 35ºC a 40ºC, e homogeneizado em um silointermediário com instalações de homogeneização estática ou dinâmica. Após aproximadamente cinco a oito horas de cura a mistura está pronta para extrusão. (Almeida, 1991). A mistura é preparada conforme o tipo de característica que espera dos perfis é, então, colocada no equipamento de extrusão e moldada pela “ferramenta”, que a 50 transforma conforme o projetado. Normalmente as máquinas de extrusão produzem perfis contínuos, que necessitam ser cortado para utilização.(Almeida, 1991). 5.3.11 Fabricação das esquadrias de PVC O corte dos perfis que serão utilizados na montagem das janelas pode ser usado equipamento comum, apenas recomenda-se que tais equipamentos não sejam antes empregados com outros tipos de materiais, de modo a evitar contaminações e cavacos indesejáveis que podem comprometer a qualidade da soldagem. É preciso observar que as partes do equipamento de corte que entre em contato com o perfil não devem conter resíduos de óleo, graxas etc., pois eles podem também impedir uma boa soldagem. O corte propriamente dito normalmente é feito prevendo-se um acréscimo de perfil que será consumido na operação da solda. O acréscimo varia conforme o equipamento de solda utilizado, sendo em média de 5mm. Ainda antes da soldagem, dependendo das dimensões finais dos caixilhos a serem montados e das características do projeto, pode-se reforçar os perfis com perfilados de aço galvanizados, introduzidos em câmaras apropriados dos perfis. Os reforços são solidarizados aos perfis por meio de parafusos auto-atarraxantes bicromatizados ou zincados. Os reforços de aço devem ser cortados com comprimentos menores que o perfil original, de modo que ele também permita a operação de soldagem sem interferências. (Almeida, 1991). 51 É na soldagem que reside uma das maiores vantagens das esquadrias de PVC. A junção por soldagem a quente é a mais indicada para os perfis de PVC, dada a facilidade e a boa capacidade de soldagem dos perfis, dispensando completamente cantoneiras, parafusos ou grampos, utilizados em outras técnicas de junção. Executada em equipamento próprio, a soldagem dos perfis para compor o quadro básico da esquadria sintética utiliza a temperatura para solidarizar dois segmentos de perfil. Uma mesa, cujas guias indicam a posição exata da colocação dos perfis a serem soldados, recebe o equipamento soldador que une os perfis de PVC de forma completa na superfície de contato. A temperatura ideal de soldagem está por volta de 230ºC a 250ºC. Outro ponto importante na fabricação dos caixilhos de PVC é a previsão correta de furações de drenagem, ou seja, conforme o posicionamento da montagem, as câmaras internas do perfil devem contar com furos suficientes para drenar toda água que venha a ocupar esse espaço. Normalmente, por serem fabricados a partir de perfis mais altos do que os de alumínio e possuir canto soldado, os caixilhos de PVC têm câmaras internas suficientes para armazenar e devolver ao ambiente externo grande volume de água devido à ação do intemperismo, facilitando a drenagem. Os furos de drenagem normalmente são definidos já nos desenhos de montagem das peças e devem observar uma distância mínima de 50 mm entre dreno e o canto soldado. Os caixilhos produzidos a partir do PVC utilizam, em sua maioria, ferragens semelhantes às usadas por outros tipos de materiais. Os fechos e puxadores são em 52 alumínio anodizado, as roldanas de nylon e os braços e articulações também em alumínio. 5.3.12 Acabamento superficial Os perfis de PVC possuem acabamento superficial desde a sua produção. Tendo uma vasta condição de coloração através da adição de pigmentos inertes à saída das ferramentas de extrusão, sendo necessária apenas uma limpeza periódica. 5.4 Janelas de alumínio 5.4.1 Fabricação dos Perfis O processo de fabricação de perfis para esquadrias, através da extrusão, produz barras com comprimentos médios de 6 metros. Tais barras são preparadas conforme orientações técnicas, atendendo, com suas composição, todas as necessidades físico-químicas de um perfil para esquadrias.O processo de extrusão consiste basicamente nas seguintes etapas: os lingotes de alumínio são transformados em tarugos cilíndricos, com posição química de acordo com sua aplicação. (Almeida, 1991). 53 Os tarugos são cortados e introduzidos em presas de grandes tonelagens através de superaquecimento são prensados e introduzidos através das matrizes, obtendo-se os perfis. (Almeida, 1991). 5.4.2 Propriedades Mecânicas A liga utilizada normalmente em perfis para caixilhos possui as seguintes propriedades mecânicas, demonstrada na tabela 5.9. Tabela 5.9: Propriedades mecânicas das ligas do alumínio LIGA E TÊMPERA LRT LE 2 ALONGAMENTO 2 Mpa (N/mm ) Mpa (N/mm ) mín. mín. máx. 6063-0 130 máx. % (50mm) mín. 18 6063-T4A 110 60 14 6063-T5 145 105 8 6063-T6 205 170 8 6063-T6C 180 145 8 LRT - Limite de resistência à tração LE - Limite de escoamento (Almeida, 1991). 