financeiro
financeiro
arevistadocrédito
edição
81
jul
Saúde financeira
EM ENTREVISTA EXCLUSIVA, ANTONIO GUSTAVO
RODRIGUES, PRESIDENTE DO CONSELHO DE CONTROLE
DE ATIVIDADES FINANCEIRAS (COAF) ABORDA A
IMPORTÂNCIA DA PARCERIA ENTRE BANCO CENTRAL,
COAF E AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO COMBATE
À LAVAGEM DE DINHEIRO
julho 2013 edição 81
4º SEMINÁRIO JURÍDICO ACREFI DEBATE A REFORMA JUDICIÁRIA
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conteúdofinanceiro
44
8
Páginas Azuis
16
52
44
Na entrevista do mês, Antonio Gustavo Rodrigues,
Cultura
40
Sofisticação e tecnologia acústica dão o tom da
presidente do Coaf, fala sobre a importância das
Sala São Paulo
instituições financeiras no combate à lavagem de
dinheiro
16
Negócios & Lazer
52
Panorama Cetip
Financiamento de veículos cresce 23% nos
cinco primeiros meses do ano
O hotel Tivoli personaliza atendimento de olho na
Copa 2014
22
4º Seminário Jurídico Acrefi
Evento discute os avanços do Judiciário brasileiro
30
Poupança
Brasileiro aposta na mais tradicional modalidade de
investimento do País
36
40
Economia
artigos
15 Carlos Henrique de Almeida Serasa Experian
20 José Ricardo Alves Bancarização
Paulo Rabello de Castro, presidente da RC
28 Hélio Zylberstajn Questão Jurídica
Consultores, apresenta perspectivas da economia
34 Gustavo Pecly Educação
brasileira
43 Joaquim Kavakama Cessão de Crédito
Entrevista Cobrança
48 Nicola Tingas Macroeconomia
50 Aquiles Leonardo Diniz Ensino
Egberto Blanco, diretor presidente do Instituto Geoc,
55 Luiz Carlos Mello Mercado de Veículos
fala sobre os desafios do mercado
56 Alberto Borges Matias Análise e Perspectivas
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expediente
financeiro
ISSN 1809-8843
Publicação da Acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento
Rua Líbero Badaró, 425 – 28o andar – São Paulo – SP
Tel: (11) 3107–7177 Fax: (11) 3106–6082 – www.acrefi.org.br
Presidente
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Vice-Presidentes
Aquiles Diniz, Bartholomeu Ribeiro, Carlos Alberto Samogin, Cláudio Messias Ferro,
Décio Carbonari de Almeida, Élcio Azevedo, Elias de Souza, Felicitas Renner, Luis Félix Cardamone
Secretário
Sérgio Cipovicci
Tesoureiro
Alexandre Teixeira
Diretores Regionais
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Luiz Carlos do Nascimento, Paulo Dalla Nora, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Pedro da Costa Carvalho e Sebastião Cunha
Diretores-Executivos
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Montadoras
Edson Froes, Edson Ueda, Eduardo Varella, Felipe César Rodrigues Ferreira,
Gunnar Murilo, Joelcyr Carmello e Nelson Aguiar
Diretores Conselheiros
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Conselho Consultivo
Alkindar de Toledo Ramos, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos);
Décio Carbonari de Almeida, Flávio Antonio Meneghetti, Ilídio Gonçalves dos Santos, Júlio Avelar,
Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros)
Conselho Fiscal
Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos)
Geraldo Lima Wandalsen e Marcus André de Oliveira (suplentes)
Diretor Superintendente
Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho)
Controller
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Assessoria Contábil
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Publisher
Roberto Meir
REDAÇÃO
Editora
Gisele Donato
Editora-assistente
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Repórteres
Erica Martin, Isabella Villalba e Melissa Lulio
Fotografia
Douglas Luccena
Arte
Projeto Artma Design Gráfico
designers Érika Bernal e Flávio Pavan
Revisora Dora Wild
Publicidade
Diretora Comercial – Fabiana Zuanon – [email protected]
Gerente Comercial – Marco Góes – [email protected]
Gerente de Negócios – Adriana Próspero – [email protected]
Impressão – Editora Gráficos Burti Ltda.
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editorial
A
grande maioria das pessoas ficou atônita com as manifestações
de protesto que ganharam as ruas em junho. O movimento teve tantas adesões em tão pouco
tempo que deixou a maioria do País surpresa. Não temos a cultura de ir às ruas em massa para
reivindicar, por maiores que sejam as razões que justifiquem ações desse tipo, e não víamos
tanta gente na rua gritando slogans e pedindo mudanças desde o “Fora Collor”, há 20 anos.
A recente onda de manifestações tinha motivos para surpreender. Ao contrário do que aconteceu nos protestos de 1968, que pediam o fim da ditadura, de 1984, cujo mote era a volta das
eleições presidenciais, e de 1992, pró impeachment de Fernando Collor, desta vez a pauta era
difusa: começou com a reivindicação de redução do preço da tarifa de ônibus – afinal vitoriosa –
e acabou por abranger uma interminável lista de temas, que vão desde críticas aos gastos para
realização da Copa do Mundo até ataques agressivos aos governos (a todos os governos, diga-se). Não foram manifestações apenas de estudantes, nem de partidos, nem de candidatos,
nem de sindicatos. Foi um movimento da população.
Feitas essas considerações, deve-se dizer que não havia tanto motivo para surpresa. Quem
tem um olhar minimamente atento para a realidade brasileira sentia há tempos que a insatisfação vinha tomando conta da sociedade. Não era possível mesmo suportar a quantidade de
Foto: Flávio Roberto Guarnieri
A voz do povo é a voz de Deus
desmandos que se acumula há anos no Brasil. O estopim é a ameaça de inflação, mas há muito
mais. Ninguém mais aguenta a carga tributária, o descaso com saúde e educação (para ficar
em dois exemplos), os desmandos de variados governos, a corrupção disseminada.
Situações como essa podem até demorar a explodir, mas são insustentáveis. Todos nós nos
sentimos indignados faz muito tempo, e com toda a razão. A consequência dessa indignação
foi a explosão de ressentimentos que se exteriorizou nas manifestações de junho. Foi como um
rastilho de pólvora aceso que chegou finalmente ao barril.
O resultado, como seria de se esperar, foi o triste espetáculo proporcionado pelos governos,
que sem saber como responder a tamanha intensidade de protestos e cientes de que era impossível tapar o sol com a peneira, ficaram sem ação. Depois de arrombada a porta, tentaram
providenciar uma fechadura. Mas era tarde demais.
Que impacto toda essa movimentação terá no futuro próximo do País? É difícil responder.
Sabe-se apenas que o Brasil mudou e vai continuar mudando depois das manifestações. Não
adianta alimentar ilusões de que tudo vai melhorar rapidamente, mas existe a certeza de que
as coisas não ficarão mais como estavam, até porque a sociedade deixou mais do que claro que
não vai aceitar uma volta ao triste cenário anterior. Dentre os vários cartazes que marcaram as
passeatas, dois resumiram o estado de espírito dos brasileiros: “Queremos um Brasil melhor.
Nada mais” e “Não é por centavos. É por direitos”. Mais explícito que isso é
impossível. O recado está dado. Chegou a hora de agir e mudar, até porque a
alternativa é o caos. E isso ninguém quer.
Érico Sodré Quirino Ferreira
Presidente da Acrefi
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nossasassociadas
ACFI – Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A.
BMW Financeira S.A. CFI
Agiplan Financeira S.A. CFI
BV Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco A.J. Renner S.A.
Caixa Econômica Federal
Banco Bonsucesso S.A.
Caruana S.A. – Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Bradesco Financiamentos S.A.
Cetelem Brasil S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco do Brasil S.A.
Credi Capixaba S.A . – Soc. Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Cacique S.A.
Credifibra S.A. CFI
Banco Carrefour S.A.
Dacasa Financeira S.A. – Socied. de Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Cifra S.A.
Finamax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Citibank S.A.
Financeira Alfa S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos
Banco Citicard S.A.
Financeira BRB
Banco Daycoval S.A.
Herval Financeira S.A. CFI
Banco De Lage Landen Financial Services Brasil S.A.
HSBC Bank Brasil S.A. Banco Múltiplo
Banco Ficsa S.A.
Kredilig S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Fidis S.A.
Lecca – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.
Banco Gerador S.A.
Mercantil do Brasil Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos
Banco GMAC S.A.
Midway S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Honda S.A.
Múltipla CFI S.A.
Banco Intermedium S.A.
Negresco S.A. – Crédito, Financiamento e Investimentos
Banco Itaú S.A.
Omni S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Itaucard S.A.
Parati Crédito, Financiamento e Investimento S.A.
Banco Panamericano S.A.
Pernambucanas Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco PSA Finance Brasil S.A.
Portocred S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Rodobens S.A.
Portoseg S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Safra S.A.
Santana S.A – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Santander Brasil S.A.
Sax S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Semear S.A.
Socinal S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Toyota do Brasil S.A.
Sorocred – Crédito, Financiamento e Investimento S.A.
Banco Volkswagen S.A.
Sul Financeira S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banco Yamaha Motor do Brasil S.A.
Todescredi S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento
Banif Banco Internacional do Funchal (Brasil) S.A.
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entrevistadomês
Inteligência
financeira
Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Conselho
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em
entrevista exclusiva, aborda o papel das instituições
no combate à lavagem de dinheiro
Por Gisele Donato
Por meio de um sistema organizado de informações é possível
encontrar rastros da lavagem de dinheiro. Nesse
cenário, as próprias instituições financeiras devem conhecer seus clientes e acompanhar suas movimentações financeiras, informando ao Coaf eventuais suspeitas. Cabe ao
Banco Central verificar se as instituições financeiras estão
cumprindo seu papel. Por sua vez, o Coaf supervisiona e
fornece informações sobre a qualidade das comunicações
recebidas e outras estatísticas para a melhoria contínua do
sistema de prevenção.
Para Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Coaf,
o valor da lavagem é imensurável. “Trabalhos internacionais indicam que esse crime representa de 0,5% a 1,5% do
PIB mundial, mas é uma estimativa, não uma medida. Certamente é muito dinheiro.”
Advogado de carreira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Rodrigues trabalhou no Banco Mundial e, em 1995, assumiu o cargo de
secretário adjunto de assuntos internacionais do Ministério
do Planejamento. Em 2000, ocupou o mesmo cargo no Ministério da Fazenda. Desde 2004, preside o Coaf, órgão criado em 1998 que tipificou o crime de lavagem de dinheiro.
“O sistema financeiro é o principal alvo dos lavadores
de dinheiro e, felizmente, também o setor mais consciente
e preparado para ajudar a dar a resposta que a sociedade
brasileira quer”, enfatiza Rodrigues. Confira entrevista exclusiva com o presidente do Coaf.
Revista Financeiro – Quais os principais desafios do Coaf no controle das atividades financeiras?
Antonio Gustavo Rodrigues – Existem
desafios de diversas naturezas. Do ponto de vista administrativo, a ampliação do seu reduzido quadro de
servidores é um desafio que tem sido permanente
nos últimos anos e afeta diretamente sua capacidade
operacional. No campo operacional, por sua vez, os
desafios se dão tanto nas atividades de supervisão
quanto nas de inteligência financeira. É necessário
consolidar a capacidade de supervisão dos setores
regulados pelo Coaf, normalmente dispersos e sem
o costume de serem regulados, com especial ênfase na qualidade das comunicações. Na inteligência
financeira, o crescente volume de troca de informações exige um constante aperfeiçoamento das
técnicas e ferramentas de análise de dados. O Coaf
também é muito demandado para ajudar a semear
e cultivar a cultura da prevenção. Cada novo setor,
regulado ou não pelo Coaf, requer um grande esforço para que seus participantes entendam o que
se espera deles. Não se trata de substituir o Estado
na persecução de criminosos ou de delatar clientes,
mas sim que pessoas de bem se comportem como
tal e não fechem os olhos quando perceberem que
alguém pode estar tentando usar da sua boa-fé para
fins ilegítimos.
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Fotos: Douglas Luccena
Financeiro – O que
uma instituição financeira deve fazer para se
precaver contra o crime de
lavagem de dinheiro?
Rodrigues – Sabendo
que a imunidade contra lavagem de dinheiro é uma utopia,
qualquer esforço que não seja
genuinamente motivado pelo
real interesse em se precaver
não funcionará efetivamente.
‘‘
‘‘
Financeiro – Quais as principais ações do Coaf
para fiscalizar a origem dos recursos que passam pelas
instituições financeiras?
Rodrigues – São as próprias instituições financeiras que devem conhecer seus clientes e acompanhar
suas movimentações financeiras, informando ao Coaf
eventuais suspeitas. Quem supervisiona as instituições
financeiras para verificar se estão cumprindo seu papel
é o Banco Central. O Coaf colabora nesse trabalho de
supervisão fornecendo informações sobre a qualidade
das comunicações recebidas e outras estatísticas que
consideramos de fundamental importância para a
melhoria contínua do sistema de prevenção. O
trabalho de inteligência financeira do conselho
é complementar ao das instituições financeiras e demais empresas obrigadas. Com uma
diferente perspectiva, ele agrega e sistematiza
essas diversas contribuições, juntamente com
informações de outras bases de dados, e produz relatórios que são enviados às autoridades
competentes para investigação. São
essas autoridades que, em última análise, confirmarão a
origem dos recursos e
se existe ou não crime.
Nosso trabalho, portanto, é o de alertar que
algo pode estar ocorrendo e merece ser verificado.
O Brasil tem evoluído bem
no que se refere à prevenção à
lavagem de dinheiro, especialmente
na área financeira. Mas tem
deficiências importantes
Depois, as normas e orientações do Banco Central do
Brasil indicam o caminho. Certamente, treinamento e
sistemas adequados são ferramentas importantes. No
entanto, se não existir vontade real de fazer benfeito, outras demandas podem prevalecer, pondo tudo a perder
no longo prazo. O trabalho de Prevenção à Lavagem
de Dinheiro (PLD) de forma alguma é antagônico aos
objetivos de lucro, rentabilidade ou resultados das instituições financeiras. Esses, por sua vez, também não
devem ser antagônicos ao trabalho de PLD. Os sistemas de PLD e Combate ao Financiamento do Terrorismo (CFT) têm um custo, mas estou certo de que
esse valor é infinitamente inferior ao que representaria
fazer negócios em um ambiente sem esse controle.
Financeiro – Quais os principais requisitos para um compliance eficaz, que atue
de maneira isenta e notifique aos gestores da instituição qualquer suspeita de
lavagem de dinheiro?
Rodrigues – Certamente podem
ser relevantes diversas questões estruturais, tais como a quem está
vinculado o compliance ou qual o
seu nível hierárquico, mas a verdadeira resposta, para mim, é
a sinceridade da política de
PLD da instituição financeira. Se essa política não for séria, não permear efetivamente a instituição, visar apenas
atender à fiscalização, nunca
será realmente eficaz.
Do ponto de vista operacional, creio que conhecer efetivamente o cliente é o elemento
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entrevistadomês
‘‘
Na inteligência
financeira, o crescente
volume de troca de
informações exige um
constante aperfeiçoamento
das técnicas e ferramentas
de análise de dados
‘‘
fundamental. Não apenas conhecer seu CPF, identidade
e contracheque, mas saber de sua efetiva capacidade econômica, das suas características e necessidades financeiras
– o que, aliás, pode ajudar na venda de outros produtos.
Para isso, o compliance deve ter amplo acesso a informações, tanto específicas quanto agregadas, dos seus clientes
e suas operações e a sistemas que alertem para desvios
dos padrões. Também creio ser importante conhecer os
produtos financeiros, para que servem, como funcionam
e como são normalmente usados.
Financeiro – A Lei da Lavagem de Dinheiro prevê
dois mecanismos: cegueira deliberada e domínio do fato.
Quais as implicações que a nova Lei da Lavagem de Dinheiro traz para as instituições financeiras?
Rodrigues – Essa é uma mudança jurídica importante. Agora a lei não mais tolera a preguiça e o descaso.
Não se admite mais o não saber por não querer saber,
por não tentar, por não se esforçar. Como já mencionei,
considero impossível garantir que todas as operações
financeiras visando lavar dinheiro serão sempre e em
todos os casos identificadas. Isso não quer dizer, entretanto, que esse não deva ser o objetivo. Deve-se buscar,
tentar e se esforçar para tanto. Mostrar diligência afasta a
suspeita de negligência.
Financeiro – Como deve ser a relação do sistema
financeiro com o Coaf? Quais tipos de mecanismos o
senhor acredita que sejam ideais para passar a informação
ao órgão em caso de suspeita de lavagem de dinheiro?
Rodrigues – Basicamente, realizamos o mesmo
trabalho, mas com perspectivas e especializações diferentes. Sendo o setor financeiro o segmento mais importante nos sistemas de PLD/CFT, entendo que deve
haver sempre um canal de comunicação bem azeitado
e eficiente. Como um órgão que vive do tratamento de
dados e informações, considero isso fundamental. Creio
que nos últimos anos construímos uma parceria profissional muito positiva com o sistema financeiro. Quanto
aos mecanismos, o Sistema de Controle de Instituições
Financeiras do Coaf (Siscoaf) já fornece uma plataforma
adequada. Temos trabalhado, juntamente com o Bacen,
buscando o constante aperfeiçoamento das comunicações, para que elas efetivamente agreguem valor, o que
no nosso caso quer dizer informação.
Financeiro – É uma tendência mundial o controle
sobre as atividades financeiras, já que os chamados paraísos fiscais – como, por exemplo, a Suíça – começam
a prestar informações aos órgãos públicos, a cooperar e
bloquear bens?
Rodrigues – Primeiro, é importante ser mais preciso quanto ao assunto. Um paraíso fiscal é um país de
tributação favorecida e pode ou não ser um paraíso para
lavagem. As duas coisas não se confundem. Os paraísos
fiscais preocupam por atrair recursos em busca de menores impostos, mas podem fazê-lo sem infringir as recomendações internacionais de prevenção e combate à lavagem de dinheiro. De qualquer forma, percebe-se uma
enorme evolução na cooperação entre países. O esforço
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do Grupo de Ação Financeira (Gafi) em promover a
cooperação na área de PLD/CFT já vinha dando frutos.
