UNIVERSIDADE POSITIVO
TURISMO LITERÁRIO: A INFLUÊNCIA DA LITERATURA NA DECISÃO
POR UM DESTINO OU UMA VIVÊNCIA
CURITIBA - PR
2010
1
JÉSSICA LUIZA ZEBONEK
TURISMO LITERÁRIO: A INFLUÊNCIA DA LITERATURA NA DECISÃO
POR UM DESTINO OU UMA VIVÊNCIA
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
curso de Turismo da Escola de Negócios da
Universidade Positivo como requisito parcial para
a obtenção do título de Bacharel em Turismo.
Orientador: Prof. Waldir Egenolf Prochnow
CURITIBA - PR
2010
2
DEDICATÓRIA
Ao meu Deus, por todos os momentos felizes e porque não tristes? Muitas coisas
aprendi com eles, muitos valores guardei e muitas vitórias conquistei.
3
AGRADECIMENTOS
Ao meu querido orientador, Profº Waldir Egenolf Prochnow, por toda sua
compreensão, paciência, inteligência e dedicação.
Aos meus pais, Gerson Zebonek e Leonice Zebonek, por se doarem inteiros e
renunciarem aos seus sonhos, para que, muitas vezes pudesse realizar os meus, por
todo amor, carinho e educação que me tornaram a pessoa que eu sou.
As minhas irmãs, Gisele Zebonek e Joslaine Zebonek, por partilharmos
momentos de tristeza e alegria, vivenciarmos desafios e conquistas e por saber que
sempre poderemos contar uma com a outra.
Ao meu amor, Ramon Sanchez, com quem aprendi a amar e a sentir-me amada,
aprendi a respeitar e ser respeitada e principalmente não ter medo de lutar para ser
feliz, pois Deus sempre está ao nosso lado.
Por fim, a todos os meus colegas e professores do curso que direta ou
indiretamente torceram pela minha vitória e que me ajudaram durante esses quatro
anos a vencer os obstáculos e a nunca desistir de alcançar meus objetivos.
4
“O mundo é um livro. Quem não viaja, só lê uma página”.
Santo Agostinho
5
RESUMO
O Turismo Literário ainda é pouco aplicado no Brasil, sendo que o turista em vez de
buscar os guias turísticos, procura nos romances e contos literários uma dupla maneira
de viajar. Esse segmento vem se destacando e tomando proporções a indicar que tem
potencial para ser um filão rentável para o turismo. Esse turismo possui muitas
vertentes, como visitar o local onde viveu um escritor, os cenários descritos em suas
obras, além dos ambientes dos salões, feiras e festivais literários. É uma ‘viagem’ pelos
livros e além deles. Nesse sentido este trabalho analisa a bibliografia que aborda
aspectos históricos da escrita, imprensa, cultura, leitura e literatura. O Turismo Literário
ainda tem muitos desafios para ser reconhecido em nosso país, apesar de já existirem
algumas atividades realizadas para seu desenvolvimento como roteiros literários, além
dos eventos literários que são populares. O que deve ser evidenciado é que o Turismo
Literário é um novo segmento a ser empreendido e necessita ser utilizado no
planejamento turístico de cidades que tenham de alguma maneira a influencia da
literatura, é um segmento que se utiliza da arte e educação, da construção do
conhecimento para se ampliar. Através da pesquisa foi definida uma pequena amostra
do quanto à literatura influência o turismo, segundo critérios do sexo, faixa etária e
renda. Após a análise dos dados coletados pode-se perceber que existe uma carência
de informação sobre o Turismo Literário, em contrapartida, verificou-se também um
forte desejo de conhecer lugares através da leitura de um livro.
Palavras - chave: turismo; literatura; leitura e turismo literário.
6
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO................................................................................................... 8
1.1 OBJETIVOS..................................................................................................... 9
1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................... 9
1.1.2 Objetivos Específicos................................................................................... 9
2 REFERENCIAL TEÓRICO................................................................................. 10
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DA ESCRITA, DA IMPRENSA,
CULTURA, LEITURA E LITERATURA.................................................................. 10
2.2 ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DO TURISMO......................... 18
2.3 SEGMENTAÇÕES TURÍSTICAS.................................................................... 23
2.4 O SURGIMENTO DO TURISMO CULTURAL................................................. 27
2.5 TURISMO LITERÁRIO.................................................................................... 34
3 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS........................................................... 44
3.1 PESQUISA BIBLIOGÁFICA............................................................................. 44
3.2 PESQUISA DE CAMPO E OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA............. 44
3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA..................................................................... 46
4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS.......................................................... 48
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 63
6. REFERÊNCIAS................................................................................................
64
APÊNDICES.......................................................................................................... 69
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO......................................................................... 70
ANEXOS................................................................................................................ 72
ANEXO A - MELHORES ROMANCES MUNDIAIS DO SÉCULO XX..................
ANEXO
B
-
MELHORES
ROMANCES
BRASILEIROS
DE
73
TODOS
TEMPOS.............................................................................................................. 75
OS
7
ANEXO C - EVENTOS LITERÁRIOS INTERNACIONAIS NO PRIMEIRO TRIMESTRE
DE 2010............................................................................................78
ANEXO D - LIVROS QUE TORNARAM-SE FILMES.............................................79
ANEXO E - A LEITURA NO BRASIL......................................................................83
8
1 INTRODUÇÃO
O Turismo Literário ainda é pouco conhecido no Brasil, pode-se dizer que é
um segmento diferente, pois em vez do turista buscar informações nos guias
turísticos, ele procura nos romances e contos literários, e a partir disso sente o
desejo de conhecer o lugar onde se passou a história ou o lugar onde viveu o autor
que escreveu tal obra. É para um público muito específico, pessoas que gostam e
tem o hábito de ler.
No entanto, deve-se levar em consideração que existe uma diferença entre
os guias de viagens e um livro literário, o primeiro com enfoque na facilidade de
informação, indicação de sites, meios de hospedagem, restaurantes, transportes,
entre outras facilidades. Já um livro literário é despreocupado de tais informações,
claro que pode citar informações que se encontrem em um guia, mas seu objetivo é
outro.
Por ser algo inovador no turismo, ainda não existem muitas pesquisas
sobre esse tema, por isso esse trabalho se faz importante para conhecer a influência
da literatura no turismo, observar a demanda para este segmento, que atualmente é
evidenciado através de eventos literários, como o turismo pode ser explorado através
da literatura e qual o perfil do turista que vive essa experiência. O turismo literário
também envolve o turismo de negócios e eventos literários que estão inseridos com
propósitos diferentes.
Este trabalho dará ênfase para os destinos literários, é evidente que os
eventos literários são mais populares perante a sociedade, visto que praticamente
todos estados brasileiros mantêm uma Feira do Livro e até mesmo cidades menos
habitadas. Mas é importante destacar que a escolha de focar apenas destinos
literários é para deixar o trabalho mais objetivo, pois abordar uma única vertente do
turismo literário é necessário para melhor aprofundamento sobre o tema e nível de
qualidade do trabalho desenvolvido.
A leitura é muito importante para a vida de qualquer pessoa, sendo que
pode ajudar na maneira de falar, escrever, aguçar a criatividade, ajudar o ser
humano a ter senso crítico para saber o que acontece a sua volta, além de outros
9
benefícios. Por ser algo de grande relevância na educação, unir literatura e turismo
é uma maneira de explorar um fenômeno crescente em todo mundo através da
leitura, é ler algo e consequentemente sentir vontade de conhecer o lugar onde uma
obra se passou colocando em prática e vivendo de alguma maneira o que já foi lido.
A partir do momento em que tiver maior abrangência, o Turismo Literário
deve contar no planejamento turístico de cidades que podem explorar isso, sendo
que é uma combinação interessante entre educação e turismo que favorece a
atividade e que gera além de emprego e renda o mais importante: conhecimento,
cultura e lazer.
O problema deste trabalho é procurar saber qual o grau de demanda para a
prática do turismo literário através da simples leitura de um livro; é necessário para
entender se existe público potencial em Curitiba e Araucária para esse segmento.
Sendo assim, as hipóteses levantadas são se o ambiente (vivência) influencia na
decisão por uma viagem a um determinado local e geralmente as pessoas que
viajam não sabem que estão fazendo turismo literário, fica subliminar dentro da
viagem.
1.1 OBJETIVOS
1.1.1 Objetivo Geral
Analisar a influência da literatura ao se decidir uma viagem.
1.1.2 Objetivos Específicos
o Identificar se há demanda para este segmento.
o Verificar maneiras de utilizar mais a literatura como principal motivação/decisão
de uma viagem.
10
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DA ESCRITA, DA IMPRENSA,
CULTURA, LEITURA E LITERATURA
A escrita é um marco na periodização da História, pois a Pré-história se
inicia do surgimento do ser humano até o aparecimento da escrita (4000 a.C) e a
Idade Antiga se inicia do aparecimento da escrita até a queda do Império Romano
do Ocidente (476 d.C).
Afirma Cotrim (2005, p.15) “essa divisão foi feita por historiadores europeus,
que no século XIX davam maior importância às fontes escritas e aos fatos políticos.
Por isso todo período anterior a invenção da escrita foi chamada de Pré-história”.
COTRIM (2005, p.44) cita ainda que “para muitos historiadores, ‘a invenção
da escrita’ não foi realizada por um único povo. Em várias regiões do mundo
diversas sociedades inventaram seu próprio sistema de escrita”. No entanto, na
maioria dos livros pesquisados, diz que a documentação mais antiga registrada da
escrita teria começado na região da suméria; os primeiros sinais da escrita suméria
eram pictográficos, feitos através de desenhos que representavam objetos.
Jean (2008, p.12) informa que:
Existem, há dezenas de milhares anos, inúmeros meios de
transmitir mensagens por meio de desenhos, sinais, imagens.
Entretanto, a escrita propriamente dita só começou a existir a
partir do momento em que foi elaborado um conjunto organizado
de signos e símbolos, por meio dos quais seus usuários puderam
materializar e fixar claramente tudo o que pensavam, sentiam ou
sabiam expressar. (JEAN, 2008, p.12)
Segundo MANDEL (1998, p.31), o nascimento da escrita acontece com a
“figuração em ordem linear de seres e objetos familiares ou a PICTOGRAFIA,
seguida da figuração direta das idéias ou IDEOGRAFIA, para chegar em fim à
figuração da palavra falada, ou a FONOGRAFIA.”
Jean (2008) lembra que:
11
Na Mesopotâmia, a “região entre rios”, os homens inventam a
escrita. Os símbolos não representam mais somente as coisas, e
sim o seu nome. Cuneiformes, hieróglifos egípcios, caligrafias
árabes, ideogramas chineses: os escribas registram a memória
dos povos. No século XIV a.C., os fenícios, mercadores e
viajantes inventam o alfabeto. Daí em diante, alguns símbolos
combinados eram suficientes para expressar todos os sons de
uma língua. Com a difusão da impressão, no século XV, a história
da escrita se confunde com a da tipografia. (JEAN, 2008).
Até o século XV vários tipos de materiais foram utilizados para a
transmissão de informação, como o papiro, onde eram copiadas as escrituras da bíblia,
o pergaminho que trouxe alguns avanços, o algodão, entre outros. Só após o século XV
que a melhoria do papel fez diferença na transmissão de informação. (PASSEIWEB,
2008).
Jean (2008, p.74 e 80) diz que antes da invenção da imprensa
Os antigos escribas, por exemplo aqueles que copiaram a Bíblia,
escreviam em rolo de papiro, chamados volumen em latim. Esses
volumen ofereciam muitos inconvenientes: o papiro era muito
caro; além disso, bastante frágil, só uma de suas faces podia ser
utilizada, devendo ser pouco manipulado; enfim, transportar rolos
escritos não era coisa fácil. (JEAN, 2008, p. 74 e 80).
Sobre o pergaminho Jean (2008, p. 82) acrescenta:
O aparecimento do pergaminho trouxe com ele dois avanços
decisivos: de um lado, permitiu a utilização da pena de ganso, que
proporcionava possibilidades infinitamente mais variadas que o
velho pincel de caniço; e de outro, as folhas podendo ser
dobradas e costuradas, chegava-se à generalização dos códices
ancestrais de nossos livros, constituídos de folhas sobrepostas e
ligadas entre si. (JEAN, p.82).
O portal de estudos PASSEIWEB (2008) cita que
A partir de 1438, o Alemão Gutemberg, utiliza-se de um invento
chinês, a tipografia, e transforma os tipos de madeira para
chumbo, o que torna as composições mais convincentes. Esta
12
primeira fase da imprensa foi marcada principalmente por dois
fatores decisivos para a sua evolução, a escolaridade (grande
parte da população era analfabeta) e o poder aquisitivo (papel
impresso era muito caro) (PASSEIWEB, 2008).
Com o surgimento da imprensa na Alemanha com Johannes Gutenberg, os
livros foram difundidos em maior quantidade, Mandel (1998, p. 97) menciona que
A substituição do copista dos manuscritos pelo gravador-fundidorimpressor, cuja única ambição era a de reproduzir fielmente, e em
grande volume, os textos destinados à divulgação, não mudou em
nada a estrutura formal nem da escrita do livro. A invenção da
impressão e da tipografia deu uma nova orientação à função
livresca e revolucionou a difusão dos escritos (MANDEL, p.97).
Dreyfus apud Jean (2008, p.94) lembra que
Logo que foi planejado confeccionar o primeiro livro impresso, era
preciso igualar a qualidade de concepção e de execução bastante
aprimorada, característica comum dos livros manuscritos, com os
quais se queria concorrer. A suntuosidade da ‘Bíblia latina’,
impressa por Gutenberg em 1450, muito deve à escrita e à
decoração das bíblias manuscritas de seu tempo (DREYFUS
apud JEAN 2008, p.94).
Passeiweb (2008) informa que a imprensa
[...] é um fenômeno recente, com mais ou menos 300 anos de
existência, e no principio a serviço da sociedade burguesa e suas
atividades lucrativas. Até o século XV, vários tipos de matérias
foram utilizados para a transmissão de informações, tais como o
papiro, linho, algodão e o pergaminho, porém somente após o séc
XV que a melhoria do papel fez a diferença na transmissão das
informações (PASSEIWEB, 2008).
Segundo SODRÉ (1999, p.2), “como todas as invenções, a de Gutenberg
resultou da necessidade social, que o desenvolvimento histórico gerou e que estava
vinculada a ascensão burguesa, em seu prelúdio mercantilista”.
O PASSEIWEB (2008) finaliza ao citar que
Esta foi a forma como deu-se início ao intercâmbio mundial (1400
13
a 1600) e pode ser considerado a primeira fase da globalização,
pois ligou-se o comércio entre as Cidades Italianas e o Oriente,
divulgou-se as Grandes Descobertas e até mesmo as novas
formas do Mundo. As centrais de correspondências estavam nos
centro de atenção (Veneza, Áustria, etc.), e divulgava somente os
interesses pelo comércio, pelas técnicas e curiosidade sobre as
viagens (PASSEIWEB, 2008).
Depois da invenção da escrita e da imprensa, a leitura só vem aumentar e
consequentemente a literatura, que segundo Lajolo (1987, p. 16), “a obra literária é um
objeto social. Para que ela exista, é preciso que alguém a escreva e que outro alguém
leia. Ela só existe enquanto obra neste intercâmbio social”.
Antes de iniciar os conceitos sobre literatura é importante comentar sobre a
cultura, que sempre esteve presente na vida de qualquer classe social e pode ser
detalhada afirmando que ela é transmissível pela herança social dependendo do
processo de socialização do indivíduo, cultura inclui ideias, valores, manifestações
artísticas de todo o tipo, crenças, instituições sócias, tipos de vestuários, alimentação
etc. e por fim é uma característica exclusiva das sociedades humanas, sendo que não
há indivíduo desprovido de cultura. Toda cultura apresenta elementos de cultura
material e não-material. A cultura material se refere a aspectos físicos ou tecnológicos,
como comida, casas, fábricas, vestuário, transportes e matérias-primas. A cultura nãomaterial se refere aos modos de usar os objetos materiais, aos costumes, crenças,
filosofias, governos e padrões de comunicação. De maneira geral, a cultura nãomaterial existe mais mudanças que a cultura material (DIAS, AGUIAR, 2002).
Para Verissimo (1995, p. 16) “a literatura [...] não é uma ciência. É uma
questão de gosto e opinião”.