54 5.4.3 Propriedades físicas Na tabela 5.10 mostra-se comparação de propriedades física entre os materiais alumínio, ferro fundido, cobre puro e aço. Tabela 5.10: Comparação das propriedades físicas entre materiais diferentes METAIS DENSIDADE PONTO MÓDULO COEFICIENTE MÓDULO CONTRAÇÃO DE FUSÃO ELASTICIDADE DILATAÇÃO (g/cm3) (graus/C) (kg/mm2) -6 RIGIDEZ LINEAR (kg/mm2) (%) Alumínio 2,71 658 7000 23,6x10 2050 1,7 Ferro Fundido 7,23 1130-1230 7030-9100 11,2x10-6 x x -6 x x -6 x x Cobre Puro Aço 8,96 7,86 1080 1500 12654 20387 16,5x10 11,7x10 (Almeida, 1991). 5.4.4 Fabricação das esquadrias de alumínio É na fase inicial de planejamento e definição dos caixilhos, que serão aplicados na obra devem ser considerados os seguintes detalhes, do projeto arquitetônico: região de utilização do caixilho, altura da edificação, dimensões do vão e acabamentos do vão. (Almeida, 1991). Antes do início das operações de usinagem, as barras de alumínio devem receber aplicação de vaselina líquida para proteção do material no manuseio. Os principais tipos de usinagem são os cortes, feitos por serras circulares e a estampagem, operação realizada através de ferramentas especiais para cada tipo de furo, rasgo 55 ou encaixe. Trata-se de operações importantíssimas no processo de fabricação dos caixilhos de alumínio. A precisão é fundamental para se conseguir um bom acabamento na montagem dos quadros e perfeita estanqueidade ao ara e água. (Almeida, 1991). O contramarco é um quadro suplementar de alumínio, instalado diretamente na alvenaria, cuja função é garantir a vedação e regularização do vão. Recomenda-se sempre a instalação de contramarcos fixados à alvenaria por meio de chumbadores, de modo a garantir a exatidão do vão, em suas dimensões, prumo e níveis proteger a esquadrias durante a fase de acabamento da obra. Geralmente esse quadro é cortado a 45 graus e unido com macho e cunha. (Almeida, 1991). O marco é o quadro periférico e aparente da esquadria. Estas peças, nos casos de janelas ou portas de correr, funcionam como trilhos ou guias das folhas móveis. Em janelas ou portas de abrir, funcionam como batentes. São utilizados dois sistemas para a união dos quadros: corte a 45 graus fixado com macho e cunha e corte e usinagem a 90 graus, fixado com olhal e parafusos. (Almeida, 1991). A Folha são os quadros móveis onde se instalam os vidros e venezianos. Podem ter ou não encaixe para fixação de baguetes de alumínio para a colocação dos vidros. (Almeida, 1991). Acessórios, em linhas gerais, os acessórios são instalados pelos próprios fabricantes de esquadrias. Os acessórios comumente utilizados são: roldanas, trincos, puxadores, escovas de vedação, limitadores etc. (Almeida, 1991). 56 Vidros podem ser instalados com ou sem baguetes, utilizando gaxetas de borracha, massa de vidro ou silicone. (Almeida, 1991). Depois de os quadros estarem devidamente preparados com ou sem contramarco, as esquadrias de alumínio são instaladas e os acessórios regulados. Podem ser aplicados arremates de modo a permitir o perfeito acabamento do encontro marco, contramarco e alvenaria. (Almeida, 1991). 5.4.5 Acabamento superficial A anodização tem o objetivo básico de melhorar a estética das peças tratadas e protegê-las da corrosão ou de qualquer outro ataque exterior (maresia, fumaças industriais etc). Através de um banho eletrolítico o alumínio é então submetido a anodização. A tensão de alimentação do banho deve estar compreendida entre 14 e 20 volts, e a intensidade de corrente deve ser de 1,5 Amp./dm2. Esta intensidade tem a tendência de aquecer o banho, cuja temperatura deve ser mantida entre 18 e 20 graus Celsius, através de um sistema de refrigeração, sob agitação de ar contínua. (Almeida, 1991). Desde que a corrente circule, acontece a eletrólise e no ânodo (peças de alumínio), haverá a decomposição do ácido, liberando o oxigênio, que reage com o alumínio, transformando-o em óxido de alumínio (alumina). Esta película é extremamente dura, porosa, anidra e transparente. A espessura da camada varia em função do tempo de anodização. (Almeida, 1991). 57 Há duas formas de coloração. A primeira pode ser orgânica e inorgânica por imersão. Em ambas, tanto a anilina quanto o sal se impregnam na superfície dos poros e quanto mais abertos estiverem, melhor se dará à impregnação. (Almeida, 1991). A segunda forma é a coloração inorgânica eletrolítica. Neste processo corrente alternada atrai os sais metálicos para o fundo dos poros e as tonalidades variam pela quantidade de sais metálicos impregnados. (Almeida, 1991). Selagem é a etapa complementar e obrigatória para dar qualidade á anodização. Responsável pela resistência à corrosão atmosférica, não permite que a mesma penetre pelos poros. Consiste em mergulhar o alumínio anodizado em uma cuba d’água (destilada ou dionizada) levado a ebulição (98 a 100 graus Celsius). Nestas condições a alumina se hidrata