Entretanto, assuntos fiscais, inclusive quanto a cooperação, eram tratados com muita timidez. Mais recentemente, com a crise de 2008, o G-20 chamou a atenção para
o tema de cooperação na área fiscal e o assunto ganhou
corpo, inclusive no Gafi. Com a inclusão do crime fiscal
entre os antecedentes de lavagem de dinheiro em diversas jurisdições, o assunto deverá contar com cada vez
mais atenção do Gafi, onde a falta de cooperação já era
foco de especial escrutínio. O isolacionismo fiscal, que
reflete a desconsideração pelas agruras de outros países,
começa a ser cada vez menos tolerado. Por certo, ainda
temos um longo caminho pela frente, mas pode-se perceber uma certa desmistificação do tema fiscal nos foros
internacionais e o estabelecimento de mecanismos de
cooperação que certamente terão grande impacto.
Financeiro – A Resolução nº 25 determina que as
pessoas físicas ou jurídicas que vendam itens com preço
maior do que R$ 10 mil façam cadastro de seus clientes.
Na prática, essa medida funciona?
Rodrigues – A prática de fazer cadastro de clientes
é do próprio mercado e independente de valor. Além
disso, creio ser obrigação emitir nota fiscal, o que requer
alguns dados mínimos. Portanto, essa obrigação não parece ser muito complexa, exceto para os que sonegavam.
O registro de clientes e operações é determinado pela lei,
a resolução do Coaf apenas fixou o montante mínimo.
Ele é necessário para permitir ao empresário cumprir
suas outras obrigações, especialmente para evitar fracionamento nos pagamentos em espécie. Ainda é cedo para
dizer se está funcionando ou não, mas, se não estiver, o
empresário que não cumpriu com suas obrigações poderá ser confundido como parte do problema. Aí a questão
passa a ser de natureza criminal.
Financeiro – O combate à lavagem de dinheiro é
dificultado pela eficiência do crime organizado?
Rodrigues – É dificultado pela criatividade do criminoso, organizado ou não. Conforme são identificadas
novas tipologias, os países procuram adotar medidas
para mitigar o risco. A diferença é a velocidade – o crime
organizado não tem constrangimento quando cria esses
novos caminhos. Nós, sim, quando vamos combatê-los.
Por outro lado, o descaso de muitos empresários em
adotar medidas de prevenção os torna alvos fáceis, facilitando a vida do criminoso. Se isso ocorre nos setores já
regulados, pior ainda nos que ainda não o são. O curioso
é que, ao fechar os olhos para o uso que alguns de seus
clientes querem dar ao seu negócio, o empresário está
fortalecendo aquele mesmo que o está destruindo. Para
quem o traficante vende drogas? Será que um filho seu
ou de seus amigos não será prejudicado? Será que ele ou
algum membro de sua família não será sequestrado? A
quem prejudica a corrupção? Essas são algumas das perguntas que esses empresários deveriam se fazer.
Financeiro – É possível mensurar o montante que
representa a lavagem de dinheiro no País?
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entrevistadomês
Rodrigues – Creio que não. Quanto ao mundo, existem trabalhos internacionais que indicam de 0,5% a 1,5% do PIB mundial, mas a própria
amplitude dos limites mínimo e máximo indica uma estimativa, e não uma
medida. O criminoso quer que seja oculto – se fosse conhecido, para ser
medido, ele seria pego. A lavagem de dinheiro decorre de outros crimes,
denominados antecedentes, que visam ou produzem ativos – têm um esperado resultado econômico ou financeiro para o criminoso. Atualmente,
na nossa legislação, qualquer infração penal é antecedente. Assim seriam
todas as infrações penais, menos as de natureza passional (que não visam
a resultado econômico-financeiro). Como se supõe que os criminosos não
sairão por aí ostensivamente mostrando os resultados auferidos em suas atividades, irão lavá-los. Portanto, a resposta à sua pergunta seria, em princípio,
o somatório dos recursos obtidos em todas essas infrações penais. Certamente é muito dinheiro.
Financeiro – O senhor gostaria de comentar algum ponto que não foi
questionado e que é relevante para o Coaf no universo financeiro?
Rodrigues – O sistema financeiro é o principal alvo dos lavadores de
dinheiro e, felizmente, também o setor mais consciente e preparado para ajudar a dar a resposta que a sociedade brasileira quer de maneira cada vez mais
clara. É importante que o sistema financeiro tenha consciência de que será o
principal afetado no caso de uma avaliação negativa do País pelo Gafi/FATF,
mesmo que as deficiências estejam fora da sua competência. Isso decorre
dos mecanismos de pressão do Gafi/FATF, que funcionam basicamente
pelo alerta às demais jurisdições quanto aos riscos de realizar operações financeiras com um país com deficiências, independentemente da natureza
específica do problema. Assim, adicionalmente aos esforços que o sistema
financeiro faz em sua própria casa, deve estar atento e apoiar o desenvolvimento do assunto no País como um todo, ajudando, com seu peso, a aper-
‘‘
‘‘
Financeiro – Cite exemplos de outros países que exercem o controle das
atividades financeiras com eficiência e que podem ser aplicados no Brasil.
Rodrigues – Não existe sistema perfeito. As diversas jurisdições têm
pontos fortes e fracos, algumas mais, outras menos. Para os realmente interessados, sugiro ler as avaliações dos diversos países – inclusive a brasileira – feitas pelo Gafi/FATF e pelos organismos regionais ligados a ele, que
estão disponíveis nos respectivos sites. A brasileira também está no site do
Coaf. O Brasil tem evoluído bem no que se refere à prevenção à lavagem de
dinheiro, especialmente na área financeira. Mas tem deficiências importantes identificadas no relatório, diversas das quais já foram superadas com a
nova legislação desde então. Continuam faltando, entretanto, legislação de
combate ao financiamento do terrorismo e melhores resultados (números
de condenações definitivas).
O sistema financeiro é o
principal alvo dos lavadores de
dinheiro e, felizmente, também
o setor mais preparado para
ajudar a dar a resposta que a
sociedade quer
feiçoarmos cada vez mais nosso
sistema de prevenção e combate
à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. O sistema
financeiro é também o principal
parceiro do Coaf no trabalho de inteligência financeira. Por isso, gostaria de agradecer pelos seus esforços
e empenho. Existem nesse meio alguns menos conscientes, mas esses
são exceções e como tal deverão ser
tratados. Espero que continuemos
a trilhar esse caminho juntos, com
profissionalismo e seriedade, mas
sem perder o clima ameno que tem
ambientado esse diálogo. f
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notasmercado
BALANÇA COMERCIAL
US$ 65
bilhões
será o valor de investimentos
estrangeiros diretos destinados ao
setor produtivo neste ano, de acordo
com a projeção do Banco Central.
1,4 milhão
é o número de desempregados,
registrado em maio, de acordo com
o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Melhora o
resultado da
balança comercial
em relação a abril
O superávit registrado pela balança comercial em maio foi de US$ 760
milhões. Os dados, revelados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior (MDIC), garantem que esse valor é 74,3% inferior ao registrado
em maio do ano passado, quando o saldo foi de US$ 2,962 bilhões. No quarto
mês de 2013, o déficit foi de US$ 994 milhões, o que representa o pior abril da
série histórica do ministério.
CRÉDITO DE LUXO
Cresce o número de imóveis
de luxo financiados
57,1%
das famílias paulistanas seguem
endividadas em maio, revela a
Pesquisa de Endividamento e
Inadimplência do Consumidor (Peic),
conferida pela Federação do Comércio
de Bens, Serviços e Turismo do Estado
de São Paulo (FecomercioSP).
55,74%
dos executivos brasileiros, de acordo
com a consultoria Hays, receberam
aumento salarial em 2012.
De acordo com a
imobiliária Coelho da
Fonseca, o número de
financiamentos de imóveis
que custam mais de R$ 1
milhão aumentou 27% de
janeiro a março de 2013.
Em comparação com o
mesmo período de 2009, a
alta foi de 686%. O volume
de recursos direcionados
para negociações do tipo
cresceu 1.362%.
TECNOLOGIA
Mais internet
para o Brasil
Mais domicílios adquiriram acesso à internet no
último ano. Em 2012, 40% das casas brasileiras, de
acordo com a pesquisa Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TIC) Domicílios, obtiveram esse serviço.
Em comparação com o ano retrasado, houve uma alta de
4%. O estudo, feito em 17 mil lares brasileiros, mostra
que o maior crescimento aconteceu no Nordeste, onde o
acesso passou de 21% para 27%. Mas o maior número
de acessos acontece no Sudeste, em que 48% das casas
têm internet.
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artigoquestãojurídica
Por Carlos
Henrique
de Almeida
Durante o longo debate, aprovação e regulamentação do Cadastro Positivo no País, muitos acreditaram que as informações positivas provenientes do
sistema financeiro eram suficientes para viabilizar
esse avançado sistema de avaliação do risco. Na realidade, isso tem como fundamento o amplo compartilhamento das informações de crédito entre todos os
setores econômicos.
Estudo inédito da Serasa Experian mostra que as
informações positivas fora do sistema financeiro têm
ganhado representatividade no Cadastro Positivo. Na
base de dados da empresa, 75% dos CPFs registraram
consultas em vários setores, nos últimos cinco anos;
são ativos no crédito. Os outros 25% de CPFs, que não
tiveram nenhuma consulta no período, foram considerados inativos no crédito. Do total de CPFs ativos, 56%
foram consultados por grandes bancos; 36% por bancos e financeiras filiados à Acrefi, 16% pelos maiores
varejistas do Brasil e 63% por outros segmentos.
A partir desses dados é possível fazer duas
constatações: primeira, se os associados da Acrefi e o grupo de varejistas analisados já estivessem
no Cadastro Positivo, haveria na base de dados da
Serasa Experian informações positivas sobre 42%
dos consumidores do Brasil, excluindo-se a sobreposição entre os dois segmentos. Segunda, quando
comparamos esse porcentual aos 56% consultados
por grandes bancos, descobrimos que três quartos
dos clientes transacionam também no varejo e nas
instituições associadas à Acrefi. A entrada dos grandes bancos no Cadastro Positivo trará 14 pontos
porcentuais a mais de CPFs para a base.
Dessas constatações, pode-se concluir que os
CPFs consultados pelos bancos médios e financeiras filiados à Acrefi correspondem a quase metade
dos CPFs ativos em crédito e, quando se agregam
os principais varejistas do País, esse porcentual sobe
para 56%. Com esses porcentuais, fica evidente a
grande contribuição que os associados da Acrefi podem dar ao Cadastro Positivo, independentemente
das grandes instituições.
Essa não é uma realidade apenas do mercado de
crédito brasileiro. Cada vez mais o compartilhamento das informações positivas fora dos grandes bancos
tem se tornado relevante no mundo todo. Nos Estados
Unidos, onde a Experian opera o maior birô de crédito
do mundo, as informações de telecom e utilities facilitam a inclusão de imigrantes e jovens no crédito, os
chamados thin file, por conta das poucas ou nenhuma
informação positiva de crédito em seu histórico.
Ainda há um longo caminho para o pleno funcionamento do Cadastro Positivo, e quanto mais
rápidas forem as adesões de empresas e entidades,
mais breves serão os benefícios de transformar dados em decisões inteligentes na concessão de crédito, gestão do relacionamento com clientes, gestão
da cobrança e prevenção a fraudes. f
Carlos Henrique de Almeida é
economista da Serasa Experian e administrador
de empresas pela EAESP–FGV
Fotos: Divulgação/Shutterstock/Artigo enviado em junho de 2013
Informações positivas ganham
representatividade
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negócios&lazer
Por Erica Martin
Por Erica Martin
À moda
do cliente
Pelos corredores do luxuoso hotel Tivoli Mofarrej, em São Paulo, já passaram figuras famosas como a cantora Lady
Gaga, o empresário Eike Batista e a atriz francesa Audrey Tautou. Por conta da diversidade do público frequentador, a equipe de 350 funcionários está acostumada a personalizar o atendimento de acordo com o perfil do cliente.
Quando é uma celebridade, eles identificam a flor, a fruta, o vinho, o champanhe e o tipo de travesseiro favoritos do hóspede, antes de ele chegar ao hotel. Em 2010, recepcionaram a rainha Silvia, da Suécia, que trouxe o próprio mordomo, além
da louça para oferecer um jantar. O hotel se encarregou de preparar uma decoração floral selecionada de acordo com a
preferência cultural do país. Essa proposta do tratamento individual aos hóspedes (que já virou tradição) será reforçada durante a Copa de 2014. “Mais do que se adaptar ao evento, vamos nos adaptar ao cliente, cada um vai exigir um atendimento
especial. Se é um hóspede do Oriente Médio, por exemplo, tiramos as bebidas alcoólicas do minibar”, comenta Cristian
Bernardi, diretor de vendas e marketing do grupo no Brasil. A rede Tivoli ainda não definiu todas as novidades, mas a expectativa é distribuir brindes com as cores do Brasil, como canetas e lenços para as mulheres. A rede também já se programa
para contratar profissionais que prestarão serviços externos, como guias turísticos e motoristas.
Fotos: Divulgação/Douglas Luccena
A um ano dos jogos, das 220 acomodações
do hotel, há apenas dez suítes vagas
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Um pouco de história
A bandeira Tivoli Hotels &
Resorts, umas das principais redes
de Portugal, chegou ao Brasil em
2006. No País estão instaladas apenas
duas unidades, uma em São Paulo,
a outra na Praia do Forte, no Estado
da Bahia. Os dois empreendimentos,
enquadrados na categoria cinco
estrelas, foram selecionados pela
Fifa como acomodações oficiais da
Copa do Mundo. Mais informações
podem ser consultadas na página
http://hotels.fifa.com/?language=pt.
Mimos para encantar
Para recepcionar o público
apreciador do futebol, o hotel
promete entrar em clima de festa.
Além dos quartos, que vão receber
uma decoração especial, os hóspedes
A expectativa
é aumentar
em 30% a
contratação
de guias
turísticos
bilíngues,
transfers e
motoristas
ganharão lembrancinhas simbolizando o evento. Etiquetas para bagagem,
lenços para mulheres e canetas
com as cores do Brasil são alguns
dos mimos previstos. Além disso, o
cardápio gastronômico deve contar
com novidades como sobremesas
inspiradas no futebol e nas seleções, e
os pratos serão elaborados de acordo
com os times que vão competir.
No Narã Bar, onde executivos se
reúnem para conversar e estreitar
relacionamentos, será instalado um
telão para exibição dos jogos. O
espaço, ideal para consumir bebidas
e coquetéis, preserva luzes mais
escuras, que deixam o ambiente
mais aconchegante.
Mais gente
Está prevista a contratação de
serviços externos, como guias turísticos bilíngues, transfers e motoristas
que conheçam os pontos turísticos
da cidade. A expectativa é aumentar
em 30% o quadro de profissionais
que já presta serviços para o Tivoli.
“Teremos tours temáticos pela cidade, que serão formatados de acordo
com o interesse do cliente.”
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negócios&lazer
Tarifas em alta
O Instituto Brasileiro
de Turismo (Embratur)
anunciou no fim de junho
que a tarifa cobrada pelos
hotéis deve subir durante
a Copa do Mundo. No Rio
de Janeiro, a tarifa média
durante os jogos em
2014 será de US$ 461,
quantia que representa
o dobro da taxa de US$
212 paga durante a Copa
das Confederações deste
ano. Em Fortaleza, a
tarifa média deve chegar
a US$ 355, montante
200% maior em relação
ao valor de US$ 119
cobrado durante a Copa
das Confederações.
A busca foi feita pela
internet na simulação de
quarto para dois adultos.
Um sonho
A suíte presidencial, localizada
no 22º andar, encanta qualquer
um que vai ao hotel, situado a um
quarteirão da Avenida Paulista. A
suíte de 750 metros quadrados
tem capacidade para hospedar seis
pessoas e é a maior da América Latina. O ambiente é aconchegante;
ao mesmo tempo são necessários
alguns minutos de visitação para
descobrir a quantidade de cômodos e onde estão localizados. Há
também uma variedade de equipamentos à disposição de quem se
hospeda por lá. Na acomodação, o
hóspede pode aproveitar para degustar champanhes da adega Dom
Pérignon – uma garrafa da marca
de luxo pode custar até R$ 700. A
estrutura é cercada de janelas de
vidro. São três quartos,
sala de jantar que chega a comportar 12 pessoas, e a sala principal
é de fazer inveja aos cenários de
festas dos filmes americanos.
Demais aconchegos
Quem não tem R$ 30 mil à
disposição para tirar proveito dos
primores da suíte presidencial poderá
reservar outras acomodações. A suíte
master tem 70 metros quadrados
– equivalente a um apartamento
convencional – e abriga sala de estar,
sala de reuniões e quarto. Além disso, é
possível apreciar o Parque Trianon do
alto, localizado na Avenida Paulista. A
diária custa R$ 3.350. Para passar um
dia nas acomodações Collection Suite
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Cristian
Bernard,
do Tivoli
“Mais do que
se adaptar ao
evento, vamos
nos adaptar ao
cliente, cada
um vai exigir
um atendimento
especial”
(de 42 metros quadrados), o custo é
um pouco menor; são R$ 1.580. Para
se acomodar no quarto Collection
Plus, de 38 metros quadrados, o valor
cai para R$ 1.040. Os quartos não
devem passar por redecoração, já
que a chegada da bandeira à capital
paulista é recente. No fim de 2008,
o Grupo Espírito Santo, dono da
marca Tivoli, passou a administrar o
hotel Mofarrej, em São Paulo, quando
houve uma repaginação dos quartos.
Foram gastos R$ 16 milhões.
Para o lazer
Os hóspedes também podem
aproveitar as áreas de lazer e a gastronomia. No Tivoli de São Paulo há
dois restaurantes e um bar. A piscina
do hotel, que chama a atenção pela
decoração laranja, em meio a poltronas aconchegantes e perfeitas para
um dia de sol, fica a céu aberto e é
climatizada. Para completar, quem
quer relaxar também pode curtir o
spa no Elements e o Spa by Banyan
Tree, marcas tailandesas especializadas em massagem.
Disponibilidade
A um ano dos jogos,
encontrar quartos disponíveis está
cada vez mais difícil. Para quem vai
prestigiar a abertura e a semifinal
no português Tivoli, há apenas
dez suítes vagas – ao todo são 220
acomodações. A expectativa é de
que 75% da clientela futebolística
seja de estrangeiros, a maior parte
clientes corporativos.
