Utilização da System Dynamics para estruturação e simulação do sistema de custos em uma empresa agropastoril produtora de leite Antonio Carlos Zambon [email protected] Nathalia Zambon [email protected] Área Temática: Gestão estratégica de custos Palavras-chave: análise de custos; custo-volume-lucro; simulação; System Dynamics, produção de leite Metodologia de investigação: M1 – Analytical/Modelling Utilização da System Dynamics para estruturação e simulação do sistema de custos em uma empresa agropastoril produtora de leite Resumo: Esta pesquisa objetivou o desenvolvimento de um modelo simulado para análise de custovolume-lucro em uma empresa agropecuária produtora de leite. A System Dynamics foi empregada neste trabalho para o desenvolvimento de um modelo simulado do processo produtivo e formação de custos de uma empresa agropastoril no interior do Estado de São Paulo, Brasil. Para coleta de dados, foi realizada uma pesquisa exploratória, de caráter descritivo que buscou estabelecer relações entre as variáveis produtivas que culminam na prática de preços do leite na região estudada. O trabalho de levantamento de informações resultou em um modelo simulado que tornou possível analisar a formação dos custos de produção leiteira ao longo de um ano de atividades da empresa, e, consequentemente, comparar a produção com o ponto de equilíbrio a cada mês da série temporal obtida. Foi possível concluir que a System Dynamics pode ser utilizada como instrumento de análise em empreendimentos agropastoris, pois oferece elementos para apoio ao processo decisório. Palavras-chave: análise de custos; custo-volume-lucro; simulação; System Dynamics, produção de leite 1. Introdução A compreensão dos sistemas humanos e naturais evoluiu nas últimas décadas em virtude do surgimento de novas tecnologias que tornaram o homem capaz de interpretar sua complexidade. Em um ambiente complexo, problemas normalmente ocorrem em função da incapacidade das pessoas que interagem com determinadas questões, de obterem facilmente uma resposta aceita como adequada ou correta. Isso ocorre porque as variáveis componentes desses sistemas possuem características de causa e efeito e não-linearidade (FLOOD, JACKSON, 1991). Um agente busca entender o problema e encontrar uma solução a partir de oportunidades reconhecidas por ele. Assim, a hipótese reside, inicialmente, na possibilidade do agente possuir experiência sobre o problema, o que o torna apto a construir um “modelo” para interpretação de um evento, por já tê-lo vivenciado. Denomina-se “Modelo” todo conjunto de ações, reconhecidamente viáveis, que são usualmente implementadas para a obtenção de um resultado previamente estipulado (ZAMBON, 2006). Pesquisas recentes associadas à avaliação e análise da complexidade dos sistemas humanos e naturais ocorrem nas mais diversas áreas, sendo que a atividade rural é considerada uma das atividades com maior nível de complexidade, sobretudo em termos de interpretação das variáveis de produção e formação de preços (CAMPBELL, 1994). A atividade agropastoril enfrenta um nível de incerteza mais significativo do que outras atividades econômicas (EMBRAPA, 2011), que pode ter origem no volume de produção, na estrutura de mercado e na ocorrência de fenômenos naturais. Para a maior parte das atividades produtivas, no entanto, os fenômenos naturais são controláveis, conferindo pouco ou nenhum impacto no resultado da produção. A indústria, de certa maneira, pode prever, com base em uma análise de variáveis externas, a performance da demanda, objetivando atender às expectativas do consumidor, analisando um cenário composto por variáveis como renda, gostos e qualidade, objetivando a maximização do lucro, e a minimização do custo, gerando resultados satisfatórios, próximos ao desejado. Entretanto, na atividade agropastoril, a produção está sujeita, além dos fatores econômicos e políticos, também aos fatores naturais, sobretudo os climáticos, as pragas e doenças, que tornam os resultados incertos e reduzem a capacidade de predição. Entre as atividades agropastoris, a produção de leite tem demonstrado razoável capacidade de crescimento, pois, em relação ao cenário internacional, o Brasil está prestes a alcançar autossuficiência. Segundo Alvim, Martins e Mustefaga (2008) a produção leiteira exerce significativa importância na economia nacional, pois a cada um real de aumento de produção no sistema agroindustrial do leite, aumenta aproximadamente cinco reais no Produto Interno Bruto (PIB). Isso garante sua relevância frente a outros setores importantes, como a indústria têxtil. Embora de importância elevada, uma característica marcante da produção leiteira é a falta de um padrão. É muito elevada a heterogeneidade dos