e aumenta de volume, o que acarreta o fechamento dos poros. (Almeida, 1991). A pintura eletrostática é o processo mais conhecido e largamente utilizado na decoração e proteção do alumínio. A aplicação é feita em cabina de pintura, utilizando-se uma pistola de ar comprimido de baixa pressão. Em sua ponta existem dois eletrodos ligados uma fonte de alta voltagem (até 90 mil volts). Ao passar por ela, o pó recebe uma carga positiva e, pelo princípio de atração eletromagnética, é atraída pela peça metálica ligada a terra. Este princípio oferece ao produto segurança de uma cobertura perfeita e 58 uniforme, mesmo nas reentrâncias e cavidades de difícil acesso, cobrindo-as com uma camada que pode variar de 40 a 100 micra. (Almeida, 1991). O sistema de pintura eletrostática exige que a peça passe por um pré-tratamento antes de ser pintada, eliminando-se resíduos como óleo, graxa, sujeira e remoção de oxidação. Após o pré-tratamento, a peça vai para a cabina de pintura e depois para uma estufa a uma temperatura de aproximadamente 230º à 250º C, por um tempo de 15 a 30 minutos, onde é feita a polimerização do produto. (Almeida, 1991). 5.5 Portas de PVC A norma brasileira de desempenho de portas se trata das exigências de portas de madeira. Dessa norma, as únicas exigências aplicáveis a portas de PVC são: Verificação das dimensões e desvios de forma (falta de esquadro e empenamento) objetiva o perfeito acoplamento das folhas aos batentes e facilita a montagem da porta. (Trikem, 1999). Ensaios mecânicos - a exemplo de janelas, os ensaios mecânicos simulam as condições normais e anormais de utilização, com o objetivo de avaliar a estruturação da folha (ação do esforço torsor, impacto de corpo mole), da resistência da capa (impacto de corpo duro), da maior ou menor facilidade de arrancamento de parafusos, de fixação de dobradiças (fechamento com obstrução). (Trikem, 1999). 59 Os demais ensaios previstos são relativos à ação da umidade, extremamente específicos à madeira. Para portas de PVC, além dos ensaios físicos e mecânicos, os ensaios químicos propostos para perfis de janelas complementariam os requisitos de desempenho e durabilidade do produto. (Trikem, 1999). 5.5.1 Portas Sanfonadas de PVC A porta sanfonada cumpre duas funções: divide e decora os ambientes. Pelas facilidades de limpeza, instalação e funcionamento, a porta sanfonada em PVC é hoje um produto consagrado pelo uso. São portas de correr, que podem ser instaladas sobre a parede acabada e, quando recolhidas, ocupam pouco espaço. (Trikem, 1999). 5.6 A qualidade no setor de esquadrias O documento estratégico de um setor é a Matriz de Qualidade. Para o PSQ de caixilhos, ela foi elaborada de forma consensual, envolvendo a participação dos fabricantes, consumidores como a CDHU, produtores de aço, organismos de certificação credenciados, como a ABNT, laboratórios de ensaio, como o IPT, INT e Laboratório Falcão Bauer. A matriz contém os requisitos do Sistema da Qualidade e as condições de ensaios dos produtos, com os prazos estabelecidos para conclusão e vigência de cada nível de qualificação. 60 O PSQ é um dos principais instrumentos para a implementação do PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade da Construção Habitacional). Este programa une instituições, entidades e empresas fabricantes, em parceria com o governo e setor da construção civil. O PSQ é o sistema evolutivo da qualidade, apoiado na normalização técnica e na avaliação de conformidade, promovido pelas entidades setoriais, que tem como objetivo a certificação do produto. Na área da construção civil, os programas da qualidade vêm atuando com reconhecida eficácia. O Programa Qualihab, criado em novembro / 1996, pela CDHU - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo, estimulou a criação do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat - PBQP-H) atualmente sob coordenação da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades. O programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, PBQP-H, se propõe a organizar o setor da construção civil em torno de duas questões principais: a melhoria da qualidade do habitat e a modernização produtiva. Envolve um espectro amplo de ações entre as quais se destacam: qualificação de construtoras e de projetistas, melhorias da qualidade de materiais, formação e requalificação de mão de obra, normalização técnica, captação de laboratórios, aprovação técnica de tecnologias inovadoras, e comunicação e troca de informações. Mediante adesão voluntária das empresas e parceria entre Governo, Entidades / Associações de Classe do setor privado e agente financeiros, como a Caixa Econômica Federal - CEF, o PBQP-H vem se apresentando como um modelo de 61 gestão e com resultados reconhecidos em toda a cadeia produtiva da construção civil. Um dos instrumentos principais do PBQP-H é o PSQ - Programa Setorial da Qualidade, sistema evolutivo da qualidade, apoiado