Preço
O hotel só aceitará reservas feitas
por hóspedes que vão ficar mais de
cinco noites na unidade da rede em
São Paulo. O custo para dormir nas
suítes mais simples será de R$ 1 mil.
Quem quer aproveitar os mimos do
quarto presidencial, que já recepcionou até a cantora Amy Winehouse,
terá de desembolsar R$ 30 mil. A
rede não tem previsão para aumentar
as tarifas durante a Copa. f
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Localização:
Alameda Santos, 1.437, Jardim Paulista,
Cerqueira César
Preços:
De R$ 1 mil a R$ 30 mil
Contato:
(11) 3146-5900
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artigobancarização
Por José
Ricardo Alves
Há pouco que se acrescentar ao muito que já
foi dito sobre a importância dos correspondentes
no Brasil. Porém, à medida que se amplia o processo de bancarização, multiplicam-se as iniciativas que
podem inviabilizar esse instituto. Hoje, os correspondentes são objeto de questionamentos na Secretaria
da Receita Federal, no Supremo Tribunal Federal,
no Ministério Público do Trabalho, no Tribunal
Superior do Trabalho e no Congresso Nacional.
Na Receita Federal, a Resolução CGSN 77 de
2010 traz as listas de atividades impeditivas à concessão do Simples Nacional. Dentre elas, encontram-se
os correspondentes de instituições financeiras. Recentemente, deixaram de integrar esse rol para fazer
parte da relação das atividades ambíguas. É um avanço, mas em muitos casos a empresa deve escolher
entre, por um lado, gozar dos benefícios do Simples
e, por outro, atuar como correspondente.
No Supremo Tribunal Federal, uma Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental ajuizada
pelo Partido Popular Socialista questiona a Resolução
3.954 de 2011, do Conselho Monetário Nacional, que
trata de contratação de correspondentes. A ação pede,
liminarmente, a suspensão imediata da eficácia da resolução porque os correspondentes teriam funções
privativas de instituições financeiras, porque sua regulamentação dependeria de lei complementar e porque
seriam “bancários informais”. Eventual concessão de
liminar suspenderia a atividade em todo o País até o
julgamento do mérito – que pode levar anos.
Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com ação em desfavor de uma
empresa promotora de vendas e de uma financeira,
alegando que esta se utilizava de expediente fraudulento para afastar a aplicação de normas da CLT e das
normas coletivas relativas aos financiários. O Tribunal
Superior do Trabalho determinou o enquadramento
sindical dos funcionários contratados pela promotora
de vendas e o pagamento de dano moral coletivo no
valor de R$ 5 milhões. Em outro julgamento, o Tribunal Superior do Trabalho determinou que uma empresa promotora de vendas fosse compelida a enquadrar
todos os funcionários como financiários, entendendo
que os funcionários da promotora de vendas realizavam atividades típicas de financeiras.
No Congresso Nacional, o Projeto de Lei (PL)
n° 4.330 de 2004, que regulamenta a terceirização,
encontra-se na Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania da Câmara dos Deputados. O relator
do PL incluiu dispositivo que exclui expressamente
os correspondentes bancários da exigência de objeto
social único para empresa terceirizada, o que criou a
possibilidade de prestação de mais de uma atividade
terceirizada por essas empresas. Porém, essa proposta
enfrenta resistência. No Legislativo também se encontram projetos de decreto legislativo que procuram
sustar a aplicação da Resolução n° 3.954 de 2011, do
CMN, com a alegação de que a resolução permite aos
correspondentes se constituírem como uma “filial“ da
contratante, executando inclusive atividades típicas de
uma instituição financeira, sem terem sido autorizados
pelo Banco Central e sem aparatos mínimos de segurança, nos moldes exigidos dos estabelecimentos bancários, além de autorizar a realização de contratos que
não garantem a manutenção do sigilo bancário.
A Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF) atua junto à Secretaria da Receita Federal, ao Supremo Tribunal Federal, ao Ministério Público do Trabalho, ao Tribunal Superior do Trabalho e ao
Congresso Nacional para afastar ou mitigar iniciativas
que possam inviabilizar a atividade dos correspondentes. Essa atuação é melhor quanto mais próxima a
CNF estiver das suas associadas. f
José Ricardo Alves
é vice-presidente executivo da
Confederação Nacional das Instituições
Financeiras (CNF)
Foto Divulgação/Artigo enviado em junho de 2013
Mais correspondentes, muitas ameaças
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4ºsemináriojurídicoacrefi
Avanços
da Justiça
Problemas como morosidade
e excesso de litígios ainda são
empecilhos para o sistema
judiciário brasileiro, que possui
90 milhões de processos em
tramitação. Todavia, o País
caminha com melhorias para
esse cenário por meio da
tecnologia e de maior eficiência.
Grandes nomes do sistema
judiciário brasileiro abordam o
tema em evento da Acrefi
Por Juliana Jadon
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Fotos: Shutterstock / Douglas Luccena
Não é somente pela simpatia e pelo futebol que
o brasileiro é conhecido. A nação também é reconhecida mundialmente por fazer políticas públicas
nascidas do diálogo. No entanto, o sistema judiciário
brasileiro precisa evoluir em diversos pontos, visto
que enfrenta problemas como morosidade, excesso
de litígios e o difícil acesso à Justiça.
Demora dez anos, em média, para um processo ser
finalizado, entre a entrada nos tribunais e a finalização
em última instância. “Não podemos esperar tanto tempo para que a Justiça dê uma resposta”, ressalta Flávio
Crocce Caetano, secretário de Reforma do Judiciário,
durante o 4º Seminário Jurídico da Acrefi (Associação
Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e
Investimento), em São Paulo (SP). A ocasião contou
com a participação de Érico Sodré Quirino Ferreira,
presidente da Acrefi, em sua abertura.
Em 2011, o Brasil atingiu a marca de 90 milhões de
processos judiciais em tramitação, de acordo com os
dados mais recentes do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). O número exorbitante equivale a um processo para cada duas pessoas. Nesse cenário, o sistema
judiciário brasileiro possui grandes desafios pela frente, com a meta de tornar a Justiça mais ágil e diminuir
o volume de litígios. Nota-se que os cerca de 20 mil
juízes e 13 mil promotores existentes não são suficientes para atender a tamanha demanda.
De acordo com o secretário de Reforma do Judiciário,
nesse contexto é necessária a realização de reformas
processuais com o objetivo de abreviar procedimentos e dar mais eficácia para as decisões judiciais. A
ideia é que somente as questões mais graves cheguem
aos tribunais superiores, deixando os juízes mais livres
para decisões complexas. Processos de resolução simples podem ser finalizados de maneira mais “amigável”.
Outra saída para deixar o sistema judiciário brasileiro eficiente é o processo eletrônico. Todavia, existe um
tempo de adaptação para o uso do meio digital, sendo
que é necessário ter os documentos em papel e eletrônicos coexistindo simultaneamente. Caetano chama
atenção para um obstáculo: existem lugares no interior do País em que advogados ainda usam máquina
de escrever. “O processo eletrônico traz transparência,
controle e eficiência ao sistema judiciário. Temos de
sair do papel neste País em que todos votam de forma
eletrônica”, conclui.
Existem 90 milhões
de processos no País,
o equivalente a um litígio
para cada duas pessoas,
de acordo com o CNJ
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4ºsemináriojurídicoacrefi
tiça, da Defensoria e da Polícia. Passados sete meses,
a iniciativa já traz resultados. Houve redução de 35%
na taxa de homicídios. “Com uma política perene de
integração e de investimento, é possível melhorar a
situação no Brasil”, discorre Caetano.
O secretário de Reforma do Judiciário alerta ainda para outros números alarmantes. São 550 mil presos no Brasil para 310 mil vagas. O déficit é de 240
mil vagas. O Brasil é o quarto país do mundo em população carcerária, e cerca de 200 mil presidiários têm
processos em aberto, ainda não julgados. De acordo
com Caetano, seria necessário aplicar penas alternativas em crimes de baixa periculosidade para reduzir
essa margem.
Soluções alternativas
Flávio Crocce
Caetano,
secretário de
Reforma do
Judiciário
“O processo
eletrônico traz
transparência,
controle e
eficiência
ao sistema
judiciário”
Exemplos de outros países podem ajudar. No Equador, o índice de confiança na Justiça era de apenas 6%.
Para reverter o cenário, foi feita uma reforma por meio
de um plebiscito. Em 18 meses, os 3 milhões de processos daquele país foram enxugados para 200 mil.
Curiosidades do Judiciário
Um dos grandes desafios da Justiça está ligado
à criminalidade, segundo Caetano. São, em média,
26 homicídios a cada 100 mil habitantes no País,
mais que o dobro do tolerado pela Organização das
Nações Unidas (ONU). Em Alagoas, região onde
a situação é mais crítica, esse índice chega a 76 homicídios para cada 100 mil habitantes. No combate
ao crime, o policiamento desse local melhorou e foi
formatada uma Câmara de Monitoramento com a
participação semanal do Ministério Público, da Jus-
No Brasil, os advogados trabalham para ganhar
causas. Por aqui, a cultura do consenso e do não litígio, em que os casos são resolvidos antes de chegar
à Justiça, ainda engatinha em diversas áreas. Caetano lembra a importância de colocar em prática os
meios alternativos de resolução: mediação, conciliação, negociação e arbitragem. Dessa forma, o País
terá menos processos e os juízes ganharão tempo
para pleitos complexos. Na prática, pode funcionar,
sendo que casos de família que tentam conciliação
possuem 90% de êxito, já as causas cíveis têm 80%
de êxito. A ideia é que essa mudança comece na formação dos advogados, mas algumas universidades
ainda não contam com esse tema inserido na grade
curricular. Conversas com o Ministério da Educação
(MEC) colocam em pauta a obrigatoriedade desse
tema nas faculdades de direito. É debatida também
uma estratégia nacional de redução de litígios com a
participação da Justiça e das empresas. “Precisamos
de uma estratégia nacional para a redução de litígios.
O governo e as grandes corporações devem levar à
Justiça somente o que não for possível ser solucionado de outra maneira”, ressalta Caetano.
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Consumidor em foco
Em 15 de março deste ano, a presidente Dilma
Rousseff anunciou o Plano Nacional de Consumo
e Cidadania (Plandec) e colocou pela primeira vez
os assuntos dos consumidores como uma das prioridades do governo. André Luiz Lopes dos Santos,
consultor jurídico da Acrefi, explicou o projeto e
lembrou que o sistema financeiro é um dos grandes participantes, por meio da ampla relação que
tem com os consumidores. Para o executivo, muitos
consumidores tiveram o primeiro acesso a produtos
e serviços por meio do crédito.
Segundo ele, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) brasileiro é um dos mais avançados do
mundo, mas os bancos e empresas precisam procurar resolver e administrar os problemas dos clientes
de maneira simples, gerando uma redução de conflitos. “O diálogo e o aprimoramento dos serviços de
pós-venda são fundamentais para o avanço das relações de consumo”, opina o consultor jurídico.
Meios alternativos de resolução
de processos como mediação,
conciliação, negociação e arbitragem
podem deixar a Justiça menos morosa
Marc
Burbridge,
presidente
do Instituto
ProRAD
“Justiça lenta
demais é
injustiça”
André Luiz
Lopes dos
Santos,
da Acrefi
“O diálogo e o
aprimoramento
dos serviços de
pós-venda são
fundamentais
para o avanço
das relações
de consumo”
Preço do conflito
Para Marc Burbridge, presidente do Instituto ProRAD, conflito nem sempre é ruim. Existem circunstâncias em que é usado para descobrir algo que pode
ser corrigido, que gera inovação em uma empresa,
na medida em que é um agente de mudança para
algo melhor, e ainda quando recompensa alguém
por um mal causado a outra pessoa. Segundo ele, o
conflito é ruim quando gera um custo desnecessário
e poderia ter sido resolvido de outra forma.
O executivo apresentou a RAD (Resolução Alternativa de Disputas), filosofia do instituto que preside e que
engloba todos os meios para prevenir e resolver conflitos,
sem depender do uso de poder ou do Judiciário.
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4ºsemináriojurídicoacrefi
O especialista defende que a mediação de conflitos
é mais eficiente e econômica para as empresas. Esse
meio pode ser eficiente. De acordo com o livro “O
Novo Advogado”, a taxa de resolução nos Estados
Unidos antes do julgamento é de 98,2%.
Burbridge fez uma estimativa de custos dos processos empacados no sistema judiciário. Em 2010, eram
55 milhões de processos. Se cada um custasse em torno de R$ 5 mil por ano, seriam necessários R$ 279,4
bilhões anuais para mantê-los. Ainda nessa linha, segundo ele, com um investimento de R$ 10 milhões
seria possível reduzir 1% do custo do litígio no País.
“Justiça lenta demais é injustiça”, diz.
Transparência
De acordo com o Plandec, o sistema
financeiro terá de tornar os custos e as
tarifas mais transparentes. Uma resolução
editada pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN) exige que os bancos e financeiras:
l Informem a diferença de custos nas tarifas
bancárias individualizadas e nos pacotes.
l Destaquem a composição dos custos nas
operações de crédito e de câmbio.
O sistema financeiro precisa ter
um bom compliance para ajudar
o Poder Público a identificar
crimes de lavagem de dinheiro
Antonio
Gustavo
Rodrigues,
do Coaf
“Não são os
bancos que
detectam
o crime de
lavagem de
dinheiro,
mas ajudam
a detectá-lo
por meio das
informações
que detêm”
Eficiência jurídica
Os bancos atuam, muitas vezes, em um solo delicado. Saber a origem dos recursos financeiros de
todos os clientes e empresas é uma missão complexa. Para isso, é preciso ter um bom sistema de compliance, que atue de maneira isenta. “Percebeu-se
há muito tempo que a forma mais eficaz de enfrentar o crime organizado é identificar as informações
que levam à origem dessa prática”, aponta Pierpaolo Cruz Bottini, professor de direito da Universidade de São Paulo (USP) e ex-secretário de Reforma
do Judiciário.
Nesse cenário, o sistema financeiro pode ajudar
o Poder Público a identificar os atos de lavagem de
dinheiro, registrando e comunicando às autoridades possíveis operações suspeitas. “Não são os bancos que detectam o crime de lavagem de dinheiro,
mas ajudam a detectá-lo por meio das informações
que detêm”, aponta Antonio Gustavo Rodrigues,
presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ).
A nova legislação da lavagem de dinheiro passa
a identificar dois novos mecanismos. São eles: ce-
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Pierpaolo
Cruz Bottini,
especialista
em direito civil
“Percebeuse há muito
tempo que a
forma mais
eficaz de
enfrentar
o crime
organizado é
identificar as
informações
que levam à
origem dessa
prática”
gueira deliberada – diz que são partícipes do crime
de lavagem de dinheiro pessoas que não sabem que
o recurso veio de origem ilícita, mas que criaram
uma barreira para não ter conhecimento desse fato.
E o domínio do fato em que basta alguém estar em
uma posição hierárquica em que possa interromper
o processo de lavagem de dinheiro e não ter feito
nada diante da situação para ser considerado autor
do crime. “Quem fecha os olhos e não aplica os mecanismos necessários para identificar a lavagem de
dinheiro assume o risco de maneira negligente”, reforça o presidente do Coaf.
Segundo Bottini, o gestor que se omite, mesmo
podendo impedir que o recurso ilícito passe pela
instituição financeira, é acusado de partícipe do
crime. Bancos e financeiras devem estabelecer
alguma diretriz, um sistema de monitoramento interno que possibilite ao compliance avisar
o gestor sobre a suspeita de lavagem de dinheiro. “Um bom compliance pode gerar um custo
maior, mas ser mais barato do que um processo
criminal”, alerta.
Para o presidente do Coaf, a ideia é trabalhar
para melhorar a qualidade das informações que
são passadas pelo sistema financeiro, para que realmente valham como provas legais para o crime de
lavagem de dinheiro.
Diante das apresentações, a conclusão do encontro é que a área jurídica brasileira caminha para
uma grande evolução, com resoluções mais ágeis
e eficazes. Cabe agora cada player desse cenário
cumprir o seu papel. f
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artigoquestãojurídica
Por Hélio
Zylberstajn
Existe alguma relação entre conjuntura econômica e utilização da Justiça do Trabalho? Para tentar responder a essa questão, coletamos dados sobre o nível
de emprego e a quantidade de reclamações na primeira instância da Justiça do Trabalho, para o período de
1990 a 2012. O resultado é apresentado no gráfico
abaixo. As colunas verticais representam a quantidade
de postos formais de trabalho registrados na Rais. Nesse período, o mercado de trabalho mais que duplicou
de tamanho, passando de 23 milhões em 1990 para 48
milhões em 2011. A linha azul representa a quantidade
de processos iniciados na primeira instância da Justiça
do Trabalho e indica que partimos de 1,2 milhão e
chegamos a 2,2 milhões nestes 22 anos. Finalmente, a
terceira linha, de cor negra, representa a relação entre reclamações trabalhistas e empregos, e indica a quantidade de processos instaurados para cada cem empregos
existentes. Essa taxa apresentou oscilações no período
e, ao final, se estabilizou no nível de cinco reclamações
para cada cem empregos.
Observando a evolução da taxa de reclamações, se
percebem claramente duas fases distintas no período
considerado. A primeira, que vai de 1990 a 2000, foi
o período em que a economia brasileira experimen-
Processos trabalhistas
Fonte: Rais
tou um profundo processo de ajuste com abertura do
comércio exterior, privatizações, desregulamentações,
e, finalmente, a estabilização do Plano Real e as crises
financeiras do final da década. Nessa fase, quando o
emprego ficou estagnado, o gráfico mostra um crescimento expressivo na taxa de reclamações, que chegou
ao nível de 8%. Na segunda etapa, com a retomada do
crescimento do emprego, a taxa de reclamações voltou
ao patamar histórico de 5%.
Esta breve análise oferece algumas conclusões.
Primeiro, a taxa de cinco reclamações para cada cem
empregos indica uma propensão exagerada ao litígio
no Brasil. Segundo, a propensão ao litígio é sensível
à conjuntura econômica: em tempos difíceis, os
trabalhadores tendem a reclamar mais na Justiça do
Trabalho. Mas quando a situação melhora e as oportunidades de emprego aparecem, reclamam menos.