Gomes (2007, p. 1) comenta que, historicamente, a literatura
[...] procura entender todas as modificações que a produção
literária passou ao longo da evolução da sociedade. Quando
estudamos a história ou origem da literatura deparamos com um
conceito: o de estilos literários ou estilos de época. Estilos de
época: é o nome dado conjunto de obras escritas em uma
determinada época. O critério usado para dividir os estilos de
época varia muito: às vezes, o autor publica uma obra
revolucionária e ela acaba se tornando o marco inicial de um
determinado período, outras vezes um fato histórico influencia
14
uma infinidade de obras que darão origem a um determinado
movimento literário [...] Muitas idéias adotadas em um período
podem ser aproveitadas por outros estilos literários que fazem
uma releitura ou uma reinterpretação de textos já escritos. A
Literatura busca influência nela mesma para sempre ter a
possibilidade de abrir novos caminhos e novas idéias. É por esta
razão que o entendimento correto sobre cada estilo é tão
importante, pois através dessa compreensão temos uma visão
geral da Literatura e da sociedade que a produziu (GOMES, 2007,
p. 1).
COSTA (2007, p.16), complementa que “a literatura pode ser entendida
como aquela que se relaciona direta e exclusivamente com a arte da palavra, com a
estética e com o imaginário.”
BLOOM (2001, p.15) ressalta que “ler bem é um dos grandes prazeres da
solidão.” E Foucambert (1994, p.5) revela que “ler significa ser questionado pelo mundo
e por si mesmo”. A leitura nos leva a lugares inusitados e a sensações que muitas
vezes jamais pensamos sentir.
Ainda sobre definição de literatura Maia (2003, p.74) revela que a palavra
“literatura designa textos que buscam expressar o belo e o humano através da palavra.
Embora possamos usá-la com significado mais amplo, devemos distinguir seu emprego
genérico de seu sentido artístico, criativo, subjetivo”.
O mesmo autor ainda cita que existe diferença entre o escritor de um livro
científico que não deseja dirigir-se às emoções do leitor, mas apenas a seu cérebro, à
sua compreensão. Por isso não estão escrevendo literatura. O escritor de literatura esta
muito mais preocupado com as conotações, as maneiras pelas quais ele pode fazer
com que suas palavras nos comovam ou excitem, as maneiras pelas quais pode sugerir
cor ou movimento ou caráter (MAIA, 2003).
XICATTO (2008, p. 8) comenta que assim como arte a literatura procura a
“emoção e o prazer [...] incitar o questionamento da realidade e temas existencialistas
[...] tocando primeiro o coração e não a razão, ao contrário do que faz o discurso
objetivo do jornalismo ou dos textos científicos.”
A literatura tem funções como: instrumento de conhecimento do mundo (do
passado, do presente, da mentalidade de uma época, de outras civilizações),
instrumento de conhecimento do homem (do autor, quanto se trata de autobiografia, de
15
si mesmo, se considerada como um espelho no qual nos reconhecemos, e do outro, de
vista como um espelho da humanidade), instrumento de formação e desenvolvimento
intelectual, moral, ideológico e estético (MAIA, 2003).
É importante salientar nesse trabalho sobre o desafio da leitura no Brasil,
pois para existir turismo literário é importante que as pessoas se interessem pela leitura.
Mas dados sobre a leitura em nosso país ainda são desanimador se
comparado com outros países, como Siqueira (2005, p. 01) cita
Já é lugar comum dizer que o brasileiro não lê. Consta que lemos
apenas l,8 livros por ano. Há países que alcançam 5, 7, 10 e até
15. O Brasil lê pouco, em primeiro lugar, pelo grande contingente
de analfabetos. Muitos países entraram o século 20 sem
analfabetos. Dizem que a Argentina é um deles. Pois varamos o
século XX, entramos no XXI com analfabetos puros, pessoas que
não sabem ler e escrever, e mais os chamados analfabetos
funcionais, gente que esteve na escola aprendeu a ler e a
escrever, mas não é capaz de entender o que lê, e não consegue
escrever um texto simples (SIQUEIRA, 2005, p. 01).
A leitura é um hábito difícil de formar, mas para mudar essa situação, sem
dúvida a melhor alternativa é a educação com qualidade nas escolas.
Apesar das dificuldades de formar leitores, existe uma minoria que gosta de
ler e existem diversos escritores que criaram e criam livros de excelente produção.
Abreu (2006, p. 11 e 12) salienta que
O término do século XX fez com que a imprensa dedicasse muitas
de suas páginas à escolha dos melhores representantes dos anos
mil e novecentos em diversas categorias. Foram feitas listas dos
melhores filmes, dos melhores jogadores de futebol, das melhores
musicas etc. Como não poderia deixar de ser, constituíram-se júris
para eleição dos melhores livros e, entre eles, das melhores obras
e autores de ficção. A Folha de São Paulo, por exemplo,
promoveu a eleição dos melhores romances mundiais do século
XX e dos melhores romances brasileiros de todos os tempos
(ABREU 2006, p. 11 e 12).
A seguir, a autora adapta os Quadros 01 – Melhores romances mundiais do
século XX e quadro 02 – Melhores romances brasileiros de todos os tempos de Folha
de São Paulo (1999), através dos títulos e autores, considerando em alguns casos a
16
cidade ou país que eles nasceram; houve uma pesquisa sobre quais são os lugares
que se passam cada história desses livros.
Quadro 01 - Melhores romances mundiais do século XX
Nº
MUNDO (SÉCULO XX)
DESTINO
1
ULISSES, de James Joyce
Dublin-IRLANDA
2
EM BUSCA DO TEMPO
PERDIDO, de Marcel Proust
Paris-FRANÇA
3
O PROCESSO, de Franz Kafka
TCHECOSLOVÁQUIA
Atual: REPÚBLICA TCHECA E
ESLOVÁQUIA
4
DOUTOR FAUSTO, de Thomas
Mann
ALEMANHA
5
GRANDE SERTÃO: VEREDAS,
de Guimarães Rosa
Sertão mineiro, sul da Bahia e
Goiás
6
O CASTELO, de Franz Kafka
________
7
A MONTANHA MÁGICA, de
Thomas Mann
Hamburgo-ALEMANHA e DavosSUÍÇA
8
O SOM E A FÚRIA, de Willian
Faulkner
Sul dos ESTADOS UNIDOS
9
O HOMEM SEM QUALIDADES,
de Robert Musil
ÁUSTRIA
HUNGRIA
10
FINNEGANS WAKE, de James
Joyce
Dublin-IRLANDA
Fonte: adaptado de Folha de São Paulo, São Paulo (1999)
17
Quadro 02 - Melhores romances brasileiros de todos os tempos
Nº
BRASIL (GERAL)
DESTINO
1
GRANDE SERTÃO: VEREDAS,
de Guimarães Rosa
Sertão mineiro, sul da Bahia e
Goiás
2
DOM CASMURRO, de
Machado de Assis
Rio de Janeiro - RJ
3
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE
BRÁS CUBAS, de Machado de
Assis
Rio de Janeiro - RJ
Coimbra-PORTUGAL
4
MACUNAÍMA, de Mario de
Andrade
Floresta amazônica São Paulo - SP
5
TRISTE FIM DE POLICARPO
QUARESMA, de Lima Barreto
Rio de Janeiro - RJ
6
QUINCAS BORBA, de Machado
de Assis
Barbacena – MG
Rio de Janeiro - RJ
7
MEMÓRIAS DE UM
SARGENTO DE MILICIAS, de
Manuel Antonio de Almeida
Rio de Janeiro - RJ
8
VIDAS SECAS, de Graciliano
Ramos
Sertão nordestino
9
SÃO BERNARDO, de
Graciliano Ramos
Viçosa - ALAGOAS
10
MEMÓRIAS SENTIMENTAIS
DE JOÃO MIRAMAR, de
Oswald de Andrade
São Paulo – BRASIL
Paris – FRANÇA
Fonte: Adaptado de Folha de São Paulo, São Paulo (1999)
Esses quadros referem-se ao ambiente que se passou a história de cada
livro, é uma maneira de observar que grandes obras literárias foram escritas, tomando
como base algum lugar, e muitos desses destinos são reconhecidos no turismo mundial
como Paris na França e no Brasil, sendo destaque o Rio de Janeiro.
O objetivo de cada autor ao desenvolver uma obra literária de acordo com
Santos (2010) “é desenvolver sua história e a de seus personagens. Para isso, cria-se
todo um cenário e há, muitas vezes, detalhada descrição de onde se passa o contexto”.
Não que o escritor queira promover determinado lugar, mas ele visa que o leitor se
18
adapte ao cenário descrito e possa imaginar de certa maneira todo o ambiente onde
cada situação se passa, desta forma viajando através da imaginação (SANTOS, 2010).
O próximo sub-capítulo irá se referir aos aspectos históricos do turismo,
relatando a importância do turismo, seus conceitos para compreensão global deste
trabalho, na ligação entre turismo e literatura.
2.2 ASPECTOS HISTÓRICOS E CONCEITUAIS DO TURISMO
O turismo é um fenômeno, ao contrário, do que muitos pensam complexo
de definir, por isso existem diversos conceitos sobre ele.
A OMT (organização mundial do turismo) tem a definição mais utilizada que
diz: “é o conjunto de atividades praticadas pelos indivíduos durante as suas viagens e
permanência em locais situados fora do seu ambiente habitual, por um período
contínuo que não ultrapasse um ano, por motivos de lazer, negócios e outros”.
Uma definição mais holística de turismo apresenta ANDRADE (2004, p. 38)
“conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento, a promoção e a execução
de viagens, e os serviços de recepção, hospedagem e atendimento aos indivíduos e
aos grupos, fora de suas residências habituais”.
Existem muitas outras definições de turismo, podemos citar alguns
especialistas e suas definições como Benscheidt at all Beltrão (2001, p.18) “o conjunto
de relações pacíficas e esporádicas entre viajantes que visitam um local por motivos de
interesses.” Já Arrillaga at all Beltrão (2001, p.18) cita que “o turismo é o conjunto de
deslocamentos voluntários e temporais determinados; conjunto de bens, serviços e
organização que determinam e tornam possíveis estes deslocamentos.” São muitas
definições que vão se modificando conforme o tempo, e se adéquam as necessidades
sociais, econômicas e culturais de cada época.
O turismo é um fenômeno universal, conectando todas as partes do sistema
global, aumentando a compreensão dos indivíduos de pertencerem a um todo, e ao
mesmo tempo incrementando a sua consciência de ter relação a um local determinado
[...] do modo que torna mais homogênea a cultura humana, destaca as diferenças,
19
consolidando a identidade cultural local, a que propicia a multiculturalidade (DIAS;
AGUIAR, 2002).
Nem toda viagem é turismo apesar de toda viagem necessitar de
deslocamento físico e espacial e reverter em gastos e lucros, as viagens são fatores
importantes para qualquer economia local, regional ou nacional, pois aumentam o
consumo, geram empregos e por consequência maiores lucros (ANDRADE, 2004).
A história das viagens confunde-se com a própria história da humanidade,
pois os deslocamentos sempre acompanharam o desenvolvimento humano.
REJOWSKI (2002, p. 17) cita que
O homem pré-histórico se deslocava em busca de alimentos e
proteção, respondendo ao instinto natural de sobrevivência e de
defesa [...] O desejo de conquistar mais provisões e até mesmo as
riquezas dos outros povos motivou o empreendimento de viagens
para o domínio de outros territórios. A invenção da roda pelos
sumérios foi um marco importante no desenvolvimento dos
transportes, possibilitando ao homem viajar transportando uma
quantidade bem maior de produtos, utilizando engenhos que
diminuíam a necessidade de esforços físicos. No estudo da
história das viagens deve ser feito um registro da importante
contribuição que sumérios, fenícios, persas e outros povos tiveram
para o seu desenvolvimento (REJOWSKI 2002, p.17).
Muitas civilizações tiveram grande importância para o turismo, e que
juntas construíram a periodização da história das viagens, e cada uma, de alguma
maneira contribuiu para diversos fatores que até hoje fazem parte da atividade turística.
Na Grécia pode-se destacar o espírito de hospitalidade que existia, principalmente nas
festas religiosas que realizavam e o interesse pelos hábitos e costumes de outros
lugares.
Rejowski (2002) menciona que Heródoto, geógrafo e historiador, foi um
dos maiores viajantes da Grécia no seu tempo (Antiguidade Clássica), considerado pela
autora como um dos primeiros “turistas”; o primeiro narrador das suas viagens, pois
viajava muito e registrava tudo, até com uma pauta de cinismo.
Segundo Holloway apud Rejowski ( 2002, p. 19), este cinismo registrava
[...] outras versões diferentes daquelas narrativas fantasiosas que
20
os guias de viagens faziam na época. A função desses guias
variava de acordo com a situação:
- os periegetai tinham como função principal orientar os viajantes
ao redor dos sítios visitados, a exemplo do papel que hoje
desempenham os guias de turismo numa excursão ou num city
tour;
- os exegetai eram especialistas e conselheiros em assuntos
religiosos e de rituais, e tinham como missão prestar orientação
religiosa aos visitantes (HOLLOWAY apud REJOWSKI, 2002, p.
19)
É interessante observar que no início, primeiro se viajava e durante a
viagem tomava-se nota de como era o lugar, que depois de registrado instigava outras
pessoas a fazer novas descobertas que traziam entusiasmos para outras novas
descobertas. Hoje em dia procura-se um diferencial sobre o lugar, pois com a
globalização os lugares dão impressão de tornar-se cada vez mais parecidos.
Atualmente com os avanços tecnológicos podemos ter conhecimentos
prévios com muito mais informações de qualquer lugar do mundo que desejamos
conhecer, o mais incrível é como os anseios provocados pelos folhetos são um
exemplo, ao mesmo tempo comovente e decepcionante, de como projetos (e até
mesmo vidas inteiras) podem ser influenciados pelas imagens mais simples e
incontroversas da felicidade, como uma viagem pode ser realizada por nada mais que a
visão da fotografia de uma palmeira a se inclinar levemente com uma brisa tropical
(BOTTON, 2003).
Ainda sobre os guias de turismo da época Rejowski (2002, p.19 e 20) cita
que
O filósofo Plutarco foi outro crítico mordaz do desempenho dos
guias de viagens da época que, no seu entender, eram
extremamente prolixos, insistindo em falar demasiadamente
acerca das inscrições e epitáfios encontrados nos locais, irritando
os visitantes, que preferiam explicações mais sucintas. Pausânias,
sofista grego, escreveu entre 160 e180 a.C. a Descrição da
Grécia, em dez livros que continham informações pormenorizadas
sobre os mais importantes sítios e monumentos gregos. Foi com
base nessa obra que Shliemann descobriu Micenas e outras
cidades (REJOWSKI 2006, p. 19 e 20)
As viagens de acordo com Botton (2003, p17) “[...] expressam por mais que
não falem uma compreensão de como poderia ser a vida, fora das restrições do
21
trabalho e da luta pela sobrevivência”. O prazer que as viagens proporcionam ao se
fazer, claro, uma viagem que atenda sua expectativa, pode ser considerada com
certeza um momento da vida de real felicidade, que através de um bem intangível é
guardado na memória por mais tempo que um bem
Rejowski (2002, p.25) acrescenta que
Certos romanos, pertencentes à elite, viajavam por prazer a Grécia
e o Egito e utilizavam os guias de viagens, conhecidos como
periegeses, precursores dos guias turísticos atuais. Nesses guias
eles encontravam informações sobre as cidades que iriam visitar,
seus monumentos, atrativos, modos de vida e costumes de seus
habitantes. A periegese Descrição da Grécia (Periegesis
Hellados), escrita pelo viajante grego Pausânias, era o guia mais
completo. O autor começa sempre a descrição de cada cidade
com uma sinopse de sua história e sua tipografia. Comenta com
detalhes o cotidiano da população local, os cerimoniais, as lendas
e o folclore. Dá atenção especial à descrição dos monumentos, da
arte e da arquitetura (REJOWSKI, 2002, p. 25)
A respeito dos grandes viajantes, destaca-se Marco Polo, um jovem que
aos 17 anos, em 1271, partiu de Veneza na Itália para o continente asiático, com seu
pai e seu tio; a odisséia durou 24 anos e revelou um mundo fascinante, nunca antes
descrito. Marco relatou sua viagem através do seu livro: O livro das maravilhas: a
descrição do mundo.