sistemas de produção e ao serem analisados os pequenos e médios produtores, vê-se que na maioria das vezes, eles utilizam mão-de-obra familiar, não mecanizada, com poucos funcionários. (PEDRA, PIGATTO e SANTINI, 2008). Já os grandes produtores se enquadram em um sistema mais profissionalizado, possuindo tecnologias, mão-de-obra especializada, máquinas, gente capacitada, garantindo assim uma produção mais competitiva em relação aos pequenos e médios produtores. Diante desse problema, identifica-se a oportunidade de utilização de instrumentos tecnológicos para harmonizar o desenvolvimento desse setor, sobretudo com o emprego de instrumentos de tecnologia da informação que sejam capazes de organizar as informações de produção leiteira, seus custos e permitir a avaliação dos impactos de variáveis externas, com baixo nível de controle. Objetiva-se o desenvolvimento de um modelo que torne possível a análise de custo-volumelucro da produção leiteira de uma empresa agropecuária, que reduza a dificuldade de entendimento da dinâmica das variáveis que compõem o cenário caótico composto por variáveis com baixo nível de controle. Por hipótese entende-se que a organização dos dados da produção de leite e sua inclusão em um modelo simulado de System Dynamics possibilitarão a realização de uma análise de custo-volume-lucro da produção anual, por meio do estabelecimento do ponto de equilíbrio de produção e da produtividade anual de uma propriedade rural produtora de leite. 2. Trabalhos anteriores Iniciativas com System Dynamics na produção agropastoril remontam o início dos anos 2000, quando Oliveira, Novaes e Dechechi (2003) introduzem a System Dynamics como instrumento de análise de sistemas agroalimentares por acreditarem na capacidade de análise por cenários, possível pelo emprego da visão sistêmica. Concomitantemente, Àvila, Lírio, Santos e Vieira (2004) introduzem a System Dynamics na análise do sistema de produção de leite, organizando as variáveis componentes do sistema em diagramas de loops causais. Entretanto, essa iniciativa apenas é utilizada com o objetivo de aprendizagem, considerando que se limita a diagramas de causa-efeito, sem a preocupação de desenvolvimento de um simulador que permita avaliações com base em cenários para apoio à decisão. Mais tarde, Schultz, Borget e Hofer (2006) propõem o enfoque da análise de custo-volumelucro em empresas agropecuárias, utilizando um simulador em que consideram valores contábeis, objetivando simular cenários e assim contribuir para a tomada de decisão. Entretanto, optam por não utilizar um simulador que mostre a dinâmica do sistema por meio de interações mensais que permitam analisar a performance das variáveis isoladamente e sua interação. A apuração de custos na produção do leite é demonstrada por Segala e Silva (2007), assim como por Francisco e Braum (2009) que aprofundam as pesquisas sobre os custos na atividade leiteira, apresentadas como estudos de casos onde são comentados elementos analíticos para suporte ao processo decisório e características de sistemas de custeio. Zambon, Silva e Chiste (2011) propõem a utilização da simulação baseada em System Dynamics como instrumento de análise de cenários na produção agrícola. Este trabalho aprofunda essa abordagem a partir da estruturação de um modelo simples para cálculo do ponto de equilíbrio em uma empresa agropastoril que, com o apoio de simulação baseada em System Dynamics introduz uma nova maneira de analisar as variáveis financeiras e econômicas em empresas onde a incerteza paira sobre a oscilação das variáveis naturais. Busca-se, dessa maneira, contribuir com uma nova abordagem para análise da dinâmica de variáveis financeiras em ambiente sujeito a incertezas provenientes do clima e da produção agropastoril. 3. Produção de leite no Brasil A maior parte da produção de leite no Brasil concentra-se nas regiões Sudeste (50%) e Sul (23%). Entre os estados, Minas Gerais lidera a produção nacional, com 30%, ficando em segundo lugar São Paulo com 14% da produção. (GOMES, 2011). Para que chegassem nessa colocação os estados de Minas e São Paulo contam com a ajuda do clima. Nos estados de Minas e São Paulo, o clima tropical é bastante característico, com verão quente e chuvoso e inverno seco. Esses períodos são caracterizados por abundância e escassez de forragem nas pastagens, que influenciam diretamente no volume de leite produzido, principalmente nos sistemas menos especializados, isto é, com menor preocupação com a alimentação do rebanho no período de seca. (JUNQUEIRA, MIRANDA e ZOCCAL, 2008). Segundo Alvim, Martins e Mustefaga (2008) a produção leiteira exerce significativa importância na economia nacional, pois a cada um real de aumento de produção no sistema