IMPRESSO
Confira na pág. 18
Santa Rosa, NOVEMBRO/ 2010 - Ano XIV - Edição 154 (A INFORMAÇÃO e FORMAÇÃO CRISTÃ)
A Romaria ao Caaró começou há 400 anos. Mas não está
na 77ª edição, ou 77 anos? A
Romaria ao Caaró ultrapassa a
fé e espiritualidade da devoção
aos Santos Mártires. Ela é expressão da nossa história, da
formação cultural, religiosa e
organizacional de nossa região. Por isso, enquanto caminhada e peregrinação ao
Santuário dos Mártires tem 77
anos, mas ela só acontece porque tem toda uma história que
a antecede. É essa história que
deu origem, por todo um processo de evangelização, martírio, beatificação e canonização, a esse grande e diverso acontecimento de evangelização da diocese de Santo
Ângelo.
O Jornal Missioneiro traz
toda essa história que começa
com a formação dos Sete Povos, o Martírio e as etapas da
Romaria ao Santuário. Também, como projeto de evangelização a Romaria desse ano
tem uma dimensão missionária, com a participação organizada pelas pastorais e movimentos. Essa missionaridade
é apresentada nessa edição, revelando um pouco da história
e suas ações.
Comece a peregrinar conhecendo essa história.
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Expediente:
EDITORIAL
ASSOCIAÇÃO MISSIONEIRA DE
COMUNICAÇÃO - AMC
- CNPJ 05.394.324/0001-75
Presidente: Pe. Edegar Soares de Matos
Vice-Presidente: Arnildo L. Rockenbach
Redação e Administração: Milton Gehardt,
Ir. Liria Maria Kreutz, Iracema de Souza e
Pe. Afonso Werle
Redator Chefe: Adair Adams
Jornalista Respons.: Marilene Donadel Kroth
Vendas: Iolanda Martinelli
Diagramação: Sandra Pasini
Fotos: Arquivo “Missioneiro”
Endereço: Rua Guaíra, 1100 B. Esperança
CEP.:98.900-000 Santa Rosa/RS
Fone: 55 3512-3810
E- mail: [email protected]
Tiragem: 20.000 exemplares
Impressão: Empresa Jornalística
Planalto Médio Ltda.
S
As obras do amor
ão mais de três séculos da chegada de
homens cheios de Deus, com o coração
repleto de amor incondicional, com uma
garra de leão mais forte, para trabalhar pelo bem
das pessoas que no Rio Grande do Sul existiam
naquele momento.
Com objetivo bem definido, Roque Gonzales,
Afonso Rodrigues e João Del Castilho, aportam
em São Nicolau a fim de organizar os povos indígenas, vítimas da fúria colonialista dos bandeirantes paulistas, que os caçavam para serem levados como escravos no centro do Brasil. Quem se
orienta pelo dinheiro, ganho fácil, jamais abre mão
da violência ou da exploração. O problema era também bem maior que apenas os bandeirantes: todo
um sistema de exploração sustentado por um projeto social e por toda força militar existente na época. As reduções jesuíticas eram a esperança e a
salvação desses povos indígenas.
Mesmo sem querer o uso da violência, infeliz-
ASSINATURA:
Preço - anual (12 edições) R$ 35,00
AUTO MECÂNICA
SANTANA LTDA.
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Santa Rosa/RS
02
mente as reduções tiveram que apelar em legítima defesa, para afugentar os bandeirantes que
insistiam na escravização e nas atrocidades entre os indígenas e abortavam assim o crescimento
dos povos. Com a expulsão dos bandeirantes
destas terras, foi possível consolidar o sonho de
vida em abundância entre os pobres desta terra.
Os santos: Roque, Afonso e João trouxeram o
cristianismo para nossas terras. Sua coragem,
seu amor a Jesus Cristo e aos necessitados foram tão fortes na época que sua luz irradia ainda
hoje.
Podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que a
ação dos primeiros missionários, a obra que veio
depois: os sete povos das missões, a organização da igreja e demais obras até o dia de hoje,
são obras do amor. Quem ama pode fazer muito.
Quem não ama apenas destrói. O desamor e o
ódio não conseguem realizar nada, absolutamente
nada!
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Notícias
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
De 10 a 16 de novembro
Diocese e região vão ao Caaró
A Romaria ao Caaró é a maior
celebração de fé, devoção e
espiritualidade de nossa Diocese.
Nossa cultura e nossa espiritualidade têm as marcas desse encontro de Jesuítas com os índios.
Esse ano tem a presença material do encontro, através da relíquia
do coração do Santo Padre Roque
Gonzales.
Programação da Romaria:
10/11 - Acolhida do Coração
- Apostolado da Oração;
11/11 - Dia da Vida - Pastoral da Criança, Pastoral da Pes-
soa Idosa e Pastoral da Saúde;
12/11 - Dia da Família - Pastoral Familiar, Cursilho e Movimento de Schoenstatt;
13/11 - Dia da Catequese;
14/11 - Noite - Vigília do Setor da Juventude e Peregrinos da
Caminhada;
15/11 - Dia das Comunidades
- Memória do martírio - ponto alto
da Romaria;
16/11 - Dia dos Estudantes despedida da Relíquia do Coração do Santo Padre Roque Gonzales.
Antônio Cardoso canta
a família e o amor na região
Três shows em uma semana na região. Antônio Cardoso fez Show
da Família em Santa Rosa no dia 19 de outubro, promovido pela
AVIPAE, Paróquias Católicas de Santa Rosa, Empresa Jornalística
Noroeste, RBS/TV, Jornal Missioneiro e Sindilojas. No dia 21, em
São Luiz Gonzaga, promovido pela Paróquia Católica em parceria
com a Secretaria Municipal de Educação e no dia 22, no município
de Cerro Largo, promovido pela Paróquia Católica em parceria
com a prefeitura municipal.
A mensagem está voltada para as famílias, para que vivam intensamente o amor entre todos.
Congresso reúne mais de 2 mil
No dia 17 de outubro, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus
de Porto Xavier acolheu mais de
dois mil participantes no 20º
Congresso Diocesano do Apostolado da Oração. Aproximadamente 30 paróquias estavam presentes, cantando, refletindo,
orando e celebrando a espiritualidade do sagrado coração de
Jesus. A reflexão sobre o discipulado missionário foi orientada pelo Pe. Sereno Boesing, SJ.
O bispo emérito Dom Estanislau
presidiu a eucaristia, concelebrada por 10 padres.
O Pároco Aloísio Kuhn, a coordenação do Apostolado da Oração, os setores pastorais da paróquia, em parceria com a escola
e entidades do município, preparam com esmero o espaço
celebrativo do Ginásio de Esportes. Mereceu destaque a equipe de
cantos e a animação musical. Parabéns Porto Xavier!
03
Mais de uma centena confirma
a fé em Santa Ângelo
No dia 16 de outubro, a Paróquia Sagrada Família
de Santo Ângelo, viveu um momento muito
celebrativo, em que 116 adolescentes, oriundos de
suas comunidades se encontraram na Igreja Matriz
para celebrar um passo decisivo, assumir o Sacramento do Crisma, ministrado pelo bispo emérito D.
Estanislau, acompanhado pelo pároco Pe. Marcos
Bruxel.
Os adolescentes renovaram seus compromissos
batismais perante padrinhos, pais, familiares,
catequistas e comunidade.
Todos eles envolvidos na celebração, orientados
pelos 17 catequistas que fizeram com eles esta consciente e maravilhosa caminhada.
Foi emocionante acompanhar os olhares de felicidade de todos os confirmandos.
Pedimos que o Espírito Santo derrame suas bênçãos e envie seus dons a estes confirmados para que
possam colocá-los em prática na caminhada
evangelizadora das comunidades.
Coordenação de Catequese - Elsi Rabuske
Pacri realiza Encontro de
Coordenadores Paroquiais de Área
A Pastoral da Criança realiza mais um Encontro para
todos(as) coordenadores(as) paroquiais de área. O
encontro será nos dias 05 e 06 de novembro em Santo Ângelo. O local será o Seminário da Sagrada Família, com início às 12h.
Ministros da Forania de
Cerro Largo fazem retiro
A Forania de Cerro Largo realiza no dia 27 de novembro, retiro de formação para todos os seus ministros, na paróquia de São Paulo das Missões, das
14h até às 18h.
Cáritas em Assembleia
Com imenso trabalho de gestão e fomento de desenvolvimento sustentável e socialmente justo a
Cáritas Diocesana, realiza mais uma Assembleia
Diocesana. Será na Paróquia de Cruzeiro, Santa
Rosa, no dia 09 de novembro, das 9h até às 16h.
Liga das Famílias tem Encontro
O movimento de Schoenstatt realiza Encontro
Diocesano da Liga das Famílias, no Santuário de
Schoenstatt, em Santo Ângelo. O encontro será no
dia 28 de novembro, das 14h às 18h.
PE. ZEZINHO NA REGIÃO
Local: Cerro Largo
Data: 22/12/2010 Hora: 22h30mim
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
04
A força do Caaró
As mudanças e os motivos de quase 80 anos de peregrinação e romaria
Pe. João Konzen e D. Estanislau A. Kreutz
E
ste ano, a tradicional Romaria Diocesana de Caaró se reveste de uma
importância especial: durante uma semana o Santuário dos Santos Mártires será
palco de veneração da Relíquia do Coração
do Pe. Roque. A propósito, vamos fazer uma
breve memória da história das Romarias, que
desde o ano de 1934, alcançam este ano a de
número 77. Ao longo deste período, podemos distinguir três etapas, cada uma com seu
estilo próprio de romaria.
1ª Etapa
A partir dos anos 1930, o Pe. Max von
Lassberg, Pároco em Cerro Largo, começou
a suscitar o interesse pela devoção aos Mártires de Caaró. Com a assessoria do historiador Pe. Luiz Gonzaga Jaeger, realizaram-se pesquisas tendo em vista encontrar o lugar da primeira redução fundada pelos Missionários Pe. Roque
Gonzales e Pe. Afonso Rodrigues, e do martírio deles. As pesquisas concluíram como mais provável o
local do atual santuário dos Santos Mártires em Caaró.
Até hoje persiste esta crença constante, nunca
desmentida por nenhuma pesquisa.
Identificado com segurança o lugar do martírio, realizou-se, em novembro de 1934 - ano da beatificação dos Mártires - a primeira romaria de um grupo
de devotos de Cerro Largo, que percorreram a pé a
distância de cerca de 40 quilômetros até Caaró. Naquela ocasião, foi erguida uma cruz como marco
sinalizador do lugar do martírio, estando presentes
Mons. Estanislau Wolski, Pe. Tiago Kieling e Pe.