Através da reportagem de Edwards (2001, p.62) para a revista National
Geographic Brasil, pode-se ter um melhor entendimento sobre Marco Polo:
Desde que escreveu seu celebre livro, por volta de 1298, Marco
Polo foi obrigado a conviver com a suspeita de que tivesse
inventado tudo. Afinal, ele havia feito uma crônica de coisas que
nem mesmo os venezianos, mercadores, cosmopolitas, jamais
haviam visto, caso do papel-moeda e de uma ‘pedra preta
combustível’, o carvão mineral. Ainda hoje a quem sustente que
Marco não se aventurou além de Constantinopla ou do Mar Negro
e se apropriou depois de relatos feitos por árabes e persas mais
arrojados. (EDWARDS, 2001, p.62)
IBN Battuta (1304-1377) também foi um viajante que teve grande
contribuição para a história das viagens, sendo conhecido como “o príncipe dos
22
viajantes”. Ele conheceu civilizações muito ricas culturalmente situadas a maioria no
Oriente; seus relatos estão repletos de dados históricos e de pormenores das
instituições sociais, da cultura em geral, com observações geográficas urbanas e rurais,
detalhes etnográficos e folclóricos, bem como das complexidades econômicas dos
povos visitados (LUCCI, 2000).
O mesmo autor ainda cita os lugares por onde IBN Battuta passou, Lucci
(2000, p.01)
[...] por Alexandria, indo até o Cairo. Dirigiu-se depois à Palestina
e à Siria e, de Damasco, empreendeu por fim, a peregrinação a
Meca (1326). Saindo de Meca no dia 17 de novembro de 1326,
passou pelo Iraque, Kurdistão e Bagdad. Desta cidade retornou a
Meca, onde residiu pelo espaço de três anos (1327 a 1330). Logo
a seguir, visitou o Yemen, Adem e a costa oriental africana.
Regressou por Omã, realizando uma nova peregrinação a Meca,
em 1332 e daí chegou ao Egito, à Síria, à Anatólia, ao sul da
Rússia e a Constantinopla, alcançando a Índia através do
Afeganistão. Residiu na Índia por quase dez anos (até 1342) e
durante um ano e meio nas ilhas Maldivas. Seu périplo pelo
Extremo Oriente iniciou-se com a visita ao Ceilão, Bengala,
Assam e Sumatra. Há algumas dúvidas sobre sua estada na
China. Em abril-maio de 1347, está outra vez em Malabar,
regressando depois pelo Golfo Pérsico e Bagdad, Síria e Egito,
cumprindo uma quarta e última peregrinação a Meca. Em
Alexandria, embarcou em 1349 para Tunis, de onde um navio
catalão o transladou até Cerdena, então pertencente à coroa de
Aragão. Daí, finalmente, cruzou a parte ocidental da Argélia e
concluiu a viagem em Fez (novembro de 1349) (LUCCI. 2000, p.
01).
No Renascimento existe um apelo maior para as viagens de cunho cultural,
pois nessa época surgiram grandes universidades como Oxford (Inglaterra), Paris
(França), Salamanca (Espanha) e Bolonha (Itália). Foi também nesse período que se
realizou o primeiro ‘show comércio’, por meio da Feira de Livros de Frankfurt
(REJOWSKI, 2002).
Fato histórico importante para caracterizar a fusão literatura e turismo deste
trabalho (abordado em profundidade no próximo sub-capítulo – sobre turismo cultural),
nessa mesma época o Grand Tour, que foram viagens que filhos de aristocratas faziam
pela Europa para melhorar seu nível cultural, ficavam de um a três anos viajando com
23
seus tutores de viagem, conhecendo principalmente em ordem de importância Roma,
Florença, Nápoles e Veneza.
Rejowski (2002, p. 37) cita que
Adam Smith, o grande filósofo e economista escocês, aos 36 anos
chamou a atenção do duque de Buccleuch pela sua inteligência. O
duque o convidou para ser o tutor de seu filho numa viagem do
grand tour pela Europa. Nessa viagem Smith encontrou-se com
outros eminentes pensadores da época como Voltaire, Rousseu e
Franklin e, no seu regresso à Inglaterra, escreveu o clássico A
Riqueza das Nações (REJOWSKI, 2006, p.37).
Portanto, pode-se perceber até essa época um pouco do que mais tarde
seria chamado de segmentação turística, como turismo de negócios, turismo religioso,
de lazer, cultural entre outros (REJOWSKI, 2002).
O turismo foi reconhecido por sua importância econômica, em 1942,
quando surge a obra considerada fundamental para o seu estudo científico que
introduzem as idéias sobre ciência integral do turismo, livro escrito por Walter Hunziker
e Kurt Krapt.
Com a difusão do turismo, surgem turistas que procuram uma oferta que
atenda a sua individualidade, levando em consideração suas necessidades e desejos,
com isso nascem às segmentações turísticas que serão abordadas em seguida.
2.3 SEGMENTAÇÕES TURÍSTICAS
Até a década de 1970 a literatura reconhecia o Turismo e o Turista de
forma indiferenciada, foi em 1972 que pioneiro no assunto, o sociólogo israelense Erik
Cohen elaborou uma tipologia internacional separando quatro tipos ideais: os de massa
individuais, que procuram viajar a lugares conhecidos mediante agências de turismo; os
de massa organizados, que viajam por agência, mas em grupos guiados com
hospedagem e passeios organizados, o que ele chamou de “bolha ambiental”; os
exploradores que procuram organizar suas viagens sem ajuda profissional, se
afastando do que é “clichê”, mas sem perder o nível de conforto que tem em casa e os
24
“perambulantes”, que viajam sem rumo e preferem ter maior interação com a população
local (NETO, ANSARAH, 2008).
Depois da difusão do turismo no final do século XX, e sua importância para
a economia de muitos lugares, surge também um novo turista segundo Oliver (2007, p.
01) que “aparece e vai reagir diante da massificação dos produtos, exigindo uma oferta
que atenda a sua individualidade.”
A segmentação é utilizada para definir o público alvo que pretende se
atingir, também para existir opções de escolha, para as pessoas que são diferentes
uma das outras e tem necessidades e desejos distintos. A segmentação ajuda na
ferramenta de “marketing”, pois quanto mais se conhece as características do mercado
que se pretende alcançar, maior a eficiência das técnicas aplicadas, dentre elas a
promoção, publicidade, relações públicas, vendas entre outras (LAGE e MILONE,
2000).
Como referência Beni apud Oliver (2007, p.2) revela que
Segmentar o mercado é identificar clientes com comportamentos
homogêneos quanto a seus gostos e preferências. A
segmentação possibilita o conhecimento dos principais destinos
geográficos, dos tipos de transportes, da composição demográfica
dos turistas e da sua situação social e estilo de vida, entre outros
elementos. (BENI apud OLIVER, 2007, p. 2).
Rodrigues (2003, p. 1) ainda complementa sobre segmentação dizendo que
ela “traz enorme vantagem, como economia de escala para as empresas turísticas,
aumento da concorrência no mercado, criação de políticas de preços e de propaganda
especializada, e promoção de maior número de pesquisas científicas”. A segmentação
revela Dias (2006, p.56) “[...] deve ser sempre levado em consideração, pois facilita a
comercialização do produto turístico, permite uma formatação mais profissional do
produto com a contratação de especialistas [...]”.
MORAIS apud OLIVER (2007, p.3) afirmam que ao segmentar estão
“identificando compradores com comportamentos de compra homogêneos quanto aos
gostos e preferências. Ele é constituído por pessoas que são individuais nas suas
preferências, necessidades, gostos e idiossincrasias”.
25
A segmentação de mercado de acordo com a Embratur apud Dias (2006,
p.252) “é a distribuição do mercado em grupos homogêneos em função de algumas
características que identificam seus componentes”.
Existe também o segmento de mercado que para Dias (2006, p.252) é a
“subdivisão do mercado pelas características dos consumidores, como jovens, pessoas
de terceira idade, professores, adolescentes etc., ou ainda por atividades, tais como:
turismo cultural, de negócios, de aventura, histórico etc”., como será visto no quadro
logo abaixo.
Sobre os novos segmentos do turismo expõe Neto e Ansarah (2008, p.15)
“durante os últimos anos, muitos novos tipos e subtipos de turismo foram surgindo, seja
pela iniciativa do mercado, que precisa de novos produtos, seja pela iniciativa daqueles
turistas [...] buscando novos destinos e novas vivências”.
A seguir no Quadro 03 - Segmentação turística, contendo os principais
critérios de segmentos do mercado turístico.
26
Quadro 03 – Segmentação turística
CRITÉRIOS DE SEGMENTOS
SEGMENTOS
Idade
Turismo infantil
Turismo juvenil
Turismo de meia idade
Turismo de 3ª idade ou melhor idade
Turismo familiar
Nível de renda
Turismo social
Turismo de maioria
Turismo de minoria
Meios de transporte
Turismo aéreo
Turismo rodoviário
Turismo rodo-aéreo
Turismo ferroviário
Turismo marítimo
Turismo fluvial/lacustre
Duração e permanência
Turismo de curta duração
Turismo de média duração
Turismo de longa duração
Distância do mercado consumidor
Turismo local
Turismo regional
Turismo continental
Turismo intercontinental
Tipo de grupo
Turismo individual
Turismo de casais
Turismo famílias
Turismo de grupos
Turismo de grupos especiais (single, GLBT,
melhor idade, naturistas, portadores de
deficiência, etc.)
Sentido do fluxo turístico
Turismo emissivo
Turismo receptivo
Condição geográfica
Turismo de praia
Turismo de montanha
Turismo de campo
Turismo de neve
Aspecto cultural
Turismo étnico
Turismo religioso
Turismo histórico
Turismo antropológico
Turismo artístico
Turismo literário
Grau de urbanização da destinação turística
Turismo de grandes metrópoles
Turismo de médias cidades
Turismo de pequenas cidades
Turismo rural
Turismo de áreas naturais
27
Motivação das viagens
Turismo de negócios
Turismo de eventos
Turismo de entretenimento
Turismo educacional
Turismo de descanso
Turismo cultural
Fonte: adaptado de Andrade (2001)
Os segmentos acima citados não esgotam todas as possibilidades, pois
novos (até) subsegmentos surgem constantemente.
Um dos segmentos do turismo é o turismo cultural que será abordado em
seguida, sendo importante para a compreensão do turismo literário que ainda será
apresentado nos próximos sub-capítulos.
2.4 O SURGIMENTO DO TURISMO CULTURAL
Segundo Rejowski (2002, p.35) “o Renascimento representou um grande
incentivo às viagens culturais, motivadas por estudos e experiências.”
O Ministério do Turismo (MTur, 2006, p.09) diz sobre o início desse
segmento que “pode-se situar a origem da relação turismo e cultura no grand tour
europeu, quando os aristocratas [...] viajavam principalmente para contemplar
monumentos, ruínas e obras de arte dos antigos gregos e romanos".
O grand tour tem grande significado para o turismo e consequentemente
para o turismo cultural, era uma maneira dos jovens aristocratas continuarem seus
estudos como comenta Salgueiro (2002, p.291): “um viajante disposto acima de tudo de
recursos e tempo nas primeiras viagens registradas pela historiografia da prática social
de viajar por puro prazer e por amor à cultura”. Mas o grand tour, como diz Camargo
(2002, p.46), “já não é mais um traço que distingue apenas os ingleses, é prática
comum entre os aristocratas do continente. E, embora haja variabilidade das rotas,
inevitavelmente Itália, França e Suíça estão presentes em todos os roteiros.”
Paris é a capital com enorme influência cultural, sendo a França o país que
mais recebe turistas no mundo, pois de acordo com Camargo (2002, p.47):
28
A universalidade, a vida cultural intensa, as publicações, o grande
número de construções monumentais e os jardins. Os cafés, o elo
de ligação entre as novas idéias, a conversação e o prazer da
bebida em espaços públicos. Ópera, teatros, bailes, jogos e os
salões privados... A Paris de Luís XV e de Luís de XVI oferece
uma grande soma de atrativos (CAMARGO, 2002, p.47).
Tudo o que o ser humano faz pode ser considerado cultura, pode-se
considerar que todo povo tem algum tipo de cultura, e manifesta ela através do seu
cotidiano. O turismo cultural, como apresenta Funari (2002, p.7 e 8), “é a de que não é
o que se vê, mas o como se vê, que caracteriza o turismo cultural.” Já Barreto (2000, p.
19) afirma que “entende-se por ‘turismo cultural’ todo turismo em que o principal atrativo
não seja a natureza, mas algum aspecto da cultura humana. Esse aspecto pode ser a
história, o cotidiano, o artesanato [...]”.
Pode-se dizer que o turismo é inseparável da cultura, pois já existe
consciência de que a diversidade cultural é um elemento muito importante para o
desenvolvimento desse setor, que em muitas regiões se torna a principal atividade
econômica responsável na geração de emprego e renda (DIAS, 2006).
O MTur (2006, p.10 ), em parceria com o Ministério da Cultura e o Instituto
de Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN,2010), e com base na representatividade da
Câmara Temática de Segmentação do Conselho Nacional de Turismo, estabeleceu a
seguinte definição:
Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas
à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio
histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e
promovendo os bens materiais e imateriais da cultura (MTur,
2006, p.10).
O MTur (2006, p.10) informa que o turismo cultural se sustenta em dois
pilares: primeiro a existência de pessoas motivadas em conhecer culturas diversas e o
segundo a possibilidade do turismo servir como instrumento de valorização da
identidade cultural, da preservação e conservação do patrimônio, e da promoção
econômica de bens culturais.
29
Sobre Vivência o MTur (2006, p.10) diz:
[...] vivenciar implica, essencialmente, em duas formas de relação
do turista com a cultura ou algum aspecto cultural: a primeira
refere-se ao conhecimento, aqui entendido como a busca em
aprender e entender o objeto da visitação; a segunda corresponde
a experiências participativas, contemplativas e de entretenimento,
que ocorrem em função do objeto de visitação MTur (2006,
p.10).
Para incluir Patrimônio Histórico e Cultural e Eventos Culturais o MTur
(2006, p.11) considera-os
[...] os bens de natureza material e imaterial que expressam ou
revelam a memória e a identidade das populações e
comunidades. São bens culturais de valor histórico, artístico,
científico, simbólico, passíveis de tornarem-se atrações turísticas:
arquivos, edificações, conjuntos urbanísticos, sítios arqueológicos,
ruínas; museus e outros espaços destinados à apresentação ou
contemplação de bens materiais e imateriais; manifestações como
música, gastronomia, artes visuais e cênicas, festas e
celebrações. Os eventos culturais englobam as manifestações
temporárias, enquadradas ou não na definição de patrimônio,
incluindo-se nesta categoria os eventos gastronômicos, religiosos,
musicais, de dança, de teatro, de cinema, exposições de arte, de
artesanato e outros MTur (2006, p.11).
A valorização e promoção destes bens materiais e imateriais da cultura cita
o MTur (2006, p.11) para a sua utilização turística
[...] pressupõe sua valorização, promoção e a manutenção de sua
dinâmica e permanência no tempo como símbolos de memória e
de identidade. Valorizar e promover significa difundir o
conhecimento sobre esses bens e facilitar seu acesso e usufruto a
moradores e turistas. Significa também reconhecer a importância
da cultura na relação turista e comunidade local, aportando os
meios para que tal relação ocorra de forma harmônica e em
benefício de ambos (MTur 2006, p.11).
Segundo o mesmo MTur (2006), os principais atrativos desse segmento
são:
30
o Sítios históricos – centros históricos, quilombos
o Edificações especiais – arquitetura, ruínas
o Obras de arte
o Espaços e instituições culturais – museus, casas de cultura
o Festas, festivais e celebrações locais
o Gastronomia típica
o Artesanato e produtos típicos
o Música, dança, teatro, cinema
o Feiras e Mercados tradicionais
o Saberes e Fazeres – causos, trabalhos manuais
o Realizações artísticas – exposições, ateliês
o Eventos programados – feiras e outras realizações artísticas, culturais,
gastronômicas
o Outros que se enquadrem na temática cultural (Mtur, 2006, p.15).