agroindustrial do leite, aumenta aproximadamente cinco reais no Produto Interno Bruto (PIB). Isso faz com que fique a frente de outros setores importantes, como a indústria têxtil. Além da importante participação na economia, a atividade leiteira possui duas características que são de grande valor para o seu desenvolvimento. Conforme os dados do IBGE (2007), em todos os estados do país é possível encontrar a produção de leite, sendo que das 558 microrregiões analisadas pelo instituto, a produção de leite é encontrada em 554 delas. Outra característica marcante é que não há um padrão na atividade. É muito elevada a heterogeneidade dos sistemas de produção e ocorre em todas as Unidades da federação. Assim podemos dividir a atividade leiteira em pequenos, médio e grandes produtores. 4. A System Dynamics no ambiente de negócios As ideias fundamentais de System Dynamics, originalmente concebido como Industrial Dynamics, podem ser atribuídas a Forrester (1972) que desenvolveu uma teoria de realimentação de informação e controle como meio de avaliar negócios e outros contextos organizacionais e sociais. Por essas ideias essenciais, considera-se todo sistema como complexo, definindo seus componentes como elementos e fluxos, sendo que esses segundos constituem-se nos relacionamentos entre os primeiros. Todos os elementos importantes devem ser incluídos dentro de um campo delimitado. Conectando-se os elementos formam-se loops, tornando possível uma análise da realimentação tipo causa e efeito. Por meio de System Dynamics, é possível o desenvolvimento de sistemas organizacionais, para o tratamento de questões relativas ao processo de tomada de decisão a serem estudados em um período de tempo, através das formações de círculos de causalidade (ZAMBON, 2006). A partir de uma visão geral, a System Dynamics assume que a análise de uma situação pode ser empreendida de um ponto de vista objetivo externo, e que a estrutura e os processos dinâmicos do mundo real podem ser recriados em diagramas com simbologia específica e modelos matemáticos. Em um contexto organizacional ou social, muitas situações podem ser caracterizadas pela complexidade da estrutura de elementos e círculos de causalidade existentes entre esses elementos. A informação gerada por um elemento introduz modificações na informação gerada por outros elementos e, assim sucessivamente, ocasionando uma extensa e complexa troca de informações, que analisadas conjuntamente, podem explicar o fenômeno da mudança (FLOOD e JACKSON, 1991). A modelagem e simulação desse sistema, compreendendo as trocas, interações e atrasos, visa à compreensão das interações ocorridas no plano real de maneira mais rápida, trazendo ao presente cenários futuros. Os resultados obtidos são oferecidos aos tomadores de decisão, com o objetivo de subsidiar resoluções em campos onde antes apenas reinava a intuição humana (RUTH e HANNON, 1991). Partindo da premissa de que é possível recriar um sistema complexo controlando os círculos de causalidade, e consequentemente, as perturbações e ruídos que o modelo possa apresentar, torna-se possível recriar situações a partir da situação real, testando ideias ou criando controles mais eficazes. Resultados desejáveis podem ser implementados no plano real enquanto que ações implementadas na simulação, que tenham convergido para resultados indesejáveis, podem ser suprimidas. 5. Emprego da System Dynamics para análise de uma empresa produtora de leite A System Dynamics foi empregada nesta pesquisa para o desenvolvimento do modelo simulado. Para coleta de dados, foi realizada uma pesquisa exploratória em uma propriedade agropastoril situada na cidade de Engenheiro Coelho, Estado de São Paulo, Brasil, região onde em que se encontram inúmeras propriedades que se dedicam à produção leiteira. A pesquisa, de caráter descritivo, busca estabelecer relações entre as variáveis produtivas que culminam na prática de preços do leite na região estudada. Dessa maneira, por meio de observação direta não participativa, registros em escritos primários e secundários, além de entrevistas com os responsáveis pela produção, foram coletadas informações que culminaram no modelo simulado de custos descrito neste trabalho. 