Leopoldo Arnzen, Provincial dos Jesuítas. A partir
daí, todos os anos a Paróquia de Cerro Largo vem
promovendo romarias. Costumava ser um número relativamente reduzido de pessoas que se organizavam
em grupos por localidade de origem, colocavam suas
mochilas - barracas para acampar e mantimentos em carroças de bois que acompanhavam a caminhada dos romeiros. Durante a caminhada, havia momentos de oração, bem como tempos de conversa e
entrosamento dos grupos. Chegando a Caaró, armavam suas barracas no mato e ficavam acampados
por cerca de três dias, com orações e celebração de
missa. Depois, no mesmo estilo, retornavam para suas
casas. Este estilo de romaria, como iniciativa das paróquias de Cerro Largo e Caibaté, com assistência
religiosa de padres jesuítas, com pequenas variações
durou até o início dos anos
70. Com o passar dos
anos, as carroças foram
substituídas por caminhões, que passaram a
transportar os romeiros na
volta para casa.
No início deste período,
em 1936, os romeiros de
Cerro Largo, em parceria
com devotos da paróquia
de Caibaté e da comunidade de Mato Queimado,
construíram o primeiro san-
tuário, de pequenas dimensões, mas com a fachada
que se conserva até hoje.
2ª Etapa
A partir dos anos 70, por iniciativa de D. Estanislau,
um apaixonado pela história e a devoção dos Santos
Mártires, começou-se a motivar e promover a romaria em toda a Diocese. No dia da celebração festiva,
no 3º domingo de novembro, começaram a afluir caravanas em ônibus, das mais variadas paróquias da
Diocese. A constante campanha de motivação fez
crescer de ano para ano o número de paróquias que
aderiam à romaria. A romaria passou a ter o caráter
de uma festa popular, promovida pela Paróquia de
Caibaté. Além da celebração festiva da missa pela
manhã, não havia outra programação religiosa. Equipes da Paróquia de Caibaté, com a colaboração de
uma equipe de São Luiz Gonzaga, atendiam a copa e
o churrasco. Esta segunda fase de estilo de romaria
durou até o final dos anos 70. Em 1978, um incidente
trágico abalou profundamente o ambiente da festaromaria. Por motivo de uma intriga entre rivais, um
dos envolvidos matou um brigadiano que quis intervir. O agressor por sua vez, também foi morto, e
generalizando-se o tiroteio em que uma terceira pessoa também acabou sendo atingida. Evidentemente,
este incidente abalou o clima da festa, e acabou motivando a passagem para um novo estilo de romaria.
3ª Etapa
No ano seguinte a este incidente, temia-se que viesse a represália devido aos assassinatos ocorridos.
Mas Deus colocou em cima sua mão providencial: naquele ano choveu torrencialmente no
dia da romaria, de sorte que se reuniu pouca
gente e a festa ficou pequena. Os contendores
da briga não apareceram. Todos ficaram aliviados.
A partir destes fatos, o Bispo D. Estanislau,
com a equipe diocesana de coordenação pastoral, decidiu mudar radicalmente o estilo da
romaria, que passou a ser essencialmente religiosa e penitencial. O tempo do dia da romaria foi preenchido com programação religiosa:
celebração penitencial, oração da via sacra,
celebração da eucaristia, e após o intervalo
para almoço, uma tribuna missionária, concluindo-se com celebração de bênção da saúde.
Eliminou-se completamente o aspecto festivo:
venda de qualquer tipo de bebida alcoólica e
de churrasco. Os romeiros deviam trazer de casa seus
mantimentos para o dia.
Esta decisão foi amplamente divulgada num esforço de motivação para a romaria. A resposta popular
foi muito positiva. De ano a ano cresceu o número
de romeiros, com espírito religioso e penitencial. Pessoas que não estivessem animadas deste espírito religioso não sentiam mais atrativo para vir a Caaró na
romaria.
Para atender melhor ao número crescente de romeiros, em 1996 foi ampliado o santuário para as
dimensões que tem hoje, e foi construído o estrado e
o altar da celebração no bosque, local das celebrações religiosas campais da romaria.
No decorrer desta história, merecem ser recordados ainda os seguintes fatos:
- em 1973, o coração do Pe. Roque esteve durante sete dias na catedral de Santo Ângelo, havendo
celebrações diárias com catedral lotada.
- em 1978, ao comemorar os 350 anos do martírio, novamente o coração da Pe. Roque esteve presente na romaria.
- em 1988, o Papa João Paulo II canonizou os Mártires, em sua visita a Assunção do Paraguai.
- em 1998, mais uma vez o coração do Pe. Roque
foi trazido ao Rio Grande, onde visitou todas as catedrais diocesanas do Estado e algumas paróquias
da Diocese de Santo Ângelo, estando presente em
Caaró no dia da romaria.
- no presente ano, novamente o coração do Pe.
Roque estará conosco, permanecendo por diversos
dias no santuário em Caaró, com programação já amplamente divulgada.
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
05
A emocionante história dos heróis das Missões
Roque Gonzales, Afonso Rodrigues, João de Castilho e outros... os santos de Caaró
José Roberto Oliveira¹
A
s Missões jesuítico-guaranis são um
projeto iniciado em 1609 com a fundação da redução de San Ignácio
Guaçu, onde hoje é Paraguai. De todo esse processo realizado, vamos destacar apenas a morte dos três missioneiros mortos em 1628, no
Caaró e Assunção do Ijuí, e a morte do Padre
Cristóvão de Mendonza.
O Padre Roque Gonzales de Santa Cruz nasceu na cidade de Assunção no ano de 1576. Seu
pai, Bartolomeu Gonzales de Valverde, e sua
mãe, Maria de Santa Cruz, eram de origem espanhola. Roque naturalmente aprendeu a falar
o Guarani, língua que naquela época, como hoje,
é a base da cultura do Paraguai. Desde cedo, via
com indignação as graves injustiças cometidas
contra os guarani pelos colonizadores, especialmente pelos encomendeiros. Foi ordenado
padre em 1599, com 22 anos de idade, assumindo o trabalho no meio dos índios da região
de Maracaju. Logo foi nomeado cura da catedral de Assunção, já em 1609, foi nomeado Vigário-Geral da Diocese. Iniciou o noviciado na
Companhia de Jesus no dia 09 de maio de 1609,
onde ingressou, definitivamente em 1619.
O Padre Afonso Rodrigues nasceu aos 10 de
março de 1598, em Zamora, Espanha. Em 25
de março de 1614, entrou na Companhia de
Jesus, em Salamanca. Em 02 de novembro de
1616, juntamente com outros trinta e sete companheiros, entre eles João de Castilho, foi enviado à América, chegando a Buenos Aires no
dia 15 de fevereiro de 1617. Foi ordenado sacerdote em fins de 1623. Seu primeiro ministério ocorreu entre os ferozes guaicurus às margens do Pilcomaio. Após, foi destinado à redução de Itapua, onde trabalhou até que pediu que
fosse enviado a uma missão mais desafiadora.
Juntamente com Roque Gonzales, Afonso
Rodrigues lança as bases do Caaró em 1628.
O Padre João de Castilho nasceu em
Belmonte na Espanha em 14 de setembro de
1595. Iniciou seu noviciado na Companhia de
Jesus em 1614, com 18 anos de idade. Em 1617,
chegava à América. Concluídos os estudos de
Filosofia, foi enviado para o Colégio da Conceição, no Chile. Em 1625, foi ordenado sacerdote. Iniciou seu ministério na redução de
São Nicolau, onde se aprofundou na Língua
Guarani. No dia 15 de agosto de 1628 ajudou
Roque Gonzales a fundar a redução de Assunção do Ijuí. Após dois meses e meio, Roque
Gonzales o deixou para fundar Caaró.
O drama dos martírios, conforme Estanislau
A. Kreutz no livro Santos Mártires das Missões,
1999, começou quando os Padres Roque
Gonzales e Afonso Rodrigues distribuíam as
cunhas de ferro aos índios e esses se comprometiam a reduzir-se. No grupo, infiltraram-se
três intrusos a mando do cacique Nheçu para
que o feiticeiro Caarupé, um dos principais ca-
ciques, matasse os padres. No dia 15 de novembro, após a missa, o Padre Roque preparava-se para erguer o sino, e foi quando dois índios desferiram violentos golpes de machadinhas de pedra (itaiçás) sobre a cabeça do padre. Em seguida, o Padre Afonso, saindo de sua
cabana, também foi atingido mortalmente.
Um velho cacique, catecúmeno, repreendeu
os malvados pela ação. Os assassinos lançaram-se sobre ele e o mataram no mesmo instante. No dia seguinte, para completar a obra
de destruição, os índios voltaram e subitamente ouviram uma voz que saía do coração do Padre Roque: "Matastes a quem vos amava e queria bem; matastes, porém, somente o meu corpo, pois minha alma está no céu. E não tardará
o castigo porque virão meus filhos para punirvos por terdes maltratado a imagem da Mãe de
Deus. Mas eu voltarei para vos ajudar porque
muitos trabalhos vos hão de sobrevir por causa
de minha morte." Os assassinos, ao ouvirem
essa voz, enfureceram-se mais ainda. Arrancaram o coração do peito do Padre Roque, atravessaram-no com uma flecha, reacenderam a
fogueira, e nela lançaram os restos mortais dos
mártires e o coração. Do corpo do Padre Roque restou o tronco. O coração ficou ileso, atravessado que fora por uma ponta óssea de flecha. Do Padre Afonso conservou-se a parte superior do tronco e alguns restos mortais.
No dia 17 de novembro de 1628, seguiu o
projeto de Nheçu, quando às 15 horas, após a
oração, o Padre João de Castilho foi abordado
pelo cacique Araguirá, que, de pronto, investiu
contra o missionário, juntamente com outros
índios. Arrastaram-no por três quartos de légua, cravaram flechas e o apedrejaram, deixando-o morto. No dia seguinte, atearam fogo ao
corpo do mártir.
Em 28 de janeiro de 1934, o Papa Pio XI declarou a beatificação dos Três Mártires das Missões, e no dia 16 de maio de 1988, o Papa João
Paulo II canonizou-os, declarando-os Santos
oficialmente. O fato ocorreu em Assunção no
Paraguai. Assistiram à cerimônia quinhentos
mil fieis.