O turismo cultural pode ser realizado de duas maneiras: tradicional, quando
acontece visita a locais de forma distorcida e um tanto apressada, existindo um tempo
estipulado para conhecer e tirar fotografias do lugar; e o interativo, quando o turismo
cultural é vivenciado, a visita é feita calmamente, de uma maneira que as informações
são absorvidas de forma natural existindo convivência com a comunidade local
(MOLETTA, GOIDANICH, 2000).
Na ligação de literatura e patrimônio cultural, observa-se que a literatura de
viagem teve grande importância para a disseminação de informação sobre patrimônio
cultural. No século XVIII já existia esse gênero, mas no século XIX aumentou o número
de títulos com a descoberta ou redescoberta de lugares desconhecidos, principalmente
para o público burguês, onde muitas das intenções de escrever sobre determinado local
decorre do imperialismo europeu. Através dos livros, seja na literatura de viagem ou na
literatura romântica, existe a difusão de identidade de outras sociedades, ou das
identidades nacionais que se construíam.
Os romances de Chateubriand, por exemplo, são ambientados tentando
recriar paisagens e hábitos referentes ao território Francês. Outro exemplo de escritor
que tem misto de pesquisa histórica, ficção e muito talento, o leitor é induzido a viver o
31
“espírito do tempo” por meio de minuciosas descrições que instigam a imaginação
CAMARGO (2002).
Quanto ao livro O Corcunda de Notre-Dame de Victor Hugo, Camargo
(2002, p.61) observa que
[...] o grande personagem é realmente a catedral, que tem por
cenário a cidade de Paris. Há dois capítulos específicos na obra
que reconstroem para o imaginário dos leitores da cidade, ‘Paris
em vôo de pássaro’ (vista de cima) e a igreja. Ora, para o leitor
que os desconhece, desperta o desejo de conhecê-las, de
reencontrar encarnados os personagens que sabe de antemão
jamais irão ver. O edifício, a cidade, seu entorno adquirem outro
significado, tornam-se atrativos, e projetam-se fora das fronteiras
nacionais (CAMARGO, 2002, p.61)
Ainda sobre literatura como uma das vertentes do turismo cultural, e sobre
literatura brasileira, Beltrão (2001, p.85) cita que “Jorge Amado é um verdadeiro porta
voz da cultura brasileira, que exporta, para diversos países, a literatura e as mais
diversas raízes que esse nosso país representa”.
Com base na reportagem de HORCEL (2010), atualmente o que é muito
comum nas viagens culturais são as pessoas procurarem algo novo e que possam
realizar diferentes experiências. Como atualmente está mais acessível viajar, e por isso
muitas pessoas acabam visitando varias vezes o mesmo destino, o que vem sendo
trabalhado no turismo cultural no Brasil e no mundo são roteiros específicos que podem
envolver: cinema, autoconhecimento, gastronomia, fotografia, história e literatura,
citando apenas algumas de suas vertentes.
HORCEL (2010) também específica que o turismo literário é uma opção
para quem quer viver algo que se passou na história de um livro, conhecer a cidade de
algum autor ou ver atrativos que foram citados em determinada obra, por serem roteiros
exclusivos e que muitas vezes garante a visita a lugares com acesso restrito.
Os roteiros culturais, de maneira geral, são mais caros que os tradicionais,
mas são inovadores e preciosos para os que realizam e é isso que agrega valor, não é
habitual, e sim único.
É importante saber quais são as consequências do turismo cultural, por
isso, apresenta-se um quadro sobre os aspectos positivos e negativos do turismo
32
cultural, a partir desses impactos pode-se através do planejamento turístico de um
destino, que tenha oferta cultural, se antecipar minimizando os impactos negativos e
evidenciando os positivos de cada local.
Quadro 04 – Principais impactos do turismo no setor cultural de
comunidades receptoras de turistas
IMPACTOS POSITIVOS
IMPACTOS NEGATIVOS
Intercâmbio de informação cultural, idéias
e crenças
Estímulo a mudanças no comportamento e
indumentária da população receptora
(“efeito demonstrativo”)
Estímulo ao interesse e conservação do
patrimônio cultural
Distorção de atividades e costumes
tradicionais em eventos localizados e mais
curtos
Estimulo ao orgulho de sua cultura na
comunidade anfitriã e promoção do
artesanato, tradições e costumes locais
Destruição do significado das
performances culturais e eventos
(mercantilização)
A encenação de eventos culturais que já
não cabem mais na cultura moderna gera
divisas necessárias para comunidades,
preserva o costume estimula o orgulho na
população
A produção cultural torna –se dependente
do fluxo turístico, comprometendo as
oportunidades permanentes de lazer para
a população
Aumenta do consumo de bens e serviços
culturais locais, gerando oportunidades de
negócios e consumo
__________
Aumento da oferta de eventos culturais em
função do turismo, beneficiando a
população pelo crescimento da oferta
cultural
___________
Fonte: Cooper et. al. (2001)
Mas não é só o turismo que impacta na cultura, pois a cultura também
causa impacto no turismo, os elementos culturais podem muitas vezes, para o turista,
ser a principal razão de se fazer turismo, oferecendo também oportunidade de negócios
através de obras de artistas, museus, espaços culturais, entre outros, que atraem
pessoas das mais diversas localidades em busca do novo, do criativo, do belo, do
33
peculiar, atualmente ser inovador é fundamental para atrair pessoas que procuram cada
vez mais algo único, diferente do que estão acostumadas (GANDARA et. al. 2006).
O turismo literário ainda é pouco explorado, por ser inovador. É necessário
conceituar esse segmento, que pode ser um sub-segmento do turismo cultural, pois se
apóia em uma de suas vertentes, a literatura. Portanto no próximo sub-capítulo será
discutido com maior profundidade.
É necessário citar neste trabalho dois órgãos de extrema importância para o
mundo e para o turismo cultural que são o: Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO).
O IPHAN surgiu em 13 de janeiro de 1937, no governo de Getulio Vargas. A
sua criação foi o fruto de debates e pesquisas envolvendo o ministro Gustavo
Capanema e sua equipe, que inclui também o poeta Mário de Andrade, ícone da
Semana de Arte Moderna, 1922. Mário de Andrade empreendeu um ambicioso projeto,
abrangendo uma série de pesquisas que causaram impacto no meio político e
intelectual, na medida em que pela primeira vez na história do Brasil, a diversidade
cultural da nação era mostrada a todo país (IPHAN,2010).
A função do IPHAN é proteger de acidentes geográficos notáveis e
paisagens agenciadas pelo homem, a mais de 60 anos realiza um trabalho permanente
de identificação, documentação, proteção e promoção do patrimônio brasileiro.
Preocupando-se em elaborar programas e projetos, que integrem a sociedade civil com
os objetivos de Instituto, buscando linhas de financiamento e parcerias para auxiliar na
execução das ações planejadas. Têm a preocupação de preservar os patrimônios a
partir de suas formas de expressão, seus modos de criar, fazer e viver, das criações
científicas, artísticas e tecnológicas, das obras, objetos, documentos, edificações e
demais espaços destinados as manifestações artístico-culturais, e dos conjuntos
urbanos
e
sítios
de
valor
histórico,
paisagístico,
artísticos,
arqueológicos,
paleontológicos, ecológicos e científicos (IPHAN,2010).
A UNESCO foi fundada (no mundo) em 16 de novembro de 1945,
atualmente funciona como um laboratório de ideias e como uma agência de
padronização para formar acordos universais nos assuntos éticos emergentes. O Brasil
34
tem sido membro da UNESCO desde 1946, a organização abriu seu escritório no Brasil
em 1964, no Rio de Janeiro, e mudou-se para Brasília em 1972 (UNESCO, 2010).
Uma das áreas de atuação da UNESCO: é a ciência humana e social, cuja
missão é expandir o conhecimento, elevar padrões e promover a cooperação
intelectual, a fim de facilitar transformações sociais alinhadas segundo valores
universais de justiça, liberdade e dignidade humana. Outra área é a cultura, fundamento
de identidade, da energia e das idéias criativas dos povos, a cultura, em toda
diversidade, é fator de desenvolvimento e coexistência em todo mundo. Assim, a
UNESCO elabora e promove a aplicação de instrumentos normativos no âmbito
cultural, além de desenvolver atividades para a salvaguarda do patrimônio cultural, a
proteção e o estímulo da diversidade cultural e o fomento do pluralismo e o diálogo
entre as culturas e civilizações (UNESCO,2010).
O Turismo Literário que será abordado a seguir pode ser considerado um
subsegmento do Turismo Cultural, por ter vertentes relacionadas a atividades culturais.
2.5 TURISMO LITERÁRIO
O Turismo Literário ainda é pouco aplicado no Brasil, sendo que o turista
em vez de buscar os guias turísticos, procura nos romances e contos literários uma
dupla maneira de viajar. Esse segmento vem se destacando e tomando proporções a
indicar que tem potencial para ser um filão rentável para o turismo. Esse turismo possui
muitas vertentes, como visitar o local onde viveu um escritor, os cenários descritos em
suas obras, além dos ambientes dos salões, feiras e festivais literários. É uma ‘viagem’
pelos livros e além deles (XICATTO, 2008).
Como explica ROCKENBACH (2010) os livros e as cidades têm muito em
comum, pois os bons livros e as belas cidades sempre deixam o indivíduo com um
“gostinho de quero mais”, com um sentimento íntimo de que cedo ou tarde se faz
necessário revisitá-los.
Existem diversos motivos para se fazer uma viagem, sendo que segundo
Santos (2010) “a leitura de um bom livro pode acarretar na escolha deste, pois quando
uma pessoa decide ler um livro, inicia apenas como leitora, mas no decorrer desta
35
atividade, através da descrição de cenários e lugares, pode vir a tornar-se turista”.
O Turismo Literário foi evidenciado em 2005 após o romance de Dan Brown
“O Código da Vinci” que levou milhares de turistas para as capitais da França e da
Inglaterra. Aqui no Brasil a Ilha de Paquetá no Rio de Janeiro ficou conhecida após o
romance de Joaquim Manoel de Macedo “A moreninha” e tornou-se um dos lugares
mais visitados do império em 1844, ainda hoje existem guias que mostram a Praia da
Moreninha, o Morro da Moreninha etc (SANTOS, 2005).
É importante destacar que a Carta do Descobrimento, de Pero Vaz de
Caminha na qual o autor descreve com minúcia o "novo mundo" é considerada a
primeira manifestação documental e literária do Brasil e tem como objetivo discutir
como foi a primeira imagem dos portugueses ao chegarem no agora chamado Brasil.
Esse significado exerce uma grande influência no mercado turístico, já que alguns
pontos abordados ainda são relevantes e marcam a "cara" do Brasil, na literatura temos
auxílio de como se formou a imagem turística de nosso país, pois por muito tempo
tivemos a imagem de um lugar de libertinagem e carnaval, ainda temos, mas bem
menos que antigamente, atualmente tentamos reverter essa imagem (ASATO, 2010)
O primeiro Roteiro Literário criado no Brasil percorre paisagens de Minas
Gerais descritas no romance Grande Sertão: Veredas do escritor Guimarães Rosa,
onde a principal cidade é Cordisburgo, cidade natal do autor. Existe também a semana
Roseana evento que visa divulgar a obra literária de Guimarães, nessa semana
acontece a caminhada Eco-literária, há três roteiros baseados nos contos do escritor
(BETING, 2005).
A cidade de Itabira também em Minas Gerais é terra do poeta Carlos
Drummond de Andrade, os versos do escritor estão espalhados em 44 placas de
bronze e remetem pontos turísticos da cidade, o turista pode aproveitar e fazer uma
trilha passando por cada poema. Drummond assim como Guimarães Rosa sempre
levou a terra natal para dentro da literatura, prova disso o poema “Ruas”: “por que tão
largas? / por que ruas tão retas? / meu passo torto / foi regulado pelos becos tortos / de
onde venho”. Na cidade existem museus, eventos, monumentos e até contadores de
histórias inspirados nas histórias dos livros do escritor (CALVETTI, 2010).
Em Natal no Rio Grande do Norte o destaque é o folclorista Câmara
36
Cascudo, a casa onde viveu e produziu toda sua obra é aberta à visitação, contendo
seu escritório e biblioteca (XICATTO, 2008).
No Recife em Pernambuco está a Casa-Museu Magdalena e Gilberto
Freyre, que contém a coleção de objetos de arte, pratarias, azulejos e peças orientais
do escritor pernambucano, ainda em vida ele transformou sua casa em fundação
reconhecida como Casa Grande, seu acervo também mostra um pouco da vida
pernambucana, brasileira e de diferentes locais do mundo.
Ainda em Recife foi desenvolvido o Circuito da Poesia, homenagem em
escultura em tamanho real de 12 escritores que tiveram influência da capital
pernambucana: João Cabral de Melo Neto, na Rua da Aurora; Manoel Bandeira,
também na Aurora; Clarice Lispector na Praça Maciel Pinheiro; Mauro Mota, na Praça
do Sebo; Chico Science, na Rua da Moeda; Solano Trindade, no Pátio de São Pedro;
Ascenso Ferreira, no Cais da Alfândega e Luiz Gonzaga, na Estação Central do Metrô
(BRASIL TURISMO, 2009).
No Rio de Janeiro a Casa Rui Barbosa foi à primeira Casa-Museu do país,
onde o escritor e político morou até sua morte. Há também a Fundação Casa de Rui
Barbosa, importante centro de pesquisa, preservação de livros e documentos
(XICATTO, 2008).
Em Ilhéus, na Bahia existe um bairro com o nome de Jorge Amado, escritor
do livro Gabriela Cravo e Canela, onde esta a casa em que ele morou. Existem visitas
guiadas para turistas interessados em conhecer detalhes sobre a vida do escritor, o
passeio inclui cafés-teatro, praias e plantações de cacau (SANTOS, 2009).
No mundo há diversos destinos literários como São Petersburgo, cidade
onde se passa a maioria das histórias de autores russos do século XIX, como, por
exemplo, Dostoiévski e Tolstói. É nessa cidade onde se passa a história de Crime e
Castigo, Noites Brancas e boa parte de Guerra e Paz.
Na Dinamarca foi criado o roteiro “Andersen passou por aqui”, Hans
Christian Andersen é um dos maiores escritores da literatura infantil, entre suas obras
estão O patinho feio, Soldadinho de chumbo e A pequena sereia. A pequena sereia
está simbolizada em uma estátua de bronze, sendo um dos monumentos mais
fotografados da Dinamarca. A cidade onde o escritor nasceu fica na Ilha de Fiônia, a
37
100 Km de Copenhague tem sua atividade turística voltada culturalmente para a vida e
obra de Andersen, a cidade parece com os contos de fadas, pelas casas pequenas,
baixas, coloridas e ruas de pedras.
A Inglaterra possui o museu dedicado a vida e época de Sherlock Holmes,
o seu interior foi montado igual ao cenário descrito nas aventuras publicadas por Arthur
Conan Doyle.
Um dos destinos mais fascinantes é a Transilvânia, na Europa Central:
Meca dos vampiros, região que ambientou o romance Drácula, de Bram Stoker, local
sombrio, recheados de castelos e palacetes incríveis charretes e enigmáticos ciganos.
Na região romena pode ser visto o Castelo de Bram (que inspirou Stoker) e o castelo do
Conde Tepes (SANTOS, 2009).
O Museu Franz Kafka aborda vida e obra do escritor mais famoso de Praga,
explorando a relação em que Kafka tinha com sua cidade natal (XICATTO, 2008).
O Writer's Museum, instalado em uma mansão do séc. XVIII em Dublin na
Irlanda, terra de longa tradição literária, traz um pouco da vida e obra de James Joyce e
Oscar Wilde.
A Espanha é um dos destinos mais visitados do mundo, por isso existem
diversos roteiros desenvolvidos pelos espanhóis, e um deles é o “Roteiro Dom Quixote”
que segue os passos do cavaleiro andante do escritor Miguel de Cervantes pelas
principais cidades descritas na obra (BORTOLON, 2002).
Já Portugal foi onde o poeta Fernando Pessoa viveu boa parte de sua vida,
por isso sua casa foi concebida a Câmara Municipal de Lisboa como um Centro Cultural
destinado a homenagear o escritor, a casa é sempre movimentada por pequenos
eventos culturais, além disso, existe uma biblioteca dedicada à poesia e diversos
objetos e mobiliários pertencentes ao poeta (CASA FERNANDO PESSOA).