na normalização técnica, no programa de qualidade de produtos e na avaliação da conformidade, promovido pelas entidades setoriais. Um outro instrumento é o Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras (SiQ-Obras), exigido pela Caixa para as construtoras que solicitam financiamentos. O mercado de caixilhos e portas, no Brasil, se divide da seguinte maneira: aço responde hoje por cerca de 50% do mercado brasileiro de esquadrias, contra 20% do alumínio, 25% da madeira e 1% do PVC. Assim, as questões envolvendo a qualidade dos produtos diversos é uma preocupação. A NBR 10821 divide os caixilhos em: -classes de utilização (classe melhorada, para janelas de uso residencial ou comercial em edificações até quatro pavimentos ou 12 metros, por exemplo) e, -quanto às exigências de qualidade, que são, nível A, atendimento pleno; nível B. A norma NBR 10821 especificou os ensaios de acelerados cíclicos de corrosão, aos quais os caixilhos precisam ser submetidos, para então serem certificados. A empresa envolvida precisa também aprovar os modelos de janelas definidos na 62 Matriz da Qualidade, nos ensaios de permeabilidade ao ar (NBR 6485), estanqueidade à água (NBR 6486), cargas uniformemente distribuídas (NBR 6487) e verificação da resistência às operações de manuseio (Anexo A da NBR 10821). A empresa, então, é auditada por um OCC (Organismo de Certificação Credenciado), no caso, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que verifica todos os requisitos requeridos para o seu sistema de gestão da qualidade (SGQ). Como oS parâmetros desses ensaios estão definidos na norma NBR 10821, variando de acordo com a classe de utilização das janelas e as regiões do País, que são definidas segundo as velocidades do vento, esta norma estabelece as condições exigíveis para avaliar o desempenho de janelas, independentemente do material com o qual foi fabricada, em aço, alumínio, PVC ou madeira. A conformidade com a norma NBR 10821 é o grande diferencial que as empresas produtoras de caixilhos terão para enfrentar, na concorrência no mercado brasileiro de esquadrias e na avaliação do engenheiro civil capacitado. Neste contexto, é fundamental a contribuição da Caixa (Caixa Econômica Federal) em exigir compromisso da qualidade de fornecedores e tomadores de empréstimos, assim como a efetiva participação de suas Unidades de Negócios no desenvolvimento dos PSQs. Sem este procedimento, os fabricantes não serão motivados a aderir ao programa e a se qualificar segundo a Matriz da Qualidade. Apesar de as empresas estarem próximas da certificação, ainda há um grande caminho a percorrer. O lado positivo apresenta melhorias como maior automatização das perfiladeiras, preocupação com a qualidade ambiental, com utilização de 63 processos de tratamento superficial com tintas hidrossolúveis em água, novos sistemas de pintura (como o processo eletroforético, empregado em um dos fabricantes) e uma maior utilização de materiais com resistência à corrosão. Por outro lado, os pequenos fabricantes continuam atuando no varejo. O mercado 'formiga' quer produto barato, seja de aço, de alumínio ou PVC e mantém a oferta de produtos não conformes. O País vive a contradição de avanços e recuos. Produtos não conformes prejudicam a imagem do produto conforme, independentemente do material do qual é feito. Economia que não cresce não estimula a qualidade. Mas é preciso continuar desenvolvendo e divulgando os PSQs, para que os fabricantes, os engenheiros e os consumidores estejam preparados para o crescimento com qualidade e produtividade. Embora a normalização acelerou os programas de qualidade, de forma que as empresas possam se qualificar segundo a Matriz da Qualidade, a realidade do mercado de esquadrias está aquém do esperado. Uma das dificuldades do setor é a falta de informação. O consumidor final sabe muito pouco sobre esquadrias. Elas representam o quinto item mais caro numa obra e entram na fase final das construções. É muito comum que, ao chegar nessa etapa, as construtoras queiram produtos mais baratos, sacrificando a qualidade, infelizmente, quando não há a fiscalização efetiva. No caso das portas de aço, ainda não há uma norma específica de avaliação. O documento utilizado para análise do desempenho do produto é o Código de Práticas, desenvolvido em 2001. Uma série de ensaios foi realizada no Laboratório 64 Falcão Bauer. Os resultados deram origem ao documento, que foi homologado pela CDHU. No código são especificados os requisitos que o produto deve atender; quando submetido aos ensaios adaptados das normas de resistência a impactos de corpo mole (NBR 8051), resistência ao choque de abalo (NBR 8051), resistência ao fechamento brusco (NBR 8054), resistência ao fechamento com presença de obstrução (NBR 8054), deflexão vertical sob ação de carregamento coplanar à folha de porta (NBR 8053) e deflexão lateral sob ação de um esforço torsor (NBR 8053). 