¹Historiador das Missões
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
06
Caaró é um dos locais de maior visitação da Diocese
O Santuário dos Santos Missioneiros é centro de fé, história e cultura na região
S
ituado no perímetro da primitiva Redução de Todos os Santos de Caaró, nas proximidades
da histórica Redução de São Lourenço
Mártir, no atual município de Caibaté.
O Pe. Roque Gonzales de Santa Cruz,
acompanhado pelo jovem missionário
Pe. Afonso Rodrigues, fundou a redução de Todos os Santos de Caaró, no
1º de novembro de 1628.
Em 1933 0 Pe. Luiz Gonzaga Jaeger,
SJ, apoiado por um grupo de católicos
de Cerro Azul (Cerro Largo), Caibaté e
Mato Queimado, à luz das Cartas
Anuais de antigos missionários, dirigiuse até o campo do Sr. Horácio de
Menezes, no atual município de Caibaté.
Iniciou uma série de escavações.
Redescobriu, efetivamente, o local do
martírio de Roque Gonzales e Afonso
Rodrigues, segundo descrições
registradas em sua obra Os Três Mártires Riograndenses, p. 292-316. No dia
15 de novembro de 1933, foi erigida
uma grande cruz no local do martírio.
Em 1936, por iniciativa do Pe. Max
Von Lassberg, SJ, foi lançada a pedra fun-
damental de um pequeno santuário em
honra dos três bem-aventurados Mártires, em Caaró.
A Diocese promoveu a construção de
uma casa de retiros, dedicada ao Pe. Antônio Sepp. Foi inaugurada em 1988.
Oferece espaço para alojamento de 45
pessoas. Logo após, edificou-se, ainda,
a hospedaria e refeitório para os peregrinos. Em 1992, foi ampliada por dois
terços a até então capela e transformouse em autêntica Igreja-Santuário.
No interior do bosque, em frente ao
santuário, ergueu-se um altar com ampla tribuna para a celebração de missas
campais por ocasião das grandes romarias. Dois novos pavilhões servem, além
do mais, como abrigo aos romeiros. O
conjunto estrutural de Caaró está hoje
profusamente enriquecido de expressivos símbolos: o Monumento aos Três
Santos Mártires e ao(s) Índio(s)
Mártir(es), a coluna de pedra encimada
por um grande coração de bronze, lembrando o coração de São Roque, e a Cruz
Missioneira.
Fonte: Livro da Diocese - 40 anos
Igreja do
Santuário de Caaró
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Geral
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Geral 08
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Dos Sete Povos, os Mártires que se tornaram santos
Como, quando, o que e porque os índios martirizaram três padres jesuítas
*Nelmo Roque Ten Kathen
busca de riquezas. Para tanto começaram a usar a
mão de obra indígena pelo sistema de escravidão. Cedo
descobriram que os guarani eram os mais trabalhadores. Os bandeirantes paulistas, aventureiros caçadores de índios, atacaram primeiro as reduções do Paraná
e MS e, depois chegaram ao RS. Aqui o estrago foi
grande, tanto que culminou com a retirada de índios e
missionários, finalizando o primeiro ciclo das reduções.
A
s pessoas em geral, também os fieis
das romarias, tem certa dificuldade de
localizar historicamente os fatos em torno
do martírio dos santos Roque, Afonso e João. Da mesma forma não conseguem fazer uma ligação destes
com a história que se deu nos espaços das atuais ruínas dos Sete Povos.
1. América e Europa:
antecedentes daqui e de lá.
As pesquisas das últimas décadas comprovaram que
aqui há sinais de vida de milhares de anos. Temos vestígios de presença humana de 11 mil anos. E há dois
mil anos os guarani, descendo da Amazônia, chegaram
ao rio Uruguai e entraram no atual território gaúcho.
Em 1500, com a chegada dos primeiros europeus, os
guarani ocupavam grande parte do território do Estado, junto com os charrua e minuano.
Já a Europa vivia a passagem do feudalismo para o
mercantilismo. Após quase mil anos presa aos seus
limites, as navegações propiciaram a abertura de novas fronteiras comerciais e de conquistas geográficas
significativas. Dois países tomaram a dianteira: Portugal e Espanha. Na época a Igreja católica estava perdendo muitos fieis por causa da reforma Luterana. Com
os descobrimentos de novas terras e pessoas, novos
fieis se tornaram possíveis.
Aqui, o encontro de duas culturas tão diferentes foi
trágico para os nossos povos indígenas. Sua estrutura
social, política, econômica e religiosa foi quebrada pela
superioridade bélica dos europeus. Houve um proces-
so de conquista e submetimento dos nossos povos ao
sistema europeu-cristão. Mas houve um ensaio de resistência e revolta que culminou com a morte de vários
missionários.
2. Índios Guarani, Espanhóis
e Portugueses.
Os guarani na época da chegado de Espanhóis e Portugueses ocupavam, além do atual RS, parte da Argentina e Paraguai, também o oeste do Paraná e sul do
Mato Grosso do Sul. Eram um povo semi-nômade, de
cultura simples. Lidavam com a agricultura, coleta de
frutas e eram caçadores. Seu sistema organizativo era
tribal, formando grupos de aproximadamente 500 pessoas. Na tribo a organização dava-se em torno do cacique e do pagé. Escolhido do meio de guerreiros valentes, o cacique tinha uma função política. Já o pagé
era, por vocação, profeta, sacerdote, agrônomo, médico e professor. Controlava o saber da tribo.
Os portugueses, após 1500, ocuparam inicialmente a
costa brasileira. Depois adentraram o território em
3. Os mártires: o primeiro
ciclo das reduções
O grande trabalho começa com a fundação da província jesuítica do Paraguai, em 1607, pelo padre Diego
de Torres Bollo. Rapidamente as reduções se espalham pelo Paraguai e pela bacia do Rio da Prata. E
com uma novidade: por concessão da coroa espanhola, os índios reduzidos não estavam mais sob a
encomienda. O índio passa a trabalhar para a missão e
vive no ritmo da vida proposto pelos missionários. E
nas reduções não havia presença de colonos espanhóis,
somente missionários.
Os Jesuítas começaram seu trabalho reducional no
Guaíra, oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul,
em 1609. Logo foram criadas 14 reduções que duraram até 1628, quando são dizimadas pelos bandeirantes paulistas. Com a devastação, os jesuítas levaram
os índios restantes ao Itatim, a 500 Km de Assunção.
Começaram igualmente as reduções na Argentina,
entre o rio Paraná e Uruguai. Atravessando o Uruguai, edificaram também 18 reduções nas bacias dos
rios Ijuí, Ibicuí e Jacuí, a partir de 1620.
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
É aqui que entra o Pe. Roque Gonzales, um criollo,
filho de espanhol com índio, converteu sua vida de
encomendero para missionário jesuíta. De explorador de
índios passou a ser seu defensor, mas sempre fervoroso
catequisador, a modo de Trento e a teologia da época.
Quando foram implantadas as primeiras reduções
logo houveram resistências e revoltas. Ele se referia a
uma das reduções da região do Tape. Seu trabalho,
como sabemos, continuou até 1628, quando foi martirizado, junto com o Pe. Afonso Rodrigues, na redução
de Todos os Santos do Caaró, hoje local do Santuário a
eles dedicado. Igualmente o Pe. João de Castilhos foi
morto pelos mesmos índios na redução de Assunção
do Ijuí, hoje município de Roque Gonzales.
Após o martírio dos três, Roque, Afonso e João, as
reduções ainda sobreviveram até por volta de 1641,
quando a maioria havia sido devastada pelos bandeirantes paulistas, caçadores de escravos. Mesmo com
a derrota dos bandeirantes na batalha de M'bororé,
em 1641, os índios remanescentes todos haviam sido
transferidos para a outra margem do rio Uruguai, atual
Argentina.
4. Os Sete Povos: o segundo
ciclo das reduções
Após mais de 50 anos, agora já sem o perigo dos
bandeirantes, houve a retomada do projeto reducional.
Para os jesuítas era a continuidade do trabalho
evangelizador e para a coroa espanhola significava a
ocupação de um espaço geográfico de demarcação de
fronteiras, já que em 1680 os portugueses invadiram o
território espanhol, edificando a Colônia do Sacramento, atual Uruguai. Mesmo com limites vindos do sistema reducional, adaptada ao mesmo, a cultura guarani
verdadeiramente floresceu produzindo impressionante
acervo artístico, cultural e religioso.
A construção dos Sete Povos iniciou com a redução
de São Francisco de Borja, em 1682 e concluiu-se em
1706 com Santo Ângelo.
SÃO BORJA
Com sua localização na banda oriental do rio Uruguai, teve como fundador, em 1682, o padre Francisco
Garcia, que reuniu índios do lado da Argentina e deste
lado. Em 1694 já contava com 2.888 habitantes. Ao
Pe. Garcia sucede o Pe.Tomas Bruno, irlandês de nascimento. Além de evangelizador era mestre em estatuária,
arte que ensinou aos indígenas. Com a expulsão dos jesuítas, depois de 1759, a catequese dos índios começou a
declinar apesar da presença de dois missionários
franciscanos. Depois disto São Borja foi palco de muitos combates, especialmente em 1816, contra os uruguaios, quando Andrezito Artigas sitiou a cidade.
em 1626. Três mil índios voltaram para São Nicolau,
em 1687. Após os primeiros trabalhos de reconstrução, um grande furacão assolou a redução destruindo
a capela e a casa dos padres, matando 24 pessoas. A
chuva de granizo dizimou grande quantidade de gado.
Em 1707 a cidade chegou a um grande florescimento
e atingiu uma população de 5.389 habitantes.
SÃO LUIZ GONZAGA
Como redução foi fundada
no mesmo ano
da refundação
de São Nicolau,
em 1687. O Pe.
Miguel Fernandes foi
quem esteve
primeiro na cidade, sendo também depois cura de São Lourenço.
Foi construída uma bela igreja, a respeito da qual o
historiador HemetérioVeloso escreveu, em 1855: "Com
pouco trabalho, com pouco dispêndio, essa igreja teria
sido salva do desmoronamento que, passados dois anos,
se realizou". Mas São Luiz tivera antes, em torno de
1820, situações difíceis, especialmente pelo acelerado
despovoamento provocado por um surto de varíola que
dizimou muitos índios que chegaram a ser 3.997.
SÃO LOURENÇO
Esta redução nasceu
em 1690, no lugar de
Caaró, local do martírio dos padres Roque
Gonzales e Afonso
Rodrigues distante poucos quilômetros ao sul,
na ponta do arroio
Uruquazinho. Chegou
a ter 4.912 habitantes,
em 1707. Quem presidiu os trabalhos foi o
Pe. Bernardo de la
Vega. Conta o historiador Hemetério Veloso
que ainda viu, em 1856,
o colégio deste povo com suas celas como depósito
das imagens do padroeiro e outros santos.