O célebre poeta Pablo Neruda foi um dos mais importantes poetas da
língua castellana e um ícone da literatura Sul Americana, foi Cônsul do Chile na
Espanha e no México e recebeu o prêmio Nobel de literatura. A casa onde viveu em
Valparaíso no Chile é atração turística, em seu escritório ainda são mantidos alguns de
seus pertences, seu fascínio pelo mar é refletido em sua casa, na arquitetura e
decoração, possuindo corrimão de cordas, imitando um navio, bem como janelas
38
redondas que também remetem a um navio ou barco (PELICIOLI).
Para interessados na cultura árabe encontram descrições de Cabul, capital
afegã, no livro: “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini, lançado dois anos após o
atentado do 11 de setembro, um livro dramático, que fala da amizade de dois garotos.
Outros livros que já entraram na lista dos mais vendidos e que falam sobre o
Afeganistão são: “O Afegão”, de Frederick Forsyth, Entre as obras de não-ficção, "Eu
Sou o Livreiro de Cabul", de Shah Muhammad Rais, "O Livreiro de Cabul", de Asne
Seierstad, também trazem as peculiaridades deste país de religião islâmica.
Um projeto interessante a ser citado é o da Fundação Nacional de Obras
Literárias, a KwaZulu-Natal, na África do Sul, que inventou um mapa literário sobre
autores, cuja a vida ou trabalho estão vinculados de maneira significativa a lugares
específicos de KwaZulu-Natal. O Website é destinado a turistas, pesquisadores e
estudantes, cada entrada de autor contém uma breve biografia, uma bibliografia
selecionada e um trecho da obra do autor a que se relaciona ao local identificado no
mapa.
Fato relevante que destaca o crescimento do turismo literário são inúmeros
eventos literários e roteiros literários que estão sendo criados atualmente, associando
destinos turísticos com discussões literárias e atividades culturais.
O Quadro 05 – os Eventos literários realizados no Brasil em 2009, a seguir
indica alguns eventos ocorridos e que atestam a importância e crescimento desta
vertente do Turismo Literário.
39
Quadro 05 – Eventos literários realizados no Brasil em 2009
Nº
EVENTOS
MÊS
CIDADE/ESTADO
1
Festa Literária de Pirenópolis
Fevereiro
Pirenópolis - GO
2
Festa Literária Santa Tereza
Maio
Santa Tereza - RJ
3
Festa Literária do ABCD
Maio
Ribeirão Pires SP
4
Salão do Livro do Piauí
(SALIPI)
Junho
Terezina - PI
5
Semana Roseana
Junho
Cordisburgo - MG
6
Festa internacional de Paraty
– (FLIP)
Julho
Paraty-RJ
7
Festival Literário de Ipu
Agosto
Ibiapaba - CE
8
Festival de Literatura de São
João Del Rei
Agosto
Cidades históricas
de Minas Gerais
9
Festival Literário de Natal
Agosto
Natal - RN
10
FLINORTE
Setembro
Paulista, Abreu e
Lima, Igarassu e
Itamaracá – PE
11
Festa Literária Internacional
de Pernambuco (FLIPORTO)
Novembro
Olinda - PE
12
3ª Feira de São Luis
Novembro
São Luis - MA
Fonte: da autora
Todos esses eventos são importantes para concretização do Turismo
Literário, mas tem alguns que merecem destaque: a Festa Literária de Paraty (FLIP)
que teve início quando a inglesa Liz Calder passava suas férias na década de 1960 em
Paraty, ela gostou e comprou uma casa na cidade, depois colocou em prática seu
projeto de realizar uma festa literária com base nos eventos que acontecem na Europa,
onde geralmente são praticadas em cidades pacatas, sem muitos estandes de livros e
tendas, em um clima mais intimista, deixando o escritor mais próximo do seu público
(BETING, 2005). Este ano o evento será realizado no mês de agosto por causa da
Copa do Mundo e o homenageado será o sociólogo Gilberto Freyre.
40
O Festival de Literatura de São João Del Rei começou nos anos de 1980,
preocupado em discutir a produção literária brasileira, com presença de autores,
editores, críticos e personalidades da vida cultural do país, sendo um eixo catalisador
capaz de fazer circular saberes e práticas da história (FELIT, 2010). Este ano o Festival
acontecerá no mês de setembro e irá homenagear a escritora Ana Maria Machado.
O Festival Literário mais famoso do mundo é o Hay-on-Wye, no País de
Gales, ele foi modelo para outros festivais. Com 42 livrarias, a cidade tem mais livrarias
per capita que qualquer outro lugar do mundo. Seu criador, Peter Florence, teve a idéia
de iniciá-lo em 1988, depois de ganhar uma bolada numa partida de pôquer com
amigos (ROCKENBACH, 2010).
Sobre literatura e cinema comenta Passos (2010, p.14) “são inegáveis as
comparações, principalmente se considerarmos que, desde seu surgimento, foi na
literatura que o cinema se inspirou para elaborar seus roteiros”. O Turismo Literário é
demonstrado e tem auxílio através de livros que se tornam filmes e ganham destaque
mundial, destinos que fomentam o turismo através de obras literárias que viraram filmes
e consequentemente atraem milhares de turistas em busca do lugar onde o escritor do
livro escolheu como cenário de sua história.
Passos (2010, p. 15) lembra que
No caso do Brasil, segundo Sérgio Leite, o italiano Vitório
Capellaro é um dos principais responsáveis pela divulgação, entre
1915 e 1918, dos filmes inspirados em obras da Literatura
Brasileira, pois adaptou Inocência, de Visconde de Taunay,
Iracema e O guarani, de José de Alencar, O mulato, de Aluízio de
Azevedo, e O garimpeiro, de Bernardo Guimarães. Com o
decorrer dos anos, a relação literatura/cinema se intensificou e
grande parte dos textos, sobretudo os canônicos, foi representada
nas telas. (PASSOS, 2010, p. 15)
Atualmente cresce o número de filmes que são inspirados em obras
literárias, prova disso é que os principais indicados da grande festa de Hollywood desse
ano foram baseados em livros, como Invictus, Avatar, Bastardos Inglorórios, Coraline,
Amor sem Escalas, Um Olhar do Paraíso, entre outros.
41
Como revela Passos (2010, p. 16,17) “o filme amplia e intensifica a leitura
da narrativa textual, aumentando o leque de possibilidades de leitura da obra verbal e a
forma de acesso a ela”.
Muitos indivíduos através do cinema buscam um complemento da história
nos livros ou vice-versa, pois o cinema de certa maneira tem um tempo a ser utilizado e
que conta ainda com efeito da música, efeitos sonoros, imagens animadas, entre outras
ferramentas, podendo instigar a vontade de ler um livro, que geralmente contém maior
profundidade na história e detalhes.
Diversas cidades que são citadas em livros mudam sua rotina por conta do
turismo crescente que vem com o sucesso do livro. Foi o caso de Forks, em
Washington, que não é mais a mesma deste o lançamento do livro crepúsculo, de
Stephanie Meyer, os 4 mil habitantes da cidade tiveram suas vidas mudadas por causa
do ponto de encontro de turistas fãs da série, tanto que a casa do vampiro Edward
utilizada no filme é uma pousada e pode ser usada para hospedar qualquer turista que
busca ficar na mesma casa do vampiro protagonista.
Apesar de muitos turistas desejarem conhecer o lugar em que Bela viu
Edward pela primeira vez, o colégio de Forks, fica fechado para visitantes, mesmo
assim, é permitido tirar fotos na entrada e comprar camisetas e agasalhos da escola.
Existe até uma loja dedicada exclusivamente a produtos ligados à saga,
que ainda organiza tours guiados. A praia em La Push também faz parte da trama de
Crepúsculo, para chegar lá, basta seguir a pequena trilha que começa logo atrás da
escola. Durante a noite, um jantar no mesmo restaurante em que Cullen e sua amada
tiveram seu primeiro encontro é o lugar perfeito para quem quer vivenciar todos os
detalhes dos livros de Stephanie Meyer (TERRA, 2010).
Ainda este ano as filmagens do último filme da Saga Crepúsculo vão
acontecer em Paraty, no litoral sul fluminense, e na Lapa. No livro que dá origem ao
filme, há uma rápida passagem dos personagens Bella e Edward pelo Rio de Janeiro,
após se casarem, eles passam a lua de mel na ilha privada de Esme, na costa carioca.
(TERRA, 2010)
Outro fenômeno da literatura contemporânea é o livro Harry Potter, criado
pela inglesa J.K. Rowling, com 400 milhões de livros vendidos; no cinema, já foi visto
42
em seis filmes (três deles entre as dez maiores bilheterias de todos os tempos), outros
dois longas ainda estão por vir. Com tanto sucesso o bruxinho ganhou um Parque em
Orlando, totalmente dedicada ao mundo de Harry Potter, no parque Islands of
Adventure, a Universal, reconstituiu em uma área de 80 mil metros quadrados do
vilarejo medieval de Hogsmeade, com muitos bruxos, elfos e gente do tipo.
A Hogsmeade de Orlando tem as mesmas casas com paredes de pedra
escura, telhados pontudos cobertos de neve e com chaminés inclinadas e precisando
de um conserto dos cenários dos filmes; a Universal não divulga números, mas espera
que com a inauguração haja um crescimento de visitação em torno de 15%
(VIAJEAQUI, 2010).
É importante ressaltar que muitas pessoas realizam Turismo Literário sem
saber, pois muitos filmes, séries e novelas são inspiradas em obras literárias e
influenciam de certa forma as pessoas a viajarem, mas elas não têm conhecimento
sobre qual livro inspirou o desenvolvimento de uma novela, por exemplo, a primeira
telenovela adaptada da literatura brasileira pela Rede Paulista, em 1952 segundo
Passos (2010, p. 16) “foi uma produção de Senhora [...]. No mesmo ano, foram também
adaptadas para a TV as obras Diva, de José de Alencar, Helena, de Machado de Assis,
e Casa de pensão, de Aluísio de Azevedo”.
Além das novelas varias séries e minisséries foram inspiradas na literatura
escrita como: Os Maias, adaptado por Maria Adelaide Amaral da obra de Eça de
Queirós; Hilda Furacão, adaptado por Glória Perez da obra de Roberto Drummond; Mad
Maria, adaptado por José Luiz Villamarim da obra de Márcio de Souza; Memorial de
Maria Moura, adaptado por Jorge Furtado e Carlos Gerbase, da obra de Raquel de
Queiroz; e Capitu, de Luiz Fernando Carvalho, baseada na obra de Machado de Assis.
(PASSOS 2010, p. 16).
No site literarytraveler, desde 1998 é possível ter informações sobre
escritores, destinos, passeios e eventos literários entre outras funcionalidades que
ajudam quem gostaria de realizar uma viagem literária ou ter conhecimento sobre esse
segmento.
Os passeios que estão expostos no site incluem durante o percurso livros e
leitura, acomodação, discussão diária, passeios guiados, duas refeições entre outros
43
serviços, com o principal objetivo conhecer o lugar descrito em uma obra literária,
alguns dos passeios oferecidos são: Rei Arthur Tour Inglaterra, Tour Resistência
Francesa na França, Queen Mary 2 Cruzeiro Inglaterra de Churchill na Inglaterra Tour,
Tour da Polonia-Cracovia, a terra da imaginação e da saudade entre outros.
(LITERARYTRAVELER, 2010).
44
3
CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
3.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
Este capítulo considera uma pesquisa bibliográfica exploratória que,
segundo Dencker (1998, p.124) “caracteriza-se por possuir um planejamento flexível
envolvendo em geral levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes e
análise de exemplos similares” relacionando assim literatura e turismo, analisando
como essas duas áreas podem melhor se desenvolver.
A pesquisa bibliográfica através de livros e artigos, como escreve Dencker
(1998, p.125), “permite um grau de amplitude maior, economia de tempo e possibilita o
levantamento de dados históricos.”
Neste aspecto, foi pesquisada sobre a história da escrita, da imprensa, da
literatura, da leitura; sobre aspectos históricos e conceituais de turismo; a segmentação
turística, a respeito de turismo cultural, focando por último o turismo literário.
3.2 PESQUISA DE CAMPO E OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA
A pesquisa de campo foi executada em julho, agosto e setembro, com o
objetivo de cumprir os objetivos iniciais do trabalho na forma técnica de questionários,
onde foram aplicados 113 questionários, no total.
A princípio, a pesquisa era para ser aplicada na Biblioteca Pública Municipal
Emiliano Perneta em Araucária, onde realmente foi aplicada e, nas Livrarias Curitiba,
que recebe o público alvo que fundamentaria melhor a pesquisa, o contato foi feito com
as livrarias, mas de acordo com a política da empresa, não foi permitida nenhuma
pesquisa por estudantes, pois não é permitida a abordagem de clientes dentro da loja.
O mesmo ocorreu na Biblioteca Pública do Paraná em Curitiba, que também não
permite abordar usuários dentro do local. Em ambos locais, a tentativa para estas
pesquisas contou com a declaração da Universidade Positivo, a qual não foi
considerada.
Os questionários foram aplicados na Biblioteca Casa das Palavras
45
Brincantes em Araucária durante o mês de julho, totalizando 30 questionários. A
pesquisa aplicada foi bem recebida por parte dos entrevistados, que em sua maioria
não se importou em responder aos questionários, isso também se deve ao estágio que
a pesquisadora realizava no local. Por conhecer as pessoas que utilizam o espaço, elas
se disponibilizaram em colaborar com a pesquisa, isso aconteceu durante o mês de
julho, totalizando 30 questionários. Nesse mês a Biblioteca teve 46 empréstimos de
livros e recebeu 150 visitantes.
Na Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta em Araucária durante o
mês de agosto foi totalizado 50 questionários respondidos. A pesquisa aconteceu
durante o mês de agosto. Os questionários foram aplicados de maneira diferente, pois o
local recebe mais estudantes procurando livros para pesquisa de escola e por receber
também muitas pessoas com menos de 15 anos, a opção escolhida junto à
coordenadora da Biblioteca foi deixar os questionários no local para que no momento
de empréstimos de livros o usuário respondesse o questionário, isso aconteceu durante
o mês de agosto totalizando 50 questionários. Nesse mês, a Biblioteca teve 1.144
empréstimos de livros e recebeu 2.073 visitantes.
No dia 18 de setembro (sábado) a pesquisa foi aplicada no Aeroporto
Afonso Pena em São José dos Pinhais, totalizando 33 questionários respondidos, com
o intuito de atingir o público interessado (previsto) em turismo literário. Os questionários
foram aplicados durante o dia das 13h30min até as 16h00min. A princípio, foi realizado
contato com a Livraria La Selva que se encontra dentro do Aeroporto para que a
pesquisa fosse feita dentro da loja, mas não obteve-se bons resultados, por isso
procurou-se a Coordenação de Marketing, Comunicação Social e Imprensa do
Aeroporto, pedindo autorização para aplicar no saguão próximo a Livraria.
A autorização foi positiva e no dia 18 de setembro, 33 questionários foram
respondidos, infelizmente não foi a quantidade esperada, pois não levou-se em
consideração que a maioria das pessoas abordadas se recusaria a responder, sendo
que muitas estavam cansadas, com pressa ou não se interessavam pelo assunto, pois
infelizmente no Brasil o hábito da leitura não é muito comum ainda, e muitos dos
abordados responderam que não lêem, por isso não acrescentariam em nada se
respondesse a pesquisa.
46
3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA
Para a pesquisa de campo foi elaborado um questionário com perguntas
fechadas e abertas.
As questões se referiam ao tema abordado na pesquisa bibliográfica sobre
Turismo Literário, abordando questões a respeito da vontade de conhecer lugares a
partir da leitura de um livro, o conhecimento dos entrevistados sobre esse tema
inovador dentro do turismo, a faixa etária, renda familiar, meses destinado a viagens,
entre outras.
Tudo isso visou identificar o público potencial para este segmento, se existe
a possibilidade das pessoas se identificarem com viagens literárias, se realmente existe
o desejo de conhecer um destino a partir da simples leitura de um livro.
O questionário buscou cumprir os objetivos previamente estipulados para
este estudo, possibilitando mais pessoas terem um breve conhecimento sobre turismo
literário, instigando possíveis novos estudos sobre o tema.
As questões aplicadas foram às seguintes:
Questão 1 – Identificação do entrevistado.