É como se a Justiça do Trabalho exercesse a função
do seguro-desemprego! Terceiro, se o emprego
continuar a crescer, precisaremos de mais Varas do
Trabalho para absorver o crescimento paralelo das
reclamações. Pior, se o emprego estagnar, haverá
mais reclamações e a Justiça do Trabalho ficará mais
sobrecarregada ainda. Se voltássemos hoje aos 8%
dos anos 1990, haveria 4 milhões de reclamações por
ano! Qual deveria ser o tamanho da Justiça Trabalhista para acomodar tanto litígio?
A mensagem final parece muito clara: é preciso
aprimorar nosso sistema de administração do conflito
trabalhista. O litígio na corte trabalhista precisaria ser
substituído por mecanismos mais compatíveis com o
gigantismo do nosso mercado de trabalho. f
Hélio Zylberstajn é economista,
professor da Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo (FEA-USP),
presidente e fundador da Associação Instituto
Brasileiro de Relações de Emprego e Trabalho
(Ibret) e faz parte de Conselhos da
Fecomércio e da Fiesp
Texto publicado originalmente no “Boletim Mascaro Nascimento” – abril de 2013
Reclamações trabalhistas e emprego
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poupança
Por Juliana Jadon
Bolso cheio
Brasileiro aposta na mais tradicional modalidade de
investimentos do País no momento de poupar para
realizar um sonho. Em janeiro deste ano, a caderneta
de poupança atingiu mais de R$ 500 bilhões, uma
marca histórica para o período nos dois últimos anos
Guardar dinheiro e investir nem sempre é fácil. Em muitos casos, é preciso se privar de momentos de lazer.
Foi isso que Taissi Martins, de 27 anos, fez no final de
2009. Cerca de dez meses após se formar em estatística,
ela conquistou o primeiro emprego em uma instituição
financeira. De lá para cá, a moça guarda cerca de 15% do
salário em uma poupança bancária. A meta é um belo dia
abandonar o aluguel com a compra de um apartamento.
Em janeiro deste ano, o saldo da caderneta de poupança no Brasil atingiu R$ 500,8 bilhões, uma marca
histórica para esse mês em dois anos. Os dados são do
Banco Central do Brasil, que aponta que os depósitos
superaram as retiradas em R$ 2,3 bilhões. “No começo,
eu tinha pouco dinheiro para investir em planos de ren-
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Fotos: Shutterstock/Divulgação
da fixa e a poupança se encaixou nas
minhas condições”, conta Taissi.
A atual rentabilidade da poupança, de 70% da taxa Selic, mantém a atratividade em relação aos
demais investimentos, principalmente porque a poupança é isenta
de tributos (IR e IOF) e não cobra
taxas de administração. Além disso,
para aplicações de até 12 meses, a
poupança possui melhor rentabilidade do que, por exemplo, os fundos de renda fixa DI com taxa de
administração acima de 0,83%.
De acordo com Édilo Ricardo
Valadares, diretor executivo de pessoa física da Caixa Econômica Federal, para aplicações de até seis meses
a poupança apresenta rentabilidade
superior aos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de varejo
que pagam abaixo de 94% do CDI.
“Independentemente da rentabilidade, a poupança contribui de maneira
fundamental para o desenvolvimento do hábito de poupar nas famílias
brasileiras pertencentes a todas as
classes sociais”, considera.
Neste ano, a Caixa obteve o
melhor desempenho da história
em captação de poupança em um
mês de fevereiro. A captação líquida
em poupança foi de R$ 893 milhões, totalizando um saldo de R$
178 bilhões. O crescimento foi de
17,23% em comparação a fevereiro
de 2012. A Caixa é líder de mercado, com participação de 35,23%
naquele período.
Reinaldo Domingos, presidente
do DSOP e especialista em educação financeira, explica o motivo dos
bons resultados apresentados. Recentemente, as fatias
menos favorecidas da sociedade e a nova classe média
passaram a utilizar mais essa modalidade de investimento. “Algumas pessoas desconhecem aplicações mais complexas. A vantagem da poupança é que é um investimento seguro e sem taxas embutidas”, avalia.
Metas definidas
A segurança e a tradição são dois atributos que contribuem para que a poupança da Caixa seja a preferida de
milhões de brasileiros há mais de 150 anos. Criada em
1861, foi concebida com o objetivo de garantir a reserva
monetária para nobres e escravos. Em função dessa tradição, da rentabilidade, da segurança oferecida e da facilidade, tanto na abertura quanto na movimentação, é vista
como uma opção de investimento acessível e atraente
para todas as camadas da população.
É o caso de Gisele Ferreira, estagiária de enfermagem de 24 anos,
que começou a investir na poupança
aos 18. A mãe a influenciou a economizar e comprar produtos à vista.
Com o dinheiro guardado, a garota
já ajudou a família a dar entrada em
uma casa, comprou um carro usado
e agora, assim como Taissi, pretende
dar entrada em um apartamento.
Para isso, ela guarda entre 40% e 50%
da renda mensal.
Já Taissi segue o exemplo da
irmã mais velha, que começou a
guardar dinheiro para alcançar ob-
Taissi Martins,
de 27 anos
Meta do
investimento
na poupança
é dar entrada
em um
apartamento e
abandonar
o aluguel.
Para isso,
ela guarda
cerca de 15%
da renda
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poupança
Édilo Ricardo Valadares,
da Caixa Econômica Federal
“A poupança contribui de
maneira fundamental para o
desenvolvimento do hábito
de poupar nas famílias
brasileiras pertencentes a
todas as classes sociais”
Reinaldo
Domingos,
do DSOP
“A vantagem
da poupança
é que é um
investimento
seguro e
sem taxas
embutidas”
jetivos, como uma cirurgia bariátrica, e conseguiu. O
problema de Taissi é que, com o passar dos anos, o preço
dos imóveis na cidade de São Paulo, onde ela pretende
adquirir um lar, aumentou exorbitantemente.
Mas seu sonho continua de pé. Ela acredita que dentro de três anos terá o dinheiro para a entrada do imóvel.
E sabe que suas altas exigências em termos da localização
do apartamento e das qualidades colocam o alvo mais
longe de ser atingido.
Segundo o especialista Domingos, para aplicar determinada quantia é preciso ter sonhos, objetivos, assim
como as garotas acima. “Sem metas claras, diante de
Opções
O investidor se vê diante de diversas modalidades para escolher.
Uma alternativa para quem quer segurança e maior rentabilidade
é a de aplicar em títulos do Tesouro Direto. Essa opção permite
aplicações a partir de R$ 30, em curto, médio ou longo prazo. Basta
escolher uma agência integrada, que geralmente orienta o cliente
sobre como deve proceder.
qualquer dificuldade ou desvio a pessoa geralmente saca
o dinheiro que colocou na poupança. Esse tem sido um
problema representativo da sociedade brasileira”, aponta.
O ideal, segundo ele, seria diversificar os investimentos em diferentes perfis e objetivos – um de curto, outro
de médio e um terceiro de longo prazo.
Cofres abertos
Apesar do aumento do uso da poupança no Brasil,
essa modalidade de investimento representa apenas 17%
do PIB, aponta estudo realizado em 2012 pela Fundação
Getulio Vargas (FGV). Em países como China e Singapura, o saldo da poupança representa mais de 50% do
PIB. Os dados demonstram que, com a população mais
consciente sobre o uso do dinheiro, o País ainda pode
avançar nesse quesito.
“Minha intenção é continuar a investir na poupança,
que me dá segurança, rentabilidade não tão alta quanto
gostaria, mas ainda assim tenho retorno”, encerra Taissi.
Ela acredita que guardar dinheiro é sempre importante,
porque não se sabe nada sobre o dia de amanhã. f
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artigoeducação
Por Gustavo Pecly
Nos últimos dez anos, tenho ido com alguma
frequência aos Estados Unidos, seja a trabalho ou
passeio. Minhas viagens são, basicamente, para Nova
York, Flórida e Califórnia. A última durou 45 dias e
foi planejada a partir do interesse da minha esposa de
aprimorar a fluência no inglês por meio de um curso
de 90 dias em uma universidade da Califórnia.
Com um filho de 8 anos muito apegado a ela,
resolvemos passar juntos os primeiros 45 dias na
Califórnia. Ela foi para estudar, e nós para passear.
Alguns dias antes de sairmos do Brasil, em dezembro de 2012, começamos a pensar que talvez fosse
mais produtivo se nosso filho, que tem uma relativa
fluência no inglês, também frequentasse uma escola
pública na mesma cidade.
Contando com a facilidade e vivência de uma
irmã que mora na Califórnia, verificamos na internet
os documentos necessários para viabilizar essa ideia.
Munidos de todos os traumas do povo brasileiro na
questão da educação, chegamos de forma tímida à
San Juan School District. Estávamos preparados para
uma resposta negativa. Aguardávamos ouvir de tudo:
preenchimento de ficha, volte depois, não podemos
atender, estamos com a sala completa, sinto muito...
Enfim, todo tipo de resposta que os brasileiros escutam e de que existem relatos às centenas.
Quando explicamos nosso interesse pela vaga ao
funcionário público americano, ouvimos a seguinte
frase: “Muito bem. É possível, pois lugar de criança é
na escola”.
E não parou por aí. Na sequência, de forma
bastante gentil, o funcionário perguntou se poderia
destacar um professor para conversar e avaliar o nível
de inglês do aluno. Rapidamente, esclareceu que não
seria nenhuma prova para entrar, apenas uma avaliação para identificar se precisaria recomendar à escola
a necessidade de um professor assistente.
Após o teste, foi definido que ele iria para a escola
pública do bairro onde estávamos morando e já poderia começar na segunda-feira. Passada essa fase da
matrícula, chegamos ao primeiro dia de aula. A professora, com simpatia e atenção, definiu uma criança
para ciceronear o novo aluno e mostrar as instalações
da escola. Em seguida, convidou-me para que, se
assim desejasse, permanecesse sentado no fundo da
sala de aula para acompanhar as primeiras horas de
adaptação do aluno.
Claro que aceitei. Mas antes fiz uma pergunta
sobre a necessidade de material escolar. Nesse momento, tive uma nova surpresa. A professora levantou
o tampo de uma das mesas e mostrou todo o material de que o aluno precisaria: livros, cadernos, lápis,
borracha, papel. Não era preciso comprar nada. Tudo
fornecido pela escola. E mais, na mesa havia um papel
com o nome do novo aluno de forma destacada para
que todos o identificassem.
Durante as semanas seguintes, tivemos uma
sequência de boas surpresas e muita dedicação da
equipe da escola, com a alternância adequada entre
aulas com as matérias, aulas de arte e exercícios físicos
com prática intensa de esportes. Ficando na escola das
8h20 até as 14h50, foram momentos extremamente
importantes para a formação de meu filho e uma grande lição de como um país deve conduzir uma política
de educação em que o lema de que “lugar de criança é
na escola” é elevado ao maior nível possível. f
Gustavo Pecly
é diretor do Grupo Libra
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Foto Shutterstock/Artigo enviado em junho de 2013
Lugar de criança é na escola
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economia
Brasil em
perspectiva
Por Juliana Jadon
Paulo Rabello de Castro, economista e
sócio fundador da SR Rating, analisa os rumos
da economia brasileira em evento da Acrefi
Mesmo diante de um cenário externo turbulento, a economia brasileira deverá crescer 2,7% em
2013. A opinião é de Paulo Rabello de Castro,
economista e sócio fundador da SR Rating, além
de presidente da RC Consultores. Ele apresentou
“A economia brasileira: momento atual de perspectivas” em evento da Associação Nacional das Insti-
tuições de Crédito, Financiamento e Investimento
(Acrefi), patrocinado pela Cetip.
O próprio executivo diz que o crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB) previsto pode não ser
sustentado ao longo do segundo trimestre deste ano
e projeta ainda para 2014 uma elevação de 3,3%.
“Esse número é para vocês. Funciona como um
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Paulo Rabello
de Castro, da
SR Rating
“A máquina
pública ficou
extremamente
onerosa, e é
um desafio o
País se tornar
mais eficiente”
pacto de que será um ano melhor, apesar da grande probabilidade de esse avanço não ser alcançado”,
brinca Rabello de Castro.
e de 3% para o próximo. Em janeiro, o Banco Mundial indicava expansão de 2,4%, em 2013, e de 3,1%,
em 2014. “Esse cenário atrela-se a nossa perda de
Diante dos arrojos presentes nas economias e da
expansão possivelmente tímida dos países emergentes e em desenvolvimento ainda neste ano, o Banco
Mundial fez uma reavaliação do PIB global para baixo.
A projeção é de um crescimento de 2,2% para este ano
competitividade interna. Nosso ‘pibinho’ está contratado internacionalmente, devido ao cenário de
aperto econômico. O cenário externo está mais para
obstáculo para o Brasil do que para oportunidade”,
destaca Rabello de Castro.
Segundo o economista, a atual pressão do mercado financeiro e de câmbio é resultado do momento
de reajuste do Federal Reserve (Fed). Apesar da notícia da vez ser que “a recuperação da economia americana já está em andamento”, o banco central norte-americano sinaliza a retirada de estímulos. Todavia,
segundo Rabello, a entidade não possui elementos
suficientes para fazer um diagnóstico confiável do cenário, sendo que a leitura do mercado é árdua.
Outro sinal de que não há recuperação alguma,
segundo ele, é que em uma das recentes reuniões
dos representantes do G8 – grupo de oito países
mais desenvolvidos economicamente – não se sabia
Fotos: Douglas Luccena/Shutterstock
Instabilidade
Segundo Paulo Rabello de Castro, a
instabilidade dos mercados globais perdura.
Confira os principais pontos:
• FED reduz compra de papéis
• Menor austeridade na zona do euro
• Medidas expansionistas no Japão
• Emergentes percebem redução da liquidez
• Atividade econômica menos dinâmica nos
Brics e N-11
• Protecionismo comercial acentuado
(dumping + subsídios)
Fonte: RC Consultores
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economia
Economia global
Principais consequências do atual momento
econômico na visão de Rabello de Castro:
• Dólar em processo de valorização
• Commodities e ações: forte viés de baixa
• Inflação mundial controlada
• Protecionismo
Caminhos para o Brasil
Nicola Tingas,
da Acrefi
“Se a inflação
trouxer novas
surpresas,
pode ser
necessária
uma taxa de
juro maior”
quais fatores poderiam ser atacados para resolver a
situação daquele país.
O especialista aponta que não há recuperação da
economia europeia e que a China caminha para uma
desaceleração na medida em que aumentou em 2009
um terço do estoque de crédito. O montante é maior
do que o estoque brasileiro. Essa medida impulsionou
a economia do país somente em 2010 e 2011.
Economia nacional
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2,7% com viés de baixa
Inflação corrói poder de compra
Desvalorização do real pressiona
Novos apertos de juros
Crédito à pessoa física cresce mais devagar
Emprego e renda com expansão moderada
Balança comercial em ambiente adverso
Pequena redução das reservas
Fonte: RC Consultores
De acordo com o economista da SR Rating,
a reflexão que deve ser feita pelo governo é sobre a
melhoria da estrutura produtiva, que possui processos abandonados induzidos pelos altos preços de
commodities. Outro problema é que a nação verde
e amarela está na contramão dos custos para os empresários. Enquanto os salários reais caem na Europa
e nos Estados Unidos, no País ocorre aumento.
Para ilustrar esse cenário, ele mostrou um gráfico que demonstra a evolução gradativa da renda per
capita dos americanos entre 1989 e 2007. Após esse
período, com a crise que assolou o País, é possível
verificar que o indicador estagnou. “No Brasil, os salários correram acima do que o trabalhador entrega,
indo contra a produtividade”, avalia. “Ficamos mais
caros em relação a nós mesmos, o que é um duplo
problema”, complementa Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da Acrefi.
Em contradição à maioria dos economistas brasileiros, Rabello de Castro discorda do pensamento
convencional de que o principal instrumento de
controle de inflação é o juro. O remédio para a “cura
do mercado”, segundo ele, seria alterar os atuais encargos. A produtividade é dizimada exatamente pelo
aumento da carga tributária. “A nossa transição é para
o amadurecimento. O lucro dessa crise é de uma
reflexão no sentido de eficiência e produtividade”,
complementa.
Ao final do encontro, em um debate com Rabello de Castro, Nicola Tingas, economista-chefe da
Acrefi, lembra que a nova matriz econômica – junção dos juros baixos, câmbio mais desvalorizado em
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relação ao dólar e um superávit primário que segue as
necessidades da economia –, apesar de questionada
recentemente, pode ser um escudo para o crescimento. “Se a inflação trouxer novas surpresas, pode ser necessária uma taxa de juro maior. Todavia, depois que
o cenário econômico se acomodar, a taxa pode cair”,
ressalta Tingas.
Por um Brasil eficiente
Rabello é um dos economistas que idealizaram
o “Movimento Brasil Eficiente”, em que defende
que deve haver um conselho fiscal, que dê uma expectativa de o País ficar menos oneroso e decolar
mais facilmente. Para ele, o brasileiro acorda com
manifestações populares, pois a máquina pública é
extremamente onerosa.
O cidadão brasileiro paga 30% de imposto em
tudo que coloca no carrinho de compras. Além disso,
ele trabalha 2,6 mil horas por ano para pagar impostos.
“Não investimos no Brasil que sonhamos ser, e é isso
que confunde as novas gerações. É um desafio o País
se tornar mais eficiente. Fico feliz pela sociedade dar
uma resposta. Podemos apertar o cinto de segurança, vai haver turbulência, mas o avião é de qualidade”,
diz o economista. No entanto, ele é otimista. “Quem
quer que seja o presidente em 2015, trará melhorias
do ponto de vista da organização econômica”, ressalta.
Mercado de veículos
Mariana Pereira Cunha, especialista em direito
administrativo da Cetip, discorreu sobre o registro de
garantias e de contrato de veículos, pelo qual a Resolução nº 4.088 do Banco Central do Brasil exige que as
instituições financeiras realizem o registro do contrato
de financiamento em uma câmara autorizada.
Mesmo as operações de financiamento realizadas antes da entrada da norma em vigor, mas que
ainda estão ativas, devem ser informadas. Segundo
Mariana, a Cetip está pronta para dar o apoio necessário às instituições financeiras que realizam o
financiamento de veículos.