5.6.1 Qualidade no setor de fabricação dos caixilhos de aço A partir de solicitação da CDHU em agosto de 1997, o IBS - Instituto Brasileiro de Siderurgia, identificou junto aos seus associados, os principais clientes fabricantes de caixilhos de aço. Naquela oportunidade, foi desenvolvido o Programa Setorial da Qualidade (PSQ) de Caixilhos de Aço, em 1998, com a adesão de quatorze empresas. O PSQ de Janelas e Portas de Aço, que tem a CDHU como um de seus principais consumidores, vem apresentando resultados significativos, tendo-se atualmente um índice de 50% de conformidade com o nível de qualificação B da Matriz da Qualidade. O nível B significa o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela CDHU para as janelas de aço, em conformidade com a Norma NBR 10821:2000 "Caixilhos para edificação - janelas”, na classe normal (residência unifamiliar ou comercial simples até dois pavimentos), nos ensaios de permeabilidade ao ar (NBR 6485), 65 estanqueidade à água (NBR 6486) e resistência a cargas uniformemente distribuídas (NBR 6487), bem como a aprovação nos rigorosos ensaios acelerados cíclicos de corrosão. 5.6.2 Qualidade no setor de fabricação dos caixilhos de alumínio A Associação Brasileira do Alumínio - ABAL tem entre seus objetivos principais a busca de maior competitividade interna e externa e a difusão dos usos do alumínio, bem como o incentivo às suas novas aplicações. Para contribuir com um dos segmentos mais importantes deste setor, a ABAL desenvolveu o Manual de Portas e Janelas de Alumínio, com o apoio de seu Comitê de Mercado de Construção Civil, como resultado da troca de experiências entre produtores, extrusores, engenheiros, arquitetos e fabricantes de esquadrias de alumínio. O objetivo deste material é promover a evolução do mercado, auxiliando especificadores e até consumidores de portas e janelas de alumínio a tirar o máximo proveito das vantagens que estes produtos oferecem. A indústria brasileira de esquadrias de alumínio está apta a oferecer soluções para qualquer nível de solicitação. Há sistemas no mercado que podem acomodar vidros com até 40mm de espessura. As linhas de esquadrias de alumínio cobrem os níveis máximos de ruído admissíveis para os diversos tipos de ambientes, que são exigidos pela norma brasileira ABNT NBR 10821 (ABNT, 2000). A indústria brasileira de esquadrias de alumínio está apta a oferecer soluções de comportamento térmico 66 para qualquer nível de solicitação, inclusive com o recurso de perfis com "thermal break". Hoje, são sete (Esquadrimetal, Ibrap/Esaf, Jap, Papaiz, Sasazaki, Trifel e YKK) as primeiras empresas que submeteram seus produtos aos testes e ensaios elaborados pelo Grupo Setorial de Esquadrias de Alumínio do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade no Habitat (PBQP-H) — e receberam aprovação. O Programa Setorial da Qualidade das Esquadrias de Alumínio, apesar de iniciado há pouco tempo, e vem testando mais de 20 caixilhos/mês, inclusive de outras seis empresas acompanhadas. Nesta etapa, estão sendo ensaiadas as janelas de correr de três planos, de acordo com os critérios das normas da ABNT NBR 10821, NBR 6486 e NBR 6487. A qualificação das empresas indica as linhas de caixilho adequadas para cada uma das cinco regiões do País tabeladas em norma (veja o gráfico das isopletas). Na fase eliminatória, os testes do Programa Setorial observam a resistência mecânica das operações de manuseio das janelas, aspecto sobre o qual a norma brasileira faz exigências claras. Os ensaios simulam condições de uso e abuso — força excessiva, porém necessária diante de qualquer obstrução que impeça a folha de operar — envolvendo abertura e fechamento. A qualidade dos acessórios também é testada e se refere aos ciclos de manuseio que são repetitivos. As exigências normativas classificatórias avaliadas pelos ensaios referem-se às pressões de vento, água e ar. As pressões de vento e de água são relativas à 67 velocidade básica dos ventos presentes nas cinco regiões climáticas do País (veja o gráfico ao lado). Como a norma criou uma tabela para cada uma dessas regiões, com cálculos que correspondem à altura dos edifícios e a imediata relação com os caixilhos, isto se faz necessário. De acordo com a norma, as esquadrias para edifícios mais altos contam com consultoria especializada, projeto e fabricação especial, e devem ser ensaiadas em túneis de vento. A Tesis lembra que as grandes maiorias das edificações no Brasil são de residências térreas ou sobrados, e de prédios baixos, com até quatro pavimentos. Nestes casos, as variações da pressão de ventos são mínimas e, portanto, padronizadas pela norma brasileira. O Programa Setorial de Esquadrias de Alumínio transcende a classificação dos produtos pelo fato de promover a regulamentação do setor e, conseqüentemente, o resgate de sua imagem no mercado, gerando uma cultura da qualidade em favor do consumidor e disponibilidade de um produto com qualidade assegurada, para o engenheiro civil. O processo de testes é permanente. Segundo comunicado da AFEAL, este mês deve ser anunciada a relação das empresas não conformes — tanto as participantes do programa como as marcas acompanhadas. "Uma empresa que produz em não conformidade e que participa do PBQP-H é passível de ser expulsa do programa. Para tanto, o programa considera o histórico de não conformidade da empresa", explica a engenheira da Tesis. 