5.1. Modelo simulado de análise de custo-volume-lucro na produção leiteira A finalidade do modelo simulado, além de propiciar o entendimento dos fenômenos anteriormente citados, é permitir a interpretação da ocorrência do lucro ou prejuízo na produção de leite, auxiliando na identificação de estratégias para manejo do plantel. Entendese Plantel como a quantidade de animais pertencentes ao Ativo Permanente da propriedade rural, que estejam em condições de produzir. Animais em lactação é o termo utilizado para designar os animais que estejam efetivamente produzindo. Em virtude da variabilidade das condições de procriação, que induz à lactação, não é possível que todo o plantel esteja sempre em condições de produção de leite. O modelo simulado proposto para este trabalho é estruturado considerando o paradigma de diagramas de estoque-fluxo da System Dynamics, simulado no software STELLA 9.3 a partir de dados coletados na propriedade rural estudada. Estes dados, presentes em diversos meios, como planilhas, anotações e práticas adotadas pelos gestores da propriedade, foram compilados e organizados de maneira a permitir a modelagem e a simulação. A estratégia para o desenvolvimento do modelo consistiu na sintetização das informações obtidas, de maneira a construir um sistema que recebe informações mensais de custos e de produtividade e calcula o ponto de equilíbrio da produção da propriedade rural, tendo como parâmetro o preço cobrado por litro de leite no atacado. Entende-se que a produtividade (litros/animal) não é constante, considerando que existe uma variação de animais em estágio de lactação associada a uma variável climática, que produz reduções ou aumentos de leite em determinadas estações do ano. Esses dados foram organizados de maneira a possibilitar a composição do modelo simulado. 5.2. Custos fixos de produção Os custos fixos totais de produção (CFt) são compostos pelo Custo de Profilaxia e Reprodução, Depreciação e Outros Insumos. O custo da estrutura física, que compõe juntamente com o custo de profilaxia e reprodução o montante do custo fixo, é composto pelos insumos aplicados no espaço físico, que abrange as máquinas e os equipamentos, além do galpão utilizado para ordenha e beneficiamento do leite. Esses recursos de produção foram submetidos a um critério de depreciação linear, obedecendo os prazos legais brasileiros, e estão demonstrados na Tabela 1, utilizada no modelo simulado. Tabela 1 – Custos fixos considerados no modelo Custo da depreciação de Máquinas e Equipamentos US$ Total Anos US$ Mensal Máquina de Empacotar 13.298 10 111 Pasteurizador 21.277 10 177 Tanque 2.660 10 22 Câmara Fria 5.319 10 44 Subtotal deste item 42.553 355 Custo da Depreciação de Edificações Galpão da Leiteria 47.982,64 25 159,94 Subtotal deste item 47.982,64 159,94 82.979 13.000 798 66 4.255 355 957 150 5.745 900 94.734 14.471 185.270 14.986 Custos de Profilaxia e Reprodução Mão de Obra Vacinação Sêmen Controle Parasitas Antibióticos Subtotal Total dos Custos Fixos A estrutura de custos descrita na Tabela 1 deve ser convertida em um diagrama de estoquefluxo para que seja possível sua simulação. Essa estrutura está representada na Figura 1. FIGURA 1 – Diagrama de estoque-fluxo do Custo fixo do modelo Na Figura 1, as variáveis receberam os mesmos valores contidos na Tabela 1, por meio de pesquisa realizada na propriedade rural, e que são totalizados obedecendo a mesma estrutura: Profilaxia_e_Reproducao=Antibioticos+Controle_Parasitas+Semen+Vacinacao (1) Depreciacao_e_outros_insumos=Água+Depreciacao_Equipamentos+Depreciacao_Instalac oes+Energia_Eletrica (3) CFt = Profilaxia_e_reproducao + Depreciacao_e_outros_insumos (4) Dessa maneira, a variável CFt recebe e totaliza os valores, associados aos custos fixos incorridos, em doze meses simulados. 5.3. Custos variáveis de produção O custo variável de produção é obtido pela soma de gastos com alimentação dos animais em lactação. Inicialmente, para o cálculo desse valor, foi necessário obter o montante de gastos médios com o plantel durante o período de um ano (Tabela 2). Tabela 2 – Gastos com alimentação do Plantel – Média mensal US$ Custo de Alimentação Sal Total US$ /mês Total /ano 398,94 4.787,23 Silagem 2.606,38 31.276,60 Ração 7.180,85 86.170,21 Total 10.186,17 122.234,04 Para a obtenção do custo unitário variável (por litro de leite produzido), outras informações são necessárias, como i) a quantidade de animais em lactação e ii) a quantidade de leite produzido por esses animais. Entretanto, essas duas quantidades são variáveis ao longo do ano em razão de dois fatores: clima e produção de novas crias. Mediante o histórico de produção da propriedade rural estudada, foi possível desenvolver duas séries temporais, onde se identificam esses valores ao longo de um ano (Tabela 3). Tabela 3 – Informações de produtividade ao longo do ano Tipo Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 126 131 119 120 117 115 113 106 102 99 96 96 Lactação 39 34 46 45 48 50 52 59 63 66 69 69 Plantel 165 165 165 165 165 165 165 165 165 165 165 165 20 20 22 23 24 24 23 25 26 26 24 24 Animais fora do processo Animais em Prod.cabeça/di a (L) Para o cálculo do custo variável unitário por litro de leite produzido (CVu), foi necessário calcular