Mariana
Cunha, da
Cetip
“A Cetip está
pronta para
dar o apoio
necessário às
instituições
financeiras
que realizam o
financiamento
de veículos”
A norma entrou em vigor em 30 de abril deste
ano, e o órgão regulador estendeu o prazo para algumas instituições se adaptarem. “Ao desenvolver o produto, a Cetip pensou em não gerar nenhum impacto
operacional ou financeiro para as instituições”, diz. f
Desafios do
“modelo” brasileiro
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Crescente custo da mão de obra
Baixo nível de investimento
Gargalos na infraestrutura
Elevada carga tributária/burocracia
Agravamento dos custos com energia
Isolamento do Brasil dentro do Mercosul
Fonte: RC Consultores
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entrevistamercadodecobrança
Boas
práticas
Por Juliana Jadon
Egberto Blanco,
diretor-presidente do
Instituto Geoc, fala
sobre os desafios do
mercado de cobrança
e explica como a união
das associadas
ajuda o segmento
a se especializar
No início de 2006, representantes de cerca de
dez empresas de cobrança conversavam sobre o
contexto econômico da época e compartilhavam
suas boas práticas no segmento. Das reuniões informais e do desejo de discutir melhorias, foi fundado em 14
de julho do mesmo ano o Instituto Geoc (iGeoc). Egberto
Hernandes Blanco, atual diretor-presidente do instituto
(2013 e 2014), foi um dos fundadores dessa entidade. Ele é
sócio-diretor do Grupo Renac, de recuperação de crédito,
e atua no mercado de cobrança há 25 anos.
Atualmente, o instituto tem 16 associadas, cerca de 14
mil posições de atendimento e 25 mil funcionários, em
250 localidades distribuídas por todo o território nacional.
“Com a união das empresas, somos um grande cliente em
diversos segmentos, temos força. Ganhamos em capilaridade e dividimos as melhores práticas”, diz Blanco.
A principal meta do executivo é buscar o fortalecimento das associadas e trazer novas, por meio de treinamentos constantes, reuniões, eventos e, claro, conversas. Acompanhe entrevista exclusiva:
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Revista Financeiro Faça uma análise sobre o
mercado de crédito e cobrança no Brasil – desafios,
tendências, possibilidades.
Egberto Blanco Sentimos que o mercado voltado
para a concessão de crédito no País busca cada vez mais a
assertividade e o conhecimento do perfil de cada cliente,
com objetivos bem definidos e perseguindo sempre o que
costumeiramente chamamos de “crédito responsável”.
Financeiro Fale sobre o papel e as metas do iGeoc
nesse cenário.
Blanco O objetivo do instituto é fortalecer e aparelhar cada vez mais as associadas para atender às demandas do mercado, que sofre mudanças constantes,
o que exige um alto grau de investimento e adaptações
muito grandes e rápidas.
Fotos: Douglas Luccena
Financeiro Como o profissional de crédito e cobrança deve se preparar para ter sucesso na operação?
Blanco Ele deve conhecer o histórico do produto que
está recuperando e conhecer o perfil do devedor. Temos
scripts de recuperação de crédito. Além disso, é fundamental um treinamento contínuo desses profissionais, para que
estejam preparados para fazer o cliente quitar a dívida e
trazê-lo de volta para o consumo.
Financeiro Em sua opinião, a tecnologia e as ferramentas de cobrança ajudam na operação?
Blanco As ferramentas existentes são importantes e
hábeis. Ainda temos o telefone como a principal fonte de
contato, mas hoje existem vários meios dentro das mídias
sociais que abrem novas possibilidades. Claro que ainda
usamos correspondência, mas os e-mails e SMS (do inglês,
Short Message Service) também começam a mostrar sua
eficiência. A base de tudo isso é um bom cadastro do cliente que obteve o crédito.
Financeiro Como o senhor vê o uso do Big Data nessa área no Brasil?
Blanco O Big Data é uma ferramenta fundamental
para o nosso segmento, porém a sua utilização ainda é tímida. Mas existem investimentos nessa área, com o objetivo
de massificar essa ferramenta.
Financeiro Quais os principais desafios da área de
recuperação de crédito?
Blanco A assertividade na localização do devedor é um
dos desafios na área de recuperação. O cenário econômico
do País e a inadequada educação financeira, que no Brasil
ainda está muito aquém do ideal, complicam. O cliente
em que a recuperação do crédito é mais difícil é aquele
que passa por uma excepcionalidade como desemprego,
problema de saúde ou desequilíbrio financeiro gerado por
alguma despesa inesperada e inevitável.
Financeiro Como funciona o Selo de Qualidade de
recuperação de crédito concedido pelo iGeoc em parceria
com a Fundação Getulio Vargas (FGV)?
Blanco O selo foi criado em 2006, em parceria com
a FGV, que desenvolveu um programa específico para o
segmento, com 85 itens a serem analisados dentro das empresas de cobrança. A auditoria e certificação são feitas pela
Fundação Vanzolini, da Universidade de São Paulo (USP),
referência em excelência de processos de produção. As auditorias são realizadas a cada dois anos, com uma análise
documental e outra presencial. Entre outras coisas, avaliamos alguns pilares fundamentais como: visão estratégica,
o portfólio de clientes, os processos de cobrança administrativa e judicial, a obediência à legislação e os códigos de
conduta, tecnologia, segurança de dados, investimento em
treinamento de pessoal e resultados.
Financeiro Em que situações o MBA (do inglês,
Master of Business Administration) de crédito e cobrança
é importante e que tipo de qualificações oferece para os
profissionais que atuam nesse mercado?
Blanco O instituto investe fortemente na educação
como um veículo de transformação, evolução e promoção
de excelência. O MBA é resultado de uma parceria com o
Grupo Ibmec – instituição de ensino com excelência na
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entrevistamercadodecobrança
ção em alta e índices de inadimplência que insistem em
perdurar, preocupa. Em tese, passamos a ter mais cobrança.
Todavia, sempre que há uma evolução desse índice, há um
desconforto financeiro e econômico da sociedade. Em resumo, temos cobrança para fazer, mas em alguns casos não
há como receber em razão desse panorama adverso.
Financeiro Qual o perfil mais crítico do cliente
endividado?
Blanco Verificamos um perfil que se endivida já por
conta de um segundo veículo, que não é o popular. Alguns
clientes, mesmo trabalhando, não têm cautela nem administração sobre os valores contratados. Temos um público
novo entrando anualmente no mercado de consumo, mas
até quando isso vai acontecer?
formação de líderes nas áreas de negócios, economia, administração, direito e relações internacionais – e destinado
ao público que tem interesse e trabalha com concessão de
crédito e com recuperação. O fundamento básico do curso
é formar uma base de gestão mais aprimorada, considerando um cenário competitivo e de mudanças constantes desse segmento. Não é restrito aos funcionários das associadas.
É aberto ao mercado.
Financeiro O atual contexto econômico gera quais
impactos no mercado de cobrança?
Blanco A mudança do mercado é uma constante. As
associadas, de maneira geral, precisam se desdobrar para
atender à demanda. Essa adaptação e os investimentos
precisam ser rápidos. É evidente que um cenário de infla-
Financeiro Em que frentes de trabalho o Instituto
Geoc se destaca?
Blanco Temos equipes compostas por membros de
todas as associadas. Chamamos, por exemplo, os responsáveis pela área de Tecnologia da Informação (TI), de
Relações Humanas (RH) e de benchmark para discutir
ferramentas de trabalho, treinamentos e outros diversos
temas. Muitas vezes, uma das associadas está usando uma
nova ferramenta que é eficiente. Assim, o representante
da companhia conta o caso, que pode servir de inspiração
para outras empresas. Estamos alinhando todas essas bases
para ter indicadores consistentes do mercado.
Financeiro Quais os seus principais desafios enquanto presidente do iGeoc?
Blanco Não diria desafios, mas o principal objetivo
é fortalecer as empresas do segmento. Tem sido assim
ao longo de cada gestão no instituto. Vamos buscar
esse fortalecimento e trazer novas associadas, além de
ampliar o trabalho de educação financeira e continuar
com investimentos em áreas voltadas ao treinamento
e capacitação dos profissionais deste segmento. Temos
várias frentes de trabalho e construímos muita coisa. A
execução disso é a busca constante.
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artigocessãodecrédito
Por Joaquim
Kavakama
A Câmara de Cessões de Crédito (C3) integra um arcabouço de regulação prudencial
ampliado e de qualidade no Brasil. Autorizada
a funcionar pelo Banco Central do Brasil e operada pela Câmara Interbancária de Pagamentos
(CIP), iniciou as atividades de carga de estoque
dos contratos de financiamento de veículos e de
créditos consignados em folha de pagamento, cedidos entre instituições financeiras e/ou fundos,
em agosto de 2011 e, em janeiro de 2012, passou
a controlar o fluxo financeiro da operação, simultaneamente com entrega da propriedade da carteira cedida ao comprador, conhecida no jargão
do mercado de “entrega contra pagamento”.
As operações na C3 têm progredido e, entre
fevereiro e maio deste ano, houve um aumento
de 44% na quantidade de contratos negociados
e 77% em valor, comparativamente ao mesmo
período de 2012. Suas atividades tenderão ainda
a crescer com o aprimoramento de controles sobre os ativos negociados.
Neste sentido, a CIP firmou recentemente parceria com a Cetip para que os contratos de financiamento de veículos objeto de cessão de crédito
passem a ser monitorados pelo Sistema Nacional
de Gravames (SNG), comprovando a existência
da operação de financiamento e a garantia a ele
associada, neste caso o próprio veículo financiado.
Esta nova funcionalidade ainda depende de autorização do Banco Central do Brasil para ser disponibilizada aos participantes da C3, e acreditamos
que, em breve, estará em funcionamento.
Em outra frente de trabalho, estamos em processo de efetuar estas validações e monitoração
para os contratos de crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estamos
testando a interface entre a Dataprev e a CIP e
esperamos já no segundo semestre deste ano iniciar a operação desta funcionalidade.
As novas funcionalidades da C3 irão trazer
maior segurança para as operações de cessão de
crédito, contribuindo para o aprimoramento do
funding destas operações e ampliação na oferta
de crédito. f
Joaquim Kavakama
é presidente da CIP
Foto ShutterStock/Divulgação/Artigo enviado em junho de 2013
A evolução do mercado
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lazercultura
No compasso da
música clássica
Sofisticação nos detalhes, tecnologia acústica e
programação inigualável destacam a Sala São Paulo
como um grande instrumento da Osesp e do estilo de
composição clássico no Brasil
Por Isabella Villalba
Um grande ritual da música clássica se inicia. O público está em silêncio, à espera da Orquestra Sinfônica do Estado de São
Paulo. Como sempre, o prestigiado conjunto sobe ao palco discretamente – verifica as partituras e os instrumentos–, antes da entrada do primeiro violino, conhecido também como spalla. Aplaudido, o violinista começa a ajustar
a afinação dos músicos. Atrás da coxia, a maestrina americana Marin Alsop se concentra e cumprimenta-o, num
símbolo de mesura a todos os grupos melodiosos ali presentes, como sopro, cordas e percussão. Em seguida, ela
agradece o louvor da plateia e o concerto começa. Essa cena acontece a cada apresentação pelos palcos mundo
afora ou dentro de casa, a belíssima Sala São Paulo, que abriga a Osesp desde 1999.
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História e restauração
Arquitetura em estilo clássico francês, vitrais com
motivos de divindades greco-romanas, colunas e arcos simétricos, escadarias revestidas de mármore, piso
em mosaico, referências ao café... Além dos concertos
da Osesp e de instrumentistas de prestígio internacional, tudo inspira o visitante da Sala São Paulo – localizada próxima às estações Júlio Prestes, de trem, e
Metrô Luz, no centro da capital paulista. Sua história
começa com a construção do antigo edifício Estrada
de Ferro Sorocabana, em 1926, que só terminou em
1938. Por lá, já passavam os trens que transportavam,
em maioria, sacos de café do interior do Estado para
a capital. Com a decadência das linhas férreas, a parte
administrativa do prédio foi fechada em meados da
década de 50, e o salão principal passou a ser utilizado
para eventos da cidade nos anos 80.
Foto: Stefan Schmeling
Foto: Tuca Vieira
Foto: Stefan Schmeling
Foto: Stefan Schmeling
Inspiração
A arquitetura em estilo
clássico francês, colunas
e arcos simétricos e piso
em mosaico dão charme
ao ambiente
Em 1995, a Osesp tocou no Salão das Artes do
edifício pela primeira vez. Naquela época, o governo
do Estado estava em busca de espaços adequados
para apresentações sinfônicas e, principalmente, de
um local-sede para a orquestra. De fato, a restauração começou em novembro de 1997 e durou cerca
de um ano e meio. No antigo jardim de inverno do
prédio, foi construída a Sala São Paulo, inaugurada
em 9 de julho de 1999, junto ao Complexo Cultural Júlio Prestes. Mesmo ano de seu tombamento,
pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,
Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).
Embora a estação ainda funcione, o local deixou o
foco econômico e entrou, definitivamente, para o
circuito cultural paulistano, transformando-se em
um endereço certo de concertos de composições
eruditas, modernas e contemporâneas.
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lazercultura
Foto: Stefan Schmeling
Segredos da acústica impecável
Hoje, a sala é modelo em espaço de ensaio e apresentações de
orquestras sinfônicas e de câmara
no País. Construída dentro dos
padrões internacionais mais sofisticados, pode-se equipará-la às
três melhores do mundo – Boston
Symphonic Hall, Musikvereinssaal, de Viena, e Concertgebouw,
de Amsterdã. “O espaço foi todo
pensando em prol de uma acústica ideal”, explica Renata Lípia, supervisora do Núcleo de Educação
Patrimonial, que monitora visitas
de turistas, estudantes e curiosos
à sala. Única no mundo com teto
móvel, a Sala São Paulo pode se
adaptar a qualquer tipo de programação. Se a composição escolhida
para o concerto for pensada para
ser executada em uma catedral,
as 15 placas, de 7,5 toneladas cada
uma, que constituem a superfície
do ambiente, podem ser elevadas
até 25 metros de altura. Se o contrário for necessário, elas podem
ser rebaixadas a 6 metros acima
da plateia para a apresentação de
músicas pensadas para palacetes,
por exemplo. As diferenças de tamanho da sala alteram o volume
e ajudam a reverberação do som.
Debaixo do piso, discos de neoprene – tipo de borracha comumente
utilizada para roupas de surfista –
foram posicionados. Com espessura de 15 centímetros, são capazes de isolar e amortecer qualquer
ruído ou trepidação vindos dos
trens. “As cadeiras ‘imitam o corpo
humano’: simulam a presença da
plateia, para que não haja diferenças entre o espaço vazio, quando há
mais eco”, acrescenta Renata.
Renata Lípia
“O espaço foi
todo pensado
em prol de uma
acústica ideal”
Grupos de estudantes, turistas e curiosos em
geral podem participar de passeios guiados por
especialistas na história da sede da Orquestra
Sinfônica do Estado de São Paulo. A visita
compartilha detalhes sobre o processo de
construção, o restauro, a acústica da sala e
outras informações interessantes.
Dá para ver a estrada de ferro, ainda em
funcionamento. O passeio monitorado ao
patrimônio histórico tombado dura cerca
de uma hora. Fotos são permitidas.
De segunda a sexta, das 13h às 16h30 (R$ 5,
estudantes, professores e aposentados pagam
meia-entrada); sábado, às 13h30 (grátis);
domingo, às 13h (grátis).
O agendamento deve ser feito pelo
e-mail [email protected] ou pelo
telefone (11) 3367–9573.
Foto: Douglas Luccena
Visitas monitoradas
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Foto: Alessandra Fratus
Destaque musical
O plano é que a Osesp alcance posições cada
vez maiores em relação às grandes orquestras
mundiais de ponta nos próximos anos. A revista
“Gramophone”, prestigiado veículo britânico especializado em música clássica, tem destacado a
orquestra como a principal do Brasil. Com a chegada da norte-americana Marin Alsop em 2012,
a publicação afirmou que a Osesp deverá atrair
ainda mais público. A nova regente titular deve
segurar a batuta, pelo menos, até 2016.
Em outubro, a Osesp viajará para uma série de 15
apresentações na Europa. “Depois de uma recepção
tão calorosa em 2012, quando fomos pela primeira
vez ao festival de música clássica BBC Proms, estamos maravilhados em voltar a tocar para a plateia
europeia durante o que será nossa maior turnê até
o momento. Estamos na expectativa para a Copa
do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016; vamos
balançar a bandeira do Brasil. Estamos muito animados”, comentou a maestrina Marin Alsop.
A programação de ensaios abertos e concertos
da temporada 2013 pode ser consultada no site:
http://www.osesp.art.br. f
Números e curiosidades
O edifício de 87 anos de idade tem 24 metros de pé-direito e 1.000
metros quadrados de piso. Desde a inauguração, em 1999, até 2012,
a sala recebeu público de 839.164 pessoas.
O palco, com 320 metros quadrados, tem capacidade para até
140 músicos. Foi feito em madeira freijó, mais macia que a paumarfim, escolhida para as colunas da casa da Osesp, ideal para uma
reverberação ótima do som. Além do coro e da academia Osesp, a
orquestra é formada por 128 profissionais, dentre eles 37 violinistas,
cinco clarinetistas, cinco percussionistas, oito trompistas e mais,
totalizando 17 famílias de instrumentos. Os músicos dispõem de
12 camarins, nove salas de ensaio com paredes acústicas, além de
bibliotecas de partituras e estúdios de gravação.
Há 22 camarotes no mezanino e a plateia pode se acomodar em 1.469
assentos, além de 15 lugares para cadeirantes. O estacionamento com
668 veículos foi construído durante a restauração, que teve início em
novembro de 1997.
SERVIÇO
Sala São Paulo
LOCALIZAÇÃO: PRAÇA JÚLIO PRESTES, 16, LUZ
BILHETERIA ABERTA DE: SEGUNDA A SEXTA, DAS 10 ÀS 18 HORAS;
SÁBADO, DAS 10H ÀS 16H30; DOMINGO, DAS 9 ÀS 11 HORAS,
SE HOUVER ESPETÁCULO
TELEFONE: (11) 3223–3966
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artigomacroeconomia
Por Nicola Tingas
A recente mudança no panorama econômico
internacional conjuntamente com a frustração na
evolução desejada do contexto econômico brasileiro
tiveram por consequência uma pressão inequívoca
por ajuste dos indicadores-chave da economia brasileira: preços de bens e serviços (inflação), câmbio e
juros. Portanto, os desajustes acumulados na economia brasileira frente ao quadro global e a dificuldade de
relançar consistentemente o crescimento econômico,
exaltaram os desequilíbrios entre as principais variáveis
de precificação macroeconômica, forçando seu ajuste
nas semanas recentes e, possivelmente, ainda assim
será mais à frente.