68 O objetivo do programa é estabelecer regras que possam orientar o consumidor final, como por exemplo o uso obrigatório de embalagens com informações técnicas fundamentais e decodificadas, visando à escolha correta da esquadria. Qualificar sete das oito empresas participantes do PBQP-H em tão curto espaço de tempo foi uma conquista, sendo que a oitava empresa está prestes a obter sua qualificação, além de outra empresa que está em fase de credenciamento. 69 6 ESTUDO DE CASO 6.1 Comparação entre as esquadrias de PVC com as de alumínio As características comparativas entre os tipos de esquadrias utilizadas na construção civil, abordam o PVC e o alumínio como as matérias-primas avaliadas neste estudo de caso. Levando em consideração a aplicação das esquadrias na obra, regulamentação, seguindo as exigências de normas técnicas, propriedades, qualidade tanto do produto como na execução. 6.1.1 Programas de qualidade das esquadrias O PVC passou por etapas difíceis na sua implantação como matéria-prima no Brasil, no início da década de 70. É atualmente um setor bem organizado e o mais avançado em matéria de normalização. Os produtores, por intermédio da Associação Brasileira de Fabricantes de Perfis de PVC (Afap-PVC), têm programa de garantia de qualidade desenvolvido desde 1989, envolvendo nove empresas, e normas abrangentes, que englobam desde a matéria-prima utilizada e o controle do processo de fabricação até a instalação. (Arcoweb, 2004). 70 A Afeal - Associação Nacional de Fabricantes de Esquadrias de Alumínio é uma entidade, com 20 anos de intensos trabalhos de valorização da cultura da qualidade das esquadrias de alumínio. (Arcoweb, 2004). Os participantes da Afeal são, fabricantes de Esquadrias especiais e padronizadas, fabricantes de acessórios, silicones, fitas, elastômeros, revestimentos em ACM e alumínio, anodização, pintura e outros insumos. Empresas especializadas em reformas e instaladoras. Com sua sede na cidade de São Paulo, a AFEAL atua em nível nacional, estando presente em 14 estados brasileiros. (Arcoweb, 2004). A Afeal oferece suporte técnico e uma ampla estrutura para que seus associados aprimorem a qualidade de produtos e serviços oferecidos e gerenciamento de negócio. Produz publicações técnicas, como a Coletânea de Normas Técnicas de Esquadrias e o Termo de Garantia e Manual de Uso, Limpeza e Conservação de Esquadrias, Revestimentos em Alumínio e seus Componentes. Possui um centro tecnológico do alumínio, onde as mais conceituadas empresas do setor realizam vários testes de desempenho em seus produtos, conforme as normas técnicas. (Arcoweb, 2004). 6.1.2 Comparações técnicas e valores entre PVC e alumínio Foi elaborado um orçamento de uma obra residencial, situada na região de Tamboré, São Paulo, com duas empresas de esquadrias, uma sendo fornecedora de 71 esquadrias de PVC: Super Class Comércio e Representações Ltda. e a outra de alumínio: Esquadralum Indústria e Comércio de Esquadrias Ltda, utilizando as mesmas características de dimensionamento e padrão do empreendimento, tendo outras empresas do segmento disponíveis mas a comparação somente foi executada entre estas duas. Segue tabela 6.1 com comparações de custos. Tabela 6.1: Planilha comparativa de custo entre PVC e alumínio Material Item Descrição largura Altura ( mm ) ( mm ) PVC Alumínio Custo R$ 1 Porta de correr 3 folhas seqüenciais com travessa e vidro R$ 4100 2500 5.121,00 3.907,00 2 Janela de correr 4 folhas com vidro liso 4 mm 2700 1200 1.292,00 1.148,00 3 Maximar com vidro liso 4 mm 1000 600 2500 2300 6.348,00 5.315,00 2500 1400 4.110,00 4.717,00 2000 1600 1.426,00 1.361,00 7 Porta de correr 4 folhas com vidro laminado 6 mm 4100 2500 4.368,00 4.813,00 8 Portinhola de abrir 2 folhas em veneziana vazada 1250 1600 1.293,00 1.600,00 9 Porta de correr 2 folhas com vidro laminado 6 mm 2000 2500 2.301,00 2.590,00 10 Janela de correr 3 folhas com veneziana e vidro liso 4 mm 1600 1200 1.058,00 1.281,00 4 5 6 liso 5 mm Porta de correr 2 folhas com vidro laminado 6 mm e persiana 2 pano Janela de correr 2 folhas com vidro liso 4 mm e persiana automática 2 panos Maximar em 3 módulos com peitoril h= 400 mm com vidro liso 4 mm (Super Class, Esquadralum, 2004) 196,00 293,00 72 O custo geral das esquadrias da obra orçada em 13 de setembro de 2004 é apresentado na Tabela 6.2. Tabela 6.2: Comparação de custo na obra residencial de Tamboré Material L Descrição H PVC ( mm ) ( mm ) Quant. Custo R$ Porta de