SÃO MIGUEL
SÃO NICOLAU
A "primeira
querência do
Rio Grande"
foi inicialmente fundada
pelo Pe. Roque Gonzales,
09
Tendo como local as atuais ruínas, foi uma
retransmigração de povos indígenas, que deu-se em
1687. De todos foi o mais populoso dos Sete Povos,
com cerca de 7.000 habitantes, possuindo o templo mais
majestoso e confortáveis habitações, com ruas bem
feitas. A igreja da redução foi construída entre os
anos de 1736 e 1745. Quem dirigiu os trabalhos de
construção foi o irmão jesuíta João Batista Primolli,
natural de Milão, Itália.
SÃO JOÃO BA
TIS
BATIS
TISTTA
Este povo
originou-se de
um desmembramento de
São Miguel,
em setembro
de 1697. Foi o
Pe. Antônio
Sepp, austríaco de nascimento, que encabeçou e dirigiu os trabalhos de sua construção. Como missionário aproveitou
seus conhecimentos de música na catequese dos indígenas. Formou um coral com os índios sendo que eles
mesmos chegaram a fabricar seus instrumentos musicais. Também nesta redução funcionou a primeira siderúrgica do país, onde possivelmente foram fundidos
os sinos de São Miguel. Em 1707 contava com uma
população de 3.361 habitantes.
SANTO ÂNGELO
Foi o último dos Sete Povos a ser fundado, em 1706,
tendo à sua frente o Pe. Diogo Haze, um belga que
veio da redução de Concepcion, com 737 famílias. Prosperou economicamente tornando-se, em pouco tempo,
pela industrialização da erva-mate, a mais rica das
cidades. Em 1767, época da expulsão dos jesuítas, produzia, por ano, 5.000 arrobas de erva e 4.000 arrobas
da algodão, para exportação.
Cinquenta anos durou o florescimento dos Sete Povos. Em 1750, com o Tratado de Madri, entre as coroas espanhola e portuguesa, iniciou sua agonia. Com a
troca da Colônia do Sacramento pelas Missões, para
nenhum dos dois países interessavam as cidades de
guaranis. Os guarani não aceitaram a desocupação e
foram massacrados pelos exércitos aliados.
* Pesquisadores da História Missioneira
Dr. Gilberto Donadel
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Destaque do Mês 10
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Caaró é fonte de vida
Pastorais e Movimentos se abastecem nas fontes de Caaró
PASTORAL DA CRIANÇA é uma história de amor à vida
Mais de 800 líderes em 39 paróquias
Tudo começou num lugar que tem um nome sugestivo: Bairro Maria Ritter, da Paróquia Sagrada Família, em Santo Ângelo. Aos poucos, a
semente cresceu e estendeu seus ramos por toda
a Diocese. Hoje, encontram-se ramos dessa árvore em 39 paróquias que não escondem seus
preciosos frutos.
O amor, a esperança e o espírito de serviço vividos na Pastoral da Criança contagiaram uma
multidão de cerca de 900 líderes voluntárias e
outras tantas pessoas. E não é só: há ainda equipes de coordenação, multiplicadores(as) e
capacitadores(as), que preparam as líderes nas
ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania, e nas ações complementares de alimentação e horta caseira, saúde bucal, articulação de
políticas públicas, brinquedos e brincadeiras, e
rede de comunicadores populares.
ABRANGÊNCIA DA PASTORAL DA CRIANÇA NA DIOCESE DE SANTO ÂNGELO
- 8.581 crianças acompanhadas;
- 46 ramos com Pastoral da Criança;
- 375 comunidades acompanhadas;
- 811 líderes;
- 7.481 famílias acompanhadas;
- 461 gestantes acompanhadas;
- 21 emissoras da Rádio com programa
"Viva a Vida",
- 12 alunos no curso de alfabetização de
jovens e adultos na Pastoral da Criança.
Marli Ludwig - Coordenadora Diocesana
da Pastoral da Criança
Estive doente e me visitaste...
Pastoral da Saúde é a ação
evangelizadora de todo o
povo de Deus comprometido
em promover, preservar, defender, cuidar e celebrar a vida,
tornando presente no mundo
da saúde a ação libertadora de
Cristo. As três linhas de ação
da Pastoral da Saúde são:
Solidária - Vivência e
presença samaritana junto aos
doentes e sofredores nas instituições de saúde, na família e na comunidade.
Comunitária - Visa a promoção e educação para a
saúde no âmbito da saúde pública e do saneamento básico,
atuando na prevenção das doenças.
Político-institucional - Atua junto aos órgãos e instituições públicas e privadas que prestam serviços e formam
profissionais na área de saúde, para que haja reflexão bioética
e de humanização, formação ética e uma política de saúde
plena.
Na Diocese de Santo Ângelo a Pastoral da Saúde iniciou nos
anos de 1969 - 1970, baseados nas orientações da CNBB.
Ir. Erica Rockenbach - Coordenadora da Pastoral da Saúde
Destaque do Mês 11
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Mais de 20 mil na catequese
Na diocese temos,
aproximadamente
20.000 catequizandos
e 1.300 catequistas.
Quando você, cara(o) catequista receber esse jornal já terá
passado o Dia dos Finados, celebrado no
dia 02 de novembro.
Mas na Igreja todo
esse mês possui um
pouco desse clima de
"fim", pois é final do
ano litúrgico e por isso
símbolo de tudo que é
passageiro, também
nossa vida aqui no planeta terra. Por isso certamente é o tempo mais favorável para tratar
na catequese a temática da morte e ressurreição que está em nossos temas geradores.
Como você costuma tratar esses temas?
Qual a metodologia que usa? São assuntos delicados e complexos e muitos gostariam até de
desviar deles. Muitos já me disseram que preferiam deixar esses assuntos para outros tratar
e até chamam o padre ou a coordenadora da
catequese.
Penso, porém que é um bom momento para
cada um de nós buscar subsídios e informações que nos ajudem a nos situar melhor diante dessas realidades e depois passar com mais
Servidores da Igreja,
o exército do Apostolado
Em praticamente todas as
40 paróquias da
Diocese existem
os grupos do
Apostolado da
Oração (AO).
Os membros do
AO costumam se
reunir na primeira sexta-feira do
mês, ou data
mais próxima, para cultivar a espiritualidade do Sagrado
Coração de Jesus através da oração, da participação na
eucaristia, de encontro de formação e do assumir tarefas
pastorais na comunidade.
segurança para os catequizados. Um método
bom para trabalhar isso é partir de textos bíblicos, especialmente do Evangelho ou Cartas de
Paulo.
É cada vez mais urgente clarear bem esses
conceitos de nossa fé, pois vivemos um momento histórico de muita confusão nesse sentido. Confusão entre ressurreição e reencarnação (do espiritismo). Confusão sobre o nosso
destino: céu, purgatório, inferno. Confusão sobre o que é mesmo a vida eterna. E por aí vai.
É bom dar-nos conta de que temos um vasto
campo de reflexão nesta temática!
Pe. Décio José Walker
Assessor Diocesano da Catequese
O QUE É O AO
É um movimento de espiritualidade apostólica. É uma
associação eclesial de fieis, a serviço da Igreja, do Reino
de Deus, dos irmãos. O próprio nome indica qual é o seu
objetivo: oração e apostolado.
ORGANIZAÇÃO DO AO
A força está na base, na organização do AO em cada
Paróquia, com sua coordenação, zeladores e associados
que assumem a vivência do carisma.
O AO também tem sua coordenação Regional, Nacional e Mundial, expressando a unidade. As duas intenções
mensais (geral e missionária) são lembradas no mundo inteiro, com a recomendação do Papa.
Segue na pág 12
Destaque do Mês 12
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Cursilho é uma esperança
para muitos casais
O Movimento
de Cursilho de
Cristandade
iniciou no final
da década de
1940, através
da iniciativa da
Juventude daAção
Católica Espanhola (JACE)
da Diocese de Palma de Maiorca (Ilha
de Maiorca, Espanha), encorajada por
seus assistentes eclesiásticos e por seu
Bispo, Dom Juan Hervás.
No Brasil os Cursilhos iniciaram no ano
de 1962, sendo realizado em Valinhos
(São Paulo). Na Diocese de Santo Ângelo, o Cursilho foi reconhecido por decreto de Dom Estanislau Kreutz, em 17/
12/1975, atuando a 35 anos. No dia 27
de novembro do corrente ano, acontecerá a Ultreia Festiva Anual em Santo
Cristo, onde haverá a comemoração dos
35 anos de atuação na Diocese.
Os Cursilhos são promovidos no Seminário da Sagrada Família em Santo Ângelo. Ocorrem por ano, dois Cursilhos
para adultos (homens e mulheres) e, um
Cursilho para jovens. Fazem parte do
Cursilho em nossa Diocese, 25 Paróquias, conforme relação abaixo:
Alecrim, Auxiliadora Santa Rosa,
Boa Vista do Buricá, Campina das Missões, Cândido Godói, Catedral Santo
Ângelo, Catuípe, Cerro Largo, Cruzeiro, Entre-Ijuís, Eugênio de Castro,
Giruá, Guarani das Missões,
Horizontina, Independência, Sagrada
Família Santo Ângelo, Sagrado Coração de Jesus Santa Rosa, Santo Antônio - Bairro Pippi Santo Ângelo, Santo Antônio das Missões, Santo Cristo,
São Miguel das Missões, São Pedro
do Butiá, Três de Maio, Tucunduva e
Tuparendi.
Coordenação Diocesana do Movimento de Cursilho 2008/2010: Carlos
Alberto Pause.
José Carlos Perini
Juventude em ação
Diante desses desafios apresentados hoje com nossos adolescentes e jovens queremos intensificar
ainda mais nossas ações e colaborar no crescimento desta realidade. Nossa diocese está dando os
primeiros passos. Representantes
dos diferentes grupos e movimentos que trabalham com jovens vêm
se encontrando e dialogando na
possibilidade de conduzir um trabalho mais aproximado da juventude.
Integram o Setor Juventude, representantes do JEM (Juventude
em Movimento), EMAÚS, Movimento de Schoenstatt, Pastoral da
Juventude, Cursilho Jovem, Catequese, Renovação
Carismática Católica, Escolas Católicas, Juventude
Dehoniana, contando com a assessoria dos padres da
diocese.
O principal objetivo do grupo é a integração e
compartilhamento dos diferentes carismas, colocando-
se a serviço da igreja, evangelizando a Juventude.