O desafio do governo é sacrificar o mínimo possível a evolução da economia em 2013, enquanto
prepara fortalecimento e melhora das condições econômicas até o último trimestre de 2014, quando da
realização da eleição presidencial. O modelo de crescimento por demanda de consumo é inviável neste
momento do ciclo econômico brasileiro, restando
opção na busca da ampliação da oferta na economia
como melhor possibilidade de sair da rota do baixo
crescimento e alta inflação. Contudo, como se sabe,
o crescimento através da maior oferta (investimento,
produtividade, competitividade, educação de qualidade e inovação em geral) requer um tempo bem maior
que o do atual calendário político-eleitoral.
Os movimentos e decisões governamentais recentes trazem sinais na direção de que o governo está
buscando realizar uma etapa de redução de dispersões
(assimetrias) dos principais indicadores - chave (inflação, juros e câmbio), de forma a reduzir a intensa e
crescente vulnerabilidade que emerge na conjuntura
econômica brasileira - setor externo, setor fiscal, preços
e salários, juros e câmbio, afora questões ligadas à competitividade e produtividade.
Portanto, o ano de 2013 deixou de ser considerado para obtenção de resultados substanciais. Nossa
compreensão é de que a meta do Governo Executivo
(Fazenda e outros) e Banco Central é a redução de assimetrias, mas com limitações:
1) A inflação não poderá ser reduzida até os 4,5%
da meta, nem mesmo em 2014. A ação será atenuar sua
elevação atual e buscar obter alguma retração em 2014;
2) A credibilidade da gestão econômica foi abalada. Contudo, houve a ação positiva do Banco Central
em subir os juros e sinalizar retomada no “canal de comunicação” com os mercados, inclusive, sinalizando
consistência no enfrentamento da inflação.
Mesmo assim, a política monetária não poderá
contar com ajuda substancial e decisiva da política
fiscal que continuará expansiva, inclusive dificultando
melhores resultados na reversão das expectativas e
controle de inflação. Dessa forma, se a situação da conjuntura econômica demandar, a “surpresa” poderá ser
que o Banco Central coloque a taxa de juros em dois
dígitos até o fim do ano, ou no início do próximo ano.
3) A sinalização do artigo negativo sobre Brasil feito pela revista The Economist, na mesma semana de
junho em que a agência Standard &Poor´s colocou o
país sob observação para redução de seu conceito de
rating (piora de condição de risco-país), evidenciou o
risco de deterioração das contas externas, já apontado
pelos déficits em conta corrente e decréscimo dos saldos da balança comercial.
Nesse quadro, o financiamento externo para o país
está sendo reduzido, em um contexto que agrega a proximidade da redução do estimulo monetário do Fed
Foto: Divulgação/Artigo enviado em junho de 2013
Ajuste dos
indicadores-chave
da economia
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nos mercados, e, portanto, a valorização do dólar em escala
global. Ainda mais, há o efeito de pressão na taxa de câmbio
proveniente da queda das importações pela China devido
às dificuldades na desaceleração de seu ritmo de crescimento, resultante da transição de seu modelo de crescimento induzido por investimento para um modelo de crescimento
via demanda doméstica.
Por fim, a deterioração da geração de divisas cria risco de
mudança para pior das condições do Balanço de Pagamentos. O mais provável é que será permitida uma maior desvalorização do Real, atentando se possível para os impactos desta
no passivo dolarizado das empresas e os efeitos na inflação
(pass-through) que atualmente não devem ser elevados.
Portanto, entre juros e câmbio, o que pode surpreender
mais será uma correção ainda maior da taxa de câmbio.
4) O PIB será realmente fraco este ano, com alguma
recuperação mais acentuada no quarto trimestre, mas sem
condições de melhorar o ritmo de crescimento em base
anual. Para 2014, atingir o patamar do PIB potencial (estimado próximo a 3%) já é algo razoável. Contudo, há que
ser lembrado que esse patamar é baixo perante países pares
ao Brasil e insuficiente para efetivo atendimento às necessidades econômico-sociais e educacionais da população, que
foram explicitadas de maneira ruidosa nas manifestações de
rua que tomaram conta do País em junho.
O melhor a fazer é manter o foco na gestão de qualidade dos negócios, a redução de ineficiências, o aumento
de produtividade, buscando inovação e diversificação para
sobrepor-se à presente insuficiência da atividade econômica; tanto para a dinâmica comercial dos negócios, como
também para as finanças empresariais e pessoais. f
Nicola Tingas
é economista-chefe da Acrefi
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artigoensino
A deficiência
Por Aquiles
Leonardo Diniz
O Brasil é a sétima maior economia do mundo,
totalizando um Produto Interno Bruto (PIB) de US$
2,42 trilhões em 2012. Desse valor, 6,1% do PIB foi
destinado à educação no ano passado. É uma verba
alta, um volume de recursos maior do que é investido
pelo Reino Unido, Canadá, Japão e Alemanha, por
exemplo. Dos 42 países membros da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), o Brasil possui um dos índices mais altos de
investimento em educação, ocupando o 15º lugar.
Porém, quando falamos em qualidade do ensino,
o Brasil aparece na 53ª posição, segundo programa de
avaliação da OCDE. Por que isso acontece? Na prática,
investimentos mais altos deveriam resultar em melhor
desempenho dos estudantes. Mas não é isso que as
pesquisas demonstram. Segundo relatório do Fórum
Econômico Mundial, publicado em abril deste ano, o
Brasil é um dos piores países do mundo nos ensinos de
matemática e ciências, ocupando a 132ª posição, entre
144 nações avaliadas. O país que investe 6,1% do PIB
em educação, aparece atrás de países como Venezuela,
Colômbia, Camboja e Etiópia. Na categoria sistema
educacional, o Brasil ocupa o 116º lugar no ranking,
atrás de Gana e Cazaquistão.
Parafraseando o presidente da Acrefi, Érico Sodré
Quirino Ferreira, o Brasil só será um país de Primeiro
Mundo quando a educação for sua verdadeira prioridade. Investir em educação é primordial para a geração
de empregos mais qualificados e consequentemente
para aumentar a eficiência produtiva de um povo. Mas
é preciso investir naquilo que é realmente relevante.
A presidente Dilma Rousseff quer criar mais iniciativas que repassem verbas para a área de educação. Um
dos projetos de lei apresentados quer repassar todo o
valor dos royalties do petróleo, assim como todos os
recursos públicos que vierem das reservas que o Brasil
descobriu em águas profundas, em investimento em
educação. A proposta foi inicialmente vetada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada, o valor do PIB destinado à educação irá aumentar,
mas isso não significará nada se o dinheiro continuar
desperdiçado com falta de bons projetos e má gestão.
O recurso precisa ser gasto de forma eficiente.
Boas ideias são corriqueiramente vetadas. O ex-governador de São Paulo, José Serra, instituiu durante o seu
mandato um sistema de promoção de professores por
mérito e de qualificação dos profissionais. O Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São
Paulo (Apeoesp) foi contra e entrou até mesmo com
uma greve. É preciso que o governo se conscientize
de que a transformação das escolas deve começar pelo
treinamento, valorização e formação dos professores,
principais condutores do processo pedagógico.
Manobras tentam suprir a deficiência de ensino
das escolas públicas. Desde o ano passado, o regime
de cotas garante 50% das vagas das universidades e
instituições federais aos alunos que estudaram durante
todo o ensino médio em escola pública, obedecendo
também aos critérios de cor de pele. Em minha opinião, esse projeto irá diminuir a pressão em favor da
melhoria do ensino em escola pública e ainda fará com
que estes alunos beneficiados se esforcem menos, já
que terão suas vagas “reservadas”.
A educação está diretamente ligada ao desenvolvimento, produtividade e renda das pessoas e dos países. O Brasil e principalmente os jovens devem estar
preparados para absorver os aumentos de demanda e
aproveitar as oportunidades que estão surgindo. f
Aquiles Leonardo Diniz,
vice-presidente da Associação Nacional das
Instituições de Crédito, Financiamento e
Investimento (Acrefi)
Foto: Divulgação/Artigo enviado em junho de 2013
do sistema educacional brasileiro
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panoramacetip
Estrada
ensolarada
Por Juliana Jadon
Financiamento de veículos cresce 23% nos cinco
primeiros meses deste ano, comparado com o
mesmo período do ano anterior. O dado da Cetip
demonstra avanços para o segmento
Entre uma das prioridades dos consumidores que optam por financiamentos, está a compra de veículos. Nos cinco primeiros meses
deste ano, as operações de financiamento de automóveis totalizaram R$ 88
bilhões, um salto de 23% em comparação com o mesmo
período de 2012. No valor estão contempladas as operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), leasing
e consórcio. Os dados são da Cetip, operadora do Sistema Nacional de Gravames (SNG). Em maio, as vendas
de veículos financiados atingi¬ram 568,6 mil unidades,
volume considerado estável em comparação com o mesmo período do ano passado. Na categoria de autos leves,
houve uma alta de 13% nas vendas financiadas, alcançando 194,7 mil unidades. Em comparação com abril, o
crescimento foi de 4%, de acordo com Cristiano Dantas,
gerente comercial da Cetip.
O executivo também apresentou, em maio, dados
consolidados do primeiro trimestre deste ano durante evento na Associação Nacional das Instituições de
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No primeiro trimestre deste ano
foram financiados, em média,
521 mil veículos (autos leves,
pesados e motos) por mês
Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). Na análise dos três
primeiros meses do ano, verifica-se uma queda de 7,4% no volume
total de veículos financiados em
comparação com o mesmo período de 2012. Nota-se que o menor
número de dias úteis em fevereiro
em comparação a janeiro e março
contribuiu para um menor volume
de financiamentos, acompanhando
o movimento das vendas totais de
veículos neste período. De acordo
com informações da Federação
Nacional da Distribuição de Veí-
culos Automotores (Fenabrave),
as vendas totais em fevereiro caíram
de 1,44 milhão de unidades, em janeiro, para 1,2 milhão em fevereiro.
“Mas avaliando o mês de março, verificamos um crescimento de
17% em relação ao mês anterior no
volume de veículos financiados”,
afirma o executivo. No primeiro trimestre foram financiados, em média, 521 mil veículos (autos leves,
pesados e motos) por mês.
O tíquete médio dos financiamentos de veículos leves ficou
estável, passando de R$ 20,3 mil
Participação
de veículos novos e usados
Autos leves
Novos
Usados
Motos
Cristiano Dantas, da Cetip
“Avaliando o mês de
março, verificamos um
crescimento de 17% em
relação ao mês anterior
no volume de veículos
financiados”
Novas
Usadas
Fotos: Shutterstock/Arquivo
Pesados
Novos
Usados
Fonte: Cetip
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panoramacetip
Confira a participação de cada
região do País no financiamento de veículos
durante o primeiro trimestre deste ano:
Norte
Share: 5,6%
Novos: 71,6%
Usados: 28,4%
CDC: 61,6%
Fonte: Cetip
Nordeste
Share: 18,3%
Novos: 50,0%
Usados: 50,0%
CDC: 69,4%
Roraima
Amapá
Amazonas
Pará
Maranhão
Ceará
Rio Grande do Norte
Paraíba
Piauí
Pernambuco
Acre
Alagoas
Rondônia
Tocantins
Sergipe
Bahia
Mato Grosso
Distrito
Federal
Goiás
Minas Gerais
Centro-Oeste
Share: 9,6%
Novos: 56,8%
Usados: 43,2%
CDC: 85,3%
Espírito
Santo
Mato Grosso
do Sul
São Paulo
Rio de Janeiro
Região Sudeste
Autos leves – 82%
Pesados – 7,4%
Motos – 9,8%
Outros – 0,7%
Fonte: Cetip
De acordo com a
Cetip, o financiamento
de veículos gerou, em
média, R$ 12,3 bilhões
por mês
entre janeiro e março do ano passado para
R$ 20,2 mil no primeiro trimestre deste ano.
Dantas também apresentou os dados da concentração dos financiamentos
de veículos (leves, motos e pesados) por
região (ver quadro). O destaque fica por
conta do Sudeste, que contempla 45,9% da
participação de financiamentos no mercado brasileiro. O CDC é a modalidade mais
utilizada pelos consumidores na compra
de motos, veículos leves e pesados.”, conclui o executivo da Cetip.
Paraná
Sudeste
Share: 45,9%
Novos: 43,8%
Usados: 56,2%
CDC: 89,3%
Santa
Catarina
Rio Grande
do Sul
Sul
Share: 20,6%
Novos: 57,4%
Usados: 42,6%
CDC: 89,5%
Vale destacar o volume de vendas de
motocicletas na região Nordeste, que respondeu por 33,7% dos veículos financiados
na região no primeiro trimestre deste ano.
No Norte, esta representação é ainda maior:
o segmento de duas rodas representou
41,2% dos veículos financiados entre janeiro
e março deste ano. Boa parte das aquisições
foi feita por meio de consórcio. De acordo
com a Cetip, a modalidade de crédito respondeu por 38,5% dos veículos financiados
na região Norte e por 29,7% no Nordeste. f
Imóveis
A Cetip, como integradora do
mercado financeiro, lançou
recentemente a plataforma
imobiliária Gestão de Garantias. A
solução permite o processamento
e envio eletrônico de dados de
imóveis entre as instituições que
farão o financiamento desses bens
e os avaliadores. A plataforma, a
primeira do mercado brasileiro,
contribuirá para reduzir o tempo
e o custo da avaliação e para
acelerar a liberação do crédito.
O produto marca a entrada da
Cetip no setor imobiliário, que
movimentou R$ 277 bilhões em
2012, de acordo com o Banco
Central do Brasil.
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artigomercadodeveículos
Por Luiz Carlos Mello
Na definição, ainda, das iniciativas visando ao pleno alinhamento aos compromissos com o InovarAuto, certamente as montadoras se preocupam com a
ampliação da base educacional dos seus profissionais,
na especialização e na habilidade de gestão sem a qual
mais conhecimento pode se confundir com um arsenal de aplicação desfocado em intensidade e pontaria.
Ao se olhar tais obrigações, não podemos esquecer
que esse movimento é simultâneo ao dos desafios nacionais de solução somente em longo prazo: o primeiro,
o da superação do modestíssimo nível de escolaridade
média, que cresceu nos últimos 20 anos, segundo o
IBGE, de cinco para apenas 7,3 anos, conforme ressalta
a professora Suely Caldas, da PUC–Rio, em recente artigo, ao dizer que “isso explica a nossa baixa produtividade
do trabalho, comparada com os países asiáticos, onde é
comum o trabalhador ter nível universitário”. Segundo,
a ausência de uma agenda nacional a integrar formação
educacional, pesquisa, inovação e desenvolvimento,
como destacaram os professores Luiz Cury e Evandro
Silva (“Valor”, 31/3/11), ao chamar a atenção para a
pouca cooperação entre a indústria e a universidade.
A reflexão que nos provoca esses artigos introjeta
-nos alguns receios: de que montadoras e cadeia estejam presas a uma atitude bem típica de setores ao
atuarem como executores de processos, mas não exatamente como centros de criação e de inovação de produto. Pelo menos, não na dimensão e na necessidade
a se exigir compulsoriamente de países, como o nosso,
inseridos na intercambiabilidade e interdependência
dos dias de hoje e de amanhã e, portanto, obrigados a
produzir inteligência.
É de se notar, para um bom equilíbrio de considerações, ser o avanço educacional uma responsabilidade
que vai além das iniciativas restritas a montadoras e elos
da cadeia. Na realidade, começa, expande-se e se consolida na consciência de cada profissional, a bem dizer ,
o único fiador de sua própria empregabilidade.
Talvez, afoitamente, possamos dizer que uma
certa atitude conformista marca indistintamente
empregadores e empregados na protegida área automotiva, e replica o comportamento “laisser faire” que
marcou o empreendedorismo nativo, se e quando
eventualmente este veio a cogitar da instalação de
uma indústria automobilística de capital e controle
nacionais. Os exemplos quixotescos, sem demérito à
intrepidez dos que pelo menos intentaram fracionar
esse “status quo” de imobilismo, estão aí ainda fornecendo anedotas e chistes. Pior: reforçam o tratamento assistencialista e protecionista de território com
que, desde a era Kubitschek à atual, todos se esforçam
por caracterizar como “políticas”.
É tempo de revisar atitudes passivas e intentar novos caminhos na linha de compromissos com a educação e que ultrapassem a compulsória obediência a
regulações assecuratórias de benesses tributárias.
Luiz Carlos Mello
é coordenador-geral do Centro de
Estudos Automotivos
Foto Shutterstock/Artigo enviado em junho de 2013
Educação na gestão automotiva
f
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análiseeperspectivas
A evolução recente
do crédito pessoal
Quem buscou as instituições financeiras a fim de
contratar empréstimos nos últimos meses se deparou
com taxas de juros mais convidativas. Isso porque os
bancos passaram a seguir as orientações do governo
de redução de taxa de juros. Tais reduções fazem parte de políticas de aquecimento da economia (isenção
de impostos, redução de taxas...).
Essas políticas de redução/isenção de impostos
atuam de forma a aumentar a demanda por produtos,
o que por sua vez aumenta a
Por prof. dr. Alberto Borges Matias,
procura por moeda e que,
com colaboração de João Gabriel Sehn
combinado com as menores
taxas de juros, faz aumentar
ainda mais o volume de concessões de crédito. Esse
comportamento ocorre com o mercado de crédito
em geral e também em suas modalidades. Dentre
estas está o crédito pessoal, que representa 15% das
operações de crédito totais para pessoas físicas. É
composto por consignado e não consignado. O
comportamento indicado anteriormente é explicitado no Gráfico 1 a seguir.