inicialmente o valor da produção mensal de leite (PM): PM = AL x PL x 30 Onde: AL = Animais em lactação (5) PL = produtividade em litros de leite Neste caso, o modelo simulado considerará as séries temporais definidas na Tabela 3, variando os números a cada mês simulado, conforme é possível observar nas entradas gráficas do modelo (Figura 2). Figura 2 – Entradas gráficas das séries temporais para cálculo da produção mensal Para o cálculo do custo variável por litro de leite (CVu), utilizou-se a informação do custo de alimentação (Tabela 2) apenas para os animais em lactação: (6) Onde: CAt = Custo de Alimentação total AL = Animais em Lactação PL = Plantel O CVu será calculado em cada mês simulado, considerando a variabilidade dos animais em lactação e da produtividade mensal (Tabela 3). 5.4. Cálculo da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio Se obtém a margem de contribuição unitária (MCu) pela subtração do CVu do preço de venda unitário (PVu): MCu = PVu – CVu (7) Por fim, o ponto de equilíbrio (PE) em quantidade produzida (litros de leite) pode ser obtido a partir do CFt e da MCu: (8) O modelo gerará um ponto de equilíbrio para cada mês simulado, produzindo uma saída gráfica que poderá ser comparada à produção total de leite em cada mês. A Figura 3 Figura 3 – Detalhe do sistema que evidencia a estrutura de variáveis com as quais se calcula o PE As condições de simulação foram determinadas para um período de 12 meses simulados, no modo normal em “Flight Sim” sendo a velocidade determinada em 1 (12 segundos), com DT de 1.0. 5.5. Outputs do modelo As informações de saída do modelo são compostas por uma saída gráfica, com um gráfico de séries temporais, onde é possível comparar a curva do PE em litros com a curva de produção mensal, também em litros de leite. O gráfico de séries temporais permite comparar esses dois números em cada mês do ano, oferecendo também a possibilidade de avaliar, em formato de tabela, as diferenças (margem de segurança) entre o PE e a produção. Figura 4 – Séries temporais das variáveis do modelo simulado Observa-se no gráfico (Figura 4), que existe uma distância entre os números gerados a cada mês da produção mensal para o PE, que representa a margem de segurança (MS). A escala do eixo X identifica os meses do ano em que ocorrem as diferentes performances que começa em janeiro (0) e termina em dezembro (12). Observa-se que a ocorrência das maiores MS se processa no período de primavera e verão (mês 9 a 12), sendo que os meses de menor MS são os meses 3 a 6. Dessa maneira, é possível identificar, ao longo da série, os melhores e os piores períodos de acumulação de custos comparativamente à produtividade alcançada. É importante salientar que as medidas obtidas não são pontuais, e que resultam dos relacionamentos ocorridos entre todas as variáveis do sistema, sendo a compreensão da dinâmica o maior fator de diferenciação do emprego do método. 6. Conclusão Diante das dificuldades das empresas agropastoris em interpretar a complexidade dos sistemas de produção em virtude da presença de variáveis provenientes do ambiente, como clima e desenvolvimento do rebanho, este trabalho procurou demonstrar que a System Dynamics pode ampliar a capacidade de interpretação de ambientes complexos em virtude de sua capacidade de desenvolvimento de cenários organizados a partir do conceito de visão sistêmica. Foi possível observar que os modelos simulados não se restringem a mostrar resultados. Além disso, são capazes de demonstrar dinamicamente a formação histórica desses resultados, evidenciando suas origens, estabelecendo condições para interpretação das ações que culminaram no cenário final. Pelos resultados obtidos na saída gráfica do sistema, é possível observar, além da comparação do PE com a produção global, também a distância entre esses dois pontos a cada mês simulado, o que confere ao gestor a possibilidade de identificar quais são os meses em que ocorrem as melhores condições de produtividade e em quais períodos se faz necessário melhorar essas diferenças, no sentido de potencializar as condições de gestão de risco. Referências bibliográficas ALVIM, Rodrigo S.; MARTINS, M.C.; MUSTEFAGA, A. P. S. Desempenho da cadeia produtiva no Brasil: visão dos produtores. In VILELA, D. ET AL. (Eds.) O agronegócio do leite e políticas públicas para o seu desenvolvimento sustentável. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2002. P. 195-204., 2008. ÁVILA, W.R.B.; LÍRIO, V.S.; SANTOS, M.L; VIEIRA, W.C. Uso da Dinâmica de Sistemas como suporte à decisão em propriedades produtoras de leite: um estudo de caso. Viçosa, Revista de economia e agronegócio, v.2, n.4, p. 525-546, 2004. 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