Função: Identificar o sexo dos entrevistados, para observar se homens e/ou
mulheres praticam o Turismo Literário.
Questão 2 – Identificação do entrevistado.
Função: Identificar a idade dos entrevistados.
Questão 3 – Renda familiar dos entrevistados.
Função: Identificar a renda familiar do entrevistado.
Questão 4 – Meses que os entrevistados geralmente viajam.
Função: Verificar quais meses os entrevistados usam para viajar.
Questão 5– Conhecimento de Turismo Literário.
Função: Identificar se os entrevistados sabem o que é turismo literário.
47
Questão 6 – Identificar se realmente existe o desejo de conhecer um lugar
através da leitura de um livro.
Função: Conhecimento sobre a vontade dos entrevistados de conhecer um
lugar através da simples leitura de um livro.
Questão 7 – Identificar se os entrevistados já realizaram Turismo Literário,
se a resposta for positiva, identificar qual foi o livro e qual destino.
Função: Conhecimento dos principais destinos que os entrevistados
apontaram e os livros que motivaram essas viagens.
Questão 8 – Identificar se ao contrario, a partir de uma viagem realizada
sentiu o vontade de ler um livro.
Função: Conhecimento sobre o destino que causou esse desejo e o livro
lido.
Questão 9 – Identificar quem já assistiu a um filme inspirado em alguma
obra literária.
Função: Identificar os livros.
Questão 10 – Verificar quem leu livros antes de se transformarem em
filmes.
Função: Identificar os entrevistados que leram um livro antes de virar filme.
48
4. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Gráfico 1 - Sexo
No Gráfico 1 – Sexo pode-se observar que a maioria dos entrevistados é do
sexo feminino, apenas no Aeroporto o percentual masculino foi maior. Isso se deve ao
fato da Pesquisa ser aplicada na Biblioteca Casa das Palavras Brincantes (CPB) e Na
Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta de Araucária (BIPA) que recebe um
público infantil e jovem que são acompanhados muitas vezes das mães.
Gráfico 2 - Faixa Etária
No Gráfico 2 – Faixa Etária pode-se observar que a maioria dos
entrevistados tem entre 15 a 25 anos, isso se deve ao Público que freqüenta
principalmente a CPB e a BIPA, podendo representar as pessoas que ainda não tem
sua independência financeira, estes representados por jovens em processo de
formação, pois no Aeroporto o maior percentual foi do público entre 25 e 35 anos, que
representam a parcela economicamente ativa, sendo também o único lugar em que foi
entrevistado pessoas com mais de 55 anos.
49
Gráfico 3 - Renda Familiar
No Gráfico 3 – Renda familiar, a maior parte tem entre 4 a 6 salários,
seguidas de 1 a 3 salários que teve maior percentual na BIPA, por receber um público
mais jovem e muitas vezes não saber qual é sua renda familiar. Em seguida vem 7 a
10 salários com um percentual baixo e com mais de 10 salários um percentual
pequeno, sendo que no Aeroporto se comparado com os outros lugares aplicados foi o
que teve maior percentual de 7 a 10 salários, por ter pessoas que viajam
constantemente por diversas razões e contam com um padrão mais elevado de vida.
50
Gráfico 4 – Quais meses geralmente viajam?
No Gráfico 4 – Meses que geralmente viajam, o mês em que os
entrevistados viajam mais são dezembro e janeiro que são os meses de férias e de
verão, seguidos de mês não definido e indiferente.
Muitos dos entrevistados, principalmente no aeroporto viajam todos os
meses, por isso todos os meses tiveram algum percentual, o mês de julho também teve
um percentual significativo por ser o mês de férias no meio do ano, seguidos de
fevereiro que também é mês de férias escolares e do feriado do Carnaval, seguido de
novembro.
Outros meses compreendem a baixa temporada, que conta com preços
acessíveis, as estações do ano no hemisfério norte (primavera/outono) são convidativas
a viajar, é um período em que a natureza fica bela e o clima é agradável, presenteando
o ser humano com paisagens interessantes.
51
Gráfico 5 - Já ouviu falar em Turismo Literário?
No Gráfico 5 – Já ouviu falar sobre Turismo Literário, a maioria dos
entrevistados disse que não, isso se deve ao fato desse segmento ser pouco explorado
em nosso país e consequentemente não ter divulgação nem informação sobre o
assunto.
Gráfico 6 - Já sentiu a vontade de conhecer um lugar através da simples leitura de um
livro?
Com relação ao Gráfico 6 - Vontade de conhecer um lugar através da
simples leitura de um livro, 21,23% do Resultado Total dos entrevistados não tem o
desejo de conhecer um lugar através da leitura de um livro e 78, 76% do Resultado
Total falaram que sim que sentem essa vontade. Isso é muito importante, pois mostra
que mesmo não tendo a oportunidade de realizar uma viagem literária por diversos
motivos, existe a vontade e isso é destacado positivamente para maior conhecimento e
demanda por Turismo Literário.
52
Gráfico 7 - Já viajou a algum destino a partir da leitura de um livro?
No Gráfico 7 – o maior percentual dos entrevistados respondeu que não,
nunca fizeram uma viagem literária.
Os entrevistados que responderam sim tinham que dizer o destino e o
nome do livro.
Na Casa das Palavras Brincantes todos 100% responderam não.
Na Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta dos que disseram sim
foram 10 %, mas ninguém disse nem o destino nem o nome do livro.
No Aeroporto Afonso Pena 24,24% respondeu sim e os destino e livros
foram os seguintes: Verona (Itália), por causa do romance “Romeu e Julieta”,
Istambul/Islã/Alemanha, por causa do romance “A menina que roubava livros”, Chile,
por causa do escritor Pablo Neruda e o restante respondeu sim, mas não disse o lugar
nem o nome do livro.
Gráfico 8 - Alguma viagem já despertou a curiosidade de ler um livro?
53
No Gráfico 8 – Alguma viagem já despertou a curiosidade de ler um livro a
maioria dos entrevistados respondeu que não.
Dos que responderam que sim na CPB 6,66% citaram Petrópolis (RJ), que
despertou ler 1808 de Laurentino Gomes; a outra respondeu sim, mas não lembra qual
viagem nem o nome do livro.
Na BIPA 24% dos entrevistados, responderam sim, mas não lembram qual
viagem nem o nome do livro, apenas um respondeu o lugar: Santa Catarina.
No Aeroporto Representando 39,39% dos entrevistados, responderam sim.
Entre os lugares e livros estão:
Ouro Preto, que despertou ler Inocência de Visconde de Taunay;
Bahia, que despertou ler Capitães de Areia de Jorge Amado;
Roma, que despertou ler Anjos e Demônios de Dan Brown;
Japão, que despertou ler sobre qualquer livro sobre a cultura japonesa;
Outros entrevistados disseram apenas o lugar que despertou interesse
entre eles: Machu Picchu, São Paulo, Porto Alegre, Pantanal, Portugal, Japão e
Santiago no Chile.
Outros ainda disseram apenas o nome do livro que despertou interesse
entre eles: qualquer livro de Thomas Mann.
Outros responderam sim, mas não lembram qual viagem nem o nome do
livro.
Gráfico 9 - Já assistiu algum filme que foi inspirado em uma obra literária?
100
80
60
40
20
0
Sim
Não
CPB
BIPA
Aeroporto Resultado total
Afonso Pena
54
No Gráfico 9 - Já assistiu a algum filme inspirado em alguma obra literária,
pode-se observar no total de entrevistados na Casa das Palavras Brincantes o
percentual que se refere a não de 23,33%.
Entrevistados da CPB que responderam sim somam 76,66%.
Foram citados 17 livros entre eles:
1. 2001 Odisséia no Espaço – 3,22%
2. A Paixão de Cristo – 3,22%
3. Dom – 3,22%
4. Drácula – 3,22%
5. Ensaio Sobre a Cegueira – 9,67%
6. Éramos 6 – 3,22%
7. Forest Gump – 3,22%
8. Harry Potter – 9,67%
9. Laranja Mecânica – 3,22%
10. Marley e Eu – 19,35%
11. O Caçador de Pipas – 6,45%
12. O Código da Vinci – 6,45%
13. O Leitor – 3,22%
14. O Mistério de Feiurinha – 3,22%
15. Romeu e Julieta – 6,45%
16. Saga Crepúsculo – 9,67%
17. Senhor dos Anéis – 3,22%
Pode-se observar que os livros com maior percentual foram Marley e Eu,
Ensaio sobre a Cegueira, Harry Potter e a Saga Crepúsculo.
No Gráfico 9 - Já assistiu a algum filme inspirado em alguma obra literária,
pode-se observar no total de entrevistados da Biblioteca Pública Municipal Emiliano
Perneta de Araucária o percentual que se refere a não de 22%.
Entrevistados na BIPA que responderam sim somam 78%.
Foram citados 26 livros entre eles:
01. A Espera de um Milagre – 2,04%
55
02. A Viagem Maldita – 2,04%
03. Alice no País das Maravilhas – 2,04%
04. As Crônicas de Nárnia – 2,04%
05. Capitu - 2,04%
06. Diário de uma Paixão - 2,04%
07. Dom – 2,04%
08. Ensaio Sobre a Cegueira – 6,12%
09. Harry Potter – 12,24%
10. Macunaíma – 6,12%
11. Marley e Eu – 6,12%
12. Memórias Póstumas de Brás Cubas – 2,04%
13. Meu Pé de Laranja Lima – 2,04%
14. O Caçador de Pipas – 2,04%
15. O Código da Vinci – 10,20%
16. O Homem Ilustrado - 2,04%
17. O Leitor – 6,12%
18. O Médico e o Monstro - 2,04%
19. Primo Basílio – 2,04%
20. Romeu e Julieta – 2,04%
21. Saga Crepúsculo – 12,24%
22. Se Houver Amanhã - 2,04%
23. Senhor dos Anéis – 2,04%
24. Sobre Meninos e Lobos – 2,04%
25. Tarsila do Amaral – 2,04%
26. Terror em Amityville - 2,04%
Pode-se observar que os livros com maior percentual foram Harry Potter,
Saga Crepúsculo e o Código da Vinci.
No Gráfico 9 - Já assistiu a algum filme inspirado em alguma obra literária,
pode-se observar no total de entrevistados do Aeroporto Afonso Pena o percentual
que se refere a não de 18,18%.
56
Entrevistados do Aeroporto que responderam sim somam 81,81%.
Foram citados 22 livros entre eles:
01. 400 Contra 1 - 2,85%
02. A Insustentável Leveza do Mar - 2,85%
03. Anjos e Demônios - 2,85%
04. Desejo e Reparação – 2,85%
05. E o Vento Levou – 2,85%
06. Ensaio Sobre a Cegueira – 11,42%
07. Harry Potter – 17,54%
08. Laranja Mecânica – 2,85%
09. Meu Monstro de Estimação – 2,85%
10. Meu Nome Não é Johnny – 2,85%
11. Nina – 2,85%
12. O Alto da Compadecida – 5,71%
13. O Código da Vinci – 5,71%
14. O Menino do Engenho – 2,85%
15. O Nome da Rosa – 2,85%
16. O óleo de Lorenzo - 2,85%
17. Onde os Fracos Não Têm Vez – 2,85%
18. Out of Africa – 2,85%
19. Romeu e Julieta – 2,85%
20. Saga Crepúsculo – 8,57%
21. Senhor dos Anéis – 2,85%
22. Verônica Decide Morrer – 2,77%
Pode-se observar que os livros mais citados foram Harry Potter, Ensaio
Sobre a Cegueira e a Saga Crepúsculo.
No Gráfico 9 - Já assistiu a algum filme inspirado em alguma obra literária,
pode-se observar no Resultado Total de entrevistados o percentual que se refere a
não de 20,35%.
No Resultado Total de entrevistados que responderam sim somam 79,64%.
57
Foram citados 49 livros entre eles:
01. 2001 Odisséia no Espaço – 0,86%
02. 400 Contra 1 - 0,86%
03. A Espera de um Milagre – 0,86%
04. A Insustentável Leveza do Ser - 0,86%
05. A Paixão de Cristo – 0,86%
06. A Viagem Maldita – 0,86%
07. Alice no País das Maravilhas – 0,86%
08. Anjos e Demônios - 0,86%
09. Capitu - 0,86%
10. Crônicas de Nárnia – 1,73%
11. Desejo e Reparação – 0,86%
12. Diário de uma Paixão - 0,86%
13. Dom – 1,73%
14. Drácula – 0,86%
15. E o Vento Levou – 0,86%
16. Ensaio Sobre a Cegueira – 8,69%
17. Éramos 6 – 0,86%
18. Forest Gump – 0,86%
19. Harry Potter – 13,91%
20. Laranja Mecânica – 1,73%
21. Macunaíma – 1,73%
22. Marley e Eu – 7,82%
23. Memórias Póstumas de Brás Cubas – 0,86%
24. Meu Monstro de Estimação – 0,86%
25. Meu Nome Não é Johnny – 0,86%
26. Meu Pé de Laranja Lima – 0,86%
27. Nina – 0,86%
28. O Alto da Compadecida – 1,73%
29. O Caçador de Pipas – 2,60%
30. O Código da Vinci – 8,69%
58
31. O Homem Ilustrado - 0,86%
32. O Ladrão de Raios – 0,86%
33. O Leitor – 2,60%
34. O Médico e o Monstro - 0,86%
35. O Menino do Engenho – 0,86%
36. O Mistério de Feiurinha – 0,86%
37. O Nome da Rosa – 1,73%
38. O óleo de Lorenzo - 0,86%
39. Onde os Fracos Não Têm Vez – 0,86%
40. Out of Africa – 0,86%
41. Primo Basílio – 0,86%
42. Romeu e Julieta – 3,47%
43. Saga Crepúsculo – 11,30%
44. Se Houver Amanhã - 0,86%
45. Senhor dos Anéis – 2,60%
46. Sobre Meninos e Lobos – 0,86%
47. Tarsila do Amaral – 0,86%
48. Terror em Amityville - 0,86%
49. Verônica Decide Morrer – 0,86%
Os livros mais citados foram Harry Potter, Saga Crepúsculo e Marley e Eu,
pois são livros com maior aceitação do público jovem, que foram entrevistados
principalmente na Casa das Palavras Brincantes e na Biblioteca Emiliano Perneta,
também por ser mais popular principalmente pela divulgação em diversa mídias.
59
Gráfico 10 - Já leu um livro antes de tornar-se filme?
No Gráfico 10 - Já leu um livro antes de tornar-se filme, dos entrevistados
da Casa das Palavras Brincantes 53,33% responderam não, que não leram nenhum
livro antes de tornar-se filme.
Os que leram um livro antes de tornar-se filme representam 46,66% dos
entrevistados da CPB.
Foram citados 11 livros entre eles:
1. Comer, Rezar, Amar – 5,26%
2. Ensaio Sobre a Cegueira – 10,5%
3. Harry Potter – 10,5%
4. Marley e Eu – 5,26%
5. O Caçador de Pipas – 15,78%
6. O Código da Vinci – 15,78%
7. O Leitor – 5,26%
8. O Segredo – 10,5%
9. O Senhor dos Anéis – 5,26%
10. Robson Crusoé – 5,26%
11. Saga Crepúsculo – 10,5%
Os livros mais citados foram O Caçador de Pipas e o Código da Vinci.
No Gráfico 10 - Já leu um livro antes de tornar-se filme, dos entrevistados
da Biblioteca Pública Municipal Emiliano Perneta de Araucária 42% responderam
não, que não leram nenhum livro antes de tornar-se filme.
60
Os que leram um livro antes de tornar-se filme representam 58% dos
entrevistados da BIPA.
Foram citados também 11 livros entre eles:
01. A Cabana – 8,33%
02. Alice no País das Maravilhas – 8,33%
03. Dom Casmurro – 4,16%
04. Ensaio Sobre a Cegueira – 4,16%
05. Harry Potter – 12,5%
06. Marley e Eu – 12,5%
07. O Caçador de Pipas – 4,16%
08. O Iluminado – 8,33%
09. O Ladrão de Raios – 4,16%
10. Ponto de Impacto – 4,16%
11. Saga Crepúsculo – 29,16%
Os livros mais citados novamente foram a Saga Crepúsculo disparado na
frente, logo em seguida Harry Potter e Marley e Eu.