É facilmente perceptível o aumento ocorrido
do fim do ano passado para cá, principalmente
para o crédito consignado. Também é notável o
maior volume para o crédito consignado, pois as
taxas de juros são bem mais atrativas: 67,7% a.a. (o
que representa 4,4% a.m.) para o não consignado e
24,3% a.a. (1,83% a.m) para o consignado (dados
de abril de 2013). Ainda que a diferença entre as
duas modalidades seja alta, ela já foi maior. Por
exemplo: em fevereiro de 2012, os valores eram
de 81,2% a.a. (5,08% a.m.) e 28,7% a.a. (2,12%
a.m.), respectivamente.
Muitas vezes, quando há aumento no volume
de crédito, surge uma preocupação com as taxas
de inadimplência e insolvência, pois há um senso
comum de que a expansão do crédito é acompanhada pelo atraso e/ou não pagamento dos
compromissos assumidos. Essa situação deve ser
analisada com atenção e de maneira menos generalizada. Pode-se perceber pela análise conjunta
dos Gráficos 1, 2 e 3 que essa relação não é verificada diretamente.
Assim, não há significativo aumento dos atrasos de pagamento, tanto no período de 15 a 90
dias quanto no que ultrapassa 90 dias. No crédito
consignado, algumas variações no atraso de curto
prazo não se refletem no não pagamento de longo
prazo; esse fato sugere a importância e a necessidade de conscientizar o tomador de crédito no que
concerne ao comprometimento mensal de sua
renda e à dívida que será adquirida.
No caso do não consignado, também há algumas variações, porém que acabam se refletindo no
atraso até 90 dias. Também a falta de planejamento
do tomador de crédito, somada às maiores taxas
praticadas, devem ser consideradas nesta situação.
Em suma, conclui-se que, dependendo da modalidade, as variáveis devem ser analisadas conforme o
contexto de aplicação, ou seja, o devedor do consignado costuma pagar suas dívidas com pequeno
atraso, já o do não consignado costuma continuar
em atraso. Isso ocorre não porque, simplesmente,
ocorreu uma maior concessão de crédito, mas em
ambos os casos a falta de planejamento e a de instrução sobre o impacto desse recurso no orçamento – e, no caso do não consignado, taxas maiores
que complicam a sustentabilidade da dívida –, são
fatores que contribuem ou atrapalham o devedor
na hora de gerenciar suas dívidas.
56 FINANCEIRO julho 2013
Finan81 artigo INEPAD.indd 56
7/3/13 7:51 PM
CRÉDITO PESSOAL – CONSIGNADO
GRÁFICO 1
E
NÃO CONSIGNADO
ATRASO 15
A
90
DIAS
GRÁFICO 2
– CRÉDITO PESSOAL
GRÁFICO 3
ATRASO ACIMA DE 90 DIAS – CRÉDITO PESSOAL
Portanto, o que fica perceptível é
o reflexo das políticas de aquecimento
da economia propostas pelo governo
no mercado de crédito brasileiro. Porém, é necessária cautela, a facilidade
de crédito não pode ser confundida
com necessidade de tomar emprestado. É importante um bom planejamento antes de contrair dívidas e,
neste sentido, tomadores e emprestadores possuem importantes papéis a
cumprir. Mantendo-se uma política
de redução de juros e o uso consciente
do crédito, as taxas de inadimplência
e insolvência serão mantidas, causando menos transtornos às instituições
financeiras e seus clientes. f
ELABORADO PELO
CENTRO DE PESQUISAS
DO INEPAD - NÚCLEO
CEPEFIN:
Alberto Borges Matias
Diretor-Presidente
do Inepad. Professor
titular do Departamento
de Administração da
Faculdade de Economia,
Administração e
Contabilidade da
Universidade de São Paulo
no campus de Ribeirão
Preto. Livre-docente em
Finanças, atuando nos
programas de graduação,
pós-graduação e MBAs
da universidade
APOIO:
João Gabriel Sehn
Pesquisador do
Centro de Pesquisas
do Inepad – Núcleo
Cepefin. Graduando em
economia empresarial
e controladoria pela
Faculdade de Economia,
Administração e
Contabilidade da
Universidade de
São Paulo no campus de
Ribeirão Preto.
julho 2013 FINANCEIRO 57
Finan81 artigo INEPAD.indd 57
7/3/13 7:51 PM
bancodedadosinepad
Taxas médias: geral
Data
Var. p.p.
Captações
Spread
Var. p.p.
abr/12
Aplicações
22,6
-0,8
7,8
-0,3
14,8
-0,5
mai/12
21,1
-1,5
7,4
-0,4
13,7
-1,1
jun/12
20,1
-1,0
7,3
-0,1
12,8
-0,9
jul/12
19,9
-0,2
6,9
-0,4
13,0
0,2
ago/12
19,6
-0,3
6,9
0,0
12,7
-0,3
set/12
19,4
-0,2
6,8
-0,1
12,6
-0,1
out/12
19,0
-0,4
6,6
-0,2
12,4
-0,2
nov/12
18,9
-0,1
6,6
0,0
12,3
-0,1
dez/12
18,0
-0,9
6,5
-0,1
11,5
-0,8
jan/13
18,6
0,6
6,4
-0,1
12,2
0,7
fev/13
18,7
0,1
6,6
0,2
12,1
-0,1
mar/13
18,5
-0,2
6,8
0,2
11,7
-0,4
abr/13
18,5
0,0
6,8
0,0
11,7
0,0
-3,1
-1,0
-4,1
Variação fev/fev
Var. p.p.
Fonte: BC/Inepad
Taxas médias: pessoa física
Data
Aplicações
Spread
Var. p.p.
-1,3
8,2
-0,4
21,1
-0,9
-1,7
7,8
-0,4
19,8
-1,3
26,3
-1,3
7,6
-0,2
18,7
-1,1
jul/12
26,2
-0,1
7,3
-0,3
18,9
0,2
ago/12
25,7
-0,5
7,2
-0,1
18,5
-0,4
set/12
25,7
0,0
7,2
0,0
18,5
0,0
out/12
25,5
-0,2
6,8
-0,4
18,7
0,2
nov/12
25,1
-0,4
6,8
0,0
18,3
-0,4
dez/12
24,3
-0,8
6,6
-0,2
17,7
-0,6
jan/13
24,7
0,4
6,7
0,1
18,0
0,3
fev/13
24,9
0,2
7,0
0,3
17,9
-0,1
mar/13
24,4
-0,5
7,1
0,1
17,3
-0,6
abr/13
24,3
-0,1
7,0
-0,1
17,3
abr/12
29,3
mai/12
27,6
jun/12
Var. p.p.
Captações
-1,2
-5,0
Variação abr-abr
Var. p.p.
0,0
-3,8
Fonte: BC/Inepad
Taxas médias: pessoa jurídica
Data
Aplicações
Var. p.p.
Captações
Var. p.p.
Spread
Var. p.p.
abr/12
17,4
-0,4
7,4
-0,3
10,0
-0,1
mai/12
16,2
-1,2
7,1
-0,3
9,1
-0,9
jun/12
15,4
-0,8
7,1
0,0
8,3
-0,8
jul/12
15,1
-0,3
6,7
-0,4
8,4
0,1
ago/12
14,9
-0,2
6,6
-0,1
8,3
-0,1
set/12
14,5
-0,4
6,6
0,0
7,9
-0,4
out/12
14,0
-0,5
6,5
-0,1
7,5
-0,4
nov/12
14,2
0,2
6,4
-0,1
7,8
0,3
dez/12
13,3
-0,9
6,3
-0,1
7,0
-0,8
jan/13
14,0
0,7
6,2
-0,1
7,8
0,8
fev/13
14,0
0,0
6,3
0,1
7,7
-0,1
mar/13
14,0
0,0
6,5
0,2
7,5
-0,2
abr/13
14,0
0,0
6,6
0,1
7,4
Variação abr-abr
-3,8
-1,2
-0,1
-2,6
Fonte: BC/Inepad
58 FINANCEIRO julho 2013
Finan81 INEPAD tabelas.indd 58
7/3/13 7:52 PM
Crédito Consignado
Spread Financeiro 28,0
24,0
5,0 160.000
23,0
0,0 150.000
22,0
ar
/13
ab
r/1
3 m
/1
2 se
t/1
2 ou
t/1
2 ag
o
m
Aplicações ou
t/1
2
no
v/
12
de
z/
12
ja
n/
13
fe
v/
13
m
ar
/1
3
ab
r/1
3
170.000
ab
r/1
2
m
ai
/1
2
ju
n/
12
ju
l/1
2
ag
o/
12
se
t/1
2
25,0
10,0 fe
v/
13
180.000
no
v/
12
de
z/
12
ja
n/
13
26,0
15,0 ju
l/1
2 27,0
190.000
ai
/1
2 ju
n/
12
200.000
20,0 ab
r/1
2 Taxas Médias % 25,0 % a.a. INEPAD & BC
210.000
INEPAD & BC Captações Consignado
Taxa de Juros %a.a.
Fonte: BC/Inepad
SALDO
PREFIXADOS –
Mês/Ano
DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA
RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)
Cartão de Variação
em %
crédito
Cheque Variação
especial em %
Crédito pessoal Variação
não consignado
em %
vinculado à dívida
CRÉDITO PESSOAL
Crédito
Variação Crédito
Var.
pessoal não em %
pessoal
em %
consignado
consig. total
Total
Variação
em %
abr/12
21.455
3,9
111.137
0,7
16.851
3,2
84.174
1,2
170.256
1,7
254.431
1,6
mai/12
20.954
-2,3
114.356
2,9
17.767
5,4
85.625
1,7
174.031
2,2
259.656
2,1
jun/12
20.272
-3,3
114.023
-0,3
18.514
4,2
86.541
1,1
177.161
1,8
263.702
1,6
jul/12
20.470
1,0
115.640
1,4
19.170
3,5
86.620
0,1
179.884
1,5
266.503
1,1
ago/12
20.235
-1,1
115.847
0,2
20.009
4,4
87.498
1,0
183.040
1,8
270.538
1,5
set/12
19.877
-1,8
114.827
-0,9
20.221
1,1
89.121
1,9
182.506
-0,3
271.628
0,4
out/12
20.516
3,2
117.185
2,1
20.670
2,2
90.131
1,1
185.434
1,6
275.565
1,4
nov/12
19.969
-2,7
119.442
1,9
20.972
1,5
91.064
1,0
187.712
1,2
278.776
1,2
dez/12
18.288
-8,4
126.614
6,0
21.480
2,4
90.225
-0,9
188.879
0,6
279.104
0,1
jan/13
20.046
9,6
126.273
-0,3
21.551
0,3
91.079
0,9
192.166
1,7
283.245
1,5
fev/13
20.800
3,8
122.107
-3,3
21.562
0,1
91.627
0,6
195.434
1,7
287.061
1,3
mar/13
20.244
-2,7
122.141
0,0
21.609
0,2
92.916
1,4
198.825
1,7
291.741
1,6
abr/13
21.220
4,8
123.598
1,2
21.662
0,2
93.944
1,1
202.469
1,8
296.412
1,6
Fonte: BC/Inepad
SALDO
DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA
PREFIXADOS/CONTINUAÇÃO –
RECURSOS LIVRES (R$ MILHÕES)
AQUISIÇÃO
Mês/Ano
Veículos
Variação
em %
Outros
Variação
em %
Total
Variação
em %
Arrecadamento Variação
mercantil em %
Desconto
Variação
de
cheques em %
Outros
créditos Variação
em %
livres
abr/12
183.480
0,4
9.289
-0,1
192.769
0,4
28.498
-5,3
1.549
-0,1
21.158
5,3
mai/12
184.576
0,6
9.374
0,9
193.950
0,6
27.031
-5,1
1.576
1,7
22.005
4,0
jun/12
186.884
1,3
9.440
0,7
196.324
1,2
25.632
-5,2
1.660
5,3
22.879
4,0
jul/12
187.913
0,6
9.510
0,7
197.423
0,6
24.177
-5,7
1.611
-3,0
24.095
5,3
ago/12
190.876
1,6
9.654
1,5
200.530
1,6
22.816
-5,6
1.657
2,9
24.405
1,3
set/12
190.167
-0,4
9.794
1,5
199.961
-0,3
21.598
-5,3
1.674
1,0
23.648
-3,1
out/12
190.419
0,1
9.982
1,9
200.401
0,2
20.276
-6,1
1.655
-1,1
23.391
-1,1
nov/12
190.778
0,2
10.162
1,8
200.940
0,3
19.073
-5,9
1.684
1,8
23.723
1,4
dez/12
193.215
1,3
10.450
2,8
203.665
1,4
17.913
-6,1
1.673
-0,7
23.870
0,6
jan/13
193.474
0,1
10.494
0,4
203.968
0,1
16.762
-6,4
1.637
-2,2
24.053
0,8
fev/13
192.763
-0,4
10.422
-0,7
203.185
-0,4
15.738
-6,1
1.650
0,8
24.635
2,4
mar/13
192.795
0,0
10.430
0,1
203.225
0,0
14.746
-6,3
1.633
-1,0
25.032
1,6
abr/13
192.490
-0,2
10.498
0,7
202.988
-0,1
13.732
-6,9
1.608
-1,5
25.941
3,6
Fonte: BC/Inepad
julho 2013 FINANCEIRO 59
Finan81 INEPAD tabelas.indd 59
7/3/13 7:52 PM
bancodedadosinepad
SALDO
DA CARTEIRA DE CRÉDITO: PESSOA FÍSICA
RECURSOS DIRECIONADOS - (R$
MILHÕES)
Mês/Ano
Crédito
rural total
Variação
em %
abr/12
75.510
0,8
209.157
2,3
26.335
0,9
2.723
2,0
3.354
1,9
mai/12
77.009
2,0
214.313
2,5
25.971
-1,4
2.845
4,5
3.418
1,9
jun/12
78.213
1,6
220.305
2,8
25.980
0,0
2.947
3,6
3.631
6,2
jul/12
76.169
-2,6
226.124
2,6
26.163
0,7
2.970
0,8
3.677
1,3
ago/12
79.240
4,0
233.154
3,1
27.284
4,3
3.061
3,1
3.696
0,5
set/12
81.538
2,9
236.413
1,4
27.247
-0,1
3.089
0,9
3.852
4,2
out/12
83.806
2,8
242.760
2,7
27.606
1,3
3.350
8,4
3.949
2,5
nov/12
86.393
3,1
248.714
2,5
28.472
3,1
3.570
6,6
3.975
0,7
dez/12
90.655
4,9
255.367
2,7
29.172
2,5
3.798
6,4
4.174
5,0
jan/13
90.480
-0,2
261.344
2,3
30.221
3,6
3.823
0,7
3.937
-5,7
fev/13
90.964
0,5
266.577
2,0
31.156
3,1
3.824
0,0
4.039
2,6
mar/13
92.705
1,9
273.917
2,8
32.146
3,2
3.879
1,4
4.454
10,3
abr/13
94.192
1,6
281.343
2,7
32.991
2,6
3.936
1,5
4.573
2,7
Financ.
imobiliário tot.
Variação
em %
Financ.
Variação
recursos BNDES
em %
Microcrédito
total
Variação
em %
Outros créditos
direcionados
Variação
em %
Fonte: BC/Inepad
SALDO
DE OPERAÇÕES DE CRÉDITO
–
CRÉDITO CONSIGNADO (R$
MILHÕES)
TAXA DE JUROS % a.a.
CONSIGNADO
Não
Mês/Ano
consignado
Servidores
públicos
Trabalhadores
do setor privado
Beneficiários
do INSS
Total
Total
Consignado
Pessoal
Diferença
abr/12
84.174
104.443
14.216
51.598
170.257
254.431
27,6
41,4
13,8
mai/12
85.625
106.700
14.588
52.743
174.031
259.656
26,7
39,3
12,6
jun/12
86.541
108.504
14.838
53.819
177.161
263.702
25,7
38,2
12,5
jul/12
86.620
110.179
15.047
54.658
179.884
266.504
25,4
38,6
13,2
ago/12
87.498
112.316
15.278
55.446
183.040
270.538
24,9
38,0
13,1
set/12
89.121
111.614
15.896
54.996
182.506
271.627
25,2
37,7
12,5
out/12
90.131
113.644
16.101
55.689
185.434
275.565
24,8
37,8
13,0
nov/12
91.064
115.157
16.253
56.302
187.712
278.776
24,6
37,1
12,5
dez/12
90.225
116.039
16.244
56.595
188.878
279.103
24,5
36,9
12,4
jan/13
91.079
117.713
16.391
58.062
192.166
283.245
24,5
37,3
12,8
fev/13
91.627
119.680
16.535
59.219
195.434
287.061
24,7
37,9
13,2
mar/13
92.916
121.669
16.806
60.351
198.826
291.742
24,6
37,2
12,6
abr/13
93.944
124.092
16.966
61.410
202.468
296.412
24,3
36,8
12,5
Fonte: BC/Inepad
PREVISÕES
ECONÔMICAS
Ano de 2013
PIB Total % a.a.
PIB Agropecuário % a.a.
PIB Indústria % a.a.
PIB Serviço % a.a.
Produção Industrial % a.a.
2,96
4,91
2,62
2,95
2,22
1 semana antes 14/06
2,52
7,27
1,75
2,60
2,59
1 mês antes 21/05/2013
2,45
7,51
1,45
2,5
2,59
Previsão 21/06/2013
(2013/2013)
Ano de 2013
Selic Taxa anual
IGP–DI % a.a.
IPCA % a.a.