O grupo, em grande expectativa, prepara um belíssimo
momento de celebração e vigília para a noite que antecede a Romaria de Caaró, recepcionando os romeiros
que vêm em caminhada.
Ir. Maristela - Coor. do Setor Jovem
Cuidar da família é missão da Igreja
Já em 1978 na 3ª Conferência
Geral do Episcopado Latino
Americano, realizado em
Puebla, reconhece o trabalho
realizado em favor das famílias. Mas reconhece que a
Pastoral Familiar precisava
avançar mais. Revela então a
intenção de implantar a Pastoral Familiar em suas dioceses,
como uma Pastoral Orgânica na
América Latina.
Em 1994 a CNBB escolheu a Família como tema da
Campanha da Fraternidade, com o lema "A família como
vai?" lançando uma olhar sobre realidade da família e
percebeu mais claramente que essa entidade social não
estava bem.
Em 1998, no 2º Encontro Mundial do Papa com as
famílias do Brasil, foram traçadas metas mais concretas
para a implantação da PF nas paróquias e a oferecer
subsídios para a formação e informação das famílias.
Qual a missão da Pastoral Familiar?
O trabalho desenvolvido pela PF é amplo e
abrangente, tendo com enfoque principal promover, fortalecer e evangelizar a família. Para
tanto, a PF abrange os setores pré-matrimonial, pós-matrimonial e os casos especiais.
A falta de tempo, o cansaço, as crises econômicas, as desilusões, a busca individualista
de realização pessoal e a competição excessiva
entre os cônjuges coloca em risco as famílias. Essa
situação requer a presença da PF junto aos casais,
no que diz respeito na prevenção, nos momentos de crise par ajudá-los a superar e enfrentar as dificuldades.
A PF também é chamada a dar atenção especial as
diferentes situações de conflito em que a família se encontra, como problemas de vícios, e outras "situações
especiais" no lar, ou irregularidades na união do casal,
tanto do ponto de vista civil como religioso, o afastamento das pessoas da Igreja, a destruição familiar.
Tereza Celeste Scheid - Coordenador da Pastoral Familiar
Geral 13
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Uma semana inteira de caminhada
Trilha dos Santos Mártires das Missões é a mais longa das peregrinações da Romaria ao Caaró
Sérgio Venturini
Valorizar e divulgar
a história das Missões
A Trilha dos Santos Mártires inicia no local
por onde os padres jesuítas ingressaram na
nossa terra (Passo do Padre - Santo Isidro,
São Nicolau) e deram início à evangelização
do índio guarani com a organização das reduções que foram os primeiros povoados no
futuro Rio Grande do Sul. Portanto, aqui nasceu a história de nosso estado vinculado à
coroa espanhola (somente 111 anos depois,
em 1737, os portugueses fundaram a cidade
de Rio Grande, marcando a presença portuguesa na parte meridional do Brasil).
Foi na região missioneira que nasceu a cultura gaúcha, como o chimarrão, herança legítima do guarani, a criação do gado, introduzida
pelos jesuítas em 1634, e em consequência o churrasco, prato típico de
nossa terra. O cavalo também foi
trazido pelos padres da Companhia
de Jesus e se tornou companheiro
inseparável do gaúcho.
Antes de chegar ao seu final, no
Caaró, a Trilha passa pelo sítio arqueológico de São Nicolau, depois
pela cidade de Pirapó, cruza o rio
Ijuí e entra nas terras do município
de Roque Gonzales, passa pela cruz
onde foi abandonado o corpo do mártir João de
Castilhos e chega ao santuário deAssunção do Ijuí.
Dali segue para o Cerro do Inhacurutum, importante
na história da resistência aos padres que foi comandada pelo cacique Nheçu, o qual morava nessa área
e não aceitou o novo modelo de vida e a nova religião trazida de além mar.
Depois de Roque Gonzales, a trilha passa ainda
pelo próspero município de São Pedro do Butiá, onde
se encontra o imponente Monumento Germânico
Missioneiro dedicado a São Pedro Apóstolo e segue para o município de Rolador, passando pelo local onde existiu a Redução de Nossa Senhora da
Candelária. Do município de Rolador, a trilha segue
rumo à cidade de Caibaté em cuja praça central recentemente foi erigido um monumento que homenageia os Santos Mártires das Missões e dali segue até
o Santuário do Caaró.
Valorizar o meio ambiente
A Trilha dos Santos Mártires valoriza o ambiente
natural, sendo que se constitui de estrada de chão
batido e, em alguns lugares, de trilhas no meio de
áreas de matas. Durante o percurso o caminhante
sobe ao Cerro Inhacurutum, que é o ponto topográfico mais alto de toda a região missioneira. Em todas
as paradas nas comunidades para refeições e pernoites, além de se falar da ação evangelizadora
dos jesuítas e da história da região, são feitos comentários sobre a importância de valorizar a natureza como meta para melhorar a qualidade de
vida da população.
Comunidades
caminham juntas
Grupo de romeiros faz palestra
Como e onde acontece a trilha
A Trilha dos Santos Mártires é realizada sempre
na semana que antecede a Romaria do Santuário
Diocesano de Caaró e tem como finalidade promover a fé nos Santos Mártires, desenvolver a
espiritualidade dos que a acompanham, divulgar a
história das Missões e destacar a importância de
manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado
para que todos tenham boa qualidade de vida e vivam em paz.
Pontos importantes da trilha
Passo do Padre (junto à margem do rio Uruguai)
lembra o local de ingresso dos jesuítas no Rio Grande do Sul, liderados por Roque Gonzalez de Santa
Cruz em 1626. Ali nasceu o Rio Grande. Esse vau
do rio Uruguai foi o mais importante porto fluvial de
ligação entre os povos missioneiros das duas margens do Uruguai. Ali foi levantada uma cruz em 2001
com a finalidade de identificar o local por onde ingressaram os jesuítas em nossa terra e sinalizar o início da Trilha dos Santos Mártires que se propõe a
divulgar a História das Missões jesuítico-guaranis.
1. Sítio arqueológico da Redução de São
Nicolau do Piratini (São Nicolau), o primeiro povo
de população permanente no Rio Grande do Sul e
um dos poucos que mantém visível o testemunho da
riqueza dos povos missioneiros.
2. Município de Pirapó, cidade de colonização
alemã, tem seu nome ligado à história das Missões,
pois o Salto do Pirapó (onde o peixe salta) no rio
Ijuí, hoje interditado devido à construção da usina
hidrelétrica Passo São João, foi local importante para os guarani antes da chegada dos europeus. Nessa região ficava a residência do cacique mais afamado dos guarani que, no primeiro momento, aceitou a presença jesuíta e posteriormente, por desentendimentos e
incompreensões de parte a parte, foi o
responsável pelo martírio dos três primeiros mártires missioneiros da Província Jesuítica do Paraguai.
3. Santuário de Assunção do Ijuí,
redução fundada por Roque Gonzalez
em agosto de 1628 e que ficou aos cuidados de João de Castilhos, martirizado no dia 17 de novembro do mesmo
ano. Após o martírio desse sacerdote
jesuíta, as terras na margem direita do
Ijuí foram abandonadas pelos padres da
Companhia de Jesus que concentraram
sua atuação na margem esquerda do Uruguai entre
os rios Ijuí e Piratini.
4. Cerro do Inhacurutum (ponto topográfico mais
alto das Missões), em sua cercania perto do Salto
do Pirapó morava o cacique Nheçu, responsável ideológico pelo martírio dos três Santos Mártires das
Missões.
5. São Pedro do Butiá, cidade de colonização
alemã, situada entre os rios Ijuí e Comandaí. No período das Missões por seu território passavam os
guarani que se deslocavam em busca dos distantes
ervais nativos situados nas atuais áreas de Ijuí e Palmeira das Missões. Na sede do município há pouco
foi construído um dos mais belos monumentos do
Rio Grande do Sul dedicado a São Pedro, localizado
dentro do ParqueTemático Germânico Missioneiro.
6. Redução de Nossa Senhora da Candelária
de Caaçapamini (Rolador), local que os três mártires das missões evangelizaram. Nessa redução, em
fevereiro de 1628, um ano depois de sua fundação,
foram realizados os primeiros batismos de adultos e
crianças: 176 pelo Pe. Roque, 498 pelo Pe. Romero
(cura da redução), 10 pelo Pe.Afonso Rodrigues e
mais 10 pelo Pe. João de Castilhos, somando um
total de 694 índios batizados (Monteiro, 1939:40).
Em 1628 os guarani dessa redução já estavam liberados de prestar serviços aos colonos espanhóis porque já pagavam impostos como cidadãos reconhecidos pelas autoridades da Espanha.
7. Santuário do Caaró, local do assassinato dos
padres Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues, em 15
de novembro de 1628, e de um índio que recebeu
seu batismo de sangue ao se pronunciar em defesa
dos padres e hoje está recebendo a devida atenção
da Igreja Católica e, poderá, brevemente ser mais
um santo da nossa terra, o que seria um fato extraordinário para a Igreja e para nossa já rica e emocionante história.
A Associação Amigos da Trilha dos Santos Mártires das Missões que promove a TRILHA DOS
SANTOS MÁRTIRES é uma entidade civil, sem fins
lucrativos, CNPJ 05.866.899/0001-43, com sede
na rua Padre Anchieta nº 72, Casa da Cultura Nelson Hoffamann, centro da cidade de Roque Gonzales,
RS, CEP 97.970-000. Fone (55) 3365-1000 ou email: [email protected].
Geral 14
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
A vida é uma caminhada
Peregrinar até o Caaró passando pela vida interior de cada um
¹Arnildo L. Rockenbach | ²Adair Adams
SENTIDO DA CAMINHADA
C
abe destacar, desde o início,
que a caminhada a Caaró,
não é turismo, nem religioso
nem com outro adjetivo. A caminhada se caracteriza como peregrinação.
No jornal "Missioneiro", edição 118, de
novembro de 2007, Adair Adams e Fábio Junges escrevem: "A peregrinação
é uma forma de viagem. Sua especificidade está em ser uma viagem especial, peculiar. Uma viagem que integra
o físico, como caminhada, o psíquico
com motivações próprias, a religiosidade com suas crenças. O trajeto percorrido não é apenas a distância entre o fim e o começo dispostos geograficamente. Está
ligado à acontecência da vida, como um caminho, um
trajeto a ser percorrido, implicando a compreensão do
sentido da vida"
Chama atenção o específico da peregrinação que os
caminhantes estão buscando, ou seja: a integração do
físico, do psíquico e do religioso. O ser humano constitui um todo, constitui uma unidade e como tal se realiza
a sua condição de humano. Portanto o caminhante em
peregrinação não é um turista que se diverte, que busca conhecer e satisfazer sua curiosidade. Não é um
religioso abstraído da realidade concreta de sua
corporeidade, mas um ser humano complexo com suas
luzes e sombras, suas contradições, seus altos e baixos
que busca compreender-se, compreender o outro, compreender o mundo e compreender o sentido da vida.