No Gráfico 10 - Já leu um livro antes de tornar-se filme, dos entrevistados
do Aeroporto Afonso Pena 36,36% responderam não, que não leram nenhum livro
antes de tornar-se filme.
Os que leram um livro antes de tornar-se filme representam 63,63% dos
entrevistados do Aeroporto.
Foram citados 15 livros entre eles:
01. A Insustentável Leveza do Mar – 4,75%
02. Carandiru – 4,75%
03. Comer, Rezar, Amar – 4,75%
04. Ensaio Sobre a Cegueira – 9,52%
05. Fortaleza – 4,75%
06. Harry Potter – 19,04%
07. Marley e Eu – 4,75%
08. Ninguém Escreve ao Coronel – 4,75%
61
09. O Caçador de Pipas – 4,75%
10. O Cão Que Uivava Pra Lua – 4,75%
11. O Código da Vinci – 4,75%
12. O Senhor dos Anéis – 9,52%
13. O Testamento – 4,75%
14. Saga Crepúsculo – 9,52%
15. Verônica Decide Morrer – 4,75%
Os livros mais citados foram Harry Potter, Ensaio Sobre a Cegueira, O
Senhor dos Anéis e a Saga Crepúsculo.
No Gráfico 10 - Já leu um livro antes de tornar-se filme, no Resultado Total
dos entrevistados 49,55% responderam não, que não leram nenhum livro antes de
tornar-se filme.
Os que leram um livro antes de tornar-se filme representam 50,44% do
Resultado Total.
Foram citados 24 livros entre eles:
01. A Cabana – 3,07%
02. A Insustentável Leveza do Ser – 1,53%
03. Alice no País das Maravilhas – 3,07%
04. Carandiru – 1,53%
05. Comer, Rezar, Amar – 3,07%
06. Dom Casmurro – 1,53%
07. Ensaio Sobre a Cegueira – 7,69%
08. Fortaleza – 1,53%
09. Harry Potter – 13,84%
10. Marley e Eu – 7,69%
11. Ninguém Escreve ao Coronel – 1,53%
12. O Caçador de Pipas – 7,69%
13. O Cão Que Uivava Pra Lua – 1,53%
14. O Código da Vinci – 6,15%
15. O Iluminado – 3,07%
62
16. O Ladrão de Raios – 1,53%
17. O Leitor – 1,53%
18. O Segredo – 4,61%
19. O Senhor dos Anéis – 4,62%
20. O Testamento – 1,53%
21. Ponto de Impacto – 1,53%
22. Robson Crusoé – 1,53%
23. Saga Crepúsculo – 16,92%
24. Verônica Decide Morrer – 1,53%
Os mais citados foram a Saga Crepúsculo, Harry Potter, Ensaio Sobre a
Cegueira, Marley e Eu e o Caçador de Pipas, livros que são populares atualmente, já
ficaram na lista dos mais vendidos conseguindo atrair grande público, principalmente
jovens.
63
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho elaborado teve o intuito de trazer a tona um tema inovador,
ainda pouco discutido na área do turismo, que tem amplos desafios para ser trabalhado
em nosso país, visto que a partir da aplicação da pesquisa, notou-se que muitas
pessoas não sabem o que é o Turismo Literário, pois realmente falta informação, nem
os profissionais da área tem familiarização com o assunto, imagine meros turistas. Mas
isso não é barreira para a aplicação e conhecimento do segmento, logo a maioria dos
entrevistados sente a vontade de conhecer um lugar a partir da leitura de um livro, e
essa é a questão mais relevante em todo este trabalho porque isso é uma amostra de
que existe sim, demanda a ser explorada.
O que fica claro, é que as obras literárias sempre tiveram, de forma direta
ou indireta influência, em filmes, novelas, séries e seriados, levando as pessoas
imagens pelas palavras, por isso o Turismo Literário é subliminar em muitas viagens. O
Turismo Literário com isso tem um auxílio do cinema, que populariza muitos livros.
A partir de Best Sellers que tornam-se filmes, vários atrativos são criados,
como exemplo o Parque do Harry Potter, em Orlando, na Flórida, proporciona desta
maneira fomentar o turismo de cidades que são descritas nessas obras, muitos lugares
já são destinos turísticos, como é o caso de Paris, na França, descrita no livro Código
da Vinci, entretanto outras
cidades menos conhecidas, começam a se utilizar do
turismo, a partir da literatura criada que viram fenômenos de vendas, como Forks, em
Washington, cidade da Saga Crepúsculo.
É
importante salientar que
infelizmente ainda faltam profissionais
qualificados no turismo em nosso país, para compreender e dar a devida importância a
esse segmento, contudo a educação, a cultura e curiosidade dos brasileiros devem ser
instigadas, pois ainda vemos a leitura como um trabalho e não como um prazer, isso
dificulta a inserção do Turismo Literário, claro que de acordo com a pesquisa deste
trabalho, a vontade de conhecer um lugar através da leitura existe, mas deve ser bem
preparada, pois os livros são capazes de nos fazer viajar a muitos lugares, sejam eles
existentes ou não, mas conhecer os sentidos dos lugares imaginados pelos escritores
proporciona algo único, a vivência, aborda emoção e sentimento, que só sabe quem
realmente tem interesse por livros e lugares.
64
6. REFERÊNCIAS
ABREU, M. Cultura letrada: literatura e leitura. São Paulo: Editora Unesp, 2006.
ANDRADE, J. V. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Editora Ática, 2004.
ALLIENDE, F, CONDEMARÍN, M. A leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento; trad.
Ernani Rosa. Porto Alegre: Artmed, 2005.
ASARAH, M. G. R (organizadora). Turismo: como aprender, como ensinar. São Paulo:
Editora Senac. São Paulo, 2001.
ASATO, J. Turismo e literatura brasileira. Setembro de 2010. Disponível em:
http://www.subtitulo.com.br/2010/09/turismo-e-literatura-brasileira.html. Acesso em 29
de outubro de 2010.
BELTRÃO, O. D. Turismo: a indústria do século XXI. Osasco: Editora Novo Século,
2001.
BETING, G. REVISTAHOST. Movido pelas letras. Setembro de 2005. Disponível em:
<http://www.revistahost.uol.com.br/publisher/preview.php?edicao=0905&id_mat=324>,.
Acesso em 24 de maio de 2010.
BLOOM, H. Como e por que ler. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
BORTOLON, E. Roteiro pelo mundo de Dom Quixote. 2002. Correio do povo turismo.
Disponível
em:
<http://www.correiodopovo.com.br/jornal/infotur/N252/pdf/tur01.pdf.>.
Acesso em 12 de junho de 2010.
BOTTON, Alain de. A arte de viajar. Tradução de Waldéia Barcellos. Rio de Janeiro:
Rocco, 2003.
BRASIL TURISMO. Turismo literário está em alta no Brasil. 2009. Disponível em: <
http://www.viagembrasil.tur.br/NOTICIASVIAGEM919TURISMO+LITERARIO+ESTA+E
M+ALTA+NO+BRASIL.htm>. Acesso em 12 de junho de 2010.
CASAFERNANDOPESSOA.
Um
universo
plural.
Disponível
em:
<http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt/index.php?id=2258>. Acesso em 13 de junho
de 2010.
COSTA, M. M. Metodologia do ensino da literatura infantil. Curitiba: Ibpex, 2007.
65
COTRIM, G. História global: Brasil e geral. Volume único. 8.ed. São Paulo: Saraiva,
2005.
CURTO, M. L, MORILLO, M. M, TEIXIDÓ, M. M. Escrever e ler: materiais e recursos
para sala de aula; trad. Ernani Rosa. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
DENCKER, A. F. M. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. 2.ed. São Paulo:
Futura, 1998.
DIAS, R, AGUIAR, M, R. Fundamentos do turismo. Campinas, SP:Editora
Alínea,2002.
DIAS, R. Turismo e patrimônio cultural: recursos que acompanham o crescimento
das cidades. São Paulo: Saraiva, 2006.
EDWARDS, M. Marco Polo. Revista National Geographic Brasil.São Paulo. n 13. 2001.
FELIT – Festival de literatura de São João Del-Rei. Institucional. Disponível em:
<http://www.felit.com.br/iv-felit-wp/institucional>. Acesso em 25 de maio de 2010.
FOUCAMBERT, J. A leitura em questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
FORTUNA,
F.
Uma
cidade
feita
de
estantes.
Disponível
em:<
http://www.germinaliteratura.com.br/literat_nov.htm>. Acesso em 14 de junho de 2010.
FUNARTE. Publicação da segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no
Brasil. 2010. Disponível em <phttp://www.funarte.gov.br/portal/2010/01/11/publicacaoda-segunda-edicao-da-pesquisa-retratos-da-leitura-no-brasil/>
Acesso
em
15
de
Novembro de 2010.
FURANI, P. P, PINSKY, J (organização). Turismo e patrimônio cultural. 2. Ed. São
Paulo: Contexto, 2002.
GANDARA, J. M. G. G.; CAMPOS, C. J.; CAMARGO, L. A. R.; BRUNELLI, L.H.
Viabilizando a relação entre cultura e turismo: diretrizes para o estabelecimento de
políticas públicas entre os dois setores.Turismo – Visão e Ação, v.8, n. 1, 2006.
GOMES, C. INFOESCOLA. História e origem da literatura. 25 de maio de 2007.
Disponível em <http://www.infoescola.com/literatura/historia-e-origem-da-literatura/>,.
Acesso em 07 de abril de 2010.
66
HORCEL. Turismo cultural. Gazeta do Povo. Curitiba, quinta-feira, 8 de abril de 2010.
Turismo, p. 4-6.
IPHAN - Instituto histórico do patrimônio artístico nacional. Iphan. 2010. Disponível em
< http://www.portal.iphan.gov.br/. Acesso em 25 de maio de 2010.
JEAN, G. A escrita: memória dos homens. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
LAGE, B. H. G, MILONE P C. Turismo: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000.
LAJOLO, M. O que é literatura. 8. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.
LITERARYTRAVELER.
Passeios
literários.
Disponível
em
<http://www.literarytraveler.com/>. Acesso em 19 de outubro de 2010.
LUCCI, E. A. Ibn Battuta: o príncipe dos viajantes. 2000. Disponível em:
<http://www.hottopos.com/videtur22/elianbattuta.htm>. Acesso em 30 de maio de 2010.
MANDEL, L. Escritas, espelho dos homens e das sociedades. São Paulo: Edições
Rosari, 1998.
MANGUEL, A. Uma história da leitura. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo:
Companhia das Letras. 1997.
MOLETTA,
V.
F,
GOIDANICH,
K.
L.
Turismo
cultural.
2.
ed.
Porto
Alegre:SEBRAE/RS, 2000.
_________. MTur. Turismo cultural: orientações básicas. Brasília. MTur, 2006.
NETO, A. P, ANSARAH, M. G. R. Segmentação do mercado turístico: estudos,
produtos e perspectivas. São Paulo: Manole, 2008.
OLIVER M. L. L. A segmentação do mercado turístico: um olhar sobre o universo
feminino. Revista de Turismo. Puc Minas, v.2, n.3, 2007.
PASSEIWEB – seu portal de estudos. Surgimento da imprensa. Disponível
em:<http://www.passeiweb.com/saiba_mais/fatos_historicos/geral/surgimento_da_impre
nsa>, 31 de janeiro de 2008. Acesso em 06 de abril de 2010.
PASSOS, L. R. A imagem pelas palavras: o processo narrativo de Luiz Vilela e seu
desdobramento hipertextual no cinema e na televisão.Belo Horizonte 2010.
67
PELICIOLI, D. Vinho & Poesia visita casa de Pablo Neruda. Disponível em:
<http://www.vinhoepoesia.com.br/default.asp?CodMenu=12&CodSubmenu=203.>
Acesso em 12 de junho de 2010.
REJOWSKI, M (organizadora). Turismo no percurso do tempo. São Paulo: Aleph,
2002.
ROCKENBACH, F. Turismo literário. Diário da Manhã. 6 de abril de 2010Disponível
em: < http://blitz.diariodamanha.com/?p=1811> . Acesso em 13 de junho de 2010.
RODRIGUES, R. S. Segmentação do Turismo. Revista Turismo. Disponível em:
<htpp://www.revistaturismo.com.br/artigos/segmentação.html>, agosto 2003. Acesso
em 11 de maio de 2010.
SALGUEIRO, V. Grand tour: uma contribuição à história do viajar por prazer e por
amor à cultura. Revista Brasileira de História. São Paulo, v.22, nº 44, 2002.
SANTOS, L. S. S. As inter-relações do turismo com a literatura brasileira.
Webartigos. 2010. Disponível em: <http://www.webartigos.com/articles/48008/1/ASINTER-RELACOES-DO-TURISMO-COM-A-LITERATURA-BRASILEIRA/pagina1.html>.
Acesso em 29 de outubro de 2010.
SANTOS,
P.
Destinos
literários.
2009.
Artes
e
letras.
Disponível
em
<http://obviousmag.org/archives/2009/01/destinos_literarios.html>. Acesso em 29 de
maio de 2010.
SODRÉ, N. W. História da imprensa no Brasil. 4ªed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.
SIQUEIRA, J. A leitura no Brasil. Jornal o Tempo. 2005. Disponível em
<http:/www.vivaaleitura.com.br/noticia_show.asp?id_noticia=170>. Acesso em 31 de
maio de 2010.
TERRATURISMO. Turismo vampiro: conheça Forks, o local da saga Crepúsculo.
Disponívelem:<http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/interna/0,,OI4208409EI14045,00T
urismo+vampiro+conheca+Forks+o+local+da+saga+Crepusculo.html>. Acesso em 09
de julho de 2010.
68
UNESCO - Organização das nações unidas para a educação, a ciência e a cultura.
Ciências humanas e sociais. 2010. Disponível em: <htpp://www.unesco.org.br/.>
Acesso em 25 de maio de 2010.
VERISSIMO, J. Breve história da literatura brasileira. Tradução Maria da Glória
Bordini. São Paulo: Globo, 1995.
VIAJEAQUI.
Reino
da
magia
–
universal.
2010.
Disponível
em:
<http://viajeaqui.abril.com.br/vt/materias/vt_materia_565085.shtml>. Acesso em 29 de
outubro de 2010.
XICATTO, C. E. O Turismo literário na revista Cult: uma análise semiótica. UNESP.
Campos de Rosana, SP. 2008.
69
APÊNDICES
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO
70
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO
1)Sexo:
( ) Fem
( ) Mas
2) Idade:
( ) de 15 a 25 ( ) de 25 a 35 ( ) de 35 a 45 ( ) de 45 a 55 ( ) mais de 55 anos
3) Renda familiar
( ) 1 a 3 salários ( ) 4 a 6 salários ( ) 7 a 10 salários ( ) mais de 10 salários
4) Qual (s) mês (s) geralmente viaja:
( ) jan
( ) fev
( ) mar
( ) abr
( ) mai
( ) jun
( ) jul
( ) ago
( ) set
( ) out
( ) nov
( ) dez
( ) mês não definido/indiferente
5) Já ouviu falar em Turismo Literário?
( ) Sim
( ) Não
6) Já sentiu a vontade de conhecer um lugar através da simples leitura de um
livro?
( ) Sim
( ) Não
7) Já viajou a algum destino a partir da leitura de um livro?
( ) Sim
( ) Não
71
Se sim qual (s) destino (s) e o nome (s) do (s) livro (s)?-------------------------------------------8) Alguma viagem já lhe despertou a curiosidade de ler algum livro?
( ) Sim
( ) Não
Se sim qual (s) viagem (s) e o (s) nome (s) do (s) livro (s) que teve vontade de ler?--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------9) Já assistiu algum filme que foi inspirado em uma obra literária?
( ) Sim
( ) Não
Se sim qual (s) o (s) nome (s) do (s) filme (s) ou livro (s)? ---------------------------------------10) Você já leu um livro antes de tornar-se um filme?
( ) Sim
( ) Não
Se sim qual (s) livro (s)?-------------------------------------------------------------------------------------------------------
72
ANEXOS
ANEXO A - MELHORES ROMANCES MUNDIAIS DO SÉCULO XX
ANEXO B - MELHORES ROMANCES BRASILEIROS DE TODOS OS
TEMPOS
ANEXO C – EVENTOS LITERÁRIOS INTERNACIONAIS NO PRIMEIRO
TRIMESTRE DE 2010.