Taxa de Câmbio R$/US$
Saldo Comercial US$ bilhões
8,35
3,99
6,00
2,02
247,35
1 semana antes 14/06
8,90
4,52
5,85
2,11
248,00
1 mês antes 21/05/2013
9,04
4,72
5,88
2,14
248,38
Previsão 21/06/2013
(2013/2013)
Fonte: BC-Focus/Inepad
60 FINANCEIRO julho 2013
Finan81 INEPAD tabelas.indd 60
7/3/13 7:52 PM
SALDO
(R$
MILHÕES)
E PORCENTUAL (%)
–
RECURSOS LIVRES PF
DA CARTEIRA DE CRÉDITO COM
TOTAL E COM ATRASO ENTRE
CRÉDITO PESSOAL
15
E
90
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS
DIAS
AQUISIÇÃO DE OUTROS BENS
Mês/Ano
Saldo total
Com atraso de
15 a 90 dias
% sobre saldo
da carteira
Saldo total
Com atraso de
15 a 90 dias
% sobre saldo
da carteira
Saldo total
Com atraso de
15 a 90 dias
% sobre saldo
da carteira
abr/12
242.445
11.468
4,73%
180.096
18.280
10,15%
9.477
888
9,37%
mai/12
246.608
10.653
4,32%
181.344
17.717
9,77%
9.313
815
8,75%
jun/12
250.527
10.447
4,17%
182.757
17.161
9,39%
9.299
778
8,37%
jul/12
254.431
10.941
4,30%
183.480
17.229
9,39%
9.289
756
8,14%
ago/12
259.656
10.646
4,10%
184.576
16.187
8,77%
9.374
719
7,67%
set/12
263.702
11.128
4,22%
186.884
16.745
8,96%
9.440
718
7,61%
out/12
266.503
11.300
4,24%
187.913
16.668
8,87%
9.510
709
7,46%
nov/12
270.538
11.038
4,08%
190.876
16.434
8,61%
9.654
728
7,54%
dez/12
271.628
10.811
3,98%
190.167
16.012
8,42%
9.794
672
6,86%
jan/13
275.565
12.097
4,39%
190.419
15.843
8,32%
9.982
732
7,33%
fev/13
278.776
12.155
4,36%
190.778
16.064
8,42%
10.162
802
7,89%
mar/13
279.104
12.141
4,35%
193.215
17.351
8,98%
10.450
874
8,36%
abr/13
283.245
12.774
4,51%
193.474
16.736
8,65%
10.494
855
8,15%
Fonte: BC/Inepad
CRÉDITO PESSOAL
Saldo
Taxa de
juros
Data
Saldo
Taxa de
juros
abr/07
55.325,00
52,47
out/08
81.916,00 57,42
abr/10
117.580,00 42,87
mai/07
57.291,00
51,66
nov/08
81.761,00 59,88
mai/10
119.875,00 43,04
out/11
157277
45,34
nov/11
159117
jun/07
59.085,00
51,06
dez/08
82.853,00 60,44
jun/10
43,64
121.546,00 41,97
dez/11
159349
jul/07
61.639,00
50,61
jan/09
83.203,00 56,51
42,4
jul/10
123.631,00 42,21
jan/12
161858
ago/07
63.483,00
49,89
fev/09
44,8
81.393,00 54,49
ago/10
126.750,00 41,96
fev/12
164769
set/07
64.990,00
49,43
45,2
mar/09
83.665,00 50,84
set/10
128.691,00 41,63
mar/12
167349
out/07
66.842,00
43,9
48,88
abr/09
87.384,00 48,78
out/10
131.057,00 43,55
abr/12
170256
nov/07
41,4
67.089,00
46,75
mai/09
89.592,00 46,62
nov/10
133.419,00 41,99
mai/12
174031
39,3
dez/07
68.259,00
45,80
jun/09
91.998,00 45,64
dez/10
136.312,00 44,11
jun/12
177161
38,2
jan/08
69.758,00
53,08
jul/09
94.475,00 44,78
jan/11
139.246,00 48,32
jul/12
179884
38,6
fev/08
71.083,00
52,59
ago/09
97.297,00 44,29
fev/11
141.840,00 47,96
ago/12
183040
38
mar/08
72.900,00
50,48
set/09
99.518,00 44,71
mar/11
142150 43,01
set/12
182506
37,7
abr/08
74.510,00
50,60
out/09
101.735,00 45,74
abr/11
143935 44,34
out/12
185434
37,8
mai/08
75.967,00
48,39
nov/09
103.450,00 43,64
mai/11
145738 44,56
nov/12
187712
37,1
jun/08
76.744,00
51,39
dez/09
107.283,00 44,35
jun/11
147892 44,52
dez/12
188879
36,9
jul/08
77.987,00
53,59
jan/10
109.248,00 44,83
jul/11
150587 45,01
jan/13
192166
37,3
ago/08
79.161,00
54,49
fev/10
111.396,00 43,81
ago/11
154027 44,52
fev/13
195434
37,9
set/08
80.137,00
56,31
mar/10
115.128,00 42,69
set/11
155626 44,64
mar/13
198825
37,2
abr/13
202469
36,8
Data
Saldo
Taxa de
juros
Data
Saldo
Taxa de
juros
Data
julho 2013 FINANCEIRO 61
Finan81 INEPAD tabelas.indd 61
7/3/13 7:52 PM
bancodedadosinepad
TAXA
DE DESEMPREGO
Data
Brasil
Var. % – Brasil
SP
Var. %
mai/12
Taxa de D5,8%
esemprego -0,002
6,2%
-0,003
Inepad & 10% 9% 8% 7% 6% 5% 4% 3% 2% 1% 0% IBGE jun/12
5,9%
0,001
6,5%
0,003
jul/12
5,4%
-0,005
5,7%
-0,008
0,010 ago/12
5,3%
-0,001
5,8%
0,001
0,008 set/12
5,4%
0,001
6,5%
0,007
0,006 out/12
5,3%
-0,001
5,90%
-0,006
0,004 Taxa de Desemprego Inepad & IBGE Brasil 10% São Paulo 0,002 9% Var. p.p. -0,004
5,50%
-0,004
4,9%
nov/12
0,000 8% 7% -­‐0,002 -0,003
5,20%
-0,003
4,6%
dez/12
6% -­‐0,004 5% 0,012
6,40%
0,008
5,4%
jan/13
4% -­‐0,006 0,001
6,50%
0,002
fev/13
mai/12 jun/12 jul/12 5,6%
ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 3% 2% -0,002
6,30%
0,001
5,7%
mar/13
1% 0% 0,004
6,70%
0,001
5,8%
abr/13
mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 mai/13
0,000
5,8%
6,30%
0,010 0,008 0,006 0,004 Brasil 0,002 São Paulo 0,000 Var. p.p. -­‐0,002 -­‐0,004 -­‐0,006 -0,004
Fonte: IBGE/Inepad
RENDIMENTO MÉDIO REAL HABITUALMENTE RECEBIDO (R$)
Brasil
Var. % - Brasil
SP
Var. %
mai/12
2,0
0,00
3,7
0,00
jun/12
2,0
0,00
3,7
0,00
jul/12
1,9
-0,05
3,6
-0,03
ago/12
2,0
0,05
3,9
0,08
set/12
2,0
0,00
3,8
-0,03
3,5 out/12
2,1
0,05
4,0
0,05
3,0 nov/12
2,0
-0,05
3,8
-0,05
dez/12
2,0
0,00
3,6
-0,05
jan/13
1,9
-0,05
3,5
-0,03
fev/13
1,9
0,00
3,3
-0,06
mar/13
2,0
0,05
3,7
0,12
abr/13
2,0
0,00
3,7
0,00
mai/13
2,0
0,00
3,6
-0,03
Rendimento Médio Real Habitualmente Recebido -­‐ Brasil e SP -­‐ (mil R$) Inepad & IBGE 4,5 4,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 -­‐1
3 r-­‐1
3 ai
m
ab
13
ar
-­‐1
3 m
fe
v-­‐
2 ja
n-­‐
13
z-­‐
1
v-­‐
12
SP de
no
ou
t-­‐1
2 12
2 se
t-­‐1
2 o-­‐
ag
ju
l-­‐1
2 -­‐1
ai
ju
n-­‐
12
0,0 m
Data
Brasil Fonte: IBGE/Inepad
62 FINANCEIRO julho 2013
Finan81 INEPAD tabelas.indd 62
7/3/13 7:52 PM
ATIVIDADE
ECONÔMICA
Taxa da Utilização da
Capacidade Instalada
Var. p.p.
abr/12
81,8
-0,20
abr/12
125,74
0,00%
mai/12
81,9
0,10
mai/12
124,77
-0,77%
jun/12
81,8
-0,10
jun/12
124,32
-0,36%
jul/12
82,1
0,30
jul/12
124,36
0,03%
ago/12
82,0
-0,10
ago/12
125,4
0,84%
set/12
82,2
0,20
set/12
126
0,48%
out/12
82,5
0,30
out/12
126,74
0,59%
nov/12
82,7
0,20
nov/12
126,23
-0,40%
dez/12
82,9
0,20
dez/12
126,04
-0,15%
jan/13
81,7
-1,20
jan/13
126,63
0,47%
fev/13
81,1
-0,60
fev/13
126,74
0,09%
mar/13
82,6
1,50
mar/13
127,17
0,34%
abr/13
83,3
0,70
abr/13
127,25
0,06%
Data
1,83%
Variação jan/jan
Índice de Produção Física
Média Móvel Trimestral
Data
1,20%
Variação nov/nov
Fonte: CNI/Inepad
Var. %
Fonte: IBGE/Inepad
Atividade Economica: Produção x Capacidade
Capacidade
(%)
Produção
(Índice)
INEPAD & CNI & IBGE
85,0
133
84,0
129
83,0
82,0
125
81,0
121
80,0
79,0
117
78,0
113
77,0
109
76,0
75,0
Taxa da Utilização
da Capacidade Instalada
3
r/1
ab
ar
/1
3
/1
3
m
fe
v
13
ja
n/
12
z/
de
2
v/
12
no
t/1
ou
2
t/1
se
o/
12
ag
/1
2
ju
l
2
/1
ju
n
/1
2
ai
m
ab
r/1
2
105
Índice de Produção Física
Média Móvel Trimestral
julho 2013 FINANCEIRO 63
Finan81 INEPAD tabelas.indd 63
7/3/13 7:52 PM
bancodedadosinepad
PRODUÇÃO – AUTOMÓVEIS DE PASSAGEIROS. MISTOS.
VEÍCULOS COMERCIAIS LEVES E PESADOS (EM UNIDADES)
Produção
Média Trim.
Var. Mensal
7,7%
-2,6%
Var. Mensal (%)
mai/12
280.800
283.367
20.000
jun/12
273.600
271.733
-7.200
jul/12
297.800
284.067
24.200
8,8%
ago/12
329.300
300.233
31.500
10,6%
set/12
282.540
303.213
-46.760
-14,2%
out/12
318.701
310.180
36.161
12,8%
nov/12
301.679
300.973
-17.022
-5,3%
dez/12
259.364
293.248
-42.315
-14,0%
jan/13
279.332
280.125
19.968
7,7%
fev/13
229.274
255.990
-50.058
-17,9%
mar/13
340.865
283.157
111.591
48,7%
abr/13
347.122
305.754
6.257
1,8%
mai/13
348.070
345.352
948
0,3%
Produção -­‐ Automóveis Leves e Pesados Inepad & Anfavea Unidades Data
400.000 350.000 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 fev/13 mar/13 abr/13 mai/13 23,96%
Variação fev/fev
Fonte: Anfavea/Inepad
EXPORTAÇÃO
UNIDADES)
Exportações
Média Trim.
Var. Mensal
Var. Mensal (%)
mai/12
26.700
39.208
-22.000
-45,17%
jun/12
36.000
37.133
9.300
34,83%
jul/12
29.700
30.800
-6.300
-17,50%
ago/12
42.900
36.200
13.200
44,44%
set/12
27.194
33.265
-15.706
-36,61%
out/12
41.797
37.297
14.603
53,70%
nov/12
36.536
35.176
-5.261
-12,59%
dez/12
41.194
39.842
4.658
12,75%
jan/13
36.232
37.987
-4.962
-12,05%
fev/13
31.743
36.390
-4.489
-12,39%
mar/13
43.529
37.168
11.786
37,13%
10.000 abr/13
55.084
43.452
11.555
26,55%
0 mai/13
48.623
49.079
-6.461
-11,73%
m
DE
AUTOVEÍCULOS MONTADOS (EM
Variação fev/fev
Exportação de Autoveículos Montados Inepad & Anfavea 60.000 50.000 40.000 30.000 20.000 Exportações Média Trimestral ai
/1
2 ju
n/
12
ju
l/1
2
ag o/
12
se
t/1
2 ou
t/1
2
no v/
12
de z/
12
ja
n/
13
fe
v/
13
m ar
/13
ab
r/1
3 m
ai
/13
unidades Data
82,11%
Fonte: Anfavea/Inepad
64 FINANCEIRO julho 2013
Finan81 INEPAD tabelas.indd 64
7/3/13 7:52 PM
LICENCIAMENTO
DE AUTOMÓVEIS NACIONAIS E IMPORTADOS (EM
% no total
+1000cc a 2000cc
% no total
+2000cc
% no total
mai/12
210.216
85.432
34,7%
122.532
58,3%
2.233
1,1%
jun/12
275.929
120.194
31,0%
153.905
55,8%
1.830
0,7%
jul/12
281.420
117.366
42,7%
162.179
57,6%
1.875
0,7%
ago/12
326.914
133.660
35,9%
191.167
58,5%
2.087
0,6%
set/12
214.351
90.205
62,4%
122.402
57,1%
1.744
0,8%
out/12
250.598
105.244
36,0%
143.910
57,4%
1.444
0,6%
nov/12
233.279
97.802
45,1%
134.278
57,6%
1.199
0,5%
dez/12
267.302
111.103
36,6%
155.168
58,0%
1.031
0,4%
jan/13
231.343
97.475
48,0%
132.707
57,4%
1.161
0,5%
fev/13
172.080
68.814
56,6%
102.250
59,4%
1.016
0,6%
mar/13
209.797
85.683
32,8%
122.993
58,6%
1.121
0,5%
abr/13
246.379
98.563
34,8%
146.066
59,3%
1.750
0,7%
mai/13
232.974
93.970
42,3%
137.426
59,0%
1.578
0,7%
Data
1000cc
UNIDADES)
Total
Fonte: Anfavea/Inepad
Licenciamento por Categoria -­‐ Automóveis Inepad & Anfavea 250.000 unidades 200.000 150.000 1000cc +1000cc a 2000cc 100.000 +2000cc 50.000 m
ai
/1
2 ju
n/
12
ju
l/1
2 ag
o/
12
se
t/1
2 ou
t/1
2
no v/
12
de z/
12
ja
n/
13
fe
v/
13
m ar
/13
ab
r/1
3 m
ai
/13
0 TAXA
MÉDIA DE JUROS DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO COM RECURSOS LIVRES
CRÉDITO PESSOAL
AQUISIÇÃO DE BENS – VEÍCULOS
-
PESSOA FÍSICA
AQUISIÇÃO DE BENS – OUTROS
TAXA DE JUROS
TAXA DE JUROS
TAXA DE JUROS
%
a.a.
Variação
p.p.
4,62 -0,15
72,03
-2,92
4,60 -0,02
71,63
-0,40
9.440
4,53 -0,08
70,08
-1,55
0,47
9.510
4,36 -0,17
66,81
-3,27
20,31
-0,39
9.654
4,46
0,10
68,78
1,97
0,05
21,09
0,78
9.794
4,50
0,04
69,56
0,78
-0,04
20,51
-0,58
9.982
4,47 -0,03
69,02
-0,54
1,56
0,00
20,47
-0,04
10.162
4,57
0,10
70,94
1,92
1,51
-0,05
19,75
-0,72
10.450
4,74
0,17
74,36
3,42
193.474
1,57
0,05
20,53
0,78
10.494
4,55 -0,19
70,57
-3,79
0,60
192.763
1,56
0,00
20,46
-0,07
10.422
4,48 -0,07
69,30
-1,35
-0,80
192.795
1,51
-0,05
19,73
-0,73
10.430
4,44 -0,04
68,63
-0,71
192.500
1,58
0,07
20,73
1,00
10.503
4,50
0,05
68,25
1,00
Mês/
ano
Saldo total
R$ milhões
%
a.m.
Variação
p.p.
%
a.a.
Variação
p.p.
Saldo total
R$ milhões
%
a.m.
Variação
p.p.
%
a.a.
Variação
p.p.
Saldo total
R$ milhões
abr/12
170.256
2,93
-0,15
41,40
-2,50
183.480
1,86
-0,04
24,75
-0,66
9.289
mai/12
174.031
2,80
-0,13
39,30
-2,10
184.576
1,71
-0,15
22,57
-2,18
9.374
jun/12
177.161
2,73
-0,07
38,20
-1,10
186.884
1,55
-0,16
20,23
-2,34
jul/12
179.884
2,76
0,02
38,60
0,40
187.913
1,58
0,03
20,70
ago/12
183.040
2,72
-0,04
38,00
-0,60
190.876
1,55
-0,03
set/12
182.506
2,70
-0,02
37,70
-0,30
190.167
1,61
out/12
185.434
2,71
0,01
37,80
0,10
190.419
1,57
nov/12
187.712
2,66
-0,04
37,10
-0,70
190.778
dez/12
188.879
2,65
-0,01
36,90
-0,20
193.215
jan/13
192.166
2,68
0,02
37,30
0,40
fev/13
195.434
2,71
0,04
37,90
mar/13
198.825
2,66
-0,05
37,10
abr/13
202.469
2,73
0,06
38,10
1,00
%
a.m.
Variação
p.p.
Fonte: BC/Inepad
julho 2013 FINANCEIRO 65
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finançasnabalança
nançasnabalança
balança
Informações
úteis
Quem vai viajar para o exterior deve ficar atento: o dólar está
em alta e a tendência é que continue em patamar elevado nos próximos meses. Essa elevação
certamente atrapalha os planos dos turistas, mas existem
alternativas que podem aliviar o impacto da alta da moeda norte-americana. A informação é do blog “Finanças
na Balança”, da Associação Nacional das Instituições de
Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).
Além desse tema, o canal trata de todos os assuntos
relacionados a finanças pessoais, com explicações e dicas
que facilitam a administração do orçamento e das finanças.
O “Finanças na Balança” foi criado em 2011, como
ferramenta de educação financeira que ajuda as pessoas interessadas por meio de informações de qualidade
sobre esse tema.
Theo Carnier, jornalista que fez carreira em veículos
como Estadão, Folha de São Paulo, revista Veja, DCI,
entre outros e que também trabalhou na comunicação
corporativa da Bolsa de Valores de São Paulo é o responsável pelo conteúdo. “O blog é interativo. Por isso, todos os
comentários, sugestões e críticas são sempre bem-vindos e
têm grande importância para o constante aprimoramento
dessa ferramenta”, aponta ele. f
Para conhecer o “Finanças na Balança” acesse
http://financasnabalanca.blogspot.com.br
Foto: Shutterstock/Divulgação
Com mais de 30 mil acessos,
o blog “Finanças na Balança”,
da Acrefi, trata de assuntos
relacionados a finanças pessoais,
com explicações e dicas que
facilitam a administração
do orçamento
66 FINANCEIRO julho
maio 2013
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