Desta maneira a caminhada a Caaró passa a ter o
sentido de caminhada da vida mesmo, da pessoa em
que todas as dimensões do humano estão presentes e
precisam ser cultivadas. Os autores citados escrevem:
"...as peregrinações e romarias tendem a ser
vivenciadas como um ato religioso de imersão no sagrado..." e "O peregrino e o romeiro é alguém que tem
suas motivações na convicção da vivência da
espiritualidade, e por isso as peregrinações são formas
de fortificar, implementar, contribuir para a planificação e profundidade de sua fé. Sua meta fundamental,
o em vista do que, é a busca do sagrado."
Consta ainda na capa do citado jornal: "Quem caminha em romaria ora com o corpo todo, busca a intimi-
dade de Deus com o coração e os pés,
mais do que apenas com a cabeça". As
romarias são momentos de alegria e de
festa onde o povo expressa sua fé, os
seus sofrimentos, a sua resistência, a sua
ternura, demonstrando sua capacidade
de partilhar a vida, os sonhos e as conquistas.
Dessa interpretação retiramos um profundo sentido para a caminhada: de forma concreta e integrada respondemos
ao chamado de Cristo e nos colocamos
em marcha. Em marcha os pobres de
espírito, isto é: os humilhados do sopro.
Falta sopro quando andamos sufocados,
angustiados, preocupados, com medo,
com ódio e ressentimentos. Então é necessário colocar-se em marcha, sair da estagnação, afastar-se das
situações deprimentes. A dificuldade em respirar, a
pobreza de sopro está ligada à dificuldade de manifestar afeto, de beijar, de compartilhar o sopro, dificuldade em confiar no outro, dificuldade de perdoar e ser
perdoado.
Dessa maneira a caminhada ou a peregrinação passa a ser uma vivência espiritual, uma terapia e um exercício físico, ou seja: uma construção integrada da saúde espiritual, psíquica, mental e física. O caminhante
se torna mais humano e a caminhada, um processo
pedagógico, humanizador. O caminhar se torna uma
experiência física concreta de trilhar a estrada de Jesus que diz: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”
¹ Professor do IMT| ² Professor do IMT
GERAL
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
15
AS DROGAS são sintomas e não causa!
F
requentemente afirma-se que
as drogas estão acabando com
a vida das pessoas, principalmente dos jovens. Pensando dessa forma, as drogas são causa para uma vida
sem qualidade, que não vale a pena ser
vivida, causa de problemas e de tristezas. Na verdade, quem tem uma vida
com qualidade, uma vida feliz, uma família equilibrada, frequência numa igreja... não precisa de drogas.
Somente quem tem uma droga de
vida é que joga sua vida nas drogas,
tentando buscar um alívio. O que encontra é uma forma de fugir, criando
mais problemas. Ou seja, o uso de drogas é sintoma de uma vida ruim e com
problemas. As drogas são buscadas
para solucionar problemas, insatisfações, tristezas, vazios, falta de esperança e sentido para a vida.
Sinais que ajudam a identificar pessoas que têm tendência ou já estão dependentes de drogas ou álcool:
1. A pessoa tem desejo sem controle
de consumir qualquer droga;
2. Ela consome cada vez mais para ter
a mesma sensação de doses pequenas;
3. Tem atitudes descontroladas e alucinações (vê coisas e ouve vozes) quando não tem drogas para consumir;
4. Aumenta o consumo para manter
o controle e esconder a dependência;
5. Todas as coisas que a pessoa faz
durante o dia são para conseguir drogas ou bebidas alcoólicas;
6. Perde os valores e abandona a família, a escola e os amigos;
7. Após algumas paradas de uso a
vontade de usar drogas é mais forte.
A qualidade de vida é uma construção de todos os dias.
Quem é a AVIPAE?
A entidade que já atendeu mais de 2.000 pessoas, chamada AVIPAE - Associação Vida Plena Amor Exigente, é mantenedora de uma rede de Comunidades Terapêuticas, situadas em Santa Rosa, Porto Mauá, Horizontina e Giruá.
A AVIPAE é uma OSCIP - Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público - que tem estatuto próprio, não identificada simplesmente como ONG,
mas uma organização sem fins lucrativos, que busca recursos para financiar e
fazer acontecer o tratamento das pessoas com dependências múltiplas, químicas de drogas e álcool. A AVIPAE tem um papel importante na desintoxicação,
conscientização e ressocialização de pessoas dependentes de drogas de toda
Região Noroeste e Missioneira.
Como internar nas Comunidades Terapêuticas da AVIPAE
Pátio interno da Com. Terapêutica Itajubá - Porto Mauá
O que é preciso fazer e o que trazer:
O paciente precisa fazer exames de
hemograma, hepatite C e HIV. Em casos de problemas de
saúde é encaminhado para um hospital
para tratamento.
Com. Terapêutica Ponte Pratos, Horizontina
Para se internar precisa trazer roupas de uso diário e de trabalho, materiais de higiene, roupas de cama,
toalhas, material para escrever (caderno, caneta e lápis), bíblia e erva-mate.
Qual a duração do tratamento?
Vagas gratuitas para tratamento na Comunidade
Terapêutica Feminina Tupãcy - Santa Rosa
A bela e novíssima estrutura disponibilizada
pela Diocese de Santo
Ângelo, Mosteiro Mãe
de Deus é a sua sede.
Com disponibilidade de
60 leitos, a AVIPAE
conseguiu um feito histórico, de conveniar
com a Secretaria de Estado da Saúde do RS 30
leitos para vagas adulVista parcial pátio interno
tas e 10 para vagas adolescentes dependentes do crack. Essas vagas são gratuitas para as pacientes. Ela
está localizada na Rua Guaíra, 1.100, Bairro Esperança - Santa Rosa.
Com. Terapêutica Rincão Maciel, Giruá
a) podem ser
custeados por Convênio da Secretaria
de Estado da Saúde do Estado para
dependentes de
crack - masculino
adulto e adolescente e feminina adul- Centro de Triagem e Com. Terapêutica Feminina Santa Rosa
ta e adolescente; b) Convênio com Prefeitura - conferir se sua prefeitura tem Convênio com a AVIPAE; particular com custo mensal de 01 (um) salário mínimo.
AVIPAE
Associação Vida Plena Amor Exigente - Santa Rosa/RS
Blog: http://avipae.blogspot.com/
Cada pessoa é única e
responde de forma diferente a um procedimento. A
orientação nas Comunidades Terapêuticas é de permanecer internado nove
meses. Mensalmente a família visita o/a interno/a,
depois do sexto mês, o interno visita a família durante uma semana por mês.
Os custos do tratamento
Tratamento com qualidade é na
Mantenedora das Comunidades Terapêuticas de Itajubá,
Horizontina, Giruá e Santa Rosa.
Tel.: (55) 3512.3810 E-mail: [email protected]
Para internar,
entre em contato com a Secretaria de seu Município ou diretamente com a
AVIPAE - Centro de Triagem,
pelos fones e
endereços eletrônicos abaixo.
Os contatos das Comunidades Terapêuticas e
Centro de Triagem foram alterados. Confira:
8449 2155 - Centro de Triagem Santa Rosa
8449 2156 - Comunidade Terapêutica Masculina Itajubá - Porto Mauá
8449 2157 - Comunidade Terapêutica Masculina Rincão Maciel - Giruá
8449 2158 - Comunidade Terapêutica Masculina Ponte Pratos - Horizontina
8449 2159 - Comunidade Terapêutica Feminina Santa Rosa
8449 2154 - Antoninho
Você, seu grupo eclesial, sua comunidade e paróquia também podem fazer sua parte! Poderíamos tratar mais
pessoas, mas faltam recursos para isso. Faça sua doação, um gesto concreto! Encaminhe qualquer doação
em alimentos, material de higiene e de construção, roupas, forros de cama ou em dinheiro para: Rua Guaíra,
1.100 - Bairro Esperança CEP 98900-000 Santa Rosa/RS. Nossas contas bancárias para você fazer sua
doação: BANRISUL: Agência 0355 conta nº 06.850.160-02; SICREDI: AGÊNCIA 0335 conta nº 34.038-3
em nome da Associação Vida Plena Amor Exigente-Santa Rosa/RS -AVIPAE
Geral
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
16
São Luiz Gonzaga caminha à Caaró há muito tempo
Pe. Eugênio João Hartmann - romeiro
A
caminhada de São Luiz ao Caaró é a primeira que eu conheci e participei nos 10
anos que estive na Paróquia de São Luiz
Gonzaga. A peregrinação já vinha de mais tempo.
Mas nos anos de 1987, e seguintes a caminhada tinha muitos participantes. Era organizado com os jovens. Em 1988 tinha cerca de 200 jovens cruzando a
noite de São Luiz ao Caaró.
A caminhada tinha seu ponto de partida no Instituto
Nossa Senhora Auxiliadora (INSA). As Irmãs e
juvenistas coordenavam uma oração. Todos nós expressávamos em preces o sentido de fé que tinha a
grande procissão. Depois da bênção do padre, as
Irmãs e juvenistas puxavam a frente.
Fora da cidade, onde hoje é o monumento de Jaime Caetano Braun, fazíamos mais uma pequena oração e alertávamos todos a não caminhar em grandes
grupos e a cuidar muito no asfalto (naquele tempo o
número de carros e caminhões era muito menor. Por
isso, representava menos perigo do que hoje).
Com tanta gente e divulgada pelas rádios nós nos
sentíamos com uma responsabilidade muito grande e
assim a coordenação de jovens, padres e irmãs pensamos muito no perigo e responsabilidade da peregrinação. O quartel nos emprestava "sinalizadores"
que refletiam à luz dos carros, e alguém sempre ia a
frente de todos os romeiros. Tínhamos também junto
conosco pessoas que de carro nos acompanhavam,
levando frutas, água e os cansados. No meu tempo,
nos acompanhavam o Lúcio e o Valdemar. Os padres que se revezavam na Paróquia naqueles primeiros anos davam apoio e participavam da oração ini-
Momento de celebração em Caaró
cial e trechos da caminhada.