ANEXO D – LIVROS QUE TORNARAM-SE FILMES
ANEXO E – A LEITURA NO BRASIL
73
ANEXO A - MELHORES ROMANCES MUNDIAIS DO SÉCULO XX
1. Ulisses (1922) – James Joyce (1882-1941): Pretende ser uma súmula de
todas as experiências possíveis do homem moderno. Ao narrar a vida de Leopold
Bloom e Stephen Dedalus ao longo de um dia em Dublin (capital da Irlanda), rompendo
assim com todas as convenções formais do romance: criação e combinação inusitada
de palavras, ruptura de sintaxe, fragmentação da narração, além de praticamente
esgotar as possibilidades do monologo interior.
2. Em busca do tempo perdido (1913-1927) – Marcel Proust (1871-1922): Ciclo
de sete romances do escritor, inter-relacionados e com um só narrador. Ampla reflexão
sobre a memória e o poder dissolvente do tempo, o ciclo se apóia em fatos mínimos
que induzem o narrador a resgatar seu passado, ao mesmo tempo em que realiza um
painel da sociedade francesa no fim do século 19 e início do 20.
3. O processo – Franz Kafka (1883-1924): Na obra-prima do escritor tcheco de
língua alemã, o bancário Josef K é intimado a depor em um processo instaurado contra
ele. Mas enredado em uma situação cada vez mais absurda, Josef K ignora de que é
acusado, quem o acusa e mesmo onde fica o tribunal.
4. Doutor Fausto (1947) – Thomas Mann: Biografia imaginária do compositor
alemão Adrian Leverkühn, escrita por seu amigo Serenus Zeitblom durante o desenrolar
da Segunda Guerra Mundial, nela o autor para recontrar o pacto faústico com o diabo,
se vale de aspectos da vida de Nietzsche, da teoria dodecafônica de Shoenberg e do
auxílio teórico do filósofo Adorno.
5. Grande Sertão: Veredas (1956) – Guimarães Rosa (1908-1967): No sertão do
norte de Minas Gerais, o jagunço Riobaldo conta para um interlocutor, cujo nome não é
revelado, a história de sua vida de guerreiro e de seu amor pelo jagunço Diadorim na
verdade uma mulher disfarçada de homem para vingar o pai morto em luta. A escrita de
permanente invenção de Guimarães Rosa (feita de neologismos, arcaísmos,
transfigurações da sintaxe) reelabora a expressão oral e os mitos do interior do país a
fim de criar um quadro épico e metafísico do sertão.
6. O castelo (1926) – Franz Kafka: Em busca de trabalho, o agrimensor K chega
a uma aldeia governada por um déspota que habita um castelo construído no alto da
74
colina. Submetida a leis arbitrarias, a população passa a hostilizá-lo, Kafka morreu
antes de concluí-lo.
7. A montanha mágica (1924) – Thomas Mann (1875-1955): Imagem simbólica
da corrosão da sociedade européia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo em um
sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose, permanece internado por sete
anos, vivendo em ma ambiente de requinte intelectual, em permanente debate com
idéias filosóficas antagônicas, até que decide partir para o front.
8. O som e a fúria (1929) – William Faulkner (1897-1962): No condado imaginário
de Yoknapatawpha, no sul dos EUA, a vida da decadente família Compson é narrada
por quatro personagens distintos, todos obcecados pela jovem Caddy, neste romance
em que a linguagem se amolda à consciência de cada personagem.
9. O homem sem qualidades (1930-1943) – Robert Musil (1880-1942): O exoficial Ulrich é repleto de dotes intelectuais, mas incapaz de encontrar uma finalidade
em aplicá-los. De caráter ensaístico, a obra é uma vasta reflexão sobre a crise social e
espiritual do século 20.
10. Finnegans Wake (1939) – James Joyce: A narrativa, repleta de referencias
simbólicas, mitológicas e lingüísticas que tornam a leitura um desafio permanente, gira
em torno do personagem Humphrey Chimpden Earwicker e sua mulher Ana Lívia
Plurabelle, que vivem em Dublin.
75
ANEXO – B MELHORES ROMANCES BRASILEIROS DE TODOS OS
TEMPOS
1. Grande sertão: veredas (1956) Guimarães Rosa (1908-1967): O sertão é visto
e vivido de uma maneira subjetiva e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou
como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um
processo de integração entre o autor e a temática. Dessa integração a linguagem é o
reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio
sertão, falado por Riobaldo em sua narrativa. Nada mais natural - sendo o homem o
tema de toda literatura, são os elementos básicos da condição humana que, em última
análise, encontramos em 'Grande Sertão - Veredas' no que ela tem de mais
fundamental - o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria.
2. Dom casmurro (1899) Machado de Assis (1839-1908): Tem um enredo
simples, narrado em 1ª pessoa, as personagens são apresentadas a partir das
descrições físicas, fato que caracteriza o Realismo. O romance conta a história de
Bento de Albuquerque Santiago, com cerca de 54 anos conhecido pela alcunha de Dom
Casmurro (apelido ganho por seu gosto pelo isolamento), que decide escrever sobre
sua vida, que se passa em sua maior parte no Rio de Janeiro.
3. Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) Machado de Assis (1839-1908):
Após a morte Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode
suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as
instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos
individuais e sociais não escapam a sua visão aguda e implacável.
4. Macunaíma (1928) Mario de Andrade (1893-1945): Macunaíma parte do
interior da selva amazônica rumo a São Paulo para reaver o amuleto que ganhara de
sua mulher, que subira aos céus desgostosa com a morte do filho, Macunaíma, junto
com seus irmãos Jiguê e Maanape, participa de varias façanhas até recuperar o
amuleto que estava em poder de Venceslau Pietro Pietra (o gigante Piaimã). Contudor ,
perde-o novamente, enganado pela Uiara (divindade dos rios e dos lagos). Desiludido e
sozinho depois da morte dos irmãos, resolve subir aos céus e deixar-se transformar na
constelação da Ursa Maior.
76
5. Triste fim de Policarpo Quaresma (1911) Lima Barreto(1881-1922): A história
se passa no subúrbio do Rio de Janeiro, narrado em terceira pessoa, tendo um
narrador onisciente, que em pequenos trechos vai tecendo o enredo da trama, é um
romance de caráter social e conta a história de um filho da pátria cujo patriotismo
exacerbado e o comportamento fora do comum ultrapassam a barreira do imaginário
indo deparar-se com as margens da loucura. O Major Quaresma é um nacionalista
como raramente se vê, um otimista incorrigível e um defensor da justiça, que segundo
ele seria a cura para todos os males da sociedade.
6. Quincas Borba (1891 ) Machado de Assis (1839-1908): A história gira em
torno da vida de Pedro Rubião de Alvarenga, ex-professor primário, que torna-se
enfermeiro e discípulo do filósofo Quincas Borba, que falece no Rio, na casa de Brás
Cubas. Rubião, então, parte para o Rio de Janeiro e, na viagem, conhece o capitalista
Cristiano de Almeida e Palha e também Sofia que lhe dispensava olhares e
delicadezas. Sofia era mulher de Cristiano, mas Rubião se apaixonou por ela, tendo em
vista o modo em que os dois entraram em sua vida. O amor era tão grande que Rubião
foi obrigado a assumi-lo perante Sofia. Para o espanto, Sofia recusa seu amor, mesmo
tendo lhe dado esperanças tempos atrás, e conta o fato para Cristiano. Apesar de sua
indignação, o capitalista continua. O amor de Sofia, não correspondido, aos poucos
começa a despertar a loucura em Rubião. Essa loucura o levou à morte e foi
comparada à mesma que causou o falecimento de Quincas Borba. Louco e explorado
por várias pessoas, principalmente Palha e Sofia, Rubião morre na miséria e assim se
exemplifica a tese do humanismo suas relações com Rubião, pois queria obter os
restos da fortuna que ainda existia.
7. Memórias de um sargento de milícias (1852 e 1853) Manuel Antonio de
Almeida(1831-1861): Leonardo Pataca e Maria, pais do anti-herói Leonardo, se
conhecem numa viagem de navio. Pataca aplica um beliscão em Maria e recebe de
volta uma pisadela. Depois de um tempo nascia Leonardo. Sua mãe foge com um
capitão de navio e Leonardo fica aos cuidados do compadre, depois de ver-se enjeitado
pelo pai. Preguiçoso e desordeiro, é preso pelo Major Vidigal e obrigado a engajar-se
como soldado. A farda não lhe modifica o caráter, e novamente é preso Maria
Regalada, ex-amante do Major, interfere e consegue convencer Vidigal a libertar
77
Leonardo e promovê-lo a sargento. Leonardo, enfim, casa-se com Luisinha e tudo
termina bem.
8. Vidas secas (1938) Graciliano Ramos (1892-1953): O romance focaliza uma
família de retirantes (Fabiano, Sinha Vitória e os dois filhos do casal) castigado pela
seca e pela caatinga, oprimida pelos que detinham o poder de mando e nivelada a
bichos e coisas, assimilando em seus traços físicos e comportamentos a aridez e
ressequidão da terra.
9. São Bernardo (1934) Graciliano Ramos (1892-1953): Retrata o conflito entre o
capitalismo e o socialismo nas histórias de Paulo Honório e Madalena. Ele, um grande
materialista. Ela, uma professora primária dedicada às causas sociais. No plano afetivo,
encontramos a tragédia do ciúme. Romance do ter e do ser, representados por Paulo
Honório e a sensível Madalena. Tudo acontece na fazenda São Bernardo, próxima ao
município de Viçosa, interior das Alagoas. É nesse cenário do Nordeste brasileiro, terra
vermelha, lama, pó, plantas, relevo, trabalho do homem rural, estações, que os fatos se
desenrolam.
10. Memórias sentimentais de João Miramar (1924) Oswald de Andrade (18901954): Ao contar a história de Miramar, da infância, casamento e amantes, viagens à
Europa e aventuras financeiras no cinema até sua viuvez na época do armistício (o livro
na maioria se passa de em São Paulo de 1912 a 1918), Oswald cria um romance
futurista. Aqui, prosa e poesia se confundem totalmente; alguns dos fragmentos "são"
poesia.O livro tem prefácio de um personagem fictício do livro: Machado Penumbra,
uma sátira aos "intelectuais" de sua época, com estilo pedante, gente que Oswald tanto
combateu.Esta é a primeira obra de ficção, na literatura brasileira, em que foram
experimentados os princípios da prosa modernista de 1922 a 1930.É a fase combativa
do modernismo e o escritor está à procura de uma forma de expressão artística própria
da vida moderna.
78
ANEXO C – EVENTOS LITERÁRIOS INTERNACIONAIS NO PRIMEIRO
TRIMESTRE DE 2010.
Janeiro
Nova York (EUA): 26 a 27 de janeiro (Digital Book World)
Cairo (Egito): 21 de janeiro a 2 de fevereiro
Kolkata (Índia): 27 de janeiro a 7 de fevereiro
Taipei (Taiwan): 27 de janeiro a 1º de fevereiro
Nova Déli (Índia): 30 de janeiro a 7 de fevereiro
Angoulême (França): 28 a 31 de janeiro (International Comics Festival)
Fevereiro
Paris (França): 3 a 6 de fevereiro (Expolangues)
Jerusalém (Israel): 11 de fevereiro
Vilnius (Lituânia): 18 a 21 de fevereiro (feira do livro dos países bálticos)
Alexandria (Grécia): 25 de fevereiro a 14 de março
Março
Abhu Dabi (Emirados Árabes Unidos): 2 a 7 de março
Bruxelas (Bélgica): 4 a 8 de março
Leipzig (Alemanha): 18 a 21 de março
Paris (França): 19 a 14 de março (Salão do Livro)
Bolonha (Itália): 23 a 25 de março (feira de livro infantil)
Bancoc (Tailândia): 26 de março a 6 de abril
Dublin (Irlanda): 27 de março
79
ANEXO D – LIVROS QUE TORNARAM-SE FILMES
1º Crepúsculo de Stephenie Meyer
Fonte: blog.tj.net
2º Diário de Princesa de Meg Cabot
Fonte: blog.tj.net
3º Comer, Rezar e Amar de Elizabeth Gilbert
Fonte: blog.tj.net
80
4º Sherlock Holmes de Sir. Arthur Conan Doyle
Fonte: blog.tj.net
5º Julie e Julia de Julie Powell
Fonte: blog.tj.net
6º O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini
Fonte: blog.tj.net
81
7º Harry Potter de J.K. Rowling
Fonte: blog.tj.net
8º P.S. Eu te amo de Cecelia Ahern
Fonte: blog.tj.net
9º O Senhor dos Anéis de J.R.R Tolkien
Fonte: blog.tj.net
82
10º Entrevista com o Vampiro de Anne Rice
Fonte: blog.tj.net
83
ANEXO E – A LEITURA NO BRASIL
Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2010
Publicação da segunda edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil
A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, tem sido o
principal estudo sobre o comportamento leitor no país, subsidiando o Estado brasileiro
com informações e reflexões relevantes para a elaboração de políticas públicas do livro
e leitura. A primeira edição da pesquisa, realizada em 2001, teve por objetivo básico a
identificação da penetração da leitura de livros no país e o acesso a eles. Buscava,
também: 1) Levantar o perfil do leitor de livros; 2) Coletar as preferências do leitor
brasileiro; 3) Identificar as barreiras para o crescimento da leitura de livros; 4) Levantar
o perfil do comprador de livros. Nesta segunda edição, o objetivo foi diagnosticar e
medir o comportamento leitor da população, especialmente com relação aos livros, e
levantar junto aos entrevistados suas opiniões relacionadas à leitura. O estudo teve,
ainda, os seguintes objetivos secundários: Conhecer a percepção da leitura no
imaginário coletivo; Definir o papel do leitor e do não leitor de livros; Identificar as
preferências dos leitores; Identificar e avaliar os canais e formas de acesso à leitura e
as principais barreiras A pesquisa considerou “leitor” quem declarou ter lido pelo menos
um livro nos últimos três meses anteriores à entrevista, e “não leitor” quem declarou não
ter lido nenhum livro neste mesmo período. Destacamos alguns deles. O que os
brasileiros gostam de fazer em seu tempo livre?
Fonte: Retratos da Leitura no Brasil - Instituto Pró-Livro
O que os brasileiros fazem em seu tempo livre?
84
A atividade leitora ficou apenas em quinto lugar. É curioso observarmos que a leitura
não é considerada uma atividade que relaxa e descansa, mas um “trabalho” que cansa.
Para a Presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Maria
Antonieta da Cunha, em seu diagnóstico da pesquisa, há um claro problema de acesso
aos materiais de leitura, especialmente o livro e, mesmo tendo-os por perto, falta a
descoberta, “a volta na chave que faz a súbita ligação e torna o sujeito capturado para a
leitura”. A pesquisa também revelou a enorme concentração de livros: 66% dos livros
estão nas mãos de apenas 20% da população, ao passo que 8% dela não têm nenhum
livro em casa e 4% somente um. 67% da população brasileira disseram saber da
existência de bibliotecas próximas à sua residência e 20% afirmaram não existir. Este
dado revela a falta de conhecimento dos equipamentos culturais existentes nos
municípios, isto porque o suplemento de cultura da Pesquisa de Informações Básicas
Municipais (MUNIC), realizada em 2006 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), mostrou que 89% dos municípios brasileiros possuem bibliotecas
públicas. Cerca de metade dos não leitores disse não ter qualquer dificuldade para a
leitura, o que nos revela a falta de estímulo à prática. Some-se a este dado o
desinteresse (27%) e “falta de tempo” (29%) como razões alegadas pelos brasileiros
não leitores para não terem lido livros no último ano. A falta de tempo pouco explica
caso não compreendamos a lista de prioridades dos brasileiros em seu dia a dia. Parte
da resposta vimos na questão referente às atividades no tempo livre. A pesquisa
Retratos da leitura no Brasil é complexa e merece uma análise qualitativa minuciosa por
parte dos gestores responsáveis pela elaboração das políticas públicas voltadas para a
área do livro, leitura e literatura.
http://www.funarte.gov.br/portal/2010/01/11/publicacao-da-segunda-edicao-dapesquisa-retratos-da-leitura-no-brasil/
Download

UNIVERSIDADE POSITIVO TURISMO LITERÁRIO: A INFLUÊNCIA