correr 3 folhas seqüenciais Alumínio Super Class Esquadralum R$ 4100 2500 5.121,00 3.907,00 2 10.242,00 7.814,00 2700 1200 1.292,00 1.148,00 2 2.584,00 2.296,00 1000 600 5 980,00 1.465,00 2500 2300 6.348,00 5.315,00 4 25.392,00 21.260,00 liso 4 mm e persiana automática 2 2500 1400 4.110,00 4.717,00 1 4.110,00 4.717,00 2000 1600 1.426,00 1.361,00 1 1.426,00 1.361,00 4100 2500 4.368,00 4.813,00 2 8.736,00 9.626,00 1250 1600 1.293,00 1.600,00 2 2.586,00 3.200,00 2000 2500 2.301,00 2.590,00 2 4.602,00 5.180,00 1600 1200 1.058,00 1.281,00 1 1.058,00 1.281,00 61.716,00 58.200,00 com travessa e vidro liso 5 mm. Janela de correr 4 folhas com vidro liso 4 mm. Maximar com vidro liso 4 mm. Porta de correr 2 folhas com vidro laminado 6 mm e persiana 2 panos. 196,00 293,00 Janela de correr 2 folhas com vidro panos. Maximar em 3 módulos com peitoril h= 400 mm com vidro liso 4 mm. Porta de correr 4 folhas com vidro laminado 6 mm. Portinhola de abrir 2 folhas em veneziana vazada. Porta de correr 2 folhas com vidro laminado 6 mm. Janela de correr 3 folhas veneziana e vidro liso 4 mm. com Total (Super Class, Esquadralum, 2004) O orçamento da empresa Esquadralum é de R$ 58.200,00, sendo o preço final com a instalação inclusa. Mas o preço da Super Class que é de R$ 61.716,00, tem um acréscimo de R$ 6.000,00 por conta das instalações das esquadrias, com isto 73 elevando o preço final para R$ 66.716,00. Na comparação entre os dois custos a esquadria de PVC ficou 14,63% mais caro em relação ao alumínio. Com isto deve-se levar em consideração o acabamento e a instalação das duas empresas depois de concluído os serviços de execução, por se tratar de duas empresas diferentes, tendo cada uma um padrão de acabamento próprio. Somente a Esquadralum Indústria e Comércio de Esquadrias Ltda informou em seu orçamento que está dentro do programa de qualidade total da Afeal com isto atendendo as normas técnicas da ABNT. 6.1.3 Durabilidade e manutenção Segundo empresas de esquadrias obteve as seguintes informações sobre durabilidade e informação do programa de qualidade. As esquadrias em PVC possuem fácil manutenção, dispensando pintura e resultando em uma melhor relação custo-beneficio entre outros materiais utilizados em esquadrias. Imunes a cupins, fungos, corrosão e umidade, os perfis de PVC possuem reforços internos de aço e oferece 10 anos de garantia. A esquadria de alumínio anodizado tem boa resistência à ação do tempo, tem duração limitada. Tendo uma boa aceitação nas regiões litorâneas, onde o índice de salinidade atmosférica é mais elevado e também nas regiões industriais e grandes centros onde o ar atmosférico é mais agressivo. 74 Em relação à manutenção as duas necessitam o mesmo tipo de cuidado uma limpeza periódica com água e sabão neutro, mas levando em consideração o custo de manutenção o PVC tem uma vantagem por ser um produto pigmentado, com isto não se correr o risco de haver o descascamento ou riscos em seu acabamento superficial, mas tem o lado negativo que sua superfície não aceita pintura, mas tem uma durabilidade que pode chegar ao dobro de tempo de uma esquadria de alumínio sem que perda suas características originais. Segue as figuras 6.1, 6.2 e 6.3 com fotos de fachadas executadas com esquadrias de PVC e alumínio. Figura 6.1: Esquadrias de PVC no hotel Íbis de Sorocaba, São Paulo (Arcoweb, 2004). 75 Figura 6.2: Caixilhos e portas de PVC em residências (Arcoweb, 2004) Figura 6.3: Shopping cultural Finac, em São Paulo.Caixilhos de alumínio pintados eletrostaticamente a pó (Arcoweb, 2004) 76 7 ANÁLISE CRÍTICA Pelo levantamento bibliográfico e estudo de caso aqui executado, observa-se que tanto o PVC quanto o alumínio apresentam vantagens e desvantagens, cabendo ao engenheiro civil responsável pelo empreendimento, nas fases de projeto, manutenção ou execução, conhecer e analisar os dados reais na tomada de decisão. Uma característica muito importante nas propriedades físicas é a densidade, os dois materiais são praticamente compatíveis. O PVC apresenta densidade de 1,45 g/cm3, citada na tabela 5.1 e o alumínio na tabela apresentam densidade de 2,71 g/cm3, dado que foi apresentado na tabela 5.10, ao passo que outras ligas apresentam de até 7,23 g/cm3, como é o caso do ferro fundido. Quanto ao custo observa-se que os caixilhos de PVC são mais caros atualmente que os caixilhos de alumínio, mas se levarmos em consideração a manutenção dos caixilhos de PVC em relação acabamento superficial, se obtém uma redução no custo final do produto, por não ter o problema de pintura sendo um produto pigmentado na extrusão dos perfis e não pintado ou anodizado como no caso do alumínio. A esquadria de PVC tem vantagem na estabilidade dimensional, tendo uma resistência às oscilações de temperatura e de umidade. Na característica dos seus 77 perfis consegue - se o isolamento termoacústico e proteção contra incêndios por ser um produto que se auto-extingui perante o fogo. O desempenho das janelas de PVC em relação à permeabilidade ao ar, à isolação acústica e a estanqueidade à água é muito favorecido pela própria construção das janelas. Enquanto que em caixilhos metálicos a união dos perfis se dá por soldas ou parafusos, e são pontos extremamente vulneráveis à entrada de ar, água, insetos, poeira, etc., o mesmo acontecendo em caixilhos de madeira, onde os perfis são solidarizados por junções, nas janelas de PVC a estanqueidade é dada pelos cantos soldados em fábrica. A união dos perfis, neste caso, não implica em descontinuidade da peça, uma vez que é obtida através da soldagem térmica das extremidades dos perfis. 