Ao longo do trajeto conversávamos, rezávamos o
terço, contávamos histórias e estórias e nos tornávamos sempre mais unidos e amigos. Por 2 anos um
grupo de romeiros de Bossoroca, juntamente com o
Pe. João Nelson Loro, caminhavam conosco.
Uns caminhavam mais depressa e chegavam primeiro. Os últimos vinham exaustos. Todos iam primeiro lavar-se na fonte do Caaró e o cansaço passava. Depois deitavam-se nos bancos da Igreja, e embaixo das árvores. Ninguém escapava dos mosquitos.
Quando iniciava a via-sacra e a celebração
eucarística, todos já estavam refeitos.
Era nos bons tempos da Pastoral da Juventude.
Muitos destes jovens que caminhavam e organizavam a caminhada estão hoje liderando em muitas frentes: na Igreja, nos Sindicatos e na Política.
Esta caminhada teve altos e baixos até hoje. Mas
continua... O bom é que a partir desta surgiram várias outras: Caibaté, Santo Ângelo, Santa Rosa e a
trilha dos Santos Mártires que parte do Passo do
Padre de São Nicolau a Caaró e faz o trajeto em 1
semana , com encontros, palestras e celebrações pelas
comunidades por onde passa.
Geral 17
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
A CEB’s é uma Romaria das Comunidades
Uma forma de viver a Igreja em comunidade
A
s Comunidades Eclesiais de Base - CEBs da Diocese de Santo
Ângelo, realizaram seu primeiro encontro em 1983, e vem realizando todos os anos um encontro, como também participando
dos encontros estaduais e nacionais quando acontecem.
Atualmente a coordenação diocesana é composta por: Neidi Paula Heck
(coordenadora); Pe. João Nelson Loro (Vice-coordenador); Rafael
Backes (representante no regional); Pe. Aloísio Ruedell (secretário);
Fernando Nonnemacher (representante das pastorais); Pe. Eugênio
Hartmann (assessor); Pe. Roque Zaro e Pe. Alcido Kaiser (representantes da paróquia acolhedora do encontro).
Carta do 27º Encontro Diocesano de Comunidades Eclesiais de Base - CEB’s
P
essoas simples, fazendo coisas pequenas, em
lugares não importantes, conseguem mudanças extraordinárias. (Provérbio africano).
Nós, 200 participantes e organizadores do 27º
Encontro Diocesano de CEB’s, com a presença do
bispo diocesano e diversos padres e religiosos (as),
reunidos na Paróquia Sagrado Coração de Jesus,
em Santa Rosa, nos dias 9 e 10 de outubro de 2010,
refletindo sobre o tema CEB’s acolhendo a família
em sua diversidade, à luz do lema Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã
e minha mãe, saudamos fraternalmente a
todas as comunidades e paróquias da
Diocese de Santo Ângelo.
O encontro foi um momento importante
da caminhada das comunidades de base
de nossa diocese e um espaço de acolhida e de discussão de preocupações e de
vivências de nossas famílias. Foi uma bela
experiência e um cultivo da acolhida, desde a recepção inicial, e com destaque à
hospedagem nas casas e às celebrações,
preparando-nos para a tarefa que resultaria do encontro.
Partindo das sínteses das Paróquias, percebemos
a angústia das comunidades diante das atuais mudanças e transformações das famílias. Inspirados na
Bíblia e com a ajuda de bons assessores, tomamos
consciência dos preconceitos e de uma visão pessimista, que dificultam e amarguram a nossa vida. A
Palavra de Deus, interpretada e celebrada, nos acordou para um olhar diferente, mais positivo e
propositivo. Ajudou-nos a compreender o quanto
é verdadeiro o ditado de que "Deus escreve certo
por linhas tortas." Toda a história bíblica está cheia de
fatos que mostram as diferentes formas de família e
como Deus se fez presente precisamente aí, onde,
para a sociedade, se foge dos padrões estabelecidos.
Ao longo da história, percebemos as mudanças estruturais da família, sem que isso signifique o abandono dos valores da vida cristã, como respeito, amor,
dignidade, diálogo, compreensão, perdão, entendimento, que são fundamentais para um bom relacio-
Detalhes do encontro em Santa Rosa
namento e para a constituição do indivíduo humano.
Não podemos ignorar problemas ou dificuldades reais que as famílias enfrentam, conduzindo, muitas
vezes, à separação e, por vezes, à frustração de pais
e filhos, ou ao isolamento de seus membros. É, entretanto, uma realidade que também traz consigo um
ganho importante para a dignidade e o respeito das
mulheres e dos filhos, no convívio familiar e na sociedade. Numa sociedade democrática, onde se busca direitos e participação igualitários, não se sustenta mais uma família autoritária. O conflito, muitas vezes, pode ser o caminho para rever conceitos estabelecidos e trazer perspectivas de transformação,
melhorando a convivência nas mais diversas formas
de família e favorecendo uma melhor formação do
ser humano.
Mais uma vez aprendemos de Jesus, que é preciso
amar e não julgar, mas ir ao encontro, acolher e compreender, cada qual na sua diversidade. Provocados
pelos atuais desafios da família, iluminados pela Pa-
lavra de Deus e orientados pelas práticas
de Jesus Cristo, convidamos a todas as comunidades cristãs da Diocese a assumirem
conosco os seguintes compromissos:
- Fazer nossa a máxima de Jesus de "não
julgar, mas acolher e compreender as pessoas";
- Colocar em prática a ideia de que não
há família ideal: todas têm suas limitações;
- Organizar grupos de apoio à construção e à permanência da família cristã;
- O tema da família e sua atual diversidade sejam
assumidos nas reflexões da catequese;
- Rever a preparação dos sacramentos, com destaque especial ao matrimônio;
- Assumir os Grupos Eclesiais como espaço de reflexão e de inclusão de todas as famílias;
- Que todas as paróquias façam um trabalho de
reflexão e inclusão comunitária e social de todas as
famílias;
- Que a pastoral da família esclareça, junto às comunidades, a questão da nulidade de casamentos.
Que acolhamos como nossas essas propostas, para
que o Deus da Vida, que vem a nós a partir dos
marginalizados e excluídos, nos ilumine e fortaleça
num grande mutirão de inclusão das famílias. Que a
todos(as) valha a intercessão dos Mártires das Missões e da Sagrada Família de Nazaré, e tenham sempre a bênção de Deus Pai e Mãe!
Compromisso
com o cliente
Em Santa Rosa
Rua Júlio Leopoldo Rauber, 162
Rua Dr. João Dahne, 488
Fone/Fax:
(55) 3512-6555
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Av. Borges de Medeiros, 1179
Santa Rosa/RS
Geral 18
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Brasil tem novo Cardeal
O papa Bento XVI anunciou,
no dia 20, a nomeação de 24
novos cardeais entre os quais o
brasileiro dom Raymundo
Damasceno Assis, arcebispo de
Aparecida (SP) e presidente do
Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Com sua nomeação, o Brasil passa a ter nove
cardeais, dos quais seis são
eméritos.
Dos 24 novos cardeais, 20 têm
menos de 80 anos e são eleitores. O Consistório de criação
dos novos cardeais será no dia
Dom Raymundo
20 de novembro. Este será o terDamasceno
ceiro Consistório do pontificado
de Bento XVI e os cardeais chegarão a um total de 203, dos quais 121 eleitores.
Dom Damasceno, que participa em Roma do Sínodo
para os bispos do Oriente Médio, tem 73 anos e foi
secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB) por dois
mandados (1995 a 1998 e
1999 a 2003).
Mineiro de Capela Nova, o
novo cardeal foi ordenado padre no dia 19 de março de
1968 para a arquidiocese de
Brasília (DF). Nomeado bispo auxiliar de Brasília em
1986, recebeu a ordenação
episcopal no dia 15 de setembro do mesmo ano e adotou
como lema "Na alegria do Senhor". Em janeiro de 2004, foi
transferido para a arquidiocese
de Aparecida.
Com pós-graduação em Filosofia da Ciência pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), dom
Damasceno fez a filosofia no Seminário Maior de
Mariana (MG) e teologia na Pontifícia Universidade
Gregoriana, em Roma.
Atividades de dom Damasceno como bispo:
BispoAuxiliar de Brasília-DF (1986-2004); Vigário-Geral e Vigário Episcopal na Arquidiocese de
Brasília-DF; Professor do Departamento de Filosofia da UnB (1976-1991); Secretário-Geral do
CELAM (1991-1995); Secretário-Geral da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (Sto.
Domingo); Secretário-Geral da CNBB (1995-1998)
e (1999-2003); Delegado ao Sínodo Especial para a
África, Sínodo sobre a vida religiosa, como convidado; Delegado à Assembleia Especial do Sínodo dos
Bispos para aAmérica por eleição da Assembleia da
CNBB e confirmado pelo Papa João Paulo II (1997);
Membro do Pontifício Conselho para as Comunicações; Membro do Departamento de Comunicação
do CELAM; Membro da Comissão para a Comunicação, Educação e Cultura da CNBB (2003-2007);
Delegado do CELAM (2007); Presidente do
CELAM; Membro da Pontifícia Comissão para a
América Latina-CAL (2009); Sínodo para a África
(2009).
Diocese se prepara para ordenar mais um padre
História de uma caminhada!
O jovem Rafael José Backes, que recentemente
foi ordenado Diácono na Catedral Angelopolitana,
será ordenado sacerdote no próximo dia 10 de dezembro. Ele conta um pouco da sua história de vida,
de caminhada no processo de formação.
"Nasci dia 29 de novembro de 1984, fui batizado
um mês depois na comunidade Santa Lúcia e residi
com meus pais até os 14 anos na Linha Doze Norte, município de Cândido Godói. Neste tempo, fui
educado na fé cristã em casa, na catequese, presente na comunidade, ajudei na liturgia e na
catequese. Em 1990 ingressei na Escola Municipal
de Ensino Fundamental Santa Lúcia na minha comunidade, cursei desde a pré-escola até a 5ª série.
Em 1996 fui estudar no Instituto Cristo Redentor
da cidade fazendo da 6ª a 8ª séries.
Em 1999 iniciei minha vida de seminarista ao ingressar no Seminário São José, em Cerro Largo,
cursando o magistério no Instituto Nossa Senhora
da Anunciação das Irmãs Filhas do Amor Divino.
Em 2002 comecei a cursar o Curso de Filosofia na
Unijuí em Santa Rosa, e residir no Seminário Pe.
Adolfo Gallas em Santo Cristo.
Me formei em 2005 e logo no
ano seguinte iniciei o Curso de
Teologia no Instituto Missioneiro
de Teologia que está vinculado
à URI, residindo no Teologado
Mártires das Missões, cursei o
1º ano. Em 2007 foi convidado
a ser assistente de formação no
Seminário São José, que aceitei com muito carinho, desempenhando esta função por todo
o ano. Em 2008 voltei a cursar
teologia me formando neste final de ano. Em maio de 2009
iniciei também o Curso de Pós
Graduação em Metodologia
Pastoral pelo IMT. E neste ano
Rafael José Backes
de 2010 assumi, por convite do
Pároco da Catedral, a coordenação da Catequese
desta paróquia. Fui ordenado Diácono em 1° de
agosto na Catedral Angelopolitana.
Esta é um pouco da história
da caminhada da minha vida,
trajetória construída até hoje
com o apoio de amigos e amigas, da comunidade de origem
e de pessoas que fui conhecendo ao longo deste percurso.
Sempre busquei força e amparo no contato com as comunidades e grupos onde trabalhei
e fui discernindo ao longo desta
caminhada a assumir o compromisso de me dedicar no serviço
a esta Igreja de Santo Ângelo
como padre, a exemplo de Jesus Cristo nosso mestre e guia.
ORDENAÇÃO - E dessa forma,
convido todos vocês leitores a
participarem da celebração eucarística de minha ordenação presbiteral, dia 10 de dezembro, às
19h30mim, na Igreja Matriz de Cândido Godói.
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Variedades 19
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Voz educada, saúde cuidada
Higiene Vocal
- Mantenha uma alimentação saudável e regular. Evite achocolatados e derivados do leite, principalmente
quando for utilizar a voz
como instrumento de trabalho, pois estes aumentam a
secreção do trato vocal;
- Evite café, bebidas gasosas e cigarro. Eles irritam
a laringe. Além disso, o cigarro aumenta consideravelmente a chance de câncer
de laringe e pulmão;
- Coma uma maçã - ela é adstringente, ou seja,
limpa o trato vocal e sua mastigação exercita a musculatura responsável pela articulação das palavras.
- Na hora de acordar e levantar da cama espreguice e faça alongamentos para relaxar;
- Durante o banho, deixe a água quente cair nos
ombros, fazendo movimentos de rotação com a
cabeça e ombros. Isso ajuda a diminuir a tensão
do dia-a-dia;
- Enquanto estiver falando, mantenha a postura
do corpo sempre reta, no eixo, porém relaxada,
principalmente a cabeça;
- Utilize alguns horários do seu dia para descansar e relaxar, tentando poupar a sua voz;
Quando você estiver com uma rouquidão por
mais de 15 dias, procure um otorrinolaringologista
e/ou um profissional em fonoaudilogia.
Hábitos Prejudiciais
- Evite gritar ou falar com muita intensidade: sempre que possível procure se aproximar da pessoa
para conversar. Quando estiver escutando música
ou assistindo TV, abaixe o volume, evite competição sonora;
- Pigarrear - essa ação provoca um forte atrito
nas pregas vocais, irritando-as;
- O fumo é altamente nocivo, pois a fumaça quente
agride o sistema respiratório e principalmente as
pregas vocais, podendo causar desde irritação, pigarro, edema, infecção. É considerado um dos prin-
cipais fatores desencadeantes
do câncer de laringe;
- O consumo de álcool em excesso também é prejudicial para
as pregas vocais e tem efeito
analgésico propiciando abusos
vocais;
- Chupar balas ou pastilhas
fortes quando estiver com a garganta irritada. Isso mascara o
sintoma e a pessoa tende a forçar a voz sem perceber. Quando o efeito da bala passa, a
irritação na garganta aumenta;
- Ar condicionado - prejudica a mucosa das pregas vocais, pois o resfriamento
é realizado através da redução da umidade do ar
com consequente ressecamento do trato vocal, o
que leva a pessoa a produzir a voz com maior esforço e tensão;
- Evite a fala durante os exercícios físicos: qualquer exercício de esforço muscular junto com a fala
irá provocar sobrecarga na musculatura da laringe;
- Evite cantar de maneira inadequada ou abusiva
em videokês ou fazer parte de corais sem preparo
vocal;
- Evite pastilhas refrescantes antes de cantar/falar. Estas geralmente têm efeito "anestésico" e você
pode cometer abuso vocal sem se dar conta;
- Evite falar em demasia em quadros gripais ou
em crises alérgicas, pois o tecido que reveste a laringe está inchado e o atrito das pregas vocais durante a fala passa a ser de forte agressão;
- Ingerir líquidos em temperaturas extremas, ou
seja, muito gelado ou muito quente; alimentos e bebidas geladas também causam choque térmico, provocando muco e edema nas pregas vocais;
- Evite usar roupas apertadas na altura do pescoço e na cintura, pois irá dificultar a livre movimentação
da laringe e também a movimentação do diafragma;
A prevenção vocal só depende da conscientização
de cada pessoa, pois voz é um sinal de saúde e devemos tratá-la adequadamente.
Texto elaborado pela Fonoaudióloga
Ângela Guimarães Coelho (CRFa-RS 6243)
Dicas Diversas
C U L I N Á R I A
Brigadeirão Fácil
Ingredientes:
03 ovos
01 colher de sopa de margarina
01 lata de leite condensado
01 lata medida de leite de vaca
01 xícara de chocolate em pó
Chocolate granulado para enfeitar.
Açúcar e margarina para untar a forma.
Modo de preparo - Bata todos os ingredientes
no
liquidificador.
Unte uma forma de pudim
com a margarina e polvilhe
o açúcar nela
toda. Despeje a massa e leve ao forno em
banho-maria por aproximadamente 30 minutos ou até enfiar um garfo e ele sair limpo. Retire do forno, deixe esfriar e bote na
geladeira. Retire da forma gelado. Enfeite
com o chocolate granulado.
Panqueca light de
queijo Minas
Ingredientes:
Massa
01 colher (sobremesa) de azeite de oliva
02 xícaras (chá) de leite desnatado
01 xícara (chá) farinha de trigo
03 ovos e sal
Recheio
400g queijo Minas light
1/2 lata de molho de tomate
Banho-maria: para que a temperatura fique mais elevada, coloque na água um pouco de bicarbonato de sódio;
Para que o suflê não murche, certifique-se que o forno está bem quente antes de colocar o preparado e não
abra o forno antes de estar pronto;
Nunca comece a fazer um prato sem, antes, ler a
receita até o fim. Siga as instruções à risca, sem esquecer o tempo estipulado para o preparo;
Os legumes devem ser cozidos, de preferência com
casca para conservarem suas vitaminas.
Onde você
sempre compra
melhor!
Av. Helmuto Simm, 49 - Horizontina/RS Matriz: 55.3537.1688 Filial: (55) 3537.6540
Modo de Preparo:
Massa: bata os ovos com o leite, a farinha
de trigo e o sal no liquidificador. Esquente o
azeite de oliva em uma frigideira rasa. Adicione uma porção da massa aproximadamente 05 (colheres de sopa) para fritar. Com
uma escumadeira, vire a massa, para dourar dos dois lados. Reserve as panquecas.
Recheio: corte o queijo Minas light em fatias grossas. Recheie cada panqueca com
01 colher (sopa) de molho de tomate e uma
fatia de queijo e enrole-as. Coloque em um
refratário e cubra com o molho de tomate.
Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 20
minutos, para derreter o queijo. Sirva em
seguida.
SANTA ROSA, NOVEMBRO DE 2010
Novo Serviço prestado pelo
Hospital São José, de Giruá:
REABILITAÇÃO VISUAL
O
novo Serviço de Reabilitação Visual habilitado pela
Portaria nº 439 do dia 13 de
Setembro de 2010, Publicado no Diário Oficial da União, no dia 14 de Setembro de 2010, será destinado aos
usuários do Sistema Único de Saúde,
o qual irá fornecer condições técnicas,
instalações físicas, equipamentos e recursos humanos adequados ao diagnóstico e habilitação/reabilitação das
pessoas com deficiência visual de forma articulada e integrada com o sistema local e regional de atenção à saúde. O Hospital São José se prepara
para dar início ao mais novo projeto
credenciado pelo Ministério da
Saúde, "A Reabilitação em Baixa Visão" a fim de complementar um serviço de referência regional em reabilitação física onde
o Hospital São José vem se tornando um marco nos serviços
prestados em reabilitação no interior do Rio Grande do Sul .
O CENTRO DE REABILITAÇÃO EM BAIXA VISÃO E CEGUEIRA contará com um programa de
reabilitação integral onde, depois de diagnosticar as necessidades e particu-
laridade de cada paciente, terá responsabilidade de traçar estratégias seguras e eficazes de intervenção, através
de técnicas de deslocamentos, adaptação de recursos ópticos e não
ópticos, estimulação para o desenvolvimento global de crianças e adultos,
possibilitando uma vida mais independente. A expectativa é que o Centro
de Reabilitação Visual crie um novo
patamar de assistência à saúde visual
no Estado, o que certamente dará impulso ao desenvolvimento de novas
tecnologias e produtos aplicados a outros setores, além do terapêutico. O
Centro terá a capacidade inicial de
atender 120 pacientes/mês com uma
equipe técnica multiprofissional com 1
médico oftalmologista, 1Assistente So-
Manutenção,
Peças e Assistência
Técnica de Máquinas
Rodoviárias
Fone: 55 3361-1200/1007 Fax: 55 3361-1479
cial, 1 Psicóloga, 1 Reabilitador, 1
Terapeuta Ocupacional, 1 Técnico em
Orientação e Mobilidade.
Referenciado para 13 Coordenadorias Regionais de Saúde o Hospital São
José estende seu serviço
para mais de 250 mil habitantes do interior do Rio
Grande do Sul. Apenas dois
Hospitais estão habilitados para
iniciar os atendimentos, o Banco
de Olhos de Porto Alegre, hospital pertencente a REDE
VERZERI Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Jesus e o Hospital São José de
Giruá pertencente a mesma rede,
estarão disponibilizando pelo Sistema Único de Saúde todo o suporte
para a reabilitação Visual e Cegueira.
Os pacientes deverão ser encaminhados pelas suas respectivas Secretarias
Municipais de Saúde com laudo médico de oftalmologista solicitando o ingresso na rede de referência e contra referência Estadual.
Avenida Presidente
Vargas, 867
Tel.: (55) 3361.1200
E-mail:[email protected]
Quem honra o passado, merece viver o presente e projetar um futuro promissor...
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Confira na pág. 18 - Diocese de Santo Ângelo