78 8 CONCLUSÕES Nas informações obtidas neste levantamento bibliográfico, pode se notar que o PVC é uma matéria prima que atende as normas técnicas exigidas pela ABNT, porém como matéria-prima. Mostrando que as esquadrias de PVC tem características ao seu favor, principalmente em relação da baixa densidade e seu ótimo isolamento termoacústico. O mercado está em fase de adaptação às exigências atuais, conforme o estudo consta que não há uma exigência por parte do responsável da obra (engenheiro, construtora, empreiteiro e incorporadora), e não há uma fiscalização efetiva e informação técnica. Pois a norma técnica ABNT NBR 10821 tem força de lei no país, e deve ser cumprida obrigatoriamente, ou seja, as esquadrias devem ser classificadas para a finalidade a que se destinam, por região seguindo as isopletas (curvas que determinam os locais com a mesma velocidade de vento). Esta classificação deve constar no orçamento, na embalagem, na garantia e ser considerada na manutenção do produto. A grande desvantagem do PVC é exatamente a sua característica: é termo plástico, ou seja moldável termicamente. Embora não propague a chama, sofre grandes deformações quando exposto ao calor ou ao aquecimento (o contrário do alumínio e do aço). A esquadria de PVC não mantém forma estável em condições de incêndio, mesmo de pequeno porte. 79 Na construção civil, o PVC, como matéria-prima tem sua qualidade assegurada na aplicação em hidráulica (esgoto e abastecimento). A aplicação do PVC em esquadrias não tem ainda um sistema de qualidade estabelecido. Podendo mostrar que temos um material de grande importância para a concorrência com outro já disponível no mercado do segmento da construção civil, abrindo o leque de opções para o engenheiro civil estar adequando sua obra os critérios desejados e valorizando o mesmo. Como engenheiro civil à instalação de esquadrias de PVC teria que ter uma atenção maior que as outras matérias-primas, pois existe alguma norma e exigência que o PVC não atende, pelo motivo do produto estar em fase de adaptação observar a viabilidade para que atenda a lei e o, engenheiro tem que visar o compromisso com o cliente. 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10821/EB 1968: Caixilho para Edificação – janela - Especificação. Rio de Janeiro, 1989. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10821/EB 1968: Caixilho para Edificação – janelas - Especificação. Rio de Janeiro, 2000. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10820/TB 354: Caixilho para Edificação – janela - Termologia. Rio de Janeiro, 1989. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6485/MB: Caixilho para Edificação – janela, fachada cortina e porta externa – verificação da penetração de ar – método de ensaio. Rio de Janeiro, 1988. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6486/MB: Caixilho para Edificação – janela, fachada cortina e porta externa – verificação da penetração de água – método de ensaio. Rio de Janeiro, 1988. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6487/MB: Caixilho para Edificação – janela, fachada cortina e porta externa – verificação do comportamento quando submetido a cargas uniformemente distribuídas – método de ensaio. 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ANTONIO RODOLFO JR., LUCIANO RODRIGUES NUNES, WAGNER ORMANJI, Tecnologia do PVC. São Paulo: Proeditores Associados Ltda, 2002. (Braskem S.A.). ARCOWEB, Foto das esquadrias de PVC e Alumínio , retirada do artigo tecnologia em esquadrias, <http://www.arcoweb.com.br/tecnologia/tecnologia3.asp> acesso em 11, out., 2004. CÓDIGO DE DEFESA DO COMSUMIDOR, Lei nº 8078, 1990, dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências, 11, set. de 1990. CORBIOLI NANCI, Normatização das esquadrias, Projeto Design, nº 25, 2001, São Paulo. Lei Municipal No 11228 (25.06.1992, Anexo 1 do Código de Obras e Edificações do Município de São Paulo) – (COE); ESQUADRALUM INDUSTRIA COMÉRCIO DE ESQUADIRAS LTDA. Orçamento de esquadrias de alumínio, 2004. SUPER CLASS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Orçamento de esquadrias de PVC, 2004. TIGRE, Informações sobre perfis de PVC,<http://www.tigre.com.br> acesso em 15, jun. , 2004. 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